A postura da morte: uma instrução definitiva

Por Alan Chapman*

*membro da iot londrina e autor de Advanced Magick for Beginners

 

A Postura da Morte de Austin Spare tem sido difundida em círculos mágicos do caos recentemente e é amplamente mal compreendida. Provavelmente é a técnica mágica mais incompreendida do mundo.

A técnica é descrita em O Livro do Prazer  e, portanto, simpatizo com qualquer confusão inicial que os leitores possam ter sobre a postura; afinal. A escrita de Spare é delirante. (Nota do tradutor: neste artigo usaremos aqui a magistral tradução da Oficina Palimpsestus)

No entanto, uma simples releitura da página em questão deve ser suficiente para dissipar a confusão. Só posso supor, com base no lixo absoluto apresentado em muitos livros, revistas e sites, como “a postura da morte” se deve ao fato de que a maioria das pessoas não se dá ao trabalho de ler com atenção.

O Ritual e a Doutrina

A instrução é dada em três parágrafos. Veja como eles são impressos:

“Deitado confortavelmente de costas, permita que o corpo expresse a condição de um bocejo, suspirando enquanto concebe pelo sorriso – essa é a ideia da postura. Esqueça o tempo e todas as coisas que antes eram essenciais e agora refletem a própria insignificância. Este momento está além do tempo, e sua virtude já aconteceu.

De pé na ponta dos dedos, com as mãos entrelaçadas atrás do corpo e os braços rígidos, estique-se ao máximo, inclusive o pescoço, e respire profunda e espasmodicamente, até sentir em ondas uma mistura de êxtase e leve vertigem – isso gera a exaurição e a preparação para o passo anterior.

Olhe para o seu reflexo até que a imagem fique indistinta e você não se reconheça. Feche os olhos (isso costuma acontecer involuntariamente) e visualize. Atenha-se à luz que vai surgir (sempre na forma de X em curiosas evoluções) e mantenha-se firme até que não seja mais um esforço. Isso gera uma sensação de imensidão.. cujo limite é impossível alcançar. Esse passo deve ser praticado antes de realizar o passo anterior. A emoção sentida é o conhecimento que lhe diz o porquê.” (pág 234-235)

É óbvio, não é? A própria postura da morte está completamente aberta à interpretação. Não há ‘uma’ postura em vez disso, varia desde prender a respiração até desmaiar e se olhar no espelho. E pode ser usado para ‘carregar’ sigilos, certo? Na verdade não! Nada disso. Essa é uma besteira gorda e cabeluda!

Se relermos esses três parágrafos, veremos que o parágrafo dois (“De pé na ponta dos dedos…”), gera ” gera a exaurição e a preparação para o passo anterior.” Ou seja, é um exercício preliminar à instrução dada no primeiro parágrafo (“Deitado confortavelmente de costas…”). Quanto ao exercício dado no parágrafo três (“Olhe para o seu reflexo…”), somos informados: “Esse passo deve ser praticado antes de realizar o passo anterior. ”

O parágrafo três é, portanto, um exercício preliminar a ser praticado antes das instruções dadas nos parágrafos um e dois. A postura de morte adequada é, portanto, dada no parágrafo um. Então, para esclarecer:

1 – Pratique olhar fixamente para seus olhos no espelho, até que seu reflexo pareça bizarro. Entendo que não ajuda neste ponto quando Spare lhe diz para fechar os olhos e visualizar, e então passa a descrever algo que você deveria ver (“sempre na forma de X em curiosas evoluções”), que eu proponho que use a imagem deixada na retina – na verdade, é muito semelhante a um exercício budista), mas o ponto é que você se concentra em algo, nunca deixando ir, até atingir “uma sensação de imensidão.. cujo limite é impossível alcançar.”

Spare é bastante explícito quando diz que isso deve ser experimentado antes de praticar a postura de morte adequada. Em outras palavras, você deve ter um certo grau de proficiência em concentração. Conhecendo o histórico mágico de Spare, acredito que ele está aqui descrevendo dhyana (estados de absorção).

Deve-se notar que não há nada de especial neste exercício de concentração, como Spare explica um pouco mais tarde: “Existem muitos exercícios preliminares, tão ​​quanto há pecados, fúteis por si sós, mas que conduzem aos mesmos meios” (pág 235).. Uma vez que Dhyana seja alcançada, podemos passar para a própria postura da morte.

2 – A postura da morte requer um certo grau de relaxamento e, para obtê-lo, primeiro você pode esticar todo o corpo e hiperventilar. Claro, você também pode correr ou levantar alguns pesos – o objetivo é ficar relaxado para a prática da postura adequada. Só para ser explícito: prender a respiração até desmaiar não é a postura da morte.

3 – Assim, uma vez que um grau de competência em concentração seja alcançado (ou seja, você pode entrar em um estado de dhyana, ou transe), você pode agora praticar a postura adequada descrita no primeiro parágrafo.

Eu acredito que a maior dificuldade em entender a postura da morte está no fato de que Spare parece estar nos dizendo para deitar, bocejar, sorrir e ‘deixar ir’ todas as nossas preocupações. Mas isso não está correto. A postura é realmente deitada de costas, relaxado, sem  preocupação do mundo. No entanto, se você acha que ele está defendendo o relaxamento pelo relaxamento, você está perdendo o ponto. Se dermos uma olhada no próximo parágrafo. Spare diz:

“… saiba que isso é a negação de toda fé ao simplesmente vivê-la, é o fim da dualidade da consciência… Eis a postura da morte e sua realidade na aniquilação da lei – uma ascensão que se afasta da dualidade.”(pág 235)

O objetivo da postura da morte não é alcançar a “gnose” para “carregar” um sigilo, mas experimentar o não-dual. Spare está falando sobre samadhi, ou a experiência do que ele chamou de Kia.

Spare elabora a prática:

“Não se atinge a vacuidade primordial (da crença) pelo exercício de concentrar a mente na negação de todas as coisas concebíveis, identidade entre unidades e dualidade, caos e uniformidade, etc, mas só ao fazer isso agora, não depois. Perceba e sinta sem necessidade de um oposto, mas pelo que há de relacionado. Perceba a luz sem sombra como contraste, mas pela própria cor, evocando emoção do riso no momento do êxtase em união,  e também pela prática até que a emoção se torne sutil e duradoura. A lei da reação é anulada pela inclusão… Pratique diariamente, portanto, até chegar ao centro do desejo, e assim terá arremedado o grande propósito. Desse modo, todas as emoções encontrarão um equilíbrio no momento em que emanarem até se tornarem uma. Assim, ao bloquear a crença e o sêmen da concepção, elas se tornam simples e cósmicas.” (pág 235-236)

A ‘vacuidade primordial’, ou Kia, é alcançada cultivando a consciência da sensação imediata. Por exemplo, em vez de experimentar uma sensação e entendê-la como “apertada”, simplesmente experimente a sensação. A atitude mental correta é aquela que você experimenta quando você ri; você aceita toda experiência e sensação (incluindo a sensação de pensamentos) sem resistência.

Se essa atitude de consciência inclusiva for cultivada pela prática diária, você acabará por experimentar um estado de não dualidade e bem-aventurança.

Os paralelos entre as instruções de Spare e as de Buda são bastante impressionantes. A postura da morte facilita a mesma consciência que a “prática do insight” ou vipassana, que só pode ser praticada com competência quando um grau de proficiência em concentração é alcançado.

Um Resumo Prático

1. Pratique exercícios de concentração até sentir dhyana.

2. Pratique estar ciente de todas as sensações e experiências à medida que surgem, sem fixar sua atenção ou se identificar com qualquer coisa. (A atitude correta pode ser engendrada sorrindo ou mesmo rindo.) Isso é mais fácil de fazer quando está relaxado, portanto, praticar após o exercício físico é o ideal. Alternativamente, a prática de insight, vipassana ou meditação taoísta obterá o mesmo resultado.

O ensino fundamental

Dos dezesseis capítulos do Livro do Prazer, oito tratam exclusivamente do não-dual ou Kia, expondo as virtudes da busca do não-dual, fornecendo instruções para alcançar o não-dual, ou detalhando o estado resultante uma vez que o o não dual é alcançado e se torna habitual (o que Spare chama de ‘Amor de si’).

Spare está essencialmente preocupado com o hedonismo. (Acho que o título do livro revela isso.) Se você deseja o máximo de êxtase e prazer possível, se deseja o maior grau de satisfação, deve se preocupar com o não-dual:

“Aquele que busca o prazer sabiamente, ao perceber que eles são “diferentes graus do desejo” e nunca desejáveis, renuncia tanto ao vício quanto a virtude e se torna um kiaísta. Montado no tubarão de seu desejo, ele cruza o oceano da dualidade e se lanã no amor-de-si.” (pag 211)

O amor-de-si é o estado que resulta da experiência habitual do não dual, obtido praticando a postura da morte todos os dias. É liberdade de desejo. Agora me diga, o que traz o maior prazer: usar sigilos para adquirir um efeito mágico ou a transcendência de todos os desejos?

Por muito tempo Spare foi homenageado como o pai da “Magia do Caos” e o inventor da Magia dos Sigilos. Mas sua maior conquista mágica, o ensinamento central do Livro dos Prazeres, ou foi mal interpretado como um componente arbitrário da magia de sigilos, ou completamente ignorado como divagações de um místico.

Com sua postura de morte Spare conseguiu condensar a essência de toda prática meditativa em um método muito simples, fácil e agradável de genuína realização mágica, e não por qualquer propósito espiritual elevado, mas simplesmente por causa do prazer.

Se você ainda acha que a magia não tem nada a ver com misticismo, ou está preocupada apenas com a manifestação de resultados materiais, considere o título do livro responsável por ‘começar tudo’O Livro do Prazer (Amor de si): A Psicologia da Êxtase.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-uma-instrucao-definitiva/

Cantando Hare Krishna em Pureza – As Dez Ofensas

Por Sua Santidade Acyutananda Svami.

[Sua Santidade Acyutananda Svami é um dos primeiros estudantes americanos iniciados na consciência de Krishna por Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Quando Srila Prabhupada inicia um novo devoto, ele pede ao devoto que cante o mantra Hare Krishna e, enquanto canta, evite dez ofensas. Em uma recente cerimônia de iniciação para novos discípulos em Vrindavana, Índia, Srila Prabhupada pediu a Acyutananda Svami para instruir os novos iniciados sobre essas dez ofensas. A pedido de Srila Prabhupada, as observações de Acyutananda Svami são reproduzidas aqui.]

 

O nome de Sri Krishna, conforme encontrado no maha-mantra Hare Krishna – Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare – é uma vibração sonora transcendental. Rupa Gosvami diz: nama cintamanih Krishnas caitanya-rasa-vigrahah/purnah suddho nitya-mukto ‘bhinnatvan nama-naminoh. Krishna e Seu nome não são diferentes. O próprio Krishna é transcendental, assim como a forma de Krishna, o nome de Krishna e a parafernália de Krishna, assim como o próprio Krishna. Eles são todos feitos de energia transcendental.

 

Conforme declarado no Bhagavad-gita, janma karma ca me divyam: o nascimento e as atividades de Krishna são eternos e transcendentais. Quando uma pessoa comum nasce devido ao karma, as leis da ação e reação materiais, seu corpo está todo enrugado e coberto de sangue e muco. Mas Krishna nasce sorrindo. Em Mathura Ele nasce segurando um búzio, disco, maça e lótus e decorado com uma coroa, joias, uma linda guirlanda e todos os Seus ornamentos transcendentais. Nenhum de nós nasceu assim aqui; todos nós nascemos por causa do karma. Mas não Krishna. E simplesmente por saber que o nascimento e as atividades de Krishna são divinos, a pessoa também se torna divina. Então não é necessário nascer de novo no mundo material.

 

A natureza espiritual tem forma (caitanya-rasa-vigraha); não é sem forma. A natureza de Krishna tem forma, mas essa forma é divina, transcendental, cintamani. Cintamani também implica consciência (cinta significa “consciência” ou “substância divina”). E a forma de Krishna não é diferente de Seu nome. Um som transcendental, no entanto, não pode ser proferido por lábios materiais. Um som transcendental deve ser proferido pelos sentidos transcendentais. A forma transcendental de Krishna só pode ser vista por olhos transcendentais, e o nome transcendental de Krishna só pode ser falado com lábios transcendentais. Portanto, temos que purificar nossos sentidos, purificar nossos olhos, purificar nossa língua, purificar nossos lábios, purificar nossas mãos – tudo deve ser purificado. Então podemos entender Krishna.

 

Isso é natural, porque o espírito é adhoksaja; não pode ser percebido pelos sentidos materiais. Os cientistas querem ver tudo com seus olhos mundanos, mas muitas coisas não podem ser vistas dessa maneira. Para ver minúsculos micróbios ou planetas distantes, você precisa melhorar sua visão com um microscópio ou telescópio. Então, para ver o espírito, você também tem que purificar sua visão, torná-la mais fina. Premanjana-cchurita-bhakti-vilocanena: você tem que passar a pomada do amor em seus olhos. Iogues comuns e especuladores mentais não podem ver Krishna. Somente devotos, ou bhaktas, podem vê-Lo (bhaktya mam abhijanati; bhaktya tv ananyaya sakyah).

 

Há dez ofensas (nama-aparadhas) a serem evitadas enquanto se canta o mantra Hare Krishna. Estes são dados em The Nectar of Devotion, e também no Padma Purana. Somente os devotos podem ver Krishna em Sua forma pessoal, porque são eles que evitam essas dez ofensas. Quando cantamos Hare Krishna, devemos, portanto, ter muito cuidado para evitar essas ofensas.

 

Alguém está cantando Hare Krishna de forma ofensiva ou sem ofensas? Você pode não saber. Suponha que eu lhe mostrasse duas pílulas brancas — uma de arsênico e outra de aspirina. Você pode não saber qual é qual. Você teria que ir a uma autoridade – um médico, por exemplo – que poderia lhe dar a coisa certa. Você não iria a um charlatão; ele pode te dar o arsênico. Afinal, é uma pílula branca e você não sabe a diferença. Portanto, você tem que ir a um médico genuíno. Da mesma forma, devemos ouvir o canto de Hare Krishna apenas de devotos que estão evitando essas dez ofensas. Caso contrário, o canto será como leite tocado pelos lábios de uma serpente. O leite é muito puro e saudável, mas o leite tocado pelos lábios de uma serpente se transformará em veneno. Podemos ver um bom sadhu, ou uma pessoa santa, cantando Hare Krishna, mas se ele não estiver evitando essas ofensas, ouvi-lo é perigoso.

 

A primeira ofensa é sadhu-ninda: blasfemar devotos que dedicaram suas vidas a propagar o santo nome do Senhor. Os devotos que entregam suas vidas ao Senhor e que se engajam plenamente na pregação devem ser imaculados em seu caráter. Ainda assim, o Bhagavad-gita diz que se alguém se engaja totalmente na pregação da consciência de Krishna e no canto do santo nome, ele deve ser considerado santo mesmo que por acaso cometa alguma atividade abominável. Não devemos magnificar as faltas de um devoto. A lua está brilhando, espalhando sua luz doce e fria, e embora a lua também tenha algumas manchas pretas, a luz da lua brilha tão forte que não devemos considerá-las. Da mesma forma, mesmo que um pregador acidentalmente cometa um erro grave, isso deve ser desculpado. Krishna diz, ksipram bhavati dharmatma: muito rapidamente ele será purificado. Temporariamente pode haver alguma mancha em seu caráter, mas muito em breve ela será lavada pela potência de cantar o santo nome. Então ele será puro, como o céu claro. Se havia uma nuvem sobre um pedaço do céu alguns momentos atrás, mas agora o céu está claro, qual é a diferença entre esse céu e o céu que nunca foi coberto? Não há diferença; ambos são puros.

 

Se falarmos mal dos devotos, as pessoas perderão a fé em suas palavras. Tal perda de confiança apenas impede o progresso espiritual da humanidade. As abelhas procuram mel, enquanto as moscas procuram feridas abertas. Algumas pessoas são como moscas. Se eles veem a menor falha, eles a ampliam desproporcionalmente. Mas não devemos ser como moscas; devemos ser como abelhas zumbindo e ver todas as boas qualidades de um devoto. Se houver qualidades ruins, elas logo serão eliminadas. Nunca devemos falar mal ou fofocar sobre devotos que entregaram suas vidas ao santo nome.

 

A segunda ofensa é considerar semideuses, como o Senhor Shiva ou o Senhor Brahma, iguais ou independentes do nome do Senhor Vishnu, ou Krishna. No mundo material existem muitos seres vivos superpoderosos que controlam o funcionamento da natureza. Eles são chamados de semideuses. Assim como alguns seres humanos são mais poderosos que outros, os semideuses são ainda mais poderosos que qualquer ser humano. Mas a Suprema Personalidade de Deus é Sri Krishna. Ele é completo e pleno porque tem opulências plenas – toda riqueza, toda força, toda fama, toda beleza, todo conhecimento e toda renúncia. Nenhuma outra personalidade, nenhuma outra divindade ou semideus tem essas qualidades em sua totalidade. Krishna é, portanto, purna-avatara. Purna significa que Ele é completo – completamente completo. Todos os semideuses, como Shiva, Candra e Indra, são aspectos parciais deste purna. Por exemplo, a lua esta noite é amavasya, a lua escura. A lua está lá, mas você não pode ver nenhuma luz. Então amanhã haverá uma luz tênue vindo da lua. A lua inteira está lá, mas você pode ver apenas aspectos parciais dela, até que a lua cheia apareça. Da mesma forma, Krishna tem muitas formas, mas o Senhor manifesta Sua plena potência apenas como Sri Krishna, Syamasundara, com dois braços segurando a flauta (venum kvanantam aravinda-dalayataksam). Ele é a Personalidade de Deus original e completa.

 

Há muitas pessoas que adoram muitas divindades, até mesmo Krishna, mas não acreditam que Krishna seja supremo. Eles pensam que, embora Deus não tenha forma ou nome, alguma porção de Deus deslizou para maya e assumiu a forma de Krishna, Shiva, Durga ou outros semideuses. “Vou adorar esta divindade e me concentrar em sua forma”, pensa tal adorador, “e então um dia a forma se dissolverá e eu me dissolverei, e me tornarei tão bom quanto ele. Eu me tornarei igual a Krishna” Isso é uma ofensa. Isso não é bhakti, mas prostituição. É o que chamei de vesya-vada, a filosofia de uma prostituta. Qual é a proposta de uma prostituta? Uma prostituta não ama ninguém. Qualquer homem na rua é tão bom quanto qualquer outro. Mas a prostituta pensa: “Se esse homem me der alguma coisa, vou fingir que o amo. Se eu conseguir alguma coisa desse homem – ou de qualquer homem, não importa quem – então vou fingir que o amo.” Da mesma forma, as pessoas pensam: “Oh, qualquer deus, é tudo a mesma coisa. Se eu conseguir algo, então vale a pena fingir bhakti. Eu vou adorar no templo”. Mas isso não é bhakti – isso é trapaça. Você não está adorando o que pensa ser o Supremo. Você acha que o Supremo não tem forma. Então por que você está realizando arcana, sadhana, puja e outros tipos de adoração?

 

Os semideuses são apenas partes parciais de uma parte de Krishna. Eles estão muito longe da Suprema Verdade Absoluta. A Verdade Absoluta não tem nada a ver com a matéria. Portanto, mesmo o Senhor Shiva, que é quase tão bom quanto Krishna, não é o Supremo porque sua atividade diz respeito apenas à destruição material. O Senhor Krishna é comparado ao leite, e o Senhor Siva é comparado ao iogurte. Iogurte é leite, mas se você comer iogurte a reação no estômago é fria, e se você beber leite a reação no estômago é quente – exatamente o oposto. Então, se você adorar o Senhor Shiva, ou qualquer semideus, a reação será material, mas se você adorar Krishna, a reação será o desenvolvimento espiritual eterno. Portanto, não devemos igualar os nomes de Shiva, Durga, Candra e outros semideuses com o nome de Krishna. O nome de Krishna tem plena potência espiritual.

 

Os devotos na linha discipular do Senhor Caitanya entendem que todos os nomes dos semideuses vêm do nome de Krishna. Tomemos Indra como exemplo. “Indra” significa “rei”. Krishna é paramesvara, o rei supremo, então realmente o nome “Indra” pertence a Krishna. Krishna é Indra. E o semideus Indra, que é o rei dos planetas celestiais, recebeu o nome de Krishna. Outro semideus: Shiva. “Siva” significa auspicioso. Krishna é mangalo mangalanam: nada é mais auspicioso do que Krishna. Portanto, Krishna é Śiva, e o Śiva, que é a divindade da destruição, recebeu o nome Dele. Meu nome é Acyutananda. Eu não sou acyuta. Acyuta significa Krishna. Eu sou o servo de Acyuta. Dasa significa “servo”. Assim, tenho o nome de Krishna como Seu servo, dasa. Da mesma forma, todos os semideuses são Krishna dasa. Indra significa Krishna dasa. Shiva significa Krishna dasa. Candra significa Krishna dasa. Todos são Krishna dasa. Ekala isvara Krishna ara saba bhrtya: o único desfrutador supremo, a personalidade suprema, é Krishna; todos os outros são Seus servos. Portanto, devemos nos concentrar no nome de Krishna.

 

A terceira ofensa é desobedecer às ordens do guru, ou mestre espiritual. O guru é a única conexão que temos entre nós e Deus. Se uma formiga rasteja em seu corpo, a formiga não pode nem entender que você é um ser humano e que ela está andando em um homem. Ele pensa que está andando em uma floresta de árvores. Nem você pode explicar, “Sr. Ant, você está andando em cima de mim. Você não tem o poder de se explicar para ele, e ele não tem o poder de entender onde está. Vocês dois estão indefesos. Mas ainda mais distantes estão a entidade viva (jiva) e Krishna. Somos minúsculos; o jiva é um décimo de milésimo do tamanho da ponta de um fio de cabelo. E Krishna é tão grande que dos poros de Maha-Visnu, que é apenas um aspecto parcial de Krishna, inúmeros universos estão surgindo, como partículas de poeira entrando por uma janela.

 

Devemos perceber nossa posição como pequenos seres vivos e não tentar imitar a Deus. O universo em que vivemos tem muitas galáxias diferentes e um número infinito de planetas, e todos eles estão encerrados em uma bolha que veio de um poro de Maha-Visnu. Milhões e milhões de universos semelhantes a bolhas estão vindo de cada poro de Maha-Visnu, e estamos vivendo em um desses universos. Nosso universo tem milhões de planetas, e um pequeno planeta é a Terra. Nesse planeta terra há tanta água e terra, e a terra, que é apenas cerca de um terço do planeta, está dividida em tantos países, com tantos estados em cada um. Um país insignificante entre todos esses países é a Índia, que é dividida em vinte e um estados. Um estado é Bengala, e em Bengala existem muitas cidades. Uma cidade é Calcutá, que é dividida em muitas áreas – Ballygunge, Tallygunge, Burra Bazaar e assim por diante. Um lugar ali é a Rua Camac, e na Rua Camac há uma casa na qual muitos devotos estão morando, e um desses devotos está pensando: “Eu sou Deus”. Você é tão pequeno, tão insignificante! A única conexão que você, como um ser insignificante, tem com o Ser Supremo Significativo é o guru.

 

O guru, o mestre espiritual, é o meio transparente entre o Deus infinito e a alma finita. O Infinito pode dar-se a conhecer ao finito. Ele não é fraco. Não podemos nos explicar a uma formiga, mas Krishna pode se explicar a uma jiva. Portanto, ofender ou desobedecer à ordem do representante de Krishna, o guru, é suicídio.

 

Se alguém tem guru-sraddha, fé no guru, se é noite, mas o guru diz que é dia, você verá o sol brilhando. Além de nossa percepção sensorial material, devemos aceitar a ordem do guru fidedigno. Nossos sentidos são falíveis, limitados, imperfeitos, mas as palavras do guru fidedigno são puras e perfeitas. Guru-mukha-padma-vakya, cittete kariya aikya, ara na kariha mane asa: nosso único desejo é ouvir e compreender as ordens do mestre espiritual. Desobedecer às ordens do mestre espiritual impedirá qualquer progresso na vida espiritual. Yasya prasadad bhagavat-prasado yasyaprasadan na gatih kuto ‘pi: se Krishna está satisfeito com você, mas o guru está descontente, não há esperança; e se o guru está satisfeito e Krishna está descontente, você não tem nada com que se preocupar.

 

Estamos pregando a escravidão, a escravidão divina. Cada país do mundo tem um esquema de prazer – comunismo, socialismo, democracia ou qualquer outra coisa – mas todos eles estão tentando ter prazer independente do Senhor Supremo. Estamos pregando que a escravidão é muito mais feliz do que uma falsa sensação de independência. O que o guru diz, nós fazemos. Mas ele é perfeito. Ser escravo da perfeição — isso é vida extática.

 

Quarta ofensa: blasfemar a literatura védica ou literatura de acordo com a versão védica. As literaturas védicas estão em harmonia com as palavras do mestre espiritual, pois o mestre espiritual não dirá nada que não seja confirmado nas escrituras. Portanto, as palavras das escrituras e do mestre espiritual são nossas diretrizes.

 

As escrituras védicas são faladas pelo próprio Deus, e por aqueles que têm perfeito entendimento. Ao contrário das filosofias inventadas pela inteligência humana imperfeita, as escrituras védicas foram escritas pela inteligência perfeita, por devotos, por grandes sábios que sacrificaram suas vidas, não por líderes que viviam no luxo e queriam escrever alguma constituição ou propor alguma política para promover seu senso. gratificação. Esses líderes vivem no luxo às custas de todos os outros. Tanto quanto podem, eles tentam blefar as pessoas com conversas altruístas, mas seu verdadeiro objetivo é viver no luxo às suas custas. Você passa fome e eles vivem no luxo, não importa o que eles pregam. Os grandes sábios que viram a Suprema Verdade Absoluta sacrificaram suas vidas pelo Supremo; eles viviam em tantas dificuldades — para nós — porque eram nossos benquerentes. Os devotos são todos oceanos de misericórdia que vêm para nos salvar.

 

vancha-kalpa-tarubhyas ca

krpa-sindhubhya eva ca

patitanam pavanebhyo

vaisnavebhyo namo namah

 

“Ofereço minhas respeitosas reverências a todos os devotos conscientes de Krishna do Senhor. Eles são como árvores de desejo que podem satisfazer os desejos de todos, e estão cheios de compaixão pelas almas condicionadas caídas.”

 

Os grandes sábios e devotos não vêm para trapacear; eles vêm para nos dar as literaturas védicas. Portanto, essas escrituras são cientificamente puras. Encontramos muitas evidências científicas para apoiar as declarações dos Vedas. Por exemplo, os Vedas declaram que o esterco de vaca é tão puro que você pode até colocá-lo no templo, e agora a ciência está descobrindo que, de fato, o esterco de vaca tem muitas qualidades anti-sépticas. Mas por milhares de anos sabíamos que o esterco de vaca é puro; não tivemos que fazer pesquisa científica. Então, por que não aceitar a literatura védica como ela é, pura e perfeita, sem duvidar dela?

 

Algumas pessoas interpretam as palavras nas escrituras védicas, assumindo que todas são alegóricas ou simbólicas. Mas tais interpretações não podem influenciar os devotos que têm servido na Índia, pois vimos os lugares onde as encarnações de Krishna estiveram. Se alguém insistir obstinadamente que os passatempos de Krishna são todos mitologia, posso levá-lo pela orelha a Hastinapura e ao forte Indraprastha onde os Pandavas viviam, depois puxá-lo pela outra orelha para Kurukshetra, a 160 quilômetros de lá, onde Krishna falou o Bhagavad-gita. , então pelo nariz para Vrindavana, onde Krishna realizou Seus passatempos, e mergulhou sua cabeça grossa no sagrado Rio Yamuna. Esses lugares foram feitos apenas para justificar alguns poemas? Certamente não. Aqui em Vrindavana e Mayapur desenvolvemos fé, a semente de bhakti, quando vemos os lugares onde o Senhor Krishna e o Senhor Caitanya Mahaprabhu tiveram Seus passatempos.

 

Quinta ofensa: considerar imaginárias as glórias de cantar o mantra Hare Krishna. É dito na literatura védica que cantando uma vez o santo nome de Krishna a pessoa pode erradicar mais pecados do que ela pode cometer em todos os quatorze mundos. Portanto, não devemos duvidar disso. Não devemos considerar isso um exagero. Mas essa afirmação é uma grande pílula para engolir. Portanto, embora possamos dizer que cantar Hare Krishna é um processo fácil para a perfeição espiritual, as pessoas duvidarão que seja verdade. Se eu ficasse na rua e dissesse “diamantes, diamantes grátis”, ninguém acreditaria em mim. Mas aqui as escrituras estão dizendo mais do que isso. Ceto-darpana-marjanam bhava-maha-davagni-nirvapanam: você pode obter a liberação completa de todos os pecados apenas cantando Hare Krishna uma vez. As pessoas duvidarão que isso seja verdade. Ter plena fé no santo nome não é fácil; ainda devemos. Nunca devemos pensar que as escrituras védicas estão apenas blefando, tentando nos convencer a cantar, exagerando a potência do canto. Não, devemos ter fé completa.

 

Sexta ofensa: interpretar o canto do santo nome do Senhor. Algumas pessoas gostam de distorcer as declarações dos Vedas ou o significado do santo nome de Krishna. Por exemplo, cantamos os nomes Hare Krishna. Hari significa ladrão, hari significa leão e hari também significa cobra. Então, Hare Krishna significa serpente Krishna, ladrão Krishna, leão Krishna? Não. Harir om tat sat: Hari é a Suprema Verdade Absoluta. Isso significa que um ladrão é a Suprema Verdade Absoluta? Devemos construir um templo para um ladrão? Devemos construir um templo para uma cobra?

 

Com um dicionário você pode interpretar, dobrar e torcer palavras ilimitadamente. Por exemplo, posso falar do presidente Kennedy. Mas “ken” pode significar “posição mental” e “redemoinho” significa uma piscina em redemoinho, então um malabarista de palavras pode dizer que Kennedy era alguém cuja mente estava confusa e que se tornou o presidente. Pode-se torcer palavras como bate-papo de muitas maneiras. “O professor”, disse o menino, “é um tolo”. O professor disse que o menino é um tolo. Se mudarmos a pontuação, toda a frase terá um significado completamente diferente. Da mesma forma, algumas pessoas tentam distorcer os significados falsos e completamente enganosos dos Vedas, mas nós não queremos isso.

 

Não queremos uma interpretação distorcida. Queremos a verdade, como ela é. Srila Prabhupada está dando o Bhagavad-gita como ele é. Não se deve tentar distorcer algum outro significado. Não devemos ser como o homem tolo cuja esposa lhe disse para comprar um pouco de ghee, manteiga clarificada. Ele saiu para comprar ghee, mas quando foi até o homem que vendia ghee, aquele homem disse: “Meu ghee é tão bom, é como óleo”. Então o homem disse: “Oh, óleo. O óleo deve ser melhor que o ghee.” Então ele foi até o homem que vendia óleo. Mas o homem do petróleo disse: “Meu óleo é tão claro, é tão claro quanto a água”. Então o sujeito pensou que a água devia ser melhor que o óleo. Então, em vez de ghee, ele comprou um pouco de água. Passo a passo, ele chegou a algo inútil. Você não pode fritar nada na água, mas ele achava que água é melhor que ghee. Dessa forma, um especulador mental pode torcer e transformar tudo. Krishna significa preto, preto significa escuro, escuro é desconhecido, Então Krishna significa desconhecido. É um tipo muito perigoso de filosofia. Portanto, não podemos interpretar os significados dessas palavras; antes, devemos aceitá-los de acordo com a compreensão dos acharyas, os devotos puros na linha discipular.

 

Sétima ofensa: cometer atividades pecaminosas com a força de cantar o santo nome do Senhor. Cantar o santo nome nos livra de tantos pecados, mas não devemos pensar: “Vou cometer atividades pecaminosas e depois cantar para me tornar puro. Então eu cometerei mais pecados e então cantarei novamente.” Isso é um absurdo. Isso é trapaça. Você não pode enganar Krishna, nem pode enganar o santo nome. O santo nome é Krishna. Portanto, Krishna saberá o que você está fazendo. Em algumas religiões é uma política que no sábado a pessoa possa confessar todos os seus pecados e assim tornar-se pura para que no domingo ela possa entrar na igreja. Então, a partir de segunda-feira, ele pode retomar sua tolice pecaminosa. Mas se alguém confessou que seus pecados são errados, por que deveria cometê-los novamente? Ele será perdoado uma ou duas vezes, se os cometer sem saber, mas na terceira ou quarta vez terá que sofrer. Ninguém pode continuar usando o Senhor para justificar seu pecado. Isso é um absurdo. Tentar usar a força do santo nome para justificar suas más propensões é considerado a pior ofensa.

 

Oitava ofensa: considerar o canto de Hare Krishna uma das atividades ritualísticas auspiciosas oferecidas nos Vedas para ganhos fruitivos (karma-kanda). Estamos cantando Hare Krishna para obter Krishna-prema, amor a Krishna – não por causa da religiosidade (dharma), desenvolvimento econômico (artha), satisfação dos sentidos (kama) ou mesmo liberação (moksa). Quando alguém está imbuído de amor por Krishna, a liberação parece totalmente miserável porque na liberação impessoal não há amor. Krishna se manifesta em Suas moradas espirituais, como Goloka e Vaikuntha, e Ele aparece no mundo material como um avatara, ou encarnação. Na forma do avatara Varaha, Krishna foi para a região mais escura do inferno para resgatar o planeta Terra. Portanto, Krishna aparece para Seus devotos no inferno, na terra, no céu e em Goloka Vrndavana, mas no Absoluto impessoal, o brahmajyoti, Krishna não se manifesta. Portanto, kaivalyam narakayate; a liberação impessoal (kaivalya-mukti) é pior que o inferno para um devoto.

 

Não estamos cantando Hare Krishna para nenhum ganho pessoal. No dhanam na janam na sundarim kavitam va jagad-isa kamaye: não queremos dinheiro, não queremos seguidores, não queremos mulheres bonitas, nem queremos popularidade, educação ou uma posição importante. Mama janmani janmanisvare bhavatad bhaktir ahaituki tvayi: queremos devoção sem causa, bhakti, aos pés de Krishna. Nada mais. Portanto, estamos cantando Hare Krishna – apenas para isso.

 

Nona ofensa: instruir uma pessoa infiel sobre as glórias de cantar o santo nome. Qualquer pessoa pode participar do canto do santo nome, mas não devemos dar instruções ou iniciações mais profundas a quem é infiel. Essa falta de fé pode ser devido à sua ignorância e, portanto, podemos dar-lhe conhecimento e purificá-lo. Mas antes que ele seja purificado, se ele decidiu ser avesso a Krishna (bahir-mukha, vimukha), quanto mais o instruirmos sobre Krishna, mais ele odiará Krishna. Então estaremos fazendo com que essa pessoa cometa mais ofensas, e isso é uma ofensa da nossa parte. Portanto, não se deve dar instruções mais profundas sobre cantar o santo nome para alguém que não tem fé; antes, devemos primeiro desenvolver sua fé dando-lhe conhecimento.

 

As pessoas não têm fé em Krishna apenas porque são ignorantes. Eles não foram expostos ao conhecimento real de Krishna, mas absorveram apenas noções falsas. Por exemplo, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, a força aérea japonesa pegou meninos de treze ou quatorze anos e os ensinou a pilotar aviões. Eles não os ensinaram como pousar os aviões, mas apenas como decolar e voar. Eles disseram a esses garotos inocentes que, pelo bem de seu país, eles poderiam bater o avião em um barco inimigo e eles sairiam vivos. Eles não disseram a eles que explosivos haviam sido carregados no avião e que eles seriam mortos. Os pilotos receberam apenas uma pequena quantidade de combustível, para que não pudessem voltar se ficassem com medo. Finalmente, seus comandantes os acusaram de algumas noções falsas sobre amor à pátria e amor por seus antepassados ​​e os enviaram em sua missão. Eles eram simplesmente um esquadrão suicida. Tudo o que tinham era conhecimento parcial, combustível parcial e educação parcial, e assim, carregados de alguns sentimentos falsos, foram iludidos a cometer suicídio. Da mesma forma, a educação moderna está nos dando apenas educação parcial, para que trabalhemos como cães.

 

Segundo a crença popular, o povo indiano não tem capacidade para trabalhar. Este é um equívoco. Já vi pessoas extremamente idosas andando 13 ou 15 quilômetros ao redor da Colina Govardhana sob o sol quente. Eles escalam as sete colinas até o templo de Tirupati, tomam banhos frios no mês de Magh (janeiro) ou caminham até Badarikasrama. Eles estão tão dispostos a realizar essas atividades para a realização espiritual, então por que não estão ansiosos para trabalhar em uma fábrica? Porque eles sabem que não estão obtendo benefícios espirituais trabalhando em uma fábrica. Eles querem benefício espiritual, porque as pessoas na Índia são basicamente religiosas. Eles sabem que mukti (libertação) não pode ser alcançada trabalhando em uma fábrica, mas o governo está tentando propor a filosofia de que trabalho é adoração. Os líderes do governo sabem que as pessoas são basicamente religiosas, então estão dizendo: “Se você trabalhar duro na fábrica quente, obterá mukti”. Eles estão tentando destruir um falso significado do Bhagavad-gita – trabalhe duro e esqueça qualquer outra coisa. Sem religião, sem templo, apenas trabalho na fábrica. Eles estão tentando impor essa filosofia ao público para fazer com que as pessoas trabalhem na fábrica e pensem que o trabalho fabril ou o trabalho duro é uma atividade auspiciosa e piedosa.

 

Mas não funciona. Entre em qualquer prédio de escritórios e você encontrará todos sentados fumando, tentando fazer o mínimo de trabalho possível. Mas se você for a Jagannatha Puri, verá um enorme templo construído há milhares de anos. Como as pessoas conseguiram a energia para construir tal templo? Eles sabiam: “Estou fazendo isso por Jagannatha, por Krishna”. Isso trouxe o melhor deles. Se as pessoas souberem que estão trabalhando para algum ministro trapaceiro, também serão trapaceiros. Eles farão a menor quantidade de trabalho possível. No entanto, se trabalham para Deus, sabem que Ele vê tudo o que fazem e que, ao agradá-lo, podem vê-lo e viver com ele. Isso é uma inspiração. Mas os líderes modernos não gostam disso. Eles querem que as pessoas trabalhem para eles, não para Krishna. Eles têm inveja de Krishna. Eles pensam: “Oh, se você trabalha para mim, isso é adoração”. Isso é falso. Estamos aceitando o mahatma-panthah, o caminho dos acaryas anteriores, os grandes mestres espirituais. A sociedade moderna sabe mais do que os grandes acharyas?

 

A última ofensa é não ter fé completa no canto do santo nome e manter o apego material mesmo depois de entender tantas instruções sobre este assunto. Krishna declara no Bhagavad-gita, rasa-varjam raso ‘py asya param drstva nivartate: “Aquele que está apegado ao prazer sensual se liberta desse apego quando experimenta um gosto mais elevado.” Nós, devotos na Índia, aparentemente estamos vivendo vidas muito difíceis. Embora sejamos americanos, estamos dormindo no chão, comendo apenas uma ou duas refeições por dia, vivendo neste país quente e nos vestindo e vivendo humildemente. Então as pessoas podem pensar que estamos sofrendo, mas na verdade não estamos – somos felizes. Estamos felizes porque temos o santo nome, porque estamos tendo um sabor mais elevado. Mas se depois de ter esse sabor mais alto quisermos novamente o sabor mais baixo, isso é um grande erro. Uma pessoa nessa posição é chamada de vantasi. Vantasi significa aquele que come seu próprio vômito. Quando alguém rejeita seus apegos baixos, isso é comparado ao vômito. No entanto, depois de ter obtido um sabor mais elevado, ceder novamente a um sabor mais baixo é tão bom quanto comer vômito. Portanto, manter apego material depois de ouvir as glórias do santo nome do Senhor é uma ofensa.

 

Se evitarmos essas dez ofensas ao santo nome do Senhor, certamente progrediremos, pela graça do mestre espiritual, Senhor Caitanya e Senhor Sri Krishna. O resultado será, ceto-darpana-marjanam; nossa consciência será purificada. Isso é uma necessidade. Como podemos ter paz ou fazer algum progresso quando nossa consciência está turva e agitada?

 

Houve uma reunião entre alguns líderes do Oriente Médio preocupados em fazer a paz em Israel. Eles haviam se reunido em uma sala e estavam prestes a se sentar em mesas diferentes. A Jordânia foi atribuída a uma mesa, a Síria a outra, o Irã a outra e Israel a outra. Os israelenses, no entanto, não quiseram ocupar seus assentos designados. Eles queriam se sentar em uma mesa do outro lado da sala. Mas os sírios disseram: “Não, queremos esta mesa”. Então, seguiu-se uma discussão furiosa, na qual os membros da conversa de paz ameaçaram encerrar as negociações e ir à guerra. Como suas mentes estavam agitadas, eles não conseguiam fazer as pazes nem mesmo em uma sala de três metros. Portanto, a primeira necessidade na sociedade é a pureza da consciência.

 

Com consciência impura interior, como podemos externamente ter paz ou pureza? Primeiro devemos nos tornar puros internamente. Por exemplo, aqui na Índia os comerciantes agora adulteram o ghee (manteiga clarificada) misturando muitas coisas impuras para economizar dinheiro. Por quê? Porque eles não acreditam mais em Deus. Se acreditassem em Deus, pensariam: “Este ghee pode ser oferecido em um templo em algum lugar. Torná-lo impuro seria uma grande ofensa”. Mas porque eles não são conscientes de Deus, eles pensam: “Quem se importa? Ninguém vai me ver. O governo não vai saber.” Mas embora se possa escapar da visão do governo, não se pode escapar da visão de Deus. O Senhor Supremo vê tudo. No entanto, se eliminarmos a ideia de Deus como saksi, a testemunha, então o inferno prevalecerá. Portanto, devemos purificar a consciência. Bhava-maha-davagni-nirvapanam: quando nossa consciência é purificada, automaticamente o fogo de nossa existência material será extinto.

 

O canto de Hare Krishna dissemina o conhecimento transcendental no coração como a luz da lua (sreyah-kairava-candrika-vitaranam vidya-vadhu-jivanam) e aumenta nosso êxtase a cada momento (anandambudhi-vardhanam). No êxtase material, o prazer diminui gradualmente. Se você tem prazer em comer um pedaço de doce, em pouco tempo precisará de dois pedaços para obter o mesmo prazer. Então você vai precisar de três, depois de cinco, e logo você não vai querer mais olhar para doces. Isso é prazer material; ele diminui. Mas em consciência de Krishna, anandambudhi-vardhanam pratipadam purnamrta svadanam: a cada passo você terá um sabor mais completo do néctar. Sarvatma-snapanam param vijayate sri-Krishna-sankirtanam: todos podem se purificar cantando este maha-mantra Hare Krishna. Atma significa o corpo, a mente, a inteligência, o esforço, a alma e Krishna. Caitanya Mahaprabhu deu todos esses significados diferentes para a palavra atma quando explicou o verso atmarama do Srimad-Bhagavatam. Portanto, ceto-darpana-marjanam . . . sarvatma-snapanam. quando cantamos Hare Krishna, todos os atmas se purificam – a mente, a inteligência, a alma. Ao cantar Hare Krishna, todas as entidades vivas podem se tornar felizes. E Krishna também fica feliz quando cantamos.

 

Podemos oferecer uma flor a Krishna (patram puspam phalam toyam), mas o nome de Krishna é o próprio Krishna (abhinnatvan nama-naminoh). Assim, cantando os santos nomes do Senhor Krishna, estamos dando a Ele a melhor oferenda. No Srimad-Bhagavatam afirma-se, yajnaih sankirtana-prayair yajanti hi sumedhasah: aqueles que são inteligentes nesta Era de Briga adorarão o Senhor Supremo por nama-sankirtana-yajna, o sacrifício de cantar o santo nome do Senhor. Yajna (sacrifício) deve ser realizado, pois sem yajna, mesmo a prosperidade material é impossível. Nesta Era de Kali, o sacrifício recomendado é sankirtana-yajna, e aqueles que são inteligentes realizarão este canto dos santos nomes do Senhor e, portanto, seguirão os ensinamentos do Senhor Caitanya Mahaprabhu.

 

Caitanya Mahaprabhu é nosso objetivo, nosso objeto de meditação e adoração. Ele é o próprio Krishna com uma tez dourada, cercado por Seus associados. O Senhor Caitanya, no entanto, não carrega armas, o Senhor Ramacandra carrega um arco e flecha, Parasurama tem Seu machado, Krishna tem Seu disco e Vishnu carrega uma concha, disco, maça e lótus. Mas Caitanya Mahaprabhu está de mãos vazias. Suas únicas armas são Seus associados, como o Senhor Nityananda e Haridasa, porque Sua arma é o amor. Em vez de matar os demônios e libertá-los, Ele os transformou em devotos e os conquistou pelo amor. O Senhor Nityananda costumava ir de casa em casa, bater em suas portas e implorar às pessoas que por favor cantem Hare Krishna. Ele abria a porta, caía prostrado no chão e rolava no chão, implorando para que cantassem o santo nome do Senhor. Como você pode negar Seu pedido? A Suprema Personalidade de Deus está aos seus pés, implorando por você rolando na poeira de sua casa. Você O negará? Você pode recusar? Nenhuma pessoa inteligente pode rejeitá-Lo. Portanto, cante Hare Krishna e evite essas ofensas. Essa é a perfeição da vida humana.

 

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Fonte:

 

Chanting Hare Krishna in Purity — The Ten Offenses, by His Holiness Acyutananda Svami.

 

Back To Godhead Vol 68, August 1974.

 

Chanting Hare Krishna in Purity — The Ten Offenses.

 

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/cantando-hare-krishna-em-pureza-as-dez-ofensas/

Rosacruz, Maçonaria e Martinismo

Texto de G. O. Mebes, datado de 1911.

Não queremos impor a ninguém a crença de que tenha existido, efetivamente, uma Fraternidade fundada por Christian Rosenkreuz (1378 – 1484) e composta de um pequeno conjunto de místicos castos; queremos, apenas, afirmar o fato do aparecimento no astral de uma forma apresentando, nitidamente, os ideais e caminhos de aperfeiçoamento dos quais, bem mais tarde, tratou a famosa obra “FAMA FRATERNITATIS ROSAE CRUCIS”. Nela, esses ideais foram registrados em forma de um código; mas o despertar da Egrégora aconteceu numa época bem anterior.

Estudemos como se apresenta para nós a Egrégora da Rosa-Cruz inicial, segundo a obra acima citada e também conforme o “CONFESSIO FIDEI R+C”. É claramente visível que essa poderosa Egrégora atraiu a si os fluidos de três importantes e amplos fluxos da Verdade: o Gnosticismo, a Cabala e o Hermetismo da Escola Alquímica.

O “Ponto Superior acima do Iod” deste novo aspecto da Egrégora Templária foi constituído pelo ideal do trabalho teúrgico, visando a vinda do “Reino de Elias Artista” e por uma fé inabalável de que este Reino virá no futuro.

O que quer dizer isso? Quem é “Elias Artista”?; de onde surgiu “Elias” e por que “Artista”?

Na Bíblia, Elias e Enoch são símbolos de algo que é levado vivo ao céu. No entanto, o caminho direto para o Empíreo da metafísica está aberto somente aos fluxos da Verdade Absoluta. Os Arcanos Menores do Livro de Enoch fazem parte de tais fluxos. Elias, por sua vez, é como uma imagem mais concreta de Enoch, está mais próximo de nós. Portanto, “Elias” e não “Enoch”.

Como é este Elias? Por quais caminhos pode ele nos levar aos Arcanos Menores, à Reintegração Rosacruciana? Seria este o caminho dos Bem-aventurados, caminho dos corações humildes e plenos de amor, das mentes simples e sem malícia, mas possuidoras de uma fé infinita?

Não. A Egrégora não era para eles. Era para os que haviam experimentado o refinado sabor do conhecimento e já não podiam a ele renunciar, O “Elias Rosacruciano” conduz seus seguidores aos Arcanos Menores pelo caminho difícil do estudo minucioso e profundo dos Arcanos Maiores, uma analise engenhosa, constituindo verdadeira arte; dai o nome “Artista”.

O poderoso “Iod” com o qual a Egrégora modelava seus adeptos expressou-se pelo símbolo imortal da Rosa+Cruz. Seja qual for a moldura que acompanhe este símbolo, sejam quais forem os acréscimos, sua parte central e essencial permanece sempre a mesma.

A Cruz, símbolo da auto-renúncia, do altruísmo ilimitado, submissão total às Leis Superiores, é um dos seus polos. A Rosa perfumada de Hermes, símbolo da ciência e do aperfeiçoamento nos três planos, envolve a Cruz.

Os vinculados ao símbolo da Rosa+Cruz, podem carregar a Cruz mas não poderão remover dele a Rosa. Mesmo se os espinhos do conhecimento os fizerem sofrer, não renunciarão à atração de seu perfume. A Rosa é o segundo polo do Binário .

A tarefa do Rosacrucianismo é neutralizar este binário com sua própria personalidade, harmonizar em si mesmo a Ciência e a auto renuncia, fazê-las servir a um mesmo ideal . Um Rosacriciano deve assemelhar-se ao terceiro símbolo que consta do pantáculo da Rosacruz, o Pelicano, cujas asas permanecem abertas e que sacrifica-se por seus filhotes, alimenta-os com seu próprio corpo, seu sangue e sua carne.

No emblema, os filhotes do Pelicano são de cores diferentes. Nos emblemas primitivos havia apenas três filhotes, simbolizando as três Causas Primordiais; nos emblemas posteriores há sete, simbolizando as sete Causas Secundárias, sendo cada um dos filhotes de uma cor planetária diferente. Isso indica que o sacrifício deve ser feito conforme a ciência das cores, ou seja, cada um dos filhotes necessita um tratamento especifico.

Esse “lod’ apresenta um tema a ser meditado por parte de cada um dos verdadeiros Rosacrucianos.

O “Primeiro He” do Rosacrucianismo inicial era constituído por um grupo de naturezas raras e excepcionais, capazes de unir o misticismo à mais elevada intelectualidade.

O “Shin” do esquema Rosacruciano revestiu-se de uma certa auto-apreciação, em consequência natural de se considerarem instrumentos escolhidos. Havia tão poucas pessoas, capazes de satisfazer a essas exigências, que a convicção da superioridade introduziu-se por si mesma. Ela acentuou-se ainda mais, devido as severas regras da ética Rosacruciana, que os eleitos introduziram em seu viver.

O culto, o elemento “Vau”, expressava-se pela meditação sobre os símbolos, especialmente sobre o grande pantáculo da Rosa + Cruz e, em parte, pelas cerimônias místicas durante as reuniões periódicas dos Rosacrucianos.

O “Segundo He”, a “política” da Escola, constituiu-se numa atividade que, de acordo com suas convicções, os Rosacrucianos consideravam indispensável ao progresso da Humanidade. Devido a necessidade da prudência, tanto essa atividade quanto as pessoas dos membros da Corrente, eram envolvidas num estrito anonimato. Nesse “Segundo He”, podia-se perceber facilmente a reação, ainda não dissolvida no astral puro, do violento ressentimento dos Templários contra a Igreja Romana, ressentimento que chegou a criar os elementos formais do Protestantismo.

O Rosacrucianismo inicial, como já sublinhamos, não podia, naturalmente, contar com muitos adeptos, pois exigia deles características que, em geral, se excluem mutuamente.

Mais tarde, no século XVI, da Escola inicial gradualmente aquilo que poderia ser chamado de Rosacrucianismo secundário. Se o primeiro era acessível somente a poucos, o segundo podia ser seguido por todos os homens conscientes. Se o primeiro exigia quase fanaticamente que seus seguidores adotassem regras rígidas de auto-aperfeiçoamento, o segundo era caracterizado por uma tolerância maior em todos os campos da mente e do coração.

O ponto acima do Iod é o próprio elemento “Iod” permaneceram os mesmos. Visivelmente, mudou o “Primeiro He”. O ambiente dos séculos XVI, XVII e, parcialmente, do XVIII, fecundado pelos ideais Rosacrucianos, era o dos Enciclopedistas no melhor e mais amplo sentido dessa palavra. Do adepto da nova Rosa+Cruz exigia-se uma multiplicidade de facetas intelectuais, capacidade de especulação científica, amplitude do horizonte mental e dedicação aos ideais. Na Corrente Rosacruciana entravam tanto as naturezas altamente místicas como fervorosos panteístas ou pessoas de mentalidade pratica. Todavia, tornamos a repetir, eram aceitas unicamente pessoas notáveis por sua inteligência e erudição, pessoas possuindo uma vontade desenvolvida e concepções claras a respeito do trabalho a desenvolver para a elevação da humanidade.

(A publicação do elemento Shin não foi autorizada pelo Mestre).

O elemento “Vau”, em linhas gerais, permaneceu idêntico ao da Rosacruz inicial. Segundo os vários ramos da Escola, apareceram pequenas diferenças no ritual de recepção dos novos membros, nos rituais dos graus ou nas cerimônias, durante as reuniões dos conselhos superiores. No elemento Vau devem ser também incluídos os métodos de transformação astral e de treinamento da personalidade, acrescentados à prática básica de meditação. A introdução desses métodos era devida, em grande parte, à influência de várias escolas orientais.

O ‘segundo He” ou a “política da Escola”, expressou-se pela orientação de exercer sua influência na sociedade contemporânea. No começo, essa influência tinha um caráter puramente ético, mais tarde, fortemente realizador. Os ramos e sub ramos do Rosacrucianismo Secundário possuíam seus programas políticos particulares. Estes mudavam, naturalmente com o passar do tempo, visando sempre as reformas políticas e religiosas mais necessárias. Não obstante, a Egrégora Templária, portadora do impressionante clichê da destruição do plano Físico da Corrente de Jacques DeMolay, vibrava na direção da prudência cada vez que o Rosacrucianismo se preparava para dar um passo decisivo no mundo externo, causando a escolha do modo de ação mais seguro. Em consequência de uma destas vibrações foi criada a Ordem Maçônica.

O astral muito sutil do Rosacrucianismo, apropriado ao ensino, não possuía qualidades necessárias para lidar com problemas práticos e adaptar-se aos condicionamentos e brutalidade dos homens. Podia ficar prejudicado em sua base. A fim de evitá-lo, ao redor da Rosa e da Cruz, foi criado um invólucro mais material, melhor adaptado a contatos e trabalhos externos: a MAÇONARIA.

A Maçonaria, isto é, a Maçonaria legítima do Rito Escocês, com interpretação ético-hermética do simbolismo tradicional, tornou-se a guardiã de “sua alma”, a Rosa+Cruz. Ela implantava, tanto no seu próprio ambiente, como no mundo externo, o respeito para com os símbolos tradicionais e para com seus intérpretes, os Rosacrucianos. Os Maçons espalhavam ao redor de si a convicção de que o exemplo irrepreensível de suas vidas e seu alto nível moral tinham suas bases nos ensinamentos iniciáticos.

A Maçonaria realizava as reformas decididas pelos Rosacrucianos, protegendo-os, com suas próprias pessoas, contra a possível hostilidade e as perseguições humanas no plano físico.

Os fundadores da Maçonaria, entre os quais ocupa um lugar proeminente ELIAS ASHMOLE (1817-1692), com muita habilidade adaptaram para seu uso o sistema dos graus dos Maçons Livres, fazendo dele a base de seus próprios três primeiros graus, os “simbólicos”, da Iniciação Maçônica. Este trabalho se iniciou em 1646 e em 1717 existia já um sistema dos Capítulos da Maçonaria Escocesa, plenamente organizado.

Assim, a Maçonaria tornou-se um instrumento indispensável no trabalho do Iluminismo Rosacruciano, cuja “política” (o “Segundo He”) recebeu o nome de “Maçônica”, nome que guardou até agora. Os efeitos da política Rosacruciana, alcançados pelos Maçons no mundo externo, receberam o nome de “tiros de canhão”. Entre outros, como “tiros de canhão”, foram consideradas as reformas religiosas de Lutero e de Calvino, assim como a libertação dos Estados Unidos da América do Norte da dependência britânica (Lafayette e seus oficiais Maçons). Os Rosacrucianos se utilizavam dos Maçons, tanto mais que entre eles escolhiam os que mereciam ser iniciados no Iluminismo Cristão.

Contudo, cada medalha tem seu reverso. Enquanto a Maçonaria foi uma organização submetida ao Rosacrucianismo, enquanto praticava o princípio da Sucessão Hierárquica por transmissão, ela cumpria sua tarefa e não havia problemas.

Infelizmente, diversos ramos bastante fortes resolveram introduzir o método de eleger seus dirigentes, rejeitando assim o princípio hierárquico tradicional. Em decorrência, o trabalho maçônico começou a mudar seu caráter e, de evolutivo, passou a ser quase revolucionário. Um momento importante neste novo rumo foi a dissidência de Lacorne e seus seguidores (em 1773) que, numa cisão, separaram-se da Maçonaria legítima e fundaram uma nova associação que passou a ser conhecida sob o nome de “Grande Oriente da França”.

Com isto concluiremos o nosso breve esboço relativo à Maçonaria e passaremos ao fim do século XVII, para analisar uma das correntes, ainda existente, do antigo Iluminismo Cristão.

Ao redor do ano de 1760, o famoso Martinez de Pasqually fundou uma fraternidade de “Seletos Servidores do Sagrado”, os “ELUS COHENS”, com nove graus hierárquicos. Os três graus superiores eram Rosacrucianos.

A Escola de Martinez era mágico-teúrgica, com forte predominância de métodos puramente mágicos. Após a morte de Martinez, seus dois discípulos preferidos, Willermoz e Louis Claude de Saint Martin, alteraram o caráter dessa Corrente.

Willermoz lhe deu um colorido maçônico e Claude de Saint Martin, um escritor conhecido sob o pseudônimo “Filosofo Descolhecido” encaminhou a Corrente para o lado místico-teúrgico. Contrariamente a Willermoz, ele favorecia uma Iniciação liberal e não as regras das Lojas Maçônicas. A influência de Saint Martin predominou e criou uma Corrente chamada “Martinismo”.

A Egrégora do Martinismo que possuía sua Maçonaria, seu círculo externo “encarnou” solidamente em todos os países da Europa. Ela era constituída, aproximadamente, do seguinte modo:

O ponto acima do Iod, correspondia à harmonização ética, do ser humano. O “Iod” baseava-se na filosofia espiritualista das obras de St. Martin, que variava, um pouco, segundo diversas épocas da vida do escritor.

O “Primeiro He” era constituído por um grupo de pessoas muito puras e desinteressadas, possuindo aspirações místicas mais ou menos pronunciadas, pessoas prontas a qualquer trabalho filantrópico

O elemento Shin era inexistente, provavelmente em virtude do caráter do “Primeiro He”. Os idealistas puros que aspiravam a harmonia interna, não necessitam de um ímã para atrair adeptos.

O elemento ”Vau” se limitava a um ritual muito simples, a oração e a cerimônia de Iniciação notável pela sua simplicidade. É verdade que alguns maçons, entre os Martinistas davam mais importância ao ritual e este em certas Lojas, tornou-se até imponente por sua magnificência; todavia nós frisamos agora o Martinismo puro, independente de qualquer acréscimo maçônico. No Martinismo todo valor era dado a meditação, à formação interna do “Homem de Aspiração” e não ao ambiente mágico, como foi o caso do Martinezismo ou do Willemozismo .

O “Segundo He” do Martinismo consistia do trabalho filantrópico de seus membros, ajudar aos necessitados e sofredores, evitando toda manifestação espetacular, na recusa de qualquer compromisso ético ao deparar-se com as influências externas e, em uma modéstia, simplicidade e presteza no adaptar-se a quaisquer condições externas de vida. Essas qualidades impressionavam fortemente todas as elites sociais contemporâneas.

Embora a Iniciação Martinista na época do Primeiro Império e, posteriormente, até a oitava década do século XIX, se transmitisse por um liame multo tênue, o Martinismo contava em suas fileiras pessoas de ato valor, como Chaptal, Delage, Constant e outros.

Aproximadamente, na oitava década , o bem conhecido Stanislas de Guaita, querendo recriar uma corrente mais esotérica, fundou a “Ordem Cabalística da Rosa+Cruz”, obedecendo o esquema seguinte:

O “Ponto acima do Iod” consistia numa conciliação da ciência acadêmica oficial com os ensinamentos esotéricos acessíveis, objetivando criar um trabalho frutífero, em conjunto, dos representantes dos dois aspectos do conhecimento.

O “Iod” resumia-se em uma síntese de todos o conhecimentos, acessíveis tanto pela pesquisa científica, quanto pelo estudo da Tradição.

O “Primeiro He” era de novo o ambiente dos Enciclopedistas, mas infelizmente, Enciclopedistas fracassados. Em nossa época, as pessoas capazes progridem rapidamente dentro de sua profissão ou especialização e, muitas vezes, falta-lhes o tempo para se desenvolver em outros sentidos, enquanto os que fracassaram em sua direção particular, procuram geralmente um derivativo no Enciclopedismo, que lhes forneça uma compensação. Para um observador superficial, tais pessoas podem aparentar possuir uma inteligência de muitas facetas, assemelhando-se, através disso, às pessoas realmente excepcionais como o foram os membros do Rosacrucianismo inicial.

O elemento “Shin” da nova Egrégora era a perspectiva, atraente para os fracassados, de receber, devido ao prestígio da Rosacruz, a mesma consideração que os reconhecidos luminares da ciência oficial.

O elemento “Vau” era o trabalho de reeditar, traduzir e comentar as obras clássicas relativas ao ocultismo, que naquela época tornaram-se raridades bibliográficas, de preços quase inacessíveis, mesmo às pessoas bem situadas materialmente. Neste campo, os Rosacrucianos de Paris fizeram um trabalho muito útil e mereceram uma profunda gratidão dos que reverenciam os grandes monumentos deixados pela Tradição.

O pior elemento do sistema revelou-se o “Segundo He”, manifestado como uma política oportunista, a fim de atrair o mundo universitário. As teses tradicionais, na sua explanação, eram alteradas para fazê-las concordar com as últimas obras científicas, perdendo assim o seu valor. O empenho de certos Rosacrucianos em obter a aprovação dos representantes da ciência oficial, prejudicava naturalmente o prestigio da Escola. Por outro lado, as tentativas de uma parte de seus membros, para atenuar as teses Rosacrucianas, a fim de não contrariarem demais a Igreja Romana, levaram a uma cisão dentro da própria Escola (o afastamento de Peladan). Em geral, ainda no tempo de Guaita, a situação tornou- se precária. Foi feita, por isso, uma tentativa de aproximação com a Maçonaria, o que, deturpando as finalidades da Ordem, precipitou sua queda. Ela existe ainda.

Paralelamente com a fundação da Ordem Cabalística da Rosa Cruz, S. de Guaita procurou dar uma nova e grande amplitude à Corrente Martinista. O “Neo-Martinismo” de Guaita, tornou-se bem diverso da corrente inicial, toda via, o Neo-Martinismo adotou o ritual Martinista da Iniciação ao grau de S:::I::: ( Superior Incógnito – NT) e neste ritual baseou seu simbololismo.

Os ideais de Saint Martin e a formação interna do Homem de Aspiração não podiam satisfazer o enérgico Guaita, atraído demais para os resultados visíveis. Ele não admitia nenhuma interrupção voluntária da atividade externa, mesmo quando necessária para magnetizar o ambiente. Nas obras de Guaita encontram-se mesmo, muitas vezes palavras irônicas a respeito de tais interrupções.

Para que a quase renascida Egrégora de Martinez de Pasqually pudesse trazer à nova Ordem da Rosa+Cruz adeptos escolhidos entre os mais capazes S:::I::: do novo Martinismo foi preciso introduzir no esquema do mesmo uma grande tolerância no campo dogmático.

O ponto acima do Iod permaneceu, como antes, a harmonização ética interna.

A escolha do elemento “Iod” foi deixada ao livre arbítrio de cada membro da Corrente Neo-Martinista. Naturalmente, as obras de Saint Martin conservavam o seu papel de linha mestra.

O elemento “He”, como consequência da livre escolha do elemento “Iod”, veio a ser constituído por círculos de diversas tonalidades e valores. Aí podiam ser encontrados os cansados da busca religiosa, os decepcionados com a ciência oficial, os que não conseguiram ingressar na Maçonaria e procuravam algo equivalente, os impressionados pelo uso dos emblemas místicos, os que se deleitavam em debates versando temas do ocultismo durante as reuniões, os simplesmente curiosos, sempre prontos a ingressar nas organizações “misteriosas”. Havia também aqueles que chegaram à conclusão de que era preferível tornar-se membro de qualquer corrente a permanecer sem nenhuma proteção egregórica.

Como a Ordem da Rosa+Cruz recebia e recebe até agora somente os que passaram pelos três primeiros graus do novo Martinismo, entre os últimos podiam ser sempre encontradas algumas pessoas adequadas a se tornarem instrutores na corrente Martinista e orientar o desenvolvimento de seus membros. Foi isso que sustentou e vivificou o Martinismo que cresceu consideravelmente depois de Guaita, e conta agora com um grande número de adeptos. Atualmente, seu Conselho Superior está chefiado pelo Dr. Gerard Encausse, escritor e propagador do ocultismo, mais conhecido sob o pseudônimo “Papus”  (lembrando que este artigo foi escrito por G. O. Mebes em 1911 – NT).

Devido a diversidade das tendências e dos níveis evolutivos de seus membros, o “Shin” da nova Corrente Martinista foi formado por vários elementos. A uns atraia o ritual; a outros a solidariedade existente entre os membros da Corrente. A uns, a possibilidade de desenvolvimento interno; a outros, a pureza da transmissão do poder, etc.

O elemento “Vau” além das cerimônias místicas, a unirem os Martinistas, consistia em meditação obrigatória acerca de temas determinados e, facilitando essas meditações, palestras dos instrutores abordando assuntos iniciáticos.

O “Segundo He” consistia numa política, bastante passiva, de aguardar o progresso ético da sociedade, colaborando neste sentido com o exemplo de uma vida em acordo com sua consciência. Muitos círculos Martinistas acrescentavam, a esse modo de viver, um elemento mais ativo, filantrópico ou algum outro. Todavia, estas atividades particulares não de vem ser levadas em consideração numa análise dos princípios Egregóricos.

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#Maçonaria #Martinismo #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/rosacruz-ma%C3%A7onaria-e-martinismo

Para a Destruição e Além…

1- O maior inimigo se esconderá no último lugar em que você procurar.

2- A única maneira de se tornar mais esperto é jogando contra um oponente mais esperto.

3- A primeira regra de qualquer negócio: proteja seu investimento.

4- Não existe uma maneira de se evitar a guerra, ela pode apenas ser adiada dando vantagem a seu inimigo.

5- O único inimigo real que já existiu é aquele que é eterno.

d’O Grande Livro das Regras

 

… e tem aquela do físico que não gostava de colocar açúcar no café. Uma vez perguntaram o por quê disso e ele respondeu que não gostava de mexer o café para não aumentar a entropia do universo. Todo mundo ri. Rufam os tambores. As luzes se apagam e a piada termina. Mas a entropia continua, para sempre.

A entropia é em si um fenômeno curioso. Ela tem uma importância gigantesca a curto, médio e longo prazo, afetando de forma direta a sobrevivência humana no platena, mas não é divulgada e nem conhecida pelo grande público.

Este termo foi usado a primeira vez em 1850 por Rudolf Julius Emmanuel Clausius. Sim ele era físico; sim, provavelmente ele entederia a piada do café e não, com certeza ele não riria dela. A palavra nasceu da união de dois termos gregos “en” – em, sobre, perto de – e “tropêe” – mudança, o voltar-se, alternativa, troca, evolução. Para entendermos para quê o conceito de entropia foi criado vamos dar um rápido mergulho na piscina da física.

A termodinâmica é o ramo da Física que estuda o movimento da energia e como a energia cria movimento. Na prática o que houve é que quando descobriram que podiam usar o fogo para ferver água, e esse vapor de água para movimentar coisas como locomotivas surgiu a necessidade de se aumentar a eficiência dessas máquina a vapor. Assim que começaram a se estudar como a energia do calor se movimentava perceberam que ela respondia a certos padrões e obedeciam certas leis. Por exemplo: toda energia é constante, ela não aparece ou desaparece do nada, apenas se move de um lado para outro e pode ser transformada em outras formas de energia ou em trabalho. O truque então era descobrir como criar um sistema onde energia virasse trabalho e pudesse de quebra gerar energia de novo que pudesse realizar o mesmo trabalho. Imagine criarem uma engenhoca movida a corda, como um relógio. Quando damos corda um prato gira, como uma vitrola, e essa prato faz o dispositivo que dá corda girar. Você não precisaria nunca mais dar corda na engenhoca, ela funcionaria para sempre. Todos estavam empolgados com isso, mas ai tropeçaram na segunda lei da termodinâmica que dizia que “é ímpossível uma transformação cujo resultado final seja transformar em trabalho todo o calor extraído de uma fonte”, ou seja em todo processo existe um desvio de energia que não pode ser recuperada. O universo tem uma quantidade de energia limitada. Essa energia pode ser transformada em outros tipos de energia. Essa transformação é uma via de mão única. Você pode colocar lenha em uma caldeira de locomotiva, tacar fogo nela, gerar vapor que faz a locomotiva andar, mas não pode empurrar uma locomotiva para trás para que o movimento crie vapor e apague o fogo te devolvendo um pedaço de madeira intocado do outro lado.

Esse processo de mudança, essa entropia, tem uma tendência natural de chegar ao seu valor máximo, independente do que façamos com a energia.

Embora em um primeiro instante isso possa parecer um papo que deve deixar os físicos eretos e molhadinhos, o que ele tem a ver com o dia a dia dos seres humanos normais – os não físicos?

Vejamos… energia não se cria nem desaparece, mas se converte, essa conversão não pode ser revertida. Se energia total do universo é constante e a entropia total está em contínuo aumento nós estamos em um universo que se degrada contínua e eternamente.

Vale lembrar que algo que está constantemente em mudança é algo que não tem uma forma definida, não possui uma ordem duradoura. Entropia também é chamada de desordem e caos. E agora, qual a sensação de estar amarrado em um trem desgovernado rumo ao caos total? Seria bem mais divertido se isso se aplicasse apenas a máquinas a vapor.

Recentemente, foi publicado na Europa a tradução atualizada do clássico Enthropy de Jeremy Rifkin, que apresenta a tendência universal de todos os sistemas – incluídos os econômicos, sociais e ambientais – a passar de uma situação de ordem à crescente desordem. Aparentemente as leis da termodinâmica não explicam apenas sistemas onde existe calor em movimento, mas praticamente qualquer sistema, e a conclusão de que o caos se aproxima é a única certeza que podemos ter.

Mas se esse fim da energia e essa degradação são fatos comprovados, por que perdemos tempo com obras de ficção como aquecimento global ou reforma agrária ao invés de focar no que interessa? É simples, nós nos educamos a não enxergar isso.

Conseguimos, depois de séculos, criar para nós mesmos uma visão mecanicista do mundo, onde o progresso é inevitável, querendo ou não. Traçamos uma linha que passa por Descartes, Galileu, Bacon, Newton, Locke e Adam Smith, Einstein, Steve Jobs e termina em nós. Olhamos para trás e temos a impressão que estamos evoluindo e logo todos seremos super-pessoas, mais inteligentes, mais magras, mais felizes, só que isso não é real. A lei da entropia mina a idéia da história como progresso. A lei da entropia destrói a idéia de que a ciência e a tecnologia criam um mundo mais ordenado. Nós nos concentramos apenas no que ordenamos e desconsideramos a desordem que essa ordenação causa. Isso é como fazer uma faxina em casa, ensacar o lixo e deixar os sacos dentro da sala. Quantas faxinas você consegue fazer antes de sua própria casa virar um lixão? Bom, sempre podemos jogar o lixo para fora. Mas e quando nossa casa é nosso planeta? Onde fica o fora? Achar que somos uma espécie em evolução te coloca na lista das pessoas que sofrem da síndrome do avestruz.

E a coisa fica mais interessante pelo fato dessas leis da termodinâmica serem uma lei fundamental, e não é preciso que você seja um Einsten para entender o que Einsten disse:

“Uma teoria é tanto mais emocionante quanto mais simples são suas premissas, mais diversas as categorias de fenômenos a que se refere, mais vasto seu campo de aplicabilidade. Esta é a razão pela qual a Termodinâmca clássica sempre me causou profunda impressão: é a única teoria física de conteúdo universal da qual estou convencido que, no campo de aplicação de seus conteúdos basilares, nunca será superada”

Por causa dessa universalidade as pessoas tentam atenuá-la de duas maneiras: apelando para a estatística (não há certeza de algo, apenas uma probabilidade de que ocorra), ou apenas reconhecendo um significado prático para longos ciclos, previstos para períodos cósmicos de tempo (para que me preocupar com o lixo agora se o ponto crítico só vai chegar em alguns milhares de anos?). Veja, se formos lidar com estatísticas, a chance de um sistema ir contra a entropia é a mesma chance evocada pela famosa imagem de milhares de macacos datilografando em máquinas de escrever e,  ao longo de milhares de anos, um deles por acaso escrever Dom Quixote. Quanto aos ciclos cósmicos, sim eles são reais, tão reais quanto os nossos ciclos, que evidentemente, por serem de dimensões humanas e não cósmicas, ocorrem em períodos de tempo muito mais curtos, ao invés de milênios são décadas. O fato indubitável é que a entropia nos afeta radicalmente.

 

E já que entramos no assunto de tempo, quanto tempo nos restaria até a destruição total?

A visão do ser humano encara o tempo como um progressivo “vir a ser”, e essa visão não poderia estar mais longe da realidade. A entropia é uma inversão do tempo. Imagine um copo cheio de xarope de groselha onde adicionamos lentamente água. A tendência é que o xarope se concentre no fundo do copo e perto da borda ele esteja extremamente diluido, quase transparente. Com a entropia temos um processo parecido, ela cria uma inversão do tempo, ou seja, esse aspecto do tempo pelo qual quanto mais se regride no tempo, mais “intenso” é o tempo. E quanto mais se progride mais “diluído” é o tempo. Na realidade não vivemos em um vir a ser e sim um  deixar-de-ser sem aniquilar-se regressivo, como no caso da faxina em casa vamos acumulando um “entulho de ser”. Físicos como Bernhard e Karl Philbert, já deixaram claro que não só o espaço é função do tempo, mas o próprio tempo é função do tempo. Não podemos pensar num tempo uniforme e linear e separado das coisas, mas num tempo entrópico, que se degrada com o tempo, tendendo assintoticamente ao fim do próprio tempo; ou, como se poderia dizer satiricamente: “o tempo vai morrer com o tempo”. Mesmo que a Bíblia não tenha sido inspirada por Deus, João não errou ao afirmar que “Não haverá mais tempo”, quando escreveu o versículo 6 do capítulo 10 em Apocalipse.

A entropia também explica a aceleração dos ciclos de energia ao longo dos tempos cósmicos, geológicos, biológicos e, mais recentemente, históricos. Sabe quando você pensa que “meu Deus, já estamos no meio/fim do ano, o tempo parece estar correndo cada vez mais rápido”? Isso não é apenas uma sensação e os ciclos históricos mostram de forma clara esse fato. Vejamos o caso da atual crise de energia.

Crises de energia não são um mal apenas do nossos dias. Durante a Idade Média o principal combustível era a lenha. O “ciclo da madeira” começou a entrar em crise no século X e atingiu seu ápice no século XV após mais de um milênio de exploração. Isso deu origem ao ciclo do carvão, afinal as pessoas precisavam de algo para queimar – para aquecer as casas no inverno, cozinhar a comida e fazer suas máquinas a vapor funcionarem. O ciclo do carvão durou 4 séculos, bem mais curto do que o ciclo da madeira. De ciclo em ciclo chegamos no ciclo do petróleo que durará aproximadamente 100 anos – o esgotamento do petróleo está previsto para a primeira metade deste século. E quando o petróleo acabar? Já usamos a madeira, o carvão, o petróleo. Surgirá algo novo para queimarmos?

Diante disso nos vemos em uma encruzilhada trágica. Conhecendo a lei da entropia podemos tomar duas atitudes:

– Nos basearmos em suas consequências e mudar completamente os hábitos de nossa civilização, tentando salvar o que ainda pode ser salvo, criando um processo urgente de desglobalização, seguido pela descentralização necessária da energia;

ou

– Partir para uma super-globalização, estupidamente uniformizadora, que nos lançaria em um ciclo ainda mais complexo, que resultaria em um enriquecimento provisório – infernalmente complexo – para então apresentar uma duração ainda mais curta e, resumindo, esgotaria ainda mais as matérias e recursos do planeta e necessitaríamos de um novo ciclo de forma ainda mais desesperada, e ele seria por sua vez ainda mais curto, cada novo ciclo esgotando de forma mais rápida os recursos do qual se alimenta.

Um paralelo a isto é a entropia orgânica presente em nossa vida e evidenciada pelo envelhecimento. É através do envelhecimento que vivenciamos a morte cada vez mais próxima, o despencar do tempo, e não podemos evitá-la, apenas tornar seu ritmo mais lento.

Quando olhamos para trás, várias “crises” que surgiram se tornam claras: a crescente degradação da terra e sua relação com crises de energia, com o surgimento de epidemias como a vaca louca, a febre aftosa, o aumento de uso de agrotóxicos e todas as outras disfunções de uma agropecuária plantada e nutrida pelo petróleo. Criamos um ciclo vicioso onde a crescente demanda de energia torna sua obtenção sempre mais complicada, custosa e danosa.

Não podemos evitar isso, mas poderíamos tornar o processo mais lento medindo nossa produtividade não pela maior quantidade de bens econômicos produzida num determinado período de tempo, mas sim pela maior quantidade produzida com o menor gasto energético possível de forma que se crie menos lixo. Seria necessário se criar uma ordem que resultasse em menos desordem. Isso infelizmente se mostra uma utopia, mesmo diante dos fatos as áreas desertificadas do planeta crescem, a produção de lixo também. É a entropia em sua melhor forma.

E sinceramente o que você acha mais provável: mudarmos o hábito de toda a população do planeta ou esgotar (também no sentido de tornar esgoto) de vez os recursos planetários para manter os vícios de nossa sociedade de consumo? Leve em conta que toda visão alarmente de um fim eminente de nossa espécie é tratada como um surto paranóico. Mas até então, lembrando-nos do diálogo entre Woody Allen e seu chefe interpretado por Dan Aykroid no filme o Escorpião de Jade:

Chris: Você sabe, existe uma palavra para descrever as pessoas que acham que todo mundo está conspirando contra elas.

C.W.: Eu sei, “perceptivas”.

Mas espere um momento. Leis universais não tratam de como coisas reagem e evoluem no tempo? Como uma lei pode ter apenas um carater destruidor? E se ela é uma lei explicitamente destruidora, por que, durante a história nunca a trataram dessa forma?

Bem, todo mundo, enquanto está vivo e com saúde, mesmo sabendo que um dia morrerá, não sente a morte, assim essa idéia de entropia é algo abstrato demais para ser levado a sério. Mesmo assim ela foi inúmeras vezes captadas por diversas pessoas que a trataram de forma séria. Do “Tempus edax rerum”, – o tempo que consome as coisas – de Ovídio ao “Pela mesma palavra os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo” que encontramos em II Pedro 3:7 percebemos uma visão clara desde os tempos antigos de que este seria um destino do qual não escaparíamos; isso mostra uma compreensão rara e acurada de indivíduos que percebiam uma visão de mundo popular já apontando para o consumismo, tendo seu progresso desmedido como um imperativo ético, criando mais “lixo” do que podemos nos livrar e nos colocando em num beco sem saída. Quantas pessoas hoje em dia abraçariam a visão de um São Francisco de Assis, por exemplo, onde a pobreza não leva à tristeza de perder coisas, mas à alegria de livrar-se de coisas? Muito poucas se é que alguma, já que criamos um sistema que não confere nenhum significado espiritual à pobreza e, portanto, para a própria existência, e torna o supérfulo mais essencial que o essencial. Se o nosso existir se ligou de maneira tão simbiótica ao consumir – e não apenas celulares ou bolsas, mas o consumir a moradia, o alimento não necessário, um veículo maior e melhor, etc. – então de fato a não-disponibilidade de energia esvazia completamente a nossa existência. Como pode ser percebido, por natureza, nós não tentamos evitar a entropia, mas estamos nadando a braçadas largas em sua direção, e tentamos a todo custo evitar percebê-la ou lhe dar atenção quando a notamos.

A nova forma popular de tentar não dar atenção à entropia é a esperança disfarçada de certeza de que estamos prestes a descobrir uma nova e inesperada fonte de energia que reverterá este quadro, e de fato essa fonte salvadora é alvo de inúmeras especulações, infelizmente todas elas no âmbito da ficção científica. São propostas irreais de todo tipo de “soluções”, inclusive a reversão do tempo – outro desejo delirante de negar a realidade entrópica.

Consideremos o fato de que a energia atômica traz algumas complicações sérias – lembre-se de Chernobyl – e entrópicas – a fissão nuclear é algo inviável o que cria como alternativa a fusão nuclear a frio, que é uma maneira elegante de se dizer: criarmos uma máquina de motu perpetuo, a nossa engenhoca que dá corda em si mesma. A única energia disponível não explorada ainda é a solar, mas infelizmente não dispomos de tecnologia adequada: gastaríamos muito mais energia do que a que seria gerada em grande escala, teríamos um o remédio que mata o doente. Ponto para a entropia novamente.

Existem outras propostas como estações de energia eólica ou usinas geotérmicas, mas sejamos realistas: teria havido não uma, mas DUAS guerras ao golfo pérsico nos últimos 20 anos caso de fato houvesse uma alternativa ao petróleo em mãos ou prestes a ser viabilizada? Teorias da conspiração de que a indústria já disponibiliza de tais tecnologias mas pretende espremer as carteiras da população enquanto puderem é apenas outra peneneira usada para se tapar o sol. Tentar driblar a entropia é como se sentar e tentar dispersar o estouro de manada de touros bravos apenas com o pensamento. Se pararmos para levar a sério os princípios da entropia, ninguém deveria – em sã consciência – insistir nessa linha. Infelizmente o mundo não consegue ser tão racional, nem aparenta possuir uma consciência sã.

E o pior é que a entropia não existe apenas no âmbito ambiental do planeta, não diz respeito apenas à ecologia e a recursos naturais. Você já teve que varar a noite se preparando para uma prova e algumas horas após o exame se descobre incapaz de se lembrar de 1/3, sendo otimista, do que estudou? Esse material esquecido não “desaparece do seu cérebro”, ele permanece como lixo cognoscitivo não eliminado. Pesquisas nos Estados Unidos constataram que nossa tecnologia moderna, especialmente nossa parafernália de informática, está criando uma legião de alunos que não apenas não conseguem aprender como desenvolvem uma aversão ao estudo. Outro efeito do nosso desenvolvimento tecnológico é um aumento de doenças mentais em nossa sociedade por parte das pessoas sintonizadas – nosso novo modelo não é mais o animal e sim a coisa. Kant já havia ponderado que quando precisamos pensar seriamente em algo a mera leitura de um jornal se torna um obstáculo. Como encaixar isso na era dos 300 canais a cabo, da internet, de coberturas de competições esportivas simultâneas, noticiários locais, regionais, nacionais e internacionais, tudo isso ocorrendo em paralelo a um bombardeio incessante de propagandas. Goethe resumiu bem nossa era nas palavras do diabo: “Eu sei tudo, mas não sou onisciente”. Sei de tudo, não entendo nada. Em um mundo sem possibilidade de síntese, não há como não perceber a entropia na educação.

Além disso vivemos em um mundo que defende a aniquilação da intuição em favor de um raciocínio exagerado. Especulamos sem intuição, e isto é o equivalente a operar sem energia: temos então a entropia no conhecimento também. Em um mundo que cada dia mais defende a superioridade da pluralidade sobre a unidade vivemos o paradoxo de nunca termos vivido em uma cultura global tão homogênea.

 

Mas e se pudéssemos de fato rever nossos valores de forma a evitar ao máximo a entropia?

Em primeiro lugar deve estar claro que isso seria como iniciar um tratamento estético. Teríamos que mudar habitos e nos submer a tratamentos para o resto da vida, e isso não nos rejuvenesceria, apenas faria com que nosso envelhecimento se tornasse mais lento, mesmo assim não afastaria a morte. Chegaríamos aos 70 anos com aparência de 50 ou 60, mas isso não nos converteria os 10 ou 20 anos que nossa aparência ganhou em anos de vida. Não chegaríamos aos 110 ou 120 anos.

Em segundo lugar devemos ter em mente que precisaríamos de um planejamento extremo: em primeiro lugar deveríamos retornar a um ritmo natural que não conhecemos mais. Deveríamos voltar ao campo, cidades não deveriam comportar mais do que cem mil habitantes e deveríamos nos planejar para atingir uma população mundial máxima de um bilhão de habitantes. O problema é que para isso teríamos que, nos dias de hoje, nos livrar de quase 86% da população mundial e fazer isso não é apenas complicado, é criminoso. A alternativa a isso seria se criar leis de controle de natalidade, mas quanto tempo levaria para que a população começasse a decrescer para um nível sustentável? Nos depararíamos com uma versão assustadoramente real do paradoxo de Zeno: Aquiles, o herói grego, e a tartaruga decidem apostar uma corrida. Como a velocidade de Aquiles é maior que a da tartaruga, esta recebe uma vantagem, começando corrida um trecho na frente da linha de largada de Aquiles. Aquiles nunca sobrepassa à tartaruga, pois quando ele chegar à posição inicial ‘A’ da tartaruga, esta encontra-se mais a frente, numa outra posição ‘B’. Quando Aquiles chegar a B, a tartaruga não está mais lá, pois avançou para uma nova posição ‘C’, e assim sucessivamente, ad infinitum.

Em termos matemáticos, seria dizer que o limite, com o espaço entre a tartaruga e Aquiles tendendo a 0, do espaço de Aquiles, é a tartaruga. Ou seja, ele virtualmente alcança a tartaruga, mas nessa linha de raciocínio, não importa quanto tempo se passe, Aquiles nunca alcançará a tartaruga nem, portanto, poderá ultrapassá-la. Apesar deste paradoxo possuir incoerências: obviamente aquiles alcançará a tartaruga na prática, nossa tentativa de reduzir a população sem extermínios pode se espelhar nele. Digamos que através do controla consciente de natalidade em 300 anos consigamos reduzir a população mundial de 7 para 1 bilhão. Digamos que como foi calculado tenhamos apenas mais 40 anos de petróleo disponível para abastecer nossa indústria, nossa agricultura e nossos carros levando-se em conta a população atual. Será que a redução gradual esticará a vida útil do petróleo tempo o suficiente para que daqui a 300 anos ainda o estejam usando com parcimônia? A resposta é não. Outro ponto é: hoje a China, curiosamente é a nação melhor preparada para o colapso energético que ela mesma ajuda a acelerar. A China foi o único império da História baseado na agricultura, sem nunca ter perdido tal base, seu conselho por anos às nações do terceiro mundo a uma “volta ao campo”, a própria China pós-revolução cultural procurou a modernização evitando o êxodo do campo. Mas hoje, na realidade de nosso país, como poderá uma São Paulo, por exemplo, com seus 17,8 milhões de habitantes, sobreviver sem área rural própria? Para que campo haveriam os paulistas de retornar? E esse mal se tornou mundial não há como prever quais países terão melhores condições de sobrevivência à entropia: o caos será globalizado.

Como afirmou Heidegger: “A filosofia bem como o pensamento e a ação do homem não vão conseguir provocar uma mudança na atual situação do mundo. Nós temos apenas esta possibilidade, através do pensamento e da poesia, de nos preparar para a chegada do deus ou então para a ausência de deus, o fim, que nós na ausência de Deus iremos viver”.

LöN Plo

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/para-a-destruicao-e-alem/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/para-a-destruicao-e-alem/

Copulações Lovecraftianas

Quando criança, eu era atormentado por pesadelos – alimentados, em parte pela minha imaginação fértil, meu fascínio por “monstros”, e por estar exposto à violência pessoal na escola (assim como a violência indireta via tv notícias e fofocas da vizinhança). Quando eu tinha 8 anos, o tio de minha mãe, Henry ensinou-me a acordar dentro do sonho e como usar os meus sonhos como um instrumento para examinar e ajustar a minha relação pessoal com o multiverso em geral. Eu aprendi a fazer valer a minha vontade dentro do meu microcosmo pessoal. Ao enfrentar meus medos personificados pelas vários bichos-papões dos meus sonhos, eu comecei a dançar criativamente dentro de Maya, em vez de simplesmente reagir ao que os outros criaram como se eu fosse um consumidor ou uma vítima do destino. Com a minha nova perspectiva tornando-se mais enraizada, os monstros se tornaram meus amigos ou guias, em vez de predadores ou algozes. As Estranhas interpenetrações do meu corpo pelas geometrias alienígenas se tornaram agradáveis, ao invés de invasivas ou ego-ameaçadoras.

 

Cerca de 2 décadas atrás, eu comecei a trabalhar conscientemente com as energias / entidades dos mitos de Lovecraft. No começo eu me senti como um rato do campo, em um mundo povoado por corujas, gaviões e cascavéis. Mas quanto mais eu insisto em minhas explorações, mais eu venho a perceber que a minha relação pessoal com qualquer energia ou entidade é aquela que é determinado unicamente por mim e pela energia / entidade em questão – independentemente de estereótipos raciais ou ecológicos.

 

Esta reviravolta tornou-se plenamente atualizada para mim durante uma sequência de iniciação do sonho que teve lugar (se a memória não me falha) cerca de 10 anos atrás (conforme o tempo é medido no plano em que escrevo esta nota).

 

Eu fazia parte de uma equipe exploratória a bordo do submarino de pesquisa da Universidade de Miskatonic Grendal no largo da costa submersa de R’Lyeh. Eu estava nu, exceto por tanques de mergulho e cintos de utilidade. Assim como Como eu, todo o resto da minha equipe desfilara, o contramestre entregou a cada um de nós uma bolsa de ombro cheio de preservativos. Naquele momento eu sabia (sem saber como) que Cthulhu estava esperando por nós logo após a câmara de compressão. Eu sabia que, a fim de evitar a impregnação por Cthulhu, eu precisaria colocar um preservativo sobre cada ponta de seus tentáculos, fibras cílios, e todas as outras protuberâncias do Grande Cthulhu que poderiam se estender em meu caminho numa carícia comunicativa ou tentativa de exploração.

 

Para ser honesto, eu estava apavorado. Eu também estava expectante. Eu vinha me preparando para este momento há quase uma década. Mas quando a câmara terminou seu ciclo, & fui expulso, no mar quente iluminado pela lua, eu estava totalmente despreparado para o início de êxtase que se seguiu. Por um lado, eu podia sentir o cheiro. O olfato é o sentido em que eu mais confio para checar o fluxo de energia entre mim e aos outros durante a consciência desperta (o que explica, pelo menos em parte, a minha forte aversão aos fumantes). Até então, na hora do sonho, eu tinha sido privado de meu olfato. Mas agora eu fui inundado com odores que chegavam por todos os lados. Todos eróticos. Todos em êxtase. Todos convidativos. Eu queria mais!

 

A geometria desta gruta submarina me deu vertigem grave – mas não foi totalmente desagradável. (O poder bruto raramente é!) Eu senti como se qualquer desequilíbrio pudesse precipitar minha morte – ou pior. Era como estar em queda livre ao tentar navegar através de uma rotação / ondulando / respiração de casa de espelhos. Tempo dobrando e desdobrando em volta de mim. Cada gesto, cada escolha que fiz abriu novas linhas de tempo / fechando universos inteiros. Cada pensamento meu se realizava instantaneamente. Vontade consciente manifestava-se ainda mais rapidamente. [Ou foi apenas o meu sentido de tempo que se acelerou tanto que eras pareceram-me ser instantes?] Eu abandonar meus tanques de mergulho e descartado o meu saco de preservativos.

 

Eu não aceitaria nada menos do que a união total! Visões de impregnações parasitárias e infestações passaram pela minha mente. Desliguei minha mente momentaneamente para banir a imagem de embriões com tentáculos corroendo minhas entranhas. Enquanto em um estado de não-mente, eu me abria. O cheiro era delicioso. Assim foi a sensação. Eu abandonei meu estado de não-mente, a fim de raciocinar comigo mesmo. Se eu não estava disposto a confiar em meus próprios sentidos altamente desenvolvidos, em quem ou ao que eu poderia confiar meu futuro? Jogando a precaução ao vento Eu nadei em direção ao meu amante alienígena.

 

Cthulhu me acariciava e me penetrou em todos os orifícios possíveis – desde a minha bunda aos olhos, até as orelhas, os poros sobre as plantas dos meus pés. Cada penetração em êxtase / orgasmo / informação. Eu tirei prana diretamente da água do mar carregado erógenamente. Eu não tinha necessidade de ar para respirar. Tornei-me preenchido com a essência e substância de Cthulhu. Por minha vez, eu ejaculei em Cthulhu em um fluxo contínuo durante horas. Dentro de nós cresceram inteligências embrionárias de dimensões híbridas. Da perspectiva de Bill Seibert, ele / Eu / sentimos chegar à maturidade dentro de seu cérebro e dentro de sua coluna vertebral. I [isto é, o ego do Bill] tornou-se consciente da totalidade da consciência dentro de mim / nós. Eu / nós nos tornamos a cria / nossa união com Cthulhu – Ouroboros chupando ovos para fora de minha própria cauda. Auranos é tanto abelhas como pólen.

 

Pelo o que eu sou capaz de perceber, o tempo flui de forma diferente nesse plano em que Cthulhu está acordado e orgasticamente ativo do que o faz no aqui-e-agora. Pela manhã [quando acordei de volta para ao meu corpo humano] eu estava séculos mais maduro do que na noite anterior. No entanto, também mais jovem. No plano físico, eu já não sou muito humano. Meu médico uma vez, brincando, me disse que eu tinha o ECG de um cadáver. Ou de um zumbi. Ele refez meu eletrocardiograma & E o teste foi normal. Meus pensamentos dispersos podem atrapalhar as leituras de ECG e EEG. Meus níveis de açúcar no sangue, níveis hormonais, etc, são mais uma consequência dos meus padrões de pensamento conscientes do que da minha dieta ou quaisquer outros fatores ambientais externos. Os organismos que são parasitas em outros seres humanos vivem de forma benigna na minha corrente sanguínea e sob a minha pele, a não ser quando estou entregando-me a uma noite escura da alma.

 

Se eu parto da ideia de que eu estou afirmando minha vontade no universo, eu vou com toda a certeza encontrar energias / entidades que irão [assertivamente!] Trabalhar comigo para aprimorar a minha vontade. Se eu procurar controlar ou dominar, então vou atender aqueles que procuram dominar-me. Pessoalmente, eu prefiro a interagir simbioticamente com cada ser e cada entidade / energia que encontro. Para mim, a sinergia brincalhona parece muito mais eficaz do que hierárquicas lutas pelo poder emprestadas dos antigos aeons de ignorância dos nossos antepassados e de sua compreensão subdesenvolvida de seus próprios sistemas nervosos.

 

No trato com os Grandes Antigos, Deuses anciãos, tais como com outras energias / entidades, eu nem invoco, nem sou convocado. Pelo contrário, eu me abro para uma experiência consciente de que ele / ela / eles / é o que eu procuro. Às vezes eu estou visitando-os, enquanto em outras eu apenas deixo fluir. Para a maior parte das pessoas, tais distinções são bastante sem sentido, pois existem aspectos de mim que se identificam fortemente com o humano Bill Seibert e outros aspectos de mim que se identificam com essas inteligências – Eroto exóticas que comungam com o humano Bill Seibert. Em um sentido muito real, a minha comunhão / comunicação com essas entidades / energias é contínuo. Invocações rituais trabalham para acentuar minha consciência do que já está em andamento. Meu relacionamento com entidades / energias neste reino é principalmente sexual – ou seja, interpenetração. Eu / nós / eles trocam análogos não-físicos de material genético. Esse intercâmbio não pode [na minha experiência] Ocorrer sem confiança total, cooperação, abertura e êxtase. Neste reino, força [estupro, duplicidade, etc] e outros jogos de poder não só não são produtivos, como parecem ser impossíveis, [para mim, de qualquer forma.

 

A principal ferramenta que eu uso para me abrir para as energias das dimensões Lovecraftianas é o Vève circular trilateral mostrado abaixo. Eu moldei o original de memória após um rápido tour por seu análogo macrocósmico nas costas de Ithaqa, ao sabor do vento, á cerca de 15 anos atrás. Eu adicionei então os rótulos apropriados [nomes] através de meios acadêmicos normais, após a tradução para o Enochiano.

 

Ao longo dos anos, eu vim a perceber que o meu cérebro humano é apenas um apêndice minúsculo da minha mente. Meu cérebro humano é [de fato] incapaz de conter as energias materiais do cosmos. No entanto, a minha mente humana é capaz de interação igualitária ativa com as mais impressionantes entidades / energias que eu conheci até agora. Não para contê-las. Não para controlá-las. Mas, para fundir-se com elas e compartilhar [artisticamente / sexualmente / matematicamente] com elas.

 

A humanidade pode realmente ser muito frágil. No entanto, eu opto por não esconder a minha humanidade. Da minha perspectiva a fragilidade é um dos traços de sobrevivência mais delicados da humanidade! A abertura e curiosidade juntamente com a fragilidade parece engendrar ternura e paciência naqueles que foram alimentando instintos / predileções conscientemente cultivadas. Quando estou no modo exploratório aberto, saúdo e interajo com o desconhecido no decurso de minha exuberância. [Quando eu me sinto incapaz de ser aberto ou exuberante, eu sou um eremita que evita todo o contato consciente com o desconhecido.] Eu não tenho nenhum interesse em jogar jogos de poder com gigantes – Eu nos prefiro transando ou mesmo sendo bobos em vez disso! Se eu ocultar minhas fraquezas, sinto que poderia ser [inadvertidamente] triturada ou consumida durante a brincadeira de amor estridente.

Por Frater AshT-Chozar-Ssaratu, Miskatonic Alchemical Expedition – Trad, Giuliana

Qual o Vevè utilizado para a comunhão com a energias Lovecrafitianas?

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/copulacoes-lovecraftianas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/copulacoes-lovecraftianas/

CreepyPasta

CreepyPasta é o nome que os contos de horror ganharam na geração internet. Surgiram como correntes de email com casos de terror e morte acompanhados de uma ameaça no final que você sofrerá se não repassar e encaminhar. Aqui é o repositório final de todas estas histórias. “Quando uma única pessoa alega ter visto um espírito, é possível que esteja sofrendo de alucinações. Quando o mesmo espírito é visto por várias testemunhas, essa possibilidade fica bem reduzida. Quando as testemunhas são contadas às dezenas, não se pode mais falar de alucinação…”

A Bofetada

Teria eu uns 12 anos, numa ocasião em que fui de visita a uns tios que viviam no Barreiro,
numa quinta chamada Quinta Das Palmeiras, ficava perto do Lavradio. Naquele tempo havia perto dessa quinta algumas salinas, onde eu fui muita vez “gamar” sal para o gasto caseiro, não era muito rsrsrsr

Eu também tinha morado nessa quinta uns anos antes, foi até para a casa que fora dos meus pais, que os meus tios foram viver.

Ia muitas vezes passar alguns dias a casa desses tios, gostava e ainda hoje gosto bastante do Barreiro.

O meu tio Abílio assim se chama, trabalhava na CUF, e havia dias em que fazia serão. Nesses dias a minha tia ia levar-lhe o jantar, ao refeitório que ficava perto do quartel da GNR.

O caminho era pouco ou nada iluminado, na direcção Barreiro Lavradio, naquele tempo tinha á direita o cemitério, á esquerda o posto da GNR, e depois um considerável troço de estrada desabitada, á esquerda as salinas e a quinta ficava do lado direito.

Nessa noite, eu fui com a minha tia levar o jantar, na volta para casa, estava muito escuro
E a minha tia que era e é muito medrosa, ia sempre a olhar para trás. A minha avozinha sempre me ensinou que não se deve fazer isso, porquê? Não sei! Coisas da minha avó. O certo é que ainda hoje, eu nunca olho para trás se vou na rua seja a que horas forem, mas também não sou medrosa.

A minha tia, a cada passo olhava para trás, não se via um palmo á frente do nariz, a noite era escura como breu. E lá ia eu a dizer: – tia não olhes para trás, não é bom fazer isso, mas ela não me dava ouvidos.

Subitamente oiço-a dar um grito. Assustada perguntei o que tinha sido, ao que ela me respondeu que lhe tinham dado uma bofetada na cara. Quem foi? Nunca soubemos, o que sei é que ao chegar a casa, a minha tia, tinha marcados no rosto, os dedos de quem lhe bateu.
Hoje eu pergunto ainda, se estava escuro, nós não víamos ninguém, também não era possível alguém nos ver. Não ouvimos passos, ou qualquer ruído, e com o medo com que a minha tia vinha, ouvir-se ia o som duma formiga a anda no chão rsrsrsr quem poderia ter a mão tão certeira para dar a bofetada á minha tia?

Nunca irei saber

por Lylybety, Portugal

 

Dama de Branco

Há alguns anos atrás eu estive hospedado em casa de amigos e uma das amigas tinha uma linda menina de 8 anos…

Em certa noite estava D. Catarina com uma grande enxaqueca, uma daquelas de doer até os dentes sem cáries ou de doer até os ossos da mandíbula… e nessa noite ela tentava dormir lá pela meia noite e com muita dor, resolveu encontrar forças, se sentar na beirada da cama e orar na sua fé e assim fez…

Alguns minutos depois saiu do quarto e foi até a cozinha mas não havia visto que sua filha havia acordado com seu choro discreto e acompanhou os passos da mãe…que ao chegar na cozinha, foi ao filtro e pegou água para beber, tragando o liquido precioso com vontade de melhoria…Todos foram dormir…

Na manhã seguinte no café da manhã estava D. Catarina com sua filha à mesa e outros amigos dialogando com emoção, ao que a filha lhe fitando os olhos, disse: – Mamãe, ontem na noite vc tava chorando e eu vi quando voce foi até a cozinha beber água mas quem era aquela mulher linda de roupa branca que tava com a mão em cima do seu copo e a sorrir para você???  todo mundo silenciou e D. Catarina encheu os olhos pela emoção da lágrima…

(Ela havia dormido logo em seguida sem perceber a filha que caminhava de meias sem barulho…e como ela estava só na cozinha, houve ai um detalhe de sensibilidade pela visão, em que a filha percebeu a presença espiritual, sempre presente, aos nossos lados)

por Mr. Constantyne

 

Telefonema do além

Outro dia ouvi uma palestra científica a respeito de um caso real acontecido com um famoso poeta brasileiro chamado Coelho Neto, de décadas atrás…

E se comentando sobre morte e vida…fenômenos e dramas familiares, resolvemos postar um resumo dessa história real para que os colegas internautas meditem em comparação aos dias atuais, em que os equipamentos são bem superiores e globalizados.

Ele tinha uma filha que era casada há poucos anos e essa filha tinha uma filha, neta do poeta e era uma família próspera, cética e materialista… mas em certa data, a mulher se deparou com um grande drama em sua vida e não conseguia admitir que seu marido estava nos últimos dias na Terra, portanto, morreu subitamente, deixando a esposa e filha sozinhas na vida e entrou em pane, tendo apoio do pai na medida do possível, diante de sua poesia e letras nobres…

Ela chorava muito a perda do marido e a solidão da pequena Esther, filha do casal…

Mas a vida tem seus choques e suas artimanhas e em menos de um ano de viuvez, perde a filha Esther de forma muito dolorida, entrando em panico, quase a enlouquecer e o pai que era poeta famoso, lamentando tantas dores, gritou ao alto, brigando com Deus suas lágrimas, juntamente com a filha…

Os dias se passaram e uma data de muita reflexão e profunda emoção naquela noite, o telefone do segundo andar toca disparado…a mulher viúva atende quase em tom surdo e para sua surpresa, era a voz da filha que dizia: – Sou eu, não chore tanto mamãe…!!!

Ela dá um grito e naquela demência de horror e de alegria fica feliz em ter a certeza de estar ouvindo a voz da pequena morta, faziam poucos meses…

E assim a filha passou a se comunicar com a mãe, dizendo: – Eu estou bem, me encontrei aqui com minha avó e ela disse que meu pai tá trabalhando em outro lugar e vem me visitar de vez em quando e não morri, apenas to em outra dimensão…em outra fase da vida – a verdadeira vida…

A mãe já acostumada com o fato e feliz evitando tomar mais remédios descontroladamente, comentou com o pai poeta, ao que ele passou mal naquele dia, imaginando a filha estar com problemas psiquicos e um dia o telefone toca em certa hora da noite e ele com muito cuidado pega a extensão do andar térreo e para sua surpresa ouve em bom tom e lágrima nos olhos, a voz da neta e da filha que se emocionava a cada minuto de diálogo…

O poeta Coelho Neto sentiu a emoção da vida em outro angulo, em outra dimensão e isso abalou seu materialismo, abalou seu modus vivendi…

A história se tornou pública e um repórter um dia perguntou se ele havia se tornado mais espiritualista ou se tornado Espírita ou estudioso das filosofias orientais…ao que ele respondeu: ”

– Ápós esses fatos, nunca mais fui a mesma pessoa, porque isso abalou meu materialismo e digo com a certeza de um calculista e pesquisador frio de que a vida continua no além túmulo…”

 

No Escritório

 

Sou funcionário de um banco que presta serviços a algumas empresas de grande porte (seus correntistas). Em uma dessas empresas,eu ficava em uma salinha no térreo, enquanto os funcionários ficavam nos andares acima. Quase todo dia, quando estava sozinho na sala, tinha a sensação de que havia chegado alguém. No começo, quando olhava não via ninguém. Após algum tempo, podia até ver a pessoa. Um homem branco, alto, de traços nobres e sempre com roupa social.

Nunca tive medo dessas coisas, e ficava na minha. Até que um dia, uma funcionária dessa empresa veio falar comigo acompanhada do tal fantasma! Ela parecia não ver o espectro. Demorei alguns segundos para reconhece-lo. Nem pensei em falar com a moça sobre o fantasma, que se demorou um pouco no ambiente, deu meia volta e sumiu da sala andando.

Contudo, não pude disfarçar o meu espanto ao ver “alguém” ao lado da garota. Minha expressão nervosa foi inevitável e a funcionária notou. Ela perguntou o que eu tinha visto. Nunca fui de mentir e falei tudo. Expliquei ainda que tinha a impressão que o homem vinha da sala ao lado, que era como um laboratório cheio de equipamentos.

E quando comentei sobre as características e a fisionomia do fantasma, a moça começou a chorar. Falou que podia ser um funcionário que se suicidou na empresa, jogando-se pela janela do quinto ou sexto andar. Antes de morrer, ele teria ficado por um bom tempo nessa sala ao lado da minha, como se estivesse elaborando o suicídio. Que era colega de trabalho dela; trabalharam juntos…

Não quero dar mais dados para não perturbar os parentes do tal senhor, nem “tumultuar” a cabeça dos descrentes…

Depoimento de P.C. Araújo

 

Homem na Cozinha

Eu durante boa parte da minha vida não acreditei em espíritos, fantasmas ou coisa parecida. Só fui mesmo acreditar por volta de 2001 – 2002 por causa de umas paradas que presenciei.

A minha ex-namorada sempre teve uma mediunidade forte, dizia ver e sentir a presença de espíritos, mas como eu era muito cético na época eu não dava muita bola.

Um dia estávamos no quintal da casa dela conversando à  noite e de repente ela parou, olhou em direção à  porta da cozinha (que estava mais ou menos a uns 5 metros) e disse que tinha um homem parado lá. Eu olhei e obviamente não vi nada e disse pra ela que ela devia ter imaginado e talz, aí ela virou pra mim e disse “Ah é? Entà o olha só para as cachorras.” Ela tinha 3 beagles e quando eu olhei pra elas que foi foda, as 3 cachorras que até momentos antes estavam correndo e brincando, agora estavam paradas como estátuas olhando fixamente para a porta da cozinha. E ficaram assim por uns 2 minutos, depois que minha ex disse que ele tinha ido embora as cachorras também pararam de olhar.

Outra vez foi com ela também mas foi algo mais “light”, estávamos passeando no Jardim Botânico e do nada ela parou e disse que tinha um homem sentado ao lado de uma árvore. Dessa vez não deu pra notar nada, até pq não tinham animais por perto para denunciar, mas como isso já foi após o primeiro acontecido eu nem duvidei e pedi pra gente continuar andando. :angry:

Agora a vez em que eu fiquei com mais cagaço foi sozinho lá em casa. Eu tinha acabado de ir dormir, isso lá por volta das 03:00 da manhã e ouvi alguém entrando no meu quarto. Como nessa época minha mãe tinha insônia e as vezes ia lá pra usar a internet eu logo pensei “Pqp… nem posso dormir direito, já vem minha mãe usar o micro.” Aí já fui levantando meio puto falando que queria dormir só que quando fui ver não tinha ninguém no quarto.

Lá em casa é meio foda, já me falaram que ali tem umas paradas meio pesadas.

Por Ignarius

 

A Casa da minha avó

Meu tio quando tava desempregado morava aqui em casa e dormia no sofa da sala. Ele falava direto que de noite ouvia um barulho na cozinha, como se alguem pegasse um moeda e ficasse tacando no chão, fazendo isso varias e varias vezes. Na hora que ele ia ver o que era, o barulho parava. Outro dia minha prima veio aqui também e ouviu a mesma coisa. Só que ela correu assustada la pra cima chorando.

Uma vez quando minha mãe estava dormindo, ela sentiu como se o teto do quarto tivesse caindo em cima dela e acordou assustada. Até ai tudo bem, podia ser sonho, só que meu pai sentiu a mesma coisa na mesma hora!!! O pior é que ja aconteceu muita coisa estranha aqui (ja mandaram até padre benzer a casa), mas eu mesmo nunca vi nada.

Teve outra também com a minha avó, antes dela se mudar pra minha casa. Ela tava no quintal pendurando roupa, derrepente ouviu um barulho de louça caindo do escorredor (aqueles que eram pendurados na parede). Só que parecia como se alguem tivesse batendo nele, e o barulho não parava. Quando ela entrou pra ver, o barulho parou e não tinha uma única peça caida no chão 😛 No mesmo dia, um parente dela tinha morrido.

 

Lembranças da República

 

Minhas aulas da faculdade tinham de 4 a 5 horas de duração, para ficar mais aceitável passar esse tempo todo na aula alguns professores davam um intervalo. Nesse momento em uma roda de amigos da faculdade começou, não lembro como, esse assunto de assombração. Três das 5 pessoas que estavam la moravam juntos, e contaram que a casa tinha um fantasma no salão de festa que fica no segundo andar da casa. No inicio eu não acreditei, ate porque sempre pressuponho que tudo que me falam de alguma forma não é a verdade.

O que estava acontecendo, segundo eles, era alguns barulhos na casa. Em especial no segundo andar, que sempre fica vazio. Na casa toda havia alguma história de ação paranormal, exceto, por sorte deles, no quarto em que cada um dormia e estudava. Para tentar pegar eles na mentira comecei a perguntar, queria saber o que exatamente estava acontecendo. Um deles, que era o mais sério e responsável de todos, falou que certa vez, enquanto estava sozinho em casa, dormiu enquanto assistia televisão. Para a surpresa dele a geladeira pareceu se abrir e alguem passou pelo sofa onde estava deitado, como estava em estado de semi consciencia achou que era outra pessoa da casa, mas, segundo ele, segundos ou minutos depois ele acordou sozinho no momento que um deles abria o portão da republica.

Tinha outros relatos de sons e afins no primeiro andar, mas não acho necessário contar todos. Mas tem um mais impressionante que merece mais atenção. O segundo andar, era apenas um grande espaço cheio de janelas e uma porta que dava para uma escada que levava ao primeiro andar. Aconteciam festas nesse local algumas vezes, festas que não posso entrar em detalhes no forum. Quando não havia festa na casa o segundo andar ficava praticamente vazio. Entretanto, a tal porta do segundo andar era notadamente barulhenta, mesmo quando fechada. Se estivesse apenas os 4 moradores na casa, dissem eles, a porta não parava de bater. Eu, cético, conclui que a porta fica aberta e batendo, pois tem várias janelas no local. Mas diziam que as janelas dificilmente eram abertas.

Um deles contou que durante o CQC dois deles estavam em casa assintindo televisão, esse era um programa constante nosso: ir la juntos ver CQC e comer pizza. Nesse dia a porta começou a bater. Não parecia batida de vento, segundo ele, pois ela abria devagar e derrepente, como se uma mão empurrasse com força e certa raiva, ela batia forte e seco. Ele foi subindo as escadas para fechar a porta, ele descreveu o momento como se fosse cena de filme de terror, quando o personagem vai checar um barulho sozinho, andando devagar, no escuro e com medo. A porta estava aberta, o que dava uma conclusão obvia: de alguma forma era o vento. Fechou a porta e voltou, minutos depois a porta começa a bater novamente, pelo que foi dito os dois que estavam la ficaram com muito medo. Ele voltou rapidamente no segundo andar para ver se a porta estava aberta, pois ele fechou rápido. Mas estava fechada.

Obvio que não acreditei, eis que chega na faculdade o quarto morador da republica. Ele chega e fala direto: não aquento ficar naquela casa, aquela porta não para. Ou combinaram muito bem ou realmente estavam vendo algo estanho acontecendo, ou acreditavam ver. Tempos depois, conversando com um deles, fiquei sabendo que esses acontecimentos continuavam, mas com menos intensidade. E ficaram sabendo com um vizinho antigo que a cerca de dez anos um avião monomotor caiu naquela casa destruindo o telhado e uma das paredes que existia no segundo andar, no acidente o piloto morreu.

O que escrevi agora é verdade. Mesmo assim não tenho certeza se acredito no que me contaram, mas aprendi a não tomar nenhuma conclusão sem existir provas.

por Estudante

 

Mascarados

 

Eu estava na casa (que na verdade é uma mansão) do meu tio avô com meus primos. Era eu, meu irmão, um primo e uma prima. Na casa, era proibido crianças subirem para o segundo andar porque tinham medo que fizessemos alguma bagunça por lá. Solução? Íamos escondidos. Dessa vez, resolvemos explorar os vários quartos, banheiros e escritórios que haviam lá. É meio dificil de eu contar isso porque aconteceu ha muito tempo, mas eu lembro especificamente da cena… entramos no quarto ENORME do meu tio avô e da minha falecida tia avó para ver como era e tal. Era um quarto rústico, bonito e bem velho, com decorações que poderiam ser comparadas ao Barroco. Foi quando pensamos em ter ouvido alguem subir as escadas. Resolvemos logo nos esconder. Nesse quarto, havia duas portas que levavam para dois closets. Pensamos logo em nos esconder ali. Meu irmão e meu primo correram pra um e eu e minha prima corremos para o outro. Ficamos lá em silencio até sentir que a barra está “limpa”. Mas foi quando eu vi, ou então acho que vi, dois rostos similares a mascaras olhando fixamente para mim. E minha prima jurou ter visto também, foi um coro de gritos que não precisamos expressar em palavras nada na hora. Logo senti que ela tinha visto a mesma coisa que eu. Meu primo e meu irmão sairam correndo também, todos nós fomos para baixo com pavor. Até hoje eu realmente não sei o que foi aquilo. Por mais que tivesse explicado, achavam que era coisa de criança e tal. Mas até hoje tenho a imagem meramente na minha cabeça do ocorrido. Meu irmão e meus primos estavam ouvindo estalos na madeira e sentiram medo também. Pode parecer ridículo, talvez tenha sido algo da minha cabeça, mas o que mais me intriga é que minha prima TAMBÉM viu. Voltamos lá com meu pai e minha tia, mas não havia máscaras e nem nada que pudesser dar a forma da mesma. O que será que foi? Acho que, ou eu e minha prima não batemos bem da cabeça, ou então… eu prefiro não pensar na outra hipótese. Mas eu fico até hoje intrigada com isso. Realmente não sei o que foi aquilo. Loucura? Não sei.

por TaneeShion

Amigo da infância

Todo dia de manha minha mae e minha tia contavam pra minha avó do ” moço legal” q conversava com elas a noite. Cada dia era uma coisa, um dia ele contava historinhas, no outro brincava…
Minha avó foi ficando p da vida achando q essa brincadeira estava indo longe demais e mandou elas pararem, mas o tal moço sempre voltava e no dia seguinte tinha mais historia.

Ate q um dia minha avó deu u msenhor esporro nas nas duas e mandou elas pararaem ,q nao tinha comom ninguem entrar na casa, q isso era coisa da cabeça delas,( até chegou a se preocupar achando q seria um ladrao ou sei la..) mas elas mesmo assim nao paravam.

Até q um belo dia minha tia entra no quarto da minha avó segurando o nada como se estivesse de maos dadas com alguem : Olha aqui mamae, você nao disse q ele nao exisitia? Olha ele aqui!

Minha avó ficou bolada e na hora pegou um album de familia e sentou com minha tia pedindo pra elam ostrar o tal amigo caso ele aparecesse nas fotos. Minha tia apontou pro primo da minha avó q havia falecido ha alguns meses.
Na hora minha avó chamou minha tia pra rezar falando q elep oderia precisar de ajuda e nao podia mais ficar aqui. Explicou q ele havia morrido e tal mas sem meter medo na minha tia dizendo q ele era legal e nao ia fazer mal a elas.

Agora, se ele voltou depois disso ou nao, nao sei.. vou perguntar pra minha mae.

por sweet julie

 

Visita do meu pai

Esta história aconteceu com meu amigo/irmao lammeth. Eu o conheci poucos meses apos a morte do meu pai e eu havia tirado todas as fotos q tinha dele do meu quarto pq nao conseguia olhar pra elas sem chorar. Ou seja, ele sequer chegou a ver uma foto do meu pai.

Uma noite ele foi la em casa consertar algo no meu pc, eu acho, e a luz do quarto ligada refletia pela janela a imagem do meu quarto com os apartamentos vizinhos.

Do nada ele vira e me pergunta: Seu pai era ruivo? Estatura mais ou menos como a minha, meio calvo, cheios de pintas pelo corpo…

Na hora pensei: pqp,sera q esqueci alguma foto em lugar visivel?

Respondi: Sim, pq?

Lammeth( como se fosse a coisa mais normal do mundo): Ah, ta! É q eu acabo de ve-lo aqui!
Na hora gelei e perguntei como e ele disse q o viu pelo reflexo na janela, ele encostado na porta me olhando e quando o meu irmao foi olhar pro lugar mesmo a imagem havia sumido.
Nao fiquei com medo pois sei q meu pai jamais me faria mal, mas na hora deu um arrepio!
Frizando que: ele nunca havia visto uma foto do meu pai!! e ele tb ve coisas vez ou outra!

Caixinha de música

Relato 1

Mina bisavó tinha uma caixinha de musica gigante e quando vc abria tinha uma gueixinha q dançava quando am usica tocava. Quando ela faleceu, minha avó pegou a caixinha e levou pra casa de Petrópolis pra deixar no quarto dela de recordação.

Estávamso todos la e minha irma estava doente, sendo assim ,minha avó a proibiu de ir na piscina ( muita sacanagem, diga-se de passagem)

Sendo assim ,ela fico uem casa sozinha vendo tv enquanto todos estavam pegando sol e lá tem uns coimerciais q nao pegam devidso ao satélite. Dai fica aquele silencio com tela preta. Nesse sailencio ela escutou a caixinha dem usica tocando, pensou q minha avó tivesse subido e foi falar algo com ela… Quando ela chega no quarto a musica simplesmente parou e nao havia ninguem la.

Relato 2

Minha irma ganhou da minha tia um santinho ( só nao me lembro qual) e minha irma inclusive levou na igreja pra benzer com agua benta e preferiu bota-lo numa mesinha q ficava em frente a porta do quarto dela, do lado de fora mas virado pra dentro do quarto.

Toda vez q minha irma saia ou entrava no quarto, olhava pro santo pra ver se ele estava virado na posição q ela botou.

Um dia, ela estava sozinha em casa e tinha ido fazer um lanche na cozinha e voltou pro quarto. Olhou pro santinho e lá estava ele, bonitinho na mesma posicao ,até q ela fechou a porta e foi comer vendo tv e acabou tirando um cochilo.
Nisso ela teve um pesadelo com uma criatura esquisita q tentava fazer mal a ela e o santinho ficava de fora olhando.

Ela virou no sonho pro santo e perguntou: vc nao vai fazer nada? nao vai me ajudar?

E o santo: Nao, pra vc eu viro de costas!
E virou mesmo!

Ela acordou apavorada edepois de alguns minutos resolveu ir la ver o santo q pra surpresa dela tava realmente de costas !!!!

o santo virou sem ela mexer e nessa epoca, nem animal a gente tinha pra alguem dizer q poderia ter sido o bicihinho q pulou na mesa e acabou modificando a posição.

Ela desceu pra portaria com o celular e ligou pro namorado dela na epoca dizendo q nao queria ficar sozinha em casa.
Ela acabou jogando o santo fora.

 

Minha primeira vez

Tinha apenas 3 anos e lembro-me como se fosse hoje…

Todos os dias ao acordar de manhã saltava da minha cama para ir correndo para a cama do meu bisavô Vilas que dormia no quarto ao lado e contava histórias fantásticas. Este pequeno ato era o quanto bastava para eu ficar feliz da vida e o meu bisavô Vilas ficava todo contente.

Não me lembro de ele morrer, segundo a minha mãe eu fui uma semana para a casa dos meus tios para não passar pelo choque de o ter perdido. Penso que como era bastante nova devem ter pensado que o iria esquecer facilmente e nem iria reparar na sua ausência.

Voltei para casa e não sei se no mesmo dia ou no seguinte, quando acordei voltei a procurar o meu bisavô Vilas no quarto dele para mais histórias, mas quando lá cheguei a cama estava vazia, mas não fiquei triste porque o meu bisavô estava lá só não estava na cama estava flutuando como eu dizia, encostado no teto num canto do quarto.

Lembro-me que durante dias metia-me no quarto para falar com ele, ainda me lembro de algumas coisas que disse, mas vagamente.

Um dia a minha mãe reparou que eu estava sempre enfiada no quarto e entrou e deu comigo literalmente conversando com o teto e me perguntou com quem eu falava e eu respondi com o bisavô Vilas.

Segundo ela, apanhou-me mais do que uma vez mas eu só me lembro de uma.

Depois disto não me lembro de mais nada penso que ele a certa altura simplesmente partiu.

Pequena Aranha

 

No hospital infantil

 

Meu nome é Luciana do Rocio , resido em Curitiba , minha profissão na vida real é vendedora , mas nas horas vagas eu gosto de escrever .

Na minha vida , já passei por situações curiosas e um tanto sobrenaturais .

Porém , a situação mais interessante pela qual passei , ocorreu em 1979 , quando eu tinha 5 anos e peguei algumas doenças de uma maneira estranha . Primeiro , eu peguei encefalite , depois vieram se juntar a ela , outras doenças , como : a hepatite e a cachumba .

O Começo

Em casa , numa madrugada , eu passei mal e comecei a vomitar um líqüido verde . Meu pai não estava em casa , pois estava trabalhando . Então , minha mãe pediu ajuda ao vizinho para me levar ao hospital .

Assim , ele nos ajudou e fomos parar num hospital infantil , no bairro Batel , aqui em Curitiba . Deste jeito , fiquei internada lá .Meu quarto era simples , tinha uma cama , uma janela e um sofá para visitas .

Hoje , não me lembro se sentia dor . Só sei que eu tinha uma tremenda vontade de sair daquela cama para brincar .

Todas as enfermeiras me tratavam bem . Até que um dia , uma delas entrou no meu quarto sorridente , arrumou o meu soro e falou :

Bom – dia !

Então , eu respondi :

Bom – dia !

Assim , ela disse :

Meu nome é Cida !
E o seu ?

Deste jeito , eu respondi :

Luciana .

Então , ela indagou :

Qual é o seu maior sonho ?

Desta forma , eu respondi :

Sair daqui e poder brincar .

Assim , ela falou :

Isto você não pode fazer agora .
Mas , há outras maneiras de você sair daqui sem deixar este quarto .

Deste jeito , eu indaguei :

Como assim ?

Então , ela disse :

Através da imaginação , de uma boa história …

Assim , eu falei :

Eu escutei pessoas falando que eu tenho que escutar muitos contos infantis mesmo , pois eu vou para o céu logo … Dizem que eu vou morrer , mas eu nem sei o que é morrer …
Morrer é ir para o céu ?
Morrer é virar anjo ?

Desta maneira , Cida disse :

Eu poderei explicar isto , através de uma história que aconteceu neste hospital .

Então , eu exclamei :

Conta !

Assim , ela contou :

” -Era uma vez , uma menina chamada Sara , ela tinha uma doença incurável e estava internada neste hospital . Todos diziam que esta menina iria morrer .

Um belo dia , Sara estava sozinha em seu quarto neste hospital , quando ela acordou , olhou para o lado e viu uma linda princesa chorando .

Esta princesa era muito bela , pois tinha : cabelos dourados feitos com os raios do Sol do meio – dia ; olhos azuis feitos com o azul do céu da primavera ; pele rosada feita com pétalas de rosas orvalhadas ; asas brancas feitas com penas de cisnes e corpo em formato de violoncelo coberto com uma roupa medieval verde – clara . Em sua cabeça ela carregava uma coroa de diamantes e em seus braços ela carregava uma lira .

Então , Sara ao ver esta maravilhosa princesa chorando , perguntou :

Quem é você ?
Por que está chorando ?
Você é tão bonita !

Assim , a princesa respondeu :

Eu me chamo Morte !
Eu estou chorando porque as pessoas têm uma visão errada de mim . Eles acham que eu sou uma bruxa que veste : capa preta e que carrega uma foice . Mas no fundo eu sou uma princesa !
Eu liberto as pessoas do sofrimento .

Desta maneira , a menina disse :

Eu sinto que você é uma criatura boa !

Deste jeito , a Morte comentou :

Só as crianças e os idosos me entendem !

Então , Sara falou :

Por favor , não chore !
Eu queria tanto sair deste hospital …

Assim , a princesa indagou :

Você quer pegar a minha mão ?
Você quer vir comigo ?

Após isto , a criança exclamou :

Quero !

Então , as duas se deram as mãos e um túnel dourado se abriu no meio do ar .Assim , estas duas almas sumiram no meio deste túnel encantado . ”

Após ouvir esta história de Cida , fiquei encantada . Então comentei :

Que história legal !

Desta maneira , Cida agradeceu e disse :

Obrigada !
Agora , vou aos outros quartos contar mais histórias , mas eu voltarei outro dia .

Depois dela se despedir , fechei os olhos e dormi .

Após três dias , eu estava sozinha no meu quarto , e Cida entrou novamente falando :

Bom – dia !

Então , eu respondi :

Bom – dia !

Deste jeito , ela exclamou :

Tenho mais histórias hoje !

Assim , eu disse :

Hoje eu gostaria de escutar uma história de amor . Mas , não um romance que eu já sei . Pois , eu já conheço : Cinderella , Branca de Neve , A Bela Adormecida , Romeu e Julieta …

Desta forma , a enfermeira falou :

Tudo bem !
Eu contarei uma história sobre o amor de duas estátuas …
E este fato se passou em Curitiba .

Então , eu exclamei :

– Pode contar !

Assim , ela indagou :

Você conhece a estátua do casal desnudo da praça Zacarias ?

Deste jeito , eu respondi :

Sim !

Então , a enfermeira contou :

” – No dia em que colocaram a estátua do casal desnudo na praça Zacarias , no centro da cidade , várias beatas ficaram espantadas com a estátua da mulher , então elas pediram ao prefeito para retirar esta estátua feminina da praça .

Assim , ele colocou a estátua da mulher atrás da prefeitura , que ficava no bairro : Centro Cívico , um tanto distante da praça Zacarias .

Então , muita gente disse que a estátua do homem ficou com saudades da estátua da mulher e que por isto o espírito desta estátua masculina saia de madrugada para visitar a estátua feminina , que estava no Centro Cívico . Minha avô que morava num edifício em frente a Praça Zacarias , disse que numa madrugada , ela estava na janela , quando de repente viu uma neblina branca saindo da estátua do homem , e , que esta neblina saiu em direção ao Centro Cívico . ”

Então , após escutar esta história , eu exclamei :

Que lindo !
As estátuas têm alma ?

Assim , a enfermeira respondeu :

De uma certa forma : sim . Pois , toda a obra de arte tem as vibrações do artista e do material com que ela foi feita .

Após falar , isto , Cida disse :

Agora , irei cuidar de outros pacientes .
Até logo .

Numa outra semana , eu estava sozinha em meu quarto , quando Cida reapareceu novamente e disse :

Bom – dia !

Então , eu falei :

Bom – dia !
Hoje , eu quero escutar uma história que tenha animais !

Assim , ela falou :

Que sorte !
Eu conheço uma história com um cachorro , que aconteceu dentro deste hospital . A história é a seguinte :

” Era uma vez , um menino chamado Rodrigo , ele tinha um cachorro muito inteligente chamado : Rex . Um dia , o garoto ficou doente e foi internado neste hospital . Na sua casa , o cachorro vivia uivando e prestando atenção no movimento dos outros donos . Então , um dia , o pai de Rodrigo , saiu com o carro em direção ao hospital e o cachorro resolveu segui – lo . No meio do caminho o cão se perdeu , mas ele resolveu seguir a sua intuição e veio parar neste hospital infantil . Ele entrou no corredor do estabelecimento , fuçou tudo e empurrou a porta de um quarto . Mas , nele , não se encontrava o seu dono e sim , uma menina , que estava em pleno ataque epilético . Então , o animal latiu , com a intenção de chamar a atenção dos enfermeiros e conseguiu com que a garota fosse socorrida . Assim , ele aproveitou para verificar os outros quartos e finalmente achou o seu enfermo dono , que se derreteu em total alegria . ”

Após , escutar este conto , eu exclamei :

Que boa história !

Então , Cida se despediu e foi atender as outras crianças .

Naquele dia , recebi a visita de um padre , que me cobriu com um manto roxo , me benzeu e rezou uma oração em latim .

Depois , uma outra enfermeira falou que aquilo era uma tal de extrema unção .

Uns dias após isto , uma pomba entrou no meu quarto e ficou me olhando uns segundos e depois voou em direção a janela .

Um dia depois , sai do hospital , entrei no carro do meu padrinho Argeu e em frente a este hospital , vi a imagem de Cida acenando para mim , mas esta imagem , foi desaparecendo aos poucos , como se fosse um fantasma se desintegrando .

Depois , fui direto para a casa deste meu padrinho. Lá eles me colocaram num quarto quentinho e com cobertas felpudas , mas neste quarto havia um quadro de um gaúcho tocando alaúde . Olhei para esta obra e o gaúcho saiu do quadro para tocar para mim . Naquele dia , eu estava com um pouco de febre , não sei se foi a febre que me transmitiu aquela imagem , ou , se havia algo de sobrenatural nela , mesmo .

Depois , voltei para casa e retornei para a minha vida normal , quero dizer , nem tão normal porque tive seqüelas na coordenação motora e em algumas glândulas , mas nada que me prejudicasse muito .

Bem , esta é uma das minhas histórias sobrenaturais que aconteceram na minha vida real .

por Luciana do Rocio, Curitiba

O fantasma do Gari

 

Essa história me foi contada há alguns anos por um tio meu, quando ele trabalhava numa antiga empresa chamada MOORE.

Ele me disse que, certa vez, houve uma festa na empresa (não me lembro o motivo) e todos que trabalhavam na empresa estavam lá. Muita comida e bebida a vontade. Fim de festa. Havia muita sujeira e copos por todo o chão. Então, meu tio estava indo embora e encontrou com um senhor, vestido de gari, com uma sacola de lixo na mão, e um ferro com uma ponta afida pra catar os copos e papéis do chão.

– Boa noite, senhor. – disse meu tio.

– Noite. – respondeu o humilde senhor.

– O senhor vai ter muito trabalho esta noite, né?

– Ahh.. meu filho, ja estou acostumado, nem sinto mais.

– Esta bem, como o senhor se chama?

– Por Favor, me chama de José.

Me tio se despediu do José e foi embora. No dia seguinte, meu tio vai até o segurança da portaria, e pergunta, sobre aquele senhor da limpeza chamado José. O segurança fica com um ar de assustado, e responde:

– Como? Que estranho!! Esse senhor morreu há uma semana atropelado aqui em frente.

 

Lembranças do meu pai

Hoje meu pai esta com 94 anos, e me contou varias histórias que aconteceram na mocidade dele. Aqui vou escrever algumas: um compadre do meu pai chamado GALDINO sempre que ele voltava do trabalho, ele via uma mulher varrendo a frente de uma casa, isso era todos os dias. Um certo dia ele resolveu parar pra conversa com essa mulher, ela sempre de cabeça baixa varrendo, ele desconfiou: por que ela não olha pra mim. Pensou. De repente a mulher levanta a cabeça, e ele pôde ver a face cadavérica da mulher.

NA CIDADE DE LENÇOIS BH, um homem chegou de viagem e não tinha lugar pra ficar, então bateu na porta de uma casa e o dono veio atender, o homem perguntou: posso ficar aqui por alguns dias? Eu cheguei de viagem e não tenho onde ficar. O dono da casa concordou e mandou ele entrar. De repente o dono da casa sumiu. Quando o rapaz estava tomando banho, só ouviu a voz do dono da casa gritando: eu jogo!…Eu jogo!…,Quando o rapaz respondeu: pode jogar. Ele ouviu os barulhos das tabuas caindo, quando ele saiu do banho correndo ele viu um caixão com um corpo seco dentro. Esse rapaz saiu correndo pra rua. E foi informado que naquela casa não morava ninguém e que o dono tinha morrido há 22 anos.

Uma senhora costureira costumava trabalhar até tarde da noite. Um dia ela estava costurando, e chegou um homem pedindo que ela comprasse dele uma cabeça de repolho e insistiu muito. A costureira com dó dele comprou, deu-lhe o dinheiro e pegou o repolho, foi até a cozinha e colocou o repolho dentro da pia. No outro dia quando ela foi ver, o repolho era um crânio.

EM SALVADOR-BH, NO BAIRRO VERMELHO por volta da meia noite as pessoas não saiam de casa, pra não ver o bonde fantasma. Esse fenômeno sobrenatural acontecia sempre no mesmo horário. Era um bonde cheio de fogo, as pessoas que viam do trabalho tarde da noite, corriam pra não o bonde passar. Uma vez aconteceu que um passageiro parou esse bonde, pensando que era comum. Ele subiu e quando foi pagar o cobrador era uma caveira, esse homem saiu gritando pela estrada. Esse fato se passou nos anos 40, o fato é que um bonde incendiou no bairro vermelho, não sobrou um passageiro. Então passou a acontecer essa aparição fantasmagórica.

Essa história é verdadeira, e foram contadas pelo meu pai, que hoje está com 94 anos de idade e conheceu essas pessoas.

 

Brincadeira do Copo

 

Esta é uma história que aconteceu em 1996, com um conhecido de minhas amigas. Trata-se daquela brincadeira do “espírito no copo”, que com certeza todos já ouviram falar, e até se aventuraram a jogar. Essas minhas amigas estavam na casa de um amigo e outras pessoas em comum, e num clima de bagunça, resolveram jogar. Então, segundo a lenda original, como não tinham nenhum copo virgem, o “purificaram” com água corrente e sal grosso, e deixaram secar ao vento. Fizeram o tabuleiro redondo com letras, números, e inscrições sim e não.

Sentaram-se em volta, colocaram o copo virado no centro do tabuleiro, deram-se as mãos, rezaram três “Pai Nosso”, e concentrados fizeram a invocação: “Se há algum espírito neste recinto, que manifeste-se agora!”. Num silêncio mórbido e tenso, eles esperaram… Nada aconteceu. Invocaram novamente: “Se há algum espírito neste recinto, que manifeste-se agora.” – e desta vez continuaram – “Ó alma vagante, nos dê a chance de nos comunicar”.

De novo, nada aconteceu. Neste momento, um garoto de uns 14 anos, não se conteve e começou a rir. O que foi motivo de risada geral. Então, inusitadamente, o copo se mexeu. Todos calaram-se. O dono da casa, assustado, perguntou: “Quem está ai?”. O copo seguiu até as letras formando “assassino”. Congelado de medo, continuou e perguntou:”Quem você matou?”, e o espírito respondeu que “ninguém”. Sem entender muito bem, perguntou novamente: “Então o que quis dizer com assassino?”. E não teve nada como resposta. O tal menino de 14 anos, achando que tudo era uma piada, uma armação do anfitrião, perguntou debochando: “Ai, Seu Assassino, quando é que eu vou morrer? Será que dava pra você ver no calendário ai do além?”. Para surpresa dele e de todos, o copo se mexeu até o “H”, depois “O”, “J”, “E”.

O menino, achando graça, gargalhou e perguntou: “É mesmo? E como que eu vou morrer, hein?”. O copo respondeu: “S-U-I-C-Í-D-I-O”. Ele então começou a ficar irritado, quando gritou: “Vai a merda sua porra de espírito, não vou morrer nem à caralho”, e num acesso de raiva, pegou o copo e o jogou com força pela janela. O apartamento ficava no 10º andar, e a janela dava para uma área vazia do prédio, um extensão do térreo. Então notaram que não houve nenhum barulho de vidro sendo quebrado ao cair.

Todos assustadíssimos foram olhar pela janela, e perceberam que realmente o copo estava intacto. O tal garoto parecia estar enlouquecido com o fato, debruçou-se na janela dizendo que aquele copo tinha que quebrar, que ele vai quebrar….Repetindo enlouquecidamente.

Foi quando seu olhar paralisou-se no copo, ele gritou e jogou-se. Caiu em cima do copo, que desta vez quebrou-se e seus cacos atravessaram seu corpo. Hoje, minhas amigas podem falar abertamente deste caso, mas foi algo que demorou muito para elas se recuperarem. A cena foi realmente muito chocante. Não se sabe o que realmente aconteceu para o copo não quebrar, nem mesmo é claro o que fez o garoto ficar com aquele olhar desesperado segundos antes de se jogar, nem o motivo. É mais um mistério inexplicável. O velório foi feito com o caixão fechado, pois o corpo inexplicavelmente se decompôs muito rapidamente e sua face e peito ficaram totalmente desconfigurados em função dos cacos.

O enterro foi abafado e privado de visitantes. Após o fato, espalhou-se um boato de que o espírito denominado “assassino” era o culpado de um homicídio que ocorrera há muitos anos com um antepassado do menino. A família não se pronunciou. Até hoje poucas pessoas da redondeza tem coragem de jogar a tal brincadeira do copo por temerem o tal “espírito do assassino”.

por Rodrigo Rossi, São Paulo

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/creepypasta/

Abadom

O deus Apollo era o deus solar do céu durante o dia e o Lorde da Morte no mundo subterrâneo durante a noite. Sua última forma se tornou o judeu Appolyon, Espírito do Poço (Apocalipse 9:11).

Apollo-Phyton foi a deidade serpente no Poço do Oráculo de Delphi que inspirou os videntes com vapores místicos de seu mundo inferior. Abaton era a palavra grega para poço, que os hebreus alteraram para Abaddon, que mais tarde se tornou sinônimo do inferno Cristão e o nome dado ao anjo do abismo ou da morte ou do inferno, no Apocalipse, por São João, sendo identificado como o anjo exterminador, no versículo 10-23, capitulo 12 do livro do Êxodo.

Por ser mencionado também, no primeiro capitulo do livro do Apocalipse de João, fizeram-se esforços históricos para mostrar que este texto se aplicava profeticamente a pessoas, tais como o imperador Vespasiano, Maomé e até mesmo Napoleão. Assim o anjo, em geral, era encarado como “satânico”, mas deve-se notar, porém, que Apocalipse 20,1-3 mostra que o anjo com “a chave do abismo” é representante de Deus, vindo do céu, e, em vez de ser “satânico”, ele amarra Satanás e o lança no abismo. Comentando Apocalipse 9,11, The Interpreter’s Bible (A Bíblia do Intérprete) diz: “Abadon, porém, não é um anjo de Satanás, mas de Deus, realizando sua obra de destruição às ordens de Deus.”

Mesmo assim Abadon ainda visto como o chefe dos demônios – gafanhotos , o soberano do Poço Sem Fundo (Judas , 6) e o rei dos demônios no livro do Êxodo, assim esta escrito . “Porque o senhor passara ferindo os egípcios e quando ele vir este sangue sobre a verga das vossas portas, e sobre as duas umbreiras , passara a porta da vossa casa e não deixara entrar nela o anjo exterminador a ferir-vos. “

No hebraico, a palavra ’avad·dóhn significa “destruição” e pode também referir-se ao “lugar de destruição”. Aparece no texto hebraico original no total de cinco vezes, e em quatro das ocorrências é usada em paralelo com “sepultura”, “Seol” e “morte”. (Sal 88,11; Jó 26,6; 28,22; Pr 15,11) A palavra ’avad·dóhn, em todos estes casos, refere-se aos processos destrutivos que resultam da morte humana, e estes textos indicam que a decomposição ou destruição ocorre no Seol, a sepultura comum da humanidade. Em Jó 31,12, ’avad·dóhn designa o efeito prejudicial dum proceder adúltero. Jó declarou: “[Tal proceder adúltero] é um fogo que consumiria até à destruição [‛adh-’avad·dóhn], e se arraigaria entre todos os meus produtos.”

Abaton, também chamado de mundus ou útero da Terra, era um poço real, geralmente colocado sob ou dentro de templos pagãos. Aqueles que entravam nele buscavam a “incubação” ou seja, dormir lá durante a noite em uma imitaçã omágica do sono incubatório no útero, para serem visitados por um incubus, ou espíritos que traziam sonhos proféticos. Sacerdotes novatos passavam por pe’riodos de incubação mais longos para imitar a experiência da morte, enterro e renascimento de dentro da Mãe-Terra. Uma vez iniciados nesta prática, eles buscavam ganhar a prática da oneiromancia (a forma divinatória que funciona interpretando sonhos proféticos).

Sacerdotes Assírios adquiriam poderes similares após uma jornada no Poço. Eles então cobriam o sacerdote com muitas cores, significando a comunhão com a Deusa, sob o nome Onírico de Nanshe. O ritual de enterro e ressurreição como o acima citado é encontrado de maneira idêntica também na vida de muitos sábios. Um deles, o filósofo Pitagórico Tales de Mileto, conhecido como um dos Sete Sábios do mundo antigo, que adquiriu sua sabedoria através de comunhão com a Deusa da Sabedoria em um abaton.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/abadom/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/abadom/

A Prática Vodu

1 – Introdução ao Vodu

Vodu é uma tradição espiritual originada no Haiti durante o período de escravidão colonial francesa. Africanos de muitas linhagens étnicas foram transportados à força para o Haiti, para servirem principalmente como escravos agricultores. Os povos nativos das ilhas, os Taino e os Carib, foram exterminados pelos espanhóis durante as primeiras invasões. Durante este período histórico, europeus da França e de outros países, incluindo deportados pro-Stuart da Escócia, radicaram no Haiti. Devido à tantas linhagens estarem representadas, nenhum culto africano poderia satisfazer todos os participantes, pois a reverência aos ancestrais era muito importante. Entretanto, cada nação tomaria sua vez num encontro. Essa alternância de cultos eventualmente evoluiu para a ordem cerimonial da liturgia Vodu. Durante este período formativo é que foram adotadas também entidades européias pré-cristãs, como Brigid, ou Maman Brigitte na tradição vodu. Também houve uma pequena influência das populações restantes de Tainos e Caribs.

Também há sectos no Vodu, assim como em tantas outras religiões. O primeiro e mais amplamente conhecido é o Vodu Ortodoxo. Nesta seita, o Rito Dahomeano tem posição de primazia e as iniciações são conduzidas com base principalmente no modelo dahomeano. Um sacerdote ou sacerdotisa recebe o asson, um chocalho ritual, como símbolo do sacerdócio. Neste rito, um sacerdote é chamado de Houngan, ou às vezes de Gangan; uma sacerdotisa é conhecida como Mambo.

No vodu ortodoxo, as linhas Iorubás também têm certa proeminência. Outras nações ou linhagens que não a Dahomeana são vistas com menor importância, como subtítulos na ordem cerimonial. Este rito é amplamente representado no Haiti, e concentrado em Port Au Prince e no sul do Haiti.

O segundo secto é chamado de Makaya. Neste rito, as iniciações são menos elaboradas e o sacerdote ou sacerdotisa não recebem o asson. Um sacerdote makaya é chamado de Bokor e uma sacerdotisa é às vezes chamada de Mambo, às vezes de sorcière. Os termos bokor e sorcière são pejorativos no vodu ortodoxo e o termo bokor pode também servir para classificar um especialista em magia maléfica não iniciado, também chamado de malfacteur.

Tais indivíduos não são clericais em qualquer seita. A liturgia makaya é menos uniforme de peristilo ( terreiro ) para peristilo do que a do vodu ortodoxo e há uma ênfase maior na magia do que na religião. Este rito está presente em Port Au Prince e é fortemente representado no Vale Artibonite, no Haiti central.

Um terceiro secto é o Rito Kongo. Como o próprio nome já diz, é quase que exclusivamente representante da tradição do Kongo. A iniciação é baseada no modelo kongo; o sacerdote e a sacerdotisa são ambos chamados de Serviteur. No vodu ortodoxo, um(a) serviteur é apenas o iniciado que serve o Loa (deidade do vodu). Este rito está concentrado perto de Gonaives, no centro do Haiti e um grande festival anual dos Kongo é realizado perto em Sucrie, perto de Gonaives.

Todas estas tradições têm pontos em comum :

– Há apenas um Deus, chamado de Gran Met, o Grande Mestre; e também de Bondye, do francês Bon Dieu, o Bom Deus.

– Há entidades menores, chamadas de Loa (singular). Elas são consideradas acessíveis de imediato através do mecanismo de possessão. Tal estado é considerado normal e natural dentro do contexto duma cerimônia vodu e também altamente desejável, havendo entretanto uma certa etiquette para a mesma ocorrer, que será discutida em lições mais avançadas.

– Todos os ritos empregam orações, cânticos, percussão, roupas específicas e danças durante as cerimônias.

2 – Quem pode participar do Vodu ?

Qualquer um pode participar dos ritos. Não há qualquer requisito de sexo, raça, idade, opção sexual ou origem nacional. Muito menos é pedido para se abandonar crenças e afiliações religiosas anteriores. No Haiti, a vasta maioria de praticantes é também católica romana.

Há vários níveis de participação, é claro, como em quase todas as outras religiões. Uma cerimônia vodu é pública e qualquer um pode entrar no peristilo, ou templo, e observar. Participação na cantoria e na dança são encorajadas. Porque não há qualquer hierarquia centralizada, pagando salário para houngans e mambos, e porque o templo é propriedade privada, é considerada normal uma pequena doação em dinheiro. Este dinheiro é normalmente empregado para pagar os percussionistas, as comidas que são oferecidas aos participantes, para a manutenção do peristilo e dos sacerdotes envolvidos. Isto é freq&utrema;entemente difícil de entender para pessoas criadas em tradições judaico-cristãs, onde padres, pastores e rabinos são profissionais assalariados.

Indivíduos que tenham um grau iniciático podem participar de cerimônias privadas relativas à outros indivíduos de seu próprio grau ou mais baixo. Pessoas com graus mais baixos não podem participar de cerimônias aferidas a graus mais altos porque o conhecimento ali presente é secreto e elas não seriam competentes para lidar com a mesma.

Houve algumas controvérsias nos últimos anos nos EUA sobre afiliação e participação étnica em religiões afroamericanas. Alguns houngans e mambos inescrupulosos enganam estrangeiros desavisados, realizando cerimônias falsas e cobrando taxas exorbitantes. Outros têm um certo entendimento silencioso de que eles não revelarão o conhecimento secreto do Vodu, isto é, informação e iniciação corretas, a pessoas que não sejam pretas e que não sejam haitianas. Entretanto, outros houngans e mambos têm a visão que as pessoas são escolhidas pelos loa, e não de outra maneira, e que qualquer sacerdote que recuse iniciar e treinar um estrangeiro enviado por um loa irá sofrer graves conseqüências. A iniciação requer um período significante de estudo e o compromisso mostrado por um estrangeiro será o suficiente para qualquer sacerdote/sacerdotisa oficiante. Eu inclusive vi um houngan defender vigorosamente seu candidato não haitiano e refutar quaisquer opiniões que invalidassem o iniciante.

Eu ressalvo que o respeito pelos negros de qualquer parte do mundo é imanente às tradições vodu. Nunca devemos esquecer que incontáveis negros foram arrancados de suas terras, estuprados, torturados, castrados e queimados vivos num esforço para erradicar o vodu. O Vodu deu suporte ao ímpeto de resistência à escravidão colonialista e foi combustível para a única rebelião de escravos de sucesso real na América, sendo responsável pela formação da primeira república independente negra americana. Mesmo recentemente na ocupação militar ianque no Haiti, de 1915 a 1934, foi realizado um esforço sistemático para a erradicação do vodu.

Templos foram destruídos, tambores ancestrais sem preço foram queimados e houngans e mambos foram surrados, presos e assassinados.

3 – Nomes e Graus dos Níveis Iniciatórios do Vodu

Há uma série de níveis iniciatórios no vodu ortodoxo, que são atingidos seqüencialmente conforme o indivíduo cresce em conhecimento e permanência na comunidade vodunista. Todos os graus de iniciação estão abertos tanto para os homens como para as mulheres.

Uma pessoa não iniciada que freqüenta as cerimônias, recebe aconselhamento e tratamento medicinal do houngan ou da mambo e toma parte nas atividades do vodu é normalmente chamada de vodunista. Este é um termo geral, assim como cristão ou budista .

Um não iniciado que está associado a um peristilo em particular, freqüenta as cerimônias regularmente e aparenta estar sendo preparado para a iniciação é classificado como hounsi bossale. Hounsi é da linguagem Fon dos Dahome e significa noiva do espírito , embora o termo no Haiti seja utilizado para homens e mulheres. Bossale significa selvagem ou indomado , no sentido de um cavalo selvagem.

O primeiro grau de iniciação confere o título de hounsi kanzo. Kanzo, também do Fon, refere-se ao fogo, e a cerimônia do fogo, também chamada de Kanzo, empresta seu nome a todo o ciclo iniciático. Indivíduos que são kanzo podem ser comparados a batizados numa seita cristã. Numa cerimônia vodu, os hounsi kanzo vestem-se com uma roupagem branca, formam o coro e são prováveis candidatos de possessão pelos loa.

O segundo grau é chamado de si puen, sur point em francês, isto é, no ponto , sobre o ponto . Este termo se refere ao fato de que o iniciado passa por cerimônias no ponto ou apadrinhado por um loa em particular. Essa pessoa é então considerada um houngan ou uma mambo e lhes é permitido o uso do asson, sagrado chocalho emblema do sacerdócio.

Indivíduos que são si puen podem ser comparados a pastores de seitas cristãs. Numa cerimônia eles conduzem orações, cânticos e rituais e são candidatos quase inevitáveis para possessão. Uma vez iniciados como sur point eles podem realizar iniciações de hounsi kanzo e de si puen.

O terceiro e último grau de iniciação é o asogwe. Houngans e mambos asogwe podem ser comparados aos bispos das seitas cristãs, pois podem consagrar outros sacerdotes. Indivíduos que são asogwe podem iniciar outros em kanzo, si puen e em asogwe. Numa cerimônia eles são a autoridade final sobre os procedimentos, a menos que um loa esteja presente e manifesto através do mecanismo de possessão. Eles são também o último recurso quando a presença de um loa específico é requerida. É dito que um asogwe tem o asson , referindo-se à capacidade do asogwe de conferir um outro iniciado com o asson, elevando então o grau deste a asogwe.

Mesmo um houngan ou mambo asogwe deve submeter-se à opinião do houngan ou da mambo que o iniciou, dos que foram iniciados em asogwe antes dele, do houngan ou mambo que iniciou seu iniciador, dos iniciadores deste e por aí vai. Estas relações podem se tornar realmente complexas e há um ponto na cerimônia do vodu ortodoxo onde todos houngans e mambos, sur point e asogwe, participam duma série de gestos e abraços rituais que servem para elucidar e regular estas relações.

LIÇÃO 2

OS ANCESTRAIS

Parte 1 – Os Ancestrais e a Maneira Vodu de Recuperação dos Mortos

Os ancestrais, zanset yo no Creole haitiano, estão sempre com um vodunista. Ele vive, age, respira com a consciência de sua presença. O hino nacional do Haiti começa assim Pelo país e pelos ancestrais, nós andamos unidos…

No interior do Haiti, cada aglutinado familiar tem seu cemitério familiar. As tumbas dos familiares são tão elaboradas quanto possível. Algumas lembram casas nas quais a cripta é subterrânea. As estruturas construídas para as famílias ricas podem até conter pequenas salas de estar, com um retrato do falecido e boas cadeiras. Quando um visitante adentra as terras de uma família para uma visita extensa, a cortesia requer que ele faça uma pequena libação de água nas tumbas para que os ancestrais o recebam bem. Membros da família e convidados podem também, a qualquer momento, fazer uma iluminação . Velas ou fitas de cera de abelha são acesas, colocadas nas tumbas e então uma pequena prece é dita.

Na cidade, a lei requer que se enterre no cemitério da cidade. Novamente, as estruturas podem ser bem elaboradas e grandes cadeados e outros meios de segurança são usados para evitar que violadores de tumbas roubem metais, ossos e outros artigos da pessoa morta.

Os ossos de indivíduos mortos são considerados de grande poder mágiko, especialmente se a pessoa morta fosse um houngan ou uma mambo ou fosse de alguma maneira notável e distinta, para o bem ou para o mal.

Um vodunista é enterrado com uma cerimônia católica romana e uma vigília é feita durante nove dias após a morte. A nona noite é chamada de denye priye, a última prece. Após a última prece, a parte católica do funeral é encerrada.

Em algum ponto, antes ou após a cerimônia católica, a cerimônia de vodu desounin é realizada. Neste rito, as partes componentes da alma e da força de vida da pessoa e o loa primário na cabeça da pessoa são separados e enviados para seus destinos corretos. O desounin de um houngan famoso e altamente respeitado pode ser assistido por centenas de enlutados lamentosos vestidos de robes brancos. É neste momento que o herdeiro de qualquer loa familiar libertado do falecido é normalmente revelado, ficando o indivíduo escolhido brevemente possuído.

Um ano e um dia após a morte do indivíduo pode ser feita a cerimônia mo nan dlo (tirar o morto da água). O espírito da pessoa é chamado através de um vaso com água, que é coada por um lençol branco para um pote de barro limpo chamado govi, onde é ritualisticamente instalado. A voz do morto pode ser ouvida através do govi ou através de uma pessoa brevemente possuída para o propósito. O govi é reverentemente colocado no djevo, ou salão interno do templo.

Algumas vezes o espírito de um ancestral pode retornar por sua própria vontade como um loa Ghede.

Parte 2 – Os loas ancestrais : Baron, Maman Brigitte e os loa Ghede

BARON – O cabeça da família de ancestrais loa é o Baron (barão). Ele é mestre do cemitério e guardião do conhecimento ancestral. Ele tem vários aspectos incluindo Baron Samedi, Baron Cemetiere, Baron la Croix e Baron Criminel. Em todos seus aspectos ele é um loa masculino com uma voz nasal, carrega um cajado ou baton, usa impropérios livremente e se veste de negro ou púrpura. Ele é considerado o último recurso para mortes causadas por magia, porque mesmo se um feitiço trouxer uma pessoa para perto da morte, se o Baron se recusar a cavar a cova , a pessoa não morre.

Baron, com sua esposa Maman Brigitte, é também responsável por recuperar as almas dos mortos e transformá-las em loa Ghede. Baron pode ser invocado para casos de esterilidade e ele é o juiz divino para o qual as pessoas podem trazer seus pedidos, cantando :

Ó kwa, Ó jibile ! 2x (Ó cruz, Ó júbilo !)
Ou pa we m inosan ? (Não vês que sou inocente ?)

O túmulo do primeiro homem enterrado em qualquer cemitério do Haiti, quer a pessoa em vida participasse do Vodu ou não, é dedicado para o Baron (não Ghede) e uma cruz cerimonial é erigida no ponto. Em terrenos familiares no interior, uma família pode erigir uma cruz para o Baron de sua linhagem e nenhum peristilo é completo sem sua cruz para Baron. Baron pode ser invocado a qualquer momento e ele pode aparecer sem ser chamado, tão poderoso é ele. Ele bebe rum no qual vinte e uma pimentas vermelhas foram pisadas, bebida que mortal algum pode suportar. Suas comidas cerimoniais são café preto, amendoim grelhado e pão. Ele dança extraordinariamente banda improvisada e às vezes coloca seu bastão no meio das pernas, representando assim o falo. Baron é um loa muito masculino.

O Festim dos Ancestrais, Fet Ghede, é considerado o final do velho ano e o começo do novo, tal qual na tradição européia Wicca. Quaisquer débitos com Baron, Maman Brigitte ou Ghede devem ser pagos nesta festa. O Baron Criminel canta para seus devedores :

Bawon Criminel, map travay pou ve de te yo, m pa bezwenn lajan ! 2x
Bawon Criminel, Ó! Lane a bout o, map paret tan yo !

Barão Criminal, estou trabalhando para os vermes da terra (pessoas pobres), eu não preciso de dinheiro ! 2x
Barão Criminal, Ó ! O ano terminou, eu aparecerei para esperá-los (para pagarem-me) !

MAMAN BRIGITTE

Maman Brigitte, surpreendentemente para um loa de Vodu, é britânica em origem, descende de Brigid/St. Brigit, a deusa tripla celta de poesia, forjaria e cura. Ela deve ter entrado para o Haiti nos corações dos escravos deportados escoceses e irlandeses. Há uma canção que nós cantamos em cerimônias : Maman Brijit, nan anglete de soti de li, Maman Brigitte, ela é da Inglaterra…” (Eu penso que Brigid era escocesa, não inglesa, mas talvez no Haiti a palavra anglete represente todas as Ilhas britânicas.)

Hoje em dia, Maman Brigitte é considerada esposa do Baron, mestre do cemitério e chefe de todos os ancestrais, conhecidos como loa Ghede. O túmulo da primeira mulher enterrada em qualquer cemitério no Haiti é consagrado a Maman Brigitte e lá é erigida a cruz cerimonial dela. Ela, também como o Baron, é invocada para elevar o morto “, significando curar e salvar os que estão no ponto de morte por enfermidade causada por magia. Aqui está uma canção muito famosa sobre Maman Brigitte cantada em cerimônias de Vodu:

Mesye la kwa avanse pou l we yo!
Maman Brigitte malad, li kouche sou do,
Pawol anpil pa leve le mo (morts de les, Fr.)
Mare tet ou, mare vant ou, mare ren ou,
Yo prale we ki jan yap met a jenou.

Cavalheiros da cruz (os antepassados falecidos) avancem para ela vê-los!

Maman Brigitte está doente, ela se deita de costas,
Muita conversa não elevará a morta,
Amarre sua cabeça, amarre sua barriga, amarre seus rins,
Eles verão como eles ajoelharão.

(Significando, arregace as mangas para se preparar , nós faremos para as pessoas que fizeram este feitiço maléfico ajoelharem-se, implorar perdão e receber o castigo delas.)

Maman Brigitte, como o resto da constelação Ghede é um loa boca-dura que usa muitas obscenidades. Ela bebe rum com pimenta, tão quente que uma pessoa não possuída por um loa nunca poderia beber isto. Ela também é conhecida por passar pimentas haitianas quentes na pele dos órgão genitais do cavalo e este é o teste para o qual são sujeitadas as mulheres suspeitas de falsa possessão . Ela dança a banda sexualmente sugestiva e artística e seu virtuosismo na dança é legendário. Maman Brigitte e Baron são a mãe e o pai que recuperam os mortos e os transformam em loa Ghede e os removem das águas místicas onde eles estavam sem conhecimento da própria identidade, nomeando-os. Há uma canção melancólica sobre a condição das almas nas águas místicas que também é cantada quando um iniciado está preparando-se para o período de exclusão, morte ritual e renascimento do ciclo de iniciação:

Dlo kwala manyan, nan peyi sa maman pa konn petit li,
Nan peyi sa, fre pa konn se li, dlo kwala manyan.

Água manyan de kwala (palavras não creole), naquele país uma mãe não conhece a própria criança.

Naquele país um irmão não conhece sua irmã, água manyan de kwala.

O LOA GHEDE

Os loa Ghede são uma família enorme de loa, tão numerosos e variados como eram as almas das famílias das quais eles se originaram. Desde que eles são todos membros da mesma família, as crianças espirituais de Baron e Maman Brigitte, eles têm todos o mesmo sobrenome – La Croix, a cruz. Não importa outros nomes que eles possam vir a carregar, a assinatura deles sempre é La Croix.

Algum os nomes de Ghede incluem: Ghede Arapice Croix, Brav Ghede de la Croix, Ghede Secretaire de la Croix, Ghede Ti-Charles la Croix, Makaya Moscosso de la Croix; e nomes tristes e degradantes como GhedeTi-Mopyon la de Deye Croix (Ghede Pequeno Piolho de Caranguejo Atrás da Cruz), Ghede Fatra de la Croix (Lixo Ghede da Cruz), Ghede Gwo nan de Zozo CrekTone de la Croix (Ghede Pinto na Buceta Trovão da Cruz) e por aí vai.. Há uma razão para estes nomes estranhos que ficará clara mais à frente.

A vasta maioria de Ghedes é masculina. Ghede pode possuir qualquer um, a qualquer hora, até mesmo os protestantes (para enorme vergonha deles.) No Haiti eu tenho uma amiga que um dia estava observando um grupo de mulheres possuído por Ghede dançando a banda. Ela disse algo como, ” Olhe as prostitutas nojentas, elas não têm nenhum respeito por si mesmas . Naquele mesmo lugar, a Ghede possuiu minha amiga, a lançaram ao solo, prostraram-na e declararam que ela iria se juntar aos ancestrais! Súplicas e intercessões dos familiares finalmente pacificaram o Ghede que prometeu ceder – com a condição de que a mulher e tornasse Mambo! Mambo Delireuse agora pratica em uma área rural próximo del’Artibonite de Riviere Delicada, no Haiti central! Os Ghedes são figuras muito transitivas, existindo entre a vida e a morte, entre os antepassados em Guiné e entre os homens e mulheres vivos do Haiti. Talvez é por isto que eles sejam homenageados a meio caminho da plena cerimônia de Vodu ortodoxa, depois do Rada (Dahomean e Iorubá) e antes do Petro.

O Ghedes vestem-se quase como seu pai Baron – roupas negras ou púrpuras, chapéus elaborados, óculos escuros, às vezes sem uma lente, um cajado ou baton. Eles também dançam a banda, mas eles retêm mais da personalidade da pessoa de quem eles se originaram.

A família de Ghede, incluindo o pai e a mãe, o Baron e a Maman Brigitte, são absolutamente notórios no uso de baixarias e termos sexuais. Há uma razão para isto – os Ghede estão mortos, além de qualquer castigo. Nada mais pode ser feito a eles, assim o uso de profanidades normalmente entre os haitianos um pouco formais são um modo de declaração, “Eu não me preocupo! Eu passei além de todo o sofrimento, eu não posso ser ferido “. Num país onde desrespeito para com figuras de autoridade era até recentemente punido com tortura ou morte, esta é uma mensagem poderosa. Porém, esta profanidade nunca é usada de modo maligna ou abusiva, para amaldiçoar alguém. Sempre é humorístico, até mesmo quando há uma forte mensagem envolvida.

Há algumas canções muito imponentes e dignas cantadas para Ghede, particularmente o mais velho, raciais ou aspectos raiz, como Brav Ghede. Hoje em dia, entretanto, a ênfase está no humor sexual e obsceno promovido pelos loa Ghede. Aqui está uma canção popular cantada para Ghede em peristilos de Vodu e em celebrações públicas:

Si koko te gen dan li tap manje mayi griye,
Se paske li pa gen dan ki fe l manje zozo kale!

Se vagina tivesse dentes, comeria milho assado,
É porque não tem nenhum dente que come pênis descascado !

Da mesma maneira, é dito que um ghede é um ladrão. É verdade que ele se apropria do que quiser de vendedores de rua, mas uma vez que este ceda às demandas do loa, este se limita a pegar um pouco de coco ou de milho de assado. Na Fet Ghede, a maioria dos terreiros cozinham especialmente comida para as centenas de Ghedes que aparece vagando pelas ruas. Aqui está uma canção que uma multidão de Ghedes cantou enquanto iam para a casa de uma Mambo famosa e particularmente generosa da área de Port au Prince :

Ting ting ting ting kay Lamesi,
Whoi mama,
Kay la Mesi gen yon kochon griye,
Whoi mama!

Ting ting ting ting a casa de Lamesi
Mamãe de Whoi,
A casa de Lamesi tem uma porca inteira assada,
Mamãe de Whoi!

FET GHEDE NO HAITI ATUALMENTE

Dois de novembro, Dia dos Mortos, normalmente chamado de Fet Ghede (pronuncia-se guêdei)é um feriado nacional no Haiti. Católicos assistem missa de manhã e então vão para o cemitério, onde eles rezam e fazem consertos nas tumbas de familiares. A maioria dos católicos haitianos também são vodunistas, e vice-versa, de modo que no caminho para o cemitério muitas pessoas mudam de roupas, do branco que eles vestem para ir à igreja para o púrpura e negro dos loa Ghede, os espíritos de antepassados.

No meio da manhã as ruas de Port Au Prince estão atulhadas de milhares de pessoas. Dúzias já estão possessas por um Ghede e suas vozes nasais, piadas obscenas e giros da dança banda os fazem inconfundíveis. Grand Cemetiere, o cemitério principal de Port Au Prince, é lotado por pessoas. Multidões apertam-se ao redor da cruz cerimonial de 8 metros de Baron e da cruz menor de Maman Brigitte. Muitos trazem oferendas de café e rum que eles vertem ao pé das cruzes. Eles também oferecem pão, amendoim grelhado, milho assado e às vezes comida apimentada.

Ocasionalmente uma pessoa, normalmente um Houngan ou Mambo, sacrificam uma galinha ou um par de pombos. As oferendas são rapidamente consumidas pelos mendigos que se amontoam pelo cemitério. Algumas pessoas vendem velas, fitas de cera de abelha e imagens religiosas de santos para representar o Baron, Maman Brigitte e os Ghedes.

Imagine uma Mambo em saias volumosas de negro e lavanda, um babado das mesmas cores, vários lenços de seda amarrados ao redor de sua cabeça e fios de contas ao pescoço dela; ela aproxima-se da cruz de Maman Brigitte com seus hounsis (os que receberam a primeira iniciação.) Ela leva fitas de cera de abelha pegajosa que ela afixa a cada braço da cruz e ao centro. Então ela retira uma galinha preta de seu saco de palha e a passa em cima dos corpos dos hounsis, removendo todas as más influências. Depois da oração, ela mata a galinha rapidamente da mesma maneira que ela faria para uma refeição ordinária. O sangue jorra na cruz e ela doa a galinha a uma mendiga faminta que espera. A Mambo é possuída por Maman Brigitte e profetiza os eventos do próximo ano. Um do hounsis que se comportou mal é castigado com alguns tapas gentis e um que está doente recebe uma receita para um tônico de ervas. Então Maman Brigitte encharca a cruz dela com rum, canta e dança a banda com grande virtuosismo para alegria dos presentes. Alguns momentos depois ela sai da cabeça da Mambo, que ,novamente consciente, recompõe-se a e deixa o cemitério com dignidade extrema.

Pela cidade, no cemitério de Drouillard, onde é enterrado o mais pobre dos pobres, as pessoas do bairro Cite de Soleil, a adoração é ainda mais intensa. Filas de vodunistas de vários peristilos marcham cantando atrás de times de percussionistas, com cada vez mais pessoas sofrendo possessões conforme eles se aproximam do cemitério. Os que permanecem conscientes visitam os sepulcros de amigos e parentes e falam a eles como se pudessem ouvir debaixo do solo.

” Olhe, Papai, ” diz uma mulher, ” eu trouxe comida para você “.

Irmão mais velho, lamenta um homem jovem, ” o Exército o matou, nós achamos seu corpo em pedaços, mas todos eles estão aí, irmão, não estão? Você não tocará os tambores novamente para nós, querido irmão…. Mamãe sente saudades, ela quis vir mas ela está doente. Veja o rum que eu trouxe para você “!

Os loa Ghede varrem o cemitério gritando piadas obscenas e cantando canções obscenas com todo o ar de seus pulmões. Aqui está uma canção popular entre os Ghedes ano passado no cemitério de Drouillard:

Zozo, tone! A la yon bagay ingra, (repita)
Koko malad kouche, zozo pa bouyi te ba l bwe ,
Koko malad kouche, zozo pa vine we l.

Pênis, pelo trovão! Que coisa ingrata, (repita)
Vagina está doente e cansada, pênis não ferve chá para ela,
Vagina doente e cansada, pênis não vem a ver.

Ano passado eu, uma Mambo americana, deixei um peristilo com um Houngan e nossa congregação. O Houngan teve em sua cabeça um Baron poderoso chamado Secretaire de la Croix, mas Secretaire estava recusando-se a possuir o Houngan, porque o Houngan tinha pego algum dinheiro dado para o Fet Gede e tinha usado para seus próprios propósitos. O Houngan foi muito humilhado, e decidiu ir diretamente para o cemitério pedir perdão.

Eu fiz uso de um caminhão, assim nós o enchemos de membros de nosso peristilo e rumamos pelas ruas sufocadas para o cemitério. Nós ficamos presos no tráfego e como esperamos demais, Baron Secretaire de la Croix ficou impaciente e me possuiu!

Até onde me foi falado, havia um carro na pista da contramão, também parado. Secretaire abriu a janela do motorista da pickup e começou a falar com os ocupantes do carro, muito surpreendidos por ver um Baron na cabeça de uma Mambo estrangeira! Duas senhoras muito ricas sentadas na parte de trás do carro foram para quem Baron prestou honra especial.

” Boa noite, senhoras. Baron disse.

” Boa noite, Baron, Papai.” elas deram risada.

” E como estão seus clitóris hoje ? o Baron inquirindo muito seriamente.

Se seus clitóris não estiverem bem, vocês podem me falar e eu direi para esses dois grandes pênis velhos na frente do carro para entrarem em ação!

As mulheres que em qualquer outra circunstância teriam ficado furiosas, riram, como fizeram os dois homens na frente do carro. As velhas apoiaram na janela e responderam ao Baron.

” Nossos clitóris estão muito bem, Papai Baron. Muito obrigado !

E em alguns momentos cessara o trânsito intenso e o Baron me lançou da possessão e me deixou dirigir a pickup até o cemitério e lidar com a vergonha de nossos membros do peristilo rirem histericamente, relatando o incidente para mim!

À noite, cada peristilo faz uma dança em honra de Baron, Maman Brigitte, e dos Ghedes. As pessoas que vêm devem estar todas alimentadas e os loa que aparecem também são festejados com caldeiras de comida especialmente preparadas para eles. A dança segue ao longo na noite, mesmo até a alvorada. O talento artístico dos loa é incomparável e até mesmo não-vodunistas vêm assistir. Então os adoradores exaustos voltam para casa, esperar o próximo Fet Ghede do ano seguinte.

O LWA

Parte 1 – Características Gerais dos Loa

O Vodu é mal entendido freqüentemente como sendo politeísta, sincrético e animista. Estes conceitos errados serão clareados conforme nós discutirmos as características dos loa.

Vodunistas acreditam em um Deus, Gran Met, ou Grande Mestre. Este Deus é todo poderoso, onisciente, mas lamentavelmente ele é considerado algumas vezes distante e destacado de negócios humanos. Ele é não obstante presente na fala diária dos haitianos que nunca dizem “Até amanhã”, sem que somem ” se Deus quiser “.

Os loa são entidades menores, mas mais prontamente acessíveis. À parte de um amor generalizado para com os descendentes de africanos, os loa requerem uma relação mútua com o adorador. Os loa servem aqueles que os servem. Os Loa têm características bem definidas, incluindo números sagrados, cores, dias, comidas cerimoniais, maneirismos de fala e objetos rituais. Então, um loa pode ser servido usando-se roupas das cores do loa, fazendo oferendas de comidas preferidas e observando os dias sagrados para o loa.

Muitos loa são figuras arquetípicas representadas em muitas culturas. Por exemplo, Erzulie Freda é uma deusa de amor comparável a Vênus, Legba é um loa da comunicação comparável a Hermes ou Mercúrio. Estas correspondências, e às vezes pura coincidência, levou os haitianos a comparar aspectos de loa e imagens de santos católicos como eles eram representados em litografias populares. Durante os dias do colonialismo francês, quando a maioria de pessoas pretas no Haiti eram escravas que haviam nascido na África, a adoração dos santos proveu uma cobertura conveniente para os rituais de deuses africanos. Até mesmo o priere Guiné, uma oração longa recitada perto do começo de cerimônias de Vodu ortodoxas, incorporam versos sobre a Virgem Maria e vários santos.

Isto não significa, porém, que os loa foram sincretizados com os santos católicos. Ninguém confunde Ogoun Feraille com São James, o Grande, simplesmente a imagem que é usada. Se São James é invocado, ele é considerado diferente de Ogoun. Embora o priere Guiné incorpore versos sobre santos católicos, ninguém confunde uma cerimônia de Vodu realizada num peristilo com uma missa católica. John Murphy, em seu livro Santeria , propõe simbiose como um termo mais preciso que sincretismo.

Os Loa às vezes são considerados residentes em árvores, pedras ou raramente em animais. Porém, o loa na árvore não é o loa da árvore e cerimônias realizadas ao pé da árvore são dirigidas ao loa, não a qualquer princípio animista de energia vital pertencente à árvore. Os Loa do Vodu manifestam sua vontade através de sonhos, incidentes incomuns e através do mecanismo de possessão. A possessão é considerada normal, natural e desejável no contexto de uma cerimônia de Vodu e sob outras circunstâncias. Lwa que se manifestam por possessão cantam, dançam, contam piadas, curam doentes e dão conselhos.

Parte 2 – Que grupos de loa são reconhecidos ?

Em uma cerimônia de Vodu ortodoxo, seguinte ao priere Guiné e às saudações para a assembléia e à energia espiritual dos tambores e percussionistas, os loa são honrados em seqüência. A sua vez, são oferecidas canções para cada loa e em casos específicos, oferendas de comida ou sacrifícios de animais. Um iniciado tem que memorizar esta seqüência como uma parte do seu treinamento e um Houngan ou Mambo devem poder observar esta ordem quando administrando uma cerimônia. Um mínimo de três canções são cantadas para cada loa e cada canção é repetida pelo menos três vezes.

No rito de Vodu ortodoxo, há três grupos principais de loa : o Rada, o Ghede e o Petro.

Os loa do Rada são principalmente mas não exclusivamente Dahomeanos em origem. Suar cor cerimonial é branca, com a qualificação que loas individuais dentro deste grupo podem ter suas próprias cores. Eles são considerados misericordiosos e em alguns casos tão antigos por serem vagarosos e desprendidos no agir. Os ritmos dos loas de Rada são batidos em tanbou kon, tambores com tiras de madeira que seguram o couro estirado em cima da cabeça de tambor. A pele do tambor maior, o maman, é couro de vaca, o outro de couro de cabra. Os tambores são tocados com baquetas. Esta parte da cerimônia é disciplinada, concentrada, meticulosa e cerebral.

Os loa Rada, em ordem cerimonial, são como segue: Legba, Marassa, Maluco, Aizan, Damballah e Aida Wedo, Sobo, Badessy,Agassou, Silibo, Agwe e La Sirene, Erzulie, Bossu, Agarou, Azaka, o grupo Ogoun (St. Jacques de Ogoun, Ossange, Ogoun Badagri, Ogoun Feraille, Ogoun Fer, Ogoun Shango, Ogoun Balindjo, Ogoun Balizage, OgounYemsen).

Seguindo os loa Rada, vêm a família Ghede incluindo Baron e Maman Brigitte. Não há nenhuma ordem particularde aparição destes loa dentro do seu próprio grupo. Suas cores cerimoniais são o violeta e o negro. O grupo dos Ghede é obsceno e lascivo, e eles provêem boas risadas para segurar o intenso e disciplinado esforço da seção Rada. Os Barons e Brigittes são muito místicos. Os Ghede estão sempre ansiosos para contar piadas e dar conselhos.

Depois do Rada e do Ghede resta uma parte da cerimônia dedicada para os loa do grupo Petro. Estes loa são predominantemente do Congo e de origem ocidental. Sua cor cerimonial é vermelha. Eles são considerados ferozes, protetores, mágikos e agressivo para com os adversários. O ritmo dos loa Petro é batido em tanbou fey, tambores com aro de corda que segura o couro estirado em cima da cabeça do tambor. A cabeça deste tambor é exclusivamente de couro de cabra e é batido com as palmas das mãos. Esta parte da cerimônia é quente, de ritmo rápido e excitante. Os loa Petro, em ordem cerimonial, são como segue: Legba Petro, Marassa Petro, Wawangol, Ibo, Senegal, Kongo, Kaplaou, Kanga,Takya, Zoklimo, Simbi Dlo, Gran Simba, Carrefour, Cimitiere, Gran Bwa, Kongo Savanne, Erzulie Dantor (também conhecida como Erzulie Je Rouge), Marinette, Don Petro, Ti-Jean Petro, Gros Point, Simbi Andezo, Simbi Makaya.

Quando as três repetições da canção final para Simbi Makaya são terminadas, a cerimônia acaba. Às vezes participantes que são especificamente entusiasmados continuarão a cantar canções populares que, embora relacionadas aos loa, necessariamente não são parte da ordem cerimonial. Tais canções são parte da música popular haitiana, feita por artistas haitianos. Uma vez que os participantes estejam satisfeitos, os tambores são deitados e todos vão descansar em esteiras de talos de bananeira até o alvorecer.

Parte 3 – Os loa chamados Djab

A palavra djab no Crèole haitiano é derivada do francês diable (diabo), mas o termo no contexto do Vodu haitiano leva conotação diferente. Certos loa são individuais e sem igual, servidos por só um indivíduo, às vezes uma Mambo ou um Houngan e são considerados quase propriedade do indivíduo. Estes loa não se ajustam facilmente na liturgia de Vodu ortodoxo, em qualquer dos três grupos. Tais loa, e mesmo loa mais comuns, como os loa Makaya, são comumente chamados djab, mas aqui na significação arcaica de espírito, não necessariamente bom ou ruim. A função destes djab é mágika ao invés de religiosa. Um djab é freqüentemente conjurado por um Houngan, Mambo ou Bokor, em nome de um cliente, para entrar em ação agressiva contra o inimigo do cliente ou concorrente do mesmo. Um djab requer pagamento do cliente por seus serviços, normalmente na forma de sacrifício animal regularmente realizado.

Um Houngan ou Mambo que servem um djab são normalmente protegidos de possíveis atos de agressão fortuita pelo djab; geralmente por um garde, uma proteção mágika efetuada esfregando ervas secas especialmente preparadas em cortes pequenos feitos cerimonialmente na pele do indivíduo. O garde é anualmente renovado no solstício de inverno, quando os membros se reúnem para preparar ervas.

As leves cicatrizes do garde formam um padrão peculiar para a sociedade, e podem servir como uma marca identificando membros. Por exemplo, eu tenho em meu ombro esquerdo um garde conferido a mim pelo Houngan Sauvert Joseph que ajudou a minha iniciação. No encontro anual de sua sociedade, eu recebi o garde do djab Kita Maza, um djab protetor afável mas agressivo e a forma da cicatriz, uma cruz dupla semelhante em forma a um jogo-da-velha, é distinguível para Kita Maza e para a sociedade do Houngan Sauvert Joseph.

Djabs também pode ser específicos para um determinado lugar. Nas cavernas de Bodde perto de Trouin no sul do Haiti, acredita-se que resida um djab de nome Met Set Joune, Mestre Dos Sete Dias. Até mesmo se uma Mambo, Houngan ou Bokor sirva este djab em um peristilo localizado em outro lugar, as cavernas permaneceram a casa do djab.

Certos djabs particularmente amorais podem ser invocados, drenar a energia vital de uma pessoa e efetuar seu falecimento. Quando um djab é responsável pela morte de uma pessoa, o dito crèole não é o djab matou a pessoa , mas ao invés, djab la manje moun nan, o djab comeu a pessoa . Isto não significa que a carne da pessoa é comida canibalisticamente pelo Houngan, Mambo ou Bokor possuído pelo djab, somente que o djab consome a força vital da pessoa.

Um Houngan ou uma Mambo ortodoxos estão sob juramento de nunca ferir alguém, embora as invocações de djabs são mais freqüentes no caso de Bokors. Porém um iniciado de Vodu ortodoxo pode invocar um djab e até mesmo dirigi-lo para matar uma pessoa, se a pessoa é uma assassina, um ladrão profissional ou um seqüestrador profissional.

Mambo Marinette invocou uma loa Petro freqüentemente chamada de djab, Erzulie Dantor, e executou o sacrifício de um porco selvagem, à cerimônia de Bwa Caiman em 1794, o que começou a revolução haitiana. Durante a revolução, djabs haitianos eram muito importantes e acreditava-se que conferiam imunidade contra as balas desferidas pelo escravizador francês branco. Até mesmo a morte da maioria dos membros da força expedicionária do Gel. LeClerc devido a febre amarela foi devida ao resultado do trabalho de djabs.

SEU ALTAR E PRIMEIRA OFERENDA AOS ANCESTRAIS

Parte 1 – Construindo um Altar

Pessoas de muitas fés diferentes constróem altares. Até mesmo pessoas que não pertencem a qualquer fé particular podem reservar um canto de um quarto onde eles se sentam e pensam, meditam e rezam, fazem yôga ou tocam um tambor africano. Muitas vezes eles criam altares improvisados que incluem muitos destes objetos – flores, pedras e cristais, símbolos sagrados, fotografias ou imagens dos antepassados do indivíduo ou de personagens importantes, incensos, instrumentos musicais, velas, livros espiritualistas.

Conscientemente ou inconscientemente, quando nós construímos altares nos comprometemos num esforço em abrir a mais enigmática de todas as portas – a porta entre o mundo humano e o mundo espiritual. Um altar é uma representação da mesma porta em termos materiais – o altar é a porta. Quando você se senta na frente de seu altar, você está convidando as forças espirituais do outro lado desta porta para te notarem, te visitarem e agirem sobre você.

Considerando que a maioria das pessoas que moram no Brasil não podem começar a prática desta religião assistindo cerimônias de Vodu, uma das primeiras coisas que se pode fazer é construir um altar. Os altares de Vodu são tão variados quanto os indivíduos que praticam o mesmo. De certo modo, um peristilo é um altar, grande o bastante para os adoradores dançarem ao redor do centro, tocar tambor, executar sacrifícios, sofrer possessão – em resumo, representar cada aspecto do drama cósmico. Dentro do peristilo há áreas dedicadas a um loa específico – a cruz do Baron ou uma barraca de folhas de palmeira para Erzulie. Junto ao peristilo existem salas menores chamadas djevo ou bagi nas quais são mantidos os objetos cerimoniais de uma sociedade de Vodu. Porém, estes objetos que incluem chocalhos sagrados, garrafas vazias para oferendas de bebida, tetes dados durante a iniciação e potes de barro chamados govi, não têm uso algum para quem não seja iniciado. Um modelo melhor é achado no kay myste (do francês caille des mysteres, casa de mistérios). Estas são casas pequenas, freqüentemente não maiores do que 5 a 7 metros, nas quais são construídos altares individuais para cada loa que o dono da kay myste serve . Estes altares incorporam muitos materiais comuns, facilmente disponíveis em todos lugares no mundo. Eles são notáveis por sua individualidade e beleza. Frequentemente são construídos altares no Haiti num chão sujo.

Sua kay myste pode consistir em uma área pequena em seu quarto ou sala, embora o sentimento no Haiti é que não é bom dormir no mesmo lugar com objetos consagrados ao loa, especialmente com uma pessoa do sexo oposto; exceto durante a iniciação, quando o sexo é proibido de qualquer maneira. Você pode separar esta área com uma cortina ou separar um quarto inteiro para o serviço ao loa. As instruções que seguem lhe darão sugestões para construir um tipo de altar muito básico que pode ser então ser elaborado para o serviço a qualquer loa específico que você deseje.

Sugestões para construir um altar básico:

No Haiti, quando um Vodunista deseja fazer um altar em casa para um aspecto determinado de Deus, um santo, ou um loa, eles freqüentemente compram certos objetos religiosos identificados com qualquer princípio que eles queiram servir e então um Houngan ou Mambo monta e consagra o altar. Alguns são feitos por definição em um chão sujo, outros são construídos em plataformas de tábuas ou mais freqüentemente de  concreto.

Aqui está um possível método para montar um altar básico em lugar fechado, sem ser em chão sujo. Adquira um pano branco e lave em água com sua primeira urinada da manhã. Você pode substituir a urina por vinagre. Deixe o lençol secar ao ar livre, ao sol se possível. Cubra sua mesa de altar com ele e então borrife-o levemente com seu perfume favorito. Logo, consiga quatro pedras pequenas que encontre próximas à sua casa, limpe-as deixando-as de molho com sal grosso e enxaguando bem, então coloque uma pedra em cada canto de seu altar. Limpe uma garrafa de vinho, uma tigela de vidro ou outra vasilha e encha de água. Não use metal ou louça – apenas vidro ou cristal. Coloque-a no centro de seu altar e adicione três de porções de anisete ou rum branco assim que você abençoar a água.

É comum no Vodu a prática de batizar objetos rituais, quer dizer, dar nomes a eles. Você pode levar um maço de manjericão e pode ungir o batismo sobre seu vidro de água que agora será uma passagem poderosa para energia espiritual. Você pode nomear quase qualquer coisa apropriado, de maneira fantástica e positiva – Água da Vida ou Gargarejo da Mamãe Que Traz Espírito ou o que quer que seja!

Em um castiçal de vidro, coloque um pouco de terra de próximo da sua casa e uns grãos de sal grosso. Pegue uma vela branca e com algum óleo vegetal puro esfregue do meio até o topo e então do meio até a base. Enquanto você lubrifica a vela, dirija sua energia para suas mãos e ore por consciência espiritual. Ponha firmemente na frente a vela no castiçal e coloque tudo na frente da vasilha de água. Não acenda a vela ainda.

Ao redor do altar você colocará outros objetos de acordo com os princípios divinos que você deseja servir. Um santuário de ancestrais terá imagens de antepassados mortos, o altar de Ogoun terá um machete e um lenço vermelho, o santuário de Erzulie Freda terá flores e jóias, e assim por diante.

Parte 2 – Realizando um Festim Ancestral

Agora que você construiu um altar básico, você está pronto para o primeiro passo na prática do Vodu – reverência aos seus ancestrais. Não importa como tenha feito seu altar, sempre se lembre que é uma porta entre o mundo humano e o mundo dos antepassados e dos loa. Deixe-o empoeirado, deixe que a água fique escura e envelheça, use-o como um local conveniente para deixar chaves e lápis; ignore-o, e você se achará cansado, drenado, azarado e não-inspirado. Trate-o com respeito, mantenha-o imaculado, limpo, visite-o freqüentemente e você será recompensado com crescimento espiritual, energia, vitórias pessoais e coincidências notáveis.

Seus antepassados o amam. Eles virão e o visitarão, aceitarão suas oferendas. Eles o instruirão, protegerão você, lutarão por você e o curarão. Eles lhe trarão mensagens através da intuição e dos sonhos. Obtenha uma foto ou figura de um parente falecido seu cujo amor para com você está além da dúvida. Se você não tem nenhum parente falecido de quem você se lembre bem, ou de sangue ou por adoção, você pode escolher uma imagem de uma pessoa que representa a você sabedoria e amor ancestrais e dê um nome a esta pessoa. Você também pode obter imagens que lhe agradem de antepassados de todas as raças humanas.

Coloque estas imagens atrás da vasilha de água em seu altar, em qualquer tipo de porta-fotos ou prenda-as na parede atrás de seu altar.

Esta parede também pode ser coberta com um pano branco e as imagens fixadas nele. Arrume as imagens até que você sinta como elas devem estar ordenadas. Você pode escolher trabalham com uma imagem ou muitas.

Sente-se na frente de seu altar. Você pode soar um sino pequeno ou pode balançar um chocalho cerimonial para sinalizar o começo de sua meditação. Acenda a vela branca do seu altar e se possível acenda algum incenso de coco ou baunilha. Amarre um pano branco em volta de sua cabeça se quiser. Contemple a água no cálice central. Relaxe e faça qualquer exercício mágiko com o qual você está familiarizado. Respire fundo, em contagem regressiva de dez até zero ou trabalhando com os chakras, tanto faz. Pense em seu antepassado escolhido. Se possível, relembre e visualize cenas do passado no qual você viveu com aquele antepassado. Sinta o amor entre vocês, que os conecta. Imagine o amor que brilha de seu coração como um raio de luz que atravessa a água e vai para a imagem do antepassado. Convoque o nome de seu antepassado em voz alta, repetidamente. Fale para o antepassado que você o ama e que você quer trabalhar junto com ele. É um princípio básico do Vodu que o vivo e o morto trabalham juntos ajudando-se mutuamente.

Quando você sentir a presença dos antepassados, verta no chão um pouco da água três vezes para lhes dar boas-vindas. Faça freqüentemente esta meditação, até que seja uma rotina confortável. Dentro de uma semana ou duas de prática regular e eficaz, você deverá fazer um festim ancestral para oferecer a seus antepassados.

É um banquete que deve incluir comidas favoritas de seus antepassados em vida, com a exceção que a comida não deve ser salgada. Oferendas de ancestrais genéricos (aqueles que você não conheceu vivos) incluem milho grelhado, amendoim grelhado, coco fresco, comidas brancas como pudim de arroz, leite e bolos de massa com farinha.

Coloque cada tipo de comida em uma tigela e coloque uma vela branca entre as tigelas. Podem ser colocadas oferendas de líquidos em copos. Toque cada prato ou tigela na sua testa, coração e área genital e então cheire profundamente a comida (quase encoste-a no nariz). Fale com seus ancestrais, lembre-lhes que eles já foram parte do mundo dos vivos e que um dia você irá se unir a eles. Peça-lhes para afugentar todo mal como pobreza, enfermidade, desemprego, fadiga, discórdia, tristeza. Peça-lhes para trazer a você tudo aquilo é bom, inclusive amor, dinheiro, trabalho, saúde, alegria, amizade, riso.

Acenda as velas, ponha a comida no altar e deixe o quarto. Quando as velas terminarem de queimar, e de preferência na manhã seguinte, pegue a comida e jogue-a fora ao pé de uma árvore grande. Se isso não for possível, ponha-a em uma bolsa de lixo e jogue-a separadamente de qualquer outro lixo. Lave os pratos, tigelas e copos, esfregue-os com sal e separe-os. Não os use para qualquer outra coisa, nem mesmo para refeições comuns, apenas para outro trabalho de Vodu.

Parte 3 – A Experiência de uma Mambo.

Meu primeiro banquete ancestral aconteceu antes de que eu fosse ordenada como uma Mambo. Eu queria que tudo estivesse tão bonito quanto possível, assim eu limpei minha sala primeiro, então meu altar e todos os objetos do altar, cristais, panos do altar, etc. Eu borrifei o altar com perfume e pus velas novas nos castiçais.

Eu fiz tipos diferentes de comida. Havia galinha, arroz e feijão, verduras cozidas e frutas tropicais para meus antepassados africanos; salsicha, batatas cozidas, saurkraut e doces para meus antepassados europeus, amendoins tostados, milho fervido e carne de coco como comida genérica de antepassado. Havia cerveja, rum, leite, suco de fruta – em resumo, tudo eu pude pensar. Todo prato de comida teve sua própria vela. Eu apresentei as comidas e as bebidas para os antepassados, acendi as velas, meditei e deixei o quarto.

Aquela noite, eu tive alguns sonhos muito interessantes. De manhã, eu notei a condição das velas – toda vela foi queimada até o fim – nem uma gota de cera ou um fragmento de pavio permaneceu em qualquer dos pratos. Puxa , eu pensei, esses antepassados realmente deviam estar famintos! Eu recolhi a comida e coloquei tudo ao pé de uma árvore perto de um rio. Enquanto eu caminhava para casa, eu pensei, qual de meus ancestrais ou loa virá me ajudar agora ?

Era um dia bonito de primavera e eu estava caminhando só em uma estrada rural. Um pequeno fusca amarelo estava passando e buzinou. Eu pensei que a pessoa devia estar perdida e queria indicações, mas assim que olhei, não havia motorista no carro! Instintivamente eu notei a placa – 125 LOA !

Agora, você poderia pensar que alimentar e servir 125 loa deixaria minha conta do supermercado enorme. Mas de fato, a parte de cerimônias maiores, os serviços regulares para os antepassados consistem de um pouco de comida no jantar de segunda-feira, libações ocasionais e a observância correta do Festim dos Mortos (Fet Ghede) a cada 2 de novembro.

Tradução: Michelle Valentim, Autor(a) desconhecido(a)

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-pratica-vodu/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-pratica-vodu/

Principia Alchimica – Financiamento Coletivo

Dia 04/02 começa o Financiamento Coletivo dos livros de alquimia e Jornada da Alma.

Dos mesmos editores de Kabbalah Hermética, da Enciclopédia de Mitologia, dos Livros Sagrados de Thelema, do Tarot Hermético e dos Livros Essenciais da Cabalá.

Um projeto de Cinco Livros relacionados com a alquimia e a transformação do Ser.

https://www.catarse.me/Principia_alchimica

Principia Alchimica – Da colheita do orvalho ao ouro, o objetivo desta obra é explicar de forma simples e praticável todo processo da alquimia. Trata-se de uma metodologia para a ascensão, ou seja, uma forma de transformar seu eu cotidiano em uma condição mais elevada. Como resultado desta metodologia surge uma nova condição superior de vida física, emocional, intelectual e espiritual. A Alquimia e sua busca pela Pedra Filosofal – cuja receita está neste livro – pode ser entendida como uma metodologia para a expansão da consciência. Aqui toda sua simbologia clássica é esclarecida de maneira definitiva como uma metodologia objetiva e eficaz para a expansão da consciência e dos poderes que surgem com ela. Escrito por Thiago Tamosauskas.

Teodiceia Psíquica – A Alquimia e transformação da alma pelo ponto de vista Martinista. Os princípios psíquicos do bem e do mal no paradigma Junguiano e sua discussão no Midrash judaico-cristão de Martinez de Pasqualy. Escrito por Ivan Corrêa.

Ivan Corrêa, Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos Junguianos do Programa de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é psicólogo formado pela PUCSP, estudioso da psicologia junguiana e atua em clínica na cidade de São Paulo. Há anos, dedica-se à pesquisa da mística religiosa do Ocidente, com especial ênfase naquelas tradições que a história teve como heréticas, transitando principalmente entra os mitos gnósticos e herméticos.

O Tarot Egípcio + Deck com 22 Arcanos – Publicado originalmente em 1929, este pequeno tratado explica os Arcanos do Tarot pela visão de R. Falconnier. Traduzido por Rafael Daher e as imagens das lâminas originais de 1929 transformadas em um deck jogável de Tarot pelas mãos de Rodrigo Grola.

LeMULgeton: Os Espíritos Estelares Babilônicos – Publicado originalmente pela editora “Fall of Men” por Leo Holmes. Ao longo das páginas deste trabalho, o autor relaciona o Lemegeton e Mul.Apin (um compêndio babilônico que lida com muitos aspectos diversos da astronomia e astrologia babilônica), atribuindo os Espíritos Goécios às Constelações Sumérias (que incluem estrelas e planetas)

A Sorte do Coveiro – O Coveiro foi um marido zeloso, um pai presente e um professor dedicado. Porém, após um golpe impiedoso ele passa a contestar a ventura dos vivos. Desnorteado, rejeita o fio de existência que lhe resta e se volta completamente para uma busca sinistra. Neste caminho, encontra uma entidade misteriosa conhecida como “O Psicopompo” que passa a figurar como seu mentor. É o desaparecimento de um corpo no cemitério, entretanto, que finalmente dispara uma série de acontecimentos que levará o Coveiro ao confronto final consigo mesmo e com sua sorte.

“A Sorte do Coveiro” é um romance angustiante adornado de elementos fantásticos e macabros. O cemitério é o palco principal do desenrolar da história permeada por elementos de magia e de tradições espirituais do Novo Mundo. Nestas páginas, descortina-se uma narrativa que passeia entre os mundos visível e invisível e que fará o leitor se confrontar com sua própria jornada rumo à sepultura.

Eduardo Regis é praticante de vertentes da tradição esotérica ocidental e ougan de Vodou Haitiano. Ele escreve regularmente no site “Espelho de Circe” e também no site da OTOA-LCN Brasil, onde assina como Frater Vameri. Além disso, é um dos coordenadores do Grupo de Estudos de Espiritualidade Haitiana – Gedeh, em colaboração com o “Espelho de Circe” e com o Instituto Pretos Novos. Ele já publicou contos em antologia e revistas e está trabalhando em livros de religião e magia! “A Sorte do Coveiro” é seu primeiro romance.

Você pode acrescentar qualquer um dos Livros cima ao Apoio, ou uma combinação deles, com um preço promocional e sem precisar adicionar nada ao valor do frete!

– POSTERS da Árvore da Vida + Lamen Rosacruz (+ R$ 30 o conjunto)

– POSTERS de Hermetismo (6 Posters do FC do livro de Kabbalah) (+ R$ 60)

– LIVRO DOS SALMOS (+R$ 60,00): o “Schimmush Sepher Tehillim – Usos mágicos dos Salmos”, faz parte de um Grimório medieval chamado 6° e 7° Livros de Moisés.

– KABBALAH HERMÉTICA (+R$ 250,00) – O melhor trabalho de Kabbalah Hermética já produzido em português. Em suas quase 700 pgs coloridas e ricamente ilustradas, o autor, Marcelo Del Debbio, detalha todos os aspectos da Árvore da Vida, História da Arte e religiões comparadas. Uma obra-prima.

– ENCICLOPÉDIA DE MITOLOGIA (+R$275) – Com 8500 verbetes e 1200 ilustrações, totalmente colorida e capa dura, é o maior e mais completo livro de mitologia comparada em língua portuguesa.

– LIVROS SAGRADOS DE THELEMA (+R$ 175,00) – Coletânea em alta qualidade dos 15 libers mais importantes da Thelema. Edição bilíngue Inglês/Português.

– LIBER 333 (+R$ 60,00) – nas palavras do próprio Crowley: “Esse livro lida com muitos assuntos em todos os planos da mais alta importância. Ele é uma publicação oficial para Bebês do Abismo, mas recomendado até mesmo para iniciantes como altamente sugestivo”

– RPGQUEST (+R$ 275,00) – Um Jogo de RPG/Boardgame baseado na alquimia e na Jornada do Herói. Crie um mundo de Fantasia Medieval com Grandes Desafios e viva uma Campanha Épica de RPG em uma tarde! (versão completa com todas as metas conquistadas no FC).

– RPGQUEST Dungeons (+R$ 275,00) – Um Jogo de Dungeon Crawler baseado nos Túneis de Seth e na Jornada do Herói.

– AS AVENTURAS DE LILITH (+R$ 35,00) – Um livro infantil com a Jornada Iniciática mais antiga da história. Detalha de uma maneira simples as virtudes e defeitos planetários e a jornada da Deusa Lilith através do Mundo Subterrâneo.

– AS AVENTURAS DE ISIS (+R$ 35,00) – Conheça as Aventuras de Isis e Osíris. escrito em uma linguagem simples para crianças. Ideal para presente de natal para crianças que gostam de Mitologia e Aventuras!

– AS AVENTURAS DE HÉRCULES (+R$ 35,00) – Os Doze Trabalhos de Hércules narrados sob a perspectiva do hermetismo. Cada Trabalho é uma tarefa que nós mesmos devemos resolver em nossas vidas para nos aproximarmos de nossa Verdadeira Vontade. Escrito na forma de um livro infantil.

– PEQUENAS IGREJAS, GRANDES NEGÓCIOS (+R$ 175,00) – Kit Pastor com todas as 360 cartas do FC. Um engraçadíssimo Cardgame no qual os jogadores devem representar pastores picaretas e igrejas caça-níqueis com o objetivo de arrecadar o máximo possível em cima da fé alheia enquanto tentam tirar seus oponentes da jogada com acusações absurdas (versão completa com todas as metas conquistadas no FC).

O Frete será calculado e pago apenas quando o Projeto for finalizado. Existem várias razões para isso: a primeira é que ele ficará mais barato 13% pois não teremos de incluir as taxas de FC, a segunda razão é que não sabemos ainda o peso de todas as metas e presentes liberados no decorrer do projeto. Também existe a possibilidade do Mundo voltar ao normal e organizarmos uma confraternização onde os apoiadores poderão pegar seus pacotes pessoalmente. No final da Campanha será enviado email para confirmação dos endereços de envio.

Se conseguirmos os valores estipulados, conseguiremos imprimir 300 Exemplares de cada título e enviar os livros para todos os apoiadores mas, conforme as Metas vão sendo batidas, todos os apoiadores ganham presentes da Editora.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/principia-alchimica-financiamento-coletivo

Anatole France

Jacques Anatole François Thibault adotou o pseudônimo de Anatole France porque seu pai, um livreiro em Paris, chamava sua loja de “Librarie de France”. Desde muito jovem, Anatole foi um leitor insaciável. Sua primeira coleção de poemas, “Poemas Dourados”, foi publicada em 1873.

Por 20 anos France ocupou diversos cargos, mas sempre com tempo para seus escritos, especialmente durante o período em que trabalhou como bibliotecário no Senado, de 1876 a 1890. Sua obra literária é vasta, embora seja conhecido principalmente como romancista e contista.

Em 1875 France escreveu uma série de artigos de critica literária para o jornal “Le Temps”. Começou sua coluna semanal no ano seguinte. Esses textos foram publicados de 1889 a 1892 em quatro volumes, como “Vie Literarie”.

Influenciado pelo racionalismo radical de inspiração humanista, France condenava as formas de dogmatismo e especulação filosófica. Seu estilo apresenta um tom de ceticismo urbano e hedonismo. Essa visão da vida aparece explicitamente em “O Jardim de Epicuro” (1895). Seu primeiro grande sucesso foi “O crime de Silvestre Bonnard” (1881), premiado pela Academia Francesa, da qual France tornou-se membro em 1896.

France se casou com Valérie Guérin de Sauville em 1877. A união terminou em divórcio em 1893, devido a sua ligação com Mme Arman de Caillavet (Leontine Lippmann), o grande amor de sua vida e promotora dos seus livros através de suas amplas relações sociais.

Em 1888 France publicou “O livro do meu amigo” um tipo de romance autobiográfico, que continua com “Pierre Nozière” (1899), “Le Petit Pierre” (1918) e “La Vie en Fleur” (1922).

France foi de encontro ao naturalismo de Zola. O período da transição do paganismo ao cristianismo era um de seus temas favoritos. Em 1889 lançou “Baltasar” e, no ano seguinte, “Thais”, a história da conversão de uma cortesã de Alexandria durante o início da era cristã.

Em 1893 France publicou “A Rotisseria da Rainha Pédauque”, um retrato da vida no século 18. A figura central da novela, Abbé Coignard, reaparece em “As opiniões de Jérôme Coignard” (1893) e na coleção de histórias “O Poço de Santa Clara” (1895). Com “O Lírio Vermelho” (1894), uma história trágica de amor, France retornou a um assunto contemporâneo.

Com o tempo France tornou-se cada vez mais interessado em questões sociais. Apoiou Émile Zola no caso Dreyfus; no dia seguinte à publicação do “J’accuse”, assinou a petição que pedia a revisão do processo. Devolveu sua Legião de Honra quando foi retirada a de Zola. Participou na fundação da Liga dos Direitos do Homem.

Anatole France filiou-se ao Partido Comunista no início dos anos 1920. Foi laureado em 1921 com o Prêmio Nobel de literatura pelo conjunto da obra. No ano seguinte a Igreja católica pôs sua obra no “Índex” por criticar a sociedade e a Igreja. Os trabalhos reunidos de Anatole France foram publicados em 25 volumes entre 1925 e 1935.

Seus trabalhos incluem a biografia “Vida de Joana d?Arc”, “Os Deuses têm Sede”, “A Rebelião dos Anjos”, “A Ilha dos Pingüins”, “O Artista”, “Axis Mundi”, “O Cristo do Mar”; “Marguerite” e “Missa dos Mortos”, entre outros.

Frases de Anatole France:

A religião prestou ao amor um grande serviço, fazendo dele um pecado.

Duvidemos até mesmo da própria dúvida.

Com que direito os deuses imortais rebaixariam um homem virtuoso ao ponto de o recompensar?

O mal é necessário. Da mesma forma que o bem, tem a sua nascente profunda na natureza, e um não poderia exaurir-se sem o outro.

Em matéria de propriedade, o direito do primeiro ocupante é incerto e pouco seguro. O direito de conquista, pelo contrário, assenta em fundamentos sólidos. Ele é respeitável porque é o único que se faz respeitar.

Definem-nos o milagre: uma derrogação das leis da natureza. Não as conhecemos; como saberíamos que um fato as derroga?

As mulheres e os médicos sabem bem como a mentira é necessária aos homens.

O trabalho convém ao homem, (…) evita que ele olhe para esse outro que é ele e que lhe torna a solidão horrível.

Os homens animados por uma fé comum nada têm feito mais depressa senão exterminar aqueles que pensam de modo diferente, sobretudo quando a diferença é muito pequena.

O que os homens chamam de civilização é o estado atual dos seus costumes e o que chamam de barbárie são os estados anteriores. Os costumes presentes serão chamados bárbaros quando forem costumes passados.

Chamamos perigosos àqueles cujo espírito é diferente do nosso e imorais aos que não têm a nossa moral.

Nada estraga tanto uma confissão como o arrependimento.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/anatole-france/