Yesod – Bem-vindo ao Deserto do Real

Publicado no S&H dia 4/jun/2008,

Continuando nossa série sobre desmistificação de demônios, diabos, encostos e afins, precisamos neste momento ao mesmo tempo fazer uma parada e estabelecer uma conexão com a kabbalah. Sem explicar o que é o chamado “Plano Astral”, será muito difícil entrar em detalhes sobre como exatamente funciona a mecânica por trás dos Anjos, Demônios, Devas, Asuras, Elementais, Exus, Anjos Enochianos, Fantasmas e Gênios.
Da mesma maneira, estava devendo para vocês uma explicação gnóstica sobre o filme Matrix, então este período do tempo-espaço em relação à coluna me parece o ponto exato para comentar três coisas aparentemente distintas, mas ao mesmo tempo intrinsecamente conectadas: Yesod, o Plano Astral e Matrix.

Tome a pílula vermelha e siga o tio Marcelo para descobrir o quão funda é a Caverna de Platão.

Yesod
Para os que fizeram os exercícios do Sefira ha Omer já deve estar bastante clara qual é a função de Yesod dentro das emanações divinas. Yesod se situa abaixo de Tiferet e entre Netzach e Hod. É chamada de “Fundamento” ou “Fundação” e funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos, que são misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É compilação das oito emanações e forma o Plano dos Pensamentos, Plano Astral, ou a Base da Realidade.
Malkuth é o plano físico puro, chamado de Plano Material, que nossos sentidos objetivos podem ver, ouvir, cheirar, tocar e provar, mas incapaz de perceber qualquer tipo de consciência além disto. Malkuth é o mundo criado das ilusões para nos manter em torpor ou, fazendo nossa comparação, Malkuth é a Matrix.

Em Malkuth vivem os adormecidos. Pessoas que acordam, tomam café, vão para suas baias em seus trabalhos, trabalham, almoçam, trabalham, vão para casa, jantam, assistem novela, assistem futebol, dormem e no dia seguinte acordam de novo… fazem isso durante a vida toda, aposentam-se e morrem, sem nunca terem realmente vivido. Suas almas estão presas em casulos sem imaginação, sugadas pelo sistema que mantém a ilusão funcionando, tal qual é retratado simbolicamente no filme.

Yesod representa os bastidores da realidade. O mundo real na qual são programados os acontecimentos que surgirão no mundo ilusório. Para fazer uma analogia, imaginemos que Malkuth seja um prédio comercial. Yesod será, então, toda a fundação: canos, fios, dutos de ar, fosso do elevador, esgotos, toda a parte elétrica e hidráulica que faz o prédio funcionar. Quando se aperta um interruptor na parede, a luz da sala acende. Os ignorantes chamam isso de “coincidência”, mas qualquer pessoa que tenha um conhecimento maior de ciência sabe que, por trás daquele interruptor correm fios elétricos escondidos na Fundação e que, quando se aperta um botão neste interruptor, uma série de conexões simples são acionadas, fazendo com que a eletricidade chegue até a lâmpada, acendendo-a.
Magia é compreender como os condutores de energia da realidade material funcionam e apertar os botões certos para que as lâmpadas certas se iluminem.

Yesod representa a Intuição; o sexto sentido; o despertar. Infelizmente, assim como Morpheus diz a Neo no começo do filme, ninguém vai conseguir explicar para você o que é o Plano Astral. Você precisa ter esta experiência sozinho para compreender. E a maioria das pessoas passa sua vida toda como gado, inconscientes da realidade ao seu redor, como baterias inertes de um sistema controlado por egrégoras que mantém as pessoas ocupadas demais rezando para deuses externos, com medo de falsos diabos e trabalhando como escravas para mantê-las no poder. As famosas “otoridades”. No filme, são representadas pelos Agentes da Matrix.

Uma das melhores cenas do filme ocorre logo no começo, quando Thomas (Tomé, escritor do principal livro apócrifo) Anderson (Andras [homem]+Son [filho], ou seja, “Filho do Homem”, em uma analogia a Jesus/Yeshua) está dormindo diante da tela e aparece o texto “Acorde, Neo”. Esta cena resume a fagulha que vai despertar dentro de cada um de nós em direção ao Cristo; a Princesa dos contos de fada; a espada presa dentro da pedra, a Branca de Neve adormecida em um caixão de vidro.
Minutos após despertar, um hacker diz a ele “você é meu salvador… meu Jesus Cristo”. Simbolicamente, isto representa que mesmo esta pequena fagulha de controle sobre a realidade é suficiente para despertar seguidores, de tão perdidas que as pessoas estão.
As referências ao caminho do Sábio na Kabbalah continuam: quando Neo chega a nave (que tem o Nome de Nabucodonosor, o rei da Babilônia que no Livro de Daniel teve um enigmático sonho que precisa ser interpretado) cujo número de série é “MARK III NR. 11” (Marcos, Capítulo 3, versículo 11: “E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus”). Neo passa pela morte e ressurreição e finalmente, no final do filme, chega a Tiferet, “o escolhido”.

Para os gnósticos, o Deus Supremo (Keter) é totalmente perfeito, e, por isso, estranho e misterioso, “inefável”, “inalcançável”, “imensurável luz, pura, santa e imaculada”(Apócrifo de João). Para este Deus existem outros seres menos divinos no Pleroma (similar ao Paraíso, uma divisão desse universo que não é a Terra), que é dotado de um sexo metafórico masculino (Hochma) ou feminino (Binah).
Pares desses seres são capazes de produzir descendência, que são, eles mesmos, emanações divinas perfeitas em si mesmas (a analogia no filme é a criação de múltiplas matrix pelos computadores). O problema surge quando um EON ou Ser chamado SOPHIA (Sabedoria em grego, representado no filme pela Oráculo), uma mulher, decide “levar adiante sua semelhança sem o consentimento do Espírito” – que gera uma descendência sem sua consorte (Apócrifo de João).

A antiga visão era a de que as mulheres oferecem a matéria na reprodução, e os homens, a forma. Por isso, o ato de Sophia produz uma descendência que é imperfeita ou até mesmo mal formada, e ela a afasta dos outros seres divinos do Pleroma, levando-a para outra região isolada do cosmos. Essas deformadas e ignorantes deidades, as vezes denominadas DEMIURGOS (o Arquiteto, no filme), que equivocadamente acreditam ser o único Deus.

Os gnósticos identificam o Demiurgo como o Deus Criador psicopata do Antigo Testamento, o qual decide criar os Arcontes (Anjos), o mundo material (Malkuth/Terra) e os seres humanos. Embora as tradições variem, o Demiurgo normalmente é enganado dentro do alento divino ou espírito de sua mãe Sophia que antigamente vivia nele, dentro do ser humano (especialmente Apócrifo de João, ecos do Gênese 2-3).
Para os gnósticos, somos pérolas no lodo, espíritos divinos (bom) aprisionados num corpo material (mau) e num mundo material (mau). O Paraíso é nosso verdadeiro lar, mas estamos exilados do Pleroma.
Felizmente, para o Gnóstico a salvação está disponível na forma de Gnose ou Conhecimento, dado pelo Redentor Gnóstico, que é o Cristo, a figura enviado pelo Altíssimo para libertar a espécie humana do Demiurgo, tal qual Neo é o “escolhido” para libertar as pessoas do jugo do Arquiteto.

Quando Neo é desconectado e desperta pela primeira vez em Nabucodonosor, em meio a um brilhante espaço branco iluminado (linguagem cinematográfica para indicar o despertar), seus olhos ardem, conforme explica Morpheus, porque ele nunca os havia usado antes. Tudo que Neo havia visto até aquele ponto o foi através do olho da mente, como num sonho, criado através de um software de simulação. Tal como um antigo Gnóstico, Morpheus explica que a respiração (prana, chi-kung, tai-chi, reiki) conduz Neo pelo programa de treinamento de artes marciais e que não há nada a fazer com seu corpo, a velocidade ou sua força, os quais são todos ilusórios. Mais ainda, eles dependem unicamente de sua mente, que é real.

Ainda outro paralelo com o Gnosticismo, ocorre na figura dos Agentes, como o Agente Smith e seu opositor, o equivalente gnóstico de Neo e todos os demais que tentam sair de MATRIX. A IA criou esses programas artificiais para funcionarem como “porteiros” – os Guardas das portas – que possuem todas as chaves. “Esses Agentes são parentes dos ciumentos Arcontes criados pelo Demiurgo para bloquearem a ascensão do Gnóstico quando tentam deixar o mundo material. Eles defendem as portas em sucessivos níveis ao paraíso (e.g. Apocalipse de Paulo, Divina Comédia de Dante, textos Babilônicos narrando os sete infernos, a estrela setenária dos alquimistas e assim por diante).

Sobre a questão do Samsara, até mesmo o título do filme evoca a visão budista de mundo. MATRIX é descrita por Morpheus como “uma prisão para a mente”. É uma “construção” dependente feita de projeções digitais interconectadas de bilhões de seres humanos (egrégoras) que desconhecem a natureza ilusória da realidade na qual vivem, e são completamente dependentes do “hardware” implantado em seus corpos reais e dos programas (softwares/mapas astrais) elaborados (para fazer a máquina funcionar), criados pelo Demiurgo. Essa “construção” é parecida com a idéia budista do SAMSARA, a qual ensina que o mundo, no qual vivemos nossas vidas diárias, é feito unicamente de percepções sensoriais formuladas por nossos próprios desejos.
O problema, então, pode ser examinado em termos budistas. Os humanos são aprisionados no ciclo da ilusão (Maya), e sua ignorância acerca do ciclo os mantém atados a ele, totalmente dependentes de suas próprias interações com o programa e com as ilusões da experiência sensorial que ele provê, bem como das projeções sensoriais dos demais. Essas projeções são consolidadas pelos enormes desejos humanos de acreditarem que o que eles percebem como real é real de fato (para eles). É o mundo dos materialistas, ateus e céticos.
Este desejo é tão forte que derruba Cypher, que não pode mais tolerar o “deserto do real”, e procura uma maneira de ser reinserido na Matrix. Tal como combina com o Agente Smith num restaurante fino, fumando um charuto com um copo grande de brandy, Cypher diz: “Eu sei que este bife não existe; eu sei que quando eu o levo a minha boca Matrix está dizendo ao meu cérebro que ele é suculento e delicioso. Depois de 9 anos você sabe o que está mais claro para mim? Que a ignorância é a felicidade!” (Ignorance is Bliss).
A contrapartida é a vida monástica dentro da nave: comem uma gororoba vegetariana, vestem-se com trapos, não possuem bens materiais e treinam um kung fu que beira o sobrenatural. Possuem a humildade de quem já se despojou dos bens materiais, tal qual os monges do monastério de Shaolin.
Em determinada parte do filme, Morpheus diz a Neo, “há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho”. E como Buda ensinou aos seus seguidores, “vocês, por vocês mesmos, devem fazer o esforço; só os Despertos são Mestres”.
Para quem já está no Caminho da Iluminação, Morpheus é somente um Guia. Em última instância, Neo precisará reconhecer a Verdade por ele mesmo.

Reinos Subterrâneos
Na Antiguidade, o estado de consciência de Yesod era representado por Hades, o Reino Subterrâneo. Como tal, podia ser acessado apenas pelos seres chamados Psychopompos (“Condutores das Almas”), que eram apenas cinco: Hermes, Hecate, Caronte, Morpheus e Thanatos. Cada um deles descreve exatamente os estados de consciência que habitam o Plano Astral.

Comecemos por Morpheus, o senhor dos sonhos e o nome do Personagem de Lawrence Fishburn como condutor de Neo (que representa nossa consciência crística que deve ser trabalhada até nos tornarmos “o Escolhido”). Morpheus é o senhor dos sonhos, indicando que uma das maneiras de acessarmos o Plano Astral é durante o sono, quando conseguimos atingir os estados de ondas teta e alfa, necessários para atingirmos a chamada superconsciência (ou meditação profunda, ou transe, dependendo para quem você pergunta). Anote ai no seu caderno: Sonhos.

A segunda Psychopompos é chamada de Hecate, deusa dos Templos Lunares. Ela representa os aspectos da consciência atingidos através do Ajna Chakra (o sexto chakra). Hecate representa as danças sagradas, o sexo mágico, o tantra, o despertar da kundalini, os oráculos (tarot, runas…) e todos os Templos que lidam com a energia lunar/feminina dentro da magia. Hecate também é conhecida como a “Deusa Tríplice” (Trinity).
Anote ai no seu caderno: Oráculos e Magia Sexual.

O terceiro deus condutor de almas é Caronte. Caronte é o barqueiro que conduz os viajantes até os Reinos de Hades. A lenda de Caronte deriva das histórias do Barco de Ísis e das antigas iniciações egípcias onde os sacerdotes e iniciados eram colocados em transe nas pirâmides e tinham sua alma liberta do corpo para que vissem a si mesmos deitados aos pés dos outros sacerdotes e tomassem consciência de que eram espíritos habitando temporariamente um corpo físico. Quando fazemos Viagens Astrais induzidas, a sensação de se desligar do corpo no momento em que saímos do Plano Material é muito semelhante ao deslizar que sentimos quando estamos dentro de um barco. Desta maneira, Caronte representa as Viagens Astrais Conscientes. Tanto a lenda de Orfeu quanto a de Hércules (e também Dionísio, Psique e Enéias) representam iniciados em cultos Dionísicos e o despertar da consciência. Os Barcos Espirituais (tanto de Caronte quanto de Ísis) estão representados na forma dos Hovercrafts. Anote no caderno: Viagens Astrais Conscientes.

Hermes representa o Templo Solar, a magia atuando sobre a Luz Astral. Hermes representa o mensageiro dos Deuses, aquele que domina o caduceu (kundalini) e trabalha com a imaginação de maneira racional. Ele representa os grandes magos e conjuradores, os grimórios que lidam com a conjuração de espíritos, o contato consciente entre os que estão no Plano Material e os que estão no Plano Astral. Assim como Salomão, Eliphas Levi e Crowley, Hermes representa todos os iniciados e médiuns capazes de estabelecer contatos entre o Plano Material e o Plano Espiritual.
Como veremos na próxima coluna, o Caduceu e os Chakras representam a porta de entrada e o controle sobre as energias que atuam sobre Yesod e o Plano Astral. Hermes aparece no filme Matrix na forma de “Mercúrio”, como o espelho que engloba Neo e o guia através da jornada que fará o despertar final.
Anote no seu caderno: Mediunidade, Imaginação e Vontade atuando sobre a Luz Astral.

Por fim, temos Thanatos, deus da morte. Irmão de Hypnos (o sono), Thanatos representava a morte e os espíritos dos mortos, que eram transportados por ele até o Reino Subterrâneo. O Reino dos Mortos. Thanatos está representado na máquina que descarta Neo nos esgotos assim que ele desperta e Thanatos o reconhece como não pertencente àquele local. Anote ai como o quinto item: Espíritos dos Mortos.

A partir destas alegorias, podemos compreender que o Plano Astral é habitado por diversas criaturas, objetos, egrégoras, seres e entidades que possuem uma complexa e intrincada estrutura de organização, a partir das quais explicaremos todas as lendas, contos e bases de muitas religiões e filosofias espiritualistas.

Homens e Espíritos
Começaremos nossa jornada da comunicação entre homens e espíritos pelo Xamanismo. Há mais de 40.000 anos as tribos mais antigas conseguiam entrar em contato com o Mundo Astral de diversas maneiras. Seus sacerdotes comunicavam-se com os espíritos dos antepassados em busca de conselhos e indicações enquanto dormiam ou durante rituais envolvendo ervas capazes de alterar o estado de consciência dos participantes no ritual. Os xamãs também eram capazes de entrar em contato com o Reino Espiritual através de oráculos e rituais de conjuração de seres que eles chamam de Elementais.
Nas religiões Aborígenes (Austrália) e Tribais (Africanas), os nativos possuem o mesmo nome para designar o “Reino dos Sonhos” e o “Reino dos Mortos”. Nestas religiões, os deuses e os espíritos iluminados conseguem se comunicar com os sacerdotes através da mediunidade deles (fazendo conexões entre seu corpo astral e os chakras dos médiuns, os espíritos conseguem agir através do corpo de um médium). Além dos espíritos, outras entidades astrais (chamadas de Devas pelos hindus, Orixás pelos africanos e Elementais pelos celtas) também são capazes de incorporar um médium capaz de recebê-los.
Na Babilônia, os cultos a Astarte envolviam danças sagradas, sexo sagrado e contato com os mortos através dos oráculos.
Entre os hindus, o tantra fazia a ponte entre o despertar da kundalini e a iluminação do ser humano através do sexo sagrado. Com a abertura e desenvolvimento dos chakras, os praticantes tornavam-se canais poderosos de conexão com o cósmico, despertando habilidades consideradas sobrehumanas.
Os Egípcios conheciam como ninguém os desdobramentos astrais, potencialidades dos chakras, telepatia e diversas outras habilidades que são preservadas até os dias de hoje dentro das Ordens Iniciáticas como a Rosacruz, Templários e Maçonaria.
Entre os gregos, as sacerdotisas de Hecate também eram conhecidas pelo nome de Ptionísia ou Oráculo (mais uma conexão com o filme Matrix) e conseguiam estabelecer um contato entre os vivos e os mortos para obter conselhos e previsões.
Do ponto de vista ocultista, praticamente não há diferença entre um oráculo grego da antiguidade e um centro espírita Kardecista, salvo pela ritualística. Os princípios e os mecanismos envolvidos são rigorosamente os mesmos.
O rei Salomão utiliza seu conhecimento sobre o astral para deixar um dos maiores legados ocultistas, o Ars Goetia, ou os 72 espíritos (falarei sobre eles mais adiante, quando retornarmos aos trilhos dos posts sobre demônios). Chamavam estes conhecimentos de Arte Real. Paralelamente, temos os judeus e seu vasto estudo sobre a kabbalah e os 72 nomes de Deus (chamados vulgarmente de “anjos cabalísticos”). Salomão compartilha estes conhecimentos com a rainha de Sheba, que os leva para os Reinos africanos e mistura este conhecimento com as religiões tribais, dando origem aos cultos africanos que muitos séculos mais tarde dariam origem indireta ao Candomblé, Umbanda, Santeria, Vodu e Quimbanda. (explicarei em detalhes cada um deles em posts futuros).

Da Grécia, os oráculos chegavam até praticamente todos os pontos do mundo conhecido. Rituais de magia que lidavam com o astral são descritos em diversos poemas e praticados por comandantes, soldados e sacerdotes iniciados.
Dos romanos e dos celtas, este conhecimento também chegou até a Europa, onde as bruxas utilizavam-se deste contato para conversar com os antepassados, conjurar elementais e adquirir conhecimento e iluminação. As belíssimas obras de arte deixadas por todos estes povos são um retrato claro da interação entre vivos e mortos, espíritos e sonhadores, deuses e mortais.
Os nórdicos possuíam lendas a respeito das Valkírias, dos Einherjar, das runas e de toda a estrutura de contato entre os vivos e os mortos. Suas lendas refletem um profundo conhecimento dos iniciados a respeito da Árvore da Vida. Um dos cursos que mais gosto de ministrar é justamente o de runas, pois cada uma das 24 pedras do Oráculo encerra uma lenda rica e profunda; desde a famosa “Ponte do arco Íris”, guardada por Heimdall, que representa o caminho de Tav na Árvore da Vida, até a própria estrutura da origem das runas, provenientes do sacrifício de Odin durante nove dias (nove esferas fora do mundo material na Kabbalah).

Semana que vem: Vampiros, Encostos, Espíritos do Mal e Poltergeists.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yesod-bem-vindo-ao-deserto-do-real

Enochiano: bases, estruturas, conceitos e fontes.

Em meio a todo o movimento hermético e suas ramificações, iniciadas pela metade do século XV, podemos notar uma série de similaridades, que podem muito contribuir em nossa apreciação do posterior trabalho de John Dee.
Marsilio Ficino, por exemplo, foi o primeiro a dar impulso a este movimento, pois procurou polarizar o platonismo com o cristianismo, e em seus esforços procurou demonstrar que haveria uma sólida e consistente tradição, vinda desde Hermes Trimegistus até Platão, tendo passado por zoroastristas, órficos e pitagóricos afirmando a necessidade do homem de atingir a autoconsciência de sua própria imortalidade e divindade, através iluminação através de uma iluminação racional (ratio), intelectual (mens) e imaginativa (spiritus e fantasia), e procurando determinar via esta polarização, que todas as coisas existem no deus afirmado na bíblia, ou emanam do deus ali citado.
Já Giovanni Pico della Mirandola, que foi discípulo de Ficino, resolveu estudar a cabala e a torah e combiná-las a filosofia, e dentre outros detalhes afirmava que o deus citado na bíblia, torah, corão e talmud criou o homem para apreciar sua obra, sendo que Mirandola afirma que o homem ascende ao status angélico, sempre que folosofa e cai no estágios de vegetal e animal, quando falha em usar sua filosofia.
Giordano Bruno que nasceu em 1548 e.v., ou seja 50 anos após a morte de Ficino, desenvolveu conceitos bem peculiares, e foi perseguido ao extremo por conta dos mesmos.
Na teoria de Bruno, o Universo é infinito, povoado por incontáveis sistemas solares, e por vezes povoados por vida inteligente, sendo que deus citado no monoteísmo, seria em sua concepção a alma universal do mundo, da qual todas as coisas materiais são manifestações que teríam justamente nascido deste principio infinito.
Estes movimentos tem todos em comum o fato de terem nascido sob o período humano chamado de Renascimento, e serem imbuídos em muito dos conceitos dos filósofos antigos, mas que principalmente continham muito de Plotino – considerado o pai do neo-platonismo – como sua mola propulsora.
Mas haviam outras coisas movendo-se sob o pano de fundo da sociedade daquela época.
Um sentimento imenso de desconforto com o fato de que, em todos os textos observados e estudados, sempre pairava a sombra da impotência perante o povo eleito, conforme citações dos livros que afirmam o dógma monoteísta. Pois não importando o esforço feito em busca do entendimento e desenvolvimento do conhecimento, dentro da temática apresentada por Bruno, Ficino, Mirandolla e outros que os seguiram, sempre aos olhos dos estudantes e mestres fica a idéia da superioridade do povo eleito, sobre os demais povos.
Isso produziu em muitos um sentimento que por vezes se reveza a vergonha com a ira, ou mesmo a inveja com o ciúme, pois para um seguidor dos preceitos do dógma, mesmo quando se tratava de um filósofo, este empecilho sempre se fazia presente. O que em suas próprias concepções era algo inadmissível, uma vez que em maioria esmagadora dos casos, os estudantes e mestres, eram todos eles de ascedência celtica ou setentrional.
E foi sob a óptica das bases acima relatadas que John Dee, que viveu entre 1527 até 1609 da vulgar era cristã, ergueu seu tratado sobre o Enochiano.
No entanto, antes mesmo de alicersarmos nossa atenção sobre as notas deixadas por Dee, voltemos a mesma para o Hermetismo e suas estruturas.
A base deste movimento está no textos que teríam sido atribuidos a Hermes Trimegistus, chamados de “Corpore Hermeticum”, que originalmente foram traduzidos para o grego por Miguel Psellus e Ulf Ospaksson, em Bizâncio, e que depois sofreram uma posterior tradução ao latim por parte de Marsilio Fisino, acima citado, sendo que muito provavelmente o texto que procede dos Sabeanos sofreu consideráveis alterações, quando passou pelas mãos de seus tradutores, sobre tudo pelas mãos de Fisino.
Sabe-se que o “Corpore Hermeticum” é um texto de características similares aquelas encontradas por exemplo entre os trabalhos dos essênios e seus antecessores, os judeus hassídicos.
Os essênios professaram culto a mítica figura de Hermes Trimegistus, por eles identificado com Enoche, sendo que o texto apócrifo que cita o contato dos anjos com as mulheres humanas, que acaba gerando os Néphelins, é creditado a figura de Enoche.
Somado a isto, devemos notar um dado interessante eu somente vem somar informações a nossos objetivos.
Houve outro povo que adotou os costumes dos essênios, cuja cidade foi originalmente usada como um posto avançado da cidade suméria de Uruk, sendo portadores dos costumes astronômicos, religiosos e simbólicos naturais dos Sumérios e Babilônicos.
Este povo era o dos harranitas ou sabeanos, também conhecidos como sabinos, como depois foram conhecidos na região atualmente chamada de Iraque.
Sua cidade, Harran, situada no norte da Mesopotâmia, foi conquistada
pelos árabes entre 633 e.v. e 643 e.v., mas apesar de convertidos ao islã, os
harranitas mantiveram suas práticas pagãs, adorando a Lua e os sete planetas
então conhecidos. Tidos como neo-platônicos, escolheram, por imposição, da
religião dominante, a figura de Hermes Trimegistus para representá-los como
profeta. Um grupo de harranitas mudou-se para Bágdá, onde mantiveram uma
comunidade distinta denominada sabinos.
Devemos notar que a isto soma-se o fato de que ali já viviam os Curdos, que em sua origem eram Yezidis, e que ofereceram forte resistência aos árabes em toda a sua história, fato este que foi tomado como estratégico para os harranitas se estabelecerem na região de Bagda – e como sabemos os Yezidis contém elementos gnósticos e mitraicos em seu culto.
Tanto Harran como a comunidade dos sabeanos em Bagdá, eram constituídas de pessoas instruídas, que dominavam o grego e tinham grande conhecimento e literatura, filosofia, lógica, astronomia, matemática, medicina, além de ciências secretas relativas a culturas dos árabes e dos gregos. Os sabinos mantiveram sua semi-independência até o século XI, quando provavelmente foram aniquilados pelas forças ortodoxas islâmicas, pois não se ouve mais falar deles à partir do ano 1000 da era vulgar.
Por volta de 1041 da era vulgar, Miguel Psellus recebeu em Bizâncio uma grande quantidade de documentos dos Sabeanos e bem como de Harran, possivelmente levados para Bizâncio por parte de caravanas de mercadores, que sabiam da imensa biblioteca que havia na cidade.
Dentre os textos harranitas que para lá foram levados, havia o “…Corpore Hermeticum…”, que é a base para o conhecimento chamado de hermético nos tempos atuais.
John Dee que foi várias vezes acusado de bruxaria, entre tantas outras formas de perseguição, veio a estreitar laços de amizade com a então princesa Elisabeth, que viria a ser Elisabeth I, a primeira rainha protestante da Inglaterra, e depois tornou-se seu conselheiro, astrólogo particular, e trabalhou como um espião para o Império Britânico, durante a guerra anglo-espanhola – termo aliás que é de sua autoria.
Foi astrônomo, astrólogo, diplomata e em particular era especialista em línguas, e sua ascendência era galesa.
Nacionalista extremado, Dee procurou em toda a sua vida servir ao seu país, e devotar seu tempo livre ao estudo do que a seu ver, seria considerada a ciência sagrada e suprema, sendo que a parte final de sua vida foi designada exclusivamente para este último.
Neste contexto, entregou-se ao estudo do hermetismo e foi grandemente influenciado pelo seu sentimento de nacionalismo em seu trabalho.
Um caso que não é único, se observarmos que pouco tempo após a morte de Dee, os presbiterianos ligados a maçonaria, vieram a promulgar o Confessio Fraternitatis – publicado na cidade alemã de Kassel em 1615 e.v. – e os outros dois documentos que são a base do Rosacrucianismo, e procuraram refúgio contra igreja, em meio ao solo Boêmio.
Na verdade, a Inquisição foi uma mola propulsora para muitos descontentes procurarem refúgio em meio a protestantes, e em meio a estes fomentarem filosofias que embora atreladas ao dogma cristão, se opusessem em alguma medida ao vaticano.
John Dee, como foi citado acima, era Gales o que por si só nos leva a apontamentos diferentes do que pretendem a maioria.
Este povo permaneceu usando o idioma nativo, o galês, e permaneceu céltico jamais sendo invadido pelos anglo-saxões, devido a belicosidade de si e bem como da natureza montanhosa daquela região.
O nome da região provém do termo germânico Wales, que significa “estrangeiro”, ligando a região e o povo dali, a uma grande quantidade de contatos com migrações setentrionais vinculadas a célticas, que por ali tenham passado.
Este termo contém em si mesmo uma série de chaves para compreensão das bases do conhecimento, e da tradição antiga.
Fixemos nossa atenção para começarmos a entender este dado na sociedade celta.
A base da sociedade celta é a família no sentido extenso da palavra, comparável ao que foi observado nas cidades gregas e romanas. Essa família se chama “fine” entre os antigos gaélicos, e se observará que dito nome procede da mesma raiz que “Gwynedd”, nome do noroeste do País de Gales, e da palavra “veneti”, nome do povo gaulês que habitava o país de Vannes, Gwened em bretão.
Veneti ou Venedotia, é também como se conhece o termo para a Britânica Veneti, que é um nome tribal pelo qual os povos Belgas da costa do Atlântico foram conhecidos e citados até mesmo por Cesar, em seu intenso contato com as Ilhas Britânicas.
Seus ancestrais vieram dos Alpes à Norte, do Lago Venetico parte dos Bodensee, e da Bavária, potencialmente também dos Thuringios – que são a fonte dos mitos modernos sobre os Anões “…dwarfs…”, que são chamados de “…Walen…”.
Também há a sequência etimológica: Wealas que resulta em “…Welshmen…”, ou “Venezianer/Venediger/Veneder” na Suiça, Austria, Bavaria e Thuringia.
Os Illyrianos conheciam o nome também, possivelmente eles trouxeram-no como “…Veneti…”, que ocorre no Norte da Itália na região de Veneza.
Estes Vannen, de características célticas e vinculados ao Gwennwed, são a fonte regional para os Deuses Vanes da tradição Nórdica, os chamados Deuses da Terra.
Como sabemos, a presença dos germânicos e dos celtas implica em uma relação de inimizade respeitada, na qual a proximidade das culturas nunca superou a belicosidade de uma para com a outra, mesmo sendo esta proximidade vívida em meio as similaridades de sua cultura e religião, como é o caso da semelhança dos deuses Vanires dos Nórdicos, com os Sdhee dos Celtas, e bem como o uso do Oghimius, originado do contato com o Elder Futhark nórdico, por parte dos celtas, que ancestralmente já usavam o oghame para si.
Estes elementos somados aos dados acima citados, todos eles fortemente solidificados na natureza tanto inventiva quanto reticente de John Dee, formaram a base para que no devido tempo em sua vida, viesse a ganhar corpo aquilo que foi conhecido como “Sistema Angélico” ou “Sistema Enochiano.
O ardente desejo de reconhecimento por parte dos esforços intelectuais, para dar sentido ao sem sentido, que foi presente marca dentro do renascimento, e que foi freqüente meio usado pelos pensadores de então, para buscar uma solução filosófica para lidar com o dogma presente na bíblia, talmud e por vezes no corão, levaram ao aparecimento e desenvolvimento do hermetismo, mas também resultaram em um beco sem saída para estas mesmas mentes ardorosas.
Pois se é fato que seus esforços acabaram por levar em consideração os povos taxados de inferioridade pelo dogma, como é o caso dos helênicos, fonte da filosofia usada por Mirandola, Marcílio Fisino e outros. E que estes mesmos esforços somente foram possíveis, graças àqueles que fazem parte de povos que jamais guardaram qualquer contato com os povos descritos nos livros do monoteísmo, e mais, que foram terminantemente taxados de inferiores por estes mesmos livros, tamanha a quantidade de bruxos e bruxas que foram parar nas fogueiras, e em uma imensa maioria dos casos, por apresentarem Inteligência se contrapondo ao Fanatismo.

Como seria possível a qualquer ser munido dos princípios da filosofia supor a si inferior, por usar-se do que é chave para dar sentido ao dogma, por mais tortuoso e inconsistente que este o seja?

A questão acima torna-se ainda mais inquietante, quando levamos em consideração a natural perseguição contra discordantes, assim como contra concorrentes diretos, que foi muito utilizada pela igreja católica, e que foi assim absorvida e mantida pelos movimentos presbiterianos, protestantes e neo-pentecostais que se seguiram.
Notemos que Lutero foi responsável direto pela morte de 100.000 pagãos somente em solo alemão, e que ele mesmo atacou publicamente e estimulou a perseguição contra judeus, como podemos observar em “Von den Juden und ihren Lügen” – Sobre os judeus e suas mentiras, escrito em 1543, quando Lutero tinha 60 anos, ou “Vom Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi” – Sobre o schem Hamphoras e sobre o sexo de Cristo – de 1544.
Este ponto de vista de perseguição contra as correntes concorrentes e contra os opositores, este sempre presente em todas formas de monoteísmo, e ocorre entre elas umas com as outras – fervorosamente – e entre elas e religiões e formas de pensamento que sejam divergentes.
No caso do protestantismo que foi absorvido pelos ingleses, esta forma de sectarismo enraizou-se severamente, na mente das pessoas que formaram aquilo que pouco depois veio a ser chamado de Império Britânico por John Dee.
Desta forma o germe da discórdia do maior de todos os pontos considerados lugar comum, por parte de hermetistas e ocultistas mesmo nos tempos modernos, foi lançado no fértil solo da mente de John Dee.
O Sistema Enochiano, estava em gestação na mente de Dee já haviam muitos anos, houveram picos do que viria a ocorrer depois durante sua vida em várias ocasiões, sendo que talvez o maior destes tenha sido aquele que ocorreu em 1564 da era vulgar, quando desenvolveu um muito conhecido e importante trabalho seu chamado “Mônada Hieroglífica”, por volta dos tempos em que serviu como um conselheiro às viagens de descoberta da Inglaterra, fornecendo auxílio técnico na navegação e o no apoio ideológico à criação de sua maior ideal de devoção o nascente Império Britânico.
Quando Dee em meados de 1582 da era vulgar, veio a desenvolver este sistema de magia, com base no que foi acima exposto podemos tranquilamente dizer que estava imbuído do máximo de seus ideais de nacionalismo, combinados aos seus pontos de vista descontentes com o tratamento deferido a seu povo, a seu ver o mais elevado, por parte tanto do dógma religioso oficial, quanto das bases do hermetismo em si.
Desta forma, torna-se tanto interessante quanto mais fácil de entender, todos os apelos “angélicos” existentes no enochiano, contra o Goétia!
Estes apelos são muito similares a outro texto vinculado ao hermetismo, que muitas pessoas até o presente momento tem em alta conta, mesmo que seja mais um manual de sectarismo do que uma obra para desenvolvimento espiritual.
Trata-se do livro da “Magia Sagrada de Abramelin” do rabino Yaakov Moelin o qual viveu aproximadamente entre 1365 e 1427, da era vulgar.
Podemos citar a respeito deste texto, alguns dados que podem esclarecer estes fatos, uma vez que logo no início o praticante é incitado com as seguintes passagens:

“…Possa o único e santíssimo deus conceder a todos a graça necessário a serem aptos a compreender e penetrar os altos mistérios da cabala e da lei, mas devem se contentar com aquilo que o senhor lhes conferir…”!
“…Em Praga encontrei um homem malvado de nome Antonio, com vinte e cinco anos de idade, que efetivamente mostrou-me coiss maravilhosas esobrenaturais, mas preserve-nos deus de cair em tão grande erro, pois o infame asseverou-me ter feito pácto com o demônio, e a este se entregara de corpo e alma, enquanto Leviatã o ludibriador lhe prometere quarenta anos de vida para agir ao seu bel-prazer…”

Um pesquisador atento, ou um praticante cauteloso, saberão nos dias de hoje que o monoteísmo é tão somente uma invenção moderna perante tantas outras modalidades de tradições antigas, e foi galgado sobre os conhecimentos das mesmas, e bem como terá em mãos os meios de determinar a veracidade de quaisquer afirmações a respeito de páctos com demônios, que em verdade são uma renomada tolice em meios ocultistas menores, uma vez que demônio é tão somente um termo de origem grega que implica em espírito, e que Leviatã é uma expressão tardia reaproveitada na tradição rabínica, cuja fonte se encontra na luta de Baal contra Lotan, e de Marduk contra Tiamat.
Se ocorrer por parte do pesquisador ou do praticante, a idéia de voltar sua atenção para dados históricos, verá que a mais antiga citação sobre “…Daemoniun…” reside no demônio socrático ou platônico, que é um gênio inventivo ligado a genialidade humana e seu desenvolvimento, tal e qual o moderno conceito de Santo Anjo Guardião dentro do ocultismo mais esclarecido, que lida com o mesmo em grande parte, na mesma medida com a qual tratamos de assuntos ligados a individuação como era vista por Jung.
Voltando então a John Dee, verifiquemos agora os meandros que residem em seus inscritos, para podermos nos instruir na melhor forma de lidar com os mesmos.
Iniciemos então os mesmos pelo parceiro de estudos e práticas de John Dee, Edward Kelly.
Edward Kelly, ou Edward Talbot, viveu entre os anos de 1555 a 1597 da era vulgar, e foi considerado como um charlatão ou mesmo criminoso pela maioria das pessoas de sua época.
Em meados de 1582 e.v., entrou em contato com John Dee que por volta desta época já estava descontente com os sistemas ritualísticos de seu tempo, pois desejava ardentemente tomar contato apenas com o conhecimento sagrado e mais elevado, desdenhando imediatamente tudo que pudesse estar correlacionado com baixa magia ou demonologia, por seu ponto de vista pessoal.
Dee já se utilizava de uma vidente, procurando respostas a suas questões, mas não estava produzindo bons resultados em seu empreendimento naquele período.
Ocorre que Kelly soube que Dee desejava encontrar um médium para seus experimentos, e bem como sabia da influência e das vantagens que Dee possuía perante a corte britânica, por conta de sua ligação pessoal com a Rainha Elisabeth I.
Havia também outros pretendentes ao cargo de auxiliar para o Doutor Dee, mas Kelly aproveitou-se de uma distração e fez com que uma pedra escura aparecesse em um local estratégico, no momento mais oportuno, levando então John Dee a acreditar que ele seria a escolha perfeita para desenvolver seus experimentos. Esta pedra veio a ser o cristal usado nos experimentos vinculados a “Pedra da Observação”, usada no Sistema Enochiano, que inclusive é fonte para tantos e tantos livros e filmes contendo “…Bolas de Cristal…”, que chegaram ao conhecimento de toda a sociedade, até os dias de hoje.
É dito que ele fingiu estar em transe sob influência do Anjo Michael, e desta forma ter influência Dee a pagar-lhe uma verdadeira fortuna mensal, que seria o devido pagamento pelo julgamento do anjo, para honrar os serviços de “tão nobre auxiliar”, e bem como se diz que Kelly chegou a conversar via um espelho, com os 72 anjos herméticos, vinculados a um texto chamado “Chave Maior de Salomão”, que aborda os quinários da astrologia, sob o ponto de vista rabínico e hermético menor.
A maioria das pessoas sempre se pergunta, perguntou mesmo perguntará como é possível que alguém tão esclarecido para tantos assuntos como John Dee, pôde ser enganado tanto e por tanto tempo, pelas artimanhas de Kelly.
Quanto a isso, temos o talento de Edward Kelly – também conhecido como Edward Talbot, quando falsificava documentos – com um verdadeiro mestre na arte de representar, e também que no decorrer do tempo ocorreram coisas durante o contato de Dee e de Kelly, que fizeram até mesmo com que Kelly o mais conhecido falsário de sua época, sucumbisse a arroubos de insanidade, no final de sua vida.
Durante as etapas que se desenrolaram, sob a mediunidade de Kelly começaram a transcorrer contatos com várias entidades diferentes, taxadas por Dee e Kelly no transcurso do nascimento do Enochiano como anjos, como foi o caso de “…Ave…”, que instruiu Dee através de Kelly em vários momentos e em várias seções de invocação.
Em dado momento, os anjos assustaram tanto Kelly, que ele instigou Dee a desistir, dizia que na verdade estavam tomando contato com demônios, pois o que propunham era algo absurdo em todos os sentidos, tanto para época quanto para o dogma que regia a vida de ambos, pois através de Kelly chegou a deixar uma suspeita de que deveriam os dois deitarem-se juntos – coisa que acabou se desenvolvendo na famosa troca de esposas entre Dee e Kelly – e no último contato propriamente dito, o “anjo” se apresentou e deixou bem claro a ambos que “…o conhecimento que estavam desfrutando destruiria completamente a sociedade humana…”!
Este último golpe foi demais para tanto para Kelly quanto para Dee, sendo que ambos definitivamente se separaram em 1588 e.v. .
John Dee morreu em 1609 da era vulgar, não estando mais nas graças da coroa, pois o Rei James não era favorável as práticas de Dee, como foi o caso da Rainha Elisabeth I.
Kelly, contudo, faleceu bem antes em 1597 e.v., tendo vivido uma opulenta vida sob a corte do Rei Rudolf II em Praga, prometendo-lhe por muitos anos que produziria “…Ouro Alquímico…”, que se gabava constantemente saber produzir.
Rudolf cansou-se de Kelly e atirou-o em uma masmorra até que este viesse a produzir o tal “…Ouro Alquímico…”, quando falhou pela segunda vez foi novamente preso, desta vez no Castelo de Hněvín, e é da opinião da maioria que a corda que usou para tentar fugir era muito curta, e ele quebrou uma perna ao cair da torre, morrendo em decorrência dos ferimentos.
Dentre os mais interessantes detalhes do Enochiano e dos contatos que Dee e Kelly tiveram por meio dele, podemos citar as severas advertência contra o uso do Goétia, que pela óptica dos supostos anjos “foi o motivo da queda da humanidade”.
Isso é inquietante, por muitos motivos, e o mais interessante deles é que o ponto de vista comum sobre os assim chamados demônios, apresenta aos mesmos como sendo portadores de doenças, desvios de comportamentos e depravações, que são os meios usuais pelos quais em teoria arrastariam a alma dos humanos para o inferno.
Isso se choca diretamente com as observações dos ditos “anjos enochianos” que apareceram para Dee e Kelly, pois ambos afirmaram categoricamente que “nada seria motivo de pecado” e os instigaram a deitarem-se unidos, coisa que é inadmissível pelo dogma bíblico, talmúdico, corânico e bem como rabínico.
Outra coisa que é inquietante no texto, e que nos faz muito especular, são as afirmações que de que as adorações jamais deveriam se voltar a “Iaseus Christus” e sim a deus único, dentro do ponto de vista dos seres que tomaram contato com Kelly e Dee. Pois sabemos que houveram cultos heréticos que foram perseguidos com violência pela igreja católica, que afirmavam justamente isto, como foi por exemplo o caso do arianismo pregado pelo padre ário, que foi absorvido como culto pelos Visigodos quando vieram a entrar em decadência e se converteram ao monoteísmo, mas que não aceitavam em nenhuma hipótese prestar culto a “cristo”. E justamente este fato em si, encaixa-se como uma luva com o sentimento de ultra-nacionalismo de John Dee, assim como outros motivos acima citados.
Agora observemos a natureza essencial do enochiano, na forma como Dee e Kelly o apresentaram e destrincharam, pois por meio disto poderemos entender muitas chaves e elementos que até hoje não foram combinados aos mesmos, e que os explicam em todos os sentidos.
Durante os contatos com os “seres enochianos”, foram destilados extensos relatórios que Dee minuciosamente copiava, acerca de tudo que Kelly proferia ao observar o cristal escuro escolhido para as práticas, que foi acima citado.
Dentro destes relatórios que geraram detalhados grimórios e documentos, foram organizadas Letras do Alfabeto Enochiano, Chaves de Invocação, Detalhes sobre as Regiões Celestes Enochianas ou Aethyrs, Seres e Séquitos ou Cortes Enochianas, e metodologia que em todos os sentidos estava vinculada aos detalhes mais conhecidos do Hermetismo.
Quanto as Chaves Enochianas, foram organizadas em número de 19, sendo que a última serve exclusivamente para abrir os Aethyrs Enochianos, e as duas primeiras servem, na temática usada dentro da Golden Dawn e Aurum Solens por exemplo, para convocar todos os Aetryrs – Segunda Chave Enochiana – e a primeira para invocar os quatro Reis Enochianos e seus respectivos séquitos.
Esta visão também é partilhada por thelemitas.
No entanto, estudos mais apurados também apontam para formas diferentes de agir quanto ao enochiano, como por exemplo demonstra Donald Tyson ao lembrar aos leitores de seus trabalhos sobre este tema, de que nunca os ditos “anjos” deram permissão de uso e invocação da maioria dos detalhes que eram passados para Dee e Kelly, e que o método de trabalho se faria especificamente de forma invocativa, e sem círculo mágico, na versão original que ambos receberam dos seres enochianos, e que Dee e Kelly jamais usaram por não lhes ter sido dada a permissão para tanto.
Ambos os métodos, o original e o de uso das organizações mágicas, funcionam e atendem aos objetivos dos que praticam via o método enochiano, e isto muitos dizem que se deve a força da fonética da língua e mesmo dos símbolos vinculados ao caracteres do enochiano, que desencadeiam uma cadência naturalmente gutural em sua entonação, sem mencionar a violência natural contida na leitura da tradução das Chaves Enochianas, como por exemplo é o caso da Décima Chave Enochiana:
“…Coraxo chis cormp od blans lucal aziazor paeb sobol ilonon chis OP virq eophan od raclir, maasi bagle caosgi, di ialpon dosig od basgim; Od oxex dazis siatris od saibrox, cinxir faboan. Unal chis const ds DAOX cocasg ol oanio yorb voh m gizyax, od math cocasg plosi molvi ds page ip, larag om dron matorb cocasb emna. L Patralx yolci matb, nomig monons olora gnay angelard. Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Noib Ohio! Casgon, bagle madrid i zir, od chiso drilpa. Niiso! Crip ip Nidali…”
“…Os Trovões do Juízo da Ira estão numerados e descansam no Norte, semelhantes a um carvalho cujos ramos são ninhos, 22, de lamentações e lágrimas, caídas sobre a Terra, que queimam noite e dia, e vomitam cabeças de escorpiões e enxofre ardente misturado com veneno. Estes são os Trovões que 5678 vezes na 24ª parte de um momento rugem com centenas de poderosos terremotos e milhares de vezes tantas ondas que não descansam, e não conhecem qualquer tempo de calmaria. Aqui uma pedra produz 1000, da mesma forma que o coração do homem produz seus pensamentos. Maldita, maldita, maldita, maldita, maldita, maldita! Sim, maldita seja a Terra, pois a iniqüidade é, foi e será grande. Ide! Mas não vossos ruídos!…”
No entanto, exatamente aqui começamos a usar de outros métodos de entendimento, que podemos afirmar com razoável chance de êxito, terem sido os mesmos de John Dee e Edward Kelly, para compor a tradição enochiana.
Sabemos que tanto Dee quanto Kelly se interessavam por estudos sobre Hermetismo e sobre o Sobrenatural, mais especificamente voltados para a natureza dogmática que habitava em ambos.
E sabemos que Dee em seus estudos sobre hermetismo, como por exemplo atesta seu texto “Mônada Hieroglífica”, conhecia bem os documentos que engendraram o hermetismo, bem como o pensamento dos que foram seus progenitores nos tempos na verdade muito próximos aos dele mesmo, sendo que Marsilio Fisino fez uma cópia e tradução do “Corpore Hermeticum” – apenas 100 anos antes de Dee começar a suas pesquisas com Hermetismo – e que Miguel Psellus já havia traduzido para o grego este texto com o auxílio de Ulf Ospaksson, meio milênio antes.
Sabendo então que Hermes Trimegistus é chamado de Enoche pelos essênios e pelos que adotaram muitos dos costumes dos essênios em suas peregrinações até Bagda – os Harranitas ou Sabeanos – sem mencionar a própria natureza ligada ao mitraísmo e gnosticismo dos Curdos e Yezidis sob os quais foram se proteger dos árabes.
E principalmente que foram estes mesmos harranitas ou sabeanos que escreveram o texto que Psellus e posteriormente Marsilio Fisino, viriam a traduzir e que tem por nome “…Corpore Hermeticum…”.
Começa a ficar muito claro qual foi o principal ponto de motivação de John Dee para nomear seu sistema como “Enochiano”, ou angélico – dado o já conhecido fato ligando os Nefelins com as mulheres humanas creditado a história de Enoche, em um apócrifo.
Mas devemos ir muito além disto, devemos penetrar na mente do Doutor Dee, e seguir seus pontos de motivação pessoal, sua indignação, seu nacionalismo extremado e bem como sua idiossincrasia arraigada em seu ser, e cuja origem se mostrou presente em seu trabalho.

Como sabemos Dee era de origem “Wale” ou Galês , ou seja estrangeiro, e que este povo foi o último a perder o seu sentido de identidade e de língua em todo o império britânico, o que implica em Dee conhecer bem por parte de sua família a língua de seus ancestrais, coisa que deve lhe ter muito valido, pois ele era um especialista em línguas, e por conta disto e de seus conhecimentos em várias áreas, foi escolhido como diplomata e espião pela Rainha.
A necessidade natural de provar o próprio valor e o valor do povo, e da identidade fervorosamente arraigada naquilo que foi chamada de reforma protestante que começou com Lutero, para este mesmo conceito de império britânico, com o conteúdo de pleitear que o mesmo fosse entendido como a verdadeira nação sagrada, como verdadeiro povo eleito, são as peças de encaixe final que nos faltam para compreender uma parte do Sistema Enochiano.
Pois Dee ao entender melhor do que muitos em sua época, das raízes semânticas e lingüísticas de seus ancestrais, e de outros povos, viu a necessidade de expressar uma língua sagrada e um verbo sagrado, que fossem mais precisos a seu ver para demonstrar a natureza do povo eleito, conforme nossas suposições avançam – embora o façam embasadas na lógica e no raciocínio.
Desta forma não somente os textos e contatos acima, que parecem se alinhar ou com os processos da assim chamada reforma protestante, ou com os caminhos de cultos taxados como heréticos pela igreja católica. Mas também, muito do simbolismo usado, parece ter caminhado neste sentido.
Se observarmos outro ponto forte do Enochiano, seu Alfabeto, notaremos algumas coisas no mínimo estranhíssimas.
Vejamos que “Une”, que corresponde a fonética do “A”, liga-se a perspectiva de espírito e leveza, ao mesmo tempo que “Veh” que corresponde a fonética do “C” implica em fogo e criatividade.
E que este Alfabeto foi dividido em 3 grupos de 7 letras em cada um.
Até aqui tudo parece extremamente original, e para a maioria das pessoas assim o é.
Mas será que as coisas são assim mesmo?
Como já foi dito, John Dee conhecia muito bem línguas e bem como a língua de seus ancestrais, e que os mesmos eram os “Wales” uma palavra de origem Nórdica ou Germânica, que implica em estrangeiro, e que este povo foi o mais feroz em guardar sua língua e suas tradições, em meio a outros povos como os Escoceses e os Ingleses.
Se levarmos em consideração estes dados, e nos atermos simplesmente a história e etimologia, veremos que há também outro alfabeto que possuí um caractere de fonética “A” ligado a vento, espírito e leveza, da mesma forma que seu caractere de fonética “C”, liga-se ao fogo e a criatividade. E que este mesmo alfabeto igualmente se divide em 3 grupos, contudo de 8 letras, que são chamados na língua deste povo setentrional que dele se usa, de Aetts – extremamente similar a fonética Aethyr por sinal – e que inclusive tanto este povo é aparentado com os “Wales”, quanto influenciou na formação geral dos caracteres do Oghimius dos celtas na Europa.
Mas muitas questões serão levantadas contra isto, se não fosse a problemática da similaridade das afirmações enochianas sobre “Iaseus Christos” não dever ser adorado em nome de Iaida, termo enochiano para a palavra “Altíssimo”, como ocorreu com o arianismo abraçado pelos Viosigodos, que foi um fato de conhecimento apenas dos homens que puderam ter cultura na época de Dee, o que o incluí entre os mesmos.
Altíssimo é também um termo usado para designar o deus pai maior dos povos setentrionais, contudo ali chamado de “Har”, mas que se liga justamente ao caractere que dá nome aos deuses ali cultuados, aos “Ases” ligados ao caractere “As”, que foi absorvido e usado pelos Boêmios e outros hermetistas, para dar nome a raiz dos poderes de fogo, ar, água e terra dentro da temática do taro, e das permutações da escala platônica de fogo, ar, água e terra chamadas pelos herméticos de “Tetragrammaton”.
Em meio ao Enochiano nos deparamos com muitos termos e colocações, que em si mesmos não parecem corroborar com este ponto de vista – a primara vista é claro – mas logo chegamos ao termo enochiano “Mikaleso”, cuja raiz está no Old Norse “Miklas”, que tanto em enochiano quanto em Nórdico, quer dizer “Poderoso”.
Desta forma, John Dee procurou usar da temática que lhe era comum tanto por herança de família, como por julgar que esta seria a natureza mais acertada para dar impulso a sua visão de um império britânico, movido por um povo com uma verdadeira palavra e verbos divinos, que o movessem em direção a glória que em seu nacionalismo fervoroso, considerava como sendo de seu direito, e relegando o velho testamento e o novo testamento a uma visão ultrapassada, sob suas perspectivas, que deveria dar passagem a uma revelação mais coesa com os pontos de vista que estavam se formando na Europa daquele período, como acima foi citado, e sob a regência do nascente império britânico.
Notando a organização enochiana, onde aparecem Reis, príncipes e citações sobre o séquito dos mesmos, organizados e orientados nas 4 Tábuas Elementais somadas a Tábua da União, taxada como sendo a Tábua de Espírito, podemos perceber os elementos herméticos completamente dispostos nas mesmas.
Notando que 3 Chaves Enochianas já foram citadas acima, e a grosso modo seus usos dentro do enochiano, sobram então as Chaves que vão de 3 a 18, perfazendo um total de mais 16 Chaves Enochianas.
Pela óptica adotada dentro das organizações do passado e das atuais, e pela origem em grande parte hermética do trabalho do Doutor Dee, estas 16 Chaves Enochianas, se posicionam na escala de fogo, ar, água e terra usada dentro do hermetismo com base no cabalismo, cuja origem é neo-platônica em todos os sentidos.
E desta forma temos da 3ª até a 6ª Chaves justamente a escala de Ar do Ar, Água da Água, Terra da Terra e Fogo do Fogo.
Da 7ª até a 9ª Chaves teremos Água do Ar, Terra do Ar e Fogo do Ar.
Da 10ª até a 12ª Chaves teremos Ar da Água, Terra da Água e Fogo da Água.
Da 13ª até a 15ª Chaves teremos Ar da Terra, Água da Terra e Fogo da Terra.
Da 16ª até a 18ª Chaves teremos Ar do Fogo, Água do Fogo e Terra do Fogo.
Que são escalas totalmente atreladas ao desenvolvimento conseqüente das 20 letras entre as 4 Torres de Vigília Enochianas, as Tábuas Elementais, que foram utilizadas mais recentemente aos trabalhos de Dee, para formarem a Tábua da União, que encerra o maior segredo dentro das práticas cabalístico herméticas dos tempos atuais.
Estas letras foram organizadas de tal forma que formam os nomes de Ar (Exarp), Água(Hcoma), Terra (Nanta) e Fogo (Bitom).
As primeiras letras de cada um dos nomes em enochiano acima, são representações dos Reis Elementais e de sua Corte, e são explicitamente ativados pela entonação da Primeira Chave Enochiana, pela aplicação das Ordens.
As outras 16 letras, correspondem justamente as permutações de fogo, ar, água e terra que foram acima citadas, vinculadas a escala platônica que aparece na cabala com algumas diferenças, e que ao se utilizar de uma das 16 Chaves Elementais acima relatadas, ativam-se uma das Letras da Tábua da União no mesmo instante.
Que se vinculam por sua vez aos 16 sub-quadrantes elementais das 4 Torres de Vigília Enochianas, ou 4 Tábuas Elementais.
Estas quatro Tábuas Elementais, vinculadas as letras da Tábua da União, são dividias em uma proporção 12×13 quadrados em cada uma, 156 no total. Cada tábua é atribuída a um dos quatro elementos: Ar, Água – da esquerda para direita na área superior – Terra e Fogo – da esquerda para direita na área inferior.
Adicionalmente, cada Tábua possui quatro sub-quadrantes. Estes são arranjados em 5×6 e posicionados em cada canto da tábua em questão. Também são atribuídos aos quatro elementos.
Por exemplo, na Tábua do Ar, você terá um sub-quadrante do Ar correspondendo ao Ar do Ar; o sub-quadrante correspondente a Água do Ar; o sub-quadrante da Terra representando a Terra do Ar; e o sub-quadrante do Fogo para Fogo do Ar.
Cada sub-quadrante contém uma Cruz Sephirotica que é a 3ª Coluna e 2ª Linha do sub-quadrante. Contém os Nomes de Deus do sub-quadrante. Os quadros com letras na Cruz são chamados Quadros Sephiroticos.
A primeira linha de um sub-quadrante (com exceção da 3ª coluna) é chamado os Quadros dos Querubins.
Linhas 3-6 de um sub-quadrante (com exceção da Coluna 3) são chamadas os Quadros Servientes.
Com os sub-quadrante destacados, uma cruz é revelada no centro da Tábua. Esta cruz é atribuída ao elemento místico do Espírito e contém os nomes de Deus, o Rei (cujo nome obrigatoriamente tem 8 letras), e os 6 Senhores Enochianos (cujos nomes obrigatoriamente tem 7 letras), da Tábua em questão.
A 7ª Linha da tábua é chamada a Linha do Espírito Santo ou Linea Spiritus Sancti.
A 6ª Coluna da tábua é chamada a Linha do Pai ou Linea Patris.
A 7ª Coluna da tábua é chamada a Linha do Filho ou Linea Filii.
Quando as quatro tábuas elementares são colocadas junto como as Torres de Vigia, a divisórias entre as tábuas são chamadas a Cruz Negra e são atribuídas ao Espírito (Tábua da União).

E é precisamente aqui que encontramos o maior fator de surpresa no hermetismo e no Sistema Enochiano, quando observamos a estrutura do universo que é apresentada no organograma das Torres e da Tábua da União, e na conjugação de seus símbolos.
É dito que um caractere enochiano que está sobrando na Torre Elemental da Água, cujo som seria o mesmo de “L” e a designação enochiana seria “Ure”, na verdade ali subsiste para entrar em União com as 20 letras da Tábua da União, e gerar desta forma os 3 nomes de 7 letras dos 3 Governadores do Aetryr do Abismo, cujo nome é Zax, e que é o maior terror dos praticantes de hermetismo, cabalismo e tradições ligadas ao ocultismo, pois o mesmo é tal e qual a Daath citada pela cabala, sobretudo a hermética, e mais, este abismo enochiano é o lar daquilo que se descreve como o mais poderoso “demônio” da criação, pelo ponto de vista monoteísta, ou seja “Choronzon”, a dissolução.
Em outras palavras, ao se lidar com cada parte do Enochiano, com cada elemento, cada ser ou cada letra, o estudante e praticante estão invocando a própria natureza do Abismo para dentro de si, e para sua volta, pois o lar de Choronzon, o abismo Zax, é e subsiste em cada uma e todas as coisas a sua volta, e pela óptica do Enochiano, assim o é mesmo quando não se está consciente do mesmo.
Se o abismo é tamanha fonte de terror para as mentes dos hermetistas praticantes ou não de enochiano, podemos então imaginar o horror dos mesmos quando finalmente se deparam em seus estudos e práticas com estes dados, e quando pesquisam a vida de John Dee e de Edward Kelly, e desembocam diretamente nas incitações dos ditos “anjos”, levando-os a práticas consideradas imorais para seu tempo, e afirmando blasfêmias inimagináveis para suas mentes dogmáticas, tais como a já citada frase que afirma a total destruição da sociedade que Dee e Kelly conheciam.
O que nos leva a concepção de que em meio aos esquemas e estratagemas de Kelly, e do fervor nacionalista de Dee, entremeado ao dogmatismo de ambos, o sistema que serviu de âncora para gerar o enochiano, justamente a raiz germânica acima citada, começou a resvalar na psique de ambos, e veio a se manifestar depois de algum tempo de invocações e usos de linguagem aproximada, causando os choques acima citados, e bem como os temores ligados aos mesmos.
Pois é fato conhecido que o puritanismo e preconceitos sexuais exigidos dentro do dogmatismo do monoteísmo, em verdade não existiam na sociedade original dos “Wales”e dos Nórdicos, e na verdade justamente os costumes destes povos nos dão uma pista muito interessante a respeito dos meios usados por Dee, para suas técnicas de observação e viagem pelos Aethyrs Enochianos, e bem como a respeito das tais advertências contra as práticas Goéticas, uma vez que por goéticas entendam-se todas as formas não monoteístas ou não cristãs, tanto para Kelly quanto para Dee.
Dentre os Celtas podemos encontrar o culto aos Sdhee, que é o termo pelo qual os deuses célticos são efetivamente conhecidos, sendo que os mesmos são também chamados pelos ingleses de Elfos, que é uma derivação do Old Norse do termo Alf, que implica exatamente na mesma coisa.
Este culto aos Sdhee é extremamente próximo e aparentado ao culto Vanir, inclusive a mais conhecida deusa setentrional vinculada ao panteão dos deuses da terra, entre os povos setentrionais, é Freija, que é chamada de Vanadis e bem como de Seidh Lady ( Senhora do Seidhr).
Seidhr é uma técnica de transe para viagem a outros mundos na tradição nórdica, e sua raízes é a mesma da palavra Sdhee, como acima citada, bem como da raiz da palavra indo-ária siddhi – que quer dizer virtude ou poder.
O transe seidhr implica em êxtase sexual como catalisador dos eventos em si.
Isto explica o motivo pelo qual o ser enochiano que tomou contato com Kelly e Dee, ter exigido que os dois se deitassem juntos, ou que suas esposas fossem trocadas. Pois havia entre os nórdicos ligados aos povos vanires, sacerdotes de Freir – deus vanir irmão de Freija – e de Freija que eram taxados como “Erg”, que quer dizer homossexual, e que se afeminavam para efetuar o transe seidhr como as seidkhonas – feiticeiras – o faziam.
Mas nos é muito interessante que um certo tema seja básico, tanto nos trabalhos ligados ao Enochiano, quanto naquilo que acima foi citado como o “…Abramelin…”. Este tema, como já se pode perceber é o que aborda os trabalhos acerca do Santo Anjo Guardião!
É comum que em todos os trabalhos ligados a gnose, hermetismo, ocultismo, thelemismo e bem como enochiano, o assunto do S.A.G. venha a tona.
É dito que sem o S.A.G., fazer uma invocação de qualquer tipo ligada tanto a ditos anjos quanto a ditos demônios, resultaria em auto destruição ou loucura para o praticante.
No entanto sabemos que todos os seres goéticos e demais seres que foram taxados de demônios pelas formas de monoteísmo que existem desde os atos de akhenaton, tendo-o como sua fonte, nada mais são do que as fontes reais para a sustentação do monoteísmo, uma vez que o politeísmo é o tema básico que com suas tradições, veio a alimentar os símbolos do monoteísmo, via os atos de sacerdotes inconseqüentes e inescrupulosos.
Desta forma, torna-se senão ridículo inútil permanecer com os pensamentos voltados a estes temas, ao abordar as artes cerimoniais.
S.A.G. liga-se aos assuntos abordados por Jung no que tratava como sendo o conceito de Individuação, apenas que em um nível muito mais intenso e mais alto do que ele mesmo poderia chegar a supor, apesar de ter usado o Bardo Todol, como uma de suas fontes principais de inspiração. E se viéssemos a estabelecer um procedimento para aferir o desenrolar do desenvolvimento de cada praticante, e bem como os efeitos disto em seu ser, teríamos necessariamente tanto que aferir quanto do cérebro o praticante passa a utilizar, quando o contato com seu inconsciente superior passa a banhar a relação do inconsciente inferior com o consciente, quanto aferir quanto do inconsciente passou a ser tanto conhecido como conscientemente experimentado pelo praticante.
Nesta conceituação entraríamos então na essência do que os atavismos se despertando no ser, realmente fazem ao mesmo, e isto em verdade lida com o que trazemos de herança antiga de nossos antepassados, o que em si é a fonte e a explicação para o Enochiano, que em si é uma criação com vistas ao nacionalismo extremado, pode tanto ser forte como é, quanto ser potente para várias modalidades invocativas, evocativas e experimentais, inclusive podendo ser combinado aos estilos que lidam com a temática dos centros psíquicos humanos.
Ou seja, que Kelly e Dee despertaram via seus trabalhos baseados na língua antiga dos “Wales” e em suas fontes etimológicas, e pelo uso do transe frente o cristal escuro, traços dos cultos antigos, que paulatinamente ganharam força e vida no decorrer dos trabalhos feitos, tanto no caso original de John Dee e Edward Kelly, quanto nos de tantos outros praticantes, como e principalmente é o caso de Aleister Crowley, que fez a façanha de percorrer e catalogar tudo o que pôde ver nos 30 Aethyrs Enochianos.
Desta forma, o Santo Anjo Guardião é plenamente compreendido quando se tem em mente suas ligações com os termos que geram a palavra Self – Sdhee e Alf – pois tal e qual o Xintoísmo, a tradição setentrional alerta para o fato de que tudo guarda vida em si, e bem como um wyrd próprio – destino próprio, aproximadamente como o carma – e tudo tem vida ou essência, sendo o Alf que dá vida a uma planta ou animal o conceito aqui citado. Fato este que colabora em muito para o nosso entendimento das correlações dos atavismos ligados as fontes do Enochiano, com as forças em si que ganharam passagem e vida por outras vias, emprestando-lhes sentido e força, exatamente como fizeram com o Sistema Mágico que John Dee e Eward Kelly “revelaram” ao mundo.
Agora, voltando a Aleister Crowley, poderemos estender esta abordagem sutil ao enochiano, contudo munidos do necessário para alçar entendimento além dos limites impostos até então.
Como foi acima citado, Crowley é celebrado como o primeiro – alguns dizem que o único – que viajou por todos os 30 Aethyrs, catalogou o que viu, e deixou indicações claras para quem quisesse se arriscar a seguir seus passos.
Contudo, notamos que o trabalho de Crowley seguiu a temática proposta por Dee, de guiar-se em direção a formula nacionalista apresentada por este, com base no conceito do império britânico.
Podemos dizer inclusive que ambos possuíam outros pontos em comum, além do fato de serem ingleses, pois se John Dee foi aceito entre os membros fundadores do Trinity College d Cambridge, Aleister Crowley, estudou no mesmo a partir de 1.985 e.v e lá se destacou em meios aos estudantes.
No Liber 418, Crowley cita a fórmula cabalística em meio a todos os Aethyrs, entremeados de recomendações e detalhes que são posicionados de tal forma que criem a temática da queda do Aeon de dos deuses dos escravos, o Aeon de Osiris, e bem como lentamente mostrem a ascensão do Aeon da Criança conquistadora e Orgulhosa, que é o centro de seus trabalhos mágicos, e por fim complementa os receios e temores vinculados ao abismo, quando aborda o Décimo Aethyr, ZAX, para apresentar uma ascensão pelos aspectos derivados da escala de atziluth, briah, yetzirah e assyah presentes na cabala, e que são mais uma vez uma apresentação da escala dos elementos platônicos de fogo, ar, água e terra.
Se apreciarmos as passagens abaixo, que são excertos retirados das citações contidas no Aethyr ZAX, dentro do Liber 418, poderemos compreender mais:
“…Se tu não podes comandar-me pelo poder do Altíssimo, saiba que eu indubitavelmente tentá-lo-ei e isso me causará arrependimento. Eu me curvo ante os grandes e terríveis nomes que usaste para me conjurar e confinar. Todavia, teu nome é misericórdia e eu brado por perdão. Que eu ponha então minha cabeça entre teus pés para que possa servi-lo. Porém, se tu me mandas obedecer pelos Sagrados nomes, eu não posso me curvar assim, pois seus primeiros sussurros são maiores que o ribombar de todas as minhas tempestades. Peça-me então para que chegue a ti e assim adorar-te e partilhar de tuas bênçãos. Não é infinita a tua misericórdia?…”
“…Eu me alimento nos nomes do Altíssimo. Eu esmago-os em minhas mandíbulas eu evacuo do meu fundamento. Eu não temo o poder do Pentagrama, pois sou o Mestre do Triângulo. Meu nome é trezentos e trinta e três que é três vezes um. Atentai, pois te previno que estou preste a ludibriar-te. Proferirei palavras que tu usarás para invocar o Aethyr e as escreverás pensando serem grandes segredos de poder Mágico todavia, não passarão de escárnio…”
Tal passagem acima teria sido citada por Choronzon, o Arqui-demônio que habita em ZAX, e que é a dispersão em si mesmo, encarnando em si todos os terrores que são citados a respeito da temática da Sephirah Daath, vista como uma entrada que dá diretamente no que a cabala chama de Árvore da Morte, composta por Qlipoth, que são os lares dos demônios citados dentro da bíblia, corão, talmud e torah.
As Sephiroth são citadas em uma tradução mais aproximada, como “…os papiros…”, e as Qlipoth, são citadas em tradução mais aproximada, como sendo “…as cascas…”, sendo que o termo rabínico usado para se referir as primeiras é “…Esposas…” e em relação as Qlipoth “…Prostitutas…”.
Sabe-se que isto implica apenas e tão somente no fato de que as ditas “…esposas…” são somente tocadas e manipuladas pelo esposo – dando margem a idéia cabalística de ruach e nephesh, alma e corpo, esposo e esposa – que é o sacerdote dentro da temática cabalística, e as “…prostitutas…” necessariamente são aquelas que vem a ser manipuladas pelas mãos de todos os outros, e que não tem vínculos exclusivos com o sacerdote, e mais que em nenhum momento o obedecem.
O Talmud vai além, e afirma que Qlipoth é o nome que é dado a alma dos que não fazem parte do povo eleito – coisa que explica em muito o antagonismo gerado contra o mesmo, por parte de outros estilos de monoteísmo, e presente na temática de muitos hermetistas, mesmo que sutilmente.
Desta forma, entenderemos que houve uma forma de adulteração na temática do contato coligado com o Enochiano, tanto em sua raiz quanto nos movimentos que posteriormente usaram-se dele.
Após o Aethyr 10º, vem a descrição de um Aethyr de nome ZIP que lida com a temática do adentrar na cidade das pirâmides, que é uma representação daquele que foi além da Daath da cabala, e entrou no local onde reside Aima Helohim e Ama Helohim, vistas como Babalon, ali mais uma vez ocorre referência ao tema da Rosa e da Cruz, que em verdade formam o Brasão de Armas de Luthero, algo que escapa aos usuários e que deveria ter sido repensado pelo modelo thelemico do período, por representar um modelo do Aeon dos Escravos.
Da mesma forma que houve sobreposições de muitos símbolos para compor as estruturas psicológicas da “…Visão e da Voz…”, precisamente as descrições do Liber 418, o modelo cabalístico serviu de suporte em alguns momentos, e a simbologia ligada ao número 8 e seu contexto em tanto quanto um modelo que se encaixa nos padrões, estruturas e natureza de Hermes o mensageiro dos deuses, também aqui o Aethyr Oitavo ZID, é descrito como o mensageiro dos deuses para o praticante, pois as instruções o coligam com a experiência do Santo Anjo Guardião, como acima foi citado, e isto é muito estranho uma vez que muito abaixo da escala do que é chamado de Três Sephiroth Supremas, o Contato e a Conversação com o Santo Anjo Guardião, são exigência mínima para conhecer a verdadeira vontade, e poder desta forma atravessar o Abismo ou ZAX.
No entanto, lembramo-nos que o “…Sdhee Alf…”, mensageiro da Lei pessoal e intransferível da divindade de cada homem ou mulher que o podem convocar, tem a missão de serem os portadores da Lei, e não a mesma, e desta forma o entendimento de que se trata do comprometimento final do ser com sua verdadeira vontade, brinda aos que estão atentos.
Em DEO, o Aethyr seguinte, citada é a Estrela Vespertina, Lúcifer, que é o planeta Vênus e bem como um símbolo do que é chamado de Netzach na cabala, em total sintonia com a idéia numérica do cabalismo, como acima já foi alertado, e que saturno exaltado em Libra contém também o seu contrário, no segundo decanato de capricórnio, regido por Astaroth, o qual é Astarte e Inanna, Deusa Suméria da Cidadela de Uruk, senhora escarlate da guerra, sexo e magia, celebrada também como Deusa-Mãe, e sendo venerada como Athirat, também chamada Asherah, Astarte ou Anat e, da mesma forma que no culto de Inanna, seus sacerdotes transexuais, os Qedshtu, extraíam seus órgãos sexuais para executarem os ritos, muitas vezes sexuais ligados a deusa da Estrela da Manhã.
O amor ali citado contém sua fonte nesta deusa e a chave real disto, que como podemos ver também se conecta nos conceitos ligados a Freia e a Freir, como foi acima citado, explica-nos todos os detalhes vinculados a idéia conectada com os chamados Irmãos Negros, ligados a este Aethyr, que dizem ser aquele até onde os mesmos podem atingir, pois estes que se negam a deixar seu sangue adentrar na copa das abominações de Babalon, na temática da visão do décimo primeiro grau como foi explanado por Crowley, não podem ser “…tais e quais noivas…”, que é um termo que conecta todos os praticantes dentro da Argentum Astrum, e muitos mistérios ligados a esta fórmula mágica do Amor, ou Ágape, correlacionam-se com o sacerdócio de Freir, e bem como o Sacerdócio Masculino de Inanna, que é a Senhora das Abominações da Babilônia. Desta forma as chaves ocultas para adentrar os sacramentos como Crowley os via, passam necessariamente pelo entendimento destes símbolos e em sua aplicação.
No entanto, esta é apenas uma visão a respeito dos sacramentos superiores, e não é nem a melhor e nem a única.
No Aethyr seguinte, MAS, Crowley usa-se de uma passagem bíblica retirada do genesis – 19:32-33,35 – sobre as filhas de Ló, que o embriagaram para se deitarem com ele, a título de “…povoar a terra…”:
“…Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai. E deram de beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai…E deram de beber vinho a seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou…”
Notemos a similaridade contida no texto deste Aethyr, para representar as ditas 3 Tradições Mágicas – Branca, Amarela e Negra – que na teoria hermética e cabalística, abrangeriam o mundo:
“…E uma voz diz: Maldito seja aquele que desnudou o Altíssimo, pois ele embriagou-se do vinho que é o sangue dos adeptos. E BABALON embalou-o, no seu colo e no sono ela sumiu e deixou-o nu chamando o seu filho para junto dizendo: Acompanha-me para zombarmos da nudez do Altíssimo. E o primeiro dos adeptos cobriu Sua vergonha com um pano, caminhando para trás e era da cor branca. E o segundo dos adeptos cobriu Sua vergonha com um pano, caminhando lateralmente e era amarelo. E o terceiro dos adeptos zombou de Sua nudez, caminhando para frente e era negro. Essas são as três grandes escolas dos Magi que também são os três Magi que dirigiram-se ao Local Sagrado e, por não possuir sabedoria, tu não saberás qual escola predomina, ou se as três escolas são uma. Pois os Irmãos Negros não ergueram suas cabeças na Sagrada Chokmah já que foram afogados no grande mar que é Binah, antes que a verdadeira vinha pudesse ser plantada no sagrado monte Sião…”
O mar de Binah é o Mar que subsiste citado na Lámina do Enforcado, e é uma representação das Qlipoth, implicando na incapacidade de ir além da Menstruação, que é símbolo da inexistência de vida na mulher, que na tradição monoteísta e fálico solar, é vista como tendo alma somente quando está preenchida pelo sêmen, que é o portador de Ruach – alma e símbolo para o “…esposo…”, acima citado – e está contido em Yod – letra hebraica que o cabalismo usa para identificar o elemento fogo e o falo.
Desta forma os finalmente entenderemos que os Irmãos Negros, como citados por Crowley, são os que não tem o que é entendido como sendo “…LUX, ou, LUZ…”, que implica em uma fórmula totalmente voltada para o espírito solar como algo solar, como foi dito pelo criador do monoteísmo, Akhenaton, e pelo ponto de vista da cidadela de “ON” ou “Heliópolis”, no Egito.
As 3 cores citadas como representantes da alquimia não estão aqui por conivência, mas antes devem ser necessárias para dar pano de fundo para o conceito de alquimia, e do elixir alquímico que é citado nas linhas acima. Desta forma Negro lida com os que ainda perfazem a fórmula levando em consideração o conceito de mulher e das Kalas do Tantrismo ligado aos Drávidas e a deusa Kali; Amarelo lida com o ponto que seria intermediário entre este primeiro e o seguinte, o qual é Branco, por lidar apenas e tão somente com a Luz ou os mistérios sexuais puramente masculinos, ocorre que isto lida com o antigo Aeon, pois o cristo do monoteísmo se auto proclama “…a luz, o caminho a verdade e a vida…”.
Destrinchados assim os símbolos aqui presentes, podemos avançar ainda mais a cerca da “…Visão e da Voz…”.
Lit desvela-se com o entendimento claro da atmosfera fálica espiritual da flecha, cuja ponto é Argentum Astrum , a Estrela de Prata ali mencionada.
O trocadilho de não há deus com “…Lá…”, o qual é a mesma composição de “…AL…”, que é o termo hebraico para deus, e que é o nome divino usado na Sephiroth de Chesed, a sephiroth da misericórdia, e que na verdade é o nome do deus pai supremo dos Fenícios “…AL…” que foi absorvido para uso pelos rabinos, dentro da temática do hebraico, nos dá o entendimento necessário, de que ali á afirmado que “…Lá…” o nada, é o deus naquele Aethyr, e que está é a chave do Aethyr dando a entender outro trocadilho simbólico com o Olho de Shiva, que aniquila o universo no “…Nada…”, e daí somos levados ao conceito da cabala que lida com “…Ayin…” o nada universal, representado também na lâmina de Baphometh, na Lâmina do Diabo, cuja letra hebraica é justamente “…Ayin…”, e sendo que o olho ali citado, também vai na direção de Horus, pois há o conceito dos dois olhos de Horus, o direito e o esquerdo, um deles os métodos de Crowley citam em combinação com o Ajna Chacra, que é o Olho de Shiva, e o outro é citado como sendo o Muladhara Chacra, vinculado a ponta do cóccix e que participa da fórmula dos sacerdotes de Freir e dos sacerdotes homossexuais do culto de Inanna, como acima foi citado.
Mesmo em PAZ, ocorre este fenômeno de justaposição pois os elementos da rosa e da cruz voltam a entrar em sena, e mais, caos e trevas cosmos e luz são ali citados, sendo o caos algo como uma representação do Olho de Ayin que é acima citado.
Há o trocadilho da palavra “…PAX…” com o nome do Aethyr “…PAZ…”, e no entanto ao colocar os dados acima mesclados a isto, a chave do que Crowley expressa como sendo a essência deste Aethyr esta neste excerto:
“…Abaixo de seus pés está o reino e em sua cabeça a coroa. Ele é o espírito e matéria, ele é paz e poder, nele está Caos e Noite e Pan e sobre BABALON sua concubina, que embriagou-se dos sangues dos santos que ela coletou em sua taça dourada tem ele originado a virgem que agora ele deflorou. E isso é o que está escrito: Malkuth será elevada e colocada no trono de Binah. E essa é a pedra dos filósofos que é posta como um selo na tumba do Tetragrammaton e o elixir da vida que é destilado do sangue dos santos e a força rubra opressiva dos ossos de Choronzon…”
Pois já foi citado no texto da “…Visão e a Voz…”, que a chave do termo hebraico para adão está em “…Adm…”, visto como um anagrama para a palavra enochiana “…Mad…”, que quer dizer deus.
Desta forma o “…Adm Kadmon…”, é a chave de entendimento para aquele que é cavalgado por Babalon no trecho acima citado, e que nele habita a essência do Aethyr “…PAZ…”, que é o Caos ou a Noite de Pan, isto se liga a emanação de Aiyn Soph Aour, “…LUZ…”, que se contrai para gerar Kether e dela gerar todo o restante da Ortz Chaim, Árvore da Vida, que é o próprio “…Adm Kadmon…”. Porém a pedra dos filósofos é mais uma vez um anagrama do Velho Aeon, ligada a cristo, que é citado como a pedra, ou a rocha, no cristianismo, e é dito do mesmo como o elixir e o selo do tetragrammaton, pelas conexões que o filho tem para com o pai, dentro do monoteísmo, em tanto quanto a relação de Ruach e Yod, vista na fórmula fálico solar acima citada.
Em “…ZOM…” o seguinte Aethyr, vemos uma fórmula vinculada a ascensão em direção a Kether, passando por Chokimah que é o falo e liga-se com o ponto de vista de Yod, Ruach e da fórmula fálico solar – uma vez que Marah o grande mar, é ligado a Binah e é o Mar de Sangue e Trevas que impropriamente e indevidamente o sistema fálico solar taxou de incorreto ou daninho.
Observemos então estes trechos:
“…E o olho de Sua benevolência se fecha. Que não seja aberto sobre o Æthyr para que as severidades sejam abrandadas e a casa desmorone”. A casa não cairá e o Dragão descerá? Todas as cousas foram de fato engolidas pela destruição; e Chaos abriu suas mandíbulas e esmagou o Universo como um Adorador de Baco esmaga uma uva entre seus dentes. A destruição não engolirá a destruição e a aniquilação confundirá aniquilação? Vinte e duas são as mansões da Casa de meu Pai, porém lá vem um boi cabeceando a Casa que cairá. Todas essas cousas não passam de brinquedos do Magista e o Criador de Ilusões que barra a Compreensão da Coroa…”
“…E por isso BABALON está sob o poder do Magista submetendo-se a obra e guardando o Abismo. Nela está uma perfeita pureza superior; ainda que seja enviada como o Redentor para os que se encontram abaixo. Não existe outro caminho para o Mistério das Supremas além dela e da Besta na qual cavalga; e o Magista é colocado além dela para ludibriar os irmãos das trevas para que eles não façam de si mesmos uma coroa; pois se houvessem duas então Yggdrasil, a antiga árvore, seria lançada no Abismo, extirpada e lançada no Mais Distante Abismo profanando o Arcanum que é o Adytum* e a Arca seria tocada e a Loja profanada por aqueles que não mestres e o pão do Sacramento seria as fezes de Choronzon e os vinho do Sacramento a água de Choronzon e o incenso seria espalhado e o fogo sob o Altar odiado. Erga-te, todavia, firma, goze o homem e contemplai! Será revelado a ti o Grande Terror, o inominado temor…”.
Acima vemos que nem mesmo Crowley pôde escapar dos símbolos mais antigos do conhecimento, pois em lugar do uso do termo comum da cabala para a Árvore da Vida, ele se usou do nome Setentrional e mais antigo da mesma, Yggdrasil, também conhecida como Eomersyl ou Yrminsul, o Pilar do Mundo.
Todos os símbolos de destruição lidam com o ponto onde ocorre a elevação em direção ao Nada, o Caos, saindo do ponto de Ordem mais próximo deste, que é o caos espermático do que chokimah é e representa, na teoria dos cabalistas.
Tolices são ditas sobre Taumiel, o dragão de duas cabeças que seria o oposto na árvore da morte, a árvore das qlipoths – que já vimos acima, que nada tem haver com os conceitos citados sobre ela pelo hermetismo comum – e a alegação de que O Magus estaria comandando-a para negar a força dos que não se curvam a luz de cristo, por ser este o caminho correto, desaba sobre si mesma, pois de fato são dois os potenciais mais altos que engendraram o universo, e são opostos e infinitos em si mesmos, e quando se tocam encontram limite, o qual é vida e o que os gregos chamaram de Cosmos, e são amplamente vislumbrados na antiga tradição original que a Yggdrasil que Crowley citou no texto deste Aethyr, apresenta como as mais antigas forças, anteriores ao universo conhecido.
No Aethyr seguinte, temos gratas surpresas!
Crowley cita a lenda suméria sobre os Sibilli Azag Aphikalluh, liderados por U-Na, ou Dagon, cuja forma é a do homem peixe que leva os códigos da civilização em amor aos humanos, e mantém relações com as mulheres, sendo esta a fonte original para os Nephelins citados no texto de Enoch. Notemos que o termo Azag é aparentado com Az, Ases e Aesir ou Ansjus, que já nos referimos acima.
Diz Crowley que a chave deste Aethyr está na idéia de Cain ser filho da Serpente e não de Adm, citando este último como um culto externo e destituído de vida, e tendo Cain uma marca em sua testa – que lida com o Olho de Shiva e com a temática acima citada sobre o mesmo – e que elimina Abel, de acordo com o texto da “…Visão e da Voz…” usando do Mjollnir o Martelo de Thor, e devemos nos lembrar que este deus é saudado tradicionalmente como o inimigo do cristo branco invasor, em uma das línguas dos povos setentrionais.
Crowley jamais suspeitou – ou jamais deixou que os que estavam a sua volta suspeitassem – que o símbolo que aparece neste Aethyr, das 3 flechas cruzadas nada mais é do que a Runa Gótica Hagalaz, que tem exatamente aquele diagrama, e que implica na idéia de despertar, desagregação do que é velho para dar lugar ao que é novo, e lida com a idéia de Hagal e de Haimdall, que é chamado de Aesir Branco.
E em seguida, somos brindados com as mesmas idéias implícitas, presentes no próprio texto deste Aethyr:
“…Então o fogo cobriu-me e ressecou-me, uma tortura. E o meu suor está amargo como veneno. E todo o meu sangue torna-se agro em minhas veias, como gonorréia. Parece que estou apodrecendo rapidamente e os vermes devorando-me vivo. Uma voz, não minha ou externa diz: Lembrai de Prometeus; lembrai de Ixion. Estou rasgando o nada. Não darei atenção. Pois até esse pó deve ser consumido pelo fogo. Embora não exista imagem ainda pelo menos resta uma sensação de obstrução, como se houvesse alguém puxando próximo a fronteira do Æthyr. Mas estou morrendo. Não consigo avançar ou esperar. Meus ouvidos agonizam, bem como minha garganta, e meus olhos parecem tão cegos há muito que não consigo lembrar que existe visão…”

E quando o texto cita Leviatã e o Mar, nos perguntamos se Crowley perversamente não escondeu os termos a cerca de Jourmungand ou Niddhog, a descrição que ali é dada afirma um, mas se expressa por meio dos outros dois.
Finalmente no Primeiro Aethyr, LIL, é apresentada a fórmula do Senhor do Aeon, Rá Hoor Khuit, apresentado ali apenas como Horus, e uma informação incorreta é ali dada.
“… Iaida…” não quer dizer “…Eu Sou…” e sim quer dizer “…Altíssimo…”.
Hoor ou Har, é o Senhor Altíssimo dos Céus de Leste a Oeste em meio a tradição mais antiga dos Egípcios, antes das bobagens osirianas corromperem o culto e apresentarem a Har como o filho de Osiris posteriormente, inclusive como as formulas usadas em Heliópolis apresentam.
No entanto esta primeira parte do texto em si nos dá outros elementos:
“…Eu sou o filho de tudo que é o pai de tudo, pois de mim veio tudo o que eu posso ser. Eu sou a fonte nas neves e sou o mar eterno. Eu sou o amante e sou o amado e sou os primeiros frutos do amor deles. Eu sou primeiro débil tremor da Luz e eu sou a roca onde a noite tece o seu impenetrável véu…”
“…Eu sou o capitão das hostes da eternidade, dos espadachins e dos lanceiros e dos arqueiros e dos aurigas. Eu liderei as forças do leste contra as forças do oeste e as forças do oeste contra as forças do leste. Porque eu sou Paz…”
“…Eu sou luz e sou noite e eu sou aquilo além deles. Eu sou a fala e eu sou o silêncio e eu aquilo além deles.Eu sou vida e eu sou morte e eu sou aquilo além deles. Eu sou guerra e eu sou paz e eu sou aquilo que está além deles. Eu sou a fraqueza e eu sou a força e eu sou aquilo que está além deles. Assim por nenhum deles pode o homem chegar a mim. Assim por cada um deles deve o homem chegar a mim…”

Crowley vê a força do Senhor do Aeon neste Aethyr e o descreve como o poder anterior a criação, e que move a tudo e todos inclusive causando guerra e paz, e bem como dando vida e morte a bel prazer.
Em seus elementos descritivos, somos forçados a questionar se os usos do Enochiano, que tem fortíssima descarga atávica dos elementos dos “…Wales…” e de suas tradições, usados por John Dee para dar corpo a esta tradição, não afetaram a Crowley a ponto de trazer finalmente os elementos profundos do senhor do Salão dos Eleitos, deus de guerra e de vida e morte, para dentro da descrição de “…Iaida…” o Altíssimo, como acima citado, uma vez que também seu nome é Har, e igualmente ao Har Egípcio ele é cego de um olho, sacrificado em nome do conhecimento?
O que podemos concluir de mais elementar em tudo isto, é que o poderio mágico do enochiano se deve a suas fontes atávicas serem tão fortes, que estão drenando usos das tradições antigas de onde retiram suas bases e essências, e que isto intoxica e causa êxtase a quem quer que o seja que use-se deste sistema, e que acabará se destruindo em Choronzon, ou antes disto, por conta de sua teimosia em lidar com pontos de vista do Aeon dos Escravos, quando deveria liberar-se disto e empunhar sua espada em função do Aeon dos Fortes e Orgulhosos, pois esta é a essência deste Aeon.
Desta forma, todos os trabalhos mágicos que tem sido praticados com o Enochiano, levaram seus praticantes ao portal do terror da negação do dogma, em função do poder e da veracidade, que sejam tanto históricas quanto espirituais, e alinhadas em si mesmas, de tal forma que por mais que o texto lide com uma direção, o praticante será encaminhado para outra, ou se destruirá no processo.
Visto desta forma, o alinhamento das fontes antigas do Enochiano, com os elementos thelemicos, torna-se mais que natural por mais que seja incidental sob certos aspectos, e nãos e choca em sua essência, por mais que se choque em sua aparência, uma vez que tanto uma realização espiritual quanto a outra, abominam o subserviente e miserável culto dos escravos, e contém entre si elementos de conexão que tanto são claros e visíveis a qualquer um, com contém também segredos velados que podem ser experimentados tanto pelo estudo, quanto pela prática, o mesmo se dando com o avanço do thelemismo em meio ao solo Enochiano, ou em meio ao núcleo ou tema central do thelemismo em si mesmo.

Por Grimm Wotan

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/enochiano-bases-estruturas-conceitos-e-fontes/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/enochiano-bases-estruturas-conceitos-e-fontes/

Copulações Lovecraftianas

Quando criança, eu era atormentado por pesadelos – alimentados, em parte pela minha imaginação fértil, meu fascínio por “monstros”, e por estar exposto à violência pessoal na escola (assim como a violência indireta via tv notícias e fofocas da vizinhança). Quando eu tinha 8 anos, o tio de minha mãe, Henry ensinou-me a acordar dentro do sonho e como usar os meus sonhos como um instrumento para examinar e ajustar a minha relação pessoal com o multiverso em geral. Eu aprendi a fazer valer a minha vontade dentro do meu microcosmo pessoal. Ao enfrentar meus medos personificados pelas vários bichos-papões dos meus sonhos, eu comecei a dançar criativamente dentro de Maya, em vez de simplesmente reagir ao que os outros criaram como se eu fosse um consumidor ou uma vítima do destino. Com a minha nova perspectiva tornando-se mais enraizada, os monstros se tornaram meus amigos ou guias, em vez de predadores ou algozes. As Estranhas interpenetrações do meu corpo pelas geometrias alienígenas se tornaram agradáveis, ao invés de invasivas ou ego-ameaçadoras.

 

Cerca de 2 décadas atrás, eu comecei a trabalhar conscientemente com as energias / entidades dos mitos de Lovecraft. No começo eu me senti como um rato do campo, em um mundo povoado por corujas, gaviões e cascavéis. Mas quanto mais eu insisto em minhas explorações, mais eu venho a perceber que a minha relação pessoal com qualquer energia ou entidade é aquela que é determinado unicamente por mim e pela energia / entidade em questão – independentemente de estereótipos raciais ou ecológicos.

 

Esta reviravolta tornou-se plenamente atualizada para mim durante uma sequência de iniciação do sonho que teve lugar (se a memória não me falha) cerca de 10 anos atrás (conforme o tempo é medido no plano em que escrevo esta nota).

 

Eu fazia parte de uma equipe exploratória a bordo do submarino de pesquisa da Universidade de Miskatonic Grendal no largo da costa submersa de R’Lyeh. Eu estava nu, exceto por tanques de mergulho e cintos de utilidade. Assim como Como eu, todo o resto da minha equipe desfilara, o contramestre entregou a cada um de nós uma bolsa de ombro cheio de preservativos. Naquele momento eu sabia (sem saber como) que Cthulhu estava esperando por nós logo após a câmara de compressão. Eu sabia que, a fim de evitar a impregnação por Cthulhu, eu precisaria colocar um preservativo sobre cada ponta de seus tentáculos, fibras cílios, e todas as outras protuberâncias do Grande Cthulhu que poderiam se estender em meu caminho numa carícia comunicativa ou tentativa de exploração.

 

Para ser honesto, eu estava apavorado. Eu também estava expectante. Eu vinha me preparando para este momento há quase uma década. Mas quando a câmara terminou seu ciclo, & fui expulso, no mar quente iluminado pela lua, eu estava totalmente despreparado para o início de êxtase que se seguiu. Por um lado, eu podia sentir o cheiro. O olfato é o sentido em que eu mais confio para checar o fluxo de energia entre mim e aos outros durante a consciência desperta (o que explica, pelo menos em parte, a minha forte aversão aos fumantes). Até então, na hora do sonho, eu tinha sido privado de meu olfato. Mas agora eu fui inundado com odores que chegavam por todos os lados. Todos eróticos. Todos em êxtase. Todos convidativos. Eu queria mais!

 

A geometria desta gruta submarina me deu vertigem grave – mas não foi totalmente desagradável. (O poder bruto raramente é!) Eu senti como se qualquer desequilíbrio pudesse precipitar minha morte – ou pior. Era como estar em queda livre ao tentar navegar através de uma rotação / ondulando / respiração de casa de espelhos. Tempo dobrando e desdobrando em volta de mim. Cada gesto, cada escolha que fiz abriu novas linhas de tempo / fechando universos inteiros. Cada pensamento meu se realizava instantaneamente. Vontade consciente manifestava-se ainda mais rapidamente. [Ou foi apenas o meu sentido de tempo que se acelerou tanto que eras pareceram-me ser instantes?] Eu abandonar meus tanques de mergulho e descartado o meu saco de preservativos.

 

Eu não aceitaria nada menos do que a união total! Visões de impregnações parasitárias e infestações passaram pela minha mente. Desliguei minha mente momentaneamente para banir a imagem de embriões com tentáculos corroendo minhas entranhas. Enquanto em um estado de não-mente, eu me abria. O cheiro era delicioso. Assim foi a sensação. Eu abandonei meu estado de não-mente, a fim de raciocinar comigo mesmo. Se eu não estava disposto a confiar em meus próprios sentidos altamente desenvolvidos, em quem ou ao que eu poderia confiar meu futuro? Jogando a precaução ao vento Eu nadei em direção ao meu amante alienígena.

 

Cthulhu me acariciava e me penetrou em todos os orifícios possíveis – desde a minha bunda aos olhos, até as orelhas, os poros sobre as plantas dos meus pés. Cada penetração em êxtase / orgasmo / informação. Eu tirei prana diretamente da água do mar carregado erógenamente. Eu não tinha necessidade de ar para respirar. Tornei-me preenchido com a essência e substância de Cthulhu. Por minha vez, eu ejaculei em Cthulhu em um fluxo contínuo durante horas. Dentro de nós cresceram inteligências embrionárias de dimensões híbridas. Da perspectiva de Bill Seibert, ele / Eu / sentimos chegar à maturidade dentro de seu cérebro e dentro de sua coluna vertebral. I [isto é, o ego do Bill] tornou-se consciente da totalidade da consciência dentro de mim / nós. Eu / nós nos tornamos a cria / nossa união com Cthulhu – Ouroboros chupando ovos para fora de minha própria cauda. Auranos é tanto abelhas como pólen.

 

Pelo o que eu sou capaz de perceber, o tempo flui de forma diferente nesse plano em que Cthulhu está acordado e orgasticamente ativo do que o faz no aqui-e-agora. Pela manhã [quando acordei de volta para ao meu corpo humano] eu estava séculos mais maduro do que na noite anterior. No entanto, também mais jovem. No plano físico, eu já não sou muito humano. Meu médico uma vez, brincando, me disse que eu tinha o ECG de um cadáver. Ou de um zumbi. Ele refez meu eletrocardiograma & E o teste foi normal. Meus pensamentos dispersos podem atrapalhar as leituras de ECG e EEG. Meus níveis de açúcar no sangue, níveis hormonais, etc, são mais uma consequência dos meus padrões de pensamento conscientes do que da minha dieta ou quaisquer outros fatores ambientais externos. Os organismos que são parasitas em outros seres humanos vivem de forma benigna na minha corrente sanguínea e sob a minha pele, a não ser quando estou entregando-me a uma noite escura da alma.

 

Se eu parto da ideia de que eu estou afirmando minha vontade no universo, eu vou com toda a certeza encontrar energias / entidades que irão [assertivamente!] Trabalhar comigo para aprimorar a minha vontade. Se eu procurar controlar ou dominar, então vou atender aqueles que procuram dominar-me. Pessoalmente, eu prefiro a interagir simbioticamente com cada ser e cada entidade / energia que encontro. Para mim, a sinergia brincalhona parece muito mais eficaz do que hierárquicas lutas pelo poder emprestadas dos antigos aeons de ignorância dos nossos antepassados e de sua compreensão subdesenvolvida de seus próprios sistemas nervosos.

 

No trato com os Grandes Antigos, Deuses anciãos, tais como com outras energias / entidades, eu nem invoco, nem sou convocado. Pelo contrário, eu me abro para uma experiência consciente de que ele / ela / eles / é o que eu procuro. Às vezes eu estou visitando-os, enquanto em outras eu apenas deixo fluir. Para a maior parte das pessoas, tais distinções são bastante sem sentido, pois existem aspectos de mim que se identificam fortemente com o humano Bill Seibert e outros aspectos de mim que se identificam com essas inteligências – Eroto exóticas que comungam com o humano Bill Seibert. Em um sentido muito real, a minha comunhão / comunicação com essas entidades / energias é contínuo. Invocações rituais trabalham para acentuar minha consciência do que já está em andamento. Meu relacionamento com entidades / energias neste reino é principalmente sexual – ou seja, interpenetração. Eu / nós / eles trocam análogos não-físicos de material genético. Esse intercâmbio não pode [na minha experiência] Ocorrer sem confiança total, cooperação, abertura e êxtase. Neste reino, força [estupro, duplicidade, etc] e outros jogos de poder não só não são produtivos, como parecem ser impossíveis, [para mim, de qualquer forma.

 

A principal ferramenta que eu uso para me abrir para as energias das dimensões Lovecraftianas é o Vève circular trilateral mostrado abaixo. Eu moldei o original de memória após um rápido tour por seu análogo macrocósmico nas costas de Ithaqa, ao sabor do vento, á cerca de 15 anos atrás. Eu adicionei então os rótulos apropriados [nomes] através de meios acadêmicos normais, após a tradução para o Enochiano.

 

Ao longo dos anos, eu vim a perceber que o meu cérebro humano é apenas um apêndice minúsculo da minha mente. Meu cérebro humano é [de fato] incapaz de conter as energias materiais do cosmos. No entanto, a minha mente humana é capaz de interação igualitária ativa com as mais impressionantes entidades / energias que eu conheci até agora. Não para contê-las. Não para controlá-las. Mas, para fundir-se com elas e compartilhar [artisticamente / sexualmente / matematicamente] com elas.

 

A humanidade pode realmente ser muito frágil. No entanto, eu opto por não esconder a minha humanidade. Da minha perspectiva a fragilidade é um dos traços de sobrevivência mais delicados da humanidade! A abertura e curiosidade juntamente com a fragilidade parece engendrar ternura e paciência naqueles que foram alimentando instintos / predileções conscientemente cultivadas. Quando estou no modo exploratório aberto, saúdo e interajo com o desconhecido no decurso de minha exuberância. [Quando eu me sinto incapaz de ser aberto ou exuberante, eu sou um eremita que evita todo o contato consciente com o desconhecido.] Eu não tenho nenhum interesse em jogar jogos de poder com gigantes – Eu nos prefiro transando ou mesmo sendo bobos em vez disso! Se eu ocultar minhas fraquezas, sinto que poderia ser [inadvertidamente] triturada ou consumida durante a brincadeira de amor estridente.

Por Frater AshT-Chozar-Ssaratu, Miskatonic Alchemical Expedition – Trad, Giuliana

Qual o Vevè utilizado para a comunhão com a energias Lovecrafitianas?

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/copulacoes-lovecraftianas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/copulacoes-lovecraftianas/

As Religiões UFO – Leonardo Martins

O Boteco do Mayhem (Marcelo Del Debbio, Thiago Tamosauskas, Rodrigo Elutarck, Ulisses Massad, Barbara Nox, Jesse Puga, Tales Azevedo e Robson Belli) conversam com Leonardo Martins sobre as religiões e fenômenos ufológicos brasileiros.

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Tambores, Máscaras e Estados Alterados de Consciência – Andre Correia

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Bruce Dickinson e Aleister Crowley

Por Adriano Camargo.

Todos sabem que o mago inglês Aleister Crowley (1875-1947) tem influenciado o mundo do rock (e as artes em geral). E todos sabem também que o cantor inglês Bruce Dickinson é um cara multitalentoso e uma das personalidades mais inteligentes do heavy metal. Mas é possível que nem todos saibam que Bruce Dickinson sempre teve um grande interesse por história da magia, ocultismo e… Aleister Crowley!

E, ao contrário do que a maioria pensa, Crowley não era satanista, mas sim um filósofo e ocultista praticante assíduo envolvido em diversos ramos da magia (magick) e da filosofia oculta, desde a bruxaria europeia e o paganismo até a cabala, alquimia, magia sexual, hinduísmo, budismo, etc. Contudo, Crowley ficou muito conhecido e mal-afamado devido ao seu comportamento “inadequado” e “chocante” para a época (a Era Vitoriana) e às difamações de fundamentalistas religiosos; nos dias de hoje provavelmente ele não chamaria tanta atenção…

Por outro lado, nos dias de hoje, certamente que Bruce Dickinson chama muita atenção devido ao seu trabalho artístico e suas outras habilidades, interesses e inteligência. Como músico e letrista, o trabalho de Bruce é repleto de referências ao mago inglês e a diversas áreas da filosofia oculta, desde as letras de sua carreira solo e do Iron Maiden até o seu filme Chemical Wedding (2008).

Do álbum solo de Bruce Dickinson Accident of Birth, a música Man of Sorrows fala do próprio Crowley quando menino, profetizando o seu futuro quando iria então estabelecer a vinda de um Novo Mundo, de uma Nova Era. Em Man of Sorrows, podemos encontrar também a frase “do what thou wilt”, que significa “faze o que tu queres”, uma referência mais direta e explícita a Crowley e à sua Lei de Thelema. Entretanto, tal lema thelêmico tem uma origem anterior a Crowley, remontando à obra Gargântua e Pantagruel, do escritor francês François Rabelais (1494-1553), na qual uma abadia fictícia chamada Abadia de Thelema apresenta esse lema como uma de suas “leis”. Esse famoso lema posteriormente também foi adotado por um dos clubes ingleses pseudo-satanistas do século XVIII chamados de Hellfire Club (“Clube do Fogo do Inferno”), no qual se reuniam os aristocratas para praticar orgias, bebedeiras, comilanças, jogatinas e discutir arte e literatura. Porém, na filosofia de Crowley, e de acordo com a letra de Man of Sorrows, “faze o que tu queres” se refere à Vontade do Eu Superior de cada indivíduo e não a meros desejos descontrolados. Esse Eu (ou a Individualidade, o Logos individual, o SAG, o Daimon socrático, etc.), de acordo com a letra da música, supostamente sofre por estar preso em um corpo carnal e por não se fazer conhecido pelo indivíduo que também sofre perdido, desorientado na vida, sem conhecer a Si mesmo e seu verdadeiro destino.

The Chemical Wedding, seguinte álbum de Bruce, é em parte baseado na obra literária e artística do poeta inglês William Blake (1757- 1827), que por sua vez também influenciou a filosofia de Crowley a ponto deste acreditar ser uma reencarnação daquele. Contudo, o título do álbum se refere à outra obra, um manifesto rosacruz intitulado The Chemical Wedding of Christian Rosenkreutz (“O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz”) publicado em 1616 e que narra o casamento alquímico de um rei e uma rainha. Esse “casamento” é basicamente uma alegoria para a união sexual do masculino com o feminino (Sol e Lua; Fogo e Água; Espada e Cálice) por meio da magia sexual devidamente ritualizada a fim de expandir a consciência, assim como a união das duas partes da alma (psique) conhecidas na psicologia junguiana como animus (masculino) e anima (feminino); a magia sexual era uma prática central na filosofia thelêmica de Aleister Crowley.

Na letra de The Chemical Wedding encontramos no refrão:

“We lay in the same grave/ Our chemical wedding day”

(Nós nos deitamos no mesmo túmulo/Nosso dia do casamento alquímico”).

O túmulo é uma representação para o caldeirão na alquimia, no qual a matéria-prima densa é putrefata, desintegrada, ou seja, transformada, para em seguida dar surgimento a algo novo; ou seja, o casamento do homem e da mulher (os alquimistas) que “morrem” no êxtase alquímico-sexual para dar surgimento a uma nova consciência, expandida, cheia de alegria e livre no infinito.

The Tower, também do álbum The Chemical Wedding, é uma das letras do álbum mais ricas em referências alquímico-sexuais e relativamente crowleyanas. Sendo assim, vamos analisar alguns pontos. A música fala especialmente sobre as imagens alquímicas do tarô e do zodíaco (ambos de suma importância no sistema de Crowley). O próprio título da música se refere a uma das cartas mais “sinistras” do tarô: A Torre, que é referida no Livro da Lei (Liber AL), de Crowley. Na letra da música os versos “There are twelve commandments/ There are twelve divisions” (“Há doze mandamentos/ Há doze divisões”) aludem aos doze signos astrológicos dispostos divididos em casas de 30º no cinturão (imaginário) do zodíaco com seus “mandamentos”. A frase “The pilgrim is searching for blood” (“O peregrino está à procura de sangue”) diz que o alquimista buscador, em sua senda solitária está buscando sua iluminação; o sangue é uma referência à fase “vermelha” da alquimia chamada rubedo. Nessa última fase alquímica a Pedra Filosofal é “encontrada” e o alquimista (ou qualquer iniciado) se torna um sábio “imortal” autoconsciente, realizando sua própria Vontade livre, uma referência direta à Lei de Thelema e que está presente no seguinte verso da letra: “To look for his own free Will” (“Buscar por sua própria Vontade livre”).

E no refrão temos os versos:

“Lovers in the tower/ The moon and sun divided/ the hanged man smiles/ Let the fool decide/the priestess kneels/ the magician laughs”

(“Amantes na Torre/ A Lua e o Sol divididos/ o Enforcado sorri/ Deixe o Louco decidir/ a Sacerdotisa se ajoelha/ o Mago dá risada”),

nos quais podemos encontrar referências diretas a várias cartas do tarô: The Lovers (Os Amantes), The Tower (A Torre), The Moon (A Lua), The Sun (O Sol), The Hanged Man (O Enforcado), The Fool (O Louco), The Priestess (A Sacerdotisa) e The Magician (O Mago). Para não nos alongarmos demais na letra de The Tower, podemos dizer que ela contém alguns segredos alquímico-ritualísticos de magia sexual.

Há outras músicas interessantes em The Chemical Wedding, incluindo aquelas inspiradas diretamente por William Blake: Book of Thel, Gates of Urizen e Jerusalem. Do álbum Tyranny of Souls, podemos destacar alguns versos. O título da música Navigate the Seas of the Sun significa a libertação de restrições e a expansão da consciência, já que o Sol é um símbolo da cabeça humana, da inteligência e da consciência. Nessa letra, encontramos “Our children will GO on and on to navigate the seas of the sun” (“Nossas crianças continuarão a navegar os mares do sol”), que na filosofia thelêmica diz respeito ao arcano d’O Sol no qual duas crianças gêmeas, inocentes e livres “navegam” os raios solares, representando a humanidade em mais uma fase evolutiva, com seus aspectos masculinos e femininos assimilados e harmonizados pelo Eu.

Na música-título A Tyranny of Souls, encontramos os versos

“Who rips the child out from the womb?/ Who raise the dagger, who plays the tune?/At the crack of doom on judgment day”

(Quem arranca a criança do útero?/ Quem ergue a adaga, quem toca a música?/ À beira da condenação no dia do julgamento”).

É uma descrição do Aeon (Era, Idade, Tempo) de Crowley, retratado no arcano O Aeon (no tarô comum é conhecido como O Julgamento). Esse Aeon é marcado pela destruição do velho Aeon de Osíris e pelo nascimento do novo Aeon de Hórus. A criança arrancada do útero, conforme a letra da música, é Hórus, filho de Osíris e Ísis; a adaga erguida significa a morte do Aeon passado, o Aeon de Osíris ou Era de Peixes, considerado tirano, repressor, restritivo e opressor; a música referida nos versos é tocada por meio de uma trombeta tradicionalmente por um ser angélico que anuncia a Nova Era, o Novo Aeon, com o julgamento e condenação do velho. Mas no Novo Aeon, Hórus mantém silêncio para representar a “perfeição” do Novo Tempo. Com relação ao Iron Maiden, Bruce Dickinson tem colaborado razoavelmente nos processos de composição. Do álbum Piece of Mind, a letra de Revelations apresenta alguns “mistérios”. O verso “Just a babe in a Black abyss” (“Apenas um bebê em um abismo negro”) é um referência ao conceito crowleyano de “bebê do abismo”, um termo para designar aquele que mergulha e atravessa o Vazio. Trata-se de um abismo metafísico e psíquico entre o universo real e o universo ilusório, entre a “insana” dimensão do espírito e a igualmente insana (e aparentemente segura) dimensão da matéria; o magista ou iniciado que fracassa em cruzar o Abismo (e em assimilar o conhecimento nele contido) geralmente enlouquece. O verso

“No reason for a place like this”

(“Nenhuma razão para um lugar como este”)

mostra que, uma vez no Abismo, a razão humana como se conhece é completamente abolida.

Do álbum Powerslave a música-título fala sobre um faraó, tido como um deus, que não quer morrer, mas continuar governando no mundo material. Na filosofia thelêmica de Crowley, Osíris representa a Era decadente que insiste em continuar, mas que deve ser destruída para dar lugar ao Aeon de Hórus (filho de Osíris). Por outro lado, o faraó é uma representação de todo mago que fracassa em cruzar o Abismo, tornando-se assim um “escravo do poder da morte” (como diz a letra), psicoespiritualmente. Isso pode ser visto especialmente nos versos

“Into the abyss I’ll fall – the eye of Horus/ Into the eyes of the night – watching me go”

(“no abismo eu cairei – o olho de Hórus/ Nos olhos da noite – olhando-me ir”).

E no verso

“Shell of a man god preserved”

(“A casca de um homem-deus preservado”)

o faraó/deus/magoestá morto fisicamente, com seu cadáver mumificado ou não, ao mesmo tempo em que ele se torna um ser vazio e insano, sem conexão com o seu Eu, ou seja, uma “casca” no mundo qliphótico (do hebraico “qlipha”, que significa “casca”, “concha”) cujos portais estão no próprio Abismo, segundo outro verso: “But open the gates of my hell” (“Mas abra os portais de meu inferno”).

Moonchild, do álbum Seventh Son of a Seventh Son, é uma referência direta a uma das obras de Crowley de mesmo nome. A letra da música fala sobre a união de dois magistas (homem e mulher) e o nascimento de um ser supra-humano (entendido também como uma supraconsciência). Na letra, o homem é representado por Lúcifer, o Portador da Luz, o não-nascido, e a mulher é a Prostituta Escarlate, Babalon (nome derivado de Babylon), como aparece nos versos “The fallen angel watching you/ Babylon, the Scarlet whore” (“O anjo caído observando você/ Babilônia, a prostituta escarlate”).

Os nomes Babalon e Mulher Escarlate, apesar de derivados da Bíblia, são próprios do sistema mágico thelêmico de Crowley e equivalentes à deusa Lilith (mesopotâmica), Hécate (grega), Kali (hindu), entre outras, representando ainda os aspectos femininos da Natureza e a Grande Mãe do universo, livre dos dogmáticos conceitos morais sobre bem e mal. O álbum Seventh Son of a Seventh Son é todo “profético”, com colaborações de outros membros da banda em torno de temas como magia, alquimia, ocultismo, bem e mal, etc.

Por fim, vamos falar sobre alguns trechos do último álbum do Iron Maiden, The Final Frontier, que novamente traz alguns temas sobre alquimia, magia crowleyana e expansão da consciência. Na música Starblind, podemos ler o verso “Let the elders to their parley meant to satisfy our lust” (“deixar os anciãos às suas barganhas significa satisfazer nosso desejo”). Lust é o título de uma das cartas do tarô de Crowley, que se refere, entre outras coisas, a tudo o que é dos sentidos e que provoca êxtase, pois, nas palavras de Crowley, “não tema que deus algum lhe negue isso.” Os anciãos representam a religião dogmática e repressora do Aeon passado, que oferecem “liberdades de carcereiros” e que “parlamentam” aquilo que lhes traz vantagens ilícitas.

Enquanto eles falam e negociam e ficam no passado, os desejos (lust) do novo Aeon, ou seja, a Vontade livre e o desejo pela vida são satisfeitos naqueles que se libertaram do dogmatismo e que estão sem “o dispositivo cruel da religião”, conforme o verso “Religion’s cruel device is gone”. A frase “You are free to choose a life to live” (“Você é livre para escolher uma vida para viver”) é outra referência à Lei de Thelema, ao cumprimento da Vontade. Ainda do álbum The Final Frontier, a letra da música The Alchemist pode parecer óbvia, mas ela fala sobre algo mais do que um mero alquimista. O trecho “My dreams of empire from my frozen queen will come to pass” (“Os sonhos de império da minha rainha congelada irão passar”) refere-se à rainha inglesa Elizabeth, que protegia o também multitalentoso, suposto espião e mago John Dee (1527-1608), citado no verso “Know me, the Magus I am Dr. Dee” (“Conheça-me, o Mago Dr. Dee sou eu”). John Dee é conhecido especialmente por seu trabalho sobre magia enochiana e por sua associação com o alquimista e clarividente Edward Kelley (1555-1597), com quem “criou” esse poderoso sistema de magia, posteriormente praticado por Crowley (que acreditava ser também a reencarnação de Edward Kelley).

A letra da música de modo geral descreve as práticas de John Dee e Edward Kelley com a magia enochiana, considerada um sistema angélico, descrevendo também os contatos com os anjos, isto é, os “demônios”. Enquanto Edward Kelley se comunicava com os seres enochianos, conforme o verso da letra “Know you speak with demons” (“Sei que você fala com demônios”), John Dee ia anotando todo o sistema. O termo “angélico” aqui, entretanto, não diz respeito às imagens populares de anjinhos rechonchudos ou anjos esbeltos e delicados, mas a seres considerados alienígenas terríveis e demoníacos (no sentido original da palavra grega “daimonos”, quer dizer, “espírito”, “gênio”), conhecidos popularmente como “anjos caídos”, os supostos instrutores e doadores do conhecimento nos primórdios da espécie humana. Tais anjos enochianos foram contactados por Crowley, que fez as invocações pelas chaves enochianas, resultando em sua obra chamada Liber 418 – A Visão e a Voz. As invocações enochianas de Dee/Kelley e Crowley são referidas no seguinte verso de Bruce: “Hear the master summon up the spirits by their names” (“Ouça o mestre chamar os espíritos por seus nomes”)…

O Iron Maiden sempre carregou uma forte aura de intelectualismo, profetismo e mistério, contando muitas vezes com as inteligentes e valiosas contribuições de Bruce Dickinson. Por afinidades intelectuais e de interesses, independentemente do tempo cronológico, Crowley sempre esteve presente, ou apenas “pairando”, no trabalho de Bruce. E diferentemente do trabalho de Ozzy Osbourne, cuja letra da música Mr.Crowley é um tanto sarcástica e superficial, Bruce Dickinson tem se interessado muito mais seriamente pelas questões que envolvem a magia de Aleister Crowley. Ambos, Bruce e Crowley, sempre buscaram ir mais além, demonstrando que é possível chegar à “última fronteira” entre a consciência e a supraconsciência…

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/bruce-dickinson-e-aleister-crowley

Como praticar magia Neo-enochiana, sem errar muito!

Por Robson Bélli
abril de 2022

A magia Neo-enochiana é muito vasta e está crescendo a cada dia graças as contribuições modernas de seus praticantes, o que pode ser bom ou não, vemos adições a pratica que são muito positivas e interessantes, de certa maneira bem fundamentadas ou mesmo reveladas, que por sua vez não se distanciam muito de outras praticas magicas de outros sistemas, contudo temos adições sem o devido bom senso, o objetivo deste material é ser um guia de boas praticas básicas.

Vamos aqui então dividir a magia Neo-enochiana em três tipos de praticas distintas das quais o material de nosso grupo visa cobrir cada uma de maneira adequada, a seu devido tempo e possibilidade, a seguir como dividimos as três boas praticas fundamentais da magia Neo-enochiana:

  1. Skrying (vidência).
  2. Viagem na visão espiritual.
    1. Para os éteres enochianos.
    2. Pelas pirâmides truncadas.
  3. Construção de ferramentas, amuletos e talismãs.

A pratica do skrying ou vidência é a pratica de evocação dos anjos, sejam eles os 49 da heptarquia mística, os numerosos anjos da grande tabela ou ainda dos 92 governadores dos éteres (Aethyr’s), a única recomendação que faço aqui e deve ser seguida para todo este material é para não trabalhar com os Cacodaemons enochianos e o motivo disso esta no titulo deste capitulo, no apêndice deste material haverá uma liturgia neutra e básica para cada uma das praticas portanto fique tranquilo (a), o objetivo dessa pratica é a comunicação com os anjos enochianos, sejam com finalidades Teurgicas ou Taumaturgicas.

A viagem na visão espiritual tem outro nome mais popular no Brasil, viagem astral, um detalhe é que a viagem astral é feita dormindo e a viagem na visão espiritual é feita com o praticante desperto, então de qualquer forma é bom separar uma coisa da outra, apenas para que não haja confusão quanto ao como se pratica a viagem na visão espiritual enochiana, o que não impede que um projetor experiente o faça durante a projeção astral dormindo.

Outros fenômenos psíquicos podem ser comparados a viagem na visão espiritual, tal como a visão remota, Bilocação em projeção astral ou de consciência, e talvez tenham até mais relação com a viagem na visão espiritual, contudo o motivo pelo qual sempre comparamos a viagem astral a nossa viagem na visão espiritual é muito simples, por que não é apenas uma visão passiva, é algo interativo, você vai a estes lugares para interagir com essas entidades.

A principal diferença entre você ir para um éter e ir para uma priamide é muito simples, um deles (os éteres) você esta se conectando com uma das 30 camadas do paraiso, na outra pratica (viagem as priamides truncadas) você esta indo/visitando como que nas casas/moradas dos anjos da magia Neo-enochiana, portanto se em um éter você precisa demonstrar respeito nas pirâmides este respeito tem de ser muito maior, e eu diria a você até não ser muito educado ir até lá sem antes conhecer as entidades que ali habitam.

O objetivo dessa pratica da viagem na visão espiritual não é único, o primeiro é aprender a colocar sua consciência em seu corpo solar e exercitar a mudança de plano de existencia através desse veiculo (isso será muito útil no pós vida a fim de obter a liberação da consciência da roda da vida e da morte), o segundo objetivo é a pratica da magia Teurgica e Taumaturgica através de pedidos e acordos (palavra bonita para pacto) feitos com as entidades encontradas nestes planos.

A ultima das primeiras praticas recomendáveis é a criação de ferramentas, talismãs e amuletos com finalidades especificas, sendo ferramentas muito uteis no uso diário ou até mesmo com finalidade ritualística, e isso encerra e resume as praticas da magia neo-enochiana que podem ser recomendadas como boas praticas, contudo entenda que a pratica disso pode levar a vida toda, não sendo necessário ir além disso para se ter absoluto sucesso e o beneficio total que a pratica da magia Neo-enochiana tem a lhe oferecer.

Contudo é fundamental informar que você não deveria tentar as praticas sem o devido preparo e conhecimento para tal, sendo necessários algumas habilidades fundamentais em cada pratica, que são muito mais do que necessárias para o sucesso destas operações, dificilmente um magista que não tenha sido treinado nestas habilidades fundamentais conseguira qualquer sucesso na pratica da magia neo-enochiana, não se considere especial, você precisará fazer um trabalho duro antes de executar as praticas.

Habilidades fundamentais em skrying

  1. Exercícios de desenvolvimento mediúnico
    1. Abertura do terceiro olho para a clarevidencia
    2. Exercícios de Clariaudiencia

Habilidades fundamentais na viagem da visão espiritual

  1. Visualização criativa
  2. Criação de um templo astral
    1. Criação e solidificação de sua forma
    2. Interação dentro dele
  3. Capacidade de ter sonhos lúcidos
  4. Projeção astral

Habilidades fundamentais na criação de ferramentas, amuletos e talismãs

  1. Exercicios respiratórios
  2. Exercícios de manipulação energética
  3. Entendimento das posturas e sinais da GD

LITURGIA PARA SKRYING (VIDENCIA)

  1. Definição do objetivo da ritualística
  2. Escreva o roteiro ritual
  3. Preparação do templo
  4. Preparação do magista
  5. O banimento inicial (RMP)
  6. Pilar do meio
  7. Recitar a obediência fundamental
  8. Recite a 1º. Ou a 2º. Chamada
  9. Chamada  à Torre de Vigia
  10. Conjuração do espirito
  11. Encargo ao Espírito
  12. Fechamento do templo
  13. Agradecimentos e saudação ao criador do universo
  14. Anotações no diário magico

LITURGIA PARA VIAGEM NA VISAO ESPIRITUAL PARA OS ETERES

  1. Definição do objetivo da ritualística
  2. Escreva o roteiro ritual
  3. Preparação do templo
  4. Preparação do magista
  5. O banimento inicial (RMP)
  6. Pilar do meio
  7. Recitar a obediência fundamental
  8. Recite a 1º. Ou a 2º. Chamada
  9. Chamada  à Torre de Vigia
  10. 19ª. Chamada com o nome do plano de entrada (TEX)
    1. Chamada dos governadores
    2. Pedir permissão para passar pelos portões
    3. Ir até o éter desejado
      1. Recitando a 19ª. Chamada e o nome apropriado do próximo éter até chegar ao desejado.
      2. Ao chegar ao éter desejado, pedir permissão aos governadores para permanecer ali.
    4. Encargo ao Espírito
    5. Pedir ao governador permissão partir dos éteres
      1. Abertura do portal (passar por ele)
        1. Gesto de abertura do véu
        2. Retornar a consciência física lentamente
      2. Fechamento do templo
      3. Agradecimentos e saudação ao criador do universo
      4. Anotações no diário magico

LITURGIA PARA VIAGEM NA VISAO ESPIRITUAL PARA AS PIRAMIDES

  1. Definição do objetivo da ritualística
  2. Escreva o roteiro ritual
  3. Preparação do templo
  4. Preparação do magista
  5. O banimento inicial (RMP)
  6. Pilar do meio
  7. Recitar a obediência fundamental
  8. Observação da pirâmide (visualização da expansão)
  9. Visualização de si mesmo diante do portal
  10. Recite a Chamada apropriada.
  11. Vibre os Nomes de Poder na sequência adequada:
    1. Nome divino
    2. Rei
    3. Os 2 Seniores (isolando o quadrante correspondente)
    4. Os 2 Anjos da Cruz do Calvário
    5. Arcanjo e Anjo(s) adequados.
  12. Concentração nos atributos da pirâmide
  13. Entrada no portal através da projeção da consciência no corpo de luz
    1. Gesto de abertura do véu
  14. Busque encontrar uma das divindades comandam o quadrado.
    1. Caso seja um quadrado menor, deverá incluir uma Divindade Egípcia e uma Esfinge.
    2. Perceba cuidadosamente cada detalhe a seu redor.
    3. Se necessário use suas Armas Mágicas e Palavras de Poder caso surja algum demônio do quadrado, para mantê-lo sob controle.
  15. Observe a atmosfera ou vibração principal daquela piramide.
    1. Se possível tente não rotular nada agora, se é bom ou ruim nesse momento. Simplesmente seja um observador do que vier e tente memorizar tudo que perceber.
  16. Retorno
  17. Feche o portal atrás de si
    1. Gesto de fechamento do véu
  18. Retornar a consciência física lentamente
  19. Fechamento do templo
  20. Agradecimentos e saudação ao criador do universo
  21. Anotações no diário magico

 

LITURGIA PARA MAGNETIZAÇÃO DE UMA FERRAMENTA, AMULETOS OU TALISMÃS

  1. Definição do objetivo da ritualística
  2. Preparação do templo
  3. Preparação do magista
  4. O banimento inicial (RMP)
  5. Ritual de Invocação do Hexagrama para invocar as forças necessárias da Torre de Vigia.
  6. Vire a face para a respectiva Torre de Vigia (direção).
  7. Entre no seu Corpo de Luz (conforme ensinado no Livro do Mochileiro dos éteres).
  8. Trace o Hexagrama de Invocação de (do planeta da entidade).
  9. Vibre os nomes:
    1. nome divino de 12 letras da torre adequada
    2. nome do rei da torre adequada
    3. nome do sênior da torre adequada
  10. Assuma o caráter e a forma divina da entidade enochiana que vai atuar no talismã.
    1. Deixe seu Corpo de Luz assumir a aparência deste anjo.
    2. Recite uma invocação:
      1. Ó (nome do anjo), (titulo) da atalia do (elemento), Venha a mim e me ajude.
        Ajude-me a eliminar tudo o que se opõe ao meu progresso.
        Conceda-me sua grande dádiva de (campo de atuação da entidade).
        Ajude-me em minha Vontade Mágica E dilacere meus inimigos.
    3. Assuma o caráter do anjo (veja-se como se fosse o mesmo).
    4. Agindo como se fosse o anjo, estenda sua mão direita sobre o Talismã e veja uma névoa das cores do sigilo da atalaia correspondente. Deixe sua mão e entre no Talismã carregando-o com seus poderes e habilidades.
    5. Retorne a sua própria forma. Retorne ao seu corpo físico.
  11. Trace o Hexagrama de Banimento de (do planeta da entidade).
  12. Conduza o Ritual de Banimento do Pentagrama e depois o Ritual de Banimento do Hexagrama para banir as forças da Torre de Vigia.
  13. Fechamento do templo
  14. Agradecimentos e saudação ao criador do universo
  15. Anotações no diário magico

    Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

     

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/como-praticar-magia-neo-enochiana-sem-errar-muito/

Chamadas enochianas adaptadas segundo pronúncia

Frater Ozymandias

Reunidas aqui estão as principais invocações enochianas já adaptadas conforme a pronúncia para a língua portuguesa sugerida por Frater Goya. O presente documento inclui assim as palavras do Mantra da Chave, do Banimento  do Anjo Alegere, do Banimento do Pentagrama e das 19 chamadas enochianas. Em todos os casos foram incluídos links para artigos onde cada invocação é explicada com mais detalhes.

Mantra da Chave

ODe CeHISe DieS TA ZodACARe BAGeLE MADe SOBA SAMeRANe LAPe ODO QAA

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Banimento Enochiano

(Frater Goya)

LONeSA AMeMA OI NETAABe.

OLe LeVeSeDI INeSI BeLANeSe NOMIGe OAI OReSe OIADe INeSI DeLeVeGARe OLeLORe RIORe EOPeHANe

OIADe INeSI NANAEELe OI NOBeLOHe ODe NOROMI I DAReBeSe

OIADe PONe GAHe ZodAHe

AMeMA NOASeMI OI MONASeCI ODe OI ADOIANe TONeVeGe AREPT BAMPOI MADACHE (repetir 3x)

OIADe AMeMA LONeCeHO OBeZodA NOSeTOAHe OI MADe GEMEGANeZodA NOASeMI

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Ritual do Enochiano do Pentagrama

NONeCeFe KeHYSe
ADOHY
LONeSA
BUSeDYRe
YOYADe

YAYDONe
GE-YADe
ENAY
MONASeKY

LUKALe Y YKeZodHHKALe
BABAGE Y EDeLePeReNAA
RA-ASe Y BATAYVAH
ODe SOBOLeNe Y RAAGYSOLe
MYKeMA VeNALe YALePORe OYVEAE
DieS BYAH ASePeSe O NOKO

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Chaves Enochianas

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1º CHAMADA

Ole sonefe vorese-ge goho lade balete, laneseh calezod vonepehu; sobera zodole roreita nazodpesade, ode gereaa ta maleperege, dies holeqe qaa notehoa zodimezod ode comemah ta nobeloh zodiene; soba tehile genonepe perege aledi, dies urebese oboleh ge-resame; casareme ohorela taba pire, dies zodonerenesege cabe ereme jadenah. Pilah farezodme zodnera adena gono ladepile dies home toh soba [iaode] ipame lu ipamise; dies loholo vepe zodomede poamale, ode bogepa aai ta piape piamose ode vaoame. Ca zosacare ode zamerame! Odo cicele qaa zosorege lape zosiredo noco made, hoateh zodaida.

2º CHAMADA

Adegete upaah zodonege ome faaipe salede, viu le? Sobane laleperege izodazodazod piadepeh; casarema aberamege ta taleho paraceleda qe-ta loreseleqe turebese oogo baletoh givi cehise lusede oreri ode micalepe cehis bia ozodonegone; lape noane terofe corese ta ge oqe manine laidone. Torezodu gohe-l! Zodacare, ca ce-noqode! Zodamerane micalezoso, ode ozodazodme userelpe, lape zodire loiade.

3º CHAMADA

Micema, goho piade, zodire comeseleh a-zodiene biabe ose lonedoh; norezod cehise otehile gigipah; unedele cehise ta puime qe mosepeheh teloceh; quiine toletorege cehise i-cehise-ge me ozodiene dies-te beregeda ode torezodule. Ie-li eoi balezodarege ode aala tehilene ose netaabe deluga, vomesarege lonesa capemiali vorese cela, homile cocasebe, fafene izodizodope ode miinoage de ge-netaabe, vaune nanaeel, panepire malepiregi caosege pilede. Noane unalah balete ode vooane. Dooiape nade, goholore, gohuse micema, iehusozod cacacome, ode dooaine noare micaolezod aaiome; casaremege gohia ziodacare unigelage ode imevamare pugo pelapeli ananaele qaane.

4º CHAMADA

Otehile lasedi barebage, ode dorepeha, gohole, gecehisege avavago coremepe pede, de-sonefe viu diu? Caesaremi oali mapeme sobame age coremepo cerepe-le casaremege cerodezodi cehise ode ugege; dies-te capimali cehise capimaone ode lonesehine cehise ta lo cela. Toregu, nore quasahi, ode fe caosega bagele zodirena iade, dies-i ode apila. Dooaio qaale, zodacare ode zodamerane obelisonege resete-ele
aafe nore-molape.

5º CHAMADA

Sapah zodimii de diu ode noase ta qaanise aderoceh, dorepehale [ulecinina] caosege, ode faonetese [lucifetiase] peripesole ta beliore. Casareme amipezodi nazod-areteh afe, ode delugare zodizodope zodlida caosegi tole- toregi; ode zodcehise esiaseceh lta viu ode iaode tehilede, dies perale [pilede] hubare peoale, soba coremefa cehise ta
la, velese, ode qe-cocasebe. Ca niise ode darebese qaase; fe eteharezodi ode beliora. Iaiale edenase cicelese. Bagele? Geiade i-le.

6º CHAMADA

Gah se diu eme, micalezodo pilezodine; sobame ele harege mire babalone ode obeloce samevelege, delugare maleperege are caosegi, ode acame canale, sobolezodare fe-beliarede caosegi, ode cehise anetabe ode miame ta vive ode de. Daresare solepeteh bieme! Berita ode zodacame ge-micalezodo sobeha-ateh teriane luiahe ode ecerine made qaaone.

7º CHAMADA

Raase i-salemane paradizod oecerimi aao ialepiregah quiine enay butemone, ode i-noase ni paradiale casaremege ugeare cehirelane; ode zodonace lucifetiane, corenese ta vaule zodirene tole-hami. Soba lodoh ode miame cehise ta de ode ese, umadea ode pi-beliare otehile-rite ode miame. Ce noquole rite, zodacare zodamerane, oecerimi qadah ode omicaolezod aai-ome. Bagele papenore idelugame lonesehi, ode umepelife ugegi bigeliade.

8º CHAMADA

Bazodme, lo le ta [de] piripesone olene nazode-a-vabeh oxe, casaremege urane cehise ugege; dies aberamege baletoha, goho lade; soba miame teriane ta lolecisevovin e abai ode azodiagiere riore. Ieregile cehise da dies paaoxe busede caosego, dies cehise ode ipe-urane teloah, cacerege oi-salemane loneceho ode vovina carebafe! Niiso! Bagele avavago gohone! Niiso! Bagele momao siaione ode mabezoda jadoiasemomare poilepe! Niise, zodamerane ciaofi caosego, ode beliorese, ode coresi ta aberamige.

9º CHAMADA

Micaoli beranesege peregele napeta ialepore dies berine efafafe pe vonepeho olani anede obezoda; sobecah upaah cehise tatane ode teranane balye, alare luseda sobolene, ode cehise holeqe ce-noqeuodi ciale. Unale aledone mome caosego ta lase olelore genay limelale. Amema cehiise sobeca maderide zod-cehise! Ooanoane cehise aviny derilepi caosegine, ode butemoni pareme zumevi cenila. Dazodise etehamezod a-cehiledao, ode mirece ozodole cehise pidiai colelale. Ulecinine a-sobame ucime. Bagele? Ladebaletoh cehirelane pare. Niiso! Ode ipe ofafafe! Bagele a-cocasebe i-corese-ta unige beliore.

10º CHAMADA

Coraxo cehise coremepe ode belanese lucale azodiazodore paebe, soba lilonone cehise vireqe ope eopehane ode racelire maasi bagele caosegi, dies ialepone dosige ode basegime, ode oxexe dazodise siaterise ode saleberoxe cynexire faboane.

Unale-cehise conesete dies daoxe cocasebe ole oanio yore eorese vohime gizodyaxe ode matebe cocasebe pelosi molevi dies page-ipe larage ome derolene matorebe cocasebe. Emena l pateralexe yoleci matebe nomige mononese olora genay anegelarede. Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio!

Noibe ohio caosegone, bagele maderide, i, zodirope cehiso derilepa. Niiso! Ceripe ipe nidali!

11º CHAMADA

Oxiayale holedo ode zodirome o coraxo dies zodiledare raasy, ode vabezodire cameliaxe ode bahale. Niiso! [ode aledone ode noase] salemane teloceh, casaremane holeqe, ode te-i ta zod-cehise soba coremefe i ga. Niisa! Bagele aberanege nonecepe! Zodacare ca ode zamerane. Odo cicele qaa zodorege, lape zodiredo noco made, hoateh laida.

12° CHAMADA

Noneci de-sonefe babage, ode cehise obe, hubaio tibibepe; alelare ateraah ode efe. Derixe fafene miane, are enay ovofe, soba dooaine aai le vonepeh. Zodacare gohuse ode zodamerane. Odo cicele qaa. Zodorege lape zodiredo noco made, hoateh laida.

13° CHAMADA

Napeai babagene, dies-brine vexe ooaona lerinege vonepeh doalime eoline oleloge oreseba, dies cehise afefa. Micema isero made ode lonesehi-toxe, dies i-umede aai gerosebe. Zodacare odo zodamerane. Odo cicele qaa. Zodorege lape zodiredo noco made, hoateh laida.

14° CHAMADA

Noromi bagie, pasebese  oiade, dies terinete  mirece ole tehile dodese tolehame caosego homine;   dies   berine oroceh quare;  micema biale oiade. Airesero toxe dies-i-ume aai [bagiele] qe balefime. Zodacare ode zodamerame. Odo cicele qaa. Zodorege lape zodiredo noco made, hoateh laida.

15° CHAMADA

Ilese tabaane lialeperete, casaremane upaahi cehise darege, dies oado caosegi oresecore, dies omaxe monaseci baeovibe ode emetegise iaiadixe. Zodacare ode zodamerane. Odo cicele qaa. Zodorege lape zodiredo noco made, hoateh laida.

16º CHAMADA

Ielese viu-ialeperete, salemane balete, dies berine aceroodezodi busede, ode belioraxe balite; dies-inesi caosege lusedane emode dies-ome ode teliobe hami; derilepa geh ilese madezododilodarepe. Zodacare ode zodamerane. Odo cicele qaa. Zodorege lape zodiredo noco made, hoateh laida.

17º CHAMADA

Ielese de-ialeperete, soba upeaah cehise nameba zodixelay dodesih, ode berinete faxese hubaro tusetaxe ylesi; soba lade i vonepo-unepeh; aledone daxile ode toatare! Zodacare ode zodamerane. Odo cicele qaa. Zodorege lape zodiredo noco made, hoateh laida.

18º CHAMADA

Ielese micaolezod oleperite ode laleperege beliorese, dies odo busedire oiade ovoarese caosego, casaremege laiade [vaoane] erane berinetese cafafame, dies iumede a-qe-loadohi mozod, ode maoafefese; bolepe como-beliorete pamebete. Zodacare ode zodamerane. Odo celicele qaa zodorege lape zodiredo noco made hoateh laida

19º CHAMADA – Aethyrs

Maderiax dies-perafe (nome do Æthyr’s ) cehise micaolezod saanire caosego, ode fisise balezodizoderase laida.

Noneca gohulime: micema adoiane made, iaode beliorebe, soba ooaona cehise lucifetiase piripesole, dies aberaasesa nonecefe netaaibe caosego, ode tilebe adepehahte damepelozod, tooate nonecefe gemicalezod oma lrasede tofelego marebe yarery idoigo, ode torezodulepe iaodafe golule; caosega, tabaorede saanire, ode ceriseteose yrepoile tiobele, busedire tilebe noalene paide oreseba ode doderemeni zodulena; elezodapetilebe, pareme-gi peripesax, ode ta qurelesete booapise.

Le-nibeme, ouceho symepe, ode cehriseteose age-toletorene lele mirece tone paomebede, dilezodmo o asepiane, ode cehriseteose age le toretorene paraceh a-symepe; coredezodizod, dodepale ode fifalezod le- semenade; ode faregete, bamese omaoase; conisebera ode avavox, tonuge; oreseca-tebele, naosemi tabegese levitehmonege; unecehi omepe-tilebe orese.

Bagele? Moooah ole-coredezodizod. Le capimao ixomaxipe, ode ca- cocasebe gosaa; bagelene pi-i tianeta ababalonede ode faoregete telocevovime.

Maderiiax, torezodu! Oaderiax oroceha aboaperi. Tabaori periazod are-tabase; aderepane corese-ta dobix; yolecame periazodi are-coazodiore, ode qeuasebe qetinege.

Ripire paaoxte saga-core; umele ode peredezodare cacerege aoiveae coremepete.

Torezodu! Zodacare ode zodamerane asepete sibesi butemona, dies surezodase tia baletane; odo cicele qaa, ode ozodazodma pelapeli iadenamade.


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Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/chamadas-enochianas-adaptadas-segundo-pronuncia/

Caixa Enochiana

Frater Iustus (Robson Bélli)

 CONFORME REVELADO EM SONHO, PELO ANJO ARZL

Eu recebi esta caixa em resposta a minha incredulidade a respeito de uma coisa que eu via como uma caixinha de oração, contudo após receber fiz usos diversos desta caixa, pude perceber que a ideia havia sido recebida também por Vladimir G. da Silva, aluno do Frater Goya em 2012, e era na realidade uma manifestação legitima e real dos anjos enochianos, para nosso uso e bem estar dentro do sistema que ao meu ver, ainda esta sendo revelado!

Conforme meu sonho a caixa enochiana deve ser confeccionada da seguinte forma:

  • A caixa precisa ter, no mínimo, 04 lados (ao ser questionado se a caixa poderia ter 07 lados, o anjo respondeu que não.)
  • O lado de dentro da caixa deve ser pintado de dourado.
  • O lado de fora deve ser preto ou dourado (o anjo recomenda que a caixa seja feita de metal, mas, dependendo das condições financeiras, esta, pode ser foleada e que tendo ouro na caixa, mesmo que de baixo quilate, a caixa seria como se feita de cera de abelha [alusão ao Sigillum Dei Aemeth, de mesmo material]).
  • O verso do Sigillum Dei Aemeth deverá ser colocado no fundo externo da caixa.
  • O fundo interno da caixa precisa conter o Sigillum Dei Aemeth
  • Não é necessário mais do que 01 Sigillum Dei Aemeth na caixa.
  • Recite uma oração à sua escolha durante o processo de confecção da caixa. (quanto mais orar, mais poderosa se torna a caixa.)

Modo de usar

• Coloque a caixa finalizada, sobre o Sigillum Dei Aemeth principal sobre o altar (esta estará protegida das influências da terra)
• Faça uma oração à sua escolha, antes de iniciar o procedimento.
• Escreva o pedido, de forma objetiva e completa, sem partes obscuras, em um papel sem pauta e que nunca tenha sido utilizado para outro fim e segure em sua mão.
• Recite a Primeira Chamada para questões no plano espiritual.
• Recite a Segunda Chamada para questões no plano físico.
• Recite as demais chamadas até um anjo que seja correspondente ao desejo escrito para aumentar a eficácia na realização.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/caixa-enochiana/

Bençãos Enochianas sobre o Alimento

Robson Belli

Antes de comer qualquer alimento, é dita a L URBS  (bênção preliminar). Há seis diferentes bênçãos, cada qual começando com as mesmas palavras:

“URBS I TA, ENAY, APILA MAD, GE IAD DE TOF GLO…”

(Bendito és Tu, senhor, o Eterno Deus, Rei do Universo…”) e concluindo com as palavras relacionadas ao tipo de alimento que vai ser ingerido.

Segue-se uma transliteração de cada bênção em enochiano, com exemplos dos alimentos que a requerem:

1. Exemplos para pães e massas

URBS I TA, ENAY, APILA MAD GE IAD DE TOF GLO, CASARM GI GI PAH.
(Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, que extrai o sopro divino.)

2. Exemplo para vegetais

URBS I TA, ENAY, APILA MAD GE IAD DE TOF GLO, SOBAM EL HARG.
(Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus Rei do Universo quem primeiro tem plantado)

3. Exemplos para bebidas em geral

URBS I TA, ENAY, APILA MAD GE IAD DE TOF GLO, URBS TALHO.

(Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, abençoado copo.)

4. Exemplo geral que não tenha sido incluído acima

URBS I TA, ENAY, APILA MAD GE IAD DE TOF GLO, QAAL TF GLO.

(Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, criador de todas as coisas.)


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/bencaos-enochianas-sobre-o-alimento/