Referencias Hermeticas em Promethea – Parte 1

por Octavio Aragão

“Nomeio a palavra ‘memória’ e reconheço o que nomeio. Onde o reconheço senão na própria memória? Mas então está ela presente a si mesma, pela sua imagem, e não por si própria?“
Santo Agostinho, Confissões

Um golem para Mr. Moore
Há um bom motivo para que os cânticos religiosos e as rezas sejam entoadas em voz alta. Segundo a cabala [1], energias cósmicas entrariam em movimento assim que certos sons fossem proferidos por voz humana, transformando a realidade em massa moldável e nossa vontade em espátula capaz de formatar o continuum.

Alan Moore tomou uma decisão radical no momento em que completou 40 anos: optou por estudar esoterismo, mais especificamente a magia das palavras, em lugar de sofrer uma crise de meia-idade.Para quem acompanha o trabalho do roteirista de Northampton, tais influências ficam claras em algumas das HQs produzidas nos últimos 10 anos para o mercado norte-americano, mais especificamente a mini Judgement Day, de 1997, para a Awesome Entertainment, Glory, lançada incompleta pela Avatar Press em 2001, e Promethea, publicada pelo selo America’s Best Comics, da DC, onde o escritor aproveita o imaginário dos super-heróis para fundamentar uma série de conceitos que mergulham fundo em referências místicas, cruzando técnica narrativa e um certo didatismo cabalístico numa mistura nem sempre agradável ao grande público, acostumado ao imediatismo maniqueísta dos vilões monomaníacos e dos protagonistas bidimensionais.

Apesar de nutrir alguma simpatia sociológica pelos colantes coloridos e de já ter feito um bom dinheiro graças a eles, Moore mantém um saudável pé atrás quando se vê obrigado a atuar no mercado estadunidense. Não é de se estranhar, já que, aparentemente, o autor havia dado sua última palavra ao gênero com a muito falada série Watchmen, sem contar com as anteriores Miracleman, V For Vendetta e Captain Britain, mas pode-se dizer que Moore recebeu uma proposta faustiana, ao ser convidado pelo polêmico Rob Liefeld, – ilustrador americano de qualidades dúbias em termos de desenho e narrativa mas dono de disposição empreendedora digna de nota – para construir do zero todo um universo ficcional para o selo Extreme, da editora Image Comics.

A Extreme era um golem de papel [2] e a proposta, no mínimo, constrangedora. Apenas alguém sem auto-crítica poderia convidar um dos maiores roteiristas dos quadrinhos do mundo para assumir uma editora cheia de personagens derivativos como Supreme, claramente uma cópia do Superman, da DC Comics, e Badrock, um homem de pedra baseado no Coisa, da Marvel, onde Liefeld trabalhou durante muito tempo e tornou-se um jovem astro. Moore, porém, gosta de golens, principalmente quando permitem que ele escreva a palavra Emeth [3] na testa do monstro e sopre vida em suas narinas.

O deus da mentira e o livro de todas as histórias
Moore assumiu Supreme a partir do número 41 e transformou a série num sucesso de crítica, com indicações ao prêmio Eisner e comentários elogiosos de seus pares, como Neil Gaiman, se referindo às hqs de super-heróis:

“(…) existem as narrativas mais ou menos pulp que são feitas a toque de caixa por profissionais que estão dando o melhor de si, ou não. (…) Mas há preciosas exceções – Supreme, de Alan Moore, um exercício de reescritura dos 50 anos do Superman visando torná-lo em algo que valha a pena.”[4]

Com tanta repercussão positiva, Rob Liefeld ignorou as baixas vendas da série e oficializou o convite a Moore para que esse assumisse todos os títulos da editora, rebatizada como Awesome Entertainment, com uma minissérie de abertura. A idéia do desenhista era uma mega saga que reunisse todos os personagens da antiga Extreme, coalhada de mortes e cenas de impacto, sob o nome de Judgement Day. É sempre bom lembrar que na época a dupla formada por Mark Waid, texto, e Alex Ross, arte, havia acabado de anunciar outra série mais ou menos no mesmo formato para a DC batizada de Kingdom Come. Não é difícil imaginar de onde Liefeld tirou a idéia para seu gotterdamerung[5] particular… Moore, como era de se esperar, odiou e acrescentou que, se fosse obrigado a escrever uma cópia de Crise nas Infinitas Terras, romperia o contrato com a Awesome. Porém, se tivesse liberdade para desenvolver o conceito embutido no título Judgement Day, poderia pensar em alguma coisa. Liefeld, num rasgo de bom-senso, deu carta branca ao escritor e este desenvolveu um script retratando uma espécie de julgamento de O. J. Simpson versão super-herói.

O plot era o seguinte: no início dos tempos, o deus Hermes[6] concebeu um tomo que tornaria real tudo aquilo que se escrevesse em suas páginas. O livro indestrutível passou de mãos em mãos através dos séculos, sendo sempre manipulado por seus portadores- vilões ou heróis – que visavam lucro pessoal. Uma das características interessantes do volume era que a realidade poderia ser alterada retroativamente caso se arrancasse páginas ou se apagasse escritos anteriores e, usando esse truque como recurso narrativo, Moore emprestou uma profundidade insuspeita aos personagens bidimensionais de Liefeld, tornando-os maquiavélicos, conspiradores, egoistas e icônicos, sendo capazes de assassinar uns aos outros para deter a posse do livro. Além disso, criou toda uma mitologia para formatar o universo, povoando-o com bárbaros celtas, cavaleiros andantes, caubóis renegados, selvagens a la Tarzan e soldados da Segunda Guerra Mundial.

Mas o tempero principal de Judgement Day era a utilização de preceitos de Cabala inseridos na história. Ao apresentar Hermes, deus grego da comunicação, do verbo e, não coincidentemente, dos ladrões e das mentiras, como o principal narrador da saga, Moore abriu a caixa de Trismegisto[7] aos fãs de quadrinhos, fazendo uma ponte insuspeita entre magia e técnica literária. Hermes serve como contraponto e encarnação da própria história, a Cabala personificada, verbo feito personagem, com carne de papel e pele de nankim. É sempre bom lembrar que, em grego, hermes significa “intérprete” e daí deriva a ciência da hermenêutica, além da denominação do hermetismo, raiz de todo ocultismo.

O Hermes de Moore é sedutor, melífluo, enganador. Uma entidade feita de ouro e para quem as leis da física se dobram, podendo estar representado em movimentos variados dentro de um mesmo requadro. O deus se expressa em estrofes e, num tom apocalítico, dissemina os preceitos cabalísticos enquanto introduz a mini-série:

“Frantic we Thumb our Memories, Stage by Stage,
For some Clue Overlooked Upon the Way
Yet Read on, Line by Line, Page after Page,
To our Denouement; to our Judgement Day.

Spellbound, Forget Amidst the Laughs and Thrills
That Words may Change a World…

…and Language Kills.” [8]

Essa, porém, não será a última vez que Alan Moore utilizará Hermes como seu porta-voz. Ainda há muitas histórias a contar.

continua…

Notas
1. Cabala ou Qabalah é a tradição mística do Judaísmo emersa por volta do anoem Provence, França, que busca ordenar o universo por meio de múltiplas combinações de números e letras, como uma “receita” para a Criação. Graças ao Sepher Yetsirah, Livro da Criação, séculos II e IV, alcançou grande prestígio entre os estudiosos, postulando o princípio que a letra, emanação do poder divino, é também a assinatura das coisas e as combinações entre várias letras remeteriam à estrutura do cosmo.

2. “A palavra golem figura pela primeira vez no Livro dos Salmos, Salmo 139, versículo 16. Interpreta-se em geral esse salmo como sendo as palavras do homem que agradece a Deus por havê-lo criado e que rememora para si as diferentes fases de sua criação : ‘Meu golem, Teus olhos o viam’. O termo golem toma aqui simplesmente o significado de ’embrião’, que é o significado que tem em hebraico. Mas pode-se também conceber que é Adão quem fala(o que não tardou em ser feito pelos exegetas) e que ele revive os episódios correspondentes do Gênesis. Nesse caso, o golem recebe uma carga de determinações suplementares. Ele é uma massa de terra inerte do corpo de Adão antes de lhe ser insuflado o pneuma divino, a terra ainda não habitada pelo espírito e que aguarda ser vivificada pelo soprovital.” MATIERE, Catherine. Golem, in Dicionário de Mitos Literários; BRUNEL, Pierre (org). Rio de Janeiro, RJ: Livraria José Olympio Editora S.A., 1998 – 2ª edição, p. 407/408

3. “Jeremias e seu filho Ben Sira, com a ajuda do Livro da Criação, puseram no mundo um Golem e sobre sua fronte estava escrito: emeth, “verdade”, como o nome que Deus pronunciou diante da criatura para mostrar que sua criação estava consumada. Mas o Golem apagou a primeira letra (aleph), para mostrar que somente Deus é verdade, e morreu.”
——-op. cit., p. 408

4. GAIMAN, Neil. Introduction, in Kurt Busiek’s Astro City: Confession. USA: Image Comics, 1907. 1ª edição, p. 10/11.

5. Gotterdamerung, o Crepúsculo dos Deuses, é, entre outras coisas, a última parte da tetralogia wagneriana O Anel dos Nibelungos, e conta como os deuses nórdicos – Wotan, Freya, Brunhilde, Sigfried, Logé – encontram seu trágico fim, enredados numa trama de mentiras e traições.

6. “(…) não há necessidade de resumir aqui as histórias de que o Hermes grego, o Mercúrio latino, é o protagonista, o herói ou o figurante. Basta lembrarmos algumas passagens que põem em destaque certos traços constantes (…). Dois dentre eles ressaltam de um fato conjunto: por um lado, sua função de guia, ligada à sua mobilidade; por outro, seu domínio do discurso e da interpretação, garantia de um certo tipo de saber”.
FAIVRE, Antoine. Hermes, in Dicionário de Mitos Literários; BRUNEL, Pierre (org). Rio de Janeiro, RJ: Livraria José Olympio Editora S.A., 1998 – 2ª edição, p. 452

7. Hermes Trismegisto, que significa “três vezes grande”, teria sido o nome de um mortal, filho de Agatodêmon, descendente de Thot, a divindade egípcia do conhecimento. Veremos mais tarde que ambas divindades podem ser percebidas como duas vertentes do mesmo mito, mas outras genealogias são consideráveis. Santo Agostinho, por exemplo, afirma ser o Trismegisto o tataraneto de um contemporâneo de Moisés em A Cidade de Deus, e Brunetto Latini coloca-o lado a lado com Moisés, Sólon, Licurgo, Numa Pompílio e o rei grego Foromeu como um dos principais legisladores da antiguidade.

8. MOORE, Alan. Judgement Day Sourcebook. USA: Awesome Entertainment, 1997 – 1ª edição, p. 8

#HQ #Kabbalah

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Hermes na Alquimia

Referir-nos-emos agora a Hermes, deidade chave na tradição egípcia, grega e romana. Thot, o Hermes egípcio, que na Alexandria é conhecido como Hermes Trismegisto, ou seja, o possuidor das três quartas partes da sabedoria universal, é identificado igualmente com o Hermes grego e com o Mercúrio romano. Sempre se considerou este deus como uma imagem da transmissão, e a isso se deve que os atributos com os quais é identificado, capacetes e sandálias aladas, estejam relacionados com o vento. Uma de suas características é a rapidez de seu deslocamento, o que na Alquimia pode ser observado, de forma análoga, quanto ao metal do mesmo nome, que conhecemos como Mercúrio em sua versão latina.

Bem se diz que Hermes é eterno, seja este ou aquele o nome que lhe dispensaram os distintos povos. Unanimemente é transmissor de ensinos e segredos, chame-se Thot, Enoch, Elias ou Mercúrio, como já dissemos. Sua revelação pelo batismo da inteligência se produz naqueles que encararam sem preconceitos nem muletas o Conhecimento e se filiam intelectualmente a seu patrocínio; sua invocação, a concentração e a aplicação dos distintos métodos de sua ciência estabelecem uma comunicação direta com esta altíssima entidade, que se manifesta internamente em qualquer grau nas individualidades dispostas a isso. Como se sabe, esta deidade se manifestou –e o segue fazendo– na história do Ocidente por meio da Tradição Hermética e das disciplinas que a conformam.

Espírito protetor dos viajantes, dos comerciantes e peregrinos, sua influência se faz sentir como a própria energia que nos transmite as mensagens mais rápidas e ligeiras no caminho iniciático. Seu poder é tal que sem ele nada seria, já que, como iniciador nos mistérios da vida e do Cosmo, suas vibrações protetoras –e também dissolventes– atuam como um catalisador dos efeitos da viagem do Conhecimento. Mercúrio é sutil e ligeiro, mas ao mesmo tempo leva em sua mão a vara do caduceu, símbolo do eixo e das duas correntes que se enroscam simultaneamente nele. Sua missão é específica e nos aguarda em todas as encruzilhadas de nossos caminhos. Seu pensamento é sábio e revelador, como bem o atesta o Corpus Hermeticum, um dos documentos mais excelsos da Antigüidade, emanado da Alexandria nos primeiros tempos do cristianismo, e do qual queremos extrair este texto:

“Já que o Demiurgo criou o mundo inteiro, não com as mãos, senão pela palavra, concebe-lhe, pois, como sempre presente e existente, e tendo feito tudo e sendo Um Só, e como tendo formado, por sua própria vontade, os seres, porque, verdadeiramente, é este seu corpo, que não se pode tocar, nem ver, nem medir, que não possui dimensão alguma, que não se parece a nenhum outro corpo. Já que não é nem fogo, nem água, nem ar, nem alento, mas todas as coisas provêm dele. Agora bem, como é bom, não quis dedicar-se esta oferenda só a si mesmo nem enfeitar a terra só para ele, senão que enviou aqui para baixo, como ornamento deste corpo divino, o homem, vivente mortal, ornamento do vivente imortal.”

#hermetismo

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Macrocosmos e Microcosmos

Divisão dos 4 planos da Árvore de Vida em correspondência com outras linguagens simbólicas presentes em textos sagrados hebreus:

Os termos hebreus Arik Anpin e Zeir Anpin –Macroprosopos e Microprosopos–, em grego querem dizer, respectivamente, “Face Maior” e “Face Menor”. Estes se encontram separados por um fosso imenso chamado o Abismo (Tehom). Entre eles se costuma situar a sefirah “invisível”, ou não-sefirah, Daath, Conhecimento. Efetivamente, na Árvore da Vida, Daath está no pilar do meio, justo entre Hokhmah (Sabedoria) e Binah (Inteligência), pois se diz que ela surge da união ou combinação destas duas sefiroth, constituindo o próprio conhecimento que a Unidade (Kether) tem de si mesma, o qual se transmite às restantes sete sefiroth (o Microprosopos) através dos canais ou caminhos que as comunicam entre si, dando lugar à criação propriamente dita.

#hermetismo

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A Bíblia Proíbe A Magia?

Por Aaron Leitch

A Tradição de Mistério Ocidental está bastante impregnada de literatura e imagens bíblicas. Gnosticismo , Hermetismo, Rosacrucianismo , Maçonaria , Aurora Dourada e Thelema têm laços extremamente estreitos com a tradição espiritual cristã. (Isso não deve ser confundido com a cooptação política do cristianismo a partir do segundo século EC.) Sem mencionar meus amados grimórios salomônicos , que certamente são uma expressão do misticismo cristão medieval. Mesmo as formas indígenas de feitiçaria e magia popular em todo o mundo agora carregam a marca da influência cristã (embora estes sejam casos em que o cristianismo foi meramente adotado em uma visão de mundo existente, em vez de sobrepujá-la e substituí-la). Podemos ver isso especialmente em lugares como África e América do Sul, onde as formas católicas de feitiçaria são bastante comuns.

A questão da magia entre essas tradições surge de vez em quando. Normalmente, é solicitado por recém-chegados que sentem um chamado para praticar as artes da magia, mas foram criados com a crença de que é diretamente proscrito por sua religião. Seu medo é muito real – eles se preocupam se mergulhar nas artes resultará na perda de sua alma imortal. Lembro-me de me preocupar com isso, de vez em quando, há muito tempo. Não importa o que eu pensasse intelectualmente, ainda havia uma criança dentro de mim perguntando: “Mas e se estivermos errados? E se tudo o que me ensinaram for verdade e eu tiver que explicar a Deus algum dia por que me tornei uma bruxa antes que Ele me envie para sofrer no inferno?” Afinal, eu só poderia ser uma bruxa por algumas décadas na melhor das hipóteses, mas eu poderia queimar no inferno por toda a eternidade!

Sim, superei isso – e sim , o aprendizado intelectual ajudou muito. (Quando você conhece a história de como o cristianismo realmente obteve suas ideias estranhas, é mais fácil colocá-las em perspectiva.) No entanto, essa não é uma questão que afeta apenas novatos inseguros que ainda precisam abalar a programação de sua criação. Na verdade, há um componente literário nesse problema que é um pouco mais difícil de ignorar. Você vê, aquela Bíblia que muitos de nós gostamos de usar como um livro mágico por si só (e, nunca duvide por um segundo que ele *é* um livro mágico) na verdade nos diz que a magia é má e nunca deve ser praticada . Como vocês provavelmente são predominantemente pagãos , você provavelmente já teve algumas dessas passagens citadas antes:

Levítico 19:31 : Não se volte para médiuns ou necromantes ; não os procureis, para vos tornardes impuros por eles: eu sou o Senhor vosso Deus.

Êxodo 22:18 : Não permitirás que uma feiticeira viva.

Deuteronômio 18:9-12: Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a seguir as práticas abomináveis daquelas nações. Não se achará entre ti quem queime seu filho ou sua filha em oferenda, quem pratique adivinhação , ou adivinhe, ou interprete augúrios, nem feiticeiro, nem encantador, nem médium, nem necromante, nem quem consulte os mortos, pois quem faz essas coisas é abominação ao Senhor. E por causa dessas abominações o Senhor teu Deus os expulsa de diante de ti.

Levítico 20:27 : Um homem ou uma mulher que for médium ou necromante certamente será morto. Eles serão apedrejados com pedras ; o seu sangue cairá sobre eles.

Levítico 20:6: Se uma pessoa se volta para médiuns e necromantes, prostituindo-se após eles, eu me voltarei contra essa pessoa e a eliminarei do meio de seu povo.

Miqueias 5:12 : E cortarei as feitiçarias da tua mão, e não terás mais adivinhos;

2 Reis 17:17: E queimaram seus filhos e suas filhas como oferendas e usaram adivinhações e augúrios e se venderam para fazer o mal aos olhos do Senhor, provocando-o à ira.

Levítico 19:26 : Você não deve interpretar presságios ou contar fortunas.

Apocalipse 21:8: Mas quanto aos covardes, aos infiéis, aos detestáveis, aos homicidas, aos imorais, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua porção será no lago que arde com fogo e enxofre, que é o segunda morte.

Parece que a Bíblia é extremamente clara neste ponto, e acredite em mim, o que foi dito acima é apenas um arranhão na superfície das advertências bíblicas contra bruxaria, feitiçaria, adivinhação, etc. Talvez aqueles de nós com mais experiência tenham deixado de temer ser lançado no “lago que arde com fogo e enxofre” pela ofensa de fazer um talismã e manter uma conversa com um espírito desencarnado. No entanto, ainda nos deixa com um grande problema: usamos um livro que claramente proíbe o uso de magia para fins mágicos. Elevamos o livro a uma posição de autoridade oculta – baseando-nos em suas passagens (como os Salmos) em nosso próprio trabalho. Não estou sugerindo que os ocultistas que se baseiam na Bíblia sejam “batedores da Bíblia” que tomam o livro como fato absoluto, mas aceitamos sua autoridade mitológica dentro de nossas tradições.

Por exemplo: a Bíblia mostra dois anjos sentados com Abraão para partir o pão . Por causa dessas passagens, sabemos que os anjos aceitarão pão como oferendas. Nós a aceitamos como uma verdade espiritual porque está no Livro. Da mesma forma, ao invocar anjos para nos ajudar em nossas vidas diárias, muitas vezes fazemos referência a atos que eles realizaram na Bíblia (ou nos apócrifos) – como se esses eventos realmente tivessem acontecido e, portanto, esperamos que os anjos façam o mesmo por nós.

Portanto, podemos simplesmente ignorar o fato de que o mesmo livro enfatiza, repetidamente, que a magia é uma abominação à mesma Divindade que invocamos nos Salmos? Não é muito provável que a Divindade se ofenda por estarmos chamando-a para algo em que ela declarou claramente que não quer fazer parte?

Para responder a essa pergunta, vamos dar outra olhada na própria Bíblia. Certamente não podemos descartar o fato de que os escribas e profetas que escreveram a literatura bíblica estavam profundamente preocupados com as pessoas usando magia, e estavam fazendo tudo ao seu alcance para afastar as pessoas da prática. No entanto, quando os profetas não estavam escrevendo sobre quão maus eram seus vizinhos pagãos, o que exatamente eles estavam fazendo?

Êxodo 7 :10-12: E Moisés e Arão foram ter com Faraó, e fizeram como o Senhor ordenara; e Arão lançou a sua vara diante de Faraó, e diante de seus servos, e ela se tornou uma serpente. Então Faraó também chamou os sábios e os feiticeiros: agora os magos do Egito, eles também fizeram o mesmo com seus encantamentos. Porque lançaram cada um a sua vara , e tornaram-se serpentes; mas a vara de Arão tragou as suas varas.

Êxodo 7:20 : E Moisés e Arão fizeram assim, como o Senhor ordenara; e levantou a vara, e feriu as águas que estavam no rio, diante de Faraó, e diante de seus servos; e todas as águas que estavam no rio se tornaram em sangue.

Êxodo 8:6: E Arão estendeu a mão sobre as águas do Egito; e as rãs subiram e cobriram a terra do Egito.

Êxodo 8:17 : E assim fizeram; porque Arão estendeu a mão com a sua vara e feriu o pó da terra, e ele se tornou em piolhos nos homens e nos animais; todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egito.

Êxodo 9:10 : E eles tomaram as cinzas da fornalha e se apresentaram diante de Faraó; e Moisés aspergiu para o céu; e tornou-se um furúnculo que irrompeu em feridas nos homens e nos animais.

Êxodo 9:23 : E Moisés estendeu a sua vara para o céu; e o Senhor enviou trovões e saraiva, e o fogo correu sobre a terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egito.

Êxodo 10:13 : E estendeu Moisés a sua vara sobre a terra do Egito, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquele dia e toda aquela noite; e quando amanheceu, o vento leste trouxe os gafanhotos.

Êxodo 10:22 : E Moisés estendeu a mão para o céu; e houve uma espessa escuridão em toda a terra do Egito por três dias.

Êxodo 14:21 : E Moisés estendeu a mão sobre o mar; e o Senhor fez recuar o mar com um forte vento oriental durante toda aquela noite, e fez do mar uma terra seca, e as águas foram divididas.

Êxodo 17:5-6 ″ E o Senhor disse a Moisés: Vai adiante do povo, e leva contigo … a tua vara com que feriste o rio, toma na tua mão e vai. Eis que estarei diante de ti ali sobre a rocha em Horebe; e ferirás a rocha, e dela sairá água, para que o povo beba. E Moisés o fez aos olhos dos anciãos de Israel.

Êxodo 17:9-11: E Moisés disse a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, peleja com Amaleque; amanhã estarei no cume do monte com a vara de Deus na mão. Então Josué fez como Moisés lhe dissera , e pelejou com Amaleque; e Moisés, Arão e Hur subiram ao cume do monte. E aconteceu que, levantando Moisés a mão, prevalecia Israel; e , baixando a mão, prevalecia Amaleque.

Números 17:6-8: E falou Moisés aos filhos de Israel, e cada um dos seus príncipes lhe deu uma vara cada um, para cada príncipe, segundo as casas de seus pais, doze varas; e a vara de Arão foi entre suas varas. E Moisés pôs as varas diante do Senhor no tabernáculo do testemunho. E aconteceu que no dia seguinte Moisés entrou no tabernáculo do testemunho; e eis que a vara de Arão para a casa de Levi brotou, e deu brotos, e desabrochou flores, e deu amêndoas.

Números 21:9: E Moisés fez uma serpente de bronze, e colocou-a sobre um poste, e aconteceu que, se uma serpente mordesse alguém, quando ele via a serpente de bronze, vivia.

Josué 6:20 : Então o povo gritou quando os sacerdotes tocaram as trombetas; e aconteceu que, quando o povo ouviu o som da trombeta, e o povo gritou com grande brado, que o muro caiu ao chão, de modo que que o povo subiu à cidade, todo homem diante dele, e eles tomaram a cidade.

1 Reis 17:21-22: E [Elias] estendeu-se três vezes sobre o menino, e clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, peço-te, deixa a alma deste menino tornar a entrar nele. E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e ele reviveu.

2 Reis 6:5-6: Mas, quando alguém estava derrubando uma viga, a cabeça do machado caiu na água; e ele clamou e disse: Ai, mestre! pois foi emprestado. E o homem de Deus disse : Onde caiu? E ele mostrou-lhe o lugar. E ele cortou uma vara, e a lançou ali; e o ferro nadou.

Juízes 6: 36-38 : E disse Gideão a Deus: Se por minha mão salvares a Israel, como disseste: Eis que porei na eira um velo de lã; e se o orvalho estiver somente sobre o velo, e estiver seco sobre toda a terra, então saberei que salvarás a Israel pela minha mão, como disseste. E foi assim: porque ele se levantou de manhã cedo, e juntou o velo, e torceu o orvalho do velo, uma tigela cheia de água.

Então, o que vemos nessas passagens? Ora, vemos os profetas usando magia — muito . Eles comandam os elementos da natureza; quebrar as leis da física; e realizar curas, adivinhações e muito mais. Se eu disse que a lista anterior de proscrições bíblicas contra a magia estava “apenas arranhando a superfície”, então a lista acima de milagres bíblicos é a ponta de um enorme iceberg de exemplos de magia bíblica. E essa lista cobre apenas uma parte do Antigo Testamento , então eu nem toquei nos assuntos de Jesus, os Apócrifos, nem os volumes e mais volumes de lendas bíblicas (hebraico: midrashim ) em que todo patriarca bíblico é retratado engajado nisso. tipo de magia profética. (Veja , por exemplo, Legends of the Bible de Louis Ginzberg.)

O que podemos colher de tudo isso não é realmente surpreendente. Ao longo da história, os tipos políticos foram fanaticamente e orgulhosamente hipócritas. Assim como vemos hoje: quando alguém quer que um direito ou liberdade seja retirado, ele só quer que ele seja retirado de você , não de si mesmo. Ativistas anti-aborto raramente veem qualquer problema em conseguir um para um jovem membro da família que cometeu um erro. Ativistas anti-gays estão – quase universalmente – praticando homossexuais em particular. Aqueles que gritam que o bem-estar está destruindo nosso país são os primeiros a se inscrever para assistência pública quando precisam – enquanto ainda proclamam que é errado alguém aceitá-la. Não é certo para você , mas tire minhas liberdades pessoais!

Os profetas que escreveram a Bíblia não foram diferentes. Eles eram tipos políticos, e seus escritos eram politicamente motivados. Na época, realmente não havia separação entre “Igreja e Estado” – e os escritos que vemos na Bíblia eram mais sobre poder político do que sobre espiritualidade. Grande parte de seu poder político residia em sua capacidade de desempenhar o papel de xamã para o rei e seu povo.

E eles não gostavam de competição.

Portanto, muito espaço na Bíblia é desperdiçado em discursos contra os males da feitiçaria, necromancia e adivinhação – mesmo que os mesmos autores estivessem realizando tudo isso eles mesmos. Estava tudo bem para eles fazerem isso, entende, mas não estava tudo bem para você – pelo menos a menos que você se juntasse ao grupo deles e recebesse seu selo de aprovação política. Então sua magia se tornou “milagre” – o que todos nós sabemos que é totalmente diferente de feitiçaria.

Certo?

***

Fonte: Does the Bible Outlaw Magick?

COPYRIGHT (2015) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-biblia-proibe-a-magia/

As Palavras, Símbolos e o Poder

Muitos anos atrás quando ainda podíamos sair de nossas casas, fui com a Pri Martinelli assistir à peça “Troilo e Créssida” no teatro SESI, pois um grande amigo nosso, Eduardo Semerjian, está fazendo o papel de Ulisses, um dos generais gregos no texto. A peça, escrita por William Shakespeare em 1602, é uma de suas peças menos conhecidas no grande público mas, por lidar diretamente com a Guerra de Tróia e conter diversas referências herméticas, é uma das favoritas dos apreciadores de História da Arte.
No caminho, estava aguardando a Priscilla recarregar o cartão dela e, quando retornou, explicou que havia demorado pois a moça à sua frente na fila era analfabeta e não conseguia de jeito nenhum fazer a recarga na máquina sozinha e tiveram de ajudá-la na tarefa.

“Analfabetismo” talvez seja uma das coisas que, como escritor, creio ser das mais cruéis possíveis quando se diz respeito à alma humana e a Pri me pediu para escrever alguma coisa sobre isso… analfabetismo não apenas no sentido mais tradicional, mas também voltado ao espiritual. É uma verdadeira prisão em todos os sentidos possíveis e imaginários, que limita e encolhe o ser humano à condição quase de um animal. E é algo muito difícil de se compreender, pois se você está lendo este texto, significa que nunca conseguirá imaginar o que é não ter a capacidade de interpretar os símbolos ao seu redor, pois é impossível fingir ser analfabeto mesmo que para um teste de se colocar no lugar do outro.

Esta prisão é estudada na Kabbalah dentro das Qlipoth. Thantifaxath é o nome pela qual conhecemos o 32o túnel de Set, a Sombra de TAV. Enquanto TAV representa os portais do Templo do conhecimento que nos permitem adentrar a Árvore da Vida, Thantifaxath são as portas fechadas aos que querem aprender. Neste texto não falarei sobre responsabilidades governamentais, políticas nem nada assim, EMBORA como os túneis estão conectados, Thagirion, a Corrupção (a Sombra de Tiferet) demanda que os servos estejam aprisionados e Thantifaxath cumpre este papel de carcereiro, da mesma maneira que um povo ignorante e analfabeto político serve aos interesses dos ditadores e populistas de plantão…

Magia e Imagem

Não é à toa que a palavra MAGIA está ligada diretamente à palavra IMAGEM, e GRIMÓRIO vem do francês Grimoire, que relata à Gramática. “spell” em inglês tem a mesma relação com soletrar uma palavra e conjurar um feitiço ou sortilégio. Os primeiros magos da humanidade foram as primeiras pessoas que aprenderam a ler e escrever. Com estes hieróglifos, eles eram capazes de passar o conhecimento para um papiro ou parede no templo e outros com o mesmo conhecimento eram capazes de resgatar estes ensinamentos mesmo longe da presença dos Mestres. O “Conhecimento invisível” (e daí o termo “Colégio Invisível” usado na Rosacruz) vem da capacidade de aprender algo novo simplesmente olhando para um desenho na parede (ou, no seu caso, olhando símbolos na tela de um computador)! o quão mágico pode ser isso? E ai o Elemento AR estar ligado diretamente ao Conhecimento, aos Símbolos e às letras. E, em última instância, ao AUTO-CONHECIMENTO.

Pois é… você não tem como saber. Você não possui as CHAVES. Porém, você sabe ler em Português, e consegue ler o que EU escrevo. Se eu soubesse ler Akkadio, eu poderia traduzir os textos para você entender… e se eu não soubesse, eu poderia inventar e você não teria como saber se eu estou dizendo a verdade. O que, nas duas alternativas, coloca você, analfabeto acadiano, nas mãos da pessoa que DIZ que sabe interpretar os textos… o princípio vale para os textos acadianos e também para a BÍBLIA… ou você também fala aramaico, grego ou latim?

Em 1998, no interior da Grécia, tive por algumas horas a sensação de não conseguir interpretar as palavras e letras que estão dispostas nos letreiros de ônibus, lojas, restaurantes, mercados e jornais… um mundo alienígena onde só conseguia compreender as fotos, logomarcas e imagens nas embalagens do produto, onde mal se conseguiria diferenciar um shampoo de uma embalagem de ketchup. As notícias de todos os jornais pareciam todas iguais! Letras incompreensíveis e algumas fotos de pessoas de terno apertando as mãos em alguma reunião. O que estariam discutindo?Apenas quando perdemos algo que nos é tido como garantido que percebemos como nos faz falta!

Todos nós somos ignorantes em algum aspecto. Não há vergonha alguma em admitir isso. O problema começa quando algumas pessoas DIZEM ter todas as chaves e respostas que, de fato, não possuem. E isso vale para um jornal em grego ou para a BÍBLIA. E pior ainda, para as interpretações do que é “certo” e do que é “errado” de acordo com qualquer texto “sagrado”. Fica mais simples de entender porque justamente o túnel de Thantifaxath controla as chaves para os portões do Templo, certo? Sem o triângulo TAV-SHIN-RESH, não temos competência para interpretar os símbolos que são apresentados diante dos nossos olhos e nos tornamos vulneráveis às mentiras e informações falsas (SAMAEL, a Qlipoth de HOD, trata justamente da Mentira e é a emanação do túnel de Shalicu, o Preconceito).

Samael também cuida da MÍDIA como grande manipuladora da informação. Um povo analfabeto acredita em qualquer coisa que a mídia disser. Não é à toa que todas as Igrejas compram emissoras de rádio, jornais e televisões e que por trás de todo grande partido político corrupto está uma ligação com emissoras de televisão, jornais e rádios (e agora blogs e “jornalistas” de internet?).

Como escapar de Thantifaxath?
Não há uma maneira fácil, a evolução demanda sacrifício. A Espada Excalibur está permanentemente enterrada na pedra bruta, aguardando todo aquele que será o Rei de seu Reino retirá-la da pedra. Se a Espada e o elemento Ar representam o Conhecimento e a Pedra Bruta o Mundo Profano, o que deve fazer um Mago, ou Rei? Estudar sempre. Aprender, questionar, procurar obter as chaves do conhecimento em todos os sentidos. Alfabetizar-se em todos os sentidos (não apenas saber juntar as letras e formar palavras, isso minha filha de sete anos consegue fazer…). O grande problema de Thantifaxath é quando as pessoas ACHAM que são alfabetizadas, mas são o que chamamos de “Analfabetos funcionais”, o segundo degrau da escada, ainda mais perigoso que o primeiro, como demonstrei acima. Em 2001 quando fazia especialização em Semiótica, um professor disse que “A população brasileira não tem capacidade nem para discernir entre um merchandising e um conselho… Quando o povão vê uma apresentadora de TV dizer que usa um shampoo X no cabelo, eles não acreditam que aquilo seja uma propaganda; 78% das pessoas acreditam que a apresentadora está REALMENTE recomendando e usa aquele produto”. Bem, isso explica muita coisa em relação à nossa TV aberta e os programas de auditório, certo?

Alfabetizar-se no Elemento AR significa ter a capacidade crítica e racional de questionar o mundo ao seu redor e conseguir separar o joio do trigo. No Brasil, apenas 8% das pessoas podem ser consideradas realmente alfabetizadas, de acordo com as pesquisas mais recentes, o que significa que a situação ficou PIOR nestes últimos 15 anos.

Hermetismo e Metalinguagem
O Hermetismo no Renascimento assume o papel de uma Metalinguagem capaz de implementar mais força e impacto na apreciação de qualquer obra de Arte. Um artista talentoso consegue fazer um retrato ou um desenho, mas somente um Mestre é capaz de colocar os símbolos certos nos locais certos e invocar em nosso subconsciente as sensações que tornarão aquela obra de arte inesquecível. Da mesma maneira, qualquer um consegue escrever um texto, uma peça de teatro ou uma história em quadrinhos, mas somente os verdadeiros Mestres conseguirão mexer com o público em sua forma mais íntima e impactante, como camadas (ver o texto anterior sobre O Hermetismo ser como Camadas de uma Cebola). É a diferença entre aquela HQ mensal meia-boca que será esquecida daqui alguns meses e um Sandman, Promethea, Invisibles, Liga Extraordinária ou Watchmen que serão clássicos para sempre.

Cada camada desta cebola exige um vocabulário específico, uma maneira de conversar com o público e uma linguagem que atinja o público que você deseja. E os Símbolos conversam com todas as pessoas ao mesmo tempo. É possível escrever um texto em camadas, desde que você tenha o fio de Ariadne para conduzir a narrativa (se duvida, releia os primeiros textos do TdC após alguns anos e veja se continuam iguais aos que você lembra de ter lido…). Desta maneira, seu texto conversará com todo mundo, não importa o grau de conhecimento que a pessoa possua. E quanto mais culta a pessoa for e mais chaves ela tiver, mais ela gostará do seu texto, pois será capaz de se aprofundar cada vez mais no labirinto.

Troilo e Créssida
Para finalizar, queria dar os parabéns a toda a equipe da peça, tanto o diretor Jô Soares em suas escolhas de adaptar o roteiro junto com Maurício Guilherme para uma versão mais popular e simplificada, sem perder o simbolismo da história. A escolha de redefinir os figurinos dos Gregos e Troianos com base na dicotomia do Xadrez, para facilitar a compreensão do público em relação a qual lado da disputa cada personagem estava, entre outros detalhes muito bem acabados. O balanço entre a comédia e a tragédia ficou bem marcado (embora a peça tenha pendido muito mais para o lado da comédia nesta versão… uma “comédia sinistra, como diz o cartaz) e as caracterizações dos atores estão sensacionais (eu não assisto TV aberta, mas alguns dos atores da peça são conhecidos por seus trejeitos em programas como Zorra Total e outros e os aspectos mais caricatos foram bem explorados para conseguir a empatia do público junto a personagens complicados como Aquiles, Pátroclo, Menelau, Ajax, Pândoro e o estrupício Térsito.

Os gregos

Shakespeare conseguia conversar com todos os tipos de público em sua linguagem simples e suas obras podem ser adaptadas para praticamente qualquer contexto, por serem profundamente hermetistas e dançarem na Árvore da Vida. Suas obras podem ser apreciadas tanto pelas camadas mais populares quanto pelos mais eruditos e cultos. E quanto mais chaves você tiver, mais gostará desta peça.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-palavras-s%C3%ADmbolos-e-o-poder

Esoterismo da Ordem DeMolay

Há o Ocultismo na Ordem DeMolay, em seus paramentos, suas falas, sua história, seus movimentos, na Sala Capitular, seu Brasão, em tudo que consiste o Ritual.

Hoje fazem 699 anos que Jacques DeMolay foi queimado em Paris, assim como hoje a Ordem DeMolay completa 94 anos de existência, e os assassinos de DeMolay, a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania, continuam atuando em nossos meios.

Cada DeMolay e Maçom que se interesse pelo oculto deve dedicar seu tempo ao despertar espiritual, assim quando alcançarmos o ocaso de nossas vidas, olharemos para trás e contemplaremos um trabalho bem feito. Através do esoterismo vamos incentivar esse despertar. Temos todas as chaves necessárias dentro da Ordem DeMolay.

ESOTERISMO DEMOLAY

Não podemos fundamentar nenhum conhecimento esotérico dentro da Ordem DeMolay sem antes entender esse axioma.

Os Rituais baseiam seus ensinamentos na jornada do Sol no Céu e comparam com a jornada do homem na Terra. Essa analogia entre Sol e Homem é fundamentada através desse axioma hermético, sendo o Sol o que está em cima, o homem o que está em baixo. Esse ensinamento reflete a mais antiga sabedoria que se repete em todas as religiões e filosofias do planeta: o estudo do Homem como meio de conhecer os segredos do Universo. É o primeiro passo a se dar no Esoterismo dentro da Ordem DeMolay.

Para o Hermetismo, Deus é todo o Universo em manifestação, e cada átomo, cada célula, cada ser humano é  uma pequena manifestação desse Universo (ou Microcosmo, “o que está em baixo”) criados sob as mesmas Leis. Dessa maneira Deus, que é o Todo Universal (ou Macrocosmo, “o que está no alto”) e o Homem são semelhantes em suas maneiras de existirem. Encontramos o mesmo axioma em Gênesis 1:26: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Nossos Rituais deixam bem claro esse ensinamento quando compara nossas vidas e a trajetória do Sol.

Dessa maneira o homem é o próprio Templo que contêm os segredos de Deus e do Universo, e desse princípio é que a arquitetura da Sala Capitular representa a trajetória do Sol no céu, e representa o corpo humano ao mesmo tempo. Muito bem coloca Franz Bardon: “O homem é a imagem verdadeira de Deus, portanto ele foi criado segundo o retrato do Universo. Tudo o que se encontra no Universo numa escala maior, reflete-se no homem numa escala menor. É por isso que o homem é definido como um microcosmo, em contraposição ao Universo como macrocosmo.”

O principal objeto de estudo dentro do esoterismo DeMolay é o próprio homem. Por esse caminho chegamos ao estudo da Astrologia, da Cabala, dos Princípios Herméticos, Psicologia, da Jornada do Herói, entre outros, sempre dentro do Ritual.

O Ritual dos Trabalhos Secretos foi desenvolvido através de um padrão lógico e místico ao mesmo tempo. Lógico porque existe um fundamento em todo o Ritual, não sendo este arbitrário. Místico pois seu efeito é espiritual. Por exemplo, os estágios da vida são lembrados a nós em toda reunião, tudo que nasce um dia morre. Aqueles que se apegam a matéria sofrerão, pois com o tempo verão que tudo é passageiro, já aqueles que se dedicam ao espirito terão uma passagem mais tranquila ao chegar no ocaso de suas vidas. É a lógica e o misticismo em atuação nas Cerimônias.

Os DeMolays tem material de sobra para se aprofundarem nessa incrível jornada mística que só tem a acrescentar em seus trabalhos Capitulares e em suas vidas diárias. Esses caminhos são de vital avanço para aqueles que querem descobrir os mistérios da existência que podemos encontrar dentro da Ordem. Preconceitos de Esoterismo dentro da Ordem DeMolay são assuntos ilógicos.

Esoterismo, Ocultismo e Hermetismo são sim parte da Ordem DeMolay. Não vamos perder tempo comprovando ou discutindo isso com alguém que queira impedir nosso caminho, dedicaremos nosso tempo a apresentar material para estudo dentro dessa Sublime Ordem que foi materializada por grandes homens e por uma egrégora já existente a tempo indeterminado.

Não ousaremos nem queremos ser pretensiosos, os estudos que serão apresentados não serão nada mais que um ponto de apoio aos irmãos que querem conhecer e trilhar esse caminho. Nosso objetivo é abrir uma janela que não poderá ser fechada, pois “Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento” e “Quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, então vêm os lábios para enchê-los com sabedoria”.

Acreditamos em Frank Sherman Land que disse: “É o princípio que importa”, e acreditamos na importância do Esoterismo. Quanto mais cedo essa janela for aberta, mais completo será o combate contra aquilo que avilta e depõe contra a juventude.

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O Verdadeiro Eu, por Alan Moore

Se no budismo não existe um “Eu”, ainda assim é importante desenvolver sua pessoa (seu aglomerado que se identifica com um “Eu”) para transcender os limites impostos pela ilusão. No ocidente, onde acreditamos numa alma imortal, enfrentamos um desafio semelhante; No caso, o corpo e as formas materiais nos embotam a consciência (bloqueando as “portas da percepção”) e nos “afastam” do contato com nosso verdadeiro “Eu”, a alma. Mas engana-se se pensam que a alma é sempre um gasparzinho com sua imagem e semelhança, dentro de seu corpo de carne. Por isso vamos dar a palavra ao Alan Moore, no documentário The Mindscape of Alan Moore:

“Quando cumprimos a vontade de nosso verdadeiro Eu, nós estamos inevitavelmente cumprindo com a vontade do universo. Na magia ambas as coisas são indistinguíveis. Cada alma humana não é, de fato, UMA alma humana: é a alma do universo inteiro. E, enquanto você cumprir a vontade do universo, é impossível fazer qualquer coisa errada.

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com “E” maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é particularmente a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura. Creio que é por isso que as pessoas mergulham no álcool, nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, e pode ser vista como uma tentativa deliberada de destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de aceitar e possuir um Eu superior, e então ter que mantê-lo.

Tenho estudado a escola da história do pensamento mágico e o ponto em que começou a dar errado. No meu entender, o ponto em que começa a dar errado é com o monoteísmo. Quero dizer, se olhar a história da magia, verá suas origens nas cavernas, verá suas origens no xamanismo, no animismo, na crença de que tudo o que te rodeia, cada árvore, cada rocha, cada animal foi habitado por algum tipo de essência, um tipo de espírito com o qual talvez possamos nos comunicar. E ao centro você tinha um xamã, um visionário, que seria o responsável por canalizar as idéias úteis para a sobrevivência. No momento em que você chega às civilizações clássicas, verá que tudo isto foi formalizado até certo grau. O xamã atuava puramente como um intermediário entre os espíritos e as pessoas. Sua posição na aldeia ou comunidade, imagino, era a de um “encanador espiritual”. Cada pessoa no grupo devia ter seu papel: A melhor pessoa durante uma caçada tornava-se o caçador, a pessoa que era melhor pra falar com os espíritos, talvez porque ele ou ela estivesse um pouco louco, um pouco separado do nosso mundo material normal, eles tornavam-se os xamãs. Eles não seriam mestres de uma arte secreta, mas sim os que simplesmente espalhariam sua informação pela comunidade, porque se acreditava que isto era últil para todo o grupo. Quando vemos o surgimento das culturas clássicas, tudo isso se formalizou para que houvesse panteões de deuses, e cada um destes deuses tinha uma casta de sacerdotes, que até certo ponto atuariam como intermediários, que te instruiriam na adoração a estes deuses. Então, a relação entre os homens e seus deuses, que pode ser vista como a relação entre os humanos e seus “Eus” superiores, não era todavia de um modo direto.

Quando chega o cristianismo, quando chega o monoteísmo, de repente tem uma casta sacerdotal movendo-se entre o adorador e o objeto de adoração. Tem uma casta sacerdotal convertendo-se em uma espécie de gerência intermediária entre a humanidade e a divindade que está se buscando. Já não se tem mais uma relação direta com os deuses. Os sacerdotes não têm necessariamente uma relação com Deus. Eles só têm um livro que fala sobre gente que viveu há muito tempo atrás que teve relação direta com a divindade. E assim está bom: Não é preciso ter visões milagrosas, não é preciso ter deuses falando contigo. Na verdade, se você tem algo disto, provavelmente está louco. No mundo moderno, essas coisas não acontecem; as únicas pessoas as quais se permite falar com os deuses, e de um modo unilateral, são os sacerdotes. E o monoteísmo é, pra mim, uma grande simplificação. Eu quero dizer, a Cabala tem uma grande variedade de deuses, mas acima da escala, da Árvore da Vida, há uma esfera que é o Deus Absoluto, a Mônada. Algo que é indivisível, você sabe. E todos os outros deuses, e, de fato, tudo mais no universo é um tipo de emanação daquele Deus. E isto está bem. Mas, quando você sugere que lá está somente esse único Deus, a uma altura inalcançável acima da humanidade, e que não há nada no meio, você está limitando e simplificando o assunto.

Eu tendo a pensar o paganismo como um tipo de alfabeto, de linguagem. É como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certa sutileza de idéias, enquanto o monoteísmo é só uma vogal, onde tudo está reduzido a uma simples nota, que quem a emite nem sequer a entende”.

#hermetismo #Kabbalah

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Pitágoras

Na Antigüidade existia uma lenda segundo a qual Pitágoras foi engendrado no seio materno graças a uma intervenção direta do deus Apolo, também pai das Musas e herdeiro da lira de Hermes. Destacava-se assim a origem celeste e divina de sua doutrina, máxime tendo em conta que Apolo (númen da Luz inteligível, da Harmonia e da Beleza) era considerado uma deidade de origem hiperbórea, o que o punha em relação com a Tradição Primordial. O mesmo nome de Pitágoras procede da Pítia do templo de Delfos (dedicado a Apolo) que profetizou seu nascimento como um bem doado aos homens, nascimento que aconteceu aproximadamente no ano 570 a.C., na ilha grega de Samos. Tendo recebido os mistérios órficos próprios da antiga tradição grega, Pitágoras abandona sua pátria natal para realizar uma série de viagens que o levarão por todo o mundo antigo, especialmente Fenícia, Babilônia e Egito, país onde residiu durante um longo período de tempo, sendo iniciado pelos sacerdotes egípcios, guardiões da sabedoria de Hermes-Thot. Amadurecido seu pensamento, e depois de realizar a síntese de todo o saber recebido, Pitágoras regressou a Samos trinta e quatro anos depois, preparado para cumprir com o alto destino predito em seu nascimento, e que não era outro senão o de criar as bases sobre as quais se assentaria a cultura grega, e posteriormente a civilização ocidental.

Em Samos fundou sua primeira escola, que seria o germe das que mais tarde se estabeleceram por toda a planície mediterrânea, especialmente na Magna Grécia (Sicília), em cuja cidade de Crótona esteve o centro mais importante na vida de Pitágoras. Seus ensinos (cosmogônicos, esotéricos e metafísicos) articulavam-se em torno ao Número, onde residia a origem da Harmonia Universal, pois através dele se revelam as medidas e proporções de todas as coisas, celestes e terrestres, idéia que Platão recolhe no Timeu, seu livro pitagórico por excelência. Para Pitágoras “tudo está disposto conforme o Número” encontrando na tetraktys, ou Década, o número perfeito, e a própria expressão dessa Harmonia, pois “serve de medida para o todo como um esquadro e uma corda em mãos do Ordenador”. Harmonia manifestada fundamentalmente também por meio da música e das formas geométricas, como atestam seus famosos teoremas e a estrela pentagramática ou pentalfa, distintivo da própria fraternidade pitagórica, que continuou subsistindo durante longo tempo, ao menos até a Alexandria dos séculos II e III d.C., onde acabou se integrando na Tradição Hermética, chegando assim até nossos dias através das diversas artes e ciências que tendem à transmutação do ser humano mediante a Sabedoria, a Inteligência, o Amor e a Beleza.

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Hércules – Herakles

Em suas primeiras ações Heracles domina o javali de Erimanto, vence ao touro de Creta e afoga ao leão de Nemea. Todos estes animais simbolizam as forças vivas das paixões, às quais o herói deve se impor sem as negar, já que as deve enfrentar como obstáculos em seu caminho. Igualmente subjuga a rainha das amazonas, ou seja, a sua parte passiva e escura, um de seus egos inestáveis. Também mata a hidra de Lerna, imagem desses egos serpentinos aos que é quase impossível cortar a cabeça, trabalho que se lhe facilita por ter anteriormente limpado do esterco as cavalariças de Augias. Logo, impor-se-á sobre o gigante Gerião e sobre Anteu e Diomedes, símbolos da bestialidade e do antiespiritual, e pode assim caçar os emissários celestes, os pássaros do lago de Estinfalo, o que lhe permitirá obter vivo ao veado dos pés de bronze, imagem da ligeireza, leveza e rapidez. Finalmente, chega ao jardim das Hespérides, onde obtém o fruto áureo de seus esforços, o que lhe facilita dominar o cachorro-monstro de três cabeças, Cérbero, guardião do Tártaro (como o dragão em outras tradições), último de seus obstáculos no caminho da reintegração ao Si Mesmo.

#hermetismo #Mitologia

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O Símbolo do Sol

Por Hamal

O papel do Sol na natureza e na manutenção da vida na Terra sempre foi algo intrigante aos homens com um maior nível de sensibilidade perante ao mundo que o cerca. Por sua função de dar vida e segurança através do seu calor e luz, ainda é o principal objeto de adoração por todo o mundo, por todas as Eras, tornando esse o objeto mais adorado de todos os tempos.

Criaram-se Religiões cujo personagens espirituais possuem atribuições simbólicas a função do Sol, como trazer a luz e dar segurança no caminho da vida. Assim os sacerdotes realizam Rituais de adorações e comunhão com esse guia que eram tidom como o próprio Sol encarnado, que veio nos iluminar e guiar mais de perto, nos livrando do sofrimento.

Tanto nos textos Esoterismo no DeMolay e no Esoterismo na Maçonaria vimos que os Iniciados são guiados nos seus rituais a compreenderem toda a Natureza e o Universo através do conceito Macro e Microcosmo que é um dos Princípios Herméticos, portanto todas essas características do Sol devem ser interpretadas num plano simbólico. Esse Princípio é a chave para o estudo do simbolismo e a chave de como devemos encontrar significados e semelhanças dos símbolos existentes ao redor do planeta. E o simbolo solar, devido a sua importância global, é muito explorado em nossas Ordens.

O símbolo solar carrega uma variedade imensa de interpretações e significados, vamos começar a explorá-lo entendo como seu papel e função podem ser (e como foram) transformados em símbolos através das Eras.

SIMBOLO SOLAR

Dia após dia o Sol ergue-se no oriente e deita no ocidente em um ciclo infinito a nossa perspectiva. Seu símbolo é quase o ponto central dentro da Ordem DeMolay e Maçônica, e seus principais rituais reproduzem essa jornada do Sol no céu. Mas isso não é uma característica individual Maçônica e DeMolay, essa é a tradição mais antiga da humanidade. Podemos até afirmar que os primeiros mistérios já reproduziam em seus rituais essa jornada.

Durante todas as eras, as Religiões simbolizaram o Sol em seus mitos através de diversas alegorias. É impossível datar historicamente quando o culto solar teve inicio, mas vamos tomar um ponto de partida que explica muito bem esse símbolo, o Hinduísmo. Segundo essa tradição o inicio do culto solar teve inicio por volta de 5000 anos atrás e quem o trouxe foi o herói solar Krishna.

KRISH em sânscrito significa “atração à essência divina”, NA significa “prazer espiritual”; krish unido com na é a palavra que guia o homem a “Suprema Verdade Absoluta”, Krishna. O Bhagavad-Gita é um livro que relata seu mito e que segundo a tradição oral foi passado por Krishna.

Krishna, assim como muitos outros personagens, refere-se ao aspecto de Deus que encarna, o Filho, para nos mostrar o caminho que podemos voltar a Unidade de Deus, ou encontrar a Verdade Absoluta. A esses “filhos de Deus” atribui-se nomes como Filho do Sol, Ungido (Khristós em grego), Desperto (Buddha em sânscrito), Iluminado, Mestre da Sabedoria ou Herói.

Esses Iluminados são representados em suas histórias acompanhados com símbolos solares, como Krishna e Jesus de exemplo nas imagens. O simbolo do Sol é o circulo com um ponto no meio, o circulo como vimos no Simbolo e Liberdade Religiosa é um simbolo para representar a ideia de Deus sem inicio e sem fim, e nas imagens tanto de Jesus como de Krishna estão no ponto central desse circulo.

A ideia do hermetismo é que não é necessário acreditar que Krishna ou qualquer outro personagem solar foi uma pessoa que existiu de fato. Krishna possui um significado, que é Suprema Verdade Absoluta, e num campo simbólico Krishna e sua história representam ensinamentos e etapas da vida que todos teremos de passar ao percorrer o caminho espiritual para se tornar assim o próprio Krishna, Khristós ou Buddha. Acreditar ou não em uma pessoa que existiu e cultuá-la é a crença pessoal de cada um. Quando lidamos com a ideia de que os mitos representam metáforas e nem sempre fatos, ampliamos nossa consciência em ensinamentos, sem limitações dogmáticas e preconceitos.

Utilizamos o exemplo de Krishna e Jesus pois são símbolos que carregam ideias muito semelhantes ao do Sol e daquilo que procuramos fazer dentro do Capítulo e da Loja: se livrar do que avilta a essência do homem e caminhar em direção as virtudes, ou a Luz.

O Sol é a representação de uma consciência elevada que podemos definir como “supraconsciência” (consciência superior), algo que vai além do que é ordinário e comum aos homens. É o maior o nível de consciência que o homem pode alcançar encarnado, quando vence os obstáculos que o ligam as ilusões do mundo. Esse estado de consciência é descrito de muitas maneiras no ocultismo, como a pessoa que “alcançou o conhecimento de si mesmo”, “despertou o seu Sagrado Anjo Guardião”, “conversa com o seu Eu Divino ou Eu Sou”, “se reconectou com Deus”, entre outros termos.

É por esse motivo que nos mitos esses personagens Iluminados tem tantas semelhanças entre si e com a interpretação esotérica do Sol. São histórias de personagens que encontraram a Suprema Verdade Absoluta (Krishna), tornaram-se Despertos (Buddha) e Ungidos (Khristós).

Se você acha que estamos tratando de verdades ou inverdades religiosas é bom rever alguns conceitos já explícitos, mas se você está enxergando a verdade por trás do simbolo, está no caminho correto.

Essa é a essência do símbolo solar, mas ele também possui um importante aspecto na Geometria Sagrada que acabou refletindo na Maçonaria e na Ordem DeMolay que possuem seu Templo e Sala Capitular orientados de Leste a Oeste, assim como muitas Catedrais, Pirâmides e templos ao redor do mundo, entre muitas outras referências dentro do ritual que estudaremos em seu devido momento cada uma delas.

#Alquimia #Demolay

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