A Gnose Afro-Americana e o Candomblé Gnóstico

Uma visão moderna dos Cultos-Afro e de suas potencialidades mágicas.

O MOTIVO PELO QUAL ESTE CURSO FOI ELABORADO: Durante meus mais de vinte anos de estudos teóricos e experiências práticas no Ocultismo, tenho travado contato com as mais variadas correntes de pensamento Esotérico.

Como pesquisador que sou, não me contento em permanecer na superfície da questão, como a grande maioria de interessados no tema; muito pelo contrário, pois eu procuro me aprofundar sobremaneira no assunto que me desperta interesse, adquirindo a maior quantidade de informações possível, sejam relatos pessoais, sejam escritos de que natureza forem, para, então, colocar em prática os ensinamentos de dito Sistema.

Tenho experimentado de tudo um pouco, em se tratando de Magia, sofrendo, por assim dizer, “na própria carne”, os resultados de minhas experiências e, porque não dizer, de minha ousadia.

Após algum tempo de militância em determinado Sistema de Magia, coloco os resultados obtidos numa balança imaginária, pesando os prós e os contras, até que me tenho por satisfeito com uma resposta clara e sem evasivas, obtida entre duas únicas opções: tal Sistema FUNCIONA, ou NÃO FUNCIONA.

Assim, concluindo definitivamente minhas pesquisas em tal Sistema, passo a incluí-lo em minhas práticas pessoais (meu próprio Sistema, se assim quiserem), caso a conclusão de meus estudos seja de que tal Sistema funciona; ou, então, descarto tal Sistema em definitivo, caso conclua que o mesmo não funciona.

Muitos dos Sistemas de Magia tidos em elevada conta por especialistas diversos, funcionam a contento. Outros, entretanto, ficam muito a desejar.

Como este não é o momento de abordar tal assunto (o que faço em detalhes no meu livro “CURSO DE MAGIA”), deter-me-ei a examinar os Cultos- Afro, sob um prisma Gnóstico e Esotérico.

Voltando ao assunto de Sistemas que funcionam ou não, vamos falar do Candomblé e seus congêneres.

Tenho observado, ao passar dos anos, que muitas pessoas, interessadas em Ocultismo, nutrem um forte preconceito contra o Candomblé e assemelhados.

Apesar disso, quando encontram-se “no aperto”, buscam, de imediato, “socorro” dentro das práticas mágicas candomblecistas.

Socorridos, entretanto, e mais, sanado o problema que os afligia, “dão as costas” para a tal de “macumba”, coisa que não compreendem mas sabem que funciona, voltando aos seus cristais e florais.

Atitude simplista, para dizer o mínimo.

A “macumba”, designação genérica de tudo quanto seja de origem Afro, manteve a fama de ser infalível; apesar disso, poucos estudiosos do assunto se deteviram a examinar o assunto a luz da ciência experimental, para concluir como funciona a “macumba” e, mais ainda, quando funciona, e por qual motivo, assim como compreender suas falhas e deficiências, que aumentam no mesmo passo em que o assunto é difundido – mas não explicado.

Interessante observar que, nos últimos anos, houve uma verdadeira explosão de livros sobre “macumba”, muitos dos quais ensinando trabalhos para os mais diversos fins, tal qual fossem receitas de bolo.

Assim, sem explicar nem justificar, passam adiante ensinamentos que exigem, para serem postos em prática, um profundo conhecimento dos Cultos- Afro, sem o que tais práticas tornar-se-iam perigosas para todos os envolvidos.

Mais ainda, incentivam ao leitor realizar tal trabalho, sem alertar para os cuidados que devem cercar tais práticas.

Dessa forma, indivíduos inescrupulosos, pouco conhecedores do assunto, mas sabedores das necessidades humanas, travestem-se de “Pais-de-Santo” ou “Mães-de-Santo”, realizando todo tipo de trabalhos, jogando búzios, interferindo na vida de todo e qualquer cidadão, sem o menor cuidado ou escrúpulo.

O resultado? Fracasso, desilusão, além da sensação de que “macumba não funciona”.

Eis o motivo deste curso – explicar tudo, tirar todos os véus, trazer o conhecimento mágico-místico-religioso à luz da ciência experimental, para que todos, admiradores ou não do assunto, possam compreender no que consistem tais práticas, tirando, assim, suas próprias conclusões.

Vamos, portanto, ao curso.

“INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS DE MAGIA DE ORIGEM AFRO”

“CANDOMBLÉ, VUDÚ, HOODOO, PETRO, RADA, LUCUMÍ, SANTERÍA, PALO-MAYOMBE, UMBANDA, QUIMBANDA E CATIMBÓ: SUAS SEMELHANÇAS, DIFERENÇAS, TABÚS E FUNDAMENTOS.”

Visão moderna dos Sistemas do Candomblé, do Vudú, da Umbanda e da Quimbanda.

Muitas vezes, quando se fala em Magia, as pessoas pensam imediatamente nas práticas executadas nos Cultos Afro-Brasileiros, Afro-Americanos e Afro- Ameríndios.

Diversas pessoas tem visões semelhantes desses Cultos, mas os conceitos difundidos são preconceituosos, misteriosos e dogmáticos, o que faz, pouco a pouco, com que a Realidade Mágica desses Cultos se perca para sempre.

Para começar, o Candomblé, o Vudú, a Santería, o Palo-Mayombe e o Lucumí são cultos muito semelhantes, de origem africana, mas tremendamente desenvolvidos nas Américas. Já a Umbanda é um culto muito distinto, com bem poucas semelhanças com os outros dois, enquanto a Quimbanda é algo totalmente diferente. O Catimbó é uma espécie de meio-caminho entre a Umbanda e a Quimbanda. O Hoodoo reúne características do Vudú, porém tem diversas peculiaridades, sendo a mais importante delas trabalhar apenas com Elementais, Elementares, Sombras, Cascarões, Larvas e “Almas”. Petro e Rada são duas raízes diferentes do Vudú haitiano, sendo o culto Rada mais voltado às Entidades do panteão Afro original, enquanto o Petro é mais voltado ao culto de Loas semelhantes aos Guias de nossas Umbanda e Quimbanda. O Voudon Gnóstico, apesar do nome, e da nítida influência do Vudú e do Hoodoo, é mais uma Ordem Hermética (uma vez que é ligado à O.T.O.A. – Ordo Templi Orientis Antiqua) do que um culto ou uma religião, razão pela qual está fora deste texto. Todos, porém, tem entre si uma semelhança marcante e de suma importância: são todas “Religiões Thelêmicas”, ou “Cultos Thelêmicos”, como queiram. E o que significa uma religião ser “Thelêmica”? Significa que cada indivíduo, dentro dela, tem sua própria religião, seu próprio Deus, distintos dos de qualquer outro indivíduo. E foi por isso que os cultos africanos sobreviveram na mudança para o novo mundo, cresceram e se multiplicaram.

Sendo assim, vamos começar a definir a Quimbanda.

A Quimbanda é um culto mágico às Entidades malévolas, denominadas Exus, Pombas-Giras, Caboclos Quimbandeiros, Pretos-Velhos Quimbandeiros, e assim por diante. Na Quimbanda não há nenhum tipo de “Iniciação”, quer seja mágica, mística ou religiosa. Basicamente, há duas formas de se praticar a Quimbanda – a Evocação e a Invocação das Entidades. Qualquer que seja o meio escolhido, normalmente desenha-se o “Sigilo” (chamado “Ponto Riscado” na Umbanda e na Quimbanda) da Entidade no chão, pedindo-se, em seguida, sua intervenção. No caso da Invocação, a pessoa que “receber” a Entidade (chamado “Cavalo” ou “Burro” na Umbanda ou na Quimbanda) passa a ter os poderes da mesma; são então feitos pedidos à pessoa “incorporada”, que pedirá então algumas coisas para a execução do “trabalho de magia” . Em geral, na Quimbanda só se trabalha para o mal de alguém, ou então para submeter-se uma pessoa à vontade de outra. Quando se Evoca Entidades na Quimbanda, porém, faz-se oferendas simples, visando obter a intervenção da Entidade para obter o que se deseja, normalmente alguma maldade. Na Umbanda, o que acontece é a mesmíssima coisa, com uma diferença essencial: só se “trabalha” para o bem, pois as Entidades que “baixam” na Umbanda são somente benéficas. Em alguns “terreiros” de Umbanda foram implantados “Rituais Iniciáticos”, herdados de culturas diversas. Na Umbanda, vê-se uma nítida influência do Kardecismo, bem como da mentalidade católico-cristã, além do público e notório sincretismo religioso entre os Orixás da Umbanda (que só comungam dos nomes com os Orixás do Candomblé) e os Santos Católicos. O Catimbó é uma mistura completa entre a Umbanda e a Quimbanda, com algumas diferenças: as Entidades que “baixam” são chamadas de “Mestres”; se são benfazejos, diz-se que “fazem fumaça às direitas”, e dos malévolos se diz que “fazem fumaça às esquerdas”. Concluí-se daí que no Catimbó se “trabalha” indistintamente para o bem e para o mal. Além disso, no Catimbó não se cultuam Deuses ou outras Entidades de grande envergadura de poder, apenas “baixam” Entidades com especial identificação social no grupo aonde se desenvolve a “mesa” do Catimbó. Na Santería ocorrem práticas semelhantes às dos cultos descritos acima, mas há também um culto aos Orixás, no estilo do Candomblé, só que com toda a influência Católico-Cristã imaginável.

Mas existem sutis diferenças entre esses cultos. Na Umbanda, as Entidades são “espíritos” de pessoas desencarnadas (mortas); na Quimbanda, “baixam” indistintamente “espíritos” de pessoas mortas (normalmente de pessoas perniciosas ou criminosas), ou Demônios mesmo. No Catimbó só “baixam” os “espíritos” de mortos.

Mas, será que o que “baixa” em todas essas “sessões” é mesmo uma “alma”? E será que todas essas “almas” são sábias, sinceras e magicamente capazes? Não creio. Para mim, o que ocorre muitas das vezes, é o seguinte: A) o “médium”, desejoso de “receber um guia”, induzido pelo “chefe do terreiro” de que ele/ela “tem mediunidade, precisa desenvolvê-la”, acaba por criar uma Imagem Telemática correspondente a sua idéia do “guia”, que, então, cria “vida”, passando a agir como desejado…

B) cena “A”: alguém morre; seu corpo físico jaz inerte, seu corpo astral separa-se do cadáver físico e, em pouco tempo, o corpo mental do falecido separa-se também do corpo astral, ficando este último também destinado a morrer, a decompor-se; cena “B”: um Elementar Artificial, um Íncubo, um Súcubo, um Vampiro, uma Larva Astral, alguma dessas Entidades simples, busca sobreviver …vampirizando alguém! É porém difícil “sugar vitalidade a força” de alguém; cena “C”: a Larva da “cena B” encontra um cadáver de corpo astral (Cascarão Astral), penetra nele e o “aviva”; cena “D”: o “Cascarão Avivado” encontra uma pessoa receptiva, um “médium”, e começa o ataque; o “médium” acaba por ir a um “terreiro” ou “centro”, aonde “seu guia” o levou, e aonde irá “desenvolver sua mediunidade”; cena “E”: o “médium” já “desenvolvido”, recebendo seu “guia”, dá consultas, passes, faz trabalhos, aconselha…e o “guia” (o Cascarão Avivado) vampiriza o “médium” e as pessoas que vão consultá-los.

É claro que existem incorporações ou possessões reais, mas são muito raras na Umbanda e no Kardecismo. Ocorrem muito freqüentemente no Candomblé e correlatos, mas são raríssimos nos cultos à desencarnados.

Sem mais comentários sobre o assunto.

Agora, Candomblé, Vudú, Palo-Mayombe e Lucumí.

O que digo a seguir é minha experiência e enfoque pessoais. Quem desejar aprofundar-se no assunto deve consultar as obras dos seguintes autores, colocados em ordem de importância: Pierre “Fatumbí” Verger, Fernandes Portugal, Caribé, Bernard Maupoil, William Bascon, Michael Bertiaux, Luis Manuel Nuñes, Jorge Alberto Varanda, Roger Bastide, Juana Elbein dos Santos, Courtney Willis, Ogã Jimbereuá, Babalorixá Ominarê, Lydia Cabrera, Migene Gonzalez-Wippler e João Sebastião das Chagas Varella. Já os apreciadores de Mitologia em geral, deverão conhecer a obra de Joseph Campbell, o mais importante autor do assunto. A Editora Pallas tem bons títulos sobre Candomblé e Vudú. Este texto trata dos aspectos reais das Práticas Mágicas dos Cultos em questão. Desculpem a crueza, mas a verdade é cruel, e dói.

Muitos estudiosos de Magia, bem como inúmeros autores do gênero, colocam os Deuses dos diversos panteãos como Arquétipos. Considerando-os assim, alguns praticantes da Magia Ritual creem que pode-se trabalhar magicamente com os Deuses Internos, como se trabalhassemos com os Arquétipos Universais. Aqui existe um enorme equívoco, pois os Deuses Internos englobam aspectos arquetípicos, não se limitando, porém, a serem Arquétipos simplesmente.

Na verdade, há uma obra muito boa sobre Magia Planetária (Planetary Magick, editora Llewellyn), que, porém, considera os Deuses de diversos panteãos como a mesma coisa que os Arquétipos. Eu particularmente discordo desse prisma, pois considero que os Arquétipos são acessíveis a qualquer pessoa, enquanto que os Deuses só são acessíveis aos que tenham alguma identificação e familiaridade com os mesmos. Na verdade, a experiência chamada de “União com Os Arquétipos Universais”, quando a pessoa entra em “transe” e sofre a “possessão” da Divindade, é o contato que ocorre da pessoa com seu Microcosmos, ou seja, com seu “Universo Interior”, portanto, somente com os Arquétipos Universais, e não com o todo da Egrégora dos Deuses Internos do Homem. A diferença é, portanto, patente, no que diz respeito ao “transe” do sujeito “possuído” pelo Orixá (aonde são despertados poderes latentes dentro do próprio indivíduo), e da Evocação ou Invocação da energia do Orixá como um todo, uma Entidade de existência independente da psique do Mago. O que ocorre entre os profanos, os não-iniciados, o “bolar” no Santo, é somente a “União com O Arquétipo”; o que ocorre na Invocação, feita pelo Mago de forma consciente, é “abrir sua mente” para uma energia externa, de vida autônoma, externa ao Microcosmos do Mago. Portanto, podemos concluir que o Arquétipo Universal existe num nível sub-consciente de cada indivíduo, mas somente manifesta-se no Microcosmos; já o Deus Interno existe num nível Macrocósmico e, após uma iniciação, num nível Macro-Micro-Cósmico, isto é, pode manifestar-se dentro ou fora do indivíduo. Com isso quero dizer que um Orixá pode manifestar-se fora da psique do Mago, até mesmo fora de seu corpo, inclusive, algumas vezes, a um nível social. O poder de um Arquétipo é o de despertar talentos latentes na psique do indivíduo, enquanto que o poder de um Deus Interno (sendo uma Egrégora), é amplo, de uma envergadura bem maior que a psique de um indivíduo apenas, incomensurável em termos humanos. Com isto quero dizer que uma Egrégora antiga e poderosa como a dos Deuses Internos pode quase tudo. Sem exagero. E em se tratando de Deuses Internos (ou Panteônicos), podemos distinguir duas categorias: os Deuses adormecidos, cujo culto inexiste na atualidade, e os Deuses ativos, cujos cultos existem. Nessa última categoria estão os Deuses e Deusas cultuados no Candomblé, no Vudú, no Palo-Mayombe e no Lucumí. Fico, inclusive, muito curioso com a atitude de certos grupos de ocultistas, que cultuam Deuses adormecidos, e torcem o nariz para os Deuses do panteão Afro, talvez considerando-os algo inferior, muito provavelmente pelo motivo de que esses Deuses são cultuados pelo povo, não pelas elites culturais…preconceito e ignorância de sobra! Esses Deuses e Deusas dos Cultos Mágico-Religiosos Afro-Americanos são designados da seguinte forma: na “Fé Indígena” (Indigenous Faith), como o Culto é chamado na Nigéria (África), são chamados de Orixás e Odus, o mesmo ocorrendo nos Candomblés de origem Nigeriana ou Yorubana (“Nação” Keto ou Alaketo); nos Candomblés de origem Daomeana (Fon ou Gêge), são chamados Voduns e Odus; nos Candomblés de origem Angolana (“Nação” Angola), são conhecidos por Inkices ou Santos, e Odus; na Santería, praticada nos Estados Unidos (Puerto Rico, New Orleans, Miami, etc), são chamados de Orichás ou Santos, e Odus; no Vudú, praticado no Haiti e na França, são conhecidos como Loas e Odus; no Lucumí, praticado em Cuba e nos Estados Unidos (Miami), são os Nganga, Orichás, Padrinhos, Prenda, Ndoki, Odus, entre outros nomes, ocorrendo o mesmo no Palo-Mayombe.

Veja-se que o nome do panteão altera-se de região para região, e assim também se alteram as características das Entidades. É interessante notar que o nome Odu (Odus no plural), está presente em todas as “Nações” de Candomblé, e suas atribuições são idênticas em todas as citadas culturas.

Pois Odus são Entidades objetivas que personificam, de forma antropomórfica, as energias das figuras geomânticas. Vê-se que, quando o simbolismo e a energia não sofrem alterações, os nomes permanecem idênticos. O contrário ocorreu com a vinda dos Orixás da África para o Brasil, pois na África os Orixás não possuem as subdivisível ditas “qualidades”, fato que ocorreu no Brasil. Por isso é que o Culto aos Orixás, no Brasil, é mais rico e complexo do que na Nigéria atual, sem nenhuma conotação pejorativa quanto ao Culto praticado na Nigéria. Apenas digo que, no Brasil, cultua-se doze variedades de Xangô, enquanto na Nigéria há somente uma; aqui cultua-se onze Oyá, dezesseis Oxum, dez Oxalá, nove Yemanjá, vinte e um Exu, enquanto na Nigéria há um de cada. É bem verdade que a troca de informações entre Nigerianos e Brasileiros, do Culto, está levando “qualidades” de Orixás para lá, e trazendo para cá as práticas mais modernas do Culto. Assim, em breve, graças às trocas de informações, o Culto aos Orixás estará aprimorado e talvez até estandardizado no Brasil e na Nigéria. Mas aqui o assunto é outro.

Vide os Apêndices desta obra relativos a “Arquétipos” e “Deus, As Egrégoras Coletivas e Os Deuses Internos do Homem”, para compreender a mecânica de que falamos acima.

Somente recomendo, aos que pretendem praticar a Magia Planetária, a Magia Evocativa, a Magia Invocativa ou o “Casamento dos Homens com Os Deuses” (conceito de Aleister Crowley, uma das práticas secretas da O.T.O., revelada no livro “The Secret Rituals of the O.T.O.”, de autoria de Francis X. King)) com os Deuses dos panteãos Afro, que estudem a respectiva mitologia, familiarizem-se com as suas energias, para não sofrerem revezes nem decepções. Estejam avisados que essas energias são incomensuráveis, além de extremamente ativas, pois há, em todo o mundo, pessoas cultuando-os dioturnamente, vivendo para o Culto, alimentando a Egrégora a cada momento, ampliando sua envergadura de poder.

Apesar disso tudo, há muita gente que duvida das potencialidades mágicas dos Cultos-Afro; há também os que creem que tudo quanto se faz nesses Cultos funciona a contento, independentemente dos Fundamentos Mágicos que sejam ou não aplicados às práticas rituais. Pensando nisso gostaria de abordar alguns aspectos importantes desses cultos, muitas vezes mal interpretados pelas pessoas em geral. E é justamente visando separar o joio do trigo, embora revelando muitos segredos guardados com zêlo por muito tempo, que descrevo, a seguir, os Fundamentos Mágicos Racionais das Práticas Mágico-Místico-Liturgicas dos Cultos-Afro.

Espero estar contribuído assim, de alguma forma, para a preservação desse culto que tanto me atrai, e que estudo e pesquiso fazem anos. Afinal, em 1988, fui consagrado Babalaô (Nação Alaketo) – sacerdote de Ifá – , além de ter sido iniciado no culto de Yiá-Mí Oxorongá.

Iniciação

é tipicamente shamânica, quanto a parte do Iniciando, com práticas primitivas (raspar os cabelos da cabeça, esfregar folhas na cabeça e outras partes do corpo, fazer cortes em diversas partes do corpo – cabeça, testa, mãos, pés, língua, braços – para passar “pós mágicos” nos cortes abertos – Kuras – , sacrificar animais deixando o sangue escorrer sobre a região do Chakra Coronário, colocação de substâncias vegetais e animais sobre o Chakra Coronário – o Adoxú, no formato de um cone – , colocação de uma pena de alguma ave no local do Chakra Frontal – Terceiro Olho – , entre outras coisas), requerendo total submissão do Iniciando – Iaô – ao Sacerdote ou Sacerdotisa – Pai ou Mãe de Santo, Babalorixá ou Yialorixá – , que guarda os cabelos daquele, tendo assim, meios de impor sua autoridade à força…

A Iniciação no Candomblé é lenta (21 dias no mínimo) e penosa (a pessoa terá de se submeter aos ditames do Sacerdote, devendo comer o que lhe é permitido – com algumas restrições por toda a vida – , falar quando lhe é permitido, usar as roupas nas cores autorizadas – mais uma vez com restrições para o resto da vida – , até mesmo quais atividades sociais e profissionais poderá ter dali para diante). Uma das partes mais curiosas do Ritual Iniciático reside na pintura da cabeça e do corpo do Iniciando com pontos coloridos, feitos com pós coloridos, numa espécie de Cromo-Punctura rudimentar.

Vê-se aí, nesse conjunto de práticas antiquadas, o aspecto da autoridade do Mestre, inquestionável, sobre a vida do Discípulo, traço típico das iniciações em sociedades primitivas.

Quando, porém, observarmos a parte do Iniciador, do Sacerdote ou da Sacerdotisa, veremos uma enorme quantidade de práticas típicas da feitiçaria, portanto, de caráter muito distinto das práticas shamânicas.

Eis um dos mais flagrantes aspectos da ambiguidade do Candomblé.

Como disse o brilhante ocultista norte-americano Robert North, o que falta aos Cultos-Afro é uma “Auto-Iniciação”. Concordo plenamente. Seguindo as orientações dele, o iniciando deverá praticar uma técnica conhecida nos meios ocultistas como “visualizar uma imagem como se fosse uma porta e mentalmente atravessar a porta”. Daí, o iniciando travará contato com as Entidades que habitam o plano correspondente vibratoriamente à dita imagem.

Mas que imagem é essa? Os desenhos dos Vevés, Pontos-Riscados, Sigilos das Entidades, Figuras Geomânticas (Odus), entre outras. Essa técnica permite uma auto-iniciação com menos riscos que a Invocação Mágica (a “incorporação” da Entidade na pessoa), que evoca riscos óbvios de acidentes.

O que deve, porém, ficar claro, é que ninguém é “filho” desse ou daquele Orixá, ou de qualquer outra Entidade, nem tem tal ou qual Odu. Na verdade, as pessoas identificam-se com um Arquétipo, em geral composto, isto é, com qualidades mescladas de várias Entidades, o que caracteriza o Orixá e suas qualidades, bem como os outros Orixás da pessoa. Identificando-se com o Arquétipo, a pessoa passa a louvá-lo ou cultuá-lo, atraindo então a Entidade Egregórica correspondente ao Arquétipo da identificação pessoal. Fica claro, agora, o motivo pelo qual há pessoas com “santo forte”, outras sempre “acompanhadas” pelo seu Orixá ou Guia, e assim por diante? Lembrem-se de que a energia que flui no contato do Mago com a Egrégora é mutual e simbiótico, isto é, se recebe o tanto que se dá…

No caso dos Odu, eles apresentam-se e manifestam-se em cada momento, mudando de acordo com as chamadas “marés tatwicas”, as marés elementais.

Somente ocasionalmente cristalizam-se num local, situação ou espécie de atividade, promovendo constante sucesso ou fracasso. E os remédios já são conhecidos.

 

Sacudimento

Dá-se esse nome às Práticas Mágicas que são realizadas quando existe uma presença energética intrusa (em pessoas, objetos ou lugares) – Exus ou Egums, isto é, Entidades Demoníacas, Vampiros, Íncubos, Súcubos, Larvas, Espíritos de Desencarnados, entre outras – ; passa-se pelo corpo da pessoa atingida uma série de plantas, folhas, grãos crus, pipocas, legumes, verduras, até mesmo aves (pombo, frango); esses componentes tem atribuições diversas em se tratando de elementos naturais – presentes por analogia nos componentes do sacudimento – , impregnando-se-os com o fluído magnético, que tem a propriedade de sugar energia (no caso, a intrusa), o que então providenciará a remoção das energias intrusas. É prática primitiva que, porém, tem seus méritos; na verdade, há um elemento de grande importância, que não pode faltar, pois é o que faz o “Trabalho” funcionar: o ovo! Sim, um simples ovo de galinha é o suficiente para o “Trabalho” funcionar. Com um ovo e a atitude mental adequada, consegue-se resultados espetaculares.

Na simplicidade está a chave dos grandes mistérios. Quer dizer, a Energia intrusa, nefasta, é transferida para os elementos passados pelo corpo da pessoa; em seguida, esses elementos são deixados em local determinado (praia, cachoeira, rio, praça, encruzilhada, estrada, enterrados, atirados barranco abaixo, cruzeiro do cemitério, etc.), aonde a Energia tornar-se-á inofensiva, ou atingirá curiosos que porventura toquem o material energeticamente contaminado.

 

Ebós

Dá-se esse nome aos sacrifícios ou oferendas, dedicados a alguma Entidade, consistindo nas comidas, bebidas e animais votivos da mesma Entidade; quer dizer, todas as práticas mágicas convencionais do Camdomblé tem o nome de Ebós. Os Ebós funcionam por causa do uso de Condensadores Líquidos e Sólidos, infundidos da vontade do Mago, além de, algumas vezes, a Energia Vital que se desprende de um animal sendo imolado, além da própria Energia do sangue de dito animal. Este é o segredo para a eficiência dos Ebós. E também da ineficiência de muitas bobagens batizadas de Ebó, mas que, na verdade, não são nada, magicamente falando. Para os interessados, basta consultar um dos numerosos livros sobre Ebós – do Ogã Gimbereuá, do Babalorixá Ominarê, de Fernandes Portugal e de Antony Ferreira, por exemplo – para verificar o uso constante de Condensadores Líquidos e Sólidos (pimentas, cebolas e alhos, atribuídas ao Elemento Fogo, por exemplo).

Existem três espécies de Ebós: A) Periódico: dado em períodos de tempo regulares, para fortalecer o elo com a Entidade, ou para fortalecer uma Entidade Artificial criada pelo próprio grupo ou operador; B) Propiciatório: dado quando se deseja obter algo de uma Entidade, dando-se-lhe algo, esperando o favor almejado em troca; C) Expiatório: dado quando se necessita reparar alguma falta para com a Entidade que, aborrecida com o indivíduo, passa a prejudicá-lo; nos três tipos deve haver uma analogia adequada.

Só para ilustrar, incenso é uma oferenda que, além de agradar as Entidades (desde que de aroma análogo à Esfera da Entidade), pode permitir sua materialização (com sua possível aparição espectral); para Entidades Negativas ou perigosas/nefastas, o sangue (quente) de sacrifício animal faz efeito semelhante; a cebola constitui um elemento de grande vibração quando ofertada à alguma Entidade, o mesmo podendo dizer-se dos ovos; as velas são parte importante de qualquer ofertório, as de cera de abelha adequadas às Entidades Positivas, e as de cebo adequadas às Entidades Negativas.

Devemos sempre buscar as leis de analogia ao desejarmos ofertar algo para qualquer Entidade. Seguindo estes princípios, qualquer Mago poderá elaborar seus próprios Ebós, se esse for seu desejo.

 

Pós Mágicos

Também chamados de Atim (Alaketo), Pemba (Angola), Zorra (para o mal), são diversas substâncias misturadas e posteriormente reduzidas a pó; são usadas para atrair boas coisas (saúde, amizade, amor respeito, bons negócios, dinheiro, proteção contra maus fluidos, paz, etc.), espalhando-se nas mãos, pés, sapatos, roupas, cabeça e utensílios da pessoa, ou soprando-o na residência, veículo, local de trabalho, Templo, etc.; ou então para levar desgraças aos desafetos (doenças, acidentes, maus fluidos, ruína, morte), espalhando-se nos locais, ou soprando-se/jogando-se sobre a vítima.

Respeitando-se as leis de analogia, pode-se compor pós mágicos respectivos aos quatro elementos da natureza, que serão Condensadores Sólidos da vontade do Mago. Para maiores detalhes do assunto, ver o livro de Franz Bardon “Initiation Into Hermetics”, citado na bibliografia desta obra.

 

Azeite de Dendê

 

Elemento que constantemente é utilizado nas práticas ritualísticas Afro-Negras, constituindo poderoso Condensador Líquido; Condensador é um elemento capaz de condensar a vontade e os desejos do Mago.

 

Pólvora

Muito utilizada nos Cultos Afro, ao incandescer ou explodir libera tremenda energia ígnea (do Elemento Fogo), podendo ser utilizada para curar, livrar de alguma influência maléfica, criar embaraços ou até mesmo matar, tudo em analogia completa ao Elemento Fogo, isto é, ao seu campo de ação.

Recebe o nome de “Ponto-de-Fogo”. Nas obras do autor N.A.Molina encontra-se constante referência a ditas práticas, o mesmo ocorrendo nos livros de Antônio de Alva e Antônio Alves Teixeira Neto.

 

Nome Mágico

 

Chamado também de Orukó, é o Nome Mágico que a pessoa adota após a Iniciação no Culto; também os Templos (Ilê) recebem um Orukó.

Folhas Mágicas

Camdomblé e seus similares tem como grande fundamento o uso mágico, litúrgico e medicinal das ervas, folhas, frutos, raízes e outros elementos vegetais. Portanto, seria necessário um volume de centenas de páginas para abordar, de forma adequada, o assunto. De qualquer forma, selecionei algumas folhas e frutos especiais, devido às suas particularidades: A) Folha de Pinhão Branco (Jatrofa Curcas) – usada para substituir o sangue animal nas oferendas a Exu; B) Folha de Acocô (Naelvia Boldos) – usada da mesma forma que a anterior, inclusive sobre a cabeça das pessoas, quando falta o animal a ser imolado para o Orixá; C) Folha de Iroco (Clorophora Excelsa) – usada como substituto do sangue animal nas oferendas, iniciações e assentamentos de Orixás; D) Noz de Cola ou Obi (Sterculia Acuminata) – usada em todos os rituais iniciáticos do Camdomblé, exceto no culto à Xangô, que recebe, ao invés desta, o E) Orobô, Orogbo ou Falsa Noz de Cola (Garcínea Guinetóides).

Tendo-se em vista o que foi dito acima, poderemos tornar nosso Camdomblé mais moderno, utilizando as Essências de Flores e de Ervas (Essências Florais) como se utilizam as folhas, frutos, Flores, raízes, etc.

E, também, substituindo muitos elementos por uma substância sua, dinamizada homeopaticamente. Creio que dinamizações de D-1 ou D-3 combinadas com dinamizações de 10MM seriam o mais adequado, unindo presença física e energética. E, para evitar o sacrifício animal ou a destruição de elementos naturais, pode-se preparar tais substâncias pelos meios radiestésico ou radiônico (ver a obra intitulada “MATERIALIZAÇÕES Radiestésicas”, de autoria dos Irmãos Servranx, que trata do uso do Decágono para reproduzir magicamente a energia de qualquer substância).

 

Banhos Energéticos

Abô ou Omieró (banho pronto e, em geral, putrefato) e Amací (banho fresco feito com ervas maceradas com água da chuva), são um dos mais ricos, complexos e deturpados (magicamente falando) aspectos dos Cultos Afro- Negros; os banhos devem ter apenas duas finalidades: Atração e Repulsão.

Conhecendo-se a natureza dos elementos a serem utilizados no banho, através do conhecimento das leis de analogia, pode-se preparar um banho dotado das características de Atração ou de Repulsão de qualquer tipo de energia. Só isso. Basta escolher qual (ou quais) o elemento da natureza adequado (água, ar, terra, fogo), impregná-lo (o banho) com o fluído Elétrico (para Repulsão) ou Magnético (para Atração), e está tudo pronto. De qualquer forma, a obra de Franz Bardon aborda o assunto com maestria.

Defumação

Vale aqui o que foi dito relativamente aos Banhos.

Podem atrair ou repulsar energias.

 

Assentamentos (de Orixás, Exus, Egums, Odus, etc.)

Chamadas em ioruba “Igbas” pu “Ibás”, os Assentamentos são essencialmente uma construção de um corpo físico não-animado, para receber determinada energia. Cria-se um Elementar Artificial com corpo físico.

Assenta-se Orixás, Exus, Egums (Cascarões de desencarnados), Odus, além de outras Entidades cultuadas no Camdomblé – Ikú, a Morte; Yiá-Mi-Oxorongá, o pássaro negro que personifica todas as feiticeiras e suas energias, entre outras -.

Os elementos, vegetais (folhas, ervas, raízes, madeiras, folhas, cascas, frutos, nozes, caroços), minerais (águas, argilas, barros, terras, rochas, cristais, gemas, metais, areias, calcário), animais – insetos, répteis, mamíferos, aves, peixes, aracnídeos, batráquios, etc – (sangue, peles, chifres, garras, unhas, falanges de dedos, pêlos, olhos, dentes, prêsas, línguas, víscera, ossos, testículos, fluidos, cabeças, etc.) e humanos (sangue de aborto, sangue de acidentado, sangue de morto, feto, unhas, crânios, falanges de dedos, dentes, cérebros, línguas, fluidos corpóreos – até mesmo sêmen e fluidos vaginais -, cabelos, fezes, urina, sangue menstrual, placenta, testículos, víscera, tíbias, ossos diversos, corações, etc.), além de objetos variados (facas, lâminas, navalhas, pembas, giletes, cacos de vidro, ladrilhos, pó ou poeira de lugares variados, folhas de jornais e revistas, pedaços de veículos acidentados, bebidas variadas, condimentos, tinturas naturais, o pó produzido pelos cupins, etc.), são colocados num jarro, porrão, panela ou vaso, misturados com cimento e água, posteriormente assentados em camadas. Daí, sacrificam-se os animais votivos sobre o assentamento, decora-se o mesmo com as insígnias ou os paramentos da Entidade, além de enfeitar os elementos de decoração com pedaços dos animais sacrificados – cabeça, asas, penas, patas, etc -, além de praticar-se atos litúrgicos diversos, incluindo orações, cânticos e louvações.

Tudo isso é muito forte, além de Energeticamente eficiente. Apenas creio que podemos realizar coisa melhor sem todo esse trabalho.

Francis King descreve, em diversas obras suas, coisas interessantíssimas e de grande utilidade mágica, como “O Casamento dos Homens com Os Deuses” e o “The Homunculus”; Aleister Crowley no seu “MAGICK” dá os fundamentos do Mistério da Eucaristia, entre outras preciosidades; Franz Bardon no seu “Initiation Into Hermetics” versa sobre os mesmos Mistérios Eucarísticos, além da criação de Elementares e Elementais Artificiais, Animação Mágica de Figuras e Esculturas, além de muito, muito mais; Pascal Beverly Randolph no seu “Magia Sexualis” (em especial na edição espanhola) descreve também a Animação Mágica de Figuras (imagens, pinturas, fotografias, desenhos); Peter James Carroll nos seus “Liber Null & Psychonaut” e “Liber Kaos”, descreve didaticamente outras práticas de muito interesse. Com esse material em mãos, o Mago tem condições plenas de criar seus próprios Assentamentos, sem ter de realizar práticas ou rituais primitivos, nem sacrificar animais ou trabalhar com materiais orgânicos perecíveis.

Para aqueles que desejarem realizar um assentamento no melhor sistema africano, purgando as bobagens, dou a minha versão da conjuração chamada de “Evocação ao nível da Feitiçaria”, de autoria de Peter James Carroll: Construir um boneco, de material proveniente da natureza, com as próprias mãos (contando, é óbvio, com as ferramentas adequadas); dar forma humanóide ou de algum ser real ou mitológico; utilizar, para a escultura, argila, ou tabatinga, ou barro, ou madeira, ou pedra; anexam-se gemas, cristais, rochas e metais que possuam correspondência energética com a energia que desejamos obter do assentamento; todos os materiais utilizados deverão ser purificados com água mineral, sumo de ervas Energeticamente compatíveis, defumação com substâncias adequadas, além de eventuais desimpregnações por meio de gráficos emissores de Ondas-de-Forma; o interior do boneco deverá ser ôco, aonde deverá ser derramado um condensador líquido universal, o que permitirá a “Animação Mágica” da figura, fato este que dará à mesma movimento…(ver Initiation into Hermetics, de Franz Bardon); vasos com flores energeticamente compatíveis poderão ser mantidos próximos do assentamento, o que manterá energia viva perto de nossa criação; símbolos geomânticos ativos, gravados no boneco, ajudarão a definir e manter a energia definida e sob controle; a decoração externa ou acabamento do homúnculo é livre, devendo-se, porém, evitar materiais perecíveis, derivados ou extraidos de cadáveres de animais ou seres humanos, pois, caso contrário, o assentamento emitirá energias nocivas no ambiente; tomar muito cuidado com o formato do boneco, para que o mesmo não emita RADIAÇÕES nocivas – deveremos, durante a execução do corpo físico da entidade, verificar radiestésicamente, todo o tempo, a qualidade das EMISSÕES; utilizando-nos dos pêndulos cabalísticos para efetuar esse controle, nosso boneco deverá emanar “A Terra”, “Sôpro de Vida”, “Espírito” e “Shin”, além de poder emanar (embora devamos ter cuidado com essa energia) “Magia”; quanto as EMANAÇÕES nefastas, que deveremos evitar a qualquer custo, estão “V-e” (Verde Negativo Elétrico), “Matar” (Vermelho Elétrico), “Necromancia”, “Forças-do-Mal”, “O Adversário”, “Shin” invertido, “Iavê” invertido, “Ilha-de-Páscoa”, “A Terra” invertido, figuras geomânticas nefastas, entre outras coisas; seria muito bom que nossa criação emitisse, além das energias harmônicas, a energia-invertida das energias nefastas; se nossa figura destinar-se a causar influência em terceiros, provavelmente emitirá “Magia” – nesse caso, mantê-la longe de áreas de repouso, trabalho ou lazer, num local aonde somente tenhamos acesso quando quisermos realizar um ato mágico, e não um local aonde se realize outras atividades; isto é, no quarto ou escritório, nem pensar!; a entidade trabalhará somente para o Mago, portanto, só deverá emitir radiações benéficas; realizado o corpo físico da entidade, dirigir-se a ela como se a mesma tivesse vida, conversando com a mesma, afirmando e reafirmando nossos desejos e pedidos, sempre dentro do mesmo âmbito; poderemos realizar vários assentamentos, para ter paz e harmonia, para repelir a má-sorte e acidentes, para proteger contra inimigos e malfeitores, para evitar acidentes e enfermidades, para atrair amor e amizade, para obter conhecimento de planos ocultos ou pessoas distantes, para atrair a prosperidade e a riqueza, entre muitas outras coisas; para melhor definir a envergadura de poder de cada entidade, podemos tomar por base as casas astrológico-geomânticas, que contém em si a energia de uma Egrégora poderosa; tudo isso feito, mentalizar a existência de nosso boneco também no mundo da mente, criando uma Imagem Telemática idêntica em aparência e atribuições ao boneco; e, para terminar, tudo quanto existe deve ter um nome, motivo pelo qual nosso boneco deverá ter um nome, se possível análogo às suas quantidades e qualidades, escolhido ou montado com cuidados numerológicos, visando evitar, entre outras coisas, que a criatura se volte contra o criador…

Tudo feito adequadamente, essa entidade artificial poderá, inclusive, ser invocada e evocada pelo seu criador. Agirá então, a entidade, como qualquer inteligência original. Obviamente, poderão ser criadas entidades artificiais para as mais diversas finalidades, mas, coisas nefastas atraem energias perigosas, e assim por diante. Bom senso faz bem.

Para os que preferem “assentar” Entidades não-antropomórficas, podemos utilizar um cristal de quartzo para “corpo” de nossa criação, uma vasilha de cristal translúcido como receptáculo (à lá Dr. Edward Bach). Areia no fundo, para firmar a base do cristal, condensador sólido sob o cristal, condensador líquido pincelado ou espargido sobre o cristal. Pode-se utilizar de Essências Florais para enriquecer o condensador líquido; sigilo ou pantáculo consagrado são uma boa idéia para potencializar o conjunto. Um “Cofrinho Emissor de Raio PY” para colocar-se os “pedidos” à Entidade. Uma pirâmide, que mantenha todo o conjunto dentro de sua geometria, pode manter a energia num nível surpreendente. Substâncias homeopaticamente dinamizadas poderão tornar o Elementar poderoso e versátil. Pode-se utilizar gráficos moduladores de ondas-de-forma para definir melhor a natureza e a envergadura da Entidade. Por outro lado, ao se querer cultuar os Orixás, pode-se realizar rituais simples como a queima de velas coloridas (compatíveis, é claro), ou até mesmo oferendas de ovos ou de rodelas de cebola, com uma vela acesa no centro da rodela de cebola. Só não se deve tentar “assentar” um Orixá, ou cultuar um assentamento, pois são coisas totalmente distintas e que não devem jamais ser misturadas. Por aí é que se vê que muita coisa que se faz no Camdomblé é cultuar Elementares, suponde se estar cultuando o próprio Orixá.

Para os desejosos em se aprofundar no assunto, ver a obra de Franz Bardon, “Initiation into Hermetics”, e a obra de Peter James Carroll, “Liber Kaos”.

A indicação da utilização de materiais orgânicos perecíveis, freqüentemente encontrada nas instruções para a construção do GOLEM, não trará nenhuma vantagem ao Mago que deseje executar assentamentos de Energias Afro; há exceções, mas devem ser deixadas para quem sabe o que está fazendo.

Para terminar o assunto, evitando induzir alguém em erro, é conveniente lembrar que não devemos tratar um assentamento como se fosse um ídolo. O assentamento não pode ser louvado como uma imagem sacra num altar de Igreja.

O assentamento é, na realidade, uma poderosa “Imagem Talismânica”, criada para tornar mais efetiva a concentração quando da “chamada” (Invocação ou Evocação) da respectiva Entidade.

 

Águas

São utilizadas em praticamente todos os tipos de rituais, tendo especial importância devido a procedência (de poço, de chuva, de praia, de alto mar, de rio, de vala, de cachoeira, de lago, de açude, etc.). Seu uso é tanto interno quanto esterno.

 

Pedras

São importantes devido ao uso litúrgico, sendo o elemento principal da maioria dos assentamentos (são chamadas Otá ou Okutá). Nas pedras reside a força dos Orixás, e nelas devem concentrar-se o Culto, segundo a tradição religiosa. Pena não haverem utilizações mais amplas e práticas das pedras no Camdomblé, além da falta de conhecimento relativo às virtudes terapêuticas e mágicas das mesmas. De qualquer forma, há um Culto às Pedras, e isso é importante! E os cristais de quartzo são pedras! – Metais: diferentemente das pedras, os metais, no Camdomblé, tem papel coadjuvante apenas, tendo cada Entidade seus metais correspondentes, mas o conhecimento do assunto no meio é tão superficial que nada há para dizer.

 

As receitas (inflexíveis e complexas)

Peter James Carroll, brilhante autor e ocultista britânico, diz, em suas obras, que, se um ritual é tão complexo que precisamos escrevê-lo detalhadamente para não cometermos deslizes, esse ritual precisa, urgentemente, ser simplificado, de forma que caiba todo na cabeça! É exatamente assim que penso. Os Ebós utilizados no Camdomblé são como receitas de bolo: detalhados até na quantidade de cada elemento! Claro está que a tradição tem seu lugar, mas esse lugar é no folclore ou na religião, não na Magia e no Hermetismo. Para elaborar as próprias “receitas mágicas” seja lá do que for, o Mago deve conhecer as leis de analogia, bastando decidir se deseja atrair uma Energia, repulsá-la, influenciar alguém (ou a si mesmo) com a Energia Elemental escolhida, ou tratar uma enfermidade pelos fluidos eletro-magnéticos. Para aprofundar-se no assunto, ver as obras de Franz Bardon.

Só para deixar claro, os tópicos para que um “trabalho” funcione são: 1) vontade do operador; 2) invocação ou evocação de alguma Entidade cuja envergadura e natureza do poder permita realizar o que se deseja; 3) direcionamento da energia invocada, evocada ou criada.

Divinação

No Camdomblé, é feita utilizando-se da Geomancia. Há o Jogo da Alobaça (praticada com uma cebola cortada em quatro), o Jogo de Búzios (praticado com quatro ou dezesseis búzios da espécie “Ciprae Moneta” e seus semelhantes) e o Opelê-Ifá (praticado com o Opelê). Dividi-se essas práticas em divinações litúrgicas e profanas. O método Afro, apesar de rudimentar, é preciso e com ele obtem-se bons resultados. Só é necessário ater-se à interpretação da Geomancia Racional, descartando a interpretação clássica, por esta última ser insuficiente e inadequada, além de basear-se em parâmetros equivocados.

 

Criação de Zumbis

Aviva-se um cadáver físico de alguém, cria-se um Elementar Artificial, colocando-se o mesmo “dentro” do cadáver, que então terá novamente vida, muito embora de forma distinta. Mas esse processo é trabalhoso, perigoso e de conseqüências imprevisíveis.

 

Paramentos

São as roupas e insígnias dos Orixás e outros, que mostram clara distinção dos Arquétipos aos quais se deseja vinculá-los.

 

Armas

Vale aqui o que disse no item “paramentos”.

 

Fundamentos de Ifá

São os fundamentos da Geomancia e da Magia Geomântica.

 

Animais

Os Animais Sagrados são considerados Animais Votivos, e imolados em holocausto aos Orixás e Exus; uma deturpação do sentido verdadeiro tanto das correspondências das Entidades com os animais, quanto com relação a função dos sacrifícios animais.

 

Plantas

O mais importante item da cultura mágica Afro, pois as plantas são usadas em todos os rituais, da Iniciação aos funerais, da Magia à terapêutica. Há muito o que aprender sobre fitoterapia com o Camdomblé.

 

Efó

São os encantamentos recitados em Ioruba, que acompanham todos os rituais. Podem ser recitados ou cantados.

 

Evocação, Louvação

É o que se pratica quando se oferece algo (Ebó) à Entidade, pedindo sua proteção ou intervenção.

 

Invocação

É o que se chama “virar no santo” ou “bolar no santo”. Consiste em “receber” a Energia do Orixá de forma passiva, deixando-se usar como instrumento da Entidade.

Talismãs

São os “fios de contas”, “Axés” – breves -, alianças de cobre, pós mágicos dentro de saquinhos de tecido, entre outras coisas. A Magia Pantacular inesiste no Camdomblé.

Mangaka

É o bonequinho todo cravejado de pregos. Consiste simplesmente numa estátua animada magicamente, que contém, em seu interior, um condensador líquido. São cravejados nela inúmeros pregos. Quando se tira um prego, se condensa o desejo no mesmo, enfiando-se a seguir de volta no bonequinho.

Assim, o Homúnculo agirá de acordo com a vontade do Mago. É originário do Congo, atual Zaire.

Música, Ritmos e Cantos

Elementos de suma importância nos rituais Afro, aonde as emoções são expressadas livre e primitivamente, facilitando a atuação da Energia Evocada ou Invocada.

Consagrações

São práticas litúrgicas usadas sempre, em tudo. Os rituais em geral são simples, mas eficazes.

Ebós com Animais

São feitos com partes dos animais (intestinos, por exemplo), que recebem o testemunho da vítima, Condensadores Sólidos e/ou Líquidos, sendo posteriormente enterrados; aí, passado um tempo, o efeito se fará sentir por ação do Elemento Terra (por decomposição).

Há alguns tipos de Ebós que utilizam animais vivos (sapo com a boca costurada, cabra, porco ou coelho com caranguejo vivo costurado dentro do ventre, lagartixa ou caranguejo enrolado em filó), aonde se colocam o testemunho da vítima junto com elementos que farão o animal sofrer lenta e terrível agonia; aí, o que ocorre, é que o animal (sempre) emite Ondas Biológicas (as Ondas utilizadas para diagnóstico e tratamento em Tele- Terapias, Radiestesia e Radiônica), emitindo-as, no caso, permeadas de dor e sofrimento terríveis. Junta-se nessa emissão de Ondas Biológicas do animal a Energia também de Ondas Biológicas da vítima, através de seu testemunho (o Testemunho liga-se a seu “dono” por meio do Raio-Testemunho, o raio que liga a pessoa aos seus pedaços ou imagens). Atingido o alvo, é claro que o resultado será desastroso.

 

Assentamentos de Odus

Assenta-se a Energia das Figuras Geomânticas, da mesma forma que se faz com as outras Energias. O principal problema que se enfrenta aqui é que as interpretações das figuras geomânticas dentro do Camdomblé (e seus similares) é sempre ambíguo, tendo sempre aspectos bons e ruins. Uma reformulação é necessária, para desmanchar esse verdadeiro labirinto.

Só uma dica: pode-se fazer a fixação da energia das figuras geomânticas por meio de um simples Pantáculo! Para que tanto trabalho? Sobre Pantáculos, ver a obra de Franz Bardon.

 

Magia Sexual

Inexiste nos cultos Afro, exceto no Vudú Haitiano. Mesmo assim, está muito aquém de algo realmente prático e eficiente. Ver a obra “Magia Sexualis” de Pascal Beverly Randolph.

 

FT e FPA

Forças das Trevas e Forças Psíquicas Assassinas são dois conceitos metafísicos que definem a Energia da Magia maléfica Afro. Desse prisma, podem ser eliminadas pela Radiônica ou Ondas-de-Forma.

 

Boneco Vodu

 

O clássico bonequinho cheio de alfinetes é simplesmente um boneco de cera, madeira ou pano, com diversos elementos da vítima, que, por práticas ritualísticas, passa a ser um Testemunho Artificial Vivo da vítima; deve ser Animado Magicamente, batizado (utilizando-se da Egrégora do Batismo), posteriormente deixado para “Saturar de Energia” (deixado enterrado por toda uma lunação), o que fará com que o que for feito ao bonequinho cause algum efeito na vítima; daí, se espeta o boneco com alfinetes de aço, devidamente impregnadas com nosso desejo. E o desejado deve ocorrer, em breve. Quando se deseja a morte da vítima, se enterra o bonequinho, com caixão e tudo, reproduzindo um verdadeiro funeral (utiliza-se da Egrégora do Funeral, Enterro). Todas essas práticas podem ser classificadas como de “transplantação” ou “Magia Mumíaca”. Sobre o assunto, ver a obra completa de Franz Bardon (em especial o capítulo VIII do “Initiation Into Hermetics” e o “The Practice of Magical Evocation” em sua totalidade).

Podem ser utilizados, também, em magia benéfica, ou até mesmo em magia de proteção – criando-se, por exemplo, várias égides nossas, deixando-as em locais diversos, visando dispersar ataques mágicos desferidos contra nós.

Sobre isso, ver os livros de Frater U.D., sobre Sigilização Mágica e Magia Sexual.

 

Ferros dos Assentamentos

Usados sobre a massa do assentamento, emitem Ondas-de-Forma análogas às qualidades da Entidade.

 

Importância do Ovo

 

É um dos principais fundamentos da Cultura Mágica Afro, conforme disse antes. Só por curiosidade, o ôvo tem a capacidade de sugar Energias nocivas das pessoas, locais e objetos, quer seja pela colocação do mesmo junto a um testemunho da vítima, ou por passá-lo na própria pessoa (ou colocado no local) alvo da Energia nefasta. Se, após impregnado e saturada de dita Energia, for enterrado, o efeito da Energia some, e a mesma se dissipa nos Elementos. Se, porém, for atirado longe, de forma a espatifar-se, a Energia retorna a quem a enviou…e bem rápido! É importante, porém, frisar, que a Energia “sugada” pelo ovo pode, facilmente, passar para o operador, num instante! Além disso, há práticas místicas que transmutam a Energia natural do ovo em outra coisa; por exemplo, há uma “cantiga” que permite dar, ao ovo, a mesma Energia de um galo vivo! Dessa forma, ao se ofertar o ovo, se entrega à Entidade um galo! Só um alerta importante: NÃO TRABALHEM COM OVOS, sem um prévio conhecimento sobre o assunto.

Estejam avisados!

Troca-de-Cabeça

É a troca da vitalidade do enfermo ou do moribundo pela energia de outro ser, saudável e vigoroso.

Eu aconselho fazer-se com ovos, pedras ou plantas; no Camdomblé se faz com animais; há quem faça com pessoas…

Círculo Mágico

Só aparece na divinação, quer seja na peneira ou no colar de contas (Jogo dos Búzios), ou ainda no Opón, tábua de madeira usada na divinação por Ifá.

 

Tarot

 

 

Inexiste a tradição do uso de cartas para divinação ou meditação, mas já existe um Tarot do Voodoo de New Orleans, e um Tarot dos Orixás, da editora Pallas.

 

Proteção contra ataques psíquicos

 

 

Práticas inexistentes nos Cultos Afro.

 

Espelhos Mágicos

 

 

Existem, mas muito rudimentares, e em pequeno número; são mais comuns em Cuba. Ver obra de Franz Bardon e Pascal Beverly Randolph.

Uso de Testemunhos

 

Nos Cultos Afro, se utiliza muito, para Magia a distância, algum Testemunho (no sentido radiestésico) da pessoa visada. Para os Camdomblecistas, são testemunhos válidos quaisquer sinais da pessoa (sangue, urina, fezes, cabelos, aparos de unhas, esperma, SECREÇÕES vaginais, saliva, suor), sua foto (apesar que muitos Sacerdotes do Culto não gostam muito de trabalhar com fotos, enquanto outros exigem fotos novas – tudo bobagem, pois foto é um excelente testemunho, não importa a idade nem o tamanho), a roupa usada e suja (em especial as roupas íntimas e as meias), fronha do travesseiro, sapatos, palmilhas, assinatura, e, até mesmo, a pegada da pessoa – a terra aonde ela pisou ou o pó do local aonde pisou – , o que eu acho muito arriscado para um uso sério.

De qualquer modo, mesmo em se tratando de testemunhos válidos, a falta de cuidados no manuseio dos mesmos pode invalidar o ato mágico. Muito melhor contruir-se testemunhos artificiais do que trabalhar com um testemunho de valor energético duvidoso.

Assim, podemos observar que o Camdomblé navega num mar da mais profunda ambiguidade.

Enquanto suas práticas iniciáticas são decididamente shamânicas do lado do Iniciando ou Iniciado (ao menos durante seu período como Iaô), as mesmas práticas, isto é, as práticas complementares àquelas, mas realizadas pelo Iniciador, são claramente do nível da feitiçaria.

Na Geomancia, rica e elaborada, com um panteão próprio (uma vez que todos os Odus tem suas representações antropomórficas), o método de praticála é sempre simplificado, utiliza-se de instrumentos primitivos sem nenhum significado oculto, ignora-se as fusões das figuras, que portanto são 256 ao invés de apenas 16; essas, por sua vez, variam quanto a natureza da energia a todo momento, ora significando benesses, ora o oposto – e isto a mesma figura! Por exemplo, tomemos a melhor figura geomântica, no domínio energético e sutil, “Laetitia”, 1222; no Camdomblé, é o melhor Odu, “Obará”, 1222. No Camdomblé, Obará prenuncia riquezas (atribuição de Fortuna Major, 2211), promete que seus filhos nascem pobres mas morrem ricos. Obará só tem um aspecto nefasto: seus filhos são os mais sujeitos a feitiços, inveja, olho-grande e coisas afins. Laetitia significa “alegria”, simbolizada por uma barraca, que provê a proteção do céu. Ou a bobagem foi pura burrice, ou é coisa de painhos querendo faturar…

A Geomancia Afro é mais uma forma de Astrologia Horária; como todas essas, não possui um “evolutivo”. Somente a nossa “Nova Geomancia” a Geomancia Racional, possuí o “evolutivo”, obtido através da rotação das casas, resultado do resto na operação de divisão do total de traços obtidos por doze (ver obra do Panisha sobre o assunto).

Outras figuras de manifesta ambiguidade são o Odu Oxé e a figura Amissio (perda), 1212; como Odu, significa riqueza, mas como figura geomântica significa empobrecimento e, até mesmo, a morte. O Odu Oyekú, o Odu da morte (Oyá-Ikú), em nada corresponde a Populus, embora ambas tenham a mesma figura numérica, 2222. O Odu Odí é tido como o pior dos Odus, enquanto que a figura de Carcer é uma figura de entraves, tendo seu aspecto bom na casa 12 (entrava os acidentes, obstáculos e doenças), e algumas vezes bom na casa 8 (entrava as mudanças, mas também a morte). Isso só para começar. Mas basta de Geomancia.

O Camdomblé possuí um dos mais belos e ricos panteãos de Deuses jamais conhecidos, embora muitos aspectos de relevância tenham se perdido ao longo do tempo. E com a ausência desses elementos fica muito complicado encontrar as corretas atribuições com Deuses de outros panteãos, bem como com a Árvore da Vida. Aspectos relativos a sexualidade, tão patentes entre os Deuses da Índia, são praticamente ausentes entre os Deuses Afro, ou, quando presentes, seus dados são por demais perfunctórios, tornando sua utilização mágica muito arriscada. Creio que o resgate do “elo perdido” é necessitado com urgência.

Como se não bastasse o que relatei acima, temos, no Camdomblé, práticas mágicas do nível da feitiçaria, com alguns poucos toques de shamanismo. Curioso é que muitos praticantes do Camdomblé creem que, para que a Magia funcione, é necessário ter-se o auxílio de um “parceiro astral”, um Exu ou um Egum, devidamente assentado, com todos os Ossé (tratamentos e obrigações) em dia (portanto, potencializado). Quer dizer, o Exu (ou o Egum) deve existir tanto no plano físico, através do assentamento (ver Evocação ao nível da Feitiçaria), como nos planos sutis, pela manutenção da imagem mental da entidade (ver Evocação ao nível do Shamanismo).

E, para encerrar com “Chave-de-Ouro” o assunto, uma verdadeira barbaridade, prova cabal da profunda ignorância daqueles que se dizem detentores dos Fundamentos do Culto: definem os Orixás como sendo Elementais! Seria bom que essas pessoas estudassem um pouco de Mitologia, Arquétipos, Egrégoras e Elementais, para saírem do poço de ignorância que está destruindo o último Culto Vivo aos Deuses Internos do Homem, o Camdomblé!

Trocando em miúdos, na Umbanda e na Quimbanda, se pratica e Invocação Mágica (a qual se chama de Incorporação), e a Evocação Mágica – quando se busca, pelas oferendas compostas de velas coloridas, bebidas, charutos e outras coisas, criar uma atmosfera propícia à manifestação da Entidade – , quando então se pede à Entidade o que se deseja.

Já as oferendas no Candomblé – Ebós – tem dois aspectos distintos, o primeiro sendo a criação de uma atmosfera propícia à manifestação da Entidade, e o segundo a criação de Elementares, para a execução de operações mágicas. Nada, aliás, que não se consiga repetir por outras dezenas de métodos mais simples, práticos e baratos – o que, porém, não invalida a tradição. Praticar o Camdomblé com artigos importados da África ou da Nigéria é tão absurdo quanto importar gêlo das geleiras dos polos ou neve da América do Norte ou Europa para realizar rituais da Wicca adequados ao inverno…

É lamentável constatar que o Candomblé, religião Thelêmica, Sistema de Magia antes de tudo Pragmático, foi transformado num culto vazio, pobre, custoso e dominado por pessoas ignorantes, inescrupulosas e mercantilistas.

Apêndices

 

 

“CAMPO DE ATUAÇÃO, CORES VOTIVAS E SAUDAÇÕES AOS ORIXÁS

 

 

OXALÁ: paz, harmonia, longevidade, velhice, vitória;
– “XEU EU BABÁ!” (para o Velho – OXALUFÃ)
– “ÊPA BABÁ!” (para o Moço – OXAGUIÃ, e outras qualidades)
> branco, algumas vezes branco e azul;

XANGÔ: justiça, conquista, vitória, amor, sexo, lar, trabalho, riqueza;
– “OXÉ CAÔ CABIECILE!”
> branco e vermelho, algumas vezes só vermelho;

XANGÔ AFONJÁ: ídem Xangô.
> branco e vermelho;

XANGÔ AYRÁ: ídem Xangô, além de intelectualidade.
> branco, algumas vezes branco e vermelho;

XANGÔ AGANJÚ: ídem Xangô.
> marrom e vermelho;

OGUM: guerra, vitória, trabalhos manuais, habilidades;
– “OGUNHÊ PATACURÍ!”
> azul-escuro, azulão;

ABALUAIÊ: saúde, doenças, morte;
– “AJUBERÚ, ATÔTÔ!”
> branco e preto, preto e vermelho, preto e amarelo, branco-preto-vermelho;

OXUMARÉ: riqueza, boa sorte;
– “ARRÔBÔBÔI!”
> preto e amarelo;

EXÚ, BÁRA, ELEGBARÁ, LEGBÁ, BOMBOMGIRA: tudo;
– “LARÔIÊ EXÚ, EXÚ É MOJIBÁ!”
> preto, vermelho, branco e roxo, algumas vezes preto e vermelho, ou branco;

ERÊ: alegria, paz, harmonia, infância;
– “ERÊ-MIM!”
> azul-claro, ou rosa-claro, ou branco, ou dourado, ou verde-claro;

OXÓSSI: caça, amor, fartura, agricultura;
– “OKÊ ARÔ!”
> azul-claro;

NANÃ: morte, saúde, longevidade;
– “SALÚBA, NÂN!”
> roxo e branco, algumas vezes só branco;

OXUM: amor, sexo, boa sorte, riqueza, prosperidade;
– “ÓRÁIÊIÊO!”
> dourado, algumas vezes dourado e branco;

IEMANJÁ: harmonia, paz, lar, prosperidade, fartura;
– “ÔDÔIÁ!”
> branco ou incolor, algumas vezes azul-claro, outras azul e branco;

OBÁ: justiça, amor;
– “ÔBÁ XIRÊE!”
> vermelho, algumas vezes coral;

OYÁ: sexo, amor, guerra, os mortos;
– “ÊPARRÊI!”
> coral, algumas vezes vermelho, outras vermelho e coral, ou coral e branco;

IRÔCO: hemorragias;
– “IRÔDEGÍ!”
> cinza;

YEWÁ: visão, vidência;
– “RIRÓ!”
> amarelo e vermelho;

OSSÃE: ervas, saúde, medicina, alquimia, magia;
– “EUEU ASSA!”
> branco e verde;

TEMPO: o tempo, as forças da natureza;
– “ZÁRA, TEMPO!”
> amarelo e vermelho;

LOGUM-EDÉ: amor, sexo, caça;
– “LÓSSI, LÓSSI, LOGUM!”
> azul-claro e dourado;

IFÁ: destino, futuro, segredos;
– “ODÚDÚA DÁDÁ ÔRÚMILÁ – AXÉ IFÁ!”
> verde e amarelo;

YIÁ-MÍ-OXORONGÁ: magia-negra;
– “AXÉ!”
> preto;

AJÊ: riqueza, fartura, prosperidade;
– “AXÉ!”
> dourado e prateado;

EXÚ DE QUIMBANDA/POMBA-GIRA DE QUIMBANDA: tudo;
– “LARÔIÊ!”
> preto e vermelho, algumas vezes preto-branco-vermelho

 

CORRELAÇÃO DE NOMES NOS CULTOS AFROS

 

Segue os nomes respectivamente de ORIXÁ (ALAKETU) VODUM (GÊGE) e INKICE (ANGOLA)

OXALÁ OLISASSA LEMBA-DI-LÊ
XANGÔ SOBÔ, BADÊ ZAZE
OGUM GU ROXIMOCUMBI
IBÊJE ERÊ VUNJI
EXÚ BÁRA, ELEGBARA, LEGBÁ BOMBOMGIRA
OMOLÚ, OMULÚ {XAPANÃ, SAPATÁ, AZOANÍ, KIKONGO, CAJANJÁ
{BABALUAIÊ, INTÔTO
OXUMARÉ, OXUMARÊ {BESSÉM, ABESSÉM, SIMBÍ, {ANGOROMÉIA,
{DAMBALAH, SOBOADÃ {ANGORÔ
OXÓSSI, ODÉ ODÉ, AGUÊ KIBUCOMOTOLOMBO
{NANÃ, NANÃ BURUKÚ, TABOSSI RADIALONGA
{ANÃBURUKÚ
OXUM AZIRÍ KISSIMBÍ
{IEMANJÁ, YEMONJÁ, INAÊ, MARBÔ {JANAÍNA, MUCUNÃ,
{YIÊMÔNDJÁ {KAIALA, KIANDA,
{OLOXUM
YANSÃ OYÁ KAIONGO
TEMPO TEMPO KATENDE
IRÔCO LÔCO LÔCO
IFÁ FÁ IFÁ
YEWÁ YEWÁ YEWÁ
YIÁ-MÍ-OXORONGÁ AJÉ, ADJÉ, OXÔ ADJÉ
AJÊ, ADJÊ ADJÊ-XALÚGA AJÊ

 

OS ARCANOS MAIORES DO TAROT E OS ORIXÁS

 

ARCANO ORIXÁ
0 O LOUCO IAÔ – O INICIANDO
I O MAGO OSSAIN
II A GRÃ-SACERDOTISA NANÃ
III A IMPERATRIZ IEMANJÁ
IV O IMPERADOR XANGÔ
V O PAPA/O HIEROFANTE OXALÁ
VI OS NAMORADOS OXÓSSI
VII O CARRO OGUM
VIII A JUSTIÇA OBÁ
IX O HEREMITA/O HERMITÃO OMOLU
X A RODA DA FORTUNA IFÁ
XI A FORÇA OYÁ
XII O PENDURADO/O ENFORCADO LOGUM-EDÉ
XIII A MORTE ÉGUM
XIV A TEMPERANÇA OXUMARÊ
XV O DIABO EXÚ
XVI A TORRE TEMPO
XVII A ESTRELA OXUM
XVIII A LUA YEWÁ
XIX O SOL IBEJI
XX O RENASCIMENTO/O JUÍZO BABÁ-ÉGUM
XXI O MUNDO O ÔVO CÓSMICO DE DAMBALLAH E AYIDA

 

OS ODÚS E O JOGO DOS BÚZIOS

Segue i jogo com dezesseis búzios – “merindilogum”

nº de búzios abertos * figura geomântica * nome em latim  * nome em yoruba

0 * nenhuma * nenhum * Opira
1 * 1111 * Via * Ogbé ou Ejí-Onile
2 * 1112 * Cauda Draconis * Ogundá
3 * 1121 * Puer * Iretê ou Mejioco
4 * 1122 * Fortuna Minor * Irossum
5 * 1211 * Puela * Oturá ou Ejí-Oligbon
6 * 1212 * Amissio * Oxé
7 * 1221 * Carcer * Odí
8 * 1222 * Laetitia * Obará
9 * 2111 * Caput Draconis * Ossá
10 * 2112 * Conjunctio * Iwóri ou Obetegundá
11 * 2121 * Aquisitio * Ofum
12 * 2122 * Albus * Iká
13 * 2211 * Fortuna Major * Owanrin
14 * 2212 * Rubeus * Eji-Laxeborá ou Oturupon
15 * 2221 * Tristitia * Okaran
16 * 2222 * Populus * Aláfia ou Oyekú

 

por J. R. R. Abrahão

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-gnose-afro-americana-e-o-candomble-gnostico/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-gnose-afro-americana-e-o-candomble-gnostico/

A aurora de Malévola (parte 1)

Recentemente assisti ao filme Malévola (Maleficent), da Disney, com Angelina Jolie no papel principal, que se trata de uma releitura de um antigo conto de fadas que também já havia sido transposto ao cinema pela própria Disney há décadas atrás.

A versão mais conhecida do conto é a dos Irmãos Grimm, publicada em 1812, na obra Contos de Grimm, sob o título A Bela Adormecida (Dornröschen). No entanto, como de costume, os Grimm se basearam em mitos ainda mais antigos para compor sua obra, de modo que podemos rastrear sua inspiração até o original La bella addormentata nel bosco (A Bela Adormecida no Bosque), do italiano Giambattista Basile (1566-1632), assim como o La Belle au bois dormant, do francês Charles Perrault (1628-1703), que já na época fazia sua própria releitura do anterior.

Há muitas análises simbólicas sobre os contos originais [1], mas meu objetivo aqui não é me ater ao passado, mas sim celebrar esta releitura atual, fruto da parceria da roteirista Linda Woolverton com o diretor Robert Stromberg. A seguir analisarei o filme com a minha interpretação da sua mitologia ainda presente, e embora os meus comentários tratem de assuntos que vão além da visão superficial da história, é inevitável que eu traga aqui alguns spoilers, de modo que recomendo que vejam ao filme antes de lerem o restante deste artigo…

A fada criança

No início do filme vemos uma fada Malévola muito diferente da bruxa má que aparece de repente nos contos antigos. De cara, já fica óbvio que a história tratará de explicar os acontecimentos ocorridos muito antes do início dos contos.

Aqui vemos uma menina inocente e brincalhona, que gosta de voar pela terra das fadas, brincar de guerra de lama com os duendes e, de vez em quando, subir até o alto do céu para tomar um banho de sol. Alguns desavisados podem achar que os seus enormes chifres, por si só, fazem dela um “ser maléfico”, mas é preciso estar atento para o fato de que, em muitas mitologias pagãs, os chifres estarem associados a sabedoria, e não a maldade.

Em todo caso, não poderíamos dizer que esta fada era muito sábia. Ela acaba encontrando um garoto larápio que havia adentrado a floresta encantada em busca de pedras preciosas, mas consegue convencê-lo a devolver o que havia roubado e, eventualmente, se afeiçoa a ele. A princípio a amizade dos dois é pura e verdadeira, mas eventualmente o mundo externo acaba seduzindo mais ao larápio do que sua amiga fada, e ele abandona a amizade.

Com o tempo ficamos sabendo que no mundo externo também existe um rei bem velho que não se conforma com o fato de não poder conquistar as terras das fadas. Durante o filme, este rei eventualmente perde uma batalha para uma Malévola crescida e jura se vingar…

Até mesmo crescida, entretanto, Malévola ainda não parece se dar conta da maldade que existe no mundo externo. Esta parte do filme tem algum paralelo com o mito do Éden, assim como com a época infantil.

Assim como Adão e Eva, as crianças são naturalmente boas, simplesmente pelo fato de ainda não haverem conhecido o mal. Uma vez comida a maçã, uma vez atingida a adolescência e, principalmente, o despertar da sexualidade, todos passamos a conhecer tanto o bem quanto o mal, e todos passamos a, efetivamente, fazer nossas próprias escolhas internas sobre qual o caminho a seguir. Acredito que o restante do filme fale essencialmente sobre isto.

A inocência perdida

No decorrer do filme, o velho rei decreta: “Aquele que matar Malévola será o herdeiro do meu trono”. Aqui, vemos o garoto larápio já crescido, um reles serviçal do rei, porém muito ambicioso. Ele elabora um plano ardiloso.

O larápio retorna a floresta das fadas e, mesmo após muitos anos sem ver Malévola, ela acaba voando ao seu encontro ao ouvir seus chamados. Ele a seduz e diz querer reatar a amizade de outrora. Malévola, a criança crescida, aceita prontamente.

Então transcorre a cena mais impactante do filme, que é uma óbvia analogia a uma violência sexual, mas por contra de ser um filme para crianças, transcorre de maneira inteiramente simbólica. O larápio dá um sonífero para Malévola beber e, enquanto ela esta dormindo de bruços na relva, vemos sua tentativa de esfaqueá-la… No último momento, ele reluta, pois ainda há uma chama, quem sabe, de amor verdadeiro, que embora quase apagada, ainda o faz pensar noutra solução: cortar suas asas para levar ao velho rei como “prova” do assassinato.

Ao acordar sem suas asas, e sem seu suposto amigo, Malévola prontamente compreende o ocorrido, e grita de tristeza. Sim, fica muito claro que é tristeza, uma profunda tristeza, o que ela sente ao perceber que foi não somente ludibriada por seu “amigo”, mas que também foi profundamente violentada por ele. Sem suas asas, ela não poderia mais escapar de vez em quando da terra para ver o sol nas alturas – ela caiu, definitivamente, do Éden; será que um dia conseguirá retornar?

A terrível maldição

Passam-se os anos e o garoto acaba mesmo se tornando um rei, que eu devo chamar de rei larápio. Ele se casa com alguma princesa (que não tem muita importância no contexto da história) e eles acabam tendo uma filha. É precisamente na festa do batizado desta filha, Aurora, que Malévola reaparece e chegamos, finalmente, ao início dos contos originais.

Malévola, que não havia sido convidada para a celebração, vai até lá por conta do ódio que nutriu, por anos, em seu coração (a tristeza não devidamente tratada). Chagando lá ela profere uma “terrível maldição que não poderia ser quebrada por nenhum poder do mundo”. A princípio, seu intuito era o de fazer Aurora dormir para sempre após completar 16 anos, ao espetar seu dedo na ponta de um fuso de tear; porém, como o rei larápio suplica de joelhos, ela “suaviza” a maldição e diz, “Mas se alguém lhe der um beijo de amor verdadeiro, ela acordará”.

Ocorre que, naquela altura, nem Malévola nem o rei acreditavam que o amor verdadeiro existia, de modo que o rei passa a crer que a maldição seria inevitável se ele não desse cabo de todos os teares do reino, e mandasse seu bebê para ser cuidado por três fadas “bondosas” em algum local secreto. Aurora é então levada para a própria terra das fadas, onde é criada pelas “tias fadas” num casebre em meio a floresta, enquanto o rei larápio fica cada vez mais paranoico com o passar dos anos, passando até a “conversar” com as asas arrancadas de malévola, que decoram o seu salão, como se ela estivesse ali (e, como veremos, de certa forma, uma parte dela estava mesmo).

No início da criação de Aurora, nos surpreendemos ao perceber que Malévola, apesar de a odiar profundamente, acaba por cuidar para que não lhe falte alimentação, e envia o seu corvo serviçal para auxiliar no possível, onde as “tias fadas”, que não tinham lá muita experiência em cuidar de bebês humanos, falhavam [2]… Na próxima parte do filme ficamos na dúvida se o que Malévola sente por Aurora é mesmo ódio, ou amor; raiva, ou medo!

» Em seguida, o misterioso amor verdadeiro…

***

[1] Ver, por exemplo, Análise mitológica de A Bela Adormecida e Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento, de Wilton Fred C. de Oliveira; ou A Bela Adormecida do Bosque e o despertar da sexualidade, de Ana Cláudia Matos Gonçalves.

[2] Uma curiosidade: É a própria filha de Angelina Jolie, Vivienne, quem interpreta Aurora quando criancinha. De fato, foi a sua estreia nos cinemas!

Crédito da imagem: Malévola – O filme (Divulgação)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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***

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#Cinema #contosdefadas #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-aurora-de-mal%C3%A9vola-parte-1

‘Os 40 Servidores e como começar a usá-los

Os 40 Servidores são personalidades mágicas lançadas ao mundo por Tommie Kelly na noite de Halloween de 2016. Criados inicialmente como para ser um sistema oracular revelaram-se também como um sistema prático e simples de evocação que caiu no gosto dos praticantes de magia no caos. O material a seguir é tudo o que você precisa para começar a usá-los, entretanto Kelly lançou também um Grimório dos Quarenta Servidores (já editado pela Editora Penumbra) com um rico conteúdo adicional.

O que são os servidores ?

Estes 40 personagens podem ser compreendidos de várias formas, o próprio criador que inicialmente diziam se tratar de formas-pensamentos hoje chama os servidores de ‘encarnações de ideias universais” e evita bater o martelo e dizer que são entidades astrais, quantas de informação ou arquétipos psicológicos. Alguns servidores podem ser facilmente reconhecíveis em formas divinas e mágicas mais antigas. O importante é que se tratam de realidades que podem ser acessadas para se obter sucesso em todos os campos da vida.

Cada servidor possui sua própria carta com seu sigilo e imagem representativa. Você pode adquirir o baralho completo no site do Tommie Kelly mas ele também liberou muito conteúdo gratuito para ser utilizado pelos magistas:

Nota: Aqui no Morte Súbita inc. optamos por traduzir literalmente os nomes dos servidores. Entendemos que ao contrário dos nomes comuns os nomes destes servidores no original são absolutamente descritivos e esta característica se perde para quem não domina o idioma inglês.  Para fins de correspondência sempre que um servidor for mencionado a primeira vez ele será acompanhado do nome inglês.

O que os servidores querem em troca?

Nas palavras de Tommie:

“Tradicionalmente, os servidores precisam ser “alimentados” para continuar a existir. Os Quarenta Servidores foram criados para viver e se alimentar da atenção e do uso das pessoas. Quanto mais atenção eles recebem, mais poderosos eles se tornam para todos que os usam.” e ainda “Ser alimentado pela atenção significa que os Quarenta servidores dependem totalmente dos humanos para existir. Se as pessoas pararem de usá-los ou de pensar neles, eles deixarão de existir.”

Uso Básico dos 40 Servidores

A melhor maneira de conhecer e rapidamente começar a usar os 40 servidores é entrando em contato com eles.Você precisa conhecer sua equipe e com essa interação você vai aprender mais – e em muito menos tempo – do que qualquer teoria que poderíamos passar para você.

Escolha uma carta e deixe sua mente relaxar. Em particular tente não se prender a nenhuma noção preconcebida que você possa ter sobre seus nomes, rótulos ou personalidade. Deixe os servidores falarem diretamente com você sem intermediários por meio de suas imagens, sigilos e insinuações.  Essa primeira etapa é importante e geralmente negligenciada por quem só procura um servidor quando os boletos estão atrasados ou quando precisa dar uma lição em alguém. Pagar as contas e dar uma lição em quem merece são coisas ótimas, mas um aprofundamento anterior e desinteressado nos servidores leva a uma  percepções e compreensão maior de sua natureza.

Só com este pequeno exercício você poderá não apenas entender a personalidade dos servidores mas talvez ter acesso a nomes, mantras, símbolos e correspondências que eles queiram usar apenas com você. De qualquer forma durante este exercício preste atenção a seus sonhos e impressões, em especial em pensamentos que surgirem do nada. Anote quaisquer detalhes que vierem à mente.

Iniciação usando O Santo

Tommie Kelly sugere como um ritual de iniciação para este sistema que se utilize o servidor chamado “O Santo” como um intermediário, um concierge, um especialista em especialistas:

“Esta evocação pode ser um dos primeiros rituais que você realiza quando começa a trabalhar com os Quarenta Servidores. Este ritual tem três fases. Na primeira fase, você faz contato com O Santo durante um período de três dias e, na segunda fase, você pede a ele para apresentá-lo aos outros trinta e nove servidores restantes. Na fase final, você passa mais três dias agradecendo ao Santo por sua ajuda e assistência. Pense no Santo, como sendo semelhante a Scirlin do Grimorium Verum, ou qualquer um dos outros espíritos intermediários de qualquer grimório ou sistema. O Santo, neste primeiro papel inicial atua como intermediário entre o novo mago e os outros Quarenta Servidores.”

Retire a carta do Santo do Baralho, ou use seu sigilo ou imagem impressa, e coloque-o em seu altar, ou em um lugar especial por três dias. A cada dia, acenda uma nova vela e queime incenso em sua homenagem. O rum também é uma excelente oferta. Em seguida, diga o seguinte em voz alta para ele:

“Eu invoco você Grande Servidor ‘O SANTO’ para que venha a mim para que eu possa conhecê-lo.
Eu sou (diga seu nome), o mestre e governante deste domínio.
Você é o servidor conhecido por intercessão e convocação de especialistas, venha e apresente-se a mim.

Sempre me obedeça, Grande Servidor, e sempre me agrade.
Em troca, vou oferecer-lhe reconhecimento e sustento
para que aumentem a sua energia, potência e fama.

Dê-me um sinal de que você ouviu minha chamada e
venha me dar as boas-vindas como seu Mestre e Amigo.”

No quarto dia e pelos próximos trinta e nove dias, use a seguinte oração, mudando-a a cada dia para incluir o nome de cada um dos trinta e nove servidores restantes em ordem alfabética. Faça uma oferta ao santo e ao servidor a cada dia.

Convido-te, Grande Servidor ‘O Santo’, que venha até mim para que eu te conheça.
Eu sou (diga seu nome), o mestre e governante deste domínio.
Eu te chamo aqui para que você possa me apresentar ao servidor (diga o nome do servidor) que é conhecido por (descreva seus atributos),

Ó Grande Servidor O Santo,
traga (o nome do servidor) adiante para que eu possa reconhecê-lo,
E em troca ele / ela me reconhecerá como seu amigo e mestre.

Sempre me obedeça, Grande Servido (Nome do servidor do dia) e sempre me agrade.
Em troca, vou oferecer-lhe reconhecimento e sustento
para que aumentem a sua energia, potência e fama.

Dê-me um sinal de que você ouviu minha chamada e
venha me dar as boas-vindas como seu Mestre e Amigo.

Eu faço essas ofertas como um agradecimento a vocês dois.”

Depois de concluídas as apresentações a cada um dos servidores, coloque O Santo em seu Altar, ou em um lugar especial por três dias. Cada dia faça uma oferta e agradeça com suas próprias palavras por sua ajuda.

Os 40 Servidores

Abaixo temos agora uma listagem dos 40 servidores com uma rápida descrição de suas funções. Sugerimos fortemente que após este contato inicial realize o procedimento descrito acima antes de pesquisar mais profundamente sobre cada servidor.

A Aventureira

A Aventureira (The Adventurer) nos mostra como ter aventura e entusiasmo. Ela nos encoraja a sair de nossas zonas de conforto ao tentar novas coisas lá fora no mundo físico.

Palavras-Chave: Aventura, Entusiasmo, Acelerar, Espanto, Energizar, Intensificar, Sair por ai, Despertar, Surpreender, Provocar Mudança, Motivar, Animar, Inovação, Experimentação.

A Harmonizadora

A Harmonizadora (The Balancer) nos mostra como manter nossas vidas equilibradas e em harmonia. Ela nos encoraja a manter todas as áreas da nossa vida em igual proporção.

Palavras-Chave: Equilíbrio, Harmonia, Uniformidade, Simetria, Combinar, Corrigir, Agrupar, Estabilizar, Reajustar, Homeostase.

A Lasciva

A Lasciva (The Carnal) nos mostra como sermos positivos sobre a nossa sexualidade e nossos corpos físicos. Ela nos encoraja a nos sentirmos sensuais, atraentes e fisicamente desejados.

Palavras-Chave: Desejo, Beleza, Paixão, Sensualidade, Luxúria, Amor Próprio, Fisicalidade, Sexo, Carisma, Confiança.

A Casta

A Casta (The Chaste) nos mostra que disciplina e pureza também são elementos importantes de nossas vidas. Ela nos encoraja a refrearmos o desejo sexual e os prazeres físicos básicos e em vez disso nos concentremos em uma existência mais purificada.

Palavras-chave: Pureza, Castidade, Limpeza, Virtude, Honra, Virgindade, Inocência, Impecabilidade, Fé, Bondade, Respeitabilidade, Celibato, Abstenção, Disciplina.

O Maestro

O Maestro (The Conductor) nos mostra como tomar o controle das circunstâncias de nossa vida. Ele nos encoraja a assumir um papel mais ativo orquestrando a execução dos eventos que nos cercam.

Palavras-chave: Controle, Regular, Ordenar, Direcionar, Pilotar, Regrar, Autoridade, Dominação, Manipulação, Autonomia, Autodeterminação, Autogoverno, Soberania, Liberdade, Liderança.

O Contemplador

O Contemplador (The Contemplator) nos mostra como acessar nossa mente subconsciente. Ele encoraja-nos a temporariamente deixar de pensar sobre nossos problemas para que a mente subconsciente possa encontrar uma solução.

Palavras-chave: Subconsciente, Informação, Automação, Retirada, Deixar soluções apresentarem a si mesmas, Revelação, Subliminar.

A Dançarina

A Dançarina (The Dancer) nos mostra que é perfeitamente humano falhar ou não estar a altura de algo. Ela nos encoraja a aceitar que às vezes as coisas simplesmente não funcionam como planejado e isso é perfeitamente aceitável.

Palavras-Chave: Aceitação, Não resistência, Reconhecimento de como as coisas são, Estar OK, Entregar-se, Ser um bom perdedor, Sobreviver, Resiliência.

A Morte

A Morte (The Dead) nos mostra nossa conexão com nossos Antepassados e com o passado da humanidade. Ela nos encoraja a aprender com o passado, para assim não cometermos os mesmos erros de novo e de novo.

Palavras-chave: Morte, Antepassados, História, O Passado, A Antiguidade, Legado, Conexão, Experiência Coletiva, O Véu, Psicopompa (Orientação das almas), Conhecimento combinado, Encerramentos, Novas Fases.

O Esgotado

O Esgotado (The Depleted) nos mostra que todos os recursos tem sido usados em uma área de nossas vidas. Nos encoraja a levar o tempo que for preciso para reabastecer nossas reservas e talvez seguir em uma nova direção.

Palavras-chave: Encerramentos, Ciclos, Drenado, Esvaziado, Exaurido, Gasto, Usado, Finalizado, Acabado, Desgastado, Estações, Cansado, Definhado, Completo.

O Desesperado

O Desespero (The Desperate) nos mostra que tudo está atualmente tão ruim quanto poderia estar. Ele nos encoraja a reconhecer o inferno em que estejamos.

Palavras-chave: Lúgubre, Terrível, Drástico, Dor, Sofrimento, Depressão, Tristeza, Tormento, Misérias, Nuvens Negras, Desesperança, Desanimado, Desamparado.

O Diabo

O Diabo (The Devil) nos mostra que nossas crenças podem estar nos restringindo e nos mantendo afastados da liberdade. Ele nos encoraja a perceber que nós temos colocado estas amarras em nós mesmos e podemos nos livrar a hora que quisermos.

Palavras-chave: Restrição, Limitação, Limite, Comprometimento, Confinamento, Bloqueios, Restrição, Impedimento, Inibição, Tabu, Emancipação.

O Explorador

O Explorador (The Explorer) nos mostra como nos tornar uma pessoa melhor explorando a profundidade de nós mesmo. Ele nos encoraja a ser mais comprometido com nosso desenvolvimento pessoal e a descobrir nosso talentos ocultos e potencial.

Palavras-chave: Desenvolvimento pessoal, Auto-Ajuda, Exploração Interior, Definição de Novos Desafios, Estabelecimento de metas.

O Olho

O Olho (The Eye) nos lembra que existe um plano divino para todas as coisas. Este servidor nos encoraja a lembrar que todas as coisas são exatamente como deveriam ser.

Palavras-chave: Fé, Plano divino, Trilha Certa, Proteção, Ajuda do Alto, Espírito, Presença, Direção.

O Pai

O Pai (The Father) oferece amor árduo, conselhos e sabedoria para que você enfrente os desafios da vida por si mesmo. Ele nos encoraja a aprender as lições por nós mesmos para que possamos lidar com os problemas futuros com sabedoria e perspicácia.

Palavras-chave: Orientação, Sabedoria, Aprender com a Experiência, Defender a Si Mesmo, Conselho Prático, Coisas que você precisa ouvir.

O Consertador

O Consertador (The Fixer) nos mostra que qualquer problema pode ser resolvido se nos propusermos a fazer o que for preciso. Ele nos encoraja a fazer o que deve ser feito para conseguir o que queremos obter – custe o que custar.

Palavras-chave: Solução, Ajuste, Conserto, Resolução, Reparar, Corrigir, Preço a Pagar, Custo, Último Recurso, Esforço.

A Afortunada

A Afortunada (The Fortunate) nos ensina como ser felizes, saudáveis, prósperos e sábios. Ela nos encoraja a reconhecer quão boa vida boa pode ser.

Palavras-chave: Felicidade, Sucesso, Alegria, Maravilha, Prosperidade, Riqueza, Opulência, Bons Tempos, Abundância, Luxo, Plenitude, Conforto, Deleite, Euforia.

O Porteiro

O Porteiro (The Gate Keeper) nos mostra como entrar nas áreas de nossas vidas que parecemos estar trancados para fora. Ele nos encoraja a saber que sempre há uma chave para cada porta.

Palavras-Chave: Acesso, Exposto, Revelado, Disponível, Permitido, Atingível, Abertos, Acessíveis, Desatado.

O Doador

O Doador (The Giver) nos mostra todos os presentes que recebemos em nossas vidas. Ele nos encoraja a nos lembrarmos de sempre ser generosos e gratos pois hpje somos os doadores amanha podemos ser quem recebe.

Palavras-chave: Prêmio, Benefício, Caridade, Presente, Oferenda, Doação, Gratuidades, Aceitação, Generosidade, Coletar, Obter, Presente, Dar e Receber, Contrato, Posse, Gratidão.

O Guru

O Guru (The Guru) nos mostra como aplicar qualquer conhecimento que possuímos de forma prática. Ele nos encoraja a sempre tentar implementar as lições aprendidas de nossos caminhos espirituais em nossas vidas cotidianas.

Palavras-chave: Ensino, Funcional, Prático, Habilidade, Aplicação de Ideias, Mentor, Mestre Espiritual, Pragmático, Realista, Direção, Uso do Conhecimento, Aplicação de ideias.

A Curadora

A Curadora (The Healer) nos mostra como curar e se recuperar. Ela nos lembra de cuidar de nós mesmos e dos outros.

Palavras-chave: Cura, Curativo, Calmante, Repouso, Remendar, Recuperação, Doença, Saúde, Medicina, Restauração, Terapêutico, Tônico, Integralidade, Bem-estar, Conforto.

A Ideia

A Ideia (The Idea) nos mostra como sermos originais, inventivos e criativos. Nos encoraja a ver que a inspiração está sempre ao nosso redor.

Palavras-chave: Criatividade, Inspiração, Ideias, Imaginação, Engenhosidade, Originalidade, Visão, Design, Descoberta, Forma, Invenção, Composição, Iluminação.

O Levitador

O Levitador (The Levitator) nos mostra como se elevar acima do drama em nossas vidas para que fiquemos afastados e imparciais. Ele nos encoraja a ver as coisas de um ângulo diferente.

Palavras-chave: Elevar-se cima de tudo, Perceptiva Diferente, Ver as Coisas por um Ângulo Diferente,  Escapar do drama, Estar Afastado, Separado, Acima.

A Bibliotecária

A Bibliotecária (The Librarian) nos mostra a teoria por trás dos assuntos que nos interessam. Ela nos encoraja a estudar e aumentar nosso conhecimento.

Palavras-chave: Teoria, Livros, Informação, Dados, Aprendizado, Estudo, Documentos, Localização de Livros, Armazenamento de Informações, Educação, Know-how, Compreensão, Exames, Provas.

Os Amantes

Os Amantes (The Lovers) nos mostram como amar depois que a luxúria se vai. Eles nos encorajam a nos conectar em um nível mais profundo com nossos parceiros para que  laços sagrados sejam formados.

Palavras-chaves: Ternura, Devoção, Apreciação, Laços, Respeito, Afeto, Amados, Conexão, Contato, Parceria, Afinidade, Sentimento.

O Mestre

O Mestre (The Master) nos mostra como ser a melhor versão de nós mesmos. Ele nos encoraja a sempre nos esforçarmos para agir com nossos eus mais elevados, em vez de n com ossas naturezas inferiores.

Palavras-chaves: Ascenso, Divino, Completo, Sabedoria, Guia, Melhor Versão, Evoluído, Entrega, Santo, Místico, Sagrado, Espiritual, Maestria.

A Mídia

A Mídia (The Media) nos mostra como espalhar a palavra sobre todas as coisas é importante para nós. Nos encoraja a sempre lembrarmos do poder da propaganda – tanto a boa quanto a má.

Palavras-chaves: Desinformação, Hype, Publicidade, Anúncios, Promoção, Assessoria de Imprensa, Relações Públicas, Meias Verdades, Falsidades, Enganos, Desonestidade, Insincero, Dissimulado, Astúcia, Propaganda, Relações Públicas.

O Mensageiro

O Mensageiro (The Messenger) nos mostra como nos comunicar melhor. Nos encoraja a sermos abertos para o que a vida esteja tentando nos dizer.

Palavras-chaves: Comunicação, Notícias, Aviso, Conexão, Contato, Conversação, Escutar, Entrega, Ligação, Correspondência, Recebimento.

O Monge

O Monge (The Monk) nos mostra como manter nossas vidas simples e descomplicadas. Ele nos encoraja a passar mais tempo em meditação, introspecção e contemplação.

Palavras-chave: Simplicidade, Facilidade, Frugalidade, Natural, Quietude, Serenidade, Pacífico, Meditação, Calma, Harmonioso, Relaxado, Sereno, Plácido, Tranquilo, Gentil.

A Lua

A Lua (The Moon) nos mostra o que está escondido na escuridão.Nos encoraja a reconhecer nossas auto-ilusões, ao mesmo tempo em que estamos conscientes das mentiras que nos são contadas pelos outros, bem como as ilusões gerais da vida.

Palavras-chave: Ilusão, Reflexão, Decepção, Mentiras, Esperança, Desejos, Iluminação, Sombras, Mistério.

A Mãe

A Mãe (The Mother) nos mostra tudo sobre fertilidade, segurança e nutrição. Ela nos encoraja a nos sentirmos salvos, seguros e a estar atentos ao nosso bem-estar geral.

Mãe: Nutrição, Cuidado, Apoiado, Fertilidade, Maternidade, Amado, Aceitação, Amor Incondicional, Compaixão, Adorado, Mantido a Salvo, Protegido, Estimado, Honrado.

O Opositor

O Opositor (The Opposer) nos mostra como estamos sendo restringidos por forças externas. Ele nos encoraja a enfrentar a oposição e as restrições que nos são impostas por outros.

Palavras-chaves: Oprimido, Restrito, Limitado, Oposição, Hostilidade, Competição, Esforço, Choques, Contrariedade, Contenção, Obstrução, Duelo, Inimigo, Adversário, Antagonista, Obstáculo.

O Planeta

O Planeta (The Planet) nos revela nosso lugar na criação. Nos encoraja a lembrar quão imenso e inspirador é o universo.

Palavras-chaves: Gravidade, Admiração, Importância, Escala, Tamanho, Enormidade, Seu Lugar no Mundo, Padrões, Quadro Maior, Encarnação, Força, Puxar, Confusão, Ambiente, Imensidão, Poder.

O Protetor

O Protetor (The Protector) nos mostra como proteger a nós mesmos e aqueles que amamos de todo dano.  Ele nos encoraja a valorizar proteção, segurança e precaução.

Palavras-chave: Proteção, Segurança, Defesa, Proteger, Guardar, Blindar, Salvaguarda, Manter a Salvo, Tirar do caminho do dano.

A Protestadora

A Protestadora (The Protester) nos mostra como lutar contra a injustiça. Ela nos encoraja  a falar o que pensamos,  lutar pelo que sabemos estar certo e nunca recuar.

Palavras-chave: Protesto, Belicosidade, Desafio, Demonstração, Dissidência, Objeção, Clamor, Revolta, Raiva, Gritaria, Reclamação, Mau Humor, Brado, Manifestação, Insistência, Resistência.

O Abre-Caminhos

O Abre-Caminhos (The Road Opener) nos mostra como limpar, banir e remover os obstáculos em nosso caminho. Ele nos encoraja a reconhecer as oportunidades que são aparecendo ao nosso redor.

Palavras-chave: Abertura, Banimento, Limpeza, Remoção, Oportunidade, Dissipar, Sorte, Circunstâncias Favoráveis, Aumento da Probabilidade de Sucesso, Vantagem, Nova Direção, Golpe de Sorte, Prosperidade, Novo Foco.

O Santo

O Santo (The Saint) nos mostra como pedir ajuda. Ele nos encoraja a buscar a ajuda de especialistas mais preparados do que nós para lidar com a tarefa em mãos ou que possam interceder em nosso nome.

Palavras-chave: Interseção, Experts, Petição, Intervenção, Mediação, Oração, Pedido, Em seu nome, Favor, Experiente, Habilidoso, Profissional, Qualificado.

A Vidente

A Vidente (The Seer) nos mostra como usar nossa intuição e sistema de orientação interna. Ela nos encoraja a sempre seguir os instintos de nossas entranhas.

Palavras-chave: Intuição, Palpite, Clarividência, Discernimento, Seguir seus instintos, Percepção Extrassensorial,  Sentimentos, Percepção, Pressentimento, Premonição, Conhecimento Inato, Intuitivo, Sexto Sentido, Segunda Visão, Instinto, Vibrações.

O Sol

O Sol (The Sun) nos ensina como brilhar em todas as áreas da nossa vida. Ele nos encoraja a perceber a magnitude de nossa própria energia, poder e radiância.

Palavras-chave: Poder, Energia, Crescimento, Luz, Calor, Força, Intensidade, Potencial, Vigor, Capacidade, Dinamismo, Vigor, Potência, Estamina, Vitalidade.

O Pensador

O Pensador (The Thinker) nos mostra como resolver problemas usando nossa mente analítica e racional. Ele nos encoraja a seguir sempre o que é logicamente correto em vez de confiar no que nossos corações possam dizer.

Palavras-chaves: Astúcia, Inteligência, Racional, Luminoso, Cerebral, Brilhante, Sábio, Analítico, Deliberado, Imparcial, Coerente, Iluminação, Judicioso, Lógico, Equilibrado, Lúcido, Prudente, São, Sóbrio, Objetivo.

A Bruxa

A Bruxa (The Witch) nos ensina feitiçaria e conjurações. Ela nos encoraja a ver o mistério e a magia da vida.

Palavras-chave: Magia, Alquimia, Encanto, Feitiços, Conjuro, Diabrura, Ocultismo, Encantamento, Mistério, Mistificação, Poder, Enigma, Desconhecido, Secreto, Wyrd, Sobrenatural, Extraordinário, Miraculoso.

 

Uso inicial dos 40 servidores

Os dois usos mais populares dos 40 servidores são como uma forma de oráculo e uma forma de realizar desejos. Vamos ver os dois da forma o mais direta possível:

1.  Uso Oracular

A razão inicial da criação para Tommie Kelly ter desenhado e organizado os 40 servidores foi o uso deles como um baralho oracular. Essa leitura é feita exatamente como em um tarô tradicional. Embaralhe, tire algumas cartas e posicione-as em um layout significativo.  Existem várias formas de se posicionar as cartas e você não precisa conhecer todas. Par começar use o formado que Tommie Kelly apresentou chamado a Mão Direita de Éris:

Agora, pela análise da posição da carta e do que ela representa você poderá obter insights que respondem as questões levantadas.

Uma forma mais rápida despretensiosa de se fazer a tiragem é simplesmente fazendo uma pergunta e sorteando uma carta. Digamos que você pergunte:

“Devo entrar nesse novo relacionamento?”

E em seguida tira a carta do Opositor. Isso pode significar que este é o caminho para algum relacionamento abusivo. Ou pode significar que você vai ter que comprar briga com alguém (a ex, ou a família) para manter essa relação. Como todo oráculo essa é no final das contas uma forma de acessar a sua intuição.

Esse sorteio simples pode inclusive ser feito pelo uso de gifs animados ou vídeos como o abaixo:

2. Realizando desejos

A maneira sugerida por Kelly de interagir com os servidores é realmente simples e talvez por isso tão popular:

1. Escolha o servidor que pode prestar o serviço que você precisa.
2. De frente para sua imagem ou sigilo acenda uma vela.
3. Fale ao servidor o que você precisa.
4. Diga que acenderá outra vela quando seu desejo for satisfeito.

Após acender a primeira vela entenda que o servidor está presente e então fale diretamente com ele.

A parte final é importante. Adicionalmente a ela você pode fazer um agradecimento público ao servidor. Esses agradecimentos devem ser feitos sempre depois do desejo realizado, nunca antes.

Kelly sugere por fim o que chama de novenas para trabalhos maiores. Nesses casos você acende uma vela nova por 3, 5, 7 ou 9 dias e fala o seu desejo em voz alta para a servidor lembrando sua intenção.

Fontes:

[…] Como eles funcionam? Boa pergunta. Muitas pessoas têm muitas ideias diferentes. Mas aqui está uma postagem que fiz que pode ajudar a explicar tudo. […]

[…] a hora de tirar os 40 servidores da internet e materializá-los no mundo real. A prática apresentada a seguir se baseia no uso de […]

[…] da administração contemporânea. Ele é baseado na combinação de dois frameworks diferentes: Os 40 Servidores criados por Tommie Kelly e a terminologia mágica exposta no Liber KKK.  O Conhecimento prévio destes dois sistemas é um […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/os-40-servidores-como-comecar-a-usar/

A Historia cultural dos Vampiros

A crença em criaturas vampíricas provavelmente remonta às experiências humanas muito antes do advento da palavra escrita. Tanto um temor respeitoso em relação aos mortos como uma crença nas propriedades mágicas do sangue podem ser encontradas em culturas do mundo todo. Contos modernos e antigos sobre chupadores de sangue , voadores noctívagos e sobrenaturais, tais como a Lamia (Bruxa, na mitologia grega) , são caracterizadas, sob muitas formas, em várias culturas mundiais.

O conceito específico dos mortos retornando para atacar e alimentar-se do sangue dos vivos encontrou sua maior expressão na Europa cristã. No século XII, o historiador William de Newburgh relatou diversos casos de mortos retornando para aterrorizar, atacar e matar durante a noite. Identificou esse tipo de espírito maligno com o termo latino sanguisuga. Na maioria dos casos sobre os quais escreveu, a única solução permanente era desenterrar e queimar o corpo do assaltante acusado.

Embora nenhuma crença prolongada nesses seres tenha continuado entre os ingleses, a onda de relatos virtualmente idênticos varreu grandes áreas da Europa oriental, do século XVI ao século XVIII. Uma grande variedade de termos foi desenvolvida para designar esses seres, tais como variações do termo sérvio vulkodlak (extraído da palavra que designa o lobisomem). Outros termos usados na Sérvia , vampir (de origem questionável) e palavras relacionadas (como a palavra russa upyr), também se desseminaram.

Ao longo do tempo , esses relatos sobre vampirismo se infiltraram na Europa ocidental, onde se tornaram foco de discussão intelectual. Em 7 de janeiro de 1732, um relatório oficial foi assinado pelo cirurgião do regimento de campanha Johannes Fluckinger, do governo austríaco (e três de seis assistentes), detalhando suas investigações sobre vampirismo na Sérvia. O relatório indicava diversas mortes na vila de Meduegna cinco anos antes, cuja culpa recaíra sobre um homem chamado Arnold (Paole) Paul, que alegara ter sido mordido certa vez por um vampiro e subseqüentemente morrido. Alguns acreditaram que ele tinha voltado do mundo dos mortos e os estava atormentando. Seu corpo, quando exumado, parecia estar em bom estado, mas o sangue escorria de sua cabeça e mais sangue espirrou quando foi açoitado. O cirurgião de campanha e seus assistentes estavam investigando uma nova onda de ataques alegadamente vampíricos na área quando examinaram outros supostos vampiros, que foram desenterrados. Oito, cuja aparência foi considerada extraordinariamente fresca, foram queimados.

Dom Augustin Calmet, um abate beneditino e renomado estudioso da Bíblia, publicou um tratado sobre os vampiros em 1746, no qual narrou, entre outros relatos, a história de Arnould Paul. Apresentou várias explicações racionais, mas também deixou em aberto a possibilidade de que algo sobrenatural poderia estar ocorrendo.

Vampira de MunchUm jovem escritor e médico do século XIX que pode ter se familiarizado com as teorias de Calmet sobre os vampiros foi John Polidori, um imigrante italiano residente na Inglaterra. Em 1816, durante um certo período, Polidori foi companheiro de viajem do aclamado poeta e escritor Lord Byron. Enquanto estava com Byron e um pequeno grupo de pessoas hospedadas na Villa Diodati, nas cercanias de Genebra, Polidori se juntou aos que, por sugestão de Byron, inventavam histórias de fantasmas para seu mútuo entretenimento. Uma das presentes era Mary Shelley, cuja história se transformou mais tarde no clássico romance de horror Frankesntein. A história de Byron era sobre um homem à beira da morte, que fazia seu companheiro de viagem jurar que não revelaria sua morte a ninguém. Anos mais tarde, Polidori juntou a idéia básica de Byron com um motivo vampírico. Usando Byron como modelo, criou o vampiro Lord Ruthven, um aristocrata viajante que atraía e matava mulheres inocentes a fim de se alimentar de seu sangue. Sua historia inspirou diversas peças de teatro e outras obras de criação durante o século XIX.

Em 1872, uma imagem mais inovadora para o vampiro foi apresentada pelo escritor irlandês Sheridam Le Fanu, com o lançamento de seu conto “Carmilla”, que incorpora as crenças vampíricas a uma ambientação gótica. A historia gira em torno de uma vampira que desenvolve uma longa ligação com uma vítima do sexo feminino. Insinuações eróticas nesse estranho e sinistro vínculo entre vampira e vítima ecoam ao longo de toda a história.

Em fins de século XIX, o romance Dracula, de Bram Stoker, iniciou a era da ficção que continua até hoje. Dracula criou o vampiro vilão definitivo, utilizando elementos dos trabalhos de Polidori e Le Fanu para produzir um pano de fundo gótico para a história de um predador aristocrático profano saído do túmulo, que hipnotiza, corrompe e se alimenta das lindas jovens que mata. Stoker revelou todo o impacto das conotações psicossexuais envolvidas no relacionamento entre vampiro e vítima, mostrando a notável semelhança entre ânsia de sangue dos mortos-vivos e a sensualidade reprimida dos simples mortais. Um elo psíquico ainda mais profundo está indicado quando uma vítima do sexo feminino é forçada a beber o sangue de Drácula como parte de sua transformação em vampira.

Após o lançamento do extraordinário romance Dracula, em 1897, poucos romances foram publicados durante mais de meio século, e os que foram não eram dignos de nota. Porém na primeira metade do século XX novos romances e contos do gênero horror injetaram sangue novo ao tema. Particularmente em revistas de produção precária do tipo “horror”, como Weird Tales.

Cinema e TV

Todavia, uma grande influência sobre a percepção pública do vampiro veio de filmes exibidos para grandes audiências. Boa parte dos primeiros filmes não conseguiu atrair o público no lançamento. O filme mudo alemão de 1922, Nosferatu, Eine Symphonie des Garuens, dirigido por F.W. Murnau, retratou com sucesso um vampiro de aparência mórbida e revoltante. Outros se seguiram a este como London After Midnight, em 1927.

Bela LugosiVampiro (1932) é um rigoroso e sombrio espetáculo de morbidez orquestrado pelo diretor Carl Dreyer, um dos nomes mais importantes da história do cinema. Porém os filmes das décadas de 1920, 1930 e 1940 consagraram alguns atores como lendas vivas do mito do vampiro , como o filme Drácula da Universal , estrelado por Bela Lugosi, Ao contrário do que muita gente pensa, o ator austro-húngaro Bela Lugosi interpretou Drácula nas telas em apenas duas ocasiões. Drácula (1931), da Universal, e Às Voltas com Fantasmas (1948), ao lado da dupla cômica Abbott & Costello. Entretanto o papel lhe marcou de forma tão definitiva que Bela chegou a ser enterrado vestido com os trajes de vampiro.

Outros como Christopher Lee chegaram a fazem um verdadeiro PHD de vampiro, de tanto que interpretaram o papel, ele fez simplesmente sete filmes como o conde Drácula, de Vampiro da Noite (1958) até Os Ritos Satânicos de Drácula (1973). Detestava a imagem do vampiro, mas retornou ao papel em Conde Drácula (1970), Uma Dupla em Sinuca (1970) e Drácula, Pai e Filho (1977). Filmes de vampiros sempre foram um grande sucesso a exemplo de “Bram Stoker`s Dracula”, (Copolla, 1992) ou “Entrevista com o Vampiro” (Neil Jordan, 1994). Não podemos esquecer também das várias séries de TV sobre o tema que pipocaram durante várias décadas.

Alguns anos após o término de uma cultuada série de TV sobre vampirismo conhecida como Dark Shadows, em 1971, apareceu um romance que retratava o vampiro tanto como herói trágico como anti-herói. Interview with a Vampire, de Anne Rice , publicado em 1976, faz uma apreciação altamente introspectiva da vida de um vampiro chamado Louis. A autora pinta um retrato macabro de uma pessoa altamente erudita e sensível que é atirada, sem saber , no fantasmagórico mundo dos vampiros. Louis é forçado a lidar com sua imortalidade enquanto procura algum sentido de identidade em sua existência de assassino movido a sangue.
Em 1980, para brindar as sessões da tarde criam-se diversas versões adolescentes e de terror explícito do mito do vampiro. A Hora do Espanto (1985) é a visão moderna do vampiro no sucesso que revigorou o gênero em plena década de 1980, com humor corrosivo, cenas escabrosas que abusam de sangue e gosma cenográficos e efeitos visuais espetaculares.

Cena de Drácula de Bram StokerOs anos 90 lideraram uma verdadeira explosão de interesse pelos vampiros. A revolução da TV a cabo e do vídeo cassete e posteriormente do DVD tornou acessíveis quase todos os numerosos filmes sobre o tema, muitos desses estavam inclusive fora de catálogo e foram relançados em formato digital. Uma torrente sem fim de romances vampíricos foi lançada. Um crescimento contínuo de romances sobre vampirismo em forma de seriados alcançou números sem precedentes para um único personagem do amplo universo do terror.
O aclamado Drácula de Bram Stoker (Copolla, 1992) traz uma adaptação fiel do livro de Bram Stoker, mostrando a busca do Conde Drácula pela reencarnação de sua amada. No século XV, um líder e guerreiro dos Cárpatos renega a Igreja quando esta se recusa a enterrar em solo sagrado a mulher que amava, pois ela se matou acreditando que ele estava morto. Assim, perambula através dos séculos como um morto-vivo e, ao contratar um advogado, descobre que a noiva deste é a reencarnação da sua amada. Deste modo, o deixa preso com suas “noivas” e vai para a Londres da Inglaterra vitoriana, no intuito de encontrar a mulher que sempre amou através dos séculos.

Cena de Entrevista com o Vampiro Entrevista com o Vampiro (1994), baseado no romance de Anne Rice é uma releitura do mito, carregada de ambigüidades sexuais. Em pleno século XX, um vampiro concede uma entrevista a um jovem repórter, contando como foi transformado em uma criatura das trevas pelo vampiro Lestat, na Nova Orleans do século XVIII. Uma curiosidade do filme é que Anne Rice ficou terrivelmente surpresa com a escolha de Tom Cruise para o papel de Lestat, entretanto ao ver a atuação de Cruise ela chegou a fazer um pedido de desculpas público em virtude do bom desempenho do ator.

 

Assim aparecem filmes como “Um drink no inferno” (1996, Tarantino) que teve continuações, e retrata vampiros como bestas assassinas e sedentas de sangue, num clima de roadie movie com terror escatológico.

‘Blade – O Caçador de Vampiros (1998), surgiu baseado em um herói dos quadrinhos da Marvel, um ser metade humano e metade vampiro, movido pelo desejo de vingança contra aquele que o transformou nesse ser híbrido ao atacar sua mãe antes mesmo dele nascer. O filme rendeu mais uma seqüência, e a terceira parte está para estrear nos cinemas. O filme é violento e mostra vampiros brigando pelo poder como se fossem uma espécie de máfia, não faltam efeitos especiais, cenas de luta e parafernália eletrônica.

A Sombra do Vampiro No século XXI a moda dos vampiros permanece e ganhou até um folego extra. A Sombra do Vampiro (2000, Merhige), filme de ficção sobre os bastidores do clássico alemão, sugere que Schreck era um vampiro real contratado pelo diretor F.W. Murnau para dar maior realismo à história. Outro filme recente sobre o tema é Drácula 2000, de diretor Patrick Lussier, uma adaptação para os tempos atuais da clássica história do Conde Drácula. Em 2002 mais um livro de Anne Rice é adaptado para o cinema (mas sem o apuro da anterior), A Rainha dos Condenados (Rymer), baseado no terceiro livro de Rice sobre o tema, continua contando a história do vampiro Lestat, agora transformado em uma estrela do rock. Sua música acaba despertando a rainha de todos os vampiros, que tem por objetivo destruir a Terra. Para combatê-la, os demais vampiros imortais também despertam de seu sono. Recentemente foi lançado, Underworld (2003), um filme de vampiros com uma estética copiada da trilogia de ficção científica, Matrix, que mostra Vampiros e Lobisomens numa guerra sem fim, e como outros filmes do gênero já promete uma seqüência. Pelo visto o cinema é um campo bastante propício para o vampirismo.

Histórias em Quadrinhos:

Os vampiros retornaram nas HQs. Entre outros encontros, Drácula confrontou Batman em Chuva Rubra (1992) e o mascarado Zorro numa HQ de 1993. O livro de Stoker ganhou inúmeras adaptações em quadrinhos, incluindo álbuns do genial Guido Crepax. Blade o Caçador de Vampiros, a exemplo do que aconteceu com vários heróis dos quadrinhos, chegou as telas dos cinemas, e já promete a terceira seqüência em filme. Não podemos esquecer da importância hoje dos quadrinhos japoneses, os famosos mangás, neste gênero se destaca a presença de Vampire Princess Miyu e Vampire Hunter D. Produzido em 1988, “Vampire Princess Miyu” é uma série de quatro OVA’s (disponíveis nos EUA), quatro volumes de quadrinhos (também disponíveis nos EUA) e seis histórias no fomato de rádio-novela, para CD (esses, só no Japão). Miyu é a vampira mais poderosa do mundo, sendo imune às armas tradicionais contra vampiros: cruz, alho, água benta e Sol. As histórias de Miyu apresentam um clima dramático e denso, sem contudo apelar para a violência explícita, tudo é muito sutil. O que impressiona na série é o forte apelo erótico sugerido apenas pelo olhar de Miyu e as mortes bastante cruéis dos Shimas. O roteiro é bem estruturando, renovando o tema vampiro de um maneira muito criativa.

A narrativa destes desenhos é feita por Kimiko, uma médium que não aparece nos mangás originais. Ela originariamente queria matar Miyu, mas convenceu-se de que as intenções da menina-vampiro não eram malignas. E surge uma estranha aliança entre ambas.
O autor de “Vampire Princess Miyu” é Narumi Kakinuchi. Nascido em Osaka, seu primeiro trabalho foi “Ideon Runaway” (Densetsu Kyo Shin Ideon). Outros trabalhos são as séries “Dangaioh”, “Iczer” e “Vampire Yui”, entre outros.

Quanto à Vampire Hunter D, é ambientado em um mundo futurista onde há uma nova Idade Média, Numa pequena vila, uma garota, Dóris, foi mordida por um vampiro. E não por qualquer vampiro. Pelo Conde Magnus Lee, que há séculos é o senhor daquele local. O conde pretende desposá-la. Mas Dóris não deseja se tornar uma vampira. E na cidade, lhe recusam ajuda, o merceeiro recusa-se mesmo a vender-lhe as mercadorias de que necessita. Falam em exilá-la para um antigo campo de párias, o que somente não fazem por medo: o Conde Magnus matou diversas pessoas da cidade da última vez que fizeram isso com uma das suas escolhidas. Dóris tem uma única esperança. D.

D é um caçador de vampiros. Deve ser bastante famoso, Dóris o encontra na estrada sabendo quem ele é, sem que nenhuma explicação seja dada. D é também um pouco mais que um caçador de vampiros.

Video Games

A saga de Drácula foi transportada para o universo dos games em Drácula: A Ressurreição e Drácula 2: O Último Santuário, aventuras em 3-D lançadas pela Infogames. O jogador assume o papel de Jonathan Harker e precisa desvendar enigmas, interagindo com dezenas de personagens.

Para algumas pessoas, isso vai além da mera simpatia pelo gênero para se tornar parte de um estilo de vida. Um exemplo disso está no cenário moderno da música gótica, no qual o gosto pelos vampiros e uma aparência vampírica estilizada são muito comuns.
Em resumo: Os vampiros são eternos.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-cultural-dos-vampiros/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-cultural-dos-vampiros/

Biografias: Carl Kellner

Sabe-se que ele nasceu na cidade de Viena, todavia, as fontes divergem até mesmo quanto ao seu ano de nascimento, ora apontando 1850 (Howe & Möller, 1979:30) ora 1851 (Koenig, 1992:93).

De origem modesta, desde bem cedo freqüentou vários laboratórios, os quais o habilitaram para exercer a profissão de químico. Já aos 22 anos de idade, graças ao seu conhecimento e brilhantismo, Kellner se mostrava um inventor de grande criatividade, galgando rápido sucesso. Uma série de experimentos o levaria a várias descobertas em sua área de atuação profissional, permitindo-lhe revolucionar a tecnologia de produção de papel e se tornar um expoente na indústria química de sua região de origem.(1)

Kellner, costumeiramente descrito como um gênio, um homem extraordinário (Koenig, 1999:13) e bem versátil, era uma pessoa inventiva e vívida, de ótima agudeza intelectual que, em paralelo à sua profissão, também cultivava interesse em alquimia e yoga.

Nas imprecisas palavras de Theodor Reuss (1855-1923), Kellner também tinha profundo interesse em assuntos relacionados seja à maçonaria seja à magia sexual.(2) Contudo, no que diz respeito à Maçonaria, apesar de ter sido iniciado nesta Ordem, na Loja Húngara Humanitas, o austríaco permaneceria por pouco tempo nela, não passando além do grau de Aprendiz Maçom.

Especificamente em relação ao yoga, tamanho era seu interesse que, ao final do século XIX, Kellner era reconhecidamente um dos únicos europeus com detalhado conhecimento sobre teoria e prática desta disciplina. Tão proeminente era seu conhecimento sobre a matéria, que isto acabou por levá-lo a elaborar um pequeno tratado, acerca das influências psicológicas e fisiológicas que a prática do yoga exercia sobre o ser humano. Este trabalho foi apresentado no Terceiro Congresso Internacional de Psicologia, sediado em Munique, em 1896 (Howe & Möller, 1979:30). Depois, o estudo sobre yoga de Kellner também foi publicado em inglês, com o título de Yoga: A Draft on the Psychophysiological Aspect of the Ancient Yoga Doutrine. Bem posteriormente a sua morte, Crowley o relacionou como uma das “instruções oficiais da O.T.O.”, onde o estudo é apresentado como sendo de autoria de um certo Irmão Renatus (Crowley, 1997:485). Renatus havia sido o mote adotado por Kellner quando Aprendiz Maçom e a partir daí, algumas ramificações da O.T.O. passaram a adotar este nome como divisa mágica de Kellner, passando a frequentemente citá-lo como Frater Renatus Xº, O.T.O. – entretanto, como já demonstrado em outro post, não há qualquer relação direta entre a O.T.O. e Kellner (ver Origens Maçônicas da O.T.O.).

Conforme alguns acreditam (Grant, 1991:121 e Scriven, 2001:212), os interesses paralelos de Kellner também acabariam por levá-lo a empreender viagens pelo Oriente. Em uma delas, ele findaria estabelecendo contato com certos mestres da tradição oriental, adeptos que viriam a se tornar seus instrutores e gurus. Ainda segundo esta perspectiva, os adeptos orientais eram dois hindus de nomes Bhima Sen Pratap e Sri Mahatma Agamya Paramahamsa, e um árabe adepto do sufismo e da magia chamado Soliman bem Aifa, todos versados nas mais diversas doutrinas místicas do oriente. Assim, estes mestres, também adeptos tântricos orientais do Vama Marga, teriam iniciado Kellner nos mistérios da magia sexual (Grant, 1992a:72).(3) Acrescente-se que absolutamente nada se sabe a respeitos de pelo menos dois destes três supostos gurus de Kellner.

Contudo, as supostas andanças de Kellner pelas terras do Oriente não encerra o assunto sobre seu conhecimento a respeito do misticismo oriental. Ocorre que seu interesse pelo oculto também o levaria a se aproximar da teosofia, onde encontra e estabelece estreita amizade com o famoso Dr. Franz Hartmann (1838-1912), eminente teósofo, amigo e confidente da notória Madame Blavatsky (1831-1891). Foi justamente por intermédio do Dr. Hartmann, que Kellner passou a freqüentar a Sociedade Teosófica. Recentemente, o interessante artigo de Joseph Dvorak sobre Kellner vem sugerir que nesta ocasião é o Dr. Hartmann quem lhe teria apresentado – na Europa – o instrutor Sri Mahatma Agamya Paramahamsa. O mesmo artigo também nos dá conta do contato direto que Kellner teve com ninguém menos do que o erudito filologista e orientalista alemão Friedrich Max Müller (1823-1900), responsável por uma das mais completas e impressionantes obras já publicadas no Ocidente sobre as doutrinas religiosas do Oriente, o monumental The Sacred Books of the East, em 50 volumes. Ao mesmo tempo, há significativos indícios de que Kellner também estaria em contato direto com alguns membros europeus de uma obscura sociedade denominada Brotherhood of Eulis (King, 2002:97) e com seguidores do afamado e brilhante Pascal Beverly Randolph (1825-1875).

Essas últimas informações a respeito de Carl Kellner, quais sejam, sua amizade com Hartmann, seu contato com Max Muller e sua possível associação com os discípulos europeus de Randolph,(4) lançam novas luzes sobre como teria sido a sua formação, permitindo que sejam traçadas as possíveis verdadeiras fontes do conhecimento místico a ele atribuído. Em outras palavras, atualmente, a alegada viagem de Kellner pelo Oriente tende mais a ser considerada mera epopeia mítica que nem de longe corresponderia à verdade.

Continuando, o mútuo interesse profissional na área médica e química faz com que ambos, Kellner e Hartmann, colaborem de forma decisiva no desenvolvimento de uma inovadora terapia de inalação, para o tratamento de tuberculose, técnica empregada com relativo sucesso no hospital dirigido por este último.

Em 1895, já com larga experiência na prática do yoga, Kellner resolve trabalhar com um pequeno, bem seleto e extremamente reservado círculo de praticantes, dando ênfase tanto ao Hatha Yoga quanto a exercícios tântricos (Koenig, 1999:13). Não há, todavia, registros que indiquem a respeito de qualquer tipo de Ordem montada a partir deste reduzido e muito discreto grupo de praticantes de yoga.

Em novembro de 1904, Reuss publica no seu Oriflamme, em nota especificamente direcionada a quem ele chama de Pupilos do Círculo Oculto, que “nosso amado líder, Frater Carl Kellner, encontra-se severamente doente”. Em seguida, Reuss convoca todos os membros daquele Círculo Oculto a dedicarem suas preces e meditações diárias à franca recuperação de Kellner.(5)

Finalmente, em março de 1905, Kellner, que estava no Egito tentando se recuperar de uma enfermidade, volta para a Áustria. Já em Viena, ele falece no dia 7 de junho deste mesmo ano. Seu atestado de óbito oficialmente declara que a causa mortis foi “envenenamento do sangue” (Howe & Möller, 1979:36). Contudo, uma curiosa questão permanece: por que havia veneno em seu sangue? O desconhecimento sobre o que realmente aconteceu a Kellner tem levado a elucubrações curiosas como, por exemplo, dizer que forças malignas foram atraídas para “frater Renatus”, graças aos exercícios ocultos praticados por ele (cit. Howe & Möller, 1979:38).(6)

Elucubrações do além à parte, certamente a vida de Carl Kellner ainda é um campo a ser explorado. Espero que o presente artigo sirva de ponto de partida para os que apostam na plausibilidade de sua biografia.

De minha parte, isso é apenas um início.

BIBLIOGRAFIA

CROWLEY, Aleister. 1997: Magick – Book 4 – Liber ABA (second revised edition). Edited by Hymenaeus Beta (i.e. William Breeze). Maine: Samuel Weiser.

DVORAK, Joseph. Carl Kellner. Versão inglesa em http://user.cyberlink.ch/~koenig/sunrise/kellner.htm

Friedrich Max Müller – Artigo biográfico: http://en.wikipedia.org/wiki/Max_Muller

GRANT, Kenneth. 1991: The Magical Revival. London: Skoob Books Publishing.

_____. 1992: Aleister Crowley and the Hidden God. London: Skoob Books Publishing.

HOWE, Ellic & MÖLLER, Helmut. 1979: “Theodor Reuss – Irregular Freemasonry in Germany, 1900-23”. In: BATHAM, Cyril N. (ed). Ars Quatuor Coronatorum – Transactions of Quatuor Coronati Lodge, Vol. 91 for the Year 1978. Oxfordshire: Burgess & Sons, pp 28-46.

KOENIG, Peter-Robert. 1992: “The OTO Phenomenon”. In: SANTUCCI, James. (ed.) Theosophical History, vol. IV, nº 3 (July, 1992) , pp. 92-98.

_____. 1994: Das OTO-Phänomen. München: AWR.

_____. 1999: “Introduction”. In: NAYLOR, Anton R (Ed.). O.T.O. Rituals and Sex Magick. Thame: I-H-O Books; pp. 13-61.

KING, Francis. 2002: Sexuality, Magic & Perversion. Los Angeles: Feral House.

SCRIVEN, David (i.e. Tau Apiryon). 2001: “Portraits of the Saints of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). Red Flame – A Thelemic Research Journal, nº 2. Berkely: Red Flame Productions, pp 117-224.

Texto original do meu querido irmão Carlos Raposo, publicado originalmente no blog Orobas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/biografias-carl-kellner

A Lei Natural de Eros

Por Nicholaj de Mattos Frisvold

Constantemente surgem debates sobre o natural e o perverso. A homossexualidade e as práticas sexuais “incomuns” de qualquer variedade são frequentemente trazidas à atenção porque aqui no mundo do sexo todos os homens e mulheres encontram suas inclinações mais puras e suas trevas mais cruas. A escala nesses debates está entre as inclinações sensuais pessoais, pois são mediadas por uma moral universalista insistindo que todos nós temos as mesmas inclinações sensuais – e aqueles que escapam da lei são pervertidos – ou pior. Esses discursos morais são quase sempre ditados por motivos religiosos, propagando uma escala muito curiosa entre a liberdade do pecado e a vergonha das próprias inclinações. Nesse clima de “uma moral serve para todos”, a resistência surge naturalmente na superfície.

Os debates que vemos hoje podem ser ancorados no século 11 e os debates eclesiásticos sobre o Direito Natural – aqui encontramos São Tomás de Aquino que realmente nos disse para olhar a natureza para ver o que era natural, pois ele não considerava o sexo ser particularmente sagrado – mas sim algo que os humanos compartilhavam com todos os outros animais.

No Livro 2 de sua Summa, Tomás discute as questões do Direito. Dada a orientação platônica e a influência muçulmana, Tomás estava sujeito, pois podemos supor que ele ao falar da Lei Divina não estava falando da shari’ah, mas da essência do próprio Islã – submeter-se à Lei Divina, como Abdullah, escravo de Deus. Essa ideia certamente envolve a doutrina do Destino e como todos nós nascemos com um condicionamento único que possibilita um caminho único (lei) para obter o bem em nossas vidas. Ser escravo de Deus implica descobrir a lei única que nos conduz à abundância como extensão da Lei Divina. Como espelhos de Deus, nós, como humanos, também refletimos todas as suas possibilidades refletidas em seus 99 belos nomes. Há, portanto, uma distinção entre a Lei escrita e a Lei natural.

A distinção entre a lei escrita e a lei natural também está incorporada no cristianismo nos evangelhos que falam da missão de Jesus Cristo. O que está claro é que Jesus se via como um profeta da lei eterna escrita no coração de cada um. É aqui que encontramos a divisão entre o Direito como um conjunto de regras de conduta desprovidas de razão. Siga a lei escrita e você não pode errar parece ser a mensagem, a lei transformada em um conjunto de regras não precisa de razão para trazer salvação. A lei eterna escrita em nossos corações segue uma dinâmica que exige que tenhamos consciência de nossas ações e motivações. Infelizmente, a consciência está gradualmente sendo substituída pela temporalidade e pelas interpretações morais que regem o momento socioespacial.

É a lei escrita nos corações dos homens que Tomás de Aquino discutiu em sua Summa. É esta Lei que ao longo do tempo foi reinterpretada à luz moral e deu origem à doutrina eclesiástica sobre o pecado e a sexualidade como a conhecemos hoje no ocidente moderno. Tomás, por outro lado, foi acusado de ser ingênuo nessas questões por teólogos posteriores. Bem, sua ingenuidade é a mesma posição ingênua que encontramos em tasawwuf (sufismo), Advaita Vedanta e várias correntes místicas de pensamento.

No artigo 3º do segundo Livro, Tomás discute o direito como uma forma de medida racional e vê o Direito eterno como algo em que temos uma participação única. Com razão, ele sugere aqui que a capacidade de tentação é consequência da própria natureza do Direito, portanto natural, – mas mais importante ele diz:

“Primeiro, na medida em que ele inclina diretamente seus súditos para algo; às vezes, de fato, sujeitos diferentes para atos diferentes; desta forma podemos dizer que existe uma lei militar e uma lei mercantil. Em segundo lugar, indiretamente; assim, pelo próprio fato de um legislador privar um súdito de alguma dignidade, este passa para outra ordem, para estar sob outra lei, por assim dizer: assim, se um soldado for expulso do exército, ele se torna um súdito de rural ou de legislação mercantil”.

Esses comentários são semelhantes ao que encontramos no Bhagavad Gita quando o texto discute a lei, ou seja, dharma e karma. A lei está sujeita ao que se deve fazer – se um trabalho, por exemplo, muda, o mesmo acontece com as regras de conduta. A Lei dá uma passagem diferente do que é lícito e bom. Simplesmente falando, um soldado tem o dever de matar – é a lei pela qual ele vive enquanto um comerciante vive de acordo com outras regras que valorizam outros atos além de matar como bons. É tudo flutuante – e estamos aqui falando de papéis sociais. Deve logicamente tornar-se ainda mais rico em nuances quando medimos o Direito como a medida da natureza de uma substância que encontramos em uma pessoa. O que Tomás tentou dizer é que existem algumas regras de conduta que são universalmente boas, pois refletem nossa Divindade. Todas essas são qualidades que marcam uma pessoa como sendo de bom caráter, decorrentes do próprio Amor.
No artigo 6, Tomás é ainda mais específico quando diz:

“várias criaturas têm várias inclinações naturais, de modo que o que é, por assim dizer, uma lei para um, é contra a lei de um cão, mas contra a lei de uma ovelha ou outro animal manso”.

O que faz uma divergência entre o animal humano e os demais animais é a presença da consciência. Mas isso é algo que é desenvolvido e não alcançado automaticamente, como nos diz o Salmo 48:21: “O homem, quando estava em honra, não entendia: foi comparado a bestas insensatas e feito semelhante a elas”.

O que ele simplesmente diz é que com o advento da razão vem uma maior capacidade de discernimento. Até que a razão seja desenvolvida, o homem é uma besta conduzida pelos impulsos da sensualidade, como um animal humano, ele é ditado pela lei natural de qualquer outro animal que atue sobre suas inclinações e impulsos. Com razão, as inclinações podem tomar forma e se tornar expressões profundas de nosso dharma, por assim dizer. Aqueles que exercem as inclinações naturais do prazer são fiéis a si mesmos – enquanto os que condenam com a tocha da condenação se revelam vítimas da propaganda da culpa. Por isso, negam-se a si mesmos…

É interessante essa distinção que Tomás faz entre os impulsos sensuais e a extensão da Lei divina conforme ela toma forma na razão. Poder-se-ia interpretar que as inclinações sensuais não são algo sujeito à Lei divina – mas sim ao desdobramento natural de sua naturalidade, quando agimos sobre nossa natureza, à maneira de uma besta, desprovida de razão – podemos dizer que a A lei tem precedência de alguma forma, exceto como sombra às inclinações sensuais mediadas pelo coração único?

A razão pode nos ajudar a compreender nossas inclinações sensuais; pode ser um rei sereno que dá sentido às nossas inclinações naturais e por isso abre os caminhos do eterno. Essa possibilidade se abre, não pela negação das inclinações – mas permite que sejam mediadas pela razão e pela sensibilidade pelas harmonias naturais.

“E assim a lei do homem, que, pela ordenança divina, lhe é atribuída, de acordo com sua própria condição natural, é que ele aja de acordo com a razão”, conclui Tomás. E com isso podemos resumir que nossas inclinações sensuais, em toda sua rica variedade, na medida em que trazem bondade – é simplesmente – uma coisa natural que aliada à razão pode trazer bondade e abundância. A questão parece ser não confundir os planos como tantos odiadores moralistas tendem a fazer quando dizem que toda a criação de Deus é uniforme e singular – uma criatura de massas…

….Nisso o sábio Eros pode brotar e revelar a grandeza criadora do Criador!

***

Fonte: The Natural Law of Eros, by Nicholaj de Mattos Frisvold.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-lei-natural-de-eros/

A Mitologia do Necronomicon e a Magia Moderna

ALEISTER CROWLEY

Os escritos de Aleister Crowley mostram muitos paralelos com a mitologia do Necronomicon. Alguns destes paralelos são listados abaixo. Yog-Sothoth cotérmino com todo espaço e tempo. (veja Parte Um sobre Yog-Sothoth). A Nuit de Crowley é o “espaço infinito”. Azathoth é o infinitamente compacto “Caos nuclear no centro do infinito”. O Habit de Crowley é o ponto “infinitamente pequeno e atômico”. Aqui nós vemos que dois dos mais importantes deuses do Necronomicon correspondem exatamente com os dois mais importantes deuses de Crowley. Crowley recebeu o LIVRO DA LEI, que previa o retorno de divindades antigas, do mensageiro dos Deuses Aiwass.

O Necronomicon afirma que o retorno dos Antigos será anunciado por Nyarlathotep, o Poderoso Mensageiro. Crowley afirma que a ascensão e a queda dos deuses são governadas por um processo que ele chama de Equinócio dos Deuses. O Necronomicon afirma que ressurgimento e a queda dos Antigos também são governados por um ciclo rotacional de Éons (Depois do verão vem o inverno, depois do inverno, o verão). O Dragão (fluxo draconiano) é importante para a magia de Crowley. Cthulhu, o deus semelhante à um dragão, é de grande importância no Necronomicon. Crowley as vezes refere à Estela da Revelação como CTH^H666. Note a similaridade entre CTH^H e CTHULHU. Existem muitas outras similaridades mas estas podem dar a você a idéia geral.

 

ANTON SZANDOR LAVEY

Anton LaVey é a cabeça fundadora da Igreja de Satã. Na “A Bíblia Satânica” LaVey assevera que a shew-stone usada por Dr, John Dee é a mesma coisa que o Trapezoedro Brilhante da Mitologia do Necronomicon. Sr. LaVey também fala em “A Bíblia Satânica” que o Deus Bode venerado através dos éons é A Cabra Negra dos Bosques com Mil Jovens do Necronomicon.

Na seqüência da Bíblia Satânica, “The Satanic Rituals”, LaVey apresenta dois rituais concernindo inteiramente dos mitos de HPL. O primeiro é a Chamada de Cthulhu. O segundo é a Cerimônia dos Nove Anjos Ângulos:

“CELEBRANTE: Kzs’nath r’n As-Athoth bri’nwe sz’g elu’khnar rquorkwe w’ragu mfancgh’ tiim’br vau. Januf a wrugh kod’rf kpra kybini sprn’aka ty’knu El-aka gryenn’h krans huehn

TRADUZIDO: Azathoth, grande centro do cosmos, toque tuas flautas para nós, acalmando-nos frente aos terrores de teus domínios. Tua alegria sustenta nossos medos, e em teu nome nós regozijamos no Mundo dos Horrores.

PARTICIPANTES: Ki’q Az-Athoth r’jyarh wh’fagh zhasa phr-tga nyena phragn’glu

TRADUÇÃO: Honra a Azathoth, sem cuja gargalhada este mundo não existiria.”

Em “As Leis do Trapezóide” LaVey menciona as “Feras do Tempo” e em alguns rituais menciona os Antigos.

 

KENNETH GRANT

Kenneth Grant é o diretor da filial britânico da O.’.T.’.O.’.. O sistema mágico de Grant é apenas isto: O sistema de Grant. Sua Cabala é altamente única à ele. Grant sente que os Antigos e os Outros Deuses são bem reais. Ele desenvolve uma nova interpretação dos livros do Livro da Lei de Crowley na luz do que ele chama de “Gnose do Necronomicon”.
Grant é talvez conhecido pelas suas propostas únicas para o controle dos sonhos e magia sexual. A interpretação de Grant do Roba el Khaliye (Rub al Khali) é bem próxima do que é pregado entre os Muqarribun. “Hecates Fountain” de Grant contêm muito do material relacionado à HPL/Necronomicon de todos os seus livros. Grant foi amigo de Austin Spare. Spare era um brilhante artista e ocultista. Grant uma vez deu a Spare uma cópia de um dos livros de Lovecraft Spare ficou muito perturbado com o que leu. Ele sentiu que haviam forças muito sombrias ligadas às histórias de HPL. Spare criou várias peças de arte mágicas baseadas em HPL. É pensado que Spare tenha dito que HPL tenha escrito muito mais que ele saiba.

 

MAGIA ENOQUIANA

Magia enoquiana foi descoberta por John Dee no século dezesseis. É aparentemente baseado em uma língua previamente desconhecida. Muitos magos asseveram que a língua enoquiana pré-data todas as línguas humanas. Geral J. Schueler é amplamente considerado um dos primeiros especialistas em magia enoquiana. Sr. Schueler afirma que magia enoquiana “o poderoso sistema de magia usado por Aleister Crowley, pelo Amanhecer Dourado, e do Necronomicon para contatar inteligências de outras dimensões.” É dito que John Dee talvez tenha estabelecido contato pela primeira vez com entidades enoquianas usando magia adaptada do Necronomicon.

O sistema enoquiano tem muitos paralelos com HPL. Schueler assevera que a tradição enoquiana propõe a existência de um Deus ou Força que é a manifestação do Espaço Infinito similar à Nuit de Crowley e ao Yog-Sothoth de HPL. Schueler também sustenta que a Manisfestação Divina do ponto nuclear no centro do infinito (equivalente à Hadit ou Azathoth) é também importante para a magia enoquiana. As Chaves Enoquianas afirmam que o mundo está se aproximando de um ciclo rotacional de éons em que os Deuses Anciãos retornarão e o mundo será para sempre mudado. Estas chaves também mencionam um dragão encarcerado (Cthulhu?). O fato de que as chaves estão em uma língua sobrenatural que pré-data a humanidade também é em si bem Lovecraftiano.

Texto Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-e-a-magia-moderna/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-e-a-magia-moderna/

Biografias: Theodore Reuss

No post anterior tive a oportunidade de divulgar algo sobre a pouco conhecida biografia de Carl Kellner, um industrial austríaco às vezes erroneamente citado como o fundador da Ordo Templi Orientis. Agora, apresentarei também um pouco a respeito da vida do verdadeiro fundador dessa Ordem, o angloalemão Theodor Reuss.

De imediato, a leitura de ambos esboços biográficos deixará algo muito claro: se aquele era reconhecidamente um notável praticante de yoga, alguém brilhante, além de homem extraordinário e leal, quanto a este o quadro se mostra bastante diferente. Ao mesmo tempo, se vários dos assuntos relacionados a esta Ordem ainda têm a propriedade de causarem divergências, não deixa de ser curiosamente notável verificar que as inúmeras referências historiográficas acerca tanto do caráter quanto do comportamento de Reuss convirjam para uma espécie de ponto comum, uma vez que elas têm se mostrado surpreendentemente parecidas.

Filho de pai alemão e mãe inglesa, Reuss nasceu na cidade de Augsburgo, em 28 de junho de 1855. Pouco depois de completar 21 anos, já residindo em Londres, por indicação de um amigo ex-maçom chamado Heinrich Klein (?-1912) Reuss foi recebido e iniciado como Aprendiz na Loja Maçônica Peregrino nº 238, Loja esta que abrigava em seus quadros apenas maçons de ascendência alemã (Howe & Möller, 1979:28).(1)

Considerado um sujeito esquisito, Reuss por vezes se posicionava como um enfático militante da causa comunista (King, 1987:78), característica esta que logo após a sua chegada a Londres o levou a solicitar ingresso na Liga Socialista daquela cidade. Para ser aceito, ele se apresentou disfarçado sob o pseudônimo de Charles Theodore (tradução inglesa de seu nome alemão de batismo) e, querendo se passar como um homem profundamente envolvido nas atividades da extrema esquerda, falsamente se declarou membro de uma associação socialista internacional de trabalhadores dedicada à educação. Deste modo, uma vez admitido na Liga e, de certa forma, graças à inicial credulidade suscitada por sua pompa exibicionista, Reuss foi apontado como uma espécie de secretário de educação, passando a ensinar Inglês aos seus camaradas alemães. Na época, ele também costumava se ostentar como um preclaro cantor lírico, inclusive se dizendo amigo pessoal do extraordinário compositor Richard Wagner (1813-1883). Tão amigos eram que, segundo o próprio Reuss, aquele o havia pessoalmente escolhido para cantar na primeira apresentação pública da ópera Parsifal, ocorrida em 1882 (Howe & Möller, 1979:29).

Em 1887, agora como escritor, Reuss publica seu primeiro ensaio literário sob o sugestivo título The Matrimonial Question from an Anarchistic Point of View. Neste breve texto, ele abertamente se declara comunista (apesar do título do ensaio mencionar anarquista), defensor da revolução social e da total igualdade entre os sexos, bem como se posiciona em defesa da liberdade sexual das mulheres. Numa análise superficial, o texto parece bem interessante, ousado e profundamente vanguardista, mas em última forma ele apenas se mostra como fruto de uma fraude intelectual: mais da metade deste pequenino ensaio assinado por Reuss não passa de uma literal tradução de um capítulo da, esta sim polêmica, obra do crítico social húngaro Max Nordau (1849-1923) intitulada As Mentiras Convencionais da nossa Sociedade, originalmente publicada 4 anos antes, em 1883 (Howe & Möller, 1979:30). Em palavras mais claras, a “ousada obra” de Reuss nada mais era senão um crasso plágio.

Em seguida, o cantor, professor, farmacêutico, escritor, “anarquista comunista” e membro da Liga Socialista Theodor Reuss acabaria por ser o pivô de um pequeno escândalo: ao cantar em um dos muitos encontros da Liga, ele acabou por provocar a desconfiança e a indignação justamente de Eleanor Marx (1855-1898) – filha caçula de Karl Marx (1818-1883) – pois ela, além de achá-lo um cantor de qualidades duvidosas, considerou a canção escolhida de péssimo gosto e bastante ordinária para quem se dizia tanto. A desconfiança de Eleanor fez com que a Liga abrisse uma investigação para saber quem era, na verdade, aquele mau cantor. Após um brevíssimo inquérito, a Liga publicou um violento artigo onde Reuss era desmascarado e exposto como espião (King, 2002:99).

Deste modo, agora enfurecida pelo que julgava serem as reais intenções de Reuss, Eleanor logo viria a sumariamente expulsá-lo da Liga, sob a alegação de que ele a haveria traído e fornecido informações tanto para um governo estrangeiro equanto para a imprensa burguesa (Howe & Möller, 1979:29). Embora hoje seja voga afirmar que Reuss, naquela ocasião, exercia secretamente a atividade de espião, sendo um agente pago pelo departamento de inteligência da polícia secreta prussiana para investigar as atividades londrinas da família de Karl Marx (King, 1976:69), as evidências contra Reuss jamais passaram de circunstanciais, não havendo prova conclusiva de que ele realmente fosse qualquer tipo de espião ou agente policial secreto (Howe & Möller, 1979:30). Porém, de certa forma, é correto concluir que nesse período Reuss possuía uma verdadeira obsessão pela família Marx, muito embora isto não signifique que ele tenha sido – propriamente dito – um espião infiltrado. Longe disso, especula-se que uma das principais razões de Reuss para pedir sua admissão na Liga Socialista era a esperança de ingressar na família Marx, através de um bem sucedido casamento com Eleanor, e não meramente para melhor exercer algum tipo de eficaz militância comunista, fazer espionagem ou qualquer outra coisa. Contudo, a grande antipatia da filha de Marx em relação a ele (simplesmente, Eleanor achava Reuss um homem vulgar), logo o faria desistir dessa ideia (King, 2002:99).

Excluído da Maçonaria, expulso da Liga Socialista e definitivamente privado do convívio com a família Marx, com fama de espião e traidor, Reuss, também percebendo que sua carreira de cantor não teria futuro algum,(2) seguiu como escritor, mas também exercendo outras atividades tais como jornalismo ou atuando como publicitário de eventos teatrais.

Considerado por alguns como um jovem rico de modos rude e apressado, que não era mesquinho quando se tratava de apoiar propaganda revolucionária, Reuss, de forma evasiva e sem muitos detalhes, dizia que sua fortuna vinha de uma bem favorecida esposa londrina, embora pouco se saiba sobre este seu suposto casamento. Por outro lado, conforme alguns registros, Reuss teria ganhado bastante dinheiro negociando patentes maçônicas (Koenig, 1999:13). A má fama de espião, contudo, forçou-o a deixar Londres (Koenig, 1993:189). Assim, em 1889, Reuss se mudou para Berlim, onde continuou com suas atividades como jornalista e professor de Inglês. Depois, conforme o próprio Reuss alega, quando de sua permanência nesta cidade, ele teria sido um importante delegado do ramo alemão da Sociedade Teosófica,(3) tendo conhecido pessoalmente sua famosa fundadora, a russa Helena P. Blavatsky (Howe & Möller, 1979:30).

Talvez este tivesse sido o início da carreira de Reuss como ocultista o que viria, mais tarde, levá-lo a conhecer o também ocultista, praticante de hipnotismo, espiritualista e ator Leopold Engel (1858-1931)(4) e, principalmente, o industrial Carl Kellner. Com aquele, Reuss pretendeu dar novo alento a Ordem dos Iluminados (a Ordo Illuminati),(5) organização criada por volta de 1776 por Adam Weishaupt (1748-1830), e, a partir do contato com Kellner, Reuss ingressou em um pequeno círculo de praticantes de yoga, cujos ensinamentos o levaram, logo após a morte do austríaco, a idealizar e fundar a sua Ordo Templi Orientis. Entretanto, a amizade com Engel não duraria muito. Por volta de 1901, este acusaria Reuss de ser um completo farsante e romperia qualquer vínculo com o mesmo (Koenig, 1993:188).

Além destas duas Ordens, a partir de 1902, Reuss também fundaria uma fantástica série de outras Ordens esotéricas e pseudomaçônicas, muitas das quais apenas existiram como um nome a ser citado. Ao mesmo tempo, ele iniciou uma série de contatos, visando a promoção das Ordens as quais dizia ter representação, patenteando e sendo patenteado por diversas personalidades do mundo ocultista europeu e americano. Ocupando a posição de líder supremo e vitalício da O.T.O., bem como de uma série de outras organizações místicas, Reuss assim seguiu, até 1923, quando veio a falecer, sem designar explicitamente qualquer nome como herdeiro legítimo da sua principal criação, a Ordo Templi Orientis.

Ás conexões amplamente questionáveis de Reuss, suas preferências políticas suspeitas, desconfiança de espionagem, comércio de patentes, fama de plagiador, criação indiscriminada de supostas Ordens ocultas, seu comportamento dissimulado quando perguntado sobre si mesmo e a tendência rocambolesca de criar falsas notícias, tudo isso acabou por construir nele a imagem de alguém simplesmente a ser evitado. De modo seco e quase que exaustivamente repetitivo, Reuss é, de modo direto, descrito pela historiografia como réles empresário do oculto (Webb, 1989:98), pessoa pouco confiável (Howe & Möller, 1979:29), meramente alguém a ser taxado como um pitoresco ocultista alemão, maçom marginal e aventureiro (McIntosh, 1988:173), negociante de graus (Gilbert, 1996:135) ou até mesmo rotulado como maçom charlatão que presumivelmente usava a Maçonaria apenas para seus próprios fins, vivendo às custas da credulidade alheia (cit. Howe & Möller, 1979:44). Até mesmo Aleister Crowley considerava Reuss um sujeito de temperamento incerto e não confiável (cit. Scriven, 2001: 220), que no final de sua vida emitia patentes, a torto e a direito, a qualquer um que se dispusesse a pagar por elas (cit. Koenig, 1994b:43).

Resumidamente, esse era Theodor Reuss, o fundador da Ordo Templi Orientis.

Registre-se que, atualmente, devido unicamente aos fatos pertinentes a sua biografia, tão fortemente questionável é a não convincente personalidade de Reuss, que os membros da O.T.O. simplesmente tendem a citá-lo an passant, ora como um maçom de altíssimo grau ora como um dos líderes que haveriam pertencido a uma espécie de “fase maçônica” da Ordem. Concomitantemente, graças à débil confiança gerada pelo seu caráter, há hoje a nítida tendência dos membros da O.T.O. de desviarem a fundação da Ordem do nome de Theodor Reuss, associando-a a um nome de maior respeitabilidade como o de Carl Kellner. No entanto, ante a imperiosa dificuldade de sustentá-lo como fundador, a alternativa tem sido imputar a Kellner a gasosa condição de “Pai Espiritual” da Ordem.

Finalmente, registre-se também o inglório esforço de se construir em Reuss a imagem de alguém a se idolatrar. Não por menos que os membros da O.T.O. citam-no como um “Santo” (Scriven, 2001: 218), ou seja, alguém a quem se deve adoração.

Texto do meu querido irmão Carlos Raposo, publicado originalmente no blog Orobas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/biografias-theodore-reuss

A Falange dos Médicos do Astral

Por Edmundo Pelizzari.

Vamos estudar um pouco, uma Falange bem conhecida dentro da Umbanda, relacionada com a Linha do Oriente e normalmente colocada na sétima hierarquia da mesma: a Falange dos Médicos ou Curadores.

Comandada pelo sábio José de Arimateia (Yosef Ha-Aramataiym em hebraico), um discípulo oculto do Mestre Jesus, ela agrupa inúmeros terapeutas do corpo e da alma.

Tradições ocultas nos contam que José, um rico membro do tribunal rabínico de Jerusalém, depois de conseguir um lugar para Jesus ser sepultado, viajou para o Ocidente trazendo o Santo Graal.

Ele teria aportado nas costas britânicas com alguns discí­pulos, salvando o objeto mais precioso do Cristianismo. José de Arimateia, ao chegar onde hoje é a Inglaterra no ano de 36 D.C., encontrou lá os poderosos sacerdotes druidas e fez uma especial troca de ensinamentos e segredos esotéricos.

Desde então, uma misteriosa escola nasceu e continuou pelos séculos. A Umbanda brasileira, legítima herdeira do esoterismo cristão, também trabalha espiritualmente com esta herança.

A Linha do Oriente, que contém a Falange de José e a Falange dos Europeus demonstra esta riqueza admirável.

A Falange dos Médicos do Astral é uma egrégora composta de centenas de trabalhadores espirituais. Na maioria das vezes, eles foram em suas últimas vidas, médicos, curandeiros, raizeiros, benzedores e rezadores. Este exército de caridade é classificado em sete agrupamentos ou Legiões (alguns as chamam de Povos).

I – LEGIÃO DOS DOUTORES OU MÉDICOS:

Composta por doutores da medicina ocidental convencional ou ho­meopatas : Dr. André Luiz, Dr. Rodolfo de Almeida, Dr. João Correia, Dr. José Gregório Hernandéz, entre outros.

II – LEGIÃO DOS MÉDICOS ORIENTAIS:

Terapeutas orientais, especialistas em fitoterapia, acupuntura, massagem e nas principais disciplinas médicas tradicionais da Ásia: Ramatis, Mestre Agastyar, Babaji.

III – LEGIÃO DOS CURANDEIROS:

Curandeiros e Xamãs nativos das Américas, África e Oceania : caboclos e pretos velhos, feiticeiros tradicionais, alguns exus – como o Exu Curador, Seu Maramael.

IV – LEGIÃO DOS REZADORES:

Rezadores, benzedores e os praticantes da medicina religiosa ou espiritual. Aqui encontramos todo os que curavam pela imposição das mãos, fé e oração : Pai João Maria de Agostinho, Pai João de Camargo, Vó Nhá Chica, Mestre Philippe de Lyon, Abade Júlio.

V – LEGIÃO DOS RAÍZEIROS

Praticantes da medicina folclórica e mágica regional. São os mestres juremeiros brasileiros, os ervateiros ou chamarreiros das Américas e todos os especialistas na flora, fauna e minerais curativos: Dom Nicanor Ochoa, Mestre Inácio, Mestre Carlos de Oli­veira, Mestre Rei Heron.

VI – LEGIÃO DOS CABALISTAS E ALQUIMISTAS:

Espíritos dos velhos cabalistas e alquimistas, conhecedores dos segredos das plantas e cristais :

Pai Isaac da Fonseca (primeiro cabalista brasileiro), Nicolau Flamel, Paracelsus, Pai Jacó.

VII – LEGIÃO DOS SANTOS CURADORES:

Santos católicos celebrados como médicos, curandeiros ou especialistas na cura de alguma doença : Santa Luzia – olhos, Santa Ágata – seios, São Lazaro – doenças de pele, São Bento – envenenamentos.

***

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-falange-dos-medicos-do-astral/

Bakemono, Mononoke e Tsukumogami

Aoi Kuwan

Bakemono, composto pelos kanji “ba(ke)” e “mono”. O kanji “ba(ke)” significa “mudança”, “algo que muda de forma”, e “encantar” (com o sentido de enfeitiçar). Já “mono” significa “coisa”, “objeto”, “matéria”.

Traduzido como “monstro, “espectro”, “fantasma”, e “aparição” nos dicionários, um bakemono é, literalmente, uma coisa – geralmente espíritos de animais, mas não somente eles – que muda de forma, tornando-se uma criatura sobrenatural.

Como mencionado, são na maioria das vezes espíritos de animais que adquirem um certo grau de consciência e possuem a capacidade de mudar a sua forma para pregar peças nos seres humanos, comumente transformando-se em belas mulheres para seduzir os seres humanos. Os bakemonos também possuem a capacidade de evoluir, mudando a sua própria forma, o que ocorre quando eles ganham uma cauda extra.

Os bakemonos criados a partir de espíritos de animais são denominados mononoke. Mononoke também traduzido por “fantasma”, “espectro”, e outros termos genéricos, e se refere especificamente aos bakemono que são animais.

São exemplos de bakemono do tipo mononoke a kitsune (raposa), que pode chegar a ter até nove caudas (kyuubi no kitsune), o tanuki (guaxinim), o mujina (texugo), o bakeneko (gato), que quando ganha sua segunda cauda é chamado de nekomata.

Há também bakemonos que podem ser criados a partir de objetos inanimados. A eles é dada a denominação de Tsukumogami. Os tsukumogamis são tipos de bakemono que se transformam em criaturas sobrenaturais após um longo período de tempo, geralmente após 100 anos de existência do objeto. No entanto, esse período pode ser menor, dependendo da espécie do tsukumogami.

Atualmente, a expressão bakemono, assim como youkai, é usada para designar monstros em geral, mas apenas as criaturas que se enquadram na descrição explicada acima é que são realmente bakemonos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/bakemono-mononoke-e-tsukumogami/