Cristina da Suécia

Thiago Tamosauskas

No final do século XVII, Cristina I da Suécia era filha única do rei Gustavo II Adolfo e de rainha Maria Eleonora de Brandemburgo-Hohenzollern. Nascida em 8 de dezembro de 1626, após a morte do pai tornou-se monarca legítima com apenas 6 anos. O Conselho Nacional sugeriu que Cristina participasse do governo a partir dos 16, mas ela pediu para esperar até os 18 anos para seguir o exemplo de seu pai. Neste período de preparação ela recebeu mesma educação militar, de governança e de artes liberais que um príncipe receberia.

Cristina possuía uma natureza andrógina inegável, suas cartas e diários demonstram sua bissexualidade em seus inúmeros casos amorosos incluindo a Duquesa Ebba Sparre e o embaixador português Antonio Pimentel. Ela dizia ter “uma mente inteiramente masculina” e gostava de ser  vestir segundo a moda dos homens de seu tempo. Em documentos mantidos pelo Vaticano em Roma, ela foi chamada de “hermafrodita”. O poder da coroa lhe deu uma liberdade que poucas pessoas tinham na época, mas seu estilo de vida ofuscam as realizações daquela que a Internet Encylopedia of Philosophy chamou de

uma das mercuriais monarcas da Europa … Em seus escritos, ela faz sua própria contribuição distinta para a filosofia moral e política. Seus textos éticos exploram a natureza da virtude, defendem a equidade de gênero e postulam critérios para a verdade religiosa. Seus trabalhos políticos defendem a tolerância cívica das minorias religiosas. Como muitos salões da época, Cristina analisa a natureza e as variações do amor, mas seus interesses teológicos e políticos lhe proporcionam um horizonte filosófico mais amplo do que o predominantemente romântico da maioria dos salões franceses. Seu trabalho filosófico frequentemente explora a questão que atormentou sua carreira política: a natureza e o exercício adequado da autoridade.

Desde a juventude sentiu-se atraída pelo ocultismo. Sem dúvida este interesse se deve a tutoria que recebeu do antiquário real de Estocolmo, Johannes Bureus que dedicou a Cristina uma cópia manuscrita de suas especulações sobre a origem mística das Runas, sua Adulruna Rediviva, em 1643, e mais tarde uma cópia de sua obra apocalíptica, O Rugido do Leão do Norte.

Cristina I, a rainha

Os estudos esotéricos tiveram que ser deixados parcialmente de lados em 1644, quando Cristina assumiu finalmente o trono do Império Sueco. Seu primeiro desafio como monarca foi conclusão dos tratados de Paz com a Dinamarca e seu sucesso foi tão grande que nas negociações a Suécia ainda ganhou as ilhas de Gotland e Ösel (hoje Saaremaa em Estónia) e o domínio sobre os distritos de Jämtland e Härjedalen que anteriormente pertenciam a Noruega.

A paz e prosperidade que conquistou permitiram que ela estabelecesse diversas academias e universidades e pode dar novamente vazão aos seus interesses intelectuais. Cristina I é lembrada como uma das mulheres mais cultas do século XVII, ela gostava de livros, manuscritos, pinturas e esculturas. Com seu interesse em religião, filosofia, matemática e alquimia, ela atraiu muitos cientistas para Estocolmo e desejava que a cidade se tornasse uma nova “Atenas do Norte”.

Em 1646 demonstrou interesse em instituir uma Ordem de Emanuel, uma fraternidade cavalheiresca de tons iniciáticos. As obrigações do reinado e o desencorajamento do seu conselheiro Johann Adler Salvius a fizeram abandonar os planos temporariamente.

Apesar do sucesso de seu reinado Cristina sabia que a maior expectativa sobre ela era a de proporcionar um herdeiro para o trono sueco. Ela teve um caso rápido e se tornou secretamente noiva de seu primo Carlos, filho da Princesa Catarina e neto do Rei Carlos IX embora tenha registrado mais tarde em sua autobiografia que sentia “uma aversão intransponível para o casamento”.

Em 1649, Cristina tornou pública sua decisão de não se casar e seu desejo de tornar Carlos herdeiro ao trono. Apesar da oposição da nobreza, seu desejo foi aclamada pelo povo e aceita pela burguesia e pelo clero. A coroação de Carlos ocorreu em 1650 no castelo de Jacobsdal, (atual Ulriksdal), na ocasião Cristina adentrou no salão em uma carruagem bordada em veludo e ouro, puxado por seis cavalos brancos.

Cristina I, a alquimista

Com a coroação de Carlos, Cristina podia agora deixar de lado as questões do reinado e e da política, que sempre considerou um fardo para se dedicar aos assuntos que realmente lhe despertavam interesse, a alquimia e o ocultismo.

Nessa época ela se aproximou do botânico Johannes Franck, que a convenceu de que ela cumpriria uma profecia atribuída a Paracelso sobre o retorno da figura messiânica de Helias Artista e da visão de Sendivogius sobre a ascensão de uma monarquia alquímica do Norte. Em 1651 ofereceu a rainha seu livro Colloquium philosophcum cum diis montanis (Upsala 1651) no qual a exortava a iniciar sua busca pelo pó vermelho-rubi dos filósofos.

Christina decidiu ouvir Franck e montou seu próprio laboratório alquímico. Ela também coletou tantos textos raros de alquimia,  cabala, teurgia e hermetismo quanto pôde. Por volta dessa época, ela induziu o especialista grego Johannes Schefferus a escrever uma história dos pitagóricos, que foi publicada na Suécia uma década depois como De natura et constitutione philosophiae Italicae seu pythagoricae (Upsala, 1664). Ela foi criticada por seus interesses por Descartes quando este visitou Estocolmo em 1650. Cristina disse em resposta que achava que as ideias do Discurso sobre o Método já haviam sido formuladas séculos antes por Sexto Empírico e Santo Agostinho.

Amaranthorden

Lady

retrato de 1661 por Abraham Wuchters

Em 1653 retomou sua ambição de criar uma fraternidade iniciática e instituiu a Amaranthorden (Ordem de Amaranto) que teve como emblema uma guirlanda verde de Amaranto significando a vida imortal

A Ordem foi criada em homenagem e memória de seus encontros com o embaixador espanhol Antonio Pimentel de Prado, originário de Amarante, Portugal. Ele também foi o primeiro a ser nomeado cavaleiro da ordem.

A ordem era limitada a 15 cavaleiros, que tinham que permanecer solteiros e “que participavam dos prazeres mais íntimos da rainha”. Entre os membros originais estavam (além do embaixador espanhol) o regente nacional da Dinamarca Corfitz Ulfeldt, o chanceler da Polônia Hieronim Radziejowski, entre outros.

Os membros da Ordem eram convidados a participar de uma ceia no sábado à noite no Castelo de Jacobsdal, chamada de “Festa dos Deuses”. Durante o evento o local era chamado de Arcadia a antiga utopia pastorial grega e cada convidado além de levar uma acompanhante e cada um interpretava um papel. Ulfeldt era o deus Júpiter, Pimentel era o deus da guerra Marte e Radziejowski era Baco enquanto a própria Cristina fazia o papel de uma bela, virtuosa e talentosa Dama da Corte chamada Lady Amarantha. Na primeira noite quatorze casais foram convidados e Cristina não levou nenhum acompanhante. Não há registros do que acontecia depois que as portas do Castelo eram fechadas para a festa.

A ida para Roma

Em 1654 Christina anunciou que conseguiu descobrir o segredo dos alquimistas e era agora capaz de transforma chumbo em ouro. Tal anuncio foi visto como um gracejo pelos intelectuais, afinal ela já era rica.  O incidente, entretanto coincidiu com uma profunda conversão religiosa da rainha protestante para o catolicismo romano. A Ordem de Amaranto foi deixada a cargo dos seus auxiliares espanhóis e a rainha passou os próximos anos de sua vida em peregrinação em Roma.

A conversão de Cristina foi forte o bastante par fazê-la abdicar de qualquer ligação  de poder com o trono sueco, uma vez que todo os monarcas de seu país deveriam ser forçosamente protestantes. Mas apesar da renovação de sua religiosidade Christina permaneceu muito tolerante com as crenças dos outros durante toda a sua vida. Na verdade sua conversão ao catolicismo a aproximou do movimento rosacruz italiano e da alquimia da península.

Cristina passou a morar no Palazzo Farnese, que pertencia ao duque de Parma e todas as quartas-feiras ela abria o palácio aberto a visitantes das classes mais altas para sarais de poesia e discussões intelectuais. A partir de 24 de janeiro de 1656 estes encontros se tornaram a Accademia Dell’arcadia, (Academia de Arcadia) um nome que automaticamente nos remete aos seus eventos da Ordem de Amaranto, oficialmente entretanto a Academia de Arcadia era oficialmente dedicada as artes em geral e a exploração da philosophia perennis como uma oposição ao racionalismo moderno.

O interesse de Cristina pela alquimia não diminuiu em nenhum momento de sua vida. No verão de 1667 em Hamburgo, Cristina fez experiências com o profeta messiânico e alquimista Giuseppe Francesco Borri, mas foi aconselhada pelo cardeal Azzolino a se distanciar dele que já havia sido procurado pela inquisição.  Ela também se correspondeu com outros alquimistas como Johan Rudolf Glauber e Hennig Brandt.

A Porta Mágica

Em 1680 ergueu a Porta Mágica no jardim romano de Palombara e atualmente ainda pode ser vista na Piazza Vittorio Emanuele, em Roma. Diz a lenda que a porta foi levantada como uma comemoração de uma transmutação bem sucedida que culminou na produção da Pedra Filosofal nos aposentos de Cristina.

A Porta Magica consiste em um portal de pedra com um emblema da alegoria alquímica de Henricus Madathanus Aureum Seculum Redivivum. No alto uma cruz sobre um círculo no qual está inscrito um hexagrama com o texto “Centrum in trigono centri” e com o entorno ladeado por insígnias alquímicas e termos alquímicos em latim.

Os sete signos foram retirados do Commentatio de Pharmaco Catholico de Johannes de Monte-Snyder e estão na sequência: Saturno-Chumbo, Júpiter-Estanho, Marte-Ferro, Vênus-Bronze, Mercúrio, Antinomia e Vitríolo.

A Porta Mágica é encimada com a inscrição hebraica Ruach Elohim ou o Espírito do Senhor e ao redor do emblema está o texto:

TRIA SUNT MIRABILIA DEUS ET HOMO MATER ET VIRGO TRINUS ET UNUS.

(HÁ TRÊS MARAVILHAS DEUS E HOMEM, MÃE E VIRGEM TRÊS E UM.)

Também na Porta há uma inscrição alusiva às viagens dos Argonautas:

HORTI MAGICI INGRESSUM HESPERIUS CUSTODIT DRACO ET/ SINE ALCIDE COLCHIAS DELICIAS NON GUSTASSET IASON

(O dragão hesperiano guarda a abertura do jardim mágico e sem Hércules Jasão não teria provado as iguarias da Cólquida).

Da esquerda para a direita as inscrições são:

QUANDO IN TUA DOMO NIGRI CORVI PARTURIENT ALBAS COLUMBAS TUNC VOCABERIS SAPIENS

(Quando em sua casa os corvos negros derem à luz pombas brancas, então você será chamado de sábio).

DIAMETER SPHAERAE THAU CIRCULI CRUX ORBIS NON ORBIS PROSUNT

(O diâmetro da esfera, o tau do círculo, a cruz do globo, não têm utilidade para o mundo).

QUI SCIT COMBURERE AQUA ET LAVARE IGNE FACIT DE TERRA CAELUM ET DE CAELO TERRAM PRETIOSAM

(Aquele que sabe queimar com água e lavar com fogo faz da terra o céu e do céu a terra preciosa).

SI FECERIS VOLARE TERRAM SUPER CAPUT TUUM EIUS PENNIS AQUAS TORRENTUM CONVERTE EM PETRAM

(Se ​​você jogar a terra sobre sua cabeça com seus cabelos, você converterá em pedra as torrentes de água).

AZOTH ET IGNIS DEALBANDO LATONAM VENIET SINE VESTE DIANA

(Quando o Azoth e o Fogo embranquecer Latona, Diana virá sem roupa).

FILIUS NOSTER MORTUS VIVIT REX AB IGNE REDIT ET CONIUGO GAUDET OCCULTO

(Nosso filho morto vive, o rei se afasta do fogo e tem prazer na conjunção oculta).

EST OPUS OCCULTUM VERI SOPHI APERIRE TERRAM UT GERMINET SALUTEM PRO POPULO

(É obra oculta dos verdadeiros sapientes abrir a terra para gerar salvação para o povo).

No limiar há a linha curta que pode ser lida nos dois sentidos:

SI SEDES NON IS

(Se você sentar, não pode ir, se não sentar, vá).

Os últimos anos

Kristian Zahrtmann, Rainha Cristina no Palazzo Corsini (1908). Imagem da Galeria Nacional da Dinamarca.

No final de sua vida os manuscritos magico, espirituais que possuía superavam a casa dos milhares, incluíndo toda obra de Paracelso, os livros de Joachim di Fiore e Campanella, Corpus Hermeticum, Steganographia de Trithemius, Monas Hieroglyphica de John Dee, o Picatrix, uma versão latina do  Sefer-ha-Raziel e as obras alquímicas de Johannes Theurneisser e Andreas Libavius. Os livros de Christina estão listados em um documento agora na biblioteca Bodleian, Oxford.

Sua fome de saber sobre estes assuntos parecia não ter fim e em um dado momento trouxe uma mulher mais jovem chamada Sibylla para realizar com elas alguns experimentos. Ela também contratou um alquimista trabalhador, Pietro Antonio Bandiera, para administrar seu laboratório a quem deixou todos os equipamentos em seu testamento. De fato, ela levou esse interesse até o último momento de sua vida. Quando faleceu foi encontrada com ela em sua cama uma carta sobre a medicina universal, o alkahest, de Samuel Forberg.

Cristina faleceu em Roma aos 63 anos em fevereiro de 1689, vítima da diabetes. Ela adoeceu gravemente após uma visita aos templos da Campânia. Contrariando seu desejo, o Papa Inocêncio XII mandou realizar uma elaboradíssima cerimônia, com cortejo de cardeais, clérigos e noviços até a Basílica de São Pedro, onde está sua sepultura até hoje.

Fontes:

 

* Thiago Tamosauskas autor do Principia Alchimica, um manual simples e direto dos principais conceitos e práticas da alquimia.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/cristina-da-suecia/

O Dinheiro Fantasma – Jīn zhǐ (金紙)

O Dinheiro Fantasma, também conhecido como, Papéis Incenso, são oferendas em forma de papel moeda queimadas frequentemente no culto ancestral chinês de veneração aos antepassados e as divindades durante feriados e ocasiões especiais. Os principais objetivo desta prática é permitir que o falecido possa ter uma vida confortável no pós vida e possa pagar rapidamente suas dívidas para assim obter um novo corpo e destino e prosseguir em sua jornada cármica. Somente em Taiwan, são queimados anualmente cerca de US$ 400 milhões em Dinheiro Fantasma.

Como é o Dinheiro Fantasma?

O formato do Dinheiro Fantasma varia muito com seu objetivo, região e momento histórico. Tradicionalmente era feito de papel de arroz ou papel de bambu cortado em quadrados ou retângulos com um pedaço de papel  dourado ou prateado colado no centro. A cor do papel é branca pois representa o luto e o quadrado central brilhante representa riqueza ou dinheiro. Também muito antigo é o uso do Dinheiro Fantasma com dobraduras de papel dourado em forma de lingotes (barquinhos) de ouro e prata.

Contudo o uso de papel metálico tornou-se um verdadeiro problema ambiental nos tempos mais recentes e cada vez mais o Dinheiro Fantasma consolidou sua forma moderna, com decoração colorida, elaborada imitando  papel moeda com valores absurdamente altos. É comum que ostentem a figura e assinatura do “Imperador de Jade”, o governador supremo do reino celeste e imagens de divindades auspiciosas como Fu Xing, Lu Xing e Shou Xing, respectivamente os deuses da Felicidade, da Prosperidade e da Longevidade do panteão taoísta.

O Dinheiro Fantasma vem também com um símbolo ou carimbo do “Banco do Inferno”. A palavra “inferno” não deve ser comparada com a compreensão ocidental da palavra, mas sim como “vida após a morte”.  Observe que, de acordo com a crença chinesa, todos os que morrem entrarão automaticamente no submundo de Diyu (Inferno) para serem julgados antes de serem enviados para o céu, punidos no submundo ou reencarnarem. Ultimamente, em vez de “Banco do Inferno’ ou ‘Banco de Hades’, pode-se ver cada vez mais notas mostrando o nome ‘Banco do Universal’, ‘Banco do Céu’ ou mesmo ‘Banco do Paraíso’.

Por queimar dinheiro fantasma?

Tirar um tempo para cuidar dos ancestrais na vida após a morte reflete os valores confucionistas da piedade filial e do respeito pelos mais velhos e ancestrais. Colocado em termos mais contemporâneos, queimar papel vegetal oferece a oportunidade de abrir espaço e ter tempo para lembrar os entes queridos em sua vida.

Contudo nascido do taoísmo e do folclore regional chines essa prática equivale segundo a crença popular a uma transferência bancária pós-vida que espírito em particular pode acessar no outro lado. Esse valor pode ser usado para escapar ou encurtar alguma punição, ou diretamente em bens de consumo da vida após a morte. Segundo a tradição, os chineses acreditam que os falecidos têm ainda necessidades semelhantes às do mundo natural. Precisam de roupas, coisas, aluguel, pedágios, comida e  serviços prestados. O Dinheiro Fantasma é queimado em funerais e durante datas importantes para ajudar o falecido a pagar dívidas, negociar bens e viver confortavelmente no mundo espiritual.

Durante o ritual taoista o Dinheiro Fantasma é queimado para pagar ou pelo menos cobrir os custos de algum trabalho espiritual. Em uma possessão ritual, por exemplo, um Tang-Ki (medium) pode instruí-lo a  buscar ajuda direta de uma Deidade queimando Dinheiro Fantasma para ela e seus espíritos servos ou a fazer uma oferenda aos fantasmas/espíritos errantes que você possa ter ofendido

Assim existem muitas razões para se queimar o Dinheiro Fantasma. Você pode literalmente fazer uma transferência financeira para um parente e dar a ele mais conforto onde quer que esteja. Você pode queimar Dinheiro Fantasma para as hordas de Fantasmas Famintos de como caridade ou para a aplacar sua fome insana. Você pode queimar Dinheiro Fantasma para agradar divindades específicas do panteão chines. Ocasionalmente as divindades ou fantasmas/espíritos errantes, podem ouvir seus desejos e torná-los realidade ou você pode ser abençoado com sorte, dinheiro, saúde e prosperidade.

 

Quando queimar dinheiro fantasma?

Há muitas ocasiões para queimar Dinheiro Fantasma ao longo do ano, e cada ocasião carrega um significado e requisitos ligeiramente diferentes. Para algumas pessoas, queimar esse papel é uma prática espiritual quase diária; para outros, é algo que é feito apenas durante feriados e reuniões familiares importantes. Você decide o que é certo para você.

Estas datas incluem:

  • Todo 1º e 15º do mês lunar chinês
  • Feriado da divindade em particular
  • Dia da Lembrança (Dia da Passagem) do falecido/antepassado
  • Dia de despedida para Deuses do Fogão (Deus da Cozinha) no 24º dia lunar do 12º mês
  • Do 1º ao 15º dia do Ano Novo Chinês
  • Do 1º ao 15º dia e último dia do Festival chinês dos fantasmas famintos,
  • 1º dia e 15º  do Festival Qing Ming (Festival da Limpesa e Varredura dos túmulos)

Como os ocidentais podem adaptar a prática de queimar Dinheiro Fantasma?

1) Durante o Dia da Lembrança (Dia da Passagem), queime papeis para o falecido/antepassado em particular

2) Durante o Dia de Finados ou Halloween, queime papeis para os espíritos errantes

3) Se você montou um canto de oração ou altar de uma Deidade Chinesa em sua casa ou escritório, você pode queimar Dinheiro Fantasma a cada 1º e 15º do Mês Lunar Chinês ou do Feriado de Manifestação dessa Deidade em particular.

Como queimar Dinheiro Fantasma?

A queima das notas não obedece a nenhum ritual estrito, praticando-se muitas vezes à porta das casas, no meio da rua. Contudo ao se queimar o papel, as folhas são tratadas com dinheiro real: não são jogadas casualmente no fogo, mas colocadas respeitosamente colocados. Uma forma de fazer isso é colocar as oferendas de Dinheiro Fantasma acompanhado de comida, frutas e tabaco na frente do altar da divindade ou do memorial do espírito. Em seguida, acenda incensos e faça sua oração e pedidos.

Cerca de 5 ou 10 minutos mais tarde, dependendo do seu gosto, mas antes que os incensos terminem de queimar, traga o Dinheiro Fantasma com as duas mãos, ore novamente para as divindades, ancestrais, fantasmas, espíritos errantes, diga “Estou queimando este dinheiro fantasma para vocês”. Em seguida, vá para fora, para o espaço aberto, e queime os papéis preferencialmente em uma panela de barro ou recipiente de metal ou diretamente no chão (se as oferendas forem para fantasmas/espíritos errantes)

Onde encontrar Dinheiro Fantasma?

Hoje o Dinheiro Fantasma pode ser facilmente comprado no mundo todo. Você não pode simplesmente imprimir a imagem abaixo, porque não está investindo o próprio dinheiro no processo. Contudo se o fizer de forma artesanal investindo tempo e atenção ou  em uma gráfica rápida investindo tempo e dinheiro e usando um papel de alta qualidade então a história será outra.

Confira abaixo um modelo para impressão e inspiração:

(download de impressão frente e verso)

Fontes:

Taoist Sorcery
Nations Online
Chinese American Family

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/dinheiro-fantasma/

Draconian Times, Paradise Lost

Batizada em homenagem ao poema de John Milton, a banda liderada por Nick Holmes fez deste disco um dos mais importantes manifestos satanista dos anos 90. Sem ter um mínimo de espaço na grande mídia, se comparado ao de pop-satanistas como Marilyn Manson e outros de menor envergadura, a poesia do Paradise Lost é de uma sabedoria obscura inegável e de uma sonoridade capaz de despertar qualquer pessoa com a mínima inclinação sinistra.

Tempos draconianos são verdadeiramente os tempos em que vivemos. A temática dos álbuns sempre esteve ligada ao urro do dragão sobre as negações de uma religiosidade forçada e hipócrita que por séculos e séculos vem nos sendo enfiada goela abaixo desde o berço. Ainda que esse disco não tenha mais de uma década a música do Paradise Lost já é usada durante as cerimônias de algumas capelas satânicas e deveria ser usada como sermão de igrejas para o avanço da Era Satânica e alegria de toda a nação satanista.

Shades Of God, Paradise Lost

 

The fire is gone,
A time to search and then replace
I’ll never know
Just how the blind can lead the way

They search for faith,
It shows the way…it leads the way
The distant smile, banished denial,
No more denial

Are you the one
Who tries to send me to the grave
I cannot know
Who deals resent who deals the pain

Weak search for faith
A path to take, you tread in vain

Tradução de Shades of God
(Sombras de Deus)

O fogo se apagou
Um momento para procurar e substituir
Eu jamais saberei
De que forma um cego pode guiar o caminho

Eles procuram fé
Ela mostra o caminho, ela guia o caminho
O sorriso distante, negação banida
Chega de negação

Você é aquele
Que tenta me mandar à sepultura?
Eu não consigo descobrir
Quem distribui ressentimento, quem distribui a dor?

Uma fraca busca pela fé
Um rumo a tomar, você caminha em vão

Nº 61 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/draconian-times-paradise-lost/

Blecaute

O procedimento normal, como muitos indubitavelmente estarão familiarizados, (e este é apenas uma de suas utilizações) é que um sigilo/glifo do desejo é mantido na visão mental enquanto permanece no que todos nós nos referimos como postura da morte. Uma técnica que têm sido repetidamente empregada por mim em tais ocasiões é baseada nos mesmos princípios da postura da morte, além do que eu achei-a um pouco mais fácil e sem as armadilhas que uma pessoa pode experimentar com a técnica de A.O.Spare. Destaca-se, são técnicas diferentes.

Esta técnica é uma estranha mistura de gnose inibitória e excitante, respiração forçada, danças ou giros e, é óbvio, exaustão. O resultado final é de necessidade para este processo o blecaute, que é como nós sabemos, da gnose inibitória. Agora explicarei como esta técnica é empregada por alguém para a inserção de sigilos para qualquer propósito que a pessoa sinta necessidade.

Primeiro a pessoa deve sigilizar o desejo em qualquer forma que ela possa desejar, mas em todos os casos e especificamente este, o sigilo deve ser bem fácil de visualizar. Uma vez que isso tenha sido feito, a pessoa pode então começar a criar o ritual para aquele propósito particular em mente. Exorcismos e invocações podem ser empregadas, se assim desejar, isto não é, entretanto, uma necessidade para o sucesso vir a termo deste processo. Na culminação do ritual, o indivíduo começa a respirar de forma rápida e profunda e ao mesmo tempo visualizando o sigilo tão vividamente quanto for possível para você, brilhante, intenso e bem límpido a medida que a respiração continua. Então quando você sentir que o momento é propício, comece a girar ao seu redor, ainda respirando e mantendo o seu sigilo visualizado na visão mental. Uma música pode ser tocada como um fundo para dançar, tambores ou qualquer outro instrumento de batida são os melhores instrumentos de sons de fundo para este propósito. Quando o indivíduo tiver alcançado um estado de completa exaustão, bem atordoado, suando e disposto à cair, ele ou ela então, ainda girando, respirando e mantendo o sigilo visualizado na mente, dirige o seu caminho para o centro do círculo ou área de trabalho.

Aí um parceiro, ativo ou passivo, (em outras palavras, se um trabalhador solitário, tentar ter alguma pessoa para ajudá-lo com esta parte) para o seu giro e agarra-o em um “abraço de urso” erguendo-o do solo e apertando-o em seu plexo solar, onde uma grande rede de nervos está situada. Neste momento preciso a música, se alguma tiver sido empregada, é interrompida, e um silêncio mortal é mantido. O praticante prende a sua respiração enquanto está sendo “apertado” e o sigilo é visualizado como se estivesse queimando com um brilho, um fogo branco como se a sua imagem estivesse queimando em sua mente. Dentro de segundos o blecaute ocorrerá e o sigilo será perdido para a mente. Neste ponto é importante que o seu parceiro deixe-o cair ao solo, a menos que você deseje retornar ao caos primal!

Ao retornar, na maioria dos casos, você deve evocar o riso para banir o sigilo e todos os pensamentos afim, sua risada quebrará o silêncio e o rito é finalizado da forma desejada.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/blecaute-a-postura-da-morte/

Além do Pylon da Cova

 

 

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden, Capítulo Cinco.

 

A CHAVE para o mistério da redenção ou revitalização da múmia em Amenta repousa no uso mágico da Serpente de Fogo como ensinado nas escolas arcanas, particularmente aquelas da Asia.115 A chave está oculta no mito de Ísis e Osíris, e a busca de Ísis pelo falo perdido de Osíris.116 Este assunto é tratado por Apuleius em seu relato simbólico dos Mistérios de Ísis. Psyche, a alma, aprisionada no submundo de Plutão, é resgatada por Eros. Estes símbolos podem ser explicados em conexão com a Árvore da Vida como interpretada sob a luz da fórmula de Daäth do Novo Aeon. A Sabedoria Superna (Daäth) é representada pelo ego ou alma (Psyche) a qual adoece no Amenta. Kether, como Plutão, o Senhor do Abismo, é o mais externo, e, por analogia, o mais interno pylon de Amenta e o último Portal para o Espaço Exterior (Interior) onde a alma é liberada pela Serpente de Oito Cabeças. Oito representa a oitava, o Octimonos ou Mestre Magista, o mais alto ou altura. O simbolismo envolve o poder criativo primordial representado pela sete estrelas ‘filhas’ de Tífon no abismo do espaço (Malkuth), e a oitava, tipificada por Set ou Sothis na altura do céu (Kether). A profundidade de Malkuth e a altura de Kether é equilibrado pela Serpente de Daäth na qual a fórmula da Serpente de Fogo (Eros) está implícita. Portanto, Kether está em Malkuth, e Malkuth está em Kether, porém conforme outro modo. Em outra versão deste mito, Plutão ou Set é Kether e Eros ou a Serpente é Daäth, porque Daäth é o Jardim do ODN (Éden), o campo de força eletromagnética que é o covil da Serpente de Fogo; e a Psyche é Malkuth.

O simbolismo envolve o poder criativo primal representado pelas sete estrelas de Tífon no abismo do espaço, e o oitavo filho – Set – como a altura do céu tipificada pela estrela Sírius ou Sóthis na qual a fórmula da Serpente de Fogo está implícita. Este simbolismo, embora aparentemente complexo, é simples, como pode ser visto ao equacioná-lo com a bem conhecida fórmula budista: Primeiramente HÁ (there IS) (i.e. Malkuth) – Forma (i.e. Presença de Objeto). Então NÃO HÁ (there is NOT) (i.e. Kether) – Vazio (Void) (i.e. Presença de Sujeito). Então HÁ (there IS) (i.e. Ain) – Nem Forma nem Vazio, porém ausência da presença de ambos Objeto e Sujeito (i.e. a Ausência Absoluta, ou Vazio). Os dois primeiros estágio da fórmula compreendem toda a Árvore e suas dez zonas de poder cósmicas. Mas existe uma além de dez (i.e. onze; Daäth) que é o portal para o Ain a qual torna possível a transição do Universo representado pelo anverso da Árvore até o anti-Universo representado pelo inverso da Árvore. A pseudo-sephira, Daäth, é o espelho mágico no qual o Verdadeiro Ser é refletido em ‘matéria’ na forma de Existência.117

Este conceito era antigamente representado pela identidade de Satan o Opositor (e portanto o oposto ou reverso) com Malkuth, o universo mundano tal como este aparece no estado de consciência de vigília. Ainda assim a transição do universo irreal (representado pela Árvore) para o universo real que é NÃO (NOT) (representado pelas costas da Árvore) é ilusória, pois não existe nenhuma ponte verdadeira entre os dois universos. Existe uma solução de continuidade, e de forma à realizar isto, a altura do Abismo (a oitava estrela, Sóthis) tem que ser realizada em reverso, de forma que aquilo que se parece a altura a partir do lado frontal da Árvore seja realmente a profundidade quando observado a partir do ‘outro lado’. Satan-Set é portando a chave, e o nome do Pylon da Cova, cujo guardião é ‘aquele antigo demônio Choronzon’ cujo número, 333, é também aquele de Shugal, o Uivador, a raposa do deserto, a imagem zoomórfica de Sírius, o Negro ou Escuro, o Negativo Supremo.118

Na terminologia do Culto Tifoniano, Nuit ou Not (Não) é o Negativo Absoluto simbolizado pelas Sete Estrelas da Ursa Maior, o Possuidor-das-Faíscas ou Serpente de Fogo cujo oitavo filho é Sóthis, Set, ou Hoor-paar-Kraat. Portanto, de acordo com o antigo simbolismo onde o filho e a mãe são idênticos, Nuit e Set representam o infinito campo de possibilidade, pois em Set está ocultado seu gêmeo –Hórus– a manifestação da não- manifestacão que o ego (Daäth) sózinho torna possível.119

Austin Osman Spare demonstrou que a Postura da Morte120 é a chave para o Portal do Abismo, e sua doutrina do Nem-Nem (Neither-Neither) está intimamente entrelaçada com o complexo ego-anti-ego de Daäth. Naquela doutrina a mão simboliza o Zos, ou ‘corpo considerado como um todo’, e a mão, como foi mostrado, é um ideograma mágico do Macaco. Ela era de fato o nome do Macaco-Kaf (Kaf-Ape) no antigo Egito.121 O macaco ou cinocéfalo era o veículo de Thoth ou Daäth. O outro glifo-chave da feitiçaria de Spare, o Kia ou ‘Eu’ Atmosférico, é o despersonalizado ou anti-ego simbolizado pelo olho.122 Um certo uso mágico destes dois instrumentos – a Mão e o Olho – em consciência de vigília produz o estado de Nem-Nem que era a designação de Spare para o estado não conceitual (carente de conceito) ou pré-conceitual. Kia, portanto, é a antítese de Ra-Hoor-Khuit123 e, como tal, é idêntico a Set. A implicação Satânica está contida na identidade paranomasic(?) do Olho de Set e o ‘Eu’ de Kia.

O número de Kia, 31, é também aquele de AL, a chave de O Livro da Lei, e neste sentido Kia pode ser considerada como sendo o Olho de Nuit, o Ain, que é o ‘outro’[olho] ou o olho secreto,124 tipificado pelo ânus de Set. O cabalista medieval, Pico della Mirandola, formulou esta equação nos seguintes termos:

As letras do nome do demônio maligno que é o príncipe deste mundo [i.e. Set, Satan] são as mesmas que aquelas do nome de Deus125 – Tetragrama – e aquele que sabe como efetuar sua transposição pode extrair um do outro.126

Eliphas Lévi explica esta passagem com a declaração Daemon est Deus inversus. Em A Sabedoria Secreta da Qabalah, J.F.C. Fuller observa que ‘Satan . . . é de fato a Árvore da Vida de nosso mundo, aquela vontade livre que, para sua verdadeira existência, depende do choque das forças positiva e negativa as quais dentro da esfera moral nós denominamos bem e mal. Satan é portanto a Shekinah127 de Assiah [o mundo material]. Fuller observou previamente com respeito a Satan que:

O Deus de Assiah128 é o Sammael de Yetzirah129 invertido, que é o Metatron de Briah130 invertido, que é o Adam Qadmon de Atziluth131 invertido. Em resumo, Sammael em Assiah é o Adam Qadmon invertido três vezes removido; ele é a ‘sombra negra da manifestação do Grande Andrógino do Bem’. (Qabbalah, Isaac Myer, pág.331).

O número de Sammael, 131, é de grande importância no Aeon presente. Ele contém o número 13 e seu reverso, 31, sendo ambos vitais para a Corrente Ofidiana. Observe também que a elevação aos planos através das três zonas de poder, Malkuth-Yesod-Tiphareth, traz o foco de poder a Daäth, o vórtice que suga as energias cósmicas negativas que nutrem a Árvore. Isto é típico do ego que absorve tudo como uma esponja e então é ele próprio dissolvido no vazio do Abismo.

O Dragão cuja oitava cabeça reina em Daäth é idêntico com a Besta 666. A metade masculina é Shugal (333), o uivador no Deserto de Set; a metade feminina é Choronzon (333) ou Tífon, o protótipo de Babalon, a Mulher Escarlate. Um dos significados de Goetia é ‘uivar’132 o que sugere que os antigos grimórios eram registros primitivos da tentativa do homem em rasgar o véu do abismo e explorar o outro lado da Árvore. As elaboradas codificações de demônios e seus sigilos e os ritos acompanhando seu uso fazem paralelo com os trabalhos mágicos ortodoxos usados em conexão com a parte frontal da Árvore. Isso explicaria a necessidade de segredo e o uso frequente de nomes sagrados que velavam as verdadeiras intenções do feiticeiro.

A.E.Waite, em sua introdução à O Livro de Magia Cerimonial fala sobre as fases mais ortodoxas da magia como ‘aspectos da Tradição Secreta em tal extensão como esta declarou a si mesma ao lado de Deus’. Ele então declara ‘que existe uma tradição à rebours133. Ele observa mais:

‘Como existe a altura de Kether no Kabalismo, igualmente existe o abismo que está abaixo de Malkuth . . . ‘ Ele não diz, contudo, que o abismo abaixo de Malkuth é acessível ao homem apenas através do Portal de Daäth. Porém na página xli ele escreve:

Como existe uma porta na alma que se abre para Deus, igualmente existe outra porta que se abre para as profundezas (recremental_?), e não existe dúvida que as profundezam adentram quando ela é efetivamente aberta. Também existem os poderes do abismo.

Pode ser observado que Waite distingue entre as ‘profundezas’ e os ‘poderes do abismo’.

Existe uma Arte Negra e uma Branca . . . uma Ciência da Altura e uma Ciência do Abismo, de Metatron e Belial.134

É minha intenção mostrar que a Altura e o Profundo, i.e. o Oitavo e o Tepht135 são idênticos abaixo da imagem da Besta, cuja oitava Cabeça é a Porta do Abismo. Waite observa, corretamente, que ‘Typhon, Juggernaut,136 e Hecate137 não eram menos divinos que os deuses do supra-mundo’138. Ele contrasta o supra-mundo com o submundo ou, como poderíamos dizer, a frente da Árvore com seu lado inferior (neste caso, lado posterior).

É significativo que a incorporação da consciência humana, i.e. o homem, é, em hebraico, ‘Adam’, significando ‘terra vermelha’ ou ‘barro’, um símbolo do sangue solidificado como carne. A palavra Adam deriva do egípcio Atum ou Tum, o sol poente, o sol vermelho- sangue que está morrendo e afundando no Amenta, a terra oculta (hell). Nas tradições mais primitivas (i.e. a Draconiana), antes de o período equinocial ter sido estabelecido, o Norte, não o Oeste, era o lugar da escuridão; o esquerdo, o lado inferior; mesmo como o Sul era o Leste primitivo, como a frente ou lugar de ascensão.139 Daäth, primeiramente o norte, mais tarde se tornou identificado com o Pylon Ocidental e o bourne (início_?) da jornada do homem. A partir do momento de sua encarnação, a consciência humana inicia sua jornada para o Amenta. Então, o início está em Malkuth (terra); o fim está em Daäth (ar ou espaço).

A Besta e a Mulher unidos é a fórmula do Baphomet andrógino que era representado pela cabeça de um asno. Esta criatura era um símbolo Tifoniano do caminho, passagem ou túnel regressivo, um glifo apropriado do Abismo, o portal para o que era Daäth (Death / Morte). O símbolo da qliphoth de Yesod é conhecido como o ‘asno obsceno’, que, por sua vez é simbólico da consciência astral tipificada pela água (sangue), o elemento atribuído à Mulher Escarlate. Daäth, como Sabedoria Superna, corresponde ao elemento fogo, pois ele é o aspecto criativo do ego que gera imagens no sangue de Yesod antes da reificação na carne de Malkuth.

As cinco zonas de poder cósmico do Pilar do Meio correspondem aos cinco elementos:

Terra (Malkuth), Água (Yesod), Fogo (Tiphareth), Ar (Daäth), e Espírito (Kether). A dissolução do ego em Amenta tem que ser realizada antes da ‘ressurreição’ ou exaltação ao céu do Espírito, representado por Kether. Os cinco elementos correspondem aos cinco estados de consciência mencionados pelos hindus: Jagrat (consciência de estado de vigília), Malkuth, Terra; Svapna (consciência astral ou de sonho), Yesod, Água; Sushupti (consciência vazia), Tiphareth, Ar; Turiya (consciência transcendente), Daäth, Morte, Fogo; e Turiyatita (estado Nem-Nem de Kia), Kether, Espírito.140

Malkuth (terra) é o mênstruo de reificação; Yesod (água), o mênstruo de reflexão ou o duplo da imagem141via o sangue da lua; Tiphareth (ar), o mênstruo da aspiração pela luz da consciência solar; Daäth (fogo), o mênstruo de vibração, o Local do Logoi ou Palavra Gêmea que é ambas verdadeira e falsa, pronunciada e não pronunciada; e Kether (espírito), o mênstruo do Não-ser que transmite a Negatividade Pura do Ain.

A numeração total das Sephiroth do Pilar do Meio, incluindo Daäth, é 37, que representa a própria Unidade em sua manifestação trinitária equilibrada.142 37 é também a palavra LHB, significando a ‘chama’, ‘cabeça’, ou ‘ponto’, que resume a doutrina da Cabeça (em Daäth) como o ponto de acesso ao universo de Pura Negação. Também, 37 é o número de LVA que significa ‘Non’, ‘Neque’, ‘Nondum’, ‘Absque’, ‘Nemo’, ‘Nihil’; não, nem, não ainda, sem, nenhum, nada.

Como previamente observado, o número 333, a metade da Besta na frente (Shugal- Set) adicionado a 333, a parte detrás (Choronzon) surge como a Besta 666. Quando 333 é subtraído do número 365,143 resta 32. Este é o número da manifestação total; as coisas como elas são em sua totalidade e finalidade, como representado pela Árvore inteira: as dez sephiroth e os vinte e dois caminhos. Mais importante de tudo, entretanto, 32 é o número de IChID, o ego, self, ou alma. A palavra Ichid deriva do egípcio Akhet, o espírito, o manes, o morto, que enfatiza a natureza precisa do ego como uma upadhi – uma entidade ilusória mascarando-se como o Ser. E este upadhi é o único portal para o reino do puro Não-Ser, de onde se originam todos os fenômenos. A Besta 666 então representa o Habitante no Portal do Abismo, e seus dois aspectos – Shugal (333) e Choronzon (333), juntos resumem os 32 kalas144– que são as chaves para o Mistério da Plenitude, Santidade, Totalidade, representados pela Árvore da Vida e a Árvore da Morte.145

Em A Gênese Natural (vol.I.p.137) Massey declara:

Pode ser afirmado, de modo geral, que todos os inícios verdadeiros na tipologia, mitologia, números e linguagem, podem ser traçados até a abertura de uma Unidade (Oneness) que [se] divide e se torna dual em sua manifestação.

Isto também se aplica à metafísica da ‘Criação’. Em egípcio, o local de abertura é o Teph ou Tepht. A palavra hebraica Tophet deriva do egípcio Tepht como a ‘cova’, ‘inferno’, o ‘abismo’. A letra ‘T’ era uma forma anterior da letra ‘D’, e quando a mais recente substitui a letra inicial da palavra Tepht, nós obtemos Depth (Profundeza). Como Daäth, esta é a abertura primal para o Abismo por trás da Árvore. Massey declara mais ainda que ‘o pensamento humano verificável mais antigo estava relacionado à abertura’ no sentido de que a mãe abriu, e o um por este meio se tornou dois. O paralelo metafísico é também verdadeiro, pois o pensamento humano era uma conceitualização de energias partindo da abertura de Daäth como uma fenda no espaço, por assim dizer, através da qual as forças do Não-ser escorreram e se tornaram, no processo, pensamento conceitual. Assim o ego floresceu, e sua raiz estava no abismo. A palavra ego146 totaliza 78, que é o número de Mezla, a influência de Kether. Esta influência não fluiu diretamente para dentro de Tiphareth (o assento da consciência humana), ela veio via o Túnel de Set por trás de Daäth através do qual ela passou – como a luz através de um prisma – para terminar em pensamento conceitual; daí a sua natureza ilusória. ‘No ato da abertura, as coisas se tornaram duais’- Massey expressou portanto o assunto com relação aos fenômenos físicos; o mesmo também é verdadeiro sobre os fenômenos metafísicos. Uma passagem do Bundahish expressa a situação nesses termos:

A região da Luz é o local de Ahura-Mazda, a qual eles chamam de Luz infinita, e sua onisciência está em visão ou revelação.

Por outro lado: Aharman ‘em Escuridão, com entendimento retrógrado e desejo por destruição estava no abismo, e é ele quem não será, e o local daquela destruição, e também daquela Escuridão, é o que eles chamam de a escuridão infinita’.147

o número do ego, 78, é também um número de AIVAS, o transmissor do AL a partir de uma dimensão extraterrestre. Esta dimensão é interna (está dentro), e não externa (não está fora), e a mensagem de Aiwass procedeu desde o Abismo do Não-ser. Esta corrente negativa, ao passar através do prisma do ego,148 assumiu aqueles aspectos com os quais os estudantes do assunto estão familiarizados: ‘Aiwass é chamado o ministro de Hoor-paar-Kraat, o Deus do Silêncio; pois sua palavra é a Fala do Silêncio’149. Em outras palavras, 78 (ego) é o Logos, a pronúncia manifesta do Imanifesto. Esta vibração (Palavra), no processo de se tornar manifesta é inevitavelmente falsificada, porque de formas que ela possa ser formulada, Nada (Nuit) deve aparecer para tornar-se Algo (Hadit). O reino da palavra – no microcosmo – é o Visuddha chakra que é atribuído a Daäth. Seu elemento, ar, é o mênstruo de vibração, o meio através do qual o silêncio se manifesta em som. Em termos mágicos Daäth como ar é o meio pelo qual Hoor-paar-Kraat se manifesta como Ra-Hoor-Khuit. O numênico se torna fenomenal no chit- jada-granthi 150 ou centro-Daäth que tipifica o ego, a fonte aparente de todos os fenômenos.

Também, 78 é o número de Enoch (ChNK), significando ‘iniciar’. Enoch era a fonte das Chamadas ou Chaves usadas por Dee e Kelly em seu tráfico com entidades extraterrestres. É de fato a Dee que nós devemos o primeiro relato sobre Choronzon, o Guardião do Abismo151. Ainda mais, 78 é o número de MBVL, ‘uma enchente’ e portanto a enchente. A palavra deriva do egípcio mehber,152 que contém o nome real do abismo. Finalmente, 78 é o número de cartas que compreendem o pacote do Taro e, como tal, ele resume todas as fórmulas ocultas possíveis.

Em resumo, Daäth é a abertura primal, a fonte do universo conceitual, i.e., o ego; daí sua natureza alegadamente satânica e enganosa. A fórmula de sua resolução é a fórmula de iniciação no Real, i.e. o anti-universo ou mundo do não-ser, o negativo, o Ain.

Já foi observado que Ain, vazio fenomenal, é, no inverso, o Nia. Esta palavra, que é comum á vários dialetos africanos, denota o negativo, não (no, not). Ela era representada no Egito pela deusa Nuit. Seu determinativo hieroglífico é a mulher menstruando. O ain (olho) como nia, é o olho invertido; não o olho da luz, mas o olho da escuridão, o olho oculto, a vulva em sua fase negativa, a lua [feiticeira_?] de sangue, o eclipse lunar.

As Duas Águas ou Cheias descritas no Bundahish são consideradas como fluindo [a partir] do Norte. Este é o lugar de Daäth, a fonte do segundo dilúvio, o primeiro fluindo do Ain, ainda mais além do norte. Dion Fortune salienta que nas tradições mais antigas o Norte era considerado como o local da maior escuridão. Como a mulher foi a primeira a abrir e dividir em dois, então a escuridão precedeu a luz no sentido de que ela era o estado de ser numênico, negativo, a partir do qual a existência, o estado positivo, foi emitida. Daäth é o portal para a escuridão primal no norte. Inversamente ela é também o manifestador da existência, representada pelo sul. Set é Matéria; Nuit é Espírito. O Norte ou costas da Árvore com sua rede de túneis aparece no Sul como a frente da Árvore na forma das zonas de poder e caminhos. Como a Mãe-Escuridão era primal e representava as costas da Árvore, assim a Mão Esquerda como a mão feminina ou infernal, era também a primeira. Existe uma tradição rabínica que mantém [a idéia de] que ‘todas as coisas vieram a partir de Hé’. Hé é o número 5, que é o glifo da Mulher tipificado pela sua fase negativa; ele é também o equivalente de uma mão (cinco dedos), a própria mão sendo típica [do ato] de formar, moldar, criar. Seu ideograma era o macaco-Kaf (?) ou cinocéfalo, o veículo especial do deus Thoth (a lua), assim indicando a natureza lunar desta formação. A mulher produz o sangue a partir do qual a carne é formada. A Mão Esquerda portanto se equaciona com o simbolismo do macaco. Nos antigos mistérios egípcios o macaco era um tipo da morte transformadora, quer dizer, do nascimento dentro do mundo do espírito. O significado esotérico é que, na noite da morte (Daäth), o ego é dissolvido, descarta sua existência ilusória e alcança o ser real que é não-ego, não-ser.

Notas:

115 Eu expliquei os aspectos Tântricos deste Mistério em minha Trilogia Tifoniana (q.v.). Crowley foi um dos primeiros adeptos a incorporar ao ocultismo Ocidental o uso mágico das energias sexuais, embora o iniciado africano, P.B.Randolph, operando nos Estados Unidos por volta da virada do presente século foi talvez o primeiro à advogar abertamente um uso mágico do sexo. Vide Eulis (P.C.Randolph), Toledo, Ohio, 1896.

116 Para uma interpretação iniciática deste mito, vide Aleister Crowley & o Deus Oculto, capítulo 10.

117 O Ser, por si apenas, é real. Ele é a within-ness (internalização_?) das coisas; o noumenon. A existência é irreal pois, como está implícito na palavra, ela comporta a objetividade do Ser em algum estado externo, e não existe nenhum. O universo fenomenal, ou Existência (como uma ‘permanência fora’ de subjetividade) é apenas aparente.

118 A palavra Shugal é o equivalente cabalístico da palavra SaGaLa que é considerada por iniciados como sendo o nome de um metal do qual é constituída a estrela gêmea escura ou invisível de Sírius. Vide Robert Temple, O Mistério de Sírius, pág.24. O simbolismo da raposa é também implícito. Vide Temple, págs. 24, 48.

119 O Universo é conceitual, e nenhum conceito é possível sem um ego para concebê-lo.

120 Vide Imagens e Oráculos de Austin Osman Spare, Parte II, (1975).

121 Kaf em hebraico significa a ‘palma’ (da mão).

122 Olho = Ayin = Ain = Nada.

123 i.e. o ponto de vista individual.

124 i.e. a vulva.

125 Deus (God) = AL = 31; a afinidade vem, como declarado, via Kia, o Olho, AL, a Chave para a Corrente 93 (93 é três vezes 31), e Ain, o olho secreto de Nuit que, como Tífon, era a mãe ou fonte de Set.

126 Como demonstrado. Vide nota anterior. O trecho é de Kabbalistic Conclusions, XIX, citado em A.E. Waite: A Santa Kabbalah, Livro X.

127 Shekinah é o equivalente judaico de shakti, poder divino.

128 i.e. Satan.

129 Sammael (SMAL = 131 = Pan, etc) é o Guardião no Limiar (do Abismo). Yetzirah é o mundo formativo ou astral. SMAL, 131, é também o número de Mako (Set) o filho de Tífon.

130 Metatron é o Anjo de Briah, o Mundo Criativo.

131 Atziluth é o Mundo do Espírito, algumas vezes chamado de o mundo arquetípico. Os quatro mundos: Assiah, Yetzirah, Briah e Atziluth correspondem aos quatro estados de consciência referidos pelos hindus como Jagrat, Svapna, Sushupti, e Turiya. (Vide capítulo anterior).

132 Vide As Confissões de Aleister Crowley , capítulo 20.

133 Página xxxviii. A rebours significa ‘contra o grão’, i.e. ao inverso.

134O Livro da Magia Cerimonial, pág.5.

135 Tophet; a Profundeza.

136 Yog-Nuit. Compare com Yog-Sothoth.

137 Ur-Hekau, a coxa emblema do Grande Poder Mágico (shakti), conhecido pelos egípcios como o ‘Poderoso dos Encantamentos’. Vide O Livro dos Mortos.

138O Livro da Magia Cerimonial , pág.14.

139 i.e. do sol no macrocosmo e do falo no microcosmo.

140 Será notado que na série de atribuições anterior o Ar, e não o Fogo, é atribuído a Daäth. Isso é porque Daäth enquanto o Portal do Vazio = (é igual a) Espaço (Ar), ao passo que Daäth enquanto Morte = (é igual a) Dissolução (Fogo).

141 i.e. reprodução em níveis astrais.

142 111 dividido por 3.

143 O ciclo completo de manifestação como tipificado pelo círculo de 360 graus, mais os 5 dias ‘ proibidos’. Vide Cultos da Sombra, capítulo 4.

144 Dezesseis cada = 32.

145 333 + 32 = 365. O número 365 e os 16 kalas foram explicados em detalhes em Cultos da Sombra, capítulo 4.

146 Por Cabala Simplex, Ego = 25, que é o númedo d’A Besta, ChIVA, como 5 x 5, a fonte ou útero da vida. Tenho uma dívida para com a Soror Tanith por ela ter salientado para mim que ShIVA é uma metátese de AIVASh, assim identificando a Besta com o prisma egoidal através do qual as forças extraterrestres fluem para o ser (para se tornar_?) a partir dos vazios do Espaço (não-ser).

147 Citado por Massey em A Gênese Natural,vol.I, página 147 de O Bundahish , capítulo I, versos 2 e 3. (trans.West.)

148 Neste caso, Aleister Crowley.

149Comentários Mágicos e Filosóficos Sobre o Livro da Lei, p.94.

150 Um termo sânscrito que denota o nó ou centro sutil  no qual a senciência se identifica com a não-senciência e portanto parece criar uma entidade autônoma ou sujeito consciente tendo o ‘mundo’ como seu objeto.

151 Dr.John Dee, 1527-1608: ‘Existe um Poderoso Daemon, O Poderoso Choronzon, que serve para guardar as Grandes Portas do Universo Desconhecido. Conheça-O Bem e Esteja Atento’.

152Meh, ‘o abismo das águas’; ber, mais tarde bel, ‘jorrar’, ‘inchar’ , ‘ser efervescente’.

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/alem-do-pylon-da-cova/

A História e as Polêmicas da Ordem dos Nove Ângulos

A Ordem dos Nove Ângulos (Order of Nine Angles, ONA ou O9A) é um grupo ocultista satânico e do Caminho da Mão Esquerda sediado no Reino Unido, mas com grupos associados em outras partes do mundo. Afirmando ter sido estabelecida na década de 1960, ganhou reconhecimento público no início de 1980, atraindo a atenção por suas ideologias neonazistas e ativismo. Descrevendo sua abordagem como “Satanismo Tradicional”, também foi identificada como exibindo elementos pagãos herméticos e modernos em suas crenças por pesquisadores acadêmicos.

De acordo com as próprias reivindicações da Ordem, ela foi estabelecida nas Marchas Galesas da Inglaterra Ocidental durante o final da década de 1960 por uma mulher que já havia se envolvido em uma seita pré-cristã secreta que sobreviveu na região. Esse relato também afirma que em 1973 um homem chamado “Anton Long” foi iniciado no grupo, tornando-se posteriormente seu grão-mestre. Vários comentaristas acadêmicos que estudaram a ONA expressam a opinião de que o nome “Anton Long” é provavelmente o pseudônimo do ativista neonazista britânico David Myatt, embora Myatt tenha negado que esse seja o caso. A partir do final da década de 1970, Long escreveu livros e artigos que propagavam as ideias da Ordem e, em 1988, começou a publicar seu próprio jornal, Fenrir. Por meio desses empreendimentos, estabeleceu vínculos com outros grupos satanistas neonazistas em todo o mundo, promovendo sua causa ao abraçar a Internet nos anos 2000.

A ONA promove a ideia de que a história humana pode ser dividida em uma série de eras, cada uma contendo uma civilização humana correspondente. Expressa a visão de que a atual civilização aeônica é a do mundo ocidental, mas afirma que a evolução desta sociedade está ameaçada pela influência “mago/nazareno” da religião judaico-cristã, que a Ordem procura combater para estabelecer uma nova ordem social militarista, que chama de “Imperium”. De acordo com os ensinamentos da Ordem, isso é necessário para que uma civilização galáctica se forme, na qual a sociedade “ariana” colonizará a Via Láctea. Ele defende um caminho espiritual em que os praticantes são obrigados a quebrar tabus sociais, isolando-se da sociedade, cometendo crimes, abraçando o extremismo político e a violência e realizando atos de sacrifício humano. Os membros da ONA praticam magia, acreditando que são capazes de fazê-lo canalizando energias para seu próprio reino “causal” de um reino “acausal” onde as leis da física não se aplicam, e essas ações mágicas são projetadas para ajudá-los a alcançar seu objetivo final. objetivo de estabelecer o imperium.

A ONA evita qualquer autoridade ou estrutura central; em vez disso, opera como uma ampla rede de associados – denominados “kollective” – ​​que são inspirados nos textos originalmente de autoria de Long e outros membros da “ONA interna”. O grupo é composto em grande parte por células clandestinas, que são chamadas de “nexions”. Algumas estimativas acadêmicas sugerem que o número de indivíduos amplamente associados à Ordem cai na casa dos milhares. Vários estupros, assassinatos e atos de terrorismo foram perpetrados por indivíduos de extrema direita influenciados pela ONA, com vários políticos e ativistas britânicos pedindo que a ONA fosse proscrita como um grupo terrorista.

A HISTÓRIA DA ORDEM DOS NOVE ÂNGULOS:

Origens:

A primeira célula da ONA, “Nexion Zero”, foi estabelecida em Shropshire, Reino Unido (foto).

Acadêmicos têm encontrado dificuldades para apurar “informações exatas e verificáveis” sobre as origens da ONA, dado o alto nível de sigilo em que ela se envolve, a fim de se proteger. Tal como acontece com muitas outras organizações ocultas, a Ordem envolve sua história em “mistério e lenda”, criando uma “narrativa mítica” para suas origens e desenvolvimento. A ONA afirma ser descendente de tradições pagãs pré-cristãs que sobreviveram à cristianização da Grã-Bretanha e que foram transmitidas a partir da Idade Média em pequenos grupos ou “templos” baseados nas Marchas de Gales – uma área de fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales – que eram cada um liderado por um grão-mestre ou grande mestra. De acordo com a Ordem, no final da década de 1960, uma grande mestra de um desses grupos uniu três desses templos – Camlad, o Temple of Sun e os Noctulians – para formar a ONA, antes de receber forasteiros na tradição.

De acordo com o relato da Ordem, um daqueles que a grande mestra iniciou no grupo foi “Anton Long”, um indivíduo que se descreveu como um cidadão britânico que passou grande parte de sua juventude visitando a África, Ásia e Oriente Médio. Long afirmou que, antes de seu envolvimento na ONA, ele se interessou por ocultismo por vários anos, tendo contatado um coven baseado em Fenland em 1968, antes de se mudar para Londres e ingressar em grupos que praticavam magia cerimonial no estilo da Ordem Hermética da Golden Dawn e Aleister Crowley. Ele também reivindicou um breve envolvimento em um grupo satânico baseado em Manchester, o Templo Ortodoxo do Príncipe dirigido por Ray Bogart, durante o qual ele encontrou a Grande Mestra da ONA. Segundo o relato da Ordem, Long ingressou na ONA em 1973 – o primeiro a fazê-lo em cinco anos – e tornou-se herdeiro da grande mestra. Mais tarde, ele lembrou que naquela época o grupo realizava rituais em henges e círculos de pedra ao redor dos solstícios e equinócios.

Este relato afirma ainda que quando a Grande Mestra da Ordem migrou para a Austrália, Long assumiu como o novo grão-mestre do grupo. O grupo afirmou que Long “implementou a próxima etapa da Estratégia Sinistra – para tornar os ensinamentos conhecidos em larga escala”. A partir do final da década de 1970, Long incentivou o estabelecimento de novos grupos ONA, que eram conhecidos como “templos”, e a partir de 1976 ele escreveu uma série de textos para a tradição, codificando e estendendo seus ensinamentos, mitos e estrutura. Esses textos são tipicamente escritos em inglês, embora incluam passagens do grego clássico, bem como termos do sânscrito e do árabe, refletindo a fluência de Long em tais idiomas. Depois de examinar esses textos, o historiador Nicholas Goodrick-Clarke afirmou que neles, Long “evoca um mundo de bruxas, feiticeiros camponeses fora da lei, orgias e sacrifícios de sangue em cabanas solitárias nas florestas e vales desta área, Shropshire e Herefordshire, onde ele viveu desde o início dos anos 1980”.

Ona2

David Myatt (foto de 1998) é frequentemente citado como o ideólogo central da ONA.

A verdadeira identidade de “Anton Long” permanece desconhecida tanto para os membros da Ordem quanto para os acadêmicos que a estudaram. No entanto, em uma edição de 1998 da revista antifascista Searchlight, afirmou-se que “Anton Long” era um pseudônimo de David Myatt, uma figura proeminente do movimento neonazista britânico. Nascido no início dos anos 1950, Myatt esteve envolvido em vários grupos neonazistas, inicialmente servindo como guarda-costas de Colin Jordan do Movimento Britânico antes de ingressar na milícia Combat 18 e se tornar membro fundador e líder do Movimento Nacional Socialista. Seu texto sobre A Practical Guide to Aryan Revolution (Um Guia Prático da Revolução Ariana), no qual defendia a militância violenta em prol da causa neonazista, foi citado como uma influência sobre o bombardeiro de pregos David Copeland. Em 1998, Myatt se converteu ao Islã e permaneceu muçulmano praticante por oito anos, período em que encorajou a jihad violenta contra o sionismo e os aliados ocidentais de Israel. Em 2010, ele anunciou que havia renunciado ao Islã e estava praticando uma tradição esotérica que denominou “Caminho Numinoso”.

Goodrick-Clarke apoiou a ideia de que Myatt era Long, com o estudioso de estudos religiosos Jacob C. Senholt acrescentando que “o papel de David Myatt é primordial para toda a criação e existência da ONA”. Senholt apresentou evidências adicionais que ele acreditava confirmaram a identidade de Myatt como Long, escrevendo que o abraço de Myatt ao neonazismo e ao islamismo radical representava “papéis de percepção” que Myatt havia adotado como parte da “estratégia sinistra” da ONA para minar a sociedade ocidental, uma visão endossada pelo estudioso do satanismo Per Faxneld. Em 2015, um membro da ONA conhecido como R. Parker argumentou a favor da ideia de que Myatt era Long. Como resultado da publicação de Page, o sociólogo da religião Massimo Introvigne afirmou que a ONA “mais ou menos reconheceu” que Myatt e Long são a mesma pessoa, o que a alegação sobre Myatt a ONA contestou.

O próprio Myatt negou repetidamente as alegações de que ele tem qualquer envolvimento com a ONA, e que ele usou o pseudônimo “Anton Long”, além de contestar os argumentos usados ​​para conectá-lo a Long, alegando que eles são baseados em evidências insuficientes. O estudioso de estudos religiosos George Sieg expressou preocupação com essa associação, afirmando que a considerava “imlausível e insustentável com base na extensão da variação no estilo de escrita, personalidade e tom” entre Myatt e Long. Jeffrey Kaplan, um especialista acadêmico da extrema direita, também sugeriu que Myatt e Long são pessoas separadas, enquanto o estudioso de estudos religiosos Connell R. Monette postulou a possibilidade de que “Anton Long” não fosse um indivíduo singular, mas sim um pseudônimo usado por várias pessoas diferentes.

Aparecimento ao Público:

A ONA surgiu à atenção do público no início de 1980. Durante as décadas de 1980 e 1990, espalhou sua mensagem por meio de artigos em revistas, como Nox, de Stephen Sennitt, bem como pela publicação de volumes como The Black Book of Satan (O Livro Negro de Satã) e Naos. Em 1988, iniciou a publicação de seu próprio jornal interno, intitulado Fenrir. Entre o material que publicou para consumo público estão folhetos filosóficos, instruções rituais, cartas, poesia e ficção gótica. Seu texto ritual central é intitulado The Black Book of Satan (O Livro Negro de Satã). Também lançou sua própria música, um conjunto de tarô pintado conhecido como Sinister Tarot (O Tarô Sinistro) e um jogo de tabuleiro tridimensional conhecido como Star Game (O Jogo da Estrela). A ONA estabeleceu ligações com outros grupos satanistas neonazistas: seu distribuidor internacional foi o neozelandês Kerry Bolton, o fundador da Black Order, que é descrito como um adepto da ONA na correspondência publicada do grupo, e tem acesso a um biblioteca de material oculto e de extrema direita de propriedade da Order of the Jarls de Bælder. Segundo Monette, o grupo agora tem associados e grupos nos Estados Unidos, Europa, Brasil, Egito, Austrália e Rússia. Um desses grupos associados é o Tempel ov Blood, com sede nos EUA, que publicou vários textos através da Ixaxaar Press, enquanto outro é o White Star Acception, com sede na Califórnia, que foi designado como “Flagship Nexion” da ONA nos Estados Unidos apesar de se desviarem dos ensinamentos tradicionais da ONA sobre uma série de questões.

Durante o início da década de 1990, a Ordem declarou que estava entrando no segundo estágio de seu desenvolvimento, no qual deixaria para trás seu foco anterior no recrutamento e divulgação pública dentro da comunidade oculta e que, em vez disso, se concentraria em refinar seus ensinamentos; sua quietude resultante levou alguns ocultistas a especular erroneamente que a ONA havia se extinguido. Em 2000, a ONA estabeleceu uma presença na Internet, utilizando-a como meio de comunicação com os outros e de distribuição dos seus escritos. Em 2008, a ONA anunciou que estava entrando na terceira fase de sua história, na qual voltaria a focar fortemente na promoção, utilizando mídias sociais como blogs online, fóruns, Facebook e YouTube para divulgar sua mensagem. Em 2011, a “Old Guard”, um grupo de membros de longa data da Ordem, afirmou que se retiraria do trabalho público ativo com o grupo. Em março de 2012, Long anunciou que se retiraria da atividade pública, embora pareça ter permanecido ativo na Ordem.

AS CRENÇAS E A ESTRUTURA DA ONA:

A ONA descreve suas crenças como pertencentes a “uma tradição mística sinistramente numinosa”, acrescentando que “não é agora e nunca foi estritamente satanista ou estritamente Caminho da Mão Esquerda, mas usa “satanismo” e o LHP como “formas causais”; isto é, como técnicas/experiências/provas/desafios” para auxiliar o avanço espiritual do praticante. Monette descreveu a ONA como “uma fascinante mistura de Hermetismo e Satanismo Tradicional, com alguns elementos pagãos”. Faxneld descreveu a ONA como “uma forma perigosa e extrema de satanismo” e como “um dos grupos satanistas mais extremos do mundo”. Jeffrey Kaplan e Leonard Weinberg o caracterizaram como um “grupo satanista de orientação nacional-socialista”, enquanto Nicholas Goodrick-Clarke também o considerou um “culto nazista satânico” que “combina o paganismo com o louvor a Hitler”. Ele acrescentou que a ONA “celebrou o lado escuro e destrutivo da vida através de doutrinas anti-cristãs, elitistas e darwinistas sociais”. Considerando a maneira pela qual a ONA sincretizou tanto o satanismo quanto o paganismo, o historiador da religião Mattias Gardell descreveu sua perspectiva espiritual como “um caminho satânico pagão”. O estudioso George Sieg, no entanto, argumentou que a ONA deveria ser categorizada como “pós-satânica” porque “ultrapassou (sem abandonar totalmente) a identificação com seu paradigma satânico original”.

Satanismo Tradicional e Paganismo:

“[Long] rejeita a organização quase religiosa e as palhaçadas cerimoniais da Igreja de Satã, o Templo de Set e outros grupos satânicos. Ele acredita que o satanismo tradicional vai muito além da gratificação do princípio do prazer e envolve a árdua conquista do eu – maestria, auto-superação em um sentido nietzschiano e, finalmente, sabedoria cósmica. Sua concepção de satanismo é prática, com ênfase no crescimento individual em reinos de escuridão e perigo por meio de atos práticos de coragem, resistência e risco de vida.”

— Estudioso do esoterismo Nicholas Goodrick-Clarke.

A ONA descreve seu ocultismo como “Satanismo Tradicional” e como uma “tradição mística sinistra-numinosa”. De acordo com Jesper Aagaard Petersen, um acadêmico especialista em satanismo, a Ordem apresenta “uma nova interpretação reconhecível do satanismo e do Caminho da Mão Esquerda”, e para os envolvidos no grupo, o satanismo não é simplesmente uma religião, mas um modo de vida. A Ordem postula o satanismo como uma árdua conquista individual de autodomínio e autossuperação nietzschiana, com ênfase no crescimento individual através de atos práticos de risco, bravura e resistência. Portanto, “o objetivo do satanismo da ONA é criar um novo indivíduo através da experiência direta, prática e autodesenvolvimento com os graus do sistema ONA sendo altamente individuais, com base nos próprios atos práticos e da vida real dos iniciados, em vez de meramente realizar certos rituais cerimoniais”. Assim, o satanismo, afirma a ONA, exige aventurar-se no reino do proibido e do ilegal para libertar o praticante do condicionamento cultural e político. Intencionalmente transgressora, a Ordem tem se caracterizado por proporcionar “uma espiritualidade agressiva e elitista”. O estudioso de estudos religiosos Graham Harvey escreveu que a ONA se encaixava no estereótipo do satanista “melhor do que outros grupos”, algo que ele achava que foi deliberadamente alcançado ao abraçar atos “profundamente chocantes” e ilegais.

A ONA critica fortemente grupos satânicos maiores como a Igreja de Satã e o Templo de Set, que eles consideram “satânicos falsos” porque abraçam o “glamour associado ao satanismo”, mas têm “medo de experimentar sua realidade dentro e externo a eles”. Por sua vez, a Igreja de Satã criticou o que eles alegaram ser a “insistência paranoica da Ordem de que eles são os únicos defensores da tradição satânica”, com Kaplan afirmando que esses comentários refletem “as tensões internas” que são comuns dentro “do mundo do satanismo “, e sobre qual crítica Anton Long escreveu que a ONA não “afirma ser uma organização de pares com a reivindicação de algum tipo de autoridade … Quando no passado nós e outros como nós dissemos coisas que outros interpretam como sendo contra o Templo de Set ou LaVey, estávamos simplesmente assumindo o papel de Adversário – desafiando o que parecia estar se tornando um dogma aceito.”

Embora se conceba como tendo origens pré-cristãs e descreva o satanismo como “paganismo militante”, a ONA não defende o restabelecimento de sistemas de crenças pré-cristãs, com um tratado da ONA afirmando que “todos os deuses do passado das várias tradições ocidentais são tornados obsoletos pelas forças que o satanismo sozinho está desencadeando”. No entanto, Goodrick-Clarke observou que as “ideias e rituais” do grupo se baseiam em “uma tradição nativa”, com referências ao conceito anglo-saxão pré-cristão de wyrd, uma ênfase em cerimônias realizadas em equinócios e a construção de incenso usando árvores indígenas, sugerindo assim a ideia de “enraizamento na natureza inglesa”. Os praticantes passam por “peregrinações negras” a locais cerimoniais pré-históricos na área ao redor de Shropshire e Herefordshire nas Midlands inglesas. Além disso, Monette escreve que “um exame crítico dos textos-chave da ONA sugere que as conotações satânicas podem ser cosméticas e que seus mitos e cosmologia centrais são genuinamente herméticos, com influências pagãs”.

Cosmologia Aeônica e o Nazismo:

 

“Adolf Hitler foi enviado por nossos deuses

Para nos guiar à grandeza

Acreditamos na desigualdade de raças

E no direito do ariano de viver

De acordo com as leis do povo.

Reconhecemos que a história do “holocausto” judaico

É uma mentira para manter nossa raça acorrentada

E expressar nosso desejo de ver a verdade revelada.

Acreditamos na justiça para nossos companheiros oprimidos

E buscar um fim em todo o mundo da

Perseguição dos Nacional-Socialistas.”

 

— A “Missa da Heresia” da ONA.

A ONA afirma que a evolução cósmica é guiada por uma “dialética sinistra” de energias Aeônicas alternadas. Ele divide a história humana em uma série de Aeons, acreditando que cada Aeon foi dominado por uma civilização humana que surgiu, evoluiu e depois morreu. Ele afirma que cada Aeon dura aproximadamente 2.000 anos, com sua respectiva civilização humana dominante se desenvolvendo nos últimos 1.500 anos desse período. Sustenta que após 800 anos de crescimento, cada civilização enfrenta problemas, resultando em um “Tempo de Problemas” que dura entre 398 e 400 anos. No estágio final de cada civilização há um período que dura aproximadamente 390 anos, no qual ela é controlada por um forte regime militar e imperial, após o qual a civilização cai. A ONA afirma que a humanidade viveu cinco desses Aeons, cada um com uma civilização associada: a Primal, a Hiperbórea, a Suméria, a Helênica e a Ocidental. Tanto Goodrick-Clarke quanto Senholt afirmaram que este sistema de Aeons é inspirado nas obras de Arnold J. Toynbee, com Senholt sugerindo que também pode ter sido influenciado pelas ideias de Crowley sobre Thelêmicos Aeons. No entanto, a ONA afirmou que seu conceito “não tem nada a ver com Crowley”, mas é baseado no trabalho de Toynbee e Spengler.

A ONA afirma que a atual civilização ocidental tem um ethos faustiano e passou recentemente por seu Tempo de Perturbações, com seu estágio final, um “Imperium” de governança militarista, que deve começar em algum momento de 1990-2011 e durar até 2390. será seguido por um período de caos a partir do qual será estabelecido um sexto Aeon, o Aeon do Fogo, que será representado pela civilização galáctica na qual uma sociedade ariana colonizará a galáxia Via Láctea. No entanto, a Ordem sustenta que, ao contrário das civilizações Aeônicas anteriores, a civilização ocidental foi infectada com a distorção “Magia / Nazareno”, que eles associam à religião judaico-cristã. Os escritos do grupo afirmam que enquanto a civilização ocidental já foi “uma entidade pioneira, imbuída de valores elitistas e exaltando o caminho do guerreiro”, sob o impacto do ethos mago/nazareno tornou-se “essencialmente neurótica, introspectiva e obcecada “, abraçando o humanismo, o capitalismo, o comunismo, bem como “a farsa da democracia” e “o dogma da igualdade racial”. Eles acreditam que essas forças magos/nazarenos representam uma tendência contra-evolucionária que ameaça impedir o surgimento do Império Ocidental e, portanto, a evolução da humanidade, opinando que esse inimigo cósmico deve ser superado pela força da vontade. Tanto Goodrick-Clarke quanto Sieg observam que essas ideias sobre a “alma mágica” e a “distorção cultural” trazida pelos judeus foram derivadas das obras de Oswald Spengler e Francis Parker Yockey.

A ONA elogia a Alemanha nazista como “uma expressão prática do espírito satânico… uma explosão de luz luciferiana – de entusiasmo e poder – em um mundo nazareno, pacificado e chato”. Abraçando a negação do Holocausto, afirma que o Holocausto foi um mito que foi construído pelo estabelecimento mago/nazareno para denegrir a administração nazista após a Segunda Guerra Mundial e apagar suas conquistas da “psique do Ocidente”. O grupo acredita que uma revolução neonazista é necessária para derrubar o domínio mago-nazareno da sociedade ocidental e estabelecer o Império, permitindo que a humanidade entre na civilização galáctica do futuro. Assim, referências positivas ao nazismo e neonazismo podem ser encontradas no material escrito do grupo, e evoca o líder nazista Adolf Hitler como uma força positiva em seu texto para a realização de uma Missa Negra, também conhecida como A Missa da Heresia. No entanto, alguns textos da ONA enfatizam que os membros devem abraçar o neonazismo e o racismo não por uma crença genuína na ideologia nazista, mas como parte de uma “estratégia sinistra” para avançar a evolução Aeônica. Uma versão da Missa Negra produzida por um grupo australiano da ONA, The Temple of THEM, substitui elogios a Hitler por elogios ao militante islâmico Osama bin Laden, enquanto os escritos de Chloe Ortega e Kayla DiGiovanni, principais publicitários do White Star Acception, expressam o que Sieg denominou uma plataforma “anarquista de esquerda” que carecia da condenação do sionismo e do endosso do racismo ariano que é encontrado nos escritos de Long. A Ordem é, portanto, muito mais abertamente politicamente extrema em seus objetivos do que outras organizações satânicas e do Caminho da Mão Esquerda, buscando se infiltrar e desestabilizar a sociedade moderna através de meios mágicos e práticos.

Iniciação e o Caminho Sétuplo:

A ONA encoraja seus membros a adotar “papéis de insight” em grupos anarquistas, neonazistas e islâmicos para perturbar a sociedade ocidental moderna.

O sistema central da ONA é conhecido como o “O Caminho Sétuplo” ou a “Hebdomadria”, e é descrito em um dos textos principais da Ordem, Naos. O sistema sétuplo é refletido na cosmologia simbólica do grupo, a “Árvore de Wyrd”, na qual sete corpos celestes – a Lua, Vênus, Mercúrio, Sol, Marte, Júpiter e Saturno – estão localizados. O termo wyrd foi adotado do inglês antigo, onde se referia ao destino ou destino. Monette identificou isso como um “sistema hermético”, destacando que o uso de sete corpos planetários havia sido influenciado pelos textos árabes medievais Ghāyat al-Ḥakīm (conhecido também como o grimório Picatrix) e o Shams I-Maarif. O Caminho Sétuplo também se reflete no sistema iniciático do grupo, que possui sete graus pelos quais o membro pode progredir gradualmente. São eles: (1) Neófito, (2) Iniciado, (3) Adepto Externo, (4) Adepto Interno, (5) Mestre/Mestra, (6) Grão-Mestre/Mousa e (7) Imortal. O grupo revelou que muito poucos de seus membros ascendem ao quinto e sexto graus, e em um artigo de 1989 a ONA afirmou que naquele momento havia apenas quatro indivíduos que haviam alcançado o estágio de Mestre.

A ONA não inicia membros no grupo em si, mas espera que um indivíduo inicie a si mesmo. Exige que os iniciados estejam em boas condições físicas e recomenda um regime de treinamento para os futuros membros seguirem. Espera-se que os recém-chegados assumam um parceiro mágico do sexo oposto, ou do mesmo sexo, se forem lésbicas ou gays. A partir daí, o praticante deve enfrentar desafios pessoais e cada vez mais difíceis para transitar pelos diferentes graus. A maioria das provações que permitem ao iniciado avançar para a próxima etapa são reveladas publicamente pela Ordem em seu material introdutório, pois acredita-se que o verdadeiro elemento iniciático está na própria experiência e só pode ser alcançada através da sua realização. Por exemplo, parte do ritual para se tornar um Adepto Externo envolve uma provação na qual o membro em potencial deve encontrar um lugar solitário e ficar ali, quieto, por uma noite inteira sem se mexer ou dormir. O processo iniciático para o papel de Adepto Interno implica que o praticante se retire da sociedade humana por três meses, de um equinócio a um solstício, ou (mais geralmente) por seis meses, período durante o qual deve viver em estado selvagem sem conveniências modernas ou contato. com a civilização. A próxima etapa – o Ritual do Abismo – envolve o candidato vivendo sozinho em uma caverna escura e isolada por um mês lunar. De acordo com Jeffrey Kaplan, um especialista acadêmico da extrema direita, essas tarefas iniciáticas física e mentalmente desafiadoras refletem “a concepção da ONA de si mesma como uma organização de vanguarda composta por um pequeno círculo de elites nietzschianas”.

Dentro do sistema iniciático da ONA, há uma ênfase na adoção de “papéis de discernimento” pelos praticantes em que trabalham disfarçados em um grupo politicamente extremista por um período de seis a dezoito meses, ganhando experiência em algo diferente de sua vida normal. Entre as tendências ideológicas que a ONA sugere que seus membros adotem “papéis de insight” estão o anarquismo, o neonazismo e o islamismo, afirmando que, além dos benefícios pessoais de tal envolvimento, a participação nesses grupos tem o benefício de minar o poder mágico. sistema sócio-político nazareno do Ocidente e, assim, ajudando a trazer a instabilidade da qual uma nova ordem, o Imperium, pode emergir. No entanto, Monette observou uma mudança potencial nas funções de insight recomendadas pelo grupo ao longo das décadas; ele destacou que, enquanto a ONA recomendava atividades criminosas ou militares durante os anos 1980 e início dos anos 1990, no final dos anos 1990 e 2000 eles estavam recomendando o monaquismo budista como um papel de insight para os praticantes adotarem. Através da prática de “papéis de insight”, a ordem defende a transgressão contínua de normas, papéis e zonas de conforto estabelecidos no desenvolvimento do iniciado … , Essa aplicação extrema de ideias amplifica ainda mais a ambiguidade das práticas satânicas e do Caminho da Mão Esquerda de antinomianismo, tornando quase impossível penetrar nas camadas de subversão, jogo e contra-dicotomia inerentes à dialética sinistra.” Senholt sugeriu que o envolvimento de Myatt com o neonazismo e o islamismo representam esses “papéis de insight” em sua própria vida.

O Reino Acausal, a Mágicka e os Deuses das Trevas:

A ONA acredita que os humanos vivem dentro do reino causal, que obedece às leis de causa e efeito. No entanto, eles também acreditam em um reino acausal, no qual as leis da física não se aplicam, promovendo ainda mais a ideia de que energias numinosas do reino acausal podem ser atraídas para o causal, permitindo o desempenho da magia. Acreditando na existência de magia – que o grupo soletra “mágicka” seguindo o exemplo da obra de Elias Ashmole de 1652, o Theatrum Chemicum Britannicum – a ONA distingue entre mágicka externa, interna e aeônica. A magia externa em si é dividida em duas categorias: mágicka cerimonial, que é realizada por mais de duas pessoas para atingir um objetivo específico, e mágicka hermética, que é realizada solitária ou em casal e que geralmente é de natureza sexual. A mágicka interna é projetada para produzir um estado alterado de consciência no participante, a fim de resultar em um processo de “individuação” que confere um bem-estar. A forma mais avançada de mágicka no sistema ONA é a mágicka aeônica, cuja prática é restrita àqueles que já são percebidos como tendo dominado a mágicka externa e interna e alcançado o grau de mestre. O propósito da mágicka aeônica é influenciar um grande número de pessoas por um longo período de tempo, afetando assim o desenvolvimento de eras futuras. Em particular, é empregado com a intenção de perturbar o atual sistema sociopolítico do mundo ocidental, que a ONA acredita ter sido corrompido pela religião judaico-cristã.

A ONA utiliza dois métodos em seu desempenho de mágicka aeônica. A primeira envolve ritos e cânticos com a intenção de abrir um portal – conhecido como “nexion” – para o “reino acausal” a fim de manifestar energias no “reino causal” que influenciarão o aeon existente na direção desejada pelo praticante. O segundo método envolve jogar uma forma avançada de um jogo de tabuleiro conhecido como Star Game; o jogo foi idealizado pelo grupo, com as peças do jogo representando diferentes eras. O grupo acredita que quando um iniciado joga o jogo, ele pode se tornar um “nexion vivo” e, portanto, um canal para que as energias acausais entrem no reino causal e efetuem a mudança aeônica. Uma forma avançada do jogo é usada como parte do treinamento para o grau de Adepto Interno. De acordo com Myatt, ele inventou o jogo em 1975.

A Ordem promove a ideia de que “Deuses das Trevas” existem dentro do reino acausal, embora seja aceito que alguns membros os interpretem não como entidades reais, mas como facetas do subconsciente humano. Essas entidades são percebidas como perigosas, com a ONA aconselhando cautela ao interagir com elas. Entre os Deuses das Trevas cujas identidades foram discutidas no material publicamente disponível da Ordem estão uma deusa chamada Baphomet que é retratada como uma mulher madura carregando uma cabeça decepada, com a ONA afirmando que o nome é de origem grega antiga. Além disso, existem entidades cujos nomes, segundo Monette, são emprestados ou influenciados por figuras de fontes clássicas e astronômicas, como Kthunae, Nemicu e Atazoth.

Outra dessas figuras acausais é denominada Vindex, após a palavra latina para “vingador”. A ONA acredita que Vindex acabará encarnando como um humano – embora o gênero e a etnia desse indivíduo sejam desconhecidos – através da “presença” bem-sucedida de energias acausais dentro do reino causal, e que eles atuarão como uma figura messiânica ao derrubar o Mago forças e levando a ONA à proeminência no estabelecimento de uma nova sociedade. Sieg fez comparações entre essa crença em Vindex e as ideias de Savitri Devi, o proeminente hitlerista esotérico, sobre a chegada de Kalki, um avatar do deus hindu Vishnu, à Terra. A ONA também propaga a ideia de que é possível ao praticante garantir uma vida após a morte no reino acausal através de suas atividades espirituais. É por esta razão que o estágio final do Caminho Sétuplo é conhecido como o “Imortal”, constituindo aqueles iniciados que conseguiram avançar para o estágio de habitação no reino acausal.

Sacrifício Humano:

Os escritos da ONA toleram e encorajam o sacrifício humano, referindo-se às suas vítimas como opfers. A ONA descreve suas diretrizes para o sacrifício humano em vários documentos: “A Gift for the Prince – A Guide to Human Sacrifice”, “Culling – A Guide to Sacrifice II”, “Victims – A Sinister Exposé” e ” Guidelines for the Testing of Opfers”. De acordo com as crenças da ONA, o assassino deve permitir que sua vítima se “auto-selecione”; isso é conseguido testando a vítima para ver se ela expõe falhas de caráter percebidas. Se este for o caso, acredita-se que a vítima tenha demonstrado que é digna de morte, e o sacrifício pode começar. Aqueles considerados ideais para o sacrifício pelo grupo incluem indivíduos percebidos como sendo de baixo caráter, membros do que eles consideram “grupos falso-satânicos” como a Igreja de Satã e o Templo de Set, bem como “nazarenos zelosos e interferentes” e jornalistas , empresários e ativistas políticos que atrapalham as operações do grupo. A ONA explica que, devido à necessidade dessa “autoseleção”, as crianças nunca devem ser vítimas de sacrifícios. Da mesma forma, a ONA “despreza o sacrifício de animais, sustentando que é muito melhor sacrificar mundanos adequados, dada a abundância de escórias humanas”.

O sacrifício é então realizado através de meios físicos ou mágicos, quando acredita-se que o assassino absorva o poder do corpo e do espírito da vítima, entrando assim em um novo nível de consciência “sinistra”. Além de fortalecer o caráter do assassino ao aumentar sua conexão com as forças acausais de morte e destruição, tais sacrifícios também são vistos como de maior benefício pela ONA, pois retiram da sociedade indivíduos que o grupo considera seres humanos inúteis. Monette observou que nenhuma célula nexion da ONA admitiu publicamente realizar um sacrifício de maneira ritual, mas que os membros se juntaram à polícia e aos grupos militares para se envolver em violência legal e assassinato.

A ONA acredita que existem precedentes históricos para sua prática de sacrifício humano, expressando a crença em uma tradição pré-histórica na qual os seres humanos foram sacrificados a uma deusa chamada Baphomet no equinócio da primavera e à estrela Arcturus no outono. No entanto, a defesa do sacrifício humano pela ONA atraiu fortes críticas de outros grupos satanistas como o Templo de Set, que o consideram prejudicial às suas próprias tentativas de tornar o satanismo mais socialmente aceitável dentro das nações ocidentais.

O Termo “Nove Ângulos”:

Embora os estudiosos ocultistas atribuam o conceito de Nove Ângulos à Igreja de Satã, em seus ensaios e outros escritos a ONA oferece explicações diferentes quanto ao significado do termo “Nove Ângulos”. Uma explicação é que se trata dos sete planetas da cosmologia do grupo (os sete ângulos), somados ao sistema como um todo (o oitavo ângulo), e os próprios místicos (o nono ângulo). Uma segunda explicação é que se refere a sete estágios alquímicos “normais”, com dois processos adicionais. Uma terceira é que se refere às nove emanações do divino, um conceito originalmente encontrado em textos medievais produzidos dentro da tradição mística islâmica do sufismo. Monette sugeriu ainda que era uma referência a uma tradição indiana clássica que dividia o sistema solar em nove planetas.

De acordo com o O9A, eles usam o termo “nove ângulos” em referência não apenas às nove emanações e transformações das três substâncias alquímicas básicas (mercúrio, enxofre, sal), como ocorre em seu uso oculto do Jogo Estelar, mas também em referência à sua jornada hermética com suas sete esferas e seus dois aspectos acausais.

A ORGANIZAÇÃO DA ONA:

A ONA é um coletivo diversificado e mundial de diversos grupos, tribos e indivíduos, que compartilham e buscam interesses, objetivos e estilos de vida sinistros, subversivos semelhantes, e que cooperam quando necessário para seu benefício mútuo. e na busca de seus propósitos e objetivos comuns… O critério para pertencer à ONA é essa busca de interesses, objetivos e estilos de vida semelhantes sinistros, subversivos, juntamente com o desejo de cooperar quando for benéfico para eles e a prossecução dos nossos objectivos comuns. Não há, portanto, nenhum membro formal da ONA, e nenhum Antigo-Aeon, mundano, hierarquia ou mesmo quaisquer regras.

— The ONA, 2010.

A ONA é uma organização secreta. Falta qualquer administração central, operando como uma rede de praticantes satânicos aliados, que chama de “coletivo”. Assim, Monette afirmou que a Ordem “não é uma loja ou templo estruturado, mas sim um movimento, uma subcultura ou talvez uma metacultura que seus adeptos escolhem incorporar ou se identificar”. Monette também sugeriu que essa ausência de uma estrutura centralizada ajudaria a sobrevivência da Ordem, porque seu destino não seria investido apenas em um líder em particular. A ONA não gosta do termo “membro”, preferindo a palavra “associado”. Em 2012, Long afirmou que os afiliados à Ordem se enquadravam em seis categorias diferentes: associados de nexions tradicionais, Niners, Balobians, membros de gangues e tribos, seguidores da tradição Rounwytha e aqueles envolvidos com grupos inspirados na ONA.

O grupo consiste em grande parte de células autônomas conhecidas como “nexions”. A célula original, baseada em Shropshire, é conhecida como “Nexion Zero”, com a maioria dos grupos subsequentes estabelecidos na Grã-Bretanha, Irlanda e Alemanha, no entanto, nexions e outros grupos associados também foram estabelecidos nos Estados Unidos, Austrália, Brasil, Egito, Itália, Espanha, Portugal, Polônia, Sérvia, Rússia e África do Sul. A ala grega da ONA atende pelo nome de Mirós tou Zeús. Alguns desses grupos, como o Tempel ov Blood, com sede nos EUA, descrevem-se como distintos da ONA, embora ambos tenham sido muito influenciados por ela e tenham conexões com ela.

Na terminologia da ONA, os termos Drecc e Niner referem-se à cultura popular ou baseada em gangues ou indivíduos que apoiam os objetivos da Ordem por meios práticos (incluindo criminosos) em vez de esotéricos. Um desses grupos é o White Star Acceptation, que afirma ter perpetrado estupros, agressões e roubos para aumentar o poder do grupo; Sieg observou que a realidade dessas ações não foi verificada. Um balobiano é um artista ou músico que contribui para o grupo através de sua produção de belas artes. A Rounwytha é uma tradição de místicos populares ou folclóricos considerados como exibindo poderes psíquicos talentosos refletindo sua encarnação do “arquétipo feminino sinistro”. Embora uma minoria seja de homens, a maioria das Rounwytha é do sexo feminino, e muitas vezes vivem reclusas como parte de grupos pequenos e muitas vezes lésbicos.

Representante Externo:

Vários comentaristas acadêmicos destacaram a existência de uma posição dentro da ONA chamada de “Representante Externo”, que atua como porta-voz oficial do grupo para o mundo exterior. O primeiro a afirmar publicamente ser o “Representante Externo” do grupo foi Richard Moult, um artista e compositor de Shropshire que usou o pseudônimo de “Christos Beest”. Moult foi seguido como “Representante Externo” por “Vilnius Thornian”, que ocupou o cargo de 1996 a 2002, e que foi identificado por membros da ONA como o ideólogo do Caminho da Mão Esquerda Michael Ford. Posteriormente, no blog do White Star Acception, foi feita a alegação de que o membro do grupo Chloe Ortega era o representante externo da ONA, também este blog mais tarde foi extinto em 2013. Em 2013, uma americana Rounwytha usando o nome de “Jall” apareceu alegando ser o “Representante Externo” da Ordem.

No entanto, de acordo com Long, o “representante externo” era “um exemplo interessante e instrutivo do Labyrinthos Mythologicus da O9A, … um estratagema”, e que foi projetado para “intrigar, selecionar, testar, confundir, irritar, enganar”. Long escreveu que “o estratagema era para um candidato ou um iniciado divulgar abertamente o material da ONA, e possivelmente dar entrevistas sobre a O9A para a mídia, sob o pretexto de ter recebido algum tipo de ‘autoridade’ para fazê-lo, embora tal autoridade – e a hierarquia necessária para dotá-la – era de fato uma contradição de nossa razão de ser; um fato que naturalmente esperávamos que aqueles incipientes de nossa espécie soubessem ou sentissem”. De acordo com Senholt, a ONA “não concede títulos”, com Monette escrevendo que “não há autoridade central dentro da ONA”.

Dentro da ONA havia um grupo de iniciados de longa data conhecidos como a “Velha Guarda” ou “Inner ONA”, cuja experiência com a tradição os levou a se tornarem influentes sobre os membros mais novos que frequentemente procuravam seus conselhos. Os membros desta Velha Guarda incluíam Christos Beest, Sinister Moon, Dark Logos e Pointy Hat, embora em 2011 tenham declarado que se retirariam da esfera pública.

Filiação:

Uma edição da revista Fenrir original da ONA.

Embora a ONA tenha declarado que não é uma organização oculta no sentido convencional, mas uma filosofia esotérica, vários acadêmicos escreveram sobre a associação à ONA. Em uma visão geral de 1995 dos grupos satanistas britânicos, Harvey sugeriu que a ONA consistia em menos de dez membros, “e talvez menos de cinco”. Em 1998, Jeffrey Kaplan e Leonard Weinberg afirmaram que os membros da ONA eram “infinitamente pequenos”, com o grupo atuando principalmente como um “ministério de correspondência”. Quanto à questão da adesão, Anton Long, em carta a Aquino datada de outubro de 1990, escreveu que “uma vez que as técnicas e a essência da ONA estão mais amplamente disponíveis, a adesão como tal é irrelevante, pois tudo está disponível e acessível … com o indivíduo assumindo a responsabilidade por seu próprio desenvolvimento, suas próprias experiências”.

Em 2013, Senholt observou que, como o grupo não possui membros oficiais, é “difícil, se não impossível, estimar o número de membros da ONA”. Senholt sugeriu que uma “estimativa aproximada” do “número total” de indivíduos envolvidos com a ONA em alguma capacidade de 1980 a 2009 era de “alguns milhares”; ele havia chegado a essa conclusão a partir de um exame do número de revistas e periódicos sobre o assunto que circulavam e do número de membros de grupos de discussão on-line dedicados à ONA. Ao mesmo tempo, ele achava que o número de “adeptos de longa data é muito menor”. Também em 2013, Monette estimou que havia mais de dois mil associados da ONA, amplamente definidos. Ele acreditava que o equilíbrio de gênero era aproximadamente igual, embora com variação regional e diferenças entre os nexos particulares. Introvigne observou que se a estimativa de Monette estivesse correta, isso significaria que a ONA é “facilmente… a maior organização satanista do mundo”.

De acordo com uma pesquisa em 2015, a ONA tem mais apoiadores do sexo feminino do que a Igreja de Satã ou o Templo de Set; mais mulheres com filhos; mais torcedores mais velhos; mais adeptos mais bem estabelecidos em termos socioeconômicos; e mais que politicamente estão mais à direita.

TERRORISMO E CRIMES ATRIBUÍDOS À ONA:

De acordo com um relatório do grupo de direitos civis Southern Poverty Law Center, a ONA “detém uma posição importante no nicho, nexo internacional de grupos neonazistas ocultos, esotéricos e/ou satânicos”. Vários jornais relataram que a O9A está ligada a uma série de figuras de alto perfil da extrema direita e que o grupo é afiliado e compartilha membros com grupos terroristas neonazistas, como a Divisão Atomwaffen e a proscrita Ação Nacional, Divisão Sonnenkrieg e Resistência Nórdica. Movimento.

Em 23 de setembro de 2019, o especialista Jarrett William Smith, 24, de Fort Riley, Kansas, foi acusado de distribuir informações relacionadas a explosivos e armas de destruição em massa. O procurador-adjunto dos EUA, Anthony Mattivi, alegou no tribunal federal que Smith distribuiu informações sobre explosivos e estava planejando assassinar agentes federais com três outras pessoas “para a glória de sua religião satanista”. Em 10 de fevereiro de 2020, Smith se declarou culpado de duas acusações de distribuição de informações relacionadas a explosivos, dispositivos destrutivos e armas de destruição em massa e foi condenado a 30 meses de prisão federal.

Um paraquedista norte-americano chamado Ethan Melzer dos Sky Soldiers da 173ª Brigada Aerotransportada, que foi designado para o 1º Batalhão, 503º Regimento de Infantaria, em Vicenza, Itália, em 2019 até 2020, planejou uma emboscada em sua unidade, “para resultar na morte de tantos de seus companheiros de serviço quanto possível.” Ele foi acusado em junho de 2020 de conspirar e tentar assassinar membros do serviço militar e fornecer e tentar fornecer apoio material a terroristas. O paraquedista foi acusado de vazar informações classificadas (incluindo a localização da unidade) para seus co-conspiradores no nexion RapeWaffen e na Ordem dos Nove Ângulos (O9A). Ele enfrenta uma sentença máxima de prisão perpétua.

Depois que Melzer foi exposto, vários outros membros ativos das forças armadas dos EUA também foram descobertos como membros da O9A. Corwyn Storm Carver foi encontrado para ser outro membro em comunicação com o grupo e na posse de parafernália e literatura O9A enquanto estacionado no Kuwait. Shandon Simpson, membro da Guarda Nacional do Exército de Ohio enviado para reprimir os distúrbios de George Floyd em Washington, D.C. defendeu abertamente as opiniões neonazistas e também foi encontrado no Rapewaffen. Simpson disse que planejava atirar nos manifestantes como parte da “guerra santa racial” e foi interceptado pelo FBI, mas só depois de já ter sido destacado.

Em janeiro de 2020, o seguidor da O9A, Luke Austin Lane e dois cúmplices foram presos por supostamente estocar armas e conspirar para matar um casal antifascista e seus filhos pequenos. Em preparação, Lane, juntamente com dezenas de outras pessoas, se envolveu em treinamento paramilitar e sacrificou um carneiro, bebeu seu sangue e consumiu drogas psicodélicas em um ritual oculto em sua propriedade.

O grupo britânico de defesa política Hope not Hate informou em março de 2020 que havia seis casos de neonazistas ligados à O9A sendo processados ​​por crimes terroristas apenas durante o ano. Um artigo de 2019 no jornal The Times afirmou que “um repórter do Times se disfarçou na plataforma de jogos Discord para se infiltrar em um grupo neonazista satanista chamado The Order of Nine Angles (O9A). O grupo encorajou abertamente atos de terrorismo e celebrou o que foi descrito como hitlerismo esotérico.” Em março de 2020, Hope not Hate iniciou uma campanha para banir a Ordem dos Nove, proscrever, como grupo terrorista, uma campanha apoiada por vários membros do Parlamento britânico, incluindo Yvette Cooper, do Partido Trabalhista, presidente do Comitê Seleto de Assuntos Internos.

Em 18 de setembro de 2020, a polícia de Toronto prendeu Guilherme “William” Von Neutegem, de 34 anos, e o acusou do assassinato de Mohamed-Aslim Zafis. Zafis era o zelador de uma mesquita local que foi encontrado morto com a garganta cortada. O Serviço de Polícia de Toronto disse que o assassinato está possivelmente ligado ao assassinato a facadas de Rampreet Singh alguns dias antes, a uma curta distância do local onde ocorreu o assassinato de Zafis. Von Neutegem é membro da O9A e contas de mídia social estabelecidas como pertencentes a ele promovem o grupo e incluíam gravações de Von Neutegem realizando cânticos satânicos. Em sua casa havia também um altar com o símbolo da O9A adornando um monólito. De acordo com Evan Balgord, da Canadian Anti-Hate Network, eles estão cientes de mais membros da O9A no Canadá e de sua organização afiliada Northern Order. A CAHN relatou anteriormente sobre a Ordem do Norte quando um membro das Forças Armadas Canadenses foi pego vendendo armas de fogo e explosivos para outros neonazistas.

Em 11 de dezembro de 2020, a BitChute, com sede no Reino Unido, removeu todo o material da O9A por violar a política antiterror do site, citando as “conexões próximas da O9A com outras organizações proscritas”. No mesmo mês, o Yahoo News adquiriu um relatório do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, o FBI e o Departamento de Segurança Interna circulou para as agências de inteligência dos EUA, avaliando que o O9A representa uma ameaça violenta e que desempenha um papel influente entre os grupos terroristas de direita. . O relatório, no entanto, acrescentou que a O9A foi rejeitada por certos grupos por incitar seus membros a cometer estupro e pedofilia. Em janeiro de 2021, após a tomada do Capitólio dos Estados Unidos em 2021, a discussão sobre a proibição de grupos de extrema direita foi renovada pelo ministro da Segurança Pública Bill Blair, e a O9A foi apontada por especialistas como um dos grupos mais perigosos do Canadá, cuja proibição é uma prioridade. Em abril de 2021, a deputada democrata Elissa Slotkin pressionou o governo de Joe Biden a designar a O9A como uma Organização Terrorista Estrangeira (FTO) em uma carta ao secretário de Estado Antony Blinken. A Divisão Sonnenkrieg foi oficialmente proscrita na Austrália em 22 de março de 2021, com sua adesão à “violenta ideologia supremacista branca inspirada no Partido Nazista e no movimento satânico ‘Ordem dos Nove Ângulos’” citado como o motivo.

As Forças Armadas do Canadá lançaram uma investigação interna em outubro de 2020, depois que um soldado das forças especiais do CJIRU foi identificado como membro da Ordem do Norte e da Ordem dos Nove Ângulos. De acordo com o SPLC, o homem está entre “algumas pessoas bem conhecidas e de alto nível nessas organizações” e um conhecido de James Mason e do ex-mestre cabo Patrik Mathews, que foi exposto anteriormente como recrutador da Ordem e Base do Norte. no Canadá. Em 1º de fevereiro de 2021, um homem da Cornualha disse ter sido o líder da filial britânica da Divisão Feuerkrieg se declarou culpado de 12 crimes de terrorismo. A polícia já havia invadido sua casa em 2019 por armas de fogo e encontrou instruções de construção de bombas e O9A literatura.

Danyal Hussein, que matou duas irmãs, Bibaa Henry e Nicole Smallman, em um parque de Wembley, em Londres, estava “intimamente associado” à Ordem dos Nove Ângulos e participou do fórum da Internet O9A. Ele matou as duas mulheres para cumprir um “pacto demoníaco”. Em resposta, a deputada Stephanie Peacock pediu ao Ministro do Interior que proíba a O9A. Na Rússia, quatro membros da Ordem dos Nove Ângulos foram presos depois que dois confessaram assassinatos rituais envolvendo canibalismo na Carélia e em São Petersburgo. Dois deles também são acusados ​​de tráfico de drogas em larga escala, pois uma grande quantidade de entorpecentes foi encontrada em sua casa.

Em 12 de agosto de 2021, Ben John foi condenado por crimes terroristas após uma investigação de 11 meses pelo Comando Antiterrorista. A declaração da polícia de Lincolnshire afirmou que “John tinha uma riqueza de material supremacista branco e anti-semita, bem como material relacionado à organização satanista chamada Ordem dos Nove Ângulos (ONA), que está cada vez mais sob o foco da aplicação da lei. ” Em outubro de 2021, o Facebook e o Instagram baniram o membro da O9A, E.A Koetting, cuja página tinha 128.000 assinantes por incitar assassinato. O Serviço de Inteligência de Segurança finlandês também destacou a O9A como fonte de radicalização e preocupação no país.

Abuso Sexual:

Alegações foram feitas por organizações antifascistas, vários políticos britânicos e a mídia de que o O9A tolera e incentiva o abuso sexual, e isso foi dado como uma das razões pelas quais o O9A deveria ser proscrito pelo governo britânico. Muitos membros da O9A veem abertamente o estupro como uma forma eficaz de minar a sociedade ao transgredir suas normas. A White Star Acception comete estupros por sua própria admissão e textos da O9A como “The Drectian Way”, “Iron Gates”, “Bluebird” e “The Rape Anthology” recomendam e elogiam o estupro e a pedofilia, até sugerindo que o estupro é necessário para “ascensão do Ubermensch”. Segundo a BBC News, “as autoridades estão preocupadas com o número de pedófilos associados à ONA”. Crianças de pelo menos 13 anos foram preparadas pelo grupo.

Ryan Fleming, da O9A nexion Drakon Covenant, com sede em Yorkshire, está atualmente na prisão pelo estupro de uma menina de 14 anos, depois de já ter sido condenado por agressão sexual e tortura de um menor. O membro da O9A, Andrew Dymock, que foi condenado por 15 crimes terroristas, também foi interrogado pela polícia sobre a agressão sexual de uma adolescente que tinha símbolos nazistas e ocultistas esculpidos em seu corpo. Em julho de 2020, outro membro da O9A, Jacek Tchorzewski, foi condenado pelo Harrow Crown Court por crimes de terrorismo e por possuir mais de 500 fotos e vídeos que retratavam crianças de seis anos sendo estupradas e necrofilia. Tchorzewski também possuía nazi e “literatura satanista retratando estupro e pedofilia”. O co-réu de Tchorzewski, Michal Szewczuk, “administrou um blog que incentivava o estupro e a tortura de oponentes, incluindo crianças pequenas” e também foi condenado a quatro anos de prisão por crimes terroristas. Ethan Melzer também pertencia a uma sala de bate-papo criptografada da O9A, onde os membros encorajavam uns aos outros a cometer violência sexual e compartilhavam vídeos desses estupros. Em novembro de 2019, um adolescente de Durham que, de acordo com a BBC News, adere ao “nazismo oculto” e “influenciado pela ONA, procurou se alterar de acordo com sua literatura” foi considerado culpado de preparar um ataque terrorista. Além dos crimes terroristas, ele é acusado de agredir sexualmente uma menina de 12 anos. Ele acabou sendo condenado por cinco agressões sexuais, além dos crimes de terrorismo.

Em março de 2020, um proeminente membro da O9A e ex-líder da Divisão Atomwaffen John Cameron Denton foi acusado pelos promotores de possuir e compartilhar pornografia infantil de abuso sexual de uma jovem menor de idade por seu grupo, além de fazer 134 ameaças de morte e bomba contra repórteres. e comunidades minoritárias. Em 2 de setembro de 2020, outro membro Harry Vaughan se declarou culpado de 14 crimes de terrorismo e posse de pornografia infantil. Uma busca policial em sua casa descobriu vídeos de estupros brutais de crianças, documentos mostrando como construir bombas, detonadores, armas de fogo e livros “satânicos, neonazistas” da ONA aconselhando estupro e assassinato. Além disso, ele foi descrito no Old Bailey como um entusiasta de armas de fogo e vivendo com suas duas irmãs no momento da prisão. Cinco finlandeses também foram presos por abusar sexualmente de várias crianças, segundo a polícia as atividades envolviam “nazismo e satanismo” e consumo de metanfetamina.

Em Montenegro:

O Astral Bone Gnawers Lodge (comumente conhecido como ABG Lodge) é uma afiliada da ONA (“nexion”) que opera nos Balcãs. Na comunidade virtual da ONA o ABG Lodge tem status de nexion de destaque, conhecido por seu projeto musical Dark Imperivm, bem como por seus ensaios polêmicos. Eles são um dos poucos nexions que fizeram e publicaram gravações de vários Cantos Sinistros da ONA.

A ABG Lodge está estruturada como uma sociedade secreta tradicional, liderada por uma matriarca conhecida como ‘Blood Mistress’. ABG Lodge relata que sua fundadora é ‘Zorya Aeterna’, que também é a atual força motriz por trás da organização. Os membros da Loja ABG afirmam que a loja também se baseia nas tradições herméticas e iniciaram sua própria igreja chamada Igreja Gnóstica de Cristo-Lúcifer.

A Ramificação The Legion Ave Satan:

Os Serviços de Segurança Federal da Rússia prenderam um grupo de satanistas em abril de 2020 em Krasnodar suspeitos de “chamadas públicas para realizar atividades extremistas”, incitação ao assassinato devido ao ódio religioso e racial e atividades criminosas contra mulheres. A polícia também apreendeu “material extremista” oculto durante as batidas. Eles pertenciam a um grupo chamado Legion Ave Satan, um capítulo da O9A, usando o Reichsadler nazista segurando um pentagrama e uma espada como seu símbolo. Em sua página VKontakte agora banida, eles reivindicaram nexions em todos os países da CEI, promoveram a O9A e se identificaram como seguidores do “satanismo tradicional” e da “fé pré-cristã”. Eles apareceram pela primeira vez na mídia russa em 2018, quando um adolescente incendiou uma igreja na República da Carélia. O adolescente expressou seu apoio à Legion Ave Satan no VKontakte e postou fotos usando uma máscara de caveira associada à Atomwaffen e à O9A. Ele foi enviado para tratamento psiquiátrico involuntário. O nexion local usava uma antiga granja de aves em Kondopoga para reuniões, e o grupo atraiu crianças para a prostituição de acordo com Moskovskij Komsomolets. Como é o caso em outros lugares, o grupo está conectado ao capítulo local da Atomwaffen. Quatro membros russos da Ordem dos Nove Ângulos foram presos por assassinatos rituais na Carélia e em São Petersburgo.

O LEGADO E A INFLUÊNCIA DA ONA:

A principal influência da ONA não está no grupo em si, mas no lançamento prolífico de material escrito. De acordo com Senholt, “a ONA produziu mais material sobre os aspectos práticos e teóricos da magia, bem como mais textos ideológicos sobre o satanismo e o Caminho da Mão Esquerda em geral, do que grupos maiores como a Igreja de Satã e o Templo of Set produziu em conjunto o que torna a ONA um importante ator na discussão teórica do que é e deve ser o Caminho da Mão Esquerda e o Satanismo de acordo com os praticantes”.

Esses escritos foram inicialmente distribuídos para outros grupos satanistas e neonazistas, embora com o desenvolvimento da Internet isso também tenha sido usado como meio para propagar seus escritos, com Monette afirmando que eles alcançaram “uma presença considerável no ciberespaço oculto”, e tornando-se assim “um dos grupos mais proeminentes do Caminho da Mão Esquerda em virtude de sua presença pública”. Muitos desses escritos foram então reproduzidos por outros grupos. Kaplan considerou a ONA como “uma importante fonte de ideologia/teologia satânica” para “a margem ocultista do nacional-socialismo”, ou seja, grupos neonazistas como a Ordem Negra. O grupo ganhou maior atenção após o crescimento do interesse público no impacto de Myatt em grupos terroristas durante a Guerra ao Terror nos anos 2000. O historiador do esoterismo Dave Evans afirmou que a ONA era “digna de uma tese de doutorado inteira”, enquanto Senholt afirmou que seria “potencialmente perigoso ignorar esses fanáticos, por mais limitados que sejam seus números”.

Na Música e na Literatura:

A influência da ONA estende-se a algumas bandas de black metal como Hvile I Kaos, que segundo uma reportagem da secção de música do LA Weekly, “atribuem o seu propósito e temas às filosofias da Ordem dos Nove Ângulos”, embora a partir de dezembro de 2018 o a banda não está mais envolvida com a ONA. A banda francesa Aosoth tem o nome de uma divindade O9A e tem influência lírica direta do O9A. O álbum Intra NAOS da banda italiana Altar of Perversion tem o nome do ensaio O9A NAOS: A Practical Guide to Modern Magick e mostra o próprio caminho dos membros da banda através do Numminous Way. Algumas músicas associadas ao O9A também foram controversas; The Quietus publicou uma série de artigos durante 2018 explorando as conexões entre a política de extrema direita, a música e a ONA. Filósofo inglês, contista de terror e “pai do aceleracionismo” Nick Land também promoveu o grupo em seus escritos.

Na série de romances de Jack Nightingale de Stephen Leather, uma satânica “Ordem dos Nove Ângulos” são os principais antagonistas. Da mesma forma, um grupo satânico fictício chamado “Ordem dos Nove Anjos” aparece no romance de 2013 de Conrad Jones, Child for the Devil. Em outro de seus romances, Black Angel, Jones incluiu uma página intitulada “Informações Adicionais” dando um aviso sobre a Ordem dos Nove Ângulos.

No primeiro episódio da história em quadrinhos Zenith a antagonista Greta Haas, uma ocultista nazista, realiza um ato demoníaco chamado “O Ritual dos Nove Ângulos”.

Nota:

A ONA usou o termo Satanismo Tradicional em seu Black Book of Satan (Livro Negro de Satã), publicado em 1984. Desde o estabelecimento da ONA, o termo “Satanismo Tradicional” também foi adotado por grupos satanistas teístas como a Brotherhood of Satan (Irmandade de Satã). Faxneld sugeriu que a adoção da palavra “tradicional” pela Ordem possivelmente refletiu uma “estratégia consciente para construir legitimidade”, remetendo à “sabedoria antiga arcana” de uma maneira deliberadamente distinta da maneira pela qual Anton LaVey procurou ganhar legitimidade para sua Igreja de Satã  apelando para a racionalidade, ciência e seu próprio carisma pessoal. Em outro lugar, Faxneld sugeriu que o uso do “satanismo tradicional” pela ONA para se diferenciar das formas dominantes de satanismo tinha comparações com a forma como aqueles que se descrevem como praticantes de “feitiçaria tradicional” o fazem para distinguir suas práticas mágico-religiosas da forma dominante de bruxaria moderna, Wicca. Segundo Anton Long, escrevendo no texto Selling Water By The River “O Satanismo Tradicional é um termo usado para descrever o caminho sinistro que durante séculos foi ensinado individualmente… A este caminho pertence o Sistema Setenário, o Canto Esotérico e o treinamento abrangente de noviços (incluindo o desenvolvimento do lado físico) e, mais importante, o sistema interno de magia (os Rituais de Grau etc.).”

Dados da ONA:

A ONA foi fundada em Shropshire, no Reino Unido. Ela tem estado em atividade dos anos 1960 até os dias de hoje. Ela possui grupos na Europa, Rússia, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Seus quartéis-generais estão localizados em: Shropshire (Reino Unido), Carolina do Sul (EUA), Carélia (Rússia), Colúmbia Britânica (Canadá) e Tampere (Finlândia).

À ONA são atribuídas as seguintes atividades criminais: Terrorismo de supremacia branca, abusos sexuais, abuso sexual infantil e prostituição infantil.

Os supostos aliados da ONA são: Atomwaffen Division, Black Order, Combat 18, National Action e Nordic Resistance Movement. A ONA tem como rivais a Igreja de Satã e o Templo de Set.

Os membros mais notáveis da ONA são: Jarrett Smith, Garron Helm, Jacek Tchorzewski, Andrew Dymock, Ethan Melzer, Nikola Poleksić e Mirna Nikčević.

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Order of Nine Angles blog

Fenrir. Journal of Satanism and the Sinister

O9A Archive. An Archive of the Order of Nine Angles

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-historia-e-as-polemicas-da-ordem-dos-nove-angulos/

Os Pobres Cavaleiros de Cristo

No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos “infiéis” muçulmanos a glória dos atos de bravura e consagração, viajaram à Palestina. Eram os Soldados do Cristianismo, disputando a golpes de espada as relíquias sagradas que os fanáticos retinham e profanavam. Balduíno II reinava em Jerusalém, os acolheu, e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde as ruínas compostas de blocos de mármore e de granito, indicavam as ruínas de um Grande Templo.

Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo em que o gênio artístico dos fenícios se revelava. Destruído pelos caldeus, reconstruído por Zorobabel e ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo. Arrasado novamente pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Foi neste Templo que se originou a tragédia de Hiran?, cuja lenda a Maçonaria incorporou. Exteriormente, antes da destruição pelos romanos no ano 70 de nossa era, o Templo era circundado por dois extensos corredores excêntricos, ocupando um gigantesco quadrilátero em direção ao Nascente, a esquerda ficava o átrio dos Gentios e à direita o dos Israelitas, além das estâncias reservadas às mulheres, e aos magos sacerdotes, a que se seguia o Santuário propriamente dito, tendo ao centro o Altar dos Holocaustos.

Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela inspiração divina e sensação do mistério que pairava sobre estas ruínas, passaram a explora-las, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Cabala. Entraram numa extensa galeria que os conduziu até junto de uma porta chapeada de ouro por detrás da qual poderia estar o que durante dois milênios se constituíra no maior Segredo da Humanidade. Uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.

Os “infiéis do Crescente” eram seres vivos e contra eles, Os Templários, com a cruz e a espada realizavam prodígios de valentia. Ali dentro, porém, não era a vida que palpitava, e sim os aspectos da Morte, talvez deuses sanguinários ou potestades desconhecidos contra as quais a força humana era impotente, isto os fez estremecer. Hugo de Paynes, afoito, bateu com o punho da espada na porta e bradou em alta voz: – EM NOME DE CRISTO, ABRI!! E o eco das suas palavras se fez ouvir: EM NOME DE CRISTO…enquanto a enorme porta começou abrir, ninguém a estava abrindo, era como se um ser invisível a estivesse movendo e se escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de estranhas figuras, umas delicadas e outras, aos seus olhos monstruosas, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD.

Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão. A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica e Teogâmica a KABBALAH.

Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ele é o emblema da Força Criadora e da Matéria Cósmica. É a Tríade que representa a Alma Solar, a Alma do Mundo e a Vida. é a Unidade Perfeita. Um raio de Luz intensa ilumina então àqueles espíritos obscecados pela idéia da luta, devotados à supressão da vida de seres humanos que não comungassem com os mesmos princípios religiosos que os levou à Terra Santa. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Jetzira propõe ao entendimento humano. Simbolizando o Absoluto, o Triângulo representa o Infinito, Corpo, Alma, e Espírito. Fogo Luz e Vida. Uma nova concepção que pouco a pouco dilui e destrói a teoria exclusivista da discriminação das divindades se apossa daqueles espíritos até então mergulhados em ódios e rancores religiosos e os conclama à Tolerância, ao Amor e a Fratenidade entre todos os seres humanos.

A Teosofia da Kabbalah exposta sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dá aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE? Entre as figuras, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura monstruosa, e atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas. Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já a concepção dos Templários acerca da idéia de Deus não era muito católica.

A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência a inicial que no centro do Triângulo simbolizava a unidade perfeita: YOD. Cavaleiros francos, normandos, germânicos, portugueses e italianos acudiram a engrossar as fileiras da Ordem que dentro em pouco se convertia na mais poderosa Ordem do século XII. Mas a Ordem tornara-se tão opulenta de riquezas, tão influente nos domínios da cristandade que o Rei de França Felipe o Belo decretou ao Papa para expedir uma Bula confiscando todas suas riquezas e enviar seus Cavaleiros para as “Santas” fogueiras da Inquisição. Felipe estava atento. E não o preocupava as interpretações heréticas, o gnosticismo. Não foram portanto, a mistagogia que geraram a cólera do Rei de França e deram causa ao monstruoso processo contra os Templários.

Foi a rapacidade de um monarca falido para quem a religião era um meio e a riqueza um fim. Malograda a posse da Palestina pelos Cruzados, pelo retraimento da Europa Cristã e pela supremacia dos turcos muçulmanos, os Templários regressam ao Ocidente aureolados pela glória obtidas nas batalhas de Ascalão, Tiberíade e Mansorah. Essas batalhas, se não consolidaram o domínio dos Cristãos na Terra Santa, provocaram, contudo, a admiração das aguerridas hostes do Islam (muçulmanos), influindo sobre a moral dos Mouros que ocupavam parte da Espanha. Iniciam entre os Templários o culto de um gnosticismo eclético que admite e harmoniza os princípios de várias religiões, conciliando o politeísmo em sua essência com os mistérios mais profundos do cristianismo. São instituídas regras iniciáticas que se estendem por sete graus, que vieram a ser adotados pela Franco Maçonaria Universal (três elementares, três filosóficos e um cabalístico), denominados “Adepto”, “Companheiro”, “Mestre Perfeito”, “Cavaleiro da Cruz”, “Intendente da Caverna Sagrada”, “Cavaleiro do Oriente”e “Grande Pontífice da Montanha Sagrada”.

A Caverna Sagrada era o lugar Santo onde se reuniam os cavaleiros iniciados. Tinha a forma de um quadrilátero (quadrado) perfeito. O ORIENTE representava a Primavera, o Ar, Infância e a Madrugada.O MEIO DIA (Sul), o Estio, o Fogo e a Idade adulta. O OCIDENTE, o Outono, a Água, o Anoitecer. O NORTE, a Terra, o Inverno, a Noite. Eram as quatro fases da existência. O Fogo no MEIO DIA simbolizava a verdadeira iniciação, a regeneração, a renovação, a chama que consumia todas as misérias humanas e das cinzas, purificadas, retirava uma nova matéria isenta de impurezas e imperfeições. No ORIENTE, o Ar da Madrugada vivificando a nova matéria, dava-lhe o clima da Primavera em que a Natureza desabrochava em florações luxuriantes, magníficas acariciando a Infância. Vinha depois o OUTONO, o Anoitecer, o amortecer da vida, a que a Água no OCIDENTE alimentava os últimos vestígios desta existência. O NORTE, marca o ocaso da Vida. A Terra varrida pelas tempestades e cobertas pela neve que desolam e que matam, é o Inverno que imobiliza, que entorpece e que conduz à Noite caliginosa e fria a que não resiste a debilidade física, a que sucumbe a fragilidade humana.

E é no contraste entre o Norte e o Meio Dia que os Templários baseiam o seu esoterismo, alertando os iniciados da existência de uma segunda vida. Nada se perde: Tudo se Transforma. …Vai ser iniciado um “Cavaleiro da Cruz”. O Grande Pontífice da Montanha Sagrada empunha a Espada da Sabedoria, e toma lugar no Oriente. Ao centro do Templo, um pedestal que se eleva por três degraus, está a grande estátua de Baphomet, símbolo da reunião de todas as forças e de todos os princípios (Masculino e Feminino, A Luz e as Trevas, etc…) como no Livro da Criação, a Sepher-Jetzira Livro mor da Cabala. No peito amplo da estranha e colossal figura, a Cruz, sangrando,imprime à Rosa Branca um róseo alaranjado que pouco a poco toma a cor de sangue. É a vida que brota da união dos princípios opostos.

Por cima da Cruz, a letra “G”. O iniciado, Mestre Perfeito, já conhece muito bem o significado dessa letra que na mudez relativa desafia a que a interpretação na sua nova posição, junto ao Tríplice Falus, na sua junção com a Rosa-Cruz mística. “A Catequese Cristã é apenas, como o leite materno, uma primeira alimentação da Alma; o sólido banquete é a Contemplação dos Iniciados, carne e sangue do Verbo, a compreensão do Poder e da Quintessência divina.” “O Gnóstico é a Verdadeira Iniciação; e a Gnose é a firme compreensão da Verdade Universal que, por meio de razões invariáveis nos leva ao conecimento da Causa…” “Não é a Fé, mas sim a Fé unida as Ciências, a que sabe discernir a verdadeira da falsa doutrina. Fiéis são os que apenas literalmente crêem nas escrituras. Gnósticos, são os que, profundando-les o sentido interior, conhecem a verdade inteira.” “Só o Gnóstico é por essência, piedoso.” “O homem não adquire a verdadeira sabedoria senão quando escuta os conselhos duma voz profética que lhe revela a maneira porqur foi, é, e será tudo quanto existe.” O Gnosticismo dos Templários é uma nova mística que ilumina os Evangelhos e os interpreta à Luz da Razão Humana.

* * * …O Mestre Perfeito entra de olhos vendados, até chegar ao pedestal de Baphomet. Ajoelha e faz sua prece: “Grande Arquiteto do Universo Infinito, que lês em nossos corações, que conheces os nossos pensamentos mais íntimos, que nos dá o livre arbítrio para que escolhamos entre a estrada da Luz e das Trevas.” “Recebe a minha prece e ilumina a minha alma para que não caia no erro, para que não desagrade à vossa soberana vontade” “Guiai-me pelo caminho da Virtude e fazei de mim um ser útil à Humanidade”. Acabada a prece, o candidato levanta-se e aguarda as provas rituais que hão de conduzí-lo a meta da Verdade. …O GRANDE PONTÍFICE TEMPLÁRIO interroga o candidato a “Cavaleiro da Cruz”em tom afetivo e paternal: “Meu Irmão, a nossa Ordem nasceu e cresceu para corrigir toda espécie de imperfeição humana”. “A nossa consciência é que é o juiz das nossas ações. A ignorância é o verdadeiro pecado. O inferno é uma hipótese, o céu uma esperança”. “Chegou o momento de trocarmos as arma homicidas pelos instrumentos da Paz entre os Homens.

A missão do Cavaleiro da Cruz é amar ao próximo como a si mesmo. As guerras de religião são monstruosidades causadas pela ignorância, geradas pelo fanatismo. As energias ativas devemos orientá-las no sentido do Amor e da Beleza; mas não se edifica uma obra de linhas esbeltas sem um sentimento estético apolíneo que só se adquire pelo estudo que conduz ao aperfeiçoamento moral e espiritual”. “O homem precisa Crer em algo. Os primitivos cultuavam os Manes. Os Manes eram as almas humanas desprendidas pela morte da matéria e que continuavam em uma nova vida”. “Onde iriam os primitivos beber a idéia da alma? Repondei-me, se sois um Mestre Perfeito Templário”. “- Nos fenômenos psíquicos que propiciam aparições, nas ilações tiradas dos sonhos, e na percepção”. “-Acreditais que os mortos se podem manifestar aos vivos?” “- Sim. Acredito que a Alma liberta do invólucro físico sobe a um plano superior, se sublima, e volve ao mundo para rever os que lhe são simpáticos, segundo a lei das afinidades”. “- Acreditais na ressurreição física de Cristo?” “- Não.” “- Acreditais na Metempsicose (Lei de Transmigração das Almas)?” “- Sim. A semelhança das ações, dos sentimentos, dos gestos e das atitudes que podemos observar em determinados seres não resultam apenas da educação mas da transmigração das almas. Essa transmigração não se opera em razão hereditária”. “- Acreditai que a morte legal absolve o assassino? Que o Soldado não é responsável pelo sangue que derrama”? “- Não acredito”. ” – Atentai agora nas palavras do Cavaleiro do Ocidente que vos dirá os sentidos que imprimimos no ao Grau de Cavaleiro da Cruz”. “A Ordem do Templo criou uma doutrina e adquiriu uma noção da moral humana que nem sempre se harmoniza com as concepções teológicas cristãs apresentadas como verdades indiscutíveis.

Por isso nos encontramos aqui, em caráter secreto, para nos concentrarmos nos estudos transcendentes por meio do qual chegaremos à Verdadeira Harmonia.” “As boas obras dependem das boas inclinações da vontade que nos pode conduzir à realização das boas ações. A intuição é que leva os homens a empreender as boas ações. Quando o Grande Pontífice vos falou do culto dos primitivos, ele definiu a existência de uma intuição comum a todos os seres humanos.” “Assim como por detrás das crenças dos Atlantes havia a intuição que indicava a existência de um Ser Supremo, o Grande Arquiteto responsável pela construção do Universo, também existia nesses povos um sentimento inato do Bem e do Belo, e um instinto de justiça que era a base de sua Moral.” “A Ciência nos deu meios de podermos aperfeiçoar a Moral dos antigos, mas a inteligência nos diz que além da Ciência existe a Harmonia Divina”. “Das ações humanas, segundo Platão, deverá o homem passar à Sabedoria para lhe contemplar a Beleza; e, lançado nesse oceano,procriará com uma inesgotável fecundidade as melhores idéias filosóficas, até que forte e firme seu espírito, por esta sublime contemplação, não percebe mais do que uma ciência: a do Belo”. Estavam findas as provas de iniciação.

O iniciado dirigia-se então para o Altar dos Holocaustos, onde o Sacrificador lhe imprime a Fogo, sobre o coração, o emblema dos Cavaleiro do Templo. …Foi nessa intervenção indébita de Roma que influiu poderosamente para que a “Divina Comédia” de Dante Alighieri fosse o que realmente é – uma alegoria metafísico-esotérica onde se retratam as provas iniciáticas dos Templários em relação à imortalidade. Na DIVINA COMÉDIA cada Céu representa um Grau de iniciação Templário. Em contraste com o Inferno, que significa o mundo profano, o verdadeiro Purgatório onde devem lapidar-se as imperfeições humanas, vem o Último Céu a que só ascendem os espíritos não maculados pela maldade, isentos de paixões mesquinhas, dedicados à obra do Amor, da Beleza e da Bondade. É lá o zênite da Inteligência e do Amor. A doutrína Iniciática da Ordem do Templo compreende a síntese de todas as tradições iniciáticas, gnósticas, pitagóricas, árabes, hindus, cabires, onde perpassam, numa visão Cosmorâmica todos os símbolos dos Grandes e Pequenos mistérios e das Ciências Herméticas: A Cruz e a Rosa, o Ovo e a Águia, as Artes e as Ciências, sobretudo a Cruz, que para os Templários, assim como para os Maçons seus verdadeiros sucessores, era o símbolo da redenção humana. Dante Alighieri e sua Grande Obra: A Divina Comédia, foi o cronista literário da Ordem dos Cavaleiros do Templo. Os Templários receberam da Ordem do Santo Graal o esquema iniciático e a base esotérica que serviu de base para seu sistema gnóstico.

Pois o que era a Cavalaria Oculta de Santo Graal senão um sistema legitimamente Maçônico ainda mal definido, mas já adaptado aos princípios da Universalização da Fraternidade Humana? O Santo Graal significava a taça de que serviu Jesus Cristo na ceia com os discípulos, e na qual José de Arimathéa teria aparado o sangue que jorrava da ferida de Cristo produzida pela lança do centurião romano. Era a Taça Sagrada que figurava em todas as cerimônias iniciáticas das antigas Ordens de Cavaleiros que possuiam graus e símbolos misteriosos, e que a Maçonaria moderna incorporou em seus ritos, por ser fatal aos perjuros.

Os Templários adotavam-na na iniciação dos Adeptos e dos Cavaleiros do Oriente, mas ela já aparece nas lendas do Rei Arthur, nos romances dos Cavaleiros da Távola Redonda, que eram de origem céltica, e que a própria Igreja Católica a introduziu no ritual do cálice que serve no sacrifício da missa. No Grau de Cavaleiro do Oriente,os Templários figuram um herói: Titurel, Cavaleiro da Távola Redonda, que desejando construir um Templo onde depositar o Cálice Sagrado, engcarregara da construção o profeta Merlin, que idealizou um labirintocomposto de doze salas ligadas por um sistema de corredores que se cruzavam e recruzavam, como no labirinto de Creta onde o Rei Minos escondia o Minotauro(Mit.Grega).

O Postulante Templário tinha de entrar em todas as salas, uma só vez, para receber a palavra de passe, e só no fim dessa viagem podia ascender ao grau que buscava. Mas se em Creta, Theseu tivera o fio de ouro de Ariadne, para chegar ao Minotauro, no Templo dos Cavaleiros do Oriente, o candidato apenas podia se orientar por uma chave criptográfica composta de oitenta e uma combinações (9×9) o que demandava muito esforço de raciocínio e profundos conhecimentos em matemática. A Ciência dos Números tinha para os Templários um significado profundo.

Os Grandes Iniciados, comos os Filósofos do Oriente, descobriram os mais íntimos segredos da natureza por meio dos números, que consideravam agradáveis aos Deuses. Mas tinha grande aversão aos números pares. O Grande Alquimista Paracelso dizia que os números continham a razão de todas as coisas. Eles estavam na voz, na Alma, na razão, nas proporções e nas coisas divinas. A Ordem dos Cavaleiros do Templo, cultuava a Ciência dos Números no Grau de Cavaleiro do Oriente, ensinando que a Filosofia Hermética contava com TRÊS mundos: o elementar, o celeste e o intelectual. Que no Universo havia o espaço, a matéria e o movimento. Que a medida do tempo era o passado, o presente e o futuro; e que a natureza dispunha de três reinos: animal, vegetal e mineral; que o homem dispunha de três poderes harmônicos: o gênio, a memória e a vontade. Que o Universo operava sobre a eternidade e a imensidade movida pela onipotência. A sua concepção em relação à Deus, o Grande Arquiteto do Universo, era Sabedoria, Força e Beleza.

A Maçonaria criou uma expressão própria para os Altos Graus: Sabedoria, Estabilidade e Poder. Tudo isto provinha do Santo Graal, a que os Templários juntavam que, em política, a grandeza e a duração e a prosperidade das nações se baseavam em três pontos primordiais: Justiça dos Governos, Sabedoria das Leis e Pureza dos Costumes. Era nisso que consistia a arte de governar os povos. As oitenta e uma combinações que levavam o candidato ao Templo de Cavaleiro do Oriente tinha por base o sagrado numero Três, sagrado em todas as corporações de caráter iniciático.

O Triângulo encontrado no Templo de Salomão era uma figura geométrica constituída pela junção de Três linhas e a letra YOD no centro significava a sua origem divina. Todas as grandes religiões também têm como número sagrado o Três. A Católica, exprimindo-o nas pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) nos dias que Cristo passou no sepulcro, nos Reis Magos, e nas vezes que São Pedro negou o mestre. Nos Grandes Mistérios Egípcios, temos a Grande Trindade formada por Ísis, Osíris e Hórus. Entre os Hindus temos a Trimurti, constituída de Brahama, Shiva e Vishnu personificando a Criação, a Conservação e a Destruição. Em todas elas, como no racionalismo, nós encontramos como elementos vitais a Terra, a Água e o Sol.

Foi, portanto, baseada nas grandes Religiões e no Gnosticismo dos Templários, que por sua vez se inspirou no da Cavalaria Oculta do Santo Graal, que a Maçonaria adotou como símbolo numerológico de vários graus o número três, que se vai se multiplicando na vida maçônica dos iniciados até a conquista da Sabedoria, da Força e da Beleza. …Os Graus na Ordem do Templo eram Sete, como o é na Maçonaria Moderna Universal. Este número era também, junto com o Três, estremamente sagrado para os antigos. Era considerado o Número dos Números. Ele representava os Sete Gênios que assistiam o Grande Mitra, Deus dos Persas, e figurava igualmente os Sete pilotos de Osíris. Os Egípcios o consideravam o símbolo da Vida. Haviam Sete Planetas e são Sete as fases da Lua. Sete foram os casais encerrados na arca de Noé, que parou sete meses depois do dilúvio, e a pomba enviada por Noé só recolheu depois de sete dias de ausência. Foram sete as pragas que assolaram o Egito e o povo hebraico chorou sete sias a morte de Jacob, a quem Esaú saudara por sete vezes. A Igrja Católica reconhece Sete pecados capitais e instituiu os sete sacramentos. Para os muçulmanos existem sete céus. Deus descansou ao sétimo dia da criação. Sete eram as Ciências que os Templários transmitiam nos sete graus iniciáticos: A Gramática, a Retórica, a Lógica, a Aritmética, a Geometria , a Música e a Astronomia. Sete eram também os Sabios da Grécia. Apollo nasceu no dia sete do mes sete e sete era seu número sagrado. … Harmonizando todas as Doutrinas, os Templários fugiam ao sentido fúnebre e superficial do catolicismo para se refugiarem em outros mistérios que entoavam Hinos à Vida.

O argumento para a iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada foram buscá-lo à velha Frígia , Grécia, aos Mistérios dos Sabázios. Para os Gregos, Demeter (ou Ceres para os romanos) deu à luz a Perséfone, a quem Zeus (ou Júpiter) viola, e para isso se transforma em serpente. O Deus, atravessando o seio é a fórmula usada nos mistérios dos Sabázios: assim se chama a serpente que escorrega entre os vestígios dos iniciádos como para lembrar a impudicícia de Zeus. Perséfone dá a Luz a um filho com face de touro. O culto dos Sabázios que servia de tema às iniciações Templárias de Quinto Grau, impressionara o gênio grego mas era um intruso em sua religião, e contra ele se levantaram Aristóphanes e Plutarco. Era um Culto Orgíaco, mas não era disso que se queixavam os gregos, que também tinham o culto de Cybele e arvoravam em divindades as suas formosas hetairas (prostitutas sagradas do Templo) como o demonstra no túmulo da hetaira Tryphera: “Aqui jaz o corpo delicado de Tryphera, pequena borboleta, flor das voluptuosas hetairas, que brilhava no santuário de Cybele, e nas suas festas ruidosas, suas falas e gestos eram cheios de encantos” A iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada realizava-se no mês de Maio, o mês das flores, com o Templo dedicado à natureza, porque o Quinto Grau de Iniciação Templária era um hino à renovação periódica da vida, dentro do Princípio Alquímico que admitia a Transmutação das substâncias e a renovação das células por um sistema circular periódico, vivificante, em que tudo volta ao ponto de partida, OUROBOROS.

O Grande Pontífice da Montanha Sagrada encarnava o papel do Sabázio, o Deus Frígio que figurava as forças da natureza e as movia no sentido da renovação e da regeneração humana. A seus pés, de aspecto ameaçador estava a Serpente Sagrada, símbolo da regeneração e renovação pela mudança periódica de pele. À esquerda, coroada de flores e folhas verdes, cabelos soltos saindo de um emblema de estrelas, tendo ao peito nu, uma trança de papoulas, símbolo da fecundidade, nas orelhas brincos de três rubis e no braço esquerdo arqueado, o crivo místico das festividades de Elêusis, que três serpentes aladas acariciavam, a Grande Estátua de Deméter, personificação da Terra, e das forças produtoras da natureza. À direita, envergando uma cumprida túnica, severa e majestosa, Hera(ou Juno) a imponente Deusa do Olimpo, Esposa de Zeus, estende aos postulantes a taça do vinho celeste que contém em si o espírito da força indomável do sado com a reflexão e com a temperança. As provas, neste Grau, dirigiam-se no sentido da imortalidade da alma, e também no rejuvenescimento físico. Deméter estendia a sua graça sobre o gênero humano para que os iniciados compreendessem que as forças da natureza reuniam a própria essência da Divindade.

Eram elas que impulsionavam a vida, que renovavam as substâncias nos ciclos mais críticos e que podiam levar o homem à Imortalidade. Hera velava do Olimpo e Sabázio conduzia o fogo sagrado. Apenas os profundamente convictos, isentos de dúvidas e fortes em sua crença de que acima da natureza só existia a própria natureza evoluída é que recebiam a consagração da investidura do Grau. “A natureza mortal procura o quanto pode para se tornar imortal. Não há, porém, outro processo senão o do renascimento que substitui um novo indivíduo a um indivíduo acabado.” “Com efeito, apesar de dizer do homem que vive do nascimento até a morte, e que é o mesmo durante a vida , a verdade é que não o é, nem se conserva no mesmo estado, nem o compõe a mesma matéria.” “Morre e nasce sem cessar, nos cabelos, na carne, nos ossos, no sangue, numa palavra: em todo seu corpo e ainda em sua alma.” “Hábitos, opiniões, costumes, desejos, prazeres, jamais se conservam os mesmos. Nascem e morrem continuamente.” “Assim se conservam os seres mortais. Não são constantemente os mesmos, comos os seres divinos e imortais. E aquele que acaba, deixa em seu lugar um outro semelhante.” “Todos os mortais participam da imortalidade, no corpo e em tudo o mais.

Por Paulo Benelli

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-pobres-cavaleiros-de-cristo

Ilha de Páscoa

“Terra à vista!” – Em um grito súbito, o vigia da gávea da galeota holandesa De Afrikaanske Galei chamava a atenção do comandante comodoro Jacob Roggeveen. Aproximavam-se de uma ilha que não constava no mapa. Eram seis horas da tarde, num domingo de páscoa de 1722.

Com o Sol já se pondo, o comodoro chega em tempo de avistar ao longe, no litoral, enormes gigantes, os quais, sobre longas muralhas de pedra, pareciam dispostos a evitar o desembarque. Resolveu então ancorar ali mesmo e esperar a claridade da manhã seguinte para tomar uma decisão.

Ao amanhecer, com seus “óculos de alcance” avistaram gente normal se movimentando entre os gigantes. Tinham se assustado com estátuas. Decidiram então desembarcar, após batizarem a ilha em homenagem à data de sua descoberta.

Ao desembarcar, o movimento dos nativos, que curiosos correram em massa para saudar os desconhecidos, assustou os europeus, que de imediato, abriram fogo contra eles, matando doze e ferindo muitos outros.

Ao chegar no interior da ilha, Roggeveen descobriu que o que pareciam ser muralhas, eram na verdade longas e maciças plataformas de pedras onde se enfileiravam centenas de figuras feitas em pedra (monolíticas) esculpidas apenas da cintura para cima, todas adornadas com um capacete cônico vermelho. Roggeveen foi o primeiro e o útimo europeu a admirar as estátuas em seu perfeito estado.

Após sua partida, passaram-se 50 anos antes que outros europeus pisassem em Hapa Nui, como os habitantes a chamavam. E quando assim o fizeram, trouxeram consigo doenças, desgraça, violência e morte para os habitantes desta ilha. Nada de muito espantoso comparado ao costume europeu de levar a desgraça a todas as civilizações primitivas que encontravam, em nome de seus reis, sua ganância e sua igreja.

E assim, nos anos seguintes, os habitantes conviveram com toda a sorte de aventureiros e exploradores até que em 1862, os habitantes da ilha sofreram o golpe final. Traficantes de escravos levaram embora seu rei, seus ministros, toda a sua casta e todos os homens válidos para trabalhar nas estrumeiras de Guano, no litoral do Peru. Mais tarde, quando o governo peruano decidiu deter o tráfico, somente 15 deles estavam vivos. Estes foram levados de volta à sua ilha, e ajudaram a dizimar a população restante com as doenças trazidas consigo. Das 4 mil pessoas estimadas estarem na ilha a época de seu descobrimento, em 1862 restavam apenas 111.

Toda uma cultura destruida em menos de 2 séculos. Os documentos escritos, por meio de tabuinhas gravadas com hieróglifos foram achados pelos missionários e destruidos em nome da Santíssima Igreja, na ordem de dissipar os cultos pagãos.

As estátuas presentes, esculpidas em lava porosa, em alguns casos, retirada a quilômetros de distância na base de vulcões extintos na ilha, fazem um total de 300. Cada uma tem em média 4 metros de altura e pesa umas 30 toneladas. Existe ainda uma maior, inacabada, a qual deveria ter uns 20 metros de altura e 50 toneladas. Hoje, os gigantes de pedra que Roggeveen descrevera em seu livro de bordo encontram-se todos tombados, destroçados e com seus capacetes quebrados.

Vale ressaltar que os colonizadores quando lá chegaram, se depararam com um fato curioso, para não dizer bizarro: nas minas junto ao vulcão, encontraram diversas estátuas inacabadas e ferramentas largadas ao acaso, como se todos ali tivessem saído para um almoço, e nunca tivessem retornado. Sua história, seus costumes, seu passado já não mais se encontrava presente na memória de seus habitantes. Foi preciso anos de estudo e de pesquisa para se levantar o que hoje se sabe.

Os nossos conhecimentos se baseiam na lenda do rei Hotu-Matua, que diz: “…Há muitos anos atrás, vieram na direção do Sol nascente o rei Hotu-Matua e sua rainha, com 7 mil súditos, em duas canoas. Chegaram à ilha e se instalaram.” Os habitantes locais relatam que cada canoa era do tamanho de uma praia local (180 metros).

A hipótese mais aceita hoje nos meios científicos é que Hotu-Matua era um nobre rico exilado, o qual viajou com os seus súditos. O fato de as estátuas presentes na ilha terem as orelhas alongadas pode se dever ao costume dos nobres incas de pendurar pesos nestas para alongá-las e diferenciá-los de seus súditos. A expedição Kon-Tiki, de Thor Heyerdahl, provou que é possível uma simples jangada saida das américas, levada pelas correntes, chegar à Ilha de Páscoa.

Cálculos diversos fixam a data da chegada de Hotu-Matua à ilha entre 850 e 1200 de nossa Era, numa época em que a Europa ainda se encontrava em plena Idade Média e nem sequer se cogitavam descobertas marítimas. Os costumes e os tipos físicos dos habitantes da ilha apontam tanto para uma origem inca quanto indonésia, chinesa e até egípcia. O que se acredita é já estar a ilha habitada por antigos naturais polinésios quando chegou Hotu-Matua, que os dominou e se transformou, com sua gente, na alta classe local.

Perto do litoral, foi achada uma caverna num lugar chamado Hanga Tuu Hata, a qual continha uma figura gravada de uma antiga embarcação à vela, que segundo pensam os estudiosos, é a visão da De Afrikaanske Galei por um artista local.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/ilha-de-pascoa/

Mundos Enoquianos

A cosmovisão apresentada pelo sistema enoquiano tem como ponto de partida a interação com a inteligências espirituais que habitam para além daquilo que a mente humana enxerga como realidade. Segundo o diário de John Dee ele identificava estas entidades com os anjos celestiais. Por outro lado, seu parceiro Kelly tinha certeza de que estavam lidando com seres de naturezas demoníacas. Estas interpretações deixaram uma marca forte no sistema enoquiano até os dias de hoje mas retratam bem a mentalidade cristã dominante do período em que nasceu. Esse dicotomia já havia caducado na época em que a Golden Dawn explorava o sistema.

Hoje as interpretações são muitas. Talvez as entidades sejam meros reflexos projetados de nossa psique. Talvez sejam aliens ou criaturas de outra dimensão. De qualquer forma cada uma destas entidades é um recorte feito de alguma porção das chamadas Tábuas Enoquianas. O consenso entre os magistas é que a totalidade destas tábuas com todas as suas letras e subseções é por assim dizer um retrato simbólico do Ser Supremo, um mapa da realidade como a Árvore da Vida da cabala por exemplo. Desta forma, os chamados anjos enoquianos não seriam meninos gordinhos com asinhas, como conta a cultura popular, mas sim palavras escritas com o alfabeto que separa o alfa do ômega.

Mas existe uma alternativa a impor nossas interpretações sobre as entidades. Em vez disso podemos ouvir o que elas estão falando sobre si mesmas desde o século XVI. Segundo o sistema enoquiano a universo e divindade suprema são uma mesma coisa. Incognisível para a mente humana ela só pode ser contemplada por aproximação. Desta forma o magista enoquiano aprende que ela se revela em uma série de planos diferentes. Estes planos podem ser entendidos como diversos círculos concêntricos dispostos em camadas.  Entretanto a metáfora das camadas é limitada pois sugere uma separação que não corresponde como que é ensinado.  Cada camada possui suas particularidades, mas ainda assim fazem parte de um todo coeso muito maior.

A camada mais externa e sutil é a do Espírito, o plano da divindade. Depois dela temos a região do Fogo, representando o mundo das causas,  a região do Ar, que é o plano mental, a região da Água, o plano astral e por fim a região da Terra, o plano etérico da matéria. No interior de todos estes planos está o mundo físico que conhecemos bem como suas limitações de tempo, espaço.

A região do Espírito está contida na Tábua da União, enquanto que as regiões elementares do Fogo, Ar, Água e Terra possuem suas regiões especiais chamadas Torres de Vigia.  estes mundos não podem ser tocados por nossos órgãos dos sentidos, mas podem ser experimentados pelo c corpo sutil chamado “Corpo de Luz”.  Vejamos agora com detalhes a natureza exata destas cinco regiões:

Terra

A Região designada ao que chamamos de Terra é a primeira e mais próxima de nosso mundo sensorial. É o que sustenta a estrutura do nosso mundo físico.  É a região sutil que permite a existências de todas as coisas materiais. Pode ser entendida como a cola que une as letras do verbo criador. Não se trata do elemento Terra que encontramos nos jardins nem do planeta Terra onde nossos corpos se arrastam, mas sim de um mundo invisível aos nossos sentidos. Outras tradições chama esta região de Plano Etérico. Ele possui relação astrológica com a Lua.

Água

A Região designada ao que chamamos de Água é o plano dos desejos que se reflete no mundo etérico. É o mundo de onde surgem e onde se mantêm as energias nervosas e emocionais. Novamente não se trata da água que bebemos, mas de um mundo invisível ainda mais sutil que o anterior. Outras tradições chamam esta região de Plano Astral. Possui relação astrológica com Vênus.

Ar

A região designada para o que chamamos de Ar é o plano de onde emanam as idéias e pensamentos lógicos que se desdobram nas regiões acima citadas em formas emocionais e físicas. É a região das forças inteligentes e da razão  que orquestra o universo. Não se trata do Obviamente não se trata do ar que respiramos em nosso mundo físico. Outras tradições chamam a região de Plano Mental e ele possui relações astrológicas com Mercurio.

Fogo

A região designada ao que chamamos de Fogo é a o mundo da causa das mudanças constantes em todo o universo, incluindo as modificações do mundo físico. É a região de fortes forças criativas e destrutivas, especialmente do Amor ou da Justiça que impulsionam a formação de todas as coisas que existem. Novamente, não se trata do fogo do nosso mundo físico, mas sim de uma propriedade sutil do universo invisível. Outras tradições chamam esta região de Plano Causal. Ele possui relações astrológicas com o Sol.

Espirito

Antes do mundo do Espírito existe o Grande Abismo externo que o separa dos quatro planos elementares, pois sua magnitude é muito superior a todos os mundos acima citados. A Região do Espírito é a fonte original de todas as coisas que existem. É a região da consciência cósmica  que se desdobra em Amor ou Justiça (Fogo), que se traduz em inteligência (Ar) e se infla em forma emocionais (Água) que coagulam no éter (Terra) e se manifestam do mundo material. Possui relações astrológicas com nossa galáxia. É por excelência a região da Vontade Suprema.

Aethyrs

Vale dizer que  interpenetrando estes cinco mundos existem 30 zonas especiais chamadas Aethers, ou Céus. O mais próximo de nós se chama TEX e o mais distante se chama LIL que atinge o mundo da divindade suprema.

 Concordância

A estrutura macrocósmica do sistema enoquiano não é muito diferente do sistema apresentado por outras tradições esotéricas.  Uma pesquisa da descrição e natureza destes planos pode ser bastante esclarecedor. Para facilitar esta pesquisa segue uma pequena tabela comparativa.

Enoquiano Teosofico Rosacruz Tattwas
Terra Plano Físico Etérico Mundo Físico (Região Etérica) Prithivi
Água Plano Astral Mundo do Desejo Apas
Ar Plano Búdico
Plano Átmico
Mundo do Pensamento Waju
Fogo Plano  Monádico Mundo do Espírito de Vida
Mundo do Espírito Divino
Mundo dos Espíritos Virginais
Tejas
Espírito Plano Divino Mundo de Deus Akasha

 

Por Angellita Obelieniute PhD

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/mundos-enoquianos/

Lebre Lunar

Nas manchas lunares, os ingleses crêem decifrar a forma de um homem; duas ou três referências ao homem da lua, ao man in the moon, há no Sonho de Uma Noite de Verão. Shakespeare menciona seu feixe ou arbusto de espinhos; já um dos versos finais do canto XX do Inferno fala de Caim e dos espinhos. O comentário de Tommaso Casini lembra a esse propósito a fábula toscana de que o Senhor deu a Caim a lua por cárcere e condenou-o a carregar um feixe de espinhos até o fim dos tempos. Outros vêem na lua a sagrada família, e assim Lugones escreveu em seu Lunario Sentimental:

“Y está todo: la Virgen com el niño; al flanco,
San José (algunos tienen la buena fortuna
De ver su vara); y el buen burrito blanco
Trota que trota los campos de la luna” [1]

Os Chineses, por sua vez, falam da lebre lunar. Buda, em uma de suas vidas anteriores, padeceu fome; para alimentá-lo uma lebre atirou-se ao fogo. Buda, como recompensa, enviou sua alma à lua. Aí, sob uma acácia, a lebre tritura em um almofariz mágico as drogas que integram o elixir da imortalidade. Na fala popular de certas regiões, essa lebre se chama o doutor, ou lebre preciosa ou lebre de jade.

Acredita-se que a lebre comum vive até os mil anos e encanece ao envelhecer.

Notas

1- Tudo está ali: a Virgem com o menino; em seu flanco,
São José (alguns, boa sorte é sua,
Podem ver seu cajado); e o bom burrinho branco
Trota que Trota pelos campos da lua.
(Trad. de J. V. B.).

Fonte: O Livros dos Seres Imaginários – Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/lebre-lunar/