Curso de Tarot e História da Arte – Dezembro

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

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Cursos de Hermetismo de Dezembro:

– Arcanos Maiores – 02/12 (Sábado) das 10h às 18h

– Arcanos Menores – 03/12 (Domingo) das 10h às 18h

– Magia Prática – 10/12 (Domingo) das 10h as 18h

No Curso de Tarot fazemos o estudo de 12 decks diferentes, comparando a simbologia de cada um dos Arcanos ao longo da História da Arte; desde os trionfi do século XIV até os mais modernos como o Rider-Waite, Thoth (Aleister Crowley) e Mitológico, passando por Marselha, Oswald Wirth, Tarô dos Boêmios, Tarô alquímico e Egípcio (Kier).

Informações e reservas: marcelo@daemon.com.br

#Cursos #Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-tarot-e-hist%C3%B3ria-da-arte-dezembro

A multiplicidade do pensamento mágicko no Hermetismo – Com Nino Denani

Bate-Papo Mayhem 152 – Com Nino Denani – A multiplicidade do pensamento mágicko no Hermetismo

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/_B8JHfYMHZo

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-multiplicidade-do-pensamento-m%C3%A1gicko-no-hermetismo-com-nino-denani

O que aprendemos com Rafael Chiconeli?

– Por que você estuda magia?

– Porque estou em busca da Verdadeira vontade.

– então você está em busca de uma verdade.

– Sim

– Quando a gente busca a verdade, é normal as mentiras caírem pelo caminho.

Em 2000, uma figuraça apareceu na mídia nacional alegando, aos 99 anos, falar 33 idiomas e 72 dialetos. Omar Kayan dizia ter 107 títulos de doutor e três indicações ao Prêmio Nobel.

Ninguém no país tinha ouvido falar nesse detentor de tanta sapiência. Mesmo assim, o senhor com ares de profeta enganou todo mundo direitinho. Deu entrevistas para os grandes jornais e chegou a ocupar dois blocos do Programa do Jô Soares. Khayam na verdade se chamava Alexandre Selva, tinha 62 anos, e não era doutor coisíssima nenhuma. Tratava-se de um charlatão que se fazia passar por gênio para dar palestras e faturar dinheiro. Um estelionatário de marca maior.

Recentemente, tivemos um caso semelhante aqui no Brasil. Rafael Chiconeli, a.k.a. Raphael Chiconelli, a.k.a. Rafael Ithzaak, a.k.a. Rafael Moura Pessoa Freire, se passava por rabino, cabalista e rav para dar cursos e se aproveitar das alunas seduzidas com seu papo mole de “alma gêmea”. Chegou a palestrar no mais importante Simpósio de Hermetismo da América do Sul e até escreveu posts para este blog. Mas nem judeu ele é. Como ele conseguiu chegar tão longe? e como foi descoberto?

Tivemos o desprazer de conhecer esta figura uma semana antes do Simpósio de Hermetismo. Para quem não o conhece, ele é extremamente simpático e de uma cara de pau inacreditavel. Coisa de psicopata mesmo.

Quando o encontrei pela primeira vez, ele foi extremamente simpático e conversamos durante umas duas horas e vi que ele sabia o básico da cabalá judaica. Não aprofundamos porque ele era indicado de pessoas conhecidas do RJ, então não tínhamos a menor razão para desconfiar dele.

[Update 2013] – as pessoas no RJ o recomendaram sem o conhecer pessoalmente, com base em seu blog, que depois verificamos ser apenas um amontodado de plágios de blogs de cabalistas famosos. quando denunciado, Rafael Moura tentou deletar o blog, mas mantivemos uma cópia no Internet Archive.

No Simpósio, tanto sua palestra sobre a Cabalá quanto o ritual conduzido no final da palestra foram bem executados ([Update] O ritual e a palestra são recortes de palestras dadas no Kabbalah Centre). A pedidos, ele começou a ministrar o módulo de Cabala I em São Paulo também ([update] O curso de “cabala iniciática” – nomenclatura que ele INVENTOU e que não existe em nenhum lugar, é uma colcha de retalhos montada com material do Kabbalah Centre também, como alguns alunos relataram posteriormente). Perdi contato com ele até as vésperas do Sefirat ha Omer. Nesse meio tempo, conseguiu fazer diversos contatos nas lojas de maçonaria mista e espaços holísticos com pouca seriedade.

Quando ele quis começar a palestrar na Maçonaria regular, fiz o pedido de praxe: número do CIM e Loja na qual foi iniciado. E ele começou a me enrolar. Logo em seguida, dois fatos ocorreram em menos de uma semana para terminar de desmascará-lo.

O primeiro foi ele ter falhado com o Sefirat ha Omer e, de quebra, ferrado o exercício de quase quinhentas pessoas que estavam “seguindo o rabino” ao invés das orientações do Blog, pois ele disse que só poderia haver uma fonte. Mas a melhor veio pelo Facebook.

[Update] Rafael Moura tentou duas vezes entrar na Maçonaria depois dos ocorridos, e foi rejeitado em ambas as tentativas. Descobrimos que ele fingia ser maçom desde 2010.

Uma moça que estava em recuperação pela Narcóticos Anônimos tinha como um dos passos buscar a espiritualidade e acabou na cabala judaica, com o “mestre” que lhe garantiu que já havia cuidado de vários casos assim e que precisaria vê-la pessoalmente. Depois do encontro, do qual não teve tratamento cabalistico nenhum, o rabino se dizia apaixonado, que ela era a alma gêmea dele e que iriam se casar. E, uma semana depois, desapareceu sem dar explicações e, quando confrontado, disse que ela era louca e que tudo era imaginação dela. O que ele não contava é que a guria estava pensando em se suicidar e que, quando foi conversar com uma psicóloga, por essas “coincidências” dos deuses, foi parar justamente em uma amante do rabino, que já estava tendo um caso com ele há quase um ano e também achava que era a alma gêmea do “mestre”.

Com as duas garotas muito putas da vida, decidiram investigar o caso a fundo e acharam quase uma dezena de alunas na mesma situação… em SP e RJ… cada uma achando que era a alma gêmea dele e que iria se casar e ter filhos koshers. Uma delas, uma senhora, planejava fazer uma viagem a Israel acompanhada do rav. E ai a novela chega aos ouvidos deste que vocês escreve.

[update] Pelo menos 8 casos com o mesmo modus operandi.Escolhe mulheres fragilizadas emocionalmente e usa de manipulação e lábia para prometer casamento, dizendo serem almas gêmeas. apesar do papo mole de don juan, ele é CASADO. Casou-se com Márcia Chiconeli para adotar o sobrenome dela (no Brasil, que homem adota o sobrenome da mulher?) pouco antes de tentar processar o autor deste blog pelas denúncias feitas.

Primeira lição: Coerência

A Primeira coisa que se aprende em uma Ordem Iniciática séria, no grau de Zelator, é o Caminho da Terra. O Caminho da Terra ensina a Coerência, ou seja, que devemos agir de acordo com o que pregamos. Não faz o menor sentido criticar o Vaticano por ficar remanejando padres pedófilos e ao mesmo tempo passar a mão na cabeça de um suposto rabino que abusava da confiança das alunas pelo seu cargo. Aqui no TdC, cortamos a própria carne se precisar.

Como somos justos, tentamos entrar em contato de todas as formas para perguntar o que estava acontecendo e dar a ele amplo direito de defesa. Porém, algumas das almas gêmeas já haviam contado a ele sobre o caso e ele desapareceu. Nesse meio tempo, procurando por telefones e meios de contato, descobrimos que “Rafael Chiconeli” simplesmente não existia. Nenhum RG, nenhum CPF, nenhum telefone, nenhum registro… um fantasma. E como ele chegou até o Aya? Excelente pergunta.

Em 2011 ele começou a dar os cursos de Cabalá no RJ, no espaço da mãe, em uma empresa fantasma sem CNPJ ou endereço e seduziu algumas alunas como o papo mole de alma gêmea. Uma delas o apresentou a organização da Mystic Fair RJ. E lá ele conheceu outra palestrante, que se tornou aluna e alma gêmea e o trouxe para espaços em São Paulo. Ele teve problemas no primeiro espaço que conseguiu, com absurdos do tipo andar de cuecas na casa da pessoa que o acolheu, deixar camisinhas jogadas pelo espaço e causar brigas entre alunas apaixonadas pelo don juan cabalístico, um completo absurdo… ([update] conforme fomos levantando material dele para o processo, mais e mais absurdos apareciam…) e levou o que restou da turma que ainda não sabia dos escândalos para o novo espaço.

Segunda Lição: Conhecimento não traz caráter

Ele teria sido descartado de cara pelo Leo, por mim ou pelo frater Alef se não tivesse um grande conhecimento. E de onde diabos veio isso? ao investigarmos a vida do sujeito, descobrimos que tudo era uma fraude. Ele nunca pisou em Israel, a historinha do pai diplomata era outra mentira ([update] o pai é um sargento aposentado da marinha com segundo grau completo, nunca nem abriu um livro de cabala na vida); a história da avó ser uma judia milionária dona de imóveis também é uma farsa ([update] a família toda de Rafael Moura mora no subúrbio do RJ, na Vila Sulacap) e ele tentou ser iniciado na maçonaria, mas foi rejeitado, e nunca esteve nem perto de uma Yeshiva ou de um rabino de verdade.

A resposta veio de uma namorada do tempo de adolescente: ele estuda por livros e fez uns módulos do Kabbalah Centre. E, segundo ela, já tinha essa mitomania de falar que era judeu desde sempre. Tentou aplicar os primeiros golpes como Rafael Ithzaak (o sobrenome de um rabino famoso) e depois de 2010, Chiconeli (sobrenome de uma tal de Márcia, que vive com ele e para uns diz que é irmã, para outros diz que é esposa ([update] Márcia Chiconeli é esposa dele desde 2013, quando ele assumiu o nome dela para posteriormente tentar processar o autor deste blog)).

O que, para mim, é o mais triste dessa história toda: a necessidade dele inventar toda essa maluquice doente. Não há nada de errado em se ter estudado a cabalá judaica no Kabbalah Center e ter adquirido esse conhecimento pelo esforço próprio. Foi essa psicopatia e necessidade de enganar as pessoas e abusar das mulheres que fez com que ele fosse banido do cenário sério do ocultismo brasileiro, sendo relegado a ficar como uma barata se juntando com outros lixos para enganar quem ainda não o conhece.

[update] Hoje ele ainda tenta se vender como “cabalista”, em espaços de quinta categoria e acompanhado de “simbologistas” e “cientistas quanticos” e “sagrado masculinos” em uma invencionice pior que a outra para angariar quem ainda não o conhece.

Você é responsável por sua própria queda, Rafael.

#cabala #Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-que-aprendemos-com-rafael-chiconeli

A Função do Ogã e da Música na Umbanda – Severino Sena

Marcelo Del debbio bate papo com Severino Sena – A Função do Ogã e da Música na Umbanda Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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A psicologia das Religiões

Bate-Papo Mayhem 124 – gravado dia 22/12/2020 (terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Maycon Rodrigo Torres – A psicologia das Religiões

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Enteogenos e Magia – Vinicius Rosa

Bate-Papo Mayhem 233 – 14/09/2021 (Terça) 21h30 Com Vinicius Rosa – Enteogenos e Magia

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#Batepapo

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A Música

A medicina pitagórica atribuía à música um poder terapêutico por excelência. Disso também nos dá referência a Alquimia, quando faz coincidir os centros musicais com os centros sutis, e estes com as oitavas do microcosmo humano. Assim vemos como a música, encarada desde uma perspectiva sagrada, é muito mais do que parece. E também que as naturezas do tempo e do espaço, da água e o fogo, unidas indissoluvelmente no éter, origem de sua vida, sendo fundamentalmente distintas, tocam-se num ponto onde, sem se confundirem, fundem-se numa Harmonia Única e Universal.

Sócrates, nas palavras de Platão, confirma as Musas como as primeiras protetoras da arte da música, de quem ela recebeu seu nome. Como já afirmamos, o tempo e o espaço se relacionam mutuamente através do movimento, e este não é senão a expressão dinâmica ou rítmica de uma harmonia cujos modelos são os números. Ritmo e proporção, semelhantes respectivamente ao tempo e ao espaço, são a métrica pela qual ambos ficam reciprocamente ordenados, conformando a presença viva daquela mesma harmonia que se dá por igual no céu e na terra. A própria geometria (geo = terra, metria = medida), que ordena idealmente o espaço, está virtualmente implícita na música como relação métrica de seus intervalos. Harmonia, número e movimento são, pois, termos equivalentes e mutáveis entre si, quanto se referem a uma mesma realidade, seja à arquitetura sutil e musical do Cosmo, ao ritmo respiratório, às pulsações do coração ou ao compasso alternado das fases diurna e noturna do dia.

O homem especialmente recebe com mais intensidade do que qualquer outro ser terrestre o ritmo pulsatório da existência, o que, num sentido, converte-o no mais capaz de reproduzi-lo. De natureza musical está feita a alma humana e sua inteligência, já que são elas as que captam as sutis relações entre as coisas; a maravilhosa articulação que a todas mantém unidas, com seus matizes, num todo indivisível que se vai revelando à medida que a unidade e a harmonia se impõem a nosso caos particular.

No homem, como num pequeno instrumento em mãos de um músico invisível, segundo se nos diz no hermetismo antigo e do Renascimento, encontram-se todas as potências, virtudes e ritmos do universo, homologadas ou em diapasão com a natureza de seu estado. No entanto, nem sempre se é consciente disso, já que seu diapasão particular não está, em geral, afinado com o tom universal.

#hermetismo #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-m%C3%BAsica

Quimbanda, Xamanismo e a medicina da Floresta – Danilo Coppini

Bate-Papo Mayhem 221 – 17/08/2021 (Terça) Com Danilo Coppini – Quimbanda, Xamanismo e a medicina da Floresta

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#Batepapo #xamanismo

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Enteogenos e Magia – Priscilocibina

Bate-Papo Mayhem #249 – gravado dia 16/11/2021 (Terça) 21h30 – Com Priscilocibina – Enteogenos e Magia

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Priscilocibina https://www.youtube.com/channel/UCwZEmV0ZkVTztdN6gE9MDgw

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Hierarquia, Dualismo e Evolução Espiritual

Eu não acho que exista um problema no dualismo ou na hierarquia em si, como ideia. São meras sistematizações. Há muitos exemplos em que se pode utilizar esses sistemas com sucesso e inclusive eles ajudam para a organização.

Meu ponto é que pode ser que em alguns casos essa ideia traga problemas. Por exemplo, como se tornou recorrente citar Platão desde o lançamento de “Epoch: The Esotericon & The Portals of Chaos”, seu “Mundo das Ideias” deu origem a um tipo de idealismo que dividiu o mundo em dois: um mundo espiritual e melhor, e outro material e pior; uma alma superior e um corpo inferior, etc.

Um dos problemas é que o universo criado por Platão é estático, em que tudo tem o seu lugar determinado. Essa ideia era inclusive usada para reforçar o sistema de castas e a escravidão. Claro que seria um pouco precipitado culpar a hierarquia e os dualismos por causa disso, considerando-os fadados ao conservadorismo e preconceitos. Eu não acho que seja esse o caminho.

Essa reflexão serve para alertar o magista sobre o seguinte: caso ele opte por utilizar um sistema idealista e dualista, derivado das tradições neoplatônicas (isso resume praticamente todo o ocultismo tradicional, especialmente os sistemas derivados das religiões judaico-cristãs como a cabala), ele deve ficar atento para não cair nas armadilhas que o dualismo pode gerar.

Evidentemente, cada sistema tem suas armadilhas, pontos fracos e problemas. O próprio caoísmo não é isento disso. Quem é caoísta pode cair na armadilha de confundir a imaginação com o mundo dos sentidos, de acreditar que tem superpoderes realmente extraordinários a ponto de comandar o universo, dentre outras conclusões precipitadas.

Não há respostas definitivas para essas questões, mas para concluir até onde pode ir, o caoísta deve testar: no seu dia a dia, a sua imaginação é tão poderosa a ponto de transformar completamente a realidade lá fora? E até que ponto a imaginação pode alterar suas emoções? Ele é realmente o rei do universo?

Há outras problemáticas em jogo. O magista não é somente mente; ele é corpo. O seu corpo possui aspectos fisiológicos que não devem ser ignorados. Os hormônios influenciam diretamente em suas emoções, não importa o quão forte seja sua mente. Ele precisa de comida, precisa de coisas materiais. Não irá transformar o mundo somente com o poder da mente. Esse poder existe, mas deve ser aliado ao próprio corpo e à realidade material lá fora.

Corpo e mente, mente e espírito, todas essas coisas estão tão conectadas que é difícil separá-las. Elas devem ser vistas e transformadas em sua totalidade. A magia deve ser realizada de forma holística e não pela metade.

Muitos sistemas de magia neoplatônicos que clamam ser o espírito superior à matéria não estão “errados”. Eles são verdadeiros, mas somente dentro de seus modelos. Lá eles funcionam, contanto que se enxergue esse dualismo somente como uma sistematização.

A própria Magia do Caos, ao falar de “caos” não está realmente clamando que não existem padrões na natureza e que eles são somente inventados pela mente. Nós não sabemos se há padrões, falta de padrões ou uma mistura dos dois. Porém, como não é possível viver ou fazer magia fora de um modelo, os caoístas geralmente optam por modelos que mostram uma realidade mais caótica, pois abre um universo de possibilidades. Em suma, cada modelo tem seus altos e baixos.

Claro que quando eu digo que não é possível fazer magia fora de um modelo, nem mesmo isso deve ser visto como uma afirmação absoluta. Eu uso até mesmo essa colocação meta-paradigmática como um paradigma.

Mas você não precisa ficar louco ao estudar teoria da magia, tentando entender o que realmente é a magia e como ela atua. Isso é difícil de descobrir, por isso no caoísmo nós optamos por ser pragmáticos: use a teoria ou a prática que te gere resultados interessantes.

O que é um resultado interessante? Isso cada magista deve descobrir. Cada um é livre para usar magia para o que bem entender. Sempre há os moralistas defendendo que magia só deve ser usada para A e não para B. Algumas vezes pode ser que eles estejam certos, mas os magistas também merecem a liberdade de explorar um pouco o que funciona até chegarem em suas próprias respostas.

E aqui nós caímos novamente na questão da hierarquia. Um sistema hierárquico já te deu estas respostas e já te colocou num ranking. Esse sistema te indicou o caminho que você deve seguir para “evoluir espiritualmente”, seguindo um passo a passo mais ou menos determinado. Isso é válido. Esse sistema pode ser usado com sucesso. Mas não é a única forma de fazer as coisas. Provavelmente não é a melhor, pois o que é melhor pode variar de pessoa para pessoa.

Eu particularmente não me sinto tão à vontade ao pensar em termos de melhor ou pior na magia. Para mim, a Magia do Caos permite descobertas, transformações e sobretudo autoconhecimento. Para alguns (note, não para todos!), é difícil haver autoconhecimento quando você já tem tudo pronto numa cartilha e não tem a liberdade de refletir, de questionar e de construir suas perguntas e respostas. Porém, cada pessoa é diferente e cada um tem a liberdade de conhecer a si mesmo da forma que bem entender e não precisa dar satisfações.

Acredito que a maior parte dos desentendimentos que existem no ocultismo é porque cada magista clama ter encontrado a forma “melhor” de fazer magia. A meu ver, não há uma forma melhor, pois cada indivíduo é único. Ou se realmente existe um caminho melhor, é difícil definir o que ele realmente seja através de nossa razão e de nossos sentidos. Essa primeira falha inerente à natureza humana é chamada de “ídolos da tribo” por Francis Bacon: tanto o intelecto quanto as percepções sensoriais estão sujeitos a enganos.

Alguns magistas podem dizer: “Eu li mais livros” ou “Consigo mover objetos com a mente” ou “Meus feitiços sempre funcionam” ou “Sou iniciado em dez Ordens diferentes” ou “Faço mais doações para instituições” ou “Sou ativo politicamente”.

Todas essas coisas são ótimas, mas eu acredito que não é nada disso que defina em absoluto o nível de magia, nível espiritual ou mesmo o caráter de uma pessoa. Simplesmente porque eu prefiro tentar olhar para a realidade como, por natureza, isenta de hierarquias. Para mim, pelo menos a maior parte dessas hierarquias foram artificialmente inventadas por nós.

Alguém pode clamar: “O certo e o errado, o bem e o mal, eles são absolutos, não são construções históricas e sociais”. Existe uma chance de isso ser verdade. Mas mesmo se for, quem realmente consegue diferenciar essas coisas se a mente e o mundo são tão complexos e existem tantos ídolos distorcendo nosso entendimento?

Vamos supor que, na maior parte das situações, sejamos capazes de diferenciar o bem e o mal. E provavelmente nós somos. Mas quem disse que isso é uma competição?

Há essa mania de competir, seja no mundo ou na magia. E isso não me surpreende. Somos incentivados a competir desde o colégio, com as notas. Na universidade, no trabalho. E os sistemas e teorias da magia foram construídos no interior de um mundo competitivo, que funciona como um jogo.

O jogo da magia é: “vamos evoluir espiritualmente. Vamos ver quem ganha. Vejamos quem é o mais bondoso e o mais poderoso”. Eu não sou contra competições saudáveis. Porém, como eu já mencionei antes, pode haver o risco de transformar uma boa intenção em algo perigoso, como a ideia de que existem os “escolhidos ou iniciados sábios” e a “massa ou o gado ignorante”. Um dualismo, a meu ver, bastante negativo. Em vez de desejar destruir a dualidade, queremos fazer parte dos “sábios” e manter a dicotomia. Como disse Paulo Freire, o sonho do escravo não é acabar com a escravidão, mas tornar-se um senhor que possui escravos.

Acho que cada pessoa deve ser livre para explorar a magia no seu ritmo. Ir descobrindo a si e ao mundo pouco a pouco, de forma natural e divertida. O magista não precisa sacrificar a si mesmo pelo bem do mundo (pode ajudar os outros, mas sem prejudicar a si) ou treinar meditações ou feitiços horas por dia pelo desejo de se tornar “mais poderoso”.

Claro, como foi dito, na magia queremos ganhar o jogo: ser o mais sábio, o mais poderoso, o mais bonzinho, o mais qualquer coisa, contanto que seja “o mais”. Vamos ver quem leu mais livros, quem ganha as discussões, quem dobra o mundo material a seus pés com a magia ou quem é o redentor do mundo, para se tornar um herói e receber a aprovação dos outros.

Evidentemente, quem se diverte jogando o jogo, pode continuar, principalmente se os resultados forem positivos. Se a competição estimula o magista a estudar, praticar ou até a ser mais gentil, que legal! Então use a hierarquia de forma positiva. Isso é possível.

No entanto, devo dizer que eu, particularmente, prefiro tentar não jogar tanto o jogo da hierarquia. Não acho que “os fins justificam os meios”. Não acredito que seja justificável fazer as coisas certas pelos motivos errados (considerando o que é “certo” e “errado” dentro desse modelo).

Ainda acho mais válido simplesmente dizer: que tal deixarmos de lado a ideia de evolução espiritual? Para mim essa é uma ideia de Darwin que faz sentido na biologia (e até mesmo na biologia ela não é absoluta). A evolução não necessariamente se aplica tão bem ao ocultismo. A propósito, no livro “A Origem das Espécies” Darwin deixa claro que aplicou a teoria de Malthus (que posteriormente se mostrou incorreta) para desenvolver a ideia de luta pela sobrevivência. Não sei porque muitos colocam um status quase divino nas ideias de cientistas como Darwin e Einstein, já que a história nos mostra que tais teorias irão eventualmente se mostrar não tão corretas no futuro ou serão no mínimo complementadas por outras. São hipóteses verificadas pela experiência, mas que não descrevem de forma absoluta a realidade. Não há nenhuma razão, tampouco, para aplicar as teorias atualmente aceitas (que são temporais) para o que ocorreria ao nosso espírito, que, segundo se costuma dizer, seria atemporal.(Só abrindo um parênteses: isso não significa que devemos deixar de dar crédito à ciência.

Devemos considerá-la como divulgadora de verdades provisórias até que surjam teorias melhores. O método científico não é perfeito, mas é bom o bastante para confiarmos nele, com os devidos cuidados. É algo vivo e em constante transformação, sempre desafiando a si mesmo).

Não acho que devemos desesperadamente tentar fazer o bem para outras pessoas a custa de nossa saúde e sanidade ou estudar magia loucamente e sem parar para “estar na frente dos outros”. Deve haver um equilíbrio. Eu acho que os magistas formam um grupo múltiplo, vejo beleza na diversidade. Ninguém é melhor, mais poderoso, mais sábio ou mais “espiritualmente avançado” do que ninguém. As pessoas são apenas diferentes.

Claro que sempre podemos melhorar a nós mesmos, mas até essa ideia de “melhorar” a si não precisa ser vista de forma absoluta ou fatalista. Nós estamos sempre aprendendo, mas também desaprendendo. Acho duvidosa essa ideia de que gradativamente nos tornamos cada vez melhores. Até a evolução na biologia frequentemente atua de forma aleatória. Uma mutação pode até extinguir uma espécie. O nosso cérebro é seletivo, deleta informações o tempo todo, esquece coisas. Nossa memória engana. E um dia ela vai desaparecer.

Pode existir coisas como karma e alma imortal, mas não sabemos direito como isso funciona. O que sabemos é que, aparentemente, nosso corpo está vivo, nosso cérebro aprende e esquece coisas, passa os genes adiante e morre. Enquanto isso podemos criar, destruir, aprender coisas e esquecer. A magia entra aí no meio num contexto histórico e cultural, no meio da arte e da espiritualidade.

Nós criamos sentido para as coisas, inventamos padrões e hierarquias. Outros nós descobrimos, sem ter certeza se é uma ilusão ou a verdade. O padrão parece funcionar por um instante. Em outros momentos pode não funcionar mais, pois a realidade e a mente são dinâmicas.

A magia pode trazer grandes momentos de diversão, deleite e descobertas. Aprendizados e esquecimentos, que não são lineares. Para mim, não existe uma escadinha que marque uma evolução espiritual e que te faça subir até o céu. E se existir, ela pode ser tão diferente do que imaginamos que poderia se assemelhar mais a uma espiral ou a algo que aos nossos olhos pareceria um grande caos.

Portanto, a ideia de que estamos realmente “avançando” no entendimento da magia e do mundo ou “evoluindo”… será que faz sentido? A partir do Iluminismo muitos começaram a falar na ideia de progresso (criticada por Rousseau) e na supremacia da razão humana, no domínio sobre a matéria através da ciência. Até que estouraram as Grandes Guerras. Se estamos sempre progredindo, por que o sistema heliocêntrico de Aristarco de Samos foi retomado somente muitos séculos depois?

É bem aceito na biologia que o ser humano não é mais evoluído do que outros animais, mesmo possuindo a razão. Alguns animais voam, outros respiram embaixo d’água; existe a ideia de um ser mais adaptado ao ambiente em que vive e não um animal mais evoluído que todos, de forma absoluta. E se o ser humano não está mais evoluído que outro animal, por que um ser humano estaria mais evoluído que outro? Se isso faz sentido do ponto de vista biológico, faria ainda mais do ponto de vista espiritual, que seria mais subjetivo.

Para alguns a ideia de evolução espiritual pode soar simpática. Para outros, pode haver soluções melhores. Aconselho usar a visão que mais te agrada, que mais faz seu coração bater forte e seguir experimentando e compartilhando suas descobertas. Não somente por desejo de ser melhor ou de evoluir, mas pela alegria de se divertir com os amigos. No final, pode ser que todos esqueçam de tudo, seja ainda em vida ou na morte, mas ainda assim terá valido a pena.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hierarquia-dualismo-e-evolu%C3%A7%C3%A3o-espiritual