Criando Falsas Memórias

Em 1986, Nadean Cool, uma ajudante de enfermagem em Wisconsin, procurou ajuda terapêutica de um psiquiatra para auxiliá-la a superar um evento traumático experimentado pela sua filha. Durante a terapia, o psiquiatra usou hipnose e outras técnicas sugestivas para trazer à tona recordações de abuso que Cool supostamente teria experimentado. No processo, Cool foi convencida de que ela tinha memórias reprimidas de ter estado em um culto satânico, de comer os bebês, de ser estuprada, de ter sexo com animais e de ser forçada a assistir o assassinato da sua amiga de oito anos. Ela chegou a acreditar que teve mais de 120 personalidades – crianças, adultos, anjos e até mesmo um pato – tudo isso porque lhe foi dito que ela havia passado por severo abuso sexual e físico na infância. O psiquiatra também executou exorcismos nela, um dos quais durou cinco horas e incluiu o uso de água benta e gritos para Satanás deixar o seu corpo.

Quando Cool percebeu finalmente que aquelas falsas recordações foram implantadas, ela processou o psiquiatra por negligência profissional. Depois de cinco semanas de julgamento, o caso dela foi resolvido fora do tribunal por 2,4 milhões de dólares em março de 1997. Nadean Cool não é a única paciente a desenvolver falsas recordações como resultado de uma terapia questionável. Em 1992 no Missouri, um conselheiro de igreja ajudou Beth Rutherford a se lembrar, durante terapia, que o seu pai, um clérigo, a tinha estuprado regularmente dos sete aos catorze anos e que a sua mãe às vezes o ajudava segurando-a. Sob a direção do terapeuta, Rutherford desenvolveu recordações de seu pai engravidando-a duas vezes e forçando-a a abortar o feto ela mesma com um cabide. O pai teve que resignar do posto de clérigo quando as alegações se tornaram públicas. Mais tarde um exame médico da filha revelou, porém, que ela ainda era virgem aos 22 anos e nunca tinha estado grávida. A filha processou o terapeuta e recebeu 1 milhão de dólares de indenização em 1996.

Aproximadamente um ano antes, dois júris apresentaram vereditos desfavoráveis a um psiquiatra de Minnesota, o qual foi acusado de implantar falsas recordações pelos seus ex-pacientes Vynnette Hamanne e Elizabeth Carlson que submetidos à hipnose e ao amytal sódico1, e depois de serem mal informados sobre os funcionamentos da memória, vieram a se lembrar de horroroso abuso por membros da família. Os jurados compensaram Hammane com 2,67 milhões e Carlson com 2,5 milhões de dólares pelos seus sofrimentos.

Em todos os quatro casos, as mulheres desenvolveram recordações sobre abuso infantil na terapia e posteriormente negaram a sua autenticidade. Como nós podemos determinar se recordações de abuso infantil são verdadeiras ou falsas? Sem corroboração, é muito difícil de diferenciar entre falsas e verdadeiras recordações. Também, nestes casos, algumas recordações eram contrárias à evidência física, como memórias explícitas e detalhadas de estupro e aborto quando o exame médico confirmava virgindade. Como é possível as pessoas adquirirem falsas recordações tão elaboradas e seguras? Um número crescente de investigações demonstra que sob circunstâncias adequadas falsas recordações podem ser instiladas muito facilmente em algumas pessoas.

Minha própria pesquisa em distorção de memória remonta ao início dos anos 70, quando iniciei os estudos do “efeito da informação incorreta”. Estes estudos mostram que quando as pessoas que testemunham um evento são posteriormente expostas a informação nova e enganosa sobre ele, as suas recordações freqüentemente se tornam distorcidas. Em um exemplo, participantes viram um acidente de automóvel simulado em um cruzamento com um sinal de Pare. Depois do ocorrido, metade dos participantes recebeu uma sugestão de que o sinal de tráfego era um sinal de passagem preferencial. Quando perguntados posteriormente que sinal de tráfego eles se lembravam de ter visto no cruzamento, os que haviam sido sugestionados tendiam a afirmar que tinham visto um sinal de passagem preferencial. Aqueles que não tinham recebido a falsa informação eram muito mais precisos na lembrança do sinal de tráfego.

Meus estudantes e eu administramos até agora mais de 200 experiências envolvendo mais de 20.000 indivíduos que documentam como a exposição à informação enganosa induz à distorção de memória. Nestes estudos, pessoas “recordaram” um celeiro digno de nota numa cena bucólica que não continha nenhum edifício; vidro quebrado e gravadores de fita que não estavam nas cenas que viram; um veículo branco em vez de azul na cena de um crime; e Minnie Mouse quando eles na verdade viram Mickey Mouse. Considerados em conjunto, estes estudos mostram que a informação enganosa pode mudar a memória de um indivíduo de um modo previsível e às vezes muito poderoso.

A informação enganosa tem o potencial de invadir nossas recordações quando falamos com outras pessoas, quando somos interrogados sugestivamente ou quando lemos ou vemos a cobertura da mídia sobre algum evento que podemos ter experienciado nós mesmos. Depois de mais de duas décadas explorando o poder da informação enganosa, pesquisadores aprenderam muita coisa sobre as condições que fazem as pessoas suscetíveis à modificação da memória. As recordações são mais facilmente modificadas, por exemplo, quando a passagem de tempo permite o enfraquecimento da memória original.

Falsas Memórias Infantis

Uma coisa é mudar um detalhe ou dois numa memória intacta mas outra totalmente diferente é implantar uma falsa memória de um evento que nunca aconteceu. Para estudar a falsa memória, eu e meus estudantes tivemos de achar um modo de implantar uma pseudomemória que não causasse nos nossos participantes tensão emocional imprópria, tanto no processo de criá-la quanto na revelação de que eles tinham sido enganados intencionalmente. Nós quisemos ainda tentar implantar uma memória que seria pelo menos ligeiramente traumática se a experiência tivesse ocorrido de fato.

Eu e minha parceira de pesquisa, Jacqueline E. Pickrell, concordamos em tentar implantar uma memória específica de estar perdido em um shopping center ou em uma grande loja de departamentos ao redor dos cinco anos. Aqui está como fizemos isto. Nós perguntamos para nossos participantes, 24 indivíduos dos 18 aos 53 anos, para tentarem se lembrar de eventos de infância que tinham sido contados a nós por um pai, um irmão mais velho ou outro parente próximo. Nós preparamos uma brochura para cada participante contendo estórias de um parágrafo sobre três eventos que haviam acontecido de fato a ele ou a ela e um que não havia. Nós construímos o falso evento sobre um possível passeio ao shopping usando informação provida por um parente, o qual verificou também se o participante não havia estado, de fato, perdido aos cinco anos. O enredo de “perdido no shopping” incluiu os seguintes elementos: perdido durante um período prolongado, choro, ajuda e consolo por uma mulher idosa e, finalmente, a reunião com a família.

Depois de ler cada história da brochura, os participantes escreveram sobre o que eles se lembravam do evento. Se eles não se lembrassem dele, eram instruídos a escrever, “eu não me lembro disto”. Em duas entrevistas seguidas, nós falamos aos participantes que estávamos interessados em examinar o quanto de detalhe que eles podiam se lembrar e comparar as recordações deles com as dos seus parentes. Os parágrafos sobre o evento não foram lidos literalmente a eles, em vez disso foram fornecidos trechos para sugerir a lembrança. Os participantes recordaram aproximadamente 49 dos 72 eventos verdadeiros (68 %) logo depois da leitura inicial da brochura e também em cada uma das duas entrevistas seguidas. Depois de lerem a brochura, sete dos 24 participantes (29 %) lembraram-se tanto parcialmente como totalmente do falso evento construído para eles, e nas duas entrevistas seguidas seis participantes (25 %) continuaram afirmando que eles se lembravam do evento fictício. Estatisticamente, havia algumas diferenças entre as verdadeiras e as falsas recordações: participantes usaram mais palavras para descrever as verdadeiras recordações, e eles avaliaram as verdadeiras recordações como estando um pouco mais claras. Mas se um espectador fosse observar muitos de nossos participantes descreverem um evento, seria realmente difícil para ele dizer se a estória era uma recordação verdadeira ou falsa. Claro que, estar perdido, por mais assustador, não é o mesmo que ser molestado. Mas o estudo de “perdido no shopping” não é sobre experiências reais de estar perdido; é sobre implantar falsas memórias de estar perdido. O modelo mostra um modo de instalar falsas recordações e dá um passo em direção ao entendimento de como isto poderia acontecer no mundo real. Além disso, o estudo fornece evidência de que as pessoas podem ser conduzidas a se lembrarem do seu passado de modos diferentes, e elas podem até mesmo serem persuadidas a se “lembrar” de eventos completos que nunca aconteceram.

Estudos em outros laboratórios usando um procedimento experimental semelhante produziram resultados semelhantes. Por exemplo, Ira Hyman, Troy H. Husband e F. James Billing da Western Washington University pediram para estudantes de faculdade que recordassem experiências de infância que haviam sido contadas pelos seus pais. Os pesquisadores disseram aos estudantes que o estudo era a respeito de como as pessoas se lembram das mesmas experiências de modo diferente. Além de eventos reais reportados pelos pais, foi dado a cada participante um evento falso, seja uma hospitalização à noite devido a uma febre alta e a uma possível infecção de ouvido, ou uma festa de aniversário com pizza e palhaço que supostamente aconteceram aos cinco anos. Os pais confirmaram que nenhum desses eventos ocorreu de verdade.

Hyman descobriu que os estudantes recordaram completa ou parcialmente 84 % dos eventos verdadeiros na primeira entrevista e 88 % na segunda entrevista. Nenhum dos participantes recordou o evento falso durante a primeira entrevista, mas 20 % disseram na segunda entrevista que se lembravam de algo sobre o evento falso. Um participante que foi exposto à história da hospitalização de emergência mais tarde se lembrou de um médico, de uma enfermeira e de um amigo da igreja que veio visitá-lo no hospital. Em um outro estudo, Hyman apresentou junto com eventos verdadeiros, diferentes eventos falsos, como derramar acidentalmente uma tigela de ponche nos pais da noiva numa recepção de casamento ou ter que abandonar um supermercado quando o sistema de irrigação contra fogo ativou-se acidentalmente. Novamente, nenhum dos participantes recordou o falso evento durante a primeira entrevista, mas 18 % se lembraram de algo a respeito na segunda entrevista. Por exemplo, durante a primeira entrevista, um participante, quando perguntado a respeito do casamento fictício, declarou, “eu não tenho nenhuma idéia. Eu nunca ouvi isso antes”. Na segunda entrevista, o participante disse, “era um casamento ao ar livre, e eu acho que estávamos correndo e derrubamos alguma coisa como uma tigela de ponche ou algo parecido e fizemos uma grande bagunça e, é claro, fomos repreendidos por isto.”

Inflação da Imaginação

A descoberta de que uma sugestão externa pode conduzir à construção de falsas recordações infantis nos ajuda a entender o processo pelo qual as falsas recordações surgem. É natural querer saber se esta pesquisa é aplicável em situações reais como a de ser interrogado por um oficial da lei ou na psicoterapia. Embora uma sugestão enfática pode não acontecer habitualmente em um interrogatório policial ou na terapia, a sugestão na forma de um exercício imagético às vezes o faz. Por exemplo, quando tentando obter uma confissão, oficiais da lei podem pedir para um suspeito que imagine ter participado de um ato criminoso, e alguns profissionais de saúde mental encorajam os pacientes a imaginar eventos infantis como um modo de recuperar memórias supostamente escondidas.

Pesquisas de psicólogos clínicos revelam que 11 % deles instruem seus clientes “a deixarem a imaginação correr solta” e 22 % dizem para seus clientes “dar rédea livre à imaginação”. A terapeuta Wendy Maltz, autora de um livro popular sobre abuso sexual infantil, defende que se dê a seguinte recomendação ao paciente: “Gaste tempo imaginando que você foi abusado sexualmente, sem se preocupar que a exatidão prove qualquer coisa, ou ter que fazer suas idéias terem sentido….Pergunte a si mesmo…estas questões: Que hora do dia é agora? Onde você está? Em um lugar fechado ou ao ar livre? Que coisas estão acontecendo? Há uma ou mais pessoas com você?” Maltz adicionalmente recomenda que os terapeutas continuem fazendo perguntas como “Quem teria sido o provável responsável? Quando você foi mais vulnerável ao abuso sexual em sua vida?”

O uso crescente de tais exercícios de imaginação conduziu a mim e a vários colegas a se perguntarem sobre as suas conseqüências. O que acontece quando as pessoas imaginam experiências infantis que não aconteceram? Imaginar um acontecimento na infância aumenta a convicção de que realmente aconteceu? Para explorar isto, nós projetamos um procedimento de três fases. Nós primeiro pedimos aos participantes que indicassem a probabilidade de que certos eventos aconteceram a eles durante a infância. A lista contém 40 eventos, cada um classificado numa escala variando de “definitivamente não aconteceu” a “sem dúvida aconteceu”. Duas semanas mais tarde nós pedimos aos participantes que imaginassem que haviam experienciado alguns destes eventos. Foi pedido a diferentes indivíduos que imaginassem diferentes eventos. Algum tempo depois foi pedido aos participantes que respondessem à lista original de 40 eventos infantis novamente, indicando quão provável estes eventos realmente aconteceram a eles. Considere um dos exercícios de imaginação: é dito aos participantes que imaginem brincar dentro de casa depois da escola, ouvindo então um ruído estranho do lado de fora, correndo para a janela, tropeçando, caindo, e alcançando e quebrando a janela com as suas mãos. Além disso, nós perguntamos aos participantes coisas como “No que você tropeçou? Como você se sentia?” Em um estudo 24 % dos participantes que imaginaram a cena da janela quebrada relataram mais tarde um aumento de confiança de que o evento havia acontecido, enquanto que aqueles aos quais não foi pedido imaginar o incidente apenas 12 % relataram um aumento na probabilidade de que havia ocorrido. Nós descobrimos este efeito da “inflação da imaginação” em cada um dos oito eventos que os participantes imaginaram a nosso pedido. Várias explicações possíveis vêm à mente. Uma óbvia é de que o ato de imaginar simplesmente faz o evento parecer mais familiar e essa familiaridade é relacionada erroneamente às recordações de infância ao invés de ser relacionada ao ato de imaginar. Tal confusão de fonte, quando uma pessoa não se lembra da fonte de informação, pode ser especialmente intensa para as distantes experiências da infância.

Os estudos de Lyn Giff e de Henry L. Roediger III da Universidade de Washington sobre recente experiências ao invés de experiências infantis, conectam de forma mais direta as ações imaginadas à construção da falsa memória. Durante a sessão inicial, os pesquisadores instruíram os participantes a imaginar a ação proposta ou apenas escutá-la sem fazer mais nada. As ações eram simples: bata na mesa, erga o grampeador, quebre um palito, cruze seus dedos, e rode seus olhos. Durante a segunda sessão, foi pedido aos participantes que imaginassem algumas das ações que eles não haviam executado anteriormente. Durante a sessão final, eles responderam perguntas sobre quais ações eles executaram de fato durante a sessão inicial. Os pesquisadores descobriram que quanto mais os participantes imaginavam uma ação não executada, mais provável era que eles se lembrassem de tê-la executado.

Recordações Impossíveis

É altamente improvável que um adulto possa se recordar de lembranças incidentais verdadeiras do primeiro ano de vida, em parte porque o hipocampo, que desempenha um importante papel na criação de recordações, não amadureceu o bastante para formar e armazenar recordações duradouras que possam ser recuperadas na fase adulta.

Um procedimento para implantar “recordações impossíveis” sobre experiências que ocorrem logo após o nascimento foi desenvolvido pelo falecido Nicholas Spanos e seus colegas da Universidade de Carleton. Pessoas foram levadas a acreditar que elas tinham habilidades de exploração visual e de movimento ocular bastante coordenados provavelmente porque elas nasceram em hospitais que penduravam coloridos mobiles oscilantes em cima dos berços das crianças. Para confirmar se eles tiveram tal experiência, metade dos participantes foi submetida à hipnose e conduzida até o dia posterior ao nascimento e então foram questionadas sobre o que elas se lembravam. A outra metade do grupo participou de um procedimento de “reestruturação mnemônica dirigida” que usou regressão de idade assim como um vívido encorajamento para se recriar as experiências infantis imaginando-as. Spanos e seus colegas de trabalho descobriram que a vasta maioria dos participantes era suscetível a estes procedimentos de implante de memória. Tanto os participantes hipnóticos quanto os dirigidos relataram recordações infantis. Surpreendentemente, o grupo dirigido recordou um pouco mais (95 % contra 70 %). Ambos os grupos se lembravam do móbile colorido numa taxa relativamente alta (56 % do grupo dirigido e 46 % do hipnótico). Muitos participantes que não se lembravam do móbile, se recordavam de outras coisas, como médicos, enfermeiras, luzes brilhantes, berços e máscaras. Também, em ambos os grupos, daqueles que relataram recordações de infância, 49 % sentiam que as recordações eram reais contra 16 % que reivindicavam que elas eram apenas fantasias. Estas descobertas confirmam estudos prévios de que muitas pessoas podem ser levadas a construir falsas recordações complexas, vívidas e detalhadas por meio de um procedimento bastante simples. A hipnose claramente não é necessária.

Como as Falsas Memórias se Formam

No estudo de perdido-no-shopping, a implantação da falsa memória aconteceu quando outra pessoa, normalmente um membro da familia, afirmou que o incidente aconteceu. A corroboração de um evento por uma outra pessoa pode ser uma técnica poderosa para induzir a uma falsa memória. De fato, só de afirmar ter visto uma pessoa fazendo algo errado já é o suficiente para conduzí-la a uma falsa confissão.

Este efeito foi demonstrado em um estudo de Saul M. Kassin e seus colegas da Williams College que investigaram as reações de indivíduos acusados falsamente de danificar um computador apertando a tecla errada. Os participantes inocentes inicialmente negaram a acusação, mas quando uma pessoa associada ao experimento disse que havia visto eles executarem a ação, muitos participantes assinaram uma confissão, absorveram a culpa pelo ato e continuaram a confabular detalhes que fossem consistentes com aquela convicção. Estas descobertas mostram que uma falsa evidência incriminatória pode induzir as pessoas a aceitarem a culpa por um crime que não cometeram e até mesmo a desenvolver recordações para apoiar os seus sentimentos de culpa.

As pesquisas estão começando a nos dar uma compreensão de como falsas recordações de experiências emocionalmente envolventes e completas são criadas em adultos. Primeiro, há uma exigência social para que os indivíduos se lembrem; por exemplo, num estudo para trazer à tona as recordações, os pesquisadores costumam exercer um pouco de pressão nos participantes. Segundo, a construção de memórias pelo processo de imaginar os eventos pode ser explicitamente encorajada quando as pessoas estão tendo dificuldades em se lembrar. E, finalmente, os indivíduos podem ser encorajados a não pensar se as suas construções são reais ou não. A elaboração de falsas recordações é mais provável de acontecer quando estes fatores externos estão presentes, seja num ambiente experimental, terapêutico, ou durante as atividades cotidianas.

Falsas recordações são construídas combinando-se recordações verdadeiras com o conteúdo das sugestões recebidas de outros. Durante o processo, os indivíduos podem esquecer a fonte da informação. Este é um exemplo clássico de confusão sobre a origem da informação na qual o conteúdo e a proveniência da informação estão dissociados.

Está claro que não é porque nós podemos implantar falsas recordações de infância em alguns indivíduos que todas as recordações que surgirem após a sugestão serão necessariamente falsas. Dizendo de outro modo, embora o trabalho experimental na criação de falsas recordações pode levantar dúvidas sobre a validade de recordações remotas, como um trauma recorrente, de nenhuma maneira os desmentem. Sem corroboração, há muito pouco que possa ser feito para ajudar até mesmo o mais experiente observador a diferenciar as verdadeiras recordações daquelas que foram sugestivamente implantadas.

Os mecanismos precisos pelos quais esses tipos de falsas memórias são construídos aguardam por novas pesquisas. Nós ainda temos muito a aprender sobre o grau de confiança e as características das falsas memórias criadas desta maneira, e nós precisamos descobrir que tipos de indivíduos são particularmente suscetíveis a estas formas de sugestão e que tipos são resistentes.

Enquanto continuamos este trabalho, é importante prestar atenção à advertência contida nos dados já obtidos: profissionais de saúde mental e outros devem estar atentos de quão enormemente eles podem influenciar a lembrança de eventos e da urgente necessidade de se manter a moderação em situações nas quais a imaginação é usada como um auxílio para recuperar memórias presumivelmente perdidas.

 

Artigo publicado na Scientific American, em setembro de 1997, vol 277 #3 páginas 70-75..

ELIZABETH F. LOFTUS é professora de psicologia e professora auxiliar de Direito na Universidade de Washington. Ela recebeu o Ph.D em psicologia da Universidade de Stanford em 1970. Sua pesquisa concentra-se em memória humana, depoimento de testemunha ocular e procedimentos de Tribunal. Loftus publicou 18 livros e mais de 250 artigos científicos e serviu como especialista ou assessora em testemunhas em centenas de julgamentos, inclusive no caso de molestamento na pré-escola McMartin2. Seu livro Eyewitness Testimony ganhou o National Media Award da Fundação Psicológica Americana. Ela recebeu doutorados honorários da Universidade de Miami, Universidade de Leiden e da Faculdade John Jay de Justiça Criminal. Loftus foi eleita presidenta da Sociedade Psicológica Americana recentemente.

Elizabeth F. Loftus

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/criando-falsas-memorias/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/criando-falsas-memorias/

O Caos é do Bem

Usualmente usamos a palavra caos para nos referir a uma situação de desordem e confusão no mundo ou em nossas vidas. Em diversas tradições mitológicas o caos significa um vazio sem forma e ilimitado que propiciou o surgimento do universo. Na tradição platônica é um estado de desarmonia que precede uma nova ordem. O I Ching ensina que o caos traz a tempestade que permite a vida de novo florir. Na Física o termo é utilizado para explicar um sistema dinâmico que evolui de acordo com lei determinista, sensível a pequenas alterações iniciais. De certa maneira todas as definições se encaixam.

O caos é uma alavanca para a evolução. Pessoal e de toda a humanidade.

A lei da evolução é inexorável. Avançamos por gosto ou imposição, o que vai determinar o grau de dificuldade e o tempo do processo. O entendimento e as escolhas determinam a cada um as dores e as delícias da travessia.

A vida avança em ciclos. Ela é um grande ciclo composto de inúmeros outros ciclos menores, que se comportam como escalas de aprendizado na infinita travessia rumo a Luz. Se olharmos para trás e prestarmos um pouco de atenção não teremos dificuldade em identificar diversos ciclos que já vivemos. A casa dos pais, acadêmicos, profissionais, afetivos, paternidade ou maternidade, lugares diferentes que moramos, são exemplos fáceis de vislumbrar, sendo que cada um destes ciclos pode se subdividir em diversos outros. Cada ciclo encerra uma lição essencial para o novo trecho da jornada em que você precisa ser melhor e diferente para enfrentar novos desafios. Quando nos recusamos a aprender a lição o ciclo se repete infinitamente, como se o trem desse uma volta em círculo para retornar à mesma estação. Quem já teve a sensação de uma mesma situação se repetir muitas vezes, parecendo um livro já lido? E você se pega perguntando o porque daquele conflito ser tão recorrente? São sinais de que você está aprisionado àquele ciclo. A vida é antagônica a qualquer espécie de prisão. Para que a página seja virada de maneira definitiva é necessário que percebamos o que precisa ser aprendido e modificado. Então o ciclo será finalizado e um outro se iniciará. O fim de um ciclo necessariamente é o início de um novo.

Ocorre que muitas vezes permanecemos estacionados em um ciclo por conforto ou vício. Consciente ou inconscientemente sabemos o que precisa ser modificado, mas nos falta força, vontade ou dignidade. Então surge a figura maravilhosa do caos como que segurando um poderoso martelo a demolir as velhas formas e conceitos. O velho mundo resta destruído para que o novo possa ocupar o seu lugar nos empurrando para evolução.

No primeiro momento o desconhecido traz o medo instalando a desarmonia às mentes ainda infantis com a falsa e ingênua sensação de fim do mundo, quando na verdade é apenas a faxineira a arrumar a bagunça, jogar fora o lixo para reordenar a casa de maneira diferente e melhor. Um novo universo começa a se descortinar. Como os dedos do caos são longos, naquele momento não conseguimos entender exatamente o que ele nos traz, fazendo com que a insegurança domine as ações. Não raro as pessoas se desesperam.

No entanto, sabemos que graças à destruição provocada pelo caos relacionamentos com bases viciadas são desfeitos para abrir oportunidade a novos laços, construídos dentro de sentimentos e ideias mais nobres; empregos desaparecem para forçar o resgate de dons e talentos adormecidos, que despertado pelo barulho dos desmoronamentos, terminam por afastar a amargura ao apresentar novas e, até então, desconhecidas tintas que passarão a colorir a estrada do viajante; o convite feito pela morte traz o sentido da vida em mentes distraídas; o horror da guerra mostra o valor da paz. Basta que se preste atenção, as lições estão derramadas por toda a parte.

Entender e aceitar que tudo, absolutamente tudo, que acontece em nossas vidas é para o nosso bem é um conceito extraído de quase todas as tradições e é uma das lições embutidas no caos. Só o distanciamento propiciado pelo tempo e a clareza do olhar nos permite entender e agradecer o que a fogueira do caos incinerou em nossa vida.

A vida nunca vai compactuar com a estagnação.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/06/13/o-caos-e-do-bem/

#Alquimia #MagiadoCaos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caos-%C3%A9-do-bem

Beethoven como Informação

Não é por acidente que Lenin não suportava ouvir a música de Beethoven (a música o fazia querer chorar e tratar as pessoas com gentileza, disse ele) nem que a música de Ludwig foi banida na China Comunista debaixo de Mao Tse Tung, nem que o maior teórico marxista da América, Herbert Marcuse, denunciou a Nona Sinfonia em particular como uma Grande Mentira, invali dada pela cultura que a valoriza, a cultura do Individualismo Ocidental.

Todos os Marxistas, basicamente, são reac ionários, ansiando pelo despotismo dos Orientais dos tempos pré-helênicos, a teoria neolítica que precedeu o surgimento da auto-consciência e do egoísmo. Beethoven, como o bardo do individual ista recalcitrante é o Joeiro da música: o herói, não apenas da Terceira Sinfonia, mas de todos os seus trabalhos, é também Odisseus esperto em estratagemas, de quem Zeus disse, Como, com uma mente como esta ele é quase como um de nós! Tais indi víduos não surgem em culturas pré-homéricas e não são suportados nas culturas marxistas: são distintamente e particularmente os herdeiro s da truculência Grega.

John Fowles afirmou, num contexto dramático, que eleutheria é a mais Grega de todas as palavras. Eleutheria significa liberdade, que era aquilo que a música de Beethoven nos falava o tempo todo. A liber dade artística, logicamente , é aquilo que compreendeu toda a vida de Beethoven, a luta constante para ir além de todos os limites da música e forjar um maior significado e maior complexi dade de visão do que o som jamais carreou consigo. Mas o artista, como Joyce dramaticamente demonstrou em Ulysses e Finnegan’s Wake, está lutando a batalha que todo ser humano deve lutar se não queremos recair na mais completa robotiz ação: a lutar para ver e ouvir com nossos próprios olhos e ouvidos, não através dos circuitos de condicionamento social. Beethoven é um homem, e luta, sobre, e tri unfa como um homem, mas fala por todos que estão em algum grau, consciente s de sua potencial individualidade.

Qualquer um que compreenda a minha música nunca mais ficará infeliz, foi o que dizem que Ludwig afirmou. Alguns biólogos duvidam sobre a origem desta citação; mas não importa. Se ele não disse, poderia; a sua música com certeza certamente afirma isto. É a música de um teimoso que está disposto a tudo sofrer, paga qualquer preço pedido, para alcançar visões orgânicas ma is elevadas que aquelas que existiam no mundo à sua frente.

Para ir direto ao assunto, o que estava no interior da cabeça de Beethoven era mais importante, a longo prazo, do que tudo que esta va acontecendo fora dela naqueles anos. Sua música prova isso; e é prec isamente isto que os marxistas não podem tolerar sobre ele: que um homem possa se achar tão impor tante e, pior, que el e possa demonstrar o porquê dele ser tão importante. J.W. N. Sullivan, um matemático e portanto, acostumado à precisão, definiu em uma única palavra a resposta que todos apresentamos a Ludw ig: reverência. Mas é uma reverência primariamente pela mente de Ludwig que podia conter tanto numa doce precisão, e então pela Mente em geral, da qua l ele era apenas um trans-receptor humano ou super-humano.

Maynard Solomon descreveu a estrutura beet hoviniana típica como uma combinação de movimento irresistível e tensão intolerável. Mas essa é exatamente a forma de toda a criatividade (poderia também descrever o orga smo e o parto); e é também a fórmula da Iluminação, que os Sufis nos garantem exis tir em três estágios; que qualquer ouvinte pode ouvir nas composições tardias de Beethoven:

1. Senhor, usai-me.

2. Senhor, usai-me mas não me quebreis.

3. Senhor, não me importo que me quebreis.

É grosseiro, logicamente, descrever a Quinta como uma meditação sobre o Destino; Ludwig começou ele próprio esta linha de interpretações, dizendo que o tema de abertura representa o Destino batendo à porta. Sullivan não estava exagerando quando disse que a resolução maior do tema é B eethoven pegando o destino pela garganta. Sullivan poderá estar ou não correto na su a posterior suposição de que o Destino representa principalmente a crescente surd ez de Beethoven e o Finale triunfante (tão amargamente alcançado) simboliza a sua descoberta de que ainda poderia compor, mesmo que não mais pudesse ouvir. É mais provável que a Quinta sumarize tudo que Beethoven conhecia sobre todas as suas lutas, incluindo, mas não limitadas, aos problemas sociais, medos artísticos, qua ndo sua surdez foi declarada incurável e progressiva; isto é talvez o porquê dela re fletir todas as nossas batalhas, todas que ganhamos e perdemos, e aquilo que aprendemos na vitória ou derrota.

Ninguém, talvez com a exceção de Shakespeare ou um maldito de um tolo iria produzir um tema em pentâmero iâmbico a partir da palavra nunca repetida cinco vezes; mas Shakespeare faz isto, e quando e onde o faz, pr oduz um dos seus efeitos trágicos mais poderosos. E ninguém além de Beethoven ou um maldito de um tolo, iria representar a unidade da tese e antítese (ou a Vontade Individual e o Destino Implacável) pela progressão do terceiro para o quarto Movime nto sem interpor a pausa tradicional; mas Beethoven faz isto, e faz funcionar. O gênio é a capacidade de conc eber o inconcebível, como quando Alekhine faz um cheque-mate no xadrez com um peão, enquanto que o seu oponente e presentes ficam se perguntando o que estariam planejando seus Cavalos ou a Rainha.

Existe um momento na litera tura que corresponde ao final da Quinta. É o clímax de Moby Dick quando Ahab finalmente percebe qu e era realmente Vontade de Deus que a baleia atacasse seus agressores e que ira igualmente a Vontade de Deus que ele não repousaria enquanto não enfrentasse a baleia novamente. Sou o Tenente do Destino, diz Ahab, e é precisamente isto que Beethoven apre ndeu em todas as suas lutas contra o Destino. Sou aquilo que foi, é e será, uma citação de uma oração egípcia, em hieróglifos, copiada de seu próprio punho, era mantida numa moldura em sua escrivaninha, onde compos seus últimos trabalhos. Talvez alguns místicos tenham alcançado níve is mais elevados de consciência do que Beethoven (talvez!), mas se assim for, não podemos saber isto. Alei ster Crowley certa vez espantou-me ao escrever que o artista é maior que o místico; um estranho comentário para um homem que foi ele própri o um artista medíocre (embora um grande místico). Ao ouvir Ludwig, cheguei a compree nder aquilo que Cromel queria dizer. O místico, a menos que ele ou ela sejam um artista, não pode comunicar os estados superiores de percepção alcançados pelo cérebro completamente sintonizado; mas o artista pode. Ouvindo Beethoven, compartilhamos em parte, de suas percepções expandidas e quanto mais ouvimos, mais compartilhamos. Finalmente, podemos acreditar na sua premissa: se alguém ouve aquela música de forma suficiente, nunca mais ficará infeliz.

E Ludwig? Terminou seus dias como um homem (relativamente) pobre, um velho roto; andando por Viena uivando e gritando nu ma voz desafinada enquanto construía internamente uma música que não conseguia ouv ir; esgueirando-se furtivamente para os bordéis porque, finalmente, havia aceitado que o Amor Romântico que ansiava, não fazia parte de seu Destino. Alguns de seus vi zinhos diziam que ele era louco. Mas o que estava ocorrendo em sua cabeça era a criação da Nona Sinfonia, da Missa Solemnis e dos Quartetos finais, a maior expressão ar tística em toda a história do roteiro do DNA desde a evolução da dança unicelular às lu tas e sofrimentos de organismos complexos, até a perspectiva extr aterrestre dos Imortais Cósmic os que gradualmente vamos nos tornando.

Justin Case (Robert Anton Wilson) Justin Case é um pseudônimo de Robert Anton Wilson. Tradução NoKhooja

Grato por compartillharem !

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/beethoven-como-informacao/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/beethoven-como-informacao/

A História da Alquimia Ano a Ano

250000 aC – Possível origem da humanidade (homo sapiens) de acordo com pesquisas genéticas recentes
30000 aC – Idade de ouro do ciclo equinocial anterior. Data das lendas de Lemúria e Atlântida
15000 aC – Idade de ouro e início da descida na escuridão do atual ciclo equinocial.
12000 aC – País indiano de Rama, resquicios da civilização védica
8000 aC – Esfinge foi construída, acredita-se que os atlantes tenham levado seu conhecimento para o continente africano
5000 aC – 2000 aC – A Suméria se torna o berço da civilização no Ocidente
3000 aC – Unificação do Alto e Baixo Egito pelo Rei Menes, Capital está em Memphis
2900 aC – 2500 aC – Antigo Reino do Egito: Dinastias 3-6
2900 aC – Minas de ouro núbias em operação.
2100 aC – Epopeia de Gilgamesh fala sobre uma planta da Imortalidade
2160 aC – 1.800 aC –  Império Médio: Dinastias 11-12
2000 aC – 1.600 aC – Proto-alquimia é praticada na Caldéia
1800 aC – 500 dC – Os mistérios de Elêusis surgiram em Elêusis
1500 aC – 1.100 aC – Novo Reino, ou Império: Dinastias 18-20
1300 aC – Zaratustra funda o zoroastrismo
1150 aC – Provavel origem do  I-Ching
624 a.C – Tales de Mileto inicia a filosofia naturalista pré-socrática
600 aC – 492 aC – A Escola Pitagórica é fundada em Crotona, Itália
525 aC – 430 aC – Empédocles: Doutrina dos quatro elementos
300 aC – Teofrasto: Filósofo e naturalista
300 aC – Lao Tzu, fundador do taoísmo filosófico
249 aC – 210 aC – Shih Huang Ti, imperador, lendário fundador da alquimia na China
240 aC  – Papiro de Ani (versão do livro egípcio dos mortos)
200 aC – Bhagavad Gita
200 aC – Bolus de Mende: ‘Virtudes’ de animais, plantas e pedras
200 aC – 100 dC – Os essênios
200 aC – 500 dC – Mithraic Mysteries – Uma escola de mistérios iniciática na qual os alunos foram gradualmente introduzidos às verdades astronômicas através de símbolos, e como o conhecimento delas poderia levar o buscador à união com o poder por trás de toda a existência. Esta combinação de estudo científico, iniciação simbólica e união cósmica é uma característica do trabalho Rosacruz.
156 aC – 87 aC – Wu Ti, imperador chinês, patrono da alquimia e artes aliadas.
145 aC – 87 aC – Ssu-ma Ch’ien, historiador, mencionando pela primeira vez a alquimia na literatura cinesa
100 aC – 150 dC – Wei Po-yang, chamado de “Pai da Alquimia”, autor do primeiro tratado dedicado inteiramente à alquimia
4 aC – 33 dC – Jesus funda o cristianismo
1 aC – presente tradição hermética
23-79 —  Plínio, o Velho: História Natural
46 – São Marcos encontra Ormus, o sábio egípcio. Juntos, eles fundaram a Igreja Copta e os primórdios da Irmandade da Rosa Cruz (de acordo com a lenda maçônica)
100 – Demócrito: Receitas para colorir ou ligar metais básicos
100 – Maria, A Judia:  Líder Alquimista Operativa
100 – 200 – Cleópatra: Alquimista Operativa
100 – 300 –  Composição do Corpus Hermeticum, uma coleção de vários textos gregos dos séculos II e III, sobreviventes de uma literatura mais extensa, conhecida como Hermetica.
276 – Mani, sumo sacerdote persa de Zoroastro crucificado (Manichaesim)
281 – 361  – Jin Ge Hong, o principal alquimista chinês
296 – Diocleciano: Suposta proibição da alquimia
300 – Zósimo de Panópolis (alquimista helenístico) escritor de um dos mais antigos tratados alquímicos sobreviventes
500 – Conquista árabe do Egito. Árabes redescobrem a Alquimia e a Hermética
600 – O Sefer Yetzirah, um importante texto cabalístico, é editado. É o primeiro livro existente sobre esoterismo judaico.
610 a 632 – Muhammad recebe o Alcorão.
650 – Khalid ibn Yazid, alquimista árabe
700 – Século VIII. Cópia de um Ms alexandrino dá a primeira menção registrada da palavra Vitriol. A mesma senhora dá a primeira menção ao cinábrio (sulfeto de mercúrio)
721 – Jabir ibne Haiane
776 – Geber, o alquimista árabe cujo nome verdadeiro foi afirmado como Jabir Ben Haiyan ou Abou Moussah Djafar al Sofi, está ativo. De acordo com o Kitab-al-Fihrist do século X, Geber nasceu em Tarso e viveu em Damasco e Kufa.
796 – Lü Dongbin escreve o Segredo da Flor de Ouro
854 – Abu Bakr al’Rāzī
900 – Muḥammad ibn Umayl al-Tamīmī, alquimista árabe
920 – Rhazes, um médico árabe
940 – Ibn Wahshiyh, Abu Baker, alquimista árabe e botânico
950 – A- Majrett’ti Abu-alQasim, alquimista e astrólogo árabe
954 – Alfarabi, um alquimista árabe
1000 – Codex Marciano 299: Primeiro MS alquímico grego sobrevivente
1030 – Avicena, um médico árabe
1054 – Roma se separa da igreja ortodoxa, forma a igreja católica
1063 – Al Tughrai, poeta e alquimista 
1099 – Godfri de Bouillion toma Jerusalém
1100 – Fundação da Ordem de Sion por Godfri de Bouillion. Sua sede foi estabelecida no Monte Sião, fora da cidade de Jerusalém
1100 – Al-Tuhra-ee, Al-Husain Ibn Ali, alquimista árabe
1110 – EC Kalid, um rei no Egito
1128 –  Cavaleiros Templários obtêm Carta Papal e se tornam Ordem Monástica.
1141  – Robertus Ketenensis, tradutor latino da alquimia árabe
1144 – Primeiro tratado alquímico ocidental datado – Robert de Chester Depositione alchemiae
1150 – Turba philosophorum traduzido do árabe
1160 – Artephius (alquimista) afirma em seu ‘Livro Secreto’ que ele viveu por 1000 anos antes desta data devido ao uso do Elixir da Vida.
1188 –  Cavaleiros Templários se separam da Ordem de Sion no corte do Elm. Ordre de Sion muda seu nome para L’Ordre de la Rose Croix Veritas e adota o segundo título de “Ormus”.
1199 – Data aproximada Romances do Graal apareceram na Europa Ocidental
1200 – O Picatrix (O Objetivo do Sábio) é um grimório de origens incertas com orientações talismânicas e astrológicas, o texto vem claramente de um ethos não europeu. Foi atribuído a al-Majriti (um matemático andaluz), mas essa atribuição é duvidosa, e o autor às vezes é listado como Pseudo-Majriti.
1214 – Roger Bacon, alquimista, ocultista e frade franciscano, nasce. Bacon, também conhecido como Doutor Mirabilis (latim: “professor maravilhoso”), eventualmente coloca uma ênfase considerável no empirismo e se torna um dos primeiros defensores europeus do método científico moderno.
1231 – Primeira menção de alquimia na literatura francesa – Roman de la Rose. William de Loris escreve Le Roman de Rose, auxiliado por Jean de Meung, que também escreveu The Remonstrance of Nature to the Wandering Alchemist e The Reply of the Alchemist to Nature
1232 – Abraham Abulafia, cabalista siciliano, fundador da cabala extática, nasce em Saragosa.
1232 – Raymond Lull, um alquimista que se acredita possuir uma energia física e mental titânica, que se jogou de corpo e alma em tudo o que fez, nasce. Os escritos atribuídos a Lull incluem vários trabalhos sobre alquimia, mais notavelmente Alchimia Magic Naturalis, De Aquis Super Accurtationes, De Secretis Medicina Magna e De Conservatione Vitoe.
1234 – Albertus Magnus – alquimista, estudioso, filósofo e cientista nasce. Nada menos que 21 volumes de fólio alquímicos são atribuídos a ele
1235 – Robert Grosseteste, Bispo de Lincoln, discute a transmutação de metais em De artibus liberalibus e De generatione stellarum.
1256- O rei Alfonso, o Sábio de Castela, ordena a tradução de textos alquímicos do árabe. Supõe-se que ele tenha escrito Tesoro um tratado sobre a pedra filosofal
1270 – Roger Bacon, populariza o uso da pólvora
1270 – Tomás de Aquino é simpático à ideia de transmutação alquímica em sua Summa theologia. Em seu Thesaurus Alchimae, Aquinus fala abertamente dos sucessos de Albertus e de si mesmo na arte da transmutação.
1272  – Capítulo Provincial em Narbonne proíbe os franciscanos de praticar a alquimia.
1275 – Ce Ramon Lull Ars Magna.
1280 – Sefer Ha-Zohar, um texto cabalístico essencial, faz sua primeira aparição escrita, escrita por Moses de León, mas atribuída a Simon ben Yohai.
1280 – 1368 – Dinastia Yuan (Mongol) , trazendo a China e a Europa em contato direto por quase um século,
1289 – Albertus Magnus, Bispo de Ratisbona
1298 – Alain de Lisle. Há também relatos anteriores de Alanus de Insulis, nascido em Rijssel em 1114 EC na Holanda, mais tarde abade de Clairvaux e bispo de Auxerne
1300 – Sefer Raziel HaMalakh “Livro de Raziel, o Anjo”
1300 – Pedro de Abano ou Apone
1300 – Arnald de Villanova escreve uma série de tratados importantes sobre alquimia Quaestiones tam esseentiales quam acidentales, Epistola supe alchemia ad regem Neapolitanum, De secretis naturae, Exempla de arte philosophorum
1307 – Templários se estabelecem ou buscam refúgio na Escócia
1310 – Al-Jildaki, Muhammad Ibn Aidamer, alquimista árabe que compartilhou conhecimento com certos Templários
1310 –  Jean de Roquetaillade
1312 –  Os Cavaleiros Templários são extintos, exceto alguns, quando a ordem é dissolvida pelo Conselho de Vienne. Toda a propriedade dos Templários é transferida para os Cavaleiros de São João (Os Hospitalários)
1314 – Raymond Lully, um prelado espanhol
1314 – Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários, é queimado na fogueira
1315 – Raimundo Lulio
1317 – A primeira ordem Rosacruz é formada: a francesa Ordre Souverain des. Frères Aînés de la Rose Croix
1317 – A Bula Papal do Papa João XXII, Spondet quas non exhibent, é emitida contra aqueles que praticam a alquimia. Os cistercienses proíbem a alquimia.
1317 – Fundada a Frères Aînés de la Rose + Croix
1323 – Os dominicanos na França proíbem o ensino de alquimia na Universidade de Paris e exigem a queima de escritos alquímicos
1329 – Rei Edward III pede a Thomas Cary para encontrar dois alquimistas que escaparam, e para encontrar o segredo de sua arte
1330 d.C. – Nasce Nicolas Flamel. Flamel torna-se um escritor de sucesso, vendedor de manuscritos e alquimista. Flamel é atribuído como o autor do Livre des Figures Hiéroglypiques, um livro alquímico publicado em Paris em 1612 e depois em Londres em 1624 como “Exposição das Figuras Hieroglíficas”. fizeram a Pedra Filosofal que transforma chumbo em ouro, e alcançaram a imortalidade em uma única encarnação, juntamente com sua esposa Perenelle. O Papa João XXII dá fundos ao seu médico para montar um laboratório para um ‘certo trabalho secreto’.
1338 – Hospitalários adquirem Templar Holdings na Escócia
1340 – Jean de Meung, autor of o Romance da Rosa
1356 – Papa Inocêncio VI aprisiona o alquimista catalão João de Rupescissa, que insiste que o único propósito real da alquimia é beneficiar a humanidade. As obras de Rupescissa estão repletas de preparações medicinais derivadas de metais e minerais e ele enfatiza os processos de destilação que aparentemente separam as quintessências puras da matéria bruta das substâncias naturais.
1357 – Comentário de Hortulanus sobre a Tábua de Esmeralda de Hermes
1376 – O Directorium inquisitorum dominicano, o livro-texto para inquisidores, coloca alquimistas entre magos e magos.
1380 – EC Rei Carlos V, o Sábio, emite um decreto proibindo experimentos alquímicos
1380 – Bernardo de Trevisa
1388 – Geoffrey Chaucer Canterbury Tales discutiu a alquimia no Canon’s Yeoman’s Tale
1394  – Christian Rosenkreuz começa sua peregrinação aos dezesseis anos. Isso o leva à Arábia, Egito e Marrocos, onde entra em contato com sábios do Oriente, que lhe revelam a “ciência harmônica universal”
1396 – Ordem do Dragão é confirmada para existir neste momento, embora a data de fundação não seja clara
1398 – Suposta data em que Christian Rosencruez funda a Ordem Rosacruz
1403 – Rei Henry IV da Inglaterra emite uma proibição de alquimia e para parar dinheiro falsificado
1415 – Nicholas Flamel, um benfeitor dos pobres de Paris
1450 – Basílio Valentim, prior de um mosteiro beneditino
1452 – Leonardo da Vinci
1453 – Joost Balbian, alquimista holandês nascido em Aalst
1456 – 12 homens pedem a Henrique VI da Inglaterra uma licença para praticar alquimia
1470 – Der Antichrist und die funfzehn Zeichnen (o livro do anticristo) associa alquimistas com demônios e Satanás
1471 – George Ripley Composto de alquimia. A tradução de Ficino do Corpus Hermeticum
1476 – George Ripley escreve Medula alchemiae.
1484 – Christian Rosenkreutz, Frater C.R.C., o fundador da tradição Rosacruz, passa de acordo com a Confessio Fraternitatis. Avicena escreve De anima.
1484 – De anima de Avicena. Hieronymous Bosch Jardim das delícias terrenas
1485 – Summa perfectis, atribuída a Geber, é publicada. Neste importante texto alquímico, a teoria enxofre-mercúrio forma a base teórica para a compreensão dos metais, e o alquimista é informado de que deve dispor essas substâncias em proporções perfeitas para a consumação da Grande Obra. Geber descreve em detalhes consideráveis ​​os processos de laboratório e equipamentos do alquimista
1493 – Nasce Phillip von Hohenheim, ele mais tarde assume o nome de Philippus Theophrastus Aureolus Bombastus von Hohenheim, e mais tarde recebe o título de Paracelsus, que significa “igual ou maior que Celsus”.
1505 – Levinus nascido em Zierikzee, Holanda
1516 – Trithemius de Spanheim
1519 – Braunschweig’s Das Buch zu destillieren
1527 – John Dee, notável matemático galês, astrônomo, astrólogo, geógrafo, ocultista e consultor da rainha Elizabeth I, nasce em Londres.
1530 – Georgius Agricola Bermannus, livro sobre mineração e extração de minérios
1532 – A versão mais antiga do Splendor Solis, um dos mais belos manuscritos alquímicos iluminados. A obra consiste em uma sequência de 22 imagens elaboradas, dispostas em bordas e nichos ornamentais. O processo simbólico mostra a clássica morte e renascimento alquímico do rei e incorpora uma série de sete frascos, cada um associado a um dos planetas. Dentro dos frascos é mostrado um processo envolvendo a transformação de símbolos de pássaros e animais na Rainha e Rei, na tintura branca e vermelha.
1533 – Cornélio Agripa publica dos Três Livros de Filosofia Oculta
1541 – In hoc volumine alchemia primeiro compêndio alquímico
1550 – O Rosarium philosophorum, atribuído a Atribuído a Arnoldo di Villanova (1235-1315), é publicado pela primeira vez, embora tenha circulado em forma de manuscrito por séculos.
1552 – Nasce o imperador Rudolph II. A astronomia e a alquimia tornaram-se a ciência dominante na Praga renascentista e Rudolf era um devoto firme de ambas. Sua busca ao longo da vida é encontrar a Pedra Filosofal e Rudolf não poupa gastos para trazer os melhores alquimistas da Europa à corte, como Edward Kelley e John Dee. Rudolf até realiza seus próprios experimentos em um laboratório alquímico privado.
1555 – Agrícola
1560 – Denis Zachaire
1560 – Heinrich Khunrath nasce em Leipzig. É evidente que o primeiro manifesto rosacruz, o Fama Fraternitatis, é influenciado pela obra deste respeitado filósofo hermético e autor de “Amphitheatrum Sapientiae Aeternae” (1609), uma obra sobre os aspectos místicos da alquimia, que contém o gravura intitulada ‘A Primeira Etapa da Grande Obra’, mais conhecida como o ‘Laboratório do Alquimista’.
1561 – Jacopo Peri cria a Opera
1566 – Michael Maier, alquimista rosacruz e filósofo, médico do imperador Rudolph II, nasce Meier torna-se um dos mais destacados defensores dos Rosacruzes, transmitindo com clareza detalhes sobre os “Irmãos da Rosa Cruz” em seus escritos.
1571 – Johannes Pontanus, nascido em Hardewijk, Holanda, estudou o caminho de Artepius junto com Tycho Brahe. Morreu em 1640
1589 – Edward Kelley embarca em suas transmutações alquímicas públicas em Praga
1599 – A primeira aparição de uma obra de Basílio Valentim, o adepto alemão e monge beneditino, na filosofia alquímica é comumente suposta ter nascido em Mayence no final do século XIV. Suas obras eventualmente incluirão o Triumphant Chariot of Antimony, Apocalypsis Chymica, De Microcosmo degue Magno Mundi Mysterio et Medecina Hominis e Practica un cum duodecim Clavibus et Appendice.
1608 – Seton o cosmopolita, Isaac Hollandus
1608 – John Dee
1609 -André Libavius
1612 – Flamel figuras hierogliphiques (primeira publicação). Ruland’s Lexicon alchemiae.
1614 -A Fama Fraternitas, o primeiro manifesto Rosacruz é publicado. 1615 – Publicado o Confessio Fraternitatis
1616 – Publicado o Bodas Químicas de Christian Rosenkreutz
1617-  Oswald Croll
1620 – Jean d’Espagnet, autor do Arcano Hermético
1626 – Goosen van Vreeswyk, o mestre da montanha holandês. Morreu em 1690
1628 – Theodor Kerkring, bron em Amsterdã,
1629 – George Starkey (Irineu Filaleto)
1636 – -Michael Sendivogius
1638 – Robert Fludd, teólogo e místico
1640 – Albaro Alonso Barba Arte dos metais
1643 – Johannes van Helmont
1643 – Isaac Newton
1646 – George Starkey
1648 – Elias Ashmole, o antiquário
1650 – Rudolf Glauber, médico
1652 – Georg von Welling, um escritor alquímico e teosófico bávaro, nasce. Von Welling é conhecido por seu trabalho de 1719 Opus Mago-Cabalisticum et Theosophicum.
1666 – EC Relato de Helvécio sobre a transmutação em Haia. Crassellame Lux obnubilata
1668 – Rober Boyle, químico
1667 – Johan de Monte Snijder realizou uma transmutação em 1667 para Guillaume em Aken, Holanda
1667 – Eirenaeus Philalethes Uma entrada aberta para o palácio fechado do Rei
1675 – EC Olaus Borrichius
1677 – EC Mutus Liber
1690 – Publicação da tradução inglesa do Casamento Químico de Christian Rosenkreutz
1691 – Nascimento de Saint Germain
1710 – Samuel Richter começa a formar a Ordem da Cruz Dourada e Rosada Lascaris, um adepto/monge grego que viveu na Holanda por um tempo, e depois foi para Berlim, onde deu a J.F. Böttger a pedra
1717 – Grande Loja da Maçonaria Inglesa fundada
1719 – Georg von Welling “Opus Mago-Cabalisticum et Theosophicum” é publicado. Esta é uma obra esotérica importante e influente, que influencia vários autores subsequentes, incluindo Goethe, que a examinou durante seus estudos alquímicos.
1723 – Auera Catena Homeri , escrita ou editada por Anton Josef Kirchweger, é emitida pela primeira vez em Frankfurt e Leipzig em quatro edições alemãs em 1723, 1728, 1738 e 1757. Uma versão latina é emitida em Frankfurt em 1762 e outras edições alemãs Segue. Este trabalho tem uma enorme influência na alquimia Rosacruz e na Ordem Dourada e Rosacruz. No final do século XVIII
1735 – Abraham Eleazar Uraltes chymisches Werck
1737 – Jean Christophe Kunst, um professor alemão
1739 – Matthieu Dammy, um dos últimos famosos alquimistas parisienses, publicou suas obras em Amsterdã
1743 – Alessandro Cagliostro
1750 – Nasce o Dr. Sigismond Bacstrom, médico que também era alquimista e Rosacruz. Acredita-se que seja de origem escandinava, passou algum tempo como cirurgião de navio.
1751 – Tarot de Marselha
1776 – Adam Weishaupt forma a Ordem dos Illuminati da Baviera
1780 – A ordem dos Irmãos Asiáticos (Fratres Lucis) é fundada por Hans Heinrich von Ecker und Eckhoffen como uma ordem cismática da Cruz Dourada e Rosada. Os Irmãos Asiáticos admitem judeus e as doutrinas teosóficas e regulamentos cerimoniais da Ordem são baseados na Cabala
1785 – Geheime Figuren Os Símbolos Secretos dos Rosacruzes
1791 – Dr. Sigismund Bacstrom é iniciado em uma sociedade Rosacruz pelo Conde de Chazal na Ilha de Maurício. O conde, então um venerável ancião de cerca de 96 anos, parece ter visto em Bacstrom sua grandeza de estudante hermético e se ofereceu para aceitá-lo como aluno e ensinar-lhe a grande obra. Durante este período, Bacstrom foi autorizado a realizar uma transmutação sob a orientação de Chazal e usando suas substâncias. O conde de Chazal estava ligado à corrente francesa do rosacrucianismo, provavelmente ligada ao conde de St Germain.
1798 – Ethan Hitchcock
1813 – Operas de Richard Wagner
1817 – Mary Anne Atwood
1858 – Pascal B. Randolph funda a Irmandade Hermética de Luxor
1875 – Carl Gustav Jung
1877 – Fulcanelli
1887 – Fundação da Hermetic Order of the Golden Dawn
1889 – Lilly Kolisko
1891 – Fundação da Ordem Martinista
1898 – Rubellus Petrinus, alquimista português
1908 – Publicação do Kybalion
1909- Max Heindel funda a Fraternidade Rosacruz
1911 – Frater Albertus
1914 – Herbert Silberner publica Problems of Mysticism and its Symbolism.
1915 – Harvey Spencer Lewis funda a Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis
1915 – Marie-Louise von Franz
1919 –  Jean Dubuis
1920 – Timoth Leary
1921 – Pansophia Lodge é fundado por Heinrich Traenker
1929 – Manfred M. Junius
1931 – Stanislav Grof
1932 – Robert Anton Wilson
1959 – Paracelsus Research Society é fundada
1960 – Inicio da publicação do anuário Alchemical Laboratory Bulletins
1970 – Roger Caro revela a existência do Frères Aînés de la Rose-Croix
1979 – Les Philosophes de la Nature (LPN) é fundada
1980 – A Sociedade de Pesquisa Paracelsus é renomeada para Paracelsus College
1984 – A Biblioteca Ritman (Bibliotheca Philosophica Hermetica) é criada.
1990 – O grupo Gallaecia Arcana Philosophorum é fundado
1995 – Publicado o The Alchemical Tarot de Robert Place
2003 – The Alchemy Guild é estabelecida
2007 a 2009 – Primeira, Segunda e Terceira Conferência Internacional de Alquimia
2010 – Inner Garden Foundation é fundada
2011 – Quarta Conferência Internacional de Alquimia
2018 – Quinta Conferência Internacional de Alquimia

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-historia-da-alquimia-ano-a-ano/

Iron Maiden visita Aleister Crowley

De onde vem todo seu interesse por Aleister Crowley ?

Acho que o Crowley é sem dúvida a figura mais inspiradora do universo do ocultismo. Leio e estudo Crowley desde minha pré-adolescência. A despeito de todas as controvérsias que sempre o rondaram, ele levou o “faze o que tu queres ao limites do extremo.” Ele é sem dúvida a inspiração definitiva para todos aqueles que amam o ocultismo e dedicam suas horas vagas para entender o submundo em que vivemos.

Submundo ?

Você não acha que o que vivemos é real e definitivo acha ?

Acho que essa entrevista começou filosófica demais. ( gargalhadas de todos )

Foram 12 anos de trabalho, como se sente vendo a sua criação em fase final de produção ?

Corrigindo, foram quase 20 anos entre começar a ter as idéias e pô-las no papel em definitivo. Excitante como isso funciona, a literatura sempre ocupou um espaço transcendental na minha vida…

( interrompendo Bruce ) Oh não ! Filosofia esotérica é demais para minha cabeça ( risos ) ( A entrevista para por longos minutos até que todos parem de rir )

Mas falando sério ou ao menos tentando falar sério, foi uma jornada longa e muito árdua, mas que compensou todo o esforço quando vi que gente séria se interessou pelo projeto. Lógico que fica complicado agora, uma vez que seu poder de decisão fica limitado a certas escolhas.

Elenco por exemplo ?

Não, claro que não. Com isso estou muito satisfeito. Digo termos de filmagem, as datas para que eu pudesse acompanhar melhor o desenrolar das coisas, mas com a turnê em curso e gastando muito tempo, porém necessário no estúdio com o Iron Maiden, você fica um pouco distante de tudo o que está acontecendo. Mas estou muito contente com tudo. Sou inexperiente ainda, estou aprendendo. Dirigir videoclipes não é como dirigir um filme desse porte e com esse orçamento.

O que acha de muita gente na indústria cinematográfica ter ridicularizado o tema antes mesmo de ter acesso ao roteiro ?

Pergunte me algo que eu não saiba. Na verdade eles estão incomodados com o fato do filme abordar um personagem tão controverso quanto o Crowley. E também estão incomodados com o fato de termos arrecadado um excelente orçamento para o filme, mais que o dobro do que eu imaginava inicialmente.

Não acha que tudo o que já tinha de ser dito sobre Aleister Crowley já foi dito ?

Não mesmo. Além disso, o filme têm uma abordagem diferente sobre Aleister Crowley. Foge dos clichês tradicionais, acho que aborda muito mais uma questão fáustica, de como alguém é capaz de apelar para qualquer coisa, por mais perigosa que seja a fim de realizar seus objetivos, seus desejos mais perversos. Tentei também citar figuras que foram preponderantes na vida de Crowley como Jack Parsons e Ron Hubbard.

Que expectativas têm para o filme agora ?

As melhores possíveis, não têm como ser de outro jeito. Só gosto do modo como está sendo tachado de filme thrash de terror.

Agora só falta comprar a Boleskine House.

Está em avaliação.

Vamos falar um pouco sobre o Maiden ?

Seu desejo é um desejo, quero dizer, seu desejo é uma ordem.

Seus projetos solos ou projetos paralelos foram motivo para sua saída da banda em 1993, acha que isso pode voltar a acontecer ?

Não tenho mais a energia suficiente para me dedicar a tantos projetos ao mesmo tempo. Hoje minha agenda é bem controlada e já experimentei com tudo na vida. Já sei do que gosto e do que não gosto, do que vai dar certo ou não. Estou feliz e satisfeito com tudo o que está acontecendo agora. Caso contrário, não teria idéias para um novo disco do Iron Maiden.

Um novo disco conceitual ? E dessa vez sobre a vida e obra de Aleister Crowley ?

( Bruce nitidamente surpreso ) Poderia ser. Poderia ser. Conceitual sim e o que não falta é assunto sobre Aleister Crowley.

Por quê acha que outros ícones da New Wave of British Have Metal tenham caído no ostracismo enquanto o Iron Maiden goza de tanto prestígio ?

É uma questão muito difícil de ser respondida. O Iron Maiden passou por diversas turbulências, mas sempre esteve calcado num material homogêneo, de muita qualidade e com fãs de uma fidelidade atroz. Isso facilita demais as coisas, sempre facilitou as coisas para a banda. Mesmo com as trocas de vocalistas e vai e vem de integrantes, a banda sempre se sustentou em pilares muito fortes como o respeito mútuo entre seus integrantes, e o compromisso com a música. Não que Def Lepard, Saxon e outros da NWOBHM não tenham seguido esses passos, mas, é difícil responder isso sem ofender ninguém.

Recentemente vários músicos de outras bandas tem prestigiado os shows da banda ao redor do planeta, como essa devoção pelo Iron Maiden vindo de outros músicos de sucesso te afeta ?

Gratidão plena e amizade pura e respeitável são tudo aquilo que você deve plantar durante toda a sua carreira. Vou ao show desses caras também, o heavy metal não é esporte, é música, é a trilha sonora da vida de tantas e tantas pessoas.

The Number of the Beast está completando 25 anos, que lembranças tem daqueles dias ?

Ansiedade, felicidade, afobação, medo, alegrias incontidas. Ao mesmo tempo que o medo dominava a minha mente, apesar de tudo ir tão bem nas gravações, eu não sabia o que os fãs iriam achar. Paul Di’Anno é um grande performer, uma grande vocalista e têm sua marca definitiva na história dessa banda, isso ninguém poderá tirar dele, jamais. Mas eu tive a confiança dos caras da banda e principalmente do Rod ( Rod Smallwood, empresário da banda ).

Ele conversava muito comigo, mas depois do quarto ou do quinto show as coisas fluíram tranquilamente, o resto todo mundo já sabe. A rotina na banda era parecida com a da academia militar ( risos ) mas era necessário para se colocar as coisas sempre em ordem, as experiências com Di’Anno envolvendo bebedeiras e drogas nunca funcionariam no Iron Maiden.

É o melhor disco do Maiden ?

Não na minha opinião. Cada um tem um sentimento ligado a época em que foi feito. Acho Fear of the Dark genial. Acho A Matter of Life and Death o melhor de todos por que é a síntese de toda uma carreira, é um disco que representa maturidade e não acomodação de caras que beiram os cinquenta anos. Poucas bandas têm essa atitude ante ao envelhecimento de si e do seu trabalho. Na verdade eu usaria amadurecimento. É a melhor palavra para se definir o nosso momento.

Você foi crítico do Metal Progressivo do Iron Maiden do início dos anos noventa, a banda não mudou, pelo contrário, se aprofundou ainda mais no progressivo, você mudou sua opinião ?

Sempre fui fã de metal progressivo, desde os tempos do King Crimson, do Rush e de bandas mais obscuras como o Tangerine Dream, Can e demais. Só não estava preparado para aquilo na época. Queria tentar outras coisas e não me arrependo disso, foi altamente proveitoso, e acho que se não tivesse tentado aminha carreira solo, teria feito um mal trabalho no Iron Maiden.

Mas devo dizer que o In Rock do Deep Purple ainda é meu disco favorito, e acho que há muito de progressivo no som do Deep Purple, especialmente pelas mãos do Ian Paice e do Jon Lord.

Já perdoou os Osbournes ?

Eu nem me lembro de que eles existem. É tão mesquinho, tão estúpido o que fizeram que não merece ser mais comentado, é um jeito de se galgar notícias na mídia quando já não se consegue espaço através da música. Respeito Ozzy Osbourne e tudo o que ele fez pela música, mas quero que Sharon Osbourne e seus filhos se fodam.

As altas vendas dos discos da banda, incluindo o atual chegam a surpreender num mercado onde a pirataria já domina metade do mercado ?

Não sou contra o download livre. Pesquisas na internet mostram que os fãs de verdade nunca abandonam a banda. Nossas vendas de agora são semelhantes aquelas da metade dos anos oitenta. Faço um programa de rádio onde vivo discutindo isso. É inevitável, mas quem sabe trabalhar direito usa isso a seu próprio favor e benefício.

Quais são os passos da banda ao final da turnê atual ?

Pela quantidade de material que temos poderíamos terminar essa turnê e entrar em estúdio, mas isso é algo que precisamos avaliar melhor e ver como estaremos de saúde no final, já estamos velhinhos você sabe.

Fonte: roadrunnerrecords.com, tradução Paulie Hollefeld

Bruce Dickinson fala sobre seu filme, Chemical Wedding e um possível álbum sobre Mega Therion

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/iron-maiden-visita-aleister-crowley/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/iron-maiden-visita-aleister-crowley/

Autopsicografia

Como eu havia dito anteriormente, o papa Marcos I, que também foi considerado um poeta, começou a compilar a lista de bispos e mártires que se ajustassem aos interesses da Igreja Roma. Ele permaneceu no cargo apenas nove meses até seu falecimento (é o que chamamos de “papa de transição”), sendo substituído pelo 35º papa, Júlio I.
Júlio I, assim como os primeiros “papas” oficializados por Constantino, era um tremendo fingidor. Finge que comemora o nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro apenas para agradar às massas, pois a festa do Solis Invictus já era comemorada há pelo menos 500 anos nesta data (mas, através da “fé” acaba convencendo tão completamente as pessoas que até os dias de hoje tem gente acreditando mesmo que Jesus nasceu neste dia). Ele provavelmente gostou da idéia, pois é em seu comando que o primeiro calendário com as festas católicas começa a ser elaborado (e adivinhem se cada data “coincidentemente” não chega a cair exatamente sobre as festas pagãs?).
O próximo papa chama-se Libério. Depois de fingir que fazia parte de uma seita ariana durante alguns anos (Arianismo é considerado mais uma heresia, pode adicionar na nossa lista), Libério retorna a Roma e vira a casaca, passando a perseguí-los. Neste meio tempo, instauram um antipapa chamado Félix II (um antipapa é como um vilão dos quadrinhos… é alguém que também se intitula papa ao mesmo tempo que o outro cardeal e surge uma cisma. O vencedor da disputa acaba virando o papa e o perdedor conhece a dor dos hereges e excomungados).
São Damaso I assume o cargo em 366 DC. Neste ponto, Constantino estava no auge de seu poder, coordenando a “Reestruturação do cristianismo segundo as doutrinas de Roma” (leia-se causar muita dor em qualquer seguidor de Yeshua que não concorde em seguir o Jesus-Apolo de Constantino). Damaso é conhecido por coordenar a “tradução” da bíblia e compilação dos capítulos e trechos que interessavam deveras ao Pontifex Maximus (líder da religião pagã em Roma). Em 376, o Imperador Graziano recusa este título, entregando-o para o papa, que sente o acumular do poder sobre os cristãos e sobre os pagões ao mesmo tempo!!!
Em 384 entra São Sirício, que instituiu o celibato para padres, bispos e para os cardeais. A razão para isto é que quando um padre falecia, a Igreja precisava tomar conta de sua esposa e filhos e o papado não desejava abrir os cofres sagrados pagando pensões a viúvas e filhos. É importante lembrar que naquele período não existia “salário” para padres e pastores; todas as suas contas eram pagas pela igreja (mais ou menos como os pastores evangélicos fazem hoje em dia). Também foi responsável pela equipe de tradução que lêem e traduzem para o clero os textos que chegam das seitas devastadas.
Anastásio I ficou no poder de 399 DC a 401 DC e escreve uma bula exigindo que os sacerdotes ficassem de pé na missa durante a leitura dos evangelhos (exceto se isto lhes causasse dor ou desconforto durante a lida); Inocêncio I assume o papado em 401 DC para logo em seguida Roma ser saqueada pelos Visigodos. Zózimo I assume o papado após sua morte, em 417, continuando a guerra contra a heresia do Pelagianismo (o Pelagianismo é a doutrina que diz que as pessoas vão para o céu se forem boas pessoas, independentes de “aceitarem Jesus” ou não). Esta briga entre os que pregavam a “salvação pelos atos” versus os que pregavam a “salvação apenas através da Igreja católica” ainda duraria muitos e muitos anos. Bonifácio I, Celestino I e Sisto III sentem bem as discussões com os antipapas e com outros heréticos.
Leão I, o 45º papa, conhecido como “Magno”, não teve um papado fácil. Assumiu o trono entre 440 e 461 e neste período, Roma foi saqueada pelos hunos e pelos vândalos. Mas este foi um papa macho, mesmo com as duasinvasões que ele teve de passar. Há relatos que, quando Átila o huno estava causando no ocidente, o papa montou um exército e foi até Mântua para negociar um acordo de paz com o velho Átila… todos achavam que o papa seria trucidado, mas ele conseguiu!
Em 461 assume o papa Hilário I. Ele só estabeleceu que para ser sacerdote era necessário possuir uma profunda cultura e que pontífices e bispos não podiam designar seus sucessores. Hilarus era o deus pagão da alegria. Achei curioso o papa adotar um nome pagão, se todos os pagões são satanistas pelos próprios critérios da Igreja… o que nos demonstra que até aquele momento há uma tolerância em relação aos deuses romanos, que como veremos daqui a pouco, ficará cada vez menor.
Durante seu pontifado ocorre a Queda do Império Romano. Definitivamente a Igreja de Roma não achou isso muito hilariante. Em 483 assume Félix III (ou Félix II, dependendo se você vai contar o anti-papa Félix II ou não). Para quem ficou curioso, ao todo existiram 39 anti-papas reconhecidos.
Além de Felix II, aparecem outros cardeais desafiando o papado. Felix alega que eles não têm direito sobre a cadeira de Pedro. E assim, excomunhões de ambos os lados e muitos envenenamentos depois, Gelásio I assume a cadeira de Roma. No meio de anti-papas e hereges (em seu papado enfrentou o Maniqueísmo, Arianismo e pelagianismo), como primeiro ato, declara que a figura do papa não poderia mais ser julgada por ninguém. Isto estabelece as bases da famigerada “Infabilidade papal” ou em outras palavras: “eu estou certo e vocês vão parar nas calhas de roda” (o costume da fogueira ainda estava sendo absorvido dos celtas, que queimavam seus inimigos em grandes bonecos de palha chamados Wicker Man). Gelásio também absorveu a “Gira (festa) de São Valentin”, transformando os bacanais pagãos em algo mais palatável à moral e aos bons costumes, que chamamos hoje de “dia dos namorados” (comemorado dia 14 de fevereiro).
Anastácio I tentou converter os francos e aquele povo pacífico que morava no sul da França e cultuava a Madonna Negra. Foi o primeiro a considerar a imagem blasfema. Dante Aliguieri (um iniciado) o coloca no Inferno em seu poema “Divina Comédia” por isso.
Em 498, com o falecimento de Anastácio, dois papas começam a disputar o papado. Símaco e Lourenço possuíam igual poder político e as guerras escalaram para um estado tal de violência que decidiram chamar o rei Teodorico (que era pagão) para decidir quem deveria ser o papa. Isso é tão absurdo quanto hoje em dia chamar o Richard Dawkins para decidir quem deveria ser o papa em caso de empate.
Os dois papas foram chamados a entreter o rei com promessas e, no final do concílio, Teodorico decide que quem tinha o maior número de votos deveria ser o papa (ah… a razão!).
Nos anos seguintes, esse comboio de papas formados por Símaco (498-514), Hormisdas (514-523) e João I (523-526) enfrentou todo tipo de problemas com hereges, antipapas e cismas, especialmente a de Acácio, Patriarca de Constantinopla, que estava causando com a corda toda no Oriente.
A decisão mais importante que tiveram foi a de proibir a compra do cargo de bispo com donativos e favores, pelo fim da simonia e para tentar colocar um pouco de ordem na bagunça política do Vaticano.
Felix IV (ou III, dependendo da lista) durou pouco no papado. O 54º papa tinha uma vida mais promíscua que o Clube 54 e o rei Ostrogodo o manteve completamente isolado politicamente. Quando ele morreu, Bonifácio II (que “coincidentemente” foi o primeiro papa de origem Germânica) assumiu, sob as bênçãos do rei germânico. É o que se chama “papa do coração”! Por alguma estranha razão, o novo papa estava totalmente alinhado com os gostos do Imperador e, talvez por esta estranha coincidência, tenha durado bastante no trono.

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AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

#Poemas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/autopsicografia

A Voz do Silêncio

Tradução de Carlos Cardoso Aveline

Prefácio de Helena Blavatsky

As páginas que se seguem têm como origem o Livro dos Preceitos de Ouro, uma das obras que são colocadas nas mãos dos estudantes místicos do Oriente. O conhecimento destas páginas é obrigatório naquela Escola cujos ensinamentos são aceitos por muitos teosofistas. Portanto, como conheço de memória muitos destes Preceitos, o trabalho de traduzi-los foi uma tarefa relativamente fácil para mim.

É bem sabido que, na Índia, os métodos de desenvolvimento psíquico diferem de acordo com os Gurus (professores ou mestres), não só porque eles pertencem a diferentes escolas de filosofia, das quais existem seis, mas também porque cada Guru tem o seu próprio sistema e o mantém em grande segredo. Porém do outro lado dos Himalaias o método das Escolas Esotéricas não difere, a menos que o Guru seja simplesmente um Lama, e tenha poucos conhecimentos mais do que aqueles a quem ensina.

A obra da qual eu traduzo o material aqui publicado faz parte da mesma série de que foram tiradas as “Estâncias” do Livro de Dzyan, e nas quais se baseia a Doutrina Secreta. Assim como a grande obra mística chamada Paramartha − que, segundo conta a lenda de Nagarjuna, foi dada ao grande Arhat pelos Nagas ou “Serpentes” (na verdade um termo usado para designar os antigos Iniciados) −, o Livro dos Preceitos de Ouro reivindica a mesma origem. No entanto, as suas máximas e suas ideias, embora sejam nobres e originais, são frequentemente encontradas sob diferentes formas em obras sânscritas como o Dnyaneshvari, aquele esplêndido tratado místico no qual Krishna descreve para Arjuna, em cores brilhantes, o estado de um Iogue plenamente iluminado; e também em certos Upanixades. Isto é bastante natural, já que a maior parte, se não a totalidade dos grandes Arhats − os primeiros seguidores de Gautama Buddha − eram hindus e arianos, não mongóis, especialmente os que emigraram para o Tibete. Só as obras deixadas por Aryasangha já são muito numerosas.

Os Preceitos originais estão gravados em finas folhas ou lâminas oblongas; as cópias são feitas, com muita frequência, em discos. Estes discos, ou chapas, são geralmente preservados nos altares dos templos que existem junto aos centros onde as Escolas chamadas de contemplativas, ou Mahayana (Yogacharya), estão estabelecidas. Os Preceitos são escritos de várias maneiras, às vezes em tibetano, e na maior parte dos casos em escrita ideográfica. A língua sacerdotal (Senzar), além de possuir o seu próprio alfabeto, também pode ser usada em vários tipos de escrita, em símbolos cifrados que parecem mais ideogramas do que sílabas. Outro método (lug, em tibetano) consiste em usar algarismos e cores, cada um dos quais corresponde a uma letra do alfabeto tibetano (trinta letras simples, e setenta e quatro letras compostas), formando-se assim um alfabeto criptográfico completo. Quando são usados os ideogramas, há um modo definido de ler o texto, porque, neste caso, os símbolos e sinais usados em astrologia − isto é, os doze animais do zodíaco e as sete cores primárias, cada uma delas com três tonalidades, a mais clara, a básica e a mais escura − correspondem às trinta e três letras do alfabeto simples, para as palavras e as frases. Por isso, neste método, os doze “animais”, repetidos cinco vezes e associados aos cinco elementos e às sete cores, formam um alfabeto inteiro, composto de sessenta letras sagradas e doze signos. Um sinal, colocado no início do texto, determina se o leitor deve formar as palavras do modo indiano, segundo o qual cada palavra é simplesmente uma adaptação do sânscrito, ou de acordo com o princípio chinês da leitura por ideogramas. A maneira mais fácil, no entanto, é a que permite ao leitor não usar nenhuma língua em especial, ou usar qualquer língua, já que os sinais e símbolos eram, assim como os números ou algarismos arábicos, propriedade comum e internacional dos místicos iniciados e os seus seguidores. A mesma peculiaridade é característica de um dos modos chineses de escrever, que pode ser lido com igual facilidade por qualquer um que esteja familiarizado com o símbolo: por exemplo, um japonês pode lê-lo em sua própria língua, assim como um chinês o lê com igual facilidade em seu idioma.

O Livro dos Preceitos de Ouro − alguns dos quais são pré-budistas enquanto outros pertencem a uma data posterior − contém cerca de noventa diferentes tratados pequenos. Destes, eu memorizei trinta e nove, alguns anos atrás. Para traduzir o resto, eu teria que recorrer a notas espalhadas por um número excessivamente grande de papéis e memorandos reunidos durante os últimos vinte anos e que nunca foram colocados em ordem, para que a tarefa se tornasse pelo menos um pouco mais fácil. Além disso, nem todos eles poderiam ser traduzidos para um mundo tão egoísta e tão apegado aos objetos dos sentidos que não está preparado, de modo algum, para receber do modo correto uma ética tão elevada. Porque, a menos que o homem persevere seriamente na busca do autoconhecimento, ele jamais ouvirá com boa vontade conselhos desta natureza.

E, no entanto, esta ética ocupa volumes e volumes da literatura oriental, especialmente nos Upanishads. “Mate o desejo de viver”, diz Krishna a Arjuna. Este desejo se concentra apenas no corpo, o veículo do eu materializado, e não no EU que é “eterno, indestrutível, que não mata nem pode ser morto” (Katopanishad). “Mate a sensação”, ensina o Sutta Nipata; “olhe do mesmo modo para o prazer e a dor, o ganho e a perda, a vitória e a derrota.” E ainda: “Busque refúgio apenas no Eterno” (ibid). “Destrua o sentido de separatividade”, repete Krishna de muitas maneiras diferentes. “A mente (Manas) que segue os sentidos oscilantes torna a alma (Buddhi) tão indefesa quanto o barco que o vento leva à deriva pelas águas.” (Bhagavad Gita, cap. II)

Portanto, foi considerado mais correto fazer apenas uma seleção sábia daqueles tratados que serão mais úteis para os poucos realmente místicos da Sociedade Teosófica, e que irão, certamente, atender às necessidades deles. Só eles serão capazes de apreciar estas palavras de Krishna-Cristos, o “Eu Superior”:

“Os sábios não se preocupam nem pelos vivos nem pelos mortos. Eu nunca deixei de existir, nem você, nem estes líderes dos homens. Nenhum de nós jamais deixará de existir.” (Bhagavad Gita, cap. II)

Nesta tradução, fiz o melhor que pude para preservar a beleza poética da linguagem simbólica que caracteriza o original. Cabe ao leitor avaliar até que ponto o esforço foi bem sucedido.

“H.P.B.”, 1889.

A VOZ DO SILÊNCIO

1. Estas instruções são para aqueles que ignoram os perigos dos IDDHI inferiores.

2. Aquele que pretende ouvir a voz de Nada , o “Som Sem Som”, e compreendê-la, deve aprender antes a natureza de Dharana.

3. Tendo se tornado indiferente aos objetos de percepção, o aluno deve buscar o Rajá dos sentidos, o Produtor do Pensamento, aquele que desperta a ilusão.

4. A Mente é o grande Assassino do Real.

5. O Discípulo deve matar o Assassino.

Porque −

6. Quando para ele mesmo a sua forma parecer irreal, como parecem irreais ao despertar as formas que ele vê em sonhos;

1 A palavra páli Iddhi é sinônimo do termo sânscrito Siddhi, e se refere às faculdades psíquicas, os poderes anormais no homem. Há dois tipos de Siddhis. Um grupo abrange as energias inferiores, grosseiras, psíquicas e mentais; o outro grupo exige o mais elevado treinamento dos poderes Espirituais. Krishna afirma no Shrimad Bhagavad [Bhagavad Gita]: “Aquele que se dedica à realização da Ioga, que controlou seus sentidos e concentrou sua mente em mim (Krishna) a tal Iogue todos os Siddhis estão prontos para servir.”

2 A “Voz Sem Som”, ou a “Voz do Silêncio”. Do ponto de vista literal, talvez a melhor tradução seja “A Voz no Som Espiritual”, já que Nada é a palavra equivalente, em sânscrito, de um termo em senzar.

3 Dharana é a intensa e perfeita concentração da mente sobre um objeto interior, acompanhada de completa abstração de tudo o que pertence ao Universo externo, ou ao mundo dos sentidos.

7. Quando ele tiver cessado de escutar os muitos, ele poderá discernir o UM − o som interno que
mata os sons externos.

8. Só então, e não antes disso, ele poderá abandonar a região de Asat, do falso, para vir até o reino de Sat, o verdadeiro.

9. Antes que a Alma possa ver, a Harmonia interior deve ser alcançada e os olhos físicos precisam ficar cegos para toda ilusão.

10. Antes que a Alma possa ouvir, a imagem (o homem) deve tornar-se surda tanto para rugidos como para sussurros, e tanto para o bramido dos elefantes quanto para o leve zumbido do vaga- lume dourado.

11. Antes que a Alma possa compreender e possa lembrar, ela deve estar unida ao Orador Silencioso, assim como a forma pela qual a argila é modelada se une, primeiro, à mente do oleiro.

12. Porque então a Alma irá escutar, e ela lembrará.

13. E então falará, ao ouvido interno – E ela dirá: A VOZ DO SILÊNCIO

14. Se tua Alma sorri enquanto se banha na luz do Sol da tua Vida; se tua Alma canta dentro da sua crisálida de carne e matéria; se tua Alma chora dentro do seu castelo de ilusão; se tua Alma luta para romper o cordão de prata que a liga ao MESTRE, então fica sabendo, ó Discípulo, que a tua Alma é da terra.

15. Quando diante do tumulto do mundo a tua Alma florescente se põe a escutar; quando tua Alma responde à voz ruidosa da Grande Ilusão; quando, assustada por ver as lágrimas quentes do sofrimento, ensurdecida pelos gritos de aflição, tua Alma se retira como a tímida tartaruga para dentro da carapaça do SEU PRÓPRIO INTERIOR, percebe, ó Discípulo, que tua alma não é um templo digno do Silencioso “Deus” dela própria.

16. Quando, tornando-se mais forte, a tua Alma sai do seu retiro seguro; e, rompendo com o santuário protetor, estende o seu fio de prata e se apressa para avançar; quando, olhando para sua própria imagem nas ondas do Espaço, ela murmura: “esta sou eu” − confessa, ó Discípulo, que tua Alma está presa pelas redes da ilusão.

17. Esta terra, Discípulo, é o Salão do Sofrimento, e nele, ao longo de um Caminho de duras provações, há armadilhas para fascinar o Eu através da ilusão chamada “Grande Heresia”.

18. Esta terra, ó Discípulo ignorante, é apenas a entrada sombria que leva à luz fraca existente antes do vale da verdadeira luz − aquela luz que nenhum vento pode apagar, a luz que queima sem uma mecha, e sem combustível.

19. Diz a Grande Lei: “Para que tu te tornes CONHECEDOR de TODO SER, tu tens primeiro que conhecer o SER”. Para alcançar o conhecimento daquele SER, tu deves desistir do Eu em função do Não-Eu, e desistir do ser em função do não-ser. Então poderás repousar entre as asas do GRANDE PÁSSARO. Sim, agradável é o repouso entre as asas daquilo que não nasce, nem morre, mas é o AUM, ao longo das eras da eternidade.

20. Cavalga o Pássaro da Vida, se quiseres ter conhecimento.

21. Renuncia à tua vida, se queres viver.

22. Três Salões, ó Peregrino exausto, conduzem ao final da fadiga. Três Salões, ó vencedor de Mara, te levarão através de três estados até o quarto , e dali até os sete Mundos, os mundos do Descanso Eterno.

23. Se queres aprender os nomes deles, então escuta com toda atenção e lembra.

24. O nome do primeiro Salão é IGNORÂNCIA − Avidya.

25. Este é o Salão em que tu viste a luz, em que tu vives e morrerás.

26. O nome do segundo Salão é Salão do APRENDIZADO. Nele a tua alma encontrará as flores da vida, mas sob cada flor haverá uma serpente enroscada.

27. O nome do terceiro Salão é SABEDORIA, além do qual se estendem as águas sem praia de AKSHARA, a indestrutível Fonte da Onisciência.

28. Se queres atravessar o primeiro Salão em segurança, não deixes que a tua mente confunda o fogo da luxúria, que arde ali, com a luz do sol da vida.

29. Se queres atravessar o segundo Salão em segurança, não pares para experimentar a fragrância fascinante das suas flores. Se queres libertar-te das correntes cármicas, não procures o Guru nestas regiões mayávicas.

30. Os SÁBIOS não se demoram nas regiões prazenteiras dos sentidos.

31. Os SÁBIOS não dão atenção às vozes encantadoras da ilusão.

32. Busca por aquele que te fará nascer no Salão da Sabedoria, o Salão que está mais além. Nele todas as sombras são desconhecidas, e a luz da verdade brilha com uma glória que jamais perde sua força.

33. Aquilo que nunca foi criado está presente em ti, Discípulo, assim como está presente naquele Salão. Se queres alcançá-lo e unir os dois, deves deixar de lado as tuas escuras vestimentas de ilusão. Endurece a voz da carne, não deixes que imagem alguma dos sentidos se ponha entre a sua luz e a tua, de modo que assim os dois possam tornar-se um. E, tendo compreendido a tua própria Ajnyana, foge do Salão do Aprendizado. Este Salão é perigoso em sua beleza pérfida. Ele só é necessário para a tua provação. Cuida, Lanu, para não ser fascinado e capturado por esta luz enganosa.

34. Esta luz brilha desde a joia do Grande Enganador (Mara). Ela domina os sentidos, cega a mente, e deixa o imprudente abandonado e destruído.

35. A mariposa atraída para a luz deslumbrante do teu lampião noturno está condenada a perecer no óleo viscoso. A alma imprudente que deixa de lutar contra o demônio da imitação e da ilusão, retornará à terra como escrava de Mara.

36. Observa as Hostes de Almas. Olha como elas pairam sobre o mar tempestuoso da vida humana, e como, exaustas, sangrando, com as asas quebradas, caem uma depois da outra nas ondas crescentes. Levadas por ventos terríveis, perseguidas pelo temporal, elas vão à deriva até os remoinhos, e desaparecem dentro do primeiro grande vórtice.

37. Se queres alcançar o Vale da Bem-Aventurança através do Salão da Sabedoria, Discípulo, fecha com força os teus sentidos contra a terrível heresia da Separatividade que te afasta do resto.

38. Não deixes que o teu “Nascido-no-Céu”, submerso no mar de Maya, rompa com a Fonte Universal (ALMA), mas faz com que o poder flamejante se retire até a câmara mais interna, a câmara do Coração, e moradia da Mãe do Mundo.

39. Então, desde o coração aquele Poder surgirá no sexto, a região do meio, o lugar entre os teus olhos, e se transformará no alento da ALMA UNA, a voz que tudo permeia, a voz do teu Mestre.

40. Só então tu podes tornar-te um “Caminhante do Céu”, que pisa os ventos sobre as ondas e cujo passo não toca as águas.

41. Antes de colocares o teu pé sobre o degrau superior da escada, na escala dos sons místicos, deves escutar de sete maneiras a voz do teu DEUS interior.

42. O primeiro som é como a voz doce do rouxinol cantando uma canção de despedida para sua companheira.

43. O segundo vem como o som de um címbalo prateado dos Dhyanis, acordando as estrelas cintilantes.

44. O próximo é como o lamento melodioso de um espírito do oceano, preso em sua concha.

45. E este é seguido pelo canto da Vina.

46. O quinto alcança o teu ouvido como o som agudo da flauta de bambu.

47. Ele muda em seguida para o toque de uma corneta.

48. O último vibra como o rolar distante e pesado de um trovão pela nuvem.

49. O sétimo engole todos os outros sons. Eles morrem, e então já não são ouvidos.

50. Quando os seis são destruídos e colocados aos pés do Mestre, então o discípulo se une ao UM, torna-se aquele UM e nele vive.

51. Antes de ingressar neste caminho, tu deves destruir o teu corpo lunar, limpar o teu corpo mental, e tornar puro o teu coração.

52. As águas puras da vida eterna, cristalinamente claras, não podem misturar-se às águas lamacentas da tempestade tropical.

53. A gota de orvalho do céu que brilha no meio da flor de lótus com o primeiro raio de sol da manhã, quando cai na terra se torna um pedaço de barro; olhe, a pérola agora é uma partícula de lama.

54. Luta contra teus pensamentos impuros antes que eles te dominem. Usa-os como eles te usarão, porque se os poupares e deixares que criem raízes e cresçam, deves saber que estes pensamentos te dominarão e te matarão. Tem cuidado, Discípulo, não deixes sequer que a sombra de tais pensamentos se aproxime. Porque a sombra crescerá, aumentará em tamanho e poder, e então esta coisa de escuridão absorverá o teu ser antes que tu tenhas percebido bem a presença do monstro preto e repugnante.

55. Antes que o “Poder místico” 33 possa fazer de ti um Deus, Lanu, tu deves ter desenvolvido a capacidade de destruir à vontade a tua forma lunar.

56. O Eu Material e o EU Espiritual nunca podem encontrar-se. Um dos gêmeos deve desaparecer; não há lugar para ambos.

57. Antes que a mente da tua Alma possa compreender, o casulo da personalidade deve ser esmagado; a lagarta dos sentidos deve ser destruída além da possibilidade de ressurreição.

58. Não podes trilhar o Caminho antes de te transformares no próprio Caminho.

59. Que tua Alma ouça cada grito de dor, assim como a flor de lótus se abre para beber o sol da manhã.

60. Não deixes que o sol ardente seque uma só lágrima de dor antes que tu a tenhas tirado do olho daquele que sofre.

61. Mas faz com que cada lágrima humana caia queimando no teu coração e lá permaneça; não a afastes jamais, antes que a dor que a causou tenha sido removida.

62. Estas lágrimas, ó ser de coração extremamente piedoso, estas são as correntes que irrigam os campos da compaixão imortal. É neste solo que nasce a flor da meia-noite de Buddha, mais difícil de encontrar e mais rara que a flor da árvore de Vogay. É a semente da libertação dos renascimentos. Ela isola o Arhat tanto do conflito como da luxúria, e o leva através dos campos do Ser até a paz e a bem-aventurança conhecida apenas na terra do Silêncio e do Não-Ser.

63. Mata o desejo; mas, se o matas, cuida para que ele não ressurja dos mortos outra vez.

64. Mata o amor à vida, mas, se matas Tanha, que isso não seja por uma sede de vida eterna, mas sim para substituir o que é passageiro pelo que é eterno.

65. Não desejes coisa alguma. Não te irrites com o Carma, nem com as leis imutáveis da Natureza. Mas luta apenas com o que é pessoal, com o transitório, o evanescente e o perecível.

66. Ajuda a Natureza e trabalha com ela; e a Natureza te verá como um dos seus criadores, e te obedecerá.

67. E ela abrirá diante de ti os portais das suas câmaras secretas, e revelará diante do teu olhar os tesouros ocultos nas profundezas do seu puro seio virgem. Jamais manchada pela mão da Matéria, ela mostra os seus tesouros apenas para o olho do espírito − o olho que jamais se fecha, a visão diante da qual não há um só véu, em todos os reinos da natureza.

68. Então ela te mostrará os meios e o caminho, o primeiro portão e o segundo, o terceiro, até o próprio sétimo portão. E, então, a meta; depois da qual estão, sob o sol do Espírito, glórias indizíveis que só o olho da Alma pode ver.

69. Há uma única estrada para o Caminho; só no seu final a Voz do Silêncio pode ser ouvida. A escada pela qual o candidato sobe é formada por degraus de sofrimento e dor, e estes só podem ser silenciados pela voz da virtude. Ai de ti, portanto, discípulo, se houver um só vício que ainda não abandonaste; porque então a escada cederá e te derrubará. O pé desta escada se apoia na lama profunda dos teus pecados e falhas, e, antes que tu possas tentar atravessar este amplo abismo de matéria, tens que lavar os teus pés nas Águas da Renúncia. Cuida para não pôr um pé ainda sujo no primeiro degrau da escada. Ai daquele que ousa sujar um degrau com pés enlameados. O barro mau e pegajoso seca, se torna resistente, e então gruda os seus pés naquele ponto. E, assim como um pássaro preso pela isca do caçador astuto, ele fica impossibilitado de obter mais progresso. Os seus vícios tomam forma e o arrastam para baixo. Seus pecados erguem suas vozes como a risada e o soluço do chacal depois que o sol se pôs. Os seus pensamentos se tornam um exército e o levam para longe como um escravo e um prisioneiro.

70. Mata teus desejos, Lanu, torna teus vícios impotentes, antes que seja dado o primeiro passo da viagem solene.

71. Estrangula os teus pecados e torna-os mudos para sempre, antes de erguer um pé para subir pela escada.

72. Silencia os teus pensamentos e fixa toda tua atenção em teu Mestre, que ainda não vês, mas sentes.

73. Funde os teus sentidos em um só sentido, se queres estar seguro contra o inimigo. É por este sentido apenas – que está escondido dentro do vazio do teu cérebro – que o caminho íngreme até o teu Mestre pode ser revelado diante dos teus olhos turvos.

74. O caminho diante de ti é longo e cansativo, ó discípulo. Um só pensamento sobre o passado, que tu deixaste para trás, te arrastará para baixo e então terás que começar novamente a subir.

75. Mata em ti mesmo toda memória de experiências passadas. Não olhes para trás ou estarás perdido.

76. Não acredites que se possa jamais eliminar a luxúria gratificando-a ou saciando-a, porque esta ideia é uma abominação inspirada por Mara. É ao alimentar o vício que o vício se expande e se torna forte, como o verme que engorda às custas do coração de uma flor.

77. A rosa deve transformar-se novamente em botão, nascido do seu caule progenitor antes que o parasita comesse seu coração e bebesse o seu fluido vital.

78. A árvore dourada produz botões de joias antes que o seu tronco fique ressequido devido à tempestade.

79. O Aluno deve recuperar o estado infantil que ele perdeu, antes que o primeiro som possa chegar ao seu ouvido.

80. A luz vinda do MESTRE ÚNICO, a única luz dourada e imperecível do Espírito, lança seus raios brilhantes sobre o Discípulo desde o início. Os seus raios atravessam as nuvens densas e escuras de Matéria.

81. Aqui e ali, agora e mais adiante, estes raios iluminam a Matéria assim como os clarões da luz do sol iluminam a terra através da densa folhagem da floresta em crescimento. Mas, ó Discípulo, a menos que o corpo físico esteja imóvel, a mente calma, a Alma tão firme e tão pura como um diamante que brilha, a energia radiante não chegará à câmara, a sua luz solar não aquecerá o coração, nem os sons místicos das alturas do akasha alcançarão os ouvidos – por mais que eles estejam atentos – no estágio inicial.

82. A menos que tu escutes, não poderás ver.

83. A menos que tu vejas, não poderás escutar. Ouvir e ver é o segundo estágio.

84. Quando o Discípulo vê e ouve, e quando ele percebe o odor e o gosto com os olhos e ouvidos fechados e a boca e as narinas paralisadas, quando os quatro sentidos se combinam e estão prontos a passar para o quinto sentido, o sentido do tato interior − então ele passou para o quarto estágio.

85. E no quinto, ó matador dos teus pensamentos, todos eles têm de ser mortos de novo, além da possibilidade de serem reanimados.

86. Afasta a tua mente de todos os objetos externos, de todas as visões externas. Detém as imagens internas, para que elas não lancem uma nuvem escura sobre a luz da tua Alma.

87. Tu estás agora em DHARANA, o sexto estágio.

88. Quando tu tiveres passado para o sétimo, ó ser feliz, tu já não perceberás o Três sagrad, porque te terás transformado tu mesmo naquele Três. Tu mesmo e a mente, como gêmeos em uma linha; a estrela que é a tua meta brilha no alto.

Os Três que vivem na glória e na bem-aventurança inefável agora perderam seus nomes no Mundo de Maya. Eles se tornaram uma estrela, o fogo que brilha mas não queima, aquele fogo que é o Upadhi da Chama.

89. E isso, ó iogue bem sucedido, é o que os homens chamam de Dhyana, o legítimo precursor de Samadhi.

90. E agora o teu Eu está perdido no EU, tu mesmo estás em TI MESMO, unido a AQUELE EU do qual foste irradiado em primeiro lugar.

91. Onde está a tua individualidade, Lanu, onde está o Lanu, ele próprio? Ele é a faísca que se perdeu na chama, é a gota dentro do oceano, o raio sempre-presente que se transforma no Todo e na radiância eterna.

92. E agora, Lanu, tu és o autor e a testemunha, o radiador e a radiação, a Luz no Som, e o Som na Luz.

93. Tu conheces os cinco impedimentos, ó ser abençoado. Tu és o vencedor, o Mestre do sexto, transmissor dos quatro tipos de Verdade. A luz que cai sobre eles brilha a partir de ti, ó tu que foste um discípulo, mas agora és um Mestre.

Em relação a estes tipos de Verdade: −

94. Tu não passaste pelo conhecimento de toda aflição − a primeira verdade?

95. Não venceste o Rei dos Maras no Tsi, o portal de reunião − a segunda verdade?

96. Não destruíste o pecado no terceiro portão, atingindo a terceira verdade?

97. Não entraste no Tau, o “Caminho” que leva ao conhecimento, a quarta verdade?

98. Que descanses agora sob a árvore de Bodhi, a perfeição de todo conhecimento; porque tu deves saber que és o Mestre do SAMADHI − o estado em que há uma visão impecável.

99. Observa! Tu te tornaste a Luz, tu te tornaste o som, tu és o teu Mestre e o teu Deus. Tu és TU MESMO o objeto da tua busca: a Voz inquebrantável que ressoa através das eternidades, isenta de mudança, isenta de pecado, os Sete Sons em um,

A VOZ DO SILÊNCIO

100. Om Tat Sat.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-voz-do-silencio/

Betty e Barney Hill, o primeiro caso de abdução alienigena

Existem diversos relatos de abduções alienígenas ao redor do mundo, hoje lidamos com essa situação insólita de maneira normal, virou senso comum não acreditar em tais histórias — que são taxadas como uma forma de ganhar atenção. Entretanto, em 1961, a mídia cobriu com fervor e eternizou o primeiro caso de sequestro extraterrestre, envolvendo o casal Betty e Barney Hill.

Luzes misteriosas

Na noite de 19 de setembro de 1961, por volta de 22h30, Barney e Betty Hill estavam voltando de férias para casa no estado de New Hampshire, Estados Unidos. Quando ao passar por uma área mais isolada notaram luzes misteriosas no céu. Inicialmente, Betty pensou que fosse uma estrela cadente, e Barney acreditou que se tratava apenas de um avião.

As luzes multicoloridas não cessavam e começaram a mover-se de maneira estranha. O casal continuou a observar os brilhos no céu, quando de repente algo chamou a atenção. O objeto mudou bruscamente de direção e desceu de encontro ao carro dos Hill.

Barney, que estava no volante, começou a ficar apreensivo e acelerou o veículo, as luzes continuavam a segui-los, por vezes mais perto, e outras, mais longe. Betty pediu ao marido que parasse o carro para que ela pudesse ver com seu binóculo o que estava acontecendo.

Ao olhar através da lente, a mulher não teve dúvidas de que era um disco voador. Ela viu uma nave com luzes coloridas ao redor. Barney pediu que a esposa voltasse para o carro e deu continuidade a viagem. A bizarra aeronave acompanhava-os de longe.

Abdução alienígena

Assustados, o casal parou o carro novamente, mas dessa vez quem saiu para checar a situação foi Barney. Com uma pistola, o homem apontou para o disco, que agora estava mais perto que nunca e podia ser perfeitamente observado: tinha forma de círculo e planava no ar. Hill conseguiu ver criaturas dentro da nave, e segundo ele, não eram humanas.

Barney correu de volta para o carro, sentindo um medo extremo, ele acreditava que os extraterrestres queriam levá-los. Com o carro em velocidade máxima, o casal começou a ouvir um som muito alto vindo da nave — que os perseguia pela estrada de New Hampshire.

A próxima memória de Betty e Barney Hill se deu duas horas depois, a cerca de 56 km do local de onde estavam pela última vez, fugindo do disco. Seguiram para casa com uma sensação de violação e ligaram para Força Aérea. Conversando com autoridades americanas o casal afirmou que não se lembravam de nada, apenas se recordavam de sentir um desconforto.

A hipnose

Dias depois os Hill procuraram o respeitado psiquiatra e neurologista Dr. Benjamin Simon, para realizar sessões de hipnose. Eles queriam entender o que tinha acontecido durante aquelas duas horas perdidas na madrugada do dia 19 para 20 de setembro.

Meses se passaram e o casal estava cada vez mais certo de que havia sido abduzido por seres de outro planeta. No relato da experiência extraplanetária, ambos descreveram as criaturas como pequenas e cinzas, e afirmaram que os ETs os colocaram em um estado de transe, no qual eles podiam compreender o que estava acontecendo em volta, mas não poderiam realizar qualquer movimento.

Ainda segundo a descrição obtida na hipnose, no experimento as roupas das vítimas foram retiradas, assim como amostras de cabelo, pele e unha. Muitas agulhas foram inseridas no corpo, como na cabeça, braços, pernas e costas e, em Betty, uma agulha de aproximadamente 15 cm foi injetada em sua barriga. Barney revelou que ficou fascinado pela arcada dentária dos alienígenas.

Pouco contato foi de fato feito entre os humanos e os extraterrestres. Assim como em outros casos de abdução, Betty contou que conversou com os ETs através de telepatia, ao falar que não sabia muito sobre a vida interestelar e perguntar para o líder de qual lugar do universo eles teriam vindo, em resposta ela teria ouvido uma voz dizer em sua mente: “Se você não sabe onde está, não faria sentido dizer de onde eu sou”.

Popularidade na mídia

O caso ganhou a atenção internacional, que não estava costumada com histórias semelhantes e relatou toda a saga do casal Hill. Enquanto alguns acreditavam no que era noticiado, outros afirmavam não passar de uma farsa para ganhar popularidade na mídia.

Em 1966, foi lançado o livro The Interrupted Journe, que conta a experiência dos americanos. Quase dez anos depois, em 1975, Richard A. Colla dirigiu uma adaptação televisiva, intitulada The UFO Incident, na qual os renomados atores James Earl Jones e Estelle Parsons interpretaram Barney e Betty.

Os americanos sempre mantiveram sua história e evitaram os holofotes. Barney morreu aos 46 anos, em 1969. Já Betty, morreu aos 85 anos, em 2004, e afirmou que continuou sendo visitada por extraterrestres

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/bettu-e-barney-hill-o-primeiro-caso-de-abducao-alienigena/

A Arte da Magia de Satan

Magia pode ser definida como o uso de rituais para trazer a intervenção de forças sobrenaturais, na natureza ou nos problemas humanos, para um propósito específico. O surgimento da magia é interligado ao da religião, o ser humano primitivo percebendo as forças da natureza ao ser redor, incompreensíveis a ele, coloca-as em estado divino. A magia surge da necessidade de se entrar em contato com os deuses para manipulá-los a favor dos humanos, para isso foram criados rituais. Com forma e simbologia variando de cultura para cultura, a magia foi se diversificando através da criatividade humana ao longo dos tempos. Normalmente a magia benéfica e altruísta é chamada de “magia branca”, para exemplificar podemos citar os rituais de fertilidade dos povos primitivos, onde a benção dos deuses era pedida para a melhoria da caça e plantio; os rituais de cura com a utilização de ervas, etc. A magia maléfica e egoísta é chamada de “magia negra”, rituais para a destruição de inimigos, rituais para trazer o amor de alguém, podem ser considerados exemplos de “magia negra”.

No Satanismo o conceito de magia é fazer sua vontade prevalecer através de meios ocultos, não há magia “branca” ou “negra”, ignoramos essa idéia clássica de coloração da magia. Mas o que significa isso? Significa ficar dentro de um pentagrama recitando palavras enigmáticas, esperando que o demônio se apresente e realize seus desejos? Nada disso! No Satanismo não trabalhamos com o “sobrenatural”, já que não acreditamos nele. O que era “sobrenatural” para nossos antepassados hoje chamamos de Ciência, o trovão não é mais um deus, mas um estrondo produzido por descarga de eletricidade atmosférica. Obviamente, a Ciência não nos explica tudo de forma plausível ainda, aliás acho que a Ciência nunca irá explicar todos os mistérios do Universo, mas não é por isso que, para amenizar minhas dúvidas e conflitos, irei recorrer a crendice. O “sobrenatural” não existe, como pode existir algo que excede as forças da natureza, sendo que a natureza engloba tudo?

Há dois tipos de magia, a magia ritual e a magia manipulativa. A magia ritual se caracteriza em psicodramas, ou seja, teatros com o propósito de transformar emoções em energias transmissíveis. A magia manipulativa consiste em utilizar-se de artimanhas, estratégias, planejar situações que farão sua vontade prevalecer. Deve-se ressaltar que no Satanismo trabalhamos com o palpável, e não com coisas impossíveis. É como disse LaVey: “Magia é como a própria natureza, e sucesso em magia requer o trabalho em harmonia com a natureza, e não contra ela”. Exemplos: uma mulher totalmente fora de estética faz um ritual para conquistar o amor do galã da novela das oito; um cara resolve fazer um ritual que o ajude a adivinhar os números da loteria, etc. Esses são casos típicos de trabalhos mágicos que sempre fracassarão. Se você quer realmente praticar magia, esqueça os filmes de Hollywood.

Eu particularmente considero a prática de rituais como secundária no Satanismo, em primeiro lugar está a parte filosófica. Acho lamentável que a maioria das pessoas que procuram por Satanismo, anseiam por conhecimento na área mágica. Sem uma base filosófica solida, o aspirante a satanista pode colher frutos nada agradáveis com a prática de magia. E além disso, o estudo mágico não é requisito, se o satanista achar que deve ignorar a realização de rituais, que assim seja.

Por ©Satanael

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-arte-da-magia-de-satan/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-arte-da-magia-de-satan/

Bruce Dickinson e Aleister Crowley

Por Adriano Camargo.

Todos sabem que o mago inglês Aleister Crowley (1875-1947) tem influenciado o mundo do rock (e as artes em geral). E todos sabem também que o cantor inglês Bruce Dickinson é um cara multitalentoso e uma das personalidades mais inteligentes do heavy metal. Mas é possível que nem todos saibam que Bruce Dickinson sempre teve um grande interesse por história da magia, ocultismo e… Aleister Crowley!

E, ao contrário do que a maioria pensa, Crowley não era satanista, mas sim um filósofo e ocultista praticante assíduo envolvido em diversos ramos da magia (magick) e da filosofia oculta, desde a bruxaria europeia e o paganismo até a cabala, alquimia, magia sexual, hinduísmo, budismo, etc. Contudo, Crowley ficou muito conhecido e mal-afamado devido ao seu comportamento “inadequado” e “chocante” para a época (a Era Vitoriana) e às difamações de fundamentalistas religiosos; nos dias de hoje provavelmente ele não chamaria tanta atenção…

Por outro lado, nos dias de hoje, certamente que Bruce Dickinson chama muita atenção devido ao seu trabalho artístico e suas outras habilidades, interesses e inteligência. Como músico e letrista, o trabalho de Bruce é repleto de referências ao mago inglês e a diversas áreas da filosofia oculta, desde as letras de sua carreira solo e do Iron Maiden até o seu filme Chemical Wedding (2008).

Do álbum solo de Bruce Dickinson Accident of Birth, a música Man of Sorrows fala do próprio Crowley quando menino, profetizando o seu futuro quando iria então estabelecer a vinda de um Novo Mundo, de uma Nova Era. Em Man of Sorrows, podemos encontrar também a frase “do what thou wilt”, que significa “faze o que tu queres”, uma referência mais direta e explícita a Crowley e à sua Lei de Thelema. Entretanto, tal lema thelêmico tem uma origem anterior a Crowley, remontando à obra Gargântua e Pantagruel, do escritor francês François Rabelais (1494-1553), na qual uma abadia fictícia chamada Abadia de Thelema apresenta esse lema como uma de suas “leis”. Esse famoso lema posteriormente também foi adotado por um dos clubes ingleses pseudo-satanistas do século XVIII chamados de Hellfire Club (“Clube do Fogo do Inferno”), no qual se reuniam os aristocratas para praticar orgias, bebedeiras, comilanças, jogatinas e discutir arte e literatura. Porém, na filosofia de Crowley, e de acordo com a letra de Man of Sorrows, “faze o que tu queres” se refere à Vontade do Eu Superior de cada indivíduo e não a meros desejos descontrolados. Esse Eu (ou a Individualidade, o Logos individual, o SAG, o Daimon socrático, etc.), de acordo com a letra da música, supostamente sofre por estar preso em um corpo carnal e por não se fazer conhecido pelo indivíduo que também sofre perdido, desorientado na vida, sem conhecer a Si mesmo e seu verdadeiro destino.

The Chemical Wedding, seguinte álbum de Bruce, é em parte baseado na obra literária e artística do poeta inglês William Blake (1757- 1827), que por sua vez também influenciou a filosofia de Crowley a ponto deste acreditar ser uma reencarnação daquele. Contudo, o título do álbum se refere à outra obra, um manifesto rosacruz intitulado The Chemical Wedding of Christian Rosenkreutz (“O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz”) publicado em 1616 e que narra o casamento alquímico de um rei e uma rainha. Esse “casamento” é basicamente uma alegoria para a união sexual do masculino com o feminino (Sol e Lua; Fogo e Água; Espada e Cálice) por meio da magia sexual devidamente ritualizada a fim de expandir a consciência, assim como a união das duas partes da alma (psique) conhecidas na psicologia junguiana como animus (masculino) e anima (feminino); a magia sexual era uma prática central na filosofia thelêmica de Aleister Crowley.

Na letra de The Chemical Wedding encontramos no refrão:

“We lay in the same grave/ Our chemical wedding day”

(Nós nos deitamos no mesmo túmulo/Nosso dia do casamento alquímico”).

O túmulo é uma representação para o caldeirão na alquimia, no qual a matéria-prima densa é putrefata, desintegrada, ou seja, transformada, para em seguida dar surgimento a algo novo; ou seja, o casamento do homem e da mulher (os alquimistas) que “morrem” no êxtase alquímico-sexual para dar surgimento a uma nova consciência, expandida, cheia de alegria e livre no infinito.

The Tower, também do álbum The Chemical Wedding, é uma das letras do álbum mais ricas em referências alquímico-sexuais e relativamente crowleyanas. Sendo assim, vamos analisar alguns pontos. A música fala especialmente sobre as imagens alquímicas do tarô e do zodíaco (ambos de suma importância no sistema de Crowley). O próprio título da música se refere a uma das cartas mais “sinistras” do tarô: A Torre, que é referida no Livro da Lei (Liber AL), de Crowley. Na letra da música os versos “There are twelve commandments/ There are twelve divisions” (“Há doze mandamentos/ Há doze divisões”) aludem aos doze signos astrológicos dispostos divididos em casas de 30º no cinturão (imaginário) do zodíaco com seus “mandamentos”. A frase “The pilgrim is searching for blood” (“O peregrino está à procura de sangue”) diz que o alquimista buscador, em sua senda solitária está buscando sua iluminação; o sangue é uma referência à fase “vermelha” da alquimia chamada rubedo. Nessa última fase alquímica a Pedra Filosofal é “encontrada” e o alquimista (ou qualquer iniciado) se torna um sábio “imortal” autoconsciente, realizando sua própria Vontade livre, uma referência direta à Lei de Thelema e que está presente no seguinte verso da letra: “To look for his own free Will” (“Buscar por sua própria Vontade livre”).

E no refrão temos os versos:

“Lovers in the tower/ The moon and sun divided/ the hanged man smiles/ Let the fool decide/the priestess kneels/ the magician laughs”

(“Amantes na Torre/ A Lua e o Sol divididos/ o Enforcado sorri/ Deixe o Louco decidir/ a Sacerdotisa se ajoelha/ o Mago dá risada”),

nos quais podemos encontrar referências diretas a várias cartas do tarô: The Lovers (Os Amantes), The Tower (A Torre), The Moon (A Lua), The Sun (O Sol), The Hanged Man (O Enforcado), The Fool (O Louco), The Priestess (A Sacerdotisa) e The Magician (O Mago). Para não nos alongarmos demais na letra de The Tower, podemos dizer que ela contém alguns segredos alquímico-ritualísticos de magia sexual.

Há outras músicas interessantes em The Chemical Wedding, incluindo aquelas inspiradas diretamente por William Blake: Book of Thel, Gates of Urizen e Jerusalem. Do álbum Tyranny of Souls, podemos destacar alguns versos. O título da música Navigate the Seas of the Sun significa a libertação de restrições e a expansão da consciência, já que o Sol é um símbolo da cabeça humana, da inteligência e da consciência. Nessa letra, encontramos “Our children will GO on and on to navigate the seas of the sun” (“Nossas crianças continuarão a navegar os mares do sol”), que na filosofia thelêmica diz respeito ao arcano d’O Sol no qual duas crianças gêmeas, inocentes e livres “navegam” os raios solares, representando a humanidade em mais uma fase evolutiva, com seus aspectos masculinos e femininos assimilados e harmonizados pelo Eu.

Na música-título A Tyranny of Souls, encontramos os versos

“Who rips the child out from the womb?/ Who raise the dagger, who plays the tune?/At the crack of doom on judgment day”

(Quem arranca a criança do útero?/ Quem ergue a adaga, quem toca a música?/ À beira da condenação no dia do julgamento”).

É uma descrição do Aeon (Era, Idade, Tempo) de Crowley, retratado no arcano O Aeon (no tarô comum é conhecido como O Julgamento). Esse Aeon é marcado pela destruição do velho Aeon de Osíris e pelo nascimento do novo Aeon de Hórus. A criança arrancada do útero, conforme a letra da música, é Hórus, filho de Osíris e Ísis; a adaga erguida significa a morte do Aeon passado, o Aeon de Osíris ou Era de Peixes, considerado tirano, repressor, restritivo e opressor; a música referida nos versos é tocada por meio de uma trombeta tradicionalmente por um ser angélico que anuncia a Nova Era, o Novo Aeon, com o julgamento e condenação do velho. Mas no Novo Aeon, Hórus mantém silêncio para representar a “perfeição” do Novo Tempo. Com relação ao Iron Maiden, Bruce Dickinson tem colaborado razoavelmente nos processos de composição. Do álbum Piece of Mind, a letra de Revelations apresenta alguns “mistérios”. O verso “Just a babe in a Black abyss” (“Apenas um bebê em um abismo negro”) é um referência ao conceito crowleyano de “bebê do abismo”, um termo para designar aquele que mergulha e atravessa o Vazio. Trata-se de um abismo metafísico e psíquico entre o universo real e o universo ilusório, entre a “insana” dimensão do espírito e a igualmente insana (e aparentemente segura) dimensão da matéria; o magista ou iniciado que fracassa em cruzar o Abismo (e em assimilar o conhecimento nele contido) geralmente enlouquece. O verso

“No reason for a place like this”

(“Nenhuma razão para um lugar como este”)

mostra que, uma vez no Abismo, a razão humana como se conhece é completamente abolida.

Do álbum Powerslave a música-título fala sobre um faraó, tido como um deus, que não quer morrer, mas continuar governando no mundo material. Na filosofia thelêmica de Crowley, Osíris representa a Era decadente que insiste em continuar, mas que deve ser destruída para dar lugar ao Aeon de Hórus (filho de Osíris). Por outro lado, o faraó é uma representação de todo mago que fracassa em cruzar o Abismo, tornando-se assim um “escravo do poder da morte” (como diz a letra), psicoespiritualmente. Isso pode ser visto especialmente nos versos

“Into the abyss I’ll fall – the eye of Horus/ Into the eyes of the night – watching me go”

(“no abismo eu cairei – o olho de Hórus/ Nos olhos da noite – olhando-me ir”).

E no verso

“Shell of a man god preserved”

(“A casca de um homem-deus preservado”)

o faraó/deus/magoestá morto fisicamente, com seu cadáver mumificado ou não, ao mesmo tempo em que ele se torna um ser vazio e insano, sem conexão com o seu Eu, ou seja, uma “casca” no mundo qliphótico (do hebraico “qlipha”, que significa “casca”, “concha”) cujos portais estão no próprio Abismo, segundo outro verso: “But open the gates of my hell” (“Mas abra os portais de meu inferno”).

Moonchild, do álbum Seventh Son of a Seventh Son, é uma referência direta a uma das obras de Crowley de mesmo nome. A letra da música fala sobre a união de dois magistas (homem e mulher) e o nascimento de um ser supra-humano (entendido também como uma supraconsciência). Na letra, o homem é representado por Lúcifer, o Portador da Luz, o não-nascido, e a mulher é a Prostituta Escarlate, Babalon (nome derivado de Babylon), como aparece nos versos “The fallen angel watching you/ Babylon, the Scarlet whore” (“O anjo caído observando você/ Babilônia, a prostituta escarlate”).

Os nomes Babalon e Mulher Escarlate, apesar de derivados da Bíblia, são próprios do sistema mágico thelêmico de Crowley e equivalentes à deusa Lilith (mesopotâmica), Hécate (grega), Kali (hindu), entre outras, representando ainda os aspectos femininos da Natureza e a Grande Mãe do universo, livre dos dogmáticos conceitos morais sobre bem e mal. O álbum Seventh Son of a Seventh Son é todo “profético”, com colaborações de outros membros da banda em torno de temas como magia, alquimia, ocultismo, bem e mal, etc.

Por fim, vamos falar sobre alguns trechos do último álbum do Iron Maiden, The Final Frontier, que novamente traz alguns temas sobre alquimia, magia crowleyana e expansão da consciência. Na música Starblind, podemos ler o verso “Let the elders to their parley meant to satisfy our lust” (“deixar os anciãos às suas barganhas significa satisfazer nosso desejo”). Lust é o título de uma das cartas do tarô de Crowley, que se refere, entre outras coisas, a tudo o que é dos sentidos e que provoca êxtase, pois, nas palavras de Crowley, “não tema que deus algum lhe negue isso.” Os anciãos representam a religião dogmática e repressora do Aeon passado, que oferecem “liberdades de carcereiros” e que “parlamentam” aquilo que lhes traz vantagens ilícitas.

Enquanto eles falam e negociam e ficam no passado, os desejos (lust) do novo Aeon, ou seja, a Vontade livre e o desejo pela vida são satisfeitos naqueles que se libertaram do dogmatismo e que estão sem “o dispositivo cruel da religião”, conforme o verso “Religion’s cruel device is gone”. A frase “You are free to choose a life to live” (“Você é livre para escolher uma vida para viver”) é outra referência à Lei de Thelema, ao cumprimento da Vontade. Ainda do álbum The Final Frontier, a letra da música The Alchemist pode parecer óbvia, mas ela fala sobre algo mais do que um mero alquimista. O trecho “My dreams of empire from my frozen queen will come to pass” (“Os sonhos de império da minha rainha congelada irão passar”) refere-se à rainha inglesa Elizabeth, que protegia o também multitalentoso, suposto espião e mago John Dee (1527-1608), citado no verso “Know me, the Magus I am Dr. Dee” (“Conheça-me, o Mago Dr. Dee sou eu”). John Dee é conhecido especialmente por seu trabalho sobre magia enochiana e por sua associação com o alquimista e clarividente Edward Kelley (1555-1597), com quem “criou” esse poderoso sistema de magia, posteriormente praticado por Crowley (que acreditava ser também a reencarnação de Edward Kelley).

A letra da música de modo geral descreve as práticas de John Dee e Edward Kelley com a magia enochiana, considerada um sistema angélico, descrevendo também os contatos com os anjos, isto é, os “demônios”. Enquanto Edward Kelley se comunicava com os seres enochianos, conforme o verso da letra “Know you speak with demons” (“Sei que você fala com demônios”), John Dee ia anotando todo o sistema. O termo “angélico” aqui, entretanto, não diz respeito às imagens populares de anjinhos rechonchudos ou anjos esbeltos e delicados, mas a seres considerados alienígenas terríveis e demoníacos (no sentido original da palavra grega “daimonos”, quer dizer, “espírito”, “gênio”), conhecidos popularmente como “anjos caídos”, os supostos instrutores e doadores do conhecimento nos primórdios da espécie humana. Tais anjos enochianos foram contactados por Crowley, que fez as invocações pelas chaves enochianas, resultando em sua obra chamada Liber 418 – A Visão e a Voz. As invocações enochianas de Dee/Kelley e Crowley são referidas no seguinte verso de Bruce: “Hear the master summon up the spirits by their names” (“Ouça o mestre chamar os espíritos por seus nomes”)…

O Iron Maiden sempre carregou uma forte aura de intelectualismo, profetismo e mistério, contando muitas vezes com as inteligentes e valiosas contribuições de Bruce Dickinson. Por afinidades intelectuais e de interesses, independentemente do tempo cronológico, Crowley sempre esteve presente, ou apenas “pairando”, no trabalho de Bruce. E diferentemente do trabalho de Ozzy Osbourne, cuja letra da música Mr.Crowley é um tanto sarcástica e superficial, Bruce Dickinson tem se interessado muito mais seriamente pelas questões que envolvem a magia de Aleister Crowley. Ambos, Bruce e Crowley, sempre buscaram ir mais além, demonstrando que é possível chegar à “última fronteira” entre a consciência e a supraconsciência…

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/bruce-dickinson-e-aleister-crowley