Diamantes são eternos?

Diamantes são eternos!

Quem nunca ouviu essa frase antes? Ela se tornou ainda mais popular graças ao filme homônimo de 1971, onde James Bond – a última interpretação do herói feita por Dean Connery – se faz passar por um traficante de diamantes.

É claro que o significado da frase está relacionado com a vida útil do diamante, certo? Afinal diamantes estão entre as substâncias mais duras deste planeta! Inclusive, na escala de Mohs – criada em 1812 pelo mineralogista alemão Friedrich Vilar Mohs com dez minerais de diferentes durezas existentes na crosta terrestre – o diamante é o indicador extremo de dureza. A escala possui valores de 1 a 10. O valor de dureza 1 foi dado ao material menos duro da escala, que é o talco, e o valor 10 dado ao diamante que é a substância mais dura conhecida na natureza. E acredite, se você pensar que a escala é relativa, que eventualmente vão encontrar algo mais duro do que o diamente e a escala não vai valer nada, não está tão enganado: de fato encontraram uma substância mais dura do que o diamante, o diamante nanocristalino (também conhecido como hiperdiamante ou fulerita ultradura) – assim o diamante ainda é rei!

A lógica é simples, até uma criança pode entender. Escala de Mohs quantifica  a resistência que um determinado mineral oferece ao risco, ou seja, à retirada de partículas da sua superfície. Quartzo risca o vidro, então é mais duro que o vidro. Topázio risca o quartzo, então é mais duro. Uma safira risca o topázio. Um diamante risca tudo!

E isso tudo porque o diamante é um alótropo do carbono. Mas não se assuste com o nome. Alotropia (do grego allos, outro, e tropos, maneira) foi um nome criado por Jöns Jacob Berzelius e que hoje designa o fenômeno em que um mesmo elemento químico pode originar substâncias simples diferentes. As substâncias simples distintas são conhecidas como alótropos. Assim, apesar de grafite ser feito de carbono e diamantes serem feitos de carbono, são diferentes. No caso do diamante o que o torna um, bem, um diamante, é que seus átomos estão alinhados em estruturas de cubo, o que cria uma configuração “metaestável”. A estrutura molecular de um diamante é incrivelmente robusta e, a não ser que o diamante seja submetido a quantidades incrivelmente altas de calor – e com isso quero dizer INCRIVELMENTE ALTAS PRA CARALHO – sua estrutura permanece inalterada indefinidamente.

É por isso que diamantes são eternos, correto?

Na verdade essa frase não foi criada se pensando nisso. Até a primeira metade dos anos 1800, diamantes eram muito raros. Para se ter uma idéia, até então a produção mundial de diamantes não passava de poucos quilos por ano. Naquela época os diamantes eram encontrados nas selvas brasileiras e em alguns leitos de rios da Índia. Nada que sustentasse uma operação de mineração em grande escala – na verdade nem uma operação em média escala. Mas então tudo mudou!

Em 1867 depósitos massivos desse mineral foram encontrados na África do Sul. Não cabe aqui culpar essas pequenas pedras por coisas como o Apartheid, a miséria e exploração predatória das pessoas e dos recursos da região. Na verdade agora e o momento de dizer que a partir daquele momento, a produção de diamantes aumentou exponencialmente. Ai então operações de mineração de grande escala passaram a se tornar interessantes.

Uma das pessoas que também percebeu isso foi o negociante inglês Cecil Rhodes, que em 1888 fundou, juntamente com o magnata dos diamantes Alfred Beit e com a bênção do banco londrino N M Rothschild & Sons, a De Beers. A De Beers teve o monopólio da industria de diamantes até 1957, ano em que Cecil morreu.

Bem, se antes de 1867 diamantes eram raros, e depois dessa data começaram a surgir quase às toneladas, o que você acha que aconteceu com o preço das pedras? Antes de responder imagine novamente o negociante Cecil Rhodes. Ele não era burro, e pensou na mesma coisa que você está pensando agora. O problema de começar a trabalhar com algo que é raro e caro e se torna abundante é que ele deixa de ser tão caro. Cecil não queria que isso acontecesse, não é a toa que ele foi acusado, entre outras coisas, de manipular o preço de diamantes, inclusive mantendo cofres cheios de pedras, controlando sua distribuição, para que não inundassem o mercado, se tornando objetos mais comuns e mais baratos.

Só que o problema não era apenas a De Beers inundar o mercado com diamantes, cada vez mais pessoas compravam as pedras, principalmente as existentes em jóias como colares, brincos, tiaras e anéis. Como as pedras eram um bom investimento, seria interessante que elas também não começassem a aparecer no mercado quando seus donos, ou donas, se encontrassem em uma situação de perrengue, assim a De Beers teve uma sacada de gênio!

Para evitar que as pessoas saíssem revendendo diamantes, dez anos antes de Cecil morrer, a De Beers conseguiu associar as pedras a uma instituição que era reverenciada por todos. Uma instituição atrelada até mesmo ao próprio Deus: o amor, o matrimônio, o casamento!

Na época, a crença geral era de que os diamantes eram um artigo de luxo existentes apenas para os ultra-ricos. A maioria das mulheres preferiam que seus futuros maridos investissem seu dinheiro em coisas mais práticas como um carro para a família, uma casa para a família, qualquer coisa para a família – não jóias. Ai entra uma agência de publicidade contratada pela De Beer, a N.W. Ayer & Son, e tem início uma campanha massiva para mudar a mente sã dessas pessoas preocupadas com o futuro de suas famílias.

A estratégia era simples, eles começaram a convencer as pessoas de que se você estivesse prestes a se casar, que melhor símbolo para uma união eterna do que uma aliança com um diamante.

Coincidência o musical da Brodway, “Gentlemen Prefer Blondes” – Os Homens Preferem as Loiras – de 1949 ter se tornado tamanho success que virou um filme em 1953 estrelado por Marilyn Monroe, trazendo a cena clássica em que a protagonista canta “Diamonds Are a Girl’s Best Friend” – os diamantes são os melhores amigos das mulheres?

Para se ted uma idéia do success da campanula de Ayer & Son, em 1951, 80% das novas apenas now Estados Unidos, tin ham uma aliança de diamantes, e essa porcentagem se mantém constante até os dias de hoje.

Um cavalheiro de nome Frances Gerety foi o pai da frase “diamantes são eternos”. A frase foi criada e usada para deixar claro que o diamante representava o seu amor eterno, pela sua afeição e carinhos eternos pela sua pessoa amada. Os diamantes se tornaram a manifestação física do seu compromisso com aquela pessoa que você diz ser o amor da sua vida. E isso tudo, claro, acabava impedindo que uma pessoa sequer pensasse em revender o seu diamante. E isso impedia que a nova quantidade de pedras invadisse o mercado, fazendo com que – Deus me perdoe – o preço delas começasse a diminuir.

Algo que poucas pessoas sabem, é que por causa da Grande Depressão americana, as alianças de casamento eram algo que estavam saindo de moda. Um luxo para pessoas que mal podiam comprar pão. A campanha do diamante as fez voltar com tudo! E você pensando em todo o simbolismo esotérico de uma aliança. Tsc tsc…

Mas isso quer dizer então que diamantes não duram para sempre?

O que você quer dizer com sempre?

O universo é a putinha da Entropia, você não pode se esquecer nunca disso. Ao longo do tempo – talvez tempo seja a palavra errada aqui, já que estou falando de uma quantidade além de qualquer compreensão que você tenha do termo – as coisas mudam. Elas não podem evitar. Eventualmente todas as coisas decaem e se degradam e diamantes não são imunes a isso. Em uma quantidade de tempo longa o suficiente os diamantes se transformam em grafite, exatamente igual àquele encontrado dentro do seu lápis 6B! Mas quanto tempo levaria para isso?

Bilhões e bilhões de anos, talvez mais. Para você ter uma idéia o nosso sol levou aproximadamente 50 milhões de anos para passar de uma nuvem gasosa para uma estrela de verdade. Muita gente fala do dia em que o sol vai entrar em colapso e fritar tudo ao redor. Estima-se que isso vá ocorrer em aproximadamente 6.5 bilhões de anos. Ou seja para um diamante talvez quase nada! Imagine que um diamante precise de 15 bilhões de anos para se transformar em carbono, agora imagine que nosso universo tem apenas 14 bilhões de anos. Começou a entender a dimensão da coisa?

Assim, mesmo que um diamante não seja para sempre, ele provavelmente vai viver muito mais tempo do que nós, do que nossa estrela, e do que parte do universo antes de deixar de ser um diamante. Você consegue imaginar algo que consiga resistir tanto tempo assim? Algo que permaneça inalterado e puro por tanto tempo?

Só uma coisa me vem à cabeça! Um triângulo retângulo.

Veja, diamantes podem ser quase eternos, podem existir por tanto tempo quando o nosso universo, mas eventualmente eles vão virar algo tão comum e ordinário quanto um pedaço de grafite. Um triângulo retângulo não.

Onde quer que dois catetos se encontrem com uma hipotenusa, a soma de seus quadrados será igual ao quadrado da dita hipotenusa. Não importa que não existam mais seres conscientes, não importa que o universo seja um campo de grafites sem uma folha sulfite onde se escrever isso. O teorema de Pitágoras existirá.

E não apenas ele.

O teorema de Euclides de que existem infinitos números primos também existirá exatamente como é mesmo depois que o universo tenha apagado suas luzes e colocado as cadeiras em cima das mesas.

Euler já não existe mais, seu corpo morreu em 18 de setembro de 1783, em sua eulogia para a Academia Francesa, o filósofo e matemático francês marquês de Condorcet, escreveu:

il cessa de calculer et de vivre

ou em bom português: “ele terminou de calcular e de viver”.

Mas seus teoremas – o Teorema de Euler sobre as Diferenciais Exatas, O Teorema do Deslocamento de Euler, O Teorema da Distribuição de Euler, o Teorema de Fermat-Euler, e muitos outros – poderão ser recitados, mesmo que com outros nomes, no fim do tempo, e estarão lá intocados, verdadeiros e eternos, como nenhum diamante, ou nenhuma substância estará.

Mesmo quando a Entropia terminar de consumir a si mesma, o Teorema de Liouville, que diz que uma função complexa inteira e limitada é constante, estará. Inalterado.

Isso não quer dizer que a Matemática exista independente do cérebro humano, ou que o cérebro humano crie a matemática. Isso só quer dizer que se você quer mesmo algo que simbolize algo eterno – REALMENTE ETERNO – para associar a seu amor, a seu compromisso. Esqueça diamantes. Dê um teorema.

Um Fuckerupper de LöN Plo

Eu tava com saudades do site de volta, principalmente por causa desse texto.

LoN Plo, você explodiu minha mente de um jeito belo e poético.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/diamantes-sao-eternos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/diamantes-sao-eternos/

A Roda da Paixão

Keith Dowman estudou com S. S. Dudjom Rinpoche, é o tradutor da biografia de Yeshe Tsogyel (retirada do ciclo de termas descobertos por Taksham Nuden Dorje e publicada em inglês com o título “Sky Dancer”), e atualmente organiza peregrinações pelos lugares sagrados do Budismo Vajrayana. Neste excelente ensaio retirado de seu site na Internet (http://www.keithdowman.com) ele fala com muita propriedade da sexualidade humana no contexto dos venenos mentais.

Há muitos ciclos no fluxo de nossa experiência. Os ciclos macrocósmicos são os incontáveis renascimentos, o ciclo do nascimento até a morte, ciclos (ou uma espiral) de sete anos de amadurecimento do corpo-mente, o ciclo anual das estações, o ciclo lunar com seu ciclo feminino correspondente, o ciclo diário, etc. Os ciclos internos microcósmicos são a rotação entre atração, aversão, desinteresse e de novo atração, da felicidade até a tristeza e de volta, da aberta extroversão social à introversão anti-social. Todos estes ciclos de experiência compõe a roda da vida, também chamada de roda do tempo, já que as mudanças da vida têm origem no tempo em constante mutação. A roda externa gira devagar, a roda interna muito rápido. A velocidade giratória da roda interna é determinada por muitos fatores diferentes. Emoções voláteis aceleram a roda, consciência plena de cada momento de experiência emocional a retarda. Ações impulsivas a aceleram, paciência a retarda. Indulgência acelera, disciplina retarda. Gira depressa na juventude, quando as mudanças acontecem em rápida sucessão, e paulatinamente fica mais devagar enquanto envelhecemos e as mudanças diminuem. Independente da velocidade, a roda da vida compõe nossa vida interior e nossa experiência, e dentro dela somos controlados por nossas emoções.

É simples ilusão acreditar que estamos em controle da roda, que o ego que pensa a domina, olhando de perto fica evidente que nossos pensamentos são reflexos de nossos sentimentos. É como se o volante fosse guiado pelas curvas na estrada, não pelas mãos que o seguram. O rabo do cachorro é o nosso pensamento, o cachorro é nossa emoção, e é o cachorro que abana o rabo, não o rabo que abana o cachorro. Mesmo quando nossos sentimentos são profundamente reprimidos e a mente racional domina, ainda assim nossos pensamentos são determinados de forma sutil por nossos sentimentos inconscientes.

A roda da vida gira veloz e furiosa especialmente na juventude, quando podemos estar sentados no topo do mundo em um minuto e logo nos encontramos jogados num espaço alienado solitário de raiva e ódio. Particularmente na adolescência as oscilações emocionais do processo são ativadas pelos impulsos sexuais e a carga emocional tem uma fonte sexual. O sentimento de autoconfiança num mundo colorido surge mais freqüentemente de uma sensação de satisfação sexual no qual um corpo-mente juvenil é lisonjeado pelo amor, pela concessão de simpatia e sensualidade. Quanto maior a sensação de auto-admiração e auto-congratulação mais intensa a dor e perda quando nosso objeto de amor está compartilhando prazer com outra pessoa. A inveja obceca a mente completamente. Retirado do objeto de amor e sem nenhuma chance de satisfação, o estado de mente equivocado em que estamos recebe reações negativas de outros parceiros, e a frustração aumenta. A angústia dessas algemas torna o mundo inteiro negro e mesmo amigos parecem inimigos, seus comentários comuns tornam-se dardos ameaçadores. Ira e violência inconscientes contra pessoas ou coisas é geralmente uma saída possível dessa armadilha, e giramos num mundo frio fechado em si mesmo onde somos presas igualmente de nossos amigos e inimigos. Quando essa catarse completa-se, a energia desgasta-se, podemos retornar a humanidade novamente para encontrar a possibilidade do amor e da comunicação. São estágios no ciclo do amor-apego adolescente e a roda pode girar completa em um minuto, uma hora ou um dia.

Então a roda da vida pode ser articulada como a roda do desejo sexual e apego. Força vital, luxúria pela vida e sexo com um apetite voraz por prazer são seus mecanismos, e toda a gama de emoções é posta em movimento. Enquanto envelhecemos nossos padrões de hábitos sexuais estabelecem-se, nossas preferências sexuais ficam mais explícitas, e torna-se evidente qual emoção, qual disposição de mente na roda do apego sexual nos domina. Podemos ficar presos num mesmo estado por dias, meses ou mesmo anos, e de acordo com nossas personalidades sexuais aproximamo-nos dos arquétipos que nos definem sexual e socialmente. Somos a vítima ou virgem eterna, o sensualista, o competidor, o viciado em sexo, o demônio ou terrorista sexual, o predador — ou o iogue do amor búdico. Estes rótulos denotam tipos psicossexuais, tipos de personalidade sexual. Cada personalidade é dominada por uma emoção daninha particular, que colocadas na vida sexual geram um complexo psicossexual tirânico. Estas emoções são especificamente ansiedade, orgulho, luxúria, inveja, raiva e medo.

A Eterna Virgem

A ansiedade está na raiz da psique de todos nós e o medo é o veneno da mente. Todas nossas respostas sexuais surgem da ansiedade. Esta é estabelecida de nosso sentido de separação, de nossa solidão, que surge no nascimento com o fim de nossa unidade com a mãe no útero e a entrada num mundo alienígena. Enquanto crescemos e nossa consciência amadurece, ficamos mais e mais conscientes de nossa separação e isolamento do exterior. Há um rompimento entre o “Eu” e o outro, “Nós” e “o inimigo”, e, olhando para o mundo de dentro de uma bolha, a ansiedade surge com todas as percepções. Quando algo ameaçador é percebido fora, quando “o outro”, “o desconhecido”, ameaça invadir nosso espaço, então a ansiedade gira rápido e a adrenalina jorra em nosso corpo-mente. Quando o desconhecido é um homem ou mulher excitado ameaçando a invasão de nossos corpos, o medo cria um muro de proteção que nos “protege” de seus avanços.

A virgem, incerta de sua identidade sexual, é muito consciente desse mecanismo, mas ele aflige — e protege — todos nós. Quando encontramo-nos num estado de ansiedade, inseguros de nossa identidade pessoal, social e sexual, a ansiedade surge na mente. Se temos egos imaturos, como na juventude, então precisamos escalar uma montanha de mente de forma a ganhar um sentido de quem somos. Não podemos nos engajar sexualmente ao menos que haja confiança suficiente para banir essa ansiedade básica. E a perda do ego só é possível depois que o ego formou-se e possui um forte sentido individual e, da mesma forma, o orgasmo não é atingível até que um limiar de tensão seja alcançado onde o relaxamento permita alívio e ejaculação. Se nossos egos estão formados, como quando somos adultos, mas um sentido de inferioridade ou baixa auto-estima nos contamina, novamente somos presas da ansiedade que inibe o ato sexual.

Abuso sexual na infância, experiências dolorosas ou traumáticas na adolescência, repetida rejeição, relacionamentos infelizes, qualquer um destes pode induzir a ansiedade que reforça uma resposta habitual negativa aos avanços sexuais. O desejo não é forte o bastante para romper através da resistência e a rejeição torna-se uma resposta automática. O desejo é reprimido e um celibato indesejável, ou pelo menos equivocado, é forçado. Porém podem surgir circunstâncias externas em que as barreiras se rompem — através do álcool, pelo sentimento de segurança completa com um determinado parceiro que gera aumento incomum na autoconfiança — e a paralisia enfim relaxa. A perda da virgindade pode então ocorrer, mas neste caso impotência, ejaculação prematura e incapacidade para alcançar o orgasmo podem acontecer. Tire todas as condições externas e estamos de volta à velha síndrome da virgindade perpétua e da mentalidade “chá de cadeira”. Se nossa excitação heterossexual é freqüentemente frustrada pela ansiedade, se o medo do sexo oposto é um obstáculo insuperável à realização, então o fluxo do desejo pode desviar-se para a opção menos ameaçadora do apego ao mesmo sexo, e forma-se um hábito homossexual. Falta de experiência pode levar a atrasar nosso desenvolvimento sexual e podemos ficar presos numa prática pré-adolescente aparentemente inofensiva que leva ao sexo com crianças. Podemos também tomar refúgio no auto-amor e narcisismo que torna a masturbação o escape comum.

A ansiedade vem juntamente com cada resposta sexual, mas a irrepreensível, inegável, emoção da luxúria, alimentada pelo orgulho e inveja, geralmente a dissolve e supera. Se fatores de inibição evitam este processo, a excitação heterossexual desvia-se. Mas há outra forma de desvio — a síndrome de vítima. Virgens eternas de ambos os sexos podem cair nesta armadilha, mas como a natureza fez a mulher com uma psique mais frágil e a fazem mais propensa a passividade e a submissão, sua vulnerabilidade maior torna-a mais suscetível. A vítima não precisa mais do que obedecer, permitindo que suas tendências de rejeitora sejam ofuscadas, sem tomar responsabilidade por suas ações. Se ela tem uma história de abuso na infância, estupro ou tratamento indelicado de corpo ou de mente em algum ponto de sua existência —qualquer experiência sexual que destrua a auto-estima — então a síndrome já está parcialmente formada. Ela pode cair vítima de qualquer dos tipos psicossexuais: ao sensualista que a utilizará como um brinquedo ou como um estimulante erótico, ao competidor que exige total obediência e a mantém sob seu completo domínio, ao viciado em sexo que nela despeja sua frustração, ao demônio sádico que pode levá-la as mais baixas de suas espúrias inclinações, e ao predador que a possui e abandona de acordo com sua vontade. A vítima pode fazer um casamento desigual, onde ela é usada e abusada ou pode ser forçada à opção mais torpe — prostituição.

Os Sensualistas ou Deuses do Amor

Amor é um meio eficaz de dissolver a ansiedade e romper a paralisia dos efeitos do medo. É um antídoto eficaz contra o veneno mental do medo. Ser amado é sentir-se seguro sexualmente e induz a confiança na qual mutualidade sexual pode surgir. Perdemos todas as inibições. Estar amando é um estado aberto onde o dar e receber físico são uma alegria. Neste estado podemos preencher as necessidades sexuais tanto nossas quanto de nosso parceiro e entregarmo-nos a nossos caprichos sexuais. Pode não ser na primeira noite, no leito de núpcias, que as coisas se ajeitem, mas na lua-de-mel de um casamento ou de um caso amoroso, há tempo e meios para experimentações e explorações que levem a uma compreensão e resposta física às necessidades e preferências mútuas. As preferências eróticas são reveladas, zonas erógenas exploradas, posições sexuais testadas, e os parâmetros mais satisfatórios de tempo e espaço são determinados — tudo isto como um fim em si mesmo, não como um meio de estabelecer um padrão físico de comportamento. Com o conhecimento crescente dos corpos-mente de cada um, nossas identidades sexuais são focalizadas, e isto aumenta a auto-confiança, incrementa a auto-estima e cria um ambiente para o desenvolvimento dos elementos básicos do amor erótico que já foram estabelecidos.

Talvez, neste ponto, se somos confiantes o suficiente em nós mesmos, então o elemento emocional no relacionamento torna-se menos significativo. Somos apanhados pela simples intensidade sensorial do toque e da sensação nas preliminares e união física que se prolongam por horas em múltiplas sessões diárias de brincadeiras sensuais. Sexo e amor são a razão para existir e tornam-se prioridade. Apreciamos e elogiamos a beleza um do outro. Nossos corpos respondem de maneiras anteriormente inimagináveis. Nos completamos através da comunicação entre nossos corpos e da troca de fluidos sexuais. O orgasmo nos dá um gostinho de prazer divino, e a satisfação mútua insinua a totalidade divina do ser. Fantasias são realizadas — o que quer que façamos é nossa fantasia realizada instantaneamente. A adoração mútua amplifica a sensação de ser um deus e uma deusa num paraíso sensual. Porque não podemos prevenir um fluxo de felicidade para fora de nossa bolha de união — e todos amam um amante — nosso estado paradisíaco de ser reforça-se socialmente.

Até quando isto durará? Quando começará a apodrecer? Quanto demora para virar rotina? Quanto demora até que o amor seja contaminado por incompatibilidades de personalidade? Quanto demorará até que a rotina e diminuição da interação diária criem dúvidas mesquinhas, medos e sementes de desconfiança? Pode ser uma hora ou uma vida inteira, mas eventualmente aquele brilho inicial de prazer inocente declina. Geralmente é um sentido de “eu” que anuncia esta perda. Tornamo-nos empanturrados de ego, pensando que é um “eu” que cria a situação. A vaidade introduz-se. Perdemos a vergonha ao fazer amor, todo sentido de humildade a frente do grande enigma do amor é perdido, e ostentamos nosso sexo para nosso parceiro e para o mundo em geral. Já não há frescor e pureza na exploração sensual e o desabrochar do amor se dissolve. Levados por um hábito condicionado e pela ânsia de reconquistar as alturas da fase de lua-de-mel, continuamos com a mesma paixão desinibida, mas nossos sentidos estão cansados. Aos outros nossa persona é feia e perdemos credibilidade e apoio social.

Ainda com um orgulho e autoconfiança inabaláveis, recebendo continuamente prazer, permanecemos neste reino de prazer divino, e juntamo-nos aos muitos sensualistas de carreira. Não mais precisamos de nosso primeiro e pequeno amante e a variedade da experiência sexual torna-se o tempero do prazer. Então ficamos presos em um paraíso sensual com uma sucessão de amantes — ou cônjuges — que concedem-nos mais da mesma satisfação e também, até certo ponto, satisfação emocional. Tornamo-nos aristocratas sexuais, prima donnas e estrelas, experimentados e fáceis num ambiente sibarítico, alguém com sorte no amor. Este é o mundo do playboy, da cortesã e da gueisha. Tomamos isto como garantido e ficamos desdenhosos de um parceiro que ainda tenha um mínimo de vergonha e conseqüente inibição. A massa dos neuróticos sexuais é tratada com desprezo e ao sibarita entediado a vontade de fazer jogos de poder com deuses menores e meros mortais suscetíveis à inveja ou levados a competição é um prazer. Nenhuma pena ou compaixão modifica essas atitudes ou ameniza as regras dos jogos, e nossos parceiros sofrem. Usamos e abusamos do sexo oposto como brinquedos, como prostitutas ou gigolôs. Uma sem-vergonhice que pode parecer aos outro como obscena ou lasciva distingue nossa atividade sexual. Ficamos com múltiplos parceiros ou programamos orgias para maior estímulo erótico. Qualquer orifício é tão bom quanto qualquer outro para penetração e gratificação. A bissexualidade é um recurso para o apetite entediado, e o sexo anal ou oral se tornam finalidades e não meros aspectos de preliminares. Os charmes de virgens, jovens, e parceiros exóticos podem ser particularmente tentadores ou atraentes. Os dogmas do Maquês de Sade podem tornar-se nosso credo como uma fuga do declínio inevitável do corpo envelhecido e da desilusão mental.

Os Competidores

A fase lua-de-mel dura somente o enquanto o tecido do relacionamento permanece inteiro. Quando aparecem rupturas na mutualidade da vivência sexual, quando desigualdades percebidas surgem, fracassos no dar e receber recíprocos, desentendimentos de motivo e intenção, o amor está envenenado e a desconfiança dá espaço para ciúmes reais ou imaginários. O ciúme desenvolve-se de nossa desconfiança. Aqui não há necessidade de um terceiro. Se duvidamos da motivação de nosso parceiro então nosso ciúme primeiro surge simplesmente como uma constante vigilância acompanhada de uma atitude de defesa. Se os fracassos em nosso amor persistem então a atenção ansiosa torna-se possessividade, que pode ser criada pelo amor, mas é contraproducente e aumenta a tensão no espaço entre nós e nosso parceiro. Neste espaço a competitividade se desenvolve. Se somos objeto de ciúmes, percebemos uma vantagem emocional perante nosso parceiro possessivo e defensivo e a exploramos. Se somos aquele marcado pelos ciúmes, então o domínio de nosso parceiro aumenta a desconfiança, nossos ciúmes exacerbam-se e precisamos da sensação de controle para contra-atacar a insegurança presente. O palco agora está pronto para uma guerra dos sexos por controle e dominação. Alguma forma de amor degenerado ainda está presente, ela nos gruda ao relacionamento, e esse apego —talvez seja apenas a memória de uma fase mais generosa de relacionamento — exclui a possibilidade de apenas ir-se embora.

Ainda lembrando a sensação de poder e saciedade divina da fase de lua-de-mel, ainda auto-satisfeitos e convencidos pela memória destes momentos de divindade, ficamos amargos por sua perda. Sentido-se ameaçados no espaço da separação, procuramos nosso ego como refúgio, elevando-nos e colocando o parceiro e adversário para baixo com desprezo e desdenho. Confrontação física e verbal marcam nosso relacionamento. Tecemos redes de intriga alistando aliados para a guerra. A mulher— com maior suscetibilidade aos ciúmes — e o inferno não conhece fúria igual a de uma mulher traída — corroendo seu coração nesta era de feminismo, pode alistar um exército de mulheres a seu lado e o relacionamento torna-se uma guerra dos sexos na qual o caminho da opção pelo lesbianismo pode tornar-se uma desagradável arma estratégica. Outros objetos de amor ou parceiros sexuais podem ser trazidos para o relacionamento como armas táticas. O macho, porém, retirado de sua equanimidade, crescentemente toma refúgio numa atávica mente masculina para combater as trapaças da mulher, o que por sua vez leva a ainda maiores excessos da parte dela.

Toda essa castração ciumenta pode impedir a prática sexual. Mas logo ontem estávamos satisfazendo um ao outro todas as noites com resposta mútua intuitiva e sensível, e a partir do hábito e do desejo energizados pelo combate, a batalha pode tomar formas físicas e emocionais na cama. Aqui a paixão do ciúmes transporta-se para o desejo, e a amargura mútua torna-se estímulo e satisfação recíprocos. A ânsia para controlar focaliza a atenção em técnicas de sedução, excitação e fuga, que refinam e sofisticam as preliminares e a união. Tais técnicas podem refinar-se em jogos sadomasoquistas nos quais ambos parceiros conseguem gratificação em posições de submissão e dominação. Mas tais momentos de reaproximação e gratificação mútua tornam-se menos freqüentes a medida que a espiral de combate alarga-se e cada mais aumenta a distância entre os parceiros, o que causa uma desconfiança idêntica a uma paranóia, e então chega o momento da separação ou do divórcio.

O hábito da competição nos seguirá após o relacionamento de origem até a arena da procura por outro parceiro. Aqui a energia de nossa ambição de dar-se bem e vencer, não só numa competição sexual, mas em todos os aspectos da vida, será vista como uma qualidade desejável por um parceiro igualmente ambicioso. Mas se nossa sorte acabar e se somos rejeitados por nosso escolhido, trocados por um amigo talvez, e então nossa outra melhor escolha nos abandona por um par na corrida dos ratos, a velha propensão para o ciúme é inflamada num espaço sem amor, solitário, onde podemos facilmente virar presas de um ciúmes obsessivo. A inveja daqueles que ainda nadam em seus ambientes sibaríticos de gratificação mútua é sentida como arames-farpados em nossa carne. Aqui somos os amargos cínicos que de caso pensado incendiam os balões de outras pessoas, frustramos seus planos, afundamos seus negócios, promovemos a motivação negativa e tentamos desviá-los a cada momento num jogo constante de um homem só. A política sexual e o próprio sexo são aqui um jogo sem amor, jogado com uma desconsideração sem misericórdia pelos sentimentos envolvidos na competição. Acumulando habilidades verbais e políticas nesta dança de ciúmes e inveja tornamo-nos o político da cama, o manipulador sexual, o jogador obcecado pela derrota do competidor e pelo troféu, ou nosso parceiro. Mas durante os procedimentos uma paranóia assustadora nos compele a olhar repetidas vezes sobre nossos ombros vigiando atrás, e nos entupimos de suspeitas. Estamos alienados constantemente, e com esta sensação de exclusão da sociedade e do sexo oposto, nossa frustração e ansiedade aumentam paulatinamente.

Viciados em Sexo

O viciado em sexo pensa no assunto como se fosse o elixir da vida. Ele é obcecado por seu desejo ao ponto da exclusão de todo o resto. Mas ele não consegue se dar bem. Ele precisa, mas não consegue. A intensidade dessa ânsia insaciável impede a gratificação. Se através da intervenção divina ele consegue, não encontra satisfação alguma. Ele divaga invisivelmente numa busca constante de alívio num deserto sexual sem romance, erotismo ou estímulo sensual. A intensidade grosseira de sua necessidade o torna repugnante aos parceiros potenciais. Se ele encontra uma mulher que tem pena dele o suficiente, ou que não tem discernimento, e que concederá para ele, sua luxúria indiscriminada, sua obsessão auto-direcionada e focalizada, a deixarão frígida. Se ela consegue ignorar sua urgência patética, as preliminares são um ritual pálido auto-consciente e seu desejo nervoso o deixa impotente. Se seu mecanismo sexual automático permite uma ereção, ele não consegue penetrá-la. Se eventualmente consegue, seu orgasmo é prematuro ou mesmo com esforço árduo e prolongado ele não consegue ter um. Se ele ejacula não há satisfação no ato, nenhuma gratificação e nenhuma diminuição do desejo. Sua parceira fica angustiada e insatisfeita e ele volta a divagar solitário novamente num deserto com um desgosto miserável. Apesar de virtualmente invisível aos outros, ele pode observar seus romances, suas brincadeiras eróticas, suas gratificações mútuas, o que aumenta ainda mais sua luxúria inquietável. Seu recurso a masturbação é ameaçado pelos mesmos mecanismos, e também pela ineficácia de suas fantasias sexuais, e ela deixa-o somente com um desejo ainda maior.

A viciada sexual é afligida de forma semelhante, divagando pelos terrenos baldios sexuais em busca de gratificação. Sua ânsia inibe a demonstração de sinais sutis e linguagem corporal que poderiam atrair os parceiros apropriados. Sua obsessão única a torna feia e repugnante. Mas já que seu papel na dança sexual é mais passiva e os homens estão menos interessados em seu estado mental do que em seus genitais ela ainda consegue atrair parceiros potenciais. Suas respostas verbais grosseiras, de mau-gosto, auto-piedosas ou lascivas, eliminam a excitação de muitos dos que ela atrai, mas ainda assim ela tem oportunidades de engajar-se sexualmente. Mas ela é completamente insaciável e nenhuma quantidade ou intensidade a gratificarão. Para ela um orgasmo ou catarse satisfatórios são impossíveis, apesar de todas as mínimas potencialidades de prazer a levarem em busca de satisfação. A urgência de sua necessidade física é acompanhada de comandos autoritários. Inflamada e insatisfeita com um ato sexual, com ou sem um parceiro, ela imediatamente busca outro. Sexo é a única coisa que substancia sua sensação de existência. Ela é a ninfomaníaca.

A causa dessa ânsia sexual frustrada não parece surgir do medo — embora o medo possa estar em sua raiz — mas sim como uma separação dos outros. Nos sentimos cortados, ilhados, isolados além dos relacionamentos. Quando nossa energia sexual é estimulada e intensificada por uma ligação emocional e sexual e então nos vemos privados da fonte de nossa gratificação por uma rejeição no amor ou fracasso sexual, ou apenas por um tempo dado em um relacionamento, somos deixados com uma sensação amplificada de eu e uma consciência hipertrofiada das diferenças que separam-nos de nosso amante anterior. A infidelidade é a forma mais eficiente de aumentar o espaço entre nós e um parceiro com quem estamos comprometidos. Ao procurar restabelecer um relacionamento, através do prender e agarrar, nós apenas empurramos o objeto de amor para mais longe e criamos um ciclo vicioso de apego — quanto mais ansiamos e buscamos, maior a distância entre nós e maior a necessidade pela união. O viciado em sexo equivoca-se entre uma necessidade espiritual e emocional e uma satisfação sexual, e já que alguma comunicação humana precisa anteceder a prática sexual, a união é sempre inatingível.

Mas antes que a luxúria obsessiva nos domine completamente, e antes que a satisfação seja calculadamente ameaçada por uma busca unidirecional de orgasmo e alívio sexual, podemos apenas recorrer aos extremos do estímulo sexual para nos excitar. A conexão entre sexo e violência pode ser explorada em sadomasoquismo, e no extremo da impotência e frustração, infligir ou sofrer dor física é um meio de excitação. A realização de fantasias sexuais, como amarras ou regressão infantil, pode ser utilizada pelo viciado em sexo para excitar os sentidos entediados ou a sexualidade inibida de forma a sugar um pouquinho de alívio sexual e gratificação. Nosso parceiro pode ser um viciado de outro sexo que está suscetível a nossas necessidades e que de fato dará boas-vindas a atenção que damos, mas ele também pode ser uma vítima vulnerável sobre a qual podemos despejar a força completa da luxúria frustrada.

O Terrorista Sexual

A ânsia frustrada é aliviada pelo relaxamento a um nível de consciência humana onde a comunicação com os outros seres é restaurada e a mutualidade num relacionamento sexual torna-se possível novamente. Mas e se o relaxamento nos escapa e o ciclo vicioso de separação e desejo continua a focalizar a consciência de nosso eu como uma entidade isolada, secionada? Já que ninguém e nada nos dá nenhuma sensação de liberdade e somos incapazes de discernir até mesmo uma diminuta partícula de simpatia, uma aversão pelo mundo inteiro surge. A raiva pela injustiça de nossa situação miserável comparada com a felicidade dos outros deixa-nos ainda mais amargos e mordazes. Solitários e alienados do mundo e da humanidade ficamos apavorados, e um grão de medo entra a cada momento de percepção envenenando-nos contra qualquer estímulo positivo. Começamos a odiar, não somente o que é odioso, mas o que quer que surja em nossos sentidos. A paranóia estabelece-se.

Se ainda estamos em um relacionamento quando o medo e a raiva nos possuem então nosso parceiro vai ter de agüentar a maior parte de nossa dor. Confundimos as atitudes de nosso parceiro solidário com o relho de um inimigo e reagimos cruelmente. Queremos punir nosso amante por criar este estado. “O outro” é o culpado. Expressamos nossa alienação, nossa raiva e medo, em abuso verbal, perseguição mental, o/a excomungando sexualmente, nos recusando e negando comunicação. Projetando nosso próprio estado mental sobre nosso parceiro reagimos como se ele/ela tivesse conscientemente nos infectado com AIDS, percebendo ele/ela como um demônio, nos torturando, procurando nos infligir o máximo de dor. Esta é a reação reflexo de um paranóico incapaz de distinguir entre o inferno ilusório que ele/ela mesmo/a fez e a realidade externa. Se possuímos uma noção da miserável impropriedade de nossas ações, odiamos as amarras em que estamos, causando ainda mais uma volta de comportamento violento.

Neste estado de aversão e medo crônicos não há possibilidade de contato sexual mútuo. É um estado de paralisia sexual. Mas esta dormência da resposta sexual pode ser facilmente quebrada. Quando medo e ódio entram em espiral além da tolerância da consciência nossa raiva torna-se violência física — aqui estão o homem que bate na mulher, o amante esbofeteador que perde as estribeiras —a violência torna-se um estímulo sexual e o estupro é a forma que toma. Perdendo o controle, o terrorista sexual é o sádico, o estuprador, o assassino sexual e o produtor de filmes snuff (N. do T. — filmes onde violência, estupros e mortes reais acontecem.).

Os Predadores

O inferno do medo e da raiva paranóicos também passa. A roda gira, e emergindo daquele buraco escuro no chão, rastejamos da aversão excessiva para dentro do mundo negro do predador. Nossa raiva já queimou a si própria, e nossos impulsos e ânsias destrutivas estão saciados. Em seu lugar há uma energia instintiva pela sobrevivência e uma astúcia grosseira. Nossa ânsia sexual é desinibida e descontrolada. Não temos auto-estima e não temos nenhuma responsabilidade moral ou discriminação, então homem ou mulher, sexo anal ou oral, são igualmente aceitáveis nesta esfera bissexual. O homem pode utilizar sua força bruta para conseguir o que quer. Um traço implícito de violência física é suficiente para efetuar uma intimidação física inicial. Este tipo de sexo é luxúria bruta, fisicamente grosseira. Neste mundo crepuscular a virgem eterna é particularmente vulnerável.

O macho predador possui qualquer fêmea que consegue dominar. Sua parceira é a vítima mais acessível. Se ele não tem uma parceira, então uma mulher com uma ausência parecida de auto-estima num estado similar de excitação é acessível, já que neste estado instintivo somos muito sensíveis aos ferormônios e somos naturalmente atraídos a parceiros de mentalidade similar — o predador não é necessariamente um estuprador. Prostitutas e prostitutos, e trabalhadores sexuais em geral atendem ao predador que têm alguma sensibilidade para relações. Qualquer parceira será usada sem remorso ou restrição alguma, num nível instintivo de sexo grosseiro, com o orgasmo e a ejaculação como única finalidades. O homem preso neste estado aprende a usar sua força física, identifica a vítima como um leão a sua presa, rejeita qualquer preliminar, e conclui o ato sexual em muito pouco tempo, provavelmente com ejaculação prematura.

A predadora fêmea neste estado é a desvairada mulher pornográfica, grosseiramente expondo seu sexo e focalizada unicamente na satisfação de ser inseminada. Mas ela pode ser tão ardilosa quanto o homem em sua caça, uma víbora que alimenta-se de homens inocentes e burros. A força física não é sua arma, embora o tamanho e a energia possam igualmente servir para intimidar sua vítima masculina. Mas é mais provável que seja com sua fria e penetrante mente que o seduza, como uma aranha atraindo a mosca para a teia. Uma vez que seu desejo for saciado ele é abandonado, jogado na pilha de seus rejeitados. Como uma vampira ela suga os fluidos sexuais que lhe dão vitalidade e então o descarta, e como a vítima de um vampiro, ele é condicionado a seguir o mesmo método no futuro.

A Oportunidade do Iogue

Da mesma forma que alguns animais podem ser domesticados e seu instinto “sobrevivência do mais forte”, “mate ou seja morto” subjugado por uma promessa de segurança e estabilidade, o predador sexual pode ser socializado pela promessa de um maior prazer a ser alcançado através da sensibilidade e conseqüente mutualidade de um relacionamento. Seguimos um processo parecido quando temos estado perdidos numa neblina de inércia e preguiça, onde nossas respostas sexuais são lentas e diretas, nosso prazer abreviado, e onde os relacionamentos são difíceis de cultivar. Através da intervenção de um novo parceiro potencial uma janela abre-se para os prazeres de uma sexualidade refinada, erótica, com uma sensibilidade moral e um aspecto emocional satisfatório, e esta cenoura balançando a nossa frente é suficiente para revitalizar nossa sexualidade e nos conduzir para uma nova dimensão de satisfação.

Nesta dimensão absolutamente humana há segurança emocional, e podemos relaxar e explorar as promissoras possibilidades de um relacionamento sexual. Podemos treinar fisicamente, com ioga ou algum tipo de exercício, e experimentar diferentes posições sexuais, estilos, respirações, aumentando ou diminuindo o tempo da atividade sexual e assim por diante. Dentro e fora do quarto estamos mais conscientes das nuanças do relacionamento entre os sexos e os benefícios que uma resposta sensível e altruísta pode conceder, e nossa consciência desta dimensão da sexualidade é alargada e amplificada. Neste processo de sensibilização e socialização alguma culpa e vergonha por nosso passado de grosserias, egoísmos e crueldades pode ser útil ao nos motivar para um estado onde a mutualidade desabroche. Algumas pessoas ficarão presas neste processo de treinamento sexual, onde a atividade sexual é um ritual físico agradável sem qualquer chance de espontaneidade. Mas se este poço é evitado, nossa sexualidade desenvolvida e amadurecida através do autodesenvolvimento, chegamos em um lugar onde um parceiro potencial acena de um paraíso de sensualidade, prazer elevado e alegre satisfação. A maioria de nós seguirá esta opção e mover-se-á para um outro ciclo na roda da paixão sexual. Mas alguns dirão, “De novo não!”, “Nunca mais!” e tomarão o caminho do Amor Vajra.

Traduzido do inglês por Padma Dorje.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-roda-da-paixao/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-roda-da-paixao/

A Verdadeira História do Necronomicon

“basta que um livro seja possível para que exista.”
– Jorge Luis Borges

Escrevendo sonhos…

 

Dentro dos contos que formam o Mito de Cthulhu, o leitor se depara com duas dimensões: o mundo humano normal e o Exterior infestado. É a tensão ontológica entre essas duas dimensões que dá poder ao Realismo Mágico Lovecraftiano. Apesar de Cthulhu e seus amigos possuírem aspectos materiais, a sua realidade é horrenda quando paramos para escutar o que ela diz a respeito do universo. Como o estudioso de Lovecraft, T.S. Joshi observa, os narradores dos contos de Lovecraft freqüentemente enlouquecem “não por causa de qualquer tipo de violência física nas mãos de entidades sobrenaturais, mas pela mera realização da existência de uma tal raça de deuses e seres”. Diante de “reinos cuja mera existência atordoa o cérebro”, eles experienciam graves dissonâncias cognitivas – precisamente os tipos de ruptura desorientadoras buscadas pelos magos do Caos.

O jogo RPG “O Chamado de Cthulhu” expressa maravilhosamente a violência desta mudança de paradigma Lovecraftiana. Em jogos de aventura como “Dungeons & Dragons”, uma das medidas mais significativas do seu personagem são seus pontos de dano – um número que determina quanto de punição física seu personagem pode receber antes de se ferir ou morrer. “O Chamado de Cthulhu” substitui esta característica física pela categoria psíquica da sanidade. Encontros face-a-face com Yog-Sothoth ou os insetos de Shaggai tira pontos de sua sanidade, e o mesmo acontece com a sua descoberta de mais informações sobre os Mito – quanto mais você descobrir a partir de livros ou cartas astrológicas, maior a chance de você acabar no Asilo de Arkham. Poder mágico também vêm com um preço irônico, um preço diante do qual os magos lovecraftianos deveria se acautelar. Se você usar qualquer um dos rituais presentes no De Vermis Mysteriis ou nos Manuscritos Pnakóticos, você necessariamente vai aprender mais sobre o Mito e, assim, perder mais um pouco da sua sanidade.

Os heróis acadêmicos de Lovecraft investigam o Mito não apenas se utilizando de leitura e pensamento mas também de movimentos através do espaço físico, e esta exploração psicológica atrai a mente do leitor diretamente para o loop. Normalmente, os leitores suspeitam que a verdade sombria do Mito enquanto o narrador ainda se apega a uma atitude cotidiana – uma técnica que sutilmente força o leitor a se identificar mais com o “Exterior” do que com a visão de mundo convencional do protagonista. Sob um ponto de vista mágico, a cegueira dos heróis de Lovecraft corresponde a um elemento crucial da teoria ocultista desenvolvida por Austin Osman Spare: o de que a magia age sobre e contra a mente consciente, que o pensamento comum deve ser silenciado, distraído, ou completamente perturbado para que a vontade ctônica possa se expressar.

Para conseguir invadir nosso plano, as entidades Lovecraftianas precisam de um portal, uma interface entre os mundos, e Lovecraft enfatiza dois: livros e sonhos. Para invadir o nosso avião, entidades de Lovecraft precisa de um portal, uma interface entre os mundos, e Lovecraft enfatiza dois: livros e sonhos. Em “Sonhos na Casa da Bruxa”, “A Sombra Fora do Tempo” e “A Sombra sobre Innsmouth”, sonhos infectam seus hospedeiros com uma virulência que se assemelha às posses psíquicas mais evidentes que ocorrem em “O Assombro Nas Trevas” e o “Caso de Charles Dexter Ward”. Como os próprios monstros, os sonhos de Lovecraft são forças autônomas rompendo do Exterior e engendrando sua própria realidade.

Mas esses sonhos também evocam um “Exterior” mais literal: a estranha vida de sonhos do prórpiro Lovecraft, uma vida que (como o fã informado sabe) inspirou diretamente alguns de seus contos. Semeando seus textos com seus próprios pesadelos, Lovecraft cria uma homologia autobiográfica entre ele e seus protagonistas. As próprias histórias começam a sonhar, o que significa que também o leitor situa-se no caminho da infecção.

Lovecraft se coloca em seus contos devárias maneiras – os protagonistas em primeira pessoa refletem aspectos de seu próprio estilo de vida recluso e livresco, a forma epistolar do “Um Sussurro nas Trevas” ecoa seu próprio compromisso com a troca regular de correspondência; nomes de personagens são tirados de amigos e a paisagem da Nova Inglaterra que é a sua própria. Esta auto-reflexão psíquica parcialmente explica por que os fãs de Lovecraft geralmente tornam-se fascinados com o próprio homem, um solitário recluso que tinha a correspondência como forma de socialização, exaltava o século XVIII e adotou a aparência e os maneirismos de um velho ranzinza. A vida de Lovecraft e, certamente, sua volumosa correspondência pessoal fazem parte de seu Mito.

Desta forma, Lovecraft solidifica assim sua realidade virtual ao adicionando elementos autobiográficos ao seu mundo compartilhado de criaturas, livros e mapas. Ele também cria uma aura de documentário ao tornar seus contos mais densos com manuscritos, recortes de jornais, citações eruditas, entradas de diário, cartas, e bibliografias que listam livros falsos ao lado de clássicos reais. Tudo isso produz a sensação de que “fora” de cada conto indivídual encontra-se um mundo meta-ficcional que paira à beira do nosso próprio, um mundo que, como os próprios monstros, está constantemente tentando romper nossa realidade para se tornar atual. E graças aos escritores que expandiram o Mito, aos RPG’s e magos sinistros, ele está conseguindo.

 

… e sonhando o Livro

 

Em “A Sombra Fora do Tempo”, Lovecraft torna explícita uma das equações fantásticas que impulsiona seu Realismo Mágico: a equivalência entre sonhos e livros. Por cinco anos o narrador, um professor de economia chamado Nathaniel Wingate Peaslee, é tomado por uma misteriosa “personalidade secundária.” Depois de recuperar sua identidade original, Peaslee é atormentado por sonhos poderosos em que ele se encontra em uma cidade estranha, habitando um enorme corpo brotando repleto de tentáculos, escrevendo a história do mundo ocidental moderno em um livro. No clímax do conto, Peaslee viagensja para o deserto australiano para explorar ruínas antigas enterradas sob as areias, lá ele descobre um livro escrito em Inglês, de próprio punho: o mesmo volume de que ele havia produzido dentro de seu corpo de sonho monstruoso.

Embora não tenhamos conhecimento de seu conteúdo, a não ser pequenos fragmentos, os grimórios diabólicos de Lovecraft são tão pestilentos que até mesmo olhar para os seus sigilos sinistros se mostra perigoso. Tal como acontece com os seus sonhos , estes textos se tornam obsessões para os protagonistas estudiosos de Lovecraft, chegando a um ponto em que os volumes, nas palavras de Christopher Frayling, “vampirizam o leitor”. Seus títulos, por si só, são palavras mágicas, os encantamentos alucinógenos de um antiquário excêntrico: os manuscritos Pnakóticos, o Papiro Ilarnet, o texto de R’lyeh, os Sete Livros Enigmáticos de Hsan. Os amigos de Lovecraft contribuiram com o De Vermis Mysteriis e o Unaussprechlichen Kulten de von Junzt, e Lovecraft batizou o autor de seu Cultes Des Goules de conde d’ Erlette, homenageando seu jovem fã August Derleth. Pairando sobre todos esses tomos sombrios está o “temível” e “proibido” Necronomicon, um livro de invocações blasfemas para acelerar o retorno dos Antigos. O fetiche intertextual supremo de Lovecraft, o Necronomicon, se destaca como um dos poucos livros míticos na literatura que tenham absorvido tanta atenção imaginativa que conseguiram se materializar, publicados, em nossa realidade.

Se os livros devem a sua vida não para os seus conteúdos individuais, mas para a rede intertextual de referências e citações dentro do qual são criados, então o temido Necronomicon claramente possui vida própria. Além de estudos literários, o Necronomicon tem gerado numerosas análises pseudo-eruditas, incluindo a “História do Necronomicon”, escrita pelo próprio Lovecraft. Uma série de perguntas frequentes podem ser encontrados na Internet – onde guerras costumam estourar periodicamente entre magos, os fãs de horror e especialistas em mitologia – sobre a realidade do livro. A entidade morta-viva à qual se refere o famoso par de versos do Necronomicon:

“Não está morto o que pode eternamente jazer,
Ainda, em eras estranhas, até a morte pode morrer”

pode ser nada mais nada menos do que o próprio texto em si, sempre à espreita nas margens da realidade.

 

A breve “História”, escrita por Lovecraft, foi aparentemente inspirada pelo primeiro Necronomicon falso: um estudo de uma edição do tomo temido, submetido ao Massachusetts Branford’s Review em 1934. Décadas mais tarde, cartões de índice para o livro começaram a aparecer em catálogos de bibliotecas universitárias .

É talvez o princípio do Realismo Mágico de Lovecraft,que torne possível que todas essas referências fantasmagóricas finalmente tenham manifestado o livro. Em 1973, uma edição de Al Azif (nome árabe do Necronomicon) apareceu, composto por oito páginas de uma imitação detexto sírio repetidas 24 vezes. Quatro anos depois Satanistas nova iorquinos da de Magickal Childe publicaram o Necronomicon de Simon, um saco de gatos repleto de mitos sumérios e quase nenhum material Lovecraftiano (embora o livro traga um aviso que porções foram “propositadamente deixadas de fora” para a “segurança do leitor” ). O Necronomicon de George Hay – também uma criança dos anos 1970, conhecido como O Livro dos Nomes Mortos, se mostrou o mais complexo, intrigante e lovecraftiano de sua época. No espírito pseudoerudito do mestre, Hay pareia as invocações fabulosas de Yog-Sothoth e Cthulhu com um conjunto de ensaios analíticos, literários e históricos.

Embora sejam comuns os magos que afirmam que mesmo o livro Simon faz maravilhas, as pseudo histórias dos vários Necronomicons são muito mais atraentes do que os próprios textos. O próprio Lovecraft ofereceu as bases sobre as quais a história do livro seria erguida: o texto foi escrito em 730 dC por um poeta, o louco árabe Abdul Al-hazred, recebendo seu nome dos sons noturnos dos insetos. Posteriormente, foi traduzido por Theodorus Philetas para o grego, por Olaus Wormius para o latim e por John Dee para o Inglês. Lovecraft lista várias bibliotecas e coleções particulares, onde fragmentos do volume residem, e insunua que o escritor de fantasia R.W. Chambers derivou o livro monstruoso e suprimido, citado em seu romance “O Rei de Amarelo” a partir de rumores do Necronomicon (Lovecraft chegou a dizer que obteve sua inspiração nos trabalhos de Chambers).

Todos os subseqüentes pseudo-histories do Necronomicon colocam e removem o livro da história real do ocultismo, com John Dee desempenhando um papel particularmente notável. Segundo Colin Wilson, a versão do texto publicado no Necronomicon de Hay fazia parte do texto cifrado em enoquiano de Dee, o Liber Logoaeth. O FAQ sobre o Necronomiconm escrito por Colin Low, afirma que Dee descobriu o livro na corte do rei Rodolfo II em Praga, e que foi sob a influência do livro que Dee e seu vidente, Edward Kelly, conseguiram seus mais poderosos encontros astrais. Nunca publicada, a tradução de Dee tornou-se parte da coleção célebre de Elias Ashmole, abrigado na Biblioteca Britânica. Foi lá que Crowley o leu, tirando livremente dele várias das passagens que usaria para escrever “O Livro da Lei”, de onde, finalmente, teria chegado até Lovecraft, graças a uma amante em comum que teria tido com Crowley: Sophia Greene – que chegou a se casar com Lovecraft. O papel de Crowley no conto de Low é apropriado, já que Crowley certamente conhecia o poder mágico de se combinar farsa com história.

A história do ocultismo é uma confabulação , ela se encontra apegada às suas genealogias, suas “verdades eternas e imutáveis”, fabricadas por revisionistas, loucos e gênios, suas tradições esotéricas são uma conspiração de influências em constante metamorfose. O Necronomicon não é a primeira ficção de gerar atividade mágica real dentro dessa zona de penumbra potente que se encontra entre a filologia e a fantasia.

Para dar um exemplo de uma época anterior, os manifestos Rosacruzes anônimos que apareceram pela primeira vez no início de do século XVII afirmavam se originar de uma irmandade secreta de Cristãos Herméticos que, finalmente, julgaram ser aquele o momento de sair da obscuridade. Muitos leitores imediatamente desejaram juntar-se ao grupo, no entanto é improvável que tal grupo tenha existido na época. Mas essa farsa trabalhou o desejo esotérico da época e inspirou uma explosão de grupos Rosacruzes “reais”. Apesar de um dos dois autores suspeitos dos manifestos, Johann Valentin Andreae, nunca ter assumido ou negado nada, ele fez referências veladas ao Rosacrucianismo como um “jogo engenhoso que uma pessoa disfarçada poderia gostar de brincar no cenário literária, especialmente em uma época apaixonada por tudo que fugisse do ordinário”. Tal como os manifestos Rosacruzes ou o Livro de Dzyan de Blavatsky, o Necronomicon de Lovecraft é o equivalente oculto da transmissão de rádio de Orson Welles da “Guerra dos Mundos”. Como o próprio Lovecraft escreveu: “Nenhuma história bizarra pode realmente causar terror se não for planejada com todo o cuidado e verossimilhança de uma farsa real”.

No “O Pêndulo de Foucault”, Umberto Eco sugere que a verdade esotérica é, talvez, nada mais do que uma teoria da conspiração semiótica, nascida de uma literatura auto-referencial infinitamente requentada – o tecido inter textual que Lovecraft tanto compreendia. Para aqueles que precisam fixar seus estados profundos de consciência em versões correspondentes objetivas, esta é uma acusação grave de “tradição”. Mas como os magos do caos continuam a nos relembrar, a magia não é nada mais do que a experiência subjetiva interagindo com uma matriz internamente consistente de sinais e efeitos. Na ausência de ortodoxia, tudo o que temos é o tantra dinâmico entre o texto e a percepção, da leitura e de sonho. Nos dias atuais a Grande Obra pode ser nada mais nada menos do que este “jogo engenhoso”, fabricando-se a si mesmo sem encerramento ou descanso, tecendo-se para fora do vazio resplandecente onde Azazoth se contorce em seu trono de Mandelbrot.

 

por Shub-Nigger, A Puta dos Mil Bodes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-verdadeira-historia-do-necronomicon/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-verdadeira-historia-do-necronomicon/

A Exposição Valentiana

[…] entrar na abundância […] aqueles que […] falarei meu mistério para aqueles que são meus e para aqueles que serão meus. Além disso, são estes que conheceram aquele que é o Pai, isto é, a Raiz do Todo, o Inefável que habita na Mônada. Ele mora sozinho em silêncio, e o silêncio é tranqüilidade, pois, afinal, ele era uma Mônada e ninguém antes dele. Ele mora na Díade e no Par, e seu Par é o Silêncio. E ele possuía o Todo habitando dentro dele. E quanto à Intenção e Persistência, Amor e Permanência, eles são de fato não gerados.

Deus saiu: o Filho, Mente do Todo, isto é, é da Raiz do Todo que também brota seu Pensamento, pois ele tinha este (o Filho) em Mente. Pois em nome do Todo, ele recebeu um Pensamento estranho, pois não havia nada diante dele. Daquele lugar é ele quem moveu […] uma fonte jorrando. Agora esta é a Raiz do Todo e da Mônada sem ninguém antes dele. Agora a segunda fonte existe em silêncio e fala com ele a sós. E o quarto, portanto, é aquele que se restringiu no quarto: enquanto morava no trecentésimo sexto, ele primeiro se apresentou, e no segundo ele revelou sua vontade, e no quarto ele se espalhou.

Enquanto essas coisas são devidas à Raiz do Todo, vamos entrar, de nossa parte, em sua revelação e sua bondade e sua descendência e o Todo, isto é, o Filho, o Pai do Todo, e a Mente do Espírito; pois ele estava possuindo este antes […]. Ele é uma mola. Ele é aquele que aparece no Silêncio, e ele é a Mente do Todo morando secundariamente com a Vida. Pois ele é o projetor do Todo e a própria hipóstase do Pai, ou seja, ele é o Pensamento e sua descida abaixo.

Quando quis, o Primeiro Pai se revelou nele. Já que, afinal, por causa dele a revelação está disponível para o Todo, eu, de minha parte, chamo o Todo de ‘o desejo do Todo’. E ele teve tal pensamento sobre o Todo – eu, de minha parte, chamo o pensamento de ‘Monogenes’. Pois agora Deus trouxe a Verdade, aquela que glorifica a Raiz do Todo. Assim foi ele quem se revelou em Monogenes, e nele revelou o Inefável […] a Verdade. Eles o viram morando na Mônada e na Díade e na Tétrade. Ele primeiro trouxe Monogenes e Limit. E o Limite é o separador do Todo e a confirmação do Todo, pois são […] as cem […]. Ele é a Mente […] o Filho. Ele é completamente inefável para o Todo, e ele é a confirmação e a hipóstase do Todo, o véu silencioso, o verdadeiro Sumo Sacerdote, aquele que tem autoridade para entrar nos Santos dos Santos, revelando a glória dos Aeons e trazendo adiante a abundância para <fragrance>. O Oriente […] que está Nele. Ele é aquele que se revelou como o santuário primordial e o tesouro do Todo. E ele abrangeu o Todo, aquele que é superior ao Todo. Estes, por sua vez, enviaram Cristo para estabelecê-la, assim como foram estabelecidos antes de sua descida. E dizem a respeito dele: […] Ele não é manifesto, mas invisível para aqueles que permanecem no Limite. E ele possui quatro poderes: um separador e um confirmador, um provedor de forma e um produtor de substância. Certamente só nós discerniríamos suas presenças e o tempo e os lugares que as semelhanças confirmaram porque eles têm […] desses lugares […] o Amor […] é emanado […] todo o Pleroma […]. A persistência perdura sempre, e também […] pelo tempo […] mais […] ou seja, a prova do seu grande amor.

Então, por que um separador, um confirmador, um produtor de substâncias e um provedor de formulários, como outros disseram? Pois dizem a respeito do Limite que ele tem dois poderes, um separador e um confirmador, pois separa a Profundidade dos Aeons, para que […]. Estes, então […] de Profundidade […]. Pois […] é a forma […] o Pai da Verdade […] dizer que Cristo […] o Espírito […] Monogenes […] tem [… ].

É algo grande e necessário que busquemos com mais diligência e perseverança as escrituras e aqueles que proclamam os conceitos. Pois sobre isso os antigos dizem, “eles foram proclamados por Deus”. Então, deixe-nos conhecer sua riqueza insondável! Ele queria […] servidão. Ele não se tornou […] da vida deles […]. Eles olham firmemente para seu livro de conhecimento e consideram a aparência um do outro.

Essa Tétrade projetou a Tétrade que é aquela que consiste em Palavra e Vida e Homem e Igreja. Agora o Incriado projetou a Palavra e a Vida. A Palavra é para a glória do Inefável, enquanto a Vida é para a glória do Silêncio, e o Homem é para a sua própria glória, enquanto a Igreja é para a glória da Verdade. Esta, então, é a Tétrade gerada de acordo com a semelhança do Incriado (Tétrade). E a Tétrade é gerada […] a Década da Palavra e da Vida, e a Dodecádia do Homem, e a Igreja tornou-se uma Triacontada. Além disso, é aquele da Triacontad dos Aeons que dá frutos da Triacontrad. Eles entram juntos, mas o

Vocês saem sozinhos, fugindo dos Aeons e dos Incontáveis. E os Incontáveis, uma vez que olharam para ele, glorificaram a Mente, pois ele é um Incontentável que existe no Pleroma.

Mas a Década da Palavra e da Vida gerou décadas para fazer o Pleroma se tornar cem, e o Dodecad do Homem e da Igreja gerou e fez a Triacontad para fazer com que os trezentos e sessenta se tornassem o Pleroma do ano. E o ano do Senhor […perfeito…] perfeito […] segundo […] Limite e […] Limite […] a grandeza que […] meu bem […] ele. A vida […] sofre […] pela cara […] na presença do Pleroma […] que ele queria […]. E ele queria sair do Trigésimo – sendo um szygy do Homem e da Igreja, ou seja, Sophia – para superar a Triacontad e trazer o Pleroma […] seu […] mas […] e ela [. ..] o Todos […] mas […] quem […] o Todo […]. Ele fez […] os pensamentos e […] o Pleroma através da Palavra […] sua carne. Estes, então, são os Aeons que são como eles. Depois que a Palavra entrou nela, exatamente como eu disse antes, também aquele que vem para estar com o Incontido trouxe à luz […] antes que eles […] saíssem […] escondê-lo de [… ] a sizígia e […] o movimento e o […] projeto do Cristo […] e as sementes […] da cruz desde […] as marcas da ferida do prego [. ..] perfeição. Como é uma forma perfeita que deveria ascender ao Pleroma, ele não quis consentir com o sofrimento, mas foi detido […] por Limite, isto é, pela sizígia, pois a correção dela não ocorrer por meio de qualquer um, exceto seu próprio Filho, cujo único é a plenitude da divindade. Ele desejou dentro de si mesmo corporalmente deixar os poderes e desceu. E essas coisas (paixões) Sophia sofreu depois que seu filho ascendeu dela, pois ela sabia que ela morava em uma […] unidade e restauração. Eles foram parados […] os irmãos […] estes. Um […] não fez […]. Eu me tornei […]. Quem são eles de fato? O […], por um lado, parou ela […], por outro lado, […]. com a […] ela. Estes, aliás, são aqueles que me olhavam, estes que, […] estes que consideraram […] a morte. Eles foram impedidos […] e ela se arrependeu e implorou ao Pai da verdade, dizendo: “Concedido que eu renunciei a minha consorte. Portanto, estou além da confirmação também. Eu mereço as coisas (paixões) que sofro. Eu morava no Pleroma produzindo os Aeons e dando frutos com meu consorte” E ela sabia o que ela era e o que havia acontecido com ela.

Então ambos sofreram; disseram que ela ri porque ficou sozinha e imitou o Incontido, enquanto ele disse que ela ri porque se separou do consorte. […] De fato, Jesus e Sofia revelaram a criatura. Como, afinal, as sementes de Sofia são incompletas e sem forma, Jesus inventou uma criatura desse tipo e a fez das sementes enquanto Sofia trabalhava com ele. Pois uma vez que são sementes e sem forma, ele desceu e produziu aquele pleroma de éons que estão naquele lugar, já que mesmo os incriados daqueles Aeons são do padrão do Pleroma e do Pai incontido. O Incriado produziu o padrão do incriado, pois é do incriado que o Pai traz à forma. Mas a criatura é uma sombra de coisas pré-existentes. Além disso, esse Jesus criou a criatura, e trabalhou a partir das paixões que cercavam as sementes. E ele os separou uns dos outros, e as melhores paixões ele introduziu no espírito e as piores no carnal.

Agora, primeiro entre todas essas paixões […] nem ele, pois, afinal, Pronoia fez com que a correção projetasse sombras e imagens daqueles que existem desde o início e daqueles que são e daqueles que serão . Esta, então, é a dispensação de crer em Jesus por causa daquele que inscreveu o Todo com semelhanças, imagens e sombras.

Depois que Jesus deu à luz, ele gerou para todos aqueles do Pleroma e da sizígia, isto é, os anjos. Pois simultaneamente com o acordo do Pleroma seu consorte projetou os anjos, pois ele permanece na vontade do Pai. Pois esta é a vontade do Pai: não permitir que nada aconteça no Pleroma além de uma sizígia. Novamente, a vontade do Pai é: sempre produzir e dar frutos. Que ela sofresse, então, não era a vontade do Pai, pois ela mora em si mesma sozinha, sem seu consorte. Deixe-nos […] outro […] o Segundo […] o filho de outro […] é a Tétrade do mundo. E essa Tétrade deu frutos como se o Pleroma do mundo fosse uma Hebdomad. E entrou imagens e semelhanças e anjos e arcanjos, divindades e ministros.

Quando todas essas coisas aconteceram por Pronoia […] de Jesus que […] as sementes de Monogenes […]. Na verdade, eles são espirituais e carnais, os celestiais e os terrenos. Ele os fez um lugar desse tipo e uma escola deste tipo para a doutrina e para a forma.

Além disso, o Demiurgo começou a criar o homem à sua imagem, por um lado, e, por outro, à semelhança daqueles que existem desde o início. Era esse tipo de morada que ela usava para as sementes, a saber […separar…] Deus. Quando eles […] em favor do homem, pois de fato o Diabo é um dos seres divinos. Ele se retirou e apoderou-se de toda a praça dos portões e expulsou sua própria raiz daquele lugar no corpo e carcaças de carne, pois está envolvido pelo homem de Deus. E Adão o semeou. Portanto, ele adquiriu filhos que irritavam uns aos outros. E Caim matou seu irmão Abel, pois o Demiurgo soprou neles seu espírito. E ali ocorreu a luta com a apostasia dos anjos e da humanidade, os da direita com os da esquerda, os do céu com os da terra, os espíritos com os carnais e o diabo contra Deus. Por isso os anjos cobiçaram as filhas dos homens e desceram à carne para que Deus causasse um dilúvio. E ele quase lamentou ter criado o mundo […] a consorte e Sophia e seu Filho e os anjos e as sementes. Mas a sizígia é a completa, e Sofia e Jesus e os anjos e as sementes são imagens do Pleroma. Além disso, o Demiurgo lançou uma sombra sobre a sizígia e o Pleroma e Jesus e Sophia e os anjos e as sementes. O completo glorifica Sophia; a imagem glorifica a Verdade. E a glória das sementes e de Jesus são as de Silêncio e Monogenes. E os anjos dos machos e os seminais das fêmeas são todos Pleromas. Além disso, sempre que Sophia recebe seu consorte e Jesus recebe o Cristo e as sementes e os anjos, então o Pleroma receberá Sophia com alegria, e o Todo virá a estar em unidade e reconciliação. Pois por isso os Aeons foram aumentados; pois eles sabiam que se mudassem, eles não mudariam.

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-exposicao-valentiana/

A Verdade Sobre a Loira do Banheiro

Imagine viver em um mundo onde com o aperto de um botão, você tem a sua disposição uma mulher loira linda, surgindo para você, disposta a deixar cada pêlo do seu corpo arrepiado. Bem, e o que você diria se nós afirmássemos que você vive em um mundo exatamente assim?

Duvida? Basta ir para o banheiro, colocar uma tesoura sobre o ralo, apertar três vezes o botão da descarga, se virar para o espelho e então apagar a luz. Espere diante do espelho e ela surgirá.

Motivo de risos e piadas depois da adolescência a loira do banheiro é o terror de muitas crianças. Muitas das quais acabavam se molhando para não ter que entrar no banheiro.

Você pode achar essa história uma estupidez, pode dizer que é coisa de criança, pode dizer que é a pior lenda urbana do mundo, mas neste momento, enquanto você lê o texto, existem crianças espalhadas pelo país entrando em banheiros querendo apertar três vezes o botão da descarga enquanto seus colegas esperam do lado de fora do banheiro para ver se a infeliz desafiada tem coragem e mais, conseguir uma prova da existência da loira.

Mesmo que acredite que tudo não passa de besteira de crianças, por que esse mito é tão popular e continuar a ser espalhado? A resposta é simples. Porque uma vez que entre no banheiro e aperte três vezes a descarga, a pessoa vai ver algo surgir para ela. Para entender o porquê, vamos desmembrar essa “brincadeira” em partes.

Quem é a Loira do Banheiro?

Taxonomicamente a Loira do Banheiro faz parte de um grupo bem conhecido de assombrações conhecidas como Mulher da Meia-Noite. Este nome varia de cultura para cultura, são também conhecidas como Belas da Noite, Mulheres de Branco, etc. Curiosamente suas descrições são basicamente a mesma no mundo todo, menos na América do Sul, onde os relatos a seu respeito e suas diferents formas são relatadas.

Uma Mulher da Meia-Noite é o fantasma de uma mulher que morreu de forma tão violenta que produziu um espírito perturbado e psicopata que busca algum tipo de retaliação, seja vingança, seja matar as pessoas em busca de companhia. Neste segundo caso o problema é que dificilmente um espírito se prenderá a uma Mulher da Meia-Noite, o que a obriga a continuar matando.

Os registros sobre esse tipo de aparição são tão antigos quanto o homem, mas ganharam uma atenção especial graças à novela The Woman in White de Wilkie Collins, escrita em 1859.

No Brasil a Mulher de Branco recebe o nome de Mulher da Meia-Noite, Bela da Noite, também é conhecida como Mulher de Branco (ou de vermelho, ou de preto, de acordo com as roupas que usa na ocasião de sua aparição). Na Venezuela é conhecida como La Sayona, no México de La Llorona, nos Andes é conhecida e temida como Paquita Muñoz.

A origem de cada versão da lenda varia não apenas de país para país, como de estado para estado e cidade para cidade. Isso acontece porque diferente de outros tipos de fantasmas, como o Holandês Voador, não existe uma única Mulher da Meia-Noite ou uma que originou tudo, onde há uma mulher morrendo de forma violenta o suficiente para se perturbar seu espírito, ou quebrar seu espírito como muitos dizem, nascerá uma nova Mulher da Meia-Noite.

Assim não existe uma Loira do Banheiro, mas sim assombrações de Mulheres da Meia-Noite que podem ter um Modus Operandi que envolva banheiros ou o ritual de chamada.

Mulheres da Meia-Noite Famosas

Ao redor do Braisl existem muitos relatos e lendas de Mulheres da Meia-Noite, alguns sérios outros risíveis.

Caminhoneiros e motoristas que dirigem muito pelas estradas parecem sempre conhecer alguém que já viu a Mulher de Branco, eternamente pedindo carona e uma vez dentro do carro ou caminhão se mostrava com uma face horrível, fazendo com que assustados, os motoristas perdessem o controle sobre seu veículo e saíssem da estrada morrendo posteriormente.

Em Belo Horizonte existe a Loura do Bonfim, que vive no cemitério do Bonfim.

Outro relato conhecido é a morte de uma loira que sofreu um grave acidente de carro com o filho na estrada que liga a BR-381 à cidade de Caetá, em Minas Gerais, ambos morreram no local. A Loira, desesperada até hoje fica á beira da estrada, pedindo carona que a leve à cidade para buscar ajuda para o filho. Existem a partir dai dois tipos de relatos, os que páram para acudi-la e a vêem desaparecer no ar, e aqueles que não páram. Os do segundo tipo dizem que durante a viagem, se olham para o retrovisor, a vêem sentada no banco traseiro para então desaparecer. Muitos afirmam que alguns acidentes que resultaram em morte neste trecho de estrada foram causados por ela, é conhecida como a Loira do Caeté

Em Porto Alegre existe a Maria Degolada, uma mulher que viveu na capital do Rio Grande do Sul e após a noite de núpcias foi degolada pelo marido no que é hoje conhecido como Morro da Conceição.

E chegamos à Loira do Banheiro.

A Lenda da Loira

Não existe um registro original sobre a Loira que possa ser averiguado. A história varia muito, alguns dizem que era uma aluna de colêgio que por inúmeras razões se escondeu no banheiro de um colégio. Alguns afirmam que ela foi ao banheiro apra fumar escondida, outros para poder “namorar” algum colega, outros simplesmente que ela foi matar aula. Nesta versão a aluna, cuja idade varia dos 12 aos 17 anos, escorregou no chão, bateu a cabeça no chão ou na privada e morreu.

Uma outra versão fala de uma professora que teve um caso com um aluno e durante uma sessão de “namoro” no banheiro foi assassinada pelo marido que desconfiando da esposa a seguiu.

Seja aluna ou professora, muitos relatos dizem que ela tenta seduzir os garotos ou garotas que ficam sozinhos no banheiro. Isso talvez seja um indicativo de que sua morte teve algo a ver de fato com um relacionamento.

Talvez a lenda da Loira do Banheiro desaparecesse com o tempo se permanecesse apenas entre crianças, mas ela já foi vista fora de escolas em centros comerciais e hospitais. Caminhoneiros falam de histórias da loira que surge em banheiros de beira de estrada. Conseguem ver seu reflexo quando estão de frente para o espelho, e lá está ela, de costas, linda, corpo e pernas perfeitos, mas quando se viram para encarar o homem mostram um rosto deformado e coberto de sangue.

Esse aspecto da sedução é recorrente a várias Mulheres de Meia-Noite, que para buscar vingança ou companhia usam a promessa de sexo para atrair suas vítimas. Muitas pessoas que já viram a Loira do Banheiro afirmam que ela se mostra cínica, primeiro tentando seduzir com beijos e olhares e uma vez cativada a confiança ela ataca. Vale dizer que as pessoas não percebem que estão na presença de um espírito até ser tarde demais.

Loiras Regionais

Catalogamos a seguir, algumas variações das lendas que envolvem uma Loira do Banheiro, buscando, sempre que possível incluir dados mais sólidos, como nomes locais e datas, para auxiliar qualquer um que deseje iniciar uma pesquisa paranormal mais séria sobre o assunto ou para aqueles que desejem simplesmente bater um papo com a loira.

Loira Paulista

São Miguel Paulista

No local onde seria construída a escola Prof. Adolpho Pluskat, em São Miguel Paulista, havia uma casa habitada por uma jovem e seus pais. Após um acidente de carro, os pais da jovem morreram. O acidente a colocou em choque, variando seu humor entre a catatonia e a histeria, desenvolvendo o que hoje poderia ser chamado de síndrome do pânico, não deixando mais a casa.

Com o passar do tempo o governo da região decidiu construir ali a escola e se ofereceu para comprar o terreno ou pagar a ela uma indenização, ela aceitou o acordo e no dia programado derrubaram a casa, sem saberem que ela havia permanecido ali, esperando apra ser morta.

Obviamente que a lenda diz que o quarto onde ela se escondeu calhou de se localizar onde posteriormente foi erguido o banheiro da escola.

Já, em quase todas as escolas públicas do estado parece haver uma homogenidade entre os relatos.

Na escola, seja ela qual for, estudava uma garota loira linda de aproximadamente 15 anos. Ela adorava matar aula, em uma dessas aventuras entrou no banheiro, escorregou bateu a cabeça e morreu, alguns envolvem um período de coma antes da morte. O interessante nesses relatos é que ela surge com uma bola de algodão em cada narina para evitar que o sangue escorra.

No Instituto de Ensino Cecília Meireles, em Santo André, os alunos também a descrevem como uma loira com algodão no nariz e roupa branca.

Loira Carioca

No Rio de Janeiro, um dos points da Loira do Banheiro é a Escola Municipal José Veríssimo.

Não existe um consenso de como ela foi parar lá, mas a crença é de que se uma pessoa para diante do espelho do banheiro, que ocupa grande parte da parede, e chamar 3 vezes o nome catarina, ela surgiria no espelho e ofereceria duas opções a quem a chamou: Faca ou Maçã, escolhendo faca ela mataria a pessoa, escolhendo maçã ela a puxaria para dentro do espelho, de onde a vítima só fugiria após realizar alguma prenda pedida por ela.

Loira Sergipana

Em Aracajú, logo antes de seu casamento, uma loira encontra o seu noivo com outra mulher, uma de suas amigas, na cama. Ela corre para a igreja onde iria ter sua cerimônia e se joga do alto da torre, enquanto caia seu vestido de noiva se torna preto. Depois da morte voltou e matou o marido, a amiga. Apesar de sua morte não ter conexão direta com um banheiro, ela pode ser vista em banheiros. Quando surge arranha o rosto de quem estiver na sua presença e odeia homens infiéis.

Loira Paranaense

Em 1997 começou a circular uma história na Escola Estadual Leonor Castelano que afirma que dentro do último banheiro feminino existe uma mulher cheia de facas na cabeça e uma no peito. Quando surge ela mata quem estiver em sua frente, se a pessoa tentar fugir ela lhe arranca a cabeça.

Encontros com a Loira

De crianças de 8 anos como J. G. do Instituto de Ensino Cecília Meireles que diz que suas “amigas contam que viram a loira no banheiro do segundo andar, agora só usamos o do andar de baixo”, a Maria Luiza de Carvalho, 67, avó que relembra: “Diziam que era um espírito abandonado que vagava pela escola com algodão no nariz e na boca. A única que sei que existiu de verdade foi uma que vi da janela de casa quando tinha 7 anos”, os casos de avistamento da loira seriam o suficiente para encher centenas de páginas de livros.

Curiosamente grande parte dos relatos tem a ver primeiramente com um reflexo da loira, seja em janelas, na água da provada, em espelhos ou em superfícies similares. E todo relato termina com a pessoa fugindo assim que a loira aparece, obviamente se não fugisse não sobreviveria para contar a história.

Mas esses encontros são reais? Existem mesmo fantasmas de mulheres loiras vagando por banheiros tentando atacar pessoas? O número de relatos diferentes poderia sugerir que parte da burocracia ao se abrir um colégio, após se conseguir um alvará da prefeitura, seria matar uma menina loira em um dos banheiros da construção.

Podemos dizer então que grande parte dos banheiros são assombrados? A resposta obviamente é não, grande parte, talvez a maioria absoluta dos banheiros de escola, casas e etc. não possuem um fantasma psiceotico de estimação.

Então podemos afirmar que os relatos são todos falsos, certo?

Errado.

O fato de alguém ver um fantasma quando não há um fantasma para ser visto não significa que a pessoa não viu nada.

A Loira sob o Microscópio

Como todo Rosa-Cruz sabe, se você encarar um espelho por tempo o suficiente, você vai ver coisas que te farão cagar tijolos.

Isso significa que existe algo no espelho?

Um teste psicológico foi realizado, tempos atrás que consistia em colocar pessoas defronte do espelho em um lugar à meia luz e simplesmente encarar o espelho por 10 minutos.

Terminada a experiência as pessoas tinham que escrever em um papel o que haviam visto, se é que haviam visto algo.

Antes de colocarmos aqui os resultados tenha em mente que isso não era uma brincadeira onde a pessoa esperava encarar um espírito, era um teste psicológico neutro.

66% dos participantes disseram ter visto o próprio rosto extremamente deformado. 18% viram um de seus pais com alguns traços alterados – 10% desses pais já haviam morrido. 28% viram o rosto de um estranho, como uma criança ou uma mulher velha. Computando os dados, quase metade dos participantes viram seres monstruosos e fantásticos.

Mas porque isso acontece?

Ao invés de respondermos vamos propor algo. Hoje, quando tiver um tempo livre vá para frente de um espelho e encare ele, não apenas olhe para ele, encare-o com toda a atenção e veja o que seu cérebro faz com o que você está vendo. A culpa disso é de Ignaz Paul Vital Troxler, que em 1804 deduziu que o nosso sistema nervoso tem um mecanismo de adaptação a estímulos contínuos, ou seja, se uma coisa acontece de maneira constante por muito tempo você passa a ignorâ-la. Por acha que aquele alarme de carro que dispara na madrugada toca toca toca toca e pára, para então começar a tocar tocar tocar tocar e parar de novo? Se ele simplesmente tocasse sem parar, em determinado momento você não repararia mais nele, as pausas são para que o estímulo cesse antes de você o ignorar e recomece.

Outro exemplo do Efeito Troxler: coloque o dedo na sola do pé de alguém que sente cócegas. A pessoa pode reagir ao primeiro toque, mas após alguns instantes, se você não movimentar o dedo, ela não o sente mais. Diferente do que acontecerá se você ficar movendo o dedo de um lado para o outro. Da mesma forma que se você colocar um pedaço de papel na parte interna do seu antebraço você o sente apenas por um breve período de tempo, mas se agitar o braço volta a senti-lo até que ele caia. Por que isso acontece?

Esse mecanismo existe pra impedir que você enlouqueça. Imagine ser consciente de cada ruído, de cada movimento ao seu redor. Imagine ouvir o som da própria respiração ou sentir o próprio coração batendo o tempo todo.

E o que isso tem a ver com a Loira do Banheiro e outras aparições do tipo?

Se não houver mesmo uma assombração no seu banheiro, e isso pode facilmente ser verificado, como veremos a baixo, ao que tudo indica é que um cérebro já estimulado para ver algo fantasmagórico, quando encara um ponto por muito tempo, como um espelho, uma janela ou um lugar aleatório qualquer, depois de certo tempo interpretará qualquer mudança repentina no ambiente como uma presença.

Caso você esteja encarando o espelho, como seu rosto não possui um ponto onde se focar, como o + na imagem acima, ele todo começa a se deformar, se trasnformando em algo assustador. Obviamente assim que o cérebro percebe isso você se assusta e os estímulos voltam ao normal, fazendo a deformação sumir. E assim os relatos de “assim que a vi ela desapareceu”.

Chamando a Loira para um Encontro

Diferente de outras espécias de Mulheres da Meia-Noite a Loira do Banheiro, assim como sua versão americana Blood Mary – ou Mary Sangrenta -, pode ser evocada. Por se tratar de um fenômeno popular, o ritual de evocação varia praticamente de bairro para bairro mas em linhas gerais ocorre da seguinte forma:

Entre no banheiro sozinho ou sozinha.

Vá para o vaso sanitário e acione três vezes a descarga.

Vá para a frente do espelho e espere.

Pronto.

Variações pedem que se chame o nome do espírito três ou cinco vezes. Se coloque uma tesoura sobre o ralo, ou fios de cabelo na privada. Se fale cinco palavrões ou três. As combinações são infinitas.

Saindo Para o Abraço

Mas de fato pode calhar de haver de fato um espírito no seu banheiro. Como saber se o que está refletido no espelho ou abrindo a janela não é um fragmento de sua imaginação.

Fantasmas e espíritos tem assinaturas específicas que podem ser percebidas. Usando aparelhos como detectores de campos elétro magnéticos pode-se conseguir leituras dos campos que nos cercam e perceber mudanças. Da mesma forma câmeras térmicas e outros apetrechos de medição, mas para queles que não dispõe desses aparelhos aqui vai uma técnica Morte Súbita Inc. simples para detectar os espíritos.

A primeira é o uso de uma bússola simples. Muitos espíritos quando de manifestam causam mudanças nos campos eletro-magnéticos que podem afetar a agulha imantada. Se você levar a bússola com você e durante a evocação a agulha começar a se mover é melhor se preparar para um encontro. O importante a se lembrar neste método de detecção é se lembrar de deixar a bússola em uma superfícia estática sem que ela se incline para qualquer lado, nem seja movimentada. A pia do banheiro é uma boa opção.

Outra opção é levar uma câmera fotográfica digital comum, se tiver visão noturna melhor ainda. Chame a loira e assim que notar qualquer coisa diferente comece a fotografar, se sua câmera tiver opção de filmagem melhor ainda.

Por último, construa o seu próprio eletroscópio caseiro. O eletroscópio é um aparelho que se destina a indicar a existência de cargas elétricas, ou seja, identificar se um corpo está eletrizado. Os eletroscópios mais comuns são o pêndulo eletrostático e o eletroscópio de folhas. Fantasmas costumam se manifestar como campos elétricos sem um corpo, assim caso haja um campo eletrostático por perto ele pode não ser visto mas sim detectado. Aqui vai uma receita de como criar um eletroscópio de folhas em casa e como usá-lo:

Material:

– Frasco de vidro – O frasco pode ser qualquer um, mas é necessário que seja de vidro e que tenha tampa de preferência de plástico. O mais fácil de ser encontrado assim é um pote de maionese. Caso tenha paciência e habilidade o suficiente faça um buraco no centro da tampa com a largura do seu dedão.

– Fio metálico condutor – Qualquer fio condutor serve. O ideal é um fio de cobre esmaltado, mas na falta de um fio pode-se usar outros objetos metálicos: arame, prego fino, clips de papel etc. Estes fios são encontrados em casa de materiais elétricos, ou retirados de aparelhos elétricos velhos. São fios de cobre recobertos com um verniz.

– Papel alumínio – Papel usado para embalar comida, ou encontrado em embalagens de barras de chocolates ou de cigarros.

– Fita isolante

– Rolha – A rolha será enfiada no buraco que você fez na tampa de plástico do pote. Pode se ruma rolha usada ou uma comprada em armazéns, supermercados ou bares. Caso queira sofisticar em farmácias ou lojas que fornecem materiais para farmácias e hospitais você encontra rolhas de borracha.

– Uma bola de ping-pong, ou de isopor, caso não tenha sem problemas.

Montagem:

– Corte um pedaço de fio esmaltado de forma que ele vá até o centro do pote e ainda sobre uns 3 cm para fora da rolha;

– Com uma lixa, de parede, de unha ou de canivete, raspe 3 cm do fio em uma extremidade e 3 cm de fio na outra, até que todo o verniz à volta dessas áreas seja totalmente retirado;

– Enrole a bola de ping-pong ou de isopor com o papel alumínio, caso não tenha as bolas apenas amasse o papel. Atravesse a bola na extremidade do fio que ficará para fora do pote.

– faça um pequeno furo no centro da rolha. Tente não deixar o furo muito maior do que a espessura do fio; depois de passado o fio pela rolha, dobre a extremidade inferior do fio como indicado na figura abaixo, na forma de um “U” horizontal, perpendicularmente ao fio que desce da rolha; caso não tenha a rolha faça o furo na tampa do pote pequeno o suficiente para que o fio fique preso nele.

– recorte duas tiras de papel alumínio com aproximadamente 5 cm de comprimento e de 3 a 5mm de espessura; faça uma pequena dobra em cada uma, dando o formato de bengala, como mostra a figura acima (na figura acima a lâmina de papel alumínio está sendo mostrada de lado);

– coloque as lâminas sobre o fio raspado da parte inferior de forma que elas fiquem paralelas (veja a figura no final);

– Ajuste este conjunto (fio rolha e lâminas) no frasco;

Você deve ter isso em mãos:

Ou algo bem parecido, dependendo do frasco que usar.

Ele funciona de maneira simples. A bola de aluimnio na ponta absorve cargas elétricas e as leva pelo fio até o papel alumínio de dentro. Como a carga é a mesma as folhas de papel se repelem, se separando. Para fazer um teste coloque a bola perto do monitor da sua televisão e a ligue e desligue. Observe as folhas de papel no interior. Outro meio de testar é pegando uma régua de acrílico e a esfregar no seu cabelo ou em um casaco de lã e então aproximar a régua da bola. Para rebootar o sistema encoste o seu dedo na bola de papel alumínio e as folhas voltam ao normal.

Leve seu eletroscópio ao banheiro e chame a loira, ande de um lado para o outro. Caso as folhas se movam, BINGO. Detectou algo.

Essas tecnicas são simples e podem ser realizadas por qualquer pessoa. Tenha em mente que caso não detecte nenhuma presença não significa que ela não esteja lá, mas caso alguma dessas tentativas indique um resultado positivo pode apostar que alguém está olhando sobre seu ombro, neste momento vale a pena tentar se lembrar como tudo isso é besteira e só foi inventado para assustar crianças.

por Reverendo Obito

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/a-verdade-sobre-a-loira-do-banheiro/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/a-verdade-sobre-a-loira-do-banheiro/

A Demonologia Clássica e o Fenômeno OVNI

Observando a literatura sobre ocultismo de séculos passados podemos constatar que observadores antigos citavam a existência de aparições que normalmente eram classificadas como demônios. O trabalho Oficial de Francis Barret, The Magus – Book 2 (Os Magos – Livro 2), de 1801, entre as páginas 48 e 54, descreve os anjos decaídos ou demônios:

…alguns dos que estão perto de nós perambulam para cima e para baixo neste ar obscuro: outros habitam lagos, rios e mares, outros a terra e aterrorizam todas as coisas… perturbando não só os homens, mas também outras criaturas; alguns se contentam com brincadeiras e zombarias, aborrecendo os homens sem causar-lhes dano; outros… mudando de forma, transtornam os homens e fazem com que eles temam em vão…

…os demônios falam; e o que o homem faz com voz audível, eles o fazem imprimindo a idéia de fala na mente daqueles a quem se dirigem, de um modo melhor do que se fizessem isso em voz audível… todavia, eles muitas vezes emitem uma voz audível.

Em seu livro Earth’s Earliest Ages And Their Connection with Modern Spiritualism and Theosophy (As primeiras Idades da Terra e Sua Conexão com o Espiritualismo e Teosofia Modernos, 1876, página 254, G. H. Pember Observa que o ocultista “é levado à comunicação inteligente com espíritos do ar, e pode receber qualquer conhecimento possuído por eles, ou qualquer falsa impressão que decidam comunicar… os demônios parecem ter permissão para operar vários prodígios a seu pedido”.

As obras “De Magia” e “De Vinculis in Genere” escritas pelo Mago Bruno Giordano, em meados de 1590, consagradas à magia, apresenta práticas religiosas de origem egípcia para atrair demônios para dentro de suas estátuas e um método de condicionamento da imaginação ou da memória para receber influências demoníacas, através de imagens ou sinais estampados na memória. Estes métodos não seriam suficientes para se criar falsas lembranças de abdução, por exemplo?!

Segundo os milhares de registros de casos de aparições de “tripulantes de discos voadores” em todo o mundo, os supostos extraterrestres variam seu tamanho entre alguns centímetros a quase seis metros, sendo que na maioria dos casos o tamanho fica entre 1,20 m e 2,00 m, sendo, normalmente, de forma humanóide, embora também há casos de formas muito estranhas (semelhantes a insetos, por exemplo) ou fantasmagóricas. Sendo que, por muitas vezes, estes seres correspondem a figuras folclóricas, mitológicas, demoníacas ou do ocultismo, relacionados a muitas tradições e culturas de diversas épocas, mostrando tratar-se de entidades polimorfas que, não tendo um corpo físico, são capazes de criar, de alguma forma, uma imagem adequada às culturas com as quais pretendem interagir.

Na obra “Asclépio” de Hermes Trimegisto, século XVI, há a afirmação de que o Anjo Decaído (Lúcifer ou Satanás) recrimina suas hostes por terem fundamentado suas imagens somente em animais, fazendo simbolizar as constelações com figuras de animais (ursa, áries etc) e, para fazer uma paródia contra Jesus Cristo, o Anjo Decaído admite ser uma besta (um animal), porém vitoriosa, triunfante, a “Bestia Triofante”. Levando em conta esta afirmação da obra de Hermes Trimegisto e partindo-se do pressuposto de que entidades sobrenaturais existem e que podem ser classificadas como “demônios” que procuram se adequar às culturas para interagir com a humanidade, não seria ousado contar com a possibilidade de que para os religiosos do antigo Egito, seus deuses eram reais e que transmitiam suas mensagens e mandamentos através dos médiuns egípcios. Afirmações semelhantes poderiam ser feitas com relação à crença na existência de Orixás, Espíritos de Mortos e, para os que não são religiosos, estas entidades poderiam se passar por tripulantes de naves extraterrestres. Até mesmo Martinho Lutero (conforme Commentary on Galatians, cap. 3, verso 1, pág 290) observou:

“Satanás é perfeitamente capaz de afetar todos os sentidos da pessoa, de modo que ela juraria ter visto, ouvido, sentido e tocado algo que – na verdade – não viu, etc.

Também na Bíblia vemos citações à capacidade de Satanás mudar sua forma:

E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz.

(II Coríntios 11:14)

Há diversos registros históricos que nos relatam como eram as possessões demoníacas e, surpreendentemente, o pesquisador Jacques Vallee, após muitos anos de pesquisas do fenômeno OVNI, em sua obra Confrontations (Confrontos), na pág. 63, declara:

“O ‘exame médico’ a que os seqüestradores dizem ter-se submetido, muitas vezes acompanhados de manipulação sexual sádica, é remanescente das lendas medievais de encontros com demônios. Não faz sentido numa estrutura sofisticada, técnica, ou biológica: qualquer ser inteligente equipado com as maravilhas científicas que os OVNIs possuem estaria em posição de realizar quaisquer desses supostos objetivos científicos num prazo mais curto e com menos riscos”.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-demonologia-classica-e-o-fenomeno-ovni/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-demonologia-classica-e-o-fenomeno-ovni/

As Chamadas (ou chaves) Enoquianas

As Chaves Enoquianas fornecem uma das abordagens mais flexiveis do sistema enoquiano de magia.  Cada uma delas é, sozinha, uma invocação poderosa a ser usada emmomentos aprópriados pelo magista. Elas devem ser lidar no idioma enoquiano, seguindo a pronûncia correta desta linguágem, mas sempre carregada cmo um forte aspecto emocional do operador que entende e vive a mensagem expressa por cada uma delas.

A Primeira Chave

Ol Sonf Vorsag Goho lad Bait, Lonsh Calz Vonpho Sobra Z-OL Ror I Ta Nazps Od Graa Ta Maiprg Ds Hol-Q Qaa Nothoa Zimz Od Commah Ta Nobioh Zien. Soba Thu Gnonp Prge Aldi Ds Vrbs Oboleh G Rsam; Casarm Ohorela Taba Pir Ds Zonrensg Cab Erm Iadnah Pilah Farzm Znrza Adna Gono Iadpil Ds Hom Od To h Soba Ipam Lu Ipamis Ds Loholo Vep Zomd Poamal Od Bogpa Aai Ta Piap Piamol Od Vaoan Zacare Eca Od Zamran Odo Cicle Qaa Zorge Lap Zirdo Noco Mad, Hoath laida.

Tradução: Eu reino sobre vós, diz o Deus da Justiça poderosamente exaltado acima dos firmamentos da ira; em cujas mãos o Sol é uma espada e a Lua como um fogo penetrante: que mede as vossas túnicas, no seio de minhas próprias vestes e vos amarrei juntos com as palmas de minhas mãos; vossos assentos sendo decorados com o fogo da reunião, embelezando vossas vestimentas com admiração; para quem fiz a Lei para governar os santos e entreguei uma vara com a arca do conhecimento. Além disso, vós então erguestes vossas vozes e jurastes obediência e fá a Ele, que vive e triunfa, que não tem início, nem fim, que brilha como uma chama no meio de vosso palácio, e reina entre vós como a balança da retidão e verdade. Portanto, movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Segunda Chave

Adgt Vpaah Zong Om Faaip Sald Vi-I-V L Sobam Ial-Prg I-Za-Zaz Pi-Adph. Casarma Abrang Ta Talho Paracleda Q Ta Lorslq Turbs Ooge Baltoh. Givi Chis Lusd Orri Od Micaip Chis Bia Ozongon. Lap Noan Trof Cors Ta Ge 0 Q Manin la-Idon. Torzu Gohe L Zacar Eca C Noqod Zamran Micaizo Od Ozazm Vrelp Lap Zir Io-lad.

Tradução: Podem as asas do vento entender vossas vozes de admiração, Oh, vós todos, os segundos dos primeiros? Que as chamas ardentes conceberam nas pofundidades de minhas mandíbulas; que preparei como taças para um casamento, ou como flores em sua beleza para a câmara da retidão. Mais fortes são os vossos pés, que a pedra estéril, e mais poderosa são vossas vozes que os ventos múltiplos, pois se haveis tornado uma edificação como não existe outra, exceto em minha mente de Todo-Poderoso. Aparecei disse o Primeiro: Movei-vos, portanto, até os vossos servos! Mostrai vossos poderes e fazei de mim um Grande Vidente, pois eu sou daquele que vive para sempre.

A Terceira Chave

Micma Goho Mad Zir Comselha Zien Biah Os Londoh Norz Chis Othil Gigipah Vnd-L Chis ta Pu-Im Q Mospleh Teloch Qui-I—-N Toltorg Chis I Chis-Ge In Ozien Ds T Brgdo Od Torzul. I Li E Ol Balzarg Od Aala Thiln Os Netaab Dluga Vonsarg Lonsa Cap-Mi Ali Vors CLA Homil Cocasb Fafen Izizop Od Miinoag De Gnetaab Vaun Na-Na-E-El Panpir Malpirg Pild Caosg. Noan Vnaiah Bait Od Vaoan. Do-O-I-A p Mad Goholor Gohus Amiran. Micma Iehusoz Ca-Cacom Od Do-O-A-In Noar Mica-Olz A-Ai-Om, Casarmg Gohia. Zacar Vnigiag Od Im-Va-Mar Pugo Piapii Ananael Qa-A-An.

Tradução: Vede! Disse o vosso Deus, eu sou um círculo em cujas mãos descansam 12 reinos; Seis são os assentos dos espíritos da vida; os outros são como foices afiadas ou como o chifre da morte, nos quais a criatura da Terra são e não são, exceto pelas minhas próprias mãos; que também dormem e subirão! No princípio os fiz Administradores e os coloquei sobre 12 assentos de Governo, dando a cada um de vós o poder sucessivamente sobre os 456, verdadeiras épocas do tempo, de forma que desde os mais altos receptáculos e cantos de seus governos pudessem trabalhar meu Poder, derramando o fogo da vida, e crescer na Terra continuamente. Assim, tornam-se os limites dajustiça e da verdade. Em nome do vosso Deus, levantai-vos; eu vos digo: Vede! Vossas misericórdias florescem e vosso nome que permanece poderoso entre nós. Nele dizemos: Movei-vos! Descendei e recorrei a nós, como participantes da sabedoria secreta de vossa criação.

A Quarta Chave

Othil Lusdi Babage Od Dorpha Gohol. G-Chis-Gee Avavago Cormp P D Ds Sonf Vi-vi-Iv? Casarmi Oali MAPM Soham Ag Cormpo Crp L. Casarmg Cro-Od-Zi Chis Od Vgeg, Ds T Capmiali Chis Capimaon Od Lonshin Chis Ta L-O CLA, Torzu Nor-Quasahi Od F Caosga Bagle Zire Mad Ds I Od Apila. Do-O-—A—Ip Qaal Zacar Od Zamran Obelisong Rest-El-Aaf Nor-Molap.

Tradução: Coloquei os meus pés no Sul e olhei ao meu redor, dizendo: Não são os Trovões do crescimento de número 33, que reinam no Segundo Ângulo? Sob eles coloquei 9639 que nunca foram numerados, a não ser um, no qual o segundo princípio das coisas estáe cresce forte, que, sucessivamente, também são os números do Tempo: e seus Poderes são como os dos primeiros 456. Levantai-vos! Oh Filhos do Prazer!, e visitai a Terra: pois eu sou o Senhor vosso Deus que vive e é eterno! E em nome do Criador, movei-vos e revelai-vos como agradáveis entregadores para que possais louva-lo entre os filhos dos homens.

A Quinta Chave

Sapah Zimii DUlY od noas ta quanis Adroch, Dorphal Caosg od faonts Piripsol Ta blior. Casarm am-ipzi nazarth AF od dlugar zizop zlida Caosgi toltorgi: Od z chis e siasch L ta Vi-u od Iaod thild ds Hubar PEOAL, Sobo-Cormfa chis Ta LA, Vls od Q Cocasb. Eca niis, od darbs qaas. F etharzi od bliora. Ia-Ial ednas cicles. Bagle? Ge-lad I L.

Tradução: Os Poderosos Sons entram no terceiro ângulo e estão se tornando como olivas no Monte das Oliveiras, olhando com alegria a Terra e habitando no brilho do Céu como contínuos consoladores. A eles firmei os pilares da alegria, 19, e dei vasilhas para regar a Terra com suas criaturas; e eles estão adornados com lâmpadas perpétuas, 69636,cujos números são como o princípio, os fins e os conteúdos do tempo. Portanto, vinde e obedecei a vossa Criação: visitai-nos em paz e conforto: Tornai-nos receptores de vossos mistérios. Por quê? Nosso Senhor e Mestre é o Todo Uno.

A Sexta Chave

Gah S diu chis Em micalzo pilzin: Sobam El harg mir Babalon od obloc Samvelg: Dlugar malprg Ar Caosgi od ACAM Canal sobol zar fbliard Caosgi, od chisa Netaab od Miam ta VIV od D. Darsar Solpeth bi-en. Brita od zacam g-micalza sobol ath trian lu-Ia he od ecrin Mad Qaaon.

Tradução: Os espíritos do quarto ângulo são nove, poderosos no firmamento das águas. Que o Primeiro formou como um tormento para os maus e uma guirlanda para os justos, dando-lhes flechas flamejantes para liderar a Terra, e 7699 trabalhadores incansáveis, cujo trajeto visita com conforto a Terra e estão no governo e continuidade com o Segundo e o Terceiro. Para que ouçam a minha voz! Tenho falado de vós todos e vos movo em poder e presença, para que vossas obras sejam uma canção de honra, e louvor de vosso Deus em vossa criação.

A Sétima Chave

Raas i salman paradiz oecrimi aao Ialpirgah, quiin Enay Butmon od I Noas NI Paradial casarmg vgear chirlan od zonac Luciftian cors ta vaul zirn tolhami. Sobol londoh od miam chis ta I od ES vmadea od pibliar, Othil Rit od miam. C noqol rit, Zacar zamran oecrimi Qaada! od 0 micaolz aaiom! Bagle papnor i dlugam lonshi od vmplif vgegi Bigl lAD!

Tradução: O leste é uma casa de Virgens que cantam louvores entre as Chamas da primeira glória em que o Senhor abriu a sua boca; e se tornaram as 28 habitações viventes onde a força do homem se regozija; e elas estão vestidas com ornamentos brilhantes que operam maravilhas em todas as criaturas; dos reinos e continuidade são como o terceiro e quarto, fortes torres e locais de conforto, assentos da misericórdia e da continuidade. Oh, Servos da Misericórdia, movei-vos e aparecei, cantai louvores ao Criador e sede poderosos entre nós, pis a esta recordação é dado o poder, e a vossa força crescida e poderosa em vosso Consolador.

A Oitava Chave

Bazm ELO i ta Piripson oln Nazavabh OX casarmg vran chis vgeg ds abramg baltoha goho lad, Soba mian trian ta lolcis Abaivovin od Aziagiar nor. Irgil chis da ds paaox busd caosgo, ds chis, od ipuran teloch cacrg oi salman loncho od voviva carbaf? Niiso! Bagle avavago gohon! Niiso! Bagle momao siaion od mabza lAD 01 as Momar Poilp. Niis! Zamran ciaofi caosgo od bliors od corsi ta abramig.

Tradução: O meio-dia, o primeiro, é como o terceiro céu, feito de Pilares de Jacinto, 26, em que os Anciãos se fazem fortes; que preparei em minha própria retidão, disse o Senhor: que vossa longa duração seja como um escudo contra o Dragão curvado, e como a colheita de um viúvo. Quantos são os que permanecem na glória da Terra, quem são e que não verão a morte, até que esta casa caia e o Dragão afunde! Ide! Porque os trovões têm dito; ide, porque as coroas do templo e a túnica Dele, que É, e Era, e Será coroado, stão divididas. Vinde! Aparecei para o terror da Terra e para nosso consolo e daqueles que estão preparados.

A Nona Chave

Micaolz bransg prgel napea lalpor, ds brin P Efafage Vonpho olani od obza, sobol vpeah chis tatan od tranan balie, alar lusda soboin od chis holq c Noquodi CIAL. Unal alson Mom Caosgo ta las ollor gnay limlal. Amma chis sobca madrid z chis ooanoan chis aviny drilpi caosgin, od butmoni parm zumvi cnila. Dazis ethamza childao, od mire ozol chis pidiai collal. Vicinina sobam vcim. Bagle? lAD Baltoh chirlan par. Niiso! Od ip efafafe bagle a cocasb i cors ta vnig blior.

Tradução: Um poderosos exército de fogo, com espadas chamejantes de dois gumes (que contém frascos, 8, de Ira, duas e vezes e meia: cujas asas são de absinto e tutano de sal), colocou os pés no oeste, e são medidos com os seus ministros 9996. Estes recolhem o musgo da Terra, como o homem rio faz com seu tesouro. Amaldiçoados são aqueles que inqüidades são! Nos vossos olhos estão moinhos de pedra maiores que a Terra, e de vossas bocas correm mares de sangue. Vossas cabeças estão cobertas com diamantes, e sobre vossas mãos estão luvas de mármore. Feliz é aquele a quem não desaprovam. Por quê? O Deus da Retidão regozija-se neles! Saí e não vossos frascos! Pois o tempo é aquele que requer o conforto.

A Décima Chave

Coraxo chis cormp od blans lucal aziazor paeb sobol ilonon chis OP virq eophan od raclir, maasi bagle caosgi, di ialpon dosig od basgim; Od oxex dazis siatris od saibrox, cinxir faboan. Unal chis const ds DAOX cocasg ol oanio yorb voh m gizyax, od math cocasg plosi molvi ds page ip, larag om dron matorb cocasb emna. L Patralx yolci matb, nomig monons olora gnay angelard. Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Noib Ohio! Casgon, bagle madrid i zir, od chiso drilpa. Niiso! Crip ip Nidali.

Tradução: Os Trovões do Juízo da Ira estão numerados e descansam no Norte, semelhantes a um carvalho cujos ramos são ninhos, 22, de lamentações e lágrimas, caídas sobre a Terra, que queimam noite e dia, e vomitam cabeças de escorpiões e enxofre ardente misturado com veneno. Estes são os Trovões que 5678 vezes na 24ª parte de um momento rugem com centenas de poderosos terremotos e milhares de vezes tantas ondas que não descansam, e não conhecem qualquer tempo de calmaria. Aqui uma pedra produz 1000, da mesma forma que o coração do homem produz seus pensamentos. Maldita, maldita, maldita, maldita, maldita, maldita! Sim, maldita seja a Terra, pois a inqüidade é, foi e será grande. Ide! Mas não vossos ruídos!

A Décima Primeira Chave

Oxyiayal holdo, od zirom 0 coraxo dis zildar Raasy, od Vabzir camliax, od bahal. Niiso! Salman teloch, casarman hoiq, od t i ta Z soba cormf I GA. Niiso! Bagle abrang noncp. Zacar ece od zamran. Odo cicle qaa! Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: O Poderoso Trono gritou e houve cinco Trovões que voaram para o leste; e a Águia falou e chorou em voz alta: Saí! E eles se reuniram e se tornaram a casa da morte, de quem é medido, e isto é como eles serão, cujo número é 31. Saí, pois eu preparei para vós. Movei-vos, portanto, e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação. Sede amistosos comigo, porque eu sou servo de vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Segunda Chave

Nonci ds sonf babage, od chis OB Hubardo tibibp, allar atraah od ef! Drix fafen MIAN, ar Enay ovof, sobol ooain vonph. Zacar gohus od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath Iaida.

Tradução: Ó vós que reinais no Sul, e que sois 28, as Lanternas da Dor: afivelai vossos cintos e visitai-nos! Trazei vossa legião de 3663, que o Senhor possa ser exaltado, cujo nome entre vós é Ira. Movei-vos, digo eu, e mostrai-vos; abrir os mistérios vossa criação; sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Terceira Chave

Napeai babage ds brin VX ooaona iring vonph doalim: eolis ollog orsba, ds chis affa. Micma Isro Mad od Lonshi Tox, ds i vmd aai Grosb. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós espadas do Sul, que tendes 41 olhos para incitar a ira do pecado, tornando-os homens bêbados os quais estão vazios: vede a promessa de Deus e vosso poder que é chamado entre vós todos como um ferrão amargo. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Quarta Chave

Noromi baghie, pashs 0 lad, ds trint mirc OL thil, dods tol hami caosgi homin, ds brin oroch QUAR. Micma bialo lad! Isro tox ds I vmd aai Baltim. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó Filhos da Fúria, ó Filhad do Íntegro, que se sentam sobre os 24 assentos e vexam todas as criaturas da Terra que tenham idade; que tem sob vós 1636: Vede a voz de Deus e a promessa Dele que é chamada entre vós Fúria (ou Justiça Extrema). Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Quinta Chave

Ils tabaan L lalpirt, casarman vpaachi chis DARG ds oado caosgi orscor: Ds oman baeouib od emetgis Iaiadix! Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós Governador da primeira Chama, sob cujas Asas estão 6739, que entrelaçam a Terra com esterilidade, que conhecem o grande nome da Retidão e o selo da honra. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Sexta Chave

Ils viv Iaiprt, Salman Bait, ds a croodzi busd, od bliorax Balit, ds insi caosgi iusdan EMOD, ds om od tiiob. Drilpa geh us Mad Zilodarp. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós segunda Chama, a Casa da Justiça, que tendes vosso início em glória e confortareis o justo que caminha sobre a Terra com 8763 Pés; que compreendeis e separeis as criaturas: Grande és vós no Deus que estende além e conquista. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Sétima Chave

Ils D lalpirt, soba vpaah chis nanba zixiay dodseh, od ds brint TAXS Hubardo tastax ilsi. Soba lad i vonpho vonph. Aldon dax il od toatar. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós terceira Chama, cujas Asas são espinhos para incitar vexação, e que tem 7336 Luminárias Viventes vindo ante a vós; cujo Deus é grande em raiva: preparei vossa força e Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Oitava Chave

Ils micaolz Olprt od lalprt, bliors ds odo Busdir O Iad ovoars caosgo, casarmg ERAN la lad brints cafafam, ds I vmd Aglo Adohi Moz od Maoffas. Bolp como bliort pambt. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós que sois a poderosa luz e chama ardente do conforto, que revelastes a glória de Deus para o centro da Terra; em quem os segredos da Verdade 6332 têm sua permanência, que é chamada em vosso reino Júbilo, e não pode ser medida; sede vós uma janela para o meu conforto. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosa comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

[…] A Ópera Enochiana (na verdade uma Oratória) é um projeto audacioso do musicista russo Valentin Dubovskoy de trazer ao estilo musical épico e seguindo a fonética proposta por Aleister Crowley, todas as dezenove Chamadas Enoquianas. […]

[…] Recite a Chamada ou Chamadas apropriadas. […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-chaves-enoquianas/ […]

[…] papel sem pauta e que nunca tenha sido utilizado para outro fim e segure em sua mão. • Recite a Primeira Chamada para questões no plano espiritual. • Recite a Segunda Chamada para questões no plano físico. […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-chaves-enoquianas/

A história dos Pretos-velhos

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.

Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França.

Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros:

Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África.

Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e fazendo dos vencidos escravos.

No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.

Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês.

A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da população.

Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três “pês”: Pau, Pano e Pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A “macumba” era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi (protegido de Ogum).

Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do Ventre livre e, enfim, pela Lei Áurea.

A Legião de espíritos chamados “Pretos-Velhos” foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do tráfico de escravos arrebanhados da África.

Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.

Idosos mesmo, poucos vieram, já que os escravagistas preferiam os jovens e fortes, tanto para resistirem ao trabalho braçal como às exemplificações com o látego. Porém, foi esta minoria o compêndio no qual os incipientes puderam ler e aprender a ciência e sabedoria milenar de seus ancestrais, tais como o conhecimento e emprego de ervas, plantas, raízes, enfim, tudo aquilo que nos dá graciosamente a mãe natureza.

Mesmo contando com a religião, suas cerimônias, cânticos, esses moços logicamente não poderiam resistir à erosão que o grande mestre, o tempo, produz sobre o invólucro carnal, como todos os mortais. Mas a mente não envelhece, apenas amadurece.

Não podendo mais trabalhar duro de sol a sol, constituíram-se a nata da sociedade negra subjugada. Contudo, o peso dos anos é implacavelmente destruidor, como sempre acontece.

O ato final da peça que encarnamos no vale de lágrimas que é o planeta Terra é a morte. Mas eles voltaram. A sua missão não estava ainda cumprida. Precisavam evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos ainda, usando seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. Teriam que possuir a essência intrínseca da civilização que se aprimorou após incontáveis anos de vivência.

Formação da Falange dos Pretos-Velhos na Umbanda

Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam.

Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores, mas no Candomblé, são considerados Eguns (almas desencarnadas), e decorrente disso, só têm fio de conta (Guia) na Umbanda. Usam branco ou preto e branco. Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares.

O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).

O Nomes dos Pretos-Velhos

Há muita controvérsia sobre o fato de o nome do Preto-Velho ser uma miscelânea de palavras portuguesas e africanas. Voltemos ao passado, na época que cognominamos “A Idade das Trevas” no Brasil, dos feitores e senhores, senzalas e quilombos, sendo os senhores feudais brasileiros católicos ferrenhos (devido à influência portuguesa) não permitiam a seus escravos a liberdade de culto. Eram obrigados a aprender e praticar os dogmas religiosos dos amos. Porém eles seguiram a velha norma: contra a força não há resistência, só a inteligência vence. Faziam seus rituais às ocultas, deixando que os déspotas em miniatura acreditassem estar eles doutrinados para o catolicismo, cujas cerimônias assistiam forçados.

As crianças escravas recém-nascidas, na época, eram batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na nação a que pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a seita. A segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta obrigatória e nela a criança recebia o primeiro nome dado pelo seu senhor, sendo o sobrenome composto de cognome ganho pela Fazenda onde nascera (Ex.: Antônio da Coroa Grande), ou então da região africana de onde vieram (Ex.: Joaquim D’Angola).

O termo “Velho”, “Vovô” e “Vovó” é para sinalizar sua experiência, pois quando pensamos em alguém mais velho, como um vovô ou uma vovó subentendemos que essa pessoa já tenha vivido mais tempo, adquirindo assim sabedoria, paciência, compreensão. É baseado nesses fatores que as pessoas mais velhas aconselham.

No mundo espiritual é bastante semelhante, a grande característica dessa linha é o conselho. É devido a esse fator que carinhosamente dizemos que são os “Psicólogos da Umbanda”.

Eis aqui, como exemplo, o nome de alguns Pretos-Velhos:

Pai Cambinda (ou Cambina), Pai Roberto, Pai Cipriano, Pai João, Pai Congo, Pai José D’Angola, Pai Benguela, Pai Jerônimo, Pai Francisco, Pai Guiné, Pai Joaquim, Pai Antônio, Pai Serafim, Pai Firmino D’Angola, Pai Serapião, Pai Fabrício das Almas, Pai Benedito, Pai Julião, Pai Jobim, Pai Jobá, Pai Jacó, Pai Caetano, Pai Tomaz, Pai Tomé, Pai Malaquias, Pai Dindó, Vovó Maria Conga, Vovó Manuela, Vovó Chica, Vovó Cambinda (ou Cambina), Vovó Ana, Vovó Maria Redonda, Vovó Catarina, Vovó Luiza, Vovó Rita, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Mariana, Vovó Maria da Serra, Vovó Maria de Minas, Vovó Rosa da Bahia, Vovó Maria do Rosário, Vovó Benedita.

Obs: Normalmente os Pretos-Velhos tratados por Vovô ou Vovó são mais “velhos” do que aqueles tratados por Pai, Mãe, Tio ou Tia).


Atribuições

Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.

Com seus cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação

Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma.

Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram as formas de um Pretos-Velhos.

Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: “então o Preto-Velho não é um Preto-Velho, ou é, ou o que acontece???”.

Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de ajuda.

O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um Preto-Velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização.

Por isso, se você for falar com um Preto-Velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo.

Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e kiumbas.


A Mensagem dos Pretos-Velhos

A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.

Certa vez, em um centro do interior de Minas, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas. O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente: “Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas; mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro. Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas; acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade”.


Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos…

Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.

Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida:

“Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS” (Pai Cipriano).

Características:

Linha e Irradiação

Todos os Pretos-Velhos vem na linha de Obaluaiê, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente.

Fios de Contas (Guias)

Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda.

Roupas

Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha.

Dia da semana: Segunda-feira

Chakra atuante: básico ou sacro

Planeta regente: Saturno

Cor representativa: preto e branco;

Fumo: cachimbos ou cigarros de palha.

Obs: Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.


Formas Incorporativas e Especialidade Dos Pretos-Velhos:

Sua forma de incorporação é compacta, sem dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas e uma inclinação de tronco para frente, e os pés fixados no chão. Se locomovem apenas quando incorporam para as saudações necessárias (atabaque, gongá, etc…) e depois sentam e praticam sua caridade (Podemos encontrar alguns que se mantém em pé).

É possível ver Pretos-Velhos dançando, mais esse dançando é sutíl, e apenas com movimentos dos ombros quando sentados.

Essa simplicidade se expande, tanto na sua maneira de ser e de falar. Usam vocabulário simples, sem palavras rebuscadas.

A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-Velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham.

Essas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar, separaremos abaixo por Orixás:

Pretos-Velhos De Ogum

São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes.

São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas.

São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e “medrosos”. É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

Pretos-Velhos De Oxum

São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível.

Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado.

São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.


Pretos-Velhos De Xangô

Sua incorporação é rápida como as de Ogum.

Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais.

Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.


Pretos-Velhos De Iansã

São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas.

Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá.

Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual.

Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.


Pretos-Velhos De Oxossi

São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas.

Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo.

Possuem uma especialidade: A de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc… São verdadeiros químicos em seus tocos. – Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior “químico” – Oxossi.


Pretos-Velhos De Nanã

São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda. Lenta e muito pesada. Enfatizando ainda mais a idade avançada.

Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo.

Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça.

Costumam se afastar dos médiuns que consideram de “moral fraca”. Mas prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada.

É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta.

São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função.

Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.

Pretos-Velhos De Obaluaiê

São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral.

Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros.

Agarram-se a seus “filhos” com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correção é uma forma de amar.

Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento.

Como trabalha para Obaluaiê, e este é o “dono das almas”, esses Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos.

Sua “visão” é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual.

Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nesses Pretos-Velhos.

Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.


Pretos-Velhos De Yemanjá

São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga.

Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares.

Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar.

Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.


Pretos-Velhos De Oxalá

São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos.

Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos.

Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, bom comportamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim o cultivo das virtudes mais elevadas.

Extraído da Comunidade de Umbanda S. Sebastião

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-historia-dos-pretos-velhos/

A Cabala do Gênero

A Cabalá ensina que o masculino vê de cima para baixo – o feminino de baixo para cima.

Por Rabi Yitzchak Luria (dos Escritos de Isaac Luria, o Ari, conforme registrado pelo Rabi Chaim Vital); adaptado por Tzvi Freeman.

Quando a Luz Infinita emanou um mundo, fê-lo com duas mentes, dois estados de consciência. Uma mente vê de Cima para Baixo – e assim, tudo é insignificante diante dela. De Cima para Baixo, não há mundo, apenas Um.

A outra mente vê de baixo para cima – e assim toda a criação é divina para ela. De baixo para cima, há um mundo – um mundo para apontar para a Unidade acima.

No nexo dessas duas mentes, no fio da navalha de seu paradoxo, brilha a própria Essência da Luz Infinita. A primeira mente desceu ao homem; o segundo em mulher. É por isso que o homem tem o poder de conquistar e subjugar, mas lhe falta o sentido do outro. É por isso que a mulher sente o outro. Ela não conquista, ela nutre. Mas sua luz é fortemente restringida e, portanto, ela pode ficar cheia de julgamentos severos.

À medida que se unem, o homem adoça o julgamento da mulher e a mulher ensina o homem a sentir o outro. E na união brilha a própria Essência do Infinito.

[Sefer Halikutim, Shmot, de acordo com Chabad Chasidut]

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Há três parceiros na concepção de cada criança: a mãe, o pai e Aquele que está acima.

O Aquele que está acima fornece o sopro da vida. Mas essa respiração não pode entrar neste mundo sem roupa. Se esse sopro é uma alma “nova”, é delicado demais para sobreviver aqui sem proteção. Se já esteve aqui muitas vezes antes (como acontece com a maioria de nós), então sua memória do passado, seu fracasso e suas contusões o impedirão muito de lidar com um novo corpo e uma nova vida. E assim ele entra com um “traje”, adaptado para respirar a vida de Cima enquanto manipula o corpo que é dado aqui Abaixo.

Cada pensamento, palavra e ato que a alma faz em sua vida deve se relacionar através desse naipe. Até mesmo a corrente de bênçãos e vida do Alto deve passar por seu canal. A própria alma pode ser pura e luminosa, mas se seu traje não combinar, essa luz terá grande dificuldade em penetrar.

Como esse terno é formado? É moldado pelos pensamentos e conduta da mãe e do pai no momento da concepção. Pensamentos egoístas, pensamentos distraídos, pensamentos grosseiros – estes fornecerão grandes desafios para a criança ao longo da vida. Unidade de mente, pensamentos elevados e pensamentos carinhosos – isso permitirá que a alma da criança brilhe.

Mesmo quando nenhuma criança nasce de relacionamentos, há almas nascidas acima em reinos mais elevados. E tudo o que uma pessoa faz por essas almas retornará a ela.

[Extraído de “Men, Women & Kabala (Homens, Mulheres e a Cabala)” (Class One Press; ClassOne@theRebbe.com); baseado em Likutei Torá, Vayera]

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Fonte: The Kabbalah of Gender.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cabala-do-genero/

Jung – As Cinco etapas da Consciência

A primeira etapa é caracterizada pela participation mystique (termo tomado do antropólogo francês Lévy-Bruhl). Refere-se a identificação entre a consciência do indivíduo e seu mundo circundante. Ex: Quando o carro tem algum problema, o proprietário fica doente, ou tem dores no estômago. Isso acontece por estarmos vinculados inconscientemente ao mundo que nos cerca. Neste sentido, a primeira etapa da consciência é equivalente á última etapa; a unificação com o TODO. O mundo de um bebê é extremamente unificado. Ele considera que a mãe é parte integrante dele, que não há limites entre ele e um móbile acima do berço. Chamamos a isso de projeção. A maioria das pessoas estão vinculadas às suas famílias, e há identificação quando o filho ou o marido acha que é dono da mulher.

Na segunda etapa, já é possível perceber os limites, a diferenciação sujeito/objeto eu/você. Mas isso não significa que a projeção foi superada, apenas passou a ser mais localizada. Note que as etapas não são exatamente superadas, mas interpoladas. É por isso que um adulto possa ter a mesma identificação com a esposa (“ela é minha”) que tinha com a mãe, quando bebê. Mãe, brinquedos favoritos, objetos brilhantes… pessoas especiais são escolhidas e distinguidas. Os pais passam a ser objeto de adoração, e representam a onipotência e onisciência. Jung chamou a isso de projeções arquétipicas: “Papai é super forte, e pode fazer qualquer coisa! Mamãe me ama incondicionalmente!”. A chocante revelação de que os próprios pais não sabem de tudo ocorre na adolescência, e então, durante um certo tempo, os pais estão “completamente por fora” (outro tipo de projeção). Também projetamos em irmãos (daí a rivalidade) e professores (daí as paixões, ou aversões).

Na terceira etapa a pessoa se dá conta que os portadores das suas projeções específicas não correspondem a essas projeções. As pessoas ficam desidealizadas, e o mundo perde muito do seu primitivo encanto. O conteúdo psíquico projetado torna-se abstrato, e manifesta-se através de símbolos e ideologias. O jovem entra pra uma banda, vira rebelde sem causa, usa drogas, manda toda a “sociedade” pra PQP, ou então vira um místico ou religioso. Nesse caso a onisciência e onipotência, antes atribuídas aos pais ou professores, são projetadas em entidades abstratas, como Deus, Destino, Anjos, Verdade ou Bob Marley. Filosofia e Teologia tornam-se possíveis. A Lei, ou a Revelação, passam a estar investidos de projeções arquétipicas, deixando o mundo concreto como algo neutro. A pessoa passa a não temer inimigos, pois quem está no controle é Deus, ou acha que pode manipular e assumir o controle do mundo racionalmente, porque ele obedece às leis da natureza. A empatia com as pessoas tende a diminuir, por não interessar o sofrimento de fulano com sicrano, mas sim as idéias vigentes para o bem comum. Ex: Uma pessoa faz uma coisa ecologicamente certa, não porque lhe doa no íntimo assistir à destruição do mundo natural, mas sim porque é o correto social e moralmente pra solucionar os problemas do mundo. Enquanto uma pessoa achar que Deus vai premiá-la ou puni-la, ela está na etapa 3 do nível da consciência.

A quarta fase representa a extinção total das projeções, mesmo na forma de abstrações teológicas ou ideológicas. Essa extinção leva à criação de um “centro vazio” que Jung identifica com a modernidade. O sentimento de alma – antes grandioso, no sentido e propósito da Vida, de um “Deus íntimo” – é substituído por valores utilitários e pragmáticos (os demônios estão convertidos em sintomas psicológicos e desequilíbrios químicos cerebrais). O indivíduo contenta-se com breves momentos de prazer, ou entra em depressão por querer sempre mais. Nesta quarta etapa da consciência, natureza e história são vistas como o produto do acaso e do jogo aleatório de forças impessoais. Parece como se as projeções psíquicas tivessem desaparecido completamente, quando na verdade o próprio ego é que foi investido com os conteúdos previamente projetados em outros, em objetos e abstrações. Assim, o ego está radicalmente inflado na pessoa moderna e assume uma posição secreta de Deus Onipotente. Embora a pessoa moderna pareça ser razoável e estar assentada em bases firmes, na realidade está louca. Mas isso está escondido, uma espécie de segredo guardado até da própria pessoa.

Jung acreditava que essa quarta etapa era extremamente perigosa pela razão óbvia de que o ego inflado é incapaz de adaptar-se muito bem ao meio ambiente e, por isso mesmo, é passível de cometer catastróficos erros de julgamento. Embora isso seja um avanço da consciência num sentido pessoal ou mesmo cultural, é perigoso por causa do seu potencial para a megalomania. A pessoa da Etapa 4 já não é controlada por convenções sociais relacionadas, seja com pessoas, seja com valores. Por isso o ego pode considerar possibilidades ilimitadas de ação. Isso não significa que todas as pessoas modernas sejam sociopatas, mas as portas para tal estão bem abertas…

Nem todo mundo chega à etapa 4. De fato, muitas pessoas não podem suportar suas exigências. Outras consideram-na maléfica. Os fundamentalismos do mundo insistem em manter-se aferrados às etapas 2 e 3, por temerem os efeitos corrosivos da etapa 4 e o desespero e vazio que ela engendra. Mas é uma verdadeira façanha psicológica quando as projeções têm de ser removidas a esse ponto e os indivíduos assumem responsabilidade pessoal por seus destinos. A armadilha é que a psique passa a estar escondida na sombra do ego. Mas tudo é evolução, e essas etapas são necessárias para o desenvolvimento da consciência. A pessoa que chegou na etapa 4 sem cair numa inflação megalomaníaca passa, na avaliação de Jung, por uma notável transformação.

Na quinta etapa temos a reunificação de consciente e inconsciente. Há um reconhecimento consciente da limitação do ego e uma clara percepção dos poderes do inconsciente; e torna-se possível uma forma de união entre consciente e inconsciente através do que Jung chamou a função transcendente e o símbolo unificador. A psique unifica-se mas, contrariamente à etapa 1, as partes permanecem diferenciadas e contidas na consciência. E, também ao contrário da etapa 4, o ego não é identificado com os arquétipos: as imagens arquetípicas continuam sendo o “outro”, não estão escondidas na sombra do ego. São vistas agora como “aí dentro”, ao invés da etapa 3, onde estão “lá fora” (em algum lugar no espaço metafísico), e não são mais projetadas em algo externo.

Oficialmente, Jung deteve-se na etapa 5, embora em numerosos lugares indique que considerou a realização de novos avanços para além dela. Há sugestões em seus escritos para o que poderia ser considerado uma sexta e talvez até uma sétima etapa. Por exemplo, no seu Seminário de Yoga Kundalini, realizado em 1932, Jung reconhece claramente a realização de estados de consciência no Oriente que superam amplamente o que é conhecido no Ocidente, e que poderia ser considerado uma etapa 7 potencial.

Fonte: Jung e o mapa da alma, de Murray Stein

#Jung

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/jung-as-cinco-etapas-da-consci%C3%AAncia