Princípios da Promulgação

Por IAO131 traduzido pelo Mago Implacável

Faça o que tu queres há de ser o todo da lei

Original https://iao131.com/2010/05/07/principles-of-promulgation/

“Você pode considerar o estabelecimento da Lei de Thelema como um elemento essencial da sua Verdadeira Vontade, desde que, a natureza final daquela Vontade, a condição evidente para colocá-la em execução seja a libertação da interferência externa.” Crowley – Dever

Algumas pessoas têm náuseas quando o assunto é a promulgação da Lei de Thelema, geralmente derivada de uma má interpretação dos motivos daqueles que a promulgam.
1) “there is no law beyond do what thou wilt” – Liber AL vel Legis III:60 (Trad: Não há lei além de faça o que tu queres)

Nossa mais alta e central lei de Thelema é “Faça o que tu queres”, e todas as nossas ações são uma expressão dessa ideia. Claque que há muitos Mistérios a serem compreendidos e Segredos a serem estudados, contudo todos os objetivos estão subordinados á clausura petra da realização da Vontade. Isso significa, em termos de promulgação, que todos os esforços para espalhar ideias são diretamente conectadas com a transmissão da Lei de Thelema – o uso de magick & yoga, fraternidade, Segredo do IX Grau da OTO¹, a filosofia,etc – são feitos como expressão desta mesma Lei. Ou seja, quando ensinamos magick, o fazemos dentro do entendimento que isso irá nos ajudar a compreender e fazer nossa Vontade mais completa, ensinamentos sobre fraternidade se dão no contexto da Lei, os esforços de ensinar outros tópicos são feitas para que o caminho individual tenha para um melhor conhecimento da Lei.

2) “The Law is for All” – Liber Al vel legis – 1:34 (A Lei é para Todos”)

A Lei de Thelema se aplica a todos os planos. Thelema não é simplesmente uma lei para a elite da humanidade, embora crie espaço para seu surgimento e permite o total desenvolvimento de Eremitas². Enquanto alguns se empenham para tornar-se o Ipsissimus da A.’.A.’. ou IX Grau da OTO, é válido para uns serem Homens da Terra e Amantes³. Há muitos “lugares de repouso” dentro das Ordens que será de sua natureza de alguns a sua permanência por lá. Como promulgadores da Thelema, é o nosso dever fazer com que essa Lei seja conhecida por qualquer um e por todos, não por sabermos a verdadeira vontade daquel que recebe os materiais da promulgação, mas de modo a permitir pra que cada um possa ler as fontes originais e integrar a Lei em seus termos.
Além disso, o estabelecimento da Lei de Thelema no mundo está inerentemente atrelado com a realização da Verdadeira Vontade do Indivíduo. Como a citação no inicio do artigo diz “Você pode considerar o estabelecimento da Lei de Thelema como um elemento essencial da sua Verdadeira Vontade, desde que, a natureza final daquela Vontade, a condição evidente para colocá-la em execução seja a libertação da interferência externa’’”. Ou seja, ao estabelecer da Lei da Liberdade no mundo, permitimos a realização da Verdadeira Vontade livre das “interferências externas”, incluindo aqui os remanescentes intrometidos e perseguidores do Velho Aeon. Desta forma nos aproximamos do ideal da humanidade como devia ser, sem obstáculos ou inibições e dos atritos de interpessoal, tal qual as estrelas em seu percurso noturno

3) ”Não discutas, não convertas” – Liber AL Vel Legis III:42

Ainda que nosso dever seja fazer a ciência da Lei junto ao público, NÃO é o seu dever:
• Converter pessoas para o nosso ponto de vista
• Convencer pessoas de que estamos corretos
• Ameaçar as pessoas que não aceitam nossa Lei e nossas perspectivas
• Discutir sobre os temas filosóficos e teológicos

Ainda que tudo isso seja verdadeiro, o Livro da Lei também diz: ”e para cada homem e mulher a quem tu conheceres, mesmo que seja apenas para comer e beber com eles, esta é a Lei a ser dada. Então eles terão a chance de permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema. Fazei isso rapidamente!” (III:39). Isto é fundamental paracompreender a diferença entre a Promulgação dos Thelemitas e a tentativa de conversão tradicional de como propostas, por exemplo, os alguns grupos Cristãos. Nós não ameaçamos as pessoas com histórias de pecado, hinos sobre nossa culpa, julgamento no além-mundo e também não cabe estar presente o “salvar a alma” na promulgação da Lei de Thelema. Nós damos a Lei de Thelema para todos sem argumentação ou esperança de conversão e eles podem “permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema” para nós.

4) “We shall bring you to Absolute Truth, Absolute Light, Absolute Bliss”.Liber Porta Lucis linha 17 (Nós vos traremos à Verdade Absoluta, Luz Absoluta, Êxtase Absoluto.”)
Embora sejam estas todas justificativas teóricas pra promulgação, há também um sentido mais íntimo: Thelemitas que experienciam a beleza, a verdade e a sabedoria da Lei de Thelema irão inerentemente querer compartilhar essa alegria com outros. Ao experienciar a libertação da tirania e superstição e a liberdade de espírito inerente à Doutrina Thelemica, é natural que o desejo de compartilhar as chaves que o ajudou a quebrar as suas correntes.

O ato de divulgar a Lei de Thelema não é feito pelo desejo de incrementar o ego. Ao contrario, experiências durante se promulga é em geral um grande boost no ego e soma se ao fato que este está se expondo para diversos elementos que deverão ser integrados no “amor sob vontade”. Divulgar a Lei de Thelema não é feito pelo desejo de recrutar o ouvinte para uma ordem em especifico, embora expôr pessoas para os ensinamentos de ordens como a OTO(e outras), é certamente, uma expressão válida de promulgação. O objetivo não é conseguir o maior e mais malvado grupo para que você possa se deleitar em seu poder, mas sim o objetivo é pra cada individuo, nos SEUS termos e do SEU jeito conhecer, entender e começar a agir conforme a lei de Thelema em suas vidas.

“Amor é a Lei, amor sob vontade”

1- Nota do tradutor: a subida do monte abgnieni
2- Nota do Tradutor:Ou Neophytos e Zelator
3 ou Nephytos ou Zelator

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/princ%C3%ADpios-da-promulga%C3%A7%C3%A3o

Gematria Enoquiana

Embora pareça uma aproximação óbvia hoje, a gematria enoquiana só foi desenvolvida no século XX por um dos magos mais célebres desta época: Aleister Crowley. Sendo um explorador por natureza Crowley foi bastante inovador em suas experiências enoquianas. Seu livro A Voz e a Visão formam uma das bases do renascimento moderno deste sistema.

A teoria da gematria é que cada letra possui um equivalente numerico. Adicionando os valores das letras que formam uma palavra ou frase temos o equivalente numérico daquela palavra ou frase também. Palavras e frases com o mesmo equivalente numérico possuem relações diretas ou correspondência. Estas correspondências não são sempre óbvias, pois estão ocultas, escondidas no código fonte que escreve a realidade. A Gematria pode ser usada também para computar os valores entre o nome de pessoas por exemplo. Estudando as correspondëncias destes nomes você pode mais sobre suas verdadeiras naturezas e suas relações.  Computando os valores numericos das frases e palavras uma infinidade de conhecimentos se tornam disponíveis, tornando a gematria uma excelente fonte de pesquisa e aprendizado para os magos, especialmente quando acompanhados de algum dicionário de palavras enoquianas.

De acordo com as informações extraidas da Obra de Crowley, notadamente, Voz e Visão e Liber 777 podemos montar uma tabela estrutural que serve de chave para a gematria enoquiana:

Letra    Gematria
A           6
B           5
C,K        300
D          4, 31
E          10
F           3
G          8
H          1
I,J,Y      60
L          8
M         90
N          50
O          30
P          9
Q         40
R         100
S         7
T         9 ,3
U,V,W  70
X          400
Z          9,3

Salta aos olhos que as letras T e Z possuem valores duplos de 9 e 3, nestes casos o 9 é o valor primário e o 3 o valor secundário ou alternativo. O mesmo ocorre com a letra D, onde 4 é o valor principal e 31 o valor alternativo.

Digamos que você quer conhecer a verdadeira face de alguma entidade enoquiana. Vamos pegar o exemplo do Primeiro Superior da Água, LSRAHPM. Usando os valores da tabela computamos o valor de 211 (8+7+100+6+1+9+90). Consultando um dicionário enoquiano de gematria ou nossas próprias anotações de estudo podemos constatar por exemplo que 211 é também a correspondência para “Chamas Ardentes”. Uma relação curiosa para quem cai no engano de pensar em água como o elemento terreno, mas que descreve bem a personalidade deste Superior como sabem os exploradores.

Caso vocë queira se aventurar neste campo da magia enoquiana, saiba que este é trabalho para uma vida. Muito mais recompensador do que comprar e usar um dicionário pronto, é tomar conhecimento destas pesquisas feitas por outros ocultistas e começar a por si só fazer sua investigações. Comece calculando o valor dos nomes da Tábua da União e em seguida os Nome Santos e dos Reis das demais tábuas e siga dai… Estas são referências importantes que você vai usar muitas vezes.

Por Angellita Obelieniute

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/gematria-enoquiana/

Você é o Responsável

A mente ordinária sempre lança a responsabilidade em outro alguém. É sempre o outro que está lhe fazendo sofrer. Sua esposa está lhe causando sofrimento, seu marido está lhe fazendo sofrer, seus pais estão lhe fazendo sofrer, ou o destino, karma, Deus… Dê o nome que quiser!

As pessoas têm milhões de maneiras de se esquivar da responsabilidade. Mas no momento que você diz que outra pessoa – X,Y,Z – está lhe causando sofrimento, assim você não pode fazer nada para mudar isso. O que você pode fazer?

Afinal, como é que você pode ser feliz numa sociedade pobre? E como você pode ser feliz numa sociedade que é dominada pelos capitalistas? Ou como você pode ser feliz com uma sociedade que não lhe permite liberdade?

Desculpas e mais desculpas – desculpas apenas evitam um insight que “Sou responsável por mim mesmo. Ninguém mais é responsável por mim; O que quer que eu seja, sou minha própria criação”. Esse é o significado do sutra.

Conduza toda a culpa para um. E esse um é você.

Uma vez que esse insight se estabelece:

Sou responsável por minha vida; por todo meu sofrimento, pela minha dor, por tudo que aconteceu comigo e está acontecendo a mim – Eu escolhi esse caminho; essas são as sementes que eu semeei e agora estou colhendo a safra; sou responsável – uma vez que esse insight se torna um entendimento natural em você, então tudo mais é simples. Assim a vida começa a dar uma nova reviravolta. Começa a se mover numa nova dimensão. Porque uma vez que sei que sou responsável, também sei que posso abandonar isso a qualquer momento que decida fazê-lo. Ninguém pode me impedir de abandonar isso. Pode alguém lhe impedir abandonar sua miséria, de transformar sua miséria em felicidade? Ninguém. Mesmo que você esteja na prisão, acorrentado, preso, ninguém pode prender VOCÊ; sua alma ainda permanece livre. É claro, você fica numa situação muito limitada, mas mesmo nessa situação limitada você pode derramar lágrimas de desamparo ou pode cantar uma canção…

Atisha é realmente muito científico. Primeiro ele diz: Tome toda a responsabilidade sobre si mesmo. Segundamente ele diz: Seja grato a todos. Agora que ninguém mais é responsável pela sua miséria exceto você – se a miséria é toda seu próprio fazer, então o que resta?

Seja agradecido com todos.

Porque todo mundo está criando um espaço para você ser transformado – mesmo aqueles que acham que estão lhe obstruindo, mesmo aqueles que você pensa que são seus inimigos. Seus amigos, seus inimigos, boas e más pessoas, circunstâncias favoráveis, circunstâncias desfavoráveis – tudo isso junto está criando o contexto no qual você pode ser transformado e tornar-se um Buddha. Seja agradecido a todos – àqueles que lhe ajudaram, àqueles que lhe obstruíram, àqueles que foram indiferentes. Seja grato a todos, porque todos juntos estão criando o contexto no qual Buddhas nascem, no qual você pode se tornar um Buddha.

Osho; Extraído de: Book of Wisdom, Cap. 5

#Osho

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/voc%C3%AA-%C3%A9-o-respons%C3%A1vel

A Revolução Astral da Quimbanda

Existe um segredo sobre o plano vingativo de justiça dos orixás que é passado de geração em geração. A saber, o de que a quimbanda é uma revolução astral, física e histórica em oposição as religiões dominantes e opressão social. Para termos uma idéia melhor deste fato, vejamos algumas leis promulgadas em meados do século XIX:

‘”Todo indivíduo, branco, índio ou preto forro, que em sua casa fizer ajuntamento de pretos que dizem feitiçarias ou Bangalez, ainda mesmo que consista em sua casa desamparada por esta forma de seus senhores, incorrerá em pena de 15 dias de prisão e dez mil-réis de condenações pagos na cadeia (Lei de Posturas Municipais de 1831)

“Todo o que a título de curar feitiços, ou de adivinhar, se introduzir em qualquer casa, ou receber na sua algum para fazer semelhantes curas por meios supersticiosos e bebidas desconhecidas, ou para fazer adivinhar e outros embustes será multado, assim como o dono da casa” (Lei de Posturas Municipais de 1845)

Pode parecer coisa da inquisição espanhola, mas até muito recentemente, qualquer reconhecimento público de ser bruxa, feiticeira, ou de qualquer relação com o diabo, podia resultar em severa punição no Brasil. Na melhor das hipóteses poderia significar uma vida razoável a custos de com pagamentos e de um certo desprestigio social.

Mais é nos bastidores dos círculos dos pais na roda dos mistérios e na gira dos significados que os chefes Exus incorporados revelam e explicam detalhadamente que esta revolução começou social começou no plano astral. Segundo as sentenças de Oxalá e Omulu, em demanda a todas as portas que foram fechadas para os negros e índios na sociedade toda a opressão vivida e por isso eles fecham as mesmas portas para os brancos mantendo os na ignorância quanto aos segredos dos primórdios sustentando assim um clímax de curiosidade e envolvimento completo destes na quimbanda.

A quimbanda é um presente dos Orixás e Exus aos negros que através dela podem e devem dominar pelo conhecimento de praticas e feitiços aqueles que antes os dominaram. Os senhores trocam de lugar e os antigos servos recebem assim todo o lucro que nunca foi pago pelo seu trabalho escravo (por isto o uso da palavra trabalho nos terreiros e tem trabalhos que são cobrados 5 mil ou muito mais sendo que a consulta inicial é dez por cento deste valor ).

Todas as pessoas que procuram o terreiro são entendidas e recebidas como devedoras e por isso estão ali para quitar suas dividas astrais adquiridas em outros planos existenciais e no passado. Esta informação é um segredo de uma família que esta na quimbanda a 4 gerações e passados somente aos herdeiros da coroa. Nem os filhos de fé (pessoas “membros”dos terreiros gente de fora, ricos, professores, políticos, empresários, comerciantes etc..) não sabem deste fato, pois eles mesmo é que sustentam muita coisa.

Esta servidão não é apenas financeira mais ocorre em muitas outras esferas, como quando trazem suas filhas lindas e leigas que aos poucos se tornam fascinadas pelo poder dos filhos das trevas dos terreiros com seus colares pretos e vermelhos e com seus corpos suados tocando seus tambores, saudando e pactuando com “os maiorais”. Com olhar malicioso e liberdade, pra quem já freqüentou uma gira formosa num reduto bem feito sabe o quanto impactante e sensual isto é. Todos os rituais principalmente os que visam conquistas amorosas são envolvidos com toques incessantes por todo o corpo do visitante e muitas vezes em zonas erógenas o que torna uma consulta extremamente excitante para uma mulher insatisfeita sexualmente ou carente. Isso é realizado desta maneira e minuciosamente ditado pelos Exus que explicam ser isso uma paga as “nossas” negras virgens que foram estupradas nas senzalas pelos senhores de engenho. Os chefes são categóricos em dizer principalmente o Exu Capapreta: “Eles o fizeram com força e covardia e nós vamos fazer com jeito e magia héhéhé”. Muitos destes membros trazem muito dinheiro,trazem suas esposas gostosas,cheirosas e macias para o mesmo “fim” das filhas!

Enfim a quimbanda é satanicamente  indulgente e vingativa nos seus bastidores os chefes exus ditam as normas e segredos indefectíveis. Pode ter certeza que muitos chefes de terreiros não tem nada de ignorantes nem de gentinha; muito pelo contrario. Estão tendo o “melhor” desta terra! Por isto não recomendo a procura destas praticas por que são caminhos obscuros escravistas desde sua gênese que jusfica sua existência por vingança e por atos extremamente perninciosos que favorece materialmente e unilateralmente os exus e seus respectivos “filhos”. Ao pai de santo é permitido viver estas praticas indulgências sem pudor e com ostentação sem esconder os preços astronômicos e sem esconder a capacidade de envolvimentos sexual com as pessoas que se mostrarem sugestionáveis e atraídas ao acasalamento. Na maioria das vezes em práticas sexuais envolvendo o pai de santo e os visitantes os próprios chefes exus se manifestam várias vezes dentro do ato sexual por isto justifico minhas frases de que estes chefes são verdadeiramente indulgentes.

Assim termino temporariamente este assunto alguns relatos históricos do rio de janeiro meados do século passado que confirmam o envolvimento de pessoas da alta sociedade com os quimbandeiros. Nina Rodrigues, pioneiro nos estudos da religiosidade afro-brasileira, nos deixou o seguinte registro:

“Todas as classes, mesmo a dita superior, estão aptas a se tornarem negras. O número de brancos, mulatos e indivíduos de todas as cores e matizes que vão consultar os negros feiticeiros nas suas aflições, nas suas desgraças, dos que crêem publicamente no poder sobrenatural dos talismãs e feitiços, dos que em muito maior número, zombam deles em público, mas ocultamente os ouvem, os consultam, esse número seria incalculável… ”

O cronista João do Rio, contemporâneo de Nina Rodrigues,  disse a respeito da sociedade do  Rio de Janeiro:

“Eu vi senhoras de alta posição saltando, às escondidas, de carros de praça, como nos folhetins de romances, para correr, tapando a cara com véus espessos, a essas casas; eu vi sessões em que mãos enluvadas tiravam das carteiras ricas notas e aos gritos dos negros malcriados que bradavam. (…) Vivemos na dependência do Feitiço, dessa caterva de negros e negras de babaloxás e yauô, somos nós que lhes asseguramos a existência, com o carinho de um negociante por uma amante atriz. O Feitiço é o nosso vício, o nosso gozo, a degeneração. Exige, damos-lhe; explora, deixamo-nos explorar e, seja ele maitre-chanteur, assassino, larápio, fica sempre impune e forte pela vida que lhe empresta o nosso dinheiro.”

Esforcei-me ao máximo para passar a idéia da revolução astral da quimbanda neste artigo. Encontrei muitas dificuldades em passar esta mensagem sendo visto que é um tema “delicado”e complexo e que mostra na minha opinião a razão para a existência destas praticas. É uma boa explicação metafísica já que nunca tivemos justiças de todos os abusos cometidos contra as milhares de pessoas humilhadas e exploradas na história. Este mistério muitos pais revelam momentos antes de sua morte podendo estar presentes somente o primogênito de sua prole.

El Negro

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-revolucao-astral-da-quimbanda/

Gigantes Cabeludos

Uma outra espécie de gigante parece ter sempre existido conosco neste planeta. Ele tem a forma dum ser humano , mas está coberto de pelo e prefere viver nas sossegadas e pouco povoadas florestas do Canadá. No entanto, ele é um tanto vagabundo e foi frequentemente visto por todos os Estados Unidos. Como a maioria  dos nossos monstros , ele tem a pouca  vulgar habilidade de desaparecer no ar logo que o cerco começa a apertar-se. Os nativos dos longínquos Himalaias também estão muito familiarizados com esta criatura e desde há muito a apelidaram de Metoh-Kangmi, que significa “o malvado homem mal cheiroso das neves”. Os exploradores britânicos tomaram liberdades com esta frase e apelidaram o animal de Abominável Homen das Neves , ABNH para abreviarmos.

Existem agora provas consideráveis que o ABNH existe na realidade. E mais, parecem existir variados tipos diferentes a rondar por aí . Vem em vários tamanhos , indo de pequenos com apenas noventa centímetros a gigantes animais cobertos de pelo com três metros de altura. Alguns deles parecem estar diretamente ligados aos objetos voadores não identificados. Outros poderiam ser descendentes atuais de homens pré-históricos de Neanderthal. Como o rinoceronte de Hugh Troy, gostam de espalhar as suas gigantescas pegadas por todo o país. não deixando para trás qualquer outro tipo de provas . Nas florestas da Califórnia ganharam a alcunha de “Pé Grande” (BigFoot).

A primeira referencia publicada sobre o ABNH dos Himalaias apareceu em 1899, num livro chamado Among the Himalayas, pelo major L. A. Wadell. Ele afirmou precisamente que se lhe tinha deparado algumas pegadas gigantes com forma humana no pequeno reino de Sikkin em 1887. Expedições sucessivas a essas montanhas relataram encontrarem regularmente pegadas semelhantes e, em vários casos, grandes personagens cobertos de pêlos. Gerações de cientistas do tipo B ( burocráticos pilotos de escrivaninhas ), sentados confortavelmente entre os seus livros em universidades   —   torres de marfim , zombaram dos relatos e apresentaram uma larga obra de especulações. Era apenas um urso ou um macaco, anunciaram periodicamente , e um grupo de escolares conclui que as pegadas eram espalhadas por Yogis (  o personagem Zé Colméia dos desenhos animados ) nus que vagueavam pelas montanhas em temperaturas abaixo de zero.

Três anos antes do major Wadell ter achado essas pegadas em Sikkin , uma verdadeira criatura tipo ABNH foi capturada no Canadá . Segundo o Daily British Colonist ( 3 de julho de 1884) , um grupo de operários do caminho de ferro que cavava um túnel nas redondezas de Yale, Columbia Britanica, deparou-se com o que parecia à primeira vista ser um homem a dormir nos carris. Provou-se ser um peludo “meio homem, meio animal”, que foi capturado vivo e depois duma perseguição de cinco minutos. “Jacko”, como foi apelidado  pelos seus captores , tinha um metro e trinta e cinco de altura e pesava cinquenta e sete quilos.

“Ele tinha um pelo longo e negro  e assemelhava-se a um ser humano , mas com uma exceção: todo o seu corpo com um pelo
brilhantes com dois centimetros e meio de comprimento ” , afirmava o relatório. “Os seus antebraços são muito maiores do que os
antebraços do homem . . .”

O que aconteceu a “Jacko” não se sabe. Recentemente, em 1946 , um reporter canadiano entrevistou um idoso cavalheiro de Lytton, Columbia Britancia , que disse que o tinha visto. Outros , incluindo o Sr. Alexander Caulfield Anderson, da Hudson’s Bay Company , disseram ter encontrado animais desses desde 1864.

A obra definitiva Abominable Snowman: Legend Come to Life , de Ivan T. Sanderson, sonda esses antigos relatórios em
detalhe e anota as muito lendas e muitos indicios acerca dessas criaturas na América do Norte. Há vários antigos contos índios sobre mulheres terem sido violadas por ABNH e mesmo terem filhos deles. Podemos também mencionar que muitas outras culturas tiveram histórias identicas. Os escolares podem um dia descobrir que o homem frequentemente se cruzou com esses seres peludos como um ser nascido “todo vermelho com uma pele cabeluda”.

A literatura européia antiga contém numerosas  referencias aos “Homens Maus das Florestas” que se pensava existiam escondidos nas densas florestas da Inglaterra, França, Alemanha e muitos outros países. São descritos como homens altos , cobertos de pêlos, com uma extraordinária destreza, capazes de saltar enormes distancias e vencer homens vulgares. No folclore irlandês, segundo o De Animalibus, esses Homines Sylvestris  “habituados a habitarem em deselegantes cho,cas subterraneas, viviam de vegetais e recusavam-se a conviver  de todo com os outros humanos . . . Por mais bondosamente que fossem tratados , era impossivel civiliza-los, porque recusavam-se a reconhecer a lei e a ordem . . . Existiu um número quase infinito deles na Irlanda”.

Na literatura antiga os “Homens Selvagens” europeus tinham uma natureza sensual e atacariam femeas humanas sozinhas que passassem através das florestas, obrigando-as à  força a terem relações sexuais. Talvez esses contos fossem a base para as lendas dos sátiros, e artistas e desenhistas da Playboy interpretaram mal os sátiros, dando-lhes cascos fendidos. Uma vez que os indios americanos têm histórias semelhantes , é possivel que exista alguma verdade nos contos.

Tribos isoladas da América do Sul também têm lendas sobre misturas raciais com uns peludos. Alguns especuladores não
cientificos sugeriram mesmo que as criaturas só podem se reproduzir através de fêmeas humanas. No entanto, ainda não
descobrimos alguma queixa de alguem que tivesse sido rapatado por um monstro peludo, embora sabendo que se tal queixa fosse alguma vez feita não era possivel que aparecesse na imprensa.

Ainda mais incrivel é a prova que se vai acumulando firmemente que sugere fortemente que os cabeludos ABNH estão ligados de alguma maneira peculiar ao fenomeno de objetos voadores não identificados . Nós examinaremos isto mais adiante. Os comicos discos voadores produziram toda a espécie de relatos de monstros, e não estavamos a ser inteiramente facciosos quando propusemos que um gigante patagonio poderia ter sido transplantado para o Michigan em 1897. Quase que parece que as anormais criaturas terrestres foram alistadas ( ou destacadas ) para o serviço pelos discos voadores para cumprirem alguma misteriosa missão. As provas sobre OVNIs , que são discos voadores é uma ultrajante empresa que joga com a nossa credibilidade e é um meio de inspira uma totalmente falsa crença sobre os extraterrestres ( interplanetários ) visitantes.

Um dos principais UFOólogos da América é Brad Steiger, autor de muitos livros sobre o assunto. Steiger recebeu um espantoso diário de James C. Wyatt, de  Menfis, Tennessee. O diário foi escrito pelo avô do Sr. Wyatt e debate em detalhe uma experiencia com um “Urso Louco” no ano de 1888. Dizia-se que um indio teria conduzido o avô Wyatt a uma caverna escondida do Tennessee onde estava guardada uma criatura peluda com formas humanas . Os indios alimentavam o “Urso Louco” em intervalos regulares e diziam que tais criaturas  tinham sido atiradas de “luas” que aterravam periódicamente no vale.

Os indios disseram-lhe que através dos anos foram deixados muitos “Ursos Loucos” nas florestas e muitos do seu povo tinham visto os “homens do céu” a tirarem os “Ursos Loucos” das suas “luas”. Existe portanto uma solução para o nosso mistério. Os discos voadores estão a largar monstros cabeludos por todo o lado! O “Urso Louco” de Wyatt é descrito como uma criatura com um pescoço curto, grandes braços e coberto de um pêlo preto brilhante.

É um fato curioso que discos voadores tenham sido repetidamente vistos em áreas infestadas de ABHN. Uma expedição de montanheiros ao Everest em 1923-24, chefiada pelo general Bruce , não apenas se deparou com as clássicas pegadas gigantes do ABNH , mas também viu “um grande e peludo homem nu correndo através dum campo de neve em baixo ” a uma altitude de 2.000 metros . Subsequentes expedições tiveram mais encontros com a criatura. Durante a tentativa do Everest  em 1933, o alpinista F.S. Smythe estava a subir sozinho quando observou “dois objetos de aspecto curioso flutuando no céu” . Eles pairavam imóveis e pareciam pulsar devagar. Outras expedições aos Himalaias noa anos 20 e 30 relataram várias vezes terem visto “gigantescos discos de prata” e “um bule de chá voador” . A controvérsia dos OVNIs ainda não existia nessa altura, portanto a maioria dos cientistas do tipo B ( burocratas ) olhava essas histórias como alucinações causadas por alta altitudes . Embora os nativos tenham muito a dizer sobre ABN , ou Yeti  , eles consideravam os objetos aéreos como manifestações religiosas. Os discos tinham sempre voado em rotas regulares sobre as montanhas. Eles pertencem a elas como as nuvens , explicaram os nativos aos primeiros exploradores.

Nós ( John Keel ) visitamos a Índia e os Himalaias em 1955-56 e ouvimos muitas histórias de Yeti dos nativos. Esses misteriosos animais são um fato aceito nas vidas dos povos da montanha, da mesma maneira que as capivaras o são para nós. Na altura da nossa visita sómente quatrocentos homens brancos tinham visitado essas regiões em toda a História. Amaioria deles tinham sio missionários religiosos mais interessados em salvar almas do que caçar monstros. Em muitas aldeias remótas nós fomos os primeiros homens brancos a ser alguma vez visto pelos nativos. Desde aí os minusculos reinos do Nepal, Bhutan e Sikkin foram abertos a um turismo limitado. Mas os Chineses Vermelhos ocuparam o Tibete completamente, afastaram o Dalai Lama e os seus seguidores e selaram os caminhos da montanha com tropas e fortificações. É virtualmente impossivel obter um mapa correto dos territórios dos Himalaias . A área é estratégicamente importante para a Ïndia e seria mais fácil obter um mapa das instalações atomicas de Oak Ridge, Tennessee.

Em alguns locais o Yeti é muito temido e há numerosos registros do animal ter atacado e morto seres humanos. Em 1949 um pastor Sherpa chamado Lakhapa Tensing foi partido em dois pelo Yeti na passagem de Nanga Parbat, uma das mais altas passagens do mundo, muito mais para além das possibilidades dos animais vulgares. As mães da montanham assustam os seus filhos mal comportados dizendo-lhes que os Yetis os apanharão se não tiverem cuidado. Lavradores de algumas áreas têm medo de trabalhar de pois do por do sol por causa desta cortina de superstição e de medo. Eles crêem que olhar para o Yeti significa morte, e que a única proteção é cobrir os olhos e correr pelos montes abaixo. Os pés do Yeti estão supostamente colocados ao contrário para facilitar as escaladas , mas isso torna-o muito desajeitado quando corre para baixo nas montanhas.

Uma estranha crença provém dum acidente que alegadamente aconteceu por volta de 1900 quando os ingleses estavam a estender uma linha telegráfica de Kalimpong , na Índia, para Lhasa , no Tibete . Era um grande empreendimento e muitos homens da montanha foram contratados para trabalharem nele. Alguns deles estavam acampados em Chumbithang , a cinco quilometros da passagem de Jele-la, uma das portas para o Tibete. Uma manhã uma dezena de operários saiu e não conseguiu voltar. Na manhã seguinte um esquadrão de soldados britanicos saiu para os procurar.  Encontrara, em vez deles, um estranho animal escondido sob uma s rochas gigantes nas proximidades da passagem . Dispararam contra ele e arrastaram-no para o dak mais próximo ( cabanas mantidas para viajantes ) . Mais tarde Sir Charles Bell, então oficial político britanico de Sikkim , veio e ordenou que embalassem a carcaça e a enviassem para a Inglaterra. Nunca mais foi vista e não há nenhum traço dela.

Esta história tem sido apaixonadamente repetida em vários livros indianos sobre as lendas da montanha, mas parece estar mais baseada num boato do que na verdade. Não existe qualquer referencia a ela nos papéis de Sir Charles . No entanto, um velho de Darjeerling, Bombahadur Chetri, disse ter visto com os seus próprios olhos o animal quando era rapaz. Descreve-o como tendo três metros de altura e coberto com hirsutos pêlos com cinquenta ou sessenta centimetros de comprimento. A sua horrorosa face não tinha cabelos, com uma boca cheia de afiados caninos amarelos e frios olhos vermelhos. Os seus pés estavam  voltados para trás, disse. Mas isto podia ser uma falsa impressão, dependendo de como a carcaça estava deitada. Os seus pés podiam ter forma de mãos , como os dos macacos, pendendo sobre a esquina duma mesa.

É significativo que a lenda do Homem da Neve persista através de toda a cadeia Himalaia de Kasmir a Este, a Assam , longe para o Oeste. Todas as tribos têm histórias sobre a criatura , e todas as linguas da montanha ( existem muitas ) têm uma palavra para ela . todas essas histórias contêm essencialmente os mesmo detalhes e as descrições básicas são universais. Há dois tipos principais. Um tem aproximadamente um metro e vinte de altura e parece-se com um anão humano coberto de pêlos. O outro é muito alto, indo , segundo as descrições , de dois a três metros. Nenhum deles se parece com um urso ou macaco. Os ursos movem-se a quatro a maioria do tempo, exceto quando atacam . E quanto a gorilas , os antropologistas estimam que a população gorila mundial anda à volta dos quatrocentos, e podem apenas encontrar-se numa pequena área funda dentro da Africa Equatorial.

Animais que correspondiam às descrições dos dois tipos de Yeti himalaios têm sido vistos perto de discos voadores aterrados na América do Sul, e mesmo em França. Serão discutidos mais para frente.

Tenzig Norgay, o sherpa que, juntamente com Sir Edmund Hillary, foi o primeiro a chegar ao cume do Monte Everest em 29 de maio de 1953, vive na pitoresca vila da montanha de Darjeerling, India , no sopé dos Himalaias . Nós pudemos passar um tempo consideravel com este homem fantasticamente humilde e simples durante a nossa visita à região. Tenzig gosta de falar do seu cunhado que foi em tempos um dos assistentes do grande Sangay Rimboche, o último Grande lama do mosteiro de Rongbuck, perto do Everest. Ele ia com o Grande Lama nos seus passeios anuais para meditar nos elevados, secretos lugares da montanha . Durante uma dessas viagens um outro lama assistente encontrou um Yeti morto e mostrou a pele a Sangay Rimboche. Parecia-se com a pele dum jovem urso, e o Grande Lama usou-a durante anos para se sentar enquanto meditava. Foi provavelmente colocada no seu Chorten depois da sua morte.

Muitas das lamassarias da montanha guardam pedaços de pêlo do Yeti e ossos como reliquias sagradas. Pensam que os Yetis são demonios colocados à volta das montanhas para guardarem os deuses que supostamente vivem nos cumes. No fim de 1954, uma tribo de caçadores de cabeças de Assam disse ter morto e comido uma criatura com dez metros de altura. Os ossos e o pêlo foram supostamente levados para o mosteiro. Tenzing nunca viu um Yeti pessoalmente , mas não duvida da sua existencia. O seu pai disse ter uma vez encontrado um face a face e conseguiu escapar. Tenzing disse que o seu pai não era mentiroso ou dado a inventar contos do vigário. E as suas descrições correspondem aos relatórios de outras testemunhas oculares.

Quase todas as expedições aos mais remotos setores dos Himalaias nos ultimos cinquenta anos têm visto e fotografado enormes pegadas de ABNH. Geralmente tais pegadas são encontradas na neve em elevadas altitudes que estão para além do raio de ação da maioria dos animais vulgares. Por fim , não é provavel que animais se aventurassem em áreas onde não existe nem comida nem presas. Amostras de restos de Yeti também foram recolhidas e estudadas e indicam que vive de pequenos roedores conhecidos como o rato-lebre. Um grande número de expedições realizou importantes relatos em que eles próprios viram o animal de uma certa distancia. Foi visto a cavar raízes com um pedaço de pau, algo que um animal vulgar não faria . Este uso de um instrumento coloca-o na classe sub-humana.

O que poderá ele ser? Há algumas evidencias que dizem que ele poderia na realidade ser um sobrevivente do antigo homem de Neanderthal. Pegadas que se sabem terem sido feitas por Neanderthaleses foram descobertas e são quase identicas às do ABNH. Em 1948 numa antiga gruta , há muito selada por lava vulcanica , que foi aberta perto de Toirano, Itália , descobriram-se interessantes artefatos, incluindo as pegadas de homens modernos , de ursos e de homens do Neanderthal. As últimas foram imediatamente reconhecidas como sendo quase exatamente as mesmas  pegadas fotografadas pelas várias expedições ao Everest. De igual interesse é o fato de que a descoberta parece indicar que o homem moderno e os Neanderthalenses existiram na mesma era. Um fato que levou os cientistas do Tipo B (burocratas) a depressa esconderem a descoberta por detrás dos seus arquivos.

Em 1950 uma expedição ao Médio Oriente desenterrou restos que mostram que o homem moderno, o homem do Cro-Magnon, e o homem de Neanderthal viveram e existiram ao mesmo tempo. Também isto foi depressa varrido para debaixo do tapete pelos sujeitos da pré-evolução. Na verdade, se essas variadas personagens humanas e sub-humanas tivessem vívido juntas numa época então algo estaria radicalmente errado na nossa há muito tempo aceite escala das evoluções.

As provas que estamos a resumir aqui abrem um  totalmente  novo saco antropológico. Poderiam os “Homens Maus das Florestas” da Europa ser sobreviventes extraviados de algum tempo antigo, gradualmente afastados cada vez mais para as florestas e montanhas, forçados a acasalarem com fêmeas humanas para poderem sobreviver de todo, e, finalmente , empurrados para a extinção quando as fêmeas humanas foram menos acessiveis? Poderiam esses seres peludos ter sobrevivido nas áreas remotas dos Himalaias e nas profundas selvas do Brasil e do Norte do Canadá?

Nós ( John Keel ) próprios vimos pegadas do Yeti. Tentamos perseguir o animal até ao seu refugio. Em “Jadoo”, esta aventura foi completamente descrita. Aqui está um sumário dessa narrativa:

Enquanto viajávamos através do Norte de Sikkin com um guia nativo chamado Norbhu, ouvimos distintamente o grito do Yeti que
“se parecia com um pássaro muito perto, curtos gorgeios com uns pequenos trinados. Parecido com os gritos dos macacos, mas
mais agudos e menos definido.”

“Nós estavamos muito perto da fronteira do Tibete, e cedo encontravamos profundas pegadas de Yeti. “As pegadas eram claras e
espaçadas como se andasse a um passo vagaroso. Não era de maneira alguma um macaco ou um urso, e as pegadas eram
muitos grandes para terem sido feitas por um homem descalço . . . Então, de repente , de algum lugar à nossa frente , ouviu-se um
agudo grito animal; breve, cheio de uma dor chorosa. Norhu deu um enorme salto. Então ficou apenas o silêncio e o barulho da
água nas folhas à nossa frente.”

“Um pouco mais longe um grupo de nativos aparecu e conduziu-nos à sua aldeia na margem de um estreito ribeiro. Eles também
tinham ouvido o grito. Era de uma pantera, diziam. Uma pantera moribunda . . . Eles tinham encontrado uma mancha de sangue
rodeada de pegadas de Yeti . Estavam a correr para a sua aldeia quando esbarraram conosco.

“Poderia um Yeti matar uma pantera, perguntei?

“‘E um dos poucos animais que o pode fazer.”

“Norbhu voltou para Dubdi, e eu ( Jonh Keel ) continuei sózinho. A pista era fácil de se seguir; demasiado fácil. O Yeti era mais ágil
e rápido do que um vagaroso homem branco. Dando razão ao que os lamas me tinham repetidamente dito, o Yeti escolhia o
caminho mais fácil para onde quer que fosse, evitando as mais dificeis áreas da selva, atravessando os lugares mais baixos dos
rios, etc. Às vezes parecia que não o poderia encontrar.”

“Encontrei aldeias e lamassarias em estado de alerta e de medo, tendo ouvido ou visto a minha presa. Todas as descrições eram
as mesmas .tinha mais noventa centimetros do que eu ( tenho um metro e oitenta e cinco ), coberto de um pêlo castanho, com
uma face vermelha sem pelos e uma cabeça sujíssima.

” Num mosteiro acima de Changtthang , os lamas estavam a tocar tambores e trombetas quando chegavamos. Tinham visto o Yeti
apenas umas horas antes , a correr no caminho que eu levava . . .

“Seguindo a quente e fria pista do Yeti, cheguei finalmente à aldeia Norte de Lachem, a 2640 metros acima do nivel do mar, onde
os nativos me receberam excitadamente e me conduziram através de tortuosos caminhos até a um pântano . Um Yeti . . . o meu
Yeti , sem dúvida . . . tinha aí sido visto por um grupo de crianças nessa mesma manhã. O local estava cheio de pegadas.
Enquanto estava parado aí a observar , um estranho guincho ouviu-se, provindo de umas rochas perto. O efeito nos nativos foi
elétrico. Ficaram espantados e assustados; apenas a minha presença os impediu de fugir. Olharam para mim com curiosidade
alarmante, pensando o que eu ia fazer.”

“Eu também estava a pensar.”

“Cautelosamente andei para a frente vacilando num inclinado caminho cheio de seixos gigantes. Finalmente, cheguei à beira de
uma vasta cavidade cheia de agua, onde árvores partidas e arbustos definhados estavam como esquletos.

“Foi aí que o ví!”

“Talvez não fosse umYeti, eu não estava suficientemente perto para estar ompletamente certo. Mas algo estava ali, do outro lado
do lago. Algo grande, enormemente grande, e castanho, e movendo-se rápidamente na direção de uma pilha de seixos. Ao
aproximarmo-nos dele, outra sombra castanha mexeu-se para ir ter com ele e juntos desapareceram para além dos restos de um
abatimento.

“Circulei o lago e encaminhei-me para cima cautelosamente através das rochas e abatimentos. Em poucos minutos cheguei a um
estreito canal nos rochedos . . .

“Repetidamente o agudo grito do Yeti ouviu-se de novo e eu gelei. Vinha dos penhascos em cima. Os Yetis estavam em algum
lugar acima a observarem-me e a gozarem-me! Dobrei o canto do canal e olhei para cima. Muito acima de mim houve um rápido
movimento. Um relampejar de castanho no céu cinzento . . . Os Yetis devem ter trepado para cima, pelas rochas nuas; algo que
nenhum urso ou macaco poderia fazer fácilmente . . .Eu sabia que não poderia trepar esses rochedos. Sabia que não podia me
aproximar desses espertos , evasivos animais sózinho. Permaneci aí tenso um grande momento . . . depois desci devagar para o
canal.”

“Isso foi o mais perto que alguma vez estive do Abominável Homem das Neves.”

A aparição mais recente de pegadas de Abominável foi em Março de 1969. O Sr. Charles Loucks, um montanhes de Center Point, Nova York, estava a alpinar no Nepal quando se deparou com uma fila de pegadas na neve a três mile e seiscentos metros de altura. Tinham dez centimetros de largura, dezessete centimetros de comprimento, e pareciam ter um dedo do meio ligeiramente maior do que os outros quatros. A pista estendia-se por trintametros, conduzindo a um bosque e ignorando um caminho aberto perto.
Extraido do livro Estranhas Criaturas do Tempo e do Espaço de John Keel  –  EDILIVRO –  1980

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/gigantes-cabeludos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/gigantes-cabeludos/

A Gnose de Schopenhauer

A xilogravura de Flammarion retrata um homem olhando fora do espaço-tempo:

O que está fora do Eu se encontra além do espaço e do tempo.

por Chrystian Revelles Gatti, do Lectorium Rosicrucianum

Meio século antes da Sociedade Teosófica de Blavatsky e Olcott, foi o filósofo alemão Arthur Schopenhauer quem ergueu a ponte entre a sabedoria do ocidente e a tradição oriental. Influenciado por Platão, Kant e pelo Misticismo Cristão, ele considerou a descoberta das literaturas sânscritas como a maior dádiva do século e anunciou que a filosofia e sabedoria dos Upanishads renovariam a fé ocidental. Para interpretarmos corretamente a Metafísica Schopenhauriana, será necessário situar sua obra no espaço e no tempo, em sua localização histórica e geográfica – compreender quais foram suas influências, seu contexto, e o paradigma do Pensamento Ocidental do XVIII, especialmente a situação da Filosofia Alemã da época.

A FILOSOFIA OCIDENTAL – EMPIRISTAS E RACIONALISTAS

Foi entre Platão e Aristóteles que se manifestou a primeira dialética do pensamento ocidental após a morte de Sócrates. Platão, inclinado à matemática, encarava o mundo material dos sentidos físicos como composto de manifestações imperfeitas, individuais e transitórias, e confiava no conhecimento obtido por meio da Razão, que lhe parecia a única ferramenta humana capaz de apreender as formas perfeitas da Geometria, as verdades eternas da Matemática e as ideias transcendentes de Justiça, Beleza e Virtude. Aristóteles, por sua vez inclinado às ciências naturais, era prático e queria entender o funcionamento das coisas, e, para isso, se dedicava à observação e categorização dos fenômenos naturais, apreensíveis pelos sentidos. Apesar de discípulo direto de Platão, Aristóteles divergia da tendência mística e abstrata da Metafísica Platônica, preferindo confiar nas imperfeitas faculdades sensoriais humanas para construir conhecimento objetivo, empírico, descobrindo os padrões tais como se manifestam no mundo físico, ao invés de voltar-se para a contemplação mental dos arquétipos eternos como faziam os platônicos, que herdaram tais crenças e práticas dos pitagóricos e cujo legado espiritual foi mantido pelos neoplatônicos que, por sua vez, influenciaram todo o misticismo pagão, gnóstico, judaico-cristão e islâmico.

A divergência essencial entre Platão e Aristóteles, isto é, na confiança na Razão ou nos Sentidos, é a raiz do debate dualista entre racionalistas e empiristas, entre os filósofos da lógica e os filósofos da experiência, e se perpetuou dentro do Pensamento Ocidental até ser transcendido por Immanuel Kant no Século XVIII, que daí em diante passa a ser considerado por muitos – inclusive pelo próprio Schopenhauer – como o filósofo mais importante de toda a História, atrás apenas dos próprios fundadores da Filosofia Ocidental – Sócrates, Platão e Aristóteles.

IMMANUEL KANT – O PONTO DE PARTIDA

O debate entre empiristas, como Locke, e racionalistas, como Descartes, foi transcendido por Immanuel Kant, que escreveu Crítica da Razão Pura (uma das obras mais influentes da história da filosofia). Enquanto eles defendiam a primazia da sensibilidade ou do entendimento, Kant declarou que a experiência necessariamente envolve ambos os elementos, não sendo possível a experiência de um objeto em si (fora de nossa mente), mas apenas a percepção possibilitada por nossa própria estrutura mental. Só podemos conceber a existência de um objeto, e situá-lo no espaço e no tempo, na medida em que ele se apresenta à nossa consciência. Disso decorre que as coisas “em si”, enquanto exteriores à mente, não só não podem ser conhecidas como também podem não ter nada a ver com espaço, tempo, ou qualquer outra categoria inerente à nossa estrutura mental. O que está fora do Eu não está apenas fora de você no espaço, mas também fora do espaço, do tempo, da mente e de todos os conceitos a priori por meio dos quais experimentamos o mundo. Opondo-se ao realismo – postura de que a realidade é independente da mente – a teoria de Kant, o idealismo, postula que o espírito tem papel ativo na construção do conhecimento. Por isso, é dito que ele uniu racionalismo e empirismo e que a História da Filosofia pode ser dividida em antes e depois de Kant.

IDEALISMO TRANSCENDENTAL – A METAFÍSICA

Schopenhauer desenvolve seu sistema de pensamento a partir de Kant, não sem dar um passo ousado além da metafísica kantiana, pois afirma ser possível rasgar o véu das aparências. Se a sua versão do mundo é limitada pelas observações e experiências permitidas pela sua consciência, então os limites do seu estado de consciência traçam o limite de sua própria realidade – o estado de consciência determina o estado de vida. O mundo de conceitos e objetos experimentados pela consciência do Eu não passa de uma representação que nós mesmos fazemos da realidade, um véu ilusório – o véu de Maya. Se pudermos reconhecer que nossa separação dO Todo é uma ilusão, fruto de uma Consciência Separada, e não uma realidade fundamental, deixaremos de ver os fenômenos como inumeráveis e separados, e reconheceremos todos os seres e todas as coisas como interdependentes e interligados em uma manifestação Una que Schopenhauer denomina de Vontade Universal. Como o homem é, ao mesmo tempo, parte do mundo e experimentador do mundo, fenômeno e mente, então ele pode experimentar a realidade, a natureza última das coisas. É pela destruição de suas ilusões e no silêncio da contemplação que o homem pode experimentar o Incognoscível em si, essa Unidade que é sua própria Natureza Original, encoberta pela ilusão da Multiplicidade projetada pela Consciência-Eu.

A TRADIÇÃO ORIENTAL

A Magnum Opus (grande obra) de Arthur Schopenhauer é seu livro “O Mundo como Vontade e Representação”, uma das obras mais importantes do século XIX, fortemente influenciada pelos conceitos orientais do Hinduísmo, Budismo e Taoísmo como “Maya” (ilusão), “YinYang” (dualidade), “Dukkha” (sofrimento), “Karuna” (compaixão) e “Nirvana” (iluminação). Amigo pessoal de Goethe, foi por meio deste que Schopenhauer frequentou círculos intelectuais pioneiros e esteve em contato direto com os primeiros tradutores e divulgadores da filosofia oriental na Europa. Arthur Schopenhauer leu a tradução latina dos antigos textos Hindus que o escritor francês Anquetil du Perron traduziu diretamente da versão persa do Príncipe Dara Shikoh entitulada Sirre-Akbar (“O Grande Segredo”). Após interpretar o Bhagavad Gita, Schopenhauer considerou estes textos a mais elevada leitura do mundo, portadora de conceitos sobrehumanos.

A OBRA DE SCHOPENHAUER

A Teologia da época soava como uma série de perplexidades organizadas de um reino puramente conceitual e abstrato, sem conexão alguma com o mundo e com a vida, enquanto a sabedoria universal preservada pelo oriente era, pelo contrário, uma filosofia Do Mundo e Da Vida, cujo objetivo não era enrodilhar o homem em uma teia de abstrações emaranhadas mas, ao invés disso, conduzir o homem para a saída deste labirinto, dissipando as ilusões e projeções do Ego e visando a libertação do sofrimento da vida e do mundo. Entre os paralelos especiais que sua filosofia guarda com os ensinamentos de Gautama está a ideia da Ignorância e do Desejo como origem de todo o sofrimento. A Ignorância Fundamental consiste em tomar as Representações (os conceitos, os objetos, os fenômenos) como Realidade e ver a si mesmo como separado do resto. Consequentemente, o ignorante interpreta a existência como uma luta incessante, uma guerra de todos contra todos. Para Schopenhauer, esta é a origem do egoísmo inato dos indivíduos que, incapazes de conceber a unidade dos seres e compreender que cada indivíduo é apenas a expressão de uma universalidade que o transcende e engloba, é impelido a lutar contra os outros e contra o mundo, sem saber que, com isso, volta-se contra si mesmo. É da piedade pela infelicidade e pelo sofrimento inerente à condição humana que desabrocha a rosa da compaixão impessoal, a compreensão de que todas as vozes são, essencialmente, a voz do Uno, da Vida.

MISTICISMO CRISTÃO

Jakob Böhme foi um místico cristão alemão que tratou intensamente do Problema do Mal e da Natureza da Divindade, e deixou um legado que posteriormente inspirou diversas manifestações culturais e artísticas no Ocidente, como a Teosofia, a Maçonaria, o Rosacrucianismo, o Martinismo, os quadros e poemas de William Blake, a psicologia de Jung, e especialmente o Idealismo Alemão de Baader, Schelling, Schopenhauer e Hegel – este último chega ao ponto de declará-lo “o primeiro filósofo alemão”. Böhme teve uma experiência mística da visão da Unidade do Cosmos, e escrevia para si mesmo no intuito de reter as impressões que chegavam diretamente à sua consciência. Para ele, Deus era a Onipresença Eterna situada além do Espaço e do Tempo e, para alcançá-la, o homem haveria de transpassar seus próprios portões do inferno, já que “a vontade e a imaginação do homem perverteram-se de seu estado original. O homem se rodeou pelo mundo de sua própria vontade e imaginação” e, com isso, perdeu Deus de vista. Louis-Claude de Saint-Martin, filósofo francês que dedicou a vida a traduzir, interpretar e divulgar a obra de Böhme, diz que “A verdade não pede mais que fazer aliança com o homem; mas quer que seja somente com o homem e sem nenhuma mistura com tudo o que não seja fixo e eterno como ela. Ela quer que esse homem se lave e se regenere perpetuamente e por inteiro na piscina do fogo e na sede da unidade”, ou seja, o homem não pode apreender o Infinito por meio dos sentidos, dos desejos ou da razão egoísta, mas por meio de “uma condição na qual a vontade do homem, despindo-se de tudo o que é terrestre, torna-se divina e absorvida na autoconsciência”. É dessa forma que, de acordo com Bohme, o homem e o Deus Incognoscível “se fundem em uma só força”. Eles “se despertam mutuamente e se conhecem entre si. Neste conhecimento consiste o verdadeiro entendimento, que segundo o caráter da eterna sabedoria, é imensurável e abismal, sendo do Um que é o Todo. Uma vontade única, iluminada pela luz divina, pode brotar deste manancial e manter a infinidade. Desta contemplação escreve esta pena.”. O psiquiatra Richard Maurice Bucke escreveu em 1901 o “Estudo da Evolução da Mente Humana” e, explorando o conceito de “consciência cósmica”, cita Jakob Böhme, entre outros, como exemplos da manifestação de uma forma superior de consciência.

A IDEIA DE INCONSCIENTE

Quando agimos e pensamos no cotidiano, acreditamos estarmos no controle de nossas ideias, ações e pensamentos, mas existe algo que nos move. A Filosofia de Schopenhauer dá um nome para esta força primária que nos influencia muito mais do que qualquer lógica, moral ou razão – a Vontade. De acordo com Schopenhauer “a Vontade é um cego robusto que carrega um aleijado que enxerga”, e nossa consciência objetiva é o aleijado. Por isso, Schopenhauer é um dos precursores da ideia de Inconsciente. É a partir da ideia de Schopenhauer sobre a “Vontade” que Eduard von Hartmann escreve Filosofia do Inconsciente em 1869, influenciando toda a psicologia posterior e especialmente os trabalhos de Freud e Jung.

Sobre a conexão entre vontade individual (microcósmica) e vontade em si (macrocósmica), Schopenhauer supõe que há:

“além da conexão externa entre as aparições, fundamentada pelo nexumphysicum, ainda uma outra, que atravessaria a essência em si de todas as coisas como uma espécie de conexão subterrânea, graças à qual seria possível, partindo de um ponto da aparição, agir imediatamente sobre todos os outros por meio de um nexum metaphysicum; que, portanto, deveria ser possível agir sobre as coisas a partir de dentro, ao invés do agir comum a partir de fora, um agir da aparição sobre a aparição graças à essência em si, a qual é uma e a mesma em todas as aparições; que, assim como agimos causalmente como natura naturata, nós poderíamos também ser capazes de uma ação como natura naturans, fazendo valer momentaneamente o microcosmo como macrocosmo; que as divisórias que separam os indivíduos, por mais firmes que sejam, poderiam permitir ocasionalmente uma comunicação como que por detrás dos bastidores, ou como um jogo secreto sob a mesa”.

(SCHOPENHAUER – ANIMAL MAGNETISM AND MAGIC)

PARA SABER MAIS, LEIA:

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação [Contraponto Editora] por Chrystian Revelles Gatti, do Lectorium Rosicrucianum.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação [Contraponto Editora] MANTOVANI, Harley Juliano. Heráclito e Schopenhauer. [Universidade Federal de Goiás] REDYSON, Deyve. Schopenhauer e o pensamento oriental. [Universidade Federal da Paraíba] SILVA, Luan Corrêa da. Schopenhauer e a magia. [Universidade Federal de Santa Catarina] videoaulas:

CURSO LIVRE DE HUMANIDADES. Arthur Schopenhauer – Crítico de kant, por Cacciola [https://www.youtube.com/watch?v=rdf0pRgsJuo] JOAO LUIZ MUZINATTI. Schopenhauer: só a arte nos livra da dor [https://www.youtube.com/watch?

v=WhGW6ULBZDQ]

SE LIGA NESSA HISTÓRIA. Schopenhauer | O Mundo Como Vontade e Representação [https://www.youtube.com/watch?v=65KrAfNUeWA] THE SCHOOL OF LIFE. PHILOSOPHY – Schopenhauer [https://www.youtube.com/watch?v=q0zmfNx7OM4]

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-gnose-de-schopenhauer

Os Illuminati

Em Primeiro de Maio de 1776, na Alemanha, foi fundada uma sociedade que passaria a representar a síntese dos anseios e ideais compartilhados por Maçons e Rosacruzes: Os Iluminados. (ou Iluministas. Hoje, eles também são conhecidos como os Illuminati – embora haja o temerário risco do termo levá-los a serem confundidos com alguns movimentos esotéricos de nosso presente século).

Seu mentor, Adam Weishaupt (1748-1830), era um Maçom de ascendência judia, que havia tido educação católica e jesuíta. Essa singular mistura daria a Weishaupt uma grande versatilidade de pensamento, bem como independência de opiniões.

De raro e reconhecido talento, Weishaupt se graduou em Direito pela Universidade de Ingolstadt, onde passaria a exercer a profissão de professor titular de Direito Canônico, além de ser decano da Faculdade de Direto.

Durante seu estudos, antes de sua graduação acadêmica, Weishaupt obteve preciosos conhecimentos a respeito dos antigos ritos ditos pagãos e das religiões antigas. Nesses seus “aprendizados paralelos”, Adam Weishaupt muito absorveu dos antigos costumes, dando especial ênfase aos Mistérios de Elêusis e aos ensinamentos de Pitágoras.

Com base nesses conhecimentos, Weishaupt iniciava um esboço de uma Sociedade modelada segundo os conceitos do paganismo e da tradição dos mistérios ocultos. Porém, apenas após ele ter sido iniciado na Maçonaria (ao que tudo indica, Adam Weishaupt teria sido iniciado em Munique, por volta de 1774. Alguns autores, entretanto, apontam para 1777. Outros negam sua possível afiliação Maçônica) é que seu plano de formar uma nova Sociedade Secreta encontrou força suficiente para prosseguir. E assim foi feito.

Originalmente fundado como a “Sociedade dos Mais Perfeitos” (Perfekbilisten), os Iluminados, em princípio, contaram com a adesão de apenas cinco participantes. Entretanto, tão logo foi começado a difusão de seus ideais, os Iluminados começaram a receber a adesão de vários novos membros, todos entusiastas dos propósitos de Weishaupt.

Os Iluminados da Baviera – como também eram conhecidos os Iluminados – eram dirigidos por um conselho de Areopagitas liderado por Weishaupt, que, para essa função, usava o pseudônimo de “Spartacus”. A estrutura básica dos Iluminados era composta de três graus, a saber: I* – Aprendiz (ou A Sementeira); II* – Maçonaria Simbólica; e o III* – Grau dos Mistérios. Os dois primeiros graus, por sua vez se subdividiam em outros três graus intermediários, enquanto que o III* era divido em Mistérios Menores e Maiores, que, por sua vez, também se subdividiam em graus intermediários. O total de Graus perfazia 12 estágios: começando em Noviço (o primeiro estágio do I*), até o Grau XII*, sob o título de Rex, ou Rei da Ordem. (Do sistema de graduação dos Iluminados veio a estrutura básica de algumas Ordens que hoje existem. Por exemplo, não chega a ser uma novidade o fato de uma bem famosa organização Rosacruz atual ter 12 Graus de Templo. Da mesma forma, uma das mais conhecidas Ordens Templárias de nossos dias, possui o grau de Rex, para a sua liderança.)

O Grau de Noviço era tomado com a idade mínima de 18 anos, quando o novo aprendiz, através de indicação de alguém de confiança da Ordem, tinha acesso aos Iluminados, passando a receber suas primeiras instruções. Para ascender aos Graus subsequentes, havia um período de Provação de, pelo menos, um ano. (Novamente, o modelo adotado pelos Iluminados, segundo a concepção de Weishaupt, seria o padrão para uma série de outras escolas )

A função principal dos Graus superiores dos Iluminados era, através de todo um processo simbólico, baseado em toda uma temática libertária, impregnar seus Iniciados com esses ideais.

Como já dito, não só devido a proposição Iniciática de Weishaupt, mas também pelo modo como os Iluminados entendiam os sistemas políticos vigentes da época, interferindo quando julgavam necessário, logo eles alcançaram uma enorme repercussão por toda a Europa. O iluminismo, aos poucos, ganhava a adesão de importantes nomes do cenário Europeu, influenciando decisões que mudaram o rumo de alguns países do velho mundo. (os Iluminados – assim é afirmado -atuaram decisivamente na revolução francesa)

A visão política dos Iluminados era algo próximo de um Estado onde reinaria o bem comum, sendo abolidos a propriedade, autoridade social e as fronteiras. Uma espécie de anarquismo superior, saudável e utópico, onde o ser humano viveria em harmonia, numa Fraternidade Universal, baseada na sabedoria espiritual, em franca Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

Segundo alguns historiadores, os discursos de Weishaupt iam de encontro aos poderes estabelecidos, quais sejam, esbarravam, em franca oposição, à Monarquia, como instituição política; a Igreja, como instituição religiosa e aos grandes proprietários, como instituição econômica. (Hoje, por todos esses ideais, Weishaupt seria facilmente taxado de “comunista”. Entretanto, na época, esse modelo político ainda não havia sido devidamente sistematizado, nem definido. Outro ponto que devemos levar em consideração, antes de simplesmente considerá-lo um comunista, é que, as bases Religiosas que moviam os Iluminados, provavelmente eram, mesmo que uma utopia, bem nobres e absolutamente contrária ao que hoje consideramos como sendo de natureza “comunista”).

Weishaupt chegou a constituir toda uma eficiente rede de espionagem, na forma de agentes espalhados pelas principais cortes da Europa. A função básica dessa rede era se infiltrar entre o clero e os regentes, conseguindo informações políticas que permitissem a elaboração de uma estratégia de ação Illuminati, no sentido de se permitir a criação do Estado Ideal.

Após muitas tentativas de se estabelecer uma nação segundo seus princípios, os Iluminados foram politicamente extintos, em decreto instituído pelo Eleitor da Baviera, ao final do século XVIII.

A velha história, de perseguição, calúnias e, por fim, ostracismo, novamente se repetia, pondo um fim nos ideais defendidos por Adam Weishaupt e os Illuminati, os Iluminados da Baviera.

Por Carlos Raposo.

#Illuminati

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-illuminati

Apolônio de Tiana

Thiago Tamosauskas

Ele nasceu há aproximadamente dois milênios. Realizou milagres, curou os doentes, alimentou os famintos e expulsou os demônios. Por onde passava promulgava a paz para as multidões que o seguiam. Denunciava os opressores do povo e por fim foi julgado e condenado em um tribunal romano, até hoje nada se sabe de seu cadáver. Se perguntássemos sobre quem você acha que está lendo, com certeza poderia confundir esse pequeno currículo com o de uma popular lenda urbana. Mas trata-se da vida de Apolônio de Tiana, um misterioso personagem cuja vida é tão apaixonante para os que a conhecem quanto desconhecida para a maioria das pessoas.

Muito do que sabemos de sua vida chegou até nos graças à biografia encomendada pela imperadriz romana Julia Domna ao filósofo e historiador Filostratus. A monarca não viveu para ver o resultado final do texto que ficou pronto alguns anos depois de sua morte. O testemunho de Filostratus, entitulado “A Vida de Apollonius de Tyana”, serviu como base para todas as discussões posteriores sobre esta enigmática figura. Trata-se de um livro especialmente importante porque contém trechos de manuscritos disponíveis ao autor mas que já não existem mais, incluindo cartas do próprio Apolônio e o diário de Damis, seu fiel discípulo.

 

Sua obra escrita é bastante vaga e pouco chegou até os dias de hoje. Aqui merece destaque o Nuctemeron, antigo manuscrito atribuído a Apolônio, importante o bastante para ser incluído como apêndice na obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” de Eliphas Levi. No Nuctemeron os ensinamentos de Apolônio de Tiana estão dispostos como em um relógio em 12 horas. Cada hora traz uma instrução especial até que o ciclo se feche para recomeçar, nos lembrando da necessidade de sempre reforçá-los. Embora apresentado numa linguagem alegórica de dificil acesso o Nuctemeron ganhou uma grande reputação entre os estudantes de Alta Magia.

A vida de Apolônio de Tiana

A fonte bibliográfica de Filostratus ainda recebe o endosso das fontes do mundo árabe medieval. Entre eles Apolônio recebe o nome de Abūlūniyū, Balīnās ou ainda Balinus e as lendas descritas são consistentes com o testemunho europeu. Entre estas fontes destacam-se o Kitāb Sirr al-alīqa ( Livro da Criação), o Risāla fī taīr ar-rūḥānīyāt (Tratado da influência dos seres espirituais nas coisas compostas), o al-Mudḫal al-kabīr (Introdução ao uso de Talismãs), o Kitāb alāsim Balīnās al-akbar (Grande Livro de Talismãs e Apolônio) e o Kitāb Ablūs al-ḥakīm (Livro do sábio Apolônio). Todos eles de autoria atribuída ao nosso personagem.

Segundo todas estas narrativas, Apolônio de Tiana nasceu na Grécia, na região da Capadócia turca, aproximadamente no ano 4 A.C. Discipulo da escola neo-pitagórica, destacou-se como notável filósofo e professor. Muitos de seus pensamentos, mesmo após tantos séculos, ainda se encontram presentes nas universidades e academias ao redor do mundo, sendo uma grande influência para o pensamento científico contemporâneo.

Assim como todo personagem que surgiu há mais de mil anos e se envolvia com misticismo, seu nascimento está envolto de mistérios e lendas. Conta-se que sua mãe teve um sonho durante o qual sonhou que estava grávida. Ao acordar passou a encabeçar a lista da mães virgens tão comuns à mitologia universal.

Pouco sabemos sobre sua infância diante da qual os registros históricos se calam. Todavia sabemos que aos quatorze anos foi levado para estudar com Eutidemo, professor de retórica em Tarso. Sentiu tanta repulsa com os costumes do povo de lá que convenceu seu pai adotivo a mudar-se para outra vizinhança. Tornou-se neo-pitagórico e portanto frugal e vegetariano. Se abstinha do vinho, das casas de banho e das mulheres. Andava sempre descalço com roupas muito simples e sentiu-se desde muito jovem atraído a uma  vida de contemplação e ascetismo. Conta-se que até os 15 anos era um rapaz calado pouco dado a conversas e interações sociais, pronunciando sempre o mínimo de palavras necessário. Mais tarde quando seu pai adotivo morreu doou toda sua herança aos pobres da região mostrando definitivamente seu desapego aos bens materiais.

O ponto culminante de sua vida foi a descoberta do túmulo de Hermes Trimegistro, acompanhado de vários manuscritos que são significativos para o hermetismo dos dias de hoje. No Kitāb Sirr al-alīqa ele descreve este importante descoberta que serviu de ponte entre as escolas de mistérios egípcias e os taumaturgos do primeiro século. Entre estes manuscritos estavam a famosa Tábua da Esmeralda, por este motivo alguns historiadores a colocam como sendo da autoria do próprio Apolônio, embora ele mesmo negue esta hipótese nas fontes árabes acima citadas. Depois desta descoberta começou aos poucos a ganhar atenção de todos com quem entrava em contato pois apregoava a doutrina hermética abertamente para as massas. Seu estilo obscuro e setencioso aos poucos o fez rodeado de pessoas interessadas. Artesãos abandonavam seus ofícios para ouví-lo e cidades próximas enviavam embaixadores para visitá-lo. Os árabes criaram poemas em sua homenagem e é dito que seu nome chegou com admiração até mesmo aos brahmanes da Índia, aos magos da Pérsia e aos sacerdotes egípcios.

Durante sua fase adulta Apolônio viajou por boa parte do Oriente e Mediterrâneo visitando templos, corrigindo costumes que achava intoleráveis e reformando toda forma de abuso. Seus ensinamentos eram sempre acompanhados de toda sorte de prodígios. Em Éfeso ganhou notoriedade por acabar com uma praga simplesmente repreendendo-a. Em Coríntio realizou exorcismos públicos. Às margens do Eufrates profetizou o futuro do imperador Nerón da Babilônia. Viajou ainda pelo Egito, Etiópia e outros países e povoados sempre rodeado de muitos seguidores. Finalmente, visitou a itália e ressuscitou uma mulher.

Passava ele pelo funeral desta mulher que pertencia a uma importante família consular e, aproximando-se de seus ouvidos, pronunciou algumas palavras místicas. Ela abriu os olhos e levantou-se confusa. Apolônio foi levado para a casa de seus pais, que lhe ofereceram uma considerável quantia em dinheiro, que ele aceitou apenas para dar de volta como dote à donzela. O episódio deu ao mago uma fama sem precedentes e isso bastou para ganhar a desconfiança das autoridades.

Suas viagens foram interrompidas depois que se estabeleceu em Roma. Acusado de atiçar o povo, de conspirar contra o imperador Domiciano e de cometer o sacrilégio de não se curvar perante a éfige de césar, Apolônio foi desnudado, acorrentado e confinado em um calabouço, onde algumas versões da história dizem que finalmente morreu em 97 D.C.. Outra versão conta que foi lhe dada a chance de reconhecer publicamente seu erro e assim ganhar o indulto romano, entretanto Apolônio negou-se a aceitar seus atos como um erro sendo em seguida condenado à morte. Suas últimas palavras teriam sido: ‘Não podem deter minha alma, nem sequer meu corpo’. Tendo dito isso diante do tribunal seu corpo se desvaneceu desaparecendo diante dos olhos de todos os presentes.

Após seu inexplicável desaparecimento houveram ainda relatos de aparecimentos seus em Dicearquia e posteriormente em Creta onde conta-se teria finalmente falecido. Sua fama de milagreiro e a lenda de toda sua vida fizeram com que muitas pessoas acreditassem que ele fosse imortal. Fato é que nunca encontraram seu corpo.

 

A reputação de Apolônio de Tiana

Com o passar dos anos sua figura ganhou contornos populares, sendo inclusive adorado com um semi-deus em certos povoados, onde hinos eram escritos e estátuas levantadas em sua homenagem. Conta-se que o imperador Alessandro Severo tinha um retrato seu em seu oratório pessoal, ao lado das figuras de Cristo, Vopisco e Orfeo. Até o século V sua reputação era forte mesmo entre os cristãos. Prova disso é que Leon, ministro do rei dos visigodos pediu que o bispo de Auvernia traduzisse a obra de Filostrato dedicada a Apolônio. Ao terminar a tradução Sidônio remeteu ao ministro uma carta na qual exaltava todas as grandes virtudes do filósofo dizendo que para ser um ser humano perfeito só faltava que fosse cristão.

A opinião do bispo não foi seguida pelo restante da igreja. Infelizmente as similaridades entre a vida de Apolônio e a vida do Jesus bíblico acabou gerando uma grande desconfiança entre os sacerdotes. Desconfiança essa que culminou numa grande inimizade dentro da igreja romana e em uma campanha de difamação. Apolônio era então apresentado como impostor e falso-profeta que tentava enganar e desencaminhar os fiéis. Num segundo momento seus detratores o elevaram ao título de filho do diabo e perigoso necromante a serviço das forças infernais.  Por fim, sua figura foi largada ao esquecimento geral.

Essa má fama persistiu até meados do século XVI, quando as cabeças pensantes do iluminismo, incluindo Voltaire, começaram a advogar suas próprias ideias ético-religiosas opondo-se à igreja e propondo uma religião não-denominacional mais compatível com a razão. Em 1680 Charles Blunt, publicou a primeira tradução em inglês do livro de Filostratus, incluindo uma poderosa introdução pessoal anti-clerical. Nos anos seguintes as similaridades da vida de Apolônio com a de Jesus dominou a polêmica sobre a originalidade do cristianismo. Teosofistas passaram a considerá-lo duas encarnações do mesmo mestre enquanto Marquês de Sade fazia pouco de ambos em seus contos. Pouco depois Ezra Pound associou Apolônio com o culto solar destacando-o como um rival messiânico de Cristo,  identificado-o com uma cosmovisão de supremacia ariana de mitologia anti-semita.

No século XX Apolônio entra de vez para o universo da ficção e sua figura ganha ares cada vez mais lendários. No livro de Gerald Messadié “O homem que virou deus” Apolônio aparece como um poderoso filósofo e mago contemporâneio de Jesus. Este autor francês narra em sua obra inclusive um encontro entre os dois personagens. No cinema aparece como personagem do filme “As 7 Faces do Dr. Lao” e é ainda retratado na trilogia Illuminatus de Ribert Anton Wilson como tendo uma discussão com Abbie Hoffman, hippie ativista norte-americano.

Conclusão

Com toda a discussão sobre quem copiou e quem foi copiado, a verdade é que suas histórias de Jesus e Apolônio de Tiana são muito semelhantes. Nascidos na mesma época (Cristo também nasceu entre 4 e 6 a.C), mortos no mesmo séculos e com atos que inspiraram muitos… a diferença apontada por muitos pesquisadores é de que a vida de Apolônio recebeu atenção de muitas pessoas que a resgistrou, não apenas na região em que viveu mas nas regiões vizinhas, coisa que não aconteceu com seu xará Galileu, o que faz muitos apontarem para a possibilidade de Jesus ser uma cristificação da imagem de Apolônio. Mais do que isso, muitos dos rituais e símbolos usados nos sacramentos romanos podem ser seguidos de volta no tempo até repousarem nos pés de Apolônio. O missal, o altar, as vestimenta dos padres e muitos outros detalhes não tem qualquer relação com as histórias descritas na bíblia, mas podem facilmente ser atribuidas a uma herança direta aos elementos de alta magia apresentados por Apolônio.

4 a.c – 97 d.C

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/apolonio-de-tiana/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/apolonio-de-tiana/

Internet de Fachada versus Internet Verdadeira

Antes de começar, façamos um teste simples. Entre no google e procure por sexo, e então clique em imagens. Faça a mesma coisa buscando por “fuck”, “face fuck”, etc. Apesar de algumas imagens surgirem a grande maioria não será tão explícita quanto você imagine. Caso esteja se sentindo particularmente de saco cheio procure por suicídio ou qualquer outro termo do gênero, com certeza algumas imagens de gente morta, mas a maioria absoluta simplesmente são imagens poéticas, piadas, etc.

Pois bem… o que aconteceu com a pornografia suja, a escatologia, as coisas nojentas da internet? A resposta é: elas fugiram de você!

Há algo de errado com a Internet

Antes de entrar na internet verdadeira, vamos conhecer um pouco sobre a Internet de Fachada. Assim como tudo no mundo, a internet existe de uma maneira para as massas e de uma maneira para aqueles poucos indivíduos que se esforçam um pouco mais. Considere, para início de conversa que 80% de todo tráfico de dados acontece em apenas 20% dos sites espalhados pela grande rede. Que liberdade de informação é essa em que todo mundo acessa a mesma coisa o tempo todo? A Internet de Fachada enfrenta, além do comodismo de seus usuários três sérias ameaças: o “Fim da Privacidade”, a Influência das Corporações” e a “Bolha de Informação”.

O Fim da Privacidade

Quando você procura no Google sobre “sexo anal” e clica em qualquer link que ele oferece, a sua busca é registrada pelo mecanismo de busca junto com dados pessoais como horário, navegador, resolução de tela, sistema operacional, IP, localização geográfica e outros dados do seu computador. Estes dados em conjunto formam uma marcação capaz de identificar você de forma única e inconfundível. Isso por si só já é perturbador, mas o ponto crucial é que o Google possui parceiros comerciais. Estes parceiros utilizam os dados oferecidos pelo google para criar um perfil seu e cruzando com dados de pesquisas mercadológicas eles sabem sua idade, sua cidade e que você curte sexo anal. Dai todos aqueles anúncios e banners estranhos que parecem te perseguir. Além disso este perfil pode, e geralmente é, vendido para outras empresas e organizações. Como seguradoras, ongs, bancos e agências de crédito.

Além disso toda pesquisa feita no Google (assim como no Yahoo e qualquer outro mecanismo de busca) é salva e três coisas podem acabar acontecendo com você:

  1. Os dados podem ser tornados públicos pelo governo ou por uma intimação legal: http://www.readwriteweb.com/archives/googles_second_transparency_report_us_info_request.php
  2. Um funcionário mal intencionado pode usar estas informações para algum fim pouco nobre: http://gawker.com/5637234/
  3. O sistema pode ser hackeado: http://www.wired.com/threatlevel/2010/01/operation-aurora/

 

A Influência das Corporações

Negociado secretamente por um pequeno número de países ricos e por poderes corporativos, o Acta por exemplo pleiteia criar um novo órgão internacional para a regulamentação do fluxo de dados. Na prático isso vai dar poder as Multinacionais para policiarem tudo que fazemos online e inclusive impor penalidades com multas ou prisões ás infrações daquilo que for julgado ilegal.  A recente onda de sites dedicados ao compartilhamento de arquivos é testemunha o suficiente desta fragilidade.

Não se trata apenas de censurar a informação que você consome, mas até mesmo aquilo que você cria e produz. Policiar comentários e posts antes que eles sejam publicados faz parte da política interna de funcionamento do Facebook. Entretanto o sistema não é declarado ao usuário final senão por letras miudas. Dependendo do que voce postar pode se deparar com mensagens desagradáveis como esta ao lado. O mesmo algoritmo usado para filtrar seus emails e criar seu filtro Anti-Spam também é usado para ler e catalogar tudo o que você escreve no seu webmail ou nas redes sociais. E algumas coisas já começaram a ser apagadas.

Logo virá um tempo em que você para baixar uma música o vídeo ou quem sabe até um texto ou imagem você precisará da permissão destas corporações.A dez anos atrás você entrava em um site, baixava um programa e instalava o que queria. Hoje, temos a ‘Apple Store’ ou o ‘Google Store’, com todos os programas previamente aceitos e selecionados para você. A campanha “Copyright é Racismo. Diga NãO” promovida pelo do Morte Súbita inc  e parceiros é uma tentativa de expor estes fatos para os usuários em geral, então não vamos dedicar muito espaço para a questão aqui.

A Bolha de informação

De uns anos para cá especialistas vem trabalhando com o termo “filter bubble” – a bolha do filtro. Resumidamente a coisa funciona assim, o que é a internet para você? Provavelmente você responderá que ela é um lugar cheios de sites pelos quais você navega, esses sites podem ser redes sociais como o orkut ou o facebook, podem ser portais superfodas da informação proibida ao alcance de todos como a Morte Súbita Inc. ou podem ser blogs, sites de compra ou sites menores como a página que você montou para sua tia onde ela posta receitas de bolo. Você não errou, basicamente a internet é isso, mas como você faz para chegar nesses sites? Decora todos os endereços dos quais te falam? Anota em papeis os www da vida? Entra no google e procura “Bolos da Tia Suzana”?

Os mecanismos de busca tomaram um tamanho hoje que é praticamente impossível se navegar na internet sem eles. Isso todos sabemos. Agora esses mesmos mecanismos de busca filtram tudo o que você está tendo como resultado de uma busca sem você saber. Baseado no histórico das suas navegações, sites que costuma buscar, coisas que compra, nos “like” e “+” que você digita os mecanismos de busca mostram páginas específicas para você. Faça um novo teste, procure por “Obama” no google usando máquinas diferentes e veja quais as primeiras respostas que o Google te oferece.

Como vimos toda busca que você faz é salva e será usada para “refinar” a informação para você. Se você costuma entrar em sites comunistas e socialistas receberá uma respostas diferente de alguém que costuma entrar em sites de Direita, mesmo se ambos procurarem por “Verdade sobre a morte de Che Ghevara”, por exemplo. Ficou curioso? Dê uma olhada no seu histórico: https://www.google.com/history/

Além dos termos de buscas, também são salvos todos os cliques que você dá. A idéia por trás disso é que você clica em coisas que concorda e gosta. Mas o problema é que assim você vai, cada vez mais, receber o mesmo tipo de informação. Sempre mais do mesmo. Sempre mais daquilo que você já conhece e concorda. Paulo e Mari procuram por “Lula”, mas o primeiro lê notícias sobre escândalos e a segunda sobre o bom desempenho de sue governo.

Isso pode ser bom para confirmar tudo aquilo que você acredita, mas qualquer pessoa inteligente ao saber disso se questiona: O que será que não está sendo mostrado para mim? Tente procurar por aborto, casamento gay ou desarmamento. O que estas buscas realmente nos dizem é que foi construída uma bolha de informação, que promove aquilo que ela “acha” que você vai gostar e exclui todo o resto, filtrando assim a sua exposição a informação.

Isso tem dois efeitos divertidos. Primeiro a internet é que decide o que vai te mostrar. Segundo existe um porrilhão de informações por ai que estão anos luz do seu alcance, não porque sejam ruins ou falsas, mas simplesmente porque a internet acha que não valem nada para você. Quando o Google diz 3.000.000.000 de resultados encontrados, o quão fundo você mergulha no mar de “OOOOO” procurando sites lá do fim da lista?

Essa bolha de filtros é um dos responsáveis por você não achar mais aquela sujeira que gostava tanto na internet, mas ela não está sozinha. Imagine que você consiga se livrar dessa bolha usando mecanismos de busca que não filtram como o http://duckduckgo.com. Procure algo que você ache que te deixaria sem dormir (e não falo apenas de fotos de pessoas que sofrem de fungos ou de calcanhar de maracujá). Pense em crimes, em racismo, em sexo do mais bizarro, em informações secretas e cultos que de fato desejam permanecer em segredo.

Existem pessoas que desejam manter um contato, como um fórum, mas de fato não querem que ninguém saiba que existem – alguém mais pensou em necrofilia? Existem órgãos do governo que disponibilizam material para pessoas que precisam, mas você não é uma delas. E acredite isso tudo está na internet, mas você não consegue ver.

Então, se você procura um pouco de privacidade e dados reais, uma boa alternativa é buscar mecanismos de busca que se comprometem em não guardar nem filtrar a informação para você, como o https://duckduckgo.com por exemplo. Mas deixar a bolha de filtro para trás apenas vai colocar à sua disposição sites que estão na internet disponíveis para todos mas que não eram mostrados para você. Mas existem sites que não querem que ninguém os encontre e nenhum mecanismo de buscas sabe que eles existem.

O lado negro da internet possuiu muitos mais sites e muito mais material – fotos, vídeos, arquivos para download, textos e imformação do que a internet que você usa. Não é de se admirar que ele tenha uma reputação extremamente negativa, aqueles que o conhecem dizem que é um local perigoso  onde hackers, pedófilos, sociedades satânicas – nada de errado com isso – e os mais variados tipos de pessoas mal intencionadas e bizarras se reúnem para trocar informações entre si. Esse lado negro, como tudo na vida, tem inclusive um nome.

Você já ouviu falar da Deep Web?

Também conhecida como Deepnet, Darknet, Undernet, Invisible Web ou Hidden web, a Deep Web nada mais é do que todos os sites que existem por ai que não podem ser encontrados por mecanismos de buscas (Google, Yahoo, Bing, etc). Isso significa que para acessar um site da Deep Web, você precisa saber seu endereço, pois nunca irá chegar até ele através do resultado de uma busca no Google. Os motivos para esses sites não estarem indexados nos mecanismos de busca variam, podem ser punição por violação dos termos de indexação, ou mera opção do donos de sites; qualquer dono de site pode retirar seu sites dos buscadores e se tornar um Deep Web, isso é extremamente fácil de se fazer, o que é complicado é o que leva alguém a querer essa privacidade. Se por um lado, grupos de amigos, acadêmicos, empresas, escolas, universidades, e etc, podem optar por não serem incomodados por “curiosos”, tentando manter o o acesso a seus sites restrito a seu público limitado, por outro lado, existem aqueles que precisam da privacidade como escudo para proteger suas práticas ilegais, condenáveis e bizarras.

Mas de fato a reputação que conseguiu para si não é injusta. A Deep Web está repleta de hackers, cientistas, traficantes de drogas, astrônomos, assassinos, físicos, revolucionários, os funcionários do Governo, Polícia, Feds, terroristas, pervertidos, os mineiros de dados, seqüestradores, sociólogos, etc. Aparentemente todo mundo que achamos que são maus demais, loucos demais, ou irreais demais para usarem a internet.

Por isso nem é preciso dizer que é extremamente importante que você tenha muita, muita, MUITA cautela ao navegar pelas águas profundas do mundo www. Os riscos de se pegar um vírus, malware ou de acabar vendo coisas “desagradáveis” é incalculavelmente maior do que o de se navegar na internet comum. Arquivos .exe são praticamente um tabu, existem aos milhares mas não seria sábio brincar com eles. Você já ouviu falar do eschelon? Pois é. Brincadeira de criança perto do que acontece no lado escuro. Quando falamos sobre assassinos, sequestradores, pedfilos, etc., não estávamos brincando. Imagine o tipo de investigação constante nesta área da web por parte das equipes realmente sérias do governo. Navegar na DW pode ser uma maneira de se conseguir chamar a atenção de gente muito séria para você.

Para se ter idéia do tamanho daquilo que você não é capaz de enxergar:

  • A informação pública na Deep Web chega a ser 500 vezes maior do que a da internet visível.
  • A Deep Web contém cerca de 550 bilhões de documentos individuais em comparação com o 1.000.000.000 da Web comum.
  • Existem mais de 200.000 sites na Deep Web, se nos concentrarmos apenas nos 60 maiores, juntos possuem cerca de 40 vezes mais informaçnao do que toda a internet visível.
  • Sites Deep Web tendem a ser mais diretos, com conteúdo mais profundo do que sites da Web convencionais, fazendo o conteúdo de qualidade total ser de 1.000 a 2.000 vezes maior que a da Web que voce usa.
  • Um total 95% da Deep Web é informação acessível ao público – não sujeitos a taxas ou assinaturas.
  • O risco de baixar um arquivo contaminado é 5 vezes maior que na Internet comum.
  • Enquanto a internet que você navega tem 20.000.000.000 de páginas web, a Deep Web tem 600.000.000.000.

Sentiu a curiosidade cutucando atrás da sua orelha? Ótimo. Caso a Morte Súbita Inc. fosse apenas mais um desses sites de curiosidades, com certeza nosso artigo terminaria aqui, seria bem mais curto e você poderia dizer “UAU!”. Mas infelizmente a vida não é tão fácil, e nós não prestamos nem um pouco, por isso não vamos apenas falar da Deep Web, nós vamos ensinar você a acessar ela. Preparados para aprender a enxergar no escuro?

Mergulhando nas Trevas

Antes de mais nada não é preciso dizer que o seu browser não foi feito para mergulhar nas profundezas da internet. Para conseguir enxergar o invisível você vai precisar de novos olhos. Navegadores como o Chrome, Firefox, IE e etc, não são capazes de acessar a maioria dos sites da Deep Web, sem contar que eles não foram criados para preservar o seu anonimato. É então preciso baixar o navegador TOR (https://www.torproject.org). A maioria absoluta dos sites profundos são criptografados e somente o TOR é capaz de quebrar a criptografia, além de manter o usuário no anonimato – ao menos em muitos dos casos, mas não conte em ter se tornado invisível.

Com o seu navegador TOR instalado e ciente dos riscos que existem na zona do baixo meretrício virtual você está pronto para dar as suas primeiras braçadas onde a luz não existe mais. Uma das maiores dificuldades para os iniciantes na Deep Web é encontrar os sites que existem lá, por isso você precisa aprender a procurar pelas coisas da maneira correta.

O site de buscas mais popular no lado negro é o Hidden Wiki. Para acessá-lo basta digitar no seu TOR o endereço http://kpvz7ki2v5agwt35.onion/wiki/index.php/Main_Page e iniciar suas buscas. Ele indica links de acordo com os assuntos buscados e com certeza é nele que você vai encontrar as coias mais escrotas que existem na internet. Recentemente, para se ter idéia, sofreram ataques do Anonymous por compartilharem links de sites de pedofilia, mas também é possível se encontrar muitos sites de cunho cultural.

Caso você se interesse por enciclopédias, almanaques, mapas, biografias e material técnico do gênero, busque o Infoplease digitando o endereço http://www.infoplease.com/index.html no Tor.

Para aqueles familiarizados com a busca de imagens do Google, tente o http://www.incywincy.com/. Lembre-se, você está no mundo da escrotidão bizarra.

O DeepWebTech é composto por 5 mecanismos de buscas, cada um voltado para um tema específico da medicina, negócios e ciências http://www.deepwebtech.com/

Quer saber o que os gênios loucos andam fazendo hoje em dia? Como planejam dominar o mundo? O Scirus é voltado totalmente para o mundo científico. Encontre jornais, homepages dos cientistas,  material didático, pré-impressão de material de servidor, patentes e intranets institucionais. http://www.scirus.com/srsapp/

Se o que te dá tesão são números, vá atrás do TechXtra, um buscador voltado para Matemática, engenharia e computação, com  muitos dados e relatórios técnicos,  http://www.techxtra.ac.uk/index.html

E já que está navegando por ai mesmo, não deixe de procurar pela The WWW Virtual Library. Ela é mais antigo catálogo WEB e foi desenvolvida por alunos de Tim Berners-Lee, o cara que inventou a WEB. Para usar pode se inserir o termo na caixa de pesquisa ou simplesmente clicar no menu vertical. Endereço: http://vlib.org/

Agora lembre-se, se na internet comum já é possível se perder entre os milhões de toneladas de lixo virtual, imagine como será no lugar que é centenas de vezes maior do que o mundo que você conhece.

por Fnord Boy

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/internet-de-fachada-versus-internet-verdadeira/

O Caso de Ouro Preto – Quinze anos de Incompetência

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Em outubro de 2001, a jovem Aline Silveira Soares saiu de Guarapari, no interior do Espírito Santo para a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Com apenas a roupa do corpo e alguns trocados no bolso, seu objetivo não era visitar as esculturas de Aleijadinho ou passear pela arquitetura colonial considerada pela UNESCO como um dos patrimônios da humanidade. Além de ser o mais belo monumento ao ciclo do ouro colonial, Ouro Preto também é uma cidade universitária, sede da Universidade Federal de Ouro Preto e coalhada de repúblicas estudantis, muitas delas com décadas de existência e tradições. Uma dessas tradições é a Festa Do Doze, que em todo 12 de outubro reúne alunos e ex-alunos da UFOP para beber e curtir nas repúblicas e ruas da cidade. Era para essa festa que Aline seguia, acompanhada apenas de uma amiga, Liliane, e sua prima Camila Dolabella.

8 anos depois, em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella entrou na sala do júri do Fórum de Ouro Preto para ser interrogada. Após ter amargado quase um ano na prisão, em 2005, e ter visto dois habeas corpus serem negados, Camila finalmente estava sendo julgada pela acusação de homicídio qualificado. A vítima seria sua prima Aline, que segundo a promotoria, teria sido assassinada por Camila, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, todos os moradores da república Sonata, onde as jovens se hospedaram para a Festa. A causa do crime seria um jogo de RPG, que Aline teria perdido, sendo punida com a morte… mais especificamente uma morte ritual, de acordo com preceitos satânicos.

O Caso de Ouro Preto está fadado a fazer parte dos anais do direito no Brasil. Não só pela violência do assassinato: Aline Silveira foi descoberta na manhã de 14 de outubro morta, nua, sobre um túmulo no cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo. A causa da morte seria engorjamento, uma facada fatal no pescoço. Mas o que se destaca é a completa incompetência, ignorância, má fé e os abusos perpetrados por aqueles que deveriam ser os fiadores da justiça no caso: o Ministério Público e a polícia de Ouro Preto.

Desde o começo a marca da investigação em Ouro Preto foi a combinação de inépcia e sensacionalismo. O caso caiu nas mãos do delegado Adauto Corrêa, na época sendo investigado por atentado violento ao pudor e coerção no curso de processo. Corrêa, este exemplar da probidade administrativa, não demorou para arranjar suspeitos para o crime. Logo arrolou como acusados em seu inquérito a prima de Aline e três jovens estudantes da república onde ela tinha ficado temporariamente hospedada. Em uma inovação do procedimento policial normal, o principal elemento incriminatório apontado pelo delegado não era a arma do crime, mas sim livros e postêres encontrados na república Sonata. Incluindo aí livros de RPG.

O RPG, ou role-playing game, foi inventado em 1974, nos Estados Unidos. Uma evolução dos então populares jogos de estratégia de tabuleiro, o RPG basicamente consiste de um grupo de jogadores que, trabalhando em conjunto e usando regras de jogo pré-definidas, tenta superar desafios propostos por um Mestre, responsável por narrar a história e organizar cada sessão de jogo. Com sua popularização, o jogo passou dar cada vez maior ênfase a interpretação, diminuindo o foco na estratégia e privilegiando o desenvolvimento de personagens. Uma das características principais do RPG é seu caráter cooperativo: os jogadores e o Mestre devem trabalhar em conjunto para criar uma boa história e garantir a diversão de todos. RPG não é competitivo, o que o tornou um jogo ideal para ser aplicado em processos educacionais em todo mundo. RPG também não é um jogo possível de se “perder” (uma vez que não há competição) e tampouco possui laços com satanismo.

Nenhum desses fatos importou para o delegado Adauto Corrêa. Desconhecendo os fundamentos do jogo de RPG, movido por intolerância cega e, talvez pressionado para apresentar resultados o mais rápido e espalhafotosamente possível (afinal de contas, até outro dia o principal réu nas páginas policiais era ele próprio) Corrêa decidiu que Camila, Edson, Cassiano e Maicon eram os responsáveis pelo crime. Corrêa estava suficientemente seguro de sua conclusão para poder se dar ao luxo de passar por cima e deixar de lado toda uma série de evidências, investigações e exames que seriam necessários para propriamente determinar o responsável pelo assassinato de Aline.

Corrêa, por exemplo, não levou em consideração o fato de que Aline mal tinha tido contato com Edson, Maicon e Cassiano. Apesar de estar hospedada na república deles, todos testemunhos concordavam que ela só dormia por ali, passando a maior parte do tempo pela cidade ou em festas em outra república, a Necrotério. Lá, testemunhas afirmaram que Aline passou tempo, isso sim, aos beijos com Fabrício Gomes, na época mal-afamado na cidade por um suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mais ainda, Fabrício Gomes e Aline Silveira teriam sido vistos em frente ao cemitério onde a jovem seria encontrada assassinada na manhã seguinte. Quando Camila Dolabella alertou o delegado Adauto Corrêa sobre o ocorrido, adicionando que Fabrício teria sido visto no dia seguinte à morte de Aline vestindo uma camiseta manchada de sangue, a resposta não foi promissora. Corrêa simplesmente anunciou que não queria saber de mais detalhes, pois ele já sabia quem eram os culpados.

Aline Silveira Soares foi localizada nua, com os braços abertos e pernas cruzadas, ao lado de roupas cuidadosamente arrumadas no chão, entre elas uma blusa coberta de esperma. O corpo tinha sido propositadamente arranjado dessa forma, fato evidenciado por uma trilha de sangue no local. Analíses toxicológicas revelavam traços de maconha no sangue da vítima. A investigação sob o comando de Adauto Corrêa não encontrou digitais dos suspeitos no local ou na arma do crime, econtrada próxima ao corpo. Também não comparou o esperma encontrado em Aline com o dos acusados. Na verdade isso seria impossível, uma vez que os policiais negligenciaram a coleta de material genético antes que ele fosse contaminado ou se deteriorasse. Tampouco foram localizadas drogas na posse dos acusados ou na república Sonata. Mas nada disso importava ao delegado Adauto Corrêa. Ele podia se dar ao luxo de desprezar evidências materiais e os testemunhos que contradiziam sua teoria. Afinal de contas, seu faro investigativo encontrava provas contra os quatro acusados em vários elementos considerados corriqueiros por um olhar não treinado. O fato de que Maicon Cassiano chegara a república Sonata naquela noite sem camisa, era evidência clara de que ele estaria fantasiado como um personagem de RPG. E, logo, era assassino. Embora não houvesse nada que indicasse que os acusados tinham passado pelo cemitério das mercês naquela noite, objetos tinham sido encontrados no local que poderiam ter servido num ritual. E se tinha havido ritual, os acusados tinham participado, afinal, para o delegado, eram todos obviamente satanistas. Outro elemento contundente contra os réus foi o fato de que eles terem limpado a república durante o curso investigação. Ignore-se que isso ocorreu quase uma semana após o crime, e que a polícia não tinha dado nenhuma instrução para que nada fosse alterado no local, apesar dos réus terem perguntado já nas primeiras horas do desaparecimento de Aline se deveriam preservar tudo intocado na república. Mas esse era justamente um exemplo do elemento mais incriminador de todos: o interesse dos jovens em desvendar o assassinato e ajudar a polícia só podia ser outra prova gritante de sua culpa. Como o delegado Adauto Corrêa sabia, criminosos sempre tentam agir como inocentes para despistar a polícia. Como o comportamento de Camila, Edson, Maicon e Cassiano denunciava a mais completa inocência, eles só poderiam ser culpados. Todos os quatro, apesar de que o laudo técnico deixava claro que as facadas em Aline tinham sido feitas por uma única pessoa.

A lógica tortuosa, irresponsável e perversa de Adauto Corrêa não avançou sem problemas. Após concluída a investigação, que indiciava os quatro jovens pelo assassinato, o caso chegou às mãos do promotor Edvaldo Pereira Júnior, que reconheceu prontamente a impossibilidade de dar seguimento aquele processo. Baseado em suposições, preconceitos e tentativas descabidas de fazer os fatos se conformarem à teoria (das mais mirabolantes), Pereira Júnior condicionou o seguimento do caso à realização de 17 diligências, que providenciassem alguma prova cabal, ou ao menos aceitável, sobre a culpa dos réus ou a identidade do assassino de Aline. Adauto Corrêa não realizou nenhuma dessas diligências, dando o caso por encerrado. Pereira Júnior tentou recorrer à Secretaria de Segurança Pública para afastar o delegado de seu cargo. Enquanto isso políticos oportunistas aproveitavam o caso para se promover, agitando a opinião pública e alimentando a indignação com boas doses de desinformação e mentiras. Um vereador chamado Bentinho Duarte passou uma lei proibindo o RPG em Ouro Preto. O promotor Fernando Martins iniciou processo contra as editoras Devir Livraria e Daemon tentando proibir a publicação de livros citados na investigação do caso. A mídia convencional se absteve de realizar qualquer trabalho jornalístico digno do nome e, seguindo a linha Fordiana de que se o factoide é melhor que o fato publica-se o factoide, deu ampla publicidade à teoria barroca de Corrêa, ao mesmo tempo que desprezava as hipóteses contraditórias. Apesar de se referirem aos réus como “suspeitos” ao invés de “assassinos”, o esforço de “imparcialidade” dos jornalões nunca atacou diretamente as óbvias irregularidades da investigação do caso nem contestou o caráter delirante da acusação. Enquanto isso, os quatro réus tentavam levar suas vidas, marcados pelo estigma de serem suspeitos de homicídio. Edson foi ameaçado de morte e trancou a faculdade. Maicon e Cassiano permanecerem em Ouro Preto, apesar da constante antagonização e assédio por parte de moradores da cidade. Camila retornou para Guarapari, onde passou a ser hostilizada pela família. Órfã de mãe, ela contou apenas com o apoio do pai durante todo o processo.

Em 2004, após três anos em que o caso esteve parado, ele saiu das mãos de Edvaldo Pereira Júnior e passou para a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca. Diferente de Pereira Júnior, que tinha se recusado a denunciar um processo tão eivado de inconsistências e sandices, Trócilo da Fonseca decidiu dar continuidade ao caso. Em 2005, Camila Dolabella e Edson Poloni foram presos. Quatro anos tinham se passado desde a morte de Aline, e nenhum dos acusados tinha apresentado qualquer atitude desabonadora até então. Edson saiu da cadeia após seis dias, sob efeito de uma liminar, mas Camila passou a maior parte daquele ano na detenção. Foi só quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça que a pena de prisão dos réus foi considerada descabida e lhes foi dado o direito de aguardarem o julgamento me liberdade, apesar das alegações do Ministério Público mineiro de que se tratavam de “contumazes jogadores de RPG, em todas suas modalidades“. Note que, até então, continuavam inexistentes qualquer evidência concreta de responsabilidade dos réus no assassinato de Aline Silveira. Eles estavam sendo presos e acusados por que tinham lido livros.

O caso permaneceu fora da mídia por alguns anos. Enquanto os réus tocavam a vida, a promotoria construía o caso e se preparava para o julgamento. Em 2006 a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca encontrou tempo para mandar apreender todas as edições de número 09 da revista Observatório Social, que denunciava na capa o uso de trabalho infantil nas mineradoras de Ouro Preto. A promotora se preocupava que as fotos expunham as pobres crianças, e afetavam negativamente a boa imagem da região… Mas, enfim. Em 2008 foi decidido que o caso de Aline Silveira seria levado à júri popular. Em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Gracia e Maicon Fernandes foram finalmente julgados pela acusação de homicídio qualificado. Na falta de prova contundente contra eles, a acusação optou por lançar novo ineditismo jurídico no direito brasileiro, ao sustentar que “o álibi dos réus era fraco”. Ou seja, não cabia à promotoria provar que eles tinham matado Aline Silveira. Eram os quatro estudantes que deveriam mostrar que não tinham cometido assassinato, ou serem presos. Contra eles pesavam diversas evidências “incriminadoras”: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies. Em 5 de julho de 2009, o júri os declarou inocentes.

Não se tratou aqui apenas da óbvia falta de qualquer prova contra eles. O decisão final dos sete jurados foi de que, efetivamente, os quatro réus “não concorreram, de qualquer forma, para prática do crime”. Os jovens que tinham passado quase uma década sendo coagidos, assediados, ameaçados, difamados e perseguidos não eram os assassinos de Aline Silveira Soares.

Teorias sobre o que realmente aconteceu não faltam, e já circulavam desde os primeiros dias do caso. A mais verossímel é de que Aline teria se envolvido com uma negociação de drogas, durante a Festa dos Doze, e, sem dinheiro, teria concordado em manter relações sexuais como pagamento. Não há indícios de violência sexual em seu corpo, o que demonstra a consensualidade do ato, comprovado pela perícia necrológica. Como a primeira facada em Aline foi em suas costas, tudo indica de que ela foi atraiçoada pelo seu parceiro de negócios. Este permanece solto e impune.

Os interesses escusos, a ignorância e o preconceito é que são os verdadeiros criminosos no caso de Ouro Preto. Foram eles que permitiram que por uma década quatro jovens inocentes fossem perseguidos injustamente, sendo até mesmo privados de liberdade e forçados a fazer inúmeros e pesados sacrifícios pessoais. Foram eles que deram ao verdadeiro assassino de Aline Silveira, um homem brutal e cruel, um passe livre para permanecer à solta. Em uma sanha cega e irresponsável de achar um culpado a justiça de Ouro Preto falhou miseravelmente, e duas vezes: não puniu o culpado e vitimou mais inocentes. Esse tipo de atitude, ignorando procedimentos básicos do processo legal, atropelando direitos civis e apelando para o ódio e a intolerância como elementos de incriminação, não é compatível com o Estado de Direito. Eu não contei essa história aqui hoje para inocentar Camila, Edson, Cassiano e Máicon. Coube ao tribunal do júri fazer isso. Mas para tomar a atitude digna e necessária de todo cidadão: exigir a imediata investigação e punição dos responsáveis pelo caso do assassinato de Aline Silveira Soares. Sua irresponsabilidade e malícia, sua truculência e abuso de poder não podem, nem devem ser perdoadas, nem as sérias acusações de acobertamento dos verdadeiros responsáveis devem ser relevadas. Isso não pode ser permitido.

Os inocentes estão, enfim, livres. É mais que hora de punir os culpados.

Por Felipe de Amorim

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caso-de-ouro-preto-quinze-anos-de-incompet%C3%AAncia