Hecate – Druidas, Oráculos e Allan Kardec

Publicada no S&H dia 20/jun/2008,

“Três deveres de um druida:
– curar a si mesmo;
– curar a comunidade;
– curar a Terra.
Pois se assim não fizer, não poderá ser chamado de druida”.
(Tríades da Ilha da Bretanha)

Durante nossas matérias anteriores, falamos sobre Matrix, o Plano Astral e as diversas maneiras de se interagir com a esfera de Yesod, o estado de consciência representado pelo Mundo Subterrâneo nas antigas mitologias. Falamos sobre os Psychopompos (os famosos “condutores de almas”) das mitologias antigas e o que eles realmente representam e finalmente fizemos cinco anotações em nossos cadernos, que passaremos a decifrar nesta coluna.
Semana passada falamos sobre Thanatos, deus dos mortos, e sua relação com o Astral. Continuando a linha de raciocínio, falaremos hoje sobre Hecate, a deusa tríplice, representação da mediunidade.

Hecate
Hecate (ou Hécate) é uma divindade grega, filha dos titãs Perses e Astéria. A origem de seu nome se deve à palavra egípcia Hekat que significaria “Todo o poder”.
Em sua versão original, Hecate está associada a Ártemis (irmã gêmea de Apolo, o Sol, representando a luz da lua cheia) e a Perséfone (filha de Zeus e Demeter, personificação do sagrado feminino e das faculdades associadas à sensualidade feminina). Juntas, as três simbolizavam as 4 fases da Lua. Enquanto Ártemis representava a lua cheia e o fulgor feminino (girl power), Perséfone, em suas duas caracterizações (a doce Coré e a sombria Perséfone) representava respectivamente as fases Crescente e Minguante da lua e, finalmente, Hecate representava a Lua Nova, ou sombria.

Ok… pausa para explicar a lenda de Perséfone:
Na mitologia grega, Perséfone ou Coré (correspondente à deusa romana Proserpina e Cora). Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades (Demeter representa Malkuth, o Plano Material, Hades representa Yesod, o Plano Astral, Perséfone a feminilidade relacionada com a intuição feminina, que transita entre estas duas esferas) que a pediu em casamento.
Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o Mundo Subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos. Deméter, junto com Hermes, foi buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo fontes posteriores, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como, entretanto, Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã, a mesma fruta que coincidentemente era cultivada nos jardins do Templo de Salomão) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo: ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica ao mesmo tempo o ciclo anual das colheitas e as duas representações da lua e seus aspectos na magia cerimonial.

Voltando a Hecate:
Hecate é venerada como “a mais próxima de nós”, pois se acreditava que, nas noites de lua nova, ela aparecia com sua horrível matilha de cachorros fantasmas diante dos viajantes que por ali cruzavam. Ela enviava aos humanos os terrores noturnos e aparições de fantasmas espectros. Também era considerada a deusa da magia e da noite, mas em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Era associada a Ártemis, mas havia a diferença de que Ártemis representava a luz lunar e o esplendor da noite. Também era associada à deusa Perséfone, a rainha dos infernos, lugar onde Hécate vivia.
Dada a relação entre os feitiços e a obscuridade, os magos e bruxas da Antiga Grécia lhe faziam oferendas com cachorros e cordeiros negros no final de cada lua nova. Era representada com três corpos e três cabeças, ou um corpo e três cabeças. Levava sobre a testa o crescente lunar (tiara chamada de pollos), uma ou duas tochas nas mãos e com serpentes enroladas em seu pescoço. Como já estudamos em matérias anteriores, Tochas simbolizam o FOGO, sinal da sabedoria divina, e cobras representam o despertar da Kundalini, o fogo sagrado dentro de cada um.

Deusas Tríplices
Com a associação clara entre o feminino e a Lua, existiam muitas deusas tríplices, que carregavam consigo certas atribuições e que agiam como se fossem uma única entidade. Entre elas podemos destacar as Moiras, as Erínias e as Parcas, assim como as Norms (nórdicas), Bridghit (três deusas com o mesmo nome) e Morrigan (que com suas irmãs Badb e Macha faziam as vezes das Fúrias celtas).
Dos cultos egípcios e gregos, a representação do Sagrado Feminino na forma de “deusas tríplices” espalhou-se pela Europa. Os celtas possuíam a representação da mulher associada a três deusas chamadas Bridgith (Ou Brigid, ou Brígida, ou posteriormente Santa Brígida na Igreja Católica).
A Deusa Tríplice representa os mesmos aspectos gregos do feminino: donzela, mãe e anciã. Bridgit era filha de Dagda (e, portanto, meia irmã de Cermait, Aengus, Midir e Bodb Derg – um dia no futuro eu falo sobre eles… é uma história muito interessante) e suas sacerdotisas estavam associadas à chama sagrada, da mesma maneira que as Virgens Vestais gregas e egípcias. Suas 19 sacerdotisas permaneciam no Templo de Kildare, cercadas por um fosso natural que nenhum homem poderia cruzar. O Templo de Kildare foi uma das principais fontes usadas na criação da lenda de Avalon. Morrigan, por sua vez, foi a deusa utilizada como base para a criação de Morgana, meia irmã do mítico Rei Arthur (falaremos sobre isso mais para a frente).

As deusas e as Incorporações
Retornando no tempo até os cultos de Astarte, era extremamente comum (para não dizer mandatório) que a principal sacerdotisa de cada culto, em determinado momento do ritual, incorporasse a Deusa. Quando digo “incorporar”, quero dizer EXATAMENTE da maneira como vemos diariamente em centros espíritas, Kardecistas e templos de Umbanda/Candomblé.
A sacerdotisa possuía todos os atributos e características necessárias (além de um treinamento espiritual, emocional e mental) para deixar seu corpo limpo e preparado; entrava em transe ritualístico profundo e utilizava sua condição de médium para incorporar a deusa, que conversava com seus seguidores dando-lhes informações e conselhos.
Isto faz nossa segunda ligação com os Psycopompos e seus profundos significados esotéricos: Hecate representa esta conexão entre os médiuns e o Plano Astral.

Os druidas
Druidas (e druidesas) eram pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento, ensino, jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta. A palavra Druida significa “Aquele que tem conhecimento do Carvalho”.
O carvalho, nesta acepção, por ser uma das mais antigas e destacadas árvores de uma floresta, representa simbolicamente todas as demais. Ou seja, quem tem o conhecimento do carvalho possui o saber de todas as árvores. Está intimamente ligado ao título de “Aquele que trabalha com a madeira” vindo dos tempos do Rei Salomão e da Arca e, para quem não caiu a ficha ainda, o mesmo título de “Mestre Carpinteiro” dos antigos Essênios. A ritualística druida é muito parecida com o cristianismo primitivo da doutrina Cátara.

É importante dissociar as palavras “Druida” de “Celta” porque muita gente faz confusão. Celta é o nome do povo, enquanto Druida é o nome dado a uma casta de sacerdotes especiais que viviam entre os celtas e agiam como conselheiros destes. É a mesma relação entre “judeus” e “rabinos”.

Origens da Távola Redonda e o Elemento Terra.

Druidas e Mediunidade
A conexão entre Druidas e Mediunidade vem do Xamanismo (que é uma das origens de toda a magia celta) e das incorporações dos xamãs com os Espíritos dos Antigos (ou Espíritos Ancestrais). Da mesma maneira que os xamãs incorporam os espíritos ancestrais, os grandes sacerdotes druidas não apenas incorporavam os Deuses em seus rituais, mas também estudavam estas interações entre o Plano Material e o Plano Espiritual.

Com o advento da Igreja católica, estas práticas ficaram cada vez mais secretas e mais restritas, sob pena de fogueira; e muitos dos conhecimentos ocultistas da antiguidade tiveram de se refugiar nas Ordens Secretas, especialmente sob a proteção Templária e Rosacruz. O Sagrado feminino, a intuição e a mediunidade foram esmagados e permaneceram em dormência até o Renascimento. Neste período (que falaremos em detalhes na seqüência “Queima Ele, Jesus”), qualquer manifestação de mediunidade era vista como “coisa do demônio” e passível de fogueiras e exorcismos. Existem diversos casos na literatura medieval que retratam casos de mediunidade como sendo tratados como “possessão demoníaca” e afins. O mundo permanecia (passado?) em uma Idade das Trevas.

Dos druidas aos maçons
Nascia em Lyon a 3 de Outubro de 1804 Hippolyte Léon Denizard Rivail, um professor, pedagogo e escritor francês que se notabilizou como o codificador do chamado “Espiritismo”, denominado “Doutrina Espírita”.
Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.
Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdun, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados.
Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração.
Era membro de diversas ordens, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema “Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?”.
existe uma grande suspeita que Leon Denizard tenha feito parte da Maçonaria, pertencente à Grande Loja da França. Se não foi iniciado, passou sua vida inteira cercado por amigos membros desta sublime ordem. Deve ter conhecido as teorias básicas de Astrologia (pelo contato e estudo com Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos franceses de todos os tempos, fundador em 1887 da Sociedade Astronômica da França). Camille Flamarion era tão seu amigo que fez o discurso durante o enterro de Kardec. Para os espíritas que acompanham a coluna terem uma idéia da importância de Flamarion para o espiritismo, procurem nos textos da Gênese, uma das obras básicas do Kardecismo, o texto “Uranografia Geral – Estudo do Espaço e Tempo”, pelo médium CF. CF são as iniciais de Camille Flamarion.

Cético e estudioso, Léon teve contato com os estudos a respeito das “mesas girantes” em 1855, paralelamente a cientistas e ocultistas como Sir William Crookes (membro do Royal College of Chemistry, pai da Espectrologia), Alfred Russel Wallace (um dos precursores da teoria da evolução das espécies), John Willian Strutt (prêmio Nobel da física de 1904), Michael Faraday (físico, que apesar de não ser ocultista também estudou estes fenômenos), Oliver Lodge (membro da Royal Society, inventor do telégrafo sem fio), entre muitos outros. Interessante notar que as pessoas que estudavam seriamente estes fenômenos eram cientistas importantíssimos, ganhadores do Nobel de Física e outros pesquisadores voltados para áreas da física e da química.

Os tipos de mediunidade:
Como o irmão Denizard já teve todo o trabalho de compilar e codificar os tipos de mediunidade de uma forma majestosa, o tio Marcelo fará apenas a referência aos seus textos.
Começamos os estudos através da Manifestação dos Espíritos sobre a Matéria, através da vontade (Thelema) dos seres espirituais, combinados com a energia plasmada do médium, rompem a barreira entre os campos vibracionais e permitem manifestações no Plano Material. A partir disto, surgem as famosas “mesas girantes” que são uma manifestação grosseira desta força, suficiente apenas para erguer as mesas no ar e fazê-las girar. A partir das manifestações grosseiras (que também são a origem de barulhos em casas ditas “mal assombradas” e outros fenômenos), surgem os estudos a respeito de Manifestações Inteligentes (ou seja, pancadas rítmicas, respondendo a perguntas como “sim” ou “não”, barulhos indicando princípios rudimentares de comunicação entre Planos e assim por diante). Neste sentido, ele também estudou a criação de ruídos, movimentos e suspensões e aumento e diminuição do peso dos corpos.
Na segunda etapa, estudaram as manifestações físicas espontâneas, ou seja, a criação de ruídos mais específicos, arremessos de objetos e fenômenos de transporte, bem como as manifestações visuais, aparições e aparições dos espíritos de pessoas vivas. Estudaram também os lugares assombrados, linguagem dos sinais, tiptologia alfabética, escrita direta e pneumatofonia.
Na área da psicografia, estudaram a psicografia indireta, através de cestas e pranchetas, e a psicografia direta, através dos médiuns.
O capítulo XIV do seu “Livro dos Médiuns” trata especificamente sobre as mediunidades, listando as 72 mediunidades diferentes, entre elas os médiuns de efeitos físicos, elétricos, sensitivos, audientes, falantes, videntes, sonambúlicos, curadores, pneumatógrafos, etc. Entre os médiuns escreventes temos os médiuns mecânicos, intuitivos, semimecânicos, inspirados e de pressentimento e assim por diante. Recomendo que vocês leiam os dois livros básicos (Livro dos Espíritos e Livro dos Médiuns).
Léon adotou o pseudônimo de Allan Kardec, uma de suas encarnações passadas como druida, e é considerado o fundador do Espiritismo, uma das filosofias que eu considero mais sérias.

Termino a matéria citando o professor Waldo Vieira e um livro fantástico chamado 700 Experimentos de Conscienciologia (1994) onde, com o auxílio de laboratórios, foram feitas diversas experiências dentro do método científico para comprovar e estudar os fenômenos parapsicológicos. Hoje o IIPC é um dos institutos mais sérios no estudo destes fenômenos de forma científica e laica.

No Brasil, o espiritismo acabou adotando um pouco do viés religioso e cristão ao invés de sua proposição original científica. Infelizmente o sincretismo religioso, os misticóides da dita “Nova Era”, os charlatões e as chamas violetas da vida transformaram a palavra “espiritismo” em uma mixórdia tão grande que os espíritas originais precisam se denominar “Kardecistas” para evitar confusões, tamanha a quantidade de loucuras que inventaram por ai.

Enquanto isso, neste curral chamado Brasil, os coletores de dízimos fazem a festa com suas charlatanices de desencapetamento, exorcismos da madrugada, óleos de Jerusalém, água do Rio Jordão e afins, deixando a ciência e o ocultismo sério como pequenos oásis neste imenso mar de créu.

Perdidos no meio de assuntos religiosos e esotéricos que não têm nenhuma idéia a respeito, as Igrejas caça-níqueis seguem por ai Vandalizando Templos de Umbanda e de outras religiões “Em nome de Jesus”.

Como este assunto é muito extenso, queria que vocês postassem suas dúvidas na parte de comentários, como fizemos semana passada. Estava olhando com calma as perguntas novamente… acho que nunca fui tão sabatinado em toda a minha vida. E as dúvidas estavam de alto nível !!! Parabéns para o pessoal e queria agradecer aos colegas que ajudaram nas respostas

MacBeth!

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hecate-druidas-or%C3%A1culos-e-allan-kardec

V Simpósio Brasileiro de Hermetismo

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O V Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas trará para discussão e exposição o tema “A Grande Obra: o caminho e a responsabilidade”. Dessa forma, pediu-se aos palestrantes e expositores que trouxessem um pouco de sua vivência e da visão das filosofias que os mesmos representam a respeito dos aspectos de compromisso com a Grande Obra e da Responsabilidade do praticante para com o conhecimento mágico.

Em 2016 o evento ocorrerá na cidade de São Paulo, nos dias 26 e 27 de novembro, no Espaço Federal, na avenida Paulista, 1776, primeiro andar (próximo ao metrô Trianon-Masp).

Para esse ano traremos para conversação o tema “A Grande Obra: o caminho e a responsabilidade”. Dessa forma, pediu-se aos palestrantes que trouxessem um pouco de sua vivência e da visão das filosofias que os mesmos representam a respeito dos aspectos de compromisso com a Grande Obra e da responsabilidade do praticante para com o conhecimento mágico.

Sábado – 26 de novembro

08:30 – 09:00 – Abertura Oficial

09:00 – 11:00 – Fernando Maiorino – Xamanismo Hermético

11:00 – 12:30 – Marcelo Del Debbio – Kabbalah Hermética

12:30 – 14:00 – Almoço

14:00 – 15:30 – Claudio Caparelli – Sagrado Masculino

15:30 – 17:00 – Constantino K. Riemma – Tarô

17:00 – 17:30 – Coffee Break

17:30 – 19:00 – Marcelo Alexandrino – Caminhos, atalhos e desvios: a Grande Obra e a responsabilidade no ocultismo

Domingo – 27 de novembro

09:00 – 11:00 – Fernando Liguori – Thelema e a Grande Obra

11:00 – 12:30 – J.R.R. Abrahão – Magia Ritual e Cerimonial

12:30 – 14:00 – Almoço

14:00 – 15:30 – Oswaldo Turriani Siqueira – O caminho da astrologia na consecução da Grande Obra

15:30 – 16:00 – Coffee Break

16:00 – 18:00 – Déia Filhadágua – Jurema

Inscrições abertas no site (http://simposiohermetismo.com.br/) – aproveite o primeiro lote de ingressos no valor de R$ 150,00 até o dia 10 de setembro. Inscreva-se já!

#Blogosfera #hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/v-simp%C3%B3sio-brasileiro-de-hermetismo

As Divindades Thelêmicas

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

A maioria das Deidades Thelêmicas é oriunda do Egito antigo. Apenas as duas principais são retiradas do Apocalipse de São João. Em Thelema, são usadas com referência de conceitos e não adoração. As Divindades Egípcias variam de significado e origem de acordo com a Dinastia.

A primeira ideia a ser descartada quando se estudam as divindades Thelêmicas é a de que elas sejam, de fato, deuses. Antes de mais nada o thelemita enxerga a divindade como a representação simbólica de um arquétipo inerente ao próprio Ser Humano. Desta forma os deuses do Panteão thelêmico não são vistos como entidades externas e sim internas.

Outra característica do Panteão Thelêmico é ser aberto. Ou seja, algumas ideias principais são expostas na figura de um determinado grupo de divindades, aqui apresentadas. Entretanto sendo as divindades representações arquetípicas, toda e qualquer divindade, de qualquer mitologia é aceita como ferramenta de trabalho dentro de Thelema.

AIWASS – o “Ministro de Hoor Paar Kraat” , aquele que ditou o Livro da Lei a Aleister Crowley em 1904. Posteriormente Crowley o reconheceu com o seu Sagrado Anjo Guardião, o S.A.G. Para uma melhor descrição ir para Liber AL vel Legis. Aiwass não soletrou a Crowley o seu nome.

Em grego é Aiwass e na Cabala Grega o nome resulta 418, o número da Grande Obra. Em hebraico é Aiwaz, que resulta 93. Crowley usava as variações de acordo com o trabalho a ser realizado, se místico, Aiwaz, se de natureza mágica, Aiwass.

AHATHOOR – a Vênus egípcia.

ANKH-F-N-KHONSU – Pronuncia-se “Ankhefenkhons”. Sacerdote da cidade de Thebas, Egito, do culto ao deus Mentu, (Deus Egípcio da Guerra) da 25ª Dinastia (cerca de 725 Antes de nossa Era; Crowley achava que era 26ª mas recentes pesquisas provam 25ª).

A Estela da Revelação seria uma tábua funerária deste Šacerdote. Crowley afirmava que ele iniciara o Æon de Osíris e ao mesmo tempo, que fora uma de suas encarnações passadas.

Ao lado, frente da Estela da Revelação, onde aparecem o Deus Ra Hoor Khuit, a Deusa Nuit, o globo alado Hadit, e o Sacerdote Ankh-f-n-Khonsu.

APOPHIS – As forças da destruição e decadência. Também chamada de Apep. Por vezes é representada por uma Serpente alada com o Disco Solar na cabeça.

BAPHOMET – Mais do que uma divindade, Baphomet é um dos maiores símbolos da Egrégora thelêmica. Sua imagem é um complexo glifo de simbolismos alquímicos, herméticos, astrológicos, etc.. Dentro da filosofia tHelêmica, a imagem de Baphomet não possui qualquer correlação com o demônio, Satã ou similares.

CHAOS – Ideia irrepresentável do princípio básico de tudo. O Caos, tal como na mitologia grega, é a matriz de onde qualquer idéia, forma, etc. pode surgir. Diferente do Chaos conforme encontrado na vertente conhecida como “Magia do Caos”, possui um valor semelhante à possibilidade e não necessariamente a um rompimento.

HADIT – O Segundo Conceito. O ponto que define a circunferência, o movimento ou o Verbo gramático. O globo solar alado de Hadit é a representação da individualidade, o Self. Simboliza a Serpente de Luz que deve se elevar para encontrar Nuit e assim alcançar a plenitude. O Sol interior, a fonte de toda a luz e sabedoria. Assemelha-se ao conceito do Logos.

HARPÓCRATES – Forma grega de Hoor Paar Kraat, o deus criança. Representado como uma criança fazendo sinal de silêncio e a letra Aleph. Crowley associava-o com o como Sagrado Anjo Guardião. Ver carta 20 do tarô, “O Aeon”.

HOOR PAAR KRAAT – o Senhor do Silêncio, uma forma de Hórus, gêmeo de Ra Hoor Khuit.

HÓRUS, HORO, HERU – A Criança Coroada e Conquistadora. Senhor do presente Æon, que iniciou em 1904 com o recebimento do Livro da Lei. Hórus é a forma grega de Heru Ra Ha, o herói solar comum a vários mitos. A sua forma egípcia possui a cabeça de falcão.

Em algumas lendas egípcias é irmão de Set em outras é seu sobrinho. Na última, matou-o por este ter assassinado seu pai, Osíris. Desde então tornou-se rei do Egito e precursor dos faraós, que seriam sua encarnação na Terra. Hórus é uma divindade dual, composta por Ra-Hoor-Khuit e Harpócrates.

Ra-Hoor-Khuit é o deus de cabeça de falcão, simbolizando o Ser Humano em sua porção ativa, masculina, material. Harpócrates é a criança nascida no Reino dos Mortos, representado como um menino nu com o dedo indicador direito sobre os lábios, representando o Ser Humano em sua porção silenciosa, passiva, feminina. Juntos eles perfazem a divindade solar Hórus, que representa o Ser Humano íntegro, divinizado.

ÍSIS – Mãe de Hórus, senhora do Æon anterior ao de Osíris, onde o poder residia na mulher.

KEPHRA, ou KEPH-RA – O Deus do Sol da Meia-Noite, com cabeça de escaravelho. O escaravelho deposita seus ovos numa grande bola de estrume e o empurra pelo sol do deserto afim de choca-los, além disso, voa contra todas as leis da aerodinâmica. Tal força de vontade não ficou indiferente aos egípcios. O estrume representa o Deus Sol Ra, e como sai debaixo da terra, das regiões ocultas, ele é um símbolo de Renascimento, o Sol interior.

KHABS – Segundo Crowley: “‘estrela’ ou ‘luz íntima’, é a essência original individual, eterna. O Khu é a vestimenta mágica que o Khabs tece para si mesmo, uma ‘forma’ para seu Ente. Além-da-Forma, pelo uso da qual ele ganha experiência através de autoconsciência, como explicado na nota aos versos 2 e 3 . O Khu é o primeiro véu, muito mais sutil que mente e corpo, e mais verdadeiro; pois sua forma simbólica depende da natureza de sua Estrela.”

KHONSU – Deus Egípcio da Lua, filho de Ammon com Mut.

KHU – ver Khabs.

MAAT, MA’AT – Deusa da Verdade e Justiça. Representada por uma mulher com uma pluma na cabeça.

Frater Achad, filho mágico de Crowley, anunciou o seu Aeon em 1948, um ano após a morte de Crowley. No ano de 1955, Kenneth Grant, na sua Loja Nu-Ísis, obteve uma experiência de contato através de um local chamado Zona Mauva.

Em 1974, uma magista chamada Soror Nema Andahadna, recebeu um livro chamado Liber Pennae Praenumbra. Seus conceitos batiam com os de Achad e os de Grant. O Aeon de Maat, evoca uma característica muito ligada ao Aeon de Hórus, conceitos, divindades, rituais, etc. Soror Nema Andahadna disse que o Aeon de Maat está “grudado” no de Hórus, além de evocar um conceito caoticista, o de que todos os Aeons acontecem simultaneamente, depende apenas do magista canalizar a energia desejada.

MENTU, MONTU – Deus da guerra Egípcio, também associado com Ra-Hoor-Khuit.

NUIT – O Primeiro Conceito. A deusa egípcia preenchida de estrelas, cujo corpo forma a abóbada celeste é a representação do Todo em um nível Macrocósmico. Sendo todo homem e toda mulher uma estrela, Nuit simboliza a união de toda a humanidade em nível espiritual. Costuma ser representada por um círculo.

A Grande Mãe e o Grande Nada/Tudo. A matéria. A circunferência infinita e complemento de Hadit, o ponto. Pode ser representada pelo Espaço Infinito e na Cabala por Ain Soph.

Ver carta 17, “A Estrela”.

OSÍRIS – O deus morto e ressuscitado. Senhor do Æon passado, onde o poder masculino era o centro mágico (phallus).

Segundo uma das principais lendas do Egito, Osíris era casado com sua irmã Isis, e invejado por seu irmão Set. Durante um banquete, Set trancafiou-o em uma urna e jogou no Nilo indo até a Fenícia. Isis, em desespero, procura por seu marido e o encontra. Set novamente ataca e o esquarteja em 14 pedaços e os espalham por todo Egito. Com a ajuda do filho Hórus, da irmã Nephtys, do sobrinho Anúbis e do deus da Magia Thoth, Isis recupera todas as partes do marido, menos uma: o pênis, que fora devorado por três peixes. Daí a sua associação como deus dos mortos. Com a ajuda deles realizou o primeiro embalsamento e graças a Thoth, ele ressuscitou para a imortalidade (no reino dos mortos). O deus egípcio dos mortos, que teve seu corpo destruído e espalhado pelo mundo e depois reconstruído por sua esposa Isis, representa o Ser Humano espiritualmente redivivo. Considera-se que o Ser Humano é composto de várias partes (corpo, mente, espírito) que encontram-se em um estado de desarmonia. Osíris simboliza, tal como em seu mito, a harmonização destes componentes do Ser Humano pleno por força de um amor maior.

Possui forte relação com o Jesus Cristo católico.

PAN, ou PÃ – Inicialmente associado com o Deus Bacco e a carta 15, “O Diabo”.

Este deus grego de extrema sexualidade representa o princípio masculino ativo e criador. É também uma simbologia para o Todo do Microcosmo. É o homem em contato com o seu eu instintual, O “pai de todos”, o homem-besta, o religare entre o racional humano e o instinto natural presente em toda a criação. Está ligado ao poder criativo e, por gematria, ao número 61, Nuit/Nada. Em grego quer dizer “Tudo”. Daí a associação metafísica de Nada = Tudo, a fórmula da iniciação universal. Ra-Hoor -Khuit – Gêmeo de Hoor Paar Kraat, uma versão de Hórus. Também é conhecido como filho de Nuit e Hadit. É o Senhor do Atual Aeon. O Capítulo III de Liber AL vel Legis é referente ao seu Aeon.

RA, AMMOUN-RA, AMMEN – O Deus Sol egípcio, um dos principais do panteão. O Deus que ressuscita toda manhã. O Deus Oculto. Seu Templo de Karnak, em Tebas, (atual Luxor) era o maior dos Templos Egípcios, e pouco antes da época de Ammenhotep IV, também conhecido como Akhénaton, na XVIII Dinastia, era detentor de 2/3 do território egípcio. Por este motivo, Akhénaton elevou o deus Aton (uma das representações do sol) no panteão, para tentar distribuir o poder sacerdotal entre outros cleros, visto que os Sacerdotes de Ammon tinham um poder tal que formavam um estado dentro do estado.

RA-HOOR-KHUIT – Gêmeo de Hoor Paar Kraat, uma versão de Hórus. Também é conhecido como filho de Nuit e Hadit. É o Senhor do Atual Aeon. O Capítulo III de Liber AL vel Legis é referente ao seu Aeon.

SHAITAN – Forma de Seth. Shaitan foi uma divindade adorada na Mesopotâmia, por um povo chamado Iezide. (Ver a obra “Renascer da Magia” ,de Kenneth Grant), e cujo culto Crowley diz ter ressuscitado.

TEITAN – Forma caldeia de Shaitan.

TEMU – O Criador, o primeiro deus a aparecer do caos (Nuit). Ao se masturbar gerou dois filhos, Shu e sua irmã Tefnut. Estes criaram Geb (o deus da Terra) e Nut, também chamada Nuit, (a deusa do Céu) que por sua vez deram origem a Osíris e Isis, Seth e Nephtys, e Harpócrates.

SETH – Aquele que assassinou Osíris. Posteriormente foi morto por Hórus, a Criança Vingadora.

É a divindade mais antiga criada pelos egípcios, assumindo diversas conotações, de vilão a herói. A sua forma mais comum é um humano com cabeça de algum animal não-identificado, ou de um crocodilo. A simbologia do crocodilo é a de devorador (de deuses).

THERION – A Grande Besta do Apocalipse. Conceito assumido por Crowley na edificação do Novo Aeon, aquele que iria acabar com o pensamento cristista associado ao Aeon de Osíris.

O poder masculino, que conjugado com o seu igual feminino, Babalon, geram a força no Aeon de Hórus. Therion é Besta em grego, e durante a sua infância, no seio de uma família fundamentalista cristã, devido ao seu comportamento bagunceiro, foi apelidado de Besta do Apocalipse pela mãe.

No Cairo ao receber o Livro da Lei, sua então esposa Rose Kelly, identificou o mensageiro na Estela da Revelação, cujo número era 666. A sincronicidade espantou Crowley que, ao assumir o grau de Magus, adotou o motto TO MEGA THERION (A Grande Besta). Também representado por um Leão, como na Carta 11 “A Luxúria”, representada ao lado, onde é cavalgado por Babalon, a Mulher Escarlate.

THOTH, TAHUTI – Deus da Sabedoria e Magia. Criou a escrita. Possui cabeça de íbis. Associa-se com Mercúrio e a Hermes Trismegisto.

TUM – Deus do oeste, o local do Sol, deus do Sol à noite.

TYPHON, TÍFON – Inicialmente mãe de Seth, deusa do caos e da noite. As vezes confundida com Seth, o Destruidor.

Amor é a lei, amor sob vontade.

***

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/as-divindades-thelemicas/

Lançamento: Ad infinitum

Hoje, 13.01.13, lancei meu livro, Ad infinitum.

Quando comecei a escrevê-lo, em meados de 2009, não fazia ideia de que hoje existiria um serviço como o Clube de Autores, que permite que lancemos um livro com o controle total do resultado final, de cada vírgula do texto a diagramação da capa, contracapa e orelhas. Tampouco poderia prever que hoje teria uma página do meu blog, no Facebook, com quase 3 mil seguidores; ou que meu próprio blog, o Textos para Reflexão, teria uma média de visitas diárias de mais de mil acessos; muito menos que seria um colunista regular de um grande portal de ocultismo e espiritualidade, o Teoria da Conspiração [1].

Quando a ideia para este livro me veio, martelando a cabeça, quis que fosse embora. Daria muito trabalho levá-la adiante. Quando finalmente comecei a escrever, tive medo de não estar à altura da tarefa. Quando enviei os primeiros dois capítulos a leitores que considero cultos e exigentes, e eles gostaram do que leram, tive medo de não saber como terminar o restante do livro. Agora, no entanto, me sinto aliviado, realizado. Este livro não é mais uma questão minha, não é mais o meu livro, mas o livro de vocês, leitores. O que virá daqui para frente dependerá muito mais de vocês do que de mim.

Com este livro, procurei demonstrar como num diálogo amigável de quatro personagens com crenças e descrenças diversas, ainda assim podemos chegar a grandiosos acordos. E, mesmo quando não chegamos a um acordo geral, nada deveria indicar que um desacordo de crenças e ideias leva, necessariamente, a inimizades.

A existência é muito grandiosa, complexa, inefável e brutal, para que percamos tempo em brigas inúteis. Os personagens no fim são todos aspectos de mim mesmo (e de todos nós, quem sabe) que são capazes de se tornar amigos uns dos outros: uma filósofa, um cético, um espiritualista, um crente. Por que não?

Neste livro falaremos de Deus, do Cosmos, de fé e razão, ciência e religião, arte e espiritualidade, filosofia e ceticismo, etc. Tudo para que estas ideias possam melhorar a vizinhança.

Já me disseram que meus textos mudam as pessoas. Não é verdade: as pessoas é que mudam elas mesmas, e a vizinhança em torno (e quem sabe o mundo todo), quando mudam seu pensamento. O que escrevo sobre os ombros de gigantes, como Benedito Espinosa, Hermes Trimegisto, Carl Sagan e Gibran Khalil Gibran, dentre outros, é apenas uma mensagem. Uma luz. Reflitam adiante, ad infinitum!

» Comprar o livro no Clube de Autores

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» Baixe gratuitamente uma amostra do livro (25 páginas, PDF)

» Saiba mais sobre o Projeto Ouroboros, que deu origem ao livro

» Conheça a simbologia do Ouroboros e da Árvore da Vida (capa do livro)

» Veja a galeria do livro em nossa página no Facebook

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Algumas perguntas e respostas sobre o livro:

Ele pode ser encontrado em livrarias?

Não. No momento só pode ser comprado pelo site do Clube de Autores.

Posso confiar neste site? Quais são as formas de pagamento e envio?

O Clube de Autores é a maior comunidade de autores do país, e vende livros por demanda, impressos com qualidade profissional. Você poderá pagar com cartões Visa e Mastercard, boleto bancário, PagSeguro e/ou transferências online. O livro impresso será enviado para seu endereço pelos Correios, sendo possível rastrear a encomenda a qualquer momento do processo. O eBook (livro digital) será disponibilizado para download imediatamente após a confirmação da compra.

Posso confiar na revisão e diagramação do livro?

O livro foi diagramado conforme exemplos de livros profissionais, composto com as fontes mais legíveis do mercado, e com os devidos cuidados de revisão gramatical. Você também pode conferir uma amostra do livro (25 páginas, PDF).

Posso confiar na qualidade do conteúdo?

Depende. Se você gosta do que escrevo em meu blog (Textos para Reflexão), é bem provável que o livro lhe agrade. Se, por outro lado, não conhece ainda o meu blog, talvez seja melhor primeiramente navegar por lá e ver se gosta do que tenho a refletir.

Você desistiu de tentar publicar o livro por uma editora de grande distribuição?

Pelo contrário, ainda nem comecei. Este será o segundo passo. O fato de o livro estar sendo vendido online não significa que eu tenha perdido os direitos sobre ele. Pelo contrato do Clube de Autores, posso cancelar a venda a qualquer momento, e o farei, caso alguma boa editora se interesse por publicá-lo. Mas, se nenhuma se interessar, fato é que os leitores do meu blog já terão acesso a ele, e isso já é suficientemente extraordinário para mim.

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“Gostei do livro! Como posso ajudar a divulgá-lo?”

1 – Boca a boca: é a alma do negócio!

2 – Você pode entrar na página dele no Clube de Autores e comentar, ou avaliar (clicando nas estrelinhas), ou recomendar nas redes sociais, etc.

3 – Você pode tirar uma foto sua com o livro nas mãos (mesmo sendo a versão eBook), e nos enviar por nossa página no Facebook (clique em mensagens e mande uma mensagem com a imagem em anexo). Contanto que dê permissão para que eu possa publicar sua foto nas galerias de imagens por lá. Acredite, isto já será uma baita ajuda…

4 – Você pode comprar outros livros e dar de presente para quem ama.

5 – Caso seja amigo de algum editor, você pode recomendar o livro a sua editora (contanto que ela tenha uma boa distribuição nas livrarias).

6 – Você pode ajudar de alguma outra forma criativa, que não consta nesta lista, contanto que seja de coração…

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[1] Não poderia deixar de agradecer imensamente ao irmão Del Debbio pela oportunidade, assim como aos demais colunistas.

#Espiritualidade #Ocultismo #Filosofia #hermetismo #Ciência #Livros

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/lan%C3%A7amento-ad-infinitum

O Mapa Astral de Friedrich Nietzsche

Nietzsche, sem dúvida considera o Cristianismo e o Budismo como “as duas religiões da decadência”, embora ele afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche “é cem vezes mais realista que o cristianismo” (O anticristo). Religiões que aspiram ao Nada, cujos valores dissolveram a mesquinhez histórica. Não obstante, também se auto-intitula ateu.

Para Nietzsche o homem é individualidade irredutível, à qual os limites e imposições de uma razão que tolhe a vida permanecem estranhos a ela mesma, à semelhança de máscaras de que pode e deve libertar-se. Em Nietzsche, diferentemente de Kant, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele as coisas “dançam nos pés do acaso” e somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida.

Nietzsche passou os últimos 11 anos da sua vida sob observação psiquiátrica, inicialmente num manicômio em Jena, depois em casa de sua mãe em Naumburg e finalmente na casa chamada Villa Silberblick em Weimar, onde, após a morte de sua mãe, foi cuidado por sua irmã. Como diria o Datena, “Falta de Deus no coração”.

O Mapa de Nietzche possui Sol em Libra; Lua, Ascendente e Caput Draconis em Sagitário (por “enorme coincidência” justamente as energias mais voltadas para a filosofia e academia). Uma pessoa com facilidade para se comunicar e entender os outros e cujo mapa é voltado para Filosofia. A inclinação para observar o mundo ao redor e tirar conclusões é extremamente marcante no Mapa de Nietzche (Stellium de Lua, Ascendente e Caput Draconis com menos de 2 graus entre eles). Some a isso Marte e Mercúrio em Virgem-Libra (Rainha de Espadas, a energia mais fria e cínica do zodíaco, manifestada nele na forma de pensar e de lutar/gastar energia) e Saturno em Capricórnio-Aquário (Cavaleiro de Espadas, a pessoa que consegue enxergar as regras do mundo ao redor e quebrá-las influenciano o planeta ranzinza).

Uma Aspectação importante a ser destacada neste Mapa é a Oposição de Urano (seu Planeta mais forte com nada menos do que 9 Aspectações) em Peixe-Áries (Rainha de Bastões, que indica energia relacionada com conselheiros filosóficos) com Marte (em Virgem-Libra, a energia cínica que falei acima).

Resumindo o Mapa: o tio Bigodudo era mesmo um filósofo osso duro de roer mas, no final da vida seu ceticismo e ateísmo exagerados entraram em conflito com seu Júpiter em Peixes (facilidade para entrar em contato com o Astral). Os biografos de sua vida dizem que ele se tornou esquizofrênico por conta da Sífilis, embora esta avaliação seja controversa… é possível que um ateu de pedra como ele tenha simplesmente ficado louco com as coisas que via e ouvia como médium, já que não acreditava em nada espiritual…

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mapa-astral-de-friedrich-nietzsche

Angel Tech: Guia de um xamã moderno para seleção de realidades

Perder-me na seção de religiões da minha livraria favorita costumava ser puro prazer cerebral… um prazer incomparável. Isso foi antes da invasão dos livros da Nova Era e de auto-aperfeiçoamento que, nos últimos anos, inundaram as estantes e empurraram para fora as gemas clássicas e mais obscuras da tecnologia psíquica. Você não pode mais encontrar os paradigmas cristalinos do Ensino Superior sem esbarrar em mais bobagens de palavras da moda. Ironicamente, devido à popularidade vertiginosa da Metafísica em geral, uma diluição generalizada de informações espirituais genuínas passou para a seção de história e filosofia. Talvez seja um sinal dos tempos, quem sabe? Não sei e, francamente, não quero saber. Metafísica para os Milhões não é minha praia.

Balançando em meio ao rio lamacento da literatura oculta está Angel Tech: A Modern Shaman’s Guide to Reality Selection (Angel Tech: Guia de um xamã moderno para seleção de realidade), de Antero Alli ,um residente de Boulder, Colorado, com um prefácio de Robert Anton Wilson, famoso por Cosmic Trigger. “Seleção de realidade”, hmmm… isso me chamou a atenção. Não é exatamente um livro de auto-ajuda ou um tratado metafísico, Angel Tech é (em suas próprias palavras), “um manual de sobrevivência para anjos caídos que acabaram com suas respostas congeladas aos pesadelos ao nosso redor”. Várias frases depois, ele nos instrui a: “voar mais alto, plantar os dois pés firmemente no chão… chão”. O título também é um pouco enganador, porque Angel Tech não é sobre anjos em si; pelo menos não do tipo pintado por artistas e descrito na Bíblia. Para citar mais uma vez o texto, “Um anjo é um ser de Luz. Tech vem de techne, significando arte ou habilidade. Angel Tech é a Arte de Ser Luz… Somos, em essência, seres de luz.”

Alli assumiu a responsabilidade de redefinir a terminologia comum, bem como criar palavras próprias para descrever sua jornada psíquica. Esta jornada atravessa a Lei das Oitavas e Harmônicos traduzidos na visão evolutiva das funções da Inteligência Única. Seu destino é a incrível tarefa de Aumento de Inteligência. O formato da lei dos oitos é tão antigo quanto as Escolas de Mistério Sufi e vigoroso o suficiente para atrair o próprio Gurdjieff. Mais recentemente, o guru patife Timothy Leary pegou e escreveu sua obra, Exo Psychology (também esgotada), um dos livros de origem da Angel Tech. O que diferencia a Angel Tech de outras interpretações desse sistema óctuplo é seu brilho cômico e algumas ilustrações histericamente perversas. Também visivelmente ausente é o tipo de dogma que quase sempre acompanha assuntos como este. (O autor nos lembra constantemente que o livro é um mapa e não o território em si, e que nós, leitores, devemos fazer nossos próprios mapas tão rápido quanto absorvemos informações para minimizar a constipação psíquica.)

Este livro não é para todos. Considere a seção intitulada Mecânica do Karma, que é “um curso de estudo mais adequado para robôs auto-realizados”. Quem vai admitir a seu papel de robô? Gurdjieff e sua espécie certamente o fizeram, mas não sem muito trabalho. Mais adiante nesta seção há outro chamado Problemas Mecânicos que, com detalhes meticulosos, explora os sintomas, causas e ajustes necessários para “robôs enlouquecidos”… em termos leigos, o processo de consertar pessoas quebradas. Apesar da leitura bastante densa nesta seção, Alli conseguiu me atrair com seu humor, que às vezes é implacável. Para o neófito não iniciado, Fred Mertz (lembra-se, do programa I love Lucy?) ressuscitou ao status espiritual de Bodhisattva com o propósito de transmitir sua compaixão através do “meio neuroeletrônico da televisão nas reprises…” Se Fred Mertz é um Avatar da Nova Era, então eu sou o papa. E em algum universo paralelo, provavelmente sou mesmo.

Angel Tech não é uma leitura fácil. Suas 380 páginas descrevem uma abordagem abrangente para reprogramar sua mente. O único outro autor que conheço que apresentou uma visão tão lúcida desta digna tarefa é o Dr. John Lilly (Simulations of God, Center of the Cyclone, etc.). Mais uma coisa surpreendentemente perdida da Angel Tech são os endossos pró-drogas que proliferam em livros de predecessores como Leary, Wilson e Lilly. A fórmula de Alli para Brain Change vem diretamente do próprio biocomputador humano. Técnicas para flexionar os músculos psíquicos são abundantes na Angel Tech. Os tópicos de pesquisa incluem Arrebatamento, Carisma, Ritual, Desenhando um Tarô, Alquimia, Sincronicidade, Astrologia, Rituais do Sonho e Fator X… se ao menos eles tivessem nos ensinado essas coisas quando fomos para a escola. E ao longo de tudo isso, uma corrente sublinhada chamada “aterramento” conecta o que é psíquico à terra. Só isso, na minha opinião, já vale o preço do ingresso.

Às vezes, este livro fica no limite entre a redundância e a repetição instrutiva com a esperança de levar seu ponto para casa. Esse ponto parece ser a autorresponsabilidade e a necessidade de se definir ou ser definido pelos outros. Alli dá como certo que os leitores já entendem que eles criam sua própria realidade, então não há muita escolaridade sobre isso.  É, talvez, por esta razão que o público da Angel Tech permanecerá limitado àqueles que atualmente projetam seu próprio programa. Desta forma, a Angel Tech é até elitista. Ele se recusa a tentar alcançar todo mundo. No entanto, as pessoas que tocarão serão mais ricas devido à falta de compromisso de Alli. Não é um livro totalmente inacessível, mas é baseado em uma suposição bastante radical. Ele falha em reconhecer a divisão entre os Eus Inferiores e Superiores que a maioria dos livros metafísicos quase divinizam. Meu palpite é que Alli é uma espécie de anarquista que encontrou seu caminho no sistema. Sua paixão por aniquilar a hierarquia com o propósito de desmistificar as comunicações é difícil de ignorar.

O que eu achei a parte mais atraente de Angel Tech foi que a seção chamada Capela Perigosa, que poderia ter sido expandida e reescrita como outro livro. Para aqueles familiarizados com o Cosmic Trigger de Robert Anton Wilson, a menção da Capela Perigosa deve tocar os sinos do inferno. De acordo com Alli, a Capela é um “lugar para onde as almas vão depois de serem catapultadas para fora de seus corpos, tateando sem rumo pela outra metade… enquanto seus corpos permanecem vivos, no automático, andando pelo planeta” (parafraseado). Esta seção do livro explora o processo de “Iniciação como resposta criativa ao choque do desconhecido”. É apresentado dramaticamente como Oito Sermões contados a uma congregação de almas perdidas por um padre que lembra vagamente os Sermões dos Mortos no final do livro de Carl Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões. Os títulos dos sermões incluem: Paixões Fatais, Suicídio e Livre Arbítrio, Céu e Inferno, A Crucificação… entre outros. A Capela Perigosa não é um lugar bonito para se estar e Alli olha através de seus vitrais, sombriamente.

Angel Tech é o livro um de uma trilogia chamada Manual de Referência de Operadores de Campo. Os outros dois livros, All Rites Reversed e The Akashic Record Player, serão lançados. Até lá, recomendo esta viagem irreverente e alucinante de um livro, Angel Tech, e espero mais de Alli.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/angel-tech-guia-de-um-xama-moderno-para-selecao-de-realidades/

Amar e Perder

Uma das coisas que mais traz sentido a nossa existência é o amor. Embora não seja algo passível de ser totalmente abarcado pela filosofia – ou, pela razão, por assim dizer –, tivemos a sorte de poder contar com alguns grandes pensadores que trataram do amor, e da perda do amor. O que seria mais traumático, amar e perder, ou jamais ter amado verdadeiramente? A resposta para essa questão, tão essencial, muitas vezes esbarra em nossa falta de compreensão do que quer que seja “amar verdadeiramente”. Quase sempre, só nos damos conta de um amor verdadeiro após o termos perdido…

Em seus Ensaios sobre a amizade, Michel de Montaigne nos traz um exemplo do tipo [1]: “O falecido Senhor de Monluc, o marechal, quando conversou comigo sobre a perda do filho (um cavalheiro muito corajoso, de grande futuro, que morreu na Ilha da Madeira), enfatizou, entre outras tristezas, o luto e a mágoa que sentiu por nunca ter se mostrado para o filho e por ter perdido o prazer de conhecê-lo e aproveitar sua companhia. Tudo por causa de sua mania de lidar com ele com a gravidade de um pai rígido. Ele nunca falara sobre o imenso amor que sentia pelo filho e sobre como ele o considerava digno de sua virtude. ‘E tudo o que o pobre menino viu de mim’, disse ele, ‘foi um rosto fechado, cheio de desprezo. Ele se foi acreditando que eu não era capaz de amá-lo ou de julgá-lo como ele merecia. Para quem eu estava guardando tudo isso, a afirmação do amor especial que eu cultivava em minha alma? Será que ele não deveria ter sentido o prazer trazido por ela e todos os elos da gratidão? Eu me forcei, me torturei, para manter essa máscara boba e assim perdi a alegria de sua companhia – e também sua boa vontade, que deveria ser muito pouca para comigo. Ele nunca recebeu de mim nada além de rispidez ou conheceu nada além de uma fachada tirana’.”

Tal relato tão sincero de uma relação familiar do século XVI nos demonstra como passam os séculos, mas nossa angústia existencial muitas vezes gravita em torno do amor, o grande Sol da vida. No entanto, vivemos como roedores encondendo-se nas tocas e túneis de nossa alma, sempre com medo de encarar tal luz solar frente a frente, sem as máscaras apropriadas. Toda nossa sociedade, todo nosso racionalismo: um grande manual para quando e como amar. Obviamente, um manual absurdo e enganador. O amor é livre, não segue liturgias nem manuais de boa conduta, e jamais, jamais pode ser capturado – assim como os raios solares, que podem no máximo aquecer nossa mão, mas não encerrarem-se nela.

Não há como se amar com garantias, seguros de perdas. O risco de se amar é o risco de se viver, verdadeiramente: eis a essência do existir. Quando Montaigne cita a verdadeira amizade em seus Ensaios, está a falar em realidade do verdadeiro amor. Supreendentemente, seu grande amor não foi sua esposa ou algum parente, mas um amigo (e estamos aqui falando de uma amizade sem conotações sexuais, por favor). “Pior”, um amigo que conheceu já no fim de sua vida, e que conviveu por pouco anos, já que ele era mais velho:

“Em nosso primeiro encontro, que acabou acontecendo por acaso em uma grande festa em uma cidade, nos descobrimos tão amigos, tão conhecidos, tão unidos, que, a partir dali, ninguém foi mais próximo do que nós dois […] Por ter tão pouco tempo para durar e por ter começado tão tarde, já que nós dois éramos homens feitos e ele alguns anos mais velho do que eu, não havia tempo a perder seguindo o padrão das amizades menores e comuns, que exisgem tantas precauções e longas conversas preliminares. Essa amizade não tinha nada a seguir a não ser a si mesma […] Não havia nada em especial, mas algum tipo de quintessência em que tudo se misturou e, tendo capturado minha vontade, me fez mergulhar e me perder na dele. E, tendo capturado a sua vontade, também o fez mergulhar e se perder na minha com uma fome e uma vontade iguais. Digo ‘perder’ com convicção. Não guardávamos nada um do outro. Nada era dele nem meu.”

Montaigne citava Étienne de La Boétie, um filósofo conterrâneo da França, e para o qual escreveu este e outros belíssimos trechos em sua homenagem, nos seus Ensaios, já anos depois da morte do grande amigo. Há que se notar com que entusiasmo Montaigne fala sobre uma amizade tão grandiosa, um verdadeiro entrelaçamento de almas, mas que no fundo também se tratava de um amargo lamento sobre a perda de alguém tão querido… Amar e perder, será esta a nossa sina? Será que o sofrimento, a ferida aberta da saudade persistente, valem os breves períodos da mais pura das felicidades?

Epicuro não tinha esse tipo de dúvida, para o filósofo grego, que era conhecido por morar com os próprios amigos e filósofos em uma casa de largo jardim, só a amizade valia a pena: “De todas as coisas que nos oferecem a sabedoria para a felicidade de toda a vida, a maior é a aquisição da amizade… Alimentar-se sem a companhia de um amigo é o mesmo que viver como um leão ou um lobo.”

Essa busca pela felicidade na amizade, no querer o bem ao outro, não poderia ser eclipsada nem mesmo pela morte. Afinal, para Epicuro, a morte era o mesmo que nada: “A morte não significa nada para nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida” [2].

É então que, conforme nos alertou o Dalai Lama, vivemos como se não fôssemos morrer, e morremos como se jamais tivessemos vivido [3]… Esta sim é a sina dos que se abstém de amar, por temor da perda, e terminam os seus dias com um certo arrependimento obscuro de nunca terem tido a chance de absorver um pouco da luz do Sol, mesmo que para nunca mais ter a mesma experiência… Quem vai saber? Quem pode definir quantas vezes irá amar, e quantas vezes irá perder o amor? Quantas vezes será verdadeiramente feliz, para então voltar ao estado de tristeza habitual: a tristeza de ter experimentado o Céu, para uma vez mais cair no pântano do Mundo?

A única coisa que o sábio poderá responder é: “não sabemos, não fazemos a menor ideia”. Porém, do pequeno monte de sua sabedoria, ainda que tenha rolado uma vez mais abaixo, o sábio pôde ver, ainda que de relance, toda a imensidão da montanha que se estende no País do Amor. É para lá que ele, desde aquele dia, deseja retornar… É para este objetivo que ele dedica boa parte dos seus dias, e um bom tanto dos seus pensamentos… É precisamente esta ponte, a ponte que se eleva sobre o pântano das máscaras e dos hábitos moribundos, e se conecta a toda a liberdade, e todo o divino risco do amor, que ele deseja percorrer agora: pé ante pé, sonho após sonho, ele deseja nalgum dia acordar neste Céu de Liberdade.

E, uma vez tendo chegado lá, talvez toda a mágoa, toda a dor, toda a saudade, toda a profunda tristeza da perda de tantos e tantos amores pelo caminho, seja recompensada pela visão de tal Sol, de onde todos os suspiros de primeiro encontro partiram, e para onde todas as derradeiras lágrimas de despedida escorreram de volta… É isto, é apenas isto, o grande sentido, a misteriosa e escancarada essência da vida: é, sim, melhor, muito melhor, ter amado tanto, e cada vez mais, e ter sofrido tanto por saudade deste amor, e cada vez mais, do que nunca haver sequer amado, do que se despedir desta vida sem saudades, sem grandes tristezas e sem momentos de felicidade realmente dignos de nota. O que conta é o amor: não importa se o tempo passou, o amor ainda estará lá, aguardando ser redescoberto na luz da eternidade.

Para Teresa, Flávio, Flávia, e todo o amor envolvido…

***
[1] Publicado no Brasil com o título de Sobre a amizade, num pequeno livro da Editora Tinta Negra, com a luxuosa introdução de Viviane Mosé (filósofa brasileira).
[2] Trecho de Carta sobre a felicidade (a Meneceu), publicado pela Editora Unesp.
[3] Na verdade este é um antigo ditado da sabedoria milenar oriental, do qual não sabemos ao certo o autor original.

Crédito da foto: Heide Benser/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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#amor #Espiritualidade #Filosofia #morte

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/amar-e-perder

Sinfonia Universal

Toda a matéria de um universo de 156 bilhões de anos-luz de extensão, reunidos em um ponto menor que a cabeça de um alfinete, é uma arte que apenas um nobre arquiteto seria capaz de conceber.

Após a inspiração, o Grande Maestro do Universo deu início ao seu canto celeste, o verbo criador. Dançam as galáxias, a melodia do Grande Maestro. Melodia inaudível aos ouvidos humanos.

Quem sabe o Universo seja como uma imensa orquestra sinfônica onde cada aglomerado de galáxias corresponde a um naipe da grande orquestra celeste, mas, a música das esferas não se enquadra em nossas vãs concepções de harmonia.

Comparar o universo com uma orquestra não significa que tudo funcione dentro de uma harmonia previsível. Os conceitos de harmonia criados pelos humanos servem apenas aos humanos. Nada compreendemos da harmonia celeste, não entendemos nada sobre a perfeição, somos imperfeitos, inacabados, dissonantes.

Em nossa visão racionalista, o universo é composto por muitas dissonâncias e arritmias.  A sinfonia do cosmos está mais próxima da música atonal do século XX do que uma sinfonia do período clássico.

Mergulhados na escuridão cósmica, ansiamos compreender o caos indefinível. Assim nascem as religiões, filosofias e ciências, o homem tentando trazer ordem ao que não é possível ser ordenado, incontáveis nomes ao inominável, tentando imaginar o que é inimaginável.

O Grande Maestro está no Todo, mas ele é maior que o Todo.

Da sua expiração e do seu canto surgem todas as coisas, da sua inspiração para retomar o fôlego, tudo volta lá onde antes estava.

Estrelas explodem e se fundem: da sua poeira nascem os homens.

E do Uno nasce o Verso.

#Universalismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sinfonia-universal

Elias Ashmole

Elias Ashmole (1617-1692) foi um historiador e estudioso inglês com um intenso interesse na Alquimia. Elias Ashmole é mais conhecido como o fundador da Biblioteca Ashmoleana em Oxford.

Ashmole nasceu em 1617, filho de um selador de Lichfield. Ele estudou Direito e depois serviu como Realista (Royalist) na Guerra Civil. Em 1673, foi eleito Companheiro (Fellow) da Royal Society e foi um de seus membros fundadores. Ele foi um dos primeiros “maçons especulativos” aceitos na guilda londrina de “maçons trabalhadores”.

Ashmole estava intensamente interessado em alquimia, astrologia, filosofia hermética, magia, magia de anjos e outros tópicos esotéricos. William Backhouse, seu pai adotivo, era um alquimista que, um dia, levou Ashmole para o lado e lhe revelou o segredo da Pedra Filosofal.

Em 1652, Ashmole publicou Theatricum chemicum Brittanicum, uma obra substancial sobre o estudo da alquimia. Nela, ele expõe os princípios herméticos e neoplatônicos. A tábua de esmeralda – o que está acima é como o que está abaixo – contém a verdadeira cosmologia, expressando as correspondências que ligam o mundo celestial e o mundo terreno juntos. O verdadeiro alquimista é aquele em quem o espiritual desce no material, criando uma unidade, ou vínculo, que tem o poder de segurar todas as influências celestes.

Ashmole acreditava nos poderes transmutadores da Pedra, mas sustentava que seu verdadeiro poder e propósito residiam na transmutação espiritual, não na transformação dos metais de base em ouro e prata. Ele disse:

“E certamente aquele a quem todo o curso da Natureza jaz aberto, regozija-se não tanto que ele possa fazer o Ouro e a Prata, ou os Divinos se tornarem Sujeitos a ele, mas que veja os Céus abertos, os Anjos de Deus Ascendentes e Descendentes, e que seu próprio Nome esteja escrito com justiça no Livro da Vida.”

Ele defendeu os princípios da magia natural. Ele considera a medicina eremita como uma arte hermética ligada ao sol e à musa, que, juntamente com os eremitas, são os únicos que já compreenderam plenamente a natureza e os poderes da Pedra. A Pedra, disse ele, tem uma relação com cristais de Cristal, como o usado por John Dee e Edward Kelly para o contato com anjos. Ashmole acreditava em uma pedra de Cristal invisível que:

“tem um Poder Divino, Celestiais e Invisíveis, acima dos demais; e dota o possuidor de Dons Divinos. Ela proporciona a Aparição dos Anjos, e dá o poder de conversar com eles, por Sonhos e Revelações: nem ousa qualquer Espírito Maligno aproximar-se do Lugar onde se aloja.”

Ashmole acreditava fortemente na astrologia prática – ele mantinha um horóscopo de Backhouse – e na eficácia das ferramentas mágicas, sigilos, seloss, e assim por diante. Ashmole também traduziu o Fasciculus chemicus de Arthur Dee, publicado em 1650, uma obra destinada aos adeptos. Para o seu próprio nome, ele usou um anagrama, James Hasolle.

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Fonte:

The Encyclopedia of Magic and Alchemy, por Rosemary Ellen Guiley.

Copyright © 2006 by Visionary Living, Inc.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/elias-ashmole/

Para ser feliz (parte 2)

« continuando da parte 1

Muitos certamente já tiveram a oportunidade de assistir uma partida de futebol num grande estádio, junto a milhares de pessoas. No entanto, mesmo os que não tiveram, devem ter visto pela TV como esses eventos são animados, nem que tenha sido durante uma transmissão de Copa do Mundo. Afinal, nós somos o país do futebol!

Agora imaginem uma final entre dois times de grande torcida, onde quem vencer o jogo leva o caneco. Milhares de pessoas cantando, pulando, rezando juntas para que aquela cobrança de falta entre no ângulo do goleiro, indefensável… ou, que seja isolada na arquibancada.

De fato, sob esse ponto de vista, cada lance de uma partida de futebol, cada cartão amarelo, cobrança de falta, bola na trave ou gol, irá provocar um efeito de alegria ou melancolia na medida de sua importância para o resultado final da partida, isto é, na medida em que contribuí ou não para a vitória do time para o qual estamos torcendo, seja só naquele dia, seja desde criancinha.

E, desnecessário dizer, aqueles que torcem para este ou aquele time desde a infância, que acompanham os campeonatos futebolísticos como se fossem um verdadeiro embate mitológico de semideuses, são exatamente os que irão experimentar a maior intensidade de alegria ou de melancolia em cada gol, em cada partida, em cada final de temporada…

Eu tive um professor de arte que pensava um pouco diferente o futebol em si. Ele torcia para um time, de fato, mas não se importava muito com os resultados dos jogos. O que lhe causava maravilha era a própria festa que a sua torcida fazia no estádio (e não era qualquer estádio, mas o próprio Maracanã!). Ele gostava tanto daquela sensação intensa de pura vida que sentia ali que admirava mesmo as torcidas adversárias, e encontrava beleza mesmo quando via a sua própria torcida apreensiva, por estar perdendo o jogo, ou ainda calada e chorosa, por haver acabado a partida atrás no placar.

Esse professor me ensinou muito sobre arte somente por relatar tais experiências. Em seus olhos, em sua alma, era nítido que ele havia desvelado o que estava por detrás dessas ondas de felicidade e tristeza que agitavam o mar, pois que eram sempre passageiras, e encontrado a pérola sem nome, o tesouro reservado aqueles que conseguem perceber a beleza que há em tudo.

Penso que Cecília Meireles soube resumir melhor isso que não pode ser dito:

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Talvez a grande qualidade das poetisas, dos professores de arte e das criancinhas seja exatamente esta: perceber a Arte de cada momento, e não se aventurar nessas apostas arriscadas, nesses jogos de azar que trazem uma hora alegria, outra hora tristeza. Afinal, nenhum time fica invicto para sempre…

Há muito tempo, ainda antes de Cristo, floresceu na antiga Grécia uma filosofia um tanto peculiar, o estoicismo. O que os estoicos defendiam, essencialmente, é que não valia a pena colocar nossa felicidade lá fora, pois tudo o que não depende de nossa vontade é mais ou menos como um jogo de futebol: há dias em que somos vitoriosos e felizes, é certo, mas isso só ocorre ao custo de muitos outros dias em que perdemos, e ficamos arrasados. Os sábios do pórtico sabiam que a grande riqueza da vida era a própria vida:

A filosofia não visa assegurar qualquer coisa externa ao homem. Isso seria admitir algo que está além de seu próprio objeto. Pois assim como o material do carpinteiro é a madeira, e o do estatuário é o bronze, a matéria-prima da arte de viver é a própria vida de cada um. [1]

O grande ensinamento dos estoicos, que os discípulos de um de seus maiores sábios, Epicteto, incluíram logo no início do seu Manual (um verdadeiro manual para a vida), é este que trata de delimitar o que depende e o que não depende de nossa vontade, de modo a que não nos aflijamos com o último, e busquemos sempre o primeiro:

As coisas se dividem em duas: as que dependem de nós e as que não dependem de nós. Dependem de nós o que se pensa de alguma coisa, a inclinação, o desejo, a aversão e, em uma palavra, tudo o que é obra nossa. Não dependem de nós o corpo, a posse, a opinião dos outros, as funções públicas, e, numa palavra, tudo o que não é obra nossa. O que depende de nós é, por natureza, livre, sem impedimento, sem contrariedade, enquanto o que não depende de nós é fraco, escravo, sujeito a impedimento, estranho.

É por isso que as crianças estão felizes todo o tempo quando vão assistir a uma partida de futebol num grande estádio pela primeira vez. Para elas, o resultado do jogo é o que menos importa; ante tamanha algazarra, tamanha festa de adultos que, de vez em quando, parecem mesmo se permitirem voltar a suas épocas de criança, tudo o que elas podem perceber é a essência da vida, escancarada a céu aberto.

Mas tudo isso vai até o primeiro gol, a primeira vitória ou derrota, ou mesmo aquele empate que não agradou ninguém: nesse momento elas percebem que os adultos a sua volta escolheram, apostaram num dos lados, e entraram neste jogo infindável de vitórias e derrotas, de felicidade que surge da tristeza e tristeza que surge da felicidade, pois que de fato são irmãs.

E assim, o que resta aos sábios, aos artistas, aos poetas, aos adultos que não esqueceram sua criança interior, que não nos alertar para essa imensa armadilha?

Há muita coisa que ganhamos e perdemos nesta vida: dinheiro, status social, fama, amizades, amores, doenças, tristezas, alegrias, e até mesmo partidas de futebol, mas nada disso precisa necessariamente determinar o que realmente sentimos, o que realmente somos, neste e em todos os outros momentos da vida.

Para os estoicos, a virtude era o suficiente para a felicidade, isto é, para ser feliz bastava ser virtuoso. Mas, o que eles entendiam por “virtude” era precisamente esta capacidade de saber discernir a essência do passageiro, o ser do ter, em suma, o que somos daquilo que nunca fomos.

Por força do hábito, muitos chamaram isso de “felicidade”. Mas, aquilo que vi nos olhos do meu professor de arte, ou que os pais veem no sorriso dos filhos em sua primeira vez num estádio, isso nunca teve nem nunca terá um nome.

» Na próxima parte, a verdadeira vontade…

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[1] Epicteto, Discursos.

Crédito das imagens: [topo] Pexels.com; [ao longo] Google Image Search

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/para-ser-feliz-parte-2