Como o homem foi feito? – Uma Perspectiva Vaishnava

(Texto retirado da seção de cartas da revista Back to the Godhead, em abril de 1982, segue o texto da carta contendo a dúvida do leitor da revista bem como a resposta da revista).

Congratulamo-nos com suas cartas. Escreva para
BACK TO GODHEAD
51 West Allens Lane
Filadélfia, Pensilvânia 19119

Carta:

Eu sou um aluno da quinta série da Arábia Saudita. Nasci em Nova Jersey, EUA. Meus pais são hindus. Eu também sou hindu. Eu gostaria de saber como o homem foi feito e como a terra foi feita também. Eu adoraria se você me escrevesse uma carta e me contasse como eles foram criados.

Senhorita Anjna Nain
Riyadh, Arábia Saudita

Nossa resposta:

Os cientistas modernos inventam muitas teorias sobre a criação, mas como os cientistas da matéria são limitados e defeituosos de muitas maneiras, nenhum de seus relatos é confiável. No Ocidente, as pessoas são atraídas por essas teorias especulativas porque a descrição da criação na Bíblia é tão escassa que não satisfaz sua curiosidade. Mas se nos voltarmos para o Srimad-Bhagavatam, a principal das antigas literaturas védicas da Índia, encontraremos um relato da criação que é completo e confiável, porque é entregue pelo próprio Criador, que está na melhor posição para saber.

O cosmos material é muito mais antigo e muito mais vasto do que poderíamos descobrir com nossas próprias observações. O universo em que vivemos tem agora cerca de 155 ½ trilhões de anos e tem aproximadamente a mesma quantidade de tempo restante antes de ser destruído. Mas a criação do nosso universo não foi a primeira criação, nem será a última. Nem o nosso é o único universo.

Na verdade, os universos materiais são criados e destruídos em ciclos regulares, e esses ciclos continuam interminavelmente, desde tempos imemoriais. Durante cada ciclo de criação, centenas de bilhões de universos surgem. No entanto, toda essa criação material é apenas uma pequena parte do reino de Deus. Porque esta parte é material, ela é criada e destruída, mas além disso está o mundo espiritual eterno, onde não há criação ou destruição. Lá as almas liberadas vivem eternamente em planetas espirituais em associação direta com a Personalidade de Deus. Esta criação material, como uma prisão no reino de Deus, é o lugar para almas condicionadas que querem esquecer Deus e ser independentes Dele. Mas aqui eles também podem ser reformados e aprender a retornar à sua pátria esquecida e eterna. morada pessoal de Deus.

No início da criação forma-se em um canto do céu espiritual ilimitado uma espécie de nuvem chamada mahat-tattva, a energia material de Deus, onde todos os elementos e forças materiais se fundem. Mais tarde, eles são separados um por um (isso é descrito em detalhes no Srimad-Bhagavatam), assim como creme, soro de leite, coalhada, manteiga, ghee e assim por diante podem ser separados do leite. Dentro desta nuvem uma gigantesca expansão de Krishna chamada Maha-Vishnu repousa em um sono místico. Sempre que Ele expira, bilhões de universos de sementes brotam de Suas narinas e poros da pele. Esses universos se desenvolvem em bolas ocas que flutuam no oceano mahat-tattva como aglomerados de bolhas de sabão. Eles duram muitos trilhões de anos, até que Maha-Vishnu inspire e os atraia de volta para Si mesmo. Depois de muitos trilhões de anos, Ele expira novamente, e há uma nova criação como antes.

Depois que os universos saem de Maha-Vishnu, uma expansão Dele chamada Garbhodakashayi Vishnu entra no interior oco de cada um e o enche até a metade de água. Garbhodakashayi Vishnu então se deita nesta água, flutuando em uma cama feita por uma expansão de Sua chamada Ananta Sesa, que aparece como uma serpente de muitas cabeças. Do umbigo de Garbhodakashayi Visnu cresce um lótus; o botão se abre e no centro fica o Senhor Brahma, o primeiro ser criado. Ele é o engenheiro do universo.

Após eras de penitência severa, Brahma torna-se inspirado por Krishna com o conhecimento para completar a criação. Krishna também fornece as sementes da criação, bem como os ingredientes, e Brahma então cria todos os sistemas planetários, divindades controladoras e espécies de vida. (Assim, os atos de criação descritos no início da Bíblia são realizados não pelo próprio Deus, mas por Seu agente, Brahma.) planetas do nosso universo. Brahma também ajuda o Senhor a recuperar as almas caídas do mundo material, formando um grupo espiritual para pregar a consciência de Krishna em todo o universo. Este grupo, chamado Brahma-sampradaya, ainda está ativo hoje na forma do movimento da consciência de Krishna.

Claro, este é apenas um breve resumo da criação. Esperamos que você continue a ler mais sobre isso no Srimad-Bhagavatam.

***

Tradução e adaptação do espanhol para o português por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/como-o-homem-foi-feito-uma-perspectiva-vaishnava/

A Meditação do Cigarro

Um homem veio a mim. Ele sofria do vício de fumar há trinta anos; ele estava doente e os médicos disseram: “Você nunca ficará bom se não parar de fumar.” Ele era um fumante crônico e não conseguia parar. Mas ele tentou, tentou arduamente e sofreu muito tentando. Conseguia por um ou dois dias, mas então a necessidade de fumar vinha tão forte que simplesmente o vencia. Novamente ele caía no mesmo esquema.

Por causa disso, ele perdeu toda a autoconfiança; sabia que não podia fazer nem essa pequena coisa: parar de fumar. Ele se desvalorizou diante de si mesmo; considerava-se a pessoa mais sem valor do mundo. Não tinha mais respeito por si mesmo. E assim, ele veio a mim.

Ele disse: “O que posso fazer? Como posso parar de fumar?” Eu lhe disse: “Você tem que entender. Agora, fumar não é apenas uma questão de decisão. É algo que já entrou no seu mundo de hábitos; já se enraizou. Trinta anos é um longo tempo. Esse hábito tem raízes no seu corpo, na sua química, espalhou-se em você. Não é mais apenas uma questão de decidir com a cabeça; sua cabeça não pode fazer nada. Ela é impotente; pode começar coisas, mas não pode pará-las facilmente. Uma vez que você começou e praticou por tanto tempo, você é um grande iogue – trinta anos de prática em fumar! Já se tornou automático; você tem que desautomatizar isso.” Ele perguntou: “O que você quer dizer por desautomatizar?”

É nisto que consiste toda a meditação: na desautomatização.

Eu lhe disse: “Faça uma coisa: esqueça tudo sobre parar de fumar. Não há necessidade. Por trinta anos você fumou e viveu; é claro que foi um sofrimento, mas você se acostumou a ele também. E o que importa se você morrer algumas horas antes do que morreria sem fumar? O que você vai fazer aqui? O que você fez? Então, qual a importância em morrer na segunda, na terça ou no domingo, neste ou naquele ano – que importa?”

Ele disse: “Sim, isso é verdade; não importa”.

Então eu disse: “Esqueça tudo sobre parar de fumar; não vamos parar absolutamente. Ou melhor, vamos compreender isso. Assim, da próxima vez, faça do fumar uma meditação”.

Ele disse: “Do fumar uma meditação?” Eu disse: “Sim. Se as pessoas zen podem fazer do beber chá uma meditação, uma cerimônia, por que não com o cigarro? Fumar também pode ser uma bela meditação”.

Ele ficou impressionado e disse: “O que você está dizendo? Meditação? Conte-me – nem posso esperar!”

Então dei a meditação para ele: “Faça uma coisa. Quando pegar o maço de cigarros do seu bolso, pegue-o bem lentamente. Curta, não há pressa. Fique consciente, alerta, atento; pegue lentamente com atenção total. Então, tire um cigarro do maço com toda a atenção, lentamente, não da velha maneira apressada, inconsciente, mecânica. Depois, comece a bater o cigarro no maço, atentamente. Escute o som, como fazem as pessoas zen quando o samovar começa a cantar e o chá começa a ferver… e o aroma… Então cheire o cigarro e sinta sua beleza…”

O homem disse: “O que você está dizendo? A beleza?”

“Sim, ele é belo. O tabaco é tão divino quanto qualquer outra coisa. Cheire-o; é o cheiro de Deus”.

O homem ficou um pouco surpreso: “O que! Você está brincando?”

“Não, não estou brincando. Mesmo quando brinco, não brinco. Sou muito sério.”

Então, ponha o cigarro na boca, com toda a atenção, e acenda-o. Curta cada ato, cada pequeno ato e divida-o em muitos pequenos atos para que você possa tornar-se o mais alerta possível.

Dê a primeira tragada: Deus em forma de fumaça. Os hindus dizem, “Annam Brahm” – “Comida é Deus”. Por que não a fumaça? Tudo é Deus. Encha profundamente seus pulmões – isto é pranayam. Estou lhe dando uma nova ioga para um novo tempo! Depois, solte a fumaça, relaxe; dê outra tragada – e faça tudo bem devagar…

Se você puder fazer isso. ficará surpreso; logo verá toda a estupidez disso. Não porque os outros estão lhe dizendo que é estúpido, que é ruim. Você o verá; e não apenas intelectualmente, mas a partir de seu ser total; será uma visão da sua totalidade. E então, um dia, se o vício desaparecer, desapareceu; se continuar, continuou. Você não tem que se preocupar com isso.”

Depois de três meses, o homem voltou e disse: “Ele desapareceu!”

“Agora, eu disse, tente isso com outras coisas também”.

Este é o segredo, o segredo: desautomatizar. Andando, ande devagar, atentamente. Olhando, olhe cuidadosamente e você verá que as árvores estão mais verdes do que nunca e as rosas estão mais rosas do que nunca. Escute! Alguém está falando, sussurrando: ouça atentamente. Quando você falar, fale atentamente. Deixe que toda a sua atividade de despertar torne-se desautomatizada.

Por Osho, que apesar de ter umas sacadas geniais, era um sujeito pra lá de problemático.

Aconselho assistir ao documentário Wild Wild Country na Netflix para saber mais dos perigos de se misturar religião com política, seja qual for a religião.

#meditação #Osho

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-medita%C3%A7%C3%A3o-do-cigarro

As Rainhas Dragão

Lord A .’. (RedeVamp)
Excerto do livro Mistérios Vampyricos

Existe um relato intitulado “As Rainhas Dragão” que fala sobre os mitos de origem da Transilvânia, o qual descobri ainda na década passada, escrito pelo pesquisador David Wilson – mais conhecido como Awo Falokun Fatunmbi, um oraculista especializado no “Ifa” dos africanos. O artigo foi escrito como uma revelação recebida da parte de seus parentes, originários de Arad na Transilvânia, e que tinham o sobrenome Fenyes, cujo significado é “portador da luz”, mais ou menos como o “cohen” hebreu – tal sobrenome pode indicar uma função ritual nas respectivas culturas citadas. Logo no começo do artigo, somos apresentados ao avô Carlos Fenyes, advogado da família Habsburg, e seu filho Adelbert (Adelburt), que era médico da mesma família nos tempos que antecederam a Primeira Guerra Mundial – este também foi embaixador austríaco no Egito. Para quem não conhece os Hapsburg, eles foram a última família que ocupou o trono do Sacro Império Romano-Germanico; alegavam descendência de Cristo, bem como lhes era atribuída a posse da lança de Longinus, a qual inclusive teria perfurado o peito do Messias crucificado e tornava invencível quem a detivesse, tanto que na Segunda Guerra o próprio Hitler não sossegou até consegui-la. A lança também pertence aos mistérios do Graal e tem muita história – sua aparição mais recente foi na trama do filme Constantine, com Keanu Reeves.

Segundo consta, o título de Sagrado Imperador doado à tal família Hapsburg pela Igreja Católica comprou o silêncio deles em sua peculiar história familiar. Particularmente, dado o tom germânico, eu pensaria em Balder como ancestral totêmico e deus sacrificado, mas isso não importa. Segundo o próprio autor, ele detém provas externas acumuladas ao longo de quatro décadas de pesquisa e acredita que a história como nos é ensinada nas escolas, condicionada por interesses de controle político e filtrada pelo academismo e o pensar moderno, e bastante diferente daquilo que realmente aconteceu – e isso tem a ver com a posse de uma tecnologia espiritual que deveria ser um presente para todos e jamais monopolizada em benefício de poucos. E tudo isso pode ser encontrado na história da própria Transilvânia.

Historiadores dizem que a linguagem escrita começou na Europa há quase 5 mil anos; na Transilvânia, há amostras encontradas em sítios arqueológicos que datam de 10 mil anos atrás – estranho intervalo que parece ser ignorado pelos acadêmicos por romper a conformidade de suas ideias. Na mesma região, também foi encontrado um mapa de porcelana com características topográficas exatas. O mapa é impossível de ser datado, mas itens que estavam enterrados juntamente ao mapa foram datados como tendo 20 mil anos de idade. Então, no tempo em que os europeus supostamente estariam fabricando ferramentas toscas de pedra, também estariam forjando mapas em ajuste exato de escala. Alguma coisa está faltando aí, pois o mito da Criação da Transilvânia diz que um caçador seguia um antílope do norte da África até a região das montanhas do que agora é a Roménia.

Segundo David Wilson, existem evidências de que essa região era uma colônia de mineração do antigo Egito. Os egípcios sabiam, compreendiam e usavam os segredos da alquimia como base para o processamento do metal e a transformação do espírito humano. A história acadêmica tende a dispensar a noção da alquimia como uma ciência real, e a matéria recebe pouco estudo sério nos tempos de hoje. Alquimia, da palavra alkemit ou Ala kemit, significa “luz da terra de kemit” ou “luz da terra negra”. A terra do Egito ao longo do Rio de Nilo é rica em platina. Por um processo de fundição, os egípcios conseguiam extrair irídio da platina e, para Wilson, tal elemento assumia importante caráter sagrado nos ritos iniciáticos – permitindo que os adeptos pudessem ver Deus em um arbusto ardente, ou seja, ver através dos véus e realizar jornadas em duplo etéreo.

Na Transilvânia, os segredos da alquimia e desses mistérios eram guardados pelas misteriosas “Rainhas Dragão”, assim como no Egito – um curioso sacerdócio que se mistura com os dragonistas (escrevia assim há quase 20 anos, mas hoje prefiro draconiano) nesse estranho artigo. Suas origens jazem no imaginário atribuído aos “vigias” e “anjos caídos”, para os místicos, e nas estrelas cadentes e meteoritos, para os míticos.

Aparentemente, houve um dilúvio universal que teria exterminado tais sacerdotisas ou quem sabe uma raça com sangue de dragão. Mas aquelas que moravam na Transilvânia conseguiram escapar para as regiões que atualmente pertencem ao Iraque e ao Egito, conforme é narrado no próprio mito da criação da Transilvânia.

Todo mito de criação tende a ser etnocêntrico e especulativo. Em todo caso, a tradição das Rainhas Dragão existia nas regiões montanhosas da Romênia, na antiga cultura acadiana da Suméria e no começo das dinastias egípcias.

Bárbara von Cilli

David também aponta que o escopo de influência dessas mulheres abrangeu o sul da Europa, o norte da África e porções do Oriente Médio, que possuíam uma cultura única, composta de uma confederação solta de Cidades-Estados. Essa cultura recebeu nomes diferentes por historiadores pronomes que refletem a influência do deslocamento de poder entre Cidades-Estados mas falham na precisão da apreciação espiritual comum, ligações científicas e culturais que sustentaram o desenvolvimento desta região. As Rainhas Dragão eram responsáveis pela consagração ritual de reis na Bacia Mediterrânea. Elas possuíam templos no atual Iêmen, no oeste da Nigéria e no sul da França.

Antigamente um rei não podia reinar a menos que fosse ungido pelas Rainhas Dragão, o processo de unção era feito com uma mistura de gordura de crocodilo e sangue menstrual. As Rainhas Dragão tinham abundância de certos hormônios, que podiam ser usados para abrir o terceiro olho, dando ao rei ungido o dom da clarividência. A habilidade de se produzirem os hormônios necessários era considerada genética, então para ser uma Rainha Dragão era necessário também ser filha de uma Rainha Dragão.

Essas mulheres tinham poder de veto efetivo sobre aquele que iria reinar e, como consequência, a tradição desenvolvida fez com que as Rainhas Dragão se tornassem a primeira esposa do rei e, para proteger sua herança genética, elas se casariam com seus irmãos. Esta é a origem do termo sangue azul. Para manter o terceiro olho aberto, os reis ungidos precisavam ingerir regularmente um ritual preparado de sangue menstrual das Rainhas Dragão, assim eles fariam parte do tribunal real.

No Oriente Médio, as Rainhas Dragão viviam em comunidades chamadas Haréns, mas não eram as rameiras descritas na literatura ocidental. A tradição de beber sangue menstrual era chamada “fogo da estrela”, e tal cerimônia foi denegrida pela Igreja Católica pelas histórias de vampiros.

As Rainhas Dragão não eram mordidas por regentes demoníacos; elas preparavam suas poções com carinho e gostavam de beneficiar a comunidade. Acreditava-se que se o rei estivesse alinhado com seu mais alto self como resultado de contato com outras dimensões, ele reinaria em benefício do povo para manter-se alinhado com o plano original da Criação. Em outras palavras, a vida era feita para o benefício de todos. As Rainhas Dragão também eram as guardiãs do mistério da alquimia. A arte ancestral da alquimia foi tanto usada para transformar o metal quanto como medicina para iniciação. A alquimia é essencialmente o aquecimento da platina para fazer irídio.

Na Bíblia o “irídio” é chamado “maná”, que significa “o que é?”. O irídio ou mana era ingerido como parte de um processo ritual. O iniciado jejuava por 30 dias e ingeria mana por dez dias. No fim do processo, o iniciado era descrito como aquele que podia ver Deus em um arbusto em chamas. Essa iniciação é descrita no Livro do Gênesis, quando Moisés recebe os Dez Mandamentos. O processamento do “maná” exige fornos que geram grande calor, e as Rainhas Dragão podiam abrir portais interdimensionais para criar uma chama azul usada para fazer o “mana”. Essa chama tinha um tremendo calor, mas não queimava a carne humana, era chamada de “a chama eterna” e, uma vez acesa, não se apagava. O processo para fazer tal chama é descrito na literatura alquímica como a linguagem dos pássaros. Quando um portal interdimensional é criado vem a relampejar como um flash de câmera, e este lampejo é simbolicamente descrito como um espírito de pássaro. As Rainhas Dragão tiveram vários nomes que dependiam da cultura e região em que elas atuavam.

Esses nomes incluíam Isis, Hator, Maria e Sheba (como a Rainha de Sabá). Acredito que tenha existido um Jesus histórico, mas sua vida não possui uma precisão refletida na Bíblia. “Messias” quer dizer o “Ungido”, e esta é a palavra hebraica usada para descrever as iniciações das Rainhas Dragão.

Na cultura judaica, as Rainhas Dragão eram chamadas de “Maria”. Então, Jesus foi iniciado por Maria, sua mãe, e por Maria Madalena, sua irmã e esposa. Se olharmos para as tumbas dos faraós egípcios, notaremos que seus órgãos internos eram colocados em jarros separados. As Rainhas Dragão usavam esses órgãos como parte do processo de unção. A alquimia do “mana” é tal que, se você ingerir um órgão interno de alguém que faleceu, absorverá suas memórias e experiências de vida. Esta era a base para a crença de que os reis eram divinos. Eles literalmente recebiam a experiência coletiva de todos os seus predecessores. Por essa razão, o corpo de um rei ungido era importante para a instalação do próximo rei.

Alguns filmes e romances vampirescos até hoje trazem releituras dessa curiosa ideia ligada à antropofagia ritualística de certas culturas – incluindo algumas previamente mencionadas em outras páginas, tais como Schytes (Cítas) e os Getae.

Conforme anunciei é, sem dúvida alguma, um artigo que explora a mitologia e a história de forma audaciosa, embora duvido de que haja acadêmicos dispostos a fundamentá-lo ou oferecer algum detalhamento sobre os muitos tópicos lá presentes.

Reproduzi apenas a parte mais convergente para nosso estudo e com o tema deste livro. Mas aqueles que encontrarem o artigo na íntegra observarão apontamentos do autor que demonstram como o Império Romano decidiu criar imperadores sem a dependência das Rainhas Dragão o que os levou às suas políticas de extermínio ao longo do Crescente Fértil e da região da Galileia, para assegurar que nenhum novo rei ungido surgisse naquela região.

O autor também acredita que o corpo de Jesus foi removido da região e levado para o sul da França, para evitar que este caísse nas mãos romanas, o segredo da atual posse do corpo inclusive é guardado pela família do autor, no caso o David Wilson. Ele também explica que a história europeia é pautada no conflito entre os que regiam por iniciação obtida com as Rainhas Dragão e aqueles que regiam sob as bênçãos do papa que comandava a nova regra divina – sua aceitação levou um milênio e meio de confrontos e programas de extermínio em massa daqueles que estiveram reunidos com as “Rainhas Dragão”. Todas as cruzadas e mesmo a caça inquisitorial às bruxas teriam sido os tentáculos desse plano para assegurar o extermínio de todas as Rainhas Dragão e suas descendências.

Mas elas sobreviveram, mesmo que poucas, e seu alcance era longo, Wilson acredita que os Templários e algumas Ordens Monásticas ou de Cavalaria tenham sido criações veladas delas para preservar descendentes e recuperar artigos importantes do seu culto.

Eleanor de Aquitania

Gosto de pensar que talvez algumas rainhas, como Eleanor de Aquitânia (velada criadora do romance de cavalaria e por extensão do tantra ocidental incluso nessas obras) tivesse sido uma delas. Bem como muitas outras damas que vestiram o manto azul de Nossa Senhora e foram patronas de muitas dessas ordens; sincretismo é sempre uma ferramenta curiosa ao lançarmos nossos olhares rumo ao passado. Sábias dragonistas, hábeis em sua invisível arte, jamais se deixariam pegar fácil e certamente estariam por detrás dos meandros do poder. O que não me deixa esquecer de Bárbara von Cilli e até mesmo Elizabeth e Zsofia, da Famila Bathory, ao menos próximo do contexto vampírico que exploramos neste livro.

Como atribuir elementos míticos e místicos às chamadas Catedrais Góticas é tema recorrente no ocultismo, e próprio David Wilson aponta que elas foram construídas para guardar os segredos dessa alquimia das Rainhas Dragão e que sua grande Deusa era Ísis, velada nos subsolos como uma Madona Negra, onde povos nômades da Transilvânia secretamente iam rezar em suas rotas de peregrinação pelo mundo.

A beleza e a importância do culto das Madonas Negras bem como sua expressão da força maior são exploradas no blog Cosmovisão Vampyrica, em, www.redevamp.com.

Infelizmente, os Templários foram destruídos, como bem sabemos, e seu legado e sabedoria tomados pelos membros ávidos de poder do clero e da monarquia não iniciada nos mistérios das “Rainhas Dragão” e acabaram sendo desvirtuados em muitos lugares. O sacrifício de garotas virgens (e que ainda não houvessem menstruado) atos de pedofilia acabaram sendo algumas das práticas erróneas e criminosas mais comuns associadas com esse contexto.

As acusações de nobres beberem o sangue de terceiros – comum da parte dos protestantes para com algumas famílias no Leste Europeu – podiam ser verdadeiras, talvez fossem apenas propaganda política para intimidar adversários ou, ainda, quem sabe, tentativas posteriores dos descendentes do “Sangue do Dragão” tentando recuperar fundamentos que apenas sentiam o potencial para obter, mas que agora estavam fragmentados ou não acessíveis.

Em todo caso, o artigo de David Wilson se encerra com o autor em tom pesaroso pelo descaso dos administradores do museu criado por seu avô na velha mansão Fenyen em Pasadena, Califórnia, para com a rica história de sua família, que tem no brasão a imagem do Dragão Alado, das antigas Rainhas Dragão.

Um fato relevante é que no transcorrer dos séculos tanto a Igreja Católica romana, como a Reforma e o Protestantismo, e mais recentemente o partido comunista fizeram o possível para denegrir e destruir a herança pré-cristã da Transilvânia. Há uma perene influência ou sincronicidade com a cultura dos dragões da Suméria através dos Cárpatos.

O próprio David Wilson aponta em uma das postagens do seu blog que atualmente existem mais de 26 famílias que carregam o dragão vivendo na região. Vale observar que dragões e povos serpentes intervindo e interagindo com humanos existem em diversas eras e culturas – mais recentemente esses mitos são explicados como os anunnaki e outros alienígenas reptilianos na linguagem moderna – será que eles passaram por Marte antes de chegarem aqui?

Particularmente prefiro o tom conotativo dos mitos e ritos mais antigos.

Um epílogo ao Morte Súbita

Lord A:. em 31.05.2022

Meu livro Mistérios Vampyricos foi pesquisado e redigido entre os anos de 2003-2012 e publicado em agosto de 2014 como sabem. Ainda hoje o lançamento dele no stand da Madras Editora na Bienal do livro, em São Paulo, foi uma marca indelével – lembramos até o sabor do vinho chileno da festa. A obra foi bem sucedida. Reencontrar este trecho do livro em 2022 (quase uma década depois da minha última revisão) é como achar uma garrafa selada com uma mensagem dentro a beira mar. Agradeço ao Thiago Tamosauskas por reviver este trecho aqui no Morte Súbita.

Dragões, anjos caídos ou simplesmente estrelas cadentes e meteoritos? Todos são fascinantes per se! Eles encarnam aqueles relatos atribuídos a “Memória” ou a “Ancestralidade” que é escrita na pedra e no sangue; diametralmente oposta à história escrita em papel ou pergaminho.Que sempre serviu na maior parte das vezes para justificar alguns babacas possuírem as chaves do arsenal, da biblioteca, da prisão e do palácio – e quase sempre essa última chave sempre foi a mais importante para eles. Sem tudo isso esses caras são e sempre serão o que foram um bando de estúpidos. Essa abstração chamada humanidade sempre e em sua maioria foi composta por eles. Desde o neolítico e estes serviam para morrerem como água. E para alguns dos “nossos” transmitirem e ressurgirem através de nós em tempos melhores. Dizem que todas obras ocultistas da modernidade oscilam entre dois pólos – Phil Hine e Michael W Ford para iniciantes versus Kenneth Grant e Michael Bertiaux para quem manja. É o que dizem. No entanto, se ouvidam de uma Maria de Naglowska da vida e outras mulheres muito mais interessantes.

Ainda hoje uma taça de vinho a beira de uma fogueira na floresta em noite de lua negra oferece algo; que jurisprudentes e sacerdotes (abraâmicos) da história escrita pelos povos do livro jamais conseguirão apagar.Sejam generosos com o que lhes direi: ainda assim prefiro interpretar tais assuntos por viés do conotativo, do subjetivo, da alegoria, do simbólico e metafórico tão caro e precioso a alquimia. Então, ao concluírem a apreciação dos meus livros ou este texto não saiam por aí buscando no Mercado Livre por irídio, banha de crocodilo ou fazendo propostas pouco usuais para vossas mulheres. Sejam, digamos, mais razoáveis. Saber o mito não implica ter a receita do rito e do seu preparo ou condução. A vida adulta implica saber disso. E saboreiem mais noites de vinho e a luz de uma fogueira, com limões vermelhos jogados dentro dela antes de acender as chamas.

No livro falei e pontuei bastante o relato do grande David Wilson, ele usava seu nome civil nas redes sociais, na época que escrevi Mistérios Vampyricos; mas hoje é mais conhecido por seu nome religioso como Awo Falokun Fatunmbi e tem um trabalho extraordinário promovendo o Ifá e sendo babalawo na América do Norte. Para investigar e entender as origens de sua família húngara, seguiu curiosas visões de seus ancestrais que o levaram inesperadamente à África. Dentre muitos de seus livros Ancestral Memories, aprofunda seu relato sobre as Rainhas Dragões. Todas as suas obras publicadas falam por si e se encontram disponíveis, lá na Amazon e podem ser conhecidas neste link.

As tais Rainhas Dragões foram aquelas que nos primórdios eram avatares de grandes deusas em tribos notáveis e impérios destacáveis.Sua descendência, sua criação e suas dinastias eram de outra estirpe. O que nos leva a um “Sangue” ou ainda o papo de “Sangue-Bruxo” caro aos tradicionalistas bruxos ingleses. Também falamos de uma raça humana em aparência que figura em histórias de Lovecraft, Yeats, Machen e antes deles nas fábulas onde há seres feéricos. E que depois da idade média foram sintetizadas meramente como bruxas ou vampiras. É uma história talhada na pedra e no “Sangue”, não em pergaminhos delicados ou feitos para evitarem diálogos com o velho norte. O que mais posso lhes dizer sobre tais diálogos é o seguinte – quando o resultado dele parecer biografia e cronologia da editora Marvel, você já perdeu o fio da meada. É sobre lampejos e conexões.

Vocês podem chamar as Rainhas Dragões por outros nomes também, elas estarão lá como sempre estiveram. Estão aqui desde o início, como me confessaram incontáveis vezes.

Contos de fadas antigos e o folclore podem falar melhor disso do que textos acadêmicos – ou tabelas de ocultistas protestantes que juram saber até o cep de Lúcifer na Vila Madalena em São Paulo. Parem com isso! Falamos do que vem desde (pelo menos) o neolítico e jaz nos estratos e camadas cerebrais igualmente primitivas que habitam a camada dos imperativos do nosso cérebro, desvelando como somos mais irracionais e movidos por desejos realizados (ou não realizados) do que gostamos de pontuar e assumir nas redes sociais. Curtam o calor e a luz da fogueira, em uma floresta nas noites sem luar – saboreiem o vinho! Quem sabe no céu escuro anjos caídos, dragões ou estrelas cadentes e meteoritos não lhe contem tudo que estiver preparado para receber?


Lord A.’. é autor de diversos livros entre eles, Mistérios Vampyricos, Deus é um Dragão e a série Codex Strigoi. Desenvolve ainda uma série de iniciativas e eventos culturais para a divulgação da Cosmovisão Vampyrica e da comunidade vamp no Brasil bem como as transmissões da RedeVamp, o site redevampyrica.com, o podcast Vox Vampyrica, e a comunidade Campus Strigoi

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-rainhas-dragao/

A Rectificação do Calendário Thelêmico

O Evento tecnicamente conhecido como “Equinócio dos Deuses” ocorreu a 20 de março de 1904 e.v. Uma vez que o Calendário Thelêmico inicia a sua contagem a partir desta data conclui-se naturalmente que o período entre 20 de março de 1904 e.v. e a mesma data de 1905 e.v. corresponda ao ano I do Aeon de Hórus . Assim temos que:

20/03/1904 e.v. a 21/03/1905 e.v. = ano I
20/03/1905 e.v. a 21/03/1906 e.v. = ano II
20/03/1906 e.v. a 21/03/1907 e.v. = ano III
………………………………………………………….
20/03/1996 e.v. a 21/03/1997 e.v. = ano XCIII
20/03/1997 e.v. a 21/03/1998 e.v. = ano XCIV
20/03/1998 e.v. a 21/03/1999 e.v. = ano XCV

Existe, portanto, uma defasagem de um ano em relação ao Calendário em voga, que afirma encontrarmo-nos no ano XCIV do Aeon de Hórus quando uma contagem mais correta seria a de XCV, como acima demonstrado. Temos perfeita ciência de que nada expusemos no presente trabalho além de uma simples operação de aritmética ao alcance de qualquer um que possua o curso primário ainda que incompleto e, se existe algo de intrigante ou misterioso aqui, é como um raciocínio tão simples não terá ocorrido a ninguém em quase um século desde a Promulgação da Lei. Se isto não é um indício bastante claro da situação lastimável em que o movimento dito Thelêmico haverá mergulhado, sinceramente não sabemos o que poderá ser.

Por Frater Sinn

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-rectificacao-do-calendario-thelemico/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-rectificacao-do-calendario-thelemico/

Z-Nation e a Kabbalah

z-nation-kabbalah

Um dos melhores seriados de Zumbis na atualidade, Z-Nation segue passo a passo a cartilha da Jornada do Herói. Tentarei ser bastante sucinto para não dar nenhum spoiler e vocês mesmos poderão fazer as comparações dos Personagens com as Sephiroth conforme forem avançando nos episódios.

MALKUTH é o mundo ordinário, que, no caso, é o Apocalipse Zumbi. As pessoas vivem suas vidas tentando sobreviver ao dia seguinte. Nesse ambiente inóspito e problemático, surge Alvin Murphy como TIFERET, o herói e provável salvador da humanidade (não explicarei por quê). Assim como Neo, em Matrix, é conduzido por Morpheus, The Murphy, o “Salvador da Humanidade” é conduzido e guiado em sua jornada por YESOD, na figura de Roberta Warren, que traz consigo as características de “mãe” da turma e ao mesmo tempo das deusas caçadoras como Ártemis e Diana (ela é uma das militares do grupo). 10K é o “aprendiz”, em HOD, o mais jovem, ágil e mais preocupado com a matemática (especialmente a contagem dos mortos) e assuntos de engenharia e balística do grupo; seu principal amigo e tutor é o Doc, que além de ser o mais velho e o psicólogo da turma, também atua como o pajé e curador do grupo, representando a Esfera de CHESED. O guerreiro “porrada” que representa GEBURAH é o agente do DEA Javier Vasquez, que forma um par não-declarado com Roberta. A “Musa” representando a beleza de NETZACH na equipe é Addy, que mesmo gata, é extremamente perigosa.

A “Jornada” dos heróis começa em Nova York e (até agora) tenta chegar na Califórnia, passando por diversos obstáculos, inimigos e situações. Seu Anjo Guardião, que ao mesmo tempo em que possui todas as informações (HOCHMA), também é o restritor (BINAH) pois o time segue suas orientações e ele limita o caminho a ser percorrido é o Cidadão Z, que, por estar fisicamente afastado, atua atrás do Abismo.

O Objetivo? Salvação da humanidade… Z-Nation acaba de confirmar a terceira temporada, então ainda há muito o que acontecer… aguardemos os próximos capítulos.

Se você gostou do post mas não entendeu o que é a Jornada do herói ou a Kabbalah, recomendamos fazer o Curso em EAD de Kabbalah Hermética.

#Arte #Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/z-nation-e-a-kabbalah

A Construção de Companheiros Humanos Artificiais

Anton Szandor Lavey

Os meios pelos quais um humanoide pode ser construído são tão diversos quanto à escolha de materiais que permitirão tal feito. No passado, os seres humanos artificiais eram formados a partir de metais, as seções do corpo unidas como em uma armadura, ou então eram formados em tecido emborrachado ou em borracha real esticada sobre uma estrutura esquelética, com o mecanismo de acionamento do robô contido em seu interior.

O androide mais rudimentar precisava ser nada mais do que um substituto visualmente e palpavelmente convincente. Não há nada de errado com isso já que o apelo principal do humano ide reside na aproximação do comprador com sua “outra metade”. Como sua natureza era de nos fazer cair em “amor à primeira vista,” o que era visto com entusiasmo seria entusiasticamente melhor aceito. Companheiros artificiais que são agradavelmente ouvidos, cheirados e sentidos também constitu em pontos de venda positivos. Porém , é necessário que um companheiro artificial pareça certo ao seu comprador, isso é de primordial importância.

Em uma nova indústria estas coisas não possuem necessidade imediata de obsolescência planejada, já que a oportunidade de melhoria constante permanece como uma condição fresca e inexplorada. Quanto mais à concorrência entre as fábricas de produção de humanoides se desenvolvem, maior será a elaboração e a complexidade do androide .

Inicialmente, haverá alguma relutância em admitir o uso de androides, especialmente por parte das pessoas que mais precisam deles. Daí deve ser considerado o desenvolvimento inicial de humanoides. Apesar dos anúncios que se veem na televisão de bonecas infláveis realmente grotescas que acompanham cavalheiros em festas de piscina, duvida-se que os egos dos compradores desses anúncios tenham concretizado um nível de indiferença pública, brincalhões são a exceção. Muitos androides primeiramente serão relegados para a gaveta da cômoda, para as sapateiras ou para um espaço sob a bancada da garagem quando não estiver em em uso, somente trazidos para fora quando “ o caminho estiver livre ” e ninguém estiver vendo.

Antes de embarcar no projeto de construção de um humanoide, deve-se considerar as exigências do fabricante, as necessidades de sigilo, o talento e os materiais disponíveis. Se você quer companhia de natureza puramente visual, podem ser utilizadas técnicas empregadas por escultores modernos . Os valores podem ser esculpidos em madeira, blocos de isopor devidamente colados ou lançar moldes nas muitas variedades de plástico disponíveis. Se você escolher esse método, há vários livros excelentes no mercado que fornecem instrução sobre esculpir figuras em madeira e esculturas com várias resinas de plástico ou fibra de vidro. Papel machê, gesso e outros métodos são facilmente aprendidos. A principal desvantagem de fazer o seu androide a partir de tais materiais é a falta de maleabilidade e maciez, além de uma notável limitação de movimentos do corpo. Na pior das hipóteses, você vai gastar uma grande parte do seu tempo em uma criatura que será, essencialmente, um manequim para exposição quando concluído.

Se suas necessidades são em grande parte como voyeur, você vai economizar muito tempo obtendo um manequim descartado ou danificado em lojas para usar como base sobre aquele que você irá construir. Manequins são geralmente fundidos a partir de pessoas vivas, mas é improvável que você irá encontrar um corpo ideal para suas demandas estéticas. A maioria possui um a camada extremamente fina de modo que a roupa se encaixe melhor para a exibição nas vitrines , e muitos são anormalmente alongados no tronco, pernas, braços e pescoço. Manequins masculinos são, invariavelmente, mais finos do que o normal para facilitar o lojista quando vesti-los. Rostos das mulheres tendem a ser aquilinos ou estéreis, e os dos homens são extremamente sem-graça. Nenhuma loja quer uma mulher com rosto sedutor ou um homem com cara de obrigação em sua janela diminuindo a beleza da roupa pendurada em cima deles. A menos que o seu gosto vá para mulheres que só comem vagens e homens magros como placas, você terá que modificar qualquer manequim.

Apesar de um manequim ser uma base adequada para seu humanoide , seus movimentos são normalmente limitados quanto ao rearranjo de braços e mãos. Descobri para as partes que são intercambiáveis (braços, mãos, as metades superior e inferior do corpo), peças que aumentam sua flexibilidade de posicionamento. Meus primeiros humanoides foram construídos a partir de manequins que eu seccionei, separando os pedaços de pernas, braços, pescoço e torso, e envolvendo – os com fibra de vidro ou elástico , em seguida, adicionando um composto de resina e talco sobre áreas construídas com diversos materiais. Desta forma eu criei algumas pessoas grotescas e belas – assim com o são as pessoas reais.

Se você pretende limitar seu humanoide artificial como um companheiro puramente visual , não importa quão pedregosa seja sua superfície. Ele pode ser pintado, dependendo da sua habilidade, de maneira tão realista quanto qualquer ser vivo possa parecer.

Se você quer apertar a mão de sua criação ou dar-lhe um pequeno aperto, no entanto, é melhor você ter uma imaginação altamente desenvolvida ou sua bolha irá estourar . Flexibilidade e realismo táteis são evidentes através de melhorias na rigidez. Existem três métodos básicos que tenho empregado para atingir estes fins: a pele cheia de ar, uma pele com enchimento e uma substância moldada que é suave ao toque.

Vamos considerar o tipo difundido por empresas de sex-shops apresentando anúncios do que parecem ser criaturas extremamente glamorosas . O comprador animadamente abre o seu pacote para descobrir um vinil fino (PVC, não BVD) com vestido, calcinha rosa, e com uma máscara dura ligada ao seu topo. Ele , tremendo , retira o maiô de plástico da boneca e encontra uma válvula onde passa a soprar para enchê-la, até ficar tonto e sem ar . E ele é recompensado com uma glamorosa menina hidrocefálica e esquálida . Qualquer semelhança com uma donzela voluptuosa é puramente mental. Alguns modelos esportistas oferecem um orifício vaginal (do diâmetro de um relógio de bolso) entre as coxas , e algumas “ melhorias ” entre outras.

Se quiser fazer seu próprio companheiro inflável você pode fazer um trabalho melhor, cortando folhas de vinil em partes e soldando eletricamente as costuras no local desejado. Par a obter um valor razoável, fixe o vinil em um modelo vivo da maneira que uma costureira marca no modelo onde as costuras e articulações serão. Remova os pinos (certifique-se que eles estão fora das linhas que você marcou ) e corte-o, de seguida soldando o vinil. As áreas mais problemáticas neste tipo de construção são a cabeça, mãos e pés. A cabeça e pescoço devem ser construídos separadamente e, em seguida, montados de forma perfeita , em especial na abertura da garganta da pele de vinil , e colado com uma cola especial de cimento plástico para assegurar uma vedação que estanque completamente o ar. Se você tentar fazer a cabeça pelo mesmo método que o resto da figura, ela vai parecer ou hidro ou microcefálica .

O mesmo com as mãos e pés. Eles não devem se assemelhar à presuntos de piquenique ou pequenas nadadeiras. Pare a construção nos pulsos e tornozelos e insira tornozelos rígidos e pés, além de mãos separadas , juntando-as nos pulsos. Estes podem ser moldados a partir de uma pessoa viva ou através de um manequim. Vede as articulações, como você fez com o pescoço. Se você tiver cuidado, as articulações serão quase imperceptíveis, já que as folhas de vinil são extremamente finas . Em um lugar conveniente (eu prefiro a parte de trás do pescoço, já que uma peruca vai cobri-lo) coloque a válvula utilizada para a inflação ou através de solda elétrica ou cimento plástico usado para reparar brinquedos de praia. Qualquer departamento de brinquedos irá produzir um brinquedo inflável barato no qual a válvula pode ser facilmente removida, e assim você poderá arranjar válvulas facilmente em brinquedos como estes.

Não desanime se suas primeiras tentativas não cumprir em com as suas expectativas, pois a experimentação e a inovação serão os seus melhores professores. A principal desvantagem do androide inflável é a sua incapacidade de permanecer em qualquer posição fixa, devido à distribuição igual de ar dentro dele . O corpo humano é constituído por diversos graus de densidade e de tónus musculares , para não mencionar um quadro engenhoso conhecido como o esqueleto. Tendões seguram membros e superfícies, assim o peso é distribuído adequadamente para as ações humanas.

O seguinte método de construção com uma pele preenchida com enchimento permite alguns destes fatores. Sua principal desvantagem é a dificuldade de ocultação . Uma boneca inflável pode ser armazenada em uma pequena caixa, gaveta ou levada em uma sacola de compras até onde seja necessário – um atributo que falta às pessoas reais . Uma figura “ recheada ” ocupa tanto espaço quanto um ser humano genuíno.

Ao contrário do tipo de manequim com superfície rígida, este que você poderá fazer é flexível o suficiente par a comprimi – lo um pouco, mas ainda assim deve ser considerado se você está preocupado com as instalações de armazenamento ou não. Um androide enchido pode ser construído com ou sem um esqueleto, embora uma estrutura interna vá elimi nar a problemática da aparência pouco natural inerente a um produto inflado.

Um esqueleto de base pode ser construído a partir de cavilhas ou de metal , ou também através de um tubo de plástico. Juntas de quadris, cotovelos, joelhos, etc, podem ser formados por rasgos e fixações ou com articulações comercialmente disponíveis . Dois ganchos para a aproximação dos ombros e para a região pélvica podem ser cortados a partir da madeira, a partir do qual os braços e as pernas estarão suspensos. Técnicas de construção de Marionetes são de valor inestimável e deve m ser estudada s da maneira que se estuda a anatomia humana. Descobri que o substituto mais facilmente obtido e eficiente para a coluna vertebral é um comprimento de tubagem flexível, tal como é utilizado para candeeiros ou cabos eléctricos. Uma das extremidades é fixada à placa pélvis e o topo final passa pela placa do ombro direito para dentro da cabeça. Assim, o torso e a cabeça podem ser posicionados em qualquer forma desejada.

A pele exterior pode ser de qualquer tipo de material que possa ser cosido ou colado, como folhas de vinil eletricamente soldadas . No vinil , porém, falta a resiliência da pele humana que as folhas de borracha ou tecido s elásticos proporcionam. Corte o padrão para a parte superior do tronco separado do tronco e das pernas inferiores. Tal como acontece com a boneca inflável, esqueça a cabeça e as mãos até mais tarde, uma vez que esta s podem ser áreas problemáticas. Feche o pescoço e os pulsos com uma extensão que será adicionada a cabeça e às mãos. Tal como acontece com humano ides infláveis, eu descobri que é melhor inserir pés e tornozelos pré – formados rígidos.

Ao construir uma figura de pelúcia, isso deve á ser feito antes do enchimento ser inserido, empurrando os pés que estão ligados às extremidades dos “ossos” dentro da pele exterior que foi formada , sendo esta muito parecida com os pés dormentes das crianças. Eu tenho usado um zíper (ou velcro) para prender as duas secções do corpo, mantendo – a juntas na cintura. Este método não só permite que seja inserido com uma maior facilidade o enchimento em ambas as seções, fechando o zíper gradualmente até que modele bem , mas fornece acesso às entranhas de sua criação, se você desejar adicionar vários “órgãos”, ou algo menos sofisticado. É impressionante o que pode ser feito usando um pouco de criatividade.

Faces podem ser modeladas a partir de pessoas vivas usando procedimentos estabelecidos pela técnica de moulage . A máscara de látex flexível pode ser atada a uma cabeça sem rosto, a peruca escondendo qualquer amarra . Assim, se você está cansado de um rosto ou expressão básico demais , você pode simplesmente substituí – lo por outro com a mesma facilidade como amarrar os sapatos. Se o seu homem ideal ou a mulher ideal não está disponível para fundição, esculpa – o em argila, fazendo um molde e não precisará procurar mais. Perucas podem ser presas à cabeça com fita adesiva dupla – face ou velcro.

Plásticos, que sã o altamente tóxicos, são trabalhados por um amado r com instalações de ventilação e podem ser empregado s em condições industriais. No entanto, a espuma de poliuretano flexível com célula aberta ou fechada é facilmente disponível em folha o u em bloco e pode ser empregada como forma realista da “carne”. E nrole a armadura ou o esqueleto com ele ou com blocos laminados inteiros , e esculpa o molde com uma faca elétrica. Ao corpo acabado pode ser dado uma “pele” de PVC aplicada com fita dupla – face ou recoberto com um órgão de preenchimento adequado.

A eletrônica pode ser facilmente incorporada . Mecanismos de voz não são nenhum desafio. Eu escondi em meus humanoides pequenos gravadores na cabeça, com a abertura do alto – falante sob a peruca. Cassetes pré – gravado s inseridos numa ranhura sob a linha fina proporcionam um efeito audível convincente. Os odores associados com os seres humanos são simples de se fornecer, usando perfumes, colônias ou algo pior.

E todo o congresso de pênis, vulvas, vaginas, saco escrotal, seios, mamilos, etc, podem ser encontrados em qualquer loja de artigos sexuais ou catálogos das mesmas . Com poucas exceções, todos esses objetos são sem corpos . Vamos juntá-los para as formas humanas a que pertencem.

Tenho grande respeito por aqueles pioneiros que fizeram seus próprios companheiros humanos artificiais não importando o quão difícil inicialmente pareceu ser . Eles percorreram um pequeno passo e chegaram o mais perto possível de brincar de ser Deus e criar o homem ou a mulher de acordo com sua imagem deseja da. Com uma saída criativa envolta em tabus antigos como esta, a inovação pode agora correr desenfreada – no ritmo de novas artes de modelagem humana que vê m a ser conhecidas.

O mundo crepuscular e bizarro do ventríloquo, o boneco e seu mestre, talvez possa ser entendido melhor por outras pessoas do que pelas mentes dos psicólogos. O elemento esquizoide aceitável em todos nós – aquele que seleciona nossos companheiros – tem um portal fresco, novo e aberto a se cruzar . Através de substitutos , a raça humana sobreviverá .

Anton Lavey. Excerto de “Devil’ s Notebook ”, 1992 – Tradução: Nathalia Claro

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-construcao-de-companheiros-humanos-artificiais/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-construcao-de-companheiros-humanos-artificiais/

Crônicas de Carneiros e Ratos

Magia+do+Caos

Aqui está o PDF e aqui está a versão impressa!

O nome de cada povo no livro corresponde aos 12 signos da astrologia chinesa. Porém, este é apenas um pano de fundo da história. Eu me aprofundo mais em debates a respeito do papel do destino e do livre-arbítrio, assim como dilemas éticos.

Aqui vai a sinopse:

“O povo dos carneiros e dos ratos estão em guerra. Os ratos acreditam ser os escolhidos para matar em nome de Deus e causar o fim do mundo. Os carneiros desejam evitar que isso aconteça. A religião de cada povo possui uma profecia a respeito de como será o fim dos tempos. O Guardião da Ratoeira será aquele que morrerá pela salvação do mundo.

Wara vive numa pequena cidade do interior sem nome, conhecida por ‘Esquecida’. Os sacerdotes declaram, através da interpretação de seu mapa astral, que ele poderá ser um dos últimos sobreviventes no fim do mundo, conforme a profecia. O exército é enviado para retirar os habitantes da cidade, e talvez eliminar alguns deles. Kalaros, o melhor amigo de Wara, se recusa a sair e é capturado. Nas décadas seguintes, enquanto estuda numa universidade de magia, Wara se pergunta onde estará seu amigo Kalaros. Ele acredita que ele pode ter sobrevivido”.

Embora o livro seja grande (500 páginas) convido-os a ler ao menos o primeiro capítulo para sentir a atmosfera. Minha intenção foi realizar diversos debates sobre magia, religião e filosofia de forma divertida. Espero que gostem!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cr%C3%B4nicas-de-carneiros-e-ratos

A Exaltação de Inana

Por Enheduanna.

1-12. Senhora de todos os poderes divinos, luz resplandecente, mulher justa vestida de esplendor, amada de An e Uraš! Senhora do céu, com o grande diadema, que ama o bom cocar condizente com o ofício de sacerdotisa, que se apossou de todos os seus sete poderes divinos! Minha senhora, você é a guardiã dos grandes poderes divinos! Você assumiu os poderes divinos, você pendurou os poderes divinos de sua mão. Você recolheu os poderes divinos, apertou os poderes divinos em seu peito. Como um dragão, você depositou veneno em terras estrangeiras. Quando como Iškur você ruge para a terra, nenhuma vegetação pode resistir a você. Como um dilúvio que desce sobre aquelas terras estrangeiras, poderosa do céu e da terra, você é sua Inana.

13-19. Chovendo fogo ardente sobre a Terra, dotada de poderes divinos por An, senhora que monta em uma besta, cujas palavras são ditas por ordem sagrada de An! Os grandes ritos são seus: quem pode entendê-los? Destruidora das terras estrangeiras, você confere força à tempestade. Amada de Enlil, você fez um terror terrível pesar sobre a Terra. Você está a serviço dos comandos de An.

20-33. Ao seu grito de guerra, minha senhora, as terras estrangeiras se curvam. Quando a humanidade se apresenta diante de você em silêncio respeitoso diante do brilho e da tempestade aterrorizantes, você compreende o mais terrível de todos os poderes divinos. Por sua causa, o limiar das lágrimas se abre e as pessoas caminham pelo caminho da casa das grandes lamentações. Na vanguarda da batalha, tudo é derrubado diante de você. Com sua força, minha senhora, dentes podem esmagar sílex. Você avança como uma tempestade. Você ruge com a tempestade rugindo, você troveja continuamente com Iškur. Você espalha a exaustão com os ventos da tempestade, enquanto seus próprios pés permanecem incansáveis. Com o tambor de lamento, um lamento é levantado.

34-41. Minha senhora, os grandes deuses Anuna voam e fogem de você para os montes de ruína como morcegos velozes. Eles não ousam ficar diante de seu olhar terrível. Eles não ousam confrontar seu rosto terrível. Quem pode esfriar seu coração furioso? Sua raiva malévola é grande demais para esfriar. Senhora, seu humor pode ser acalmado? Senhora, seu coração pode se alegrar? Filha mais velha de Suen, sua raiva não pode ser esfriada!

42-59. Senhora suprema sobre as terras estrangeiras, quem pode tomar qualquer coisa de sua província? Depois de ter estendido sua província sobre as colinas. Se você franzir a testa para as montanhas, a vegetação está arruinada. Seus grandes portais e palácios são incendiados. Sangue é derramado em seus rios por causa de você, e seu povo deve beber, mas não poderiam beber. Eles devem liderar suas tropas cativas antes de você, todos juntos. Eles devem espalhar seus regimentos de elite para você, todos juntos. Eles devem colocar seus jovens vigorosos ao seu serviço, todos juntos. Tempestades encheram os lugares de dança de suas cidades. Eles conduzem seus jovens antes de você como prisioneiros. Vossa santa ordem foi proferida sobre a cidade que não declarou que “As terras estrangeiras são suas!”, onde quer que não tenham declarado que “É de seu próprio pai!”; e é trazido de volta sob seus pés. O cuidado responsável é removido de seus currais. Sua mulher já não fala afetuosamente com o marido; na calada da noite ela já não se aconselha com ele, e não lhe revela mais os pensamentos puros de seu coração. Vaca selvagem impetuosa, grande filha de Suen, senhora maior que An, quem pode tomar qualquer coisa de sua província?

60-65. Grande rainha das rainhas, saída de um ventre sagrado para poderes divinos justos, maior que sua própria mãe, sábia e prudente, senhora de todas as terras estrangeiras, força vital do povo fervilhante: recitarei seu canto sagrado! Verdadeira deusa digna de poderes divinos, suas esplêndidas declarações são magníficas. De coração profundo, boa mulher com um coração radiante, vou enumerar os seus bons e santos poderes divinos para você!

66-73. Eu, En-ḫedu-ana, a sacerdotisa en, entrei em meu santo ĝipar a seu serviço. Carreguei a cesta ritual e entoei a canção de alegria. Mas oferendas fúnebres em vez da minha refeição ritual foram trazidas, como se eu nunca tivesse morado lá. Aproximei-me da luz, mas a luz estava escaldante para mim. Aproximei-me daquela sombra, mas fui coberta por uma tempestade. Minha boca de mel tornou-se escória. Minha capacidade de acalmar os ânimos desapareceu.

74-80. Suen, conte a An sobre Lugal-Ane e meu destino! Que An desfaça isso para mim! Assim que você contar a An sobre isso, An me liberará. A mulher tirará o destino de Lugal-Ane; terras estrangeiras e inundações estão a seus pés. A mulher também é exaltada e pode fazer as cidades tremerem. Dê um passo à frente, para que ela esfrie seu coração para mim.

81-90. Eu, En-ḫedu-ana, recitarei uma oração para você. A ti, santa Inana, darei livre vazão às minhas lágrimas como cerveja doce! Eu direi a ela que seja feita a “Sua decisão!” e darei a ela “Saudações!”. Não fique ansiosa sobre Ašimbabbar. Em conexão com os ritos de purificação do santo An, Lugal-Ane alterou tudo dele, e despojou An do E-ana. Ele não ficou admirado com a maior divindade. Ele transformou aquele templo, cujas atrações eram inesgotáveis, cuja beleza era infinita, em um templo destruído. Enquanto ele entrou na minha frente como se fosse um sócio, na verdade ele se aproximou por inveja.

91-108. Minha boa vaca selvagem divina, expulse o homem, capture o homem! No lugar do encorajamento divino, qual é a minha posição agora? Que An extradite a terra que é uma rebelde malévola contra seu Nanna! Que um esmague aquela cidade! Que Enlil o amaldiçoe! Que seu filho queixoso não seja aplacado por sua mãe! Senhora, com os lamentos iniciados, que seu navio de lamentação seja abandonado em território hostil. Devo morrer por causa de minhas canções sagradas? Meu Nanna não prestou atenção em mim e não decidiu meu caso. Ele me destruiu totalmente em território renegado. Ašimbabbar certamente não pronunciou um veredicto sobre mim. O que me importa se ele o pronunciou? O que é para mim se ele não o pronunciou? Ele ficou ali em triunfo e me expulsou do templo. Ele me fez voar como uma andorinha da janela; Eu esgotei minha força de vida. Ele me fez caminhar pelos arbustos espinhosos das montanhas. Ele me despojou da legítima coroa e vestimenta da sacerdotisa. Ele me deu uma faca e um punhal, dizendo-me: “Estes são ornamentos apropriados para você.”

109-121. Senhora mais preciosa, amada por An, seu coração sagrado é grande; que seja amenizado em meu nome! Amada esposa de Ušumgal-ana, você é a grande senhora do horizonte e zênite dos céus. Os Anuna se submeteram a você. Desde o nascimento você era a rainha-filha: quão suprema você é agora sobre os Anuna, os grandes deuses! Os Anuna beijam o chão com os lábios diante de você. Mas meu próprio julgamento ainda não está concluído, embora um veredicto hostil me envolva como se fosse meu próprio veredicto. Eu não estendi minhas mãos para o meu canteiro florido. Não revelei os pronunciamentos de Ningal a ninguém. Minha senhora amada de An, que seu coração se acalme em relação a mim, a brilhante sacerdotisa en de Nanna!

122-138. Deve ser conhecido! Deve ser conhecido! Nanna ainda não se manifestou! Ele disse: “Ele é seu!” Seja conhecido que você é elevada como os céus! Seja conhecido que você é larga como a terra! Seja conhecido que você destrói as terras rebeldes! Seja conhecido que você ruge nas terras estrangeiras! Seja conhecido que você esmaga cabeças! Saiba que você devora cadáveres como um cachorro! Saiba que seu olhar é terrível! Seja conhecido que você levanta seu olhar terrível! Saiba que você tem olhos brilhantes! Saiba que você é inabalável e inflexível! Saiba que você sempre está triunfante! Que Nanna ainda não falou, e que ele disse “Ele é seu!” te fez maior, minha senhora; você se tornou a maior! Minha senhora amada por An, vou contar todas as suas raivas e tronos! Eu amontoei as brasas no incensário e preparei os ritos de purificação. O santuário E-ešdam-kug espera por você. Seu coração não pode ser apaziguado em relação a mim?

139-143. Já que estava cheio, cheio demais para mim, grande senhora exaltada, recitei esta canção para você. Que um cantor repita para você ao meio-dia o que foi recitado para você na calada da noite: “Por causa de sua esposa cativa, por causa de seu filho cativo, sua raiva aumenta, seu coração não se acalma”.

144-154. A senhora poderosa, respeitada na reunião de governantes, aceitou suas oferendas dela. O coração sagrado de Inana foi apaziguado. A luz era doce para ela, o deleite se estendia sobre ela, ela estava cheia da mais bela beleza. Como a luz da lua nascente, ela exalava prazer. Nanna saiu para olhá-la corretamente, e sua mãe Ningal a abençoou. As ombreiras da porta a saudaram. O discurso de todos para a mestra é exaltado. Louvado seja a destruidora de terras estrangeiras, dotada de poderes divinos por An, a minha senhora envolta em beleza, à Inana!

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Fonte:

The exaltation of Inana (Inana B), by Enheduanna.

https://etcsl.orinst.ox.ac.uk/cgi-bin/etcsl.cgi?text=t.4.07.2#

© Copyright 2003, 2004, 2005, 2006 The ETCSL project, Faculty of Oriental Studies, University of Oxford.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-exaltacao-de-inana/

Hércules e o Cinturão de Hipólita

A missão do herói era conseguir o cinturão da rainha das amazonas, mulheres conhecidas por sua bravura. Mas não poderia obtê-lo pela força: precisaria ganhá-lo conquistando o coração da guerreira. Esse trabalho fala sobre a importância de construirmos laços afetivos duradouros. Ensina que a arte de conquistar uma pessoa não se faz pela força nem criando ilusões e falsas aparências, mas pelo respeito ao outro e pela coragem de mostrar quem verdadeiramente somos.

Mitologia

Este trabalho leva Hércules até às praias onde vivia a grande rainha, que reinava sobre todas as mulheres do mundo conhecido. Elas eram suas vassalas e guerreiras ousadas. Nesse reino não havia homens, só as mulheres reunidas em torno da sua rainha, Hipólita.

A ela pertencia o cinturão que lhe fora dado por Vénus, a rainha do Amor. Aquele cinturão era um símbolo da unidade conquistada através da luta, do conflito, da aspiração, da maternidade e da sagrada Criança para quem toda a vida humana está verdadeiramente voltada.

“Ouvi dizer”, disse Hipólita às guerreiras, “que está a caminho um guerreiro cujo nome é Hércules, um filho do homem e no entanto um filho de Deus; a ele eu devo entregar este cinturão que eu uso. Deverei obedecer a ordem, oh Amazonas, ou deveremos combater a palavra de Deus?” Enquanto as Amazonas reflectiam sobre o problema, foi passada uma informação, dizendo que ele se havia adiantado e estava lá, esperando para tomar o sagrado cinturão da rainha guerreira.

Hipólita dirigiu-se ao encontro de Hércules. Ele lutou com ela, combateu-a, e não ouviu as palavras sensatas que ela procurava dizer. Arrancou-lhe o cinturão, somente para deparar-se com as mãos dela estendidas e lhe oferecendo a dádiva, oferecendo o símbolo da unidade e amor, de sacríficio e fé.

Entretanto, tomando-o, ele, matou quem lhe dera o que ele exigira. E enquanto estava ao lado da rainha agonizante, consternado pelo que fizera, ele ouviu a voz do mestre que dizia: “Meu filho, por que matar aquilo que é necessário, próximo e caro? Por que matar a quem você ama, a doadora das boas dádivas, guardiã do que é possível? Por que matar a mãe da Criança sagrada?

Novamente registamos um fracasso. Novamente você não compreendeu. Ou redimirá este momento, ou não mais verá a minha face.”

Hércules partiu em silêncio deixando as mulheres lamentando a perda da liderança e do amor. Quando ele chegou às costas do grande mar, perto da praia rochosa, ele viu um monstro das profundezas trazendo presa em suas mandíbulas a pobre Hesione. Os seus gritos e suspiros elevavam-se aos céus e feriram os ouvidos de Hércules, perdido em remorsos e sem saber que caminho seguir. Dirigiu-se prontamente em sua ajuda quando ela desapareceu nas cavernosas entranhas da serpente marinha.

Esquecendo-se de si mesmo, Hércules nadou até o monstro e desceu até o fundo do seu estômago onde encontrou Hesione. Com a sua mão esquerda ele agarrou-a e segurou-a junto a si, enquanto com a sua espada se esforçou para abrir caminho para fora do ventre da serpente até a luz do dia. E assim ele salvou-a, equilibrando seu feito anterior de morte.

Pois assim é a vida: um ato de morte, um ato de vida, e assim os filhos dos homens, que são filhos de Deus, aprendem a sabedoria, o equilíbrio e o caminho para andar com Deus.

Simbologia

Este trabalho está associado à Virgem, signo onde a consciência de Cristo é concebida e nutrida através do período de gestação até que por fim em Peixes, o signo oposto, o salvador mundial nasce.

Note-se que nos dois Trabalhos onde Hércules vence, na verdade, são os dois onde ele se saiu mal justamente com os seus opostos, femininos (as éguas bravias e a rainha das Amazonas).

Assim a guerra entre os sexos é de origem antiga, na verdade, está inerente na dualidade da humanidade. O Leão é o rei dos animais. Nele alcançamos a personalidade integrada; mas em Virgem é dado o primeiro passo para a espiritualidade, a alma é chamada de filho da mente, e Virgem é regida por Mercúrio, que leva a energia da mente.

É em virgem que, o mau uso da matéria representa o maior erro de toda a peregrinação de Hércules: atentar contra o Espírito Santo; quando ele não compreendeu que a rainha das Amazonas devia ser redimida pela unidade, e não morta, e foi aí que ele sentiu a dor do signo de Peixes, diante do sofrimento humano provocado pela violência e pela agressividade, criada muitas vezes pela falta de diálogo ou até mesmo de compreensão.

O cinto é o símbolo da união e do amor, e ele mata quem lho quisera entregar por amor a Deus. Aqui o herói é abatido pela depressão e pena que sente de si mesmo, característica de Peixes.

Ao salvar Hesione da boca do monstro, Hércules compreende que tudo o que se faz, se reflecte no universo eternamente, e que para que o ser pare de sofrer, deve compreender que a dor é uma forma de redenção e aprendizagem que nos conduz ao crescimento. Que a aceitação da imperfeição do mundo é um caminho para atingir a perfeição.

Enquanto nos martirizamos com a culpa do mal feito, não assumimos a responsabilidade dos erros, mas quando aceitamos esta responsabilidade, transformamos esta dor em atitude, fazemos o bem e libertamo-nos das amarras do sofrimento. É neste momento e com esta tomada de consciência que passamos do trabalho ao serviço à humanidade.

Caminho de Iniciação

Na Mitologia Esotérica, o Nono Trabalho de Hércules corresponde à conquista do Cinto de Ouro de Hipólita – a Raimnha das Amazonas – viva alegoria do aspecto psíquico feminino oculto e mais delicado de nossa íntima natureza.

Durante este trabalho, o Iniciado é atacado naquilo que ele tem de mais fraco: o sexo. As Amazonas, suscitadas por Hera (um dos aspectos de nossa Mãe Divina), assediam com seus encantos femininos o caminhante que adentra seus domínios; usam de todas as artimanhas da sedução para infligir fatal derrota ao nobre e valente guerreiro que está prestes a conquistar sua rainha com seu precioso cinto, uma vez que o cinto sem a rainha não possui nenhuma beleza…

Mas infeliz do Hércules que se deixa cair ou seduzir por essas beldades dotadas de beleza enfeitiçadora. Apoderar-se do Cinto de Hipólita consiste, justamente, em não se deixar seduzir ou cair sob o hipnotismo de tais provocações sexuais femininas; significa dominar totalmente os sentidos, a mente e as sensações físicas e psíquicas. O Hércules que tem total domínio sobre si acaba conquistando a Rainha das Amazonas, não pela força, mas pelo amor, pelo respeito e pela veneração ao Feminino Cósmico.

Netuno é o Senhor da Magia. Portanto, torna-se evidente que o inferno de Netuno é habitado pelos magos negros mais terríveis e pela magas tenebrosas de beleza fatal e maligna.

Durante este Trabalho, o alegórico Castelo do tenebroso Klingsor, autêntico templo de magia negra, deve ser totalmente destruído. Quando o castelo cair em pedaços, o Iniciado, vencedor da terrível batalha contra si mesmo, ganha o direito de ingressar no Céu do Senhor Netuno, o Empíreo, a região dos Serafins, criaturas do amor e expressões diretas da Unidade Divina.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-o-cintur%C3%A3o-de-hip%C3%B3lita

Agrapha Extra-Evangelho

[Agraha é o nome dado à coleção de frases que não estão escritas nos Evangelhos, mas em outros escritos].

Durante os três anos de sua pregação, Jesus Cristo falou para multidões, em diversos lugares. Muito do que ele disse ficou registrado nos Evangelhos do Novo Testamento.

Frases, sentenças e palavras, conhecidas como agrapha, acabaram sendo transmitidas pela tradição oral e mais tarde registradas também. Esses registros foram sendo copiados, recopiados e traduzidos, muitas vezes sofrendo alterações conforme a interpretação da época ou da pessoa que lidava com esses textos.

E ESTANDO com eles à mesa, recomendou-lhes que não se retirassem de Jerusalém, mas que aguardassem a promessa do Pai, “que de mim ouvistes, porque João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a alguns poucos dias”. […] Disse-lhes: “Não vos cabe conhecer os tempos ou as possibilidades que o Pai determinou com sua própria autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo que virá a vós, e dareis testemunho de mim tanto em Jerusalém quanto em toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra”.

2    E preciso […] recordar as palavras do Senhor Jesus, pois que ele disse: “Maior ventura é dar que receber”.

3    Fazei isto em minha memória. […] Fazei isto, tantas quantas vezes bebeis, em minha memória.

4    Porque isto vos confirmamos de acordo com a palavra do Senhor: que nós, os vivos, os que sobreviverem até a Vinda do Senhor, estaremos na dianteira dos que dormiram.

5    Eis que aqui venho como ladrão. Venturoso é aquele que vigia e conserva suas vestes de forma que não ande desnudo e deixe à vista suas vergonhas.

6    […] mas vós haveis de crescer partindo do pequeno, e não procurando diminuir o grande. Assim, quando vos acercardes, convidados a um banquete, não vos julgueis dignos de ocupar os assentos de honra à mesa, nem vos acerqueis sequer deles, para que não venha alguém mais digno que vós e, chegando o anfitrião, vos diga: “Sentai-vos um pouco mais para baixo”, deixando-vos embaraçados. Mas se vos aproximais dos lugares mais humildes, onde estejam os que são menos que vós, vos dirá o anfitrião: “Chegai-vos mais para cima”; isto vos será útil.

7    E aqueles (apóstolos) se desculpavam dizendo: “Este mundo infiel e iníquo está sob o poder de Satã, que não permite aos impuros de espírito perceber a verdadeira força de Deus. Manifesta, pois, vossa justiça”, diziam os apóstolos a Cristo. Mas Ele lhes dizia: “Foram cumpridos os anos de duração do poder satânico, mas se aproximam outras coisas terríveis. Eu me entreguei à morte por aqueles que pecaram, para que voltem à verdade e não tomem a pecar, e para que sejam herdeiros da glória espiritual e incorruptível que está no céu”.

8    No mesmo dia, tendo visto alguém que trabalhava no Sábado, lhe disse: “Homem, se te dás conta do que fazes, feliz de ti; mas, se não, és um execrável transgressor das leis”.

9    Porque vim a vós como aquele que serve, não como aquele que está sentado à mesa; mas vós vos haveis engrandecido em meu serviço como aquele que serve.

10    E, ao ser batizado, saiu da água uma grande luz que o rodeou, de forma que se encheram de temor todos aqueles que ali estavam.

11    E, de repente, na hora terça, as trevas se estenderam por toda a fase da terra e anjos desceram dos céus. E ao ressuscitar Jesus com o esplendor de Deus vivo, eles se elevaram juntamente com ele, e nesse instante sobreveio a Luz. Então, as mulheres se acercaram do sepulcro e viram removida a pedra.

12    Bateram no peito dizendo: “Ai de nós! Este era o Filho de Deus. Eis que é chegada a ruína de Jerusalém”.

13    “Assim,” disse, “aqueles que pretendem ver-me a mim e conseguir meu reino, hão de alcançar-me à custa de atribulações e sofrimentos.”

14    Por isso disse também Nosso Senhor Jesus Cristo: “No estado em que vos surpreenda. nesse estado vos julgarei”.

15    Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, disse: “E necessário que venham os justos, e afortunado aquele por quem eles vêm”.

16    Meu segredo, para mim e para os filhos de minha casa.

17    Pedi as grandes coisas e vos serão dadas por acréscimo as pequenas.

18    Justamente, pois, as escrituras, em seu desejo de que sejamos dialéticos dessa categoria, nos exorta: “Sede banqueiros experimentados, recusando o mal e guardando o bem.”

19    E o Senhor disse: “Saí (livres), vós que o quereis, de vossas ligaduras”.

20    Disse, pois, Jesus: “Fiz-me fraco pelos fracos e passei fome pelos famintos e sede pelos sedentos”.

21    Por isso disse o Salvador: “Salva-te a ti e à tua alma”.

22    E outra vez disse o Senhor: “Aquele que está casado
não seja repudiado e o celibatário não se case. Aquele que está determinado a viver no celibato, segundo seu propósito, que permaneça celibatário”.

23    E no Evangelho está escrito: “A Sabedoria envia seus filhos”.

24    Para quem disse o Senhor: “Aquele que anda perto de mim anda perto do fogo; mas aquele que está longe de mim, longe está de meu reino”.

25    Por isso disse: “Eis-me aqui diante de mim, aquele que fala por intermédio dos profetas”.

26    […] o ditame evangélico que diz: “Passa o aspecto ilusório do
mundo”.

27    Pois disse: “Viste a teu irmão? Dás-te conta de que viste a Deus?”

28    Falando de Maria, disse Martha que a tinha visto sorrir. Maria retrucou: “Não ri, pois Jesus anunciou em sua pregação que o fraco seria salvo pelo forte”‘.

29    Portanto, dizia-lhes o Senhor: “Por que vos admirais dos prodígios? Uma herança vos darei que não possui o mundo inteiro”.

30    Também disse, acerca da caridade: “o amor cobre grande número de pecados”.

31    “Se alguém comunga do corpo do Senhor e faz uso de purificações será amaldiçoado”.

32    Porque dizem as Escrituras: “O homem que não foi tentado não foi provado”.

33    Pois disse: “Muitos virão em meu nome vestidos por fora com pele de ovelha, mas por dentro são lobos vorazes”; e: “Haverá cismas e heresias”.

34    Pois assim disse: “Compadecei-vos para que tenham compaixão de vós; perdoai para que vos perdoem; conforme vosso comportamento em relação aos demais, assim será o deles com relação a vós; do mesmo modo que dais, se vos dará; como julgais, assim sereis julgados; na medida em que sejais bons, usarão de benevolência para convosco; a vara com que medis, servirá de medida para vos mesmos”.

35    Disse-se também acerca disso: “Que sue a esmola em tuas mãos até que saibas a quem vais dá-la”.

36    Diz o Senhor: “Quando o lenho se inclinar e voltar a subir e quando dele destilar sangue…”

37    Estando o Senhor a falar a seus discípulos acerca do futuro reino dos santos, e ponderando sobre quão glorioso e admirável ele será, Judas, maravilhado ante a descrição, disse: “Quem, pois, poderá ver estas coisas”? E o Senhor replicou: “Será dado ver tais coisas àqueles que se fizerem dignos delas”.
Assim mesmo, os anciãos que conheceram a João, o discípulo do Senhor, recordaram-se de tê-lo ouvido referir-se aos ensinamentos e ditos de Jesus acerca daqueles tempos: “Dias virão em que brotarão as vides, tendo cada cepa dez mil sarmentos; e em cada sarmento haverá dez mil ramos, e em cada ramo haverá dez mil rebentos novos; e em cada rebento novo, dez mil cachos de uva, que ao serem espremidos, darão vinte e cinco mil metretas de vinho. E quando algum dos santos for tomar um cacho de uva, lhe dirá um outro: ‘Eu sou melhor; toma-me a mim e por meu intermédio bendiz ao Senhor’. Da mesma forma, cada grão de trigo haverá de produzir dez mil espigas, e cada espiga haverá de dar dez mil grãos, e cada grão haverá de dar cinco libras dobradas de pura flor de farinha. E todos os demais frutos, ervas e sementes proliferarão segundo esta proporção. Todos os animais que se nutrirem destes alimentos provenientes da terra serão pacíficos entre si, viverão amigavelmente e estarão submetidos ao homem com toda a sujeição”.
Destas coisas dá também testemunho, por escrito, Papias, homem antigo, discípulo de João e companheiro de Policarpo, no quarto de seus livros; pois são cinco os que escreveu. E acrescentou estas palavras: “Mas isto é digno de crédito unicamente para os que crêem. E Judas, o traidor, ao não crer e perguntar de que maneira realizaria o Senhor tais multiplicações, refere-se ao que disse o Senhor: “Vê-las-ão aqueles que forem capazes de chegar até ali”.

38    “Sede fortes na batalha e lutai com a serpente antiga e alcançareis o reino eterno”, diz o Senhor.

39    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Quantas são as árvores! Mas nem todas dão frutos. Quantos são os frutos! Mas nem todos são bons. Quantas são as ciências! Mas nem todas são úteis”.

40    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Não se atiram pérolas aos porcos, pois a sabedoria vale mais que as pérolas, e quem a deprecia, é pior que os porcos”.

41    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Como vai ser contado entre os sábios aquele que depois de estar trilhando a senda que conduz à vida futura dirige seus passos na direção deste mundo? E como vai ser contado entre os sábios aquele que busca a palavra de Deus para anunciá-la aos demais e não para colocá-la em prática”?

42    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Feliz daquele que abandona a paixão do momento por uma promessa que ainda não viu”.

43    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Acautelai-vos ao olhar para as mulheres, pois evidentemente isto gera a concupiscência no coração, e é suficiente para excitar a tentação”.

44    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Não podem estar juntos ao mesmo tempo no coração do crente o amor a este mundo e o amor à vida futura. Da mesma maneira que a água e o fogo não podem tampouco permanecer juntos em um mesmo continente”.

45    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Quem busca ao mundo se parece com o homem que bebe água do mar. Quanto mais bebe, tanto mais aumenta sua sede, até que a água acabe por matá-lo”.

46    Disse o Messias (a quem Deus saúda): “Feliz daquele a quem Deus ensina seu livro porque não morre soberbo depois disso”.

47    Dizia Jesus (a quem Deus bendiz e saúda) aos filhos de Israel: “Recomendo-vos a água pura, as ervas silvestres e o pão de cevada. E tendes cuidado com o pão de trigo, pois nunca podereis dar a Deus abundantes graças por ele”.

48    Conta-se que Jesus, filho de Maria (aos quais Deus saúda e enche de bênçãos), disse: “A assembléia de sábios! Haveis abandonado a senda da verdade e haveis amado o mundo. Não obstante, deixais aos vossos reis o domínio deste, ‘ assim como eles hão deixado a vós, o da sabedoria”.

49    Conta-se que Jesus (a quem Deus saúda) disse a seus apóstolos: “Não vos ensinei a glorificar-vos, mas a trabalhar. A sabedoria não consiste certamente em palavras de sabedoria, mas em sabedoria aplicada”.

50    Disse o Messias (a quem Deus saúda): “A assembléia de apóstolos! Quantas são as lâmpadas que o vento apaga! A quantos servos de Deus a vaidade corrompe”!

51    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Dois são meus amigos. Quem os ama, a mim me ama; quem entretanto, os odeia, a mim me odeia; são, a saber, a pobreza e a mortificação da cobiça”.

52    Coisa mais gloriosa, feliz e perfeita é dar e não receber.

53    Se fordes fiéis no que é pequeno, que se vos dará no grande?

54    Pedi o grande e se vos dará o pequeno. Pedi o celestial e se vos dará o terreno.

55    Poucas coisas do mundo servem para a única coisa necessária.

56    Resistamos a toda a iniqüidade, tenhamos-lhe ódio.

57    Sede bons banqueiros.

58    Se alguém quiser conduzir Israel à penitência, e por meu nome crer em Deus, que remita seus pecados. E ao término de doze anos, que saia do
mundo e não diga: “Não te ouvimos”.

59    Se vos congregais em meu nome e não cumprirdes meus mandamentos, vos abo-minarei e vos direi: “Afastai-vos de mim, não vos conheço, obreiros da iniqüidade”.

60    Sois como cordeiros em meio aos lobos. Mas depois de sua morte, os cordeiros não temem os lobos. Assim, não temais que vos matem, pois que depois de haverdes morrido, nada poderão fazer-vos de mal. Mas temei aqueles que, depois de mortos, têm poder para atirar vosso corpo e vossa alma à Gehenna do fogo.

61    Conservai casta vossa carne e sede imaculados em vosso mais secreto interior, para que possais ser dignos da vida eterna.

62    Eu sou a porta que conduz ao Pai. Minha carne é o pão da vida celeste e meu sangue uma bebida divina. O Espírito Santo sabe de onde vem e pare onde vai, e castiga o que esta oculto.

63    Ninguém conheceu o Pai, a não ser o Filho, e aquele a quem o Filho o quis desvelar nem ninguém conhece o Filho a não ser o Pai.

64    Sempre desejo ouvi sermões inspirados pelo Espírito Divino, e não tenho quem mos pronuncie.

65    Se não fizerdes o destro como o sinistro, o que está acima como se estivesse embaixo, e o que está à frente como se estivesse atrás, não conhecereis o Reino de Deus.

66    Mais vale morrer em Deus que reinar sobre a terra toda, de um extremo ao outro, pois de que serve ao homem possuir o mundo inteiro se é escravo em sua alma?

67    A qualquer um que te peça, dá-lhe.

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Fonte: http://livrosapocrifosbis.blogspot.com/2013/02/agrapha-extra-evangelho.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/agrapha-extra-evangelho/