O Ceticismo e o Pseudo-ceticismo

Embora as estatísticas mundiais apontem o ceticismo com um percentual bastante modesto em relação aos seguidores de religiões e organizações espiritualistas, a idéia que se tem ao abrirmos páginas de sites e blogs da internet é de que os céticos são maioria no planeta.

O ateísmo representa em torno de 2.5% da população mundial e segundo especialistas está em baixa, mostrando índices cada vez mais insuficientes. Normalmente os ateus se classificam como céticos por que o epíteto lhes serve de fórmula tácita abrangente aos seus protestos, englobando uma seqüência de posições antagônicas aos religiosos e aos demais seguidores de crenças. A presença mais vigorosa em seus argumentos é justamente a visão elitista que lhes confereria as ciências. Julgam oferecer ao mundo todos os necessários respaldos científicos em todas as respostas de discussões sobre a irracionalidade da existência de um Criador.

Os blogs e sites pululam na internet trazendo uma visão agressiva e estereotípica do ceticismo. O que os céticos procuram transmitir é que os estudiosos das ciências sabem a verdade, sabem que Deus realmente não existe, que as religiões são e sempre foram um mal para a humanidade, e os esotéricos, místicos e espíritas são todos uns alienados e ignorantes.

Há, no entanto, blogueiros mais lisos. Fingindo-se democráticos, dizendo-se entender todas as opções de correntes da religiosidade, desejam, em realidade, ver engrossadas suas colunas de debates e aumentados os seus links, pois se contradizem a todo instante ao escrever ou anexar artigos ora indutivos ora de cristalino entendimento contra a inteligência de quem não seja cético. É só observar como defendem com superioridade e absoluto orgulho suas opções ao ceticismo, e, por infelicidade da justeza do vocábulo, como “endeusam” aos pesquisadores e homens de ciências, notoriamente céticos e ateus. Na realidade, o endeusamento a esses pilares céticos se transforma num objeto de culto sob a absurda negativa das funções do aparelho psicológico humano montado pelas leis naturais da fisiologia objetiva e subjetiva. Há nisso um reconhecimento quase inconsciente de tudo quanto mentem a si mesmos. Eles sabem disso e fingem não saber, por isso se rebelam contra a natureza divina, lembrando a lenda dos Titãs.

Explico. O homem é um micro dentro de um macro. Deus é micro e macro ao mesmo tempo. Se o ateu se diz ateu porque nunca viu Deus fisicamente, o crente poderia dizer a mesma coisa, entretanto sua visão de Deus é outra. Os calhamaços da cultura acadêmica intoxicam os cérebros jovens de teorias céticas e pragmatismos das leis da física, buscando demonstrar como a razão sufoca e pulveriza as crenças. No entanto, seus arautos esquecem-se de ensinar que a matéria não criou a psique, nem da matéria exala-se o pensamento, mas bem ao contrário. Dirão que o pensamento se produz no cérebro por impulsos elétricos, porém os impulsos elétricos somente registram, a mente é o veículo pensante; o ego pensador é que opera numa escala de valores que vai desde o instinto pura e simplesmente às mais elevadas emocionalidades dos êxtases espirituais.

Os religiosos convictos sabem que há um Deus imanente e transcendente, explicado somente pela fé. O mesmo Deus dos religiosos é incursionado pelos estudos e sabedoria dos esotéricos, identificado por uma vida e uma via interna plenas de experiências inexprimíveis que se alcançam gradualmente nas sintonias com as leis da perfeição. Os céticos não conseguem ler essa mensagem interna, nem senti-la, mas não conseguem impedir que as leis naturais os levem para a mesma direção dos crentes e dos estudiosos e que neles também atuem. E por mais que neguem, vive-lhes a ânsia de um conhecimento transcendente à matéria, de um porque da misteriosa existência que os leva a tornarem-se impotentes à natural pressão de todos os seus átomos e células. Essa pressão os impulsiona a um artificial teísmo, logicamente materialista, a um objeto qualquer de sua escolha, normalmente as ciências como um todo, que os faz colocar nele toda a sua fé como compensação aos seus medos e incertezas. Ao invés dessa mentira e irracionalidade melhor seria conhecer a ciência perfeita de Deus.

#Ceticismo

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Autopsicografia

Como eu havia dito anteriormente, o papa Marcos I, que também foi considerado um poeta, começou a compilar a lista de bispos e mártires que se ajustassem aos interesses da Igreja Roma. Ele permaneceu no cargo apenas nove meses até seu falecimento (é o que chamamos de “papa de transição”), sendo substituído pelo 35º papa, Júlio I.
Júlio I, assim como os primeiros “papas” oficializados por Constantino, era um tremendo fingidor. Finge que comemora o nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro apenas para agradar às massas, pois a festa do Solis Invictus já era comemorada há pelo menos 500 anos nesta data (mas, através da “fé” acaba convencendo tão completamente as pessoas que até os dias de hoje tem gente acreditando mesmo que Jesus nasceu neste dia). Ele provavelmente gostou da idéia, pois é em seu comando que o primeiro calendário com as festas católicas começa a ser elaborado (e adivinhem se cada data “coincidentemente” não chega a cair exatamente sobre as festas pagãs?).
O próximo papa chama-se Libério. Depois de fingir que fazia parte de uma seita ariana durante alguns anos (Arianismo é considerado mais uma heresia, pode adicionar na nossa lista), Libério retorna a Roma e vira a casaca, passando a perseguí-los. Neste meio tempo, instauram um antipapa chamado Félix II (um antipapa é como um vilão dos quadrinhos… é alguém que também se intitula papa ao mesmo tempo que o outro cardeal e surge uma cisma. O vencedor da disputa acaba virando o papa e o perdedor conhece a dor dos hereges e excomungados).
São Damaso I assume o cargo em 366 DC. Neste ponto, Constantino estava no auge de seu poder, coordenando a “Reestruturação do cristianismo segundo as doutrinas de Roma” (leia-se causar muita dor em qualquer seguidor de Yeshua que não concorde em seguir o Jesus-Apolo de Constantino). Damaso é conhecido por coordenar a “tradução” da bíblia e compilação dos capítulos e trechos que interessavam deveras ao Pontifex Maximus (líder da religião pagã em Roma). Em 376, o Imperador Graziano recusa este título, entregando-o para o papa, que sente o acumular do poder sobre os cristãos e sobre os pagões ao mesmo tempo!!!
Em 384 entra São Sirício, que instituiu o celibato para padres, bispos e para os cardeais. A razão para isto é que quando um padre falecia, a Igreja precisava tomar conta de sua esposa e filhos e o papado não desejava abrir os cofres sagrados pagando pensões a viúvas e filhos. É importante lembrar que naquele período não existia “salário” para padres e pastores; todas as suas contas eram pagas pela igreja (mais ou menos como os pastores evangélicos fazem hoje em dia). Também foi responsável pela equipe de tradução que lêem e traduzem para o clero os textos que chegam das seitas devastadas.
Anastásio I ficou no poder de 399 DC a 401 DC e escreve uma bula exigindo que os sacerdotes ficassem de pé na missa durante a leitura dos evangelhos (exceto se isto lhes causasse dor ou desconforto durante a lida); Inocêncio I assume o papado em 401 DC para logo em seguida Roma ser saqueada pelos Visigodos. Zózimo I assume o papado após sua morte, em 417, continuando a guerra contra a heresia do Pelagianismo (o Pelagianismo é a doutrina que diz que as pessoas vão para o céu se forem boas pessoas, independentes de “aceitarem Jesus” ou não). Esta briga entre os que pregavam a “salvação pelos atos” versus os que pregavam a “salvação apenas através da Igreja católica” ainda duraria muitos e muitos anos. Bonifácio I, Celestino I e Sisto III sentem bem as discussões com os antipapas e com outros heréticos.
Leão I, o 45º papa, conhecido como “Magno”, não teve um papado fácil. Assumiu o trono entre 440 e 461 e neste período, Roma foi saqueada pelos hunos e pelos vândalos. Mas este foi um papa macho, mesmo com as duasinvasões que ele teve de passar. Há relatos que, quando Átila o huno estava causando no ocidente, o papa montou um exército e foi até Mântua para negociar um acordo de paz com o velho Átila… todos achavam que o papa seria trucidado, mas ele conseguiu!
Em 461 assume o papa Hilário I. Ele só estabeleceu que para ser sacerdote era necessário possuir uma profunda cultura e que pontífices e bispos não podiam designar seus sucessores. Hilarus era o deus pagão da alegria. Achei curioso o papa adotar um nome pagão, se todos os pagões são satanistas pelos próprios critérios da Igreja… o que nos demonstra que até aquele momento há uma tolerância em relação aos deuses romanos, que como veremos daqui a pouco, ficará cada vez menor.
Durante seu pontifado ocorre a Queda do Império Romano. Definitivamente a Igreja de Roma não achou isso muito hilariante. Em 483 assume Félix III (ou Félix II, dependendo se você vai contar o anti-papa Félix II ou não). Para quem ficou curioso, ao todo existiram 39 anti-papas reconhecidos.
Além de Felix II, aparecem outros cardeais desafiando o papado. Felix alega que eles não têm direito sobre a cadeira de Pedro. E assim, excomunhões de ambos os lados e muitos envenenamentos depois, Gelásio I assume a cadeira de Roma. No meio de anti-papas e hereges (em seu papado enfrentou o Maniqueísmo, Arianismo e pelagianismo), como primeiro ato, declara que a figura do papa não poderia mais ser julgada por ninguém. Isto estabelece as bases da famigerada “Infabilidade papal” ou em outras palavras: “eu estou certo e vocês vão parar nas calhas de roda” (o costume da fogueira ainda estava sendo absorvido dos celtas, que queimavam seus inimigos em grandes bonecos de palha chamados Wicker Man). Gelásio também absorveu a “Gira (festa) de São Valentin”, transformando os bacanais pagãos em algo mais palatável à moral e aos bons costumes, que chamamos hoje de “dia dos namorados” (comemorado dia 14 de fevereiro).
Anastácio I tentou converter os francos e aquele povo pacífico que morava no sul da França e cultuava a Madonna Negra. Foi o primeiro a considerar a imagem blasfema. Dante Aliguieri (um iniciado) o coloca no Inferno em seu poema “Divina Comédia” por isso.
Em 498, com o falecimento de Anastácio, dois papas começam a disputar o papado. Símaco e Lourenço possuíam igual poder político e as guerras escalaram para um estado tal de violência que decidiram chamar o rei Teodorico (que era pagão) para decidir quem deveria ser o papa. Isso é tão absurdo quanto hoje em dia chamar o Richard Dawkins para decidir quem deveria ser o papa em caso de empate.
Os dois papas foram chamados a entreter o rei com promessas e, no final do concílio, Teodorico decide que quem tinha o maior número de votos deveria ser o papa (ah… a razão!).
Nos anos seguintes, esse comboio de papas formados por Símaco (498-514), Hormisdas (514-523) e João I (523-526) enfrentou todo tipo de problemas com hereges, antipapas e cismas, especialmente a de Acácio, Patriarca de Constantinopla, que estava causando com a corda toda no Oriente.
A decisão mais importante que tiveram foi a de proibir a compra do cargo de bispo com donativos e favores, pelo fim da simonia e para tentar colocar um pouco de ordem na bagunça política do Vaticano.
Felix IV (ou III, dependendo da lista) durou pouco no papado. O 54º papa tinha uma vida mais promíscua que o Clube 54 e o rei Ostrogodo o manteve completamente isolado politicamente. Quando ele morreu, Bonifácio II (que “coincidentemente” foi o primeiro papa de origem Germânica) assumiu, sob as bênçãos do rei germânico. É o que se chama “papa do coração”! Por alguma estranha razão, o novo papa estava totalmente alinhado com os gostos do Imperador e, talvez por esta estranha coincidência, tenha durado bastante no trono.

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AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

#Poemas

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Betty e Barney Hill, o primeiro caso de abdução alienigena

Existem diversos relatos de abduções alienígenas ao redor do mundo, hoje lidamos com essa situação insólita de maneira normal, virou senso comum não acreditar em tais histórias — que são taxadas como uma forma de ganhar atenção. Entretanto, em 1961, a mídia cobriu com fervor e eternizou o primeiro caso de sequestro extraterrestre, envolvendo o casal Betty e Barney Hill.

Luzes misteriosas

Na noite de 19 de setembro de 1961, por volta de 22h30, Barney e Betty Hill estavam voltando de férias para casa no estado de New Hampshire, Estados Unidos. Quando ao passar por uma área mais isolada notaram luzes misteriosas no céu. Inicialmente, Betty pensou que fosse uma estrela cadente, e Barney acreditou que se tratava apenas de um avião.

As luzes multicoloridas não cessavam e começaram a mover-se de maneira estranha. O casal continuou a observar os brilhos no céu, quando de repente algo chamou a atenção. O objeto mudou bruscamente de direção e desceu de encontro ao carro dos Hill.

Barney, que estava no volante, começou a ficar apreensivo e acelerou o veículo, as luzes continuavam a segui-los, por vezes mais perto, e outras, mais longe. Betty pediu ao marido que parasse o carro para que ela pudesse ver com seu binóculo o que estava acontecendo.

Ao olhar através da lente, a mulher não teve dúvidas de que era um disco voador. Ela viu uma nave com luzes coloridas ao redor. Barney pediu que a esposa voltasse para o carro e deu continuidade a viagem. A bizarra aeronave acompanhava-os de longe.

Abdução alienígena

Assustados, o casal parou o carro novamente, mas dessa vez quem saiu para checar a situação foi Barney. Com uma pistola, o homem apontou para o disco, que agora estava mais perto que nunca e podia ser perfeitamente observado: tinha forma de círculo e planava no ar. Hill conseguiu ver criaturas dentro da nave, e segundo ele, não eram humanas.

Barney correu de volta para o carro, sentindo um medo extremo, ele acreditava que os extraterrestres queriam levá-los. Com o carro em velocidade máxima, o casal começou a ouvir um som muito alto vindo da nave — que os perseguia pela estrada de New Hampshire.

A próxima memória de Betty e Barney Hill se deu duas horas depois, a cerca de 56 km do local de onde estavam pela última vez, fugindo do disco. Seguiram para casa com uma sensação de violação e ligaram para Força Aérea. Conversando com autoridades americanas o casal afirmou que não se lembravam de nada, apenas se recordavam de sentir um desconforto.

A hipnose

Dias depois os Hill procuraram o respeitado psiquiatra e neurologista Dr. Benjamin Simon, para realizar sessões de hipnose. Eles queriam entender o que tinha acontecido durante aquelas duas horas perdidas na madrugada do dia 19 para 20 de setembro.

Meses se passaram e o casal estava cada vez mais certo de que havia sido abduzido por seres de outro planeta. No relato da experiência extraplanetária, ambos descreveram as criaturas como pequenas e cinzas, e afirmaram que os ETs os colocaram em um estado de transe, no qual eles podiam compreender o que estava acontecendo em volta, mas não poderiam realizar qualquer movimento.

Ainda segundo a descrição obtida na hipnose, no experimento as roupas das vítimas foram retiradas, assim como amostras de cabelo, pele e unha. Muitas agulhas foram inseridas no corpo, como na cabeça, braços, pernas e costas e, em Betty, uma agulha de aproximadamente 15 cm foi injetada em sua barriga. Barney revelou que ficou fascinado pela arcada dentária dos alienígenas.

Pouco contato foi de fato feito entre os humanos e os extraterrestres. Assim como em outros casos de abdução, Betty contou que conversou com os ETs através de telepatia, ao falar que não sabia muito sobre a vida interestelar e perguntar para o líder de qual lugar do universo eles teriam vindo, em resposta ela teria ouvido uma voz dizer em sua mente: “Se você não sabe onde está, não faria sentido dizer de onde eu sou”.

Popularidade na mídia

O caso ganhou a atenção internacional, que não estava costumada com histórias semelhantes e relatou toda a saga do casal Hill. Enquanto alguns acreditavam no que era noticiado, outros afirmavam não passar de uma farsa para ganhar popularidade na mídia.

Em 1966, foi lançado o livro The Interrupted Journe, que conta a experiência dos americanos. Quase dez anos depois, em 1975, Richard A. Colla dirigiu uma adaptação televisiva, intitulada The UFO Incident, na qual os renomados atores James Earl Jones e Estelle Parsons interpretaram Barney e Betty.

Os americanos sempre mantiveram sua história e evitaram os holofotes. Barney morreu aos 46 anos, em 1969. Já Betty, morreu aos 85 anos, em 2004, e afirmou que continuou sendo visitada por extraterrestres

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A Arte da Magia de Satan

Magia pode ser definida como o uso de rituais para trazer a intervenção de forças sobrenaturais, na natureza ou nos problemas humanos, para um propósito específico. O surgimento da magia é interligado ao da religião, o ser humano primitivo percebendo as forças da natureza ao ser redor, incompreensíveis a ele, coloca-as em estado divino. A magia surge da necessidade de se entrar em contato com os deuses para manipulá-los a favor dos humanos, para isso foram criados rituais. Com forma e simbologia variando de cultura para cultura, a magia foi se diversificando através da criatividade humana ao longo dos tempos. Normalmente a magia benéfica e altruísta é chamada de “magia branca”, para exemplificar podemos citar os rituais de fertilidade dos povos primitivos, onde a benção dos deuses era pedida para a melhoria da caça e plantio; os rituais de cura com a utilização de ervas, etc. A magia maléfica e egoísta é chamada de “magia negra”, rituais para a destruição de inimigos, rituais para trazer o amor de alguém, podem ser considerados exemplos de “magia negra”.

No Satanismo o conceito de magia é fazer sua vontade prevalecer através de meios ocultos, não há magia “branca” ou “negra”, ignoramos essa idéia clássica de coloração da magia. Mas o que significa isso? Significa ficar dentro de um pentagrama recitando palavras enigmáticas, esperando que o demônio se apresente e realize seus desejos? Nada disso! No Satanismo não trabalhamos com o “sobrenatural”, já que não acreditamos nele. O que era “sobrenatural” para nossos antepassados hoje chamamos de Ciência, o trovão não é mais um deus, mas um estrondo produzido por descarga de eletricidade atmosférica. Obviamente, a Ciência não nos explica tudo de forma plausível ainda, aliás acho que a Ciência nunca irá explicar todos os mistérios do Universo, mas não é por isso que, para amenizar minhas dúvidas e conflitos, irei recorrer a crendice. O “sobrenatural” não existe, como pode existir algo que excede as forças da natureza, sendo que a natureza engloba tudo?

Há dois tipos de magia, a magia ritual e a magia manipulativa. A magia ritual se caracteriza em psicodramas, ou seja, teatros com o propósito de transformar emoções em energias transmissíveis. A magia manipulativa consiste em utilizar-se de artimanhas, estratégias, planejar situações que farão sua vontade prevalecer. Deve-se ressaltar que no Satanismo trabalhamos com o palpável, e não com coisas impossíveis. É como disse LaVey: “Magia é como a própria natureza, e sucesso em magia requer o trabalho em harmonia com a natureza, e não contra ela”. Exemplos: uma mulher totalmente fora de estética faz um ritual para conquistar o amor do galã da novela das oito; um cara resolve fazer um ritual que o ajude a adivinhar os números da loteria, etc. Esses são casos típicos de trabalhos mágicos que sempre fracassarão. Se você quer realmente praticar magia, esqueça os filmes de Hollywood.

Eu particularmente considero a prática de rituais como secundária no Satanismo, em primeiro lugar está a parte filosófica. Acho lamentável que a maioria das pessoas que procuram por Satanismo, anseiam por conhecimento na área mágica. Sem uma base filosófica solida, o aspirante a satanista pode colher frutos nada agradáveis com a prática de magia. E além disso, o estudo mágico não é requisito, se o satanista achar que deve ignorar a realização de rituais, que assim seja.

Por ©Satanael

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-arte-da-magia-de-satan/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-arte-da-magia-de-satan/

Bruce Dickinson e Aleister Crowley

Por Adriano Camargo.

Todos sabem que o mago inglês Aleister Crowley (1875-1947) tem influenciado o mundo do rock (e as artes em geral). E todos sabem também que o cantor inglês Bruce Dickinson é um cara multitalentoso e uma das personalidades mais inteligentes do heavy metal. Mas é possível que nem todos saibam que Bruce Dickinson sempre teve um grande interesse por história da magia, ocultismo e… Aleister Crowley!

E, ao contrário do que a maioria pensa, Crowley não era satanista, mas sim um filósofo e ocultista praticante assíduo envolvido em diversos ramos da magia (magick) e da filosofia oculta, desde a bruxaria europeia e o paganismo até a cabala, alquimia, magia sexual, hinduísmo, budismo, etc. Contudo, Crowley ficou muito conhecido e mal-afamado devido ao seu comportamento “inadequado” e “chocante” para a época (a Era Vitoriana) e às difamações de fundamentalistas religiosos; nos dias de hoje provavelmente ele não chamaria tanta atenção…

Por outro lado, nos dias de hoje, certamente que Bruce Dickinson chama muita atenção devido ao seu trabalho artístico e suas outras habilidades, interesses e inteligência. Como músico e letrista, o trabalho de Bruce é repleto de referências ao mago inglês e a diversas áreas da filosofia oculta, desde as letras de sua carreira solo e do Iron Maiden até o seu filme Chemical Wedding (2008).

Do álbum solo de Bruce Dickinson Accident of Birth, a música Man of Sorrows fala do próprio Crowley quando menino, profetizando o seu futuro quando iria então estabelecer a vinda de um Novo Mundo, de uma Nova Era. Em Man of Sorrows, podemos encontrar também a frase “do what thou wilt”, que significa “faze o que tu queres”, uma referência mais direta e explícita a Crowley e à sua Lei de Thelema. Entretanto, tal lema thelêmico tem uma origem anterior a Crowley, remontando à obra Gargântua e Pantagruel, do escritor francês François Rabelais (1494-1553), na qual uma abadia fictícia chamada Abadia de Thelema apresenta esse lema como uma de suas “leis”. Esse famoso lema posteriormente também foi adotado por um dos clubes ingleses pseudo-satanistas do século XVIII chamados de Hellfire Club (“Clube do Fogo do Inferno”), no qual se reuniam os aristocratas para praticar orgias, bebedeiras, comilanças, jogatinas e discutir arte e literatura. Porém, na filosofia de Crowley, e de acordo com a letra de Man of Sorrows, “faze o que tu queres” se refere à Vontade do Eu Superior de cada indivíduo e não a meros desejos descontrolados. Esse Eu (ou a Individualidade, o Logos individual, o SAG, o Daimon socrático, etc.), de acordo com a letra da música, supostamente sofre por estar preso em um corpo carnal e por não se fazer conhecido pelo indivíduo que também sofre perdido, desorientado na vida, sem conhecer a Si mesmo e seu verdadeiro destino.

The Chemical Wedding, seguinte álbum de Bruce, é em parte baseado na obra literária e artística do poeta inglês William Blake (1757- 1827), que por sua vez também influenciou a filosofia de Crowley a ponto deste acreditar ser uma reencarnação daquele. Contudo, o título do álbum se refere à outra obra, um manifesto rosacruz intitulado The Chemical Wedding of Christian Rosenkreutz (“O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz”) publicado em 1616 e que narra o casamento alquímico de um rei e uma rainha. Esse “casamento” é basicamente uma alegoria para a união sexual do masculino com o feminino (Sol e Lua; Fogo e Água; Espada e Cálice) por meio da magia sexual devidamente ritualizada a fim de expandir a consciência, assim como a união das duas partes da alma (psique) conhecidas na psicologia junguiana como animus (masculino) e anima (feminino); a magia sexual era uma prática central na filosofia thelêmica de Aleister Crowley.

Na letra de The Chemical Wedding encontramos no refrão:

“We lay in the same grave/ Our chemical wedding day”

(Nós nos deitamos no mesmo túmulo/Nosso dia do casamento alquímico”).

O túmulo é uma representação para o caldeirão na alquimia, no qual a matéria-prima densa é putrefata, desintegrada, ou seja, transformada, para em seguida dar surgimento a algo novo; ou seja, o casamento do homem e da mulher (os alquimistas) que “morrem” no êxtase alquímico-sexual para dar surgimento a uma nova consciência, expandida, cheia de alegria e livre no infinito.

The Tower, também do álbum The Chemical Wedding, é uma das letras do álbum mais ricas em referências alquímico-sexuais e relativamente crowleyanas. Sendo assim, vamos analisar alguns pontos. A música fala especialmente sobre as imagens alquímicas do tarô e do zodíaco (ambos de suma importância no sistema de Crowley). O próprio título da música se refere a uma das cartas mais “sinistras” do tarô: A Torre, que é referida no Livro da Lei (Liber AL), de Crowley. Na letra da música os versos “There are twelve commandments/ There are twelve divisions” (“Há doze mandamentos/ Há doze divisões”) aludem aos doze signos astrológicos dispostos divididos em casas de 30º no cinturão (imaginário) do zodíaco com seus “mandamentos”. A frase “The pilgrim is searching for blood” (“O peregrino está à procura de sangue”) diz que o alquimista buscador, em sua senda solitária está buscando sua iluminação; o sangue é uma referência à fase “vermelha” da alquimia chamada rubedo. Nessa última fase alquímica a Pedra Filosofal é “encontrada” e o alquimista (ou qualquer iniciado) se torna um sábio “imortal” autoconsciente, realizando sua própria Vontade livre, uma referência direta à Lei de Thelema e que está presente no seguinte verso da letra: “To look for his own free Will” (“Buscar por sua própria Vontade livre”).

E no refrão temos os versos:

“Lovers in the tower/ The moon and sun divided/ the hanged man smiles/ Let the fool decide/the priestess kneels/ the magician laughs”

(“Amantes na Torre/ A Lua e o Sol divididos/ o Enforcado sorri/ Deixe o Louco decidir/ a Sacerdotisa se ajoelha/ o Mago dá risada”),

nos quais podemos encontrar referências diretas a várias cartas do tarô: The Lovers (Os Amantes), The Tower (A Torre), The Moon (A Lua), The Sun (O Sol), The Hanged Man (O Enforcado), The Fool (O Louco), The Priestess (A Sacerdotisa) e The Magician (O Mago). Para não nos alongarmos demais na letra de The Tower, podemos dizer que ela contém alguns segredos alquímico-ritualísticos de magia sexual.

Há outras músicas interessantes em The Chemical Wedding, incluindo aquelas inspiradas diretamente por William Blake: Book of Thel, Gates of Urizen e Jerusalem. Do álbum Tyranny of Souls, podemos destacar alguns versos. O título da música Navigate the Seas of the Sun significa a libertação de restrições e a expansão da consciência, já que o Sol é um símbolo da cabeça humana, da inteligência e da consciência. Nessa letra, encontramos “Our children will GO on and on to navigate the seas of the sun” (“Nossas crianças continuarão a navegar os mares do sol”), que na filosofia thelêmica diz respeito ao arcano d’O Sol no qual duas crianças gêmeas, inocentes e livres “navegam” os raios solares, representando a humanidade em mais uma fase evolutiva, com seus aspectos masculinos e femininos assimilados e harmonizados pelo Eu.

Na música-título A Tyranny of Souls, encontramos os versos

“Who rips the child out from the womb?/ Who raise the dagger, who plays the tune?/At the crack of doom on judgment day”

(Quem arranca a criança do útero?/ Quem ergue a adaga, quem toca a música?/ À beira da condenação no dia do julgamento”).

É uma descrição do Aeon (Era, Idade, Tempo) de Crowley, retratado no arcano O Aeon (no tarô comum é conhecido como O Julgamento). Esse Aeon é marcado pela destruição do velho Aeon de Osíris e pelo nascimento do novo Aeon de Hórus. A criança arrancada do útero, conforme a letra da música, é Hórus, filho de Osíris e Ísis; a adaga erguida significa a morte do Aeon passado, o Aeon de Osíris ou Era de Peixes, considerado tirano, repressor, restritivo e opressor; a música referida nos versos é tocada por meio de uma trombeta tradicionalmente por um ser angélico que anuncia a Nova Era, o Novo Aeon, com o julgamento e condenação do velho. Mas no Novo Aeon, Hórus mantém silêncio para representar a “perfeição” do Novo Tempo. Com relação ao Iron Maiden, Bruce Dickinson tem colaborado razoavelmente nos processos de composição. Do álbum Piece of Mind, a letra de Revelations apresenta alguns “mistérios”. O verso “Just a babe in a Black abyss” (“Apenas um bebê em um abismo negro”) é um referência ao conceito crowleyano de “bebê do abismo”, um termo para designar aquele que mergulha e atravessa o Vazio. Trata-se de um abismo metafísico e psíquico entre o universo real e o universo ilusório, entre a “insana” dimensão do espírito e a igualmente insana (e aparentemente segura) dimensão da matéria; o magista ou iniciado que fracassa em cruzar o Abismo (e em assimilar o conhecimento nele contido) geralmente enlouquece. O verso

“No reason for a place like this”

(“Nenhuma razão para um lugar como este”)

mostra que, uma vez no Abismo, a razão humana como se conhece é completamente abolida.

Do álbum Powerslave a música-título fala sobre um faraó, tido como um deus, que não quer morrer, mas continuar governando no mundo material. Na filosofia thelêmica de Crowley, Osíris representa a Era decadente que insiste em continuar, mas que deve ser destruída para dar lugar ao Aeon de Hórus (filho de Osíris). Por outro lado, o faraó é uma representação de todo mago que fracassa em cruzar o Abismo, tornando-se assim um “escravo do poder da morte” (como diz a letra), psicoespiritualmente. Isso pode ser visto especialmente nos versos

“Into the abyss I’ll fall – the eye of Horus/ Into the eyes of the night – watching me go”

(“no abismo eu cairei – o olho de Hórus/ Nos olhos da noite – olhando-me ir”).

E no verso

“Shell of a man god preserved”

(“A casca de um homem-deus preservado”)

o faraó/deus/magoestá morto fisicamente, com seu cadáver mumificado ou não, ao mesmo tempo em que ele se torna um ser vazio e insano, sem conexão com o seu Eu, ou seja, uma “casca” no mundo qliphótico (do hebraico “qlipha”, que significa “casca”, “concha”) cujos portais estão no próprio Abismo, segundo outro verso: “But open the gates of my hell” (“Mas abra os portais de meu inferno”).

Moonchild, do álbum Seventh Son of a Seventh Son, é uma referência direta a uma das obras de Crowley de mesmo nome. A letra da música fala sobre a união de dois magistas (homem e mulher) e o nascimento de um ser supra-humano (entendido também como uma supraconsciência). Na letra, o homem é representado por Lúcifer, o Portador da Luz, o não-nascido, e a mulher é a Prostituta Escarlate, Babalon (nome derivado de Babylon), como aparece nos versos “The fallen angel watching you/ Babylon, the Scarlet whore” (“O anjo caído observando você/ Babilônia, a prostituta escarlate”).

Os nomes Babalon e Mulher Escarlate, apesar de derivados da Bíblia, são próprios do sistema mágico thelêmico de Crowley e equivalentes à deusa Lilith (mesopotâmica), Hécate (grega), Kali (hindu), entre outras, representando ainda os aspectos femininos da Natureza e a Grande Mãe do universo, livre dos dogmáticos conceitos morais sobre bem e mal. O álbum Seventh Son of a Seventh Son é todo “profético”, com colaborações de outros membros da banda em torno de temas como magia, alquimia, ocultismo, bem e mal, etc.

Por fim, vamos falar sobre alguns trechos do último álbum do Iron Maiden, The Final Frontier, que novamente traz alguns temas sobre alquimia, magia crowleyana e expansão da consciência. Na música Starblind, podemos ler o verso “Let the elders to their parley meant to satisfy our lust” (“deixar os anciãos às suas barganhas significa satisfazer nosso desejo”). Lust é o título de uma das cartas do tarô de Crowley, que se refere, entre outras coisas, a tudo o que é dos sentidos e que provoca êxtase, pois, nas palavras de Crowley, “não tema que deus algum lhe negue isso.” Os anciãos representam a religião dogmática e repressora do Aeon passado, que oferecem “liberdades de carcereiros” e que “parlamentam” aquilo que lhes traz vantagens ilícitas.

Enquanto eles falam e negociam e ficam no passado, os desejos (lust) do novo Aeon, ou seja, a Vontade livre e o desejo pela vida são satisfeitos naqueles que se libertaram do dogmatismo e que estão sem “o dispositivo cruel da religião”, conforme o verso “Religion’s cruel device is gone”. A frase “You are free to choose a life to live” (“Você é livre para escolher uma vida para viver”) é outra referência à Lei de Thelema, ao cumprimento da Vontade. Ainda do álbum The Final Frontier, a letra da música The Alchemist pode parecer óbvia, mas ela fala sobre algo mais do que um mero alquimista. O trecho “My dreams of empire from my frozen queen will come to pass” (“Os sonhos de império da minha rainha congelada irão passar”) refere-se à rainha inglesa Elizabeth, que protegia o também multitalentoso, suposto espião e mago John Dee (1527-1608), citado no verso “Know me, the Magus I am Dr. Dee” (“Conheça-me, o Mago Dr. Dee sou eu”). John Dee é conhecido especialmente por seu trabalho sobre magia enochiana e por sua associação com o alquimista e clarividente Edward Kelley (1555-1597), com quem “criou” esse poderoso sistema de magia, posteriormente praticado por Crowley (que acreditava ser também a reencarnação de Edward Kelley).

A letra da música de modo geral descreve as práticas de John Dee e Edward Kelley com a magia enochiana, considerada um sistema angélico, descrevendo também os contatos com os anjos, isto é, os “demônios”. Enquanto Edward Kelley se comunicava com os seres enochianos, conforme o verso da letra “Know you speak with demons” (“Sei que você fala com demônios”), John Dee ia anotando todo o sistema. O termo “angélico” aqui, entretanto, não diz respeito às imagens populares de anjinhos rechonchudos ou anjos esbeltos e delicados, mas a seres considerados alienígenas terríveis e demoníacos (no sentido original da palavra grega “daimonos”, quer dizer, “espírito”, “gênio”), conhecidos popularmente como “anjos caídos”, os supostos instrutores e doadores do conhecimento nos primórdios da espécie humana. Tais anjos enochianos foram contactados por Crowley, que fez as invocações pelas chaves enochianas, resultando em sua obra chamada Liber 418 – A Visão e a Voz. As invocações enochianas de Dee/Kelley e Crowley são referidas no seguinte verso de Bruce: “Hear the master summon up the spirits by their names” (“Ouça o mestre chamar os espíritos por seus nomes”)…

O Iron Maiden sempre carregou uma forte aura de intelectualismo, profetismo e mistério, contando muitas vezes com as inteligentes e valiosas contribuições de Bruce Dickinson. Por afinidades intelectuais e de interesses, independentemente do tempo cronológico, Crowley sempre esteve presente, ou apenas “pairando”, no trabalho de Bruce. E diferentemente do trabalho de Ozzy Osbourne, cuja letra da música Mr.Crowley é um tanto sarcástica e superficial, Bruce Dickinson tem se interessado muito mais seriamente pelas questões que envolvem a magia de Aleister Crowley. Ambos, Bruce e Crowley, sempre buscaram ir mais além, demonstrando que é possível chegar à “última fronteira” entre a consciência e a supraconsciência…

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/bruce-dickinson-e-aleister-crowley

Atlântida e Lemúria, Continentes Desaparecidos

Para os leitores não familiarizados com o progresso alcançado recentemente pelos diligentes estudantes de ocultismo ligados à Sociedade Teosófica, o significado do relato aqui contido seria mal compreendido sem uma explanação preliminar.

A civilização ocidental, em sua pesquisa histórica, sempre dependeu de algum tipo de registro escrito. Quando os dados literários são escassos, às vezes monumentos de pedra e restos fósseis têm sido encontrados, fornecendo-nos algumas evidências confiáveis, ainda que inarticuladas, a respeito da antiguidade da raça humana; mas a cultura moderna perdeu de vista ou tem negligenciado possibilidades relacionadas com a investigação de eventos passados que independem das evidências falíveis que nos foram transmitidas pelos antigos escritores. Sendo assim, atualmente, a humanidade em geral é tão pouco sensível aos recursos da capacidade humana que, até agora, para a maioria das pessoas, a própria existência, mesmo enquanto potencialidade de poderes psíquicos, que alguns de nós exercem conscientemente o dia todo, é desdenhosamente negada e ridicularizada. A situação é lamentavelmente ridícula do ponto de vista daqueles que apreciam as probabilidades da evolução, pois, desse modo, a humanidade mantém-se obstinadamente distante de um conhecimento que é essencial para seu próprio progresso ulterior. O desenvolvimento máximo de que é suscetível o intelecto humano, enquanto ele próprio negar todos os recursos da sua consciência espiritual mais elevada, nunca poderá ser mais do que um processo preparatório, comparado com aquele que poderá atingir quando as faculdades forem suficientemente ampliadas para entrar em contato consciente com os planos ou aspectos superfísicos da Natureza.

Para qualquer pessoa que tenha paciência para estudar os resultados divulgados pela investigação psíquica durante os últimos cinqüenta anos, a realidade da clarividência como fenômeno ocasional da inteligência humana deve estabelecer-se numa base sólida. Para estes que, mesmo sem serem ocultistas – isto é, estudantes dos aspectos mais sublimes da Natureza, em posição de obter melhor ensino do que alguns livros podem oferecer -, somente se utilizam de dados registrados, uma declaração da parte de outros acerca da incredulidade na possibilidade da clarividência estará no mesmo nível da notória incredulidade africana em relação ao gelo. Mas as experiências de clarividência, que se acumularam nas mãos dos que a estudam em conexão com o mesmerismo, nada mais fazem senão provar a existência, na natureza humana, da capacidade de conhecer fenômenos físicos distantes no espaço ou no tempo, de um modo que nada tem que ver com os sentidos físicos. Os que têm estudado os mistérios da clarividência em conexão com o ensinamento teosófico são capazes de perceber que os recursos básicos dessa faculdade colocam-se além de suas mais humildes manifestações, abordadas pelos pesquisadores mais simples, tal como os recursos dos grandes matemáticos superam os do ábaco. Há, de fato, muitas espécies de clarividência, as quais, sem exceção, assumem facilmente seus lugares quando apreciamos a maneira como a consciência humana atua nos diferentes planos da Natureza. A faculdade de ler as páginas de um livro fechado, de discernir objetos com os olhos vendados ou objetos que estão distantes do observador é uma faculdade completamente diferente daquela empregada no conhecimento de eventos passados. A respeito deste último, fazem-se necessárias aqui algumas palavras a título de esclarecimento, a fim de que o verdadeiro caráter do presente tratado sobre a Atlântida possa ser compreendido. Contudo, aludo às outras formas simplesmente para que esta necessária explicação não corra o risco de ser interpretada como uma teoria completa da clarividência, em todas as suas variedades.

Podemos ter uma melhor compreensão da clarividência relacionada com eventos passados considerando, em primeiro lugar, os fenômenos da memória. A teoria da memória que a relaciona com uma imaginária reorganização de moléculas físicas de matéria cerebral, que prossegue a cada instante de nossas vidas, não se apresenta como plausível a ninguém que possa ascender um degrau acima do nível de pensamento do inflexível materialista ateu. A todos os que aceitam, mesmo como uma hipótese razoável, a idéia de que o homem é algo mais do que uma carcaça em estado de animação, deve ser razoável a hipótese de que a memória tem que ver com aquele princípio suprafísico no homem. Em suma, sua memória é uma função, não do plano físico, mas de algum outro plano. As imagens da memória imprimem-se, sem dúvida, em algum agente não-físico e são acessíveis, em circunstâncias comuns, ao pensador incorporado, graças a algum esforço que este faça, embora tão inconsciente de seu caráter preciso quanto o é acerca do impulso cerebral que aciona os músculos do seu coração. Os eventos com os quais ele teve relação no passado estão fotografados pela Natureza em alguma página imperecível, de substância suprafísica, e, através de um esforço interior apropriado, ele é capaz de trazê-los de volta, quando deles necessita, para dentro do campo de algum sentido interior, o qual reflete sua percepção no cérebro físico. Nem todos somos capazes de fazer esse esforço igualmente bem, tanto que a memória às vezes é obscura mas, mesmo na experiência da pesquisa mesmeriana, a ocasional superexcitação da memória sob a ação do mesmerismo é um fato conhecido. As circunstâncias demonstram claramente que o registro da Natureza é acessível, caso saibamos como recuperá-lo, mesmo quando nossa capacidade de empreender um esforço para essa recuperação estiver, de algum modo, aperfeiçoada, sem que tenhamos um conhecimento aperfeiçoado do método empregado. E, a partir dessa reflexão, podemos chegar, através de uma simples transição, à idéia de que os registros da Natureza não são, de fato, coleções isoladas de propriedade individual, mas constituem a memória universal da própria Natureza, sobre a qual diferentes pessoas estão em condições de traçar esboços, de acordo com suas respectivas capacidades.

Não estou afirmando que esta conclusão seja uma consequência lógica, necessária, dessa reflexão. Os Ocultistas reconhecem-na como uma realidade, mas o meu propósito atual é mostrar ao leitor não-Ocultista o modo como o Ocultista talentoso chega aos seus resultados, sem pretender resumir todos os estágios do seu progresso mental nesta breve explanação. A literatura Teosófica deve ser consultada detalhadamente por aqueles que procuram uma elucidação mais ampla das perspectivas magníficas e das demonstrações práticas de seu ensino em muitas direções que, no decorrer do desenvolvimento Teosófico, têm sido expostas ao mundo para benefício de todos os que são aptos a delas tirar proveito.

A memória da Natureza é de fato uma unidade estupenda, assim como, num outro sentido, toda a Humanidade poderá constituir uma unidade espiritual, se ascendermos a um plano suficientemente elevado da Natureza, em busca da esplêndida convergência onde se alcança a unidade sem a perda da individualidade. No entanto, para a Humanidade comum representada no momento pela maioria, no primitivo estágio de sua evolução, as capacidades espirituais interiores, que se estendem além daquelas das quais o cérebro é um instrumento de expressão, encontram-se ainda muito pouco desenvolvidas para habilitá-la a entrar em contato com quaisquer outros registros nos vastos arquivos da memória da Natureza, exceto aqueles com os quais tiveram contato individual no ato de sua criação. O cego esforço interior que essas pessoas são capazes de fazer, não evocará, via de regra, quaisquer outros. Contudo, temos conhecimento, ha vida ordinária, de esforços que são um pouco mais eficazes. A “Transmissão de Pensamento” é um exemplo modesto. Nesse caso, as “impressões na mente” de uma pessoa, as imagens da memória da Natureza com as quais ela está em conexão normal, são captadas por outra que, em condições favoráveis, embora inconsciente do método utilizado, tem o poder de 4 atingir a memória da Natureza um pouco além do âmbito com o qual ela própria está em conexão normal. Embora superficialmente, essa pessoa começou a exercitar a faculdade da clarividência astral. Este termo pode ser usado convenientemente para denotar a espécie de clarividência que ora me empenho em elucidar; a espécie que, em alguns de seus mais magníficos desenvolvimentos, foi empregada para levar a cabo as investigações que serviram de fundamento à compilação deste relato acerca da Atlântida.

Na verdade, não há limite para os recursos da clarividência astral nas investigações concernentes à história do passado da Terra, quer estejamos interessados nos eventos que sobrevieram à raça humana em épocas pré-históricas, quer no desenvolvimento do próprio planeta ao longo dos períodos geológicos que antecederam o advento do homem, ou mesmo nos eventos mais recentes, cujos relatos em voga têm sido distorcidos por historiadores negligentes ou perversos. A memória da Natureza é totalmente exata e precisa. Tempo virá, tão certamente quanto a precessão dos equinócios, em que o método literário da pesquisa histórica será posto de lado como obsoleto em relação a toda obra original. As pessoas entre nós que são capazes de exercitar a clarividência astral com plena perfeição – mas que ainda não foram chamadas às funções mais elevadas, vinculadas ao fomento do progresso humano, a respeito do qual as pessoas comuns, nos dias atuais, sabem ainda menos do que um camponês hindu sabe acerca de uma reunião ministerial – são ainda muito poucas. Aqueles que estão a par do que essas poucas pessoas podem fazer e a que processos de treinamento e autodisciplina elas têm se submetido na busca de ideais interiores, dentre os quais a obtenção da clarividência astral é apenas uma circunstância individual, são muitos, mas ainda uma pequena minoria, se comparados com o mundo culto moderno. Mas com o passar do tempo, e dentro de um futuro mensurável, alguns de nós têm razão para acreditar que o número dos que são capazes de exercer a clarividência astral aumentará bastante para ampliar o círculo dos que estão conscientes de suas capacidades, até que este venha a abranger, daqui a umas poucas gerações, toda a inteligência e cultura da humanidade civilizada. Entrementes, este volume é o primeiro a se evidenciar enquanto ensaio pioneiro do novo método de pesquisa histórica. É divertido, para todos os que se preocupam com ele, pensar em como, inevitavelmente, será confundido – embora por um curto espaço de tempo e pelos leitores materialistas, incapazes de aceitar a franca explicação aqui fornecida a respeito do princípio sobre o qual ele foi elaborado – com um produto da imaginação.

Para benefício dos que são capazes de ser mais intuitivos, talvez fosse bom dizer uma palavra ou duas que possam impedi-los de supor que a pesquisa histórica feita por meio da clarividência astral é um processo que não envolve problemas e nem se depara com obstáculos, pelo fato de lidar com períodos centenas de milhares de anos distantes do nosso. Cada fato relatado neste volume foi obtido pouco a pouco, com muito cuidado, no curso de uma investigação na qual mais de uma pessoa qualificada vem se empenhando, nos intervalos de outras atividades, há alguns anos. E para favorecer o sucesso de seu trabalho, foi-lhes permitido o acesso a alguns mapas e a outros registros que foram preservados dos remotos períodos em questão – aliás, em custódia mais segura do que a daquelas turbulentas raças que, nos breves intervalos de lazer entre guerras, ocupavam-se, na Europa, com o desenvolvimento da civilização, duramente perseguida pelo fanatismo que, por tanto tempo durante a Idade Média, considerou sacrílega a ciência.

A tarefa tem sido árdua mas, de qualquer modo, o esforço será reconhecido como amplamente compensador por todos os que forem capazes de reconhecer o quanto uma compreensão apropriada de épocas antigas, tal como a época da Atlântida, faz-se necessária para uma compreensão adequada do mundo atual. Sem este conhecimento, todas as especulações

concernentes à etnologia são fúteis e enganosas. Sem a chave fornecida pelo caráter da civilização atlante e pela configuração da Terra nos períodos atlantes, o processo de desenvolvimento da raça humana é caótico e confuso. Os geólogos sabem que as superfícies da terra e dos oceanos devem ter mudado repetidamente de lugar durante o período em que, como é sabido pela localização de vestígios humanos em vários estratos, as terras eram habitadas. E, contudo, por falta de um conhecimento preciso sobre as datas em que essas mudanças ocorreram, eles rejeitam toda a teoria de seu pensamento prático e, à exceção de certas hipóteses postuladas pelos naturalistas que se dedicam ao Hemisfério Sul, geralmente se empenham em conciliar a migração das raças com a configuração atual da Terra.

Desse modo, o absurdo se instala em todo o retrospecto; e a sinopse etnológica permanece tão vaga e obscura que não consegue substituir as concepções incipientes a respeito do início da Humanidade, as quais ainda dominam o pensamento religioso e retardam o progresso espiritual da nossa era. A decadência e o desaparecimento final da civilização atlante são, respectivamente, tão instrutivos quanto sua ascensão e glória; creio assim ter atingido o principal propósito para o qual fui solicitado: apresentar esta obra para o mundo, através de breve explanação introdutória; e se o seu conteúdo for insuficiente para fornecer uma compreensão de sua importância aos leitores a quem ora me dirijo, esse efeito dificilmente seria atingido através de ulteriores recomendações minhas.

A. P. SINNETT 1896

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/atlantida-e-lemuria-continentes-desaparecidos-prefacio-a… […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/atlantida-e-lemuria-continentes-desaparecidos-prefacio-atlantida/

Noé – o que merece ser salvo? (parte 1)

Nos primeiros meses de 2014 estreou no país mais um filme supostamente “bíblico”, narrando a famosa história da Arca de Noé. Darren Aronofsky, entretanto, não parecia a primeira vista um diretor ou roteirista com muita inclinação a temas demasiadamente religiosos. E, de fato, o seu Noé passa longe de ser uma história “fiel a Bíblia Sagrada”, tanto que gerou comentários como este, de um missionário cristão “enganado pelo trailer do filme”:

O filme tem muitas coisas de mau gosto e interpretações sem nenhum fundamento religioso ou bíblico. Penso que o autor da obra poderia ter respeitado, pelo menos, o essencial da narração do texto bíblico […] A verdade é que o longa-metragem é uma afronta e uma distorção da beleza da revelação divina. Ele não merece ser visto nem apreciado por quem tem a Bíblia como um Livro Sagrado, fonte da revelação divina e inspiração primeira de fé. Existem filmes mais sérios e de roteiros mais qualificados.

Enquanto, ao mesmo tempo, vimos esta “sinopse do filme Noé, escrita por um ateu” fazer certo sucesso nas mídias sociais:

O filme conta a história de um ancião chamado Noé, de 600 anos, que resolve construir um barco após ouvir Deus dizer que mandaria um dilúvio para afogar toda a humanidade. Noé e seus filhos passam a ser responsáveis por acomodar na embarcação quase 5 milhões de casais de animais, incluindo os de continentes ainda desconhecidos. Após serem os únicos sobreviventes do dilúvio, a família de Noé tem um novo desafio: repovoar o planeta através do incesto, e dar origem a povos de diferentes etnias, como negros, pardos, asiáticos, etc.

Ah, nada como o choque de extremos! Enquanto os fanáticos da crença não suportam ouvir a sua querida história fossilizada num livro milenar com sequer uma vírgula fora do lugar, os fanáticos da descrença caçoam ferozmente de qualquer um que tenha ido ao cinema “ver tamanho absurdo ilógico”.

Pois bem, a vantagem de não sermos fanáticos, senão pelo bom senso, é que podemos muito bem ir ao cinema ver o filme de Aronofsky sem nos sentirmos escandalizados nem pelo fato de o roteiro se afastar em muito do Gênesis, nem pelo fato de a história não ser nem um pouco verossímil – pois que se trata de mitologia!

O Dilúvio

São tantas as mitologias que falam de um Grande Dilúvio que cobriu a Terra, que muitos historiadores creem que, de fato, nossos ancestrais devem ter atravessado não uma, mas diversas inundações catastróficas. Pense numa época sem internet, TV, jornais ou telégrafos, onde muitas vezes tudo o que um povo conhecia eram os arredores de sua floresta ou campina… Ora, qualquer inundação capaz de cobrir uma área extensa o suficiente poderia muito bem lhes parecer como se o mundo todo estivesse sendo inundado!

E, de fato, relatos como este não faltam nos mitos dos mais variados povos – muitos deles mais antigos que os hebreus:

Na Epopéia de Gilgamesh, o mais antigo poema épico de que se tem notícia na história, encontrado no Iraque (que, há cerca de 5 mil anos atrás, foi o berço de uma grandiosa civilização antiga, quando a região era então conhecida como Mesopotâmia) por arqueólogos modernos, temos a passagem onde o herói Gilgamesh pergunta a Siduri (deusa do vinho e da sabedoria) como encontrar Utnapishtim, o sobrevivente do Grande Dilúvio e único humano a receber a imortalidade. Ao finalmente encontrá-lo, ouve de sua boca o relato de como os deuses, zangados com o comportamento barulhento e desregrado dos humanos, resolveram destruir os mortais com um dilúvio. Utnapishtim afirma que só foi salvo porque Ea (deus da água) o visitou num sonho e lhe mandou construir um barco. Como fora o único a sobreviver à grande tempestade, os deuses lhe concederam a vida eterna como prêmio (ele provavelmente trouxe algumas mulheres em seu barco).

O conceito de dilúvio como punição divina aparece também na história clássica da Atlântida. No mito da Grécia Antiga, Zeus enviou um dilúvio para punir a arrogância dos primeiros homens. O titã Prometeu advertiu Deucalião, seu filho, da catástrofe eminente. Ele então construiu uma arca e nela se refugiou com a esposa, Pirra. Por nove dias e nove noites ficaram à mercê das águas (um dilúvio mais curto que o bíblico), até pararem no monte Parnaso. Quando as chuvas cessaram, Deucalião ofereceu um sacrifício a Zeus, que em troca lhe concedeu um desejo. O seu desejo foi simplesmente pedir por mais homens e mulheres para os ajudar a repovoar e Terra (um homem prático).

Há muitos mitos parecidos espalhados pelos povos antigos. Em muitos mitos de criação o mundo era formado por um oceano quando em seu estado primitivo; dessa forma, pela sua inundação, os deuses o devolvem ao seu estado inicial, permitindo um recomeço.

Nos contos dos chewongs da Malásia, o criador Tohan transforma o mundo de tempos em tempos, quando submerge todas as pessoas, exceto as que foram prevenidas, e cria uma nova Terra no fundo das águas. Na mitologia nórdica, temos o conto do Choro de Baldur, quando o malvado Loki faz o arqueiro cego e sua flecha de visgo assassinarem o benevolente Baldur, e todas as coisas que existem choraram por ele, causando um dilúvio. Na mitologia hindu, um peixe disse a Manu que as águas cobririam a terra e, novamente, temos uma arca salvando a continuidade da humanidade. Entre os celtas, os poemas do Ciclo de Finn narram a ocupação da Ilha após o Grande Dilúvio. Nos índios americanos, temos a história de Kwi-wi-sens e como ele e seu amigo corvo escaparam do dilúvio causado pelos deuses dos céus… Acho que já deu para entender né? Essa história simplesmente não será esquecida…

O mito de cada um

O que nos leva a questão de compreender o que diabos é exatamente a mitologia. Segundo Joseph Campbell, “um mito é algo que não existe, mas existe sempre”. Com isso, ele queria dizer que os mitos são nada mais que os fatos da mente, os sonhos e pesadelos do consciente e inconsciente humano, encenados “do lado de fora”. O lado exterior, que um cético poderia, quem sabe, chamar de “mundo real”, é o lado que existe no tempo. Mas o lado interior, apesar de também computar a passagem dos dias e noites, faz algo que vai além da capacidade das máquinas e tecnologias mais avançadas: os interpreta!

É na interpretação da vida que sentimos emoções como o amor, o medo, a raiva, a tranquilidade e a angústia. É na constante lembrança e reinterpretação de tais emoções que terminamos por produzir a arte, e toda arte precisa contar uma história – e toda grande arte acaba por tocar na essência atemporal do ser humano, acaba por conceber um mito…

No entanto, como também dizia Campbell, “qualquer deus, qualquer mitologia ou qualquer religião são verdadeiros num sentido – como uma metáfora do mistério humano e cósmico: Quem pensa que sabe, não sabe.

Quem sabe que não sabe, este sim, sabe. Há uma velha história que ainda é válida. A história da busca. Da busca espiritual… Que serve para encontrar aquela coisa interior que você basicamente é. Todos os símbolos da mitologia se referem a você: Você renasceu? Você morreu para a sua natureza animal e voltou à vida como uma encarnação humana? Você venceu o Grande Dilúvio para recomeçar numa nova Terra? Na sua mais profunda identidade, você é um desses heróis, você é também um deus”.

Dessa forma, quando uma criança ouve falar do Homem-Aranha ou do Super-Homem, e logo quer uma fantasia para poder brincar de ser o Homem-Aranha ou o Super-Homem, isto diz mais sobre a mente humana e sobre a mitologia do que julga a vã filosofia.

O que Aronofsky fez em seu filme foi nada mais do que reinterpretar o mito da Arca de Noé. Podemos não gostar da sua interpretação, mas seria realmente infantil (no mal sentido) julgarmos a sua obra “heresia” ou “absurdo ilógico” de antemão, apenas porque, provavelmente, ainda não fazemos a mais vaga ideia do que vem a ser, de verdade, a mitologia.

A mensagem ecológica do filme é clara e evidente. Se no Gênesis a humanidade era punida pelo Criador pelo fato de haverem procriado com “os filhos de Deus” e de, por alguma razão, a maldade haver se espalhado pelo mundo (Ge 6:1-5), no Noé do cinema o homem arrasou com os recursos naturais do planeta, ao ponto de não vermos sequer uma única árvore remanescente até que Noé tenha plantado uma das sementes do Éden que foram guardadas pelo seu avô.

Além disso, Aronofsky também incorre em uma arriscada crítica ao fanatismo religioso, a tornar o próprio Noé um advogado do fim de toda a raça humana, desejando deixar apenas os animais “inocentes” para o novo mundo. A maneira como este enredo de desenrola no filme é um dos pontos mais originais e que mais se afastam da narrativa bíblica – no entanto, se formos analisá-lo do ponto de vista da nossa época atual, se trata de uma adição totalmente válida ao mito.

Que bom que Aronofsky soube interpretar a história do Dilúvio a sua maneira. Porque não podemos, então, fazer o mesmo?

» Em seguida, os mares internos da alma…

***

Bibliografia: Guia Ilustrado Zahar de Mitologia (Philip Wilkinson e Neil Philip); Enciclopédia de Mitologia (Marcelo Del Debbio); O Poder do Mito (Joseph Campbell e Bill Moyers)

Crédito da imagem: Noé – O filme (Divulgação)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/no%C3%A9-o-que-merece-ser-salvo-parte-1

Mulher Objeto

Com o recente debate iniciado no post “Feminismo: um delírio“, achei por bem trazer um texto sobre o tema (todos os links no texto abrem novas janelas)…

Vamos ser honestos e ir direto ao ponto: faz muito tempo que o mundo ocidental é machista – no mínimo, desde que o culto a Deusa foi destroçado pela Igreja, mas isso não vem ao caso no momento…

Sim, já foi pior, já foi muito pior. Houve época em que mulheres “não tinham alma”. Houve época em que não podiam nem estudar nem trabalhar “porque sua única função era cuidar da casa e dos filhos”. Houve época em que não podiam votar e muito menos se eleger… Mas graças aos anticoncepcionais e aos movimentos de emancipação do século passado, as mulheres hoje estão em situação bem mais digna.

Ou melhor, elas sempre estiveram em situação digna. Os homens é que eram indignos das mulheres, pois por muito tempo foram educados para as tratar como seres secundários, às vezes serviçais.

Dizem que a humanidade não evoluiu moralmente. Os dogmáticos do apocalipse adoram lembrar que nossa evolução tecnológica nada fez por nossa moral. Dizem que “não há nada de novo abaixo do céu”… Eu não concordo.

Não concordo, porque há 2 mil anos o povo ia ver feras devorarem homens no Coliseu de Roma. E aplaudiam… Hoje o povo vai a um estádio de futebol (mesmo em Roma) para ver uma disputa esportiva, e raramente aplaude algum derramamento de sangue – é claro que os hooligans estão aí para nos lembrar do quão ignorante parte de nós ainda é, mas eles são a minoria, felizmente…

Os homens diziam que o mercado de trabalho não comportaria o afluxo de mulheres, que isso provocaria desemprego e conflitos e caos generalizado… Não, o apocalipse não chegou porque uma mulher assumiu a gerência de uma multinacional, ou a presidência de um país. Elas não são tão diferentes assim dos homens, e em muitas áreas são estatisticamente melhores – como na direção de automóveis, por exemplo; Se não acredita basta verificar em qualquer seguradora quanto custa o seguro para homens, e quanto custa o mesmo seguro para mulheres.

Mas há homens inteligentes e sensíveis o suficiente para reconhecer todas as potencialidades femininas… Vejamos o presidente da França, por exemplo, que certamente não deve ter muitas reclamações acerca da belíssima ex-modelo com quem se casou – uma artista de mão cheia, que não deixou de ser musicista e nem escritora por ser uma “primeira-dama”. Quantos homens não se sentiriam intimidados por uma Carla Bruni? Alguém tão bela, tão dona de si mesma, tão deliciosamente poética… Seria “muita areia para o caminhãozinho dele”? Certamente, talvez exatamente por isso ele esteja com ela – “o mais improvável dos relacionamentos”. “Improvável”, isto é, para os machistas que ainda se sentem melhor com as mulheres serviçais, as secundárias, as que não os podem ofuscar…

Porém, os ecos da barbárie medieval e a sombra da ignorância humana ainda se fazem presentes na época atual. Há algo de obscuro enterrado no cerne de nossa educação precária. Uma idéia de que homens são provedores e mulheres são “alguma espécie de bem material” – e que os homens devem ter muito, muito dinheiro, para poder “usufruir” dessas mulheres. Eis o absurdo conceito de mulher objeto (não estou me referindo a parafilia, mas simplesmente ao conceito em si), tão absurdo que se oculta longe da racionalidade, de modo que muitas vezes ele está no inconsciente, e não no consciente. Mulheres objeto no inconsciente coletivo de homens, e também de mulheres… Não acredita?

Se não acredita, dê uma breve olhada em comerciais de cerveja, em revistas masculinas, em sites pornô – ou melhor, talvez seja mais simples ir direto ao ponto, direto na “ferida”…

Clipes de música americana! Eles infestam as mentes de jovens e adolescentes – e mesmo de crianças e pré-adolescentes… Eu poderia citar vários exemplos, mas vamos direto a um ícone, do Black Eyed Peas (vale lembrar que não tenho nada contra a música em si, mas contra a idéia que os levou a escrever uma letra que, no fim das contas, resume muito bem o conceito de mulher objeto):

» Ver clipe de “My Humps” (Black Eyed Peas) no YouTube

Na música acima, chamada “My Humps”, temos praticamente uma relação comercial estabelecida: o homem deve prover a mulher com dinheiro e jóias caras, e ela deve prover ele (com o perdão da palavra) com “muita bunda dentro do seu jeans” – eu estou apenas traduzindo a letra!

Algumas mulheres perceberam o absurdo estabelecido na cultura musical “pop” americana… Alanis Morissette nos brindou com sua brilhante paródia da mesma música, em que ela usa a mesmíssima letra, mas com outro ritmo (ela certamente não pretendia lançar um hit com esse clipe):

» Ver clipe da paródia de “My Humps” (Alanis Morissette) no UOL+

Isso dá uma pequena idéia geral de como o conceito de mulher objeto penetra em nossa cultura desde praticamente o berço – e nem sempre nossos adolescentes percebem por onde esse tipo de pensamento adentrou suas vidas (e até mesmo alterou o funcionamento cerebral)… Infelizmente não somos educados para pensar por nós mesmos, e dá no que dá: “conceitos enlatados goela adentro” – muitos de nós são praticamente gansos com cérebro inchado (ao invés do fígado).

E como mudar? Como fazer com que as mulheres escapem dessa sina – e de quebra reduzir (muito) a violência contra a mulher, causa direta de muitos traumas e assassinatos, mesmo nas “melhores famílias” –?

Simples: não aceite. Não compre essas idéias. Analise a si mesmo, conheça aos próprios pensamentos, e questione-se até que ponto eles são seus, e até que ponto são fruto de uma sociedade algo decadente, onde o deus do consumo faz o que quer e aonde quer… E todos o aplaudem, ou quase todos.

Mas, sobretudo, homens e mulheres, não desanimem! Quem sabe o dia em que nos chamaremos não de homens e de mulheres – mas de seres, de almas, de consciências –, não esteja tão distante assim… Era após era. Século após século… Hoje melhor do que ontem. Amanhã melhor do que hoje. Passo a passo.

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» Tradução da música “My Humps” (atenção: a leitura pode fazer você perder a fé na humanidade)

Nota: Não desconsidero a possibilidade da própria banda Black Eyed Peas ter feito uma grande sátira da nossa sociedade atual com a sua música. No entanto, seja porque a sátira tenha sido “sutil demais”, seja porque a grande maioria das pessoas não a entendeu, a crítica permanece válida. E, se for o caso de ter sido mesmo uma sátira, é possível que o próprio Black Eyed Peas também concorde com a crítica feita aqui…

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Crédito das fotos: Anônimo/Divulgação.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Música #sexo #sociedade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mulher-objeto

Pactum Pactorum

pactum-pactorum

Venha Participar de um ritual de Alta Magia que tem por objetivo abrir os portais da Riqueza e da Prosperidade para o praticante. Este é um ritual sério que nada tem a ver com Pactos Demoníacos e entidades maléficas.

Só que não!

Praticamente uma vez por mês recebo estes SPAMS inúteis vindo de Estelionatários ávidos por separar os trouxas de seu dinheiro, prometendo pactos mirabolantes, cursos de magia e rituais de riqueza fantasiosas. P.T.Barnum estava coberto de razão quando dizia que “Nasce um otário a cada minuto!”. No caso de Pactos com Lúcifer, parece que essa cota aumenta…

Vamos observar o email:

Sabemos que existem muitos mitos que rodeiam sobre rituais de Alta Magia e Pactos e que assim povoam o consciente da maioria das pessoas com pensamentos assustadores e tenebrosos. Não são medos infundados, pois desde a Inquisição muitas estórias foram inventadas para colocar medo naqueles que ousassem desobedecer as ordens da Igreja Romana. Além disso, são comuns em nossos tempos, pessoas praticarem ritos absurdos com entidades do plano inferior oferecendo a própria alma em troca de poucos anos de riqueza.

Nosso Ritual não tem nada a ver com isso!

Trata-se de um ritual sério, bonito, fundamentado em conhecimento, não na fé cega. Nosso Ritual não ofende a nenhuma religião, não blasfema contra nenhum Deus, não é um ritual de cunho sexual, não há nudismo, não há venda de almas e nem sacrifícios de sangue. E, além disso, funciona melhor que qualquer outro ritual que se possa ter notícias. Simplesmente porque não há nenhuma entidade superior à do nosso ritual na função de distribuir riquezas em nosso planeta -Nosso Ritual é para Reis – Venha Reinar Conosco!

Podemos perceber a marmotagem logo no primeiro parágrafo… o cara é mais escorregadio que um pastor evangélico. Não fala quem faz o ritual, o que faz, o que fará, nada… a idéia de que exista um ritual “que não blasfema contra nenhum Deus” ou “que não ofenda nenhuma religião” já mostra a total picaretagem do sujeito e já deveria levantar todas as bandeiras de suspeita… mesmo os bananas satanistas de orkutbook e seus “rituais de prosperidade do diabo” sabem que os crentes se melindram até com as velas dos rituais dos wiccas.

Outra indicação forte de picaretagem está em anunciar “segredos proibidos, rituais de reis, coisas que apenas o nosso grupinho secreto sabe para dominar o mundo”. Curiosamente, continuam pobres e desesperados por vender pactos da prosperidade.

Ora, qualquer meio-cérebro sabe que, se um ritual de prosperidade luciferiana funcionasse, a pessoa só precisaria fazê-lo uma vez e seria próspero… se a pessoa tem de mandar spams vendendo pactos a cada dois meses, é mais do que óbvio que eles não funcionam.

· O ritual é realizado individualmente em nosso Castelo (de forma secreta), ou seja, sem que ninguém mais necessite saber que vós realizou o ritual (isso será entre você e os Mestres Magos possuidores do Rito (e somente com tal discrição existirá o retorno esperado – não prossiga sem total discrição) ’Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez’. Através desse ritual, nós vos apresentamos à uma Poderosa Entidade Espiritual, incumbindo-lhe a missão de trazer-lhe riquezas e bens materiais. Você obterá também aumento da percepção, da influência, do poder e fortuna pessoal.

Mesmo porque imagine a vergonha alheia de voce ter de ir na polícia reclamar que foi feito de trouxa porque queria “fazer um pactum pactorum com lucifugo rocambole para ficar rico, mas eles roubaram seu dinheiro e não te deram nada”… o delegado ia mijar de rir da sua cara… Muitos desses pilantras esquisotericos utilizam-se dessa cobertura de “sigilo e segredo” para criar uma aura de mistério e amedrontar os trouxas. Quem os vê no youtube até poderia dar alguma credibilidade (ainda mais porque o alvo desses espertalhões geralmente é a pessoa que não entende nada de hermetismo). Depois, quando nada der certo, o otário vai reclamar com quem? com Satã? hauahauaha

continuando:

O nosso Rito possui alta tensão mágicka e não meras formalidades teatrais ou simbólicas. O que pode ser descrito (é bem limitado, pois não deve ser exposto). Em sua iniciação você passará por algumas preparações fundamentais, que seguem toda uma tradição ritualística, essa cerimônia é individual e realizada somente com sua presença em nosso Castelo, na região de xxxxxxxxxxx; em data específica, com absoluto sigilo. Seu corpo astral receberá ”marcas” que serão reconhecidas por outros seres astrais, além do recebimento de alguns ”itens” (que não podemos descrever aqui).

Para participar do ritual é preciso antes fazer o Curso Preparatório e também uma preparação pessoal antes do rito. Além disso, nós temos que confeccionar a jóia ritualística, os utensílios mágickos, vestimenta e pergaminho sagrado que será usado por vós na realização do ritual.

Dercy Gonçalves, grande illuminati, dizia sempre que “alta tensão mágicka de cu é rola!” e, na verdade, todo o teatrinho desses vigaristas era feito pensando justamente em deixar o infeliz assustado. Os crentes em suas centenas de anos de propaganda já criaram um diabo super-hiper-duper-poderoso, e nada mais bacana do que aproveitar dessa fama para pegar alguns trouxas. Além do mais, se o camarada já ficar com medo, melhor ainda, porque não vai reclamar depois. O lance de inventar um “curso preparatório para ritual de prosperidade” é coisa de Jênio! Espremer cada trocado da carteira do mané.

*Existem diversos custos que envolvem esse forte ritual e portanto esse custo é repassado ao interessado(a) que também deve contribuir com o Grande Templo, assim sendo, a taxa de participação é um investimento único de R$3.000,00 (Três Mil Reais) = um único investimento para uma nova vida de absoluto sucesso.

*pagamento no valor acima à vista e antecipado ao agendamento do ritual.

*consulte opções de parcelamento da taxa – com cheque – valor diferenciado.

Aceitamos vale-transporte e ticket restaurante também!

O nosso ritual é um rito de Alta Magia somente para os Reis!

Os Reis são aqueles que tem a mente aberta e têm coragem de encarar o mundo como ele realmente é!

Os Reis são aqueles que se responsabilizam pelos seus atos ao invés de compadecer-se de suas próprias dôres!

Os Reis são guerreiros, conquistadores e ambiciosos…

Os Reis compreendem que não ser escravo da matéria não significa viver na pobreza e sim possuir e dominar todo o qualquer bem que vier a desejar. Os Reis reinarão sobre todas as coisas materiais. E os escravos servirão!

Se você realmente tem interesse e está preparado para vir reinar conosco;

Obviamente, qualquer um que tenha o mínimo dessas qualidade passa longe dos picaretas. A única coisa certa que disseram é que os escravos servirão…

Felizmente, a polícia já começou a desbaratar essas quadrilhas de espertalhões. Alguns já foram, outros continuam agindo por ai. Fique esperto!

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pactum-pactorum

A Paráfrase de Sem

SOBRE O NÃO-CONCEBIDO:

A paráfrase sobre o espírito não-concebido; o que Derdekeas me revelou, Sem, de acordo com a vontade da majestade.

SEM TEM UMA VISÃO:

Meu pensamento, que estava em meu corpo, me arrancou da minha raça. Ele me levou até o topo do mundo, que está próximo à luz que brilhava sobre toda a região. Não vi nenhuma semelhança com a terra, mas havia luz.  E meu pensamento se separou do corpo de escuridão como se estivesse dormindo.

DERDEKEAS FALA A SEM SOBRE OS PODERES DO UNIVERSO:

Ouvi uma voz que me dizia: “Sem, como você é de um poder não misturado e é o primeiro ser sobre a terra, ouça e entenda o que lhe direi primeiro a respeito dos grandes poderes que existiam no início antes de eu aparecer. Havia luz e escuridão, e havia espírito entre elas.  Como sua raiz caiu no esquecimento – o que era o espírito não concebido – eu lhe revelo a verdade sobre os poderes.  A luz era pensada, cheia de atenção e razão; eles estavam unidos em uma só forma. E a escuridão era o vento nas águas. Ele possuía a mente envolta em fogo caótico. E o espírito entre eles era uma luz suave e humilde. Estas são as três raízes. Elas reinavam cada uma em si mesmas, sozinhas. E se cobriam mutuamente, cada uma com seu poder.

“Mas a luz, como possuía grande poder, conhecia a humilhação das trevas e sua desordem, ou seja, que a raiz não era reta”. A tortuosidade da escuridão era a falta de percepção, ou seja, a ilusão de que não há ninguém acima dele. E enquanto ele foi capaz de conter seu mal, ele estava coberto pela água. E ele se agitava. E o espírito se assustou com o som.  Ele se elevou até seu posto, e viu uma grande e escura água. E ele ficou enjoado. O pensamento do espírito olhou para baixo; ele viu a luz infinita. Mas ele foi negligenciado pela raiz pútrida. E, pela vontade da grande luz, a água escura se separou. A escuridão surgiu envolta em ignorância vil, e isto foi para que a mente pudesse se separar dele, porque ele se orgulhava disso.

A ESCURIDÃO VÊ O ESPÍRITO:

“Quando as trevas se agitaram, a luz do espírito lhe apareceu. Quando ele a viu, ficou espantado. Ele não sabia que outro poder estava acima dele. E quando viu que sua semelhança era escura em comparação com o espírito, sentiu-se magoado. E em sua dor ele levantou, acima da altura dos membros da escuridão, sua mente, que era o olho da amargura do mal. Ele fez com que sua mente tomasse forma em um membro das porções do espírito, pensando que, olhando para baixo para seu mal, ele seria capaz de igualar o espírito.  Mas ele não era capaz, pois queria fazer uma coisa impossível, e isso não aconteceu. Mas para que a mente das trevas, que é o olho da amargura do mal, não fosse destruída, já que ele foi feito parcialmente semelhante, ele se levantou e brilhou com uma luz ardente sobre todo o Hades, para que a igualdade da luz impecável pudesse se tornar aparente. Pois o espírito se beneficiou de toda forma de escuridão, pois ele apareceu em sua majestade.

“E a luz exaltada e infinita apareceu, pois ele estava muito alegre. Ele desejava revelar-se ao espírito. E a semelhança da luz exaltada apareceu para o espírito não percebido. Eu apareci.  Eu sou o filho da luz incorruptível e infinita. Eu apareci à semelhança do espírito, pois sou o raio da luz universal. E sua aparência para mim era para que a mente das trevas não permanecesse no Hades. Pois a escuridão se fez semelhante a sua mente em uma porção dos membros. Quando eu, ó Sem, apareci à semelhança, para que as trevas se tornassem escuras para si mesmo, de acordo com a vontade da majestade, e para que as trevas se tornassem desprovidas de todos os aspectos do poder que possuía, a mente atraiu o fogo caótico, com o qual estava coberta, do meio das trevas e da água. E da escuridão a água se tornou uma nuvem, e da nuvem o ventre tomou forma.  O fogo caótico, que era um desvio, foi para lá.

A ESCURIDÃO EJACULA A MENTE PARA DENTRO DO ÚTERO DA NATUREZA:

“E quando a escuridão viu o útero, ele se tornou incasto. E quando ela despertou a água, ela esfregou o útero. Sua mente se dissolveu até as profundezas da natureza. Misturou-se com o poder da amargura da escuridão. E o olho do útero rompeu com a maldade, para que ela não voltasse a trazer a mente à tona. Pois era uma semente da natureza a partir da raiz escura. E quando a natureza tinha tomado para si a mente por meio do poder das trevas, todas as semelhanças tomaram forma nela. E quando as trevas haviam adquirido a semelhança da mente, ela se assemelhava ao espírito. Pois a natureza se levantou para expulsá-la; ela era impotente contra ela, já que não tinha uma forma da escuridão. Pois ela a trouxe à tona na nuvem. E a nuvem brilhava. Uma mente aparecia nela como um fogo assustador e nocivo. A mente colidiu contra o espírito não concebido, pois possuía uma semelhança dele, a fim de que a natureza pudesse se esvaziar do fogo caótico.

E imediatamente a natureza foi dividida em quatro partes. Elas se tornaram nuvens que variavam em sua aparência. Eram chamadas de hímen, pós-parto, poder e água.  E o hímen, o pós-nascimento e o poder eram fogos caóticos. E a mente foi tirada do meio da escuridão e da água – já que a mente estava no meio da natureza e do poder das trevas – para que as águas nocivas não se apegassem a ela. Por causa disso, a natureza foi dividida, de acordo com minha vontade, para que a mente pudesse retornar ao seu poder, que a raiz escura, misturada com a mente, havia tirado dela. E a raiz escura apareceu no ventre. Na divisão da natureza, a raiz escura separou-se do poder escuro, que ela possuía da mente. A mente foi para o meio do poder – esta era a região do meio da natureza.

A LUZ DO ESPÍRITO ESTÁ NOS CONFINS DA NATUREZA:

“O espírito de luz, quando a mente o sobrecarregou, ficou espantado. E a força de seu assombro o tirou do fardo. E ele voltou ao seu calor. Ele acendeu a luz do espírito. E quando a natureza se afastou do poder da luz do espírito, o fardo voltou. E o assombro da luz novamente lançou fora o fardo. Ela se agarrou à nuvem do hímen.  E todas as nuvens das trevas gritaram, elas que haviam se separado do Hades, por causa do poder alienígena.

“Este é o espírito de luz que entrou nelas”. E pela vontade da majestade o espírito olhou para a luz infinita, para que sua luz possa ser piedosa e a semelhança possa ser trazida para cima do Hades. E quando o espírito tinha olhado, eu fluí para fora – eu, o filho da majestade – como uma onda de luz e como um redemoinho do espírito imortal. E eu soprei da nuvem do hímen sobre o espanto do espírito não percebido. A nuvem separou e lançou luz sobre as nuvens. Estas se separaram para que o espírito pudesse retornar. Por causa disso, a mente tomou forma. Seu descanso foi despedaçado. Pois o hímen da natureza era uma nuvem que não podia ser agarrada; é um grande fogo. Da mesma forma, o resplendor da natureza é a nuvem do silêncio; é um fogo augusto. E o poder que se misturou com a mente – foi também uma nuvem da natureza que se uniu à escuridão que havia despertado a natureza para o descaso. E a água escura era uma nuvem assustadora. E a raiz da natureza, que estava abaixo, era tortuosa, pois era pesada e prejudicial. A raiz estava cega para a luz amarrada, o que era insondável porque tinha muitas aparências.

DERDEKEAS APELA EM NOME DO ESPÍRITO:

“Tive piedade da luz do espírito que a mente tinha recebido”. Voltei à minha posição para rezar à luz exaltada e infinita para que o poder do espírito pudesse aumentar ali e pudesse ser preenchido sem impurezas escuras. E reverentemente eu disse: “Você é a raiz da luz”. Sua forma oculta apareceu, ó exaltada, infinita. Que todo o poder do espírito se espalhe e que seja preenchido com sua luz, ó luz infinita. Então não poderá unir-se ao espírito não concebido, e o poder do espanto não poderá misturar-se com a natureza. De acordo com a vontade da majestade, minha oração foi aceita.

“E a voz da palavra foi ouvida dizendo através da majestade do espírito não-concebido, ‘Vejam, o poder foi completado’. Aquele que foi revelado por mim apareceu no espírito”.

“Novamente eu aparecerei”. Eu sou Derdekeas, o filho da luz incorruptível e infinita.

“A luz do espírito infinito desceu à natureza fraca por um curto período de tempo até que toda a impureza da natureza se tornou nula, e para que a escuridão da natureza pudesse ser exposta. Vesti meu traje, que é o traje da luz da majestade – que eu sou”.  Vim na aparência do espírito para considerar toda a luz, que estava nas profundezas das trevas, segundo a vontade da majestade, a fim de que o espírito, por meio da palavra, pudesse ser preenchido com sua luz independentemente do poder da luz infinita. E, segundo meu desejo, o espírito surgiu por seu próprio poder. Sua grandeza lhe foi concedida para que pudesse ser preenchido com toda sua luz e se afastar de toda a carga da escuridão. Pois o que estava por trás era um fogo escuro que soprava e pressionava o espírito. E o espírito se regozijou porque ele estava protegido da água assustadora. Mas sua luz não era igual à majestade. O que lhe foi concedido pela luz infinita foi dado para que em todos os seus membros ele pudesse aparecer como uma única imagem de luz. E quando o espírito se levantava sobre a água, sua semelhança escura se tornava aparente. E o espírito honrou a luz exaltada: “Certamente só tu és o infinito, porque estás acima de tudo o que não é concebido, pois me protegeste das trevas”. E a teu desejo eu me levantei acima do poder das trevas”.

“E para que nada se escondesse de ti, Sem, surgiu o pensamento, que o espírito da grandeza havia contemplado, já que as trevas não eram capazes de conter seu mal. Mas quando o pensamento apareceu, as três raízes ficaram conhecidas como eram desde o início. Se as trevas tivessem sido capazes de conter seu mal, a mente não teria se separado dele, e outro poder não teria surgido.

DERDEKEAS ILUMINA A LUZ DO ESPÍRITO:

“Mas desde o momento em que parecia que eu era visto, o filho da majestade, para que a luz do espírito não se desvanecesse, e que a natureza não reinasse sobre ela, porque ela me olhava fixamente.

“E pela vontade da grandeza minha igualdade foi revelada, que o que é do poder poderia se tornar aparente. Você é o grande poder que surgiu, e eu sou a luz perfeita que está acima do espírito e das trevas, aquele que envergonha as trevas pelo coito da fricção impura”. Pois através da divisão da natureza a majestade desejava ser coberta de honra até o auge do pensamento do espírito. E o espírito recebeu o descanso em seu poder. Pois a imagem da luz é inseparável do espírito inconcebível. E os legisladores não o nomearam depois de todas as nuvens da natureza, nem é possível nomeá-lo. Pois cada semelhança em que a natureza se dividiu é um poder do fogo caótico, que é a semente material. Aquele que tomou para si o poder das trevas o aprisionou no meio de seus membros. E pela vontade da majestade, para que a mente e toda a luz do espírito pudessem ser protegidas de toda carga e do trabalho da natureza, uma voz saiu do espírito para a nuvem do hímen. E a luz do espanto começou a se alegrar com a voz que lhe foi concedida. E o grande espírito da luz estava na nuvem do hímen. Ele honrou a luz infinita e a semelhança universal, que eu sou, o filho da majestade, dizendo: ‘Anasses Duses, tu és a luz infinita que foi dada pela vontade da majestade para estabelecer cada luz do espírito sobre o lugar, e para separar a mente da escuridão’. Pois não era correto que a luz do espírito permanecesse no Hades. Pois, conforme vosso desejo, o espírito surgiu para contemplar vossa grandeza”.

DERDEKEAS PERTURBA OS PODERES DA NATUREZA:

“Porque eu te disse estas coisas, Sem, para que saibas que a minha semelhança, o filho da majestade, é do meu pensamento infinito, pois sou para ele uma semelhança universal que não mente, e estou acima de toda verdade e sou a origem da palavra. Sua aparência está em minha bela veste de luz, que é a voz do pensamento imensurável. Nós somos aquela única e única luz que surgiu. Ele apareceu em outra raiz, a fim de que o poder do espírito pudesse ser elevado da natureza débil. Pois pela vontade da grande luz eu saí do espírito exaltado até a nuvem do hímen sem a minha veste universal.

“E a palavra me tomou para si, do espírito, na primeira nuvem do hímen da natureza”. E eu me vesti com isto, do qual a majestade e o espírito inconcebível me fizeram digno”. E a tríplice unidade de minha veste apareceu na nuvem, pela vontade da majestade, em uma única forma. E minha semelhança foi coberta com a luz da minha veste. E a nuvem foi perturbada, e não foi capaz de tolerar minha semelhança. Ela derramou o primeiro poder, que havia tirado do espírito – o que brilhou sobre ele desde o início, antes que eu aparecesse na palavra ao espírito. A nuvem não teria sido capaz de tolerar os dois. E a luz que saía da nuvem passou pelo silêncio até chegar à região do meio. E pela vontade da majestade, a luz se misturou com ele, ou seja, o espírito que existe no silêncio, que havia sido separado do espírito da luz. Ela foi separada da luz pela nuvem do silêncio. A nuvem foi perturbada. Foi ele quem deu descanso à chama do fogo. Ele humilhou o ventre escuro para que ela não revelasse outras sementes da escuridão. Ele os manteve de volta na região central da natureza em sua posição, que era na nuvem. Ficaram perturbados porque não sabiam onde estavam. Pois ainda não possuíam a compreensão universal do espírito.

“E quando rezei para a majestade, para a luz infinita, para que o poder caótico do espírito pudesse ir e vir, e o ventre escuro pudesse ser estéril, e que minha semelhança pudesse aparecer na nuvem do hímen, como se eu estivesse envolto na luz do espírito que me precedeu, e pela vontade da majestade e através da oração, eu vim na nuvem para que através da minha veste – que era do poder do espírito – o pleroma da palavra pudesse trazer poder aos membros que o possuíam na escuridão. Pois por causa deles eu apareci neste lugar insignificante. Pois sou um ajudante de todos que receberam um nome. Quando apareci na nuvem, a luz do espírito começou a se salvar da água assustadora e das nuvens de fogo que haviam sido separadas da natureza escura. E eu lhes dei a honra eterna de não se envolverem novamente na fricção impura.

“E a luz que estava no hímen foi perturbada pelo meu poder, e passou pela minha região do meio. Estava repleta do pensamento universal. E, através da palavra da luz do espírito, voltou ao seu descanso. Recebeu forma em sua raiz e brilhou sem deficiência. E a luz que tinha surgido com ela do silêncio foi para a região do meio e voltou ao lugar. E a nuvem resplandeceu. E dela saiu um fogo insaciável. E a porção que se separava do espanto se revestia de esquecimento.  Ela foi enganada pelo fogo das trevas. E o choque de seu assombro lançou fora o fardo da nuvem. Era o mal, pois era impuro. E o fogo se misturou com a água para que as águas pudessem se tornar prejudiciais.

“A natureza, que havia sido perturbada, surgiu imediatamente das águas ociosas. Pois sua ascensão era vergonhosa. E a natureza tomou para si o poder do fogo. Ela se tornou forte por causa da luz do espírito que estava na natureza. Sua semelhança apareceu na água na forma de uma besta assustadora com muitos rostos, que está torturada abaixo. Uma luz desceu ao caos cheia de névoa e poeira, a fim de prejudicar a natureza. E a luz do espanto na região do meio veio a ela depois que ele lançou fora o fardo da escuridão.  Ele se regozijou quando o espírito se levantou. Pois ele olhou das nuvens para as águas escuras sobre a luz que estava nas profundezas da natureza.

“Então eu parecia ter a oportunidade de descer para o mundo inferior, para a luz do espírito que estava sobrecarregado, para protegê-lo do mal do fardo”. E, através de seu olhar para a região escura, a luz mais uma vez veio à tona, para que o ventre pudesse novamente subir da água. O ventre veio à tona por minha vontade. Guiadamente, o olho se abriu. E a luz, que tinha aparecido na região do meio e que se tinha separado do espanto, descansou e brilhou sobre ela. E o ventre viu coisas que ela não tinha visto antes, e ela se alegrou alegremente com a luz, embora esta que apareceu na região do meio, em sua maldade, não seja dela. Quando a luz brilhou sobre ela, e o ventre viu coisas que ela não tinha visto, e ela foi levada até a água, ela pensou que tinha alcançado o poder da luz. E ela não sabia que sua raiz estava ociosa pela semelhança da luz, e que era para a raiz que ele havia corrido.

A LUZ REZA POR MISERICÓRDIA:

“A luz estava espantada, a que estava na região do meio e que estava no começo e no fim. Por isso, seu pensamento olhava diretamente para a luz exaltada. E ele chamou e disse: “Senhor, tem piedade de mim, pois minha luz e meu esforço se desviaram”. Pois se vossa bondade não me estabelece, eu não sei onde estou”. E quando a majestade o ouviu, ele teve piedade dele.

“E eu apareci na nuvem do hímen, em silêncio, sem minha santa vestimenta”. Com minha vontade honrei minha veste, que tem três formas na nuvem do hímen. E a luz que estava no silêncio, aquela do poder regozijante, me conteve. Eu a usei.  E suas duas partes apareceram em uma única forma. Suas outras partes não apareceram por causa do fogo. Tornei-me incapaz de falar na nuvem do hímen, pois seu fogo era assustador, levantando-se sem diminuir. E para que minha grandeza e a palavra aparecessem, coloquei igualmente minha outra veste na nuvem do silêncio. Entrei na região do meio e coloquei a luz que estava nela, que estava afundada no esquecimento e que estava separada do espírito de espanto, pois ele havia lançado fora o fardo. A meu desejo, nada de mortal lhe apareceu, mas todas elas eram coisas imortais que o espírito lhe concedeu. E ele disse na mente da luz: “AI EIS AI OU FAR DOU IA EI OU, eu vim em grande descanso para que ele possa dar descanso à minha luz em sua raiz, e possa tirá-la da natureza nociva”.

DERDEKEAS TRAZ UMA ROUPA ARDENTE E FAZ SEXO COM A NATUREZA:

“Então, por vontade da majestade, eu tirei minha roupa de luz. Coloquei outra veste de fogo, que não tem forma, que é da mente do poder, que foi separada, e que foi preparada para mim, de acordo com minha vontade, na região do meio.  Pois a região do meio a cobriu com um poder escuro para que eu pudesse vir e vesti-la. Eu desci ao caos para salvar dela toda a luz. Pois sem o poder da escuridão eu não poderia me opor à natureza. Quando cheguei à natureza, ela não podia tolerar meu poder. Mas eu me apoiei em seu olhar fixo, que era uma luz do espírito. Pois ela havia sido preparada para mim como uma vestimenta e descansada pelo espírito. Através de mim, ele abriu seus olhos para o Hades. Ele concedeu à natureza sua voz por um tempo.

“E minha veste de fogo, segundo a vontade da majestade, desceu ao que é forte, e à porção impura da natureza que o poder das trevas estava cobrindo. E minha vestimenta esfregou a natureza em sua cobertura.  E a sua feminilidade impura era forte. E o útero irado surgiu e secou a mente, assemelhando-se a um peixe que tem uma gota de fogo e um poder de fogo. E, quando a natureza se livrou da mente, ela ficou perturbada e chorou.  Quando ela se machucou e em suas lágrimas, ela lançou fora o poder do espírito e permaneceu como eu estou. Coloquei a luz do espírito e descansei com minha roupa por causa da visão do peixe. E que os feitos da natureza poderiam ser condenados, já que ela é cega, de acordo com o número dos ventos fugazes, saíram dela múltiplos animais.  Todos eles surgiram no Hades, em busca da luz da mente que tomou forma. Eles não foram capazes de se opor a ela. Eu me regozijei com a ignorância deles.

DERDEKEAS ENGANA A NATUREZA, E A CRIAÇÃO COMEÇA:

“Eles me encontraram, o filho da majestade, em frente ao útero que tem muitas formas. Coloquei sobre a besta e lhe fiz um grande pedido para que o céu e a terra pudessem vir à existência, para que toda a luz pudesse se levantar.  Pois de nenhuma outra forma o poder do espírito poderia ser salvo da escravidão, exceto que eu lhe aparecesse em forma animal. Portanto, ela foi graciosa comigo como se eu fosse seu filho. E por causa do meu pedido, a natureza surgiu, pois ela possui o poder do espírito e a escuridão e o fogo. Pois ela havia tirado suas formas. Quando ela a jogou fora, ela soprou sobre a água.  O céu foi criado. E da espuma do céu surgiu a terra. E a meu desejo, ela produziu todo tipo de alimento de acordo com o número dos animais. E trouxe o orvalho dos ventos por causa de você e daqueles que serão concebidos pela segunda vez sobre a terra. Pois a terra possuía um poder de fogo caótico. Por isso, ela produziu cada semente. E quando o céu e a terra foram criados, minha veste de fogo surgiu no meio da nuvem da natureza e brilhou sobre o mundo inteiro até que a natureza se tornou seca. A escuridão que era a vestimenta da terra foi lançada nas águas nocivas. A região do meio foi limpa da escuridão. Mas o ventre se entristeceu por causa do que havia acontecido. Ela percebeu, em suas partes, a água como um espelho. Quando ela a percebeu, ela se perguntou como ela havia surgido. Portanto, ela permaneceu viúva. Também se espantou que não estivesse nela. Pois as formas ainda possuíam um poder de fogo e de luz. O poder permaneceu, que poderia estar na natureza até que todos os poderes lhe fossem tirados. Pois assim como a luz do espírito foi completada em três nuvens, é necessário também que o poder que está no Hades seja completado no momento designado. Pois, por causa da graça da majestade, eu saí da água para ela pela segunda vez. Pois meu rosto a agradou. Seu rosto também estava contente.

DERDEKEAS ORDENA À NATUREZA QUE DÊ À LUZ:

“E eu lhe disse: ‘Que a semente e o poder venham de vós sobre a terra’.  E ela obedeceu à vontade do espírito para que ela pudesse ser levada a nada. E quando suas formas voltaram, eles esfregaram a língua uns com os outros e copularam; produziram ventos e demônios e o poder que vem do fogo e da escuridão e do espírito.  Mas a forma que permaneceu sozinha expulsou a besta de si mesma. Ela não teve relações sexuais, mas foi ela quem se esfregou sozinha. E ela trouxe um vento que possuía um poder do fogo, da escuridão e do espírito.

“E para que os demônios também pudessem ficar desprovidos do poder que possuíam através das relações sexuais impuras, um ventre estava com os ventos que se assemelhavam à água. E um pênis impuro estava com os demônios de acordo com o exemplo da escuridão, e na forma como ele esfregou com o ventre desde o início”. E após as formas da natureza terem estado juntas, elas se separaram umas das outras. Eles se livraram do poder, ficando espantados com o engano que lhes havia acontecido. Eles sofreram com um luto eterno. Cobriram-se com seu poder.

“E quando os envergonhei, levantei-me com minha veste no poder – que está acima da besta, o que é uma luz – para que eu pudesse tornar a natureza desolada. A mente que tinha aparecido na natureza das trevas, e que era o olho das trevas, ao meu desejo reinou sobre os ventos e os demônios.  E eu lhe dei uma semelhança de fogo, luz e atenção, e uma quota-parte de razão sem astúcia. Portanto, ele foi dado da grandeza para ser forte em seu poder, independente do poder, independente da luz do espírito e do coito das trevas, para que, no final dos tempos, quando a natureza for destruída, ele possa descansar no lugar de honra. Pois ele será encontrado fiel, pois odiou o descaso da natureza com a escuridão. O forte poder da mente surgiu da mente e do espírito não-concebido. Mas os ventos, que são demônios da água e do fogo e das trevas e da luz, tiveram relações sexuais até a perdição. E através deste coito os ventos receberam em seu ventre espuma do pênis dos demônios. Eles conceberam um poder em seu ventre. Desde a respiração, os ventres dos ventos se cingiram até chegar o momento do nascimento. Eles desceram para a água. E o poder foi dado, através da respiração que causa o nascimento, no meio da fricção. E cada forma do nascimento recebeu forma nele. Quando os tempos do nascimento estavam próximos, todos os ventos eram colhidos da água que está perto da terra. Eles deram à luz todos os tipos de desencanto. E o lugar para onde apenas o vento ia era permeado pela falta de castidade. Dele saíram as esposas estéreis e os maridos estéreis. Pois assim como elas nascem, assim elas suportam.

OS DEMÔNIOS TRAZEM A INUNDAÇÃO E A TORRE DE BABEL:

“Por sua causa, a imagem do espírito apareceu na terra e na água”. Pois você é como a luz. Vocês possuem uma parte dos ventos e dos demônios e um pensamento da luz do poder do espanto. Pois tudo o que ele trouxe do ventre sobre a terra não foi uma coisa boa para ela, mas foi seu gemido e sua dor, por causa da imagem que em você apareceu do espírito. Pois você está exaltado em seu coração. E é uma bênção, Sem, se uma porção é dada a alguém e ele se afasta da alma para ir ao pensamento da luz. Pois a alma é um fardo para as trevas, e aqueles que sabem de onde veio a raiz da alma poderão apalpar atrás da natureza também. Pois a alma é uma obra de descortesia e um objeto de desprezo para o pensamento da luz. Pois eu sou aquele que revelou sobre tudo o que não é percebido.

“E para que o pecado da natureza pudesse ser preenchido, eu fiz o ventre, que foi perturbado, agradado – a sabedoria cega – que eu poderia ser capaz de trazê-lo a nada.  E, a meu desejo, ele conspirou com a água das trevas e também com as trevas, para que ferissem todas as formas de seu coração. Pois pela vontade da luz do espírito eles o cercaram; eles o amarraram na fé. E para que sua mente se tornasse ociosa, ele enviou um demônio, para que o plano de sua maldade fosse proclamado. E ele causou uma inundação, e destruiu sua raça, para tirar a luz e tirar-lhe a fé. Mas eu proclamei rapidamente pela boca do demônio que uma torre chegava até a partícula de luz, que ficou nos demônios e em sua raça – que era água – que o demônio poderia ser protegido do caos turbulento. E o ventre planejou estas coisas de acordo com minha vontade, para que ela pudesse derramar completamente. Uma torre veio a ser através dos demônios.  A escuridão foi perturbada por sua perda. Ele afrouxou os músculos do útero. E o demônio que ia entrar na torre foi protegido para que as raças pudessem continuar e pudessem adquirir coerência através dele. Pois ele possui o poder de todas as formas.

“Voltai doravante, ó Sem, e regozijai-vos muito sobre vossa raça e vossa fé, pois sem corpo e sem necessidade está protegida de todo corpo de trevas, dando testemunho das coisas santas da grandeza que lhes foram reveladas em seu pensamento pela minha vontade. E descansarão no espírito não concebido, sem luto. Mas vós, Sem, por causa disso, permanecestes no corpo fora da nuvem de luz, para que permanecêsseis com fé.  E a fé virá até você. Seu pensamento será tomado e dado a você com a consciência da luz. Eu lhe disse estas coisas para o benefício de sua raça, a partir da nuvem de luz. E da mesma forma, o que eu vos direi a respeito de tudo, eu vos revelarei completamente, para que o reveleis àqueles que estarão sobre a terra pela segunda vez.

UMA PERTURBAÇÃO DESFAZ O PODER DA NATUREZA:

“Ó Sem, a perturbação que ocorreu em meu desejo aconteceu para que a natureza pudesse ficar vazia.  Pois a cólera da escuridão diminuiu. Ó Sem, a boca da escuridão estava fechada. Já não aparece nela a luz que brilhava para o mundo, de acordo com minha vontade. E quando a natureza disse que seu desejo tinha sido realizado, então toda forma foi engolfada pelas águas na ignorância orgulhosa. A natureza transformou sua vagina escura e lançou dela o poder do fogo, que estava nela desde o início, através da fricção da escuridão. Ela se levantou e brilhou sobre o mundo inteiro ao invés do justo. E todas as suas formas enviaram um poder como uma chama de fogo para o céu, como uma ajuda à luz corrompida, que se elevou a si mesma. Pois eles eram membros do fogo caótico. E ela não sabia que havia se machucado. Quando ela lançava o poder, o poder que possuía, ela o lançava para fora dos genitais. O demônio, que é um enganador, despertou o ventre em todas as suas formas.

“E na sua ignorância, como se estivesse fazendo uma grande coisa, ela concedeu aos demônios e aos ventos uma estrela cada um. Pois sem vento e sem estrela nada acontece sobre a terra. Pois cada poder é preenchido por eles depois que são libertados das trevas e do fogo e do poder e da luz. Pois no lugar onde suas trevas e seu fogo se misturaram entre si, animais foram trazidos à luz. E no lugar das trevas e do fogo, e do poder da mente, e da luz, os seres humanos vieram à existência. Sendo do espírito, o pensamento da luz, meu olho, não existe em todas as pessoas. Pois antes que a inundação viesse dos ventos e dos demônios, a chuva vinha para as pessoas. Mas então, para que o poder que está na torre pudesse ser trazido e descansar sobre a terra, a natureza, que tinha sido perturbada, quis prejudicar a semente que estará sobre a terra depois do dilúvio. Foram-lhes enviados demônios, e um desvio dos ventos, e um fardo dos anjos, e um medo do profeta, uma condenação da fala, para que eu possa ensinar-lhes, ó Sem, de que cegueira sua raça é protegida. Quando eu vos tiver revelado tudo o que foi dito, então o justo brilhará sobre o mundo com a minha veste. E a noite e o dia serão separados.  Pois eu me apressarei a descer ao mundo para levar a luz daquele lugar, aquele que a fé possui. E eu irei aparecer àqueles que vão adquirir o pensamento da luz do espírito. Pois por causa deles apareceu minha majestade.

SODOMA, CIDADE DA GNOSE, É INJUSTAMENTE QUEIMADA:

“Quando ele tiver aparecido, ó Sem, sobre a terra, no lugar que se chamará Sodoma, então salvaguarde o discernimento que eu lhe darei”.  Pois aqueles cujo coração era puro se congregarão a vós, por causa da palavra que revelareis”. Pois quando aparecerdes no mundo, a natureza escura tremerá contra vós, juntamente com os ventos e um demônio, para que destruam o discernimento. Mas vós, proclamai rapidamente aos sodomitas vosso ensinamento universal, pois eles são vossos membros. Pois o demônio da forma humana se separará daquele lugar por minha vontade, uma vez que ele é ignorante. Ele guardará este enunciado. Mas os Sodomitas, segundo a vontade da majestade, darão testemunho do testemunho universal. Descansarão com a consciência pura no lugar de seu repouso, que é o espírito inconcebível. E como estas coisas acontecerão, Sodoma será queimado injustamente por uma natureza básica. Pois o mal não cessará, para que Vossa Majestade possa revelar esse lugar.

“Então o demônio partirá com fé. E então ele aparecerá nas quatro regiões do mundo. E quando a fé aparecer na última semelhança, então sua aparência se tornará manifesta. Pois o primogênito é o demônio que apareceu na união da natureza com muitas faces, para que a fé apareça nele.  Pois quando ele aparecer no mundo, surgirão paixões malignas, terremotos, guerras, fomes e blasfêmias. Pois por causa dele, o mundo inteiro será perturbado. Ele buscará o poder da fé e da luz; ele não o encontrará. Pois naquele momento o outro demônio aparecerá no rio para batizar com um batismo imperfeito e para perturbar o mundo com uma escravidão da água.  Mas é necessário que eu apareça nos membros do pensamento de fé para revelar as grandes coisas do meu poder. Vou separá-lo do demônio, que é Soldas.  E a luz que ele possui do espírito misturar-me-ei com minha veste invencível, bem como com aquele que revelarei nas trevas para vosso bem e para o bem de vossa raça, que será protegido das trevas malignas.

A LITANIA:

“Sabe, ó Sem,

que sem Elorchaios e Amoias

e Strofaias e Chelkeak

e Chelkea e Elaios,

ninguém poderá passar por aqui

esta região perversa.

Pois este é o meu testemunho,

que através dela eu tenho sido vitorioso

a região malvada.

E eu tomei a luz do espírito

da água assustadora.

Para quando os dias designados do demônio…

aquele que batizará erroneamente…

chegar perto, então eu aparecerei

no batismo do demônio

para revelar com a boca da fé

um testemunho para aqueles que lhe pertencem.

Testemunho de vocês, centelha, insaciável,

Osei, o eleito da luz, o olho do céu,

e a fé, a primeira e a última,

e Sofia, e Safaia, e Safaina,

e a centelha justa,

e a luz impura.

E você, ao leste, ao oeste, ao norte e ao sul,

ar superior e ar inferior,

e todos os poderes e autoridades,

você está na criação.

E você, Moluchtha e Soch,

são de todos os trabalhos

e todo esforço impuro da natureza.

“Então, eu irei através do demônio até a água”. E redemoinhos de água e chamas de fogo se erguerão contra mim. Então eu subirei da água, tendo acendido a luz da fé e o fogo insaciável, para que, com minha ajuda, o poder do espírito possa atravessar, ela que foi lançada no mundo pelos ventos, pelos demônios e pelas estrelas”. E neles serão preenchidos todos os inquebrantáveis.

“Finalmente, ó Sem, considera-te agradável no pensamento da luz. Não deixe que seu pensamento tenha relação com o fogo e o corpo de escuridão, que foi uma obra impura”. Estas coisas que eu te ensino estão certas.

A PARÁFRASE:

“Esta é a paráfrase: pois você não se lembrou que é do firmamento que sua raça tem sido protegida. Elorchaios é o nome da grande luz, o lugar de onde eu vim, a palavra que não tem igual. E a semelhança é a minha honrosa vestimenta. E Derdekeas é o nome de sua palavra na voz da luz. E Strofaia é o olhar abençoado, que é o espírito. E Chelkeach é minha veste, que veio do espanto, que estava na nuvem do hímen que apareceu como uma nuvem com três formas. E Chelkea é minha veste que tem duas formas, aquele que estava na nuvem do silêncio. E Chelke é a minha veste que lhe foi dada de cada região; foi dada de uma única forma da grandeza, e ele estava na nuvem da região do meio. E a estrela da luz que foi mencionada é minha veste invencível, que usei no Hades; esta, a estrela da luz, é a misericórdia que supera o pensamento e o testemunho daqueles que dão testemunho. E o testemunho foi mencionado: o primeiro e o último, a fé, a mente do vento das trevas. E Sofaia e Safaina estão na nuvem daqueles que foram separados do fogo caótico. E a centelha justa é a nuvem de luz que brilhou no meio de vocês. Pois na nuvem de luz, minha roupa descerá ao caos. Mas a luz impura, um poder, apareceu na escuridão e pertence à natureza escura. E o ar superior e o ar inferior, e os poderes e as autoridades, os demônios e as estrelas, estes possuíam uma partícula de fogo e uma luz do espírito. E Moluchthas é um vento, pois sem ele nada é trazido sobre a terra. Ele tem a semelhança de uma serpente e de um unicórnio. Suas protuberâncias são múltiplas asas. E o restante é o ventre que foi perturbado.

A BÊNÇÃO DE SEM E DO POVO DE ESPÍRITO:

“Você é abençoado, Sem, pois sua raça foi protegida do vento negro, que é de muitas caras”. E eles darão testemunho do testemunho universal e da fricção impura da natureza”. E eles se tornarão mais elevados de espírito, lembrando-se da luz.

“Ó Sem, ninguém que usa o corpo será capaz de completar estas coisas”. Mas através da lembrança, ele será capaz de compreendê-las, para que, quando sua mente se separar do corpo, estas coisas possam então ser-lhe reveladas”. Elas foram reveladas à sua raça. Ó Sem, é difícil para alguém que usa um corpo completar estas coisas, como eu disse a você. E é um pequeno número que as completará, aqueles que possuem a partícula da mente e o pensamento da luz do espírito. Eles vão manter sua mente longe da fricção impura. Para muitos na raça da natureza, buscarão a segurança do poder. Não a encontrarão, nem serão capazes de fazer a vontade da fé. Pois eles são a semente da escuridão universal. Eles serão encontrados em muito sofrimento. Os ventos e os demônios os odiarão. E a escravidão do corpo é severa. Pois onde os ventos, e as estrelas, e os demônios são expulsos do poder do espírito, aí vem sobre eles o arrependimento e o testemunho, e a misericórdia os conduzirá ao espírito inconcebível. E aqueles que estão arrependidos encontrarão descanso na consumação e na fé, no lugar do hímen. Esta é a fé que encherá o lugar que foi deixado vazio. Mas aqueles que não participam do espírito de luz e da fé dissolver-se-ão na escuridão, o lugar onde não veio o arrependimento.

“Fui eu quem abriu os portões eternos que estavam fechados desde o início. Aos que anseiam pelo melhor da vida, e aos que são dignos de descanso, ele os revelou. Eu concedi percepção àqueles que percebem. Eu lhes revelei todos os pensamentos e os ensinamentos dos justos. E não me tornei inimigo deles de modo algum. Mas quando eu tinha suportado a ira do mundo, eu saí vitorioso. Não havia nenhum deles que me conhecesse. As portas de fogo e a fumaça sem fim se abriram contra mim. Todos os ventos se levantaram contra mim. Os trovões e os relâmpagos por um tempo se levantarão contra mim. E eles trarão sua ira sobre mim. E por minha causa, em relação à carne, eles governarão sobre eles de acordo com sua raça.

O BATISMO IMPURO LEVA À ESCRAVIDÃO:

“E muitos que vestem carne errante descerão às águas prejudiciais através dos ventos e dos demônios. E eles estão presos pela água.  E a água se curará com um remédio fútil”. Ela desviará, e ligará o mundo. E aqueles que fazem a vontade da natureza … duas vezes no dia da água e das formas da natureza. E não lhes será concedida, quando a fé os perturbar para tomar para si o justo.

“Ó Sem, é necessário que o pensamento seja chamado pela palavra para que a escravidão do poder do espírito possa ser salva da água assustadora”. E é uma bênção se for concedido a alguém contemplar o que é exaltado e conhecer o tempo exaltado e a escravidão”. Pois a água é um corpo insignificante. E as pessoas não são libertadas porque estão presas na água, assim como desde o início a luz do espírito estava presa.

“Ó Sem, eles são enganados por diversos demônios, pensando que através do batismo com a imundícia da água, que é escura, fraca, ociosa e perturbadora, a água tirará os pecados. E eles não sabem que da água para a água há escravidão, erro, desconchavo, inveja, assassinato, adultério, falso testemunho, heresias, roubos, cobiças, balbucios, ira, amargura. . . . Portanto, há muitas mortes que sobrecarregam seus pensamentos. Pois eu o predigo àqueles que têm compreensão. Eles se absterão do batismo impuro. E aqueles que têm compreensão da luz do espírito não terão relações com a fricção impura. E seu coração não desmaiará, nem amaldiçoará, nem honrará a água. Onde está a maldição, há a deficiência. E a cegueira é onde está a honra. Pois se eles se misturam com os maus, tornam-se vazios na água escura. Onde a água foi mencionada, há a natureza, o juramento, a mentira e a perda. Pois somente no espírito não concebido, onde a luz exaltada descansou, a água não foi mencionada, nem pode ser mencionada.

“Pois esta é minha aparência: quando tiver completado os tempos que me são atribuídos sobre a terra, então lançarei de mim minha veste de fogo”. E minha inigualável vestimenta brilhará sobre mim, e todas as minhas outras vestimentas que eu colocarei em todas as nuvens que foram do assombro do espírito. Pois o ar rasgará minha vestimenta. Minha roupa brilhará, e dividirá todas as nuvens até a raiz da luz. O descanso é a mente e minha vestimenta. E minhas roupas restantes, as da esquerda e as da direita, brilharão nas costas a fim de que a imagem da luz possa aparecer. Pois no último dia minhas peças de vestuário que coloco nas três nuvens descansarão em sua raiz, ou seja, no espírito não concebido, já que não têm culpa, através da divisão das nuvens.

Portanto, eu apareci, sem culpa, por causa das nuvens, porque elas são desiguais, para que a maldade da natureza pudesse acabar. Pois ela desejava, naquele momento, me enganar. Ela estava prestes a deter Soldas, que é a chama escura, que foi colocada no alto, na árvore do erro, para que ela pudesse me prender. Ela cuidava de sua fé, sendo vaidosa.

REBOUEL É DECAPITADA:

“E naquela época a luz estava prestes a se separar da escuridão, e uma voz foi ouvida no mundo, dizendo: ‘Bênçãos no olho que te viu e a mente que apoiou tua majestade a meu desejo’.  Será dita pela exaltada, ‘Bênçãos sobre Rebouel entre todas as raças de pessoas, pois só você viu’.  E ela escutará. E eles decapitarão a mulher que tem a percepção, a qual você revelará sobre a terra. E de acordo com minha vontade, ela dará testemunho, e cessará de todo esforço vaidoso da natureza e do caos. Pois a mulher que eles decapitarão naquele momento é o suporte do poder do demônio que batizará a semente das trevas com severidade, para que a semente possa se misturar com a desconstrução. Ele gera uma mulher. Ela foi chamada de Rebouel.

“Veja, ó Sem, como todas as coisas que eu lhe disse foram cumpridas. . . . E as coisas que te faltam, segundo a minha vontade, aparecer-te-ão naquele lugar sobre a terra, para que as reveles como elas são. Não deixe que seu pensamento tenha relações com o corpo. Pois eu vos disse estas coisas, pela voz do fogo, pois entrei no meio das nuvens. E falei de acordo com a língua de cada um. Esta é a minha língua que falei com vocês.  E ela será tirada de vocês. E você falará com a voz do mundo sobre a terra.  E ela vos aparecerá com essa aparência e voz, e tudo o que eu vos disse. A partir de agora proceda com fé para brilhar nas profundezas do mundo”.

SEM RETORNA DE SUA EXTASIANTE JORNADA:

E eu, Sem, acordei como se fosse de um sono profundo. Eu me maravilhei quando recebi o poder da luz e todo o seu pensamento. E prossegui com fé para brilhar comigo. E o justo nos seguiu com minha vestimenta invencível. E tudo o que ele me havia dito que aconteceria sobre a terra aconteceu. A natureza foi entregue à fé, para que a fé a derrubasse e para que a natureza pudesse permanecer na escuridão. Ela produziu um movimento de viragem enquanto vagueava noite e dia, não descansando com as almas. Estas coisas completaram seus atos.

Então me regozijei com o pensamento da luz. Saí da escuridão e caminhei na fé onde as formas da natureza estão, até o topo da terra, até as coisas que estão preparadas. Sua fé está sobre a terra o dia inteiro. Por toda noite e dia ela envolve a natureza para tomar para si a justa. Pois a natureza está sobrecarregada, e ela está perturbada. Pois ninguém será capaz de abrir as formas do ventre, a não ser a mente sozinha a quem foi confiada sua semelhança. Porque assustadora é sua semelhança com as duas formas da natureza, a que é cega.

Mas aqueles que têm uma consciência livre se afastam do balbuciar da natureza. Pois darão testemunho do testemunho universal; despirão o fardo das trevas; porão a palavra da luz; e não serão mantidos de volta no lugar insignificante. E o que eles possuem do poder da mente, eles darão à fé. Eles serão aceitos sem pesar. E o fogo caótico que eles possuem deixarão na região central da natureza. E serão recebidos por minhas vestes, que estão nas nuvens. São eles que guiam seus membros. Eles descansarão no espírito sem sofrimento. E por causa disso, o termo de fé designado apareceu sobre a terra por um curto período de tempo, até que a escuridão lhe seja tirada, e seu testemunho seja revelado que foi revelado por mim. Eles, que provarão ser de sua raiz, despojarão as trevas e o fogo caótico. Eles colocarão a luz da mente e darão testemunho. Por tudo o que eu disse deve acontecer.

A DESOLAÇÃO FINAL:

Depois que eu deixar de estar sobre a terra e me retirar para o meu descanso, um grande e maligno erro virá sobre o mundo, e muitos males de acordo com o número das formas da natureza. Os tempos malignos virão.  E quando a era da natureza se aproximar da destruição, a escuridão virá sobre a terra. O número será pequeno. E um demônio surgirá do poder que tem uma semelhança de fogo. Ele dividirá o céu, e descansará nas profundezas do oriente. Pois o mundo inteiro tremerá. E o mundo enganado será lançado em confusão. Muitos lugares serão inundados por causa da inveja dos ventos e dos demônios que têm um nome que não faz sentido: Forbea, Chloerga. Eles são os que governam o mundo com seus ensinamentos. E eles desviam muitos corações por causa de sua desordem e seu descaso. Muitos lugares serão aspergidos de sangue. E cinco raças sozinhas comerão seus filhos. As regiões do sul receberão a palavra da luz. Mas eles que são do erro do mundo e do oriente. . . .  Um demônio surgirá da barriga da serpente. Ele estava escondido em um lugar desolado. Ele realizará muitas maravilhas. Muitos o abominarão. Um vento sairá de sua boca com uma semelhança feminina. Seu nome será chamado Abalfe. Ele reinará sobre o mundo do leste para o oeste.

Então a natureza terá uma última oportunidade. E as estrelas cessarão do céu. A boca do erro será aberta para que a escuridão maligna possa se tornar ociosa e silenciosa. E no último dia as formas da natureza serão destruídas com os ventos e todos os seus demônios; eles se tornarão um nódulo escuro, assim como eram desde o início.  E as águas doces que foram sobrecarregadas pelos demônios perecerão. Pois para onde o poder do espírito foi, existem as minhas águas doces. As outras obras da natureza não serão manifestadas. Elas se misturarão com as infinitas águas das trevas. E todas as suas formas cessarão a partir da região média.

SEM ASCENDE, EM MENTE, E RECITA A LITANIA:

Eu, Sem, já completei estas coisas. E minha mente começou a se separar do corpo de escuridão.  Meu tempo foi completado. E minha mente colocou sobre o testemunho imortal. E eu disse,

“Declaro seu testemunho,

que vocês me revelaram:

Elorchaios,

e você, Amoiaias,

e você, Sederkeas,

e sua inocência, Strofaias,

e você, Chelkeak,

e você, Chelkea,

e Chelke e Elaios,

você é o testemunho imortal.

Eu testemunho a vocês,

centelha, a insaciável,

que é um olho do céu e uma voz de luz,

e Sofaia, e Safaia, e Safaina,

e a centelha justa,

e a fé, a primeira e a última,

e o ar superior e o ar inferior,

e todos os poderes e autoridades que estão no mundo.

E você, luz impura,

e você também, leste e oeste, e sul e norte,

vocês são as zonas do mundo habitado.

E você também, Moluchtha e Essoch,

você é a raiz do mal

e todo trabalho e esforço impuro da natureza”.

Estas são as coisas que eu completei enquanto testemunhava. Eu sou Sem. No dia em que eu deveria sair do corpo, quando meu pensamento permaneceu no corpo, acordei como se fosse de um sono profundo. E quando me levantei como que do peso do meu corpo, eu disse: “Assim como a natureza envelheceu, assim é também no dia dos seres humanos”. Bênçãos sobre aqueles que sabiam, quando dormiam, em que poder descansava seu pensamento”.

E quando as Plêiades se separaram, eu vi nuvens, que eu vou passar. Pois a nuvem do espírito é como um berilo puro. E a nuvem do hímen é como uma esmeralda brilhante. E a nuvem do silêncio é como um florescente amaranto. E a nuvem da região do meio é como um jacinto puro.

“E quando o justo apareceu na natureza, então, quando a natureza estava zangada, ela se sentiu ferida, e concedeu à Morfaia de visitar o céu. O justo visita durante doze períodos para poder visitá-los durante um período, para que seu tempo seja completado rapidamente e a natureza se torne ociosa.

IDE EM GRAÇA E FÉ:

“Bênçãos para aqueles que se guardam contra a herança da morte, que é a água pesada da escuridão”. Pois não será possível conquistá-las em poucos momentos, já que elas se apressam a sair do erro do mundo”. E se forem conquistados, serão afastados deles e atormentados na escuridão até o momento de sua consumação.  Quando a consumação tiver chegado e a natureza tiver sido destruída, então seus pensamentos se separarão da escuridão. A natureza os sobrecarregou por um curto período de tempo. E eles estarão na luz inefável do espírito inconcebível, sem uma forma. E assim é a mente, como eu disse desde o início.

“Doravante, ó Sem, ide em graça e continua na fé sobre a terra”. Pois cada poder de luz e fogo será completado por mim por causa de ti”. Pois sem ti não serão revelados até que fales deles abertamente. Quando deixardes de estar sobre a terra, eles serão dados aos dignos. E, além desta proclamação, que falem de vocês sobre a terra, pois eles tomarão a terra despreocupada e agradável.

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Fonte:

<http://www.gnosis.org/naghamm/para_shem-barnstone.html>.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-parafrase-de-sem/