Deuses Virais

GAVIN FOX

Muitos caoístas mantem uma postura firmemente agnóstica como sua configuração padrão entre uma operação mágica e outra.
Quando a crença é vista simplesmente como uma ferramenta a ser adotada e descartada conforme a necessidade surge, há pouco espaço para adoração ou dogma, a menos que um benefício direto possa ser obtido com isso. Mas aqueles que parecem experimentar contato direto com entidades que se assemelham aos deuses e deusas do folclore clássico sempre ficam ponderando uma questão aparentemente impossível.

Exatamente o que, se é que alguma coisa, é invocado dentro do círculo?

Se descartarmos as teorias aceitas de que as divindades e demônios do mito clássico são ancestrais venerados, anjos caídos, espíritos onipotentes ou apenas a espuma de algum grande ovo cósmico, outras hipóteses alternativas se apresentam.

Destas, duas continuam sendo os mais atraentes para aqueles que utilizam a memética em seu trabalho com feitiços.

A primeira envolve processos internos da psique que permanecem como algo que se aproxima de uma visão reducionista ou niilista do mundo invisível.

O segundo pega essas mesmas formas divinas e as arremessa com intenção no reino material para que todos possam ver.

Sob a primeira teoria, encontramos também os deuses como construções sociológicas que apelam para algum aspecto oculto de nossas naturezas pessoais. Eles são pouco melhores do que memes internalizados que o mago habilidoso ou o crente cego pode invocar para acionar esses aspectos dentro de si como e quando necessário. Tal sistema, que deve muito ao modelo psicológico da magia, exige que esses espíritos não tenham existência própria finita, simplesmente formando um caminho pelo qual a psique humana se defende contra o fracasso ou a adversidade.

A segunda teoria argumenta que os deuses são formas de pensamento projetadas, alimentadas por aqueles que estão interessados ​​neles e dotados de uma aparência estranha e mecânica de vida pelo interesse contínuo de crentes e não iniciados.
O que torna essa visão exclusivamente memética é a falta de distinção entre seguidores e fanboys que ela permite.

A atenção mental, sonhos e pesadelos de cada pessoa que já parou para pensar sobre um determinado conceito ou personagem é o que adiciona contexto a essa informação, e não a pureza da crença. Que o material de sua mente transborde no tecido da realidade enquanto focado em um determinado tópico é mais do que o suficiente. Todos os livros e sites de fan-fics que mencionam uma determinada entidade tornam-se uma Bíblia em constante expansão.

Esta é uma visão de mundo extremamente libertadora pela qual os arquétipos internos podem ganhar apoio no mundo supostamente real. Como evidência de apoio, podemos chamar os muitos seguidores deliciosamente estranhos de Cthulhu ao banco das testemunhas. Poucos podem argumentar contra seu sucesso em trabalhar com uma divindade que não tem existência real fora da escrita de um eles obtêm resultados.

É óbvio que os seguidores verdadeiramente dedicados dos Grandes Antigos não são nem de longe numerosos o suficiente para gerar a energia mental necessária para capacitar um panteão de pesadelos balbuciantes sobre a normalidade predominante da vida cotidiana. Mas a teoria externalizada descrita acima afirma que eles não precisam ser.

Tudo o que eles devem fazer é se tornar adeptos o suficiente para elaborar práticas devocionais e meméticas que lhes permitam sequestrar os bolsões de pensamento existentes que estão aguardando ainda inexplorados no zeitgeist cultural. Assim, cada fandom se torna uma corrente mágica potencial, e cada forma divina nada mais do que uma criação da mente do grupo.

Existem milhares de propriedades da cultura pop em potencial para explorar, e não há necessidade de se restringir a trabalhar apenas com os deuses que eles fornecem. Se ‘Magic the Gathering’ é seu hobby preferido, Liliana Vess pode ser abordada para ajudar na compreensão das artes necromânticas. Se você gosta de histórias em quadrinhos, Constantine pode ser chamado para aconselhá-lo sobre como encontrar uma saída para um acordo menos favorável. E, claro, Grimlock é de longe o Transformer mais óbvio a ser peticionado quando tudo mais falha e a raiva fervente é a única opção que resta.

A principal consideração que temos que ter m no entanto, é de alcance.

Não importa o quão poderoso em sua narrativa pessoal, um herói mortal não terá a onipotência de uma divindade do mesmo reino. A diferença de alcance já está impressa e essa fraqueza será codificada mimeticamente no zeitgeist por aqueles que consomem essas histórias com prazer ou indiferença. Grimlock nunca poderia destruir Unicron, a coisa mais próxima do mal supremo, conforme descrito no universo Transformers, e Liliana Vess também nunca venceria o dragão Nicol Bolas em uma luta justa. Como tal, aqueles que desejam trabalhar com tulpas como formas divinas também podem usar aqueles que já foram codificados com a ideia de divindade desde o início.

Em última análise, este processo esconde mais do que simplesmente usar super-heróis para substituir os anjos e demônios nomeados em rituais de grimórios existentes, como era a moda entre os mágicos do caos na virada do século. Vai além de fazer listas do seu personagem literário favorito se encaixando-os em tabelas de arquétipos subconscientes aceitos para uso futuro.

A ideia por trás do modelo memético da magia é codificar o próprio material do universo com conceitos que alteram o zeitgeist de maneiras intrigantes e inesperadas, bem como reconhecer os benefícios de pegar aqueles que já foram empoderados por outros e adaptá-los para suas necessidades.

Para os ocultistas que dogmaticamente consideram a divindade algo infinito e incognoscível para a mente humana, ainda pode valer a pena ver esses deuses literários como arquétipos potenciais ou tulpas mais gerais sem as armadilhas onipotentes. Resultados podem ser obtidos dessa maneira, embora isso fique muito aquém da verdadeira feitiçaria memética.

Em última análise, na magia, a evolução contínua da técnica e a compreensão da função são as únicas coisas que importam.
Não há vacas sagradas para proteger e nem sacerdotes dignos de louvor. Existe apenas a sempre presente marcha para a grandeza, um experimento de cada vez.

Fonte: https://chaosmagick.com/you-viral-gods/

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/deuses-virais/

A Ordem de Aset Ka e a Popularização do Vampirismo Moderno

Em Hotep,

Tomei conhecimento da Ordem de Aset Ka em 2007 quando a Bíblia Asetiana foi liberada para deleite do publico em geral, em especial os europeus que já tinham alguma noção dos trabalhos vinculados a misteriosa sociedade cuja sede, sabe-se através do autor Luís Marques, se encontra na cidade de Porto, Portugal. É provavel que hajam outros capitulos da mesma espalhados ao redor do globo terrestre, todos estes interligando os adeptos as suas origens vampíricas presentes no Egito Antigo, onde a matriarca divina, Ísis, compartilhou não somente sua sabedoria entre sua descendencia, como sua própria imortalidade.
Por séculos a Ordem tomou a si a regencia do Antigo império egipcio, em um glamoroso reinado de Beleza e Poder, meramente esquecido pelos historiadores de nossa época, sequer reconhecido pelos mesmos.

“Para o seu grupo secreto e silencioso, Aset (Ísis) atribuiu-lhes o nome de Aset Ka, um símbolo direto de suas verdadeiras origens – a essência de Ísis, o Ka de Aset. E assim ela disse te-los vinculados através do sangue, e os fiéis a ela seriam para sempre fiéis para eles próprios, porque eles eram um só. Em seu “Beijo Negro”, ela gravou o sigilo santo no fundo de suas almas, que seria para sempre sua Marca Asetiana, e eles fariam o mesmo com seus seguidores” A Bíblia Asetiana.

A Aset Ka, enquanto ordem iniciática, existia muito antes de qualquer ordem vampírica, tal como Crimson Tongue, Dreaming, House Kheperu, ou até mesmo a notória Black veil, famosa pelos seus roles playing games e fãs de Nox Arcana. É certo que, em contexto de exposição muito diferente e com recursos completamente distantes dos que utiliza hoje em dia, vide o site oficial circulando na Web, mas já à 20 anos atrás haviam serões de palestras sobre manipulação de energia organizadas pela Aset Ka em Londres e Paris. Fatos tais são dificilmente encontrados em textos liberados, mas correm aos sussurros pelos círculos ocultistas, da onde a autora que os expõe aqui, sugou deliberadamente as informações.

Pois bem, antes que tomem notas através do trabalho que aqui se segue, é importante fazer um parecer sobre a pratica do Vampirismo, já muito propagada fora dos círculos ocultos, em especial pelos sujeitos mais problemáticos que são os adolescentes deslumbrados e fãs de qualquer alegoria sombria/sensual. Tais ordens como Aset Ka jamais registraram qualquer indicio de prática canibalista em seus meios como uma questão de obrigatoriedade de sua natureza divina, senão uma alusão ao que seria “sugadores da essência divina”, energia psiquica ou sexual. Fora isto, moldar em mente sujeitos de preto, cabelos longos, pele pálida e feições aquilinas voando entre árvores de um bosque a caçar mocinhas, é apenas uma visão romanceada, figurativa, do que o Vampiro de fato representa. A questão da alimentação sanguinea não é uma condição inerente ao Asetiano, que privado desta dieta, padecerá em uma funesta não-existencia cá entre os vivos. Sobre esta questão, busquei referencias na fonte mais correta da Ordem, sua Bíblia, que nos trás a questão de maneira bem direta:

“O que um vampiro real realmente anseia em seu núcleo é o Ka, a essência da vida, se liberada por um intenso orgasmo sexual, desde o sangue pingando da veia do doador, ou simplesmente pelo toque da carne”

Procede-se então que o Vampiro se comporta de maneira similar a um daemon invocado cujo sigilo necessita ser alimentado pela energia do seu conjurador, seja numa gota de sangue, seja através do fluído sexual. O Vampiro todavia, não é uma condição sobrenatural inalcançavel. Tomando o presuposto que o Vampiro se alimenta da energia exterior, o vampirismo psiquico fora abordado de maneira bastante elucidatoria por autores como Dion Fortune e Anton Lavey.O “Psyvamp” sendo uma condição repassada seja geneticamente ou através de ataques exteriores, PORÉM, não resulta no recrutamento do mesmo para uma Ordem como Aset Ka. Simplesmente porque ser asetiano não é somente ser um vampiro. A questão é mais profunda e essencialmente vinculada a hereditariedade.

Não adianta donativos, puxa-saquismo, sequer seu sangue é interessante a Ordem. Sendo um círcuo estritamente fechado, entende-se bem o porque de poucos conhecerem Aset ka. Esta casa ocultista não é como as casas por ai que dizem serem secretas, e fazem entrevistas até para o Jô Soares se puderem. Não deve-se confundir Ordem restrista com Ordem Secreta, pois nem todas as ordem restritas sobrevivem na obscuridade, por exemplo a famosa Maçonaria. Mas então porque diabos lançar um livro, um site, até uma pagina na Wikipedia, se a palavra de ordem da Aset Ka é Sigilo?

Em dialogos com um possivel conhecedor dos trabalhos asetianos nas terras lusitanas, este me deu a entender que alguns descendentes da Ordem vagavam por ai sem conhecimento de suas origens. As publicações rescentes, por tanto, pretendiam, e pretendem, despertar esses irmãos e levá-los de encontro a suas origens. O reconhecimento se daria de uma maneira profundamente íntima, é deduzível, já que não consta um manual de comportamentos asetianos, senão poucas caracteristicas referentes as linhagens. Obviamente, as publicações atraíram muitos tipos de fanboys e fangirls de RPG, Anne Rice, Saga Crepúsculo e até membros de outras ordens, curiosos acerca desta identidade otherkind presente no asetiano. Mas é provavel que os curiosos não obtiveram sucesso em suas pesquisas, tal como eu que apenas pude me satisfazer com informações minguadas espalhadas entre os círculos.

 

Aset Ka e as Três Linhagens Vampíricas

“Vivemos em segredo. Vivemos em silêncio. E nós vivemos sempre …Que a Serpente beije o infinito de sua beleza fria”

A palavra Asetiana refere-se à linhagem imortal criada por Ísis no Antigo Egito. Em seu ato de criação divina, ela deu sozinha à luz a três crianças para fora de sua essência. Esses são os Asetianos Primordiais, os primeiros de seus parentes, representações perfeitas das Linhagens encontrados em Asetianismo. Isso explica a natureza tríplice da linhagem que é representada por três linhagens distintas: Serpente, a Linhagem dos Viperines, Escorpião, a linhagem dos Guardiões, Escaravelho, a Linhagem dos Concubines.

1 – Linhagem das Serpentes (tambem conhecida como a linhagem de Hórus): Esta linhagem assenta as suas bases na honra, no poder e na força da liderança. Os seres desta linhagem destacam-se por possuir elevados poderes metafisicos, e uma criatividade extraordionária. São habitualmente temidos por aqueles que conhecem os seus poderes. Fisicamente, tem uma aparência frágil (apesar de serem de todas as linhagens os mais poderosos) devido a possuirem um grande desprendimento da Terra em si. São na maioria das vezes pessoas palidas, magras, e tem um olhar profundo que lhes é caracteristico.

2 – Linhagem dos Escorpiões (Guardiões) :os seres desta linhagem denotam-se por uma grande ligação ao amor, e busca do mesmo. Para eles, o amor é a propria razão da vida. São desligados das pessoas em geral, apresentando por diversas vezes pontos de vista divergente da maioria das opinioes da sociedade. São muito ligados á Terra, o que resulta no desenvolvimento de um grande escudo de protecção á sua volta quase constante. São seres notoriamente protetores, contudo só permitem a alguns aproximarem-se de si intimamente. Nao interagem muito facilmente com a energia, devido precisamente ao seu “escudo” quase constante. São donos de uma saude excelente assim como de um ótimo sistema imunologico. São poucos sensiveis á luz solar, e podem ainda ser menos palidos que os asetianos das outras duas linhagens. Tem um metabolismo energetico lento, logo sao raras as vezes em que necessitam de retirar energia dos outros. São avançados na alimentação tantrica. Alimentam-se de energia sexual.

3 – Linhagem dos Escaravelhos (Concubines): Tem uma natureza caótica, e ao mesmo tempo adaptativa. Tem a habilidade de partilhar grandes quantidades de energia, tornando-os excelentes doadores , sobretudo para a linhagem das serpentes. Sao submissos e controlados, mas apenas por aqueles que lhe são bastante proximos. Tem uma grande necessidade de contacto humano social, e por isso mesmo sao das 3 linhagens a que possui uma alma mais humanizada, sendo que o facto de se misturarem com os humanos e agirem muitas vezes como eles emotivamente é um dos seus maiores fardos, uma vez que assim se torna mais dificil de atingir o seu eu interior divino. Umas das suas capacidades mais marcantes é a de conseguirem transformar a dor fisica em prazer, alimentando-se muitas vezes de energia sexualmente liberada. Não tem uma aparencia fisica esteriotipamente definida, a mesma costuma variar imensamente.

Keepers – Crianças de Anubis

São os protetores dos Asetianos, estão a eles ligados através de lealdade, respeito, honra e dedicação. Tal como os Asetianos, tem uma alma imortal nao humana, logo sao conhecidos como otherkins. Alguns possuem uma alma vampirica, outros tem uma alma humanizada. Discípulos de Anubis, sao extremamente avançados no que toca a praticas e ritos de magia e feitiçaria. A sua maior ambiçao é proteger os Asetianos.

“Desenvolvimento e iluminação são processos lentos e persistentes da viagem Asetiana através da vida. Esta iniciação metafísica é um sistema de transmutação. Com esta mudança pura e profunda, significa que o Asetiano consegue alterar de forma,aparência e natureza, que é uma manifestação da força da Chama Violeta em si. Esta transmutação, profundamente conectada com o nascimento vampírico, representa a natureza da alquimia da alma Asetiana, sempre mudando eternamente. De acordo com isto, podemos estabelecer o Asetianos como os alquimistas do alma, criadores e destruidores,catalisadores de mudança e evolução, com o poder de transformar chumbo em ouro. Asetianos são os doadores de vida, os pilares da existência sutil, os proprietários darespiração da imortalidade. ”

Mas então, qual seria o sistema asetiano? Como vivem e o que fazem?

Existem trechos deveras notáveis nas obras de Luis Marques que calam a boca dos insistentes, porém nao conseguem fazer morrer o interesse. Tal como o autor é uma pessoa física E conhecida, os asetianos assim são, habitando entre nós, podendo ser nossos vizinhos ou um apresentador de um talk show na TV.
“Para aqueles fora da Ordem, nós jamais existiremos” (A Biblia Asetiana).

No entando, sabemos que eles sim existem, mas não da maneira extravagante que Hollywood demonstrou.

“Os vampiros e criaturas similares podem ser encontradas em quase todas as culturas ao redor do mundo. Nos contos do Vetalas da Índia encontram-se no folclore sânscrito, chamados demonios vampiricos, tanto que os Lilu são conhecidos desde os mistérios da Babilônia, e mesmo antes, os sanguessugas de Akhkharu foram vistos na mitologia suméria. De fato,um desses demônios do sexo feminino, chamado Lilitu, foi adotado mais tarde pelademonologia judaica, Lilith, sendo um arquétipo ainda atualmente utilizado em algumas tradições ritualísticas do Caminho da Mão Esquerda. Mas a maioria do que é reconhecido do vampiro vem da Romênia e contos eslavos, os Strigoi chamados Nosferatu e Varcolaci, entre outros. No entanto, o Vampiro verdadeiro, como um ser real e não o conceito encontrado em todo o mundo e na história como puro mito criado pelo homem, tem suas raízes no Antigo Egito, sendo ele o Asetiano”. (A Bíblia Asetiana)

Nathalia Claro.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-ordem-de-aset-ka-e-a-popularizacao-do-vampirismo-… […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-ordem-de-aset-ka-e-a-popularizacao-do-vampirismo-moderno/

A Palestra de Al Bielek

Conferência da MUFON, em 13 de janeiro de 1990

Introdução:
Transcrito em 12 de outubro de 1991 por Clay Tippen, 7809 Cypress St. West Monroe, L.A 71291-8282. A advertência a seguir foi feita por Rick Andersen. Nota do tradutor: Todas notas entre “[ ]” são do tradutor.
“Este documento pode ser publicado livremente*. Serve ao propósito daquelas partes interessadas em aumentar a sua informação sobre o Experimento Filadélfia. Por favor, sinta-se à vontade para levar este documento para qualquer BBS [ou site] que desejar. Mas por favor, não o aumente ou diminua. No momento, ele não tem nenhuma alteração.
Este documento foi transcrito de um fita de vídeo. Recebi o tape por volta de maio ou junho de 1990. Depois de assisti-lo e revisá-lo cerca de uma dúzia de vezes, mostrei-o a alguns amigos, e como eu, eles ficaram espantados. Alguns acreditaram nele, e outros não. Agora, vocês poderão tomar a sua própria decisão. Alfred Bielek é um dos sobreviventes do Experimento Filadélfia.
Vários dos nomes e lugares que o senhor Bielek menciona, não puderam ser entendidos corretamente, devido aos níveis de áudio, e por terem sido apenas murmurados. Claro, havia muitos lugares e coisas que eu nunca tinha ouvido falar, e não tinha a menor idéia de como eram soletrados. Tentei pesquisar alguns deles para ter certeza que estava tudo correto. Igualmente, algumas das palavras soam um pouco estranhas, em um inglês pouco apropriado, com palavras e sentenças duplas [este documento está exatamente como foi deixado por Rick Andersen, em outubro de 92].
Esta conferência foi realizada na Mufon Metroplex em Dallas, Texas, em uma reunião sobre UFOs. A data desta conferência foi 13 de janeiro de 1990. O nome do locutor é Alfred Bielek, e isto é como ele explica a começo e o assim chamado término do experimento”.

Anfitriã:
Alfred Bielek é nosso locutor esta noite, e eu o ouvi na conferência sobre UFOs em Phoenix, em setembro, e penso que todos concordam que ele foi o mais interessante de todos os locutores, ao menos no material subjetivo. Então, que eu saiba, não há muitos por aí que tenham estado envolvidos no Experimento Filadélfia e que ainda possam contar sobre esta experiência. Ele está. Então, acho que este é realmente um excitante programa.
Agora, há muitas conexões sobre UFOs em um sentido que, bem … vou deixá-lo contar-lhes um pouco sobre isso, mas um dos projetos no qual ele estava trabalhando ainda é altamente classificado, envolve os UFOs, e ele realmente não pode falar muito sobre isto; esta noite, ele poderá somente tocar brevemente no assunto. Mas eu penso que é realmente interessante que há tantos segredos governamentais sobre isto quanto há sobre UFOs, e o governo sempre nega que isto tenha acontecido.
Então, quanto a esta relação, eu penso que isto é realmente interessante, e isto certamente tem uma conexão com as coisas que discutimos aqui em nosso grupo. Então, com tudo isso, apresento Alfred Bielek.

O Experimento Filadélfia
Como foi anunciado, meu nome é Alfred Bielek, eu sou um sobrevivente do Experimento Filadélfia. Antes de começar, vou perguntar: quanto às pessoas que estão aqui, quantos de vocês sabem sobre o que era, realmente, o assim chamado Experimento Filadélfia?
Eu não vejo muitas mãos se levantando. Então, provavelmente a segunda pergunta é um pouco supérflua. Quantos de vocês tem qualquer idéia sobre se este experimento começou nos anos da guerra? É isto, Segunda guerra Mundial, eu diria 41 ou 42. Quantos de vocês pensam que isto começou aí? Muitos poucos se informaram sobre isto…. Umas poucas mãos se levantaram. Ou quem pensa que isto começou mais cedo? Bem, aqueles que disseram mais cedo estão corretos.
Isto teve a sua gênese em 1931-1932, em uma estranha e pequena cidade onde ventava muito, chamada Chicago, em Illinois. Por esta época, pelos anos vinte e trinta, houve muita especulação na literatura popular, ou seja, na literatura popular do tipo “Popular Science”, “Popular Mechanics”, “Science Illustrated”, sobre assuntos como invisibilidade, tentativas de fazer um objeto ou uma pessoa desaparecer, e até em teletransporte. Eu penso nas pessoas daquela época, escrevendo e achando que talvez estivessem perto disso, em termos de realização científica, mas havia muita especulação, e muito pouco, se havia, sendo feito neste sentido. Por volta de 1931, algumas pessoas decidiram que era tempo de fazer alguma coisa a este respeito, e foram todos à Universidade de Chicago. Os três principais envolvidos eram o dr. Nikola Tesla, o dr. John Hutchinson, deão da Universidade de Chicago, mais tarde chanceler, e o dr. Kirtenauer, que era um físico austríaco, que tinha vindo da Áustria e estava no corpo docente da Universidade de Chicago. Eles fizeram uma pequena pesquisa…. um estudo de plausibilidade, tipo coisa daquela época, que não realizou muito, naquele momento em particular, naquele período. Um pouco mais tarde, o projeto inteiro foi levado para o Instituto de Estudos Avançados de Princeton. O Instituto de Estudos Avançados era uma organização interessante. Não era parte do sistema da universidade, nem era parte de Princeton. Ficava em sua área, mas era uma entidade independente. Foi fundado em 1933, sob os auspícios de quem, ou para qual propósito, não poderia realmente dizer, outros do que alguém poderia desejar, um instituto para estudos muito adiantados, pesquisa pós-doutoral e este tipo de coisas. Entre as primeiras pessoas que vieram se juntar estava uma pessoa bastante interessante e bem conhecida, Albert Einstein. Não entrarei em detalhes sobre ele, porque sua história é bem conhecida, mas ele uniu-se à equipe em 1933. Ele era, claro, de Bonn, Alemanha, e depois de deixar este país em 1930 (alguns dos biógrafos dizem que ele saiu em 1933, mas foi em 1930), ele veio para os Estados Unidos, e foi para Pasadena, Califórnia. Ele estava ensinando em Cal-Tech. Ele esteve lá por cerca de três anos, e foi então convidado a unir-se ao Instituto, o que ele fez em 1933, e ele permaneceu lá até a sua morte. Sua função principal era como físico teórico, um pensador, estritamente matemático, na área da física. Tornou-se bem conhecido por sua Teoria Especial da Relatividade, sua Teoria Geral da Relatividade e sua especulativa Teoria do Campo Unificado.
Outras pessoas vieram unir-se, pela mesma época. Um dos mais importantes foi o dr. John von Neumann, nascido em Budapeste, Hungria, que tinha vindo da Europa. Ele graduou-se em matemática, e teve seu PhD em matemática em 1925, em Budapeste. Ele ensinou no sistema universitário alemão por aproximadamente quatro anos, em dois diferentes cargos. Durante este período ele encontrou o dr. Robert Oppenheimer, que estava na Europa na mesma época e que veio a tornar-se importante após este projeto, e inúmeras outras pessoas.
&bsp; Agora, von Neumann era bastante interessante. Ele era um teórico, um matemático teórico. Mas ele era também um “crânio”, o que significa que ele sabia como aplicar a teoria pura. Einstein não sabia, e isto é muito importante. Então, uma das outras pessoas dirigiu-se para aquela universidade, uma onde alguém estava ensinando à época, era um homem muito importante, se puder ler minhas notas aqui, era um homem chamado David Hilbert. Provavelmente nenhum de vocês jamais ouviu falar sobre ele. Um doutor em matemática, ele era considerado na Europa como o matemático de maior projeção; que eu saiba, ele nunca deixou a Europa. Ele nasceu, cresceu e morreu na Alemanha. Ele morreu lá por volta de 1965, aproximadamente. Mas ele estava no círculo de contatos do dr. von Neumann. Hilbert é mais conhecido e lembrado pelo fato de ter desenvolvido uma forma muito exótica de matemática, chamada Espaço de Hilbert. Ele foi o primeiro homem a definir matematicamente realidades múltiplas, espaços múltiplos e o que tudo isto significava em termos de um ponto de vista da matemática. Para a maioria de nós isto é quase sem sentido, e para a pessoa comum isto é sem sentido, mas é importante para os físicos e para os matemáticos, porque ele traçou o caminho para o que veio a tornar-se o Experimento Filadélfia.
Hilbert e von Neumann o fizeram juntos. Von Neumann escreveu um ensaio na Alemanha, em alemão, sobre Hilbert e alguns de seus trabalhos. E von Neumann, sendo ele mesmo bastante conhecido, tomou o trabalho de Hilbert e “deu-lhe uma melhorada”, como se costuma dizer, desenvolvendo um completo e novo sistema de matemática. Von Neumann é bem conhecido nos círculos matemáticos, como também Hilbert, e teve publicados trabalhos, alguns discretos, pós-Experimento Filadélfia. Uma das coisas pelas quais ele tornou-se conhecido foi a Teoria dos Jogos. Ele também desenvolveu um sistema de operadores de anéis [ring operators], uma espécie muito exótica de álgebra, mas nada que signifique algo para qualquer um, exceto para aquele altamente graduado em matemática e que seja matemático puro.
Outras pessoas tornaram-se importantes para este projeto à medida que o tempo corria. Aproximadamente em 1934, eles mudaram o projeto para o Instituto, e o dr. Tesla entra aqui. Tesla é um homem muito importante. Toda a sua história é bem conhecida. Há um filme, feito por Segrabe Productions na Iugoslávia, descrevendo a sua vida. Ele nasceu em 1856. Ele foi para a escola, a escola regular, um ginásio, que era o colégio deles, ele começou em uma universidade. Ele estava lá há um ano quando o seu pai morreu. Ele ficou sem dinheiro, e assim não podia continuar sua educação formal, mas ele fez um acordo com os professores, que o deixavam sentar-se nas salas de aula. Ele então buscou trabalho onde podia encontrar, na Europa, e trabalhou para a Western Union por um período de tempo. Depois, uniu-se às Edison Corps. da Europa. E, quando decidiu mudar-se para os Estados Unidos em 1884, ele tinha uma carta de apresentação de um homem de Edison, que gerenciava as Edison Corps. na Europa. Então ele chegou aos Estados Unidos em 1884, e como se diz, com um bom conhecimento de onze línguas, quatro centavos no bolso, um livro de poesia, e uma carta de apresentação para Thomas Edison. Isto era o mais importante que ele tinha, a carta de apresentação, porque ela tornou-se, por um período de tempo, o seu sustento.
Ele foi apresentado a Edison, e imediatamente entrou em discussão com ele sobre as diferenças em sua abordagem básica da eletricidade. Edison era partidário da DC [direct current – corrente contínua], e Tesla, como é bem sabido, era partidário da AC [alternate current – corrente alternada]. Edison não podia ver nada na AC, nem queria ter nada com ela. Ele tinha interesse em investir, se o quiserem, no maquinário DC o qual ele tinha projetado e construído, e nos sistemas de energia que ele tinha montado. Bem, ele trabalhou, quer dizer, Tesla trabalhou para Edison por cerca de seis meses. Eles entraram em uma violenta discussão sobre dinheiro, isto é, sobre uma promessa que Edison tinha feito a Tesla, de que, se ele resolvesse um determinado problema, dentro de um certo limite de tempo, ele, Edison, lhe daria US$50.000,00 como bônus. Bem, Tesla fez o trabalho no prazo e foi a Edison perguntar-lhe pelo bônus. Edison riu, isto era uma grande piada, era o senso de humor americano e tudo isso. Tesla não pensava assim, que aquilo era uma grande piada, fez suas malas e deixou-o imediatamente, indo de novo cavar fossas.
Depois disso ele encontrou várias pessoas, fez várias coisas, uma delas sendo para o presidente da Western Union, tendo trabalhado para ele por um período de tempo. Este cavalheiro ajudou-o a instalar o seu primeiro laboratório. Com o tempo, tornou-se um cidadão americano, e começou a dar uma série de palestras no antigo Instituto de Engenheiros Eletricistas, o qual, entre os anos de 1880 e final da década de 1890, era muito famoso em Nova Iorque, tendo Tesla se tornado um locutor regular e proeminente, sobre vários assuntos e cursos envolvendo teoria sobre AC, energia elétrica e tudo aquilo que ele pensava que era importante. Com o apoio de todos lá, tudo que ele apresentava era importante.
Certa vez, ele deu uma demonstração sobre teoria elétrica e energia AC, e um dos freqüentadores era o senhor George Westinghouse. Então, aproximadamente em 1889, Westinghouse comprou todas as patentes de Tesla, 20 delas sobre sistemas de geração e distribuição de energia elétrica em AC, pagando-lhe um milhão de dólares em dinheiro vivo, e um royalty de um dólar por cada cavalo-vapor, ou seja, por cada cavalo-vapor produzido pelas maquinas, a partir daquele instante e enquanto durassem as patentes. Isto colocou Tesla completamente nos negócios.
Em 1893, Tesla ganhou um prêmio por ter fornecido a energia para a Exposição Mundial de Chicago. Era a primeira vez que uma grande exposição tinha qualquer aparelho de geração de energia AC; anteriormente, era a energia DC, quando havia energia disponível, e isto não agradou em nada o senhor Edison, mas, não obstante, Tesla ganhou-a. Ele foi apoiado por J.P. Morgan. E ele também fez algo de notável nesta exposição: demonstrou pela primeira vez, publicamente, um modelo de barco rádio-controlado, em uma doca. Ele repetiu esta demonstração em 1898, no Madison Square Garden, na cidade de Nova Iorque.
Neste meio tempo, houve uma competição sobre o desenvolvimento de alta tensão e transmissão de energia a longas distâncias, e Tesla ganhou a concessão para construir a estação elétrica do Niágara, a primeira e maior estação de energia hidrelétrica nos Estados Unidos a ser equipada com energia AC. Ele ganhou-a porque ele prometeu que podia transportar energia até a cidade de Nova Iorque, sem perdas, e provou-o. Em 1899, Tesla foi para Colorado Springs para fazer um monte de pesquisas, e neste período ele estava intrometendo-se em várias áreas básicas envolvendo eletricidade em alta tensão e raios elétricos — a bobina de Tesla, se desejarem. Já estava lá há dois anos, quando fez alguns anúncios para a imprensa. Uma delas, em 1899, foi que ele tinha estado em contato com pessoas de fora do planeta Terra, et’s, se quiserem, em nossa terminologia moderna. A imprensa tomou bastante notas de tudo aquilo, e os colegas cientistas viram aquilo com desagrado, na época. Aquele não era um assunto popular; eles pensavam que ele era talvez um pouco ‘biruta’, o mesmo que pensariam dele muito mais tarde, um par de décadas mais tarde. Mas ele manteve suas opiniões.
Bem, em 1906, com JP Morgan apoiando-o de novo, ele desenvolveu um sistema para transmissão de sinais de rádio e televisão [sic – não existia televisão, na época – NT], e a Torre Wardencliff foi construída em Long Island, em 1906. Cerca de um ano antes de sua conclusão, ele foi até JP Morgan e disse, “Realmente, senhor Morgan, eu pretendo usar esta torre para a produção de ENERGIA LIVRE [grátis], para todo mundo. ENERGIA ELÉTRICA LIVRE”. E o senhor Morgan disse a ele, “O que o senhor quer me dizer, senhor Tesla, é que qualquer um pode esticar uma vara de antena na terra, e outra no ar, e pegar toda ENERGIA LIVRE que quiser, e eu não posso colocar um medidor lá para medir isto e cobrar?”. E Tesla disse, “Isto é correto”. JP Morgan disse, “Eu vou responder-lhe, senhor Tesla, quando estiver pronto para o senhor”. Obviamente, o senhor Morgan nunca chamou-o de novo, e cortou-lhe todo os fundos. A Torre Wardencliff ficou lá até 1914, quando foi dinamitada por alguém. E esse foi o fim daquele projeto. Neste meio tempo, Tesla iniciou outras coisas. Eu serei mais breve agora, porque estamos entrando na parte principal disto tudo.
Em 1917, é claro, teve início uma guerra – a Primeira Guerra Mundial. Tesla foi abordado por Franklin Delano Roosevelt, então secretário da Marinha, para fazer algum trabalho para o governo, com o que ele concordou prazerosamente. Ele também envolveu-se à época com a American Marconi Co., e esta companhia foi confiscada durante a Primeira Guerra Mundial, porque poderia ser um possível rincão de atividades estrangeiras, e vocês conhecem a paranóia usual que existe em tempos de guerra. E a companhia inteira foi absorvida pelo governo, Tesla com ela. Tesla desenvolveu um número de coisas interessantes nesta época, uma das quais foi o Sistema de Antenas Rogers [Rogers Antenna System].
O Sistema Rogers para transmissão sem fio, tornou isto possível para os militares da época — a patente esteve classificada [secreta] por muitos anos ¾ transmitir comunicações por voz para a Europa, a partir dos Estados Unidos, sem estática e sem ruído, um feito inédito para a época. O sistema ainda é usado hoje em dia pelos militares.
Em 1919 uma nova corporação foi formada, a RCA, e Tesla tornou-se parte dela. Ela foi formada a partir do antigo núcleo da American Marconi. Tesla permaneceu com a RCA, primeiro como engenheiro, depois como diretor de engenharia, e depois de 1935 como o diretor mundial de toda engenharia e pesquisa para a RCA, onde permaneceu até 1939, época em que se aposentou.
Durante todo este período de tempo, ele teve uma impecável trilha de recordes em produzir maquinário que trabalhava e nunca falhava, i. é, ele nunca falhava em produzir alguma coisa que funcionasse. Ele era também bem conhecido como alguém capaz de visualizar as coisas em sua cabeça antes de colocá-las no papel, ou em dizer a alguém o que construir, descendo aos menores detalhes. O que é importante é saber isto, e compreender que a abordagem de Tesla aos projetos era largamente intuitiva, não sem uma base matemática, porque ele a tinha, mas a sua matemática era aquela do século passado, dos anos 1880. E havia um monte de coisas conhecidas sobre teoria elétrica na época, mas ainda não foi nesta época que eles desenvolveram o rádio. Hertz entrou nisto entre os anos 1880 e 1890. Tesla nunca concordou com Hertz sobre o que seria uma onda de rádio.
Mas em 1933 Roosevelt tornou-se presidente dos Estados Unidos. Ele chamou seu velho amigo Nikola Tesla para ir até Washington, e perguntou-lhe, “Você gostaria de fazer mais algum trabalho para o governo?”, e Tesla disse, “Claro!”. Então Roosevelt disse, “Nós temos um projeto para você”. Ele iria tornar-se o diretor do que seria mais tarde conhecido como o Projeto Filadélfia. E foi assim que Tesla basicamente veio a envolver-se com esse projeto. Ele foi nomeado pelo presidente, até onde podemos determinar agora. Ele foi o primeiro diretor, isto é mostrado em alguns registros, e eles prosseguiram.
Em 1936, houve um primeiro teste de algumas máquinas, e isto teve um sucesso moderado. Isto teve como resultado uma invisibilidade parcial, o bastante para encorajá-los e mostrar-lhes que estavam no caminho e na trilha certa, e a Marinha ficou muito interessada; este interesse começou no início de 1931, o que fez aparecer algum dinheiro para pesquisa. E em 1936 eles forneceram mais, e o projeto expandiu-se. Bem, as coisas continuaram se expandindo a partir deste ponto, e mais pessoas vieram trabalhar no projeto. Um tal dr. Gustave Le Bon veio a tornar-se um íntimo associado do dr. von Neumann, e juntou-se à equipe. Não pude encontrar nenhum registro dele hoje, mas não obstante ele estava lá, e um outro homem, um tal dr. Clarkston, que veio aproximadamente em 1940. Agora, já não era apenas este projeto que estava sendo
desenvolvido no Instituto. Havia outras pessoas lá, fazendo variadas coisas. O único homem que sabia tudo que estava acontecendo lá, era, é claro, o dr. Einstein; ele era considerado como um general. Se você tinha um problema, ia ver o general. Ele era um general de consultas para todos, qualquer que fosse o projeto. Agora, a coisa continuava a crescer.
Não entrarei ainda em detalhes sobre como me envolvi nisto, não disse ainda o suficiente para isso. Eu entrei muito mais tarde. Mas acho que o que quero agora é fazer um ligeiro intervalo do lado teórico, e mostrar-lhes um fita de vídeo, parte dele, produzido pela EMI Thorn Corp. da Inglaterra. Este filme foi produzido basicamente em 1983, e ele foi distribuído nos Estados Unidos em 1984 a partir da Inglaterra, para ser exibido em cinemas, para ficar em cartaz até meados de agosto de 84, e o filme só permaneceu por DUAS SEMANAS.
Cerca de três dias antes do filme ser lançado, a EMI Thorn recebeu uma carta do governo dos Estados Unidos dizendo “não queremos que este filme seja exibido nos Estados Unidos”. Eles decidiram, depois de alguma deliberação, ignorar a carta, porque eles já tinham planejado as datas de lançamento, e eles disseram, bem, só três dias antes, nós podemos dizer que jamais recebemos a carta. Então eles lançaram o filme, e ele foi mostrado em vários lugares; Nova Iorque, Filadélfia, e como se esperava, houve enorme filas para vê-lo, em várias outras cidades dos EUA; Phoenix, Sedona, AZ., Chicago, Los Angeles, onde estivesse.
Uma outra carta chegou à EMI Thorn, na Inglaterra, logo depois disso e bem rigorosa, “Nós não queremos este filme exibido nos Estados Unidos”. Então a EMI Thorn não podia ignorar a segunda carta. Então eles expediram outra de volta para o governo, dizendo ‘se vocês quiserem interromper a exibição deste filme, terão que fazer uma injunção judicial para isto’. E o governo dos EUA disse ‘nós o faremos’, e eles o fizeram. Eles conseguiram uma ordem judicial proibindo a exibição do filme nos Estados Unidos. Aquela ordem judicial foi cumprida um pouco antes de setembro, e o filme desapareceu completamente por dois anos. Neste meio tempo, a EMI Thorn foi em frente e decidiu que iriam lutar, o que fizeram com sucesso. Dois anos depois eles conseguiram uma contra-injunção, derrubando a primeira, e o filme ficou disponível em fita de vídeo. Eu não acredito que ele tenha sido exibido em algum cinema depois disso, mas a fita de vídeo está disponível.
Agora o filme, a fita de vídeo, “O Experimento Filadélfia” é o título atual. Ele é relativamente preciso na primeira parte do filme, mas eles o embelezaram, eles queriam fazer um filme bem interessante, uma história de amor, e distorceram alguns das partes no final, não obstante, eu gostaria de mostrar-lhes a primeira parte dele, porque é muito apropriado para o que vem a partir deste ponto.
{O senhor Bielek mostrou um curto excerto do filme (agora disponível em locadoras de vídeo), chamado “O Experimento Filadélfia”. O filme começa do início e continua até os dois rapazes saltarem sobre a amurada do navio. Se vocês ainda não viram este filme, “O Experimento Filadélfia”, valeria a pena fazê-lo}.
O senhor Bielek continua…
Até este ponto a história é relativamente precisa; eles mudaram uma coisa: a data. Isto ocorreu em 12 de agosto de 1943. Foi uma experiência verdadeiramente desastrosa, mas um pouco aconteceu no intervalo, e isto conduzirá eventualmente ao resto da história.
Agora, como eu tinha falado, em 1936 eles tiveram um grau moderado de sucesso, mas nada além disto. A intenção original era produzir um campo de invisibilidade em volta de um objeto. Então eles seguiram trabalhando, e em 1940 eles conseguiram o seu primeiro sucesso real sob a direção de Tesla, num estaleiro da Marinha, em Brooklyn. Era um pequeno navio, sem ninguém a bordo. O equipamento especial foi colocado no navio. Ele foi energizado a partir de dois navios, um de cada lado, que o supriam de energia através de cabos de força; no caso de alguma coisa sair errada, eles podiam cortar os cabos, e se as coisas ficassem irremediáveis, poderiam afundar o navio. Mas eles não precisavam ficar apreensivos, aquelas eram precauções que a Marinha sempre tomava.
Foi um sucesso completo. O pequeno navio tornou-se invisível. Não havia ninguém a bordo desta vez, porque isto seria feito mais tarde, como parte do teste. Bem, aquilo foi declarado como um sucesso. A Marinha estava radiante, eles sentiam isso e liberaram enormes montantes de dinheiro para a pesquisa, e o projeto foi classificado em setembro de 1940, tendo sido denominado “Projeto Rainbow”[Projeto Arco-Íris]. As coisas começaram a engrenar, deste ponto em diante.
Agora, acho que neste ponto deveria dizer onde entro nisto, eu e meu irmão. Nasci a 4 de agosto de 1916, em uma área de Nova Iorque, de um senhor Alexander Duncan Cameron, Sr., o pai, e uma mãe que não acredito fosse casada, a partir da pequena pesquisa que pudemos fazer. Tive uma vida bastante monótona, embora agradável, porque havia dinheiro na família. Meu irmão nasceu em maio de 1917. E nós seguimos nosso caminho feliz. Nós estávamos com tudo, não tínhamos qualquer preocupação com dinheiro. Quando vieram os anos da Depressão, nós decidimos ir para a escola e obter educação. Meu irmão foi para a universidade de Edimburgo, em Edimburgo, na Escócia, até graduar-se em 1939, no verão de 39, com um PhD em Física. Eu fui para Princeton, onde tirei o bacharelado e o mestrado; fui para Harvard para o meu doutorado. Anteriormente, von Neumann me falara, “Você não deve tirar o seu doutorado aqui em Princeton. Vá para Harvard, é uma escola melhor”. Então eu tirei o meu doutorado em Harvard; acho que foi em agosto de 39. Neste meio tempo, eu deveria acrescentar, houve algumas outras coisas acontecendo nos bastidores, e o que aconteceu estava relacionado ao nosso pai.
Ele tinha servido na Marinha durante a Primeira Guerra Mundial. Ele era marinheiro, pelas fotos que temos em nosso álbum de família. Quando ele engajou-se e quando deixou a Marinha, não sabemos exatamente. Estes documentos se perderam. Mas, até onde sabemos, ele passou vinte anos lá, tendo se reformado no início dos anos 30. Não sabemos qual patente ele atingiu, nem quais conexões ele tinha, mas ele devia ter várias e interessantes conexões com a inteligência, devido ao que aconteceu a partir daí.
Agora, os anos 30. A partir daí, ele nunca mais trabalhou um dia em sua vida… a propósito, ele não precisava disto. Agora, nos anos 30 ele tinha um passatempo, que era a construção de enormes barcos a vela, os quais ele usava para disputar várias regatas, em volta de Long Island, o que era muito comum então.
Ganhou um ou dois troféus. Quando se cansava do barco, vendia-o e construía outro. Neste meio tempo, ele veio também a tornar-se muito ativo em outras coisas. Estas outras coisas eram o contrabando de cientistas fugitivos do nazismo e da Alemanha, trazendo-os para os Estados Unidos. Esta é uma longa história, e eu não necessito realmente alongar-me nela. Mas isto cessou em 1939, quando a guerra começou. Em setembro de 1939, devido aos arranjos de meu pai, que aparentemente tinha muita influência na Marinha, ficou combinado que nos alistaríamos nesta, o que fizemos nesta data. Fomos então comissionados e enviados para uma escola especial de treinamento naval em Providence, Rhode Island, por 90 dias. Nós estávamos, provavelmente, entre os primeiros a passar pelo que seria mais tarde chamado de “os 90 dias maravilhosos” na Marinha. Em 90 dias você era treinado como oficial, e era suposto que saberíamos de tudo. Seja como for, estávamos então ao final de 1939, começo de 1940. Nós fomos designados para o instituto. Agora, neste meio tempo, tínhamos tido algum contato com ele, e íamos lá periodicamente. Eu mesmo tinha estado lá por um período de tempo, porque estava em Princeton. Mas fomos designados para o instituto em tempo integral, e nosso trabalho era representar o interesse da Marinha neste projeto. Eles queriam duas pessoas que tivessem experiência científica e treinamento para relatar acuradamente, na teoria e na prática, tudo o que se fizera, estava sendo feito ou iria se fazer.
E este era o nosso principal trabalho. Tínhamos sido designados para o instituto, e tínhamos também escritórios no estaleiro da Marinha, em Filadélfia. Agora em 1940, como eu tinha dito, um teste tivera sucesso. O projeto fora classificado. Foram dados fundos ilimitados a Tesla, em companhia do grupo, o qual continuou a se expandir. Não me lembro de todas as pessoas envolvidas, mas tivemos uma outra estrutura que veio a ser criada, uma estrutura da Marinha. Até agora eu toquei em grande parte na parte civil disto. Agora, há uma parte da Marinha.
No topo estava o Office of Naval Engineering [Escritório de Engenharia Naval]. Naqueles dias, eles não tinham um Office of Naval Research [Escritório de Pesquisas Navais]. Este era o Office of Naval Engineering, e Hal Bowen, Sr., Almirante, era o encarregado. Ele não somente era o supervisor da Marinha para este projeto, mas para todos os projetos de desenvolvimento de engenharia desta natureza, durante a guerra. Este escritório, a propósito, foi fechado em 1946, e substituído pelo Office of Naval Research, do qual Hal Bowen foi novamente o diretor até reformar-se em 1947. Mas durante aquele período ele foi, pode se dizer, o manda-chuva na Marinha. Abaixo dele havia várias outras pessoas. Havia um comando firmemente estabelecido. Não entrarei em detalhes, mas havia um tenente-comandante, Alan Batchelor, que tornou-se uma espécie de chefe da equipe, e cuidava do pessoal que iria trabalhar no projeto de invisibilidade, o qual era então desenvolvido em duas fases.
Alan Batchelor, a propósito, ainda está vivo; ele reformou-se da Marinha como tenente-comandante. Eu o conheci pessoalmente. Eu não sabia, por um longo período de tempo, se haveriam outros sobreviventes, e então repentinamente descobri sobre este cavalheiro através de outros amigos em Nova Iorque, e conversei
com ele, eventualmente indo visitá-lo. E ele se lembrava, essencialmente, de todo o projeto. De fato, ele identificou-me pelo telefone, na conversação telefônica. Ele disse, “Sim, você trabalhou no projeto, eu me lembro de você. Não, seu nome não era Bielek”. Eu disse, “Bem, e qual era, então?”. Eu queria ver se ele se lembrava. Ele me disse o nome, e se lembrou de meu irmão. Isto tudo apenas margeia a história principal.
Agora, uma das outras coisas que tinham que ser feitas era desenvolver uma equipe especial. Isto veio a ser feito um pouco mais tarde. Em janeiro de 41, a Marinha decidiu que eu e meu irmão necessitávamos de alguma experiência marítima, então eles nos transferiram para o estaleiro da Marinha no Brooklin, e cerca de um mês ou mais depois, fomos designados para o Pensilvânia, uma conservada galera de guerra, e saímos em direção ao Pacífico. Ficamos por lá por todo o ano de 1941. Por volta de outubro de 41, quando o Pensilvânia foi levado para Pearl Harbor, para um dique seco para realizar alguns reparos, nós tiramos uma licença e fomos para São Francisco. Estávamos com tudo na São Francisco daqueles dias, e ficamos lá durante os meses de outubro e novembro, início de novembro; e neste mês finalmente decidiu-se que nós íamos voltar para Pearl Harbor. Nossas ordens eram breves, e em 5 de dezembro já estávamos na pista para tomar o avião, na Base Aérea Naval, para sermos mandados de volta para Pearl Harbor, quando fomos interceptados por um capitão da Marinha, que nos cumprimentou e falou, “Suas ordens foram canceladas. Venham comigo”. Nós o seguimos subindo as escadas para uma sala da Base Naval, e encontramos Hal Bowen, Sr., que falou, Cavalheiros, suas ordens foram canceladas. Talvez vocês saibam que estaremos em guerra com o Japão dentro de 48 a 72 horas. Nós esperamos um ataque a Pearl Harbor. Vocês são muito valiosos para serem mandados de volta a Pearl Harbor; vocês permanecerão aqui na área de São Francisco. Vocês podem trabalhar com papelada. Vocês serão designados para o Pensilvânia; ele está lotado em São Francisco. Podem terminar o seu turismo aqui em São Francisco. Depois, voltarão para o Instituto, para continuarem o seu trabalho. Apreciem enquanto podem, porque depois não haverá mais tempo, e lá não haverá nada além de trabalho pesado para vocês”. E fizemos isso, e gostamos muito. E voltamos para lá em janeiro de 42.
Mas neste ponto, um monte de coisas tinham acontecido. Tesla tinha conseguido um navio de guerra, através de um amigo. Eu acho que era Franklin Delano Roosevelt, que estava na Casa Branca. Ele disse, “você pode ter este navio; vá em frente, torne-o invisível”. Havia plena confiança de que ele podia fazê-lo. Daí, este estava prosseguindo com a construção do maquinário. Havia vários, três transmissores de RF [radio-frequency], um gerador principal, acredito eu, então havia dois. O plano geral de ataque, sem me tornar altamente técnico, era uma série de bobinas magnéticas alimentadas por estes geradores, as quais produziriam um campo magnético muito intenso, e inicialmente elas eram enroladas em volta do casco do navio. Depois, isto foi mudado para bobinas montadas no convés, quatro delas. E campos de RF, todos sincronizados com freqüências especiais, e com uma modulação de formas de onda desenvolvida por Tesla, as quais iriam produzir o campo de invisibilidade.
Ao longo de todo este tempo (terei de preenchê-lo um pouco com Tesla), ele fez um outro anúncio para a imprensa, em 1923, acerca de conversação com et’s fora do planeta, o que caiu em alguns ouvidos interessados, mas em muitos ouvidos moucos, também. E ele afirmava estar em comunicação com et’s. Depois de ter-se aposentado da RCA, ele se tornou mais ativo neste projeto, mas ele também mantinha um laboratório em seu refúgio no Hotel Nova Iorque, em Nova Iorque, no último andar. Ele tinha um outro laboratório em Nova Iorque, não muito importante, em um lugar separado. Sem que muita gente soubesse, ele mantinha um segundo laboratório, o qual aparentemente era o principal, no topo do Wardolf Astória, em ambos os terraços. Ele mantinha um transmissor instalado no Wardolf, e suas antenas receptoras e os receptores, que tinham sido construídos pela RCA sob a sua direção, estavam no New Yorker. E sei de duas pessoas que trabalharam com Tesla, durante aquele período, que dizem que ele estava usando aquele equipamento, ele estava conversando com alguém, quase todo dia, e um deles foi enfático: era alguém de fora do planeta. Falando claramente, ele estava se comunicando com et’s!
Quem? Não tenho idéia. Isto nunca foi revelado. Mas durante aquele período ele conseguiu mais informações, porque foi repentinamente até a Marinha e disse, “Nós iremos ter problemas. Iremos ter um problema realmente sério. Vocês não poderão gerar a quantidade de energia necessária para fazer um navio enorme desaparecer sem ter efeitos sobre os tripulantes. Eu preciso de mais tempo. Preciso desenvolver contramedidas, para evitar que o pessoal sofra danos”. A Marinha disse, “Você não pode. Você tem prazo final. Há uma guerra em andamento. Faça isto funcionar. Você pode fixar a data, mas não pode mudá-la”.
Faça-o funcionar, em outras palavras. Havia um prazo limite, que aconteceu de ser março de 42. A data do teste se aproximava; ele ficou apreensivo com aquilo, e finalmente decidiu, se não houve prorrogação no tempo e ele não pudesse modificar o maquinário para corrigir o problema, só restaria uma saída. E isto seria sabotar o equipamento, não destruindo-o fisicamente, mas certificando-se de que ele nunca iria funcionar, quando fosse ligado, e isto é o que ele faria na data do teste, em março de 42. O navio de guerra não teria uma tripulação especial. Ele tinha a tripulação regular, muito embora tivesse o equipamento especializado. As chaves foram viradas e nada aconteceu. O senhor Tesla inclinou-se, e falou, “Bem, cavalheiros, o experimento falhou, e é hora de deixá-los. Há uma pessoa aqui que pode tomar conta disso e fazer as coisas funcionarem para vocês. E aqui está o dr. John von Neumann. Adeus!”.
Como a história conta, ele foi despedido. Há uma outra história, que diz assim, “Vocês não podem despedir-me, eu renuncio”. Qualquer que seja o caso, ele se foi. Havia algum outro interesse, e ele fez outras pesquisas a partir deste dia até a data de sua morte, em 7 de janeiro de 1943, as quais figuram entre as outras coisas que aconteceram mais tarde, mas que não estavam diretamente relacionadas com o experimento, à época.
Agora, naquele período, um monte de outros projetos estavam em andamento. Um deles, que estava sendo desenvolvido e já estava funcional, anterior a este projeto, e que estava sendo feito basicamente no estaleiro da Marinha e também no Instituto, sob a direção específica de Einstein, eram as experiências com desmagnetização [Degaussing]. Eu não sei quantos de vocês sabem disso, mas anterior à Segunda Guerra Mundial , em 1938, os alemães desenvolveram um novo tipo de mina, chamada mina magnética. Ela não explodia por contato, ela explodia ao detetar a massa magnética do casco de aço do navio que se aproximava. Isto distorcia o campo magnético da Terra, o que era usado pelos elementos sensíveis desta mina; e quando ela estava bastante perto do navio, ou embaixo dele, sem qual quer contato sendo feito, o mecanismo disparava, a mina explodia e abria um buraco no fundo do navio, e este era o fim dele. A Marinha dos EUA sabia disto, e eles queriam desenvolver contramedidas, o que fizeram. Eles tiveram bastante sucesso. Tanto sucesso, de fato, que os alemães abandonaram a mina magnética em 1943, e voltaram às minas comuns, as quais, se vocês não sabem, não é afetada por este tipo de equipamento. O formato tradicional deste equipamento envolvia enrolar dois conjuntos de cabos em volta do navio, e colocar geradores especiais a bordo; não havia nenhuma intenção de produzir invisibilidade, radar ou outra coisa qualquer, era estritamente uma forma de explodir aquelas minas magnéticas alemãs. Eles explodiram montes delas, e salvaram muitos navios como resultado disto, e o projeto foi um completo sucesso. Acho que neste ponto devemos mostrar os slides.
Neste momento, o senhor Bielek mostra alguns slides da faculdade de Princeton. Estes slides incluem vistas da escola, i. é, a sala onde ele ensinava, o pátio interno, algumas árvores, e outros itens em volta da escola. Mas ele também mostrou um slide do prédio onde eles primeiro conduziram a experiência de tornar as coisas invisíveis opticamente invisíveis! O senhor Bielek apresentou outros slides do equipamento original do Experimento Filadélfia, do Eldridge, o navio no qual o experimento foi realizado. Alguns dos slides mostravam geradores especiais, e controles. Ele também mencionou que ele sabia que este equipamento viera do Eldridge, por causa das VIBRAÇÕES, que estavam em volta deste equipamento.
E o senhor Bielek continua…
Ok, uma vez a experiência tendo falhado devido à preocupação de Tesla, o dr. von Neumann tomou conta. Agora, algumas das outras pessoas em segundo plano que tomaram parte neste projeto são bem conhecidas.
Uma delas é T. Townsend Brown. Ele tem uma longa história; muitas pessoas o conhecem pelo fato de ter ele trabalhado no campo dos UFOs, com eletrostática, tentando provar que pode-se fazer um objeto mover usando apenas a alta tensão de campos eletrostáticos. E ele fez muitos funcionarem, e isto está muito bem pesquisado e documentado. Ele trabalhou na universidade com alguém chamado dr. Bifield [Biefeld], e o efeito tornou-se conhecido como o efeito Bifield-Brown.
Eventualmente, ele foi descoberto pela Marinha. Ele uniu-se à Reserva Naval em 1933, e tomou parte em vários pequenos projetos. Em 1939 eles o indicaram para o serviço ativo, e ele foi para a Marinha. Lá, eles lhe deram o projeto de desenvolvimento de contramedidas para minas. E este era, basicamente, o seu departamento.
Havia várias áreas de especialidade, ele trabalhou no projeto mina magnética. Ele também era considerado um especialista em RF, então ele também trabalhou no Experimento Filadélfia, pelo menos no âmbito de projeto de um transmissor especial de rádio, e uma torre para suportar as antenas, que era a torre alta que se podia ver depois no Eldridge, e que é mostrada no filme, e isto está correto, que ela estava quebrada, e por isto caiu. Este foi o seu trabalho, não quebrá-la, mas montá-la e testá-la.
Antes que o dr. von Neumann pudesse completar o seu trabalho, ele disse à Marinha: “Tenho que reestudar esta coisa. Obviamente, ela não funciona, tenho que voltar atrás e descobrir o motivo”. E ele precisava de muito tempo. A Marinha não teve escolha, a não ser dar o tempo que ele precisava. Então foi em 42, uma boa parte de 42, de muito estudo teórico. Por volta de maio de 42, eles decidiram que iriam precisar de um navio especial. O navio de guerra não estava mais disponível; ele voltara ao serviço. Eles decidiram que queriam construir um veículo de teste a partir do zero. Então por volta de junho ou julho decidiram ir às pranchetas de desenho para escolher que navios poderiam estar disponíveis, entre os que estavam sendo construídos, e eles escolheram um “DE 173”, o qual foi mais tarde batizado como “Eldridge”. Ele não era conhecido nesta época por este nome.
E em julho eles modificaram os desenhos. Decidiram onde iriam querer os dois geradores. A razão porque tiveram que fazer a modificação era que o destróier, o ‘DE’, era uma navio muito pequeno. Seu deslocamento normal era de 1.500 toneladas, e não 30.000. Como conseqüência, eles tinham que montar o equipamento, que era muito pesado, com muito cuidado. O que eles decidiram fazer foi deixar de fora a torreta de canhão frontal, e em seu lugar colocariam os dois geradores. Então eles montaram os dois geradores dentro deste espaço onde iria normalmente a torreta, o depósito de pólvora e tudo mais. O motor de alimentação dos geradores, o sistema diesel elétrico para alimentar o sistema todo, e quatro transmissores foram eventualmente montados no convés. Mas o navio tinha que ser primeiro construído. Ele ficou pronto por volta de outubro de 42, e então foi levado a um dique seco, onde começaram as montagens de várias peças do equipamento. Por volta de janeiro de 43 ele estava virtualmente pronto.
Agora, à medida que a “equação humana” era considerada, o que ele iriam fazer com a tripulação… por volta de junho 42 eles decidiram que teriam uma tripulação especial. Todos voluntários, escolhidos a dedo, que seriam, como o foram, essencialmente marcados pelo resto de suas vidas. Eles eram voluntários, eles não seriam responsabilizados, e por aí, e iriam dizer a eles que iriam participar de uma experiência exótica, na qual havia algum perigo possivelmente envolvido. “Você quer ser voluntário?”.
Bem, eles conseguiram o tipo de gente que queriam, cerca de 33, e eles foram para uma escola especial de treinamento em Groton, Connecticut, uma Academia da Guarda Costeira. Foram cerca de três meses de treinamento. Eles se graduaram em dezembro de 42, e quem era o instrutor da classe, que aparece naquela foto, onde se vê também a classe inteira que estava se graduando? Está ainda nos álbuns de fotos da família, acreditem ou não, era o nosso pai, em seu uniforme naval. Como ele voltou para a Marinha, nós não sabemos, a menos que fosse um uniforme da Guarda Costeira, mas parecia-me um uniforme da Marinha. E todas as pessoas que se alistaram, incluindo dois oficiais de alta patente, eles foram então, pode-se dizer, carregados para Filadélfia, para onde estavam designados, não sabendo, é claro, quando o navio ficaria pronto. E eles ficaram ali em disponibilidade até que fossem necessários. Aqueles trinta e três foram até o fim do treinamento, e foram avisados de certas coisas, mas ninguém esperava o que aconteceu então. Desde que uma tripulação especial estava disponível, o navio foi sendo aparelhado, tudo indo em frente, e em janeiro de 43 foram iniciados alguns testes, de sistemas separados. Nada foi jamais testado em conjunto, e não poderia ser, porque aquele era o teste final.
Então vários subsistemas foram testados; os geradores, os transmissores de RF. Tesla tinha usado três, von Neumann aumentou para quatro, e ele finalmente decidiu a potência dos transmissores selecionados por Tesla, que eram General Electric. 500 kilowats de CW [continuous-wave – onda contínua, não modulada] não eram suficientes. Ele colocou boosters [dínamos de reforço; amplificadores] neles para elevar cada um até 2 megawats de CW, e os dois geradores permaneceram essencialmente o mesmo, 75 KVA cada. Baixa freqüência regulada, alimentação dos motores, circuitos especiais de sincronização, para ter certeza que os dois geradores estariam em absoluta sincronia, caso contrário não funcionariam. Um sistema especial de geração foi construído com um outro estranho dispositivo herdado diretamente de Tesla e que era o gerador de Referência de Tempo Zero.
Agora, o que é uma Referência de Tempo Zero? Este é um termo que vocês nunca verão nos livros didáticos. Este é um sistema o qual simplesmente fecha com o campo da Terra, a estrutura do campo magnético da Terra, e também sua ressonância de massa através de um sistema muito engenhoso projetado por Tesla. Agora, todos os planetas em nosso sistema e todos os planetas através da galáxia estão basicamente fechados cosmologicamente, e tendo o que podem chamar uma Referência de Tempo Zero, o qual é o centro de nossa galáxia. Tudo tem de ter uma referência com este ponto de Tempo Zero, ele é uma referência real. Com relação ao tempo local, você deve colocá-lo em referência a isto, para fazer tudo funcionar. E Tesla encontrou os meios para fazê-lo, de um modo bastante simples. Estes geradores de referência existem em cada sistema FAA [Federal Aviation Administration – Administração Federal de Aviação] já construídos para a rampa inclinada (sic?), nossos sistemas em terra, e isto era parte do sistema. Todos os geradores, tais como um que eu lhes mostrei, e vários outros equipamentos. Foram usadas cerca de 3.000 válvulas a vácuo ‘6L6’ para alimentar as bobinas de campo dos dois geradores, esta seria uma estimativa acurada; a propósito, talvez não fosse exatamente isto, senão no sentido de que era um grande número de válvula a vácuo, cerca de 3.000 no total.
Por volta de março de 43 von Neumann começou a ficar abalado. Ele não acreditava em Tesla, que ficava dizendo, “Haverá um problema com o pessoal”; ele não acreditava nisto. Bem, eu e meu irmão acreditávamos em Tesla, porque tínhamos grande respeito por ele, e começamos e entrar na matemática e nas equações e nas coisas que Tesla nos dizia. Finalmente, concordamos com ele, e ficamos dizendo a von Neumann que, ‘você não pode ligar este sistema do modo como está. Você terá um problema, como Tesla avisou’. Bem, a simples menção do nome de Tesla fazia von Neumann explodir, ele ficava muito perturbado quando este nome era mencionado. Eventualmente, no entanto, ele captou a mensagem. Ele disse, “Pode ser que haverá um problema. Bem, vamos ver o que podemos fazer sobre isto”.
Ele decidiu adicionar um terceiro gerador. Eles projetaram e construíram um e o colocaram por volta de abril, começo de maio. Aqui, não estou realmente certo de onde o colocaram, pode ter sido no convés ou embaixo dele, porque ele não podia ficar muito tempo. Eles tiveram problemas, problemas muito sérios, eles não conseguiam sincronizá-lo com os outros dois. A propósito, nesta mesma época, início de 43, um terceiro homem, meu irmão e eu fomos os escolhidos para operar o equipamento, e fomos treinados para operar todo o sistema, porque nós sabíamos o que ele era, e tínhamos os antecedentes educacionais para apreciar o que se estava tentando fazer.
Mas como o filme mostra, e isto está correto, nós estávamos em uniformes de marinheiro. Tínhamos o posto de especialista de primeira classe [oficiais], mas quando estávamos entre o resto da tripulação, nós usávamos estes uniformes, e estávamos trabalhando com eles a maior parte do tempo. Naqueles dias, havia um sistema de castas muito forte na Marinha. Novos oficiais não se misturavam com os outros homens, a não ser para dar-lhes ordens. Você não trabalharia com eles dessa maneira, nesses uniformes, naqueles dias. Eles o fazem agora, e também nos submarinos. Mas foi-nos dito para usar estes uniformes quando estivéssemos trabalhando com a tripulação, ou fazendo testes no navio.
Um terceiro homem foi-nos dado, um ajudante de nome Jack, e ele era um técnico eletrônico de primeira classe que conhecia de tudo um pouco, e tinha os antecedentes corretos. Por volta de junho, meio de junho, em um dos testes, este terceiro gerador ficou ligeiramente furioso. Começou a emitir enormes arcos, e Jack foi atingido por um deles, e ele caiu como um animal atingido. Pensamos que ele estivesse morto, e os médicos entraram e o puxaram para fora; ele estava em coma. Ele permaneceu assim por quatro meses, recuperando-se mais tarde. Ele nunca mais fez parte do projeto.
Então von Neumann olhou aquilo e disse ‘o gerador não é bom, removam-no’. Ele foi removido e nos voltamos para os outros dois geradores. Ele coçou sua cabeça, e voltou-se para o que não estava em ordem. ‘Bem, o que nós fazemos agora?’. Decidimos continuar. A Marinha, é claro, o estava pressionando neste meio tempo, ‘Você tem que levar esta coisa adiante’. Eles fizeram um monte de testes. Eventualmente, em fins de junho, começo de julho, eles decidiram, o navio ali há tempos saiu do dique seco e foi assentado na zona portuária, no estaleiro da Marinha em Filadélfia. Nós, a propósito, tínhamos um escritório lá, no topo de um dos prédios. De alta segurança, com uma vista para o porto. Eles decidiram que o Eldridge iria para o mar para ser experimentado, o que era normal. Então ele passou três dias no mar. No meio de junho, num cruzeiro de adaptação. Tudo estava certo. Ele não tinha levado sua tripulação especial desta vez. Levou uma tripulação normal. E ele voltou, tudo estava ótimo. Ele foi para o porto, para o teste final.
Finalmente, a 20 de julho, eles decidiram que o navio estava pronto para o teste final. Então a tripulação especial de teste foi reunida, o capitão que iria comandar o navio, um homem de nome Hangle, Capitão Hangle, um capitão da Marinha, foi a bordo. Ele não era o capitão definitivo. Todos os 22 foram para bordo, nós inclusive. Como o filme mostrou, o navio saiu para sua posição, sua localização no porto. Às 09:00 horas mandaram-nos virar as chaves, na verdade uma série completa delas. Havia somente dois geradores, então o filme é ligeiramente pouco preciso a este respeito. Então eles funcionaram e o navio tornou-se invisível, de acordo com os observadores. Eles o deixaram assim por cerca de 15 a 20 minutos. Disseram-nos para desligá-los e para trazer o navio de volta para o porto, e nós o fizemos. E foi somente quando fomos de volta para o porto que percebemos que havia um sério problema.
O pessoal, aquele que estava sobre o convés (havia alguns acima, e outros por baixo do convés), estavam totalmente desorientados, nauseados, vomitando, quase delirando e obviamente nada bem. Então a Marinha viu o estado das coisas, eles disseram para a tripulação sair, que eles nos dariam uma nova. Von Neumann sabia então com certeza que tínhamos problema com o pessoal, e foi dizer à Marinha “Preciso de mais tempo para estudar este problema. Precisamos descobrir o que aconteceu, e corrigir”. A Marinha disse, “Você tem uma data-limite, e ela é o dia 12 de agosto de 1943. Ou você faz o teste até lá, ou então esqueça!”. Eles não lhe deram uma razão para isso. Nem a nenhum de nós. Eu fui a Hal Bowen e perguntei-lhe de onde esta ordem viera. Ele nos dera a ordem. Ele disse ‘Eu não sei, mas descobrirei de onde ela veio’. E finalmente ele descobriu, através da cadeia de comando, que ela viera da CNO, ou seja, do Chefe de Operações Navais (Chief of Naval Operations), o que ele achou algo peculiar. O Chefe de Operações Navais incumbia-se de conduzir a guerra, onde os navios iam, o que eles fariam. Ele não se preocupava com os detalhes de um projeto de engenharia realizado em um estaleiro em Filadélfia. Eu vou dizer-lhes, se há um projeto de engenharia de alguma espécie, então alguma coisa está acontecendo. Ela provavelmente veio de um nível ainda maior. Bem, nós tínhamos a data, von Neumann e todos mais trabalhavam dia e noite tentando fazer as correções. A Marinha decidiu, neste meio tempo, que eles não queriam invisibilidade total. Eles queriam somente invisibilidade ao radar. O raciocínio por trás disto era que, à época, claro, nós não tínhamos coisas tais como sistemas de guia por inércia, ou sistemas mundiais de navegação Loran e Shoran. Um é em baixa freqüência, e o outro em freqüência média. Tudo que você precisava para navegar era a luz do sol, o olho e o radar. Se você fizer o navio invisível ao radar à noite, você não pode dizer onde ele está, a menos que ele esteja opticamente visível. Se ele estiver opticamente invisível, você pode abalroar um navio que esteja perto. Este era o pensamento, e eles disseram, não queriam mais invisibilidade óptica. Von Neumann disse que podíamos modificar o equipamento para isto, e ele o fez.
E a data fatal chegou, 12 de agosto de 1943. Voltamos outra vez para o porto. Todos estavam um pouco inseguros, meu irmão e eu em particular. Então nós fomos para a base, as ordens vieram para abaixar as chaves, para ligar o equipamento. Por cerca de 60 a 70 segundos, tudo parecia bem. Eles tinham a sua invisibilidade ao radar, você ainda podia ver o navio, o seu contorno.
Então, houve um relâmpago azul, e o navio desapareceu totalmente. Neste momento, claro, von Neumann entrou em pânico. O navio desapareceu completamente, e eles não sabiam o que tinha acontecido com ele. Cerca de quatro horas mais tarde o navio reapareceu no porto, no mesmo lugar onde ele estava. Era bastante óbvio, quando ele reapareceu, que alguma coisa estava errada. Eles enviaram uma equipe em uma lancha, porque eles não tinham tido respostas aos sinais de rádio. Eles tiveram indicações de que alguma coisa estava seriamente errada. Eles já podiam ver isto, porque a antena na superestrutura estava quebrada. Então a equipe foi para lá, e quando subiram a bordo, encontraram o seguinte:
Dois homens embutidos no aço do convés; dois homens embutidos no aço do anteparo; o quinto homem estava com mão embutida no aço do anteparo ¾ ,ele estava vivo. Eles cortaram sua mão fora e lhe deram uma mão artificial. Pessoas andando de um lado para outro, completamente malucos, realmente insanos, fora de si.
Pessoas que apareciam e desapareciam. Alguns estavam em chamas, se vocês se lembram da história bíblica acerca do arbusto ardente, que queimava sem se consumir. Alguns homens estavam assim. E todos estavam seriamente desorientados. As únicas pessoas que escaparam a esta desorientação foram os que estavam
sob o convés, o que incluía a mim e ao meu irmão. É aqui que entra a parte mais interessante da história.
O que aconteceu ao navio e o que deu errado. Nós saltamos sobre a amurada esperando cair na água; ao invés disso, nós caímos em 1983, 12 de agosto de 1983, em meio de um outro projeto chamado Projeto Fênix (Phoenix Project), em Montauk, Long Island, à noite, do lado de dentro de suas cercas periféricas. Eles tinham conseguido tornar aquilo operacional, à época, e tinham guardas, cães, e um helicóptero regular de patrulha. Nós fomos iluminados pelo holofote de um helicóptero; nós não sabíamos o que era um helicóptero. Os guardas vieram, agarraram-nos, e nos levaram por umas escadas abaixo. Havia cinco níveis no subterrâneo até Montauk, e era lá onde a maior parte do equipamento estava. E nós fomos apresentados ao dr. von Neumann. ‘Bem, quem é você?’. ‘Eu sou o dr. von Neumann’. Nós estávamos mais do que chocados, porque tínhamos acabado de deixá-lo, em 1943 ele era um homem relativamente jovem, e ali estava um homem bem mais velho se apresentando como von Neumann. Ele disse rapidamente para nós o que tinha acontecido, o que estava acontecendo, porque ele possuía os relatórios finais. Aquilo era uma longa história. Como isto acontecera? E ele disse, “Cavalheiros, vocês precisam voltar e desligar o equipamento no Eldridge; isto já aconteceu, de acordo com os nossos registros, mas ainda não aconteceu na realidade, não tinha acontecido ainda, mas vocês precisam voltar lá e fazê-lo. Nós não podemos desligá-lo daqui. Não podemos desligar esta estação; o que tinha acontecido era que as duas experiências no tempo, distanciadas exatamente quarenta anos no tempo, tinham se acoplado uma à outra, o que criou um buraco no Hiperespaço, que sugou o Eldridge para dentro dele.
“Em um sentido vocês tiveram sorte; vocês saltaram do navio e caíram aqui”. A outra pessoa, a propósito, ainda está a bordo, fechada dentro de uma bolha de energia que rodeia o navio. Ele disse, “Esta bolha no Hiperespaço está se expandindo, e vai criar alguns sérios problemas; não sabemos quão longe isto irá, se não o desligarmos. Poderia engolir parte do planeta”. Havia um monte de especulações; ele percebeu que isto era uma coisa da qual estes não tinham nenhum conhecimento, e eles tinham que estabelecer o controle pelo desligamento do elemento principal que estava gerando o campo, e este era o Eldridge. O Projeto Fênix — não vou contar sua história aqui, mas neste momento, que acontecera ser o último dia que ele estava on-line, tinha a capacidade, naquele momento, já tinha tido há ano e meio para dois anos um total controle do tempo, e eles podiam mandar-nos de volta ao Eldridge, o que eles fizeram. Eles disseram, você tem que fazer o que for necessário para desligar o equipamento, esmagá-lo, se for preciso. Foi o que fizemos. Nós pegamos os machados e esmagamos tudo que estava à vista. Os bastidores com válvulas a vácuo, as chaves de energia, tudo que formava o circuito de controle, e os geradores pararam, eles vagarosamente pararam de girar, até pararem por completo, e as coisas começaram a se restabelecer e a voltar ao normal, i.é, o navio voltou ao seu lugar no porto. Ao mesmo tempo, um outro após uma passagem de cerca de três ou quatro horas, naquele momento, eu fiquei no navio. Meu irmão decidiu, de fato, como me lembro, que ele tinha ordens para retornar a 83, então ele saltou sobre a sua amurada de novo. Ele acabou em 83.
Eles abordaram o navio; encontraram, é claro, a antena quebrada. O equipamento no convés estava intacto. O equipamento abaixo do convés, no buraco, estava desmantelado, conforme eu disse, e eles viram o estado terrível que estava o pessoal. Bem, eles não podiam levar o navio de volta com o pessoal. Trouxeram outra
tripulação, e levaram o navio à base, e tiveram reuniões por quatro dias com von Neumann, Le Bon, Hal Bowen, Batchelor, e inúmeras outras pessoas. “Bem, o que fazemos agora”. Então eles decidiram que fariam mais um teste, eles reconstruiriam o equipamento, mas desta vez o teste seria sem pessoas a bordo, como tinham feito da primeira vez com outro navio. Eles reconstruiriam e refariam a fiação elétrica no Eldridge. Então, no final de outubro, eles levaram o navio para a parte mais exterior do porto, à noite, levaram-no com uma tripulação comum, que logo deixou o navio. Eles tinham milhares de metros de cabo, então eles podiam ligar o equipamento, e tinham esperança de poder desligá-lo. Na hora apropriada, por volta de 10:00 horas da noite, ou 22:00 horas pelo horário da Marinha, eles ligaram o equipamento e o navio imediatamente desapareceu. Agora, isto leva às lendas, às histórias apócrifas do Eldridge aparecendo no porto de Norfolk, Virgínia, e muitas pessoas relataram isto, ele foi visto lá por dez ou quinze minutos, e desapareceu. Então ele voltou ao porto em Filadélfia. Quando ele voltou, eles não tiveram que desligar o equipamento, pois já estava desligado, e metade dele tinha desaparecido. Eles viram que dois gabinetes transmissores e um dos geradores tinham desaparecido. A sala de controle estava em ruínas fumegantes. Ninguém havia feito aquilo, mas estava assim. A Marinha concluiu que aquilo era algo do qual eles não nada conheciam, e eles decidiram descartar totalmente o projeto, naquele ponto. Mandaram o Eldridge de volta para o estaleiro, retiraram tudo, reequiparam-no como um navio normal, o que ele era, e ele foi mandado para o mar como um navio normal, com um capitão normal, o qual tinha sido designado em agosto, em 22 de agosto ele foi batizado após o segundo teste, o qual foi o desastre real.
Ele teve uma ação normal no mar durante a guerra. Em 1946, ele foi ancorado e deixado às traças, junto com muitos outros navios. Em 1950, o presidente Truman fez a transferência de cerca de cinqüenta destróieres para a Grécia e outras nações da Europa. O Eldridge era um deles. Ele foi para os gregos. A Marinha rebatizou-o de Leão. A Marinha tido tido repetidos problemas com todos eles, e eles tiveram que despojá-los, repintá-los e reequipá-los, e fora isto eles não tinham mais problemas. Ele pode ainda estar em serviço na Marinha grega, pelo que sei. Eles não descartam navios tão rápido como nós fazemos. Mas eles também herdaram o diário de bordo, o diário de bordo do Eldridge. Como as leis marítimas declaram, o diário de bordo deve ir com o navio. Bem, ele foi. Quando eles o abriram, encontraram uma coisa muito interessante. Todas as páginas do diário anteriores ao dia 1 de janeiro de 1944 estavam desaparecidas, e não havia nenhuma história do que tinha acontecido ao navio. No que concerne ao diário de bordo, os gregos não podiam fazer nada sobre isto. Eles não podiam reclamar à Marinha, senão esta não mais faria o favor de dar sobras para eles. Então, este foi o fim da saga do Eldridge.
O projeto foi fechado. Neste momento, há um outro aspecto interessante que eu esqueci de mencionar, e que figura na história toda. Aproximadamente seis dias antes do teste final com o Eldridge, em agosto, aquele que foi um completo desastre, três UFOs apareceram sobre o Eldridge. A que altitude, eu não sei. Não me lembro de tê-lo visto. Meu irmão o viu, assim como outras pessoas. E ficaram por ali, imóveis. Agora, o que eles estavam fazendo, nada sabemos, apenas que eles estavam lá, observando. No momento do teste, quando o navio desapareceu para dentro do Hiperespaço, um daqueles UFOs desapareceu com ele. Ele ficou encerrado em um subterrâneo, em Montauk. Ele foi sugado através do Hiperespaço, e terminou no subterrâneo, intacto! Mais tarde, ele foi desmontado.
Agora, depois de o projeto ter sido fechado, von Neumann mudou-se, é claro, para Los Alamos, no Novo México, porque ele foi trabalhar com Oppenheimer no projeto da Bomba Atômica. O projeto foi um sucesso, é claro. Eles também tiveram problemas, mas não é necessário falar sobre isto. E a disputa que havia existido por vários anos entre a Marinha e o Exército, sobre de quem seriam as armas secretas que seriam usadas para ganhar a guerra, foi ganha pelo Exército e o projeto da Bomba Atômica. Leslie Groves espalhou isso. Nós somente podemos especular, agora, sobre o que poderia ter acontecido se o teste da Marinha tivesse sido bem sucedido: eles provavelmente teriam recebido todos os fundos, e provavelmente teriam despachado peças do equipamento para todos os navios da Marinha, e até talvez da Marinha Mercante, porque esta estava também muito interessada, à época. Um cavalheiro de nome Carl Allende, comumente chamado, de acordo com as histórias que tem circulado por anos, “Carlos Miguel Allende”, era um observador no SS Furuseth, um barco mercante na época daquele teste em agosto. Muitas histórias são contadas sobre ele; ele tem sido entrevistado muitas vezes, e certas coisas não colam, nas histórias que ele conta. Ele pode muito bem ter estado lá, mas ninguém conseguiu descobrir ainda a sua verdadeira história.
Em 47, a Marinha decidiu reabrir o projeto. Neste meio tempo, aconteceu uma pequena reorganização de toda a estrutura militar. Foi criado o Ministério da Defesa você tinha o Ministério do Exército, o Ministério da Marinha, o Ministério da Força Aérea e isto aconteceu em 1947. Você tinha Chefes do Estado Maior, Chefias Adjuntas do Estado Maior, e, é claro, o enorme edifício chamado Pentágono. Bem, a infra-estrutura da Marinha mudou, e um monte de gente fardada foi reformada. Algum deles veio ao Escritório de Pesquisas Navais, e disse para o dr. von Neumann, “vamos reabrir este projeto, ‘Projeto Arco-Íris’ (Project Rainbow). Descubra o que realmente aconteceu, e veja se há alguma coisa nisso que possamos salvar”.
Então ele fez isso, quer dizer, começou a fazer, e eu fui chamado para Los Alamos, para um lugar chamado Camp Hale, no Colorado, em companhia do dr. Vannevar Bush; e o que estava ele fazendo? Ele e Vannevar Bush eram da equipe científica a cargo da recuperação do UFO destroçado em Aztec, Novo México, em 1947. Isto foi totalmente sem o meu conhecimento, porque, no meio tempo, a Marinha tinha me encostado; e ele foi lá novamente em 1948, devido a uma outra queda, ou duas quedas de UFOs; todos os corpos estavam mortos, nestes casos. Em 1949, houve uma queda e o UFO ficou mais ou menos intacto, e eles recuperaram um vivo. Ele foi chamado “EBE-1”, e foi encontrado vagando pelos campos. Eles o capturaram, e cuidaram dele, e tentaram descobrir o que o fazia “funcionar”. Eles se comunicaram com ele ele ou aquilo. Não puderam determinar o seu sexo individual. Eles chamaram os médicos, porque obviamente ele não estava bem. Ele estava ficando pior a cada dia. Os doutores não puderam fazer muito por ele, eles não sabiam o que estava errado. Eles chamaram um botânico, um PhD em botânica. Ele encontrou o que estava errado. Aquele rapaz tinha CLOROFILA em suas veias. Ele tinha cerca de um metro e vinte de altura. Ele se parece com aqueles descritos como os pequenos cinzentos (Gray), exceto que ele não era um cinzento. Mas ele tinha clorofila em suas veias, e ele vivia da luz do sol. Então eles tiveram que conservá-lo ao sol, pelo menos uma parte do tempo. E o resto do tempo eles o mantinham oculto, e eles também o mantinham bem guardado, porque ele possuía uma característica muito estranha: eles descobriram não somente que ele era completamente telepata, e capaz de se comunicar com seus semelhantes, membros de seu grupo, mas também descobriram que ele tinha uma muita estranha e interessante propriedade ¾ ele podia caminhar através das paredes! Então eles descobriram como poderiam segurá-lo. Eles o conservavam em uma gaiola de Faraday a maior parte do tempo, e aconteceu que este se tornou o modo de transportá-los, eles e aqueles que mais tarde aconteceram de ser os cinzentos. E esta é outra história na qual não quero entrar, mas não obstante, ele
foi capturado vivo e eventualmente morreu dentro de um ano e meio a dois anos depois. Eles tiraram dele um monte de informações.
Mas antes dele morrer, um monte de coisas estranhas aconteceu. Ele se comunicou. Foi-me dito, por alguém que era do governo, que ele deu as bases para o moderno transistor para o dr. von Neumann e o dr. Vannevar Bush. Se isto é verdade ou não, eu não sei, porque os Laboratórios Bell tinham já anunciado o transistor em 1947. Mas este era um dispositivo diferente. Ele era um tablete de germânio, com fios finíssimos de ligação, e, é claro, foi desenvolvido a partir daí, se você está familiarizado com a história dos transistores. Mas, supostamente, ele deu-lhes a informação e croques para um transistor mais rudimentar, baseado em seus próprios sistemas de comunicação, o qual não era compreendido — nada era compreendido, a bordo de suas naves. Mas ele também falou ao dr. von Neumann sobre o seu problema. O problema com o Eldridge, e como basicamente, ele poderia resolvê-lo. Ele não iria lhe dizer exatamente como resolver o problema, mas disse-lhe o que estava errado, deu-lhe alguns indícios, e disse, “você tem de voltar à prancheta e resolvê-lo você mesmo. Eu não vou resolvê-lo para você!”.
Ele o fez, finalmente, por volta de 1949, depois de ‘fazer o seu dever de casa’ e depois de estudar um monte de metafísica [ocultismo]. Vocês podem imaginar um matemático cabeçudo sendo forçado a estudar metafísica e matérias do oculto; de início aquilo era odioso para ele, mas eventualmente ele tornou-se bastante versado no assunto, reconheceu o problema e foi trabalhar em cima dele.
Agora, qual era a natureza do problema, que ele finalmente veio a dominar? Era realmente básico. O navio voltou ao seu ponto de referência devido a que ele tinha um Gerador de Tempo Zero, a referência do sistema que o traria de volta. Aquilo permaneceu intacto; foram os geradores e alguns outros equipamentos que foram destruídos, mas aquele dispositivo de referência zero trouxe o navio de volta ao seu ponto de referência original, apesar dele ter andando ligeiramente no tempo.
Os humanos nascem, ou, eu diria, não somente eles nascem, mas ao tempo da concepção, como ele descobriu em sua pesquisa, com suas próprias CHAVES DE TEMPO. Agora, você teria que entrar em uma física muito obscura, deixarei de lado a matemática e tentarei simplificar. Nós não moramos em um universo com três dimensões. Nós moramos em um universo com cinco dimensões. A quarta e a quinta dimensões são o TEMPO. A quarta dimensão, claro, tem sido freqüentemente mencionada por Einstein e por outros. O conceito de quinta dimensão apareceu em 1931, em um livro de P. D. Auspinski [Ouspensky], “Tertium Organum, um novo modelo do universo”, em inglês. E ele falava de cinco dimensões em nossa realidade. Ele chama a quarta de tempo; ele nunca veio a dar nome à quinta.
Mas von Neumann percebeu, como é sabido hoje por alguns físicos, que a quinta dimensão é também tempo; é um rotator, um vetor, que gira em volta de um primeiro vetor primário, o qual indica o fluxo e a direção do tempo. O fluxo é imaterial. Podemos dizer que ele está se movendo para a frente no tempo, e isso devido ao seu aspecto, e à nossa referência. Nós não sentimos o tempo, mas ele flui a uma razão razoavelmente estável. E este outro vetor girando à sua volta, não nos concerne… normalmente.
Contudo, a cada pessoa, no tempo de sua concepção, é dado um conjunto de chaves, se vocês desejam (é parte da estrutura genética), para o ponto no tempo ao qual aquele indivíduo está ligado pela concepção, de forma que aquele indivíduo flui com o tempo e ele nasce e vive uma vida que está ligada a cada coisa em volta dele, tudo que ele vem a conhecer, todos seus amigos, família, escola, o que seja, e ele não desliza nem para a frente nem para trás deste ponto de referência [no tempo] que é usado para ele. Assim é, normalmente.
No caso do experimento com o Eldridge, a potência era tão gigantesca que rompeu esta referência temporal daqueles indivíduos que estavam diretamente expostos aos campos, ou seja, os que estavam sobre o convés. Eles perderam sua referência temporal. Uma vez tendo o navio voltado, foi quando o problema começou. Contanto que ele estivesse no Hiperespaço e os geradores estivessem ligados, eles estariam encerrados dentro do campo. Até onde sei, nenhum outro saltou da amurada, exceto nós dois. Em retrospecto, eu me pergunto se nós tínhamos mesmo feito aquilo, mas não obstante nós o fizemos, e os eventos que aconteceram, aconteceram. Quando os campos entraram em colapso, aqueles indivíduos, tendo perdido sua referência temporal correta para aquele ponto, e que estavam seguros e contidos pelo campo, ficaram à deriva. Alguns deles deslizaram totalmente para fora da realidade, outros ficaram à sua margem, e tiveram sorte se conseguiram pôr os pés no convés, e alguns deslizaram e finalmente se materializaram, como aconteceu, dois no convés, dois nos anteparos, e um com sua mão na parede, e isto foi devido ao fato de que eles tinham perdido sua referência temporal, e eles deslizaram, e sucedeu de deslizarem de volta. Alguns jamais voltaram de todo! Outros, estranhamente, desapareciam e se rematerializavam, repetidamente!
E houve aqueles estranhos casos dos que estavam em fogo, tal como na história bíblica do arbusto ardente que não se consumia. Houve vários indivíduos nesta condição. A Marinha gastou uma fortuna em equipamento eletrônico para corrigir o problema. Eventualmente, eles o fizeram, mais ou menos. Mas todos ficaram de quarentena por um longo período.
A Marinha jamais admitirá que este experimento aconteceu. A Marinha fez um monte de inquéritos. O Ministério da Marinha expediu muitas cartas padronizadas, negando que tivesse acontecido um experimento deste tipo. Eles não negaram a existência do Eldridge, mas eles negavam que o experimento tivesse acontecido. E, em 1979, quando William Moore e Berlitz escreveram seu livro e o distribuíram, Moore estimou que até ali a Marinha tinha gasto um total de dois milhões de dólares somente respondendo perguntas sobre o Experimento Filadélfia, com cartas padronizadas que eram enviadas. Eles ainda negam que aquilo aconteceu.
Em todo caso, von Neumann fez o seu dever de casa, percebendo que ele precisava de um computador para resolver os problemas relacionados com o pessoal. Então ele voltou à prancheta, como se diz, para o Instituto, e ele desenvolveu o primeiro computador completamente eletrônico. Naquela época não havia computadores eletrônicos. Von Neumann é o pai do moderno computador eletrônico. Isto é bem conhecido e bem documentado. Por volta de 1950 ele tinha alguma coisa funcionando, e em 52 eles já tinham um modelo completo funcionando, e livros estão ainda nas prateleiras do Instituto, a (maior parte?) de seu desenvolvimento foi com o dr. Goldsten, que está ainda em Filadélfia, cuja ligação com o Instituto era recente. Eu conversei com Goldsten. E em 53, aproximadademente ele liberou um novo sistema para a Marinha, com um computador, com a total correção dos fatores. Precisamente o que ele fez, eu não sei. Mas eles conduziram outro teste com um navio diferente, uma tripulação diferente, com sucesso total, nenhum efeito colateral. A Marinha ficou exultante. Claro, a guerra tinha acabado, mas eles imediatamente classificaram este projeto, desistiram do nome “Projeto Arco-Íris”, e reclassificaram-no como “Projeto Fênix”.
A partir daí eles desenvolveram outros sistemas, outro maquinário, o que entra em áreas muito sensíveis; não entrarei nisto publicamente. Mas muitas coisas saíram daquilo. Entre elas vários estudos médicos, pelo menos quatro relatórios médicos foram escritos. Sei deles através de George Hoover, que era parte da comissão do Escritório de Pesquisas Navais que investigou o assunto quando ele surgiu novamente em 55 (devido às “Cartas de Allende” e ao envolvimento do dr. Morris K. Jessup). Mas Hoover me falou por telefone, ele agora está aposentado e mora na California ¾ ele disse, bem, é claro que ele percebeu, e ele disse, Moore não não tinha percebido, que havia muitos outros projetos sendo realizados à época, e, é claro, ele sabia sobre as experiências de desmagnetização [degaussing experiments].
Ele disse também que, como resultado do Experimento Filadélfia, ou Projeto Arco-Íris, um monte de estudos médicos foram feitos. Ele disse, nunca antes na história tinham sido a mente e o corpo humanos sido sujeitos a tão intenso campos magnéticos, a tão poderosos campos eletromagnéticos. Eles não sabiam quais seriam as conseqüências. Ele disse, eles descobriram, como conseqüência daqueles estudos, que as conseqüências eram enormes. Ele disse, havia muitos relatórios valiosos. E certamente havia; muitas outras coisas vieram dali. Bem, a Marinha resolveu o problema, eventualmente, e von Neumann permaneceu por lá.
O que aconteceu comigo? O que aconteceu com meu irmão? Eu não esqueci, mas deixarei isto para o fim. Meu irmão tinha retornado para 1983! Logo após ele ter perdido suas ‘chaves temporais’ devido a um acidente, ele envelheceu muito, muito rápido, a uma razão de um ano por hora. Ele morreu dentro de poucos dias. Eles tentaram mantê-lo vivo com outro maquinário que eles tinham desenvolvido. Mas não conseguiram, e ele morreu. Mas era muito importante, por razões que não citarei agora, conservá-lo vivo. Então, se aceitarem o ponto de vista metafísico ou não, foi-me permitido ajudá-lo. Porque eu tinha voltado a 43, e houve algum trânsito de idas e vindas devido a Montauk, que estava ainda on-line por um período de tempo. Voltar ao pai e dizer, ‘Hei cara, apronte-se, precisamos de outro filho, alguma coisa aconteceu a Duncan’. Então um novo filho, o último, nasceu em 1951, e de 83 sua alma caminhou para dentro do corpo, em 12 de agosto de 1963. Tinha de ser em 12 de agosto. E ele é o homem que vocês viram naquela foto hoje. Ele tem a memória de todas as coisas, mais ou menos. Há buracos e há falhas.
Há outro elemento envolvido nisto, do porquê os dois navios ficarem presos. Tivesse aquele experimento não sido conduzido em 12 de agosto, se ele tivesse acontecido no dia 10 ou 14 de agosto, ou fosse o caso, em julho, consideravelmente mais cedo, ou tivesse sido adiado, digamos para setembro, e nós nunca teríamos ficado presos ao Projeto Fênix. Por que? Há um ponto fundamental envolvido aqui. Não são somente os homens que possuem biocampos; isto está muito bem documentado hoje. Eles começam no nascimento. Mas o planeta Terra tem o seu próprio conjunto de biocampos. Isto foi descoberto bem recentemente, aproximadamente na última década. Quatro deles, e eles atingem um pico máximo a cada vinte anos. Adivinhem em qual dia? A 12 de agosto de 1963, 1983, 1943, vocês podem ir para frente ou para trás, sempre vinte anos. E isto cria um conjunto de condições muito estranhas no planeta Terra, onde há um pico de energia, um pico de energias magnéticas, e a capacidade de acoplamento, e foi isto o que aconteceu devido à culminação de datas dos dois experimentos, em 12 de agosto, e à subida ao máximo dos biocampos da Terra neste momento. As energias foram suficientes para criar o campo no Hiperespaço e o acoplamento, o que de outra maneira não teria ocorrido, e o Eldridge deslizou para dentro dele junto com o UFO, e tudo isto veio a acontecer. Isto tudo está registrado nos documentos da Marinha, nos arquivos da Marinha. Eles não os perderam. Eu sei que eles existem, eu sei de gente que teve acesso a eles, e é por isto que eu sei que eles existem. E eles não querem liberar a história, eles não querem que o público, até hoje, saiba quão desastroso foi aquilo.
Agora, existe uma interessante, podemos dizer, anedota ‘pós mortem’ desta história. William Moore, escrevendo seu livro (e a propósito, como mostrarei, houve dois livros escritos. O primeiro foi editado em 1978, “Thin Air”, era uma ficção, foi escrito por duas pessoas que eu nunca ouvi falar, George E. Simpson e Neil R. Burger. Não temos idéia de quem eles são. Não existem créditos no livro que digam quem são os autores, é uma publicação padronizada, e há muito que desapareceu)… Cerca de um ano a um ano e meio depois veio um livro mais definitivo, não-ficção (pelo menos, não havia intenção de ser ficção), escrito por Berlitz e Moore, basicamente por William R. Moore, intitulado “O Experimento Filadélfia”, originalmente encadernado, e depois, claro, em brochura. ele tornou-se bastante popular, eles venderam mais de dez milhões de exemplares até agora. Eu não sei quem o está imprimindo agora, mas é uma co-edição.
Moore, em sua pesquisa, nunca poderia extrair a data exata da última experiência; ele jamais teve qualquer noção do “Projeto Fênix” ou do acoplamento, ou da natureza real do desastre. Ele entrevistou o dr. von Neumann. Ele entrevistou-o, e chamou de “dr. Reinhardt”, no livro. De um modo bastante interessante, eles também entrevistam um dr. Reinhardt. Alguém com o mesmo nome! O dr. von Neumann.
Von Neumann não está morto! Ele ainda está vivo, nesta data. A Marinha e os registros oficiais do governo dizem que ele morreu de câncer em 1957. Bem, se ele tinha câncer, o que não sei, se ele tinha eles encontraram um modo e uma maneira de curá-lo. Eles o fizeram. Eles precisavam dele por perto. Eles o conservaram no projeto. Ele foi o diretor do Projeto Fênix até 77, quando ele desenvolveu uma muito pronunciada personalidade separada [esquizofrenia?], a qual tornou-se pior com o tempo. E ele renunciou à sua posição como diretor do projeto, e um outro o assumiu, o dr. Herman C. Unterman, da Alemanha. E ele tornou-se um consultor. Ele não está morto, ele ainda vive, mas agora ele dividiu totalmente sua personalidade, e usualmente o alter-ego, um senhor Howard E. Decker, que é bem conhecido em Nova Iorque como um negociante de sobras eletrônicas, é a única pessoa que agora se mostra, no mesmo corpo. Eu passei três horas conversando com Howard Decker, então eu sei que o homem está vivo, pelo menos até novembro de 1989. E estas fotos foram feitas em sua casa, nesta data, e a mostram em bastante mau estado. Ele se tornou, podemos dizer, um péssimo dono-de-casa, desde que sua esposa morreu.
A coisa inteira morreu, e ressurgiu em essência com o Projeto Fênix. Meu irmão tinha renascido. Fui enviado para 83. Eles decidiram que não me queriam mais por perto, por quaisquer que fossem as razões. E eles me encostaram Uma completa lavagem cerebral estabeleceu uma nova personalidade, lançaram-me de volta ao passado, e eu me tornei Alfred Bielek. Com novos pais, uma falsa certidão de nascimento e uma completa história de cobertura pendurados juntos, e lembranças, as quais podem ou não ser completamente verdadeiras, mas que não obstante, estão aí. Fui bem doutrinado. Eu não tinha a mais leve idéia de que tinha alguma vez me envolvido no Experimento Filadélfia, muito menos no Projeto Fênix, pelo menos alguma vez em 86. A razão pela qual lembrei-me disso foi porque eu revisitei Long Island, que há muito tempo deixara. Fui até Montauk, com alguns amigos. Eventualmente, algumas da lembranças começaram a voltar. Elas diziam, “Você foi parte disto”. Eu dizia, “Não, não fui”. Eventualmente, lembrei-me que tinha sido.
Mas em janeiro de 88 eu comecei a lembrar-me do Experimento Filadélfia, e minha memória só fez aumentar desde então. Meu irmão lembrou-se, também. E isto foi um horrendo desperdício, eu diria, de uma carreira acadêmica que tive uma vez. As peças foram se encaixando aos poucos. Mas a personalidade básica agora permanece bastante estável como Al Bielek, e as lembranças de Edward A. Cameron vem e vão, mas elas estão muito mais agora lá, particularmente dos anos anteriores, e que vão até e por todo o experimento. De 43 a 47, uma boa parte está em branco. Eu não sei o que mais aconteceu. Exceto que sei que em 47 eles decidiram que eu não era mais útil. De fato, eles se livraram de mim. Então esta é, basicamente, a história do que aconteceu.
Mas há outra interessante anedota a qual William Moore descobriu em sua pesquisa: ele estava também interessado em UFOs; em 1975, no final de dezembro, ou começo de janeiro de 76, ele foi visitar uma família no Canadá, que, acredito que foi em 12 de setembro, tinha tido um encontro com um UFO na província de Ontário. Um fazendeiro bem comum. Ele estava se dirigindo para casa uma noite em sua camioneta, e encontrou um UFO estacionado na rodovia, ocupando o lado pelo qual ele iria passar. Não havia ninguém, nenhuma luz, nada. Ele olhou aquilo, “que ‘inferno’ é isto?”, e desviou para o outro lado, e o que ele fez? Ele praticamente atropelou um ufonauta, que deveria ter cerca de um metro e vinte de altura, em um traje prateado, que estava no meio da rodovia. Ele pisou os freios com força, por pouco não o atingindo; havia cascalho ali e ele derrapou, e aquele pequeno ufonauta, o que ou quem quer que fosse, saltou sobre a cerca a desapareceu.
Aproximadamente no dia 12 de dezembro, de acordo com Moore foi nesta data, esta família, veio a ter um monte de aborrecimentos com os vizinhos, devido aos UFOs que continuavam a aparecer na área. Estes vinham em busca de souvenires e tudo o mais, e eles não sabiam mais o que fazer para manter as coisas em paz. Eles foram visitados por três oficiais de alta patente, um dos Serviços Armados do Canadá (Canadian Armed Services), representando a província de Ottawa; um general da Força Aérea, do Pentágono; e um oficial da Marinha, do Escritório de Inteligência Naval (Office of Naval Intelligence). Eles lhes pediram desculpas. Eles disseram que o que tinha acontecido, não deveria ter acontecido. “Bem, o que vocês querem dizer, que não deveria ter acontecido?”. “Foi um acidente”. “Bem, o que vocês querem dizer com acidente?”. “Bem, não deveria ter acontecido. Fomos enviados aqui para lhes pedir desculpas formais, e para responder a quaisquer perguntas que possam ter. O que gostariam de saber?”. Esta foi provavelmente uma das poucas vezes que o governo fez isto, e eles disseram, de acordo com o relato de William Moore, que tiveram suas perguntas respondidas durante as próximas duas horas seguintes, ou mais. E entre todas aquelas inesperadas revelações do Escritório de Inteligência Naval, o oficial soltou um comentário muito interessante. Ele disse, “Oh, nós temos tido contatos com os ETs desde 1943. Foi devido a um acidente em uma experiência que a Marinha estava fazendo na época, sobre invisibilidade!”.
Fim da exposição
Então, com isto eu encerro a apresentação formal, e se vocês tiverem quaisquer perguntas, farei o melhor que puder para respondê-las. (A pessoa que fez esta fita, que gravou a conferência, perdeu a primeira parte das perguntas e das respostas. Quanto ele perdeu, não tenho idéia).

Pergunta: (?)

Resposta: O experimento se expandiu. Eles tentaram em 1948, a Força Aérea Naval (Naval Air Armed) tentou ver se eles conseguiriam por este projeto para funcionar antes que von Neumann ressuscitasse o seu, em um avião. Eles tinham um F-80 disponível para isto. Eles ligaram a ele algum equipamento mais leve. Bem, você não precisa de toneladas e toneladas de equipamento em um avião, então eles o encolheram. Colocaram um sistema a bordo do F-80, colocaram nele um piloto e um rádio-controle por terra, foram para uma determinada área e ligaram o equipamento, e depois de ele ter ficado invisível ao radar por um certo período de tempo, eles o desligaram. Tudo estava ótimo. Eles retornaram à base. Eles disseram, ok.. Bem, parecia que tinha sido. Mas não estavam seguros disso!
Eles deixaram o oficial, o piloto e o avião, de quarentena por cerca de um ano. Cerca de um ano depois, eles disseram, “Ok, leve-o de novo para cima, mas vamos mandar um observador com você desta vez. E nós vamos tentar isto de novo na mesma área”. Então eles subiram e tudo correu bem até eles ligarem o equipamento. O piloto desapareceu e nunca mais foi visto outra vez. O observador não era um piloto treinado para um F-80. Ele não podia controlar o avião, e este caiu. O corpo do observador foi recuperado, mas o corpo do piloto nunca o foi. Então, este foi o fim das tentativas de usar avião, pelo menos nesta fase. Desde então, eu entendo, eles tem feito o equipamento pequeno o bastante para colocá-lo em um avião grande. Mas isto é altamente classificado.

Pergunta: Você poderia dizer se há alguma experiência [sendo feita] em viagem controlada no tempo?

Resposta: Sim. Tem sido feita, e isto é novamente um conhecimento altamente classificado pelo governo, mas isto definitivamente tem sido feito. A viagem no tempo existe.

Você aí, tem uma pergunta?

Pergunta: Esta era uma das minhas questões, se a viagem no tempo existe. Mas ela ainda existe? Eles a estão usando? Você sabe disto?

Resposta: Ela ainda existe, e só o que direi.

Pergunta: Quando você estava falando sobre a invisibilidade do navio, falou que a primeira experiência foi ótima, e que a segunda foi aquele na qual desapareceu. O que quer dizer, acho que quis dizer isso, tanto invisibilidade em si quanto invisibilidade ao radar foi conseguida, mesmo da primeira vez?

Resposta: Isto está correto. Em termos de maquinário, foi um sucesso. Em termos do pessoal não foi, foi um completo desastre. Agora, um pouco não foi um completo desastre no primeiro teste de 22 de julho, não foi muito ruim porque eles mudaram a tripulação, e perceberam que havia um sério problema. O segundo teste poderia ter sido um sucesso completo se eles não o tivessem acoplado ao Projeto Fênix; isso em termos de maquinário. Mas ele foi um completo desastre, tanto em termos de maquinário quanto de pessoal.

Pergunta: Você disse que eles tinham que ter o seu irmão de volta. Isto era alguma coisa apenas do seu conhecimento pessoal, que eles precisavam dele ainda, ou era aquilo uma espécie, uma grade semelhante ao tempo, ou o entusiasmo comum que se poderia ouvir deles, ou os cientistas deixaram aquilo escapar, ou foi algo que eles inventaram?

Resposta: Ele precisava voltar por razões que são extremamente sensíveis, mas ele tinha de permanecer vivo tanto quanto eu e um terceiro sujeito. A única maneira de dizer isto, é que, se ele tivesse morrido e não renascesse depois dos equipamentos e projetos chegarem ao fim, poderia ter havido um problema muito sério. Então, estávamos estabilizando os fatores, colocarei desta maneira, e não irei além deste ponto. Mas ele tinha que estar vivo, e ele está vivo.

Pergunta: Você ficou entusiasmado por ter viajado através do tempo e mudado alguma coisa que aconteceu? Poderia isto causar algo que eles receassem?

Resposta: Entusiasmo, você poderia chamar assim. Eu não sei se há um termo ou expressão que já tenha visto, que descreva isto como você a viu, ou leu em algum lugar. Eu realmente não posso responder isso com um sim ou não. Eu não sei.

COMENTÁRIO: Ah, você não poderia fazê-lo! Ha! Ha! Ha!

Resposta: Perdão?

COMENTÁRIO: Você não poderia responder isto porque você provavelmente não saberia. Isto porque, se alguma coisa séria realmente acontecesse, você não poderia estar aqui para contar-nos!

Resposta: Está certo. Alguma muito séria aconteceu, claro; esta viagem não foi um passeio.

Pergunta: Assumindo que o governo está testando tecnologia desta natureza, quero saber por que não a está colocando para ajudar o planeta, para ajudar ao público e a todos neste planeta. Nós temos tantos problemas difíceis, e eles não estão usando nada disso para ajudar. Por que?

Resposta: Bem… para responder a esta questão, terei de dar-lhe uma resposta em duas partes.
1. Nós temos tido uma tecnologia dupla por pelo menos um século, talvez mais, na qual há desenvolvimentos tecnológicos que tem sido negados ao público, e que tem se mantido nas mãos de uma elite controladora, se vocês quiserem, por pelo menos um século, ou talvez um século em meio, porque esta base tecnológica vem desde 1800 ou antes. E na medida do por quê isto não foi liberado nesta época, ou não o é agora devido aos problemas que temos. Se você tem os meios para fazer as coisas, como por exemplo, viajar no tempo, ou desenvolver novos sistemas de energia, ou novos sistemas de comunicação, ou então viajar para outros planetas; se você encerrar estes desenvolvimentos dentro de um pequeno grupo, um grupo controlador, você pode literalmente controlar o planeta e humanidade. E se você não deixar o resto do público saber o que está acontecendo, você pode então controlá-lo, de dentro deste grupo.
2. Há um outro problema, chamado enfraquecimento econômico. Se você for liberar alguns destes novos desenvolvimentos, muito rapidamente, e muito cedo, você quebra totalmente a nossa atual base econômica, que é baseada em combustíveis fósseis, geração de energia elétrica através de fios e transformadores e coisas assim, comunicações como as conhecemos, aviões a jato como os conhecemos, e foguetes químicos para levar-nos à Lua. tudo isto está baseado em nossa atual indústria, nossa atual sociedade e nossa atual economia. Você não pode substituir isto rapidamente da noite para o dia. Por outro lado, você pode destruir a base econômica. Estou certo que isto será liberado, em algum tempo. Mas não está sendo liberado agora. Esta é uma das razões porque você não pode brincar com a base econômica. E, além do mais, aqueles que são beneficiados com isto, em termos de lucros gigantescos, como as companhias de petróleo, não vão distribuir seus lucros conosco. Este é somente um exemplo. Não significa que só existam estes.

Pergunta: Você pode, com esta tecnologia, voltar no tempo, para, digamos, 1843?

Resposta: Você pode ir no passado tão longe quanto queira, ou ir para o futuro tão distante quanto queira, contanto que o equipamento o leve lá. Sim.

Pergunta: Isto agora é parte também da tecnologia do bombardeiro Stealth?

Resposta: Existem alguns rumores neste sentido. Isto é uma parte dele. Sim.

Pergunta: Você disse que não tinha nenhuma lembrança disto até 83 ou por aí?

Resposta: 88.

Pergunta: Okay. De onde vieram a informação para o livro e também para o filme?

Resposta: O primeiro livro nós realmente não sabemos. Para o outro, o dr. Reinhardt, definitivamente identificado como dr. John von Neumann, que foi entrevistado e deu um monte de informações. De onde as outras vieram? Eu não sei. Eles não foram muito longe nos arquivos, porque a Marinha não os está liberando. Quanta informação está perdida por aí, eu não sei. Moore andou muito, e fez um bom trabalho de pesquisa para nós, sob a Lei de Liberdade de Informação (FOIA – Freedom of Information Act), liberando algumas das informações; ele realmente não conseguiu muito da Marinha, porque a Lei de Liberdade de Informação não estava em vigor, acho, até cerca de 1981. E ele passou muito tempo tentando tirar o que pudesse de quem encontrava.
… : Ivan T. Sanderson, ele nunca escreveu um livro sobre este assunto, ele morreu em 1973, era muito interessado no Experimento Filadélfia em si; de fato, algum material seu caiu nas mãos de Moore, e foi aí onde este conseguiu alguma coisa. Mas onde ele obteve basicamente a informação, eu não sei. Uma ou outra entrevista, uma entrevista em algum lugar por telefone com Allende e quem quer que fosse. Eu nunca conversei com Moore, eu não sei onde ele arranjou sua fonte, ou as suas fontes de informação.

Pergunta: E que tal o filme?

Resposta: O filme foi produzido pela EMI Thorn. A Thorn Industries existe desde alguma época entre 1820 e 1830, no século 19. Era uma indústria inglesa que produzia instrumentos científicos para a Inglaterra e para a Europa. Ela foi assumida em 1850 pelos irmãos Wilson, que a herdaram de sua mãe. E eles ficaram lá até a virada do século, quando morreram. Por volta de 1980, final dos 70, começo dos anos 80, eu não sei a data exata, mas houve uma fusão entre a Thorn Industries e a EMI Corporation. E esta indústria eletrônica, com a etiqueta e os discos EMI é bem conhecida na Inglaterra, aqui, e em todo o mundo. Houve uma fusão. Quem comprou quem? Eu não sei. E eles decidiram que iriam fazer um filme. E decidiram que iriam fazer o Experimento Filadélfia!

… : Agora, durante aquele período em que estavam filmando, ou talvez um pouco antes, um certo amigo meu, de Long Island foi questionado, perguntado repetidamente, por um ator bastante conhecido, que tornou-se diretor do filme mas que não aparece nos créditos. Seu logotipo da New World Pictures esta lá, então eu sei quem ele é. Meu amigo falou que ele fez milhares de perguntas acerca do Experimento Filadélfia. Ele certamente sabia um pouco, mas não sabia tudo sobre isto. Nós achamos que ele supriu o material básico para o filme. E não foi só isto! De acordo com uma história bastante bizarra, que vocês podem aceitar ou não, em fevereiro de 1989, eu estava em Nova Iorque, junto com meu irmão e um cavalheiro por nome Preston Nichols, que fez uma apresentação para a Divisão de Nova Iorque (New York Chapter) da USPA, a Associação de Psicotrônica dos Estados Unidos (United States Psychotronics Association), que tem Clarence Robinson como presidente. Ele falou sobre o Projeto Fênix, eu falei sobre o Projeto Filadélfia, e foi feito uma fita de vídeo privado disto tudo. Nós sabíamos que alguém estava filmando. E não era para ser exibido mais tarde.
A história que Preston me contou, alguns meses mais tarde, foi bastante interessante. Ele disse que por volta de julho, ele foi visitado uma noite em seu laboratório. Alguém bateu à porta, e falou, “Preston Nichols?”. “Sim”! Eu sou Bill… tal & tal da EMI Thorn Industries da Inglaterra. Sou chefe dos arquivistas. Eu achei que você gostaria de conhecer a história. Nós temos estado procurando por você há algum”. Ele disse, “O que você quer dizer, procurando por mim?”. “Posso mostrar-lhe porque”. E ele mostrou-lhe uma foto, tirada de um álbum de família, dos Irmãos Wilson em 1890, em companhia de uma terceira pessoa, Aleister Crowley. Este é muito conhecido no meio metafísico, apesar do que possam pensar dele. Ele era aparentemente um investidor pesado da corporação, e ele viveu até os anos 50, 1950; havia também uma quarta pessoa. O quarto sujeito era a cara do meu amigo Preston, aparentando ter aproximadamente dez anos mais do que agora. Ele disse, “Nós tínhamos esta foto quando vimos a sua fita de vídeo, de você em Nova Iorque fazendo sua apresentação; nós sabíamos que finalmente o tínhamos encontrado”. Ele disse, “Posso ficar com esta foto?”. “Não”. Ele disse, “Bem, qual é a história?”.
“A história é que Crowley disse que você não era desta época (referindo-se a 1890). Você era do FUTURO! E você deu-nos a história inteira do Experimento Filadélfia, e ela tem estado em nossos arquivos desde 1890. Nós já conhecíamos a história, e tínhamos decidido somente agora, recentemente” (isto em 1983) “produzi-la”.
Bem, eles foram ao governo dos EUA pedir para filmarem em Long Island, porque eles sabiam que o outro terminal estava em Long Island, em Montauk. O governo dos EUA recusou totalmente permissão para eles chegarem perto do lugar. Foi então que eles foram para Wendover, Utah, para o outro terminal do 84, como eles o chamavam, experimento 84. Eu conheço Wendover, Utah, porque trabalhei em Salt Lake City, e visitei-a um monte de vezes; é a velha Base da Força Aérea de Wendover, a qual foi usada intensamente durante a Segunda Guerra Mundial. Mas foi assim, acreditem ou não (Ripley* adoraria esta), a história de como eles conseguiram o roteiro, ou o material básico para fazer o roteiro do Experimento Filadélfia. Eles o enfeitaram, é claro. Ele admitiu isto. Colocaram mais coisas para tornar mais interessante a história. O lado amoroso, as viagens à Califórnia e tudo o mais. Então, uma boa parte dele é ficção, mas a história básica foi um fato real, que eles aumentaram para fazer o filme.

Pergunta: Você estava um pouco relutante em falar sobre outros altamente classificados projetos que conheceu, mas obviamente o Experimento Filadélfia é altamente classificado também. Por que?

Resposta: Teoricamente, o Experimento Filadélfia foi desclassificado. Existe uma lei, um estatuto que diz que qualquer projeto do governo que não seja classificado, é automaticamente desclassificado após quarenta anos. Agora, aquele experimento tomou lugar em 43, ele foi terminado em 43, como conseqüência, quarenta anos se passaram até 83. Então, teoricamente ele foi desclassificado em 83. Agora, um projeto qualquer pode ser desclassificado, mas o governo tem meios de esconder as referências a ele que existam nos arquivos, de modo que você só pode encontrá-lo se souber os códigos numéricos apropriados. Manuais ou relatórios técnicos podem não ser desclassificados. Há uma lei que diz, se for no interesse da segurança nacional, relatórios técnicos e outras informações pertencentes a projetos desclassificados podem não ser liberados. Como um exemplo típico, depois que a Segunda Guerra Mundial terminou, alguns anos depois, as bombas Norton K2 começaram a ser mostrados nas lojas de excedentes de guerra, em Nova Iorque e em todo lugar. Eles as estavam vendendo com preços que variavam de 2.500 até 200 dólares cada uma. Você podia comprar a coisa completa, intacta! Mas você não podia colocar as mãos nos manuais, dizer o que elas faziam, ou como usá-las, porque eles estavam classificados como altamente confidenciais, e ainda estão. Mas o equipamento em si está totalmente desclassificado.

Pergunta: Eu tenho duas perguntas. Uma delas tem a ver com sua viagem ao futuro, onde viu o doutor que estava encarregado do Experimento Fênix, e que estava encarregado também do Experimento Filadélfia. Você sabia que tinha ido, e então você voltou. Você sabia que estava no futuro, mas na época o doutor não sabia. Isto está correto?

Resposta: Não, não, ele sabia, ele em 83 sabia onde ele estava.

Pergunta: Ah, mas em 43 ele não sabia.

Resposta: Não, ele não sabia disto na época. eu eventualmente disse-lhe o que estava acontecendo, e é por isto que ele escreveu um relatório, porque ele veio a conhecer os fatos.

Pergunta: Quando isto foi escrito, em 43 ou em 83?

Resposta: Em 43 houve uma série de relatórios que foram escritos, e ele conhecia os fatos, sabia o que tinha dado errado no acoplamento do futuro. E foi-lhe pedido em 47 que ele ressuscitasse o experimento.

Pergunta: Mas é sobre isto que eu estou curioso: se você teve de contar-lhe que o havia visto no futuro, e ele estava quase o mesmo…

Resposta: Ele não acreditou nisto. Ele muito certamente não acreditou nisto no início; eventualmente, ele passou a acreditar!

Pergunta: Você o persuadiu disto?

Resposta: Perdão?

Pergunta: Foi devido à sua persuasão que ele acreditou em você?

Resposta: Nããoo! Não foi inteiramente devido a isto, havia outros elementos envolvidos.

Pergunta: A segunda pergunta tem a ver com o comentário daquela outra pessoa sobre Pearl Harbor, dizendo que dentro de algum tempo nós iríamos estar em guerra com o Japão, e eles estavam vindo bombardear Pearl Harbor. Eu não sei, pode ser que esteja errada, mas eu pensava que Pearl Harbor tinha sido uma completa surpresa para nós?

[……A audiência ri e se manifesta com algum barulho….]

Resposta: Desculpe, senhora; não foi nenhuma surpresa para a administração, eles levaram as coisas de tal modo para os japoneses nos bombardearem, e pudéssemos entrar na guerra. Isto foi planejado pelo presidente e por George C. Marshall. Os únicos no escuro sobre isto era o almirante Kenwell e o general Short, que estavam em Pearl Harbor, na época. Não lhes foi dito o que iria acontecer. Eles pediram uma Corte Marcial imediatamente depois. Eles foram afastados de seus postos, e isso quando eles pediram a Corte Marcial, porque eles sabiam que alguma errada estava acontecendo, e eles não tiveram o seu pedido atendido senão depois que a guerra terminou.

NOTA: Eu não pude compreender os nomes orientais aqui mencionados. Se algum de vocês souber, por favor, entrem em contato comigo e me deixem saber também.
C. Tippen

E quando, claro, colocados frente aos registros, dos registros capturados dos japoneses em ===ininteligível ==== e todo o gabinete de paz, e Tojo, e a coisa toda, e o modo como eles foram incessantemente empurrados por Roosevelt, até eles procurarem lavar sua honra, eles começaram a deslocar a sua frota para atacar. Eles queriam chegar a um acordo com os EUA, sem guerra!

Pergunta: Isto é de conhecimento comum?….

…Bielek continua falando…

Roosevelt não queria assim. Agora, houve alguns militares que não fizeram nada, que sabiam o que estava acontecendo. Algumas altas patentes, mas não o pessoal estacionado em Pearl Harbor.

Pergunta: Eu tenho uma pergunta. Você lembra se um dr. Harry Woo estava ligado ao Projeto Arco-Íris?

Resposta: Qual era o nome?

Pergunta: Harry Woo. Ele era um cavalheiro da quarta geração de chineses; ele era um físico ligado a R&D, a Marinha e ao Pentágono.

Resposta: Harry Wood?

Pergunta: WOO! W…O…O

Resposta: Oh! Woo. Não, não me lembro ninguém com este nome, não neste ponto. Se ele tinha alguma conexão com o projeto, é possível que estivesse em Princeton, ou algum outro lugar. Você vê, havia um monte de pessoas ligadas com esse projeto, e que não pertenciam à equipe. Quer dizer, formalmente ligados à equipe de Princeton, e eles nunca apareceriam nos registros, e eu procurei em todos os que estavam disponíveis nos arquivos. Claro, o dr. Von Neumann está lá; Tesla não, ele nunca esteve na equipe; hum, Gustave Le Bon não está lá, não encontramos nenhum registro dele, embora ele pertencesse a ela, pelo que eu sabia. Clarkston estava na equipe, mas sob um nome diferente, naquela época. Clarkston era um pseudônimo, uma cobertura; não Clarkston, ele atendia por um nome diferente, pois Clarkston era então um pseudônimo. Exatamente como Reinhardt era um pseudônimo para von Neumann. Nunca ouvi sobre este nome, não.

Pergunta: O dr. Woo, que foi designado pela Marinha para investigar os relatos de UFOs; era isto…

Resposta: Podia ser…

Pergunta: Bem, ele mencionou Rupelt. Ele encontrou e conversou com Rupelt, e ele mencionou algumas outras pessoas, e eu penso talvez que ele poderia estar ligado…

Resposta: Eu não estava envolvido neste ponto com qualquer investigação sobre UFOs, e eu estava em outro departamento da Marinha, que surgiu, aparentemente de modo simultâneo, e obviamente numa época muito posterior a agosto de 43.

Hum, você aí tem uma pergunta?

Pergunta: Sim! Você disse que em 1943 você foi para 83, e voltou para 43. E quando sua memória voltou em 88, isto mostraria que, nesta dimensão em particular, você estaria possivelmente em algum lugar em 83…. Você sabe o que estou falando? Você estava em dois lugares, em 83.

Resposta: É verdade. Em 1983, Eu era Alfred Bielek; estava trabalhando em Los Angeles, Califórnia. Eu fui mandado para bem longe da Costa Leste.

Pergunta: Então, o universo é como um holograma, no qual você pode ir para diferentes lugares no tempo, isto é somente um outro…

Resposta: Você entra aqui em alguns problemas bastante complexos, em termos de tempo. O homem que fez um grande trabalho sobre isso foi o dr. Norman Levinson (Nota: de outras vezes, Bielek chamou este personagem de HENRY Levinson, ou Levenson. Teria ele mudado de idéia, ou quem transcreveu isto bobeou? – R.A.) que não aparece em qualquer das biografias do Quem é Quem, na ciência da matemática. Ele é americano. Eu sei que ele escreveu três livros. Ele era um professor assistente de matemática no MIT [Massachusetts Institute of Technology – NT] em 1955, quando então tornou-se professor titular. E foi assim até morrer, em 1974. Ele nasceu em 1912. E ele figurou com destaque nos bastidores do Experimento Filadélfia, porque ele desenvolveu as equações de tempo de um trabalho previamente feito, e elas são totalmente classificadas. Você terá muito trabalho para encontrar seus livros. Ele escreveu um livro intitulado “Equações Diferenciais Ordinárias”, publicado pela McGraw Hill, acredito que em 1974. Tenho todos os dados, se você estiver interessado. Eu tenho os nomes, e os títulos, e os números usuais dos livros. Mas eu nunca os encontrei em qualquer das livrarias em Phoenix. Finalmente, em minha última viagem de volta ao Leste, fui até Princeton. Eu digo, se eles existem em algum lugar, só pode ser em Princeton. Bem, eles os tinham, nos cartões de arquivo. Mas não nas estantes da biblioteca da faculdade, mas no Instituto eles tinham os livros nas estantes.

Pergunta: Bem, você sabe como isso aconteceu, então você pode me dizer, ou isto é….

Resposta: Não, ele tornou-se um escritor maldito, não porque fosse uma má pessoa, mas devido, aparentemente, à natureza do seu trabalho. É por isto que não existem referências a ele, na literatura científica, eu não posso compreender isto, a não ser que seja deliberado.

Pergunta: O que eu estava dizendo é, você sabe como você estava em dois lugares… no mesmo lugar… quero dizer, em dois lugares diferentes, no mesmo ano. Você compreende que, como…

Resposta: Bem, em termos de tempo temporal, você pode dizer que eu estava em dois lugares ao mesmo tempo. Eles estavam separados. Mas em termos do meu eu, eu estava em um único lugar, no qual você terá de seguir o progresso do indivíduo através do tempo nos laços de retorno [loop-backs], quais lugares seguir, e este é um conceito muito difícil, difícil para compreender, a menos que você soubesse alguma coisa de matemática. Mesmo a matemática é muito difícil. Mas isto pode ser expresso em termos de viagem através do tempo através de vários laços [loops], você pode seguir… se você não atravessar o seu próprio caminho no mesmo lugar, senão você terá uma situação bastante desastrosa.

Pergunta: Isto acontece de uma vez?

Resposta: Perdão…

Pergunta: Isto acontece realmente, não são apenas palavras, então isto tudo acontece de uma vez? Não consigo pensar sobre isto.

Resposta: Se você estiver para atravessar o seu próprio caminho, você teria um sério problema: você pode desaparecer. Mas contanto que você não atravesse o seu próprio caminho, no mesmo lugar físico onde possa alcançar e tocar a si mesmo, então, digo, não há nenhum problema real.

Você aí, tem uma pergunta?

Pergunta: Sim, tenho duas perguntas. A primeira, é sobre a data de 12 de agosto. O modo como compreendo isto, depois de ouvir você, era que seria pura coincidência que o desastre tivesse ocorrido em 12 de agosto, e que era também uma segunda coincidência que a conexão com o Fênix também tenha sido realizada a 12 de agosto? Se nenhum delas tivesse sido realizado naquelas datas, então você não teria ligação com o Hiperespaço? Isto está correto?

Resposta: Está correto. Se não na extensão que o Projeto Fênix estava, é preocupante, por causa das séries de experiências que estavam sendo feitas há dois anos e meio, e pelo que entendi, dos registros que foram capturados, se vocês quiserem assim, por um certo amigo quando fomos lá naquela área, depois deles a terem
abandonado, eles deixaram um monte de documentos e livros para trás. Eles iniciaram uma operação no dia 1 de agosto de 1983, vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana. Agora, devido ao primeiro dos picos de biocampo em 12 de agosto, o qual a propósito, não é uma data exata, devido ao sistema de calendário, que não é absolutamente preciso, e os picos não ocorreram com traços de precisão no tempo dado aquele dia. Atualmente, poderia ser mais um dia ou menos um dia; naquele ponto não era. Se o Eldridge não tivesse feito aquele experimento no dia 12, e esperasse dois dias, com toda probabilidade não teria havido aquela ligação. Mas alguém insistia que ele tinha de ser no dia 12. Acidente? Nós questionamos isto seriamente, em retrospecto, se foi um acidente que aquela data nos tivesse sido dada. Eles sabiam muito bem que von Neumann iria espremer cada minuto e segundo que pudesse, para conseguir fazer mais testes e modificações. E portanto eles sabiam, ele faria dia 12, ou que esquecesse. E ele não era o tipo de pessoa que iria esquecer aquilo. Ele estava esperando pelo melhor, e colheu o pior.

Pergunta: Da segunda vez foi também coincidência, que eles não tinham deliberadamente montado aquilo para tentar recebê-lo, naquele momento? Ou eles sabiam que você estava vindo?

Resposta: Você está falando sobre 43 ou 83?

Pergunta: 83.

Resposta: Este foi um projeto totalmente diferente, e se a operação no tempo àquela época foi devido a algum conhecimento prévio do que estava acontecendo em 43, ou não, eu não sei. Eu não posso responder isso, porque simplesmente não sei.

Pergunta: A outra pergunta que eu tenho, parece uma espécie de objeção, nós abordamos mais cedo o bombardeiro Stealth, mas isto parece um pouco ridículo, que nós gastamos tanto em cada aeronave, por achar que aquilo funcionaria perfeitamente, provou-se que isto funciona perfeitamente, eles não podiam ter moderado (?) isto agora, e cortar os custos tremendamente?.

Resposta: Eles provavelmente adaptaram este tipo de maquinário para outra aeronave. Você se lembra da história do ataque dos israelenses a Entebe, na África, para resgatar algumas centenas de judeus que estavam sendo mantido prisioneiros lá, na época? Existe um filme documentário de longa metragem feito sobre isto. Os fatos são que quando o estado de Israel conduziu seus aviões através da África, todos os radares estavam operacionais à época. Nenhum apanhou os aviões atravessando a África. Eles atingiram Entebbe de surpresa, sem nenhum aviso prévio. Eles tinham sistemas para bloquear o radar.

Pergunta: O que você experimentou, o que você viu, quando se moveu através do tempo?

Resposta: Desculpe?

Pergunta: O que você experimentou quando se moveu através do tempo?

Resposta: É algo do qual não se tem muita experiência. É uma sensação de queda, é como você saltar de um edifício muito alto, e você não pode ver o fundo, não sabe onde está indo, ou se você cairá em um abismo, algumas centenas de metros abaixo. Você está caindo, e você sabe que está caindo, e tem o sentimento de queda, e não sabe onde está indo, ou o que o está realmente acontecendo. É algo similar a isto. Nós não sabíamos o que estava acontecendo à época, não tínhamos nenhuma idéia naquele instante, quando isto aconteceu pela primeira vez.

Este parece ter sido o fim da conferência. A anfitriã que conduzia a conferência agradeceu ao senhor Bielek por ter gasto seu tempo ali, e compartilhado a informação que ele tinha sobre o Experimento Filadélfia. Este foi o fim desta fita.
Houve uma fita anterior a esta, de dezembro de 1989, como foi dito acima na transcrição de Alfred Bielek. Parece que a EMI Thorn fez esta fita de vídeo. Se ela existe, e alguém tem as conexões certas para receber esta fita, por favor, me contate (Rick Andersen).
Uma coisa mais, se você pensa tentar localizar esta pessoa. Como foi mencionado antes, Preston Nichols parece que irá ele mesmo fazer uma viagem no tempo! Da transcrição, pelo que entendi, ele foi visitado em 1983-84 por um representante da Thorn EMI. Na foto, ele parecia cerca de dez anos mais velho. Muito bem, nós estamos agora em 1991! Mais ou menos dez anos depois de 1983-84, que ele teve esta visita da EMI!Muito em breve, este homem, Preston Nichols estará indo fazer alguma viagem no tempo. Se pudermos juntar nossos esforços, e tentar, ou localizar este homem, ou então o senhor Bielek, nós poderemos finalmente ir até o fundo da verdade destes quarentas e oito anos de mistério.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-palestra-de-al-bielek/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-palestra-de-al-bielek/

Tons, Modos, Planetas e Musas

Sentado ao trono temos Apolo, líder das musas, deus dos oráculos da poesia e das artes, representava a harmonia, a beleza e o equilíbrio. A serpente, que divide a imagem simboliza a sabedoria, é também uma alusão à Pythia, serpente dominada por Apolo. É tricéfala porque representa a memória, o tempo e a imaginação, como a mente do músico. Pode ser também uma representação das três Hespérides, guardiãs das fronteiras entre o dia e a noite, e das fronteiras entre os mundos.

No lado esquerdo da imagem observamos as nove musas, deusas inspiradoras da música, poesia, literatura e outras ciências. No sistema musical dos gregos não havia algo que hoje chamamos de notas, haviam funções. Isso mesmo, as notas eram conhecidas por suas funções e não pelos nomes usuais cuja invenção remonta ao século XI. Logo, cada uma destas funções era atribuída a uma determinada musa.

Na esfera correspondente a Terra e ao lado de Apolo temos Thalia, musa da comédia. Debaixo pra cima temos Clio a musa da história e das Epopéias, está associada à função Mene Proslambano, que por sua vez está associada ao elemento Terra e a corda mais grave dos seus instrumentos.

(Musas dançam com Apolo, por Baldassare Peruzzi)

E assim prossegue com Calíope (poesia épica), Terpsicore (dança, poesia lírica e flautas), Melpomene (tragédias e elesias), Eratho (a poesia erótica e lírica), Euterpe, musa da música, representada com uma flauta, Polihymnia, musa dos hinos sagrados e das meditações, e por fim Urania, musa da astronomia.

Do lado direito temos uma relação de modos musicais associados aos sete planetas. Estes “modos”, de que temos uma vaga ideia através do canto gregoriano, tinham um valor completamente diferente e também características que hoje são ignoradas. Em nossos dias, é quase impossível ter uma noção correta das concepções musicais desenvolvidas antes do estabelecimento definitivo do “cristianismo constantino”.

Os modos atuais são estruturados a partir da escala temperada ocidental, mas antigamente eram as únicas possibilidades para a execução de determinados sons. Na antiguidade, um modo ou uma harmonia era (ao contrário dos nossos modos modernos, simples escalas de notas) um conjunto complexo de características comparável aos utilizados pelos músicos árabes.

Havia informações quanto aos intervalos, fórmulas rítmicas, melodias típicas, tessitura, timbre de voz e instrumentos definidos para cada situação. O conjunto estava ligado a uma ideia social, religiosa, moral ou outra, determinada e, por conseguinte, simbólica. Assim, os modos, bem definidos, eram aplicáveis de acordo com a situação em que a música seria executada, se a música remetia ao culto de um determinado deus deveria ser em determinado modo, e assim para cada evento que envolvesse música.

Os modos gregos levavam os nomes das regiões de onde se supunha serem originários. O sistema dórico ou dorius por exemplo, é originário da Dórida, desenvolvido por Tarimas, músico cego que acrescentou uma quarta corda à lira, é um modo grave. E neste sistema musical esta relacionado com o Sol (Tiferet).

O modo Phrygius é atribuído Mársias, o flautista vencido por Apolo, caracterizava uma música guerreira, obviamente associado a Marte (Geburah). O modo Lydius é atribído a Anfião, o tocador de cítara, era reservado às lamentações e aos cantos fúnebres (Chesed). Mixolydius, próximo do lídio, seria devido à invenção da poetisa Safo; tanto podia apaziguar como excitar as paixões. O modo hipermixolídio, simbolizado a justo título pelas estrelas e pelo firmamento, correspondia à oitava corda acrescentada à lira.

Historicamente, os modos eram usados especialmente na música litúrgica da Idade Média, sendo que poderíamos também classificá-los como modos “litúrgicos” ou “eclesiásticos”. Existem historiadores que preferem ainda nomeá-los como “modos gregorianos”, por terem sido organizados, também, pelo papa Gregório I, quando este se preocupou em organizar a música na liturgia de sua época. No final da Idade Média a maioria dos músicos foi dando notória preferência aos modos jónio e eólio que posteriormente ficaram populares como Escala maior e Escala menor.

Vale lembrar, que estes sistemas não eram os mesmos que os hindus entendiam como sendo ragas, nem o que hoje entendemos como modos, pois no lugar de uma série de sete notas contidas em uma oitava, eles continham até dezesseis no intervalo de uma oitava dupla. E a confusão causada pela maneira negligente que os escritores os apresentaram são tão intensas que nos é impossível, hoje em dia, definir, até mesmo para os três sistemas principais, se a tônica do Lídio era Mi ou Dó e se a tônica do Dório era Dó ou Mi.

Com o temperamento da escala e a estipulação de uma afinação padrão, os modos perderam gradativamente a sua importância, visto que a escala cromática englobava a todos e harmonicamente foi possível classificá-los dentro dos conceitos “maior e menor”. Entretanto, o pouco que sabemos sobre os modos serve apenas para facilitar a compreensão do campo harmônico e sua caracterização, mas perdeu-se totalmente o significado das suas funções individuais.

Referências:

Enciclopédia de Mitologia, Marcelo Del Debbio.

Música e Simbolismo, Roger J.V. Cotte.

The Harmony of the Spheres, Joscelyn Godwin.

#Astrologia #Magia #Mitologia #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/tons-modos-planetas-e-musas

A Espada de Dâmocles dentro das Calças

Curitiba, 26 de Dezembro de 2017

dies Martis, Sol 4º in ♑ Luna 6º in ♈ Lua Crescente

 

Faz o que tu queres há de ser o todo da Lei!

 

“Deu B.O., a casa caiu, a polícia tá chegando
A mulher tá me ligando
Se esconder ela não acha
Fujo do flagrante, mando o check-in lá de casa”

Wesley Safadão, 2017

“Sentir que por detrás de toda e qualquer coisa que possa ser experienciada há algo além, que nossas mentes não conseguem compreender e cuja beleza sublime nos chega somente indiretamente e como uma pálida reflexão.”

Einstein apud Dawkins, God, a Delusion, página 5.

ajustamentoNeste último dia 24, véspera de Natal, após um longo período de trabalho bastante desgastante de quase um mês sem descanso de verdade, estávamos minha namorada e eu vendo Netflix e bebendo um carmenére reserva bem gostosinho. Lá pelas tantas, naquela pausa estratégica para fazer um xixizinho, já meio alegrão com o vinho, recebo uma daquelas perguntas que vêm da curiosidade espiritual legítima, mas que têm tudo para fazer deste Natal o último em que terei minhas bolas, caso responda de maneira menos que ideal. Decifra-me ou te DR, diz a minha esfinge exuberante, deitada em nossa cama.

Antes de desvelar a pergunta, aos prolegômenos dessa sinuca.

O filme que estávamos assistindo – muito bom, aliás! – era ‘Um Método Perigoso’, de David Cronenberg (2011). Nele temos o Lennon e o McCartney do Inconsciente, também conhecidos como Freud e Jung. Embora a visão Junguiana tenha se modificado posteriormente e evoluído para a Psicologia Analítica, naquele ponto da história os dois estão muito BFF e trabalhando juntos no desenvolvimento das idéias que comporão suas teorias posteriormente.

A trama da história concerne o relacionamento extraconjugal que o Jung safadão tem com a sua paciente Sabina Spielrein.

Após esse prólogo, vamos ao cerne do vuco-vuco.

A questão da minha parceira de vida dizia respeito à postura do tralha do Jung sob o ponto de vista de Thelema. Tendo estado ao meu lado tempo suficiente para entender que a visão Thelemita tende a esculhambar o rolê – e exemplos abundam para demonstrar como a Lei da Liberdade pode ser (mal)usada para justificar condutas babacas por aí, sua pergunta tinha um tanto de curiosidade intelectual sobre minhas baboseiras esquisotéricas e um tanto de cagaço quanto à perspectiva futura da manutenção do estado monogâmico de nosso relacionamento. Calma aí, vida… para quê essa pergunta essazora…

Sobrevivi ao polígrafo, com testículos e relacionamento incólumes, e voltei desse encontro com o ceifador para contar minha epifania.

Vi uma frase – em um grupo de Facebook chamado Memes Pagãos – que é engraçada porque é verdade na maior parte dos casos…

“Um adepto do xamanismo fumando maconha e um thelemita dando a bunda viajam em direções opostas a 80 km/h. Qual deles usa mais pretexto?”

A maior parte, não só de nós thelemitas, mas dos ocultistas em geral, não se preocupa com os aspectos cotidianos da sua prática mágicka – yama e niyama, para os patanjalétes de plantão; os caras usam thelema como desculpa para fazerem o que dá na telha e saírem esfregando o pinto em qualquer coisa que não consiga correr para longe rápido o suficiente.

Se o leitor tiver qualquer familiaridade com a visão thelêmica, poderá facilmente lembrar de exemplos do nosso querido Livro da Lei que parecem endossar essa visão libertina do conceito de thelemita.

I.22 “Nada ateis! Que não se faça diferença entre vós e uma coisa e qualquer outra coisa; pois disto resulta dor.”

I.41 “A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuseis tua esposa, se ela o quiser! Ó amante, se quereis, ide embora! Não há vínculo que possa unir o dividido senão o amor: tudo o mais é uma maldição. Maldito! Maldito seja pelos aeons! Inferno!”

I. 61” Vós devereis reunir bens e fartura de mulheres e especiarias;”

Além desses trechos, a própria biografia dos thelemitas mais conhecidos é notória por apresentar um balaio de putarias e os barracos oriundos delas, ao ponto de Thelema ser quase sinônimo de dedo no cu e gritaria.

Não obstante, preciso vestir agora meu balandrau de apologista da Lei da Liberdade, e gritar que essa não é a casa da mãe Joana, seus viado!

“1. O Homem tem o direito de viver pela sua própria lei;
de viver da maneira como quiser viver;
de trabalhar como quiser;
de brincar como quiser;
de morrer quando e como quiser.”

Liber OZ

A idéia de ‘faze o que tu queres’, imprescindível para o entendimento de Thelema, pretende que a vida seja bem vivida, e que possamos aproveitar do prazer da relação sexual (e todos os outros) sem culpas ou amarras, desde que isto não seja um empecilho para a consecução de nossa verdadeira vontade.

I.12. “Avançai, ó crianças, sob as estrelas, e tomai a vossa plenitude de amor.”

Neste sentido, a Lei de Thelema é a precursora do conceito de Hedonismo Responsável, presente na visão da Igreja de Satã, fundada por Anton La Vey em 1966 nos EUA.

Assim, a Lei de Thelema admite a possibilidade de relações sexuais como, com quem e quantos se quiser, sejam uma, duas, três ou cinquenta pessoas, e não propõe que isso seja necessariamente um impedimento para o desenvolvimento espiritual – desde que todos os envolvidos estejam de comum acordo e aceitem sua responsabilidade pelo ato.

Já nos diz o Liber OZ:

4. O Homem tem direito de amar como quiser;
“tomai vossa fartura e vontade de amor como quiserdes, quando, onde e com quem quiserdes” AL I 51

Até aí, todo mundo que sabe alguma coisa de Thelema meio que já entendeu, e parece que eu estou pregando para convertidos, reiterando a chancela à prática do oba-oba. Só que não.

Este é o momento que separa os meninos dos homens (para a tristeza dos padres católicos…), meus amigos, e que faz um thelemita guardar o pau dentro da cueca: assim como existe, no Liber Al, uma exortação à prática da liberdade e da plena realização da individualidade, existe também outra questão tão importante quanto – e quem sabe seja a mesma questão, inclusive.

II. 27 “Há grande perigo em mim; pois quem não compreende estas runas cometerá um grande erro. Ele cairá dentro da cova chamada Porque, e lá ele perecerá com os cães da Razão.”

Thelema é o entendimento de que a liberdade de ser você mesmo é um chamado a buscar ser somente a sua essência mais verdadeira e nada que não esteja ligado com sua Verdadeira Vontade. Aliás, o termo Ipsissimus, que é o grau mais alto em algumas ordens iniciáticas, é o superlativo latino do pronome demonstrativo ipse, e significa ‘próprio ou mesmo’. Dessa maneira, ipsissimus (enquanto definição semântica, e não necessariamente relacionada à uma ordem iniciática específica) significa tornar-se tão ‘você mesmo’ quanto é possível, e esta deveria ser a ambição de qualquer Thelemita.

II. 57 “Aquele que é correto permanecerá correto; aquele que é sujo permanecerá sujo.”

I. 52 “Se isto não estiver correto; se vós confundires as marcas do espaço, dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre para mim: então esperai pelos terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit!”

A maturidade da aplicação da Lei da Liberdade não é alcançada fazendo o que você quer fazer, pulando de capricho em capricho, de prazer em prazer. A maturidade do entendimento da Lei da Liberdade está em você tomar todas as diferentes partes de você e submetê-las a uma única vontade.

I.29 “Pois Eu estou dividida pela causa do amor, pela chance de união.”

Da mesma forma que em uma orquestra – em que todos os instrumentos tocam em harmonia e uníssono sob a batuta do maestro, assim também temos esta lição sintetizada sob os signos do arcano VII do Tarot de Thoth, a Carruagem, em que somente mediante o domínio das diferentes bestas-esfinges poderá o condutor da carruagem levar o veículo para a direção desejada. Antes disto, todas as bestas estão soltas e exercendo suas próprias tendências e inclinações, cada uma puxando para um lado diferente.

II. 49 “Eu sou único e conquistador.”

I.42 “Que aquele estado de multiplicidade, seja confinado e repugnado. Assim com todos vós; tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade.”

Talvez esta questão pareça um tanto desconectada do questionamento da minha namorada, mas é agora que todas as coisas se juntam para uma apoteose orgástica. Espia só!

Como Thelemita, não pode existir postura contra ou à favor de monogamia, poliamor ou suruba à priori. São todas expressões válidas de individualidade.

Contudo, responder algo dessa natureza não teria livrado meu couro da inquisição, não é mesmo? Então o que fez a diferença aos 48 do segundo tempo e me garantiu ver o sol por mais um dia?

O que eu disse para minha namorada – e que realmente é o meu entendimento da visão thelêmica aplicada à questão dos relacionamentos sexuais e de qualquer outra natureza – é que eu não vejo o comportamento de Jung no filme como desejável pelo fato de ele agir com duas posturas completamente antagônicas por temer a consequência de seus atos.

Para os que não viram o filme e não conhecem a história do Dr. Jung, o que se passa é que ele tem um caso com sua paciente, mas diante de sua esposa assume falsamente o papel de marido de moral ilibada. Curiosamente, um dos conceitos Jungianos é a noção de Persona, que vem da palavra latina usada para as máscaras de teatro. Obviamente a conceituação dentro da teoria Jungiana de personalidade é completamente distinta da aproximação que eu realizei, mas é curioso observar como o Dr. Jung acaba por vestir uma máscara nesse exemplo.

Note que o uso de máscaras sociais implica uma incapacidade de manifestação de uma coerência de comportamento, o que é algo muitíssimo comum (e até necessário para a nossa sobrevivência social), mas que deve ser gradualmente abandonada pelo adepto, para que paulatinamente possa executar a grande obra, a construção do templo e a confecção da pedra filosofal, que são alegorias para a construção dessa versão coesa de si mesmo, tão si-mesmo quanto possível: Ipsissimus.

Está escrito em Mateus 5,37: ‘Seja, porém, o teu sim, sim! E o teu não, não! O que passar disso vem do Maligno.’ Longe de mim fazer o pastor, mas essa frase é muito foda e completamente alinhada com a perspectiva thelêmica.

Ainda sobre essa questão de unidade, um dos rituais básicos mais utilizados por praticantes de magia cerimonial é o Ritual Menor do Hexagrama, e lá utiliza-se uma palavra por repetidas vezes. ARARITA. Talvez até saibamos o que as letras representam ipsis verbis, mas a apreensão real do sentido a ser utilizado é algo muito mais sutil, que escapa à maioria dos praticantes.

“Todos em Dois. Dois em Um. Um em Nada.

Assim não são nem Quatro, nem Todos, nem Dois, nem Um e nem Nada.

Gloria ao Pai, à Mãe, ao Filho, à Filha, ao Espírito Santo Externo e ao Espírito Santo Interno

como era, é e há de ser pelos Séculos dos Séculos, Seis em Um pelo Nome Sétuplo,

ARARITA” – Liber XXXVI – Ritual da Safira Estrela

Daí nêgo faz o ritual todo dia (ou deveria) e não pára para considerar o que está fazendo e dizendo. ARARITA é um notaricon (uma sigla) que nos fala sobre a unidade do Todo; só que ao invés de buscar a união do microcosmo com o macrocosmo, o praticante deveria primeiramente buscar uma união consigo mesmo dentro dessa unidade coerente e alinhada com a sua Vontade, e colocar suas esfinges-bestas sob o domínio de sua Vontade, para que a porcaria da carruagem possa ir para algum lado, percebe?

III. 4” Escolhei vós uma ilha!”

III. 5 “Fortificai-a!”

III. 6“Adubai-a ao redor com engenharia de guerra!”

O que ocorre na maioria das vezes é uma cisão entre o sujeito quando está entre seus pares no templo e a sua versão profana, que trabalha e vai no shopping. O praticante de magia cerimonial acaba utilizando seu motto mágicko como um alter ego, no sentido literal do latim, que significa ‘outro eu’, sendo quase uma esquizofrenia esotérica.

O motto mágicko não pode ser usado como uma máscara, uma persona, um alter ego, para que se esconda e se separe o trabalho interno (templo) e o trabalho externo (mundo do cotidiano).

A razão de se utilizar o motto mágicko é justamente o contrário disso. O motto representa uma morte do eu anterior à iniciação, para que essa nova existência seja completamente vivida sob a intenção do motto, que é, portanto, não uma capa que oculta, mas um estandarte a ser alardeado em cada ato, pois, como diz o careca no primeiro teorema de Magick in Theory and Practise, ‘Todo ato intencional é um Ato Mágicko.’

III. 37 “Unidade revelada ao máximo!
Eu adoro o poder do Teu alento,
Deus supremo e terrível,
Que fizestes os deuses e a morte
Estremecerem perante a Ti:–
Eu, Eu te adoro!”

Para que haja a consecução da Grande Obra, a união do microcosmo com o macrocosmo, do 5 com o 6, é necessário o trabalho árduo de depuração do indesejável e junção e transmutação do que permanece. Solve et Coagula. Apenas quando houver esta coesão, ou, nas palavras do Silvio Santos do ocultismo, Samael Aun Weor, ‘um centro de gravidade interna permanente, é que o buscador pode começar a ponderar sobre o trabalho de integração com o macrocosmo.

“11. Também eu fundi unidas a Estrela Flamejante

e a Estrela de Seis Pontas na forja de minha alma, e vede!

Uma Nova Estrela 418 que se coloca acima de todas as demais.”

Liber Ararita, p. 2

“36. Muitos apareceram, sendo sábios. Eles disseram: “Buscai a Imagem resplandecente no lugar sempre dourado e uni-vos a Ela”.
37. Muitos apareceram, sendo tolos. Eles disseram: “Descei ao esplêndido mundo da escuridão, e desposai a Criatura Cega do Lodo”.
38. Eu, que estou além da Sabedoria e da Tolice, ergo-me e vos digo: Realizai ambos os casamentos! Uni-vos com ambos!
39. Cuidado, cuidado, digo Eu, para que vós não cortejeis uma e percais a outra!
40. Meus adeptos mantêm-se erguidos; suas cabeças acima dos céus, seus pés abaixo dos infernos.” – Liber Tzaddi

Amor é a Lei, Amor sob Vontade.

Frater Melquisedeque

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Crowley, Aleister. Liber OZ

______. Liber CCXX Al vel Legis

______.Liber XXXVI Safira Estrela

______.Liber DCCCLXVIII Viarum Viae

______.Liber O vel Manus et Sagittae

______. Liber DCCCXXXI Liber Yod

______. Liber DLXX vel Ararita

Dawking, Richard. God, a Delusion

Weor, Samael Aun – Psicologia Revolucionária

Bíblia Católica Online

Frater Melquisedeque

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-espada-de-damocles-dentro-das-calcas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-espada-de-damocles-dentro-das-calcas/

A história da humanidade segundo os chineses

MIN TZU, excerto de CHINESE TAOIST SORCERY

Deuses, demônios e espíritos são imortais. Eles não morrem, eles duram para sempre. Compostos de energia Chi, eles não precisam respirar, não têm forma definida e não projetam sombra.

Uma vez que o homem está posicionado de forma única entre o céu e a terra, ele naturalmente possui a intuição e os poderes extra-sensoriais necessários para se comunicar com os deuses. Ele usa muitos métodos para entrar em contato com as divindades, como meditação, oração, feitiçaria e adivinhação. Mas, infelizmente, nem todos acreditam nos efeitos da feitiçaria, o método mais rápido e eficaz de todos. Este lamentável ceticismo tem perseguido a humanidade desde o início de sua história e impedido muitas pessoas de desfrutar da felicidade que a feitiçaria pode conceder a elas.

Se a felicidade significa alcançar tudo o que o coração deseja, então a feitiçaria chinesa é capaz de tornar as pessoas felizes. A feitiçaria é um ramo do taoísmo religioso cujos princípios esotéricos foram compilados para ajudar aqueles que encontraram o infortúnio. Agravados e enfurecidos pelas injustiças da vida, esses indivíduos sofrem a cada dia, esperando um alívio de sua ansiedade. Este alívio é possível para aqueles que recorrem ao uso de feitiçaria.

A feitiçaria pode ser facilmente colocada em prática e foi testada e comprovada sem sombra de dúvida. Por milhares de anos, muitas pessoas experimentaram a feitiçaria chinesa em sua busca para provar o leite e o mel da vida, confiando nela para ajudá-los a alcançar seus objetivos. Deu-lhes a oportunidade de mudar suas vidas e obter os poderes esotéricos com os quais transformaram seus sonhos em realidade.

A feitiçaria, sem dúvida, existe, mas o processo invisível pelo qual ela funciona não foi desvendado por cientistas, filósofos ou antropólogos porque não pode ser totalmente explicado apenas pela lógica científica. Como resultado, quando confrontados com os mistérios divinos, os intelectuais só podem disfarçar sua falta de conhecimento sobre tais assuntos desprezando-os com desprezo como superstições primitivas. Mas o fato é que o homem pode manipular as forças divinas por meio de rituais.

Muito antes de Shakespeare expressar admiração pelo número infinito de coisas inexplicáveis ​​que existem no mundo, os feiticeiros chineses compilaram uma grande quantidade de informações sobre fenômenos místicos. Eles entenderam que poucas pessoas e ainda menos empresas poderiam ter sucesso sem a ajuda da feitiçaria. Eles também sabiam que era um sinal da generosidade do Céu para a humanidade que de todas as criaturas vivas, o homem é o único capaz de invocar deuses e demônios à vontade.

No entanto, aqueles que entram no reino da magia e feitiçaria pela primeira vez devem manter alguns princípios esotéricos em mente. Em primeiro lugar, os rituais têm uma natureza dupla: podem ser usados ​​para ajudar as pessoas ou para destruí-las. Orações aos deuses trazem coisas boas para o feiticeiro e maldições lançadas sobre os inimigos trazem sua ruína. Os antigos professores de metafísica advertiram contra o uso de rituais e feitiços para fins egoístas e desonestos. Idealmente, a feitiçaria deve ser empregada para manter a boa saúde, obter riqueza e contentamento e alcançar uma vida longa. Em segundo lugar, diz-se que a maneira mais segura de alcançar a autodestruição é contar ao seu pior inimigo ou melhor amigo sobre a fonte do seu sucesso. Afinal, os amigos de hoje podem ser os inimigos de amanhã.
Existem nove níveis progressivos de feitiçaria chinesa. Seus rituais fornecerão às pessoas poder oculto mais do que suficiente para permitir que lidem com a maioria das dificuldades da vida.

VER O SOL PELA PRIMEIRA VEZ

A teoria taoísta sobre o início do universo explica que originalmente nada existia além de um Grande Vazio. O Criador Perfeito preencheu o vazio com a energia Chi fundamental até que a luz emergiu da escuridão. Eventualmente, a matéria foi formada e o nascimento do que conhecemos como nosso universo ocorreu. Sob as influências do tempo, do espaço, da energia Chi e das forças Yin e Yang, tudo começou a ocupar seu lugar no vazio gigantesco. Galáxias, constelações, estrelas e planetas assumiram suas posições no espaço.
Neste planeta, a matéria estava dividida em um céu etéreo acima e uma terra sólida abaixo, mas todo o resto estava um caos. Vulcões constantemente entravam em erupção, cobrindo a superfície da terra com lava, e o mar se movia de um lugar para outro sem restrições enquanto a terra se inclinava para frente e para trás. Terremotos sacudiram a massa sólida de terra fazendo com que se separe em continentes e forme montanhas e vales. Fogo, terra e água constantemente contra-atacavam em ciclos de turbulência violenta.

Depois de milhões de anos, os elementos desencadeados deram forma ao nosso mundo e a Terra começou a se acalmar à medida que seu campo magnético se tornava mais estável. Orbitando em torno do sol, a terra agora era acompanhada por uma lua que dava ritmo e estabilidade aos movimentos do mar. Esse equilíbrio possibilitou que formas elementares de vida aparecessem na água. Iniciou-se um ciclo positivo-negativo dos elementos água, fogo, madeira, metal e terra que acabaria por gerar as Quatro Estações, formando florestas e desertos e fazendo a vida a florescer na terra e no mar.

Para os seres humanos, a vida na Terra começou de forma dura. A tradição chinesa sustenta isso há muito tempo, quando os ancestrais do homem abandonaram sua vida nas árvores por uma nas cavernas, a energia Chi da terra ainda estava perturbada e instável. A superfície da terra estava coberta por montanhas maciças, pântanos e uma densa neblina cuja escuridão não podia ser perfurada pela luz do sol. A névoa sempre presente impedia que a luz do sol aquecesse o solo e produzia uma umidade entorpecente. Vários tipos de seres semi-humanos evoluíram das primeiras criaturas semelhantes a macacos que deixaram as árvores para viver no chão. Alguns tinham duas cabeças, um rosto de macaco ou três olhos. Outros tinham apenas um olho ou a cabeça de um animal. Havia também gigantes e anões, assim como vários outros seres igualmente estranhos.

Muitas dessas criaturas foram vítimas do mau clima, das feras e pássaros predadores e das batalhas pela supremacia que travavam entre si. Nessas escaramuças, a maioria dos gigantes foi morta pelos
homens mais engenhosos nascidos do cruzamento que estava ocorrendo entre os grupos.

Esse novo tipo de ser humano era mais aguçado do que seus predecessores e não era nem muito alto nem muito baixo. Um dos princípios chineses da natureza afirma que um homem pequeno e compacto sobreviverá melhor do que um superdimensionado, e esse tipo de homem menor, mas mais robusto, sobreviveu a todos os outros.

Essa criatura primitiva buscou alívio do frio construindo fogueiras grosseiras. Ele acendeu os fogos com as faíscas geradas por fogos naturais, esfregando pedaços de madeira ou batendo uma pederneira com uma pedra. Dessa maneira, ele duplicou a espantosa maravilha dos incêndios que viu produzidos por erupções vulcânicas e relâmpagos. Estes foram os primeiros incêndios provocados pelo homem na história. Eventualmente, ele foi capaz de fazer tochas
que ele usava enquanto vagava pelo mundo sem luz ao seu redor.
O homem enfrentou um perigo adicional na forma de animais e pássaros monstruosos que governavam a terra. As florestas eram habitadas por feras com garras que provaram ser inimigas mortais do homem. Os pântanos estavam cheios de répteis de todos os tipos que matavam qualquer um que tropeçasse neles. Serpentes voadoras ferozes, agora conhecidas como dragões, abundavam, juntamente com inúmeros outros tipos de predadores, como cobras gigantes e criaturas que eram metade pássaros e metade animais. Sua presença forçou o homem primitivo a buscar a segurança em cavernas ou lugares elevados. Ele também aprendeu a se reunir em pequenos grupos para se defender desses predadores. Ainda hoje, essa luta entre o homem e a fera continua.

A presença de animais, a falta de luz do dia e os rigores das condições climáticas incontroláveis ​​impediam as pessoas de migrar à vontade. Eles viviam em um estado permanente de semi-escuridão e era impossível para eles acompanhar o tempo. Durante esse período, deuses e demônios ocasionalmente se revelavam ao homem de maneiras que, infelizmente, não são possíveis no mundo brilhante de hoje. Através desses encontros, ele aprendeu um pouco sobre a natureza e a forma de divindades e demônios menores, e também sobre Deus e o Diabo.

Eras mais tarde, quando as energias Chi do céu e da terra estavam um pouco estabilizadas, os vulcões entraram em erupção com menos frequência e os terremotos diminuíram. A espessa neblina que cobria o mundo desapareceu gradualmente, o sol brilhou com todo o esplendor, o ciclo rítmico das Quatro Estações foi estabelecido, as florestas começaram a crescer e os rios a fluir.

Neste agradável mundo novo, muitas formas de vida começaram a florescer e o homem até aprendeu a migrar. Quando ele se espalhou por todo o mundo, a raça humana havia se dividido em cinco categorias com base na cor da pele: amarelo, marrom, branco, preto e vermelho. Uma vez que o homem começou a migrar e viajar, ele foi submetido a mudanças na vegetação e no clima que nem sempre eram boas para sua saúde e muitas vezes ele ficava doente depois de comer vegetais crus e carne crua. Felizmente, sua dieta tornou-se mais diversificada depois que ele dominou a culinária. A subsequente invenção das panelas possibilitou métodos mais sofisticados e criativos de cozinhar e permitiu que ele viajasse longas distâncias porque conseguia se alimentar com uma dieta melhor.

Este homem antigo era engenhoso. Ele inventou ferramentas que usou para tornar seu ambiente mais habitável. Como suas mãos eram menos poderosas que as patas de um animal, ele inventou armadilhas e armas afiadas. Como não tinha pelos, cobria-se com peles de animais que o protegiam do frio e da chuva.

Na China, o homem começou a medir o tempo e o espaço. Ele também descobriu a maneira de plantar e colher muitos tipos de grãos. Ele aprendeu a prever o tempo observando os movimentos das estrelas e planetas, e do sol e da lua. Ele inventou a roda e foi capaz de calcular peso e medida usando sistemas elementares de matemática e geometria. Ele desenvolveu um método básico de registro de incidentes usando um cordão com nós. Ele também começou a perceber que ele tinha uma natureza especial que o diferenciava de todos os outros seres vivos e começou a enterrar seus mortos para evitar que seus cadáveres fossem expostos à selvageria de animais e aves de rapina. Em suma, o homem tornou-se o rei de todas as criaturas da terra e estava a caminho de se tornar civilizado.

A Infância Religiosa da Humanidade

Na China, o progresso do homem primitivo foi potencializado pelo desenvolvimento de uma cultura baseada na vida em grupo. Dentro dessa ordem cultural, diferentes clãs foram formados, cada um elegendo seu próprio líder. Essa prática continuou até que os chineses desenvolveram o conceito de governo imperial que propunha que o país fosse unificado sob um homem que atuaria como seu líder político, religioso e militar. Ele seria considerado o Primeiro Filho do Céu, o Pai do Povo.

Quando o Primeiro Imperador da China chegou ao poder, ele reuniu todos os clãs separados em uma nação. A monarquia começou com este imperador, há cerca de cinco mil anos, e terminou em 1912 com o governante manchu Pu Yi, o último imperador da China.

O Primeiro Imperador foi sucedido pelo Imperador do Céu, que promoveu o aprendizado entre as massas. Ele ensinou as pessoas a calcular as horas do dia usando uma variedade de dispositivos, como o relógio de água. Quando a duração exata da noite e do dia pode ser determinada, as pessoas podem organizar melhor seus horários de trabalho e descanso.

O Imperador do Céu foi sucedido pelo Imperador da Terra, que foi seguido pelo Imperador do Homem. O governante seguinte, o Imperador do Fogo, ensinou as pessoas a usar o fogo para limpar terras agrícolas, forjar metais, e para muitos outros fins. Depois, o Imperador da Madeira ensinou seus súditos a construir casas, barcos, ferramentas e muitos outros objetos de madeira.

O calendário lunar foi inventado durante o reinado do imperador Fu Hsi, combinando cálculos de tempo, o ciclo das quatro estações e os movimentos dos planetas. A partir daí, as constelações
foram descritos como figuras e animais conhecidos pelo homem. Fu Hsi também produziu a primeira versão do I Ching, ou Livro das Mutações, e inventou a rede de pesca. Ele instituiu os princípios básicos da propriedade privada e promoveu a criação do primeiro sistema de escrita. As regras do casamento e da família também foram estabelecidas nessa época, para fortalecer a sociedade.

O Imperador Dragão da Água promoveu o desenvolvimento e classificação de ervas medicinais. Esse conhecimento provou ser uma das maiores bênçãos já concedidas à humanidade. O bordado também foi inventado durante seu reinado, para embelezar a arte da confecção de tecidos. De fato, as vestes imperiais do Imperador Dragão da Água foram as primeiras a serem bordadas com símbolos astrológicos que mostravam um conhecimento de princípios astronômicos. Os governantes posteriores promoveram invenções como o arado, métodos agrícolas cada vez mais sofisticados, como irrigação, e comércio em pequena escala com base na troca.

O reinado do Imperador Amarelo foi caracterizado por grande progresso em todos os níveis. Foi uma época de grandes invenções, como a vela, e de avanços culturais, como fundição de metais, produção de seda, tiro com arco militar, criação e uso de moedas de metal como dinheiro, pesquisa e uso de substâncias químicas (ou alquimia) e o desenvolvimento dos princípios taoístas. Este imperador foi o primeiro a criar o cargo hereditário de Historiador da Corte, que era obrigado a registrar os bons e maus eventos que ocorreram dentro do Império, e as ações justas ou más do próprio imperador. Esses registros deveriam ser usados ​​para ajudar as gerações seguintes, permitindo-lhes aprender com os erros de seus ancestrais.

Tudo estava indo bem para a raça humana, mas por causa de alguma reviravolta cósmica, nove sóis adicionais se juntaram ao próprio sol da Terra e seu calor abrasador atingiu a terra com grande intensidade. Os horríveis e enormes animais e pássaros morreram com a dramática mudança de temperatura e clima. O pântanos secos pelo calor avassalador, plantações e vegetação queimadas, e fizeram com que a água evaporasse em alta taxa, causando secas maciças.

Para sobreviver às temperaturas de fogo, as pessoas tiveram que buscar a proteção e o frescor das cavernas profundas. Eles também aprenderam a arte de construir túneis para que pudessem viver no subsolo e escapar do calor assassino. Nesses túneis, eles aprenderam a cultivar sob a terra, minerar metais, construir poços e preservar alimentos.

Com o tempo, os sóis adicionais desapareceram e as pessoas puderam emergir de suas habitações subterrâneas. Em gratidão aos deuses, eles erigiram altas pirâmides nas quais adoravam o único sol remanescente que permitiu que a vida voltasse a prosperar na superfície da Terra.
Após a calamidade dos dez sóis, seguiu-se um período de chuvas intensas. As chuvas incessantes inundaram a terra. A elevação e o deslocamento do nível do mar causados ​​pelas chuvas torrenciais quase exterminaram a população e perturbaram o clima da Terra. Poucas pessoas escaparam deste desastre e quando as chuvas pararam, ficou óbvio para os sobreviventes que o eixo da terra havia mudado. Eles perceberam isso quando perceberam que as estrelas e constelações no céu não estavam mais em suas antigas posições.

As pessoas restantes dedicaram suas vidas a drenar a água deixada pelas chuvas. Depois, eles construíram barragens e diques e pântanos secos. Este trabalho continuou sem interrupção por centenas de anos.
Entre as pessoas que sobreviveram ao Dilúvio, algumas eram sensíveis à presença de divindades. Era mais fácil para essas pessoas talentosas contatar os deuses e demônios. Os chineses chamaram esses indivíduos de “os escolhidos”. Esses poucos homens foram educados com o único propósito de sacrificar diretamente às divindades e receberam treinamento especial para desenvolver suas habilidades sobrenaturais desde tenra idade. Suas vidas eram totalmente dedicadas à religião. Eles se comunicavam com o mundo dos espíritos por meio de cerimônias religiosas e atuavam como intermediários sagrados entre as pessoas e os deuses.

Quando os deuses se comunicaram com esses primeiros médiuns sacerdotes, eles lhes deram informações sobre o submundo. Os sacerdotes receberam detalhes sobre as origens da humanidade e a existência de forças poderosas no mundo além. Os deuses também revelaram os nomes e graus de divindades menores e maiores e seu grau de influência sobre o mundo do homem.

Em geral, o relacionamento pacífico que existia entre o homem e os deuses nessa época refletia as influências celestiais benevolentes predominantes na Terra. Nenhum lado exigia muito do outro; os deuses recebiam sacrifícios cerimoniais das pessoas e concediam seus desejos prudentes em troca.

Há cinco mil anos, durante o reinado do Imperador Amarelo, surgiu uma escola de conhecimento chamada Taoísmo. Continha informações sobre alquimia, religião e muitos outros ramos do conhecimento. O taoísmo religioso ensina que existem três forças principais que governam o mundo espiritual. Eles são os dois grandes poderes opostos, mas complementares – Deus e o Diabo – e seu governante, o Ser Supremo.

Deus é uma expressão benevolente da força universal do Chi, que deseja o bem ao homem e mantém a paz na terra. O Diabo é negativo por natureza, odeia a paz e só quer guerra, desordem e luta para reinar neste planeta. Essas duas forças divinas, também chamadas de Yin e Yang pelos antigos, travam uma batalha eterna, cada uma tentando vencer a outra. O Ser Supremo é o poder inigualável que mantém o equilíbrio entre Deus e o Diabo. Deus, o Diabo e todos os outros deuses e demônios menores estão subordinados a esse poder augusto e singular. Este Criador Perfeito é o começo e o fim de tudo que existe.

De acordo com o taoísmo, o bem e o mal não podem destruir um ao outro, caso contrário o equilíbrio universal seria rompido e a terra destruída. Esses dois poderes divinos possuem igual força e influência sobre o mundo do homem e se um se tornasse superior ao outro, ambos desapareceriam e o universo desapareceria junto com eles.

O Ser Supremo, Deus e o Diabo formam um Triângulo Sagrado que preside o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Homem, Terra e Céu formam outro triângulo que, quando combinado com o primeiro, cria a estrela de seis pontas. Este duplo triângulo é um dos símbolos mais conhecidos do misticismo taoísta.

Antigamente, as pessoas aprendiam rituais com os sacerdotes e tudo ia bem entre os homens e os deuses. Mas o Príncipe das Trevas ficou com ciúmes desse relacionamento acolhedor e começou a perturbar a harmonia espiritual prevalecente. Os primeiros sinais de sua influência perniciosa foram vistos quando algumas das pessoas que antes se contentavam com sua sorte egoisticamente começaram a usar rituais sagrados para pedir aos deuses poder pessoal, aparentemente sem medo da retribuição divina. Como as pessoas já possuíam alguns rituais de grande valor, os sacerdotes não conseguiram fazê-los exercer a prudência uma vez que provaram seu poder. A desordem religiosa se seguiu e durou muitos séculos.

Naquela conjuntura da história, cerca de dois mil anos atrás, os sacerdotes taoístas codificaram todos os rituais para evitar que caíssem nas mãos de indivíduos ambiciosos, fechando assim as portas do alto aprendizado religioso para todos, exceto alguns monges e sacerdotes. Ao fazê-lo, eles conseguiram centralizar o poder religioso, mas também geraram uma desordem religiosa inesperada porque, sem a devida direção, leigos inexperientes começaram a realizar rituais taoístas incompletos que apenas trouxeram espíritos malignos para este mundo.

China: O Reino do Meio

Desde o início da história chinesa até a virada do século XX, duzentos e oitenta imperadores governaram o Império Celestial. Durante esse tempo, uma incrível riqueza de conhecimento foi acumulada, conhecimento que teve uma influência significativa em outras nações.
Os chineses chamam seu país de Chung Kuo, ou Reino do Meio. Este nome é representado por escrito por dois ideogramas, um significando o centro de algo, como o alvo de um alvo, o segundo significando país. O nome indica que, pela riqueza de sua cultura, os chineses há milhares de anos consideram seu país o centro do universo.

Há muito tempo, Confúcio restabeleceu o conceito de ritual e estabeleceu as regras de conduta adequada a serem seguidas por todos os oficiais civis, militares e religiosos. Os deveres de todos os funcionários do governo foram claramente delineados dentro da hierarquia. Ele também separou as práticas puramente religiosas dos rituais de feitiçaria. Antes de seu tempo, os sacerdotes praticavam tanto a religião quanto a feitiçaria. Ele foi o primeiro a traçar uma linha de distinção entre os dois, afirmando: “Não vou falar de assuntos sobrenaturais. Respeito os espíritos, mas também mantenho distância deles”. Com base em seu ponto de vista profundo e pragmático, a prática da feitiçaria foi separada da prática da religião. Daquele ponto em diante, os sacerdotes tiveram que seguir uma ética religiosa claramente declarada.

Os princípios confucionistas de cerimônia também reafirmavam a estrutura da unidade familiar. Esse conceito enfatizou a importância do pai e dos membros mais velhos da família e esclareceu que o papel da família é permitir que todos os indivíduos consanguíneos com o mesmo sobrenome se reúnam e forneçam amor e apoio mútuos, protegendo uns aos outros do mundo exterior sem coração.

Princípios confucionistas de cerimônia também eram evidentes nos aspectos religiosos do protocolo real. Eles ditaram que apenas um homem que fosse o primeiro entre iguais poderia oferecer sacrifícios ao Céu em nome da nação. Como Filho do Céu, o imperador era o único mortal que podia oferecer sacrifícios diretamente ao Ser Supremo.
Como o imperador liderava seus súditos em todos os assuntos relativos ao céu, à terra e ao homem, ele se chamava “Pai do Povo”. Ele nunca se referia a si mesmo como um indivíduo, mas usava humildemente o pronome “nós”.

No passado distante, a maioria dos países fora da China não era muito esclarecida. Por exemplo, apenas alguns séculos atrás, a Inglaterra era uma nação bastante atrasada, enquanto agora é considerada um país avançado. Quando os primeiros marinheiros chineses começaram a viajar para o exterior há alguns milhares de anos, descobriram que, comparados ao progresso que os chineses haviam alcançado nas artes e nas ciências, os povos estrangeiros ainda estavam literalmente “vivendo em árvores”. Esses marinheiros plantaram as sementes da cultura em lugares tão distantes quanto o México. Muitos séculos depois, pessoas do Japão, Coréia, Pérsia e outros países muçulmanos foram para a China em busca de conhecimento. De acordo com registros chineses, mesmo os antigos gregos e romanos tiveram contato com a China há mais de dois mil anos.

Os europeus foram apresentados à sabedoria chinesa relativamente recentemente, inicialmente através dos escritos de árabes e persas. Quando os mouros invadiram a Espanha no século VIII d.C., trouxeram livros sobre ciência e literatura que haviam sido influenciados pelo pensamento chinês. Quando os espanhóis estudaram essas obras árabes e se tornaram filósofos famosos, eles habilmente atribuíram suas fontes aos escritos gregos.

No Oriente Médio, sacerdotes e mercadores também sabiam sobre a China há séculos, mas mantinham silêncio sobre isso. Quando seus colegas do Mediterrâneo viajaram para a China, perceberam que esse país era, na verdade, o “Poço do Conhecimento”. Naturalmente, eles também tentaram desviar a atenção do país que se tornaria a fonte do esclarecimento intelectual ocidental. Lembre-se, naqueles dias, a China era como os Estados Unidos são hoje, um país em que há uma convergência de grande riqueza e conhecimento.

Os historiadores modernos continuam a atribuir muitas coisas de origem chinesa a outras culturas, especialmente às culturas mediterrânea e japonesa. Desta forma, a importância da China em fornecer o elo perdido entre a Idade das Trevas Europeia e o Renascimento foi obscurecida.

O estudo mais superficial da história e da arte europeias revela até que ponto a China influenciou o Ocidente e quantas ideias e invenções chinesas foram incorporadas à cultura ocidental. Nos séculos passados, os europeus adotaram, entre outros, os princípios da fitoterapia, da carpintaria, dos uniformes militares, do uso da pólvora para fins militares, dos sistemas de classificação civil e militar, dos sinais e formações militares, da destilação do vinho, moda, bordados, alfaiataria, tinturaria e perfumaria. Eles aprenderam a construir casas com telhados triangulares elevados e juntas em cauda de andorinha, e a usar ferramentas como esquadro, compasso, martelo e carrinho de mão. Também copiaram brinquedos chineses como pião, pernas de pau, ioiô, balanço, pipa e carrossel, e brincadeiras infantis como pular corda e brincar de amarelinha.

No início do mundo europeu da moda, os estilos das dinastias Tang e Ming inspiraram muitos dos designs de roupas religiosas, militares e civis. A peça superior de gola alta Manchu mais tarde teve um grande impacto na moda européia que ainda pode ser visto hoje no estilo clássico dos uniformes militares europeus.

Sabe-se também agora que a astrologia ocidental não se baseia no antigo ensinamento “babilônico” e seus princípios de negociação foram combinados para agilizar e aumentar os negócios correntes.

Para os chineses, um dos benefícios de poder trocar ouro por papel-moeda era que lhes permitia queimar dinheiro espiritual verdadeiro para seus ancestrais. Antes dessa época, as pessoas colocavam moedas de ouro e outros tesouros nos caixões das pessoas para que seus espíritos tivessem dinheiro para pagar suas despesas no outro mundo.
De qualquer forma, como a China não tinha um escritório de patentes, qualquer coisa que os estrangeiros vissem naquele país era deles. Muitos europeus, de comerciantes a reis, dependiam do fluxo de invenções que vinham da China para manter e aumentar suas fortunas.
Nos primeiros dias, a maioria dos estrangeiros que visitavam a China podia obter facilmente a maior parte do conhecimento possuído pelas pessoas comuns, embora alguns métodos, como os usados ​​para fazer seda e porcelana, nunca fossem dados voluntariamente a estrangeiros.

Os chineses detinham o monopólio mundial na fabricação e comercialização desses itens e guardavam zelosamente as técnicas usadas para produzi-los. Invejosos de tais lucros, os governantes e mercadores europeus ofereciam grandes recompensas a qualquer um — comerciantes, diplomatas, padres ou outros espiões com destino à China — que conseguisse obter esses métodos secretos. Dois monges católicos foram os primeiros a trazer o cobiçado método de fabricação de seda para a Europa. Eles fizeram isso contrabandeando vários bichos-da-seda para fora da China dentro de seus cajados ocos. Uma vez que os ocidentais começaram a produzir seda, eles foram capazes de quebrar o domínio chinês no mercado. Até então, os chineses forneciam ao Ocidente a seda usada por todos que podiam pagar. Os registros mostram que até Júlio César usava mantos feitos de seda chinesa.

Com o passar do tempo, inúmeras outras invenções, ideias, costumes, objetos e ferramentas chegaram à Europa. Eles incluíam: a imprensa; desenhos de armas de fogo; a ideia de usar impressões digitais para identificar indivíduos; o tear; passaportes para controlar a circulação de pessoas através das fronteiras; o esporão; o arreio do cavalo; os princípios de tributação, papel e fabricação de livros, hipnotismo, marionetes e patologia forense; a teoria da terra esférica; o conceito de circo e teatro de palco; métodos de fabricação de tinta; a ideia de usar o sal como moeda; o guarda-chuva; técnicas de construção de pontes; a ideia de que cidadãos comuns poderiam escrever memoriais de censura ao trono; os desenhos de jardins vistos em jardins europeus; técnicas de irrigação e meios de construção de poços e rodas d’água; instrumentos musicais de cordas; entrega de correio expresso; a lista de animais que poderiam ser domados para servir ao homem; técnicas de criação e equitação – ainda evidentes na escola espanhola de equitação; os princípios da perspectiva na pintura; e muitos outros.

A lista de maneiras pelas quais a China mudou a direção da civilização européia poderia continuar, mas o que foi dito é suficiente para permitir que se entenda por que a China significa “o centro da
universo.”

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-humanidade-segundo-os-chineses/

Arcano 10 – Roda da Fortuna – Koph

Sobre o aro de uma roda de seis raios, suspensa no ar por um apetrecho de madeira, seguram-se três animais estranhos.

O fundo é branco; o chão está cortado por listas negras. A roda se apóia sobre dois pés ou suportes paralelos; o da esquerda não chega ao eixo.

Do centro da roda saem seis raios – azuis até menos da metade e em seguida brancos – que se fixam na parte interna do aro: dois deles formam ângulo reto com o chão; os outros quatro representam um xis (ou o dez romano, número da carta, ou ainda uma cruz de Santo André).

À direita, um animal intermediário entre cachorro e lebre (com patas traseiras que não combinam com esses animais) parece subir pela roda; à esquerda, uma espécie de macaco desce de cabeça para baixo. Na parte superior, uma plataforma suporta uma figura que pode ser vista como uma esfinge coroada; três das suas patas repousam sobre a base, enquanto a pata anterior esquerda empunha uma espada desembainhada.

Significados simbólicos

Os ciclos sucessivos na natureza e na vida humana. A manifestação, o movimento de ascensão e de declínio.

Influências lunares e mercurianas.

Interpretações usuais na cartomancia

Boa sorte, louvor, honra.

Alternativas da sorte. Instabilidade.

Esperteza, presença de espírito que não deixa escapar as boas oportunidades. Iniciativa feliz, adivinhação de ordem prática, sorte. Êxito casual, como o ganho na loteria. Espontaneidade, disposição inventiva. Animação, brio, bom humor.

Mental: Lógica, regularidade. Juízo equilibrado e sadio.

Emocional: Traz animação e reforça os sentimentos.

Físico: Os acontecimentos não serão estáveis, porque necessitam de uma mudança, uma evolução. Esta mudança tende a ser para melhor, no sentido do desenvolvimento.

Segurança na dúvida. Do ponto de vista da saúde: não haverá problemas circulatórios. Bons augúrios para um futuro casamento.

Sentido negativo: A transformação se fará com dificuldade, mas poderá ocorrer quando fizer falta. É preciso modificar desde o princípio, partir de outras bases. Descuido.

Especulação, jogo, abandono ao azar.

Insegurança. Imprevisão, caráter boêmio, pouca seriedade.

Situação instável: ganhos e perdas. Aventuras, riscos. Diminuição da sorte.

História e iconografia
Uma das alegorias mais antigas e populares, a imagem que reproduz o Arcano X causa uma impressão estranha ao observador contemporâneo. Isto se deve ao fato de que nos últimos séculos a iconografia do tema tornou-se puramente verbal: qualquer um entende o conceito de “roda do destino”, mas dificilmente se faz dela uma representação visual. Desde a antigüidade clássica, contudo, até o Renascimento, foi justamente o contrário que aconteceu. Em vários textos romanos descreve-se o Destino como uma mulher cega, louca e insensível, que atravessa a multidão caminhando sobre uma pedra redonda (para simbolizar a sua instabilidade); a roda aparece com freqüência nos sarcófagos, como evidente alusão ao caráter cíclico da vida.

Até o final do primeiro milênio não se encontram outros exemplos valiosos sobre o tema, mas depois de uns séculos ele ressurge com maior esplendor que nunca. É já na sua plenitude iconográfica que o reencontramos a partir de meados do século XIII em rosetas de várias catedrais góticas (Amiens, Trento, Lausanne) e de numerosas igrejas: pequenas figuras, representando os momentos e estados da vida, que sobem e descem pelos raios de uma roda.

Um exemplo muito antigo pode ser visto no Hortus deliciarum, de Herrade de Landsberg, abadessa do claustro de Santa Odília (Estrasburgo), morta em 1195.

Nesta imagem completa, como em muitas posteriores, quatro personagens, que aparecem representados como reis, são movidos pela roda que é manejada pelo Destino ou Fortuna em pessoa.

As legendas que acompanham os personagens não deixam dúvida sobre o significado da alegoria: Spes, regnabo (esperança, reinarei), diz o rei ascendente da esquerda; Gaudium, regno! (Alegria, reino!), exclama o que se encontra sobre a plataforma superior; Timor, regnavi… (Temor, reinava…) murmura o da direita, que desce de cabeça para baixo; enquanto que o quarto, que foi atirado da roda e jaz na terra, aceita a evidência da sua condição: Dolor, sum sine regno (Dor, estou sem reino).

É evidente que, numa leitura alegórica, os quatro personagens não passam de um, submetido às variações do destino.

O simbolismo deste personagem quatro-em-um refere-se também às fases da lua e às idades do homem (infância, juventude, maturidade, velhice).

A substituição dos reis por animais ou monstros é um pouco mais tardia (século XIV, ou final do XIII), mas a idéia que este arcano simboliza é certamente mais antiga que a civilização ocidental.

No livro de Ezequiel, diz Wirth, encontra-se a explicação transparente do Arcano X. No plano simbólico, segundo esse autor, muitos dados podem ser extraídos do simbolismo geral da roda. “Refere-se em última instância à decomposição da ordem do mundo em duas estruturas essenciais e distintas: o movimento rotatório e a imobilidade; a circunferência da roda e seu centro, imagem do ‘motor imóvel’ aristotélico”.

O aspecto solar e zodiacal do simbolismo da roda a relaciona sem dúvida com o conceito dos ciclos (o dia, as estações, a vida do homem), ou seja, daquele que nasce para morrer, mas que também morre para ressuscitar.

Guénon afirma que a roda é símbolo de origem céltica e assinala seu evidente parentesco com as flores emblemáticas (rosa no Ocidente, lótus no Oriente), com as rosetas das catedrais góticas e, em geral, com as figuras mandálicas. No taoísmo aparece como metáfora do processo ascendente-descendente (evolução e involução, progresso espiritual e regressão).

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-10-roda-da-fortuna-koph

A Peste Negra

A chamada peste negra foi talvez a pandemia que mais marcou a história a história universal. Seja por sua extensão territórial, seja por ter permanecido inexplicáel por muito tempo, ou mesmo pelo número assombroso de pessoas que matou, sua lembrança persiste até hoje no imaginário ocidental como uma genuina expressão da face da morte, comparável às das  grandes guerras mundiais.

No início de 1330 o primeiro foco da peste bubônica aconteceu na China. A peste afeta principalmente roedores, mas suas pulgas podem transmitir a doença para as pessoas. Uma vez infectada, o contagio a outras pessoas ocorre de maneira extremamente rápida. A peste causa febre e um inchaço doloroso das glândulas linfáticas chamadas de bulbos, daí o seu nome. A doença pode também causar manchas na pele que apresentam primeiramente uma cor avermelhada e então se torna negra.

Como a China era um das maiores nações comerciais, foi só uma questão de tempo até que a epidemia da peste se espalhasse pela Ásia oriental e pela Europa. Em outubro de 1347, vários navios mercantes Italianos retornaram de uma viagem ao mar negro, um dos elos no comércio com a China. Quando os navios aportaram Sicília muitos dos que estavam a bordo já estavam morrendo por causa da peste. Após alguns dias a doença se espalhava pela cidade e pelos arredores. Uma testemunha ocular conta o que aconteceu:

“Percebendo que um desastre mortal havia chegado a eles, as pessoas rapidamente expulsaram os italianos de sua cidade. Mas a doença permaneceu, e logo a morte estava por toda parte. Pais abandonavam seus filhos doentes. Advogados se recusavam a sair de casa e fazer testamento para os moribundos. Frades e freiras foram deixados para trás para tomar conta dos doentes e monastérios e conventos logo estavam desertos, pois eles também foram afetados. Corpos foram deixados em casa abandonadas, e não havia ninguém para lhes dar um funeral Cristão.”

A doença atacava e matava com terrível rapidez. O escritor italiano Boccaccio disse que as vítimas normalmente,

“almoçavam com seus amigos e jantavam com seus ancestrais no paraíso.”

Em agosto no ano seguinte, a peste havia se espalhado ao norte até a Inglaterra, onde as pessoas a chamavam de “A Morte Negra” por causa das manchas negras que ela causava na pele. Um terrível assassino estava solto na Europa, e a medicina medieval não tinha nada para combatê-lo.

No inverno a doença parecia desaparecer, mas somente porque as pulgas, grandes responsáveis pelo transporte da peste de pessoa para pessoa, estavam dormentes. A cada primavera a peste atacava novamente, fazendo novas vítimas. Após cinco anos 25 milhões de pessoas estavam mortas, um terço da população da Europa.

Mesmo quando o pior havia passado epidemias menores continuaram a acontecer, não só por anos mas por séculos. Os sobreviventes viviam em medo constante do retorno da peste, e a doença não desapareceu até o século XVII.

A sociedade medieval nunca se recobrou dos resultados da praga. Tantas pessoas haviam morrido que houveram sérios problemas de mão de obra em toda a Europa. Isso fez com que trabalhadores pedissem maiores salários. No fim do século XIV revoltas de camponeses aconteceram na Inglaterra, França, Bélgica e Itália.

A doença também cobrou sua dívida na igreja. Pessoas durante a era cristã rezaram com devoção para serem liberados da praga. Por que essas preces não foram atendidas? Um novo período de distúrbio político e questionamento filosófico surgiam à vista.

O Desastre Acontece

População estimada na Europa entre os anos 1000 e 1352

1000 38 milhões
1100 48 milhões
1200 59 milhões
1300 70 milhões
1347 75 milhões
1352 50 milhões

Calcula-se que a peste negra tenha matado mais de 25 milhões de pessoas entre 1347 e 1352. Ou seja, a peste bubônica sozinha dizimou cerca de 1/3 da população na Europa em apenas cinco anos. Isso sem contar a imensidão de orfãos e viúvas deixados no rastro da epidemia.

Um Relato Sobre o Início da Peste

“No começo de Outubro, no ano 1347 da encarnação do Filho de Deus, doze galeões Genoveses que estavam fugindo da vingança de nosso Nosso Senhor, vingança essa lançada contra seus feitos nefastos, entraram no porto de Messina. Em seus ossos traziam tão virulenta doença que qualquer um que tão somente falasse com eles enfrentaria seus sintomas mortais e logo sucumbiria sem esperanças de evitar a morte. A infecção se espalhou para todos que tiveram intercurso com os doentes. Os infectados se sentiam penetrados por uma dor que se fazia sentir por todo o corpo e, por assim dizer, indeterminada. Então desenvolviam em suas virilhas e em seus braços bolhas pustulentas. Estas infectavam o corpo inteiro e penetravam tão profundamente que o paciente ficava vomitando sangue violentamente. Esses vômitos de sangue se seguiam sem pausa por um período de três dias, sem haver como curá-lo, e então o paciente expirava. Mas não só aqueles que tinham intercurso com eles morriam, mas também aqueles que haviam tocado neles ou em qualquer uma de suas coisas.

“Em breve os homens se odiavam tanto que se um filho fosse atacado pela doença seu pai não cuidaria dele. Se, apesar de tudo, ele ousasse se aproximar também se contaminaria e estaria marcado para morrer em três dias. E isso não era tudo, todos aqueles habitando a mesma casa que ele o seguiriam à morte. Conforme o número de mortes crescia em Messina muitos desejavam confessar seus pecados aos padres e expressar seus últimos desejos colocando-os em seus testamentos. Mas eclesiásticos, advogados se recusavam a entrar nas casas dos doentes. Mas se algum deles colocasse um pé dentro da casa do doente ele era imediatamente abandonado para a morte súbita. Freiras, Dominicanos e membros de outras ordens que ouviam as confissões dos moribundos eram logo subjulgados pela morte tão rapidamente que alguns nem chegavam a abandonar o quarto do doente. Logo os corpos estavam largados pelas casas. Nenhum eclesiástico, nenhum filho, nenhum pai e nenhum parente ousava entrar, mas pagavam serventes altas taxas para enterrar os mortos. Mas as casas dos mortos permaneciam abertas, com todos os seus pertences, jóias e ouro e todo aquele que decidisse entrar para reclamá-las o fazia sem encontrar obstáculos, pois a praga atacava com tanta veemência que em pouco tempo havia uma falta de serventes e finalmente não havia nenhum.

“Quando a catástrofe alcançou seu clímax os Messienses se decidiram emigrar. Uma parte deles achou abrigo nos vinhedos e nos campos, mas uma parte maior procurou refúgio na cidade da Catânia, na esperança que a Santa Virgem Agatha de Catânia lhes pouparia de seu mal. Para esta cidade se dirigiu a Rainha da Sicília e de lá convocou seu filho Don Federigo. Em novembro os Messienses persuadiram o Patriarca, Arquebispo de Catânia, a permitir que as relíquias de santos fossem trazidas para sua cidade. Mas a população de Catânia não permitiriam que os ossos sagrados fossem removidos de seu lugar. Agora processões e pelegrinagens se dirigiam a Catânia para se apresentar a Deus, mas a praga atacava com mais veemência que antes. A fuga não era mais uma opção. A doença se escondia entre os fugitivos e os acompanhava por todo lugar onde fossem buscar ajuda. Muitos dos fugitivos caiam nas beiras de estradas e eram arrastados para o campo ou escondidos entre os arbustos para morrerem lá. Aqueles que alcançaram a Catânia tiverem seu último suspiro nos hospitais que haviam lá. Os cidadãos horrorizados demandavam que o Patriarca proibisse que os doentes recebessem uma banição eclesiástica e que fossem enterrados nos arredores da cidade, e então eles eram atirados em valas cavadas do lado de fora dos muros da cidade.

“A população de Catânia era tão tímida e atéia que ninguém dentre eles ofereceu (aos fugitivos) abrigo. Se alguns grupos em segredo não houvessem ajudado um pequeno número de pessoas de Messina, elas teriam sido abandonadas sem auxilio algum. Mesmo se espalhando por toda a ilha da Sicília, e junto com eles a peste, inúmeras pessoas morreram. Sempre que alguém em Catânia sofria de dores de cabeça e calafrios essa pessoa sabia que estava destinada a morrer dentro do prazo, então saia para se confessar com os padres e para fazer seus testamentos com os advogados. Quando a praga ganhou peso em Catânia o Patriarca delegou a todos os eclesiásticos, até os mais jovens, com todos os poderes sagrados para a absolsão dos pecados que ele como bispo e patriarca possuía. Mas a pestilência continuou atacando de outubro de 1347 a abril de 1348. O próprio patriarca foi um dos últimos a morrer. Ele morreu realizando seu trabalho. Ao mesmo tempo o Duque Giovanni, que havia evitado cuidadosamente cada casa infectada e pessoa doente morreu.”

Analisando a Peste

A variedade de respostas à praga talvez seja o que melhor nos mostre a natureza da sociedade medieval Européia na Idade Média.. Mas quando investigamos as respostas humanas à peste devemos considerar o seguinte:

É a natureza humana reagir e responder a diferentes eventos e circunstâncias. Uma boa técnica de entender os complexos eventos é analisar o comportamento humano separando-o em categorias distintas. Essas podem incluir respostas científicas e médicas, políticas, sociais ou religiosas. Essas categorias não são exclusivas e uma coisa pode cair em várias categorias, mas geralmente esse método faz que vários dados sejam organizados de maneira compreensiva.

Todas as civilizações sempre se preocuparam com a saúde e doenças. Todas tiveram curandeiros de um modo ou outro e forneceram explicações para a ocorrência de doenças. Veja agora os elementos da teoria e prática médica prevalecente na Europa e no Oriente Médio na época da praga.

Rumores do Anti-Cristo

Com tantas mortes ao seu redor, os europeus começaram a enxergar o fim do mundo, como a Bíblia Cristã previa. Uma das professias do Livro do Apocalipse dizia que o Anti-Cristo apareceria.

“Os rumores citados abaixo foram escritos em 1349, pelo Irmão William de Blofield na Inglaterra para um irmão Frade Dominicano em Norwich. Existem inúmeros profetas nos arredores de Roma, cujas identidades permanecem um segredo, que inventaram estórias como esta por anos. Eles dizem que neste mesmo ano, 1349, o Anti-Cristo vive com 10 anos de idade e é uma criança encantadora, tão bem educada em todas as áreas de conhecimento que nenhum ser vivo pode se igualar a ele. E eles também dizem que existe outro garoto, agora com 12 anos, e vivendo além das terras dos tártaros, que foi criada como um cristão e será ele que destruirá os saracenos e se tornará o maior homem no reinado cristão, mas seu poder logo será trazido para um fim pela chegada do Anti-Cristo.”

Teorias Médicas Medievais

A teoria médica medieval esteve em grande dívida com os antigos filósofos Gregos e Greco-Romanos. A medicina islâmica não somente se utilizava de práticas antigas, mas os filósofos islâmicos também desenvolveram um sofisticada teoria médica. A medicina européia do século XIV aplicava as tradições antigas assim como as islâmicas. Para a maioria dos europeus existiam três grandes autoridades que representavam essas tradições médicas, Hipócrates, Galen e Avicena.

Os documentos revelam as teorias médicas envolvendo as causas da peste e seus métodos de tratamento.

Naquele tempo a peste não se encaixava no conhecimento médico contemporâneo que em sua maioria afirmavam que doenças eram transmitidas através do “ar ruim”, que geralmente possuía um cheiro nauseabundo. Para prevenir que as doenças se espalhassem era comum a terapia de aromas. Isso podia incluir a queima de incensos ou a inalação de fragrâncias, como perfumes ou flores. Isso não afetou o avanço da peste e muitos curandeiros  fugiam ao primeiro sinal da doença.

Biologia da Peste Negra

Nós devemos nos lembrar que no século XIV, as idéias modernas de medicina ainda não haviam se desenvolvido. Não foi até o século XIX que os fisiologistas foram capazes de isolar a causa precisa da peste.

A causa da peste foi finalmente descoberta pela comunidade médica na última década do século. Como resultado da então nova teoria de germes causadores de doenças, pesquisadores acharam que a peste bubônica era de fato causada por uma infecção massiva da bactéria Yersinia Pestis. Somente com esta descoberta é que se tornou possível sintetizar os antibióticos necessários para combater esta doença.

O bacilo, Yersinia Pestis, é normalmente encontrado vivendo como um parasita dentro de ratos. Lá a bactéria pode se multiplicar, infectar a corrente sangüínea, órgãos e outros sistemas dos roedores hospedeiros. Pulgas vivendo nesses ratos ingerem o sangue infectado quando se alimentam, e assim se tornam infectadas pela bactéria. Normalmente essas pulgas vivem somente nos ratos, mas a peste também os afetou assim como aos humanos, e logo os ratos hospedeiros acabam morrendo. As pulgas devem então encontrar um novo hospedeiro e, por causa da proximidade entre as duas espécies devido principalmente às condições de vida da época, logo elas migraram para seus novos hospedeiros, os humanos. A infecção acontece quando a pulga começa a se alimentar de sangue humano e acaba passando a bactéria através de fluídos para o hospedeiro humano.

Este tipo de infecção acaba causando o tipo de peste denominada “bubônica”. A bactéria começa a se multiplicar na corrente sangüínea da pessoa infectada, chegando à veias e artérias e ao tecido dos pulmões. Como resultado, uma pessoa infectada normalmente exibirá uma descoloração na pele causada pela hemorragia nos capilares. Como resultados sua pele apresenta uma aparência pálida marcada por vários hematomas. A bactéria também ataca o sistema linfático. A infecção dos nódulos linfáticos é que dá a este tipo de peste o seu nome. Os nódulos linfáticos tentam criar anticorpos para combater a infecção, o que acaba resultando num inchaço do tamanho que varia de uma noz até o tamanho de uma maçã. Os inchaços resultantes, localizados nas axilas, pescoço ou virilha eram chamados de “bulbos” ou “bubões” pelos europeus medievais. Era geralmente este sintoma em particular que permitia com que os doutores contemporâneos detectassem a presença desta doença. A forma bubônica desta doença na maioria dos casos se mostrava fatal, mas existem registros de pessoas que se recuperaram completamente após ficarem seriamente doentes.

Existem outras duas formas desta doença, pneumônica e infecciosa. A primeira envolve uma infecção no tecido pulmonar que causa o acúmulo de fluído que acaba acarretando na morte do infectado. Evidência sugere que um pessoa pode contrair esta forma da doença ao inalar gotículas de saliva ou outro fluído corporal de uma pessoa infectada. A forma pneumônica parece causar uma taxa de morte que se aproxima a 100%. A Segunda forma da doença, infecciosa, envolve uma forma de infecção tão rápida e massiva que a morte acontece antes mesmo que os sintomas principais tenham tempo de aparecer. Esse tipo relativamente raro da peste pode ser encontrado em registros médicos indicando que a pessoa simplesmente morreu durante as epidemias de peste por nenhuma razão aparente.

Ambos os tipos desta doença afetaram a sociedade européia entre os anos de 1347-1348 e em epidemias que ocorreram nos anos seguintes. Infelizmente ainda é muito difícil se dizer qual das formas da doença estava presente em algumas das localidades e em alguns casos da peste. De fato ao que tudo indica alguns casos de epidemias da peste não passavam de casos de disinteria, por exemplo, e muitas outras doenças acabaram ganhando o rótulo da peste em epidemias que ocorreram mais tarde. Uma pista para se identificar a forma da doença depende da época do ano no qual determinada epidemia aconteceu. Por causa da temperatura e umidade do ar que permitem a população de pulgas a prosperar, a peste bubônica tendia a surgir nos meses de verão enquanto a pneumônica durante o inverno. A relação entre a forma da peste, o clima e a localização geográfica da epidemia entretanto é algo complexo, e um conhecimento biológico definitivo destes eventos históricos é difícil de se estabelecer.

Durante os períodos medievais e no início do período moderno somente o rato negro, ou rato de telhado, parece ter vivido na maior parte da Europa. O rato negro (Rattus rattus) vivia próximo de humanos preferindo, por exemplo, viver em sótãos ou telhados. O rato negro não encontrou dificuldades para se adaptar aos humanos já que pesavam 315 gr e chegavam a 17,5 cm. O rato marrom, ou rato de esgoto, tomou o lugar do rato negro em algum ponto do século XVIII. As pulgas do rato marrom (Rattus nirvegicus) são menos efetivas como transmissoras da bactéria e alguns historiadores alegam que essa mudança foi a responsável pelo, de outra maneira difícil de se explicar, desaparecimento das grandes epidemias na Europa nessa época.

A Peste na Europa

No fim de 1347 a “Peste Negra” havia chegado no centro oeste e estava começando a se dirigir para a parte sul da Europa. Em seis meses, no início do verão, a doença havia se espalhado pela Itália, Europa Central e atingido a parte norte da Espanha. No Natal de 1348 o seu alcance atravessou o Canal da Mancha e os Alpes. Outros seis meses foram testemunhas do seu avanço para a Irlanda, interior da Inglaterra e para o norte da Europa. O inverno de 1349 trouxe a peste para a Escócia, partes da Escandinávia e aos Países Baixos. No ano seguinte a doença havia chegado na Suécia, norte da Alemanha e norte da Polônia. Nenhuma parte da Europa foi tão afetada como as cidades de Liege e Nuremberg, assim como algumas cidades do sul da França e da Alemanha central parecem ter sido ignoradas pela praga.

Durante a Era Medieval as rotas de comércio na Europa passavam pelo eixo norte-sul. Mercadorias dos mercados do Oriente Médio inundavam o sul da Europa chegando pelas cidades estados da Itália. De lá as rotas de comércio se ramificavam em direção ao norte seguindo os rios as passagens naturais nos Alpes. Como a tecnologia marítima ainda era muito precária as principais rotas eram terrestres.

A Peste Bubônica pode voltar?

como visto anteriormente, a peste bubônica é provocada por uma bactéria, a Yersinia Pestis, geralmente transportada por pequenos roedores (ratos) e transmitida ao homem pelas pulgas. Como facilmente se compreende, são os países das regiões mais pobres, com condições sanitárias e higiénicas mais desfavoráveis, os que estão à mercê deste tipo de doença.

Esta lógica tem elevado com frequência a preocupação da própria Organização Mundial de Saúde (OMS), quanto ao problema, especialmente depois dos anos 90 quando os relatados  de algumas dezenas de casos acoteceram na Índia. Neste mesmo país, entre os anos de 1889 e 1950 a Peste Bubonica já foi responsável por mais de 12,5 milhões de mortos.

As formas conhecidas como peste bubônica e peste pneumônica ainda existem no Brasil, especialmente na região nordeste. Apesar de dispormos de tratamento com antibiótico, este é eficaz quando o diagnóstico é feito precocemente. O diagnóstico precoce também é importante pelo caráter contagioso da forma pneumônica, que necessita isolamento respiratório do doente. Se tratado a tempo, este se recupera sem sequelas.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-peste-negra/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-peste-negra/

A Bruxa de Endor

A Bruxa de Endor, também conhecida como a Médium ou a Necromante de Endor (hebraico: בַּעֲלַת־אֹוב בְּעֵין דּוֹר‎ baʿălaṯ-ʾōḇ bəʿĒyn Dōr, “aquela que possui o ʾōḇ de Endor”) é uma mulher que, de acordo com a Bíblia hebraica, foi consultada por Saul para realizar um ritual noturno e convocar o espírito de Saul profeta Samuel. Saul desejava receber conselhos sobre como derrotar os filisteus em batalha, depois que as tentativas anteriores de consultar a Deus por meio de sorteios sagrados e outros meios falharam. Quando convocado, no entanto, o espírito de Samuel apenas profere uma profecia de condenação contra Saul. Este evento ocorre no Primeiro Livro de Samuel [28. 3-25]; também é mencionado no livro deuterocanônico do Eclesiástico [46. 19-20].

A mulher da história é chamada no hebraico bíblico de ” אֵשֶׁת בַּעֲלַת־אֹוב בְּעֵין דֹּור” (ʾēšeṯ baʿălaṯ-ʾōḇ bəʿĒyn Dōr), “uma mulher, possuidora de um ʾōḇ em Endor”. A palavra אֹ֖וב ‘ōḇ foi sugerida por Harry Hoffner para se referir a um poço ritual para convocar os mortos do submundo, com base em paralelos em outras culturas do Oriente Próximo e do Mediterrâneo. A palavra ” ‘ōḇ ” tem cognatos em outras línguas regionais (como a palavra suméria “ab”, acadiano “âbu”, hitita “a-a-bi”, ugarítico “ib”) e o ritual da bruxa de Endor tem paralelos nos textos mágicos babilônicos e hititas, bem como na Odisseia. Outras sugestões para uma definição de ” ‘ōḇ ” incluem um espírito familiar, um talismã, ou um odre, em referência ao ventriloquismo.

Na Septuaginta, a tradução da Bíblia escrita em grego, ela é chamada de
” ἐγγαστρίμυθος ἐν Αενδωρ “, engastrímythos en Aendōr, enquanto a Vulgata, a tradução latina da Bíblia, tem ” pythonem em Aendor “, ambos os termos são referências a oráculos pagãos contemporâneos.

A bruxa também afirma ver “elohim surgindo” (verbo plural) do chão, ao usar a palavra tipicamente traduzida como “deus(es)” para se referir aos espíritos dos mortos. Isso também é paralelo ao uso da palavra cognata acadiana ” ilu ” (“deus”) de maneira semelhante.

Quando o profeta Samuel morre, ele é enterrado em Ramá. Saul, o rei de Israel, busca conselho de Deus para escolher um curso de ação contra as forças reunidas do exército filisteu. Ele não recebe resposta de sonhos, profetas, ou do Urim e Tumim. Tendo anteriormente expulsado todos os necromantes e magos de Israel, Saul, de forma anônima, procura uma bruxa e encontra uma vivendo na vila de Endor. Saul a visita disfarçado e pede que ela invoque o espírito de Samuel. A mulher a princípio se recusa, por causa do decreto de Saul contra a feitiçaria, mas Saul garante que ela não será punida [1 Samuel, 28. 8-25].

A mulher invoca um espírito, que ela descreve como tendo a aparência de um velho envolto em um manto. Saul se curva ao espírito, mas aparentemente é incapaz de vê-lo por si mesmo. O espírito reclama de ser perturbado, repreende Saul por desobedecer a Deus e prediz a queda de Saul. Reitera uma profecia pré-mortem de Samuel, e acrescenta que Saul perecerá na batalha no dia seguinte, junto com todo o seu exército. Saul desmaia de terror; a mulher o conforta, mata um bezerro e lhe prepara uma refeição para restaurar suas forças [1 Samuel 28:3-25].

No dia seguinte, o exército israelita é derrotado conforme profetizado: Saul é ferido mortalmente pelos filisteus e comete suicídio ao cair sobre sua espada [1 Samuel 31:1-4] – ou, de acordo com um relato paralelo, ao pedir a um jovem amalequita para que desferisse o golpe mortal [2 Samuel, 1:6-10]. Em 1 Crônicas, afirma-se que a morte de Saul foi, em parte, uma punição por buscar conselho de um médium ao invés de Deus [1 Crônicas, 10.13-14].

Na Septuaginta (século II a.C.), a mulher é descrita como uma ventríloquista, o que possivelmente reflete a visão consistente dos tradutores alexandrinos de que os demônios não existem. Por outro lado, o livro hebraico do Eclesiástico, composto no mesmo período, representa como um fato que Samuel profetizou a Saul após sua morte [Eclesiástico, 46:19-20]. O historiador judeu Flávio Josefo, que escreveu no século I d.C., também parece achar a história completamente confiável [Antiguidades Judaicas 6.14].

O Yalkut Shimoni (século 11), um texto que faz parte do Midrash, identifica a bruxa anônima como Zefanias, a mãe de Abner, um dos generais do rei Davi [Yalkut Shimoni, 140 e Lev. R. 26]. Com base na afirmação da bruxa de ter visto algo, e Saul ter ouvido uma voz desencarnada, o Yalkut sugere que os necromantes são capazes de ver os espíritos dos mortos, mas são incapazes de ouvir seu discurso, enquanto a pessoa para quem o falecido foi convocado ouve a voz, mas não consegue ver nada.

De acordo com Antoine Augustin Calmet, que escreveu no século 18:

“Os judeus de nossos dias acreditam que, depois que o corpo de um homem é enterrado, seu espírito vai e vem, e sai do local onde está destinado a visitar seu corpo e saber o que se passa ao seu redor; que vaga durante um ano inteiro após a morte do corpo, e que foi durante esse ano de atraso que a Pitonisa de Endor evocou a alma de Samuel, após o qual a evocação não teria poder sobre seu espírito.”

Os Padres da Igreja e alguns escritores cristãos modernos têm debatido as questões teológicas levantadas por este texto, que à primeira vista parece afirmar que é possível (embora proibido) que os humanos convoquem os espíritos dos mortos através de magia.

O Rei James, em seu tratado filosófico Daemonologie (1597), rejeitou a teoria de que a bruxa realizava um ato de ventriloquismo, mas também negou que ela tivesse realmente convocado o espírito de Samuel. Ele escreveu que às vezes é permitido ao Diabo assumir a semelhança dos santos, citando 2 Coríntios 11:14, que diz que “Satanás pode se transformar em um anjo de luz”. James descreve a bruxa de Endor como a “Pitonisa de Saul”, comparando-a á Pítia, o antigo oráculo grego. Ele afirma a realidade da feitiçaria, e argumenta que se tais coisas não fossem possíveis, elas não seriam proibidas nas Escrituras:

“Certo é que a Lei de Deus nada fala em vão, nem lança maldições, nem impõe castigos às sombras, condenando-a a ser doente, o que não é em essência ou ser como a chamamos.”

Outras glosas medievais da Bíblia também sugeriam que o que a bruxa invocou não era o fantasma de Samuel, mas um demônio que toma sua forma ou uma ilusão criada pela bruxa. Martinho Lutero, que acreditava que os mortos estavam inconscientes, leu que era “o fantasma do Diabo”, enquanto João Calvino leu que “não era o verdadeiro Samuel, mas um espectro”.

Augustin Calmet menciona brevemente a bruxa de Endor em seu Tratado sobre as Aparições de Espíritos (1759), entre outras provas bíblicas da “realidade da magia”. Ele reconhece que esta interpretação é contestada, e diz que não deduzirá nada da passagem “exceto que esta mulher passou por uma bruxa, [e] que Saul a estimava assim”.

Uma vez que esta passagem afirma que a bruxa chorou de medo quando viu o espírito de Samuel, alguns intérpretes rejeitam a sugestão de que a bruxa foi responsável por invocar o espírito de Samuel, e alegam que isso foi obra de Deus. Joyce Baldwin (1989) escreve que “o incidente não nos diz nada sobre a veracidade das alegações de consultar os mortos por parte dos médiuns, porque as indicações [do comportamento da mulher] são de que este foi um evento extraordinário para ela, e assustador, porque ela não estava no controle.”

Os espíritas tomaram a história como evidência da mediunidade espiritual nos tempos antigos. A história foi citada em debates entre apologistas espíritas e críticos cristãos. Um jornal espiritualista de Chicago em 1875 afirmou: “A mulher de Endor era uma médium, respeitável, honesta, cumpridora da lei e muito mais semelhante a Cristo do que” os críticos cristãos do Espiritismo.

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Fontes:

Bíblia Sagrada Ave-Maria.

História dos Hebreus, por Flávio Josefo.

The Encyclopedia of Jewish Myth, Magic, and Mysticism, por Rabbi Geoffrey W. Dennis.

Hoffner, Harry A. (1967). “Second Millenium Antecedents to the Hebrew ‘Ôḇ”. Journal of Biblical Literature. Atlanta, Georgia: Society of Biblical Literature. 86 (4): 385–401.

Calmet, Augustin (2016). Treatise on the Apparitions of Spirits and on Vampires or Revenants: of Hungary, Moravia, et al. The Complete Volumes I & II. pp. 47, 237.

Baldwin, Joyce (1989). 1 and 2 Samuel: An introduction and commentary. p. 159.

“The Religion of Ghosts”. Spiritualist at Work. Vol. 1, no. 19. Chicago. 24 April 1875. p. 1.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-bruxa-de-endor/

Os Corvos de Wotan, parte 3

» Parte 3 da série sobre Odin ver parte 1 | ver parte 2

A fonte da sabedoria

Ainda abaixo de uma das gigantescas raízes de Yggdrasil, a árvore cósmica a sustentar todos os reinos míticos da mitologia nórdica, se encontra uma nascente d’água muito especial: Mímisbrunnr. É neste pequeno lago que vivia o Mímir, um reconhecido sábio (seu nome significa algo como “o sábio”, ou ainda “aquele que se lembra”). Odin ficou sabendo da existência desta fonte, que se acreditava dar “a sabedoria de todas as eras” aqueles que a bebiam regularmente (daí a sabedoria do próprio Mímir, seu guardião). Ora, como Odin era um deus que buscava a sabedoria, ele a visitava regularmente para beber um pouco de sua água, assim também ficando amigo de seu protetor.

O que ficou mais conhecido desta história, entretanto, foi o fato de Odin ter arrancado um de seus olhos (não se sabe qual ao certo) e o mergulhado no lago, onde jaz até hoje, oculto no lodo, onde talvez só ele e o Mímir saibam localizar. Diz-se que Odin realizou tal sacrifício em troca da sabedoria do Mímir, mas obviamente algo aqui não faz sentido: se Odin já conhecia a localização do poço, se já era amigo do Mímir, qual seria a necessidade de sacrificar um olho em troca de sabedoria (da qual ele já dispunha gratuitamente)?

Este me parece mais um mito cuja interpretação exige que usemos os olhos da alma, e não do corpo. Para mim, está muito clara a metáfora de “se ter um olho no mundo espiritual, e um olho no mundo terreno”. Ora, por mais que Odin pudesse galopar os céus em seu corcel de oito patas, ele aparentemente não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ou pelo menos não podia estar no plano terreno e no plano espiritual ao mesmo tempo. Esta bela história nos aponta, portanto, para um fato bastante conhecido do caminho espiritual, e até mesmo da própria prática da magia ou da mediunidade: abre-se um olho lá, fecha-se um olho cá. Mas, querer fazer ambas as coisas ao mesmo tempo pode nos levar a loucura, a não ser, talvez, que sejamos também da raça dos deuses.

A cabeça perdida e encontrada

Infelizmente o destino do Mímir não foi dos mais agradáveis… Na apocalíptica guerra entre os vanir e os æsir, o Mímir teve sua cabeça cortada por um guerreiro vanir. Ora, os vanir eram um povo relativamente pacífico e místico, que cultuava deuses da fertilidade e da sabedoria, e também se dizia que muitos eram capazes de ver o futuro. Eles já habitavam o norte europeu, mas foram invadidos pelos æsir (ou “meio-deuses”), um conglomerado de tribos guerreiras e expansionistas, que vinham da Ásia e do sul europeu em busca de novos territórios. Como o Mímir, juntamente com Odin, pertencia aos æsir, foram deles a iniciativa do ataque.
Os vanir eventualmente foram conquistados e tornaram-se um subgrupo dos æsir, até que as eras se passassem e todos fossem confundidos com um só povo: o povo nórdico…

Mas, voltando a grande batalha: Odin, não se dando por rogado, encontrou a cabeça perdida do Mímir após o final da chacina e, com sua magia, manteve seu amigo vivo como uma peculiar (e, provavelmente, assustadora) cabeça falante que ele carrega consigo para onde quer que vá – pois o Mímir ainda é um grande e sábio conselheiro.

Esta épica batalha, que poderia ser lamentada como um fato trágico, na realidade é festejada como o alvorecer da civilização – de qualquer civilização, pois todas começaram assim, e todas tem mitos muito próximos [1] –, quando tribos sedentárias e pacíficas, que já dominavam a agricultura, são invadidas e quase dizimadas por tribos nômades guerreiras. Mas, no fim, tudo se ajusta: a cultura das tribos nativas, geralmente mais profunda e espiritual (por se tratar de gente “que tinha tempo de viver, e não apenas caçar e coletar”), é assimilada aos poucos pela cultura invasora, e com o passar dos séculos é como se todas fossem uma só cultura – e, de fato, já o são.

O próprio fato de Odin ainda hoje ser visto como um deus de sabedoria e magia, e não apenas um grande guerreiro, demonstra que talvez, no fim, a cultura dos vanir tenha se sobressaído à cultura dos æsir, e isso talvez indique que ainda podemos ter a esperança de uma volta a este antigo mundo pacífico: onde a fertilidade é mais exaltada do que a ferocidade.

Mas, e quanto à cabeça decepada e falante do Mímir, o que diabos isso significa? Olha, não vou dizer que sei o que isso significa, mas este mito me remete pelo menos a duas considerações: a primeira, é que os nórdicos já sabiam valorizar a importância da cabeça em relação ao corpo, o que a neurociência apenas confirmou; a segunda, é que eles tinham algum senso de humor.

O deus enforcado

Como já disse no início, Odin também é reverenciado por ter trazido ao conhecimento dos homens as runas, que nada mais eram do que o primeiro alfabeto do povo nórdico, o que possibilitou a origem da escrita entre eles. O que eu não mencionei é o quão estranha é, a primeira vista, a história que nos conta como Odin obteve tal conhecimento…

Diz-se que ele, desejando adentrar reinos ocultos do mundo espiritual, enforcou-se na própria árvore cósmica, Yggdrasil, por nove dias e nove noites (nove também são os reinos míticos da mitologia nórdica em geral), enquanto era estocado por sua própria lança (não está claro quem o “auxiliava” neste ritual, talvez fosse ainda o Mímir quando tinha o corpo inteiro)… Ao final de todo esse sacrifício, Odin acordou (se é que ele morreu no processo, entende-se que após os nove dias ele ressuscitou [2]) e trouxe consigo a memória do conhecimento da escrita rúnica.

Ora, sabe-se que todos os deuses inventores da escrita foram grandes, ou ainda são: pois foi exatamente a escrita que possibilitou que o conhecimento sobre eles fosse preservado de forma mais exata (o que não necessariamente é algo sempre bom). No Egito antigo sabe-se que tal tarefa coube ao deus Thoth. Posteriormente, na Grécia, existiu também Hermes, que partilhava de tantas características em conjunto com Thoth, que muitas vezes faziam referência a ambos os deuses sob o título de Toth-Hermes. Entre os romanos, Hermes foi conhecido como o deus Mercúrio e, de fato, muitos historiadores acreditam que os romanos também confundiam Mercúrio com o próprio Odin, quando se referiam aos povos nórdicos – assim, o ciclo se fecha…

Mas, o que me interessa aqui é que todos os deuses inventores da escrita também eram reconhecidos como grandes intermediários entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses, ou seja: eram médiuns, ou xamãs [3].

E é exatamente daí que parte a compreensão do que diabos Odin foi tentar fazer ao se enforcar numa árvore cósmica: ora, é claro que se trata de ainda mais uma metáfora. A árvore Yggdrasil sustenta todo o Cosmos e, dessa forma, o ato de “enforcar-se” nela nada mais é do que o ato de “perder a consciência deste mundo, e viajar com ela alhures”… Além desta referência mais clara ao xamanismo (ou a viagem astral) há ainda a questão das “estocadas de lança”: uma imagem muito comum na arte das cavernas, a arte rupestre, de nossa pré-história longínqua, e que também está intimamente relacionada às práticas xamãnicas.

O ato simbólico de se cortar, espetar, estocar com lanças, ou até mesmo destroçar o próprio corpo, significa, para o xamã, o abandono total do apego ao corpo, para que ele possa se elevar mais facilmente, e mais profundamente, aos reinos etéreos de sua própria alma, ou da Alma do Mundo, ou de Yggdrasil. Estes sacrifícios foram necessários para que os xamãs, os grandes heróis míticos de outrora, pudessem nos trazer conhecimentos ocultos, que podiam variar desde “onde caçar amanhã”, a “quais plantas e ervas coletar para fabricar este ou aquele remédio”, a até mesmo a própria inspiração divina para algo totalmente novo, como a escrita rúnica.

» Na última parte: finalmente, os corvos…

***

[1] No Mahabharata hindu temos histórias de batalhas muito parecidas, de onde surgiram grandes reinos e, eventualmente, a própria civilização. Na Europa não será diferente: mesmo a origem de Roma teve seu episódio de brutalidade para com tribos pacíficas na região próxima. No Brasil, poderíamos nos referir aos indígenas como os vanir, e aos colonizadores europeus como os æsir (como já disse, a história é escrita pelos vencedores).

[2] Avatares que morrem por “x dias” e ressuscitam com novos conhecimentos místicos existem aos montes na mitologia em geral.

[3] Você pode achar estranho o termo “xamã” aparecer toda hora neste relato, e tem toda razão: o termo surgiu do estudo antropológico dos primeiros místicos tribais da Sibéria, mas acabou por ganhar o mundo num significado bem mais amplo, referindo-se a todo e qualquer chefe espiritual tribal de toda e qualquer cultura selvagem antiga. Dessa forma, obviamente os índios do Brasil não chamam a seus xamãs como xamãs, mas sim como pajés, e assim vai… É nesse sentido que os termos “xamã” e “xamanismo” (a prática espiritual do xamã) são utilizados ao longo desta série.

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Crédito das imagens: [topo] viking-mythology.com (A fonte do Mímir); [ao longo] Anônimo

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-corvos-de-wotan-parte-3