Arcano 1 – O Mago – Beth

O título francês desta carta, Le Bateleur, pode ser traduzido também como Prestidigitador, Malabarista, Pelotiqueiro, Bufão, Acrobata ou Cômico. O termo Prestidigitador talvez fosse o mais adequado ao simbolismo dinâmico do personagem, mas é comum que seu nome seja traduzido do inglês Magician, Mágico ou Mago.

Um prestidigitador, de pé, frente à mesa onde coloca os seus instrumentos, segura uma esfera ou um disco amarelo entre o polegar e o indicador da mão direita, enquanto com a mão esquerda aponta obliquamente para o chão uma vareta curta.

O personagem é representado de frente, com o rosto voltado para a esquerda. [Nas referências aos protagonistas de cada carta, será considerada sempre a esquerda e a direita do leitor]. Usa um chapéu cuja forma lembra o símbolo algébrico de infinito e seus cabelos, em cachos louros, escapam desse curioso chapéu. Veste uma túnica multicolorida, presa por um cinto amarelo.

Sobre a mesa, da qual se vêem apenas três pernas, há diversos objetos: copos, pequenos discos amontoados, dados, uma bolsa e uma faca com a lâmina descoberta ao lado de sua bainha.

O prestidigitador está só, no meio de uma campina árida com três tufos de erva; no horizonte, entre as pernas da figura, uma árvore se desenha contra o céu incolor.

Significados simbólicos
Arcano da relação entre o esforço pessoal e a realidade espiritual. Domínio, poder, auto-realização, capacidade, impulso criador, atenção, concentração sem esforço, espontaneidade.

O ser, o espírito, o homem ou Deus; o espírito que se pode compreender; a unidade geradora dos números, a substância primordial. Ponto de partida. Causa primeira. Influência mercuriana.

Interpretações usuais na cartomancia
Destreza, habilidade, finura, diplomacia, eloqüência, capacidade para convencer, espírito alerta, inteligência rápida, homem inquieto nas suas atividades e negócios.

Mental: Facilidade de combinar as coisas, apropriação inteligente dos elementos e dos temas que se apresentam ao espírito.

Emocional: Psicologia materialista; tende para a busca das sensações, do vigor, da qualidade criativa. Generosidade unida a cortesia. Fecundidade em todos os sentidos.

Físico: Muita vitalidade e poder sobre as enfermidades de ordem mental ou nervosa, neuroses e obsessões. Esta Carta indica uma tendência favorável para questões de saúde, mas não assegura a cura. Para conhecer o diagnóstico é necessário considerar outras cartas.

Sentido negativo: Charlatão persuasivo, sugestivo, ilusionista, intrigante, politiqueiro, impostor, mentiroso, explorador de inocentes. Agitação vã, ausência de escrúpulos. Discussões, brigas que podem se tornar violentas, dado o vigor do personagem. Mau uso do poder, orientação defeituosa na ação, operações inoportunas. Tendência à dispersão nas ações, falta de unidade nos processos e atividades. Duvida. Indecisão. Incerteza frente aos acontecimentos.

História e iconografia
Desde a antiguidade clássica são bem conhecidos esses personagens que ganhavam a vida com suas habilidades. Seu ofício se combinava freqüentemente com a dança e o charlatanismo – passavam o seu tempo a vagabundear pelas feiras.

Não há muitas marcas literárias de sua passagem pela cultura européia, mas, em compensação, foi um personagem de prestígio nas artes gráficas desde os primeiros tempos. As gravações medievais costumam mostrá-lo no desempenho de suas mágicas frente a um grupo de espectadores absortos.

O Tarô suprime as testemunhas e acrescenta detalhes originais (a mesa de três pernas, a posição das pernas e dos braços do protagonista, entre outros), mas o seu parentesco com os registros sobre as feiras é evidente.

Pode-se acrescentar que, no mundo islâmico, o Prestidigitador foi também um personagem de vasta popularidade.

Num sentido mais geral, o Prestidigitador é símbolo da atividade originária e do poder criador existente no homem. Como ponto de partida do Tarô, é também o primeiro passo iniciático, a vontade básica no caminho para a sabedoria, a matéria primordial dos alquimistas, o barro paradisíaco do qual será obtido o Adão Kadmon.

“Se o mundo visível não passa de ilusão – pergunta-se Oswald Wirth – o seu criador não será o ilusionista por excelência?”

Neste plano, o Prestidigitador identifica-se com a materialidade do ser criado, até que o demiurgo e a criatura tornam-se o mesmo: certamente há aqui um sentido psicológico, para o qual a identidade é produto da experiência pessoal (o homem é o resultado das suas próprias ações). Desta maneira, pode-se interpretar a supressão da quarta perna da mesa como representativa do ternário humano no mundo (espírito-psique-corpo).

Uma das especulações em torno do personagem do Arcano I pode ser estabelecida a partir da sua atividade intensa, de seu dinamismo sem repouso (produto de seu caráter de intermediário entre o sensível e o virtual), atributo que o relaciona de modo estreito ao simbolismo de Mercúrio.

Nesse sentido, a vareta que traz na mão esquerda seria a simplificação do caduceu, assim como seu estranho chapéu corresponde quase exatamente ao capacete alado da divindade. Seu nome grego significaria “intérprete, mediador”, o que confirmaria essa hipótese.

Muito já se estudou sobre o papel fundamental desempenhado por Hermes Trimegisto na história do ocultismo; os alquimistas desenvolveram boa parte de suas sutis investigações em torno do simbolismo de Mercúrio; não é absurdo, portanto, supor que o Tarô tenha sido colocado sob sua invocação.

O arcano do Mago é também relacionado ao Aleph, do alfabeto hebraico, e pode ser associado à idéia de princípio e também ao primeiro som articulável ( a ) que, segundo a tradição “expressa a força, a causa, a atividade, o poder” e seria o paradigma do homem em sua relação com as demais criaturas.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

@MDD – Este último parágrafo está errado. A associação entre Mago e aleph foi feita por Eliphas Levi em seu livro “Rituais e Dogmas da Alta Magia” onde ele associou o arcano à letra porque a posição dos braços do mago lembra o desenho da letra, mas ao estudarmos a Kabbalah, vemos claramente que o Mago conecta Binah a Keter, sendo, portanto, representado pela letra Beth.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-1-o-mago-beth

Principia Alchimica – Financiamento Coletivo

Dia 04/02 começa o Financiamento Coletivo dos livros de alquimia e Jornada da Alma.

Dos mesmos editores de Kabbalah Hermética, da Enciclopédia de Mitologia, dos Livros Sagrados de Thelema, do Tarot Hermético e dos Livros Essenciais da Cabalá.

Um projeto de Cinco Livros relacionados com a alquimia e a transformação do Ser.

https://www.catarse.me/Principia_alchimica

Principia Alchimica – Da colheita do orvalho ao ouro, o objetivo desta obra é explicar de forma simples e praticável todo processo da alquimia. Trata-se de uma metodologia para a ascensão, ou seja, uma forma de transformar seu eu cotidiano em uma condição mais elevada. Como resultado desta metodologia surge uma nova condição superior de vida física, emocional, intelectual e espiritual. A Alquimia e sua busca pela Pedra Filosofal – cuja receita está neste livro – pode ser entendida como uma metodologia para a expansão da consciência. Aqui toda sua simbologia clássica é esclarecida de maneira definitiva como uma metodologia objetiva e eficaz para a expansão da consciência e dos poderes que surgem com ela. Escrito por Thiago Tamosauskas.

Teodiceia Psíquica – A Alquimia e transformação da alma pelo ponto de vista Martinista. Os princípios psíquicos do bem e do mal no paradigma Junguiano e sua discussão no Midrash judaico-cristão de Martinez de Pasqualy. Escrito por Ivan Corrêa.

Ivan Corrêa, Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos Junguianos do Programa de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é psicólogo formado pela PUCSP, estudioso da psicologia junguiana e atua em clínica na cidade de São Paulo. Há anos, dedica-se à pesquisa da mística religiosa do Ocidente, com especial ênfase naquelas tradições que a história teve como heréticas, transitando principalmente entra os mitos gnósticos e herméticos.

O Tarot Egípcio + Deck com 22 Arcanos – Publicado originalmente em 1929, este pequeno tratado explica os Arcanos do Tarot pela visão de R. Falconnier. Traduzido por Rafael Daher e as imagens das lâminas originais de 1929 transformadas em um deck jogável de Tarot pelas mãos de Rodrigo Grola.

LeMULgeton: Os Espíritos Estelares Babilônicos – Publicado originalmente pela editora “Fall of Men” por Leo Holmes. Ao longo das páginas deste trabalho, o autor relaciona o Lemegeton e Mul.Apin (um compêndio babilônico que lida com muitos aspectos diversos da astronomia e astrologia babilônica), atribuindo os Espíritos Goécios às Constelações Sumérias (que incluem estrelas e planetas)

A Sorte do Coveiro – O Coveiro foi um marido zeloso, um pai presente e um professor dedicado. Porém, após um golpe impiedoso ele passa a contestar a ventura dos vivos. Desnorteado, rejeita o fio de existência que lhe resta e se volta completamente para uma busca sinistra. Neste caminho, encontra uma entidade misteriosa conhecida como “O Psicopompo” que passa a figurar como seu mentor. É o desaparecimento de um corpo no cemitério, entretanto, que finalmente dispara uma série de acontecimentos que levará o Coveiro ao confronto final consigo mesmo e com sua sorte.

“A Sorte do Coveiro” é um romance angustiante adornado de elementos fantásticos e macabros. O cemitério é o palco principal do desenrolar da história permeada por elementos de magia e de tradições espirituais do Novo Mundo. Nestas páginas, descortina-se uma narrativa que passeia entre os mundos visível e invisível e que fará o leitor se confrontar com sua própria jornada rumo à sepultura.

Eduardo Regis é praticante de vertentes da tradição esotérica ocidental e ougan de Vodou Haitiano. Ele escreve regularmente no site “Espelho de Circe” e também no site da OTOA-LCN Brasil, onde assina como Frater Vameri. Além disso, é um dos coordenadores do Grupo de Estudos de Espiritualidade Haitiana – Gedeh, em colaboração com o “Espelho de Circe” e com o Instituto Pretos Novos. Ele já publicou contos em antologia e revistas e está trabalhando em livros de religião e magia! “A Sorte do Coveiro” é seu primeiro romance.

Você pode acrescentar qualquer um dos Livros cima ao Apoio, ou uma combinação deles, com um preço promocional e sem precisar adicionar nada ao valor do frete!

– POSTERS da Árvore da Vida + Lamen Rosacruz (+ R$ 30 o conjunto)

– POSTERS de Hermetismo (6 Posters do FC do livro de Kabbalah) (+ R$ 60)

– LIVRO DOS SALMOS (+R$ 60,00): o “Schimmush Sepher Tehillim – Usos mágicos dos Salmos”, faz parte de um Grimório medieval chamado 6° e 7° Livros de Moisés.

– KABBALAH HERMÉTICA (+R$ 250,00) – O melhor trabalho de Kabbalah Hermética já produzido em português. Em suas quase 700 pgs coloridas e ricamente ilustradas, o autor, Marcelo Del Debbio, detalha todos os aspectos da Árvore da Vida, História da Arte e religiões comparadas. Uma obra-prima.

– ENCICLOPÉDIA DE MITOLOGIA (+R$275) – Com 8500 verbetes e 1200 ilustrações, totalmente colorida e capa dura, é o maior e mais completo livro de mitologia comparada em língua portuguesa.

– LIVROS SAGRADOS DE THELEMA (+R$ 175,00) – Coletânea em alta qualidade dos 15 libers mais importantes da Thelema. Edição bilíngue Inglês/Português.

– LIBER 333 (+R$ 60,00) – nas palavras do próprio Crowley: “Esse livro lida com muitos assuntos em todos os planos da mais alta importância. Ele é uma publicação oficial para Bebês do Abismo, mas recomendado até mesmo para iniciantes como altamente sugestivo”

– RPGQUEST (+R$ 275,00) – Um Jogo de RPG/Boardgame baseado na alquimia e na Jornada do Herói. Crie um mundo de Fantasia Medieval com Grandes Desafios e viva uma Campanha Épica de RPG em uma tarde! (versão completa com todas as metas conquistadas no FC).

– RPGQUEST Dungeons (+R$ 275,00) – Um Jogo de Dungeon Crawler baseado nos Túneis de Seth e na Jornada do Herói.

– AS AVENTURAS DE LILITH (+R$ 35,00) – Um livro infantil com a Jornada Iniciática mais antiga da história. Detalha de uma maneira simples as virtudes e defeitos planetários e a jornada da Deusa Lilith através do Mundo Subterrâneo.

– AS AVENTURAS DE ISIS (+R$ 35,00) – Conheça as Aventuras de Isis e Osíris. escrito em uma linguagem simples para crianças. Ideal para presente de natal para crianças que gostam de Mitologia e Aventuras!

– AS AVENTURAS DE HÉRCULES (+R$ 35,00) – Os Doze Trabalhos de Hércules narrados sob a perspectiva do hermetismo. Cada Trabalho é uma tarefa que nós mesmos devemos resolver em nossas vidas para nos aproximarmos de nossa Verdadeira Vontade. Escrito na forma de um livro infantil.

– PEQUENAS IGREJAS, GRANDES NEGÓCIOS (+R$ 175,00) – Kit Pastor com todas as 360 cartas do FC. Um engraçadíssimo Cardgame no qual os jogadores devem representar pastores picaretas e igrejas caça-níqueis com o objetivo de arrecadar o máximo possível em cima da fé alheia enquanto tentam tirar seus oponentes da jogada com acusações absurdas (versão completa com todas as metas conquistadas no FC).

O Frete será calculado e pago apenas quando o Projeto for finalizado. Existem várias razões para isso: a primeira é que ele ficará mais barato 13% pois não teremos de incluir as taxas de FC, a segunda razão é que não sabemos ainda o peso de todas as metas e presentes liberados no decorrer do projeto. Também existe a possibilidade do Mundo voltar ao normal e organizarmos uma confraternização onde os apoiadores poderão pegar seus pacotes pessoalmente. No final da Campanha será enviado email para confirmação dos endereços de envio.

Se conseguirmos os valores estipulados, conseguiremos imprimir 300 Exemplares de cada título e enviar os livros para todos os apoiadores mas, conforme as Metas vão sendo batidas, todos os apoiadores ganham presentes da Editora.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/principia-alchimica-financiamento-coletivo

A História da Árvore da Vida

Por Rachel Pollack
Embora eu tenha crescido em uma casa moderna, minha família pertencia ao ramo ortodoxo do judaísmo. Mantivemos uma casa kosher, observamos os grandes feriados, minha irmã e eu fomos à escola hebraica e ainda assim, nunca ouvi a palavra “Cabala”. Foi só quando fiquei fascinada com o Tarô, e estudei sua história esotérica, que soube até mesmo que tal tradição existia. “Tradição” é certamente a palavra certa, pois é isso que significa Cabala, uma tradição mística transmitida de professor para aluno. Aparentemente, no século XIX e início do século XX, essa passagem oral havia falhado, tornou-se mágica demais para os judeus que desejavam abraçar o mundo moderno.

Mas a Cabala não havia desaparecido, ela havia simplesmente se aberto para o território mais amplo da Cabala “ocidental”, um sistema de imagens e ideias que reunia conhecimento judeu, cristão, pagão e até mesmo mágico dentro de um símbolo enganosamente simples conhecido como a Árvore da Vida. Foi esta Cabala Ocidental que tão brilhantemente conectou as vinte e duas cartas Arcanas Maiores do Tarô com as vinte e duas letras do alfabeto hebraico.

Uma vez que descobri a Cabala, e comecei a mergulhar em sua história e ideias, descobri camadas de significado dentro das antigas tradições. Surpreendentemente, a Cabala, que pensamos ser tão antiga (uma história diz que um anjo a deu a Adão no Jardim do Éden), responde a muitas das perguntas que enfrentamos neste momento. Considere apenas uma questão, nossa reavaliação dos papéis de gênero. Muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, se rebelam contra o que parece ser um status secundário para as mulheres no cristianismo e no judaísmo. Elas apontam que os homens têm usado a história de Eva sendo criada a partir da “costela de Adão” para justificar os maus-tratos dos homens às mulheres. Mas na Cabala encontramos uma interpretação muito diferente, radical mesmo pelos padrões modernos.

Os Cabalistas descrevem Adão e Eva originalmente como um ser, um hermafrodita perfeito, formas masculinas e femininas unidas na costela. Mas este ser, total em si mesmo, não podia aprender com outro. E assim o Criador os separou – na costela – para que eles pudessem explorar a si mesmos e uns aos outros.

E a Cabala vai ainda mais longe. Deus também, nos diz, é hermafrodita, não um Pai só masculino, mas uma espécie de Pai/Mãe (você sabia que a palavra hebraica El Shaddai geralmente traduzida como “Todo-Poderoso” na verdade deriva da palavra para “seios?”). E ainda mais longe – as partes masculina e feminina de Deus se separaram uma da outra, e somente os seres humanos podem reuni-los novamente. Estas ideias nos parecerão radicais e ousadas se vierem de pensadores modernos. Mas na verdade, elas formam apenas uma parte da tradição da Cabala, com milhares de anos.

Cada livro carrega sua própria história, sua própria origem. A Cabala remonta quase vinte anos atrás, quando conheci um artista brilhante e profundamente espiritual chamado Hermann Haindl. Ele havia criado um conjunto impressionante de pinturas de Tarô, e a editora me pediu para escrever um livro para eles. Viajei para a casa de Hermann na Alemanha, e mais tarde para sua antiga casa de campo de pedra na Toscana. Passamos horas todos os dias olhando para a arte de Hermann, compartilhando nossas ideias e experiências espirituais. O livro de quinhentas páginas que escrevi sobre o Tarô de Haindl é possivelmente único na literatura do Tarô, pois vem da intensa colaboração de duas consciências.

Há vários anos Hermann me convidou para ir à Alemanha mais uma vez, para ministrar oficinas sobre o Tarô e sobre a Deusa. Mas ele também quis me mostrar uma obra incrível, uma pintura gigantesca e elaborada daquele símbolo mais famoso de toda a Cabala, a Árvore da Vida. Normalmente, esta imagem consiste em dez “emanações” de energia divina, retratadas como dez círculos com vinte e duas linhas de conexão. Os Cabalistas veem a Árvore como a própria essência da verdade universal. Mas a forma da Árvore aparece com mais frequência como um desenho abstrato, e a discussão de seus significados pode facilmente derivar em ideias elevadas sem a real conexão com a própria vida que a Árvore deve encarnar.

A pintura de Hermann Haindl está repleta de vida. Nela encontramos cobras e pássaros, vacas e cordeiros, pedra erodida e ondas do mar, deusas antigas e rostos sonhadores. Encontramos até mesmo Cristo e Albert Einstein. Vemos a natureza, mas também a mística espiritual – uma verdadeira árvore da vida.

Hermann me pediu para escrever um livro para acompanhar sua pintura. Embora a Cabala tivesse me fascinado durante anos, eu lhe disse que havia pessoas que conheciam o assunto muito melhor do que eu. Sim, disse ele, mas ninguém conhecia sua arte da maneira como eu a conhecia. E assim eu mergulhei na imagem da árvore, sua história e simbolismo, e na própria ideia de uma árvore cósmica que une o céu, a Terra, e o submundo. Através da escrita da Árvore Cabala, descobri as maravilhas de uma antiga tradição, aparentemente murcha por um tempo, mas agora novamente em plena floração, como uma grande árvore em mais uma explosão de primavera.

***

Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/644

COPYRIGHT (2004) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.


Este e-mail foi enviado de um formulário de contato em Morte Súbita inc. (https://mortesubita.net)

Morte Súbita inc. wordpress@mortesubita.net

dom., 20 de mar. 21:11 (há 14 horas)

para mim
De: Ícaro Aron Soares <icaroaronpaulinosoaresdireito@gmail.com>
Assunto: A História da Árvore da Vida

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A História da Árvore da Vida

Por Rachel Pollack.

Embora eu tenha crescido em uma casa moderna, minha família pertencia ao ramo ortodoxo do judaísmo. Mantivemos uma casa kosher, observamos os grandes feriados, minha irmã e eu fomos à escola hebraica e ainda assim, nunca ouvi a palavra “Cabala”. Foi só quando fiquei fascinada com o Tarô, e estudei sua história esotérica, que soube até mesmo que tal tradição existia. “Tradição” é certamente a palavra certa, pois é isso que significa Cabala, uma tradição mística transmitida de professor para aluno. Aparentemente, no século XIX e início do século XX, essa passagem oral havia falhado, tornou-se mágica demais para os judeus que desejavam abraçar o mundo moderno.

Mas a Cabala não havia desaparecido, ela havia simplesmente se aberto para o território mais amplo da Cabala “ocidental”, um sistema de imagens e ideias que reunia conhecimento judeu, cristão, pagão e até mesmo mágico dentro de um símbolo enganosamente simples conhecido como a Árvore da Vida. Foi esta Cabala Ocidental que tão brilhantemente conectou as vinte e duas cartas Arcanas Maiores do Tarô com as vinte e duas letras do alfabeto hebraico.

Uma vez que descobri a Cabala, e comecei a mergulhar em sua história e ideias, descobri camadas de significado dentro das antigas tradições. Surpreendentemente, a Cabala, que pensamos ser tão antiga (uma história diz que um anjo a deu a Adão no Jardim do Éden), responde a muitas das perguntas que enfrentamos neste momento. Considere apenas uma questão, nossa reavaliação dos papéis de gênero. Muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, se rebelam contra o que parece ser um status secundário para as mulheres no cristianismo e no judaísmo. Elas apontam que os homens têm usado a história de Eva sendo criada a partir da “costela de Adão” para justificar os maus-tratos dos homens às mulheres. Mas na Cabala encontramos uma interpretação muito diferente, radical mesmo pelos padrões modernos.

Os Cabalistas descrevem Adão e Eva originalmente como um ser, um hermafrodita perfeito, formas masculinas e femininas unidas na costela. Mas este ser, total em si mesmo, não podia aprender com outro. E assim o Criador os separou – na costela – para que eles pudessem explorar a si mesmos e uns aos outros.

E a Cabala vai ainda mais longe. Deus também, nos diz, é hermafrodita, não um Pai só masculino, mas uma espécie de Pai/Mãe (você sabia que a palavra hebraica El Shaddai geralmente traduzida como “Todo-Poderoso” na verdade deriva da palavra para “seios?”). E ainda mais longe – as partes masculina e feminina de Deus se separaram uma da outra, e somente os seres humanos podem reuni-los novamente. Estas ideias nos parecerão radicais e ousadas se vierem de pensadores modernos. Mas na verdade, elas formam apenas uma parte da tradição da Cabala, com milhares de anos.

Cada livro carrega sua própria história, sua própria origem. A Cabala remonta quase vinte anos atrás, quando conheci um artista brilhante e profundamente espiritual chamado Hermann Haindl. Ele havia criado um conjunto impressionante de pinturas de Tarô, e a editora me pediu para escrever um livro para eles. Viajei para a casa de Hermann na Alemanha, e mais tarde para sua antiga casa de campo de pedra na Toscana. Passamos horas todos os dias olhando para a arte de Hermann, compartilhando nossas ideias e experiências espirituais. O livro de quinhentas páginas que escrevi sobre o Tarô de Haindl é possivelmente único na literatura do Tarô, pois vem da intensa colaboração de duas consciências.

Há vários anos Hermann me convidou para ir à Alemanha mais uma vez, para ministrar oficinas sobre o Tarô e sobre a Deusa. Mas ele também quis me mostrar uma obra incrível, uma pintura gigantesca e elaborada daquele símbolo mais famoso de toda a Cabala, a Árvore da Vida. Normalmente, esta imagem consiste em dez “emanações” de energia divina, retratadas como dez círculos com vinte e duas linhas de conexão. Os Cabalistas veem a Árvore como a própria essência da verdade universal. Mas a forma da Árvore aparece com mais frequência como um desenho abstrato, e a discussão de seus significados pode facilmente derivar em ideias elevadas sem a real conexão com a própria vida que a Árvore deve encarnar.

A pintura de Hermann Haindl está repleta de vida. Nela encontramos cobras e pássaros, vacas e cordeiros, pedra erodida e ondas do mar, deusas antigas e rostos sonhadores. Encontramos até mesmo Cristo e Albert Einstein. Vemos a natureza, mas também a mística espiritual – uma verdadeira árvore da vida.

Hermann me pediu para escrever um livro para acompanhar sua pintura. Embora a Cabala tivesse me fascinado durante anos, eu lhe disse que havia pessoas que conheciam o assunto muito melhor do que eu. Sim, disse ele, mas ninguém conhecia sua arte da maneira como eu a conhecia. E assim eu mergulhei na imagem da árvore, sua história e simbolismo, e na própria ideia de uma árvore cósmica que une o céu, a Terra, e o submundo. Através da escrita da Árvore Cabala, descobri as maravilhas de uma antiga tradição, aparentemente murcha por um tempo, mas agora novamente em plena floração, como uma grande árvore em mais uma explosão de primavera.

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Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/644

COPYRIGHT (2004) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-historia-da-arvore-da-vida/

A Deusa Demeter e os Mistérios Eleusis

Acredita-se que o culto à Deméter tenha sido trazido à Grécia vindo de Creta durante o período micênico, carregando consigo o seu nome.. Sendo assim, ela é descendente direta da Deusa-Mãe cretense, que com suas virgens e sacerdotisas, empunhavam serpentes e prestavam culto ao touro. Neste caso, podemos afirmar que Deméter representaria a sobrevivência da religião e dos valores matriarcais durante a cultura patriarcal guerreira dos gregos clássicos.

O hino homérico relata que ela teria chegado a Eleusis disfarçada de anciã, na época em que as pessoas vinham do outro lado do mar, de Creta.

A filha de Deméter, Perséfone, também nasceu em Creta, e a lenda arcaica da união de Zeus, em forma de serpente, com sua filha também teve lugar em Creta. O filho que nasceu dessa união foi Dionísio. As coincidências demonstram que existe uma conexão entre a Deméter documentada em Creta e a que é conhecida na Grécia.

Na Grécia antiga, Deméter era responsável por todas as formas de reprodução da vida, mas principalmente da vida vegetal, o que lhe rendeu o título de “Senhora das Plantas”, “A Verde”, “A que atrai o fruto” e “A que atri as estações”. As pessoas a honravam ao usar guirlandas de flores enquanto marchavam pelas ruas, geralmente descalças. Acreditava-se que pisar na terra descalço aumentava a comunicação entre os humanos e a Deusa.

Para os gregos, Deméter era a criadora do tempo e a responsável por sua medição em todas as formas. Seus sacerdotes eram conhecidos como Filhos da Lua.

Outro vestígio da antiga consciência matriarcal da Deusa-Mãe, foi transmitido na devoção católica popular da Virgem Maria entre os povos do Mediterrâneo. Quase certamente há uma continuidade psíquica entre Maria, a Mãe de Deus, as antigas deusas da Grande Mãe no Mediterrâneo e no Oriente Próximo e a deusa Deméter. Mas embora se conheça muitas representações medievais de Maria com cereais e flores, ela não possui o poder emocional das antigas Mães da Terra e suas filhas.

Deméter era a protetora das mulheres e uma divindade do casamento, maternidade, amor materno e fidelidade. Ela regia as colheitas, o milho, o arado, iniciações, renovação, renascimento, vegetação, frutificação, agricultura, civilização, lei, filosofia da magia, expansão, alta magia e o solo.

O RAPTO DE PERSÉFONE

Quando falamos de Deméter, devemos falar de duas Deusas. O cerne do mito e do culto a Deméter, era o fato dela ter perdido sua adorada filha Coré (donzela, em grego). A intimidade entre mãe e filha ressalta o caráter profundamente feminino dessa religião e constelação mitológica. Coré mais tarde passa a ser conhecida como Perséfone.

O mais antigo documento que narra este mito é o belo “Hino à Deméter” homérico, que nos fala tanto da Deusa Deméter como de sua filha Coré. O objetivo deste poema é explicar a origem dos mistérios de Elêusis.

A jovem Coré, diz a narrativa, encontrava-se colhendo flores, quando foi atraída por um narciso muito belo, mas ao estender a mão para pegá-lo, a terra se abriu e Plutão (Hades), Senhor dos Mortos, em sua carruagem de ouro puxada por dois cavalos negros, arrebatou-a e levou-a para ser sua noiva e Rainha do Subterrâneo. Coré lutou e gritos, mas nem os deuses imortais como os homens mortais, ouviram seus clamores. Deméter só pode ouvir o eco do apelo de sua filha e então apressou-se para encontrá-la. Procurou sua filha por nove dias e nove noites, não parando para comer, dormir ou banhar-se, só andando errante pela terra, carregando em suas mãos tochas acesas. Porém quando se apresentou pela décima vez a Aurora, encontrou-se com Hécate, Deusa da Lua Escura, que lhe diz:

–“Soberana Deméter, dispensadora das estações, de esplendidos dons, quem dos deuses celestes ou dos homens mortais raptou Perséfone e afligiu teu animo? Ouvi a sua voz, porém não vi com meus olhos quem era. Em breve vamos desfazer esse engano”.

Assim falou Hécate que partiu com Deméter, levando em suas mãos as tochas acesas. As duas então chegaram até Hélio, o deus do sol, que compartilha esse título com Apolo e a mãe aflita perguntou:

-“Sol, respeita-me tu ao menos, como Deusa que sou…A filha que pari, encantadora por sua figura…ouvi sua vibrante voz através do límpido éter, como a de quem se vê violentada, mas não a vi com meus olhos. Porém tu que sobre toda a terra e por todo o mar diriges desde o éter divino a olhar de teus raios, diga-me sem enganos se teria visto a minha filha querida em alguma parte; quem dos deuses ou dos homens mortais ousou capturá-la para longe de mim, contra sua vontade, pela força”.

Hélio então respondeu:

-“Filha de Rea, ..pois é grande o meu respeito e compaixão que sinto por ti, aflita como estás por tua filha de esbeltos tornozelos. Nenhum outro dos imortais é mais culpado que Zeus fazedor de nuvens, que a entregou à Hades para que se torne sua esposa…Assim que tu, Deusa, dá fim a teu copioso pranto. Nenhuma necessidade há de que tu, sem razão, guarde então um insaciável rancor.”

Deu a entender para a Deméter que ela deveria aceitar a violação de Perséfone, pois Hades, não era um genro tão sem valor, mas a Deusa não aceitou seu conselho e agora sentia-se traída por Zeus. Retirou-se do monte Olimpo, disfarçou-se de uma mulher anciã e vagou sem ser reconhecida entre as cidades dos homens e os campos. Um certo dia, ela se aproximou de Elêusis, sentou-se perto do poço Partenio e foi encontrada pelas filhas de Céleo, o governador de Elêusis. Quando Deméter disfarçada lhes revelou que procura um emprego de babá, ela a levaram para casa, à sua mãe Metanira, para cuidar do um irmãozinho chamado de Demofonte.

Sob os cuidados da Deusa, Demofonte criou-se como um deus. Ela o alimentou com ambrosia e secretamente o colocou em um fogo que o teria tornado imortal não tivesse Metanira entrado no local e gritado por medo do filho. Deméter reagiu com fúria, reclamou à Metanira por sua estupidez, e revelou sua verdadeira identidade. Ao mencionar seu nome mudou completamente seu visual revelando sua beleza divina. Seu cabelo dourado caiu pelas costas, e seu perfume e esplendor encheram a casa de luz.

Imediatamente Deméter ordenou que fosse construído um templo só seu e lá permaneceu envolta em sua dor e não permitindo que nada germinasse na terra.

Zeus, tendo conhecimento da situação enviou sua mensageira Íris até Deméter, pedindo que Deméter retornasse ao Olimpo. Como não concordou, um a um dos deuses olímpicos vieram até ela, trazendo dádivas e honras. Mas a cada um Deméter fez saber que de modo algum retornaria ao monte Olimpo, até que sua filha lhe fosse devolvida.

Finalmente Zeus resolve enviar seu mensageiro Hermes até Hades, ordenado-lhe que trouxesse Perséfone de volta para que “quando sua mãe a visse com seus próprios olhos, abandonasse a sua raiva”. Hermes ao chegar ao mundo de Hades, encontrou-o sentado próximo à Perséfone que se encontrava muito deprimida.

O Senhor dos Mortos, antes de libertar Perséfone, deu-lhe uma semente de romã para comer, o que faria com que ela voltasse para ele. Assim, foi-lhe permitido voltar para Deméter dois terços do ano e o restante do ano no mundo das trevas com Hades.

Com a satisfação de recuperar a filha perdida, Deméter fez com que os cereais brotassem novamente e com que toda a Terra se enchesse de frutos e flores. Imediatamente mostrou esta feliz visão aos princípios de Elêusis, Triptolemo, Diocles e ao próprio rei Celeo e, além disso, revelou-lhes seus sagrados ritos e mistérios.

O amor entre Deméter e Coré é um sentimento que somente uma mãe e uma filha podem realmente compartilhar. Não importa o quanto um pai ame e adore sua filha, jamais chegará perto do estreito vínculo que existe entre mãe e filha. Ao dar á luz, a mãe, vê a si mesma em pura inocência naquela pequena pessoinha. Jung nos diria que uma mãe vê em sua filha é a percepção de seu próprio “self” feminino transcendente, a perfeição do ser feminino.

Podemos afirmar, com convicção, segundo Carl Jung, que “em toda mãe já existiu uma filha e toda a filha contêm sua mãe” e que toda mulher se estende para trás em sua mãe e para frente em sua filha. A conscientização destes laços gera o sentimento de que a vida se estende ao longo de gerações e provocam a sensação de imortalidade.

ARQUÉTIPO MATERNAL

No momento que a mulher recebe em seus braços o seu bebê, o poder arquetípico de Deméter é plenamente despertado. As dores do parto, consideradas como uma transição iniciática, desaparecem e uma irradiação de amor demétrico tudo abrange. Estará aqui e agora desperta para uma nova fase de sua vida: ser mãe. Uma vez mãe, permanecerá sempre mãe, pois nada apaga a emoção de carregar um filho sob o coração.

O arquétipo da Mãe era representado no Olimpo por Deméter. Embora muitas Deusas tenham sido mães, nenhuma se compara à esta Deusa, pois ela deseja ser mãe. Quando está grávida ou criando seus filhos, Deméter atinge o ápice de sua plenitude enquanto mãe. Ela orgulhosamente proporcionou vida nova e novas esperanças à sua comunidade. No antigo simbolismo de seu ciclo, ela corporifica agora a lua cheia, e também o verão abundante com frutos da terra. O cálice da força vital dentro de si está transbordante.

Este arquétipo não está restrito à mãe biológica. Ser mãe de criação ou ama seca, permite que outras mulheres expressem seu amor maternal. A própria Deméter representou este papel com Demofonte.

MÃE-NATUREZA

O povo grego. ano após ano, via, com natural pesar, os dias brilhantes do verão desvanecer-se com a tristeza da estagnação do inverno. Ano após ano, saudava a explosão de vida e cores da primavera. Habituado a personificar as forças da natureza e a vestir suas realidades com roupagem de fantasia mítica, ele criou para si um panteão de deuses e deusas, de espíritos e duendes, que oscilavam com as estações e seguiam as flutuações anuais de seus fados com emoções alternadas de alegria e tristeza, que expressava na forma de ritual e de mito. Um destes mitos é o da Deusa Deméter. Os romanos a conheciam como Ceres.

O símbolo principal de Deméter era um feixe de trigo e, em seus mistérios em, Elêusis, uma única espiga de milho. É retratada como uma mulher bonita de cabelo dourado e vestida com roupão azul, considerada a Senhora das Plantas. Seu animal sagrado é o porco, que representava um sacrifício de fertilidade em todo o mundo por causa de seus múltiplos úteros. Seu animal sagrado marinho era o golfinho.

AS TESMOFORIAS

O festival grego da “Tesmoforias” era celebrado anualmente em outubro, em honra a Deméter e era exclusivo para mulheres. Se constituía de três dias de celebrações pelo retorno de Core ao Submundo.

Neste festival, os iniciados compartilhavam uma beberagem sagrada, feita de cevada e bolos.

Uma das características da Tesmoforia era uma punição aos criminosos, que agiam contra as leis sagradas e contra as mulheres. Sacerdotisas liam a lista com os nomes dos criminosos diante das portas dos templos das Deusas, especialmente Deméter e Ártemis. Acreditava-se que aqueles desta forma amaldiçoados morreriam antes do término de um ano.

O primeiro dia da Tesmoforia era celebrado o “kathodos”(baixada) e o “ánodos”(subida), um ritual em que as sacerdotisas castas levavam leitões para serem soltos dentro de grutas profundas cheias de serpentes e os restos decompostos dos porcos do ano anterior eram recolhidos.

O segundo dia era chamado de “Nestía”, nele as mulheres jejuavam, sentadas no chão, imitando a forma ritual dos processos da natureza e, de acordo com uma perspectiva mitológica, representando a dor de Deméter pela perda da filha, quando, inconsolada, se sentou ao lado do poço. O ambiente era triste e, portanto, não se usavam guirlandas.

No terceiro dia, se celebrava um banquete com carne e os leitões recolhidos (do ano anterior) eram espalhados na terra arada, e se invocava a Deusa de belo nascimento, “kalligeneia”.

MISTÉRIOS ELEUSIANOS

O propósito e o significado dos Mistérios Eleusianos era a iniciação à uma visão. “Eleusis”, significa “o lugar da feliz chegada”, de onde os campos Elíseos tomam seu nome. O termo “Mistérios” provêm da palavra “muein”, que significa “fechar” tanto os olhos como a boca. Faz referência ao segredo que rodeia as cerimônias e a conformidade requerida do iniciado, ou seja, se exige de ele ou ela permita que se faça algo: daí se deduz o significado de “iniciar”. A culminação da cerimônia consistia na exposição de objetos sagrados no santuário interno à mãos do sumo sacerdote ou hierofante (hiera phainon), “o que faz que os objetos sagrados apareçam”. Era somente permitido fazer alusões indiretas sobre o que ocorria. Entre elas, a fundamental era que Deméter falava à sua filha e se reunia com ela em Eleusis. Mas, alguns escritores cristãos violaram essa regra e um assinalou que o ponto culminante da cerimônia consistia em cortar uma espiga de trigo em silêncio.

Qualquer pessoa podia assistir os Mistérios, desde que falasse grego, mulheres e escravos inclusive, desde que não tivessem as mãos sujas de sangue por nenhum crime. Os Mistérios eram realizados uma vez ao ano para mais ou menos três mil pessoas. Se sabe que esses iniciados não formavam nenhuma sociedade secreta, eles vinham de todos os pontos da Hélade, participavam da experiência e logo se separavam.

Os Mistérios menores, que se celebravam até o final de inverno no mês das flores, o Antesterion (nosso fevereiro) e era pré-requisito para a participação nos Mistérios maiores, que se celebravam no outono. Esses Mistérios exploravam o que havia acontecido à Perséfone, Deusa do Mundo Subterrâneo, quando estava colhendo flores em Nisa. Se diz que ela foi raptada por Hades enquanto colhia um narciso de cem cabeças. Os gregos chamavam de narciso toda a planta que tinha propriedades narcóticas.

Esse rapto representa várias idéias, uma é o processo que experimenta a semente ao cair na terra e decompõem-se para voltar de novo à vida. Que se representava simbolicamente como as primeiras núpcias entre os reinos da vida e da morte.

Porém, também representa o rapto extático que proporcionavam certas substâncias que estavam relacionadas com Dionísio, deus da embriaguez, que por sua vez era Senhor de Hades por sua relação com tudo que apodrecia, fermentava e se transformava em outra coisa.

O primeiro estágio da iniciação no Mistérios menores era o sacrifício de um porco jovem, o animal consagrado à Deméter, que substituía simbolicamente a morte do próprio iniciado. Como nas Tesmoforias esse rito se ajusta à variante órfica do mito, que associava a morte do leitão com o rapto de Perséfone.

O segundo estágio da iniciação era uma cerimônia de purificação na qual o iniciado era vendado. As sucessivas etapas dos ritos de iniciação são descritas, através de alusões, inteligíveis para os já iniciados, porém não para os profanos. O acontecimento central dos Mitos Eleusinos era a noite em que se consumia a poção sagrada Kykeon. Os ingredientes dessa poção se constituiu um segredo durante esses 4 mil anos.

Os Mistérios maiores se celebravam a princípio à cada cinco anos. Mais tarde passaram a celebrar anualmente, no outono: começava no dia 15 do mês Boedromión (nosso mês de setembro) e duravam nove dias. Se reuniam iniciados de todos os lugares do mundo helênico e romano, e se declarava uma trégua entre as cidades estado gregas durante quarenta e cinco dias, desde o mês anterior até o mês seguinte.

Na véspera do início, se levavam os objetos sagrados, o “hierá”, de Deméter em procissão desde Eleusis até Atenas.

1- dia 15 do boedromion: Agyrmos, reunião. Proclamação:

Nesse dia tinha lugar a convocação e preparação dos iniciados. Os hierofontes declaravam o “prorrhesis”, o início dos ritos.

2 dia- 16: Elasis ou Helade Mistay: “Ao mar, ó iniciados!”

No segundo dia os iniciados se purificavam no mar (Falero), num rito chamado de “expulsão”. Durante nove dias fariam estas abluções na água do mar, nove dias como Deméter peregrinou pela terra em busca da verdade sobre o rapto de Perséfone. Nesse mesmo dia, os iniciados sacrificavam um leitão enquanto o hierofante os instava: Helade, Mysthai!

3 dia- 17: Hiereia Deuro: Sacrifício

Parece que nesse dia se celebravam o sacrifício oficial em nome da cidade de Atenas.

4 dia- 18: Asclepia

Esse dia era chamado de Asclepia em honra de Asclepio, deus da cura, era outro dia de purificação.

5 dia- 19: Yacós ou Pampa, procissão

Esse era um dia de celebração onde se realizava um grande procissão que inciava em Ceramico (Cemitério de Atenas) até Eleusis, seguindo o itinerário sagrado. Percorriam uns 32 Km. Algumas sacerdotisas levavam as “hierás” em “kistas”fechadas, ou cestas, rodeadas por uma multidão que dançava e gritava o nome de Yaco, cuja estátua, coroada de myrto e carregando uma tocha.

Yaco era o outro nome de Dionísio que, segundo a lenda órfica, era filho de Perséfone e Zeus, pai da mesma. Fui concebido em uma noite em que o deus se aproximou de uma caverna subterrânea transformado em serpente. Não se tratava de Dionísio, deus do vinho e do touro (cujo equivalente é o cretense Zagreo), deus que é desmembrado, porém vive de novo. Era Dionísio como criança de peito místico, o deus que morre e vive eternamente, imagem da renovação perpétua.

Na fronteira entre Eleusis (era uma cidade pequena à 30km noroeste de Atenas) e Atenas, pessoas mascaradas parodiavam a procissão. Encenavam o mito que relatava como Yambe ou Baubo animou Deméter. Como em tantas festas de renovação, preparavam o nascimento do novo para substituir o velho. Quando as estrelas apareciam, os “mystai” (iniciados) rompiam seu jejum, pois o dia vigésimo do mês havia chegado e segundo as “Ranas” de Aristófanes, o resto da noite passavam entre cantos e bailes. Os templos de Poseidón e Ártemis se abriam para todos, porém atrás deles estava a porta que dava ao santuário, e nada, exceto os iniciados, poderiam passar sob pena de morte.

6 dia – 20: Telete (mysteriodites Nychtes)

Esse era um dia de descanso, jejum, purificação e sacrifícios, de acordo com o mito de jejum de Deméter, representando o ritual de esterilidade do inverno. O jejum se rompia com a bebida de cevada, mel e polén (Kykeon) que preparavam e então se permitia que os iniciados entrassem no santuário sagrado. Essa celebração acontecia em um lugar chamado de Telesterion, chamado assim porque aqui se alcançava “o objetivo” ou “telos”. Era um local enorme, que podia albergar milhares de pessoas e onde se exibiam os objetos sagrados de Deméter. No centro estava o Anactoron, uma construção retangular de pedra com uma porta em um de seus extremos, que só o hierofonte podia passar. Essa era a parte mais reservada dos Mistérios eleusianos.

Mas o que exatamente ocorria neste momento?Seria o começo da própria iniciação? Parece que se desenvolvia em três etapas: “drómena, o feito (Ação); legómena, o dito (texto falado); deiknýmena, o mostrado (visão). Depois tinha lugar uma cerimônia especial conhecida como “epoptía”, o estado de “haver visto”, se celebrava para os iniciados do ano anterior.

Em drómena os iniciados participavam de um desfile sagrado pelo qual se representava o relato de Deméter e Perséfone. Os legómena consistiam em invocações ritualísticas curtas, pequenos comentários que acompanhavam o desfile e explicavam o significado do drama. Os deiknýmena, a exibição dos objetos sagrados, culminava na revelação proferida pelo hierofante, cuja difusão era proibida. Os epoptía também incluiam a exibição de “hierá”, não se sabe ao certo o que eram esses objetos sagrados. Segundo as fontes arqueológicas de A. Kórte (Zu den Eleusinischen Mysterien, «Archiv für Religions Wissenschaft» 15, 1915, 116) supõe-se que a enigmática cesta que tomavam os iniciados, entre outros objetos, havia um que representava o órgão sexual feminino, o qual, em contato com o corpo dos mystai, contribuía com a sua regeneração e passavam a ser considerados filhos de Deméter.

M. Picard (L’épisode de Baubó dans les mystéres d’pleusis, «Revue d’histoire des religions» 1927, 220-255) adiciona o órgão masculino. O iniciado tocaria sucessivamente os dois objetos, simbolizando assim a verdadeira união sexual.

7 dia- 21: Epopteia

Somente à tarde tinha início os ritos secretos. Em determinado momentos deviam pronunciar uma contra-senha sagrada:”Jejuei, bebi o kykeon, o tomei do canasto (calathus) e, depois de prová-lo o coloquei de novo no canasto e dali, ao cesto”. Misteriosas palavras, que sem sombra de dúvida, tinham grande significado para os iniciados. Todo o resto do dia era passado em compasso de espera e somente à noite os iniciados entravam no santuário. Um muro à sua direita impedia que vissem o local da “Rocha sem alegria” (local em que se supõe que a Deusa Deméter esteve sentada). Ouviam lamentos procedentes dali. Chegavam ao Telesterion e depositavam os leitões nas “mégara”, uma espécie de sótão do templo. Em seguida peregrinavam fora do Telesterion em busca de Core (Perséfone), na escuridão e com a cabeça coberta com uma carapuça que não lhes permitia ver nada, cada iniciado era guiado por um mystagogo. Imagine andar na escuridão, totalmente desorientado, esperando em silêncio, até que um gongo soa como um trovão e o hierofonte clamando por Core, até que o mundo inferior se abre e das profundezas da terra aparece a Deusa. Daí um clarão de luz enche a câmara, crescem as chamas da fogueira e o hierofonte canta:

-“A Grande Deusa deu à luz a um filho sagrado: Brimo pariu à Brimós”. Então, em silêncio profundo, levanta com a mão uma espiga de trigo.

Para que entendam, Brimo era uma Deusa do Mundo Inferior em Tesália, ao norte. Os nomes Brimo e Brimós sugerem à introdução da agricultura e de que nos Mistérios da Grécia houve influência tesalia.

Mas que estão fazendo Brimo e Brimós em Eleusis?

Kerényi diz que Brimo é “fundamentalmente um nome que designa a rainha do reino dos mortos, atribuído à Demeter, Core e Hécate em sua qualidade de Deusas do Mundo Inferior”. Nesse caso, o filho é o espírito da renovação concebido no Mundo Inferior como testemunho vivo de que na morte há vida, já que está na “riqueza” da colheita, o “tesouro” do conhecimento intuitivo espiritual.

Brimo, portanto, foi o nome dado ao filho de Perséfone, ao qual ela deu à luz no inferno em meio as chamas. Esse nome parece referir-se à Dionísio, o deus de vida indestrutível.

8 dia – 22: Plemochoai

Era dia de sacrifício e festa. Sacrificavam-se touros à Deméter e Perséfone (Core) e outros animais, especialmente leitões. Este festival era chamado Plemochoai, porque esse era o nome dado aos vasos (ou taças) que o sacerdote enchia com um certo líquido e, virando-se para oeste e depois para leste, derrama ao solo o que continham. O povo, olhando para o céu, grita “chuva!” e, olhando para a terra, grita “concebe!”, hýe, kýe.

Harrison escreve que “o rito do matrimônio sagrado e o nascimento da criança sagrada….era o mistério central”. Entretanto, a cerimônia final nos mostra o matrimônio simbólico da chuva celestial com à terra, que havia de conceber o filho do grão (da semente), porém existia a possibilidade se ser celebrado esse casamento simbólica ou literalmente, entre o hierofante e uma sacerdotisa antes do regresso de Core.

9 dia – 23: Epistrofe

Neste dia os iniciados voltavam à Atenas. Eleusis voltava a velar-se em seus mistérios, enquanto se despedia dos visitantes, agora renascidos, levando consigo as experiências de vinculação com as divindades. Assim acabam os Mistérios de Eleusis.

A gestão desse culto era exclusiva das famílias aristocráticas, com funções definidas para cada uma delas. O sumo sacerdote, o chamado hierofante, devia pertencer a família dos Eumólpidas, enquanto a família dos Cérices procediam dos sacerdotes de traço imediatamente inferior, o portador da tocha. A sacerdotisa vivia sempre no santuário. O hierofante ostentava o privilégio de escolher seus iniciados. Sobre todos eles se sobrepunha uma outra figura, o chamado arconte rei (archon basileus) no eleusino, que era ateniense (era os atenienses que controlavam o culto), ao qual assiste uma equipe de colaboradores (epistatai), encarregados das finanças.

MORRER PARA RENASCER

Morrer para renascer, esse é o sentido da iniciação. O sangue dos animais sacrificados simbolizavam a própria morte do iniciado. É Plutarco que nos diz que “morrer é ser iniciado”. Só através da morte se regressa à luz. Clemente e Foucart realmente estão de acordo com essa idéia: representar a busca de Deméter e identificar-se com Perséfone é precisamente vagar no mundo subterrâneo da morte, do mesmo modo que encontrar Core é retornar à vida depois da morte.

Esse mito grego recupera um mito bem mais antigo conhecido como a “Descida de Inanna”, que vai e vem entre ambos os mundos. Perséfone aqui é a faceta da mãe que desce e regressa de novo à mãe, configurando uma totalidade nova. Se percebe claramente uma continuidade nessa relação: vida em morte e morte em vida. Se “vê através” de uma a outra, e isso liberta a humanidade de sua natureza de entidades antagônicas. Quando mãe e filha se percebem como uma única realidade, nascimento e renascimento se convertem em fases que provêm de uma fonte em comum: através da dita percepção se transcende a dualidade.

A DEUSA TRÍPLICE

A triplicidade pode ser vista na lua, que é: crescente, cheia e minguante. E, no fato da Deusa reger o mundo superior, a terra e o mundo inferior. Ela era também a Donzela ou Virgem, a Mãe e a Anciã, as três principais fases da vida de toda a mulher. Pois Deméter se vê “Donzela” em sua filha Coré. É “Mãe” desta filha e de tudo que brota e cresce. Mas, ao perder sua filha Coré para Hades, torna-se “Anciã” associada diretamente com a morte.

Para cada fase ou ciclo há perdas que devem ser vivenciadas por todas as mulheres. No primeiro ciclo, visualiza-se a “morte da donzela”, que torna-se uma jovem nubente e é uma iniciação para fase seguinte, que se tornará mãe, abençoada com seus próprios filhos. Quando a Mãe não pode mais conceber (menopausa), passa a tocha da maternidade para filha, transferindo para ela todos os poderes da fecundidade. A morte da mãe, constitui a mulher idosa que tem agora o potencial para ingressar na esfera espiritual das anciãs, guardiãs dos mistérios da morte.

Hoje estes ciclos raramente são reconhecidos e vividos plenamente pelas mulheres, pelo fato de habitarem um mundo predominantemente masculino. A realidade moderna e científica tornou a “Mãe” uma máquina biológica de produção de bebês, que favorece ou prejudica a política financeira de uma determinada sociedade.

DEMÉTER HOJE

Por mais belo que se pinte um quadro de uma mãe com o filho nos braços, ele estará longe de ser a realidade para a maioria das mães das sociedades industrializadas e urbanas do Ocidente. As pressões financeiras, privam a mulher de permanecer no seio da família, cuidando de seus amados filhos. Até a licença-maternidade, através de duras penas conseguida, possui um tempo vergonhosamente limitado, pois a volta ao trabalho quase de imediato, não permitem que a mãe acompanhe o desenvolvimento de seu bebê. Além de ser estigmatizada por tal feito, pois ter um filho em nossos dias, significa estar fora de ação, inativa e lhes é somente permitido olhar saudosamente para o mundo que caminha sem elas.

Deméter sofre com o eclipse em nossa civilização. As mulheres que representam seu modo de ser, não têm condições de competir com as mulheres mais instruídas, pois a Deméter natural não é tão intelectualizada. Ela adora apenas criar seus filhos e acaba ficando muito sentimentalizada, tratada com condescendência e destituída do poder por suas irmãs feministas.

Deméter nas antigas comunidades agrárias, tinha dignidade, autoridade e uma vida bastante gratificante. Tudo se perdeu numa sociedade onde tudo é subserviente às exigências econômicas do monopólio do consumo.

Por Rosane Volpatto.

#Magia #Mitologia #Ocultismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-deusa-demeter-e-os-mist%C3%A9rios-eleusis

Anatole France

Jacques Anatole François Thibault adotou o pseudônimo de Anatole France porque seu pai, um livreiro em Paris, chamava sua loja de “Librarie de France”. Desde muito jovem, Anatole foi um leitor insaciável. Sua primeira coleção de poemas, “Poemas Dourados”, foi publicada em 1873.

Por 20 anos France ocupou diversos cargos, mas sempre com tempo para seus escritos, especialmente durante o período em que trabalhou como bibliotecário no Senado, de 1876 a 1890. Sua obra literária é vasta, embora seja conhecido principalmente como romancista e contista.

Em 1875 France escreveu uma série de artigos de critica literária para o jornal “Le Temps”. Começou sua coluna semanal no ano seguinte. Esses textos foram publicados de 1889 a 1892 em quatro volumes, como “Vie Literarie”.

Influenciado pelo racionalismo radical de inspiração humanista, France condenava as formas de dogmatismo e especulação filosófica. Seu estilo apresenta um tom de ceticismo urbano e hedonismo. Essa visão da vida aparece explicitamente em “O Jardim de Epicuro” (1895). Seu primeiro grande sucesso foi “O crime de Silvestre Bonnard” (1881), premiado pela Academia Francesa, da qual France tornou-se membro em 1896.

France se casou com Valérie Guérin de Sauville em 1877. A união terminou em divórcio em 1893, devido a sua ligação com Mme Arman de Caillavet (Leontine Lippmann), o grande amor de sua vida e promotora dos seus livros através de suas amplas relações sociais.

Em 1888 France publicou “O livro do meu amigo” um tipo de romance autobiográfico, que continua com “Pierre Nozière” (1899), “Le Petit Pierre” (1918) e “La Vie en Fleur” (1922).

France foi de encontro ao naturalismo de Zola. O período da transição do paganismo ao cristianismo era um de seus temas favoritos. Em 1889 lançou “Baltasar” e, no ano seguinte, “Thais”, a história da conversão de uma cortesã de Alexandria durante o início da era cristã.

Em 1893 France publicou “A Rotisseria da Rainha Pédauque”, um retrato da vida no século 18. A figura central da novela, Abbé Coignard, reaparece em “As opiniões de Jérôme Coignard” (1893) e na coleção de histórias “O Poço de Santa Clara” (1895). Com “O Lírio Vermelho” (1894), uma história trágica de amor, France retornou a um assunto contemporâneo.

Com o tempo France tornou-se cada vez mais interessado em questões sociais. Apoiou Émile Zola no caso Dreyfus; no dia seguinte à publicação do “J’accuse”, assinou a petição que pedia a revisão do processo. Devolveu sua Legião de Honra quando foi retirada a de Zola. Participou na fundação da Liga dos Direitos do Homem.

Anatole France filiou-se ao Partido Comunista no início dos anos 1920. Foi laureado em 1921 com o Prêmio Nobel de literatura pelo conjunto da obra. No ano seguinte a Igreja católica pôs sua obra no “Índex” por criticar a sociedade e a Igreja. Os trabalhos reunidos de Anatole France foram publicados em 25 volumes entre 1925 e 1935.

Seus trabalhos incluem a biografia “Vida de Joana d?Arc”, “Os Deuses têm Sede”, “A Rebelião dos Anjos”, “A Ilha dos Pingüins”, “O Artista”, “Axis Mundi”, “O Cristo do Mar”; “Marguerite” e “Missa dos Mortos”, entre outros.

Frases de Anatole France:

A religião prestou ao amor um grande serviço, fazendo dele um pecado.

Duvidemos até mesmo da própria dúvida.

Com que direito os deuses imortais rebaixariam um homem virtuoso ao ponto de o recompensar?

O mal é necessário. Da mesma forma que o bem, tem a sua nascente profunda na natureza, e um não poderia exaurir-se sem o outro.

Em matéria de propriedade, o direito do primeiro ocupante é incerto e pouco seguro. O direito de conquista, pelo contrário, assenta em fundamentos sólidos. Ele é respeitável porque é o único que se faz respeitar.

Definem-nos o milagre: uma derrogação das leis da natureza. Não as conhecemos; como saberíamos que um fato as derroga?

As mulheres e os médicos sabem bem como a mentira é necessária aos homens.

O trabalho convém ao homem, (…) evita que ele olhe para esse outro que é ele e que lhe torna a solidão horrível.

Os homens animados por uma fé comum nada têm feito mais depressa senão exterminar aqueles que pensam de modo diferente, sobretudo quando a diferença é muito pequena.

O que os homens chamam de civilização é o estado atual dos seus costumes e o que chamam de barbárie são os estados anteriores. Os costumes presentes serão chamados bárbaros quando forem costumes passados.

Chamamos perigosos àqueles cujo espírito é diferente do nosso e imorais aos que não têm a nossa moral.

Nada estraga tanto uma confissão como o arrependimento.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/anatole-france/

AGLA, ARARITA, IAO e outras Palavras de Poder na Magia Cerimonial

Por Spartakus FreeMann

Queremos oferecer ao estudante ou à pessoa curiosa que entra no caminho da Magia Cerimonial algumas chaves para as Palavras do Poder que ele poderá encontrar nos vários Rituais que ele terá que estudar e praticar. Algumas palavras podem parecer absurdas ou misteriosas, mas um exame abrirá uma compreensão do que elas realmente significam, e por que são usadas em rituais.

Tabela de conteúdo

Perguntas Frequentes

O que são palavras de poder na magia?

As palavras de poder (AGLA, ARARITA,…) são usadas para invocar algo ou proteger o invocador. Eles são encontrados por exemplo nos rituais de pentagrama e hexagramas.

Em quais grimórios elas podem ser encontradas?

Principalmente na Clavícula de Salomão e em quase todos os grimórios de vendedores ambulantes (Galinha Preta).

O que é magia cerimonial?

 A magia cerimonial é o ramo operativo da Magia que utiliza círculos invocatórios, fórmulas muito rígidas, invocações, evocações e dispensas de forças sobrenaturais. Esta magia usa muitas ferramentas (espada, punhal, cálice, tapete, túnica, grimório, incenso,…).

É perigoso usá-las sem preparação e conhecimento?

 Sim, como em qualquer ação mágica, o praticante deve entender e dominar o que está fazendo.

O que se segue é mais um esboço do que um estudo exaustivo. Para este trabalho, nos baseamos nas obras de Israel Regardie. Não queríamos elaborar uma tabela exaustiva de todas as palavras de poder, porque um livro em vários volumes não seria suficiente, mas o leitor pode encontrar obras muito boas no mercado atual.

AGLA

No Ritual de Banimento do Pentagrama, é utilizada a Palavra de Poder AGLA אגלא. Esta Palavra é na verdade um Notariqon da frase “Atah Ghibor Leolam Adonai” (A Ti é o Poder para sempre, Senhor!). É incrível saber então que os Wiccanos usam esta palavra de poder em suas evocações! Adonai é implicitamente invocado. Entretanto, como veremos mais adiante neste artigo, o simbolismo de Adonai pode ser diferente daquele normalmente atribuído a ele em ambientes religiosos.

ARARITA

Outra palavra de Poder frequentemente utilizada é a de ARARITA אראריתא que se encontra mais particularmente no Ritual do Hexagrama, que é vibrado nos quatro cantos ao traçar os hexagramas que estão associados às forças dos sete planetas. ARARITA é também um Notariqon de 7 letras da frase “Achad raysheethoh; achad resh yechidatoth temourathoh achod” (“Um é seu começo; um é sua individualidade; sua permutação é uma”). A palavra achad (אחד) significa “um”; Raysheet (ראשׁית) significa “início”, rosh (רששׁ) significa “cabeça” ou “início”; yechidah (יחידה) refere-se à alma humana superior que está associada a Kether; temurah (תמורה) significa “permutação”.

Na tradição da Magia de Thelema, ARARITA é uma fórmula relacionada ao macrocosmo, poderosa em certas Operações Mágicas da Luz Interior (ver Liber 813).

Por fim, observemos que ARARITA (אראריתא) tem um valor numérico de 813, que é idêntico à numeração de Gênesis I:3: “Vayomer Elohim Yehi Aur, Vihi Aur” (E Deus disse: que haja luz e houve luz).

ABRACADABRA

Outra palavra de poder frequentemente encontrada na Magia Ceremonial é ABRACADABRA. Este nome não é encontrado nos Livros de Mistérios Cabalísticos, mas o Sepher Raziel se refere a Abraxas, que é um nome derivado de Abracadabra. Em sua seção 37b, o Raziel substitui o Abraxas pelo nome “Abragag” (אברגג), dando-lhe o significado de “divino” e nomeando o nariz do corpo divino desta forma. Mas ele o usa em sua forma normal como um nome a ser invocado para fazer aparecer um brilho na escuridão, desta forma: ‘Yeir Abraksas’ (אברשׁכס יאיר), que significa ‘Ele ilumina divinamente’. Nomes mágicos são obtidos através de associações, desnaturações, abreviaturas ou combinações, de acordo com regras estabelecidas (Cabala Extática, cap.8).

De acordo com M-A Ouaknin, Abracadabra nasceu da confusão entre dibur e amira. Abracadabra significa literalmente, segundo ele, “ele criou enquanto falava” (hou bara kémo chedibère), e é, portanto, a expressão da Cabala cristã que assimila a criação pela fala ao termo dibour e não ao termo amira. Para Deus criado pela AMIRA como está escrito “vayomèr Elohim” dez vezes em Gênesis. Portanto, é provável que Abracadabra seja apenas a expressão de uma deriva oculta da Cabala cristã e não a expressão da verdadeira Cabala, mesmo que seja prática. Seu estudo é, no entanto, útil no surgimento da palavra da Lei do Aeon de Hórus, da Cabala Thelemita desta vez, Abrahadabra.

Abrahadabra significa “Abençoo os mortos”, que é uma das três palavras usadas para abençoar uma espada, e esta palavra parece derivar do hebraico “ha brachah dabarah” ou “Diga a bênção”.

Existe uma relação entre Abracadabra e a divindade gnóstica Abrasax, ou deus supremo desconhecido, fonte das 365 emanações da teologia persa. Neste contexto, o Abrasax é o mediador entre a criação e a divindade. A versão de Crowley tem um valor numérico de 418 em Gematria, ou 22 se for usada a Cabala das Nove Câmaras.

Como um símbolo do duplo poder ou unidade do Pentagrama e do Hexagrama, Abrahadabra simboliza o “casamento místico” do microcosmo e do macrocosmo, do mundo interior e do mundo exterior.

Portanto, pode-se dizer que Abrahadabra é a palavra sagrada que invoca a união dos mundos inferior e superior dentro do estudante. Usada corretamente, esta palavra tem o poder de elevar o estudante a esferas mais elevadas de iniciação. Esta ideia também é encontrada no Ritual Menor do Pentagrama, no qual as forças dos elementos e planetas são combinadas e equilibradas.

Segundo Stavich, “Como mediador, Abrahadabra sugere que como a humanidade é a Divindade encarnada, ‘Não há Deus senão o Homem, e o Homem é o Filho de Deus, Deus é o Homem’, podemos experimentar este estado em etapas progressivas ou graus de expansão da consciência. Podemos ser divinos, mas a lacuna entre a consciência mundana do mundo terreno e a consciência cósmica de Kether é radical. É por isso que progredimos lentamente e com a ajuda de diferentes mediadores para nos ajudar.”

Para este fim, podemos usar esta palavra, Abrahadabra, como um mantra, vibrando-a como uma palavra sagrada carregada de poder, podemos devolver sua energia ao seu poder original, como uma expressão divina. Quando vibramos esta palavra, devemos sentir e imaginar que os mundos inferiores e superiores estão unidos dentro de nós, que somos o centro do mundo e do universo, uma expressão de Tiphereth…

Em seu Liber IV, Aleister Crowley escreve sobre ABRAHADABRA:

“ABRAHADABRA é uma palavra a ser estudada no Equinox I, “O Templo de Salomão, o Rei”. Ela simboliza a Grande Obra concluída e é, portanto, um arquétipo para todas as operações mágicas menores. Em certo sentido, é perfeito demais para ser aplicado antecipadamente a qualquer um deles. Mas um exemplo de tal operação pode ser estudado no Equinócio I, “O Templo de Salomão, o Rei”, onde uma invocação de Hórus com base nesta fórmula é dada na íntegra. Note a reverberação de ideias umas contra as outras. A fórmula de Hórus ainda não foi suficientemente trabalhada em todos os seus detalhes para justificar um tratado sobre sua teoria e prática exotérica; mas pode-se dizer que é para a fórmula de Osíris o que a turbina é para o motor alternativo.”

INRI

 Analisemos agora o Verbo Sagrado INRI, que é o acróstico da frase latina que foi colocada na cruz da crucificação de Jesus Cristo: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”. Na Ordem Hermética da Aurora Dourada, esta frase foi incorporada ao simbolismo mágico das cerimônias da Ordem. Tornou-se a senha para o grau de Adeptus Menor e, de acordo com os ensinamentos da Ordem, INRI pode ser compreendido por uma simples análise do Sepher Yetzirah, as Lâminas do Tarô e com algum conhecimento de astrologia. Mas vamos primeiro traduzir INRI em seu equivalente hebraico e associá-lo às correspondências astrológicas do Sepher Yetsirah:

I – י – Virgem

N – נ – Escorpião

R – ר – Sol

I – י – Virgem

O Signo da Virgem representa a natureza virginal. Escorpião é o signo da Morte e da Transformação. O Sol é a fonte de luz e vida na Terra, é o centro do nosso sistema solar. Todas as ressurreições divinas ao longo dos tempos estão relacionadas ao Sol, que supostamente morrerá no inverno e renascerá a cada primavera.

No Liber 777 de Aleister Crowley, que codifica muito do conhecimento básico do sistema Golden Dawn, encontramos as seguintes informações sob a coluna “Deuses egípcios”:

  • Virgem = Ísis que é a Natureza, a Mãe de todas as coisas.
  • Escorpião = Apófis, a morte e o destruidor.
  • Sol = Osíris, morto e ressuscitado da morte, deus da ressurreição.

Isto lança alguma luz sobre a natureza da palavra INRI: o estado virginal do Jardim do Éden (e assim a juventude da humanidade) é quebrado pela intervenção do conhecimento do bem e do mal, pelo aparecimento da sexualidade que é introduzida por Apófis, a Serpente, Lúcifer, que provoca uma mudança de estado. A queda, que pode ser simbolizada pelo inverno, é então seguida pela ressurreição de Osíris, que exclama: “Este é o meu corpo que destruo para que se renove”. Ele é o arquétipo do Homem Solar perfeito que sofreu através da experiência terrena, foi glorificado através do julgamento, foi traído e assassinado para ressuscitar da morte e regenerar todas as coisas na Terra.

Aqui também descobrimos a fórmula IAO através dos nomes dos três deuses mencionados: Ísis, Apófis e Osíris. Observemos antes de tudo que o IAO é o deus supremo dos gnósticos. Além disso, e como o Sol é o fornecedor da luz e da vida, a fórmula deve portanto se referir à luz como o agente redentor. Durante a cerimônia Neophyte, o postulante ouve a seguinte frase: “Khabs am Phekht Konx om Pax”. Luz na Extensão”. Em outras palavras, “receber a bênção da luz e empreender a experiência mística, o objetivo de nosso trabalho”. A palavra luz pode ser traduzida para a palavra latina LVX. E o oficiante na Golden Dawn deve realizar os seguintes sinais de grau:

O adepto levanta seu braço direito no ar enquanto estende seu braço esquerdo para baixo. Este é o sinal que se refere à letra “L”. Em seguida, ele levanta os dois braços para o céu acima de sua cabeça, significando a letra “V”. E finalmente, ele cruza seus braços sobre o peito, simbolizando a letra “X”. LVX está assim associado à Luz da Cruz através do simbolismo da palavra INRI que estava na Cruz da Crucificação.

Como o sinal “L” é feito, o adepto diz: “Sinal de Ísis chorando”. Isto expressa o pesar de Ísis pela morte de Osíris que foi morto por Set ou Apófis. Como o sinal “V” é feito, o adepto diz, “Sinal de Apófis e Tifón”, que expressa os nomes de Set, o irmão inimigo assassino de Osíris. Quando o adepto cruza seus braços sobre seu peito, ele diz: “O sinal de Osíris morto” e depois “E levantado”. Ísis, Apófis, Osíris, IAO”.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: O Sinal do Rasgar do Véu, O Sinal do Fechamento do Véu, Sinal de Osíris Desmembrado, Sinal do Pesar de Ísis, Sinal de Apófis e de Tífon e o Sinal de Osíris Ressuscitado.

Sobre o assunto Set (Apófis), note que em hebraico este nome está escrito שׁט e Crowley em Liber V vel Reguli estabelece a correspondência de Set com a numeração 31 ou AL (אל), Shin (ש) é Fire enquanto Teth (ט) é Force. Shin é o Espírito Santo, uma letra tripla associada à Lâmina XX do Tarô de Thoth.

Também pode ser escrito Shin Tav (שׁת) cuja numeração é 700, que é o valor de “paroketh” ou o Véu do Tabernáculo colocado diante do Santo dos Santos.

Vemos aqui, então, que usando procedimentos cabalísticos simples, podemos vislumbrar o simbolismo oculto de uma palavra. Assim, o adepto que pratica o Ritual envolvendo a palavra de poder INRI, está tentando alcançar a iluminação que esta palavra sugere. Além de uma simples dramatização ritual, estamos diante de um rito sagrado cujo objetivo é igualmente sagrado, para reviver o mistério dos deuses, a fim de reproduzir seu mecanismo cosmogônico.

Se traduzirmos a palavra LVX em valor numérico, então recebemos 65 que em hebraico é o valor da palavra Adonai (אדני) que significa “Senhor” e de Has (הס) que significa “Silêncio”, que se refere ao Grau do Neófito e sua obrigação de silêncio. O Adeptus Menor deve, portanto, procurar ascender para ser mais do que humano, para unir-se com sua alma superior, que é simbolizada por Adonai.

Crowley dá uma visão ampliada deste simbolismo em seu Liber LXV, ou Liber 65 “Liber Cordis Cincti Serpente” que se abre com as palavras “Eu sou o Coração; e a Serpente é enrolada”. Claro que, por seu número, o Liber 65 se refere a Adonai mas também às emoções íntimas (“Eu sou o coração”) do ser humano. A Serpente representa a força sexual que precipitou a Queda do casal primordial mas, por este fato, também sublimou e transmutou a sexualidade pelo despertar que ela produz. A serpente enrolada sem dúvida se refere à Kundalini que é enrolada na espinha e pode ser despertada pelos ritos apropriados.

” 65. Tal é também o fim do livro, e o Senhor Adonai o envolve por todos os lados como um Trovão, e como um Pilone, e como uma Serpente, e como um Falo, e no meio deles Ele é como a Mulher que jorra de seus mamilos o leite das estrelas; sim, de seus mamilos o leite das estrelas”.

Vamos dar uma olhada mais de perto no nome Adonai:

  • A – א – o aleph que tem a forma de um redemoinho.
  • D – ד – o portão, mas também um pilão.
  • N – נ – o peixe, mas também a letra atribuída ao Escorpião ou à Serpente.
  • I – י – um dedo da mão ou o Falo.

Assim, podemos entender que Adonai envolve o homem de todos os lados. Adonai é o centro espiritual interior sem limites, a Luz Infinita.

Finalmente, 65 pode ser obtido multiplicando 13 por 5, multiplicando o valor da palavra echad (אחד) pelo do pentagrama ou da letra He (ה). Sessenta e cinco é também o valor da palavra hekhal (היכל) que significa “templo” ou “palácio”, e de acordo com o Zohar, Adonai é o palácio de יהוה, e de gam yechad יחד גמ que significa “juntos em unidade”.

Com relação à Serpente, é necessário fazer um desvio através da Gnose. Os Ofitas ou Naassenos derivam seus nomes do hebraico “na’hash” (נחשׁ) e os Perates, um grupo Naasseno, fizeram de Jesus a encarnação da Serpente do Paraíso como o princípio universal da transmutação e da redenção. Na época de Mani, esta interpretação era ainda mais forte, pois os maniqueus colocavam Jesus diretamente no lugar da Serpente.

Se analisarmos a palavra hebraica “Na’hash”:

  • Nun – נ – Escorpião – Serpente – 50
  • Heth – ח – Câncer – A Carruagem do Tarô – 8
  • Shin – שׁש – Fogo – o Espírito Santo – 300

A numeração total é 358, e se dermos uma olhada (e como temos escrito em outro lugar), este número é também o número do Mashiach (messias) que podemos analisar da seguinte forma:

  • Mem – מ – Água – O Enforcado – 40
  • Shin – שׁש – Fogo – O Espírito Santo – 300
  • Yod – י – Virgem – O Eremita – 10
  • Chet – ח – Câncer – A Carruagem – 8

Existe, portanto, e a Cabala confirma este fato, uma identidade entre o Messias (no cristianismo Jesus Cristo) e a Serpente do Gênesis. A Serpente transmuta o fogo do espírito, o Adepto transforma-se em seu próprio Messias ou redentor de seu mundo interior. Cada homem pode então obter a sua própria libertação. A Serpente (Nun נ) transforma o Adepto em uma Carruagem (Merkabah da Cabala simbolizada por ‘Heth ח) que se move em direção à Luz Infinita do Espírito Santo (שׁ), e assim em direção à Iluminação.

IAO

IAO é um nome gnóstico de poder do qual os Oráculos Caldeus nos dizem: “não mudem os nomes bárbaros da evocação, pois eles possuem poder inefável nos ritos sagrados”. Analisando este Nome, descobriremos que poder intrínseco ele contém:

  • Yod – י – Virgem – 10
  • Aleph – א – Ar – 1
  • Vav – ו – Touro – 6

O valor total é 17 que é o número de quadrados na Suástica que por sua forma representa Aleph, o redemoinho, a primeira letra do alfabeto hebraico cujo valor é 1. Em seu simbolismo, portanto, a IAO representa o Ar de Aleph atuando como intermediário entre os dois signos terrestres Virgem e Touro, unindo suas essências, dando-lhes vida para que cumpram seus papéis na criação. As letras Aleph, Vav e Yod são, além disso, as letras dos caminhos que ligam Kether a Tiphereth via ‘Hokhmah e Hessed’.

Outra forma da palavra IAO dá o seguinte resultado:

  • Yod – י – Virgem – 10
  • Aleph – א – Ar – 1
  • Ayin – ע – Capricórnio – 70

O valor total então sendo 81 que é o número místico da Lua atribuído à Sephirah Yessod, a Fundação.

No Liber IV, Crowley fala da Fórmula IAO da seguinte forma:

“Esta fórmula é a principal e a mais característica de Osíris, da Redenção da Humanidade”. I é Ísis, a Natureza, arruinada por A, Apófis o Destruidor, e trazido de volta à vida por Osíris o Redentor. A mesma ideia é expressa na fórmula Rosacruz da Trindade:

 Ex Duo nascimur.

 Em Jesu morimur.

 Per Spiritum Sanctum reviviscimus.

 Isto também é idêntico à Palavra Lux, L.V.X., que é formada pelos braços de uma cruz. É esta fórmula que está implícita naqueles monumentos antigos e modernos onde o falo é adorado como o Salvador do Mundo.

 A doutrina da ressurreição, como é comumente entendida, é absurda e errônea. Não é nem mesmo “Escritural”. São Paulo não identifica o corpo glorioso pelo qual ocorre a ressurreição com o corpo mortal que perece. Pelo contrário, ele insiste repetidamente nesta distinção.

 O mesmo se aplica a uma cerimônia mágica. O Mago que é destruído pela absorção na Divindade é realmente destruído. O miserável autômato mortal permanece no Círculo. Não tem mais consequências para Ele do que o pó no chão.

 Mais adiante lemos: “O MESTRE THERION, no Décimo Sétimo Ano do Aeon, reconstruiu a Palavra IAO a fim de satisfazer as novas condições da Magia impostas pelo progresso. A Palavra da Lei sendo Thelema cujo número é 93, este número deveria ser o cânone de uma Missa correspondente. Assim, ele expandiu o IAO tratando o O como um ayin, e depois acrescentando vau como prefixo e sufixo. A palavra completa dá assim: ויאעו cujo número é 93. Podemos analisar em detalhes esta nova Palavra e demonstrar que ela é um hieróglifo próprio do Ritual de Autoiniciação deste Aeon de Hórus.

AMÉM

 Amém (AMEN) aparece em muitas orações religiosas, mas também em certas invocações mágicas. Esta palavra é frequentemente interpretada como “Assim seja!”, mas a Cabala pode nos oferecer uma interpretação um pouco diferente.

  • Aleph – א – Adonai – Senhor
  • Mem – מ – Melekh – Rei
  • Nun – נ – Na’amon – Fiel

Isto significa portanto “Senhor, Rei fiel”, uma imprecação que tem um caráter inegável de invocação divina.

A Gematria da palavra é 91 = 50 + 40 + 1 – אמן

91 é o valor de אדני יהוה = YHVH Adonai, assim como a soma dos primeiros 13 números.

91 é também o valor de מלכא = Malkah = Filha ou Noiva que se refere à Sephirah Malkhut.

Observe ainda que Adonai Melekh מלך אדני da fórmula AMÉM é um dos Nomes de Deus também conectado à Sephirah Malkhut, a Noiva do Microprosopo. Kether em sua expressão de Unidade também tem o valor de 91. Assim, AMÉM é uma fórmula para estender a Luz Divina do Sephirah Kether para o Sephirah de Malkhut (nosso mundo físico).

Leia mais no artigo sobre as palavras de poder Abrahadabra e Abrasax.

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Fonte:

AGLA, ARARITA, IAO e outras Palavras de Poder, Spartakus FreeMann, janeiro-outubro de 2005 e.v.

Imagem de Enrique Meseguer de Pixabay.

https://www.esoblogs.net/3221/agla-ararita-iao-et-autres-mots-de-pouvoirs-dans-la-magie-ceremonielle/2/

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/agla-ararita-iao-e-outras-palavras-de-poder-na-magia-cerimonial/

Black Force Domain, Krisun

Imagine uma banda que cospe na cara dos dogmas impostos e defenda uma postura atéia e demasiadamente humana com um Death Metal repleto de blasfêmias e sonoridade viciosa. Agora imagine isso feito por brasileiros. Esta é Krisiun, uma banda gaucha formada em 1990 pelos irmãos Max Kolenes (bateria) e Moysés Kolenes (guitarra) e Alex Camargo (baixo).

Em um estilo brutal de death metal, começou a ganhar respeito a partir de 1993 com seu mini-álbum Unmerciful Order. Desde o começo os irmão não deixaram dúvidas quanto a natureza atéia e anti-religiosa da banda, disse Max Kolesne em entrevista ao site Choose Your Side: “Somos Anti-fanatismo religioso, essa merda de religião só traz discórdia, guerra e morte, Cristo não passa de uma farsa pra manter as grandes massas ignorantes nas rédeas. Enquanto o papa fica cagando em latrina de ouro, os miseráveis deixam de levar comida pra casa para comprar um pedacinho no céu.”

Moyses Kolesne, complementa em uma declaração na revista Comando Rock:  “Vemos a religião como uma criação do homem, cheia de deturpações e corrupções, que, aliada a política e seus segmentos, iludi as massas”

Foi com essa língua ferina e postura desafiadora que em 1995, chegaram ao primeiro full lenght, Black Force Domain, e começaram a ganhar status no cenário, chegando a um grande público em 1997 por meio da Gun Records, recebendo ótimas impressões da imprensa, levando a banda pela primeira vez aos palcos undergrounds europeus, conquistando a partir daí, muitos fãs ao redor do mundo devido a sua forte sonoridade e letras com imposições de poder.

Black Force Domain, com suas 12 faixas maléficas, apesar de um tanto repetitivo é sem dúvida uma ótima referência ao Death brasuca. Muita  técnica e velocidade, levam ao Krisiun, tocar em público com massacre  total e pura insanidade, com as belas palhetadas  de Moysés e a brutal  saraivada de bumbos de Max. Um presente dos trópicos aos fãs do nosso velho e mau Death Metal.

 

Black Force Domain

Before the plague of fallacy
rise the strongest domain
from shadows of forgotness
from pain of desilusion
fearless we march in attack

Evil supreme leads our fate
rage grows inside us
hell is our distant quest
none will rest in peace
crosses shall be broken down
the mortal bastard man so called Lord
leads this world to the end

Black storms shows up the end
leading the demons to strike
we are knights of fire
fighting against the fallacy of this dead land
the fire sought our glory
we are the real force

Storms fire and pain
now they cry before us
spreading screams of death throughtout the void
centuries of decay in hands of the so called God
victory of death
the glory from black
black force domain

Tradução de Black Force Domain:

(Domínio da Força Negra)

Diante da praga do erro
Levanta o domínio do mais forte
das sombras do esquecimento
Da dor da desilusão
Destemidos nós marchamos em ataque

Mal supremo lidera nosso destino
Fúria cresce dentro de nós
Inferno é nossa aventura distante
Ninguém vai descansar em paz
Cruzes devem ser quebradas
O tal bastardo mortal chamado Senhor
Leva o mundo ao seu fim

Tempestades negras mostram o fim
Levando os demônios ao ataque
Nós somos cavaleiros do fogo
Lutando contra a mentira desta terra morta
O fogo viu nossa glória
Nós somos a força real

Tempestades fogo e dor
Agora eles choram diante de nós
Espalhando gritos de morte através do vácuo
Séculos de decadência nas mãos do tão clamado Deus
Vitória da morte
A glória da negra
Domínio da força negra

Nº 30 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/black-force-domain-krisun/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/black-force-domain-krisun/

A longa e horrível história de pessoas tentando viver para sempre

Theo Zenou 

O filósofo renascentista Montaigne brincou certa vez que “a morte nos pega pela nuca a cada momento”. Ele poderia muito bem ter acrescentado: ‘até que, finalmente, nos estrangule.’ Mas e se soubéssemos como escapar do estrangulamento da morte? E se pudéssemos evitar a morte e viver para sempre? Seria possível? Seria ético? Seria desejavel?

A imortalidade pode parecer coisa de ficção científica, mas está se tornando cada vez mais o foco da ciência real. Em 2013, o Google lançou a Calico, uma empresa de biotecnologia cujo objetivo é “resolver” a morte. Enquanto isso, o cofundador do PayPal, Peter Thiel, prometeu “combater” a morte. E no ano passado, foi relatado que o presidente da Amazon, Jeff Bezos, fez um alto investimento na Altos Labs, uma empresa que planeja “rejuvenescer” as células para “reverter doenças”. (Bezos é também dono do Washington Post.).

Existe até uma startup desenvolvendo medicamentos para que os cães possam viver mais. Os ensaios clínicos estão programados para começar este ano. Se forem conclusivos, o plano é aplicar a mesma ciência às pessoas. A imortalidade – ou anti-envelhecimento, como os pesquisadores o chamam sobriamente – é a próxima grande novidade. As estimativas colocam o valor do setor em impressionantes US$ 610 bilhões até 2025. Do Vale do Silício a Cambridge, na Inglaterra, cientistas estão escrevendo o capítulo mais recente da tortuosa história de nossa busca pela vida eterna. É uma história que vem de longe.

A Epopéia de Gilgamesh

Nós temos tentado viver para sempre a muito tempo. A história mais antiga de nossa espécie, “A Epopéia de Gilgamesh”, é sobre esse anseio.

Gravado em tábuas de argila quatro milênios atrás na Mesopotâmia, diz respeito ao rei Gilgamesh, um “homem touro selvagem” com músculos gigantescos e um ego ainda maior. Após a morte de seu melhor amigo, Gilgamesh é forçado a enfrentar sua própria mortalidade. “Devo morrer também?” ele clama aos céus.

Em sua dor, ele se transforma em uma versão mesopotâmica de Peter Thiel e parte em uma missão para “superar” a morte. Ele falha, mas descobre o significado da vida ao longo do caminho:

“Os humanos nascem, vivem, depois morrem,
esta é a ordem que os deuses decretaram.

Mas até o fim chegar, aproveite sua vida,
gaste-o em felicidade, não desespero.

… Ame a criança que te segura pela mão,
e dê prazer à sua esposa em seu abraço.

Essa é a melhor maneira de um homem viver.”

Mas o resto da humanidade não recebeu o memorando. Veja o primeiro imperador da China, Qin Shi Huang, que governou no século III a.C. e estava determinado a viver para sempre.

Qin Shi Huang

Como Gilgamesh, Qin tinha pavor da morte. Tanto que ele proibiu qualquer discussão sobre o assunto no tribunal sob pena de – você adivinhou – morte.

De acordo com o livro “Imortalidade”, de Stephen Cave, quando Qin soube de um grafite profetizando que ele também morreria, ele ordenou que suas tropas matassem quem fosse responsável por essa afronta. Mas o meliante escapou da captura. Então o imperador mandou matar todos na área. (Para alguém com um medo tão neurótico da morte, Qin foi bem casual em matar seus súditos.)

Um dia, um enigmático feiticeiro chamado Xu Fu afirmou que sabia como conceder a imortalidade ao imperador. Tudo o que este último precisava fazer era absorver o “elixir da vida”. Esta bebida especial pode ser encontrada em uma ilha mágica do Mar da China Oriental. Qin, sempre crédulo, financiou a expedição de Xu lá.

Mas, é claro, não havia ilha. Xu era um vigarista tão descarado que fez Charles Ponzi parecer Desmond Tutu.

Ainda assim, o imperador permaneceu obcecado em prolongar sua existência. Para esse efeito, ele começou a beber uma mistura estranha… e morreu aos 49 anos de envenenamento por mercúrio.

Diane de Poitier

Qin não foi a única figura histórica convencida de que um coquetel poderia conferir imortalidade. Diane de Poitiers, supostamente a mulher mais bonita da França do século XVI, bebia ouro para preservar sua boa aparência.

Diane de Poitiers era uma nobre francesa e cortesão proeminente que bebia ouro para preservar sua boa aparência.

Poitiers não escolheu arbitrariamente o ouro como sua panacéia. O elemento foi associado à imortalidade graças à alquimia, a biotecnologia da Idade Média, que se centrava na busca da Pedra Filosofal. Acreditava-se que transmutava metais básicos em ouro e dava vida eterna.

Um alquimista parisiense do século XIV, Nicolas Flamel, descobriu a pedra sagrada e ainda estaria vivo hoje. Ou assim vai a lenda, que inspirou o primeiro livro de “Harry Potter”.

Papa Inocêncio VIII e Elizabeth Bathory

Ao longo da história, o sangue tem sido um remédio antienvelhecimento popular. Em 1492, o moribundo Papa Inocêncio VIII foi injetado com sangue de crianças, colocando em prática a recomendação do polímata italiano Marsilio Ficino de que os idosos sugam o sangue dos jovens “como sanguessugas” para voltar seu relógio biológico. (Se isso for muito grosseiro para você saiba que Ficino aconselhou misturar o sangue com água quente e açúcar.) Infelizmente para o Sumo Pontífice, era besteira. Inocentes morreram, junto com seus jovens doadores de sangue.

A longa e chocante história de papas atormentados por escândalos
Mas que tal banhar-se no sangue das virgens? Na virada do século XVII, a condessa húngara Elizabeth Bathory era aparentemente um adepto. Ela acreditava que mergulhos regulares evitariam que sua pele se enrugasse.

Busca pela imortalidade no Século XX

Avançando dois séculos, um eminente neurologista creditou injeções de cobaias e testículos de cachorro por fazê-lo “se sentir trinta anos mais jovem”. Um cirurgião empreendedor correu com a ideia, enxertando testículos de macaco nas partes íntimas de homens idosos em uma tentativa de reverter o envelhecimento. Saiba mais, por sua conta e risco, em seu tratado “Vida; um Estudo dos Meios de Restaurar a Energia Vital e Prolongar a Vida”.

A busca pela imortalidade se estendeu até a hora mais sombria do século 20. No auge da Segunda Guerra Mundial, o líder nazista Heinrich Himmler embarcou em uma busca para localizar o Santo Graal. O chefe da SS, mergulhado nas artes das trevas, acreditava que o Graal lhe concederia habilidades sobre-humanas, incluindo a vida eterna. Desde a Idade Média, dizia-se que beber do Graal anularia a morte. (Himmler nunca encontrou o Graal; ele morreu em 1945 quando tomou uma pílula de cianeto ao ser capturado pelos britânicos.)

O sonho que não morre

No entanto, se você espera viver para sempre, abandone os contos de fadas medievais. Em vez disso, estude a ciência emergente da programação de células, ou “hackeie” células para recodificá-las que ficou sob os holofotes recentemente graças a uma conferência no prestigiado London Institute for Mathematical Sciences (LIMS).

“Em princípio, a vida poderia ser projetada para viver mais”, disse o diretor do LIMS, Thomas Fink, ao The Post. Físico formado em Caltech e Cambridge, ele vê a imortalidade como um desafio matemático. Para resolvê-lo, é preciso primeiro perguntar por que envelhecemos. “A resposta canônica”, explicou Fink, “é que o envelhecimento é inevitável e uma condição fundamental da vida”. Todo organismo se degrada com o tempo e, eventualmente, se decompõe. Fim da história.

“Mas a história é muito mais estranha do que pensamos”, disse Fink. Em um artigo recente, ele usou a matemática para demonstrar que “o envelhecimento pode ser favorecido pela seleção natural”. Essa é uma visão chocante: significa que as primeiras formas de vida, que começaram há bilhões de anos, provavelmente não morreram.

A morte surgiu durante o curso da evolução porque conferia uma vantagem. Em suma, as espécies que morreram se saíram melhor do que as que não morreram.

Na frase memorável de Fink, “imortalidade – não mortalidade – é o estado natural das coisas”. Então, como podemos voltar a esse estado natural? É aí que entra a programação celular.

Várias empresas estão tentando fazer esse trabalho, como a bit.bio, que recodifica células para tentar encontrar curas para doenças como o Alzheimer. A longo prazo, essa biotecnologia revolucionária pode muito bem permitir que os cientistas redefinam as células para a imortalidade.

“Se o processo de envelhecimento é um mecanismo dentro da célula controlado por um programa de transcrição, então seremos capazes de influenciá-lo”, hipotetizou Forrest Sheldon, um membro júnior do LIMS que colabora com o bit.bio.

Mas Fink e Sheldon alertaram que ainda estamos muito longe de nos tornarmos imortais. Então não reserve ainda suas férias para o verão de 4500.

Fonte: https://www.msn.com/en-us/news/us/the-long-and-gruesome-history-of-people-trying-to-live-forever/ar-AAWNqyu?ocid=uxbndlbing

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-longa-e-horrivel-historia-de-pessoas-tentando-viver-para-sempre/

A Postura da Morte & a Nova Sexualidade

Desde tempos imemoriais, a partir do culto místico à múmia no Antigo Egito até o ritual da assunção de formas divinas praticado na Aurora Dourada (Golden Dawn), quando o Adepto Chefe (Sumo Sacerdote) simulava o papel de Christian Rosenkreutz e se deitava no túmulo (pastos), pronto para a ressurreição, o conceito de morte tem sido inseparável do de sexo.

A ilustração intitulada “A Postura da Morte” (ver ao lado), que forma o fronstispício do “Livro do Prazer”, de Austin Osman Spare, contém, numa forma alegórica, a doutrina completa da Nova Sexualidade.

A figura de Zos (o nome Zos não apenas é o nome mágico de Austin Osman Spare, como ele também considera no “Livro do Prazer” que “o corpo considerado como um todo eu o chamo de Zos”) está sentada à uma mesa circular repleta de imagens estranhas. Sua mão direita está pousada em seu rosto, selando a boca e impedindo o fluxo de ar (força vital) através das narinas; seus olhos se concentram com intensidade fixa em VOCÊ – a testemunha. Com sua mão esquerda ele escreve os caracteres místicos que materializam seus desejos sob a forma de “sigilos”. A identidade da mão com a serpente (isto é, phallus) é inequívoca. Ao redor desta figura, encontram-se as inumeráveis imagens de desejos passados, disfarçados sob formas humanas ou bestiais, elementares ou incomuns, algumas delas transfixadas pelo metal do ódio, outras elevadas pela sua mão direita ao local do amor, outras tantas em atitudes de entrega feliz, contemplativa ou sedutora, uma outra brilha através duma máscara impenetrável de êxtase interior, transcendendo a dualidade por um tipo de prazer além da compreensão. Diante de Zos, acima dele e à sua esquerda, encontram-se os crânios dos mortos. O crânio, emblema da morte, está colocado em lugar de destaque, envolto em seus cabelos desalinhados. A idéia é a de que a morte domina o pensamento ou, mais exatamente, todo pensamento é morto, totalmente nulo, e um nada intensamente hipnótico emana de seus olhos fixos no além; e, sob estes olhos, a mão sustenta a cabeça da mesma forma que um pedestal a um cálice.

Os dois instrumentos mágicos, o Olho e a Mão, estão submissos à morte; eles cumpriram seu objetivo único e encontraram a apoteose na aniquilação. Nenhuma respiração (princípio vital, prana) faz com que as formas imóveis à sua volta se mexam. Está implícito um estado de suspensão animada que simula a Morte (qhe, thané). A Morte ou thané é o motto (nome mágico ou iniciático) de Zos (Austin Osman Spare), cujo nome mágico completo era Zos vel Thanatos. Ele diz, em seu “Inferno Terrestre” escrito em 1905, que “a Morte é Tudo”.

Todas as religiões e cultos mágicos da antiguidade enfatizavam a idéia de morte, que era interpretada como um nascimento num outro plano da existência. Túmulo e útero eram termos intercambiáveis que denotavam as idas e vindas do ego em vários níveis ou planos da realidade, com o objetivo de fazer cumprir as leis do karma decretado pelo destino. A Morte é “a vinda daquilo que foi reprimido; o tornar-se pelo ir além, a grande chance: uma aventura na Vontade que se traduz no corpo”. Esta é a chave para a Postura da Morte, na verdade uma impostura, uma simulação de morte com o objetivo de permitir que o sonho reprimido emerja e se corporifique, se transforme em realidade.
Entretanto, a Postura da Morte é mais que uma simulação ritual da Morte, do mesmo modo que no ritual supremo da Maçonaria há (ou deveria haver) uma verdadeira ressurreição nascida da ressurreição teatral ensaiada com o objetivo de externar a verdade interior.

No “Alfabeto dos Símbolos Sensoriais” que Spare idealizou para formar a base de sua Linguagem do Desejo, um símbolo representa o Ego, ou princípio da dualidade, enquanto outro representa a “Postura da Morte”, a dissolução da dualidade no estado sem forma da Consciência Absoluta.

A “sensação preliminar” da Postura da Morte (conforme “O Livro do Prazer”) é um ótimo exemplo da habilidade de Spare de “visualizar a sensação”). A figura está curvada sobre si mesma num “estado de graça” de concentração interior e a “Estrela da Vontade” brilha em seu coração nas suas seis cores; a mão direita cinge uma arma invisível. A mão simboliza a Vontade Criativa e os Olhos, que simbolizam tanto desejo quanto imaginação, estão fechados ou cobertos. É fácil interpretar a gravura em questão como significativa de um intenso poder preso dentro do corpo que será liberado através de uma explosão que tomará uma forma desejada. É através da união entre vida e morte, entre a corrente ativa da Vontade e a corrente passiva da Imaginação, a união de Mão e Olho, que nasce o conceito da Nova Sexualidade. A compreensão plena da Postura da Morte leva à plena compreensão da sexualidade primal, irrestrita e “nova” (no sentido de “revigorante”).

Spare descreve a Postura da Morte como “uma simulação da morte através da negação absoluta do pensamento, isto é, a prevenção da transformação do desejo em crença manipulada por aquele, e a canalização de toda a consciência através da sexualidade”. “Pela Postura da Morte, permitimos que o corpo se manifeste espontâneamente, impedindo a ação arbitrária, causada pelo pensamento. Só os que estão inconscientes de suas ações têm coragem para ir além do bem e do mal, em sua sabedoria pura de sono profundo”.

Para se assumir corretamente esta postura é necessário “re-lembrar-se” (em inglês, um jogo de palavras com re-member, isto é, lembrar-se para transformar outra vez em membro ou parte integrante) daquela parte distante da memória subconsciente onde o conhecimento se transforma em instinto e, daí, em curso forçado, ou lei. Neste momento, que é o momento da geração do Grande Desejo, a inspiração flui da fonte do sexo, da Deusa primordial que existe no coração da matéria. “A inspiração sempre acontece num instante de esvaziamento da mente e a maioria das grandes descobertas é acidental, acontecendo geralmente após uma exaustão mental”, isto é, quando o “conhecimento” consciente foi descartado e a percepção puramente instintiva tomou o seu lugar.

A Postura da Morte é o somatório de quatro gestos (mudras) principais que constituem os sortilégios mágicos de Zos. Vontade, Desejo e Crença constituem uma unidade tripartite capaz de estremecer o subconsciente, forçando-o a ceder o seu potencial criativo. Este varia de acordo com a natureza do desejo e da quantidade de crença “livre” que o sigilo contem. Os métodos de energização da crença variam, mas a imaginação sugere o melhor deles. Em outras palavras, seja espontâneo, não dê espaço ao pensamento. Para reificar (transformar em algo real) o sonho ou desejo, Spare utiliza a mão e o olho. A nostalgia intensa faz com que se retorne a remotos caminhos passados e o desejo ardente se mistura com todos os outros, o Ser com o Não-Ser, de modo que um “espírito” familiar há muito esquecido acabe se tornando uma obsessão para a mente consciente; então, e só então, a experiência ancestral é revivida e se corporifica.

A corporificação de entidades mentais “ressuscitadas”, evocadas pelo desejo ardente de se entrar novamente em contato com elas, acaba se tornando “real” tanto para o olho quanto para a mão. Deste modo, o “corpo” é ressuscitado, não como um sonho enevoado, mas palpável ao toque e visível ao olho. “Do Passado chega este novo ser”.
A “ressurreição do corpo” está sempre acontecendo, inclusive no quotidiano, mas é uma ressurreição involuntária, freqüentemente anacrônica e, portanto, indesejada. Através do uso da teurgia auto-erótica de Zos é possível viver todas as “mentiras” e encarnar todos os sonhos agora, neste mesmo instante. No “Grimório de Zos“, Spare afirma que “a identidade é uma obsessão, um composto de múltiplas personalidades, cada uma delas sabotando a outra; um ego multifacetado, um cemitério ressurgente onde os demiurgos fantasmagóricos buscam em nós a realidade deles”.

Através da Postura da Morte, a nossa consciência sobre algo se identifica com a consciência dos que chamamos de outros; uma qualidade que, em si mesma, é uma não-qualidade, uma vez que ela não é isto nem aquilo. E, pela apreensão de Kia (Ser) como “nem isto, nem aquilo” (neither-neither, ou neti-neti dos budistas), nasce a nova estética ou percepção da sexualidade, que é a nossa percepção individual das coisas vista sob uma nova ótica, que também é a fonte de todas as percepções dos outros que nós freqüentemente “projetamos” como se fossem corpos femininos.

Isto nos leva ao estranho conceito de sexualidade que Spare utilizou como a base de sua teurgia. Todas as mulheres são vistas como formas de nossos desejos; elas são desejos sigilizados e, por causa da qualidade condicionada de nossas crenças, elas estão condicionadas e sujeitas a mudanças, surgindo em nossas mentes como a realidade dos outros que deseja unir-se à nossa realidade. “Feliz é o que absorve estes ‘corpos femininos’ – sempre projetados – pois ele adquire a percepção da verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

Spare não restringe o significado da palavra “corpo” ao corpo físico; se este fosse o caso, não haveria qualquer sentido na sua declaração de que “a Morte é Tudo”, nem na glorificação da simulação de uma condição que decreta o fim do organismo físico. A frase “a verdadeira extensão de seu próprio corpo” envolve a percepção de um estado sensorial do qual o organismo físico é apenas uma reificação ou ressurreição (isto é, nosso próprio corpo é muito mais do que apenas seu limite físico nos faz crer, embora este possa “encarnar” sua verdadeira dimensão através da Postura da Morte). A doutrina de Spare, em última instância, prega a unificação de todos os estados sensoriais em todos os planos simultâneamente, de modo que o ego possa estar plenamente consciente de suas múltiplas entidades e identidades num “aqui” e “agora” que seja eterno. Este é o significado de “adquirir a percepção da verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

No “Grimório” ele nos diz que: “nunca estamos completamente conscientes das coisas a não ser pelo influxo do desejo sexual que nos desperta esta percepção”, e a Postura da Morte concentra todas as sensações e as devolve a seu sentido primal, isto é, sexual, que confere ao corpo a percepção total de todos os planos simultâneamente. Sem o conhecimento de como assumir a Postura da Morte, “o ser existe simultâneamente em muitas unidades, sem a consciência de que o Ego é uma só carne. Que miséria maior que esta pode haver?”

No mesmo livro, Spare pergunta: “por que razão ocorre esta perda de memória através destas surpreendentes refrações da imagem original um dia percebida por mim?” A Postura da Morte contém a resposta a esta pergunta, pois, pela união da crença vital (i.e., desejo orgânico) com a vontade dinâmica se chega à “verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

Êxtase, auto-amor perfeito (deve-se notar que a expressão ‘Self-love’ em Inglês também é um jogo de palavras com ‘Self’, auto e Ser Superior ou Eu Superior, e ‘love’ amor, significando também “amor pelo Eu Superior” além de ‘auto-amor’) contém sua apoteose na Postura da Morte, pois “quando o êxtase é transcendido pelo êxtase, o ‘Eu’ se torna atmosférico e não há lugar para que objetos sensuais reajam ou criem diferentemente”.

E assim se chega ao ponto focal do Culto de Zos Kia, que é implícito pela sigilização do desejo através de uma figura que não conserva qualquer semelhança gráfica com a natureza do desejo. De modo a escapar do ciclo de renascimentos ou reencarnações, devemos livrar-nos do ciclo transmigratório da crença, pois não devemos acreditar numa determinada coisa por nenhum período de tempo. Assim, através do paciente esvaziamento da energia contida em nossas crenças e pelo direcionamento da nova energia que desta forma é liberada para um auto-amor (Self-love) não-reacionário e sem necessidades, chegamos à negação do karma (causa e efeito) e alcançamos o universo de Kia (o ‘Eu’ Atmosférico). O verdadeiro autocontrole é conseguido “deixando os acontecimentos em nossas vidas seguirem seu curso natural. Quanto mais interferimos neles, mais nos tornamos identificados com o seu desejo e, portanto, sujeitos a eles.”

Esta doutrina se assemelha à filosofia de Advaita Vedanta, ou não-dualidade, embora não sejam exatamente idênticas. Spare acrescenta as seguintes palavras: “enquanto persistir a noção de que existe ‘uma força compulsória’ no mundo, ou mesmo nos sonhos, esta força se torna real. Devemos eliminar as noções de Escravidão e de Liberdade em qualquer situação através da meditação da Liberdade sobre a Liberdade pelo ‘nem isto, nem aquilo’ (neither-neither). E acrescenta: “não há necessidade de crucifixão.”

Desta forma, para se poder apreciar adequadamente a idéia da Nova Sexualidade, é necessário que a mente se dissolva no Kia e que não haja stress na consciência (i.e., pensamento), pois os pensamentos modificam a consciência e criam a ilusão absurda de que o indivíduo ‘possui’ a consciência.

O conceito da Mulher Universal, Aquela com quem Zos “caminhou na senda perfeita”, leva-nos à transcendência da dualidade. Ela é o glifo da polaridade perfeita que, em última instância, nos remete ao Nada. No culto de Crowley ela é Nuit, cuja fórmula mística é 0 = 2. A Consciência Absoluta (Kia, o Eu Superior), como o Espaço Infinito (Nuit), não tem limites; ela é o vazio-pleno, ou vazio fértil, sem forma e sem localização definida, significando coisa alguma, embora ela seja a única Realidade!

Nos recônditos mais ocultos do subconsciente, esta realidade se assemelha ao relâmpago, ou a uma luz faiscante de brilho intenso. Ela é o hieroglifo do desejo potencial, sempre pronta para penetrar numa forma e se transformar na “concretização de nosso último Deus”, i.e., a corporificação de nossa crença mais recente.
Este desejo primal, esta sexualidade ‘nova’ ou imemorial, é o unico sentido verdadeiro. Ele é o fator constante em nossa mutabilidade. Quanto mais este sentido puder ser ampliado de modo a abranger todas as coisas, tanto mais o Eu Superior (Self) poderá realizar-Se, fazer-Se entender, fazer-Se conhecer e, finalmente, ser Ele mesmo, integralmente, eternamente e sem necessidades. “A nova lei será o segredo do provérbio místico ‘nada importa – nada precisa ser’; não existe nenhuma necessidade, que sua crença seja simplesmente ‘viver o prazer’ (a Crença, sempre buscando sua negação, é mantida livre pela sua retenção neste estado de espírito)”. Isto é muito parecido com o credo de Crowley “faze o que queres”, embora haja uma diferença. O Caminho Negativo do Taoísmo e o Caminho Positivo do hinduísmo tradicional se relacionam da mesma forma que o Auto-amor e o Culto de Zos Kia e a Lei de Thelema e “amor sob vontade”.
Para Spare, a mulher simboliza o desejo de se unir com “todas as outras coisas” como Eu Superior (Self); não as manifestações individuais da mulher, mas a mulher primordial ou primitiva da qual todas as mulheres mortais são fragmentos de imagens refletidas.

Podemos chamar este conceito inconcebível de sexo, desejo ou emoção; ou ainda, personificá-lo como a Deusa, a Bruxa, a Mulher Primitiva, que é a cifra de toda intertemporalidade, o êxtase alusivo ao caminho do relâmpago que Zos chamava de “o precário caminho do prazer ambulante”. Para adorar a esta mulher primitiva não se pode aprisioná-la numa forma efêmera e limitá-la a isto ou aquilo, mas se deve transcender o isto ou aquilo de todas as coisas e experienciá-la na unidade do auto-amor (Self-love).
Spare não a materializou arbitrariamente como Astarté, Ísis, Cibele ou Nuit (embora ele freqüentemente a desenhasse nestas formas divinas), pois limitá-la é sair do caminho e idealizar o ídolo, o que é falso porque é parcial, e irreal porque não é eterno. “Os possessivos personalizam, idolatram o amor, daí seu despertar mórbido…” (‘O Grimório de Zos’). A utilização de tais ídolos não apenas é permitida como desejável, com o objetivo de armazenar crenças livres durante um período inativo ou não-criativo, quando a energia não é necessária. Entretanto, a principal objeção ao uso continuado de ídolos é que ‘o que é familiar nos induz ao cansaço e este nos leva à indiferença; que coisa alguma seja vista desta maneira. Que possamos ver de modo visionário: cada visão, uma revelação. O cansaço desaparece quando esta é a atitude constante’, i.e., quando a imagem é sempre nova e a sexualidade, portanto, constantemente estimulada através de novas inspirações.

Por não permitir que a crença livre seja aprisionada numa forma divina específica, o impacto da visão como revelação pode ser facilmente incutido, acabando-se com a esterilidade. Uma das máximas fundamentais de Spare é a de que “o que é comum é sempre estéril” (‘O Grimório de Zos’), pois não se pode criar a partir de imagens comuns ou familiares. Esta familiaridade conduz à desvitalização, preguiça e atitudes convencionais, o caminho mais fácil para se evitar os obstáculos. “Se eu superar este cansaço indesejado, transformar-me-ei num Deus”. A mente deve estar treinada para conseguir enxergar de modo sempre renovado e a fórmula de Spare para conseguir isto é “provocar a consciência pelo toque e o êxtase pela visão… Permita que sua maior virtude seja a o Desejo Insaciável, a corajosa auto-indulgência e a sexualidade primal”.

A chave para a sexualidade primal, ou Nova Sexualidade, é dada no livro The Focus of Life (“O Objetivo da Vida”) onde Zos exclama: “livre-se de todos os meios para atingir um fim”. É o caminho do imediatismo em contraste com o do adiamento da realidade numa simulação desenergizada: “faça agora, não daqui a pouco…pois o desejo só é realizável pela ação” (esta é, sem dúvida, uma crítica direta que Spare faz das pomposas técnicas ritualísticas praticadas na Aurora Dourada, da qual ele foi membro em 1910).  Continua ele: “o objetivo final é alcançado não pela mera pronúncia das palavras ‘eu sou o que eu sou’, nem pela simulação, mas pelo ato vivo. Não pretenda ser o ‘eu’ apenas, seja o ‘Eu’ absoluto, completo e real, agora.”

Esta é a teurgia da transformação da Palavra em carne. No “Livro do Prazer”, ele pergunta: “porque vestir robes e máscaras cerimoniais e simular posturas divinas? Não é preciso repetir gestos ou fazer imitações teatrais. Você está vivo!” Este é o motivo pelo qual Spare rejeitava as práticas de seus colegas magos e daqueles que simplesmente “ensaiam” a realidade, em detrimento da sua verdadeira vitalidade e desejo, através de uma simulação que, em última instância, acaba negando a própria realidade! Spare alega que a magia simplesmente destrói a realidade por ser praticada num momento em que o Eu Superior não é real nem vital, em que Ele não é todas as coisas ou em que o poder para se transformar em tudo não está presente. As pessoas “prezam magia cerimonial ou ritual e o palco mágico acaba cheio de fãs. Será através de mera representação que nos transformaremos naquilo que estamos representando? Se eu me coroar Rei, transformar-me-ei num? Mais certamente, transformar-me-ei num objeto de piedade ou desgosto.”

Estes ensinamentos, desenvolvidos por Spare antes da I Guerra Mundial, estão muito próximos das doutrinas da Escola Ch’an de Budismo, cujos textos principais apenas recentemente foram colocados à disposição do público em geral.

Livrar-se de todos os meios para atingir um fim é simples de se dizer, mas não tão simples de se fazer. Um desenvolvimento pleno do senso estético é necessário, pois sem este não é possível aceitar nem entender a doutrina da Nova Sexualidade, seja intelectual ou simbolicamente. Isto pode ser conseguido pela saturação do complexo corpo-mente nas emanações sutis do Culto de Zos Kia, através do acompanhamento do trabalho de Spare em direção às células iluminadas do subconsciente; pela aquisição de uma percepção ultra-sensível para as situações do quotidiano, como se elas não estivessem distanciadas do Eu Superior. Spare compreende a Natureza inteira (o universo objetivo) como o somatório de nosso passado, simbolizado, aparentemente cristalizado fora de nós mesmos. Apenas o potencial, naquele exato instante meteórico de sua manifestação, deve ser agarrado e tornado vivo num segundo de êxtase, pois “quando o êxtase é transcendido pelo êxtase, o ‘Eu’ se torna Atmosférico (Superior) e deixa de haver espaço para que os objetos sensuais criem de modo diverso…”

Contudo, não se consegue localizar a Crença Suprema na Natureza porque, tão logo a Palavra tenha sido pronunciada, sua realidade se transforma em passado, já não é mais uma realidade agora, podendo apenas reviver pela ressurreição quando recriada em carne; entretanto, o que confere realidade a esta Crença não é aquele que pronuncia a Palavra, nem a pronúncia Dela em si, mas uma sutil e vaga intertemporalidade que ocorre numa fração de segundo de êxtase. “Não existe verdade falada que não seja passada, sábiamente esquecida” (‘O Anátema de Zos’). No ‘Grimório’, Spare ainda nos diz que “esta fração de segundo é o caminho que deve ser aberto…” Este caminho e o caminho do relâmpago são sinônimos e descrevem um estado indescritível que é não-conceitual: Neither-Neither (‘nem isto, nem aquilo’), Self-love (‘Auto-amor’ ou ‘Amor pelo Eu Superior’), Kia, ou a Nova Sexualidade.

A arte de Spare não é conhecida do grande público nem recebeu o merecido reconhecimento, e seu sistema intensamente pessoal de bruxaria ainda não abriu seu caminho na estrutura do ocultismo moderno. Entretanto, existem indícios de que não será preciso muito tempo mais para que sua magia verdadeira receba um poderoso estímulo da corrente mágica deste final de século, pois se houve alguém no início deste que antecipou e interpretou corretamente tal corrente, este alguém certamente foi Austin Osman Spare.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-a-nova-sexualidade/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-a-nova-sexualidade/

Brahma, Vishnu e Shiva – Esclarecendo alguns equívocos sobre “a trindade hindu”

Texto publicado originalmente em inglês, na revista Back to the Godhead, em 15 de junho de 1982

As três pessoas da Trindade hindu, também conhecida como a Trimúrti, são Brahma, o criador do mundo, Vishnu, o mantenedor do mundo, e Shiva, o destruidor do mundo. Talvez você já os tenha ouvido caracterizados naquele clichê muito enganoso dos textos introdutórios das Religiões Mundiais como “a trindade hindu”. E talvez você esteja simplesmente inclinado a descartá-los como as projeções fantasiosas de uma imaginação mitologizante primitiva que correm soltas. Mas, se você for às fontes apropriadas, os veneráveis ​​textos védicos Bhagavad-gita e Srimad-Bhagavatam (Bhagavata-Purana), você encontrará Brahma, Vishnu e Shiva explicados com precisão no contexto de um relato exato e abrangente de Deus e Sua criação, um relato que é incomparável em completude e coerência por qualquer outra literatura filosófica, científica ou religiosa, e que é não apenas intelectualmente satisfatória, mas também esteticamente cativante e espiritualmente satisfatória.

No Srimad-Bhagavatam você encontrará a importante distinção entre a ideia de “deus” e a ideia de “verdade absoluta”. “Deus” refere-se a qualquer controlador poderoso, enquanto “verdade absoluta” designa a fonte última de todas as energias. Podem haver muitos deuses, muitos chefes de departamentos controladores de assuntos universais, mas apenas uma verdade absoluta. Esta verdade absoluta é, em última análise, uma pessoa – Krishna. De Krishna tudo emana; por Krishna tudo é mantido; para Krishna tudo retorna no momento da dissolução. Isso é o que se entende por “verdade absoluta”. Qualquer coisa que exista é Krishna ou uma energia de Krishna.

As principais energias de Krishna são três. Sua energia interna se manifesta como o reino espiritual transcendente; Sua energia externa, como o mundo material temporário. Sua energia marginal é composta por todas as criaturas vivas, as almas animadas individuais. As almas são “marginais” porque podem morar no reino espiritual, servindo a Krishna em bem-aventurança e conhecimento, ou no mundo material, esquecendo-se de Krishna na escuridão e no sofrimento. A palavra sânscrita para alma é jiva (“entidade viva”), e a energia marginal também é chamada jiva-tattva, a categoria da jiva.

Krishna não apenas se expande através de Suas energias, mas também se expande pessoalmente, diretamente. As expansões diretas e pessoais de Krishna são chamadas vishnu-tattva, a categoria do Supremo. Como as pessoas da trindade na doutrina cristã, as expansões de vishnu-tattva são uma, mas porque Krishna é ilimitado, Suas expansões pessoais não são meramente três, mas pessoas divinas ilimitadas, todas manifestadas para realizar passatempos divinos ilimitados.

Um dos passatempos de Krishna é emanar, sustentar e reabsorver a criação material em ciclos periódicos, e isso Krishna faz nas pessoas de Brahma, Vishnu e Shiva, que são chamadas guna-avataras. A natureza material age de três maneiras ou modos (gunas). Quando há criação — construção, geração, procriação, etc. — a natureza material age no modo da paixão (rajo-guna). Quando há sustento – manutenção, preservação, resistência, etc. – a natureza está trabalhando no modo da bondade (sattva-guna). Quando há destruição — decadência, dissolução, devastação, etc. — a natureza age no modo da ignorância (tamo-guna).

Brahma é o controlador da natureza no modo da paixão; ele é o engenheiro que cria o universo. Todo universo tem seu Brahma, que aparece como o primeiro ser criado nele. Embora Brahma geralmente esteja na categoria de jiva, ele é designado como um avatara (encarnação) de Krishna, porque é especialmente fortalecido com a própria potência criativa de Krishna. Usando os ingredientes fornecidos por Krishna e seguindo os planos de Krishna, Brahma constrói o universo material, e então gera a prole, chamada Prajapatis, cujos descendentes povoam todos os planetas.

Vishnu, que controla a natureza no modo da bondade e sustenta a criação, é diretamente o Senhor Supremo. No reino espiritual de Deus, onde tudo é eterno, a qualidade da bondade existe sem paixão ou ignorância. Portanto, é apropriado que Vishnu controle pessoalmente esta qualidade mesmo no mundo material, onde ela fica entre parênteses pela ignorância e paixão.

Shiva, o senhor do modo da ignorância, devasta o universo no final com sua dança selvagem e aniquiladora. Shiva é uma expansão pessoal de Krsna, não uma jiva, mas porque ele entra em contato íntimo com a qualidade da ignorância e com a matéria (que é inatamente ignorante), você não pode receber a mesma restauração espiritual adorando-o que você faz adorando Krishna. ou Vishnu. Shiva recebe, portanto, sua própria categoria, shiva-tattva.

O Srimad-Bhagavatam, em seu segundo canto, capítulo sétimo, verso trinta e nove (Srim. 2.7.39) resume assim:

“No início da criação, há penitência, eu [Brahma] e os Prajapatis, os grandes sábios que geram; depois, durante a manutenção da criação, existem o Senhor Vishnu, os semideuses com poderes controladores, e os reis de diferentes planetas. Mas no final há irreligião, e depois o Senhor Shiva e os ateístas cheios de ira, etc. Todos eles são diferentes manifestações da energia do poder supremo, o Senhor.”

Traduzido e adaptado do inglês para o português por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/brahma-vishnu-e-shiva-esclarecendo-alguns-equivocos-sobre-a-trindade-hindu/