Ecclesia Gnostica Universalis in Anglia – Marco Visconti

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Bate-Papo Mayhem 140 – gravado dia 23/02/2021 (Terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Marco Visconti – Ecclesia Gnostica Universalis in Anglia Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Alquimia e Transmutação

Já dissemos que toda a transmutação alquímica, seja material, psicológica ou espiritual, é produzida pelo fogo. Quem aspira ao Conhecimento tem de saber que seu fogo interior –a sede pela Verdade e seu amor a ela– tem que ser constante e contínuo, ou seja, que não se acenda tanto que por sua causa arda e se perca nosso ânimo, e também que não diminua a ponto de se apagar. É o delicado jogo dos equilíbrios de que falavam os alquimistas medievais e renascentistas, os quais também aconselhavam que em todas as operações deviam prevalecer as virtudes da paciência e da perseverança. Na manutenção desse fogo e no controle natural de sua potência, radicam os princípios fundamentais da Alquimia. Não obstante, para harmonizar essas energias é imprescindível conhece-las e experimentá-las, sem negá-las nem dá-las por supostas. Muito pouco sabe o homem ordinário do conhecimento de outras realidades e de si mesmo, mesmo no mais elementar. Considera que sua “personalidade” (quer dizer, seus egos, fobias e manias) é sua verdadeira identidade, sem perceber que extraiu esses condicionamentos do meio, de modo imitativo, carente de significado e de transcendência.

A Ciência Sagrada representa uma guia e um caminho que existe para canalizar nosso processo para o Conhecimento. O aprendiz alquimista tem de compreender que a mente condicionada não pode consigo mesma, e que é necessário reconhecer nossa ignorância, que muitas vezes não é senão afeição a descrições da realidade puramente ilusórias, por meio das quais organizamos nossa existência. A Doutrina Tradicional constitui uma garantia neste sentido, pois facilita e concentra a manutenção desse fogo interno através do entendimento gradual que em nossa aprendizagem vamos obtendo de seus ensinos.

#Alquimia #hermetismo

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RPGQuest – Diário de Produção – 02

rpgquest-4-elementos

Este conjunto de textos têm a finalidade de comentar sobre as decisões que tomamos na criação e desenvolvimento de um jogo baseado na Kabbalah, na Jornada do Herói e na Árvore da Vida. Quem ainda não conhece o projeto, recomendo ler primeiro o post sobre O Reino de Arcádia.

No RPGQuest, os Heróis farão sua jornada em uma Grande Ilha chamada Arcádia, composta de diversos Reinos baseados nas Esferas da Árvore da Vida. Cada partida será única, pois todo o cenário, castelos, vilas, torres e outros locais de interesse serão sempre diferentes. Uma vez determinado o cenário, vamos voltar nossa atenção para os Heróis.

Os Quatro Elementos

Dentro da Alquimia, os princípios Herméticos são representados pelos Quatro Elementos. A saber, a TERRA, que representa o Mundo Material, a força e o vigor; o AR, que representa a agilidade de pensamento, leveza e conhecimento da escrita, lógica e razão; a ÁGUA, que representa as emoções, cura, caridade e compreensão; e finalmente o FOGO que representa a Vontade.

As Classes e os Quatro Elementos

Sendo um jogo de tabuleiro baseado na Kabbalah, nada mais natural que o RPGQuest ter como suas quatro classes principais os quatro Elementos da Alquimia. No RPGQuest, a TERRA representa a força e a resistência dos Guerreiros; AR representa a agilidade e destreza dos Ladinos; ÁGUA representa a inspiração e poder de cura dos Clérigos e FOGO representa o poder e a vontade dos Magos. Todos os Personagens de RPGQuest possuem em suas classes principais combinações dos 4 Elementos.

A Jornada do Grupo

No RPGQuest, você não controlará apenas um Personagem, mas um GRUPO de Personagens. O Objetivo de uma partida é guiar este Grupo de Aventureiros dentro de Arcádia de modo que eles se tornem os Aventureiros mais famosos de todos os Reinos. E como fazer isso? Através das Missões, Desafios e Aventuras, oras! A Cada aldeia que os Heróis salvam das garras dos Orcs, a cada Dragão derrotado, a cada Dungeon explorada, a cada Artefato descoberto, a cada missão bem sucedida, o Grupo recebe PONTOS DE VITÓRIA, que indicam o quão famoso aquele Grupo é. Quanto mais aventuras o Grupo realizar, mais prósperos e famosos eles se tornam! E com maiores poderes, maiores responsabilidades…

Durante o jogo, o Grupo terá diversos tipos de missões para resolver, dependendo da estratégia de jogo de cada Jogador: Podem enfrentar exércitos de Orcs, Bullywugs, Gnolls, Trolls e outras criaturas malignas que rondam as florestas, desertos e colinas; proteger rotas comerciais ou servirem de guarda-costas de príncipes e princesas; podem investigar antigas ruínas e dungeons atrás de artefatos e tesouros, realizar missões diplomáticas ou investigar crimes cometidos nos Reinos; podem explorar cavernas, investigar portais ou minerar Mana, auxiliar os magos e os anões na fabricação de seus itens mágicos, realizar missões de resgate e muito mais…

A Evolução de Personagem

Na Jornada do Herói, conforme eles vão conquistando as missões, os personagens adquirem experiência e se tornam mais poderosos, aumentando suas capacidades individuais. No RPGQuest isto também ocorre. Conforme os Heróis de seu Grupo vão avançando na Árvore da Vida, você pode direcionar suas habilidades de acordo com sua estratégia de jogo.

Cada Personagem começa a partida como APRENDIZ. Quando chega ao grau de COMPANHEIRO, pode escolher entre os Elementos de Classe que mais tenha afinidade para evoluir. No caso acima, por ser um Warlock, Ironfoot pode aumentar seus poderes como Guerreiro (Terra) ou Mago (Fogo). Ao chegar ao grau de MESTRE, faz novamente uma escolha. E finalmente chegará ao grau de ESPECIALISTA e terá desenvolvido habilidades únicas, tornando a história de cada Herói única e especial na Jornada (e diferente cada vez que você joga uma nova partida!).

E conforme nossos Heróis ficam mais poderosos, também aumentam os desafios. No próximo artigo, falarei sobre as Aventuras e os Grandes Desafios!

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Apolônio de Tiana

Thiago Tamosauskas

Ele nasceu há aproximadamente dois milênios. Realizou milagres, curou os doentes, alimentou os famintos e expulsou os demônios. Por onde passava promulgava a paz para as multidões que o seguiam. Denunciava os opressores do povo e por fim foi julgado e condenado em um tribunal romano, até hoje nada se sabe de seu cadáver. Se perguntássemos sobre quem você acha que está lendo, com certeza poderia confundir esse pequeno currículo com o de uma popular lenda urbana. Mas trata-se da vida de Apolônio de Tiana, um misterioso personagem cuja vida é tão apaixonante para os que a conhecem quanto desconhecida para a maioria das pessoas.

Muito do que sabemos de sua vida chegou até nos graças à biografia encomendada pela imperadriz romana Julia Domna ao filósofo e historiador Filostratus. A monarca não viveu para ver o resultado final do texto que ficou pronto alguns anos depois de sua morte. O testemunho de Filostratus, entitulado “A Vida de Apollonius de Tyana”, serviu como base para todas as discussões posteriores sobre esta enigmática figura. Trata-se de um livro especialmente importante porque contém trechos de manuscritos disponíveis ao autor mas que já não existem mais, incluindo cartas do próprio Apolônio e o diário de Damis, seu fiel discípulo.

 

Sua obra escrita é bastante vaga e pouco chegou até os dias de hoje. Aqui merece destaque o Nuctemeron, antigo manuscrito atribuído a Apolônio, importante o bastante para ser incluído como apêndice na obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” de Eliphas Levi. No Nuctemeron os ensinamentos de Apolônio de Tiana estão dispostos como em um relógio em 12 horas. Cada hora traz uma instrução especial até que o ciclo se feche para recomeçar, nos lembrando da necessidade de sempre reforçá-los. Embora apresentado numa linguagem alegórica de dificil acesso o Nuctemeron ganhou uma grande reputação entre os estudantes de Alta Magia.

A vida de Apolônio de Tiana

A fonte bibliográfica de Filostratus ainda recebe o endosso das fontes do mundo árabe medieval. Entre eles Apolônio recebe o nome de Abūlūniyū, Balīnās ou ainda Balinus e as lendas descritas são consistentes com o testemunho europeu. Entre estas fontes destacam-se o Kitāb Sirr al-alīqa ( Livro da Criação), o Risāla fī taīr ar-rūḥānīyāt (Tratado da influência dos seres espirituais nas coisas compostas), o al-Mudḫal al-kabīr (Introdução ao uso de Talismãs), o Kitāb alāsim Balīnās al-akbar (Grande Livro de Talismãs e Apolônio) e o Kitāb Ablūs al-ḥakīm (Livro do sábio Apolônio). Todos eles de autoria atribuída ao nosso personagem.

Segundo todas estas narrativas, Apolônio de Tiana nasceu na Grécia, na região da Capadócia turca, aproximadamente no ano 4 A.C. Discipulo da escola neo-pitagórica, destacou-se como notável filósofo e professor. Muitos de seus pensamentos, mesmo após tantos séculos, ainda se encontram presentes nas universidades e academias ao redor do mundo, sendo uma grande influência para o pensamento científico contemporâneo.

Assim como todo personagem que surgiu há mais de mil anos e se envolvia com misticismo, seu nascimento está envolto de mistérios e lendas. Conta-se que sua mãe teve um sonho durante o qual sonhou que estava grávida. Ao acordar passou a encabeçar a lista da mães virgens tão comuns à mitologia universal.

Pouco sabemos sobre sua infância diante da qual os registros históricos se calam. Todavia sabemos que aos quatorze anos foi levado para estudar com Eutidemo, professor de retórica em Tarso. Sentiu tanta repulsa com os costumes do povo de lá que convenceu seu pai adotivo a mudar-se para outra vizinhança. Tornou-se neo-pitagórico e portanto frugal e vegetariano. Se abstinha do vinho, das casas de banho e das mulheres. Andava sempre descalço com roupas muito simples e sentiu-se desde muito jovem atraído a uma  vida de contemplação e ascetismo. Conta-se que até os 15 anos era um rapaz calado pouco dado a conversas e interações sociais, pronunciando sempre o mínimo de palavras necessário. Mais tarde quando seu pai adotivo morreu doou toda sua herança aos pobres da região mostrando definitivamente seu desapego aos bens materiais.

O ponto culminante de sua vida foi a descoberta do túmulo de Hermes Trimegistro, acompanhado de vários manuscritos que são significativos para o hermetismo dos dias de hoje. No Kitāb Sirr al-alīqa ele descreve este importante descoberta que serviu de ponte entre as escolas de mistérios egípcias e os taumaturgos do primeiro século. Entre estes manuscritos estavam a famosa Tábua da Esmeralda, por este motivo alguns historiadores a colocam como sendo da autoria do próprio Apolônio, embora ele mesmo negue esta hipótese nas fontes árabes acima citadas. Depois desta descoberta começou aos poucos a ganhar atenção de todos com quem entrava em contato pois apregoava a doutrina hermética abertamente para as massas. Seu estilo obscuro e setencioso aos poucos o fez rodeado de pessoas interessadas. Artesãos abandonavam seus ofícios para ouví-lo e cidades próximas enviavam embaixadores para visitá-lo. Os árabes criaram poemas em sua homenagem e é dito que seu nome chegou com admiração até mesmo aos brahmanes da Índia, aos magos da Pérsia e aos sacerdotes egípcios.

Durante sua fase adulta Apolônio viajou por boa parte do Oriente e Mediterrâneo visitando templos, corrigindo costumes que achava intoleráveis e reformando toda forma de abuso. Seus ensinamentos eram sempre acompanhados de toda sorte de prodígios. Em Éfeso ganhou notoriedade por acabar com uma praga simplesmente repreendendo-a. Em Coríntio realizou exorcismos públicos. Às margens do Eufrates profetizou o futuro do imperador Nerón da Babilônia. Viajou ainda pelo Egito, Etiópia e outros países e povoados sempre rodeado de muitos seguidores. Finalmente, visitou a itália e ressuscitou uma mulher.

Passava ele pelo funeral desta mulher que pertencia a uma importante família consular e, aproximando-se de seus ouvidos, pronunciou algumas palavras místicas. Ela abriu os olhos e levantou-se confusa. Apolônio foi levado para a casa de seus pais, que lhe ofereceram uma considerável quantia em dinheiro, que ele aceitou apenas para dar de volta como dote à donzela. O episódio deu ao mago uma fama sem precedentes e isso bastou para ganhar a desconfiança das autoridades.

Suas viagens foram interrompidas depois que se estabeleceu em Roma. Acusado de atiçar o povo, de conspirar contra o imperador Domiciano e de cometer o sacrilégio de não se curvar perante a éfige de césar, Apolônio foi desnudado, acorrentado e confinado em um calabouço, onde algumas versões da história dizem que finalmente morreu em 97 D.C.. Outra versão conta que foi lhe dada a chance de reconhecer publicamente seu erro e assim ganhar o indulto romano, entretanto Apolônio negou-se a aceitar seus atos como um erro sendo em seguida condenado à morte. Suas últimas palavras teriam sido: ‘Não podem deter minha alma, nem sequer meu corpo’. Tendo dito isso diante do tribunal seu corpo se desvaneceu desaparecendo diante dos olhos de todos os presentes.

Após seu inexplicável desaparecimento houveram ainda relatos de aparecimentos seus em Dicearquia e posteriormente em Creta onde conta-se teria finalmente falecido. Sua fama de milagreiro e a lenda de toda sua vida fizeram com que muitas pessoas acreditassem que ele fosse imortal. Fato é que nunca encontraram seu corpo.

 

A reputação de Apolônio de Tiana

Com o passar dos anos sua figura ganhou contornos populares, sendo inclusive adorado com um semi-deus em certos povoados, onde hinos eram escritos e estátuas levantadas em sua homenagem. Conta-se que o imperador Alessandro Severo tinha um retrato seu em seu oratório pessoal, ao lado das figuras de Cristo, Vopisco e Orfeo. Até o século V sua reputação era forte mesmo entre os cristãos. Prova disso é que Leon, ministro do rei dos visigodos pediu que o bispo de Auvernia traduzisse a obra de Filostrato dedicada a Apolônio. Ao terminar a tradução Sidônio remeteu ao ministro uma carta na qual exaltava todas as grandes virtudes do filósofo dizendo que para ser um ser humano perfeito só faltava que fosse cristão.

A opinião do bispo não foi seguida pelo restante da igreja. Infelizmente as similaridades entre a vida de Apolônio e a vida do Jesus bíblico acabou gerando uma grande desconfiança entre os sacerdotes. Desconfiança essa que culminou numa grande inimizade dentro da igreja romana e em uma campanha de difamação. Apolônio era então apresentado como impostor e falso-profeta que tentava enganar e desencaminhar os fiéis. Num segundo momento seus detratores o elevaram ao título de filho do diabo e perigoso necromante a serviço das forças infernais.  Por fim, sua figura foi largada ao esquecimento geral.

Essa má fama persistiu até meados do século XVI, quando as cabeças pensantes do iluminismo, incluindo Voltaire, começaram a advogar suas próprias ideias ético-religiosas opondo-se à igreja e propondo uma religião não-denominacional mais compatível com a razão. Em 1680 Charles Blunt, publicou a primeira tradução em inglês do livro de Filostratus, incluindo uma poderosa introdução pessoal anti-clerical. Nos anos seguintes as similaridades da vida de Apolônio com a de Jesus dominou a polêmica sobre a originalidade do cristianismo. Teosofistas passaram a considerá-lo duas encarnações do mesmo mestre enquanto Marquês de Sade fazia pouco de ambos em seus contos. Pouco depois Ezra Pound associou Apolônio com o culto solar destacando-o como um rival messiânico de Cristo,  identificado-o com uma cosmovisão de supremacia ariana de mitologia anti-semita.

No século XX Apolônio entra de vez para o universo da ficção e sua figura ganha ares cada vez mais lendários. No livro de Gerald Messadié “O homem que virou deus” Apolônio aparece como um poderoso filósofo e mago contemporâneio de Jesus. Este autor francês narra em sua obra inclusive um encontro entre os dois personagens. No cinema aparece como personagem do filme “As 7 Faces do Dr. Lao” e é ainda retratado na trilogia Illuminatus de Ribert Anton Wilson como tendo uma discussão com Abbie Hoffman, hippie ativista norte-americano.

Conclusão

Com toda a discussão sobre quem copiou e quem foi copiado, a verdade é que suas histórias de Jesus e Apolônio de Tiana são muito semelhantes. Nascidos na mesma época (Cristo também nasceu entre 4 e 6 a.C), mortos no mesmo séculos e com atos que inspiraram muitos… a diferença apontada por muitos pesquisadores é de que a vida de Apolônio recebeu atenção de muitas pessoas que a resgistrou, não apenas na região em que viveu mas nas regiões vizinhas, coisa que não aconteceu com seu xará Galileu, o que faz muitos apontarem para a possibilidade de Jesus ser uma cristificação da imagem de Apolônio. Mais do que isso, muitos dos rituais e símbolos usados nos sacramentos romanos podem ser seguidos de volta no tempo até repousarem nos pés de Apolônio. O missal, o altar, as vestimenta dos padres e muitos outros detalhes não tem qualquer relação com as histórias descritas na bíblia, mas podem facilmente ser atribuidas a uma herança direta aos elementos de alta magia apresentados por Apolônio.

4 a.c – 97 d.C

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/apolonio-de-tiana/

Arkanun completa 24 anos!

arkanun

24 anos de Arkanun… Um RPG que mistura Mitologia Medieval com Hermetismo, Kabbalah, Anjos e Demônios; um dos poucos RPGs nacionais Blue Label.

Em 1995 o RPG vivia a Era de Ouro no Brasil. Com a publicação de Dungeons & Dragons pela Editora abril em bancas de jornal, Shadowrun pela Ediouro e os livros-jogos pela Marques Saraiva, os Role Playing Games viveram de 1993 a 2001 seu período de maior venda e divulgação no Brasil, com Eventos patrocinados pela Coca-Cola, prefeitura de São Paulo, SECS, Banco do Brasil e outras grandes empresas. No final de 1994, fui convidado por Marcelo Cassaro, na época editor da Dragão Brasil, revista que acabou durando mais de dez anos no mercado, a escrever algumas aventuras como colaborador. Em 1995 estávamos pensando em fazer um RPG de Fantasia Medieval pela Trama, nos moldes do D&D mas seguindo a linha de Mitologia Medieval, com uma pegada de Hermetismo, alquimia, templários, anjos, demônios e Kabbalah.

Nascia assim ARKANUN, que em sua primeira edição esgotou 3.000 exemplares em pouco menos de 3 anos, o que foi considerado um sucesso enorme. No ano seguinte, a DB lançaria TREVAS (Que chegou ao magnífico número de 20 mil unidades vendidas, algo completamente impensável no mercado de RPG de hoje), INVASÂO (um RPG baseado no livro “Espada da Galáxia”, do Cassaro, e o GRIMÓRIO, um suplemento com rituais para Arkanun e Trevas. O público formado pelas vendas de Trevas garantiu as bases para o lançamento da segunda edição de Arkanun, em capa dura e uma tiragem de 5 mil livros, que competia de igual para igual com pesos pesados americanos como Vampiro: a Máscara, GURPS e AD&D.

O Sistema Daemon foi liberado para uso por qualquer editora/mestre/jogador em 2001 e, até hoje, teve mais de 560 livros em pdf/netbooks e adaptações disponíveis no site da Editora e espalhados em centenas de sites e blogs. Ao todo, mais de 60 títulos foram publicados. Trevas e Arkanun foram considerados os Melhores RPGs Brasileiros de todos os tempos em uma pesquisa feita entre mais de 12 mil jogadores em 2015.

Em sua versão 3.5, após mais de 6 reimpressões e versões, Arkanun já vendeu 18 mil exemplares, o que o torna um dos campeões de venda de todos os tempos em termos de RPGs nacionais, ficando atrás somente de Trevas, 3D&T e Tormenta. Mais um motivo para comemorar!

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As Runas

A origem das Runas data de tempos imemoriais, oriundas do norte da Europa, muito antes do aparecimento do cristianismo. Os mestres rúnicos da antigüidade riscavam os seus símbolos sagrados em seixos ou em gravetos de uma árvore frutífera, utilizando até o próprio sangue para dar-lhes a força mágica espiritual que almejavam. As Runas não representam um simples alfabeto de uma escrita antiga, mas sim, cada letra é um símbolo sagrado e autônomo. Cada Runa representa um arcano ligado a entidades representativas de Deuses da mitologia nórdica. Os símbolos por sua vez, tem uma energia individual e uma vibração característica que se expressa na força específica de cada Runa.

O campo vibratório se altera na medida em que vários símbolos são conjugados para um trabalho em grupo. É essa força que estimula a intuição do “runamal” (cujo significado é a Runa falada ou os intérpretes que faziam as Runas falarem, o que recebiam esse cognome). Na antigüidade, o profundo conhecimento acumulado era transmitido de geração a geração a um círculo de homens sábios e mulheres de conhecimento que haviam sido iniciados para isso, mas mesmo assim, ele jamais foi monopolizado e concentrado na mão de um grupo restrito como freqüentemente acontece quando o poder é manipulado. Muitos mestres adicionavam novas revelações recebidas durante a convivência intensiva com o oráculo mantendo assim a chama das Runas acesa durante milênios. Mesmo no mundo material da atualidade, os símbolos rúnicos continuam vivos e alcançáveis por quem quer que se interesse por eles. O convívio estreito com o oráculo faz com que o “runamal” ou mesmo o próprio consulente, ganhe uma intuição quase infalível. Embora as Runas representem o oráculo europeu mais antigo não quer dizer que elas não se adaptem a jogos da modernidade. Elas funcionam em forma de baralho, ou em jogos eletrônicos, com a mesma presteza. A resposta do oráculo será tão precisa como seria se pintássemos os seus símbolos em seixos com o próprio sangue. Todavia, seja qual for o meio de adivinhação rúnica aplicada, sempre deverá ser precedido por um momento de introspeção e concentração para que a sintonia do interlocutor em relação ao campo rúnico possa se estabelecer e que a energia flua corretamente entre os dois pólos estabelecidos. A simbologia rúnica é o portal que se abre para nos conceder acesso ao subconsciente. A pergunta formulada pelo consulente deverá ser clara e objetiva, como : A QUESTÃO É O MEU CASAMENTO. – ou A QUESTÃO É A SAÚDE. etc. A resposta do oráculo sempre será uma revelação direta, porém envolta em sutilezas que farão com que o interlocutor se auto-analise e mergulhe no fundo de seu ser. A própria raiz da palavra Runa, o “ru”, em língua germânica arcaica, é sempre ligado a segredos e mistérios ou a algo muito confidencial. Runwita era um sábio ou conselheiro do rei, conhecedor de todos os “segredos”. Runa em alemão arcaico tem o mesmo significado que “raunen” em linguagem atual e quer dizer sussurrar ou confidenciar. O “roun” dos escoceses antigos e o “rún” da Islândia tem a mesma conotação, sempre associado a mistérios e segredos.

Na ocasião em que a atual Grã-Bretanha foi colonizada pelo anglo-saxãos, existiram alfabetos rúnicos com o número de símbolos diferenciados (28 letras e posteriormente 29.) Na região norte da Inglaterra, acima do rio Humber, um pouco mais tarde haviam 33 símbolos. – O verdadeiro alfabeto, que além de ser a base para as escritas nórdicas e teve seu uso em magias, rituais e oráculo é o F U TH A R K , composto de 24 símbolos, agrupados em 3 “aetts”, ou seja, conjuntos de 8 letras cada, lidas da direita para a esquerda.

O primeiro “aett” corresponde às Runas Fehu, Uruz, Thurisaz, Ansuz, Raido, Kano, Gebo e Wunjo e a sua regência é de Freyr e Freyja, divindades da fertilidade e da criatividade.

O 2º grupo de “aetts” é composto de Hagalaz, Nauthiz, Isa, Jera, Eihwaz, Perth, Algiz e Sowelu. regidas por Hemdal e Mordgud , respectivamente o Deus da proteção pessoal e a Deusa, guardiã das entradas para os mundos subterrâneos.

O 3º “aett”, tem a proteção do Deus Tyr e de sua companheira Zisa. São entidades guerreiras que em especial, resguardam a autodefesa do individuo. As Runas são: Teiwaz, Berkana, Ehwaz, Mannaz, Laguz, Inguz, Othila e Dagaz.

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#Runas

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O Livro dos Demônios com o bruxo Fagundes

Bate-Papo Mayhem #095 – gravado dia 27/10/2020 (Terça) Marcelo Del Debbio bate papo com o bruxo Fagundes – O Livro dos Demônios

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As Ervas na Umbanda – Adriano Camargo Erveiro

Bate-Papo Mayhem 176 – gravado dia 20/05/2021 (Quinta) Com Adriano Camargo Erveiro – As Ervas na Umbanda

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Hipátia de Alexandria

Quando tive a idéia de escrever sobre a vida das Grandes Mulheres do Passado a primeira personagem real que me veio à cabeça foi Hipátia de Alexandria. Me lembro do dia que li sobre ela em um de meus livros relacionado ao Império Romano. Havia apenas um pequeno parágrafo… a sensação que passava era de que só estava ali para preencher espaço e dizia apenas: Hipátia de Alexandria, matemática e filósofa, foi diretora da Academia de Alexandria (Biblioteca de Alexandria) e morreu em 415. Nada mais, apenas essa curta frase, porém foi o suficiente para despertar em mim a curiosidade. Afinal, quem fora essa mulher que não só fora matemática e filósofa numa época impensável para as mulheres exercerem tais funções, como chegou a ser diretora de uma das maiores escolas da antiguidade?! Dali para frente procurei pesquisar tudo o que podia. Infelizmente não nos chegou muito sobre a vida dessa Grande Mulher, mas o que temos vale como lição para se carregar para sempre.

Hipátia nasceu em Alexandria por volta do ano 370 D.C. Para aqueles que não lembram, Alexandria é uma cidade do Egito e foi fundada por Alexandre da Macedônia, popularmente conhecido como Alexandre, O Grande.

Na antiguidade Alexandria foi um grande pólo de cultura e livre expressão, mas, na época em que Hipátia nasceu, a cidade encontrava-se em uma disputa entre a Igreja Católica, que crescia em poder rapidamente, e as correntes filosóficas que punham em cheque as doutrinas da nova religião.

Filha de Theon, filósofo, matemático e astrônomo, diretor do Museu de Alexandria; Hipátia creceu em um ambiente cercado de cultura sendo guiada por seu pai nos estudos da Matemática e Filosofia. Ele acreditava no ideal grego da “mente sã em um corpo sadio” (“men sana in corpore sano”) estimulando a filha a exercitar tanto a mente como o corpo, contam as lendas que ele desejava torna-la “um ser perfeito”.

Ainda jovem viajou a Atenas para complementar seus estudos. Era conhecida na Grécia como “A Filósofa”, já demonstrando cedo sua profunda sabedoria. Sócrates Escolástico relata:

“Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipátia, filha do filósofo Theon, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos de seu tempo. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe para receber seus ensinamentos.”

Ainda em Atenas tornou-se discípula na Escola de Plutarco e professava ensinamentos Neoplatônicos. Ao retornar a sua pátria, foi convidada para assumir uma cadeira na Academia de Alexandria como professora. Por volta dos 30 anos, tornou-se diretora da Academia. Seus conhecimentos abrangiam a Filosofia, a Matemática, Astronomia, Religião, poesia e artes. Era versada em oratória e retórica. Escreveu diversos livros e tratados sobre álgebra e aritmética. Seu interesse por mecânica e tecnologia a levaram a conceber instrumentos utilizados na Física e na Astronomia, como o astrolábio plano, o planisfério e um hidrômetro. Infelizmente suas obras foram perdidas durante o incêndio que destruiu a Biblioteca de Alexandria. Tudo o que chegou-nos vem através de suas correspondências.

Um de seus alunos Hesíquio o hebreu, escreveu:

“Vestida com o manto dos filósofos, abrindo caminho no meio da cidade, explicava publicamente os escritos de Platão e de Aristóteles, ou de qualquer filósofo a todos os que a quisessem ouvi-la… Os magistrados costumavam consulta-la em primeiro lugar para administração dos assuntos da cidade”.

Hipátia foi uma Grande Mulher que nasceu na época errada. Sua defesa fervorosa ao livre pensamento, seus ensinamentos Neoplatônicos, sua observação de que o universo era regido pela leis da matemática a caracterizaram como herege em um momento onde o Cristianismo triunfava sobre o Paganismo. Enquanto Orestes, um ex-aluno, fora prefeito da cidade, sua vida estivera protegida. Mas quando Cirilo tornou-se bispo de Alexandria, determinado a destruir todo o movimento pagão, sua morte foi anunciada.

Em uma tarde de 415 D.C. retornando a sua casa, Hipátia foi abordada por uma turba de cristãos furiosos que a arrancaram de sua carruagem, arrastaram-na para uma igreja e lá rasgaram-lhe as roupas deixando-a completamente nua e assim puseram-se a retalhar seu corpo esfolando-lhe a carne de seus ossos utilizando para isso cascas de ostras afiadas. Por fim desmembraram-lhe o corpo e os atiraram as chamas.

Morria com ela toda uma era de liberdade e florescimento filosófico e cultural em Alexandria e certamente para todos que viviam sobre a espada afiada da nova religião.

Carl Sagan escreveu em seu livro Cosmos:

“Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipátia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciências, e devido a Alexandria estar sob o domínio romano, após o assassinato de Hipátia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época.”

Essa Grande Mulher nutriu toda uma época com a luz do conhecimento e do saber. Calaram-lhe a voz e empurraram sua lembrança para as profundezas do esquecimento. Mas, dois milênios não foram suficientes para apagá-la da memória de todos os famintos pela verdade. Hipátia retorna forte e vibrante ao alcance daqueles que buscam por seus ensinamentos. Ainda há pouco, enquanto terminava minha última pesquisa para esse artigo, me deparei com a notícia de que o diretor Alejandro Amenábar recentemente lançou no festival de Cannes o filme Ágora, que conta ao mundo a vida de Hipátia de Alexandria.

Texto da coluna Alma Mater, do Nerd Somos Nozes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hip%C3%A1tia-de-alexandria

VI Simpósio Brasileiro de Hermetismo

Hermes é a figura associada à divulgação das Ciências Ocultas. Quer seja histórico, quer seja mitológico, sua influência foi tão grande que até hoje as ciências ocultas são chamadas de Hermetismo.

N’A Tábua Esmeralda, Hermes avoca o título de Trimegistos, o Três Vezes Grande, por possuir as três partes da Filosofia Universal, que receberam, dentre outros, os nomes de Magia, que é a arte de causar a mudança de acordo com a Vontade, Misticismo, que é o estudo da(s) divindade(s) e das leis que aproximam o ser humano dela(s), e a Alquimia, que é o estudo da natureza humana e sua transformação.

De Magos mitológicos, capazes de controlar os elementos, o clima e os animais, aos Alquimistas com seus fornos, capazes de transformar chumbo em ouro, passando por aqueles aptos a ver a face da(s) divindade(s), conhecer seus nomes e invocá-las, o Hermetismo chegou aos nossos dias imerso em um véu de mistério.

Sem a pretensão de solucionar esses mistérios (Seria o Nome de Deus uma Palavra? A transformação do chumbo em ouro é literal? É possível viver para sempre e eternamente jovem?) o Hermetismo fala sobre a Mudança: Mudar o Mundo, Mudar a Si Mesmo e a Mudança em direção ao Divino.

Nada mais coerente, portanto, que se debruçar sobre as mudanças que o Hermetismo proporciona aos seus praticantes.

E é com essa proposta que a Associação Educacional Sirius-Gaia (AESG) tem a alegria de apresentar o VI Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas: O Hermetismo como Instrumento da Transformação do Ser.

Nos dias 11 e 12 de novembro poderemos ouvir alguns daqueles que, de uma forma ou de outra, trilhando o caminho das ciências ocultas, puderam observar em sua vida a mudança que lhes aproximou um pouco mais de sua Verdade Individual.

O local escolhido é o Century Plaza, na Rua Teixeira da Silva, 647, próximo a avenida Paulista.

Inscrições:

As inscrições são efetuadas somente pelo site do Simpósio e valem para assistir todas as palestras nos dias 11 e 12 de novembro de 2017. O valor da inscrição no momento é de R$ 180,00.

O calendário das inscrições segue a seguinte progressão:

Inscrições realizadas de 21/05 a 10/06 – R$ 180,00

Inscrições realizadas de 11/06 a 10/07 – R$ 200,00

Inscrições realizadas de 11/07 a 10/08 – R$ 225,00

Inscrições realizadas de 11/08 a 10/09 – R$ 250,00

Inscrições realizadas de 11/09 a 10/10 – R$ 275,00

Inscrições realizadas de 11/10 a 09/11 – R$ 300,00

Esteja atento aos prazos e antecipe sua inscrição!

http://simposiohermetismo.com.br/

#Blogosfera #Simpósio

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vi-simp%C3%B3sio-brasileiro-de-hermetismo