Entrevista a Thomas Karlsson, 2009

Thomas Karlsson é o fundador da ordem magica Dragon Rouge, e um cientista proeminente que lançou varios livros sobre temas como interpretação de runas e magia goetica. Sabendo que ele é uma figura bastante reclusa, nós nunca nem tentamos entrar em contato com o homem, apesar das letras de albuns como “Lemuria/Sirius B” (2004) e “Gothic Kabbalah” (2007) literalmente pedem por uma entrevista com seu autor. Mas uma oportunidade apareceu de repente, quando o livro de Karlsson “Adulruna, ou Kabbalah Goetica” foi traduziso pro idioma russo e publicado domesticamente. Assim, aqui vamos nós…

É do conhecimento de todos que você conheceu Chris pela primeira vez em 1990, mas apenas começou a escrever as letras pro Therion alguns anos depois. Qual foi o ponto de partida de sua cooperação criativa, e quais foram os motivos pra você começar a escrever as letras pra musica de Christofer?

Christofer me perguntou se eu gostaria de escrever as letras posto que as letras já tratavam de temas os quais eu estava profundamente envolvido. Ele achou que eu talvez pudesse melhor transformar esses temas em letras. Fomos amigos muito proximos todos esses anos, temos uma cooperação parcimoniosa e debatemos quais temas poderiam se encaixar ás diferentes canções.

Fiquei sabendo pelas bandas de metal russas que trabalham com letristas “de fora” que é um trabalho muito dificil juntar musica e letra, tão dificil que muitas vezes eles tem que reescrever as letras do começo ao fim para obter um resultado que satisfaça ambas as partes. Quantas versões de uma letra você geralmente escreve pra uma canção do Therion?

É muito trabalho, e é dificil dizer qualquer coisa no aspecto geral sobre quanto tempo leva, mas eu começo com uma versão bruta e coloco toques finais ate terminar. Há tantos passos, primeiro conhecer a musica e seu caráter especial, e depois encontrar um tema apropriado e disso escrever e fazer se encaixar na musica.

Você disse uma vez, “letra e musica se originam do mesmo lugar, que é o mito e a magia”. Nessa perspectiva, você se considera mais um criador de algo novo ou um medium que apenas ajuda a trazer pra este mundo algo que já existe em outro lugar?

Preferiria dizer que eu medio temas que ja existem por aí, mas claro que com um toque pessoal.

Quanto você se interessa pela atual situação do heavy metal? E há letristas no metal cujos trabalhos você considera interessantes ou inspiradores?

Tenho muitos amigos que tocam em bandas de metal, mas infelizmente não estou muito bem-informado, mas eu sei que existem muitos musicos talentosos e letristas na cena. A banda sueca Saturnalia Temple foi fundada por amigos e membros da ordem esoterica Dragon Rouge. Tanto sua musica como letras são auxiliadas e profundamente afetadas pela magia. Escrevi um pedaço de uma letra pra banda sueca de death/black metal Nefandus, e essa banda tambem é muito influenciada pela magia.

Há muitas bandas de metal que dizem que expressam o ocultismo por suas musicas e letras. Claro, para muitos isso é apenas moda, interesse infantil ou estupidez, mas há algumas bandas que são, no minimo, pela primeira impressão, sinceras no que fazem. Quais são as bandas que lidam com temas ocultos e são convincentes para você? O que você pensa sobre, por exemplo, os gregos do Necromantia?

Não conheço o background da maioria das bandas e é dificil ter uma opinião, mas o Necromantia parece ser serios e praticantes esotericos avançados, assim como otimos musicos.

Therion é associado na maior parte das vezes com Christofer, enquanto você permanece nos bastidores, entretanto sua contribuição nos albuns do Therion é obviamente muito grande. O que você sente quando você vai a algum show do Therion (alias, isso acontece com frequencia?), e vê todo o publico cantando junto ““Powers of Thagirion / Watch the Great Beast to be…”?

É muito rara a minha ida aos shows, mas claro que é agradável ver todos esses fãs entusiastas cantando em coro minhas letras.

Você se importa com o modo com que suas letras são vistas e interpretadas pelo publico? Há alguma “mensagem” especial ou “ideia” que você tenta passar pelas canções? Seria correto dizer que um dos propositos de seu envolvimento no Therion é fazer com que mais pessoas se interessem em magia/ocultismo/filosofia?

Não, não tento promover qualquer filosofia especial pelas letras, mas sim inspirar o interesse nos temas nos quais me baseio ao escrever. Sei que muitos fãs do Therion foram inspirados a estudar mitologia e esoterismo por causa das letras.

No “Sirius B” há duas canções onde personagens russos proeminentes são mencionados. Vamos começar com “The Voyage of Gurdjieff” – o que você pensa sobre essa pessoa e sua filosofia? Ele te influenciou de alguma forma?

Algumas partes da filosofia de Gurjieff tiveram influencia sobre mim. Compartilho a ideia dele de auto-criação, auto-desenvolvimento e percepção pelo trabalho. Acho os trabalhos dele como “Beelzebub’s Tales to His Grandson”, “Meetings with Remarkable Men” e “Life is Real Only Then, When ‘I Am’” otimas leituras, entretanto muitas coisas que assimilei de sua filosofia vieram de seu discípulo P.D. Ouspensky. Sou entretanto não um seguidor do Quarto Caminho, como o sistema dele é chamado, mas acho que muitas coisas são uteis.

Outra figura é Rasputin, mas minha pergunta não é sobre a pessoa, mas sim sobre a letra de “The Khlysti Evangelist”. Desculpe dizer, mas as frases russas no começo da canção não estão muito corretas, por assim dizer, e pelo que sei, elas foram traduzidas por uma garota da Estonia, onde o idioma russo não é tão comum mais. Por que uma escolha tão estranha assim de tradutor? Tanto você quanto Christofer são tão exigentes quanto ás pessoas que trabalham com vocês na maior parte das vezes…

Lamento saber que a parte em russo dessa letra não esta tão correta. Não tenho resposta pra isso porque não estava envolvido na gravação ou na escolha do tradutor. Mas obrigado pela informação. Proximas frases em russo num album do Therion estarão esperançosamente mais corretas.

Continundo com o tema russo – Em fevereiro veremos a publicação de seu livro “Adulrunan och den Gtiska Kabbalan” no idioma russo pela primeira vez. O quanto este livro ajudara àqueles que ficaram intrigados pelas letras do “Gothic Kabbalah” a encontrar respostas? Quanto em comum o livro e o disco tem?

O livro e as letras estão profundamente conectados e baseados na mesma fonte. O livro será a chave para a compreensão das letras do “Gothic Kabbalah”. O livro e as letras derivam da filosofia oculta do magico da corte sueca Johannes Bureus (1568 – 1652). Ele foi o professor do rei e guerreiro Gustavo II Adolf e criou um sistema o qual chamou de “cabala gotica”. De acordo com ele, as tribos goticas se originaram na Escandinavia e disse que as runas poderiam ser interpretadas como sinais cabalisticos que descrevem a origem do universo. Há muitos enigmas nesse sistema. Inspirado pelo alquimista suiço Paracelsus ele disse que há três tesouros a serem encontrados e que eles transformarão o mundo todo quando alguem os encontrar. Ele provavelmente disse isso no sentido simbolico como tesouros espirituais.

O que você acha dos leitores dos seus livros? Em outras palavras, a quem você os recomendaria?

É um livro bastante academico, mas eu acho que todos que gostariam de entender as letras do “Gothic Kabbalah” deveriam ler, e eu acredito que as pessoas interessadas em ocultismo e/ou historia acharão o livro interessante. É entretanto não um livro de esoterismo pratico, como meu livro Qabalah, Qliphoth e Magia Goetica que descrevem selos, rituais, e trabalhos magicos na prática.

Existe uma crença em comum de que a magia verdadeira deveria se manter clandestina, e se trazida ao conhecimento do publico, a magia perde seu poder. Você, pelo contrario, escreve sobre magia em detalhes no “Qabalah, Qliphoth e Magia Goetica”. Você discorda da afirmação acima, ou o que você escreve nesse livro é apenas o estagio inicial, e estagios mais avançados precisam ser mantidos em segredo?

Acredito que a magia verdadeira é clandestina por si só. Não importa se você conversar ou escrever sobre ela porque seu efeito é mais profundo que o conhecimento comum. Não acredito que tenha album sentido em manter isso em segredo como um objetivo propriamente. Leva anos de dedicação para conhecer os segredos da magia, e meu papel como autor é ajudar os adeptos dedicados a encontrar o caminho aos segredos da magia, mas a revelação e iluminação não são coisas que eu possa influenciar. É um processo interior da pessoa.

Além do Therion, você se envolveu na banda Shadowseeds, a qual você chama de “um manifesto musical de algumas partes de nosso trabalho magico”. Você pode descrever a musica deste projeto ou recomendar modos de conhece-la (alem de baixar mp3 da internet, claro)?

É um projeto de musica baseado na magia junto com Tommie Eriksson, meu amigo e frater da Dragon Rouge. É um projeto passivo e aparece quando é conectado a certos processos esotericos. Da ultima vez aconteceu devido a um longo trabalho com a cabala gotica de Bureus, e o Shadowseeds o manifestou pela musica. Minhas primeiras letras baseadas na Cabala Gotica foi numa produção do Shadowseeds. A melhor maneira de ouvir às musicas é encontrar Tommie no MySpace. Ele é a força que comanda por trás do Lapis Niger e o Saturnalia Temple.

Já faz muito tempo que o Shadowseeds teve alguma atividade (estudio ou ao vivo). Alguma chance de reviverem o projeto em breve, ou trabalhar em alguma outra colaboração musical?

Com certeza iremos criar novas musicas, mas não sabemos quando. É um projeto magico e de muitas maneiras fora de nosso controle consciente. Mas acredito que o proximo album não demorara muito pra sair.

Que tipo de musica você ouve em casa? Heavy Metal, algo similar ao Shadowseeds, ou outras coisas?

Ouço muitos tipos de musica. Gosto dos black metals antigos como Bathory, e metal esoterico como Dio. Gosto muito dos álbuns antigos do Mercyful Fate e do King Diamond. Ouço musica feita por amigos e fraters como o Saturnalia Temple e Kaamos. Quando escrevo eu ouço bandas ambientes obscuras como Arcana e Raison d’Etre e gosto de ouvir bandas como Ain Soph, Blood Axis and Fire + Ice. Curto musica clássica, e isso soará como babação de ovo aos leitores russos, mas a maioria dos meus compositores favoritos são russos. Aleksandr Nikolajevitj Skrjabin é um dos meus compositores favoritos absolutos, mas eu tambem sou muito aficionado pela musica de Stravinskij, e pela de todos esses 5 (Csar Cui, Alexander Borodin, Modest Musorgskij, Nikolaj Rimskij-Korsakov e Milij Balakirev). Tambem ouço muito folk music e gosto especialmente de musica folk oriental. E devo confessar secretamente que ás vezes eu ouço musica comercial contemporanea, apesar de tentar negar. (risos)

O poder da musica é motivo de debate há muito tempo. Na idade media havia esse conceito “diabolus en musica”, no começo dos anos 90 havia um julgamento contra o Judas Priest, e daí por diante. Na sua opinião, quanto poder a musica tem? É possivel influenciar intencionalmente a vida de alguem ou o modo de pensar por uma canção ou uma progressão de cordas/sons?

O poder da musica não pode, de acordo com minha visão de mundo, ser superestimado. Musica é o argumento mais forte para uma visão não-nihilista e não-darwinistica. A musica não pode ser explicada por simples Darwinismo. Musica é irracional, mas ao mesmo tempo fundamental para ser um ser humano. A musica tem o poder de abrir os portões pra outras realidades e pode criar revoluções e guerra, tambem como o amor e a paz. Compartilho a filosofia antiga de Pitágoras de que o universo é, em seu fundamento, musical.

Voltando a coisa da Russia – você disse uma vez que era muito interessado em mitologia eslava. O que você acha da Russia no dias atuais? Já esteve neste país?

Infelizmente nunca fui á Russia, mas certamente irei num futuro proximo. Sou muito aficionado pela cultura russa e espero aprender mais sobre os mitos e tradições.

Quantos membros russos tem a Dragon Rouge? Algum plano sobre construir um templo na Russia ou algum outro país eslavo?

Não sei. Como sou o fundador da Dragon Rouge, alguns fraters froam gentis e me liberaram de alguns deveres administrativos, mas não acho que temos membros o suficiente ainda, entretanto penso que os livros mudarão isso e espero que tenhamos mais membros russos. Assim que tivermos uma base solida gostariamos de construir um templo na Russia e em outros países eslavos.

Falando sobre planos – foi anunciado que o Therion começará a gravar o novo album em 2009. Que assuntos as canções terão dessa vez?

Ainda é segredo.

E com o que você pessoalmente planeja estar ocupado num futuro proximo? Há algum livro sendo escrito? Talvez um sobre Lilith, como você mencionou numa entrevista uns anos atrás?

Estou prestes a terminar meu doutorado na Universidade de Estocolmo, e o meu prozimo livro será provavelmente semibiografico sobre minhas experiencias em ocultismo, mas eu não sei exatamente ainda, poderá haver outro antes deste.

Para terminar essa entrevista, você pode dizer algo aos leitores do Headbangers.ru e aos potenciais leitores da tradução russa de seus livros?

Espero que curtam a leitura e talvez eu conheça alguns de vocês no futuro.

Agradecimento em especial ao Warrax (editora Darkon) por conseguir essa entrevista.

Fonte: Headbangers.ru, Tradução Nathalia Claro

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/entrevista-a-thomas-karlsson-2009/

Cronologia Vampírica Definitiva

T.H. Hawkmoor

Em algum momento de 2010 eu fui procurar por uma linha do tempo “abrangente” e COMPLETA da história dos vampiros. O que descobri foi que havia muitas e destas muitas eram simplesmente versões “copiar e colar” umas das outras. Alguns tiveram um pouco mais de trabalho. A maioria parava com a história por volta da virada do século XX e depois desviava para listas de ficção popular e entretenimento. Alguns simplesmente paravam. Havia muito, muito poucos que continuavam com a história após o Drácula de Bram Stoker ou alguns dos chamados crimes “vampiros” do início do século XX.

Decidi que merecíamos algo mais e então comecei a compilar e manter isso para mim.

Uma coisa que quero deixar bem claro desde o início ~ NÃO EXIJO NENHUM DIREITO AUTORAL NESSE MATERIAL. Eu compilei isso de dezenas de outras fontes, tanto eletrônicas quanto escritas. Eu mantenho um alerta aberto para instâncias “credíveis” de significado histórico para a comunidade e aceito sugestões de qualquer pessoa sobre coisas que, na opinião deles, constituem história vampírica. Eu pego essas sugestões, leio e pesquiso para corroborar informações e faço referências cruzadas de tudo antes de colocar na linha do tempo.

É um trabalho de amor, espero que seja útil para você, caro leitor.

Cumprimentos,

T.

A Cronologia Vampírica Definitiva

3200 – Escrita cuneiforme na Suméria. Lilith aparece como uma entre um grupo de demônios vampiros/canibais sumérios que incluíam Lillu, Ardat Lili e Irdu Lili.

2000-1600 – Antigo Império Babilônico. Lilith aparece no épico de Gilgamesh babilônico como uma prostituta vampírica que era incapaz de ter filhos. Ela era comumente descrita como uma jovem com pés de coruja.

1700-1100 aC – Escritos sagrados hindus descrevem criaturas vampíricas de origem sobrenatural

200 dC – Lilith é referida no Talmud (a coleção de lei e tradição judaica consistindo da Mishná e da Gemara), onde ela foi considerada a primeira esposa de Adão.

1047 – A primeira menção da palavra “vampir” foi descoberta em um documento eslavo de origem russa. O Livro da Profecia escrito em 1047 DC para Vladimir Jaroslav, Príncipe de Novgorod, no noroeste da Rússia. O texto foi escrito no que é geralmente chamado de proto-russo, uma forma da língua que evoluiu da antiga língua eslava comum, mas que ainda não havia se tornado a língua russa distintiva da era moderna. O texto dava a um padre o título mais desagradável; Upir Lichy, que traduzido literalmente significa vampiro perverso ou vampiro extorsionário.

1100-1300 – Origens das universidades no Ocidente; O termo “Kindred” aparece. Um termo que significa “ter a mesma crença ou atitude”. Originou-se em 1125-75AD; No Leste Europeu, uma variação (com epentético d) de kinrede.

1136 – William de Newburgh nasceu em Bridlington. Um cronista britânico do século XII de incidentes de vampiros. Quando jovem, mudou-se para um convento de cônegos agostinianos em Newburgh, Yorkshire. Ele se tornou um cônego e permaneceu em Newburgh pelo resto de sua vida. Instado a se dedicar às atividades acadêmicas por seus superiores, ele emergiu como um precursor da crítica histórica moderna e denunciou fortemente a inclusão do mito óbvio nos tratados históricos. Sua obra-prima, a Historia Rerum Anglicarum, também conhecida como As Crônicas, foi concluída perto do fim de sua vida. Os capítulos 32 a 34 referem-se a várias histórias de fantasmas contemporâneos, que William colecionou durante seus anos de adulto. Relatos como o de Alnwick e a Abadia de Melrose têm sido repetidamente citados como evidência de uma tradição vampírica existente nas Ilhas Britânicas nos tempos antigos. William morreu em Newburgh em algum momento entre 1198 e 1208

 

1190

De Nagis Curialium, de Walter Map, inclui relatos de seres semelhantes a vampiros na Inglaterra.

 

1347-1350

A praga da “Peste Negra” varre o mundo. Foi, na época, considerado por muitos como de origem ‘vampírica’.

 

1431

Vlad Dracula (ou seja, Filho de Dracul), também conhecido como Vlad, o Empalador, foi uma figura histórica sobre a qual Bram Stoker baseou parcialmente seu famoso personagem vampiro. O nome “Drácula” foi aplicado a Vlad durante sua vida. Foi derivado de “Dracul”, uma palavra romena que pode ser interpretada como “diabo” ou “dragão”. Assim, “Drácula” parece ter significado como “filho do dragão” ou “filho do diabo”. Ele nasceu em Sighisoara (então Schassburg), uma cidade na Transilvânia.

 

1448

Vlad Dracula primeiro tenta reivindicar o trono da Valáquia.

 

1456

Vlad Dracula então começou seu reinado de seis anos como governante da Valáquia, durante o qual sua reputação foi estabelecida.

 

1459

Muito provavelmente, na primavera de 1459, Vlad cometeu seu primeiro grande ato de vingança contra aqueles que considerava responsáveis ​​pela morte de seu pai e irmão mais velho. No domingo de Páscoa, depois de um dia de festa, ele prendeu as famílias Boyar. Os membros mais velhos ele simplesmente empalou fora do palácio e das muralhas da cidade. Ele forçou o resto a marchar de Tirgoviste para a cidade de Poenari, onde, durante o verão, eles foram forçados a construir seu novo posto avançado com vista para o rio Arges. Foi este castelo que viria a ser identificado mais tarde como Castelo Drácula. A maneira de Vlad Dracul aterrorizar seus inimigos e a maneira aparentemente arbitrária pela qual ele puniu as pessoas lhe renderam o apelido de “Tepes” ou “O Empalador”.

 

1476 -1477

A morte de Vlad veio nas mãos de um assassino em algum momento no final de dezembro de 1476 ou no início do ano seguinte.

 

1560

Elizabeth (Erszebet) Bathory nasceu

 

1575

Elizabeth Bathory se casa com o Conde Ferenc Nadasdy

 

1610

Elizabeth Bathory é presa em 29 de dezembro

 

1611

Elizabeth Bathory enviada a julgamento e condenada por 650 crimes. Condenado à prisão perpétua. Em provas apresentadas em seu julgamento, foi revelado que ela muitas vezes “mordia” suas vítimas enquanto as torturava. No entanto, não houve testemunho direto de que ela drenou o sangue de suas vítimas para se banhar.

 

1614

Elizabeth Bathory morre.

 

1622

Ludovici Maria Sinistrari nasceu em Pavia, Itália. (falecido em 1701) Franciscano, Sinistrari incluiu a questão do vampirismo em um estudo de fenômenos demoníacos intitulado De Daemonialitate, et Incubis, et Succubis. Ele ofereceu uma interpretação teológica deles que estava longe do racionalismo e iluminismo contemporâneos que surgiram no século seguinte. Ele considerava vampiros como criaturas que

 

 

ad não se originou com as teorias criacionistas cristãs aceitas. Ele supôs que enquanto eles, os vampiros, tinham uma alma racional igual aos humanos, sua dimensão corpórea era de uma natureza completamente diferente e perfeita. Ao dizer isso, ele reforçou a ideia de que os vampiros eram criaturas que se assemelhavam aos seres humanos, em vez de serem opostos, ctônicos, seres subterrâneos.

 

1645

Leo Allatius (1586 – 1669) Teólogo e estudioso católico romano, autor da primeira obra que trata seriamente o assunto dos vampiros. Em seu De Graecorum bodie quirundam opinationibus, o vampiro ao qual ele se referia principalmente era o grego Vrykolakas. Nesta época o vampiro estava conectado com o diabo do cristianismo tanto na natureza quanto na existência.

 

1656

Jure Grando, um camponês da Ístria (croata), que vivia em Kringa, um pequeno lugar no interior da península da Ístria. Ele morreu em 1656 e foi decapitado como vampiro em 1672.

 

1657

A Relation de ce qui s’est passé a Sant-Erini Isle de l’Archipel, de Françoise Richard, liga vampirismo e feitiçaria.

 

1665

Giuseppe Davanzati; Nasce um arcebispo da Igreja Católica Romana e vamamologista.

 

1672

Dom Augustin Calmet nascido em 26 de fevereiro.Um erudito bíblico católico romano e o mais famoso vampirólogo do século XVIII.

Jure Grando foi desenterrado e decapitado como um vampiro. Nove pessoas foram ao cemitério, carregando uma cruz, lamparinas e uma vara de espinheiro. Eles desenterraram seu caixão e encontraram um cadáver perfeitamente preservado com um sorriso no rosto. Eles tentaram perfurar seu coração novamente, mas a vara não conseguiu penetrar em sua carne. Depois de algumas orações de exorcismo, o mais valente deles, Stipan Milašić, pegou uma serra e cortou sua cabeça. Assim que a serra rasgou sua pele, o vampiro gritou e o sangue começou a fluir, e logo todo o túmulo estava cheio de sangue.

 

1679

A “Dissertatio Historico-Philosophica de Masticatione Mortuorum” de Phillip Rohr aparece. Rohr estava sediado no Sacro Império Romano, e seu texto discutia o folclore comum de que alguns cadáveres voltavam à vida, comendo tanto suas mortalhas funerárias quanto corpos próximos – um processo conhecido como mandução. Os mortos de mastigação faziam parte de um corpo maior de mitologia vampírica, para o qual o texto de Rohr contribuiu significativamente.

 

1727

No caso de Arnold Paole (Paul), Paul foi morto em um acidente e foi enterrado imediatamente. Cerca de três semanas depois, surgiram relatos de aparições de Paul. Quatro pessoas que fizeram denúncias morreram e o pânico começou a se espalhar pela comunidade. Os líderes da cidade decidiram agir rapidamente para conter o pânico e desenterraram o corpo de Paul para determinar se ele era um vampiro. No quadragésimo dia após seu sepultamento, com a presença de dois cirurgiões militares, o caixão foi exumado e aberto. Dentro eles encontraram um corpo que parecia ter morrido recentemente. O que parecia ser uma nova pele estava presente sob uma camada de pele morta e as unhas continuaram a crescer. Ao ser perfurado, o corpo derramou sangue da ferida. Os presentes julgaram que Paul era um vampiro e o cadáver foi estacado; supostamente proferindo um gemido alto com isso, então a cabeça do cadáver foi cortada e o corpo queimado. As outras quatro pessoas que morreram depois de fazer relatos das aparições de Paul foram tratadas da mesma forma.

 

1731

Na mesma área, 17 pessoas morreram no espaço de três meses, de sintomas que se acredita serem de vampirismo. As pessoas da cidade foram, a princípio, lentas para reagir até que uma garota se queixou de ter sido atacada por um homem recentemente falecido chamado Milo. A notícia desta segunda “onda” de vampirismo chegou a Viena e o imperador austríaco ordenou que uma investigação fosse conduzida pelo cirurgião de campo regimental Johannes Fluckinger. Nomeado em 12 de dezembro, Fluckinger dirigiu-se à cidade de Medvegia e começou a reunir relatos do ocorrido. O corpo de Milo foi exumado e encontrado no mesmo estado em que o de Paulo havia sido encontrado. Assim, o corpo foi estacado e queimado. Foi determinado que Paulo, em 1727, havia vampirizado várias vacas que o morto Milo havia jantado recentemente. Sob as ordens de Fluckinger, os moradores da cidade começaram a exumar os corpos de todos os que morreram nos últimos meses. Ao todo, 43 cadáveres foram exumados e 17 encontrados em estado “vampírico”; todos foram estacados e queimados.

 

1744

Davanzati publica sua “Dissertazione sopra I Vampiri” após vários anos de estudo de relatórios de atividades vampíricas em várias partes da Alemanha e outros textos pertinentes. Davanzati concluiu que os relatos de vampiros eram fantasias humanas, embora tenham aderido que podem ter origem diabólica.

 

1746

O único trabalho publicado de Calmet sobre vampiros aparece; “Dissertations sur les Apparitions des Anges des Démons et des Espits, et sur les revenants, et Vampires de Hingrie, de Boheme, de Moravie et de Silésie.”

 

1755-63

Giuseppe Davanzati morre em algum momento durante este período.

 

1810

Relatos de ovelhas sendo mortas por terem suas veias jugulares cortadas e seu sangue drenado circulam por todo o norte da Inglaterra.

 

1813

O poema “O Giaour”, concluído e publicado

 

 

ed. Neste poema Byron demonstrou sua familiaridade com os vampiros gregos sendo os Vrykolakas

 

1828

Peter Plogojowitz morre em uma vila chamada Kisolova na Sérvia ocupada pela Áustria, não muito longe do local do caso Paole. Três dias depois, no meio da noite, ele entrou em sua casa e pediu comida ao filho. Ele comeu e depois foi embora. Duas noites depois, ele reapareceu e novamente pediu comida. Seu filho recusou e foi encontrado morto no dia seguinte. Pouco depois disso, vários aldeões adoeceram de exaustão, que foi diagnosticada como causada por uma perda excessiva de sangue. Eles relataram que, em um sonho, foram visitados por Plogojowitz que os mordeu no pescoço e chupou o sangue deles. Nove pessoas sucumbiram a esta misteriosa doença durante a semana seguinte e morreram.

 

1828

O magistrado-chefe enviou um relatório das mortes ao comandante das forças imperiais e o comandante respondeu visitando a aldeia. As sepulturas de todos os recém-falecidos foram abertas. O corpo do próprio Plogojowitz era um enigma para eles – ele parecia estar em estado de transe e respirava muito suavemente. Seus olhos estavam abertos, sua carne carnuda e ele exibia uma tez avermelhada. Seu cabelo e unhas pareciam ter crescido e pele fresca foi descoberta logo abaixo do lenço. Mais importante ainda, sua boca estava manchada de sangue fresco. O comandante rapidamente concluiu que o cadáver era um vampiro e o carrasco que o acompanhou até Kisolova enfiou uma estaca no corpo. O sangue jorrou da ferida e dos orifícios do corpo que foi removido e queimado. Nenhum dos outros cadáveres exumados apresentavam sinais do mesmo estado, pelo que, para proteger tanto eles como os aldeões, colocaram-se alho e espinheiro-branco nas suas sepulturas e os seus restos mortais devolvidos ao solo.

 

1832

Henry Steel Olcott, líder religioso americano e autor, cofundador do movimento teosofista, b. Laranja, N. J.

 

1847

Abraham “Bram” Stoker, (falecido em 1912) nascido em Dublin, Irlanda – Stoker foi o autor de Drácula, a obra chave no desenvolvimento do mito do vampiro literário moderno.

 

1849

Vincenzo Verzeni, nascido em Bettanuco, região de Bergamasco. Em 1874, um tribunal o considerou culpado de dois assassinatos; envolvendo a “mordida e sucção do sangue de suas vítimas” e a tentativa de assassinato de mais quatro mulheres.

 

1854

Nicolau I ocupa as províncias do Danúbio da Turquia. Barão von Haxthausen relata o caso do DAKANAVAR – Mitologia; Armênia. Um vampiro que protegia as colinas e vales ao redor do Monte Ararat nos caucasianos. O caso de vampirismo na família Ray de Jewett, Connecticut, é publicado em jornais locais.

 

1858

França. Z.J. Piérart um pesquisador psíquico sobre vampirismo e professor no Colégio de Maubeuge, funda um jornal espiritualista, La Revue Spiritualiste. Sua rejeição da teoria popular da reencarnação o levou diretamente à consideração do vampirismo. Ele se interessou pela possibilidade de ataque psíquico e em uma série de artigos ele propôs uma teoria do vampirismo psíquico, sugerindo que os vampiros eram os corpos astrais de indivíduos encarcerados ou falecidos que estavam se revitalizando nos vivos. Ele primeiro propôs a ideia de que o corpo astral era ejetado à força do corpo de uma pessoa enterrada viva e que vampirizava os vivos para nutrir o corpo na sepultura ou tumba. O trabalho de Piérart foi pioneiro na preocupação psíquica moderna com os fenômenos do vampirismo. Abriu a porta para a discussão e consideração da possibilidade de uma drenagem paranormal de um indivíduo por um agente espiritual.

 

1860

Sociedade Oculta Britânica fundada para investigar assuntos paranormais e ocultos.

 

1870

Sir Richard F. Burton, que publicou a tradução inglesa da coleção de histórias The Vetala-Pachisi (publicada sob o título Vikram and The Vampire) em 1870 observou uma passagem em particular que Kali, “Não sendo capaz de encontrar vítimas, esta agradável divindade , para satisfazer sua sede pelo curioso suco, cortou sua própria garganta para que o sangue pudesse jorrar em sua boca.” Neustatt-an-der-Rheda (conhecido hoje como Wejherowo) na Pomerânia (noroeste da Polônia), um cidadão proeminente chamado Franz von Poblocki morreu de tuberculose. Duas semanas depois, seu filho, Anton, também morreu e outros parentes adoeceram e se queixaram de pesadelos. Os membros sobreviventes da família suspeitaram de vampirismo e contrataram um “especialista em vampiros” local Johann Dzigielski para ajudá-los. Ele decapitou o filho que foi então enterrado com a cabeça entre as pernas. Apesar das objeções do padre local, o corpo de von Poblocki foi exumado e tratado da mesma maneira. O padre local fez uma queixa às autoridades que prenderam Dzigielski. Ele foi julgado e condenado a quatro meses de prisão. Ele só foi liberado depois que a família do falecido recorreu em seu favor e achou o caso ouvido por um juiz compreensivo.

 

1874

Relatos de Ceven, na Irlanda, falam de ovelhas tendo suas gargantas cortadas e seu sangue drenado.

 

1875

Henry Olcott e Helena Blavat

 

 

sky encontrou a Sociedade Teosófica na cidade de Nova York. Olcott especulou que, ocasionalmente, quando uma pessoa foi enterrada, ela pode não estar morta, mas em um estado catatônico ou de transe, quase morta. Olcott supôs que uma pessoa poderia sobreviver por longos períodos em seu túmulo enviando seu duplo astral para drenar o sangue, ou “força vital” dos vivos para permanecer nutrido.

 

1880

Nascimento de Alphonsus Joseph-Mary Augustus Montague Summers. Summers foi o autor de vários livros importantes sobre o sobrenatural, incluindo vários estudos clássicos sobre vampiros.

 

1882

Um caso “vampiro” que chama a atenção é o de “The Blood Drawing Ghost” do Condado de Cork, na Irlanda. Relatado por Jeremiah Curtin

 

1890

Dion Fortune (Violet Mary Firth) nascido no País de Gales em 1890

 

1892

A suposta vampira de “Rhode Island” Mercy Brown morre aos 19 anos. Sua morte seguiu a de sua mãe e irmã mais velha. Na época, seu irmão, Edwin, estava gravemente doente e a família estava desesperada para salvá-lo. Familiares atribuíram as mortes a uma maldição sobre a família e decidiram desenterrar os corpos das mulheres, incluindo Mercy, que estava enterrada há cerca de um mês. Quando o corpo de Mercy foi exumado, os observadores notaram que parecia ter se movido para dentro do caixão e o sangue estava presente em seu coração e veias. Temendo que ela fosse uma vampira, as pessoas da cidade removeram seu coração e o queimaram em uma pedra antes de enterrá-la novamente. A família dissolveu as cinzas em remédios e deu a Edwin, que morreu dois meses depois.

 

1924

Fritz Harmaann de Hanover, Alemanha, é preso, julgado e condenado por matar mais de 20 pessoas em uma onda de crimes vampíricos.

 

1926

“A História da Bruxaria e Demonologia” de Montague Summers aparece

 

1928

Montague Summers termina sua ampla pesquisa, The Vampire: His Kith and Kin, na qual ele traçou a presença de vampiros e criaturas semelhantes a vampiros no folclore ao redor do mundo, desde os tempos antigos até o presente. Ele também pesquisou a ascensão do vampiro literário e dramático.

 

1929

Montague Summers publica seu igualmente valioso O Vampiro na Europa, que se concentra em vários

1930

Dion Fortune publica um de seus livros mais populares, Psychic Self Defense. Este livro veio de suas próprias experiências. Em seu trabalho oculto, Fortune também testemunhou vários casos de ataque psíquico que ela foi chamada a interromper. Entre os elementos de um ataque psíquico, ela observou, estava o “vampirismo” que deixava a vítima em um estado de exaustão nervosa e um estado de esgotamento. A partir desta Fortune propôs uma perspectiva oculta sobre o vampirismo. Ela sugeriu que os mestres do ocultismo tinham a capacidade de separar seu eu psíquico de seu corpo físico e se ligar a outros e drenar a energia do hospedeiro. Tais pessoas começariam então, inconscientemente, a drenar a energia daqueles ao seu redor.

 

1931

Peter Kurten de Dusseldorf, Alemanha é executado depois de ser considerado culpado de assassinar várias pessoas em uma matança vampírica.

 

1946

Dion Fortune morre.

 

1949

Na Inglaterra, John George Haigh, o infame “Acid Bath Murderer”, é enforcado. Ele também era conhecido como o “Vampiro de Londres”. Haigh, alegou ter bebido o sangue de suas vítimas antes de destruir seus corpos em um tanque de ácido sulfúrico.

 

1962

A Sociedade Conde Drácula é fundada nos Estados Unidos por Donald Reed.

 

1965

Jeanne K. Youngson funda o Fã Clube do Conde Drácula.

 

1966

Anne de Molay estabelece a Ordem da Donzela após investigar o arquétipo do vampiro e chegar à conclusão de que o vampirismo era uma interação muito real com a energia vital que poderia beneficiar o praticante.

 

1967

A Vampire Research Society foi fundada como uma unidade especializada dentro da muito mais antiga British Occult Society. Seán Manchester foi responsável pela unidade de pesquisa de vampiros tornando-se um órgão autônomo em 2 de fevereiro de 1970.

 

Também em 1967, Manchester, recebe um relato de uma estudante chamada Elizabeth Wojdyla e de uma amiga dela, que afirmava ter visto vários túmulos se abrindo no cemitério de Highgate, em Londres; e os ocupantes subindo deles. Elizabeth também relatou ter pesadelos em que “algo maligno” tentava entrar em seu quarto.

 

1969

Criação da ARPANET, antecessora da Internet.

 

Também em 1969, os pesadelos de Elizabeth Wojdyla voltaram, mas agora a figura malévola entrou em seu quarto. Ela teria desenvolvido os sintomas de anemia perniciosa e seu pescoço exibia duas pequenas feridas sugestivas da clássica mordida de vampiro. Manchester e seu namorado a trataram como vítima de vampirismo e encheram seu quarto de alho, crucifixos e água benta; sua condição e sintomas foram relatados para melhorar em breve.

 

1970

Diante de uma multidão reunida de espectadores, Manchester e dois companheiros entraram em um cofre em Highgate, onde três caixões vazios foram encontrados. Polvilharam as abóbadas com sal e água benta, forraram os caixões com alho e colocaram um crucifixo em cada um.

 

No verão (Norte) de 1970, David Farrant, outro caçador de vampiros amador

 

 

r entrou em campo. Ele alegou ter visto o vampiro de Highgate e foi caçá-lo com uma estaca e um crucifixo, mas foi preso.

 

Em agosto o corpo de uma jovem foi encontrado no cemitério. Parecia que a mulher havia sido tratada como uma vampira decapitando e tentando queimar o cadáver. Antes do final do mês, a polícia prendeu dois homens que alegavam ser caçadores de vampiros.

 

Também em 1970, Stephan Kaplan funda o The Vampire Research Center.

 

 

1972

True Vampires of History de Donald Glut é a primeira tentativa de reunir as histórias de todas as figuras históricas de vampiros.

 

 

1975

A Ordem do Vampiro foi fundada em 1975 por padres da Igreja de Satanás (fundada em 1966) que decidiram levar adiante o trabalho sério da Igreja em um contexto mais histórico e menos anticristão. O Templo de Set está configurado como uma organização “guarda-chuva” que possui um número de “ordens” especializadas cujos membros se concentram em áreas específicas de pesquisa e aplicações de magia negra dos resultados dessa pesquisa.

 

 

1973

Sociedade Drácula; The – Fundada por Bernard Davies e Bruce Wightman no Reino Unido

 

1976

Casa Sahjaza formada em Nova York

 

1977

Martin V. Riccardo funda a Sociedade de Estudos de Vampiros. Sean Manchester começou uma investigação de uma mansão perto do cemitério de Highgate que tinha a reputação de ser assombrada. Em várias ocasiões, Manchester e seus associados entraram na casa. No porão encontraram um caixão, que arrastaram para o quintal. Abrindo o caixão, Manchester viu o mesmo vampiro que tinha visto sete anos antes no cemitério de Highgate. Desta vez, foi relatado, ele realizou um exorcismo ao estacar o corpo que “se transformou em uma substância viscosa e fedorenta e queimou o caixão”. Richard Chase, apelidado de “O Assassino de Vampiros de Sacramento” comete o primeiro de uma série de assassinatos. O segundo assassinato em 1978 envolveu consumir o sangue da vítima.

 

1978

Eric Held e Dorothy Nixon encontraram o Vampire Information Exchange.

 

1980

Outros relatos de animais mortos encontrados drenados de sangue de uma área chamada Finchley. Manchester acreditava que um vampiro criado pela mordida do Highgate Vampyre era a causa.

 

1982

O primeiro RPG de vampiros, “Ravenloft”, foi lançado como um módulo “Dungeons and Dragons” com o vampiro Conde Strahd von Zarovich.

 

1985

David Dolphin apresentou um artigo à Associação Americana para o Avanço da Ciência delineando uma teoria de que a porfiria pode estar subjacente aos relatos de vampirismo. Ele argumentou que, como o tratamento da porfiria era a injeção de heme, era possível que, no passado, as pessoas que sofriam de porfiria tivessem tentado beber sangue como um método de aliviar seus sintomas. Entre aqueles que criticaram a hipótese de Dolphin estava Paul Barber. Em primeiro lugar, observou Barber, não havia nenhuma evidência para mostrar que o consumo de sangue tivesse qualquer efeito sobre a doença em si e só se sustentasse enquanto não se analisasse os dados disponíveis muito de perto e desconsidere os poderes de observação daqueles que fazem o teste. relatórios. Tais relatórios que não apoiavam a teoria de que qualquer um dos relatados exibia os sintomas da Porfiria.

 

Também em 1985, os membros fundadores da Casa Sahjaza, sob a orientação da Deusa Rosemary, formam a Sociedade Z/n.

 

1988

A loja de varejo “Siren” é fundada por Grovella Blak. Localizado em Toronto, Canadá, é o estabelecimento mais antigo do mundo que atende aos entusiasmos das comunidades sobrepostas dedicadas aos gêneros gótico e vampiro. A British Occult Society é formalmente dissolvida pelo presidente Sean Manchester.

 

1989

O secreto; internacional, o Templo do Vampiro (ToV) é fundado.

 

1991

De longe, o jogo de RPG de vampiros mais popular é intitulado “Vampire: The Masquerade” criado por Mark Rein-Hagen e publicado em 1991 pela White Wolf Game Studio. A Sociedade de Drácula da Transilvânia é fundada em Bucareste por um grupo de importantes historiadores, etnógrafos, folcloristas, especialistas em turismo, escritores e artistas romenos; bem como especialistas não romenos na área.

 

1993

O Sanguinário é fundado pelo padre Sebastian Todd (também conhecido como Aaron Todd Hoyt, Todd Sabertooth Father Todd, Father Sebastian, Father Todd Sebastian, Sebastiaan Van Houten) Isso leva ao estabelecimento da Ordo Strigoi Vii.

 

1994

Oprah Winfrey forma um “círculo de oração” fora da estreia da adaptação cinematográfica de “Entrevista com o Vampiro” de Anne Rice para trabalhar contra as forças das trevas que ela acredita que o filme está chamando.

 

1995

Sean Manchester escreveu um relato de sua perspectiva sobre “The Highgate Vampire” (1995, rev, 1991)

 

A Sociedade Z/n; formado pelos fundadores e líderes da Casa Sahjaza, chega ao fim.

 

1996

Uma repórter chamada Susan Walsh desaparece enquanto escrevia uma história sobre o misterioso “submundo dos vampiros” no centro de Manhattan.

 

1997

Sean Manchester expande e lança “The Vampire Hunter’s Handbook”. Os notáveis ​​eventos Long Black Veil ou “LBV” ocupam verdadeiramente um lugar único na história da

 

 

A vida noturna de Nova York. O LBV começou em 1997 como “Long Black Veil & the Vampyre Lounge” na segunda quarta-feira de cada mês na lendária boate MOTHER nas ruas 14 e Washington em Nova York. O Véu Negro
O Véu Negro representa um código de ética vampírica e bom senso amplamente aceito pela subcultura vampira. É semelhante ao Strigoi Vii Covenant e, embora sejam documentos diferentes, são, em essência, compatíveis.
Originalmente escrito em 1997, pelo Padre Sebastian da Casa Sahjaza, foi escrito como um código de conduta para os patronos do refúgio dos vampiros, Long Black Veil, na cidade de Nova York.

 

O ‘Black Veil’ original, agora referido como versão 1, foi derivado da etiqueta da Renaissance Fair e dos códigos de conduta existentes na cena BDSM / fetiche. Houve, sem dúvida, alguma influência absorvida do jogo de interpretação de papéis da White Wolf Game Studio Vampire: the Masquerade, pois este oferecia o único conjunto de “termos” sendo usados ​​na comunidade na época. O Véu Negro foi alterado por ‘Lady Melanie’ em 1998 e 1999, e foi revisado desde então por Michelle Belanger da Casa Kheperu.

 

Na primavera de 1997 surge a primeira página web de Sanguinarius.org.

 

1998

Katherine Ramsland (psicóloga clínica; jornalista e biógrafa de best-sellers) entrou em contato com o padre Sebastian Todd e pediu que ele servisse como consultor para um livro que ela estava escrevendo intitulado “Piercing the Darkness: Undercover with Vampires in America Today”. Sua intenção era seguir os últimos passos conhecidos da repórter investigativa Susan Walsh (que desapareceu na mesma época do histórico Vampyre Ball no Limelight em julho de 1996.) Uma festa de lançamento do livro foi realizada na LBV em 1998.

 

A última encarnação da Casa Sahjaza segue a dissolução da Sociedade Z/n em 1995

1999 – Página de suporte de vampiros reais do Sphynxcat estabelecida na internet. Vampire-church.com foi registrado pela primeira vez em abril.

2000 – COVICA, um conselho de anciões reunidos de diferentes tradições, revisou novamente o Véu Negro. Foi nessa época que a publicação ganhou grande popularidade e foi traduzida para o português, alemão e espanhol. Também foi distribuído como as “13 Regras da Comunidade”. 2000 viu o fechamento do MOTHER, mas o padre Sebastian optou por continuar o evento mudando-se para a boate True na 23rd Street, perto da Broadway, em Manhattan. LBV permaneceu lá por mais dois anos. The Vampire Codex é escrito pela ocultista e vampira psíquica Michelle Belanger e publicado pela Sanguinarium Press. O Vampire Codex tem um impacto significativo na comunidade mundial de vampiros psíquicos, tornando-se o texto fundamental usado por inúmeras Casas, Ordens, Covens e Clãs. Influenciou os ensinamentos de grupos de vampiros nos Estados Unidos, Canadá e Europa Ocidental.

2001 – A Vampire Research Society Worldwide  é fundada.

2002 – Michelle Belanger, juntamente com a contribuição de Father Sebastian e outros, apresentou The Black veil versão 2 como uma filosofia e tradição de ética, não regras. Este código é anotado como sendo voluntário e foi projetado para ser um exemplo para a comunidade. Esta versão atualizada e simplificada do Véu Negro não foi declarada como um conjunto de leis ou regras e não carregava mais o título alternativo “13 Regras da Comunidade”, mas foi escrita como um conjunto de exemplos de ética e ideias.

2006 – A Vampire & Energy Work Research Survey  (VEWRS) com 379 perguntas e a Advanced Vampirism & Energy Work Research Survey (AVEWRS) com 688 perguntas são conduzidas. De 2006 a 2009, um total de respostas combinadas (VEWRS & AVEWRS) atingiu mais de 1.450 pesquisas ou mais de 670.000 perguntas respondidas individualmente; tornando-o o maior e mais aprofundado estudo de pesquisa já realizado na comunidade ou subcultura real de vampiros/vampiros. As pesquisas são traduzidas do inglês para o francês, espanhol, alemão e russo. Em todos os dezessete países estão representados: Austrália, Bahrein, Bélgica, Brasil, Canadá, França, Irlanda, Letônia, Malásia, México, Marrocos, Holanda, Nova Zelândia, Romênia, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

O corpo do grupo, Voices of the Vampire Community (VVC) é fundado para desenvolver relações amistosas entre as várias Casas, Covens, Ordens, organizações e líderes individuais da comunidade vampírica.

2007 – Os primeiros resultados das pesquisas VEWRS e AVEWRS são divulgados.

2008 – Pardubice, Boêmia Oriental, 11 de julho. Arqueólogos acreditam ter descoberto um túmulo de 4.000 anos em Mikulovice, Boêmia Oriental, contendo os restos do que poderia ter sido considerado um vampiro na época. Uma das sepulturas, do antigo local de sepultamento da Idade do Bronze, estava situada um pouco afastada das outras e o esqueleto masculino nela estava carregado com duas grandes pedras, uma no peito e outra na cabeça. “Os restos mortais tratados dessa maneira agora são considerados vampíricos. Os contemporâneos do morto temiam que ele deixasse seu túmulo e voltasse ao mundo” disse Radko Sedlacek, do Museu da Boêmia Oriental.

2010 –  Real Vampire News é concebido e iniciado por John Reason. O objetivo é se tornar um recurso do tipo “jornal” para a comunidade online de vampiros reais.

A Atlanta Vampire Alliance e a Suscitatio LLC iniciam uma segunda série de estudos para complementar as pesquisas VEWR e AVEWR de 2006-2009. Esse esforço incluirá a coleta de exames e informações médicas.

Junho de 2012 -Dois esqueletos de “vampiros” medievais surgiram perto de um mosteiro na cidade búlgara de Sozopol, no Mar Negro, anunciaram arqueólogos locais. Datando de 800 anos até a Idade Média, os esqueletos foram desenterrados com barras de ferro perfuradas em seus peitos – evidência de um exorcismo contra um vampiro.

1º de outubro de 2012 – O E-Zine Real Vampire Life de John Reason inicia uma pesquisa de um ano sobre a subcultura vampírica real intitulada “The Living Vampire – A social survey”, destinada a reunir informações sociais e demográficas sobre a subcultura.

31 de setembro de 2013 – A pesquisa Real Vampire Life de John Reason, “The Living Vampire – A social survey” é concluida.

3 de novembro de 2013 – I.C.E – o Conselho Internacional de Anciãos é formado por Stefan Resurrectus e um grupo de membros ativos e de longa data da comunidade que querem ver mudanças para melhor trazidas para a OVC.

30 de dezembro de 2013 – A primeira publicação da primeira parte dos resultados de “The Living Vampire – A social survey” é publicada no E-Zine Real Vampire Life de John Reason (http://realvampirenews.com/)

Fonte: https://vchistoricalsociety.freeforums.net/thread/31/ultimate-vampire-timeline

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/cronologia-vampirica-definitiva/

As Origens Mágicas da Maçonaria – A Lenda de Hiram

Por Éliphas Lévi.

A grande associação cabalística, conhecida na Europa sob o nome de Maçonaria, surge de repente no mundo, no momento em que o protesto contra a Igreja acaba de desmembrar a unidade cristã. Os historiadores desta ordem não sabem explicar-lhe a origem: uns dão-lhe por mãe uma associação de pedreiros formada no tempo da construção da catedral de Estrasburgo; outros dão-lhe Cromwell por fundador, sem entrarem em indagações se os ritos da maçonaria inglesa do tempo de Cromwell não são organizados contra este chefe da anarquia puritana; há ignorantes que atribuem aos jesuítas, senão a fundação ao menos a continuação e a direção desta sociedade muito tempo secular e sempre misteriosa. À parte esta última opinião, que se refuta por si mesma, podem se conciliar todas as outras, dizendo que os irmãos maçons pediram aos construtores da catedral de Estrasburgo seu nome e os emblemas de sua arte, que eles se organizaram pela primeira vez publicamente na Inglaterra, a favor das instituições radicais e a despeito do despotismo de Cromwell.

Pode-se ajuntar que eles tiveram os templários por modelos, os rosa-cruzes por pais e os joanitas por antepassados. Seu dogma é o de Zoroastro e de Hermes, sua regra é a iniciação progressiva, seu princípio a igualdade regulada pela hierarquia e a fraternidade universal; são os continuadores da escola de Alexandria, herdeiros de todas as iniciações antigas; são os depositários dos segredos do Apocalipse e do Zohar; o objeto de seu culto é a verdade representada pela luz; eles toleram todas as crenças e não professam senão uma só e mesma filosofia; eles não procuram senão a verdade, não ensinam senão a realidade e querem chamar progressivamente todas os inteligências à razão.

O fim alegórico da maçonaria é a reconstrução do templo de Salomão; o fim real é a reconstituição da unidade social pela aliança da razão e da fé, e o restabelecimento da hierarquia, conforme a ciência e a virtude, com a iniciação e as provas por graus.

Nada é mais belo, está se vendo, nada é maior do que estas ideias e estas tendências; infelizmente as doutrinas da unidade e a submissão à hierarquia não se conservaram na maçonaria universal; houve logo aí uma maçonaria dissidente, oposta à maçonaria ortodoxa, e as maiores calamidades da revolução francesa foram o resultado desta cisão.

A LENDA DE HIRAM:

Os franco-maçons tiveram sua lenda secreta; é a de Hiram, completada pela de Ciro e de Zorobabel.

Eis a lenda de Hiram:

Quando Salomão mandou construir o templo, confiou seus planos a um arquiteto chamado Hiram.

Este arquiteto, para por ordem nos trabalhos, dividiu os trabalhadores segundo sua habilidade e como era grande o número deles, a fim de reconhecê-los, quer para empregá-los segundo seu mérito, quer para remunerá-Ios segundo seu trabalho, ele deu a cada categoria de aprendizes, de companheiros e aos mestres palavras de passe e senhas particulares…

Três companheiras quiseram usurpar a posição de mestres, sem o devido merecimento; puseram-se de emboscada nas três portas principais do templo, e quando Hiram se apresentou para sair, um dos companheiros pediu-lhe a palavra de ordem dos mestres, ameaçando-o com sua régua.

Hiram lhe respondeu: “Não foi assim que recebi a palavra que me pedis.”

O companheiro furioso bateu em Hiram com sua régua fazendo-lhe uma primeira ferida.

Hiram correu a uma outra porta, onde encontrou o segundo companheiro; mesma pergunta, a mesma resposta, e esta vez Hiram foi ferido com um esquadro, dizem outros com uma alavanca.

Na terceira porta estava o terceiro assassino que abateu o mestre com uma machadinha.

Estes três companheiros esconderam em seguida o cadáver sob um montão de escombros, e plantaram sobre este túmulo improvisado um ramo de acácia, fugindo depois como Caim após a morte de Abel.

Salomão, porém, não vendo regressar seu arquiteto, despachou nove mestres para procurá-lo; o ramo de acácia lhes revelou o cadáver, eles o tiraram de sob os escombros e como lá havia ficado bastante tempo, eles exclamaram, levantando-o: Mach Benach! o que significa: a carne solta-se dos ossos.

A Hiram foram prestadas as últimas honras, mandando depois Salomão 27 mestres à cata dos assassinos.

O primeiro foi surpreendido numa caverna: perto dele ardia uma lâmpada, corria um regato a seus pés e para sua defesa achava-se a seu lado um punhal. O mestre que penetrou na caverna e reconheceu o assassino, tomou o punhal e feriu-o gritando: Nekum! palavra que quer dizer vingança; sua cabeça foi levada a Salomão que estremeceu ao vê-la e disse ao que tinha assassinado: “Desgraçado, não sabias tu que eu me reservava o direito de punir?” Então todos os mestres se ajoelharam e pediram perdão para aquele cujo zelo o levara tão longe.

O segundo assassino foi traído por um homem que lhe dera asilo; ele se escondera num rochedo perto de um espinheiro ardente, sobre o qual brilhava um arco-íris; ao seu lado achava-se deitado um cão cuja vigilância os mestres enganaram; pegaram o criminoso, amarraram-no e o conduziram-no a Jerusalém onde sofreu o último suplício.

O terceiro foi morto por um leão que foi preciso vencer para apoderar-se do cadáver; outras versões dizem que ele se defendeu a machadadas contra os mestres que chegaram enfim a desarmá-lo e o levaram a Salomão que lhe fez expiar seu crime.

Tal é a primeira lenda; eis agora a explicação.

Salomão é a personificação da ciência e da sabedoria supremas.

O templo é a realização e a figura do reino hierárquico da verdade e da razão sobre a terra.

Hiram é o homem que chegou ao domínio pela ciência e pela sabedoria.

Ele governa pela justiça e pela ordem, dando a cada um segundo suas obras.

Cada grau da ordem possui uma palavra que lhe exprime a inteligência.

Não há senão uma palavra para Hiram, mas esta palavra pronuncia-se de três maneiras diferentes.

De um modo para os aprendizes, e pronunciada por eles significa natureza e explica-se pelo trabalho.

De outro modo pelos companheiros e entre eles significa pensamento explicando-se pelo estudo.

De outro modo para os mestres e em sua boca significa verdade, palavra que se explica pela sabedoria.

Esta palavra é a de que servem para designar Deus, cujo verdadeiro nome é indizível e incomunicável.

Assim há três graus na hierarquia como há três portas no templo.

Há três raios na luz.

Há três forças na natureza.

Estas forças são figuradas pela régua que une, a alavanca que levanta e a machadinha que firma.

A rebelião dos instintos brutais, contra a aristocracia hierática da sabedoria, arma-se sucessivamente destas três forças que ela desvia da harmonia.

Há três rebeldes típicos:

O rebelde à natureza;

O rebelde à ciência;

O rebelde à verdade.

Eles eram figurados no inferno dos antigos pelas três cabeças de Cérbero.

Eles são figurados na Bíblia por Corá, Datã e Abirão.

Na lenda maçônica, eles são designados por nomes que variam segundo as ritos.

O primeiro que se chama ordinariamente Abiram ou assassino de Hirain, fere o grão-mestre com a régua.

É a história do justo que se mata, em nome da lei, pelas paixões humanas.

O segundo, chamado Mephiboseth, do nome de um pretendente ridículo e enfermo à realeza de Davi, fere Hiram com a alavanca ou a esquadria.

É assim que a alavanca popular ou a esquadria de uma louca igualdade toma-se o instrumento da tirania entre as mãos da multidão e atenta, mais infelizmente ainda do que a régua, à realeza da sabedoria e da virtude.

O terceiro enfim acaba com Hiram com a machadinha.

Como fazem os instintos brutais quando querem fazer a ordem em nome da violência e do medo, abafando a inteligência.

O ramo de acácia sobre o túmulo de Hiram é como a cruz sobre nossos altares.

É o sinal da ciência que sobrevive à ciência; é o raio verde que anuncia uma outra primavera.

Quando os homens perturbam assim a ordem da natureza, a Providência intervém para restabelecê-la, como Salomão para vingar a morte de Hiram.

Aquele que assassinou com a régua, morre pelo punhal.

Aquele que feriu com a alavanca ou a esquadria, morrerá sob o machado da lei. É a sentença eterna dos regicidas.

Aquele que triunfou pela machadinha, cairá vítima da força de que abusou e será estrangulado pelo leão.

O assassino pela régua é denunciado pela lâmpada mesma que o esclarece e pela fonte onde bebe, isto é, a ele será aplicada a pena de talião.

O assassino pela alavanca será surpreendido quando sua vigilância for deficiente como um cão adormecido e será entregue por seus cúmplices; porque a anarquia é a mãe da traição.

O leão que devora o assassino pela machadinha, é uma das formas da esfinge de Édipo.

E aquele que vencer o leão merecerá suceder a Hiram na sua dignidade.

O cadáver putrefato de Hiram mostra que as formas mudam, mas que o espírito fica.

A fonte de água que corre perto do primeiro facínora lembra o dilúvio que puniu os crimes contra a natureza.

O espinheiro ardente e o arco-íris que fazem descobrir o Segundo assassino, representam a luz e a vida, denunciando os atentados contra o pensamento.

Enfim o leão vencido representa o triunfo do espírito sobre a matéria e a submissão definitiva da força à inteligência.

Desde o começo do trabalho do espírito para edificar o templo da unidade, Hiram foi morto muitas vezes e ressuscita sempre.

É Adônis morto pelo javali; é Osíris assassinado por Tífon (Set).

É Pitágoras proscrito, é Orfeu despedaçado pelas bacantes, é Moisés abandonado nas cavernas do Monte Neba (Nebo), é Jesus morto por Caifás, Judas e Pilatos.

Os verdadeiros maçons são pois os que persistem em querer construir. o templo, segundo o plano de Hiram.

Tal é a grande e principal lenda da maçonaria; as outras são menos belas e menos profundas, luas não pensamos dever divulgar-lhe os mistérios, e se bem que não tenhamos recebido a iniciação senão de Deus e de nossos trabalhos, consideramos o segredo da alta maçonaria como o nosso. Chegado por nossos esforços a um grau científico que nos impõe silêncio, não nos julgamos melhor empenhados por nossas convicções do que por um juramento. A ciência é uma nobreza que obriga e não desmerecemos a coroa principesca dos rosa-cruzes. Nós não cremos também na ressurreição de Hiram!

Os ritos da maçonaria são destinados a transmitir a lembrança das lendas da iniciação e a conservá-la entre nossos irmãos.

Perguntaram-nos talvez como, se a maçonaria é tão sublime e tão santa, pôde ela ser proscrita e tantas vezes condenada pela igreja.

Já respondemos a esta questão, falando das cisões e das profanações da maçonaria.

A maçonaria é a gnose e os falsos gnósticos fizeram condenar os verdadeiros.

O que os obriga a esconder-se, não é o temor da luz, a luz é o que eles querem, o que eles procuram, o que eles adoram.

Mas eles temem os profanadores, isto é, os falsos intérpretes, os caluniadores, os céticos de sorriso estúpido, os inimigos de toda crença e de toda moralidade.

Em nosso tempo aliás um grande numero de homens que se julgam francos-maçons, ignoram o sentido que seus ritos e perderam a chave de seus mistérios.

Eles não compreendem mesmo mais seus quadros simbólicos, e não entendem mais nada dos sinais hieroglíficos com que são pintados os tapetes de suas lojas.

Estes quadros e estes sinais são páginas do livro da ciência absoluta e universal.

Podem ser lidos com o auxílio das chaves cabalísticas e não têm nada de oculto para o iniciado que possui as clavículas de Salomão.

A maçonaria foi não somente profanada mas serviu mesmo de véu e de pretexto às cabalas da anarquia, pela influência oculta dos vingadores de Jacques de Molay, e dos continuadores da obra cismática do templo.

Em lugar de vingar a morte de Hiram, vingaram-se seus assassinos.

Os anarquistas retomaram a régua, o esquadro e a malheta e em cima escreveram liberdade, igualdade e fraternidade.

Isto é, liberdade para as cobiças, igualdade na baixeza e fraternidade para destruir.

Eis os homens que a Igreja condenou justamente e que condenará sempre.

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Fonte:

Histoire de la Magie (História da Magia), Capítulo 7 – Origines Magiques de la Maçonnerie, por Éliphas Lévi.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/as-origens-magicas-da-maconaria-a-lenda-de-hiram/

A loucura assassina do teísmo

Um ano após os atentados terroristas de 11/9, eu escrevi o texto abaixo que foi incluído em meu livro, “As Escrituras Satânica”. Acho que minhas palavras ainda soam verdadeiras.

“Hoje, o prefeito Bloomberg, de Nova York determinou que a observação do memorial primário não inclua a representação religiosa, e isso é uma pequena medida ou progresso. Enquanto ” A Torre da Liberdade” ainda está subindo no sul de Manhattan , em todo o mundo podemos facilmente observar a violência promulgada por aqueles que têm fé sobre- abundante em alguma autoridade sobrenatural que os leva a matar outros que não compartilham de suas ilusões .

Para mim, esta data serve como um momento de chamar a atenção para as atrocidades cometidas sob a influência da crença teísta. Enquanto os horrores medonhos da Inquisição espanhola são agora mais forragem para filmes de terror, até mesmo as mutilações grotescas que aparecem no recente gênero de “tortura pornô “, os filmes não podem aproximar as abominações sistemáticas perpetradas contra pessoas que tinham feito nada por aqueles que as exterminaram tendo como motivação ” a vontade de Deus “. Esses crimes não devem ser ignorados, nem esquecidos. A história humana, em muitos aspectos, é uma turnê mundial dentro de um abbatoire (abatedouro público N.T.) inspirado na religião. Essa é a natureza essencial dos templos dedicados a adoração à deidade, que se manifestam como pirâmides do Novo Mundo sobre qual corações vivos foram arrancados dos baús de vítimas contra a vontade, para ornamentar catedrais do Velho Mundo, catedrais da Europa muitas vezes adornadas com imagens de sofrimento e condenação, enaltecendo o ícone principal de um homem açoitado e sangrento, testa rasgada pelos espinhos, crucificado em um dispositivo de execução romano antigo. Os séculos de morte, dor e degradação comemorados aí devem servir como um aviso para qualquer um que celebre sua vida, para que entenda que essas crenças são um veneno virulento.

Para as pessoas sensatas que abraçam a sua existência e compartilham a alegria com aqueles que ama, é necessário que tenham o dever de identificar os adversários que impedem a sua busca da felicidade. É a única maneira de mantê-los sob controle, expondo-os como os monstros invejosos que são. Para você que está corrompido pela loucura do teísmo, independentemente de qualquer Deus ou Diabo que você acredite, você é uma ameaça para todos que valorizam a razão e um inimigo da filosofia racional do satanismo consubstanciado na Igreja de Satanás. Secularistas colegas, peço em nome de suas memórias que sejam longas e vivas, de modo que ambas as posturas intelectuais e emocionais não irão tolerar a peste de tais crenças e as consequências inevitáveis ​​provocadas por seus seguidores lunáticos.

A fé mata. A prova é escrita com sangue em toda as crônicas da civilização humana.

“No primeiro aniversário do 11/9 “

 Por Magus Peter H. Gilmore

Hoje é um dia de recordação. Muitas pessoas estão relembrando os parentes e amigos que foram assassinados por terroristas há um ano atrás em ataques ao Pentágono e ao World Trade Center. Satanistas compreendem e lamentam profundamente seus pesares, pois a perda imerecida da vida é uma parte trágica da existência humana que pode tocar a todos nós. Nossos corações estão com eles.

No entanto, também nos lembramos de algo de maior importância. Entendemos que a origem deste dia de luto é a convicção, realizada por fanáticos fundamentalistas, que qualquer ato de violência contra aqueles que não compartilham sua devoção é defendida por seu Deus. Os acontecimentos de 11/9 são prova absoluta do perigo de tais sistemas de crenças espirituais, que mantêm que apenas algumas pessoas têm uma conexão direta com a divindade, e que qualquer um que não concorde com a sua “verdade” é visto como menos humano, uma ameaça à sua “fé” que sobrenaturalmente sanciona seu extermínio.

Enquanto o hipócrita de muitas religiões espirituais entrará em seus espaços sagrados hoje, agradecendo ao seu Deus ou deuses por atos de heroísmo realizados pelos indivíduos valentes em resposta a essa tragédia, as pessoas presunçosamente se esquecem de que o seu Deus não fez nada para impedir esses desastres humanos iniciados. Responsabilidade por aquilo que julgam ser bom é atribuído à sua divindade, enquanto que a responsabilidade pelo que é considerado mal deve, em sua visão limitada, ser originário de outros países e, provavelmente, daqueles que têm crenças diferentes. Eles vão deixar de ver que tal perspectiva é partilhada pelos terroristas. Mais importante do que isso, essas pessoas também vão deixar de recordar que, ao longo dos séculos, muito mais pessoas têm sido abatidos pelos seguidores de religiões, incluindo espirituais que foram mortos pelos terroristas islâmicos em 11 de setembro de 2001. Há sangue nas mãos dos antepassados ​​de quem reza em seus santuários, hoje, e isso é um fato que deve ser apreciado, tanto quanto nós. Milhões de pessoas já morreram por causa de adoradores fanáticos que se recusaram a permitir que outros valores diferentes dos seus possam ter validade como para aqueles que os possuem.

Nós satanistas, bem como outros que compreendem a importância de manter uma sociedade secular que permita a diversidade de crença e não-crença, vamos lembrar essa triste verdade hoje. Fanáticos fundamentalistas, independentemente de qual divindade que eles adoram, são a maior ameaça à liberdade humana em nossa civilização. 11 de setembro deve ser apoiado como um memorial em todo o mundo para suas vítimas do passado e do presente. Lembre-se deste dia de fúria. Não abaixe a cabeça em gesto de oração, mas erga seu queixo em desafio. Ouça o clangor de bronze do sino funerário. Quebre a complacência, em memória do que aconteceu. Não vamos perdoar, nem devemos esquecer.

Por Magus Peter H. Gilmore. Tradução: Nathalia Claro.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-loucura-assassina-do-teismo/

Mudança de Paradigmas na Ciência

Desde seus primórdios a Magia do Caos utiliza largamente o termo “mudança de paradigma”. Peter Carroll abrange sua teoria da magia dentro de três paradigmas maiores chamados Transcendental, Materialista e Mágico, mostrando como podemos transitar entre eles. Em seu livro “Liber Kaos” o autor afirma o seguinte:

“Esse universo possui a peculiaridade de tender a prover evidências e confirmações de qualquer paradigma que alguém escolha acreditar”.

“Cada uma dessas três visões do Eu [Transcendental, Materialista e Mágica] tem algo depreciativo a dizer sobre as outras duas […] Em última análise, é uma questão de fé e bom gosto. Naturalmente, todas essas formas de fé estão sujeitas a períodos de dúvida”

Carroll, como cientista, pegou emprestado o termo “paradigma” de Thomas Kuhn, que também era físico como ele. Por sua vez, Kuhn popularizou um termo antes pouco utilizado, atribuindo-lhe uma nova gama de significados. Dentre outras definições do termo, uma bem simples apontada pelo autor poderia ser “aquilo que os membros de uma comunidade partilham”. Ele possui métodos e valores compartilhados por um grupo que o aceita.

Não é difícil nos acostumarmos com a ideia de que um paradigma na filosofia não é necessariamente melhor que outro. Por isso, podemos estudar um pensador grego da Antiguidade Clássica como Platão e comparar as ideias dele com um filósofo moderno como Descartes, mesmo existindo uma diferença de cerca de dois mil anos entre o período em que cada um viveu. Não achamos que as ideias de um filósofo contemporâneo como Jürgen Habermas são necessariamente mais relevantes. Mesmo que algumas pessoas defendam que os filósofos de nosso tempo nos apresentam ideias e conceitos mais condizentes com o período em que vivemos, dificilmente ignoramos o estudo da história da filosofia. Ela é importantíssima para compreender como chegamos até aqui.

Algo semelhante ocorre em outras áreas, como a arte. Leonardo da Vinci viveu na época do Renascimento. Mesmo assim, creio que dificilmente alguém irá defender  que suas obras são necessariamente inferiores ao trabalho de nossos artistas contemporâneos, por ele ter vivido alguns séculos atrás e aquele período ser mais “atrasado” em relação ao nosso. Inclusive, há aqueles que defendem exatamente o oposto, o que também pode ser uma opção perigosa: existe uma tendência a desprezar a arte moderna ou pós-moderna, considerando-a “aleatória” ou desprovida de método. Curiosamente, essas mesmas pessoas podem acabar por apreciar a obra de artistas como Pablo Picasso, que morreu há poucas décadas.

Ocorre um preconceito semelhante no ocultismo hoje, cuja tendência é supervalorizar religiões, grimórios ou sistemas mágicos mais antigos, enquanto a Magia do Caos é tida por alguns como “bagunça”. Porém, muitas dessas pessoas que julgam o caoísmo sem estudá-lo não estão a par das ideias apresentadas na Teoria do Caos, sobretudo na área científica, e muito provavelmente não estão completamente inteiradas a respeito de filosofia da ciência, tal qual apresentada por pensadores como Thomas Kuhn e Karl Popper.

Aqui irei me centrar numa análise sobre filosofia da ciência e colocar a seguinte questão: por que será que temos a tendência a acreditar que as teorias científicas atuais são mais certas, melhores, mais avançadas e mais “evoluídas” do que as teorias científicas antigas, a ponto de acreditarmos que o conhecimento ocorre de forma linear, construindo uma noção de “progresso” como numa escada em que a ciência nos gera cada vez mais conhecimento, rumo à “verdade”? De onde será que veio essa crença, atualmente tão difundida?

Há uma resposta curta para essa pergunta: ela difundiu-se particularmente na Idade Moderna, em especial no Iluminismo, que ressaltou o triunfo da razão e da ciência para iluminar a “Idade das Trevas” considerada atrasada e um retrocesso. Mas será que foi assim mesmo? Preferimos a resposta mais longa a essa tão intrigante questão.

Primeiramente, vamos analisar alguns trechos do livro “A Lógica da Pesquisa Científica” de Karl Popper:

“A ciência não é um sistema de certezas, ou afirmações bem estabelecidas; nem é um sistema que constantemente avança para um estado de finalidade. Nossa ciência não é conhecimento (episteme): ela nunca pode clamar ter atingido a verdade, e nem mesmo um substituto para isso, como probabilidade”.
“Ainda assim, a ciência tem mais do que mero valor biológico de sobrevivência. Não é apenas um instrumento útil. Embora ela não possa atingir nem verdade e nem probabilidade, a aspiração ao conhecimento e a busca da verdade ainda são os mais fortes motivos da descoberta científica”
“Nós não sabemos: só podemos adivinhar. E nossas adivinhações são guiadas pela não científica, pela metafísica (embora biologicamente explicável) fé em leis, em regularidades que nós podemos revelar – descobrir. Como Bacon, nós podemos descobrir a nossa própria ciência contemporânea”  

Karl Popper foi um filósofo particularmente interessado em lógica, já tendo sido professor de matemática e física. Inicialmente alguns podem pensar que a ciência é um conhecimento bastante seguro, já que a biologia se baseia na química, que por sua vez se fundamenta na física e esta na matemática. Há um antigo debate sobre a questão se a matemática foi “descoberta”, como se os números fossem entidades reais no mundo das ideias de Platão e Pitágoras, ou se ela foi simplesmente inventada pelo ser humano.

Geralmente se diz que os axiomas de Euclides são autoevidentes, assim como as tais “verdades a priori” de Kant. Porém, Karl Popper deixa claro que não compartilha dessa visão.

No livro “Em Busca do Infinito” de Ian Stewart temos a seguinte passagem, como introdução ao teorema de Cauchy:

“O que realmente soltou a raposa no galinheiro foi a descoberta de que se podia fazer cálculo – análise – com funções complexas, e que a teoria resultante era elegante e útil. Na verdade, tão útil que a base lógica da ideia deixou de ser um assunto importante. Quando algo funciona, e você sente que precisa daquilo, geralmente para de se perguntar se aquilo faz sentido”

Essa ideia parece bastante semelhante à perspectiva pragmática da Magia do Caos: “use o que funciona”. Em seu livro “A History of God” Karen Armstrong enfatiza que na história das religiões é observado que antigos conceitos sobre o que é Deus (o Deus dos Filósofos, o Deus dos Místicos, etc) são constantemente substituídos por outros quando a definição antiga não funciona mais para atender as circunstâncias históricas da época. Por isso, a tendência é que os conceitos das religiões se transformem para atender às necessidades práticas da sociedade.

No mesmo livro de matemática de Ian Stewart há uma menção sobre a afirmação de Kant (que era professor de matemática) de que uma geometria deve ser necessariamente euclidiana (refutada por Klugel). Assim como sua insistência na quase infalibilidade de argumentos a priori (ou pelo menos a superioridade destes em relação a argumentos a posteriori), que lembra um pouco o ponto de vista de David Hilbert sobre a matemática como verdade, quando depois Kurt Gödel iria mostrar que a lógica matemática não está isenta de falhas e que, contrário ao senso comum, nem mesmo ela pode mostrar a “verdade”.

Vamos a outras passagens da obra:

“Graças a formas de pensar criativas e não ortodoxas, muitas vezes automaticamente contestadas por uma maioria menos criativa, agora entendemos – pelo menos os matemáticos e os físicos – que existem muitas alternativas à geometria euclidiana e que a natureza do espaço físico é uma questão de observação, não só de pensamento. Nos dias de hoje podemos fazer uma distinção clara entre modelos matemáticos da realidade e a própria realidade. Sob esse aspecto, grande parte da matemática não tem relação nenhuma com a realidade – mas mesmo assim é útil”

“Os matemáticos se perguntaram quantos sistemas numéricos hipercomplexos poderia haver. A questão não era ‘eles servem para alguma coisa?’ e sim ‘eles são interessantes?’”

O autor conta que na verdade não há uma prova realmente definitiva de que números naturais existam. Um, dois, três… essas coisas são só abstrações, pois se pode encontrar três vacas na natureza, mas não apenas o número três flutuando no ar. E provar que 2+2=4 também é meio complicado. O autor admite que pode haver passos lógicos consistentes que provem que 2+2=5. Porém, isso geraria contradições que trariam outros problemas. Por fim, ele diz:

“Uma vez que tudo é verdadeiro – e também falso – não se pode dizer nada significativo. Toda a matemática seria um jogo idiota, sem conteúdo”

Ian Stewart detalha esse pensamento em seu livro “Uma história da simetria na matemática”, no qual afirma:

“As provas não podem se apoiar no ar e não podem retroceder aos antecedentes lógicos para sempre. Elas precisam começar em algum lugar, e o ponto em que começam será por definição coisas que não foram – nem sempre – provadas. Hoje chamamos essas suposições iniciais não comprovadas de axiomas. Para um jogo matemático, os axiomas são as regras do jogo”.

“Qualquer pessoa que tiver objeções relativas aos axiomas pode mudá-los, se quiser, mas o resultado será um jogo diferente. Os matemáticos não afirmam que um enunciado é a verdade: eles dizem que, se considerarmos inúmeras suposições, a consequência lógica delas será o enunciado em questão. Isso não quer dizer que o axioma não possa ser contestado. Os matemáticos podem debater se um dado sistema axiomático é melhor que outro para algum propósito, ou se o sistema tem algum mérito ou interesse intrínsecos. Mas essas disputas não dizem respeito à lógica interna de qualquer jogo axiomático específico. Elas se referem aos jogos que valem mais a pena, são mais interessantes ou divertidos”

Agora estamos esquentando. Com isso chegamos ao cerne da Magia do Caos, cuja proposta é desenvolver diferentes jogos axiomáticos e testá-los. Às vezes escolhemos o que funciona. Outras vezes optamos pelo que é divertido. Mas há muitas outras possibilidades. Afinal, um pesquisador de matemática pura não irá necessariamente pesquisar uma área porque possui aplicações diretas na engenharia. Muitas vezes o que o move é a curiosidade ou a sede do conhecimento.

Uma última passagem desse livro:

“Antes do Renascimento, os matemáticos de Bolonha começaram a cogitar se o número -1 (menos um) poderia ter uma raiz quadrada plausível, já que todos os números que apareciam na matemática pertenciam a um só sistema. Até hoje, como um legado da confusão histórica envolvendo a relação entre matemática e realidade, esse sistema é conhecido como dos números reais. É um nome infeliz, pois sugere que esses números de alguma forma pertencem ao tecido do Universo, e não que tenham sido gerados por tentativas humanas de entendê-los. Não é verdade. Esses números não são mais reais que outros ‘sistemas numéricos’ inventados pela imaginação humana ao longo dos últimos 150 anos. Mas apresentam, na verdade, uma relação mais direta com a realidade que a maioria dos novos sistemas. Correspondem bem de perto a uma forma idealizada de mensuração”

E agora que as regras do jogo foram reveladas, voltemos a Popper:

“Como e por que nós aceitamos uma teoria em detrimento de outras? A preferência certamente não é devido a uma justificação experimental das afirmações que compõem a teoria; não é devido a uma redução lógica da teoria à experiência. Nós escolhemos a teoria que melhor se mantenha em competição com outras teorias; aquela que, por seleção natural, se mostra a mais adaptada a sobreviver. […] De um ponto de vista lógico, testar uma teoria depende de afirmações básicas cuja aceitação ou rejeição, por sua vez, depende das nossas decisões. Então são decisões que definem o destino de teorias. […] A escolha [de uma teoria] é em parte determinada por considerações de utilidade”.

Esse é um argumento semelhante ao de Thomas Kuhn no livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”. Vamos a ele:

“Por certo os cientistas não são o único grupo que tende a ver o passado de sua disciplina como um desenvolvimento linear em direção ao ponto de vista privilegiado do presente. A tentação de escrever a história passada a partir do presente é generalizada e perene. Mas os cientistas são mais afetados pela tentação de reescrever a história, em parte porque os resultados da pesquisa científica não revelam nenhuma dependência óbvia com relação ao contexto histórico da pesquisa e em parte porque, exceto durante as crises e as revoluções, a posição contemporânea do cientista parece muito segura. Multiplicar os detalhes históricos sobre o presente ou o passado da ciência, ou aumentar a importância dos detalhes históricos apresentados, não conseguiria mais do que conceder um status artificial à idiossincrasia, ao erro e a confusão humanos. Por que honrar o que os melhores e mais persistentes esforços da ciência tornaram possível descartar? A depreciação dos fatos históricos está profundamente, e talvez funcionalmente, enraizada na ideologia da profissão científica, a mesma profissão que atribui o mais alto valor possível a detalhes fatuais de outras espécies. Whitehead captou o espírito a-histórico da comunidade científica ao escrever ‘A ciência que hesita esquecer seus fundadores está perdida”   

“Se, como já argumentamos, não pode haver nenhum sistema de linguagem ou de conceitos que seja científica ou empiricamente neutro, então a construção de testes e teorias alternativas deverá derivar-se de alguma tradição baseada em um paradigma. Com tal limitação, ela não terá acesso a todas as experiências ou teorias possíveis. Consequentemente, as teorias probabilísticas dissimulam a situação de verificação tanto quanto a iluminam. Embora essa situação dependa efetivamente, conforme insistem, da comparação entre teorias e evidências muito difundidas, as teorias e observações em questão estão sempre estreitamente relacionadas a outras já existentes. A verificação é como a seleção natural: escolhe a mais viável entre as alternativas existentes em uma situação histórica determinada. Essa escolha é a melhor possível, quando há alternativas ou dados de outra espécie? Tal questão não pode ser apresentada de maneira produtiva, pois não dispomos de instrumentos que possam ser empregados na procura de respostas”

O que isso tudo significa? Uma teoria científica contemporânea não é necessariamente melhor ou mais certa do que uma teoria antiga. Nós a usamos hoje não porque ela seja mais sofisticada, inteligente ou com maior verificação empírica. Inicialmente podemos pensar em adotar uma teoria porque ela parece funcionar, independente de estar certa ou errada (ou seja, condizer com a realidade). Mas um dos maiores motivos de ela ser escolhida é porque ela confirma as visões da época em que vivemos, em nosso contexto histórico. Provavelmente os cientistas devem dar mais atenção ao estudo das ciências humanas, em vez de apenas se fechar em si mesmos.

Ou, como os autores colocam: a teoria científica que temos hoje em determinado campo não é a “verdade” e nem a “melhor” dentre as diferentes teorias apresentadas. Elas simplesmente entram numa luta pela sobrevivência, e a que continua viva para triunfar é aquela que é “mais apta” não de forma absoluta, mas mais apta a responder as questões que a sociedade hoje considera relevantes (por exemplo: se o paradigma adotado hoje é que a saúde do corpo é mais importante que a saúde mental e a mente é mera projeção do corpo, vamos nos medicar com antidepressivos para resolver o problema físico e deixar a psicoterapia em segundo plano. Subitamente surgem muitos artigos científicos cujo objetivo é apenas reforçar esse paradigma sem questioná-lo, como uma profecia autorrealizável).

Se na Idade Média a prioridade era, digamos, o desenvolvimento espiritual e na época em que vivemos é o desenvolvimento material (não estou afirmando que seja simples assim, mas vamos considerar dessa forma) hoje serão imediatamente descartadas todas as teorias antigas que falavam em espírito ou alma como falsas, atrasadas e supersticiosas. Antigamente, quando não havia essa separação violenta entre corpo e espírito, entre filosofia, ciência e religião, e pessoas como Newton eram ao mesmo tempo astrônomos, alquimistas e teólogos, tinha-se uma visão muito mais generalista ou holística da existência. Hoje vivemos num mundo fragmentado e criamos diferentes teorias para forçar os pedaços quebrados a se unirem a qualquer custo.

 Retomemos Thomas Kuhn:

“Os leigos que zombavam da Teoria Geral da Relatividade de Einstein porque o espaço não poderia ser ‘curvo’ não estavam completamente errados ou enganados. Tampouco estavam errados os matemáticos, físicos e filósofos que tentaram desenvolver uma versão euclidiana da teoria de Einstein. O que anteriormente se entendia por espaço era algo necessariamente plano, homogêneo, isotrópico e não afetado pela presença da matéria […]. Consideremos, por exemplo, aqueles que chamaram Copérnico de louco porque este proclamou que a Terra se movia. Não estavam nem pouco, nem completamente errados […]. Tanto Descartes como Huygens puderam compreender que a questão do movimento da Terra não possuía conteúdo científico“

 “Max Planck, ao passar em revista a sua carreira no seu Scientific Autobiography, observou tristemente que ‘uma nova verdade científica não triunfa convencendo seus oponentes e fazendo com que vejam a luz, mas porque seus oponentes finalmente morreram e uma nova geração cresce familiarizada com ela”

“Contudo, a alegação de ter resolvido os problemas que provocam crises raras vezes é suficiente por si mesma. Além disso, nem sempre pode ser legitimamente apresentada. Na verdade, a teoria de Copérnico não era mais precisa que a de Ptolomeu e não conduziu imediatamente a nenhum aperfeiçoamento no calendário”

Se ao menos não houvesse esse dogma na ciência de que uma teoria deve estar mais certa que outra e deve substituí-la, poderíamos observar as vantagens e desvantagens obtidas com o sistema geocêntrico e com o sistema heliocêntrico de forma mais imparcial (embora nunca seja possível a imparcialidade completa que se almeja atingir). Nenhuma teoria é a verdade absoluta e explica tudo em todos os pontos. Alguns argumentam que o sistema heliocêntrico é melhor que o geocêntrico porque “simplifica os cálculos” e com isso os planetas não precisam fazer movimentos “estranhos”, mas será que devemos seguir mesmo à risca a navalha de Ockham, usar sempre o sistema mais simples e descartar uma solução complexa que pode porventura permitir ver coisas que o outro sistema não permite?

Como dizem os matemáticos, a melhor solução nem sempre é a mais simples. Às vezes podemos optar pela mais elegante. E por que não tentar ver a realidade por mais de um ponto de vista do que reduzi-la a apenas um? Isso abre a mente.

Kuhn tem mais a nos dizer sobre isso:

“Resolver os grandes problemas com que se defronta, sabendo apenas que o paradigma anterior fracassou em alguns deles. Uma decisão desse tipo só pode ser feita com base na fé”

“Muitos cientistas serão convertidos e a exploração do paradigma prosseguirá. […] Quando muito ele poderá dizer que o homem que continua a resistir após a conversão de toda a sua profissão deixou ipso facto de ser um cientista”

“O teólogo que articula o dogma ou o filósofo que aperfeiçoa os imperativos kantianos contribuem para o progresso, ainda que apenas para o grupo que compartilha de suas premissas”

“Tais considerações sugerirão, inevitavelmente, que o membro de uma comunidade científica amadurecida é, como o personagem típico de 1984 de Orwell, a vítima de uma história reescrita pelos poderes constituídos. Um balanço das revoluções científicas revela a existência tanto de perdas como de ganhos e os cientistas tendem a ser particularmente cegos para as primeiras”.

“Os historiadores da ciência encontram seguidamente esse gênero de cegueira sob uma forma particularmente surpreendente. Entre os diversos grupos de estudantes, o composto por aqueles dotados de formação científica é o que mais gratifica o professor. Mas é também o mais frustrante no início do trabalho. Já que os estudantes de ciência ‘sabem quais são as respostas certas’ torna-se particularmente difícil fazê-los analisar uma ciência mais antiga a partir dos pressupostos desta”

“Por que a comunidade científica haveria de ser capaz de alcançar um consenso estável, inatingível em outros domínios? Por que tais consensos hão de resistir a uma mudança de paradigma após outra? E por que uma mudança de paradigma haveria de produzir invariavelmente um instrumento mais perfeito do que aqueles anteriormente conhecidos?”

Essa é a grande questão, hã?

Hoje em dia temos um tipo de “fé” que a ciência pode nos levar à verdade e frequentemente nos “convertemos” aos novos paradigmas que a ciência aponta como corretos porque eles foram largamente verificados e testados por uma equipe de especialistas, os “papas” e “sacerdotes” da ciência.

Sem querer desmerecer as atuais descobertas científicas, acho lamentável que a antiga sabedoria popular seja deixada de lado (legada por diferentes épocas e comunidades, indígenas, etc) em nome do que a ciência determina como certo e errado. Frequentemente consideramos os paradigmas anteriores como errados e o atual como certo, mas o próprio Kuhn afirma que muitos aspectos das teorias de Einstein são mais parecidos com os de Aristóteles do que com os de Newton. Sem contar que o próprio Leibniz já falava da relatividade do tempo, mas só as ideias de Newton foram levadas em consideração devido ao status que ele possuía. De qualquer forma, muitas das ideias de Newton continuam corretas até hoje, ele não foi “derrubado”.

Com isso chegamos a algumas conclusões:

1-  Os cientistas precisam estudar não somente filosofia da ciência, mas também história da ciência. Os médicos atuais muito provavelmente ignoram o que disseram Hipócrates e Galeno. É verdade que acreditar no que eles diziam como se fosse um dogma incontestável também trouxe limitações para a medicina. Mas partir para o extremo oposto e considerá-los como completamente errados certamente não é a melhor escolha. Por exemplo, por algum tempo se considerou que a sangria, especialmente feita com sanguessugas, era um método ultrapassado para tratar doenças. Hoje em dia tem se descoberto que ela pode ser utilizada com sucesso para tratar enfermidades específicas.

2- Será que a ciência está mesmo progredindo ou só andamos em círculos? Segundo Thomas Kuhn, na maior parte do tempo o que os cientistas fazem é apenas montar quebra-cabeças com os paradigmas vigentes. Isso leva a um desenvolvimento lento. A ciência só avança de forma mais rápida nas épocas de revolução científica, quando um paradigma é substituído por outro. Mas o progresso não ocorre porque o novo paradigma é melhor, mas simplesmente porque nessas épocas compara-se as vantagens e desvantagens de dois ou mais paradigmas, o que leva a um exercício de pensamento mais profundo e a experimentos mais ousados, que geralmente resultam no surgimento de muitas novas ideias e teorias criativas.

A proposta da Magia do Caos é exatamente essa: manter-se num estado constante de revolução, testando e comparando variados paradigmas para que assim se expandam nossos pontos de vista e possamos apresentar ideias novas. Nenhum paradigma é considerado o “melhor” de forma absoluta. Mas isso tampouco significa cair no relativismo. Não se diz que tudo está certo, mas somente que cada teoria deve ser analisada no contexto do paradigma em que foi criada, reconhecendo que cada um pode ser útil para resolver problemas específicos. Mas mesmo os que não são imediatamente úteis não são descartados. Eles ainda podem provar seu valor no futuro, como já aconteceu incontáveis vezes na história da ciência, quando teorias antigas foram deixadas de lado e somente muito tempo depois foram redescobertas e aclamadas.

No entanto, vale ressaltar: o caoísta não clama ser melhor do que aquele que resolve pesquisar a fundo um paradigma específico. Como de costume, há vantagens e desvantagens nas duas abordagens e precisamos de desbravadores que se dediquem a cada uma delas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mudan%C3%A7a-de-paradigmas-na-ci%C3%AAncia

Nada a temer, nada a duvidar

Yorgana era médium firme, experiente, daquelas que parece já ter ido ao inferno e retornado para contar história, sempre com um sorriso, ou um meio sorriso, pela face nem mais tão jovial. Tomé estava ali, apreensivo, para observar e aprender…

Após a oração inicial, as luzes foram apagadas e as pessoas entraram em meditação, tanto na mesa grande quanto nas cadeiras em torno. Tudo o que se ouvia, a princípio, era o barulho dos dois ventiladores velhos e desgastados, que já aliviavam o calor daquele centro espírita há uma boa década ou mais. Tomé ansiava pelo que estava por vir, e logo alguns começaram a gemer e se contorcer e reclamar. Como sempre, Yorgana estava lá para oferecer conforto aqueles que foram convidados, de tão longe, aquele recinto de luz:

“Está tudo bem minha filha, quer me dizer alguma coisa?” – Dirigiu-se, sussurrante, a senhora que meditava na cadeira a sua frente.

De início não houve resposta, e exatamente por isso que alguma coisa parecia estar a ocorrer… Logo, aquela senhora pacata e serena tinha ido embora, alguém irrequieto e angustiado tomou o seu lugar:

“Ai! Ai! O que eu estou fazendo aqui? Que lugar é esse? Tá dolorido… Minha cabeça dói, tem insetos no meu corpo, tira isso, tira eles, me tira daqui!!”

Yorgana trouxe suas mãos para próximo da cabeça da senhora (ou quem quer que estivesse ali agora), e continuou serena, quase carinhosa:

“Calma… Calma! Vamos respirar mais devagar, assim, comigo, vamos…”

E o que se seguiu foi uma verdadeira luta para que a senhora conseguisse passar a respirar mais lentamente, no ritmo que a médium demonstrava, expirando e inspirando profundamente o ar seco do ambiente.

“Vamos, vamos… Assim comigo. Inspira, segura um pouco, expira… Calma que aqui são todos seus amigos…”

“Amigos? Não, eu não tenho amigos… Não aqui, principalmente aqui… Que lugar estranho é esse, por que me trouxeram? Por que, isso não tem nada a ver comigo… Eu não pertenço aqui, ninguém vai me aceitar aqui…”

“Isso já é contigo. Primeiro, você é quem precisa se aceitar… Você está aqui, é verdade, só por um tempo, e pode ficar tranquila que logo logo volta para onde veio… Você foi convidada… É, digamos assim, um certo privilégio, pois nem todos têm a oportunidade de vir a essa casa de cura.”

“Cura? Mas como você vai me curar de toda essa dor? E esses malditos insetos que não me largam! Me ajude então, se gosta de mim…”

“Só se você também abrir uma brecha para gostar de si… Vamos, esqueça o que te deixou nesse estado, há sempre tempo de recomeçar… Vamos, inspire comigo e imagine a cor azul, o ar sendo de um azul tão puro, que entra na sua cabeça e ajuda a limpar, e limpando vai levando a dor embora, e daí você expira essa dor, essa coisa ruim aí dentro, e isso tudo sai de você na cor vermelha… Deixa o azul entrar, deixa o vermelho sair… Deixa entrar, deixa sair… Isso… Isso, tá melhorando não tá?”

“Tá melhorando a dor, sim… Que coisa incrível, há tanto tempo que doía que eu nem sabia mais como era estar assim… Os insetos não picam mais meus braços, minhas pernas…”

“Isso, isso mesmo… Mas continua, continua imaginando as cores, continua inspirando, expirando… Eu poderia te ajudar só aqui, mas não sei quando vai poder voltar, e pode continuar fazendo isso onde quer que esteja, basta lembrar: deixa o azul entrar, deixa o vermelho sair… E se acalma, e se perdoa, e dê uma chance a si mesma de recomeçar.”

“Isso… Isso é maravilhoso! Mas eu não sei se vai funcionar onde eu moro… Lá é tudo tão gelado e úmido, o ar é ruim, o céu é escuro, não tem ar azul por lá…”

“Tem ar azul em tudo quanto é lugar… Vou te contar: o que você acha que é o ar que entra azul e sai com sua dor vermelha?”

“Algum ar que só existe aqui nessa casa de santos… Eu preciso ficar aqui, me deixa, me deixa ficar!!”

O atendimento estava acabando, e Yorgana tinha só alguns segundos:

“O ar azul, é Deus. Ou você imaginou que nalgum dia estranho poderia realmente estar fora Dele? Ele está em todo lugar, mais próximo que o seu pensamento mais querido, porém tão distante quanto a sua culpa mais profunda… Se perdoe, vá em paz, há sempre tempo de recomeçar. Adeus!”

***

Após a cantoria ao final da sessão, Tomé estava ainda enxugando as lágrimas. Ele havia sentido de perto, bem de perto, toda a dor e angústia, todo o caos mental naquela senhora, ou no que quer que a tenha visitado ali. Alguém que sofria imensamente, mas que foi consolada. Alguém que pareceu, depois de muito tempo, enxergar uma vez mais a luz ensolarada da esperança…

Ele tinha de perguntar a Yorgana:

“Nossa, como você atendeu bem, firme! Como você faz para ter as palavras certas nesse momento? Você não fica com medo do que pode aparecer? Você não… Duvida do que está ocorrendo?”

“Eu nunca sei o que virá, e certamente fico apreensiva, e certamente tenho dúvidas acerca do ocorrido… Se foi realmente alguém que apareceu, se era uma memória antiga, algum distúrbio mental, alguma personalidade trancafiada que pôde finalmente vir a tona… Quem vai saber?”

“Mas, na hora você…”

“Na hora, não era eu. Era algo acima de mim, algo que me toma e que me faz ser alguém maior, alguém que tão somente deixa a luz do alto passar, o mais límpida possível… Na hora, não há nada a se temer, nem nada a se duvidar. Na hora, eu apenas amo, e o amor faz o resto. E, Tomé, não há como se temer o amor, não há como se duvidar dele.”

raph’12

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Crédito da imagem: Fraternidade Espírita Monsenhor Horta

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Contos #Espiritismo #Espiritualidade #Mediunidade

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Lovecraft e os 13 Portais do Necronomicon

Por Donald Tyson

Howard Phillips Lovecraft rolaria em seu caixão no histórico Cemitério de Swan Point, em Providence, Rhode Island, se soubesse o que as pessoas em todo o mundo estão fazendo com sua ficção. Milhões de fãs não estão apenas lendo-o para puro prazer, eles estão levando-o a sério!

Isto é algo que a Lovecraft nunca pretendeu. Ele era um materialista convicto e um ateu cuja filosofia de vida pode ser resumida em poucas palavras: a vida é sofrimento sem sentido, e a morte a única libertação. Embora Lovecraft fosse um homem genial para se encontrar e conversar, alguém de quem quase todos os que o conheciam gostavam, sua compreensão do universo e de nosso lugar nele teria levado Nietzsche à depressão suicida.

Quando os fãs lhe escreviam, perguntando se Cthulhu era real, ele lhes dizia que não sabia nada sobre o ocultismo, que não se importava com ele e que não queria ouvir falar sobre isso – que todo esse assunto era um puro disparate.

O que levanta um pouco de mistério. Por que um homem passaria toda sua vida obsessivamente escrevendo sobre o estranho, o horripilante, o esotérico, o bizarro, se ele não tivesse interesse nestes assuntos?

A resposta a este enigma encontra-se nos sonhos e pesadelos de Lovecraft. Sua vida onírica era invulgarmente vívida, e ele tinha a capacidade de lembrar mais dela do que a maioria de nós consegue. Às vezes, ele tomava consciência de si mesmo enquanto ainda sonhava, e descobria que podia direcionar sua atenção para diferentes aspectos do sonho, e até mesmo mover-se de lugar em lugar dentro dele. Hoje conhecemos isso como sonho lúcido, mas o termo não estava em uso quando Lovecraft sonhou com Cthulhu, Nyarlathotep, Yuggoth e o Necronomicon.

Lovecraft sempre ria quando alguém lhe sugeria que seus sonhos eram mais do que trivialidades, mas no fundo de sua mente deve ter havido algumas dúvidas, pois muitas vezes ele escreve em suas cartas que, se não soubesse melhor, juraria que tinha vivido uma cena de uma vida passada. Ele era tão obcecado com o passado e com o velho como era com seus sonhos. Ele acreditava ser um homem nascido fora de sua idade natural – ele se via como um cavalheiro inglês do século 18.

A verdade é que Lovecraft vivia aterrorizado com seus pesadelos. Ele não suportava reconhecer seu poder sobre ele, por isso zombava deles e negava sua importância, mesmo para si próprio. Como uma forma de exorcizar seus sonhos e ganhar controle sobre eles, ele os escreveu na forma de histórias.

Ele se recusou a considerar a possibilidade de que ele pudesse ser uma velha alma deslocada no tempo a partir do século 18 até nossa era moderna. Ele negou isso pela mesma razão que se recusou a considerar que seus sonhos pudessem ter algum significado esotérico – ele precisava desesperadamente que o mundo fosse ordeiro e mundano.

Seu maior pavor era a loucura. Ambos os pais enlouqueceram, primeiro seu pai, e depois sua mãe. Ao longo de sua vida, desde a infância, ele sofreu uma série de colapsos nervosos, alguns maiores e outros menores. Ele estava interiormente certo de que um dia ele mesmo enlouqueceria e precisava que o mundo fosse o mais chato e previsível possível para manter sua sanidade intacta. Foi por esta razão que ele ignorou resolutamente qualquer coisa a ver com o sobrenatural ou paranormal, e recusou-se até mesmo a reconhecer que tais coisas poderiam existir.

Os magistas modernos estão aprendendo a olhar além do materialismo e do ateísmo ostensivos de Lovecraft, a fim de examinar o conteúdo e a qualidade de suas histórias para seu significado esotérico. Quando fazemos isso, descobrimos que o universo mitológico que ele criou não tem semelhança a nenhum outro, e que possui uma coerência interna e uma plausibilidade perturbadoras.

Lovecraft sonhou com um mundo no qual a espécie humana vive na feliz ignorância das muitas raças de criaturas alienígenas, antigas e inimaginavelmente poderosas, que habitaram este globo em eras passadas distantes, e que ainda mantêm uma presença aqui, invisível e insuspeita pela maioria de nós. No mundo do Lovecraft, a magia é a ciência alienígena, uma espécie de potente geometria transdimensional que pode ser acessada por qualquer pessoa com as devidas chaves simbólicas, e os demônios do mundo pagão são seres alienígenas adorados por cultos degenerados que sobrevivem nas terras bárbaras e nos recantos longínquos de nosso planeta.

O único Deus para Lovecraft em seus sonhos era o idiota cego Azathoth, que se senta em seu trono negro no centro do turbilhão do caos do universo, babando ao som de flautas frenéticas. Ele não tem moralidade, nenhuma virtude, nenhum propósito. Ele espera pacientemente que o universo seja engolido no vórtice caótico que é seu reino, para que então ele passe mais uma vez para o nada de onde saiu.

No mito do Lovecraft, a própria Terra é uma espécie de deusa que caiu ou fugiu de algum estado espiritual superior. Os Antigos foram enviados para limpar sua superfície da infestação de vida biológica antes de usar sua ciência mágica para arrancá-la de sua órbita e devolvê-la à sua exaltação anterior através da porta dimensional do Yog-Sothoth, que é o guardião universal por cujas portas todos nós devemos passar quando morremos.

Tudo isso e muito mais é sugerido nas páginas do Necronomicon, um livro de loucura e horror escrito pelo poeta árabe louco do Iêmen, Abdul Alhazred, em seus meses finais de vida, pouco antes de um demônio invisível o ter arrancado do mercado de Damasco e o consumido, pelo menos da visão de olhos mortais. Só um louco poderia escrever um livro tão insano, e lê-lo é enlouquecer. O que é obliquamente referido em suas páginas é que Alhazred aprendeu com as coisas que rastejam e deslizam por cavernas e túneis abaixo do grande deserto da Arábia, a terra dos gênios que sem remorsos odeiam todos os seres humanos.

O livro não existe – pelo menos, não nesta vida. Lovecraft o viu e ouviu seu nome em sonhos, assim como sonhou com Nyarlathotep e Shub-Niggurath, os Abissais e os Antigos, os Mi-go e a Grande Raça de Yith. Os mágicos afirmam que estes seres têm pelo menos tanta realidade quanto os deuses e deusas do Egito e da Grécia, para não falar do pálido Deus dos cristãos. Eles começaram a usar o mito do Lovecraft para trabalhos de magia prática. De fato, quando usado desta forma, ele forma um sistema coerente de imensa potência.

O principal objetivo do livro “The 13 Gatesof Necronomicon” é reunir todo o material de ficção e poesia do Lovecraft que pode ser explorado com utilidade prática por mágicos modernos que trabalham no campo do mito do Necronomicon. É um texto fonte, um compêndio das raças alienígenas, criaturas monstruosas, mundos estranhos e dimensões alternativas, cidades antigas e poderosos feiticeiros e bruxas que habitaram os sonhos do Lovecraft. Os rituais mágicos aos quais Lovecraft fez referência são expostos e explicados. Os livros de magia que ele escreveu, tanto os que são materiais como os que são astrais, estão lá documentados.

Este pode ser o único livro que reúne todas as partes esotéricas do mito do Lovecraft em um só lugar, e os apresenta de uma forma facilmente acessível aos mágicos que trabalham. Este material reunido representa os blocos de construção para os futuros sistemas de magia do mythos.

Aproveitei a oportunidade proporcionada pela publicação deste livro para apresentar também um sistema de treze portões esotéricos, que chamei de portões estelares porque cada um deles está ligado a uma das treze constelações zodiacais atuais. Isso mesmo, existem treze constelações na faixa do zodíaco, não doze. Muitas pessoas não sabem disso, porque todos nós estamos muito familiarizados com os doze signos da astrologia moderna.

Cada porta no céu está ligada a uma porta na cidade do Necronomicon – uma porta que leva a um tópico separado e distinto tratado no mito por Lovecraft. Para fins ocultos, é útil pensar no Necronomicon como uma cidade murada, com muitas ruas estranhas e habitantes curiosos, e com treze entradas principais. Desta forma, cada uma das treze áreas do mito pode ser examinada e controlada individualmente, através de seu próprio portal estelar.

Os treze portões estelares, que podem ser entrados pelo Sol ou pela Lua, são projetados para servir como uma estrutura ritual geral para vidência, encantamentos, viagem astral, invocações e evocações. Eles podem até ser adaptados para uso por aqueles que talvez não tenham vontade de trabalhar a magia do mito do Lovecraft. Quando acoplado ao dispositivo de uma cidade murada de treze portões separados, cada um levando a uma ala diferente da cidade, torna-se uma potente técnica mnemônica de visualização, e uma forma de categorizar e organizar elementos deste sistema oculto.

Tudo isso teria sido um anátema para Lovecraft, que queria, em nome de sua própria sanidade, acreditar que seus sonhos não tinham significado superior e que o universo era um lugar muito seguro e previsível. Mas em seu coração, Lovecraft sabia que esse não era o caso, e nós sabemos que as coisas não são assim. O universo é mais estranho do que até mesmo Lovecraft poderia imaginar, embora ele tenha chegado mais perto do que ninguém na captura da sensação de  estranheza em sua ficção. O que Lovecraft sonhou e negou, os mágicos modernos abraçaram e procuraram manifestar em seus trabalhos rituais. As 13 Portas do Necronomicon foi projetado para ser um livro fonte para eles em sua busca para explorar todo o potencial dos sonhos de Lovecraft.

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Fonte: TYSON, Donald. Lovecraft and the 13 Gates of the Necronomicon. The Llewellyn’s Journal, 2010. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/2122>. Acesso em 8 de março de 2022.

COPYRIGHT (2010). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/lovecraft-e-os-13-portais-do-necronomicon/

Formação Estelar, Planeta e Transição Planetária

Paulo Jacobina

À medida que o Agente Modelador passa a atuar no Tecido Elementar, ele molda, no Grande Plano Mental, o Princípio Inteligente, partícula elementar de tudo que compõe o Grande Plano Mental e, consequentemente, é responsável por toda a manifestação que ocorre no Grande Plano Físico.

No polo oposto, o Eu atua unindo o Princípio Inteligente, dando origem a novas Formas-Pensamentos e, consequentemente, a novas manifestações no Grande Plano Físico.

Ao unir o Princípio Inteligente, o Eu começa o processo de estruturação de Formas-Pensamento que se manifestam, em determinado estágio, no Grande Plano Físico como nuvens de gases. Com a intensificação da ação unificadora, buscando aglutinar todas as Formas-Pensamento que ali se encontram, alcança-se um novo estágio de Consciência, a formação estelar.

Em situações nas quais a ação unificadora do Eu exerce forte predominância sobre a ação do Agente Modelador, origina-se apenas uma estrela, a qual passará por todos os estágios da sua jornada existencial, estudada no campo do Grande Plano Físico amplamente pela Astronomia, até transmutar-se, juntamente com outras Formas-Pensamento similares, e dar origem à Forma-Pensamento que anima o reino mineral.

Porém, raramente a ação unificadora do Eu prevalece de forma tão grande à ação do Agente Modelador, e, por isso, outros caminhos são trilhados, caminhos por meio dos quais se formam, por exemplo, dois núcleos de consciência[1] (em fenômeno conhecido como estrelas binárias), ou mesmo situações nas quais há um núcleo maior de consciência e diversos núcleos menores, em um fenômeno conhecido como Sistema Planetário.

O Sistema Planetário nada mais é do que um único organismo que se encontra em processo de depuração, com as suas nadi, que se apresentam como as eclípticas e demais forças que mantêm o sistema coeso; com seus chakra, que se manifestam como os “buracos de minhoca” ou “Pontes de Einstein-Rosen” e como as outras formas de expulsão de elementos para fora do sistema, e de atração de elementos oriundos de regiões externas ao sistema.

Entretanto, por ainda não se encontrar totalmente integrado, ocorre que algumas partes desse organismo se percebem como organismos únicos, mas que se encontram em um processo de interdependência com os outros organismos do seu sistema[2]. Dessa forma, tal como a Escada de Jacó, cada parte do Sistema Planetário atua de acordo com a sua função e o degrau no qual se encontra, estando o Planeta principal[3] desse Sistema Planetário servindo de guia para os demais Planetas do Sistema.

Conforme se depuram os estágios de consciência dos elementos que compõem o Sistema Planetário, processos de transformação ocorrem e os elementos começam a se fundir, pela ação do Eu, dando forma a novos organismos, novos estágios no processo de transformação e sutilização estelar.

PLANETA

Planeta é o nome dado a um estado de consciência do Eu na formação estelar. Esse estado possui gradações e pode se manifestar como a Estrela em si, em seus diversos estágios existenciais, ou como o que se chama comumente de planetas, em seus diversos estágios.

Independente do estágio no qual se encontra, a formação do Planeta se dá pela atuação de infinitos fatores, dentre os quais se podem destacar alguns:

O mais importante são as situações vivenciadas diretamente pelo Planeta, tendo em vista que a jornada existencial é do Eu que ali se encontra e, por isso, ele deve vivenciá-las de forma a encontrar a ressonância necessária para se deslocar na Consciência.

Um segundo fator de destaque está associado à relação do Planeta com aqueles Planetas que se encontram em degraus superiores e inferiores ao seu.

E por fim, a relação do Planeta com Eus que se encontram em outros estágios de Consciência e que, em virtude destes estágios, necessitam passar por experiências que são proporcionadas pelo Planeta no estágio no qual ele se encontra, manifestando-se nos diversos Corpos Existenciais do Planeta. Da mesma forma com que o Planeta auxilia na jornada desse Eu que ali encarna, este auxilia na jornada do Eu que se manifesta como Planeta, contribuindo para a transformação dos seus Corpos Existenciais[4].

Além desse grupo de Eus, também existe aquele que se encontra em outro estágio de Consciência, no qual, pela utilização do Amor, passa a atuar de forma a organizar e manter a coesão na manifestação de grupos de Eus, no que se chama comumente de Psiquismo Diretor.

Assim como ocorre no Eu que se encontra encarnado como homem, o Planeta também possui Corpos Existenciais[5], sendo criado em seu aspecto mais sutil, passando-se a brutalizar-se pela ação do Agente Modelador e, posteriormente, sutilizando-se novamente[6] até integrar-se com o restante do Sistema Planetário, em um processo denominado de Transição Planetária.

TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

Tal qual ocorre com a Existência, o Planeta também tem os seus períodos de sístoles e diástoles que provocam a diminuição e o aumento do fluxo de Vitalidade que recebe pelos chakra e são distribuídos pelas nadi.

A Vitalidade inicia o seu fluxo em um período que recebe o nome de Satya Yuga[7]. À medida que o fluxo de Vitalidade diminui, um novo período se inicia, chamado de Treta Yuga[8]. Continuando a diminuir, dá-se origem a terceiro período, o Dwapara Yuga[9]. E, com a constante diminuição do fluxo, um quarto período se inicia, o Kali Yuga[10], um período no qual a Vitalidade quase não alcança o Planeta.

Atingindo o seu ponto de menor fluxo de Vitalidade no final do Kali Yuga, tem-se início a diástole, fazendo com que o Planeta percorra, agora em sentindo inverso, o Kali Yuga, o Dwapara Yuga, o Treta Yuga e o Satya Yuga, quando, ao final deste último período, alcançará o ponto de maior fluxo de Vitalidade[11] e dará início a uma nova sístole. A esse sucessivo processo de sístoles e diástoles[12] do Planeta dá-se o nome de Transição Planetária[13].

Estes fluxos e refluxos de Vitalidade são os responsáveis por permitir que o Planeta experimente a ilusória transitoriedade do seu estado e se depure, percorrendo a trilha do seu Dharma, naquilo que ele é, o Absoluto manifesto.

O ciclo se inicia no maior estágio do fluxo de Vitalidade, pois, além do fato de o movimento se iniciar no seio do Absoluto, é o momento no qual o Eu tem de captar a Vitalidade que será “colocada à prova” nos períodos posteriores, nos quais o fluxo é menor, de forma a fazer com que o Eu compreenda pelo Planeta por intermédio dos seus chakra e das suas nadi. Durante o período de sístole, uma quantidade maior de Vitalidade deixa o Planeta em comparação com a quantidade de Vitalidade que chega; enquanto no período diástole, uma quantidade maior de Vitalidade chega ao Planeta em comparação com a quantidade que sai.

Essa Vitalidade que transita pelo Planeta se manifesta na forma de Eus que se encontram em estágios de maior ou menor sutilização, e que ainda necessitam de experimentar as situações proporcionadas pelo Planeta no qual irão encarnar.

Assim, durante o Satya Yuga, a aquilo que foi captado[14].

A Vitalidade se deslococorre uma intensa chegada de Eus mais sutilizados, e no polo oposto, durante o Kali Yuga, há menor chegada de Eus mais sutilizados.

O fluxo de Vitalidade chega e deixa o Planeta via Sistema Planetário, tendo em vista que o Planeta é parte integrante de um organismo maior, assim como o próprio Sistema Planetário também o é, bem como tudo o que existe e o que não existe também faz parte de um organismo maior, o Absoluto[15].

[1] Aos estágios da Consciência nos quais o Eu se percebe como esses núcleos de consciência, dão-se o nome de Planeta.

[2] De forma similar ao que acontece com o homem, que, muitas das vezes, se vê como um ser único, mas dentro de um processo de interdependência dos outros homens, sem se dar conta de que ele faz parte de um organismo maior, a Humanidade.

[3] No caso do sistema solar, ao planeta principal desse sistema dá-se o nome de Sol. O Dharma de todo sistema planetário, seja ele qual for, é tornar-se uma única estrela e, por fim, formar o princípio inteligente que se manifesta no reino mineral.

[4] Um exemplo básico dessa contribuição encontra-se no estudo das egrégoras.

[5] “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.

[6] “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”.

[7] Também chamada de Sat Yuga ou Krta Yuga ou Krita Yuga ou Era de Ouro.

[8] Também chamado de Trétha Yuga ou Era de Prata.

[9] Também chamado de Dvapara Yuga ou Era de Bronze.

[10] Também chamado de Era de Ferro.

[11] Sabendo que “o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”, também é possível se verificar este ciclo de sístole e diástole em outras escalas existenciais, como a apresentada com o passar das estações do ano, as etapas do dia, a Roda de Samsara ou ciclo das encarnações etc.

[12] “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”.

[13] A Transição Planetária é o conjunto de ciclos de sístoles e diástoles da Vitalidade no Planeta, permitindo a sua transformação de maneira a seguir o seu Dharma e, como “o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”, também é possível se verificar esse conjunto de ciclos em outras escalas existenciais, como a apresentada no reinício do movimento de translação do Planeta.

[14] De forma similar ao que ocorre no processo de se criar uma escultura com argila. Primeiro se utiliza uma porção de argila, que é moldada e o excesso é retirado, deixando apenas a base do que se visa construir. Depois, uma nova porção de argila é acrescentada, moldada e o excesso é retirado, para construir a estrutura da escultura. Esse ciclo de acrescentar argila, moldar e retirar o excesso se repete até o objeto ser finalizado.

[15] Pois “enquanto Tudo está no Todo, é também verdade que o Todo está em Tudo”.


~ Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalista.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/formacao-estelar-planeta-e-transicao-planetaria/

Ordem Hermética dos Martinistas (HOM)

O Martinismo é uma forma de cristianismo iniciático esotérico ou místico que diz respeito a Jesus Cristo como o Reparador e visa à reintegração do homem para atingir um estado idealizado.

O Martinismo reflete a filosofia e a mística cristã esotérica do filósofo francês Louis Claude de Saint-Martin (1743 – 1803), que era um discípulo do maçom do século 18 e teurgo, Martinez de Pasqually (1727-1774). Escritos de Saint-Martin espiritual foram publicados sob o pseudônimo de Le philosophe Inconnu, ou o Filósofo Desconhecido.

A Ordem Hermética dos Martinistas (HOM) é uma Ordem Martinista que só está aberta a Mestres Maçons de uma Loja sob a autoridade da Grande Loja Unida da Inglaterra ou de uma Grande Loja reconhecida por eles, que são membros pelo menos o primeiro Grade (Zelator) da Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA).

Por um processo de iniciação, meditação, estudo, discussão esotérica e contemplação, os membros da Ordem objetivo de descobrir e entender a presença de Jesus Cristo dentro de si.

ORGANIZAÇÃO

A Ordem é governada por um Grão-Mestre e a administração diária é feita pelo gravador Grande. A Ordem é organizada em um sistema de Loja semelhante à maçonaria. A Heptada é composta por um mínimo de sete membros e uma Loja tem um mínimo de 21 membros. Um círculo tem menos de sete membros. As reuniões são conhecidas como conventículos.

Existem três classes ou graus no sistema da Ordem Hermética de Martinistas:

Primeiro Grau: Livre Iniciado.

Segundo Grau: Associado.

Terceiro Grau: Supérieur Inconnu, SI ou Superior Desconhecido.

Para se tornar um Irmão Mestre de sua Loja, ele recebe a cerimônia de PI (Philosophe Inconnu). Isso só pode ser dada por um Filósofo Desconhecido, como o Grão-Mestre, o Inspetor Geral ou do Inspetor Principal, bem como alguns inspetores Past Grão.

A regalia consiste de um manto negro com capuz e um frade franciscano. O frade franciscano é composto de cabo preto para um membro, corda vermelha de PI, dois cabos vermelham e branco para um Filósofo Desconhecido e vermelho e duas cordas brancas para o Grande Mestre.

O ponto culminante é a celebração do membro a ser avançado para o grau de SI. Durante esta cerimônia, o membro é agraciado com um belo colar branco com bordados de ouro.

História

O Martinismo moderno surgiu no final do século 19 na França e foi fundado como L’Ordre Martinista pelo médico espanhol nascido francês, hipnotizador e espiritualista Papus (Dr. Gérard Encausse). Ele também foi membro do Rito Esotérico de Memphis-Misraïm, que é uma forma egípcia da Maçonaria desenvolvidos pelo conde Alessandro di Cagliostro.

Sob a liderança de Papus, a Ordem cresceu rapidamente. No entanto, Papus morreu em 1916 e foi sucedido por Carlos Detre (Teder), que cultivava uma Ordem (conhecido como L’Ordre Martinista-Martinéziste de Lyon), que tornou-se mais na sua filosofia maçônica.

O Patriarca da Igreja Gnóstica Universal, Jean Bricaud, conseguiu convencer Teder a ser Grão-Mestre e mudou a sede da Ordem para Lyon, onde se tornou conhecido como L’Ordre Martinista de Lyon. Bricaud desenvolveu a conexão Maçônica, garantindo que a filiação maçônica era um requisito para ser membro da Ordem.

Em 1921, com Victor Blanchard (Sar Yesir) como Grão-Mestre, um grupo de Martinistas fundou uma ordem separada, L’Ordre et Martinista Synarchique (OMS), que não esta ligada a uma sociedade maçônica.

Durante a tirania da II Guerra Mundial, a luz do Martinismo foi quase extinta na Europa, mas as tradições iniciáticas foram mantidas em segredo, na Suíça, que se manteve neutro durante estes anos. Blanchard permaneceu Grão-Mestre da OMS até sua morte em 1953 e foi sucedido pelo Dr. Edouard Bertholet (Sar Alkmaion) da Suíça.

Posteriormente, em 1958, Louis Bentin (Sar Gulion) recebeu uma carta de Bertholet para formar um ramo da OMS na Inglaterra e tornou-se Grão-Mestre da Grande Loja Britânica da OMS.

A Ordem Hermética da Martinistas (HOM) foi re-inaugurada por um grupo de Martinistas britânicos em 14 de Março de 1978, com o britânico maçom e ocultista, Bourke Desmond (Sar Olibius) como o primeiro Grão-Mestre.

Bourke era um importante membro da Societas Rosicruciana em Anglia e membro da OMS. Através de sua forte amizade com Bentin, Bourke foi concedida uma carta para o restrito HOM pelo SAR Gulion. Os ensinamentos do HOM acompanham de perto os da OMS.

Nossos Grão-Mestres são os seguintes:

Sar Olibius (1978 – 1984)

Sar Tutela (1984 – 1993)

Sar Benevolentia (1993 – 2005)

Sar Fidentia (2005 – 2007)

Sar Perseverando (2007 -)

@MDD – É SAR mesmo, é um título Martinista que significa “príncipe” em hebraico.

PS.: Existem outras inúmeras Ordens Martinistas, tais como:

– TOM – Tradicional Ordem Martinista (Ligada a Ordem Rosa Cruz)

– Ordem Martinista dos Filósofos Desconhecidos

– Ordem Martinista de Ellus Cohens

– Ordem Martinista Sinarquica

– Ordem Martinista Martenezista

Marco A. Queixada – VM.’.

ARLS Sublime Imprensa Maçônica, 3999

#Martinismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-herm%C3%A9tica-dos-martinistas-hom

Dion Fortune

Batizada com o nome de Violet Mary Firth Evans, Dion Fortune nasceu em Wales no dia 6 de dezembro de 1890, na cidade de Bryn-y-Biam Liandudno em North Wales. Desde cedo Violet já demonstrava habilidades foras do comum; relatando visões de Atlântida com a idade de quatro anos, se lembrando de vidas passadas. Quando contava com 12 anos sua familia se muda para Somerset e dois anos depois sua família se converte para a Ciência Cristã. Esta conversão fez com que a família entrasse em uma período de muitas mudanças, indo viver em diferentes partes de Londres onde Sarah Jane, mãe de Violet, exercia a prática de curandeira. Ainda criança Violet se mostrava possuidora de uma imaginação muito criativa e dona de talentos literários, seu primeiro livro, ‘Violets’, foi publicado em 1904, quanto contava com 13 anos, e teve um poema publicado em 1906 em uma revista de circulação nacional, a ‘The Girl’s Realm’.

Cedo em sua vida se viu envolvida por estranhos acontecimentos. Um evento chave ocorreu quando ela tinha 20 anos que definiria o rumo que daria a sua vida. No verão de 1911 os pais de Violet decidiram enviá-la a uma faculdade, e escolheram o Studley Horticultural College. A diretora da Universidade era a Dra. Lillias Hamilton que por si só tinha um currículo interessante: graduada como doutora em 1890 (um grande feito para uma mulher naquela época), ela viajou para a Índia, onde foi trabalhar em Calcutá. Em 1984 foi apontada como médica da corte do Amir do Afeganistão, aquele era um período conturbado na região e por causa de insurreições de tribos afegãs a Dra. Hamilton teve que abandonar o pais e retornar à Inglaterra, viajando depois para a Africa do sul, onde criou e administrou uma fazenda, retornando a Londres posteriormente enquanto seu irmão dirigia a fazenda. Violet estudou por dois anos na universidade, sem maiores complicações, inclusive escrevendo peças para serem encenadas. Isso durou até que ela percebeu que algumas de suas colegas sofriam de alguns males físicos aparentemente sem causas naturais. Após algumas investigações ela descobriu que a Dra. Hamilton, a diretora, poderia ser a responsável, e decidiu deixar a universidade. Quando foi falar com a diretora para anunciar seu afastamento, a Dra. Hamilton, apesar de seriamente incomodada com a situação deixou que Violet abandonasse o curso dizendo: “Muito bem, deixe a faculdade se tiver que ser assim, mas primeiro você deve admitir que é uma incompetente”. Ela então começou a encarar a garota dizendo repetidamente que Violet não possuia qualquer auto-confiança e era incompetente. Isto se prolongou por horas, sempre repetindo a mesma frase: “Você é incompetente e sabe disso. Você não tem nenhuma auto-confiança e tem que admitir”. Com o passar dos minutos Violet foi sendo minada e finalmente admitiu as coisas que a Dra. falava, apenas para se livrar daquela situação anormal. Esse ocorrido resultou em um colapso nervoso que devastou tanto a mente quanto a saúde da garota por mais de três anos.

Ela conseguiu abandonar a instituição logo após este episódio e durante os meses que se seguiram começou a estudar psicologia como forma de reconquistar o controle pleno de sua mente e sua vida, assim ela começou a frequentar os cursos de Psicologia da Universidade de
Londres (não existia ainda uma faculdade própria para o assunto) e, em 1912. Talvez pelos dotes do cozinheiro, talvez pelo ambiente, nesta época, ao invés de frequentar o refeitório da universidade, Violet almoçava em uma cantina no centro da cidade, cantina esta administrada pela Sociedade Teosófica. Foi então que teve uma segunda experiência fora do comum. Certo dia, levada pela curiosidade, atendeu a uma das palestras da Sociedade Teosófica, o assunto era telepatia mental. Para seu completo assombro, durante a palestra foram propostos alguns exercícios simples e ela descobriu que era capaz de ler imagens que estavam sendo projetadas pela mente do palestrante. Após anos de estudo sobre os trabalhos e obras desenvolvidas por Freud e Jung, ela concluiu que nenhum dos dois havia se aprofundado adequadamente nos mistérios da mente humana, apesar de seus esforços e avanços, muitos dos nuances daquilo que chamamos consciência permaneciam inescrutáveis pelas técnicas psicológicas e psiquiátricas da época.

Violet se graduou e tornou-se terapeuta na East London Clinic e na Medico-Psychological Clinica em Brunswick Square. Durante este período começou a se ver envolvida com fenômenos que não podiam ser inteiramente explicados pela ciência, um estudante de um de seus pacientes estava sendo alvo de fenômenos físicos anormais: na sua presença portas se escancaravam sozinhas e cachorros entravam em frenesi, latindo e uivando. Colocando todo seu conhecimento em prática, ela se viu incapaz de prestar qualquer auxílio ao rapaz e acabou pedindo ajuda a um irlandês misterioso e cheio de carisma que acabava de retornar à Inglaterra de uma estadia na África do Sul. Seu nome era Theodore Moriarty. Juntos foram visitar o estudante e viram, no local onde ele morava, todos os fenômenos ocorrendo, Moriarty, um ocultista e maçom experiente, percebeu uma entidade presente no cômodo e depois de uma perseguição pela casa conseguiu prendê-la no banheiro e então destruí-la, o confronto foi tão violento que Moriarty terminou caído inconsciente no chão.

O episódio com Moriarty, que se tornou seu primeiro mentor, assim como suas experiências passadas, fez com que Violet mergulhasse de cabeça no ocultismo, estudando e desenvolvendo suas próprias habilidades psíquicas. A ela interessava especialmente como certos rituais místicos e orientais podiam provocar certos estados psicossomáticos, e foi nesta época que se tornou visitante constante da Sociedade Teosófica e durante seus estudos esotéricos, tomou conhecimento da Grande Loja Da Fraternidade Branca, e dos grandes mestres secretos que não possuem mais um corpo físico mas que auxiliavam a humanidade a evoluir. Entrar em contato com os Mestres Secretos se tornou sua obsessão. Foi essa busca que fez com que fosse iniciada, em 1919, no Templo Alpha et Omega, sendo depois transferida para a Ordem Stella Matutina, a ordem que mais tarde se tornaria a Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn). É neste ponto que Violet Mary Firth adota o nome de Dion Fortune, inspirado pelo lema de sua familia “Deo, non fortuna”, frase em latim que significava “por Deus, não pelo destino”.

O desenvolvimento esotérico e oculto de Dion Fortune amadurecia a cada dia que se passava. Ela começa a escrever uma série de novelas e histórias que abordavam vários aspectos da magia e do esoterismo, alguns deles de cunho auto biográfico como The Secrets of Dr. Taverner, uma coleção de histórias curtas baseadas em experiências que teve com Moriarty, na qual podemos ler alguns estudos de casos fictícios nos quais processos mágicos e psicológicos estavam mesclados. Talvez por nunca ter buscado a fama ela não fosse muito conhecida no meio mágico em sua época, mas sua influência era inegável, duas de suas obras, por exemplo, The Sea Priestess e Moon Magic, tiveram uma influência enorme no desenvolvimento da religião Wicca, que estava se formando na época, até hoje a dívida do paganismo com Dion é enorme, seja em seus ritos e costumes, seja no desenvolvimento da sua mitologia[1].

E veio então a década de 1920. Quando o mundo viu a Grande Guerra se encerrar, Dion encontrou seu próprio campo de batalha. Por causa de alguns de seus escritos, como o The Secret of Dr. Taverner e uma série de artigos para o periódico The Occult Review, Dion ganhou a inimizade de Moina Mathers, esposa de MacGregor-Mathers, o fundador da Golden Dawn, e por causa disso se tornou alvo de uma série de brutais ataques. Moina acreditava que os segredos da Ordem deveriam permanecer dentro da Ordem, e Dion simplesmente publicava material fechado par amembros para quem quisesse ler, e assim Dion foi expulsa da Ordem sob a alegação de que os símbolos de um real iniciado não estarem presentes em sua aura, na mesma época ela começou a se sentir inundada por um grande “sentimento geral de um vago mal-estar” que “gradualmente amadureceu em um nítido sentimento de ameaça e antagonismo”, neste mesmo período começou a ter visões de rostos demoníacos. Foi então que fenômenos físicos começaram a se manifestar, sua vizinhança foi invadida por gatos negros em tal quantidade que o caseiro do vizinho “retirava montes de gatos da soleira da porta e do parapeito da janela com uma vassoura, e declarou que nunca na vida vira tantos gatos juntos”. Quando Fortune se deparou com um “gigantesco gato listado, duas vezes maior que um tigre” na escada de sua própria casa, decidiu reagir e assim teve início um duelo mágico entre as duas mulheres. Dion, pedindo a ajuda dos Mestres Secretos, obteve sua vitória, mas como lembrança da batalha suas costas ficaram “marcadas por arranhões como se houvessem sido unhadas por um gato gigantesco”.

Seu amigo e mentor Theodore Moriarty morre em 1923, e nesta época ela se une ao Christian Mystic Lodge (Místico Templo Cristão) da Sociedade Teosófica, por causa de uma visão poderosa que teve que mostrava a necessidade que ela tinha de começar abraçar o cristianismo em seus estudos, se tornando Presidente da ordem em pouco tempo. Mesmo assim ela não estava satisfeita com o rumo que a Sociedade Teosófica estava tomando e no Solstício de Inverno de 1928 ela criou os “Mistérios Menores da Luz Interior, uma fraternidade que não demorou a se tornar uma poderosa escola iniciática, tendo como alguns de seus membros célebres, Coronel C.R.F. Seymour e Christine Hartley. Nesta época conheceu o médico Thomas Perry Evans, que também possuía interesses no ocultismo e acabou se tornando seu marido em 1927. Juntos eles trabalharam como Sacerdote e Sacerdotiza da ordem. Doze anos depois os dois se divorciam e Dion aluga uma propriedade em Londres e a dedica aos Mistérios de Isis.

Enquanto isso o mundo via com apreensão sombras negras se formarem no cenário político da Europa, e aquilo que se tornaria a Segunda Guerra Mundial começava a tomar forma. Dion Fortune então se engajou em uma segunda guerra pessoal: a Batalha Mágica da Grã Bretanha. Esta foi uma guerra travada por ocultistas que desejavam terminar com a Segunda Guerra Mundial, oferecendo auxílio mágico para os exércitos ingleses e ataques mágicos contra os Nazistas. Esta batalha ficou registrada pelas cartas que ela enviava a estudantes e posteriormente reunidas no livro Magical Battle of Britain.

Durante sua vida Dion Fortune começou a escrever obras não mais dedicadas à ficção, mas a registros de tudo o que viveu e descobriu. Apesar de seus contos e novelas terem um grande embasamento ocultista, já que ela acreditava que as histórias eram a melhor forma de mostrar como colocar em prática a sabedoria adquirida com seus estudos, ela se decidiu que muito do conhecimento da época seria perdido ou corrompido caso não fosse registrado de maneira mais adequada, e assim escreveu obras que se tornaram marcos até os dias de hoje para qualquer estudante de magia e ocultismo e mesmo para praticantes experientes. Livros como A Cabala Mística e Auto-Defesa Psíquica se tornaram obrigatórios nas bibliotecas de muitos estudiosos, outras obras, embora menos conhecidas, como Through the Gates of Death e vários de seus livretos também trazem o reflexo de alguém que passou a vida se dedicando ao conhecimento da mente e da alma humana.

Em janeiro de 1946, Dion Fortune se viu envolta em uma onda de cansaço e mal-estar, e foi internada no Hospital Middlesex de Londres, onde foi diagnosticada com Leucemia, morrendo alguns dias depois. Muitos afirmam que a doença se desenvolveu por causa das batalhas travadas durante o período da Batalha Mágica, que acabaram exigindo muito esforço e foi a causa de muitas baixas no mundo ocultista.

A Sociedade da Luz Interior está em atividades até os dias de hoje em Londres e de lá já surgiram alguns ocultistas de renome como Walter Ernest Butler  e Gareth Knight, ambos com a sorte de serem discipulos de Dion Fortune

Obras de Dion Fortune

– Aspectos do Ocultismo
– Através dos Portais da Morte
– Autodefesa Psíquica
– A Cabala Mística
– A Doutrina Cósmica
–  A Filosofia Oculta do Amor e do Matrimônio
– Glastonbury
– Magia Aplicada
– Magia Ritual
– Ocultismo Prático na Vida Diária
– As Ordens Esotéricas e Seu Trabalho
– Paixão Diabólica
– Preparação e Trabalho do Iniciado
– Sacerdotisa da Lua
– Sacerdotisa do Mar
– Os Segredos do Dr. Taverner
– Ocultismo São
– O Deus com Pés de Bode

[1] Para se ter uma idéia, os aspectos místicos da série Brumas de Avalon foram tirados das obras de Dion Fortune.

1890-1946

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/dion-fortune/