A Bruxaria Italiana e o Catolicismo

Por Raven Grimassi

“É a coisa mais natural do mundo que haja certas misturas, compromissos e pontos de afinidade entre a Stregheria – bruxaria, ou “religião antiga”, fundada na mitologia e ritos Etruscos ou Romanos – e a Católica Romana: ambos eram baseados em magia, ambos usavam fetiches, amuletos, encantamentos e recorreram a espíritos. Em alguns casos, esses espíritos ou santos Cristãos correspondiam e eram realmente derivados da mesma fonte dos pagãos. Os feiticeiros entre os camponeses Toscanos não demoraram a perceber isso.”

– Citação do livro Etruscan Roman Remains (Restos Romanos Etruscos, 1892), por Charles Leland.

Na Itália, há muito tempo é costume, desde a Idade Média, que as bruxas Italianas cubram sua identidade com um verniz de Catolicismo para não levantar suspeitas. Isso inclui assistir à Missa e participar dos Ritos de Passagem esperados de alguém na comunidade Católica. Charles Leland, em seu livro Etruscan Magic & Occult Remedies (Magia Etrusca e Remédios Ocultos), registra a antiga conexão entre Bruxas e Catolicismo, sobre a qual escreve:

“Quanto às famílias em que se conserva a stregeria, ou o conhecimento dos encantos, das velhas tradições e dos cantos, nem sequer se pretendem Cristãs entre si. Quer dizer, eles mantêm observâncias externas, e criam os filhos como Católicos, e “mantêm-se” com o padre, mas à medida que os filhos crescem, se alguma aptidão é observada neles para a feitiçaria, alguma velha avó ou tia toma as mãos e as inicia na antiga fé”.

Grande parte de sua magia aparece misturada com ritos e santos Católicos, cujas origens remontam aos tempos antigos. Certos santos como Antônio, Simão e Eliseu são vistos como semideuses e seus ritos mágicos de evocação são realizados nas adegas. Leland menciona na introdução do livro Etruscan Roman Remains, uma conversa que teve com uma mulher Strega, ela diz:

“Eu me chamo de Católica – ah sim – e uso uma medalha para provar isso” – aqui ela, empolgada, tirou do peito uma medalha de santo – “mas não acredito em nada disso. Você sabe no que acredito.” (Leland responde) “Si, la vecchia religione (a velha fé), respondi, com que fé eu queria dizer aquela estranha e diluída feitiçaria Etrusco-Romana que é apresentada neste livro. A magia era sua verdadeira religião.”

Uma distinção precisa ser feita entre as duas formas de Stregoneria e a de Stregheria. A stregoneria comum popular é uma tradição de magia popular que abraça elementos Cristãos e trabalha dentro dessa teologia. Em outras palavras, é uma prática de magia dentro de um sistema formatado Cristão. É o que os italianos nativos estão familiarizados e, portanto, é o sistema conhecido pela pessoa média que cresce na Itália. Elementos desse sistema geralmente aparecem como coisas feitas dentro das famílias cotidianas na cultura italiana. Ela difere substancialmente da tradição pré-Cristã de stregoneria que é conhecida apenas por seus iniciados que possuem a conexão de linhagem. Esta antiga forma pré-Cristã de stregoneria é, portanto, escondida da população em geral.

A forma iniciada de stregoneria já foi a tradição mágica dentro de Stregheria (em oposição aos ritos religiosos de veneração). Em algum momento, foi levado e praticado por Bruxas não religiosas e acabou se tornando sua própria tradição. Partes dela eventualmente vazaram para a cultura dominante e, como sempre é o destino do esotérico, tornou-se distorcida e mal interpretada pela comunidade exotérica. A última forma é o único sistema conhecido pelo “homem-da-rua” italiano nativo médio e é mal interpretado como sendo a Bruxaria Italiana.

Em contraste com a stregoneria comum (o sistema de magia popular dos não iniciados), a Stregheria é não-Cristã em sua essência e seus praticantes entendem que a prática da magia santa, e na inclusão de itens religiosos Católicos, são apenas para exibição. Mesmo que ambas as palavras (stregoneria e stregheria) sejam traduzidas para o Inglês como Witchcraft (Bruxaria), isso é falso em termos do que cada sistema realmente representa. Stregheria é Bruxaria, uma tradição pré-Cristã. Stregoneria comum é uma forma de feitiçaria usada em tradições de magia folclórica e popular de raiz Católica.

TRECHO DE WAYS OF THE STREGA (CAMINHOS DA STREGA) de Raven Grimassi:

Muitas Strega modernas simplesmente consideram os Católicos como Pagãos que aceitaram a divindade de Jesus. Existem alguns conceitos interessantes no Antigo e no Novo Testamento que se assemelham às crenças Strega e podem muito bem ser a base de tal conceito. De acordo com o Novo Testamento, os Magos foram os primeiros a procurar Jesus depois de “ver” sua estrela. A lenda afirma que eles eram astrólogos e os associa às terras da Caldéia, Egito e Pérsia. Estes são todos os lugares que têm uma história oculta que remonta à antiguidade.

A história dos magos registrada no livro de Mateus parece indicar que esses místicos Pagãos estavam entre os primeiros a prestar homenagem a Jesus. No livro dos Provérbios (capítulo 8, versículo 2) encontramos um personagem chamado “sabedoria” concebido na forma de uma divindade feminina que “está na encruzilhada” (uma frase usada nos tempos antigos em relação à deusa das bruxas). A sabedoria fala de estar presente antes e durante o processo da Criação. No versículo 30 (A Bíblia de Jerusalém) ela afirma ter sido assistente de Deus durante o processo da Criação: “Eu estava ao seu lado, um mestre Artesão, encantando-o dia após dia, sempre brincando em sua presença, brincando em qualquer lugar do mundo, deleitando por estar com os filhos dos homens.”

No livro da Sabedoria (encontrado apenas na versão Católica), a “sabedoria” é louvada com estas palavras (capítulo 7: 22-27): “Pois dentro dela há um espírito inteligente, santo… penetrando todos os espíritos inteligentes, puros e mais sutis; pois a Sabedoria se move mais rapidamente do que qualquer movimento; ela é tão pura, ela permeia e preenche todas as coisas… Ela é um reflexo da luz eterna, espelho imaculado do poder ativo de Deus… pode fazer tudo; ela mesma imutável, ela faz todas as coisas novas…”

Conectada a este conceito do aspecto feminino da Divindade está a palavra “ruach (espírito)”. Em Hebraico, esta palavra é de gênero feminino e seria propriamente definida no sentido de divindade feminina. Quando lemos no relato da Criação (Livro de Gênesis) que o “espírito de Deus movia-se sobre a face das águas”, a palavra hebraica usada aqui para espírito era “ruach”. No Novo Testamento isso foi traduzido como “Espírito Santo” como no conceito da Trindade de “Pai, Filho e Espírito Santo”.

Os místicos hebreus da Cabala consideravam que “ruach” estava associado ao elemento ar e, portanto, também ao espírito. Entre os primeiros Cabalistas, o som de uma palavra denotava sua associação elementar; sons suaves eram associados ao ar, sons fortes à terra, sons sibilantes ao fogo e sons abafados à água. Não é necessário, no entanto, olhar para o Catolicismo para encontrar resquícios do culto pagão anterior. Aspectos da Stregheria ainda sobrevivem hoje na Itália e na América, mesmo entre aqueles que não se identificam prontamente como membros da La Vecchia Religione. Eles empregam várias orações para uma série de santos, acendendo velas e colocando objetos variados conforme exigido pela tradição. Santos como Santo Antônio, São Judas, Santa Ana e São Simão substituíram os antigos deuses pagãos a quem antes eram feitas orações e oferendas semelhantes.

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Fonte: Catholicism and Italian Witchcraft, by Raven Grimassi.

©1995 – 2005 by Raven Grimassi and Clan Umbrea, all rights reserved.

Texto adaptado, revisado, resgatado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-bruxaria-italiana-e-o-catolicismo/

O dia em que a Terra parou (parte 1)

Artigo original em inglês por Lynn Picknett e Clive Prince (para a revista Fortean Times), tradução de Rafael Arrais. As notas ao final também são minhas.

“Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite.” (Giordano Bruno, Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos, 1584).

A acusação da Igreja contra Galileu, por este haver promovido à teoria heliocêntrica – que afirma que o Sol está no centro do Sistema Solar, enquanto a Terra e os planetas giram ao seu redor – é usualmente retratada como um divisor de águas na guerra entre religião e ciência, o momento em que Galileu se tornou o primeiro grande mártir da ciência.

Entretanto, quando revisitávamos a história durante a pesquisa para o nosso livro The Forbidden Universe

Esta é a versão preguiçosa da história. A realidade, conforme os fortianos [1] poderiam suspeitar, é que existe muito, muito mais sobre ela do que o que nos foi contado.

De fato, apesar do cenário “ciência contra religião” ainda ser costumeiramente usado para atrair audiência, os acadêmicos há muito reconheceram que se trata de uma explicação moderna demais. Eles hoje veem o assunto mais como uma colisão entre dois egos obstinados, dois homens que “queriam ter razão”: Galileu, que se recusava a ser ordenado sobre o que fazer ou dizer, e o Papa Urbano VIII, implacável contra Galileu (em seu Diálogo sobre o Sistema dos Dois Mundos), tendo colocado sua visão de mundo na boca de um personagem chamado Simplício. Mas algo ainda está faltando – algo que nenhum dos lados gostaria de ver exposto na luz rigorosa do dia…

O que está faltando

A resposta, nós acreditamos, se encontra na tradição hermética – o coração da “filosofia ocultista”, uma síntese de sistemas mágicos, esotéricos e filosóficos – que teve um efeito profundo na formação da cultura ocidental durante a Renascença e o Iluminismo, embora hoje esteja lamentavelmente marginalizada.

Mas o fato é que é impossível compreender o Renascimento sem conhecer a tradição hermética. É como tentar escrever a história do século 20 ignorando o Comunismo, sob a lógica de que conforme ele se comprovou uma ideologia falida, nunca poderia haver sido realmente importante.

Os tratados conhecidos coletivamente como a Hermética, nos quais a tradição está baseada, tiveram o maior efeito sobre a cultura ocidental após a Bíblia – e o maior efeito sobre a cultura ocidental moderna de qualquer texto, inclusive o bíblico. Ainda assim, pouquíssimas pessoas ouviram falar deles.

O nome é derivado do lendário sábio egípcio, Hermes Trimegisto (“O três vezes grande”), tradicionalmente apontado como o autor dos textos. Sua origem exata pode ser controversa, mas indubitavelmente estão datados do antigo Egito, nos séculos próximos ao tempo de Jesus, durante o período da dominação grega e romana – e há um corpo de evidência crescente de que as ideias da Hermética são muito, muito mais antigas.

O livros herméticos foram quase totalmente perdidos na Europa durante a repressão a sabedoria pagã, após o cristianismo ter se tornado a religião oficial do Império Romano, no séc. IV. Mas eles sobreviveram no Oriente Médio, onde pavimentaram o caminho para a ciência árabe medieval [2]. A Europa os redescobriu em 1463, quando um agente atuando em favor do grande patrono renascentista, Cosimo de Medici, retornou a Florença com uma coleção de 14 tratados herméticos, escritos em grego, conhecidos como Corpus Hermeticum. Cosimo inclusive ordenou ao seu maior erudito, Marsilio Ficino, que interrompesse sua tradução épica da obra completa de Platão para o latim, a fim de que pudesse se concentrar nos tratados herméticos, que a seguir influenciaram a todos, de Leonardo a Shakespeare.

Para os eruditos, filósofos e intelectuais da época, a Hermética era a grande sensação, onde se acreditava estar preservada a sabedoria da mais antiga civilização egípcia, dos construtores das pirâmides, sendo ainda mais antiga do que o Velho Testamento. Mas a imagem que ela apresentava da raça humana dificilmente poderia ser mais diversa daquela encontrada no Gênesis. Este era precisamente o maior encantamento da Hermética.

A Igreja havia sempre ensinado que até o homem mais genial (ou mulher, quando se lembravam de mencioná-las) era miserável, pecador, totalmente dependente da misericórdia divina (e o conselho da Igreja, é claro) para a salvação e até mesmo a sua própria existência. Porém, na Hermética, os seres humanos desfrutavam de um potencial ilimitado, sendo inclusive capazes de se tornarem deuses [3]. O maior provérbio hermético é Magnum miraculum est homo (“O homem é um grande milagre”). Ainda mais fantástico para a época, a tradição hermética também incluiu a mulher neste “grande milagre”. E foi este tsunami de autoconfiança renovada que sustentou a pura ousadia intelectual que definiu a Renascença.

Apesar dos historiadores terem reconhecido a influência do Hermetismo nas artes da Renascença, eles tem sido dissimuladamente seletivos. Pois (conforme mostramos em nosso livro), ele também impactou profundamente em cada herói da revolução científica, de Copérnico a Isaac Newton [4].

A nova ordem de Bruno

Entretanto, é um grande erro acreditar que o movimento do Hermetismo atraiu apenas alguns poucos intelectos, embora usualmente grandiosos. Ele também atraiu o interesse de reis e imperadores, e até mesmo de certos papas. Alguns católicos acharam a filosofia hermética tão venerável que defenderam sua incorporação aos ensinos do Cristianismo. Alguns até mesmo arguiram que deveriam fazer o oposto: incorporar o Cristianismo ao Hermetismo [5]. E se há um nome associado a ideia desta associação improvável, este é Giordano Bruno (1548-1600), o monge dominicano que se tornou herege.

Apesar de criminosamente ignorado mundo afora, ele é um favorito entre nós, e recebeu a atenção merecida nos livros de Hunt Emerson e Kevin Jackson, Phenomenomix (trata-se de uma série de 4 livros), sobre suas façanhas. Hoje, Bruno é até mesmo um protagonista dos thrillers bestsellers de SJ Parris, Heresy and Prophecy.

Bruno foi um homem extraordinário, trazendo ao mundo conceitos científicos que estavam muito além de seu tempo – como um universo infinito; ou a existência de outros mundos habitados – os quais derivaram largamente dos princípios herméticos. Mas eles também sustentaram sua campanha por uma reforma das raízes e fundamentos da sociedade – que incluíam religião e política.

Bruno acreditava que o Hermetismo representava a verdadeira religião, a sabedoria do antigo Egito que havia sido corrompida, primeiramente pelos judeus e cristãos. Mas os próprios livros herméticos profetizavam que a “verdadeira religião” do mundo seria um dia restaurada, e Bruno acreditava que isto se aplicava ainda ao seu tempo [6]. Isto causaria, ele acreditava firmemente, ao menos uma reforma radical na Igreja Católica – senão sua substituição completa.

É neste momento que nos pegamos gritando “eles estão atrás de você!” para Bruno. Certamente havia apenas um caminho onde sua paixão pelo Hermetismo poderia acabar? Apesar de seu destino ter sido tão previsível, Bruno tinha razões para crer que poderia escapar dos incendiários homicidas da Inquisição. Apesar de tudo, ele era famoso, desfrutando do patrocínio e proteção de nobres como Elizabeth I, Henri III da França e até mesmo do Sagrado Imperador Romano Rudolph II. Nestas circunstâncias, ele pode ser perdoado por se imaginar em perfeita segurança.

Mas Bruno não era apenas um filósofo errante com uma boa lábia para convencer monarcas e imperadores. Ele também era um militante político. Durante suas viagens pela Europa nos 1580s e início dos 1590s, ele estabeleceu uma sociedade secreta, os Giordanos – ele era bom em autopromoção desavergonhada – para continuar com seu trabalho e campanha pela reforma religiosa. Rumores sobre tal história devem ter tido um efeito similar a cutucar o Papa com um ferrete (de marcar gado). Agora não havia mais a menor chance do Vaticano continuar a ignorar Giordano Bruno.

A crença de Bruno na iminência da era do Hermetismo era também derivada de uma interpretação especial do heliocentrismo, a teoria proposta pelo cânone polonês Nicolau Copérnico cinco anos antes do nascimento de Bruno, e ainda furiosamente controversa. Copérnico teorizou que a Terra gira em torno do Sol em Da Revolução das Esferas Celestiais, de 1543 – mas qual foi sua inspiração? Uma pista pode ser encontrada na mesma página onde seu famoso diagrama demonstra sua visão radicalmente inovadora do Sistema Solar. Quatro linhas após, enquanto discute o significado espiritual do Sol ao centro, ele explicitamente referencia a passagem da Hermética onde Hermes Trimegisto descreve o Sol como um “deus visível”.

De fato todas as noções radicais de Copérnico estão descritas nos livros do Hermetismo. Por exemplo, um dos tratados fala explicitamente sobre a “rotação” do mundo. Ainda mais sugestivo, outro tratado declara que “o Sol está situado no centro do Cosmos, usando-o como uma coroa”, e “Em volta do Sol estão seis esferas que lhe são dependentes: a esfera das estrelas fixas, as esferas dos planetas, e a esfera que engloba a Terra” (“Esferas” correspondem a “órbitas”).

Ao referenciar explicitamente os tratados herméticos na mesma página em que apresenta sua nova ordem cósmica, Copérnico estava tacitamente anunciando que encontrou provas físicas e matemáticas para alguns dos antigos princípios da Hermética.

Outro mito acadêmico diz que as ideias de Copérnico enfureceram tanto a Igreja que ele postergou a publicação de suas ideias até que estivesse no leito de morte, assim evitando a ira eclesiástica. Porém, o Vaticano não tinha problemas teológicos com elas – o secretário do Papa chegou a tentar encorajar Copérnico a tornar suas ideias públicas. Entretanto, quando chegamos ao processo eclesiástico contra Galileu, cerca de 70 anos depois, alguma coisa havia mudado…

Basicamente, tudo se referia a Giordano Bruno, que – se baseando no famoso princípio hermético do “assim em cima, assim embaixo/assim embaixo, assim em cima” – não apenas acreditava que mudanças nos céus causavam ou se refletiam em mudanças na Terra, mas também que uma mudança na percepção humana da ordem celeste iria precipitar a mudança de era. Ele argumentava que se o heliocentrismo pudesse ser estabelecido além da dúvida, isto iria literalmente acarretar numa nova era de iluminação hermética, restaurando a religião do Egito antigo e derrubando o Cristianismo [7]. Até agora, nenhuma pressão em Galileu.

» Na continuação, a revolução abafada pela história.

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Crédito das imagens: [topo] Ettore Ferrari (escultura de Giordano Bruno, em Roma); [ao longo] Nicolau Copérnico (a página citada, de seu Da Revolução das Esferas Celestiais)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-dia-em-que-a-terra-parou-parte-1

Simbolismo Animal II

É importante ademais destacar que quase todas as divindades zodiacais, não importa de que tradição, estão representadas com formas de animais, e recordaremos novamente que a palavra Zodíaco não quer dizer senão “roda dos animais”, ou “roda da vida”, o que está obviamente unido à idéia de movimento e de geração surgida do Ser universal, ou melhor, de sua energia criadora, que permanentemente se recria a si mesma, neste caso através das indefinidas formas animais. Isto concorda perfeitamente com a idéia, muito difundida entre as civilizações pré-colombianas de que o Cosmo, isto é a Vida universal, é um animal gigantesco, do qual todos fazemos parte integrante (tal é o caso também da serpente alquímica Ouroboros), e isso explicaria o porquê entre ditas culturas a Deidade criadora estar em bastantes ocasiões representada como um animal (como ocorre na tradição indiana, com o deus com forma de elefante Ganesha), ou bem caracterizada com as partes mais significativas de um animal, geralmente a cabeça, como é o caso, por exemplo, dos deuses assírio-babilônicos e do antigo Egito. Nas tradições Centro-americanas o deus Quetzalcoátl quer dizer “pássaro-serpente”, ou “serpente emplumada”, conjugando em sua natureza as energias aéreas que tendem para o céu (o vertical), e aquelas que reptan e se movem pela terra (o horizontal). A águia e a serpente são, efetivamente, os dois animais que melhor representam esse antagonismo e complementaridade entre o celeste urânico e o terrestre ctónico e telúrico.

Por outro lado, junto com o cordeiro, o pelicano e o peixe, a águia e a serpente são os animais-símbolos mais representativos de Cristo, conquanto isto teria que se estender a quase todos eles (inclusive os fabulosos), como o demonstra o riquíssimo bestiário de Cristo (dentro do qual se inclui o Tetramorfos), tão amplamente desenvolvido na arte da Idade Média. Dito bestiário compreende praticamente todas as espécies repartidas em quatro grandes grupos, em correspondência com os quatro elementos: os répteis à terra, os peixes e anfíbios à água, as aves ao ar, e os mamíferos ao fogo, sendo o mesmo Cristo (o Filho do Homem) o elemento central, ou “quintessência”, pois dele emanam, enquanto expressões dos atributos de seu Verbo ou Logos criador.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/simbolismo-animal-ii

A Instrução de Ptah-hotep

Por Ptah-hotep

A Instrução do Governador de sua Cidade, o Vizir, Ptah-hotep, no Reino do Rei do Alto e Baixo Egito, Isôsi, vivendo para sempre, até o fim dos tempos.

A. O Governador de sua Cidade, o Vizir, Ptah-hotep, disse: ‘Ó Príncipe, meu Senhor, o fim da vida está próximo; a velhice desce [sobre mim]; a fraqueza vem, e a infantilidade se renova’. Ele [que é velho] se deita na miséria todos os dias. Os olhos são pequenos; os ouvidos são surdos. A energia é diminuída, o coração não tem descanso. A boca é silenciosa, e ele não diz nada; o coração para, e ele não se lembra de ontem. Os ossos são dolorosos em todo o corpo; o bem se transforma em mal. Todos os gostos partem. Estas coisas fazem a velhice para a humanidade, sendo o mal em todas as coisas. O nariz é parado, e ele não respira por fraqueza (?), seja em pé ou sentado.

Comanda-me, portanto, teu servo, a fazer sobre minha princesa autoridade [para meu filho]. Deixe-me falar-lhe as palavras dos que ouvem os conselhos dos homens de outrora; os que escutavam os deuses”. Que isto seja feito, para que o pecado seja banido do meio das pessoas de entendimento, para que ilumine as terras”.

Disse a Majestade deste Deus:[1] ‘Instruí-o, pois, nas palavras dos velhos tempos; que ele seja um prodígio para os filhos dos príncipes, para que entrem e o ouçam com ele’. Endireitem todos os seus corações; e discutam com ele, sem causar cansaço”.

B. Aqui começam os provérbios do discurso justo, proferido pelo Chefe Hereditário, o Santo Sacerdote[2], Amado de Deus, o Filho mais velho do Rei, de seu corpo, o Governador de sua Cidade, o Vizir, Ptah-hotep, ao instruir os ignorantes no conhecimento da exatidão da linguagem justa; a glória daquele que obedece, a vergonha daquele que o transgride.

Ele disse a seu filho:

1. Não te orgulhes porque és instruído; mas discursa com o ignorante, como com o sábio. Pois nenhum limite pode ser fixado à habilidade, nem há nenhum artífice que possua todas as vantagens. O discurso justo é mais raro do que a esmeralda que é encontrada pelas escravas nos seixos.

2. Se você encontrar um argumentador falando, um que seja bem disposto e mais sábio que você, deixe cair seus braços, curve suas costas[3], não se zangue com ele se ele concordar (?) não com você. Abstenha-se de falar mal; não se oponha a ele em momento algum quando ele falar. Se ele se dirigir a ti como um ignorante, tua humildade levará consigo suas contendas.

3. Se você encontrar um argumentador falando, seu companheiro, alguém que esteja ao seu alcance, não se cale quando ele disser algo que seja maligno; assim você será mais sábio do que ele. Grande será o aplauso dos ouvintes, e teu nome será bom no conhecimento dos príncipes.

4. Se você encontrar um argumentador falando, um pobre homem, ou seja, não seu igual, não seja desprezível para com ele porque ele é humilde. Deixe-o em paz; então ele deve confundir-se. Interroga-o para não agradar ao teu coração, nem derramar tua ira sobre aquele que está diante de ti; é vergonhoso confundir uma mente má. Se estás prestes a fazer o que está no teu coração, supera-o como uma coisa rejeitada pelos príncipes.

5. Se você for um líder, como alguém que dirige a conduta da multidão, procure sempre ser gracioso, que a sua própria conduta seja sem defeitos. Grande é a Verdade, indicando um caminho reto; nunca foi derrubado desde o reinado de Osíris[4]. Aquele que ultrapassa as leis deve ser punido. Exceder é pelo homem ganancioso; mas as degradações (…) suportam suas riquezas, pois a época de suas más ações não cessa. Pois ele diz: ‘Eu obterei por mim mesmo’, e não diz: ‘Eu obterei porque me é permitido’. Mas os limites da justiça são firmes; é o que um homem repete de seu pai.

6. Porque não há medo entre os homens; pois [isto] o Deus castiga da mesma forma. Pois há um homem que diz: “Ali está a vida”; e é despojado do pão de sua boca. Há um homem que diz: ‘O poder está nele’; e ele diz: ‘Eu tomo para mim aquilo que percebo’. Assim, um homem fala, e ele é golpeado. É outro que alcança dando a quem não tem; não aquele que causa pavor aos homens. Pois acontece que o que o Deus ordenou, mesmo essa coisa vem a acontecer. Vivam, portanto, na casa da bondade, e os homens virão e darão presentes de si mesmos.

7. Se você estiver entre os convidados de um homem que é maior que você, aceite o que ele lhe dá, pondo-o em seus lábios. Se você olhar para ele que está diante de você (seu anfitrião), não o fure com muitos olhares. É abominável para a alma[5] olhar fixamente para ele. Não fales até que ele se dirija a ti; não se sabe o que pode ser mau em sua opinião. Fala quando te questionar; assim será teu discurso bom em sua opinião. O nobre que se senta antes da comida o divide à medida que sua alma o move; ele lhe dá o que ele gostaria de favorecer – é o costume da refeição da noite. É sua alma que guia sua mão. É o nobre que a dá, não o inferior que a atinge. Assim, o comer do pão está sob a providência de Deus; ele é um homem ignorante que o contesta.

8. Se você for um emissário enviado de um nobre a outro, seja exato conforme a maneira daquele que o enviou, dê sua mensagem como ele a disse. Cuidado para fazer inimizade com tuas palavras, colocando um nobre contra o outro, pervertendo a verdade. Não a superestime, nem repita o que qualquer homem, seja príncipe ou camponês, diz ao abrir o coração; é repugnante para a alma.

9. Se lavraste, ajunta a tua colheita no campo, e o Deus a fará grande sob a tua mão. Não enchas tua boca na mesa de teus vizinhos….[6] Se um homem astuto for o possessor da riqueza, ele rouba dos sacerdotes como um crocodilo.

Que não haja inveja de um homem que não tem filhos; que não seja abatido nem briguento por causa disso. Pois um pai, ainda que grande, pode ficar triste; quanto à mãe dos filhos, ela tem menos paz que outro. Na verdade, cada homem é criado [para seu destino] pelo Deus, que é o chefe de uma tribo, confiante em segui-lo.

10. Se fores humilde, serve a um homem sábio, para que todas as tuas ações sejam boas diante de Deus. Se conheceste um homem de nenhuma categoria, não sejas altivo para com ele por causa do que sabes a respeito dele, mas honra aquele que foi avançado, de acordo com o que ele se tornou.

Eis que as riquezas não vêm de si mesmas; é a regra deles para aquele que as deseja. Se ele mesmo o agitar e as recolher, o Deus o fará próspero; mas o castigará, se ele for preguiçoso.

11. Segue teu coração durante tua vida; não mais do que te é ordenado. Não diminua o tempo de seguir o coração; é abominável à alma, que seu tempo [de facilidade] seja tirado. Não encurte o dia mais do que o necessário para manter a sua casa. Quando a riqueza é adquirida, siga o coração; pois a riqueza não serve de nada se alguém estiver cansado.

12. Se quiseres ser um homem sábio, gera um filho para o agrado de Deus. Se ele seguir seu exemplo, se organizar seus assuntos na devida ordem, faça-lhe tudo o que é bom, pois seu filho é ele, gerado de sua própria alma. Não lhe arranjeis o vosso coração, ou o vosso próprio filho vos amaldiçoará. Se ele for descuidado e transgredir tuas regras de conduta, e for violento; se todo discurso que sai de sua boca for uma palavra vil; então bate nele, para que sua fala seja adequada. Mantém-no afastado daqueles que fazem luz do que é ordenado, pois são eles que o fazem rebelde[7]. E os que são guiados não se desviam, mas os que perdem o rumo não conseguem encontrar um rumo reto.

13. Se você estiver na câmara do conselho, aja sempre de acordo com os passos que lhe são ordenados no início do dia. Não esteja ausente, ou será expulso; mas esteja pronto para entrar e fazer relatório. Ampla[8] é a sede de quem fez discurso. A Câmara Municipal acata por regra estrita; e todos os seus planos estão de acordo com o método. É o deus que conduz alguém para se sentar nela; o mesmo não se faz para os cotovelos.

14. Se você estiver entre as pessoas, faça para si mesmo o amor, o começo e o fim do coração. Aquele que não conhece seu curso dirá em si mesmo (vendo-te): ‘Aquele que se ordena a si mesmo, devidamente se torna o dono da riqueza; eu copiarei sua conduta’. Teu nome será bom, ainda que não fales; teu corpo será alimentado; teu rosto será [visto] entre teus vizinhos; ser-te-á providenciado o que te falta. Quanto ao homem cujo coração obedece ao seu ventre, ele causa repugnância no lugar do amor. Seu coração é miserável (?), seu corpo é bruto (?), ele é insolente para com aqueles dotados de Deus. Aquele que obedece ao seu ventre tem um inimigo [9].

15. Relate suas ações sem esconder; descubra sua conduta quando estiver em conselho com o seu soberano. Não é mal para o enviado que seu relatório não seja respondido, “Sim, eu sei” pelo príncipe; pois o que ele sabe não inclui [isto]. Se ele (o príncipe) pensa que vai se opor a ele por causa disso, [ele pensa] ‘Ele ficará em silêncio porque eu falei'[10].

16. Se você for um líder, faça com que as regras que você ordenou sejam cumpridas; e faça tudo como alguém que se lembra dos dias que se seguem, quando o discurso não tem valor. Não sejas pródigo em favores; isso leva à servidão (…), produzindo preguiça.

17. Se você for um líder, seja gracioso ao ouvir o discurso de um suplicante. Que ele não hesite em se livrar do que ele pensou em te dizer; mas deseje remover sua lesão. Que ele fale livremente, para que se possa fazer o que ele veio a ti. Se ele hesita em abrir seu coração, é dito: “É porque ele (o juiz) faz o mal que não lhe sejam feitas súplicas a esse respeito por aqueles a quem isso acontece? Mas um coração bem instruído ouve prontamente.

18. Se você deseja continuar a amizade em qualquer morada em que entre, seja como mestre, como irmão ou como amigo; onde quer que você vá, tenha cuidado para não se misturar com mulheres. Nenhum lugar prospera em que isso seja feito. Nem é prudente tomar parte nele; mil homens foram arruinados pelo prazer de um pouco de tempo curto como um sonho. Até mesmo a morte é alcançada por ela; é uma coisa miserável. Quanto ao fígado maligno, deixa-se por aquilo que ele faz, ele é evitado. Se seus desejos não forem gratificados, ele não considera (?) nenhuma lei.

19. Se você deseja que suas ações sejam boas, salve-se de toda malícia e tenha cuidado com a qualidade da cobiça, que é uma dolorosa (?) maldade interior. Não deixeis cair aí por acaso. Ela se coloca em desacordo com os sogros e os parentes da nora; ela se coloca em desacordo com a esposa e o marido. Ela recolhe para si todos os males; é o cinturão de toda maldade [11]. Mas o homem que é justo floresce; a verdade segue seus passos, e ele faz habitações nela, não na morada da cobiça.

20. Não seja cobiçoso ao tocar as ações, na apreensão do que não é sua própria propriedade. Não seja cobiçoso para com o próximo, pois com um homem gentil o elogio vale mais do que o poder. Aquele [que é cobiçoso] vem vazio entre seus vizinhos, ficando sem a persuasão da fala. A pessoa tem remorso até mesmo por um pouco de cobiça, quando sua barriga arrefece.

21. Se você for sábio, providencie sua casa e ame sua esposa que está em seus braços. Enche-lhe o estômago, veste-lhe as costas; o óleo é o remédio de seus membros. Alegra o coração dela durante sua vida, pois ela é uma propriedade lucrativa para seu senhor. Não seja duro, pois a doçura a domina mais do que a força. Dá-lhe (…) aquilo por que ela suspira e aquilo para o qual ela olha; assim a manterás em tua casa….

22. Satisfaz os teus servos contratados com as coisas que tens; é o dever de quem tem sido favorecido por Deus. Em tão pouco tempo, é difícil satisfazer os servos contratados. Pois alguém[12] diz: ‘Ele é uma pessoa pródiga; não se sabe o que pode vir [dele]’. Mas no dia seguinte ele pensa: ‘Ele é uma pessoa de exatidão (parcimônia), contente com isso’. E quando são mostrados favores aos criados, eles dizem: ‘Nós vamos’. A paz não habita naquela cidade onde habitam os servos miseráveis.

23. Não repita o discurso extravagante, nem o escute, pois é a expressão de um corpo aquecido pela ira. Quando tal discurso te for repetido, não o ouças, olha para o chão. Não fales a respeito, para que aquele que está diante de ti possa conhecer a sabedoria. Se te for ordenado que faças um roubo, faze com que a ordem seja tirada de ti, pois é uma coisa odiosa de acordo com a lei. O que destrói uma visão é o véu sobre ela.

24. Se quiseres ser um homem sábio, e um que se senta em conselho com seu soberano, aplica o teu coração à perfeição. O silêncio é mais proveitoso para ti do que a abundância da fala. Considere como você pode ser oposto por um especialista que fala em conselho. É uma tolice falar sobre todo tipo de trabalho, pois aquele que contestar suas palavras as colocará à prova.

25. Se você for poderoso, faça-se honrado pelo conhecimento e pela gentileza. Fale com autoridade, isto é, não como se estivesse seguindo injunções, pois aquele que é humilde (quando altamente colocado) cai em erros. Não exalte o seu coração, que não se abaixe [13]. Não se cale, mas tenha cuidado com a interrupção e com a resposta às palavras com calor. Coloque-o longe de si; controle-se a si mesmo. O coração irado fala palavras inflamadas; ele ousa o homem de paz que se aproxime, interrompendo seu caminho.

Aquele que conta relatos o dia todo não passa um momento feliz. Aquele que alegra seu coração durante todo o dia não providencia para sua casa. O arqueiro acerta a marca, enquanto o boi reage à terra, pela diversidade de objetivos. Aquele que obedece ao seu coração comandará [14].

26. Que um príncipe não seja impedido quando estiver ocupado; nem oprima o coração dele que já está carregado. Pois ele será hostil para com aquele que o retarda, mas que lhe dará à luz sua alma para com aquele que o ama. A disposição das almas está com Deus, e o que Ele ama é sua criação. Ponha-se, pois, em paz com aquele que é hostil a [você] seu oponente, depois de uma violenta briga. São essas almas que fazem o amor crescer.

27. Instrua um nobre em coisas que lhe sejam proveitosas; porque ele seja recebido entre os homens. Que sua satisfação caia sobre seu amo, pois tua provisão depende de sua vontade. Por causa disso, tua barriga será satisfeita; tuas costas serão assim revestidas. Que ele receba o teu coração, para que a tua casa floresça e a tua honra – se assim o desejares – floresça. Ele te estenderá uma mão amável. Além disso, ele implantará o amor de ti nos corpos de teus amigos. É uma alma que ama ouvir” [15].

28. Se você for filho de um homem do sacerdócio, e um enviado para conciliar a multidão,….[16] fale sem favorecer um dos lados. Que não se diga: “Sua conduta é a dos nobres, favorecendo um dos lados em seu discurso”. Vire o seu objetivo para julgamentos exatos.

29. Se você foi gracioso em um tempo anterior, tendo perdoado um homem para guiá-lo, evitá-lo, não o lembre depois do primeiro dia que ele tenha ficado calado para você [a respeito disso].

30. Se tu és grande, depois de não teres sido de nenhuma conta, e se enriqueceste depois da miséria, sendo o mais importante na cidade, e tens conhecimento sobre assuntos úteis, de modo que a promoção te venha a ti; então, não enfaixes o teu coração no teu tesouro, pois te tornaste o mordomo dos dons de Deus. Tu não és o último; outro será teu igual, e a ele virá o semelhante [fortuna e estação].

31. Dobra as tuas costas ao teu chefe, teu superintendente no palácio do Rei, pois tua casa depende de sua riqueza, e de teu salário na época deles. Quão tolo é aquele que discute com seu chefe, pois só se vive enquanto ele é gracioso….

Não roubes as casas dos inquilinos; nem roubes as coisas de um amigo, para que ele não te acuse em tua audiência, que te devolve o coração [17]. Se ele souber disso, ele te fará um dano. A briga no lugar da amizade é uma coisa tola.

32. [Sobre a continência].

33. Se você quiser procurar a natureza de um amigo, não peça a nenhum companheiro seu; mas passe um tempo com ele sozinho, para não ferir seus negócios. Debata com ele depois de uma temporada; teste seu coração em uma ocasião de discurso. Quando ele te contar sua vida passada, ele te dará a oportunidade de que ou você se envergonhe dele ou se familiarize com ele. Não te reserves com ele quando ele abre o discurso, nem lhe respondas depois de uma maneira escarnecedora. Não te afastes dele, nem interrompas (?) aquele cujo assunto ainda não está encerrado, a quem é possível beneficiar.

34. Que teu rosto seja luminoso o tempo que vives. O que entra no armazém deve sair dali; e o pão deve ser repartido. Aquele que se agarra no entretenimento deve ter a barriga vazia; aquele que causa contendas se entristece a si mesmo. Não tome tal coisa por seu companheiro. São os atos de bondade de um homem que são lembrados dele nos anos após sua vida [18].

35. Conhece bem os teus comerciantes; pois quando os teus negócios estão em maus casos, a tua boa reputação entre os teus amigos é um canal (?) que é preenchido. É mais importante do que as dignidades de um homem; e a riqueza de um passa para outro. A boa fama do filho de um homem é uma glória para ele; e um bom caráter é para a lembrança.

36. Corrigir principalmente; instruir confortavelmente [com isto]. O vício deve ser tirado, para que a virtude possa permanecer. Também não é uma questão de infortúnio, pois aquele que é um opositor se torna um causador de lutas.

37. Se fizeres uma mulher envergonhada, desavergonhada de coração, conhecida por seus habitantes para ser colocada falsamente, seja gentil com ela por um espaço, não a mande embora, dê-lhe de comer. A falta de coração dela deve estimar a sua orientação.

C. Se obedeceres a estas coisas que te disse, todo teu comportamento será do melhor; pois, em verdade, a qualidade da verdade está entre suas excelências. Ponha a memória deles na boca do povo; pois seus provérbios são bons. Nem tampouco cessará para sempre desta terra qualquer palavra que aqui tenha sido proferida, mas será feita um padrão pelo qual os príncipes falarão bem. Eles (minhas palavras) instruirão um homem; como ele falará, depois de tê-las ouvido; sim, ele se tornará como um hábil em obedecer, excelente em falar, depois de tê-las ouvido. A boa fortuna lhe sucederá, pois ele será do mais alto nível. Ele será gracioso até o fim de sua vida; ele será sempre contente. Seu conhecimento será seu guia (?) para um lugar de segurança, onde ele prosperará enquanto estiver na Terra. O erudito[19] estará satisfeito em seu conhecimento. Quanto ao príncipe, por sua vez, por sua vez, seu coração será feliz, sua língua endireitada. E [nestes provérbios] seus lábios falarão, seus olhos verão, e seus ouvidos ouvirão, o que é proveitoso para seu filho, para que ele lide com justiça, sem enganos.

38. Uma coisa esplêndida é a obediência de um filho obediente; ele entra e escuta obedientemente.

Excelente na audição, excelente na fala, é todo homem que obedece ao que é nobre; e a obediência de um obediente é uma coisa nobre.

A obediência é melhor do que todas as coisas que são; ela faz a boa vontade.

Como é bom que um filho tire aquilo de seu pai pelo qual alcançou a velhice (Obediência).

O que é desejado por Deus é obediência; a desobediência é abominada por Deus.

Em verdade, é o coração que faz seu mestre obedecer ou desobedecer; pois a vida sã e segura de um homem é seu coração.

É o homem obediente que obedece ao que é dito; aquele que ama obedecer, o mesmo deve cumprir as ordens.

Aquele que obedece, torna-se obedecido.

É realmente bom quando um filho obedece a seu pai; e ele (seu pai) que falou tem grande alegria com isso. Tal filho será brando como um mestre, e aquele que o ouve obedecerá àquele que falou. Ele será bem humorado no corpo e honrado por seu pai. Sua memória estará na boca dos vivos, os que estão sobre a terra, enquanto eles existirem [20].

39. Que um filho receba a palavra de seu pai, não sendo desatento a nenhuma regra sua. Instrua teu filho [assim], pois o homem obediente é perfeito na opinião dos príncipes. Se ele dirigir sua boca pelo que lhe foi ordenado, vigilante e obediente, teu filho será sábio, e seus passos parecerão ser bons. A desatenção leva à desobediência no dia seguinte; mas a compreensão o estabelecerá. Quanto ao tolo, ele será esmagado.

40. Quanto ao tolo, desprovido de obediência, nada fará. O conhecimento ele considera como ignorância, coisas lucrativas como coisas dolorosas. Ele comete todo tipo de erros, de modo que é repreendido por isso todos os dias. Ele vive na morte com ela; é a sua comida. Ao falar, ele se maravilha, como à sabedoria dos príncipes, vivendo na morte todos os dias. Ele é evitado por causa de seus infortúnios, por causa da multidão de aflições que se abate sobre ele todos os dias.

41. Um filho que ouve é como um seguidor de Hórus[21]. Ele é bom depois de ouvir; ele envelhece, ele recebe honra e reverência. Ele repete da mesma forma a seus filhos e filhas, renovando assim a instrução de seu pai. Cada homem instrui como seu procriador, repetindo-o a seus filhos. Deixe-os [por sua vez] falar com seus filhos e filhas, para que sejam famosos em seus atos. Que aquilo que você fala implante coisas verdadeiras e justas na vida de seus filhos. Então chegará a mais alta autoridade, e os pecados [deles] se afastarão. E os homens que virem estas coisas dirão: ‘Certamente que o homem falou com bom propósito’, e farão o mesmo; ou: ‘Mas certamente esse homem foi experimentado’. E todos os homens declararão: ‘São eles que dirigirão a multidão; as dignidades não estão completas sem eles’.

Não retirar nenhuma palavra, nem acrescentar uma; não colocar uma no lugar de outra. Cuidado com a abertura…[22] em si mesmo.

Tem cuidado com a fala quando um homem instruído te ouve; desejo de ser estabelecido para o bem na boca daqueles que te ouvem falar. Se você entrou como especialista, fale com lábios exatos (…), para que sua conduta possa ser bem parecida.

42. Seja teu coração transbordante; mas refreia tua boca. Que tua conduta seja exata enquanto estiveres entre os nobres, e aparente diante de teu senhor, fazendo o que ele ordenou. Tal filho falará aos que o ouvirem; além disso, o seu procriador será favorecido. Aplica o teu coração, a que horas falas, a dizer coisas tais que os nobres que ouvem declarem: “Quão excelente é o que sai de sua boca”!

43. Cumpre a ordem de teu senhor a ti. Quão bom é o ensinamento do pai de um homem, pois ele veio dele, que falou de seu filho enquanto ele ainda estava por nascer; e o que é feito por ele (o filho) é mais do que o que lhe é ordenado. Assim, um bom filho é do dom de Deus; ele faz mais do que está unido a ele, ele faz o bem, e põe seu coração em todos os seus passos.

D. Se agora atingires minha posição, teu corpo florescerá, o Rei se contentará com tudo o que fizeres, e tu recolherás anos de vida não menos do que eu passei sobre a terra. Reuni até mesmo cinco e dez anos de vida, pois o Rei me concedeu mais favores do que aos meus antepassados; isto porque eu fiz verdade e justiça para o Rei até a minha velhice.

É O FINAL

DESDE SEU INÍCIO ATÉ SEU FIM

MESMO COMO ENCONTRADO POR ESCRITO.

[1] O Rei.

[2] Título de uma ordem do sacerdócio.

[3] A atitude habitual de um inferior submisso naquela época.

[4] Acreditava-se que o Deus Osíris tinha reinado na terra muitos milhares de anos antes de Menés, o primeiro rei histórico.

[5] Alma = ka’, e ao longo deste trabalho. Ka’ é traduzido pessoa em § 22, testamento em § 27.

[6] Segue-se uma frase obscura ou corrupta, que não admite uma tradução satisfatória.

[7] Tradução duvidosa.

[8] ou seja, confortável.

[9] Sua barriga, presumivelmente.

[10] A tradução acima não é satisfatória; o texto pode ser corrupto. Ainda não foi feita nenhuma tradução inteligível do mesmo.

[11] ou seja, toda a maldade está contida nele.

[12] Um servo.

[13] Comparar com o livro bíblico de Provérbios. 17:18.

[14] Assim também na vida, pela diversidade de objetivos, alternando trabalho e diversão, a felicidade é assegurada. A pirataria é evidentemente destinada no caso do remador.

[15] Esta seção se refere às relações entre o filho de um nobre e seu tutor, que se detém nos benefícios de ex-alunos em lugares altos, se seus tempos de escola tiverem sido agradáveis. A última frase desta seção, a partir das seções 23 e 25, é um pouco à propos des bottes (sem razão aparente).

[16] Uma frase obscura está aqui.

[17] Literalmente, “É aquilo que previne o coração de avançar (…)” Uma frase curiosa.

[18] Literalmente, depois de seu bastão ou cetro.

[19] Quem os conhece.

[20] A maior parte desta seção é um jogo sobre a raiz ‘sôdem, que em seu significado inclui nosso ouvir (ouvir) e obedecer. Esta cansativa tortura de palavras é frequente no Egito, especialmente em textos religiosos antigos.

[21] Os “Seguidores de Hórus” são uma lendária dinastia de semideuses, que os egípcios acreditam ter governado por cerca de 13.400 anos após o reinado de Hórus, e antes do de Menés. Há também uma ordem de espíritos com este nome.

[22] Uma palavra de significado desconhecido; aparentemente algum tipo de planta. Tal palavra parece fora de lugar aqui, e pode ser idiomática, como nossa “linguagem florida”. Mas a linha anterior obviamente se refere a este livro.

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Fonte:

The Instruction Of Ptah-Hotep.

https://www.gutenberg.org/files/30508/30508-h/30508-h.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-instrucao-de-ptah-hotep/

A Cabala e os Anjos

O povo judeu, ao longo de sua existência, sofreu continuas perseguições e exílios. Desde o período bíblico, com os cativeiros no Egito e na Babilônia até sua execução em massa na Alemanha nazista, sua expulsão da Espanha e da Inglaterra, entre tantos outros acontecimentos, sempre se mantiveram unidos como um povo, mantendo intactas sua cultura e sua língua. Para isso, valiam-se da Cabala, que condensa seus ensinamentos religiosos e, ao mesmo tempo, protege-os da extinção, pois é tão complexa e de difícil interpretação que poucos a ela têm acesso.

A palavra Cabala vem de uma raiz hebraica KBL, ou receber e, segundo consta, surgiu no primeiro século depois de Cristo. Seus livros mais importantes são o Zohar, ou Livro do Esplendor, o Livro da Criação e o Livro da Imagem.

A correta interpretação desses textos revelaria o mapa a ser trilhado pelas almas para percorrer esse caminho de volta ao seu Criador.

Através da numerologia, que se vale dos algarismos de 1 a 9, muitas revelações vão surgindo aos olhos do iniciado e dos poucos que tem o privilégio de compreenderem suas mensagens ocultas.

De qualquer forma, preciosas informações já foram assimiladas pelos estudiosos do assunto, fornecendo regras para o entendimento, ainda que precário, da relação dos homens com os Anjos e de como ter acesso a estes. Angelólogos se debruçaram sobre isso ao longo dos séculos, chegando às informações que, hoje, já se encontram consolidadas e à disposição de quem delas queira fazer uso.

Para descobrirem os nomes dos Príncipes e dos Anjos de cada uma das falanges, os cabalistas partiram de um número inicial, o 72, que nada mais é que o resultado da inscrição do nome de Deus, Ieve ou Jehovah, dentro de um triângulo considerado sagrado e chamado de Tetragramaton, com a seguinte configuração:

I
I E
I E V
I E V E

Nesse triângulo, o I eqüivale a 10, porque corresponde a YOD, décimo caracter do alfabeto hebraico, que simboliza tempo, espaço, ciclos de existência, tudo que nasce, cresce, se reproduz e desaparece. O E eqüivale a HE, equivalente a 5, significando a dualidade do ser diante da natureza e do universo. O V corresponde a VAU, equivalente a 6, simbolizando a presença do espírito. Aplicando isso às letras do Tetragramaton, temos:

10
10 + 5
10 + 5 + 6
l0 + 5 + 6 + 5

Efetuando-se essa soma, obtém-se o 72, que foi a base inicial para a descoberta dos nomes dos Anjos. Esse número aparece, também, em outras passagens bíblicas. 72 nações e línguas se originaram da intervenção de Deus na Torre de Babel. Em todas essas línguas, o nome de Deus sempre foi escrito com 4 letras. Eram 72 os anciãos das sinagogas e são 72 também o número de quinários, graus ou dias, do ano cabalístico, que se inicia em 20 de março, no signo de Áries.

A partir desse número, os cabalistas descobriram que os versículos 19, 20 e 21 do Capítulo 14 do Êxodo, tinha cada um deles 72 caracteres hebraicos. Na tradução de João Ferreira de Almeida, são os esses os versículos citados:

(Ex 14:19)
“E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles e se pôs atrás deles.”

(Ex 14:20)
“E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era escuridade para aqueles e para estes esclarecia a noite; de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro.”

(Ex 14:21)
“Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se seco e as águas foram partidas.”

Para chegar a esses nomes, os versículos foram dispostos paralelamente e os primeiros caracteres da esquerda dos versículos 19 e 21 foram ligadas ao primeiro letra da direita do versículo 20. Aos três caracteres resultantes foram acrescentados a terminação HE ou VAU, extraídas do sagrado nome de Deus. Feito isso, o processo é repetido com os segundos caracteres, até completar todos os setenta e dois.

Reduzindo-se numerológica e cabalisticamente o número 72, temos 7 +2= 9. Nove foram, portanto, as falanges, cada qual com 8 Anjos, mais um Príncipe comandante, assim como nove eram os planetas do ano cabalístico. Desse conhecimento surgiram os nomes dos Príncipes, totalizando 81 Anjos, cuja redução numerológica e cabalística também resulta em 9, como toda a hierarquia angelical, diga-se de passagem.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cabala-e-os-anjos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cabala-e-os-anjos/

Entrevistas e Palestras de Abril/2020

Bate-Papo Mayhem 001 – Com Marcelo Del Debbio e Pri Martinelli – Viagem ao Egito, Templos, Pirâmides, Rituais e Espiritualidade.
https://youtu.be/gkgNgW32UYY

Bate-Papo Mayhem 002 – Com Rafael Daher – Sefirat Ha Omer, Cabala Judaica, Árvore da Vida e Sephiroth.
https://youtu.be/ZEDJPbNeUDU

Bate-Papo Mayhem 003 – Com Marcelo Del Debbio – Verdadeira Vontade, Altar Pessoal e Realização da Grande Obra.
https://youtu.be/tbFBDKG5S1s

Bate-Papo Mayhem 004 – Com Raph Arrais – 49 dias antes da Colheita, A Questão Emocional dentro do Sefirat ha Omer.
https://youtu.be/s9IpBBbYOt8

Bate-Papo Mayhem 005 – Com Luis Z Siqueira – Magia do Caos, Psicologia, Sigilos, Servidores, Egrégoras, Projeto Kaos.
https://youtu.be/IeHUej53eE0

Bate-Papo Mayhem 006 – Com Giancarlo Kind Schmid – Evolução Simbólica e Linguística da Cartomancia, do século XV ao XXI.
https://youtu.be/2wHAcSNLMlw

Bate-Papo Mayhem 007 – Com Ricardo Bina – História e fundamentos do Reiki, comparação com outros sistemas herméticos e iniciáticos.
https://youtu.be/bGK_WADt9g0

Bate-Papo Mayhem 008 – Com Eduardo Regis – Origem, lendas, Lwas e rituais do Vodú Haitiano.
https://youtu.be/pS6UzBNK6L0

Bate-Papo Mayhem 009 – Com Frater Aleph – Gurdjieff e o Quarto Caminho: mantenha-se desperto!
https://youtu.be/IZuRBaAaalY

Bate-Papo Mayhem 010 – Com Francisco Tupy – A Jornada do Herói e os Mitos Modernos pelo viés de Krishnamurti.
https://youtu.be/haMZqQt_nSs

Bate-Papo Mayhem 011 – Com Acauã Silva – A História da Ordem Rosacruz, Arnold Krumm-Heller, a FRA e a Igreja Gnóstica.
https://youtu.be/jY77TBJtrMs

Bate-Papo Mayhem 012 – Com Uilian Tadeu Vendramini – Conhecendo um pouco sobre o Candomblé de Angola.
https://youtu.be/YqJO-f0WYGQ

#Batepapo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/entrevistas-e-palestras-de-abril-2020

A Grande Fraternidade Branca

Em termos de Sociedade Secreta não há registro de nada mais antigo nem mais secreto-secretíssimo do que a Grande Fraternidade Branca ─ ou Grande Loja Branca: seus integrantes, afinal, são invisíveis e atemporais. Dela se diz que sua regência sobre a evolução das criaturas humanas terrenas remonta à Terceira Raça Raiz ─ ou seja, a Fraternidade Branca atua neste globo desde as extintas civilizações Lemuriana [a Terceira] passando pela civilização Atlante e chegando à atual, a civilização do auto-denominado homo sapiens, Quinta Raça Raça Humana, ponto extremo inferior da curva evolutiva.

18 milhões de anos! Considerando tal longevidade e analisando a cronologia dos Brâmanes [veja box abaixo] conforme da Doutrina Secreta, essa Grande Fraternidade Branca deve estar atuando nos destinos humanos há pelo menos 18 milhões de anos! quando, segundo os teósofos,  a Humanidade atual, a Quinta Raça Humana, começou a se manifestar.

Cronologia dos Brâmanes

Idade deste Sistema Planetário-Solar [em 2009]
Idade do Surgimento da Primeira Raça Humana [etérea]
Idade da Humanidade Atual ─ Quinta Raça Humana
Duração do Kali-Yuga, Era atual
Tempo de KaliYuga já transcorrido [em 2009]

1 bilhão 995 milhões 884 mil 809 anos
1 bilhão 644 milhões 501 mil 109 anos
18 milhões 618 mil 728 anos
432 mil anos
5 mil 111 anos

Fonte: BLAVATSKY, 2001

Para muitas Sociedades Secretas, a Grande Fraternidade Branca é uma espécie de modelo hierárquico, doutrinário e ideológico invisível. Muitas dessas sociedades, mais ou menos antigas, reivindicam o posto de representantes fiéis dos Mestres Espirituais neste mundo material:

Segundo abalizados autores, a Loja Branca é uma poderosa Fraternidade ou Hierarquia de Adeptos cujas colunas mestras são o Amor e a Sabedoria [estrutura da qual] uma Loja maçônica é uma miniatura simbólica. …Essa Fraternidade vela pela humanidade e através dos séculos vem guiando sua evolução e governando internamente [secretamente] os negócios do nosso globo. [FIGUEIREDO, 1899 ─ p 225]

Durante os séculos XVIII, XIX, XX e mesmo hoje, no século XXI, quando o interesse nas tradições ocultistas era [e ainda é] tão intenso quanto o entusiasmo pela ciência objetiva, Teósofos e outros esotéricos revelaram a Grande Loja Branca como um Colégio, um Conselho de Mestres responsáveis pela preservação da Sabedoria e pela orientação da evolução da Humanidade deste planeta. De acordo com essa revelação, os Mestres da Grande Loja Branca são os verdadeiros governantes deste mundo; são guias dos Homens ao longo do processo de desenvolvimento espiritual.

Estudos e ensaios teosóficos descrevem com detalhes a organização interna dessa Fraternidade transcendental. Seu líder e considerado o Senhor do Mundochama-se Sanat Kumara. Na hierarquia da Fraternidade, o segundo mestre é Gautama [príncipe Sidarta Gautama, o Buddha Sakyamuni ─  [vida terrena situada entre 563-483 a.C.] ─ o Buda da Raça Humana atual, [a Quinta]. A estes Mestres seguem-se muitos outros, menos graduados, entre manus, bodhisatvas [corpos de Sabedoria], Cohans, Maha-cohans, mestres de Raios!  e toda uma corte de seres supra-humanos, metafísicos e sobretudo, ocultos, inacessíveis aos sentidos e meios físicos, misteriosos.

Quanto à fonte de Todo esse conhecimento, sobre esta suposta Irmandade que interage com o mundo humano-terreno a partir de uma outra dimensão existencial, essas informações foram obtidas, segundo os ocultistas informantes, por meio da paranormal faculdade da clarividência [portanto é um conhecimento que pertence á categoria Acredite se quiser] ─ [GREER, 2003 ─ p 209]. Todavia, não é bem assim; o fato é que a Grande Fraternidade Branca é uma idéia que tem um precursor histórico.

Origem da Idéia

A idéia de uma organização secreta de místicos iluminados, guias do desenvolvimento espiritual da raça humana, foi apresentada pela primeira vez no século XVIII [anos 1700] por Karl von Ekartshausen [1752-1803], escritor, filósofo, místico alemão, no livro The Cloud Upon the Sanctuary [A Nuvem Sobre o Santuário] publicado depois da morte do autor, em 1802.

Na concepção de Ekartshausen estes místicos, que formam um Conselho da Luz, eram [ou são] Espíritos que permanecem ativos em relação à Terra mesmo depois depois da morte física neste planeta. O autor propõe, então, que se promova uma comunhão entre vivos e mortos, unindo a idéia cristã da Comunhão dos Santos com as Sociedades Secretas Ocultistas, místicas ou mágicas, como os Rosa-cruzes e os Illuminatti.

Durante o século XIX ocultistas de diferentes linhas de pensamento se encarregaram de enriquecer, alimentar e difundir a crença nessa Irmandade. Entre esses difusores, destacam-se: os Teósofos, como Alfred Percy Sinnet [1840-1921, autor de Mahatma Letters, ou cartas de Mahatmas, mestres espirituais], Helena Petrovna Blavatsky [1831-1891], C. W. Leadbeater [1854-1934], Alice Bailey [1880-1949], Helena Roerich [1879-1955]; Guy Balard, [1878-1939], pseudônimo de Godfré Ray King, fundador do movimento Eu Sou, transmissor na Terra dos ensinamentos transcendentais do Conde de Saint-Germain, personagem misterioso do ocultismo ocidental, um dos Iluminados da Fraternidade Branca ou, como também são chamados esses mestres invisíveis, um mestre ascencionado [CABUS, 2008].

Os teósofos foram um dos primeiros a atribuir sua doutrina, seus ensinamentos a esse Colegiado de Adeptos. Em Isis Unveiled [Isis Sem Véu] H.P. Blavatsky refere-se a estes Guias como Mestres da Irmandade Oculta ou Mahâtmas [Grande Espírito] e afirma que não somente encontrou pessoalmente esses Adeptos com também, durante toda a sua vida, manteve com eles comunicações regulares através de poderes telepáticos, incorporações, como os mediuns espíritas fazem com espíritos desencarnados ou, ainda, por deslocamentos do corpo astral.

A expressão Grande Irmandade Branca [white brotherhood] começou a ser usada depois da publicação de The Masters and The Path [Os Mestres e O Caminho] de C. W. Leadbeater, 1925. Desde então o título Grande Irmandade Branca tornou-se o preferido nas referências a essa comunidade de Adeptos Iluminados.

Os ocultistas ocidentais também costumem se referir à Irmandade com Grande Loja Branca, denominação que parece indicar que esses ocultistas idealizam esse Colégio de Sábios, como uma sociedade hierárquica, com estrutura semelhante às sociedades secretas iniciáticas terrenas.

Inúmeras Sociedades ocultistas reclamam para si a condição de verdadeiras representantes da Grande e invisível Irmandade Branca. Até Aleister Crowley [1875-1947], com sua fama auto-proclamada de perversa besta, chegou a insinuar que sua Astrum Argentum era diretamente ligada aos bondosos Mestres Ascensos.

Mestres Ascensos e Doutrina do EU SOU

Em 1934, Guy Ballard [1878-1939], um engenheiro norte-americano, que alegava ter tido uma revelação em 1930, no Mt. Shasta ─ Califórnia, publicou Unveiled Mysteries onde refere-se à Irmandade Branca como um Conselho ou Colegiado de Mestres Ascensos.

Ballard afirma que esteve frente a frente com o lendário Conde de Saint-Germain. O Conde seria um desses Mestres Ascensos que encarnou voluntariamente na Terra em diferentes períodos da História sempre usando, ostensivamente, a mesma identidade, de Conde de Saint-Germain, intrigando gerações que envelheceram enquanto o misterioso personagem permanecia jovem.

Mestre Saint-Germain transmitiu a Ballard os ensinamentos da Doutrina EU SOU, muito difundida através de um livrinho precioso chamado O Livro de Ouro de Saint-Germain. Precioso porque, com certeza, a pequena obra é origem e fundamento de praticamente todas as técnicas de auto-ajuda, em cujo cerne repousa a velha e boa reprogramação comportamental com base na neuro-lingüística, tão em moda nas últimas cinco décadas [desde os anos de 1960, no mínimo ─ CABUS, 2008].

Sincretismo & Mestres Ascensos

Depois de tantas revelações e tantos reveladores, a Grande Fraternidade Branca chegou à segunda metade do século XX [a partir dos anos de 1950] envolta em doutrinas sincréticas, que misturavam ensinamentos de várias vertentes místico-religiosas: cristianismo esotérico, gnose, teosofia, budismo e doutrinas outras entre exóticas e fantasiosas. Essas Irmandades terrenas que se dizem representantes da verdadeira White Brotherhood proliferam em todo o mundo adotando diferentes denominações.

O conceito do Colegiado de Mestres Ascensos enfatizado por Guy Ballard obteve enorme aceitação entre esotéricos da Nova Era [New Age] resultando na formação de numerosas irmandades, fraternidades, sociedades, muitas delas fazendo absoluta questão de serem legítimos rosa-cruzes, outras, proclamando-se profetas contemporâneos guiados pelos Ascencionados.

O elenco ou lista desses Ascencionados, não é um consenso e cada organização tem lá suas preferências embora alguns personagens de elite, conhecidos do grande público, sejam comuns a todas elas: Jesus, Maria mãe de Jesus, Buda Sakyamuni, qchamam familiarmente Gautama quando o próprio Buda Sakyamuni renunciou ao seu nome de família nobre e, mais recentemente, até o desencarnado papa João Paulo II foi admitido na equipe dos Mestres Ascencionados!

Oh! Raios!

Outros destacados Mestres Ascensos, mais ou menos famosos, fazem são nomeados e até suas imagens, desenhadas, aparecem em suas fichas. São alguns deles:  El Morya, Hilarion, classificados como cohans ou seja, Mestres do Raio: Kuthumi [que foi popularizado pela Teosofia], Mestra Nada [que tem sido identificada com Maria de Nazaré], Maytreya, Palas Atena [aquela mesma, da mitologia grega] entre outros menos famosos.

O Raio, na verdade, ao menos sete deles, são emanações energéticas diferentes, cada uma sob o domínio de um Mestre do Raio. Esses raios têm uma cor terapêutica própria e comunicam aos que os recebem ou invocam diferentes virtudes. Esses mestres atuam sob a liderança de um superior, o Maha-Cohan.

O cargo não é eterno e, no momento, segundo os teóricos da Summit Lighthouse, [Cúpula da Casa da Luz], uma das incontáveis organizações que se apresentam como verdadeiros representantes da White Brotherhood, o lugar é ocupado por um conhecido personagem histórico: Aquele que atualmente ocupa o cargo de Maha-Chohan esteve encarnado como o poeta cego Homero! ─ cujos poemas épicos, a Ilíada e a Odisséia, incluem sua chama gêmea, Palas Atena!, como personagem central. A Summit Lighthouse define a Irmandade:

A Grande Fraternidade Branca é uma ordem espiritual de santos do Ocidente e de adeptos do Oriente, que se reuniram ao Espírito do Deus vivente, e da qual fazem parte as hostes celestiais. Eles transcenderam os ciclos de carma e renascimento e ascenderam para essa realidade superior, que é a eterna morada da alma… A palavra “branca” não se refere à raça, mas à aura de luz branca que circunda esses seres. [SUMMIT LIGHT HOUSE]

Endereço! ─ Onde Fica a Sede da Grande Fraternidade Branca

Para chegar à sede da Grande Fraternidade Branca é necessário: 1. ou morrer em santidade; 2. ou aprender a sair do corpo e visitar pessoalmente os Mestres, se os Mestres quiserem receber você. Isso porque, como já foi esclarecido, a Grande Fraternidade Branca é invisível e sua sede está situada em um não-lugar terreno; em um plano outro de existência [outro plano ontológico, de Ser], em outra dimensão, em alguma dobra das curvas do Universo.

Todavia, essa mansão sem endereço topográfico tem sua localização etérica que, eventualmente, tem seus pontos de referência geográficos. Mas não há consenso entre os ocultistas: para alguns, a morada dos Mestres fica em uma dimensão transcendental situada no Deserto de Gobi.

O Deserto de Gobi, que ocupa territórios da Mongólia e da China, em tempos arcaicos, teria sido um mar e a cidade dos Ascensos ficava às margens deste mar. O mar foi engolido pelas convulsões geológicas do planeta porém, no mesmo lugar, existiria, ainda, a ilha sagrada dos Mestres, que os sentidos meramente físicos dos humanos não podem perceber. Diz a lenda que o local permanece oculto graças aos poderes sobrenaturais de seus habitantes; e protegido pela vigilância de seres encantados.

Outra possível localização dessa Morada dos Mestres seriam os subterrâneos da cordilheira dos Himalaias, entre o Tibete e o Nepal. Nesse caso, não é uma cidade invisível; antes, é uma sede oculta. Uma terceira hipótese, supõe que os Iluminados estão onde sempre estiveram desde o início dos tempos: no único ponto imutável do planeta [segundo os teósofos], o Pólo Norte, na região diretamente alinhada com a estrela chamada Ursa Polar. Ali habitariam seres remanescentes da Primeira Raça Humana, os Sombras, os Arûpa, os Sem-Corpos [materiais densos]; e também os sábios de todas as outras quatros Raças que vieram depois. Entre estes, destacam-se os magos brancos da Atlântida.

Finalmente, existe a versão dos Mestres Invisíveis que vivem não nos subterrâneos mais superficiais, mas nas entranhas do mundo, em uma cidade mítica sobre a qual há controvérsias. A idéia mais aceita implica na admissão não de um, mas de dois Colegiados de seres superiores e rivais. Os mestres da mão direita, magos brancos, teriam se instalado no reino de Agharta, ao norte, no interior deste planeta. Estes trabalham pela evolução da Humanidade.

Os mestres da mão esquerda, magos negros, seriam os fundadores moradores de Shambala, que ou são indiferentes ao destino dos Homens ou não se importam em, eventualmente, promover a desgraça desta Quinta Raça Humana. Nesta hipótese, tanto os Magos brancos quanto negros seriam os últimos descendentes/sobreviventes da civilização Atlante e, somente escaparam das enchentes e terremotos porque souberam previamente da iminência da tragédia graças aos seus poderes de clarividência.

Fraternidade Branca: O que Dizem os Místicos

Muitos ocultistas escreveram sobre essas Entidades, Seres, Mestres que governam o mundo por meios insidiosos e agentes secretos, pelo bem ou pelo mal da Humanidade. Eis alguns comentários e revelações sobre aquela que deve ser a mais antiga das Sociedades Secretas da História desta e de todas as Humanidades que já existiram na Terra:

H. P. Blavatsky [1831-1891] ─  Quando a Quinta Raça [atual] estava ainda em sua infância, o Dilúvio alcançou a Quarta Raça, Atlante [que eram gigantes comparados ao homo sapiens]… Somente [um] punhado de eleitos, cujos instrutores divinos tinham ido habitar a Ilha Sagrada [no deserto de Gobi] – de onde virá o último Salvador – impediu que metade da Humanidade se convertesse em exterminadora da outra metade. …Os Adeptos e Sábios moram em habitações subterrâneas, geralmente sob construções piramidais existentes nos quatro cantos do mundo. …Os Senhores da Sabedoria trouxeram frutas, grãos de outras esferas, para benefício da Raça que eles governavam. O primeiro uso do fogo, a domesticação de animais, o plantio dos cereais e das ervas foram conhecimentos transmitidos pela Hoste Santa. [BLAVATSKY, 1899]

O Colégio dos Sábios Segundo Gurdjieff [1860/1872?-1949] ─ Setenta gerações antes do último dilúvio [e cada geração valia por cem anos]… no tempo em que o mar estava onde hoje está a terra e a terra, onde hoje está o mar – existia uma grande civilização, cujo centro era a ilha Hannin. Os únicos sobreviventes desse dilúvio [o dilúvio ao qual o autor se refere é o que aparece no relato sumério-mesopotâmica de Gilgamesh] tinham sido alguns membros de uma confraria [irmandade] denominada Imastun que representava, por si só, toda uma casta.

Esses Irmãos Imastun estavam, antigamente, espalhados por toda a Terra, mas o centro de sua confraria permanecia nessa ilha. Esses homens eram sábios. Estudavam, entre outras coisas, a astrologia e foi para poder observar os fenômenos celestes sob ângulos diferentes que, pouco antes do dilúvio tinham se dispersado por todo o globo. Mas qualquer que fosse a distância, às vezes considerável, que os separasse, permaneciam em comunicação entre si, bem como com o centro de sua comunidade, que mantinham ao corrente de suas pesquisas por meios telepáticos. [GURDJIEFF, 2003- ─ p 44]

Peter Deunov ─  [1864-1944] Gnóstico búlgaro, mestre espiritual fundador da School of Esoteric Christianism, [chamado por seus discípulos de Master Beinsa Douno] refere-se a essa organização como Universal Brotherhood [Irmandade Universal]. Ao ser excomungado em julho de 1922, defendeu a Irmandade: Existe apenas uma Igreja no mundo mas a Universal Brotherhood está além das Igrejas, é mais que Igrejas. Mais elevado que a Universal Brotherhood, somente o reino do Céus [o Paraíso].

C. W. Leadbeater [1854-1934, teósofo] ─ Desde sempre existe uma Irmandade de Adeptos [Brotherhood of Adepts], The Great White Brotherhood [Grande Irmandade Branca]; desde sempre existiram Aqueles que sabiam, Aqueles que possuíam [essa] sabedoria secreta, e nossos Mestres estão entre os atuais representantes dessa poderosa linhagem de Profetas e Sábios. Durante incontáveis Eons Eles têm preservado O Conhecimento.

Atualmente, parte desse Conhecimento está ao alcance de qualquer um, aqui, no plano físico, [no corpo da chamada Doutrina Secreta revelada pela Teosofia]. O próprio Mestre Kuthumi disse uma vez, sorrindo, que quando alguém fala da grande mudança que o conhecimento teosófico trouxe à sua vida, Ele reflete: Sim, mas nós somente levantamos uma pequena ponta do véu [LEADBEATER, 1925].

A Grande Fraternidade Branca é uma organização diferente de qualquer outra no mundo. Alguns a descrevem, ou imaginam, como uma irmandade Himalaica ou tibetana que reúne ascéticos indianos em algum tipo de monastério situado em algum ponto inacessível de uma montanha. [Mas não é assim, os Irmãos pertencem, muitas vezes, a outras esferas, outros globos; outros são desencarnados terrenos e não habitam, necessariamente, um lugar físico]. Esse Grandes Espíritos pertencem a duas categorias: aqueles que mantêm um corpo físico e os que não mantêm. Esses últimos são chamados Nirmanakayas. Os Nirmanakayas mantêm a si mesmos em um estado de ser intermediário entre o mundo-terreno e o Nirvana. Dedicam todo o seu tempo e energia para a geração de força espiritual benéfica para Humanidade [LEADBEATER, 1996]

Koot’ Hoomi Lal Sing [1880, mestre ascenso] ─ A verdade sobre nossas Lojas e sobre nós mesmos… os Irmãos, sobre os quais todos ouvem falar e poucos vêem, são entidades reais, e não ficções criadas como alucinações por um cérebro em desordem. [Apud SINNETT, 1926]

Trevor Barker [teósofo] ─ Entre os estudiosos da Teosofia e Ocultismo é bem conhecido o fato de que a doutrina e a ética apresentadas ao mundo pela Sociedade Teosófica, durante os 16 anos depois de de sua fundação, em 1875, são conhecimentos ministrados por Mestres do Oriente pertencentes a uma Irmandade Oculta que vive no Trans-Himalaia Tibetano. Blavatsky, que tinha esses sábios como mestres, afirmava não somente a existência da Irmandade, mas dizia que, durante sua estada no Tibete, tinha recebido pessoalmente, destes mestres, treinamento, ensinamentos e instruções [BARKER, 1926]

Wouter J. Hanegraaff[Grande Fraternidade Branca & Jesus] ─ Segundo o clarividente Edgar Cayce [1877-1945], os Essênios foram representantes da Grande Fraternidade Branca, ativos na Palestina no tempo de Jesus. Seu principal centro não era em Quram, mas no Monte Carmelo, lugar associado ao profeta Elias, outro iniciado, membro da Fraternidade. …Antes do nascimento de Jesus, os essênios souberam e prepararam seu advento. Chamavam-no o Velho Irmão. Acreditava-se que Ele foi o primeiro ser humano a completar o desenvolvimento espiritual. Aquele mesmo Jesus que viria como Messias tinha vivido muitas vidas neste planeta: Adão, Enoch, Melchizedek, José do Egito.

Preparando a chegada ou encarnação do mestre, os essênios selecionaram várias jovens; uma delas seria a mãe do Messias. Essas candidatas a Mãe do Salvador eram educadas no Monte Carmelo. Maria foi escolhida por um anjo. No episódio da Fuga Para o Egitoos essênios providenciaram que a Sagrada Família chegasse ao seu destino em segurança. Ao longo de toda sua vida até o momento em que começou seu ministério público, Jesus foi treinado por mestres da Grande Fraternidade Branca. Depois dos sete anos passados no Egito, o menino foi levado à Índia, onde ficou por três anos; depois, Pérsia voltando à Judéia na ocasião da morte de seu tutor terreno, José. [HANEGRAAFF, 1996]

George D. Chryssides─ A Grande Fraternidade Branca é um grupo de seres espirituais que vivem, existem em um espaço paralelo ao mundo físico humano. Essa Fraternidade é liderada por um Senhor do Mundo que preside uma hierarquia de mestres que inclui o Buda Sakyamuni, o mestre Maiterya, o mestre Morya e Mestre Koot Hoomi. Alguns desses mestres são pessoas desencarnadas, outros, pertencem a uma mitologia religiosa e alguns não se encaixam em nenhuma dessas categorias.

A Fraternidade abriga, ainda, históricas personalidades religiosas, ocultistas e filosóficas:

  • o patriarca Abraão
  • o rei Salomão
  • Confúcio [551-479 a.C.]
  • Lao Tzu [filósofo e alquimista chinês,autor do Tao Te Ching]
  • Platão [428-347 a.C., grego], Jacob Boehme [1575-1624, filósofo e místico alemão]
  • Roger Bacon [1214-1294, inglês]
  • Francis Bacon []1561-1626, inglês]
  • Cagliostro [1743-1795 Alexandro, conde de Cagliostro, ocultista, alquimista, maçom]
  • e até Franz Anton Mesmer [1734-1815, alemão], o famoso médico e hipnotizador. [CHRYSSIDES, 2001]

Glossário Mínimo da Grande Fraternidade Branca

Fonte: BLAVATSKY, H. P.. Glossário Teosófico. [Trad. Silvia Branco Sarzana] ─ São Paulo: Pensamento, 1995.

Adepto  ─ latim. Adeptus  ─  aquele que obteve. Em Ocultismo, aquele que pelo desenvolvimento espiritual alcançou o grau de Iniciação ou seja, alcançou conhecimentos e poderes transcendentais e chegou à condição de Mestre esotérico [dos segredos] [BLAVASTKY, 1995].

Cohan ─ Na Doutrina Secreta a tradução é Senhor. Na literatura teosófica atual é o mesmo que Dhyân-Cohan ou seja, Luzes Celestiais, Arcanjos.[BLAVASTKY, 2001]

Dhyânis ─ sânscrito. Anjos ou espíritos angélicos. Nome genérico aplicado a alguns Seres espirituais ordenados [hierarquizados] ─  [HOUDT Apud BLAVASTKY, 1995]

Doutrina Secreta ─ [Gupta Vidyâ ─ ciência oculta ou esotérica] denominação usada para designar os ensinamentos secretos da Antiguidade. [BLAVASTKY, 1995]

Gnôsis [do grego] ─  Gnose. Conhecimento. Termo empregado pelas escolas de filosofia religiosa, antes e durante os primeiros séculos do Cristianismo a Gupta Vidyâ [veja acima], o conhecimento supremo ou divino através do  estudo e prática das ciências ocultas ou esotéricas a fim de alcançar a posição de Iniciado nos Mistérios Espirituais [realidade metafísica, BLAVASTKY, 1995]

Gnósticos ─ Filósofos que formularam e ensinaram a Gnôsis. Viveram nos três primeiros séculos da Era Cristã. entre estes precursore, destacam-se: Valentino, Basilides, Marcion, Simão, o Mago ─ entre outros.

Loja ─ etimologicamente, do sânscrito loka, mundo, lugar próprio, podendo se referir a um templo, um prédio, uma casa, este mundo, outros mundos ou o Universo. [BLAVASTKY, 1995]

Maha-Cohan ─ sânscrito. Chefe de uma hierarquia espiritual ou de uma escola de ocultismo; o chefe dos místicos da região situada além do Himalaia. [BLAVASTKY, 1995]

Mahâtma ou Mahâtman ─ sânscrito. Em pali, Arhats ou Rahats. Adepto de ordem mais elevada. Sres que, tendo obtido o domínio de seus princípios inferiores [físicos orgânicos-astrais] vivem livres das limitações do homem carnal. Possuem conhecimento e poderes [faculdades, habilidades, sentidos, percepção] que o homem comum considera sobrenaturais mas que decorrem de evolução espiritual.

Também são chamados Sidhas, na condição de seres perfeitos que, por sua poderosa inteligência e santidade chegaram a uma condição semi-divina; ou, ainda, Jivan-muktas, almas libertadas; mas concedem em se ligar a corpos mais ou menos físicos sempre que necessário em sua missão de auxílio ao progresso da Humanidade.Como primeiros espíritos que um dia encarnaram em Humanidades arcanas, ao longo de Eons! alcançaram a consciência atmica [de Atman, o Todo incognoscível, consciência divina] ou nirvânica; completaram o ciclo de evolução como humanos. [BLAVASTKY, 1995]

Páli ─ Língua arcaica que precedeu o sânscrito mais refinado. As escrituras budistas mais antigas são todas escritas nessa língua. [BLAVASTKY, 1995]

texto, organização & pesquisa: Ligia Cabus

O Ser Humano tem uma necessidade enorme de complicar as coisas e uma imaginação que não cabe no planeta.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-grande-fraternidade-branca/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-grande-fraternidade-branca/

Moisés

O nome de Moisés evoca imediatamente a idéia do povo judeu, que ele encarna e ao mesmo tempo gera. Efetivamente, tendo nascido no Egito, é considerado como da família do Faraó, pois aparece como filho da irmã deste e, como tal se diz, é iniciado pelos sumos sacerdotes nos mistérios mais profundos de Isis e Osíris, onde se sobressai por seus conhecimentos. Desde jovem, sente um chamado cada vez mais claro para algo que ainda não se define, mas que não está relacionado nem com Egito, nem com a posição invejável que ostenta, que, por outra parte, cada vez se lhe faz mais difícil, pelos ciúmes, inveja e desconfiança de seu tio Ramsés II, e de seu primo, que lhe sucederá no trono. A “casualidade” faz com que Moisés, ao defender um escravo judeu injustamente tratado, mate o agressor e tenha que fugir pois, para casos como o seu (Moisés era ministro do culto de Osíris), a justiça do Faraó aplica as penas máximas. Refugia-se onde encontra outro personagem chave: Jetro, rei de Salém, grande sacerdote e iniciado e pai espiritual de numerosos povos nômades que povoavam os desertos e terras entre as civilizações do Egito, Caldéia, Babilônia, etc., compostos por semitas, árabes, etíopes, etc.

Estes foram os judeus, aqueles que saindo de seu cativeiro em terras estrangeiras do Egito, levantam-se um dia e empreendem uma gigantesca emigração pelo deserto, sob a orientação de um chefe que os sintetiza e encarna, e sob cuja condução, como intérprete direto de seu deus Jahvé, têm de se constituir definitivamente como povo eleito, e chegar a um destino que se dá no próprio Moisés, nome cuja tradução é “O Salvo”, e que ele imprime em seu meio, no povo ao que se lhe deu a missão de constituir e dirigir. Moisés é, pois, conjuntamente, um personagem histórico e um símbolo, como todos os protagonistas da História Sagrada. É também um ser humano, e ao mesmo tempo o receptor das energias e das mensagens de uma entidade sobre-humana, Jahvé, ao qual adora e faz adorar, quando não é o próprio deus o que atua diretamente. Como ser humano, padece por quarenta anos toda sorte de infortúnios e necessidades, a maior parte delas provocadas pela ignorância e a bestialidade dos seus. Como agente divino, aviva e fixa o monoteísmo e implanta a fogo sua lei, que sela com mandamentos. Termina sua peregrinação, e em vista da terra prometida deixa como herança A Bíblia, da qual escreve os cinco primeiros livros, síntese magistral que fundamenta a vida de um povo e de uma religião, o que posteriormente engendrará o cristianismo e o islamismo. A energia assombrosa de Moisés, seu diálogo constante com a deidade, a força de seus poderes, transferidos e compartilhados com setenta discípulos que conformam o núcleo interno de sacerdotes e sábios, iniciados e iniciadores, aos que entrega a Cabala, fazem possível sua sucessão até o final deste ciclo. Cumpre-se, pois, o Destino que Moisés inicia e que terminará com a gloriosa vinda do Messias, esperada também pelos cristãos e islâmicos, e anunciada em todos os textos e tradições orais das culturas unânimes

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mois%C3%A9s

A Ordem de Aset Ka e a Popularização do Vampirismo Moderno

Em Hotep,

Tomei conhecimento da Ordem de Aset Ka em 2007 quando a Bíblia Asetiana foi liberada para deleite do publico em geral, em especial os europeus que já tinham alguma noção dos trabalhos vinculados a misteriosa sociedade cuja sede, sabe-se através do autor Luís Marques, se encontra na cidade de Porto, Portugal. É provavel que hajam outros capitulos da mesma espalhados ao redor do globo terrestre, todos estes interligando os adeptos as suas origens vampíricas presentes no Egito Antigo, onde a matriarca divina, Ísis, compartilhou não somente sua sabedoria entre sua descendencia, como sua própria imortalidade.
Por séculos a Ordem tomou a si a regencia do Antigo império egipcio, em um glamoroso reinado de Beleza e Poder, meramente esquecido pelos historiadores de nossa época, sequer reconhecido pelos mesmos.

“Para o seu grupo secreto e silencioso, Aset (Ísis) atribuiu-lhes o nome de Aset Ka, um símbolo direto de suas verdadeiras origens – a essência de Ísis, o Ka de Aset. E assim ela disse te-los vinculados através do sangue, e os fiéis a ela seriam para sempre fiéis para eles próprios, porque eles eram um só. Em seu “Beijo Negro”, ela gravou o sigilo santo no fundo de suas almas, que seria para sempre sua Marca Asetiana, e eles fariam o mesmo com seus seguidores” A Bíblia Asetiana.

A Aset Ka, enquanto ordem iniciática, existia muito antes de qualquer ordem vampírica, tal como Crimson Tongue, Dreaming, House Kheperu, ou até mesmo a notória Black veil, famosa pelos seus roles playing games e fãs de Nox Arcana. É certo que, em contexto de exposição muito diferente e com recursos completamente distantes dos que utiliza hoje em dia, vide o site oficial circulando na Web, mas já à 20 anos atrás haviam serões de palestras sobre manipulação de energia organizadas pela Aset Ka em Londres e Paris. Fatos tais são dificilmente encontrados em textos liberados, mas correm aos sussurros pelos círculos ocultistas, da onde a autora que os expõe aqui, sugou deliberadamente as informações.

Pois bem, antes que tomem notas através do trabalho que aqui se segue, é importante fazer um parecer sobre a pratica do Vampirismo, já muito propagada fora dos círculos ocultos, em especial pelos sujeitos mais problemáticos que são os adolescentes deslumbrados e fãs de qualquer alegoria sombria/sensual. Tais ordens como Aset Ka jamais registraram qualquer indicio de prática canibalista em seus meios como uma questão de obrigatoriedade de sua natureza divina, senão uma alusão ao que seria “sugadores da essência divina”, energia psiquica ou sexual. Fora isto, moldar em mente sujeitos de preto, cabelos longos, pele pálida e feições aquilinas voando entre árvores de um bosque a caçar mocinhas, é apenas uma visão romanceada, figurativa, do que o Vampiro de fato representa. A questão da alimentação sanguinea não é uma condição inerente ao Asetiano, que privado desta dieta, padecerá em uma funesta não-existencia cá entre os vivos. Sobre esta questão, busquei referencias na fonte mais correta da Ordem, sua Bíblia, que nos trás a questão de maneira bem direta:

“O que um vampiro real realmente anseia em seu núcleo é o Ka, a essência da vida, se liberada por um intenso orgasmo sexual, desde o sangue pingando da veia do doador, ou simplesmente pelo toque da carne”

Procede-se então que o Vampiro se comporta de maneira similar a um daemon invocado cujo sigilo necessita ser alimentado pela energia do seu conjurador, seja numa gota de sangue, seja através do fluído sexual. O Vampiro todavia, não é uma condição sobrenatural inalcançavel. Tomando o presuposto que o Vampiro se alimenta da energia exterior, o vampirismo psiquico fora abordado de maneira bastante elucidatoria por autores como Dion Fortune e Anton Lavey.O “Psyvamp” sendo uma condição repassada seja geneticamente ou através de ataques exteriores, PORÉM, não resulta no recrutamento do mesmo para uma Ordem como Aset Ka. Simplesmente porque ser asetiano não é somente ser um vampiro. A questão é mais profunda e essencialmente vinculada a hereditariedade.

Não adianta donativos, puxa-saquismo, sequer seu sangue é interessante a Ordem. Sendo um círcuo estritamente fechado, entende-se bem o porque de poucos conhecerem Aset ka. Esta casa ocultista não é como as casas por ai que dizem serem secretas, e fazem entrevistas até para o Jô Soares se puderem. Não deve-se confundir Ordem restrista com Ordem Secreta, pois nem todas as ordem restritas sobrevivem na obscuridade, por exemplo a famosa Maçonaria. Mas então porque diabos lançar um livro, um site, até uma pagina na Wikipedia, se a palavra de ordem da Aset Ka é Sigilo?

Em dialogos com um possivel conhecedor dos trabalhos asetianos nas terras lusitanas, este me deu a entender que alguns descendentes da Ordem vagavam por ai sem conhecimento de suas origens. As publicações rescentes, por tanto, pretendiam, e pretendem, despertar esses irmãos e levá-los de encontro a suas origens. O reconhecimento se daria de uma maneira profundamente íntima, é deduzível, já que não consta um manual de comportamentos asetianos, senão poucas caracteristicas referentes as linhagens. Obviamente, as publicações atraíram muitos tipos de fanboys e fangirls de RPG, Anne Rice, Saga Crepúsculo e até membros de outras ordens, curiosos acerca desta identidade otherkind presente no asetiano. Mas é provavel que os curiosos não obtiveram sucesso em suas pesquisas, tal como eu que apenas pude me satisfazer com informações minguadas espalhadas entre os círculos.

 

Aset Ka e as Três Linhagens Vampíricas

“Vivemos em segredo. Vivemos em silêncio. E nós vivemos sempre …Que a Serpente beije o infinito de sua beleza fria”

A palavra Asetiana refere-se à linhagem imortal criada por Ísis no Antigo Egito. Em seu ato de criação divina, ela deu sozinha à luz a três crianças para fora de sua essência. Esses são os Asetianos Primordiais, os primeiros de seus parentes, representações perfeitas das Linhagens encontrados em Asetianismo. Isso explica a natureza tríplice da linhagem que é representada por três linhagens distintas: Serpente, a Linhagem dos Viperines, Escorpião, a linhagem dos Guardiões, Escaravelho, a Linhagem dos Concubines.

1 – Linhagem das Serpentes (tambem conhecida como a linhagem de Hórus): Esta linhagem assenta as suas bases na honra, no poder e na força da liderança. Os seres desta linhagem destacam-se por possuir elevados poderes metafisicos, e uma criatividade extraordionária. São habitualmente temidos por aqueles que conhecem os seus poderes. Fisicamente, tem uma aparência frágil (apesar de serem de todas as linhagens os mais poderosos) devido a possuirem um grande desprendimento da Terra em si. São na maioria das vezes pessoas palidas, magras, e tem um olhar profundo que lhes é caracteristico.

2 – Linhagem dos Escorpiões (Guardiões) :os seres desta linhagem denotam-se por uma grande ligação ao amor, e busca do mesmo. Para eles, o amor é a propria razão da vida. São desligados das pessoas em geral, apresentando por diversas vezes pontos de vista divergente da maioria das opinioes da sociedade. São muito ligados á Terra, o que resulta no desenvolvimento de um grande escudo de protecção á sua volta quase constante. São seres notoriamente protetores, contudo só permitem a alguns aproximarem-se de si intimamente. Nao interagem muito facilmente com a energia, devido precisamente ao seu “escudo” quase constante. São donos de uma saude excelente assim como de um ótimo sistema imunologico. São poucos sensiveis á luz solar, e podem ainda ser menos palidos que os asetianos das outras duas linhagens. Tem um metabolismo energetico lento, logo sao raras as vezes em que necessitam de retirar energia dos outros. São avançados na alimentação tantrica. Alimentam-se de energia sexual.

3 – Linhagem dos Escaravelhos (Concubines): Tem uma natureza caótica, e ao mesmo tempo adaptativa. Tem a habilidade de partilhar grandes quantidades de energia, tornando-os excelentes doadores , sobretudo para a linhagem das serpentes. Sao submissos e controlados, mas apenas por aqueles que lhe são bastante proximos. Tem uma grande necessidade de contacto humano social, e por isso mesmo sao das 3 linhagens a que possui uma alma mais humanizada, sendo que o facto de se misturarem com os humanos e agirem muitas vezes como eles emotivamente é um dos seus maiores fardos, uma vez que assim se torna mais dificil de atingir o seu eu interior divino. Umas das suas capacidades mais marcantes é a de conseguirem transformar a dor fisica em prazer, alimentando-se muitas vezes de energia sexualmente liberada. Não tem uma aparencia fisica esteriotipamente definida, a mesma costuma variar imensamente.

Keepers – Crianças de Anubis

São os protetores dos Asetianos, estão a eles ligados através de lealdade, respeito, honra e dedicação. Tal como os Asetianos, tem uma alma imortal nao humana, logo sao conhecidos como otherkins. Alguns possuem uma alma vampirica, outros tem uma alma humanizada. Discípulos de Anubis, sao extremamente avançados no que toca a praticas e ritos de magia e feitiçaria. A sua maior ambiçao é proteger os Asetianos.

“Desenvolvimento e iluminação são processos lentos e persistentes da viagem Asetiana através da vida. Esta iniciação metafísica é um sistema de transmutação. Com esta mudança pura e profunda, significa que o Asetiano consegue alterar de forma,aparência e natureza, que é uma manifestação da força da Chama Violeta em si. Esta transmutação, profundamente conectada com o nascimento vampírico, representa a natureza da alquimia da alma Asetiana, sempre mudando eternamente. De acordo com isto, podemos estabelecer o Asetianos como os alquimistas do alma, criadores e destruidores,catalisadores de mudança e evolução, com o poder de transformar chumbo em ouro. Asetianos são os doadores de vida, os pilares da existência sutil, os proprietários darespiração da imortalidade. ”

Mas então, qual seria o sistema asetiano? Como vivem e o que fazem?

Existem trechos deveras notáveis nas obras de Luis Marques que calam a boca dos insistentes, porém nao conseguem fazer morrer o interesse. Tal como o autor é uma pessoa física E conhecida, os asetianos assim são, habitando entre nós, podendo ser nossos vizinhos ou um apresentador de um talk show na TV.
“Para aqueles fora da Ordem, nós jamais existiremos” (A Biblia Asetiana).

No entando, sabemos que eles sim existem, mas não da maneira extravagante que Hollywood demonstrou.

“Os vampiros e criaturas similares podem ser encontradas em quase todas as culturas ao redor do mundo. Nos contos do Vetalas da Índia encontram-se no folclore sânscrito, chamados demonios vampiricos, tanto que os Lilu são conhecidos desde os mistérios da Babilônia, e mesmo antes, os sanguessugas de Akhkharu foram vistos na mitologia suméria. De fato,um desses demônios do sexo feminino, chamado Lilitu, foi adotado mais tarde pelademonologia judaica, Lilith, sendo um arquétipo ainda atualmente utilizado em algumas tradições ritualísticas do Caminho da Mão Esquerda. Mas a maioria do que é reconhecido do vampiro vem da Romênia e contos eslavos, os Strigoi chamados Nosferatu e Varcolaci, entre outros. No entanto, o Vampiro verdadeiro, como um ser real e não o conceito encontrado em todo o mundo e na história como puro mito criado pelo homem, tem suas raízes no Antigo Egito, sendo ele o Asetiano”. (A Bíblia Asetiana)

Nathalia Claro.

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-ordem-de-aset-ka-e-a-popularizacao-do-vampirismo-moderno/

Os Corvos de Wotan, parte 3

» Parte 3 da série sobre Odin ver parte 1 | ver parte 2

A fonte da sabedoria

Ainda abaixo de uma das gigantescas raízes de Yggdrasil, a árvore cósmica a sustentar todos os reinos míticos da mitologia nórdica, se encontra uma nascente d’água muito especial: Mímisbrunnr. É neste pequeno lago que vivia o Mímir, um reconhecido sábio (seu nome significa algo como “o sábio”, ou ainda “aquele que se lembra”). Odin ficou sabendo da existência desta fonte, que se acreditava dar “a sabedoria de todas as eras” aqueles que a bebiam regularmente (daí a sabedoria do próprio Mímir, seu guardião). Ora, como Odin era um deus que buscava a sabedoria, ele a visitava regularmente para beber um pouco de sua água, assim também ficando amigo de seu protetor.

O que ficou mais conhecido desta história, entretanto, foi o fato de Odin ter arrancado um de seus olhos (não se sabe qual ao certo) e o mergulhado no lago, onde jaz até hoje, oculto no lodo, onde talvez só ele e o Mímir saibam localizar. Diz-se que Odin realizou tal sacrifício em troca da sabedoria do Mímir, mas obviamente algo aqui não faz sentido: se Odin já conhecia a localização do poço, se já era amigo do Mímir, qual seria a necessidade de sacrificar um olho em troca de sabedoria (da qual ele já dispunha gratuitamente)?

Este me parece mais um mito cuja interpretação exige que usemos os olhos da alma, e não do corpo. Para mim, está muito clara a metáfora de “se ter um olho no mundo espiritual, e um olho no mundo terreno”. Ora, por mais que Odin pudesse galopar os céus em seu corcel de oito patas, ele aparentemente não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ou pelo menos não podia estar no plano terreno e no plano espiritual ao mesmo tempo. Esta bela história nos aponta, portanto, para um fato bastante conhecido do caminho espiritual, e até mesmo da própria prática da magia ou da mediunidade: abre-se um olho lá, fecha-se um olho cá. Mas, querer fazer ambas as coisas ao mesmo tempo pode nos levar a loucura, a não ser, talvez, que sejamos também da raça dos deuses.

A cabeça perdida e encontrada

Infelizmente o destino do Mímir não foi dos mais agradáveis… Na apocalíptica guerra entre os vanir e os æsir, o Mímir teve sua cabeça cortada por um guerreiro vanir. Ora, os vanir eram um povo relativamente pacífico e místico, que cultuava deuses da fertilidade e da sabedoria, e também se dizia que muitos eram capazes de ver o futuro. Eles já habitavam o norte europeu, mas foram invadidos pelos æsir (ou “meio-deuses”), um conglomerado de tribos guerreiras e expansionistas, que vinham da Ásia e do sul europeu em busca de novos territórios. Como o Mímir, juntamente com Odin, pertencia aos æsir, foram deles a iniciativa do ataque.
Os vanir eventualmente foram conquistados e tornaram-se um subgrupo dos æsir, até que as eras se passassem e todos fossem confundidos com um só povo: o povo nórdico…

Mas, voltando a grande batalha: Odin, não se dando por rogado, encontrou a cabeça perdida do Mímir após o final da chacina e, com sua magia, manteve seu amigo vivo como uma peculiar (e, provavelmente, assustadora) cabeça falante que ele carrega consigo para onde quer que vá – pois o Mímir ainda é um grande e sábio conselheiro.

Esta épica batalha, que poderia ser lamentada como um fato trágico, na realidade é festejada como o alvorecer da civilização – de qualquer civilização, pois todas começaram assim, e todas tem mitos muito próximos [1] –, quando tribos sedentárias e pacíficas, que já dominavam a agricultura, são invadidas e quase dizimadas por tribos nômades guerreiras. Mas, no fim, tudo se ajusta: a cultura das tribos nativas, geralmente mais profunda e espiritual (por se tratar de gente “que tinha tempo de viver, e não apenas caçar e coletar”), é assimilada aos poucos pela cultura invasora, e com o passar dos séculos é como se todas fossem uma só cultura – e, de fato, já o são.

O próprio fato de Odin ainda hoje ser visto como um deus de sabedoria e magia, e não apenas um grande guerreiro, demonstra que talvez, no fim, a cultura dos vanir tenha se sobressaído à cultura dos æsir, e isso talvez indique que ainda podemos ter a esperança de uma volta a este antigo mundo pacífico: onde a fertilidade é mais exaltada do que a ferocidade.

Mas, e quanto à cabeça decepada e falante do Mímir, o que diabos isso significa? Olha, não vou dizer que sei o que isso significa, mas este mito me remete pelo menos a duas considerações: a primeira, é que os nórdicos já sabiam valorizar a importância da cabeça em relação ao corpo, o que a neurociência apenas confirmou; a segunda, é que eles tinham algum senso de humor.

O deus enforcado

Como já disse no início, Odin também é reverenciado por ter trazido ao conhecimento dos homens as runas, que nada mais eram do que o primeiro alfabeto do povo nórdico, o que possibilitou a origem da escrita entre eles. O que eu não mencionei é o quão estranha é, a primeira vista, a história que nos conta como Odin obteve tal conhecimento…

Diz-se que ele, desejando adentrar reinos ocultos do mundo espiritual, enforcou-se na própria árvore cósmica, Yggdrasil, por nove dias e nove noites (nove também são os reinos míticos da mitologia nórdica em geral), enquanto era estocado por sua própria lança (não está claro quem o “auxiliava” neste ritual, talvez fosse ainda o Mímir quando tinha o corpo inteiro)… Ao final de todo esse sacrifício, Odin acordou (se é que ele morreu no processo, entende-se que após os nove dias ele ressuscitou [2]) e trouxe consigo a memória do conhecimento da escrita rúnica.

Ora, sabe-se que todos os deuses inventores da escrita foram grandes, ou ainda são: pois foi exatamente a escrita que possibilitou que o conhecimento sobre eles fosse preservado de forma mais exata (o que não necessariamente é algo sempre bom). No Egito antigo sabe-se que tal tarefa coube ao deus Thoth. Posteriormente, na Grécia, existiu também Hermes, que partilhava de tantas características em conjunto com Thoth, que muitas vezes faziam referência a ambos os deuses sob o título de Toth-Hermes. Entre os romanos, Hermes foi conhecido como o deus Mercúrio e, de fato, muitos historiadores acreditam que os romanos também confundiam Mercúrio com o próprio Odin, quando se referiam aos povos nórdicos – assim, o ciclo se fecha…

Mas, o que me interessa aqui é que todos os deuses inventores da escrita também eram reconhecidos como grandes intermediários entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses, ou seja: eram médiuns, ou xamãs [3].

E é exatamente daí que parte a compreensão do que diabos Odin foi tentar fazer ao se enforcar numa árvore cósmica: ora, é claro que se trata de ainda mais uma metáfora. A árvore Yggdrasil sustenta todo o Cosmos e, dessa forma, o ato de “enforcar-se” nela nada mais é do que o ato de “perder a consciência deste mundo, e viajar com ela alhures”… Além desta referência mais clara ao xamanismo (ou a viagem astral) há ainda a questão das “estocadas de lança”: uma imagem muito comum na arte das cavernas, a arte rupestre, de nossa pré-história longínqua, e que também está intimamente relacionada às práticas xamãnicas.

O ato simbólico de se cortar, espetar, estocar com lanças, ou até mesmo destroçar o próprio corpo, significa, para o xamã, o abandono total do apego ao corpo, para que ele possa se elevar mais facilmente, e mais profundamente, aos reinos etéreos de sua própria alma, ou da Alma do Mundo, ou de Yggdrasil. Estes sacrifícios foram necessários para que os xamãs, os grandes heróis míticos de outrora, pudessem nos trazer conhecimentos ocultos, que podiam variar desde “onde caçar amanhã”, a “quais plantas e ervas coletar para fabricar este ou aquele remédio”, a até mesmo a própria inspiração divina para algo totalmente novo, como a escrita rúnica.

» Na última parte: finalmente, os corvos…

***

[1] No Mahabharata hindu temos histórias de batalhas muito parecidas, de onde surgiram grandes reinos e, eventualmente, a própria civilização. Na Europa não será diferente: mesmo a origem de Roma teve seu episódio de brutalidade para com tribos pacíficas na região próxima. No Brasil, poderíamos nos referir aos indígenas como os vanir, e aos colonizadores europeus como os æsir (como já disse, a história é escrita pelos vencedores).

[2] Avatares que morrem por “x dias” e ressuscitam com novos conhecimentos místicos existem aos montes na mitologia em geral.

[3] Você pode achar estranho o termo “xamã” aparecer toda hora neste relato, e tem toda razão: o termo surgiu do estudo antropológico dos primeiros místicos tribais da Sibéria, mas acabou por ganhar o mundo num significado bem mais amplo, referindo-se a todo e qualquer chefe espiritual tribal de toda e qualquer cultura selvagem antiga. Dessa forma, obviamente os índios do Brasil não chamam a seus xamãs como xamãs, mas sim como pajés, e assim vai… É nesse sentido que os termos “xamã” e “xamanismo” (a prática espiritual do xamã) são utilizados ao longo desta série.

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Crédito das imagens: [topo] viking-mythology.com (A fonte do Mímir); [ao longo] Anônimo

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#Mitologia #Odin #Paganismo #xamanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-corvos-de-wotan-parte-3