O mito da caverna comentado, parte 2

Texto de Platão em “A República”. Os comentários ao final são meus.

continuando da parte 1

Sócrates – E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco – Com toda a certeza.

Sócrates – E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco – Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates – Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz [5].

Glauco – Sem dúvida.

Sócrates – Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco – Necessariamente.

Sócrates – Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna [6].

Glauco – É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates – Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco – Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates – E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia? [7]

Glauco – Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates – Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco – Por certo que sim.

Sócrates – E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? [8] E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco – Sem nenhuma dúvida.

Sócrates – Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível [9], não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco – Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la [10].

(Platão, A República, v. II p. 105 a 109)

***
[5] Na metáfora Sócrates discorre sobre o processo de evolução do conhecimento, e como ele necessita ocorrer passo a passo, gradativamente.
[6] Buscar o que sustenta a Criação, ou “porque existe algo e não nada”, é o estágio primordial da evolução do conhecimento – onde ela também pode ser confundida, não sem razão, com uma evolução espiritual. Não importa o que dizem os materialistas atuais, foi buscando a Deus que os grandes cientistas comporam suas equações e os grandes filósofos pautaram sua lógica. Qual Deus buscavam eles, entretanto, é algo próprio de cada um deles…
[7] Lembremos que não se trata de mudar de uma realidade para outra, e sim de retroceder a uma vida de ignorância. Ainda que quisesse, entretanto, já não mais conseguiria. Quem vê a luz uma vez e a compreende, jamais voltará a enxergar sombras.
[8] Aquele que compreende a essência das coisas – que sai da caverna – se torna um ser modificado. O que antes lhe interessava na vida dentro da caverna, não lhe interessa mais… Dessa forma, mesmo seus familiares e amigos mais próximos vão estranhar seu comportamento.

É isso precisamente o que ocorre com todos aqueles que “se iniciam” nos estudos mais profundos em filosofia, religião ou ciência. Um físico não conseguirá mais ignorar o baile de partículas do Cosmos, um budista não conseguirá mais ignorar o que compreende em suas meditações, e um filósofo não conseguirá mais viver sem o eterno exercício dos questionamentos existenciais… E todos esses serão agora “estranhos no ninho”, “excêntricos”, “loucos”, “nerds”, etc.
Isso não quer dizer que todo louco seja sábio. Muitas vezes, é apenas louco mesmo. Eis que os sábios são ainda muito poucos, e esta é a razão do mundo ser como é. Tolstói já dizia: “Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”.
[9] O “mundo inteligível” não é um céu localizado fisicamente em algum lugar. Nem a “subida da alma” é uma elevação a esse céu mítico. O céu está na consciência de cada um, assim como a ascenção da alma corresponde a ascenção do conhecimento de si mesmo e da essência das coisas. Repito: não é o mundo que muda, somos nós!
[10] Platão nunca afirmou que compreendeu totalmente Sócrates. Eu não afirmo que compreendi totalmente este mito. Da mesma forma, Krishna, Lao Tsé, Buda, Jesus e tantos outros sábios jamais foram compreendidos totalmente, exceto pelos seres de igual estatura espiritual – muito provavelmente não estamos ainda entre eles.

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Crédito da foto: Diana Oliveros

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-da-caverna-comentado-parte-2

A Lenda dos Tatus Brancos

Shirlei Massapust

Mutantes existem. Todos nós somos mutantes. Assumindo que a vida humana começou no continente africano, deduzimos que os negros que lá vivem estão mais próximos da configuração original do código genético do Homo sapiens, embora nunca hajam parado de evoluir. Sempre, ao mudar de ambiente, os membros de nossa espécie sofrem adaptações. Para sobreviver em cenários climáticos mais frios, caucasianos perderam melanina e ganharam gordura. Nos olhos dos orientais a inserção do músculo reto superior é mais baixa na pele palpebral provocando diferenciação ou ausência, em 50% dos casos, da prega supra tarsal. Pessoas da tribo Huaorani desenvolveram pés planos com dedos mais curtos, em número de seis em cada membro, o que os tornam melhores para escalar árvores. Povos andinos sofreram mutação no gene AS3MT possibilitando que o organismo metabolize arsênio. Os povos Bajaus sofreram uma mutação no gene PDE10A e outra no gene BDKRB2, que resultou em mais hemácias oxigenadas e melhor reflexo de mergulho. Por este motivo eles conseguem permanecer submersos por até treze minutos em profundidades de até sessenta metros.

Sempre que dois ou mais grupos humanos se reencontram, após uma separação por tempo e espaço consideráveis, as pessoas ficam curiosas diante das diferenças étnicas e culturais desenvolvidas cá e acolá. No continente europeu os viajantes do mundo antigo costumavam exagerar e até fantasiar as características de povos vivendo nos rincões mais distantes de sua terra. Alguns acreditavam em blêmias (pessoas sem cabeça, com olhos, nariz e boca no busto) e temiam pigmeus (termo pejorativo utilizado para vários grupos étnicos cuja altura média é invulgarmente baixa, cerca de 1,50 cm).

Os portugueses transmitiram aos brasileiros o gosto por bestiários e crônicas de viagens extraordinárias, de modo que o poeta Bernardo Guimarães (1825-1884) acabou inspirado a descrever uma tribo hostil e exótica no conto O pão de Ouro (1879). As adaptações dos membros da tribo Tatu Branco são: Baixa estatura, brancura excessiva, cegueira diurna, visão noturna e unhas curvas como as dos animais carnívoros.

Todos os numerosíssimos integrantes são ágeis e robustos, apesar de “quase anões[1]”. Eles fazem caça humana e comem crus àqueles que capturam em seu território, porém não praticam endocanibalismo. Ou seja, não comem os mortos de sua própria tribo e etnia mesmo que estejam famintos e que haja muitos corpos disponíveis.

Seus bens culturais se resumem à linguagem exclusiva de seu grupo étnico, pois não pintam grafismos corporais, não produzem artesanato e desconhecem até o fogo. Suas ferramentas são paus que quebram pelo mato e pedras que encontram pelo chão. Seus lares são cavernas escavadas com as unhas. Eles conseguiram criar um grande e complexo sistema espeleológico artificial numa região do Estado de Goiás.

Em O pão de Ouro o autor romanceia histórias pitorescas sobre as expedições dos bandeirantes paulistas trilhando em busca de riquezas no interior do Brasil desde o século XVII até o meado do XVIII. Tudo termina quando Gaspar Nunes, o último chefe de expedição, encontra uma nativo-americana que lhe informa sobre a proximidade dos jardins de Tupã onde “o cascalho dos rios é de diamantes, e os rochedos das montanhas são de ouro, e o que há de mais extraordinário ainda, é um grande penedo todo inteiro do mais puro ouro, que existe encima de uma serra”.[2]

Nenhum intruso jamais sobreviveu ao pernoite nesta localidade porque a região é dominada pela temida tribo Tatu Branco. É a personagem indígena quem os define:

Uma casta de gente terrível, que vive debaixo da terra como o tatú durante o dia, e só de noite sai do buraco. São brancos, brancos como o leite d’estes meus peitos, e numerosos como as formigas, e ai de quem lhes cai nas garras; não deixam ficar nem os ossos. Tupã não quer que ninguém pise nos seus jardins, e pôs lá essa raça maldita para vigiá-lo.[3]

Hélio Lopes e Alfredo Bosi interpretam essa “raça de índios pigmeus”, como um dos “obstáculos alimentados pela imaginação” que dificultaram o desbravamento do sertão.[4] Sem atribuir autoria ao poeta, Afonso Arinos de Mello Franco (1905-1990), apresentou, em sua coletânea de palestras Lendas e tradições Brasileiras (1917), o resumo da “lenda bandeirante” rememorada a partir dum impresso lido na infância.

Imortal que ocupou a cadeira 17 da Academia Brasileira de Letras, Afonso Arinos foi um dos fundadores do partido União Democrática Nacional (UDN) em 1945 e deputado federal a partir de 1947. É de sua autoria a Lei no 1.3901, aprovada pelo Congresso Nacional em 03/07/1951, pioneira na tipificação da discriminação racial como contravenção penal no Brasil. Este homem exerceu diversas atividades ao longo da vida, dentre elas as de crítico literário, historiador, memorialista, biógrafo e jurista, sendo que a preocupação em se apoiar em vasta documentação caracterizou sua produção bibliográfica. Luís da Câmara Cascudo confiou na boa-fé de tão respeitável autor e reproduziu a sua versão da lenda da tribo Tatu Branco nos livros Antologia do folclore brasileiro (1944) e Lendas brasileiras (1945). A jornalista Maria Rosa Moreira Lima também reescreveu a palestra, apresentando-a na qualidade de “lenda paulista”, publicada no Diário de São Paulo, edição do dia 09/08/1975.

Verificamos poucas, porém significativas, diferenças entre O pão de Ouro e a lenda de Afonso Arinos. O cenário esvaziado de suas riquezas maravilhosas foi transferido de Goiás para uma região agreste de Minas Gerais, “conhecida pela grande quantidade de furnas e cavernas temerosas”.[5] Quem adverte os bandeirantes sobre o desaparecimento de pessoas já não é uma jovem e elegante personagem de sexo feminino, de etnia indígena, falante dum idioma do tronco linguístico tupi, mas sim um “caboclo velho da escolta” conhecedor das tradições do sertão.

Na descrição de Bernardo Guimarães, os tatus brancos são apenas canibais que fazem caça noturna e dizimam todos os aventureiros: “A carne humana parece que era para eles finíssima iguaria por isso mesmo que raras vezes podiam obtê-la”[6].

Na lenda de Afonso Arinos os cavernícolas são definidos como “índios vampiros” com poderes quase mágicos, pois “enxergavam como as corujas” e farejavam a carne humana tão bem quanto os melhores cães de caça. [7]  (Sim, eles tinham sentidos aguçados na versão anterior, mas não conforme tal mesura). Na variante posterior de Miranda Santos, compilada no livro didático Lendas e mitos do Brasil (1955), editado pela prestigiosa Companhia Nacional[8], estes ainda são “índios vampiros, que moravam em cavernas daquela região, e que só saíam à noite para atacar os viajantes”. Enfim, o conhecimento da área já não pertence a índia ou caboclo, mas a “um velho sertanejo”.[9]

Em todas as variantes da narrativa a única forma de escapar da horda esfaimada é caindo nas graças duma fêmea que faz de Gaspar Nunes o seu brinquedo sexual, ao invés de permitir que ele seja canibalizado tal como os demais prisioneiros. Quando a mulher sem nome chega no banquete, enxota seus iguais como a um bando de urubus.

sentou-se depois outra vez junto de Gaspar, tocou-lhe o corpo com as mãos, encostou as faces em suas faces, os lábios em seus lábios, e pousou seu peito sobre o dele. Gaspar reconheceu, que era uma mulher, e sentiu um horror e um asco irresistível. Essa mulher, que assim o afagava, tinha as mãos e a boca besuntadas do sangue de seu camarada a pouco devorado, e seu hálito tresandava um cheiro infecto e nauseabundo de sangueira. Gaspar sentiu as entranhas se lhe revolverem em ânsias cruéis. Se ele se visse com o pescoço enleado entre as roscas de uma serpente, que com a farpada língua lhe lambesse as faces e os lábios, não sentiria tanto horror e repugnância, como ao ver-se enlaçado nos braços de tão repulsiva criatura.[10]

No conto de Bernardo Guimarães a mulher que toma Gaspar para si percebe o nojo do bandeirante, não se apresenta mais babada de sangue e lhe oferece frutas ao invés de carne humana. Ainda assim é irremediavelmente asquerosa. Coabitar com ela na murrinha duma toca mal arejada pareceu-lhe um destino pior do que a morte.

Quando o sol dardejou seus primeiros raios, Gaspar (…) contemplou pela primeira vez à luz do dia aquele corpo, que não era mal feito, porém de alvura tão excessiva, que fazia repugnância; os cabelos eram finos, corredios e de um louro quase branco; o rosto era irregular, mas não inteiramente destituído de graça; porém as unhas curvas e compridas, e os dentes aguçados, que se viam por entre os lábios entreabertos, davam-lhe um ar feroz e repulsivo. Gaspar depois de ter lançado um último olhar de comiseração sobre aquela infeliz selvagem, pôs-se a fugir a bom andar para longe daqueles sítios fatais.[11]

A índia vampira da lenda de Afonso Arinos não entra em combustão espontânea quando exposta à luz solar, mas ainda encontra dificuldade de locomoção. Ela é uma princesa! Algumas imperfeições anatômicas desapareceram. Seus cabelos ganharam volume. Mesmo assim, durante a fuga, Gaspar só olha momentaneamente para traz para se certificar que sua perseguidora não o alcançará.

Era pequenina e branca; cabelos longos, de um louro embaçado, caíam-lhe abundantes sobre as costas. Quanto mais clareava o dia, maior parecia a angústia da princesinha dos “tatus brancos” que tapava com as mãos os olhos gázeos, bracejava e gemia, incapaz de caminhar, às tontas, como inteiramente cega. O bandeirante olhou uma última vez para a triste selvagem, e fugiu da terra maldita.[12]

Na variante de Theobaldo Miranda Santos – à época considerada adequada para leitura por alunos da terceira série primaria e crianças com mais de oito anos, – Gaspar parece tão pouco preocupado com o cárcere privado quanto a personagem protagonista do conto de fadas francês A Bela e a Fera; porque eles amam suas feras.

A madrugada encontrou fora da caverna a salvadora do bandeirante. (…) Era branca e loura. E linda como um anjo. O bandeirante ficou com pena de abandonar a princesinha. Mas não teve outro remédio.[13]

Confesso que essa monstra me causa mais embrolhos agora que é nobre, bela e virtuosa do que quando ela oferecia o braço do cadáver do colega para o cativo comer. O próximo passo para a desconstrução do antagonismo índio nesta lenda equivocada seria reconstruir elementos de terror como horror ou contágio sobrenatural de um mal europeu pelo nativo-americano. Assim surgiu a variante do imponente romance gráfico Papa-Capim – Noite Branca (2016), a 11ª edição do selo Graphic MSP, com roteiro de Marcela Godoy e desenho de Renato Guedes, publicada pela Panini.

Os extras do álbum informam que Marcela Godoy realizou “uma rica pesquisa” antes de criar vilões inspirados na lenda da tribo Tatu Branco.[14] Neste roteiro o leitor é apresentado à Noite Branca, tribo de índios possessos com poderes de desdobramento no universo onírico, onde geram pesadelos. Todo indivíduo integrado à Noite Branca se transforma num horrendo monstro albino capaz de resistir a qualquer ferimento, exceto à perfuração do coração por flechas de madeira. Somente o religar de seu Eu com a natureza, da qual se afastou, pode lhe devolver a humanidade. O fundador da Noite Branca seria um pajé imortalizado pelo consumo do coração de um vampiro europeu.

A fonte de Marcela Godoy é Câmara Cascudo que, conforme exposto, compilou um texto de Afonso Arinos. Este último certamente resumiu Bernardo Guimarães, sendo que antes imperava o silêncio… Que a verdade seja dita: Poderíamos passar um pente fino em todos os trabalhos arqueológicos e antropológicos realizados no centro-oeste e sudeste do Brasil sem localizar quaisquer menções no folclore nativo-americano a uma tribo denominada Abati Tatu, ou mesmo a um mero xingamento peē tatu.

Profissionais ocupados com pesquisa de campo fazem chacota do tema; a exemplo da ironia de Gilmar Pinheiro ao comentar o achado duma estatueta de tatu (Dasypodidae) quando buscavam por vestígios de ocupação humana em cavernas mineiras: “A análise das fontes primárias dos séculos XVI e XVII, aliada aos recentes dados que vêm sendo levantados pelo PASF, deixa uma certeza incontestável: é mais fácil crer na existência dos Tatus Brancos de Câmara Cascudo, que nos temíveis Cataguá de Diogo de Vasconcellos e seus discípulos”.[15]

Apesar de tudo, talvez não seja inútil rememorar a proposta de um personagem de Bernardo Guimarães, em O pão de Ouro, que planejou, mas não executou, um modo de vencer a tribo Tatu Branco: “O melhor é ajuntar bastante lenha na boca de cada furna, e deitar fogo; assim os sufocaremos e os mataremos todos, como se matam as formigas cabeçudas lá em nossa terra”.[16] É assim que vários povos nativo-americanos caçam morcegos. E foi assim que heróis do folclore Apinajé e Kayapó-Xikrin derrotaram a tribo dos homens-morcego kupẽ nhêp, caçadora de homens, que abduzia todos que pernoitavam nos arredores de sua caverna, numa área misteriosa no Alto Tocantins.

Faça download gratuito das fontes primárias:

GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879. URL: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/3079

ARINOS, Affonso. Lendas e Tradições Brasileiras. São Paulo, Typographia Levi, 1917, p 23-27. URL: https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=145784

Notas:

[1] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 280.

[2] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 260.

[3] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 261.

[4] LOPES, Hélio & BOSI, Alfredo. Letras de Minas e outros ensaios. São Paulo, EdUSP, 1997, p 23.

[5] ARINOS, Affonso. Lendas e Tradições Brasileiras. São Paulo, Typographia Levi, 1917, p 23.

[6] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 281.

[7] ARINOS, Affonso. Lendas e Tradições Brasileiras. São Paulo, Typographia Levi, 1917, p 23-24.

[8] A Companhia Editora Nacional é uma editora brasileira que foi fundada por Monteiro Lobato em 1925 e, em 1980, passou a fazer parte do Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas.

[9] SANTOS, Theobaldo Miranda. Lendas e mitos do Brasil. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1955, p 86.

[10] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 287-288.

[11] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 261.

[12] ARINOS, Affonso. Lendas e Tradições Brasileiras. São Paulo, Typographia Levi, 1917, p 26.

[13] SANTOS, Theobaldo Miranda. Lendas e mitos do Brasil. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1955, p 87.

[14] GODOY, Marcela e GUEDES, Renato. Papa-Capim – Noite Branca. São Paulo, Panini, abril de 2016, p 76.

[15] JÚNIOR, Gilmar Pinheiro. Arqueologia Regional da Província Cárstica do Alto São Francisco: um estudo das tradições ceramistas Uma e Sapucaí. (Dissertação de Mestrado). Belo Horizonte, MAE-USP, Março de 2006, p 20-21.

[16] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 276.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-lenda-dos-tatus-brancos/

A Boca do Abutre

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden, Capítulo Onze.

A PALAVRA do Aeon de Maat que os iniciados afirmam ter sido recebida enquanto em comunicação com inteligências extraterrestres,392 é IPSOS, significando ‘a mesma boca’. No segundo capítulo de AL (verso 76) surge uma cifra críptica que contém um grupo de letras possuindo o valor de IPSOS. De fato, duas grafias diferentes de Ipsos resultam em números equivalentes a um grupo de letras em AL. O criptograma em AL é RPSTOVAL, que tem o valor cabalístico de 696 ou 456 conforme ou a letra ‘S’ é lida como um shin ou como um samekh. Similarmente, IPSOS = 696 ou 456 conforme se o primeiro ‘s’ é tomado como um shin ou um samekh. IPSOS é portanto o equivalente cabalístico de RPSTOVAL. O significado deste grupo de letras não é conhecido, mas Ipsos a boca, o órgão da Palavra de Expressão (saída_?), de Alimentação, Sucção, Beberagem, etc., é o órgão não apenas de expressão mas também de recepção da Palavra.

A fórmula RPSTOVAL compartilha com IPSOS, pois a fórmula da Torre393 é aquela do Falo em erupção, e a ejaculação394 da Palavra do Aeon de Maat, a Palavra que se estende até ‘o fim da terra’.395 A terra está sob o domínio do Príncipe do Ar (i.e. Shaitan), mas os espaços além estão sob o domínio do Senhor do Aethyr, cujo símbolo é o abutre.

Nenhuma fórmula pode ser cósmica que não seja essencialmente microcósmica, pois uma contém a outra. É portanto sugerido que a fórmula de RPSTOVAL é aquela de um processo especificamente fisiológico que envolve a boca (útero) em sua fase mais recôndita.

A boca enquanto Maat, a Verdade, a Palavra; Mat, a Mãe; Maut, o Abutre; e Mort, o Morto,396 está implícita no simbolismo da Torre. A erupção ou expressão da Torre (falo) é a saída (?) da Palavra para dentro dos espaços além da terra que são um com os aethyrs397 representada por el Mato, o Louco, o Mat ou O Louco, e Le Mort, o Morto.

O Caminho do Louco (décimo primeiro caminho) é a extensão secreta do Caminho da Torre (Atu XVI) e uma compreensão iniciática deste simbolismo apresenta uma chave para a fórmula do Aeon de Maat que está resumido pelo número 27 (11 + 16), o número do Caminho do Morto e do Atu XVI, A Torre.398 É significativo que o Caminho da Torre seja de fato o 27o Caminho. Este número é atribuído ao Liber Trigrammaton, um Livro Santo, embora ainda não compreendido, recebido por Crowley de Aiwass. Crowley suspeitava que ele continha o segredo da cabala ‘Inglesa’, e em seus Comentários sobre o AL ele tentou equacionar os trigramas com as letras do alfabeto Inglês de modo a descobrir a cabala Inglesa tal como ele estava ordenado a cumprir no AL.399 Mas as equações estavam longe de serem convincentes, mesmo para ele mesmo. O que ele parecia não compreender era que a cabala que ele buscava pertencia a uma dimensão completamente diferente, e que a boca que iria comunicar esta cabala era a boca cujas emanações são os próprios kalas. Portanto, como eu sugeri em Cultos da Sombra (capítulo 7) com relação à palavra RPSTOVAL, com igual probabilidade pode a palavra IPSOS ocultar uma fórmula de kalas psicossexuais que podem ser compreendidos com relação a uma interpretação tantrica da polaridade sexual.

A interação da vagina e do falo (i.e. a boca e a torre) está resumida sob a fórmula eroto-oral conhecida na linguagem popular como o soixante-neuf (69). Mas o assunto é um pouco mais recôndito do que aquele geralmente implicado por esta prática. Os números 6 e 9 denotam o sol e a lua, Tiphareth e Yesod, e, em termos dos 32 kalas o 6 e o 9 se referem àqueles de Leo400 e Pisces401 A enumeração total resulta 109, o número de NDNH, uma palavra Hebraica significando ‘vagina’402. Deduzindo a cifra, 109 se torna 19, que é o ‘glifo feminino’.403 109 mostra portanto o ovo ou esfera – 0 – do Vazio, o ain do infinito em sua forma feminina. O significado mágico deste simbolismo está colocado numa categoria mais ampla sob o número 69: a radiante energia (relâmpago) solar-fálica do Anjo404 correndo veloz para dentro da boca, cálice ou útero da Lua para misturar-se com o qoph kala.405 A bebida resultante é o vinum sabbati, o Vinho do Sabá das Feiticeiras que pode ser destilado, segundo os antigos grimórios, ‘quando o finial(???) da Torre está oscurecido (ou velado) pela asa do abutre’.

Diz-se que um grito peculiar é emitido da boca do abutre. Em O Coração do Mestre,406 Crowley observa que este grito ou palavra é Mu. Seu número, 46, é a ‘chave dos mistérios’, pois ele é o número de Adam / Adão (Man / Homem). Mu é a semente masculina,407 mas ela é também a água (i.e. sangue) da qual o homem foi moldado. 408 O abutre é um pássaro de sangue e seu grito penetrante é expressado no momento de retalhar(?)409 que acompanha o ato de manifestação: ‘Pois estou dividida por causa do amor, para a chance de união’. (AL. I. 29).

O número 46 também implica o véu divisor (Paroketh), previamente explicado. MAH, 46, é o hebraico para 100, o número de qoph e portanto da ‘parte de trás da cabeça’, o assento das energias sexuais no homem. O cem implica na totalização ou realização de um ciclo de tempo.410 O pleno significado do simbolismo é portanto que quando o abutre abre suas asas para receber o golpe fálico no silêncio e discrição da nuvem,411 seu grito penetrante de êxtase, hriliu412, é MU (46).413

Neste estágio é necessário fazer uma digressão aparentemente irrelevante caso a total importância do simbolismo da Torre deva ser entendida.

Numa construção dilapidada anteriormente situada no local atualmente ocupado pelo Centre Point414 ocorreu, em 1949 um rito mágico curioso. Ele aconteceu por instigação de Gerald Gardner.415 O aposento no qual o rito ocorreu estava alugado naquela ocasião por uma ‘bruxa’ a qual eu chamarei de Sra. South. Ela era realmente uma cafetina(?) e prostituta que temperava suas atividades com um sabor ‘oculto’ calculado para apelar à um certo tipo de clientela. Acompanhado por minha esposa e Gerald Gardner, nós três nos dirigimos ao apartamento da Sra. South após passarmos uma tarde com Gardner em seu apartamento em Ridgemount Terrace afastado da Tottenham Court Road. O rito exigia cinco pessoas e só poderia começar após a chegada de uma jovem senhora a quem a Sra. South estava aguardando para aquele propósito. Supunha-se que a jovem senhora era – como a própria Sra.South – bem versada nos aspectos mais profundos da feitiçaria. Eu não vou negar o fato de que sua feitiçaria provou ser genuína, mas que ela sabia menos ainda sobre a arte do que a Sra.South eu também não vou negar.

Gardner explicou que o propósito do rito era demonstrar sua habilidade em ‘trazer para baixo o poder’. Ele pretendia elevar uma corrente de energia mágica com o propósito de contatar certas inteligências extraterrestres com as quais eu estava, naquela ocasião,416 em rapport quase constante. O rito deveria consistir na circunvolução de nós cinco ao redor de um grande sigilo gravado em papel pergaminho que foi especialmente consagrado. O sigilo foi desenhado para meu uso por Austin Osman Spare que também estava, naquele tempo, ocupado em contatar extraterrestres. O sigilo seria mais tarde consumido na chama de uma vela disposta sobre um altar no quadrante norte do apartamento. À parte deste equipamento mágico, o aposento da Sra.South continha apenas duas ou três estantes de livros sobre feitiçaria e o ‘oculto’ em geral; eles foram sem dúvida importados por ela para emprestar um ar de autenticidade à suas buscas mais usuais.

Se o rito teria sido eficaz ou não fica aberto para questionamento. Ele foi interrompido antes da invocação inicial ter sido concluída. Esta consistia de uma circunvolução horária ao redor do altar com rapidez crescente em círculos que iam diminuindo. A campainha da porta da frente tocou subitamente nas profundezas da construção no restante deserta, primeiramente fraca, então de forma penetrante e insistentemente. O determinado visitante provou ser o proprietário de uma livraria ‘oculta’ situada numa distância não muito grande do apartamento da Sra.South. Contudo ao saber que eu estava no alto da escadaria o visitante decidiu não subir.417 Ele saiu e então meteu-se na vaga névoa de Novembro que mais tarde naquela noite se desenvolveu em um bom fog (nevoeiro) Londrino à moda antiga.

O objetivo deste relato é ilustrar um fato curioso característico da estranha maneira na qual a magia(k) freqüentemente funciona. O sigilo que deveria ter formado o foco da Operação aquela noite era o de um espírito particularmente potente, que teria sido indubitavelmente descrito por Gardner e a Sra. South como essencialmente ‘fálico’. Este fato é importante, pois logo após a cerimônia abortada a Sra. South morreu sob circunstâncias misteriosas; o casamento do dono da livraria se desintegrou violentamente e ele também morreu logo após. O próprio Gerald Gardner não demorou em seguir o exemplo(?). Mas o alto edifício mais tarde erguido sobre o local que estes magos frequentavam é no meu entender um monumento adequado à futilidade daquela Operação noturna.

Fui induzido à lembrar de fazer este relato sobre um rito mágico que deu errado devido à uma declaração feita por Ithell Colquhoun que reconhece na Torre do Correio um monumento à magia de MacGregor Mathers, algumas de cujas atividades foram concentradas naquela região de Londres.418 A premissa pode ser absurda, mas deve ser lembrado que os surrealistas, dos quais Ithell Colqhoun era um, penetraram muitos mistérios mágicos que escaparam aos praticantes e investigadores mais prosaicos. Os casos de Centre Point e a Torre do Correio (ambas formas da Torre Mágica discutida no presente capítulo) conduzem logicamente ao simbolismo da Torre que penetra os Trabalhos de vários ocultistas contemporâneos que operam independentemente uns dos outros.

Durante os últimos anos recentes o presente escritor tem recebido cartas de pessoas e grupos mágicos de todo o mundo, e talvez não seja surpreendente – em vista da natureza comum de nossas pesquisas – que certos símbolos dominantes devam recorrer. Por exemplo, o Liber Pennae Praenumbra que foi recentemente recebido por Adeptos em Ohio, EUA, está permeado com os símbolos mostrados no vívido delinear de Allen Holub de O Abutre na Torre do Silêncio (vide ilustração 8): O Abutre de Maat, a Abelha de Sekhet, a Torre do Silêncio, e a Serpente cujas espirais formam a palavra IPSOS.

Um outro grupo independente de Adeptos em Nova Iorque, conduzido por Soror Tanith da O.T.O., também recebeu símbolos idênticos, dos quais a Torre do Silêncio e a Abelha de Sekhet são os predominantes. A transmissão à Soror Tanith foi emitida por uma entidade extraterrestre conhecida como LAM que foi anteriormente contatada por Crowley em 1919.419

O líder do Culto da Serpente Negra, Michael Bertiaux, também contatou LAM enquanto operava com a Corrente Bön-Pa Tibetana nos anos sessenta.420 Em todas estas invocações e operações mágicas, o simbolismo acima descrito tem sido predominante, o que sugere que em todos os três locais (i.e. Ohio, Nova Iorque e Chicago) uma idêntica energia oculta, entidade ou raio, está irradiando vibrações em conformidade com os símbolos de Mu ou Maat e podem portanto proceder daquele aeon futuro. Isso tende à confirmar a teoria de Frater Achad de que existe uma sobreposição provocada por uma ‘curvatura no tempo’ que está manifestando seu enrolar espiral conforme a antiga sabedoria,421 onde era simbolizada pelo abutre com o pescoço em espiral e pelo pescoço torto cujas peculiaridades físicas fizeram dele um totem ou símbolo senciente similarmente apto.

Outro totem, menos facilmente explicável, é a hiena. Como o abutre, a hiena é uma ‘besta de sangue’, mas apenas isso não responde por seu uso como um glifo zoomórfico na Tradição Draconiana. Segundo a antiga sabedoria a hiena só pode enxergar à direita ou à esquerda girando(?) ao redor de todo o seu corpo; i.e. ele não consegue virar sua cabeça. Ele é portanto de igual valência, simbolicamente, como o pescoço torto. Como um totem do abismo, a atribuição da hiena é por si evidente à respeito de esta povoar as criptas e tumbas do antigo Egito e se alimentar dos mortos. O simbolismo do deserto também se aplica. Na Índia o abutre e a hiena estão entre as bestas associadas com os ritos de Kali. O elemento tântrico do rito está então implícito.

Existem similaridades próximas entre os ritos Afro-Egípcios de Shaitan celebrados na Suméria e Acádia, e os posteriores ritos tântricos Indianos de Kali. O sabor distintamente mongol desses ritos observados por estudiosos422 é evidente no ethos(?) peculiar que permeia muito da literatura conectada aos Kaulas, que usam o bode, o porco, o abutre, a serpente, a aranha, o morcego, e outras bestas tipicamente Tifonianas em suas cerimônias sacrificiais. Existem também uma confraternidade secreta na América do Sul atualmente que mantém entre os devotos de seu círculo interno aqueles que atravessaram os Portais Intermediários(?) na forma-deus do morcego. Este é o zoótipo da besta de sangue vampira que está ligada ao simbolismo do abutre e da hiena. O morcego se pendura de ponta cabeça para dormir após se alimentar; a hiena é retromingent423; e o abutre, cujo pescoço torto sugere uma forma de ‘visão’ para trás, são determinativos ocultos daquela retroversão dos sentidos que torna possível o salto por cima do abismo. Este salto é um mergulho para trás através do vazio tempo-espaço de Daäth com o resultado de que o fundo salta fora do mundo do Adepto que o ensaia. Sax Rohmer, que foi uma vez um membro da Golden Dawn,424 faz uma alusão de passagem à este culto em seu romance Asa de Morcego (Batwing), e embora ele prejudique o efeito de sua estória ao recorrer ao truque literário vulgar de uma solução mecanicista, ele não obstante se refere à um culto real quando ele diz:

Enquanto que serpentes e escorpiões tem sido sempre reconhecidos como sagrados por cultuadores do Voodoo, o real emblema de sua religião impura é o morcego, especialmente o morcego vampiro da América do Sul.425

Rohmer, como H.P.Lovecraft, tinha experiência direta e contínua dos planos internos, e ambos estabeleceram contato com entidades não-espaciais. Além do mais, estes dois escritores recuaram – em seus romances e em suas correspondências privadas respectivamente – do atual confronto com entidades que são facilmente reconhecíveis como os enviados de Choronzon-Shugal. As máscaras destas entidades adquiriram uma qualidade de tal clareza forçada que nem Rohmer nem Lovecraft eram capazes de encarar o que jaz abaixo. Ainda assim o repúdio insuperável inspirado por tais contatos ocultavam potencial mágico, comprimido e explosivo, o que tornou estes dois escritores mestres em seus respectivos ramos de ocultismo criativo.

Não há dúvidas que escritores como Sax Rohmer, H.P.Lovecraft, Arthur Machen, Algernon Blackwood, Charles Williams, Dion Fortune, etc., trouxeram influências poderosas para serem ostentadas sobre o cenário ocultista através de seus vários esboços das Qliphoth. A fórmula do abismo, por exemplo, tem sido incomparavelmente expressa em alegoria pelo simbolismo do salto mortal psicológico descrito por Charles Williams (em Descida ao Inferno) que usa as linhas assombrosas:

O Mago Zoroastro, meu filho morto,
Encontrou sua própria imagem caminhando no jardim.

como um tema para sua estória.

O ato de girar ou virar para trás é a fórmula implícita na antiga simbologia da bruxaria.426

Os familiares das bruxas, não menos que as formas-deuses assumidas pelos sacerdotes egípcios, foram adotadas de modo à transformar os praticantes, não nos animais em questão, mas em um estado de consciência que eles representavam no bestiário psicológico de poderes atávicos latentes no subconsciente. A fórmula é resumida por Austin Spare em seu sistema de feitiçaria sexual e ressurgência atávica que são os temas do Zoz Kia Cultus.427 Ithell Colquhoun situa corretamente este culto em seu arranjo contemporâneo como um ramo da O.T.O. e da ‘Feitiçaria Tradicional’,428 mas o Zoz Kia Cultus comporta um outro fio que se origina de influências mais antigas que qualquer uma que possa ser atribuída meramente à ‘feitiçaria tradicional’, o que quer que aquele termo possa significar. Estas influências emanam de cultos tais como aqueles que Lovecraft contatou na Nova Inglaterra via Feitiçaria de Salem que – por sua vez – tinha contato com correntes vastamente antigas que se manifestaram no complexo astral Ameríndio como as entidades ‘eldritch’(?) descritas por Lovecraft em seus contos de horror.

Tais também eram as entidades que Spare contatou através de ‘Black Eagle’.429 Black Eagle induziu em Spare a extrema vertigem que iniciou um pouco de sua mais fina obra. Spare ‘visualizou’ esta sensação de vertigem criativa num quadro entitulado Tragédia do Trapézio (ilustração 15) cujo tema ele repetiu em várias pinturas. A fórmula é essencial à sua feitiçaria.

O trapézio ou balanço era o vahana430 de Radha e Krishna, cujo jogo amoroso está associado à vertigem induzida pelo balançar das emoções e do cair (loucamente) em amor. Com Spare, contudo, o êxtase alcança sua apoteose através de uma sensação catastrófica de opressão esmagadora, de ser empurrado para baixo e mergulhar no abismo.

O balanço é idêntico ao berço que desempenha papel tão proeminente nos mistérios do Culto de Krishna Gopal.431 Porém muito antes de pré datar os ritos da criança negra, Krishna, haviam os ritos da criança negra Set, ou Harpocrates, o bebê dentro do ovo negro do Akasha.432 O Aeon da Criança433 é o Aeon do Bebê do Abismo, sendo que um de seus símbolos é o berço que simboliza o balanço ou travessia para o Aeon de Maat (Mu). Mu, 46, a Chave dos Mistérios, é também o número de MV (água, i.e. sangue) que é tipificado pelo abutre, a hiena, e outras ‘bestas de sangue’. Em termos mágicos, a sensação induzida no trapezista mergulhador é resumida por Spare numa fórmula pictórica à qual ele não deu nenhum nome particular, mas que pode ser descrita como a Fórmula da Vertigem Criativa. No seu quadro do trapezista a executante é feminina pois ela representa a personificação humana da Serpente de Fogo despertada. É o pé,434 e não a mão que é escolhido para instigar os meios da queda.

No Zoz Kia Cultus Spare exaltou a Mão e o Olho como os principais instrumentos de reificação. Isto quer dizer que ele exaltava uma fórmula mágica similar àquela que caracteriza o oitavo grau da O.T.O.435 Ainda assim ele percebeu que a suprema fórmula eficaz na transição do abismo é aquela que envolve não a mão, mas o ‘pé’. O pé está sob ou embaixo da mão e assim, simbolicamente, a mão ‘esquerda’ tipificada pela Mulher Escarlate, de cujos pés a poeira é o pó vermelho celebrado pelos Siddhas Tamil.436 A poeira vermelha, ou poeira do fogo, é a emanação nuclear da Serpente de Fogo em seu veloz deslocamento para cima, e ela conduz à iluminação em um sentido cósmico. Mas é necessário um processo adicional para admitir o Adepto às zonas do Não-Ser representadas pelo outro lado da Árvore da Vida que aterroriza o não-iniciado como sendo a Árvore da Morte.

Além do Abismo, sexualidade ou polaridade perdem todo o sentido. Isto explica porque, segundo a doutrina da Golden Dawn, os Adeptos além do Grau de 7o=4437 não eram mais encarnados. Por não existir nenhuma terminologia adequada (na Tradição Ocidental) para este estado de ocorrência podemos não mais do que nos referirmos, por meio de analogia, aos Mahapurusas da Tradição Hindu. Mahapurusas são seres não humanos que aparecem para os Adeptos no caminho espiritual. Um exemplo recente bem documentado de tal manifestação ocorreu na vida de Pagal Haranath.438 Ele era considerado como sendo uma encarnação de Krishna e uma reencarnação de Sri Caitanya, o bhakta439 do século 15 que inspirou os habitantes de Bengala pela intensidade e fervor de sua devoção à Krishna (Deus). À Pagal Haranath um Mahapurusa apareceu como uma forma radiante com luz gigantesca. O único paralelo ocidental (de anos recentes) que vem à mente é o relato muito citado do encontro de MacGregor Mathers com os ‘Chefes Secretos’ que ocorreu no Bois de Boulogne.440

Aleister Crowley em contradição à MacGregor Mathers, sustentava que os Adeptos de suprema realização algumas vezes permanecem de fato na carne; quer dizer, a experiência conhecida como ‘cruzar o abismo’ não comporta necessariamente a morte física. Isto é, naturalmente, bem conhecido no oriente, onde, em nosso próprio tempo, tem havido exemplos excepcionais tais como Sri Ramakrishna Paramahamsa, Sri Ramana Maharshi, Sri Sai Baba (de Shirdi), Sri Anandamayi Ma e Sri Anusaya Devi,441 para mencionar apenas uns poucos.

Tem sido refutado [o fato de] que Crowley não cruzou o Abismo com sucesso.442 Seja como for, certos iniciados ocidentais indubitavelmente conseguiram fazer esta travessia e isso está evidente em seus escritos. Embora um caso de opinião – e isto é aqui declarado como tal, e não mais – o mais importante dos Adeptos Ocidentais nesta categoria é aquele que escreve sob o pseudônimo de Wei Wu Wei. Seus livros devem ser elogiados como as excursões mais ricas, mais sutis e mais vivamente potentes para dentro do Vazio da Consciência Sem Forma, ainda assim reduzidas em palavras.

Notas:

392 Vide Página 116, nota 36.

393 Associada com a fórmula de IPSOS; vide Figura 8.

394 Via o meatus, uma boca inferior.

395 Maat = 442 = APMI ARTz = ‘o fim da terra’.

396 i.e. o subconsciente (Amenta).

397 IPSOS grafado como 760 é equivalente à ‘Empyreum’, o empíreo.

398 Em alguns maços de Taro este atu é conhecido como A Torre Destruída.

399 Tu obterás a ordem & valor do alfabeto Inglês; tu encontrarás novos símbolos aos quais as atribuirá’. (AL. II. 55).

400 O kala do Sol, atribuído à letra Teth, significando um ‘leão-serpente’.

401 O kala da Lua, atribuído à letra Qoph, significando ‘a parte de trás da cabeça’.

402 O número 109 é também aquele de OGVL, ‘círculo’, ‘esfera’; BQZ, ‘relâmpago’; e AHP, ‘Ar’.

403 Vide 777 Revisado: Significado dos [Números] Primos de 11 a 97.

404 Tiphareth; a Esfera do Santo Anjo Guardião.

405 Vide Diagrama 1, Cultos da Sombra.

406 Reeditado em 1974 pela 93 Publishing, Montreal.

407 Compare a palavra egípcia mai.

408 A-DM ou Adam foi feito da ‘terra vermelha’ (i.e. DM, sangue).

409 HBDLH (retalhando_?) = 46.

410 Compare com a palavra egípcia meh, ‘encher’, ‘cheio’, ‘completar’.

411 Paroketh também significa ‘uma nuvem’; uma referência à invisibilidade tradicionalmente assumida pelo deus masculino ao impregnar a virgem.

412 Em sua cópia pessoal do Liber XV (A Missa Gnóstica), Crowley explica hriliu como o ‘êxtase metafísico’ que acompanha o orgasmo sexual.

413 É interessante observar juntamente com o significado da palavra IPSOS, que Frater Achad chegou muito próximo à uma interpretação similar de sua própria fórmula do Aeon de Maat, a saber: Ma-Ion. Numa carta datada de 7 de Junho de 1948, ele escreve: ‘Por gentileza observe que em Sânscrito Ma = Not (Não). Na mesma linguagem ela também significa: ‘Mouth’ (‘Boca’).

414 Londres WC1.

415 O autor de dois livros sobre Feitiçaria que atraiu alguma atenção no tempo de sua publicação nos anos 50.

416 O incidente ocorreu durante o estágio formativo de uma loja da O.T.O. que eu havia fundado para o propósito de canalizar influências mágicas específicas desde uma fonte transplutoniana simbolizada por Nu-Isis.

417 Minha associação com Aleister Crowley não era desconhecida à ele.

418 Vide a Espada da Sabedoria: MacGregor Mathers e a Golden Dawn, por Ithell Colquhoun, Nevile Spearman, 1975. A Srta.Colqhoun observa que W.B.Yeats e outros foram iniciados na Rua Fitzroy, e comenta: ‘Hoje a Torre do Correio ofuscando a rua poderia, eu suponho, ser vista como uma projeção do poder de Hermes, aqui substituindo o de Isis- Urania’.(p.50).

419 Crowley também estava em Nova Iorque na ocasião em que ele estabeleceu contato com esta entidade. Uma gravura de LAM desenhada por Crowley aparece em O Renascer da Magia, ilustração 5. O desenho foi exibido originalmente em Greenwich Village em 1919 e publicada em O Equinócio Azul.

420 Vide Cultos da Sombra, capítulo 10.

421 Zoroastro (circa 1100 A.C.) estava bem consciente da misteriosa dobra do tempo que exercitou o talento de alguns dos mais perspicazes pensadores modernos. Ele descreveu Deus como tendo uma ‘força espiral’ e associou o hiato de tempo com a progressão dos aeons que retornavam à sua fonte de origem, assim reativando os atavismos primais da consciência primeva.

422 Vide Estudos sobre os Tantras , de Prabodh Chandra Bagchi.

423 Nota do Tradutor: Micção realizada ao contrário.

424 Segundo Cay Van Ash & Elizabeth Sax Rohmer. Vide Mestre da Vileza , capítulo 4. Ohio Popular Press, 1972.

425 Asa de Morcego, p.92.

426 Esta fórmula é equivalente ao nivritti marga hindu ou ‘caminho do retorno’, ou inversão dos sentidos à sua fonte em pura consciência. Ela é tipificada nos tantras como viparita maithuna, simbolizada pela união sexual de ponta cabeça.

427 Vide Imagens & Oráculos de Austin Osman Spare, Parte II.

428 Espada da Sabedoria (Colquhoun), capítulo 16.

429 Para uma imagem desta entidade, vide O Renascer da Magia, ilustração 12.

430 Este termo em Sanscrito denota um ‘veículo’ ou foco de força.

431 Culto da Criança Krishna.

432 Akasha, significando ‘Espírito’ou ‘Aethyr’(Éter), é o quinto elemento.

433 i.e. o Aeon de Hórus. Hórus ou Har significa a ‘criança’.

434 O simbolismo dos pés da deusa é explicado em Aleister Crowley & o Deus Oculto , capítulo 10.

435 A fórmula é aplicada por meio de auto-erotismo manual.

436 Vide A Religião e Filosofia de Tevaram, de D.Rangaswamy.

437 O Grau imediatamente precedente ao Abismo.

438 Sri Pagal Haranath, o ‘Louco’ ou ‘Doido’, viveu na Bengala Ocidental de 1865 a 19 27. Um relato da visita está contido em Shri Haranath: Seu Papel & Preceitos, de Vithaldas Nathabhai Mehta. Bombay, 1954. Tais manifestações ocorrendo nos tempos primitivos poderiam ter dado início ao conceito dos NPhLIM ou Gigantes. Vide capítulo 9, supra.

439 Devoto de Deus.

440 Citado em Aleister Crowley & o Deus Oculto, capítulo 1.

441 Os dois últimos Sábios estão, felizmente, ainda encarnados e na extensão do que sei, estão disponíveis para
darshan.

442 Frater Achad. Vide Cultos da Sombra, capítulo 8.

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-boca-do-abutre/

A Grande Conspiração Universal

Entrevista efetuada por Daniel Rebisso e publicada na Revista Realismo Fantástico número 6 de Curitiba. Ernesto Bono, autor de A Grande Conspiração Universal, faz incríveis revelações em entrevista concedida a Realismo Fantástico. Pesquisador italo-brasileiro, naturalizado, radicado no Rio Grande do Sul, o ufólogo Ernesto Bono é um dos pioneiros na abordagem filosófica do fenômeno OVNI. Nesta entrevista concedida ao também famoso ufólogo Daniel Rebisso, Bono fala de suas últimas descobertas sobre a grande conspiração dos extraterrestres que estariam dominando planeta.

Realismo Fantástico — Primeira curiosidade: como a Ufologia entrou em sua vida?

Ernesto Bono — Muitos anos antes de me tornar médico e psiquiatra. Foi por volta dos meus 14 anos que comecei a interessar-me profundamente pelo tema e, desde então, nunca mais abandonei essa temática fantástica ou essa manifestação do insólito.

RF – Como conferencista e escritor, observamos que a sua principal preocupação em relação aos OVNIs tem-se voltado para as questões filosóficas ou, como poderíamos dizer, para o aspecto epistemológico e que envolve o conhecimento das coisas. A seu entender, o que a realidade ufológica freqüentemente impõe aos homens?

EB – Eu suspeito que a presença dos UFOs, entre outras coisas, visa modificar nosso modo de sentir, perceber e entender a Vida e o mundo. Eles estariam aí para que, de algum modo, o homem abandone seus velhos esquemas de mal conhecer, esquemas instituídos no Ocidente pela filosofia e epistemologia de Aristóteles e fortalecida por Tomás de Aquino.

Tanto esses velhos filósofos como René Descartes, também filósofo e precursor da Ciência Moderna estabeleceram a primazia da dualidade perceptual. Para eles, sem qualquer dúvida – e para nós também, condicionados pelas idéias deles – existe uma realidade material que se estende e que dura, a qual pode ser encarada por outra realidade que pensa, o corpo-ego-homem, no caso. Esse dualismo ou multiplicidade perceptual acredita, por exemplo, que o homem é um ser à parte, separado, criado por alguém – Deus bíblico ou Acaso científico –, dotado de sentidos e capaz de sentir, pensar e perceber. O homem confrontar-se-ia então com um mundo que estaria à sua frente, mundo que precisa ser bem enfocado, bem percebido, decifrado. Ou melhor, teríamos que raciocinar em cima do que se enxerga e se percebe. Malgrado a impecabilidade dessa postura, ela infelizmente é um modo de conscientizar ou perceber totalmente errôneo e que vem prevalecendo há milhares de anos. Sem qualquer dúvida é prático e cômodo ao Status Quo, mas não passa de uma safadeza e desonestidade da lógica-razão em nós. Tal gnoseologia ou epistemologia é ótima para que os donos do poder alcancem seus fins, e é ótima principalmente para subjugar e dominar os inocentes e desavisados. Os orientais há milênios deram-se conta das mentiras do pensamento comum e da lógica-razão. Esse é o motivo profundo de os sábios orientais nunca se terem permitido criar uma ciência moderna, por exemplo, com seu modo de mal conhecer e de atuar pior. Embora os UFOs nada tenham a ver com a Sabedoria Oriental, talvez estejam tentando romper com nosso esquema enganador de mal conhecer, perceber, senão todos os UFOs, pelo menos boa parte. A presença anômala e escorregadia dos UFOs quiçá esteja sugerindo que conhecer corretamente não é exatamente aquilo que Aristóteles, Ciência e todos os demais filósofos do Ocidente estabeleceram, porque lhes convinha.

RF – Seria então necessário ver ou interpretar o fenômeno OVNI por um outro ângulo que não o científico?

EB – Aprofundando-me no tema, descobri que as humanas possibilidades de conhecer são somente duas: ou prevalece a Direta ou Sentir (do Sábio Autêntico), ou prevalece a Indireta ou pensar (do homem comum, do ignorante, do cientista confuso e conformado). Explico-me melhor: Conhecimento Direto é quando a Mente em SI – ou a Mente num Homem livre do mal pensar – não se separa do dado, ou daquilo que está à sua frente, isto é, a objetividade, que não precisa ser só e sempre material. Tal Mente Pura (ou SENTIR Primevo) comunga com a Objetividade Primordial – ou com o “ISTO” ou também com o Cosmo Verdadeiro. Em tal Saber-e-Sentir há uma interfusão, interpenetração, intercâmbio constante entre o Ser e a Coisa e que em verdade não são dois, mas sim são uma não-dualidade perfeita… No Conhecimento Direto se Sente, se Sabe e se Intui, se Comunga, mas não se rumina a respeito (raciocínio) ou não se discorre propositadamente sobre o percebido, sobre o que se conscientiza. Não existe um ego, ladrão, salteador e mentiroso para tal, e que se meta a distorcer tudo, a ocultar ou a acrescentar lorotas e enganos perceptuais. No conhecimento indireto se pretende que haja um ego-pensante aqui, que se confronta com determinada coisa, lá e que independeria dele, mas que em verdade é só e totalmente pensada. O ego-pensamento em todos nós sempre acha que sente, que sabe, que intuí, que compreende, que atua etc, quando em verdade só pensar em sentir, pensa em agir, pensa em compreender, mas mais mal conhece do que sabe de fato, mais mal lucubra do que intui; tudo raciocina e nada compreende; só pensa em agir, sem conseguir atuar e contento, livremente e alcançar fins verdadeiros. O que o ego-pensamento alcança é exatamente o fruto pensado ou aquilo que se propôs fazer. Longe porém está de usufruir daquele Saber-Sentir Puro, ou de alcançar aquele Isto Primordial, os quais não são tão transcendentes assim nem tão metafísicos. Os discos voadores autênticos são um ISTO Primordial que só o Saber-e-Sentir no Homem vivencia ou senão surpreende e com eles comunga. Há momentos, porém, que certos OVNIs, como uma concessão deles mesmos, transformam-se em objetos vulgares, fugazes, em aparelhos e que qualquer reconhecimento humano ou mal conhecer discursivo pode captar. Só que as experiências que a testemunha-ego tiver sempre serão precárias, confusas, enganadoras, traumatizantes ou até mesmo sofridas. E toda conclusão que de tal experiência o ego quiser retirar sempre será aparências, enganos ou mentiras.

RF – Mas esse tipo de apreensão ufológica nos parece quase um estado de Iluminação Interior. Será preciso tanto?

EB – E por que não poderia ser assim? Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel e a ciência moderna inventaram estórias a respeito da objetividade, do viver cotidiano, do Cosmo, onde os UFOs parecem caber. E quem pode nos garantir que o mundo ou a objetividade tem que ser exatamente como eles disseram? E além de ser assim, quem pode nos garantir que uma objetividade tipo UFO tem que se acomodar às leis e dogmas que a ciência inventou, estabeleceu para resultar em PODER. Ou um UFO tem que se comportar conforme a previsibilidade dos preconceitos humanos?

RF – Mas e o conhecimento indireto de que o amigo fala seria só um fornecedor de aparências e ilusões?

EB – Ele é o pai da própria ilusão e tem como base a própria lógica-razão, mãe de todas as aparências e contradições bipolares e polivalentes! A lógica-razão sempre polariza o que nós acreditamos conhecer por meio dela, ou seja sempre resulta num certo e errado, num longe e perto, num alto e baixo, num longo e curto, num duro e mole etc. –, ou senão oculta a Verdade-Isto, ou ainda distorce o Sentir Primevo e Puro, esconde o Real e em seu lugar engendra substitutos enganadores tipo falso mundo, falso universo, falso objeto. O REAL em si, por sua vez, não é nem material nem anímico, não é nada acrescentado nem dependente, nem é algo que o pensamento comum possa decifrar. Na verdadeira VIDA, em cujo seio os OVNIs também pode caber, e com eles outros Cosmos – e não só o modelo de universo científico – não existe “um homem aqui” e “um mundo lá”. O que nessa Vida talvez prevaleça é exatamente uma não-dualidade vivenciável, indescritível para a lógica pura, mas descritível para os sentidos e emoções. Digamos, é um todo em que homem-e-meio são algo completo. Sol-e-Raios, Raios-e-Sol. Aí, portanto, não haveria nenhuma necessidade de o homem na condição calhorda de ego-pensante separar-se desse meio e depois tentar conhecê-lo para dele tirar ou não proveito e implantar o PODER institucionalizado. Bastaria a esse homem comungar com seu meio, reconquistando aquela unidade ou aquela não-dualidade sensorial e que sempre é uma união afetiva e inteligente.

RF – A idéia é interessante, mas como se aplicaria esse Conhecimento Direto à pesquisa ufológica, ou senão ao seu correto entendimento?

EB – Para se aplicar o Conhecimento Direto não existe nem como nem porquê. O fato é que, sempre que se levantam os “como” e os “por quê?” em seguida passa a prevalecer o conhecimento indireto, o grande enganador e distorcedor de verdades simples e imediatas, como certos UFOs, às vezes podem ser. A presença UFO não oferece um “o quê” ou um “como” pensar. De algum modo, apenas sugere que o teu modo de conhecer é precário ou está errado e que tens que te modificar. Sua realidade, quando presentes se fazem, em termos aparentemente objetivos e materiais, é sempre um desafio para um ufólogo honesto e livre de escolas. Parece que eles vivem a nos dizer: Pára de pensar tanto e tão mal e começa a sentir-e-saber de outro modo! Esse teu outro modo de sentir-e-saber pode perfeitamente transformar-se num caminho que te conduzirá até nós”. E aí voltaremos a ser aquela não-dualidade, Isto-Sentir e Sentir-Isto, em que tanto os homens de boa vontade como os homens cósmicos, seus irmãos mais velhos, acabarão se confundindo e se abraçando no seio de um mesmo PAI-MÃE, de onde tudo surge, mas nada se cria.

RF – Acreditas que todos os UFOs ou melhor, os ufonautas seriam capazes de tal gesto?

EB – É claro que todos não, mas boa parte sim. E é exatamente contra esta boa parte que o Governo Invisível humano e os ETs nefastos do além estão lutando. Boa parte dos ETs devem ser positivamente neutros ou benevolentes; e quem sabe estejam inseridos nesse modo de conhecer direto ou não-dualista. Estes talvez estejam tentando atrair alguns homens inteligentes para levá-los de volta às suas origens, o centro de tudo, onde tudo converge e também desde onde tudo diverge, sem que nada nem ninguém perca aquela condição primordial de Consciência-EU.

RF – E dos demais extraterrestres, dos ETs nefastos, o que poderias no dizer?

EB – Que são velhos aliados de humanos também nefastos daqui mesmo. Tanto a esses ETs velhacos como os seus compadres terrestres do Governo Invisível interessa e convém que prevaleça o famoso conhecimento indireto e indiretíssimo, ou seja, o conhecimento tipo comum ou tipo científico, a moral gananciosa e mesquinha do materialismo niilista, a falsa religiosidade. Esses ETs bandidos ou até mesmo neutros negativos visam o PODER, no além e no próprio mundo, como também o Governo Invisível visa este PODER ou a hegemonia mundial. Ambos não têm qualquer emoção, amor e sentimentos. São máquinas trituradoras e destruidoras sem o emocional-cardíaco, e que é exatamente a alma humana. Eles são os famosos emissários da morte!

RF – Em seu livro A Grande Conspiração há um capítulo inteiro dedicado às revelações de John Lehar e Milton William Cooper a respeito do Majestic-12 e do governo secreto do mundo. O que te levou a crer na validade dessas denúncias?

EB – Exatamente os pormenores das denúncias que ambos fizeram. Como diz William Moore, que os contra-ataca, ambos podem ser apenas simples paranóides, fascistas, farsantes ou quem sabe agentes da CIA disfarçados. Suspeito que William Moore é muito mais do que eles. Para não ter amor à verdade e ao próximo sofrido, Milton William Cooper estaria se expondo demais, pode até correr risco de vida. Nem ele mesmo se dá conta da incrível e espantosa gravidade de suas denúncias. Põe a nu as manobras de um Governo Invisível que efetivamente existe, encabeçado por uma CIA, MJ-12, CFR, TC, Bilderburger, Sociedade Jason, Alternativas l, 2 e 3 etc. como nunca ninguém o fez. John Lear é muito mais prudente e comedido. Mostra o crime, sim, mas acha que ninguém é criminoso. Só os ETs safados é que seriam. M.W.Cooper prova que a maior culpa cabe não aos ETs, mas ao Governo Invisível, que tem atormentado o mundo inteiro, visando o Poder Máximo… O que mais me deixou pasmo foi saber que desde 1947, atrás de um Truman ou de um Eisenhower, já existiam assessores presidenciais humanos, manipulando o governo norte-americano e soviético, constituindo inclusive e com toda felicidade organizações ocultas e prejudiciais aos homens e aos ETs, digamos bem intencionados, como o MJ-12 (ou melhor, projeto Grudge, Sign, Projeto Grudge, Projeto Bluebook, Projeto Yellowbook, Sociedade Jason etc. etc). O que me deixou abismado foi ver como esses humanos em absoluto nada honestos – alguns dos quais representam exatamente a anti-raça humana – se levantaram em bloco, tentando de todas as maneiras possíveis ocultar e bloquear toda e qualquer difusão de verdades ufológicas que não conviessem aos interesses deles. Eles não podiam deixar transparecer que sociedades secretas ou eles próprios, o Governo Invisível, já lidavam com ETs nefastos há milhares de anos. Também não podiam deixar transparecer que sempre houve uma Grande Conspiração Universal, e que, após a Segunda Guerra Mundial, ou após a Segunda Grande Derrota Mundial – pois não foi o homem quem ganhou tal guerra – outros tipos de UFOs e ETs haviam irrompido no mundo, numa tentativa desesperada de alertar os homens ou de ajeitar o que ainda podia ser ajeitado.

RF – Mas então o que tens a dizer da falsa alegação de que os governos mundiais manteriam o fenômeno UFO em sigilo a fim de manter a ordem social e perpetuar o bem estar de todos?

EB — Essa tese de manter a ordem social, malgrado as histerias que o programa radiofônico de Orson Welles em 1938 causou, é completamente falsa. Os poderosos que Milton William Cooper denuncia, e que eu julgo extremamente prejudiciais para o gênero humano, foram os que se levantaram após o segundo conflito mundial (ou derrota mundial), tentando esconder e sufocar uma coisa que havia resolvido intervir desde fora, desde o Insólito, e com o qual eles não contavam. Ou seja, as aparições em massa de OVNIs neutros e quem sabe benevolentes, não aliados de certos humanos safados e não ligados à Conspiração Universal. Esta última talvez atinja seu ápice neste fim, de século ou no novo.

RF – Acreditas realmente que seres extraterrestres tenham firmado algum pacto ultra-secreto com as grandes Potências da Terra?

EB – Não que assinaram, mas foram induzidos a firmar pelo Governo Invisível, e que manda em todas essas grandes potências aparentes. Por conseguinte, foram enganados tanto pelos ETs nefastos como por certos humanos safados daqui mesmo. Ao assim me exprimir, estou me baseando em dados históricos, filosóficos, religiosos, espirituais e ocultistas. A Grande Conspiração não abrange somente a área política e econômica, mas abrange tudo, principalmente o pretenso lado religioso, espiritual, ocultista e paranormal da humanidade.

RF – Independentemente de Cooper e Lear, de onde tiraste a tua convicção do pacto entre ETs e humanos safados?

EB – Conhecendo bastante bem um plano geral que está em andamento há milhares de anos. Tenho me apercebido dos interesses em jogo e que são da ordem econômica, militar, política, religiosa, filosófica, científica, mágica, ocultista, sociológica etc. A partir da manipulação disso tudo, pode-se conhecer o que o Governo Invisível pretende e sempre pretendeu: a hegemonia mundial absoluta. E para tal, nada melhor do que os alienígenas aliados deles! Sempre confundimos esse Governo Invisível ou clandestino com uma Fraternidade Branca com uma Shamballa, com Agartha, mas essas não tem nada a ver com isso. Forças ocultas nefastas do além e do aquém movem o mundo há centenas, senão há milhares de anos. E essas forças tanto pertencem aos falsos deuses, a Golem, Moloch, Molokron, a ETs tenebrosos, como pertencem a humanos, em momentos senhores e em outros servos daqueles. É a velha luta entre Deuses inseridos na Lei e Demiurgos fora da Lei, ambicionando o Poder. O homem comum infelizmente, fica no meio, como nas duas últimas guerras mundiais, e sempre leva a pior. Não poucos humanos gananciosos são aliados dos demiurgos há já muito tempo.

RF – Mas esse acordo secreto justificaria toda uma série de fatos aterradores, supostamente causados por determinados extraterrestres, como as desaparições misteriosas de seres humanos, mutilações inexplicáveis de animais, abduções de mulheres e homens por OVNIs e que depois são devolvidos totalmente perturbados.

EB – Que o acordo propriamente dito tenha a culpa do que vem acontecendo na Ufologia, duvido; mas que ele entreabriu a porta, entreabriu. Só que os poderosos dos governos não suspeitavam – e quem sabe sequer os líderes do governo invisível suspeitavam – que com essa abertura de leve, as portas iriam se escancarar, favorecendo as patifarias de certos notórios ETs vampiros, de certas larvas, de certas “máquinas” ávidas de sangue. Muitos estudiosos do assunto sabem que esses acordos não somente permitiram que alguns ETs, e que depois se revelaram insidiosos, se instalassem no nosso meio, como inclusive lhes foi concedida certa liberdade para fazer as experiências que lhes conviessem, em troca de favores e avanços técnicos. Esses mesmos ETs, aliás, velhos aliados do Governo Invisível ou clandestino, sempre estiveram aí. O que faz pensar então que tais coisas já vinham acontecendo há muito tempo, só que de modo mais brando e bem disfarçado. As velhas bruxarias e os diabos teológicos levavam a culpa. Tais ETs nos tempos que correm, infelizmente, estão exagerando na medida. Ninguém mais os segura. Entrementes, o que o Governo Invisível está fazendo com suas Alternativas l, 2 e 3, com sua franca difusão das drogas, com o contrabando de armas sofisticadas, com corrupções generalizadas, com desgovernos provocados no terceiro mundo, com inflações totalmente camufladas, com recessões, com misérias agudas, com fome generalizada como as da África, com futuras leis marciais etc. etc. isso meu amigo é muito pior.

RF – Duas raças supostamente extraterrestres, os reticulianos e os rigelianos (além dos reptilianos) estariam atrás dessas operações e acordos secretos. Quem te garante que sejam elas mesmas as que estão fazendo tudo isso?

EB – As palavras reticulianos, rigelianos, reptilianos, e até mesmo procionianos (ou tipo humano, nórdicos) foram inventadas pelos homens, por certos estudiosos de Ufologia. Não sei quantas raças de ETs nefastos existem, mas um tipo cinzento, e que o homem chamou de reticuliano, é o que geralmente prevalece quando se trata de descrever horrores e circunstâncias desagradáveis na Ufologia. Suspeito que dentre as centenas de tipos de ETs já vistos – (vistos pelo conhecimento indireto e enganador do homem e, portanto, ETs mal descritos; ou quem sabe, alienígenas que nos enganam por causa de nossa precariedade perceptual) – possível seria formar três grupos, sem cair no maniqueísmo do bem e do mal, ou seja: os benevolentes, tolerantes e que talvez tentem nos ajudar (os procionianos, quem sabe!), Os neutros e que às vezes se confundem com máquinas, robôs, andróides, clones, e os nefastos que precisam nos vampirizar e sugar tudo o que fortaleça e garanta a sobrevivência deles… Temo que estes últimos sejam a maioria… O relatório Matrix aponta os reticulianos, os rigelianos e os procionianos como sendo os extraterrestres que mais nos visitam e atuam no nosso meio. Suspeita-se também que as potências mundiais do primeiro mundo foram levadas a fazer acordos com reticulianos e rigelianos,. Os procionianos ou os tipo venusino de George Adamski sempre foram rechaçados pelos governos em geral, não se sabe porque e sempre foram vistos como seres criados pela imaginação humana. (É que esses tais se confundem com os alemães, e por conseguinte com os nazistas que fugiram após a WW2). Adamski, no caso, era o pai dessa imaginação, com propensões místicas. É claro que atrás desse rechaço forçado e imposto estava o próprio Governo Invisível… Por outro lado, levando em consideração os diversos relatos  e raptos acontecidos, as vítimas geralmente ou descrevem extraterrestres tipo reticuliano, ou senão tipo rigeliano, mas estes bem menos, reforçando sobremaneira a tese das experiências terríveis que tais alienígenas estariam levando a cabo com homens e animais. Por outro lado, não se tem notícias de encontros com procianianos (ou tipo venusino) e que para o contatado tenha resultado em violências e traumas… Posso estar enganado, pois não é possível memorizar todos os contatos de terceiro, quarto e quinto grau que já aconteceram com ETs, no mundo inteiro.

RF – Esses reticulianos e rigelianos teriam eles entrado no cenário terrestres somente após a Segunda Guerra Mundial? Ou melhor dito, somente depois de 1947?

EB – Ai amigo, indiretamente estás me obrigando a tocar num assento delicado. Bem, lá vai, paciência! De fato, certas coisas precisam ser ditas! Como antes sugeri, muito antes de 1947, digamos milhares de anos atrás, certos membros ativos do que hoje mal se suspeita existir como governo invisível já eram aliados de certos extraterrestres. Quero crer que eram aliados de ETs nefastos. Só que estes dificilmente se faziam presentes na superfície do globo. A modo de dizer, viviam invisíveis ou semi-invisíveis em planos imediatos ao plano-Terra. Eles, tranqüilamente sempre efetuaram o comércio do troca-troca… Ou seja, certos bruxos, certos religiosos de mau caráter, sempre estiveram fazendo sacrifícios, geralmente sanguinários, sempre praticavam rituais a favor de tais ETs e que eram vistos como pretensos santos, deuses, guias, líderes de falanges, de egrégoras etc. E estes, em troca, obsequiavam favores e poderes para os seus eleitos, escolhidos ou ritualistas. Talvez alguns do Governo Invisível atuassem assim e tirassem proveito disso. Assim que os pactos ou acordos entre ETs nefastos, necessitando de sangue, hormônios, órgãos, humores, sentimentos, emoções dos seres vivos já são bem antigos. Eles sugam tudo.

RF – Por que razão esse acordo entre ETs cinzentos e grandes Potências, direcionadas por um pretenso governo invisível só foi posto em prática mais intensamente nos últimos anos, digamos, após a Segunda Guerra Mundial.

EB – Vou contar uma piada que parece verdade ou uma verdade que parece uma piada. Conforme ensina a tradição milenar e o próprio Apocalipse, milhares de anos atrás houve um terrível confronto de ETs no céu, confronto que se refletiu na superfície terrestre, de modo catastrófico. Um grupo de ETs benevolentes ou da Luz, capitaneados por alguém, e obedecendo ordens do Centro da Vida, vieram dispostos a eliminar (ou a expulsar) dos céus e da superfície da Terra o Demiurgo usurpador,  e seu 1/3 de estrelas (ou ETs nefastos, asseclas, seguidores ou até mesmo outros demiurgos mais). Este Demiurgo usurpador, tomando o lugar do Absoluto, do Ser Primevo, do Deus Pai-Mãe, muito antes fez-se passar pelo deus único, criador do céu e da terra, e que todos deviam obedecer e temer. Em verdade sempre foi e é um farsante, um Titã inimigo dos homens. E tal como conta o Gênesis, em que Abel é atraído para fora por Caim e depois é traído e morto, esse mesmo líder e seus ETs de boa vontade, de algum modo, foram enganados pelo Demiurgo. Tiveram que parar de guerrear contra as hordas do Demiurgo, porque quem estava sendo prejudicado, como de hábito era o homem da superfície terrestre. E, bloqueados,  não puderam voltar às suas origens. Para evitar o pior, “esses ETs benevolentes tombaram na superfície terrestre”, em pontos especiais e se esconderam por um tempo ou Era. Esses mesmos que se esconderam em algum lugar da terra, como os tempos haviam chegado, por amor ao homem, resolveram reaparecer na superfície. Determinados extraterrestres não derrotados, mas que por força das circunstâncias se ocultaram em mundos subterrâneos e plataformas submarinas, simplesmente resolveram voltar. Juntamente com o retorno à superfície desses, também voltaram a aparecer outros ETs cósmicos, Filhos da Luz, que se situavam muito além do escudo isolador que o Demiurgo havia levantado ao redor da Terra. Com esse aparecimento repentino de ETs positivos do muito além, e os aqui escondidos, o Governo Invisível ou clandestino se apavorou, pois estes, mais, digamos os reticulianos do além, aliados destes, eram inimigos milenares de todos esses outros ETs provavelmente positivos e inclusive inimigos da própria humanidade, que por eles todos sempre foi considerada um pasto aprazível.

RF – Na semana passada, saiu uma grande entrevista na Revista Veja, com Peter Ward, famoso astrônomo, astrofísico norte-americano, o qual afirma, após profundos estudos e pesquisas científicas, que fora do Planeta Terra não existe vida. Sendo ele um renomado cientista que fala assim, num quase coro com os demais colegas de astronomia, o que sobra então para os leigos, para quem não é especialista de astronomia, para os que pretendem ser exobiologistas etc? Por um mero acaso, só a Terra teria vida? E se não existe vida em parte alguma, para que a ciência astronômica, astrofísica vem gastando tanto dinheiro com pretensas conquistas do espaço, viagens para a Marte, para a Lua, com radiotelescópios tipo Arecipo e outros mais?

EB –  Sinceramente, malgrado a pretensa seriedade, certos astrônomos deveriam se aposentar ou deveriam ser aposentados. Que nessa visão científica de Marte ou nesse modelo de universo científico não existe vida até dá para acreditar. No caso contudo também se deveria dizer que o que de fato não existe é exatamente esse universo científico, malgrado o falso universo sempre aparece, e que no seu lugar desse universo há Algo mais, o Desconhecido, por exemplo. Conheço bem a pretensa seriedade científica, conheço bem as aludidas provas, a metodologia utilizada para arrancar verdades de um perfeito faz-de-conta.

Por exemplo, eu, feito um cientista ou feito um astrônomo não posso afirmar categoricamente que na minha versão de um Marte científico, ou seja qual for o planeta, não exista vida, e sequer restos de vida que talvez possa ter se existido milhares ou senão milhões de anos atrás. Feito um ufólogo também não posso afirmar categoricamente que no planeta Marte, sinceramente descrito por um pressuposto alienígena autêntico,  existe vida por que ele mo disse. Tampouco posso afirmar que num hipotético Marte astralino há vida só porque um pretenso espírito do além, tipo Ramatis, descreveu tal vida, por meio de um médium ou sensitivo. Mas então, se nem o cientista, nem o ufólogo e nem o místico têm razão quem a tem? Digo eu, como a nossa percepção comum e científica está distorcida, como a nossa possibilidade de conhecer não leva a coisa alguma, e quando muito forja ficções e inventa estórias, então ninguém tem razão de coisa nenhuma. Só terá razão aquele que vivenciar o fato e se Aqui e Agora nesse fato couber um planeta Marte, nessa vivência estará a razão.

Os radiotelescópios foram forjados para que a ciência moderna provasse aos contribuintes otários, aos pagadores de impostos, que ela faz alguma coisa de útil, ou senão para pretensamente provar que existem planetas com vida inteligente, planetas que emitem sinais de vida, que existe atividade inteligente perfeitamente captável por meios luminosos e sonoros. Para os UFOs que rolam aos milhares, por aí e inclusive se comunicam, tais astrônomos não dão a mínima importância, mas para captarem falsos sinais de vida a bilhões ou trilhões quilômetros de distância, esses gênios da ciência moderna tudo gastam, em tudo se aplicam. Eles acham que tais radiotelescópios lá pelas tanta inclusive poderiam permitir um intercâmbio de inteligência e informações, pois sim. Custaram uma fortuna, e no entanto, qualquer gaiato em ciência, num paradoxo completo, vem e afirma que não há vida igual a da Terra em nenhum outro planeta. Face a esse paradoxo, as opiniões dos ufólogos são bem menos dispendiosas.

RF –  Existe uma imensa presença diante de nossos olhos extasiados que chamamos céu estrelado. Até quinhentos anos atrás, de todo  este céu a Terra era o ponto central. Todo o resto girava ao redor. Depois vieram os precursores da ciência, Copérnico, Kepler, Galileu, Newton, e a Terra de central passou à condição periférica. Transformou-se num insignificante terceiro planeta de um banal sistema solar qualquer. O Sol ficou central. De lá para cá, o universo foi-se complicando até o infinito. Bem, mas o Atual modelo científico de universo é de absoluta confiança? Pode-se crer absolutamente nele, ou alguma coisa aí nos estaria enganando, como no tempo do geocentrismo?

EB – Para escândalo de alguns, o atual modelo científico de universo não é algo absolutamente verdadeiro, no qual se possa confiar. Meus amigos, o universo científico nunca falou de por si, nunca provou nada por si mesmo, quem fala por ele é sempre o homem mal pensante, seja este uma pessoa comum, seja este um cientista, seja um contatado, seja um místico, seja um sensitivo. E mesmo que se tente provar que o universo científico é verdadeiro, em realidade aí apenas estão se armando causas e condições que resultam numa ilusão perceptual. Tudo obedece à Lei da Geração Condicionada. (Isto sendo, em pensamento, aquilo aparecem, aquilo se objetiva, aquilo se concretiza se para tal eu executar o ato intencional… E mais) Sou eu que te vejo, ó universo de araque, e vendo-te, me vejo, e vendo-me te faço! Por outro lado, no nosso íntimo existe uma poderosa ferramenta pretensamente perceptora chamada avidya (ou ignorância-ego-pensamento primordial) mas que em verdade distorce tudo o que se coloca na frente dela. Por sua vez, fora de nós existe uma Realidade Desconhecida e que Aqui e Agora só se revela àquele que consegue Vivenciá-la, num Saber-Sentir-Intuir autêntico. E se não for assim, quando a ignorância em nós encara Realidade Cósmica a transforma em mentira, num faz-de-conta, em aparência, ilusão ou em Maya, como dizem os orientais. É por isso que o universo objetivado não é uma realidade lá adiante, em sejam quais forem as versões, não importa se geocentristas, heliocentristas, materialistas, idealistas, animistas etc. etc. Tal máquina universal é um embuste total, é  uma completa  interdependência entre pessoa pensante e objeto pensado.

RF –  A Astronáutica moderna mandou foguetes e sondas para todo o sistema solar, e conforme informam os donos do poder e, por conseguinte os donos da verdade científica, da “verdade conveniente” não há vida nos demais planetas do sistema solar. Parece não haver vida também no tal sistema solar próximo da terra, chamado Alfa Centauro e que estaria a uma distância de 4,3 ou 4,5 anos luz.. Mas e aí de onde vem os tais de discos voadores? Ou será que tais discos não existem e nunca existiram?

EB – Pergunta inteligente mas capciosa. Por causa dela serei obrigado a fazer afirmações diferentes, terei que apresentar teses a respeito da eventual origem dos UFOs. No fundo porém abomino teses, antíteses e sínteses. Mas apesar disso, os discos voadores têm que provir de algum lugar ou senão teriam que provir.

Amigos, um lugar nos dá uma idéia quase clara de espaço e, por conseguinte de tempo. Com isso esses dois embustes universais chamados espaço e tempo físicos se assentariam em termos absolutos, como vêm fazendo a milhares ou milhões de anos. Nós seres humanos vivemos na Terra que seria um pequeno lugar do universo científico. Eles, ETs morariam em outro lugar, em outro planeta desse mesmo universo científico. Segundo a ciência, o Universo científico é constituído e trilhões de trilhões de lugares geométricos-espaciais. Mas será mesmo? Paradoxalmente, porém a ciência, para desgraça nossa, prova que não há planetas habitados. Tal “maravilhosa” conclusão, evidentemente é alcançada por um modo de pensar vergonhosamente deturpador, ou seja, pela inferência, pela elucubração adoidada e por conclusões estapafúrdias. Mas e se os UFOs não viessem  de nenhum lugar do universo científico? Digamos que eles não conhecessem os lugares geométrico-espaciais do conhecimento humano!? E se eles simplesmente vêm de outros planos de vida, que não planetas, que não lugares falsamente físicos? Se tais UFOs vierem de outras dimensões que nada tem a ver com a nossa pobre e miserável prisão tridimensional? E se eles são um ponto-instante, ou seja, moram num ponto-instante luminoso, num Aqui e Agora suis generis, que de repente vira um plano existencial, um planeta, um palco de vida etc, a partir do qual eles saem e conseguem se intrometer no nosso meio, manipulando para tal a nossa triste e porca tridimensionalidade, adaptando-se a ela? Tudo isso é delírio minha gente? Delírio absoluto e total, porém, é o modelo científico de universo vigente por meio do qual cientistas e astrônomos arrotam à vontade. Não estou impondo nenhuma tese, e nem quero que tomem defesa do que sugiro ou digo, pois não vale a pena. Minhas palavras, como as de qualquer um “são fantasmagóricas rainhas que criam e matam a outros fantasmas” Amigos, face à evidência gritante dos UFOs e suas intromissões ininterruptas no nosso meio, há já milhares ou milhões de anos, só se pode sugerir, sem nada impor, que eles são extra-situacionais e não extraterrestres. Ou seja, quem sabe, quem sabe, o Cosmo verdadeiro, ao invés de ser constituído de planetas, satélites, sistemas solares, galáxias, nebulosas, buracos negros, quasars, anos luz a serem suplantados e o escambau, pode ser constituído de situações existenciais especiais e que chegam até nós sob a forma de ponto luminoso. Este ponto contudo dilata, encolhe, se aproxima, se afasta, se funde com o nosso meio, simplesmente desaparece etc.etc. Nenhuma certeza amigos, nenhum dogma, apenas conversa bem temperada ou papo de maluco, como diria um senhor Renato Azevedo

RF – Newton, com sua pretensa descoberta da Lei da Gravidade e seu implante, já no seu tempo, transformou o Universo numa verdadeira máquina. E preocupado com isso, arremedou que o Deus, ele a  pessoa bíblica, o criador de tudo, estava fora dessa máquina astronômica, daí ele ou os companheiros dele terem dito que Deus é um Deus ex-máchina. Isto é, que Deus estava  fora da máquina, estava  fora da engrenagem que o pensamento de Newton & Cia forjou. A objetividade universal atualmente se complicou de tal maneira e ficou tão imensa que as idéias, as concepções humanas de Deus criando universos de fato não cabem mais. Quem criou esse universo, deus ou o pensamento humano, pretencioso e delirante?

EB – Escândalo dos escândalos! “Prendam esse homem pois ele está maluco e quer prejudicar nossas instituições tão sagradas e tão proveitosas, pois nos propiciam tanta riqueza e fama!” Qualquer falso puritano, falso cientista, verdadeiro cientificista, cientificóide poderia pensar assim ou poderia gritar assim. Amigos, nunca houve uma criação do mundo, do universo, no espaço e no tempo, primeiro porque estes dois últimos não existem como a astronomia e a física humanas acreditam que sejam. Não existindo espaço, tempo, matéria, energia, plasma, nunca houve também um recipiente prévio, no qual um deus pessoa, barbudo e decorador de bíblias, por meio de taumaturgias começasse a criar o mundo, o sol, a lua, a vida e o homem. Tampouco houve um muito mais ridículo deus acaso da ciência que por meio de uma brutal mentira tipo Big-Bang tenha dado origem à vida, graças ao funcionar de leis físico-químicas-matemáticas que ninguém sabe como vieram a ser,  a existir,   nem como conseguem criar e conseguem fazer funcionar alguma coisa. Sem impor tese nenhuma, nem conceitos, nem proposições, sugira-se apenas sugira-se, sussurrando, que o Absoluto, que Deus Vivo, Aqui e Agora, livre de espaço, tempo, livre de falsa matéria, falsa energia e falso plasma, Manifesta-se feito Vida, feito Cosmo, e que Aqui e Agora toda essa Manifestação Divina e Extraordinária, também escondida no Coração do Homem, se renova de momento a momento. Por conseguinte nessa Manifestação em constante renovação nada há que uma ciência possa descobrir a nível físico, a nível astronômico, químico, bioquímico, biológico, existencial. E o que a ciência diz descobrir em verdade ela apenas forja, engendra. Tudo o que é descoberto e provado, isso sempre é inventado pelo pensamento humano, o que já é um grande mérito, mormente se determinada forjação manifestar algo positivo e construtivo.

RF – A cada dois minutos ou segundos na superfície da Terra são vistas ou constatadas as mais diferentes presenças celestes, entre as quais os Objetos Voadores não Identificados. Digamos que só 10% disso sejam discos voadores. Se a Terra é o único planeta habitado e está isolado do resto do cosmo, de onde vem tantas presenças anômalas que longe estão de se igualarem a aviões de carreiras?

EB – Essas presenças vêm das infinitas possibilidades do Cosmo Verdadeiro e não necessariamente do universo científico e respectivo modelo. Copérnico-Kepler-Galileu, no século XVII apenas forjaram seu próprio universo quantitativo, Newton o sacramentou por meio de fórmulas físico-matemáticos, e depois disso tal modelo de universo se complicou e entrou em inflação galopante. O universo proposto por esses gênios do pensamento humano é apenas um universo quantitativo e este tinha que entrar em inflação. Brevemente entrará em colapso. A Ciência Moderna se implantou no século XVII graças a essa pretensa revolução astronômica, e eu acho que haverá de modificar-se ou tornar-se uma Ciência científica-filosófica-espiritual graças a outra modificação da concepção astronômica. Certamente quando Jesus, o Mestre da Galiléia disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas ou muitos quartos”  estava-se referindo a um Cosmo Autêntico, a um universo qualitativo e não quantitativo, malgrado a frase de Jesus também sugira o lado quantitativo. Sucede porém que “casa e quartos” é algo muito íntimo, muito emocional, muito qualitativo e não quantitativo. Não há nada mais sagrado do que o próprio lar. Só uma casa paterna com muitas moradas encerra infinitas possibilidades cósmicas e existenciais. E desta devem provir os UFOs benevolentes, neutros e até mesmo prejudiciais. E a propósito, os monstros que há milhões de anos tomaram conta da Terra vieram de um anti-universo, vieram da sombra da vida, de um horroroso poço sem fundo, e esses dominam o mundo, e para desgraça nossa, inclusive se intrometem e nos insuflam arremedos de sabedoria, para que essa coisa notável chamada ciência, que derrotou em definitivo as proposições da teologia católica e de alguma maneira eliminou a inquisição, acabe se deturpando até o extremo por simples exageros, falsas certezas absolutas e distorções..

RF –  Dr. Bono, em seu livro A Grande Conspiração Universal, o senhor escreve: Eles estão aqui há muito tempo e brigam entre si. O ser humano desavisado está inserido entre dois fogos. Precisamos surpreender quem são os extraterrestres realmente favoráveis ao homem, quais são os neutros e quais os alienígenas nefastos, sem nos comprometer e sem sairmos prejudicados nessa investigação. E principalmente, para que melhor se entenda a temática ufológica, ela tem que se divorciar das idéias científicas de espaço, tempo, matéria, energia, plasma, evolução, porque os paradigmas ou os modos de conhecimento de que os alienígenas se valem são completamente outros. Os ETs não abusam do pensamento como nós. Sentem-e-Sabem que podem fazer determinadas coisas e simplesmente as fazem. Talvez de modo mais mágico do que lógico. Todos esses aspectos têm que ser levados em conta na Ufologia para que alguma luz vingue numa temática tão ambígua. A Ufologia não pode fundamentar-se nos erros da astronomia.

EB -Está muito bem dito, nada a acrescentar.

RF – Os grandes inimigos das viagens espaciais ou astronáuticas são o espaço e o tempo. A matéria, a energia e o plasma até que não são tanto. As distâncias entre os planetas do sistema solar são enormes. Contam-se em bilhões ou trilhões de quilômetros e até em quatrilhões. Entre sistemas solares, então as distâncias são um horror. São medidas em anos luz. A distância que permeia o sistema solar e outro sistema solar mais próximo, e que é o Alfa-Centauro é de 4,3 a 4,5 anos luz.

Um ano luz tem aproximadamente 39 trilhões de quilômetros. Os sistemas solares de nossa galáxia via láctea, digamos as plêiades, ou zeta retículo estão a mais de 100 anos luz de distância. De que maneira ETs ou até mesmo terrestres superariam essas distâncias impossíveis de suplantar?

EB – Quando a ciência astronômica se depara com essas fantásticas distâncias em trilhões de quilômetros tem toda a razão em dizer que os UFOs não existem. Só que eles não se deram conta de que o espaço é uma mentira, o tempo físico também, de que a velocidade da luz em 300.000 km por segundo é um engodo, de que tais distâncias são um absurdo, de que o universo que eles enfocam é apenas uma recriação de suas próprias cabeças. Eles utilizam uma cabeça, um cérebro (tudo mentiras reinventadas), quando em verdade eles utilizam uma mente não material e um pensamento calhorda para perceber e conhecer o que no fundo e em última instância nunca souberam o que era isso. Confiaram em tal enigma perceptor e conhecedor e nunca quiseram ouvir os avisos de outras maneiras antigas de conhecer que já alertavam: “Homem, homem cuidado com o pensamento, porquanto ele é um ótimo servo, um ótimo criado, mas é um péssimo senhor. Se fizeres de teu pensamento (raciocínio, intelecto, falsa percepção) um senhor, ele virará um tirano e te esmagará sempre.” Sim, pois o homem não é só mal pensar, mas é principalmente Saber-Sentir-Intuir. “Homem, homem, antes de forjar lorotas e extrojetá-las diante de ti feito um cientista, conhece-te a ti mesmo! Porquanto se te autoconheceres em profundidades, Saberás quem és, de onde vieste e para onde vais. Surpreenderás o trapalhão e salteador ou o ego-pensamento, no teu próprio íntimo forjando mentiras e ilusões com a finalidade de subjugar e dominar o Verdadeiro Homem em ti. Autoconhecendo-te saberás quem é Deus e o que a Vida ou o Universo dentro e fora de ti!”

RF -Enrico Fermi, um dos pais da bomba atômica, pois foi o primeiro a fissionar o átomo em laboratório, como bom cientista descrente que era e em relação aos discos voadores, na década de 1950-1960 declarou: “Não existem seres inteligentes extraterrestres na Terra, agora. Se houvesse outras civilizações inteligentes na via láctea, mais cedo ou mais tarde, elas teriam dominado as viagens interestelares, tendo explorado e colonizado a Galáxia. Como eles não estão aqui e agora, eles não existem!” Este é chamado o paradoxo de Fermi, por meio do qual cientistas e astrônomos acreditam silenciar os argumentos dos ufólogos.

EB – Enrico Fermi não suspeitou o horror que ia desencadear com a sua maneira de pensar e de agir, e que dizem ter sido uma maneira científica de atuar.Ou seja, ele, grosso modo, teria conseguido fissionar o átomo de plutônio, urânio, ou sei lá qual, para que daí aparecesse  a explosão atômica. Em verdade ele apenas pôs a Lei da Geração Condicionada em funcionamento como nunca, e incidiu num campo virgem de forjações e manipulações mentais. Daí então saltou fora o seu átomo, as suas pretensas fissões, as suas explosões e tudo o mais, pois sou eu que te vejo, ó átomo de merda, e vendo-me, te vejo, e vendo-me, te faço!” Isto é, sou eu que te vejo, ó átomo de merda, pois eu e tu, em verdade somos não dualidade, não separação, somos unidade. Somos um imã, eu, a  parte pensante, sou o pólo A e tu, a  parte pensada,  és o pólo B. E vendo-me objetivado feito um tu, feito um falso átomo pensado, em realidade me vejo, e vendo-me diferenciado feito um tu, feito um falso átomo, vejo-me obrigado a agir por meio do método científico de experimentação e com isso te faço, te engendro, ó desgraceira, ó poluição máxima, ó imbecilidade atroz!

Enrico Fermi, estimulado pelas pretensas descobertas de Einstein e pela sua fórmula E = mC2 apenas pós a Lei da Geração Condicionada em funcionamento e alcançou um assombro de fruto. “Isto sendo, em pensamento, aquilo aparece, aquilo se sobrepõe, aquilo se objetiva, se concretiza, se para tal eu executar o ato intencional da metodologia científica experimental. Isto não sendo pensado, aquilo não aparece, não se objetiva, não se concretiza porque para tal não somente não penso como inclusive não faço absolutamente nada.”   “O Paradoxo Verbal de Enrico Fermi”,  por meio do qual não poucos astrônomos desavisados tanto se ufanam, é puro verbalismo fútil, conversa fiada extremamente requintada e intelectual. Minhas colocações também podem ser pura conversa fiada, por que não? Seres inteligentes em outros planetas, na via láctea, dominando o espaço e o tempo e superando distâncias impossíveis, para finalmente nos dominar é um absurdo total, é contradição completa,  é pura conversa fiada, malgrado haja alguns ETs safados, sim, ou extra-situacionais que nos dominam. Só que estes provêm de outras condições existenciais, e estão saturados por um espírito de porco incomparavelmente maldoso ou são verdadeiros demônio, sui generis.

RF – Se a presença dos UFOs na Terra é uma aberração, porque então os poderosos do mundo, o governo norte-americano, principalmente já em 1947, 1948 criaram o projeto Sign (projeto sinal), que evoluiu para o Projeto Grudge (projeto ressentimento), no qual foi elaborado o famoso livro Yellow Book onde se registraram as conversas dos ETs. Porque foi criado o Projeto Blue-book, com suas equipes idiotas, outrora tão conhecidas na televisão brasileira? Por que e para que foram criadas a antiga CIA e a atualíssima NSA (National Security Agency). Por que foram criados o Conselho de Segurança Nacional, o MJ-12, o projeto Red-Light, Snowbird etc.

EB – A hipocrisia das autoridades constituídas mais a do Governo Invisível é tamanha que preenche completamente o universo científico ou o seu pressuposto espaço físico. Por exemplo, a turma governamental do presidente Truman de 1947, quando o acontecimento de Rooswell escorregou e quase se tornou de público conhecimento, correram apressados para tapar o sol com a peneira e aí criaram o Projeto Sign, o Projeto Grude, que iam estudar o vôo das borboletas (ou UFO), igual à expedição da Antártida em que o almirante Bird foi caçar pingüins na Nova Suábia do Pólo Sul. Foi criada nada menos do que a CIA, existente na ocasião só para estudar o escândalo dos UFOs e capturar qualquer objeto voador caído e respectivo tripulante. Depois, a CIA evidentemente evoluiu e se transformou na atual agência de espionagem safada e criminosa. Foi criada essa coisa incrível que praticamente quase suga todas as verbas do mundo ocidental, (Verbas do terceiro mundo, de preferência), ou seja a SNA que lida com os mais incríveis aparelhos eletrônicos só para espionar as mensagens excepcionais saídas de UFOs, ou senão dos meios de comunicação antigos ou também de todos os meios eletrônicos atuais. Tal Security National Agency, via Mossad, pretende inclusive dominar completamente o mundo. E já falam em holocaustos psicotrônicos.

RF – Afinal, existe ou não existe vida fora deste nosso planeta de dor e sofrimento? Houve ou não houve um criador para o milagre chamado Vida? O Universo tem que ser realmente a gigantesca e absurda máquina apontada pela ciência, ou quem sabe ele é algo bem diferente. Ao invés de estar saturado de mundos-bola, opacos ou incandescentes, girando de lá para cá, ou de cá para lá não poderia estar saturado apenas de ilhas-situações existenciais? E se este outro universo não científico não dependesse nem do espaço nem do tempo, aí a impossibilidade de viajar pelo cosmo persistiria? Os ETs ao invés de extraterrestres não poderiam ser extra-situacionais?

EB – Bem,  mas esta última pergunta praticamente constitui um resumo de todas as respostas que eu dei. Não se diga porém que outra vida tem que existir fora deste nosso planeta de dor e sofrimento. Esse fora só pode traduzir o universo científico, e este último já ficou mais ou menos evidente que quem sabe não passe de um engano, de uma distorção e talvez sequer exista. Grosso modo, por nossa própria culpa e devido à nossa maneira de mal pensar e pior agir, é que parece estar lá fora, quando o Universo Real deveria estar centrado a Algo mais Verdadeiro. Assim que este nosso mundo supostamente situado nas trevas exteriores, de modo positivo e excepcional só poderia receber visitantes não de trevas mais exteriorizadas ainda (ou espaço científico) e sim de planos existenciais mais equilibrados, de situações cósmicas mais harmônicas e mais centralizadas ao Coração da Vida

Entrevista ufológica com Ernesto Bono, feita por Daniel Rebisso

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-grande-conspiracao-universal/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-grande-conspiracao-universal/

Questões Infernais

A palavra inferno, que hoje conhecemos, origina-se da palavra latina pré-cristã inferus, que significava “lugares baixos”; foi dela que surgiu o termo infernus. Na Bíblia latina, a palavra é usada para representar o termo hebraico Seol e os termos gregos Hades e Geena, sem distinção. A maioria das traduções ao português seguem o latim, e elas não fazem distinção do original hebraico ou grego.

Geena, do grego, se refere a um lago de fogo. Já o Seol hebraico e o grego Hades parecem se referir a uma mesma ideia, muito anterior à própria Bíblia: um reino dos mortos (que ficava abaixo da terra, daí a conexão com infernus).

Segundo a mitologia grega, os deuses olímpicos saíram vitoriosos da batalha travada contra os titãs (a titanomaquia), e Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre si o universo; Zeus ficou com os céus, Poseidon ficou com os oceanos e Hades ficou com o mundo dos mortos, que leva o nome deste deus (além disso, todos eles partilharam a terra igualmente, daí a ideia de que poderiam influenciar os vivos).

A influência de Hades no reino dos vivos é quase que estritamente negativa e maléfica, vinculada à pragas, doenças, destruições e guerras, mas também é tida como influência de desafios, afinal nas tradições antigas, para seguirem o “caminho do herói”, testes e provações físicas e psicológicas eram necessárias… Da mesma forma, o reino de Hades, o reino dos mortos, não é um conceito que poderia ser associado somente ao que o cristianismo passou a compreender por inferno.

No Hades as almas eram julgadas por três juízes [1], com responsabilidades específicas: Minos tinha o voto decisivo; Éaco julgava as almas europeias; e Radamanto julgava as almas asiáticas. Nem mesmo Hades interferia no julgamento deles, a não ser em raras ocasiões. Este tipo de julgamento moral se assemelha a concepção cristã do julgamento do final dos tempos, mas o que ocorre com as almas boas? Elas saem do Hades?

Aí é que está: não saem, pois o próprio Hades é um reino com o seu céu e o seu inferno. O céu é conhecido na mitologia grega como Campos Elíseos; o inferno, como Tártaro. Ambos ficam no reino dos mortos, no Hades. Dessa forma, apesar de a mitologia bíblica haver bebido da fonte da mitologia antiga, há algumas contradições importantes… O exegeta bíblico poderá dizer que o cristianismo é uma espécie de refinamento das ideias pagãs anteriores, mas será que isto se sustenta?

Por “refinamento”, quero dizer “interpretação mais espiritualmente aprofundada”. Porém, ocorre que, apesar de tanto a mitologia bíblica quanto a grega concordarem que os mortos são julgados pelas suas obras, o julgamento do deus bíblico me parece mais autoritário e implacável. Dependendo da interpretação, mesmo um ladrão de galinhas pode ser condenado ao inferno. Outro problema é a gradação de penas: na mitologia bíblica, o ladrão de galinhas e o assassino parecem destinados a receber a mesma pena (arder eternamente num lago de fogo); na mitologia pagã, pelo contrário, as penas são dadas de acordo com as faltas, como ocorre num tribunal de justiça terrena. Eu, sinceramente, não vejo refinamento algum nesta exegese bíblica.

Há, em todo caso, uma primeira questão infernal que se aplica ao inferno bíblico: Os bons, aqueles que chegarão ao céu, não ficariam tristes por saber que boa parte de seus familiares e amigos estarão condenados a arder num lago de fogo por toda a eternidade?

Ora, segundo a mitologia grega, no Hades os julgamentos ocorrem após a morte, e não após um juízo final. Ainda assim, a questão persiste… Mas no caso pagão, há muitas interpretações alternativas que dizem que o condenado ao Tártaro pode eventualmente cumprir sua pena e assim se elevar aos Elíseos; Ainda outras teorias, mais antigas, simplesmente afirmam que após o cumprimento da pena no Tártaro o condenado estaria apto a reencarnar na terra. Enfim, no paganismo não haviam dogmas infalíveis, e os mitos eram constantemente reinterpretados.

Mas no mito bíblico nada disso ocorre. Há um julgamento final, e depois cada grupo irá para o seu canto, por toda a eternidade… Ora, de fato, ainda que o inferno cristão não fosse um local de sofrimento eterno, o simples fato de familiares e amigos serem separados pela eternidade inteira seria um motivo de sofrimento… Eterno?

Como se não bastasse esta, há uma segunda questão infernal ainda mais complexa. Segundo a bíblia, o governante do inferno é um anjo que, por haver se corrompido e escolhido o caminho do mal, tornou-se ele próprio o supremo representante do mal – o anjo caído. Eis a questão: Seria este anjo incapaz de arrepender-se, por toda a eternidade? Um anjo, quando cai, e se corrompe, não tem nenhuma, nenhuma oportunidade de se arrepender, de remediar sua situação? Haveria justiça divina nesta ideia?

Se não houvesse o livre-arbítrio, todos seríamos fantoches nas mãos de Deus. Portanto, é preciso a liberdade para que um ser exista enquanto ser, e não enquanto autômato [2]. Dessa forma, se o anjo caído, Lúcifer, não tiver a liberdade para decidir se arrepender, isto significa que ele é mero fantoche nas mãos do deus bíblico – o que equivale a dizer que tudo o que Lúcifer faz seria, no fundo, decidido pelo Mestre dos Fantoches. Eu não sei quanto a vocês, mas acho esta uma ideia absurda.

O exegeta bíblico poderá responder a tais questões infernais de forma superficial, quem sabe: (a) Ao chegar no céu, Deus apaga da memória dos escolhidos todas as lembranças daqueles que foram para o inferno, e dessa forma não sentirão saudades nem sofrerão pelo que ocorre a eles; e (b) Lúcifer simplesmente não se arrependeu, e talvez jamais se arrependa, por isso ainda existe o mal no mundo. Pois bem, vocês acham, honestamente, que tais respostas vagas resolvem essas questões?

Os pensadores contemporâneos têm concepções bem mais profundas e interessantes do mito do céu e inferno. Sejam cristãos, não cristãos, agnósticos, existencialistas, espiritualistas, estudiosos de mitologia, não importa muito, pois este é um mito que toca a humanidade inteira [3]: Não poderíamos interpretar o céu e o inferno como estados da consciência humana?

Seguindo esta bela reflexão, devemos considerar que cada um constrói o seu próprio céu e inferno em sua própria consciência. Portanto, aquele que encontrou Deus dentro de si [4], mesmo no deserto mais árido e seco, estará ainda num Oceano de Amor em sua própria consciência, dentro da alma, que carrega consigo para todo lugar.

E, assim, chegando neste céu, não titubeará nem por um segundo em descer ao inferno [5] para convidar quem lá está a se aventurar neste vasto Oceano. A questão, no entanto, é que apenas um convite não basta: é preciso mergulhar. Somente o ser em si poderá decidir por abandonar os dogmas antigos, e dar este verdadeiro salto de fé no desconhecido, na imensidão da própria alma… Então, quem sabe, alcance o céu. Então, quem sabe, seja salvo – salvo da ignorância.

Mergulhe suave. Os mensageiros orientam!

***
[1] Os juízes não são deuses e sim mortos que devido à sua forte personalidade e seu senso de justiça tornaram-se juízes. Em algumas versões Hades seria o presidente do tribunal dos mortos.
[2] Fôssemos criados “já perfeitos”, não somente não haveria mérito algum de nossa parte em “sermos perfeitos”, como na prática seríamos autômatos, robôs “programados para a perfeição” por algum deus estranho. Isto é, seja lá o que for esta “perfeição”…
[3] A concepção de alguns ditos cristãos que afirma que somente aqueles que aceitam Nosso Senhor Jesus Cristo serão salvos é tão absurda que nem a incluí neste artigo. Para início de conversa, isto seria condenar todos que viveram antes do Cristo, e todos que jamais ouviram falar do Cristo, automaticamente ao inferno. Isto dá um montão de inocentes condenados!
[4] Ou “o amor”, ou “a iluminação”, ou “a vida”, ou “o Cosmos”, ou “o Verdadeiro Eu”, etc.
[5] Como Sartre já disse: “o inferno são os outros”.

Crédito da imagem: John Springer Collection/CORBIS (cena do filme Dante’s Inferno)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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#Bíblia #Cristianismo #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quest%C3%B5es-infernais

A arte de se fazer óleos essenciais

Trata-se de infundir a gordura com a essência da erva, entretanto, existe ervas que não se pode retirar o seu óleo essencial na gordura e sim com álcool fazendo assim uma tintura magica… Preferencialmente utilize de plantas frescas, caso não consiga, pode ser utilizadas erva secas, porem o processo é mais demorado.

Necessário:

  • 1 pilão
  • 1 Recipiente de vidro 1 recipiente de ferro/alumínio  ou cobre (ou seu caldeirão)
  • 1 colher de pau Erva que será retirada à essência
  • 1 Recipiente virgem com tampa  de plástico ou rolha de cortiça Funil de vidro ou seringa plástica
  • Óleo mineral, de acordo com a quantidade de óleo que ira fazer

Processo (com ervas seca):

Encha o seu caldeirão de agua e ponha dentro dele o recipiente de vidro ponha o óleo mineral, acenda o fogo baixo (o óleo mineral não poderá ferver), com o pilão você ira macerar a ervar seca (não reduza a erva a pó), ponha a erva no recipiente de vidro já com o óleo mineral; mexa em sentido horário (caso o óleo seja para a “fazer” se for para “desfazer” faça no sentido anti-horário) por uns 23 mim, no processo você tem que presenciar e sentir a energia da transmutação e os aromas ali expelidos (caso tenha algum problema respiratório use uma mascara), é de extrema necessidade que se faça estes óleos em regime ritualísticos ( de acordo com a sua crença).

O óleo não ficara com o aroma tão acentuado (dependendo da erva) como os industrializados, porem, terá a “funcionalidade” mil vezes melhor do que os outros; não se esqueça de que agora ali reside os espirito da planta, e funcional igualmente aos florais porem de forma e aplicações diferentes. Retire o óleo ainda quente para o frasco já disponibilizado anterior mente e lacre-o/feche-o com a tampa.

 

Precauções:

Não fazer mais que 3 tipos diferentes de óleos numa mesma noite, não se esqueça da fase da deusa quando forem fazer este processo mágico. Se purifique antes de fazer este processo. Não se esqueça de nomear os recipientes para não se atrapalhar.

Possíveis problemas:

1) Tampando o recipiente com a rolha de cortiça: a rolha ira fazer uma preção no conteúdo do recipiente, assim o óleo ira vazar pela tampa; recomenda-se fazer uma impermeabilização da rolha antes de usa-la, porem cuidado com que ira usar pois poderá infectar o conteúdo e estragar o resultado final deste processo.

2) A fervura do óleo ira por todo o processo a perder: quando a erva fritar no óleo seu óleo essencial ira se perder ela ira queimar, e o óleo ficara inutilizável. É de estrema necessidade (já que você queira trabalhar com esta arte) que tenha um jardim onde estejam plantadas as erva que você mais utiliza…

Vitor Mandraco

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-arte-de-se-fazer-oleos-essenciais/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-arte-de-se-fazer-oleos-essenciais/

As Chamadas (ou chaves) Enoquianas

As Chaves Enoquianas fornecem uma das abordagens mais flexiveis do sistema enoquiano de magia.  Cada uma delas é, sozinha, uma invocação poderosa a ser usada emmomentos aprópriados pelo magista. Elas devem ser lidar no idioma enoquiano, seguindo a pronûncia correta desta linguágem, mas sempre carregada cmo um forte aspecto emocional do operador que entende e vive a mensagem expressa por cada uma delas.

A Primeira Chave

Ol Sonf Vorsag Goho lad Bait, Lonsh Calz Vonpho Sobra Z-OL Ror I Ta Nazps Od Graa Ta Maiprg Ds Hol-Q Qaa Nothoa Zimz Od Commah Ta Nobioh Zien. Soba Thu Gnonp Prge Aldi Ds Vrbs Oboleh G Rsam; Casarm Ohorela Taba Pir Ds Zonrensg Cab Erm Iadnah Pilah Farzm Znrza Adna Gono Iadpil Ds Hom Od To h Soba Ipam Lu Ipamis Ds Loholo Vep Zomd Poamal Od Bogpa Aai Ta Piap Piamol Od Vaoan Zacare Eca Od Zamran Odo Cicle Qaa Zorge Lap Zirdo Noco Mad, Hoath laida.

Tradução: Eu reino sobre vós, diz o Deus da Justiça poderosamente exaltado acima dos firmamentos da ira; em cujas mãos o Sol é uma espada e a Lua como um fogo penetrante: que mede as vossas túnicas, no seio de minhas próprias vestes e vos amarrei juntos com as palmas de minhas mãos; vossos assentos sendo decorados com o fogo da reunião, embelezando vossas vestimentas com admiração; para quem fiz a Lei para governar os santos e entreguei uma vara com a arca do conhecimento. Além disso, vós então erguestes vossas vozes e jurastes obediência e fá a Ele, que vive e triunfa, que não tem início, nem fim, que brilha como uma chama no meio de vosso palácio, e reina entre vós como a balança da retidão e verdade. Portanto, movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Segunda Chave

Adgt Vpaah Zong Om Faaip Sald Vi-I-V L Sobam Ial-Prg I-Za-Zaz Pi-Adph. Casarma Abrang Ta Talho Paracleda Q Ta Lorslq Turbs Ooge Baltoh. Givi Chis Lusd Orri Od Micaip Chis Bia Ozongon. Lap Noan Trof Cors Ta Ge 0 Q Manin la-Idon. Torzu Gohe L Zacar Eca C Noqod Zamran Micaizo Od Ozazm Vrelp Lap Zir Io-lad.

Tradução: Podem as asas do vento entender vossas vozes de admiração, Oh, vós todos, os segundos dos primeiros? Que as chamas ardentes conceberam nas pofundidades de minhas mandíbulas; que preparei como taças para um casamento, ou como flores em sua beleza para a câmara da retidão. Mais fortes são os vossos pés, que a pedra estéril, e mais poderosa são vossas vozes que os ventos múltiplos, pois se haveis tornado uma edificação como não existe outra, exceto em minha mente de Todo-Poderoso. Aparecei disse o Primeiro: Movei-vos, portanto, até os vossos servos! Mostrai vossos poderes e fazei de mim um Grande Vidente, pois eu sou daquele que vive para sempre.

A Terceira Chave

Micma Goho Mad Zir Comselha Zien Biah Os Londoh Norz Chis Othil Gigipah Vnd-L Chis ta Pu-Im Q Mospleh Teloch Qui-I—-N Toltorg Chis I Chis-Ge In Ozien Ds T Brgdo Od Torzul. I Li E Ol Balzarg Od Aala Thiln Os Netaab Dluga Vonsarg Lonsa Cap-Mi Ali Vors CLA Homil Cocasb Fafen Izizop Od Miinoag De Gnetaab Vaun Na-Na-E-El Panpir Malpirg Pild Caosg. Noan Vnaiah Bait Od Vaoan. Do-O-I-A p Mad Goholor Gohus Amiran. Micma Iehusoz Ca-Cacom Od Do-O-A-In Noar Mica-Olz A-Ai-Om, Casarmg Gohia. Zacar Vnigiag Od Im-Va-Mar Pugo Piapii Ananael Qa-A-An.

Tradução: Vede! Disse o vosso Deus, eu sou um círculo em cujas mãos descansam 12 reinos; Seis são os assentos dos espíritos da vida; os outros são como foices afiadas ou como o chifre da morte, nos quais a criatura da Terra são e não são, exceto pelas minhas próprias mãos; que também dormem e subirão! No princípio os fiz Administradores e os coloquei sobre 12 assentos de Governo, dando a cada um de vós o poder sucessivamente sobre os 456, verdadeiras épocas do tempo, de forma que desde os mais altos receptáculos e cantos de seus governos pudessem trabalhar meu Poder, derramando o fogo da vida, e crescer na Terra continuamente. Assim, tornam-se os limites dajustiça e da verdade. Em nome do vosso Deus, levantai-vos; eu vos digo: Vede! Vossas misericórdias florescem e vosso nome que permanece poderoso entre nós. Nele dizemos: Movei-vos! Descendei e recorrei a nós, como participantes da sabedoria secreta de vossa criação.

A Quarta Chave

Othil Lusdi Babage Od Dorpha Gohol. G-Chis-Gee Avavago Cormp P D Ds Sonf Vi-vi-Iv? Casarmi Oali MAPM Soham Ag Cormpo Crp L. Casarmg Cro-Od-Zi Chis Od Vgeg, Ds T Capmiali Chis Capimaon Od Lonshin Chis Ta L-O CLA, Torzu Nor-Quasahi Od F Caosga Bagle Zire Mad Ds I Od Apila. Do-O-—A—Ip Qaal Zacar Od Zamran Obelisong Rest-El-Aaf Nor-Molap.

Tradução: Coloquei os meus pés no Sul e olhei ao meu redor, dizendo: Não são os Trovões do crescimento de número 33, que reinam no Segundo Ângulo? Sob eles coloquei 9639 que nunca foram numerados, a não ser um, no qual o segundo princípio das coisas estáe cresce forte, que, sucessivamente, também são os números do Tempo: e seus Poderes são como os dos primeiros 456. Levantai-vos! Oh Filhos do Prazer!, e visitai a Terra: pois eu sou o Senhor vosso Deus que vive e é eterno! E em nome do Criador, movei-vos e revelai-vos como agradáveis entregadores para que possais louva-lo entre os filhos dos homens.

A Quinta Chave

Sapah Zimii DUlY od noas ta quanis Adroch, Dorphal Caosg od faonts Piripsol Ta blior. Casarm am-ipzi nazarth AF od dlugar zizop zlida Caosgi toltorgi: Od z chis e siasch L ta Vi-u od Iaod thild ds Hubar PEOAL, Sobo-Cormfa chis Ta LA, Vls od Q Cocasb. Eca niis, od darbs qaas. F etharzi od bliora. Ia-Ial ednas cicles. Bagle? Ge-lad I L.

Tradução: Os Poderosos Sons entram no terceiro ângulo e estão se tornando como olivas no Monte das Oliveiras, olhando com alegria a Terra e habitando no brilho do Céu como contínuos consoladores. A eles firmei os pilares da alegria, 19, e dei vasilhas para regar a Terra com suas criaturas; e eles estão adornados com lâmpadas perpétuas, 69636,cujos números são como o princípio, os fins e os conteúdos do tempo. Portanto, vinde e obedecei a vossa Criação: visitai-nos em paz e conforto: Tornai-nos receptores de vossos mistérios. Por quê? Nosso Senhor e Mestre é o Todo Uno.

A Sexta Chave

Gah S diu chis Em micalzo pilzin: Sobam El harg mir Babalon od obloc Samvelg: Dlugar malprg Ar Caosgi od ACAM Canal sobol zar fbliard Caosgi, od chisa Netaab od Miam ta VIV od D. Darsar Solpeth bi-en. Brita od zacam g-micalza sobol ath trian lu-Ia he od ecrin Mad Qaaon.

Tradução: Os espíritos do quarto ângulo são nove, poderosos no firmamento das águas. Que o Primeiro formou como um tormento para os maus e uma guirlanda para os justos, dando-lhes flechas flamejantes para liderar a Terra, e 7699 trabalhadores incansáveis, cujo trajeto visita com conforto a Terra e estão no governo e continuidade com o Segundo e o Terceiro. Para que ouçam a minha voz! Tenho falado de vós todos e vos movo em poder e presença, para que vossas obras sejam uma canção de honra, e louvor de vosso Deus em vossa criação.

A Sétima Chave

Raas i salman paradiz oecrimi aao Ialpirgah, quiin Enay Butmon od I Noas NI Paradial casarmg vgear chirlan od zonac Luciftian cors ta vaul zirn tolhami. Sobol londoh od miam chis ta I od ES vmadea od pibliar, Othil Rit od miam. C noqol rit, Zacar zamran oecrimi Qaada! od 0 micaolz aaiom! Bagle papnor i dlugam lonshi od vmplif vgegi Bigl lAD!

Tradução: O leste é uma casa de Virgens que cantam louvores entre as Chamas da primeira glória em que o Senhor abriu a sua boca; e se tornaram as 28 habitações viventes onde a força do homem se regozija; e elas estão vestidas com ornamentos brilhantes que operam maravilhas em todas as criaturas; dos reinos e continuidade são como o terceiro e quarto, fortes torres e locais de conforto, assentos da misericórdia e da continuidade. Oh, Servos da Misericórdia, movei-vos e aparecei, cantai louvores ao Criador e sede poderosos entre nós, pis a esta recordação é dado o poder, e a vossa força crescida e poderosa em vosso Consolador.

A Oitava Chave

Bazm ELO i ta Piripson oln Nazavabh OX casarmg vran chis vgeg ds abramg baltoha goho lad, Soba mian trian ta lolcis Abaivovin od Aziagiar nor. Irgil chis da ds paaox busd caosgo, ds chis, od ipuran teloch cacrg oi salman loncho od voviva carbaf? Niiso! Bagle avavago gohon! Niiso! Bagle momao siaion od mabza lAD 01 as Momar Poilp. Niis! Zamran ciaofi caosgo od bliors od corsi ta abramig.

Tradução: O meio-dia, o primeiro, é como o terceiro céu, feito de Pilares de Jacinto, 26, em que os Anciãos se fazem fortes; que preparei em minha própria retidão, disse o Senhor: que vossa longa duração seja como um escudo contra o Dragão curvado, e como a colheita de um viúvo. Quantos são os que permanecem na glória da Terra, quem são e que não verão a morte, até que esta casa caia e o Dragão afunde! Ide! Porque os trovões têm dito; ide, porque as coroas do templo e a túnica Dele, que É, e Era, e Será coroado, stão divididas. Vinde! Aparecei para o terror da Terra e para nosso consolo e daqueles que estão preparados.

A Nona Chave

Micaolz bransg prgel napea lalpor, ds brin P Efafage Vonpho olani od obza, sobol vpeah chis tatan od tranan balie, alar lusda soboin od chis holq c Noquodi CIAL. Unal alson Mom Caosgo ta las ollor gnay limlal. Amma chis sobca madrid z chis ooanoan chis aviny drilpi caosgin, od butmoni parm zumvi cnila. Dazis ethamza childao, od mire ozol chis pidiai collal. Vicinina sobam vcim. Bagle? lAD Baltoh chirlan par. Niiso! Od ip efafafe bagle a cocasb i cors ta vnig blior.

Tradução: Um poderosos exército de fogo, com espadas chamejantes de dois gumes (que contém frascos, 8, de Ira, duas e vezes e meia: cujas asas são de absinto e tutano de sal), colocou os pés no oeste, e são medidos com os seus ministros 9996. Estes recolhem o musgo da Terra, como o homem rio faz com seu tesouro. Amaldiçoados são aqueles que inqüidades são! Nos vossos olhos estão moinhos de pedra maiores que a Terra, e de vossas bocas correm mares de sangue. Vossas cabeças estão cobertas com diamantes, e sobre vossas mãos estão luvas de mármore. Feliz é aquele a quem não desaprovam. Por quê? O Deus da Retidão regozija-se neles! Saí e não vossos frascos! Pois o tempo é aquele que requer o conforto.

A Décima Chave

Coraxo chis cormp od blans lucal aziazor paeb sobol ilonon chis OP virq eophan od raclir, maasi bagle caosgi, di ialpon dosig od basgim; Od oxex dazis siatris od saibrox, cinxir faboan. Unal chis const ds DAOX cocasg ol oanio yorb voh m gizyax, od math cocasg plosi molvi ds page ip, larag om dron matorb cocasb emna. L Patralx yolci matb, nomig monons olora gnay angelard. Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Noib Ohio! Casgon, bagle madrid i zir, od chiso drilpa. Niiso! Crip ip Nidali.

Tradução: Os Trovões do Juízo da Ira estão numerados e descansam no Norte, semelhantes a um carvalho cujos ramos são ninhos, 22, de lamentações e lágrimas, caídas sobre a Terra, que queimam noite e dia, e vomitam cabeças de escorpiões e enxofre ardente misturado com veneno. Estes são os Trovões que 5678 vezes na 24ª parte de um momento rugem com centenas de poderosos terremotos e milhares de vezes tantas ondas que não descansam, e não conhecem qualquer tempo de calmaria. Aqui uma pedra produz 1000, da mesma forma que o coração do homem produz seus pensamentos. Maldita, maldita, maldita, maldita, maldita, maldita! Sim, maldita seja a Terra, pois a inqüidade é, foi e será grande. Ide! Mas não vossos ruídos!

A Décima Primeira Chave

Oxyiayal holdo, od zirom 0 coraxo dis zildar Raasy, od Vabzir camliax, od bahal. Niiso! Salman teloch, casarman hoiq, od t i ta Z soba cormf I GA. Niiso! Bagle abrang noncp. Zacar ece od zamran. Odo cicle qaa! Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: O Poderoso Trono gritou e houve cinco Trovões que voaram para o leste; e a Águia falou e chorou em voz alta: Saí! E eles se reuniram e se tornaram a casa da morte, de quem é medido, e isto é como eles serão, cujo número é 31. Saí, pois eu preparei para vós. Movei-vos, portanto, e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação. Sede amistosos comigo, porque eu sou servo de vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Segunda Chave

Nonci ds sonf babage, od chis OB Hubardo tibibp, allar atraah od ef! Drix fafen MIAN, ar Enay ovof, sobol ooain vonph. Zacar gohus od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath Iaida.

Tradução: Ó vós que reinais no Sul, e que sois 28, as Lanternas da Dor: afivelai vossos cintos e visitai-nos! Trazei vossa legião de 3663, que o Senhor possa ser exaltado, cujo nome entre vós é Ira. Movei-vos, digo eu, e mostrai-vos; abrir os mistérios vossa criação; sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Terceira Chave

Napeai babage ds brin VX ooaona iring vonph doalim: eolis ollog orsba, ds chis affa. Micma Isro Mad od Lonshi Tox, ds i vmd aai Grosb. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós espadas do Sul, que tendes 41 olhos para incitar a ira do pecado, tornando-os homens bêbados os quais estão vazios: vede a promessa de Deus e vosso poder que é chamado entre vós todos como um ferrão amargo. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Quarta Chave

Noromi baghie, pashs 0 lad, ds trint mirc OL thil, dods tol hami caosgi homin, ds brin oroch QUAR. Micma bialo lad! Isro tox ds I vmd aai Baltim. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó Filhos da Fúria, ó Filhad do Íntegro, que se sentam sobre os 24 assentos e vexam todas as criaturas da Terra que tenham idade; que tem sob vós 1636: Vede a voz de Deus e a promessa Dele que é chamada entre vós Fúria (ou Justiça Extrema). Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Quinta Chave

Ils tabaan L lalpirt, casarman vpaachi chis DARG ds oado caosgi orscor: Ds oman baeouib od emetgis Iaiadix! Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós Governador da primeira Chama, sob cujas Asas estão 6739, que entrelaçam a Terra com esterilidade, que conhecem o grande nome da Retidão e o selo da honra. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Sexta Chave

Ils viv Iaiprt, Salman Bait, ds a croodzi busd, od bliorax Balit, ds insi caosgi iusdan EMOD, ds om od tiiob. Drilpa geh us Mad Zilodarp. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós segunda Chama, a Casa da Justiça, que tendes vosso início em glória e confortareis o justo que caminha sobre a Terra com 8763 Pés; que compreendeis e separeis as criaturas: Grande és vós no Deus que estende além e conquista. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Sétima Chave

Ils D lalpirt, soba vpaah chis nanba zixiay dodseh, od ds brint TAXS Hubardo tastax ilsi. Soba lad i vonpho vonph. Aldon dax il od toatar. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós terceira Chama, cujas Asas são espinhos para incitar vexação, e que tem 7336 Luminárias Viventes vindo ante a vós; cujo Deus é grande em raiva: preparei vossa força e Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Oitava Chave

Ils micaolz Olprt od lalprt, bliors ds odo Busdir O Iad ovoars caosgo, casarmg ERAN la lad brints cafafam, ds I vmd Aglo Adohi Moz od Maoffas. Bolp como bliort pambt. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós que sois a poderosa luz e chama ardente do conforto, que revelastes a glória de Deus para o centro da Terra; em quem os segredos da Verdade 6332 têm sua permanência, que é chamada em vosso reino Júbilo, e não pode ser medida; sede vós uma janela para o meu conforto. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosa comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

[…] A Ópera Enochiana (na verdade uma Oratória) é um projeto audacioso do musicista russo Valentin Dubovskoy de trazer ao estilo musical épico e seguindo a fonética proposta por Aleister Crowley, todas as dezenove Chamadas Enoquianas. […]

[…] Recite a Chamada ou Chamadas apropriadas. […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-chaves-enoquianas/ […]

[…] papel sem pauta e que nunca tenha sido utilizado para outro fim e segure em sua mão. • Recite a Primeira Chamada para questões no plano espiritual. • Recite a Segunda Chamada para questões no plano físico. […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-chaves-enoquianas/

A história dos Pretos-velhos

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.

Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França.

Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros:

Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África.

Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e fazendo dos vencidos escravos.

No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.

Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês.

A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da população.

Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três “pês”: Pau, Pano e Pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A “macumba” era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi (protegido de Ogum).

Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do Ventre livre e, enfim, pela Lei Áurea.

A Legião de espíritos chamados “Pretos-Velhos” foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do tráfico de escravos arrebanhados da África.

Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.

Idosos mesmo, poucos vieram, já que os escravagistas preferiam os jovens e fortes, tanto para resistirem ao trabalho braçal como às exemplificações com o látego. Porém, foi esta minoria o compêndio no qual os incipientes puderam ler e aprender a ciência e sabedoria milenar de seus ancestrais, tais como o conhecimento e emprego de ervas, plantas, raízes, enfim, tudo aquilo que nos dá graciosamente a mãe natureza.

Mesmo contando com a religião, suas cerimônias, cânticos, esses moços logicamente não poderiam resistir à erosão que o grande mestre, o tempo, produz sobre o invólucro carnal, como todos os mortais. Mas a mente não envelhece, apenas amadurece.

Não podendo mais trabalhar duro de sol a sol, constituíram-se a nata da sociedade negra subjugada. Contudo, o peso dos anos é implacavelmente destruidor, como sempre acontece.

O ato final da peça que encarnamos no vale de lágrimas que é o planeta Terra é a morte. Mas eles voltaram. A sua missão não estava ainda cumprida. Precisavam evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos ainda, usando seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. Teriam que possuir a essência intrínseca da civilização que se aprimorou após incontáveis anos de vivência.

Formação da Falange dos Pretos-Velhos na Umbanda

Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam.

Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores, mas no Candomblé, são considerados Eguns (almas desencarnadas), e decorrente disso, só têm fio de conta (Guia) na Umbanda. Usam branco ou preto e branco. Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares.

O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).

O Nomes dos Pretos-Velhos

Há muita controvérsia sobre o fato de o nome do Preto-Velho ser uma miscelânea de palavras portuguesas e africanas. Voltemos ao passado, na época que cognominamos “A Idade das Trevas” no Brasil, dos feitores e senhores, senzalas e quilombos, sendo os senhores feudais brasileiros católicos ferrenhos (devido à influência portuguesa) não permitiam a seus escravos a liberdade de culto. Eram obrigados a aprender e praticar os dogmas religiosos dos amos. Porém eles seguiram a velha norma: contra a força não há resistência, só a inteligência vence. Faziam seus rituais às ocultas, deixando que os déspotas em miniatura acreditassem estar eles doutrinados para o catolicismo, cujas cerimônias assistiam forçados.

As crianças escravas recém-nascidas, na época, eram batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na nação a que pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a seita. A segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta obrigatória e nela a criança recebia o primeiro nome dado pelo seu senhor, sendo o sobrenome composto de cognome ganho pela Fazenda onde nascera (Ex.: Antônio da Coroa Grande), ou então da região africana de onde vieram (Ex.: Joaquim D’Angola).

O termo “Velho”, “Vovô” e “Vovó” é para sinalizar sua experiência, pois quando pensamos em alguém mais velho, como um vovô ou uma vovó subentendemos que essa pessoa já tenha vivido mais tempo, adquirindo assim sabedoria, paciência, compreensão. É baseado nesses fatores que as pessoas mais velhas aconselham.

No mundo espiritual é bastante semelhante, a grande característica dessa linha é o conselho. É devido a esse fator que carinhosamente dizemos que são os “Psicólogos da Umbanda”.

Eis aqui, como exemplo, o nome de alguns Pretos-Velhos:

Pai Cambinda (ou Cambina), Pai Roberto, Pai Cipriano, Pai João, Pai Congo, Pai José D’Angola, Pai Benguela, Pai Jerônimo, Pai Francisco, Pai Guiné, Pai Joaquim, Pai Antônio, Pai Serafim, Pai Firmino D’Angola, Pai Serapião, Pai Fabrício das Almas, Pai Benedito, Pai Julião, Pai Jobim, Pai Jobá, Pai Jacó, Pai Caetano, Pai Tomaz, Pai Tomé, Pai Malaquias, Pai Dindó, Vovó Maria Conga, Vovó Manuela, Vovó Chica, Vovó Cambinda (ou Cambina), Vovó Ana, Vovó Maria Redonda, Vovó Catarina, Vovó Luiza, Vovó Rita, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Mariana, Vovó Maria da Serra, Vovó Maria de Minas, Vovó Rosa da Bahia, Vovó Maria do Rosário, Vovó Benedita.

Obs: Normalmente os Pretos-Velhos tratados por Vovô ou Vovó são mais “velhos” do que aqueles tratados por Pai, Mãe, Tio ou Tia).


Atribuições

Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.

Com seus cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação

Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma.

Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram as formas de um Pretos-Velhos.

Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: “então o Preto-Velho não é um Preto-Velho, ou é, ou o que acontece???”.

Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de ajuda.

O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um Preto-Velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização.

Por isso, se você for falar com um Preto-Velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo.

Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e kiumbas.


A Mensagem dos Pretos-Velhos

A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.

Certa vez, em um centro do interior de Minas, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas. O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente: “Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas; mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro. Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas; acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade”.


Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos…

Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.

Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida:

“Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS” (Pai Cipriano).

Características:

Linha e Irradiação

Todos os Pretos-Velhos vem na linha de Obaluaiê, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente.

Fios de Contas (Guias)

Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda.

Roupas

Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha.

Dia da semana: Segunda-feira

Chakra atuante: básico ou sacro

Planeta regente: Saturno

Cor representativa: preto e branco;

Fumo: cachimbos ou cigarros de palha.

Obs: Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.


Formas Incorporativas e Especialidade Dos Pretos-Velhos:

Sua forma de incorporação é compacta, sem dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas e uma inclinação de tronco para frente, e os pés fixados no chão. Se locomovem apenas quando incorporam para as saudações necessárias (atabaque, gongá, etc…) e depois sentam e praticam sua caridade (Podemos encontrar alguns que se mantém em pé).

É possível ver Pretos-Velhos dançando, mais esse dançando é sutíl, e apenas com movimentos dos ombros quando sentados.

Essa simplicidade se expande, tanto na sua maneira de ser e de falar. Usam vocabulário simples, sem palavras rebuscadas.

A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-Velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham.

Essas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar, separaremos abaixo por Orixás:

Pretos-Velhos De Ogum

São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes.

São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas.

São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e “medrosos”. É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

Pretos-Velhos De Oxum

São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível.

Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado.

São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.


Pretos-Velhos De Xangô

Sua incorporação é rápida como as de Ogum.

Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais.

Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.


Pretos-Velhos De Iansã

São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas.

Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá.

Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual.

Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.


Pretos-Velhos De Oxossi

São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas.

Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo.

Possuem uma especialidade: A de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc… São verdadeiros químicos em seus tocos. – Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior “químico” – Oxossi.


Pretos-Velhos De Nanã

São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda. Lenta e muito pesada. Enfatizando ainda mais a idade avançada.

Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo.

Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça.

Costumam se afastar dos médiuns que consideram de “moral fraca”. Mas prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada.

É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta.

São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função.

Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.

Pretos-Velhos De Obaluaiê

São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral.

Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros.

Agarram-se a seus “filhos” com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correção é uma forma de amar.

Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento.

Como trabalha para Obaluaiê, e este é o “dono das almas”, esses Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos.

Sua “visão” é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual.

Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nesses Pretos-Velhos.

Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.


Pretos-Velhos De Yemanjá

São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga.

Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares.

Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar.

Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.


Pretos-Velhos De Oxalá

São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos.

Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos.

Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, bom comportamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim o cultivo das virtudes mais elevadas.

Extraído da Comunidade de Umbanda S. Sebastião

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-historia-dos-pretos-velhos/

O mito da caverna comentado, parte 1

Texto de Platão em “A República”. Os comentários ao final são meus.

Trata-se de um diálogo metafórico onde as falas na primeira pessoa são de Sócrates, e seus interlocutores, Glauco e Adimanto, são os irmãos mais novos de Platão. No diálogo, é dada ênfase ao processo de conhecimento, mostrando a visão de mundo do ignorante, que vive de senso comum, e do filósofo, na sua eterna busca da verdade [1].

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres [2] armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco – Estou vendo.

Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco – Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates – Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

Glauco – Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

Sócrates – E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

Glauco – Sem dúvida.

Sócrates – Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

Glauco – É bem possível.

Sócrates – E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

Glauco – Sim, por Zeus!

Sócrates – Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados? [3]

Glauco – Assim terá de ser.

Sócrates – Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora? [4]

Glauco – Muito mais verdadeiras.

» continua na parte 2

***

[1] Essa introdução ao texto foi transcrita da Wikipedia.

[2] Bonecos de pano ou marionetes. A metáfora fala sobre um teatro de bonecos e sobre os prisioneiros da caverna que crêem piamente que tal teatro corresponde a realidade.

[3] Há aqui um conceito importantíssimo para a compreensão do mito – algo que normalmente escapa as análises superficiais. Decerto vocês já ouviram críticos de Platão afirmando que sua filosofia nos deixa alienados da realidade física, nos convencendo de que existe uma mítica “realidade superior”, normalmente chamada de “mundo das idéias”.

Dizem esses que foi “culpa de Platão” toda essa alienação do mundo físico que encontrou ressonância no cristianismo… Ora, eu não vou nem questionar aqui o cristianismo, mas me parece que aqueles que acreditam que Platão nos aliena do mundo físico estão bastante equivocados em sua interpretação.

Vamos lembrar que Sócrates, o grande sábio que inspirou quase todos os textos de Platão, dava pouca importância à sociedade hipócrita de sua época (não tanto diferente da de hoje), mas não ao mundo físico e a natureza em si. Tanto que participava de rituais em celebração as estações e a época de colheita. Freqüentemente temos trechos de livros de Platão onde Sócrates conversa com seus discípulos em agradáveis passeios pela área rural. Não me parece, honestamente, que Sócrates era um alienado da realidade.

Repare que o mito não fala em duas realidades opostas, e sim em um plano de observação onde as coisas são vistas com clareza, e um outro plano onde as mesmas coisas são vistas sem tanta clareza (onde vemos apenas sombras das coisas em si). Ou seja: é a mesma realidade, e são as mesmas coisas, o que muda é tão somente nossa visão – consciência, conhecimento, compreensão – delas.

Sócrates não nos pedia para ignorar o mundo físico, mas sim para não considerar apenas a aparência superficial das coisas, e nos esforçar para buscar uma compreensão mais elaborada de sua essência. Dessa forma, assim como Jesus, Sócrates viveu sim neste mundo, embora soubesse que sua essência não pertencia a ele.

Eu particularmente acho que Nikos Kazantzakis (ateu) resumiu muito bem a questão em um diálogo de Jesus de “A Última Tentação de Cristo”: “Eu vi o mundo dos homens, e vi também o mundo espiritual. Me perdoa Pai, pois não sei qual é o mais bonito”.

O grande sábio carrega seu céu e seu “mundo das idéias” consigo, de modo que o mundo é o mesmo, mas sua visão dele é muito mais profunda e maravilhosa.

[4] Aí está o principal motivo porque a evolução do conhecimento deve se realizar passo a passo. De nada adiantaria transportar um selvagem canibal para uma academia de física – não se produziriam grandes cientistas na tentativa. Porque para o selvagem a academia seria um inferno, ainda que não tivesse mais que caçar seus alimentos. Na natureza as coisas seguem o seu próprio ritmo, e é importante que respeitemos o tempo de cada um.

Não se trata de “jogar pérolas aos porcos”, mas sim de ensinar os porcos a apreciar a casca da ostra, para que um dia possam apreciar também sua pérola… Passo a passo, mas sempre à frente.

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Crédito da foto: Zep10

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-da-caverna-comentado-parte-1

A Clavícula de Raimundo Lúlio

Tratado conhecido também pelo nome de Chave Universal no qual se falará claramente indicado tudo que é necessário para fazer a Grande Obra Alquímica.

O presente tratado, Clavícula seu Apertorium, foi traduzido do Theatrum Chemicum por Albert Poisson. A tradução para português é de Rubellus Petrinus.


A CLAVÍCULA
Raimundo Lúlio

PREFÁCIO

Raimundo Lúlio, filósofo e alquimista catalão, nasceu em Palma de Maiorca no ano de 1235, sendo filho de uma família muito rica. Os seus contemporâneos chamavam-lhe o iluminado. Escreveu mais de duas centenas e meia de livros. Até à idade de trinta e um anos levou uma vida turbulenta e, por causa de uma paixão violenta e infeliz, mudou radicalmente de vida; voltou a Palma, em 1266, para levar uma vida ascética e virtuosa depois de repartir os bens entre os seus filhos.

Viajou muito, em 1277 esteve em Montpelier onde escreveu vários livros e, em 1286, esteve em Roma. Daí foi para Paris, onde também escreveu várias obras, prosseguindo os seus estudos de alquimia e tendo aí conhecido um alquimista famoso, Mestre Arnaldo Vila-nova. No ano de 1291, já com trinta e seis anos, dirigiu-se a Tunis para pregar mas estabeleceu controversas com o muçulmanos. Por isso, o sultão mandou-o prender. Fugiu da prisão e embarcou para Nápoles, onde viveu vários anos dando conferências. Voltou a Roma para falar com o papa Celestino V. Desde 1299 pregou aos judeus de Maiorca, Chipre, Síria e Arménia. Regressou a Itália e a França, por onde viajou de 1302 a 1305, falando sempre em público e escrevendo. Passou à Inglaterra, alojando-se no hospital de Santa Catalina, onde escreveu uma obra de alquimia. É muito conhecida a transmutação que fez para o rei Eduardo III, de mercúrio e estanho em ouro, com que o monarca fez cunhar moedas chamadas raimundinas ou rosas nobres.

Em 1307 voltou a pregar aos mouros e visitou Hipona, Argel e Bughiah, onde pregou na praça pública. O povo enfurecido quis matá-lo. Salvou-o o mufti, mas esteve preso durante seis meses, findos os quais o embarcaram para Itália. À chegada, o barco naufragou, mas ele salvou-se. Não obstante isto, voltou a África, desembarcando outra vez em Bughiah para pregar no deserto durante dez meses. Cansado de esconder-se, em 30 de Junho de 1315, saiu para pregar na praça pública mas o povo apedrejou-o fora de portas. O seu corpo ainda com vida, foi recolhido por uns genoveses que o levaram para o seu navio. Morreu à vista de Palma. Sepultaram-no nessa cidade, na igreja de São Francisco, onde ainda hoje se pode visitar o seu túmulo.

A Clavícula é a obra alquímica mais importante de Raimundo Lúlio. Tal como outros grandes alquimistas do passado, como Alberto o Grande no Composto dos Compostos, Basílio Valentim no Último Testamento e Nicolau Flamel no Breviário, o Mestre escreveu esta obra também em linguagem clara, o que não era e ainda não é usual fazer-se.

Não obstante, esta linguagem só poderia ser entendida pelos alquimistas seus contemporâneos ou pelos sábios e estudiosos, dentre os quais haveria, também, alguns nobres. À plebe, por falta de instrução, estavam vedados esses conhecimentos.

Apesar de todos os nossos conhecimentos actuais, a compreensão desta obra, mesmo em linguagem clara, continua, como outrora, vedada à maioria das pessoas, mesmo àquelas que possuam formação académica superior, inclusivamente em química.

Para a poder compreender, é absolutamente necessário conhecer a terminologia espagírica daquela época, isto é, os nomes comuns das matérias, dos vasos e utensílios e o modus operandi.

É por aqui que terão de começar aqueles que estiverem interessados em tentar fazer a obra alquímica de Raimundo Lúlio.

Por fim, não queremos terminar este prefácio sem dar alguns conselhos úteis aos filhos da Arte: todas as matérias referidas nesta obra alquímica, que, no nosso entender, nos parece verdadeira, deverão ser canónicas, quer dizer, ser tanto quanto possível de origem natural e tratadas como manda a Arte.

O vitríolo deverá ser extraído das águas dos pequenos lagos artificiais provenientes das águas pluviais infiltradas nas minas a céu aberto de pirite e de calcopirite; o cinábrio, proveniente do sulfureto natural de mercúrio bem como o respectivo azougue comum; o salitre de origem animal ou revivificado; o sal comum, tal como foi extraído das salinas marinhas; o tártaro, retirado directamente dos tonéis de vinho e tratado segundo a Arte e, por fim, o espírito de vinagre destilado a partir do vinagre forte de vinho.

Rubellus Petrinus.

A CLAVÍCULA

Chamamos Clavícula a esta obra porque sem ela é impossível compreender os outros nossos livros, cujo conjunto abrange a Arte inteira, uma vez que as nossas palavras são obscuras para os ignorantes.

Escrevemos numerosos tratados, muito extensos, mas divididos e obscuros, como se pode ver pelo Testamento, onde falo dos princípios da natureza e de tudo o que se relaciona com a arte, mas o texto foi submetido ao martelo da Filosofia. O mesmo sucede com o meu livro Do Mercúrio dos Filósofos, no segundo capítulo: da fecundidade dos minérios físicos e, igualmente, com o meu livro Da Quinta-essência do ouro e da prata, o mesmo, enfim, com todas as minhas outras obras onde a arte é tratada de um modo completo, salvo que sempre ocultei o segredo principal.

Ora bem, sem esse segredo, ninguém pode entrar nas minas dos filósofos e fazer algo de útil. Por isso, com a ajuda e permissão do Altíssimo, que se aprazeu em revelar-me a Grande Obra, falarei aqui da Arte sem ficção. Mas cuidai-vos de revelar este segredo aos maus; não o comuniqueis senão aos vossos amigos íntimos, ainda que não deveis revelá-lo a ninguém, porque é um dom de Deus, que com ele presenteia a quem lhe parecer bom. Aquele que o possua terá um tesouro eterno.

Aprendei pois, a purificar o perfeito pelo imperfeito. O Sol é o pai de todos os metais, a Lua é a sua mãe, ainda que a Lua receba a sua luz do Sol. Destes dois planetas depende todo o Magistério.

Segundo Avincena, os metais não podem ser transmutados senão depois de terem sido reconduzidos à sua matéria primeira, o que é certo. De modo que necessitarás reduzir primeiramente os metais a Mercúrio; mas não falo aqui do mercúrio corrente, volátil, falo do Mercúrio fixo, porque o mercúrio vulgar é volátil, pleno de frigidez fleumática, é indispensável que seja reduzido pelo Mercúrio fixo, mais quente, mais seco, dotado de qualidades contrárias às do mercúrio vulgar.

Por isso, vos aconselho, oh meus amigos!, que não trabalheis com o Sol e a Lua, senão depois de tê-los reduzido à sua matéria primeira, O Enxofre e o Mercúrio dos filósofos.

Oh, meus filhos! aprendei a servir-vos desta matéria venerável, porque vos advirto, debaixo da fé do juramento, se não extraís o Mercúrio destes metais, trabalhareis como cegos na obscuridade e na dúvida. Por isso, oh filhos meus!, vos conjuro a que sigais até à luz com os olhos abertos e não tombeis como cegos da perdição.

CAPÍTULO I

DIFERENÇAS DO MERCÚRIO VULGAR
E DO MERCÚRIO FÍSICO

Nós dizemos: o mercúrio vulgar não pode ser o Mercúrio dos Filósofos, por qualquer artifício com que tenha sido preparado, porque o mercúrio vulgar não pode suportar o fogo, senão com ajuda de um Mercúrio diferente dele, corporal, que seja quente, seco e mais digerido. Por isso, digo que o nosso Mercúrio físico é de uma natureza mais quente e fixa do que o mercúrio vulgar. O nosso Mercúrio corporal converte-se em fluido que não molha as mãos; quando se junta ao mercúrio vulgar, unem-se e penetram-se tão bem com ajuda de um laço de amor, que é impossível separar um do outro, como sucede com a água misturada com a água. Tal é a lei da Natureza. O nosso Mercúrio penetra o mercúrio vulgar e mescla-se com ele, dessecando a sua humidade fleumática, tirando-lhe a sua frigidez, o qual se torna negro como carvão e, finalmente o faz cair em pó.

Fixa bem que o mercúrio vulgar não pode ser empregado no lugar do nosso Mercúrio físico, o qual possui o calor natural no grau devido; por isso mesmo, o nosso Mercúrio comunica a sua própria natureza ao mercúrio vulgar.

Além disso, o nosso Mercúrio, depois da sua transmutação, transforma os metais em metal puro, quer dizer, em Sol ou Lua, como o demonstramos na segunda parte da nossa Prática. Mas faz algo mais notável ainda, transforma o mercúrio vulgar em medicina, capaz de transmutar os metais imperfeitos em perfeitos.

Transforma o mercúrio vulgar em verdadeiro Sol e verdadeira Lua, melhores do que os que saem da mina. Fixai-vos, também, em que o nosso Mercúrio físico pode transmutar cem marcos e mais, até ao infinito, tudo o que se possua de mercúrio ordinário, a menos que este falte.

Também desejo que saibas outra coisa; o Mercúrio não se combina facilmente e nunca perfeitamente com os outros corpos, se estes não forem previamente levados à sua espécie natural. Por isso, quando desejares unir o Mercúrio ao Sol ou à Lua vulgar, necessitarás, antes de tudo, de reduzir esses metais à sua espécie natural, que é o mercúrio ordinário, isto com a ajuda do laço de amor natural; então o Macho une-se à Fêmea.

Assim, o nosso Mercúrio é activo, quente e seco, enquanto que o mercúrio vulgar é frio, húmido e passivo como a fêmea que permanece na casa num calor moderado até à obumbração. Então, esses dois mercúrios ficam negros como o carvão; aí está o segredo da verdadeira dissolução. Depois, unem-se entre si, de tal modo que é quase impossível separá-los. Apresentam-se, então, sob a forma de um pó muito branco e engendram filhos machos e fêmeas, pelo verdadeiro laço do amor. Esses filhos machos e fêmeas multiplicam-se até ao infinito, segundo a sua espécie, porque de uma onça desse pó, pó de projecção, elixir vermelho, farás Sois em número infinito e transmutarás em Lua toda a espécie de metal saído da mina.

CAPÍTULO II

EXTRACÇÃO DO MERCÚRIO DO CORPO PERFEITO

Toma uma onça de cal de Lua copelada, calcinai-a segundo o modo descrito no final desta obra sobre o Magistério. Esta cal será em seguida reduzida a pó fino sobre uma placa de pórfiro. Embeberás este pó duas, três, quatro vezes ao dia com bom óleo de tártaro preparado do modo descrito no final desta obra; depois, farás secar ao Sol. Continuarás, assim, até que a dita cal tenha absorvido quatro ou cinco partes de óleo, tomando por unidade a quantidade de cal; pulverizarás o pó sobre o pórfiro como te disse, depois de tê-lo dessecado, porque assim se reduz mais facilmente a pó. Quando tenha sido bem porfirizada introduz-se num matrás de colo comprido.

Juntareis o nosso mênstruo fétido feito com duas partes de vitríolo rubificado e uma parte de salitre; de antemão, tereis destilado este mênstruo sete vezes e tê-lo-eis rectificado bem, separando-o das suas impurezas terrosas de tal modo que, finalmente, o dito mênstruo seja completamente essencial.

Então, lutar-se-á perfeitamente o matrás e pôr-se-á no fogo de cinzas com alguns carvões, até que se veja ferver a matéria e dissolver-se. Finalmente, destilar-se-á sobre cinzas, até que todo o mênstruo tenha passado e aguardar-se-á que a matéria arrefeça.

Quando o vaso estiver completamente frio, abrir-se-á, colocando-se a matéria noutro vaso, bem limpo, provido do seu capitel perfeitamente lutado. Colocar-se-á tudo sobre cinzas num forno. Quando o luto do vaso estiver seco, aquecer-se-á, primeiro, suavemente, até que toda a água da matéria sobre a qual se tenha operado tenha passado ao recipiente.

Depois, aumentar-se-á o fogo para dessecar completamente a matéria e exaltar os espíritos fétidos que passarão para o capitel e daí para o recipiente. Quando virdes chegar a operação a este ponto, deixareis arrefecer o vaso diminuindo pouco a pouco o fogo. Já arrefecido o matrás, retirareis dele a matéria que reduzireis a pó subtil, no pórfiro. Colocareis o pó impalpável assim obtido numa vasilha de barro bem cosido e cuidadosamente vidrada. Depois, vertereis em cima água corrente fervendo, removendo com um pau bem limpo até que a mistura seja espessa como mostarda.

Removei com uma varinha, até que vejais aparecer alguns glóbulos de mercúrio na matéria; rapidamente haverá bastante quantidade dele, segundo o que empregaste de corpo perfeito, quer dizer, de Lua. Quando tiverdes uma grande quantidade, deitai-lhe de tempos a tempos água fervendo, removendo até que toda a matéria se reduza a um corpo semelhante ao mercúrio vulgar. Tirar-se-ão as impurezas terrosas com água fria, secar-se-á sobre um lenço e passar-se-á através de uma pele de camurça. Então, vereis coisas admiráveis.

CAPÍTULO III

DA MULTIPLICAÇÃO DO NOSSO MERCÚRIO

Em nome do Senhor. Amen.

Toma três gros de Lua pura em Lâminas ténues; fazei um amálgama com quatro gros de mercúrio vulgar bem lavado. Quando o amálgama estiver feito, colocai-o num pequeno matrás que tenha um colo de pé e meio de comprido.

Tomai, em seguida o nosso Mercúrio extraído antes do corpo lunar e colocai-o sobre o amálgama feito com o corpo perfeito e o mercúrio vulgar; lutai o vaso com o melhor luto que seja possível e fazei secar. Feito isto, agitai fortemente o matrás para mesclar bem o amálgama e o mercúrio. Depois, colocai o vaso onde se encontra a matéria num pequeno forno sobre um fogo de alguns carvões; o calor do forno não deve ser superior ao do Sol, quando se encontra no signo do Leão. Um calor mais forte destruiria a vossa matéria; continuai, assim, esse grau de fogo, até que a matéria se ponha negra como o carvão e espessa como papa.

Mantende a mesma temperatura até ao momento em que a matéria tome uma cor cinzento escuro; quando aparecer o cinzento, aumentar-se-á o fogo um grau, que será duas vezes mais forte; manter-se-á assim, até que a matéria comece a branquear e se ponha de uma brancura esplendorosa. Aumentar-se-á o fogo mais um grau e manter-se-á neste terceiro grau até que a matéria seja mais branca que a neve e fique reduzida a pó mais branco e mais puro que a cinza.

Tereis, então a Cal viva dos Filósofos e o seu minério sulfuroso que os filósofos ocultaram tão bem.

CAPÍTULO IV

PROPRIEDADE DA CAL DOS FILÓSOFOS

Esta cal converte uma quantidade infinita de mercúrio vulgar em pó muito branco, que pode ser reduzido a prata verdadeira quando se une a qualquer outro corpo, como a Lua.

CAPÍTULO V

MULTIPLICAÇÃO DA CAL DOS FILÓSOFOS

Toma o vaso com a matéria, junta-lhe duas onças de mercúrio vulgar bem lavado e seco; luta cuidadosamente e põe de novo o recipiente onde estava anteriormente. Regula e governa o fogo segundo os graus um, dois e três, como antes se explicou, até que tudo fique reduzido a um pó muito branco; poderás, assim, aumentar a tua Cal até ao infinito.

CAPÍTULO VI

REDUÇÃO DA CAL VIVA A VERDADEIRA LUA

Tendo preparado, assim, uma grande quantidade da nossa Cal viva ou minério, toma um cadinho novo sem a tampa; mete-lhe uma onça de Lua pura e, quando estiver fundida, junta-lhe quatro onças do teu pó aglomerado em pílulas. As pequenas bolas pesarão, cada uma, um quarto de onça. Deitar-se-ão uma a uma sobre a Lua em fusão, continuando um fogo violento, até que todas as pílulas estejam fundidas; aumentar-se-á mais o fogo, para que tudo se mescle perfeitamente; verter-se-ão, por fim numa lingoteira.

Terás, assim cinco onças de prata mais pura que a natural; poderás multiplicar o teu minério físico segundo o teu desejo.

CAPÍTULO VII

DA NOSSA GRANDE OBRA AO BRANCO E AO VERMELHO

Reduzi a Mercúrio, como se disse anteriormente, a vossa Cal viva extraída da Lua. Esse é o nosso Mercúrio secreto. Tomai quatro onças da nossa cal extraí o Mercúrio da Lua, como fizestes antes. Recolhereis, pelo menos, três onças de Mercúrio que poreis num pequeno matrás de colo comprido, como se indicou.

Fazei, depois, um amálgama de uma onça de verdadeiro Sol com três onças de mercúrio vulgar e colocai-a sobre o Mercúrio da Lua. Agitai fortemente para mesclar bem. Lutai o recipiente com cuidado e colocai-o num forno, regulando o fogo no primeiro, segundo e terceiro graus.

No primeiro grau, a matéria tornar-se-á negra como o carvão; então, diz-se que há eclipse do Sol e da Lua. É uma verdadeira conjunção que produz um filho, o Enxofre, cheio de sangue temperado.

Após esta primeira operação, prossegue-se com o fogo do segundo degrau, até que a matéria fique cinzenta. Depois, passa-se ao terceiro grau, até ao momento em que a matéria apareça perfeitamente branca. Aumenta-se, então, o fogo até que a matéria se volva vermelha como o cinábrio e fique reduzida a cinzas vermelhas. Poderás reduzir esta Cal a Sol muito puro, realizando as mesmas operações que foram feitas para a Lua.

CAPÍTULO VIII

DA MANEIRA DE TRANSFORMAR A REFERIDA
PEDRA NUMA MEDICINA QUE TRANSMUTA
TODA A ESPÉCIE DE METAL EM VERDADEIRO
SOL E VERDADEIRA LUA E, SOBRETUDO, O
MERCÚRIO VULGAR EM METAL MAIS
PURO QUE O QUE SAI DAS MINAS

Depois da sua primeira resolução a nossa Pedra multiplica cem partes de matéria preparada e, depois da segunda, mil. Multiplicar-se-á dissolvendo, coagulando, sublimando e fixando a nossa matéria, que desse modo pode acrescentar-se indefinidamente em quantidade e em qualidade.

Tomai um pouco do nosso minério branco, dissolvei-o no nosso mênstruo fétido, que é chamado vinagre branco no nosso Testamento, no capítulo em que dizemos: «Toma um pouco de bom vinho bem seco, põe ali a Lua, quer dizer, a Água verde e C, seja o salitre…» Mas não nos dispersemos; tomai quatro onças da nossa Cal viva e dissolvei-as no nosso mênstruo; vê-la-eis converter-se em água verde. Em separado, em treze onças do mesmo mênstruo fétido dissolvereis quatro onças do mercúrio vulgar bem lavado e, quando estiver terminada a dissolução, mesclareis as duas dissoluções; deitai-as num vaso hermeticamente selado, fazei digerir em estrume de cavalo trinta dias, depois destilai em banho-maria, até que não passe nada. Voltai a destilar com fogo de carvão, a fim de extrair o óleo. A matéria que restará será negra. Tomai esta e destilai durante horas sobre cinzas, num pequeno forno. Quando o vaso estiver frio, abri-o e deitai-lhe a água que antes foi destilada a banho-maria. Lavai bem a matéria com essa água. Destilai, depois, o mênstruo em banho-maria; recolhei toda a água que passar, juntai-a ao óleo e destilai sobre cinzas, como se disse. Repeti essa operação até ao momento em que a matéria fique no fundo do matrás, negra como o carvão.

Filho da ciência, então terás a Cabeça do corvo que os Filósofos tanto procuraram, sem a qual não pode existir o magistério. Por isso, oh meu filho!, lembra-te da divina Ceia de Nosso Senhor Jesus Cristo que morreu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia à luz na terra eterna. Aprende, oh meu filho que nada pode viver sem que antes tenha morrido. Toma, portanto, o teu corpo negro, calcina-o no mesmo vaso durante três dias e deixa-o arrefecer depois.

Abre-o e encontrarás uma terra esponjosa e morta que conservarás até que seja necessário unir o corpo à alma. Tomarás a água que foi destilada em banho-maria e a destilarás várias vezes seguidas, até que seja bem purificada e reduzida a uma matéria cristalina.

Embebe, então, o teu corpo, que é a terra negra, com a sua própria água, humedecendo-a pouco a pouco e aquecendo tudo, até que o corpo fique branco e resplandecente. A água, que vivifica e clarifica, penetrou o corpo. Tendo lutado o vaso, aquecerás violentamente durante doze horas, como se quisesses sublimar o mercúrio vulgar. Arrefecido o vaso, abri-lo-ás e encontrarás a tua matéria sublimada branca; é a nossa Terra Selada, é o nosso corpo sublimado elevado a uma alta dignidade, é o nosso Enxofre, nosso Mercúrio, nosso Arsénico, com o qual aquecerás o nosso Ouro; é o nosso fermento, a nossa cal viva, que engendra em si o Filho do fogo que é o Amor dos filósofos.

CAPÍTULO IX

MULTIPLICAÇÃO DO ENXOFRE SUPRA-CITADO

Coloca esta matéria num forte matrás e deita-lhe em cima um amálgama feito com Cal viva da primeira operação, aquela que reduzimos a prata. Este amálgama faz-se com três partes de mercúrio vulgar e uma parte da nossa Cal; mesclareis e aquecereis sobre cinzas. Vereis a matéria agitar-se; aumentareis, então o fogo e, em quatro horas, a matéria ficará sulfurosa e muito branca. Logo que ela tenha sido fixada, coagulará e fixará o Mercúrio; uma onça de matéria converterá cem onças de mercúrio em verdadeira medicina; em seguida, actuará sobre mil onças, e assim sucessivamente.

CAPÍTULO X

FIXAÇÃO DO ENXOFRE MULTIPLICADO

Tomar-se-á o enxofre Multiplicado, colocar-se-á num matrás e deitar-se-á em cima o óleo que se apartou aquando da separação dos elementos.

Deitar-se-á óleo, até que o enxofre fique mole. Depois, fundir-se-á sobre cinzas, aquecendo ao segundo e terceiro graus, até à brancura, inclusivamente. Então, abrir-se-á o vaso e encontrar-se-á uma placa cristalina e branca. Para a ensaiar, colocar um fragmento sobre uma placa quente e se ela escorrer sem produzir fumo, está bem. Então, projecta uma parte sobre mil de mercúrio e este será completamente transmutado em Prata. Mas se a medicina for infusível e não escorrer, coloca-a num cadinho e verte por cima óleo gota a gota, até que a medicina escorra como cera. Então será perfeita e transmutará mil partes de mercúrio e mais, até ao infinito.

CAPÍTULO XI

REDUÇÃO DA MEDICINA BRANCA EM
ELIXIR VERMELHO

Em nome do Senhor, toma quatro onças da lâmina mencionada, dissolve-a na Água da Pedra que conservaste. Quando a dissolução estiver concluída, põe a fermentar em banho-maria durante nove dias. Então, toma duas partes, em peso, da nossa Cal vermelha e junta-as no vaso, a fermentar de novo durante nove dias. Em seguida, destilarás em banho-maria num alambique, depois sobre cinzas, regulando o fogo no primeiro grau, até ao momento em que a matéria fique negra. Esta é a nossa segunda dissolução e o nosso eclipse do Sol com a Lua, o signo da verdadeira dissolução e da conjunção do macho com a fêmea.

Aumenta o fogo até ao segundo grau, de maneira que a matéria fique amarela. Em seguida, aumentar-se-á o fogo ao quarto grau, até que a matéria funda como a cera e tenha cor de jacinto. É então, uma matéria nobre e uma medicina real que cura prontamente as doenças e transmuta toda a espécie de metal em ouro puro, melhor que o ouro natural.

Agora, damos graças ao Salvador que, na glória dos céus, reina um e três, na eternidade.


CAPÍTULO XII

RESUMO DO MAGISTÉRIO

Demonstrámos que tudo o que encerra este trabalho é verdadeiro, porque vimos com os nossos próprios olhos, operámos nós mesmo e tocámos com as nossas próprias mãos. Vamos, agora, sem alegorias e brevemente resumir a nossa Obra.

Tomámos, pois, a Pedra que dissemos, sublimámo-la com a ajuda da natureza e da arte e a reduzimos em Mercúrio. A este Mercúrio juntar-se-á o Corpo branco que é de uma natureza semelhante e cozer-se-á até que se tenha preparado o verdadeiro minério.

Este minério multiplicar-se-á à nossa vontade. A matéria será de novo reduzida a Mercúrio que dissolvereis no nosso Mênstruo até que a Pedra fique volátil e separada de todos os elementos. Enfim, purificar-se-á perfeitamente o corpo e a alma. Um calor natural e temperado permitirá, em seguida, obter a conjugação do corpo e da alma. A pedra converter-se-á em minério; continuar-se-á o fogo, até que a matéria fique branca, denominando-la Enxofre e Mercúrio dos filósofos; é então que, pela violência do fogo, o fixo se faz volátil como o volátil será despojado dos seus princípios grosseiros e sublimado mais branco que a neve. Rejeitar-se-á o que resta no fundo do vaso, porque não serve para nada. Tomai, agora, o nosso Enxofre, que é o óleo do qual já falei e multiplicai-o num alambique, até que seja reduzido a pó mais branco que a neve. Fixar-se-ão os pós, multiplicados pela natureza da arte, com a Água, até que ensaiados ao fogo, se fundam sem fumo, como a cera.

É necessário, então, juntar a água da primeira solução; estando tudo dissolvido, juntar-se-á qualquer coisa de amarelo, que é o ouro, unir-se-á e destilar-se-á todo o espírito.

Finalmente, aquecer-se-á nos primeiro, segundo, terceiro e quarto graus até que o calor faça aparecer a verdadeira cor de jacinto e que a matéria fixa se torne fusível. Projectarás esta matéria sobre mil partes de mercúrio vulgar e será transmutado em ouro fino.

CAPÍTULO XIII

CALCINAÇÃO DA LUA PARA A OBRA

Tomai uma onça de Lua fina copelada e três onças de mercúrio. Amalgamai, aquecendo primeiramente a prata em lamelas num cadinho e juntando-lhe em seguida o mercúrio; revolvei tudo com uma vareta continuando a aquecer bem. Este amálgama colocar-se-á, em seguida, no vinagre com sal; moer-se-á tudo com um pilão num almofariz de madeira, lavando e retirando as impurezas. Cessar-se-á quando o amálgama for perfeito. Depois, lavar-se-á com água comum quente e limpa e passar-se-á através de um pano bem limpo.

O que fica no pano, sendo a parte mais essencial do corpo, mesclar-se-á com três partes de sal, moendo bem e lavando. Calcinar-se-á, enfim, durante doze horas. Recomeçar-se-á a moer com sal, e isto por três vezes, renovando cada vez o sal.

Então, pulverizar-se-á a matéria de maneira a obter um pó impalpável; lavar-se-á com água quente até que todo o sabor salgado tenha desaparecido. Enfim, passar-se-á através de um filtro de algodão, dissecar-se-á e ter-se-á a Cal branca. Colocar-se-á de reserva, a fim de se servir logo que seja necessário, para que a humidade não a altere.

CAPÍTULO XIV

PROCEDIMENTO PARA PREPARAR
O ÓLEO DE TÁRTARO

Tomai bom tártaro, cuja fractura seja brilhante, calcinai-o num forno de revérvero durante dez horas; em seguida, colocai-o sobre uma pedra-mármore, depois de o ter pulverizado e deixai-o num lugar húmido; converte-se num líquido oleoso. Logo que esteja completamente liquefeito, passai-o através de um filtro de algodão. Conservai-o cuidadosamente, servir-vos-á para embeber a vossa cal.

CAPÍTULO XV

MÊNSTRUO FÉTIDO PARA REDUZIR A NOSSA
CAL VIVA EM MERCÚRIO, DEPOIS DE TÊ-LA
DISSOLVIDO, LOGO QUE ELA TENHA SIDO
IMBEBIDA COM ÓLEO DE TÁRTARO

Tomai duas libras de vitríolo, uma libra de salitre e três onças de cinábrio. Rubifica-se o vitríolo, pulveriza-se, depois junta-se-lhe o salitre e o cinábrio, moem-se todas estas matérias juntas e põe-se num aparelho destilatório, bem lutado.

Destilar-se-á, primeiramente a fogo lento, o que é necessário, como sabem aqueles que já fizeram esta operação. A água destilará abandonando as suas impurezas que ficarão no fundo da cucúrbita; tereis, assim, um excelente mênstruo.

CAPÍTULO XVI

OUTRO MÊNSTRUO FÉTIDO PARA SERVIR DE
DISSOLVENTE À PEDRA

Tomai três libras de vitríolo romano rubificado, uma libra de salitre, três onças de cinábrio; moei todas estas matérias juntas, sobre mármore, Depois, colocai-as num grande e sólido matrás, juntai-lhe Espírito de vinho e colocai-as durante quinze dias no estrume de cavalo. Em seguida, destilar-se-á docemente, para que toda a água passe para o recipiente. Depois, aumentar-se-á o fogo, até que o capitel seja levado ao branco, deixar-se-á arrefecer, em seguida. Retirar-se-á o vaso receptor que se cerrará perfeitamente com cera e guardar-se-á.

Observai que este mênstruo deve ser rectificado sete vezes, rejeitando, de cada vez, o resíduo. Só depois disto será bom para a obra.

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GLOSSÁRIO

Medidas de peso

Escruplo – Antiga medida de peso correspondente a 1,296g.

Grão – Medida de peso correspondente a 0,0648g.

Gros – Antiga medida de peso equivalente a 3,55g.

Libra – Unidade de massa equivalente a 453,59 (Inglaterra).

Lots – Antiga medida de peso alemã equivalente a 14,17g.

Marco – Antiga medida de peso para o ouro e para a prata, correspondente a 16,6g.

Onça – Medida de peso equivalente a 28,349g.

FIM

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-clavicula-de-raimundo-lulio/