Fúria Matemática

O texto a seguir revelará a maneira perfeita de transformar um macaco em um Campeão. Para prosseguirmos vamos precisar de um pouco de matemática, mas ela se resume a um pouco de multiplicação e divisão, então não temam, bando de matematofóbicos. Vocês podem pular para o final do texto e ver apenas o resultado.

Não. Foda-se. Não vou fazer isso.

Se algum cretino não tem estômago para uma simples raiz quadrada ou não consegue compreender o conceito de uma função, saia daqui agora. Se mande e não volte até ter aprendido um mínimo de matemática, qualquer coisa sobre estatística, teoria da probabilidade, até saber desenhar um gráfico ou pelo menos até que saiba o suficiente para que seu queixo preguiçoso não caia até o chão quando eu derivar a desigualdade de Hölder.

E quer saber por quê?

Simples. Porque é tudo culpa sua.

E o que é culpa sua?

TUDO!

Tudo mesmo. Cada uma das merdas que estão erradas no mundo.

Cada uma das decisões financeiras absurdas tomadas pelos governos, companhias e indivíduos é sua culpa. Você deveria ter percebido, seu cretino ignorante de matemática; você deveria saber o que os números significam mas ao invés disso ficou como um animal paralizado no meio da estrada quando a luz dos faróis de um carro que vem em sua direção em alta velocidade o atinge, como um animal estupidificado que não sabe diferenciar um milhão de um bilhão.

Cada uma das quebras do mercado de ações é sua culpa, já que a sua espécie não tem a menor idéia de como esses enormes sistemas aleatórios podem flutuar, então você simplesmente marcha em direção ao desastre, e ao fazê-lo o torna dez vezes pior. Ou mil vezes pior. Não que eu espere que você saiba a diferença.

E não se trata apenas de não saber lidar com a especulação porque é a sua espécie de macaco que deu aos “Jogos de Azar” este nome. Nenhuma empresa pode sobreviver se não souber produzir o máximo com o menor custo objetivando o melhor lucro. E como você ou seu chefe tentam fazer isso? Por tentativa e erro! Puta que pariu você prefere fazer o feng shui do escritório à olhar o balancete e acha que a diferença entre ativo e passivo é apenas uma questão de quem vai comer quem.

O mundo dos inadimplentes cresce a cada segundo, recebendo gente do seu tipo a cada instante. Gente que não tem idéia do que “juros” significa, que não consegue conceber como a aleatoriedade trabalha e se empenha em arruinar cada uma de suas boas intenções. Você não planeja, você não pensa em como as coisas funcionam, você nem ao menos pára para pensar se elas podem funcionar. Cada estelionatário, cada fraudador de sucesso, cada aposentado que é roubado dos frutos de anos de investimento é sua culpa. Cada idéia brilhante arruinada por idiotas sem nenhum senso de probabilidade é sua responsabilidade, incluindo o desastre que ocorreu após o desastre de Hindenburgo. Sim! Você é a razão pela qual nós não temos mais dirigíveis; você entrou em pânico depois do Hindenburgo e sua paranóia e incompreensão bovina foram o fim daquela era maravilhosa. Nós poderíamos ter naves aéreas se não fosse por você e por sua inabilidade de compreender matemática!

Bernie Madoff, o Banco Rural e toda essa laia são suas crianças, seu cretino. Cada maníaco de powerpoint corporativo, cada molestador de gráficos, mentindo com números sem legenda, com abscissas e ordenadas desiguais, com falsas porcentagens, totais omitidos e questionários tortuosos são da sua laia também. Você deu a luz a eles, os amamentou. Tenha certeza de que cada um deles vai para o túmulo muito bem alimentados pela sua incompreensão numérica. Você também alimentou os homeopatas, os curandeiros de cristais e outras escórias semelhantes porque seu cérebro tolo algaravia sempre que uma potência de dez surge e acredita que a matemática não tem poder de lhe morder os fundilhos se você não parar para prestar atenção nela. Os criacionistas, evolucionistas e cientologistas, juntamente com suas abominações matemáticas são sua culpa, assim como todas as vidas arruinadas pelas parafilias pervertidas da astrologia e numerologia. Cada criança que foi privada de uma guloseima, porque suas estúpidas unidades parentais decidiram comprar o Código da Bíblia ao invés de passar pela sessão de salgadinhos do supermercado tem apenas você a culpar, e a criança está chorando.

Durante a Idade Média a Peste Negra dizimou mais de dois terços da vida na Europa. Pelo menos a peste era sincera e honesta, ela matava pessoas, não as transformavam em zumbis como você, que acredita que um livro ou uma palestra podem te transformar no melhor vendedor, no mais rico empresário. Zumbis estupidificados, recitando mantras e seguindo passos simples para o sucesso, como um bando de hare-krishnas infernais que acreditam ter descoberto a pedra filosofal que trasmutará sua incompetência numérica em ouro.

Cada milhão desviado da educação, destinado para o desenvolvimento de novos remédios alopatas milagrosos, tem o seu carimbo de aprovação, afinal é melhor gastar bilhões em patentes médicas do que simplesmente aceitar o fato de que alguns males não tem cura. Sua capacidade de analisar simples estatísticas te cegam para o fato que hoje muitos tratamentos são piores do que as doenças que deveriam curar e que mais dametade dos remédios consumidos visam combater efeitos colaterais de outros remédios consumidos, a maioria sem necessidade.

Cada criança que poderia ter a vida salva com uma simples refeição diária merece um pedido de desculpas de você, um pedido que nunca chegará, pois você prefere pregar aos quatro cantos do mundo que o costume de comer carne vermelha é um dos grandes responsáveis pela fome mundial ao invés de estudar um simples gráfico que mostra quanta alface é jogada no lixo todo dia por imbecis como você. Não são os matadouros e assassinos de vacas os responsáveis pela fome no mundo, mas sim a sua burrice e a sua preguiça. Você é tão idiota que acredita que a loteria é um investimento melhor, mais excitante e mais certeiro do que uma poupança.

Você é responsável por cada político que prefere aumentar o próprio salário ao invés de investir na rede pública. Cada Bolsa Família, cada déficit estadual, cada desvio de dinheiro, tem o seu nome escrito. Você deveria se cumprimentar a cada morte em filas de espera de hospitais públicos que são mantidos com os impostos que você paga.

Você não é apenas um perdulário, um destruidor do dinheiro e da vida alheia. Você é um assassino também. Cada criança morta graças ao medo dos minúsculos riscos da vacinação, um medo que parece não existir em relação aos riscos muito maiores da falta de vacinação, também é culpa sua, meu caro inumerado. Cada pessoa morta por causa do “com certeza isso não vai acontecer comigo!” é uma vítima sua, jazendo morta e despedaçada nas ruínas de sua própria crença na superioridade do exepcionalmente pessoal em detrimento à probabilidade bruta.

São chucros como você que, quando ouvem termos como uma quinta ou uma oitava, são incapazes de perceber que o assunto é música, e é essa surdez numérica que impede que você perceba como os números berram que os grandes hits da sua vida como Basket Case da banda Green Day, Don’t Look Back in Anger, do Oasis, Crying do Aerosmith, C U When U Get There do Coolio, We’re not gonna take it do Twisted Sister, Get Me Away From Here, I’m Dying do Belle e Sebastian, Life Goes On do Tupac, The Black Parade do My Chemical Romance, Hook do Blues Traveler, Go West do Petshop boys, além de dezenas e dezenas de outros são basicamente uma única estrutura melódica matematicamente definida desde o Canon de Pachelbel.

Qual a sensação de ter seus dígitos cobertos de sangue? Mães adolescentes, pessoas incriminadas erroneamente em tribunais, criminosos que são absolvidos… cada um deles é culpa sua. Seu apalermado embrulhado em uma camisa polo, que sempre é totalmente enganado e mistificado pela retórica e por joguinhos emocionais, dentro de sua casa ou sentado no banco do júri em julgamentos, incapaz de compreender aquilo que os números dizem, incapaz de entender o que “o menor dos males” significa, já que você é um analfabeto, um cego, um tonto que nunca vai enxergar como pequenas probabilidades às vezes podem nos levar a quase certezas, um inépto que não consegue enxergar que tudo se reduz a números, inclusive esse disperdício que é a sua vida e o custo da sua inumeracia. Você é daquele tipo de imbecil que acredita que com um único ponto anedótico de dados se é possível se traçar um curva. Chega mais perto e eu vou usar o único ponto da minha bengala pra traçar uma porra de um polinômio do terceiro grau na sua cara idiota!

Cada pessoa que perdeu o emprego por causa de cada crise financeira, deve sua desgraça a você e à sua incapacidade de assimilar termos como investimento de alto risco. ALTO RISCO! Por algum motivo seu cérebro consegue interpretar essas palavras como ALTO LUCRO! Ele não percebe que não existe vantagem em se pagar por algo que nunca vai ser seu. Você diz que não gosta de números e que não precisou mais deles depois que se formou no ensino médio, mas bastam te darem um % e você acredita. Te dão um $ e você obedece.

Você é tão repulsivo que não percebe que vive em um mundo onde 80% das pessoas acredita sem nenhum tipo de questionamento em qualquer dado que seja precedido de uma porcentagem. E é tão imbecil que provavelmente vai acreditar nesta estatística sem nem ao menos questioná-la.

Eu só não tenho mais asco de você porque diariamente você também paga o preço de sua própria estupidez. Você paga mais impostos de o que deveria. Você é enganado pela televisão. Você é roubado pelos bancos. Você perde no jogo e acha que apenas não tem sorte no amor. Você gasta mais do que tem. Você ganha menos do que mereceria. Você não sabe administrar seu próprio tempo e as únicas metas que consegue cumprir são as do dono do seu chicote. Seu desinteresse pelas regras do mundo, no fim das contas, fazem com que você seja sempre passado para trás por pessoas que no fundo são só um pouco menos idiotas do que você. Você vive em uma cidade onde todo jogo é viciado e todos trapaceiam e mesmo sabendo disso sempre que perde apenas se limita a sorrir e dizer que hoje a sorte não sorriu para você. Sorte! Você ao menos já sentiu curiosidade de saber o que significam pequenas palavras como probabilidade, aleatoriedade e estatística?

Tudo isso e qual a sua reação? “Oh… meu deus, eu nunca fui muito bom com números” ou “Eu nunca precisei de matemática depois da escola.” ou ainda “De que servem essas equações inúteis?”

Por Gauss! Você é o tipo de gentinha que deve achar que proporção áurea tem alguma coisa haver com o fim da escravidão e só conhece Fibonacci por causa de algum romance popular que nem tem a ver com matemática. Você não faz idéia do que ele diz e provavelmente faz questão de não saber, esse conhecimento provavelmente destruiria a bênção que você deve considerar a sua ignorância. A cada segundo de cada dia que você desperdiça com sua existência, você joga na privada o trabalho e a paixão de centenas de seres humanos que levaram centenas e milhares de anos com o único objetivo de lapidar uma jóia que te foi dada de graça. De graça! Uma jóia que de qualquer maneira vai durar mais tempo do que qualquer coisa que você pode conceber na vida, que seus filhos inúteis e seus netos retardados concebam, e os filhos e netos deles também. Você é um porco que come pérolas, caga pérolas e ainda reclama do gosto.

Eu não vou facilitar as coisas para você, escória. Você não merece nada fácil. Continue fazendo esta cara de bunda sempre que uma divisão de dois dígitos for necessária para pagar a conta no bar.

É claro você pode sentir um certo incômodo e se iludir pensando que a partir de agora vai reagir, vai tentar mudar e recuperar um pouco daquilo que seus pais ou o estado tentaram de dar no começo da vida.

Mas você é do tipo que pula as partes difícieis direto para o resultado, que no fim é o que interessa certo? Certo? Aqui esta ele: Você é um idiota.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/furia-matematica/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/furia-matematica/

A Transcendência do Amor

Magia Sexual

Por Serge Hutin Quer

Este é o título de um livro escrito nos Estados Unidos, em meados do século XIX, por um homem curioso: o mago rosacruz Randolph.

Originalmente não era uma obra destinada à publicação, mas apenas apontamentos confidenciais que ele reservou para uns poucos discípulos e que só foram levados ao grande público após sua morte.

Seu conteúdo centra-se na magia que envolve o ato sexual resultante de uma união harmoniosa e os poderes regeneradores dele originários.

PRIMEIRA PARTE:
PASCHOAL BEVERLY RANDOLPH

Paschoal Beverly Randolph nasceu em Nova York, a 3 de outubro de 1825. Era filho de um homem pertencente a uma família economicamente bem situada na região e de uma mulher, Flora Beverly, que descendia de ingleses, franceses e malgaxes.

Esta mulher – segundo se dizia, descendente da família real de Madagascar – morreu quando Randolph tinha apenas 5 anos, e seu desaparecimento marcou a vida do jovem para sempre.

O pai deixou-o aos cuidados de uma descuidada meia-irmã, que o largou praticamente abandonado: durante anos Randolph não foi à escola, e sua educação foi inteiramente feita nas ruas. Mais tarde, Randolph chegou a se formar em medicina – mas seus estudos foram quase inteiramente dirigidos por ele mesmo.

Durante toda sua vida Randolph guardou a lembrança do amor maternal perdido tão cedo. Na sua autobiografia, ele escreveu: “Nasci no amor de uma mãe amorosa. Sou exatamente a contrapartida de seus sentimentos, de suas paixões vulcânicas, ardentes, de seu amor que parecia o céu, mais profundo que a morte. De sua agonia, terrível como mil instrumentos de tortura. De sua esperança e confiança. Por sua solidão fui um eremita toda minha vida, mesmo entre os homens. Em uma palavra: sou a expressão exata do estado do corpo do espírito, da emoção, da alma, das tendências, das aspirações desta mulher, quando ela tomou para si a encarnação daquele que agora escreve essas linhas.”

Randolph estendeu essa admi-ração a toda mulher, como poderemos ver. Mas esse lado malgaxe que tinha em si foi a origem, também, de uma série de problemas raciais. Desde cedo, foi maltratado por esse motivo. Aos 15 anos tornou-se grumete e, mais tarde, marinheiro. Tal fato levou Randolph a viajar por todo o mundo e conhecer países distantes.

Aos 20 anos, um grave acidente ocorrido quando ele cortava madeira obrigou-o a abandonar a carreira marítima. Passou então a exercer profissões diferentes, como tintureiro, cabeleireiro. Mas continuava a viajar, com os poucos recursos que conseguia reunir.

SEGUNDA PARTE: 
VIAGENS AO ORIENTE E A  AMÉRICA
Apaixonado desde a infância por ilusionismo e magia, ele foi, numa das suas viagens à Síria, um dos primeiros ocidentais a serem iniciados nos ritos secretos dos ansariehs. No seu retorno aos Estados Unidos, Randolph iria organizar uma seita ligada aos degraus superiores da rosacruz: os Sacerdotes de Aeth.

Na Europa, Randolph recebeu também os mais altos graus de um dos ramos mais ativos da comunidade rosacruz. Eliphas Levi, em pessoa, conferiu a Randolph o grau supremo da Fraternidade Rosacruz e também da Ordem do Lírio. Na Espanha, recebeu a iniciação secreta dos alumbrados, adeptos do Amor Puro.

Mas as viagens não pararam aí: ele visitou a América Latina, Inglaterra, novamente a França onde se tornaria amigo de Alexandre Dumas -, Grécia, Turquia, mais uma vez a Síria e Arábia.

De volta aos Estados Unidos, ele fez amizade com pessoas de posição na comunidade e adquiriu uma reputação sedutora e invejada nos meios maçônicos e rosacruzes da região. Entre os amigos maçônicos de Randolph estavam George Lippard, o general Ethan Ritchcock – autor de uma célebre pequena obra sobre os aspectos espirituais e psíquicos da alquimia, publicada em 1854 em Boston – e John Brown, autor da “cruzada antiescravagista”, surgida na década de 1850 na Virgínia e que antecedeu a Guerra de Secessão.
Randolph foi, também, uma espécie de consultor espiritual de Abraham Lincoln, e isso não é tão surpreendente: ambos eram maçons e rosacruzes, ambos verdadeiros self-made-men, oriundos de uma classe social humilde, até chegarem a uma condição social superior.
Ambos eram ardentes patriotas americanos, queriam abolir a escravatura e libertar os negros. No fim da Guerra de Secessão, Lincoln encarregou Randolph de supervisionar, em seu nome, obras educativas destinadas aos escravos emancipados.

Randolph se tornara Supremo Grão-Mestre da sociedade rosacruz segundo duas patentes: uma liberada em 1858, após uma reunião realizada em Paris e presidida por Eliphas Levi, e uma outra, interior, oriunda da Fraternidade Hermética de Luxor.

Mais ou menos em 1870, Randolph participava de um círculo chamado Fraternidade de Eulis. Essa fraternidade rosacruz, atualmente com sede em Beverly Hall, Pensilvânia (EUA), é atualmente uma das organizações rosacruzes mais atuantes nos Estados Unidos.

TERCEIRA PARTE:
MAGIA: O CONTATO COM OUTROS PLANOS

Apesar de seu grande sucesso nos meios ocultos, Randolph não teve jamais uma vida simples e feliz. Ele diria dele mesmo: “Cada gênio está destinado à miséria nessa vida, porque a sua vida nada mais é do que um desenvolvimento angular, unilateral.”

Randolph morreu bastante jovem, depois de ter passado por vários problemas bastante difíceis: surgiram ataques de todo lado, resultado da total confiança que ele depositava nas pessoas, na sua generosidade. De fato, Randolph era de uma ingenuidade quase infantil com todos aqueles que se relacionavam com ele.

Mas, ainda assim, Randolph teve tempo para deixar alguns outros tratados ocultos, além da Magia Sexual: por exemplo, o Relacionamento com os Mortos, Os Mistérios Secretos de Eulis, além de uma série de romances iniciatórios, como Asrotis, Dhoula-Bell, Magh-Theson.
Madame Blavatsky não tinha Randolph em boa consideração: para ela, o americano era uma espécie de mágico, suspeito, ávido de fama e poderes nefastos. Mas este é um julgamento apressado: seria um erro crer que o autor de Magia Sexual era um homem obcecado egoisticamente com o poder às custas dos outros.

Randolph, na verdade, queria conhecer as leis supremas do universo e da vida, adquirir conhecimentos. Ele mesmo explicou: “Acreditamos na natureza, que é para nós a manifestação da inteligência suprema, e proclamamos que Deus reside em tudo e em cada um de nós. O mundo das aparências físicas não é nem de longe o único a ter uma realidade palpável. Pela magia será possível obter o contato com as outras regiões da existência.”

Em “A Fraternidade de Eulis”, Randolph escreveu que crê nos mundos elétricos, etéreos e fluídicos, situados além das fronteiras do mundo material. Esses mundos, lembra ele, se estendem para o infinito, “povoados de belezas ofuscantes, ornados de nuvens e constelações insensatas, de paisagens sem limite.” Esses mundos são, para nosso universo, o que este último seria para uma cidade de formigas.


QUARTA PARTE:
A MAIOR FORÇA MAGICA DA NATUREZA

Mas, para Randolph, a revelação fundamental é uma só: o sexo é a maior força mágica da natureza. Mais ainda: do amor nascem, segundo as circunstâncias, as paixões, os arrebatamentos, os estímulos para a criação divina ou humana, o surgimento de deuses ou diabos.

Daí a possibilidade dessa magia simples e eficaz, que não precisa ser temida pelos não-iniciados, pelos que não foram predestinados. Esta força, quando desencadeada, pode ser comparada àquela que, na natureza exterior, origina a tempestade.

Apesar dessa aparente simplicidade da energia sexual, Randolph acredita que somente um iniciado será capaz de dominar essa força inteiramente. Diz ele: “Este caminho está destinado e é reservado aos homens de coragem e algumas poucas mulheres, que sabem utilizar a energia sexual de uma forma útil.”

Ele observa ainda que “as forças mágicas não repousam jamais nos grandes vazios das almas fracas, e elas não se revelam ao homem a não ser que as diferentes correntes de influências exteriores se acalmem, graças a uma vontade fria e paciente, comprovadas ritualmente”.

Para Randolph, sua Magia Sexual seria apenas um caminho, traçado sobre um plano: o interessado deve erigir ele mesmo a vela do seu barco e orientá-lo com sua própria mão, “na direção onde brilha o Sol”.

Longe de ser um libertino cínico, Randolph mais parece, aos olhos modernos, um homem rígido, se comparado às atuais lutas pela chamada liberação sexual. Exemplo disso é que ele concebia sua magia sexual praticada apenas por um casal carinhosamente unido e amantíssimo. 
São do próprio Randolph as palavras: “Não tome, para essa operação mágica, a prostituta, a virgem ignorante, nem a menor de 18 anos, nem a mulher de um outro, mas cumpra o ato solene com sua própria amada, esposa ou amante.”

Ele exalta o casal a observar um sábio equilíbrio higiênico: alimentar-se com simplicidade e, de preferência, com alimentos naturais, dormir num leito duro, com a cabeça para o norte, usando travesseiros baixos, num quarto fresco e bem arejado.

Isto não quer dizer que Randolph queira tirar toda a alegria e prazer do ato sexual: “O homem não deve, jamais, tocar uma mulher que não esteja emocionada, e ele não deve deixá-la antes que os dois frissons não tenham acabado.”

Ainda assim, seria falso acreditar que a multiplicação frenética das relações sexuais aumentaria os efeitos. Para Randolph, o contrário estaria mais perto da verdade. Escreve ele: “Não veja tão freqüentemente sua mulher e somente quando os dois estejam bem precisados. Durmam em quartos separados e uni-vos não mais que duas ou três vezes por semana.”

Mas é interessante reforçar o fato de que a união do casal não se reduz somente ao ato sexual: “Além do prazer carnal, esteja atento à união das almas, se quereis que vossa prece seja atendida.” Quando essa união atinge sua forma perfeita, ela é sagrada: “Que vosso amor vos una a Deus”, espera Randolph.

 

QUINTA PARTE:
SEXO: CAMINHO PARA O DIVINO

Aos olhos de Randolph, seria inteiramente inconcebível acreditar que um amor verdadeiramente sincero e total possa fechar o caminho dos parceiros ao Divino.

Para ele, existem certas posições sexuais que têm efeitos mágicos, mas seria mutilar singularmente seus ensinamentos acreditar que tudo se resume a uma série de posturas fisiológicas sexuais mais eficazes. Ao contrário: Randolph crê que o ato sexual é um verdadeiro ritual mágico onde intervêm, ao mesmo tempo, os gestos, os perfumes, as cores, os sons, Randolph precisa: “O ritual do amor mágico pode ser completado por objetivos tão variados como a vida mesma o é, mas não se pode esquecer jamais que a lei da polarização e reflexo devolve ao operador o bem e o mal que ele causa ao outro”.

Essa é a idéia clássica do choque do retorno sofrido pelo enfeitiçador. Segundo Randolph, seria possível utilizar a energia sexual para a realização de toda sorte de operações mágicas: “Se um homem deseja ardentemente um certo poder e guarda este desejo do instante que penetra a mulher até o instante que a deixa, seus votos necessariamente serão satisfeitos.”

Randolph desenvolveu um princípio, no qual afirma que se o ato sexual é perfeito, se a união entre o homem e a mulher se cumpre dentro de todas as esferas de seus respectivos seres, suas forças aumentam tanto mental quanto fisicamente. “E a prece, esta prece, é sempre satisfeita.”

E quais seriam os resultados práticos obtidos pela magia sexual? Randolph enumera os seguintes:

1) A regenerescência da força e da energia vital e o reforço do poder magnético;

2) A produção da influência magnética, em vista da submissão do homem à mulher, ou da mulher ao homem;

3) O refinamento do poder ou dos sentidos em geral;

4) A determinação, à vontade, do sexo da criança a conceber e o reforço de suas capacidades cerebrais ou corporais;

5) A criação de visões sobre-humanas, espirituais e sublimes;

6) A realização de um projeto ou de um desejo extremo, não importa em que ordem de idéias.

SEXTA PARTE:
AS PROJEÇÕES MÁGICAS

O livro consagra os capítulos XIX e XXII à confecção minuciosa de espelhos mágicos, magneticamente carregados pelo casal. Outra proposta de Randolph seria a de quadros magicamente animados pela projeção da energia psíquica.

Para ele, seria possível realizar a magia dos quadros animados, não somente de pessoas vivas, mas de seres do passado e do futuro – e para isso bastaria que o casal soubesse realmente usar a energia sexual. Ele descreve suas próprias experiências, coroadas de êxito, e garante que os resultados podem ser alcançados por todos os seus seguidores.

Randolph explica: “Você verá, enquanto estiver confortavelmente instalado ao lado da pessoa amada, o ar do quarto escurecer gradualmente até o negro profundo. A imagem surgirá na sombra e o corpo pintado na tela estremecerá de repente. Os braços e as pernas do retrato farão movimentos incertos, como se eles se assegurassem da realidade da sua vida, e depois, lentamente, a silhueta inteira se destacará do quadro até vocês.”

Uma operação como essa pode ser altamente perigosa, já que será muitas vezes suscetível de levar à materialização de entidades demoníacas, as quais tentarão seduzir a um ou outro dos operadores. Randolph, então, adverte: “Um minuto de prazer nos braços de um súcubo (o demônio feminino materializado) é um pacto assinado com o Diabo: toda sua vida pode ser sugada em um ano.”

Uma curiosidade: Claude d’Ygé, autor da Nouvelle Assemblée des Philosophes, publicada em 1954, na França, afirmou ter visto vários desses quadros animados descritos por Randolph durante as reuniões de uma seita mágica em um castelo da Tchecoslováquia, nos anos 20. Essa seita, criada a partir da Fraternidade de Randolph, foi fundada pela tradutora do livro, naFrança: a estranha, misteriosa Maria de Naelowska.

Publicado em: O Melhor de Planeta Vol. 3
Tradução e adaptação de Marco Antonio de Carvalho

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-transcendencia-do-amor/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-transcendencia-do-amor/

A Goetia do Dr. Rudd

O livro “Goetia do Dr. Rudd” é um dos livros do financiamento Tomos Goéticos da Editora Via Sestra, participe


A Goetia é o grimório mais famoso depois da Chave de Salomão. Este volume contém uma transcrição de um manuscrito inédito do Lemegeton que inclui quatro grimórios completos:

  1. Ars Paulina
  2. Ars Almadel
  3. Theurgia-Goetia
  4. Lemegeton Clavicula Salomonis
  5. Liber Malorum Spiritum seu Goetia

Este manuscrito era propriedade do Dr. Thomas Rudd, um mago erudito praticante do início do século XVII. Existem muitas edições da Goetia, das quais a mais definitiva é a de Joseph Peterson, mas aqui estamos interessados ​​em como a Goetia foi realmente usada por magos praticantes nos séculos XVI e XVII, antes que o conhecimento da magia prática desaparecesse na obscuridade.

Muitas técnicas práticas usadas no passado foram esquecidas. Os autores as restauram usando o manuscrito do Dr. Rudd. Por exemplo, evocar os 72 demônios listados aqui sem a capacidade de restringi-los seria realmente temerário. Era bem conhecido em tempos passados ​​que invocatio e ligatio, ou restrição, eram uma parte chave da evocação, mas nas edições modernas da Goetia esta técnica chave é expressa em apenas uma palavra ‘Shemhamphorash’, e seu uso não é explicado.

Este volume explica como os 72 anjos do Shemhamphorash são usados ​​para amarrar os espíritos e o procedimento correto para invocá-los com segurança usando selos duplos que incorporam o necessário anjo Shem controlador, cujo nome também está gravado no Peitoral e no Vaso de Bronze.

RESENHAS DE A GOETIA DO DR. RUDD:

Uma ‘Obra Obrigatória’ para Estudantes e Praticantes

Resenha de Thabion (Orange, CA EUA), 25 de fevereiro de 2008:

Este livro é uma “obra obrigatória” para qualquer pessoa que esteja seriamente interessada na Magia Cerimonial Salomônica, seja do ponto de vista acadêmico ou prático. Está no mesmo nível do Lemegeton de Joseph Peterson — que complementa e amplifica com uma riqueza de materiais autênticos do século XVII inéditos do famoso mago Thomas Rudd (ver o Tratado sobre Magia dos Anjos, McLean 1982). Rudd não era um seguidor escravo de textos antigos. Ele até tentou uma síntese do sistema enoquiano do século 16 do Dr. John Dee e da Goetia. No interesse da pureza, Joseph Peterson recusou qualquer uso importante da versão pessoal particular de Rudd da Goetia (e os livros restantes do Lemegeton: B.L. Harley MS. 6483) por causa das adições e modificações criativas de Rudd – com exceção da próprio importante amostra das invocações e sigilos de Shemehamphorash que Rudd usara para controlar com segurança seus espíritos goéticos.

Como Skinner e Rankine apontam, Rudd também incluiu material do Heptameron anterior, atribuído a Pedro de Abano, em sua versão da Goetia. Parece também que Rudd pode não ter usado um triângulo em suas operações goéticas, embora ele fosse consciencioso o suficiente para não excluir nenhuma das inúmeras instruções para seu uso nos textos que estava empregando. Neste caso, os autores-editores encontram significado na ausência de uma representação gráfica do triângulo na versão de Rudd da Goetia. (É possível que Rudd simplesmente tivesse sua própria versão do triângulo que ele não desejava registrar, ou que estivesse faltando um fólio do Manuscrito.) Os autores-editores também sugerem que Rudd usou o Vaso de Bronze como um dispositivo de conjuração primário. Eles prudentemente se abstêm de conjeturar como poderia ter sido empregado (veja a página 185, não 181), mas citam as notas de Rudd seguindo as conjurações padrão: “Você pode comandar esses espíritos no Vaso de Bronze como você faz no Triângulo. Dizendo isso você faz imediatamente aparecer diante deste Círculo, neste Vaso de Bronze em uma forma bela e graciosa & etc. como é mostrado (sic) antes nas conjurações.”

Somos deixados à nossa própria engenhosidade sobre como exatamente isso seria feito, mas, com base na experiência passada, sugiro que um amortecedor e um bom grau de polimento de bronze possam ser essenciais…

Como uma nota lateral, Skinner e Rankine apontam que o desenho do século XVII de Peter Smart do que eu supunha ser a parte de trás de um suporte de espelho era na verdade um desenho do Vaso de Bronze. Eu acho que eles estão certos sobre isso, mas eu estava em boa companhia com Adam McLean neste caso, então não me sinto muito chateado com meu erro…

Com esta pequena reclamação, gostaria de mencionar algumas outras contribuições muito importantes neste volume. Os autores-editores fizeram o melhor trabalho até agora em desvendar a complexidade rosnante das atribuições planetárias e astrológicas goéticas que atormentaram estudiosos e magos sérios por séculos. Obviamente, temos espíritos marcianos (condes), embora não tenhamos lamens de ferro ou aço para eles. (Embora não esteja claramente declarado neste livro, devemos assumir que o ferro não é usado porque tradicionalmente repele e controla os demônios – especialmente na tradição árabe do Anel de Salomão, que os autores mencionam).

Rudd aparentemente não usa o tradicional Selo Goético Secreto de Salomão para fechar seu Vaso de Bronze. Este dispositivo é familiar a todos os estudantes da arte e está representado no desenho de Peter Smart mencionado acima. Mostra o Vaso de Bronze em corte transversal, tampado com uma camada de ferro (Marte) e selado com uma camada de chumbo (Saturno). O ferro controla os espíritos e Saturno é o limite planetário/sefirótico externo do universo cabalístico que os espíritos goéticos habitavam antes da Queda (rebaixados até Yesod, se você tomar nossa interpretação – rebaixados até as Klippoth se você seguir Steve Savedow).

Rudd prefere usar outro desenho que encontramos em Trithemius e Agripa. Os autores-editores fornecem uma riqueza de tabelas extrapoladas, apêndices e notas de rodapé copiosas. Este é um trabalho muito valioso e, com minhas pequenas objeções, sou compelido a admirar e apreciar sua erudição. Como eu disse no início desta revisão. Este livro é “obrigatório” se você leva a sério o estudo e/ou a prática na escola da Magia Salomônica.

Carroll “Poke” Runyon, editor do The Seventh Ray.

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Um Livro que Todos os Magos Precisam Ler e Possuir

Resenha por Mark Stavish, do Instituto para Estudos Herméticos de Wyoming, Pensilvânia, 14 de novembro de 2007:

Ao publicar “A Goetia do Dr. Rudd”, Skinner e Rankine forneceram à comunidade de magos operativos uma porta de entrada para as práticas mágicas medievais e renascentistas tradicionais que até agora só haviam sido parcialmente abertas. Embora muitos livros tenham sido escritos sobre a Goetia, é aqui, neste livro, que temos uma visão do funcionamento real de um mago que era uma conexão direta com o círculo de Dee, e parte da transmissão contínua dessas ideias em forma OPERATIVA para o período pós-renascentista. A primeira seção do livro é uma introdução geral ao mundo da magia e uma base importante para entender as diferenças significativas entre as práticas modernas e tradicionais. Há também uma discussão sobre ‘por que outro livro sobre goetia’ e os detalhes significativos que diferenciam este dos outros – ser parte de um diário operatório da obra, bem como a inclusão de materiais não vistos anteriormente com goetia, como o Heptameron, sugerindo uma ligação direta entre os dois. Embora de interesse para o mago de poltrona e ocultista acadêmico, são os magos práticos que mais se beneficiarão deste trabalho, bem como os dois volumes anteriores da série – Magia Angélica: Prática das Tabelas Enochianas do Dr. Dee e Chaves para o Portal da Magia: Convocando os Arcanjos Salomõnicos e os Princípes Demônios, também um manuscrito raro de Rudd. Não posso falar o suficiente desses trabalhos e estou em dívida com os editores por disponibilizá-los e estou ansioso para futuras adições à série.

Um Histórico Brilhante e Instantâneo do Lemegeton em Ação!

Resenha de M. Stone “Frater Iustitia Omnibus” de San Antonio, Texas, 14 de outubro de 2007:

A primeira pergunta que vem à mente quando se vê mais uma “Goetia” no mercado, obviamente, é: “Por que devo considerar esta edição?” Nesse caso, a resposta é um pouco complexa demais para ser resumida em um único slogan.

A primeira coisa que quero deixar claro é que não é apenas a Goetia, como o título sugere, mas todo o Lemegeton! Além disso, é baseado na versão manuscrita inédita compilada pelo Dr. Thomas Rudd. (Harley MS 6483)

Enquanto o Lemegeton de Joseph Peterson é claramente a versão definitiva, Skinner e Rankine usam este livro como uma mesa de operação para descobrir como este material foi usado por magos reais dos séculos XVI e XVII. O processo, de acordo com os autores, é de dualismo, onde o mago controla entidades básicas pelo uso de suas contrapartes divinas correspondentes. Esse é um conceito que é mencionado, mas nunca desenvolvido no próprio Lemegeton. Este volume entra em muitos detalhes sobre o uso dos 72 nomes do Shemhamphorash para prender e controlar os 72 “demônios” da Goetia. Este conceito não é apenas explicado, são ilustrados nestas páginas, os verdadeiros selos de dupla face como empregados pelo Dr. Rudd e presumivelmente seus contemporâneos.

Outros detalhes que não foram publicados anteriormente, como o uso adequado do Vaso de Bronze e do Peitoral, serão suficientes para tirar até os teóricos goéticos de poltrona da cerca, para fazer essa compra.

Os magos enoquianos podem estar interessados ​​em ver a versão do Dr. Rudd da Tabula Sancta cum Tabulis Enochi (A Mesa Santa com as Tábuas Enochianas) de Dee.

Este trabalho maciço de 448 páginas (no original em inglês) tem muitas notas de rodapé, e o estudante de Magia Salomônica apreciará o amplo material posterior.

O conteúdo no original em inglês está dividido da seguinte forma:

  • Matéria de Capa – 14 páginas, incluindo a introdução.
  • História e Origens – 43 páginas.
  • Métodos de Evocação – 24 páginas explorando restrições, nomes, anjos adversários, invocações, equipamentos e cerimônias.
  • Os Manuscritos – tratamento de 241 páginas do Lemegeton completo do Dr. Rudd, que ele mesmo chamou de Goetia por razões que me escapam. Deve-se entender que, na verdade, a Goetia é apenas um dos livros do Lemegeton completo.

Os Apêndices estão divididos da seguinte forma:

Apêndice 1 – Theugia-Goetia em Sloane 3824.

Apêndice 2 – Tabelas de Demônios do Lemegeton (24 páginas de tabelas!) Este é um trabalho dos sonhos de estudo comparativo sobre as entidades goéticas e sua classificação. Também estão incluídas as grafias hebraicas dos nomes, grafias alternativas, e se algum lugar for montado, outras qualidades, anjo governante, número de legiões, planeta (com base no metal associado à classificação do espírito) aparência evocada e poderes atribuídos.

Apêndice 3 – Síntese de Thomas Rudd de Goetia e Enochiano.

Apêndice 4 – Rudd descreve 61 demônios.

Anexo 5 – Fontes para o material no Lemegeton.

Apêndice 6 – Selos da Goetia de Sibley.

Apêndice 7 – Anjos Shem ha-Mephorash

Apêndice 8 – Horas Planetárias Eclesiásticas

Apêndice 9 – Esta é uma peça estranha, mas realmente fala com a mentalidade do século 16 da Goetia e auto justificação. É uma explicação dos nomes usados ​​na Goetia, com alguma outra Cabala aleatória lançada. Mas se você precisar dizer, a oração consagradora de Vênus, bem, aí está.

Anexo 10 – Estudo de algumas das palavras utilizadas na evocação. Esta seção é uma lista grega e hebraica de derivações de palavras usadas em evocações goéticas.

Apêndice 11 – Narrativa do Dr. Rudd, Sir John Heydon e um espírito “Como um homem pode ter a sociedade contínua de um gênio guardião”

Apêndice 12 – Formas variantes de círculos ao estilo do Heptameron.

Anexo 13 – Observações de metais e tempos de restrição.

Anexo 14 – Diagramas de equipamentos. Eu estava esperando por mais aqui, mas serve ao seu propósito.

Apêndice 15 – A forma do comando de espíritos dada no livro A Descoberta da Bruxaria, de Reginald Scot.

Se você deseja ter um currículo completo de estudo salomônico, sugiro que compre este volume junto com o Lemegeton de Joseph Peterson. A edição de Peterson é um trabalho comparativo erudito, enquanto o presente trabalho é um instantâneo da Magia Salomônica sendo colocada em prática. Esses dois volumes não apenas se complementam, mas são igualmente vitais para construir uma imagem precisa do escopo e do impacto deste ciclo de magia.

Sr. Skinner e eu discutimos a teoria do funcionamento goético no passado. Deve-se notar que os autores não apenas relatam o modelo dualista do funcionamento goético, eles defendem a teoria por trás dele. Eu mesmo tenho uma visão diferente, vendo o Lemegeton como um “Livro dos Mortos” para os vivos, movendo o Alto Xamanismo para a Europa do século XVI (para não mencionar as Américas do século XXI). Considere quantos desses seres começam como um espírito-animal, apenas assumindo uma formosa forma humana após uma batalha de vontades com o exorcista da Arte. Mesmo assim, eu mal conseguia largar esse volume. Há muitas pérolas nestas páginas para qualquer estudante de Magia Salomônica.

Em uma nota final, o autor afasta um pouco o véu sobre por que não há espíritos goéticos associados a Marte e levanta a questão de haver um único demônio atribuído a Saturno. Eu havia feito um comentário semelhante em minha revisão da reformulação do Goetia por Runyon há algum tempo.

***

Espero que as resenhas precedentes tenham dado uma boa ideia do que está contido no livro – recomendo-o sem reservas aos interessados na área, tanto como um texto histórico interessante quanto principalmente como um sistema de evocação completo e prático. Termino com a citação de Rudd que adorna o início do livro As Chaves para o Portal da Magia: Convocando os Arcanjos Salomônicos e os Príncipes Demônios, de Stephen Skinner & David Rankine:

“Aquele que é um verdadeiro mago, é gerado como um mago desde o ventre de sua mãe; e aquele que foi gerado de outra forma, deve compensar esse defeito da Natureza pela Educação”.

E este livro, A Goetia do Dr. Rudd, certamente faz parte dessa educação.

Resenhas originais em inglês.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.


O livro “Goetia do Dr. Rudd” é um dos livros do financiamento Tomos Goéticos da Editora Via Sestra, participe

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-goetia-do-dr-rudd/

A Abolição da Estupidez

Dois eminentes e inteligentes homens, R. Buckmisnter Fuller e Werner Erhard propuseram que nós poderíamos e deveríamos abolir a desnutrição até o final deste século. Este objetivo é racional, prático e desejável – portanto ele é naturalmente denunciado como utópico, fantástico e absurdo.

Eu desejo propor um objetivo semelhante que também é racional, prático e desejável e que, portanto, será igualmente denunciado como utópico, fantástico e absurdo. Eu sugiro uma Guerra Mundial contra a Estupidez.

Embora os estúpidos venham naturalmente a se ressentir disso, eu dirijo as minhas idéias para aqueles que não são completamente estúpidos ou aqueles que não são estúpidos o tempo todo, isto é, aqueles raros indivíduos que possuem momentos Iúcidos ocasionais.

A argumentação para essa Noção Revolucionária são os pontos que se seguem:

1. Embora possamos parecer irônicos ao afirma-lo, este planeta parece estar controlado e amplamente populado por pessoas que não são homens ou mulheres razoáveis em muitos aspectos. Voltaire, é lógico, poderia estar exagerando quando disse que a única forma de compreender a conceito matemático do infinito era contemplar a extensão da estupidez humana; mas a situação parece ser realmente assim. Apenas para mencionar alguns exemples: Hitler assassinou seis milhões de judeus por razões que eram totalmente insanas; a Senador Joseph McCarthy liderou uma louca caça às bruxas contra os Comunistas que arruinou muitas pessoas inocentes e nunca teve nenhum sucesso em descobrir um único Comunista incontestável; Anita Bryant desencadeou uma cruzada do tipo Século Treze contra os homossexuais, etc.

Não é exagero dizer que milhões de humanos foram assassinados no curso de tais processos de ‘bode expiatório’ irracionais ao longe da história. Já que cada um de nós pertence, de uma forma ou outra, a algum grupo minoritário, qualquer um de nós poderá ser o alvo da próxima caça às bruxas e, se eles nos queimarem nada irá restar que possa ser preservado criônicamente …

A estupidez não é traço exclusivo do estúpido; você não necessita de uma ‘vocação’ para ser estúpido, como ocorre com o sacerdócio. Ela parece ser uma perturbação sóciosemântica que nos afeta vez por outra. Exemples notórios podem ser encontrados na vida dos ‘grandes’ tais corno Sinon Newcombe (o astrônomo que descobriu a planeta Netuno) que ‘provou’ matematicamente que o vôo mais pesado que o ar era impossível; a Academia Francesa recusando-se a estudar as evidências da existência de meteoritos no século dezoito, etc. (Alguns incluiriam as tentativas de Einstein de refutar a fator do acaso na mecânica quântica como mais um exemplo de estupidez numa mente de alta qualidade).

Mais amplamente, como Thomas Kuhn demonstrou na ‘Estrutura das Revoluções Científicas’, uma medida exata da extensão da estupidez dos eruditos é dada pelo fato que cada revolução científica parece demorar uma geração para se implantar. Corno Kuhn documenta abundantemente, esta defasagem de uma geração parece ser causada pelo fato de que os cientistas mais velhos dificilmente aceitam um novo modelo, por melhor que este seja, e a revolução somente ocorre quando uma segunda geração, com menos preconceitos, examina ambos os modelos, o velho e o novo, de forma objetiva e determina que o novo modelo é mais útil.

Mas se a ciência, o paradigma da racionalidade, está infestada com uma quantidade mais do que suficiente de estupidez para gerar esta defasagem generacional, o que poderia ser dito da política, economia e religião? Defasagens de milhares de anos parecem ser normais nessas áreas. Realmente, foi principalmente contemplando a história religiosa que Voltaire foi levado a concluir que a estupidez humana se aproximava do infinito. O estudo da política não parece ser mais inspirador e qualquer exame de um debate econômico sugere fortemente que o teólogo da Idade das Trevas ainda está no nosso meio, trabalhando agora num outro departamento.

Não desejamos prolongar este assunto, já que foi amplamente discutido por Jonathan Swift e Mark Twain, entre outros. Vamos apenas resumir a assunto dizendo que a estupidez assassinou e aprisionou mais gênios, queimou mais livros, dizimou mais populações e bloqueou o progresso com maior eficiência do que qualquer outra força na história. Não seria exagero dizer que a estupidez matou mais pessoas do que todas as doenças conhecidas pela medicina e psiquiatria.

Várias curas foram tentadas é lógico. Sócrates pensou tê-la encontrado na dialética, Aristóteles na lógica, Bacon no método experimental; o Século Dezoito na democracia universal e na alfabetização, Freud na psicanálise, Korzybski na Semântica Geral, etc. Embora todas essas invenções tenham sido benéficas para alguns de nós por algum tempo, elas não impediram as epidemias mundiais desta praga e não conseguiram mesmo abolir totalmente as recaídas ocasionais na estupidez dos seus mais evoluídos praticantes (no que o autor enfaticamente se inclui).

2. Se a inteligência pudesse ser amplificada então soluções óbvias seriam encontradas de forma mais rápida para os vários cenários de Apocalipse que presentemente nos ameaçam.

A. Por exemplo, se cada cientista trabalhando no problema dos recursos energéticos pudesse dobrar sua inteligência, o trabalho que exigiria dez anos poderia ser feito em cinco anos.

B. Se a estupidez humana diminuísse de forma generalizada, haveria menos oposição ao pensamento criativo e a novos enfoques para os velhos problemas.

C. Se a estupidez diminuísse, menos dinheiro seria gasto nas imensas imbecilidades organizadas tais como a corrida armamentista e guerras e maiores recursos poderiam ser finalmente destinados para projetos que visassem a melhoria das condições de vida.

Os mesmos argumentos podem ser aplicados para qualquer outro projeto de valia mundial: a abolição da fome e da pobreza; a descoberta da cura da câncer ou da esquizofrenia, etc. Não existe nada racionalmente desejável que não possa ser alcançado mais depressa se a racionalidade vier a aumentar. Isto é virtualmente uma tautologia; ainda assim nós raramente levamos em conta o seu corolário. O trabalho para atingir um grau maior de inteligência é um trabalho para atingirmos todos os nossos outros objetivos.

3. Embora a Dialética, a Lógica, o Método Experimental, a Democracia, a Cultura, a Psicanálise, a Semântica Geral e outras não impediram as epidemias mundiais de estupidez elas certamente criaram algum tipo de força contrária: alguns enclaves de (comparativa) racionalidade nas quais os humanos funcionam com (comparativamente) menos estupidez do que aquela que é o normal para esta espécie domesticada de primata. Nós como uma espécie sempre aprendemos algo de cada uma destas invenções.

Aqueles que têm prática na dialética não serão enganados pela retórica vazia dos demagogos mais vulgares. A lógica protege alguns de nós dos modismos ‘intelectuais’ (ou anti-intelectuais) mais absurdos da época na qual vivemos. 0 método experimental nos mostrou como fugir das armadilhas da lógica puramente abstrata e como conectar a teoria com a realidade.

A Democracia e a Alfabetização tornaram estas invenções, pelo menos potencialmente, disponíveis para as massas ao invés de uma pequena elite embora ainda permaneça a verdade de que você pode levar um burro até a sabedoria mas você não pode faze-lo pensar. A Psicologia nos mostrou que até mesmo o mais ‘racional’ dos seres pode ser dominado por um pensamento compulsivamente irracional. A Semântica Geral demonstrou os reflexos lingüisticos que tornam tão difícil ao ser humano abandonar um velho modelo e aceitar um novo e oferece alguns truques que podem nos ajudar um pouco na quebra destes reflexos.

Mas a Psicologia avançou um bocado desde Freud; a psiconeurologia, desde Korzybski e a Modificação Comportamental, desde Pavlov. Estamos no limiar de uma grande descoberta na guerra contra a estupidez tão certamente quanto estamos no limiar de adquirirmos A Expansão da Vida Humana e A Migração Espacial. A Revolução da Inteligência poderá se provar muito mais ampla nos seus efeitos do que os saltos quânticos da indústria espacial ou da ciência da longevidade.

4. 0 dr. Nathan Kline, que poderia ser chamado de um conservador na área da neurofarmacologia (numa escala onde o Dr. Timothy Leary é um radical e o Governo dos Estados Unidos é reacionário) previu no seu livro ‘As Drogas Psicotrópicas no Ano 2000’ que, nos próximos 10 a 20 anos teremos drogas para ampliar a memória, aumentarou diminuir a emoção, drogas para “apagar” lembranças desagradáveis, drogas para prolongar ou encurtar a infância, drogas para estimular ou eliminar o comportamento maternal, etc. Não é necessário ter muita imaginação para ver que tais produtos químicos nos darão um maior controle sobre o nosso próprio sistema nervoso do que qualquer outra coisa que existiu no passado. Obviamente as pessoas irão USAR E ABUSAR destas drogas de uma variedade de maneiras sejam desejáveis ou não, mas os MAIS INTELIGENTES IRÃO USA-LAS DA FORMA MAIS INTELIGENTE, isto é, para aumentar a sua própria liberdade neurológica, para desprogramar seus programas irracionais e para ampliar de forma generalizada a sua consiência e aumentar a inteligência.

O potencial implícito para uma revolução neurológica que podemos antever nestes avanços psico farmacológicos deveria ser evidente para qualquer pessoa que teve algum tipo de contato mesto com algo tão primitivo como o LSD. (Um dos fatos menos conhecidos sobre LSD é que o projeto mais longo feito com este produto químico nos Estados Unidos, no Hospital de Sprinq Grave em Maryland mostrou uma média de 10% de aumento da inteligência para todos os testados – vide a ‘Psychedelics Encyclopedia’ de Stafford).

Walter Doward documentou extensivamente na sua “Operação Controle Mental’ que a hipnose associada a neuroquímicos é mais eficiente do que a hipnose ordinária; que a modificação do comportamento associada a neuroquímicos é mais eficiente do que a modificação do comportamento ordinária, e que qualquer técnica de alteração da mente é mais eficaz com o uso dos neuroquímicos do que sem estes. As evidências de Doward são todas retiradas do mal uso ou da perversão destas técnicas nas pesquisas feitas pelo Exército Americano e na CIA sobre a lavagem cerebral , mas não existe razão pela qual pessoas libertárias e humanas não possam fazer uso de tal conhecimento para ‘decondicionar’ e ‘de-programar’ ao invés de meramente ‘re-condicionar’ e ‘re-programar’.

Princípios seguros e saudáveis para promover tal expansão da mente e a liberação da inteligência são dados em livros tais como os do Dr. John Lilly ‘Programing and Metaprograming in the Hunan Biocomputer’, ‘Neuropolitics’ pelo Dr. Leary e ‘LSD: The Problem-Solvinqg Psychedelic’ por Stafford e Golighty. Por favor observe que estes livros lidam apenas com a liberação mediada pelo LSD, mas estamos nos referindo a produtos químicos muito mais precisos e previsíveis. (Por favor releia a última frase novamente).

5. Se a psico farmacologia está começando a nos oferecer a chance de programar, desprogramar e reprogramar a nós mesmos, então estamos entrando num novo estágio da evolução. Mais do que a Psicanálise ou Semântica Geral ou Análise Transacional ou qualquer técnica antiga de alteração da mente que possamos abordar, a neuroquímica representa um verdadeiro salto quântico em direção a um novo plano de liberdade: o sistema nervoso humano se auto estudando e se auto aperfeiçoando; a inteligência estudando e aperfeiçoando a própria inteligência.

Para sermos ainda mais específicos e definidos sobre o assunto, consideremos a avaliação feita em 1975 pela Mcgraw-Hill sobre a opinião científica de que tipos de avanços poderiam ser esperados antes do ano 2000. A maioria dos neurocientistas na pesquisa previu drogas específicas para aumentar permanentemente a inteligência humana (Vide ‘No More Dying’, de Kurtzman e Sordon, p.4). Reservei esta informação para ser oferecida depois das previsões mais gerais de Kline para evitar dar a impressão de que estou apenas falando sobre o aumento do QI do terceiro circuito linear: existem sete outros tipos de inteligência.

Existe um circuito de retroalimentação entre a psico farmacologia e as outras ciências do cérebro, tais como a eletro estimulação do cérebro, o biofeedback e outras. Como Williams S. Burroughs diz: ‘Qualquer coisa que possa ser feita quimicamente pode ser feita de outras formas’. Jean Millay e outros demonstraram que a loga associada ao biofeedback produz um desligamento de padrões imprintados emocionais-perceptuais de maneira muito mais rápida do que apenas a Ioga de forma isolada. John Lilly duplicou efeitos do LSD com seus tanques de isolamento sensorial. José Delgado produziu com ESB muitos dos efeitos previamente só encontrados com drogas.

É lugar comum que os alarmistas nos avisem que a arsenal completo das neurosciências interagindo entre si, que estão emergindo atualmente, irá permitir com que governos inescrupulosos venham a fazer lavagem cerebral em populações inteiras com uma eficiência mais completa do que nunca antes. Nós precisamos perceber que a mesma tecnologia sabiamente utilizada pelos homens e mulheres inteligentes pode nos libertar de toda forma de rigidez neurótica e irracional, nos permitir lidar e focalizar o nosso sistema nervoso com a mesma facilidade que lidamos e regulamos a foco de um televisor, acendendo e apagando qualquer circuito que venhamos a desejar.

Por que permanecer deprimido quando você pode ser feliz, burro quando pode ser esperto, agitado e nervoso quando você pode ficar tranqüilo? Obviamente a maioria das pessoas estão deprimidas, burras e nervosas a maior parte do tempo porque lhes FALTAM AS FERRAMENTAS para consertar e corrigir os circuitos defeituosos ou danificados nos seus sistemas nervosos. A Revolução Neurológica (química, elétrica, biofeedback e outras) nos está dando estas ferramentas. Esta Revolução da HEAD (*HEAD= Hedonic Engineering And Development (Engenharia e desenvolvimento hedônico.) possui o princípio do prazer como seu combustível básico. Isto quer dizer: quanto maior a liberdade interna que você vier a possuir, tanto mais você deseja; é mais interessante estar feliz do que triste; é mais agradável escolher as suas próprias emoções do que têlas desencadeadas em si mesmo por processos glandulares mecânicos; é mais prazeroso resolver os seus problemas do que ficar preso a eles pela eternidade.

Em outras palavras, o Aumento da Inteligência significa a inteligência estudando a inteligência e a primeira coisa que a inteligência estudando a inteligência descobre é que quanto mais inteligente se fica mais divertido é se tentar ficar ainda mais inteligente. (O que é uma outra maneira de dizer que, pelo menos neurologicamente falando, quanto mais liberdade alcançamos tanto mais é divertido trabalhar para alcançar um grau ainda maior de liberdade). Ninguém nos é mais interessante do que aquele personagem misterioso que chamamos de ‘eu’: isto é o porquê da ‘auto libertação’, ‘auto realização’, ‘auto transcendência’, etc., serem os jogos sempre mais em voga. Este feedback hedônico explica o porquê de um indivíduo que tenha dado um único passo em direção à liberdade neurológica nunca se contenta em parar ali mas é levado para o próximo passo, para o seguinte, e assim para sempre – ou enquanto a Ampliação da Vida nos possa permitir.

7. Em suma, o Aumento da Inteligência é desejável porque cada problema que a humanidade enfrenta, ou é diretamente causado ou consideravelmente piorado pela estupidez prevalecente na espécie humana; é atingível devido aos modernos avanços nas técnicas de modificação do cérebro sejam elas químicas, elétricas ou psicológicas que nos permitem alterar qualquer reflexo imprintado condicionado ou aprendido que previamente nos restringia; é hedônico porque quanto mais inteligência e liberdade atingimos mais somos capazes de ver as vantagens de ainda maior grau de liberdade e maior inteligência. Isto pode acelerar o nosso progresso em direção à Migração Espacial e Extensão da Vida e também em direção a qualquer outro objetivo racional ao criar mais racionalidade para trabalhar na aquisição daqueles objetivos e ainda pode nos dar a sabedoria para que venhamos a evitar os ‘maus’ resultados da Extensão da Vida e da Migração Espacial sobre os quais os conservadores tanto nos avisam.

Como a morte e a pobreza, a estupidez esteve conosco por tanto tempo que a maioria das pessoas não pode conceber a vida sem ela, mas sabemos que a estupidez está rapidamente se tornando obsoleta. Apesar dos lucros que certos grupos de interesse (políticos, clero, publicitários, etc.) possam auferir da estupidez, a humanidade como um todo irá lucrar mais na abolição da estupidez. Daqui por diante nós deveríamos medir o nosso progresso em direção aos nossos objetivos pessoais e a nossa contribuição para o progresso global de toda a humanidade em termos de o quanto mais espertos ficamos no último ano, no último mês, na última semana, NA ÚLTIMA HORA.


Observação dos tradutores: embora o texto pareça dar a idéia de justificar o uso de drogas para a atuação sobre o cérebro, as pesquisas da neurologia e da neuroquímica cerebral feitas mais recentemente demonstraram que o uso de drogas com esta finalidade não somente é inútil e desaconselhável como perigoso para a saúde. Portanto, o texto é aqui apresentado apenas como um registro de opiniões importantes, mas não representa uma apologia ao uso de drogas de qualquer espécie.

Hagbard Celine foi educado em advocacia contratual e em engenharia naval mas afirma que adquiriu a sua real educação tocando piano num bordel. Ele é o capitão do maior submarino do mundo, o Leif Erikson e presidente da Sold and Appel Inc., uma firma de importação e exportação que freqüentemente despertou suspeitas das agências fiscais do governo (‘137 prisões e nenhuma condenação’, se vangloria Hagbard). Alguns afirmam que ele é um mestre dos disfarces e se fez passar com sucesso debaixo de identidades alternativas tais como Howard Cork, Hugh Crane, Capitão Nemo, etc., e apareceu em incontáveis épicos e aventuras.

Hagbard Celine é também um personagem criado por Robert Anton Wilson, que se define como ‘visionário, futurista, escritor de ciência popular, filósofo libertarista, um dos fundadores de Instituto para o Estudo do Futuro Humano e também diretor da Sociedade Prometheus. Possui Ph.D em psicologia e é autor de uma série de livros e novelas, sendo as mais conhecidas a trilogia ‘Iluminatus’ e ‘The Schroedinger’s Cat’ além de numerosos artigos para revistas e jornais.

 

Hagbard Celine (Robert Anton Wilson). Tradução NoKhooja

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-abolicao-da-estupidez/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-abolicao-da-estupidez/

Al-Wahhab

 

Muhammad Ibn Abd al-Wahhab (1703- 1791) foi um reformador religioso conservador que lançou o movimento Wahhabi e ajudou a fundar o primeiro estado saudita.

Ibn Abd al-Wahhab nasceu em Uyayna, uma cidade oásis localizada no Najd, a região central do que hoje é a Arábia Saudita.

Ele foi criado em uma família de juristas e estudiosos religiosos da Escola Hanbali e demonstrou um interesse inicial em estudar o Alcorão e outras áreas do aprendizado islâmico, especialmente os estudos sobre a Hadith (Coletânea de Narrações e Ditos do Profeta Muhammad e seus Companheiros).

Seu pai, um juiz da Escola Hanbali e professor da Hadith e da Fiqh (a Jurisprudência Islâmica), lhe proporcionou sua educação precoce nas ciências religiosas.

Mais detalhes sobre o início da carreira de Ibn Abd al-Wahhab são anedóticos, mas parece que ele começou a defender um rigoroso reformismo islâmico quando estava na casa dos 20 anos.

Ele ganhou seguidores em sua cidade natal, mas a oposição política o forçou a ir a Meca e Medina, onde ele se encontrou e estudou com outros Ulamas (teólogos islâmicos) reformistas.

Ele se familiarizou com os escritos do reformador medieval da Escola Hanbali, Ibn Taymiyya, e se destacou por seu conhecimento da lei Hanbali.

Mais tarde ele viajou para Basra, uma cidade portuária no Iraque, onde encontrou doutrinas e práticas do Xiismo que encontraram sua desaprovação por terem se afastado do Islã do Alcorão e da Sunna.

Depois de Basra, Ibn Abd al-Wahhab mudou-se para Huraymila, a cidade Najdi onde seu pai vivia.

Foi aqui que ele escreveu O Livro da Unidade (Kitab al-Tawhid), no qual expressou muitos dos seus principais ensinamentos.

Cópias do mesmo foram espalhadas por todo o Najd.

Após a morte de seu pai em 1740, sua missão tornou-se mais pública.

Ele promoveu a doutrina do Tawhid, a crença na unicidade absoluta de Deus e a rejeição do politeísmo (shirk), da idolatria e da descrença.

Sua crença de que o Tawhid incluía seguir os mandamentos e as proibições de Deus significava que ele também procurava tratar das questões morais em sua sociedade e cultura.Ele favoreceu a aplicação rigorosa da Sharia (a Lei Islâmica), incluindo a realização de orações, a entrega do Zakat (esmolas) e a aplicação de punições por adultério.

Aqueles que falharam em atender seus ensinamentos eram vistos como descrentes (Kafirs, os infiéis) e podiam ser subjugados através da Jihad.

Líderes tribais e Ulamas em Huraymila decidiram que não queriam que Ibn Abd al-Wahhab minasse a autoridade deles, então conspiraram contra a sua vida, forçando-o a voltar para Uyayna, sua cidade natal.

Uthman ibn Hamid ibn Muammar (d. 1749), o governante de Uyayna, a princípio deu as boas-vindas ao reformador, até mesmo providenciando para que ele se casasse com a sua tia.

A situação mudou, porém, quando ele cortou uma das árvores sagradas da cidade, demoliu um santuário pertencente a Zayd ibn al-Khattab (um dos companheiros do profeta) e, acima de tudo, condenou uma mulher à morte por apedrejamento depois que ela confessou adultério.

O clamor público que essas ações provocaram fez com que Uthman retirasse o seu apoio a Ibn Abd al-Wahhab, o qual teve que fugir de Uyayna em 1744.

Ele se estabeleceu em Diriya, a cerca de 65 quilômetros de Uyayna, perto de Riyadh.

A pequena cidade era governada pelo clã dos Saud, liderado por Muhammad ibn Saud.

Nesse mesmo ano, “os dois Muhammads” chegaram a um acordo mútuo: Ibn Saud protegeria Ibn Abd al-Wahhab de seus inimigos e o tornaria o Imã (líder religioso islâmico) de Diriya, enquanto Ibn Abd al-Wahhab coletaria Zakat para o governante saudita e o ajudaria a estender seu controle sobre a região de Najd através de sua pregação e da sua declaração da Jihad contra os inimigos dos sauditas.

Estes incluíam os “infiéis” que não atendiam ao chamado de Ibn Abd al-Wahhab (Daawa) para aceitar sua versão do Islã, bem como as tribos que não se submeteriam ao domínio saudita.

O acordo acabou sendo mais frutífero do que os dois poderiam ter imaginado.

A partir dele eles puderam criar uma confederação de grupos tribais, tanto estabelecidos como nômades, a qual forneceu a base para um novo estado na Arábia Central.

Quando Muhammad ibn Saud morreu em 1765, Ibn Abd al-Wahhab continuou a aliança com seu filho Abd al-Aziz ibn Muhammad (m. 1803).

Ele manteve sua base em Diriya, onde ensinou e escreveu, procurando conquistar outros para sua causa.

Sua estratégia incluía a designação de juízes Wahhabi para as cidades e oásis que se haviam submetido ao domínio saudita.

Na época de sua morte, o governo saudita Wahhabi alcançou Riad (a futura capital saudita) e as margens do Golfo Pérsico.

Alguns anos mais tarde, o governo saudita abrangeu a maior parte da Península Arábica, incluindo as cidades sagradas de Meca e Medina.

O legado de Ibn Abd al-Wahhab foi levado adiante por seus descendentes e discípulos.

Seu filho Abd Allah escreveu obras contra o Xiismo e endossou as incursões Wahhabi no sul do Iraque no início de 1801.

Seu neto Sulayman (m. 1818) serviu como juiz em Diriya até ser executado pelas forças otomanas-egípcias enviadas do Egito para a Arábia para destruir o estado saudita primitivo.

Hoje, seus ensinamentos fazem parte da ideologia oficial do Reino da Arábia Saudita, que surgiu das cinzas do primeiro estado saudita sob a liderança do rei Abd al-Aziz ibn Saud (m. 1953) no início do século 20.

Os herdeiros de Ibn Abd al-Wahhab, conhecidos como Al al-Shaykh (a família do Shaykh Ibn Abd al-Wahhab), agora ocupam poderosos cargos no governo saudita e se casam com membros da família real saudita.

Suas obras estão amplamente disponíveis em forma impressa, e suas ideias prevalecem entre os reformadores religiosos conservadores e radicais em muitos países Sunitas.

Entre aqueles influenciados pelos ensinamentos de Ibn Abd al-Wahhab estava Osama bin Laden, líder da organização Al-Qaeda responsável pelos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono em 2001.

No entanto, muitos muçulmanos, Sunitas, e Xiitas rejeitam o entendimento puritano do Islã conforme feito por Ibn Abd al-Wahhab.

Leitura adicional:

– Natana J. DeLong-Bas, Wahhabi Islam: From Revival to Global Jihad (Oxford: Oxford University Press, 2004);

– Madawi al-Rasheed, A History of Saudi Arabia (Cambridge: Cambridge University Press, 2002), 14–23;

– John O. Voll, “Muhammad Hayat al-Sindi and Muhammad Ibn Abd al-Wahhab: An Analysis of an Intellectual Group in Eighteenth Century Medina.” Bulletin of the School of Oriental and African Studies 38, no. 1 (1975): 32–39.

***Fonte:

Encyclopedia of Islam

Copyright © 2009 by Juan E. Campo

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/al-wahhab/

As Novas Regras da Guerra

Resenha do livro de Sean McFate, 2019

Alguns dos princípios da guerra são antigos, outros são novos, mas os princípios descritos no livro “The New Rules of War: Victory in the Age of Durable Disorder” de Sean McFate busca traçar os princípios que moldarão permanentemente a guerra agora e no futuro. Quem os seguir, argumenta Sean McFate, irá prevalecer. Se os Estados Democraticos não o fizer, terroristas, estados totalitários e organizações internacionais o farão e dominarão o mundo.

A guerra é atemporal. Algumas coisas mudam – armas, táticas, tecnologia, liderança, objetivos – mas nosso desejo de ir para a batalha não. Estamos vivendo na era da Desordem Durável – um período de agitação criado por vários fatores: ascensão da China, ressurgimento da Rússia, recuo dos Estados Unidos, terrorismo global, impérios  internacionais, narcotráfico, mudanças climáticas, diminuição dos recursos naturais e sangrentas guerras civis. Esta turbulência devastadora deu origem a questões difíceis. Qual é o futuro da guerra? Como podemos sobreviver?

Atrofia Estratégica

A guerra é uma das constantes da humanidade. Não importa o quão iluminados nos tornemos, muito provavelmente ainda usaremos uma boa porção do nosso tempo matando uns aos outros. Como tal, é inevitável que a geração mais jovem de hoje experimente a guerra. A única questão é quando. No futuro, alguns conflitos serão regionais, enquanto outros afetarão a todos nós. Alguns serão pequenos, outros serão grandes. Todos serão horríveis.

O século XXI está amadurecendo em um mundo atolado em caos perpétuo, sem como contê-lo. O que foi tentado até agora falhou, tornando o conflito o motivo do nosso tempo. As pessoas intuitivamente sabem disso, mas aqui estão alguns fatos interessantes.

O número de conflitos armados dobrou desde a Segunda Guerra Mundial, e pesquisas mostram que os americanos estavam substancialmente mais seguros nos anos da Guerra Fria do que estão hoje. De aproximadamente 194 países no mundo, quase metade está passando por algum tipo de guerra. As frases “resolução pacífica” e “solução política” tornaram-se piadas. Estudos revelam que 50% dos acordos de paz falham em cinco anos e que as guerras não terminam mais a menos que um lado seja destruído. Em vez disso, os conflitos modernos ardem em perpetuidade sem um vencedor ou perdedor claro.

Os mercenários retornarão, não lançando AK-47, mas voando com drones e leiloando equipes de forças de operações especiais pelo maior lance. Alguns podem assumir países, governando como reis. Privatizar a guerra muda a guerra de maneira profunda, um fato incompreensível para os estrategistas tradicionais. Também distorce as relações internacionais. Quando os super-ricos podem alugar militares, eles se tornam um novo tipo de superpotência, capaz de desafiar os estados e sua ordem baseada em regras. Grandes companhias petrolíferas terão exércitos privados, assim como bilionários aleatórios. Na verdade, isso já está acontecendo. Os traficantes de drogas possuem forças privadas e dominam países, transformando-os em “narco-estados” semelhantes a zumbis.

As armas mais eficazes não dispararão balas, e elementos não cinéticos como informação, refugiados, ideologia e tempo serão transformados em armas. Grandes forças armadas e supertecnologia se mostrarão ineptas. As armas nucleares serão vistas como grandes bombas, e uma guerra nuclear limitada se tornará aceitável para alguns. Por que presumimos que o tabu nuclear durará para sempre?

Outros já estão lutando neste novo ambiente e vencendo. Rússia, China, Irã, organizações terroristas e cartéis de drogas exploram a desordem duradoura para a vitória, acelerada pela atrofia estratégica do Ocidente. Esses inimigos têm significativamente menos recursos do que o Ocidente, mas são mais eficazes na guerra.

Por que erramos na guerra?

Alice no País das Maravilhas é um guia magnífico para entender a atrofia estratégica. Parafraseando um ensinamento: se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho o levará até lá.

A Ordem Westphaliana está morrendo. Hoje os estados estão recuando em todos os lugares, um sinal claro de desordem. Da enfraquecida União Européia ao furioso Oriente Médio, os estados estão se desintegrando em regimes ou estão falhando manifestamente. Eles estão sendo substituídos por outras coisas, como redes, califados, narco-estados, reinos de senhores da guerra, corporatocracias e terrenos baldios. A Síria e o Iraque podem nunca mais ser estados viáveis, pelo menos não no sentido tradicional. O Índice de Estados Frágeis, um ranking anual de 178 países que mede a fraqueza do Estado usando métodos de ciências sociais, alertou em 2017 que 70% dos países do mundo eram “frágeis”. Esta tendência continua a piorar.

Algumas pessoas entram em pânico com esse caos crescente, pensando que é um presságio do colapso da ordem mundial, mas não temam. É natural. Essa mudança é uma redefinição para um antigo normal. A maior parte da história é feita de desordem. Os últimos quatro séculos de uma ordem baseada em regras governada por estados estáveis é uma anomalia. Mesmo assim, dificilmente viveu-se sem derramar sangue; A Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial foram os conflitos mais devastadores da história, a julgar pela contagem de corpos e pela destruição urbana. Agora estamos voltando ao status quo ante da desordem e ao que veio antes de 1648. O mundo não entrará em colapso na anarquia, mas arderá em conflito perpétuo, como tem acontecido por milênios. Ficaremos bem, se soubermos lidar com nós mesmos. O primeiro passo é perceber que ninguém mais luta convencionalmente.

Guerra e paz coexistem, conflitos hibernam e voltam  queimar. De vez em quando eles explodem. Essa tendência já está surgindo, como evidenciado pelo número crescente de situações “nem guerra, nem paz” e “guerras perene” em todo o mundo. Isso é desordem durável. Guerras prolongadas são a norma na história: a Guerra dos Cem Anos, a Guerra dos Trinta Anos, a Guerra do Peloponeso, as Cruzadas, as Guerras Romano-Germânicas, o período dos Reinos Combatentes da China, as guerras árabe-bizantinas, as guerras sunitas-xiitas, e quase todo o resto. Mesmo a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais são mais bem vistas como uma única guerra que durou trinta anos. Guerra e paz sempre foi ilusão. A verdadeira paz pode realmente existir?

Ao considerar o Iraque ou o Afeganistão, eles assumem erroneamente que a legitimidade é exatamente como no Ocidente. Isso é imbecil. Em uma democracia, a legitimidade é conferida pelo consentimento do povo em ser governado – daí a importância das eleições. As pessoas devem sua obediência ao governo em troca de serviços sociais como segurança, justiça, educação e saúde. Se a população estiver insatisfeita, pode demitir o governo e eleger novos líderes. Os cientistas políticos chamam essa dinâmica de “contrato social” entre governante e governado.

A sombra é mais poderosa que a espada

A guerra está acontecendo no subsolo e será travada nas sombras complicadas. Uma mente astuta é superior a uma mente marcial. Subversão será tudo nas guerras futuras. Quem se importa com quantas armas nucleares você tem se não sabe para onde apontá-las? A subversão torna a força contundente secundária, como demonstra a estratégia das Três Guerras da China. Os russos chamam sua versão de maskirovka, ou “máscara”, e faz parte de sua cultura estratégica desde o século XIV. O que começou como uma astuciosa decepção militar é agora o modo de guerra russo.

A lógica estratégica de Maskirovka é convincente. Ele fabrica uma névoa de guerra e vence transformando o inimigo em um fantoche. Essas artes das trevas são as verdadeiras armas de destruição em massa, não armas nucleares. Por exemplo, medidas ativas russas podem corromper bancos de dados de inteligência, análises e conclusões. Por que invadir um país quando você pode enganar o Ocidente (ou outra pessoa) para fazer isso por você? Esta é a guerra das sombras.

Sun Tzu aconselha a “abordagem indireta” da guerra, uma ideia estratégica adotada brevemente pelo Ocidente após a calamidade da Primeira Guerra Mundial, mas depois abandonada. Tudo se resume a isso: não lute contra seus inimigos – supere-os. Bem feita, essa abordagem manipula o inimigo para criar vulnerabilidades que você pode explorar. Ao contrário de Clausewitz, Sun Tzu pensa que a força é o caminho do tolo para a guerra, e a vitória no campo de batalha é a marca de um general inepto. O zênite da habilidade é enganar seu inimigo para que ele perca antes mesmo que ele venha para a batalha. “A suprema arte da guerra”, diz ele, “é subjugar o inimigo sem lutar”. A inteligência vence o músculo.

A lição aqui não é que as guerras sombrias não funcionam – elas funcionam – mas que segredos e democracia não são compatíveis. Isso significa que as democracias estarão em desvantagem em uma era de guerra nas sombras, um fato que Putin já explora. A democracia prospera à luz da informação e da transparência. As guerras sombrias favorecem a escuridão da autocracia. Infelizmente, algumas democracias podem ser tentadas a sacrificar seus valores em nome da vitória, um fenômeno tão antigo quanto a própria democracia. O antigo historiador grego Tucídides viu Atenas se tornar cada vez mais despótica enquanto lutava contra sua rival Esparta, um regime autoritário, durante a Guerra do Peloponeso. No final da guerra, Atenas não era diferente de Esparta e perdeu de qualquer maneira.

Guerra futura

A proliferação de ameaças sistêmicas, como a desordem duradoura, abalará a segurança global no século XXI, conforme evidenciado pelo aumento do número de conflitos armados em nossa vida. Os tradicionalistas que veem a guerra puramente como um choque militar de vontades estarão condenados, não importa o tamanho de suas forças armadas, porque não compreendem a natureza política da guerra, enquanto seus inimigos o fazem. Há muitas maneiras de vencer, e nem todas exigem grandes forças armadas.

A guerra está se tornando clandestina, e o Ocidente deve seguir desenvolvendo sua própria versão de guerra das sombras. As forças de operações especiais devem ser expandidas, pois podem lutar nessas condições, e o restante das forças armadas também precisa se tornar mais “especial”. O Ocidente se não quiser sucumbir deve fazer um trabalho melhor em alavancar forças de procuração e mercenários.

No futuro, a vitória será conquistada e perdida no espaço da informação, não no campo de batalha físico. É um absurdo que o Ocidente tenha perdido a superioridade da informação na guerra moderna, mesmo com os montes de talentos em Hollywood, na Madison Avenue e em Londres. O escrúpulo do Ocidente em usar a subversão estratégica só ajuda seus inimigos. Sun Tzu e os Trinta e Seis Estratagemas para a Guerra são um bom lugar para começarmos a superar esse escrúpulo. Deixe um artista de guerra tirar isso daí. O Ocidente pode vencer se lutar com as Novas Regras da Guerra. Só assim estaremos seguros.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/as-novas-regras-da-guerra/

As 10 estratégias de manipulação midiática

1. A estratégia da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

2. Criar problemas e depois oferecer soluções.

Esse método também é denominado “problema-ração-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

3. A estratégia da gradualidade.

Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia de diferir.

Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade.

A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Ae alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.

Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9. Reforçar a autoculpabilidade.

Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem.

No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem disfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

Noam Chomsky é linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts

Por Noam Chomsky

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/as-10-estrategias-de-manipulacao-midiatica/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/as-10-estrategias-de-manipulacao-midiatica/

9 Maneiras Pagãs de Lidar com a Depressão

Por Terence P Ward

A depressão é uma experiência sufocante e miserável, e os períodos de depressão podem ser debilitantes e alterar a vida. Os sintomas não incluem apenas emoções reprimidas e energia reduzida, mas também nevoeiro cerebral e dores no corpo. Lutar para pensar ou agir pode afetar os planos de vida, desde a educação até a família e a carreira, e as mudanças comportamentais podem resultar em perda de motivação, bem como lutas contra o vício e outros problemas de saúde. A porcentagem de pessoas que sofrem de depressão está aumentando, mas um progresso incrível está sendo feito quando se trata de tratar essa condição complexa. Os pagãos podem fazer bem em complementar tratamentos tradicionais e emergentes, como medicamentos e terapias, abordando o dano espiritual que resulta de períodos de depressão. Esta é uma condição que afeta o corpo, a mente e o espírito, e tratá-la em todos esses três níveis tem o potencial de multiplicar os efeitos apenas da terapia ou da medicação. Aqui estão nove ideias de como proceder.

1.      ORAR. De acordo com Courtney Weber, “Você deve ir ao seu altar todos os dias, mas se estiver em um lugar ruim, vá três vezes ao dia”. Os pagãos podem se sentir desconfortáveis com a oração; a falecida Judy Harrow disse que “parece implorar”. Não precisa ser assim. Se todo o seu relacionamento com um humano é você pedindo favores e presentes, conversar pode parecer implorar depois de um tempo também. Tente simplesmente contar aos deuses sobre o seu dia. Talvez se você também tem o hábito de deixar oferendas, você pode pegá-los com vontade de intervir. Passar tempo com seus deuses deve trazer conforto em qualquer caso.

2.      MEDITAR. Concentrar a atenção em algo como a chama de uma vela, ou parar de pensar completamente, é uma maneira de aquietar a mente consciente. Isso permite que as partes mais profundas do eu tenham algum espaço para se curar, uma pausa da enxurrada de pensamentos recriminadores comuns durante a depressão. Isso às vezes é considerado uma forma de mudança de consciência, mas, na melhor das hipóteses, é um estado alterado que coloca a consciência no banco de trás e permite que outras partes da mente conduzam. Pode ser surpreendentemente difícil meditar no início, principalmente se a mente estiver cheia de pensamentos descontrolados, mas não é impossível. Mesmo começar com apenas um minuto de cada vez estabelece o hábito, mas tente estender isso por um minuto o mais rápido possível. Um objetivo sólido é ter sessões que durem pelo menos vinte minutos cada, mas levem o tempo que for necessário para chegar a esse ponto.

3.      CONECTAR. Procure uma pessoa e converse. O silêncio também é bom, pois fala muito. Há cura que vem simplesmente de estar na companhia de outros de nossa espécie. Nós evoluímos de primatas tribais e nossos espíritos respondem uns aos outros. Podemos sentir que somos completamente estranhos durante um período de depressão, que somos evitados e ostracizados, esquecidos ou ridicularizados. Esses pensamentos introduzidos fazem com que evitar a presença curativa de outros humanos pareça justificado. É importante exercitar o discernimento – as pessoas que o prejudicaram no passado podem prejudicá-lo no futuro – mas o companheirismo é uma parte necessária da experiência humana.

4.      LEMBRAR. Estamos abertos à depressão em parte por causa do trauma sofrido por nossos ancestrais e inadvertidamente transmitidos a nós como nossos hábitos, crenças e capacidade de gerenciar o estresse. Nossos ancestrais também têm interesse em nosso próprio sucesso e nos entendem de uma maneira que ninguém mais poderia. Chame os ancestrais por resiliência quando tudo parecer sombrio e sem esperança.

5.      RIR. A vida é engraçada — todas as partes da vida. Algumas das melhores comédias surgem do sofrimento, porque a centelha do humor é ainda mais brilhante quando brilha na escuridão. O riso sacode nosso corpo, mente e espírito e permite uma redefinição de todos os três. Pense em um momento em que algo engraçado provocou risadas incontroláveis. Lembre-se de como você se sentiu quando se deleitou com o brilho de uma risada profunda e completa. O riso é um presente dos deuses criadores, uma maneira de nos recentralizarmos em nosso eu mais verdadeiro. Dê a si mesmo permissão para receber esta bênção com todo o seu ser quando isso for possível, mas use o discernimento! Há momentos em que é melhor conter aquela gargalhada que brota. Haverá momentos em que parece mais sábio reprimir até mesmo uma gargalhada, mas sempre honre silenciosamente o sentimento e agradeça a quem você considera sagrado por esse presente incrível.

6.      MOVIMENTAR. Nossos corpos são partes de nosso eu pleno e sagrado. Na depressão, é fácil atender ao chamado para desacelerar fisicamente, para se tornar um com a cama ou um dispositivo como um telefone ou televisão. A quietude do corpo é frequentemente refletida por uma fixação em pensamentos negativos. A assistente social Barbara Rachel me ensinou um ditado usado em Alcoólicos Anônimos: “Mova um músculo, mude um pensamento”. Comece simples se for necessário: deixe o controle remoto no suporte da televisão ou o telefone do outro lado da sala. Trabalhe para caminhar pelo seu prédio ou bairro, passar um tempo cuidando do jardim do lado de fora ou arrumando o interior, ou tendo um hobby ativo como andar de bicicleta, passear no shopping ou chamar porcos.

7.      ATERRAR. Um estado de depressão pode incluir a sensação de peso no corpo, mas isso não é o mesmo que estar de castigo. Mais provavelmente, são emoções negativas sugando a energia necessária para mover os membros. Aterrar é permitir que essa carga emocional passe para a terra. Às vezes é mais fácil aterrar com a ajuda de outra pessoa, como uma árvore, uma pedra ou um ser humano. Preste atenção em como se sente quando outra pessoa está ajudando a ancorar você, pois você pode aproveitar essa sensação ao se ancorar.

8.      PURIFICAR. Atos de purificação destinam-se a limpar a desordem espiritual que se acumula ao redor de todos nós, o resultado de viver uma vida humana mortal. O primeiro passo para purificar um espaço é limpá-lo, e o primeiro espaço que deve ser limpo é o próprio corpo. Em períodos de depressão, até mesmo a higiene básica pode parecer um esforço excessivo, mas uma boa esfregação da cabeça aos pés irá, pelo menos temporariamente, elevar o humor e restaurar a energia. Lidar com um espaço doméstico desordenado ou desordenado pode exigir ajuda, dependendo de quão ruim ele se tornou, mas vale a pena: a casa é um reflexo do coração e da mente, e melhorar o ambiente externo afeta o interno por sua vez. O espírito de depressão não encontra valor em um lar limpo e organizado, uma mente livre de desordem, ou um caminho para os deuses livre de pensamentos pessimistas ou pilhas de caixas em frente ao altar.

9.      ENTRAR EM COMUNHÃO. Passe tempo com pessoas que não são humanas. Caminhe entre as árvores, passe tempo com animais de estimação, cuide de plantas de casa, alimente pássaros locais, trabalhe em um jardim. Sinta a areia entre os dedos, a luz do sol no rosto ou a sujeira sob as unhas. Sintonize-se com os espíritos do lugar, sejam eles da terra ou da casa construída sobre ela. Caminhar é uma oportunidade de prestar atenção aos espíritos locais, estejam eles encarnados ou não. Existem até formas de adivinhação ambulante que se pode tentar durante uma minicaminhada; Lembro-me que o autor Tom Cowan me ensinou uma vez uma adivinhação celta ambulante.

A depressão é uma condição que afeta o corpo, a mente e o espírito de quem a experimenta, e tratar o corpo, a mente e o espírito em conjunto produzirá melhores resultados do que evitar um ou outro aspecto. A voz da depressão nos encoraja a evitar comportamentos que também serão os mais eficazes nesse tratamento. A lista acima destina-se a ajudar o espírito e, em menor grau, o corpo. Nenhuma dessas sugestões substitui o tratamento de um profissional de saúde mental, alguém treinado na cura da mente. Pedir ajuda aos nossos deuses ou outros espíritos quando estamos em crise é uma boa ideia, mas na maioria das vezes nossos deuses vão nos ajudar através de um profissional de saúde mental. Os deuses trabalham com as ferramentas que funcionam melhor.

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Fonte:9 Pagan Ways to Manage Depression, by Terence P Ward.

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/9-maneiras-pagas-de-lidar-com-a-depressao/

Artha Sutra (O Livro da Riqueza)

De acordo com a cosmovisão indiana, um ser humano para ser considerado bem sucedido em todos os aspectos da vida deve dominar três grandes áreas da atuação humana: Dharma, Artha, Kama. (Espiritualidade, Riquezas, Prazeres). Da mesma forma que temos o Kama Sutra como um guia para a maestria do Kama, e  obras como o Bhagavad Gita que nos orientam sobre o Dharma, a civilização hindu também nos legou o Artha Sutra, um valioso tesouro literário sobre a arte de ficar  e se manter rico.

Mas como veremos, estas três áreas não vivem isoladas.O Dharma é a mais conhecido e se refere ao mérito religioso, ao sentido de propósito espiritual, ou seja, a realização de nossa vinda na terra com sabedoria. Kama, é o segundo termos mais conhecido e refere a saber satisfazer os desejos pela maestria dos prazeres, em particular do sexo. O terceiro termo, Artha é menos conhecido. Se refere mais especificamente a administração dos bem terrenos, a aquisição das riquezas e bens materiais com os quais tanto a caridade como hedonismo são impossíveis.

Artha Sutra (O Livro da Riqueza) nos veio pelas mãos de Chanakya, também chamado Kauitilya ou Vishnugupta, um antigo guru, filósofo, economista e jurista do subcontinente indiano. Em muitos sentidos suas ideias foram as responsáveis pela prosperidade do Império Mauria entre os séculos IV e II antes de cristo. De acordo com seu autor, suas lições são capazes de prover prosperidade material e consequentemente sucesso em todos os aspectos da vida.

Chanakya nos legou duas obras principais. A primeira Arthashastra voltada para os governantes e considerado uma obra pioneira no campo da ciência política. A segunda, voltada a população em geral e posteriormente batizada como Artha Sutra, é um tratado composto de mais de quatrocentos aforismos com o objetivo de ensinar as leis que regem as conquistas materiais. É este o texto que você encontra abaixo e cuja ordenação por subtítulos é uma inclusão ocidental tardia para facilitar a leitura.

Artha sutra de Chanakya

A base do Artha (meios de vida materiais)

  • O objetivo da vida humana é a busca da felicidade.
  • A felicidade reside na adesão ao Dharma.
  • A base do Dharma é a relação entre as pessoas.
  • A base da relação entre as pessoas é a economia da nação.
  • Nações são melhor administradas por pessoas que conquistaram a si mesmas.
  • As pessoas conquistam a si mesmas pela humildade.
  • A humildade é conquistada servindo aos mais sábios e experientes.
  • Ao servir os sábios e experientes, o conhecimento é obtido.
  • Por meio do conhecimento, você entende o mundo ao seu redor.
  • Por meio do conhecimento, você também obtém sabedoria.
  • Por meio da sabedoria, você atinge os objetivos.

Benefícios da Riqueza

  • Perseverar no caminho da prosperidade é uma jornada deliciosa.
  • A aspiração por riqueza é a causa de todas as profissões.
  • Todos os objetos materiais podem ser obtidos por meio da riqueza.
  • Até a feiura pode ser escondida por meio de jóias.
  • Os ricos podem alcançar muito com o mínimo esforço devido à sua riqueza.
  • O conhecimento de uma pessoa sem um tostão é considerado sem valor.
  • Mesmo a voz sensata de um pobre raramente é ouvida.
  • Com a riqueza do seu lado, até um homem vergonhoso é considerado gracioso.
  • Se até mesmo o rei dos deuses fosse um pobre, ele também seria visto com desprezo.
  • Uma pessoa sem um tostão é insultada até mesmo por sua própria esposa.
  • Uma planta sem flor raramente é visitada por abelhas.
  • Homens ricos são respeitados pelas massas.
  • Um homem rico é considerado bonito pelas massas.
  • Mesmo que um homem rico não dê esmolas, os mendigos não param de persegui-lo.
  • Uma pessoa em busca de flores raramente rega uma planta morta.
  • A riqueza de recursos leva à riqueza de pessoas.
  • Por meio da riqueza de pessoas, uma nação se torna próspera mesmo na ausência de um líder.

O Caminho da Riqueza

  • Conquistar riqueza, proteger o que foi conquistado e construir sobre o que foi conquistado são os três objetivos fundamentais de qualquer organização.
  • Rejeitar o que foi ganho ao acaso é considerado uma perda.
  • Se for o momento certo, a prosperidade pode simplesmente chegar à sua porta.
  • Mas aquele que se apóia totalmente no destino é estúpido e não consegue nada.
  • A prosperidade e a pobreza são devidas à ação de alguém.
  • Trabalhando de forma adequada, os lucros podem ser aumentados.
  • Deve-se acumular riqueza como se fosse viver para sempre.
  • É preciso sempre economizar dinheiro para amanhã.
  • É preciso salvar sua riqueza de ladrões e políticos.
  • Empréstimos, inimigos e doenças devem ser mantidos à distância.
  • A riqueza é freqüentemente alcançada assumindo riscos.
  • Quando esses sutras são seguidos, as fontes de renda aumentam.

Conhecimento é a primeira riqueza

  • Para uma pessoa sem riqueza, o conhecimento é sua riqueza
  • Aqueles destinados à destruição raramente ouvem palavras de sabedoria.
  • O envelhecimento não garante sabedoria.
  • Quando cheio de sabedoria, até mesmo as palavras de um ignorante devem ser ouvidas.
  • Nenhum ladrão pode roubar conhecimento.
  • Somente o conhecimento pode levar ao verdadeiro prazer.
  • O respeito conquistado pelo conhecimento de uma pessoa é verdadeiro e duradouro.
  • Quando uma pessoa experiente sai do caminho, seu próprio conhecimento é capaz de colocá-la de volta nos trilhos.
  • Pessoas más nunca devem receber conhecimento.
  • Homens sem conhecimento não valem nada.
  • As pessoas de saber não têm medo do mundo.
  • O conselho deve ser buscado exclusivamente com especialistas.
  • A capacidade de compreender o mundo é sabedoria.
  • Uma pessoa com conhecimento que não consegue entender o mundo é tola.
  • A utilidade da leitura é entender o mundo.
  • É apenas na aplicação que a utilidade do conhecimento é compreendida.
  • O conhecimento é um ornamento dos homens.
  • A obediência ao sábio é um ornamento para todos.
  • O ornamento entre os ornamentos é aquele conhecimento que transmite humildade.

Escolhendo subordinados

  • Depois de se equipar com conhecimento e sabedoria, um líder deve encontrar subordinados.
  • Sem subordinados competentes, os líderes nada alcançam.
  • Nunca se deve caminhar sozinho por um caminho deserto.
  • Uma carroça não vai a lugar nenhum com apenas uma roda.
  • O subordinados devem ser aqueles que entendem o bem-estar dos líderes.
  • Os líderes devem indicar como subordinados apenas as pessoas para quem tenha respeito e credibilidade.
  • O nepotismo e o favoritismo devem ser evitados durante a nomeação de subordinados.
  • Até mesmo um trapaceiro parece um cavalheiro no início.
  • Uma única vaca é melhor do que mil cães.
  • O pavão de amanhã não é melhor do que o pombo de hoje.
  • Os subordinados não devem apenas ser bem informados e informativos, eles devem ser igualmente sábios.
  • Pessoas imorais nunca devem ser consideradas, mesmo que tenham conhecimento.
  • Nunca confie em um indivíduo que ultrapassou seu limite.

Lidando com subordinados

  • Nunca insulte as pessoas, mesmo que sejam fracas.
  • Um rei observa seus súditos por meio de espiões.
  • A sobrecarga faz com que os gerentes fiquem exaustos e desanimados.
  • Aquele que anuncia as faltas dos outros em uma assembleia, declara as suas.
  • A raiva causada pelo ego pode destruir o eu.
  • Aquele que não desiste ou se opõe raramente deve ser desrespeitado.
  • Aqueles que mantêm seu compromisso geralmente são bem-sucedidos.
  • Líderes que não estão em contato com seus seguidores geralmente são fracassados ​​por seus súditos.
  • A opinião de uma pessoa verdadeira raramente deve ser minada.
  • Por estarem em contato, os líderes dão felicidade a seus seguidores.
  • Líderes tímidos raramente são obedecidos por subordinados.
  • Líderes rudes costumam ser tratados com desprezo pelas costas.
  • A punição deve ser dada como se merece.
  • A má conduta de seu pessoal deve ser corrigida.
  • Mesmo uma pequena doença do corpo humano pode causar destruição.
  • O líder nunca deve menosprezar ou insultar as pessoas.
  • Os líderes nunca devem ser vingativos.
  • A obediência excessiva daqueles que são familiares de muito tempo deve ser posta em dúvida.
  • A proximidade excessiva gera desrespeito.
  • É preciso conhecer seus limites, mesmo com seu próprio povo.
  • É preciso sempre fazer feliz uma pessoa prestativa.
  • Aqueles que ajudaram nunca devem ser traídos.
  • O pagamento é um dever.
  • A ira do povo é catastrófica.

Lidando com autoridades

  • Uma autoridade é como uma divindade.
  • Mesmo enfrentando uma fome terrível, um leão raramente come grama.
  • Servindo sob um líder capaz, até mesmo uma pessoa incapaz se torna capaz.
  • A água, depois de entrar no leite, torna-se o próprio leite.
  • Ao servir a um líder ganancioso, uma pessoa não faz bem a si mesma.
  • É bom servir a um líder sábio.
  • Ao se curvar, até mesmo uma tampa de panela esvazia um poço.
  • Nunca se deve visitar um rei ou seu guru com as mãos vazias.
  • Nunca se deve estar muito próximo da classe principesca.
  • Nunca se deve olhar diretamente nos olhos do rei.
  • Aqueles que mandam raramente são privados de dores e ganhos, felicidade e infelicidade.
  • Nunca se deve fofocar sobre grandes homens.
  • Sempre se refugie com um líder forte como uma fogueira no inverno.
  • Não é sensato agir contra seu próprio líder.
  • Não se vista mais suntuosamente do que seu líder.
  • Nunca se comporte com pompa na frente de seu líder.
  • Os trabalhadores raramente devem se gabar de seu mestre.
  • A ordem de um rei raramente deve ser desobedecida.
  • Um bom líder é como uma mãe para seus seguidores.
  • Se um mestre está zangado, o servo deve ser paciente.
  • Mesmo que seja punida, a criança deve buscar refúgio em sua mãe.
  • Os grandes homens nunca devem ser ridicularizados
  • Nunca se deve insultar grandes homens.
  • Nem uma vez se deve transgredir seu limite.
  • É melhor estar sem um líder do que sem moralidade.
  • A ira dos reis pode ser devastadora.

O Desejo

  • A riqueza raramente pode residir em uma pessoa desprovida de desejo.
  • Cada pessoa é limitada pelos limites de seu desejo.
  • Aqueles sem desejo nem a coragem é útil.
  • Por meio de esforços adequados, todos os desejos humanos são alcançados.
  • Desejo bom é aquele que não afasta ninguém de seus deveres.
  • O desejo de ser antiético indica autodestruição.
  • Os maus desejos podem sequestrar a dignidade.
  • Aqueles com uma mentalidade cada vez menor certamente enfrentarão fracassos.
  • Autoridade  respeitada é seguida por seu povo.
  • Na falta de coragem, o homem nada alcança.

O Planejamento

  • O trabalho não pode ser realizado exclusivamente com coragem.
  • O sucesso geralmente é melhor alcançado com planejamento.
  • Todos os esforços devem ser feitos para fazer o melhor uso dos recursos disponíveis para ganhar riqueza.
  • A riqueza permanece por mais tempo com aqueles que são cautelosos e calculistas.
  • Todos os esforços, com planejamento adequado, podem alcançar o sucesso.
  • Sem um planejamento adequado, todos os esforços estão fadados ao fracasso.
  • As políticas bem definidas para os subordinados são como lanternas para os homens caminhando no escuro.
  • Políticas e estratégias devem ser adotadas somente após reflexão e discussão substanciais.
  • É apenas mantendo boas políticas que os líderes podem cumprir seus objetivos.
  • Ao diminuir o comprometimento, os líderes certamente sofrerão o fracasso.
  • Por não ser vigilante e por descuido, um líder certamente será subjugado por seus adversários.
  • Por meio de todos os métodos e recursos, os líderes devem corrigir todas as lacunas em suas políticas.
  • Ao trabalhar em políticas corretas, uma nação está destinada a florescer.
  • O compromisso de uma organização com as políticas desempenha um papel fundamental em seu sucesso.
  • Ao proteger as políticas certas, as organizações e as nações se protegem da vulnerabilidade.
  • Deve-se evitar o ciúme pessoal e o ego ao trabalhar nas políticas.
  • Se todo mundo apoiar algo, deve-se desconfiar.
  • No interesse de um país, uma aldeia pode ser abandonada.
  • No interesse de uma aldeia, uma família pode ser abandonada.
  • Somente subordinados com sabedoria devem se envolver na formulação de políticas.
  • Políticas estruturadas por ouvir muitos estão fadadas ao fracasso.
  • Tarefas importantes nunca devem ser realizadas consultando astrólogos.

O Trabalho

  • A felicidade colhida sem esforços dura pouco.
  • Pessoas pacientes são capazes de realizar grandes feitos.
  • Deve-se empreender apenas aquele trabalho que, segundo ele, pode corresponder às suas capacidades.
  • Deve-se receber uma tarefa em que seja proficiente.
  • Se uma pessoa sem conhecimento e habilidade adequados realiza uma tarefa específica, ela deve ser considerada indigna.
  • Raramente se pode desviar de sua verdadeira natureza.
  • Aquele que desfruta do restante depois de satisfazer os dependentes desfruta da bem-aventurança.
  • A riqueza abandona aquele que trabalha sem pensar muito.
  • O trabalho que pode levar a consequências graves não deve ser procurado.
  • Quem está em sintonia com o tempo, com certeza cumprirá sua tarefa.
  • Perder tempo tem suas próprias consequências.
  • Ao perder tempo, surgem obstáculos.
  • Mesmo um segundo desperdiçado pode ter consequências.
  • Nenhum trabalho deve ser procurado sem considerar os fatores de tempo e lugar.
  • Às vezes, na falta de sorte, mesmo um trabalho / tarefa de aparência simples se torna difícil de realizar.
  • Homens sábios costumam monitorar os campos e o tempo.
  • Homens sábios e espertos podem tornar mais fácil até mesmo uma tarefa difícil de realizar.
  • Deve-se regozijar somente depois que uma tarefa específica for realizada.
  • Devido à má sorte, até mesmo pessoas habilidosas e instruídas podem falhar.
  • O trabalho de amanhã deve ser feito hoje.
  • O trabalho da tarde deve ser feito pela manhã.
  • É preciso se esforçar para cumprir seu dever.
  • O trabalho é mais importante do que a adoração.
  • É preciso pensar bem antes de embarcar em uma tarefa específica.
  • Uma vez decidida, uma tarefa não deve ser atrasada.

Superando adversidades

  • Trabalhar sem desafios é raro.
  • Como um bezerro atrás de uma vaca, o prazer e a dor seguem a vida.
  • Qualquer tarefa pode ser analisada a partir de três perspectivas: a própria perspectiva, a perspectiva dos outros e a perspectiva lógica.
  • As dificuldades podem ser resolvidas por meio de um exame adequado.
  • O destino adverso pode ser domado aderindo aos rituais védicos.
  • Todos os obstáculos criados pelo homem podem ser eliminados.
  • Quando surgem desafios ou quando se depara com fracassos, uma pessoa imatura recorre ao jogo da culpa.
  • Alguém com limitações procura limitações nos outros.
  • A falta de esforços aumenta a dificuldade em atingir os objetivos.
  • Os empreendedores, às vezes, precisam ser implacáveis.
  • Assim como um bezerro desejando o leite materno bate no peito de sua mãe.
  • Até mesmo uma poção pode ser derivada de veneno.
  • Melhor eliminar as dúvidas do que se empenhar em controlá-las.
  • Quando há várias tarefas, a tarefa com maior potencial deve ter prioridade.
  • As falhas devem ser admitidas no consolo e nunca por antecipação.
  • O medo eclipsa o senso de julgamento.
  • Com o julgamento correto, qualquer objetivo é alcançável.

Objetividade

  • Uma pessoa completamente direta por natureza é a mais rara entre as pessoas.
  • É preciso ser objetivo, mesmo com aqueles que o traíram no passado.
  • Não há riqueza sem responsabilidade.
  • Com o veículo certo, os esforços para viajar são limitados.
  • Não há maior vantagem do que ter a habilidade de meditar durante a angústia.
  • É preciso contemplar ao amanhecer.
  • Não é recomendado contemplar ao entardecer.
  • Não há penitência maior do que ser honesto com seus deveres.
  • A riqueza acumulada pelos pecadores é desfrutada por outros pecadores.
  • Um cisne raramente pode morar em um crematório.
  • As circunstâncias podem mudar os homens.
  • O ouro deve ser proporcional à riqueza de cada um.
  • O crime deve ser punido de forma adequada.
  • Uma resposta deve estar de acordo com a pergunta.
  • Deve-se agir de acordo com seu status.
  • Os esforços devem ser proporcionais ao trabalho.
  • A doação deve ser de acordo com a necessidade.
  • Deve-se vestir de acordo com sua idade.
  • Um servo deve atender às necessidades de seu mestre.
  • A esposa deve estar de acordo com o marido.
  • Um aluno deve estar de acordo com seu professor.
  • Um filho deve estar de acordo com os desejos de seu pai.
  • Nunca se deve mostrar parcialidade ao fazer justiça.
  • Uma árvore de nim raramente pode ser uma mangueira.
  • Aquele que é fiel a seu dever é feliz.
  • Como a semente, a colheita
  • Como o conhecimento, o intelecto.
  • Como a educação, a conduta.

Evitando empréstimos

  • Um favor deve ser devolvido.
  • Esperar a riqueza dos outros pode levar uma pessoa à ruína.
  • Não se deve esperar nem mesmo uma pequena soma de ninguém.
  • Mesmo um bom conhecimento de pessoas más não os ajudará a evitar seus maus hábitos.
  • Nunca se deve ter ciúme de pessoas generosas.
  • Aquele que cobiça a riqueza alheia é egoísta.
  • A prosperidade das pessoas que conhecemos pode causar dor pior do que a que sentimos durante a nossa pobreza.
  • Ao alimentar uma cobra com leite, não se pode esperar que a serpente evite seu veneno.
  • Não é uma virtude esperar a riqueza dos outros.
  • Qualquer coisa que impeça alguém de cumprir compromissos é um convite ao desastre.
  • Os traidores não têm culpa.

Evitando doenças

  • Comer uma dieta balanceada e regular leva ao ganho de saúde.
  • As doenças causadas por alimentos não saudáveis ​​não podem ser curadas comendo alimentos saudáveis.
  • Com uma digestão adequada, um corpo nunca é afetado por doenças.
  • É uma dor comer durante a indigestão.
  • Doença e enfermidade são piores do que um inimigo.
  • A penitência é uma virtude que acompanha a pessoa mesmo depois da morte.
  • Mesmo um bocado de comida pode salvar uma vida.
  • Mas mesmo o melhor remédio é incapaz de trazer os mortos de volta.
  • O vegetarianismo é bom para todos.

Evitando Inimigos

  • Nunca se deve insultar um inimigo, especialmente em uma assembléia.
  • É um prazer ouvir a dor de um inimigo.
  • Somente aqueles que são leais devem ser considerados amigos.
  • Ganhando amigos, ganha-se influência.
  • Homens fortes procuram ganhar o que não têm.
  • A arte da gestão faz parte da ciência política.
  • Os assuntos internos e externos de qualquer organização dependem do ambiente político.
  • Assuntos internos constituem aquilo que governa os recursos dentro de uma organização.
  • Os assuntos externos constituem a relação das organizações com o mundo exterior.
  • Os líderes devem compreender esses fatos com firmeza.
  • O vizinho imediato de um país costuma ser seu inimigo.
  • O outro vizinho de um inimigo geralmente é seu amigo.
  • Os inimigos e amigos são assim por suas necessidades e conveniências.
  • Pessoas inteligentes não têm inimigos.
  • Se um indivíduo tem muitos inimigos, ele não deve ser seguido.
  • Uma pessoa deve guardar seus segredos de todos, especialmente daqueles sem caráter e moral.
  • Nunca se deve revelar sua vulnerabilidade.
  • Aqueles que atingem pontos vulneráveis ​​são de fato inimigos.
  • A indignidade deve ser evitada.
  • Pessoas indignas não têm amigos.
  • As pessoas encontrarão falhas até mesmo em quem não conhecem.
  • As falhas podem ser facilmente encontradas, mesmo entre os sábios.
  • Nenhuma pedra preciosa é encontrada sem uma rachadura.
  • A parceria não deve ser feita com pessoas más.
  • Uma pessoa gentil não deve ter relacionamento com pessoas desagradáveis.
  • Muitas vezes, um inimigo pode ser confundido com um amigo.
  • Um estrangeiro benevolente é um irmão e amigo.
  • Raramente se deve ter ciúme da virtude de um inimigo.
  • Não reclame de um inimigo em uma assembléia.
  • As boas qualidades dos inimigos devem ser absorvidas.

Lidando com conflitos

  • O forte vencerá o fraco na guerra.
  • Um fraco deve fazer as pazes com o forte.
  • O forte não deve buscar amizade do fraco.
  • A necessidade é a única razão para os fortes e fracos buscarem colaboração e tratados.
  • Um ferro não aquecido nunca pode ser unido a um ferro aquecido.
  • Quando estiver sem energia, procure a ajuda de alguém que seja forte.
  • Ao refugiar-se nos fracos, certamente enfrentará a desgraça.
  • A paz e a guerra muitas vezes são devidas às condições econômicas e ambientais.
  • É estúpido lutar com alguém poderoso.
  • Lutar com os poderosos é inútil; como um indivíduo desarmado diante de um poderoso elefante, a condenação dos fracos é freqüentemente predestinada.
  • Quando dois potes de barro com qualidades semelhantes colidem, ambos são destruídos.
  • Os esforços e ações de um adversário devem ser monitorados e examinados de perto.
  • Depois de discordar de um inimigo, tome providências para se proteger.
  • A não violência é um sinal de grandes homens.

Perigo dos vícios

  • Aqueles com vícios muitas vezes enfrentam fracassos.
  • O preguiçoso, sem ambições, nada busca.
  • Os ociosos, mesmo com força substancial, nunca reterão o que possuem por muito tempo.
  • Os ociosos não conseguirão nem proteger sua herança.
  • Os ociosos nunca podem cuidar daqueles que dependem deles.
  • Homens preguiçosos raramente se beneficiam da sabedoria das escrituras.
  • Gastar dinheiro sem consideração não serve nem a si mesmo nem à sociedade.
  • Ao renunciar à raiva, o homem está no caminho certo para o sucesso.
  • Pessoas sob a influência da luxúria e das drogas certamente perderão tudo o que possuem.
  • Para uma pessoa viciada em jogos de azar, nenhum trabalho parece justo.
  • Os viciados em violência costumam evitar a ética.
  • O desejo de riqueza não deve ser considerado um vício.
  • A falta de vontade de trabalhar deve ser considerada um vício.
  • Um mulherengo é uma desgraça; ele raramente é respeitado.
  • Um mulherengo é desrespeitado até pelas mulheres com quem dorme.
  • Capacidade de controlar a si mesmo é uma marca registrada da meditação.
  • É muito difícil se livrar da luxúria.
  • A luxúria leva à desgraça do homem.
  • Um oceano raramente consegue matar a sede.

Perigos da estupidez

  • Uma pessoa gananciosa, mesmo que competente, pode ser facilmente enganada.
  • Pela ganância, a consciência é enganada.
  • Quando seu trabalho está corrompido, a pessoa deve se consertar.
  • Pessoas estúpidas costumam ser teimosas.
  • É estúpido ter conflito com amigos, professores e mestres inteligentes.
  • Vale mais ser inimigo dos sábios do que amigo dos estúpidos.
  • É preciso falar a linguagem dos estúpidos com pessoas estúpidas.
  • É estúpido discutir com pessoas estúpidas.
  • Somente o ferro pode cortar o ferro.
  • Pessoas estúpidas não têm amigos verdadeiros.

Palavras e discurso

  • Palavras ásperas podem causar dores piores do que queimaduras de fogo.
  • Os líderes serão odiados se usarem palavras ásperas com frequência.
  • Qualquer inimigo pode ser contido empregando-se habilmente tato e diplomacia.
  • Palavrões nunca devem ser praticados.
  • Não há mérito maior que a verdade.
  • A verdade é o caminho para a bem-aventurança.
  • A existência do mundo é verdade.
  • A verdade é a essência da vida.
  • Não há pecado maior do que a mentira.
  • Poção e veneno emanam de sua língua.
  • Aqueles com palavras doces não têm inimigos.
  • Com palavras doces, até os deuses ficam satisfeitos.
  • Palavrões, mesmo que em brincadeiras, vivem para a eternidade.
  • Nunca fale nada que não seja apreciado pelos reis.
  • Pessoas más nunca podem falar com o coração.
  • Nunca se deve falar de seus medos.
  • Nunca se deve dar falso testemunho.
  • O falso testemunho é um caminho para o inferno.
  • O corpo pode desafiar as palavras de alguém.
  • O inacreditável, mesmo se verdadeiro, não deve ser falado.
  • Homens ricos geralmente desprezam falatório.

Carisma e Prestígio

  • Para os líderes, seu carisma é riqueza.
  • Esforços para tornar gracioso um homem vergonhoso são uma tarefa assustadora.
  • A falta de entusiasmo pode levar ao fracasso.
  • Para os entusiastas, até os inimigos se tornam favoráveis.
  • Se algo bom é feito por alguém que se não gosta, isso não é apreciado.
  • Por uma falha menor, uma pessoa com muitas boas qualidades não deve ser sacrificada ou abandonada.
  • Muitas virtudes em um homem podem ser eclipsadas por uma única falha.
  • Até uma mãe é abandonada se for considerada vil, cruel ou corrompida.
  • Assim como um membro que enfrenta gangrena é amputado.
  • Uma pessoa pode ser adorada simplesmente por causa de sua posição.
  • Uma pessoa boa é respeitada mesmo quando perde sua posição.
  • O carisma de uma pessoa respeitável raramente é esquecido.
  • Ele é uma boa pessoa que trabalha para o interesse dos outros.
  • Quando o respeito não combina com o status de alguém, é um bom motivo para suspeitar.
  • A autoconfiança deve sempre ser preservada.
  • Mas o ego é o pior inimigo do homem.
  • Uma pessoa vergonhosa não tem medo de insultos.
  • Os homens sábios não têm medo da morte.
  • Para santos e sábios, não existem medos.
  • O mesmo é para qualquer pessoa que aprendeu a controlar seus sentidos.
  • Ele é uma pessoa generosa que considera os problemas dos outros como seus.
  • Não se deve vangloriar-se de si mesmo.
  • Um grande homem é inestimável.
  • Uma mulher elegante é incomparável.
  • O medo do desrespeito está entre os piores temores.
  • Não há dor maior do que cair em desgraça.

Respeito à Família

  • Uma pessoa que salva seus pais da miséria é um filho verdadeiro.
  • Ele é um filho que traz glória para sua família.
  • Para um chefe de família, um filho virtuoso é uma bênção.
  • É preciso garantir que seu filho seja excelente em educação.
  • Nunca se deve vangloriar-se do filho.
  • É impossível esconder suas limitações entre parentes.
  • Um líder maligno é insultado até mesmo por sua própria esposa e filhos.
  • A Mãe é a maior professora.
  • É preciso sempre cuidar da mãe.
  • O sábio não deve se casar com imprudente.
  • Ao se casar com uma mulher imprudente, o homem certamente perderá seu respeito, longevidade e carisma.
  • Nunca se deve engravidar uma mulher desconhecida.
  • As mulheres procuram companheirismo.
  • Quando um homem respeitado se casa com uma mulher sem personalidade, ele com certeza sofrerá uma vida de agonia.
  • Mesmo as pessoas com amor têm raiva.
  • Deve-se morar em um lugar pacífico.
  • Onde se pode viver em paz é um lugar onde se deve viver.
  • As pessoas que vivem ao redor devem ser boas.
  • Eles devem cumprir a lei.

Respeito às Leis

  • Ao roubar a riqueza de outra pessoa, uma pessoa corre o risco de colocar a sua própria em risco.
  • Não há pior armadilha mortal do que roubar.
  • Ao cumprir a lei, um líder é respeitado por seu povo.
  • A lei é bem governada durante a prosperidade.
  • Sem lei, a própria estrutura da sociedade certamente perecerá.
  • Por medo da punição, as pessoas evitam a violência e seguem a lei.
  • Ao proteger a lei, as pessoas se protegem.
  • Ao proteger a si mesmo, tudo está protegido.
  • O crescimento e a destruição são causados ​​pelas pessoas.
  • A aplicação da lei deve ser feita aplicando sabedoria.
  • Até mesmo o emprego de pessoas é protegido pela aplicação da lei.

Respeito ao Dharma

  • O mundo é ordenado por meio do Dharma.
  • A riqueza somente deve ser conquistada com justiça.
  • Riquezas ganhas com a perda de respeito próprio são humilhação
  • Tudo o que é ganho de forma injusta não deve ser considerado riqueza.
  • Empatia é a mãe da ética.
  • A verdade e a penitência estão enraizadas na ética.
  • Não existe inimigo igual ao egoísmo.
  • Homens bons raramente podem desfrutar da companhia dos ímpios.
  • Os líderes imorais destroem não apenas a si mesmos, mas também seus seguidores.
  • Os líderes éticos se protegem, como seus seguidores.
  • Um líder ético é o protetor das massas.
  • Um líder que gera felicidade para seus seguidores é feliz em todos os lugares.
  • Não é sensato se associar com pessoas más.
  • O mais valente é aquele que é caridoso.
  • A fidelidade aos deuses, homens eruditos e professores é uma virtude.
  • A bondade em qualquer pessoa é uma virtude.
  • Com bondade, uma pessoa de nascimento humilde também pode ser considerada digna.
  • Mesmo que seja agradável, uma má ação nunca deve ser cometida.
  • Para pessoas altruístas, a vida não é um negócio.
  • Bons presságios significam sucesso.
  • Os presságios têm maior valor do que as estrelas.
  • As escrituras devem ser seguidas.
  • Mas a boa conduta não está só nas escrituras.
  • Deve-se aprender e seguir as características graciosas de homens excelentes.
  • Quando as escrituras estão ausentes, os homens sábios devem ser seguidos.
  • O perdão leva à penitência e à divindade na pessoa.
  • Por penitência, grandes feitos se tornam possíveis.
  • Somente nossa consciência dá testemunho de nosso trabalho.
  • A consciência é a testemunha eterna de todas as nossas ações.
  • Aqueles que pecam em segredo, sua consciência ainda dá testemunho.
  • É preciso sofrer seus pecados mais cedo ou mais tarde.
  • Sob nenhuma circunstância um indivíduo deve violar seus limites.
  • Escrituras más são freqüentemente suportadas por pessoas más.
  • Pessoas compassivas se veem em todos.
  • A personalidade reflete o caráter de uma pessoa.
  • Homens excelentes consideram a dor dos outros como sua.
  • Uma pessoa necessitada nunca deve ser rejeitada.
  • Um favor feito àquele que é gracioso raramente é esquecido. Ele está sempre agradecido.
  • Pessoas ingratas não têm retorno do inferno.
  • A companhia de bons homens é como a do céu.
  • Por meio do bom comportamento, um indivíduo aumenta não apenas seu respeito, mas também sua riqueza.
  • Sem a apoio dos deuses mesmo os melhores esforços estão destinados ao fracasso.
  • A bênção dos deuses é importante.

Malefícios da pobreza

  • Quando a desgraça está predestinada, uma pessoa fará tudo contra seus próprio interesse.
  • Um desempregado raramente pode cuidar de seus dependentes.
  • Aquele que não consegue encontrar trabalho para si mesmo é pior do que um cego.
  • Uma pessoa sem trabalho certamente enfrentará a fome.
  • Não há inimigo como a fome.
  • Um homem faminto pode comer qualquer coisa por fome.
  • Ao sucumbir à fome, um homem pode perder o controle de si mesmo
  • Pessoas empobrecidas frequentemente sofrem obstáculos.
  • Os mendigos carecem de respeito.
  • A pobreza é pior do que a morte.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/artha-sutra-o-livro-da-riqueza/

Música: Origens e Concepções

Etimologia 

“Música” deriva do grego mousike por intermédio do latim musica. Formada no grego da palavra mousa, a Musa, que vem do egípcio, e da terminação grega ike. A palavra egípcia mas ou mous, significa geração, produção ou desenvolvimento a partir de um princípio. Ela é composta pela raiz ash, que expressa tudo o que gera, desenvolve ou se manifesta, cresce ou toma forma exterior. Ash significa, em muitas línguas, unidade, o ser único, Deus, e mous se aplica a tudo que é fecundo, formativo, gerador.

A terminação ike indica que uma coisa está relacionada a outra por semelhança, ou que tem dependência ou uma emanação dela. Possui ligação com a palavra celta aik, que significa igual, e que vem da raiz egípcia e hebraica ach, símbolo de identidade, igualdade e fraternidade. Normalmente traduzida por “irmão“, no hebraico Ach é composta por duas letras, o Aleph e o Kaph.

Magia 

Aqui tem início a minha grande viagem, na Kabbalah, estas letras representam o caminho 11 e o caminho 21, respectivamente. O 11º caminho é o da Inteligência Cintilante, é a vitória sobre os véus da ilusão que se desfazem pelo poder da Luz emanado de Kether. Tem como título “O Espírito Santo”, o que explica a visão de alguns autores quando dizem que a Música é uma graça divina dada pelo Espírito, vinda do céu para a Terra.

O caminho 21 é o da Inteligência Conciliatória e da Recompensa. A trajetória deste caminho se realiza por intermédio do misticismo da natureza e das artes, considerados em seus mais puros e mais elevados aspectos, fundados em uma fé natural cuja inspiração vem da beleza e harmonia do Logos refletidos no Universo.

No Tarot, os arcanos correspondentes a estes caminhos são: “O Louco” (Sopro divino, idéia de criação, criação divina) e “A Roda da Fortuna” (ciclo da vida, os quatro elementos: Fogo, Água, Terra e Ar) Numa interpretação quase literal e sem muita profundidade do Tarot (dentro do contexto musical) as duas cartas revelam uma idéia de criação divina a partir dos quatro elementos. Numa orquestra, ou num pequeno grupo musical, cada naipe de instrumentos pode facilmente representar cada um dos quatro elementos.

Neste caso, instrumentos musicais, como tambores, chocalhos, baquetas, e pandeiros representam o elemento Terra. Flautas, clarinetes, oboés, trompas, ficam com o elemento Ar. Violinos, violões, liras, harpas e outros instrumentos de corda representam o elemento Fogo. Por fim, instrumentos de percussão (normalmente fabricados de metal) como sinos, címbalos, triângulos, gongos, carrilhões e pratos (cymbal) estão associados ao elemento Água.

Nessa altura, nem preciso dizer que compositor/maestro = mago, aquele que domina a linguagem dos deuses através dos quatro elementos.

Concepções

Pasquale Bona, compositor e teórico musical italiano, define música como “a arte de manifestar os diversos afetos da nossa alma mediante o som.” Apesar de simples, não deixa de ser verdade. Robert Schuman, compositor alemão, vem a dizer: “Sou tocado por tudo que acontece no mundo… e então sinto vontade de expressar meus sentimentos na música.” Mas o inverso também ocorre, Claudio Monteverdi, compositor italiano do período barroco dizia que: “o objetivo de toda boa música é tocar a alma.”

Platão nos ensina que: “A música é um meio mais poderoso do que qualquer outro porque o ritmo e a harmonia têm a sua sede na alma. Ela enriquece esta última, confere-lhe a graça e ilumina aquele que recebe uma verdadeira educação.” 

Sou da opinião de que a música é a linguagem dos deuses revelada aos humanos, e sua finalidade esta diretamente ligada com nossa harmonização com a divindade. E isso não pode ser outra coisa a não ser uma forma ou um sistema de magia.

Não por acaso, Alan Moore inclui esta forma de magia em sua própria definição do que é a magia: “Magia é arte, e essa arte, seja a escrita, a música, a escultura ou qualquer outra forma é literalmente magia. A arte é como a magia, a ciência de manipular símbolos (notas musicais), para operar mudanças de consciência.” 

A partir desta postagem pretendo abordar a música nos seus aspectos mais elementares e ao mesmo tempo mais profundos, não apenas demonstrando as referências ocultistas contida nas obras dos grandes mestres, mas sua utilidade prática como magia.

Próximo post: A origem das notas musicais, melodia, harmonia e ritmo. 

Referências 

A Música e a Ciência se encontram – Leinig, C. E.

Música explicada como Ciência e Arte – Olivet, A. F.

Wikipedia de Ocultismo

#Arte #MagiaPrática #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/m%C3%BAsica-origens-e-concep%C3%A7%C3%B5es