Quem são os Sufis?

Os sufis são uma antiga maçonaria espiritual cujas origens nunca foram traçadas nem datadas; nem eles mesmos se interessam muito por esse tipo de pesquisa, contentando-se em mostrar a ocorrência da sua maneira de pensar em diferentes regiões e períodos. Conquanto sejam, de ordinário, erroneamente tomados por uma seita muçulmana, os sufis sentem-se à vontade em todas as religiões: exatamente como os “pedreiros-livres e aceitos”, abrem diante de si, em sua loja, qualquer livro sagrado – seja a Bíblia, seja o Corão, seja a Torá – aceito pelo Estado temporal. Se chamam ao islamismo a “casca” do sufismo, é porque o sufismo, para eles, constitui o ensino secreto dentro de todas as religiões. Não obstante, segundo Ali el-Hujwiri, escritor sufista primitivo e autorizado, o próprio profeta Maomé disse: “Aquele que ouve a voz do povo sufista e não diz aamin (amém) é lembrado na presença de Deus como um dos insensatos”. Numerosas outras tradições o associam aos sufis, e foi em estilo sufista que ele ordenou a seus seguidores que respeitassem todos os “Povos do Livro”, referindo-se dessa maneira aos povos que respeitavam as próprias escrituras sagradas – expressão usada mais tarde para incluir os zoroastrianos.

Tampouco são os sufis uma seita, visto que não acatam nenhum dogma religioso, por mais insignificante que seja, nem se utilizam de nenhum local regular de culto. Não têm nenhuma cidade sagrada, nenhuma organização monástica, nenhum instrumento religioso. Não gostam sequer que lhes atribuam alguma designação genérica que possa constrangê-los à conformidade doutrinária. “Sufi” não passa de um apelido, como “quacre”, que eles aceitam com bom humor. Referem-se a si mesmos como “nós amigos” ou “gente como nós”, e reconhecem-se uns aos outros por certos talentos, hábitos ou qualidades de pensamento naturais. As escolas sufistas reuniram-se, com efeito, à volta de professores particulares, mas não há graduação, e elas existem apenas para a conveniência dos que trabalham com a intenção de aprimorar os estudos pela estreita associação com outros sufis. A assinatura sufista característica encontra-se numa literatura amplamente dispersa desde, pelo menos, o segundo milênio antes de Cristo, e se bem o impacto óbvio dos sufis sobre a civilização tenha ocorrido entre o oitavo e o décimo oitavo séculos, eles continuam ativos como sempre. O seu número chega a uns cinqüenta milhões. O que os torna um objeto tão difícil de discussão é que o seu reconhecimento mútuo não pode ser explicado em termos morais ou psicológicos comuns – quem quer que o compreenda é um sufi. Posto que se possa aguçar a percepção dessa qualidade secreta ou desse instinto pelo íntimo contato com sufis experientes, não existem graus hierárquicos entre eles, mas apenas o reconhecimento geral, tácito, da maior ou menor capacidade de um colega.

O sufismo adquiriu um sabor oriental por ter sido por tanto tempo protegido pelo islamismo, mas o sufi natural pode ser tão comum no Ocidente como no Oriente, e apresentar-se vestido de general, camponês, comerciante, advogado, mestre-escola, dona-de-casa, ou qualquer outra coisa. “Estar no mundo mas não ser dele”, livre da ambição, da cobiça, do orgulho intelectual, da cega obediência ao costume ou do respeitoso temor às pessoas de posição mais elevada – tal é o ideal do sufi.

Os sufis respeitam os rituais da religião na medida em que estes concorrem para a harmonia social, mas ampliam a base doutrinária da religião onde quer que seja possível e definem-lhe os mitos num sentido mais elevado – por exemplo, explicando os anjos como representações das faculdades superiores do homem. Oferecem ao devoto um “jardim secreto” para o cultivo da sua compreensão, mas nunca exigem dele que se torne monge, monja ou eremita, como acontece com os místicos mais convencionais; e mais tarde, afirmam-se iluminados pela experiência real – “quem prova, sabe” – e não pela discussão filosófica. A mais antiga teoria de evolução consciente que se conhece é de origem sufista, mas embora muito citada por darwinianos na grande controvérsia do século XIX, aplica-se mais ao indivíduo do que à raça. O lento progresso da criança até alcançar a virilidade ou a feminilidade figura apenas como fase do desenvolvimento de poderes mais espetaculares, cuja força dinâmica é o amor, e não o ascetismo nem o intelecto.

A iluminação chega com o amor – o amor no sentido poético da perfeita devoção a uma musa que, sejam quais forem as crueldades aparentes que possa cometer, ou por mais aparentemente irracional que seja o seu comportamento, sabe o que está fazendo. Raramente recompensa o poeta com sinais expressos do seu favor, mas confirma-lhe a devoção pelo seu efeito revivificante sobre ele. Assim, Ibn El-Arabi (1165-1240), um árabe espanhol de Múrcia, que os sufis denominam o seu poeta maior, escreveu no Tarju-man el-Ashwaq (o intérprete dos desejos):

“Se me inclino diante dela como é do meu dever E se ela nunca retribui a minha saudação Terei, acaso, um justo motivo de queixa? A mulher formosa a nada é obrigada”

Esse tema de amor foi, posteriormente, usado num culto extático da Virgem Maria, a qual, até o tempo das Cruzadas, ocupara uma posição sem importância na religião cristã. A maior veneração que ela recebe hoje vem precisamente das regiões da Europa que caíram de maneira mais acentuada sob a influência sufista.

Diz de si mesmo, Ibn El-Arabi:

“Sigo a religião do Amor.

Ora, às vezes, me chamam

Pastor de gazelas [divina sabedoria]
Ora monge cristão,

Ora sábio persa.

Minha amada são três –

Três, e no entanto, apenas uma;

Muitas coisas, que parecem três,

Não são mais do que uma.

Não lhe dêem nome algum,

Como se tentassem limitar alguém

A cuja vista

Toda limitação se confunde”

Os poetas foram os principais divulgadores do pensamento sufista, ganharam a mesma reverência concedida aos ollamhs, ou poetas maiores, da primitiva Irlanda medieval, e usavam uma linguagem secreta semelhante, metafórica, constituída de criptogramas verbais. Escreve Nizami, o sufi persa: “Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro”. Essa linguagem era ao mesmo tempo uma proteção contra a vulgarização ou a institucionalização de um hábito de pensar apropriado apenas aos que o compreendiam, e contra acusações de heresia ou desobediência civil. Ibn El-Arabi, chamado às barras de um tribunal islâmico de inquisição em Alepo, para defender-se da acusação de não-conformismo, alegou que os seus poemas eram metafóricos, e sua mensagem básica consistia no aprimoramento do homem através do amor a Deus. Como precedente, indicava a incorporação, nas Escrituras judaicas, do Cântico erótico de Salomão, oficialmente interpretado pelos sábios fariseus como metáfora do amor de Deus a Israel, e pelas autoridades católicas como metáfora do amor de Deus à Igreja.

Em sua forma mais avançada, a linguagem secreta emprega raízes consonantais semíticas para ocultar e revelar certos significados; e os estudiosos ocidentais parecem não ter se dado conta de que até o conteúdo do popular “As mil e uma noites” é sufista, e que o seu título árabe, Alf layla wa layla, é uma frase codificada que lhe indica o conteúdo e a intenção principais: “Mãe de Lembranças”. Todavia, o que parece, à primeira vista, o ocultismo oriental é um antigo e familiar hábito de pensamento ocidental. A maioria dos escolares ingleses e franceses começam as lições de história com uma ilustração de seus antepassados druídicos arrancando o visco de um carvalho sagrado. Embora César tenha creditado aos druidas mistérios ancestrais e uma linguagem secreta – o arrancamento do visco parece uma cerimônia tão simples, já que o visco é também usado nas decorações de Natal -, que poucos leitores se detêm para pensar no que significa tudo aquilo. O ponto de vista atual, de que os druidas estavam, virtualmente, emasculando o carvalho, não tem sentido.

Ora, todas as outras árvores, plantas e ervas sagradas têm propriedades peculiares. A madeira do amieiro é impermeável à água, e suas folhas fornecem um corante vermelho; a bétula é o hospedeiro de cogumelos alucinógenos; o carvalho e o freixo atraem o relâmpago para um fogo sagrado; a raiz da mandrágora é antiespasmódica. A dedaleira fornece digitalina, que acelera os batimentos cardíacos; as papoulas são opiatos; a hera tem folhas tóxicas, e suas flores fornecem às abelhas o derradeiro mel do ano. Mas os frutos do visco, amplamente conhecidos pela sabedoria popular como “panacéia”, não têm propriedades medicinais, conquanto sejam vorazmente comidos pelos pombos selvagens e outros pássaros não-migrantes no inverno. As folhas são igualmente destituídas de valor; e a madeira, se bem que resistente, é pouco utilizada. Por que, então, o visco foi escolhido como a mais sagrada e curativa das plantas? A única resposta talvez seja a de que os druidas o usavam como emblema do seu modo peculiar de pensamento. Essa árvore não é uma árvore, mas se agarra igualmente a um carvalho, a uma macieira, a uma faia e até a um pinheiro, enverdece, alimenta-se dos ramos mais altos quando o resto da floresta parece adormecido, e a seu fruto se atribui o poder de curar todos os males espirituais. Amarrados à verga de uma porta, os ramos do visco são um convite a beijos súbitos e surpreendentes. O simbolismo será exato se pudermos equiparar o pensamento druídico ao pensamento sufista, que não é plantado como árvore, como se plantam as religiões, mas se auto-enxerta numa árvore já existente; permanece verde, embora a própria árvore esteja adormecida, tal como as religiões são mortas pelo formalismo; e a principal força motora do seu crescimento é o amor, não a paixão animal comum nem a afeição doméstica, mas um súbito e surpreendente reconhecimento do amor, tão raro e tão alto que do coração parecem brotar asas. Por estranho que pareça, a Sarça Ardente em que Deus apareceu a Moisés no deserto, supõem agora os estudiosos da Bíblia, era uma acácia glorificada pelas folhas vermelhas de um locanthus, o equivalente oriental do visco.

Talvez seja mais importante o fato de que toda a arte e a arquitetura islâmicas mais nobres são sufistas, e que a cura, sobretudo dos distúrbios psicossomáticos, é diariamente praticada pelos sufis hoje em dia como um dever natural de amor, conquanto só o façam depois de haverem estudado, pelo menos, doze anos. Os ollamhs, também curadores, estudavam doze anos em suas escolas das florestas. O médico sufista não pode aceitar nenhum pagamento mais valioso do que um punhado de cevada, nem impor sua própria vontade ao paciente, como faz a maioria dos psiquiatras modernos; mas, tendo-o submetido a uma hipnose profunda, ele o induz a diagnosticar o próprio mal e prescrever o tratamento. Em seguida, recomenda o que se há de fazer para impedir uma recorrência dos sintomas, visto que o pedido de cura há de provir diretamente do paciente e não da família nem dos que lhe querem bem.

Depois de conquistadas pelos sarracenos, a partir do século VIII d.C, a Espanha e a Sicília tornaram-se centros de civilização muçulmana renomados pela austeridade religiosa. Os letrados do norte, que acudiram a eles com a intenção de comprar obras árabes a fim de traduzi-las para o latim, não se interessavam, contudo, pela doutrina islâmica ortodoxa, mas apenas pela literatura sufista e por tratados científicos ocasionais. A origem dos cantos dos trovadores – a palavra não se relaciona com trobar, (encontrar), mas representa a raiz árabe TRB, que significa “tocador de alaúde” – é agora autorizadamente considerada sarracena. Apesar disso, o professor Guillaume assinala em “O legado do Islã” que a poesia, os romances, a música e a dança, todos especialidades sufistas, não eram mais bem recebidas pelas autoridades ortodoxas do Islã do que pelos bispos cristãos. Árabes, na verdade, embora fossem um veículo não só da religião muçulmana mas também do pensamento sufista, permaneceram independentes de ambos.

Em 1229 a ilha de Maiorca foi capturada pelo rei Jaime de Aragão aos sarracenos, que a haviam dominado por cinco séculos. Depois disso, ele escolheu por emblema um morcego, que ainda encima as armas de Palma, a nossa capital. Esse morcego emblemático me deixou perplexo por muito tempo, e a tradição local de que representa “vigilância” não me pareceu uma explicação suficiente, porque o morcego, no uso cristão, é uma criatura aziaga, associada à bruxaria. Lembrei-me, porém, de que Jaime I tomou Palma de assalto com a ajuda dos Templários e de dois ou três nobres mouros dissidentes, que viviam alhures na ilha; de que os Templários haviam educado Jaime em le bon saber, ou sabedoria; e de que, durante as Cruzadas, os Templários foram acusados de colaboração com os sufis sarracenos. Ocorreu-me, portanto, que “morcego” poderia ter outro significado em árabe, e ser um lembrete para os aliados mouros locais de Jaime, presumivelmente sufis, de que o rei lhes estudara as doutrinas.

Escrevi para Idries Shah Sayed, que me respondeu:

“A palavra árabe que designa o morcego é KHuFFaasH, proveniente da raiz KH-F-SH. Uma segunda acepção dessa raiz é derrubar, arruinar, calcar aos pés, provavelmente porque os morcegos freqüentam prédios em ruínas. O emblema de Jaime, desse modo, era um simples rébus que o proclamava “o Conquistador”, pois ele, na Espanha, era conhecido como “El rey Jaime, Rei Conquistador”. Mas essa não é a história toda. Na literatura sufista, sobretudo na poesia de amor de Ibn El-Arabi, de Múrcia, disseminada por toda a Espanha, “ruína” significa a mente arruinada pelo pensamento impenitente, que aguarda reedificação.

O outro único significado dessa raiz é “olhos fracos, que só enxergam à noite”. Isso pode significar muito mais do que ser cego como um morcego. Os sufis referem-se aos impenitentes dizendo-os cegos à verdadeira realidade; mas também a si mesmos dizendo-se cegos às coisas importantes para os impenitentes. Como o morcego, o sufi está cego para as “coisas do dia” – a luta familiar pela vida, que o homem comum considera importantíssima – e vela enquanto os outros dormem. Em outras palavras, ele mantém desperta a atenção espiritual, adormecida em outros. Que “a humanidade dorme num pesadelo de não-realização” é um lugar-comum da literatura sufista. Por conseguinte, a sua tradição de vigilância, corrente em Palma, como significado de morcego, não deve ser desprezada.”

A absorção no tema do amor conduz ao êxtase, sabem-no todos os sufis. Mas enquanto os místicos cristãos consideram o êxtase como a união com Deus e, portanto, o ponto culminante da consecução religiosa, os sufis, só lhe admitem o valor se ao devoto for facultado, depois do êxtase, voltar ao mundo e viver de forma que se harmonize com sua experiência.

Os sufis insistiram sempre na praticabilidade do seu ponto de vista. A metafísica, para eles, é inútil sem as ilustrações práticas do comportamento humano prudente, fornecidas pelas lendas e fábulas populares. Os cristãos se contentame em usar Jesus como o exemplar perfeito e final do comportamento humano. Os sufis, contudo, ao mesmo tempo que o reconhecem como profeta divinamente inspirado, citam o texto do quarto Evangelho: “Eu disse: Não está escrito na vossa Lei que sois deuses?” – o que significa que juizes e profetas estão autorizados a interpretar a lei de Deus – e sustenta que essa quase divindade deveria bastar a qualquer homem ou mulher, pois não há deus senão Deus. Da mesma forma, eles recusaram o lamaísmo do Tibete e as teorias indianas da divina encarnação; e posto que acusados pelos muçulmanos ortodoxos de terem sofrido a influência do cristianismo, aceitam o Natal apenas como parábola dos poderes latentes no homem, capazes de apartá-lo dos seus irmãos não-iluminados. De idêntica maneira, consideram metafóricas as tradições sobrenaturais do Corão, nas quais só acreditam literalmente os não-iluminados. O Paraíso, por exemplo, não foi, dizem eles, experimentado por nenhum homem vivo; suas huris (criaturas de luz) não oferecem analogia com nenhum ser humano e não se deviam imputar-lhes atributos físicos, como acontece na fábula vulgar.

Abundam exemplos, em toda a literatura européia, da dívida para com os sufis. A lenda de Guilherme Tell já se encontrava em “A conferência dos pássaros”, de Attar (séc. XII), muito antes do seu aparecimento na Suíça. E, embora dom Quixote pareça o mais espanhol de todos os espanhóis, o próprio Cervantes reconhece sua dívida para com uma fonte árabe. Essa imputação foi posta de lado, como quixotesca, por eruditos; mas as histórias de Cervantes seguem, não raro, as de Sidi Kishar, lendário mestre sufista às vezes equiparado a Nasrudin, incluindo o famoso incidente dos moinhos (aliás de água, e não de vento) tomados equivocadamente por gigantes. A palavra espanhola Quijada (verdadeiro nome do Quixote, de acordo com Cervantes) deriva da mesma raiz árabe KSHR de Kishar, e conserva o sentido de “caretas ameaçadoras”.

Os sufis muçulmanos tiveram a sorte de proteger-se das acusações de heresia graças aos esforços de El-Ghazali (1051-1111), conhecido na Europa por Algazel, que se tornou a mais alta autoridade doutrinária do islamismo e conciliou o mito religioso corânico com a filosofia racionalista, o que lhe valeu o título de “Prova do Islamismo”. Entretanto, eram freqüentemente vítimas de movimentos populares violentos em regiões menos esclarecidas, e viram-se obrigados a adotar senhas e apertos de mão secretos, além de outros artifícios para se defenderem.

Embora o frade franciscano Roger Bacon tenha sido encarado com respeitoso temor e suspeita por haver estudado as “artes negras”, a palavra “negra” não significa “má”. Trata-se de um jogo de duas raízes árabes, FHM e FHHM, que se pronunciam fecham e facham, uma das quais significa “negro” e a outra “sábio”. O mesmo jogo ocorre nas armas de Hugues de Payns (dos pagãos), nascido em 1070 ,que fundou a Ordem dos Cavaleiros Templários: a saber, três cabeças pretas, blasonadas como se tivessem sido cortadas em combate, mas que, na realidade, denotam cabeças de sabedoria.

“Os sufis são uma antiga maçonaria espiritual…” De fato, a própria maçonaria começou como sociedade sufista. Chegou à Inglaterra durante o reinado do rei Aethelstan (924-939) e foi introduzida na Escócia disfarçada como sendo um grupo de artesãos no princípio do século XIV, sem dúvida pelos Templários. A sua reformação, na Londres do início do século XVIII, por um grupo de sábios protestantes, que tomaram os termos sarracenos por hebraicos, obscureceu-lhes muitas tradições primitivas. Richard Burton, tradutor das “Mil e uma noites”, ao mesmo tempo maçom e sufi, foi o primeiro a indicar a estreita relação entre as duas sociedades, mas não era tão versado que compreendesse que a maçonaria começara como um grupo sufista. Idries Shah Sayed mostra-nos agora que foi uma metáfora para a “reedificação”, ou reconstrução, do homem espiritual a partir do seu estado de decadência; e que os três instrumentos de trabalho exibidos nas lojas maçônicas modernas representam três posturas de oração. “Buizz” ou “Boaz” e “Salomão, filho de Davi”, reverenciados pelos maçons como construtores do Templo de Salomão em Jerusalém, não eram súditos israelitas de Salomão nem aliados fenícios, como se supôs, senão arquitetos sufistas de Abdel-Malik, que construíram o Domo da Rocha sobre as ruínas do Templo de Salomão, e seus sucessores. Seus verdadeiros nomes incluíam Thuban abdel Faiz “Izz”, e seu “bisneto”, Maaruf, filho (discípulo) de Davi de Tay, cujo nome sufista em código era Salomão, por ser o “filho de Davi”. As medidas arquitetônicas escolhidas para esse templo, como também para o edifício da Caaba em Meca, eram equivalentes numéricos de certas raízes árabes transmissoras de mensagens sagradas, sendo que cada parte do edifício está relacionada com todas as outras, em proporções definidas.

De acordo com o princípio acadêmico inglês, o peixe não é o melhor professor de ictiologia, nem o anjo o melhor professor de angelologia. Daí que a maioria dos livros modernos e artigos mais apreciados a respeito do sufismo sejam escritos por professores de universidades européias e americanas com pendores para a história, que nunca mergulharam nas profundezas sufistas, nunca se entregaram às extáticas alturas sufistas e nem sequer compreendem o jogo poético de palavras pérseo-arábicas. Pedi a Idries Shah Sayed que remediasse a falta de informações públicas exatas, ainda que fosse apenas para tranqüilizar os sufis naturais do Ocidente, mostrando-lhes que não estão sós em seus hábitos peculiares de pensamento, e que as suas intuições podem ser depuradas pela experiência alheia. Ele consentiu, embora consciente de que teria pela frente uma tarefa muito difícil. Acontece que Idries Shah Sayed, descendente, pela linha masculina, do profeta Maomé, herdou os mistérios secretos dos califas, seus antecessores. É, de fato, um Grande Xeque da Tariqa (regra) sufista, mas como todos os sufis são iguais, por definição, e somente responsáveis perante si mesmos por suas consecuções espirituais, o título de “xeque” é enganoso. Não significa “chefe”, como também não significa o “chefe de fila”, velho termo do exército para indicar o soldado postado diante da companhia durante uma parada, como exemplo de exercitante militar.

A dificuldade que ele previu é que se deve presumir que os leitores deste livro tenham percepções fora do comum, imaginação poética, um vigoroso sentido de honra, e já ter tropeçado no segredo principal, o que é esperar muito. Tampouco deseja ele que o imaginem um missionário. Os mestres sufistas fazem o que podem para desencorajar os discípulos e não aceitam nenhum que chegue “de mãos vazias”, isto é, que careça do senso inato do mistério central. O discípulo aprende menos com o professor seguindo a tradição literária ou terapêutica do que vendo-o lidar com os problemas da vida cotidiana, e não deve aborrecê-lo com perguntas, mas aceitar, confiante, muita falta de lógica e muitos disparates aparentes que, no fim, acabarão por ter sentido. Boa parte dos principais paradoxos sufistas está em curso em forma de histórias cômicas, especialmente as que têm por objeto o Kboja (mestre-escola) Nasrudin, e ocorrem também nas fábulas de Esopo, que os sufis aceitam como um dos seus antepassados.

O bobo da corte dos reis espanhóis, com sua bengala de bexiga, suas roupas multicoloridas, sua crista de galo, seus guizos tilintantes, sua sabedoria singela e seu desrespeito total pela autoridade, é uma figura sufista. Seus gracejos eram aceitos pelos soberanos como se encerrassem uma sabedoria mais profunda do que os pareceres solenes dos conselheiros mais idosos. Quando Filipe II da Espanha estava intensificando sua perseguição aos judeus, decidiu que todo espanhol que tivesse sangue judeu deveria usar um chapéu de certo formato. Prevendo complicações, o bobo apareceu na mesma noite com três chapéus. “Para quem são eles, bobo?”, perguntou Filipe. “Um é para mim, tio, outro para ti e outro para o inquisidor-mor”. E como fosse verdade que numerosos fidalgos medievais espanhóis haviam contraído matrimônio com ricas herdeiras judias, Filipe, diante disso, desistiu do plano. De maneira muito semelhante, o bobo da corte de Carlos I, Charlie Armstrong (outrora ladrão de carneiros escocês), que o rei herdara do pai, tentou opor-se à política da Igreja arminiana do arcebispo Laud, que parecia destinada a redundar num choque armado com os puritanos. Desdenhoso, Carlos pedia a Charlie seu parecer sobre política religiosa, ao que o bobo lhe respondeu: “Entoe grandes louvores a Deus, tio, e pequenas laudes ao Diabo”. Laud, muito sensível à pequenez do seu tamanho, conseguiu que expulsassem Charlie Armstrong da corte (o que não trouxe sorte alguma ao amo).

#sufismo

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Um exemplo de uso prático da Jornada do Herói

Joseph Campbell lançou um livro chamado O herói de mil faces. A primeira publicação foi em 1949, sendo o resultado de um longo e minucioso trabalho que Campbell desenvolveu ao pesquisar a estrutura de mitos, lendas e fábulas. Seu trabalho de pesquisa também analisou histórias modernas, assim como muitos roteiros de filmes.

Sua primeira observação foi que, em todas as histórias, existe um herói e que a narrativa gira em torno de suas peripécias. Nem sempre o herói é um ser humano, podendo ser um grupo de pessoas, um animal ou uma figura mitológica.

Campbell desenvolveu uma estrutura de eventos que demonstra que o herói passa por doze etapas. A seguir, iremos abordar cada uma delas para lhes dar uma idéia de sua estrutura básica, mas achamos conveniente alertar para os seguintes aspectos.

1) Nem toda história se encaixa no caso deste modelo. Portanto, se você está desenvolvendo um romance ou já escreveu um, não se preocupe se ele não se encaixar perfeitamente no modelo da jornada do herói.

2) Há histórias que se encaixam no modelo de Campbell, mas não contém todas as etapas. Não há problema. Não há necessidade de reestruturar a história só porque faltam alguns itens. Se sua história já é boa, não mexa só para cair no modelo de Campbell.

3) O modelo de Campbell também pode ser reduzido ao modelo de três atos, e no decorrer da exposição, mencionaremos cada um dos atos e seus pontos de virada. Vamos, portanto, ao modelo de Campbell, também conhecido como os doze passos de Campbell e Vogler.

Passo 1 – Mundo Comum.
O herói é apresentado em seu dia-a-dia. No esquema de três atos, trata-se do primeiro ato ou parte, quando expomos como é o nosso protagonista.

Como sou amigo dos exemplos, vamos criar uma historia, exemplificando etapa por etapa. Exemplo: Nosso herói é um policial a ponto de se aposentar. Seu único desejo é cumprir o pouco tempo de serviço e se aposentar numa chácara que ele levou anos para comprar. É viúvo e detesta gente de modo geral.

Passo 2 – Chamado à aventura
A rotina do herói é quebrada por algo inesperado, insólito ou incomum.

Dica: Não se esqueça de que só existe história se o personagem for interessante e se seu desejo for frustrado por um oponente.

Dentro do esquema de três atos, ainda estamos no primeiro ato.

Exemplo: O policial recebe a missão de levar um perigoso bandido em custódia até outro estado, onde será julgado por vários crimes. Todavia, ele sabe que os comparsas desse criminoso farão de tudo para libertá-lo.

Passo 3 – Recusa ao chamado
Como já diz o próprio título da etapa, nosso herói não quer se envolver e prefere continuar sua vidinha.

Dica: não se esqueça de que para haver um desejo frustrado é preciso que haja alguém ou algo (o vilão da história) que frustre a vontade do nosso herói. Definir bem o vilão é uma arte.

Ainda estamos no primeiro ato ou parte.

Cuidado: essa etapa nem sempre é necessária ou existe numa história. Pode ser que o evento ocorrido na etapa 2 (chamado à aventura) seja de tal ordem que não deixe margem a recusas.

Exemplo: O policial tenta passar a missão para outro, mas o seu chefe lhe diz que não há nenhum perigo e que será uma viagem rápida e segura.

Passo 4 – Encontro com o Mentor
O encontro com o mentor pode ser tanto com alguém mais experiente ou com uma situação que o force a tomar uma decisão.

Dica: É muito importante se conhecer a Teoria dos Personagens. Construir personagens consistentes e interessantes é meio caminho para o sucesso.

Cuidado com os clichês.

Ainda estamos no primeiro ato ou parte. Pode se colocar o ponto de virada aqui.

Exemplo: Nosso policial descobre por meio de um investigador aposentado que um dos membros da gangue do bandido, que ele terá que levar em custódia, assassinou seu irmão, também policial, numa emboscada traiçoeira. Nesse ponto da história, ele se lembra de que jurou no leito de morte de sua mãe que descobriria o assassino de seu irmão (que tragédia, não?).

Passo 5 – Travessia do Umbral
Nessa fase, nosso herói decide ingressar num novo mundo. Sua decisão pode ser motivada por vários fatores, entre eles algo que o obrigue, mesmo que não seja essa a sua opção.

Dica: não se esqueça de suspender a descrença do leitor. Normalmente é aqui que termina o primeiro ato, ou seja, logo após o primeiro ponto de virada.

Exemplo: O policial aceita a missão, mas esperando que seja atacado pela gangue e prenda o assassino do irmão. Em vez de viajar de avião, ele resolve ir de carro, numa viagem muito mais perigosa.

Passo 6 – Testes, aliados e inimigos
A maior parte da história se desenvolve nesse ponto. No mundo especial – fora do ambiente normal do herói – é que ele irá passará por testes, receberá ajuda (esperada ou inesperada) de aliados e terá que enfrentar os inimigos.

Dica: Como se trata da parte mais extensa, é interessante se construir essa parte conforme os moldes típicos da Confrontação, ou seja, com embargos, pontos médios, novos embargos e reviravoltas. Não se esqueça de usar todas as técnicas do Dialogo Oblíquo, assim como as Técnicas de Narrativa (cadinho de emoções, progressão, manter a tensão etc.).

Exemplo: O policial viaja de carro. A gangue o persegue. Ele se refugia numa cidade pequena, onde conhece uma mulher que o ajuda, já que está levemente ferido. Um início de romance começa entre os dois. O bandido que está sendo levado em custódia consegue fugir, mas é preso pelo irmão da jovem, que ajuda nosso herói. Os elementos da quadrilha fecham todas as saídas da aldeia, mas existe um caminho pelas montanhas que somente um velho conhece. Nosso herói terá que convencê-lo a levá-lo pela trilha perigosa.

Passo 7 – Aproximação do objetivo
O herói se aproxima do objetivo de sua missão, mas o nível de tensão aumenta e tudo fica indefinido.

Continuamos na segunda parte – Confrontação. Podemos criar quantos embargos desejarmos, mas não esqueça a progressão da história e o ritmo da narrativa.

Exemplo: os bandidos descobrem a trilha que o policial seguiu e começa a persegui-lo. Além de estarem sendo levados por um homem velho, o policial está ferido e o próprio bandido em custódia não o ajuda em nada, atrapalhando sua andança. Oh, dificuldades!!!

Passo 8 – Provação máxima
É o auge da crise – precisa dizer mais?

Dicas: Lembre-se sempre para quem você está escrevendo. Ele irá estabelecer o tema, o gênero e a trama.

Ainda estamos na Confrontação.

Exemplo: o herói está cercado e se refugia numa cabana. O velho é ferido. A munição está para acabar. Quando ele está para ser morto, espera uma ajuda inesperada da polícia local, avisada pela jovem que se apaixonou pelo herói.

Passo 9 – Conquista da recompensa
Passada a provação máxima, o herói conquista a recompensa.

Exemplo: após o herói ser salvo, ele consegue levar o bandido para o estado que o julgará por inúmeros crimes. Todavia, um dos bandidos da quadrilha fugiu, mesmo que a maioria foi presa ou morta.

Passo 10 – Caminho de volta
É a parte mais curta da história – em algumas, nem sequer existem. Após ter conseguido seu objetivo, ele retorna ao mundo anterior.

Dica: eu não daria muita importância a esta parte. Mencione-a en passant.

Em tese, estamos na parte final ou terceira parte – Resolução.

Exemplo: O herói toma um avião de volta para sua cidade de origem, sendo parabenizado por todos os colegas.

Passo 11 – Depuração
Aqui o herói pode ter que enfrentar uma trama secundária não totalmente resolvida anteriormente.

Dica: faça ser uma surpresa absoluta.

Em tese, se houver uma reviravolta, você ainda estaria na confrontação, mas nada é fixo e imutável quando se escreve. Conheça as regras e depois quebre-as, se quiser.

Exemplo: quando nosso herói entra em casa, após a longa viagem, ele é surpreendido com o bandido que fugira. Ele o espera para liquidá-lo. É o assassino de seu irmão e, antes de matá-lo, revela algo de estarrecedor a seu respeito – o crime fora encomendado pelo capitão da polícia, seu chefe – por isso os bandidos sabiam de todos os seus passos. Quando ele está para dar o tiro fatal, ele cai morto – a mulher que o ama o salva.

Passo 12 – Retorno transformado
É a finalização da história. O herói volta ao seu mundo, mas transformado – já não é mais o mesmo.

Dica: ao se estruturar o personagem, existe aqueles que se transformam e os que permanecem inalterados. Normalmente, a história é melhor quando o herói se transforma em alguém melhor.

Exemplo: o herói casa-se com a jovem que o salvou e vai ser o chefe de policia da pequena cidade.

Última dica: escreva e reescreva, pois escrever um livro exige planejamento, treinamento e revisão

#JornadadoHerói

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Magnetismo: A Chave de uma imensidade de fenômenos

    Nelson Moraes

Na conclusão de O Livro dos Espíritos, capítulo I, Kardec afirma:

      “Quem, de magnetismo terrestre, apenas conhecesse o brinquedo dos patinhos imantados que, sob a ação do imã, se movimentam em todas as direções numa bacia com água, dificilmente poderia compreender que ali está o segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos”.

Essa afirmação de Kardec não se restringe apenas ao magnetismo consistente nos corpos celestes, mas se estende ao magnetismo nas suas mais variadas configurações e que está presente em todas partículas com as quais se constituem o micro e o macro Universo. É através desse fluido elétrico que os seres pensantes se atraem ou se repelem e se influenciam mutuamente segundo seus pensamentos, suas emoções e seus sentimentos.

Na pergunta 388, de O livro dos Espíritos, Kardec indaga:

 “Os encontros, que costumam dar-se, de algumas pessoas e que comumente se atribuem ao acaso, não serão efeito de uma certa relação de simpatia?”

E obteve a seguinte resposta:

“Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor”.

Esta resposta dos espíritos coloca o magnetismo como piloto dessa ciência. Quer dizer, está no comando dos acontecimentos e é ele que atua para que haja tal encontro. Ou seja, quando necessitamos compartilhar de uma convivência com alguém, nosso encontro se dará infalivelmente, pois seremos atraídos mutuamente por força de uma imantação magnética que liga os nossos destinos para uma convivência em comum.

Essa imantação é construída através das nossas ações praticadas durante nossas vidas sucessivas segundo as quais não só nos imantamos às pessoas, mas também aos acontecimentos que irão compor o roteiro das nossas provações e resgates enquanto encarnados neste mundo de expiação e prova.

É através do magnetismo cósmico ou fluido cosmico universal que nos imantamos e nos submetemos às leis naturais e divinas que nos impulsionam na direção das nossas necessidades evolutivas, situando-nos exatamente onde merecemos estar e com quem devemos estar segundo as leis de causa e efeito.

Em O Livro dos Espíritos, no capítulo da Intervenção dos Espíritos, os espíritos afirmam:

  “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única*, revela a realidade das coisas e suas verdadeiras causas”.

Realmente, o estudo do Espiritismo sem uma compreensão maior do magnetismo fica incompleto, pois o Espiritismo nos revela a natureza espiritual do ser humano e nos esclarece sobre as leis naturais e divinas às quais todos os seres estão submetidos, e o magnetismo por sua vez nos revela o meio por onde essas leis se cumprem.

Assim como tudo se origina de uma transformação do fluido cosmico universal, o magnetismo ou fluido magnético também é uma modificação do fluido cosmico universal e não difere do fluido vital revelado pelos espíritos e que está presente em todos os corpos orgânicos.

No Capítulo intitulado Do Princípio Vital, de O Livro dos Espíritos, os espíritos fazem uma analogia interessante:

“Um aparelho elétrico, como todos os corpos da Natureza, contém eletricidade em estado latente. Os fenômenos elétricos, porém, não se produzem senão quando o fluido elétrico é posto em atividade por uma causa especial. Poder-se-ia então dizer que o aparelho está vivo. Vindo a cessar a causa da atividade, cessa o fenômeno: o aparelho volta ao estado de inércia.”

“Os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de pilhas ou aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade causa a morte. A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos. Varia segundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie. Alguns há, que se acham, por assim dizer saturados desse fluido, enquanto os outros o possuem em quantidade apenas suficiente. Daí, para alguns, vida mais ativa, mais tenaz e, de certo modo, superabundante. A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm. O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se.”

O progresso no estudo do eletromagnetismo, ocorrido principalmente no século XIX, provocou uma mudança a respeito dos conceitos da Ciência sobre a energia.

Segundo as teorias quânticas, a troca de energia a distância se produz em conseqüência das ondas eletromagnéticas, que viajam no espaço à velocidade da luz. Tais ondas, constituídas por fótons, atuam sobre as partículas do meio e dos corpos.

Os apontamentos dos espíritos e o estudo da física quântica nos induzem a uma compreensão ampliada do que consiste o fluido cosmico universal e nos dá uma idéia da importância do magnetismo e da sua função no contexto das relações entre os mundos e entres os seres, o qual podemos defini-lo como o veiculo condutor dos pensamentos e da vontade do Criador e de todos os seres pensantes.

Na parte 2 cap. IX de O Livro dos Espíritos, os espíritos afirmam:

“…o fluido universal entrelaça todos os mundos, tornando-os solidários; veículo imenso da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o da transmissão do som.”

Se, segundo a ciência as ondas eletromagnéticas atuam sobre as partículas do meio e dos corpos e, considerando que hoje o pensamento é reconhecido como pulsos eletromagnéticos, torna-se clara a força incomensurável com que o pensamento atua sobre os corpos e partículas quando direcionado sob o impulso de uma vigorosa vontade ou desejo.

Ainda em O Livro dos Espíritos, pergunta 424.

“Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?”

Resposta:

“Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos”.

Segundo Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, todo ser vivo seria dotado de um fluido magnético capaz de se transmitir a outros indivíduos, estabelecendo-se, assim, influências psicossomáticas recíprocas, inclusive com fins terapêuticos.

Considerando o magnetismo como condutor da vontade e dos pensamentos dos seres pensantes atuando incessantemente sobre as partículas e os corpos, sua ação pode ser benéfica ou maléfica dependendo da fonte que o irradia. Neste caso, a fonte geradora, ou seja, o ser pensante, pode ser comparado a uma usina de eletricidade e os seus pensamentos e sentimentos os transformadores que graduam e determinam sua potência e qualidade. Nada melhor para a comprovação dessa realidade do que os fatos observados e que são muito numerosos, registrando a ação magnética direcionada através dos pensamentos e dos sentimentos humanos.

Lembro-me quando eu contava apenas nove anos de idade e como sempre fazíamos, estava eu e minha mãe no portão de casa aguardando meu pai retornar do trabalho quando uma vizinha parou para conversar com minha mãe. Em determinado momento, ela voltou-se para a jardineira onde minha mãe cultivava suas plantas e, demonstrando uma certa indignação, afirmou:

– Dona Aurora! Que avenca linda! Por que a minha nunca ficou tão bonita?

Logo depois ela foi embora. Minha mãe, após alguns instantes, apontou para a avenca cujas folhas haviam se fechado como se estivessem murchando, e explicou-me:

– Viu meu filho, o que o pensamento de despeito e de inveja da nossa vizinha fez com a nossa plantinha? Guarde esta lição! Nunca use o seu pensamento para invejar ou odiar alguém. Da mesma forma que a planta se ressentiu do magnetismo negativo da nossa vizinha, as pessoas mais sensíveis também se ressentem e podem até adoecer. Mas, se você usar os seus pensamentos para ajudar, envolvendo-as com o seu amor, o teu magnetismo poderá até curá-las das suas enfermidades.

Dizendo isso, voltou-se para a planta e impôs suas mãos sobre ela e orou. Antes que o meu pai retornasse do trabalho, a avenca já havia se recuperado. Minha mãe passou-me esta lição com conhecimento de causa, pois durante toda sua vida aliviou e curou muita gente impondo suas mãos revestidas da generosidade e do amor que nos ensina o Espiritismo Cristão.

A avenca é uma das plantas mais sensíveis, por isso logo se ressentiu da carga magnética negativa que enfraqueceu o fluido vital que lhe garantia a vida. O mesmo ocorre com os animais, cujo efeito demora um pouco mais para se manifestar, mas se não socorrido este acabará morrendo.

No ano de 1970, eu morava em uma casa com um quintal muito grande, como eu gosto de animais, passei a criar algumas galinhas, um casal de gansos e um peru. Certo dia eu estava muito feliz, pois a gansa havia chocado seus ovos trazendo à vida seis filhotes. Uma conhecida nossa, dona do armazém onde realizávamos nossas compras, ficou sabendo e quis ver os gansos, pois, segundo ela, eles não procriavam facilmente no cativeiro. Certo dia ela apareceu em casa e logo ao entrar no quintal demonstrou ser uma apaixonada pela criação de gansos e revelou-me que possuía três casais que nunca haviam procriado. Percebi no seu olhar e semblante uma certa indignação. Ficou algum tempo olhando para os gansos admirando-os e elogiando a beleza de todas as aves do meu quintal, logo depois se despediu e partiu.

No dia seguinte da sua visita, as galinhas não desceram do poleiro para se alimentarem e ali ficaram defecando fezes líquidas até que acabaram morrendo. No terceiro dia foi o galo que, à semelhança das galinhas, permaneceu no poleiro até a morte. No quarto dia morreu os gansos, entretanto, o peru continuou vivo, mas apresentava sinais de que também morreria, pos já não descia do poleiro e não se alimentava. Foi quando conversando com minha mãe chegamos à conclusão de aquela mulher poderia estar por trás daquelas mortes, pois nenhum remédio veterinário conseguira curá-los. Foi então que resolvemos tentar salvar o peru magnetizando-o. Qual não foi a nossa surpresa quando depois de algumas horas após atuarmos sobre ele, apresentava uma visível revitalização recuperando-se completamente ao final do dia.

A ação magnética negativa emitida pela mulher enfraqueceu o fluido vital dos animais, levando-os à morte em uma sinistra seqüência: primeiramente morreu os mais fracos, no caso as galinhas, depois o galo, mais tarde os gansos, porém, o peru, por apresentar uma constituição física mais forte, conseguiu resistir mais tempo até que pudéssemos socorrê-lo.

A ação magnética que direcionamos sobre o peru, operou no sentido inverso e repôs o fluido vital enfraquecido pelo magnetismo maléfico da mulher.

Quando observamos os relatos acima onde ambas as mulheres com um simples olhar alteraram as condições físicas da planta e dos animais, fica claro para nós que a ação magnética não depende de gestos manuais e nem de técnicas. O magnetismo não é captado, é próprio do indivíduo. A simples presença de uma pessoa dotada de bons sentimentos pode causar uma influência magnética benéfica nas pessoas a sua volta, da mesma forma que uma pessoa dotada de maus sentimentos pode causar uma influência maléfica.

O espírito reencarnado através do magnetismo que irradia a sua volta revela sua índole e grava o seu perfil mental nos seus objetos de uso pessoal e no ambiente onde vive, impregnando-os com o seu psiquismo.

Certa vez, quando eu administrava a construção de um prédio industrial na capital do estado de São Paulo, ocorreu um fato que ilustra bem esse fenômeno de impregnação psíquica magnética nos objetos de uso pessoal. Um dos meus funcionários, o encarregado da obra, foi acometido de um mal estranho. Todo dia chegava bem no canteiro da obra, mas assim que começava a trabalhar passava a sofrer de cólicas intestinais violentas sendo obrigado a retornar para casa, porém, assim que deixava a obra, sentia-se muito bem. Isso se repetiu durantes três dias. No quarto dia conversávamos enquanto ele se trocava no barraco da obra e observando-o, fui intuído de que o problema estava na roupa que usava para trabalhar, então perguntei a ele a origem da roupa e ele afirmou que a calça e a cinta que ele usava ganhara de uma vizinha e que era a roupa do seu marido que há pouco tempo havia desencarnado de câncer intestinal. Diante dessa afirmação, a qual confirmava a minha intuição, eu atuei com o meu magnetismo sobre as calças e a cinta. A partir daquele dia não mais sentiu as cólicas que o importunavam.

É evidente que a calça e a cinta do recém-desencarnado ainda se mantinham impregnadas do seu psiquismo de dor e de sofrimento que havia precedido à sua passagem para o mundo dos espíritos, cuja atuação magnética alterava a estabilidade das moléculas situadas na região gástrico intestinal do meu funcionário provocando dores semelhantes as que havia sofrido.

Aqui fizemos um pálido estudo sobre o magnetismo, pois seria impossível em um espaço diminuto de uma matéria se aprofundar mais num assunto tão empolgante e esclarecedor, porém, tenho a certeza que foi o suficiente para compreendermos a profunda visão de Kardec quando afirmou que ninguém imagina que no brinquedo dos patinhos imantados está o segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos.

Matéria publicada na Revista Internacional de Espiritismo 07/LXXXI

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/magnetismo-a-chave-de-uma-imensidade-de-fenomenos/

A tradição Wicca de Gerald Brosse Gardner

Gardner nasceu em 1884 perto de Liverpool. Teve diversas carreiras, e sempre se interessou pelo místico e pelo oculto. Conta-se que estudou desde as fábulas e as lendas antigas até os cultos secretos da Grécia, Roma e Egito. Gardner pertenceu à Hermetic Order of the Golden Dawn (Hermética Ordem da Aurora Dourada).

Em 1954 ele apoiou as teorias de Margaret Murray; que havia lançado um livro anteriormente defendendo a teoria de existirem cultos à Deusa que se perpetuavam desde a antigüidade; e que tiveram de ser disfarçados devido às caças às bruxas da idade média. Nesse mesmo ano ele lançou o livro ” Witchcraft Today”. Segundo ele, a bruxaria teria sido perpetuada pelos séculos de fogueira por uma tradição oral e familiar. Ele dizia que havia tido contato( em 1939) com a “Velha Dorothy” Clutterbuck, herdeira e alta sacerdotisa de um culto milenar sobrevivente . Segundo ele ela o havia iniciado e lhe revelado a palavra Wicca.

Dizia também que lhe foi dado a missão de ser o porta-voz informal da prática da Wicca.

Gardner reuniu antigas lendas , rituais e fragmentos de textos antigos como base de sua doutrina. Somado a isso, ele teria inserido elementos da simbologia da magia tradicional e alguns rituais e citações de seu amigo Aleister Crowley. Com isso Gardner adotou como livro sagrado ou “Evangelho”, chamado Aradia. Este último era uma coleção de textos selecionados por Charles Leland em 1899; que contava várias lendas, entre as quais a principal era a de Diana, cujo encontro com o deus-sol Lúcifer originou Aradia, a primeira bruxa que revelou os segredos da feitiçaria aos humanos.

O culto de Gardner consistia em reuniões conduzidas por sacerdotes ( apenas mais tarde foram consideradas as mulheres como as sacerdotisas principais peças do ritual). Nestes ritos eram adorados os deuses da fertilidade, a grande Deusa tríplice enquanto que dançavam nus e invocavam as forças da natureza. Os rituais eram semelhantes aos da magia tradicional, com círculos mágicos, exercícios de meditação, o uso de instrumentos como a adaga, a espada, o cálice e etc…

O ideal, segundo Gardner, era que os ritos fossem celebrados em plena nudez, pois dessa forma simbolizavam um regresso à era anterior à perda da inocência. Além disso, havia uma passagem em Aradia que dizia: ” Como sinais de que sois verdadeiramente livres, deveis estar nuas em seus ritos; cantai, celebrai, fazendo música e amor, tudo em meu louvor”

Gardner ainda considerava o que chamava de ” O Grande Rito”, que era a prática sexual ritualística.

Entre os principais críticos , encontram-se Francis King e Aidan Kelly.

Francis King não tolerava Gardner pelo fato dele ter pago enormes quantias em dinheiro à A. Crowley para desenvolver os principais rituais de seu culto.

Já Kelly ( fundador da Nova Ordem Ortodoxa Reformada da Aurora Dourada) acusou Gardner de criar uma religião inteiramente diferente do velho paganismo. Ainda não reconheceu Wicca como uma autêntica e “antiga tradição originada do paganismo europeu”. Ele revela também, que o pretenso “Livro das Sombras” escrito por Gardner que dizia ter sido criado no séc. XVI , nada mais era que uma coletânea das várias tradições medievais.

A tradição Gardneriana era realmente muito diferente dos relatos de outras bruxas. A maioria delas revelavam que o culto se limitava à uma tradição mestre X discípulo, muitas vezes na família ( mas nem sempre); que o ensinamento era oral, e que depois de anos e anos de muito treino e provas, o discípulo era apresentado ao Conven. Se fosse aceito no Conven, depois de um ano e um dia recebia a iniciação. Segundo as bruxas, esse acesso era limitado a poucos escolhidos pois os rituais sagrados eram perigosos. Eles podiam provocar chuvas, ventanias, manifestar espíritos, elementais e etc…

Essa evidência, que supunha grande autenticidade, virou pretexto para aparecerem incalculáveis novas tradições subitamente; todas com pequenas variações do gardnerismo e supondo pertencerem à “antiquíssimas” tradições.

Com novas tradições aparecendo por todos os lados ligadas à Wicca, tornou-se moda, entre os anos 60-80 cada um inventar sua própria tradição. Cada livro publicado dava uma concepção diferente ; começaram a aparecer os famosos “cursos de bruxaria por correspondência ” e em pouco tempo o número de wiccanos auto-didatas era maior que os que ainda se mantinham à tradições específicas.

Na minha opinião essa desagregação livre é que originou os diversos manuais de “auto-iniciação” , que para mim não passa de uma fuga à responsabilidade de estudar profundamente ou de se submeter à uma disciplina compromissora.

Vemos hoje em dia uma corrupção da tradição. E a iniciação Wicca não é reconhecida pelas tradições de que mantém o método mestre X discipulo, pois qualquer um pode se conceder o título de iniciado sem critério algum.

Se alguém disser: ” Estudo a tradição antiga da bruxaria, busco a comunhão com a Deusa e procuro me aprimorar espiritualmente” ; isso será muito aceitável e incentivador. Porém se uma pessoa ler um livro ( quando lê!) e realizar um simples ritual de auto-iniciação, e com isso se considerar no mesmo nível dos altos sacerdotes e iniciados, e disser: ” Sou um iniciado, um bruxo, já posso fundar meu coven” ; jamais vai ser levado a sério por um bruxo autêntico.

A bruxaria é aberta a todos, qualquer um pode adorar a Deusa e estudar profundamente sua literatura. Mas uma iniciação só é conseguida por esforço, compromisso e merecimento.

por Bruno

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-tradicao-wicca-de-gerald-brosse-gardner/

Os Quatro Níveis de Compreensão

Um texto que está circulando nas Redes Sociais causou a maior guerra entre religiosos, ateus fanáticos e místicos estes dias. Uma fábula extremamente interessante a respeito de Livros Sagrados, Contos de Fadas e a história da humanidade:

Hoje, em uma de nossas aulas eu apresentei às crianças duas maçãs (as crianças não sabem disso, mas antes da aula eu tinha repetidamente jogado uma das maçãs no chão, mas não dava pra notar, as duas maçãs pareciam perfeitas). Falamos sobre as maçãs e as crianças descreviam como ambas pareciam iguais. Eram vermelhas, eram de tamanhos semelhantes e pareciam suculentas o suficiente para comer.

Peguei a maçã que tinha caído no chão e comecei a dizer às crianças como eu não gostava dela, que eu a achei nojenta, era uma cor horrível. Disse-lhes que, porque eu não gosto dela, eu não queria que eles gostassem, e pedi pra todos fazerem alguma crítica àquela maça. Algumas crianças olharam para mim como se eu fosse louco, mas nós passamos a maçã ao redor do círculo e todos apontaram um defeito nela, ‘você é uma maçã fedida”,”Eu nem sei por que você existe’, ‘você provavelmente tem vermes dentro de você “, etc.

Em seguida, passei a outra maçã pelo círculo e começamos a dizer palavras gentis a ela: ‘Você é uma linda maçã’, ‘Sua pele é linda’, ‘Que bela cor você tem”, etc.
Eu, então, levantei as duas maçãs, e de novo, falamos sobre as semelhanças e diferenças, não houve mudança, as duas maçãs ainda pareciam as mesmas.

Eu, então, cortei as maçãs ao meio. A maçã que tinha sido elogiada estava fresca e suculenta por dentro. A maçã que tinha sido criticada estava ‘machucada’ e toda mole por dentro.

A ficha caiu para as crianças imediatamente. Elas perceberam que os pedaços quebrados é o que acontece dentro de cada um de nós quando alguém nos maltrata com suas palavras ou ações. Quando as pessoas são intimidadas, especialmente crianças, elas se sentem horríveis por dentro e às vezes não mostram ou dizem aos outros como eles estão se sentindo. Se não tivéssemos cortado aquela maçã, nunca saberíamos o quanto de dor tinhamos causado.

Eu compartilhei minha própria experiência com a classe, sobre sofrer com palavras duras de alguém na semana passada. Por fora eu parecia OK, eu ainda estava sorrindo. Mas, do lado de dentro eu estava sofrendo.

Ao contrário de uma maçã, que não tem a capacidade de impedir que isso aconteça. Nós podemos ensinar as crianças que não é ok dizer coisas desagradáveis uns aos outros. Podemos ensinar nossos filhos a lutar pelos outros e a evitar qualquer forma de assédio moral, assim como uma menina fez hoje, quando ela se recusou a dizer palavras duras para a maçã.

Mais e mais dor será sentida, se ninguém fizer nada para parar o bullying. A língua não tem ossos, mas é forte o suficiente para quebrar um coração. Portanto, tenha cuidado com suas palavras.

Rosie Dutton

O entendimento da Kabbalah sobre os contos, histórias, narrativas, textos mitológicos e escrituras sagradas chega a quatro níveis (não por coincidência associados aos quatro elementos: Terra, Ar, Água e Fogo); toda a interpretação da Torá depende muito da forma como os Judeus estudam a Torá e o Tanach, que nas Bíblias Cristãs equivale ao Antigo Testamento; toda a interpretação que os magos adquirem dos textos do Aleister Crowley ou Arthur Waite ou Israel Regardie dependem de seu próprio nível intelectual, espiritual e moral. Compreendendo os princípios da Alquimia, é possível chegar ao nível mais profundo de interpretação chamado: Pardês.

Pardês na tradução literal significa Jardim, porém, em hebraico, também significa um acróstico de um método de estudo das Sagradas Escrituras, cada uma delas atendendo a capacidade da pessoa naquele momento. Em outras palavras Pardês representa quatro diferentes abordagens de um Texto dentro da Kabbalah. Vamos a eles:

1 – Pshat – o “simples significado”, ou significado LITERAL. Elemento TERRA. Assim é ensinado para as crianças e adultos que ainda não estão familiarizados com a Literatura da Torá. O ensinamento Literal é o mais apropriado neste caso. Conta-se uma historia mística e fantasiosa, cheia de milagres ou de efeito surpreendente, que pode trazer dentro de si a Jornada do Herói. Neste nível encontramos dragões, fadas, gente que caminha sobre a água, multiplica pães ou até mesmo leva um par de animais para dentro de um barquinho durante 40 dias e 40 noites em um dilúvio!

2 – Remez – “dicas” de um significado Alegórico, um ensinamento mais profundo, e não apenas a expressão literal. Atingidos por pessoas com melhor nível cultural e científico, a pessoa consegue compreender a ciência (Elemento AR) e a explicação por trás daquela história (no caso, entender que a maçã ficava realmente machucada, mas não por causa do bullying, e sim pelo fato do professor ter jogado ela no chão repetidas vezes). Este nível de compreensão engloba entender os signos do zodíaco como representações das estações do ano e sua integração com o comércio das civilizações naquele período, por exemplo. No judaísmo, a troca de palavras com o mesmo valor numérico é largamente utilizada para este fim. Quando compreendemos que “Arca” e “Escola” possuem o mesmo valor gemátrico; “Dilúvio” e “Ignorância”; “Animais” e “Estudantes”; temos uma compreensão maior do que significa a lenda de Noé: “Escolas que reúnem ensinamentos de todos os lugares do mundo são úteis para combater a ignorância dos outros ao redor”. Antigamente chamávamos isso de Universidade.

3 – Drash – “interpretação”; descobrir o significado através da Emoção (Elemento ÁGUA), analisando as palavras, a colocação, os formatos das Letras, por comparação palavras e formas e também por ocorrências semelhantes noutros locais. Aqui aprendemos a conectar estas metáforas a nossa vida prática. Neste nível compreendemos as Óperas e as grandes peças de teatro, que nos tocam mais profundamente que apenas palavras. No exemplo da professora, as crianças, ao abrirem a maçã e verem o estado interno dela, ficaram com uma experiência que vai caminhar com elas para a vida com muito mais intensidade do que se a professora tivesse feito apenas uma leitura de um texto explicando o que é bullying. Drash é o nível de trabalho que utilizamos nos rituais e dramas iniciáticos e é a origem do teatro.

Infelizmente, assim como na Árvore da Vida, há um Abismo que separa os Alquimistas do restante da população. Até agora, podemos enxergar (e no quebra pau das Redes Sociais) alguns tipos de pessoas: os ateus fanáticos que acham que a professora é uma mentirosa enganadora, os místicos de bom coração que escolhem ficar na ignorância científica, os fãs do Masaru Emoto e Ashtar Sheron e finalmente os que acham que Arca de Noé e criacionismo são coisas literais.

4 – Sod – o “segredo” ou o significado místico e metafísico de uma passagem, é a compreensão pelo FOGO dos três significados anteriores. Trata-se aqui de um entendimento mais profundo e completo de que as lendas, fábulas e histórias possuem um significado mais completo que pode ser aproveitado em nossas vidas. Daí a TRANSMUTAÇÃO descrita nos textos alquímicos, que só pode ser atingida depois da compreensão dos três níveis anteriores.

O importante é que todas as quatro formas de estudo do Pardês nunca contradiz o significado base. Cada nível de conhecimento é revelado para quem está preparado para recebê-lo.

Não se pode subir uma escada saltando degraus. É preciso subir degrau por degrau, respeitando o tempo e as limitações momentâneas, para que, no momento certo, toda a verdade possa ser revelada sem causar danos psicológicos! Uma pena que a imensa maioria da humanidade ainda esteja abraçada nos níveis literais dos contos de fadas bíblicos…

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Nefilin

Num diálogo retirado do capítulo “Serafim” da popular série de TV, Arquivo X, a investigadora do FBI Dana Scully, depois de deparar-se com um serafim, consulta um padre para que lhe esclareça a respeito do que viu:

Dana Scully: Eu vi um homem com roupa negra. Ele tinha 4 faces, não eram humanas.

Padre: (…) É um Serafim um anjo de 4 faces. Uma de anjo, 1 de leão, 1 de águia e uma de touro. Na história o anjo desce do céu e gera 4 filhos em uma, mortal. Os filhos são os Nefelin , os caídos, tem almas de anjos mas não deveriam existir, são deformados atormentados. Então Deus envia o Serafim à Terra para levar de volta as almas dos Nefelin, para evitar que o demônio as reinvindique.

Dana Scully: Como foram levadas?

Padre: Elas foram levadas pelo brilho de sua face. Olhar para um Serafim em toda sua glória é entregar a alma ao céu.

Dana Scully: Acha que foi isso o que vi?

Padre: Não, acho que o que viu foi uma fantasia de sua imaginação. (…) Nephelin é uma história. O texto no qual parece nem é reconhecido pela igreja.

Essa é uma das poucas vezes em que a incrédula agente Scully – e não Fox Mulder – toma a iniciativa em afirmar a existência de algo ainda não provado pela ciência, o que da um destaque maior desse capítulo, em relação ao restante da série. Também em nome de sua fé católica ela deixa que a última das 4 crianças (que possuíam deformações como estrutura óssea para suporte de asas, seis dedos nos pés e nãos, etc.) tenha o mesmo destino das outras, que ao olhar para o serafim morreram com seus olhos queimados. De qualquer forma a lenda dos Nefilin faz parte da antiga mitologia judaica.

O livro da Gênese assinala a união fecunda dos Benei-ha-Elohim ou filhos dos deuses, com as filhas dos homens: Misterioso casamento do qual nasceu a grande raça dos gibborim, ou dos nephilim:

«6. Filhos de Deus e filhas dos homens – Quando os homens começaram a ser numerosos sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas e tomaram como mulheres todas as que lhes agradaram. Iahweh disse: “Meu espírito não se responsabilizará indefinidamente pelo homem, pois ele é carne; não viverá mais que cento e vinte anos.” Ora, naquele tempo (e também depois), quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos homens e estas lhes davam filhos, os Nefilim habitavam sobre a terra; estes homens famosos foram os heróis dos tempos antigos.»

O episódio dos “filhos de Deus”, que se casaram com as “filhas dos homens”, é de tradição javista. O capítulo 6 é provavelmente um fragmento que se adicionou para fornecer uma motivação moral à história do dilúvio, derivada de versões mesopotâmicas nas quais essa motivação inexiste. Embora no Gênesis não esteja claro que os nefilins fossem maus, assim eles foram considerados nos livros apócrifos da época do Segundo Templo. O livro apocalíptico dos Jubileus conta que os Sentinelas (anjos) vieram para a Terra e depois pecaram, mas que seu príncipe, Samael, teria tido a permissão de Yaveh para atormentar a humanidade. Entretanto, o judaísmo posterior e quase todos os primeiros escritores eclesiásticos viram nesses “filhos de Deus” anjos culpados. Nos Livros de Enoch, esse episódio aparece como tendo sido uma desobediência à Deus. Os últimos compiladores do capítulo 6 provavelmente conheciam a história completa relatada em Enoch, com detalhes sobre os filhos nascidos da união entre anjos e mulheres, “que são chamados espíritos sobre a terra” pois a citação Bíblica foi obviamente influenciada por este livro, do qual temos um fragmento de sua forma mais antiga, em aramaico, o manuscrito de Damasco, descoberto no inverno de 1896-97 numa genizah ou esconderijo secreto de uma comunidade hebraica do Cairo e publicada, pela primeira vez, sob o título de Documento de Damasco, em 1910. O texto completo, em português, aparece no apêndice de “Os Documentos do Mar Morto”, de Burrows, de onde tiramos a citação que se segue:

«III – E, agora, ouvi-me, meus filhos, que eu descerrarei os vossos olhos para que possais escolher aquilo que Ele ama e desprezar tudo aquilo que odeia, para poderdes caminhar perfeitamente em todos os Seus caminhos e não errardes seguindo impulsos culposos ou deitando olhares de fornicação. Porque muitos foram os que se desviaram e homens fortes e valorosos aí escorregaram, tanto outrora como hoje. Caminhando com a rebelião nos corações, caíram os próprios guardas dos céus, a tal chegados porque não observavam os mandamentos de Deus, tendo caído também os seus filhos, cuja estatura atingia também a altura dos cedros e cujos corpos se assemelhavam a montanhas. Todo o ser vivo que se encontrava em terra firme, caiu, sim, e morreu, e foram como se não tivessem sido, porque procediam conforme a sua vontade e não observavam os mandamentos do seu Criador, de maneira que a cólera de Deus se inflamou contra eles.

IV – assim se perderam os filhos de Noé e as suas tribos e assim foram aniquilados.»

Ainda nos textos de Qumram, do século II a.C., vamos encontrar outro documento antigo, o pergaminho de Lameque, contando uma história semelhante. Como o rolo só se conservou em fragmentos, faltam agora no texto frases e sentenças inteiras. O que restou, entretanto, é suficiente singular para ser relatado. Diz ele, que certo dia Lameque, pai de Noé, voltando para casa de uma viagem de mais de nove meses, foi surpreendido pela presença de um menino pequenino que, por seu aspecto físico externo em absoluto não se enquadraria na família. Lameque levantou pesadas acusações contra sua mulher Bat-Enosh e afirmou que aquela criança não se originara dele. Bat-Enosh se defendeu, jurando por tudo que lhe era sagrado que o sêmem só poderia ser dele, do pai Lameque, pois na ausência do marido ela não teve o menor contato com nenhum soldado, nem de um estranho nem de um dos “filhos do céu”. E ela implorou:

«Ó meu senhor… juro… esse sêmem proveio de ti, de ti proveio a concepção, de ti a plantação do fruto que não é de um forasteiro, nem de um guarda, tampouco de um filho do céu…»

Não obstante, Lameque não acreditou nas juras de sua mulher e, desassossegado até o fundo de sua alma, partiu para pedir conselho a seu pai Matusalém, a quem relatou o caso familiar que tanto o deprimia. Matusalém ouviu, meditou e como não chegou a tirar conclusão alguma, por sua vez, pôs-se a caminho para consultar o sábio Enoque. Aquele assunto de família estava causando tal alvoroço que o velho enfrentou os incômodos de uma longa viagem a fim de por a limpo a origem do garoto. Enoque ouviu o relato de Matusalém, contando como, de um céu cem nuvens, de repente caiu um menino, de aspecto físico externo menos parecido com o dos mortais comuns, e mais semelhante a um filho de pai celeste, cujos olhos, cabelos, pele, em nada se enquadrava na família.

O sábio Enoque escutou o relato e mandou o velho Matusalém de volta, com a notícia alarmante de que um grande juízo punitivo sobreviria, atingindo a Terra e a humanidade; toda a “carne” seria aniquilada, por ser suja e perversa. No entanto, falou Enoque, ele, Matusalém, deveria ordenar ao seu filho Lameque que ficasse com o menino e lhe desse o nome de Noé, pois o pequeno Noé teria sido escolhido para ser o progenitor daqueles que sobreviveriam ao grande juízo universal. Matusalém viajou de volta, informou seu filho sobre tudo o que estaria para vir e Lameque finalmente aceitou a criança como sua.

A Biblioteca de Enoch:

O “Livro de Enoch” é um texto apócrifo escrito por volta de 200 a.C. [Os livros apócrifos judaicos circulavam entre os judeus durante os séculos imediatamente anteriores e posteriores ao início da era cristã. Os mais importante de todos estes era os Livros de Enoch.]

Na verdade, o Livro de Enoch era uma coletânea de diversas obras literárias, que apareciam todas sob o nome de Enoch mas que teriam sido escritas por diferentes autores. Tudo indica que o livro era bastante conhecido até o século XVIII, mas não sabemos quantos deles existem. O livro das Similitudes (ou segredos) de Enoch menciona um total de 360 livros. Uma verdadeira biblioteca cuja existência dificilmente poderá algum dia ser comprovada. Sabemos que com certeza existem três: O Enoque I ou Enoque Etíope; o Enoque Eslavo ou Livro dos Segredos de Enoque e o Enoque Hebreu. Há uma vaga referência a um Enoque IV, feita numa epístola a Barnabás, datada do século II da nossa Era. [Talvez queira-se considerar também o pergaminho de Lameque como uma seqüência das histórias contadas pelo patriarca Enoch]. Infelizmente, esses textos ficaram perdidos durante séculos, só sendo redescobertos em épocas recentes, a maior parte em fragmentos.

Alguns fragmentos do Livro de Enoque, já conhecido, mas escrito em aramaico, foram descobertos nas célebres grutas de Quamram, no Mar Morto [ver o Manuscrito de Damasco]. Por isso há quem especule a existência de uma versão original mais antiga, escrita em hebraico. Uma outra versão conhecida como Os Segredos de Enoch ou II Enoch, foi descoberta na Rússia, em um texto eslavo, e traduzida para o inglês no século XIX; Esta foi provavelmente escrita no Egito no princípio da era cristã e fala da viagem de Enoch através das diferentes cortes do Paraíso.

Uma de sua versões foi encontrada na Abissínia. Havia sido escrita no idioma etíope, por isso ficou conhecido como Enoch Etíope ou I Enoch. O Enoque Etíope é conhecido de forma completa na Europa desde 1773, quando o explorador inglês James Bruce trouxe três cópias, que foram rapidamente difundidas; mas a primeira publicação de excertos do texto etíope de Enoque, o qual, é o único integral remanescente, só ocorreu em 1800. A primeira tradução completa foi publicada por Richard Laurence em Oxford no ano de 1821, gerando novos debates em torno da velha questão: Se os “filhos de Deus” que tiveram relações sexual com mulheres eram de fato anjos. O estudo filológico mostrou que estes originais foram escritos por volta do ano 400 da nossa Era e em grego. A queda dos anjos é contada no texto da seguinte forma:

VI – 1. Quando outrora aumentou o número dos filhos dos homens, nasceram-lhes filhas bonitas e amoráveis. Os Anjos, filhos do céu, ao verem-nas, desejaram-nas e disseram entre si: “Vamos tomar mulheres dentre as filhas dos homens e gerar filhos!” 2. Disse-lhes então o seu chefe Semjaza: “Eu receio não queiras realizar isso, deixando-me no dever de pagar sozinho o castigo de um grande pecado”. Eles responderam-lhe em coro: “Nós todos estamos dispostos a fazer um juramento, comprometendo-nos a uma maldição comum mas não abrir mão do plano, e sim executa-lo”. 3. Então eles juraram conjuntamente, obrigando-se a maldições que a todos atingiram. Eram ao todo duzentos os que, nos dias de Jared, haviam descido sobre o cume do monte Hermon. Chamaram-no Hermon porque sobre ele juraram e se comprometeram a maldições comuns. 4. Assim se chamavam os seus chefes: Semjaza, o superior de todoseles, Arakiba, Rameel, Kokabiel, Tamiel, Ramiel, Danel, Ezekeel, Narakijal, Azael, Armaros, Batarel, Ananel, Sakeil, Samsapeel, Satarel, Turel, Jomjael e Sariel. Eram esses os chefes de cada grupo de dez.

VII – 1. Todos os demais que estavam com eles tomaram mulheres, e cada um escolheu uma para si. Então começaram a freqüentá-las e a profanar-se com elas. E eles ensinavam-lhes bruxarias, exorcismos e feitiços, e familiarizavam-nas com ervas e raizes. 2. Entrementes elas engravidaram e deram à luz a gigantes de 3.000 côvados de altura. Estes consumiram todas as provisões de alimentos dos demais homens. E quando as pessoas nada mais tinham para dar-lhes os gigantes voltaram-se contra elas e começaram a devorá-las. 3. Também começaram a atacar os pássaros, os animais selvagens, os repteis e os peixes, rasgando com os dentes as suas carnes e bebendo o seu sangue. Então a terra chamou contra os monstros.

VIII – 1. Azazel ensinou aos homens a confecção de espadas, facas escudos e armaduras, abrindo os seus olhos para os metais e para a maneira de trabalha-los. Vieram depois os braceletes, os adornos diversos, o uso dos cosméticos, o embelezamento das pálpebras, toda sorte de pedras preciosas e a arte das tintas. 2. Eassim grassava uma grande impiedade; eles promoviam a prostituição, conduziam aos exessos e eram corruptos em todos os sentidos. Semjaza ensinava os esconjuros e as poções de feitiços, Armaros a dissipação dos esconjuros, Barakijal a astrologia, Kokabel a ciência das constelações, Ezekeel a observação das nuve3ns, Arakiel os sinais da terra, Samsiel os sinais do sol e Sariel as fases da lua. 3. Quando os homens se sentiram prestes a serem aniquilados levantaram um grande clamor, e seus gritos chegaram ao céu.

IX – 1. Então Michael, Uriel, Raphael e Gabriel olharam do alto do céu e viram a quantidade de sangue derramado sobre a terra e todas as desgraças que sobrevieram (…) 2. Então eles falaram ao Senhor dos mundos: “(…) 4. Tu vês o que foi perpetrado por Azazel, como ele ensinou sobre a terra toda espécie de transgressões, revelando os segredos eternos do céu, forçando os homens ao seu conhecimento; assim procedeu Semjaza, a quem conferiste o comando sobre os seus subalternos. 5. “Eles procuraram as filhas dos homens sobre a terra, deitaram-se com elas e tornaram-se impuros; familiarizaram-nas com toda sorte de pecados. As mulheres pariram gigantes e, em conseqüência, toda a terra encheu-se de sangue e de calamidades.” 6. “Agora clamam as almas dos que morreram, e o seu lamento chega às portas do céu. Os seus clamores se levantam ao alto, e em face de toda a impiedade que se espalhou sobre a terra não podem cessar os seus queixumes.” 7. “E Tu sabes de tudo, antes mesmo que aconteça. Tu vês tudo isso e consentes. Não nos dizes o que devemos fazer.”

X – 1. Então o Altíssimo, o Santo, o Grande, tomou a palavra e enviou Uriel ao filho de Lamech, com a ordem seguinte: “Dize-lhe, em meu nome: ‘Esconde-te’, e anuncia-lhe o fim próximo! Pois o mundo inteiro será destruído; um dilúvio cobrirá toda a terra e aniquilará tudo o que sobre ela existe.” 2. “Comunica-lhe que ele poderá salvar-se, e que seus descendentes serão mantidos por todas as gerações do mundo!” 3. E a Raphael disse o senhor: “Amarra Azazel de mãos e pés e lança-o nas trevas! Cava um buraco no deserto de Dudael e atira-o ao fundo! Deposita pedras ásperas e pontiagudas por baixo dele e cobre-o de escuridão! Deixa-o permanecer lá para sempre e veda-lhe o rosto, para que não veja a luz!” 4. “No dia do grande Juízo ele deverá ser arremessado ao tremendal de fogo! Purifica a terra, corrompida pelos Anjos, e anuncia-lhe a Salvação, para que terminem seus sofrimentos e não se percam todos os filhos dos homens, em virtude das coisas secretas que os Guardiões revelaram e ensinaram aos seus filhos! Toda a terra está corrompida por causa das obras transmitidas por Azazel. A ele atribui todos os pecados!” 5. E a Gabriel disse o Senhor: “Levanta a guerra entre os bastardos, os monstros, os filhos das prostitutas e extirpa-os do meio dos homens, juntamente com todos os filhos dos Guardiões! Instiga-os uns contra os outros, para que na batalha se eliminem mutuamente! Não se prolongue por mais tempo a sua vida! Nenhum rogo dos pais em favor dos seus filhos deverás ser atendido; eles esperam ter vida para sempre, e que cada um viva quinhentos anos.” 6. A Michael disse o Senhor: “Vai e põe a ferros Semjaza e os seus sequazes, que se misturam com as mulheres e com elas se contaminaram de todas as suas impurezas!” 7. “Quando os seus filhos se tiverem eliminado mutuamente, e quando os pais tiverem presenciado o extermínio dos seus amados filhos, amarra-os por sete gerações nos vales da terra, até o dia do seu julgamento, até o dia do juízo final!” 8. “Nesse dia, eles serão atirados ao abismo de fogo, na reclusão e no tormento, onde ficarão encerrados para todo o sempre. E todo aquele que for sentenciado à condenação eterna seja juntado a eles, e seja com eles mantido em correntes, até o fim de todas as gerações.” 9. “Extermina os espíritos de todos os monstros, juntamente com todos os filhos dos Guardiões, porque eles maltrataram os homens! Purga a terra de todo ato de violência! Toda obra má deve ser eliminada! Que floresça a árvore da Verdade e da Justiça. (…)”

VII – 1. Enoch (…) havia estado junto dos Guardiões e transcorreu os seus dias na companhia dos Santos. 2. (…) Então os [Santos] Guardiões me chamaram, a mim Enoch, o Escriba, e disseram-me: “Enoch, tu, o Escriba da Justiça, vai e anuncia aos Guardiões do céu que perderam as alturas do paraíso e os lugares santos e eternos, que se corromperam com mulheres à moda dos homens, que se casaram com elas, produzindo assim grande desgraça sobre a terra; anuncia-lhes: ‘Não encontrareis nem paz nem perdão’. Da mesma forma como se alegram com seus filhos, presenciarão também o massacre dos seus queridos, e suspirarão com a desgraça. Eles suplicarão sem cessar, mas não obterão nem clemência nem paz!”

Alguns estudiosos tem certeza de que esse livro foi escrito originalmente em hebraico, outros julgam que a língua original foi o aramaico e outros tantos acreditam que algumas partes foram escritas em hebraico e outras em aramaico. A primeira parte do Enoch etíope (caps. 1-36) tem uma importância imensa, pois remonta provavelmente a c. 300 a.C. e aos primeiros livros da Bíblia. Uma das fontes antigas usadas pelos últimos revisores do Gênesis era semelhante a fonte utilizada mais integralmente em I Enoch.

A queda dos anjos vista pelos cristãos:

A tradição da queda dos anjos estava espalhada e existia na época do nascimento do cristianismo no Egito. Ainda hoje persiste na Síria, no Egito e na Etiópia, onde existem igrejas cristãs muito diferentes das nossas. Atualmente, a Igreja Cristã da Etiópia, ou Igreja Copta, mantém o Livro de Enoque em sua Bíblia, como documento oficial. Entre demais cristãos atuais é considerado apócrifo, o que não é de estranhar. Os primeiros padres da Igreja, e os principais pensadores cristãos dos três primeiros séculos conheciam Enoch. Também a Bíblia não era a que conhecemos. Até o século IV, Enoch fazia parte do ainda mal definido cânone. Familiar aos judeus e primeiros cristãos, Enoch foi um texto sagrado autêntico para Judas, Clemente, Barnabé, Tertuliano e outros primeiros padres (embora Jerônimo e Orígenes fizessem ressalvas). A influência desse livro foi tamanha que ele chegou citado até mesmo por críticos pagãos, como Celso, que estudou as Escrituras.

Como já visto anteriormente, na mais antiga tradição judaico-cristã, o pecado dos Anjos-caídos foi a luxúria e não o orgulho. Os Nefilins foram criação da união sexual entre anjos lúbricos e mulheres. Essa interpretação influente apresentada por muitos dos primeiros padres da Igreja é uma razão para Enoch ter sido posteriormente excluído do cânone. Eis o que os primeiros padres escreveram: Justino, martirizado em Roma em 165 d.C., explicou que alguns anjos violaram a ordem apropriada das coisas, cederam a impulsos sexuais e tiveram relações com mulheres, cujos filhos agora chamamos de demônios. [26] Esses demônios são a causa de assassinatos, adultérios e todos os outros males. Atenágoras, outro apologista cristão grego, escreveu (em 177) que o Diabo foi criado por Deus exatamente como Ele criara os demais anjos. O homem possui o livre-arbítrio para escolher entre bem e mal, e o mesmo vale para os anjos. O homem possui o livre-arbítrio para escolher entre bem e mal, e o mesmo vale para os anjos. Mas no passado alguns anjos sentiram desejo por virgens, tornaram-se escravos da carne, tiveram relações sexuais com elas e nasceram-lhes filhos que eram gigantes. Junto com as almas desses gigantes, os anjos que caíram do Céu assombram o ar e a terra; são os demônios que vagam pelo mundo. [27] Clemente de Alexandria, outro apologista importante, foi um pensador flexível e sutil na virada do século II. Condenado no século IX como herege pelo patriarca ilegalmente consagrado Fócio, Clemente foi eliminado do martirológio romano. Ele supôs que as verdades da filosofia grega haviam sido roubadas pelos gregos dos hebreus. Tanto os textos gregos como os hebreus misturam verdade e erro, sendo o Diabo a origem da confusão. Em última análise, argumentou clemente, todas as verdades da filosofia provêm dos anjos caídos; essa idéia deriva de Enoch. Um dos mais extraordinários apologistas cristãos foi o grande polemista Tertuliano (155-220 d.C.) Como a maioria dos criativos primeiros padres, Tertuliano converteu-se na meia-idade. “Pode alguém ser mais douto, mais perspicaz do que Tertuliano?”, perguntou Jerônimo. Muitos termos “técnicos” cristãos usados hoje em latim foram cunhados por Tertuliano; pecado original, vitium originis, é um exemplo. Nada do que ele escreveu é inexpressivo, e a maior parte de seus textos conserva uma influência considerável. Esse vigoroso líder da Igreja norte-africana juntou-se aos montanistas, um rígido grupo de ascetas que acreditava na revelação progressiva, ensinamento condenado pela Igreja. Tertuliano, como Clemente, acreditava que os anjos celestes que tinham mantido relações sexuais com as filhas dos homens, tal como descrito em Enoch, revelaram muitas artes secretas, inclusive o mistério do kohl. Em prosa evocativa, Tertuliano serve-se de uma sentença de Enoch (cap. 8) e a expande para explicar que os anjos caídos ensinaram às mulheres:

«A radiância de pedras preciosas que com que se ornam colares em cores várias, os braceletes de ouro que envolvem seus braços, as preparações coloridas que se usam para tingir lã, e o pó negro […] para realçar a beleza de seus olhos.»

Tertuliano fez inúmeras referências a Enoque. Em sua célebre Apologia, por exemplo, ele interpreta o Gênesis à luz de Enoch. Interpretaram o texto ao pé da letra e julgaram que o pecado do Diabo foi o desejo sexual. Apesar de tudo, no século V santo Agostinho afirmou, confiante: “Não há dúvida quanto ao fato de esses ‘anjos’ serem homens, e não, como crêem alguns, criaturas diferentes de homens”. Em nossa época, assim como na de santo Agostinho, quando as pessoas dizem “não há dúvida”, geralmente há… Santo Agostinho argumenta que os “filhos de Deus” eram anjos apenas no espírito, por isso se permitiram a perda da graça. Antes da queda, essas pessoas potencialmente superiores tiveram filhos não em conseqüência de seu arrebatamento sexual, mas com o intuito de “povoar de cidadão a cidade de Deus”:

«Seja como for, eu nem sonharia em crer que foram os santos anjos de Deus a sofrer tal queda no presente caso […] e não é preciso apelar para os textos que se apresentam sob o nome de Henoch e contêm as fábulas sobre gigantes [nem] a alguns textos sob os nomes de vários profetas e apóstolos que são divulgados por hereges.»

Enoch tornou-se um instrumento de hereges. Mas o que santo Agostinho não nos diz – e que de fato apenas estudos recentes revelaram – é que algumas seções desse livro, nos quais se mencionam gigantes, haviam sido “apropriadas” ou “tomadas antecipadamente” pelos mesmos maniqueístas que haviam ensinado santo Agostinho e a quem este depois repudiou. Bastou que santo Agostinho estigmatizasse esse livro como herético para que ele ficasse eficazmente enterrado por um milênio.

Mas o problema não estava inteiramente resolvido. Havia ainda um fragmento da queda dos anjos no Gênese que desde então passou a ser considerado pelos exegetas, como de difícil compreenção. As questões perturbadoras levantadas pelos leitores eram evidentes… Que grandes atrativos poderia ter o próprio paraíso se um expressivo grupo de 200 anjos preferiu deixa-lo – conscientes de que sem dúvida sofreriam uma horrível punição futura – só para fazer sexo com fêmeas humanas? O espírito racionalista dos teólogos que elaboraram as versões definitivas da Bíblia não podiam admitir algo assim. Era necessário dar uma explicação simples e compreensível, adequada ao povo… Por isso, a partir do século IV, em função de uma noção mais espiritual da natureza angélica, a literatura patrística começou a ver os “filhos de Deus” como a linhagem piedosa de Set, (que são espiritualmente os filhos de Deus) e as “filhas dos homens” como a descendência depravada de Caim. Também, posteriormente, os autores judeus interpretaram os “filhos de Deus” como filhos de príncipes e nobres. Assim, tanto os autores judeus como os cristãos evitaram o significado obvio: Que alguma barreira entre os filhos de Deus e os filhos dos homens foi rompida, não por orgulho ou inveja, mas por desejo sexual…

Entretanto, a queda dos anjos não é o único tema tratado nestes livros, muitos conceitos cristãos tem sua primeira ocorrência em Enoque, particularmente o do Filho do Homem que se torna O Eleito e atua como juiz escatológico. O Juízo Final – um desdobramento de Mateus (25,31-3), que inclui a separação de bodes e ovelhas e o julgamento por Deus – parece derivar das Similitudes de Enoch. O abismo de Fogo, um reino infernal governado por Satanail e os anjos rebeldes, aparece primeiro em II Enoch. Apesar de sua comprovada influência, e de Enoch ter sido considerado um texto sagrado por teólogos importantes durante centenas de anos, quando o cânone foi definido com rigor, os teólogos responsáveis pela definição julgaram inaceitáveis algumas seções de Enoch, de modo que este foi deixado de fora.

Por Shirley Massapust

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/nefilin/

Sugar Blues: O gosto amargo do açúcar

William Dufty

Sugar, em inglês significa açúcar. Blues, pode significar um estado de depressão e melancolia revestido de medo, ansiedade e desconforto. O título deste livro, Sugar Blues revela sua temática: a ampla gama de desordens físicas e mentais causadas pelo consumo de sacarose refinada. O açúcar, em suas diversas formas é celebrado por meio de presentes entre casais e dado a crianças como forma de recompensa. Não apenas isso, mas muitos produtos industrializados contam com a presença deste elemento. Quão danoso isso pode ser para todos nós?

O açúcar é um veneno que mata lentamente milhões de pessoas. Virtualmente toda nossa sociedade pode hoje ser considerada pré-diabética pelas estatísticas oficiais. Diversas estatísticas resultantes de pesquisas científicas evidenciam consideráveis vínculos entre o açúcar refinado e as mais alarmantes doenças modernas.Entretanto, esse antinutriente viciante é impunemente adicionada a tudo que comemos.

Sugar Blues também é um nome de um lamento musical dos negros americanos do início do século. É uma história trágica mas contada de um jeito melodioso. Da mesma forma o açúcar refinado causa diversos males, mas seu sabor doce o faz estar sempre presente em nossa sociedade. Neste livro você encontrará um relato detalhado das circunstâncias nefastas que permitiram a ascensão do açúcar como a grande droga legalizada de nossa época.

Este é um livro que poderá mudar sua vida. Ou sua morte.

O mercado branco

Por milhares de anos aquilo que chamamos açúcar continuou desconhecido. A maior parte dos seus antepassados evoluiu e sobreviveu sem ele. Nenhum dos livros antigos o menciona: nem a bíblia, nem o alcorão, nem o i-ching. Certamente que existia o mel e vegetais doces, mas não o açúcar refinado.

Atribui-se aos cientistas do Império Persa, no século VII a pesquisa e desenvolvimento do processo de refino do suco da cana, dando-lhe uma forma sólida como a de um tijolo, que poderia ser estocada sem fermentar, transportada e comercializada. Nessa época, um pedaço pequeno de saccharum era uma diversão rara e preciosa reservada a reis e imperadores. Quando as armas do Islam subjugaram os persas, um dos troféus da vitória foi a posse do segredo do processamento da cana e o controle do negócio.

Os árabes comercializam o concentrado doce pelo mundo. Foram também os primeiros a  terem quantidade suficiente de açúcar para suprir, tanto a corte quanto a tropa, com doces e bebidas açucaradas. Em retrospecto a obsessão, e uso  indiscriminado do açúcar pelos soldados pode ter colaborado com as derrotas militares do séculos seguintes.

Uma história sangrenta

Quando as cruzadas terminaram, Roma decidiu colocar as mãos nas taxas e tributos do comércio de açúcar. Seguiram-se sete séculos de crime organizado com direito a genocídio de escravos nativos em massa para mão de obra. Nessa época o historiador Noel Deerr disse que: ”Não seria exagero afirmar que o tráfico escravo atingiu a cifra de 20 milhões de africanos, dois terços dos quais estão sob a responsabilidade do açúcar.”

Portugal e Espanha enriqueceram como nunca até seu declínio. Só podemos especular sobre o fato desse declínio ter sido biológico, ocasionado pela embriaguez de açúcar ao nível da corte. Mas outros poderes estavam esperando para recolher os cacos e por volta de 1660 os ingleses estavam a ponto de ir à guerra com a França para manter seu monopólio. Assim escreveu o filósofo francês Claude Adrien Helvetius: ”Nenhum barril de açúcar chega à Europa sem que esteja banhado em sangue.”

O açúcar é o maior malefício que a moderna civilização industrial impôs à América, África e ao Extremo Oriente.

O corpo em crise

A moderna fabricação do açúcar nos trouxe doenças inteiramente novas. Nosso corpo foi formado em um processo evolutivo de bilhões de anos onde o açúcar não era um elemento a ser considerado. Seu consumo precisa ser resolvido pelo nosso organismo como uma verdadeira crise a ser enfrentada.

Para a máxima eficiência do corpo, o volume de glicose no sangue deve estar em equilíbrio com o volume de oxigênio. Quando tudo vai bem este equilíbrio é mantido graças às nossas glândulas supra-renais. Quando ingerimos o açúcar refinado, ele já está a um passo de se tornar glicose então escapa do processos bioquímicos do nosso corpo e vai diretamente para os intestinos, onde torna-se glicose. Esta, por sua vez, é absorvida pelo sangue onde o nível de glicose já havia sido estabelecido em equilíbrio com o oxigênio. Desta forma, o equilíbrio é rompido.

As cápsulas supra-renais expelem hormônios que conduzem todas as reservas químicas para enfrentar o açúcar: a insulina é produzida num antagonismo complementar aos hormônios supra-renais. O nível de glicose do sangue cai bruscamente e uma nova crise se inicia. O pâncreas e as supra-renais tem agora que reagir de modo a regular a reversão na direção química e tentar reestabelecer o equilíbrio.

Se isso ocorre vários durante vários dias, após alguns anos o resultado final é a avaria das glândulas adrenais. Elas se tornam gastas, não por trabalho excessivo, mas por contínuas surras. A produção global de hormônios é baixa, os volumes não se harmonizam. Este funcionamento irregular, desequilibrado, se reflete por todo o circuito supra-renal. O resultado mais nefasto é a falta de produção do hormônio cortical adequado e o desequilíbrio entre estes hormônios. Ao mexer com os hormônios a saúde mental é comprometida.

O cérebro em crise

Tudo isso se reflete na maneira como nos sentimos.  Diante de crises rotineiras, o cérebro poderá, em breve, ter problemas sérios. Quando as glândulas suprarrenais são violentadas chega o stress. Podemos nos tornar irritados e nervosos.  Ficamos em pedaços porque não mais possuímos um sistema endócrino saudável para enfrentá-lo. Nossa eficiência se esvai a cada dia, estamos sempre cansados, parece que nunca conseguimos terminar coisa alguma.

Enquanto a glicose está sendo absorvida pelo sangue, nos sentimos eufóricos. No entanto, essa onda de energia hipotecada é sucedida por períodos de depressão. Quando o nível de glicose do sangue cai ficamos apáticos, cansados; precisamos de um esforço maior para nos mover e até mesmo para pensar, enquanto o nível de glicose do sangue está novamente se elevando.

Por isso o  famoso endocrinologista John W. Tintera era enfático em dizer: ”É perfeitamente possível melhorar sua disposição, aumentar sua eficiência e alterar para melhor a sua personalidade. A maneira de fazer isso é evitando o açúcar de cana e de beterraba sob todas as suas formas e disfarces.”

De médico e de loucos

No século dezessete o consumo de açúcar disparou de duas pitadas num barril de cerveja, de vez em quando, para mais de um milhão de quilos a cada ano. A proliferação de doenças mentais e ”o grande confinamento dos loucos,” começou no fim do século dezessete e coincidiu com o uso em massa de açúcar refinado. A relação do consumo de sacarose com índices de saúde mental só foi descoberta na década de 1940.

Dr. John Tintera descobriu a importância vital do sistema endócrino com o estupor cerebral. Ele descobriu que a principal queixa de seus pacientes era freqüentemente similar à encontrada em pessoas cujos sistemas eram incapazes de lidar com o açúcar: fadiga, nervosismo, depressão, apreensão, ânsia por doces, dificuldade para concentrar-se, alergias, baixa pressão arterial.

Um histórico da alimentação dos pacientes diagnosticados como esquizofrênicos revela que

a dieta de sua preferência é rica em doces, bolos, balas, café adocicado, bebidas cafeinadas e comidas  preparadas com açúcar. Estas comidas que sobrecarregam as glândulas adrenais, devem ser eliminadas ou severamente restritas. Isso porque não é só  a esquizofrenia mas o negativismo, a hiperatividade e o obstinado ressentimento à disciplina e até o alcoolismo tem sua raiz no hipoadrenocorticismo, o tipo endócrino causado pelo abuso crônico de açúcar.

Alergias refinadas

Dr. John Tintera também foi o primeiro a sugerir, numa revista de circulação ampla, que ”é ridículo falar-se em tipos de alergia quando existe apenas um tipo, constituído por glândulas supra-renais enfraquecidas… pelo açúcar.”

Embora hoje os médicos de todo o mundo repitam aquilo que Tintera anunciara anos antes sobre tratamento psiquiátrico e ninguém, realmente ninguém, tem mais permissão para iniciar qualquer tratamento a menos que seja submetido a um teste de tolerância de glicose, a questão da influência do açúcar na alergia ainda não é unanimidade.

Compreensível, seu argumento minaria as bases da indústria das almas alérgicas  que foram entretidas com fábulas sobre exóticas alergias – qualquer coisa, variando de plumas de cavalo a caudas de lagosta. Seria constrangedor admitir tão rapidamente que nada disso importa, e basta retirar o açúcar destas pessoas e mantê-las longe dele.

O processo de refinamento

O açúcar refinado pelo homem é oito vezes mais concentrado do que a farinha, e oito vezes mais artificial, e provavelmente oito vezes mais perigoso. É esta artificialidade que engana a língua e o apetite, conduzindo ao consumo excessivo. Quem comeria mais de um quilo de beterrabas por dia? Isto eqüivale, no entanto, a umas meras sessenta e poucas gramas de açúcar refinado.

O consumo excessivo produz diabetes, obesidade e trombose coronária, entre outras coisas. Além disso o processo de remoção das fibras vegetais naturais produz cárie nos dentes, doenças nas gengivas, problemas no estômago, veias varicosas, hemorróidas e doença diverticular.

O processo de refinamento do açúcar, seja da cana ou da beterraba elimina ainda todas as vitaminas encontradas nesses alimentos. Por essa razão a descoberta da ligação entre  entre açúcar e escorbuto foi descoberto séculos antes do conhecimento em relação a vitamina C. As proteínas também são eliminadas promovendo a aparição da úlcera péptica.

A civilização diabética

Não existem números sobre a incidência de diabetes na antigüidade. ”Para mim é difícil explicar porque Hipócrates nunca descreveu um único caso de diabetes”, observou o Dr. G. D. Campbell, autoridade sul-africana no assunto.

No século XVI,  Dr.Thomas Willi foi o primeiro a identificar os males presentes no corpo daqueles que possuem a urina tão doce a ponto de atrair as formigas.  O século dezenove assistiu a incidência destes males, antes próprios da nobreza atingir o restante da população. O diabetes  permaneceu um problema ocidental até que os missionários cristãos levaram o  açúcar para o Japão.

O século XX fez o consumo de açúcar dos séculos anteriores parecer uma brincadeira e assistiu o número de mortes por diabetes aumentar junto com consumo de açúcar, ano após ano. A descoberta da insulina foi o tipo de milagre médico que a indústria da doença gosta. A produção da insulina foi e ainda é uma benção para o ramo farmacêutico. Os diabéticos já no início do século representavam um mercado fácil de um milhão de pessoas. Cinquenta anos após sua inserção no mercado o número de diabéticos tem aumentado implacavelmente. Hoje o diabetes é a principal causa de cegueira, assim como um dos principais fatores das doenças cardíacas e renais.

Podemos dizer que hoje toda nossa sociedade é pré-diabética, com pessoas  sofrendo de hipoglicemia, hiperinsulinismo ou taxas anormais de glicose no sangue. Apelos para o autocontrole no sentido de controlar as doenças provocadas pelo açúcar são afogados pelo clamor por mais alguns milhões de dólares do fundo federal destinados à descoberta de uma poção, uma fórmula, injeção ou, talvez, um mágico pâncreas atômico pioneiro que poderá, um dia, vencer a doença. Queremos ter nossa saúde desde que possamos continuar comendo nossos doces.

Limpando a casa

Abandonar o hábito de açúcar não é fácil, mas pode ser divertido. Vai demorar, mais ou menos, um mês para mudar sua maneira de fazer compras, cozinhar e se divertir. Se você mora sozinho, a melhor maneira é recolher tudo que tenha açúcar e jogar na lata de lixo. Desta forma, se você ficar ansioso terá que tomar uma decisão na loja, em vez de ser tentado em casa. Se você não vive sozinho, largar o açúcar pode dar um pouco mais de trabalho. Por outro lado, fazê-lo acompanhado pode vir a ser delicioso. O resultado nas crianças é freqüentemente tão dramático que dá exemplo e motivação aos mais velhos.

Sorvetes sem açúcar

Se você tem um grande vício de sorvetes, não tente cortá-lo inteiramente. Existem sorvetes feitos apenas com mel. Uma vez que você se acostume ao sorvete com mel, corte a quantidade pela metade e vá diminuindo gradualmente. Deixe o sorvete como prêmio para ocasiões especiais; compre sempre pequenas quantidades.

Tomando Café

Se tomar café puro é muito forte para você, considere o chá como opção. Se você acha que não gosta de chá, talvez seja por causa do chá em saquinhos, tente, por exemplo, o banchá japonês. Tosta-se levemente o banchá numa panela e depois deixe-o em infusão num bule por uns quinze ou vinte minutos no fogo. Faça grandes quantidades e esquente quando quiser beber.  Compre uma bela garrafa térmica e leve para o escritório se preciso.

Aproveitando melhor os picnics

 

Uma das grandes alegrias de viver sem açúcar é poder deitar na praia, ou andar pelas montanhas, sem ser perturbado pelos mosquitos e outras criaturas. Uma vez que você fique sem comer açúcar por um ano, tente e veja se não é verdade. Não é por acidente que os primeiros caso de febre amarela, transmitida por mosquito, ocorreram na ilha açucareira de Barbados.

Cuidado com adoçantes

Existem hoje muitos adoçantes sintéticos, apregoados e comercializados como um inócuo substituto do açúcar. A sacarina e os ciclamatos têm muitos defensores na classe médica. Quando comparados ao açúcar, sempre se pode apresentar um caso científico demonstrando que eles são o menor de dois males. O problema que ocorre com todos os adoçantes sintéticos é que quanto mais tempo dependemos deles, tanto mais difícil se torna para nós apreciar a doçura natural dos alimentos. A dependência de adoçantes sintéticos, como a dependência de açúcar, insensibiliza nosso paladar.

Sopas sem açúcar

Parece brincadeira, mas quase todas as sopas industrializadas hoje levam uma boa porção de açúcar. Se você está largando o açúcar, terá que fazê-las você mesmo. O único trabalho é encontrar bons ingredientes.

Deixe a ervilha, a lentilha e os feijões de molho em água fria durante uma noite.  A sopa é a própria simplicidade.Comece com um bom óleo vegetal, óleo de gergelim ou milho não filtrado, ou uma combinação dos dois. Refogue uma cebola cortada. Adicione aipo cortado e talvez um pouco de cenoura. Despeje lentamente o feijão e a água em que ficou de molho. Leve a uma fervura branda e cozinhe em fogo lento por, aproximadamente, uma hora, até que os vegetais estejam macios e comíveis, mas não murchos. Deixe a sopa descansar. Na hora de servir, aqueça-a novamente.

Molhos de salada

O ketchup, a maionese e as outras várias combinações chamadas temperos russos, são

também carregados de açúcar. O açúcar está em todos os lugares, inclusive no pickles. Se você deseja abandonar o açúcar, deverá reconsiderar completamente a questão das saladas. Uma opção é a salada japonesa, mas fique sempre de olho nos ingredientes,

Frutas Secas

O açúcar concentrado da uva passa faz com que ela seja um adoçante natural ideal. A groselha seca não é tão doce, mas tem um sabor azedo muito especial. Existem também as maçãs secas, pêssegos, pêras, ameixas, damascos, cerejas, amoras e até bananas e abacaxis secos.

Secar a fruta na estação e guardá-la para os longos meses de inverno é um velho costume.

A fruta seca ao sol, sem preservativos químicos, tem um sabor espetacular. Muito diferente

da fruta em lata, açucarada. Conserva-se bem e ocupa pouco espaço. Quando você abandona o açúcar refinado pelo homem, se abre para uma gama de sabores completamente diferentes muitos dos quais, ironicamente, predominavam nos artigos do passado! As combinações são infinitas.

Crepes

O crepe é simples de ser feito e delicioso. Use farinha integral de trigo. Misture a farinha com uma pitada de sal marinho. Adicione duas ou três colheres de sopa de óleo de gergelim para cada xícara de farinha. Misture bem. Adicione leite cru, leite coalhado ou creme de leite e água ou mesmo água pura. Adicione um ovo, se desejar; se houver muita massa, adicione dois. Continue adicionando os líquidos até que a massa fique fina, mas não escorregadia.

O utensílio ideal para fazer um crepe é uma frigideira francesa leve. Despeje simplesmente sua massa na chapa aquecida, que tenha recebido uma camada leve de óleo de gergelim ou de milho. Deixe-a no fogo até que a parte de cima esteja completamente seca. Quando chegar a hora, vire-o para baixo.

Para um crepe de sobremesa os recheios são infinitos. Creme de maçã natural, sem açúcar;

maçã, castanha e passas misturadas; passas cortadas e cozidas em água ou damascos cozidos, amoras secas e cascas de limão batidos no liqüidificador.

Nozes, Amêndoas e Castanhas

Nozes descascadas, levemente polvilhadas com sal marinho, tostadas em fogo baixo e

servidas ainda quentes fazem um incomparável lanche ou sobremesa. Quase todo mundo

aprecia a diferença entre amendoins crus e tostados, mas não diga que viveu até ter experimentado nozes tostadas e ainda quentes.Outras nozes familiares, como a castanha de caju e a avelã, podem ser servidas da mesma forma. O truque é encontrar castanhas e nozes que tenham sido cultivadas, curtidas e estocadas sem produtos químicos.

Amêndoas descascadas, ainda com as membranas naturais, servem a um tratamento

japonês. Coloque as amêndoas numa panela de vidro e despeje o molho de soja por cima. Mexa a amêndoa e o tamari até que aquela fique revestida por uma camada de molho; a membrana absorverá o líquido. Ponha as amêndoas na chapa de grelha, em fogo brando. Fique observando e vire-as constantemente. Leva, em geral, de dez a vinte minutos até que a amêndoa esteja tostada o bastante para ser servida.

Castanhas quentes, tostadas em frigideira, com a pele aberta, são uma especialidade

vendida pelas ruas de Paris e outras cidades cosmopolitas. Castanhas secas podem ser

guardadas e conservadas indefinidamente. Farinha de castanha é frágil e deve ser

consumida assim que for moída. A castanha é, naturalmente, doce. Combina muito bem

com maçãs e passas para bolos, tortas ou compotas. A farinha de castanha também pode ser usada com farinha integral de trigo para fazer crepes, waffles, chapati ou sonhos.

Conclusões

  • Historicamente a indústria do açúcar é banhada por escravidão, genocídio e guerras.
  • O açúcar é uma novidade em termos biológicos e para enfrentá-lo o corpo entra em crise.
  • O açúcar gera dependência física e psicológica.
  • Os efeitos do consumo de álcool no corpo não são poucos e incluem a maior sensibilidade a alergias, pressão baixa, problemas de pele, fadiga,  doença das coronárias e o diabetes, com todas as suas complicações.
  • O número de diabéticos hoje é maior do que nunca e quase toda nossa sociedade é composta por pré-diabéticos.
  • Os efeitos do consumo crônico tem impacto negativo direto mental, causando apatia, nervosismo, stress e está ligado também a esquizofrenia e a depressão.
  • Largar o açúcar pode não ser fácil, mas pode ser divertido. Abra sua mente e seu paladar para novas rotinas e hábitos. Resgate sua saúde, sanidade e experimente novos sabores.

 

 

 

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/sugar-blues-o-gosto-amargo-do-acucar/

A Maçonaria Paládio: A Farsa de Léo Taxil

A fraude de Taxil foi uma farsa de exposição de 1890 por “Léo Taxil” destinada a zombar não apenas da Maçonaria, mas também da oposição da Igreja Católica a ela.

Léo Taxil e a Maçonaria:

Léo Taxil era o pseudônimo de Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand-Pagès, que havia sido acusado anteriormente de difamação em relação a um livro que escreveu chamado The Secret Loves of Pope Pius IX (Os Amores Secretos do Papa Pio IX). Em 20 de abril de 1884, o Papa Leão XIII publicou uma encíclica, Humanum genus (O Gênero Humano), que dizia que a raça humana era:

“[…] separada em duas partes diversas e opostas, das quais uma defende firmemente a verdade e a virtude, a outra daquelas coisas que são contrárias à virtude e à verdade. Um é o reino de Deus na terra, ou seja, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo… O outro é o reino de Satanás… Neste período, no entanto, os partidários do mal parecem estar se unindo e sendo lutando com veemência unida, liderados ou assistidos por aquela associação fortemente organizada e difundida chamada Maçons.”

Após esta encíclica, Taxil passou por uma conversão pública fingida ao catolicismo romano e anunciou sua intenção de reparar o dano que havia causado à verdadeira fé.

O primeiro livro produzido por Taxil após sua conversão foi uma história da Maçonaria em quatro volumes, que continha testemunhas oculares fictícias de sua participação no Satanismo. Com um colaborador que publicou como “Dr. Karl Hacks”, Taxil escreveu outro livro chamado Le Diable au XIXe siècle (O Diabo no Século XIX), que introduziu um novo personagem, Diana Vaughan, uma suposta descendente do alquimista rosacruz Thomas Vaughan. O livro continha muitos contos sobre seus encontros com demônios encarnados, um dos quais deveria ter escrito profecias em suas costas com sua cauda, ​​e outro que tocava piano na forma de um crocodilo.

A chamada “Diana Vaughan”, vestida como “Inspetora Geral do Paládio”. Fotografia de Van Bosch, publicada no livro Memoirs of a Perfect, Initiated, Independent Ex-Palladist (Memórias de uma Perfeita, Iniciada e Independente Ex-Paladista, 1895)

Diana estava supostamente envolvida na Maçonaria Satânica, mas foi redimida quando um dia ela professou admiração por Joana d’Arc, em cujo nome os demônios foram postos em fuga. Como Diana Vaughan, Taxil publicou um livro chamado Eucharistic Novena (Novena Eucarística), uma coleção de orações que foram elogiadas pelo Papa.

Os Paladistas:

Na fraude de Taxil, os Paladistas eram membros de um suposto culto satanista teísta dentro da Maçonaria. De acordo com Taxil, o Paladismo era uma religião praticada dentro das mais altas ordens da Maçonaria. Os adeptos adoravam Lúcifer e interagiam com demônios.

Em 1891 Léo Taxil (Gabriel Jogand-Pagès) e Adolphe Ricoux afirmaram ter descoberto uma Sociedade Paladiana. Um livro francês de 1892, Le Diable au XIXe siècle (O Diabo no Século 19″, 1892), escrito por “Dr. Bataille” (na verdade o próprio Jogand-Pagès) alegou que os Paladistas eram satanistas com sede em Charleston, Carolina do Sul, liderados pelo maçom americano Albert Pike (autor do famoso Morals and Dogma) e criados pelo patriota e autor liberal italiano Giuseppe Mazzini.

Arthur Edward Waite, desmascarando a existência do grupo em Devil-Worship in France, or The Question of Lucifer (Adoração ao Diabo na França, ou A Questão de Lúcifer), cap. II: “The Mask of Masonry (A Máscara da Maçonaria)” (Londres, 1896), relata de acordo com “os trabalhos de Domenico Margiotta e Dr. Bataille” que “[a] Ordem de Paládio fundada em Paris 20 de maio de 1737 ou Sovereign Council of Wisdom (Soberano Conselho da Sabedoria)” foi um “Ordem diabólica maçônica”. Dr. Bataille afirmou que as mulheres seriam supostamente iniciadas como “Companions of Penelope (Companheiras de Penélope)”. Segundo o Dr. Bataille, a sociedade tinha duas ordens, “Adelph (Adelfo)” e “Companion of Ulisses (Companheiro de Ulisses)”; no entanto, a sociedade foi desmembrada pela aplicação da lei francesa alguns anos após sua fundação. Uma suposta Diana Vaughan publicou Confessions of an Ex-Palladist (Confissões de uma Ex-Paladista) em 1895.

Confissão:

Em 19 de abril de 1897, Léo Taxil convocou uma entrevista coletiva na qual, segundo ele, apresentaria Diana Vaughan à imprensa. Na conferência, em vez disso, ele anunciou que suas revelações sobre os maçons eram fictícias. Ele agradeceu ao clero católico por sua ajuda em dar publicidade às suas reivindicações selvagens.

A confissão de Taxil foi impressa, na íntegra, no jornal parisiense Le Frondeur, em 25 de abril de 1897, intitulada: Twelve Years Under the Banner of the Church, The Prank Of Palladism. Miss Diana Vaughan–The Devil At The Freemasons. A Conference held by M. Léo Taxil, at the Hall of the Geographic Society in Paris (Doze Anos sob a Bandeira da Igreja, a Fraude do Paladismo. Senhorita Diana Vaughan – O Diabo nos Maçons. Conferência realizada por M. Léo Taxil, no Salão da Sociedade Geográfica em Paris).

O material falso ainda é citado até hoje. O tratado da Chick Publications, The Curse of Baphomet (A Maldição de Baphomet), e o livro de Randy Noblitt sobre abuso ritual satânico, Cult and Ritual Abuse (Culto e Abuso Ritual), ambos citam as alegações fictícias de Taxil.

O escritor cristão William Schnoebelen, em seu livro, Lúcifer Destronado, apresenta certificados nos quais consta que ele foi membro de uma “Ordem do Paládio”, o que mostra sua dependência das obras de Léo Taxil. O autor apresenta um “Pirâmide Ocultista” que tem na base a Loja Azul da Maçonaria, Rito Escocês e o Rito de York da Maçonaria, The Shrine, o Grau de Soberano Grande Inspetor-Geral (33º Grau), o Supremo Conselho dos Soberanos Grandes Inspetores-Gerais, A Ordem do Trapezoide, Antigo e Primitivo Rito (97 Graus), Ordo Templo Orientis (O.T.O.), A Ordem Paládio, A Ordem Illuminatti, Os 9 “Desconhecidos”, Os Sete (“Demônios”, com o ápice no T.G.A.T.U. (“O Grande Arquiteto do Universo”, Ain Soph Aur, que ele identifica com Lúcifer), mas esse escritor e as bizarrices contidas em suas obras são assuntos para um outro artigo.

Uma Entrevista Posterior com Taxil:

Na revista National Magazine, an Illustrated American Monthly, Volume XXIV: abril – setembro de 1906, páginas 228 e 229, Taxil é citado como dando suas verdadeiras razões por trás da farsa. Dez meses depois, em 31 de março de 1907, Taxil morreu.

Os membros das ordens maçônicas entendem a falsa exposição acumulada sobre essa organização nas guerras antimaçons. A Igreja Católica e muitas outras ordens religiosas foram vítimas desses ataques semiescritos e muitas vezes venenosos. A confissão de Taxil, o livre-pensador francês, que primeiro expôs os católicos e depois os maçons, faz uma leitura interessante sobre a situação atual hoje. Motivos semelhantes acionam alguns dos “ancinhos” de hoje, como indicado na seguinte confissão:

“O público me fez o que sou; o arquimentiroso da época”, confessou Taxil, “pois quando comecei a escrever contra os maçons meu objetivo era diversão pura e simples. Os crimes que dei à sua porta eram tão grotescos, tão impossíveis, tão amplamente exagerados, que pensei que todos veriam a piada e me dariam crédito por originar uma nova linha de humor. Mas meus leitores não aceitaram; eles aceitaram minhas fábulas como a verdade do evangelho, e com o propósito de mostrar que eu menti, mais convencidos ficaram de que eu era um modelo de veracidade.”

“Então me ocorreu que havia muito dinheiro em ser um (Barão de) Munchausen do tipo certo, e por doze anos eu dei a eles quente e forte, mas nunca muito quente. que escrevia profecias nas costas de Diana com a ponta do rabo, às vezes eu dizia a mim mesmo: ‘Espere, você está indo longe demais’, mas não o fiz. Meus leitores até aceitaram com carinho a história do diabo que, em ao se casar com um maçom, transformou-se em crocodilo e, apesar do baile de máscaras, tocava piano maravilhosamente bem.”

“Certo dia, ao dar uma palestra em Lille, disse à plateia que acabara de ter uma aparição de Nautilus, a mais ousada afronta à credulidade humana que eu havia arriscado. Mas meus ouvintes nunca viraram um fio de cabelo. “Ouça, o médico viu Nautulius”, disseram eles com olhares de admiração. Claro que ninguém tinha uma ideia clara de quem era Nautilus, eu não tinha, mas eles presumiram que ele era um demônio.”

“Ah, as noites alegres que passei com meus colegas autores inventando novas tramas, novas, inauditas perversões da verdade e da lógica, cada uma tentando superar a outra na mistificação organizada. Achei que ia me matar de rir de algumas coisas propostas, mas deu tudo certo; não há limite para a estupidez humana”.

A Citação Luciferiana:

Uma série de parágrafos sobre Lúcifer são frequentemente associados à farsa de Taxil. Eles leem:

“O que devemos dizer ao mundo é que adoramos um deus, mas é o deus que se adora sem superstição. A vós, Soberanos Grandes Inspetores Gerais, dizemos isto, para que o repitais aos irmãos dos graus 32, 31 e 30: A Religião Maçônica deve ser, por todos nós iniciados dos graus superiores, mantida na Pureza da doutrina luciferiana. Se Lúcifer não fosse Deus, Adonay e seus sacerdotes o caluniariam?

Sim, Lúcifer é Deus, e infelizmente Adonay também é deus. Pois a lei eterna é que não há luz sem sombra, nem beleza sem feiura, nem branco sem preto, pois o absoluto só pode existir como dois deuses; sendo a escuridão necessária para que a luz sirva de contraste, como o pedestal é necessário para a estátua, e o freio para a locomotiva…

Assim, a doutrina do satanismo é uma heresia, e a verdadeira e pura religião filosófica é a crença em Lúcifer, igual a Adonay; mas Lúcifer, Deus da Luz e Deus do Bem, está lutando pela humanidade contra Adonay, o Deus das Trevas e do Mal.”

Embora esta citação tenha sido publicada por Abel Clarin de la Rive em seu Woman and Child in Universal Freemasonry (A Mulher e a Criança na Maçonaria Universal), ela não aparece nos escritos de Taxil propriamente, embora seja originada em uma nota de rodapé de Diana Vaughan, a criação de Taxil.

Na Cultura Popular:

Os Paladistas são o nome da sociedade satanista de Greenwich Village no filme de Val Lewton, A Sétima Vítima (1943).

Os Paladistas desempenham um papel importante na última parte do romance de Umberto Eco, O Cemitério de Praga (2011).

***

Principal fonte:

Melior, Alec (1961). “A Hoaxer of Genius-Leo Taxil (1890-7)”. Our Separated Brethren, the Freemasons. trans. B. R. Feinson. London: G. G. Harrap & Co. pp. 149–55.

***

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-maconaria-paladio-a-farsa-de-leo-taxil/

As Origens da Maçonaria

I – INTRODUÇÃO

A História da Maçonaria penetra nos mais ínfimos recônditos da História da Humanidade e, as vezes, confunde-se com acontecimentos que nada tem a ver com ela, principalmente quando se trata de buscar suas origens.

O estudo é de tamanha complexidade que não só maçons, estudiosos da Arte Real, mas também duros adversários têm manifestado a dificuldade de encontrar o intransponível caminho que leva ao seu início, à sua origem.

II – DESENVOLVIMENTO

Escrever uma história da Maçonaria é uma obra tremenda, por ser o estudo de sua história confuso, difícil e fastidioso, tudo ajudando para o seu obscurecimento: a ausência de documentos, a discórdia quanto às suas origens e a paixão dos seus fiéis como a de seus detratores.

Eis um depoimento do ferrenho, incansável inimigo da MaçonariaMarques Riviere – Transcrito da obra História da Maçonaria, de Nicola Aslan – que demonstra a dificuldade de se entendê-la. São muitas as fábulas e lendas que trazem esta enorme confusão.

Infelizmente, foram muitos os historiadores maçônicos que, baseados nessas narrativas lendárias, criaram maior confusão entre os maçons. As antigas constituições e os rituais serviram para os falsos-historiadores desfigurarem a história da Maçonaria, eivando-a de inverdades.

Há de se notar que uma das causas indutoras dos desacertos históricos foi a má interpretação da Constituição de Anderson, pois nela, não obstante se encontre a base dos “Landmarks”, foi que se criou a maior confusão.

Anderson e Dasaguiliers, ao serem encarregados de redigir uma constituição, tendo em vista sua formação religiosa e oficio, de imediato buscaram nas Antigas Obrigações (Old Charges) e, principalmente, na Bíblia os principais elementos para redigi-la. Dando asas a sua imaginação, consideram maçons todos os homens importantes que a Bíblia menciona.

Esta confusão pode ser atribuída, também, a Oliver, que, como Anderson, era Pastor e estudioso da Arte Real. Em sua obra The Antiquities of Freemasonry, citada no livro História da Maçonaria, de Nicola Aslan, (pag, 2) diz

As antigas tradições maçônicas dizem, e penso que elas têm razão, quenossa ciência existia já antes da criação de nosso globo, e estava espalhada entre os sistemas mais variados do espaço.

Instituição Maçônica era Coeva da criação do mundo, tal a semelhança de seus princípios com os da primitiva constituição que vigorava no Paraíso.

Sobre essas trapalhadas, respeitada a época em que foi escrita a obra, os confiáveis historiadores maçônicos atuais têm “frouxos de risos”, pois a fertilidade da mente de tão digno homem compromete a seriedade da análise.

Nicola Aslan e Adelino de Figueredo Lima sobre tamanha façanha, dizem que é deliciosa a opinião de Oliver, com tão disparatada patranha e fantasia e leva-os ao desprezo por sua obra.

Em outro livro publicado em Liege, em 1773, sob o nome de Enoch e com o título de “Le vrai Franc-Maçon” afirma-se candidamente que Deus e o Arcanjo São Miguel foram os primeiros Grão-Mestres da Primeira Loja de Maçons estabelecida pelos filhos de Seth, depois do fratricídio de Cairo.
A afirmação seria por demais forte e atrevida, não há dúvida nenhuma, se não fosse o-Ir: Valguime, na introdução que fez na obra de Ragon ‘De La Maçonnerie Occulte et de L’Initiation Hermetique’, dizer-nos que devemos compreender essa declaração de maneira simbólica, porque astrologicamente Deus e São Miguel são ambos os símbolos do sol – Trecho extraído da História da Maçonaria, do já citado Ir: Aslan.

São afirmações dessa natureza que levaram os maçons da época a crer em histórias tão fantásticas. Deviam prever os mencionados autores que muitos maçons, pelo seu pequeno conhecimento da história e pouca cultura, acolheriam ao “pé da letra” esses erros históricos como a verdadeira origem da Maçonaria.

Repetindo J. Marques – Riviere, jámencionado anteriormente, nas suas teorias sobre as origens da Maçonaria no livro publicado em 1941, Histoire de La Franc-Maçonniere Francaise:

Os autores do século XVIII tem contribuído a tomar obscuras, longínquas e inacessíveis a origem da Maçonaria isto compreende-sepertencendo a uma ordem desacreditada e exposta às zombarias dos “profanos”, esses autores maçons procuravam obter as cartas de nobreza que impusessem aos incrédulos, e a antigüidade, mãe do respeito, com que aureolavam a Maçonaria ainda bem nova historicamente, refletia-se sobre eles .

É lamentável que tanta confusão tenha se criado em torno de tão importante acontecimento. A liberdade, um dos preceitos básicos da Maçonaria, é que possibilitou o surgimento de tantas divagações sobre a origem, em cuja busca, de acordo com sua formação cultural ou profissional, os historiadores e pseudo-historiadores deram vazão a sua criatividade. Disso resultou que até hoje ainda se pergunta: Qual a origem verdadeira da Maçonaria?

O Padre Maurice Colinom sintetiza as diversas teorias formuladas sobre a origem da Maçonaria, assim escrevendo:

Os maçons, desde séculos, esforçam-se por descobrirem seus antepassados dos quais pudessem ter orgulho. Encheríamos uma vasta biblioteca se reuníssemos somente as obras que pretendem demonstrar a filiação legítima da Maçonaria com os Rosacruzes, o Hermeticismo, o Cabalismo, Alquimia, as Sociedades Iniciáticas Egípcias, Gregas, Judias, a Triade Secreta da Antiga China, os Colegia Fabrorum Romanos, a Cavalaria das Cruzadas ou a Ordem destruída dos Templários (…)

Uma tal abundância de antepassados dá vertigem… É justo reconhecer que estas imaginações delirantes fazem sorrir os maçons de hoje.

Tantas são as controvérsias, que surgiram variadas correntes dentro da Maçonaria. Há as que buscam nas primeiras civilizações a origem iniciática. Outras buscam no ocultismo, na magia e nas crendices primitivas a origem do sistema filosófico e doutrinário.

Estas correntes chamadas de Corrente-mística e Corrente autêntica, segundo o Ir.·.Theobaldo Varoli, são apenas tendências e não escolas. Este mesmo autor, no livro “Curso de Maçonaria Simbólica”, escreve: A verdade final é que a Maçonaria é o resultado de civilização mais avançada e não um credo que nasceu entre antropólogos ou do bolor dos sarcófagos e suas respectivas múmias. A corrente mística não se confunde com a dos mistificadores, que não faltam nas lojas maçônicas mesmo neste século de energia atômica e viagens espaciais. Os mistificadores, entre os quais estavam os próprios fundadores da Grande Loja, em Londres, inclusive o próprio Anderson, podiam encontrar adeptos em maior quantidade, até o século XIX época de menor divulgação da cultura e da investigação histórica.

Os maçons místicos de hoje, como idealistas ou espiritualistas, aceitam as lendas do passado como inspiração filosófica e simbólica e como manifestações pretéritas da humanidade em evolução. Assim é, por exemplo, o Rito Escocês Antigo e Aceito que revela, em cada grau, uma ou várias reminiscências, chamando-as expressamente de lendas.

Do outro lado, os autênticos não se curvam aos dogmas e combatem incessantemente os místicos pelas diversas derivações introduzidas na Maçonaria. Condenam todas as versões de que a Instituição Maçônica é originária do antigo Egito, da Mesopotâmia, dos Essênios, cujas lendas são atribuídas a antigos escritos maçônicos contidos na Constituição de Anderson.

Nos dias atuais, ambas as correntes convivem sem maiores atropelos, pois a busca da verdadeira Fraternidade Universal é comum. Os místicos baseiam-se nos antigos rituais, por julgá-los íntegros e seguidores da postura dogmática preconizada. Adotam velhos usos e costumes, como a contagem do tempo. Os autênticos vêm ocupando maior espaço no âmbito maçônico, em particular os maçons estudiosos que surgiram no século passado e que hoje tem em seus adeptos uma grande quantidade de intelectuais que se esforçam para desmistificar os charlatões e mistificadores. Da dialética entre os defensores da Instituição e os escritores antimaçônicos surgiu uma terceira corrente, a dos conciliadores, a qual definiu a Maçonaria como tendo muito em comum com as antigas organizações, em especial com as ligadas à Arquitetura.

Dentre os maçons mais autênticos, há que destacar Jorge Frederico FindeI, que procurou demonstrar a falsidade das derivações que pretendiam afirmar que a Ordem é antiqüíssima, vinda do mais remoto dos tempos. Contudo, antes deste, Inácio Aurélio Fessler, por volta 1802, fundou, com outros maçons intelectuais, uma academia voltada aos estudos sistematizados e aprofundados sobre a verdadeira origem da Maçonaria. No Brasil, o mais dinâmico e incansável pesquisador, entre os “autênticos” é José Castellani (*1937 +2004), cujas obras têm servido de arrimo aos novos estudiosos e defensores da doutrina e da ação maçônica mais compatível com a atualidade.

Repetimos, novamente, T. Varoli Filho em seu livro Curso de Maçonaria Simbólica (fl.44):

“Seja observado, à luz da psicologia moderna, que um dos maiores males da Maçonaria foi a admissão de pessoas complexadas de inferioridade e necessitadas de agrupamentos onde pudessem encontrar a afirmação pessoal. Tais pessoas comprometem a Ordem, a qual enaltecem para apenas enaltecerem a si mesmos.”

Queiram ou não os saudosistas inoperantes e os renitentes, a Maçonaria tem alcançado o prestígio que possui graças ao concurso de intelectuais do quilate dos mestres Nicola Aslan, Theobaldo Varoli Filho, JoséCastellani e outros maçons de igual importância. A esse tipo de homens é que se deve creditar a participação da Instituição nos processos de sua transformação e nos processos de transformação política, de independência das nações, da democracia e de justiça social.

A carência de homens de ação e autênticos tem ensejado a dispersão dos maçons, ficando os quadros das lojas mais vazios e devendo à Sociedade profana maior participação na luta contra os tiranos, os corruptos, os déspotas que hoje dominam nossa Pátria.

A origem mais aceita, segundo a maioria dos historiadores, é que a Maçonaria Moderna descende dos antigos construtores de igrejas e catedrais, corporações formadas sob a influência da Igreja na Idade Média, não invalidando, contudo, a tese de que outras agremiações também ajudaram a compor a sua estrutura filosófica e simbólica, tais como: Corporação dos Franc-Maçons; as Guildas; os Carbonários; Corporação dos Steinmetzen, Rosa-cruzes, etc…

CONCLUSÃO

Sabemos que a origem da Maçonaria é um tema que suscita uma série de controvérsias e de posicionamentos discordantes.

Admitimos, contudo, que a Maçonaria, em certo sentido, é preexistente a todos os tempos.

É evidente que tal afirmação exige um esclarecimento.

Ao fazê-la, não estamos admitindo a existência de uma Loja Maçônica nos Jardins do Éden e sendo freqüentada por Adão e alguns Querubins de bons costumes. Tampouco vislumbramos práticas maçônicas nos antigos cultos egípcios, mitríacos, órficos e salomônicos. Tais cultos eram certamente iniciáticos e, em alguns aspectos, lembram a doutrina maçônica. Mas seria incorreto ver neles uma espécie de Maçonaria preexistente, atéporque nenhum deles se orientava por aquilo que é a marca registrada da Maçonaria moderna: O Livre Pensamento.

Tais suposições partem de profanos mal informados ou até de maçons imaginosos, pois é fato historicamente comprovado, que a Maçonaria, como instituição organizada, surgiu m 1717 com a criação da Grande Loja de Londres.

Entretanto, concordamos com o Ir.·.Sérgio Luiz Alagemovits quando ele se refere à Maçonaria-Idéia, aquela que extrapola a riqueza dos Rituais, o dourado dos aventais e a pomposidade dos títulos.

Falamos do espírito que move a grande engrenagem da Ordem, falamos da Maçonaria corrente de influxos energéticos que objetiva o aperfeiçoamento da matéria e o desenvolvimento espiritual do Homem.

Falamos da Maçonaria doutrina interna, que não está escrita em parte alguma e é imperceptível aos olhos dos que não sabem ver.

Esta Maçonaria, transcendente e imanente, esta Maçonaria de que falamos, esta, sempre existiu.

Dentro deste enfoque, falar que a Maçonaria não existia antes de 1717, é o mesmo que dizer que os astros orbitavam desordenadamente antes de Laplace, que os fenômenos físicos e químicos não se processavam antes dos estudos de laboratórios e que as maçãs não caiam das macieiras, antes de Newton.

Referências Bibliográficas:

01- A Bíblia de Jerusalém. Ed. Paulinas 1981;
02 – Jornal Egrégora – Órgão Oficial de Divulgação da Loja Maçônica Miguel Archanjo Tolosa n° 2.131 – Número 01 (Jun-Ago 1993) – Artigo do Ir.·.Sérgio Luiz Alegemovits Enfoque Maçônico do Universo pág. 04;
03 – Apostila do Seminário de Mestres Maçons 1971 – Palestra do Ir.·. Nicola Aslan Grande Oriente do Brasil;
04 – Apostila do Seminário de Mestres Maçons – Título II – História – 3 Conferências proferidas pelo Ir.·.Álvaro Palmeira – 1978 Grande Oriente do Brasil;
05 – Repensando Ir.·. Vady Nozar de Mello – Florianópolis – Ed. Papa-1993, págs. 21 a 31;
06 – Cartilha do Aprendiz – Ir: José Castellani – Ed. Maçônica A Trolha Ltda- 1ª Edição -1992, ágs. 19 a 25;
07 – Curso de Maçonaria Simbólica – Aprendiz – Ir: Theobaldo Varoli – Ed. Gazeta Maçônica – 1974;
08 – Apostila de História Maçônica do Seminário Geral de Mestres Maçons Grande Oriente do Brasil;

 

Ven.Irmão Lucas Francisco GALDEANO
Venerável Mestre da Loja Universitária-Verdade e Evolução nº.3492 do Rito Moderno (2005-2007)ex-Venerável da Loja Miguel Archanjo Tolosa nº.2131 do R.E.A.A.(1991-1993)ex-Grande Secretário Geral de Educação e Cultura do Grande Oriente do Brasil (1993-2001)Presidente do Conselho Editorial do Jornal Egrégora – Órgão Oficial de Divulgação do Grande Oriente do Distrito Federal.

por Ven.Irmão Lucas Francisco GALDEANO

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/as-origens-da-maconaria/

Mapa Astral de Malba Tahan

Júlio César de Mello e Souza (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895 — Recife, 18 de junho de 1974), mais conhecido pelo heterônimo de Malba Tahan, foi um escritor e matemático brasileiro. Através de seus romances foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil.

Ele é famoso no Brasil e no exterior por seus livros de recreação matemática e fábulas e lendas passadas no Oriente, muitas delas publicadas sob o heterônimo/pseudônimo de Malba Tahan. Seu livro mais conhecido, O Homem que Calculava, é uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos de Mil e Uma Noites. Monteiro Lobato classificou-a como: “… obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio ‘ciência-imaginação.’” Júlio César, como professor de matemática, destacou-se por ser um acerbo crítico das estruturas ultrapassadas de ensino.

O Mapa de Malba Tahan mostra Sol e Mercúrio em Touro, Ascendente em Gêmeos, Lua em Libra e Caput Draconis em Peixes. Júpiter e Marte em Câncer-Gêmeos (Rainha de Copas, as energias de contadores de histórias) e Saturno em Escorpião. Seu Planeta mais forte é Sol em Touro, com 5 Aspectações.

Seu mapa indica uma pessoa voltada para administração e gerenciamento de bens com uma facilidade enorme para trabalhar com linguagem, códigos ou símbolos (5 planetas com influências diretas ou indiretas geminianas, somadas com a “Lua dos Escritores” em Libra). Sua escolha foi a matemática (expressão máxima dos códigos e símbolos), que defendeu com paixão em mais de 120 livros publicados.

Seu caput Draconis indicava que, uma vez dominada esta vocação, seu trabalho no final da vida seria dedicado à espiritualidade e assistência ao próximo. Malba Tahan tinha especial apreço pelos hanseníacos, dedicando grante tempo e recursos para auxiliá-los. Júlio César foi um enérgico militante pela causa dos hanseníacos. Por mais de 10 anos editou a revista Damião, que combatia o preconceito e apoiava a humanização do tratamento e a reincorporação dos ex-enfermos à vida social . Deixou, em seu testamento, uma mensagem de apoio aos hanseníacos para ser lida em seu funeral (esta é uma expressão bem típica das oitavas altas de Saturno em Escorpião – observei muito esta combinação em pessoas com cargos de gestoras e diretoras de hospitais e asilos; de maneira diferente das cancerianas, que cuidam, as escorpianas brigam pelos direitos e garantias dos que não as possuem).

Minha homenagem a este grande escritor, cuja coleção de livros foi uma das primeiras que li na vida e que me despertou, junto com monteiro Lobato, o gosto pela leitura e pela ciência.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-malba-tahan