Onde vivem os magos

texto por Rafael Arrais

Um mago é antes de tudo um ser desperto. Nesse sentido, o “despertar” não significa necessariamente a aquisição de um “conhecimento secreto”, tampouco torna este próprio mago alguém superior aos demais. Pelo contrário, o verdadeiro mago é aquele que já se iniciou no caminho que conecta todos os seres e todas as coisas, e já percebeu que não faz sentido pensar num céu de escolhidos. Sabe que, se o céu não for erigido aqui, neste mundo, neste tempo, ele será sempre um céu vazio, uma fantasia pobre, um anti-mito.

Tais magos aprendem a reconhecer seus próprios pensamentos e a filtrar o que vem de fora. E assim, com o tempo, com apenas algumas vidas passageiras, uma espécie de milagre acontece, e onde antes se via um charco de caos e desejos desenfreados, passa a se ver um sistema que guia a tudo e a todos rumo a uma montanha de onde é possível ver toda a paisagem, e esta paisagem se torna a imagem daquilo que é lembrado para sempre. Às vezes temos visto tal paisagem em nossos sonhos mais iluminados…

Aqui neste país tropical, todos esses que sonham juntos um mesmo sonho por vezes se encontram em São Paulo. Em plena Avenida Paulista, enquanto uns estão indo ao banco, ou fazer compras, ou simplesmente assistir ao cover do Elvis (e nada contra nada disso), outros estão indo encontrar consigo mesmos, e com a essência da realidade. Este evento ocorre praticamente uma vez por ano, o último foi no fim de semana passado.

Abaixo lhes trarei alguns trechos do que vi, ouvi e senti no IV Simpósio de Hermetismo e Ciências Ocultas [1]:

Signos Intermediários na Astrologia, Marcelo Del Debbio

“A linguagem astrológica preenche a arte com os seus símbolos mais profundos, particularmente no Renascimento.”

“Não há saltos abruptos entre as energias que os signos simbolizam, mas variações graduais, como tudo no tempo da natureza.”

“Quem nasce entre os dias 21 e 22 de cada mês está mais próximo dos intervalos entre os signos, isto é, dos signos intermediários.”

“O estudo de tais signos intermediários é um avanço sobre a astrologia tradicional, o que prova que ainda há muito por ser estudado e compreendido.”

“Todos os signos trazem potencialidades boas e más, o que cada um vai desenvolver vai de acordo com o seu livre-arbítrio.”

Alquimia e Hermetismo, Giordano Cimadon

“A gnose é uma experiência, uma ‘doutrina sem forma’ que se manifesta na própria alma, e não em livros.”

“No estado de consciência adequado, até mesmo os eventos mais cotidianos da vida se tornarão uma aventura espiritual.”

“A gnose é o terceiro componente principal da formação da cultura ocidental, após a racionalidade e a fé dogmática.”

“Para os gnósticos, Deus não é homem, mulher, velho, jovem, nem animal nem planta nem mineral, pois se encontra além da epistemologia [conhecimento racional].”

“O aqui é um ponto além do espaço. O agora é um ponto além do tempo. Viver no aqui e agora, portanto, é viver na eternidade.”

Mitos e Lendas Celtas: Decifrando Nossa Rica Herança Espiritual, Cláudio Crow

“Mitologia, espiritualidade, religião, filosofia e história são, no fundo, uma só coisa, e não podem ser compreendidas em separado.”

“As verdades presentes nos mitos não são proclamadas por profetas, mas nascem de nós mesmos, de nossa essência eterna.”

“Os deuses e as deusas da cultura celta são emanações da paisagem, indissociáveis da natureza. Para a cultura celta, a morte de um rio seria a morte de uma deusa.”

“A mente celta jamais se sentiu atraída pela linha reta, e evita formas de ver e perceber o mundo que se satisfaçam com a certeza.” (John O’Donohue)

“O druida [sacerdote celta] não vê o outro mundo, vê este mesmo mundo com outros olhos, e deve se dedicar a trazer a perfeição do céu para a terra.”

Hermeticaos: Magia não é “bug”, é “cheat code”, Felipe Cazelli [2]

“A verdadeira treta na discussão se Deus existe ou não nem é a questão existencial em si, mas uma disputa que envolve a resposta da pergunta, ‘Quem vive melhor, o ateu ou o crente?’. Diante disso, eu gosto da solução que um amigo meu encontrou; ele diz que ‘é um ateu não praticante’.”

“A verdade é uma experiência. Assim sendo, os devotos das religiões organizadas são, em sua grande maioria, uma galera que acredita piamente nas experiências dos outros, algumas de milênios atrás, e se abstém de ter as suas próprias experiências desta verdade.”

“Estes são os fundamentos do ocultismo ocidental: (a) Não tem credo, mas hipóteses que precisam ser testadas, ainda que subjetivamente; (b) Muitos acabaram se convencendo de que há mesmo um mundo invisível; (c) Da mesma forma, que há uma ordem no universo, e que nada existe sem um propósito; (d) Igualmente, que tudo evoluí, do caos para a ordem, do simples para o complexo; (e) Que aprendemos através das reencarnações; (f) Que as circunstâncias de nossas vidas servem para o nosso desenvolvimento; (g) e finalmente, que há espíritos que podem afetar a realidade a nossa volta.”

“A magia é arte, a arte, e esta é uma afirmação grave! Pois, como uma arte, a magia não tem realmente regras definidas. O ritual mágico é uma experiência arbitrária, e nem mesmo um estado de consciência alterado se faz necessário para que ele seja realizado. No fim das contas, você consegue o que pediu, se a sua crença for praticada diariamente, e se o que deseja tem meios de se manifestar de acordo com as leis naturais.”

“Se a energia é a massa acelerada a velocidade da luz, a massa, isto é, a matéria, é uma ‘energia lerda’. Isto é bom, pois que se a realidade é puramente mental, há um delay entre o que você pensa e o que você efetivamente realiza. Assim, nós estamos nesse mundo, sobretudo, para aprendermos a controlar a mente, que nunca desliga. O dia em que não vermos problema em ver nossos desejos realizados imediatamente, sem delay, estaremos já iluminados, e não será mais necessário vivermos por aqui.”

Nos Sagrados Caminhos da Y’urema, Rita Andreia de Cássia

“A natureza é sagrada e viva, e Y’urema é a árvore, e também a deusa, que liga a terra e o céu.”

“O mundo está doente porque os homens se distanciaram do seu lado feminino.”

“Nós temos fé que existe um espírito vegetal que nos cura…”

“A Y’urema é uma árvore de muitos, muitos galhos… Ela é a maior entidade dos cultos ameríndios.”

“No fundo, toda a magia terá a cor que você pensar.”

A Magia na Umbanda, Alexandre Cumino

“Zélio de Moraes fundou a umbanda em Niterói/RJ, em 1908, com 17 anos de idade. Foi a entidade que ele incorporava, o Caboclo das 7 Encruzilhadas, quem idealizou o ritual de umbanda. A umbanda é a primeira religião nascida exclusivamente no Brasil.”

“Este caboclo foi reconhecido como um padre católico em uma vida passada por um médium espírita vidente, mas ele responde ao médium que ‘somente uma encarnação não resume o que é um espírito, e hoje eu prefiro ser um caboclo’.”

“A umbanda faz questão de ser uma religião, e cultuar os orixás e os santos católicos. A umbanda, ao contrário do espiritismo, não tem ‘centro’, tem ‘templo’, com altar e uma ritualística formal.”

“Uma falange é composta por muitos espíritos anônimos usando um mesmo nome para se identificar. Assim sendo, não há somente um Preto Velho, uma Maria Padilha ou um único Caboclo Pena Branca, mas muitos deles.”

“Na umbanda e nos demais cultos africanos, a chamada Direita se encarrega de trazer a energia positiva, enquanto que a Esquerda se dedica a repelir a energia negativa. Dessa forma, ambas têm a sua função, que é sempre benéfica (em se tratando de magia divina).”

***
[1] Se trata de pequenos trechos e frases que anotei em meu caderno. Não significa que tenha sido exatamente o que os palestrantes disseram, mas antes já a minha interpretação, por vezes resumida, do que foi dito. Finalmente, vale notar que infelizmente eu não tive tempo de assistir todas as palestras (apesar de ter assistido somente cerca de metade da palestra do Alexandre Cumino, decidi incluí-lo também).
[2] O próprio título da palestra do Cazelli já encerra um conhecimento profundo, que merece uma explicação: um bug seria como que uma espécie de falha no sistema de um game; já um cheat code seria um código que permite “burlar” certas regras do jogo. Ora, se a realidade é um sistema mental, um mago não está se aproveitando de nenhuma suposta falha deste sistema, mas antes se aproveitando desses tais códigos que permitem alterar suas regras – o detalhe é que tais códigos já estavam inseridos nela, desde o início dos tempos.

Crédito das fotos: Raph e AESG

#hermetismo #Simpósio

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/onde-vivem-os-magos

Seria o TdC uma Sociedade Secreta?

cebola

Com o projeto do livro de Kabbalah Hermética chegando em sua reta final, sinto que também está na hora de dar um passo adiante com o Blog também. Nestes últimos 9 meses eu estive bastante ausente em termos de escrever textos de ensinamentos aqui, embora, na verdade, estava extremamente ocupado escrevendo textos de ensinamentos para o Livro! Depois de mais de 8 anos publicando textos sobre praticamente TUDO o que se pode imaginar dentro do Hermetismo, Alquimia, Maçonaria, Umbanda, Rosacruz e trocentos outros assuntos, chega uma hora que a maioria das perguntas do tipo “onde eu acho algo sobre X?” já foi respondido em algum post dentro dos 3.000 publicados.

Então, vou tentar uma nova fórmula que acho que deve ser bacana e, ao mesmo tempo, me forçará a escrever novamente com constância. Usar o Blog como “Blog”, contando causos, debatendo sobre assuntos aleatórios relacionados ao Hermetismo, Cultura Pop, resenha de filmes que tenham assuntos iniciáticos e coisas assim… e vocês me ajudam sugerindo tópicos nos comentários ou nas postagens do Facebook.

Hoje vou falar um pouco sobre um tema que bombou na lista de debates do facebook: Afinal, o TdC está caminhando para se tornar uma Sociedade Secreta?

A Resposta mais honesta seria: Talvez sim. Mas não do jeito que você imagina.

A verdade é que existem inúmeros Círculos de Compreensão dentro do Hermetismo e que de uma certa maneira, eu preciso ser capaz de conversar com cada um destes Círculos de maneira diferente. Geralmente, quanto maior o Círculo, mais leigas são as pessoas e mais diluída precisa ser a mensagem, senão a quantidade de chorume ignorante que vai chover sobre os textos nos comentários não está no gibi. Comecemos com dois exemplos bons:

O Mundo profano

1 – Quando eu vou em algum programa tipo “Superpop”, sempre aparece algum idiota para xingar “Ah, mas olha lá o deldebbio no Superpop! Nenhum mago sério toparia ir naquele programa que só tem abobrinha”… o que é de certa maneira um espelho do próprio preconceito e arrogância de quem diz esse tipo de coisa. Programas populares de auditório escolhem pautas XYZ por causa da popularidade, depois buscam no google se tem algum expert para falar sobre aquilo. Se o cara diz “não”, eles ligam pro próximo, e pro próximo, e pro próximo, ATÉ ALGUÉM ACEITAR. Muitos idiotas da net acham que bastaria falar “não” que o programa não aconteceria e que poderíamos escapar desta exposição, mas simplesmente não é verdade. Então eu prefiro mil vezes ir em um programa do Superpop, ou Regina Casé, ou Faustão ou o que seja para falar sobre Hermetismo do que deixar que eles escolham algum tosco fantasiado de dr. Estranho ou Constantine pra falar besteiras. Eu sei que eu me garanto e que, em vinte anos de entrevistas, já tenho tarimba para sacanear quem acha que vai nos sacanear. E cada programa destes atinge 400.000 famílias (é gente pra caramba!) e, se eu articular direito e levantar a curiosidade da maneira certa, aqueles que tem um QI maior que o de um funkeiro vão buscar algo no Google… e não são poucos! Lembro que da última vez que fui no Superpop, fui reconhecido até por caixa de supermercado uma semana depois do programa! É uma chance de ouro de defender o hermetismo nas grandes massas.

2 – Quando eu escrevo ou publico algo no mundo geek/nerd, geralmente entrevistas relacionadas com RPG ou cinema, procuro ficar mais nos assuntos de mitologia, ou utilizar elementos da magia dos universos de fantasia para trazer aqueles com QI maior que o de um orc para dentro do blog. Apesar de ser um círculo mais fechado, ainda tem muito retardado com o ego de crianças de 12 anos no meio Rpgístico e que se melindra com qualquer coisa, ainda mais nestes tempos pós-modernxs. Ao longo de quase 20 anos, jogos como Arkanun, Trevas, Anjos e Demônios atraíram muita gente para o hermetismo. Pessoas que começaram a jogar com 10-15 anos e que hoje possuem 35-40 anos, já estão em ordens iniciáticas e/ou estudando.

Estes são os exemplos mais distantes das cascas da cebola, públicos onde a imensa maioria é composta de leigos, palpiteiros e “achadores” de egos imensos, mas é a primeira filtragem. Em seguida, temos o próprio Blog do TdC, que começou como uma Coluna no site Sedentário e Hiperativo (uns 8 anos atrás, hoje o foco do site são vídeos e memes). Nos tempos do Sedentário cada postagem na Coluna chegava a 40.000 visualizações, o que ainda é um número gigantesco, porém mais afinado com a egrégora.

Podcasts e Entrevistas
Outro método excelente de abrir as portas aos buscadores é através de entrevistas e bate-papos em podcasts, sites e youtubers. Um vídeo como a palestra sobre A Kabbalah e os Deuses de Todas as religiões já foi visto mais de 80 mil vezes. Aqui tem uma lista com as melhores. Fora os excelentes podcasts do Descontrole (aliás, fica o convite: se você possui um podcast sobre qualquer assunto que seja e quiser bater papo comigo, é só me mandar um email ou mensagem no Facebook e marcamos). Estas conversas atingem públicos às vezes muito diversos do habitual e serve como porta de entrada para os textos do site. Acho que os livros e textos em PDF (especialmente o “Grande Computador Celeste” também ajudaram muita gente a chegar até as portas do Labirinto).

No TdC ocorre o que gosto de chamar de “Porta de Entrada”. São cerca de 10 mil visitantes por dia, cerca de 7 mil no post principal e 3 mil espalhados pelo que chamamos de “cauda longa”, que é movimentado principalmente pelos Sites de Busca e pelo alto Pagerank do TdC. Por ter material original e bem cotado, o Blog está sempre entre os primeiros sites (tirando os patrocinados e os esquisotéricos de portais gigantescos) e conseguimos manter um bom diálogo com a galera e começar a redirecioná-los para círculos mais específicos…

Os Primeiros Círculos costumam ser os Grupos de Hermetismo no Facebook, antigamente (em tempos de Orkut) tínhamos o Projeto Mayhem, mas com o tempo, a praticidade do Facebook fez com que o pessoal naturalmente migrasse de uma plataforma para outra. Nossos grupos de Facebook são moderados e bem cuidados. Não permitimos fakes nem trolls e qualquer problema com babacas gera advertência e banimento. Assim, conseguimos manter a qualidade mesmo dentro de um dos maiores grupos do Facebook do tema. E dentro destes Grupos, temos grupos menores relacionados à Kabbalah, Astrologia Hermética, Runas, Tarot e outros assuntos. Grupos mais fechados e mais selecionados, porque o nível dos debates também é mais complexo. Nestes grupos chegamos a 300, 400 pessoas no máximo.

Finalmente, temos nossos próprios grupos de estudo, onde você pode estudar sozinho e fazer os exercícios práticos em casa. São Monografias e relatórios, cada lição resolvida abre as portas para a próxima Monografia… Apesar de parecer simples e mais de 8 mil pessoas já terem pedido para entrar, menos de 10% sequer consegue chegar ao grau de Probacionista, onde a jornada começa. Aqui já temos uma Egrégora bem forte protegendo aqueles que resolveram se dedicar ao estudo da Alquimia, Hermetismo e busca pela Verdadeira Vontade.

Nesta caminhada, temos cursos presenciais de Hermetismo e, para os que não possuem finais de semana livre ou tempo disponível ou moram longe de São Paulo, estruturamos os Cursos de Hermetismo À Distância no Excelente site da Daemon Editora. o Conteúdo é rigorosamente o mesmo dos cursos presenciais e faço acompanhamento com apostilas e plantão de dúvidas. Aos poucos, fazemos o que está ao nosso alcance para ajudar, mas a Caminhada até o Santo Graal deve ser feita pelo Buscador.

Então, a conclusão é que depois de 22 milhões de pessoas visitando nosso site ao longo de 8 anos, cada uma destas pessoas ultrapassou o que conseguiu do próprio abismo. Muitas abriram, leram e entenderam tudo ao contrário e vão sair falando merda; muitas leram alguma coisa, mataram a curiosidade e retornaram às suas vidas; muitas leram alguns posts, até gostaram do que viram mas ficaram com preguiça de continuar e retornaram para as vidas normais; outros começaram a estudar alguma coisa; outros resolveram aprofundar os estudos; alguns entraram em ordens iniciáticas (muitas e muitas e muitas diferentes para poder citá-las todas aqui) e uma parte realmente avançou dentro destas ordens. Hoje tenho a felicidade de encontrar leitores do Arkanun/Trevas entre médicos, advogados, engenheiros, artistas, administradores; temos amigos dentro dos maiores graus de todas as Ordens no Brasil e em vários outros países…

O que nos leva à resposta do título: SIM, praticamente somos uma Ordem Secreta enraizada dentro da Cultura Pop, das Ordens Iniciáticas e de profissionais que estão no caminho para se tornarem os melhores profissionais que puderem ser. O quanto você pretende avançar na Árvore da Vida só depende de você!

Certo homem saiu para semear. Enquanto semeava, uma parte das sementes caiu à beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram. Outra parte caiu no meio de pedras, onde havia pouca terra. Essas sementes brotaram depressa pois a terra não era funda, mas, quando o sol apareceu, elas secaram, pois não tinham raízes.

Outra parte das sementes caiu no meio de espinhos, os quais cresceram e as sufocaram. Uma outra parte ainda caiu em terra boa e deu frutos, produzindo 30, 60 e até mesmo 100 vezes mais do que tinha sido plantado. Quem pode ouvir, ouça.

– Matheus, 13

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/seria-o-tdc-uma-sociedade-secreta

Giordano Bruno

Filipe Bruno nasceu em Nola, Itália, em 1548. O nome com que ficou conhecido, Giordano, lhe foi dado quando, ainda muito jovem, ingressou no convento de São Domingos, onde foi ordenado sacerdote, em 1572.

Mente inquieta e muito independente, Bruno teve sérios problemas com seus superiores ainda quando estudante no convento. Sabemos que já em 1567 um processo foi instaurado contra ele, por insurbordinação, mas Bruno já granjeara admiração por seus dotes intelectuais, o que possibilitou a suspensão do processo. Era tão séria a largueza de visão de Bruno quanto aos defeitos do pensamento intelectual de sua época, que em 1576 teve de fugir de Nápoles para Roma devido à peseguições de toda espécie e, depois, para a Suíça, onde freqüentou ambientes calvinistas, que logo abandonaria julgando o pensamento teológico dos protestantes tão restrito quanto o dos católicos.

A partir de 1579, Bruno passa a viver na França, onde atraiu as simpatias de Henrique III. Em meados da década seguinte, Bruno vai para a Inglaterra. Mas logo ele entra em atrito com os docentes de Oxford. Vai, então, depois de um curto período de retorno à França, para a Alemanha luterana. Após um período de vivência no meio dos seguidores de Lutero (de onde seria expulso posteriormente), Bruno parte para Frankfurt, onde publica sua trilogia de poemas latinos. Recebe um conviente (que lhe seria fatal) para ensinar a arte da memória ao nobre (na verdade, um interesseiro ) veneziano João Mocenigno. Assim, selando seu destino, Bruno parte para a Itália em 1591. No mesmo ano, Mocenigno (que esperava aprender as artes da magia com Bruno) denuncia o mestre ao Santo Ofício.

No ano seguinte, começa o dramático processo contra Bruno, que se conclui com sua retratação. Em 1593, é transferido para Roma, onde é submetido a novo processo. Depois de extenuantes e desumanas tentativas de convencê-lo a retratar-se de algumas de suas teses mais básicas e revolucionárias pelo método inquisitorial, Bruno é, por fim, condenado à morte na fogueira, em 16 fevereiro de 1600.

Giordano Bruno morreu sem renegar seus pontos de vista filosófico-religiosos. Sua morte acabou por causar um forte impacto pela liberdade de pensamento em toda a Europa culta. Como diz A. Guzzo: “Assim, morto, ele se apresenta pedindo que sua filosofia viva. E, desse modo, seu pedido foi atendido: o seu julgamento se reabriu, a consciência italiana recorreu do processo e, antes de mais nada, acabou por incriminar aqueles qua o haviam matado”.

A Filosofia de Bruno

A característica básica da filosofia de Giordano Bruno é a sua volta aos princípios do neoplatonismo de Plotino, e ao hemetismo da Europa pré-crstã, notadamente nos trabalhos que conhecemos como “O Corpus Hermeticum”.

Nos primeiros séculos da era imperal romana durante o desenvolvimento do movimento cristão, veio à tona uma surpreendente literatura de caráter filosófico-religioso, cujo traço de união era, segundo seus autores, as revelações trazidas po Thot, o deus escriba dos egípcios, que os gregos identificaram com Hermes Trismegisto, de onde o nome de literatura hermética. Parece que o Thot egípcio foi, realmente, uma figura religiosa histórica real que o tempo se incubiu de envolver nos véus da lenda. Seja como for, temos conhecimento desses escritos filosófico-religiosos que remontam à tradição inicada pelo movimento de Thot-Hermes, e que nos chegaram, em parte. O suporte doutrinário dessa literatura, segundo Reale e Antiseri (1990), é uma forma de metafísica inspirada em fontes do medioplatonismo, do neopitagorismo, da tradição de Apolônio de Tiana, e do nascente neoplatonismo. A iluminação pessoal, com a conseguinte salvação da alma, segunda esta doutrina, depende do grau de conhecimento (gnosi) e maturidade a que chega o homem em sua luta por compreender o porquê da existência terrena, que é a ante-sala do mundo supra-sensível, além do plano físico. Em virtude da profundidade destes escritos, alguns pais da Igreja (Tertuliano, Lactâncio e outros), consideraram Hermes Trismegsito um tipo de profeta pagão anterior e preparador dos ensinos de Cristo, embora esta história tenha sido abafada pelo fanatismo católico posterior da Idade Média. Resgatando parte desta tradição, Bruno se coloca na trilha dos magos-filósofos que ressurgiram na renascença, que, embora procurando manter-se dentro dos limites da ortodoxia cristã, leva-o às últimas consequências. O pensamento de Bruno é gnóstico em essência, profundamente mesclado ao pensamento hermético e neoplatônico que o sustenta. Ele conduz a magia renascentista às suas fontes pré-cristãs e as demonstra serem tão válidas e ricas quanto a cristã, tendo, inclusive, o mérito de se enriquecerem mutamente. É necessário aceitar o diferente, segundo Bruno, com suas riquezes e pontos de vista complementares ao modo de ver do mundo cristão. Bruno, tal como antes fizera Plotino, considerava a religiosidade pré-Cristã uma forma de exercício para uma vivência plena, mística e direta com o Uno. Isso foi fatal para Bruno, que surgiu uma época de extrema intolerância relgiosa ( e que – sejamos honestos – ainda perdura de forma sutil e ainda mais cruel na Igreja Católica, como no exemplo da condenação da Teologia da Libertação e de seus formuladores, como Leonardo Boff, e no falso discurso ecumênico que esconde interesses políticos, em que é cegamente seguida por sua filha pródiga: o universo das igrejas e seitas evangélicas), e que buscava no hermetismo um refúgio à cegueira fanática da inquisição. E Bruno vem à tona pregando um reconhecimento da herança pagã antiga e da liberdade de pensamento filosófico-relgioso, o que, por si, era uma ameaça e uma atitude por demais revolucionárias para serem suportadas pelo poder de Roma.

O pensamento de Bruno era holista, naturalista e espiritualista. Dentre suas idéias especulativas, destacamos a percepção de uma sabedoria que se exprime na ordem natural, onde todas as coisas, quer tenhamos idéia ou não, estão interligadas e se interrelacionam de maneira mais ou menos sutil (holismo); a pluralidade dos mundos habitados, sendo a Terra apenas mais um de vários planetas que giram em volta de outros sistemas, etc. Por tudo isso, por essa ousadia em pensar, Bruno – que estava séculos adiante de seu tempo – pagou um alto preço. Mas sua coragem serviu de estopim e incentivo ao progresso científico e filosófico posterior.

por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/giordano-bruno/

O Caminho da Imperatriz: Umbanda, Magia e Tarot com Nivia Peggion

Bate-Papo Mayhem #093 – 22/10/2020 (Quinta) Com Nivia Peggion – O Caminho da Imperatriz: Umbanda, Magia e Tarot

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo #Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caminho-da-imperatriz-umbanda-magia-e-tarot-com-nivia-peggion

O Que é Bruxaria Tradicional?

“Você pode andar pelo caminho,

Você pode falar as palavras,

Mas você pode conjurar um espírito?”

Sentimos-nos honrados com o convite para contribuir com esta coluna sobre Bruxaria Tradicional aqui no blog “Teoria da Conspiração”, e é com humildade e os pés no chão que adentramos este espaço de compartilhamento de saberes, de generosidade e aceitação. É neste espírito que inflama a alma que iniciamos este pequeno ensaio de introdução no tema.

Cremos que “Bruxaria” tenha sido um assunto fascinante ou aterrorizante para todos os povos de todas as eras, e sua “função” constitui no único consenso eterno nela existente, pois dela nunca uma única forma prevalece perene dada à sua fluidez. A mídia replica a figura imutável e cada um interpreta de acordo com amplitude de sua visão. Para alguns, a bruxa é uma figura folclórica, mítica, uma fantasia – e para outros – ela é a portadora das chaves para inúmeras possibilidades ainda ocultas.

É possível coletar algumas percepções importantes dentro das muitas opiniões e disposições a respeito do tema, assim como é muito fácil ficarmos atordoados com o amontoado de teorias “esquizotéricas” sobre o tema. A confusão não é proveniente da simples gradação de refinamento cultural, mesmo porque esta é uma Arte que fala à mente do erudito com a mesma facilidade com a qual fala ao coração da benzedeira. É uma questão de afinidade energética, de marca em espírito e carne, e assim, a linguagem – por mais refinada que seja – ainda é pobre para expressar.

Ao contrário da teoria de Margaret Murray de que a Bruxaria seria um culto organizado em toda a Europa, com uma estrutura fixa de rituais e crenças religiosas, a Bruxaria tem suas raízes exatamente naquilo que Murray descartou ainda no prefácio de sua teoria, a qual ela chamou de “Bruxaria Operacional”, ou seja, a prática de magia, feitiços e bruxedos. Como cita Nicholaj Frisvold, em sua fascinante visão sobre a história da prática da Bruxaria, “Artes da Noite” (Ed. Rosa Vermelha – 2010): “Também temos uma idéia persistente de que a organização em cultos e ordens seja uma prática de longa data, mas na realidade há mais evidências que apontam para o fato de que a organização de diversas crenças tenha ocorrido no século XVII, quando a maçonaria se encontrava dentre os grupos mais famosos. Antes do século XVII as pessoas se reuniam, muito provavelmente em unidades menores, já que as organizações eram bem locais”. Mais a frente, o autor nos diz: “Como também a seção de história tem demonstrado, a bruxaria era, até o século XVI, algo que se praticava, e não uma identidade referindo a alguém que era parte de um culto organizado.”

Na seqüência dos estudos de Murray, Gardner lançou ao mundo sua “Religião Neo-Pagã de Fertilidade” sob o termo Wicca (ou “Bruxaria Moderna”). Dada subseqüente campanha de dissolução e branqueamento, alguns poucos que preservavam certas práticas antigas de bruxaria vieram a público, como vemos no caso de Robert Cochrane, que nos anos 60 fez possível a distinção entre os que predecediam os gardnerianos, cunhando o termo Bruxaria Tradicional. Antes disso não havia a necessidade da utilização deste termo, e pelo contrário, tanto a prática quanto o termo “bruxaria” eram considerados assuntos “sub-rosa”, ou seja, mantidos em absoluto sigilo. Como exposto no artigo “Bruxaria Tradicional para Iniciantes”[1]: A Bruxaria ‘Tradicional’ passou a existir como um rótulo de identificação, justamente quando houve a necessidade de se preservar o espaço das práticas que eram consideradas heréticas (de manipulação de forças ‘sagradas’ ou ‘profanas’ a fim de se alterar realidades).

De fato, até os séculos XVI e XVII, os bruxos e bruxas eram comumente solitários, e seu conhecimento era transmitido via indução iniciática de um para o outro, na maioria das vezes em caráter hereditário. Pequenos grupos podiam existir, mas já mencionado, em unidades menores e locais. Foram os séculos XVIII e XIX que experimentaram o nascimento dos Cuveens[2] e Coventículos, onde a sabedoria dos bruxos, que até então era focada na terra, nos espíritos da natureza, no uso de ervas e venenos e na conjuração dos mortos, passou aliar com os conhecimentos místicos da Alta Magia, Hermetismo, Astrologia Medieval e Renascentista e a Filosofia, e cujos expoentes classificavam-na como “infernal” em oposto imediato e necessário ao “celestial”, fosse pela compreensão maniqueísta da época, fosse pela forçosa proteção contra punições eclesiásticas. Este é o período que mais contribuiu com o caráter mais Místico e Quintessencial da Bruxaria. Os bruxos sempre aproveitaram o conhecimento de onde quer que ele jorrasse, fosse ele o folclórico de sua terra (com os resquícios do paganismo de outrora), fosse o conhecimento obtido numa Missa Católica (basta lembrarmos das leituras de Salmos como encantamentos). Existiram os bruxos iletrados, e existiram os bruxos eruditos, e a Sabedoria de ambos é tida como um tesouro de mesmo valor para os Bruxos Tradicionais contemporâneos. Como tal, a Arte Tradicional não é totalmente pagã ou neo-pagã como a Bruxaria Moderna do século XX, mas contém em seu Ethos[3] elementos pagãos na mesma medida em que contém elementos cristãos ou místicos.

Os bruxos tradicionais definem sua Arte como um Ofício (Função), no qual a bruxa opera com os poderes da terra e das estrelas, dos mortos da terra e seus ancestrais. A Bruxaria é a Arte de provocar mudanças, o uso alegado de poderes sobrenaturais ou mágicos seja qual for a crença espiritual do bruxo, é a manipulação da Quintessência contida na Natureza através da Vontade, Desejo e Crença de seu praticante.

A adição do termo “Tradicional” compreende o sentido das verdades perenes, ou o “perenialismo” contido nas tradições da terra. A Palavra Tradição é proveniente do latim “tradere”, “traditio”, ou ainda “traditionis”, que significa trazer, entregar, transmitir. Assim, ela transmite certo conteúdo que pode ser uma memória cultural, espiritual e material, geralmente um conjunto de idéias, recordações e símbolos que passam através de gerações. A Tradição, via de regra, é uma doutrina, uma cosmovisão que se descortina ao iniciado e não um dogma a ser abraçado cegamente. A partir de uma Tradição, é possível encontrar correlações com todas as outras, por mais diferentes que sejam suas origens e formas, ou estéticas, e sem descartar o panorama geral do contexto cultural onde se desenvolveu. Infelizmente em nossos dias é comum ater-se somente ao aspecto de legado, sem haver um critério específico no conteúdo ou qualidade deste legado, e assim é que a “Tradição” tem conhecido fronteiras em tempos onde fronteiras tendem a cair.

O estudante e o praticante devem ter sempre em mente ambos os conceitos, Forma e Função, pois é através destes dois conceitos que é possível identificar a tradicionalidade de uma dada prática ou grupo. Em todas as vertentes da Arte Tradicional com as quais fomos afortunados em nos associar em algum nível, encontramos uma grande similaridade na Função dentro da grande diversidade de Formas. Todas elas apontam para o mesmo Mistério da Unicidade, o eterno Princípio Divino.

A Arte Tradicional é muito bem exemplificada nas palavras de Andrew D. Chumbley, em seu artigo homônimo a este, onde ele diz: “A Bruxaria Tradicional é o Caminho Sem Nome da Arte Mágica. É o Caminho da Bruxa, o chamado do coração que indica a vocação do Cunning Man e da Wise Woman[4]; é o Círculo Secreto de Iniciados constituindo o corpo vivo da Antiga Fé. Seu ritual é o Sabbat do Sonho-feito-Carne. Seu mistério jaz no Solo, abaixo dos pés Daqueles que trilham o caminho tortuoso de Elphame. Sua escritura é o caminho do Wort-Cunning[5] e encantadores das Bestas, o tesouro da tradição relembrada por Aqueles que honram os Espíritos; é a gramática do conhecimento sussurrado ao pé do ouvido, amados por Aqueles que mantém sagrados os segredos dos Mortos e confiados Àqueles que lançam seu olhar adiante… as respostas a quem pergunta sobre a Bruxaria Tradicional jazem na suas terra nativa: o Círculo da Arte das Artes!”. Sua origem é traçada nos Cunning-Men e nas Wise-Women, nos sábios Pellar[6], nas benzedeiras e curandeiros, nos exímios Wortcunners, como também nos Doutores dos Planetas, Magos Renascentistas e Pensadores Liberais.

Por fim, podemos dizer que a Bruxaria é um patrimônio cultural da Humanidade, ou ainda, que é o Caminho Tortuoso que guia o Bruxo rumo a Forja de Fogo Estelar para seu aperfeiçoamento. Esta é a Arte da Troca de Pele da Serpente, da solidão e expiação Cainita, daqueles que carregam a Marca e Maldição na Fronte, na Alma e no Sangue.
Possam a Bênção, a Maldição e a Sabedoria estarem convosco!

Nota Biográfica:

Draku-Qayin (a.k.a. Adriano Carvalho) e Qelimath (a.k.a. Katy de Mattos Frisvold) são Bruxos Tradicionais, fazem parte da Irmandade conhecida externamente como Via Vera Cruz, e são também membros do Clan of Tubal Cain por sua extensão brasileira conhecida como Lilium Umbrae Cuveen. Draku mantém o blog Crux Sabbati (www.cruxsabbati.com) e Qelimath o blog Diablerie (www.diablerie.com.br) onde discutem a Arte Tradicional em um amplo sentido.

Notas:

[1] – Para ler este ensaio acesse:

http://www.diablerie.com.br/2011/01/bruxaria-tradicional-para-iniciantes.html

[2] – Cuveen, ou Covine, são os termos mais comumente utilizados na Arte Tradicional para aquele mais conhecido como “Coven”.

[3] – Ethos, palavra de origem grega, na Sociologia, é uma espécie de síntese dos costumes de um povo. O termo indica, de maneira geral, os traços característicos de um grupo, do ponto de vista social e cultural, que o diferencia de outros. Seria assim, um valor de identidade social.

[4] – Cunning Man e Wise Woman, respectivamente “Homem Sábio” (ou “Homem Astuto”) e “Mulher Sábia”, são os termos aplicados na Inglaterra aos sábios habilidosos na arte das conjurações, dos feitiços, benzimentos e maldições.

[5] – Wort-Cunning é o termo inglês para o ofício dos herbanários, estes últimos sendo conhecidos como Wortcunners.

[6] – Pellar é um termo originário da Cornualha usado para designar curandeiros rurais, homens sábios e exorcistas populares.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-que-%C3%A9-bruxaria-tradicional

O Menor é o Mais Poderoso

Na via de realização pessoal que este manual propõe, a afirmação do título nos indica pôr especial atendimento a tudo aquilo que passa despercebido, mas que no entanto tem uma enorme importância quando se trata de conhecer a causa e a origem das coisas. Numerosas expressões tradicionais fincam pé na superioridade do poder do pequeno, sutil e invisível, sobre o visível, grosseiro e grande. “Semelhante é o Reino dos Céus a um grão de mostarda, que tomando-o um homem o semeou em seu campo (em si mesmo), o qual é a menor de todas as sementes, mas quando se desenvolveu é maior de todas as hortaliças e se faz uma árvore, de maneira que vêm as aves do céu (símbolo dos estados superiores) e aninham em seus ramos” (Mateus, XIII, 31-32).

Igualmente todos nossos gestos, o que somos e seremos, estavam já contidos, em potência, na célula seminal que nos engendrou e nos deu a vida. Estas proporções entre o pequeno e o grande não são só quantitativas, senão qualitativas, e obedecem às leis da analogia, que nos faz conhecer a idéia do Todo por uma de suas partes. Mas aqui falamos melhor das relações hierárquicas entre o Princípio e sua manifestação, que aparecem invertidas quando passamos da ordem celeste, ou espiritual, ao terrestre ou corporal, tendo sempre presente que o primeiro é causa do segundo. O maior no Céu é o menor na Terra, e o maior na Terra é o menor no Céu.

O Cosmo é o desdobramento do “Ovo do Mundo”, que alberga os germes de tudo o que existe e se manifesta ciclicamente. Desta forma, o Espírito, quando se quer dar a conhecer, não o faz através do pomposo e cerimonial, nem de nada que venha do exterior, senão que o realiza por meio do silêncio interno e do inominável, como uma força que brota do mais profundo e se expande por todo nosso ser, alumiando-o interiormente e ordenando-o conforme a seu arquétipo eterno. O verdadeiramente universal, o supremo, não tem dimensões, nem está sujeito a nenhum tipo de lei terrestre e humana. Aninha oculto e secreto no coração dos seres, que sem ele careceriam de toda realidade, da mesma forma que a circunferência não existiria sem o ponto, nem a série numérica sem a Unidade aritmética. Assim, quanto mais identificados estejamos com as coisas “deste mundo” menos participaremos da comunhão salvífica no Ser. “Faz que teu ‘eu’ seja menor e limita teus desejos”. “Renuncia ao conhecimento (quantitativo e profano) e não sofrerás” (Tao Te King, XIX). “Os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos” (Mateus XX, 16). “O menor entre todos vocês, esse será o maior” (Lucas, IX, 48). “Se algum quer ser o primeiro, que seja o último de todos e o servidor de todos” (Marcos, IX, 35).

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-menor-%C3%A9-o-mais-poderoso

Nove Anos do Teoria da Conspiração!

Hoje, 10/08, exatamente nove anos atrás, em 10/08/2007, era postado o primeiro texto do Teoria da Conspiração no Sedentário: A Santa Ceia e os Símbolos Astrológicos. Lembrando as palavras de um Exu amigo, “Quando vai ver, já foi!”.

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta dez anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de subcelebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde se estudava magia prática e que era formada por membros da OTO, Astrum Argentum, Arcanum Arcanorum, AMORC, TOM e SRIA, e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança kkkkk). A ARLS Crowley era tão engajada que até o Padre Quevedo palestrou uma vez sobre demonologia lá.

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos. Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais de Aleister Crowley. “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Seriado de TV baseado nos estudos da Kabbalah Hermética.

E agora esta em financiamento coletivo para um livro que deve elevar todos os paradigmas de Kabbalah hermética para outro patamar. O Livro bateu todos os recordes de arrecadação no Catarse e ainda há mais de um mês pela frente.

Quando sair publicado, o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

—-

Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os nove anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/nove-anos-do-teoria-da-conspira%C3%A7%C3%A3o

TRINTA E UM MILHÕES de Conspiradores!!!

Acabamos de chegar à marca de TRINTA E UM FUCKING MILHÕES de Pageviews neste blog… Nada mal para um blog de Hermetismo e Espiritualismo no país dos petistas versus bolsomínions. Como de costume, para quem gosta dos números ou estava procurando pelos links de tudo o que fazemos, ao todo, nesta caminhada desde 7/5/2008, foram exatos 3.616 posts publicados e 50.352 comentários.

Você deve ter percebido que no último mês voltamos à marca de pelo menos 2 ou 3 publicações diárias. Isso aconteceu graças ao retorno do Projeto Mayhem. Estamos reorganizando todas as postagens antigas do site, selecionando as melhores e organizando o conteúdo. Todos os dias olhamos os 2-3 posts mais antigos que sejam interessantes e os jogamos direto para a primeira página (e já os reviso e adiciono alguma imagem bacana), trazendo todos os dias novos posts clássicos do TdC. Isso me dá mais tempo para poder voltar a escrever posts sem o stress do “preciso algo pra postar hoje” e faz com que sempre tenhamos coisas novas pelo menos 2 vezes ao dia no site. Para quem nunca leu os posts, serão novidades; para quem já os leu, agora é hora de reler com olhos 7 anos mais experientes!

Além destes canais, temos o Facebook e até mesmo uma Conta no Instagram onde publico pequenas dicas de magia prática. Também gravamos 22 Videos com Entrevistas e bate-papo sobre Hermetismo.

Post sobre como tudo começou.

Nosso Projeto de Hospitalaria continua funcionando a todo vapor!

Faça parte de nosso grupo dentro do e tenha acesso a comentários exclusivos das postagens, grupo fechado no Facebook e Telegram para acompanhamento ritualístico, plantão de dúvidas e um grupo de estudantes e estudiosos prontos para te ajudar com suas principais dúvidas nos estudos herméticos.

Oito vezes ao ano realizamos os rituais de Roda do Ano em conjunto, onde ensinamos os membros a preparar suas ferramentas e instrumentos magickos.

A cada 3 meses, organizamos uma publicação com as melhores matérias, que os membros recebem em casa; além de instruções para realizar os rituais de Sabbat e consagrações junto com nosso grupo (cerca de 150 pessoas realizando os rituais ao mesmo tempo!) e de quebra ter descontos em todos os nossos financiamentos coletivos.

E temos agora um PODCAST onde falamos quinzenalmente sobre Magia, Hermetismo e Kabbalah.

Inscreva-se no

Cada feito destes não seria possível sem a participação de todos vocês!

Sucesso é a Única Possibilidade!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/trinta-e-um-milh%C3%B5es-de-conspiradores

As Forças Invisíveis – Parte 2

Série Plano Astral e Fenômenos Psíquicos: 1. O Plano Astral e o Hermetismo…

A maioria dos estudantes de ocultismo tem uma única meta em mente: o manejo das forças ocultas, invisíveis. Além disso, querem chegar de forma rápida e sem perigos a aquisição de tais “poderes”. Uns querem praticar viagens astrais, outros impor a sua vontade aos outros e há ainda os que desejam soltar bolas de fogo, curar doenças até então incuráveis ou ressuscitar os mortos através de algumas palavras. Podemos ainda acrescentar ao nosso Ocultismo atual as brigas acadêmicas, as invejas individuais, os pequenos golpes baixos íntimos, as verdades absolutas e inúmeras outras paixões que agitam este meio.

As forças invisíveis existem? Será que realmente o homem pode manejar as forças ocultas da natureza ou de sua própria constituição? O manejo ocorre de forma igual para todos os homens? Basicamente, neste segunda parte da série sobre o Plano Astral, é o que iremos buscar refletir e discutir.

Existe realmente uma força invisível? Pensemos bem. Estamos sobre a Terra. Ao nosso redor temos as árvores, os vegetais, os animais, a água, o solo, o ar, dentre diversas outras coisas. No céu, os astros se movem. O Sol passa através do Zodíaco, a Lua gira à nossa volta, os planetas também seguem seu curso no céu e vemos as constelações levantarem e descerem. A Terra gira em torno do Sol e este também, com sua comitiva de planetas, em torno do centro de nossa galáxia. Além disto, temos as forças físicas e os fenômenos químicos… Enfim, há lugar para uma força invisível no Universo?

O Ocultismo ensina que sim. Todos os seres contem  forças motrizes invisíveis aos olhos físicos  e apresentam outros caracteres além das forças visíveis e perceptíveis por manifestações sensoriais externas.

O Universo então pode ser visto, sob aparências físicas, como banhado por uma luz solar/estelar. Esse é o domínio da luz física, com seu cortejo de forças exteriores, simbolizado pelos antigos como “mundo de fogo”.

Quando o físico desaparece, o mundo apresenta uma espécie de luz interior, que anima todos os astros e todos os seres vivos; essa luz ainda não é conhecida pela ciência atual. Tudo o que podemos dizer é que essa luz constitui a essência da vida e dos sentimentos em todos os planos; é ela que estala repentinamente nas manifestações do amor entre todos os seres vivos. Esta força foi denominada pelos ocultistas da escola de Paracelso como luz astral.

Existe ainda uma terceira família de forças. São as força inteligentes e espirituais, encarregadas de individualizar cada ser, cada coisa, dando-lhe um número, um nome, um peso ou uma medida. É a força divina (embora todas as forças também o sejam), que chamaremos de luz verbal, cujo centro secreto é o Verbo. O Cristo foi sua manifestação em nossa humanidade.

As forças são, portanto, cada vez mais interiores. Podemos representá-la por meio de três círculos concêntricos. O círculo exterior é formado pelos mundos físicos com a luz física como mecanismo de ação, o “Lux” de São João. O segundo círculo, interior, é formado pelos mundos astrais, com seus meios de propulsão e manifestação vital, a “Vita” de São João. E, por fim, o terceiro círculo, o núcleo interior e verdadeiramente divino,o “Verbum” de São João.

Espero que tenham entendido que é dentro, e não fora, de cada ser que deve ser procuradas as forças realmente vivas e atuantes, e se existir no Universo um centro verdadeiramente único, é o Verbo, que será encontrado com seu simbolismo na cruz. Sendo assim, dando nomes aos bois, os fatos psíquicos são resultado do manejo da luz astral e a Teurgia (ou a união com o divino) é a consequência da submissão voluntária à ação da luz verbal.

Agora, mudando um pouco de assunto e voltando de onde paramos na parte anterior, imaginemos a alma encarnada mergulhada neste meio que impregna todo o planeta, o plano astral. O órgão central de nossa constituição (Ruá, Kama ou Khi) é capaz de absorver e emitir com a mesma eficácia toda a produção etérea, vibração ou condensação. Ele é o órgão de emissão e de recepção do astral terrestre; graças a ele somos penetrados especialmente por uma assimilação verdadeiramente nutritiva, já que ele espalha igualmente seus eflúvios na alma animal e no corpo astral. Vitalizantes ou vampiros, os micróbios astrais entram em todo o nosso organismo através dele, corporal e anímico, trazendo a vida ou deixando aí o veneno de encantamento. É através dele que o terapeuta nos enche com eflúvios vivificantes tirados nas fontes benéficas da natureza e é também por ele que o mago negro nos assassina covardemente com a surpresa das forças inimigas invisíveis. É ainda por este mesmo órgão magnético que entram em nós uma multidão de desejos, de paixões ávidas de fatos, espalhando-se pela alma passional até o fundo de nossa alma espiritual para a perturbar com as suas inquietações e a subjugar com suas determinações. Aí está a nossa alma humana (Nechama, Manas, Thân) solicitada à ação de três direções diferentes que correspondem aos três mundos onde nós vivemos ao mesmo tempo.

As sensações do mundo físico percebidas por nosso corpo produzem aí uma atitude que pode penetrar pelo intermédio da alma animal até a vontade e a determinar poderosamente apresentando-lhe, por assim dizer, tudo preparado para a ação reflexa do gesto solicitado. A sugestão hipnótica pela atitude é apenas a produção experimental e exagerada deste efeito.

No polo oposto, a efervescência da nossa imaginação, cheia de formas etéreas que criam nossas emoções e mesmo as intuições vindas dos mundos superiores, é transmitida para a alma animal e o corpo astral até às nossas forças vitais para provocá-los. Os eflúvios emocionais recebidos de fora pelo centro magnético repercutem-se em cada um de nossos outros centros para neles gerar outras forças e outras virtudes em busca de sua realização.

Eis aí contra que ardores o poder da nossa mônada diretora, da nossa vontade, que é o nosso único eu verdadeiro, deve lutar constantemente regulando por sua vez as suas desordens, comandando as resistências ou os consentimentos, impondo sua soberania aos  poderes de todas as mônadas que formam o seu império.

Mas como essa soberania pode ser exercida utilmente? Como pode triunfar sobre todas as revoltas, comandar particularmente o astral interno ou externo? Não o sabemos muito bem. Somos com maior frequência mais um joguete das nossas emoções do que seu mestre: a maioria dos nossos atos não passam de reflexos e muitas vezes não temos nem mesmo consciência deles, tal é o domínio que exercem sobre nossas forças etéreas, enfraquecendo-nos.

Sempre é a vontade a mônada principal que comanda o ato, mas raramente é a nossa própria; quase sempre obedecemos a um poder estranho. Para que o nosso domine, falta-lhe um acréscimo de energia que Schopenhauer, em sua linguagem sutil, esclarece ao dizer que nós sempre queremos um ato, mas é preciso saber se nós queremos querer. Ele conclui afirmando que é a vontade universal que quer em nós.

É verdade que a vontade universal, quer dizer Deus, é quem quer em nós quando o nosso eu comando todo o inferior. Mas é preciso acrescentar que isto acontece com o nosso consentimento, com a nossa permissão e somente com ela. De outra forma, dizer nossa vontade, quando ela se exerce realmente, cai por terra o instrumento da vontade divina, e reciprocamente, ela não pode comandar outros desejos senão sob a condição de ser uma com a vontade divina, de ser a boa vontade.

Aí está a nossa lei suprema. O nosso fim, a razão de ser do homem terrestre, é de colaborar no planeta para a grande obra de vivificação do nada cumprindo em sua esfera, como toda outra mônada, a vontade divina, para a elevação dos seres inferiores. Está parecendo contraditório com toda operação mágica, não é? Não, pois notemos que operações mágicas de ordem inferior só acontecem quando abondamos a nossa vontade a outros poderes e que operações de ordem superior acontecem quando somos cooperadores do divino (Teurgia). Somente o homem, ao contrário das vontades que o precedem na cadeia evolutiva, é livre para aceitar este papel sublime ou recusá-lo, unicamente sob a condição de que sua sorte depende desta escolha. Se recusa a própria escolha, pretendendo seu poder particular e capaz de tudo, cai então numa falta imperdoável. Deve ceder ou desaparecer! Nestas duas recusas está a fonte de todo o mal terrestre.

Mas vejamos quais os detalhes do funcionamento da luta, na qual a alma humana é o palco, entre os instintos cegos da natureza, do nada em desejo de poder imediato, e as solicitações providenciais para os esforços definitivos de sua libertação. O prêmio é a imortalidade.

A maioria de nós vive ainda por instinto, preguiçosamente embalada pelos apelos da providência. Mesmo entre estes que têm alguma consciência, especialmente os que sentem as influências astrais, existem poucos que sabem aproveitar ou compreendê-las. Esses últimos se dividem em quatro classes: duas ativas ou masculinas, e duas passivas ou femininas; em cada uma dessas duas categorias se distingue uma classe particularmente sensível às forças superiores ou às forças inferiores.

Todos se distinguem do comum por uma superabundância de fluido etérico em suas constituições. Uns são aptos para reter consigo este excesso e usá-lo quando quiserem. Outros deixam-n o escapar constantemente em ondas, sem direção especial para dar lugar a novos eflúvios. Seus desejos excedem a suas faculdades de concentração. Em vez de projetar o éter ambiente, como os antecedentes, eles  aspiram para compensar suas perdas irremediáveis. Estes são os médiuns de todas as espécies que podem vaticinar, tornarem-se poetas e profetas, mesmo se pertencerem a uma esfera muito elevada para atrair o éter dinamizado pelas forças superiores.

Esses, os antecedentes, são os magnetizadores se os fluidos que eles concentram e projetam são os das forças corporais e iniciados (ou, logicamente, adeptos) se são capazes de recolher o éter elaborado pelos poderes anímicos e de ordem superior.

Em suma:

PASSIVO (absorvendo e desperdiçando)

Médiuns (principalmente de efeitos físicos) -> Forças inferiores

Médiuns Psíquicos (adivinhos, poetas, profetas) -> Forças superiores

ATIVO (concentrando e emitindo)

Magnetizadores (curandeiros, etc.) -> Forças inferiores

Iniciados e Adeptos (terapeutas, alquimistas, Teurgos) -> Forças superiores

Estas distinções não são supérfluas; elas nos permitem compreender o que devem e o que podem ser os contatos do homem com o astral.

Para o entendimento das realizações permitidas à constituição humana por contato com o astral, é preciso se lembrar que o nosso aparelho magnético (Ruá, Kama ou Khi) é um órgão essencialmente central, capaz de se expandir pelo corpo ou pela alma podendo modificar o equilíbrio da nossa constituição até transformá-la completamente.

Esta força, espécie de reserva geral, está à disposição da mônada principal ou o eu. Entretanto, por causa de sua extrema mobilidade, ela escapa facilmente a este domínio, seja sob a influência de poderes mais fortes ou por defeito da constituição, conforme mostrado no esquema acima.

Em seus movimentos, este órgão etéreo arrasta sempre uma parte ou porção de um dos outros dois elementos extremos do corpo espiritual (o fantasma, Nefeque, Linga Sarira, Than, e a alma ancestral, Nechama, Manas ou Thân) e mesmo de todos os dois. Este deslocamento para a alma, para o corpo, ou para fora, depende em quantidade e direção da vontade do eu ou de uma força exterior. Assim, por exemplo, é agindo diretamente sobre o centro de gravidade do organismo que o magnetizador produz em seu objeto todos os fenômenos conhecidos: curativos, se ele dirige a reserva sobre a força vital à qual ele pode acrescentar uma parte da sua; fascinantes e estupefacientes se congestiona a alma ancestral através do fantasma.

Munidos desta chave dupla: a distinção das diversas espécies de constituição onde excedem o fluido etéreo, e o jogo do centro magnético dirigível, compreendemos e classificaremos facilmente os fenômenos que o invisível produz. Porém isto será efeito apenas na terceira parte de nossa série.

Antes de encerrar, lembrando que falamos sobre o manejo da luz astral como a razão dos fenômenos psíquicos, temos uma advertência a fazer.

O manejo de luz astral apresenta grandes perigos e também grandes meios de evolução espiritual, pois, quando se recorre a este campo de forças invisíveis, arrisca-se não só à vida física, o que seria pouca coisa, mas também a vida espiritual, o que é bem mais grave.  A este propósito, é bom reler com atenção a história do Doutor Fausto, tal como foi admiravelmente resumida pelo imortal Goethe.

O grande perigo no manejo da luz astral é que o princípio inteligente que habita o centro desta força é um ser de origem divina, porém revoltado contra o seu centro de criação. A vertigem das ilusões do poder material, a antiga nahash de moisés, origem de todos os shanahs ou ciclos anuais de todos os tempos, que ainda está aí. Não estando acobertado por uma proteção vinda do centro verbal, sereis rapidamente arrastado pela força setenária, e como aconteceu outrora com nosso princípio comum, Adão, vossa imaginação vos fará crer que a vontade é mais forte que as forças divinas, e sereis mergulhado nas trevas da magia e da inversão espiritual. Uma vez entendida esta advertência, sabei superar todas as provas, sabeis que é necessário cravar a espada no coração do touro, como nos mostra a imagem mitríaca, é necessário atravessar a serpente e, num ímpeto de verdadeira fé, chamai vosso anjo guardião sob o nome de Cristo, o próprio Deus vindo em pessoa.

Nesse momento, abrir-se-á para vós a via mística, a única que pode afastar-vos dos perigos, a única que domina o implacável carma, quando a Virgem celeste coloca o pé sobre o dragão astral, isto é, quando o apelo da súplica do vosso coração esmaga a cabeça da serpente, cuja pálida luz circula em nós e em todo o Universo.

——————————————————————

Na próxima parte:

– Médiuns (temperamento passivo)

– Magnetizadores, iniciados e adeptos (temperamento ativo)

——————————————————————-

Texto retirado e adaptado das obras:

– ABC do Ocultismo (Papus)

– Tratado Elementar de Ciências Ocultas (Papus)

#psiônica #PlanoAstral #Magia #Martinismo #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-for%C3%A7as-invis%C3%ADveis-parte-2

Tarot da Kabbalah Hermética 2a Edição

hkt2-box1

Tarot da Kabbalah Hermética 2a edição é um poderoso instrumento de trabalho magístico e oracular. O HKT2 contém todas as informações para a utilização dos Arcanos como PORTAIS, a serem usados no Altar Pessoal do Mago e para trabalhos envolvendo Anjos cabalísticos e Demônios Goéticos. Ele é o deck oficial do Arcanum Arcanorum e pode ser usado também como Guia de estudos da Árvore da Vida, Correspondências Cabalísticas e, claro, como Oráculo. Preço R$75,00

E pensando nos presentes de natal, fizemos uma sessão de Combos especiais que incluem o HKT2 + Posters do TdC (O Tarot e mais os posters da Árvore da Vida e do Lamen Rosacruz). O combo Enciclopédia de Mitologia + HKT2 inclui o livro (autografado!) e o tarot. Ou, melhor ainda… o Kit completo de estudos com a Enciclopédia + HKT2 + os Posters! E a Loja ainda divide no cartão…

#KabbalisticTarot #Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/tarot-da-kabbalah-herm%C3%A9tica-2a-edi%C3%A7%C3%A3o