A Magia Maior e a Magia Menor no Satanismo

Magia Maior e Magia Menor (conhecida também como Alta e Baixa Magia ou coletivamente Magia Satânica), dentro do Satanismo LaVeyano, designa tipos de crenças com o termo maior magia aplicada à prática ritual significada como catarse psicodramática para focar as emoções para um propósito específico e magia menor aplicado à prática de manipulação por meio de psicologia aplicada e glamour (ou “astúcia e malícia”) para dobrar um indivíduo ou situação à sua vontade.

TEORIA E DEFINIÇÃO:

 “A magia branca é supostamente utilizada apenas para propósitos bons ou altruístas, e a magia negra, nos dizem, é usada apenas por razões egoístas ou “más”. O satanismo não traça tal linha divisória. Magia é magia, seja usada para ajudar ou atrapalhar. O satanista, sendo o mago, deve ter a habilidade de decidir o que é justo, e então aplicar os poderes da magia para atingir seus objetivos.” – Anton LaVey.

Delineado na Bíblia Satânica, LaVey definiu a magia como “a mudança em situações ou eventos de acordo com a vontade de alguém, que, usando métodos normalmente aceitos, seria imutável”. Esta definição incorpora dois tipos amplamente distintos de magia: maior e menor. De acordo com LaVey, um dos objetivos da magia ritual é “isolar a suprarrenal dissipada e outras energias emocionalmente induzidas, e convertê-la em uma força dinamicamente transmissível”. LaVey definiu magia menor como “astúcia e astúcia obtidas através de vários dispositivos e situações inventadas, que quando utilizadas, podem criar mudanças de acordo com a vontade de alguém”. Dentro deste sistema de magia, os termos feiticeiro e bruxa são mais comumente usados ​​e para se referir a praticantes masculinos e femininos, respectivamente.

LaVey defendia a visão de que havia uma realidade objetiva para a magia, e que ela dependia de forças naturais que ainda não haviam sido descobertas pela ciência. Em vez de caracterizá-los como sobrenaturais, LaVey expressou a visão de que eles faziam parte do mundo natural. Ele acreditava que o uso bem-sucedido da magia envolvia o mago manipular essas forças naturais usando a força de sua própria força de vontade. LaVey também escreveu sobre “o fator de equilíbrio”, insistindo que quaisquer objetivos mágicos deveriam ser realistas. LaVey recusou qualquer divisão entre magia negra e magia branca, atribuindo essa dicotomia puramente à “hipocrisia presunçosa e autoengano” daqueles que se autodenominavam “magos brancos”. Tal neutralidade se correlaciona com a visão filosófica de LaVey de um universo impessoal e, portanto, amoral.

LaVey explica suas razões para escrever A Bíblia Satânica em um pequeno prefácio. Ele fala com ceticismo sobre os volumes escritos por outros autores sobre o assunto da magia, descartando-os como “nada mais do que fraude hipócrita” e “volumes de desinformação e falsas profecias”. Ele reclama que outros autores não fazem mais do que confundir o assunto. Ele zomba daqueles que gastam grandes quantias de dinheiro em tentativas de seguir rituais e aprender sobre a magia compartilhada em outros livros de ocultismo. Ele também observa que muitos dos escritos existentes sobre magia e ideologia satânicas foram criados por autores do “caminho da mão direita”. Ele diz que a Bíblia Satânica contém verdade e fantasia, e declara: “O que você vê pode nem sempre agradar a você, mas você verá!” Muitas das ideias de LaVey sobre magia e ritual são descritas na Bíblia Satânica. LaVey explica que alguns dos rituais são simplesmente psicologia aplicada ou ciência, mas que alguns contêm partes sem base científica. Os Rituais Satânicos, publicado por LaVey em 1972, descreve os rituais com mais precisão. O terceiro livro da Bíblia Satânica descreve rituais e magia. De acordo com Joshua Gunn, estes são adaptados de livros de magia ritual, como Magick de Crowley: Teoria Elementar, mais conhecido como o Liber ABA.

A MAGIA MENOR

 “O significado antiquado de ‘glamour’ é bruxaria. O trunfo mais importante para a bruxa moderna é sua capacidade de ser sedutora, de utilizar o glamour. A palavra ‘fascinação’ tem uma origem similarmente oculta. Fascinação era o termo aplicado ao mau-olhado. Fixar o olhar de uma pessoa, em outras palavras, fascinar, era amaldiçoá-la com o mau-olhado. Portanto, se uma mulher tinha a capacidade de fascinar os homens, ela era considerada uma bruxa.” – Anton LaVey.

A Magia Menor, também conhecida como magia “cotidiana” ou “situacional”, é a prática de manipulação por meio da psicologia aplicada. LaVey escreveu que um conceito-chave na magia menor é o “comando para olhar”, que pode ser realizado utilizando elementos de “sexo, sentimento e admiração”, além da utilização de aparência, linguagem corporal, aromas, cores, padrões , e odor. LaVey escreveu que os termos “fascínio” e “glamour” têm origens no mundo da magia “coercitiva”. A palavra “fascinação” vem da palavra latina “fascinare”, que significa “lançar um feitiço sobre”. Este sistema encoraja uma forma de dramatização manipulativa, em que o praticante pode alterar vários elementos de sua aparência física para ajudá-lo a seduzir ou “enfeitiçar” um objeto de desejo.

LaVey desenvolveu “O Relógio Sintetizador”, cujo objetivo é dividir os humanos em grupos distintos de pessoas com base principalmente na forma do corpo e nos traços de personalidade. O sintetizador é modelado como um relógio, e baseado em conceitos de somatótipos. O relógio destina-se a ajudar uma bruxa a se identificar, posteriormente auxiliando na utilização da “atração de opostos” para “encantar” o objeto de desejo da bruxa, assumindo o papel oposto. Diz-se que a aplicação bem-sucedida da magia menor é construída sobre a compreensão de seu lugar no relógio. Ao encontrar sua posição no relógio, você é encorajado a adaptá-la como achar melhor e aperfeiçoar seu tipo harmonizando seu elemento para melhor sucesso. LaVey explica que, para controlar uma pessoa, é preciso primeiro atrair sua atenção. Ele dá três qualidades que podem ser empregadas para esse propósito: apelo sexual, sentimento (fofura ou inocência) e admiração. Ele também defende o uso de odor.

Dyrendal se referiu às técnicas de LaVey como “Erving Goffman conhece William Mortensen”. Extraindo insights da psicologia, biologia e sociologia, Petersen observou que a magia menor combina ocultismo e “ciências rejeitadas de análise corporal e temperamentos”.

  • No MorteSubita.net há uma seção dedicada a Baixa Magia com diversas informações a respeito.

A MAGIA MAIOR:

Da esquerda para a direita: Karla LaVey, Diane Hegarty e Anton LaVey ritualizando na Casa Negra, a sede original da Igreja de Satã.

A Magia Maior é um ritual realizado para concentrar a energia emocional de uma pessoa para um propósito específico. Esses ritos são baseados em três grandes temas psicoemotivos, incluindo compaixão (amor), destruição (ódio) e sexo (luxúria). Esses rituais são frequentemente considerados atos mágicos, com o satanismo de LaVey incentivando a prática da magia para ajudar os fins egoístas. Muito do ritual satânico é projetado para um indivíduo realizar sozinho; isso ocorre porque a concentração é vista como a chave para a realização de atos mágicos. O ritual é referido como uma “câmara de descompressão intelectual”, onde o ceticismo e a descrença são voluntariamente suspensos, permitindo assim que os magos expressem plenamente suas necessidades mentais e emocionais, não retendo nada em relação aos seus sentimentos e desejos mais profundos. LaVey listou os componentes-chave para um ritual bem-sucedido como: desejo, tempo, imaginação, direção e “O Fator de Equilíbrio” (consciência das próprias limitações). Os rituais LaVeyanos às vezes incluem blasfêmias anticristãs, que se destinam a ter um efeito libertador sobre os participantes. Em alguns dos rituais, uma mulher nua serve de altar; nestes casos, fica explícito que o próprio corpo da mulher se torna o altar, em vez de tê-la simplesmente deitada sobre um altar existente. Não há lugar para orgias sexuais no ritual LaVeyano. Nem animais nem sacrifícios humanos acontecem. As crianças são proibidas de participar desses rituais, com a única exceção sendo o Batismo Satânico, que é especificamente projetado para envolver bebês.

Detalhes para os vários rituais satânicos são explicados no Livro de Belial, e listas de objetos necessários (como roupas, altares e o símbolo de Baphomet) são fornecidas. LaVey descreveu uma série de rituais em seu livro, Os Rituais Satânicos; estas são “performances dramáticas” com instruções específicas sobre a roupa a ser usada, a música a ser usada e as ações a serem tomadas. Esta atenção aos detalhes na concepção dos rituais foi intencional, com sua pompa e teatralidade pretendendo envolver os sentidos e os sentidos estéticos dos participantes em vários níveis e aumentar a força de vontade dos participantes para fins mágicos. LaVey prescreveu que os participantes do sexo masculino devem usar túnicas pretas, enquanto as mulheres mais velhas devem usar preto, e outras mulheres devem se vestir de forma atraente para estimular os sentimentos sexuais entre muitos dos homens. Todos os participantes são instruídos a usar amuletos do pentagrama virado para cima ou da imagem de Baphomet. De acordo com as instruções de LaVey, no altar deve ser colocada uma imagem de Baphomet. Isso deve ser acompanhado por várias velas, todas, exceto uma, devem ser pretas. A única exceção é uma vela branca, usada em magia destrutiva, que é mantida à direita do altar. Também deve ser incluído um sino que é tocado nove vezes no início e no final da cerimônia, um cálice feito de tudo menos ouro, e que contém uma bebida alcoólica simbolizando o “Elixir da Vida”, uma espada que representa a agressão, uma falo modelo usado como aspersório, gongo e pergaminho no qual os pedidos a Satã devem ser escritos antes de serem queimados. Embora o álcool fosse consumido nos ritos da Igreja, a embriaguez era desaprovada e o consumo de drogas ilícitas era proibido.

O livro final da Bíblia Satânica enfatiza a importância da palavra falada e emoção para a magia eficaz. Uma “Invocação a Satã” bem como três invocações para os três tipos de ritual são dadas. A “Invocação a Satã” ordena que as forças das trevas concedam poder ao invocador e lista os nomes Infernais para uso na invocação. A “Invocação empregada para a conjuração da luxúria” é usada para atrair a atenção de outro. As versões masculina e feminina da invocação são fornecidas. A “Invocação empregada para a conjuração da destruição” comanda as forças das trevas para destruir o sujeito da invocação. A “Invocação empregada para a conjuração da compaixão” solicita proteção, saúde, força e a destruição de qualquer coisa que aflija o sujeito da invocação. O resto do Livro de Leviatã é composto pelas Chaves Enoquianas, que LaVey adaptou do trabalho original de Dee. Elas são dados em enoquiano e também traduzidas para o inglês. LaVey fornece uma breve introdução que credita Dee e explica um pouco da história por trás das Chaves Enoquianas e da linguagem. Ele sustenta que as traduções fornecidas são um “desenvernizamento” das traduções realizadas pela Ordem Hermética da Golden Dawn (Aurora Dourada) em 1800, mas outros acusam LaVey de simplesmente mudar as referências ao cristianismo com as de Satã.

Ao projetar esses rituais, LaVey baseou-se em uma variedade de fontes mais antigas, com o estudioso do satanismo Per Faxneld observando que LaVey “montou rituais de uma miscelânea de fontes históricas, literárias e esotéricas”. LaVey brincou abertamente com o uso da literatura e da cultura popular em outros rituais e cerimônias, apelando assim ao artifício, pompa e carisma. Por exemplo, ele publicou um esboço de um ritual que ele chamou de “Chamado a Cthulhu”, que se baseava nas histórias do deus alienígena Cthulhu, de autoria do escritor de terror americano H. P. Lovecraft. Neste rito, programado para acontecer à noite em um local isolado perto de um turbulento corpo de água, um celebrante assume o papel de Cthulhu e aparece diante dos satanistas reunidos, assinando um pacto entre eles na linguagem da ficção de Lovecraft “Old Ones (Os Antigos)”.

  • O Morte Súbita inc tem uma seção inteiramente dedicada a Baixa Magia

RITUAIS E RITOS CERIMONIAIS:

No Livro de Belial, ele discute três tipos de rituais: rituais de luxúria que trabalham para atrair outra pessoa, rituais de destruição para destruir outra pessoa e rituais de compaixão para melhorar a saúde, inteligência e sucesso. Rituais de luxúria são projetados para atrair o parceiro romântico ou sexual desejado e podem envolver a masturbação, com o orgasmo como objetivo. Rituais de destruição são projetados para prejudicar os outros e envolvem a aniquilação simbólica de um inimigo através do uso de sacrifício humano “vicário”, muitas vezes envolvendo uma efígie personalizada representando a vítima pretendida que é então submetida a fogo ritual, esmagamento ou outra representação de obliteração . Os rituais de compaixão são projetados com a intenção de ajudar as pessoas (incluindo a si mesmo), para evocar um sentimento de tristeza ou tristeza, e o choro é fortemente encorajado.

Nos Rituais Satânicos, LaVey faz uma distinção entre o ritual e a cerimônia, afirmando que os rituais “… são direcionados para um fim específico que o performer deseja”, e que as cerimônias são “… evento, aspecto da vida, personagem admirado, ou declaração de fé (…) um ritual serve para atingir, enquanto uma cerimônia serve para sustentar”. LaVey enfatizou que em sua tradição, os ritos satânicos vinham em duas formas, nenhuma das quais eram atos de adoração; em sua terminologia, os “rituais” tinham a intenção de provocar mudanças, enquanto as “cerimônias” celebravam uma ocasião particular.

Um batismo satânico é uma cerimônia para uma criança que se destina a ser um reconhecimento simbólico da criança como tendo nascido satanista e só deve ser realizada para menores de quatro anos, pois LaVey afirmou que além dessa idade, a criança já começou a ser influenciado por ideias “alienígenas”. Os batismos de adultos servem como uma declaração de “fé”, onde “falsidades, hipocrisia e vergonha do passado” são simbolicamente rejeitadas. Em 1967, LaVey realizou o primeiro batismo satânico registrado publicamente na história para sua filha mais nova, Zeena, que ganhou publicidade mundial e foi originalmente gravado no LP, The Satanic Mass (A Missa Satânica). Os Batismos Satânicos foram escritos por LaVey e publicados em Os Rituais Satânicos.

Em fevereiro de 1967, LaVey oficiou o primeiro casamento satânico, o casamento muito divulgado de Judith Case e o jornalista John Raymond. O primeiro funeral satânico foi para o mecânico-reparador naval dos EUA, de terceira classe e membro da Igreja de Satã, Edward Olsen. Foi realizado por LaVey a pedido da esposa de Olsen, completo com uma guarda de honra com capacete cromado. Ambas as cerimônias foram escritas por LaVey, mas nunca foram publicadas oficialmente até 2007, quando As Escrituras Satânicas lançou ao público uma versão adaptada delas pelo atual Sumo Sacerdote da Igreja, Peter H. Gilmore.

Junto com as cerimônias de casamento e funeral, As Escrituras Satânicas de Gilmore também publicou um rito menor de dedicação de objetos cerimoniais, que satiriza os rituais de ‘limpeza’ de outras religiões, e o Ragnarök Rite (Rito do Ragnarök), um ritual escrito por Gilmore na década de 1980 inspirado no o antigo mito nórdico do Ragnarök pretendia expurgar seus participantes da angústia e do ódio despertados após serem vítimas do fanatismo religioso.

A MISSA NEGRA:

LaVey também desenvolveu sua própria Missa Negra, que foi concebida como uma forma de descondicionamento para libertar o participante de quaisquer inibições que desenvolvessem ao viver na sociedade cristã. Ele observou que ao compor o rito da Missa Negra, ele se baseou no trabalho de Charles Baudelaire e Joris-Karl Huysmans.

SIMBOLISMO:

Os Quatro Príncipes Coroados do Inferno:

LaVey utilizou o simbolismo dos Quatro Príncipes Herdeiros do Inferno na Bíblia Satânica, com cada capítulo do livro sendo nomeado após cada Príncipe. O Livro de Satã: A Diatribe Infernal, O Livro de Lúcifer: A Iluminação, O Livro de Belial: Domínio da Terra, e O Livro do Leviatã: O Mar Furioso. Esta associação foi inspirada na hierarquia demoníaca do Livro da Magia Sagrada de Abra-Melin, o Mago.

  • Satã (hebraico) “O Senhor do Inferno”:

O adversário, representando a oposição, o elemento fogo, a direção do sul e o Sigilo de Baphomet durante o ritual.

  • Lúcifer (romano) “A Estrela da Manhã”:

O portador da luz, representando orgulho e iluminação, o elemento ar, a direção do leste e velas durante o ritual.

  • Belial (hebraico) “O Sem Mestre”:

A baixeza da terra, independência e autossuficiência, o elemento terra, a direção do norte e a espada durante o ritual.

  • Leviatã (hebraico) “A Serpente do Abismo”:

O grande dragão, representando o segredo primordial, o elemento água, a direção do oeste e o cálice durante o ritual.

Frases:

Hail Satan (Salve Satã)” uma saudação comum e termo ritual na Igreja de Satã, tanto em sua forma inglesa, Hail Satan, bem como na versão original em latim, Ave Satanas. Quando Ave Satanas é usado, muitas vezes é precedido pelo termo Rege Satanas (“Satã Reina”). (Rege Satanas pode ser ouvido no vídeo de um casamento amplamente divulgado da Igreja de Satã realizado por LaVey em 1º de fevereiro de 1967.) A combinação “Rege Satanas, Ave Satanas, Hail Satan!” é encontrado como uma saudação na correspondência inicial da Igreja de Satã, bem como em sua gravação de 1968, The Satanic Mass (A Missa Satânica) e, finalmente, em seu livro de 1969, A Bíblia Satânica. A frase é usada em algumas versões da Missa Negra, onde muitas vezes acompanha a frase Shemhamforash e é dita no final de cada oração. Este rito foi realizado pela Igreja de Satã aparecendo no documentário Satanis em 1969.

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Principais fontes:

Aquino, Michael (2002). The Church of Satan.

Barton, Blanche (1992). The Secret Life of a Satanist: The Authorized Biography of Anton Lavey. Feral House. p. 86. ISBN 978-0-922915-12-5.

Gilmore, Peter H. (2007). The Satanic Scriptures. Baltimore (MD): Scapegoat Publishing. pp. 131–182.

Gunn, Joshua (2005). “Prime-time Satanism: rumor-panic and the work of iconic topoi”. Visual Communication. 4 (1): 93–120. doi:10.1177/1470357205048939. S2CID 144737058.

LaVey, Anton (1969). The Satanic Bible. Avon.

LaVey, Anton, The Satanic Mass, LP (Murgenstrumm Records, 1968)

Melech, Aubrey (1985). La Messe Noire (PDF). London: Sui Anubis. p. 52. ISBN 0-947762-03-5.

Mortensen, William; Dunham, George (2014). The Command to Look: A Master Photographer’s Method for Controlling the Human Gaze. p. 203.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-magia-maior-e-a-magia-menor-no-satanismo/

A Alta Magia e o Santuário do Silêncio

Por Lyam Thomas Christopher

“O propósito do silêncio”, diz o famoso Cabalista Z’ev ben Shimon Halevi, “é harmonizar todos os aspectos díspares da psique” (Halevi 94). Mas como isto é assim? Por que o adepto é notado tanto por sua calma quanto por sua magia? De fato, um dos símbolos mais marcantes e enigmáticos dos mistérios ocidentais é o gesto de trazer o dedo indicador para os lábios. Na superfície, esta postura comunica a necessidade do sigilo. E, num nível mais profundo e oculto, demonstra um segredo de verdadeiro poder.

A Nova Era é conhecida pelo poder mágico: cura energética, projeção astral, adivinhação, proteção psíquica, afirmações que mudam a vida. Estes temas surgem das lendas dos místicos e magos famosos pelos estranhos fenômenos que os rodeavam. O exame da vida destes homens e mulheres, no entanto, revelará que eles não desenvolveram intencionalmente tais poderes externos. Em vez disso, eles praticaram a disciplina de mergulhar em um lugar secreto dentro de si, na verdadeira natureza do Eu. Foi apenas por acaso que, ao penetrarem neste santuário oculto, várias habilidades se manifestaram. Eles começaram a se lembrar de vidas passadas. Eles podiam projetar seus corpos astrais. Seus ambientes começaram a cooperar com eles, cumprindo suas intenções sem nenhum esforço de sua parte. Eles podiam ver outros lugares nos olhos da mente e alegadamente faziam todo tipo de façanhas estranhas, como caminhar sobre a água, aparecer em dois lugares ao mesmo tempo, e viver por centenas de anos.

Muitos desses mestres alertaram seus alunos para não valorizar o trabalho espiritual por seus efeitos especiais, mas as pessoas ainda hoje perseguem poderes mágicos como tantos cachorros enamorados com suas próprias caudas. A ânsia por resultados de todos os seres humanos, infelizmente para eles, é contrária à disciplina espiritual que produz tais resultados. A preocupação com as manifestações de poder “ruidosas” para fora serve apenas para afastar o estudante de magia do próprio poder que ele procura, cuja fonte está escondida na quietude.

Quando o estudante começa a estudar magia na tradição Golden Dawn (Aurora Dourada), a primeira série em que entra ensina-lhe o mais poderoso de todos os gestos rituais: o Sinal do Silêncio. Para realizá-lo, o aluno se levanta de pé, leva seu dedo indicador esquerdo aos lábios e carimba seu pé esquerdo com suavidade e firmeza. Este ato ritual tem a tendência, mesmo em um estudante não acostumado a trabalhar com a aura, de recolher e assentar qualquer energia psíquica que possa estar vagando por aí.

A tendência natural da mente média movida pelo corpo é a de projetar sua preciosa energia para fora em direção a objetos em seu campo perceptual. Obedecendo aos instintos de sobrevivência do corpo, a mente típica é mantida cativa por uma obsessão em mostrar a si mesma um filme de seu próprio conteúdo. Este tipo de projeção é uma faculdade útil para os animais, pois condiciona a mente a ser atraída pela comida e a fugir dos predadores. No entanto, manter um mundo de fantasia povoado de qualidades atraentes e repulsivas desperdiça uma grande quantidade de energia mental que poderia ser usada para fins mais elevados. Ele mantém a pessoa comum fechada em um mundo de sonhos enervante, no qual objetos externos parecem possuir disposições boas e más. Por exemplo, ele pode guardar rancor para um colega de trabalho na medida em que, não importa o que o colega faça, as expressões faciais parecem demoníacas e maneirismos ameaçadores. Seu inimigo percebido pode até mesmo sorrir para ele, mas ele acaba percebendo o ato como lascivo ou sarcástico. Ou, um homem pode ter uma esposa cruel que o faz lembrar de sua mãe. Não importa o quanto ela o trate mal, ele projeta sobre ela imagens de segurança e de segurança. Ele fica preso em uma ilusão, apaixonado por alguém que ele não suporta. Neste cativeiro onírico, ele não reconhece mais o medo e o desejo como autogerados. Ele permite que eles emanem de objetos externos. Quando uma pessoa deixa de assumir a responsabilidade por suas próprias percepções, quando não se reconhece mais como sua fonte, ela se torna subserviente às circunstâncias e presa por seu ambiente.

O humano moderno, no entanto, evoluiu e está se libertando da necessidade do mecanismo de sobrevivência da projeção – isto apesar do fato de que o mecanismo ainda está ligado ao seu sistema nervoso. Projeções de medo e desejo ainda paira sobre ele, governando suas ações, mesmo quando ele se torna vagamente consciente da possibilidade de crescer além da necessidade desses fantasmas parentais desgastados. Diante do potencial para uma vida livre de ilusões externas, ele deve ter a coragem de seguir em frente. Tendo vislumbrado a irrealidade dos demônios que o impulsionam, ele não pode mais, em boa consciência, submeter-se a eles. É tarefa do estudante de alta magia, portanto, tornar-se consciente desta faculdade de projeção – aproveitá-la, chamá-la de lar, e eventualmente dedicá-la a um propósito superior. O silêncio é uma ferramenta que ajuda a este despertar.

A prática ritual do Sinal do Silêncio ajuda a retirar quaisquer correntes de projeção que você esteja jogando fora no momento. Ao executá-lo, imagine-se voltando ao seu lugar ou “fervilhando”. Pat Zalewski acrescenta uma visualização do Sinal do Silêncio em seu livro Z-5: Ensinamento Secreto da Golden Dawn: “Imagine um vapor aquoso que o rodeia. Este é o refluxo da corrente” (Zalewski 176).

Os estudantes que se tornam gradualmente mais hábeis em conter suas projeções notarão que seus ambientes deixam de ser intimidadores. O medo começa a dissolver-se. Eles crescem mais e mais seguros dentro de si mesmos e menos reativos. Estas experiências são bons sinais de progresso.

O oficial do templo conhecido como Kerux dá uma lição chave sobre o silêncio no ritual Neófito da Golden Dawn. Ele conduz o neófito a uma mesa e lhe mostra dois pratos de líquido transparente. Ele entrega um ao neófito e despeja o conteúdo do outro dentro dele. Os dois produtos químicos reagem e ficam vermelhos no sangue:

“Que isto te lembre, ó Neófito, quão facilmente por uma palavra descuidada ou impensada, você pode trair aquilo que jurou guardar em segredo e pode revelar o conhecimento oculto que te foi transmitido, e implantado em seu cérebro e em sua mente. E que o matiz do sangue te lembre que se falhares neste juramento de segredo, teu sangue poderá ser derramado e teu corpo quebrado…(Regardie 130)”

Anos mais tarde, quando o Neófito tiver alcançado uma nota mais alta, esta lição passará de um aviso sobre o sigilo para um bom conselho sobre a verdadeira natureza do poder mágico. A capacidade de manter um juramento de sigilo é simbólica de uma magia mais profunda que o estudante ainda não descobriu. Em algum momento, o estudante se tornará mais sensível às dimensões superiores e à energia bruta que anima seu corpo físico. Em algum momento, ele se tornará capaz de sentir o mal-estar energético da traição – a sensação de quebrar, romper ou derramar que surge em seu instinto quando ele acidentalmente revela algum detalhe íntimo de seu trabalho mágico a um estranho. Em algum momento, então, ele conhecerá a sensação de integridade danificada, o desequilíbrio e o vazamento de energia, como o sangue de uma ferida.

Por que este tipo de autocontenção é importante? O trabalho ritual diário de um estudante do Golden Dawn estabelece um recipiente selado, no qual pode ocorrer o Grande Trabalho de autotransformação. Este recipiente invisível deve ser cuidadosamente alimentado com silêncio e privacidade. Misturar os detalhes de suas duas vidas diferentes, sua persona pública e sua persona mágica, colocará em risco este ponto focal interno de poder potencial. As palavras faladas a outra pessoa devem ser cuidadosamente monitoradas, pois compreendem um ato ritual que pode sugar a energia de uma área da vida para outra. É melhor então empregar o silêncio como uma barreira, que mantém as delicadas energias formativas de seu trabalho mágico diário isoladas e nutridas das multidões ciumentas. Não seja como o sonhador brincalhão que perde tempo e energia falando de seus sonhos e deixando de agir sobre eles. Seja antes como o artista que não expõe seu trabalho enquanto ele está em meio à criação.

A ideia por trás disto é que a energia bruta generativa, cuidadosamente contida e concentrada, incubará e cultivará energia quintessencial para produzir esclarecimento. A centelha divina que caiu na matéria na criação do universo primordial só germinará quando ela for bem cuidada. E quando o trabalho diário do estudante tiver sucesso, essa centelha florescerá no mundo, expressando a divindade nas circunstâncias de sua vida.

Esta ideia não é realmente nada de novo para a disciplina espiritual. Outras tradições também a ensinam. Na yoga taoísta, o estudante usa a respiração, a visualização, várias posturas de equilíbrio e concentração para aproveitar a energia volátil generativa e acumulá-la para produzir um “embrião espiritual”. Cuidado adequadamente através do silêncio, autocontenção e reclusão, este embrião amadurece e se torna um corpo imortal de luz, capaz de explorar a natureza interior do universo e reencarnar em quaisquer circunstâncias que ele requeira para novas aventuras. O Mestre Zen Kuoan do século XII descreve um processo semelhante em uma série de poemas sobre a criação de bois (Loori xv). O boi que ele gosta da tendência volátil, errante e neurótica da mente. A tarefa do monge zen é domar o boi e montá-lo em casa – sendo “casa” a iluminação. Para realizar este processo ele pratica Zazen, uma espécie de meditação sentada na qual se requer total quietude e centralidade. Nas tradições ocidentais, a Alquimia propõe mais uma versão deste processo, afirmando que o Mercúrio volátil (mente inquieta), às vezes representado por uma serpente, deve ser crucificado (contido e domesticado), para que uma transmutação possa ocorrer. A aplicação de enxofre (concentração) a este Mercúrio fixo faz com que a pedra filosofal mágica se cristalize. Estas diferentes abordagens sugerem uma fórmula universal: Para que o poder mágico se manifeste, a mente deve ser contida, domada e concentrada, de modo que algum tipo de transformação possa ocorrer.

A pedra filosofal é vista simbolicamente como um diamante prismático ou esmeralda. Ela refrata e focaliza a luz. Isto sugere que a energia bruta do corpo pode ser contida e concentrada, criando algo análogo a uma lente. Há muitos magos por aí que se orgulham muito de sua capacidade de controlar essa energia generativa. Eles a empregam para “curar” outros, ou para manipulá-los hipnoticamente. Alguns até mostram sua capacidade de gerar uma carga estática quando entregam um aperto de mão. Mal sabem eles como desperdiçam este precioso recurso quando poderiam estar temperando-o e concentrando-o em silêncio para agir como uma lente para outro tipo de energia, a ilimitada luz espiritual dos Mundos superiores.

A disciplina humilde e alternativa da alta magia requer claramente autocontenção e foco, e isso significa que as filosofias estereotipadas da Nova Era não servirão. A Nova Era muitas vezes confunde moralidade com magia. Ela mistura a tolerância politicamente correta da diversidade com a disciplina espiritual. Consequentemente, isto produz um caldo caótico de técnicas conflitantes, misturando e combinando panteões incompatíveis de deuses e aplicando erroneamente símbolos divergentes de modelos mutuamente exclusivos do universo. Estudantes que vão do yoga ao espiritualismo e à Magia Enochiana acabam não chegando a lugar nenhum rapidamente. Alguns acabam desenvolvendo obsessões e neuroses que beiravam a esquizofrenia. Quando você está tentando alcançar a iluminação, você deve se concentrar em um sistema e uma prática particular, de preferência sob a orientação de um adepto. Para romper a crosta de ilusão do ego, é melhor cavar um todo profundo em vez de muitos outros superficiais.

Quando o estudante é capaz de se conter e centralizar de maneira consistente, o que ele descobre? Tem havido muitas tentativas para descrevê-lo. Alguns o chamam de porta de entrada. No budismo é chamado de “gateless gate” (porta sem porta). No cristianismo, Jesus se refere a ela como o “olho da agulha” pelo qual um homem rico não pode passar. A Golden Dawn representa este portão através dos dois pilares do templo.

Os pilares preto e branco, Jachin e Boaz, representam os opostos em manifestação, as forças contendas entre as quais o espectro de sensação do arco-íris é possível. A maioria das pessoas que olham para o mundo veem apenas a dualidade preto e branco dos dois pilares e o jogo do cabo de guerra entre eles. Elas acreditam que as coisas acontecem no mundo por causa de causa e efeito, porque um pilar inicia uma ação e o outro reage a ela. E assim por diante, para frente e para trás, preto e branco, o bem e o mal. Tais pessoas ludibriadas em seu carma, tipicamente gostam de declarações da Nova Era como “O que acontece, acontece” ou “O que você envia, você recebe três vezes para trás”. Embora haja uma certa realidade nestas declarações em um nível, o mago da alta magia alcança um estado além da causa e do efeito, além da roda da morte e do renascimento, e além das paredes do tempo e da morte.

O que a maioria das pessoas não vê é que, entre os pilares preto e branco, em meio a este espectro de ação e reação, o poder imerge de uma dimensão superior. Ela se manifesta dentro do drama das forças em confronto. Os pilares preto e branco não operam em um vácuo. Eles são dois atores em um drama presidido por uma força que é invisível, além e acima da arena de ação limitada pelo tempo. Há um poder que surge no mundo material que não vem de nada iniciado no próprio mundo material. Ele flui através deste portal invisível. O oficial do templo chamado de Hierofante representa este poder oculto. Ele vem simbolicamente em auxílio do Neófito vendado, passando entre os pilares preto e branco de ação e reação. Ele representa o Eu Superior do neófito e uma alternativa à vida que está enredada no refluxo e fluxo da natureza.

Este é um ponto muito importante, pois demonstra que a mudança é possível através de outros meios que não o esforço físico. Ele aponta a possibilidade do verdadeiro poder mágico que surge através do silêncio de nenhum esforço. Na alquimia, a simples presença da pedra filosofal é suficiente para transformar metais de base em ouro. A mera presença do adepto, da mesma forma, sem esforço, faz com que a mudança se manifeste independentemente das leis de causa e efeito.

O mago não manipula necessariamente o mundo. Ele meramente se transforma no meio da mudança, tornando-se uma fonte de transformação. Alguém observou cinicamente que, mais cedo ou mais tarde, todos os magos desistem da magia e se voltam para o misticismo. Mas, se esses estudantes de magia tivessem sido místicos devotados desde o início, eles se teriam encontrado, sem tentar, no papel de mago.

Obras Citadas:

Halevi, Z’ev ben Shimon. The Work of the Kabbalist. York Beach, ME: Samuel Weiser, 1985.

Zalewski, Pat. Z-5 Secret Teachings of the Golden Dawn/Book I: The Neophyte Ritual 0=0. St. Paul, MN: Llewellyn, 1991.

Regardie, Israel. The Golden Dawn. 6th ed. St. Paul, MN: Llewellyn, 1992.

Loori, John Daido. Riding the Ox Home. Boston: Shambhala, 1999.

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Fonte:

High Magic and the Sanctuary of Silence, by Lyam Thomas Christopher.

https://www.llewellyn.com/journal/article/1266

COPYRIGHT (2006) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-alta-magia-e-o-santuario-do-silencio/

O Louco no Tarot de Rider-Waite e Thoth

Breve descrição dos símbolos nas imagens do Arcano do Louco em dois tarots: Rider-Waite e Thoth (Crowley). Vale lembrar que no curso de Tarot e História da Arte, discutiremos 18 decks diferentes (desde o Visconti Sforza, Marselha e Boêmios até os mais modernos como o Mitológico, Golden Dawn e Egipcio) e as comparações simbólicas entre cada Arcano.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-louco-no-tarot-de-rider-waite-e-thoth

A Tábua da União

Excerto de Magia Moderna de Donald Michael Kraig

Tradução: Yohan Flaminio

Não tenho a pretensão de ser um especialista nesse sistema em particular, mas sei que certos rituais que incorporam o simbolismo e as técnicas enochianas são muito poderosos. Parece haver uma qualidade mágica nos próprios sons das palavras misteriosas. Alguns declararam que Enochiano é o sistema mágico mais poderoso que existe. Paul Foster Case modelou sua própria ordem, os Builders of the Adytum (BOTA), após a Golden Dawn, da qual ele havia sido membro. A maior parte da ordem externa concentra-se em torno do Tarô. Os rituais realizados pela Ordem Interna são muito próximos aos da Golden Dawn. A principal diferença é que Case parece ter temido o Sistema Enochiano e removeu todos os vestígios de seus rituais.

A Tábua da União representa o fato de que seu altar funciona como o lugar onde os quatro elementos mágicos se encontram, se reúnem, são unidos. Para fazer isso, você simplesmente pega um pedaço de papel ou papelão pesado e faz um retângulo de quatro unidades de altura por cinco unidades de largura. Não especifico o tamanho das unidades porque você precisa fazer com que caibam no centro do altar. Contorne os espaçamentos de forma que o cartão seja preenchido por vinte caixas: cinco na horizontal e quatro para cima e para baixo. Isso deve ser feito com tinta preta muito escura. O papel deve ser branco. Preencha o cartão da seguinte forma:

As letras, assim como as linhas, devem ser o mais escuras possível. EXARP é o nome Enochiano ou Angelical para o Espírito do Ar. HCOMA é o nome do Espírito da Água e NANTA é o nome do Espírito da Terra, o que deixa BITOM como o nome do Espírito do Fogo. Se você puder, faça com que a Tábua da União seja laminada com um revestimento plástico ou coloque-a em uma pequena moldura.

Monte seu altar com a Tábua da União no centro para que quando você estiver atrás do altar (a oeste do altar voltado para o leste), você possa ler a placa. Em cada lado da Tábua, deve estar uma das ferramentas elementares que você fez. Para o Leste coloque a Adaga do Ar. Ao Sul coloque a Varinha do Fogo. Para o Oeste coloque o Cálice da Água, e para o Norte coloque o Pantáculo da Terra. Deve haver água no Cálice.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-tabua-da-uniao/

‘Grimorium Verum

Conteúdo completo do mais perigoso dos grimórios medievais

ALIBECK O EGÍPCIO – 1517

Quando decidiu-se que traríamos uma tradução profissional do Grimorium Verum para nosso portal, a equipe do Morte Súbita se dividiu. Alguns achavam que este seria um trabalho impossível dada as dificuldade de acesso a algumas fontes originais e as diferenças gritantes das versões em francês e italiano. Realmente, esta minoria estava certa, o trabalho durou mais de um ano, e por vezes sugeriu-se trancá-lo na gaveta. Entretanto, dado o valor histórico do livro para o ocultismo e em especial para a demonologia, após várias noites em claro o trabalho foi finalmente concluído.

“Grimorium Verum” significa em latim ‘Grimório Verdadeiro’. É um livro de demonologia supostamente escrito por “Alibeck, o Egípcio”, em Mênfis no ano de 1517. Contudo, as edições mais antigas que encontramos foram impressas em Roma apenas no século XVIII. MacGregor Mathers, fundador da Golden Dawn e destacado ocultista do século XIX chegou a incluir parte do Grimorium Verum em seu “As Clavículas de Salomão: Livro 3”, mas os retirou das edições mais recentes sob a alegação de que os selos e nomes pertencem a um sistema irmão, mas distinto da Goetia.

Sem falsa modéstia, podemos dizer que esta é a primeira versão em português digna de nota. Não apenas devido as traduções pobres (e algumas vezes automáticas), mas também porque todas as versões disponíveis hoje em dia vem da tradução da cópia francesa do livro, que é em muitos aspectos inferior ao original italiano. O que ocorre é que ao ser levada para a frança, apenas parte do documento foi copiada, a segunda e terceira parte foram pobremente traduzidas e para se criar um volume maior inseriram partes de outros grimórios. A versão trazida até você pela equipe Morte Súbita inc vem diretamente da tradução do texto original italiano, que o torna de certa forma inédito na internet.

Comparado com Goetia, o Grimorium Verum apresenta um sistema mais simples, e por isso mesmo mais acessível, mas igualmente interessante de se explorar. Quando ele surgiu, no renascimento, era um livro raro e muito procurado por ocultistas que chegavam a pagar pequenas fortunas para conseguirem uma cópia, geralmente falha ou feita do texto francês que estava incompleto. Hoje nós a apresentamos para os pesquisadores que desejam poupar as economias de sua vida e que preferem ter em mãos um texto mais próximo do concebido originalmente. Os magistas nostálgicos pelos sistema medievais de magia, assim como os pós-modernos que não tem medo de experimentação encontrarão neste grimório um sistema fascinante de onde sem dúvida tirarão algumas histórias para contar.

GRIMORIUM VERUM

ALIBECK O EGÍPCIO – 1517

Aqui se inicia o Sanctum Regnum, chamado o Rei do Espíritos ou as Clavículas de Salomão, um erudito necromante e grande feiticeiro e mestre hebreu. No Primeiro Livro estarão dispostos vários selos e símbolos, usados para invocar as Potências, os espíritos ou, mais apropriadamente, os Demônios, para que venham quando for do agrado do operador. Cada um destes Demônios, de acordo com o próprio domínio, responderão a tudo o que lhes for questionado e obedecerão em tudo o que lhes for ordenado. E nisto não deve haver nenhum medo ou hesitação por parte do operador, pois deve-se levar em conta que eles também ficam satisfeitos com a operação, desde que também recebam aquilo que pedirem, pois esta classe de criaturas não oferece seus serviços para receber nada em troca. Ainda neste Primeiro Livro serão ensinados meios de dispensar estes espíritos sem que causem mal ou dano algum ao operador, sejam espíritos do Ar, da Terra, da Água ou das profundezas infernais, como você mesmo poderá atestar através dos médotos aqui ensinados.

No Segundo Livro

Onde são revelados os segredos Naturais e Sobrenaturais, para o espanto e maravilha do estudioso, segredos que são operados através do poder dos Demônios. Aqui você será ensinado a usá-los de forma a se servir deles sem o risco de ser ludibriado ou se decepcionar.

No Terceiro Livro

Onde o operador encontrará a Chave da Obra e a forma correta de utilizá-la; mas antes de prosseguir o estudioso deve ser instruído sobre a natureza dos seguintes símbolos:

LIBER PRIMUS

Livro Primeiro

Aquele onde serão expostos os Mistérios referentes aos Símbolos dos Espíritos, seus sigilos e selos.

LIBER SECUNDUS

Livro Segundo

Aquele onde será revelado o real poder dos espíritos infernais.

LIBER TERTIUS

Livro Terceiro

Aquele onde será revelado a maneira correta de se preparar as ferramentas mágicas, de se realizar os rituais e de chamar os espíritos infernais.

Raros e Surpreendentes Segredos Magicos

 

FIM DO GRIMORIUM VERUM

 

[…] ao Santo por sua ajuda e assistência. Pense no Santo, como sendo semelhante a Scirlin do Grimorium Verum, ou qualquer um dos outros espíritos intermediários de qualquer grimório ou sistema. O Santo, […]

[…] ao Santo por sua ajuda e assistência. Pense no Santo, como sendo semelhante a Scirlin do Grimorium Verum, ou qualquer um dos outros espíritos intermediários de qualquer grimório ou sistema. O Santo, […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/grimorium-verum/

A Linguagem Enoquiana

Anton Szandor LaVey, A Bíblia Satânica

A linguagem mágica usada no ritual satânico e a enoquianas, a linguagem considerada ser mais antiga que o sanscrito, com som gramatical e base sintática. Assemelha-se ao árabe em alguns sons e hebreu e latin em outros. Apareceu impresso inicialmente em 1659 numa biografia de John Dee, o famoso clarividente e astrólogo da corte do século dezesseis. Seu trabalho, por Meric Casaubon, descreve as atividades ocultistas de Dee com o seu associado, Edward Kelly, na arte de predizer ou da contemplação dos cristais.

Em vez da usual bola de cristal, Kelly, que era o contemplador, usava um multifacetado trapezoide. Os anjos referidos a primeira revelação de Kelly sobre as chaves enoquianas, obtidos através das janelas do cristal, são apenas anjos porque ocultistas ate hoje falsearam doentiamente com constipação metafísica. Agora o cristal esclarece, e os anjos são vistos como “ângulos” para as janelas da quarta dimensão onde são abertas – e para o aterrorizado, as Portas do Inferno.Eu introduzi a minha tradução das seguintes convocações com um arcaico mas satanicamente e verdadeiramente correto da tradução empregada pela Order of the Golden Dawn no ultimo século dezenove. Em enoquiano o significado das palavras, combinado com a qualidade das palavras, unem-se para criar um padrão sonoro que pode causar tremenda reação na atmosfera. As primitivas qualidades tonais da linguagem dão a ela um efeito verdadeiramente magico que não pode ser descrito.

Por muitos anos, as Chaves Enoquianas, ou Convocações, tem sido encobertas em segredo. Os poucos impressos que existiram eliminaram completamente as redações corretas, assim as traduções apropriadas foram disfarçadas através do uso de eufemismos, e somente designada para lançar o magico inepto ou o inquisidor aspirante fora do caminho. Apócrifos e como eles se tornaram (e quem conta que a realidade inflexível provoca a fantasia), as Chaves Enoquianas são os elogios satânicos da fé. Dispensando certos equívocos que uma vez foram pragmáticos; termos como “santo” e “angélico”, e grupos arbitrariamente escolhidos de membros, o propósito deles foram apenas agir como substitutos para palavras blasfemicas – aqui, então, estão as VERDADEIRAS Chaves Enoquianas, como recebidas de uma mão desconhecida.*

*A esse texto seguem as Chaves Enoquianas

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-linguagem-enoquiana/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-linguagem-enoquiana/

‘O Livro das Sombras

Gerald Gardner

Este é o Livro das Sombras (Book of Shadows) com os rituais e procedimentos compilados por Aidan A. Kelly entre 1949 e 1957 do material bruto de Gerald Gardner, criador do movimento Wicca e percursor de todo neo-paganismo posterior. Longe da wicca popular resumida a traçar pentagramas e admirar a natureza, o Livro das Sombras trazia práticas de açoite, drogas e magia sexual.

Segundo a lenda, o material do Livro das Sombras Gardneriano foi entregue de uma geração de Bruxas para outra, através de várias centenas de anos. Isto não é completamente verdade, sabemos hoje que muito deste material foi baseado no trabalho da Golden Dawn, de Charles Leland (Aradia, O Evangelho das Bruxas), de Robert Graves (A Deusa Branca) e de Ross Nicols (Fundador do Druidismo Moderno).  Os textos que aparecerem entre [parênteses] são adições ou comentários feitos pelo Mr. Kelly 

Aqui estão descritas  as principais operações seguidas pelo Bricket Wood coven, o primeiro grupo wicca da história. Seu conteúdo foi também aproveitado também pelas tradições mohsianisma e alexrandrina  fazendo deste um importante documento histórico e prático para todos os praticantes do neo-paganismo atual.

ÍNDICE

Bases da Bruxaria

Rituais de Iniciação

As Cerimônias

A Prática Mágica

Referências Importantes

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/o-livro-das-sombras/

A cultura do Caos

A ficção de Lovecraft expressa um “primitivismo futuro” que encontra sua expressão esotérica mais intensa na Magia do Caos, um estilo contemporâneo eclético de ocultismo sinistro que deriva da Thelema, do Satanismo, de Austin Osman Spare e da metafísica do Oriente, bases para a construção de um sistema mágico completamente pós-moderno.

Para os magos do caos de hoje, não existe uma “tradição”. Os símbolos e mitos de inúmeras seitas, ordens e religiões, são tratados como construtos, ficções úteis, “jogos”. Os trabalhos mágicos não dependem da “realidade” da magia e sim da vontade e experiência do mago. Reconhecendo a possibilidade de que podemos estar à deriva em cosmos mecânico sem sentido em que a vontade humana e a imaginação são falhas vagamente cômicas (o “indiferentismo cósmico”, como o próprio Lovecraft professop), o mago aceita sua falta de fundamentos e abraça o vazio caótico criativo que é ele mesmo.
Assim como acontece com os cultos e grimórios ficcionais de Lovecraft, os magos do caos se recusam a aceitar qualquer forma de hierarquia, simbolismo e vieses monoteístas do esoterismo tradicional. Como a maioria dos magos do caos, o ocultista britânico Peter Carroll gravita em direção às Trevas, não porque ele deseja uma simples inversão satânica do cristianismo, mas porque ele busca pelo núcleo amoral e xamânico da experiência mágica – um núcleo que Lovecraft evoca com suas orgias de ritmos, tambores, cantos guturais e cornetas estridentes. Ao mesmo tempo, os magos do Caos, como Carroll, também sondam a ciência estranha da física quântica, teoria da complexidade e prometeísmo eletrônico. Alguns magos negros acabam sendo consumidos pelas forças atávicas que liberaram ou se tornam viciados na imagem do anti-herói satânico. Mas o mago mais sofisticado adota um modo equilibrado de existencialismo gnóstico que questiona todos os construtos, enquanto rejeita tanto o conforto frio da razão e do ceticismo quanto o suicídio nihilista, um xamã pragmático e empírico que consegue entrar em sintonia tanto com o materialismo cabeça dura de Lovecraft quanto com seus horrores.

O primeiro ocultista que realmente pôs em prática essas noções foi Aleister Crowley, que destruiu os receptáculos da tradição oculta ao mesmo tempo em que, criativamente, extendia o reino sombrio da magia para o século XX. Com sua imagem extravagenta, textos malandros e sua famosa Lei de Thelema (“Faze o que tu queres deverá ser o todo da lei”), Crowley questionou as certezas esotéricas de revelações “verdadeiras” e linhagens “legítimas” e foi o primeiro mago que deu para o antinomionismo oculto um toque decididamente nietzschiano.
Irrestrita, esta vontade oculta de potência pode facilmente se degenerar em um elitismo impiedoso, e as dimensões fascistas e racistas do ocultismo do século XX e do próprio Lovecraft não deve ser esquecido. Mas esta vontade criativa e auto geradora é expressa de forma mais exuberante como uma Vontade de Arte.
De muitas maneiras, o ocultismo fin de siècle, que explodiu durante o tempo de Crowley foi um esoterismo essencialmente estético. Um bom número de magos do século XIX que nos inspiram hoje são os grandes poetas, pintores e escritores do Simbolismo e Romantismo Decadente, muitos deles curiosos ou adeptos do Satanismo, do Rosacrucianismo e das sociedades herméticas. A Ordem Hermética da Aurora Dourada foi infundida com pretensões artísticas. Arthur Machen membro da Golden Dawn e escritor de literatura fantástica foi um das mais fortes influências de Lovecraft.
Mas foi Austin Osman Spare quem dissolveu de forma definitiva a fronteira entre a arte e a magia. Apesar de trabalhar de forma independente dos surrealistas, Spare também baseou sua arte nas erupções sinistras e autônomas de material do “subconsciente”, embora em um contexto mais abertamente teúrgico. Os magos do caos de hoje tem em Spare sua maior influência e seus ritos Lovecraftianos expressam essa dissolução que é simultaneamente criativa e niilista.

por Shub-Nigger, A Puta dos Mil Bodes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-cultura-do-caos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-cultura-do-caos/

A Linguagem Angelical: entrevista com Aaron Leitch

Uma entrevista de Aaron Leitch (AL) concedida à Llewellyn (LL):

Llewellyn (LL): Tenho em minhas mãos dois lindos livros de capa dura – The Angelical Language , volume um e volume dois. Eles parecem incríveis! Primeiro, vamos falar sobre o volume um: A História Completa e Mitos da Língua dos Anjos . O que este livro cobre, e quais partes você está mais animado em termos de ouvir o que a comunidade mágica tem a dizer sobre o que você apresentou aqui?

Aaron Leitch (AL): Sim, o design dos livros é uma verdadeira obra de arte! Vocês da Llewellyn realmente se superaram desta vez, e estou muito orgulhoso de ver este trabalho apresentado com tanta graça digna!

O primeiro volume começa com uma breve visão geral de três tradições ocultas que influenciaram mais diretamente a linguagem – e como ela é usada – nos diários de John Dee. Uma é a prática judaica de “Contar o Ômer” (envolvendo os 50 Portais Cabalísticos do Entendimento). Em segundo lugar estão os vários textos bíblicos apócrifos conhecidos como os Livros de Enoque. Finalmente, incluo também uma breve exploração do misterioso grimório chamado “Livro de Soyga”. Nenhum deste material é exaustivo – eu só queria dar ao leitor uma base histórica básica antes de lançar o material de Dee. O resto do livro se concentra exclusivamente na Linguagem Angélica registrada nos diários e no grimório pessoal de Dee. (A maioria das pessoas conhece isso como a “Língua Enochiana”, embora nunca tenha sido chamada assim por Dee. )

O que mais me empolga é que muitas das informações apresentadas neste livro nunca foram apresentadas antes. Por exemplo, o capítulo dois é dedicado inteiramente ao próprio Livro de Enoque de John Dee – também conhecido como o Livro de Loagaeth (Discurso de Deus). Não é um capítulo curto, mas explora o Livro de Loagaeth em detalhes exaustivos: sua recepção por Dee e Kelley, o que os Anjos tinham a dizer sobre ele, instruções sobre como construí-lo e muito mais. Nenhum outro livro sobre o material de Dee contém tanta informação sobre Loagaeth – e isso é uma pena porque Loagaeth é o coração e a alma de todo o sistema de magia enoquiana.

Outros capítulos cobrem as 48 Chaves Angélicas e seu relacionamento adequado com o Livro de Loagaeth , instruções sobre como usar as Chaves com Loagaeth , o Alfabeto Angélico e como usá-lo para magia angelical e talismânica e uma exploração das mitologias bíblicas por trás o idioma. Para completar, até coloquei um “Saltério Angélico”, que contém as 48 Chaves e outras invocações com traduções e um guia de pronúncia fonética. (É ótimo para uso em cerimônia prática. )

A maior parte do material no Volume Um raramente é mencionado ( se é que é ) na maioria dos livros sobre magia enoquiana. Tanto os iniciantes quanto os adeptos da Enochiana aprenderão aqui coisas que nunca encontraram antes. Isso vai gerar excitação ou controvérsia – qualquer um é legal comigo!

LL: O volume dois é Um Léxico Enciclopédico da Língua dos Anjos . Isso é absolutamente fascinante para mim, pois sou um grande nerd de idiomas. O que deu em você para cruzar todas essas palavras, procurar palavras-raiz e significados alternativos, para fornecer um dicionário de inglês para o angelical? Você é um Trekkie, isto é, um fã de Star Trek? (Estou brincando!)

AL: Este projeto nasceu um dia quando li minha cópia de Stranger in a Strange Land de Robert Heinlein. Essa história é sobre um homem que se perdeu em um planeta alienígena quando criança e foi criado pelos nativos de lá. Quando ele foi descoberto mais tarde e trazido de volta à Terra, eles aprenderam algo que enviou o mundo inteiro ao caos: este homem poderia realizar milagres à vontade. Ele não considerou estranho ou mesmo mágico. Para ele, era como escovar os dentes ou calçar os sapatos: depois que você aprende, é só fazer. Quando as pessoas lhe pediam para ensiná-las a fazê-lo, ele percebeu que não havia palavras humanas para o que ele precisava dizer. Se você quisesse aprender a habilidade, primeiro teria que aprender a língua alienígena. Ele montou uma escola para ensinar essa língua e a chamou de Igreja de Todos os Mundos (soa familiar?).

Na época em que li isso, eu estava trabalhando muito com os Anjos Enochianos. E, enquanto lia o livro naquele dia , eles me contataram com uma mensagem: “Aprenda as partes de nossa Língua que já lhe demos (plural), e vamos te ensinar mais”. Isso fez todo o sentido para mim. Eu tinha visto dezenas de pessoas por aí tentando aprender e até expandir a “Língua Enoquiana” sem a menor referência aos registros de Dee. Como um Anjo poderia levar esse tipo de esforço a sério?

Então, eu me propus a lidar com os diários de Dee e descobrir cada pequeno fragmento de informação que pudesse ser encontrado lá sobre a Língua, a maioria das quais não estava disponível em nenhum livro publicado sobre a magia de Dee. Eu também precisava de um conjunto corrigido das 48 Chaves (também não disponíveis), com referências cruzadas completas, para que eu pudesse montar o Lexicon. Tomado de uma só vez, pretendia ser meu material de estudo pessoal para que eu pudesse aprender a ler e até pensar no idioma.

Como resultado, não me tornei totalmente fluente na língua e certamente não penso nela! Pelo menos ainda não! Mas a promessa feita a mim pelos Anjos se manteve verdadeira. Ao fazer este trabalho, descobri palavras angélicas, elementos- palavra e palavras-raiz – juntamente com vários pontos de gramática, sintaxe e pronúncia que ninguém sabia que existiam. Sem mencionar o fato de que a seção English-to-Angelical do Lexicon é mais abrangente do que qualquer tentativa anterior, e pode ser expandida ainda mais.

Ah, e só para constar — eu também sou um amante da linguística. E eu amo Jornada nas Estrelas!

LL: Como você acha que o Lexicon ajudará outros magos por aí?

AL: Magos praticantes gostam de criar novas invocações Enochianas para sua própria magia. No entanto, nunca houve um recurso para eles traduzirem seus textos adequadamente . Por exemplo, você sabia que Enoquiano [diferente do inglês] tem duas palavras diferentes para o singular “você” e o plural “vocês”? A maioria dos magos enoquianos não sabe disso, mas eu acho que seria uma questão de alguma importância se você estivesse invocando anjos ou espíritos na língua. (Eu posso chamar “você” da Esfera de Júpiter , ou posso chamar “todos vocês” da Esfera de Júpiter – grande diferença!) usá-lo corretamente, é o que leva as pessoas a pensar que a magia enoquiana é de alguma forma excessivamente perigosa ou mesmo demoníaca.

Além disso, e tão importante quanto, analisei e decifrei as notas de pronúncia de Dee para as palavras e criei uma nova chave de pronúncia fonética para facilitar a leitura das palavras. Outros guias de pronúncia para o enoquiano têm sido alfabéticos em vez de fonéticos – o que significa que eles mostram como qualquer letra pode soar, mas não mostram como as letras soam quando combinadas em sílabas. Por causa disso e da obscuridade das próprias notações de Dee, surgiu um mito entre os magos enoquianos de que as palavras não têm pronúncias adequadas, e você pode simplesmente inventar enquanto lê. Na verdade, as palavras têm pronúncias adequadas, e você as verá no meu Léxico pela primeira vez em qualquer lugar.

LL: Em ambos os volumes você se concentra apenas nas palavras que foram transmitidas pelos anjos ao Dr. John Dee e Edward Kelley. Você pode explicar um pouco do seu raciocínio por trás da não inclusão de termos Crowleyanos e outros retardatários na linguagem Angélica?

AL: Assim como mencionei anteriormente, aqueles que seguiram Dee tentaram trabalhar com seu sistema sem gastar muito tempo com seus diários. Isso é ainda mais verdadeiro no que diz respeito à Linguagem Angélica. Nem a Golden Dawn, Aleister Crowley, a Aurum Solis nem muitos outros tiveram tempo para pesquisar exaustivamente os registros de Dee, reunir todas as informações possíveis sobre a Língua e dar uma olhada no quadro maior que teria resultado. Eles não se preocuparam com o que os Anjos tinham a dizer sobre isso, ou sobre como usá-lo corretamente. Eles apenas pegaram as 48 invocações (pelo menos pelo valor nominal!) e correram em suas próprias direções com elas.

De fato, muito trabalho foi feito para propositadamente arrancar a Língua (e a magia enoquiana em geral) de suas raízes na magia dos Anjos da Renascença. Eu queria voltar às raízes da Língua, cortar todas as inclusões posteriores semi-compreendidas dos outros, e fazer o trabalho pesado com os discos de Dee que deveria ter sido feito centenas de anos atrás. Só assim poderemos avançar com a Língua com alguma certeza.

LL: Gosto de me gabar de estar trabalhando nesses livros desde dezembro de 2006, quando seu manuscrito apareceu pela primeira vez na minha mesa em uma caixa enorme . (Ainda tenho aquela caixa – tão pesada que só a postagem custou US$ 15,25!) Mas quanto tempo você levou apenas para chegar a essa fase de rascunho? Há quanto tempo você estava pesquisando e escrevendo antes de imprimi-lo e enviá-lo para Llewellyn?

AL: Dez MUITO longos anos! Bem, na verdade eu tirei dois anos para escrever Segredos dos Grimórios Mágicos! Mas então estava de volta ao Lexicon. Eu tive a ideia para o projeto em 1997, e enviei para você no final de 2006. Adicione o tempo que levou para o processo de publicação, foi um projeto de 13 anos ! E isso, é claro, não inclui meus anos de estudos e práticas enoquianas que levaram à decisão de escrever o Léxico.

LL: Este livro passou por muitas reuniões de visão, reuniões de arte, relatórios de leitores externos e muito mais antes de nos contentarmos em enviá-lo ao nosso departamento de produção – daí a longa linha do tempo deste livro. Esse processo foi frustrante para você ou foi sempre agradável?

AL: Ah não, realmente não foi muito frustrante. Segredos dos Grimórios Mágicos , com suas dezenas de peças de arte e gravuras medievais, foi uma prova muito maior! Este projeto correu muito bem – só foi devagar devido à atenção especializada que obviamente recebeu. Isso sempre me fez sentir bem com esse processo, pois realmente parecia que vocês estavam levando o projeto tão a sério, prestando atenção em cada pequeno detalhe, querendo que isso fosse perfeito.

Enquanto isso, eu realmente não poderia chamar de “agradável” porque era muito trabalho duro! Especialmente considerando o tamanho deste projeto (mais de 900 páginas entre os dois volumes!), as notas de edição continuaram para sempre! Mas cada nota valeu a pena, e o livro resultante é infinitamente melhor do que o que enviei. (Meu editor, Brett, tinha um talento incrível para descobrir meus hábitos de escrita mais irritantes. Quanto ao Angelical, ele confiou em mim para editar meu próprio trabalho, já que ele não pode lê-lo sozinho. Então, confiei em suas habilidades de edição em troca. e funcionou lindamente.)

LL: A pergunta de um milhão de dólares: você acredita que Angelical é uma linguagem real, transmitida por seres celestiais, ou você acha que foi criada por Kelley e Dee, o que seria surpreendente por si só? Ou há uma terceira explicação?

AL: Como de costume , a verdade está no meio-termo. Eu certamente acredito em Inteligências Angélicas, e meu próprio trabalho com elas indicou que Angelical é de fato uma poderosa Linguagem Celestial. Isso não significa que outras pessoas, seguindo outras tradições, possam não obter resultados diferentes.

Enquanto isso, é inegável que as próprias mentes de Dee e Kelley desempenharam um papel no que ele recebeu de seus anjos. Afinal, a palavra angelical para “Reino” é Londoh, e a palavra para “Iniquidade” é Madrid. E você não saberia que o Reino Unido (capital: Londres) estava em guerra com a Espanha (capital: Madrid) na época em que Dee escrevia seus diários?! Nenhuma informação canalizada é encontrada sem a influência da mente que a canalizou.

No entanto, mesmo que o Livro de Loagaeth fosse decifrado e encontrado nada mais do que segredos políticos codificados ou algo assim, não acho que isso impediria os místicos de todo o mundo de usar o Angelical de Dee em sua própria magia e misticismo.

LL: Uma última pergunta – o que os anjos reservam para você em seguida?

AL: Os Anjos já me fizeram trabalhar duro no próximo projeto por vários anos! Desde que Georg Dehn finalmente nos deu uma tradução em inglês do original alemão “Livro de Abramelin”, tenho trabalhado na correção, decifração e tradução da infame palavra quadrada Talismãs encontrada no final do livro. Assim que estiver completo (ou, pelo menos, o mais completo possível) , adicionarei alguma discussão sobre o próprio Rito de Abramelin, incluindo guias aprofundados para aspirantes que desejam realizar a iniciação e colocar a magia de Abramelin em uso prático.

Depois disso, pretendo completar um livro que enfoca as ferramentas mágicas enoquianas, móveis e os vários sistemas de magia que os utilizam. Parte dele será no mesmo estilo de The Angelical Language Volume One , na medida em que explorará os próprios diários de Dee (e de mais ninguém) sobre a magia. Então, parcialmente será um grimório explicando como funciona o sistema. Você poderia dizer que será uma versão enoquiana de Secrets of the Magickal Grimoires .

Fonte: The Angelical Language: An Interview with Aaron Leitch

COPYRIGHT (2010) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-linguagem-angelical-entrevista-com-aaron-leitch/

‘Introdução a Thelema

Thelema (“télema”) é uma palavra grega que significa “vontade” ou “intenção”, e é soletrada THETA-EPSILON-LAMBDA-ETA-UM-ALPHA. Thelema possue o valor numérico de 93, que é o mesmo de AGAPÉ (Amor em grego).É também o nome de uma filosofia espiritual nova que vem sendo elaborada nos últimos cem anos e está tornando-se gradualmente estabelecida mundialmente.

Uma das primeiras citações desta filosofia ocorre no clássico Gargantua e Pantagruel escrito por François Rabelais em 1532. Um episódio desta aventura épica fala da fundação de uma ” abadia de Thelema “. Uma instituição para o cultivação das virtudes humanas, que Rabelais identificou como sendo em exatamente opostas às idéias cristãs que prevaleciam naquele tempo. A única regra da abadia era: ” faze o tu que queres “. Esta tem se tornado uma das condutas básicas da filosofia Thelêmica atual.

Embora tenha sido influenciada por vários pensadores visionários proeminentes em cerca dos cem anos seguintes, as sementes de Thelema plantadas por Rabelais vieram eventualmente à frutificação no fim deste século quando foram desenvolvidas por um inglês chamado Aleister Crowley. Crowley era um poeta, autor, escalador de montanhas, mago, e um membro da sociedade oculta conhecida como a ” The Hermetic Order of the Golden Dawn “. Em 1904, em viagem ao Egito com sua esposa Rose, Crowley envolveu-se em uma série de eventos os quais classificou como inaugurantes de um novo Aeon (Éon) da evolução humana. Estes culminados em abril quando Crowley em estado de transe escreveu os três capítulos de 220 versos que vieram ser chamados O Livro da Lei (conhecido também como Liber AL ou Liber Legis). Este livro declara entre outras coisas: ” a palavra da lei é Thelema ” e ” faze o que tu queres será o todo da lei “.

Crowley passou o resto de sua vida desenvolvendo a filosofia de Thelema como revelada pelo Livro da Lei. O resultado é um volumoso comentário e obras englobando magick, misticismo, yoga, qabalah, e outros assuntos ocultos. Virtualmente todos seus escritos possuem a influência de Thelema como interpretada e compreendida por Crowley em sua capacidade como o profeta do novo Aeon.

Uma teoria afirma que cada capítulo do Livro da Lei está associado à um Aeon particular da evolução espiritual humana. De acordo com esta visão, o Capítulo Um caracteriza o Aeon de Isis, quando o arquétipo da divindade fêmea era predominante. O Capítulo Dois relaciona-se ao Aeon de Osiris, quando o arquétipo do Deus morto se tornou proeminente, e as religiões patriarcais do mundo se tornaram estabelecidas. O Capítulo Três descreve a inauguração de um aeon novo, o Aeon de Horus, filho de Isis e Osiris. É neste aeon novo que a filosofia de Thelema será revelada integralmente à humanidade, e tornar-se-á estabelecido como o paradigma preliminar para a evolução espiritual da espécie.

Alguns dos elementos essenciais do pustulado de Thelema são:

“todo homem e toda mulher é uma estrela.”

Isto geralmente é interpretado com a idéia de que cada indivíduo é original e tem seu próprio trajeto em um universo espaçoso aonde ele pode se mover livremente sem colisão.

“faze o que tu queres será o todo da lei.” e ” tu não tens direito senão fazer tua vontade.”

A maioria dos Thelemitas afirma que cada pessoa possui uma Vontade verdadeira, uma única motivação geral para sua existência. A lei de Thelema exige que cada pessoa siga sua Vontade verdadeira para alcançar a realização em vida e a liberdade da limitação de sua natureza. Porque nenhuma das Vontades verdadeiras podem estar em conflito real (de acordo com ” cada homem e cada mulher é uma estrela “), esta lei proíbe também que se interferira com a Vontade verdadeira de outra pessoa.

A noção da liberdade absoluta para que um indivíduo siga sua Vontade verdadeira é estimada entre Thelemitas. Esta filosofia reconhece também que a tarefa principal de um indivíduo que segue o caminho de Thelema é a de primeiramente descobrir sua Vontade verdadeira, dando grande importância à métodos de auto-exploração tais como magick. Além disso, cada vontade verdadeira é diferente, e porque cada pessoa tem um ponto de vista original do universo, ninguém podem determinar a Vontade verdadeira para uma outra pessoa. Cada um deve atingir esta descoberta por si próprio.

“o amor é a lei, amor sob vontade.”

Este é um corolário importante para o anterior, indicando que a natureza essêncial da lei de Thelema é aquela do Amor. Cada indivíduo une-se à seu “Self” Verdadeiro pelo Amor, e assim feito, o universo inteiro de seres conscientes une-se com cada outro ser através do Amor.

Naturalmente, com a ênfase na liberdade e individualidade inerentes à Thelema, a opinião de cada Thelemita sobre a lei tende a diferir substancialmente. No Comento adicionado ao livro da lei indica-se isso: ” todas as questões da Lei devem ser decididas somente com apelo aos meus escritos, cada uma por si. ” Embora Thelema seja referida às vezes como uma ” religião “, ela acomoda uma escala vasta de crenças individuais, do ateísmo ao politeísmo. O importante é que cada pessoa tem o direito de completar-se através das crenças e ações que lhes melhor servirem (desde que não interfiram com a Vontade alheia), e somente ela mesma é qualificada para determinar quais elas são.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/introducao-a-thelema/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/introducao-a-thelema/