‘Tipologia das Entidades Extraterrestres

Contatos imediatos de primeiro grau – Observação simples do fenômeno, sem que este interfira no ambiente. São queridas pelos ufólogos, como mostradas em algumas fotos típicas.

Contatos imediatos de segundo grau – Semelhantes ao anterior, porém nestes são observados efeitos físicos em animais e matéria orgânica. A vegetação pode ser chamuscada ou podada( o caso dos círculos nas plantações , que poderei citar mais a frente) galhos de árvores quebram-se e animais ficam assustados, faróis de carros, motores e rádios desligam-se por algum tempo.

Contatos imediatos de terceiro grau – Os tripulantes do OVNI são vistos dentro ou nas proximidades da nave.

Os contatos imediatos de terceiro grau trazem os casos mais alucinantes que se pode ter. A variedade de descrições dos seres extraterrestres é imensa, mas após a análise cuidadosa é possível reconhecer alguns padrões nas descrições que se destacam dos demais casos pela intensidade com que se repetem ao redor do mundo. Desta forma a ufologia registrou os tipos de extraterrestres mais comuns, esses tipos são chamados de CEBES (Categorias de Entidades Biologicamente Extraterrestres) e são distribuída em cinco variedades principais:

ALFA: Os mais comuns, representando cerca de 67% dos casos de contatos imediatos de terceiro grau relatados, são chamados de greys “cinzentos”, pelo menos do que se conhece em vários países, sobretudo nos EUA; têm geralmente de 0,80m a 1,30m de altura, são esguios, com cabeça desproporcional, olhos grandes, ouvido, nariz e boca pequenos, pele rígida e elástica de cor cinza e, geralmente, quatro dedos;

Esta é a raça mais comum identificada pela Ufologia. São muitos os avistamentos, histórias e teorias referentes a eles, feitas de visionários da Nova Era a diferentes cientistas. Os Greys como são apresentados pela comunidade científica: São muito comumente descritos por suas vítimas de abduções. São considerados uma raça com motivos e propósitos desconhecidos em relação à Terra. Eles parecem estar abduzindo, estudando, testando vários indivíduos por motivos não muito claros. Os Greys como são apresentados pelo Movimento da Nova Era: são freqüentemente identificados como demônios ou raça de energia negativa. Eles são freqüentemente relacionados com muitas outras raças, como os Reptilianos e seus objetivos são desconhecidos. Os Greys são relacionados com diferentes teorias de conspiração – uma mistura de visões científicas e da Nova Era. Uma das teorias afirma que uma ou mais de suas espaçonaves se chocaram e foram capturadas pelo governo dos EUA. O governo americano então fez um acordo secreto com os Greys, permitindo que eles façam abduções de humanos em troca de tecnologia. A teoria da conspiração finaliza, afirmando que os Greys não mantiveram a sua parte no acordo. Estas são as descrições dos diversos tipos de Greys: (são todos Humanóides em aparência, com cabeça, tronco, dois braços, duas pernas e dois pés).

Subtipos:

Alfa 1: Os Greys mais freqüentemente vistos têm em torno de 0,60 cm a 1,20m de altura, muito magros, olhar delicado, de baixo peso, olhos negros extremamente penetrantes e inclinados sem pupilas, vestígios de boca e nariz, cabeça muito grande, com queixo pontiagudo. A cor da pele varia do cinza escuro ao cinza claro; do pálido ao branco e pode também ser bronzeado. Não há pelos em seu corpo.

Alfa 2: Outros também comumente vistos são semelhantes aos descritos anteriormente, exceto nos seus 15,24 cm de altura, e parecem dar as ordens. Uma variação deste mesmo tipo descrito são os olhos negros arredondados como grandes botões negros.

Alfa 3: Mais um tipo de Greys: são como pequenos robôs, atarracados e pequenos, com um liso e redondo capacete, com negros e profundos olhos, com o contorno da boca arredondado, tronco quadrado mostrando círculos concêntricos, cheiram como cabeça de fósforo queimada, e a pele tem a coloração cinza cogumelo. Este Greys agem como guardas de segurança.

BETA: Os tipo beta são o segundo tipo de extraterrestre mais comumente encontrados nos relatos de contato imediatos de terceiro grau computado cerca de 19% dos casos. São amistosos e muito parecidos com os humanos, têm pele clara, cabelos louros, tecnologicamente evoluídos, espiritualizados, benevolentes e confiáveis. Atuam com mais intensidade no hemisfério sul do planeta e Variam de 1,40m a 2,00m de estatura;  Os beta alegam representar essencialmente força espirituais interessadas na evolução moral do Planeta Terra, e englobam os relatos envolvendo os Centaurianos e os casos relacionados ao Comando Ashtar. Não somente isto, mas os relatos os descrevem com frequencia como a força líder também junto a outras diferentes raça do ramo da evolução.

GAMA: São altos, entre 2,10m a 2,50m, fortes, corpulentos e, às vezes, um pouco agressivos apresentando-se, em geral, envoltos em roupas especiais. Sua frequencia é elevada entre os casos registrados, computando 8% dos casos, mas sua atuação parece ter diminuido drasticamente desde o fim da guerra fria.

DELTA: Os tipo delta fornecem um modelo menos abrangente do que os tipo alfa, beta e gama. Representam uma infinidade de casos isolados que tem em comum o fato de apresentarem um comportamento animal, quase instintivo. Não apresentam um contato cultural inteligente, mas assemelham-se a animais (como por exemplo, o ET de Varginha) ou robôs analíticos. Possuem, de modo geral, uma baixa estatura; representam cerca de  3% dos casos relatados.

ÔMEGA: Conhecidos pelo nome de Espectrais, e representam aproximadamente 2% de todos os casos analisados de contato imediato de terceiro grau. Esses seres são energéticos ou luminosos e aparecem sobretudo à noite. São raros e não têm forma definida.  Possuem uma aura luminosa que se confunde com a luz do ambiente e um corpo mais sutil que o nosso. Apesar de raramente interagirem culturalmente com suas testemunhas, todas elas sao unanimes em afirmar que os tipo ômego emanam sentimentos de paz e amor. Muito espiritualizados, geralmente se apresentam mostrando muita leveza flutuando ou voando, de tal foram que normalmente são confundidos com anjos, arcanjos ou com figuras bíblicas.

uma classificação ufológica

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/tipologia-das-entidades-extraterrestres/

O Senhor dos Exércitos

» Parte 3 da série “Todas as guerras do mundo” ver parte 1 | ver parte 2

Deixe-me dar-lhe adeus, todo homem tem de morrer.
Porém está escrito na luz das estrelas, e em cada linha de sua mão:
Nós somos tolos por guerrear com nossos irmãos de armas…
(Brothers in Arms, Dire Straits)

O ano de 1209 deixou marcado na história o sangue de milhares de homens e mulheres massacrados pela Cruzada Albigesa, comandada pelo Rei da França e “abençoada” pelo então Papa da Igreja de Roma. Um dos principais objetivos desta Cruzada em especial não era “converter” os muçulmanos nas terras distantes, mas sim arrasar aos cátaros, um movimento religioso surgido dentro do próprio catolicismo, e que pregava uma visão um tanto quanto mística das Escrituras.

Bastante influenciado pelo gnosticismo, o catarismo pregava o cristianismo puro (do grego katharós, “puro”). Falavam em amor, fé, tolerância, perdão e misericórdia por onde passavam. Os cátaros eram queridos pelo povo, pois pregavam que não era necessária uma intermediação dos eclesiásticos em seu contato com Deus – eles poderiam orar em qualquer local, e realizar suas próprias missas e rituais de adoração, sem a necessidade de um padre. Também defendiam que a salvação da alma se daria pelo conhecimento (gnose) e pelo amor, sendo desnecessário, aqui também, o envolvimento da Igreja.

Mas os cátaros também tinham ideias radicais. Eles não acreditavam que o mundo tivesse sido criado diretamente por Deus, mas que era uma materialização do Mal e que, portanto, os que aqui viviam estavam destinados à expiação até que, após uma vida destinada ao bem, voltassem ao Éden perdido. Enquanto não conseguissem isso teriam que reencarnar em sucessivas vidas na Terra… Ou seja: os cátaros eram excelentes candidatos a serem arrasados por uma Cruzada; Isto é, caso se recusassem a “conversão”, aceitando a Verdade das Escrituras (segundo a Igreja de Roma, é claro).

Bem, eles se recusaram… Em 1209 a cidade Béziers era habitada por cerca de 60 mil pessoas, dentre elas muitos cátaros. O problema é que nem todos eram cátaros, o que gerou um questionamento muito pertinente de um dos comandantes do exército francês ao representante do Papa, quando eles se preparavam para invadir a cidade com uma força militar vastamente superior. O comandante perguntou: “Mas senhor, nesta cidade encontram-se vivendo em paz cristãos, judeus, árabes e cátaros. Como vamos saber quais são os inimigos?”. E a Igreja assim o respondeu: “Matem todos; Deus escolherá os seus!”. Béziers foi dizimada, mas não se sabe se Deus conseguiu encontrar os seus…

A ideia da guerra do Bem contra o Mal é poderosa e sedutora, e por isso mesmo sempre agradou aos Imperadores, Reis e Papas. De todas as ilusões que se interpõe a verdade inconveniente de que, como já vimos, todas as guerras do mundo se dão pelo desejo da conquista de territórios e riquezas, a lenda do Bem contra o Mal é a mais simples de se compreender, e a mais capaz de arrebatar uma grande massa de ignorantes. Nesse tipo de guerra, não há dor na consciência em dizimar inocentes, nem mesmo em estuprar mulheres e crianças, pois fica pré-estabelecido que elas são como demônios sem alma, fruto de um suposto exército comandando pelo Mal.

Engana-se quem pensa que tal artimanha se perdeu na Era Medieval, pois ela é até hoje utilizada em muitas guerras preventivas e atos de terror… Para os terroristas islâmicos, os civis de Nova York eram tão demônios quanto os civis do Iraque o eram para o exército americano. Nas manchetes, porém, havia o anúncio: “O Iraque será libertado das garras do Mal”. E acreditou quem quis, ou fingiu acreditar.

Nas Escrituras há inúmeras menções ao Senhor dos Exércitos, que presume-se ser o Deus Bom. Ocorre que, se ele é o senhor de um exército, falta definir quem seria o senhor dos outros exércitos, os inimigos do Bem. Esta ideia está muito bem definida na mitologia do zoroastrismo. Nesta antiquíssima religião persa, anterior ao próprio judaísmo e ao início da produção das Escrituras, há uma série de crenças que até hoje se veem presentes em inúmeras religiões modernas [1]: a imortalidade da alma, o advento de um messias, a ressurreição dos mortos, o juízo final, etc. Mas o que nos interessa aqui é a própria essência do zoroastrismo, que prega que o mundo inteiro é tão somente o grande palco da luta de duas divindades. Aúra-Masda seria o Deus Bom, e Arimã o Deus Mal. Espera-se, é claro, que o Bem vença esta batalha eterna… Pois bem, e todo esse tempo acreditávamos que o Imperador Constantino havia encontrado no cristianismo o sistema religioso ideal para a manutenção de seu império, quando na verdade ele deveria agradecer mesmo era a Zoroastro [2], e não a Jesus.

Interessante, porém, como mesmo a Bíblia parece ser bem pouco clara em identificar quem seria exatamente esse tal Deus Mal. Dizem que é Lúcifer, um suposto anjo caído, mas não se sabe onde exatamente ele está descrito. “Lúcifer”, termo que significa “o portador de luz”, e na antiguidade era quase que sempre associado ao planeta Vênus [3], parece se referir a uma pessoa diferente cada vez que é citado nas Escrituras: em Isaias (14:12) refere-se a um ambicioso rei babilônico que caiu no mundo dos mortos; no Apocalipse (12:4 e 7-9), um verdadeiro hino pagão, ele é identificado (por seus outros nomes) como um imenso dragão, que lembrava uma serpente gigantesca; já no mesmo Apocalipse (22:16) e em II Pedro (1:19), o termo está se referindo ao próprio Jesus Cristo. Mesmo quando é supostamente citado indiretamente, como em Ezequiel (28), fala sobre um querubim, um anjo que esteve no Éden, mas foi condenado por desafiar a autoridade de Deus (assim como Adão e Eva o desafiaram, aliás).

Vamos simplificar um pouco, senão daremos ainda muitas voltas sem sair do lugar, e essa questão me parece tão simples que uma criança poderia resolvê-la para nós, desde que fosse deixada livre para pensar por si mesma:

O que é o Mal? Agir, por vontade própria, para infligir nos outros algo que não gostaríamos que os outros infligissem em nós.

O que é Deus? O ser ou força primordial que gerou tudo o que existe a partir de si próprio, de modo que, se não existisse Deus, nada mais haveria.

Pode haver outro ser incriado, como Deus? Não, pela lógica só poderá haver um único ser incriado. Se houvesse outro, ou se houvessem mais de um, haveriam de ter sido criados por ainda outro Deus anterior a estes.

Lúcifer é mal, e foi necessariamente criado por Deus. Isso faz de Deus um ser mal? Faria, se Lúcifer fosse mal desde o princípio. Mas ainda podemos resolver a questão considerando que Lúcifer, tal qual o querubim que desafiou Deus, nasceu bom, ou neutro, mas depois tornou-se mal.

Mas então, Lúcifer é eternamente mal? Não, se qualquer ser criado por Deus fosse eternamente condenado a ser mal ou, de fato, eternamente condenado a proceder sempre por um mesmo princípio moral, ainda que bom, isso faria de Deus não um criador de seres, mas de robôs ou fantoches. Como Lúcifer nasceu bom e tornou-se mal, nada impede que ele se arrependa e se torne novamente bom. Conhecemos, pela nossa história, inúmeros exemplos de homens maus que tornaram-se bons (dentre eles o próprio São Paulo, que antes fora Saulo). Se estes podem se arrepender, Lúcifer também pode.

Mas, digamos que Lúcifer até hoje é mal por vontade própria, o que ele pretende conseguir em sua luta contra o Deus Bom? Difícil dizer, mas o que fica óbvio é que Lúcifer não teria nenhum poder sobre Deus, e nenhuma esperança de um dia vencer tal batalha.

Se Lúcifer sabe que jamais poderá vencer, porque ele precisa das almas dos homens? Difícil dizer, mas talvez seja uma forma de aliviar sua insatisfação: já que não pode “evoluir” no mal, trata de trazer para junto de si outros seres, de modo que fiquem estagnados como ele.

E Deus seria um Deus Bom se permitisse tal estagnação, sem proteger os seus da “sedução” de Lúcifer? Obviamente que não. De fato, independente de existir ou não um ser como Lúcifer, por toda a Natureza podemos ver claramente que a estagnação é severamente punida; Não para o mal, mas para o bem dos seres, conforme um remédio amargo… A isto Charles Darwin intitulou “a guerra da fome e da morte”.

***

Eis que todas as guerras do mundo são mesmo uma mesma guerra. Mas não uma guerra religiosa, não uma guerra ideológica, não uma guerra lendária, e nem mesmo uma guerra por riquezas e territórios… Pois que todos os imperadores que marcharam pelo mundo brandindo a bandeira com o símbolo do Senhor dos Exércitos eram apenas cegos um pouco mais elevados que outros cegos, ignorantes pastoreando ignorantes, buscando no horizonte algo que sempre esteve dentro deles mesmos, mas não perceberam, não acordaram e nem tampouco iluminaram suas consciências… Marcharam e dizimaram, e talvez tenham até “convertido” alguém, mas tudo o que conquistaram foi apenas sangue e fumaça.

Mal sabiam eles o quão próximos estiveram, e ainda estão, do Reino que, uma vez conquistado, jamais poderá ser perdido…

» Na parte final, a guerra da alma…

***
[1] Na verdade o zoroastrismo ainda é praticado por cerca de 200 mil pessoas, em sua maioria na Índia e no Irã.
[2] Profeta mítico que criou o zoroastrismo.
[3] Ovídio menciona que cada novo dia começa quando “Lúcifer brilha radiante no céu, chamando a humanidade para seus afazeres diários. Lúcifer excede em brilho as estrelas mais radiantes”.

Crédito das imagens: [topo] Iluminura dos irmãos Limbourg, do inicio do século XV (uma das raríssimas representações medievais de Lúcifer ainda enquanto anjo, e que mostra exatamente a sua queda); [ao longo] Lawrence Manning/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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A História do Deus Mitra

Este estudo buscará enfocar o tema Mitra em cinco partes: a) as origens antigas do Deus; b) o culto e a liturgia do mitraísmo; c) a derrota frente ao cristianismo; d) resquícios mitraícos e sua influência sobre a maçonaria e e) como seria um mundo moderno mitraíco à guisa de conclusão. Utilizamos, para este trabalho, enciclopédias e diversos textos da Internet, principalmente o texto de Jean-Louis dB no “La parole circule”.

I – As Origens Antigas do Deus Mitra.

Existe muita controvérsia sobre a etimologia de Mitra. Na Índia védica, Mitra significava ‘amigo’, no persa avéstico era traduzido como ‘contrato’. Esta última definição é a que prevalece nos nossos dias, sendo pois Mitra a personificação do contrato. Segundo os etimologistas, Mit(h)tra é composto de um sufixo instrumental – “tra” – que significa instrumento de trabalho e de um prefixo “mi” que é encontrado em todas as línguas indo-européias sob diferentes raízes. “Mei” pode significar ainda “lugar, encontro”. Em sânscrito “mitram” significa “amigo”. Mitra significando, pois, ‘contrato’ e ‘amigo’ não se opõem realmente, visto que não existe amizade sem um engajamento mútuo. Não se fala em ‘pacto de amizade’? Mitra se encontra sob diferentes ortografias: Mihr, Meher, Meitros, etc.

Os trabalhos clássicos de Mircea Eliade e principalmente os de Georges Dumézil sobre a Índia védica demonstram uma estrutura fundamental da sociedade e da ideologia das diferentes sociedades indo-européias. A sociedade é dividida em três classes: sacerdotes, guerreiros e agricultores que correspondem a uma ideologia religiosa trifuncional: a função da soberania mágica, da sacrificadora e da jurídica (Varuna-Mitra, Rômulo-Júpiter e Odin); a função dos deuses da força guerreira (Indra, o etrusco Lucumão-Marte e Thor) e, finalmente, a das divindades da fecundidade e da prosperidade econômica (os gêmeos Nâsatya ou os Asvins, Tatius [e os sabinos]-Quirino e Freyr).

Encontra-se o Deus Mitra no Panteão Védico da Índia desde 1380 a. C. Este Proto-Mitra estaria associado a Varuna e forma uma dualidade antitética e complementar. Mitra seria a face jurídico-sacerdotal, conciliadora, luminosa, próxima da terra e dos homens enquanto Varuna seria o aspecto mágico violento, terrível e tenebroso. Mitra torna-se, pois, a garantia do compromisso, a força deliberante, enquanto Varuna o respeito ao bom direito pela força atuante. A antítese Mitra-Varuna encontra-se também em Roma com a oposição dos dois primeiros reis: Rómulo (Varuna-Júpiter), semi-deus violento e Tatius (ou Numa-Mitra), ponderado e sábio, instituidor das questões sagradas e das leis, ligado igualmente aos deuses da fertilidade e do solo. Mitra é o Deus soberano sob seu aspecto racional, claro, regrado, calmo, benevolente, sacerdotal. Seu papel é secundário quando esta isolado de Varuna, mas compartilha com este todos os atributos da soberania. O Sol é seu olho, nada lhe escapa. A conclusão de um acordo se fará através de um sacrifício ao Deus Mitra, mas um sacrifício incruento, pelo menos no início, pois, mais tarde, terminará por aceitar sacrifícios sangrentos. Esta evolução é metaforizada pelo papel de Mitra na história dos Deuses, pois terminará por ser associado à morte do Deus Soma. Na origem, Mitra recusa-se a participar da morte ritual, sendo amigo de todos, pois prestará sua ajuda para, no final, ser um ator ativo na morte ritual.

O Mitra avéstico, encontrado na religião iraniana, é o Mitra mais conhecido e divulgado e precede o monoteísmo zoroastriano. A influência da antiga religião iraniana para a formação religiosa do Ocidente é bastante significativa: o tempo linear, a articulação dos diversos sistemas dualistas – sejam cósmicos, éticos ou religiosos -, o mito do Salvador; a elaboração de uma escatologia ‘otimista’ que proclama o triunfo do Bem sobre o Mal; a salvação universal; a doutrina da ressurreição dos corpos; certos mitos gnósticos; a mitologia dos Magos etc.

Na religião dos aquemênidas, a oposição entre Aúra-Masda (o Bem) e os daêvas (o Mal) sempre foi presente, já que na Índia védica aconteceu o contrário: no conflito entre os devas e os asura, aqueles foram vencedores, pois tornaram-se os verdadeiros deuses, ao triunfarem sobre as divindades mais arcaicas – os asura – que nos textos védicos são considerados figuras ‘demoníacas’. Processo similar, ainda que com sinal trocado, aconteceu no Irã: os antigos deuses, os daêvas, foram demonizados (ai, dos perdedores!). Eliade argumenta que “pode-se determinar em que sentido se efetuou essa transformação: foram sobretudo os deuses de função guerreira – Indra, Saurva, Vayu – que se tornaram daêvas. Nenhum dos deuses asura foi ‘demonizado’. Aquele que, no Irã, correspondia ao grande asura proto-indiano, Varuna, torna-se Aúra-Masda”.

Aqui, a antítese Varuna-Mitra é substituída pelo duo Mitra-Aúra sendo que a função continua a mesma. Mitra é um deus da luz, da aurora, guardião que socorre as criaturas, onisciente e vitorioso. Aúra, tornando-se progressivamente Aúra-Masda, transforma, também, a significação de Mitra, metamorfoseando-o paulatinamente num deus guerreiro. Mitra continua deus do contrato e do acordo e assegura uma ligação entre os diferentes níveis da sociedade da qual é garantidor da ordem, representada pelo gado e a fecundidade. Interessante notar que aquela trilogia de Dumézil – sacerdote, guerreiro e agricultor – começa a ser baralhada. Este Mitra avéstico, mais do que o védico, beneficiará os sacrifícios, notadamente os do Touro. Seu papel de deus guerreiro, contudo, crescerá à medida que Aúra-Masda fortifica e torna dominante o seu lugar no Panteão dos Deuses. Tal ‘evolução’ é lógica, pois como deus garantidor da ordem, sempre estará ao serviço do respeito da lei e do contrato para aqueles que o reverenciam. Com o tempo metamorfoseia-se num deus violento e cruel. É um deus solar com mil olhos e orelhas e, como vimos, um deus da fertilidade dos campos e dos rebanhos. Atua, como Hermes, no papel de psicopompo, ou seja, condutor das almas dos mortos, pois como senhor dos Céus conduz as almas até o Paraíso.

Mitra foi adorados por quase todos os soberanos persas: Ciro o reverenciava; sob Dario houve um breve eclipse, pois este, segundo alguns especialistas, era partidário de Zoroastro; e reaparece com Artaxerxes. Na cerimonial da realeza persa, o dia de Mitrakana era o único dia em que o rei persa tinha o direito de embriagar-se, numa clara analogia com a morte védica.

Mitra retorna ao primeiro plano como deus do sol, dos juramentos e dos contratos, sob a influência dos Magos. Estes foram uma classe de sacerdotes dos antigos medas com um papel sacrificial importante e que entre os gregos antigos gozavam de uma reputação de serem depositários de uma sabedoria esotérica. No Panteão dos Deuses avésticos, Mitra seria filho de Anihata ou Anahita, a gênia feminina do fogo, uma espécie de Virgem Imaculada, Mãe de Deus. É a única figura feminina associada a Mitra, pois este permanecerá celibatário por toda a vida, exigindo de seus admiradores a prática do controle de si, a renúncia e a resistência a toda forma de sensualidade. Vale salientar que o maior Mithraeum (templo) construído em Kangavar na Pérsia Ocidental era dedicado a esta deusa. Segundo reza o Mihr Yasht, o extenso hino em honra a Mitra da saga religiosa persa, a história de Mitra é a seguinte: após ter sido promovido ao panteão dos Grandes Deuses, Aúra-Masda mandou construir-lhe uma mansão no cimo do Monte Hara, ou seja, no mundo espiritual, além da abóbada celeste. Postou-se aí como o protetor de todas as criaturas e não era adorado como todos os outros deuses menores com preces rotineiras. Aúra Masda consagrou Haoma como sacerdote de Mitra que o adorava e lhe oferecia sacrifícios. Aúra Masda cria e prescreve o rito próprio ao culto de Mitra no paraíso. Mitra, assim, retorna à terra para o combate contra os daêvas sem, contudo, conseguir vencê-los. Somente quando Mitra se une a Aúra Masda o destino dos daêvas será selado. Mitra será, a partir daí, adorado como a luz que ilumina todo o mundo.

No tocante aos babilônios, estes incorporarão o Deus Mitra no seu Panteão e, em troca, introduzirão, na religião persa, seu culto solar, tendo a astrologia como um dos seus pontos mais fortes. Convém salientar que a cultura judaica sofrerá uma influência marcante do dualismo zoroastriano a partir do cativeiro em 597 a.C. No judaísmo primordial, Iavé era concebido como o único criador do Mundo e do Universo, ou seja a totalidade absoluta do real, contendo inclusive o mal. O dualismo Iavé – HaShatan advém de uma crise espiritual que se seguiu ao cativeiro babilônico, personificando aspectos negativos da vida, sob a forma de Satã, que se tornará progressivamente também eterno. Satã seria, então, o fruto de uma cissão da imagem arcaica de Iavé combinado com as doutrinas dualistas iranianas. Esta tradição impactará fortemente o cristianismo nascente.

O Mitra irano-helenístico tem a sua gênese com as conquistas de Alexandre e a queda do império persa durante o ano de 330 a. C., pois Alexandre e 10.000 de seus soldados macedônios se casam com mulheres persas e mais, dentro do ritual persa. Sabe-se que alguns destes macedônios e seus filhos, iniciados pelas mães persas, introduziram o culto de Mitra na Macedônia e na Grécia. É deveras conhecido que a adoração deste Deus Mitra, advindo do inimigo persa, nunca obteve uma grande popularidade na Grécia, apesar de continuar a manter a influência junto à aristocracia meda e iraniana. Tanto assim que o nome Mitrídate (dado a Mitra) é encontrado em diversos reis partos, do Bósforo e do Ponto Euxino. A arqueologia tem descoberto diversos templos – Mitreas – na Armênia. Apesar da pouca influência junto ao povo grego, a religião iraniana entrou num vasto movimento sincrético junto à cultura helênica. Mitra era adorado em todo o império de Alexandre e os Magos continuavam a ser os sacerdotes sacrificadores. O culto repousava sobre uma cronologia escatológica de 7.000 anos, cada milênio sendo governado por um planeta. Daí advém a série dos 7 planetas, dos 7 metais, das 7 cores etc. Durante os 6 primeiros milênios, Deus e o Espírito do Mal combatem pela supremacia e, quando o Mal parecia vitorioso, Deus enviou o Deus solar Mitra (Apolo, Hélio) que domina o sétimo milênio. No fim deste período setenal, a potência dos planetas cessa e um incêndio universal recobre o mundo.

Curioso nesta época é a biografia do rei Mitrídate VI Eupator, rei do Ponto, anterior ao nascimento de Cristo. Seu nascimento foi anunciado por um cometa, um raio caiu sobre o recém-nascido, deixando-lhe uma cicatriz. A educação deste rei é uma longa série de provas iniciáticas. É visto durante sua coroação como uma encarnação de Mitra. A biografia real é muito próxima do Natal cristão. Ele será o último rei de uma longa lista de grandes reis Mitridates. Conquistou quase toda a Ásia Menor por volta de 88 a. C., mas foi derrotado pelos romanos em 66. Provavelmente aliou-se aos piratas Cilicianos dos quais falaremos a seguir. Foi, também, o primeiro monarca a praticar a imunização contra os venenos, a qual, segundo o Aurélio, se adquire por meio da repetida absorção de pequenas doses deles, gradualmente aumentadas, daí o nome mitridatismo.

A grande popularidade e o apelo do mitraísmo como uma forma refinada e final do paganismo pré-cristão foi discutida pelo historiador grego Heródoto, pelo biógrafo, também grego, Plutarco, pelo filósofo neoplatônico Porfírio, pelo herético gnóstico Orígenes e por São Jerônimo, um dos pais da Igreja.

O contato com o mundo helênico desenvolvia-se essencialmente a partir de Comageno na Ásia Menor. Daí surgem os primeiros testemunhos sobre Mitra, como um Deus dos Mistérios no primeiro século a. C., curiosamente, no seio dos piratas Cilicianos em luta contra os romanos. É dentro deste contexto de resistência e luta que Mitra pode tornar-se um Deus iniciático. Plutarco diz que celebravam em segredo ‘os mistérios de Mitra’. Sua capital era Tarso, onde nasceu S. Paulo, e Perseu era o seu Deus fundador. O símbolo da cidade era o combate do Leão com o Touro. Paralelamente a isto, os Magos medas se fixaram na Ásia Menor e na Mesopotâmia, infiltrando-se cultural e religiosamente no mundo helênico, principalmente, como vimos, na aristocracia. Cita-se que o rei Tiridate quando veio a Roma para ser coroado rei da Armênia por Nero, dirigiu-se ao imperador chamando-o por Mitra (Deus Sol).

O Mitra romano faz sua ‘rentrée’ no Império através dos Mistérios. O termo “mistério” possui um sentido muito preciso. Os mistérios gregos, e depois romanos, foram numerosos: Dionísio, Elêusis, Cibele, Átis e Deméter. Podem ser ainda citados os de Ísis, Sarápis, Sabázios, Júpiter Doliqueno etc. Uma certa bruma enigmática envolvia todos estas cerimônias dos mistérios, mas o comum entre eles, era o aspecto ‘solar’, apesar de todos esconderem sua identidade essencial. Desnecessário dizer que, por serem os mistérios, secretos e ocultos, poucos documentos escritos chegaram até nossos dias. O pouco que se sabe sobre eles advém da patrística cristã que, na ânsia de combater o mitraísmo, terminou por nos legar uma série de descrições sobre o mesmo. Alguns autores gauleses chegam a afirmar que assim como a maçonaria foi a religião clandestina da IIIª República Francesa, o mitraísmo sustentava subterraneamente a ideologia da Roma Imperial.

A inoculação do veneno mitraíco no seio do Império, segundo Plutarco (Vita Pompeu), foi o transplante, feito por Pompeu em 67 a. C., de 20.000 prisioneiros Cilicianos (uma província na costa sul oriental da Ásia Menor) que praticavam os “ritos secretos” de Mitra. Daí, a epidemia mitraíca se alastrou por todo o mundo romano, reforçada ainda pelos múltiplos contatos das tropas de ocupação romana com as outras culturas mitraícas, tendo atingido o seu zênite no século III, quando começou a travar uma luta de vida e morte com o cristianismo. Tanto assim que do século II ao IV da nossa era, os Mithrae (ou Mithraeum no singular) – templos dedicados ao culto do deus – chegaram a ser mais de 40 em Roma. Um dos maiores templos construídos podem ser encontrados hoje nos subterrâneos da Igreja de São Clemente, perto do Coliseu. Esta adoração não se restringia somente à capital do Império, mas principalmente às cidades portuárias da atual Itália: Óstia, Antium, no mar Tirreno; Aquiléia, no Adriático, Siracusa, Catânia, Palermo etc. Paralelamente, a propagação se dá na Áustria, na Germânia, nas províncias danubianas, na Polônia, na Hungria e Ucrânia e num movimento de volta, nas províncias da Trácia e da Dalmácia, num retorno à Grécia e a Macedônia. No terceiro século, encontram-se traços mitraícos na Criméia, no Eufrates, no Egito e sobretudo no Maghreb. Curioso é que a Espanha e Portugal sofreram pouquíssima influência. A Gália oriental, renana e belga, pagou o seu tributo, assim como também a Aquitânia. Encontram-se vestígios na região parisiense, como também em Boulogne sur Mer. Na Inglaterra, a concentração se dá em Londres e na região norte, ao longo do muro de Adriano, até Canterbury. Locais de adoração mitraíca foram encontrados também, na Bretanha, na Romênia, na Alemanha, na Bulgária, na Turquia, na Pérsia, na Armênia, na Síria, em Israel etc. No final do século III, Mitra era adorado da Escócia à Índia, chegando até a oeste da China, onde era conhecido como Amigo, nome que indica uma filiação védica.

Mitra passa a ser representado como um general militar. É o Amigo do homem durante a sua vida e seu protetor contra o mal após a sua morte. Mitra não é só propagado pelos militares romanos como também pelos funcionários, comerciantes, artistas, meio jurídico e financeiro e, principalmente nos círculos do conhecimento. Ao contrário da Grécia, penetra nos meios mais modestos e populares. Por mais de trezentos anos, os romanos adorarão Mitra.

Em meados do segundo século, seu culto atinge a cúpula militar. Os neófitos começaram a congregar-se sob os Flávios, espalhando-se o culto na época dos Antoninos e Severos. Os próprios Imperadores se fizeram iniciar nos mistérios, havendo suspeitas de que Nero tenha sido um deles. Contudo, é Cômodo (185-192) que parece ter sido o primeiro a se converter ao culto, seguido por Sétimo Severo. Caracala (211-217) encoraja o culto do Deus solar sob a forma de Sol invictus. O culto foi reintroduzido por Aureliano (270-275). O apoio oficial virá, entretanto, no reinado de Diocleciano em 307. Apesar destas emanações, não parece que Mitra tenha recebido uma preponderância imperial na corte dos Césares pagãos. Deve-se notar, ainda, que do mesmo modo que o cristianismo, sua influência não foi estendida ao meio rural. Alguns autores sugerem que isto se deveu à exclusão das mulheres nas funções litúrgicas.

II – Representações Litúrgicas e Ritualísticas do Deus Mitra

Mitra é um Deus de forma humana. É representado sob a forma de um jovem montado num touro e, com uma das mãos, empunha uma adaga para o degolar. Alguns afrescos, encontrados na parte mais central do Mithraeum (templo subterrâneo de adoração), representam Mitra com a cabeça voltada para o alto ou para o lado, significando desgosto com o que está fazendo. Sincreticamente, encontram-se ainda imagens de Teseu matando o Minotauro ou Perseu chacinando a Górgona ou, ainda, Hércules esfolando o Touro. Mitra está vestido em trajes orientais e muitas vezes circundado por dois meninos ou pastores que podem simbolizar o levante e o ocaso, o Outono ou a Primavera, as marés – montante e vazante – e ainda, a vida e a morte. A cena possivelmente se passa numa gruta. Um corvo, mensageiro do sol, está quase sempre na borda do rochedo. Vê-se ainda um cão se aproximando para beber o sangue da vítima, uma serpente enroscada dentro de uma pequena cratera e ao redor de um recipiente, um leão ameaçador, espigas de trigo sobre o rabo do touro e um escorpião que pica os testículos do animal morto.

A figura do touro tem sido exaltada através do mundo antigo pela sua força e vigor. Os mitos gregos falavam sobre o Minotauro, um monstro metade-homem metade-touro que vivia no Labirinto nos subterrâneos da ilha de Creta e que exigia um sacrifício anual de seis mancebos e seis donzelas antes de ter sido morto por Teseu. Peças de arte minóica representavam ágeis acrobatas saltando bravamente sobre o dorso de touros. O altar, em frente ao Templo de Salomão em Jerusalém, era adornado com chifres de touros que acreditavam ser portadores de poderes mágicos. O touro era também um dos quatro tetramorfos, ou seja um dos símbolos animais associados com os quatro evangelhos. A mística deste poderoso animal ainda sobrevive atualmente nas touradas da Espanha e do México, no rodeio dos ‘cowboys’ dos EEUU e agora, também, no Brasil.

Os estudos clássicos do belga Franz Cumont (1913) que provaram ser os mistérios mitraícos derivados das antigas religiões iranianas explica parcialmente como a cena da morte do Touro – conhecida como tauroctonia – inexiste na mitologia iraniana com a figura de Mitra. Cumont responde que teria encontrado textos que apresentavam o matador do touro como Ahriman, ou seja a força cósmica do mal na religião iraniana.

Somente a partir do Primeiro Congresso Internacional de Estudos Mitraícos (1971) levantaram-se novas hipóteses para explicar esta incongruência. A iconografia tauroctônica seria, na verdade, um mapa astronômico! Tais hipóteses, segundo os estudos de David Ulansey, baseiam-se em dois fatos: i) cada figura, na tauroctonia padrão, teria um paralelo com um grupo de constelações ao longo de uma faixa contínua no céu: o boi tem um paralelo com a constelação do Touro, o cachorro com o Cão Menor, a serpente com a Hidra, o corvo com o Corvus e o escorpião com Scorpio; ii) a iconografia mitraíca, em geral, é permeada por imagens astronômicas explícitas: o zodíaco, os planetas, o sol, a lua e as estrelas são permanentemente encontrados na arte mitraíca.

A pesquisa de Ulansey sobre cosmologia antiga, principalmente a astronomia greco-romana, focaliza o seu caráter “geocêntrico” no tempo dos mistérios mitraícos, no qual a terra era fixa e imóvel no centro do universo e tudo girava à sua volta. Nesta cosmologia, o universo era imaginado como estando contido numa grande esfera no qual as estrelas eram fixadas em várias constelações. Hoje sabemos que a terra tem um movimento de rotação sobre o seu eixo cada dia, mas na antigüidade acreditava-se que, uma vez por dia a grande esfera das estrelas fazia a sua rotação sobre a terra, oscilando num eixo que corria da abóboda do polo norte para o do sul. No seu giro, a esfera cósmica carregava o sol, explicando assim a oscilação do mesmo sobre a terra.

Além deste movimento, os antigos atribuíam um segundo movimento mais vagaroso. Enquanto hoje sabemos que a terra gira ao redor do sol durante o ano, na antigüidade acreditava-se que, durante o ano, o sol – que estava bem mais próximo do que as outras estrelas – viajava sobre a terra, traçando um grande círculo no céu tendo como fundo as outras constelações. Este círculo, traçado pelo sol durante o ano, era conhecido como o zodíaco, uma palavra significando ‘figuras vivas’, pois o sol passeava, durante o ano, sobre doze diferentes constelações que representavam diversas figuras de animais e formas humanas. Visto que os antigos acreditavam na existência real de uma grande esfera de estrelas, suas várias partes – tais como os eixos e os pólos – jogavam um papel crucial na cosmologia de seu tempo. Particularmente, um importante atributo da esfera das estrelas era muito mais bem conhecido do que hoje: o equador, denominado na época de equador celeste. Assim como o equador terrestre é definido como um círculo ao redor da terra eqüidistante dos pólos, também o equador celeste era entendido como um círculo ao redor da esfera das estrelas eqüidistante dos pólos desta mesma esfera. O círculo do equador celeste era visto como tendo uma importância especial por causa dos dois pontos em que ele cruzava com o círculo do zodíaco: estes dois pontos eram os equinócios, ou seja, o local onde o sol, no seu movimento através do zodíaco, cortava-o no primeiro dia da primavera e no primeiro dia do outono. Assim, o equador celeste era responsável pela definição das estações e, por esta razão, tinha uma significação concretíssima ao lado seu significado astronômico mais abstrato.

Um outro fato sobre este equador celeste é decisivo: como não estava fixo, possuía um movimento lento alcunhado de “precessão dos equinócios”. Este movimento, sabemos hoje, é causado por uma oscilação na rotação da terra sobre seu eixo. Como resultante desta leve oscilação, o equador celeste parece mudar sua posição no curso de milhares de anos. Este movimento é conhecido como a precessão dos equinócios por que o seu efeito observável mais facilmente é uma mudança na posição dos equinócios ou seja, os locais onde, como vimos acima, o equador celeste cruza o zodíaco. Desta maneira, esta precessão resulta num movimento vagaroso para trás ao longo do zodíaco, passando sobre uma constelação do zodíaco a cada 2.160 anos e percorrendo todo o zodíaco a cada 25.920 anos. Hoje, por exemplo, o equinócio da primavera está no final da constelação de Peixes, mas, em algumas dezenas de anos, estará entrando em Aquário – já se fala muito, atualmente, na Era de Aquário. A grosso modo, o equinócio da primavera estava em Touro entre 4.000 a 2.000 a.C. mais ou menos; em Áries de 2000 a.C. até o nascimento de Cristo, ou seja nos tempos greco-romanos; a Era de Peixes – o cristianismo –, da gênese do mesmo até a nossa mudança de milênio e de 2000 e poucos em diante, a tão decantada Era de Aquário.

Ulansey descobriu que, neste fenômeno da precessão dos equinócios, estaria a chave para desvendar o segredo do simbolismo astronômico da tauroctonia mitraíca. Para as constelações desenhadas nas tauroctonias mais comuns havia uma coisa constante: todos eles estavam posicionados no equador celeste como na época imediatamente precedente à Era de Áries dos tempos greco-romanos. Durante esta idade anterior, que podemos chamar de Era de Touro (como vimos durou mais ou menos de 4.000 a 2.000 a.C.), no equador celeste da época estavam Taurus (Touro, o equinócio da primavera), Canis Minor (o Cão), Hydra (a serpente), Corvus (o Corvo) e Scorpio (o Escorpião que estava no extremo oposto do Touro, ou seja, o equinócio do Outono). A coincidência é impressionante, todos estas constelações estão representadas nas tauroctonias.

Em muitas ilustrações tauroctônicas, a cabeça de Mitra é nimbada de estrelas. Assim, a morte do Touro representaria, no zodíaco, o fim da Era de Touro e o começo da Era de Aries no equinócio da primavera e Mitra, o deus Todo-Poderoso, que poderia reger e mudar todo o sistema cósmico. Nos escritos do filósofo neoplatônico Porfírio, encontra-se a alusão de que a caverna, onde se posiciona o Mithraeum e está desenhada a tauroctonia, na sua parte mais recôndita, seria, na verdade, uma ‘imagem do cosmos’.

Como curiosidade, Freud e Jung tiveram uma divergência básica sobre a interpretação psicanalítica do morte do touro, sendo um dos pontos básicos de divergência e conflito entre ambos, resultando, posteriormente, em separação definitiva.

Mitra, Deus solar, também é representado com a cabeça de um Leão quando é saudado com o título de Sol invictus. São os afrescos, encontrados em Mênfis, com as coxas peludas, patas de caprino e a cabeça radiada. Mitra Leoncéfalo, portando as chaves, é outra imagem lapidar, pois fora das cenas tauroctônicas, ele é representado em momentos de refeição ou de iniciação.

No tocante ao culto e à liturgia, estes se faziam no interior do Mithraeum e na presença dos fiéis. A liturgia constava de ofícios e orações; manducação de pão e sumpção de água e vinho, acompanhadas de fórmulas sagradas; danças de luzes e fórmulas de êxtase; orações ao nascer do Sol, ao meio-dia e ao ocaso. As festas realizavam-se no sétimo mês do ano, mas todos os meses se festejava uma semana inteira, sendo cada dia destinado a um planeta. Comemorava-se, de modo especial, o dia natalício do deus (Natalis Invicti), a 25 de dezembro. Os ofícios dos templos faziam-se à luz de velas, com toques de sinos e com hinos, cujo teor não se conhece, porque se perderam.

O Mithreum típico era uma pequena câmara retangular subterrânea (25x10m) com um teto arqueado. Um corredor dividia o templo ao meio, com bancos de pedra dos dois lados de 80 cm de altura no qual os membros do culto podiam descansar durante suas reuniões. Um mithraeum podia comportar de 20 a 30 pessoas. No fundo do templo, no final do corredor, havia sempre uma representação – normalmente um relevo entalhado e algumas vezes uma escultura ou pintura – do ícone central do mitraísmo: a tauroctonia ou a cena da morte do touro, conforme descrito acima. Outras partes do templo eram decoradas com várias cenas e figuras. Deveria ser implantado perto de uma fonte ou curso d’água ou, na falta destes, de um poço. Havia centenas, talvez milhares, de templos mitraícos no Império Romano.

Os adeptos de Mitra não se contentavam com um misticismo contemplativo. O seu culto encorajava a ação e um grande rigor moral. Para os soldados, a resistência ao mal e às ações imorais representavam uma vitória tão importante quanto as militares.

Reuniam-se, em pequenos grupos, unidos e solidários pelo ritual iniciático. Partilhavam o banquete sacramental com os deuses e finalizavam com uma aliança entre o sol e Mitra. O repasto, sobre os despojos de um touro, era seguido de um sacrifício, muitas vezes de um touro, ou de animais simbolizando o touro: cabras, javalis e/ou galináceos.

Consagrava-se o pão e a água, bebia-se o vinho que simbolizava o sangue do touro e comia-se a carne. O processo da iniciação mitraíca requeria a subida simbólica de uma escada cerimonial com sete degraus, cada um feito de um metal diferente para simbolizar os sete corpos celestiais. Simbolicamente galgando esta escada cerimonial através de sucessivas iniciações, o neófito podia atravessar os sete níveis do céu. Os sete graus do mitraísmo eram: Corax (Corvo), Nymphus ( Noivo), Miles (Soldado), Leo (Leão), Peres (Persa), Heliodromus (Corrida do Sol) e Pater (Pai); cada grau era protegido por um planeta (na cosmologia da época): Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, a Lua, o Sol e Saturno. Cada dignitário apresentava a vestimenta e a máscara correspondente ao seu grau. Como todo rito mitraíco a estrutura hierárquica era setenária. Os adeptos tinham a sua divisão de papéis: o chefe (pater), o papel de Mitra, o heliodromo (sol), o corvo apresentavam as carnes e as bebidas aos convivas dentro de uma ordem hierárquica. A carne era assada sobre os altares dentro da concepção do sacrifício do mundo greco-romano.

Os rituais iniciáticos constavam da admissão dos fiéis por “inductio”. Antes de serem admitidos, os candidatos eram interrogados, sondados, informados num local distinto do templo. Em seguida, eram submetidos a uma série de provas, nus e com os olhos vendados, marchavam às apalpadelas diante de um mistagogo para finalizar se ajoelhando diante de um personagem que portava uma tocha diante de seus olhos. A seguir, com as mãos atadas às costas, colocavam um joelho no chão ao mesmo tempo que um sacerdote cingia-lhes a cabeça com uma coroa. No final, prostravam-se como mortos. Tudo isto faz parte da tipologia iniciática das sociedades secretas em geral: olhos vendados, resistência física, morte simbólica, etc.

Reprova-se, nos adeptos de Mitra, a propensão aos sacrifícios humanos. Tal suposição advém de se ter encontrado, nos diversos Mithrae, restos de esqueletos humanos.

Apesar de todos os estudos antigos e modernos, conhece-se mal a “teodicéia” mitraíca. Sabe-se, contudo, que os “mistérios” da Antigüidade revelam um mito ou uma história santa que legitima a liturgia. É uma certa explicação do Mundo e da passagem do homem sobre o mesmo que dá toda a força aos “mistérios”, sejam eles de Mitra, de Elêusis, em suma de quase todos. A religião de Mitra se independentizou de suas origens orientais, agindo como um imã que atraiu diversos aportes: gregos, babilônicos, romanos etc. Finalizou como um Deus adaptado ao Império Romano, explicando assim o seu sucesso. Uma das grandes ironias da história é o fato de que os romanos terminaram por adorar um deus de um de seus maiores inimigos políticos: os persas. O historiador romano Quintius Rufus assinala no seu livro História de Alexandre que antes de ir batalhar contra os “países anti-mitraícos” de Roma, os soldados persas oravam a Mitra pela vitória. Sem embargo, tendo as duas civilizações inimigas estado em contato de conflito aberto ou latente por mais de mil anos, os adoradores de Mitra migraram dos persas, através do frígios da Turquia, até os romanos.

Numa análise simbólica final, o culto de Mitra revela uma história do Mundo. Saturno (ou Cronos, representando o Tempo) reinava soberano sobre o Mundo, quando entregou a Júpiter o raio, uma arma letal que serviu para derrotar os gigantes e gênios do mal. Alguns autores hipotetizam que este gênio do mal poderia ser o Oceano que cobria a Terra.

Mitra, Deus petrógeno, não descende aqui do Céu, pois surge miraculosamente de uma rocha com um barrete asiático, tendo em uma das mãos uma tocha luminosa e na outra, a adaga. Pastores assistem e ajudam este nascimento. Mitra, em seguida, é encontrado junto de uma árvore ceifando o trigo. Depois é visto atirando com um arco sobre uma parede rochosa onde jorra uma fonte que sacia os pastores. Alguns autores concluem que as forças do mal (Oceano?) tentaram aniquilar os humanos pela fome e pela sede e que Mitra, salvador dos homens e Deus protetor, interveio para os alimentar e saciar sua sede, não só dos homens como dos rebanhos. Nota-se, também, que o papel “justiceiro” das tradições asiáticas não desapareceu, pois Mitra vem em socorro do Mundo para fazer respeitar a Lei Divina.

Começa, agora, a perseguição ao Touro. O touro está em conjunção com a lua, seus dois chifres formam o crescente. O touro contem os elementos vivos (o esperma do touro purificado pelo raio da lua produzirá os espécimens animais). Mitra tem a missão de subtrair estas forças vivas das tentações maléficas. O touro se refugia numa construção mas dois pastores ateiam fogo ao local. Mitra alcança o animal, agarra os seus cornos e consegue cavalgá-lo. Depois, prende as patas traseiras do animal, arrasta-o até a gruta onde um corvo, mensageiro do Sol, impõe-lhe a tarefa de matar o animal insubmisso. A morte do touro atrai uma serpente e um cachorro que se apressam em sugar o sangue que jorra da ferida enquanto um escorpião (algumas vezes um caranguejo ou um ‘câncer’) fisga os testículos da vítima para aspirar sua força vivificante.

Cumont afirma que espigas de trigo saem da ferida, juntamente com o sangue que escorre da calda do touro. Do corpo da vítima moribunda nascem as ervas e as plantas salutares… De sua medula espinal germina o trigo que dá o pão, de seu sangue, a vinha que produz a beberagem sagrada dos mistérios.

É após a morte do touro que um conflito se abate entre Hélio e Mitra. O Sol, ajoelhado diante da tauroctonia, perde sua prerrogativa de astro soberano. Mitra torna-se o verdadeiro Sol Invictus que vem salvar a criação. O Sol reconhece a preeminência de Mitra pois se faz iniciar no grau de Soldado (Miles).

III – O Cristianismo Triunfante

O fim do mitraísmo coincide com o seu zênite no século III d.C. e vem acompanhado da entronização do cristianismo como religião do Império Romano. Como vimos, o mitraísmo sofria o passivo de praticar uma liturgia elitista em pequenas sociedades secretas na qual as mulheres eram excluídas. Não se propunha ser uma reli-gião de massa, aberto a todos, como o cristianismo. Era uma religião otimista e Mitra teve o grande defeito de não ter morrido para salvar o mundo.

Como os persas eram inimigos hereditários do Império Romano, os cristãos fizeram de tudo para ligar o mitraísmo a uma religião “inimiga”, persa por excelência, pois os romanos não deveriam adorar um deus importado do adversário. Apesar de tudo parece que Constantino manifestou uma certa simpatia pelo mitraísmo, principalmente na sua versão de “Sol invictus”. Quando este primeiro imperador cristão colocou todas as religiões pagãs na clandestinidade, poupou os mitraístas pois estes possuíam muita influência junto aos militares que eram o cimento do Império. O ‘punctus saliens’ no qual os cristãos atacavam os mitraístas era a sua propensão aos sacrifício animais. Quando estes sacrifícios foram interditados, bloqueou-se um dos fundamentos vitais do culto mitraíco.

O combate mortal entre o cristianismo e o Mitra pagão pode ser lido nos escritos de Tertuliano (160-220 d.C.) ao afirmar que esta religião utilizava indevidamente o batismo e a consagração do pão e do vinho. Dizia, ainda, que o mitraísmo era inspirado pelo diabo que desejava zombar sobre os sacramentos cristãos com o intuito de levá-los para o inferno. Não obstante, o mitraísmo sobreviveu até o século Vº em remotas regiões dos Alpes entre as tribos dos Anauni e conseguiu sobreviver no Oriente Próximo até os dias de hoje.

No curto reinado do imperador Juliano, sobrinho de Constantino, Gibbon afirma que se assistiu a um retorno temporário ao mitraísmo, tendo este Imperador se reconhecido até mesmo como adepto e chegando a construir um Mithraeum nos calabouços de seu palácio em Constantinopla. Seguiu-se um período de tolerância quando, sob o reinado de Teodósio (375-395), o cristianismo tornou-se religião de Estado e o paganismo foi definitivamente interditado. O mitraísmo sobreviveu em Roma até 394 sendo que a Basílica de São Pedro foi construída sobre o local do último culto mitraíco: o Phrygianum. A partir daí, o cristianismo construiu, boa parte de seus templos, acima de cavernas que continham Mithrae, seja em Roma seja nas províncias do Império. A catedral de Canterbury e a de São Paulo em Londres, o mosteiro do Monte Saint-Michel e algumas catedrais em Paris estão construídas sobre antigos Mithrae em ruínas.

Os pontos comuns entre o cristianismo e o mitraísmo são inúmeros. O nascimento de Cristo é anunciado por uma estrela assim como o de Mitridate Eupator. Ambos são nascidos de uma Virgem Imaculada que toma o nome de Mãe de Deus. A caverna, a gruta são os locais de nascimentos tanto de Cristo quanto de Mitra. A presença de pastores e de seu rebanho também estão presentes em ambos os nascimentos. A gruta de Belém é prenhe de luz e Mitra é um deus solar. Além do mais, o ouro, símbolo do Sol, tem uma importância crucial na liturgia cristã. Deus é Amor mas também Luz. O nascimento dos dois deuses foi a 25 de dezembro, solstício de Verão no Hemisfério Norte. Sabe-se que Cristo não teria nascido no dia 25 e que, somente com o fim do mitraísmo, a Igreja Cristã, “cristianizou” o dia como a festa do Natal. Tanto Cristo como Mitra eram castos e celibatários. Todas as duas religiões são fundadas sobre um sacrifício salvador do Mundo, mas com a morte de Cristo, o cristianismo tira a sua vantagem e sua superioridade. A morte do Touro encontra um símile na luta de São Jorge com o dragão. A vontade de neutralizar as potências do mal, a guerra entre as duas potências e a vitória do Bem. A consagração do pão e do vinho estão presentes entre os cristãos e os iniciados de Mitra. No grau de Soldado (Miles), o iniciado é marcado com uma cruz de ferro em brasa sobre a fronte. A imortalidade da alma e a ressurreição final. As igrejas antigas possuem criptas subterrâneas que evocam os templos mitraícos. A fraternidade e o espírito democrático das primeiras comunidades cristãs se assemelham muito ao mitraísmo. A fonte jorrando da rocha, a utilização de sinos, os livros e as velas, a água santa e a comunhão, a santificação do Domingo (fora da tradição judaica do Sábado), a insistência numa conduta moral, o sacrifício ritual, a angeologia, a teologia da luz, dualidade deus-diabo, o fim do mundo e o apocalipse são também comuns em ambas as religiões.

Outro símile interessante seria entre Mitra e Papai Noel. Vestimentas vermelhas e barrete frígio são comuns a ambos como também as velas incrustadas em árvores (de Natal) nas cerimônias natalinas.

IV – Sobrevivência Mitraíca e sua Influência na Maçonaria

Encontram-se traços mitraícos nas diversas gnoses e principalmente nas heresias dualistas cristãs. O esoterismo do gnosticismo cristão foi muito influenciado pelas religiões egípcias e iranianas. Os segredos, revelados aos “Perfeitos”, referiam-se aos mistérios da ascensão e descida de Cristo através dos Sete Céus habitados pelos anjos. Autores modernos chegam a afirmar que o gnosticismo é um fenômeno pré-cristão de origem iraniana que poluiu o cristianismo nascente. A influência dos cultos iranianos e especificamente mitraícos sobre a gnose de Mani são insofismáveis. Desde o século III d. C., o segredo mitraíco força as portas da barca de São Pedro. A pressão deste dualismo maniqueísta percorre toda a Idade Média. O bogomilismo da Europa Oriental inicia a sua trajetória a partir do século X colocando Satã no lugar de Deus, infligindo um poder considerável sobre as heresias Cátaras e Albigenses no alvorecer do século XII na Europa Ocidental. Estas heresias gnósticas cristãs professavam a asserção de que Deus não teria criado o Mundo, estando este sob o domínio de Satã – assimilado ao demiurgo Yahvista. O verdadeiro Deus estaria tão distante da Terra onde se dão estes embates entre o Bem e o Mal. Apesar disto teria enviado Cristo para salvar os homens ao mostrar-lhes o método da libertação.

Outra difusão de um mitraísmo mitigado estaria entre os Cavaleiros do Templo, pois estes sofreram a influência dos maniqueus. No culto a Baphomet, também conhecido como o filho de Mitra, havia um ícone representado por um Touro ornado com uma chama entre seus cornos…

O culto de Mitra enquanto sociedade iniciática tem certas semelhanças com a maçonaria propriamente dita. A fraternidade entre os membros, a exigência de uma conduta moral, a vontade de defender, de maneira ativa e não contemplativa, o bem e a virtude são, ao mesmo tempo, padrões maçônicos e mitraícos. A defesa da ordem política e social, o culto exclusivamente masculino são também pontos comuns. Ritualisticamente encontram-se os seguintes traços: a mania pelo número 7, a existência de graus iniciáticos, as velas, os altares, a Luz, as palavras de passe, etc. O templo maçônico pode ser visto como uma gruta mitraíca ou se não se quiser ir muito longe o símile poderá ser feito com a câmara de reflexões; o teto estrelado do templo tem profunda semelhança com os mitraícos. Os templários, a tradição judaica e cristã foram os grandes transmissores de símbolos mitraícos. Os dois São Joães – de Inverno e de Verão – tem profunda vinculação com os dois pastores da tauroctonia. O sacrifício ritual fundador de Hiram está muito próximo do sacrifício ritual do Touro. O corvo no acampamento militar, encontrado nos altos graus do escocesismo, é uma prova cabal da influência mitraíca.

Outro símile estaria no mais baixo grau de iniciação – o grau de Corvo (Corax) – simbolizava a morte do novo membro, o qual deveria renascer como um novo homem. Isto representava a fim de sua vida como um não-crente (ou descrente) e cancelava pretéritas alianças de outras crenças inaceitáveis. Curioso salientar que o título de Corax (Corvo) originou-se com o costume zoroástrico de expor os mortos em elevações funerárias para ser comido pelas aves de rapina. Este costume continua, até os dias de hoje, sendo praticado pelos Parsis da Índia, descendentes dos persas seguidores de Zaratustra.

O simbolismo sexual, encontrado em diversos rituais maçônicos, poder ter um paralelo com o touro, pois este era uma óbvia representação da masculinidade pela natureza de seu tamanho, de sua força e de seu vigor sexual. Ao mesmo tempo, o touro simbolizava as forças lunares em virtude de seus cornos e as forças telúricas em virtude de ter as quatro patas assentadas no solo. O sacrifício do touro simboliza a penetração do princípio feminino pelo masculino, a vitória da natureza espiritual sobre a animalidade, tendo um paralelo com as imagens simbólicas de Marduk destruindo Tiamat, Gilgamesh aniquilando Huwawa (grafia de Eliade), São Miguel dominando Satã, São Jorge vencendo o dragão, o Centurião lancetando Cristo e, por que não nos referirmos a um ícone moderno: Sigourney Weaver lutando contra o Alien?

Finalmente, o mitraísmo era, concomitantemente, um culto dos mistérios e uma sociedade secreta. Tal como os ritos de Deméter, Orfeu e Dionísio, os rituais mitraícos admitiam candidatos em cerimônias secretas cujo significado era do conhecimento somente do iniciando. Como todos os outros ritos de iniciação institucionalizados do passado e do presente, este culto dos mistérios permitia aos iniciados ser controlado e posto sob o comando de seus líderes. Ao ser iniciado, o neófito tinha que provar sua coragem e devoção nadando através de rio caudaloso, escalando um rochedo íngreme ou pulando através das chamas com suas mãos atadas e os olhos vendados. Ao iniciado era também ensinado o segredo das palavras de passe mitraícas que eram usadas para identificação mútua como também era auto-repetida freqüentemente como um mantra pessoal.

V – Como seria um Mundo Mitraíco à Guisa de Conclusão

O legado mitraíco resulta em comportamentos usados ainda hoje em dia, tal como o apertar as mãos e o uso da coroa pelo monarca. Os adoradores de Mitra foram os primeiros no Ocidente a pregar a doutrina do direito divino dos reis. Foi a adoração do sol, combinada com o dualismo teológico de Zaratrusta, que disseminou as idéias sobre as quais o Rei-Sol Luis XIV (1638-1715) na França e outros soberanos deificados na Europa mantiveram o seu absolutismo monárquico.

Alguns estudiosos afirmam que, durante o IIº e o IIIº século d.C., nunca a Europa esteve tão perto de adotar uma religião indo-ariana quando Diocleciano, oficialmente, reconheceu Mitra como o protetor do Império Romano, nem mesmo durante as invasões muçulmanas.

Especulações teóricas anglo-saxãs hipotetizam que se um golpe de estado, dado pelos centuriões adoradores de Mitra, tivesse impedido Constantino de estabelecer o cristianismo como a religião oficial do Império, o mitraísmo poderia possivelmente sobreviver através dos séculos seguintes com a assistência teológica da heresia maniquéia e seus epígonos, assumindo “ipso facto” que os ensinamentos de Jesus teriam, de alguma maneira, sido simultaneamente anulados e, talvez, com um número crescente de crucificações. Esta ausência do cristianismo, devido à continuação do mitraísmo no Ocidente, teria obstado o crescimento do Islã no século VII e a violência das Cruzadas necessariamente não teria ocorrido. Assumindo, ainda, que o Islã não teria, assim, conquistado religiosamente a Pérsia, a adoração de Mitra poderia ter continuado no panteão de Zaratrusta. Como conseqüência, o mitraísmo poderia ter penetrado com mais força nos panteões da Índia e da China e, possivelmente, teria aportado nos países do Extremo-Oriente.

Continuando com a especulação saxã que resultou na “lenda negra” da dominação espanhola no Novo Mundo, Colombo realizou os seus descobrimentos em pleno período da Inquisição, fenômeno este representativo da culminância de mais de mil anos de uma das maiores religiões monoteístas semítica – o cristianismo. Se o mitraísmo tivesse sobrevivido o milênio até o ano de 1492, os povos indígenas das Américas poderiam ter sido expostos à adoração de Mitra no lugar dos missionários católicos. Imaginaríamos, assim, o Taurobolium – ritual de regeneração ou sacrifício do touro, no qual o sangue do animal era derramado sobre o iniciado – sendo sido transposto e sincretizado com o ritual da caça do búfalo dos índios das planícies do Oeste americano e a cerimônia do sacrifício dos maias, incas e astecas, e provavelmente, estes impérios não teriam sido aniquilados pelos brutais conquistadores europeus em nome do Rei e de Cristo.

Autor: Ven. Irmão WILLIAM ALMEIDA DE CARVALHO

#Mitologia #Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-hist%C3%B3ria-do-deus-mitra

A Heptarquia Mística: o livro da magia enochiana planetária

Por Robson Bélli, 21 de março de 2022

Este trabalho é o resultado das investigações e experimentações realizadas por John Dee no ano de 1582 no campo da magia, ao qual foi apresentado por Edward Kelley. Foi escrito em forma de diário e sobrevive até hoje em um Manuscrito (Sloane MS 3191) na Biblioteca Britânica em Londres. Ao longo da história foi impresso em poucas ocasiões e geralmente em edições muito pequenas ou privadas, por grupos ou seitas que seguem o Mago Elizabetano. Para muitos dos seguidores do trabalho de Dee, a Heptarquia é mais do que uma obra literária, é o Grimório pessoal de Dee, que ele possivelmente usou na invocação das Entidades Espirituais Governantes dos Sete Dias da Semana. Não há dúvida de que a Heptarquia é em si um grimório para uso prático, que o leitor pode usar em sua própria experimentação.
Parte Integrante do sistema da magia enochiana, muitos a consideram um sistema diferente contudo nesta obra o leitor perceberá que os anjos e a revelação é a mesma.

Sabemos que as versões online nem sempre são as melhores para uso ritualístico, assim convidamos o leitor a adquirir a obra Heptarquia Mística, aproveitando assim para prestigiar o autor que nos trouxe tamanho conteúdo relevante.

Aproveite também para se aprofundar na Magia Enochiana pelo site Enoquiano.com.br e pelos canais do Instagram , Telegram.

Sumário

MODELO OU EXEMPLODE LITURGIA RITUAL DA HEPTARQUIA MISTICA

  1. Preparação
    Configure o templo Enochiano da melhor maneira possível, moveis, altar disposições gerais dos objetos. Use o anel, a túnica e o Lamen Enochiano. Fique a oeste da Mesa Santa, voltado para o leste.
  2. Abrindo o Templo – Cerimonial (METODO NEO ENOCHIANO)
    a) Realize o ritual de banimento do pentagrama AOEVEAE.

Alternativamente, você pode abrir o templo com o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama da Golden Dawn ou o Rubi Estelar de Aleister Crowley.
b) Se você pretende que seu ritual tenha um efeito macrocósmico que se estenda além do Reino psicológico, execute o ritual do hexagrama de invocação MADRIAX. Alternativamente, se você abriu com o LBRP, você deve executar o Ritual Menor de Invocação do Hexagrama, ou se você abriu com o Rubi Estrela, você deve executar o Safira Estrela. A combinação de um ritual de banimento de pentagrama e um ritual de invocação de hexagrama forma um campo adequado para as operações.

  1. Abrindo o Templo – Devocional (METODO PURISTA)
    Faça a Oração de Enoch. Esta oração pode ser realizada sozinha para abrir o templo, ou pode seguir a abertura cerimonial realizada como passo 2.
  2. A Invocação Preliminar
    a) Realize a Oração de John Dee a Deus original ou revisada.
  3. b) Para uma invocação, entoe a Segunda Chave em Enochiano seguida pela tradução.
    c) Para um ritual incluindo elementos evocatórios e invocatórios, execute a Primeira Chave seguida pela Segunda Chave. Se você estiver trabalhando com outra pessoa como Dee e Kelley fizeram, com uma pessoa atuando como mago e a outra como vidente, o mago deve ler a Primeira Chave seguido pelo vidente lendo a Segunda Chave.
  4. Timming
    a) Seu ritual deve ser programado para que seja realizado no dia apropriado e durante a hora planetária apropriada, conforme explicado na tabela dos dias e horas.
  5. A Conjuração
    Coloque o talismã apropriado para o Rei ou Príncipe no chão e fique em cima dele. Em seguida, entoe a conjuração apropriada com base na tabela a seguir.

 

Dias da semana Rei Conjuração Principe Conjuração
(qualquer) CARMARA Pag. 16 HAGONEL Pag. 20
Domingo BOBOGEL Pag. 16 BORNOGO Pag. 20
Segunda-feira BLUMAZA Pag. 17 BRALGES Pag. 21
Terça-feira BABALEL Pag. 17 BEFAFES Pag. 21
Quarta-feira BNASPOL Pag. 18 BLISDON Pag. 22
Quinta-feira BYNEPOR Pag. 18 BUTMONO Pag. 22
Sexta-feira BALIGON Pag. 19 BAGENOL Pag. 23
Sábado BNAPSEN Pag. 19 BROGES Pag. 23
  1. O Encargo do Espírito
    Entregue o Encargo que você compôs pessoalmente ao espírito ou espíritos.
  2. Fechando o Templo
    a) Execute a Licença para Partir.
  3. b) Para rituais abertos usando o método cerimonial (NEO-ENOCHIANO), conclua o MADRIAX e AOEVEAE.
    Alternativamente, se o ritual foi aberto com os Rituais Menores da Golden Dawn do Pentagrama e Hexagrama, execute o Ritual de Banimento Menor do Pentagrama para um ritual que tem apenas um alvo externo ou a Cruz Cabalística por si mesmo para um ritual que se destina a afetar o mago exclusivamente ou tanto o mago quanto um alvo externo. Para o Rubi Estrela / Safira Estrela as mesmas regras se aplicam – feche com o Rubi Estrela ou a forma do ritual da Cruz Cabalística, dependendo do alvo do ritual.
    c) Declare o templo fechado. O ritual agora está completo.

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RITUAL DE BANIMENTO AOEVEAE

Para substituir o Ritual Menor do Pentagrama da Golden Dawn, foi desenvolvido por Scott Michael Stenwick um ritual de pentagrama Enochiano que o mesmo chamava de  AOEVEAE (“estrelas” em enochiano). Vários escritores criaram rituais de pentagrama Enochianos desse tipo e todos eles compartilham certas semelhanças. É bastante claro que os nomes mais lógicos para usar ao traçar os pentagramas são os nomes triplos de Deus de Dee/Kelly e da Grande Tábela (ORO IBAH AOZPI, MPH ARSL GAIOL, OIP TEAA PDOCE e MOR DIAL HCTGA) e os equivalentes mais lógicos aos Arcanjos são os Reis das quatro direções (BATAIVAH, RAAGIOSL, EDLPRNAA e ICZHIHAL).

1. Com o dedo ou arma mágica, trace do quadril esquerdo até o ombro direito enquanto vibra NANTA (NANETA – Terra), de seu ombro direito para o ombro esquerdo enquanto vibra HCOMA (RRECOMA – Água), do ombro esquerdo ao quadril direito enquanto vibra EXARP (EXAREPE – Ar), do quadril direito à testa enquanto vibra BITOM (BITOME – Fogo), e, finalmente, da testa de volta ao quadril esquerdo enquanto vibra

EHNB (ERREMEBE – Espírito).

Em seguida, coloque as mãos sobre o coração e vibre JAIDA (JAIDA – “O Mais Alto”).

Visualize o pentagrama traçado sobre seu corpo em um tom lilás elétrico brilhante.

2. No leste, trace o Pentagrama de Banimento da Terra enquanto vibra ORO IBAH AOZPI.

Os pentagramas devem ser visualizados como formados de chamas ardentes e tão vividamente quanto possível.

3. Vire (ou vá) para o norte. No norte trace o Pentagrama de Banimento da Terra enquanto vibra MOR DIAL HCTGA.

4. Vire (ou vá) para o oeste. No oeste trace o Pentagrama de Banimento da Terra enquanto vibra OIP TEAA PDOCE .

5. Vire para o sul. No sul, trace o Pentagrama de Banimento da Terra enquanto vibra

MPH ARSL GAIOL.

6. Volte para enfrentar o leste. Estenda os braços para formar uma cruz e vibrar:

RAAS I BATAIVAH

(“No Oriente está BATAIVAH”,

SOBOLN I EDLPRNAA

(“No Ocidente está EDLPRNAA”),

BABAGE I RAAGIOSL

(“No Sul está RAAGIOSL”),

LUCAL I ICZHIHAL

(“No Norte está ICZHIHAL”).

7. Faça uma rotação completa no sentido anti-horário enquanto vibra:

MICMA AO COMSELH AOEVEAE

(“Eis o Círculo de Estrelas”)

Em seguida, coloque as mãos sobre o coração enquanto vibra:

OD OL, MALPRG, NOTHOA

(“E eu, um fogo que empurra através do meio”).

Se você estiver usando este ritual em conjunto com o ritual do hexagrama MADRIAX que se segue, ele deve ser inserido neste momento.

8. repita o passo 1

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RITUAL MANDRIAX

1. Com o dedo ou uma ferramenta como uma varinha, trace o Hexagrama Unicursal de Invocação da Terra sobre você enquanto vibra:

BOBOGEL

2. No leste, trace o hexagrama de invocação unicursal do Fogo em vermelho enquanto vibra:
BABALEL

3. No sul, trace o hexagrama unicursal de invocação do Ar em branco enquanto você vibra:

BNASPOL

4. No oeste, trace o hexagrama unicursal da Água em verde enquanto você vibra:
BYNEPOR

5. No norte, trace o hexagrama unicursal da Terra em preto enquanto você vibra:

BALIGON

6. Acima de você, trace o hexagrama invocador de Saturno em lilás brilhante enquanto você vibra:
BNAPSEN

7. Abaixo de você, trace o hexagrama de invocação da Lua em violeta profundo enquanto você vibra:
BLUMAZA

8. Estenda os braços e faça uma rotação completa no sentido horário (ou circunvolução do templo, se estiver usando a Mesa Santa) enquanto vibra:
TA CALZ I OROCHA
(“como acima do firmamento, então abaixo de você”)
(provavelmente a melhor tradução Enochiana de “como acima, é abaixo”.) Em seguida, coloque as mãos sobre o coração por um momento e mantenha a visualização completa do rito em sua mente.

9. Para a forma de invocação deste ritual, mantenha suas mãos na frente de você com as palmas voltadas para fora e, em seguida, separe-as como se abrisse uma cortina pesada enquanto você vibra:
MADRIAX CARMARA, YOLCAM LONSHI
(“ó céus de Carmara, trazei o poder”.)
Carmara é o oitavo Rei Heptarchial que governa os outros sete.

10. O trabalho ritual para o qual você abriu o campo entra aqui.

11. Na conclusão do trabalho ritual, coloque as mãos na sua frente e para os lados com as palmas voltadas para dentro e, em seguida, junte-as como se fechasse uma cortina pesada enquanto vibra:
MADRIAX CARMARA, ADRPAN LONSHI
(“ó céus de Carmara, encerre o poder”.)

Esta é a forma de invocação do ritual. Para a forma de banimento, você deve virar para cada direção indo no sentido antihorário (Leste -> Norte -> Oeste -> Sul -> Leste), seguir os hexagramas de banimento (além do hexagrama de abertura da Terra que deve ser sempre a invocação forma) e faça a rotação / circunvolução final no sentido anti-horário.

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ORAÇÃO DE ENOCH

Senhor Deus, a Fonte da verdadeira sabedoria, tu que abres os segredos de ti mesmo ao homem, tu conheces a minha imperfeição e minha escuridão interior: Como posso (portanto) falar àqueles que não falam segundo a voz do homem; ou dignamente invocar teu nome, considerando que minha imaginação é variável e frutífera, e desconhecida para mim? Será que as Areias parecem convidar as Montanhas: ou
podem os pequenos Rios entreter as ondas maravilhosas e desconhecidas? Pode o receptáculo do medo, da fragilidade, ou de determinada proporção, erguer-se, erguer as mãos ou recolher o Sol em seu seio?

Senhor não pode ser: Senhor minha imperfeição é grande: Senhor eu sou menor que areia: Senhor, teus bons Anjos e Criaturas me superam em muito: nossa proporção não é igual; nosso sentido não concorda: Apesar de tudo, estou consolado; Para que todos nós tenhamos um Deus, todos começando de ti, para que te respeitemos como Criador: Portanto, invocarei o teu nome, e em ti me tornarei poderoso.

Tu me iluminarás e eu me tornarei um vidente; eu verei tuas Criaturas e te magnificarei entre elas. Aqueles que vêm a ti têm a mesma porta e, através da mesma porta, descem, como tu enviaste. Eis que ofereço minha casa, meu trabalho, meu coração e alma, se for do agrado dos teus anjos morarem comigo e eu com eles; alegrar-me comigo, para que eu possa alegrar-me com eles; para me servir, para que eu engrandeça o teu nome. Então, eis que as Tábuas (que eu providenciei e de acordo com tua vontade, preparadas) eu ofereço a ti e a teus santos Anjos, desejando-as, em e por meio de teus santos nomes; que assim como tu és a luz deles e os confortas, assim eles estarão em ti a minha luz e conforto.

Senhor, eles não te prescrevem leis; portanto, não é adequado que lhes prescrevam leis; O que te agrada oferecer, eles recebem; Portanto, o que lhes agrada oferecerem, eu também receberei. Eis que eu digo (ó Senhor) se eu os invocar em teu nome, seja-me feito com misericórdia como ao servo do Altíssimo. Que eles também se manifestem a mim: Como, por quais palavras e em que horas os chamarei. Ó Senhor, há alguém que meça os céus, que seja mortal? Como, portanto, os céus podem entrar na imaginação do homem? Tuas criaturas são a glória de teu semblante; nisto tu glorificas todas as coisas, cuja glória excede e (ó Senhor) está muito acima do meu entendimento.

É grande sabedoria dizer e falar segundo o entendimento com os Reis; mas ordenar a Reis por um mandamento sujeito não é sabedoria, a menos que venha de ti. Eis, Senhor, como hei de subir aos céus? O ar não me carrega, mas resiste à minha loucura, eu caio, pois sou da terra. Portanto, ó tu, grande Luz e verdadeiro Conforto, que podes, e comandas os céus; eis que ofereço estas Tábuas a ti, ordena-as como te agrada; e ó vós, ministros, e verdadeiras luzes do entendimento, governando esta estrutura terrestre e na qual vivemos, fazei por mim como pelo servo do Senhor; e a quem aprouve ao Senhor falar de vocês.

Eis, Senhor, tu me designaste 50 vezes; Três vezes 50 vezes levantarei minhas mãos para ti. Seja feito para mim o que quiser, a ti e a teus santos ministros. Nada exijo senão de ti e por teu intermédio e para tua honra e glória; espero, porém, ficar satisfeito e não morrer (como prometeste) até que ajuntem as nuvens e julguem todas as coisas; quando em um momento serei transformado e habitarei contigo para sempre.
Amém.

ORAÇÃO DE JOHN DEE

Ó Todo-Poderoso, eterno, o Deus verdadeiro e vivo; Ó Rei da Glória, Ó Senhor dos Exércitos, Ó Tu, o Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas, visíveis e invisíveis; Agora, (mesmo agora, finalmente), entre outras Tuas múltiplas misericórdias usadas e para serem usadas para comigo, Teu servo simples, [John Dee] , eu humildemente imploro a Ti, nesta minha petição presente para ter misericórdia de mim, ter pena de mim, ter compaixão de mim. Eu, fiel e sinceramente, por muito tempo, tenho procurado entre os homens, na Terra, e também por meio da oração (muitas vezes e lamentavelmente) fiz o favor de Tua Divina Majestade para a obtenção de alguma porção conveniente do Verdadeiro Conhecimento e Entendimento de Tuas leis e ordenanças, estabelecidas nas naturezas e propriedades de Tuas criaturas; pelo qual Conhecimento, Tua Divina Sabedoria, Poder e Bondade, (em Tuas criaturas concedidas e a elas transmitidas), sendo feito para mim e me seduzindo, (pelo mesmo) incessantemente para pronunciar Teus louvores, para render a Ti, os mais sinceros agradecimentos , para promover Tua verdadeira honra, e ganhar por Teu Nome, um pouco de Tua devida Glória Majestosa, entre todas as pessoas, e para sempre. E, considerando que te agradou (ó Deus) de Tua Bondade Infinita, por Teus fiéis e santos Mensageiros Espirituais, entregar-me, há muito tempo (pelos olhos e ouvidos de EK)  uma forma ordenada de exercício Heptarchial ; Como, (para Tua Honra e Glória, e Conforto de minha própria pobre alma, e de outros, Teus servos fiéis), posso, em todos os momentos, usar muitos de Teus bons Anjos, seus conselhos e ajudas; de acordo com as propriedades de tais funções, e ofícios, como para eles, por Teu Divino Poder, Sabedoria e Bondade, é atribuído e limitado; (Em que forma ordenada e modo de exercício, até agora, nunca encontrei oportunidade e extrema necessidade para me aplicar.) Portanto, eu, teu pobre e simples servo, o mais humilde, de coração, fielmente rogo a Tua Divina Majestade, com muito amor e paternidade ao favor; e por Teu Divino Sinal para promover este meu presente intento e me esforçar para me exercitar, de acordo com a forma e maneira ordeira mencionadas; E, agora, (por fim, mas não tarde demais), por amor de Teu amado Filho Jesus Cristo (ó Pai Celestial), conceda-me também esta bênção e porção de Tuas Graças celestiais; que Tu queiras imediatamente, capacita-me, torna-me apto e aceitável, (em corpo, alma e espírito) para desfrutar sempre da conversa santa e amigável, com a ajuda sensível, simples, plena e perfeita, em palavras e ações, de Teus poderosos, sábios e bons mensageiros espirituais e ministros em geral; e, a saber, do Bem-aventurado Michael, do Bem aventurado Gabriel, do Bem-aventurado Rafael e do Bem aventurado Uriel; e também especialmente, de todos aqueles que pertencem ao Mistério Heptarchial, teurgicamente (por enquanto) e muito brevemente para mim declarado; sob o método dos Sete Reis Poderosos, e seus Sete Ministros Fiéis e Príncipes, com seus súditos e servos, a eles pertencentes. E nesta Tua Grande Misericórdia e Graça, concedida a mim, e confirmada a mim, (Ó Deus Todo-Poderoso) Tu deverás, (para o grande conforto de Teus servos fiéis), aprovar, para Teus próprios inimigos, e meus, a verdade e certeza de Tuas múltiplas e misericordiosas promessas, até agora, feitas a mim: E que Tu és o Deus Verdadeiro e TodoPoderoso, Criador do Céu e da Terra, (a quem invoco e em quem coloco toda a minha confiança) e Teu Ministros, para serem os verdadeiros e fiéis Anjos de Luz; que, até agora, principalmente, e de acordo com Tua Divina providência tratou conosco; E, também, eu, teu servo pobre e simples, então, em Ti e por Ti, serei melhor capaz de Te servir, de acordo com Tua bem agrado; para Tua Honra e Glória; Sim, mesmo nestes dias mais miseráveis e lamentáveis. Conceda, oh, conceda, ó nosso pai celestial, conceda isto, (eu oro a Ti), por Teu unigênito Filho Jesus Cristo por amor a Ele: Amém, amém, amém.

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TABELAS DOS DIAS E HORAS PLANETARIAS

É importante mencionar que os dias e horas planetários não tem exatamente uma hora, variando conforme a estação do ano, portanto saiba o horário do nascer do sol e o do por do sol e divida por doze e você descobrira quanto tem sua hora planetária naquele dia.

HORAS DO DIA – A PARTIR DO NASCER DO SOL

SOL LUA MARTE MERCURIO JUPITER VENUS SATURNO
DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB
1 Sol Lua Marte Mercúrio Jupiter Vênus Saturno
2 Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Jupiter
3 Mercúrio Jupiter Vênus Saturno Sol Lua Marte
4 Lua Marte Mercúrio Jupiter Vênus Saturno Sol
5 Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Jupiter Vênus
6 Jupiter Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio
7 Marte Mercurio Jupiter Vênus Saturno Sol Lua
8 Sol Lua Marte Mercúrio Jupiter Vênus Saturno
9 Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Jupiter
10 Mercúrio Jupiter Vênus Saturno Sol Lua Marte
11 Lua Marte Mercúrio Jupiter Vênus Saturno Sol
12 Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Jupiter Vênus

 

HORAS DA NOITE – A PARTIR DO POR DO SOL

SOL LUA MARTE MERCURIO JUPITER VENUS SATURNO
DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB
1 Jupiter Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio
2 Marte Vênus Jupiter Vênus Saturno Sol Lua
3 Sol Mercúrio Marte Mercúrio Jupiter Vênus Saturno
4 Vênus Lua Sol Lua Marte Mercúrio Jupiter
5 Mercúrio Saturno Vênus Saturno Sol Lua Marte
6 Lua Jupiter Mercúrio Jupiter Vênus Saturno Sol
7 Saturno Marte Lua Marte Mercúrio Jupiter Vênus
8 Jupiter Sol Saturno Sol Lua Marte Mercúrio
9 Marte Vênus Jupiter Vênus Saturno Sol Lua
10 Sol Mercúrio Marte Mercúrio Jupiter Vênus Saturno
11 Vênus Lua Sol Lua Marte Mercúrio Jupiter
12 Mercúrio Saturno Vênus Saturno Sol Lua Marte

INCENSOS

Domingo: Olíbano, Canela, todos os odores gloriosos.
Segunda-feira: Jasmim, Cânfora, Aloe, todos os odores virginais doces.
Terça-feira: Tabaco, Pimenta, Sangue de Dragão, todos os odores quentes e pungentes.
Quarta-feira: Mástique, Sândalo Branco, Noz-moscada, Moscadeira, Estoraque, todos os odores fugitivos.
Quinta-feira: cedro, açafrão, todos os odores generosos.
Sexta-feira: Benjoim, Rosa, Sândalo Vermelho, Sândalo, Murta, todos os odores voluptuosos suaves.
Sábado: Mirra, Civeta, Assa-fétida, Escamonéia, Índigo, Enxofre, todos os odores ruins.

VELAS

Domingo: amarelo
Segunda-feira: roxo
Terça-feira: vermelho
Quarta-feira: laranja
Quinta-feira: azul
Sexta-feira: verde
Sábado: preto

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ATRIBUIÇÕES E CONJURAÇÕES

Tabela das atribuições dos reis

Rei Poderes de Conjuração Poderes Tradicionais
Carmara Distribui e governa a doutrina heptárchica Visão da Maquinaria do Universo
Bobogel Distribui, dá e confere sabedoria e ciência Visão da Harmonia das Coisas, Mistérios
da Crucificação, Visão Beatífica
Blumaza Distribui e governa a doutrina heptárchica Visão da Maquinaria do Universo
Babalel Que é o Rei das Águas, Poderoso e Maravilhoso nas Águas Visão do Poder
Bnaspol Para Quem a Terra com suas
entranhas e segredos são entregues
Visão do Esplendor, como visto no Livro
de Ezequiel
Bynepor Cujo Poder exaltado, especial e glorificado, repousa apenas e depende da condição geral de todas as coisas Visão do Amor
Baligon Quem veio distribuir e doar com prazer, tudo e o que quer que seja, pode ser realizado em ações aéreas Visão da Beleza Triunfante
Bnaspen Expulsa os poderes de todos os espíritos iníquos, conhecendo os atos e práticas dos homens maus Visão do Pesar / Visão da Maravilha

 

Tabela das atribuições dos príncipes

Príncipe Poderes de Conjuração Poderes Tradicionais
Hagonel A quem o poder sobre o funcionamento da Terra está sujeito A Tintura Branca, Clarividência,
Divinação e Sonhos
Bornogo Alteração da Corrupção da Natureza em perfeição, Conhecimento de Metais Poder de Adquirir Riqueza
Bralges Que disse: As criaturas que vivem
em sua dominação estão sujeitas ao seu próprio poder
A Tintura Branca, Clarividência,
Divinação e Sonhos
Befafes Que é o Príncipe dos Mares. Teu
poder está sobre as águas
Trabalhos de Fúria e Vingança
Blisdon Que é a Vida e a Respiração nas
Criaturas Vivas
Milagres de Cura, Dom das Línguas e Conhecimento das
Ciências
Butmono Para quem as Chaves dos Mistérios da Terra são entregues Poder de Aquisição de Ascendência Política e
Outras
Bagenol A quem o poder sobre operações da Terra está sujeito Filtros do Amor
Brorges Que governa os “portões da morte” Trabalhos de
Maldição e Morte

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CONJURAÇÃO DE CARMARA (QUALQUER DIA DA SEMANA)

Ó pujante e correto Nobre Rei CARMARA e por qual nome você é chamado, ou pode ser verdadeira e devidamente chamado:

Quem na Doutrina Heptarquica, no Abençoado Uriel, sua mão, recebeu a vara de ouro do governo e medição, e a corrente de Dignidade e Doutrina: E não apareceu primeiro para nós, adornado com um Triplo Diadema em um longo manto roxo. Quem me disse em Mortlake: Eu ministro a força de Deus a ti. Da mesma forma, tu disseste: Estes Mistérios tem Deus por último, e de suas grandes Misericórdias, concedido a ti. Você se saciará, sim se fartará: sim, você se intensificará e se inflará, com o perfeito Conhecimento dos Mistérios de Deus, em Suas misericórdias. E disse: Esta Arte, é para a compreensão posterior de todas as Ciências, que são passadas, presentes ou ainda por vir. E imediatamente, disse-me: Reis existem na Natureza, com a Natureza e acima da Natureza. Tu és digno. E disse, a respeito do uso dessas Tábuas, Este é apenas o primeiro passo: Nem tu as praticarás em vão: E disse, assim geralmente das misericórdias e Graças de Deus sobre mim decretadas e concedidas. Tudo o que você falar, fazer ou trabalhar será lucrativo e aceitável. E o fim será bom.

Em Nome do Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis: Ó Nobre Rei CARMARA, venha agora e apareça, com teu Príncipe e seus Ministros, e súditos, ao meu olho perfeito e sensível de Julgamento: de uma maneira bondosa e amigável, para meu conforto e ajuda, para o avanço da Honra e Glória de nosso Deus Todo-Poderoso pelo meu serviço. Tanto quanto por tua Sabedoria e Poder, em teu devido ofício real e governo, posso ser sustentado e inflamado: Amém.

Venha, ó Nobre Rei CARMARA, eu digo, Venha, Amém.

Cristão:

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amém.

Thelêmico:

Gloria Patri et Matri et Filio et Filiae et Spiritui Sancto externo et Spiritui Sancto interno ut erat est erit in saecula Saeculorum sex in uno per nomen Septem in uno Ararita. Amen.

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CONJURAÇÃO DE BOBOGEL (DOMINGOS)

Ó pujante e correto Nobre Rei BOBOGEL e por qual nome você é chamado, ou pode ser verdadeira e devidamente chamado:

A cujo governo peculiar, cargo, disposição e ofício real pertence a distribuição e doação de Sabedoria e Ciência. O Ensino da Verdadeira Filosofia, a verdadeira compreensão de todo o Aprendizado, baseado na sabedoria: Verdade e Excelências na Natureza: e de muitos outros grandes Mistérios, maravilhosamente disponíveis e necessários para o avanço da Glória de nosso Deus e Criador. E quem diz a mim (com respeito a esses Mistérios atingir) Dee, Dee, Dee, finalmente, mas não tarde demais.

Em Nome do Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis: Ó Nobre Rei BOBOGEL, venha agora e apareça, com teu Príncipe e seus Ministros, e súditos, ao meu olho perfeito e sensível de Julgamento: de uma maneira bondosa e amigável, para meu conforto e ajuda, para o avanço da Honra e Glória de nosso Deus Todo-Poderoso pelo meu serviço. Tanto quanto por tua Sabedoria e Poder, em teu devido ofício real e Governo, posso ser sustentado e inflamado: Amém.

Venha, ó Nobre Rei. BOBOGEL Eu digo, Venha, Amém.

Cristão:

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

Thelêmico:

Gloria Patri et Matri et Filio et Filiae et Spiritui Sancto externo et Spiritui Sancto interno ut erat est erit in saecula Saeculorum sex in uno per nomen Septem in uno Ararita. Amen.

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BLUMAZA (SEGUNDAS FEIRA)

 

Ó pujante e justo Nobre Rei BLUMAZA e por que nome és tu, chamado, ou podes verdadeira e devidamente ser chamado: Quem na Doutrina Heptarquica, no Abençoado Uriel sua mão, recebeu a vara de ouro do governo e medição, e a corrente de Dignidade e Doutrina: E não apareceu primeiro para nós, adornado com um Triplo Diadema em um longo manto roxo. Quem me disse em Mortlake: Eu ministro a força de Deus a ti. Da mesma forma, tu disseste: Estes Mistérios tem Deus por último, e de suas grandes Misericórdias, concedido a ti. Você se saciará, sim se fartará: sim, você se intensificará e se inflará, com o perfeito Conhecimento dos Mistérios de Deus, em Suas misericórdias. E disse: Esta Arte, é para a compreensão posterior de todas as Ciências, que são passadas, presentes ou ainda por vir. E imediatamente, disse-me: Reis existem na Natureza, com a Natureza e acima da Natureza.

Tu és digno. E disse, a respeito do uso dessas Tábuas, Este é apenas o primeiro passo: Nem tu as praticarás em vão: E disse, assim geralmente das misericórdias e Graças de Deus sobre mim decretadas e concedidas. Tudo o que você falar, fazer ou trabalhar será lucrativo e aceitável. E o fim será bom.

Em Nome do Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis: Ó Nobre Rei BLUMAZA, venha agora e apareça, com teu Príncipe e seus Ministros, e súditos, ao meu olho perfeito e sensível de Julgamento: de uma maneira bondosa e amigável, para meu conforto e ajuda, para o avanço da Honra e Glória de nosso Deus Todo-Poderoso pelo meu serviço. Tanto quanto por tua Sabedoria e Poder, em teu devido ofício real e Governo, posso ser sustentado e inflamado: Amém.

Venha, ó Nobre Rei BLUMAZA, eu digo, Venha, Amém.

 

Cristão:

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

 

Thelêmico:

Gloria Patri et Matri et Filio et Filiae et Spiritui Sancto externo et Spiritui Sancto interno ut erat est erit in saecula Saeculorum sex in uno per nomen Septem in uno Ararita. Amen.

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BABALEL (TERÇAS FEIRAS)

 

Ó pujante e correto Nobre Rei BABALEL e por qual nome você é chamado, ou pode ser verdadeira e devidamente chamado: Quem é o Rei das Águas: Poderoso e Maravilhoso nas Águas, cujo poder está nas entranhas das Águas. Cuja pessoa real com teu Nobre Príncipe BEFAFES e seus 42 Ministros, o Rei da Tríplice Coroa CARMARA me pediu que eu usasse para glória, louvor e honra dele, o que criou todos vocês para o louvor e glorificação de sua majestade.

Em Nome do Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis: Ó Nobre Rei BABALEL, venha agora e apareça, com teu Príncipe e seus Ministros, e súditos, ao meu olho perfeito e sensível de Julgamento: de uma maneira bondosa e amigável, para meu conforto e ajuda, para o avanço da Honra e Glória de nosso Deus Todo-Poderoso pelo meu serviço. Tanto quanto por tua Sabedoria e Poder, em teu devido ofício real e Governo, possa eu ser sustentado e inflamado: Amém.

Venha, ó Nobre Rei BABALEL Eu digo, Venha, Amém.

 

Cristão:

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, Sicut erat in principio, et nunc, et sempre, et in saecula saeculorum. Amém.

 

Thelêmico:

Gloria Patri e Matri e Filio e Filiae and Spiritui Sancto externo et Spiritui Sancto interno ut erat est erit in Saecula Saeculorum sex in uno per nomen Septem in uno Ararita. Amém.

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BNASPOL (QUARTAS FEIRAS)

 

Ó pujante e justo Nobre Rei BNASPOL e por que nome és tu chamado, ou podes verdadeira e devidamente ser chamado: A quem a Terra com suas entranhas, e segredos de qualquer natureza são entregues: e tu me disseste: aqui para frente O que tu é. Lá eu posso saber. Tu és grande, mas (como Tu, verdadeiramente confessaste). Aquele em quem estás é maior do que tu.

Em Nome do Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis: Ó Nobre Rei BNASPOL, venha agora e apareça, com teu Príncipe e seus Ministros, e súditos, ao meu olho perfeito e sensível de Julgamento: de uma maneira bondosa e amigável, para meu conforto e ajuda, para o avanço da Honra e Glória de nosso Deus Todo-Poderoso pelo meu serviço. Tanto quanto por tua Sabedoria e Poder, em teu devido ofício real e Governo, posso ser sustentado e inflamado: Amém.

Venha, ó Nobre Rei BNASPOL, eu digo, Venha, Amém.

 

Cristão:

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

 

Thelêmico:

Gloria Patri et Matri et Filio et Filiae et Spiritui Sancto externo et Spiritui Sancto interno ut erat est erit in saecula Saeculorum sex in uno per nomen Septem in uno Ararita. Amen.

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BYNEPOR (QUINTAS FEIRAS)

 

Ó pujante e justo Nobre Rei BYNEPOR e por que nome és tu és chamado, ou podes verdadeira e devidamente ser chamado: A cujo governo peculiar, cargo, disposição e ofício real pertence a ti sobre a distribuição e participação de cujo exaltado, especial e O poder glorificado repousa apenas e depende da condição geral de todas as coisas. Cuja santificação, glória e renome, embora tivesse princípio, não pode nem terá fim. Aquele que mede disse, e tu és o fim de sua obra. Tu és como ele e dele: ainda não como participante ou aderente, mas diferente em um grau. De quem ele veio, tu foste magnificado por sua vinda e és Santificado, Mundo sem Fim.

Vita Suprema.

Vita Superior.

Vita Infina tuis sunt mensurata mambus.

No entanto, tu não és de ti mesmo: nem é teu próprio o teu poder: Magnificado seja o seu nome, tu estás em tudo: E tudo tem algum ser por ti: No entanto, o teu poder é nada, em relação ao poder que te enviou. Tu começasses novos mundos, novas pessoas, novos reis e novo conhecimento de um novo governo. E tu me disseste: Tu deverás trabalhar maravilhosamente, maravilhosamente por minha obra no Altíssimo.

Em Nome do Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis: Ó certo Nobre Rei BYNEPOR, venha agora e apareça, com teu Príncipe e seus Ministros, e súditos, ao meu olho perfeito e sensível de Julgamento: de uma maneira bondosa e amigável, para meu conforto e ajuda, para o avanço da Honra e Glória de nosso Deus Todo-Poderoso pelo meu serviço. Tanto quanto por tua Sabedoria e Poder, em teu devido ofício real e Governo, posso ser sustentado e inflamado: Amém.

Venha, ó Nobre Rei. BYNEPOR Eu digo, Venha, Amém.

 

Cristão:

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

 

Thelêmico:

Gloria Patri et Matri et Filio et Filiae et Spiritui Sancto externo et Spiritui Sancto interno ut erat est erit in saecula Saeculorum sex in uno per nomen Septem in uno Ararita. Amen

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BALIGON (SEXTA FEIRA)

 

Ó pujante e correto Nobre Rei BALIGON e por que nome tu és chamado, ou pode ser verdadeira e devidamente chamado: Quem pode distribuir e doar com prazer, tudo e tudo o que pode ser executado em ações aéreas. Quem tem o governo de si mesmo perfeitamente, como um mistério conhecido apenas por você mesmo. Quem me fez anunciar esta pedra, e Santo Receptáculo: ambos necessários para serem tidos: e também me indicou que a levasse: sendo presentemente e em poucos minutos, trazido à minha vista (do Segredo das Profundezas onde estava escondida, na parte mais remota da possessão romana) Pedra essa que, Tu, me avisaste que nenhuma mão mortal senão a minha tocará; e disse-me: Tu prevalecerás com ela, com os reis, e com todas as criaturas do mundo. Cuja Beleza (em virtude) valerá mais, que os Reinos da Terra. Para os propósitos aqui ensaiados: e outros: em parte, agora para serem exercitados e desfrutados: e em parte a seguir mais abundantemente (como o Senhor Deus dos Exércitos deve dispor), E também porque tu mesmo és o governador dos 42 Ministros, teus poderosos fiéis e obedientes.

Em Nome do Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis: Ó Nobre Rei BALIGON, Venha agora e apareça, com teu Príncipe e seus Ministros, e súditos, ao meu olho perfeito e sensível de Julgamento: de uma maneira bondosa e amigável, para meu conforto e ajuda, para o avanço da Honra e Glória de nosso Deus Todo-Poderoso pelo meu serviço. Tanto quanto por tua Sabedoria e Poder, em teu devido escritório real e Governo, posso ser sustentado e inflamado: Amém.

Venha, ó Nobre Rei BALIGON, eu digo, Venha, Amém.

 

Cristão:

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

 

Thelêmico:

Gloria Patri et Matri et Filio et Filiae et Spiritui Sancto externo et Spiritui Sancto interno ut erat est erit in saecula Saeculorum sex in uno per nomen Septem in uno Ararita. Amen.

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BNAPSEN (SABADO)

 

Ó pujante e justo Nobre Rei BNAPSEN e por que nome és tu chamado, ou podes verdadeira e devidamente ser chamado: Quem me disseste que por ti expulsarei o poder de todos os espíritos iníquos: E que por ti o farei ou poderei saber as ações e práticas dos homens maus, e muito mais que pode ser falado ou dito ao homem.

Em Nome do Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos, o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis: Ó Nobre Rei BNAPSEN, venha agora e apareça, com teu Príncipe e seus Ministros, e súditos, ao meu olho perfeito e sensível de Julgamento: de uma maneira bondosa e amigável, para meu conforto e ajuda, para o avanço da Honra e Glória de nosso Deus Todo-Poderoso pelo meu serviço. Tanto quanto por tua Sabedoria e Poder, em teu devido ofício real e Governo, posso ser sustentado e inflamado: Amém.

Venha, ó Nobre Rei BNAPSEN, eu digo, Venha, Amém.

 

Cristão:

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen

 

Thelêmico:

Gloria Patri et Matri et Filio et Filiae et Spiritui Sancto externo et Spiritui Sancto interno ut erat est erit in saecula Saeculorum sex in uno per nomen Septem in uno Ararita. Amen.

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HAGONEL (QUALQUER DIA DA SEMANA)

 

Ó nobre Príncipe HAGONEL e por qualquer outro Nome que você seja chamado, ou possa verdadeiramente e devidamente ser chamado: A cujo mandamento os filhos dos homens e seus filhos estão sujeitos: e são teus servos a cujo Poder a Operação da Terra está sujeita . Quem és o Primeiro dos Doze: e cujo selo é chamado Barces e este é: Sob cujo comando estão os Reis, Homens Nobres e Príncipes da Natureza. Quem é o Primus et Quartus Hagonel.

Quem pelos Sete dos 7 (que são os Filhos dos Sempiternos) faz maravilhas entre os povos da Terra: e me disse que também eu, também teu Servo, deveria fazer maravilhas. Ó Nobre Hagonel, que é Ministro do Rei Tríplice Coroado – CARMARA: E não obstante, que é Príncipe sobre 42 Anjos, cujos Nomes e caracteres estão aqui apresentados.

Em Nome do Deus Todo-Poderoso, o Rei dos Reis, e possa sua honra e Glória ser promovida por meu serviço fiel. Eu exijo a ti, ó Nobre Príncipe HAGONEL, que venha imediatamente e se mostre ao meu olho perfeito e sensível do Julgamento, com teus ministros, servos e súditos, para meu conforto e ajuda, em sabedoria e poder de acordo com a propriedade de teu Nobre Ofício: Venha, ó Nobre Príncipe HAGONEL, digo Venha, Amém.

 

Cristão:

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum.

Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Amen.

 

Thelêmico:

Agora eu começo a orar, filho, santo e imaculado seja teu nome. Teu reinado é chegado, tua vontade é feita, aqui está o pão, aqui está o sangue, leve-me até o sol durante a meia-noite. Salvame do mal e do bem, para que tua única coroa de todas as dez, agora e aqui seja minha. Amém.

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BORNOGO (DOMINGOS – VENUS[1])

[1] Sim eu sei que domingo é o dia do sol, contudo este principe deve ser chamado no dia do sol na hora de vênus, isso se repetira constantemente com os outros príncipes, a fonte para isso esta no livro Mastering  Mystical Heptarchy de Scott Michael Stenwick.

Ó nobre Príncipe BORNOGO e por qualquer outro Nome que você seja chamado, ou possa verdadeiramente, e devidamente ser chamado: A cujo governo peculiar, encargo e disposição, ofício e dignidade principesca pertence a alteração da corrupção da natureza em perfeição: o Conhecimento dos Metais. E, geralmente, o Príncipe Ministrando ao Nobre e Poderoso Rei BOBOGEL correto, em seu governo: Distribui, dá e concede Sabedoria, Ciência, Verdadeira Filosofia e verdadeira compreensão de todo o aprendizado baseado na sabedoria e de muitas outras propriedades reais peculiares. E quem me diz: O que tu desejas em mim será cumprido.

Em Nome do Deus Todo-Poderoso, o Rei dos Reis, E para que sua honra e Glória possa ser promovida por meu serviço fiel. Eu exijo a ti, ó Nobre Príncipe BORNOGO, que venha presentemente e se mostre ao meu olho perfeito e sensato do Julgamento, com teus ministros, servos e súditos, para meu conforto e ajuda, em sabedoria e poder de acordo com a propriedade de teu Nobre Ofício: Venha, ó Nobre Príncipe BORNOGO Eu digo Venha, Amém.

 

Cristão:

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum.

Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Amen.

 

Thelêmico:

Agora eu começo a orar, filho, santo e imaculado seja teu nome. Teu reinado é chegado, tua vontade é feita, aqui está o pão, aqui está o sangue, leve-me até o sol durante a meia-noite. Salvame do mal e do bem, para que tua única coroa de todas as dez, agora e aqui seja minha. Amém.

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BRALGES (SEGUNDA FEIRA – SATURNO)

 

Ó nobre Príncipe BRALGES e por qualquer outro Nome que você seja chamado, ou possa verdadeiramente, e devidamente ser chamado: Quem disse: As Criaturas que vivem em seu Domínio estão sujeitas ao seu próprio poder. Cujos assuntos são invisíveis: E que (para meu Vidente) pareciam pequenas fumaças sem forma.

Cujo selo do governo é este: Quem disse: Eis que vim, ensinarei o Nome sem números. As Criaturas Sujeitas a mim serão conhecidas por você.

Em Nome do Deus Todo-Poderoso, o Rei dos Reis, E para que sua honra e Glória possa ser promovida por meu serviço fiel. Eu exijo a ti, ó Nobre Príncipe BRALGES, que venha presentemente e se mostre ao meu olho perfeito e sensato do Julgamento, com teus ministros, servos e súditos, para meu conforto e ajuda, em sabedoria e poder de acordo com a propriedade de teu Nobre Ofício: Venha, ó Nobre Príncipe BRALGES, digo Venha, Amém.

 

Cristão:

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum.

Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Amen.

 

Thelêmico:

Agora eu começo a orar, filho, santo e imaculado seja teu nome. Teu reinado é chegado, tua vontade é feita, aqui está o pão, aqui está o sangue, leve-me até o sol durante a meia-noite. Salvame do mal e do bem, para que tua única coroa de todas as dez, agora e aqui seja minha. Amém.

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BEFAFES (TERÇA FEIRA – XXX)

 

Ó nobre Príncipe BEFAFES e por qualquer outro Nome que você seja chamado, ou possa ser verdadeiramente, e devidamente chamado: Quem é o Príncipe dos Mares. Teu poder está sobre as águas. Você afogou o Faraó e destruiu os ímpios. Teu nome era conhecido por Moisés. Tu habitaste em Israel; o qual mediste as águas, aquele que estava com o rei Salomão, e também muito depois com Scotus; mas não o conheceste pelo teu verdadeiro nome; porque te chamou Maris. E desde então, tu não estavas com ninguém: Exceto, quando tu me preservaste (embora a misericórdia de Deus), do poder dos ímpios: e estava comigo na extremidade. Estavas comigo por completo.35 Quem, dos egípcios, foi chamado OBELISON por causa da tua agradável libertação. E por esse nome a mim conhecido: e de mim anotado em registro, para ser nobre e cortês OBELISON. Cujos nobres 42 Ministros são de grande poder, dignidade e autoridade. Como alguns na medição dos movimentos das águas e salinidade dos mares, em dar bom sucesso em batalhas reduzindo navios e todos os tipos de embarcações que flutuam sobre os mares. Para alguns, todos os peixes e Monstros dos Mares, sim, tudo o que neles vive é bem conhecido: E geralmente são os Distribuidores dos Julgamentos de Deus sobre as Águas que cobrem a Terra. Outros embelezam a natureza em sua composição. O resto são doadores e Distribuidores das substâncias desconhecidas dos Mares. Tu, ó Nobre Príncipe BEFAFES, me usaste em Nome de Deus.

Em Nome do Deus Todo-Poderoso, o Rei dos Reis, E para sua honra e Glória ser promovida por meu serviço fiel. Eu exijo a ti, ó Nobre Príncipe BEFAFES, que venha presentemente e se mostre ao meu olho perfeito e sensato do Julgamento, com teus ministros, servos e súditos, para meu conforto e ajuda, em sabedoria e poder de acordo com a propriedade de teu Nobre Escritório: Venha, ó Nobre Príncipe BEFAFES Eu digo Venha, Amém.

 

Cristão:

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum.

Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Amém.

 

Thelêmico:

Agora eu começo a orar, filho, santo e imaculado seja teu nome. Teu reinado é chegado, tua vontade é feita, aqui está o pão, aqui está o sangue, leve-me até o sol durante a meia-noite. Salvame do mal e do bem, para que tua única coroa de todas as dez, agora e aqui seja minha. Amém.

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BLISDON (QUARTA FEIRA – JUPITER)

 

Ó nobre Príncipe BLISDON e por qualquer outro Nome que você seja chamado, ou possa ser verdadeiramente, e devidamente chamado: Que é Vida e Respiração nas Criaturas Vivas. Todas as coisas vivem por ti: a imagem de um exceto. Todos os tipos de bestas da Terra tu imbuíste de vida. O teu selo é a glória de Deus; tu és santificado; e tu te regozija. A vida, o fim e o começo de todos os animais, tu sabes e por meio do sofrimento os livras até que o teu tempo se esgote.

Em Nome do Deus Todo-Poderoso, o Rei dos Reis, E para que sua honra e Glória possa ser promovida por meu serviço fiel. Eu exijo a ti, ó Nobre Príncipe BLISDON, que venha presentemente e se mostre ao meu olho perfeito e sensato do Julgamento, com teus ministros, servos e súditos, para meu conforto e ajuda, em sabedoria e poder de acordo com a propriedade de teu Nobre Ofício: Venha, ó Nobre Príncipe BLISDON, eu digo Venha, Amém.

 

Cristão:

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum.

Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Um homem.

 

Thelêmico:

Agora eu começo a orar, filho, santo e imaculado seja teu nome. Teu reinado é chegado, tua vontade é feita, aqui está o pão, aqui está o sangue, leve-me até o sol durante a meia-noite. Salvame do mal e do bem, para que tua única coroa de todas as dez, agora e aqui seja minha. Amém.

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BUTMONO (QUINTA FEIRA – MARTE)

 

Ó nobre Príncipe BUTMONO e por qualquer outro Nome que você seja chamado, ou possa verdadeiramente e devidamente ser chamado: Para quem, as Chaves dos Mistérios da Terra são entregues. Cujos 42 ministros são Anjos, que governam sob ti.

Tudo o que teu Poderoso Rei BYNEPOR me ordenou que usasse e afirmou que eles são e estarão sob minhas ordens.

Em Nome do Deus Todo-Poderoso, o Rei dos Reis, E para que sua honra e Glória possa ser promovida por meu serviço fiel. Eu exijo a ti, ó Nobre Príncipe BLISDON, que venha presentemente e se mostre ao meu olho perfeito e sensato do Julgamento, com teus ministros, servos e súditos, para meu conforto e ajuda, em sabedoria e poder de acordo com a propriedade de teu Nobre Ofício: Venha, ó Nobre Príncipe BLISDON, eu digo Venha, Amém.

 

Cristão:

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum.

Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Um homem.

 

Thelêmico:

Agora eu começo a orar, filho, santo e imaculado seja teu nome. Teu reinado é chegado, tua vontade é feita, aqui está o pão, aqui está o sangue, leve-me até o sol durante a meia-noite. Salva-me do mal e do bem, para que tua única coroa de todas as dez, agora e aqui seja minha. Amém.

 

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BAGENOL (SEXTA FEIRA – LUA)

 

Ó nobre Príncipe BAGENOL e por qualquer outro Nome que você seja chamado, ou possa verdadeiramente, e devidamente ser chamado: A cujo mandamento os filhos dos homens e seus filhos estão sujeitos: e são teus servos A cujo Poder a Operação da Terra está sujeita . Quem és o Primeiro dos Doze: e cujo selo é chamado Barces e este é: Sob cujo comando estão os Reis, Homens Nobres e Príncipes da Natureza. Quem é o Primus et Quartus Hagonel.

Quem pelos Sete dos 7 (que são os Filhos dos Sempiternos) faz maravilhas entre os povos da Terra: e me disse que também eu, pelo mesmo teu Servo, deveria fazer maravilhas. Ó Nobre BAGENOL, que é Ministro do Rei Tríplice Coroado – BALIGON: E não obstante, é Príncipe destes 42 Anjos, cujos Nomes e caracteres são aqui apresentados.

Em Nome do Deus Todo-Poderoso, o Rei dos Reis, E para que sua honra e Glória possa ser promovida por meu serviço fiel. Eu exijo a ti, ó Nobre Príncipe BAGENOL, que venha presentemente e se mostre ao meu olho perfeito e sensato do Julgamento, com teus ministros, servos e súditos, para meu conforto e ajuda, em sabedoria e poder de acordo com a propriedade de teu Nobre Ofício: Venha, O Nobre Príncipe BAGENOL Eu digo Venha, Amém.

 

Cristão:

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum.

Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Um homem.

 

Thelêmico:

Agora eu começo a orar, filho, santo e imaculado seja teu nome. Teu reinado é chegado, tua vontade é feita, aqui está o pão, aqui está o sangue, leve-me até o sol durante a meia-noite. Salvame do mal e do bem, para que tua única coroa de todas as dez, agora e aqui seja minha. Amém.

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BRORGES (SABADO – MERCURIO)

 

Ó nobre Príncipe BRORGES e por qualquer outro Nome que você seja chamado, ou possa verdadeiramente, e devidamente chamado: Quem, sendo o Príncipe: ministro-chefe e governador sob o direito Poderoso Rei BNAPSEN apareceu (para meu Vidente) de uma forma terrível com riachos de fogo flamejante, e disse: Noui Ianaum Mortis. Et per cussit Gloria Dei, Impiorum parietes.

Em Nome do Deus Todo-Poderoso, o Rei dos Reis, E para sua honra e Glória ser promovida por meu serviço fiel. Eu exijo a ti, ó Nobre Príncipe BRORGES, que venha presentemente e se mostre ao meu olho perfeito e sensato do Julgamento, com teus ministros, servos e súditos, para meu conforto e ajuda, em sabedoria e poder de acordo com a propriedade de ti Escritório Nobre: Venha, ó Nobre Príncipe BRORGES, eu digo Venha, Amém.

 

Cristão:

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum.

Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Um homem.

 

Thelêmico:

Agora eu começo a orar, filho, santo e imaculado seja teu nome. Teu reinado é chegado, tua vontade é feita, aqui está o pão, aqui está o sangue, leve-me até o sol durante a meia-noite. Salva-me do mal e do bem, para que tua única coroa de todas as dez, agora e aqui seja minha. Amém.

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COMO FAZER O ENCARGO (PEDIDO)

Um encargo consiste em duas partes, uma série de injunções e uma série de limitações. O primeiro explica o que você quer que o espírito faça e o segundo explica o que você não quer que o espírito faça. Como um exemplo simples, digamos que você precise de dinheiro e invoque um espírito para lhe trazer cinco mil dólares.

Existem várias maneiras pelas quais essa demanda pode se manifestar, e algumas delas são coisas que você geralmente não deseja. Uma morte na família pode resultar em herança. Você ou um de seus filhos podem se ferir em um acidente de trânsito e receber um pagamento que cobre pouco mais do que suas contas médicas. Você pode ter um incêndio em uma casa que resulte em um acordo do seguro do seu proprietário no valor solicitado.

PORTANTO PEÇA COM CUIDADO E PENSE EM TUDO O QUE PODERIA DAR DE ERRADO E DIGA AO ESPIRITO DE FORMA CLARA E OBJETIVA O QUE VOCE QUER E O QUE VOCE NÃO QUER QUE ACONTEÇA!

Para obter os melhores resultados possíveis, você não deve especificar os meios pelos quais seu objetivo deve ser alcançado e confiar apenas nas limitações contidas como a segunda parte de seu Comando para excluir resultados indesejáveis específicos. Isso
ocorre porque você deseja ter certeza de que o objetivo do feitiço não seja alcançado de alguma forma que prejudique o resultado, mas ao mesmo tempo você deseja manter tantos caminhos abertos quanto possível para o efeito se manifestar. Frequentemente, a melhor maneira de algo se manifestar em sua vida não é óbvia, então é melhor se concentrar no resultado final ao construir sua intenção mágica.

Como na maioria dos grimórios medievais, os anjos da Heptarchia Mystica seguem uma hierarquia espiritual particular.
O Rei Carmara governa todos os Reis.
O Rei Carmara governa o Príncipe Hagonel.
O Príncipe Hagonel governa todos os Príncipes.
Cada Rei governa o Príncipe do dia correspondente.

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LICENÇA PARA PARTIR

Tu, Anjo de Luz, eu, [Seu Nome Mágico], pelo poder do Deus Verdadeiro, Onipotente e Vivo, por meio desta, convidoo a partir e cumprir suas tarefas designadas, a serviço de minha Verdadeira Vontade e para a Glória e Honra ao nosso Deus Verdadeiro acima mencionado, a quem tu deve lealdade e obediência. Eu, [Seu Nome Mágico], por meio deste libero as forças restringidas, focalizadas e dirigidas durante esta operação, para que elas possam ir adiante e trabalhar seus vários poderes sobre o universo manifesto, pois assim nasceu toda a Verdadeira Magia e o Poder Perfeito. Pelo poder de minha Verdadeira Vontade aqui incorporada pelo Nome Mágico [Seu Nome Mágico],

AMÉM.

Assim seja.

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Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-heptarquia-mistica-o-livro-da-magia-enochiana-planetaria/

A ‘Firmeza’ de Quimbanda

Por Nicholaj de Mattos Frisvold.

A Quimbanda é um culto centrado na interação direta e frontal com o espírito, portanto o desenvolvimento de habilidades mediúnicas e a capacidade no tráfego de espírito é parte integrante e vital para o trabalho da Quimbanda. A possessão é um fenômeno que intriga e também assusta. Afinal, todos nós já vimos filmes como O Exorcista e outros thrillers de horror dando espetáculos visuais de como espíritos hostis podem tomar conta do corpo, mente e alma humana de formas intrusivas e fatais. Mas as possessões encontram uma contrapartida tanto no arrebatamento xamânico quanto no profeta cuja alma está cheia de luz angélica que o torna profético. A possessão não se trata apenas da entrega total de seu vaso material a um espírito que, por sua vez, usa as faculdades do médium para engajar várias formas de trabalho. Inspiração, sonho e estar “sob a influência” são vias potencialmente válidas e dignas de conexão com o espírito. Outra avenida para o bom tráfego de espíritos é a comunhão, ou o que Jake Stratton-Kent chama de “uma noite com os rapazes” ao definir esta forma de congresso de espíritos realizado com os espíritos “goéticos”.

Ultimamente tenho recebido tantas correspondências fazendo a mesma pergunta, a saber, como atender a Exu e Pomba Gira pessoais de alguém, que decidi escrever sobre isso aqui como referência para muitos.

Primeiro é preciso fazer uma distinção, dado que muitos Quimbandeiros aconselharão contra o estabelecimento de uma sede tronco/a de poder, isto é, uma tronqueira em sua casa. Esta proibição se deve em grande parte à presença de terra do cemitério e outros itens dentro de um assentamento completo que pode trazer forças hostis a serem atraídas e assim gerar alguma turbulência na vida do praticante. Agora existem maneiras de definir perímetros e eliminar este fator, mas não é de assentamentos completos que vou falar, mas sim do culto privado e do trabalho com o Exu e Pomba Gira pessoais, o que é mais propriamente conhecido como ‘firmeza’.

Minha compreensão da relação entre sua Pomba Gira e Exu pessoais é que eles servem como espelhos da alma e refletem sua falta, debilidades e sua grandeza ao mesmo tempo. É um espelho livre de julgamento e moral que estabelece algo a que se aspira tanto quanto o desafia. Muitos mal-entendidos acontecem neste campo onde alguns acreditam que só porque a história de vida e os atributos e caráter de seu Exu pessoal é de um assassino e canalha, isso dá algum tipo de desculpa para matar e trapacear, como uma Pomba Gira que viveu como uma prostituta nas cepas mais escuras da vida, irá acelerar tal atividade na vida do praticante. Devemos ter em mente que estes espíritos que nos trazem a memória da fortuna e do infortúnio humano, como professores, guias e amigos. Portanto, é crucial conhecer primeiro seu Exu e Pomba Gira pessoais, não só porque ele trará conhecimento de si mesmo, mas da própria condição humana. Através deste conhecimento podemos entender como mover o vento com água e sacudir a terra com o fogo. Além destes dois espíritos, temos também um “espírito de trabalho”. Este espírito de trabalho é alguém que podemos pensar como representando uma potência voltada para nós de maneira benigna e que é mais provável que nos ajude na caminhada da vida.

Um culto particular focalizado nestas forças deve ser simples e como estes são espíritos que já fazem parte de você, não há realmente nada que o impeça de trabalhar com eles, mas é claro que é aconselhável saber como entrar em uma relação construtiva com estes espíritos bastante amorosos que reflita sobre sua alma a fim de trazer à tona o que é bom.

A maneira usual de se fazer isso é adquirir alguma representação física desses espíritos que pode ser colocada em um santuário. O mais comum é usar estátuas e estas estátuas e mesmo que elas sejam cruzadas e cobradas não significa que sejam assentamentos. Ao contrário, elas representam o que é conhecido como ‘firmeza’. Não há realmente uma tradução satisfatória deste termo, mas a ideia é de um elo forte, o nó final em uma cadeia que fixa todas as outras contas e partes da cadeia. Assim, um culto privado com o espírito pessoal é trabalhar a “firmeza” ou fortaleza com espírito e a “firmeza” pode ser mantida dentro de sua casa. Normalmente, você os manterá em um armário fechado ou organizará seu espaço de tal forma que possam ser cobertos quando não forem trabalhados.

O culto em si é bastante simples e direto. Você oferecerá velas, tabaco e licor até mesmo flores, pastelaria, carne, padê e outros itens podem fazer parte da oferta. Mas vou falar da simples premissa de uma comunhão com seus espíritos pessoais, o primeiro passo para alguém que não tem acesso a um terreiro ou a um Tata.

Ao iniciar uma sessão, carimbe o chão com o pé esquerdo três vezes ou bata no santuário três vezes com o punho esquerdo e diga:

Salve o povo de Quimbanda
Salve o Maioral
Salve Rainha
Salve o povo da Rua
Salve Exu (inserir nome)
Salve Pomba Gira (inserir nome)

Acenda as velas, que podem ser uma, três ou sete. Vermelha para Pomba Gira e preta para Exu ou uma mistura onde é oferecido um domínio de velas pretas a Exu e é dado um domínio de velas vermelhas a Pomba Gira.

Dê licor para as aguardentes, que pode ser simples como cachaça, rum ou vodca para Exu e vinho tinto, champanhe ou uísque para Pomba Gira. Para atributos mais precisos para bebidas espirituosas específicas, você os encontra nos livros Exu e Pomba Gira. O licor é dado em copos e uma pequena porção é oferecida na própria imagem.

Então acenda o charuto para Exu ou cigarro/cigarilha para Pomba Gira no mesmo número que as velas, uma, três ou sete. O charuto e o cigarro podem ser colocados em um cinzeiro na frente da imagem e os cigarros podem ser colocados com o filtro em cima da mesa como uma vela.

Neste ponto você cantará/recitará os pontos cantados (canções sagradas) para o Exu e Pomba Gira com os quais você está trabalhando e chamando. Os pontos fazem parte da religiosidade popular aqui no Brasil e muitos pontos famosos e maravilhosos são encontrados no Youtube hoje em dia. Claro que há também o ‘canto do coração’, que é basicamente como estes pontos surgiram em primeiro lugar. Esse espírito o move a cantar pontos inspirados e dados a partir deles. Mas no início eu recomendaria que você aprendesse um ponto ou três.

Continue assim, mova seu corpo se desejar, até sentir que eles estão chegando e simplesmente sente-se e sirva-se de uma bebida e acenda um charuto, cigarrilha ou cigarro e mesmo que você não seja um fumante faça o esforço de alguns sopros simbólicos, deixando o lembrete para o espírito. Cante, fale, esteja em comunhão.

Quando você sentir ou procurar a sessão para estar no final, diga:

Obrigado povo de Quimbanda. Boa noite!
Salve Exu
Salve Pomba gira
Laroyê

Você então deixará o santuário e permitirá que as velas se apaguem sozinhas e você deve observar seus sonhos e quaisquer mudanças que ocorram em sua vida e tomar consciência disso.

Ao se desfazer das ofertas, você pode fazer isso de muitas maneiras. Tabaco e licor podem ser simplesmente descartados no lixo na manhã seguinte (Salve Mulambo). Estes itens foram consumidos pelo espírito e se tornam bastante vazios de virtude. Digo, bastante vazio, porque naturalmente algo é deixado e para aqueles que procuram se desfazer das ofertas de uma maneira mais correta, ele deve ser colocado no chão, em contato com a terra ou no cruzamento. Isto significa que você pode trazer os resíduos das ofertas para qualquer encruzilhada e dispor delas lá, assim como pode trazê-las para a floresta e dispor delas aos pés de uma árvore.  Quando trabalhamos em determinados reinos, entregamos os resíduos ao reino trabalhado, mas para todos os fins e intenções, a encruzilhada e a presença da terra é preferível, e sempre usada, quando algo mais do que tabaco, velas e licor é oferecido.

Tente pensar nestes primeiros passos como conhecer a si mesmo com honestidade, usando espíritos gravitando nas ruas e nos reinos humanos como seu espelho e medida. Mantenha-o simples e dê atenção à natureza pessoal da comunhão. Tente evitar ler demais em nada e tente não ignorar sinais claros de sua presença e não deve haver problema. Para a maioria das pessoas, esta relação com os espíritos da Quimbanda será suficiente.

Dito isto, Exu e Pomba Gira são espíritos da terra e do fogo, Vênus e Saturno queimando em sujeira sulfúrica, então certamente alguns praticantes podem experimentar a presença do que é comumente conhecido como kiumbas ou espíritos da obsessão. Se isto acontecer, é bastante simples de se livrar dele.

Você pode fazer fumigações de arruda, sal marinho e lavanda e também fazer banho do mesmo.

Você pode queimar folhas de salva e louro e pode fazer o hábito de tomar banho de sal marinho e pétalas de rosas brancas após as sessões se você estiver tendo problemas com raiva, fixação de tipos negativos ou simplesmente sentir energias hostis ao redor.

Naturalmente, há muito mais na Quimbanda do que isto, mas esta é uma forma segura, gratificante e boa de trabalhar com eles, um primeiro passo para estabelecer a ‘firmeza’…

Se você quiser estátuas de Exu e Pomba Gira ou uma consulta para descobrir seus espíritos pessoais, você pode visitar a Sacred Alchemy Store ou para estátuas encomendadas sob encomenda visitar Wolf & Goat e para aqueles que procuram saber mais sobre a Quimbanda você pode entrar em contato com a House of Qumbanda.

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Fonte:

The ‘firmeza’ of Quimbanda.

http://www.starrycave.com/2014/05/the-firmeza-of-quimbanda.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-firmeza-de-quimbanda/

A gênese dos anormais

saturno

“Digamos que o monstro é o que combina o impossível com o proibido”.

– Foucault – Os anormais.

Segundo Michel Foulcault, em Os anormais, o monstro fez parte da constituição do domínio da anormalidade no século XIX. Ele é a figura chave que nos permite entender as articulações entre as instâncias de poder e os campos de saber envolvidos na constituição dos “anormais”.

Cada época constitui formas privilegiadas de monstro. No decorrer da Idade Média, o homem bestial – mistura entre o reino humano e animal – constituiu o imaginário da época. A monstruosidade dos irmãos siameses dominou a literatura especializada ao longo do Renascimento. Já na Idade Clássica, os hermafroditas foram eleitos os monstros da vez.

Se cada época possui suas formas eleitas de monstruosidade, assistimos, ao longo do século XIX, uma diluição dos grandes monstros em uma série de monstrinhos perversos, a saber: os anormais. Como se deu esse processo?

O suplício

Até o século XVIII, o monstro era considerado dentro de uma noção jurídico-biológica ou jurídico-natural. Ele não era apenas uma infração das leis da sociedade, mas, principalmente, uma violação das leis naturais. Nesse contexto, o monstro não gerava uma simples resposta da lei. O que ele suscitava era algo diferente da lei, era a violência, o suplício.

O suplício funcionava como um ritual de atrocidade que tinha como objetivo responder ao crime cometido com um desequilíbrio de forças tal que anulasse a ofensa, seja ela qual fosse. Não por acaso temos notícias de suplícios que duravam dias como o caso do assassino de Guilherme de Oranges, em 1584, que sofreu queimaduras, decepações, cortes e as mais horríveis torturas durante dezoito dias.

Essa economia do poder de punição transforma-se, no final do século XVIII, num conjunto de preceitos e análises que permitem intensificar seus efeitos de poder. Desse modo, o poder de punição deixa de se exercer como um rito (ritual do suplício) e passa a funcionar por meio dos mecanismos de vigilância e controle. Nesse ponto, a questão deixa de ser “qual é o crime?” e passa a ser “o que leva um indivíduo a ser criminoso?”. É a passagem do crime ao criminoso. O crime que era apenas uma violação das regras, passa a ter uma constituição, em outras palavras, uma natureza.

A patologização das condutas criminosas: o nascimento da psiquiatria

A partir dessa nova economia do poder de punição são formuladas novas teorias sobre a natureza da criminalidade. Surge, portanto, uma patologia das condutas criminosas. É na passagem do crime ao criminoso que vemos emergir um novo saber que pretende colocar-se como protetor da sociedade contra os anormais. É o nascimento da psiquiatria. E foi justamente nesse terreno fértil da constituição da anormalidade que a psiquiatria se constituiu como um novo campo de saber. Isso porque a natureza ou a racionalidade do crime cria uma lacuna para o poder judiciário que só pode julgar e penalizar na medida em que conheça a natureza do crime, ou seja, na medida em que conheça as causas que levaram o criminoso a cometer seu crime.

Essa nova mecânica das relações de poder teve como efeito alterar a antiga concepção jurídico-natural do monstro. A partir desse momento, a monstruosidade passa a ser entendida de um ponto de vista moral, ou seja, nasce uma monstruosidade moral que, ao longo do século XIX, se transformará em uma espécie de monstruosidade das condutas cotidianas.

O monstro moral

O primeiro monstro moral é o monstro político. Com o advento da revolução francesa, o criminoso passou a ser aquele que rompe o pacto social. Em outras palavras, o criminoso é aquele indivíduo que coloca seus interesses pessoais acima dos interesses sociais. A figura paradigmática dessa relação é o rei, o rei déspota ou tirano. Assim, o primeiro monstro moral é o rei. Nessa época, foi constituído todo um arcabouço teórico que ligava a realeza, principalmente Luis XVI e Maria Antonieta, a uma monstruosidade tirânica sempre associada ao tema do incesto. Monstro incestuoso, monstro sexual.

Segundo livros e folhetos da época, Maria Antonieta era o modelo desse monstro político-moral-sexual: além de sua tirania e de sua sede de sangue era uma mulher depravada, escandalosa, entregue à libertinagem. Quando criança perdeu a virgindade com seu irmão José II e se tornou amante de Luis XV (e do cunhado deste). Para completar seu quadro libertino, ela era acusada de manter relações homoafetivas.

Concomitante ao modelo do monstro déspota com sua libertinagem, surge o monstro revolucionário, o monstro popular, imagem invertida do rei tirânico. Do mesmo modo que o monarca, o monstro popular (que também é um monstro político) rompe o pacto social. Se aquele era um monstro incestuoso, esse será o monstro antropofágico, que tem fome de carne humana, que volta a um estado de natureza selvagem. É a imagem do povo revoltado.

Foram justamente essas duas figuras do monstro político-moral, o rei incestuoso e o povo canibal ou a monstruosidade sexual e a monstruosidade antropofágica, que serviram de modelo de inteligibilidade para a psiquiatria no século XIX. A psiquiatria constituiu seu saber reativando esses temas da sexualidade antropofágica por meio de uma série de novos domínios, de novos objetos no interior de seu discurso. Essa nova série de elementos são os impulsos, pulsões, tendências e, principalmente, os instintos.

O instinto

Segundo os médicos do início do século XIX, o instinto é um dado natural que faz parte da essência do próprio ser. Um instinto deturpado seria a indicação mais que precisa de uma essência comprometida.

Foucault destacou que há, nesse momento, uma freada da teoria da alienação mental centrada no delírio. É o fim dos alienistas e o início de uma neuropsiquiatria organizada em torno dos impulsos e dos instintos. Essa freada na teoria da alienação centrada no delírio abre a possibilidade para construção de uma psicopatia sexual que constrói a idéia do instinto sexual como origem dos distúrbios. Para esse autor, essa freada na teoria da alienação mental centrada no delírio para uma psicopatia sexual é que constrói a ligação entre um instinto sexual como origem dos distúrbios. Entra em cena um novo objeto para a psiquiatria: o prazer. A psiquiatria foi obrigada a elaborar uma teoria e uma armadura conceitual própria e é nisso que consiste a teoria da degeneração.

A psiquiatria do último quarto do século XIX passa por cima do essencial da justificação da medicina no século XVIII e início do XIX, ou seja, sobrepõe a idéia da cura. A psiquiatria deixa de ser, ou será secundariamente, uma técnica de saber da cura.

O que ocorreu foi uma certa despatologização de seu objeto por meio da idéia de “estado”. O “estado” não seria propriamente uma doença, mas um fundo causal que estaria associado a uma gama imensa de processos e episódios (comportamentais) que, unidos em uma síndrome, comporiam uma doença.

Desse modo, a busca por uma causa única que explique a “anormalidade” será substituída por uma “metassomatização” representada pela idéia de hereditariedade. Metassomatização, pois, funciona como um “corpo fantástico” que possibilita a explicação de qualquer tipo de desvio.

Os degenerados: perversidade e perigo

Não é possível abordar a idéia de desvio sem passar pelos seus correlatos: loucura e crime. Em última instância, se todo desvio acontece na forma de um crime (no sentido de não corresponder às normas vigentes), todo crime representará, ao menos em potencial, os indícios de um ser desviante.

Ao deslocar a questão do crime para o criminoso, como vimos acima, – ou da ruptura da saúde para o comprometimento do ser em si – o que a medicina e a jurisprudência fizeram foi dobrar o delito com outras coisas que não são o delito (comportamento, maneiras de ser etc). Esses outros elementos foram apresentados como a causa, a origem ou a motivação do delito. É justamente a possibilidade de criar esses “duplos-sucessivos” que permitiu a passagem do ato à conduta, do delito à maneira de ser. Houve, contudo, o deslocamento do nível de realidade da infração, pois as condutas não infringiam a lei (nenhuma lei impede alguém de ser desequilibrado). Assim sendo, não há mais uma infração penal, mas irregularidades em relação às regras, que podem ser fisiológicas, morais etc.

Temos discursos epistemologicamente fracos, pois pelo lado da justiça, a jurisprudência não buscou exatamente determinar o criminoso ou o inocente, e pelo lado da medicina, a psiquiatria não buscou determinar quem era ou não doente e, conseqüentemente, tratar o mal. Houve a busca pela perversidade e pelo perigo. Em suma, buscou-se determinar e construir o “anormal”. O resultado de todo esse processo foi a construção dos degenerados.

O degenerado não era considerado, de modo geral, como um doente afetado por uma moléstia qualquer. Era, antes de tudo, uma espécie ou classe diferente, menos humana. O degenerado colocava em risco, além dele mesmo, toda a sociedade, por ser ele próprio um perigo.

A monstruosidade das condutas cotidianas

Os anormais ou os degenerados são os herdeiros diretos dos grandes monstros, principalmente, do monstro moral. E o instinto foi o mecanismo que possibilitou a passagem das grandes irregularidades monstruosas aos pequenos distúrbios da anormalidade, das pequenas irregularidades da conduta. Desse modo, o modelo do monstro moral-sexual-antropofágico serviu como base na elaboração dos desvios comportamentais que caracterizaram o domínio da anormalidade no século XIX. Em outras palavras, foi o que permitiu a passagem do grande monstro aos monstrinhos perversos que marcou, e talvez ainda marque, nosso imaginário social.

Renato Beluche possui graduação em história pela Unesp, campus de Franca e mestrado em ciências sociais pela UFSCar. É membro do grupo de pesquisa “Corpo, Identidade Social e Estética da Existência” na UFSCar e pesquisador do Centro de Pesquisa em Infoeducação na USP.

Artigo originalmente publicado na REVISTA ELETRÔNICA DE JORNALISMO CIENTÍFICO

Bibliografia

Foucault, Michel. Os anormais: curso no Collège de France (1974-1975). Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

______. A verdade e as formas jurídicas. 3 ed. Trad. Roberto Cabral de Melo Machado e Eduardo Jardim Moraes. Rio de Janeiro: Nau Editora, 2003.

______. Vigiar e punir : História da Violência nas prisões. Trad. Raquel Ramalhete. 24 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

Beluche, Renato. O corte da sexualidade: o ponto de viragem da psiquiatria brasileira no século XIX. 102 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – PPGCSo – UFSCar, 2006.

______. Sexualidade, “raça” e nação: a construção das identidades desviantes no Brasil imperial. In: Dossiê – Práticas Culturais e Identidades. Tempos Históricos. Marechal Cândido Rondon: Gráfica Líder, vol. 9, 2° semestre, p. 139-168, 2006b.

Por Renato Beluche

Se envolve FucÔ, nem leio.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/a-genese-dos-anormais/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/a-genese-dos-anormais/

Abramelin

Abraao o judeu

1362 – 1460

Tudo o que se sabe sobre Abrão, o mago, alquimista, teólogo e filósofo do século XIV é diretamente derivado do manuscritos de posse da Bibliotheque de l’Arsenal em Paris, um arquivo, deve-se dizer, rico em fontes originais do ocultismo medieval.  O título completo da obra é em português “O Livro da Sagrada Magia de Abramelim, conforme passado por Abrão, o Judeu para seu filho Lamech.” Inteiramente escrito em francês, este documento alega ser a tradução de um manuscrito ainda mais antigo em hebraico, e o estilo da caligrafia sugere um escriba que viveu no século dezoito ou no final do século dezessete. A grafia e gramática do texto sugerem que o autor era ou semiletrado ou pouco cuidadoso, possivelmente não tendo o francês como lingua nativa.

Abraão, (doravente chamado de Abraham para maior acuidade histórica) foi ao que tudo indica nativo de Mayence, nascido em cerca de 1362. Seu pai, Simon, também foi adepto das investigações ocultistas e da prática mágica e desde cedo guioi seu filho nos estudos. Numa certa fase da vida, a tutotia do pai da lugar a um outro professor indetificado com o nome Moses. Abraham no entando ao crescer, rapidamente supera seu segundo mestre ao ponto de o descrever por fim como “um bom homem, mas inteiramente ignorante do Verdadeiro Mistério e da Verdadeira Magia.”

Sem um guia a sua altura, a fase sgeuinte da sua vida é dedicada a numerosas viagens educacionais ao redor do mundo conhecido. Com seu amigo Samuel, boemio por natureza, ele visita a Austria, a Hungria, a Grécia até chegar a Constantinopla (atual Istambul) onde fixou-se por aproximadamente dois anos. Após isso Abraham viajou para a Arabia, em sua época talvez o maior centro de aprendizagem mística do mundo onde dedicou mais alguns anos de vivência. Em seguida dirigiu-se para a Palestina e então para o Egito onde aprendeu uma grande quantidade de segredos ocultos.

Foi nas terras do Egito que Abraham conheceu Abra-Melin, célebre filósofo da região, a esta altura já com idade avançada em uma pequena cidade chamada Arach próxima ao Rio Nilo.  Lá ele vivia em uma casa modesta no topo de um pequeno monte coberto de árvores. Um homem gentil e educado, levando uma vida simples e regrada, apóstolo do Temor a Deus e evitando qualquer acúmulo de riquezas. Ele concordou em ensinar sua sagrada arte a Abraham com a promessa de que ele abandonaria seus falsos fogmas e passaria a viver no caminho e sob a lei de Deus.

Pelo presso de dez florins de ouro, que foram distribuidos aos pobres da cidade, Abra-Melin confiou a Abraham certos documentos contendo uma grande variedade de operações e segredos acumulados durante sua vida. Este conhecimento parece emergir de um cenário ocultista especificamente, mas não exclusivamente judaico. Um exemplo claro disso são as receitas que ele lega para a confecção do óleo e o incenso, que podem ser encontradas de forma idêntica no Pentateuco. Em Êxodo 30:23-25, temos a receita para o Óleo de Abramelim: “Também toma das principais especiarias, da mais pura mirra quinhentos siclos, de canela aromática a metade, a saber, duzentos e cinqüenta siclos, de cálamo aromático duzentos e cinqüenta siclos, de cássia quinhentos siclos, segundo o siclo do santuário, e de azeite de oliveiras um him.” Pouco adiante em Êxodo 30:34-36, temos a receita para o Incenso de Abramelim: “Toma especiarias aromáticas: estoraque, e ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas tomarás peso igual; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo e uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da revelação onde eu virei a ti; coisa santíssimá vos será.”

Após isso Abraham deixa o Egito e segue para a Europa onde eventualmente fixa morada em Würzburg, na Alemanha, tornando-se profundamente envolvido com o estudo da Alquimia. Nesta época ele se casa com uma mulher, provavelmente sua própria prima, que lhe dá três filhas e dois filhos. O filho mais velho foi chamado Joseph e o mais novo recebeu o nome de Lamech.

Assim como seu pai, e provavelmente o pai de seu pai antes dele, Abraham instruiu seus filhos homens nos assuntos ocultos, enquanto que para suas filhas deixou dotes de 100,000 florins de ouro. Esta considerada soma de riqueza, assim como suas muitas viagens demonstram que Abraham foi um homem de posses, a quem nunca faltou sustento e recursos. Tesouro estes que o próprio mago atribuiu aos seus talentos como magista.

Ele também tornou-se célebre ao final da vida ao produzir impressionantes atos de magia na presença de pessoas famosas e importantes de sua época como o próprio Imperador Sigismund da Alemanha, o bisco de Würzburg, Henrioque VI da Inglaterra, o duque da Bavária e o papa João XXII. Aqui a narrativa se encerra e não existe detalhes sobre o final da vida de Abraham, sendo que a data e circustancias de sua morte são incertas, embora seja estimada como ocorrida em meados de 1460.

A Sagrada Magia de Abra-Melin

 

O documento mencionado, que é a origem destas informações biográficas foi traduzido em 1896 por Samuel Liddell MacGregor Mathers, um dos fundadores da Hermetic Order of the Golden Dawn e tornou-se um dos tomos mais importantes da magia cerimonial. As  traduções mais recentes para o inglês feita por Georg Dehn e Steven Guth atribuem a autoria e e identidade histórica de Abraham com a de Rabbi Yaakov Moelin יעקב בן משה מולין. Diversos fatores nos levam a crer que Abraham, o Judeu é o pseudônimo ou o nome iniciático deste Rabbi, pois muitos dados biográficos deles se encaixam como uma luva na narrativa acima passada.

A primeira parte desta obra conta a própria história de vida de Abraham, tal como aqui mencionada. A segunda parte é baseada nos documentos entregues por Abra-Melin durante sua viagem ao Egito. Nesta seção do manuscrito são expostos os princípios gerais da magia, incluindo o capítulos como “Quais são e quais são as classes da Verdadeira Magia”? “O que deve ser levado em consideração para uma operação mágica”, “Como convocar os Espíritos” e “De que maneira devem ser feitas as operações”

A terceira parte do documento é bem menos teórica e o autor supões que seu leitor sabe a base do que está sendo exposto. Aqui são tratadas a parte prática da operação mágica. São técnicas com vários propósitos como: provocar visões, reter espíritos familiares, dominar tempestades, transformar coisas e pessoas em diferentes formas e figuras, voar através dos ares, destruir edifícios, curar doenças, descobrir objetos roubados e caminhar debaixo d`agua. O autor ainda trata da cura taumaturgica de males como a lepra, a paralisia, a febre e o mal estar geral. Ele também oferece conselhos sobre como fazer-se amado por uma mulher e como conseguir o favor de papas, imperadores e pessoas influêntes. Muitas dessas façanhas são realizadas pelo emprego adequado de quadrados e signos cabalísticos. Com eles o autor ensina como causar visões específicas como a de homens armados, ou mesmo como evocar “Comédias, Operas e todo tipo de Música e Dança”. Diferentes símbolos representam diferentes resultados nas operações.

O temperamento e personalidade de Abraham é revelado nas entrelinhas da obra. Nela há um evidênte pouco caso de quase todos os magistas de sua época e um quase desprezo de todas as obras ocultas que não as dele mesmo ou de seu mestre Abra-Melin. Abraham critica abertamente todos aqueles que se contentam com os dogmas das religiões em que nasceram e aponta que ninguém culpado desta falha jamais atingirá qualquer sucesso nas práticas da magia. A doutrina fundamental do livro é que o cosmos é povoado por hostes de anjos e demônios. Os demônios trabalham em última instância, sob a direção dos anjos O homem situa-se entre as forás angélicas e demoniacas. E a cada homem é designado um anjo protetor e um demônio tentador. O objetivo dos grandes iniciados é controlar seu demônio e atingir o contato e conversação com seu sagrado anjo guardião. Uma vez que tenha atigido este grau elevado o magista tem ao seu controle todos os espíritos infernais, e portanto grande poder sobre a criação. Apesar dos claros benefícios materiais e pessoas óbvios, em seus escritos existe uma fé bastante forte de que isso pode e deve ser feito não apenas para o benefício imediato do mago, mas sim como uma conquista que afeta imediatamente a posição da humanidade no cosmos.

 

O impacto no ocultismo posterior

 

Após a tradução de MacGregor Mathers, este sistema ganhou um lugar de destaque no ocultismo ocidental igualavel ao sistema enoquiano e as chaves de Salomão. Sua herança direta pode ser encontrada no Hermetismo, no Rosicrucianismo, na Thelema e mesmo  no Neopaganismo. Sem muita procura pode ser visto nas obras ocultistas posteriores encabeçadas pelo próprio Mathers, assim como nos trabalhos de Aleister Crowley e Dion Fortune. O primeiro obstáculo desta nova geraçao foi tentar sobreviver diante do forte monoteísmo abraamico que permeia todo o sistema de Abra-melin. O temor a Deus é o primeiro e  mais necessário requisito da obra e a todo tempo lembrada. Orações incessantes e leitura constante dos textos bíblicos fazem parte do processo que leva ao contato do Sagrado anjo Guardião. De fato, todos os outros tipos de operações mágicas são tidas por Abraham como falsas e inúteis, verdadeiras armadilhas dos demônios para afastar os adeptos do caminho da Grande Obra. Foi necessária uma releitura histórica de todo o manuscrito para que ele pudesse ser usado em uma época tão mais laica como os século XIX e XX.

O grimório de Abramelim passou a ser visto então como uma coletânea de conhecimentos mágicos muito mais antigos, na mesma medida em que Plotino e Agostinho de Hipona fizeram os ensinamentos de Platão atravessarem a Idade Média, Abramelim foi o responsável por apresentar os mistérios Egípcios e Babilônicos numa roupagem monoteísta. Na perspectiva do ocultismo renascente do período de Crowley e compania, o judeu Abraham aproveitou o trabalho de magistas mais antigos e dos sacerdotes da antiguidade e encharcou com toda a submissão e servidáo própria de sua religião.

Na mão dos autores modernos, o Anjo Guardião de Abraham desdobrou-se em equivalentes como o Gênio da Golden Dawn, ao Augoeideis de Iamblichus, ao Atman do Hinduismo e ao Daemon dos gnósticos. É Cristo em Jesus e Budha em Sidarta. A roupagem judaica foi portanto eliminada em prol de uma imersão com a egrégora mais antiga, mais primal e atávica.

Na magia cerimonial o objetivo é portanto conseguir uma conexão com esta realidade intima superior. Em Magick Without Tears, Crowley é enfático ao dizer: “Nunca se deve esquecer nem por um momento que o trabalho central e essencial do magista é atingir o Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. Uma vez que seja atingido ele deve é claro se inteiramente deixado nas mais deste Anjo, que pode ser invariavelmente e inevitavelmente levá-lo ao grande passo seguinte – atravessar o Abismo e obter o grau de Mestre do Templo.”

Depos da edição de Mathers uma nova edição foi publicada em 1970 reapresentando a história de Abraham e o sistema de Abra-Melin a uma nova geração de magistas, muit mais acostumados com a experimentação e muito menos dada a dogmatismos de qualquer tipo. Apesar do respeito histórico pelo autor, existe uma tendência na maioria dos magistas contemporâneos em afirmam que em realidade o “Anjo da Guarda” de Abraham é o arquétipo profundo do Eu Superior, o Kia de Austin Spare ou do Self, para usar termos psicológicos atualizados. Ao atingir este estado de integração o adepto se torna consciênte de sua Verdadeira Vontade. Sua vida então é esclarecida com seu propósito. Com isso em mente, a operação de Abra-Melin se torna uma exploração do Eu Interior em direção a natureza divina que existe em potencial dentro de cada um. No Brasil, a editora Madras publicou uma edição sob o título “Santo Anjo Guardião – A Magia Sagrada de AbraMelin, o Mago Atribuída a Abraão, o Judeu”.

 

Sources:

The Book of the Sacred Magic of Abra-Melin the Sage. Translated by S. L. MacGregor-Mathers. Chicago: De Laurence, 1932. Reprint, New York: Causeway Books, 1974.
The Book of Abramelin: A New Translation
, Georg Dehn, transl. by Steven Guth, Ibis Publishing, 2006)
Santo Anjo Guardião – A Magia Sagrada de AbraMelin, o Mago Atribuída a Abraão, o Judeu, Editora Madras

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/abrao-o-judeu-e-abramelin/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/abrao-o-judeu-e-abramelin/

Cavaleiros Templários

“Não por nós, Senhor, não por nós,

mas para que seu nome tenha a Glória.”

A Ordem Templária foi fundada em Jerusalém em 1118, logo após a Primeira Cruzada, mesmo havendo alguns indícios de ter sido fundada quatro anos antes. Seu nome está relacionado ao local de seu primeiro quartel-general, no lugar do antigo Templo de Salomão.

Nove monges veteranos dessa Primeira Cruzada, entre eles Hugues de Payens e Godofredo de Saint Omer, reuniram-se para fundar a Ordem em defesa da Terra Santa. Pronunciaram perante o patriarca de Jerusalém, Garimond, os votos de castidade, de pobreza e de obediência, comprometendo-se, solenemente, a fazer tudo aquilo que estivesse ao seu alcance para garantir as rotas e os caminhos e a defender os peregrinos contra os assaltos e os ataques dos infiéis. Foi dada a fundação da Ordre de Sion (Ordem de Sião) a Godofredo de Bouillon, por volta de 1099. A original Ordem de Sião foi estabelecida para que muçulmanos, judeus e outros indivíduos elegíveis pudessem aliar-se à Ordem cristã e tornar-se Templários.

Freqüentemente podemos encontrar os Templários sendo denominados Soldados de Cristo (Christi Milites), Soldados de Cristo e do Templo de Salomão. A regra que lhes foi concedida por ocasião do Concílio de Troyes, em Champagne, é: Regula pauperum commilitonum Christi Templique Salomonici.

Eles, no começo, viviam exclusivamente da caridade, e tamanha era sua pobreza que não podiam ter mais do que um só cavalo cada um. O antigo sinete da Ordem, no qual aparece a representação de dois cavaleiros em um só cavalo, comprova essa humildade primitiva.

O bispo de Chartres escreveu a respeito dos Templários em 1114, chamando-os de Milice du Christi (Soldados de Cristo).

O primeiro Grão-Mestre da Ordem foi Hugues de Payens, certamente um homem superior. Durante toda a sua vida, testemunhou um pensamento seguro e uma indomável coragem. Inspirado pelo espírito cavalheiresco de seu século, ele não podia ter se tornado apenas um cruzado cujo nome caiu no esquecimento, como o de tantos outros nobres e bravos senhores. Era grandioso armar-se com oito soldados contra legiões numerosas; oferecer-se, sob um céu implacável, aos golpes de um inimigo que observava atentamente sua empreitada e que podia afogá-lo definitivamente, já no primeiro combate, no sangue de seu punhado de bravos.

E foi assim que viveram durante dez anos. Sem pedir reforços nem subsídios, nenhuma recompensa, nenhuma prebenda esperava por eles. Viviam segundo suas próprias leis, vestidos e alimentados pela caridade cristã.

Martin Lunn, em seu livro Revelando o Código de Da Vinci (Madras Editora), fala-nos do Priorado de Sião, que compartilhava com a Ordem do Templo (Cavaleiros Templários) o mesmo Grão-Mestre; eram dois braços da mesma organização até algo conhecido como a “Corte do Olmo”, que aconteceu em Gisors, em 1118. Essa separação entre as duas Ordens foi supostamente causada pela chamada “traição” do Grão-Mestre Gerard de Ridefort que, de acordo com os Dossiês Secretos, resultou na perda de Jerusalém pela Europa para os sarracenos.

Quando do Concílio de Troyes (1128), Hugues e outros seis Cavaleiros compareceram diante dos mais altos dignitários da Igreja. O papa e o patriarca Étienne lhes deram um hábito, e o célebre abade de Clarval, São Bernardo de Clairvaux, encarregou-se da composição de sua regra, modificando parcialmente os estatutos primitivos da sociedade. Foi também São Bernardo quem revitalizou a Igreja Celta da Escócia e reconstruiu o mosteiro de Columba, em Iona (tal mosteiro havia sido destruído em 807 por piratas nórdicos). O juramento dos Cavaleiros Templários a São Bernardo exigia a “Obediência de Betânia – o castelo de Maria e Marta”.

Durante a era das cruzadas, que perfazem um total de oito e as quais continuaram até 1291 no Egito, na Síria e na Palestina, apenas a primeira, de Godofredo, foi de alguma utilidade, como afirma Laurence Gardner, um magnífico autor de nossa editora: “(…) Mas mesmo essa foi desfigurada pelos excessos das tropas responsáveis que usaram sua vitória como desculpa para o massacre de muçulmanos nas ruas de Jerusalém. Não apenas Jerusalém era importante para os judeus e cristãos, porém se tornara a terceira Cidade Santa do Islã, após Meca e Medina. Como tal, a cidade até hoje está no cerne de contínuas disputas. (Embora os muçulmanos sunitas considerem Jerusalém sua terceira cidade Sagrada, os muçulmanos xiitas colocam-na em quarto lugar após Carabala, no sul do Iraque.)

A segunda cruzada para Odessa, liderada por Luiz VII da França e pelo imperador alemão Conrado III, fracassou miseravelmente. Então, cerca de cem anos após o sucesso inicial de Godofredo, Jerusalém caiu sob o poder de Saladino do Egito, em 1187. Foi quando engatilhou a terceira cruzada de Felipe Augusto, da França, e Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, que, entretanto, não conseguiram recuperar a Cidade Santa. A quarta e quinta cruzadas concentraram-se em Constantinopla e Damieta. Jerusalém foi retomada brevemente dos sarracenos após a sexta cruzada, mas ficou longe de reverter a situação. Por volta de 1291, a Palestina e a Síria estavam firmemente sob o controle muçulmano e as cruzadas haviam terminado.

Vejamos alguns preceitos da nova legislação, mas é importante lembrarmos que nessa época os cavaleiros não eram classificados em graus como os nobres. Todo homem que não fosse sacerdote ou servo podia aspirar à Cavalaria e à nobreza moderna tinha aí sua origem. A partícula de não indicava seus nomes, mas a cidade, a vila ou o lugarejo que habitavam. Mais tarde, o nome de sua residência transformou-se em seu nome de família.

Todos os cavaleiros que tenham professado vestem mantos brancos de comprimento médio. Os mantos usados são entregues aos Escudeiros e irmãos servos, ou aos pobres.

Os mantos brancos que os escudeiros e servos vestiam originalmente foram substituídos por mantos negros ou cinzas.

Apenas os cavaleiros vestem mantos brancos.

Cada cavaleiro possui três cavalos, pois a pobreza não permite que tenham mais que isso.

Cada cavaleiro tem somente um escudeiro ao qual não poderá castigar, já que ele o serve gratuitamente.

Ninguém pode sair, escrever ou ler cartas sem autorização do Grão-Mestre.

Os cavaleiros casados habitam à parte e não vestem clâmides ou mantos brancos.

Os cavaleiros seculares que desejam ser admitidos no Templo serão examinados e ouvirão a leitura da regra antes de seu noviciado.

O Grão-Mestre escolhe seu capítulo dentre seus Irmãos. Nos casos importantes que dizem respeito à Ordem ou na admissão de um Irmão, todos podem ser chamados para o capítulo, se essa for a vontade do chefe.

Na obra A História dos Cavaleiros Templários, de Élize de Montagnac, da Madras Editora, encontramos um texto muito oportuno a respeito da iniciação, que passamos a transcrever: “(…) Os estatutos e regulamentos recomendavam, acima de tudo, a prece, a caridade, a esmola, a modéstia, o silêncio, a simplicidade, o desdém à riqueza e à opulência, a abnegação, a obediência, a proteção aos pobres e oprimidos; cuidar dos enfermos; o respeito aos mortos entre outros”. Tal Código de regras é composto de 72 artigos e foi descoberto em 1610, em Paris, por Aubert-le-Mire, cientista e historiador, decano de Anvers.

Mas a cada dia os regulamentos concernentes à hierarquia, à disciplina e ao cerimonial eram ajustados e adaptados ao Código Latino, assim declarado perfectível.

“Portanto não é de se surpreender que, além desse, hoje são conhecidos outros três códigos manuscritos, os quais não são nada mais do que sua continuação. Um foi descoberto em 1794, na biblioteca do príncipe Corsini, pelo cientista dinamarquês Münster; o outro foi encontrado na biblioteca Real por M. Guérard, conservador e restaurador; o terceiro foi encontrado nos arquivos gerais de Dijon por M. Millard de Cambure, mantenedor dos arquivos de Borgúndia.”

E desse último, datado de 1840, é que extraímos a descrição do modo de iniciação dos irmãos cavaleiros; a verdade sobre essas recepções nos sugere serem elas revestidas de um grande interesse, após as absurdas e terríveis lendas que as cercam. Por favor, observem a quantidade de coincidências com nossos rituais (maçônicos).

“Antes que um novo Irmão fosse recebido, era necessário sondar os espíritos para saber se ele vinha de Deus: Probate Spititus, si ex Deo Sunt. Em razão disso, ao longo de certo período, impunham-se ao candidato diversas privações de todas as naturezas; incumbiam-lhe os trabalhos mais pesados e baixos da casa, tais como: cuidar do fogão e da cozinha, girar o moinho, cuidar das montarias, tratar dos porcos, etc. Após isso, procedia-se à admissão, a qual era feita da seguinte forma:

A Assembléia reunia-se, ordinariamente, à noite. O candidato esperava do lado de fora; por três vezes, dois cavaleiros se dirigiam a ele para perguntar-lhe o que ele desejava; e por três vezes o candidato respondia que era sua vontade adentrar a Casa. A seguir, então, o candidato era conduzido à Assembléia, e o Grão-Mestre, ou aquele que presidia a sessão em seu lugar, apresentava-lhe tudo de rude e penoso que o aguardava naquela vida em que estava prestes a entrar. Dizia-lhe: ‘Devereis ficar desperto e alerta quando mais quiserdes dormir, suportar o cansaço quando mais quiserdes repousar. Quando sentirdes fome e quiserdes comer, ser-vos-á ordenado que vades aqui ou acolá, sem vos ser dada nenhuma explicação ou motivo. Pensai bem, meu querido Irmão, se sereis capaz de sofrer todas as asperezas.’ Se o candidato respondesse ‘Sim, eu me submeterei a todas, se assim agradar a Deus!’, o Mestre complementava: ‘Estai ciente, querido Irmão, de que não deveis pedir a companhia da Casa para obter benesses, honrarias e riquezas, nem satisfazer o vosso corpo, principalmente em relação a três aspectos:

1º, Evitar e fugir dos pecados deste mundo;

2º, Servir ao nosso Senhor;

3º, Ser pobre e fazer a penitência nesta vida para a santidade da alma.

Sabei também que sereis, a cada dia de vossa existência, um servo e escravo da Casa.

Estais certo de vossa decisão?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor’.

‘Estais disposto a renunciar para sempre à vossa própria vontade, e nada mais fazer além daquilo que vos for determinado?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor’.

‘Então, retirai-vos e orai a nosso Senhor para que Ele vos aconselhe’.

Assim que o candidato se retirava, o presidente da Assembléia continuava: ‘Beatos senhores, puderam constatar que essa pessoa demonstrou ser possuidora de um grande desejo de ingressar na Casa, e declarou estar disposta a dedicar toda a sua vida como servo e escravo. Se há entre vocês alguém que saiba alguma coisa que possa impedir que essa pessoa seja recebida como cavaleiro, que nos dê conhecimento agora, pois, após sua admissão, ninguém mais terá crédito para fazê-lo’. Caso nenhuma contestação fosse apresentada, o Mestre perguntava: ‘Admitamo-lo como oriundo de Deus?’

‘Por inexistir qualquer oposição, fazei-o retornar como vindo de Deus.’

Então um dos membros que se manifestaram saía ao seu encontro e o instruía como ele deveria pedir seu ingresso.

Retornando à Assembléia, o recipiendário ajoelhava-se e, com as mãos postas, dizia:

‘Senhor, eu compareço perante Deus, perante vós e perante os Irmãos, para vos pedir e implorar em nome de Deus e de Nossa Senhora que me acolham em vossa Irmandade, e nos benefícios da Casa, espiritual e materialmente, como um que será servo e escravo da Casa, em cada um dos dias de toda a sua vida.’

O presidente da Assembléia lhe respondia: ‘Pensastes bem? Ainda pensais em renunciar à vossa vontade em favor do próximo? Estais decidido a submeter a todas as dificuldades e asperezas que vigoram na Casa e a cumprir tudo aquilo que vos for mandado?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor.’

E continuava o presidente, agora se dirigindo aos cavaleiros presentes à Assembléia:

‘Então levantem-se, nobres senhores, e orem a Nosso Senhor e a Nossa Senhora Santa Maria pedindo que ele seja bem-sucedido.’

Em seguida, cada um deles recitava um Pai-Nosso, enquanto os capelães recitavam a oração ao Espírito Santo, e, em seguida, traziam o Evangelho, sobre o qual o recipiendário prestava o seu juramento de responder com franqueza, sinceridade e lealdade às questões seguintes:

1º, Não tendes nem esposa nem noiva?

2º, Não estais engajado em nenhuma outra Ordem; não fizestes nenhum outro voto, juramento ou promessa?

3º, Tendes alguma dívida convosco mesmo ou com algum outro, a qual não vos seja possível pagar?

4º, Estais em plena saúde física?

5º, Não destes, ou prometestes dar, dinheiro a nenhuma pessoa para que, assim, facilitasse vossa admissão à Ordem do Templo?

6º, Sois filho de um cavaleiro e de uma dama; pertencem vossos pais à linhagem dos cavaleiros?

7º, Não sois nem padre, nem diácono, nem subdiácono?

8º, Não fostes excomungado?

Procurai não mentir, pois, se o fizerdes, sereis considerado perjuro e tereis de abandonar a Casa.

Concluído esse interrogatório, o Grão-Mestre, ou aquele que substituía, ainda se dirigindo à Assembléia, indagava se ainda havia algumas outras perguntas a serem formuladas e, caso reinasse o silêncio, ele se voltava ao recipiendário, dizendo:

‘Ouvi bem, meu caro Irmão, o que ainda vos vamos pedir:

Prometei a Deus e a Nossa Senhora que, ao longo de toda a vossa vida, obedecereis ao Mestre do Templo e ao comandante sob cujas ordens estareis sujeito.

E mais: que todos os dias de vossa vida vivereis imaculado.

E mais ainda: prometei a Deus e a Nossa Senhora Santa Maria que, em todos os dias de vossa vida, respeitareis os bons costumes vigentes na Casa e aqueles que os Mestres e os doutos haverão de acrescentar.

Mais: que, em cada um dos dias de vossa vida, ajudareis, com todas as forças e com todo o poder que Deus vos outorgou, a conquistar a Terra Santa de Jerusalém e a proteger e defender as propriedades dos cristãos.

E ainda: que jamais abandonareis essa religião em favor de outra, seja ela qual for, sem permissão do Grão-Mestre e da Assembléia, etc.’

E a cada vez o futuro Cavaleiro devia responder:

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor.’

Isso feito, aquele que conduzia a Assembléia assim anunciava sua admissão:

‘Vós, por Deus e por Nossa Senhora, por São Pedro de Roma, por nosso Padre Apóstolo e por todos os Irmãos do Templo, acolhei, vosso pai e mãe, e todos aqueles que foram acolhidos em vossa linhagem e em todos os benefícios que já fizeram e farão. E vos comprometeis sobre o pão e sobre a água e sobre a pobre vestimenta da Casa, do sacrifício e do trabalho farto.’

A seguir, tomando o manto do templário, ele o colocava no pescoço do novo cavaleiro, seguido pelo Irmão capelão que entoava o salmo:

‘Ecce quam Bonum et quam jucundum habitare in unum…’ (‘Oh! Quão bom e quão agradável viverem unidos os Irmãos!…’)

Segundo M. Mignard, algumas vezes, durante as iniciações, eles entoavam alguns versículos dos Salmos, ou alguma alocução em alusão ao espírito da fraternidade, como o Salmo 133. E a oração do Espírito Santo;

‘O Espírito de Deus me criou e o sopro do Todo-Poderoso me deu a vida.’

(João 33: 4)

Veni, Creátor Spíritus

[ Ao Espírito Santo]

Veni, Créator Spíritus,

[Espírito criador ]

Mentes tuórum visita,

[Visita a alma dos teus]

Imple supérna grátia,

[Nos corações que criaste]

Quae tu creásti péctora.

[derrama a graça de Deus]

Qui díceris Paráclitus,

[Ó fogo quem vem do alto,]

Altíssimi donum Dei,

[Teu nome é consolador,]

Fons vivus, ignis, cáritas,

[Unção espiritual,]

Et spiritális únctio.

[perene sopro de amor.]

Tu septifórmis múnere,

[Por Deus Pai tão prometido,]

Dígitus patérnae déxterae,

[És dedo da sua mão,]

Tu rite promíssum Patris,

[Os teus sete dons são fonte]

Sermóne ditanas gútura.

[De toda vida e oração]

Accénde lúmen sénsibus.

[Acende o lume das mentes,]

Infunde amórem córdibus.

[Infunde em nós teu amor;]

Infirma nostri córporis,

[nossa carne tão frágil,]

Virtúte firmans pérpeti.

[sustenta com teu vigor.]

Hostem repéllas lóngius,

[Atira longe o inimigo,]

Pacémque dones prótinus,

[Conserva em nós tua paz,]

Ductóre sic te praevio,

[A ti queremos por guia,]

Vitémus omne nóxium.

[noss’alma em ti se compraz]

Per te sciámus da Patrem,

[Ao Pai e ao Filho possamos]

Noscámus atque Fíluim,

[Em tua luz conhecer;]

Teque utriúsque Spíritum

[Dos dois tu és o Espírito,]

Credámus omni témpore.

[O sol de todo saber.]

Deo Patri glória

[Louvemos ao Pai celeste,]

Et Filio qui a mórtuis

[Ao Filho que triunfou,]

Surréxit, ac Paráclito,

[E a quem, de junto ao Pai,]

In saeculórum saecula. Amen.

[à santa Igreja enviou. Amém.]

…então aquele que tornou Irmão o novo cavaleiro levanta-o, beija-lhe a boca (era costume que o Irmão capelão assim o fizesse, como também era normal que os reis se cumprimentassem dessa mesma forma) e, convidando-o a sentar-se diante de si, diz: ‘Caro Irmão, nosso Senhor vos conduziu ao vosso desejo e vos introduziu em uma fraternidade tão bela como esta Cavalaria do Templo, pela qual deveis dedicar extrema atenção para jamais cometer algo que vos faça perdê-la – que assim Deus vos conserve!’

Finalmente, depois de enumerar as causas que poderiam acarretar a perda do hábito e da Casa, depois de ter lido para ele os regulamentos disciplinares, acrescentava:

‘Já vos dissemos as coisas que deveis fazer e as coisas das quais deveis manter-se afastado… E, se por acaso não abordamos tudo o que deveria ser dito sobre os nossos deveres, vós indagareis. E Deus vos ajudará a falar e a fazer o bem. Amém!’ (referência ao maior deus egípcio Amon). (Nesse momento, o Grão-Mestre selava com os lábios o cóquis (cóccix), o fim ou início da espinha dorsal, que é o equilíbrio do homem, seu eixo central, um chacra, que são pontos energéticos no corpo humano.)

Pois bem, aí está, segundo as únicas regras conhecidas, como eram realizadas as cerimônias de iniciação qualificadas de infames, e nas quais eram ultrajadas tanto a divindade como a moral; mas nas quais, na realidade, o maior crime cometido era o de continuarem secretas.

O mistério com o qual os templários cercavam suas reuniões enchia de terror a imaginação dos contemporâneos daquela época, e não foge muito de nossa época também. Em geral, tudo o que os homens não podiam ver ou compreender adquiria, aos seus olhos, as mais sinistras tonalidades. Em 1789, quando a população sitiou a Bastilha, imaginava-se ser de boa-fé trabalhar pela libertação de grandes grupos de prisioneiros abandonados nas celas das prisões. Qual não foi o seu espanto ao ver as vítimas do despotismo real? Não havia mais do que sete, entre os quais falsários e dois desequilibrados mentais”.

A influência templária cresceu rapidamente. Os templários guerrearam heroicamente nas diversas cruzadas e também chegaram a ser os grandes financiadores e banqueiros internacionais da época; em conseqüência, acumularam grandes fortunas. Calcula-se que, antes da metade do século XIII, eles possuíam nove grandes propriedades rurais apenas na Europa. O Templo de Paris foi o centro do mercado mundial da moeda, e sua influência, assim como sua riqueza, era também muito grande na Inglaterra. No fim do mesmo século, diz-se que haviam alcançado uma receita cujo montante era equivalente a dois milhões e meio de libras esterlinas atuais, ou seja, maior que a de qualquer país ou reino europeu daqueles dias. Acredita-se que, a essa altura, os templários eram cerca de 15 ou 20 mil cavaleiros e clérigos; porém, ajudando-os, havia um verdadeiro exército de escudeiros, servos e vassalos. Pode-se conceber uma influência com base no fato de que alguns membros da Ordem tinham a obrigação de assistir aos grandes Concílios da Igreja, como o Concílio de Lateranense, de 1215, e o de Lyons, de 1274.

Os cavaleiros templários trouxeram para o Ocidente um conjunto de símbolos e cerimônias pertencentes à tradição maçônica, e possuíam um certo conhecimento que agora é transmitido somente nos Graus filosóficos e capitulares da Maçonaria. Desse modo, a Ordem era também um dos depositários da sabedoria oculta na Europa durante os séculos XII e XIII, embora os segredos completos fossem dados somente a alguns membros; portanto, suas cerimônias de admissão eram executadas pelo Grão-Mestre, ou Mestre que esse designasse, pois eram estritamente religiosas e em absoluto segredo, como já mencionamos. Por causa desse segredo, a Ordem sofreu as mais terríveis acusações.

Há também uma passagem no ritual templário, na qual o pão e o vinho eram consagrados em capítulo aberto durante uma esplêndida cerimônia: tratava-se de uma verdadeira eucaristia, um maravilhoso amálgama do sacramento egípcio com o cristão.

A Eliminação dos Templários

A supressão dessa poderosa Ordem é uma das maiores máculas na tenebrosa história da Igreja Católica Romana. Os relatos do processo francês foram publicados por Michelet, o grande historiador, entre 1851-61, e existe uma excelente compilação das provas apresentadas, tanto na França como na Inglaterra, em uma série de artigos que apareceram em 1907 na Ars Quattuor Coronatorum (XX, 47, 112, 269). Vamos apenas apresentar um esboço do que aconteceu:

Filipe, o Belo, então rei da França, necessitava desesperadamente de dinheiro. Já havia desvalorizado a moeda e aprisionado os banqueiros lombardos e judeus e, depois de confiscar-lhes suas riquezas, acusando-os falsamente de usura – algo abominável para a mente medieval –, expulsou-os de seu reino. Em seguida, resolveu desfazer-se dos templários, depois que eles haviam lhe emprestado bastante dinheiro e, como o papa Clemente V devia sua posição às intrigas de Filipe, o assunto não foi difícil de ser resolvido. Sua tarefa foi facilitada ainda mais pelas acusações apresentadas pelo ex-cavaleiro Esquin de Floyran, que tinha interesse pessoal no assunto e pretendeu revelar todo o tipo de coisas malévolas: blasfêmia, imoralidade, idolatria e adoração ao demônio na forma de um gato preto.

Essas acusações foram aceitas por Filipe com deleite. E em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307, todos os templários da França foram aprisionados sem nenhum aviso prévio por parte do mais infame tribunal que jamais existiu, um aglomerado de demônios em forma humana, chamado, em grotesca burla, de Santo Ofício da Inquisição que, nesses dias, tinha plena jurisdição naquele e em outros países da Europa. Os templários foram horrivelmente torturados, de modo que alguns morreram e os outros assinaram toda a classe de confissões que a Santa Igreja desejava. Os interrogatórios se relacionavam principalmente à suposta negação de Cristo e ao fato de terem cuspido na cruz e, em menor grau, com graves acusações de imoralidade. Um estudo das evidências revela a absoluta inocência dos templários e a engenhosidade diabólica mostrada pelos oficiais do Santo Ofício, encarregados da prisão dos acusados pela Inquisição, que os mantinha incomunicáveis, carentes de defesa adequada e de consulta pertinente, ao mesmo tempo em que faziam circular a versão de que o Grão-Mestre havia confessado diante do papa a existência de crueldades na Ordem. Os Irmãos foram convencidos por meio de adulações e promessas, subornados e torturados, até confessarem faltas que jamais haviam cometido, e tratados com a mais diabólica crueldade.

Assim era a “justiça” daqueles que usavam o nome do Senhor do Amor durante a Idade Média; assim era a compaixão exibida em relação a seus fiéis servidores, cuja única falta foi a riqueza, obtida legalmente para a Ordem e não para si mesmos. Filipe, o Belo, obteve dinheiro. Mas, que carma, mesmo com 20 mil vidas de sofrimento, poderá ser suficiente para um ingrato vil? A Igreja romana, sem dúvida, tem sua participação. E pergunto: como cancelar uma maldade tão incrível quanto essa?

O papa desejava destruir a Ordem e reuniu o concílio em Viena, em 1311, com tal objetivo, mas os bispos recusaram-se a condená-la sem primeiro escutá-la. Então, o papa aboliu a Ordem em um consistório privado efetuado em 22 de novembro de 1312, apesar de ter aceitado o fato de que as acusações não haviam sido comprovadas. As riquezas do Templo deviam ser transferidas à Ordem de São João; porém, o certo é que a parcela francesa foi desviada para os cofres do rei Filipe.

O último e mais brutal ato dessa desumana tragédia ocorreu em 14 de março de 1314, quando o Venerável Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem Templária, e Gaufrid de Charney, Grande Preceptor da Normandia, foram queimados publicamente como hereges reincidentes, em frente à grande Catedral de Notre Dame. Quando as chamas os rodearam, o Grão-Mestre incitou o rei e o papa a que, antes de um ano, se reunissem a ele diante do trono de julgamentos de Deus e, de fato, tanto o papa como o rei morreram dentro do prazo de 12 meses.

Temos notícias que alguns cavaleiros templários franceses se refugiaram entre seus Irmãos do Templo da Escócia e, naquele país, suas tradições chegaram a fundir-se, em certa medida, com os antigos ritos celtas de Heredom, formando, assim, uma das fontes das quais mais tarde brotaria o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Há muito pouco tempo, a escritora Barbara Frale encontrou na biblioteca do Vaticano um documento denominado “Chinon”. Trata-se de uma carta na qual o papa Clemente V perdoa o Grão-Mestre Jacques de Molay. Você poderá saber disso com mais detalhes na obra de Barbara Frale: Os Templários – E o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano, da Madras Editora.

Por Wagner Veneziani Costa

#Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cavaleiros-templ%C3%A1rios

‘Aforismos de Patañjali

Yoga Sutra de Patañjali

Os aforismos de Patanjali, também chamados de Yoga Sutra (O livro da União) formam o texto fundamental da Yoga. Seu autor, que empresta o nome a obra,  viveu entre 200 a.c e 400 d.c e foi posteriormente reconhecido como o pai da Yog e é ainda adorado na índia como uma das encarnações do seus serpente Ananta.

Dentro de sua obra ele legou a humanidade 196 aforismos divididos em quatro capítulos que tratam do método do hindu para libertar o praticante das limitações da mente vulgar despertando-o para sua real natureza.

Trata-se de um texto importante do misticismo oriental sendo recomendado por Aleister Crowley em ‘Magick in Theory and Pratice’ como literatura essencial para os interessados em se dedicar ao estudo e à prática mágicka.

 

Livro I

Sobre a Concentração

 

1. Agora iniciamos a exposição do Yoga.

2. Yoga é a restrição das modificações da mente.

3. Então o Observador permanece nele mesmo.

4. Em outros momentos, o Observador parece assumir a forma da modificação mental.

5. Elas (as modificações) Têm cinco variedades, das quais algumas são ‘Klista’ e o resto ‘Aklista’.

6. (São elas) Pramana, Viparyaya, Vikalpa, sono (sem sonhos) e recordação.

7. (Destas) Percepção, inferência e testemunho (comunicação verbal) constituem as Pramanas.

8. Viparyaya ou ilusão é o conhecimento falso formado a partir de um objeto como se ele fosse outro.

9. A modificação chamada ‘Vikalpa’ é baseada na cognição verbal, com relação a uma coisa que não existe. (É um tipo de conhecimento útil que advém do significado da pala vra mas que não tem uma realidade correspondente).

10. Sono sem sonho é a modificação mental produzida pela condição de inércia como o estado de vacuidade ou negação (do despertar e do adormecer).

11. Recordação é a modificação mental causada pela reprodução da impressão prévia de um objeto, sem adicionar nada de outras fontes.

12. Pela prática e o desapego isso pode ser restringido.

13. O esforço para adquirir Sthiti ou um estado tranquilo da mente, desprovido de flutuações, é chamado prática.

14. Esta prática, quando continuada por um longo tempo, sem interrupção e com devoção, torna-se firme em seus fundamentos.

15. Quando a mente perde todos os desejos por objetos vistos ou descritos nas escrituras, ela adquire um estado de absoluto não desejo que é chamado desapego.

16. Indiferênça para com as Gunas, ou princípios constituintes, alcançada através do conhecimento da natureza de Purusha, é chamado Paravaiaragya (desapego supremo).

17. Quando a concentração é conseguida com a ajuda de Vitarka, Vichara, Ananda e Asmita, é chamada Samprajnata-samadhi.

18. Asamprajnata-samadhi é o outro tipo de Samadhi que surge com a prática constante de Para-vairagya, que leva ao desaparecimento de todas as flutuações da mente, permanecendo apenas as impressões latentes.

19. Enquanto no caso de Videhas ou dos desincarnados e de Prakrtilayas ou dos que subsistem em seus constituintes elementares, é causada por ignorância que resulta em existência objetiva.

20. Outros (que seguem o caminho do esforço prescrito) adotam os meios da fé reverencial, energia, recordação repetida, concentração e conhecimento real (e assim alcançam Asamprajnata-samadhi).

21. Yoguis com intenso ardor alcançam concentração e seus resultados, rapidamente.

22. De acordo com a aplicação do método, vagarosa, média ou rápida, mesmo entre os yoguis que têm intenso ardor, existem diferenças.

23. Através de devoção especial a Isvara também (concentração torna-se eminente) 24. Isvara é um Purusha em particular, não afetado por aflição, ação, resultado das ações ou as impressões latentes que advém delas.

25. Nele, a semente da onisciência alcançou seu desenvolvimento maior, não havendo nada mais a transcender.

26. (Ele é) O professor dos primeiros professores porque com Ele não existe limite de tempo (para sua onipotência).

27. A palavra sagrada que o designa é Pranava ou a sílaba OM.

28. (Yoguis) a repetem e contemplam seu significado.

29. Disso vem a realização do Ser individual e os obstáculos são resolvidos.

30. Doença, incompetência, dúvida, desilusão, pregriça, não- abstinência, concepção errônea, não-alcance de qualquer estado yogui ou instabilidade para permanecer num estado yogui, estas distrações da mente são os impedimentos.

31. Tristeza, falta de entusiasmo, inquietação, inspiração e expiração advém de distrações prévias.

32. Para restringí-las (isto é, as distrações) prática (da concentração) em um princípio único, deve ser feita.

33. A mente torna-se purificada pelo cultivo dos sentimentos de amizade, compaixão, boa-vontade e indiferença respectivamente a criaturas felizes, miseráveis, virtuosas ou pecaminosas.

34, Pela expiração e restrição da respiração também (a mente é acalmada).

35. O desenvolvimento de percepção objetiva chamada Visayavati também traz tranquilidade mental.

36. Ou pela percepção que é livre de tristeza e é radiante (estabilidade mental também é produzida).

37. Ou (contemplando) uma mente que é livre de desejos (a mente do devoto torna-se estável).

38. Ou tomando como objeto de meditação as imagens dos sonhos ou dos devaneios (a mente do yogui torna-se estável).

39. Ou contemplando qualquer coisa que o indivíduo queira (a mente torna-se estável).

40. Quando a mente desenvolve o poder de estabilizar-se nos objetos de menor tamanho, assim como nos maiores, então a mente está sobre controle.

41. Quando as flutuações da mente são enfraquecidas, a mente aparenta tomar as formas do objeto da meditação – seja ele o que conhece (Grahita), o instrumento de cognição (Grahana) ou o objeto conhecido (Grahya) – como uma jóia transparente, e esta identificação é chamada Samapatti ou absorção.

42. A absorção na qual existe confusão entre a palavra, seu significado (isto é, o objeto) e seu conhecimento, é conhecida como Savitarka Samapatti.

43. Quando a memória é purificada, a mente parece estar desprovida de sua própria natureza (isto é, da consciência reflectiva) e somente o objeto (o qual está contemplando) permanece iluminado. Este tipo de abs orção é chamada Nirvitarka Samapatti.

44. Através disso (o que foi dito) as absorções Savichara e Nirvichara, cujos objetos são sutis, são também explicadas.

45. Sutileza pertencente aos objetos, culmina em A-linga ou o imanifesto.

46. Estes são os únicos tipos de concentração objetiva.

47. Ganhando proficiência em Nirvichara, pureza nos intrumentos internos de cognição é desenvolvida.

48. O conhecimento ganho neste estado é chamado Rtambhara (preenchido de verdade).

49 (Este conhecimento) é diferente daquele derivado do testimunho ou da inferência, porque relaciona-se a particularidades (dos objetos).

50. A impressão latente nascida de tal conhecimento é oposta à formação de outras impressões latentes.

51. Pela restrição disso também (por conta da eliminação das impressões latentes de Samprajnana), acontece a concentração sem-objeto, através da supressão de todas as modificações.

 

Livro II

Sobre a Prática

 

1. Tapas (austeridade ou vigorosa auto-disciplina – mental, moral e física), Svadhyaya (repetição de Mantras sagrados ou o estudo da literatura sagrada) e Isvara-pranidhana (completa rendição a Deus) são Kriya- yoga (yoga em forma de ação).

2. Este Kriya-yoga (deve ser praticado) para gerar o Samadhi e minimizar as Klesas.

3. Avidya (concepção errônea sobre a natureza real das coisas), Asmita (egoismo), Raga (apego), Dvesa (aversão) e Abhinivesa (medo da morte) são as cinco Klesas (aflições).

4. Avidya é o campo de crescimento das outras, sejam elas dormentes, atenuadas, interrompidas ou ativas.

5. Avidya consiste em considerar os objetos impermanentes como permanentes, impuros como puros; miséria como felicidade e o não-Ser como Ser.

6. Asmita é equivalente à identificação de Purusha ou Consciência Pura com Buddhi.

7. Apego é esta (modificação) que segue a lembrança do prazer.

8. Aversão é esta (modificação) que resulta da miséria.

9. Tanto no ignorante quanto no culto, o medo, firmemente estabelecido, da aniquilação, é a aflição chamada Abhinivesa.

10, As sutis klesas são abandonadas (isto é, destruidas) cessando-se a produtividade (isto é, desaparecendo) da mente.

11. Seus meios de subsistência ou seus estados densos são evitáveis pela meditação.

12. Karmasaya, ou a impressão latente da ação baseada nas aflições, torna-se ativa nessa vida ou na vida por vir.

13. Na medida em que as Klesas permanecem na raiz, karmasaya produz três consequências nas formas de nascimento, tempo de vida e experiência.

14. Por razão da virtude e do vício, essas (nascimento, período e experiência) produzem experiências prazeirosas ou dolorosas.

15. A pessoa que discrimina, apreende (por análise e antecipação) todos os objetos mundanos como marcados pela tristeza, porque eles causam sofrimento como consequência, tanto nas suas experiências aflitivas, quanto em suas latências e também por causa da natureza contrária das Gunas (que produzem mudanças a todo momento).

16. (É por isso que) a dor que está por vir deve ser evitada.

17. Unindo o Observador ou o sujeito com o visto ou o objeto, é a causa disso que deve ser evitado.

18. O objeto ou o que é passível de conhecimento é por natureza sensível, mutável e inerte. Existe na forma dos elementos e dos órgãos, e servem ao propósito da experiência e emancipaç ão.

19. Diversificada (Visesa), não-diversificada (Avisesa), indicador-somente (Linga-matra), e aquilo que não tem indicador (Alinga), são os estados das Gunas.

20. O Observador é o conhecedor absoluto. Apesar de puro, modificações (de Buddhi) são testemunhadas por ele como um espectador.

21. Servir como um campo objetivo para Purusha, é a essencia ou natureza dos objetos conhecíveis.

22. Apesar de deixar de existir em relação àquele que preencheu seu propósito, os objetos conhecíveis não deixam de existir por serem úteis para outros.

23. Associação é o meio de realização da verdadeira natureza do objeto do Conhecedor e do Possuidor, o Conhecedor (isto é, o tipo de associação que contribui para a realização do Obse rvador e do observado é esta conexão).

24. (A associação tem) Avidya ou ignorância como sua causa.

25. A ausência da associação que advém da falta dela (avidya) é liberdade, e este é o estado de liberação do Observador.

26. Conhecimento discriminativo, claro, distinto (desimpedido) é o meio para a liberação.

27. Sete tipos de insight vêm a ele (o yogui que desenvolveu a iluminação discriminativa).

28. Através da prática dos diferentes acessórios do yoga, quando as impurezas são destruidas, advém a iluminação, culminando na iluminação discriminativa.

29. Yama (restrição), Niyama (observância), Asana (postura), Pranayama (regulação da respiração), Pratiahara (restrição dos sentidos), Dharana (fixação), Dhyana (meditaç& atilde;o) e Samadhi (perfeita concentração), são os oito meios de se alcançar o yoga.

30. Ahimsa (não-violência), Satya (verdade), Asteya (abster-se do roubo), Brahmacharya (continência) e Aparigraha (abster-se da avareza), são as cinco Yamas (formas de restrição).

31. Estas (as restrições), no entanto, são um grande voto quando tornamse universais, não sendo restringidas por qualquer consideração de classe, lugar, tempo ou conceito de dever.

32. Pureza, contentamento, austeridade (disciplina mental e física), svadhyaya (estudo das escrituras e recitação de mantras) e devoção a Isvara, são as Niyamas (observâncias).

33. Quando estas restrições e observâncias são inibidas por pensamentos perversos, o oposto deve ser pensado.

34. Acões que advém de pensamentos perversos, como injúria etc, são realizadas pela própria pessoa, por outras ou aprovadas; são realizadas tanto pela raiva, quanto pela cobiça ou pela desilusão; e podem ser fracas moderadas ou intensas. Saber que são causadas por uma miséria e ignorância infinitas, é um pensamento-contrário.

35. Na medida em que o yogui se torna estabelecido na não-injúria, todos os seres que se aproximam (do yogui) deixam de ser hostis.

36. Quando a maneira de ser é verdadeira, as palavras (do yogui) adquirem o poder de fazerem-se frutíferas.

37. Quando o não-roubo é estabelecido, todas as jóias se apresentam (ao yogui).

38. Quando continência é estabelecida, Virya é adquirida.

39. Atingindo perfeição nas Yamas, advém conhecimento da existência passada e futura.

40. Da prática da purificação, desapego com relação ao próprio corpo é desenvolvido, e portanto o desapego se estende a outros corpos.

41. Purificação da mente, setimentos agradáveis, concentração, subjugação dos sentidos e abilidade para a auto-realização são adquiridas.

42, A partir do contentamento, felicidade transcendente é ganha.

43. Pensamentos de destruição das impurezas, prática de austeridades gera perfeição do corpo e dos órgãos.

44. Do estudo e repetição de Mantras, comunhão com a divindade desejada é estabelecida.

45. Da devoção a Deus, Samadhi é alcançado.

46. Uma forma agradável e pausada (de estar) é Asana (postura yogui).

47. Pelo relaxamento do esforço e meditação no infinito (asanas são aperfeiçoadas).

48. Disso vem a imunidade com relação a Dvandvas ou condições opostas.

49. Esta (asana) tendo sido aperfeiçoada, regulação do fluxo da inspiração e expiração é pranayama (controle da respiração).

50. Este (pranayama) tem uma operação externa (Vahya-vrtti), operação interna (Abhyantara-vrtti) e supressão (Stambha- vrtti). Isto ainda, quando observado de acordo com espaço, tempo e número torna-se lo ngo e sutil.

51. O quarto pranyama trnscende operações internas e externas.

52. Através disso, o véu sobre a manifestação (do conhecimento) é rarefeito.

53, (Então) a mente adquiri condições para Dharana.

54. Quando separados de seus objetos correspondentes, os órgãos seguem a natureza da mente (no momento), isto é chamado Pratyahara (restringir os órgãos).

55. Isto gera supremo controle dos órgãos.

 

Livro III

Poderes Sobrenaturais

1. Dharana é a fixação da mente (Chitta) em um ponto particular no espaço.

2. Nela (Dharana) o fluxo contínuo de modificação mental similar é chamado Dhyana ou meditação.

3. Quando o objeto da meditação sozinho brilha na mente, como que desprovido até mesmo do pensamento do’Eu’ (que está meditando), este estado é chamado Samadhi ou concentração.

4. Os três juntos no mesmo objeto é chamado Samyama.

5. Dominando isto (Samyama) a luz do conhecimento (Prajna) emerge.

6. Ela (Samyama) deve ser aplicada aos estágios (da prática).

7. Estas três práticas são mais associadas do que as mencionadas anteriormente.

8. Isso também (deve ser visto) como externo com relação a Nirvija ou concentração sem semente.

9. Supressão das latências das flutuações e aparecimento das latências do estado de pausa, acontecendo a cada momento de ausência do estado de pausa na mesma mente, é a mudança do estado de pausa da mente.

10. Continuidade da mente tranquila (no estado de pausa) é assegurado por suas impressões latentes.

11. Diminuição da atenção voltada para tudo e desenvolvimento da concentração (onepointedness) é chamado Samadhi-parinama, ou mutação da mente concentrada.

12. Lá (em Samadhi) ainda (no estado de concentração) as modificações passadas e presentes sendo similares é Ekagrata- parinama, ou mutação do estado estável da mente.

13. Assim explica-se as três mudanças, ou seja, dos atributos essenciais ou características, das características temporais, e dos estados das Bhutas e das Indriyas (isto é, todos os fenômenos conhecíveis).

14. Aquilo que continua a sua existência, através das várias características, nomeadamente: o inativo, isto é, passado; o emergente, isto é, presente; o imanifesto, (mas que permanece como força potente), isto é, futuro, é o substrato (ou objeto caracterizado).

15. Mudança de sequência (das características) é a causa das diferênças mutativas.

16. Conhecimento do passado e do futuro pode advir de Samyama sobre as três Parinamas (mudanças).

17. Palavra, objeto implicado, e idéia correspondente, produz uma impressão unificada. Se Samyama for praticada em cada um separadamente, conhecimento do significado dos sons produzidos por todos os seres, pode ser adquirido.

18 Pela realização das impressões latentes, conhecimento dos nascimentos prévios é adquirido.

19. (Pela prática de Samyama) em noções, conhecimento de outras mentes é desenvolvido.

20 O suporte (ou base) da noção não se torna conhecido, porque este não é objeto de observação (do yogui).

21. Quando a capacidade de percepção do corpo é suprimida pela prática de Samyama em seu caracter visual, desaparecimento do corpo é efetivado, por ficar ele além da esferea de percepção do olho.< BR> 22.

Karma pode ser rápido ou lento em sua frutificação. Pela prática de Samyama no Karma, conhecimento da morte pode ser adquirido.

23. Através de Samyama sobre a amizade, e outras virtudes similares, obtem-se força.

24. (Pela prática de Samyama) na força (física), a força de elefantes etc, pode ser adquirida.

25. Aplicando a luz efulgente da percepção superior (Jyotismati), conhecimento dos objetos sutis, ou coisas invisíveis ou colocadas a grande distância, pode ser adquirido.

26. (Praticando Samyama) sobre o sol (o ponto no corpo conhecido como a entrada solar), o conhecimento das regiões cósmicas é adquirido.

27. (Pela prática de Samyama) sobre a lua (a entrada lunar no corpo), conhecimento do arranjo entre as estrelas é adquirido.

28. (Pela prática de Samyama) na estrela Polar, o movimento das estrelas é conhecido.

29. (Pela prática de Samyama) no plexo do umbigo, advém conhecimento da composição do corpo.

30. (Praticando Samyama) na traquéia, fome e sede são restringidas.

31. Calma é alcançada por Samyama no tubo bronquial.

32. (Pela prática de Samyama) na luz coronal, Siddhas podem ser vistos.

33. Do conhecimento denominado Pratibha (intuição), tudo torna-se conhecido.

34. (Pela prática de Samyama) no coração, conhecimento da mente é adquirido.

35. Experiência (de prazer ou dor), vem da concepção que não distingue entre duas entidades extremamente diferentes: Buddhisattva e Purusha.

Tal experiência existe para um outro (isto é, Purusha). Esta é a razão de através de Samyama em Purusha (que observa todas as experências e também sua completa cessassão) conhecimento com relação a Purusha ser adquirido.

36. Portanto (do conhecimento de Purusha), advém Pratibha (intuição), Sravana (poder sobrenatural de ouvir), Vedana (poder sobrenatural de tocar), Adarsa (poder sobrenatural de ver), Asvada (poder sobrenatural gustativo) e Varta (p oder sobrenatural de cheirar).

37. Eles (estes poderes) são impedimentos ao Samadhi, mas são (vistos como) aquisições no estado normal-mutante da mente.

38. Quando as causas do aprisionamento são enfraquecidas, e os movimentos da mente conhecidos, a mente pode entrar em outro corpo.

39. Conquistando a força vital (da vida) chamada Udana, a possibilidade de imersão em água ou lama e envolvimentos dolorosos, são evitados, e a saida do corpo pela vontade é assegurada.

40 Conquistando a força vital chamada Samana, efulgência é adquirida.

41. Através de Samyama na relação entre Akasa e o poder de ouvir, capacidade divina de ouvir é adquirida.

42. Através de Samyama na relação entre o corpo e Akasa, e pela concentração na leveza do algodão ou da lã, passagem através do céu é assegurada.

43. Quando a concepção inimaginável pode ser mantida fora, isto é, não conectada com o corpo, é chamada Mahavideha ou a grande desencarnação. Através de Samyama nisso, o véu que cobre a iluminação (de Buddhisattva) é removido.

44. Através de Samyama no denso, no caracter essencial, no sutil, a inerência e a objetividade, que são as cinco formas de Bhutas ou elementos, maestria sobre Bhutas é conseguida.

45. Então desenvolve-se o poder de minimização assim como outras aquisições corpóreas. Deixa de existir também, resistência a suas características.

46. Perfeição do corpo consiste em beleza, graça, força e firmeza adamantinas.

47. Através de Samyama na receptividade, caracter essencial, sentido de Eu, qualidade inerente e objetividade dos cinco sentidos, maestria sobre eles é obtida.

48. Então advém poderes de movimentos rápidos da mente, ação dos órgãos independente do corpo e maestria sobre Pradhana, a causa primordial.

49. Para aquele estabelecido no discernimento entre Buddhi e Purusha, vem a supremacia sobre todos os seres assim como onisciência.

50. Através da renunciação mesmo disto (conquista de Visoka), vem a liberação em consequência da destruição das sementes do mal.

51. Quando convidado pelos seres celestiais, este convite não deve ser aceito, nem deve ser causa de vaidade, pois envolve a possibilidade de consequências indesejáveis.

52. Conhecimento diferenciado do Ser e do não-Ser advém da prática de Samyama no momento e sua sequência.

53. Quando espécie, caracter temporal e posição de duas coisas diferentes são indiscerníveis, elas aparentam iguais, no entanto podem ser diferenciadas (por este conhecimento).

54. O conhecimento do discernimento é Taraka ou intuitivo, compreende todas as coisas e todo o tempo, e não tem sequência.

55. (Se o discernimento discriminativo secundário é adquirido ou não) quando igualdade é estabelecida entre Buddhisattva e Purusha na sua pureza, liberação acontece.

 

Livro IV

Sobre o Ser-nele-mesmo ou Liberação

 

1. Poderes sobrenaturais advém com o nascimento, ou são consequidos através de ervas, encantamentos, austeridades ou concentração.

2. (A mutação do corpo e dos órgãos para aquele nascido em espécie diferente) acontece através do preenchimento de sua natureza inata.

3. Causas não colocam a natureza em movimento, somente a remoção de obstáculos acontece através delas. Isso é como um fazendeiro quebrando a barreira para permitir o fluxo de água. (Os obstáculos sendo removidos pelas causas, a natureza penetra por ela mesma).

4. Todas as mentes criadas são construidas a partir do sentido-de- -Eu.

5. Uma mente (principal) direciona as várias mentes criadas na variedade de suas atividades.

6. Delas (mentes com poderes sobrenaturais) as obtidas através da meditação não têm impressões subliminares.

7. As ações do Yogui não são nem brancas, nem pretas, enquanto as ações dos outros são de três tipos.

8. Então (das três variedades de karma) manifestam-se as impressões subconscientes apropriadas às suas consequências.

9. Em função da semelhança entre a memória e suas impressões latentes correspondentes, as impressões subconscientes dos sentimentos aparecem simultaneamente, mesmo quando são separadas por nascimento, es paço e tempo.

10. Desejo de bem-estar sendo eterno, segue-se que a impressão subconsciente da qual ele advém deve ser sem começo.

11. Em função de serem mantidas juntas pela causa, resultado e objetos suportes, quando isso se ausenta, as Vasanas desaparecem.

12. O passado e o futuro são em realidade, presente, em suas formas fundamentais, tendo diferenças apenas nas características das formas tomadas em tempos diferentes.

13. Características, que são presentes em todos os tempos, são manifestas e sutis, e são compostas das três Gunas.

14. Em função da mutação coordenada das três Gunas, um objeto aparece como uma unidade.

15. Apesar da semelhança entre os objetos, em função de haverem mentes separadas, eles (os objetos e seu conhecimento) seguem caminhos diferentes, essa é a razão deles serem inteiramente diferentes.

16. Objeto não é dependente de uma mente, porque se assim fosse, o que aconteceria quando ele não fosse mais cognizado por esta mente? 17, Objetos externos são conhecidos ou desconhecidos para a mente na medida em que colorem a mente.

18. Em função da imutabilidade de Purusha, que é mestre da mente, as modificações da mente são sempre conhecidas ou manifestas.

19. Ela (a mente) não é auto-iluminada, sendo um objeto (conhecível).

20. Além disso, ambos (a mente e seus objetos) não podem ser cognizados simultaneamente.

21. Se a mente fosse iluminada por uma outra mente, então haveria repetição ad infinitum de mentes iluminadas e inter-mistura de memória.

22. (Portanto) Intransmissível, a Consciência metempirica, refletindo sobre Buddhi torna-se a causa da consciência de Buddhi.

23. A matéria mental sendo afetada pelo Observador e o observado, torna-se toda-compreensiva.

24. Ela (a mente) apesar de marcada pelas inimeráveis impressões subconscientes, existe para um outro, desde que age conjuntamente.

25. Para aquele que conheceu a entidade distinta, isto é Purusha, inquirição sobre a natureza do próprio Ser, cessa.

26. (Então) A mente se inclina ao conhecimento discriminativo e naturalmente gravita em direção ao estado de liberação.

27. Através de suas ramificações (isto é, quebras no conhecimento discriminativo) surgem outras flutuações da mente devido às impressões latentes (residuais).

28. Tem-se dito que sua remoção (isto é, das flutuações) segue o mesmo processo da remoção das aflições.

29. Quando o indivíduo torna-se desinteressado mesmo pela onisciência, ele adquiri iluminação discriminativa perpétua de onde vem a concentração conhecida como Dharmamegha (nuvem que despeja virtude).

30. A partir disso, aflições e ações cessam.

31. Então em função da infinitude do conhecimento, livre da cobertura das impurezas, os objetos conhecíveis aparentam poucos.

32. Depois de sua emergência (nuvem que despeja virtude) as Gunas tendo cumprido seu propósito, a sequência de suas mutações cessam.

33. O que pertence aos momentos e é indicado pelo término de uma mutação particular, é sequência.

34. O estado do Ser-nele-mesmo ou liberação, realiza-se quando as Gunas (tendo promovido experiência e liberação para Purusha) não têm mais propósito a cumprir e desaparecem em sua substância causal. Em outras palavras, é Consciência absoluta estabelecida em seu próprio Ser.

 

 

[…] de muita de yoga, hipose, pela leitura textos como os de Robert Anton Wilson,  George Berkeley, Aforismo de Patanjali, mas também com um único e bem sucedido Salto […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/aforismos-de-patanjali/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/aforismos-de-patanjali/

‘Glossário Básico de Ufologia

Abdução – Do inglês, abduction. Esse termo tornou-se comum a partir dos anos 80. Define o relato de uma pessoa levada contra a vontade para o interior de um disco voador, onde é submetida a exames clínicos e/ou experiências. Normalmente a testemunha não se lembra conscientemente do processo e dos exames, mas apresenta sinais físicos como perfurações, marcas de retirada de sangue e até supostos implantes. Um estudo desenvolvido pelo norteamericano Budd Hopkins, especialista em casos de abduções e autor do livro “Intruders” (Intrusos), afirma que esse tipo de contato já pode ter atingido 2% da população do mundo.

Área 51 – Área de acesso restrito localizada no Estado de Nevada, nos Estados Unidos, na região do deserto e à margem de um lago seco, o Groom Lake. Os ufólogos norte-americanos, baseados no depoimento de Robert Lazar, um cientista que afirma ter trabalhado numa base secreta ali instalada, supõem que para a Área 51 foram enviados os quatro alienígenas que teriam sido capturados em Roswell, em 1947, depois de um acidente envolvendo um UFO. O governo norte-americano não reconhece a existência da área, mas as placas indicativas de acesso proibido a pessoas não-autorizadas são taxativas: “NO TRESPASSING” (não ultrapasse) e “WARNING – MILITARY INSTALATION” (Perigo – Instalação Militar).

Asket – Uma entidade feminina extraterrestre de Plêiades, supostamente envolvida na história de Eduard Meir. Asket vive em um universo paralelo ao nosso. Suas mensagens encorajaram Meier a explorar o mundo. Ela disse que ele foi escolhido para divulgar a verdade ao mundo e se tornar o mais inteligente do seu tempo.

Autocinese – Ilusão causada quando se observa uma luz contra um céu escuro. Exemplo: Vênus. O observador pode pensar que a luz está em movimento, mas se observada por um período maior de tempo, verificar-se-a ser mesmo uma estrela ou algum outro tipo de luz (terrestre mesmo) .


Bob Lazar
– é um engenheiro que diz ter trabalhado na engenharia reversa de aeronaves extraterrestres na base militar “secreta” da Area 51, em Nevada, EUA. Ele diz ter testemunhado testes, entrado e observado os painéis dos OVNIs e ainda ter trabalhado neles.

Casuística Ufológica – O conjunto de ocorrências relacionadas ao Fenômeno UFO. O Grupo de “casos ufológicos” ao longo do tempo.

Charuto – Ver Naves Mãe.

Chupacabras – O nome é originário do México e Caribe, regiões onde têm sido observadas com freqüência. São criaturas normalmente associadas ao fenômeno de mutilação de animais, além de, segundo diversos relatos, serem vistas sempre em regiões com intensa observação de UFOs.Ganharam esse nome por que uma das características dos animais supostamente mutilados por elas é que são encontrados sem sangue e sem qualquer marca que mostre para onde foi esse sangue. Há relatos de diversos tipos físicos dessas criaturas, mas a maioria aponta pelo menos duas características coincidentes: patas com três ‘dedos’ e garras grandes, e olhos grandes e muito vermelhos. Os ufólogos especulam serem EBEs sem um comportamento inteligente.

Contato Imediato – Como são classificados os “encontros” com artefatos de origem não terrestre ou criaturas possivelmente alienígenas. Os contatos imediatos (CI) são classificados, na Ufologia, de acordo com a complexidade e nível de aproximação, subdividindo-se em graus:

CI de primeiro grau: quando a testemunha diz ter observado objeto não identificado a grande distância.

CI de segundo grau: quando o UFO interage com o meio deixando provas físicas de sua passagem, como marcas de pouso no solo, minerais vitrificados devido a alta temperatura, efeitos colaterais nas testemunhas, como queimaduras o queda de cabelos (causados por radioatividade ou calor), interferências eletromagnéticas em aparelhos eletrônicos etc.

CI de terceiro grau: quando a testemunha diz ter estabelecido qualquer nível de comunicação com os ocupantes de um UFO.

EBE – Entidade Biológica Extraterrestre. Classificação primária de todo tipo de criatura potencialmente não terrestre e diretamente relacionada ao Fenômeno UFO.

Grays (ou Cinzentos) – Como são chamadas as EBEs com as quais os relatos de Contato Imediato são mais mais freqüêntes. Não raro surgem como responsáveis pelos casos de suposta abducção. Pela morfologia, estão divididos em outras três subcategorias, denominadas A (mais freqüente, com cerca de 1 m a 1,4 m de altura), B (com 2,1m a 2,4m de altura) e C (com cerca de 1m de altura). Todos têm características semelhantes: olhos negros e grandes, mãos com três ou quatro dedos, cabeça grande e desproporcional ao corpo, cujo aspecto aproxima-se do esquelético. Estudo comparativo baseado nos relatos de supostos contactados indicam que os Grays tipo A e C apresentam comportamento mais hostil, indiferente ao sofrimento das vítimas de abdução. Ao contrário dos Chupacabras, supõe-se que sejam seres racionais.

HAARP – High Frequency Active Aural Research Program. Projeto que pesquisa, através de sinais poderosos de rádio, uma ampla variedade de efeitos e fenômenos na ionosfera.


Hipnose
– Processo de alteração do nível de consciência que permite à pessoa a ele submetida recordar-se de informações armazenadas no subconsciente e que ela acredita ter vivido e serem verdadeiras. Trata-se de um tratamento alternativo à amnésia apresentada por supostas vítimas de abduções. Em geral só é aplicada por profissionais da área médica e requer cautela para evitar que o hipnólogo sugestione o hipnotizado, caso em que este poderia “criar” novos fatos e relatá-los como sendo verídicos.

Implante – Quando os primeiros casos de abducções começaram a surgir, os ufólogos verificaram que normalmente os supostos contactados relatavam um procedimento comum a quase todos os contatos: a introdução, pelos raptores, de um objeto minúsculo em alguma parte do corpo desses contactados. Por via cirúrgica, através da narina; ou subcutânea, na região da nuca ou do abdomem. A literatura ufológica relata centenas de casos onde o implante foi observado, através de raios X ou exames mais sofisticados, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Esta mesma literatura, no entanto, não é definitivamente esclarecedora quanto à origem desses objetos, se efetivamente têm alguma função e, principalmente, não expõe laudos técnicos de profissionais da área médica sobre esse tipo de ocorrência. Nos últimos anos, a freqüência com que os pesquisadores afirmam encontrar implantes nas vítimas de abducção tem aumentado. Assim como também foi registrada uma “evolução tecnológica” do artefato: no princípio, os implantes supostamente encontrados eram constituídos de ligas metálicas. Hoje, a maioria não pode ser detectada por exames de raios X por serem, aparentemente, constituídos de material orgânico.

Lapso de tempo – Período de tempo do qual um contactado diz não lembrar. Está presente em 9 entre 10 relatos de abdução.


MIBs
– Abreviação do inglês Men In Black, ou, Homens de Negro. Figuras que remontam os primórdios da Ufologia. Inicialmente eram relacionadas à ação das agências de inteligência norte-americanas. Os relatos informam que os homens de negro visitavam testemunhas de UFOs e as ameaçavam para que não contassem suas histórias. Aparentemente sua atividade caiu muito, mas ficou mais requintada: agora fala-se em “Helicópteros Negros”, que apareceriam em locais onde ocorreram avistamentos de UFOs. Uma variante dessa interpretação diz que os próprios MIBs são extratarrestres.

Naves-Mãe – UFOs de grandes dimensões que serviriam de ponto de partida para
naves menores. Normalmente as Naves Mãe têm formato de charuto.

Naves Sonda – A Ufologia classifica como naves sonda objetos voadores de origem desconhecida, de variados formatos e tamanhos, mas normalmente com menos de 1 metro de diâmetro e luz própria. Geralmente são esféricos e apenas acompanham pessoas, carros ou aeronaves terrestres, sem interferir diretamente no meio. Acredita-se serem artefatos com objetivo de observação, remotamente controlados. No Folclore Brasileiro, assemelham-se às descrições da “Mãe D’Ouro”, que os povos indígenas do norte do País acreditavam zelar pela mata.

Nuvem Lenticular – Nuvem que se forma sob determinadas condições meteorológicas e que, pelo seu formato lenticular (ou discoidal), é freqüentemente confundida com um UFO.

OANI – Objeto Aéreo Não Identificado. Sinônimo para OVNI.

Operação Prato – Operação desenvolvida pela Força Aérea Brasileira (FAB) para investigar secretamente Objetos Voadores Não Identificados no Pará em 1977 e 1978.

Ortotenia – Corredor imaginário que constituiria a rota mais provável dos UFOs. As “linhas ortotênicas”, como são chamadas, foram apontadas pela primeira vez pelo ufólogo francês Aimeé Michel, na década de 50. Num mapa, ele ligou os pontos de avistamentos e descobriu que onde as linhas se cruzavam normalmente ocorriam relatos de observação de naves-mãe, com formato de charuto. E da ligação entre esses pontos de cruzamento surgia o que pareciam ser rotas utilizadas pelas aeronaves desconhecidas.Uma das rotas mais conhecidas é a BAVIC, assim chamada porque sua descoberta veio da ligação entre as cidades Bayonne e Vicchi, na França.

OSNI – Objeto Submarino Não Identificado. Como são chamados os UFOs quando vistos sob a água.
Raios bola – Fenômeno meteorológico normalmente confundido com UFOs pelo seu formato esférico e movimento veloz. Forma-se sob cicunstâncias ainda hoje não explicadas, mas sabe-se que é produzido por meio de um acúmulo anormal de energia elétrica num espaço limitado.

UFO (ou OVNI) – Unidentified Flying Object ou Objeto Voador Não Identificado. Disco Voador.
Ufologia Científica – Ramo da pesquisa Ufológica que mais se aproxima da metodologia científica para apuração dos relatos. Pesquisa a partir do pressuposto de que os UFOs são um fenômeno mensurável e, portanto, com existência física objetiva.

Ufologia esotérica – Ramo da pesquisa Ufológica que admite uma existência não física para o fenômeno UFO. Reúne conceitos científicos e espirituais.

fonte: revista Vigília

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/glossario-de-ufologia/