Do Rito de Heredon ao Rito Escocês

Continuando a série histórica do final dos Templários ao início da Maçonaria, apresento um trabalho feito pelo irmão Mourice Joton, apresentado em 1923 a respeito da fusão do que se conhece como Rito de Heredon, da Antiga Ordem Escocesa templária, à Ordem de Maçons Livres de Kilwinning, dando origem ao embrião que em 1717 seria oficializado como o que conhecemos hoje como “Maçonaria”.

A influência das Cruzadas devia fazer-se sentir, não só entre os artífices mas ainda entre os nobres que também conheceram na Palestina, formas de associações novas e, uma vez de volta a Europa constituíram Ordens, semelhantes às do Oriente, nas quais admitiram logo outros iniciados. É assim que em 1196, fundou-se na Escócia a “Ordem dos Cavaleiros do Oriente”, cujos membros tinham como ornamento uma cruz entrelaçada por quatro rosas.

Essa Ordem foi trazida da Terra Santa no ano de 1188 da Era Cristã, da qual o rei Eduardo I da Inglaterra, (1239-1307), veio a fazer parte dela. Um século após a fundação da Ordem dos Cavaleiros do Oriente, ou seja pelo ano de 1300, em seguida a última Cruzada em que também tomara parte o rei de uma Ordem estabelecida no Monte Moria, na Palestina (lugar escolhido por Salomão para a construção do seu Templo), fundaram um Capítulo dessa mesma Ordem, fixando-lhe a sede dos Hébridas, e mais tarde em Kilwinning, denominando essa Ordem de “Ordem de Heredon” (lembramos que a palavra “Heredon” e composta de “hieros”- santo e “domos”- casa, portanto Casa Santa ou Templo).

Alguns anos mais tarde, no começo do século XIV, o papa Clemente V e o rei da França, Felipe o Belo, iniciaram sua obra nefasta de perseguição contra os Templários.

Para se compreender o papel que a Ordem do Templo desempenhou na Maçonaria Escocesa é necessário resumir sua história.

A Ordem do Templo foi fundada após a primeira Cruzada, por Godofredo de Bouillon, Hugues de Payens e Godofredo de Saint-Omar, com o fito de proteger os peregrinos que de Jerusalém se dirigiam ao lago de Tiberiade. Associados em 1118, à outras sete Cavaleiros, os Templários fizeram seu quartel numa casa vizinha ao terreno do Templo de Jerusalém. Dez anos mais tarde receberam do papa, os estatutos que os constituíram em Ordem, ao mesmo tempo Religiosa e Militar.

Em breve essa Ordem tomou um desenvolvimento considerável, que no século XII, possuía nove mil residências na Europa. No século XIV, contava com mais de vinte mil membros. Apesar do seu poder e da sua riqueza, o mistério que os Templários cercavam as reuniões de seu Capítulo e de suas iniciações e, prestava-se as acusações de impiedade e de crueldade que o vulgo em todos os tempos proferiu contra as associações secretas.

Consciente de uma impopularidade crescente o Grão-Mestre Jacques de Molay pediu ao papa Clemente V, em 1306, a abertura de um inquérito, mas este contentou-se a convidar Molay a ir a Avignon, na França, onde, por força de circunstâncias adversas estava, provisoriamente instalado o papado.

Por outro lado o rei da França tinha mais do que nunca necessidade de dinheiro, e para resolver esta dificuldade valia-se dos Templários que lhe emprestavam elevadas somas. Ora, naquele tempo, quando alguém queria se desembaraçar de uma dívida, o meio mais simples era desembaraçar-se do credor. Foi por isso que em setembro de 1307, todos os oficiais do rei receberam instruções mais que misteriosas, sendo que a 12 de setembro do mesmo ano Molay era preso no Templo, ao mesmo tempo que outros membros da Ordem também o eram, em todos os pontos da França. No mesmo dia todos foram levados perante inquisitores, que os acusaram dos mais abomináveis crimes, e como não podiam confessar um crime que não cometeram, foram levados a tortura. Disse um deles a seus juizes: – Fui de tal modo torturado, atormentado, exposto a força que as carnes dos meus calcanhares foram consumidas, que os ossos caíram poucos dias depois.

O Rei, Felipe o Belo, apresou-se em fazer mão baixa no tesouro da Ordem, depositado no Templo de Paris. O concílio que deveria julgar os Templários reuniu-se em Viena, no Delfinado à 13 de outubro de 1311, onde ninguém foi citado para defender-se. Porém diante da resistência do concílio em julgar tal iniquidade, o papa, Clemente V, cassou a autoridade da Ordem do Templo em 12 de abril de 1312, quando os concílios de Ravena, Salamanca e Moguncia tinham absolvido os Templários, sendo estes levados a sua presença.

A supressão da Ordem dos Templários teve seu epílogo em 1313. O papa reservara para si o julgamento do Grão-Mestre e dos dignitários presos a sete anos, nas masmorras de Felipe o Belo. A 18 de março de 1313 todos se retrataram e na noite daquele mesmo dia todos pereceram nas fogueiras, que com antecedência haviam sido preparadas. Prevaleceu a força e o interesse sobre a justiça. A última frase de Jacques de Molay foi: – “Spes mea in Deo est”.

Esta frase tornou-se uma divisa para o Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

É muito provável que os sobreviventes da Ordem dos Templários, anatematizados pela igreja, tenham então procurado agrupar-se de novo em outras associações, em especial a Ordem Cavalheiresca de Heredom, ou ao Grande Capítulo de Kilwinning. Entretanto desde que começaram as perseguições na França, vários templários escaparam, fugindo para a Escócia, e alistaram-se sob a bandeira do Rei Roberto I, que criou a 24 de junho de 1334, a “Ordem do Cardo”, em favor dos maçons e dos Templários que haviam contribuído para o sucesso de suas armas em Bannock-Bum, na qual as recepções eram semelhantes as da Ordem do Templo.

Parece pois que, o rei da Inglaterra quis recompensar os Templários, restabelecendo sua Ordem, com as suas formas, mas com outra designação. Há outro fato mais importante ainda, um ano depois, Roberto I, fez a fusão da Ordem do Cardo com a Ordem de Heredom e elevou a Loja Mãe de Kilwinning a categoria de Loja Real e, estabeleceu junto a ela o Grande Capítulo da Ordem Real de Heredon de Kilwinning e dos Cavaleiros Rosa-Cruz. Este nome de Cavaleiro Rosa Cruz aparece aqui pela primeira vez, no século XVI (antes, portanto, dos “Manifestos Rosacruzes” na Europa) fazendo, tudo supor, que não é senão outra designação da Ordem dos Cavaleiros do Oriente, cujo emblema era uma cruz enlaçada por quatro rosas.

Estes fatos históricos são de importância capital para o Escocismo e pedem mais atenção para o assunto. Verificamos em primeiro lugar, que nos séculos XII e XIII, a Maçonaria Operativa viu abrigarem-se nas sua Lojas, Ordens de Cavalaria que nenhuma relação tinham com aquela associação de ofício, e cujas iniciações, praticas, cerimônias e graus eram diferentes dos seus. Algumas dessas Ordens, se refugiavam na nova Ordem estabelecida pelo rei Roberto I, por si próprias, outras pelo beneplácito dos reis da Inglaterra, que acumulavam dos mesmos favores, à maçons e cavaleiros, em recompensa aos serviços prestados à coroa, e os agrupava em uma fraternidade, sobre a qual podiam apoiar-se, em caso de necessidade.

Uma outra constatação importante para o escocismo, é que os Templários, desde 1307, penetravam nas Lojas da Escócia, que estavam sob a égide da Ordem do Cardo, levando não obstante as cerimônias Templárias e seus graus. Estes graus junto aos outros da Ordem da Cavalaria eram conferidos pelo Grande Capítulo Real de Heredom de Kilwinning, e formavam o sistema escocês, conhecido pelo nome de Rito de Heredom ou de Perfeição. Pode-se assim explicar como, após a suspensão da Ordem do Templo, certas Ordens de Cavalaria, que haviam mantido sua influência sobre a maçonaria operativa da Escócia, acharem o meio de desenvolverem o cerimonial das iniciações dos pedreiros, num ritual completo e suscetível de incultar aos seus iniciados mais do que a simples comunicação dos segredos da arte de construir.

É também por essa época, ou seja mais de quatrocentos anos antes da constituição da Grande Loja da Inglaterra, que se viu nascer na Escócia o nome de Maçom Adotado, pelo qual entenderam os membros das Lojas que não pertenciam a profissão de pedreiros. Insistamos em que essa fusão da Maçonaria operativa com as Ordens da Cavalaria, se operou somente na Escócia, mas não na Inglaterra. Isto explica portanto, a origem escocesa dos graus, outros, que não eram conferidos pela corporação dos pedreiros de outros países – aprendiz, companheiro e mestre.

Enfim, realcemos o papel político das Ordens da Cavalaria e das Lojas da Escócia, inteiramente devotados ao rei da Inglaterra, compreenderemos então a fidelidade que a Maçonaria Escocesa defendia a causa dos destronados.

Para terminar esta parte deste trabalho, é interessante notar quais os graus que a Loja Real de Kilwinning e seu Grande Capítulo de Heredon conferiam desde o seu estabelecimento. A própria Loja trabalhava com os graus da Maçonaria operativa, ou sejam Aprendiz, Companheiro e Mestre de ofício, mas convém notar que o Grau de Mestre não existia naquela época em que os mestres não eram senão os dirigentes das Oficinas, isto é das construções, cada qual em sua profissão.

Os demais graus inspirados pelos Rosa-Cruz, foram criados no começo do século XVIII, quando o Capítulo de Heredon, conferia aos membros da Ordem dos Cavaleiros do Oriente ou Ordem dos Cavaleiros Rosa-Cruz, e a Ordem do Cordo, ou do Templo, todos os graus dessas duas Ordens. Depois de haver assim, brevemente resumido as tradições da confraria dos pedreiros e estabelecido, em conseqüência de circunstâncias, as Ordens da Cavalaria a elas se ligaram.

Convém deter-nos um instante na Ordem da Rosa-Cruz, que exerceu uma influência preponderante na transformação da Maçonaria Operativa na sua forma Simbólica, como a conhecemos hoje. Poucos historiadores se ocuparam da real origem da Rosa-Cruz, que entretanto desempenhou papel considerável nos séculos XVI e XVII. O motivo dessa abstenção, se explica pela ausência da necessária documentação história que os Rosa-Cruz não se preocuparam em guardar, pois viveram espalhados pelo mundo, conhecido então, reunindo-se uma vez por ano para transmitir, uns aos outros, os conhecimentos adquiridos, porem estes conhecimentos sempre foram transmitidos verbalmente.

A Conferência Internacional dos Cavaleiros Rosa-Cruz, realizada em Bruxelas em 1880, felizmente lançou uma nova luz sobre a história dessa Ordem.

A princípio a conjuração dos Rosa-Cruz, não foi mais do que uma afirmação da liberdade de pensar. Uma obra de apaziguamento e de tolerância. O que os Templários tinham querido fazer no seio da Igreja Romana, os Rosa-Cruz também tentaram realizar, porém ficando cautelosamente fora de qualquer afirmação confessional.

Passados quase quinhentos anos, desde que os Templários remanescentes do massacre ordenado por Clemente V, se estabeleceram na Escócia, durante os quais o Escocismo se consolidou e se espalhou pela Europa, é que vamos encontrar nos novos registros das mudanças estabelecidas no Escocismo, tal qual o conhecemos hoje. É conveniente lembrar, que o poder diretivo da Ordem não mais estava na Escócia nem na França, mas sim na Prússia, onde Frederico II, seu rei, havia efetivado profundas modificações no Escocismo, fazendo vigorar a primeira Constituição, Regulamentos e Leis normalizando o Escocismo. Uma dessas mudanças foi a de dar ao Escocismo os atuais trinta e três graus, pois até então somente tinha vinte e cinco.

As grandes Constituições de 1786 não chegaram a realizar imediatamente o fim a que se haviam proposto, e é fácil determinar a causa. Três meses depois de serem publicadas em 17 de agosto de 1786, Frederico II, seu autor, morreu. Todos que, com Frederico II, compuseram o primeiro Conselho da Ordem, reestruturada, foram obrigados a se dispersar, premidos pelo novo rei Frederico Guilherme II, que só queria a Ordem Rosa-Cruz e passou a não tolerar outra forma de Maçonaria.

Deste modo a reforma foi levada para a França, por um dos colaboradores de Frederico II, o conde D’Esterno, embaixador da França em Berlim, e um dos signatários das Grandes Constituições. D’Esterno, tentou introduzir, desde o seu regresso, o Rito Escocês Antigo e Aceito em seu país, fundando para isso um Supremo Conselho, em Paris, em cuja presidência ficou o duque de Orleans e do qual tomaram parte Chaítlon de Joinville, o Conde de Clermont-Tonnerre e o Marquês de Bercy. Este Supremo Conselho teve vida efêmera, sendo obrigado a desaparecer pelas circunstâncias revolucionárias que se estabeleceram na Franca.

Há um fato curioso à ser registrado. O Escocismo, havia sido fundado na Europa, onde adormeceu, e voltou a funcionar mais tarde, voltando da América de uma forma mais vigorosa e mais envolvente, pelas seguintes razões.

A 27 de agosto de 1761, o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente havia entregue ao Irmão Estevão Morin cujos negócios o chamavam à América, uma Patente de Grão-Mestre Inspetor, autorizando-o a “Trabalhar regularmente pelo próprio proveito e adiantamento da Arte Real e constituir Irmãos nos Sublimes Graus de Perfeição”. Morin, saindo de Paris, chegou a São Domingos onde instalou o seu gabinete, espécie de Grande Oriente para os Altos Graus no Novo Mundo. Em 1770, fundou o Conselho dos Príncipes do Real Segredo de Kingston, na Jamaica, criou muitos Inspetores Gerais, entre eles, Francken, De Grasse-Tilly, De la Hogue e Hacquest.

Ora, esses Maçons da América, pertenciam ao Rito de Perfeição, mantinham assíduas relações com o Grande Consistório de Bordeaux. Mas, como já foi dito este adormece em 1781. Desde então os novos Corpos de São Domingos e da Jamaica passam a manter relações com Berlim até a morte de Frederico II, que era tido como o Grão-Mestre Universal. É provável entretanto que não podendo mais prevalecerem-se de Atos Constitucionais emanados de uma autoridade desaparecida, aqueles maçons dirigiram-se a Berlim tendo em vista agruparem-se sob outro sistema, e ligaram-se em definitivo ao Rito constituído pelas Grandes Constituições.

A 29 de novembro de 1785, Salomão Bush, Grão-Mestre de todas as Lojas e Capítulos da América do Norte, dirige-se a Frederico II na sua qualidade de chefe supremo da Maçonaria para dar-lhe a conhecer a criação, em presença de uma grande assembléia de Irmãos, de uma “Sublime Loja” em Philadelphia, que “se submeteria as Leis e Constituições que a Ordem deve ao seu Chefe Soberano”, e exprime o desejo de que a “Grande Luz de Berlim condescenderá em iluminar a nova Loja”. Não obstante, os maçons da América trabalham até 1801 com o Rito de Perfeição, pois até aquela data o mais alto grau conhecido na América era o de Príncipe do Real Segredo, ou seja o Grau 25, na escala do Escocismo, antes da reforma estabelecido por Frederico II, que lhe acrescentou mais sete graus.

A 31 de maio do mesmo ano, foi constituída em Charleston uma nova Potência dirigente que adota as Grandes Constituições de 1786 e os trinta e três Graus nelas estabelecidas. Essa Potência que tomou o nome de “Supremo Conselho dos Grande Inspetores Gerais para os Estados Unidos da América”, foi realmente o primeiro a realizar de modo definitivo o objetivo das Grandes Constituições de Frederico II, ou seja, a primeira a praticar o Escocismo como é hoje conhecido. De Grasse-Tilly, era membro do Supremo Conselho de Charleston. Em 1802 voltou à Jamaica e fundou com De La Houge naquela cidade, um Supremo Conselho de qual foi o Mui Poderoso Soberano Grande Comendador. Em 1803, De Grasse-Tilly regressou à França onde instalou em 22 de setembro de 1804 um Supremo Conselho em Paris, com jurisdição internacional.

Assim o Rito Escocês Antigo e Aceito e o Escocismo, renasciam de suas cinzas no solo francês, de onde não mais saiu, e achava-se definitivamente constituídos sobre as bases das Grandes Constituições. Sucessivamente foram fundados outros Supremos Conselhos em muitos países da Europa e na maior parte dos da América. Estes Supremos Conselhos formam hoje o Escocismo e o Rito Escocês Antigo e Aceito, que é o Rito maçônico mais praticado no mundo (@MDD em 1923… hoje pode-se dizer que o rito de Emulação é o mais praticado no Mundo, mas o REAA ainda é o mais praticado na América do Sul/Brasil)

“Trabalho colocado em observações próprias do autor e na conferência realizada no Subl.’. Capítulo L’Amitié (Amizade) em Lousanne em 5-5-1923 pelo Ir.’. Mourice Joton, grau 30º.”

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/do-rito-de-heredon-ao-rito-escoc%C3%AAs

Interregno de eras

Há séculos o rio Tâmisa não era atravessado por uma procissão de barcos tão bela e luxuosa. Por quase todos os prédios no percurso, os súditos da rainha exibiam, orgulhosos, a bandeira da Inglaterra nas sacadas. Em seu barco real, cercada da família e em pé na maior parte do trajeto, Elizabeth II retribuía com pequenos acenos a todos que se acotovelavam as margens para celebrar o jubileu de diamante de seu reinado (em 2012): 6 décadas como rainha da Inglaterra, governante suprema da Igreja Anglicana, e comandante-em-chefe das Forças Armadas do Reino Unido.

Um pequeno grupo protestava pacificamente com cartazes de mensagens contra a monarquia. “Não tenho nada pessoal contra a rainha. É mais uma questão moral de ter uma chefe de Estado não eleita em pleno século 21” – explicou-se um manifestante. Outro alegava questões mais econômicas do que políticas: “A ideia de celebrar a vida de luxo da rainha me faz passar mal; muitos lembraram que essas celebrações estão acontecendo num momento de austeridade (em toda Europa), em que muitos estão perdendo seus empregos”… Estranho de se pensar: ainda assim, a grande maioria dos britânicos apoia a permanência da monarquia, exatamente como é hoje, e assim como já o é há muitos séculos.

Mais estranho ainda se lembrarmos que, há poucos meses, no final de 2011, Londres foi sacudida por uma série de manifestações populares em bairros de baixa renda. Jovens desempregados e desiludidos atacaram grandes lojas e mercados, saqueando boa parte das mercadorias, e tocando fogo nas demais… O polonês Zygmunt Bauman, que vive na Inglaterra há anos, sendo para muitos um dos maiores sociólogos vivos, foi quem primeiro levantou a grande questão que podia ser lida nas entrelinhas daqueles dias caóticos; Aquela não era uma primavera londrina, e tampouco os manifestantes tinham claras reivindicações políticas a fazer. Tratava-se simplesmente de um ato de revolta, de revanche, dos “consumidores desqualificados que foram criados numa sociedade de consumo”. Aquilo que desejavam, os tênis e roupas de grife, era o mesmo que, ao mesmo tempo, amavam e odiavam – tanto que colocaram fogo em parte do que poderia ter sido saqueado.

Essa complexa dualidade, de amor e ódio em relação ao objeto de consumo, pode ser, senão vista, ao menos intuída, por todo o mundo moderno ocidental, e particularmente na Europa. Os governantes que, em meio à crise econômica, recomendam o ajuste fiscal dos países em débito – incluindo pesadas reduções de salários –, são os mesmos que, por outro lado, continuam a estimular e tentar manter vivo a todo custo um sistema já decadente de consumo desenfreado, onde é dito a todos e há todo momento, em propagandas que só faltam pular por debaixo do tapete da porta de nossa casa: “Compre, consuma, aproveite enquanto é tempo! Seja feliz com um novo smartphone, um carro zero, uma TV com 10 polegadas a mais… Mas não se esqueça de continuar comprando, pois coisas novas são lançadas há todo momento, e se você parar de comprar, já sabe – a economia esfria, e é capaz de você perder o seu emprego!”.

Ora, é óbvio que as pessoas não conseguem consumir tanto quando as propagandas incitam, e exatamente por isso que foi criado o crédito bancário, que é obviamente a melhor coisa que os bancos inventaram desde as Cruzadas [1]: emprestar dinheiro que as pessoas não têm, para que elas comprem o que não precisam; mas, não obstante, dinheiro este que serão obrigadas a pagar de volta, com juros. Ah! Os juros! O que os bancos fariam sem inventar crédito, e ganhar dinheiro de volta por algo que foi emprestado, mas que, em realidade, sequer existe, sequer têm permanência – todo valor do dinheiro impresso é, afinal, um construto da fé. Afinal, não sei se sabem, mas as leis que requeriam que existisse lastro material em ouro (ou outros valores) para os belos papéis coloridos já deixaram de ser usadas há décadas… Nosso sistema econômico: uma grande bolsa de crenças, onde especuladores podem ser confundidos com pastores.

Este dinheiro de valor impermanente é apenas mais um dos fatores que compõe o que Bauman intitulou modernidade líquida: onde todos os valores morais, todas as antigas tradições, entraram numa ebulição, numa mistura complexa e sempre fluida, em constante mudança, de onde é cada vez mais difícil extrairmos algum significado. Tempo é dinheiro e, como é exatamente o dinheiro que nos garante o consumo, vivemos correndo, “economizando” tempo em fast-foods, em relações amorosas superficiais, em relações familiares cada vez mais desconexas, já que não há mais muito tempo nem para os jantares em família… Com todo esse precioso tempo que foi “economizado”, nos sobra então o tempo que precisávamos para ir nalgum shopping center consumir.

E é bom que sejamos felizes nestes breves momentos de consumo, pois será nossa única chance de termos alguma felicidade… Ou, pelo menos é para essa vida que fomos educados na modernidade, e basta ligar qualquer televisão no horário nobre para verificar. Nas grandes agências de propaganda e marketing, especialistas que passaram anos e anos nas melhores escolas e universidades realizam o seu brainstorm diário exatamente para que a nossa mente não desgrude os pensamentos da vitrine mais vistosa. A culpa não é dos publicitários: eles estão apenas realizando o que foram educados para fazer; eu diria até que alguns deles foram muito bem educados para nos convencer de quase qualquer coisa… Estamos na desvantagem, e nosso pensamento foi aprisionado nalgum outdoor pelo caminho.

Mas foi somente nos últimos anos, onde se levantaram as bandeiras da ecologia e da sustentabilidade, que as pessoas, todas as pessoas (embora algumas finjam não saber), passaram a perceber que a conta da economia de consumo em crescimento exponencial não irá fechar com um planeta, um meio ambiente, de recursos naturais finitos. Se tudo o que consumimos, e principalmente o combustível envolvido na produção e distribuição dos bens, tivesse uma taxação sobre “recurso finito”, e não fosse tratado como algo fabricado a partir de materiais infinitos, provavelmente viajaríamos bem menos de avião, comeríamos muito menos frutas vindas da Ásia, ou queijos vindos da Europa.

Dessa forma, a sociedade de consumo, perdida na fluidez de uma vida sem significado, sabe muito bem que o mesmo objeto de consumo que hoje deseja, depois vira lixo, muitas vezes não tratado, não reciclável. E, sem reciclar o que é finito, para ser reutilizado, um dia a conta chegará… Bem, segundo Bauman, as gerações atuais, com seu sistema de crédito e consumo, nada mais fazem do que hipotecar o futuro. Estamos, dessa forma, comendo em restaurantes luxuosos e deixando a conta para que nossos netos e bisnetos paguem, literalmente. Sob esse ponto de vista, é mesmo bom que haja uma grande crise no horizonte.

E, quanto a monarquia inglesa, ela nada mais é do que uma âncora fincada no passado. Uma mitologia, um significado, uma narrativa da pátria, do “ser inglês”, que ainda traz sentido à vida britânica. Se os ingleses estão dispostos a continuar financiando os rituais de sua realeza? Enquanto não chegar uma nova era, certamente – para eles, é uma pechincha. E, afinal, o dinheiro não existe enquanto valor por si só, o que existe á uma crença nos valores que povoam nosso pensamento. Melhor comemorar a longa vida da rainha do que a curta vida do seu smartphone.

Ainda assim, um dia, mesmo a rainha cairá… Mas, e o que virá nesse interregno de eras, onde os sistemas e os reis antigos caem, mas os novos não se erguem, sequer foram ainda inventados? Isso, nem mesmo Bauman foi capaz de nos dizer…

Entrevista com Zygmunt Bauman no programa Milênio, da Globo News. Vinte e poucos minutos altamente recomendados.

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[1] Devido ao pouco espaço, estou trazendo alguns conceitos de forma superficial. Para se aprofundar melhor em alguns dos assuntos tratados neste artigo, recomendo consultarem alguns outros posts: A história do ouro; Padrão-fé; O dinheiro que não existe; A lâmpada centenária; Nosso planeta, nossa casa; e finalmente Onde está o seu deus?

Crédito das imagens: [topo] AFP (Elizabeth II conversa com o decano David Ison ao deixar a Catedral de St. Paul); [ao longo] Anônimo.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#ecologia #Economia #política

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/interregno-de-eras

Engenheiro que incorpora ‘Dr. Fritz’ é condenado por cirurgia mediúnica

@MDD – Antes de postar a notícia, é claro que não quero acusar os céticos de Má-Fé, já que eles apenas repostaram a notícia tendenciosa do G-1 (e ao contrário do que o termo “ceticismo” indica, nem se deram ao trabalho de pesquisar alguma autoridade dentro do espiritismo, que certamente também condenaria o tal charlatão). Mas é muito claro que o Rubens Faria não é nem nunca foi o verdadeiro Dr. Fritz.

Um dos maiores problemas dos ocultistas é que, além de ter de lidar com fanáticos religiosos, a quantidade de charlatões querendo ganhar dinheiro com mistificação beira a 90%, o que dá ampla margem para os céticos e pseudo-céticos se deliciarem quando estes cretinos fazem algum tipo de absurdos. Por mim, a polícia deveria simplesmente fechar todas as casas de pretensos médiuns que cobrassem por consultas.

Leiam antes:

http://www.richardsimonetti.com.br/pingafogo/exibir/91

E depois a notícia do G1:

O Tribunal de Justiça condenou na quarta-feira (6) o engenheiro Rubens de Faria Júnior, médium que diz incorporar o espírito do Doutor Fritz, médico alemão que teria ajudado inúmeras pessoas durante a 1ª Guerra Mundial, a pagar R$ 25 mil por danos morais ao serralheiro Guilherme Moreira.

Segundo o processo, Guilherme foi vítima de uma cirurgia espiritual malsucedida ocorrida em novembro de 96. Os desembargadores negaram recurso do médium e mantiveram a sentença.

A notícia foi dada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo nesta quinta-feira (7). À decisão cabe recurso.

Segundo o processo da 4ª Câmara Cível do TJ, Guilherme sofria fortes dores nas costas e por isso procurou atendimento no Hospital Geral de Nova Iguaçu. Como as dores não cessaram, o serralheiro se dirigiu então ao local onde Rubens costumava atender a milhares de pessoas.

Lesão permanente na medula, indicou laudo

De acordo com o TJ, o engenheiro pediu que ele levantasse a camisa, passou um líquido gelado na área dolorida e em seguida introduziu um objeto cortante na coluna do serralheiro, que, segundo testemunhas, tratava-se de uma tesoura. Guilherme ficou instantaneamente dormente da cintura para baixo, precisando ser amparado por outros “pacientes”.

Segundo laudo pericial, a coluna de Guilherme foi atingida na altura da 10ª vértebra, o que causou infarto da medula espinhal e tornou-o permanentemente incapaz para o trabalho.

“A culpa do réu resta provada diante dos fatos, laudos, testemunhos e documentos acostados aos autos. Os danos morais experimentados pelo autor são evidentes, na medida em que a dor, a vergonha e a frustração o fizeram constatar os efeitos negativos da incisão feita pela parte ré. Tais sentimentos são caracterizadores de intenso sofrimento de índole psicológica, passíveis de compensação pelo réu”, afirmou o relator do processo, desembargador Sidney Hartung. Pela decisão, além da indenização, Guilherme receberá também 70% do salário mínimo a título de pensão.

O G1 não conseguiu entrar em contato com o engenheiro.

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/engenheiro-que-incorpora-dr-fritz-%C3%A9-condenado-por-cirurgia-medi%C3%BAnica

Ordem DeMolay cabalística?

Como é possível nosso simples ritual se encaixar no diagrama que contêm os “segredos mais herméticos” da Tradição Ocidental? Da mesma maneira que nosso ritual é simples, a resposta também o é. O Ritual dos Trabalhos Secretos escrito por Frank A. Marshall em 1919 contêm os elementos básicos da Jornada do Herói, tal como decodificado e dissertado amplamente por Joseph Campbell. E da mesma forma, a Árvore da Vida estudada na Cabala Hermética, expressa os detalhes dessa Jornada Mitológica/Psicológica.

Uma coisa leva a outra sem muitos mistérios. E a analogia nos faz perceber a grandeza das entrelinhas dos rituais DeMolay. Basta não ter preconceitos e saber como se interpretar um ritual, como vimos nos textos anteriores. Vamos começar por partes, com a diferença de Cabala Judaica e Hermética.

Cabala Judaica e Hermética

Kabbalah, ou Cabala, é a sabedoria que investiga a natureza Divina.

Cabala Judaica lida com o Torá e as outras centenas de escritos, muitos deles velados a tradição judaica. Textos escritos em hebraico arcaico, e sem traduções possíveis em sua grande maioria. Não se limita ao estudo da Árvore da Vida, mas sim de todos os escritos da tradição judaica e a descoberta dos seus segredos através da Gematria (valor numérico das letras), Notaricon (são palavras cujas letras foram frases) e a Temura (permutação das letras por outras).

A Cabala Hermética abrange toda a tradição ocidental, lidando principalmente com o mais famoso esquema da Árvore da Vida (porém não é o único). A Cabala Hermética também lida com o alfabeto hebraico e com muitos dos conceitos absorvidos da Cabala Judica, mas sua ocupação não são os escritos da Tradição Judaica, e sim no que é relacionado ao Divino dentro do Homem e o caminho que devemos percorrer para alcançar esse Divino e seus métodos, como o Tarô, Astrologia, as Mitologias, e a própria atual psicologia está nesse sistema.

Outros autores já se ocuparam em esclarecer esses temas e sua extensa história, e nosso propósito aqui é somente uma apresentação.

Árvore da Vida

A Árvore da Vida é o símbolo que expressa as etapas da manifestação de Deus, da Sua Unidade até nós, e o caminho que temos que percorrer de volta. Suas esferas são chamadas de Sephiras e têm o número de 10, correspondem a Trinidade de Deus e aos 7 planetas, e seus caminhos são representados pelas 22 letras hebraicas. Toda Tradição Esotérica é se expressa nesse sistema de esferas e caminhos. Vide os textos e imagens sobre Kabbalah do Marcelo para exemplos.

Como disse no texto Conflito entre Religião e Fé DeMolay existe uma igualdade entre microcosmo e o macrocosmo. E a Árvore da Vida é o símbolo que representa todos os arquétipos da mente humana. Ou seja, é o próprio símbolo do homem e da sua mente. Mas para entender cada um desses detalhes é inviável por textos, afinal a Cabala é para ser vivenciada, e não somente especulada. Independente da sua crença, cristã, ateia, satanista ou shivaista, se você não é familiarizado com a Árvore da Vida, pode ter certeza que a estudando, estará estudando a Natureza Divina e como ela se manifesta em você dentro da sua própria crença. Em livros e em rituais encontraremos somente um guia para que alcancemos nossas próprias percepções da Árvore.

Por esse motivo a Árvore da Vida influenciou a antiga Sociedade da Rosa Cruz da Idade Média, passando dessa maneira aos ritos da Maçonaria Especulativa, às diversas Ordens rosacruzes e martinistas atuais. E claro, também a Ordem DeMolay através da sua Mãe.

Um outro dia num post mais específicos vamos contar como a Jornada do Herói, a Iniciação, e a Árvore da Vida e o Ritual DeMolay são unidos. Me cobrem após a conclusão do meu oitavo texto para o blog.

Relação com o DeMolay

Não é novidade para ninguém que já tenha prestado atenção numa Cerimônia de Posse que a Ordem DeMolay é baseada no ciclo solar, que representa a jornada da vida na Terra. Temos uma coisa importante ai: a comparação da jornada do sol com a jornada do homem. As above so below! O macrocosmo refletido no microcosmo. O mais importante princípio hermético, que já discutimos nos outros textos, na Ordem DeMolay. E isso não é tudo, vão revendo os rituais de Iniciação e Investidura de acordo com seus estudos ocultistas para terem certas surpresas. Pois muitas delas não poderemos revelar, daremos somente a chave para quem souber utilizar. E a principal acabou de ser dada.

Não é novidade para ninguém que os egípcios, os gregos e os romanos construíam seus templos para expressar a proporção divina (Número de Ouro). Mesma proporção existente no homem. Da mesma maneira que não é novidade que os Templários criaram suas catedrais também com a mesma proporção divina. Por acaso não é novidade que a rosacruz estuda os princípios divinos no homem e que os rituais visam o despertar espiritual do homem, que é o despertar da nossa Centelha Divina. Da mesma maneira que por acaso acontece na Maçonaria mas como a construção do Templo perfeito dentro de nós. Claro, na Ordem DeMolay não é diferente.

A rosa que floresce na cruz, o lapidar da pedra bruta, e a busca das virtudes que são a base para um homem de bem. Palavras diferentes para o mesmo objetivo: alcançar o Sol.

Oficiais DeMolay e Kabbalah

Não, não temos segredos da Cabala Hermética em nossos rituais. Mas por nossos rituais seguirem o princípio Universal, ele se encaixa na Árvore da Vida. Compare a Sala Capitular com seu esquema. Não é coincidência.

Keter: Unidade de Deus, o princípio, que tudo cria a todo momento, a sephira da qual tudo se manifesta. Oficial: Mester Conselheiro, o líder do Capítulo, aquele que deve tomar a iniciativa e guiar todos os trabalhos.

Hockmah: aonde a energia da Unidade cresce e acelera, criando o caos e as infinitas possibilidades de todos Universos. Oficial: Escrivão, aquele que tudo anota e tudo deve conhecer da administração.

Binah: dá ordem a criação, das infinitas possibilidades sintetiza uma para manifestar. Oficial: Orador, aquele que tem a palavra final nas reuniões, sintetizando todo acontecido da reunião numa lição que todos levarão para casa.

Daat: a esfera “vazia”, que nos separa de Deus (representa os mitos da queda do homem. Observe que aqui acontece a divisão entre Oriente e Ocidente). São os Preceptores que são representantes das virtudes que devemos adquirir para realizar novamente essa conexão.

Chesed: acontece a manifestação, é a esfera doadora de vida, benevolente. Oficial: Hospitaleiro, o responsável pelos projetos filantrópicos do Capítulo.

Geburah: é o rigor e a justiça Divina. Oficial: Tesoureiro, pois sem o seu rigor o Capítulo não tem dinheiro para comprar os materiais básicos e não pode trabalhar.

Tipheret: a harmonia e a beleza da criação, é a manifestação direta da força divina de Keter. Oficial: Porta Estandarte e Mordomos que carregam nossos baluartes, Orador, que faz as invocações e o Mestre de Cerimônias que transmite essas invocações a nós e para fora (observe que ele fica de pé nas orações, por que será?). Observe que aqui é tudo que representa a energia do Altar (e o próprio Altar) com nossos Três Baluartes e Sete Virtudes. Literalmente o coração do Capítulo, o nosso sanctum sanctorum. É também a esfera do Organista, pois ele é responsável pela harmonia vibratória da reunião, pois uma reunião sem harmonia não funciona.

Netzach: a manifestação dos sentimentos e das emoções. Oficial: Segundo Conselheiro, que é o responsável pela ritualística, que deve ser sentida no íntimo e não somente realizada com fórmulas vazias.

Hod: a manifestação da racionalidade. Oficial: Primeiro Conselheiro, que auxilia o Mestre Conselheiro e o Secretário a organizarem o Capítulo administrativamente.

Yesod: o fundamento da criação, a entrada para o “outro mundo”. Oficial: Diáconos, e não vou dizer porquê.

Malkulth: o mundo manifestado. Oficial: Sentinela, que nos protege do mundo profano durante as reuniões.

Não foi meu objetivo me aprofundar em nenhum tema, mas sim apresentar a quem não conhece ou não soube relacionar a Árvore da Vida a Ordem DeMolay. Para quem conhece Cabala sabe que o Sentinela é a manifestação do caminho de Shin para Malkulth, e não somente Malkulth, assim acontece com alguns outros oficiais. Não que eu quis ser incompleto, mas quis ser abrangente, pois são muitos DeMolays e Maçons não familiarizados com a ritualística.

Dúvidas, críticas, idéias, ou sugestões deixem nos comentários.

N.N.D.N.N.

Leonardo Cestari Lacerda

#Demolay #Kabbalah #VirtudeCardeal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-demolay-cabal%C3%ADstica

Símbolos, Fórmulas Mágicas e Rituais (Parte 4)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos e então falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução.

No capítulo passado sugeri uma experiência de organização e consagração do mundo físico, de modo a alterar o mundo das ideias, o mundo formativo, ou Yetzirah. Fazendo uso da capacidade do ser humano em perceber diferentes padrões, modificamos o ambiente de maneira a estabelecer um padrão que, sempre que entrarmos em tal ambiente, nossa consciência será levada a ele, de certa forma começamos a ter um domínio sobre nossos pensamentos utilizando o mundo físico para modificá-los.

Separei um trecho do livro “O Poder do Mito”, que é uma entrevista com Joseph Campbell, um dos melhores pesquisadores que o mundo já teve na área de mitologia comparada, para poder terminar de esclarecer sobre o ponto do experimento do último capítulo:

“MOYERS: Como transformamos nossa consciência?

CAMPBELL: Depende do que você esteja disposto a pensar a esse respeito. E é para isso que serve a meditação. Tudo o que diz respeito à vida é meditação, em grande parte uma meditação não intencional. Muitas pessoas gastam quase todo o seu tempo meditando de onde vem e para onde vai o seu dinheiro. Se você tem uma família para cuidar, preocupa-se com ela. Essas são todas preocupações muito importantes, mas, na maior parte dos casos, têm a ver apenas com as condições físicas. Como você pode transmitir uma consciência espiritual às crianças se você não a tem para você mesmo? Como chegar a isso? Os mitos servem para nos conduzir a um tipo de consciência que é espiritual.

Apenas como exemplo: eu caminho pela Rua 51 e pela Quinta Avenida, e entro na catedral de St. Patrick. Deixei para trás uma cidade muito agitada, uma das cidades economicamente mais privilegiadas do planeta. Uma vez no interior da catedral, tudo ao meu redor fala de mistérios espirituais. O mistério da cruz – o que vem a ser, afinal? Vejo os vitrais, responsáveis por uma forte atmosfera interior. Minha consciência foi levada a outro nível, a um só tempo, e eu me encontro num patamar diferente. Depois saio e eis-me outra vez de volta ao nível da rua. Ora, posso eu reter alguma coisa da consciência que tive quando me encontrava dentro da catedral? Certas preces ou meditações são concebidas para manter sua consciência naquele nível, em vez de deixá-la cair aqui, o tempo todo. E, afinal, o que você pode fazer é reconhecer que isto aqui é apenas um nível inferior ao daquela alta consciência. O mistério expresso ali está atuando no âmbito do seu dinheiro, por exemplo. Todo dinheiro é energia congelada. Creio que essa é a chave de como transformar a sua consciência.”

Bom, se temos o mundo físico modificando o mundo das ideias, podemos também utilizar o mundo das ideias para modificar o mundo físico. A base desse raciocínio é a de que as atitudes que tomamos no mundo físico são baseadas no nosso processo cognitivo; uma definição para cognição pode ser “O conjunto dos processos mentais usados – no pensamento – na classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas. De uma maneira mais simples, podemos dizer que cognição é a forma como o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda informação captada através dos cinco sentidos.”

É aqui que entra o axioma mágico “Fake until you make it”, ou “Finja até ser/fazer de fato”. Fazendo alguma coisa repetidas vezes, programamos nosso cérebro a adotar aquele padrão como uma fórmula a ser seguida no nosso dia a dia ou em situações específicas.

Um exemplo simples: repita (falando com sua voz, não somente em pensamentos) consigo mesmo “Vai dar certo!” antes de fazer qualquer coisa que julgue relativamente difícil e que já tenha feito antes, para sentir a diferença em seus pensamentos (bom para acabar com bloqueios e travas, não deixa vir o famoso “branco” que te impede de lembrar de algo que você sabe).

Este tipo de repetição é ótimo para homogeneizar algum tipo de comportamento e deixá-lo mais consistente. No caso aqui do blog utilizo o nome “Colorado Teus” para escrever, não meu nome do mundo físico. Até hoje ninguém que não soubesse antecipadamente que eu era o “Colorado Teus” conseguiu descobrir sozinho, isto porque o estado de consciência que fico ao escrever para este blog é muito diferente do meu eu natural. No começo era puro fingimento, eu fingia ser Colorado Teus e tentava sempre tomar cuidado com alguns defeitos que meu eu do dia a dia tinha, que poderiam vir para os textos contra minha vontade. Depois de muito treinamento e repetição, estes defeitos escolhidos já nem chegam perto da minha mente enquanto estou escrevendo.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Gênesis 1:1

No princípio “Coloradoteus” era uma palavra, e Colorado Teus estava Comigo, e Colorado Teus era Eu.

Esta é uma fórmula mágica de criação e transformação ensinada na Bíblia. Vamos a mais uma definição:

“Uma fórmula mágica é um enunciado de como um fato ou teoria cosmológica é percebido. Uma fórmula mágica se desenvolve a partir de outra mais antiga, do mesmo modo como aumenta a habilidade humana de perceber a si mesmo e o Universo. Uma mudança na consciência torna necessária uma alteração na fórmula mágica. Isso não significa que a velha fórmula nunca mais funcione, mas apenas que a nova se revela muito melhor.” DUQUETTE, Lon Milo. 2007. A Magia de Aleister Crowley – Um manual dos Rituais de Thelema. São Paulo: Madras.

Ou seja, alguém consegue chegar num certo nível de consciência e, então, após ter o devido entendimento de como chegou até este nível, cria uma fórmula mágica que pode ajudar outras pessoas a chegarem também. Basicamente, é assim que funciona a magia a ritualística, os rituais são formados através da mistura de fórmulas mágicas, de modo que um padrão seja atingido com a pessoa alterando seu nível de consciência através das falas e encenações.

Um tipo de fórmula mágica que vale a pena ser frisada é o Símbolo. A palavra ‘símbolo’ vem do Grego e significa “Aquilo que une” (enquanto ‘diábolo’ significa “Aquilo que separa”). É um tipo específico de signo, geralmente transmite mais ideias do que as óbvias; vem de uma prática muito comum que é criar uma imagem para representar a ideia que une um grupo de pessoas ou empresa, feito com o intuito de que toda vez que estas pessoas olharem para ele, se lembrarão dos princípios e ideais que levaram à criação do grupo e como estão conectadas a esta criação, sendo assim este signo recebe a qualidade de símbolo.

Um exemplo prático, uma aliança de casamento é um ‘símbolo’, pois representa o que une duas pessoas, enquanto uma carta de divórcio é um ‘diábolo’, pois representa o que separa duas pessoas.

No processo de iniciação em uma ordem iniciática, a pessoa recebe uma introdução à base simbólica dela, de modo que a pessoa começa a aprender como aquele grupo pensa e o que os torna um grupo. Com o devido aprendizado a pessoa começa a conseguir alterar sua consciência com os símbolos da ordem e tornar seu corpo de ideias mais próximo ou harmonizado com o dos outros membros; o problema aqui é que aprender sobre um símbolo não é apenas ler em um livro sobre o que falaram dele, mas o aprendizado também está no plano dos sentimentos – aprender sobre que emoções aquele símbolo pode causar – que é o plano logo acima do plano das ideias, como foi dito na parte 3. Portanto, para se conectar concisamente com um grupo desses é necessário passar por uma série de estudos, experiências e rituais, de maneira que só assim a mudança será concisa e a pessoa será digna de falar e agir em nome do grupo e de seu trabalho.

É exatamente por isso que muitas ordens são fechadas e exigem certo nível de compreensão sobre alguma coisa antes do pretendente ser iniciado, caso a pessoa não tenha este tipo de compreensão os objetivos dos símbolos podem ser deturpados e isso pode atrapalhar futuros membros que ainda não tiveram a devida explicação, o que possivelmente provocará uma mudança de sentido no grupo ou fatalmente o destruirá, como já aconteceu com diversas ordens. Para tentar evitar isso, a maioria das ordens ensina os significados de maneira gradual, ou seja, cada pessoa ocupa um grau e vai aprendendo e experimentando os estados de consciência de acordo com seu merecimento; uma vez que chegam nos últimos graus terão grande possibilidade de atingir um grau de consciência similar ao que os criadores da ordem intencionavam que os membros atingissem.

Aliás, o nome “membros” vem exatamente daí, cada grau da ordem (o corpo todo) te ensina sobre o funcionamento de um pedaço do corpo e, incorporando os fundamentos de todos, você se torna este corpo.

Na fala de Joseph Campbell citada no começo deste capítulo, ele se pergunta sobre o mistério da Cruz, o que é este símbolo para um cristão? A cruz os lembra, toda vez que olham para ela, de um ato de compaixão, que é doar sua própria vida ou se arriscar por quem ama. A compaixão é tida como uma qualidade muito importante para manter um grupo de pessoas unidas, ou até mesmo uma sociedade, sendo um dos alicerces de grande parte dos grupos aqui no Brasil. Assim, sempre que alguma pessoa entra em contato com uma cruz, caso tenha sido iniciada em tal mistério, seu corpo de ideias é relembrado da ideia e ela consegue tomar decisões tendo aquilo em mente.

Para concluir este texto, vamos a um novo experimento: Atuando em um ritual.

Como aqui no TdC o Marcelo já fez um post só sobre o Ritual Menor dos Pentagramas, vou deixar o link aqui embaixo e propor, para quem quiser experimentar, que comentem sobre as reações e sensações que se tiverem durante e após a ‘encenação’. Um alarde sobre rituais: não brinquem com eles, forças que vocês nem imaginam que existem podem te ouvir e fazer com que o intencionado dê certo… a reação é obviamente sua!

A ideia do RMP é que a pessoa se coloque como Deusa e, após firmar isso em sua cabeça, movimente energias com a finalidade de alterar padrões específicos em sua consciência. No próximo texto comento um pouquinho mais sobre isso, com o aprofundamento em cada uma das fórmulas mágicas aqui utilizadas, o ritual também terá maior efeito. Então segue o link que explica como fazer o RMP:

Ritual Menor dos Pentagramas

Lembre-se, você é um Deus, possui o poder de criar com o verbo, então, Abrahadabra!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/s%C3%ADmbolos-f%C3%B3rmulas-m%C3%A1gicas-e-rituais-parte-4

Hermes – Metais, Ervas e Pentagramas

Postado no S&H dia 26/jun/2008,

“É verdade, certo e muito verdadeiro.
O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.
E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.
O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua ama;
O Pai de toda Telesma do mundo está nisto.
Seu poder é pleno, se é convertido em Terra.
Separarás a Terra do Fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.
Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
Desse modo obterás a glória do mundo.
E se afastarão de ti todas as trevas.
Nisso consiste o poder poderoso de todo poder,
Vencerá todas as coisas sutis e penetrará em tudo o que é sólido.
Assim o mundo foi criado.
Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.
Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, pois possuo as três partes da filosofia universal.
O que eu disse da Obra Solar é completo.”

Durante nossas matérias anteriores, falamos sobre Matrix, o Plano Astral e as diversas maneiras de se interagir com a esfera de Yesod, o estado de consciência representado pelo Mundo Subterrâneo nas antigas mitologias. Falamos sobre os Psychopompos (os famosos “condutores de almas”) das mitologias antigas e o que eles realmente representam e finalmente fizemos cinco anotações em nossos cadernos, que passaremos a decifrar nesta coluna.
Semana retrasada falamos sobre Thanatos, deus dos mortos, e sua relação com o Astral. Em seguida, comentei sobre Hecate e a intuição. Continuando a linha de raciocínio, falaremos hoje sobre Hermes, a manifestação da vontade (Thelema) no Astral.

Ao contrário de hecate, que representava a parte passiva da espiritualidade, através da mediunidade, Hermes representa a parte ativa da mediúnidade, ou a capacidade dos seres no Plano Físico atuarem sobre o Astral.
Esta atuação acontece na forma de mantras (ou palavras de poder), de objetos mágicos (círculos, espada, taças e outros objetos magnetizados pela luz astral) e da vontade do magista. Deste tipo de atuação surgiram as bases a respeito dos exorcismos, conjurações e banimentos.

Hermes
Já havia falado sobre Hermes AQUI. Recomendo a leitura antes de prosseguir.
Hermes é tido como uma das mais importantes divindades gregas do Panteão Olímpico. Considerado o mais jovem dos deuses, ele é o protetor de todos os viajantes e ladrões, é o mensageiro dos deuses, responsável por levar a palavra dos deuses até os mortais (qualquer semelhança com Prometeu ou Lúcifer NÃO é mera coincidência); Hermes é o deus da eloqüência, ao lado de Apolo, é o Deus dos diplomatas e da diplomacia (que era chamada de Hermeneus pelos gregos) e é o deus dos mistérios e interpretações (da onde vem a palavra Hermenêutica). Além disto, era um dos únicos deuses que tinha permissão para descer ao Hades e partir quando desejasse. Todos os outros (incluindo Zeus) estavam sujeitos às leis de Hades.
Hermes tinha vários símbolos, mas os mais tradicionais eram as sandálias com asas, o caduceu (que curiosamente representa a Kundalini, duas serpentes enroscadas em um cajado) e a tartaruga (de cujo casco ele criou a primeira Lira) e sua flauta de 7 notas.
Como inventor de diversos tipos de corrida e também das lutas, Hermes era considerado o patrono dos atletas. Finalmente, era tido como o inventor do Fogo (em alguns textos anteriores a Prometeu) e considerado um deus pregador de peças, que adorava aprontar com seus irmãos (isto desde seu nascimento, quando a primeira coisa que fez quando aprendeu a andar foi roubar os bois de Apolo e esconde-los). Hermes era patrono dos alquimistas, magos e filósofos.

Hermes representa HOD, ou seja, a RAZÂO. Como pudemos ver, a razão está diretamente ligada à VONTADE dentro da Magia. A escolha simbólica de Hermes como o terceiro Psycopompo traduz bem esta manifestação da magia.

Influências do Físico no Astral
Desde a antiguidade sabemos que determinados elementos físicos são capazes de atuar nos elementos sutis do Astral. Os mais conhecidos e que acabaram se tornando parte de ínumeros folclores são o Sal, o Mercúrio, o Enxofre, a Prata, o Ouro e os outros metais alquímicos. As plantas afetam o astral por causa de suas auras, que interagem eletromagneticamente com as nossas e com elementos dos planos sutis, como explicarei abaixo.

O Sal
O sal absorve emanações negativas, cristalizando-as e limpando o ambiente. Disto derivam diversos costumes que perduram até os dias de hoje.
O mais comum de todos é o “banho de sal grosso”. Água com sal marinho é uma das melhores substâncias para remover miasmas astrais de um corpo. E o melhor banho energético de todos continua sendo o banho de mar. Os antigos tinham o costume de deixar-se banhar por sete ondas para limpar quaisquer miasmas ou impurezas que tivessem. Ao contrário dos ignorantes, que “pulam” sete ondas, o correto é deixar as sete ondas cobrirem TOTALMENTE o seu corpo. Claro que as dondocas com seus vestidos caríssimos de final de ano não vão sair ensopadas do mar, então esse costume foi “ajustado”. O tio Marcelo adianta que pular sete ondas não serve para absolutamente NADA; a limpeza só funciona se você for inteiramente banhado pela água salgada.
Banhos de sal grosso podem fazer o mesmo efeito, mas há uma ressalva. Como ele age como um solvente, se a pessoa já estiver debilitada, em certos casos, não é recomendado. O melhor é um “banho de ervas”, como explicarei mais abaixo.
O sal grosso pode ser colocado nos cantos de uma sala para absorver miasmas, funcionando como uma “fossa séptica astral” (funciona pelo mesmo princípio da “Firmeza” nas tradições africanas, mas de eficácia obviamente muito menor). A cada 3 ou 7 dias, quando o sal estiver empapado, recolha e jogue em água corrente ou aos pés de uma árvore e troque o sal. Na Europa é comum espalhar sal por sobre o batente das portas, pela mesma razão.

A palavra Salário vem de “salarium argentum” que é a medida em prata ou ouro recebida pelos soldados romanos suficiente para comprar determinada quantia de sal (ao contrário do imaginário popular, eles não recebiam diretamente em sal; se fosse assim, seria muito mais rentável ficar na beira do mar coletando sal o dia inteiro do que ir para batalhas se arrebentar em troca de um punhado de cristais brancos). A palavra “Salarium” vem das estradas até as minas de sal (“Via Salarium“) que estes soldados protegiam. Os “Assalariados” eram os soldados que guardavam estas estradas.
O valor do sal estava muito associado ao seu poder mágico, por isso era costume das pessoas carregar consigo pequenos saquinhos de sal grosso e ervas amarrados em seu corpo para absorver emanações negativas. Nas tradições africanas este saquinho era chamado de Patuá e no Japão esta prática é conhecida como Kusudama. Os celtas usavam trevos como principal erva nestes amuletos, de onde veio a tradição do trevo de quatro folhas como planta da sorte.

Derramar este sal era considerado má-sorte, pois deixava a pessoa desprotegida contra ataques astrais ou psíquicos. Desse costume também vem a expressão “fulano não vale o sal que come” que mais tarde se tornou “não vale o que come”.

Lágrimas também entram na categoria de fluidos capazes de absorver más emanações (especialmente porque vem acompanhado de emanações emocionais mais fortes). Nem preciso falar a respeito da quantidade de lendas e contos medievais a respeito de “lágrimas” e seus processos curativos. A própria palavra “saudade” vem de “saldare” em referência às lágrimas vertidas pelo sentimento de falta de determinada pessoa.

E finalmente temos a Água Lustral, e posteriormente a cópia da Igreja chamada “água Benta”, muito utilizada para limpar instrumentos mágicos, locais e consagrações.

O Enxofre
Um dos mais efetivos materiais de remoção de miasmas, o enxofre era muito utilizado em defumações na antiguidade. Antes dos principais rituais religiosos ou em locais muito carregados, era costume passar com defumadores contendo mirra, louro e enxofre, especialmente em locais onde haviam muitos sacrifícios. Mais tarde, a Igreja iria inventar a associação entre o Diabo e o cheiro de enxofre baseado nisto.
No oriente, o enxofre era utilizado na forma de pólvora e fogos de artifício para dissolver miasmas e outras entidades obsessoras, especialmente elementais e construtos astrais malignos. Disto vem o costume de usar fogos de artifícios em comemorações. Eles são usados para literalmente “limpar o ambiente”.
A pólvora também é utilizada pelos cultos africanos em sessões de “descarrego” justamente por esta propriedade de dissolver larvas astrais que estejam porventura enraizadas no duplo-etérico da pessoa (e muitos picaretas universais também estão tentando adaptar a prática “em nome de Jesus” – até arrumaram a desculpa para o cheiro de enxofre que fica depois). Também é utilizada na bruxaria celta e nórdica dentro de caldeirões (a razão prática pela qual caldeirões precisam ser de ferro).

Os metais alquímicos
Os sete metais alquímicos (ouro [sol], prata [lua], mercúrio [mercúrio], cobre [vênus], ferro [marte], estanho [júpiter] e chumbo [saturno]) afetam em diferentes graus e intensidades os fluidos astrais. Por esta razão, são utilizados em diferentes rituais com diferentes finalidades, que não vêm ao caso agora.
Os mais conhecidos nas lendas são a prata, associada a Yesod/lua/Astral, que dissolve miasmas ao toque (de onde originou a lenda da prata como sendo o metal capaz de ferir lobisomens e vampiros); o ferro (que é utilizado em portões e grades de cemitérios para não deixar espíritos irados trespassarem os limites da necrópole e também deu origem à lenda de que fadas e elementais não podem tocar ferro frio, o que é uma verdade).

Ervas
As plantas também possuem duplo-etérico e consequentemente, uma aura. Quando falamos de “banho de ervas”, queremos dizer que as ervas em questão precisam ser maceradas (esfareladas com suas próprias mãos e deixar a seiva – que é o SANGUE da planta – misturar com água). Qual a ciência por trás disso? Normalmente o Guia ou médium é capaz de enxergar alguma perturbação no duplo-etérico da pessoa e recomenda uma erva adequada para estabelecer o equilíbrio (de onde surgiu a lenda a respeito de determinados orixás serem senhores de determinadas plantas). Com esta seiva misturada à água, o banho fará com que ambos os campos eletromagnéticos sutis entrem em contato e se equilíbrem. As plantas mais comuns para estes banhos são a arruda e o manjericão, mas existem dezenas de tipos de banhos de ervas diferentes, de acordo com o tipo de problema. Algo importante e que quase ninguém sabe é que após tomar um banho de ervas não devemos nos enxugar, mas apenas secar levemente nosso corpo, deixando-o terminar de secar naturalmente.
Da mesma maneira, existem os chás de ervas, nos quais as ervas são fervidas e bebidas posteriormente, com efeitos curativos dos mais diversos.

Cristais
Com o conhecimento de que nossos corpos são máquinas eletromagnéticas, muitas doenças nada mais são do que o desequilíbrio energético nos nadis (dutos) em nosso duplo-etérico. Neste sentido, o que acupuntura faz é direcionar estes fluxos energéticos de maneira adequada e equilibrar o balanço de prana dentro do organismo, eliminando a causa da doença logo em seu estágio inicial.
Os cristais funcionam de forma análoga; eles geram campos magnéticos sutis que ressoam com os campos eletromagnéticos de cada chakra específico, auxiliando o fluxo de prana e reestabelecendo o equilíbrio e saúde.

MAS eu preciso fazer uma mega-hiper-super ressalva aqui. São ALGUNS cristais específicos, aplicados em alguns pontos certos do corpo e da maneira apropriada. Não é éssa loucura alucinada dos misticóides da Nova Era e suas feiras de badulaques exotéricos (com “X”). Comprar cristais “Além da Lenda” e deixá-los em cima do seu corpo não vai adiantar em NADA. Um dia eu faço uma matéria só sobre cristais, desmistificando essas loucuras que a gente vê por ai.

Desnecessário dizer que nada disso é reconhecido pela ciência ortodoxa mas, para ser sincero, eu prefiro assim, pois se do jeito que está já existem uns 90% de charlatões místicos, imagine se alguém emite um certificado das otoridades dizendo que funciona mesmo… imagine que, se com conselhos sérios como o CRM já existem milhares de charlatões se passando por médicos e trocentos problemas de cirurgias e picaretagens que vemos por ai nos jornais (sem falar dos “misticos”), que caos acontecerá com seres irresponsáveis do gado posando de “doutores em cristais”…

Além disso, existe o desinteresse natural da “ciência médica” em relação a métodos gratuitos de cura e saúde… quantos bilhões são gastos anualmente fabricando drogas que não precisamos? quem lucra com isso não tem o menor interesse que as populações sejam “equilibradas energeticamente”… aliás, fazem o possível para isso ser o mais ridicularizado possível. Para quê se equilibrar com Ioga, respirações e alimentação adequada quando você pode simplesmente ficar doente e gastar dinheiro com remédios caros!

Como eu costumo dizer, as superstições são os cadáveres das antigas práticas religiosas e mágicas… Quando se remove a razão e o conhecimento dos motivos, sobra apenas a repetição cega e a crendice.

Conjurações
Sempre existiu uma certa confusão entre os limites da mediúnidade e da magia de conjuração. Desde o xamanismo e suas manifestações tribais mais primitivas aborígenes e africanas, existiam duas classes de magistas. Em essência, ambos trabalhavam com o mesmo princípio, apenas variando as freqüências astrais de suas conjurações.
Ao contrário da mediunidade, onde o médium irá “receber” passivamente um espírito, na Magia cerimonial o magista irá ordenar ativamente que o espírito venha até sua presença e obedeça sua vontade.
E a palavra chave para tudo isso é “vontade”. Através do domínio de seu consciente e subconsciente, o magista é capaz de canalizar sua vontade através da Luz Astral e influenciar os corpos sutis tanto dos espíritos dos mortos (Thanatos) quanto as habilidades mediúnicas de outras pessoas (Hecate).

o Círculo e as Ferramentas
O círculo delimita o espaço de trabalho do magista. Ele é considerado uma manifestação da vontade do mago e uma extensão de seus domínios. Pode-se traçá-lo fisicamente no chão ou mentalmente no espaço (fisicamente será melhor para iniciantes, pois desta maneira se conseguirá manter a concentração mais facilmente, ainda mais quando a mente estiver ocupada com todos os outros detalhes da ritualística).
As ferramentas exigirão uma matéria apenas para elas. As mais comuns são o bastão, a espada, o athame, o pantáculo, a taça, o incensário, as velas, as roupas e o cetro (ou varinha). Com eles, o magista é capaz de direcionar sua vontade e canalizar suas manifestações mentais no astral com maior efetividade.

Fazendo a comparação com Thanatos: através da vontade, um magista consegue interferir no astral o suficiente para afetar quaisquer seres astrais/espíritos que estejam nas proximidades, seja removendo miasmas, seja afastando-os ou até mesmo aprisionando-os (as histórias a respeito dos gênios dentro de garrafas não são meras alegorias).
Fazendo a comparação com Hecate: através da vontade, o magista consegue interferir na mediunidade de uma pessoa, aumentando ou diminuindo a sensibilidade, cortando os canais de ligação entre os médiuns e os espíritos ou facilitando/simulando esta comunicação através de outros objetos (espelhos mágicos oraculares, por exemplo… “espelho espelho meu, você acha que o tio Waldisney colocou esta passagem à toa na Branca de Neve?”)

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Exercício Prático de Imaginação e Vontade
Pode ser feito em seu quarto ou local de descanso.
Em primeiro lugar, encontre o Leste.
Fique de pé, mantendo os pés em esquadro, o pé direito apontado para o leste. Deixe o braço esquerdo caído ao lado do corpo e junte os dedos polegar, indicador e médio da mão direita, formando o Kureba Mudra. A posição dos dedos no Kureba mudra parece como se você estivesse segurando um giz de cera invisível.

Respire calma e relaxadamente alguns instantes, até estar plenamente concentrado, e comece:
Trace um Pentagrama no Ar, localizado à sua frente, começando do 1 e seguindo a ordem numérica, de acordo com a imagem. Imagine que ele seja formado por uma luz azul muito forte e brilhante. INSPIRE enquanto traçar o risco de 1 para 2, EXPIRE quando traçar o risco de 2 para 3, INSPIRE quando traçar o risco de 3 para 4, segure a respiração quando traçar o risco de 4 para 5 e EXPIRE quando traçar o risco de 5 para 1.

Se você souber qual é, imagine agora o símbolo do ELEMENTO AR dentro do pentagrama, se não souber, vai pesquisar. Faça um ponto dentro do pentagrama e deslize seu corpo e o braço no ar 90 graus para a direita, ficando de frente para o SUL e traçando uma linha de luz azul na altura do seu ombro, ao seu redor, formando um círculo onde você estiver. É importante manter a concentração e inspire enquanto estiver traçando este círculo.
De frente para o SUL, repita o traçado do segundo pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO FOGO dentro do pentagrama.
Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Oeste; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no sul e continue até o oeste.
De frente para o OESTE, repita o traçado do terceiro pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO ÁGUA dentro do pentagrama.
Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Norte; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no oeste e continue até o norte.
De frente para o NORTE, repita o traçado do quarto pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO TERRA dentro do pentagrama.

Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Leste, onde você começou o exercício; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no norte e continue até o exato ponto onde você começou a traçar o círculo.

Agora vem o exercício de imaginação e vontade: esta estrutura precisa ser mantida na sua imaginação com o máximo de detalhes possível: luz, o brilho azulado influenciando no físico, imaginar as paredes do local iluminadas fracamente por esta luz, os quatro pentagramas flutuando no espaço, ao redor dos 4 pontos cardeais no círculo e o próprio círculo luminoso contínuo.
Depois do exercício, você pode fazer o que quiser na sala, mas tente manter esta construção mental pelo maior tempo que conseguir. Se estiver fora do quarto, imagine a estrutura montada dentro dele; quando voltar, enxergue o conjunto. Se estiver em outro lugar e imaginar sua sala de estudos, imagine a estrutura dentro dela.

Mas tio Marcelo, isso é alguma forma de círculo de proteção?
Talvez… por enquanto é apenas um exercício de concentração e imaginação. Nada mais. e não esqueça de fazer os outros exercícios que eu passei nas colunas anteriores, em especial o da Vela e dos Chakras.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermes-metais-ervas-e-pentagramas

Isto não têm Importância

Por Yoskhaz

A magia da vida acontece enquanto vivemos as coisas banais do dia a dia, dizia o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo do mosteiro. Lembro disto ao perceber como desperdiçamos tempo e energia em situações que não têm nenhuma importância para as nossas vidas e, desta maneira, terminamos por atrasar a fantástica viagem ao permitir que naveguemos em círculos. “Isto não tem importância” é um mantra de uma única frase que ele repetia e ensinava o tempo todo. Todos os dias há pelo menos um momento mágico que pode transformar a vida. O segredo para ver e atravessar esse portal reside em suas escolhas e, para exercê-las com plenitude, não se pode estar distraído ou enfraquecido com o que não tem importância. As urgentes desnecessidades são armadilhas do Caminho.

Certa vez chegávamos de uma longa viagem e havia uma enorme fila para atravessar o controle alfandegário do aeroporto. Enquanto eu acompanhava irritado o lento desenvolvimento da fila, o Velho estava sereno e parecia encantado com qualquer coisa que estivesse a sua volta. Quando estava para chegar a nossa vez, um casal, entre abraços e beijos, atravessou a nossa frente, nos fazendo esperar mais um pouco. Olhei indignado para o Velho e antes de iniciar o meu discurso sobre falta de educação, ele falou baixo, quase em tom de sussurro, “isto não tem importância”. E antes que eu pudesse me alongar nas palavras para rebater o seu mantra, um funcionário nos chamou para passar pelo controle. Ele apenas me olhou com o seu sorriso maroto como se dissesse “viu?”. “Gosto de ver casais apaixonados”, justificou, a aumentar ainda mais o volume da minha impaciência. Percebi que eu, embora bem mais jovem, caminhava pesado por carregar as pedras da irritação; o Velho, apesar da inexorabilidade do tempo, circulava lépido e fagueiro pelo saguão do aeroporto. E pela vida. Entendi que sabedoria e amor dão asas.

Noutra ocasião, enfrentávamos o engarrafamento no trânsito de uma grande cidade, comigo ao volante, quando fui fechado por outro motorista, que não satisfeito, ainda me ofendeu. Contrariado, olhei para o Velho sentado no banco do carona em busca de sua cumplicidade contra aquela falta de civilidade. Ele apenas me sorriu e mantrou, “isto não tem importância”. E continuou a se encantar com o burburinho daqueles que andam apressados pela vida. Tentei discordar, porém fui interrompido por um leve toque em meu braço e pela sua fala mansa. “De um jeito ou de outro continuamos a viagem”. Não satisfeito, rebati que a pressa daquele motorista quase provocou uma colisão. O Velho tornou a se virar para mim. “Por que se chatear e perder tempo com o que não aconteceu?”. Silenciei-me. Ali entendi que a falta de tolerância apenas atrapalha a viagem.

Um pouco mais a frente paramos em um sinal vermelho. Um rapaz veio até a minha janela e pediu uma esmola. Alegou que tinha fome. Afeito aos perigos típicos das metrópoles, mantive o vidro fechado e a expressão facial dura, como automatismo de defesa. O Velho fez sinal para que o jovem fosse até a sua janela, entregou-lhe uma nota e ofereceu o seu melhor sorriso. Recebeu outro belo sorriso de volta. Imediatamente disparei a surrada retórica de que aquele rapaz talvez usasse o dinheiro para comprar drogas e não comida. O Velho me olhou com serenidade e recitou o mantra, “isto não tem importância”. Retruquei sob alegação de que a sua atitude talvez estivesse afastando o jovem da rotina saudável do trabalho. “Isto não tem importância”, tornou a recitar o mantra. Porém, ampliou o ponto de vista. “A fome tem pressa. Fiz a minha parte da melhor maneira que me foi possível. Cada um faça a sua e entenda a responsabilidade por suas escolhas. Nunca saberei se aquele jovem usou o dinheiro para comprar drogas ou saciar a fome. A escolha será dele, eu apenas ofereci ao rapaz o meu melhor e a oportunidade que neste momento a vida apresentou a mim e a ele”. Calei-me e entendi que sem compaixão a viagem se torna impossível.

Em outro momento estávamos a caminho de um cerimonial familiar. Eu estava ansioso para rever parentes que não encontrava há anos e sentir como reagiriam com a passagem da minha avó para o outro plano, vez que ela era uma típica matriarca, ao mesmo tempo amorosa e participativa, quase intrusa, nos projetos individuais de cada filho ou neto. O tempo estava muito ruim e o medo de não chegar no horário foi, aos poucos, alterando meu estado de ânimo. “Do jeito que está a tempestade só falta ter uma árvore derrubada a nos fechar a estrada”, revelei todo meu temor. “Isto não tem importância”, disse com seu jeito manso habitual. “Como assim?”, repliquei. “Viemos de longe e quando estamos quase chegando somos surpreendidos com essa chuva?”, revelei todo o meu nervosismo. “Por que se preocupar com o que não podemos interferir? Algumas coisas têm que acontecer, outras simplesmente não. Vamos fazer a nossa parte e esperar que o melhor aconteça”, deu uma pequena pausa e concluiu, “mesmo que a gente, no momento, não entenda a extensão da inteligência cósmica. Os dedos dos mestres são longos e mexem onde ainda não podemos ver. Acredite, tudo que acontece em nossas vidas é para o bem… até as catástrofes. E você sabe disto”.

Eu sabia que ele estava certo e apenas tinha que praticar os ensinamentos que já possuía. Por que sempre sabemos mais do que conseguimos vivenciar? Conhecimento sem prática não se transforma em sabedoria, é como pão adormecido na vitrine que não sacia a fome. Não disse mais palavra.

Diminuí a marcha em respeito ao tempo. Chegamos depois da hora marcada, porém a cerimônia atrasou em razão de que muitas outras pessoas enfrentaram a mesma chuva. Cumprimentamos a todos e depois, discretamente, nos dirigimos aonde repousava o corpo de minha avó para encaminhar, em silêncio, sua alma em paz para a outra estação da vida. Ao final de tudo nos despedimos das pessoas, algumas bastante emocionadas, outras presentes por obrigação social ou familiar. E seguimos para o aeroporto, vez que pegaríamos o voo de volta naquele mesmo dia, próximo à meia-noite. Na estrada lamentei com o Velho que tinha ficado triste com a maneira quase impessoal que alguns parentes tinham me tratado. “Isto não tem importância”, tornou a repetir o mantra. “Não se pode dar o que não se tem. São corações ainda desertos de amor”. E mais uma vez o Velho mostrava que nas bifurcações do Caminho a compaixão era a placa que indicava o destino do sol.

No entanto comentei que tive vontade de abraçar mais longamente um primo que havia sido criado comigo, com quem tive uma briga, há tempos, bem antes do meu iniciado na Ordem, nunca resolvida. Talvez tivesse sido a hora de nos perdoarmos. Na época éramos, os dois, ainda tão imaturos, que olhando para trás, agora, parecíamos até mesmo outras pessoas. Somente o perdão teria força para me libertar da amargura que ainda sentia. Encontrei os olhos do Velho pelo espelho retrovisor a me fitar seriamente. Ri e disse que já sabia que ele falaria: aquilo não tinha importância. O Velho me tocou no braço e me repreendeu. “Não, Yoskhaz. Isto tem importância, sim. Vamos voltar agora”. Diante do meu espanto, insistiu para que retornássemos imediatamente. “Costurar laços entre corações é o sentido da vida”, explicou. Lembrei-lhe que se fizéssemos isto perderíamos o voo, teríamos várias despesas que não estavam previstas e outros compromissos restariam prejudicados. Enfim, seria uma enorme confusão.

“Isto não têm importância”, o Velho tornou a sentenciar o mantra com um sorriso maroto.

E voltamos.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/08/15/isto-nao-tem-importancia/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/isto-n%C3%A3o-t%C3%AAm-import%C3%A2ncia

Uma Fábula Medieval – Fidelidade e Interesses

Era uma vez um jovem que recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a outro rei de uma terra distante. Recebeu também o melhor cavalo do reino para carregá-lo na jornada.

”Cuida do mais importante e cumprirás a missão!” Disse o soberano ao se despedir. Assim, o jovem preparou o seu alforje. Escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as pedras numa bolsa de couro amarrada na cintura, por baixo das vestes.

Pela manhã, bem cedo, sumiu no horizonte. E não pensava sequer em falhar. Queria que todo o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para desposar a princesa. Aliás, esse era o seu sonho e parecia que a princesa correspondia às suas esperanças.

Para cumprir rapidamente sua tarefa, por vezes deixava a estrada e pegava atalhos que sacrificavam sua montaria. Dessa forma, exigia o máximo do animal. Quando parava em uma estalagem, deixava o cavalo ao relento, não lhe tirava a sela nem a carga, tampouco se preocupava em lhe dar de beber ou comer.

Assim, meu jovem, acabas perdendo o animal, disse alguém. Não me importo, respondeu ele. Tenho dinheiro. Se este morrer, compro outro. Nenhuma falta fará!

Com o passar dos dias e sob tamanho esforço, o pobre animal não suportou mais os maus tratos e caiu morto na estrada. O jovem simplesmente o amaldiçoou e seguiu o caminho a pé. Mas como naquela região havia poucas fazendas e eram muito distantes uma das outras, em poucas horas o moço se deu conta da falta que lhe fazia o animal.

Estava exausto e sedento. Já tinha deixado pelo caminho toda a tralha, com exceção das pedras, pois lembrava da recomendação do rei: “cuida do mais importante!” Seu passo se tornou curto e lento e as paradas, freqüentes e longas.

Como sabia que poderia cair a qualquer momento e temendo ser assaltado, escondeu as pedras no salto de sua bota. Mais tarde, caiu exausto no pó da estrada onde ficou desacordado por longo tempo. No entanto, uma caravana de mercadores que seguia viagem para o seu reino, o encontrou e cuidou dele.

Quando o jovem recobrou os sentidos, estava de volta em sua cidade. Imediatamente foi ter com o rei para contar o que havia acontecido e sem remorso jogou toda a culpa do insucesso no cavalo “fraco e doente” que recebera.

Porém, majestade, conforme me recomendaste, “cuida do mais importante”, aqui estão as pedras que me confiaste. Devolvo-as a ti. Não perdi uma sequer. O rei as recebeu de suas mãos com tristeza e o despediu, mostrando completa frieza diante de seus argumentos.

Abatido, o jovem deixou o palácio arrasado. Em casa, ao tirar a roupa suja, encontrou na bainha da calça a mensagem do rei, que dizia: “Ao meu irmão, rei da terra do norte! O jovem que te envio é candidato a casar com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns diamantes e um bom cavalo.

Recomendei que cuidasse do mais importante. Faz-me, portanto, este grande favor e verifica o estado do cavalo. Se o animal estiver forte e viçoso, saberei que o jovem é fiel e sabe reconhecer quem o auxilia na jornada.

Se, porém, perder o animal e apenas guardar as pedras, não será um bom marido nem rei, pois terá olhos apenas para o tesouro do reino e não dará importância à rainha nem àqueles que o servem”.

 Pense nisso!

 Saber reconhecer aqueles que verdadeiramente nos auxiliam no dia-a-dia é, sem dúvida, um grande desafio para muitos de nós.

Ser fiel aos amigos sinceros que caminham conosco e até dividem o peso da nossa cruz, para nos aliviar os ombros a fim de que recobremos as forças.

Agindo assim, estaremos realmente cuidando do mais importante, que são esses diamantes raros que não têm preço e que ladrão nenhum tem interesse em nos roubar.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/uma-f%C3%A1bula-medieval-fidelidade-e-interesses

Esquisoterices no Estadão

Texto bacana do Daniel Sottomaior, Imperator do ATEA (Associação Brasileira dos Ateus e Agnósticos) a respeito de uns charlatões que apareceram recentemente no Estadão alegando previsões miraculosas (que obviamente nunca se concretizam). Este tipo de picareta causa muitas vezes mais estrago do que pastores evangélicos, porque com esse monte de absurdos, acabam afastando pessoas inteligentes de se aprofundarem em assuntos mais sérios.

O Oráculo de São Paulo

Na primeira edição de janeiro, o Caderno 2 do Estado de S. Paulo presenteou seus leitores com uma página inteira de previsões feitas por três místicos para este ano. Um babalorixá, uma astróloga e um tarólogo desfiaram seu, digamos, conhecimento, respondendo às mesmas sete perguntas feitas pela coluna de Sônia Racy. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi uma torrente de platitudes e inespecificidades, desta vez coroada com a inédita afirmação de que uma lei de Newton será violada este ano!

Apesar de ser um “jornalão”, não é a primeira vez que o Estadão publica, sem qualquer constrangimento, uma matéria desse tipo. Em 2005, “O futuro segundo Quiroga” fez matéria de capa no Caderno 2, e todas as críticas que fiz àquela matéria neste Observatório (ver aqui), cinco anos atrás, continuam válidas em seus menores detalhes ao último descalabro jornalístico do Estadão. Talvez eu devesse ter entrado no lucrativo business das previsões: os místicos continuarão a ganhar dinheiro com a credulidade alheia e desta vez receberão entusiástica ajuda de jornais e jornalistas que deveriam zelar pelos princípios básicos da credibilidade das fontes e da checagem de suas afirmações.

O jornal parece que não se importa com a precisão e veracidade das afirmações de suas fontes. Ano após ano, milênio após milênio, os divinadores vêm errando espetacularmente, o que já não surpreende mais ninguém. O que deveria espantar qualquer jornalista com um mínimo de dignidade é que agora esses profissionais do erro estão embolsando credibilidade, fazendo novos clientes e inflacionando seus preços às custas da mídia que pretende se dizer crítica e investigativa.

Violação de leis naturais

Em 2005, tínhamos acabado de passar por um tsunami que não foi previsto por ninguém, mas isso não impediu a repórter de entoar loas à capacidade do astrólogo Quiroga. A matéria deste ano foi publicada no mesmo dia de uma importante tragédia em Angra, que incidentalmente por muito pouco não me custou a vida. Em ambos os casos, ninguém se lembrou de questionar o expertise de peritos que não conseguem apontar os fatos mais marcantes do ano nem quando eles estão bem diante dos seus olhos.

Em 2005, Quiroga desfilou seu saber científico negando a evolução das espécies. Desta vez, o tarólogo Teruo Yamada afirmou que acontecerá “uma outra coisa intrigante em algumas regiões do planeta: o dia será muito mais longo do que o normal (presença do Sol). Mais um motivo para as fortes ondas de calor”.

Não é preciso ser grande gênio para perceber que, em cada latitude, a duração do dia depende apenas da velocidade de rotação da Terra e da posição do Sol com relação ao eixo de rotação planeta, determinada indiretamente por nossa posição na órbita de translação. Ironicamente, ambas as coisas são conhecidas e podem ser previstas com enorme precisão – não pelos místicos, claro, mas pela boa e velha ciência. A rotação da Terra, por exemplo, atualmente tem incerteza de cerca de uma parte em cem milhões.

Por isso, embora possa parecer trivial, uma variação na duração do dia de um décimo de segundo, entre um ano e outro, já representaria uma violação da lei da conservação do momento angular, uma das leis físicas fundamentais de nosso universo. Assim, a previsão do eminente tarólogo implicaria nada menos do que um milagre, que é o nome que se dá à violação de leis naturais.

“Cara eu ganho, coroa você perde”

Mais incrível ainda seria o dia ficar mais longo que no ano anterior apenas em algumas regiões da Terra, enquanto em outras permanece o mesmo! Para isso acontecer, seria preciso mudar até a geometria euclidiana, como pode constatar qualquer pessoa com uma lâmpada e uma maçã na mão. Esse é um dos problemas da suspensão de senso crítico – ou ausência, não sei – necessária para publicar semelhantes patacoadas: chega-se inevitavelmente ao vale-tudo do besteirol. Já que vamos dar crédito aos videntes, por que não passar por cima de qualquer outro resquício de lógica?

Vale a pena apontar em maior detalhe algumas das técnicas utilizadas desde sempre para incrementar a aparência de acertos das previsões. Como toda ilusão de mágica, uma vez conhecido o segredo, o truque se torna elementar. Mas nem por isso deixa de ser eficaz. Então, aqui vai um rápido manual de como acertar sempre, seguido à risca pelos profissionais da área.

Primeiro: seja generoso nas obviedades. “Vencer não será fácil” e “a vitória dependerá do empenho de cada jogador” foram as “previsões” do babalorixá para a Copa. Segundo ele, “amor, paz, compreensão e justiça são ideais que a humanidade pode perseguir”. Para o tarólogo, “a intenção do nosso presidente é dar voos mais altos e deixar alguém no seu lugar”.

Segundo: nunca diga nada com precisão. Em 2010, a astróloga revelou que “o que estiver por baixo será revelado”, “haverá pressão sobre o regente do executivo” e “revelações de grandes corrupções [sic], retaliações e revoluções no jogo de forças. E isso se refletirá no aspecto econômico”.

Terceiro: diga que uma coisa pode acontecer. Ou não. Assim você leva o crédito de qualquer jeito. Por exemplo, a astróloga afirmou que “Dilma tem a máquina a seu favor” (vide primeira regra) e “seu mapa tem bons aspectos”. A seguir, lembrou que o jogo pode virar. Marina também “tem boas chances do ponto de vista astrológico”, mas “suas chances são remotas”. Essa é a técnica “cara eu ganho, coroa você perde”. Com ela, no ano que vem basta selecionar adequadamente as citações para criar um impressionante registro de “acertos”.

A promoção do misticismo

Quarto: faça afirmações infalseáveis – ou seja, que não têm como ser desmentidas. Para o babalorixá, “2010 será regido por Oxum e Oxalá, com forte influência de Ibejo e Xangô” (alguém tem como provar o contrário?). Para a astróloga, existe “uma forte tensão no céu”. Para o tarólogo, “a economia tomará nova consciência sobre o dinheiro”, o que quer que isso signifique.

Quinto: aposte na continuação de tendências atuais. O mundo nunca muda radicalmente de um ano para outro. “As catástrofes naturais estarão relacionadas às águas” (vide primeira e segunda regras) e “Lula continuará em alta”, diz o babalorixá. Para o tarólogo, “há muita sujeira dos governantes para vir à tona” (vide primeira e quarta regras).

Sexto: consiga um jornal de renome para publicar tudo que você disser, independentemente de quão inverossímil ou auto-evidente. Isso piora a imagem dele, mas melhora a sua.

O que leva um jornal destacado a se render a tamanhas atrocidades? Como pode o padrão de jornalismo variar tão abruptamente de um dia para o outro? Ou será de um caderno para o outro? Talvez o clima de relativismo de um caderno de cultura contamine a redação de maneira tão profunda que valores como veracidade e confiabilidade deixem de ser relevantes na determinação da pauta. De qualquer maneira, a publicação de “previsões” que só fazem sentido para leitores de, digamos, determinados coloridos místico-religiosos, dificilmente se encaixa em um caderno de cultura.

Será que o fato de haver leitores interessados é razão suficiente para publicar uma matéria que atenta contra princípios básicos do bom jornalismo? Existirá algum motivo respeitável para promover misticismo sob o título de jornalismo cultural ou tudo não passou de um grande exercício de proselitismo idiossincrático que voou abaixo do radar do jornal, “sem querer, querendo”? Se essas previsões são quentes e úteis, deveriam ser utilizadas com mais frequência, e também em outros cadernos. E se não são, por que engambelar o leitor com elas?

Por Daniel Sottomaior em Observatório de Imprensa.

#Ceticismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/esquisoterices-no-estad%C3%A3o

Ebós e Feitiços Pesados

PARA DESTRUIR OU SEPARAR UMA PESSOA

Ingredientes :

1 acaçá grande e bem duro
Um pouco de azeite-de-dendê
7 atarés (pimenta-da-costa)
1 vela
Nomes das pessoas escritos cruzados

Modo de fazer :

Escrever num pedaço de papel o nome de quem se quer separar ou destruir e entregar 10 minutos antes do meio dia numa encruzilhada aberta.
Os nomes são escritos cruzados.
No centro o nome da rua e o número da casa da pessoa.
Em volta o nome do Exu Tiriri
Faz-se um acará grande e bem duro e coloca-se o papel com o nome e o endereço. Ferve-se um pouco de azeite-de-dendê, cospe-se 7 pimentas-da-costa e despeja-se quente em cima do oberó (alguidar).
Acender uma vela ao lado de tudo. Na hora de arriar na rua, peça tudo de mal para aquela pessoa.
TERÁ QUE SER FEITO NA ENCRUZILHADA, FALTANDO 10 MINUTOS PARA O MEIO DIA E QUE SEJA NUMA SEGUNDA-FEIRA !
OBS. : SEMPRE ACENDER UMA VELA E COLOCAR UM COPO DE AGUA PARA O SEU ANJO DA GUARDA E ESTES DEVERÃO FICAR ACIMA DA CABEÇA

Pó para colocar alguém fora de Nossos Caminhos

Pó de corredeira
Pó de raspa de veado
Osún
Pimenta da costa (moída)
Pimenta malagueta (seca e moída).

Misturar todos estes ingredientes, e soprar na direção de seus inimigos, de preferência que seja nas costas do mesmo, ou no seu rastro (caminho), até mesmo, dentro da casa onde seu inimigo more.

Para entregar Alguém para Egún:

1 caixão pequeno (comprar nas casas de artigos religiosos)
Maisena
9 velas brancas ou roxas
1 rosa branca ou lírio branco do campo.

Colocar o nome dentro do caixão, fazer um mingau (papa) de maisena e ainda quente, colocar dentro do caixão, por cima do nome. Pegar o caixão e enterrar dentro de uma catatumba fresca, de homem, e chamar pelo egún da pessoa e acender as 9 velas e colocar a rosa branca ou o lírio. Pedir tudo de mal para aquela pessoa.
Este serviço é para ser feito em uma segunda-feira.

Ebó para Separar Duas Pessoas sob Influência de Exu:

Os nomes
Três cebolas roxas
Um Alguidar
Azeite de dendê.

Cozinhar as cebolas, colocar os nomes em um papel de forma contrária e colocar dentro das cebolas, ainda quentes, colocar tudo dentro do alguidar e cobrir com azeite de dendê e levar ao cemitério e pedir a Exú que separe as pessoas.
Este Ebó é para ser feito em uma segunda-feira de lua minguante.

Ebó Exú Para Afastar Más Influências

Local: Cemitério
Horário: Meia-Noite
Dia da Semana: Segunda-feira
Material Necessário:
Um galo preto, verduras de todas as qualidades, um pedaço de carne seca, um pedaço de carne de porco salgada, 07 bolinhos de farinha e água com carvão, 07 farofas de azeite-de-dendê, 07 farofas de mel de abelha, 07 velas brancas, 1 metro de morim branco, Duburu, feijão preto cozido, feijão preto torrado, milho vermelho e galhos de aroeira.
Maneira de Fazer: Passar pelo corpo da pessoa todos os ingredientes acima descriminados, obedecendo a mesma ordem. Deixar tudo no local que fizer o Ebó. Levar a pessoa imediatamente para tomar banho de Abô.

Ebó Exú Para Afastar Más Influências

Local: Cemitério
Horário: Meia-noite
Dia da Semana: Segunda-feira
Material Necessário:
Um casal de galinhas brancas. Além de todos os ingredientes acima mencionados. A maneira de fazer é a mesma do Ebó acima.

Ebó para Separar Duas Pessoas sob Influência de Exu:  

Os nomes
Três cebolas roxas
Um Alguidar
Azeite de dendê.
Cozinhar as cebolas, colocar os nomes em um papel de forma contrária e colocar dentro das cebolas, ainda quentes, colocar tudo dentro do alguidar e cobrir com azeite de dendê e levar ao cemitério e pedir a Exú que separe as pessoas.
Este Ebó é para ser feito em uma segunda-feira de lua minguante.

Ebo para destruir e separar uma pessoa

Ingredientes :
1 acaçá grande e bem duro
Um pouco de azeite-de-dendê
7 atarés (pimenta-da-costa)
1 vela
Nomes das pessoas escritos cruzados

Modo de fazer :

Escrever num pedaço de papel o nome de quem se quer separar ou destruir e entregar 10 minutos antes do meio dia numa encruzilhada aberta.
Os nomes são escritos cruzados.
No centro o nome da rua e o número da casa da pessoa.
Em volta o nome do Exu Tiriri
Faz-se um acará grande e bem duro e coloca-se o papel com o nome e o endereço. Ferve-se um pouco de azeite-de-dendê, cospe-se 7 pimentas-da-costa e despeja-se quente em cima do oberó (alguidar).
Acender uma vela ao lado de tudo. Na hora de arriar na rua, peça tudo de mal para aquela pessoa.

TERÁ QUE SER FEITO NA ENCRUZILHADA, FALTANDO 10 MINUTOS PARA O MEIO DIA E QUE SEJA NUMA SEGUNDA-FEIRA !

OBS. : SEMPRE ACENDER UMA VELA E COLOCAR UM COPO DE AGUA PARA O SEU ANJO DA GUARDA E ESTES DEVERÃO FICAR ACIMA DA CABEÇA !

Ebó para separar um casal

Ingredientes :
21 ovos
21 velas

Modo de fazer :

Escrever em 7 ovos o nome do homem, escrever em 7 ovos o nome da mulher, escrever em 7 ovos o nome do casal.

Percorrer 3 encruzilhadas :

– Na primeira encruzilhada separar a clara da gema do nome do homem, jogar fora, com uma vela para cada ovo separado.
– Na segunda encruzilhada separar a clara da gema do nome da mulher, jogar fora, com uma vela para cada ovo separado.
– Na terceira encruzilhada separar a clara da gema com o nome dos dois, jogar fora com uma vela para cada ovo, acesa.

** QUANDO VOLTAR PARA CASA TOMAR BANHO DE ABÔ E DESPACHAR A PORTA COM ÁGUA E SAL.
TERÁ QUE SER FEITO NA ENCRUZILHADA, NO HORÁRIO NOTURNO E QUE SEJA NUMA SEGUNDA-FEIRA !
OBS. : SEMPRE ACENDER UMA VELA E COLOCAR UM COPO DE AGUA PARA O SEU ANJO DA GUARDA E ESTES DEVERÃO FICAR ACIMA DA CABEÇA !

Ebó para separar uma pessoa de outra

Ingredientes :

Um coração de boi
O nome da pessoa
Pólvora
Vinagre
Pemba preta
Cachaça
Um metro de morim preto

Modo de fazer :

Abra o coração ao meio, coloque os nomes das pessoas e coloque dentro pólvora, vinagre, pemba preta e cachaça. Feche o coração e enrole no morim preto, dando um nó. Enterre tudo no fundo de um mangue.

TERÁ QUE SER FEITO NO MANGUE, NO HORÁRIO NOTURNO E QUE SEJA NUMA SEGUNDA-FEIRA !
OBS. : SEMPRE ACENDER UMA VELA E COLOCAR UM COPO DE AGUA PARA O SEU ANJO DA GUARDA E ESTES DEVERÃO FICAR ACIMA DA CABEÇA !

Afastar inimigos

Ingredientes :

O nome(s)
1 vidro de azougue
7 fios de cabelo do rabo de um cavalo
7 folhas da corredeira
1 garrafa de cachaça
1 vela preta
1 charuto
1 caixa de fósforos

Modo de fazer :

Levar ao fogo, torrar tudo com o nome(s), escrito(s) 7 vezes seguidas. Colocar, após torrados, dentro da garrafa de cachaça juntamente aberta, entregando a Exu Teimoso.
Acender a vela e o charuto e deixar juntamente com a caixa de fósforos.

OBS. : SEMPRE ACENDER UMA VELA E COLOCAR UM COPO DE AGUA PARA O SEU ANJO DA GUARDA E ESTES DEVERÃO FICAR ACIMA DA CABEÇA !

Afastar inimigos

(para tirar alguém de seus caminhos ou afastar de uma pessoa que você ama)

Ingredientes :
1 mão de vaca
1 metro de fita vermelha
1 metro de fita roxa
1 litro de azeite de dendê
1 vidro de pó de sumiço
1 vidro de pó da raspa de veado
7 folhas verdes, da erva do fogo (é uma erva rara que pode ser encontrada nas casas especializadas.)
1 punhado de pipoca, feitas na areia lavada
1 alguidar grande
O nome do desafeto

Modo de fazer :

Pegar a mão da vaca, aberta ao meio, colocar o nome, pôr os pós por cima, enrolar as fitas, dando laçada. Em seguida, colocar no alguidar, cobrindo com as pipocas e entornando bastante dendê. Imediatamente, levar a uma encruzilhada aberta (aquela que tem o formato de cruz), entregando a Exu.

OBS. : SEMPRE ACENDER UMA VELA E COLOCAR UM COPO DE AGUA PARA O SEU ANJO DA GUARDA E ESTES DEVERÃO FICAR ACIMA DA CABEÇA !

DERROTAR INIMIGOS.

Este axé não vai ao *igbá .São diretos no tempo.

-2 INHAMES.

-AZEITE-DE-DENDÊ.

*-ORI.

*-EFUM.

-1 ALGUIDAR DE BARRO.

-1 TIGELA BRANCA CUMPRIDA.

-BANDEIRA BRANCA DE 40X 40CM.

-RESTOS DE 9 REFEIÇÕES.

-BANDEJA DE PLÁSTICO.

-3 VELAS VERMELHAS.

-9 VELAS DE SEBO.

-12 VELAS BRANCAS.

Para livrar-se de inimigos e obter algo muito difícil coloca-se inhame com dendê para BARÁ ,arriando em uma campina perto de estrada,acendendo as velas vermelhas.

Arreia-se inhame com ori e efum para OBATALÁ, próximo ao axé do BARÁ e acender suas doze velas.

Dar de comer aos eguns os restos das comidas na bandeja de plástico ao pé de uma árvore seca,um pouco mais afastada dos orixás e acender as nove velas de sebo.

Colocar uma bandeira branca em casa,após despachar todo o axé.

Feitiço para tirar uma pessoa de nossos caminhos sob influência de EXU

MATERIAL NECESSÁRIO
* Farinha de mesa
* Nove folhas de saião
* Cinza de carvão
* Nove pedaços de carvão
* Óleo de rícino

MANEIRA DE PREPARAR

Fritar as folhas de saião no óleo de rícino, com o nome da pessoa.Fazer um padê com óleo de rícino e o nome da pessoa.fazer nove bolos de cinza da carvão com farinha de mesa e o óleo de rícino e uma pedra de carvão para cada bolo.
Colocar a farofa e o óleo de rícino em cima do nome.
Arrumar os bolos de cinza, farinha e óleo, por cima colocar as folhas de saião
Local: Dentro de casa
Horário: 18:00hs
Dia da semana: Segunda-Feira

Feitiço para destruição sob influência de EXU

MATERIAL NECESSÁRIO
* Um coração de boi
* Enxofre em pedra socado
* Uma pemba preta
* Cachaça
* O nome da pessoa
* Um morim preto
* Três velas pretas
* Cinza de carvão

MANEIRA DE PREPARAR
Abrir o coração de boi, colocar dentro o nome, o enxofre, a pemba preta, a cachaça e a cinza.Enrolar tudo no morim preto e enterrar em uma bananeira ou mangue e acender as velas para exu e pedir a destruição da pessoa.
Local: Pé-de-bananeira ou mangue
Horário: 18:00hs
Dia da semana: Segunda-feira

Ebó Exú Para Afastar Más Influências ( 1 )
Local: Cemitério
Horário: Meia-Noite
Dia da Semana: Segunda-feira
Material Necessário:
Um galo preto, verduras de todas as qualidades, um pedaço de carne seca, um pedaço de carne de porco salgada, 07 bolinhos de farinha e água com carvão, 07 farofas de azeite-de-dendê, 07 farofas de mel de abelha, 07 velas brancas, 1 metro de morim branco, Duburu, feijão preto cozido, feijão preto torrado, milho vermelho e galhos de aroeira.

Maneira de Fazer:

Passar pelo corpo da pessoa todos os ingredientes acima descriminados, obedecendo a mesma ordem. Deixar tudo no local que fizer o Ebó. Levar a pessoa imediatamente para tomar banho de Abô.
Ebó Exú Para Afastar Más Influências ( 2 )
Local: Cemitério
Horário: Meia-noite
Dia da Semana: Segunda-feira
Material Necessário:
Um casal de galinhas brancas. Além de todos os ingredientes acima mencionados. A maneira de fazer é a mesma do Ebó acima.

ABERTURA DE CAMINHO ( CHAMAR CLIENTE )

7 velas
7 folhas de mamona Padê de dendê e de mel akaçá
Feijão fradinho torrado Milho Torrado Deburu
Dar um frango ao exú da casa, só o ejé, por um pouco de padê de dendê, feijão fradinho, milho vermelho, deburú, akaçá em cada folha e por uma parte do frango em cada folha; cabeça, 1 pé, outra um rabo, a asa, outra 1 pedaço do pescoço, a cabeça na rua da casa virada para a rua principal e o resto ir distribuindo em cada encruzilhada, na volta vir jogando padê de mel na ma até a porta de cassa chamando cliente, dinheiro e etc.. Por no Ogum 1 prato de feijão fradinho 1 prato de milho vermelho

EBO CLIENTE

7 folhas de mamona com; padê de mel, dendê,
7 akaçás vermelho
7 akaçás branco
7 moedas
1 obi roxo partido em 7, colocar em 7 encruzilhadas pedindo abertura de caminho.

EBÓ OKARÃ ESU

7 padès diferente
3 akaçás
7 acarajés
7 punhados de deburú
7 velas
Vá metro branco, preto e vermelho
1 frango

EBÓ DE ESÚ NA RUA

cartucho de pólvora
garrafa de cachaça ou champanhe
CHARUTOS, CIGARROS

Ebó Para Fins Amorosos

Tendo um coração de boi, parta-o em quatro pedaços. Regue-o generosamente com mel de abelha, tendo o nome da pessoa visada dentro. Coloque o coração assim preparado dentro de um alguidar e ofereça a Ogum, em um Terça-feira.

Ebó Para Atrair Clientes
Fumo de rolo e açúcar. Defume o local dentro para fora e de fora para dentro. Repita este processo e não tarda seus efeitos surpreendentes.

Ebó Para Solucionar Problemas

Torre feijão fradinho no azeite de dendê. Coloque-o na folha de mamona.

Ebó Para Problemas Renais e Hérnia
Coloque em uma quartinha, perfume, mel de abelha, e ao lado acenda uma vela branca. Toda Quinta-feira renove.

Ebó para o Amor

Material:
07 Maçãs vermelhas
07 Botões de Rosas vermelhas
07 Velas Vermelha e Branca
04 galhos de pitangueira
Mel
07 Papéis com os nomes escritos

Coloque os nomes em cada maçã.
Forme um círculo de maçãs numa bandeja.
Ponha as velas e os galhos de pitangueira por fora do círculo de maçãs.
Despeje mel por cima
Despache no mato acendendo as velas e fazendo seus pedidos e oferecendo á Yansã.

Ebó de Oxum para Prosperidade

Numa tigela de vidro coloque os ingredientes, obedecendo a ordem a seguir:
08 Moedas;
01 Punhado de Farinha de Milho;
Mel;
Água até a proximidade da borda da tigela;
Perfume;
Pétalas de Flores Amarelas.

Deixe em sua casa ou no local de trabalho durante 07 dias. Despache num verde, reaproveite as moedas e a tigela de vidro.
Peça á Oxum properidade e fartura.

Para separação
1 garrafa de cachaça, 7 vezes o nome dentro , tampa-se, leva em uma encruzilhada ou num mato que não tenha bananeira. Ofereça a Exu Mularnbo e diz: ” COMO ESSA GARRAFA ROLAR, QUE ROLE COM FULANO(A) DA VIDA DE ………(NOME), ROLAR DE MANEIRA
QUEBRE A GARRAFA, E VIRE-SE DE COSTA E VAI EMBORA.”

Para Conseguir seus Objetivos

Pegue uma tigela de vidro e coloque no fundo um papel com seus objetivos escritos. Coloque mel por cima. Encha a tigela com água e 08 flores brancas. Guarde por 08 dias. Despache no verde. Faça todos os seus pedido á Oxalá.
Para Estreitar Laços de Amizade e Melhorar o Relacionamento Familiar
Material
Camjica Amarela cozida;
04 Quindins;
08 Balas de Mel;
Os nomes escreitos num papel.
Arrume tudo numa bandeja e despache na praia fazendo seus pedidos á Oxum.
Banho para Yemanjá Ajudar a Conquistar as Coisas que Deseja
Material
Água morna
FOlhas de Pata de Vaca;
Folhas de Tapete de Oxalá (boldo);
Mel
Flores Brancas

Lave as folhas uma a uma, coloque-as numa bacia com água e de frente para a bacia macere as folhas esfregando uma na outra, pensando positivamente em seu objetivos. Acrescente 08 gotas de perfume. Tome o bnaho do pescoço para baixo.

Neutralizar Pessoas Fofoqueiras
Escreva o nome da fofoqueira num papel, enrole-o e coloque dentro de uma pimenta dedo-de-moça.
Numa quarta-feira, deixe a pimenta fora de casa (no sereno, mas onde ninguém veja).
Na sexta-feira, torre a pimenta, e transforme-a em pó. Jogue um pouco de pó nas costas da fofoqueira.
Separar a Rival de Seu Amado
01 Maçã vermelha;
01 Lâmina de barbear;
01 Pedaço de papel;
01 Vidro de boca larga e com tampa;
Azeite de dendê.

Faça na Lua Minguante. Crave a lâmina no lato da maçã. Em um dos lados do papel escreva o nome da rival e no outro do seu amado. Coloque o papel com os nomes na lâmina.
Ponha a maçã dentro do vidro e encha-o com dendê.
Feche o vidro, despache no verde ou quebre-o num cruzeiro. Saia sem olhar para trás.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/ebos-e-feiticos-pesados/