Curso de Tarot e História da Arte em SP

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

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No curso de Arcanos Maiores, utilizamos 18 tarots diferentes, do século XIV aos taros mais importantes do século XX. Estudamos cada um dos 22 Caminhos da Árvore da Vida e sua correlação simbólica e imagética com cada Arcano do Tarot. Observe as 5 figuras acima, do Mago. O que elas têm de semelhante? no que diferem? por quê? O que representam estes objetos? e as cores?

Começamos pelo Visconti-Sforza, do século XIV, que une a simbologia dos Trionfi renascentistas à estrutura da Árvore da Vida. Em seguida, tarots das escolas italianas e francesas do século XV e XVI, que resultaram no tradicional Tarot de Marselha (1560), Rider Waite (1909), Golden Dawn (duas versões), Tarot de Papus (Boêmios), Tarot Egípcio, Tarot Alquímico e Tarot de Thoth (Crowley). Isto nos dá uma noção muito clara de como os Arcanos se desenvolveram ao longo da história da magia e quais são as principais escolas; suas diferenças e semelhanças.

Também estudamos o Tarot Mitológico, Sephiroth Tarot (cabalístico) e mais quatro ou cinco tarots modernos que eu vario de curso para curso para exemplificar a visão de outras culturas (celta, africano, dos orixás, etc). Somente com esta visão de conjunto é possível compreender a magnitude do tarot e as maneiras como ele pode ser utilizado em rituais e no seu altar pessoal.

Eu também ensino a fazer a leitura do Tarot tradicional, pelo método da Cruz Celta, mas normalmente quando se chega nessa parte do curso, a maioria dos alunos já percebeu que existem usos bem mais interessantes e poderosos do tarot do que apenas o de fazer leituras.

Arcanos Menores

No curso de Arcanos Menores, eu recomendo que a pessoa tenha feito Kabbalah primeiro e, se possível, Astrologia Hermética, pois os Arcanos Menores são praticamente um curso intermediário destas matérias.

É possível fazê-lo sem ter estes pré-requisitos, mas como CADA Arcano Menor é a representação de uma Sephira de um Elemento (10 esferas x 4 elementos = 40 Arcanos menores) e ao mesmo tempo a combinação de um Planeta em um Signo, a compreensão de todo o conjunto da obra hermética, alquimista e astrológica se faz com os 3 cursos (ex. O “Dois de Bastões” é Hochma na Árvore do Fogo/Marte em Áries e os Arcanos da Corte são as energias intermediárias do Zodíaco: Áries-Touro é o Cavaleiro de Moedas, Escorpião-Sagitário é o Rei de Bastões/Ofiúco, e assim por diante, totalizando 12 Arcanos + as 4 Princesas/Pagens, que são as energias elementais puras).

Como a maioria dos tarots utiliza a representação literal nos menores, eu utilizo cinco decks para o Curso de Arcanos Menores (Marselha, Rider-Waite, Mitológico, Crowley e Sephiroth).

Local: prox. ao metro Ana Rosa
Data: Dias 30 e 31 de Agosto, das 10h as 18h

Informações e Reservas: marcelo@daemon.com.br

Update: Para mais informações sobre nossos cursos consulte: Cursos – Projeto Mayhem

#Cursos #Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-tarot-e-hist%C3%B3ria-da-arte-em-sp

Que fim levaram os Apóstolos?

The Last Supper Restored, Leonardo Da Vinic

Nos posts mais antigos onde expliquei sobre o Jesus histórico, ficou faltando falar a respeito dos doze apóstolos, os sacerdotes que acompanharam Yeshua em sua jornada e foram os primeiros responsáveis pela expansão das doutrinas espirituais essênias (e também os primeiros mártires), até a dominação romana e Constantino, o picareta, que transformou a história de Yeshua, um revolucionário judeu, em um mito Jesus-Apolo para agradar aos cidadãos romanos.

Afinal de contas, quem eram e que fim tiveram os doze apóstolos?

“Ele chamou para si os seus discípulos,

e deles escolheu doze, a quem ele chamou de apóstolos.”

Lucas 6:13

Simão Zelote

Também conhecido como Simão de Jerusalém, Simão Zelote ou Simão, o Cananeu. Fazia parte da mesma seita judaica que Judas, os Zelotes. O momento no qual se ocorreu o chamamento de Simão para se unir aos apóstolos não é muito claro na Bíblia. Sabe-se apenas que foi convidado ao mesmo tempo que André, Simão Pedro, Tiago e João, filhos de Zebedeu, Judas Iscariotes e Judas Tadeu (Mateus 4:18-22).

Após a crucificação, Simão retorna às Pirâmides do Egito, base de todo o conhecimento esotérico ocidental, junto com São Marco e São Filipe, onde estabelece as bases da Igreja Copta. Assim como José e Jesus, Simão possuía o grau de Mestre Carpinteiro, sendo retratado carregando um serrote.

Simão foi crucificado na Armênia.

Posteriormente, devido à grande quantidade de imagens e esculturas retratando Simão com um serrote em suas mãos, a Igreja Católica colocou oficialmente que a causa de sua morte foi ter sido “serrado ao meio”.

Judas Tadeu

São Judas Tadeu, ou Judas Lebeu, ou Judas, irmão de Tiago, ou Judas Tomás (nos apócrifos) é o autor da epístola de Judas. Os textos gnósticos o colocam como irmão de Yeshua.

Segundo a Igreja Ortodoxa, foi Judas Tadeu quem levou o cristianismo à Armênia e Pérsia, tendo terminado seus dias crucificado junto com Simão Zelote.

Judas Tadeu é representado carregando uma régua de carpinteiro e um machado, símbolo dos construtores em madeira (e mais tarde símbolo da Ordem dos Carbonários).

A Igreja Católica adaptou a imagem tradicional de São Judas carregando a machadinha, dizendo que ele foi “decapitado”.

São Judas Tadeu é considerado o Santo das causas Perdidas. Também é conhecido como o “Santo esquecido” pois muitas pessoas o confundem com Judas Iscariotis. Algumas dioceses o renomearam extra-oficialmente para “São Tadeu” (Thaddeus na bíblia inglesa) para evitar confusão. Para os que gostam de futebol, ele é considerado patrono do time do Flamengo.

Mateus

São Mateus, também conhecido como Levi, era um coletor de impostos. Segundo a tradição, ele teria escrito um dos quatro evangelhos considerados oficiais pela Igreja de Roma. Os especialistas afirmam, porém, que o texto em grego possui um estilo e maneira de descrever as ações diferente da utilizada na época, levantando suspeitas de que teria sido escrito posteriormente e que Mateus e Levi teriam sido pessoas diferentes (tanto que “Mateus” não é nem mencionado nos Evangelhos de João).

Terminou seus dias pregando na Palestina e na Etiópia, onde foi martirizado.

Filipe

São Filipe, ou Saint Phillip, já era um dos discípulos de Yeshua e foi ele quem apresentou Nathanael (ou Bartolomeu) para ele. Nascido na cidade de Bethsaida, estava relacionado com André e Pedro dentro da comunidade essênia. De acordo com a Igreja Alexandrina, Filipe era casado e tinha filhos.

Junto com Bartolomeu, Filipe ficou encarregado de pregar na Grécia e Síria. Após quase vinte anos de pregações, acabou crucificado em 54 DC na cidade de Hierapolis.

Tiago Menor

Tiago, filho de Alfeu, também conhecido como Santiago Menor (para distingui-lo de Santiago Maior e Tiago, o Justo), é referido no Novo Testamento como um irmão do apóstolo Judas e filho de Maria, esposa de Cléofas. Foi o primeiro bispo de Jerusalém (anos 42 a 62 d.C) o mesmo que escreveu uma das Epístolas do Novo Testamento. Como “Alfeu” também é mencionado como pai de Levi, é possível que os apóstolos Tiago e Mateus sejam irmãos.

É conhecido como “James” na bíblia Inglesa (que também é a razão pela qual “James Potter”, pai do Harry Potter foi traduzido como “Tiago” em português). Seu símbolo é uma serra de carpinteiro.

Flávio Josefo em sua obra Antigüidades Judaicas narra que este apóstolo tomou para si o encargo de dirigir a Igreja de Jerusalém após a partida de Pedro e que participou ativamente do primeiro Concílio da Igreja, que tratava da questão da circuncisão e da pregação do evangelho para os pagãos, evento este que teria ocorrido por volta de 54 DC.

Tiago foi o líder da comunidade cristã daquele local por cerca de dezoito anos, provocando a fúria dos sacerdotes judeus, em especial o sumo sacerdote Anás II, que instigaram as turbas dos judeus a trucidarem Tiago.

Tomé

São Tomé, o padroeiro dos ateus e céticos, também conhecido como São Tome Didymus ou São Tomé Didimo ou Thomas, na bíblia inglesa. Os textos Apócrifos o chamam de Judas Tomé. O engraçado é que Tomé não é exatamente um nome, mas um adjetivo, que significa “gêmeo”, o mesmo vale para Didymus, que é gêmeo em grego. Mas permanece a pergunta: Irmão gêmeo de quem? O livro apócrifo “Livro de Tomé, o Adversário” diz que Tomé é irmão de Yeshua.

Da mesma forma que se acredita que Pedro e Paulo disseminaram as sementes do cristianismo pela Grécia e Roma, Marcos pelo Egito e João pela Síria e Ásia Menor, Tomé teria levado a Palavra à Índia, tendo sido o primeiro dos Católicos do Leste.

As várias denominações da moderna da Igreja oriental dos Cristãos de São Tomé atribuem suas origens à sua tradição oral, datada de fins do século II, que alega ter Tomé chegado a Maliankara, próxima à vila de Moothakunnam, na região de Paravoor Thaluk, em 52 DC. Esse vilarejo está localizado a 5km de Kodungallur, no Estado indiano de Kerala, e contém as igrejas dedicadas a São Tomé, popularmente conhecidas como Ezharappallikal (“As Sete igrejas e meia”). Essas igrejas estão em Cranganor, Coulão, Niranam, Nilackal (Chayal), Kokkamangalam, Kottakkayal (Paravoor), Palayoor (Chattukulangara) e Thiruvithamkode – a meia-igreja.

Foi provavelmente o mais ativo do apóstolos ao leste da Síria. Uma tradição informa que ele pregou até à Índia. Os cristãos indianos chamados Martoma, uma denominação muito antiga dentro do Cristianismo, o reverenciam como o fundador dela. Segundo esta igreja, Tomé foi morto lá pelas lanças de quatro soldados.

João

João, ou John, é o único dos apóstolos que morreu de morte natural em idade avançada. Ele era o líder da Igreja na região da cidade de Éfeso, e é-se dito de que tinha Maria, a mãe de Jesus, em sua casa, de quem cuidava. Durante a perseguição do imperador romano Domiciano, pelo meio da década de 90 d.C., ele foi exilado na Ilha de Pátmos. Foi ali, segundo se crê, que ele teria escrito o último livro do Novo Testamento: o Livro do Apocalipse. O Livro do Apocalipse (Ou Livro das Revelações), que em sua essência, é uma versão do Livro de Toth que ensina os iniciados a construírem seus próprios Arcanos do Tarot. O Apocalipse é constituído de 22 capítulos, cada um dedicado a um arcano diferente. Como utiliza de muitas alegorias e os católicos levam absolutamente TUDO ao pé da letra, eles acham que o livro trata do fim do mundo, da besta do apocalipse, do fogo do inferno, de serpentes e trombetas. Deste livro saiu toda a mitologia em torno do número 666, que eu já expliquei a origem em colunas passadas.

Existe uma controvérsia a respeito do João Evangelista e João de Patmos serem pessoas diferentes.

Judas Iscariotis

Também conhecido como Judas Sicário, falei bastante sobre ele em uma coluna antiga.

Alguns estudiosos entendem que o nome Judas foi diabolizado no Novo Testamento, com a intenção de agredir o povo judeu, como sendo responsáveis morais pela morte de Cristo. Judas, em grego Ioudas, é uma transliteração do nome hebraico Judá. Durante muito tempo, a Igreja Católica associou a figura de Judas Iscariotes ao povo judeu pelo fato de não terem aceitado Jesus de Nazaré como o prometido Messias (ou Cristo). Esta convicção uniu-se a outros fatores anti-semitas, servindo de justificação para a perseguição religiosa. Mais tarde, como veremos, ela foi utilizada pela doutrina dos Cavaleiros Teutônicos e, posteriormente, pelo Regime Nazista.

Judas pode ter sido morto, ter se suicidado ou, de acordo com os textos Apócrifos que ele mesmo escreveu, ter se retirado para o Deserto para passar seus dias em meditação.

Pedro

Pedro, cujo nome original era Simão (Marcos 3:16) e em muitas igrejas é conhecido como Simão Pedro, dono de uma das companhias marítimas de Bethsaida, na Galiléia (João 1:44, João 12:21) e chamado na bíblia de “pescador”. Alguns textos medievais o chamam de “Simon Bar”, “Jochanan” (os textos aramaicos) e “Kephra” (que significa “Rocha”, nos textos gregos).

Nos Evangelhos Sinóticos, o nome de Pedro sempre encabeça a lista dos discípulos de Jesus. Assim como seu irmão André, antes de seguir Jesus, tenha sido discípulo de João Batista entre os essênios.

O apóstolo Pedro, depois de ter exercido o episcopado em Antioquia, tornou-se o primeiro Bispo de Roma. Depois de solto da prisão em Jerusalém, o apóstolo viajou até Roma e aí ficou até ser expulso com os judeus e cristãos pelo imperador Cláudio, época em que voltou a Jerusalém e participou da reunião de apóstolos sobre os rituais judeus no chamado Concílio de Jerusalém. Após esta reunião, ficou em Antioquia (como o seu companheiro de ministério, Paulo, afirma em sua carta aos gálatas). É tido pelos católicos como o primeiro papa. Foi mártir na cidade de Roma em cerca de 64 d.C., durante a perseguição do imperador Nero.

Junto com Paulo de Tarso (também conhecido como São Paulo, que NÃO era um dos apóstolos originais, ao contrário do que muita gente pensa), fundaram o bispado de Roma que, por “ter sido fundado por dois apóstolos” tinha primazia sobre os demais bispados.

Pedro foi crucificado de cabeça para baixo no Circo de Nero a seu próprio pedido, por não se sentir de valor suficiente para morrer da mesma forma que o seu Senhor havia morrido. São Pedro também é tradicionalmente o detentor das “Chaves do Paraíso”, que abrem as portas do céu. Mas falarei sobre isso outro dia, porque esta história é muito longa e merece um post só para ela.

Ironicamente, a cruz que representa o primeiro papa hoje é considerada um símbolo “satânico”. Mas quem foi que fez esta associação? Tio Marcelo foi pesquisar e descobriu que a foram os EVANGÉLICOS (mas não os pastores estelionatários brasileiros… os evangélicos pentecostais americanos foram os primeiros a associar a cruz de São Pedro ao anticristo, em uma tentativa de atacar os católicos novaiorquinos logo no começo do século XX). Mais tarde, os pseudo-satanistas de plantão adotaram esta cruz como seu símbolo, na década de 60. Engraçado que, graças a Hollywood, todo mundo pensa que esta associação é antiga, dos tempos medievais, talvez… mas ela não tem nem um século.

André

André, ou Andrew, foi discípulo de São João Baptista, e cedo se tornou um dos primeiros seguidores de Jesus (com Pedro, de quem era irmão, e Tiago)

Após a crucificação de Yeshua, André foi para a “terra dos canibais”, que hoje são os países que compuseram a ex-União Soviética, região identificada por Cítia, por Eusébio de Cesaréia. Os cristãos daquela região atestam que ele foi o primeiro a levar o Evangelho para lá. Ele também pregou na Ásia Menor, hoje conhecida como Turquia, e na Grécia, onde acabou sendo crucificado em uma cruz em forma de X.

A tradição narra ainda que foi crucificado em 30 de novembro do ano 60 DC em Patras, no Peloponeso (na então província romana da Acaia, correspondente ao sul da moderna Grécia – como referência para os mochileiros, Patras é a cidade em que você chega na Grécia se vier de barco pela Itália usando o Europass), numa cruz dita Crux decussata (em forma de ×), a qual tomou o nome de Cruz de Santo André. De acordo com a tradição, as suas relíquias foram trasladadas de Patras para Constantinopla, e mais tarde, pelos Cavaleiros Templários, para a cidade escocesa de Saint Andrews. Santo André é considerado patrono da Escócia e sua cruz é usada na bandeira deste país.

Também é considerado o fundador da igreja em Bizâncio (Constatinopla e, atualmente, Istambul), motivo pelo qual é considerado o primeiro Patriarca de Constantinopla.

Tiago Maior

São Tiago maior, ou Tiago, filho de Zebedeu, era filho de Zebedeu e Salomé (não confundir com a mulher que mandou matar João Batista; esta Salomé, mãe de Tiago, era, ao lado de Maria Madalena, uma das principais discípulas de Yeshua), e irmão do apóstolo São João Evangelista.

Os nomes Tiago e Jaime derivam indiretamente do latim Iacobus, por sua vez uma latinização do nome hebraico Jacob (aportuguesado em Jacó).

Com o decorrer do tempo, o nome evoluiu em diversas direções, de acordo com as línguas: manteve-se Jakob em alemão e em outras línguas nórdicas, James em inglês, Jacques em francês.

Yeshua chamada Tiago e João de Boanerges, ou seja, “Filhos do Trovão”, assim como Thor ou Ares.

foi o primeiro apóstolo a morrer, e teria sido mandado decapitar por ordem de Herodes Agripa I, rei da Judeia, cerca do ano 44, em Jerusalém. É, aliás, o único apóstolo cuja morte vem narrada na Bíblia, nos Atos dos Apóstolos, 12, 1-2 (“Ele (Herodes) fez perecer pelo fio da espada Tiago, irmão de João”). Esta espada que decapitou tanto São João Batista quanto Tiago Maior tornou-se uma relíquia templária. Falarei mais sobre ela quando chegar na lenda do Rei Arthur e Excalibur.

O seu corpo foi, então, transportado para a Espanha, e sepultado na Galiza, no lugar de Compostela (depois chamado, em sua honra, Santiago de Compostela). Sobre essa tumba viria a ser erguida a Catedral de Santiago de Compostela e teria tido início a Peregrinação a Santiago de Compostela, a terceira cidade mais importante no cristianismo (atrás apenas de Jerusalém e Roma).

Bartolomeu

São Bartolomeu, ou Nathanael, tem muito pouco escrito sobre ele nos evangelhos clássicos.

Fez viagens missionárias para muitas partes. Porém tal informação é passada através de uma tradição. Ele teria ido a Índia com Tomé, voltou à Armênia, e foi também à Etiópia e ao sul da Arábia. Existem várias informações de como ele teria encontrado a sua morte como mártir do Evangelho no Cáucaso, sendo a mais difundida a de que teria esfolado vivo e, depois, decapitado pelo governador de Albanópolis, atual Derbent. Suas relíquias estão atualmente em Roma.

Matias, o suplente

Matias foi o escolhido entre os 120 principais seguidores de Yeshua para ficar no lugar de Judas Iscariotes.

Uma tradição diz que São Matias foi para a Síria com André; pregou o Evangelho na Judéia, seguindo para a Etiópia e, posteriormente, se dirigiu para região da Cólquida (agora conhecida como Geórgia Caucasiana), onde foi crucificado. Um marco localizado nas ruínas da fortaleza romana de Gônio, atual Apsaros, nas modernas regiões georgianas de Adjara indicam que Matias estará sepultado naquele lugar.

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/que-fim-levaram-os-ap%C3%B3stolos

Autoiniciação

Texto de Huberto Rohden

Hoje em dia, muitas pessoas falam em iniciação. Todos querem ser iniciados. Mas entendem por iniciação uma alo-iniciação, uma iniciação por outra pessoa, por um mestre, um guru. Esta alo-iniciação é uma utopia, uma ilusão, uma fraude espiritual.

O homem só pode ser iniciado por si mesmo. O que o Mestre, o guru, pode fazer é mostrar o caminho por onde alguém se pode autoiniciar; pode colocar setas ao longo do caminho, setas ao longo da encruzilhada, setas que indiquem a direção certa que o discípulo deve seguir para chegar ao conhecimento da verdade sobre si mesmo. Isto pode e deve o mestre fazer – suposto que ele mesmo seja um autoiniciado.

Jesus, o maior dos Mestres que a humanidade ocidental conhece, ao menos aqui, durante três anos consecutivos, mostrou a seus discípulos o caminho da iniciação, o que ele chama o “Reino dos Céus”, mas não iniciou nenhum dos seus discípulos. Eles mesmos se autoiniciaram na gloriosa manhã do domingo de Pentecostes, às 9 horas da manhã – como diz Lucas, nos Atos dos Apóstolos.

Mas esta grandiosa autoiniciação aconteceu só depois de 9 dias de profundo silêncio e meditação; 120 pessoas se autoiniciaram, sem nenhum mestre externo, só dirigidas pelo mestre interno de cada um, pela consciência de seu próprio Eu divino, da sua alma, do seu Cristo Interno.

E esta autoiniciação do primeiro Pentecostes, em Jerusalém, pode e deve ser realizada por toda a pessoa. Mas, acima de tudo, o que é que quer dizer Iniciação?

Iniciação é o início na experiência da verdade sobre si mesmo.

O homem profano vive na ilusão sobre si mesmo. Não sabe o que ele é realmente. O homem profano se identifica com o seu corpo, com a sua mente, com suas emoções. E nesta ilusão vive o homem profano a vida inteira, 30, 50, 80 anos. Não se iniciou na verdade sobre si mesmo, não possui autoconhecimento, e por isto não pode entrar na autorrealização.

O que deve um homem profano fazer para se autoiniciar?

Para sair do mundo da ilusão sobre si mesmo e entrar no mundo da verdade? Deve fazer o que fez o primeiro grupo de autoiniciados, no ano 33, em Jerusalém, isto é, deve aprender a meditar, ou cosmo-meditar. Os discípulos de Jesus fizeram três anos de aprendizado e nove dias de meditação – depois se autoiniciaram. Descobriram a verdade libertadora sobre si mesmos. A verdade que os libertou da velha ilusão de se identificarem com o seu corpo, com a sua mente, com as suas emoções; saíram das trevas da ilusão escravizante, e ingressaram na luz da verdade libertadora: “Eu sou espírito, eu sou alma, eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai… O reino dos céus está dentro de mim”.

E quem descobre a verdade sobre si mesmo, liberta-se de todas as inverdades e ilusões. Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda a injustiça, de toda a desonestidade, de todos os ódios e malevolências – de todo o mundo caótico do velho ego.

O iniciado morre para o seu ego ilusório e nasce para o seu Eu verdadeiro.

O iniciado dá o início, o primeiro passo, para dentro do “Reino dos Céus”. Começa a vida eterna em plena vida terrestre. Não espera um céu para depois de morte, vive no céu da verdade, aqui e agora – e para sempre.

Isto é autoiniciação.

Isto é autoconhecimento.

Isto é autorrealização.

O início de tudo isto é a meditação ou cosmo-meditação, de que já falamos em outra ocasião.

Repito que é impossível a verdadeira meditação sem que o homem se esvazie de todos os conteúdos do seu ego ilusório; quem se esvaziar do sua egoconsciência será plenificado pelo cosmo-consciência, que é a iniciação.

Mas é possível realizar este ego-esvaziamento na hora da meditação, mesmo que seja meia hora de introversão, se o homem viver 24 horas extrovertido, escravizado pelas coisas de seu ego ilusório.

A meia hora de meditação nada resolve, não abre as portas para a iniciação – se o homem não se libertar, durante o dia, da escravidão de seu ego.

Como fazer isto?

Libertar-se da escravidão do ego é usar as coisas materiais na medida do necessário, e não do supérfluo; o homem deve e pode ter um conforto necessário, sem desejar confortismos excessivos.

A mística da hora da meditação é impossível sem a ética da vida diária, sem o desapego do supérfluo. Luxo e luxúria são lixo, que atravancam o caminho para a iniciação. Quem não remove esse lixo do luxo e da luxúria pode fazer quantas meditações quiser que não se poderá iniciar; porque as leis cósmicas não podem ser burladas.

A verdadeira felicidade do homem começa com a sua autoiniciação. Fora disto, pode ele ter um mundo de gozos e prazeres, mas não terá felicidade verdadeira, paz de espírito, tranquilidade de consciência. Todos os gozos e prazeres são do ego ilusório, somente a felicidade é do Eu verdadeiro.

Um autoiniciado é também um redentor, para os outros.

Quando um único homem, escreveu Mahatma Gandhi, chega à plenitude do amor (autorrealização), neutraliza ele o ódio de muitos milhões.

Nada pode o mundo esperar de um homem que algo espera do mundo – tudo pode o mundo esperar de um homem que nada espera do mundo.

O iniciado dá tudo e não espera nada do mundo. Ele já encerrou as contas com o mundo, está quite com o mundo. Pode dar tudo sem perder nada.

O autoiniciado é um místico – não um místico de isolamento solitário, mas um místico dinâmico e solidário, que vive no meio do mundo sem ser do mundo.

Onde há uma plenitude, aí há um transbordamento. O homem plenificado pelo autoconhecimento e pela autorrealização transborda a sua plenitude, consciente ou inconscientemente, saiba ou não saiba, queira ou não queira. Esta lei cósmica funciona infalivelmente. Faz bem pelo fato de ser bom, de viver em harmonia com a alma do Universo.

Por isto, para fazer bem aos outros e à humanidade, não é necessário nem é suficiente fazer muitas coisas, mas é necessário e é suficiente ser bom, ser realizado, e plenificado do seu Eu central, conscientizar-se e vivenciar de acordo com o seu Eu central, com o seu Cristo interno.

A plenitude da consciência mística da paternidade única de Deus transborda irresistivelmente na vivência ética da fraternidade universal dos homens.

Para ter laranjas – laranjas verdadeiras – não é necessário fabricá-las. É necessário e suficiente ter uma laranjeira real e mantê-la forte e vigorosa. Nem é necessário ensinar à laranjeira como fazer laranjas – ela mesma sabe, com infalível certeza, como fazer flores e frutos. Assim, toda a preocupação de querer fazer bem aos outros sem ser bom é uma ilusão tão funesta como o esforço de querer fabricar uma laranja verdadeira sem ter uma laranjeira. Mais importante que todo o fazer é ser.

Onde não há plenitude interna não pode haver transbordamento externo. Para fazer o bem aos outros deve o homem ser realmente bom em si mesmo.

Que quer dizer ser bom?

Ser bom, não é ser bonachão, nem bonzinho, nem bombonzinho. Para ser realmente bom deve o homem estar em perfeita harmonia com as leis eternas da verdade, da justiça, da honestidade, do amor, da fraternidade, e viver de acordo com esta sua consciência.

Todo o fazer bem sem ser bom é ilusório, assim como qualquer transbordamento é impossível sem haver plenitude. O nosso fazer bem vale tanto quanto o nosso ser bom. O ser bom é autoconhecimento e autorrealização.

Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante.

Os mais ruidosos sucessos sem a realização interna são deslumbrantes vacuidades; são como bolhas de sabão – belas por fora, mas cheias de vacuidade por dentro. 1% de ser bom realiza mais do que 100% de fazer bem.

Autoiniciação é essencialmente uma questão de ser, e não de fazer. Esta plenitude do ser não se realiza pela simples solidão, mas pelo revezamento de introversão e extroversão. O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso dentro de si mesmo, na solidão da meditação, e depois fazer o egresso para o mundo externo, a fim de testar a força e autenticidade do seu ingresso.

Todo o autoiniciado consiste ingredir e nesse egredir, nessa implosão mística e nessa explosão ética.

Não há evolução sem resistência. Tudo que é fácil não é garantido; toda evolução ascensional é difícil, exige luta, sofrimento, resistência.

Estagnar é fácil.

Descer é facílimo.

Subir é difícil.

Toda evolução é uma subida, e sem subida não há iniciação.

Autoiniciação e autorrealização é o destino supremo do homem.

Um único homem autorrealizado é maior maravilha do que todas as outras grandezas do Universo.

Huberto Rohden

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#Filosofia #iniciação #Rohden #Universalismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/autoinicia%C3%A7%C3%A3o

A Evolução como Espiral

“A condição humana é tal que o Ser pode encontrar-se com o Divino e mergulhar na Presença num Sábado e na Segunda-feira ver-se numa briga de trânsito por conta de uma fechada” – ?

Alguns sistemas compreendem o homem como uma multiplicidade de EUS lutando pelo controle, esses eus se agrupam por afinidade, em espécies de mini personalidades. Esses sistemas usam esse modelo para explicar as contradições do homem em sua vida cotidiana, sua falta de coerência com o mundo e consigo mesmo.

Outros sistemas entendem que o ser humano é um vasto e intrincado universo em si mesmo e que por isso, sendo composto de vários níveis de profundidade, estaria sujeito a variações em seu comportamento dada a interação extremamente complexa entre seu universo e o universo compartilhado, bem como os demais universos/consciências.

Inúmeras formas existem para se compreender tanto as contradições humanas quanto o próprio processo evolutivo humano, e a que abordaremos hoje é a evolução como espiral.

O ser humano pode expandir sua consciência em várias direção e dimensões, para o propósito dessa visão compreendemos o processo como uma espiral vertical que em círculos pode se mover para cima e para baixo.

Imagine que você vá a uma cerimônia mágica ou religiosa durante o fim de semana e lá tenha uma experiência espiritual significativa, seja ela da presença do Divino, um profundo estado de compaixão, esperança de que as coisas ficarão bem, vontade de ajudar o próximo. Depois de deixar o local volta para sua casa e seus afazeres e aos poucos aquela sensação vai se perdendo como um sonho que não anotamos e logo esvaece da memória ficando só a vaga lembrança do que você sentiu e não a sensação em si.

Os dias passam e você se encontra cada vez mais distante daquela sensação até que não reste mais nada, no máximo uma saudade de algo que você não sabe exatamente o que é, e nesse meio tempo você passa por situações cotidianas cada vez mais tensas e conflituosas que não raro revelam o pior de você, seja na sua relação com os demais, seja com você mesmo.

Chega novamente o fim de semana e você repete  a primeira experiência, a semana chega repete a segunda experiência e assim sucessivamente.

Como no eterno retorno nietzschiano o ser se vê repetindo as mesmas experiências e tendo as mesmas sensações, seus aprendizados adquiridos em seus estudos e experiências místicas parecem desconectados da realidade diária, ainda que lhe pareçam tão enraizadas e profundas quando apreendidas.

Essa é a espiral em que nos movemos, alguns tem círculos maiores, indo muito alto e em seguida caindo profundamente na inconsciência e desligando-se de quem verdadeiramente são ou do que poderiam ser, outros tem círculos menores variando muito pouto em relação do ponto mais baixo e do ponto mais alto.

Além de tudo isso é necessário lembrar que a espiral se locomove para cima ou para baixo, ou ainda pode ficar com seu centro parado e seu raio crescendo cada vez mais, cada vez mais alto e cada vez mais fundo, até que invariavelmente o centro não se sustenta o falcão não ouve mais o falcoeiro e a anarquia é liberta no mundo.

A observação desses padrões através desse método nos dá chaves importantes para o desenvolvimento da consciência, para o auto conhecimento e para a compreensão dos processos de outros irmãos.

Todos nós estamos nessa espiral e isso nos ajuda a entender porque pessoas que consideramos tão boas tem atitudes que nos parecem incoerentes, ela está na parte de baixo da espiral, e podemos ser mais compreensivos com nós mesmos e nossos irmãos ao percebermos que cada um de nós está em momentos diferentes dela.

Isso também nos dá uma ferramenta poderosa de compreensão, pois ninguém é, tudo está. Hoje o ser é uma coisa e amanhã ele é outra, julgue um homem pelo que você acha que ele é e pouquíssimo tempo depois seu julgamento está desatualizado. Julgue de acordo com o que ele pode ser e não há como errar.

Somos nossos altos e baixos e um buscador sincero vai diligentemente trabalhar para reconhecer seu ponto mais baixo e elevá-lo constantemente a ponto de ter um círculo cada vez menor, ao mesmo tempo em que vai buscar sempre fazer com que o ponto mais alto de sua espiral continue subindo alcançando degraus cada vez mais altos da consciência. O exercício é manter-se no topo, que seu ponto mais alto seja seu estado natural.

Para tanto o ser deve observar-se constantemente e reconhecer os pontos altos e baixos de sua espiral, assim o fazendo deve buscar sempre uma atitude que o leve em direção ao ponto mais alto, manifestar as atitudes desse ponto é uma chave para lá manter-se lá, viver essas experiência e antes de deixar o ato que o religou do divino, interagir com outros seres e realizar reflexões profundas sobre si mesmo, ancorando a consciência ou numa analogia a escalada, pregando espigões que não lhe permitam cair além daquele ponto.

Observar as pessoas de nossa convivência e reconhecer também seus pontos altos e baixos é um forma de não permitir que os comportamentos alheios influenciem no seu, assim se você está na parte superior e é incomodado ou deve interagir com alguém que parece estar bem abaixo de seu centro, é o momento de ser compreensivo e dessa forma trazê-lo para cima ao invés de permitir ser arrastado para baixo.

Tome a si mesmo sempre pelo ponto mais baixo, dessa forma você vai lutar com muito mais força para elevar seu nadir ou ponto mais baixo, e tome os outros sempre pelo seu ponto mais alto, independente do estado em que esteja ele, mantenha sempre na memória o Zênite desse ser, o seu ponto mais alto, assim terá a sua volta somente pessoas excepcionais, e se em algum momento ele lhe mostrar o seu pior, responda de acordo com o seu melhor, assim de alma para alma, ele encontrará o caminho de volta até o topo, e você não precisará mais descer.

Depois de compreendida essa lição, cabe aos irmãos lembrarem que essa espiral é em 3 dimensões, mas por ora trabalhemos em nossos círculos, as esferas só para daqui a algum tempo.

Chay !

– Frater Alef

#hermetismo #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-evolu%C3%A7%C3%A3o-como-espiral

Aritmosofia e Geometria

Os símbolos geométricos têm, como dissemos antes, uma relação simbólica precisa com as cifras matemáticas. Como se verá, a cada número corresponde exatamente uma ou mais figuras da Geometria; poderíamos dizer que estas são a representação espacial das mesmas energias que os números também expressam à sua maneira.

Como todos os números podem ser reduzidos aos nove primeiros (por exemplo, o número 8765 = 8 + 7 + 6 + 5 = 26 = 2 + 6 = 8, e desse modo poderíamos proceder com qualquer número maior que nove), limitar-nos-emos por agora a descrever sucintamente o simbolismo dos nove primeiros números, mais o zero.

1 – O número um, e seu correspondente o ponto geométrico, representando aparentemente o menor, contém em potência, no entanto, todos os demais números e figuras. Sem ele nenhum outro poderia ter existência alguma. Todo número está constituído pelo anterior mais um, bem como toda figura geométrica nasce a partir de um primeiro ponto; ou seja, que este gera todas as demais.

O Um simboliza a Origem e o Princípio único do qual derivam os princípios universais, e também o Destino comum ao qual todos os seres têm que retornar. É, segundo a máxima Hermética, “o Todo que está em Tudo”, ou seja, o Ser Total.

Ainda que o ponto e o um sejam uma primeira afirmação (proveniente de uma página em branco ou do zero, ou do Não-Ser), normalmente se os descreve melhor em termos negativos, posto que representam o indivisível, o imutável, ou seja, o motor imóvel, pai de todo movimento e manifestação.

A meta primeira dos trabalhos iniciáticos é atingir a consciência de Unidade

2 – O número dois simboliza o primeiro casal, que se dividindo da Unidade opõe seus dois termos entre si, ao mesmo tempo em que os complementa. Diz-se que constitui o primeiro movimento do Um, que consiste no ato de se conhecer a Si Mesmo, produzindo uma aparente polarização: o sujeito que conhece (princípio ativo, masculino, positivo) e o objeto conhecido (passivo ou receptivo, feminino e negativo). Desde a perspectiva da Unidade esta polarização ou dualidade não existe, pois o ativo e o passivo (yang e yin no extremo Oriente) contêm uma energia comum (Tao) que os neutraliza, complementa, sintetiza e une (já se vislumbra aqui o três); mas desde o ponto de vista do ser manifestado, esta dualidade está presente em toda a criação: noite e dia, céu e terra, vida e morte, luz e obscuridade, macho e fêmea, bem e mal se encontram na própria gênese do ato criacional, e a partir dali, toda manifestação é necessariamente sexuada.

O dois é representado geometricamente com a linha reta:

3 – Mas como dissemos, para que a dualidade se produza tem de ter sempre um ponto central do qual nasce a polarização:

O três se corresponde com o triângulo eqüilátero (símbolo da triunidade dos princípios e representa à Unidade enquanto ela conjuga todo par de opostos. As três colunas da Árvore, suas tríades e os três princípios da Alquimia de que falamos assim o testemunham; e podemos também encontrar esta lei ternária nas três cores primárias (azul, amarelo e vermelho) de cuja combinação nascem todas as demais; nas três primeiras pessoas da gramática (eu, tu, ele); nas três faces do tempo (passado, presente e futuro); nas três notas musicais que compõem um acorde (dó, mi, sol, por exemplo); e nos três reinos da natureza (mineral, vegetal e animal), etc.:

Na dualidade céu-terra o terceiro elemento é o homem verdadeiro (o Filho) que os une, conjugando assim o material e o espiritual.

4 – Se o ponto não é dimensionável, a reta expressa uma primeira dimensão e o triângulo é de duas dimensões (é a primeira figura plana), o número quatro é o símbolo da manifestação tridimensional, como se vê na geometria no poliedro mais simples (nascido do triângulo com um ponto central), o tetraedro regular de quatro faces triangulares:

Diz-se que os três primeiros números expressam o imanifestado e incriado e que o quatro é o número que assinala toda a criação. Por isso, divide-se o espaço em quatro pontos cardeais, que ordenam toda a medida da terra (geo = terra, metria = medida), e se divide todo ciclo temporal em quatro fases ou estações, como vimos.

A representação estática do quaternário é o quadrado e seu aspecto dinâmico está expresso no símbolo universal da cruz.

Queremos lembrar aqui o que mencionamos referente aos quatro mundos da Árvore Cabalística e aos quatro elementos alquímicos e apontar que estes se relacionam na tradição judaica com as quatro letras do Tetragramaton ou nome divino (YHVH).

Também apontar de passagem que, segundo a chamada lei da tetraktys que estudavam os pitagóricos, o quatro, como a criação inteira, reduz-se finalmente na unidade:

4 = 1 + 2 + 3 + 4 = 10 = 1 + 0 = 1

5 – O cinco, que é o central na série dos nove primeiros números, na geometria aparece quando a unidade se faz patente no centro do quadrado e da cruz:

Este ponto médio representa o que em Alquimia se denomina a quintessência, o éter, o quinto elemento que contém e sintetiza os outros quatro e que simboliza o vazio, a realidade espiritual que penetra em cada ser unindo tudo dentro de si.

No símbolo tão conhecido da pirâmide de base esquadrejada, esse ponto central se coloca em seu vértice, mostrando assim que essa unidade se encontra em outro nível ao que conflui o quaternário da manifestação:

O número cinco –que se representa também geometricamente com o pentágono– é relacionado com o homem ou microcosmo, já que este tem cinco sentidos, cinco dedos nas mãos e nos pés, e cinco extremidades (contando a cabeça), pelo que se pode vê-lo inscrito numa estrela de cinco pontas:

6 – A tríade primordial se reflete na criação como num espelho, o que se representa com a Estrela de David ou Selo salomônico, e também com o hexágono:

Se vimos as três cores primárias (azul, amarelo e vermelho) no primeiro triângulo, as três secundárias, que completam as seis do arco íris, nascidas da combinação daquelas (verde, laranja e violeta) colocam-se no segundo triângulo invertido.

Na geometria espacial é o cubo aquele que representa ao senário, já que este tem seis faces –como se observa no símbolo do dado, de origem sagrada–, das quais três são visíveis e três invisíveis. A esfera (como o círculo) simboliza o céu, e o cubo (como o quadrado), a terra:

Por outra parte, se pomos as faces do cubo no plano, produz-se o símbolo da cruz cristã, que se relaciona também por esse motivo com o seis:

Outro modo de representar geometricamente o seis é por meio da cruz tridimensional, ou de seis braços, que marcam seis direções no espaço: encima e embaixo, adiante e atrás, direita e esquerda:

7 – O sete, como o quatro, representa a unidade em outro plano, já que pode se reduzir ao um da mesma forma:

7 = 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 = 28 = 2 + 8 = 10 = 1 + 0 = 1

Na geometria, o setenário pode ser representado com o heptágono e com a estrela de sete pontas, mas, sobretudo, é visto quando se agrega às figuras que simbolizam o seis seu ponto central ou unidade primordial (observe-se que as duas faces opostas de um dado sempre somam sete):

São variadíssimas as manifestações do número sete no simbolismo esotérico. Mencionaremos de passagem as mais conhecidas: são sete os dias da criação (seis mais o de descanso) em correspondência com os dias da semana, os planetas e os metais como já vimos. Este número representa uma escala de sete degraus –relacionada com as sete notas da escala musical e com os sete chakras do Kundalini Yoga–, bem como com os sete arcanjos e os sete céus em correspondência com sete estados da consciência:

Diz-se que este número se produz pela soma dos três princípios mais os quatro elementos, aos que também podemos vincular com as sete artes liberais da Tradição Hermética, constituídas pela soma do trivium (gramática, lógica e retórica) e do quadrivium (matemática, geometria, música e astronomia).

8 – Se na geometria plana, como apontamos, o círculo é símbolo do céu e o quadrado da terra, o octógono vem ser a figura intermédia entre um e outro através da qual se consegue a misteriosa circulatura do quadrado e a quadratura do círculo, que nos fala da união indissolúvel do espírito e da matéria.

O oito, diz-se, é símbolo da morte iniciática e da passagem de um mundo a outro. Por isso o encontramos no simbolismo cristão, tanto nas pias batismais (na passagem entre o mundo profano e a realidade sacra) e na divisão octogonal da cúpula (que separa simbolicamente a manifestação e o imanifestado) bem como no símbolo da rosa dos ventos, idêntico ao timão das embarcações:

9 – Considera-se o nove como um número circular, já que é o único que tem a particularidade de que todos seus múltiplos se reduzem finalmente a ele mesmo (ex.: 473 x 9 = 4257 = 4 + 2 + 5 + 7 = 18 = 1 + 8 = 9).

Este número (que é o quadrado de três) representa-se na geometria com a circunferência, a que se assinalam 360 graus (3 + 6 + 0 = 9) e que se subdivide em duas partes de 180º (1 + 8 + 0 = 9), em quatro de 90º (9 + 0 = 9) e em 8 de 45º (4 + 5 = 9).

No entanto, a circunferência não poderia ter existência alguma se não fosse pelo ponto central do qual seus indefinidos pontos periféricos não são senão os múltiplos reflexos ilusórios a que esse ponto dá lugar.

Se adicionarmos à circunferência seu centro, obteremos o círculo (9 + 1 = 10) com o que se fecha o ciclo dos números naturais.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aritmosofia-e-geometria

18 Milhões de Conspiradores!

hermetismo

Acabamos de chegar à marca de 18 milhões de Pageviews neste blog… Nada mal para um blog de hermetismo e espiritualismo no país da Família Tradicional… Como de costume, para quem gosta dos números ou estava procurando pelos links de tudo o que fazemos, ao todo, nesta caminhada desde 7/5/2008, foram exatos 2.740 posts publicados e 47.474 comentários. Temos 4.680 followers no twitter , 18.708 subscribers no Facebook.

Temos Grupos de debates para Todos os Estados no Facebook e até mesmo uma Conta no Instagram onde publico pequenas dicas de magia prática e estamos quase chegando a 1.700 followers.

Post sobre como tudo começou.

Nosso Projeto de Hospitalaria está funcionando perfeitamente e passamos de 4.500 mapas astrais e 3.200 sigilos (aproximadamente 13.000 cestas básicas ou equivalente distribuidas).

O Projeto Mayhem está com 3.983 membros. A Wikipedia de Ocultismo conta atualmente com 5.219 verbetes e 2.082 imagens e, de quebra, virei pop-star no Astrotheme, com direito até a página em francês…

O Arcanum Arcanorum conta com mais de 7 mil que passaram por seus atrios e 200 que chegaram ao grau de Probacionista, além de uma Loja Maçônica (ARLS Arcanum Arcanorum, 4269 – GOB), o projeto SOL, que já realizou 45 palestras públicas, três Terreiros irmãos e agora um Capítulo Arcanum Arcanorum na Ordem Demolay, o que nos coloca como uma das egrégoras mais fortes dentro das Ordens Iniciáticas aqui no Brasil.

Ao longo destes seis anos (incluindo o TdC S&H que completou 7 anos em 7/Agosto/14), perdi a conta de quantas pessoas conseguimos iniciar nos estudos da Kabbalah, Astrologia, Tarot, Runas e Magia Prática, sem contar os leitores que se filiaram à FRA, AMORC, Lectorium, OKRC, CALEN, AA, SCA, CIH, Demolay, Eubiose, Circulo Egregore, Casa do filósofo, Pró-Vida, Sirius-Gaia, Gnose, Martinismo ou Maçonaria graças ao blog.

O Raph Arrais editou o Grande Computador Celeste que contém os 70 primeiros textos do TdC, distribuido em pdf gratuito ou versão impressa, e o PH gravou comigo um Curso Básico gratuito de Exercícios Herméticos. Não tem desculpa para não começar a estudar e praticar!

Fazemos anualmente uma das maiores correntes de meditação no Sefirat Ha Omer aqui no Brasil, três Encontros do Blog, ajudamos em três Simpósios Brasileiros de Hermetismo (o IV Simpósio a caminho agora em Novembro) e temos conseguido organizar cursos presenciais pelo menos uma vez por mês. No início de 2015 começamos o primeiro Curso de Kabbalah em Ensino à Distância, logo em seguida, com o resultado do primeiro curso, gravamos o curso de Astrologia Hermética, Geomancia e Tarot – Arcanos Maiores, levando os estudos de Hermetismo a quem mora longe dos grandes centros urbanos.

E, como se não bastasse, publicamos o Tarot da Kabbalah Hermetica, feito em parceria por mim e pelo talentoso artista Rodrigo Grola, a nova impressão da Enciclopédia de Mitologia e agora os Posteres do Lamen e da Árvore da Vida.

E para fechar com chave de ouro, emplacamos um cardgame de protesto Pequenas Igrejas, Grandes Negócios! que foi notícia até na Playboy, Folha e Gizmodo e três Livros de Hermetismo para crianças, As Aventuras de Lilith, “As Aventuras de Isis” e “As Aventuras de Hércules”.

Sucesso é a Única Possibilidade!

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/18-milh%C3%B5es-de-conspiradores

Análise de Sistemas Mágicos (Parte 5)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos e então falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução.

No último texto explicamos o que são fórmulas mágicas e como a união de várias delas podem formar um ritual. O ritual é uma encenação por meio da qual (ao atuarmos nele ou observarmos a performance de outras pessoas) podemos expandir nossos limites da percepção ou nos relembrar de ideias muito importantes que, com o decorrer do tempo, vão sendo deixadas de lado.

Vamos a uma análise simples e direta (não é a única forma de interpretar nem ‘a mais correta’) do que a encenação do ritual proposto no exercício prático do último post nos ajuda a modificar para, então, podermos prosseguir com as explicações.

Na primeira parte forma-se a Cruz Kabbalística, esta cruz está no próprio corpo do mago, mostrando que ele se faz como o meio de manifestação daquilo que está dentro de sua cabeça (“A ti” no momento que ele toca a testa) no reino.

Na segunda parte ele diz: ‘Criador, Senhor, Eu sou para sempre poderoso’, lembrando para o criador e para si mesmo que o mago tem o poder de criar e modificar o mundo de acordo com seus comandos, e junto também cria os pentagramas, que representam o espírito dominando os quatro elementos quando a ponta está para cima, com ênfase em banir ou invocar um elemento específico, de acordo com qual ponta ele começa a ser traçado e em qual sentido ele é criado (no texto anterior mostra o de banimento, para invocar basta mudar o sentido da seta da imagem).

Banimento da Terra

Após toda esta criação e autoafirmação, o mago ativa os pentagramas (símbolo de domínio dos elementos astrais) com sua Vontade, para fazer modificações do mundo astral e trazer o equilíbrio entre os planos com os hexagraas (símbolo de união equilibrada de planos).

Então o ritual é finalizado com um reforço na Cruz Kabbalística. Só para começar, podemos utilizar este ritual para pelo menos 10 situações diferentes só modificando a forma como traçamos os pentagramas, são elas: diminuir (banimento) a atuação do físico, mental, emocional, intencional e espiritual em si mesmo ou aumentar (invocação) a atuação destes mesmos 5 planos. As outras possibilidades são infinitas, o interessante é cada um perceber o que precisa e então utilizar os rituais para modificar seu próprio corpo ideal de acordo com sua Vontade (é praticamente uma autoprogramação).

O ritual para o Banimento da Terra é o mais comum de ser recomendado no início, pois normalmente quando a pessoa está começando a trabalhar com os outros planos, o plano da Terra está atuando em excesso na vida da pessoa, então ele é usado para tirar este excesso. Utilizem com sabedoria e cuidado para não ferirem aqueles que não merecem, já que para toda ação existe uma reação e este é um ritual que pode chegar até a destruir ideias e seres feitos de ideias.

Como foi dito no último post, cada fórmula mágica remete a uma percepção de mundo e é aí que precisamos começar a ter um certo cuidado para analisar. Cada pessoa passa por diferentes experiências de vida e elas variam muito de cultura para cultura, de região para região, de época para época, até mesmo de família para família; com isso, dificilmente um brasileiro irá perceber o mundo como um japonês ou um europeu, pois as cargas de aprendizados são muito distintas. Se existe uma divergência na percepção, uma fórmula mágica criada por um japonês dificilmente será bem utilizada por um brasileiro; para conseguir utilizá-la bem, este precisaria passar por um treinamento e vivência para entender como a fórmula foi criada, em que contexto (pode variar muito de época para época), com que finalidade etc, resumindo, entrar na frequência da egrégora. Vamos a alguns exemplos simples de como os Símbolos, Fórmulas e diferentes Percepções de mundo (as três partes que somadas compõem os Sistemas Mágicos) modificam completamente o resultado:

1º – Símbolos = ingredientes; Fórmulas = receitas e Percepções = cozinheiros.

* Peça para que um cozinheiro de comida italiana, que nunca comeu comida japonesa, faça um Temaki para você. Mesmo que você forneça os ingredientes necessários e a receita correta, ele terá muitas dificuldades e jamais conseguirá preparar um legítimo Temaki japonês.

* Peça para um cozinheiro de comida japonesa que saiba fazer um Temaki, para fazer um prato brasileiro, como uma feijoada.

* Peça para um Japonês que nunca cozinhou na vida, mas já comeu Temaki, que faça um, dando a ele os devidos ingredientes, porém, dando a receita de fazer tempurás.

2º – Símbolos = notas musicais; Fórmulas = frases (licks) e Percepções = músicos.

* Peça para um roqueiro norte-americano tocar um Funk Carioca, fornecendo as devidas notas e frases.

* Peça para um violeiro fazer uma moda de viola com o campo harmônico natural, mas fazendo frases de rock.

* Peça para um músico sertanejo para fazer um sertanejo com escala blues.

3º – Símbolos = cores; Fórmulas = técnicas de desenho e Percepções = artistas.

* Peça para um índio brasileiro fazer o desenho de um Deus Hindu.

* Peça para um desenhista indiano fazer o desenho de um Deus Hindu, mas com tintas naturais que os aborígenes utilizavam para pintar cavernas.

* Dê para um índio brasileiro uma caneta e ensine algumas ideias da Alquimia, então, peça para ele fazer um desenho alquímico.

Tentei expôr alguns exemplos de situações que criam complicações ao se utilizar um “sistema mágico” (depende da consciência que a pessoa entra ao utilizar cada um para se chamar de magia, como discutimos na parte 1) que vem de uma miscigenação cultural/temporal. O intuito é levar o leitor a parar para pensar e tentar se colocar no lugar do criador dos rituais e sistemas que utiliza, tentando encontrar qual o intuito daquele ritual do ponto de vista de quem o criou, respeitando a época em que foi criado; analise-o e tente não performá-lo pensando como você pensava naturalmente, mas atuando como se você fosse parte do povo que o criou.

Vejamos um exemplo bem prático: tudo que um samurai dizia já podia ser considerado feito assim que ele proferia as palavras, enquanto quase 99% dos brasileiros não tem um pingo de honra no que diz que irá fazer, sendo assim, ‘não mentir’ é uma ideia necessária de ser frisada em quase todos os sistemas mágicos feitos para brasileiros, enquanto é desprezível nos feitos para samurais.

Peço licença para propor a quem quiser fazer um exercício de análise de sistemas mágicos e fechar este breve e, na minha opinião, importante texto.

Exercício prático – A escolha de sistemas mágicos

O exercício prático que venho propôr neste texto é: recorde ou reestabeleça suas metas e objetivos de vida; tendo feito isto, analise quais sistemas lhe serão úteis para conseguir o que quer e tente não ficar perdendo energia no que não precisa. Muitas pessoas participam de 20 sistemas (somando ordens, escolas e religiões), mas não aprendem nada com nenhum, então antes de aderir ou seguir algum deles, analise se vale a pena para o que você precisa, reflita se você já domina um antes de precisar de outro, se o sistema que você achou pode se adequar à percepção do mundo em que você vive ou se as ideias de um não entram em conflito com as de outro de que você já participa e gosta. Viva cada sistema, se misturar tudo de uma vez não irá entender o que cada um faz especificamente na sua vida, será difícil analisar os resultados sem saber de onde vem exatamente cada atuação e você pode ficar perdido no meio de muitas ferramentas. Um exemplo de complicação comum:

Se você fizer duas aulas de culinária em um único dia pela primeira vez, na primeira aprender a fazer feijoada e na outra Temaki, como você vai saber qual te deu indigestão ao final do dia? Como vai saber qual está te dando uma reação alérgica? Como vai saber qual te nutriu bem? etc. Durante as primeiras análises e o início do aprendizado é muito importante que as amostras sejam bem escolhidas e coletadas com um certo controle. Misturar vários sistemas pode sim dar certo e ampliar suas percepções, pode não dar nenhum problema, mas é muito difícil de se analisar os resultados e se ter controle, então cuidado, comece aprendendo bem uma, depois bem a outra, só depois comece a misturar.

Vai dar certo!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/an%C3%A1lise-de-sistemas-m%C3%A1gicos-parte-5

Analisando um Mapa Astral

Uma das minhas maiores broncas com os que acreditam que não existe nada além do físico e suas “experiências refutando a Astrologia” é que a imensa maioria das experiências feitas até hoje que já caíram nas minhas mãos (e não foram poucas) caem nos seguintes quesitos:

1) usam apenas o “Signo” das pessoas para avaliar os resultados ou

2) pegam uns astrólogos e tentam fazer com que eles “adivinhem” alguma coisa a partir de um mapa e algumas vítimas ou façam “previsões” sobre algum assunto.

Não é de se estranhar que nada dá certo nunca. Ou estes experimentos apenas reforçam o que eu já expliquei em várias colunas: que o que vendem por ai hoje com o nome de “Astrologia” é puro LIXO.

Mas não posso culpar os céticos de verdade e as pessoas inteligentes. Eu mesmo, dez anos atrás, fui fazer um curso de Astrologia com um dos maiores astrólogos do país, Frank Avabash, com esse preconceito. Na época, ele devia ter uns 25 anos de experiência com Astrologia e eu estava totalmente convencido que seria uma furada. Mas me enganei. A Astrologia Hermética (aquela que Isaac Newton, Galileu Galilei, Kepler, Tycho Brache, John Dee, Max Heindel, Fernando Pessoa, Winston Churchill e Hitler estudavam) não lembra nem de longe o que os profanos chamam de “astrologia”.

Então, afinal de contas, o que é Astrologia?

Para começar, falaremos sobre o que se entende por “astrologia” no mundo profano: segundo os horóscopos, os humanos são divididos em 12 castas estereotipadas chamadas “signos”. Todo dia no jornal sai o “horóscopo” que é o que vai acontecer com 1/12 da população do mundo naquele dia e volta e meia algum picareta vai na TV fazer “previsões” que nunca se concretizam…

Isso é o que as pessoas pensam que seja Astrologia.

Bem… agora vamos falar sobre Astrologia de Verdade.

Um Mapa Astral, ou Carta Natal, é uma representação geométrica e simbólica do céu no exato momento do nascimento de qualquer coisa no Planeta. Uma pessoa, um objeto, um contrato, um ritual… Nenhum dos planetas “influencia” nada. Muito menos a “atração gravitacional” ou “energias emanadas” deles, como eu já vi céticos afirmarem.

As posições dos Planetas atuam apenas como mostradores; ponteiros invisíveis de um relógio astral, movimentando-se em sincronicidade com os acontecimentos em cada planeta. Tudo o que está em cima é semelhante ao que está em baixo. E o que realmente conta na confecção de um Mapa Astral é a angulação que eles fazem com o horizonte. Para alguém totalmente materialista, não parece mesmo fazer sentido… é como se alguém da segunda dimensão desse de cara com uma esfera atravessando o plano… na visão deles, o máximo que poderiam compreender seria o círculo aumentando e diminuindo de raio, mas não conseguiriam explicar o que está acontecendo porque não possuem o conhecimento da terceira dimensão. O mesmo ocorre no exemplo acima. A explicação para o por quê a astrologia Funciona está em um plano que a ciência ortodoxa AINDA não consegue explicar.

O cálculo exato das efemérides e a posição exata dos planetas no Mapa é de vital importância para a ciência da Astrologia. Por esta razão, em seu nascimento, Astrólogos e Astrônomos eram uma profissão apenas.

Mas tio, e as Constelações?

Constelações não servem para nada no cálculo de Mapas. São apenas REFERÊNCIAS simbólicas que os antigos encontraram para explicar para as pessoas algo que é extremamente difícil descrever apenas com palavras. Se fomos avaliar diferentes métodos astrológicos (astrologia chinesa, védica, asteca, etc) veremos que, apesar de cada uma delas dar NOMES DIFERENTES para casa signo, as descrições de cada período temporal em relação ao comportamento dos indivíduos é rigorosamente o mesmo. Mudam apenas a referência. Em um horóscopo são animais, em outro são deuses, no terceiro constelações, em outro constelações diferentes e assim por diante…

Esta é uma das “refutações” que mais vejo entre os céticos: de que se a Astrologia fosse una, todas as Astrologias seriam iguais. Só que elas SÂO iguais… onde em uma cultura o signo é chamado de “touro”, em outra é chamado de “urso” e em outra de “elefante”. São símbolos que expressam uma mesma idéia, apenas culturalmente diferentes.

As próprias “constelações” não fazem sentido, quando agrupadas em um universo 3D. Peguemos, por exemplo, a constelação de Libra: alfa de Libra (Zubenelgenubi) está a 77 anos luz. Beta de Libra (Lanx Australlis) está a 160 anos-luz, gama de Libra está a 150 anos-luz e sigma de Libra (Brachium) está a 300 anos-luz… ou seja, elas não tem NADA em comum para serem agrupadas “próximas”.

Mas elas serviam como símbolos para contar histórias e fazer com que os cientistas primitivos fossem capazes de entender os conceitos abstratos que regem a psicologia.

Além disso, devido à precessão dos equinócios, o Sol atualmente cruza as constelações de Áries de 18 de abril a 12 de maio, Touro de 13 de maio a 20 de junho, Gêmeos de 21 de junho a 19 de julho, Câncer de 20 de julho a 9 de agosto, Leão de 10 de agosto a 15 de setembro, Virgem de 16 de setembro a 30 de outubro, Libra de 31 de outubro a 22 de novembro, Escorpião de 23 de novembro a 28 de novembro, Ofiúco de 29 de novembro a 16 de dezembro, Sagitário de 17 de dezembro a 18 de janeiro, Capricórnio de 19 de janeiro a 15 de fevereiro, Aquário de 16 de fevereiro a 11 de março e Peixes de 12 de março a 17 de abril (e não riam… já vi astrólogos esquisotéricos querendo “reformular” os signos baseado nessas bullshits).

Ou seja, outros céticos usam isso como desculpa para “refutar” a Astrologia, alegando que graças à precessão dos Equinócios, o signo que você pensa que possui não é o verdadeiro signo que deveria ter e assim por diante…

Retornando aos planetas

Na “astrologia” que as pessoas conhecem, existem 12 tipos de signos/pessoas… ou 144 tipos de pessoas (12×12) se você for legal e contar o ascendente.

Na Astrologia Hermética, temos 10 planetas (o nome Planeta vem de “viajante”, ou os “astros que caminham no céu”, por isso consideramos o Sol, a Lua e Plutão como planetas) mas, na realidade, são apenas os ponteiros do Sistema solar que contam.

O círculo do Zodíaco possui 360 graus. Sabendo que Mercúrio, pela posição relativa do sol em relação à Terra nunca estará mais do que 28 graus afastado do sol e Vênus nunca estará mais do que 46 graus afastado do sol, temos então:

360 (sol) x 56 (mercúrio) x 92 (Vênus) x 360 (terra/ascendente) x 360 (marte) x 360 (júpiter) x 360 (saturno) x 360 (urano) x 360 (netuno) x 360 (plutão) x 360 (lua) Mapas Astrais diferentes! Fazendo as contas, temos: 1,45344 E+24, ou seja,

1,453.440.000.000.000.000.000.000 de possibilidades diferentes. Um SETILHÃO de combinações possíveis, se levarmos em conta 1 grau de precisão. A conta inclui os 360 graus do sol por causa das CASAS. Se quisermos “facilitar” e considerarmos apenas as combinações dos 12 signos com os 10 planetas, teremos 61.917.364.224 tipos de Mapas diferentes (ou 61 BILHÕES de combinações).

Complexo, não? Mas se a biologia ou a astrofísica podem chegar a complexidades matemáticas absurdas, porque insistem em manter a astrologia presa no século XVIII?

Simbolicamente, cada Planeta reflete um aspecto da Árvore da Vida dentro de cada pessoa. Para compreender a Astrologia, então, é necessário um conhecimento da Kabbalah (não a judaica, mas a estrutura que originou tanto a Kabbalah judaica quanto a hermética) e o que cada sephira representa dentro do Mapa de Estados de Consciência Humana (ou seja, o Astrólogo também precisa estudar a fundo psicologia e simbologia). E aqui começa o real problema da Astrologia: VOCABULÁRIO.

O vocabulário humano é extremamente limitado. Vamos a um exemplo simples: Você conseguiria descrever em palavras o amor que sente por sua mãe? E por seu pai? E por sua esposa/esposo? Por sua/seu amante? Pelo seu/sua filho mais velho? É o mesmo amor que o do filho caçula? E o amor que você sente pelos seus colegas de exército? Seu time de futebol? O amor-compaixão que sente por um mendigo pedindo esmola? o amor-piedade que sente por uma criança espancada? o amor-ódio que sente pela ex-namorada/o ? Não há nenhum degradê entre estas formas de “amor”?

Certamente que quando você diz “eu amo minha esposa” e “eu amo meu time de futebol”, “eu amo meus amigos torcedores” e “eu amo batata frita” há diferenças enormes de significado.

Talvez um poeta conseguisse “traduzir” estes sentimentos em poemas enormes; colocar em palavras os nobres sentimentos humanos… textos longos, rebuscados, melodias singelas, pinturas… ainda assim não conseguiria chegar ao ponto exato.

Se o olho humano pode distinguir 10 milhões de cores diferentes, por que não temos um nome diferente para cada uma delas? E para cada um dos sentimentos/emoções?

Estão conseguindo chegar ao cerne do problema?

Se a astrologia tivesse avançado como as outras ciências, ao invés de ter sido expulsa das universidades pela IGREJA (e não por ser uma “pseudo-ciência” como a maioria dos céticos gosta de afirmar), talvez teríamos hoje um código para o Mapa de cada pessoa semelhante ao código genético ou ao código Pantone, com letras e números; e computadores buscando similaridades comportamentais, ao invés de astrólogos se matando para explicar sentimentos com palavras.

Queria ver se o Richard Dawkins tivesse de dar nomes simbólicos ou fazer poemas para cada código genético que encontrasse…

O Mapa Astral, então, é um perfeito mapa vocacional que mostra onde estão suas facilidades e dificuldades, a maneira como você pensa, sente, briga, transa, intui, aprende… mostra o que te agrada e o que te incomoda; mostra os vícios que você tem e às vezes nem sabe por quê. Mostra suas virtudes e os seus defeitos.

O que o Astrólogo faz é analisar um mapa e tentar achar palavras que se encaixem com cada uma destas combinações em suas diversas matizes. Quando falamos “seu Marte está em Gêmeos”, estamos usando um código que simplifica MUITO, mas MUITO mesmo o que realmente estamos vendo naquele código… é como falar “sua camisa é azul”. Azul o que? Azul royal? azul royal bebê? azul royal bebê fúcsia? azul royal bebê fúcsia prussiano do inverno do rio Volga?

Um Astrólogo está limitado pelo seu próprio vocabulário e pelo seu conhecimento da astrologia e simbolismo; também está limitado pelo seu próprio mapa astral. Um astrólogo cujo próprio mapa tenha muitos planetas em virgem fará uma interpretação de um mapa de outra pessoa bem diferente de um astrólogo com muitos planetas em peixes… mesmo que os dois tenham entendido as nuances de maneira iguais,

certamente se expressarão de maneira diferente, com palavras diferentes. Os céticos adoram pegar estas diferenças para alegar “que os astrólogos não falam a mesma língua nas mesmas interpretações”.

E nessa “subjetividade” acabam as chances da Astrologia de se enquadrar nas ditas ciências ortodoxas… imagine a dificuldade que os geneticistas teriam se precisassem ficar dando nomes e descrições para cada um dos 27.000 genes humanos baseado em sua interpretação pessoal…

Desta forma, o que os Astrólogos fazem é compilar em tabelas palavras, símbolos e descrições que mais se encaixam àquela determinada matiz energética (novamente, usando vocabulário de acordo com seu próprio entendimento). O que eu acho “teimoso” como um adjetivo depreciativo, você pode achar que é um elogio relacionado com “obstinação”, por exemplo! Uma pessoa “curiosa” é um elogio ou é uma pessoa frívola?

E assim caímos nas brechas para as astrologias esquisotéricas… tentando rotular e simplificar ao máximo, chegam e dizem “todo virginiano é discreto, gosta de organização e limpeza”. Não é necessariamente verdade. Boa parte deles possui estas características, mas isso não define absolutamente nada em alguém… para vocês terem uma idéia, um Mapa bem feito não tem menos do que 15-20 páginas de texto sobre a pessoa.

Conhece a ti mesmo

E como se todas estas dificuldades não bastassem, também há o livre-arbítrio. Uma pessoa que tenha, por exemplo, “Mercúrio em Gêmeos” terá uma facilidade muito maior que a média de lidar com palavras… ela terá facilidade bem maior do que outras pessoas se desejar tornar-se escritor, jornalista, repórter, contador de casos… ou um grande fofoqueiro… ou um grande mentiroso, ou combinações destes adjetivos. A habilidade de manipular bem as palavras não implica necessariamente que você as usará para o bem. E nas facilidades que estão as tentações.

Não temos como distinguir no mapa um grande repórter de um hábil mentiroso. Podemos dizer “fulano tem facilidade para lidar com palavras” (você sentiria alguma diferença se eu tivesse escrito “fulano tem facilidade para manipular palavras”?); talvez alguns céticos considerem isso vago (é outra das alegações furadas dos céticos em relação à astrologia). E NADA garante que alguém que tenha Mercúrio em Gêmeos vá seguir a carreira de lidar com palavras… ele pode muito bem ser um vendedor de carros usados que usa isso como lábia.

Para mim, “Mercúrio em gêmeos” diz muita coisa… Questão de vocabulário. Não podemos aprofundar a descrição sem conhecer a pessoa… talvez, somente a própria pessoa vai realmente saber o quanto ela usa esta capacidade para o bem ou para o mal.

É nisso que entra o autoconhecimento e a parte Hermética do “Astrologia Hermética”.

Avaliando nossos mapas, podemos detectar as energias com as quais temos mais facilidade e lapidar nossa pedra bruta para chegarmos até a pedra filosofal.

Mas é duro olharmos para o espelho e reconhecermos nossos defeitos… e mais difícil ainda lutar para transmutá-los das oitavas mais baixas nas oitavas mais altas; vencer as paixões que nos levam ao uso egoísta de nossas habilidades e transformá-las em virtudes. É como transformar chumbo em ouro.

Desta forma está a dificuldade em adequar o real ao experimento… fazer “testes de múltipla escolha” parece completamente nonsense para alguém que sabe para que o mapa realmente serve. Minha sugestão seria pegar um psicólogo neutro para fazer um levantamento psicológico completo de cada pessoa, bem como uma entrevista onde ela revelaria suas ambições, fantasias, o que realmente gostaria de fazer, o que realizou dos sonhos, que tipo de parceiro sexual gosta e assim por diante.

Por outro lado, o Mapa seria gerado pelo banco de dados que estamos organizando através das doações dos leitores do Teoria da Conspiração, ou seja, sem a “interpretação” pessoal do Astrólogo. E como comparação, um grupo de psicólogos/astrólogos compararia o perfil psicológico da pessoa com o do mapa e faria as correspondências. Claro que eu gostaria de fazer isso não com 20 mapas, mas com 10.000 mapas. Só que daria um puta trabalho… e os céticos já estão previamente convencidos que astrologia não funciona (embora eu sempre pensasse que cientistas avaliassem primeiro e julgassem depois, mas tudo bem).

#Astrologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/analisando-um-mapa-astral

O Ritual DeMolay e sua interpretação

Frank Land foi questionado em uma entrevista de radio como DeMolay se diferenciava de outras organizações. Ele instantaneamente respondeu, “Ela possui um Ritual”. Sua serena e rápida resposta ainda é a qualidade inerente da Ordem DeMolay. – Hi Dad, 1970, por Hebert E. Duncan.

Esse é o tesouro a nós legado por nossos fundadores, Frank S. Land que idealizou e Frank A. Marshall que escreveu nosso Ritual dos Trabalhos Secretos.

Aqui trarei algumas interpretações dos símbolos que os autores do Ritual deixaram nas entrelinhas, tanto DeMolays como da Ordem de Cavalaria, mas sem revelar nem profanar os rituais em si. Alguns desses símbolos estão claros, e outros estão velados. Mas estão lá e ninguém pode assim negar. Nosso Ritual foi criado com a mais profunda inspiração e dedicação dos nossos Dads fundadores, e são seus desejos que preservemos e cresçamos cultural e intelectualmente com seu conteúdo, nos tornando homens mais virtuosos. E a essas pessoas empenhadas em evoluir, ascender e em ajudar o próximo, que dedicarei meus textos. Não podemos mais ser comuns e benevolentes àqueles que prejudicam o nome e a egrégora de nossa Ordem e pregam o fanatismo. Precisamos urgentemente aprender sobre ela e lutar por sua preservação.

Cuidados e empecilhos

Não tenhamos medo de especular sobre interpretações e entendimentos sobre os Rituais dos Trabalhos Secretos, mas também não podemos fugir da lógica. Como disse o Ir. Hugo Lima em seus posts, nossos fundadores não deixaram nenhum manual de como ser DeMolay ou como interpretar os rituais. Isso acontece porque pregamos a Liberdade. Através da liberdade e da lógica exploraremos de simples símbolos à Kabbalah e mitologia dentro da Ordem, aprendendo sobre esses símbolos, rituais, egrégora, psicologia, e ocultismo, perceberemos o quão vasto é o campo de estudos do DeMolay e quanto uma Loja Maçônica pode contribuir para a pátria patrocinando e guiando corretamente um Capítulo.

Nenhuma interpretação ritualística deve ser dogmática, pois se assim fosse estaremos limitando nossa liberdade. O grande problema em interpretar os rituais da Ordem está na resistência de alguns irmãos demolays (normalmente os mais velhos e já dogmáticos) e de alguns maçons que insistem em afirmar que “isso não é Ordem DeMolay” por diversos motivos. A esses dou meus mais sinceros sentimentos de compreensão. Mas a tolerância também é importante, portanto se querem ir contra a lógica e a liberdade, que revejam e reflitam sobre o Ritual de Elevação e vejam em qual das posições se encontram.

Aos irmãos demolays e maçons que apoiam a causa da expansão cultural do jovem peço que compartilhem com interpretações e divulgação do conhecimento em seus blogs, em seus Capítulos, independente do seu Supremo, e em suas Lojas, independente de sua potência. Dessa maneira conseguiremos aos poucos alcançar mais e mais jovens, para que se tornem homem virtuosos e com iniciativa de mudar a sociedade, e quem sabe até consigamos alcançar o desejo de algum maçom a abrir um Capítulo em sua Loja.

O que é um ritual?

Com certeza não é um livro com falas e movimentos que devem ser simplesmente seguidos e fim de papo.

Um ritual é um guia que transmite ao praticante seu objetivo através dos seus símbolos, falas e movimentos. Símbolo é aquilo que representa uma ideia, está no mundo dos pensamentos. Nem sempre um símbolo é uma imagem, símbolo pode ser uma roupa, pode ser uma expressão, uma fala ou um objeto. São as ideias atuando em vários níveis diferentes. A interação dessas diferentes maneiras de expressão do símbolo é que permite que nós criemos o ritual e o coloquemos em ação.

Por exemplo, a Bíblia representa simbolicamente a palavra de Deus (do Criador, do Pai Celestial, etc), e quando nos ajoelhamos ou abaixamos a cabeça e fazemos uma oração estamos botando em ação vários símbolos diferentes. Se ajoelhar ou baixar a cabeça é um movimento que representa a humildade e reverência a alguém, nesse caso estamos pedindo auxílio a um Ser superior. A oração em frente a Bíblia guia nossas intenções. Tudo isso consiste na operação de diferentes símbolos, e nesse caso é um simples ritual de oração.

Outro simples exemplo são as regras de conduta ao cantar o Hino Nacional diante da Bandeira da Pátria. Estamos firmes em pé, braços estendidos ao longo do corpo (alguns botam a mão direita na altura do coração em simbolo de amor) e cabeça estendida, não devemos dar as cosas para Bandeira, não devemos bater palmas nem assoviar o Hino Nacional. Tudo isso é um simbolo de reverencia e respeito. São os símbolos que usamos quando cantamos o Hino Nacional.

Ou seja, um ritual existe para por um símbolo em ação. O ritual traz os princípios do mundo das ideias para nosso íntimo. Por isso que os rituais devem ser seguido a risca e sempre repetido da mesma maneira. O praticamente deve sentir o que faz, e não somente repetir e repetir. Um ritual quando devidamente praticado causa mudanças psicológicas no participante. Se o praticante não sentir e participar intimamente do ritual, o ritual terá formulas vazias.

Como interpretar o ritual DeMolay?

Através dos seus símbolos. Símbolos gráficos (Brasão da Ordem), símbolos das falas e dos movimentos.

Em toda interpretação simbólica existe uma regra, e essa regra é a da analogia, onde nada existe de maneira isolada. Os estudantes de hermetismo conhecem essa regra, essa lógica, como a Lei ou Princípio da Correspondência. O famoso “o que está em cima é como o que está em baixo, e vice versa“.

Sim, devemos aplicar toda interpretação ritualística a essa regra, se não as interpretações terão fórmulas vazias e estaremos criando dogmas. A ultima coisa que precisamos dentro da Ordem DeMolay é “Os Conselheiros representam a jornada do o Sol porque na Sala Capitular eles sentam de leste a oeste e ponto final“. Ok, mas qual o fundamento, qual a lógica? Não é por capricho e/ou por cópia dos rituais da maçonaria que nossos fundadores colocaram nossos Conselheiros como a jornada do Sol no Céu. É adentrando no fundamento dos símbolos, procurando analogias entre outras culturas, que conseguiremos chegar a razão das coisas de serem como são. Isso dará muito mais valor ao nosso ritual e enfatizará a importância de praticá-lo de maneira correta.

A Lua, símbolo do nascimento

Deem uma olhada na figura ao lado. Observem os vários elementos que a compõe. Selecionemos um, a Lua central para uma breve interpretação.

É comumente conhecido no mundo DeMolay que a lua do Brasão representa o segredo, e que sua parte escura representa o quanto ainda faltamos evoluir. Tudo isso é muito bonito, mas agora devemos perguntar, por que? Foi dito, escrito, publicado e portanto foi aceito? Qual o fundamento dessa interpretação? É isso a isso que devemos chegar pela Lei da Correspondência.

Usemos a lei da analogia.

A lua não possuí luz própria, ela reflete a luz do sol e na sua viagem ao redor da terra, temos suas fases e o movimento das marés. Mas mesmo quando a lua está cheia, nós não a contemplamos por completo, pois ela possui um lado escuro que não conseguimos ver da terra, devido ao seu tempo de revolução e rotação. Como se ainda houvesse sempre algo que não conseguimos contemplar, algo a esconder. E nessas fases movimentam os líquidos da terra, e sabemos que os líquidos estão psicologicamente relacionado a nossas emoções. Por esse motivo que o arquétipo da lua é tido como o segredo, e também se relaciona a parte da nossa mente que é o inconsciente.

A Lua em si é um grande segredo. Os ciclos de fertilidade da mulher (quando esta está com o organismo saudável) segue também as fases da lua. As parteiras interpretam essas mesmas fases para saber quando a mulher dará a luz. Esse é o motivo pelo qual a Lua é também o símbolo da mãe.

O feto humano é gerado dentro do útero por nove voltas que a lua faz ao redor da Terra, que são também 9 meses solares. Por isso adicionemos ao arquétipo da lua o útero, o segundo chakra, e Yesod da Árvore da Vida que por acaso é a sephira número nove.

Ísis, a deusa da magia egípcia, é a deusa da Lua. É a deusa da Iniciação, cujo o homem mortal jamais levantou seu véu. Muitas religiões guiam suas datas comemorativas pelo calendário lunar, e não solar.

Não é atoa que dad Land e dad Marshall criaram a Ordem DeMolay com nove meninos. Também não é atoa que a lua esteja no centro do Brasão, pois sabemos do amor, respeito e admiração que Frank S. Land tinha pela maternidade, escolhendo como Primeira Virtude do DeMolay o Amor Filial, “aquele amor que existia antes mesmo de você nascer”.

Sintam-se a vontade fazer uma interpretação sobre o Defeito e Virtude da Lua na Astrologia (Preguiça e Humildade) e sobre o seu binário hebraico (Domínio e Servidão) representado pela letra Gimmel (G), com tudo dito aqui.

Entendido sobre o princípio da analogia na interpretação?

Espero que aproveitem e compartilhem suas idéias no comentários, e que distribuam o conhecimento. E principalmente, que criem e cheguem a suas próprias interpretações. Honremos nossos antepassados.

DeMolay ou não, Maçom ou não, lembremos do testamento de Fernando Pessoa e lutemos contra os três assassinos de Jacques DeMolay e da Ordem do Templo, a ignorância o fanatismo e a tirania, que atuam no campo material, emocional, intelectual e espiritual.

N.N.D.N.N.

Leonardo Cestari Lacerda.

Leonardo Cestari Lacerda é Sênior DeMolay do Cap. Imperial de Petrópolis, nº 470, e Maçom da A.’.R.’.L.’.S.’. Amor e Caridade 5ª, nº 0896.

Virtude Cardealé uma coluna com o propósito de desenvolver a reflexão sobre características fundamentais de todo DeMolay, bem como apresentar a Ordem aos olhos dos forasteiros.

#hermetismo #Maçonaria #VirtudeCardeal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ritual-demolay-e-sua-interpreta%C3%A7%C3%A3o

O Limite do Subjetivo

» Parte 3 da série “Reflexões sobre o materialismo” ver parte 1 | ver parte 2

A subjetividade é o mundo interno de todo e qualquer ser humano. Este mundo interno é composto por emoções, sentimentos e pensamentos. Através da nossa subjetividade construímos um espaço relacional, ou seja, nos relacionamos com o “outro”.

Há uma outra espécie de materialismo, definida por alguns como materialismo científico ou eliminativo, mas que eu opto por definir aqui como materialismo anti-subjetivo [1] – pois se trata de uma teoria que afirma que somente a matéria já conhecida explica o funcionamento da consciência humana. Trata-se de uma aposta e de um enorme paradoxo:

A aposta

Hoje se sabe que a consciência se parece mais com um processo que coordena decisões de acordo com o fluxo de informação sensorial recebido, ela é como o regente de uma “orquestra mental”. Porém, a análise qualitativa dos fenômenos conscientes complexos, como o amor e as decisões morais, ainda passam ao largo da explicação científica. Este é o famoso “problema difícil”: identificar o que exatamente interpreta informações e elabora respostas morais, em oposto a mera computação das informações.

Richard Feynman gostava de comparar a forma como os físicos modernos trabalham com a detecção das ondas de uma piscina: acaso não fosse possível ver quem mergulhou na piscina há pouco tempo, podemos ter uma boa noção de onde e quando ocorreu o mergulho, assim como o peso de quem mergulhou, apenas analisando a frequência e a amplitude das ondas na superfície da água. A ciência lida somente com o que pode detectar – se ela não detecta o amor ou a moral, ao menos pode detectar o efeito elétrico no cérebro que ocasiona as demonstrações de sentimentos complexos. O que a ciência não pode pretender, entretanto, é que tais sentimentos se resumam ao efeito, ignorando a causa… Ou postulando que a causa está além de nosso controle, que é fruto do mero agitar químico do cérebro, o que em todo caso é basicamente o mesmo que ignorar a causa.

Bahram Elahi, especialista em cirurgia e anatomia, dizia que embora a mente e o cérebro sejam separados, a mente (ou consciência) não é algo imaterial. Ao contrário, é composta de um tipo de matéria muito sutil que, embora ainda não-descoberta, é conceituamente semelhante às ondas eletromagnéticas, que são capazes de carregar sons e figuras (e mesmo videos – figuras em movimento), e são governadas por leis, axiomas e teoremas precisos. Ele teoriza que tudo relacionado a esta “entidade” deve ser considerado como uma disciplina científica não-descoberta, e estudada da mesma maneira objetiva que outras disciplinas (como química ou biologia, por exemplo). A consciência pode, portanto, ser formada por algum tipo de substância material sutil demais para ser medida ou detectada utilizando as ferramentas científicas disponíveis hoje.

Eis a aposta dos materialistas anti-subjetivos: a de que a consciência e seus fenômenos complexos, que exigem não apenas a computação de informações, mas, sobretudo, a interpretação das mesmas, pode ser compreendida apenas levando-se em consideração a matéria já detectada pela ciência.

O paradoxo

Primeiro a ciência moderna, através da neurologia, foi obrigada a aceitar o conceito e a existência da mente subjetiva, para só então tentar reduzi-la a atividades elétricas, efeitos bioquímicos, um mero agitar de partículas no cérebro… Em suma, tentar negar a existência dos qualia.

Qualia são tratados na Filosofia da Mente como sinônimos de subjetividade. Eles significam uma barreira intransponível entre objetivo e subjetivo, entre vivo e não vivo, entre humanos e máquinas. Não sabemos como o cérebro gera a subjetividade, nem se ela pode ser replicada artificialmente. Tentamos padronizar as sensações usando a linguagem, mas as características subjetivas, únicas, de cada sensação, parecem sempre escapar. Quando falamos de algo “amarelo”, por exemplo, não sabemos se essa cor é mais ou menos intensa para nós ou para o “outro”.

Essa inconveniência dos qualia levou filósofos como Daniel Dennet a tentarem negar sua importância ou até mesmo sua existência… Segundo Dennet, a subjetividade é uma ilusão persistente gerada por nosso cérebro, e não existem escolhas, nem morais nem imorais, apenas o resultado do fluxo de partículas no cérebro, de átomos dançando conforme alguma música aleatória definida por nosso meio-ambiente.

Eis o paradoxo: Dennet, ao contrário do que possam pensar, não é alguém que eu condene. De fato, ele é um dos poucos materialistas anti-subjetivos que realmente assumem sua posição enquanto materialistas – a grande maioria simplesmente ignora tal questão, e continuam a viver como se existisse a subjetividade, como se existissem escolhas, como se realmente fizesse algum sentido condenar criminosos ou condecorar heróis de guerra.

Até onde a luz pode chegar

Não há nada de errado com a ciência objetiva, o problema é quando cientistas creem que podem utilizar ciência para adentrar no campo da subjetividade… Da mesma forma que a psicologia não poderá provar que “esta pessoa está sentindo duas vezes mais dor do que aquela outra”, ou que “aquela pessoa ama aquela outra cinco vezes mais do que você ama seu cachorro”, dificilmente a ciência moderna terá sucesso nessa tentativa de equacionar a mente humana, e tratá-la como uma espécie de máquina que programou a si própria.

Já dissemos que toda a matéria é intangível, mas faltou dizer que ela é igualmente invisível em sua maior parte – pois tudo o que vemos com os olhos ou detectamos com instrumentos avançados são frequências de ondas eletromagnéticas, quantas de luz a refletir pelos átomos a dançar no vazio. Nós não vemos a lua, nem a árvore do outro lado da rua, nem mesmo nossas mãos ou as bactérias no microscópio, vemos apenas os quantas de luz, vindos da luz do Sol ou de alguma fonte de luz (tal qual lâmpadas ou vagalumes), a refletir os átomos que constituem as coisas vistas ou detectadas.

Mas mesmo esta matéria que reflete e interage com a luz é apenas uma ínfima minoria – cerca de 4% – de toda a matéria existente em nosso horizonte observável do Cosmos. Todo os resto – 96% – é composto por Matéria Escura e Energia Escura, e só pôde ser descoberto pelos cientistas através de seu efeito gravitacional no movimento das galáxias (assim como nas interações com a força eletrofraca, mas isso já daria outro artigo).

Aí está o limite do subjetivo, segundo os materialistas: 4% da matéria existente no pedaço do universo onde nossa observação alcança. É uma tremenda aposta esta que afirma que o problema difícil da consciência, que o próprio conceito de subjetividade, pode ser explicado e compreendido apenas com o tilintar dos átomos conhecidos. Para sermos materialistas anti-subjetivos, temos de ter muita fé no ínfimo que conseguimos desvelar objetivamente deste Cosmos infinito. Há que se reconhecer sua convicção.

» Em breve, o materialismo religioso e a espiritualidade materialista…

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[1] Em filosofia da mente, o termo mais utilizado é “materialismo eliminativo”, mas eu optei por usar este outro termo neste artigo, para ficar mais simples entender o que eu quero dizer com ele.

Crédito da imagem: neurollero

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-limite-do-subjetivo