Maçonaria para não-Maçons – Parte 2

iniciacao-maconica-franca

Vamos lá então…

Um Passo De Cada Vez

Cada Ordem Iniciática tem sua forma de transmitir o seu conhecimento, algumas mais diretas e outras mais indiretas.

Por exemplo, a Rosacruz da “Antiga e Mística Ordem RosaCruz” (AMORC) é uma das que tem a forma mais direta. Ela o faz por meio de pequenas “monografias” que são entregues aos seus membros a cada novo Grau que ele percorre. Com isso é possível que o membro tenha uma visão macro do universo que ele está envolvido.

Nesse caso, mesmo esse material, não tem tudo que o membro poderia saber sobre a Rosacruz, MAS, tem tudo que ele precisa saber para estar ali. Se ele quiser compreender todo o conhecimento da Ordem, em sua plenitude, irá precisar de uma série de centenas de livros para isso.

Outras Ordens apresentarão livros ou apostilas, ao invés de monografias. Ou seja, no geral, a maioria das Ordens tem uma forma um pouco “acadêmica” de transmitir seu conhecimento. No entanto, esse não é o caso da Maçonaria.

Na Maçonaria não há um Material Acadêmico INSTITUCIONALIZADO, para os Graus.

Existem muitos livros sobre o “universo” que envolve a Maçonaria, que foram escritos durante os últimos 3 séculos, por vários maçons de renome e que acompanharam o desenvolvimento da Maçonaria Moderna.

Acontece que, essa “Literatura Maçonica”, não é obrigatória e nem se faz necessária para que o membro se desenvolva através dos graus.

É claro que muitos Maçons podem argumentar que as “lições de virtude”, aprendidas na Ordem, são o que realmente importa, mas quero lembrar que, isso não muda o fato de que existe uma riqueza imensurável no Simbolismo de nossos Rituais.

Nessa Literatura pode ser encontrada todas as vertentes que o caminho Maçonico pode te levar. Da compreensão das Virtudes ao estudo das Antigas Escolas de Mistério.

Mas, se o conhecimento dessas obras não é obrigatório, o que tem nos Graus?

Os Rituais e a Literatura Maçônica

Os Rituais, na Ordem Maçônica, são a base de cada Grau. Cada Ritual apresenta uma “história” diferente. Dele é tirado todo o Simbolismo e a Filosofia daquele Grau.

Em contrapartida, temos uma vasta Literatura Maçonica que, além da história da Ordem, trata de todo o Simbolismo que pode ser encontrado nesses Rituais.

Essa Literatura pode ser encontrada em quaisquer Livrarias (salve raros materiais que estão em algumas bibliotecas maçônicas). Todos podem ter acesso – basta ir lá e comprar.

Muito misterioso, não acha?

Mas se é tão simples assim, todos podem estudar e entender a Maçonaria de forma plena, certo?

Bem, não é tão simples assim.

A Literatura Maçonica trata do conhecimento que estão nos Graus, mas não explica abertamente os Rituais. Isso faz com que não seja possível que um “não-maçon” tenha compreensão plena de como isso funciona.

Esse material pode tratar de Qabalah, Hermetismo, Teosofia, Mistérios do Antigo Egito e etc. Mas, aquele que não é membro, não será capaz de fazer a relação necessária desse conhecimento com a Ordem.

Em outras palavras, ele pode sim, através desse material, aprender as Leis Espirituais do Hermetismo, mas não será capaz de entender qual é a relação desse conteúdo com a Ordem, pois não teve acesso aos Rituais.

Infelizmente, o contrário também acontece.

Quando um Maçon tem contato com o Ritual de um determinado Grau, tem contato com uma nova história e seus ensinamentos de virtude, mas, não é capaz de compreender, em plenitude, tudo o que aquele Simbolismo é capaz de transmitir.

Ou seja, para fins “didáticos”, é possível dizer que a Literatura Maçonica representa 50% da compreensão dos ensinamentos, enquanto os Rituais representam os outros 50% restantes. Para conseguir uma compreensão plena, não bastará conhecer apenas um ou outro. Mas é o que mais acontece e isso gera a questão que tratei no Post anterior.

Quando se encontra um Maçon que conhece MUITO sobre a Ordem e outro que não conhece quase nada, fica a impressão de que existem duas Ordens.

Claro que, no caso do Post anterior, ele foi escrito por religiosos protestantes que acreditam que o Conhecimento Maçonico REAL tem relação com “adoração ao Demônio”, já que, para muitos religiosos fervorosos, tudo que não faz parte da própria religião é demoníaco.

Em virtude disso, no próximo Post, sobre Maçonaria, falarei sobre “Lúcifer na Maçonaria”.

Aguardem…

#Maçonaria #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ma%C3%A7onaria-para-n%C3%A3o-ma%C3%A7ons-parte-2

A multiplicidade do pensamento mágicko no Hermetismo – Nino Denani

Bate-Papo Mayhem #152 – 16/03/2021 (Terça) Com Nino Denani – A multiplicidade do pensamento mágicko no Hermetismo

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo #hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-multiplicidade-do-pensamento-m%C3%A1gicko-no-hermetismo-nino-denani

Altar DeMolay – Setenário e Geometria

Altar é um local cujo objetivo é dedicado a conexão com o Divino, um lugar onde são realizadas as práticas espirituais, onde são colocados os materiais necessários para realização de um Ritual e a conexão com uma egrégora. É um utensílio religioso, mas não exclusivo de Religiões. No Templo – que significa “local sagrado”, do latim templum – DeMolay, chamado de Sala Capitular, o Altar tem esse objetivo e é utilizado dessa maneira.

Arquitetonicamente falando, o Altar é a base de todo Templo, é a Pedra Fundamental da qual toda sua estrutura será construída. Ocupa uma posição intermediária no Templo de maneira que se torne uma conexão simbólica entre o mundo espiritual e o mundo terreno, o local de união entre o Macro e o Microcosmo.

No campo simbólico o Altar é um local dentro de nós em que entramos em comunhão com nosso lado divino, é um estado de consciência que nos liga com o que está no Alto. Dessa ideia que vem um mito conhecido como “Montanhas Sagradas”, como temos no mito de Moisés que subiu ao alto do Monte Sinai para falar com Deus e desceu com seus mandamentos. Essa história não passa de um símbolo cabalístico em que “Monte Sinai” representa um estado elevado de consciência que Moisés alcançou através de 49 dias de meditação dentro de si. É um local simbólico, e não físico.

Na construção física do Altar, ele se torna o nó do Templo onde se cruzam as energias psíquicas. É o local utilizado para se realizar uma ruptura entre os planos, é nele que realizamos as invocações, evocações e damos determinações à egrégora. É onde pedimos permissão para começar ou terminar uma reunião, apresentamos os membros aos seus novos cargos, e onde são admitidos novos membros dentro da egrégora.

O SETENÁRIO

Dentro dos símbolos e dos rituais percebemos que uma certa importância é dada a certos números dentro da Ordem DeMolay, e o número sete ocupa um local especial desse mistério: ocupa nosso Altar.

“Por que sete, e por que não oito ou nove virtudes e velas?” é uma pergunta básica a qualquer interessado em nossa ritualística. Sete é um número sagrado e misterioso a todas as culturas, é o número da criação, são a quantidade das notas musicais, são os astros móveis visíveis no céu, são o número de Leis Herméticas, dos chakras, são o número das Sephirot Emocionais na Árvore da Vida, e assim por diante. Essa tradição numérica e geométrica também estão presentes em nossa Ordem.

O sete é expresso através de uma Geometria Sagrada que a muito tempo atrás foi utilizada na Ordem DeMolay, mas essa tradição foi perdida e pouquíssimos Capítulos usam desse artifício. Alguns dispõe suas sete velas em lua crescente, outros em ferradura, outros em triângulo, e outros ainda sem um símbolo identificável, deixando as velas no altar da maneira ao acaso. É uma triste realidade, visto que em textos anteriores estudamos a importância do símbolo e da egrégora.

Três é tido como o número do espírito, está relacionado com os três aspectos de Deus e com o equilíbrio entre os opostos que existe em toda criação, e seu desenho geométrico é o triângulo. O quatro é a representação da matéria, de tudo que é concreto, e sua figura geométrica é o quadrado. A soma de três e quatro é sete, que representa a criação material regida pelo poder espiritual, portanto é tido como o número da perfeição.

GEOMETRIA DO ALTAR

Os rituais do DeMolay sempre tocam, relembram, exemplificam e conduz sua ritualística no assunto do nascimento e morte. Sobre o nascimento somos ensinados que devemos erguer nossas vidas através das sete virtudes e os três baluartes, e sobre a morte somos ensinados que ela não passa de uma passagem ao dia eterno, uma outra etapa. Essas referências dizem respeito ao espirito sobre a matéria, que é um ensinamento central dentro das nossas virtudes, e isso também representa o altar através do número sete.

Num campo simbólico o triângulo está relacionado com o elemento fogo, que representa a Luz e o próprio espírito. O quadrado está relacionado com a geometria plana, com o simbolismo do número quatro, que é o elemento terra, o material. A matéria sozinha é inerte, mas quando aplica-se a ela o fogo, surge a vida, como nos ensina o hermetismo.

Quadrado sob Triângulo é o ensinamento do material sob espiritual. E a mesa do Altar é posta entre ambas as figuras. Eis a Geometria Sagrada do Altar, que aponta ao Oriente, de onde vêm a luz que se espalhará a todos seus membros, à egrégora e a todos que forem direcionados as intenções durante as orações.

Ainda por “coincidência” temos no Setenário Místico virtudes aplicadas a vida material e a vida espiritual. As virtudes materiais que formam o quadrado temos: Amor Filial, Cortesia, Fidelidade e Patriotismo; as espirituais: Reverências pelas coisas Sagradas, Companheirismo e Pureza.

Esses símbolos são de fundamental importância na eficácia da prática ritualística. Quando formos estudar Cabala veremos que nosso Altar se situa na sephirot Tipheret, responsável por trazer a Luz de Deus a nós, que é também a representação do Sol. Veremos também em breve os tattwas orientais e veremos sua relação com essa geometria, assim como estudaremos as velas vermelhas, a linha imaginária, entre outros elementos que não podem ser desprezados.

Coincidência ou não nosso Setenário Mistico está ai.

#Demolay

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/altar-demolay-seten%C3%A1rio-e-geometria-1

O Simbolismo do Labirinto

O símbolo do Labirinto exemplifica perfeitamente o processo do Conhecimento, ao menos em suas primeiras etapas, naquelas em que o ser tem de se enfrentar com a densidade de seu próprio psiquismo (reflexo do meio profano em que nasceu e vive), isto é, com seus estados inferiores, separando alquimicamente o espesso do sutil, que a alma experimenta como sucessivas mortes e nascimentos –solve et coagula–, destinando ao mesmo tempo numerosas provas e perigos que somente fazem traduzir o próprio conflito ou psico-drama interior.

Esse desassossego é próprio daquele que, tendo abandonado suas seguranças e identificações egóticas, descobre ante si um mundo completamente novo e, portanto, desconhecido, mas para o qual se sente atraído, porque na verdade intui que ao atravessá-lo é que poderá se reencontrar com sua verdadeira pátria e destino. Essa impressão indelével de estarmos totalmente perdidos tem que nos levar imperiosamente a encontrar a saída, ajudados sempre pela Tradição (e seus mensageiros: os símbolos), que neste caso nos chega por meio do Agartha que, tal como um guia ou eixo, tem de nos conduzir (desde que nossa atitude seja reta e sincera) a um estado de virgindade, a um espaço vazio imprescindível, apto para a fecundação do Espírito, o que se vive no mais interno e secreto do coração.

Devemos assinalar que muitos labirintos representados na arte de todos os povos são autênticos mandalas ou esquemas do Cosmo, ou seja, da própria vida, com suas luzes e sombras, o que nos permitirá compreender que esse processo labiríntico é na realidade uma viagem arquetípica, uma gesta, em suma, que todos os heróis mitológicos e homens de conhecimento têm realizado, e que nos servirá de modelo exemplar a imitar, tal e como estamos vendo na série “Biografias”. Na verdade, a viagem pelo labirinto é uma peregrinação ligada à busca do centro, e neste sentido é importante destacar que em muitas igrejas medievais figurava um labirinto (como em Chartres, em meio do qual aparecia antigamente o combate entre Teseu e o Minotauro) que percorriam de forma ritual todos aqueles que, por uma ou outra razão, não podiam cumprir sua peregrinação ao centro sagrado de sua tradição (por exemplo, Santiago de Compostela, ou Jerusalém), o que era considerado um substituto ou reflexo da verdadeira “Terra Santa”, onde os conflitos e lutas se finalizam, possibilitando assim a ascensão pelos estados superiores até conseguir a saída definitiva da Roda do Mundo.

Como dissemos anteriormente, falando da simbólica do Templo, esses labirintos se encontravam justo após a pia batismal (Yesod), e antes de chegar ao altar (Tifereth, o coração), ou seja, entre o batismo de água –relacionado com a regeneração psicológica e as viagens terrestres– e o batismo de fogo, vinculado por sua vez com o sacrifício pelo espírito e as viagens celestes, horizontais uns e verticais os outros. Na Árvore Sefirótica, o labirinto corresponde, pois, a Yetsirah, ou plano das formações, ou das “Águas inferiores”, que o aprendiz tem de atravessar em sua viagem pelos estados e mundos da Árvore da Vida.

Adicionaremos, para finalizar, que no Adam Kadmon microcósmico, ou seja, o homem, este labirinto tem de ser localizado na zona ventral, área que se destaca tanto por suas combustões e revoluções, como pela analogia que apresentam seus órgãos internos com a representação geral do labirinto.

#Alquimia #hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-simbolismo-do-labirinto

Via Sestra, uma Editora Luciferiana em um país Evangélico – Com Luciano Rodrigues (Pharzhuph)

Bate-Papo Mayhem #143 – 02/03/2021 (Terça) Com Luciano Rodrigues (Pharzhuph) – Via Sestra, uma Editora Luciferiana em um país Evangélico

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Via Sestra: https://www.lojaeditoraviasestra.com.br/

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/via-sestra-uma-editora-luciferiana-em-um-pa%C3%ADs-evang%C3%A9lico-com-luciano-rodrigues-pharzhuph

Dança e Feitiçaria – Gilmara Cruz

Bate-Papo Mayhem 215 – 05/08/2021 (Quinta) 16h Com Gilmara Cruz (Via Sestra) – Dança e Feitiçaria

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo #Bruxaria #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dan%C3%A7a-e-feiti%C3%A7aria-gilmara-cruz

Drogas e Plantas Alucinógenas na Psicoterapia e Xamanismo [parte 1/5]

Para os leitores que acompanham minhas postagens aqui no TdC, sabem que eu sempre gosto de mesclar Ocultismo com Ciência. Quando digo Ocultismo, na verdade quero dizer tudo aquilo que diz respeito à mente e a espiritualidade que é ignorado ou convenientemente colocado de fora no paradigma científico Ocidental. Muitos também sabem que estudo estados alterados de consciência, induzidos por drogas (ou não), rituais e afins, e uma coisa que vejo é que ultimamente muitas pessoas começaram a se interessar pelo Xamanismo (e eu incluso!!!). Tal interesse acaba levando-as a participar de rituais e vivências xamânicas, que incluem artesanato de filtros dos sonhos, confecção de tambores, rodas de conversa de sagrado masculino e feminino, animal de poder e etc.

A coisa começa a chamar a atenção quando nestas situações são introduzidas plantas e substâncias de poder, conhecidas também como as medicinas da floresta (ayahuasca, rapé, wachuma, etc). Nem todos estão realmente preparados para realizar tais sessões, e substâncias como a ayahuasca, estão cada vez mais sendo traduzidas e utilizadas em contextos urbanos. Eu mesmo já participei, e ouvi relato de pessoas que participaram, de rituais xamânicos, que, no mínimo, deixaram a desejar. Sendo assim, me proponho nos posts futuros a traduzir um artigo que acredito ser essencial para todos aqueles que se interessam pelos assuntos citados acima, acadêmicos ou não.

O artigo é do psicólogo americano Ralph Metzner e se chama “Hallucinogenic Drugs and Plants in Psychotherapy and Shamanism” publicado em 1998 no Journal of Psychoactive Drugs (Jornal de Drogas Psicoativas). Muitos de vocês podem reconhecê-lo do documentário ‘DMT: A Molécula do Espírito’. Eu recebi autorização do autor para realizar esta tradução e como sei que muitos não estão acostumados com a extensão de um artigo científico, irei dividi-lo em 5 partes, sendo esta a primeira. Dúvidas e sugestões nos comentários.

“Drogas e Plantas Alucinógenas na Psicoterapia e Xamanismo” por Ralph Metzner:

Como uma forma de introduzir uma visão geral do papel de drogas psicoativas nas práticas de tratamento psicológico, uma breve nota pessoal deve ser permitida. Como um psicólogo, eu tenho me envolvido no campo dos estudos da consciência, incluindo estudos alterados induzidos por drogas, plantas e outras formas, por mais de 35 anos. Nos anos 1960’s eu trabalhei na Universidade de Harvard com Timothy Leary e Richard Alpert, pesquisado sobre as possíveis aplicações terapêuticas de drogas psicodélicas, como o LSD e a psilocibina (Leary, Metzner & Alpert 1964). Durante os anos 1970’s o foco do meu trabalho mudou para a exploração de métodos livres de drogas para a transformação da consciência, com o aqueles encontrados em tradições de yoga Orientais e Ocidentais, meditação e alquimia (Metzner, 1971). Eu também estudei intensivamente os novos métodos psicoterápicos, muitos deles derivados do trabalho de pioneiros como Wilhelm Reich, que envolve profundos estados alterados de consciência induzidos por trabalhos corporais e de respiração. Durante os anos 1980’s, eu entrei em contato com o trabalho de Michael Harner (1980, 1973), Joan Halifax (1982), Peter Furst (1976, 1972), Terence e Dennis McKenna (1975) e outros, que estudaram ensinamentos e práticas xamânicas ao redor do mundo. Essas tradições xamânicas envolvem estados não ordinários de consciência induzidos por uma variedade de métodos, que incluem a ingestão de plantas alucinógenas, mas também o toque de tambores, jejum, busca selvagem de visões*, uso de câmaras de suor e outros.

Percebendo que havia tradições atingindo tempos pré-históricos de uso respeitoso de alucinógenos para curas xamânicas e divinações, eu me tornei muito mais interessado nas plantas e cogumelos que têm um histórico de tal uso. Pessoas indígenas são conhecidas por ter um conhecimento profundo de plantas e ervas e seus efeitos no corpo e na mente; eles são muito hábeis em distinguir medicinas prejudiciais de benéficas. Por esta razão as plantas de indução de visão que têm uma tradição de uso xamânico são muito mais prováveis de serem seguras, em contraste às drogas recém-descobertas e sintetizadas, cujo uso pode envolver riscos desconhecidos a longo prazo.

Tornou-se claro para mim, como um resultado destas explorações, que enquanto a psicoterapia Ocidental e o xamanismo indígena podem usar substâncias psicoativas idênticas ou similares para a cura e obtenção de conhecimento (chamado diagnóstico no Ocidente e divinação nas culturas tradicionais), existem profundas diferenças entre eles na visão de mundo adjacentes e suposições acerca da natureza da realidade. Neste artigo eu proponho comparar o uso de psicoativos, assim como as visões de mundo subjacentes, em quatro sistemas de transformação de consciência: (1) psicoterapia dentro do paradigma padrão do Ocidente, (2) rituais xamânicos de cura e adivinhação, (3) cerimônias religiosas tribais sincréticas, e (4) o que eu chamo de rituais terapêuticos-xamânicos híbridos., que representam uma mistura de abordagens indígenas xamânicas com a psicoterapia Ocidental.

Uma nota sobre a terminologia: eu uso os termos “psicodélicos”, “alucinógenos” e “enteógenos” alternadamente. “Psicodélico”, o termo cunhado por Humphrey Osmond e Aldous Huxley e popularizado por Leary e o grupo de Harvard, significa “mente-manifestando”. “Alucinógeno” é o termo geralmente usado na literatura de pesquisa psiquiátrica para essas substâncias. A maior objeção ao termo alucinógeno é que estas drogas e plantas na verdade não induzem alucinações, no sentido de “percepções ilusórias”. Mas o termo alucinógeno merece ser reabilitado. O significado original do termo Latino alucinare é “vaguear na própria mente” (wander in one’s mind), e viajar ou partir para uma jornada em espaços internos é uma metáfora descritiva bastante apropriada para tais experiências, que são coloquialmente referidas como ‘viagens’ (trips). O termo “enteógeno”, proposto por R. Gordon Wasson e Jonathan Ott, tem a mesma raiz de “entusiasmo”, e significa “liberando ou expressando o divino interior” (Ott, 1995)

Fim da primeira parte.

Se você gosta desses assuntos, sugiro que participe da palestra gratuita sobre os potenciais terapêuticos da Ayahuasca, que acontecerá em São Paulo. Se você REALMENTE gosta desses assuntos, convido-lhe para participar do curso “Psicologia e Xamanismo”.

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião, especialista em formação em Teorias e Técnicas Para Cuidados Integrativos e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br

Imagens:

Imagem encontrada na Internet
Ralph Metzner em um foto recente

Bibliografia:

METZNER, Ralph. Hallucinogenic Drugs and Plants in Psychotherapy and Shamanism. Journal of Psychoactive Drugs. Volume 30 (4), October – December. 1998.

#Psicologia #xamanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/drogas-e-plantas-alucin%C3%B3genas-na-psicoterapia-e-xamanismo-parte-1-5

What is the Matrix? – Lionel Snell

Bate-Papo Mayhem 121 – gravado dia 16/12/2020 (Quarta) 12h Marcelo Del Debbio bate papo com Lionel Snell – What is the Matrix?

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Lionel Snell/Ramsey Dukes – https://ramseydukes.co.uk/

Youtube channel – @Ramsey Dukes

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/what-is-the-matrix-lionel-snell

Marcelo Motta e a Sociedade Novo Aeon – Frater AUMGN

Bate-Papo Mayhem #083 – gravado dia 01/10/2020 (Quinta) Com Frater AUMGN – Marcelo Motta e a Sociedade Novo Aeon

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/marcelo-motta-e-a-sociedade-novo-aeon-frater-aumgn

A Função do Ogã e da Música na Umbanda – com Severino Sena

Bate-Papo Mayhem 161 – gravado dia 13/04/2021 (Terça) Marcelo Del debbio bate papo com Severino Sena – A Função do Ogã e da Música na Umbanda

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo #Umbanda #UmbandaSagrada

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-fun%C3%A7%C3%A3o-do-og%C3%A3-e-da-m%C3%BAsica-na-umbanda-com-severino-sena