Para ser feliz (parte final)

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Tenho uma amiga que, de tanto andar pelos caminhos do mundo, acabou assumindo para si a difícil tarefa de tentar elucidar qual é, afinal, o caminho da felicidade. Em seu programa para o canal de TV a cabo Multishow ela já entrevistou artistas, filósofos e espiritualistas em geral. Eventualmente chegou a conversar com Matthieu Ricard, o célebre “homem mais feliz do mundo”, segundo estudos neurológicos conduzidos pela Universidade de Wisconsin. Ricard, apesar de ser filho de um renomado filósofo francês e Ph.D. em genética molecular, eventualmente se tornou um monge budista e hoje reside no Nepal, apesar de também rondar pelo mundo todo. Para ele, a espiritualidade é indissociável da felicidade:

Espiritualidade significa lidar com a mente. Pode-se dizer que o treinamento da mente é um tipo de espiritualidade. A religião se vale de técnicas para alterar a mente, mas no fim tudo depende do jeito como você lida consigo mesmo e com o mundo à sua volta… Acho que a compaixão e a empatia são qualidades humanas básicas que todos podem e devem cultivar para se tornarem pessoas melhores, independente se possuem ou não uma religião. Afinal, essas qualidades são muito mais fundamentais que a religião em si [1].

Assim, ficamos sabendo que a espiritualidade que surge da compaixão para com os outros seres é, quem sabe, uma fonte de quietude da mente, de profunda tranquilidade. Mas, e daí? Seria isso, somente isso, o que determina a sua felicidade?

Obviamente, não há absolutamente nada que Ricard possa falar que irá nos descrever exatamente “como é ser o homem mais feliz do mundo”. De fato, suas palavras seriam incapazes sequer de demonstrar “como é ser feliz”, ou ainda, “como ele está feliz no dia de hoje”. As palavras, afinal, são tão somente cascas de sentimentos, e a minha amiga estaria em maus lençóis se quisesse mesmo determinar precisa e cientificamente o que é a felicidade. Felizmente, ela já se contenta em estar no caminho que leva para lá…

Isso me lembra da corredeira que desemboca no mar, após um longo caminho, conforme vínhamos falando. E, se eu já admiti que palavras são nada mais que cascas, minha única esperança de encerrar esta série com alguma dignidade é convidar meus amigos poetas para o meu auxílio, pois que eles sim souberam imprimir em suas cascas alguma parte deste fruto eterno e sem nome [2]:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Quando nos deixamos escorrer juntamente com o rio da Vontade, esta Vontade muito maior do que quaisquer desejos que tivemos ou possamos vir a ter, há um enorme perigo para o ego, e uma enorme promessa de genuíno contentamento para a alma. Que, para encarar o perigo e o abismo do mar, é preciso se abandonar de si, para se reencontrar no céu.

E ninguém disse que seria fácil, mas a cada passo dado, logo se nota que o horizonte a frente é muito maior e mais ensolarado, até que enfim chegamos na praia, na margem do mar que espelha o Tudo, onde brincam as criancinhas:

Na praia dos mundos sem fim as crianças se encontram, com muitas danças e algazarras.
Elas constroem suas casas com areia e brincam com as conchas vazias.
Com as folhas secas elas tecem seus barquinhos e os colocam, sorridentes, para flutuar na vastidão do mar.

As crianças brincam na praia dos mundos.
Elas não sabem nadar, e tampouco arremessar as redes.
Pescadores de pérolas mergulham atrás de pérolas, mercadores navegam em seus barcos, enquanto as crianças catam pequeninas pedras, e depois as espalham novamente.
Elas não buscam por tesouros ocultos, e tampouco sabem arremessar as redes.

Na praia dos mundos sem fim as crianças se encontram.
A tempestade ronda pelo céu sem trilhas, os navios naufragam pelo mar sem rotas, a morte está à solta, e as crianças brincam.
Na praia dos mundos sem fim ocorre o grande encontro de todas as crianças.

E é até estranho de se pensar, mas no fundo toda a criança nasce um ser iluminado, sem saber que é um ser iluminado.

Da mesma forma, é bem possível que um ser iluminado nada mais seja do que uma criança que sabe que é um ser iluminado.

Todos esses santos que foram e que voltaram, e que hoje brincam por todos os cantos, sem rumo que não o de dentro, são talvez aqueles mais indicados para nos dizer o que devemos fazer para sermos felizes… Mas isso não quer dizer que seremos plenamente capazes de compreendê-los:

E agora vocês perguntam em seus corações, “Como poderemos distinguir o que é bom no prazer do que não é bom?”.
Dirijam-se aos seus campos e jardins, e deverão aprender que o prazer da abelha é sugar o mel da flor,
Mas que é também um prazer para a flor ofertar do seu mel a abelha.
Pois para a abelha uma flor é uma fonte de vida,
E para a flor uma abelha é uma mensageira de amor,
E para ambas, abelha e flor, a doação e o recebimento do prazer são uma necessidade e um êxtase.

Povo de Orphalese, busquem ao prazer como o fazem as flores e as abelhas.

Uma necessidade, e um êxtase… No fim das contas, a felicidade é aquilo que ocorre quando não estamos pensando nela…

Quando não estamos pensando em mais nada…

Quando a alma consegue cerrar a cortina do palco da mente, e contemplar a imensidão, em silêncio:

É primavera, e tudo lá fora germina, até mesmo o enorme cipreste.
Nós não devemos abandonar este lugar.
Próximo a borda do copo em que ambos bebemos, leem-se as palavras,
“Minha vida não me pertence.”

Se alguém viesse tocar alguma música, teria de ser uma doce canção.
Nós estamos a beber vinho, mas não através dos lábios.
Nós estamos a sonhar, mas não em nossas camas.
Esfregue o copo em sua testa.
Este dia se encontra além da vida e da morte.

Desista de desejar o que os demais possuem.
Nesta via estará seguro.
“Onde, onde estarei seguro?”, você pergunta.

Este não é um dia para se fazer perguntas, este não é um dia de algum calendário. Este dia é a consciência de si mesmo.
Este dia é o amante, o pão, e a gentileza, ainda mais manifestos do que os lábios poderiam dizer.

Pensamentos tomam forma através das palavras, mas a luz desta manhã vai além, ela é ainda mais antiga do que os pensamentos e a imaginação.

Esses dois estão tão sedentos… Mas é isto o que confere suavidade a água. Suas bocas estão secas, e eles estão exaustos.
O restante deste poema está demasiadamente embaçado para que eles consigam prosseguir na leitura.

Para ser feliz, afinal, é preciso ler muito e conhecer muito, para então abandonar toda leitura e todo conhecimento…

***
[1] Livremente transcrito da entrevista para o episódio 06 da primeira temporada de No caminho da felicidade, com Susanna Queiroz.
[2] Na sequência, trechos (sempre em itálico) da poesia dos quatro grandes poetas da Alma: Fernando Pessoa, Rabindranath Tagore, Khalil Gibran e Jalal ud-Din Rumi. Onde coube, a tradução foi de Rafael Arrais.

Crédito das imagens: [topo] matthieuricard.org/Divulgação; [ao longo] Joel Robinson

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Espiritualidade #Felicidade #poesia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/para-ser-feliz-parte-final

Segunda e Terceira Cruzadas

Publicado no S&H dia 2/11/09,

Continuando a nossa saga pelas primeiras cruzadas e a Origem das Ordens de Cavalaria, seguimos com um texto rápido segunda e terceira cruzadas, apenas para dar entrada na parte que realmente interessa ao templarismo: A Quarta Cruzada, ou a Cruzada na qual cristãos matavam cristãos!

A Segunda e especialmente a Terceira Cruzadas são importantes porque marcaram a presença de duas figuras muito conhecidas e lendárias: Saladino e Ricardo Coração de Leão. Para situar os leitores, os acontecimentos narrados neste post são também retratados no filme “A cruzada” (Kingdon of Heaven) de Ridley Scott.
A Segunda Cruzada

Durante a Primeira Cruzada os nobres peregrinos europeus criaram estados cruzados no chamado “Levante”, forjados em guerras, conquistas e massacres contra os povos muçulmanos que dominavam estas regiões.

Em 1144, Zengi, o governador das cidades de Alepo e Mossul, que controlava as regiões da Síria e do norte do Iraque, conquistou o Condado de Edessa das mãos dos cristãos. As últimas palavras que Joscelino, o governador de Edessa, escutou de Zengi antes de sua expulsão da cidade em 24 de dezembro de 1144, de acordo com historiadores locais, foram: “Perdeu, Playboy”.

Foi imediatamente lançado um apelo ao papa e, por toda a Europa, imediatamente se ouvem vozes clamando pela retomada do condado pelos cruzados. O Papa Eugênio III achou que já era hora de empreender uma segunda cruzada e convocou-a por meio de uma bula especial em 1145. São Bernardo de Claraval, a pedido do Papa Eugênio III, antigo monge cisterciense e discípulo do Santo, lhe pede que convoque os cristãos a empreenderem uma nova cruzada. Eugênio III havia tomado o lugar do Papa Lúcio II, eleito a 12 de março de 1144, mas morrera em 15 de fevereiro de 1145 com uma pedrada na cabeça ao tentar apaziguar um distúrbio popular.

Na Páscoa de 1146, em Vezelay, são muitos os franceses que se reúnem para escutar as palavras de Bernardo. A nova convocação atraiu vários expedicionários, entre os quais se destacaram o rei Luís VII de França, o imperador Conrado III do Sacro Império Romano-Germânico, além de Frederico da Suábia, herdeiro do império germânico, e dos reis da Polônia e da Boêmia.

Homens não faltavam: soldados flamengos e ingleses tinham conquistado Lisboa das mãos dos sarracenos e voltavam para casa, agora estavam sem ter o que fazer.

A situação no Oriente, porém, tornara-se ainda mais perigosa em virtude da presença de Zangi, governador de Mosul e conquistador de Edessa, que então governava em Alepo e ameaçava Constantinopla.

A cruzada

O imperador Conrado III do Sacro Império Romano-Germânico partiu para Constantinopla, onde chegou em Setembro de 1147. Ignorando o conselho do imperador bizantino Manuel I Comneno, atravessou a Anatólia e, em 25 de outubro, seu exército foi esmagado em Doriléia pelos turcos.

O imperador alemão, contudo, conseguiu escapar e refugiou-se na Nicéia. No começo do mês seguinte, Luís VII, acompanhado da esposa, Leonor da Aquitânia, chegou a Constantinopla, alcançando Nicéia em novembro e ali soube da sorte de Conrado. O que sobrou do exército de Conrado juntou-se aos franceses, com o apoio dos templários.

Com algumas dificuldades de transporte, mais uma vez uma parte do exército teve de ser abandonado para trás (sobretudo os plebeus a pé), e estes tiveram de abrir caminho contra os turcos.

Os franceses, entretanto, chegam a Antioquia em Março de 1148, rumando para Jerusalém com cerca de 50 mil soldados. Em Jerusalém, Luís VII e Conrado, depois de algumas discussões, decidem atacar Damasco. Em 28 de Julho de 1148, depois de cinco dias de cerco, concluíram tratar-se de uma missão impossível e acabaram tendo de recuar, terminando assim a segunda cruzada. Em mensagem enviada aos cruzados que se retiravam de volta à Europa, o governador de Damasco fez o seguinte comunicado: “Não sabe brincar, não desce pro Play”.

A Segunda Cruzada acabou se tornando uma autêntica fanfarronice, com os seus líderes regressando aos países de origem sem qualquer vitória. Porém, vale a pena notar que foi desta cruzada que saíram alguns dos líderes cruzados dos contingentes flamengos e ingleses para auxiliar Afonso Henriques na conquista de Lisboa em 1147, uma vez que eram concedidas indulgências para quem combatia na Península Ibérica, como relata nas suas cartas o cruzado inglês Osberno.

No final das contas, o resultado desta Cruzada foi algo próximo do miserável (se não considerarmos a conquista de Lisboa), tendo sucesso apenas em queimar ainda mais as relações entre os reinos cruzados, os bizantinos e os “amigáveis” governantes muçulmanos. O fracasso da segunda Cruzada permitiu a reunificação das potências muçulmanas com aquele ar de “Já ganhamos” e novas investidas contra algumas cidades na região.

Com a moral baixa, nenhuma nova cruzada foi lançada até que ocorreu um novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Ficou no ar aquela sensação de “Ih, agora ferrou!” e desta vez os cristãos enfrentariam um adversário decidido: Saladino.

Crise no Reino Latino de Jerusalém

Na década de 1180, o Reino Latino de Jerusalém atravessava uma fase delicada. O rei Balduíno IV estava sendo devorado pela lepra e desafiado por um baronato cada vez mais petista. Os muçulmanos, pressentindo essa fraqueza, mantinham a pressão no máximo. Qualquer passo em falso seria catastrófico para os cristãos. E, claro, não tardou para que ele fosse dado, pelo cavaleiro Reinaldo de Châtillon, que atacou uma caravana na qual viajava a irmã do sultão Saladino. Até explicar para os muçulmanos o que estava acontecendo, na confusão que se seguiu, Saladino convocou uma jihad contra os infiéis…

Saladino captura Damasco em 1174 e Alepo, em 1183. Em 1187, avançou pela Galiléia e, nos Cornos de Hattin, travou a Batalha de Hattin contra um exército cristão. Do lado cristão, as tropas do francês Guy de Lusignan, o rei consorte de Jerusalém, e o príncipe da Galiléia Raimundo III de Trípoli. Ao todo, havia cerca de 60 mil homens – entre cavaleiros, soldados desmontados e mercenários muçulmanos. Já a dinastia aiúbida, representada por Saladino, contava com 70 mil guerreiros.

Quando os cruzados montaram acampamento em um campo aberto, forçados a descansar após um dia de exaustivas batalhas, os homens de Saladino atearam fogo em volta dos inimigos, cortando seu acesso ao suprimento de água fresca. A cortina de fumaça tornou quase impossível para os cristão se desviarem da saraivada de flechas muçulmanas. Sedentos, muitos cruzados desertaram. Os que restaram foram trucidados pelo inimigo, já de posse de Jerusalém (tomada em em Outubro de 1187).

Saladino poupou a vida de Guy, enquanto Raimundo escapou da batalha com sucesso. Isso desencadeou na cristandade uma nova onda de preocupação com a Terra Santa.

No cativeiro, Guy ouviu a frase mágica que se tornaria célebre: “Reis Verdadeiros não matam uns aos outros”, vindo de Saladino. Eventualmente, ele foi libertado em troca de um resgate.

Em 1189, Guy de Lusignan tentou reconquistar a cidade, num conflito que duraria anos e só seria resolvido com a chegada de um novo personagem: Ricardo Coração de Leão, o rei da Inglaterra.

Saladino e o começo da Terceira Cruzada

Saladino (1138 – 4 de março de 1193) foi um chefe militar muçulmano que se tornou sultão do Egito e da Síria e liderou a oposição islâmica aos cruzados europeus no Levante. No auge de seu poder, seu domínio se estendia pelo Egito, Síria, Iraque, Iêmen e pelo Hijaz. Foi responsável por reconquistar Jerusalém das mãos do Reino de Jerusalém, após sua vitória na Batalha de Hattin e, como tal, tornou-se uma figura emblemática na cultura curda, árabe, persa, turca e islâmica em geral. Saladino, adepto do islamismo sunita, tornou-se célebre entre os cronistas cristãos da época por sua conduta cavalheiresca, especialmente nos relatos sobre o sítio a Kerak em Moab, e apesar de ser a nêmesis dos cruzados, conquistou o respeito de muitos deles, incluindo Ricardo Coração de Leão; longe de se tornar uma figura odiada na Europa, tornou-se um exemplo célebre dos princípios da cavalaria medieval.

Por volta de 1185, Saladino já havia capturado quase todas as cidades dos cruzados. Ele tomou Jerusalém em 2 de outubro de 1187, após um cerco. Saladino inicialmente não pretendia garantir termos de anistia aos ocupantes de Jerusalém, até que Balian de Ibelin ameaçou matar todos os muçulmanos da cidade, estimado entre três e cinco mil pessoas, e destruir os templos sagrados do Islã na Cúpula da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa se não fosse dada anistia. Saladino consultou seu conselho e esses termos foram aceitos. Um resgate deveria ser pago por cada franco na cidade, fosse homem, mulher ou criança. Saladino permitiu que muitos partissem sem ter a quantia exigida por resgate para outros. De acordo com Imad al-Din, aproximadamente sete mil homens e oito mil mulheres não puderam pagar por seu resgate e se tornaram escravos.

De todas as cidades, apenas Tiro resistiu. A cidade era então comandada pelo Conrado de Montferrat. Ele fortaleceu as defesas de Tiro e suportou dois cercos de Saladino. Em 1188, em Tortosa, Saladino libertou Guy de Lusignan e devolveu-o à sua esposa, a rainha Sibila de Jerusalém. Eles foram primeiro a Trípoli, e depois a Antioquia. Em 1189 eles tentaram reclamar Tiro para seu reino, mas sua admissão foi recusada por Conrado, que não reconhecia Guy como rei. Guy então começou o cerco de Acre.

Hattin e a queda de Jerusalém foram o estopim para a Terceira Cruzada, financiada na Inglaterra por um especial “dízimo de Saladino”. Essa Cruzada retomou a cidade de Acre. Após Ricardo I de Inglaterra executar os prisioneiros muçulmanos em Acre, Saladino retaliou matando todos os francos capturados entre 28 de agosto e 10 de setembro. Os exércitos de Saladino engajaram-se em combate com os exércitos rivais do rei Ricardo I de Inglaterra na batalha de Apollonia, em 7 de setembro de 1191, na qual Saladino foi finalmente derrotado. Apesar de nunca terem se encontrado pessoalmente, a relação entre Saladino e Ricardo era uma de respeito cavalheiresco mútuo, assim como de rivalidade militar; ambos eram celebrados em romances cortesãos. Quando Ricardo foi ferido, Saladino ofereceu os serviços de seu médico pessoal. Em Apollonia, quando Ricardo perdeu seu cavalo, Saladino enviou-lhe dois substitutos. Saladino também lhe enviou frutas frescas com neve, para manter as bebidas frias. Ricardo sugeriu que sua irmã poderia casar-se com o irmão de Saladino – e Jerusalém poderia ser seu presente de casamento.

Os dois finalmente chegaram a um acordo sobre Jerusalém no Tratado de Ramla em 1192, pelo qual a cidade permaneceria em mãos muçulmanas, mas estaria aberta às peregrinações cristãs; o tratado reduzia o reino latino a uma estreita faixa costeira desde Tiro até Jafa.

Saladino morreu no dia 4 de março de 1193, em Damasco, pouco depois da partida de Ricardo. Quando o tesouro de Saladino foi aberto não havia dinheiro suficiente para pagar por seu funeral; ele havia dado a maior parte de seu dinheiro para caridade.

Templários e o Xadrez

Uma curiosidade bacana a respeito da segunda cruzada foi que, durante este período, as regras do que se conhecia como Shatranj acabaram sofrendo algumas modificações, derivando o que hoje conhecemos como as regras modernas do Xadrez.

Como este era um jogo Persa, até esta época, as Torres eram conhecidas como “Elefantes”, não haviam Bispos, as peças que se movimentavam na diagonal eram conhecidas como “Navios de Guerra”; também não existia Rainha; a peça era conhecida como “Vizir” e os peões, quando chegavam até o lado oposto do tabuleiro, tornavam-se “conselheiros”, com capacidade de se movimentar uma casa na horizontal, vertical ou diagonal. Como os Templários adoraram este jogo e acabaram levando-o para a Europa, os termos acabaram sendo modificados para um gosto mais Europeu, dando origem aos nomes das peças tal quais as conhecemos hoje. Os Bispos foram a contribuição do Vaticano ao jogo, por acharem que os clérigos deveriam ter um papel de destaque no xadrez…

A Terceira Cruzada

A Terceira Cruzada (1189-1192), pregada pelo Papa Gregório VIII após a tomada de Jerusalém por Saladino em 1187, foi denominada Cruzada dos Reis. É assim denominada pela participação dos três principais soberanos europeus da época: Filipe Augusto (França), Frederico Barbaruiva (Sacro Império Romano Germânico) e Ricardo Coração de Leão (Inglaterra), constituindo a maior força cruzada já agrupada desde 1095. A novidade dessa cruzada foi a participação dos Cavaleiros Teutônicos.

O imperador Frederico Barbarossa, atendendo os apelos do papa, partiu com um contingente alemão de Ratisbona e tomou o itinerário danubiano atravessando com sucesso a Ásia Menor, porém, afogou-se na Cilícia ao atravessar o Sélef (hoje Goksu), um dos rios da Anatólia. A sua morte representou o fim prático desse núcleo. FAIL.

Os franceses e ingleses foram por mar até Acre. Em Abril de 1191 os franceses alcançam Acre, no litoral da Terra Santa, e dois meses depois junta-se-lhes Ricardo. Ao fim de um mês de assédio, os cruzados tomam a praça e rumam para Jerusalém, agora sem o rei francês, que regressara ao seu país depois do cerco de Acre. Ainda em 1191, em Arsuf, Ricardo derrotou as forças muçulmanas e ocupou novamente Jaffa.

Se Ricardo Coração de Leão conseguiu alguns atos notáveis – a conquista de Chipre (que se tornou um reino latino em 1197), Acre, Jaffa e uma série de vitórias contra efectivos superiores – também não teve pejo em massacrar prisioneiros (incluindo mulheres e crianças). Ao garantir a volta do Acre para a mão da cristandade, Ricardo conquistou o título de Coeur de Lion (Coração de Leão, em francês).

Os combates contra os exércitos de Saladino terminaram em 1192, num acordo: os cristãos mantinham o que tinham conquistado e obtiveram o direito de peregrinação (desde que desarmados) a Jerusalém, que ficava em mãos muçulmanas. Isso transformou São João de Acre na capital dos Estados Latinos na Terra Santa.

Se esse objetivo principal falhara, alguns resultados tinham sido obtidos: Saladino vira a sua carreira de vitórias iniciais entrar num certo impasse e o território de Outremer (o nome que era dado aos reinos cruzados no oriente) sobrevivera. Com isso terminou a terceira cruzada, que, embora não tenha conseguido recuperar Jerusalém, consolidou os estados cristãos do Oriente.

Comandantes Templários no período:
– Everard des Barres (1147-1149) – Preceptor dos Templários na França, ocupava o maior posto quando Robert de Craon morreu em 1147. Assim que ocupou o cargo, acompanhou o rei LouisVII na Segunda cruzada. De acordo com historiadores, era extremamente piedoso e nobre. Após a falha ao cerco de Damasco em 1148, Louis VII retorna À França e Everard tem de acompanhá-lo, pois era o guardião dos tesouros reais. Os templários ficaram em Jerusalém e auxiliaram na defesa da cidade contra os turcos em 1149. na França, Everard abdica do comando (que estava com Bernard de Tremelay desde 1149, na prática) e se torna um monge em Clairvaux.
– Bernard de Tremelay (1149-1153) – Tornou-se comandante dos Templários quando Everard precisou retornar à França. O rei Balduíno III deixou que ele utilizasse das ruínas de Gaza, que foram reconstruídas como base templária. Em 1153, os Templários participaram da Batalha de Ascalon, na qual Bernard e outros trinta e poucos templários acabaram sendo capturados pelos muçulmanos durante a queda do muro principal da cidade. Todos os templários capturados foram decepados, seus corpos foram expostos nos muros da cidade e suas cabeças enviadas ao sultão.

– André de Montbard o substituiu e, com o auxílio das tropas de Balduíno, conseguiram derrotar os muçulmanos em Ascalon em algumas das batalhas mais sangrentas das cruzadas. Montbard foi descrito como um dos cavaleiros mais nobres e valentes que já lideraram os Cavaleiros Templários. André faleceu em Jerusalém em 1156, de causa desconhecida.

– Bertrand de Blanchefort (1156-1169) – Foi conhecido por suas reformas na Ordem, tornando-os mais negociadores e menos agressivos. Também modificou as estruturas da ordem, tanto na parte administrativa quanto ritualística, dando menos poderes aos Grãos Mestres e criando conselhos de Senescais para auxiliarem nas decisões do comandante.

– Phillipe de Milly (1169-1171) – O sétimo Grão Mestre Templário era filho de Guy de Mille, um cavaleiro que lutou na Primeira Cruzada e já era um dos lordes de Nablus. Phillipe, como sucessor de seu pai, participou de diversas batalhas naquele período, antes da morte de Bertrand, inclusive tendo sido voto vencido na infeliz idéia de atacar Damasco. Phillipe deixou o Grão mestrado em 1171, tornando-se monge (e acabou falecendo 3 anos depois).

– Odo de St. Armand (1171-1179) St. Armand tomou parte em diversas expedições, incluindo Naplouse, Jericó e Djerach, conquistando grandes vitórias junto aos Templários. Sua melhor conquista foi a vitória na batalha de Montgisard, onde seus cavaleiros derrotaram uma força três vezes maior de soldados de Saladino. Com ele, os Templários ganharam a fama de grandes guerreiros e conseguiram grandes doações para a Ordem na Europa. Odo acabou sendo capturado na batalha de Marj Ayun, onde Balduíno IV conseguiu escapar do cerco com a “Verdadeira Cruz de Cristo” (na verdade, era a cruz picareta que a mãe do Imperador Constantino disse que era a verdadeira, para que Constantino pudesse tomar conta da Bíblia em 312 DC… de qualquer maneira, não deixava de ser uma relíquia de quase 700 anos). Odo foi morto pelos muçulmanos em 1180.

– Arnold de Torroja (1179-1184) foi um grande líder militar, participando de diversas batalhas na Espanha e Portugal, tendo sido chamado como Grão mestre justamente porque estava além das politicagens de Jerusalém. Durante seu governo, os Hospitalários atingiram o pico de prestígio em Jerusalém, bem como as rivalidades entre as duas ordens. Mas com a presença constante dos muçulmanos, não havia espaço para disputas internas e Torroja sentou-se à mesa para negociar com o grão Mestre Hospitalário Roger de Moulin e conseguiram estabelecer um acordo entre as duas Ordens. Torroja faleceu em Verona, vítima de uma doença, em 1184.

– Gerard de Ridefort (1184-1189) – O décimo Grão Mestre Templário enfrentou diversos problemas políticos dentro de Jerusalém. Gerard participou, junto com Guy de Lusignan, da Batalha de Hattin (1187), onde ambos foram capturados pelos muçulmanos. Gerard ficou prisioneiro até 1188, enquanto a Ordem permaneceu sob o comando de Thierry de Tiro (alguns historiadores incluem Thierry como Grão Mestre Templário em suas listas, mas a lista mais comum inclui apenas os 23 Grãos Mestres tradicionais até Jacques de Molay). Em 1189, Gerald voltou a combater os muçulmanos no Cerco ao Acre, onde veio a falecer.

– Robert de Sablé (1189-1193) foi o Comandante Templário durante as batalhas finais do Cerco do Acre, recapturou diversas cidades que haviam caído sob o domínio muçulmano e participou da batalha de Arsuf, onde com a ajuda dos Hospitalários, conseguiu derrotar um dos maiores exércitos de Saladino. Ele foi o último Grão Mestre Templário a participar abertamente das batalhas, pois a exposição da cabeça de Ridefort como troféu nas frentes muçulmanas fez com que os Templários e Hospitalários votassem que seus Grãos Mestres não mais se arriscassem na linha de frente, porque o dano moral causado caso fossem capturados seria muito grande.

Pelo que eu vi, ele é um dos chefes de fase do jogo Assassins Creed…

Na semana que vem: “Matem todos, Deus escolherá os seus”

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Textos relacionados no blog Teoria da Conspiração.

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#Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/segunda-e-terceira-cruzadas

Quinta, Sexta e Sétima Cruzadas

Postado no S&H dia 4/12/09,

Estamos chegando na reta final das cruzadas (faltam apenas mais duas) e o conflito no Oriente Médio entre Cristãos e Muçulmanos atinge seu ápice. Neste post, comentarei sobre as cruzadas que normalmente são ignoradas pelos professores nas aulas de história.

A Cruzada das Crianças

Uma das lendas a respeito das cruzadas inclui a famosa “Cruzada das crianças”, que teria ocorrido em 1212. As diversas histórias que chegaram aos tempos modernos sobre a Cruzada das Crianças giram em torno de eventos comuns. Um rapaz na França ou na Alemanha começou a espalhar que teria sido “visitado por Jesus” que o teria instruído para liderar a próxima cruzada. Após uma série de milagres, juntou um considerável grupo de seguidores, incluído possivelmente cerca de 20 mil crianças. Conduziu os seus seguidores em direção ao Mar Mediterrâneo, onde as águas deveriam se abrir para eles poderem avançar até Jerusalém.

Como (obviamente) isto não aconteceu, dois mercadores teriam oferecido sete barcos para levar tantas crianças quantas coubessem… hummm não sei quanto a você, leitor, mas isso cheira a cilada, Bino!

Os crentes teriam entregado as crianças para os mercadores e foram, então, levadas para a Tunísia tendo morrido em naufrágios ou sido vendidas como escravos. Em alguns relatos, as crianças não terão mesmo chegado ao Mediterrâneo, morrendo no caminho de fome ou exaustão.

O que provavelmente ocorreu foram migrações de vilas inteiras de pobres por toda a Europa, motivadas pelas mudanças nas condições econômicas da época que forçaram muitos camponeses no norte de França e na Alemanha a vender as suas terras. Estes bandos eram chamados de pueri (“rapaz” em latim). Mais tarde as referências ao puer alemão Nicholas e ao puer francês Stephan, ambos liderando multidões em nome de Jesus, terão sido unificadas num único relato, tendo o termo “pueri” sido traduzido para “crianças”.

A Quinta Cruzada

A Quinta Cruzada (1217-1221), ocorreu pela iniciativa do Papa Inocêncio III, que a propôs em 1215 no quarto Concílio de Latrão, mas foi somente posta em prática por Honório III, seu sucessor no trono de São Pedro. O papado havia também contribuído para desacreditar o ideal das cruzadas, quando manipulou a fé das pessoas para esmagar os Cátaros do sul da França, na chamada Cruzada albigense. Mesmo assim, o papa Honório III conseguiu adesões para uma nova expedição.

A Quinta Cruzada foi liderada por André II, rei da Hungria; Leopoldo VI, duque da Áustria; Jean de Brienne, rei em título de Jerusalém e Frederico II, imperador do Sacro Império. O imperador Frederico II concordou em organizar a expedição.

Decidiu-se que para se conquistar Jerusalém era necessário conquistar o Egito primeiro, uma vez que este controlava esse território. Em maio de 1218, as tropas de Frederico II se puseram a caminho do Egito, sob o comando de Jean de Brienne. Desembarcados em São João D’Acre, decidiram atacar Damietta (hoje chamada de Dumyat), cidade que servia de acesso ao Cairo, a capital. Em agosto atacaram Damietta. Depois de conquistar uma pequena fortaleza de acesso aguardaram reforços. Em junho, foram reforçadas pelas tropas papais do cardeal Pelágio. Homem autoritário, Pelágio não quis subordinar-se a Brienne e também interferiu constantemente nos assuntos militares.

Depois de alguns combates, e quando tudo parecia perdido, uma série de crises na liderança egípcia permitiu os cruzados ocupar o campo inimigo. Porém, numa paz negociada em 1219 com os muçulmanos, o incrível aconteceria: Jerusalém era oferecida aos cristãos, entre outras cidades, em troca da sua retirada do Egito. Mas os chefes cruzados, nomeadamente o cardeal Pelágio, recusaram tal oferta (que, vou refrescar a memória do leitor, era o objetivo principal das Cruzadas): o papado considerava que os muçulmanos não conseguiriam resistir aos cruzados quando Frederico II chegasse com os seus exércitos.

Os cruzados começaram, então, a cercar o porto egípcio Damietta e, depois de algumas batalhas, sofreram uma derrota. O sultão renovou a proposta, mas foi novamente recusada. Depois de um longo cerco que durou de Fevereiro a novembro de 1219 a cidade caiu. A estratégia posterior requeria assegurar o controle da península do Sinai. Os conflitos entre os cruzados e muçulmanos tornaram-se praticamente diários e perdeu-se tanto tempo que os egípcios recuperaram as forças. Em julho de 1221, o cardeal ordenou uma ofensiva contra o Cairo, mas os muçulmanos levaram os cruzados a uma armadilha; quando os cristãos avançavam, os muçulmanos recuavam e levavam todos os alimentos (e envenenavam os poços)… sem comida e cercados, acabaram por ter de chegar a um acordo: retiravam do Egito e tinham as vidas salvas. Tiveram também de aceitar uma trégua de oito anos. #Fail

O principal motivo para a derrota cristã tem um nome: os reforços prometidos por Frederico II não chegaram. Razão pela qual ele foi excomungado pelo papa Gregório IX. Essa foi a última cruzada para a qual o papado mandou suas próprias tropas.

A Sexta Cruzada

A Sexta Cruzada (1228-1229), lançada em 1227 pelo imperador do Sacro Império Frederico II de Hohenstauffen, que tinha sido excomungado pelo Papa, só no ano seguinte ganharia forma.

Frederico, genro de Jean de Brienne, herdeiro do trono de Jerusalém, pretendia reclamar seus direitos sobre Chipre e Jerusalém-Acre. Depois que sua frota partiu, o imperador recebeu uma missão de paz do sultão do Egito, que retardou o seu avanço e acabou causando aquele vexame nas tropas cristãs…

Finalmente, no verão de 1228, depois de muita hesitação, acabou por partir ao Oriente para tentar se livrar da excomunhão que o papa lhe havia imposto, apesar de ser defensor do diálogo com o Islã, religião da qual era admirador, e preferir conversar em vez de combater.

Enquanto suas tropas estavam longe, o papa proclamou outra Cruzada, desta vez contra o próprio Frederico, e seguiu atacando as possessões do imperador na Península Itálica.

O minguado exército de Frederico II, auxiliado pelos cavaleiros Teotônicos, foi diminuindo com as deserções e uma semi-hostilidade das forças cristãs locais devido à sua excomunhão pelo Papa. Aproveitando-se das discórdias entre os sultões do Egito e Damasco, Frederico II conseguiu, por intermédio da diplomacia, um vantajoso tratado com o Egito de Malik el-Kamil, sobrinho de Saladino.

Pelo tratado de Jafa (1229), Jerusalém ganhou Belém, Nazaré e Sídon, um corredor para o mar, para além de uma trégua de dez anos. Em contrapartida, os cristãos reconheciam a liberdade de culto para os muçulmanos.

Por causa disso, o Papa excomunga Frederico II mais uma vez.

Frederico foi coroado rei de Jerusalém, mas por conta dos inúmeros ataques dos cruzados em suas terras e receoso de perder seu trono na Germânia e Nápoles, regressou à Europa. Retomou relações com Roma em 1230.

Sétima Cruzada

Após o fim dos dez anos da trégua de 1229 (assinada durante a Sexta Cruzada), uma expedição militar cristã, com poucos homens e poucos recursos, liderada por Ricardo de Cornualha e Teobaldo IV de Champanhe, encaminhou-se para a Terra Santa a fim de reforçar a presença cristã nos lugares santos. Não era exatamente uma “cruzada”, mas mais um reforço. Não pôde impedir, entretanto, que, em 1244, Jerusalém caísse nas mãos dos turcos muçulmanos. No ano seguinte dava-se o desastre de Gaza.

Nesse ano, quando o Papa Inocêncio IV abriu o Concílio de Lyon, o rei da França Luís IX, posteriormente canonizado como São Luís, expressou o desejo de ajudar os cristãos do Levante. Luís IX levou três anos para embarcar, mas o fez com um respeitável exército de 35.000 homens. O monarca francês aproveitou as perturbações causadas pelos mongóis no Oriente e partiu de Aigues-Mortes para o Egito em 1248. Escalou em Chipre em setembro de 1248, atacando depois o Egito

Em junho de 1249, Damietta foi recuperada para os cristãos e serviria de base de operação para a conquista da Palestina. No ano seguinte, quase conquista o Cairo, só não o conseguindo por causa de uma inundação do Nilo e porque os muçulmanos se apoderaram das provisões alimentares dos cruzados, o que provocou fome e doenças como o escorbuto nas hostes de São Luís. #Fail

Ao mesmo tempo, Roberto de Artois, irmão do rei, depois de quase vencer em Mansurá, foi derrotado devido a sua imprudência.

Perante este cenário, com seu exército dizimado pela peste de tifo, São Luís bateu em retirada. O rei é capturado e feito prisioneiro em Mansurá, sendo posteriormente libertado após o pagamento de um resgate de 800 mil peças de ouro (parecem números de MMORPG) e restituição de Damieta, em maio de 1250. Só a resistência da rainha francesa em Damietta, permitira que se conseguisse negociar com os egípcios.

Mas o pior ainda estava por vir…

Semana que vem: Corram para as colinas! Os mamelucos estão chegando!

#Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quinta-sexta-e-s%C3%A9tima-cruzadas

Harry Houdini

Harry Houdini foi um famoso mágico especializado em ilusionismo e escapismo. Na verdade, as técnicas de escapismo ele mesmo desenvolveu ao longo da carreira dele. Ao mesmo tempo, como pessoa pública, tanto pela coragem quanto pelo carisma, ele cultivou uma longa lista de desafetos, porque mesmo sendo mágico se permitia ao duro papel do cético e realista.

Houdini propôs desafios públicos, pagos com uma grande soma em dinheiro, a quem conseguisse provar a realidade da vida após a morte ao trazer uma mensagem verdadeira da sua falecida mãe.

Sejamos francos: Houdini, como tantos outros céticos (vide Padre Quevedo), não desacreditava da realidade espiritual, nem do Espiritismo ou Espiritualismo em si. A realidade espiritual – “O Mundo Mágico” – era crível, mas não provável à ótica materialista e acadêmica. E não há nenhum problema quanto a isso.

O que Houdini combatia não eram as sombras de um obscurantismo medieval, pré-Revolução Industrial. Não eram crenças e superstições comuns do povo, frutos da cultura religiosa e do imaginário popular. Houdini combatia era a luz. A luz cegante dos auto-declarados médiuns milagreiros, dos paranormais embusteiros e, principalmente, dos magos de palco.

O pior risco do Ocultismo é a vazão que ele dá para as pessoas o usarem de escapismo da realidade, como uma chance de se projetarem sombras de empatia e grandiloquência de seus egos e auto-estimas apequenadas pela simploriedade da vida que levam. Tudo por um jogo de luzes e contraste, a iludir a percepção do público crente de que este ou aquele indivíduo detém algum tipo de resposta ou solução magicamente acessível ou, quase sempre, onerosa.

No começo da minha jornada eu ficava muito insatisfeito com a percepção cética ou pessimista de algumas pessoas do cenário esotérico, quase como céticos, mesmo sabendo da realidade, a negar a existência do “Mundo Mágico” para as outras pessoas. Hoje, mais amadurecido pelas porradas que a vida me deu, acabei me tornando mais como um Houdini, e compreendendo melhor as coisas.

As pessoas não querem o “Mundo Mágico”. O que elas procuram, em sua maioria, é validar as próprias loucuras, reafirmar as próprias fraquezas como virtudes místicas, fugir da dura realidade do cotidiano, tudo a um preço acessível, uma passagem só de ida, quanto mais lisérgica, melhor, a uma “bad trip” controlada, com “on/off” para que ela possa ir na moitada ou se preocupar com o espiritual da mesma maneira que os fiéis vão a uma missa vez ou outra achando que limparam os pecados da lista daquele ano.

Houdini combatia os magos, e com razão. A sua maneira inquisidora, perseguiu e desmascarou os falsos magos, os embusteiros e os picaretas que se aproveitavam da credulidade alheia para extorquir a boa-fé e o dinheiro das pessoas.

E o arquétipo do mago é algo muito sedutor para estes indivíduos: arguição polida, domínio do jargão técnico, discursos motivacionais, métodos de indução e hipnose de um pastor protestante e um vendedor de bugigangas e, acima de tudo, uma aparência que os fizessem passar uma aura fidedigna de mago, projetada justamente do imaginário popular, de homens mais velhos, com uma espessa barba, vestidos de robes, em ambientes decorados com motivos mágicos e místicos mas, sobretudo um ambiente “noir”, soturno, para darem a impressão de serem misteriosos.

Uma vez projetados, se tornam figuras messiânicas difíceis de serem desconstruídas uma vez que o próprio público não se permite enxergar a própria realidade. Escondem-se detrás de robes – “o hábito não faz o monge”, mas para estes é imprescindível – escudados pelos que morreram e não podem mais falar em própria defesa, como Agrippa, Bruno, Salomão, e tantos outros.

Houdini viveu uma batalha virtuosa, mas inglória, contra os farsantes. Eles nunca vão deixar de existir. Mas seu exemplo ainda assim inspira alguns poucos – eu incluso – que se permitem a combater o senso comum com informação, a mistificação com conhecimento e as ilusões como fatos. E longe de mim ser um “inquisidor” ou “corregedor”, a fiscalizar o alheio. Esse é um erro ao qual não posso me dar o luxo.

Mesmo nas sombras, devemos fazer brilhar o real legado dos magos de outrora, o real tesouro do “Mundo Mágico”, que são os Princípios de uma dita “Arte Régia” com substância, mas sem nome. Não com fórmulas, com rituais, mas com os Princípios Divinos que se manifestam e são percebidos na própria Natureza interna e externa ao ser humano.

O bom combate de Houdini, como de tantos outros, ainda continua o mesmo, se não contra a luz ofuscante dos embusteiros de palco, contra a luz alienante dos magos de Youtube.

Kayque Girão – Vajra Jyotishi

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/harry-houdini

Qigong Simplificado para Iniciantes

Neste artigo apresentamos uma série muito básica de exercícios de Qigong, começando com a meditação, mudando para meditação em pé e concluindo com a prática da Esfera Microcósmica.

Este artigo evita o uso da terminologia básica e conceitualização, focando na acessibilidade e simplicidade. O fato é que Qigong pode ser praticado por qualquer pessoa, independentemente de sua capacidade de aprender e memorizar a terminologia chinesa, através do esforço para entender melhor o que está acontecendo a nível energético, conforme ensinado pelos mestres. Por isto, estamos evitando tudo isto.

Ainda publicaremos um texto para os que procuram um paradigma holístico completo e técnicas alquímicas taoístas de nível avançado. Porém, se você é ocupado, sem tempo, mas mesmo assim tem interesse em aprender qigong, este guia é para você. Se você é um iniciante que nunca meditou e não tem ideia do que é qigong mesmo, este guia é para você. Com isso dito, vamos em frente.

1. Meditação no Vazio

A primeira coisa a fazer é tentar entrar em contato com a nossa energia. Em chinês, a palavra energia é “qi” (“tchi” pronunciado). Às vezes, é traduzido como respiração, e é bem verdade que a respiração controla o fluxo de energia sutil no corpo. A partir de agora, quando se falar de energia, utilizarei o termo “qi”. Além disso, em chinês, “gong” significa “trabalho”. Portanto, “qigong” traduz-se como “o trabalho de respiração” ou “trabalho de energia”.

A melhor maneira de realmente sentir o nosso qi é através da meditação. A meditação é simples, mas pode ser enganosamente complexa. Como muitas coisas na vida, é paradoxal por natureza.

Comece por encontrar um local fresco, seco e tranquilo. Certifique-se de que você está livre de distrações externas, como TVs, outras pessoas que não estão meditando e sons altos / música. Você quer um ambiente calmo e pacífico. Alguns meditadores dizem que ir e encontrar um lugar em um parque, próximo a uma árvore ou riacho, tem ajudado muito. Independentemente disso, a meditação pode ser praticada dentro de casa ou em qualquer lugar que você se sinta confortável. A chave é se sentir confortável enquanto você medita.

Sente-se de pernas cruzadas e descanse as mãos em cima dos joelhos. Verifique se o seu dorso é reto e você não desleixa tanto como ao sentar em qualquer lugar. Agora, lentamente, inspire profundamente pelo nariz e permita que seus pulmões encham-se completamente com o ar. Não segure a respiração. Expire, e permita que seus pulmões lentamente liberem por completo o ar inalado. Repita este ciclo. Se um pensamento surge em sua cabeça, deixe-o ir. Se você sentir que sua mente está vagando, deixe-a passear, mas se foque em sua respiração mais do que tudo. Permita-se perceber quaisquer ideias ou pensamentos que vêm a vós, sempre reconhecendo o pensamento e seguindo em frente, sempre se concentrando na respiração abdominal profunda.

Sinta a tensão em seu corpo diminuir a cada inspiração, e veja-a deixando seu corpo quando você expira. Talvez a tensão apareça como uma nuvem escura, talvez não e você não veja nada. Independentemente disso, contiunue a respirar profundamente e concentrar-se em sua respiração até que este processo se torne natural.

Eventualmente, você pode observar piscar algumas luzes em suas pálpebras. Isto é totalmente fisiológico. Ignore as luzes coloridas e continue a respiração. Menos pensamentos virão até você cada vez que você se aprofundar mais em seu estado de espírito através da meditação e do foco na respiração.

Neste ponto, você deve se sentir muito relexado e você pode sentir um zumbido elétrico ao seu redor. Ele pode se mover ou permanecer em um ponto. Ele pode ser sentido como um calor muito forte ou um frio muito forte. Algumas pessoas sentem isso mais fortemente em torno das áreas de cabeça e coluna vertebral. Este sentimento é o seu qi pessoal ou fluxo de energia. Se você não pode senti-lo, não se preocupe. Ele pode ser muito sutil. Cada pessoa leva uma quantidade diferente de tempo meditando para poder senti-lo. Lembre-se sempre: “Um momento de aprender, uma vida para dominar”.

“É isto mesmo? Eu sinto o meu qi, simplesmente sentando e respirando?”

Sim, é simples assim. Basta sentar e respirar profundamente, levando-se a um estado de espírito em que você pode perceber muitas coisas de outra forma não poderia. Continue a meditar até se sentir satisfeito. Para concluir a meditação, diga para si mesmo:

“Vou contar até cinco, e voltarei à realidade.”

A partir de um, conte até cinco na sua cabeça. Experimente cada vez que contar fazer uma respiração. Inspira, expira, um. Inspira, expira, dois. Quando você chegar a cinco, abra os olhos e diga internamente, “eu acabo de meditar agora.” Levante-se e alongue-se. Isto conclui a Meditação no Vazio. Antes de passar para Meditação Dantian, pratique este exercício até que você esteja confortável e até que você possa sentir seu qi em um estado relaxado de meditação.

2. Meditação Dantian

Em seguida, vamos meditar novamente, mas desta vez a nossa meditação é diferente. Algumas pessoas chamam este exercício de “Respiração Dantian”. Primeiro, eu preciso definir o que é o Dantian. Dantian é uma palavra chinesa (pronuncia-don-dee-on), que significa “campo elixir”. Desculpe, eu sei que eu disse não haver termos chineses a aprender, mas este é muito importante. Dantian é um ponto em seu corpo que é o centro de toda a sua energia, o seu qi. Ele está localizado a cerca de três centímetros abaixo do umbigo e uma polegada para dentro. Se você estudou yoga, você vai reconhecer este ponto como sendo o local de chakra svadhisthana também. De qualquer forma, se familiarize com este ponto do seu corpo. Use seu dedo indicador para apertar bastante este ponto, em seguida, feche os olhos e concentre-se na sensação de dor residual lá. Este é o tipo de foco que vamos precisar na meditação.

Vá para o seu local de meditação e sente-se de pernas cruzadas. Descanse as mãos sobre os joelhos, novamente. Mantenha as costas retas e não desleixe, se você tiver problemas com isso tente descansar as costas contra a parede ou, se ao ar livre, uma árvore. Comece a inspirar profundamente pelo nariz e expirar pela boca. Permita-se a meditar como na Meditação no Vazio, mas quando você chegar a esse ponto (chamado pelo autor de gnose), no qual você tem alguns pensamentos e descargas neurais (visão de luzes com as pálpebras fechadas), você terá que mudar seu foco.

Concentre-se no Dantian. Todo o seu foco e atenção volta-se a este ponto. Toque sua língua no céu da boca. Agora, quando você inspirar, concentre-se e perceba a respiração enchendo o seu corpo com qi. Ao expirar, perceba toda a energia negativa, emoção e dor deixar o seu corpo junto com o ar. Continue assim por cerca de cinco minutos. Depois de cinco minutos, o foco na barriga continua. Agora, comece a visualizar em cada inspiração o ar entrando pelas narinas como uma luz dourada: quando você inspirar, veja e sinta o qi vindo para você através do ar em torno de seu corpo como uma luz branca dourada que atinge o dantian e que, em seguida, se expande por todo o corpo. Quando você expira, veja o stress deixando o seu corpo como uma névoa vermelha. Se você achar que é difícil visualizar, sinta o qi movendo-se para o Dantian como uma sensação elétrica quente se movendo através de seu corpo. Sinta o qi negativo deixar o seu corpo quando você expira da mesma maneira. Repita este procedimento até se sentir todo energizado, com o sentimento centrado no Dantian.

Quando você terminar, conte 1-5 em sua cabeça com respirações, da mesma forma que na Meditação no Vazio, e diga para si mesmo depois de cinco: “Minha meditação terminou agora”. Levante-se e alonge-se. Você pode notar fortes sensçaões de calor por todo o corpo. Os cabelos finos nos braços e pernas podem ficar arrepiados. Estes são efeitos secundários normais de tal prática e um bom indicador de progresso. Isto conclui a Meditação Dantian.

Recomenda-se praticar a Meditação no Vazio antes de praticar a Meditação Dantian. Tradicionalmente, a Meditação Dantian é praticada por 100 dias antes de iniciar qualquer outro tipo de prática de qigong. Você deve praticar a Meditação Dantian suficientemente a fim de familiarizar-se com a sensação do qi movendo-se no corpo: ele deve ser sentido como um formigamento elétrico movendo por todo o corpo, guiado por sua mente e centrado no Dantian. Quando terminar a Meditação Dantian, você deve se sentir muito energizado e alerta. Os próximos exercícios são semelhantes à Meditação Dantian, mas incluem postura em pé estática e dinâmica. Independentemente disso, cabe ao indivíduo decidir quando eles estão prontos para seguir em frente.

3. Postura Wuji

Levante-se e deixe os ombros alinhados aos pés. Agora, flexione ligeiramente as pernas, os joelhos devem estar separados e mantenha os pés no chão. Mantenha a coluna reta e relaxada, cabeça erguida, mas livre de tensão e ombros e pescoço relaxados. Abaixe um pouco as nádegas, e mantenhas suas costas perpendicularmente ao chão. Relaxe os braços e mantenha-os separados ligeiramente do corpo. Ligeiramente separar os dedos e esticar, mas livre de tensão, seus polegares devem estar um pouco mais perto dos outros dedos. Tenha o seu peso uniformemente distribuído em ambas as pernas. Coloque a língua no céu da boca, como na Meditação Dantian. Afundar os pés no chão, como se fosse uma árvore que está criando raízes na terra. Imagine-se como uma árvore mentalmente, com raízes que se afundam nas profundezas da terra. Olhe para o horizonte serenamente. O abdômen deve ser sempre relaxado. Relaxe, e ajuste esta nova postura para a meditação, enquanto você respira profundamente.

4. Elevação ao Céu

O próximo exercício é o primeiro exercício a envolver movimento enquanto medita. Ele é chamado de Elevação ao Céu. Fique na Wuji por cerca de cinco minutos e pratique a Meditação no Vazio nesta posição. Respirar profundamente e calmamente e sentir a tensão em seu corpo afundar no chão. Agora, movimentar as mãos de seus lados para a sua frente, palmas para cima, com os dedos médios de ambas as mãos tocando-se. Suas mãos devem estar soltas e descontraídas e eles devem estar na frente de vocês sobre o mesmo nível que está o dantian (em frente de sua cintura). Agora, tome uma inspiração profunda, e mova ambos os braços para cima, sobre a sua cabeça, até que as palmas estejam voltadas para o céu. Seu pescoço deve estar esticado para trás e olhando para cima. Expire e coloque as mãos na sua frente de novo, na posição inicial. Enquanto faz isto, medite de forma análoga à Meditação no Vazio; não há foco em qi, a forma em si provoca movimento do qi no corpo e qualquer foco no qi só vai impedir a finalidade deste exercício. Repita esta forma de qigong tanto quanto você quiser.

Eventualmente, com a prática, você deve ser capaz de ficar assim por meia hora, 45 minutos ou uma hora, respirando e puxando o qi. No início, você pode apenas ser capaz de praticar este método por 5-10 minutos antes de se tornar muito dolorido para continuar. Isso é bom, o que é importante é que você está praticando e usando a intenção de puxar qi em seu corpo com a respiração. Isso é qigong. Você não quer exagerar tanto, pratique esta forma tanto quanto ela é confortável.

5. Empurrar a Água

Este exercício é outro que envolve movimento e que é praticado dentro de uma mentalidade de Meditação no Vazio. Ele é chamado de Empurrar a água. Comece por estar em Wuji por cinco minutos e se concentre em sua respiração. Quando estiver em estado de espírito suficiente, estamos prontos para começar. Quando você inspirar, dobre os joelhos e afunde seu peso para baixo, enquanto ainda mantem as costas retas. Seus joelhos devem estar voltados para fora em um ângulo de cerca de 45 graus e você deve manter-se nas “bolas” de seus pés quando afundar o seu peso. Simultaneamente, eleve as mãos para fora e para o lado até que as palmas das mãos e os braços estejam paralelos ao chão. Expire e volte à posição inicial, lentamente diminuindo os braços para trás e aos lados e aumentando o peso para cima, voltando a postura Wuji novamente. Repita esta forma muitas vezes até onde se sentir confortável, e mais uma vez, o exercício deve ser feito em uma mentalidade igual à Meditação no Vazio. Não se concentrar no Dantian, ou tentar mover seu qi, já que o próprio exercício faz isso para você. Em vez disso, simplesmente se concentre em sua respiração e no próprio exercício.

6. Esfera Microcósmica

Este exercício é uma meditação sentada que melhora a qualidade de seu qi, tendo você cultivado e movimentando de forma benéfica pelos meridianos, ou canais de Qi no corpo. NOTE que este exercício NÃO é para ser tomado com ânimo leve. É uma prática muito poderosa e pode ser PERIGOSA se praticada de forma inadequada, cedo demais, ou com um foco incorreto. Tradicionalmente, este exercício foi ensinado somente aos discípulos que tinham praticado os exercícios anteriores, e muitos outros, ao longo de um período de dois anos de tempo. Por isso, recomendamos que você NÃO pratique este exercício até que você venha fazendo a Meditação Dantian por 100 dias. Eu mesmo não pratiquei a Esfera Microcósmica até que eu estava fazendo meditação básica e exercícios de qigong por cerca de 8 meses. Por favor, NÃO tome este aviso de ânimo leve, demência, a estagnação de qi e bloqueios no corpo energético podem acontecer se este exercício é praticado antes de o indivíduo estiver pronto para isso.

Dito isso, começar por se sentar com as pernas cruzadas e as palmas das mãos cobrindo os joelhos. Lembre-se de manter as costas retas e manter a postura correta. Pratique a Meditação no Vazio até que entre em gnose (descarga neural, um sentimento de conexão com qi, etc). Os passos abaixo cobrem a totalidade de uma circulação através da meditação da Esfera Microcósmica.

Os passos abaixo cobrir a totalidade de uma circulação da meditação órbita microcósmica.

a. Com os olhos abertos, cruze-os e olhe para a ponta do nariz.

b. Feche o ânus e esprema-o bem. Matenha-o nesta forma para a totalidade da circulação. Isto é feito para fechar a lacuna chamada Huiyin no períneo, e trazer ambos os canais de energia utilizados no processo juntos. Também ajuda a manter as costas retas e fazer cumprir a postura correta.

c. Toque a ponta da língua no palato superior da boca.

d. Inspire profundamente, e ao fazê-lo, mantenha o foco sobre a energia no dantian. Sinta-o mover para trás, levante-o para a parte de trás da coluna e viaje até o topo da cabeça. Se você quiser, você pode visualizar a energia ao fazer isto como uma luz branca e dourada. O qi deve chegar no topo da cabeça enquanto você enche os pulmões completamente com o ar; tente sincronizar o tempo com a respiração.

e. Expire e sinta o qi vir na frente do rosto para o palato superior, onde ele se move através da língua e começa a “cair” na parte da frente do corpo para o dantian.

f. Relaxe, descruzar os olhos, solte o ânus tensionado, e tome uma respiração profunda.

Repita este método cinco vezes e depois você irá observar uma grande quantidade de saliva na boca. Taoístas chamam isso de Néctar de Jade; ele é visto como sendo um resultado benéfico do processo de queima alquímica interna. Engula a saliva, e imagine que uma luz, de ouro branco começa a envolver o estômago e se espalha pelo corpo inteiro. Depois de ter feito isso, você pode repetir o método mais cinco vezes, antes de parar depois de uma respiração profunda para engolir o Néctar de Jade.

Geralmente, é recomendado fazer apenas 10 repetições da Esfera Microcósmica na primeira semana e, em seguida, 20 e depois disso 27 repetições do exercício. Claro, a moderação é fundamental. Você não quer exagerar qualquer um desses exercícios, e muito menos a Esfera Microcósmica. Isto conclui o exercício.

7. Treinamento em Semanas

Semana 1: Meditação no Vazio

Semana 2: Meditação no Vazio, seguido por Meditação Dantian

Semana 3: Meditação Dantian

Semana 4: Meditação Dantian

Semana 5: Meditação Dantian e Postura Wuji

Semana 6: Meditação Dantian e Elevação ao Céu

Semana 7: Meditação Dantian e Empurrar a Água

Semana 8-12: Meditação Dantian, Wuji, Elevação ao Céu e Empurrar a Água. 10 respirações por exercício antes de passar para o próximo.

Semana 13: Meditação Dantian e Esfera Microcósmica (10 circulações)

Semana 14: Meditação Dantian e Esfera Microcósmica (20 circulações)

Semanas 15-x: Meditação Dantian e Esfera Microcósmica (27 circulações max)

* * Depois de 15 semanas, você pode praticar qualquer um dos exercícios em seu lazer, a chave é fazer o que você mais gosta, enquanto continua a ter Dantian como sua prática básica. Isso conclui minha breve introdução ao Qigong.

Ren Dao! (Boa Saúde)

(Texto de) Koujiryuu

Traduzido e Adaptado por WindWalker

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Convido todos a fazer parte de nosso FÓRUM. Basta clicar aqui.

#Exercícios

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/qigong-simplificado-para-iniciantes

Caos e Ordem no I Ching

Por Gilberto Antônio Silva

Os hexagramas do I Ching sempre são lidos de baixo para cima, onde a posição “do pé” é a posição 1, a próxima é a posição 2 e assim por diante. A primeira posição, que é ímpar, é por definição uma posição “Yang”; a segunda posição, que é par, é “Yin”; a terceira posição, que é ímpar, é “Yang”, e assim por diante. Posições ímpares são Yang e posições pares são Yin. Quando temos uma linha inteira (que representa o Yang) em uma posição ímpar (também Yang), dizemos que é uma “linha correta”, o mesmo valendo para uma linha quebrada (Yin) em uma posição par (Yin). Se tiver uma linha Yin em uma posição Yang ou vice-versa dizemos que se trata de uma linha “incorreta”. Isso é muito importante para a interpretação geral do hexagrama. Isso posto, prossigamos.

Como dissemos anteriormente, a sequência dos hexagramas é cíclica sendo que o último hexagrama deve ser sucedido pelo primeiro, começando o novo ciclo. Mas aqui surge algo curioso: o nome do último hexagrama é “Antes da Conclusão”. Muitos se perguntam como pode o último hexagrama estar antes da conclusão. A confusão aumenta quando vemos que o penúltimo hexagrama é o “Depois da Conclusão”. Então você tem o “depois” na frente do “antes”, mas nenhuma conclusão em si. Complicados esses chineses!

Resta-nos ainda falar sobre caos e ordem, já que está no título deste artigo. Não ficarei divagando sobre os vários sentidos, ocultos ou não, do termo “caos”, especialmente nesse site. Aqui você tem acesso a todas as ideias possíveis sobre o assunto, portanto me restringirei ao pensamento chinês. “Caos” representa a desordem de um sistema antes de ser ordenado devidamente, quando sobrevém o que chamamos de “ordem”. Não é uma bagunça completa sem propósito nem uma “zona” total. Estabelecer a ordem não implica em retirar ou acrescentar nada, mas em ordenar o que já existe. Então dentro do caos já existem presentes todos os elementos do sistema, faltando apenas ordená-los.

Como falamos, o nome do último hexagrama (64) é “Antes da Conclusão” e o penúltimo hexagrama (63) é o “Depois da Conclusão”. Se analisarmos as linhas componentes veremos que o Hexagrama 63 possui todas as linhas corretas! Isso mostra que a ordem se estabeleceu por completo no sistema. Então podemos ver a sequência desses 63 hexagramas (1 a 63) como se fossem os movimentos para resolver um cubo mágico até chegar à ordem final. Mas falta um último hexagrama, que possui todas as linhas incorretas (!). Ele simboliza o caos que se estabelece no sistema gerando um novo ciclo de 63 hexagramas. Quando você termina um cubo mágico você o guarda na prateleira, orgulhoso, ou mistura tudo e começa novamente? O universo funciona do mesmo modo, pois não existe a perfeição total, a ordem absoluta e definitiva. Ao atingir o ápice há o declínio, como mostra o Taiji Tu. O Yang ao atingir o ápice começa a se tornar Yin e vice-versa. Quando a ordem é alcançada ocorre o caos e o ciclo se reinicia.

Isso também explica o porquê de não haver uma “conclusão”, já que conclusão significa término, fim, e os ciclos se alternam indefinidamente. Os acontecimentos fluem constantemente na correnteza do tempo, sem interrupção ou final.

Agora já sabe por que você arruma a casa no final do ano e um ano depois está tudo desordenado novamente. A culpa é do universo.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, é um dos mais importantes pesquisadores e divulgadores no Brasil dessa fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

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Cursos de Hermetismo – Março/Abril

Salve,

Como a pandemia não vai passar tão cedo, por enquanto todos os cursos que seriam presenciais estão sendo feitos em EAD; embora pelos cursos de Carnaval nós descobrimos diversas vantagens:

A economia de gastos com passagens, hospedagem e alimentação para que é de fora de São Paulo (ou até permitindo que pessoas de fora do país pudessem participar!)

Economia de aluguel de sala e coffee break. Além disso, não temos mais o limite físico de alunos por sala, o que permitiu deixar os cursos bem mais baratos!

Nossos recursos midiáticos ficaram melhores, pois ao invés de uma lousa, agora utilizo powerpoints com muito mais informações e detalhes (que os alunos recebem em pdf após o curso!)

Muito menos cansativo para o aluno, que pode descansar e até mesmo assistir ao curso deitado em sua própria cama! Os vídeos ficam gravados e os alunos podem rever depois quantas vezes desejarem.

Plantão de dúvidas por Telegram

Então a Pri Martinelli fará os cursos básicos e importantes de Magia Prática, que todo estudante de ocultismo precisa saber para executar seus rituais e eu poderei ministrar os cursos intermediários e avançados que vocês estavam me pedindo desde 2019.

Consagração – Todas as técnicas para consagrar ferramentas e objetos de uso magístico, de acordo com os portais que você precisa usar: astrológicos, telúricos, planetários, por calendário (pagão e gregoriano), usando a própria energia ou com o auxílio de deidades/espíritos.

Revolução Solar – Inclui Sinastria, comparação entre mapas, horóscopo e estudo anual para escolha de datas astrológicas e melhores períodos para rituais e trabalhos (pré-requisito: Astrologia I)

Magia dos 4 Elementos – O trabalho de magia prática com os Elementos Terra, Ar, Água e Fogo.

Runas e Talismãs Rúnicos – As 24 Runas, seus usos e construção de talismãs e amuletos rúnicos dentro do Sistema da Árvore da Vida (pré-requisito: Kabbalah)

https://daemoneditora.com.br/categoria-produto/cursos-ead/zoom/

#Cursos

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O Cérebro, os Rituais e o Tempo

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio… você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.
É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e ‘apagando’ as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo. Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência).
Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa… São apagados de sua noção de passagem do tempo… Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações…enfim…as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a… ROTINA.

Não me entenda mal. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo:
M & M (Mude e Marque). Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um
ritual, uma festa ou registros com fotos. Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas. Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais. Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes… Seja diferente. Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos… … em outras palavras…. .. V-I-V-A. !!!

Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o… do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é? Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.

Por Airton Luiz Mendonça

#Rituais #Tempo

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E se Deus fosse o Charlie Sheen?

charlie-sheen

“Eu acreditaria somente em um Deus que soubesse dançar”. Quando Nietzsche disse essa frase, provavelmente estava pensando em Shiva, que dá o pontapé inicial (e final) na criação de Brahman. Por que Shiva? Provavelmente por ele ser o Senhor da Dança e das artes, dança que está intimamente relacionada com o movimento do Universo e o ciclo de vida e morte. Mas, também, pela relação alegórica, pessoal e até mesmo divertida que o povo hindu tem com os deuses (que, na verdade, são apenas manifestações do incogniscível Brahman).

Personalizar Deus é um erro que geralmente leva ao ridículo das religiões que explicam que Deus é isso ou aquilo, colado em vidros de carros e pintado em para-choques de caminhões. Só que a negação de Deus é outro ridículo, pois pressupõe um conhecimento de TODA a Criação de TODO o Universo para poder afirmar com certeza que não há uma inteligência regendo a manifestação da matéria e anti-matéria em todo o Universo. A negação de Deus exigiria para isso um… outro Deus.

Creio que seja um consenso entre os estudiosos de religião que Deus não pode ser definido. Toda tentativa (seja na Torah, no Corão, no Cristianismo) é apenas uma figura de linguagem, imperfeita, limitada. Quando Moisés perguntou à sarça ardente (a manifestação de Deus na Torah) “qual o seu nome?” Deus retornou: EU SOU O QUE SOU. Um eterno SER e VIR A SER, que fica melhor traduzido como “Eu me torno aquilo que me torno”.

Essa introdução toda é para um texto interessantíssimo e hilário que encontrei em um forum gringo por volta de 2005, e que mostra uma visão bem… particular de Deus, onde a geração dos anos 80 (na qual me incluo) vai se identificar bastante, enquanto rola de rir. A linguagem é chula, tem frases que vão ofender os puritanos e religiosos praticantes (eu não leria se fosse vocês), mas a mensagem é de libertação e (quem diria) comunhão com Deus, seja ele ou não o Charlie Sheen.

E se Deus fosse um de nós? Tipo o Topper Harley?

Você pode até achar difícil de acreditar, mas tenho uma ótima relação com Deus. Sei que provavelmente você acha que eu sou uma atéia, mas nada poderia estar mais distante da verdade. Eu amo Deus. Se Deus estivesse aqui agora, eu pagaria um boquete Nele. (Eu sou uma mulher, então fodam-se os homofóbicos)

Sabe, o problema da maior parte das pessoas é que elas não têm a menor idéia de como manter uma relação com Deus, porque ficam presas ao infinito, ao indefinível. Ou ainda pior, passaram muito tempo ouvindo ao ministro, pastor, ancião, padre, rabino ou mulá. Esse povo não é especialista em Deus. Eles podem saber sobre pedofilia, apropriação indébita de dinheiro público, onde comprar os melhores frios da cidade ou material para montar bombas caseiras, mas não sabem porra nenhuma sobre Deus.

Você tem que pensar em Deus em termos humanos. Em vez de se preocupar com sua relação com Deus, imagine que você está tentando estabelecer um relacionamento com o Charlie Sheen. Por quê o Charlie Sheen? Porquê tal como com Deus, muita gente gostaria de ter uma melhor relação com o Charlie Sheen. E, assim como Jesus, Charlie Sheen anda com várias prostitutas e tem um cabelo da hora.

O primeiro passo para melhorar seu relacionamento com Deus/Charlie Sheen é parar de pedir coisas para Ele. Claro que Ele tem uma porrada de coisas legais, do qual não sentiria a menor falta se desse para você. Ele tá lá comendo a Denise Richards e tudo o que você quer é dinheiro o bastante para uma torradeira nova. Bem, infelizmente o Charlie ganhou todo o rico dinheirinho dele com muita cera quente nos mamilos e crack, e por isso Ele não vai simplesmente lhe dar um maço de notas. Assim como Deus, Charlie recebe pedidos de gente que ele não conhece o tempo todo. E mesmo que Ele lhe conhecesse, Ele simplesmente não pode te dar tudo o que você quer. Isto faria com que Deus fosse o OJ Simpson. Você quer que Deus seja o OJ Simpson? Eu acho que não. Tá començando a entender como Deus funciona?

A segunda coisa a fazer para melhorar seu relacionamento com Deus/Charlie Sheen é parar de responsabilizá-Lo por coisas que você fez, ou deixou de fazer. Nada é mais irritante para Ele do que dizer “Se eu não consegui o emprego, foi porquê o Charlie Sheen não quis que eu conseguisse.” ou então “Ah, mas o Charlie Sheen vai me livrar dessa multa por alta velocidade, mesmo agora que eu tou entupido de anfetaminas, antiácido e caipirinha”. Eu não estou dizendo que o Charlie nunca vai te ajudar, mas você tem que assumir responsabilidades! “O Charlie quer que eu espanque essa prostituta, afinal de contas ele não atirou na Kelly Preston?” Acredite, o Charlie provavelmente não quer que você espanque a puta, e assim mesmo, é você que está segurando o porrete.

A terceira coisa a fazer para melhorar seu relacionamento com Deus/Charlie Sheen é parar de falar merda a respeito Dele. Não saia por aí se vangloriando de quanto você O conhece, e que todo mundo deveria conhecê-Lo. Seu relacionamento com Ele não é especial. Fora isso, o Charlie já tem amigos saindo pelo ladrão. Se outras pessoas quiserem alguma relação com o Charlie Sheen, a única coisa que precisam fazer é ir ao clube de strip mais próximo.

A quarta coisa a fazer para melhorar seu relacionamento com Deus/Charlie Sheen é parar de ir à casa Dele. Você gostaria que alguém visitasse sua casa todo santo Domingo??? Mesmo que você vá até lá para louvá-Lo, é um exagero. Além disso, preste atenção no monte de babacas à sua volta. Eles não são amigos Dele de verdade. Estão lá apenas porquê querem algo, ou querem culpá-Lo pelas coisas. Você não precisa estar relacionado a estas pessoas.

Finalmente, pare de questionar tudo o que ele faz. Ele fez coisas boas como “Wall Street – Poder e cobiça” e “Top Gang” e “Top Gang II – A missão”. Mas também fez porcarias como “Trabalho Sujo” e “Two and a Half men”. Ele pediu divórcio da atriz pornô Ginger Lynn. Algumas das coisas que Ele faz estão aquém da nossa compreensão humana.

Tente ser um bom amigo dEle para variar. Assim, quando você morrer, você pode ir morar com ele em Malibu. Espero que este pensamento lhe conforte. Da próxima vez eu explico porquê amar o demônio é como sodomizar a Paula Abdul.

#Humor #Religiões

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Se7en, a origem dos Sete Pecados Capitais

Os chamados “Pecados Capitais” são originários da alquimia e das tradições iniciáticas muito antigas, remontando dos antigos rituais egípcios e babilônicos. Antes de começar, vamos usar a nomenclatura certa: DEFEITOS capitais.

Os defeitos capitais são em número de sete, diretamente relacionados com o avanço espiritual e estando cada um deles associado a um Planeta, de acordo com uma estrutura denominada “Estrela Setenária”.

ORGULHO

Defeito capital relacionado com o SOL e, na minha opinião, o mais difícil de ser destruído.
Em sua síntese, Orgulho é um sentimento de satisfação pessoal pela capacidade ou realização de uma tarefa. Sua origem remonta do latim “superbia”, que também significa supérfluo.

Algumas pessoas consideram que o orgulho para com os próprios feitos é um ato de justiça para consigo mesmo. Que ele deveria existir, como forma de elogiar a si próprio, dando forças para evoluir e conseguir uma evolução individual, rumo a um projeto de vida mais amplo e melhor. O orgulho em excesso pode se transformar em vaidade, ostentação, soberba, apenas então sendo visto apenas então como algo de negativo.
Outras pessoas classificam o orgulho como “exagerado” quando se torna um tipo de satisfação incondicional ou quando os próprios valores são superestimados, acreditando ser melhor ou mais importante do que os outros. Isso se aplica tanto a si próprio quanto ao próximo, embora socialmente uma pessoa que tenha orgulho pelos outros é geralmente vista no sentido da realização e é associada como uma atitude altruísta, enquanto o orgulho por si mesmo costuma ser associado ao sentimento de capacidade e egoísmo.

O Orgulho é um defeito muito traiçoeiro, justamente porque, conforme coloquei no parágrafo anterior, a maioria das pessoas não o enxerga como um “defeito”, mas como uma “recompensa” moral ou espiritual por um trabalho que executaram. Por esta razão, é muito mais difícil livrar-nos dele, pois, ao nos acostumarmos com a recompensa, nos sentimos inferiorizados se não somos “reconhecidos” por nossos feitos.
Em minhas palestras sobre alquimia, sempre coloquei o orgulho como o último (e mais complexo) dos defeitos a serem finalmente destruídos, pois, ao contrário da preguiça ou da raiva, por exemplo, que são (na minha opinião) mais simples de serem trabalhados, o orgulho está enraizado em nosso pensamento de uma maneira intrínseca. É muito fácil cair na tentação de, ao “final” do caminho, batermos com as mãos no peito como o Fariseu da parábola de Lucas ou nos sentirmos injustiçados caso ninguém “reconheça” nossa “evolução”.

Aprender a trabalhar a via interior como algo íntimo para nós mesmos (e não para mostrarmos aos outros) certamente é o primeiro passo para o desenvolvimento espiritual.

A virtude cardeal do Sol é a MAGNANIMIDADE. A capacidade de brilhar e iluminar os outros ao seu redor. A virtude de brilhar pelo reto pensar, reto falar e reto agir. Assim como o orgulho é o pior de todos os vícios, a magnanimidade é a maior de todas as virtudes.

São Thomas de Aquino determinou sete características como inerentes ao orgulho:

Jactância – Ostentação, vanglória, elevar-se acima do que se realmente é.
Pertinácia – Uma palavra bonita para “cabeça-dura” e “teimosia”. É o defeito de achar que se está sempre certo.
Hipocrisia – o ato de pregar alguma coisa para “ficar bem entre os semelhantes” e, secretamente, fazer o oposto do que prega. Muito comum nas Igrejas.
Desobediência – por orgulho, a pessoa se recusa a trabalhar em equipe quando não tem suas vontades reafirmadas. Tem relação com a Preguiça.
Presunção – achar que sabe tudo. É um dos maiores defeitos encontrados nos céticos e adeptos do mundo materialista. A máxima “tudo sei que nada sei” é muito sábia neste sentido. Tem relação com a Gula.
Discórdia – criar a desunião, a briga. Ao impor nossa vontade sobre os outros, podemos criar a discórdia entre dois ou mais amigos. Tem relação com a Ira.
Contenda – é uma disputa mais exacerbada e mais profunda, uma evolução da discórdia onde dois lados passam não apenas a discordar, mas a brigar entre si. Tem relação com a Inveja.

ACÍDIA (Preguiça)

Isto provavelmente quase ninguém entre vocês deve saber, mas o nome original da Preguiça é Acídia. Acídia é a preguiça de busca espiritual. Quando a pessoa fica acomodada e passa a deixar que os outros tomem todas as decisões morais e espirituais por elas. É muito fácil de entender porque a Igreja Católica substituiu a Acídia pela Preguiça dentro dos “sete pecados”! trabalhar pode, mas pensar não !!!
A preguiça está ligada diretamente à LUA. Mas você já devia ter desconfiado disso… qual o dia da semana onde sentimos mais as influências destas energias? Moonday.
A virtude cardeal relacionada com a Lua é a HUMILDADE. É necessário lembrar que estamos sempre falando em termos espirituais dentro da alquimia. Em sua origem, a Humildade (Humilitas) está relacionada a “fazer o seu trabalho sem esperar reconhecimento e sem esperar por recompensas”. Humilde não é sinônimo de “coitadinho”, de “idiota”, de “pobrezinho” e outras tolices que vocês foram forçados a engolir por causa da Igreja. Uma pessoa humilde não precisa (nem deve) ser um pateta. “Cordeiro Humilde” nas palavras de Yeshua significa “Aquele que tem as características de Áries e faz o seu trabalho sem esperar reconhecimento”. Bem diferente do coitadinho medíocre que a Igreja espera que você seja.

São Thomas de Aquino determina sete características como filhas da acídia.
Desespero – quando o homem considera que o objetivo visado se tornou impossível de ser alcançado, por quaisquer meios, gerando um abatimento que domina o seu afeto.
Pusilanimidade – covardia, falta de ânimo, falta de coragem para encarar um trabalho árduo e que requer deliberação.
Divagação da mente – é quando um homem abandona as questões espirituais e se instala nos prazeres exteriores, permanecendo com sua mente rondando assuntos do âmbito material.
Torpor – estado de abandono onde a pessoa ignora a própria consciência.
Rancor – ressentimento contra aqueles que querem nos conduzir a caminhos mais elevados, o que acaba gerando uma agressividade. Está relacionado à Ira. Posso ver muito de rancor em relação aos textos ateístas e outros textos religiosos mais fanáticos..
Malícia – desprezo pelos próprios bens espirituais, resultando em uma opção deliberada pelo mal. Está ligada diretamente ao materialismo e á Luxúria. Hoje em dia tornou-se sinônimo de sexualidade explícita.
Preguiça – a falta de vontade ligada aos esforços físicos.

IRA

Defeito capital ligado diretamente a MARTE, representado acertadamente pelos Deuses da Guerra. A ira é o mal uso da energia agressiva de marte. Ao invés de direcioná-la para o sexo ou para os esportes, a pessoa canaliza este excesso de energia para a destruição. “Faça amor, não faça a guerra”. Com tantas travas e tabus sexuais, não é de se admirar que fanáticos religiosos sejam tão violentos.
A Virtude cardeal relacionada com marte é a DILIGÊNCIA, ou seja, a capacidade de guiar a energia e a capacidade de produzir de maneira efetivamente produtiva.
São Thomas de Aquino determina seis características inerentes como sendo filhas da Ira:
Insulto – uma forma de violência verbal, na qual o interlocutor visa ofender ou agredir moralmente o atacado, atingindo algum ponto fraco para humilhar o outro.
Perturbação – agitação física e psíquica produzida por emoções intensas e acumuladas. Um dos maiores problemas na psicologia, a tensão das emoções acumuladas pode gerar todo tipo de problemas no organismo.
Indignação – sentimento de ira em relação a uma ofensa ou ação injusta.
Clamor – queixa ou súplica em voz alta, reclamação, gritos tumultuosos de reprovação. Quando a Ira extravasa de uma pessoa para um grupo, como se fosse uma entidade viva (na verdade, astralmente, o Clamor É uma entidade viva, manifestada pelas Fúrias).
Rixa – briga, desordem, contestação, tumulto. A Rixa tem ligação com o Orgulho
Blasfêmia – difamação do nome de um ou mais deuses. A Ira voltada para dentro de si mesmo.

INVEJA

Defeito capital ligado ao Planeta MERCÚRIO. Hoje em dia, as pessoas utilizam-se do termo “inveja” de maneira errada. Seu sentido original quer dizer “Caminhar segundo o passo espiritual de outra pessoa”. Ter inveja de outra pessoa é tomar seu próprio caminho com base nos esforços e resultados obtidos por outras pessoas. A Inveja como a conhecemos hoje é a parte material do defeito.
Por esta razão que a Virtude cardeal associada a Mercúrio é a PACIÊNCIA. A paciência é a capacidade de caminhar (espiritualmente) no seu próprio ritmo. Não é sinônimo de “lerdeza” ou de “calma” ou de “ir devagar”… ir devagar é para gente devagar! Ter paciência é ter a capacidade de avançar nos estudos iniciáticos no seu próprio passo.
São Thomas de Aquino determina cinco características inerentes como sendo filhas da Inveja:

Exultação pela Adversidade – Diminuir a glória do próximo. Por causa do sentimento de inveja, a pessoa tenta de todas as maneiras diminuir o resultado do trabalho e das glórias das pessoas ao redor.
Detração – Significa falar mal às claras. Possui os efeitos semelhantes aos do murmúrio, com as mesmas intenções, mas mais abertamente. A diferença entre os dois é que a detração está maculada pelo Orgulho de se mostrar como causador do dano.
Ódio – o efeito final da inveja: o invejoso não apenas se entristece pelas conquistas do outro e deseja o fim das glórias e objetivos alcançados pelo próximo, mas passa a desejar o mal sob todos os aspectos para aquela pessoa também.
Aflição pela Prosperidade – A tristeza pela glória do próximo. Ocorre quando não se consegue de nenhuma maneira diminuir as realizações da outra pessoa, então passa a se entristecer com o resultado das conquistas alheias.
Murmuração – Também conhecido como fofoca, consiste em espalhar mentiras, meias-verdades, distorções, mentira (associada à Avareza) ou fatos embaraçosos ou depreciativos em relação a outra pessoa, com o intuito de prejudicar o próximo.

GULA

A gula, como já era de se esperar, era uma característica do Planeta JÚPITER. Júpiter, como o benfeitor da astrologia, rege a fartura e a prosperidade. O defeito é a gula e a virtude é a caridade.
Oras… estamos lidando com Excessos. A Gula é absorver o que não se necessita, ou o que é excedente. Pode se manifestar em todos os quatro planos (espiritual, emocional, racional e material). Claro que a igreja distorceu o sentido original da alquimia, adaptando-a para o mundo material, então hoje em dia, gula é sinônimo apenas de “comer muito”.
A virtude relacionada a Júpiter é a CARIDADE. A caridade lida com a maneira que tratamos nossos excessos. Ao invés de consumi-los sem necessidade, os doamos para quem não os possui. A caridade não está relacionada apenas a dinheiro, mas também aos 4 elementos da alquimia (espiritual, emocional, racional e material). Esta coluna, por exemplo, faz parte dos meus projetos de caridade intelectual.

São Thomas de Aquino determina cinco características inerentes como sendo filhas da gula:
Loquacidade Desvairada – a desordem no falar, o excesso de palavras atrapalhando e causando confusão mental. Está relacionada ao elemento Ar.
Imundície – aparência desleixada devido à falta de higiene por estar preocupado em demasia com a obtenção de excessos. Não tem o mesmo significado desta palavra em nosso vocabulário moderno, onde imundície quer dizer apenas “excesso de sujeira”, mas sim uma imundície espiritual, ligada à falta de cuidado com o corpo físico por conta dos excessos.
Alegria Néscia – desordem do pensamento e das emoções através do descontrole da vontade, muito associada ao ato de beber. Ligada ao elemento Água.
Expansividade Debochada – O excesso de gesticulações e movimentos do corpo ao comunicar, causando tumulto e desordenação.
Embotamento da inteligência – obstrução da razão devido ao consumo desordenado de alimentos.

LUXÚRIA

Defeito capital ligado ao Planeta VÊNUS, quer dizer em seu sentido original “deixar-se dominar pelas paixões”. Em português, luxúria foi completamente deturpado e levado apenas para o sentido físico e sexual da palavra, mas seu equivalente em inglês (Lust) ainda mantém o sentido original (pode-se usar expressões como “lust for money”, “lust for blood”, “lust for power”). A melhor tradução para isso seria “obsessão”. A luxúria tem efeito na esfera espiritual quando a pessoa passa a ser guiada pelas suas paixões ao invés de sua racionalidade. Para chegar ao auto-conhecimento, é necessário domar suas paixões (vide a representação do Arcano da Força no tarot!).
A virtude associada a Vênus é a TEMPERANÇA (do latim temperatia), ou a virtude de quem é moderado.

São Thomas de Aquino determina 8 características inerentes como sendo as filhas da Luxuria:
Cegueira da Mente – é aquela que nos impede de ver os acontecimentos, situações e ações ao nosso redor. A pessoa fica tão entregue às suas paixões que não consegue raciocinar nem intuir a respeito do mundo ao seu redor.
Amor de Si – faz com que a pessoa feche seus sentimentos para dentro de si mesmo, gerando um amor egoísta que segundo Thomas de Aquino é a origem de todos os outros pecados.
Ódio de Deus – com a vontade dominada pelas paixões, o indivíduo abandona a busca espiritual para se dedicar aos afazeres prazerosos mundanos, esquecendo sua busca por Deus no processo. Do esquecimento, estas paixões acabam se tornando ódio ao criador e a todo o mundo espiritual.
Apego ao Mundo – Os vícios e as paixões criam no indivíduo um apego ao mundo e aos seus desejos e ambições, desviando totalmente o foco espiritual de sua missão.
Inconstância – deixar-se dominar pelas paixões faz com que o indivíduo se torna inconstante, balançando sua dedicação à Grande Obra para dedicar-se às perseguições dos prazeres mundanos.
Irreflexão – Quando as paixões cegam o indivíduo, ele fecha-se a todo estímulo externo ou interno, procurando apenas satisfazer seus instintos, sem refletir nas conseqüências de seus atos.
Precipitação – da mesma forma, a urgência em saciar seus apetites e prazeres gera no indivíduo uma precipitação em agir sem pensar, tomando ações e atos sem o devido pesar.
Desespero em relação ao mundo futuro – os atos mal pensados ou não-pensados causam tantos problemas ao indivíduo que o levam a uma situação de desespero em relação ao seu futuro, quando se vê obrigado a encarar os resultados de suas ações.

AVAREZA

A Avareza (avaritia) é o defeito capital relacionado ao planeta SATURNO. Caracteriza-se pelo excesso de apegos pelo que se possui. Normalmente se associa avareza apenas ao significado materialista, de juntar dinheiro, mas sua manifestação nos outros elementos (espiritual, emocional e mental) é mais sutil e perniciosa. A avareza é a origem de todas as falsidades e enganações.
A virtude associada ao planeta Saturno é a CASTIDADE, ou a pureza dos costumes. Do latim Castitas, quer dizer “de sentimentos puros”. Normalmente a associação errada de “sentimentos puros” com a palavra “castidade” usada da maneira incorreta leva à associação de “abstinência sexual feminina” com “pureza”, esquecendo que esta pureza é Espiritual. A Mãe de Jesus que o diga.

São Thomas de Aquino determina sete características inerentes como sendo as filhas da Avareza:
Mentira – Ao procurar para si coisas que não lhe pertencem, o avaro pode se servir do engano. No desespero para não perder o que possui ou adquirir mais coisas que realmente não necessita, o avaro pode apelar para a falsidade. Se este se verificar através de simples palavras, caracteriza-se a mentira, mas se for através de juramento, então está classificada como Perjúrio.
Quanto ao engano em si: se for aplicado contra outras pessoas, classifica-se como Traição, se for em relação a coisas, classifica-se como Fraude:
Inquietude: Excesso de afã para juntar para si gera excessivas preocupações e cuidados.
Violência: Ao procurar para si bens alheios, o indivíduo pode se servir da violência, tamanha a ganância que possui, ao ver seus desejos negados pelo outro. O sentido esotérico se perdeu e violência hoje em dia é sinônimo de agressão, descaracterizando a razão causadora da agressão.
Dureza de Coração: O excesso de apegos pelo que se tem produz a dureza no coração, pois não permite à pessoa usar de seus bens para socorrer aos irmãos. Para se ser misericordioso, é necessário saber gastar seus bens excedentes.

Lição de Casa:
Utilizando-se da estrela Setenária, São Thomas de Aquino afirma que a bondade divina era tão grande que para cada Defeito Capital existiam DUAS virtudes que poderiam ser utilizadas para combatê-lo. Assim sendo, basta seguir as pontas da estrela para as virtudes associadas dos planetas opostos e meditar sobre quais virtudes podem ser utilizadas para combater os sete pecados capitais.

#Alquimia #hermetismo

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