Magia de Motivação para Tempos Difíceis

Por Deborah Castellano.

Muitas pessoas agora me descrevem como uma pessoa altamente motivada, incluindo meu sobrinho de 11 anos (minha irmã e eu muitas vezes cantamos nosso mantra interminável para ele em uníssono: continue falhando melhor!). MamaFran, por outro lado, iria brindar você com histórias sobre mim na casa dos 20 anos — com fibromialgia, principalmente sem medicação (porque a medicação ainda não existia para isso). Muitas vezes não conseguia sair da cama devido à depressão e ao desespero existencial. Quando consegui sair da cama, fui manchada de purpurina e tequila barata enquanto dançava nas mesas. Eu quase não tinha noção de como o dinheiro funcionava, um forte desejo por coisas caras (uma característica que compartilho com meu amado tio) e uma ética de trabalho muuuuuuuito frouxa.

Meu marido, Jow, só tem uma vaga lembrança dessa época em que estávamos juntos pela primeira vez, quando eu estava saindo daquele antigo eu e entrando em algo mais próximo de quem sou agora. Certa vez, muito indignada, estava dizendo a ele que tinha um plano para algo, e sua resposta inteligente foi: “Relaxe. Nunca duvido que você tenha um plano, Batman”.

Eu nunca fui muito ativo fisicamente antes da pandemia. Comecei a me tornar mais ativo porque era uma das únicas coisas seguras de se fazer. Eu fui demitido; Jow estava na linha de frente, recém-saído da escola de enfermagem; e o EPI estava longe de ser perfeito e ainda não havia vacina, então nós dois nunca sabíamos se ele traria para casa uma doença que poderia me matar (sou imunocomprometido). Apenas algumas pequenas coisas para se estressar, certo? Tem sido o tom da vida para a maioria de nós nos últimos anos, embora sua chave possa ser um pouco diferente (perda de um dos pais, entes queridos enfrentando convulsões políticas, seus negócios falindo, desgosto relacionado a filhos, outros problemas mentais e físicos lutas de saúde). O que mais havia para fazer além de sair?

Minhas tias ocultas uma vez me disseram que eu acabaria por ver a roda do ano na terra que eu inibia, mas eu estava sempre muito ocupado correndo para todos os lugares para realmente vê-la até que fui forçado a desacelerar o suficiente para uma volta sólida do ano. Passei muito tempo com medo do meu corpo por tantos motivos, entre os quais, se eu antagonizasse demais, teria um fibroflare por dias, o que poderia afetar minha renda e haveria repercussões dramáticas que foi com isso. Eu gostava de dançar na minha juventude, claro, mas depois disso? Eu não confiava no meu corpo o suficiente para não me trair para ter nada além de um relacionamento muito ruivo com ele. Mas eu fui demitido, me preocupando com Jow e, sabe, tudo, então quando eu não estava andando lá fora comecei a fazer exercícios em casa.

Eu fiz aulas que antes tinha muito medo de fazer na minha academia porque era só eu fazendo isso sozinha virtualmente. Eventualmente, fomos autorizados a ter aulas na academia enquanto estávamos mascarados, mais espaçados na quadra de basquete. Foi assim que passei a gostar tanto da aula de spin que comprei sapatos para ela. Não havia efeitos especiais, a música era irregular e eu tive que aprender a fazer isso com uma máscara KN95, mas estava fazendo isso. Meu corpo estava fazendo coisas que eu nunca pensei que poderia fazer: às vezes às 6 da manhã em uma aula de spin antes de dar aula para meu sobrinho durante a escola virtual, depois parando para fazer compras pesadas no caminho de casa da minha irmã para casa que eu arrastava sozinho antes de começar meu trabalho doméstico e jantar para Jow enquanto eu tentava não enlouquecer de ansiedade sobre quando/se ele voltaria para casa. Antes da pandemia, isso era inimaginável. Mas era irreal descobrir o quanto eu poderia fazer quando precisava – destino contra a minha vontade como a música Echo and the Bunnymen vai.

Hoje, na minha aula de spin, tive um instrutor novo para mim. Ela estava dando a aula depois da primeira que eu fiz, então decidi que hoje seria o dia em que eu faria duas aulas consecutivas. Ela ficou surpresa quando voltei, e eu timidamente disse a ela que era meu primeiro dia fazendo aulas duplas (então, se eu começasse a morrer na minha bicicleta no meio da segunda aula, ela saberia por quê). No meio da segunda aula, quando comecei a considerar morrer na minha bicicleta como uma possível estratégia de saída, ela pulou da bicicleta e agachou-se cerca de um metro e oitenta na minha frente. Estávamos no nível dos olhos e encontramos o olhar um do outro com firmeza. Eu podia ver o fogo queimando nela, aquele mesmo fogo que faz algumas pessoas se afastarem lentamente de mim. Nós refletimos um para o outro até que ela gritou: “Hoje é o primeiro dia de Deborah fazendo duplas. Por que você está lutando hoje? O que. Você está. Lutando. Por. Hoje?” Nós nos encaramos um pouco mais e eu pensei sobre essa pergunta enquanto tentava não cair morta.

Eu terminei a aula. Dezoito milhas no total.

O primeiro passo na magia da motivação é a parte mais difícil. É aquela pergunta: Pelo que você está lutando hoje? O que vai continuar empurrando você para frente quando você quer deslizar pela porta dos fundos para longe do que estiver fazendo? Pode estar criando, pode estar pedindo um aumento, pode estar ajudando pacientes em uma clínica a obter os cuidados de saúde de que precisam enquanto você está gritando, pode ser o próximo passo no treinamento do penico, pode estar tentando ter a mesma discussão que você está tendo com um parceiro nos últimos cinco anos com um resultado diferente, pode ser tentar algo novo para sua saúde mental. Se algo disso é novo no seu dia, é assustador, o que nos faz não querer fazer isso. Por que você vai fazer isso de qualquer maneira? Se não é novo e você está arrasado pela realidade cotidiana e quer deitar em uma poça no chão, é menos assustador e mais existencial. Por que você vai fazer isso quando parece que não importa?

Refina-o em uma frase, um mantra, uma intenção, uma oração, um grito feroz no abismo. É aqui que a magia começa. Anote se sua memória estiver ruim, escreva em seu braço ou coxa em Sharpie se precisar de um visual. Desenhe-o como um sigilo se isso falar melhor com você. Cante-a até que ela seja incorporada ao seu cérebro. O que for melhor para você. Esta é a definição de intenção. É aqui que você se declara para o universo. É aqui que você pode começar a seguir o fio da sua intenção na tapeçaria dela e ver como e onde ela começa a tecer.

Sua respiração é mágica. Você não seria capaz de fazer magia em seu corpo físico sem ela, mesmo que por nenhuma outra razão você partiria deste mundo sem ela. Ele contém a essência de sua vida e sua morte. Cada vez que você respira, você tem uma respiração a menos, um momento a menos de sua vida mortal.

Pegue um pequeno frasco limpo com tampa. Escreva sua intenção em um pequeno pedaço de papel laranja. Coloque-o em seus lábios. Respire sete respirações nele. Coloque-o no fundo da jarra. Adicione sujeira de um lugar que revigore você. Adicione chips de olho de tigre para mantê-lo no impulso para a frente. Adicione grãos de café para obter energia e adicione paus de canela para manifestar sua intenção rapidamente. Adicione óleo essencial de hortelã-pimenta para que você possa ser focado e criativo. Adicione sal preto para absorver a energia negativa do mau-olhado lançado em você principalmente inconscientemente por outras pessoas (todo mundo tem dias ruins em que fica chateado com o progresso de outras pessoas). Se você quiser adicionar outros componentes, isso seria quando. Você é o capitão de seu próprio navio; esta é uma receita e você pode adicionar e subtrair o que quiser. Concentre-se em sua intenção enquanto se prepara para selar o frasco. Respire mais sete respirações no frasco. Sussurre sua intenção no frasco. Use um pequeno pedaço de tecido laranja sobre a tampa e um pouco de barbante para prender o tecido na tampa. Se você quiser um pequeno charme de algum tipo para adicionar ao barbante como um talismã de abelha rainha ou um osso da sorte de galinha ou o que quer que fale com você, você pode adicioná-lo aqui. Ao selar a jarra e dar três nós no barbante, diga: “Meus vasos e meus feitiços fornecem, meus encantos e tudo mais”. (Isso é baseado em um dístico de Macbeth). Esta seria uma boa oportunidade para fazer alguma adivinhação usando o método que você mais gosta para que você possa ver melhor o caminho do seu fio que você criou na tapeçaria do universo criando este trabalho mágico. Todas as manhãs, agite o frasco sete vezes e pense na sua intenção. Quando você atingir sua intenção, você pode agradecer ao universo enquanto abre o frasco e descarta o conteúdo. Você pode ser tradicional e enterrar o conteúdo em uma encruzilhada depois de escurecer ou você pode ser mais ecologicamente consciente e reciclar a jarra, colocar as ervas em uma pilha de compostagem ou recipiente e dar o olho de tigre, tecido, barbante e encantos para os amigos (apenas deixe-os saber que eles eram anteriormente componentes de bruxaria seus). Eu sei que alguns bruxos estão preocupados com o processo de descarte mais moderno que perturba os espíritos, mas em meus mais de vinte anos de prática pessoal, nunca tive nenhum problema com essa abordagem de uma perspectiva de bruxaria ou de uma perspectiva de vida cotidiana. É o seu trabalho; você está no comando do que parece certo para você e agindo de acordo.

Se nada mais, simplesmente lembre-se do que sempre digo ao meu sobrinho quando se trata de estar motivado para realizar tarefas desafiadoras: você não precisa gostar, apenas fazer.

Fonte: Motivation Magic for Troubled Times, by Deborah Castellano.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/magia-de-motivacao-para-tempos-dificeis/

A Cotação do Ouro de Hoje

A cada quatro anos, atletas de centenas de países se reúnem em um país pré escolhido com o objetivo de competirem e ver quem é o mais foda dentre os fodões. Para evitar mais desgraças do que as que os telejornais nos transmitem todos os dias, essas competições se restringem apenas a modalidades esportivas. Diz a lenda que o objetivo dessa disputa acerrada entre os atletas é a união de povos e raças, a paz a amizade e o bom relacionamento.

Esse período de 4 anos entre os jogos recebe o nome de olimpíada, mas curiosamente os jogos que marcam o fim e o início de uma olimpíada receberam o nome de olimpíada também. É como pegar uma forma de assar, colocar massa dentro, rechear a massa de maçãs, assar e depois de 40 minutos tirar do forno e gritar: PESSOAL A FORMA DE ASSAR ESTÁ PRONTA! Bem assim somos nós.

Outra lenda afirma que os jogos olímpicos tiveram inícia na Grécia antiga, na cidade de Olímpia, e os jogos além de não contarem com a participação feminia – afinal estamos falando de gregos – eram dedicados a Zeus, que tinha sua casa de veraneio favorita no monte Olimpo. Mas na verdade esses jogos que praticamos hoje começaram mesmo no ano de 1896. Nos primeiros jogos lendários os vencedores ganhavam ramos de oliveiras como prêmio, mas com o passar do tempo as pessoas julgaram que ninguém competiria para ganhar um galho morto de árvore e assim mas olimpíadas de 1896 o vencedor receberia uma medalha de prata e o segundo colocado levaria para casa o galho morto de árvore – talvez para lembrar a ele que o segundo colocado é o primeiro perdedor. Foi apenas nos Estados Unidos, no verão de 1904, que teve início a moda de entregar medalhas para o primero, segundo e terceiro colocados. Curiosamente a medalha de ouro na época era de ouro maciço, mas em algum momento perceberam que precisavam usar muito ouro para isso e dois jogos depois, em 1912, a medalha do primeiro lugar foi substituida por uma medalha de prata banhada a ouro, com pelo menos 6 gramas de ouro puro nessa cobertura; se quiser saber quem foram os pão-duros que tiveram essa idéia lembre-se que os jogos de 1912 foram na Suécia, o lar de grandes invenções como ABBA, Roxette e Cardigans.

 

Bem, e por que você está perdendo seu tempo com isso?

Além de servir como ótima tática de xaveco em baladas nas épocas de olimpíadas, esse costume de premiar os três melhores competidores mundiais nos mostram coisas interessantes sobre seres humanos.

Nestes jogos de 2012, que talvez sejam os últimos jogos olímpicos antes do fim do mundo da Profecia Maia, um momento me chamou a atenção. Estava eu de pé na sala, fumando um cigarro com a televisão ligada, enquanto passava minhas calças, e um frênezi insano, recheado de gritos e berros tomou conta da transmissão. Eu sabia que era uma competição de natação, porque conseguia perceber a piscina com o canto do olho, e resolvi dar uma olhada para ver se tinha sorte de conseguir captar alguma atleta de maiô pulando para cima e para baixo comemorando sua vitória. O que vi foi mais interessante – não sexualmente mas psicologicamente.

Um marmanjo peludo todo entusiasmado gritava e pulava, infelizmente com seu shorts sunga, segurando sua medalha. Um olhar mais atento revelou que a medalha que ele segurava não era a de ouro – afinal, ninguém pularia daquele jeito por “no mínimo 6 gramas de ouro” – e sim de bronze. O nome do nadador era Brendan Hansen e ele havia ganho os 100 metros de nado peito, um nome curioso para uma modalidade que se permite o uso dos braços e pernas do nadador. Bem, Brendan tinha e ainda tem inúmeras razões para comemorar daquele jeito: ele era o competidor mais velho naquela modalidade com 31 anos, ele estava voltando de uma aposentadoria, estatisticamente nadadores com mais de 30 anos não ganham muitas medalhas, ele foi o 13o a conseguir uma, e ele não era o favorito. Claro que existe mais uma razão para ele estar feliz daquele jeito, a medalha que ele ganhou foi a de bronze e não a de prata.

Se você parar para pensar agora, numa competição entre centenas de pessoas, incluindo você, se tivesse a chance de estar entre os três melhores, mas não como o melhor, preferiria chegar em segundo ou em terceiro lugar?

Em 1995 três pessoas pararam para pensar nisso. Bem não exatamente nisso, mas em algo que levou a esta pergunta. Vicki Medvec, Scott Madey e Tom Gilovich pegaram vídeos dos jogos olímpicos de Barcelona e esturam incessantemente apenas o fim das disputas, o momento exato em que os competidores de determinada competição descobriam como haviam se saído – viam as notas dos juízes ou em que posição haviam terminado. Então eles analizaram as emoções de cada um deles novamente quando subiam ao pódio para receber suas medalhas. Sabe o que eles notaram? Duas coisas:

– Medalhistas de ouro mostravam as emoções positivas mais intensas;

– Medalhistas de bronze tinham emoções positivas muito mais intensas do que medalhistas de prata.

Bem, eles pensaram, que bizarro esses competidores olímpicos. E então repetiram o estudo no Empire State Games – uma espécie de jogos olímpicos anuais para atletas amadores do estado de Nova Iorque. E então em outras competições. E eles repararam que o quadro se repetia:

– Vencedor do ouro: feliz pra caralho;

– Vencedor da prata: putz que legal que eu tou aqui;

– Vencedor do bronze: feliz pacas;

O que os pesquisadores deduziram disso?

Antes de prosseguirmos façamos uma pequena pausa para descansar, olhar ao redor e parecer que não está lendo textos da internet no horário de trabalho. Ou para ir dar aquela mijadinha. Aproveite e veja se tem mais gente por perto e proponha o seguinte jogo:

Cada pessoa coloca R$10 reais num bolo em uma mesa. Todos ficam em volta do bolo de dinheiro. Pegue um maço de baralhos e embaralhe bem. Então decidam que carta vai ser a carta da sorte. Cada pessoa vai tirando uma carta do topo do maço, que deve estar virado para baixo, e a mostra a todos. Se a carta que a pessoa tirar a carta escolhida (um oito de paus por exemplo), ela leva a bolada. Para melhorar discutam para decidir quem começa tirando a primeira carta. Para melhorar ainda mais lembre a todos que como as cartas foram embaralhadas, estão ordenadas aleatoriamente e que a ordem de virar a carta influenciará no resultado.

Normalmente num jogo desses uma pessoa ganha, outras perdem. A que ganha leva a grana para casa, as que perdem costumam ficar pensando no que seria diferente se elas tivessem escolhido ser a segunda ou terceira ou primeira a tirar a carta. Esse tipo de pensamento acerca do que poderia ter sido diferente numa sequência aleatória de acontecimentos, quando esses acontecimentos são influenciados pela ordem em que ocorrem – parecendo assim possuir um efeito de ordem temporal (e se eu tivesse tirado antes ou depois?) – e consequentemente começam a atribuir emoções de culpa ao jogador que jogou antes delas. Ou seja, se o cara que tira a carta antes de você ganha, você olha pra ele e pensa: filho da puta!

A isso damos o nome de pensamento contrafactual.

Descansados? Voltemos ao texto.

Como dizia, os pesquisadores atribuiram as respostas emocionais dos medalhistas de prata e bronze a algo chamado “Pensamento Contrafactual”. Uau! Onde já ouvimos esse nome antes? Bem o pensamento contrafactual são os pensamentos de o que poderia ter acontecido se as coisas tivessem sido diferentes ou se algo diferente tivesse acontecido no meio das coisas.

Ou seja, para os pesquisadores o medalhista de prata fica puto porque ele não venceu. Ele foi o segundo colocado, mais um pouco e ele seria ouro. O MELHOR DE TODOS! O sr. Prata não fica pulando de alegria porque ele acaba se comparando com o sr. Ouro e a comparação não é positiva para o lado dele da balança. Já o sr. Bronze não se preocupa com a prata ou o ouro, ele olha para trás e vê quanta gente atrás dele não ganhou uma medalha, assim ele acaba fazendo uma comparação onde o lado dele tem saldo positivo.

Ou seja, quando você ganha a medalha de prata é muito difícil não pensar: “Cara, que merda, se eu tivesse ido um pouquinho de nada mais rápido, um segundinho… se no final eu desse um pouquinho mais de mim…”. Já quando ganha a de bronze naturalmente pode pensar “eu poderia ganhar ouro se tivesse me saído melhor”, mas é muito mais fácil cerebralmente pensar “Cara… eu quase fico sem medalha… SE FODEU POVÃO… UHUUUUU BEIJEM O MEU BRONZE HAHAHAHAHAHAHA”.

Isso combina com outro aspecto curioso de nosso cérebro, o enquadramento. Veja você se considera uma boa pessoa? Você se considera uma pessoa bonita, ou gorda? Repare na sua resposta a essa pergunta e se questione, por que acha isso? Nosso cérebro não é muito bom em julgar coisas de forma objetiva, para criar um julgamento ele tem que usar uma base de comparação. Assim você pode não se achar uma musa ou um Deus Grego da Beleza, mas com certeza sabe que tem muita, mas MUITA, gente mais feia do que você por ai. Sabendo disso seu cérebro cria uma tabela comparativa e responde para você onde ele se coloca nessa lista. Você é a melhor pessoa naquilo que faz, profissionalmente ou por hobbie? Existem melhores? Existem piores? Esse é um dos motivos que faz com que pessoas tenham inveja de colegas e vizinhos, já que para se classificarem elas precisam de um comparativo, seu apartamento é legal? Seus filhos são inteligentes? Seu pau é grande? Seu carro é foda? Sua bunda é um pedaço de mau caminho? Para responder isso você vai ter que procurar os apartamentos dos amigos, os filhos dos outros, os paus dos atores pornôs, aquelas vagabundas de fio dental na praia. Nós somos incapazes de julgar nossas qualidades e defeitos em um sentido absoluto. E isso inclui nossas performances.

E assim, da mesma forma que com o pensamento contrafactual, o medalhista de prata se compara com o medalhista de ouro, já o medalhista de bronze se compara com todos os que não receberam medalhas.

Curiosamente essa resposta dos medalhistas pode explicar muita coisa da sua vida. Por exemplo, por que existe tanta insegurança sobre o que estamos fazendo? Estou tratando tal pessoa da forma certa? Será que fiz direito naquela reunião de emprego? Digo ou não digo isso pro meu chefe? Tento criar um projeto novo ou simplesmente continuou no arroz com feijão? Dependendo do seu enquadramento, se for positivo ou negativo, você pode evoluir tanto afetivamente quanto profissionalmente quanto mentalmente ou seguir o caminho oposto e apenas adotar o que todos ao redor julgam ser o correto para poder criar uma imagem positiva de si mesmo/mesma.

Se você for um freelancer, pense: porque é tão difícil fazer orçamentos que condizam com o quanto você acha que seu trabalho vale? Melhor cobrar pouco e levar bronze do que chutar alto e não ser o primeiro colocado?

É o velho conselho do sábio zen, ou ele podia ser apenas uma pessoa estúpida também nunca saberemos, comprovado psicologicamente: Basear sua felicidade na expectativa dos outros é o caminho para a infelicidade.

Desta forma a celebração de Brendan não apenas faz sentido, mas era também esperada.

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Mas claro, apenas como forma de manter a competição animada, não podemos deixar de lado o sensação que um medalhista deve sentir não apenas por ganhar, mas de participar nos jogos olímpicos, afinal o objetivo dos jogos é a união de povos e raças, a paz, a amizade, o bom relacionamento e a carteira cheia. Afinal, você não acha que os medalhistas levam para casa apenas um souvenir dos jogos, acha?

Nessas olimpíadas de 2012:

– A Rússia paga R$ 270 mil para cada medalhista de ouro.

– A França paga R$ 130 mil para cada medalhista de ouro.

– O Japão paga R$ 72 mil para cada medalhista de ouro.

– A China paga R$ 63 mil para cada medalhista de ouro.

– A Coreia do Sul paga R$ 600 mil para cada medalhista de ouro.

– Cingapura nunca conquistou uma medalha de ouro. Porém, quem vencer ganhará um bônus de R$ 1,6 milhão.

– O Canadá paga R$ 40 mil para cada medalhista de ouro.

– A Estônia paga R$ 300 mil para cada medalhista de ouro.

– A Alemanha paga R$ 39 mil para cada medalhista de ouro.

– A Itália paga R$ 370 mil para cada medalhista de ouro.

– O Azerbaijão dará um bônus de R$ 1,5 milhão para cada medalhista de ouro.

– Os Estados Unidos paga R$ 50 mil aos medalhistas de ouro, R$ 30 mil aos medalhistas de prata e R$ 20 mil aos medalhistas de bronze. O pagamento é feito pelo Comitê Olímpico dos EUA.

– No Brasil, a premiação não é feita pelo governo, e sim por cada confederação. Na natação e nos saltos ornamentais, cada medalha de ouro vale R$ 100 mil. A prata de Thiago Pereira rendeu R$ 50 mil ao nadador. No judô, o ouro vale R$ 50 mil (foi o que venceu Sarah Menezes). No atletismo, a medalha de ouro vale R$ 30 mil, a prata, R$ 20 mil, e o bronze, R$ 15 mil.

Talvez os únicos atletas reais ainda nos dias de hoje sejam os ingleses, que ganham apenas um “obrigado” de seu pais. Os valores estão em reais.

por LöN Plo

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/a-cotacao-do-ouro-de-hoje/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/a-cotacao-do-ouro-de-hoje/

‘Resumo As 48 Leis do Poder

Existem duas forças universais travando uma antiga batalha.

O movimento ecológico e globalização, embora tenham trazido novidades relevantes, vendem hoje a idéia de que o progresso só acontece quando estamos em harmonia com a natureza e o mundo. Mas o mundo não está muito interessado no seu sucesso.

A antiga batalha descrita em praticamente todas as mitologias conhecidas ainda é verdadeira. De um lado, o cosmos, a natureza e as leis universais regem tudo o que existe. Do outro está você. Quando Robert Greene escreveu as “48 leis do Poder” seu objetivo era listar de forma sistemática quais estratégias você pode usar para impor a sua vontade frente a um mundo indiferente e a pessoas tão egoístas quanto você.

Este é, na verdade um dos conceitos chaves de Nicolau Maquiavel. A idéia de que o destino é guiado pela Fortuna e pela Virtù. Fortuna seria tudo aquilo que acontece que você não tem nenhum controle. Os “atos de deus”, o rio indomável da vida. O nome vem de Fortuna da deusa romana da sorte. Às vezes uma princesa, às vezes uma vadia. Do outro lado do ringue está Virtù, cujo nome remete ao antigo conceito Romano de Virtude. (não confundir com a deturpação crista do mesmo). Virtù é tudo aquilo que você faz de propósito. Quando Virtú é feita de modo coerênte com fins bem esclarecidos ela se torna idêntica ao conceito Thelemita de Verdadeira Vontade.

Essa é a exata mesma idéia por trás de toda Bíblia Satânica, especialmente do Livro de Satã. Contudo, enquanto o a Bíblia do Lavey ou o Might is Right tratam da Lei do forte de modo emocional e idealista, as 48 Leis tratam da metodologia racional com a qual esta mesma força deve ser exercida.

Assim o livro de Greene, aqui resumido, é uma coletânea de estratégias comuns aos homens que decidem tomar as rédeas do seu destino e fazer alguma coisa por si mesmos. Não é a toa que este livro é parte da lista de leituras obrigatórias do Temple of Seth. São as leis dos homens que Maquiavel chamaria de Virtuosos, Lavey chamaria de Bem Aventurados, e nós de sensatos. Boa Leitura.

 

As 48 Leis do Poder

 

LEI 1
NÃO OFUSQUE O BRILHO DO MESTRE

Faça sempre com que as pessoas acima de você se sintam confortavelmente superiores. Querendo agradar ou impressionar, não exagere exibindo seus próprios talentos ou poderá conseguir o contrário inspirar medo e insegurança. Faça com que seus mestres pareçam mais brilhantes do que são na realidade e você alcançará o ápice do poder.

 

LEI 2
NÃO CONFIE DEMAIS NOS AMIGOS, APRENDA A USAR OS INIMIGOS

Cautela com os amigos, eles o trairão mais rapidamente, pois são com mais facilidade levados à inveja. Eles também se tornam mimados e tirânicos. Mas contrate um ex-inimigo e ele lhe será mais fiel do que um amigo, porque tem mais a provar. De fato, você tem mais o que temer por parte dos amigos do que dos inimigos. Se você não tem inimigos, descubra um jeito de tê-los.

 

LEI 3
OCULTE AS SUAS INTENÇÕES

Mantenha as pessoas na dúvida e no escuro, jamais revelando o propósito de seus atos. Não sabendo o que você pretende, não podem preparar uma defesa. Leve-as pelo caminho errado até bem longe, envolva-as em bastante fumaça e, quando elas perceberem as suas intenções, será tarde demais.

 

LEI 4
DIGA SEMPRE MENOS DO QUE O NECESSÁRIO 

Quando você procura impressionar as pessoas com palavras, quanto mais você diz, mais comum aparenta ser, e menos controle da situação parece ter. Mesmo que você esteja dizendo algo banal, vai parecer original se você o tornar vago, amplo e enigmático. Pessoas poderosas impressionam e intimidam falando pouco. Quanto mais você fala, maior a probabilidade de dizer uma besteira.

 

LEI 5
MUITO DEPENDE DA REPUTAÇÃO DÊ A PRÓPRIA VIDA PARA DEFENDÊ-LA

A reputação é a pedra de toque do poder. Com a reputação apenas você pode intimidar e vencer; um deslize, entretanto, e você fica vulnerável, e será atacado por todos os lados. Torne a sua reputação inexpugnável. Esteja sempre alerta aos ataques em potencial e frustre-os antes que aconteçam. Enquanto isso aprenda a destruir seus inimigos minando as suas próprias reputações. Depois, afaste-se e deixe a opinião pública acabar com eles.

 

LEI 6
CHAME ATENÇÃO A QUALQUER PREÇO

Julga-se tudo pelas aparências; o que não se vê não conta. Não fique perdido no meio da multidão, portanto, ou mergulhado no esquecimento. Destaque-se. Fique visível, a qualquer preço. Atraia as atenções parecendo maior, mais colorido, mais misterioso do que as massas tímidas e amenas.

 

LEI 7
FAÇA OS OUTROS TRABALHAREM POR VOCÊ, MAS SEMPRE FIQUE COM O CRÉDITO 

Use a sabedoria, o conhecimento e o esforço físico dos outros em causa própria. Não só essa ajuda lhe economizará um tempo e uma energia valiosos, como lhe dará uma aura divina de eficiência e rapidez. No final, seus ajudantes serão esquecidos e você será lembrado. Não faça você mesmo o que os outros podem fazer por você.

 

LEI 8
FAÇA AS PESSOAS VIREM ATÉ VOCÊ USE UMA ISCA, SE FOR PRECISO

Quando você força os outros a agir, é você quem está no controle. É sempre melhor fazer o seu adversário vir até você, abandonando seus próprios planos no processo. Seduza-o com a possibilidade de ganhos fabulosos – depois ataque. É você quem dá as cartas.

 

LEI 9
VENÇA POR SUAS ATITUDES, NÃO DISCUTA

Qualquer triunfo momentâneo que você tenha alcançado discutindo é na verdade uma vitória de Pirro: o ressentimento e a má vontade que você desperta são mais fortes e permanentes do que qualquer mudança momentânea de opinião. É muito mais eficaz fazer os outros concordarem com você por suas atitudes, sem dizer uma palavra. Demonstre, não explique.

 

LEI 10
FUJA DO CONTÁGIO: EVITE O INFELIZ E AZARADO

A miséria alheia pode matar você. Estados emocionais são tão contagiosos quanto as doenças. Você pode achar que está ajudando o homem que se afoga, mas só está precipitando o seu próprio desastre. Os infelizes às vezes provocam a própria infelicidade; vão provocar a sua também. Associe-se, ao contrário, aos felizes e afortunados.

 

LEI 11
APRENDA A MANTER AS PESSOAS DEPENDENTES DE VOCÊ

Para manter a sua independência você deve sempre ser necessário e querido. Quanto mais dependerem de você, mais liberdade você terá. Faça com que as pessoas dependam de você para serem felizes e prósperas, e você não terá nada o que temer. Não lhes ensine o bastante a ponto de poderem se virar sem você.

 

LEI 12
USE A HONESTIDADE E A GENEROSIDADE SELETIVA PARA DESARMAR A SUA VÍTIMA

Um gesto sincero e honesto encobrirá dezenas de outros desonestos. Até as pessoas mais desconfiadas baixam a guarda diante de atitudes francas e generosas. Uma vez que a sua honestidade seletiva as desarma, você pode enganá-las e manipulá-las à vontade. Um presente oportuno, um cavalo de Tróia – será igualmente útil.

 

LEI 13
AO PEDIR AJUDA, APELE PARA O EGOÍSMO DAS PESSOAS, JAMAIS PARA A SUA MISERICORDIA OU GRATIDAO

Se precisar pedir ajuda a um aliado, não se preocupe em lembrar a ele a sua assistência e boas ações no passado. Ele encontrará um meio de ignorar você. Em vez disso, revele algo na sua solicitação, ou na sua aliança com ele, que o vá beneficiar, e exagere na ênfase. Ele reagirá entusiasmado se vir que pode lucrar alguma coisa com isso.

 

LEI 14
BANQUE O AMIGO, AJA COMO ESPIÃO

Conhecer o seu rival é importantíssimo. Use espiões para colher informações preciosas que o colocarão um passo à frente. Melhor ainda: represente você mesmo o papel de espião. Em encontros sociais, aprenda a sondar. Faça perguntas indiretas para conseguir que as pessoas revelem seus pontos fracos e intenções. Todas as ocasiões são oportunidades para uma ardilosa espionagem.

 

LEI 15
ANIQUILE TOTALMENTE O INIMIGO

Todos os grandes líderes, desde Moisés, sabem que o inimigo perigoso deve ser esmagado totalmente. (Às vezes, eles aprendem isso da maneira mais difícil.) Se restar uma só brasa, por menor que seja, acabará se transformando numa fogueira. Perde-se mais fazendo concessões do que pela total aniquilação: o inimigo se recuperará, e quererá vingança. Esmague-o, física e espiritualmente.

 

LEI 16
USE A AUSÊNCIA PARA AUMENTAR O RESPEITO E A HONRA

Circulação em excesso faz os preços caírem: quanto mais você é visto e escutado, mais comum vai parecer. Se você já se estabeleceu em um grupo, afastando-se temporariamente se tomará uma figura mais comentada, até mais admirada. Você deve saber quando se afastar. Crie valor com a escassez.

 

LEI 17
MANTENHA OS OUTROS EM UM ESTADO LATENTE DE TERROR: CULTIVE UMA ATMOSFERA DE IMPREVISIBILIDADE

Os homens são criaturas de hábitos com uma necessidade insaciável de ver familiaridade nos atos alheios. A sua previsibilidade lhes dá um senso de controle. Vire a mesa: seja deliberadamente imprevisível. O comportamento que parece incoerente ou absurdo os manterá desorientados, e eles vão ficar exaustos tentando explicar seus movimentos. Levada ao extremo, esta estratégia pode intimidar e aterrorizar.

 

LEI 18
NÃO CONSTRUA FORTALEZAS PARA SE PROTEGER O ISOLAMENTO É PERIGOSO

O mundo é perigoso e os inimigos estão por toda a parte – todos precisam se proteger. Uma fortaleza parece muito segura. Mas o isolamento expõe você a mais perigos do que o protege deles – você fica isolado de informações valiosas, transforma-se num alvo fácil e evidente. Melhor circular entre as pessoas, descobrir aliados, se misturar. A multidão serve de escudo contra os seus inimigos.

 

LEI 19
SAIBA COM QUEM ESTÁ LIDANDO NÃO OFENDA A PESSOA ERRADA

No mundo há muitos tipos diferentes de pessoas, e você não pode esperar que todas reajam da mesma forma às suas estratégias. Engane ou passe a perna em certas pessoas e elas vão passar o resto da vida procurando se vingar de você. São lobos em pele de cordeiro. Cuidado ao escolher suas vítimas e adversários, portanto jamais ofenda ou engane a pessoa errada.

 

LEI 20
NÃO SE COMPROMETA COM NINGUÉM

Tolo é quem se apressa a tomar um partido. Não se comprometa com partidos ou causas, só com você mesmo. Mantendo-se independente, você domina os outros colocando as pessoas umas contra as outras, fazendo com que sigam você.

 

LEI 21
FAÇA-SE DE OTÁRIO PARA PEGAR OS OTÁRIOS PAREÇA MAIS BOBO DO QUE O NORMAL

Ninguém gosta de se sentir mais idiota do que o outro. O truque, portanto, é fazer com que suas vítimas se sintam espertas – e não só espertas, mas mais espertas do que você. Uma vez convencidas disso, elas jamais desconfiarão que você possa ter segundas intenções.

 

LEI 22
USE A TÁTICA DA RENDIÇÃO: TRANSFORME A FRAQUEZA EM PODER

Se você é o mais fraco, não lute só por uma questão de honra; é preferível se render. Rendendo-se, você tem tempo para se recuperar, tempo para atormentar e irritar o seu conquistador, tempo para esperar que ele perca o seu poder. Não lhe dê a satisfação de lutar e derrotar você – renda-se antes. Oferecendo a outra face, você o enraivece e desequilibra. Faça da rendição um instrumento de poder.

 

LEI 23
CONCENTRE AS SUAS FORÇAS

Preserve suas forças e sua energia concentrando-as no seu ponto mais forte. Ganha-se mais descobrindo uma mina rica e cavando fundo, do que pulando de uma mina rasa para outra – a profundidade derrota a superficialidade sempre. Ao procurar fontes de poder para promovê-lo, descubra um patrono-chave, a vaca cheia de leite que o alimentará durante muito tempo.

 

LEI 24
REPRESENTE O CORTESÃO PERFEITO

O cortesão perfeito prospera num mundo onde tudo gira em torno do poder e da habilidade política. Ele domina a arte da dissimulação; ele adula, cede aos superiores, e assegura o seu poder sobre os outros da forma mais gentil e dissimulada. Aprenda e aplique as leis da corte e não haverá limites para a sua escalada na corte.

 

LEI 25
RECRIE-SE

Não aceite os papéis que a sociedade lhe impinge. Recrie-se forjando uma nova identidade, uma que chame atenção e não canse a platéia. Seja senhor da sua própria imagem, em vez de deixar que os outros a definam para você. Incorpore artifícios dramáticos aos gestos e ações públicas – seu poder se fortalecerá e sua personagem parecerá maior do que a realidade.

 

LEI 26
MANTENHA AS MÃOS LIMPAS

Você deve parecer um modelo de civilidade e eficiência: suas mãos não se sujam com erros e atos desagradáveis. Mantenha essa aparência impecável fazendo os outros de joguete e bode expiatório para disfarçar a sua participação.

 

LEI 27
JOGUE COM A NECESSIDADE QUE AS PESSOAS TÊM DE ACREDITAR EM ALGUMA COISA PARA CRIAR UM SÉQUITO DE DEVOTOS

As pessoas têm um desejo enorme de acreditar em alguma coisa. Tornese o foco desse desejo oferecendo a elas uma causa, uma nova fé para seguir. Use palavras vazias de sentido, mas cheias de promessas; enfatize o entusiasmo de preferência à racionalidade e à clareza de raciocínio. Dê aos seus novos discípulos rituais a serem cumpridos, peça-lhes que se sacrifiquem por você. Na ausência de uma religião organizada e de grandes causas, o seu novo sistema de crença lhe dará um imensurável poder.

 

LEI 28
SEJA OUSADO

Inseguro quanto ao que fazer, não tente. Suas dúvidas e hesitações contaminarão os seus atos. A timidez é perigosa: melhor agir com coragem. Qualquer erro cometido com ousadia é facilmente corrigido com mais ousadia. Todos admiram o corajoso; ninguém louva o tímido.

 

LEI 29
PLANEJE ATÉ O FIM

O desfecho é tudo. Planeje até o fim, considerando todas as possíveis conseqüências, obstáculos e reveses que possam anular o seu esforço e deixar que os outros fiquem com os louros. Planejando tudo até o fim, você não será apanhado de surpresa e saberá quando parar. Guie gentilmente a sorte e ajude a determinar o futuro pensando com antecedência.

 

LEI 30
FAÇA AS SUAS CONQUISTAS PARECEREM FÁCEIS

Seus atos devem parecer naturais e fáceis. Toda a técnica e o esforço necessários para sua execução, e também os truques, devem estar dissimulados. Quando você age, age sem se esforçar, como se fosse capaz de muito mais. Não caia na tentação de revelar o trabalho que você teve – isso só despertará dúvidas. Não ensine a ninguém os seus truques ou eles serão usados contra você.

 

LEI 31
CONTROLE AS OPÇÕES: QUEM DÁ AS CARTAS É VOCÊ

As melhores trapaças são as que parecem deixar ao outro uma opção: suas vítimas acham que estão no controle, mas na verdade são suas marionetes. Dê às pessoas opções que sempre resultem favoráveis a você. Force-as a escolher entre o menor de dois males, ambos atendem ao seu propósito. Coloque-as num dilema: não terão escapatória.

 

LEI 32
DESPERTE A FANTASIA DAS PESSOAS

Em geral evita-se a verdade porque ela é feia e desagradável. Não apele para o que é verdadeiro ou real se não estiver preparado para enfrentar a raiva que vem com o desencanto. A vida é tão dura e angustiante que as pessoas capazes de criar romances ou invocar fantasias são como oásis no meio do deserto: todos correm até lá. Há um enorme poder em despertar a fantasia das massas.

 

LEI 33
DESCUBRA O PONTO FRACO DE CADA UM

Todo mundo tem um ponto fraco, uma brecha no muro do castelo. Essa fraqueza em geral é uma insegurança, uma emoção ou necessidade incontrolável; pode também ser um pequeno prazer secreto. Seja como for, uma vez encontrado esse ponto nevrálgico, é ali que você deve apertar.

 

LEI 34
SEJA ARISTOCRÁTICO AO SEU PRÓPRIO MODO AJA COMO UM REI PARA SER TRATADO COMO TAL

A maneira como você se comporta em geral determina como você é tratado: em longo prazo, aparentando ser vulgar ou comum, você fará com que as pessoas o desrespeitem. Pois um rei respeita a si próprio e inspira nos outros o mesmo sentimento. Agindo com realeza e confiança nos seus poderes, você se mostra destinado a usar uma coroa.

 

LEI 35
DOMINE A ARTE DE SABER O TEMPO CERTO

Jamais demonstre estar com pressa – a pressa trai a falta de controle de si mesmo, e do tempo. Mostre-se sempre paciente, como se soubesse que tudo acabará chegando até você. Torne-se um detetive do momento certo; fareje o espírito dos tempos, as tendências que o levarão ao poder. Aprenda a esperar quando ainda não é hora, e atacar ferozmente quando for propício.

 

LEI 36
DESPREZE O QUE NÃO PUDER TER: IGNORAR É A MELHOR VINGANÇA

Reconhecendo um problema banal, você lhe dá existência e credibilidade. Quanto mais atenção você der a um inimigo, mais forte você o torna; e um pequeno erro às vezes se torna pior e mais visível se você tentar consertá-lo. Às vezes, é melhor deixar as coisas como estão. Se existe algo que você quer, mas não pode ter, mostre desprezo. Quanto menos interesse você revelar, mais superior vai parecer.

 

LEI 37
CRIE ESPETÁCULOS ATRAENTES

Imagens surpreendentes e grandes gestos simbólicos criam uma aura de poder – todos reagem a eles. Encene espetáculos para os que o cercam, repletos de elementos visuais interessantes e símbolos radiantes que realcem a sua presença. Deslumbrados com as aparências, ninguém notará o que você realmente está fazendo.

 

LEI 38
PENSE COMO QUISER, MAS COMPORTE-SE COMO OS OUTROS 

Se você alardear que é contrário às tendências da época, ostentando suas idéias pouco convencionais e modos não ortodoxos, as pessoas vão achar que você está apenas querendo chamar atenção e se julga superior. Acharão um jeito de punir você por fazê-las se sentir inferiores. É muito mais seguro juntar-se a elas e desenvolver um toque comum. Compartilhe a sua originalidade só com os amigos tolerantes e com aqueles que certamente apreciarão a sua singularidade.

 

LEI 39
AGITE AS ÁGUAS PARA ATRAIR OS PEIXES

Raiva e reações emocionais são contraproducentes do ponto de vista estratégico. Você precisa se manter sempre calmo e objetivo. Mas, se conseguir irritar o inimigo sem perder a calma, você ganha uma inegável vantagem. Desequilibre o inimigo: descubra uma brecha na sua vaidade para confundi-lo e é você quem fica no comando.

 

LEI 40
DESPREZE O QUE VIER DE GRAÇA

O que é oferecido de graça é perigoso – em geral é um ardil ou tem uma obrigação oculta. Se tiver valor, vale a pena pagar. Pagando, você se livra de problemas de gratidão e culpa. Também é prudente pagar o valor integral com a excelência e não se economizar. Seja pródigo com seu dinheiro e o mantenha circulando, pois a generosidade é um sinal e um ímã para o poder.

 

LEI 41
EVITE SEGUIR AS PEGADAS DE UM GRANDE HOMEM

O que acontece primeiro sempre parece melhor e mais original do que o que vem depois. Se você substituir um grande homem ou tiver um pai famoso, terá de fazer o dobro do que eles fizeram para brilhar mais do que eles. Não fique perdido na sombra deles, ou preso a um passado que não foi obra sua: estabeleça o seu próprio nome e identidade mudando de curso. Mate o pai dominador, menospreze o seu legado e conquiste o poder com a sua própria luz.

 

LEI 42
ATAQUE O PASTOR E AS OVELHAS SE DISPERSAM

A origem dos problemas em geral pode estar num único indivíduo forte – o agitador, o subalterno arrogante, o envenenador da boa vontade. Se você der espaço para essas pessoas agirem, outros sucumbirão a sua influência. Não espere os problemas que eles causam se multiplicarem, não tente negociar com eles – eles são irredimíveis. Neutralize a sua influência isolando-os ou banindo-os. Ataque à origem dos problemas e as ovelhas se dispersarão.

 

LEI 43
CONQUISTE CORAÇÕES E MENTES

A coerção provoca reações que acabam funcionando contra você. É preciso atrair as pessoas para que queiram vir até você. A pessoa seduzida torna-se um fiel peão. Seduzem-se os outros atuando individualmente em suas psicologias e pontos fracos. Amacie o resistente atuando em suas emoções, jogando com aquilo de que ele gosta muito ou teme. Ignore os corações e as mentes dos outros e eles o odiarão.

 

LEI 44
DESARME E ENFUREÇA COM O EFEITO ESPELHO

O espelho reflete a realidade, mas também é a ferramenta perfeita para a ilusão. Quando você espelha os seus inimigos, agindo exatamente como eles agem, eles não entendem a sua estratégia. O Efeito Espelho os ridiculariza e humilha, fazendo com que reajam exageradamente. Colocando um espelho diante das suas psiques, você os seduz com a ilusão de que compartilha os seus valores; ao espelhar as suas ações, você lhes dá uma lição. Raros são os que resistem ao poder do Efeito Espelho.

 

LEI 45
APREGOE A NECESSIDADE DE MUDANÇA, MAS NÃO MUDE MUITA COISA AO MESMO TEMPO

Teoricamente, todos sabem que é preciso mudar, mas na prática as pessoas são criaturas de hábitos. Muita inovação é traumática, e conduz à rebeldia. Se você é novo numa posição de poder, ou alguém de fora tentando construir a sua base de poder, mostre explicitamente que respeita a maneira antiga de fazer as coisas. Se a mudança é necessária, faça-a parecer uma suave melhoria do passado.

 

LEI 46
NÃO PAREÇA PERFEITO DEMAIS

Parecer melhor do que os outros é sempre perigoso, mas o que é perigosíssimo é parecer não ter falhas ou fraquezas. A inveja cria inimigos silenciosos. É sinal de astúcia exibir ocasionalmente alguns defeitos, e admitir vícios inofensivos, para desviar a inveja e parecer mais humano e acessível. Só os deuses e os mortos podem parecer perfeitos impunemente.

 

LEI 47
NÃO ULTRAPASSE A META ESTABELECIDA; NA VITÓRIA, APRENDA A PARAR

O momento da vitória é quase sempre o mais perigoso. No calor da vitória, a arrogância e o excesso de confiança podem fazer você avançar além da sua meta e, ao ir longe demais, você conquista mais inimigos do que derrota. Não deixe o sucesso lhe subir à cabeça. Nada substitui a estratégia e o planejamento cuidadoso. Fixe a meta e, ao alcançá-la, pare.

 

LEI 48
EVITE TER UMA FORMA DEFINIDA

Ao assumir uma forma, ao ter um plano visível, você se expõe ao ataque. Em vez de assumir uma forma que o seu inimigo possa agarrar, mantenha-se maleável e em movimento. Aceite o fato de que nada é certo e nenhuma lei é fixa. A melhor maneira de se proteger é ser tão fluido e amorfo como a água; não aposte na estabilidade ou na ordem permanente. Tudo muda.

por Robert Greene e Jost Elffers

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/as-48-leis-do-poder/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/as-48-leis-do-poder/

‘Demonologia sem Cerimônias

Anjos caídos, deuses antigos, formas-pensamento, espíritos desencarnados. Ou quem sabe um mero subterfúgio neurolinguístico? Que diferença faz? O objetivo deste trabalho sobre demonologia não é fornecer explicações metafísicas, mas procedimentos práticos. Então se você é um satanista moderno padrão, não se sinta culpado de continuar lendo. Encare o que vem a seguir como uma hipótese a ser testada.

Seja o que forem os demônios, o fato inegável é que quando nos dedicamos à demonologia podemos trabalhar sem ter conhecimento prévio de uma entidade e no processo experimentar e descobrir coisas que batem exatamente com a experiência de outros demonologistas que já trabalharam com ela. Ou seja, podemos afirmar que existe algo de objetivo nos demônios. Algo que vai além de nossa própria mente. Algo que pode ser usado como uma poderosa ferramenta para a realização do trabalho do feiticeiro.

De fato, desde os primórdios da prática mágica os Demônios tem sido usados. Os métodos para interagir com eles variam com cada civilização e com cada cultura mas a essência desta interação sobrevive a todas elas. Muitos destes métodos são desnecessariamente complexos e carregam toda uma moral religiosa da época em que eram usados, uma moral, especialmente judaico-cristã nos dias atuais, que deveria estar esquecida juntamente com a Idade Média. Por estas e outras razões que ficarão claras adiante, o procedimento que proponho a seguir supera em muito os métodos antigos e mais populares.

 I. A Escolha do Demônio

Devem existir mais demônios sob o céu do que pessoas sobre a terra. Talvez por conter dimensões extras o mundo dos demônios tenha muito mais espaço do que nossa esfera tridimensional para acomodar sua população. Lembre-se que todo deus ignorado é, por assim dizer, um demônio e em uma época onde o monoteísmo é monopólio o inferno tem superlotação. Só entre os devas hindus existem mais de um bilhão entidades. Some a eles todos os outros milhões de seres que foram e são cultuados em todos os continentes em todas as épocas até hoje e você verá que o leque de opções tem realmente proporções abissais. Como escolher? Pensando nisso ao decorrer dos milênios, os demonologistas fizeram catálogos de demônios que julgassem mais úteis, sendo que os mais conhecidos são o Grimorium Verum, o Pseudomonarchia Daemonum e, é claro, as Chaves Menores de Salomão, popularmente conhecido com o Goetia. Nestas e em outras obras são descritos diversos demônios bem como seus poderes e especialidades. É enriquecedor e divertido explorar os diversos seres à disposição e esta é a única forma de você encontrar aqueles seres com os quais terá mais afinidade e que, portanto, trabalharão melhor com você.

Por outro lado estes catálogos são grandes demais, com informações recheadas de preconceitos medievais e apresentam demônios com características repetitivas e muitas vezes redundantes. E pior, por séculos foram utilizados sem nenhum tipo de atualização em relação a nossos avanços tecnológicos, desta forma parece besteira evocar um demônio para encontrar tesouros enterrados, mas a coisa muda de figura se você pode chegar a este  tesouro de maneira virtual mas está tendo problemas com senhas, acessos ou localização remota.

Assim, se você não sabe por onde começar, recomendo escolher um dos sete demônios principais – Satã, Lilith, Belphegor, Lúcifer, Belial, Astaroth e Leviatan. Eles foram eleitos segundo o sistema septenário e são todos seres tradicionalmente evocados entre os chamados praticantes da magia negra desde a antiguidade:

Satã: Emancipação, Rebelião, Auto-domínio, Sucesso, Independência, Confiança, Status. Também assuntos de saúde e vitalidade da carne e do corpo.

Lilith: Fertilidade, mas também abortos. Sexo, tesão, inversão de orientação sexual e questões de beleza e juventude. Também pode fazer alguém se apaixonar por você, ou se matar de amor por você.

Belial: Guerra, casos de vingança, agressão, derrota de inimigos. Instigação de acidentes, tragédias, traumas e ferimentos . Também proteção contra os perigos.

Belphegor: Concentração, sucesso profissional, capacidade de aprendizagem, criatividade, encontrar coisas e pessoas desaparecidas. Sucesso em concursos e entrevistas.

Astaroth: Riqueza, Dinheiro, Prosperidade, abundância, investimentos. Também questões jurídicas e fiscais. Sucesso nos negócios e boas oportunidades. aumentar a clientela. Lúcifer: Sedução, carisma, afetividade, amor, fidelidade e infidelidade, reconciliação e separação, popularidade, auto-estima, amizade. Também questões políticas e interpessoais.

Leviatã: Morte, Assassinato, Doenças, Destruição, Eliminar obstáculos ou dificuldades, esquecimento, falência. Pode causar depressão, psicose e outros distúrbios mentais e afetivos ou longo sofrimento seguido de morte.

II. A Pratica da demonologia

A demonologia é essencialmente um trabalho com informação. Da mesma forma que você pesquisa, busca profissionais ou professores, estuda e pratica algo quando precisa lidar com um assunto novo que não conhece, você faz com demônios. Usando uma comparação tosca eles seriam como diferentes wikipédias sobre determinados assuntos que você acessa quando esbarra em um problema cuja solução parece estar fora do seu conhecimento. A diferença é que ao invés de acessar o site você evoca o demônio. Na verdade existem duas práticas que apesar de diferentes causam certa confusão entre os praticantes. A diferença entre invocação e evocação é que na invocação o corpo e mente do mago recebe a essência e os atributos dos demônios e divindades, você faz um download do demônio para seu sistema nervoso; enquanto que na evocação as entidades agem sempre como inteligências e realidades externas, você os chama para bater um papo. Portanto, na demonologia invocação é o mesmo que possessão. Embora isso ocorra com frequência e os conceitos se misturem este não será o foco dos procedimentos aqui descritos. Não recomendo abrir espaço em sua própria mente para nenhuma inteligência externa caso não esteja pronto para arcar com as consequências depois.

Primeiro Passo

Prepare um altar ao demônio escolhido. Não é necessário nada sofisticado inicialmente, a importância disto é apenas a de de ser um ponto focal para o relacionamento que está para nascer. Se você é um satanista praticante deve ter uma câmara ritual ou um altar montado em algum lugar, use-o. Ele será um ponto de encontro entre você e as forças das trevas no espaço-tempo se quiser entender assim. Você pode ter nele uma imagem do demônio que será evocado, mas não se preocupe se não tiver. Para começar tenha uma vela negra constante, uma vela da cor da entidade (veja adiante) e um recipiente bonito (prato, pote ou taça) para as ofertas. Mais tarde este altar pode ficar  mais sofisticado, mas nem sempre isso é necessário ou mesmo verdadeiro.

A demonologia prática se divide em três passos:

I – O Pacto

II – O Culto

II.I -O Pacto

III – A Despedida

 

 

Na medida do possível faça o pacto no dia indicado na seção ofertório a seguir. Sente-se em um lugar isolado de preferência, mas não obrigatoriamente, escuro e silencioso e se possível de frente ao seu altar. Busque uma postura mental adequada fazendo, por exemplo uma respiração 9x9x9x9 (9 segundos inspirando, 9 segurando o ar, 9 expirando, 9 sem ar). Chame o demônio em voz alta ou em pensamento usando suas próprias palavras até sentir sua presença. Peça exatamente o que quer. Este pedido também deve ser feito com suas próprias palavras e ser o mais exato possível, se quiser uma Ferrari peça uma Ferrari, não ganhar uma promoção ou na loteria para então comprar uma. Por fim, agradeça a presença e faça a primeira oferenda.

Descobri ser interessante combinar um prazo para a realização do pedido. Isso evita que o demônio seja alimentado indefinidamente sem que seja feito progresso real. Um prazo curto é obviamente bom para você mas para o demônio vai significar menos tempo sendo alimentado (detalhes sobre isso a seguir). Um prazo muito longo, por outro lado, pode significar não apenas uma distância da realização dos seus desejos, mas também que o demônio seria alimentado demais ficando, digamos assim, acomodado. Proponha um prazo realista e justo para os dois lados. Caso este prazo não seja cumprido recomendo chamar a entidade novamente e refazer o pedido com alguma alteração do que acredite possa estar complicando o pacto. É difícil que uma terceira vez seja necessária, mas caso isso ocorra talvez seja interessante usar algum sistema de divinação para “negociar” com o demônio e assegurar um pedido e prazo razoável. Quando você ganhar desenvoltura com o processo e intimidade com as entidades o prazo poderá ficar cada vez menor e os pedidos cada vez maiores. Por fim, quando atingir a maestria, poderá pedir coisas para que sejam feitas imediatamente ou o quanto antes assim que o  pacto inicial for fechado. Mas se você está começando agora na pratica demonológica duvido que isso funcione.

Outro ponto interessante de se combinar no pacto é o acompanhamento do progresso. Peça que o demônio te envie sinais de que as coisas estão caminhando. Esse sinais podem ser tanto em visões e sonhos como em notícias que chegam direta ou indiretamente até você cada vez que seu pedido se aproxima da realização.

 II.II – O Culto

Um demônio ignorado desfaz-se no ar. Essa é uma máxima importante tanto em exorcismos quanto na demonologia prática. Assim é necessário alimentar o demônio evocado para que o efeito iniciado com a evocação não se dissipe. Você pode entender isso como um desinteresse da entidade por quem não lhe oferece nada ou como um enfraquecimento natural de um constructo astral que é abandonado, no fundo isso não importa. O que importa é que assim como entre seres humanos não é diferente com os demônios, quem quer rir tem que fazer rir.

A melhor definição de como a magia demoniaca funciona veio de meu irmão em Satã, Inkubus King. Para ele,os demônios funcionam como bexigas que vão sendo enchidas e, quando estouram, aquilo que você pediu se realiza. Essa metáfora é genial porque ilustra um ponto importante que geralmente é esquecido que é a alimentação do demônio. Para pedidos de longo prazo você enche a ‘bexiga’ com muita intensidade e então solta ela no ar para que um dia estoure. Para pedidos mais imediatos você enche a bexiga sem parar, alimentando o demônio todo dia até que estoure.

Por alimentar quero dizer preencher o demônio de significância dando a ele vigor no nosso mundo. Eu me arrisco a dizer que os demônios querem que você prove a si mesmo o quão reais eles reais antes de agirem como tal, mas talvez eles só queriam mesmo nosso culto. Isso pode ser feito de muitas formas diferentes e varia de demônio para demônio mas tem sempre a ver com algum presente ou oferta dado a ele. Entre as possibilidades que citaremos a seguir estão velas, incensos, bebidas e alimentos propriamente ditos. Entretanto, com a prática, você verá que existem outras formas complementares de  alimentação para cada entidade como evocações, afirmações, dança, fluidos sexuais, sangue, dor, entre outros. Além disso os praticantes de vampirismo podem sempre oferecer energia vital sua ou dos demais drenada para este fim. Aos praticantes da magia do caos, basta dizer que qualquer estado de gnosis também pode ser oferecido, respeitando-se é claro, o gosto de cada demônio.

 II.III – A Despedida

Quanto o demônio estiver satisfeito ou, se preferir, completamente carregado de sua energia vital, então seu desejo se torna real. Talvez este seja o conceito mais importante deste artigo então, sob o risco de me repetir vou enfatizar. Tudo é troca. A maior erro dos praticantes inexperientes é achar que os demônios são uma mistura de entidade beneficente com disque-pizza. Eles acendem uma vela, se vestem como se estivessem no século XIII, fazem milhares de piruetas na câmara ritual e no dia seguinte, quando não conseguiram o que queriam, ficam putos e culpam o demônio que não os atendeu. Uma resposta imediata é possível sim, mas apenas depois de investir tempo e energia no domínio do processo. Se você pedir para um amigo um favor urgente, é claro que ele o atenderá com rapidez. Mas peça isso a um estranho e não dê nada em troca, vai ganhar no máximo um olhar de indiferença. Demonologia prática é como um namoro. Demanda tempo e dedicação se você realmente quiser chegar em algum lugar.

Esse namoro não termina nem mesmo depois que seu desejo se concretizou. Depois que seu pedido foi realizado é hora de encerrar apropriadamente sua ligação com o demônio. Isso é muito importante pois te protege de ficar dependente dos demônios eternamente ao mesmo tempo que garante um bom relacionamento para suas futuras necessidades. Outro ponto importante para se ter em mente é que cada demônio tem sua personalidade, sua assinatura energética, sua influência demoníaca, se preferir. Agora faça uma experiência, ou a imagine. O que acontece se você apanhar um prego e ficar passando um ímã perto dele? Depois de alguns instantes o prego passa a atrair metais, ele se torna, por um tempo, um ímã. O mesmo ocorre entre casais, com a convivência um cônjuge começa a adquirir as características do outro, muitos chegam a começar a se parecer fisicamente. Isso acontece em qualquer convívio. Drogas que num primeiro momento servem como recreação, se usadas por muito tempo criam dependência e mudam a personalidade da pessoa.

Animais de estimação, ambientes de trabalho, cores pintadas em  paredes. Isso tudo nos afeta. Agora imagine o que acontece com uma pessoa que está ligada 24 horas por dia a um demônio. Assim, tratar com ele estritamente o necessário e então cortar o vínculo é o melhor que você pode fazer pela sua sanidade e saúde emocional.

A melhor forma de encerrar esse compromisso é chamá-lo novamente e agradecê-lo com suas próprias palavras assim que receber as boas notícias. Alimente-o por mais alguns dias ou faça uma oferenda especial para selar o encerramento do pacto. O que é verdade para humanos é verdade para demônios. Nunca queime uma ponte.

 III – Ofertório

O ofertório a seguir serve de tabela de correspondência para o que pode ser ofertado a cada um dos demônios sugeridos acima. A cor refere-se a cor da vela ou de algum outro item no altar ou na oferta. As Essências podem ser usadas para incenso, como gotas de essência em uma taça de água, perfume ou mesmo em formato de comida ou bebida. O Dia pode significar não apenas o dia do pacto mas também um dia propício para uma oferta especial e para a despedida. Lembre que você não precisa se limitar a estas indicações. Fique atento para os sinais e intuições a este respeito.

Satã

Dia:Domingo

Cor: Dourada

Essência: Canela, louro e alecrim.

Lilith

Dia : Segunda-feira

Vela: Prata

Essência: mirra, jasmim e rosa branca.

Belial

Dia : Terça-feira

Cor: Vermelha

Essência: Pinho, vravo, pinho e absinto

Belphegor

Dia : Quarta-feira

Cor: Laranja

Essência: Benjoim, Lavanda

Astaroth

Dia:Quinta-feira Cor:Azul

Essência:Cedro, Cravo

Lucifer

Dia:Sexta-feira

Cor:Verde

Essência:Almíscar, rosa e verbena, flor de Laranjeira

Leviatã

Dia:Sábado

Cor: Roxo

Incenso:patchulli e cipreste, Violeta

 

IV. Dúvidas Comuns

Como me comunicar com os demônios? A comunicação direta com os demônios é possível, mas não é indicada. Especialmente se você for um iniciante. Se você não tem nenhuma experiência com conjurações evite o diálogo no primeiro momento. Se for realmente necessário iniciar uma conversação (e quase nunca é), os demônios aparecerão para você em sonhos, pois neste estado os olhos da mente estão muito mais abertos. Limite-se apenas ao um protocolo respeitoso de reforço do pacto inicial na hora da alimentação.

Logo de cara, o iniciante pode desistir da idéia neste ponto, afinal quem deseja trabalhar com demônios se não podemos vê-los ou mesmo conversar com eles? E a resposta para isso é simples: Sejam demonologistas sérios! O objetivo deste trabalho é ensinar a trabalhar com demônios, não conseguir provas para satisfazer o ego ou o ego dos amigos do praticante. Demônios existem em planos diferentes do nosso, não tem traquéias e não respiram ar. A voz deles, a não ser que se manifestem em um corpo físico ou de maneira física, a maior parte da comunicação será mental. E é muito fácil confundir seus próprios pensamentos com os deles e isso pode complicar as coisas. Dito isso, se você já se sente confiante o bastante para conversar com o demônio, para aprender mais sobre eles, perguntar coisas ou por sincera curiosidade, comece usando técnicas de divinação como um intermediário. Em seguida passe para técnicas de escrita automática e algaravias. Alie isso à prática do Scrying, explicada a seguir, e com o  tempo conseguirá discernir o dialogo interior com os demônios de seus próprios pensamentos.

 Como enxergar os demônios?

Querer enxergar um demônio é algo como querer dançar um bolo de chocolate. É possivel desde que você mude a receita. A natureza dos demônios não é como a de um quadro onde a luz se reflete e é absorvida pelos olhos. Se quiser enxergar uma entidade não-corporea será necessário usar seus olhos não corpóreos. Na maioria dos casos, como nos sonhos, isso significa fechar seus olhos de carne. Alguns diriam que os demônios só aparecem se realmente quiserem ou se este for um dos pedidos de um pacto no qual concordaram em participar.

Todavia, se você não quer ver os demônios apenas em sonhos ou em visões descontroladas e esporádicas pode tentar a técnica conhecida como Scrying, para forçar seus olhos mentais a abrirem durante a vigília. Para isso, precisará criar um espelho negro.

Para fazer um espelho negro use um porta retrado e pinte um dos lados do vidro com várias camadas de tinta preta. Com Rev Obito aprendi que a ‘Tinta Spray RC280 Metallic Black’ é especialmente boa para espelhos negros porque forma certos reflexos coloridos deformando a luz que se reflete nele. Deixe secar e retorne o vidro para a moldura. Quando quiser treinar sua visão de entidades deixe o espelho na altura dos olhos e concentre-se nele sob a fraca luz de uma vela colocada entre você e o espelho. Esta é uma forma de distrair os olhos físicos e deixar a mente fluir. Não creio em qualquer propriedade sobrenatural do espelho, nem na necessidade de consagrá-lo de qualquer forma, mas sim que é um aparato rústico que funciona como uma máquina Ganzfeld e que fará com que, no estado mental apropriado, sua mente possa formar as imagens na escuridão. Tenha paciência, inicialmente é provável que você veja apenas a sua vista embaçar. Depois de um tempo passará a formar visões aleatórias do seu próprio inconsciente. Se perseverar entretanto, poderá ter visões mais concretas não só do demônio invocado, mas de coisas que ele queira lhe mostrar.

Como me proteger dos demônios evocados? Como se proteger de um convidado? Não o convide em primeiro lugar. É em realidade uma grande hipocrisia evocar um demônio para em seguida prendê-lo dentro de um triângulo e esconder-se dentro de um círculo de proteção. Seria como chamar alguém para jantar e recebê- lo com um revolver em mãos. Isso realmente faz sentido se você trabalha em um paradigma cristão onde os demônios são seus inimigos. Mas a prática da demonologia trabalha com a ideia de somente uma aliança com estas forças e a melhor maneira de obter sucesso.

Não tenha medo do medo. Quem se recusa a ir até o fim em uma prática mágica por medo de cometer algum erro e libertar alguma ‘força maligna’ já esta desde o início cometendo um erro e se abrindo uma porta que não conseguirá fechar sozinho depois. Ao invés disso use o medo ao seu favor. Esse temor que todo praticante sente no começo é natural e não é necessariamente algo ruim. Use o medo ao seu favor como catalizador para uma postura emocional de reverência às entidades que certamente fará bem para todo o processo. O medo pode ser um tipo de gnosis. É verdade que com o tempo você vai se acostumando com a ideia de um relacionamento com os demônios e isso deixa de causar qualquer receio. A essa altura entretanto sua intimidade com eles e sua experiência compensarão as vantagens iniciais do temor perdido. Mas não se preocupe com isso, use o a tensão ao seu favor, a pressa em perder o medo só o intensifica.

Morbitvs Vividvs

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/demonologia-sem-cerimonias/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/demonologia-sem-cerimonias/

Pequeno manual para a conversão do infiel

» Parte 2 da série “Reflexões sobre a evangelização” ver parte 1

Conversão religiosa é a adoção de uma nova identidade religiosa, ou uma mudança de uma identidade religiosa para outra. Isto envolve tipicamente o devotamento sincero a um novo sistema de crença, mas também pode ser concebido de outras maneiras, como a adoção em uma identidade de grupo ou linha espiritual.

Todos os sistemas de crença ou doutrina religiosa se baseiam em espécies de guias, manuais passo a passo para uma vida de religiosidade mais profunda e verdadeira, em suma, uma religação mais eficiente e efetiva. Porém, me parece que podemos dividi-los em dois grandes grupos: aqueles em que o campo de aprendizado se dá única e exclusivamente por vontade e esforço próprios de cada um, sem a possibilidade de atalhos ou barganhas; e aqueles em que existe uma possibilidade de se avançar por meio de bênçãos e milagres, por barganhas diretas com Deus, em troca deste ou daquele benefício divino – um arrebatamento ao Céu, algum milagre ou salvação de última hora, ou simplesmente uma iluminação espiritual.

No segundo grupo se encontram a maior parte das igrejas ou sistemas eclesiásticos. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Ocidente do que no Oriente. Por exemplo, quando determinada doutrina afirma que “só seremos salvos se aceitarmos Nosso Senhor Jesus Cristo em nosso coração”, ela opera por forma de barganha: aparentemente, o único caminho será esse, e o mérito da salvação não será exclusivamente nosso, mas muito mais uma forma de “retribuição divina” por nossa fidelidade. Ainda assim, aceitar o Senhor ainda é algo que tem mais lógica do que simplesmente doar quantias enormes de dinheiro a alguma igreja em troca da benção direta desse mesmo Senhor. Afinal, o que diabos Deus fará com seu dinheiro? Afinal, porque somente este ou aquele eclesiástico é responsável pela contabilidade divina?

No primeiro grupo, se encontram a maior parte dos religiosos que não necessariamente tem igreja. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Oriente. Tais fiéis são antes fiéis a Deus, e mesmo que tenham alguma igreja ou grupo de estudos, e um dia os venha a abandonar, não necessariamente abandonará a própria doutrina em si. Estes fazem de suas casas, seus corações, suas mentes, sua única e inabalável catedral – onde sempre poderão orar, onde confessam antes de tudo a si mesmos.

Por exemplo, os dois primeiros versos do Livro do Caminho Perfeito, a obra principal do taoismo, dizem que “o caminho que pode ser seguido não é o Caminho Perfeito”. Superficialmente isto é um tanto paradoxal, é como se fosse apresentado um manual passo a passo para algum Céu em que, logo de início, já fosse afirmado que este manual não poderia ser seguido… No entanto, o que Lao Tsé queria dizer é análogo ao que muitos grandes sábios sempre afirmaram: que o caminho espiritual é próprio de cada um. Ou seja, o discípulo jamais poderá seguir o mesmo caminho do mestre, ele poderá no máximo utilizar seu exemplo de vida como base para construir o seu próprio caminho. Pois assim como não existem seres idênticos na criação, da mesma forma não existem caminhos idênticos para a religação ao Cosmos.

A mim me parece que a abordagem do primeiro grupo tem muito a ensinar ao segundo. Em realidade, existe uma disparidade tão grande e evidente à nível de profundeza espiritual entre tais grupos, que há de se perguntar se o segundo não é, em sua maioria, um grande agrupamento de visões equivocadas da religião mais aprofundada, universal, cósmica…

Há muitas igrejas, por exemplo, que foram edificadas inteiramente sobre textos sagrados aos quais se atribuí uma espécie de “ditado” direto de Deus. Não são como o Livro do Caminho Perfeito, uma mera tentativa de um sábio aconselhar aos outros sobre sua própria experiência de tentar compreender a Deus, mas antes a própria palavra de Nosso Senhor, verdadeiros Guias da Verdade Absoluta [1].

Se é que tais textos sejam mesmo o que os eclesiásticos pretendem que sejam, se é que não tenham sido enormemente adulterados com o passar do tempo, a evolução das sociedades, ou simplesmente por inúmeras traduções e compilações, ainda assim há que se pensar: se temos um nossa frente a Verdade codificada em palavras, em símbolos de escrita, será que isso nos bastará? Será que teremos plenas condições de interpretar corretamente tal Verdade? Acredito que a história das guerras religiosas nos traga uma boa resposta a essas perguntas – afinal, nenhuma guerra, nenhuma matança poderia, jamais, ser santa!

Obviamente que mesmo no Ocidente, que mesmo em tais igrejas com seus Guias Infalíveis, encontram-se os moderados, os da “ala mística”, ou que compreendem a religião, o religare, de forma mais aprofundada. Tenho certeza que esses jamais ergueriam uma espada, obrigando algum pobre coitado a se “converter” a sua doutrina…

Pois como poderia alguém, nalgum dia insano, converter outro alguém ao seu próprio pensamento, a sua própria doutrina, pela força? Pela sedução das palavras? Pelo terror anunciado de um lago de enxofre eterno aguardando todos aqueles que não se salvarem, que não aceitarem Nosso Senhor?

Ora, perguntem aos índios da América, perguntem aos negros da África, se eles nalgum dia se converteram ao Deus desses homens que os trataram como mercadoria, como escravos, como selvagens “sem alma”, mas nunca como irmãos, como seres na mesma caminhada para o Cosmos de onde todos foram catapultados na imensidão infinita. Dizer, da boca para fora, “eu aceito Nosso Senhor”, não significa que tenham aceitado. A liberdade jaz na mente e, assim como o caminho espiritual, é exclusiva de cada um, graças a Deus.

William James, um dos fundadores da psicologia, em seu grandioso tratado “Variedades da experiência religiosa”, postula que a conversão religiosa verdadeira pode aparentemente ocorrer de uma hora para outra, do dia para noite, em algum insight momentâneo, mas que quase que certamente já vinha sendo edificada, lentamente, nos calabouços ocultos do inconsciente. Que nossa questão com Deus é universal, todos temos de seguir este caminho, ainda que alguns o sigam inconscientemente ou o chamem de estudo da natureza – o importante é que, a nossa maneira, estamos todos caminhando à frente, aprimorando nossas potencialidades.

Lao Tsé e outros sábios sempre souberam que jamais poderiam converter alguém – o máximo que poderiam fazer era dar o exemplo, falar sobre sua própria experiência espiritual, sobre os percalços e as consolações do caminho, e esperar pacientemente que cada um, por si só, a seu próprio momento, convertesse a si mesmo.

Que não existe manual para o caminho alheio, apenas para o nosso próprio. O único infiel que tem de ser convertido é aquele que se encontra em nossa própria alma. Somos o juiz e o escravo, o apóstolo e o seguidor, o mestre e o discípulo, de nossa própria causa. Temos de ser fiéis ao nosso próprio ser, ao nosso tanto de fagulha divina que, ainda assim, é e sempre foi a única maneira com que Deus falou conosco – como o vento que sempre nos envolveu, embora não saibamos ao certo por onde ele tem passado.

» A seguir, o evangelho do agnóstico…

***
[1] Muito embora, mesmo no taoismo existam lendas que colocam Lao Tsé como uma espécie de deus na Terra. Da mesma forma que existem religiosos superficiais no Ocidente, existem também no Oriente. Este texto não pretende ser, portanto, uma exaltação da religiosidade oriental como “superior”. Apenas procura atestar que a religiosidade pura, não eclesiástica, é muito mais comum na cultura oriental – independente de seus seguidores as terem compreendido ou não.

***

#Bíblia #Cristianismo #Deus #Tao

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pequeno-manual-para-a-convers%C3%A3o-do-infiel

‘Árvore Qliphotica: Seu mapa de fuga da prisão

Tamosauskas

Este material é um acompanhamento do curso de Qlipoth: A Árvore da Morte, oferecido por Marcelo del Debbio adicionado de alguns insights pessoais do autor e apresenta uma introdução ao estudo da árvore da morte da cabala qliphótica. Esse estudo pode trazer medo quem só está acostumado com o lado luminoso da cabala e ilusões quem não está acostumado com cabala nenhuma. Ele fornece entretanto conceitos importantes tanto para quem quer evitar os erros do caminho com para quem quer se proteger da malícia dos demais.

Lida de cima para baixo a árvore da morte é um manual de como a opressão é criada e mantida,  Lido de baixo para cima entretanto pode ser vista como uma rota de fuga. Um mapa capaz de denunciar os mecanismos usados para nos escravizar. Este resumo trará a segunda opção com os nomes e características de cada Qlipha, bem como dos túneis que as ligam. Também foi incluído um pequeno questionamento meditativo em cada qlipha sobre os obstáculos que a árvore da morte impõe.Também será fornecida uma referência de ficção da literatura ou do cinema de uma distopia .

Entretanto a forma mais de compreender a árvore da morte é comparar cada um de seus elementos com seu correspondente na árvore da vida. Trata-se sempre de uma versão corrompida, prostituída e degenerada de sua contraparte. Por essa razão a cada elemento estudado será sempre mencionada a sephira ou caminho da qual é a sombra. Se estes nomes forem novidades para você, interrompa a leitura e faça um estudo da cabala pela via luminosa antes de continuar.

Conceitos chave:

  •  Árvore da morte: É o oposto da árvore da vida. Composta por qliphoth e túneis.Algumas pessoas tratam a árvore da morte como como as raízes subterrâneas, a sombra ou ainda o reflexo invertido da árvore da vida.
  • Qlipha: Qlipha (plural Qliphoth) é para a árvore da morte o que uma sephiras é para a árvore da vida. Cada uma possui sua correspondente em uma das duas árvores. Qlipha significa literalmente casca no mesmo sentido da casca de uma fruta, que depois de separada de sua polpa doce e nutritiva e só que só serve para ser jogada fora para servir de adubo.
  • Túneis: Os túneis ligam duas qliphoth na árvore da morte da mesma maneira que os caminhos ligam duas sephiroth na árvore da vida. São pontos em que duas forças se influenciam mutuamente gerando um resultado específico e que engana e prende a luz como uma teia.

Vejamos agora as Qliphoth e seus túneis separadamente:

X – Nahema (Os sussuradores)

Sombra de Malkuth

Conceito chave: escravidão

Ficção distópica: Matrix

Também chamada de Lilith. Esta é a masmorra, o porão da árvore da morte. É o resultado concreto em um reino de escravidão, ignorância e servidão onde em vez de perseguirem sua verdadeira vontade as pessoas aceitam, servem e obedecem completamente um sistema criado para aprisioná-las. É uma jaula fácil de ver por fora mais difícil de enxergar por dentro. Por essa razão é trivial detectar as ideologias, sistemas e religiões que manipulam outras pessoas mas é muito difícil detectar os sistemas que manipulam a nós mesmos. A primeira atitude para quem quer liberdade é se tornar consciente da falta dela.

Questionamento meditativo:

“Consigo enxergar os mecanismos de escravidão em que estamos imersos?”

 

IX –  Gamaliel (Os obscenos)

Sombra de Yesod
Conceito chave: Ilusão
Ficção distópica: Jogos Vorazes, a Ilha

Gamaliel é a terra das ilusões. Enquanto a imaginação consciente pode ser libertadora a mera fantasia é um grande obstáculo para o desenvolvimento. Em Gamaliel são produzidas as aspirações e ideias de que que um dia, de alguma forma a verdadeira realização virá e justificará toda escravidão dando então ao oprimido os mesmos benefícios que os opressores já tem.  Essa mitologia artificial deve de preferência durar toda a vida, por isso tradicionalmente nos sistemas religiosos a justificação só ocorre depois da morte. Enquanto isso, em termos de política, o socialismo convence as massas que a elite do partido é um mal temporário é necessário e o capitalismo convence os pobres que um dia, se tiverem sorte ou trabalharem muito poderão se tornar ricos. Tudo isso faz os prisioneiro serem os primeiros a defender suas prisões e a defender o mesmo sistema que os vampiriza. Na escala pessoal se trata da preguiça e da auto-ilusão que tudo consome e nada produz.

Questionamento meditativo:

“Quanto da minha criatividade é limitada pelas fantasias que consumo?”

 

Túneis:

32 (IX – X)

Thantifarax (Intolerância)

Sombra do Mundo

Afim de vender as ilusões de Gamaliel dominar os escravos de Nahema, Thantifarax, o carcereiro do jardim do éden, é a intolerância que garante exclusividade dos sonhos. Individualmente é a incapacidade de imaginar. Na sociedade  é o consumo apenas dos mitos enlatados e autorizados rechaçando qualquer sonho que saia da norma como ridículo, insano ou perverso.

 

VIII – Samael (O veneno de Deus)

Sombra de Hod

Conceito chave: Mentira

Ficção distópica: 1984

Esta qlipha é a ninho da mentira e da desonestidade intelectual e da auto-ilusão. Aqui os interesses são mais importantes do que a verdade e a própria linguagem é manipulada para não mais expressar a realidade mas sim favorecer nossos planos. No indivíduo essa sombra se manifesta sempre que pronunciamos inverdades e distorcemos os fatos por interesse próprio. Em uma escala maior ela faz nascer o controle da mídia para atender interesses políticos. Por essa razão quem tem o poder político sempre tentará controlar o poder midiático. Além disso o próprio controle de quais palavras e rótulos são usados para descrever uma situação já é uma expressão de poder. Usualmente em um sistema opressor bem estabelecido a liberdade de expressão é cerceada e toda produção intelectual precisa de aprovação.

 

Questionamento meditativo:

“Fui convencido de que algo é tão complicado que não possa entender?”

“Minto para mim mesmo por conforto ou comodismo?”

 

Túneis:

 

31(VIII-X) Shalicu  (preconceito)

Sombra do Julgamento
As mentiras fabricadas em Samael são perpetuadas no reino de Nahema através do preconceito. A cultura de escravidão e das falsas idéias são disseminada aqui por meio do uso de imagens, símbolos, piadas, histórias e linguagem viciadas que sustentam algumas mentiras essenciais.

 

30 (VIII-IX) Raflifu (falsos ídolos)

Sombra do Sol

Para assegurar que as mentiras se integrem a sociedade são construídos ídolos que representam o sucesso dentro de um sistema particular.  Estes falsos ídolos, são castas ou heróis que representam os sonhos encarnados dos escravos, mostrando que é possível chegar lá. Para serem como eles as massas o imitarão e farão tudo o que ele disser.

 

VII – A’arab’zarak (Os corvos da dispersão)

Sombra de Netzach

Conceito chave: Distração

Ficção distópica: Admirável Mundo Novo

Aqui gralham os corvos da dispersão cujo grande objetivo é tirar o nosso foco. Na esfera pessoal a influência dessa qlipha é sentida no escapismo de distrações usadas como válvula de escape para os problemas reais. Na esfera coletiva essas distrações reafirmam as ilusões criadas em Gamaiel e as mentiras criadas em Samael quando as autoridades desviam a atenção das massas mantendo-as ocupadas e longe das questões importantes e dos problemas reais. É o famoso Pão e Circo de Roma que se desenvolveu hoje para se transformar na indústria do entretenimento vazio onde o burlesco e o grotesco impede as pessoas de pensarem.

 

Questionamento meditativo:
“As distrações que me ocupam me afastam de meus problemas reais?”

 

Túneis:

 

29 (VII-X) Quliefi (Medo)

Sombra da Lua

Por outro lado quando os corvos da distrações falam diretamente com os escravos é sempre em um contexto de restrição no intuito de gerar um medo institucionalizado. Enquanto Tzuflifu diz que tudo vale, Quliefi brada que tudo é proibido. Isso torna os escravos confusos, sem saber como agir, para onde seguir e prontos para obedecer.

 

28 (VII-IX) Tzuflifu (Desejos)

Sombra do Imperador

As distrações de  A’arab’zmak quando conversam com as ilusões de Gamaliel criam um espaço onde finalmente os oprimidos podem dar vazão aos seus desejos. Numa escala pessoal aqui estão os vícios m geral Seguindo uma receita aprovada todos os desejos e paixões podem ser satisfeitos. Estes desejos não são apenas permitidos, mas compulsórios e quem quer que não os alimente é um proscrito.

 

27 (VII-VIII) – Paraxitas (Ódio ao diferente)

Sombra da Torre

As distrações de  A’arab’zmak somadas as mentiras de Samael se unem para formar uma casca mental de o ódio a tudo o que for diferente.  Assim esse túnel é a origem de toda cultura do “nós contra eles” e faz uma eficiente separação de seres humanos em grupos opostos. Se você identifica um certo ódio irracional a um tipo específico de ser humano, provavelmente já está respirando o ar deste túnel.

 

VI – Thagirion (O Sol Negro)

Sombra de Tipheret

Conceito chave: Egoísmo

Ficção distópica: V de Vingança

Thagirion é o agente centralizador das ações de todas as esferas vistas anteriormente. Ela queima com a  obsessão de fazer valer seus desejos acima de todas as outras  vontades e arde ao extremo de não emitir mais qualquer luz de cima. Isso faz  a estrela da vontade entrar em colapso gravitacional tornando-se um grande buraco negro no centro da árvore da morte. Em uma escala pessoal é o egoísmo autoritário, na história tem se traduzido na ascensão de imperadores na antiguidade e dos grandes ditadores industriais como Stalin, Hitler e Mao.

 

Questionamento meditativo:

“Abro mão de minha verdadeira vontade por medo e insegurança? Sou autoritário com alguém?”

 

Túneis:

 

26 (VI-VIII) A’ano’nin (Propaganda)

Sombra do Diabo

O imperativo egolatria de Thagirion é reforçado por meio da máquina da propaganda. Ou seja, um esforço ativo e oficial de promulgar sua ideologia e, muitas vezes, um culto a sua imagem divina. Na política pode surgir como um monopólio declarado dos meios de comunicação ou como criptocracia das mídias por parte

dos poderosos.

 

25 (VI-IX) SakSakSalin (Status Quo)

Sombra da Temperança

A normalização da realidade para atender os designeos de Thagirion é o que dá origem ao status quo. A idéia aqui é que a opressão não é apenas uma configuração arquitetada com malícia mas sim o estado natural e original das coisas. Qualquer tentativa de mudança é portanto não natural e fadada ao fracasso.

 

24 (VI-VII) Niantiel (Culto a juventude)

Sombra da Morte

Uma das maneiras de tornar seu controle certo é criar nos escravos um culto a juventude no qual qualquer acúmulo de sabedoria ou vivência é visto como não desejável. A indústria da moda, os padrões de beleza são alguns de seus efeitos físicos na coletividade. Mas o culto a ignorância e a infantilização são também sinais mais sutis deste túnel.

 

V – Golachab (Os incendiários)

 

Sombra de Geburah

Conceito chave: Violência

Ficção distópica: MadMax

Esta é a esfera da violência e da subjugação por meio do uso da força. Sua diretriz é reinar pelo terror causando danos, sofrimento ou morte em qualquer oposição. No mundo particular se traduz em ira ou mesmo violência doméstica e em termos de geopolítica na indústria bélica. O monopólio das armas e o constante pensamento belicoso é um dos mais antigos artifícios de tomada e concentração da autoridade. Se a concentração de força for desproporcional a opressão está garantida, permitindo como disse Sun Tzu, em A Arte da Guerra, subjugar o inimigo sem lutar. Quem controla as armas coloca-se ainda acima de todos os conflitos menores e geralmente prospera vendendo munição para os dois lados.

 

Questionamento meditativo:

“De quem ou do que tenho medo? Do que esse medo me afasta?”

 

Túneis:

 

23 (V-VIII) Malkunofat (Burocracia)

Sombra do Enforcado

A força de Gloachab se expressa no mundo das mentiras de Samael por meio da regularização extrema e imposição de regras e procedimentos explícitos. Aqui nascem os impostos dos governos,  as regras inúteis capazes de validar ou invalidar rituais e em particular a hierarquia das castas que colocam cada pessoa em seu devido lugar.

 

22 (V-VI) Lafoursian (Injustiça)

Sombra da Justiça

Enquanto as regras de  Malkunofat algemam toda intelectualidade, Lafousian estabelece a injustiça por meio de uma política de exceção. Por um lado isso significa que algumas pessoas terão tratamento especial enquanto outras pessoas enfrentarão todo o rigor da lei. A decisão de quem é quem cabe a quem possui o monopólio da violência.

 

IV – Gma’Asheklah (Os perturbadores)

Sombra de Chesed
Conceito chave: Ganância
Ficção distópica: Elysium

A influência dessa qlipha se revela quando a prosperidade e riqueza serve apenas a si mesma.  Quando isso acontece o comércio e a indústria não prosperaram mais provendo soluções, mas sim perpetuando problemas. Aqui nascem as atuais indústrias químico-farmacêutica-alimentar onde as sementes só podem ser plantadas uma vez para serem compradas e remédios de uso prolongado recebem mais pesquisas do que a cura das doenças propriamente ditas. É também a casa da indústria financeira onde riqueza não tem mais origem no trabalho e sim na especulação e nos juros sobre juros. Em uma escala microcósmica a influência dessa qlipha pode ser vista quando o dinheiro torna-se um fim em si mesmo.

 

Questionamento meditativo

“Quais são as coisas que cobiço? Do que essa cobiça me afasta?”

 

Túneis

 

21 (IV-VIII) Kurgasiax (Poluição)

Sombra da Roda da Fortuna

A fim de vender e enriquecer cada vez mais Gma’Asheklah produz neste túnel toda sorte de poluição. De um lado do túnel o vendedores vendem qualquer coisa que gere lucro, do outro lado o comprador compra qualquer coisa que lhe sirva de distração. Isso significa total negligência com as consequências de longo prazo, o meio ambiente e as outras pessoas.

 

20 (IV-VI) Yamalu (Suborno)

Sombra do Heremita

O poder do ego aliado ao desejo da riqueza por si só faz nascer o corrupto e o corruptor. Sabendo disso Gma’Asheklah e Thagirion se manipulam mutuamente o tempo todo, um para acumular ainda mais recursos e o outro para impor mais facilmente seus planos

 

19 (IV-V) Temphioty (Desumanização)

Sombra da Força

O acúmulo de poder como meta e a violência extrema como método nos levam ao último limiar da árvore da morte que ainda pode ser considerado humano. Aqui ocorre a completa desumanização e não existe mais nenhuma barreira. O “Nós contra eles” se degenera ainda mais e dá origem ao “Eu contra todos”.

 

III – Satariel (Os ocultadores)

Sombra de Binah

Conceito chave: Negação

Ficção distópica: Fahrenheit 451

Ocultar recursos, informações e possibilidades é o que rege esta qlipha. A idéia é que as pessoas não podem lutar contra um inimigo que você nem sabem que existe e não podem buscar por tesouros dos quais você nunca ouviram falar. Daí vem o impulso imediato de todo criminoso de ocultar o próprio crime e de todo ser humano de negar as próprias falhas. Além disso, quanto mais subimos na hierarquia de uma corporação, mais avessa ela será a transparência. Existem câmeras de vídeo apontando para a cabeça de todo caixa, mas nenhuma janela nas salas de reunião de cúpula. O governo nega ter conhecimento.

 

Questionamento meditativo:

“Sou um agente de luz e libertação ou um agente da restrição e ocultamento?”

 

Túneis:

18 (III – V) – Characith (Censura)

Sombra da Carruagem

A ocultação violenta se traduz em censura.  Ou seja, no uso sistemático de uma força superior para suprimir idéias, recursos e pessoas. Queimar livros, controlar acesso, proibir manifestações e calar pessoas são os primeiros degraus deste túnel, o último deles é a execução  de qualquer pessoa que pense ou fale demais.

 

17 (III-VI) – Zanradiel (Difamação)

Sombra dos Amantes

Difamação é outra arma usada para ocultar esforços da oposição. Numa escala pessoal este túnel se traduz na fofoca e na inveja, mas na humanidade não faltaram exemplos históricos do uso sistemático da difamação como no macartismo e na inquisição espanhola.

 

II – Ghogiel (Os estorvadores)

Sombra de Chokmah

Conceito chave: Confusão

Ficção distópica: Arquivo X

Enquanto Satariel preocupa-se em ocultar a realidade por meio da restrição e da falta de acesso, Gkogiel faz a mesma coisa por meio de um lamaçal de lixos inúteis, vomitando infinitas versões deturpadas da verdade. A idéia aqui é que a razão se não pode ser completamente eliminada ela será então ocultada em uma multidão de irracionalidade. A verdade desaparece assim em meio a um mar de mentiras. Um governo por exemplo pode criar e soltar as mais bizarras teorias da conspiração para ocultar a conspiração verdadeira tornando-se impossível distinguir o certo do errado. Os estorvadores causam a alienação pelo excesso de informação.

 

Questionamento meditativo:

“As coisas que consum, defendo, e acredito colaboram com minha verdadeira vontade?”

 

Túneis:

 

16 (II-IV) Uriens (Sectarismo)

Sombra do Hierofante

O enxame de lixo de Gkogiel  encontra a ganância de  Gma’Asheklah e dá origem ao túnel do sectarismo.  Em pequena escala aqui nascem as panelinhas, mas nas grandes corporações gera círculos internos dentro de círculos internos e eventualmente no surgimento de dissidências concorrentes.

 

15 (II-VI) Hemetherith (Loucura)

Sombra da Estrela

O ego inflado em Thagirion dá a luz a todo tipo de extravagância que reforça seu poder e caráter único distanciando-o das demais pessoas. Desvirtuada da verdadeira vontade quando mais poder, mais loucura ao ponto de não haver diferença entre o poder supremo e a loucura completa.

 

14 (II-III) Dagdagiel (Corrupção)

Sombra da Imperatriz

Ação dos ocultadores e dos estorvadores dão origem a corrupção em seu sentido mais abstrato, de essência estragada, ou core (núcleo), rupto (rompido). Se estabelece uma versão invertida do lema caoista e então “Nada é permitido e tudo é verdadeiro”. Daqui o erro se multiplica de forma virulenta para todos os outros túneis abaixo como uma herança maldita, um pecado original e um câncer fora de controle que cresce até consumir tudo, incluindo a si mesmo.

 

I – Thaumiel (O Gêmeo de Deus)

Sombra de Kether.

Conceito chave: Destruição

Ficção distópica: H.P. Lovecraft

Toda perversão vista nas outras sombras e que causam a escravidão ao desembocar em Nahema podem ser rastreadas até essa qlipha que essencialmente fala da essência do mal sendo causada por um ato de vontade externo ao sistema em uma intenção de destruí-lo. Essa é a única explicação possível para a existência da arte da morte, pois ela existe em uma constante situação de auto-destruição com diversos sistemas de opressão concorrendo uns com os outros e  se destruindo mutuamente. Segundo a tradição da cabala sepharadita, por exemplo, entidades de fora do nosso sistema solar, não podendo participar da criação de nosso mundo lançaram no coração humano suas sementes de corrupção e essas sementes por sua vez destroem toda a árvore da vida, de dentro para fora. Esses seres anti-cósmicos são retratados também nos mitos de H.P Lovecraft que fala de deuses extraterrenos completamente fora de nossa realidade, sem qualquer interesse humano e capazes de destruir tudo o que existe.

 

Questionamento meditativo:

 

“Eu mesmo colaboro com a escravidão e opressão de outras pessoas?”

 

Túneis

 

13 (I-IV) Gargoprias (Traição)

Sombra do Sacerdotiza

O agente externo é o verdadeiro manipulador que puxa os cordões de quem puxa o cordão. Ele promete o domínio completo da árvore ao mesmo tempo que estimula sua destruição, o resultado não poderia ser outro senão a traição. O ego pensa estar traindo o mundo quando na verdade está sendo traído e colaborando com sua aniquilação final.

 

12 (I-III) Barachial (Feitiçaria)

Sombra do Mago

As sementes do mal de Thaumiel podem corromper mais facilmente o sistema quando existe dentro dele um agente colaborador. A figura do mago negro como alguém que usa a feitiçaria de um poder sombrio superior é fácil de visualizar e representa bem este túnel, mas em outras escalas a feitiçaria está presente em qualquer ato intencional e consciente de maldade. Esse agente entende que a árvore da morte não pode ser mantida por muito tempo e, decidido a tirar o maior proveito possível antes da destruição final, opta pelo mal.

 

11 (I-II) Amprodias (Suicídio)

Sombra do Louco

O terceiro túnel que liga a Thaumiel é o daquelas pessoas que, entendendo que a árvore da morte é por si só decadente e que esconde em sua própria estrutura a essência de sua destruição, não vê outra solução senão destruir a si mesmo em antecipação da destruição do todo. Essas pessoas também optam pelo mal, mas levam seu ódio ao cosmos a última consequência acabando com sua própria vida numa tentativa de escapar do sistema.

 

Considerações finais

 

Embora essas explicações possam dar a entender que a Árvore da Morte só existe em grandes instituições, seitas e organizações, devemos considerar que o aspecto sombrio pode estar presente em qualquer manifestação. Mesmo uma relação a dois pode ser qliphotica. Ainda mais, é possível e bastante comum sabotarmos nós mesmos e assim fazemos sempre que nos desvirtuamos do caminho de nossa verdadeira vontade.

 

Rápidas Análises Qliphotica

Com base no que foi passado tentamos estruturar duas árvores da morte para servirem de comparação.

Este primeiro exemplo foi escolhido para mostrar como é muito fácil ver os mecanismos de escravização dos outros, particularmente um tão reforçado atualmente como a alemanha nazista. Por outro lado o atual sistema ocidental também tem um viés escravizador que muitas vezes passa despercebido.

Qlipha Terceiro Reich Ocidente
I. Thaumiel Mönch mit dem grünen Handschuh
(O monge da luva verde)
Elite Oculta (?)
(“Illuminati”, “sionistas”, “reptilianos”, etc..)
II. Ghogiel Contrainformação e Naziesoterismo
(Heinrich Himmler, Der Stürmer, Julios Evola, Savitri Devi Mukherji,
Karl Maria Wiligut)
Grande Mídia
(Thomson-Reuters, Time-Warner, News Corporation)
III. Satariel Gestapo
(Walter Schellenberg, Espionagem, Bücherverbrennung)
G8
(NSA, CIA, MI6, GCHQ, etc…)
IV. Gma’Asheklah Fascismo

(Lebensraum, Dr. Hjalmar Schacht )

Indústria Petroquímica
(Exxon Mobil, Chevron, Bayer, Basf, etc…)
V. Golachab Militarismo
(Invasões, Präventivkrieg, Holocausto, Einsatzgruppen)
Indústria Bélica
(Lockheed Martin, Constellis Holdings, Boeing, etc…)
VI. Thagirion Adolf Hitler

(Führerprinzip, Gleichschaltung)

Elite Financeira
Bilderberg Group, Fórum Econômico Mundial, etc…)
VII. A’arab’zmak Propaganda e Totalitarismo

(Lebensorn, Joseph Goebbels)

Show business e Politicamente correto
(Comcast, Disney, Sony, Viacom, etc..)
VIII. Samael Filosofia e Ciência Nazista
(Nietzschismo, Darwinismo Social, Eugenia,  Racismo, Joseph Mengele)
Controle da Informação
(Silicon valley: Google, Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, etc..)
IX. Gamaliel Ideal Nazista

(Volksgemeinschaft, Herrenvolk, Richard Wagner, Leni Riefenstahl, Albert Speer)

American Way of Life
X. Nahema Povo Alemão Consumismo Global

A segunda análise traz duas aproximações genérica para facilitar o reconhecimento de uma natureza Qliphotica em cultos e organizações políticas. O primeiro caso é um bom exemplo de árvore da morte de ação particular, e o segundo de ação coletiva, embora é claro uma coisa afete a outra. Note que em ambos os casos em Thaumiel temos alguém que sobrevive ao desmoronamento de toda estrutura e que pode facilmente fundar outro grupo para reiniciar o processo de vampirização. Outro ponto interessante é que nestes exemplos fica clara a natureza fractal destas estruturas. Assim com a árvore da vida cada qlipha tem dentro de si uma mini árvore da morte. Dentro da Gestapo certamente os membros e subdivisões se organizam de modo semelhante, assim como o Politicamente Correto que rege o que é ou não pecado no mundo moderno tem expressões em todas as outras Qliphas.

Qlipha Grupos Religiosos Grupos Políticos
I. Thaumiel Alta hierarquia Alta Cúpula
II. Ghogiel Boataria Desinformação
III. Satariel Tabus Censura
IV. Gma’Asheklah Lavagem de Dinheiro Lobismo
V. Golachab Repressão Militancia agressiva
VI. Thagirion Líder do Culto Caudilhismo
VII. A’arab’zarak Monopólio Social Pão e Circo
VIII. Samael Doutrinação Propaganda
IX. Gamaliel Promessas da fé Ideologia
X. Nahema Cultistas Eleitores

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/arvore-qliphotica-seu-mapa-de-fuga-da-prisao/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/arvore-qliphotica-seu-mapa-de-fuga-da-prisao/

Cria em mim, ó Deus, um coração puro – Parte 2 de 2

Esperamos que durante esta pausa de dois meses todos tenham aproveitado para ler as demais colunas deste portal, apanhar um ou mais livros que estavam aguardando na fila de leitura ou simplesmente caminhar por aí e conhecer novas pessoas e novos eventos. Todos os homens devem morrer, mas antes, deve-se viver.

Em novembro do ano passado, apresentamos a primeira parte deste artigo sobre a Sexta Virtude, a Pureza, tão importante para os jovens em formação. Depois de um certo ponto, é muito complicado retificar e limpar aquilo que foi poluído por anos e, infelizmente, como não se deve colocar vinho novo em odres velhos, com o risco de perder tanto o vinho quanto os odres, a atitude pura já não pode mais se manifestar em quem não só vive neste mundo, mas tornou-se parte dele.

Foi com propósito que o autor da nossa ritualística, o Dad Frank Marshall, jamais escreveu um guia oficial explicando todas as palavras dos nossos trabalhos – desta forma, cada DeMolay poderia refletir e discutir com seus Irmãos, aplicando aquelas lições em sua vida diária e conhecendo-as pela prática reiterada nas Reuniões e fora delas.

Seria, de qualquer forma, completamente irreal um “manual de como ser um DeMolay”. A sociedade muda com o passar das décadas e cada país e estado é completamente diverso do próprio vizinho. Se um DeMolay conhecer de verdade seu juramento e suas Virtudes através do Ritual, deverá ser capaz de agir como se espera dele.

Isto não quer dizer que os DeMolays não devam escrever materiais sobre os ensinamentos da Ordem. Apenas que não devem colocar suas ideias como absolutas e incontestáveis. Este, contudo, é o assunto de um artigo posterior, sendo mencionado para que todos compreendam que definir a “atitude pura” que todo Iniciado deve ter não pode ser feito em dois ou três parágrafos, mas que as diretrizes gerais podem ser lançadas.

Ser puro, então, é agir livre de malícia e de segundas e terceiras intenções. Como explicitado na primeira parte, pureza é diferente de ingenuidade e de inocência. É uma atitude consciente, uma escolha resoluta de ser verdadeiro nas palavras, nos gestos e nos pensamentos.

Com o estímulo contínuo à busca do poder e do prazer, é difícil encontrar candidatos à Iniciação que já não se vejam lutando justamente para se manter no caminho desse ideal. Esmagado entre o clamor hipócrita pela “moral da família e dos bons costumes” e o incentivo ao orgulho de ser dissoluto, o jovem deve tomar cuidado para não justificar seus desvios com argumentos falaciosos.

É esta Virtude, aliás, que deve nortear os relacionamentos dos DeMolays. Com sua família, deve ser um bom filho, vendo em seus pais e irmãos zeladores e companheiros de jornada. Com seus amigos, deve forjar laços de intimidade reforçados não por hábitos em comum ou frequência nas mesmas mesas de bar, mas por pensamentos e desejos igualmente bem direcionados. Por fim, o amor nunca se desenvolverá sobre solo traiçoeiro e fantasioso – aliás, quem não for puro com aquele que ama jamais descobrirá que o amor evolui e se transforma continuamente.

Uma última observação é que a Pureza, por si só, não é atributo unicamente do justo. Todas as ações sob seu prisma são genuínas, mas como muito bem ensinado pelo Príncipe Vegeta, um coração pode ser puro de maldade.

O Rei Davi, ao cantar seus Salmos pelos ares, suplicou muitas coisas a YHWH. Ele pediu justiça e consolo, amor e confiança, fidelidade e realização. Rogou também por um coração puro e o espírito de firmeza para mantê-lo no Salmo L.

Este Salmo que corresponde à quarta-feira, o dia de Mercúrio, no Enchiridion do Papa Leão III, é chamado de “Prece de um Coração Contrito”. Nele, Davi diz que não pode se apresentar diante de Deus como um homem sem faltas e sem iniquidade. Mais importante do que isso, ele reconhece que toda vez que pecou ou fez algo ruim, foi contra Deus que agiu. Mais tarde, essas palavras serão ecoadas por Jesus: “cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes”.

A Pureza, portanto, se relaciona à Reverência pelas Coisas Sagradas, a Segunda Virtude, muito diretamente, embora esta ligação não seja óbvia. Ao ser maldoso ou cruel com qualquer outra pessoa, mesmo em pensamento, a falta é cometida contra a fagulha divina presente em todos os seres.

O Rei Davi ainda lembra que a Deus não interessa sacrifícios rituais – palavras da boca pra fora, ofertas de dinheiro por obrigação ou com intenções ocultas, fazer o que deve ser feito com a mente e o coração em outro lugar. O verdadeiro sacrifício é o coração contrito, a percepção do erro e o desejo de fazer melhor com o auxílio divino.

Para manter essa decisão, é necessário o espírito de firmeza. Apenas chegar no final do dia e pedir desculpas por todos os erros e acreditar que magicamente amanhã você será melhor é tolice. Ao fim dos trabalhos, ao revisar suas ações, você deve identificar claramente onde errou e se resolver a não falhar novamente naquilo.

Por conta desses atributos a forma como o DeMolay se porta durante as reuniões do Capítulo é tão importante. Como se fosse um microcosmo, cada palavra dita ali se verá refletida no macrocosmo do dia-a-dia… mas este também é assunto de uma próxima coluna.

Hugo Lima é Sênior DeMolay do Capítulo Imperial de Petrópolis, nº 470.

Virtude Cardeal é uma coluna com o propósito de desenvolver a reflexão sobre características fundamentais de todo DeMolay, bem como apresentar a Ordem aos olhos dos forasteiros.

#Demolay #VirtudeCardeal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cria-em-mim-%C3%B3-deus-um-cora%C3%A7%C3%A3o-puro-parte-2-de-2

Deus e o Diabo Estão na Sua Cabeça

Por Adriano Camargo Monteiro

“Meu sistema nervoso é meu único deus”.

Isso pode ser uma metáfora, ou pode ser literal…

Experiências não dependem de crenças, mas as crenças muitas vezes surgem das experiências. As experiências são interpretadas conforme a crença de cada um, conforme o “filtro” psicossocial-religioso de cada indivíduo, e podem ser tão reais como sentir o sabor de uma comida. O indivíduo sente e experimenta, e isso é real para ele; a experiência em si, puramente, nada tem a ver com religião; a religião é o “mau” filtro que a interpreta.

Experiências são experiências, e são sentidas e vivenciadas, trazendo sensações físicas, mentais e emocionais que podem ser intensas ou fracas. É preciso entender que dogmas científicos nada têm a ver com a experiência individual em si, assim como a religião também não; é a religião do indivíduo que reveste experiências ocorridas em nível mental/espiritual com interpretações religiosas (muitas vezes pessoais e tendenciosas). Isso não acontece com indivíduos sem vínculos religiosos e dogmáticos.

“Meu sistema nervoso é o único diabo”. O sistema nervoso pode trazer prazer ou dor como experiências e verdades individuais. Podem estar no sistema cérebro-espinhal a origem do céu e do inferno, dependendo da experiência e dos estados alterados em variados graus por variados meios, tais como ingestão de substâncias psicoativas, disciplina físico-mental, meditações, rituais, exercícios físicos extremos, privações (e “provações”) extremas, etc. O inferno não existe (ou existe, se as pessoas quiserem acreditar numa ilusão forjada). “Inferno” quer dizer “o que está embaixo”, “inferior”. E, de fato, aquilo que é inferior depende muito do referencial e do ponto de vista de cada um, com suas devidas justificativas, idiossincrasias e discernimento. O “inferno” de uma pessoa pode ser considerado um paraíso para outra. Mas, muitas vezes, quase tudo é o inferno e o Diabo para o “religioso” fundamentalista.

Contudo, é óbvio que nem todo mundo quer experimentar coisas novas ou diferentes em seu próprio cérebro, mente e espírito, por motivos diversos (tabus; preconceitos; desinformação; receios; medo do desconhecido, sendo o desconhecido o próprio indivíduo para ele mesmo; etc.) Mas o fato de que céticos tenham medo, receio ou preconceito com experiências cerebrais (mentais e emocionais) não muda o fato de que tais experiências existem como experiências em si, sejam elas chamadas de fantasias, alucinações ou fenômenos religiosos e místicos. A experiência existe e pronto; nem a ciência nem a religião mudam esse fato. Nada do que a ciência (e a religão) diz sobre isso, importa para o indivíduo psiconauta; não importam teorias científicas nem dogmas religiosos. Muitos pseudocientistas apenas teorizam e repetem teorias de outros sem ao menos fazer uma pesquisa em si mesmos, experimentando no próprio sistema nervoso a experiência “transcendental” (que transcende o comum e o corrente, o banal e o conveniente). Então, são apenas teorias para categorizar e classificar fenômenos cerebrais. E a real experiência com o assunto? Não há.

É importante ter em mente que somente as experiências deveriam valorizar e validar qualquer opinião. Além disso, a única coisa que importa para um indivíduo é a experiência que ele vivencia. E é importante apenas para ele, não para o mundo, nem para a humanidade, nem para a ciência ou para a religião; a experiência é importante para quem a experimenta. E, desde que o indivíduo não queira impor à força crenças e dogmas baseados em sua experiência, ou criar religiões doentias, não importam também as interpretações que ele tenha de sua experiência. As teorias científicas nesse caso nada importam porque elas não mudam os fatos nem apagam as experiências individuais. Nossa visão, audição, olfato, etc., funcionam, obviamente, porque temos cérebro. Outras experiências também ocorrem por causa do cérebro, experiências que não são comuns e correntes porque o cérebro é “alterado” em seu funcionamento. Nada de sobrenatural. São apenas experiências que não ocorrem normalmente porque o cérebro também está condicionado ao comum e corrente, ao banal da vida cotidiana e ao normal das percepções dos sentidos. Mas quando o cérebro é alterado, o indivíduo experimenta outras sensações, outros sentidos além dos sentidos comuns, emoções não habituais, novas percepções, novos conhecimentos, etc.

Exemplos sobre experiências individuais podem ser qualquer coisa. Alguém pode ter uma experiência maravilhosa numa viagem (ou em qualquer outra coisa) e contar a outro como foi. O outro jamais vai saber como é a experiência se não fizer essa viagem, sendo que ainda poderá experimentar sensações diferentes nessa mesma viagem, ou ainda não sentir nada e achar que a pessoa está inventando, exagerando ou mentindo sobre sua experiência. Como alguém pode dizer que sua experiência mental e emocional é falsa, que é uma fantasia, só porque outros não tiveram a mesma experiência? Como pode desvalidar a experiência emocional, física e mental só porque outros não vivenciaram as mesmas coisas? Como pode dizer que a pessoa está inventando e que sua experiência não pode ser comprovada em laboratório como fato incontestável para a humanidade? Esse é o ponto da questão. Ninguém pode contestar a experiência de ninguém porquer ela é unicamente individual, pessoal e intransferível, vivenciada por um indivíduo, e que jamais outra pessoa (seja cientista, crente, descrente, etc.) poderá sentir, ou talvez chegar próximo. É uma verdade individual incontestável, e não alienações coletivas impostas à força ou sob ameaças dogmáticas.

Assim são as experiências que ocorrem no cérebro/mente/espírito (como queira chamar) de cada indivíduo. Sim, espírito. Porque o espírito autoconsciente pode ser considerado a contraparte invisível de um cérebro potencializado e totalmente em atividade, funcionando em toda a sua capacidade, além do cotidiano, muitas vezes medíocre. Mas, apesar de tudo, é claro que ninguém é obrigado a experimentar nada mais além. Porém, negar que experiências individuais existam seria tão fanático e dogmático quanto qualquer postura fundamentalista e intransigente. Há fanatismo entre ateus e há fanatismo na religião, especialmente quando, em certos assuntos, somente há teorias sem a experiência pessoal no próprio sistema nervoso e quando ditam regras e lançam anátemas.

Nem a ciência nem a religião podem ditar “regras” sobre experiências individuais; nem a religião nem a ciência podem cercear a natureza humana nem regrar dogmaticamente vontades e desejos. Esse é o ponto. Além disso, a ciência (com toda a sua inegável utilidade) e a religião servem ao sistema (sociopolítico-econômico), que busca impedir que as pessoas tenham experiências diferentes do comum e impedir que busquem expandir a consciência; o sistema obviamente faz de tudo para desestimular e desacreditar tais experiências e disseminar ideias preconceituosas nas massas controladas por interesses políticos, por dogmas e tabus sociorreligiosos e por teorias cientificistas total ou parcialmente impostas, por vezes sutilmente. O cérebro humano é muito limitado em seu estado “normal”, podendo ter suas atividades potencializadas e expandidas. Mas isso parece não ser interessante para o sistema sociopolítico-religioso.

Muitas pessoas ao redor do mundo, pessoas de extremo senso comum e completamente desinformadas, criticam depreciativamente a busca por experiências, a busca pelo prazer e a busca pela expansão da consciência que são empreendidas por diversos meios, tais como aqueles já mencionados (substâncias, rituais, práticas físicas e mentais, etc.). Por outro lado, milhões de pessoas têm cometido os piores desatinos, as piores barbaridades e atrocidades sem estar sob o efeito de coisa alguma. Milhões de pessoas causam acidentes, matam, roubam, humilham umas as outras, sofrem e fazem sofrer sem estar sob o efeito de nada mais que sua própria ignorância, miséria interior e degradação, o que nem a ciência nem a religião podem “curar”. Milhões sofrem de problemas psicológicos, traumas, complexos, manias, psicoses profundas, sem ao menos beberem álcool (sendo o álcool a droga da hipocrisia que rende ao sistema milhões em dinheiro enquanto milhões de pessoas fracas são aprisionadas pelo vício). Milhares enlouquecem e se matam após voltar dos horrores da guerra (uma coisa “normal”, comum e corrente!), sem saber sequer da existência de meios que alteram a consciência (sadia e positivamente). O mundo é louco e ninguém é normal nem está completamente em sua sanidade, como as pessoas supõem.

É preciso ter a mente aberta e discernimento. O fanatismo pode existir em todos os lugares: na religião, na ciência, no entretenimento, no lar… O preconceito também existe em todos os lugares: na religião, na ciência, na sociedade, nas famílias, etc… É interessante para o sistema que as pessoas não conheçam nada além do comum e corrente, nada além do que é oferecido sob controle e com a marca da restrição. As informações mais interessantes talvez não estejam abertamente disponíveis para as massas, não são divulgadas porque é interessante para o sistema que as pessoas não saibam e não avancem. Mas, afinal, nem todo mundo está preparado para mais, para o “desconhecido”, para conhecer a si mesmo. A ciência, a religião e a cultura divulgam informações (e desinformações) controladas, difundem apenas o que eles querem que as pessoas saibam, divulgam aquilo que serve para desestimular as pessoas de buscarem mais, de experimentarem mais, de irem além dos limites que o sistema impõe, disseminando o medo, o cisma e os preconceitos científicos, religiosos e sociais. Isso tudo parece evidente.

Muitas teorias não mudam os fatos e, nesses assuntos, não levam a nada. Certas teorias apenas desestimulam a busca pela experiência, pois as pessoas meramente dizem crer e evitam experimentar. E aqueles indivíduos inteligentes, de mente livre e discernimento não pretendem impor suas experiências ao mundo nem mudar as massas cegas. Afinal, o sistema já tem a sociedade no cabresto, já estabeleceram a conveniência e o que as pessoas devem fazer e o que devem pensar.

Passar a vida preso a limitações cotidianas e banais, para muitas pessoas é algo muito triste, deprimente e desestimulante; a vida sempre pode ser mais do que o comum e corrente. E muitos felizmente estão contra essa corrente limitadora, contra a “moral”, como dizem, e subvertem os paradigmas usuais e condicionados. Muitos não se contentam com essas limitações, com tantas regras inúteis e proibições pseudomorais baseadas em interesse sociopolítico e dominação religiosa, difundidas por meio de desinformações e preconceitos, “blasfemando” o deus/diabo cerebral individual com suas próprias verdades.

Lembre-se de que Deus e o Diabo estão na sua cabeça. Um faz se passar pelo outro e você, mesmo que não perceba, faz se passar pelos dois!

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/deus-e-o-diabo-est%C3%A3o-na-sua-cabe%C3%A7a

A arte de Kiotomi – 木偶厭魅の術

Por Robson Bélli

Kiyomi é uma magia negra comum que usa bonecas de madeira para amaldiçoar as pessoas, mas na China, o uso de madeira como material para bonecas era frequentemente destinado a indivíduos específicos. Mokugu Uenmi, que era usado principalmente para amaldiçoar um indivíduo específico.

Bonecos de madeira são parte integrante da magia negra chinesa, que usa bonecos de madeira para amaldiçoar as pessoas. Na China, como em outras partes do mundo, a magia das marionetes é praticada há muito tempo. Existem muitos materiais possíveis para estas bonecas, mas a tendência geral é que as bonecas de madeira sejam frequentemente usadas para amaldiçoar e matar certos indivíduos. Além disso, mas não podia ser de qualquer madeira deveria ser de paulownia (sim este é o nome mesmo!).

Os procedimentos e rituais detalhados da maldição variam de acordo com a região, mas a ideia básica era esculpir em madeira de paulownia em forma humana e enterrá-la no solo (sepultando a vitima). Além disso, se houvesse muito rancor envolvido, deveria se amarrar o boneco e pregar um prego nele (no lugar referente ao seu coração).

Agora, vamos dar uma olhada no método de fascinação com figuras de madeira descrito na literatura chinesa antiga. Kenko Koshu Esta é uma história no livro “Kankyo Hiroshu” de um escritor da dinastia Qing. De acordo com ele, a certa altura, uma pessoa chamada Han Zhuangyuan na província de Zhejiang invadiu a terra da casa do vizinho, e estes por sua vez queriam fazer algo a respeito, mas o estado não o apoiava. Então descobriram um feiticeiro que poderia ajuda-los a obter sua vingança de maneira secreta, imediatamente a família foi a este feiticeiro e pagaram uma enorme quantia de dinheiro. Este então por sua vez foi para fora e voltou com um pedaço de madeira e passou sete dias e sete noites cantando uma formula magica secreta enquanto esculpia o boneco de sete polegadas. Então, ele escreveu a data de nascimento de Zhuangyuan na boneca e a colocou no chão. Então, enquanto lançava um feitiço pediu que se desse marteladas de cima para baixo no boneco até que afunda-se uma polegada por noite, o ritual se seguiu por sete noites até que o boneco estivesse todo embaixo da terra, quando o boneco penetrou sua ultima polegada na terra a pessoa de Zhuangyuan morreu. Sem ar e com fortes dores de cabeça.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/a-arte-de-kiotomi-%e6%9c%a8%e5%81%b6%e5%8e%ad%e9%ad%85%e3%81%ae%e8%a1%93/

O Sexto Deus

Era um planeta minúsculo, não mais do que 100 km quadrados, a vagar em torno de alguma estrela de alguma galáxia do universo. Mas os deuses que o habitavam não se importavam com o restante do cosmos, estavam bem atribulados com suas existências imortais. Nesse distinto mundo, contavam-se ao todo seis deuses:

O primeiro deus era o Legislador. Era quem determinava as relações entre os demais deuses, cuidando para que ninguém fosse injustiçado. Ele recebia um imposto dos demais por seu trabalho, de acordo com as condições de cada um.

O segundo deus era o Lorde. Foi quem primeiro descobriu a única mina de ouro que existia em seu planetóide, e portanto a proclamou como sua posse. Era com o ouro do Lorde que a economia girava, e obviamente ele ficava com a maior parte dele (“para o caso de alguma crise”, explicava).

O terceiro deus era o Mercador. Era o responsável pelo giro financeiro do mundo. Através dele todos os outros deuses podiam comprar e vender mercadorias, de modo que todos ficavam satisfeitos de poder fazer alguma coisa com o ouro que recebiam. O Mercador sobrevivia da taxação de todas as transações comerciais. Muitos diziam que ele certamente teria mais ouro que o próprio Lorde, embora ninguém soubesse onde o escondia…

O quarto deus era o Minerador. Foi quem primeiro descobriu as técnicas para se extrair o ouro da terra, a convite do Lorde. Desde então trabalhou incansavelmente para extrair a maior quantidade de ouro possível, visto que seu pagamento equivalia a uma percentagem do que conseguia extrair. Obviamente que a maior parte ficava com o próprio Lorde.

O quinto deus era o Agricultor. Era ele quem conhecia os segredos das plantações de árvores frutíferas, folhas e legumes em geral. Apesar de imortais, todos os deuses precisavam comer para se manterem saudáveis. Estranhamente, o Agricultor era quem recebia menos ouro pelo seu trabalho, já que quase todos os outros deuses (menos o sexto) valorizavam mais o ouro do que a própria saúde. Dessa forma as frutas e verduras eram vendidas por preços ínfimos.

O sexto deus era o Sábio. Ele se recusava a trabalhar para outros deuses, e como era amigo do Agricultor, aprendeu com ele o necessário para plantar as próprias sementes. Tirando seu amigo, todos os outros deuses eram inimigos do Sábio: O Legislador não gostava dele porque quase nunca tinha qualquer imposto a pagar (já que não tinha renda alguma); O Lorde o ignorava solenemente porque abominava seu discurso de que “o ouro não é tão importante quanto à sabedoria”; O Mercador o tratava como um reles mendigo porque nunca tinha ouro suficiente para comprar qualquer mercadoria; Já o Minerador nunca havia compreendido como o Sábio podia viver sem o fascínio pelo ouro.

Então veio uma catástrofe mundial: o ouro que havia na montanha do Lorde acabou! Não havia mais nada para se extrair, e o ouro que já havia sido extraído estava adornando as mansões e os cofres secretos dos deuses mais abastados… Mas não havia mais como pagar pelos trabalhos do Minerador ou pelas frutas e verduras do Agricultor!

De um dia para o outro, todos eram tão mendigos quanto o Sábio. Porém, ao contrário do sexto deus, que dedicou sua imortalidade a estudar a si mesmo, eles haviam relegado a existência ao estudo do ouro, e de tudo que ele podia comprar e adornar – tudo que de nada mais serviria a eles…

Após confabularem entre si, para evitar um colapso mundial de seu sistema de existência, foram humildemente pedir conselho ao sexto deus, que fora chamado a fazenda de seu amigo Agricultor. O Legislador falou por todos:

“Sabes que sou responsável por manter nosso sistema justo para todos. Sempre me pareceu que o sistema de mérito pelo trabalho era o mais adequado, e que todo mérito deveria ser pago em ouro… Mas o ouro acabou e não sabemos mais com o que pagar nossos irmãos. Tu sempre fostes alienado de nosso sistema, nunca concordou com ele. Por isso viemos lhe pedir conselho sobre o que fazer agora. Acaso durante todo esse tempo tendes pensado em um novo sistema para o mundo? Acaso havia previsto que o ouro acabaria?”

“Eu nunca previ que o ouro acabaria, mas fico satisfeito que finalmente acabou. Tu dizes que eu era contra o sistema de mérito, mas não é verdade: sou contra o pagamento em ouro. Durante todo esse tempo tenho pensado numa melhor forma de pagar pelo mérito alheio.” – Respondeu o Sábio.

“E achastes uma forma melhor?” – Prosseguiu aflito o Mercador.

“Não. Mas o que importa é que tenho sobrevivido esse tempo todo sem participar do sistema de vocês graças ao que o Agricultor me ensinou. E ele não me ensinou apenas a plantar sementes… Ensinou também a plantar amizades. Não tenho, depois de todo esse tempo, uma resposta simples para nosso sistema futuro. Mas tenho uma resposta simples para o que me manteve contente e mentalmente produtivo durante todos esses ciclos: sementes e amizade.”

raph’09

» Veja também em meu blog a continuação deste conto, “O sétimo deus” (obrigado a Mariana e a todos que comentaram abaixo, as vezes comentários se refletem e viram novas histórias…)

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Crédito da imagem: Divânia

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