Padrões Universais (Parte 7)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos, falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução e como isso pode ser organizado em em Rituais, depois mostramos como a simples mistura de sistemas mágicos pode ser um fracasso para pesquisas em Análise de sistemas mágicos para então chegarmos à transformações que ocorrem com as informações que saem do plano emocional e vai para o intelectual em Sonhos.

No último capítulo falamos dos sistemas simbólicos que permeiam as culturas, se referindo a um espaço-tempo específico. Porém, alguns desses padrões podem ser encontrados em todas as culturas deste nosso planeta, o que denominamos “padrões universais” ou Arquétipos. Eles existem, como uma experiência subjetiva, em todas as pessoas, culturas e períodos da história. Tente achar algum padrão nas imagens abaixo, referentes a líderes político-religiosos de diferentes culturas:

Em todas as figuras podemos notar algum símbolo na cabeça da figura, algo que se parece com um fogo, uma luz cristalizada em um objeto físico. Um símbolo que representa um Arquétipo é chamado de Imagem Arquetípica (trocando em miúdos, a imagem como um grupo de pessoas identifica um Arquétipo).

Podemos citar vários arquétipos pelos quais qualquer pessoa passa nos diferentes momentos da vida, vou tomar alguns dados no livro “O Tarot Mitológico”, de Juliet e Liz Greene:

– O nascimento é real em um nível concreto, qualquer coisa que exista precisa nascer. Mas também é uma experiência psicológica de espécie arquetípica, pois sempre que iniciamos algo novo, ou entramos em uma nova fase da vida, há um sentido de nascimento. Nascimento também implica outros estados subjetivos, porque nascer significa abandonar as reconfortantes e serenas águas do útero materno, tanto em nível físico quanto psicológico.

– A morte, todos nós um dia morreremos. Da mesma forma a morte também é psicológica, porque a vida muda, como nós também mudamos; todas as vezes que há um final de qualquer espécie, uma separação ou o fim de uma fase da vida, há um sentido de morte.

– A puberdade, a passagem da infância para a adolescência, também pode ser entendida como um arquétipo de maneira psicológica. Toda vez que paramos de olhar para algo de uma maneira infantil e passamos a tentar compreendê-lo de forma a integrar à vida de uma maneira mais real, estamos nos defrontando com esse arquétipo.

São inúmeros esses padrões, o que os classificam como padrões universais são suas características fractais. Um fractal é algo que olhado em diferentes escalas (maiores e menores, mais profundas ou rasas etc.) é composto por partes que formam algo semelhante ao conjunto de todas essas partes (lembram-se que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus? Assim, o homem é um fractal de Deus, “o que está em cima é como o que está embaixo”, “assim na terra como no céu”). Um exemplo típico de fractal é o Mandelbrot:

Note que suas pequenas partes são idênticas ao todo. Este é um exemplo perfeito, contudo, abstrato; temos um exemplo bem mais próximo de nós, que é comparar nossas células ao nosso corpo todo. Cada uma de nossas células possui suas organelas, assim como nosso corpo possui seus órgãos, cada célula possui sistema de entrada e saída de energia, cada célula tem sua parte responsável pela manutenção da energia, tem sua parte responsável pela harmonização e equilíbrio de todas suas partes, tem suas partes responsáveis pela sincretização da energia etc., e esses mesmos padrões o corpo humano possui, assim como qualquer outro ser vivo (salvo algumas exceções), em suas variadas escalas.

Tendo esta noção, chegamos no que já citamos no texto anterior e foi chamado de “Inconsciente Coletivo”, que é o depósito de todas as imagens arquetípicas (signos, símbolos etc.) que nasceram de Arquétipos e, sendo assim, qualquer pessoa deste mundo é capaz de entendê-lo pois já os vivenciou de alguma forma, basta ter o devido cuidado ao analisar. Existem muitos nomes dados a esse inconsciente. Paulo Coelho, por exemplo, chama isso de Linguagem Universal e diz que seres humanos que pertencem a culturas diferentes e não falam a mesma língua conseguem se comunicar ainda assim, vide O Alquimista.

Retomando o exemplo do corpo e das células, uma célula não precisa saber que existe um cérebro enviando comandos até ela para que faça o que deve fazer, pois o comando passa por muitas outras células antes de chegar até ela, o que importa é ela fazer o que tem que fazer. Se é uma célula muscular, que ela produza movimento e sustentação; se for uma neuronal, que ela repasse o comando para suas vizinhas; se for uma célula óssea, que ela dê sustentação; se for uma epitelial, que ela dê proteção etc. O que importa é que se cada uma fizer sua parte, o todo sobrevive, e se o todo sobrevive, cada uma recebe o que precisa para continuar fazendo sua parte dele.

“The tune will come to you at last

When all are One and One is all!” Stairway to Heaven, Led Zeppelin

Note que se qualquer célula “resolver” não fazer sua função e tentar desempenhar outras funções, o todo é prejudicado e pode morrer, assim, elas morrem consequentemente, pois é um sistema mutuamente interdependente; da mesma forma a célula só sobrevive se suas organelas desempenharem suas devidas funções e as organelas se a célula estiver em bom funcionamento.

Com o Coletivo a ideia é a mesma, enquanto cada pessoa não desempenhar aquilo que faz de melhor e não estiver no lugar para que foi designada a ocupar ao ser criada, Ele também terá problemas; mas note que se a pessoa tenta fazer aquilo que nasceu para fazer, ela também terá aquilo que precisa para fazer; no nosso mundo isso é traduzido em felicidade, conforto, alimentos, dinheiro etc., quanto mais trabalhamos em prol desta harmonia do todo, mais recebemos o que precisamos receber para buscarmos nossos sonhos. Aquele que escreve uma série de textos como esta que você está lendo, por exemplo, representa para esse Todo o que uma célula neuronal – que transmite mensagens/comandos – representa para um corpo físico; neste caso são noções de Magia Prática.

Apesar de tudo, é difícil saber quando estamos fazendo exatamente aquilo que devemos fazer, uma indicação é o que foi citado sobre receber tudo que precisamos para fazer, mas nem sempre tudo que nos é dado é tão óbvio quanto trabalhar e receber o salário combinado. Um exemplo de caso menos óbvio é quando uma pessoa está em dúvida se deve ou não continuar fazendo alguma coisa, anda pelas ruas e enxerga num Outdoor a palavra “continue…”; a pessoa passava por ali todos os dias mas nunca tinha dado atenção para aquela palavra, mas justamente no dia que precisava de uma resposta sobre “continuar ou parar” ela percebeu a palavra – como se sua atenção tivesse sido magneticamente atraída para ela. O que muitos dizem (isso é muito bem exemplificado no livro Xamã Urbano, de Serge Kahili) é que quando nossa atenção é puxada desta forma a algo assim, é porque o Todo está tentando falar conosco (como se aquilo que está no nosso subconsciente fosse atraído magneticamente para o signo, este conceito será muito mais trabalhado em materiais mais avançados de Magia Prática que faremos).

Quando pensamos em “justamente no dia”, “justamente na hora” etc., estamos falando de sincronicidade, ou eventos que possuem uma relação de significado dada pelo Tempo (quarta dimensão) e não exatamente por Ação e Reação, e essa é uma das formas do Coletivo se comunicar conosco e avisar se estamos no “tempo-espaço que deveríamos”, caminhando em direção a Ele ou nos afastando. Trazendo para mais próximo o que é sincronicidade, notem que a beleza de um “nado sincronizado” é justamente quando os nadadores fazem todos movimentos iguais e ao mesmo tempo, isso é o que mostra a harmonia entre os nadadores.

Esta forma que citei é uma das formas de como o Todo fala conosco no mundo físico, porém, Ele pode enviar mensagens por via de visões e sonhos (por exemplo sonhos harmônicos ou pesadelos, belas artes ou desenhos horríveis, que seria no plano astral, do Ar) ou sentimentos (por exemplo, felicidade ou tristeza, entusiasmo e depressão, que seria no plano emocional, da Água). É aqui que chegamos, por fim, no último plano de abordagem desta apostila, Atziluth, ou o mundo do Fogo, mundo dos Arquétipos e padrões universais.

Quando conseguimos interpretar todos esses sinais do plano físico, astral e emocional, podemos nos harmonizar com esse Todo. A palavra Thelema (que para alguns significava “Vontade de Deus” e outros “Vontade do Homem”) teve seus significados unidos e foi utilizada por Aleister Crowley para representar essa harmonização, essa sincronicidade perfeita, dizendo que a primeira parte da evolução do homem é descobrir qual é sua Thelema, o que muitos sistemas chamam de Iluminação ou Illuminati Capite. Há muitos termos utilizados para representar essa ideia, como “descobrir sua Lenda Pessoal”, “transformar o Chumbo em Ouro”, “descobrir sua Verdadeira Vontade”, “conversar com seu corpo Búdico”, “desenvolver a consciência Khrística” quando se referir a Krishna ou Crística quando se refere a Jesus (hoje em dia é o “eu vi Jesus”), “procurar o Santo Graal”, “estabelecer contato com seus Orixás Ancestre, adjuntó e juntó” na Umbanda e etc.

Para terminar este texto e esta série, proponho um exercício de Auto-Conhecimento que pode nos ajudar a ter uma primeira noção sobre nossa Thelema. Escreva, em um caderno especial para isso, de preferência que nunca tenha utilizado, suas respostas mais sinceras para as perguntas abaixo:

À partir do momento da Iluminação, tudo conspira à favor da pessoa para fazer aquilo que precisa fazer (não significa que será fácil, e sim que as portas que precisamos que se abram, abrirão) e, então, o sucesso naquilo que fizer é a única possibilidade caso não saia de seu campo de atuação, ou, como eu costumo dizer:

Vai dar certo!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/padr%C3%B5es-universais-parte-7

Magia Sexual: a Alquimia Externa

 

Excerto de Magia Moderna de Donald Michael Kraig

Tradução: Yohan Flaminio

A próxima técnica sobre a qual desejo falar é chamada Alquimia Externa. Das três técnicas de magia sexual, é a mais fácil porque requer o mínimo de autodisciplina. A magia sexual da Alquimia Externa, ao contrário das outras formas de magia sexual, requer o uso de um parceiro do sexo oposto. Assim, por sua própria natureza, não é uma técnica que pode ser adaptada às práticas homossexuais masculinas ou femininas. Isso deve nos levar primeiro a uma breve discussão sobre magia e sexualidade.

Qualquer um pode fazer o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama. Não importa se você é judeu, cristão, muçulmano, budista, ateu ou qualquer outra coisa. Tudo o que importa é sua habilidade de realizar o ritual.

Quando realizo o ritual, posso visualizar Deus como um conceito que existe antes dos deuses e deusas da criação. Outros podem ver Deus como a Trindade Cristã. Outros ainda podem ver a fonte de energia no RMBP como Jah dos Rastafarianos (ou mesmo o Monstro de Espaguete Voador dos Pastafarianos!). Se funcionar para você, não importa. O que estou tentando mostrar é que, embora nossas práticas mágicas sejam espirituais, elas não precisam seguir nenhum ponto de vista religioso em particular. É verdade que a Kabalah tem um sabor judaico intrínseco, mas isso ocorre porque foi protegida pelos judeus nos últimos milhares de anos. Uma das coisas que tentei fazer neste curso é tornar os procedimentos gerais na natureza espiritual e, portanto, aplicáveis a qualquer crença religiosa (ou falta dela).

Assim como é possível separar espiritualidade da religião, também, do ponto de vista de um magista do sexo, é possível separar sexo de amor. Observe que não estou dizendo que o sexo deve ser separado do amor, apenas que pode ser. Mas o fato é que, para algumas pessoas, sexo não tem a ver com amor e romance. Em vez disso, é pouco mais do que uma forma de exercício com um final agradável.

Não estou assumindo o ponto de vista de que o sexo deve ser baseado apenas no desejo, luxúria, prazer, etc. A intimidade sexual pode ser baseada no relacionamento, que pode se desenvolver entre duas pessoas apaixonadas. Na verdade, as experiências de magia sexual mais valiosas que tive foram com parceiros que realmente amei. Mas o que estou dizendo é que assim como a espiritualidade pode ser separada da religião, também o sexo da magia sexual pode ser separado do sexo experimentado em um relacionamento amoroso.

Isso não significa que não há problema em fazer sexo com outra pessoa que não seja seu parceiro regular, usando magia sexual como desculpa para trair. Na verdade, eu sugeriria que você não o faça, a menos que tenha contado a seu parceiro sobre isso e tenha a aprovação deste. E essa aprovação não deve vir por meio de dentes cerrados e lábios franzidos devido à raiva e ao ciúme. Lembre-se de que honestidade e integridade são vitais para um magista.

Isso significa que, se você não tiver um parceiro romântico regular ou se tiver a permissão voluntária de seu parceiro, é permitido trabalhar com outra pessoa ou várias pessoas ao fazer magia sexual. Por favor, note que o que estou dizendo aqui não é para ser uma licença para fazer sexo com ninguém porque você está praticando magia. Em vez disso, estou dizendo que certas formas de ritual mágico, incluindo rituais de magia sexual, podem ser feitas com um parceiro diferente daquele com quem você está envolvido em um relacionamento amoroso.

Pessoalmente, considero o amor e os relacionamentos estabelecidos, muito importantes na vida de uma pessoa. Se a sua participação em um ritual, incluindo um ritual de magia sexual, criar uma dificuldade em seu relacionamento, eu o encorajo a reconsiderar sua escolha de realizar tal ritual. Ou talvez você possa ajudar seu parceiro a aprender magia e fazer com que ele participe de rituais de magia sexual com você.

Portanto, se você for homossexual do sexo masculino ou feminino e você e seu parceiro acreditarem que o sexo pode ser separado do amor, você pode realizar a Alquimia Exterior. Isso dependerá da sua natureza e da natureza do seu relacionamento. Talvez a melhor maneira de conceber um ritual de magia sexual seja apenas mais um ritual, um que usa genitais em vez de um Cálice ou uma Varinha.

Muitos magistas acreditam que os textos clássicos da Alquimia Ocidental são informações codificadas para o desempenho da magia sexual. A ideia básica é que o esperma do homem e os fluidos ejaculatórios da mulher têm qualidades mágicas naturais como resultado da direção mental e da estimulação sexual. As instruções alquímicas são simplesmente maneiras de tornar esses fluidos mágicos, mais fortes e poderosos.

Embora eu esteja dando um tipo de ritual de alquimia externa em breve, tentarei limitar algumas das terminologias alquímicas precisas. Práticas alquímicas completas, interpretadas através das ideias de magia sexual, são muito complicadas para discutir em um curso deste tipo.

Se você decidir investigar os textos alquímicos tradicionais como uma fonte para rituais de magia sexual, é importante entender duas coisas:

  1. Algumas das práticas dadas nos textos alquímicos são meramente palha para esconder a verdadeira natureza das técnicas e seu trigo
  2. Várias palavras comumente usadas na alquimia são códigos para ideias

Exemplos:

O Athanor é geralmente descrito como um tipo especial de forno usado para aquecer lentamente o material com o qual você está trabalhando. De acordo com os magistas sexuais, significa o pênis.

Diz-se que a Serpente é o resultado do aquecimento de uma substância no Athanor. Para um magista sexual, é o sêmen.

O Sangue do Leão Vermelho também é sêmen.

A Curcurbita, uma espécie de recipiente alquímico, é a vagina. O mesmo acontece com a Retorta, que geralmente é descrita como outro tipo de recipiente alquímico.

O Mênstruo ou Mênstruo do Glúten é o resultado do aquecimento lento de uma substância no Athanor. Os magistas do sexo acreditam ser os fluidos lubrificantes femininos ou os fluidos ejaculatórios ou ambos, dependendo do magista do sexo com quem você fala.

A Primeira Matéria é descrita como uma mistura da Serpente e do Mênstruo. Embora este seja um tipo de substância um tanto nebulosa para o alquimista físico, seu significado é claro para o magista sexual.

Finalmente, o Amrita ou Elixir é definido como “a Primeira Matéria Transmutada”. Como é transmutado e como é usado é o segredo da Alquimia Exterior.

Um dos segredos tradicionais da alquimia é que o processo de pegar seu material básico e aquecê-lo deve ser muito lento e levar dias ou até semanas para ser realizado. Para um magista do sexo, isso significa que a melhor maneira de trabalhar com os fluidos masculinos e femininos é levar muito tempo em sua preparação, possivelmente horas. Isso envolve ter relações sexuais sem orgasmo ou ejaculação por um longo período. A técnica mental usada para fazer isso é conhecida como Karezza (pronuncia-se “kahr-etz-ah” com o acento na segunda sílaba).

Nas edições anteriores de Magia Moderna, rastreei Karezza até um homem chamado William Lloyd. Ele foi uma pessoa fascinante que escreveu sobre Karezza, mas apenas em 1931 e não no final de 1800, como afirmei incorretamente. Na verdade, a ideia foi criada por uma mulher chamada Alice Bunker Stockham (1833-1912). Ela foi a quinta mulher que se tornou médica nos EUA e teve problemas por promover o controle da natalidade. Seu interesse pelo controle da natalidade não era tanto para impedir o nascimento de crianças (ela era contra o aborto), mas para salvar vidas. Naquela época, a principal causa de morte entre mulheres jovens era o parto.

Ela acabou indo para a Índia e aprendeu sobre as ações físicas do Tantra. Ela trouxe de volta a técnica da relação sexual prolongada sem orgasmo como meio de controle de natalidade. Os efeitos colaterais incluíram relacionamentos melhorados. Seu livro, intitulado Karezza, foi publicado em 1896.

O pensamento metafísico em muitos lugares nessa época acreditava que cada gota de sêmen era igual a dez ou mais gotas de sangue. Portanto, ter menos ejaculações seria melhor para o homem, enquanto o aumento do contato íntimo seria bom para o casal e seu relacionamento.

O problema com isso, como já foi dito, é que, de acordo com Masters e Johnson, o tempo médio para a relação sexual, desde o momento da inserção do pênis até a ejaculação do homem, é de dois minutos e meio. Como esta é uma média, significa que para cada homem que pode durar meros cinco minutos sem ter um orgasmo, existe outro homem que pode durar apenas trinta segundos. Felizmente, há uma variedade de técnicas disponíveis que permitem ao homem atrasar seu orgasmo por várias horas.

A técnica Karezza básica para retardar o orgasmo é concentrar-se no propósito ou objetivo da relação sexual, e não nas sensações físicas. No que estamos fazendo aqui, isso significaria focar no propósito da magia ao invés de obter gratificação sexual, ou seja, orgasmo. Se o homem ou mulher chegar muito perto do orgasmo, ele deve interromper os movimentos físicos e, se necessário, o homem deve retirar o pênis da vagina.

Infelizmente, essa técnica, principalmente mental, de controle da ejaculação não é suficiente para muitos homens que, desde a adolescência, se treinaram para ter a ejaculação como objetivo de suas atividades sexuais. Muitos homens acreditam na mentira de que podem ter problemas físicos se não ejacularem todas as vezes que fizerem amor. Uma mulher me disse que seu namorado sempre insistia que ele deveria ter um orgasmo com ela ou ele ficaria doente. E embora seja verdade que depois de muitos períodos de excitação sexual sem orgasmo um homem pode sentir algum desconforto menor, coloquialmente conhecido como “bolas azuis”, esta não é uma condição perigosa e é aliviada por ter um orgasmo ou pela mera passagem de Tempo.

O que quero enfatizar aqui é que a maioria dos homens precisará de uma combinação de técnicas mentais e físicas para ser capaz de controlar seu orgasmo. Isso é especialmente verdadeiro considerando que alguns homens, como o namorado da mulher que acabamos de mencionar, acreditam que o orgasmo deve ser seu objetivo imediato em todas as experiências sexuais.

Dos métodos físicos, a técnica mais conhecida, e que causa mais problemas enquanto você precisa praticá-la, é a técnica de “squeeze” de Masters e Johnson. Nesta técnica, quando o homem sente que está prestes a ter um orgasmo, mas ainda não ultrapassou o que é chamado de ponto de inevitabilidade ejaculatória (quando ele não consegue parar a ejaculação), ele deve retirar seu pênis da vagina. Então, ele ou seu parceiro devem literalmente agarrar o pênis e aplicar forte pressão na parte inferior do pênis, logo atrás da cabeça do pênis, até que a necessidade de ejaculação passe. Depois de algumas semanas dessa prática, o homem pode desenvolver um bom controle sobre seu orgasmo.

Infelizmente, esta não é a experiência mais agradável para o homem ou sua parceira! Certamente, o parceiro precisa ser muito compreensivo enquanto o homem se treina com a ajuda dela. O seguinte sistema tântrico é muito melhor.

A vantagem da técnica tântrica é que ela usa várias técnicas físicas simultaneamente, e seu parceiro nunca precisa saber que você as está praticando. Primeiro, antes de chegar ao ponto de inevitabilidade ejaculatória, respire fundo e segure por uma contagem lenta até dezesseis. Enquanto faz isso, olhe, com os dois olhos, para a ponta do nariz.

Em segundo lugar, comece a respirar lentamente. Ao fazer isso, role os olhos em um movimento anti-horário. Primeiro suba o mais alto que puderem, depois direto para a esquerda, depois para baixo, depois para a direita, depois para cima e, finalmente, de volta para onde seus olhos começaram. Assim, você não está fazendo um círculo, mas um grande quadrado ou retângulo. Ao fazer isso, contraia o músculo do ânus (o esfíncter) o máximo que puder. Depois de concluir o movimento anti-horário três vezes, solte o músculo do ânus enquanto expira lentamente.

Repita as etapas acima três vezes, mesmo que a sensação de necessidade ejaculatória tenha desaparecido. Observe que é totalmente possível usar essa técnica sem sair da vagina, e sua parceira nunca precisa saber o que você está fazendo.

Mas a técnica que provavelmente é a melhor para controlar o orgasmo é uma técnica taoísta e é principalmente de natureza física. No ponto imediatamente anterior à inevitabilidade ejaculatória, pare os movimentos de introdução e respire fundo três vezes. Em seguida, usando os primeiros dois ou três dedos de cada mão, aplique uma pressão firme no períneo, o ponto intermediário entre os testículos e o ânus. Este ponto, conhecido na acupuntura como Vaso da Concepção Um, é importante para o fluxo de energia do sistema reprodutivo do corpo. Aplicar uma pressão firme aqui muda o padrão de energia, o que tem um efeito resultante nos órgãos físicos. Na verdade, isso causa uma mudança nas válvulas dentro do sistema reprodutor do homem com um efeito semelhante à sucção. A ejaculação não pode ocorrer.

Usando uma ou outra dessas técnicas, você será capaz de controlar seu orgasmo. A técnica taoísta tem um benefício colateral incomum, que não posso aprofundar muito aqui, pois essa técnica controla apenas a ejaculação. Praticar com esta técnica até aprender a exercer pressão mental no Ponto do Vaso da Concepção Um produzirá uma mudança nas energias do corpo para que o homem possa ter um orgasmo sem ejaculação. Como o resultado da ejaculação é a detumescência no homem, o resultado dessa técnica não é apenas uma relação sexual prolongada, mas também o quase lendário orgasmo múltiplo masculino. A sensação é muito parecida com pequenos orgasmos sem ejaculação seguidos por um orgasmo incrivelmente grande quando o homem permite que a ejaculação ocorra. Sua experimentação com esta técnica é convidada.

Agora, vamos supor que o homem tenha a capacidade de controlar seus orgasmos. A próxima parte a entender é a ideia do Amrita, ou Elixir. Como eu disse, é a Primeira Matéria transmutada ou alterada, sendo a Primeira Matéria a combinação do esperma e dos fluidos femininos. Em breve discutirei como a transmutação é feita, mas primeiro discutirei o que é feito com a Primeira Matéria transmutada, o verdadeiro elixir mágico.

A ideia básica deste tipo de Alquimia Exterior é que a combinação dos fluidos sexuais de um homem e uma mulher (a Primeira Matéria) é de natureza mágica (torna-se o Elixir). O Elixir deve então ser reabsorvido pelos magistas que realizam este tipo de magia sexual. A maneira mais fácil de fazer isso é simplesmente permitir que o pênis, agora flácido, permaneça na vagina por um período de quinze minutos. De acordo com algumas tradições tântricas, o esperma perde seus poderes mágicos após quinze minutos, então um período mais longo não é necessário. Esses fluidos, em menor grau, e / ou as energias que eles contêm, serão absorvidos pelos finos tecidos da vagina e da cabeça do pênis. No entanto, nem todos os fluidos são absorvidos dessa maneira.

Embora muitas pessoas criadas em culturas ocidentais possam achar a seguinte ideia desagradável, um grande número de magistas sexuais superou essa fobia e tratou o Elixir como uma Eucaristia mágica. Como um amigo meu gosta de dizer poeticamente:

Primeiro ele a ama, depois Elixir! [ele a lambe]

Em outras palavras, após o orgasmo, o homem pratica sexo oral na mulher, levando os fluidos combinados à boca. Ele pode então manter os fluidos sob a língua, permitindo que sejam absorvidos, para maior eficácia. Alternativamente, ele pode beijar seu parceiro e compartilhar o Elixir. Outra possibilidade é colocar o Elixir em um pequeno Cálice de vinho e compartilhar o Elixir. É essa ideia de engolir os fluidos sexuais que podem desligar algumas pessoas. No entanto, nos últimos quarenta anos, houve um aumento na popularidade do sexo oral, de modo que esse tabu está sendo rapidamente superado. Em alguns casos, apenas uma pequena gota do elixir é usada como uma forma de “carregar” o vinho, assim como uma pequena quantidade de “iniciador” é usada para criar um pão inteiro de fermento.

Também deve ser notado aqui que este tipo de ritual pode ser feito com outras pessoas presentes quando o copo de vinho é usado. O vinho carregado do Elixir pode ser distribuído entre os presentes. Na verdade, em alguns grupos, outro homem ou mulher é escolhido como o “copeiro”. É seu dever obter o Elixir em vez do parceiro sexual da mulher.

Obviamente, existem muitas possibilidades para Alquimia Exterior. A próxima questão é a duração da magia. Como resultado da experiência pessoal minha e de alunos que relataram para mim, bem como através de pesquisas em vários livros, é minha convicção que a relação de magia sexual deve durar um mínimo de quarenta e cinco minutos para ser eficaz, e depois de cerca de três horas, dependendo dos magistas, um ponto de retorno negativo é alcançado. Portanto, como eles abreviam atualmente na Internet, STMPV: “Seu Tempo Médio Pode Variar.”

O ponto final antes de dar um ritual, é o procedimento de transformação, que transforma a Primeira Matéria no Elixir. Isso é feito simplesmente pelo prolongamento do ato sexual enquanto se concentra em um objetivo específico, em vez de mera gratificação física. Isso pode ser realizado por meios semelhantes aos já discutidos, ou seja, por força de vontade ou concentração em sigilos.

Também existe um sistema que alinha os praticantes de magia sexual com as forças da natureza e fortalece a transmutação.

As mulheres têm um ciclo menstrual natural de aproximadamente 28 dias, correspondendo ao ciclo da lua. Segundo a ciência oculta, em cada um dos vinte e oito dias, uma mulher secretará um fluido diferente quando estiver sexualmente excitada e / ou tiver um orgasmo. Portanto, um ritual de magia sexual pode ser realizado em um dia específico do mês para um propósito particular. Ao combinar as forças espirituais dos humanos com as forças da natureza, o Elixir se torna um fluido mágico incrivelmente poderoso.

Aqui está uma cópia de uma lista publicada das habilidades mágicas dos fluidos dos vinte e oito dias, começando com a lua nova da mulher. Ou seja, começando no dia seguinte ao final de seu ciclo menstrual (de uma lista de Sariel):

  1. Boa sorte
  2. Separação e má vontade
  3. Ganhar o favor oficial
  4. Amor
  5. Bem-estar material
  6. Vitória na batalha
  7. Superar a doença
  8. Manter a saúde
  9. Espiritualidade
  10. Infortúnio no amor
  11. Harmonia no casamento
  12. Separação e divórcio
  13. Amizades
  14. Riqueza material
  15. Manter os ladrões afastados
  16. Manter criaturas venenosas longe
  17. Ajudar em partos
  18. Ajudar caçadores
  19. Lidar com inimigos
  20. Lidar com fugitivos
  21. Destruição
  22. Animais domésticos
  23. Vegetação
  24. Ganhar amor e favor
  25. Líquidos e recipientes
  26. Criaturas aquáticas
  27. Destruição
  28. Reconciliação

Observe que alguns itens da lista são tópicos muito amplos. Eles podem ser afetados pela contemplação dos magistas durante o rito mágico. Como exemplo, os magistas podem escolher ajudar ou impedir um fugitivo de um agressor fazendo um ritual de magia sexual Alquímica Externa no vigésimo dia do ciclo. Claro, uma vez que este é um tipo de Magia Cinza, uma divinação deve ser feita antes de um ritual desse tipo.

Devo notar aqui que existem muitas listas das qualidades mágicas associadas a cada dia do ciclo lunar. Às vezes, cada dia é conhecido como um “Dígito da Lua”. Se você encontrar outras listas, poderá compará-las com a lista acima. No entanto, a única maneira de determinar o que é preciso para você é por meio de testes pessoais.

Em seu livro The Tree of Life de Israel Regardie, o autor dá um esboço de um ritual chamado “a Missa do Espírito Santo”. Este é, pura e simplesmente, um ritual de magia sexual da Alquimia Externa. Aqui estão suas instruções traduzidas em termos comuns.

  1. Após as preliminares usuais, o casal deve iniciar seu sexo
  2. “Através do estímulo de calor e fogo espiritual [relação sexual] para o Athanor [pênis] deve haver… uma ascensão da Serpente [esperma] na Curcurbita [vagina].”
  3. A mistura do esperma e dos fluidos da mulher é carregada “por meio de uma invocação contínua do princípio espiritual conforme o trabalho em mãos.”
  4. O ritual é concluído tratando o Elixir como a Eucaristia mágica ou usando-o para ungir e consagrar um talismã.

Como você pode ver, há alguma sobreposição com o tipo anterior de magia sexual descrita nesta lição. No final da “Missa” é descrita uma técnica de carregar um talismã simplesmente aplicando um pouco do Elixir nele. Esta é uma técnica muito poderosa, como sua experiência virá mostrar.

Pelo que você sabe, não deve ser muito difícil criar seu próprio ritual de magia sexual. Primeiro faça a Abertura das Torres de Vigia. Em seguida, faça a magia sexual real. Siga com o fechamento das Torres de Vigia. Se houver outras pessoas presentes, elas podem se sentar, de mãos dadas, em um círculo ao redor do par praticando a magia sexual. Em alguns grupos, eles assistem aos procedimentos, sua própria excitação aumentando a dos dois magistas diretamente envolvidos. Outros grupos têm as pessoas sentadas de costas para o centro do círculo, para que o casal tenha um mínimo de privacidade. Os que estão sentados no círculo devem se concentrar no propósito do ritual. Isso pode ser muito difícil, pois assistir duas pessoas fazendo sexo (mesmo que seja magia sexual) por algumas horas pode se tornar muito enfadonho. Assim, aprender a se concentrar em um assunto ou objetivo desejado torna-se muito importante. Então, como afirmado antes, o Elixir pode ser misturado com vinho pelo ritualista masculino ou por um porta-copo. A mistura vinho-Amrita pode então ser passada ao redor do círculo. O casal realmente envolvido na magia sexual deve ser o último a beber para que receba as últimas gotas da mistura mágica. Cada par pode tomar um pequeno gole, passando o copo para frente e para trás até que o líquido tenha acabado. Então, juntos, eles devem segurar o copo de cabeça para baixo e dizer:

Está consumado.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/magia-sexual-a-alquimia-externa/

As Forças Invisíveis – Parte 2

Série Plano Astral e Fenômenos Psíquicos: 1. O Plano Astral e o Hermetismo…

A maioria dos estudantes de ocultismo tem uma única meta em mente: o manejo das forças ocultas, invisíveis. Além disso, querem chegar de forma rápida e sem perigos a aquisição de tais “poderes”. Uns querem praticar viagens astrais, outros impor a sua vontade aos outros e há ainda os que desejam soltar bolas de fogo, curar doenças até então incuráveis ou ressuscitar os mortos através de algumas palavras. Podemos ainda acrescentar ao nosso Ocultismo atual as brigas acadêmicas, as invejas individuais, os pequenos golpes baixos íntimos, as verdades absolutas e inúmeras outras paixões que agitam este meio.

As forças invisíveis existem? Será que realmente o homem pode manejar as forças ocultas da natureza ou de sua própria constituição? O manejo ocorre de forma igual para todos os homens? Basicamente, neste segunda parte da série sobre o Plano Astral, é o que iremos buscar refletir e discutir.

Existe realmente uma força invisível? Pensemos bem. Estamos sobre a Terra. Ao nosso redor temos as árvores, os vegetais, os animais, a água, o solo, o ar, dentre diversas outras coisas. No céu, os astros se movem. O Sol passa através do Zodíaco, a Lua gira à nossa volta, os planetas também seguem seu curso no céu e vemos as constelações levantarem e descerem. A Terra gira em torno do Sol e este também, com sua comitiva de planetas, em torno do centro de nossa galáxia. Além disto, temos as forças físicas e os fenômenos químicos… Enfim, há lugar para uma força invisível no Universo?

O Ocultismo ensina que sim. Todos os seres contem  forças motrizes invisíveis aos olhos físicos  e apresentam outros caracteres além das forças visíveis e perceptíveis por manifestações sensoriais externas.

O Universo então pode ser visto, sob aparências físicas, como banhado por uma luz solar/estelar. Esse é o domínio da luz física, com seu cortejo de forças exteriores, simbolizado pelos antigos como “mundo de fogo”.

Quando o físico desaparece, o mundo apresenta uma espécie de luz interior, que anima todos os astros e todos os seres vivos; essa luz ainda não é conhecida pela ciência atual. Tudo o que podemos dizer é que essa luz constitui a essência da vida e dos sentimentos em todos os planos; é ela que estala repentinamente nas manifestações do amor entre todos os seres vivos. Esta força foi denominada pelos ocultistas da escola de Paracelso como luz astral.

Existe ainda uma terceira família de forças. São as força inteligentes e espirituais, encarregadas de individualizar cada ser, cada coisa, dando-lhe um número, um nome, um peso ou uma medida. É a força divina (embora todas as forças também o sejam), que chamaremos de luz verbal, cujo centro secreto é o Verbo. O Cristo foi sua manifestação em nossa humanidade.

As forças são, portanto, cada vez mais interiores. Podemos representá-la por meio de três círculos concêntricos. O círculo exterior é formado pelos mundos físicos com a luz física como mecanismo de ação, o “Lux” de São João. O segundo círculo, interior, é formado pelos mundos astrais, com seus meios de propulsão e manifestação vital, a “Vita” de São João. E, por fim, o terceiro círculo, o núcleo interior e verdadeiramente divino,o “Verbum” de São João.

Espero que tenham entendido que é dentro, e não fora, de cada ser que deve ser procuradas as forças realmente vivas e atuantes, e se existir no Universo um centro verdadeiramente único, é o Verbo, que será encontrado com seu simbolismo na cruz. Sendo assim, dando nomes aos bois, os fatos psíquicos são resultado do manejo da luz astral e a Teurgia (ou a união com o divino) é a consequência da submissão voluntária à ação da luz verbal.

Agora, mudando um pouco de assunto e voltando de onde paramos na parte anterior, imaginemos a alma encarnada mergulhada neste meio que impregna todo o planeta, o plano astral. O órgão central de nossa constituição (Ruá, Kama ou Khi) é capaz de absorver e emitir com a mesma eficácia toda a produção etérea, vibração ou condensação. Ele é o órgão de emissão e de recepção do astral terrestre; graças a ele somos penetrados especialmente por uma assimilação verdadeiramente nutritiva, já que ele espalha igualmente seus eflúvios na alma animal e no corpo astral. Vitalizantes ou vampiros, os micróbios astrais entram em todo o nosso organismo através dele, corporal e anímico, trazendo a vida ou deixando aí o veneno de encantamento. É através dele que o terapeuta nos enche com eflúvios vivificantes tirados nas fontes benéficas da natureza e é também por ele que o mago negro nos assassina covardemente com a surpresa das forças inimigas invisíveis. É ainda por este mesmo órgão magnético que entram em nós uma multidão de desejos, de paixões ávidas de fatos, espalhando-se pela alma passional até o fundo de nossa alma espiritual para a perturbar com as suas inquietações e a subjugar com suas determinações. Aí está a nossa alma humana (Nechama, Manas, Thân) solicitada à ação de três direções diferentes que correspondem aos três mundos onde nós vivemos ao mesmo tempo.

As sensações do mundo físico percebidas por nosso corpo produzem aí uma atitude que pode penetrar pelo intermédio da alma animal até a vontade e a determinar poderosamente apresentando-lhe, por assim dizer, tudo preparado para a ação reflexa do gesto solicitado. A sugestão hipnótica pela atitude é apenas a produção experimental e exagerada deste efeito.

No polo oposto, a efervescência da nossa imaginação, cheia de formas etéreas que criam nossas emoções e mesmo as intuições vindas dos mundos superiores, é transmitida para a alma animal e o corpo astral até às nossas forças vitais para provocá-los. Os eflúvios emocionais recebidos de fora pelo centro magnético repercutem-se em cada um de nossos outros centros para neles gerar outras forças e outras virtudes em busca de sua realização.

Eis aí contra que ardores o poder da nossa mônada diretora, da nossa vontade, que é o nosso único eu verdadeiro, deve lutar constantemente regulando por sua vez as suas desordens, comandando as resistências ou os consentimentos, impondo sua soberania aos  poderes de todas as mônadas que formam o seu império.

Mas como essa soberania pode ser exercida utilmente? Como pode triunfar sobre todas as revoltas, comandar particularmente o astral interno ou externo? Não o sabemos muito bem. Somos com maior frequência mais um joguete das nossas emoções do que seu mestre: a maioria dos nossos atos não passam de reflexos e muitas vezes não temos nem mesmo consciência deles, tal é o domínio que exercem sobre nossas forças etéreas, enfraquecendo-nos.

Sempre é a vontade a mônada principal que comanda o ato, mas raramente é a nossa própria; quase sempre obedecemos a um poder estranho. Para que o nosso domine, falta-lhe um acréscimo de energia que Schopenhauer, em sua linguagem sutil, esclarece ao dizer que nós sempre queremos um ato, mas é preciso saber se nós queremos querer. Ele conclui afirmando que é a vontade universal que quer em nós.

É verdade que a vontade universal, quer dizer Deus, é quem quer em nós quando o nosso eu comando todo o inferior. Mas é preciso acrescentar que isto acontece com o nosso consentimento, com a nossa permissão e somente com ela. De outra forma, dizer nossa vontade, quando ela se exerce realmente, cai por terra o instrumento da vontade divina, e reciprocamente, ela não pode comandar outros desejos senão sob a condição de ser uma com a vontade divina, de ser a boa vontade.

Aí está a nossa lei suprema. O nosso fim, a razão de ser do homem terrestre, é de colaborar no planeta para a grande obra de vivificação do nada cumprindo em sua esfera, como toda outra mônada, a vontade divina, para a elevação dos seres inferiores. Está parecendo contraditório com toda operação mágica, não é? Não, pois notemos que operações mágicas de ordem inferior só acontecem quando abondamos a nossa vontade a outros poderes e que operações de ordem superior acontecem quando somos cooperadores do divino (Teurgia). Somente o homem, ao contrário das vontades que o precedem na cadeia evolutiva, é livre para aceitar este papel sublime ou recusá-lo, unicamente sob a condição de que sua sorte depende desta escolha. Se recusa a própria escolha, pretendendo seu poder particular e capaz de tudo, cai então numa falta imperdoável. Deve ceder ou desaparecer! Nestas duas recusas está a fonte de todo o mal terrestre.

Mas vejamos quais os detalhes do funcionamento da luta, na qual a alma humana é o palco, entre os instintos cegos da natureza, do nada em desejo de poder imediato, e as solicitações providenciais para os esforços definitivos de sua libertação. O prêmio é a imortalidade.

A maioria de nós vive ainda por instinto, preguiçosamente embalada pelos apelos da providência. Mesmo entre estes que têm alguma consciência, especialmente os que sentem as influências astrais, existem poucos que sabem aproveitar ou compreendê-las. Esses últimos se dividem em quatro classes: duas ativas ou masculinas, e duas passivas ou femininas; em cada uma dessas duas categorias se distingue uma classe particularmente sensível às forças superiores ou às forças inferiores.

Todos se distinguem do comum por uma superabundância de fluido etérico em suas constituições. Uns são aptos para reter consigo este excesso e usá-lo quando quiserem. Outros deixam-n o escapar constantemente em ondas, sem direção especial para dar lugar a novos eflúvios. Seus desejos excedem a suas faculdades de concentração. Em vez de projetar o éter ambiente, como os antecedentes, eles  aspiram para compensar suas perdas irremediáveis. Estes são os médiuns de todas as espécies que podem vaticinar, tornarem-se poetas e profetas, mesmo se pertencerem a uma esfera muito elevada para atrair o éter dinamizado pelas forças superiores.

Esses, os antecedentes, são os magnetizadores se os fluidos que eles concentram e projetam são os das forças corporais e iniciados (ou, logicamente, adeptos) se são capazes de recolher o éter elaborado pelos poderes anímicos e de ordem superior.

Em suma:

PASSIVO (absorvendo e desperdiçando)

Médiuns (principalmente de efeitos físicos) -> Forças inferiores

Médiuns Psíquicos (adivinhos, poetas, profetas) -> Forças superiores

ATIVO (concentrando e emitindo)

Magnetizadores (curandeiros, etc.) -> Forças inferiores

Iniciados e Adeptos (terapeutas, alquimistas, Teurgos) -> Forças superiores

Estas distinções não são supérfluas; elas nos permitem compreender o que devem e o que podem ser os contatos do homem com o astral.

Para o entendimento das realizações permitidas à constituição humana por contato com o astral, é preciso se lembrar que o nosso aparelho magnético (Ruá, Kama ou Khi) é um órgão essencialmente central, capaz de se expandir pelo corpo ou pela alma podendo modificar o equilíbrio da nossa constituição até transformá-la completamente.

Esta força, espécie de reserva geral, está à disposição da mônada principal ou o eu. Entretanto, por causa de sua extrema mobilidade, ela escapa facilmente a este domínio, seja sob a influência de poderes mais fortes ou por defeito da constituição, conforme mostrado no esquema acima.

Em seus movimentos, este órgão etéreo arrasta sempre uma parte ou porção de um dos outros dois elementos extremos do corpo espiritual (o fantasma, Nefeque, Linga Sarira, Than, e a alma ancestral, Nechama, Manas ou Thân) e mesmo de todos os dois. Este deslocamento para a alma, para o corpo, ou para fora, depende em quantidade e direção da vontade do eu ou de uma força exterior. Assim, por exemplo, é agindo diretamente sobre o centro de gravidade do organismo que o magnetizador produz em seu objeto todos os fenômenos conhecidos: curativos, se ele dirige a reserva sobre a força vital à qual ele pode acrescentar uma parte da sua; fascinantes e estupefacientes se congestiona a alma ancestral através do fantasma.

Munidos desta chave dupla: a distinção das diversas espécies de constituição onde excedem o fluido etéreo, e o jogo do centro magnético dirigível, compreendemos e classificaremos facilmente os fenômenos que o invisível produz. Porém isto será efeito apenas na terceira parte de nossa série.

Antes de encerrar, lembrando que falamos sobre o manejo da luz astral como a razão dos fenômenos psíquicos, temos uma advertência a fazer.

O manejo de luz astral apresenta grandes perigos e também grandes meios de evolução espiritual, pois, quando se recorre a este campo de forças invisíveis, arrisca-se não só à vida física, o que seria pouca coisa, mas também a vida espiritual, o que é bem mais grave.  A este propósito, é bom reler com atenção a história do Doutor Fausto, tal como foi admiravelmente resumida pelo imortal Goethe.

O grande perigo no manejo da luz astral é que o princípio inteligente que habita o centro desta força é um ser de origem divina, porém revoltado contra o seu centro de criação. A vertigem das ilusões do poder material, a antiga nahash de moisés, origem de todos os shanahs ou ciclos anuais de todos os tempos, que ainda está aí. Não estando acobertado por uma proteção vinda do centro verbal, sereis rapidamente arrastado pela força setenária, e como aconteceu outrora com nosso princípio comum, Adão, vossa imaginação vos fará crer que a vontade é mais forte que as forças divinas, e sereis mergulhado nas trevas da magia e da inversão espiritual. Uma vez entendida esta advertência, sabei superar todas as provas, sabeis que é necessário cravar a espada no coração do touro, como nos mostra a imagem mitríaca, é necessário atravessar a serpente e, num ímpeto de verdadeira fé, chamai vosso anjo guardião sob o nome de Cristo, o próprio Deus vindo em pessoa.

Nesse momento, abrir-se-á para vós a via mística, a única que pode afastar-vos dos perigos, a única que domina o implacável carma, quando a Virgem celeste coloca o pé sobre o dragão astral, isto é, quando o apelo da súplica do vosso coração esmaga a cabeça da serpente, cuja pálida luz circula em nós e em todo o Universo.

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Na próxima parte:

– Médiuns (temperamento passivo)

– Magnetizadores, iniciados e adeptos (temperamento ativo)

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Texto retirado e adaptado das obras:

– ABC do Ocultismo (Papus)

– Tratado Elementar de Ciências Ocultas (Papus)

#psiônica #PlanoAstral #Magia #Martinismo #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-for%C3%A7as-invis%C3%ADveis-parte-2

Avatar e a Kabbalah

Um dos melhores desenhos de todos os Tempos, “Avatar: The Last Airbender”, é carregado de referências Hermetistas. Como não poderia deixar de ser, como todo grande projeto de contar uma história, Avatar se utiliza da Jornada do Herói, ancorada pesadamente na Kabbalah Hermética. Os Principais Personagens seguem os grandes Arquétipos das Sephiroth e os personagens menores oscilam entre os Caminhos e as correspondências entre as Esferas, formando uma história fabulosa em 61 episódios e 3 Temporadas. Tentarei ser o mais sucinto possível para não dar nenhum grande Spoiler, mas recomendo que vocês assistam à série antes de ler o post a seguir.

AVISO: Contém Spoilers. Não abra se não assistiu à série ainda.

Malkuth: Toph tem 12 anos e é uma excelente dobradora de terra. Apesar de ser cega, Toph está longe de ser uma menina inútil e frágil, pois é a pessoa mais forte (no sentido de força física) do grupo. Seus pais não acreditam que ela é forte, o que faz ela duvidar se eles realmente a amam. Aprendeu a dobrar terra com as toupeiras dobradoras, consideradas as primeiras dobradoras de terra do planeta. Como ela mesma diz, apesar de ter nascido cega nunca teve problemas para ver, pois com a dobra de terra, seus “pés podem enxergar” qualquer vibração à sua volta através das ondas transmitidas pelo solo. Desde que fugiu de casa para se juntar ao grupo, Toph ensina a Dobra de Terra a Aang. A garota é uma típica baderneira e tem um gênio muito forte, entrando em conflito com Katara várias vezes. Seu senso de humor é parecido com o de Sokka e parece ter uma queda pelo mesmo. Ela também inventou a dominação de metal, quando descobriu que há partículas de terra no metal.

Yesod: Katara é a última Dobradora da Tribo da Água do Sul. No começo de suas aventuras com Aang ela era apenas uma amadora na Dobra de Água, mas, após sair do Polo Norte, Katara atingiu o nível de mestra na Dobra de Água. Ela quem ensina Aang a dobra d’água. O temperamento de Katara é um pouco maternal, porém instável, irritando-se com facilidade. Ela é muito caridosa, prestativa e responsável, uma vez que teve que assumir o comando de sua família após a morte de sua mãe (apesar de estarem com a avó). Ao final da trama, corresponde ao amor de Aang, que foi se apaixonando por ela ao longo da história.

Hod: Sokka é o irmão mais velho de Katara. Ele era o único guerreiro que havia sobrado na Tribo da Água do Sul depois que seu pai e as suas tropas saíram da tribo. Sokka não pode dobrar nada, mas é muito inteligente e também é um bom guerreiro. Ele é muito engraçado, mas a maior parte da graça do garoto advém do fato dele ser extremamente sarcástico. Utiliza um bumerangue como arma, além de sua espada negra, feita de um meteoro. Se apaixonou pela Princesa Yue, que foi sua primeira namorada; e também por Suki, na qual fica com ele no final. É o estrategista de todo o grupo e planeja a Invasão ao Reino do Fogo.

Netzach: Suki é uma jovem e bonita garota que mora na Ilha de Kyoshi, que conheceu Aang e seus amigos, e desde lá, nutre fortes sentimentos por Sokka. Ela saiu da Ilha de Kyoshi com suas guerreiras e foi lutar na guerra contra a Nação do Fogo. É capturada, e levada a prisão da mais alta segurança da Nação do Fogo por ser a líder das Guerreiras de Kyoshi. Nos últimos episódios do terceiro livro é libertada por Sokka, que acreditava que seu pai estivesse em tal prisão, mas encontra Suki acidentalmente. Apesar de esperar encontrar seu pai, Sokka, ficou tremendamente feliz por ter finalmente re-encontrado sua amada (a libertação da Princesa da Masmorra). No final, os dois ficam juntos.

Tiferet: Aang é um típico garoto de 12 anos de idade (tempo em que conviveu com o mundo. Na realidade são 112, já que passou 100 anos congelado em um iceberg), exceto pelo fato de ele ser o Avatar. Ele é o último remanescente dos dobradores de ar, e foi descoberto depois de passar cem anos aprisionado em um iceberg. Aang nunca quis ser o Avatar, mas sim uma criança normal. Não obstante, ele é muito importante para restaurar a paz do mundo e seu destino é derrotar o senhor do fogo Ozai, ele entende isso e sempre segue o que lhe foi ensinado no Templo do Ar onde cresceu, que inclui o princípio de que “toda vida é sagrada”. Contudo, apesar dele ser o Avatar, ele tenta sempre que possível realizar brincadeiras para afastá-lo de sua enorme responsabilidade. É apaixonado por Katara.

Geburah: Príncipe Zuko. “Eu vou capturar o Avatar, e restaurar minha honra!” Essa era a fixação do Príncipe Zuko, que frequentemente tentava capturar o Avatar para que ele pudesse ser de novo aceito como príncipe da Nação do Fogo. Sob o manto de sua fúria, Zuko é um jovem que foi privado do amor de seu pai, que marcou seu rosto com uma enorme cicatriz, o que o levava a fazer qualquer coisa para agradá-lo, tornando suas decisões confusas e impensadas, mas seu pai nunca deu nenhum sinal da afeição. Mesmo depois que seu tio e ele foram banidos da Nação do Fogo, ele ainda tentou realcançar sua “honra” para ser aceito de volta pelo pai, ajudando sua irmã a dominar o Reino da Terra. Não obstante, após voltar para sua casa e ser aceito por seu pai, Zuko percebeu o quão errado ele havia sido em sua vida e decidiu se juntar a Aang e seus amigos para ensinar ao Avatar a Dobra de Fogo. Apesar de ser um tanto quanto sarcástico e impulsivo, Zuko é uma pessoa bondosa e justa.

Chesed: Iroh. Conhecido “O Dragão do Oeste”, Iroh é um general aposentado. Ele é o irmão mais velho do Senhor do Fogo Ozai, e acompanha Zuko em todos os lugares em que ele vai. Seu filho, Lu Ten, morreu quando ele realizava um cerco na cidade de Ba Sing Se. Desde então, considera Zuko como seu próprio filho. Tem com uma de suas principais características sua apreensão por chás, sendo o “Chá de Jasmin” o seu favorito. Iroh é uma pessoa calma e muito sábia, e é também o maior Dobrador de Fogo existente, e era até mesmo considerado um dos orgulhos da Nação do Fogo em tempos antigos. Ele adora jogar Pai Sho, uma espécie de jogo de tabuleiro, a qual se refere “não sendo apenas um jogo”. Iroh tem uma elevada posição na secreta Ordem da Lótus Branca, ordem essa qual os participantes se identificam por meio do Pai Sho. Iroh seria o Senhor do Fogo atual, mas com a morte do filho acabou ficando sem herdeiros, e o seu irmão Ozai assumiu o seu lugar.

Daath: Senhor do Fogo Ozai. É um líder tirano e com imensa sede de poder que faz de tudo para poder ganhar a guerra e controlar todas as nações.

Binah, Hochma e Kether: Os Avatares passados. Aang possui a habilidade de se conectar a todas as suas vidas anteriores, representadas principalmente por Avatar Kyoshi (Binah/Terra) e Avatar Roku (Hochma/Fogo). Ao longo de seu treinamento, conforme Aang avança no domínio dos chakras, mais próximo fica de atingir a Forma-Deus (Kether) onde possui o poder reunido de todos os Avatares que vieram antes dele.

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#Arte #Kabbalah

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Entrada Aberta ao Palácio Fechado do Rei

Tratado Alquímico de 1645

Tendo penetrado, eu, Filateto, Filósofo anônimo, os arcanos da medicina, da química e da física, decidi redigir este pequeno tratado, no ano 1645 da Redenção do mundo e o trigésimo terceiro de minha idade, a fim de resgatar o que devo aos Filhos da Arte e para estender a mão aos que estão desencaminhados pelos labirintos do erro. Assim, parecerá aos Adeptos que sou seu par e irmão; quanto àqueles que foram seduzidos pelos vãos discursos dos sofistas, verão e receberão a luz, graças à qual retornarão à rota mais segura. E presságio, em verdade, que numerosos dentre eles serão esclarecidos por meus trabalhos.

Não se trata de fábulas, mas de experiências reais que vi, fiz e conheci: o Adepto o inferirá facilmente lendo estas páginas. Por isso, escrevendo-as pelo bem de meu próximo, basta-me declarar que jamais ninguém falou desta arte tão claramente quanto eu; certamente, minha pena hesitou freqüentemente em escrever tudo, desejoso que estava de esconder a verdade sob zelosa máscara; mas Deus me constrangia, e não pude resistir-lhe, a ele, único que conhece os corações, e a quem se remete a glória no ciclo do Tempo. Donde creio que muitos, nesta última era do mundo, terão a felicidade de possuir este segredo; pois escrevi com franqueza, não impedindo ao noviço sinceramente curioso de apreender nenhuma dúvida sem uma resposta plenamente satisfatória.

E já sei que muitos, assim como eu, detêm este segredo; persuado-me que há muitos mais ainda, com os quais entrarei muito proximamente, por assim dizer, em íntima e cotidiana comunicação. Que a santa Vontade de Deus faça o que lhe aprouver, reconheço-me indigno de operar tais maravilhas: adoro, entretanto, nelas, a santa Vontade de Deus, a quem todas as criaturas devem estar submetidas, pois que é em função dela somente que ele as criou e as mantém criadas.

Da necessidade do mercúrio dos sábios para a obra do elixir

Quem quer que deseje possuir este Tosão de ouro, deve saber que nosso pó aurífico, que chamamos de nossa pedra, é o Ouro, simplesmente alçado ao mais alto grau de pureza e fixidez sutil a que puder ser levado, tanto por sua natureza, quanto pela arte de hábil operador. Este ouro assim essencificado não é o do vulgo: chamamo-lo nosso ouro; ele é o grau supremo deperfeição da natureza e da arte. Poderia, a este respeito, citar todos os filósofos, mas não necessito de testemunhas, pois que sou mesmo Adepto, e que escrevo com mais clareza do que qualquer outro anterior. Crer-me-á quem quiser, desaprovar-me-á quem puder; que se me censure, mesmo, se o deseja; só se chegará a uma profunda ignorância. Os espíritos demasiadamente sutis, afirmo-o, sonham com quimeras, porém, o pesquisador assíduo encontrará a verdade seguindo a via simples da natureza.

O ouro é então o único, exclusivo e verdadeiro princípio a partir do qual se pode produzir ouro. No entanto, o nosso ouro que é necessário à nossa obra é de duas naturezas. Uma levada à maturidade, fixa, é o Latão rubro, cujo coração, ou núcleo, é um fogo puro. É por isso que seu corpo se defende no fogo, que é onde recebe sua purificação, sem nada ceder à violência deste, nem sofrer. Este ouro, em nossa obra, exerce o papel do macho. Une-se-o a nosso ouro branco mais cru (nosso segundo ouro, menos cozido que o precedente), tendo o lugar de semente feminina, com o qual se conjuga e onde deposita seu esperma; e unem-se um ao outro por liame indissolúvel, de onde se faz nosso Hermafrodita, que tem a potência dos dois sexos. Assim, o ouro corporal é morto antes de ser unido à sua noiva, com a qual o enxofre coagulante que, no ouro, é extrovertido, torna-se introvertido. Então, a altura é oculta, e a profundeza, manifestada. Também o fixo se faz volátil por um tempo, a fim de possuir em seqüências, em estado mais nobre por sua herança, graças ao que obterá poderosíssima fixidez.

Vê-se que todo o segredo consiste no Mercúrio, do que o filósofo diz: “No Mercúrio se encontra tudo o que procuram os Sábios”. E Geber declara a seu respeito: “Louvado seja o Altíssimo, que criou nosso Mercúrio e concedeu-lhe natureza que domina o Todo. Decerto, efetivamente, se não existisse, os Alquimistas poderiam se glorificar à vontade, mas a Obra Alquímica seria vã”. Evidencia-se que este Mercúrio não é vulgar, mas aquele dos Sábios, pois todo Mercúrio vulgar é macho, quer dizer, corporal, específico, morto, ao passo que o nosso é espiritual, feminino, vivo e vivificante.

Atenta, pois, a tudo o que disser do Mercúrio, porque, segundo o Filósofo, “Nosso Mercúrio é o Sal dos Sábios, e quem quer que trabalhasse sem ele assemelhar-se-ia ao arqueiro que quisesse, sem corda, lançar flecha”. Não se pode, entretanto, encontrá-lo em nenhum lugar sobre a terra. O Filho tampouco é por nós conformado, nem criado, mas extraído daquelas coisas que o encerram, com a cooperação da natureza, de maneira admirável, e graças a arte sutil.

Dos princípios que compõem o mercúrio dos sábios

O objetivo daqueles que se aplicam a esta arte é purgar o Mercúrio de diferentes maneiras: uns o sublimam pela adjunção de sais, e o limpam de impurezas diversas, outros vivificam-no unicamente por si mesmo, e afirmam ter, pela repetição dessas operações, fabricado o Mercúrio dos Filósofos; mas enganam-se, porque não trabalham pela natureza, que só é aperfeiçoada em sua natureza. Que saibam então que nossa água, composta de numerosos elementos, é no entanto, coisa única feita de diversas substâncias coaguladas a partir de única essência. Eis o que é requerido para a preparação de nossa água (em nossa água, com efeito, encontra-se nosso dragão ígneo): primeiramente, o Fogo que se encontra em todas as coisas, secundariamente, o licor da Satúrnia vegetal; terciariamenta, o liame do Mercúrio.

O fogo é aquele de um enxofre mineral. Porém, não é propriamente mineral e, menos ainda, metálico; mas sem participar destas duas substâncias, tem o meio entre o mineral e o metal. Chaos ou espírito: com efeito, nosso ígneo Dragão, que de tudo triunfa, pode ser penetrado pelo odor da Satúrnia vegetal, e seu sangue se coagula com o suco da Satúrnia num só admirável corpo; entretanto, não é corpo, pois que é totalmente volátil, nem espírito, porque ao fogo, assemelha-se a metal fundido. É então, verdadeiramente, um Chaos, que ocupa o lugar de Mãe de todos os metais; pois sei daqui extrair todas as coisas, mesmo o Sol e a Lua, sem o auxílio do Elixir transmutatório, o que pode ser atestado por quem o viu, tanto quanto eu. Chama-se a este Chaos o nosso Arsênico, nosso Ar, nossa Lua, nosso Imã, nosso Aço, mas sempre sob diversos aspectos, porque nossa matéria passa por diferentes estados, antes que do mênstruo de nossa prostituta seja extraído o Diadema Real.

Aprendei, então, quem são os companheiros de Cadmo e qual a serpente que os devorou, e qual é o carvalho oco onde Cadmo pregou a serpente. Sabei quais são as pombas de Diana, vitoriosa do leão, domesticando-o, este Leão verde, digo-o, que é verdadeiramente o Dragão babilônio, a tudo destruindo por seu veneno. Enfim, sabei o que é o caduceu de Mercúrio, com o qual ela opera maravilhas, e quais são estas Ninfas que ele instruiu com seus encantamentos. Apreendei tudo isso, se quereis atingir o objetivo de vossos desejos.

Por: Irineu Filaleto

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/entrada-aberta-ao-palacio-fechado-do-rei/

Uma Fábula de Porcos e Florestas

“Certa vez, ocorreu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, que até então os comiam crus, experimentaram a carne assada e acharam-na deliciosa. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado incendiavam um bosque. O tempo passou, e o sistema de assar porcos continuou basicamente o mesmo.

Mas as coisas nem sempre funcionavam bem: às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. As causas do fracasso do sistema, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou, ainda, às árvores, excessivamente verdes, ou à umidade da terra ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas.

As causas eram difíceis de determinar: na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: havia maquinário diversificado, indivíduos dedicados a acender o fogo e especialistas em ventos – os anemotécnicos. Havia um diretor-geral de Assamento e Alimentação Assada, um diretor de Técnicas Ígneas, um administrador-geral de Reflorestamento, uma Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.

Eram milhares de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, técnicas para gerar fogo mais intenso etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno.

Um dia, um incendiador qualquer resolveu dizer que o problema era fácil de ser resolvido – bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o, então, em uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor – e não as chamas – assasse a carne.

Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o diretor-geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete e disse-lhe:

– Tudo o que o senhor propõe está correto, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? E com os acendedores de diversas especialidades? E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadoras de ar? E os conferencistas e estudiosos que, ano após ano, têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles se a sua solução resolver tudo, hein?

– Não sei, disse o funcionário, encabulado.

– O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo que necessitamos? O senhor não vê que, se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo? Que outros países já a teriam adotado? O senhor, com certeza, compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas? O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? E o que fazer com nossos engenheiros em porcopirotecnia? Vamos, diga-me!

– Não sei, senhor.

– Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia – isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo.”

– Juicio a la Escuela Cirigliano. Buenos Aires: F. T. Editorial Humanitas, 1976. In: CINTRA, Marcos, “Globalização, Modernização e Inovação Fiscal”. Política Fiscal. São Paulo : Saraiva, 2009.

#Arte

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O caso Yakima

Um hexágono  voador pilotado por um homem com cara e italiano perto de Yakima em 1928, um anão cabeludo com nariz grande, capaz de atravessar paredes na Califórnia, e um encontro extraordinário em uma região remota da Argentina, com um gigante e um pequeno robô: são todos casos onde falei com testemunhas oculares, sem conseguir uma explicação. As testemunhas são indivíduos retraídos , sinceros, que não buscam a fama ou vantagem financeiras com suas experiências. Nenhum fato em suas vidas indica um padrão de incidentes inusitados ou interesse pela paranormalidade. Nenhum destes casos foi mencionado na imprensa.

Um cético tem direito a sua opinião , pode pensar que todas estas pessoas estavam mentindo ou sofrendo de alucinações , mas esta explicação não me convence. Tampouco acredito na interpretação literal dos entusiastas por OVNIs, para quem os diversos seres vistos pelas testemunhas devem ser considerados automaticamente visitantes de outros planetas.

Neste aspecto, o fenômeno dos OVNIs funciona como um transformador da realidade ( ou, na definição de Bertrand Meheust, modificador da realidade ) , provocando nas testemunhas uma série de situações simbólicas que se tornam indistinguíveis da realidade. Estas situações , que frequentemente se iniciam por uma série atordoante de luzes coloridas piscando ou de extraordinária  intensidade, induzem a um estado de profunda confusão nos envolvidos , que se tornam vulneráveis à inserção de novos pensamentos e experiências visuais inéditas.

A resposta dos ufologistas à confusão dos sequestrados tem sido desastrosa . Ao aceitar literalmente as manifestações
simbólicas, e ao hipnotizar  as testemunhas em um esforço para solucionar a confusão, muitos pesquisadores bem-intencionados acabaram , na verdade , por reforçar a realidade alternativa induzida pela visão do OVNI, desta maneira exacerbando o que pode muito bem ser apenas um efeito colateral , perdendo de vista  a experiencia principal. A hipnose , que pode ser uma técnica investigativa  muito proveitosa , infelizmente se tornou uma obsessão fanática dos pesquisadores  norte-americanos da atualidade. Neste processo, pesquisadores  sem treinamento em hipnose clínica criaram indubitavelmente falsas lembranças precedidas pelo fornecimento de pistas sutis. As falsas lembranças podem satisfazer os ufologistas ansiosos por explicações simples e factuais da condição dos OVNIs, tidos como naves interplanetárias, mas não passam de resultados espúrios. O procedimento pode ser danoso às testemunhas , que forçam artificialmente a experiência com os OVNIs a uma integração impossível com a memória consciente, tentando encaixar a peça redonda da visita extraterrestre no buraco quadrado de sua propria confusão. Conforme disse uma testemunha em uma carta que recebi:

O senhor faz muito bem em prevenir as pessoas quanto ao perigos da manipulação. . . As vitimas de sequestros são
extremamente vulneráveis à manipulação cara a cara , o que pode levar ao controle quase total sobre o individuo. Os humanos estão assumindo o controle das pessoas no ponto onde os alienigenas pararam.

Conheço diversas testemunhas que foram hipnotizadas vezes seguidas, frequentemente na presença de outros “sequestrados“. Elas se tornaram incapazes de distinguir entre a realidade e o sonho, sendo conduzidas  a um reino onde suas fantasias e terrores particulares são na verdade estimulados a se unirem ao encontro traumático e confuso com um OVNI. A sensação precária de bem-estar gerada desta forma é perigosa e ilusória.

O padrão que se criou em torno dos sequestros por OVNIs lembra as teorias medievais sobre sequestros por demonios , pactos com Satã e vôos no Sabbat , incluindo-se a marca do diabo no corpo das feiticeiras. Conforme  o sociologo frances Pierre Lagrange observou em uma conversa comigo, o unico elemento que falta é o familiar   —   o gato preto ou a coruja usados para acompanhar as bruxas!

A regressão hipnótica dos sequestrados não é o tipo de medida ativa que precisamos . Em vez disso, devemos considerar os OVNIs como um transformador da realidade , e pesquisar cuidadosamente o processo simbólico provocado  na mente da testemunha . Quando utilizada por um profissional capacitado, a hipnose fornece alguns elementos valiosos  para analise da experiencia, mas não a explica.

Em 1978 tive a oportunidade de encontrar outra testemunha cujo sofrimento lança uma nova luz a questão dos sequestros e a natureza dos seres a eles associados. Também esclarecer a escandalosa conduta antiética e amadoristica de alguns dos cientistas que foram encarregados de avaliar o fenomenos.

No dia 3 de dezembro de 1967 o sargento Herbert Schimer realizava uma patrulha perto de Ashland , no Alasca, às 2h30 – numa noite límpida , sem luar   —   quando avistou luzes vermelhas , que imaginou pertencerem a um caminhão. Quando foi verificar , contudo, notou que as luzes vinham das janelas de um objeto em forma de disco que pairava sobre a rodovia . Sua lembrança consciente seguinte foi de um aparelho brilhante iluminado que subia com um som de sirene , enquanto soltava um material cor de fogo da parte inferior. Ele teve sensação de paralisia naquele momento, ficou nervoso, enjoado e fraco quando voltou ao quartel.

O dr. Leo Sprinkle  , da Universidade do Wyoming, foi um dos primeiros  psicologos profissionais a mostrar interesse pelos sequestros feitos por OVNIs  e a usar a hipnose como recurso investigativo. Quando se encontrou com membros do comite Condon, que havia sido organizado pela Força Aérea na Universidade do Colorado, em 1968, ele repassou alguns casos que poderiam ser utilizados como exemplo. O comite escolheu o caso Schirmer em função da perda  de sentindo do tempo por parte da testemunha.

O sargento Schirmer foi a Boulder para uma série de testes psicológicos, e pediu para falar com o professor Condon. Ele fora convencido a fazer a viagem por causa de sua importancia cientifica potencial. Recebera garantias de que havia um interesse verdadeiro em sua visão , e que o professor Edward Condon , um fisico famoso, estaria presente pessoalmente na sessão.

Infelizmente o professor Condon não se encontrava no campus na época, e o comite científico se deu conta de que o truque usado para atrair o sargento e realizar os testes corria o risco de ser desmascarado. Assim, conforme relatou o sargento Schirmer , eles apresentaram outra pessoa e disseram que era o professor Condon.

Schirmer não era nenhum idiota. Durante a entrevista alguém entrou na sal e dirigiu-se ao “professor Condon”, chamando-o pelo primeiro nome, algo como “Ed” ou “Edward”, Schirmer desafiou o cientista:

—    Voce não é Condon!   —   gritou, e uma cena muito constrangedora ocorreu.

Dali para a frente a credibilidade da Universidade do Colorado , aos olhos da testemunha , era praticamente nula . Quando recebeu manchas de tinta e o pedido de dizer o que via ali, ele declarou o óbvio: via manhcas de tinta.

—    Bem, não pode imaginar que sejam qualquer outra coisa?   —   sugeriu um dos psicólogos.

—    Doutor , sou um policial    —    Schimer retrucou.     — Não sou obrigado a imaginar nada. Fui treinado para relatar fatos reais.

Schirmer me  falou que tinha medo de começar a dizer que via borboletas ou elefantes copulando nas manchas, levando os cientistas a concluir que ele era maluco, que poderia muito bem ter vistos discos voadores onde havia apenas um monte de nuvens.

Duarante nosso encontro , perguntei ao sargento Schirmer quais foram as consequencias para a sua saude, como resultado  do encontro com o OVNI. No momento da experiencia a testemunha sentiu um “formigamento” no corpo, por alguns segundos , e uma dor localizada na base da orelha  , como se uma agulha tivesse sido introduzida ali.  Surgiu uma mancha vermelha , com pequenos orificios  , no local. Durante três anos, após o incidente , ele sentiu fortes dores de cabeça , que duravam  duas horas e não eram aliviadas por aspirina. Nas três primeiras semanas  depois da  visão as dores de cabeça o acordavam.

O dr. Sprinkle notou que após a visão a testemunha tomou duas xícaras de café quente, quase fervendo, “como se fosse agua”. Ele frequentemente sentia “uma tontura e um zunbido no ouvido, antes de dormir , e disturbios violentos durante o sono”.

O sargento Schirmer fez um desenho detalhado , a lápis , de um dos “operadores” do aparelho , conforme suas lembranças durante a hipnose. O desenho mostra um homem severo, com um pedaço de pano preto cobrindo a cabeça. A abertura do rosto tem forma de ogiva, o que lhe dá uma aparencia gótica. A testa tem rugas. Os olhos, nariz, boca e sombrancelhas são do tamanho normal, embora as pupilas sejam grandes  e alongadas, dando aos olhos um aspecto penetrante, estranho. Na orelha  esquerda há um aparelhinho redondo, com uma pequena antena, medindo menos de 5 centimetros. E no ombro direito uma insignia, com uma serpente encaracolada.

Schirmer lembra que foi retirado do carro patrulha, sem conseguir usar o rádio ou a arma. Foi levado para dar uma volta no disco. O operador perguntou:

—    Voce é o vigia deste lugar?

Quando atingiram a parte superior do aparelho, o homem disse a Schirmer:

—    Vigia, um dia você verá o Universo!

Na época de nosso encontro , e por muitos anos , após o evento , este dialogo com o operador foi considerado por Schirmer como o acontecimento mais importante de sua vida.

Os encontros com OVNIs são cenários completos , nos quais a personalidade das testemunhas se projeta. Como nos filmes que aterrorizam, fazem rir, chorar ou suar de medo, a experiencia se torna parte da realidade da testemunha. Os ufologistas se comportam como pesquisadores sociais que, ao tentar compreender o fenomeno do cinema, entrevistam pessoas ao acaso, e aceitam seu testemunho  de acordo com as aparências. Como as testemunhas de OVNIs, estas pessoas não mentem . Algumas viram Godzilla , outras viram Bambi. A experiencia, em qualquer um dos casos , foi real para elas.

Mas a realidade sobre a qual devemos concentrar a atenção, a realidade que os pesquisadores de OVNIs frequentemente ignoram , é que existe um projetor oculto em uma pequena sala escura, perto do teto. Nesta sala, a tecnologia pode transmitir as imagens tanto de Bambi e Godzilla quanto Guerra nas Estrelas e, obviamente , Contatos Imediatos.

Como a tecnologia do cinema, a tecnologia dos OVNIs é um metasistema. Ela gera qualquer fenomeno apropriado para nosso nível, em uma dada época, em uma determinada condição do “mercado”.

Como Bertrand Meheust provou de modo brilhante , o cenário simbólico visto pelos sequestradores é identico ao tipo de iniciação ritual ou viagem astral que se encontra enraizada em todas as culturas. Neste sentido , a experiencia com os OVNIs é o detonador real que liberta uma série de imagens poderosas que carregamos em nosso “inconsciente coletivo” ( na nomeclatura junguniana). Inútil perguntar por que algumas testemunhas enxergam gigantes e outras anões, por que alguns sequestros são benignos e outros nocivos, por que em determinados encontros as vítimas encontram tecnologia sofisticada e em outros ocorrem estupros e outras indignidades.

Enquanto nossos colegas ufologistas ficam na caçada entrevistando os frequentadores do cinema, eu (Jacques Vallée ) acredito que as perguntas importantes devem ser feitas em outro lugar. Minha pesquisa conduziu à escada dos fundos, onde ninguem sobe. Meu objetivo é penetrar no segredo da pequena cabine de projeção, e descobrir finalmente o que faz os rolos se moverem e a máquina funcionar.
Extraido do livro Confrontos  de Jacques Valleé  –  Editora Best Seller

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-yakima/

Um Dragão na Minha Garagem

Por Carl Sagan e Marcelo Del Debbio

– Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.

Suponhamos (estou seguindo uma abordagem de terapia de grupo proposta pelo psicólogo Richard Franklin) que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade!

– Mostre-me – você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.

– Onde está o dragão? – você pergunta.

– Oh, está ali – respondo, acenando – É um dragão invisível.

Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão.

– Boa idéia – digo eu –, mas esse dragão é incorpóreo, a farinha não vai aderir.

Então você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.

– Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor.

Você quer borrifar o dragão com tinta para tomá-lo visível.

– Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir. Já havia dito isso antes.

E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação racional de por que não vai funcionar, já que se trata de um dragão incorpóreo. Pessoas muito burras tem uma dificuldade enorme em entender o conceito de incorpóreo, mas vamos supor que você seja uma pessoa inteligente.

Ora, qual é a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? uma pessoa de inteligência mediana acharia que não existe diferença alguma, mas uma pessoa inteligente poderia pensar de outra maneira: a primeira hipótese seria que há algum problema com a minha mente. Você se perguntaria, já que nenhum teste físico se aplica, o que me fez acreditar nisso. A possibilidade de que foi sonho ou alucinação passaria certamente pela sua cabeça.

Mas, nesse caso, por que eu levo a história tão a sério? Talvez eu precise de ajuda.

Vamos supor que no próximo final de semana você e sua esposa venham jantar aqui em casa e sua esposa, ao entrar na garagem para pegar uns refrigerantes na geladeira, volte apavorada dizendo “querido, há um dragão na garagem do Del Debbio!”

Sua esposa é uma médica com doutorado, uma pessoa lúcida e extremamente cética. Você me olha com desconfiança, mas eu nunca havia visto a sua esposa em toda a minha vida.

Você formula algumas hipóteses: a primeira delas tem a ver com o sentimento de corno permanente que todo pseudo-cético parece ter, que acha que todo mundo está tentando enganá-lo o tempo todo (mas, como no exemplo eu disse que você é uma pessoa inteligente, podemos descartar esta hipótese e assumir que sua esposa realmente nunca me viu na vida). A segunda hipótese é que agora são dois malucos.

Depois, na sua casa, sua esposa lhe descreve o dragão nos mesmos detalhes que eu lhe descrevi, sem ter conversado comigo a respeito disso. Inclusive o fato dele ser incorpóreo.

Apesar de nenhum dos testes ter funcionado, imagine que você queira ser escrupulosamente liberal. Você não rejeita de imediato a noção de que há um dragão que cospe fogo na minha garagem. Agora tem em mãos duas testemunhas idôneas, que não se conhecem e que não teriam motivos para enganá-lo. Apenas deixa a idéia cozinhando em banho-maria. As evidências físicas são fortemente contrárias a ela, mas, se surgirem novos dados, você está pronto a examiná-los para ver se são convincentes.

Decerto não é correto de minha parte nem da parte de sua esposa ficarmos ofendidos por não acreditarem em nós; nem podemos criticá-lo por ser chato e sem imaginação – só porque você apresentou o veredicto escocês de “não comprovado”.

Suponha agora que no outro final de semana, o sr. Vieira, amigo em comum, engenheiro formado no ITA, durante um jogo de poker em minha casa, ao retornar da garagem, afirme “olha pessoal, eu acho que estou ficando louco, mas tenho certeza que vi um dragão na garagem do Del Debbio” e, em seguida, descreve o mesmo dragão que a sua esposa descreveu. O sr. Vieira não conhece a sua esposa e é muito mais cético do que eu e você juntos. E agora são três testemunhas e nenhuma prova física.

Durante a semana, o sr. Vieira faz todos os tipos de testes que nós já havíamos pensado e chega à mesma conclusão que você: que não se consegue detectar o dragão por meios físicos… mas ele ainda afirma categoricamente que o dragão está lá e, de certa forma, fica feliz em saber que outras pessoas sãs também vêem o mesmo dragão, sinal que não está maluco.

Na semana seguinte, durante um churrasco, a sra. Lima, veterinária com doutorado na USP, amiga de nossa família há anos e sem nenhuma religião, vem correndo na direção da sua esposa em pânico: ela afirma que havia visto um dragão na minha garagem! Nesse meio tempo, o sr. Vieira já havia pesquisado a respeito disso e visto que, durante toda a história da humanidade existem relatos a respeito de dragões na garagem dos faraós, na garagem dos índios, na garagem dos escravos e até mesmo na garagem dos vikings! Todas estas histórias tem sido tratadas como lendas ou mitologias pelas pessoas de inteligencia mediana, claro. As pessoas comuns confundiam estas manifestações com “deuses” ou acreditavam que eles eram algum tipo de “divindade”.

Qualquer pessoa de bom senso vai concordar com essas afirmações. Onde estao as evidências físicas? Mas, em todas as lendas, as características destes dragões invisíveis são equivalentes, mudando apenas a roupagem da história, de acordo com a cultura de cada povo. Mesmo em povos que nunca se encontraram, como aztecas e chineses, as descrições são rigorosamente as mesmas.

Passado o medo, descobrimos que a sra Lima não apenas era capaz de ver o dragão, mas de conversar com ele! Ela fez algumas perguntas ao dragão e obteve respostas sobre a sua vida pessoal que você nunca havia contado a ninguém! Claro que a primeira reação foi achar que era uma tal de “leitura fria”, mas a sra. Vieira não tem absolutamente nenhum motivo para tentar nos enganar e está tão curiosa a respeito do assunto quanto a gente… além disso, as respostas eram precisas demais sobre assuntos que ela desconhecia para serem apenas chutes… como se o dragão estivesse nos acompanhando por muito tempo… antes mesmo de termos tido conhecimento sobre a sua existência.

Com o tempo, o sr. Vieira também aprendeu a desenvolver sua audição e passou a escutar o dragão também. Nesse momento você poderia até pensar que eram quatro loucos com a mesma loucura, se não fosse o fato que as respostas dadas ao sr. Vieira e à sra. Lima eram exatamente as mesmas, mesmo quando estavam separados. Sua esposa fez uma pesquisa e descobriu que, no século XIX, um sr. chamado Hippolyte Léon Denizard, um educador e escritor francês vencedor de diversos prêmios e méritos por sua seriedade e pesquisa no campo da educação, havia tido as mesmas experiências que nós e, por ter sido membro de Ordens Secretas que tinham acesso aos dragões invisíveis, havia feito um questionário padronizado e pediu que diversos dragões os respondessem em toda a Europa, até mesmo produzido um livro com as respostas de milhares de dragões invisíveis compiladas, que chamou de “Livro dos Dragões Invisíveis na Garagem”. Descobrimos até que existia um nome para o que conseguiam fazer: Mediunidade.

Pesquisando, também descobrimos que a Igreja sempre soube da existência desses dragões e até fazia uso deles na garagem do Vaticano, mas oficialmente considerava qualquer pessoa que conversasse com dragões invisíveis como “Adorador do Diabo”, com direito a ir para a fogueira. Era um excelente motivo para as pessoas que conversavam com dragões mantivessem esta característica em segredo!

Com o tempo, sua esposa encontra mais algumas pessoas capazes de conversar com estes dragões invisíveis, que se reúnem em estacionamentos chamados “terreiros”. Infelizmente, eram poucos os terreiros confiáveis, pois a história dos dragões havia sido divulgada no Globo Reporter e uma infinidade de picaretas abriram estacionamentos prometendo conversar com dragões e trazer a mulher amada em sete dias úteis mas que, quando visitadas pelo nosso grupo, mostravam-se realmente vazios. Como o sr. Vieira ainda não havia conseguido desenvolver um método físico para mostrar evidências físicas destes dragões, ficava impossível para a pessoa comum distinguir onde haviam dragões e onde haviam charlatões. Você teria de confiar na palavra da sua esposa ou amigos idôneos… ou nao.

Os dragões às vezes conseguem elucidar perguntas complicadíssimas sobre nossas vidas, sobre o que viemos fazer no planeta; são muito sábios (muito mais sábios que as próprias pessoas que conversam com eles, que apenas nos retransmitem suas palavras); às vezes os dragões falam em uma língua que os próprios médiuns desconhecem: ao longo do tempo, já vi dragões falando francês, alemão e inglês, ditados por médiuns que não possuíam nenhum conhecimento nessas línguas… às vezes curam doenças consideradas incuráveis, mas como são casos isolados, não se fez nenhum esforço para testar isso em laboratório, já que as pessoas comuns ainda estão discutindo se os dragões existem ou não. Alega-se que foi sorte ou placebo e pronto! E isso torna praticamente impossível de se publicar qualquer estudo sobre o assunto em revistas científicas. Até mesmo se você for o Prêmio Nobel de Medicina, se suas pesquisas apontarem que talvez dragões invisíveis possam existir, você acaba caindo na ridicularização… então é preciso cautela com para quem você irá dizer que é capaz de enxergá-los.

Por conta disso, as pessoas que baseiam seus dogmas apenas no que é publicado nessas revistas continuavam negando a existência dos dragões invisíveis da garagem com toda a sua crença, taxando quem consegue enxergar estes dragões de charlatão ou louco sem nem ao menos fazer um esforço para saber quem são estas pessoas e o que faz com que elas afirmem estas coisas… fazem uma mistureba de conceitos, jogando no mesmo saco a desinformação e ignorância dos crentes com a falta de pesquisa e a visão leiga dos pseudo-céticos.

E nem podemos criticá-las muito, afinal de contas nós, que temos contato com estes dragões e temos experiência em diferenciar dragões de garagem de cobradores de estacionamento vazio, não conseguimos definir um método físico para provar a existência de algo não-físico… ainda.

A solução é continuar pesquisando; correndo atrás, como verdadeiros céticos. Testar e reunir aqueles capazes de conversar com eles e testar as informações. Afastar as crendices e superstições construídas ao redor dos fatos e destrinchar onde está a verdade. Porque a ciência é a busca pelo conhecimento.

#Ceticismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-drag%C3%A3o-na-minha-garagem

Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; Mateus 21. 1-17

Ao se aproximar de Jerusalém, Jesus enviou dois discípulos, solicitando-os a trazer um casal de jumentinhos. Esotericamente, esses dois discípulos de Cristo representam faculdades que foram desenvolvidas pelo aspirante e que são instrumentos adequados para levantar o fogo espinhal de Netuno da base da coluna, trazendo-o até o plexo solar, onde o Cristo Interno o utiliza para ascender ao longo da coluna até a cabeça, representada por Jerusalém. Os jumentinhos simbolizam a força criadora, dual em sua natureza, podendo ser usada para fins de natureza animal e também para o desenvolvimento espiritual. Na cabeça, conforme nos descreve o CONCEITO ROSACRUZ DO COSMO, essa força fará vibrar a glândula pineal e o corpo pituitário. Quando isso acontece, a consciência superior se rejubila, pois é um momento de grande júbilo para o neófito, já que desse passo resultam as clarividências. No texto bíblico, esse júbilo é representado pela multidão que estende suas vestes no caminho e corta ramos de árvores espalhando-os pela entrada. A seguir, cantam hosanas ao Filho de Davi.

O texto bíblico diz, a seguir, que Jesus entra no Templo, expulsando todos os que ali vendiam e compravam, derrubando também as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Jerusalém simboliza a abóbada craniana, a cúpula do Templo e também a consciência superior. Ela é certamente influenciada quando a Força de Cristo chega até ela, suportada pela força de natureza animal simbolizada pelos jumentinhos. A expulsão dos cambistas e dos vendedores de pombas significa a expulsão dos atributos da natureza inferior que formam a consciência material do aspirante. Os cambistas são aqueles que se tornam subservientes à natureza material do ser e os vendedores de pombas são aqueles que sacrificam sua pureza para ganhos materiais.

O corpo é verdadeiramente o Templo do Espírito, uma casa de orações e não um covil de salteadores, como disse Jesus. Isso porque nossas vidas diárias devem ser uma oração constante, enquanto realizamos nossas boas obras. As muitas qualidades e faculdades que desenvolvemos com uma visão materialista “roubam” o tempo que deveria ser dedicado às atividades que redundassem em proveito espiritual. As crianças que clamavam no Templo são as novas faculdades que nasceram da influência das forças despertadas do Cristo interno. Elas manifestam-se em alegria e júbilo. Os sacerdotes e os escribas que criticam a manifestação das crianças são as religiões formais e puramente mentais que são insensíveis e não entendem as demonstrações do espírito.

Jesus dirige-se então para Betânia, onde pernoitou. Betânia significa Casa das Tâmaras, significado esse associado à frutificação em boas obras, pois os textos bíblicos costumam se referis à foma e ao alimento no sentido espiritual. No estado de consciência que foi atingido com a ascenção do Cristo Interno, segue-se uma fome de alimentos espirituais ou a produção de obras de conteúdo espiritual.

Bibliografia:

-Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo

– John P. Scott, The Four Gospels Esoterically Interpreted.

Retirado do Ecos da Fraternidade Rosacruz intitulado “Mensagem esotérica de Páscoa”.

Sérvio Túlio

Que a Força esteja com vocês.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/entrada-triunfal-de-jesus-em-jerusal%C3%A9m-mateus-21-1-17

Referencias Herméticas em Promethea – Parte 2

Por Octávio Aragão

Leia primeiro Referencias Hermeticas em Promethea – Parte 1

As raízes e as ramificações de todos os mundos possíveis
O conceito da “árvore da vida” que serve como esteio do mundo é uma constante em várias mitologias e, além disso, um dos conceitos básicos da cabala. Yggdrasil, a árvore nórdica cuja seiva alimenta os deuses e que sustenta Asgard sobre seus ramos [9], é o conceito sobre o qual Alan Moore estruturou a série Glory, originalmente desenvolvida para a Awesome em 1997, mas apenas publicada em 2001, pela Avatar Press.

A princesa Glorianna, filha da deusa grega Deméter, nada mais era que um clone indisfarçado da Mulher Maravilha, da DC Comics, com sua ilha povoada apenas por mulheres e poderes muito semelhantes à personagem original. Moore repetiu a fórmula bem sucedida com Supreme, assumindo a semelhança entre as duas, mas transcendendo a mera cópia ao acrescentar elementos mitológicos, mais ou menos como Stan Lee e Jack Kirby fizeram em Thor, durante a década de 60. Glory passou a ter uma vida dupla: de dia garçonete de beira de estrada; à noite, princesa guerreira trajando uma escandalosa roupa-armadura colante. Mas a obviedade termina por aí, já que Gloria West, a garçonete, acredita que “sonha” ser Glory, a deusa.

Nada de identidades secretas ou cabines telefônicas para essa heroína, mas a constante dúvida a respeito da própria sanidade. Glory surge quando necessitada e trata Gloria como uma casca, um disfarce útil para seus momentos na Terra, quando não está no reino de sua mãe Deméter ou visitando o pai, o demônio Silverfall.

Moore estabelece Ultima Thule, o reino de Deméter, Ceres, Geb e outras divindades ligadas ao elemento terra, no patamar inferior da árvore da vida, como se Yggdrasil fosse um edifício onde cada andar abrigasse uma esfera de influência elemental relativa aos vários níveis de percepção da realidade. Imediatamente acima de Ultima Thule, está a Esfera Lunar, relativa à inconsciência, aos sonhos, à fantasia, governada por Selene, Diana, Ártemis e outras deusas ligadas à Lua, e logo seguida pela Terra da Magia, da linguagem, da ciência, da comunicação, sob a batuta, mais uma vez, de Hermes, Thot e Odin. Na seqüência, vem o Reino do Amor e das Emoções, território de Vênus, Afrodite, Nike e todas as divindades oriundas da paixão dos sentidos; sucedido pelo lar de Apolo, Horus, Baldur, Osiris e Jesus, as divindades solares. Trata-se do Reino do Espírito, da Unidade, sobreposto pela morada de Marte, Ares e Tyr, os deuses da guerra e do conflito, e pelas terras gerenciadas Júpiter, Thor, Indra e Jove, o território das figuras paternas, do casamento bem-sucedido entre matéria e espírito.

Sobre todos esses feudos espirituais vem o Abismo, e após, as últimas três esferas, sendo que a mais alta de todas é a morada de Yaveh, do Allah islâmico, de todas as divindades supremas, os Deuses Vivos das religiões monoteístas. A árvore da vida ainda abrigaria sobre suas raízes, as terras das sombras, os Hades/Infernos/Submundos, de onde veio o pai de Glory, Silverfall. O governo deste mundo que não é necessariamente ‘mau’, ficaria sob o encargo de Plutão, Hades e outras divindades sombrias, e margeando tudo ainda haveria lugar para um imenso corpo de água, “Chromoceano’, rio de luz presente em várias culturas.

Esse cenário amplo e detalhado serviria como manancial quase inesgotável para várias histórias de Glory, mas, infelizmente, a série foi interrompida no número três, sem previsão de continuidade por causa das baixas vendas. Moore, porém, não abandonaria um trabalho tão complexo que, obviamente, exigiu muita pesquisa e concentração, guardando-o para o futuro. Esse futuro chegou em 1999, encarnado em Promethea.

A outra volta do caduceu
Com a falência definitiva de Liefeld e da Awesome em 1998, Alan Moore descobriu-se cheio de novos conceitos, projetos inéditos e cercado por jovens ilustradores ansiosos para trabalhar em parceria, mas sem um meio para desagüar tantas idéias represadas. Entra em cena Jim Lee, artista contemporâneo de Rob Liefeld na Image Comics, com outra proposta faustiana: Moore teria carta branca para criar os títulos que quisesse, para que fossem englobados num selo próprio, o America’s Best Comics, e publicados pela WildStorm, de Lee, na época ainda sócio da Image. Moore aceitou e começou a trabalhar imediatamente, mas logo o projeto pareceu ameaçado com a venda da WildStorm para a DC Comics, para quem Moore havia jurado nunca trabalhar outra vez.

Desta vez, as condições de trabalho oferecidas a Moore pela DC eram extremamente positivas, mantendo o escritor como detentor dos direitos de todos os personagens concebidos e com uma boa percentagem de retorno advindo de qualquer projeto derivado das séries, tais como produções cinematográficas ou linhas de brinquedos. Era uma proposta irrecusável e o roteirista lançou cinco títulos em 1999: The League of Extraordinary Gentlemen, uma brincadeira steampunk [10] sobre os personagens da literatura vitoriana; Tom Strong, que reaproveitava vários conceitos originalmente pensados para Supreme; Top Ten, uma série policial misto de Hill Street Blues com super-heróis; Tomorrow Stories, uma antologia de várias HQs de estilos diferentes e independentes entre si sob o mesmo título, e Promethea; o título mais ambicioso dos cinco, que Moore utilizaria como palco para uma aula de esoterismo, usando a cabala como vertente principal.

Alexandria, 411 A. D. Uma menina foge de padres fanáticos que acabaram de chacinar seu pai, acusando-o de feitiçaria. Ele, para surpresa de seus algozes, morre feliz, agarrado a seu bordão em forma de caduceu[11].

Nova York, 1999 (não exatamente a Nova York de nossa realidade, mas um lugar onde discos voadores são um meio de transporte trivial, juntamente com táxis munidos de dispositivos antigravitacionais e outros aparelhos nada comuns aos habitantes de qualquer megalópole). Sophie Bangs, jovem estudante, prepara uma pesquisa sobre uma figura folclórica chamada Promethea. Sophie descobriu que o mesmo personagem, em várias épocas diversas que abrangem um período entre 1780 e 1999, foi tema de obras diferentes, em diversas mídias tais como poemas, romances, pulp fiction e até fotonovelas, por autores que nunca se conheceram e agora conseguiu marcar uma entrevista com a viúva do último artista a trabalhar no conceito. A reunião, porém, termina precocemente com um aviso da mulher:

“Listen, kid, you take my advice. You don’t wanna go looking for folklore. And especially don’t want folklore to come looking for you.” [12]

Mas certas palavras já foram ditas, certos nomes pronunciados. O mal está feito e a roda do universo gira em velocidade tal que logo Sophie Bangs é apresentada pessoalmente ao objeto de sua pesquisa: uma mulher obesa e decadente, porém poderosa, que a salva do ataque de um Smee, entidade fantasmagórica e letal enviada para evitar que a pesquisadora vá mais fundo em seu trabalho.

A narrativa dá um salto de volta a Alexandria, em 411 A.D. Vemos a criança fugitiva do início da história, perdida no deserto, confrontando as figuras colossais de Thot, deus egípcio da comunicação, cuja cabeça tem a forma de um pássaro, o íbis, e Hermes, que porta um imenso caduceu ornado por serpentes vivas. Thot, por sua vez, traz na mão um Ankh, símbolo egípcio do deus único Aton. Eles são a encarnação de uma divindade dupla, Thot-Hermes, e oferecem abrigo e segurança à menina, contanto que ela atravesse com eles o véu que separa o mundo físico de seu reino, um lugar chamado Immateria, onde “ela viverá eternamente, como as histórias”.

Immateria, segundo as entidades, não é muito longe, mas está sempre “onde você se encontra” e, uma vez lá, a criança deixará de ser um ser humano e passará a ser uma “história” eterna e que, possivelmente, dentro de determinadas condições, poderá transpor o portal para o mundo físico, pois, afinal, “algumas vezs, se uma história é muito especial, ela pode arrebatar as pessoas”. Só então as divindades gêmeas se lembram de perguntar o nome da criança. “Promethea”, ela responde, antes de desaparecer no ar[13].

Se ela não existisse, teríamos de inventá-la
Podemos ver claramente a conexão entre Glory e Promethea. Immateria nada mais é que a Terra da Magia descrita anteriormente, reino da linguagem, da ciência, da comunicação, governado por Thot-Hermes. A partir daqui, Moore irá aprimorar os conceitos cabalísticos apresentados anteriormente, adaptando-os à genealogia de Promethea numa evolução do que concebeu para Glory, sem medo de utilizar uma linguagem menos acessível ao grande público e distanciando-se cada vez mais da iconografia super-heroística. Assim como o caduceu que herdou de Thot-Hermes, Promethea é uma personagem transcendente e, em conseqüência, rebela-se contra gêneros e catalogações.

O primeiro arco de histórias da série, que vai do número 1 ao 6, além de apresentar Sophie Bangs e o elenco de coadjuvantes, inicia, a partir do terceiro fascículo, a viagem de auto-conhecimento de Promethea, explorando o reino de Immateria. No arco seguinte, as várias esferas já apresentadas na sinopse de Glory serão visitadas. A peregrinação durará até o final do terceiro arco, no episódio 23, mas os primeiros seis números estarão focados nos diversos aspectos da entidade. O primeiro termina explicitando que Sophie é a nova encarnação de Promethea, em substituição à personagem obesa que confronta o Smee. Essa mulher, Barbara Shelley, explica à estudante quem realmente foi a Promethea original, a filha de um acadêmico hermético egípcio – ou melhor, um sacerdote de Hermes – que viveu no século V, e dá os nomes de cinco artistas que serviram como veículo para a conjuração da divindade.

Esses criadores, um poeta, uma cartunista, uma ilustradora, um quadrinista e um romancista, foram o canal por meio da qual a entidade atravessava até o mundo físico, mas o “combustível” que a alimenta é o amor. “Qualquer um com imaginação e entusiasmo suficiente pela personagem pode trazê-la de Immateria, apenas pensando em si próprio ou em outra pessoa encarnando o papel”[14], diz Barbara, viúva do último artista a conjurar Promethea, deixando claro que a mistura de imaginação, talento artístico e amor é o gatilho capaz de materializar um sonho.

Avatares desbocados
Maurice Merleau-Ponty afirma que, diferente da crença geral, a linguagem vira as costas à significação, não se preocupa com ela. Ou seja, há uma independência subjacente à comunicação, cuja característica principal é uma diferenciação e sistematização de signos, seja nos fonemas, nas palavras ou em toda uma estrutura linguística. Uma coisa até pode levar à outra, mas isso não quer dizer que a função primordial dos signos seja estar à disposição dos significados. Os signos, ao que parece, têm uma agenda própria.

“Num certo sentido, a linguagem jamais se ocupa senão de si mesma. Tanto no monólogo interior como no diálogo não há ‘pensamentos’: trata-se de palavras suscitadas por palavras, e, na medida mesmo em que ‘pensamos’ mais plenamente, as palavras preenchem tão exatamente nosso espírito que nele não deixam um canto vazio para pensamentos puros e significações que não sejam de linguagem”[15]

Essa independência entre signo e significado parece ser a mola motriz da série como um todo e aparece muito claramente quando, no terceiro número da série, no capítulo intitulado Misty Magic Land, ao visitar pela primeira vez o reino de Immateria, Promethea encontra uma encarnação física de Chapeuzinho Vermelho, que, apesar de aparecer como uma doce e angelical menina loura de dez anos de idade, fuma muito e fala palavrões como uma prostituta de beira do cais.

Moore parece fascinado por essa contradição já que esta é apenas a primeira de uma série de guias que Promethea irá encontrar em suas diferentes jornadas pelos planos cabalísticos. Esses avatares desbocados serão, em diferentes momentos, velhos feiticeiros garanhões, anjos em forma feminina e roupas masculinas, doces travestis transsexuais e até as duas serpentes do caduceu trocam gracinhas pouco condizentes com sua condição de entidades cósmicas. No capítulo seguinte, A Faerie Romance, somos apresentados às quatro últimas versões de Promethea, todas vivendo em Immateria e cada uma representando uma característica da personagem: musa, guerreira, amante e professora, todas passando a Sophie uma diferente significação para o uso do “verbo” como instrumento transformador. Se brandidas como lâmina, palavras cortam, separam os corpos dos homens de suas cabeças; por outro lado, durante as guerras, palavras podem ser a última inspiração, uma taça de esperança. Mas palavras também pertencem ao mundo material, são moedas para troca, compra, liberação de prazer físico e, finalmente, palavras podem ser um bastão, símbolo fálico masculino, varinha mágica, poder. Lâminas, taças, moedas e varas. Espadas, copas, ouros e paus. As cartas estão na mesa e, a partir do episódio 12, o jogo cósmico começa.

Anagramas arcanos
Depois de dois números, respectivamente 8 e 9, onde combate as forças combinadas do inferno num clima ‘super-heroístico’ – quase como um lembrete aos leitores de que, no fundo, a revista faz parte dessa tradição – , Promethea dá uma guinada sem precedentes nos quadrinhos comerciais publicados nos Estados Unidos. Moore dedica uma revista inteira a uma cena de sexo tântrico entre a heroína e o vilão Jack Faustus na história entitulada Sex, Stars and Serpents. Não que isso fosse alguma novidade para o autor: quem lembra de sua fase áurea em Swamp Thing, da DC, nos anos 80, sabe que ele já havia abordado o tema ‘sexo entre diferentes’ de forma bastante ousada para a conservadora mídia estadunidense, com sucesso. Mas dessa vez Moore, com o auxílio do ilustrador J. H. Williams III, foi bem mais longe, com cenas explícitas de cunilíngüus, variações de posições e orgasmo, sem, contudo, escorregar no mau gosto pornográfico. Essa edição, que narra passo-a-passo um intercurso sexual pautado sobre citações mais ou menos óbvias tais como a serpente kundalini, o poder simbólico de camas e cavernas e como a humanidade pode comungar através do ato, foi indicada ao Eisner 2001 como melhor história individual.

Após a pausa para descanso, temos mais uma aventura do tipo “heroína-derrota-o-vilão-do-mês”, no número 11, que serve de preparação para a grande jornada que virá a seguir, com Promethea percorrendo todos os 12 reinos que congeminam as casas do zodíaco e os arcanos maiores do tarô, um por mês, durante um ano.

Logo no primeiro número da saga, Moore utiliza um artifício para relacionar a personagem a cada carta do tarô, produzindo anagramas com a palavra Promethea relacionados às 21 imagens ou aos conceitos inerentes durante as 24 páginas da edição.Assim, Metaphore é o termo representativo do Louco; Pa Theorem remete ao Mago; Mater Hope é a Sacerdotisa; A Pert Home casa com a Imperatriz e Rope Thema é o Imperador; Ape Mother é o Hierofante; Me Atop Her é a carta dos Amantes; O Mere Path, o Carro; A Pro Theme vem com a Temperança; Here Tempo, o Eremita; Eh, Tempora é a Roda da Fortuna; A carta Força corresponde a O Harem Pet; Hm Operate é oEnforcado, enquanto a Morte é O Reap Them; A Arte é Emote Harp, o Diabo é The Mop Era, a Casa de Deus é Metro Heap; A Estrela é Map O Ether, a Lua, Earth Mope, e o Sol é Meth Opera; O Julgamento é Meet Harpo, e, finalmente, o Mundo é Heart Poem.

Cada uma dessas reescrituras do nome “Promethea” descortina um dos sentidos dos arcanos e ajuda a traçar um resumo da história da humanidade desde seus primórdios até o fim inadiável – que, segundo as serpentes do caduceu, ocorrerá no ano 2017 – até o recomeço, quando o a carta do Louco mais uma vez for descartada do baralho. Sophie, assim como o leitor, tem agora um panorama, um mapa do futuro. Basta decidir que caminho seguir.

Notas
9. “Supunha-se que todo o universo era sustentado pelo gigantesco freixo Yggdrasil, que nascera do corpo de Ymir – o gigante do gelo -e tinha raízes imensas, uma das quais penetrava em Asgard, outra no Jotunheim (morada dos gigantes) e a terceira no Niffleheim (regiões das trevas e do frio). Ao lado de cada raiz havia uma fonte que a regava. A raiz que penetrava em Asgard era cuidadosamente tratada por três Norns, deusas consideradas como donas do destino. Eram Urdur (o passado), Verdande (o presente) e Skuld (o futuro). A fonte ao ldao de Jotunheim era o poço de Ymir, no qual se escondiam a sabedoria e inteligência, mas a do lado de Niffleheim alimentava Nidhogge (escuridão), que corroía a raiz perpetuamente. Quatro veados corriam sobre os ramos da árvore e mordiam os brotos; representavam os quatro ventos. Sob a árvore, ficava estendido o Ymir e, quando ele tentava livrar-se de seu peso, a terra tremia.” BULFINCH, Thomas. O Livro de Ouro da Mitologia, Histórias de Deuses e Heróis. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 2000 – 9ª edição, p.
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10. Steampunk é um derivado da ficção científica literária, geralmente ligado ao subgênero da história alternativa, que tem como características os cenários vitorianos e as tecnologias de caráter retrô, tais como locomotivas e dirigíveis, geralmente ligadas ao uso do vapor e da eletricidade como fonte de energia. Tem como alguns expoentes literários os autores Tim Powers (The Anubis Gates), Kim Newman (Anno Dracula) e a dupla William Gibson e Bruce Sterling (The Difference Engine), que foram considerados os inventores do Cyberpunk. Já nos quadrinhos, além de Moore, temos Joe Kelly e Chris Bachallo (Steampunk), Boaz e Erez Yakin (The Remarcable Works of Professor Phineas B. Fuddle), Randy e Jean-Mark Lofficier (Robur) entre muitos outros.

11. O caduceu, varinha portada por Hermes em torno da qual duas serpentes aparecem enroladas, é um símbolo de transcendência e terapêutica, tanto que até hoje é considerado um representativo da classe médica, já que Asclépius, filho de Apolo e deus da medicina, também a utilizava como instrumento de cura. O caduceu, ou herma, também é considerado como um símbolo de fertilidade, sendo constantemente associado a falos eretos, mas também à fertilidade do espírito, da transcendência. A mescla da serpente, animal rasteiro, com o capacete e as sandálias aladas ajudam a compreender o caráter composto da divindade Hermes, que faz a comunicação das coisas terrenas com a esfera superior.

12. “Olha, garota, siga o meu conselho. Você não quer ir atrás de folclore. E de preferência não queira que o folclore venha procurar por você.” In: MOORE, Alan. Promethea #1: The Radiant Heavenly City. USA: America’s Best Comics, 1999 – 1ª edição, p. 9.

13. O cerne da lenda de Prometeu, o titã que ousou roubar o fogo celeste e terminou acorrentado e com o fígado picado por uma éguia eternamente, manteve inalterado durante séculos, mas certas evoluções concernentes à personalidade do mito foram notadas a partir do Prometeu Acorrentado, de Ésquilo, escrito entre 467 e 459 A. C. O dramaturgo helênico foi o primeiro a emprestar ao titã transgressor uma característica civilizatória: ele haveria roubado o fogo de Zeus para cedê-los aos homens, para dar-lhes oportunidade de evolução. Parece-nos que foi esse o viés escolhido por Alan Moore ao construir sua Promethea, que também é portadora de um caduceu, cujas serpentes vivam e convolutas resplandecem com brilho interior. Uma entidade que, apesar de fisicamente superior ao homem comum, se manifesta por meio do princípio criador da humanidade, a chama artística, e se levanta contra o obscurantismo, as forças do caos desordenado, caixa de Pandora representada por vários personagens vilanescos, principalmente o enlouquecido ‘omnipata’ andrógino Painted Doll e o prefeito da cidade, Sonny Baskerville, cuja mente é lar de toda uma comunidade infernal. Ao combater essas forças, a Promethea de Moore não apenas aproxima os céus do homem, mas funciona como termômetro para o caminho contrário, evidenciando a evolução constante da humanidade em direção ao divino.

14. MOORE, Alan. Promethea #1: The Radiant Heavenly City. USA: America’s Best Comics, 1999 – 1ª edição, p. 24

15. MERLEAU-PONTY, Maurice. O Algoritmo e o Mistério da Linguagem, in A Prosa do Mundo. São Paulo, SP: Cosac & Naify Edições, 2002 – 1ª edição, p. 147

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/referencias-herm%C3%A9ticas-em-promethea-parte-2