Um Experimento de Percepção para Explodir sua Cabeça

Compartilho com você uma visão para ampliar nossa experiência além de eu e outro, tempo e espaço, dentro e fora. Para funcionar, é preciso que dedique 10 minutos e conduza sua percepção tomando os 22 itens abaixo como guia.

Estou fazendo isso junto com você, em primeira pessoa, mas escrevo em segunda pessoa para facilitar o entendimento, já que se eu descrevesse meu percurso mental em primeira pessoa você teria uma tendência a me observar de longe em vez de guiar sua própria mente para ver o que estou apontando.

É como se eu estivesse apontando com o dedo para uma rachadura na parede e você virasse a cabeça para ver a rachadura em vez de ficar olhando e analisando o meu dedo. Minha fala servirá como guia, não tanto como objeto de percepção em si mesmo. Ou seja, a partir de agora, você não mais estará lendo um texto, mas contemplando sua própria experiência pelos 5 sentidos e pela mente.

O processo é bem simples e pé no chão, não tem nada a ver com estados alterados da consciência, mas em apenas observar o que já acontece naturalmente e fazer uso da imaginação para abrir mais os olhos.

Talvez sua cabeça não exploda, mas é bem possível que após o último item o ambiente em que você está agora (seja ele qual for) se revele um vasto e assombroso espaço não definido, como um sonho sem vigília anterior ou um filme sem cinema. Não porque nossa experiência de mundo é uma ilusão ou porque vamos alucinar outra coisa, mas justamente porque vamos continuar vendo o que já estamos vendo, sem esforço, sem criar, sem alterar nada.

Olhando ao redor

1. Imagine como seria sua vida se você tivesse outras visões de mundo, outros padrões de comportamento, energias de hábito, pensamentos, emoções, outro corpo, outra vida, enfim. Você poderia ter nascido como o seu amigo que trabalha ao lado ou, se estiver sozinho, como o desconhecido que está passando na sua rua agora. Nesse sentido, todos os outros seres são você mesmo em outros mundos.

2. Agora olhe diretamente para um outro ser. Se estiver sozinho, imagine eu mesmo escrevendo esse texto ou uma aranha no canto da parede. Perceba que esse outro ser está tendo uma experiência sensorial 100% completa ao redor assim como é a sua, mas a partir de outra perspectiva. Se existirem 790 pessoas no seu prédio, existem 790 prédios nesse exato momento, pois o prédio nada mais é do que a experiência que algum ser tem do prédio – fora disso, não dá nem mesmo pra chamá-lo de prédio.

3. Ao sustentar imaginar essas 790 perspectivas, atente para o fato de que a sua é apenas uma. Ou seja, você viveu a vida toda apenas com uma perspectiva, como se o centro do universo inteiro fosse a sua cabeça. Não é fantástico? Dá até medo ou vontade de gargalhar. O mundo é um grande filme 3D: sempre parece que aquela abelha vem direto no nosso nariz, não no nariz dos outros.

4. Sinta a textura do seu mouse. O que você pensa ser sua verdadeira textura é apenas o que você experimenta com a sua pele. Se você tivesse um outro tipo de pele, você teria outra experiência da superfície das coisas.

5. Bata com a mão na mesa. E depois use uma caneta para bater na mesa. E depois um papel. Qual é o verdadeiro som da mesa?

6. Olhe para a sua realidade 100% abrangente como se fosse apenas um só tecido luminoso. Contemple como todas as características que parecem existir lá fora são inseparáveis de nossos sentidos. As coisas e seres são vazias de características intrínsecas. São livres. Nada tem um som definido, pois depende de como se dá a experiência, de como surgimos juntos. Acreditar que alguém, um lugar ou uma situação é isso ou aquilo, bem, isso é tão inteligente quanto dizer que um belo chocolate é horrível depois de encher nossa boca com leite condensado estragado, que alterou completamente nossas papilas gustativas.

7. Olhe para a parede e atente para sua cor. Agora lembre que átomos não tem cor e que não há nenhuma informação definida de cor chegando pela luz, entrando nos olhos e sendo processada no cérebro. Se houvesse, uma abelha veria a mesma cor. Mas ela não vê e não temos a prepotência de achar que a abelha está processando errado, entendendo errado, alucinando. Se ela está alucinando, nós também estamos. Melhor então achar que são duas experiências de realidade em vez de achar que a realidade é de um jeito e a abelha está maluca.

8. Do mesmo modo, contemple a experiência de um deficiente visual ou auditivo e veja como ela é uma experiência 100% completa. Nada falta ao “portador de deficiência”. A deficiência só existe quando comparamos as experiências de realidade. Nesse sentido, todos nós somos deficientes se comparado com um ser que tem 12 sentidos ou com um morcego que se relaciona com coisas inacessíveis aos humanos

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9. Agora atente para a continuidade do mundo: não existe pausa nem intervalo, as experiências continuam surgindo como num filme sem frames. Mesmo quando vamos dormir, as experiências seguem em forma de sonho ou no vazio do sono sem sonhos. O mundo não cessa. Olhe para tudo agora e lembre de como as coisas estavam há 10 minutos. Onde está aquele presente agora? Se o passado é lembrado como um sonho ou um filme, isso significa que o presente já é esse sonho, com a diferença de estarmos vivendo-o agora, com essa experiência de realidade.

10. Depois de dissolver a ilusão de solidez, veja que não existe “o mundo”, mas mundos experimentados como um sonho vivido em primeira pessoa por incontáveis seres.

Olhando para dentro

11. Foque nas sensações do seu corpo. O frio nos dedos, a língua tocando o céu da boca, o olho piscando, os pés no chão, alguma tensão nas costas, a bunda na cadeira. Se você consegue observar tudo isso, então você é outra coisa além dessas sensações.

12. Atente para as emoções e pensamentos. Suas opiniões sobre esse post, suas ideias sobre a realidade, alguma ansiedade ou impaciência, impulsos, desejos, listas de afazeres, planejamentos, lembranças da noite passada… Você consegue testemunhar tudo isso, você é o espaço no qual todas as imagens surgem. Você é livre para direcionar tais pensamentos e emoções, para surfar no que surge ou deixar aquilo ficar até cair por conta própria.

13. Note que você pode ouvir o que acontece atrás das paredes, em outras salas ou na rua, fora de seu alcance de visão. Onde está esse som? Lá fora ou aí dentro?

14. Feche os olhos após ler esse item e observe como você continua experimentando objetos externos (a uma certa distância) mesmo quando olha para dentro. Ou seja, é impossível olhar para dentro. Olhando para o exterior ou para o interior, tudo é visto lá fora, externamente, mesmo imagens mentais e sensações corporais.

15. Nesse sentido, todos os objetos surgem em um espaço que não tem dentro e não tem fora. Sons e pensamentos, objetos externos e objetos internos são da mesma natureza.

16. Respire e repouse nessa abertura pela qual o mundo se desenrola. Há um grande espaço no qual você surge junto com as coisas. Você é um outro para si mesmo. Você pode ver a si mesmo como uma outra pessoa, assim como vê sua imagem no espelho e se esforça para lembrar que aquele é você.

17. Enquanto olha para si mesmo como um outro, você nota que essa espacialidade é livre de todas as coisas com as quais você vai se identificar no minuto seguinte. E então você sorri para tudo o que você acha que você é, todas as identidades que surgiram em suas diversas relações, todos os seus dramas, emoções, achismos, filosofias, medos, orgulhos, vitórias, derrotas. Tudo dança nesse espaço.

Olhando para tudo

18. Olhe novamente para os outros seres ao seu redor (ou imagine-os). Veja como eles são idênticos a você. Como eles vivem em mundos de significação, tomam fatos como naturais, tem metas e desejos, prioridades, impulsos, certezas. Observe como cada um deles não é uma pessoa, mas uma bolha, um mundo inteiro.

19. Observe como eles chegam para trabalhar sem perceber o assombro que é nascer e não saber da onde, morrer e não entender por quê. Contemple como eles rodopiam a partir de seus próprios referenciais, deixando comentários em blogs, fofocando, sorrindo, chorando, falando alto, se debatendo, reclamando, se empolgando, se frustrando.

20. Sabendo que cada um está com seu próprio videogame, em um certo jogo, filme, mundo, imagine como seria divertido ir além do próprio jogo, filme, mundo e ajudar as pessoas a fazer o mesmo. Pense em como é impossível acordar de um sonho sem cair em outro, então visualize como seria jogar um jogo sabendo que é jogo, atuar sabendo que é um filme, viver um sonho lúcido.

21. Esconda o sorriso malicioso que surgiu agora e volte ao mundo com essa loucura como pano de fundo, lembrando que todos os outros também tem esse mesmo sorriso por trás de suas seriedades.

* Inspirado por outros experimentos de percepção de Alan Watts, Ken Wilber, Otto Scharmer e Douglas Harding.

#Exercícios #oalvorecer

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-experimento-de-percep%C3%A7%C3%A3o-para-explodir-sua-cabe%C3%A7a

A Cidade Invisível: Magia e Folclore Brasileiro – Raphael Draccon

Bate-Papo Mayhem 146 – 06/03/2021 (Sabado) 18h Com Raphael Draccon – A Cidade Invisível: Magia e Folclore Brasileiro

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo

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Hangout Gnóstico: Sagrado Feminino

Acabei de participar de um hangout [1] ministrado por Giordano Cimadon, um dos palestrantes do III Simpósio de Hermetismo (foi lá que o conheci), e também coordenador da Sociedade Gnóstica Internacional.

O bate papo se inicia pela análise do artigo Branca de Neve e o Resgate do Feminino, feita pela própria autora, Olívia Braschi, que também participa do hangout conosco. Depois enveredamos por muitos outros assuntos, incluindo a queda e o ressurgimento da Deusa Mãe, a ecologia, os deuses andróginos, o machismo e a espiritualidade em geral. Eu participo, sobretudo, trazendo ideias que já haviam sido expostas em meu blog (Textos para Reflexão), no conto da série Cotidianos, intitulado Condutoras.

Trata-se, enfim, de cerca de 1h30m de bate papo amigável e familiar (a mãe e a esposa do Giordano também participam), com o intuito de melhorar a vizinhança…

Obs: Parece que no futuro ainda teremos um Hangout Gnóstico onde o tema será meu livro, Ad infinitum… Embora já fale um pouco dele neste, particularmente da personagem Sophia.

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[1] Bate papo por vídeo feito através do Google+, e que gera uma gravação no YouTube que não pode ser editada. Portanto não há cortes e ninguém teve muito tempo para pensar antes de falar 🙂

Crédito da imagem: Anônimo (Andrômeda)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versões para Amazon Kindle e Kobo (ePub)

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#Gnosticismo #SagradoFeminino

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Jesus Adolescente no Século XXI

Capítulo 1: Jesus estuda na minha classe!

Meu nome é João. Meu sobrenome é Ninguém. Sou João Ninguém no nome e na vida. Moro numa favela, sou feio, vou mal nos estudos e não tenho nenhuma habilidade especial. Como se isso não bastasse, tenho outros três colegas que se chamam João e todos eles são muito populares. Então toda vez que alguém chama:

– Ô, João!

Eu já nem me viro. Nas primeiras três vezes eu me virei, só para ouvir essa adorável resposta:

– Não é com você não, seu idiota!

Por isso, tento ficar na minha. Na boa, eu realmente detesto os outros três Joões. Não sei o que o pessoal enxerga nesses caras. São uns esquisitões.

Tem o João Batista. O sujeito é totalmente antissocial. Ele se veste com pelos de camelo e cinto de couro, mesmo no calorão de quarenta graus. Só come mel e gafanhotos. Tá certo que a gente aqui na favela é pobre, mas também não é pra tanto.

Ele só fica lá paradão do lado do esgoto, batizando todo mundo que passa, e a galera acha o máximo. Sorte dele que o esgoto passa bem no meio do nosso colégio. Assim ele pode continuar os batismos nos intervalos.

– Eu batizo com água! Mas depois vai vir um cara mais forte do que eu que vai batizar com fogo a rapaziada, e eu não vou ser digno nem de desamarrar os tênis dele.

O Batista não para de falar esse negócio e tira notas muito baixas. Ele sempre pega recuperação em biologia, mas o prof Mendel é bonzinho e arredonda a nota. Os dois gostam de conversar sobre mel e abelhas, sabe-se lá o porquê.

Já o João da Cruz tira notas melhores, mas também não é muito sociável. Só quer saber de rezar, ou “contemplar” seja lá o que for isso. Ele não para de falar sobre a “noite escura” mesmo quando está dia.

Ele e um tal de João Clímaco (sim, outro João! Ainda bem que é de outra turma, para não gerar ainda mais confusão) são muito amigos e vivem subindo e descendo juntos os dez degraus da escada da entrada principal do colégio. Não param de filosofar sobre a subida da escada, que chamam de “escada de Jacó”. O Jacó era um aluno antigo que uma vez pegou no sono e dormiu nessa escada. Não vi nada de mais nisso, mas nesse colégio o pessoal cria caso com as menores coisas.

Dizem que o Cruz gosta da Teresa de Ávila, que é outra colega nossa, mas eu acho que eles são apenas amigos. Também está cheio de “Teresas” na nossa classe. Tem a Teresa de Lisieux, que todo mundo chama de “Teresinha”, porque ela é pequena, delicada e não para de falar de flores. E tem a Teresa de Calcutá, que é muito boazinha e sempre quer ajudar todo mundo.

Nenhuma das três se destaca em termos de notas, mas a Calcutá sempre faz uns estudos extras. Não porque quer aumentar as próprias notas, mas para ajudar quem precisa.

O sobrenome do terceiro João é Evangelista. Ele é um aluno modelo: tira ótimas notas e é extremamente educado com todos. Seus hobbies são pescar e escrever. Todos gostam dele, porque é simplesmente impossível não simpatizar com o sujeito. Eu digo que o detesto apenas para manter a minha reputação, já que considero uma questão de princípio desprezar os três Joões.

A estranheza do Evangelista é ao menos respeitável: ele não sai gritando por aí como o Batista e nem fica subindo degraus como o Cruz. Ele anuncia o Juízo Final, mas faz isso de maneira discreta. Ele escreve histórias sobre anjos com trombetas, jogando fogo e sangue na Terra e matando todo mundo.

As histórias dele são muito populares na sala. Todos estão sempre aguardando o próximo capítulo.

– Quando é que sai o próximo capítulo, João?

– O quê? – perguntei.

– Não tô falando contigo, ô abobado! – retrucou Judas, com aspereza – por que é que você acha que todo mundo sempre quer falar com você, hein?

Resolvi deixar quieto. Eu às vezes respondia por reflexo. Uma falha minha.

Não era uma boa ideia bater boca com o Judas Iscariotes. Ele era o bad boy da turma e comprava briga com qualquer um. Se bobear, até com o Evangelista ele brigava. Havia boatos de que ele já havia metido uns socos no Simão e no Francisco, outros colegas nossos, por um motivo banal: eles eram felizes. Judas não.

– Também quero ler a continuação! – exclamou Francisco de Assis, com alegria – adorei os quatro animais cheios de olhos! O que eles significam?

– Somos eu, Mateus, Marcos e Lucas – respondeu João Evangelista, com um sorriso amigável.

Esses três eram grandes amigos de João, mas eram da outra turma. Também gostavam de escrever. Lucas não andava escrevendo muito ultimamente, já que estava estudando que nem um condenado para o vestibular. Ele queria fazer medicina. Era um dos poucos no nosso colégio que pretendia fazer curso superior.

Mas os melhores amigos do Evangelista eram Simão e Tiago. Os três gostavam de pescar juntos.

– O meu primo vai se transferir para nosso colégio na semana que vem – comentou Tiago.

– Qual o motivo da transferência? – perguntou Simão.

– Jesus disse que não pode realizar milagres em sua própria terra, porque lá as pessoas não têm fé, devido à dureza de seus corações – respondeu Tiago.

– Pensei que Jesus fosse seu irmão e não seu primo – observou Martinho Lutero.

– Você sempre adora uma boa polêmica, hein, Martinho! – exclamou Tiago, aborrecido – eu já cansei de dizer que ele é meu primo e não meu irmão. Quantas vezes terei que repetir isso?

– Está bem, está bem! – disse Martinho, com urgência – não precisa ficar zangado. E não é verdade que eu adoro uma boa polêmica. Erros devem ser apontados quando são encontrados.

– Eu concordo plenamente com sua afirmação, meu caro – disse Jerônimo Savonarola – nesse momento, por exemplo, vocês estão conversando em aula, o que é proibido. É melhor que sigam as regras. Não veem que estão sendo rudes com o professor Tomás?

– Estou mais preocupado com outra coisa – comentou o professor Tomás de Aquino.

– Deixe-me adivinhar – disse Jerônimo – o senhor está preocupado que o seu colega, o professor Giordano Bruno, está nos ensinando um monte de heresias nas aulas de física! Eu acho que chegou a hora de conversarmos sobre fogueiras. Ou será que devo denunciar o romance imoral do professor Abelardo com a professora Heloísa?

Jerônimo adorava acender fogueiras nos intervalos, que ele chamava de “Fogueiras da Vaidade”. Mas ele nunca queimava pessoas, apenas objetos que ele considerava ilícitos. As garotas da sala o odiavam, porque ele mandava que elas jogassem os brincos, pulseiras e maquiagem lá dentro, porque aquelas coisas eram do demônio.

– Eu só estou me perguntando o que são essas… criaturas que Francisco está segurando – disse Tomás.

– São apenas nossos irmãos vermes, professor – explicou Francisco – eles estavam num local perigoso do pátio do colégio e poderiam ser pisados a qualquer momento. Então eu os protegi.

Hildegarda de Bingen, a aluna mais inteligente da classe, deu um grito.

– Professor, há hora e lugar para isso – argumentou Hildegarda – não questiono as boas intenções de Francisco, mas isso já é um exagero. Sabemos que os animais devem ser respeitados, mas as Escrituras nos dizem com clareza que eles não estão em primeiro lugar na hierarquia da criação.

– Minha querida irmã Hildegarda – sorriu Franscisco – em respeito à senhorita e ao professor Aquino, irei encontrar uma morada adequada aos nossos irmãos e devolvê-los à natureza. Tenho a sua autorização, mestre?

– Pode ir – disse o professor Aquino, com um aceno de mão.

E Francisco saiu da sala aos pulos e com imensa alegria, cantando.

– Espere! – exclamou Rosa de Lima – deixe alguns deles aqui para usarmos em nossa penitência. Prometo que não irei machucá-los.

– A senhorita pode usar o meu cilício em vez disso – disse Francisco lá da porta, amavelmente – tenho um para você e outro para a sua amiga Catarina. Podem pegar na minha mochila.

– Agradeço imensamente – disse Catarina de Siena.

Rosa e Catarina gostavam muito de fazer penitências rigorosas, a ponto de sangrar. Sinceramente, eu tinha um pouco de medo delas e preferia ficar bem longe. Não entendia como, apesar de tanto sangue, parecia emanar uma grande paz e amor daquelas duas.

A próxima aula foi com o professor Agostinho. Simão sussurrou para Tiago:

– Quando o seu primo chega mesmo?

– Ele acabou de me mandar uma mensagem pelo celular – sussurrou Tiago em resposta – ele chega amanhã.

– Seu primo tem celular? – perguntou Simão, surpreso – pensei que ele havia feito um voto de pobreza.

– Ah, mas o celular dele é um modelo muito antigo – disse Tiago – então não conta. O único jogo que tem nele é o da cobrinha.

Tiago e Simão foram atingidos na cabeça por duas pêras.

– Vocês estão muito barulhentos! – exclamou o professor Agostinho – e estão usando celular no meio da aula?

– Professor, estamos falando sobre algo muito importante – argumentou Simão – é sobre a vinda de Jesus!

– Eu não já avisei a vocês que quem usa celular em aula vai para o inferno? – perguntou Agostinho.

– Nunca li nada disso em seus livros – observou Hildegarda.

– Bem, isso somente porque na época em que eu os escrevi ainda não havia celular – justificou-se o professor – ou de outra forma esse artigo de fé certamente estaria lá.

No dia seguinte, estávamos muito empolgados aguardando a vinda do primo de Tiago. João Batista não se continha de felicidade e batizou muita gente no esgoto naquele dia.

Até que ele adentrou pelos portões do colégio.

Usava calça jeans e tênis. Tinha uma barba respeitável e invejável, rara de se encontrar em adolescentes como nós. Ele vinha acompanhado de outros três rapazes de roupas brancas.

Ele cumprimentou Tiago e cada um apresentou os amigos para o outro.

– Esses são Miguel, Gabriel e Rafael – disse Jesus – eles ficarão um tempo conosco.

Leia a continuação no PDF ou pelo livro impresso.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/jesus-adolescente-no-s%C3%A9culo-xxi

Diário de bordo… primeiro registro.

Em dois dias presenciei acúmulos mil de infinitas cargas emocionais. Fomos ao encontro da força que está impregnada em tudo ao redor. Reunimo-nos com um propósito em comum, o de comungar com a natureza, fogueira, cogus, árvores, terra, um lago próximo que chamam de açude não sei por que. Gigante é a fronteira que nos separa do que somos e do que nos forçamos a ser.

Chegamos ao local já era noite. Pessoas novas no círculo sempre dão a impressão que podemos ensinar-lhes algo, mas esse algo eles já sabem ou pelo menos deveriam e ensinar-lhes algo é em si deveras presunçoso. Organizamos os pedaços de madeira e ateamos fogo. O frio da região já demonstrava que poderíamos ter dificuldades de nos concentrar. Apagamos a luz já que tínhamos várias fontes naturais como a lua cheia no céu entre as nuvens finas a desenharem os nossos sonhos. Em poucos instantes tomamos a porção mágica e esperamos comedidos. De início o silêncio fazia-se presente, entrecortado por palavras soltas de um ou outro. Nada de novo. A chama bailava ao prazer do vento enquanto a madeira chiava um pouco mais que os nossos pensamentos. Em poucos instantes já sentíamos o diáfano preenchendo-se de matéria plástica. Os olhos fechados permitiam que as luzes dentro de nossas mentes criassem formas variadas. Um e outro falava e eu voltava à realidade. Esse ponto me incomodou deveras, não poder ter silêncio factual por distração da vontade alheia. Uma dica preciosa é a que nos alerta que quando não temos algo importante para dizer, permaneçamos calados.

Essa insistência em se fazer notar com a boca era torturadora demais para deixar por menos, no entanto permaneci discreto nas minhas críticas e fiz o que não queria, participei da conversa, esperando que os diálogos ao menos diminuíssem. Não há uma regra num livro que determine o silêncio sepulcral que talvez imaginamos quando pensamos nos templos ocultos do passado. O que há é um mísero bom-senso que deve reinar quando o assunto são os reinos internos. Há de se tirar várias questões disso tudo. Foi então que percebi que a forma ali, naquele instante era a distância. Mas isso incomodou, pois o prazer de estar ao lado da fogueira e suas ondas de calor acolhedoras era muito mais forte. Foi então que o diálogo não mais cessou. Curiosamente eu reconhecia um questionamento comum nas palavras, afirmando a dificuldade de perceber a força, de alçar voou. Ri por dentro. Como haveria possibilidade disso, se a mente estava cheia de coisas a se trabalhar? Como desprender-se da realidade se esta não saia da boca em forma de críticas à sociedade, aos costumes alheios, às forças opressoras da máquina do estado. E eu ria entristecido por dentro vendo que o exemplo do meu silêncio era desconsiderado. Abri algumas vezes a boca entrecortando a fala alheia com questionamentos e afirmações estranhas: “E a chama fala?”; “O que diz a noite?”; etc… E me vi surrupiado pela indelicadeza alheia, principalmente quando cortavam o silêncio, o pouco silêncio com piadas que perdiam sua graça por estarem fora do lugar. Eu olhava taciturno. Sentindo o desenrolar da força por dentro de mãos atadas pelas línguas incautas e alheias. E era muito interessante como minhas críticas discretas não eram digeridas. O que desejavam era somente regurgitar o que lhes vinham à mente. Para repetir as palavras dizendo algo que suas próprias ações já justificavam o não funcionamento. Triste de fato. Foi assim que cansei e desencanei. Calei-me totalmente, não via mais prazer em falar. Em sugerir um mísero cinco minutos no vazio dos sons noturnos. Fiquei entristecido por não conseguir me embalar na noite que brilhava branca nos pastos.

Por fim agradeço aos amigos que me chamaram, que participaram, que viveram comigo nessa experiência. Agradecido aos erros destes que me fizeram pensar nos meus próprios erros. E lembrar que independente dos problemas a própria jornada cuida em nos ensinar o melhor meio para alcançar seus tesouros. Seja agora ou depois, basta que estejamos alertas e abertos para as opiniões e experiências alheias.

Djaysel Pessôa

S.O.Q.C.

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#hermetismo

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The Dragon Rouge: Kabbalah, Runas e Magia Qlifótica – Thomas Karlsson

Bate-Papo Mayhem 150 – 12/03/2021 (Sexta) 12h Marcelo Del Debbio bate papo com Thomas Karlsson – The Dragon Rouge: Kabbalah, Runas e Magia Qlifótica.

IMPORTANTE: Selecionem “legendas” e nas configurações: “Traduzir automaticamente para Português”. O Youtube gerará as legendas. Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Thomas karlsson -https://www.facebook.com/Thomas.Karlsson.Author/

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Mozart, O Grande Arquiteto da Música

Em 5 de dezembro de 1784 era proposto o nome de Wolfgang Amadeus Mozart à Loja Maçônica “A Beneficência”. Entretanto, analisando o teor esotérico da sua obra, nota-se que Mozart era ligado a egrégora maçônica muito antes do seu ingresso na fraternidade. Aos 11 anos, Mozart musicou o poema maçônico “Andie Freude“. Aos 16, compôs uma ária para o hino ritual “Oh heiliges Band“. E aos 17, compôs o drama maçônico “Thamos, König in Ägypten”.

Mozart escreveu aproximadamente 30 obras destinadas exclusivamente à maçonaria. Dedicou à congregação cantatas com textos que falam em igualdade entre seres humanos, seres livres de jugos impostos por determinadas religiões, melodias compostas para atos solenes, para acompanhar os ritos e até mesmo concertos beneficentes abertos ao público.

É interessante o fato que Mozart não encontrava incongruências entre a Maçonaria e a igreja. Para ele, ambos os sistemas se complementavam, na Maçonaria ele faria a busca pelo autoconhecimento, a transformação do chumbo do Ego no ouro da Essência, no catolicismo reconheceu a busca do aperfeiçoamento espiritual, o perdão dos pecados, e a consolidação da redenção na vida após a morte.

Óperas

A iniciação era o centro do pensamento mozartiano. Suas obras refletem os aspectos mais profundos da Maçonaria e da via alquímica, porém imperceptível ao grande público. Suas óperas foram concebidas como verdadeiros rituais, possuindo vários níveis de percepção e significado.

“Descobrimos o mistério: não há nada a acrescentar.” (As Bodas de Fígaro ato II, cena 2)

Le Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro), ópera dividida em três atos, tem como tema a Igualdade, ela representa a jornada do Aprendiz, Fígaro. Há também alusões ao casamento alquímico, sagrada geometria, enfim uma obra de várias camadas.

“Não se alimenta de alimentos mortais aquele que se alimenta de alimentos celestes” (Don Giovanni ato II, cena 15)

Don Giovanni tem como tema a Liberdade e trata do drama vivido pelo companheiro em busca do grau de Mestre. O próprio Mozart confirmou o caráter iniciático desta obra. Don Giovanni representa o companheiro, o Comendador a encarnação do Mestre-de-Obras Hiram, Leporello o Primeiro Vigilante, isso se descrevermos apenas os principais. Ao longo de todo o ritual, Leporello fará a formação de Don Giovanni e o levará na direção das provas até ser engolido pela terra.

Cosi fan Tutte (Todas elas são assim), aparentemente representa o comportamento das mulheres, mas Mozart a concebeu pensando nas Lojas. Todas elas agem de maneira ritualística se desejam viver a tradição iniciática. Sob a óptica da alquimia, Cosi fan Tutte aborda o segredo do pilar da Sabedoria. Don Alfonso, detentor dos segredos, representa o Venerável Mestre. Ao atravessar a morte alquímica sob a conduta do Venerável Alfonso, os dois casais atingem a verdade do amor autêntico, em outras palavras, a Grande Obra.

“Se a virtude e a Justiça espalharem a glória pelo caminho dos Grandes, então a Terra será um reino celeste, e os mortais, semelhantes aos deuses.” (A Flauta Mágica, ato I, cena 19)

Die Zauberflöte (A Flauta Mágica), tem como tema a Fraternidade, com o simbolismo muito mais explícito que as anteriores, é uma das obras mais ricas em conteúdo iniciático da história da música, não por acaso o filósofo e dramaturgo alemão Johann Wolfgang Goethe afirmou: “É suficiente que a multidão tenha prazer em ver o espetáculo; mas, ao mesmo tempo, seu significado elevado não vai escapar aos iniciados”.

A flauta sintetiza todo o simbolismo iniciático. No decorrer da ópera Pamina diz que ela foi esculpida em madeira numa noite de tempestade (água e escuridão) repleta de sons de trovões (terra) e de relâmpagos (fogo), e a própria flauta representando o elemento ar. Maçonaria, Hermetismo, Rosacrucianismo, Astrologia, Magia, Tarot,  Kabbalah, Mitologia, está tudo lá. E como vocês já perceberam, dá pra fazer um post pra cada ópera, e desta eu já fiz AQUI.

“Todos os esforços que fizemos para conseguir expressar a profundidade das coisas se tornaram inúteis depois do aparecimento de Mozart.” (Goethe)

A Gruta

Mozart era mais inclinado aos elementos místicos da Maçonaria do que o seu racionalismo ético, e sua música procurava refletir esse espírito místico. Naquela época houve o surgimento de interesse em ritos iniciáticos do Antigo Egito e a introdução do simbolismo egípcio em alguns rituais maçônicos. A Loja de Mozart praticava a “Estrita Observância”, um rito que dava atenção às influências dos Cavaleiros Templários, sendo descrita como uma mistura de “simbolismo maçônico, práticas alquímicas e tradições rosacruzes.

Em 1791, ano da sua morte, Mozart decide fundar uma nova Ordem iniciática, a qual iria se chamar “Gruta”. Como é demonstrado na ópera-ritual “A Flauta Mágica” a Gruta seria uma ordem “celestial”, permitindo a iniciação feminina com rituais inspirados na tradição dos mistérios egípcios. Entretanto, poucos sabiam dessa intenção de Mozart, como revelou sua esposa Constanze numa carta “A respeito da Ordem ou Sociedade denominada Gruta, que ele queria criar”, escreveu ela, “não posso dar maiores explicações. O antigo clarinetista da corte, Stadler, que redigiu o resto dos estatutos, poderia fazê-lo, mas ele confessa que tem medo, pois sabe que as Ordens e as sociedades secretas são odiadas.”

Última Obra

Curiosamente a última obra terminada por Mozart, anotada no seu catálogo, foi uma pequena cantata maçônica intitulada “Laut verkünde unsre Freude” (Em alta voz anuncia nossa Alegria). Finalizada no dia 15 de novembro de 1791 à apenas três semanas do dia da sua morte (05 de dezembro), o espírito de despedida ressoa por estas melodias. Mozart dirigiu a cantata pessoalmente em sua Loja, foi a sua última aparição pública.

“Em alta voz anuncia nossa alegria

O alegre soar dos instrumentos.

O coração de cada Irmão sente

O eco destes muros.

Portanto, consagremos este lugar,

Pela cadeia de ouro da fraternidade,

E com verdadeira humildade de coração,

Hoje, o nosso Templo.”

(Trecho da letra de “Laut verkünde unsre Freude”)

Referências:

Tetralogia: Mozart, o grande mago, Christian Jacq

A Flauta Mágica, Ópera maçônica de Jacques Chailley

Música e Simbolismo de Roger J.V. Cotte

Mozart e a Música Maçônica, SCA.

Links
A Flauta Mágica e a Kabbalah
Mapa Astral de Mozart

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mozart-o-grande-arquiteto-da-m%C3%BAsica

A Jornada do Herói e a Kabbalah

Aproveitando o aniversário do Joseph Campbell e o início do financiamento coletivo do jogo RPGQuest, que é baseado no conceito da Jornada do herói e da Kabbalah, aproveito para falar um pouco de como estes dois conceitos importantíssimos estão intimamente ligados.

O monomito (às vezes chamado de “Jornada do Herói”) é um conceito de jornada cíclica presente em mitos, de acordo com o antropólogo Joseph Campbell. Como conceito de narratologia, o termo aparece pela primeira vez em 1949, no livro de Campbell The Hero with a Thousand Faces (“O Herói de Mil Faces”). No entanto, Campbell era um conhecido estudioso da obra de James Joyce (em 1944 publicara, em co-autoria com Henry Morton Robinson, a resenha A Skeleton Key to Finnegans Wake, “Uma Chave-Mestra para Finnegan’s Wake”) e tomou emprestado o termo monomyth (monomito) do conto Finnegan’s Wake, do autor irlandês.

Campbell e outros acadêmicos, tais como Erich Neumann, descrevem as narrativas de Gautama Buddha, Moisés e Cristo em termos do monomito e Campbell afirma que mitos clássicos de muitas culturas seguem esse padrão básico. O padrão do monomito foi adotado também por George Lucas para a criação da saga Star Wars, tanto na trilogia original quanto suas sequencias.

O roteirista de Hollywood e executivo da indústria cinematográfica Christopher Vogler também usou as teorias de Campbell para criar um memorando para os estúdios Disney, depois desenvolvido como o livro “The Writer’s Journey: Mythic Structure For Writers” (A Jornada do Escritor: Estrutura Mítica para Roteiristas). Este trabalho influenciou os 10 filmes produzidos pela empresa entre 1989 (A Pequena Sereia) e 1998 (Mulan), além da trilogia Matrix dos irmãos Wachowski, Harry Potter de JK Rowlings, o Senhor dos Anéis de JRR Tolkien e muitos outros.

Arquétipos dentro da Jornada do Herói

Herói: é aquele que se sacrifica por um bem coletivo. É com ele que o espectador se identifica. Podem haver vários tipos de heróis com interesses distintos, como por exemplo o Anti-Herói, que se sacrifica não por bondade, mas por motivações próprias.

Mentor: é uma figura mais experiente que motiva e fornece dons ou ferramentas para o Herói durante sua Jornada.

Guardião de Limiar: Personagem ou situações que impedem a entrada do Herói na Jornada. Guardam o limite entre o cotidiano do Herói e sua aventura.

Arauto: este personagem anuncia para o Herói o chamado à aventura. Pode ser o Mentor, o Vilão ou simplesmente um objeto como, por exemplo, uma carta.

Camaleão: é o personagem com personalidade dúbia, ou seja, nunca se sabe ao certo se ele está do lado do bem ou do mal. Por exemplo, o aliado que se revela inimigo no final ou o inimigo que salva o Herói em algum momento, revelando-se um aliado.

Sombra: Normalmente é o Vilão da história e deseja a destruição do Herói. É a personificação dos monstros internos de medos e traumas do subconsciente.

Pícaro: este personagem surge como um alívio cômico para equilibrar a seriedade da história. Serve também para derrubar o status quo do Herói e quebrar seu orgulho.

Estágios dentro da Jornada do Herói

Estágio Um: Mundo Comum (Malkuth)
Cotidiano do Herói, sua zona de conforto.

Os estágios 2 a 8 ocorrem dentro das esferas de Hod, Netzach, Tiferet, Geburah e Chesed. São as interações do Personagem Solar com os Arquétipos do Mestre, Guerreiro, Intelecto, Emocional e a figura protetora, bem como o confronto saturniano com o Inimigo e a sombra.

Estágio Dois: Chamado à Aventura
Herói recebe um chamado a uma aventura inesperada.

Estágio Três: Recusa do Chamado
Herói normalmente recusa ao chamado pois prefere ficar em sua zona de conforto.

Estágio Quatro: Encontro com o Mentor
Herói encontra um Mentor que o motiva e fornece dons para a aventura.

Estágio Cinco: Travessia do Primeiro Limiar
Herói enfrenta os guardiões entre seu mundo comum e o mundo da aventura.

Estágio Seis: Testes, Aliados, Inimigos
Herói conhece o mundo especial, suas regras, amigos, inimigos e enfrenta diversos testes.

Estágio Sete: Aproximação da Caverna Oculta
Neste momento o herói se aproxima da grande provação

Estágio Oito: Provação
Na grande provação o herói chega no limite entre a vida e a morte na luta contra o Vilão, mas é salvo milagrosamente.

Os Estágios 9 a 12 estão relacionados com o Cruzamento do Abismo e o retorno de Kether a Malkuth

Estágio Nove: Recompensa (Apanhando a Espada)
Por vencer a provação, Herói conquista uma recompensa.

Estágio Dez: Caminho de Volta
Voltando para casa o herói se depara com uma ameaça muito maior. Aqui ele morre.

Estágio Onze: Ressurreição
Como recompensa pelo seu sacrifício, o herói ressuscita dos mortos e vence a grande ameaça final, tornando-se um ser superior.

Estágio Doze: Retorno com o Elixir
O herói então volta para casa (mundo comum) ou fica no mundo especial, porém agora como uma nova pessoa, com novos conceitos e totalmente diferente do que era no início.

Um Jogo da Jornada do Herói

Após mais de uma década estudando a Kabbalah Hermética e a Jornada do herói, estruturamos um Jogo de Tabuleiro com o objetivo de contar histórias épicas. Nele, os participantes controlarão cada um um pequeno grupo de Heróis e Aventureiros que são chamados de suas vilas e cidades para uma Grande Aventura. Durante uma tarde, os Jogadores controlarão o destino destes Personagens, conduzindo-os através de florestas, colinas, montanhas, desertos e pântanos em busca de Artefatos de Grande Poder, Criaturas perigosas a serem enfrentadas, Ruínas de Templos abandonados e missões arriscadas enquanto cada personagem no grupo vai desenvolvendo suas melhores qualidades interiores. Há mentores, há provações e há o elixir. Como Grandes Desafios, Monstros destruidores aguardam os heróis que irão enfrentá-los. E NUNCA haverá uma partida remotamente parecida com outra! Cada elemento do jogo torna aquela tarde única e divertida!

Os Territórios do jogo são formados pelas Esferas da Árvore da Vida (Kether, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os Reinos são os 4 Naipes do tarot (Reino de Bastões, Taças, Espadas e Moedas) e os Conselhos de Classe são baseados nos 4 Elementos da alquimia (Terra, os Guerreiros; Ar, os ladinos; água, os clérigos e Fogo, os Magos) e todos os personagens do tarot estarão presentes (o Louco, o Mago, a Sacerdotisa, o Eremita, o Diabo, o imperador, a Imperatriz…)

Faremos apenas 500 unidades do jogo e, em menos de dez dias, já vendemos mais de 150. Se você é um estudante ou entusiasta da Jornada do herói, quer escrever roteiros para quadrinhos ou livros de fantasia Medieval, curte Hermetismo, ja jogou de RPG (mesmo se não tiver mais tempo para jogar – o RPGQuest não precisa de Mestre/narrador) ou tem filhos pequenos e quer ensinar a eles sobre como contar Grandes Histórias e desenvolver a imaginação, este jogo foi feito para você!

https://daemoneditora.com.br/categoria-produto/boardgames/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-jornada-do-her%C3%B3i-e-a-kabbalah

Goécia, Kiumbas e os demônios de verdade

Postado no S&H em 3/9/2008.
Já estava com saudades de escrever para o Sedentário. Estas semanas sem parar na correria da Bienal e todas as palestras para lançamento da Enciclopédia de Mitologia praticamente acabaram com o meu (pouco) tempo livre e prejudicaram um pouco o cronograma do Teoria da Conspiração. Para manter a constância, tenho publicado textos de amigos meus e ocultistas famosos no meu Blog pessoal.
Mas esta semana retornaremos às atividades normais.

Dando continuidade à série “Desmistificando os Demônios”, falaremos agora sobre as entidades hostis que habitam o Plano Astral. Para entender o que se passa, você precisará ler primeiro os textos “O Diabo não é tão feio quanto se pinta”, “Belzebu, Satanás e Lúcifer”, “Zaratustra, Mithra e Baphomet” e “666, the Number of the beast”. Nestes textos, eu explico detalhadamente de onde surgiu cada um dos alegados “demônios” inventados pela Igreja Católica e copiados ad nausea pelas Igrejas evangélicas e caça-níqueis que se vê por ai. Porém, esta explicação precisou fazer um parênteses porque não seria possível continuar a explicação sobre manifestação de entidades astrais no Plano Físico sem explicar primeiro o que é o Plano Astral. Então chegamos a uma “mini-série” onde expliquei o que é e como funciona o Plano Astral. Esta série está nos textos “Yesod – Bem vindo ao Deserto do Real”, “Thanatos”, “Hecate”, “Hermes”, “Morpheus” e “Caronte”, que explicam as cinco interações do Plano Físico com o Astral.
Sei que é um bocado de texto para ler, mas tenho fé em vocês, jovens leitores. E muito do que eu falei em colunas anteriores, sobre Pirâmides, Círculos de Pedra e Chakras estão interligados com estas manifestações físicas das entidades astrais.

A Goécia e os 72 demônios de Salomão
Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. Pela estrutura da composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C. provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.
Muitos dos títulos usados nos textos (Príncipes, Duques, Barões…) não existiam nos tempos bíblicos e, portanto, não poderiam ter sido usados naquela época.
O Lemegeton Clavicula Salomonis, na minha opinião, se trata de uma compilação dos 72 “espíritos das trevas”, que deveriam fazer a contraparte dos 72 anjos cabalísticos, ou derivados dos nomes de Deus (falarei sobre isso no futuro, por ora chega de textos sobre kabbalah).
Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele tentam imprudentemente evocar.
E quais seriam estas entidades?

Bem… para entender o que estes magos estavam invocando, precisamos retornar um pouco no tempo e estudar as magias cerimoniais e tribais africanas (ou nossa contraparte moderna da Umbanda, Condomblé, Wodun, Santeria, Vodu e ritos caribenhos de invocação dos mortos). Ou mesmo entender o fenômeno das mesas girantes estudadas pelo maçon Allan Kardec ou as tábuas de Oui-ja do século XVIII-XIX. Embora mais “educados” em suas aparições para a fina nata européia, todos os princípios acima lidam com basicamente a mesma coisa: a manifestação de seres espirituais no Plano Físico.

Sabemos que as entidades que vivem no Astral são basicamente o MESMO tipo de pessoa que vive no Plano Físico; apenas não possuem um corpo de carne ou as limitações que possuímos aqui. Sendo assim, a índole e a moral destas pessoas varia da mesma maneira que a índole e a moral das pessoas que estão vivas. E o trabalho dos feiticeiros ou magistas consiste em chamar e contratar as pessoas certas para realizar o trabalho desejado.

No Plano Material, quando temos um problema de hidráulica em casa, contratamos um encanador para resolver o problema; se o problema é na fiação, chamamos um eletricista; se estamos doentes, chamamos um médico; e assim por diante…
No Plano Astral, a coisa funciona da MESMA MANEIRA.
Quando um xamã indígena realiza um ritual de invocação de um “espírito ancestral” para, por exemplo, ajudar no tratamento de uma pessoa doente, é exatamente isso que ele está fazendo: entrando em comunicação com os antigos médicos da tribo que examinarão a pessoa e dirão o que há de errado com ela.
Quando um Guia em um templo de umbanda ou candomblé examina uma pessoa, ele está observando as alterações e distúrbios na aura (campo eletromagnético) e sugerindo algum tratamento para sanar aquele problema.

No mundo físico, se alguém precisar “eliminar” um oponente, pode contratar os serviços de um matador de aluguel. Claro que isso é considerado criminoso, anti-ético, ilegal, etc… mas é uma possibilidade que existe!
No Mundo Astral, acontece a mesma coisa. Pode-se contratar os serviços de pessoas especializadas em separar casais, manipular a índole das pessoas, quebrar objetos, atrapalhar negócios ou até mesmo aleijar, adoecer ou mesmo matar um outro ser vivente. Nenhuma surpresa.

No mundo físico, os bandidos se agrupam em gangues, com símbolos, ritualísticas próprias (máfia russa, tríade, yakusa, etc.), vestem máscaras para não serem identificados e usam do terror e intimidação para impor respeito e medo nas suas vítimas (como por exemplo, nas armaduras samurai japonesas). No Plano Astral ocorre a exata mesma coisa. Como o duplo-etérico (perispírito) é MUITO mais maleável do que nossa pele física, é possível modificar e transformar nossa estrutura espiritual para ficarmos com a aparência que desejarmos, o que inclui chifres, garras, dentes afiados e qualquer outra coisa que você pensar que vá assustar os crentes. E eles sabem disso e usam destas modificações astrais como maneira de intimidação, desde sempre.

Na antiguidade, os médiuns videntes eram capazes de enxergar estas formas e dos relatos delas surgiram as descrições que tradicionalmente associamos aos demônios, como asas, chifres, dentes, garras, rapo, espinhos e tudo mais. Outros assumem formas animalescas como lobos ou serpentes; outros ainda assumem formas vampíricas, monstruosidades ou deformidades (eu vi certa vez no astral um ser extremamente pálido, quase albino, careca, vestindo um robe negro, que possuía 6 olhos avermelhados no rosto, quatro do lado direito e dois no esquerdo, uns sobre os outros, e que ficavam piscando de maneira desordenada…). Também há entidades que se utilizam de correntes, pregos, ganchos, piercings, espetos e toda forma de agressões e auto-mutilações sado-masoquistas que você puder imaginar (Clive Barker certamente inspirou-se nestes seres para criar os cenobitas nos seus livros da série “Hellraiser”). O Baixo-Astral ou Baixo-Umbral está repleto deste tipo de criaturas.

Nos cultos afros, chamam estas entidades de Kiumbas, de onde vem a palavra quimbanda, ou “magia negra”. No kardecismo, chamam estas entidades de “obsessores” ou “espíritos trevosos”, no hermetismo chamamos estas entidades de “seres goéticos”. Tome muito cuidado com a mistureba que a mídia e os cristitas fazem com os cultos africanos:
UMBANDA , CANDOMBLÉ e QUIMBANDA são religiões bem diferentes entre si, embora os cristitas misturem tudo e chamem de “Macumba”.

E o termo “magia negra” é utilizado errôneamente, pois não há “cor” na magia, existe o uso que se faz da magia. Assim como o gênio da lâmpada na história de Aladin, estas entidades fazem o que o magista as comandar.
O ritual e toda a ritualística envolvida serve para se entrar em conexão com as entidades astrais. Para tanto, os magistas dividem as ritualísticas de invocação e evocação em três tipos: a Teurgia, a Magia Natural e a Goécia.

A Teurgia lida com os anjos e com os seres de luz, lida com os 72 nomes de Deus, com suas manifestações, com as sephiroth da Kabbalah e com os Salmos bíblicos (sim, crianças, mais uma vez a Bíblia se mostra extremamente valiosa para o estudante de ocultismo).
A Magia Natural lida com Elementais (gnomos, ondinas, silfos e salamandras), orixás, Exus, Devas, Asuras, Djinns, Efreetis e outras criaturas da natureza.
E finalmente, a Goécia lida com os seres do baixo-umbral.

Tendo os rituais certos, nos dias e horários certos, consegue-se contatar estas criaturas; mas apenas contatá-las: é como ter à mão o telefone do Cabeleira e do Zé Pequeno. O Ritual apenas chama estas entidades, o segundo passo é negociar com elas o preço do serviço. E não usei o Zé Pequeno de exemplo à toa… negociar com estas entidades é como negociar com os traficantes do “Cidade de Deus”, você nunca sabe o que poderá acontecer.

Acho que com isto conseguimos fechar a série desmistificando os demônios. Se tiverem alguma dúvida deixem nos comentários que eu tento responder aqui mesmo ou, se for o caso, abro uma nova sessão de “Perguntas e Respostas”.

#Goécia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/go%C3%A9cia-kiumbas-e-os-dem%C3%B4nios-de-verdade

A Igreja Católica e sua visão da Magia, Mundo Espiritual e Exorcismos – Padre Bento

Bate-Papo Mayhem #154 – 23/03/2021 (Terça) Com Padre Bento – A Igreja Católica e sua visão da Magia, Mundo Espiritual e Exorcismos

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-igreja-cat%C3%B3lica-e-sua-vis%C3%A3o-da-magia-mundo-espiritual-e-exorcismos-padre-bento