A História da Sexualidade

A sociedade vive desde o século XVIII, com a ascensão da burguesia, uma fase de repressão sexual. Nessa fase, o sexo se reduz a sua função reprodutora e o casal procriador passa a ser o modelo. O que sobra vira anormal – é expulso, negado e reduzido ao silêncio. Mas a sociedade burguesa – hipócrita – vê-se forçada a algumas concessões. Ela restringe as sexualidades ilegítimas a lugares onde possam dar lucros, como nas casas de prostituição e hospitais psiquiátricos. A justificativa para isso seria que, em uma época em que a força de trabalho é muito explorada, as energias não podem ser dissipadas nos prazeres. Certo?

Segundo Michel Foucault, filósofo francês, está quase tudo errado. A hipótese descrita acima é chamada por ele de hipótese repressiva e vem sendo aceita quase como uma verdade absoluta. Mas Foucault descontrói esse pensamento e formula uma nova e desconcertante hipótese, mostrando a seus leitores que ainda que certas explicações funcionem, elas não podem ser encaradas como as únicas verdadeiras, pois, segundo ele, a verdade nada mais é do que uma mentira que não pode contestada em um determinado momento.

De certa forma, a hipótese repressiva não pode ser contestada, já que serve bem à sociedade atual. Foucault afirma que, para nós, é gratificante formular em termos de repressão as relações de sexo e poder por uma série de motivos. Primeiramente, porque, se o sexo é reprimido, o simples fato de falar dele e de sua repressão ganham um ar de transgressão. Segundo, porque, aceitando-se a hipótese repressiva, pode-se vincular revolução e prazer, pode-se falar num período em que tudo vai ser bom: o da liberação sexual. Sexo, revelação da verdade, inversão da lei do mundo são, hoje, coisas ligadas entre si. Finalmente, insiste-se na hipótese repressiva porque aí tudo que se diz sobre o sexo ganha valor mercantil. Por exemplo, certas pessoas (psicólogos) são pagas para ouvirem falar da vida sexual dos outros.

Esse enunciado da hipótese repressiva vem acompanhado de uma forma de pregação: a afirmação de uma sexualidade reprimida é acompanhada de um discurso destinado a dizer a verdade sobre o sexo. Foucault, no livro História da Sexualidade I, interroga o caso de uma sociedade que há mais de um século se “fustiga ruidosamente por sua hipocrisia, fala prolixamente de seu próprio silêncio, obstina-se em detalhar o que não se diz e promete-se liberar das leis que a fazem funcionar”. A questão básica não é “por que somos reprimidos, mas por que dizemos, com tanta paixão, com tanto rancor contra nosso passado mais próximo, contra nosso presente e contra nós mesmos que somos reprimidos?”.

A partir daí, o autor nos propõe uma série de questionamentos: a repressão sexual é mesmo uma evidência histórica, como tanto se afirma por aí? Serão os meios de que se utiliza o poder mesmo repressivos? Será que não se utilizam de formas mais ardilosas e discretas de poder? A crítica feita à repressão quer mesmo acabar com esta ou faz parte da mesma rede histórica que denuncia? Existe mesmo uma ruptura histórica entre Idade da repressão e a análise crítica da repressão? Não seria para incitar a falar sobre ele que o sexo é exibido como segredo que é indispensável desencavar?

Não é que Foucault diga que o sexo não vem sendo reprimido; afirma, sim, que essa interdição não é o elemento fundamental e constituinte a partir do qual se pode escrever a história do sexo a partir da Idade Moderna. Ele coloca a hipótese repressiva numa economia geral dos discursos sobre sexo a partir do século XVII. Mostra que todos esses elementos negativos ligados ao sexo (proibição, repressão etc.) têm uma função local e tática numa colocação discursiva, numa técnica de poder, numa vontade de saber.

A hipótese de Foucault é que há, a partir do século XVIII, uma proliferação de discursos sobre sexo. Diz ele que foi o próprio poder que incitou essa proliferação de discursos, através de instituições como a Igreja, a escola, a família, o consultório médico. Essas instituições não visavam proibir ou reduzir a prática sexual. Visavam, sim, o controle do indivíduo e da população.

A explosão discursiva sobre sexo de que trata Foucault veio acompanhada de uma depuração do vocabulário sobre sexo autorizado, assim como de uma definição de onde e de quando podia se falar dele. Regiões de silêncio – ou, pelo menos, de discrição – foram estabelecidas entre pais e filhos, educadores e alunos, patrões e serviçais etc.

A Igreja Católica, com a Contra-Reforma, deu início ao processo de incitação dos discursos sobre sexo ao estimular o aumento das confissões ao padre e também a si mesmo. As “insinuações da carne” têm de ser ditas em detalhes, incluindo os pensamentos sobre sexo. O bom cristão deve procurar fazer de todo o seu desejo um discurso. Ainda que tenha havido uma interdição de certas palavras, esta é apenas um dispositivo secundário em relação a essa grande sujeição, é apenas uma maneira de tornar o discurso sobre sexo moralmente aceitável e tecnicamente útil.

Ainda no século XVIII e principalmente no século XIX, houve uma dispersão dos focos de discurso sobre o sexo, que antes eram restritos à Igreja. Houve uma explosão de discursos sobre sexo, que tomaram forma nas diversas disciplinas, além de se diversificarem na forma também. A medicina, a psiquiatria, a justiça penal, a demografia, a crítica política também passam a se preocupar com o sexo. Analisa-se, contabiliza-se, classifica-se, especifica-se a prática sexual, através de pesquisas quantitativas ou causais.

Esses discurso são, realmente, moralistas, mas isso não é o essencial. O essencial é que eles revelam a necessidade reconhecida de superar esse moralismo. Supõe-se que se deve falar de sexo, mas não apenas como uma coisa que se deve simplesmente coordenar ou tolerar, mas gerir, inserir em sistemas de utilidade, regular para o bem de todos, fazer funcionar segundo um padrão ótimo. O sexo não se julga apenas, mas administra-se . Portanto, regula-se o sexo não pela proibição, mas por meio de discursos úteis e públicos, visando fortalecer e aumentar a potência do Estado (que não significa aqui estritamente República, mas também cada um dos membros que o compõe).

Um dos exemplos práticos dos motivos para se regular o sexo foi o surgimento da população como problema econômico e político, sendo necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, a precocidade e a freqüência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas ou estéreis e assim por diante. Pela primeira vez, a fortuna e o futuro da sociedade eram ligados à maneira como cada pessoa usava o seu sexo. O aumento dos discursos sobre sexo pode, então, ter visado produzir uma sexualidade economicamente útil.

Da mesma forma em que o sexo passou a ser um problema para a demografia, também passou a despertar as atenções de pedagogos e psiquiatras. Na pedagogia, há a elaboração de um discurso acerca do sexo das crianças, enquanto, na psiquiatria, estabelece-se o conjunto das perversões sexuais. Ao se assinalar os perigos, despertam-se as atenções em torno do sexo. Irradiam-se discursos, intensificando a consciência de um perigo incessante – o que incita cada vez mais o falar sobre sexo.

O exame médico, a investigação psiquiátrica, o relatório pedagógico, o controle familiar, que aparentemente visam apenas vigiar e reprimir essas sexualidades periféricas, funcionam, na verdade, como mecanismos de dupla incitação: prazer e poder. “Prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espreita, espia, investiga, apalpa, revela; prazer de escapar a esse poder. Poder que se deixa invadir pelo prazer que persegue – poder que se afirma no prazer de mostrar-se, de escandalizar, de resistir.” Prazer e poder se reforçam.

Pode-se afirmar, então, que um novo prazer surgiu: o de contar e o de ouvir. É a obrigação da confissão, que se difundiu tão amplamente, que já está tão profundamente incorporada a nós, que não a percebemos mais como efeito de um poder que nos coage. A confissão se diversificou e tomou novas formas: interrogatórios, consultas, narrativas autobiográficas. O dever de dizer tudo e o poder de interrogar sobre tudo se justificam no princípio de que a conduta sexual é capaz de provocar as conseqüências mais variadas, ao longo de toda a existência. O sexo aparece como uma superfície de repercussão para outras doenças. Mas pressupõe-se que a verdade cura quando dita a tempo e quando dita a quem é devido.

Michel Foucault constrói, portanto, uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências. As sexualidades são, assim, socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que mais lhe convém. Ou invente novas verdades.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-historia-da-sexualidade/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-historia-da-sexualidade/

A Mitologia do Necronomicon de acordo com H.P Lovecraft

O Necronomicon talvez seja o mais infame livro relacionado à magia (seja real ou ficcional). Por favor, note que não estou afirmando que a informação apresentada em parte seja fato histórico. Mais propriamente estou apenas resumindo o que HPL tinha a dizer em sua ficção e outras fontes sobre o Necronomicon. Depois de ler TODAS as partes deste texto e FAZER sua própria pesquisa, você será o juiz sobre se pode ser fato histórico ou não. Talvez a melhor maneira de começar é citando HPL do “The History and Chronology of the Necronomicon”: “O título original ‘Al Azif’ – ‘Azif’ sendo a palavra usada pelos árabes para designar aquele barulho noturno (feito por insetos) atribuído à uivos de demônios. Redigido por Abdul Alhazred, um poeta louco de Sana’a, em Iêmen, que dizem ter vivido no tempo dos Califas Omíadas, aproximadamente 700 A.C. Ele visitou as ruínas da Babilônia e os segredos subterrâneos de Mênfis e passou dez anos sozinho no grande deserto do sul da Arábia – o Roba el Khaliye ou ‘Espaço Vazio’ dos antigos e ‘Dahna’ ou ‘Deserto Carmesim” para os árabes modernos, onde se afirma ser habitado por espíritos malignos e monstros da morte. Deste deserto, muitas estranhas e inacreditáveis maravilhas são contadas por aqueles pretendem ter penetrado nele. Em seus últimos anos Alhazred morou em Damasco, onde o Necronomicon (Al Azif) foi escrito… Sobre sua loucura, muito é falado. Ele declarou ter visto a fabulosa Irem ou cidade dos Pilares, e ter achado por debaixo das ruínas de uma certa cidade deserta sem nome os chocantes anais e segredos de uma raça mais antiga que a humanidade”.

Posteriormente o Al Azif foi traduzido para o grego sob o título de Necronomicon (o título definitivamente não é latino como é muitas vezes declarado). Este título é traduzido como “o Livro (ou imagem) das Práticas dos Mortos”; Necro sendo grego para “Morto” e Nomos significando “práticas”, “costumes” ou “regras” (como em “astronomia”). O título Necronomicon absolutamente não se traduz para Livros dos Nomes Mortos (como Colin Wilson erroneamente e repetitivamente falou). Para que significasse Nomes Mortos teria que ser um híbrido latim/grego (apesar de HPL ter superficialmente indicado que a primeira tradução é a correta). Mais tarde (possivelmente na década de 1200) foi traduzido para o Latim mas manteve seu titulo grego. O texto latino veio a ser possuído por Dr. John Dee no século dezesseis. Dr. Dee fez a única tradução inglesa conhecida do Necronomicon.

O Necronomicon contêm segredos sombrios sobre a verdadeira natureza da Terra e do Universo. De acordo com o Necronomicon, a Terra foi uma vez reinada pelos Antigos, seres poderosos de outros mundos ou dimensões. HPL em “O Horror de Dunwich” atribui esta citação ao Necronomicon: “Também não é para se pensar que o homem é o mais velho ou último dos mestres da Terra, nem que a massa comum de vida e substância caminha sozinha. Os Antigos , os Antigos são e os Antigos serão. Não nos espaços que conhecemos, mas entre eles. Caminham serenos e primitivos, sem dimensões e invisíveis para nós. Yog-Sothoth conhece o portal. Yog-Sothoth é o portal. Yog-Sothoth é a chave e o guardião do portal. Passado, presente e futuro, todos são um em Yog-Sothoth. Ele sabe por onde os Antigos entraram outrora e por onde Eles entrarão de novo. Ele sabe por quais campos da Terra Eles pisaram, onde Eles ainda pisam e por que ninguém pode vê-los quando pisam. Por seu cheiro, os homens podem saber que estão próximos, mas ninguém conhece seu aspecto exterior, a não ser pelos traços daqueles que Eles geraram na humanidade; daqueles há muitos tipos, diferindo em aparência do mais verdadeiro modelo de homem para aquela forma que não se vê ou que não tem substância que são les.Caminham invisíveis e fétidos em locais solitários onde as Palavras foram proferidas e os

Ritos ressoaram em seus Períodos. O vento algaravia com Suas vozes, e a Terra murmura com Sua consciência. Eles dobram a floresta e esmagam a cidade, entretanto nenhuma floresta ou cidade pode ver a mão que castiga. Kadath, no deserto frio, conheceu-Os, mas qual homem conhece Kadath? O deserto gelado do Sul e as ilhas submersas do Oceano contêm pedras onde Sua marca está gravada, mas quem já viu a profunda cidade congelada ou a torre lacrada e toda coroada com algas e crustáceos? O Grande Cthulhu é Seu primo, entretanto só pode espiá-Los obscuramente. Iäl Shub-Niggurath! Como uma vileza vocês Os conhecerão. A mão deles está em suas gargantas, entretanto vocês não os vêem, e Sua morada é mesmo única com a entrada guardada. Yog-Sothoth é a chave para o portal, pnde as esferas se encontram. O homem reina agora onde Eles reinaram um dia; em breve, Eles reinarão onde o homem reina agora. Depois do verão vem o inverno, e depois do inverno, o verão. Eles esperam pacientes e fortes, porque aqui reinarão de novo”.

O Necronomicon FORTEMENTE sugere que existe um culto ou grupo de cultos que idolatra os Antigos e procura auxílio deles para ganhar controle sobre este planeta. Uma das táticas empreendidas por este culto é criar prole de humanos com Antigos que irão se multiplicar e ingressar para vida terrestre até os Antigos retornarem para sua pré- determinada posição. Algumas ramificações do culto veneram uma divindade chamada Cthulhu. Cthulhu é um deus semelhante à um dragão com uma face que é uma massa de tentáculos. Cthulhu está morto (adormecido), mas sonhando nas profundezas (o Oceano Pácifico). Não está certo se Cthulhu é ou não é um Antigo. Em certo ponto, Cthulhu é referido como primo dos Antigos. Em outro, a divindade é chamada de grande sacerdote dos Antigos; ambos os rótulos podem sugerir que Cthulhu talvez não seja exatamente como os Antigos. O culto procurar ressuscitar Cthulhu para então antecipar o dia quando os Antigos controlarão o mundo. Quando Cthulhu renascer, os homens serão selvagens e livres além do bem e do mal. Se Cthulhu levantar parcialmente do oceano, mas sem ser o tempo correto ocorrerão terríveis surtos de loucura. O centro do culto a Cthulhu “situa- se entre os ínvios desertos da Arábia, aonde Irem, Cidade dos Pilares, sonha escondida e intocada”.O culto põe ênfase especial nos sonhos, que, dizem eles, podem às vezes conter os pensamentos da “divindade”.

Existem muitos outros deuses importantes mencionados no Necronomicon. Um grupo dessas divindades, os Outros Deuses parecem ser verdadeiros Deuses (não como os Antigos e Cthulhu que parecem ser simplesmente entidades muito poderosas). Os mais importantes entre os Outros Deuses são Yog-Sothoth e Azathoth. Yog-Sothoth é contérmino com TODO espaço e tempo. Em “Through the Gates of the Silver Key” Lovecraft (que, apesar do fato de E. Hoffman Pric aparecer como co-autor,escreveu aproximadamente cada palavra deste conto) descreve Yog-Sothoth da seguinte maneira: “Um em Todos, Todos em Um de ser e caráter ilimitados – a última, absoluta extensão que não tem confins e que ultrapassa tanto imaginação como a matemática.” Passado, presente, futuro, todos são um em Yog-Sothoth. De igual ou superior importância é Azathoth. Evidência de que Azathoth é pelo menos equivalente à Yog-Sothoth é que Azathoth é “Senhor de Tudo” enquanto Yog-Sothoth é “Tudo em Um, Um em Tudo” Azathoth é o “ultimo caos nuclear” no “centro do infinito”. É do Trono de Azathoth que ondas sem direção “cuja possibilidade combinada dá a cada frágil cosmos suas leis eternas”, se originam. É extremamente digno de nota que Azathoth é bem próximo dos últimos modelos em Física Quântica. Também existem alguns paralelos notáveis entre as ideias de Lovecraft sobre Caos e a nova Matemática do Caos. Azathoth, o último caos nuclear que emite ondas aleatórias que governam o universo, parece ser o principio oposto de Yog-Sothoth, que abrange as expansões do infinito. Enquanto que Yog-Sothoth é infinitamente extenso, Azathoth parece ser infinitamente compacto (e.g., o centro quântico). Pesquisador de Lovecraft, Philip A. Shreffer afirma em “The H.P. Lovecraft
Companion” que os princípios atuantes de Yog-Sothoth e Azathoth são “expansão infinita e contração infinita” respectivamente.

O coração e alma dos Outros Deuses é Nyarlathotep, o poderoso mensageiro. É como seu mensageiro que Nyarlathotep faz a vontade dos Outros Deuses ser conhecida na Terra. É através d’Ele que todo tráfego vindo de Azathoth precisa passar. Nyarlathotep tem mil formas. Ele é chamado de Caos Rastejante. Shub-Niggurath, a Cabra Negra dos Bosques, é um tipo de “divindade perversa da fertilidade”. Shub-Niggurath também é chamada de Cabra Com Mil Jovens. Ela é aparentemente uma divindade muito importante na mitologia do Necronomicon, julgando pela freqüência que Ela é mencionada. Existe obviamente uma conexão entre o culto à Shub-Niggurath e os muitos cultos a bodes da antiguidade.

Além de Cthulhu, os Antigos e os Outros Deuses, existem numerosas raças menores de criaturas no Necronomicon como os shoggoths. Um shoggoth é uma congérie amorfa de “bolhas protoplasmáticas”. Os shoggoths foram criados pelos Antigos como servidores. Eles podem assumir qualquer forma que eles precisarem para executar tarefa designada. Eles são serventes teimosos, se tornando mais inteligentes com o tempo eventualmente ganhando uma força de vontade própria. Shoggoths são as vezes, de acordo com HPL, vistos em visões induzidas por drogas.

Outra raça são os Profundos, que são um tipo de criatura anfíbia semelhante a uma mistura de peixe, sapo e homem. Os Profundos veneram um deus chamado Dagon. Dagon é uma divindade parecida com um Profundo gigante. Dagon e os Profundos parecem estar aliados em alguma forma com Cthulhu. Outra raça menor é o Ghoul. Ghouls são monstros comedores de cadáveres que parecem muito com os humanos, exceto por seus traços caninos ou monstruosos. É possível para um homem ser transformado em um ghoul sob certas circunstancias.

Isso conclui meu curto resumo das principais idéias de H.P. Lovecraft sobre o Necronomicon e seus mitos associados. Este resumo não é de forma alguma exaustivo, mas deve proporcionar à você informações gerais suficientes para dedicar-se ao resto do texto com um bom ponto de referências.

Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-de-acordo-com-h-p-lovecraft/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-de-acordo-com-h-p-lovecraft/

A Bíblia Proíbe A Magia?

Por Aaron Leitch

A Tradição de Mistério Ocidental está bastante impregnada de literatura e imagens bíblicas. Gnosticismo , Hermetismo, Rosacrucianismo , Maçonaria , Aurora Dourada e Thelema têm laços extremamente estreitos com a tradição espiritual cristã. (Isso não deve ser confundido com a cooptação política do cristianismo a partir do segundo século EC.) Sem mencionar meus amados grimórios salomônicos , que certamente são uma expressão do misticismo cristão medieval. Mesmo as formas indígenas de feitiçaria e magia popular em todo o mundo agora carregam a marca da influência cristã (embora estes sejam casos em que o cristianismo foi meramente adotado em uma visão de mundo existente, em vez de sobrepujá-la e substituí-la). Podemos ver isso especialmente em lugares como África e América do Sul, onde as formas católicas de feitiçaria são bastante comuns.

A questão da magia entre essas tradições surge de vez em quando. Normalmente, é solicitado por recém-chegados que sentem um chamado para praticar as artes da magia, mas foram criados com a crença de que é diretamente proscrito por sua religião. Seu medo é muito real – eles se preocupam se mergulhar nas artes resultará na perda de sua alma imortal. Lembro-me de me preocupar com isso, de vez em quando, há muito tempo. Não importa o que eu pensasse intelectualmente, ainda havia uma criança dentro de mim perguntando: “Mas e se estivermos errados? E se tudo o que me ensinaram for verdade e eu tiver que explicar a Deus algum dia por que me tornei uma bruxa antes que Ele me envie para sofrer no inferno?” Afinal, eu só poderia ser uma bruxa por algumas décadas na melhor das hipóteses, mas eu poderia queimar no inferno por toda a eternidade!

Sim, superei isso – e sim , o aprendizado intelectual ajudou muito. (Quando você conhece a história de como o cristianismo realmente obteve suas ideias estranhas, é mais fácil colocá-las em perspectiva.) No entanto, essa não é uma questão que afeta apenas novatos inseguros que ainda precisam abalar a programação de sua criação. Na verdade, há um componente literário nesse problema que é um pouco mais difícil de ignorar. Você vê, aquela Bíblia que muitos de nós gostamos de usar como um livro mágico por si só (e, nunca duvide por um segundo que ele *é* um livro mágico) na verdade nos diz que a magia é má e nunca deve ser praticada . Como vocês provavelmente são predominantemente pagãos , você provavelmente já teve algumas dessas passagens citadas antes:

Levítico 19:31 : Não se volte para médiuns ou necromantes ; não os procureis, para vos tornardes impuros por eles: eu sou o Senhor vosso Deus.

Êxodo 22:18 : Não permitirás que uma feiticeira viva.

Deuteronômio 18:9-12: Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a seguir as práticas abomináveis daquelas nações. Não se achará entre ti quem queime seu filho ou sua filha em oferenda, quem pratique adivinhação , ou adivinhe, ou interprete augúrios, nem feiticeiro, nem encantador, nem médium, nem necromante, nem quem consulte os mortos, pois quem faz essas coisas é abominação ao Senhor. E por causa dessas abominações o Senhor teu Deus os expulsa de diante de ti.

Levítico 20:27 : Um homem ou uma mulher que for médium ou necromante certamente será morto. Eles serão apedrejados com pedras ; o seu sangue cairá sobre eles.

Levítico 20:6: Se uma pessoa se volta para médiuns e necromantes, prostituindo-se após eles, eu me voltarei contra essa pessoa e a eliminarei do meio de seu povo.

Miqueias 5:12 : E cortarei as feitiçarias da tua mão, e não terás mais adivinhos;

2 Reis 17:17: E queimaram seus filhos e suas filhas como oferendas e usaram adivinhações e augúrios e se venderam para fazer o mal aos olhos do Senhor, provocando-o à ira.

Levítico 19:26 : Você não deve interpretar presságios ou contar fortunas.

Apocalipse 21:8: Mas quanto aos covardes, aos infiéis, aos detestáveis, aos homicidas, aos imorais, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua porção será no lago que arde com fogo e enxofre, que é o segunda morte.

Parece que a Bíblia é extremamente clara neste ponto, e acredite em mim, o que foi dito acima é apenas um arranhão na superfície das advertências bíblicas contra bruxaria, feitiçaria, adivinhação, etc. Talvez aqueles de nós com mais experiência tenham deixado de temer ser lançado no “lago que arde com fogo e enxofre” pela ofensa de fazer um talismã e manter uma conversa com um espírito desencarnado. No entanto, ainda nos deixa com um grande problema: usamos um livro que claramente proíbe o uso de magia para fins mágicos. Elevamos o livro a uma posição de autoridade oculta – baseando-nos em suas passagens (como os Salmos) em nosso próprio trabalho. Não estou sugerindo que os ocultistas que se baseiam na Bíblia sejam “batedores da Bíblia” que tomam o livro como fato absoluto, mas aceitamos sua autoridade mitológica dentro de nossas tradições.

Por exemplo: a Bíblia mostra dois anjos sentados com Abraão para partir o pão . Por causa dessas passagens, sabemos que os anjos aceitarão pão como oferendas. Nós a aceitamos como uma verdade espiritual porque está no Livro. Da mesma forma, ao invocar anjos para nos ajudar em nossas vidas diárias, muitas vezes fazemos referência a atos que eles realizaram na Bíblia (ou nos apócrifos) – como se esses eventos realmente tivessem acontecido e, portanto, esperamos que os anjos façam o mesmo por nós.

Portanto, podemos simplesmente ignorar o fato de que o mesmo livro enfatiza, repetidamente, que a magia é uma abominação à mesma Divindade que invocamos nos Salmos? Não é muito provável que a Divindade se ofenda por estarmos chamando-a para algo em que ela declarou claramente que não quer fazer parte?

Para responder a essa pergunta, vamos dar outra olhada na própria Bíblia. Certamente não podemos descartar o fato de que os escribas e profetas que escreveram a literatura bíblica estavam profundamente preocupados com as pessoas usando magia, e estavam fazendo tudo ao seu alcance para afastar as pessoas da prática. No entanto, quando os profetas não estavam escrevendo sobre quão maus eram seus vizinhos pagãos, o que exatamente eles estavam fazendo?

Êxodo 7 :10-12: E Moisés e Arão foram ter com Faraó, e fizeram como o Senhor ordenara; e Arão lançou a sua vara diante de Faraó, e diante de seus servos, e ela se tornou uma serpente. Então Faraó também chamou os sábios e os feiticeiros: agora os magos do Egito, eles também fizeram o mesmo com seus encantamentos. Porque lançaram cada um a sua vara , e tornaram-se serpentes; mas a vara de Arão tragou as suas varas.

Êxodo 7:20 : E Moisés e Arão fizeram assim, como o Senhor ordenara; e levantou a vara, e feriu as águas que estavam no rio, diante de Faraó, e diante de seus servos; e todas as águas que estavam no rio se tornaram em sangue.

Êxodo 8:6: E Arão estendeu a mão sobre as águas do Egito; e as rãs subiram e cobriram a terra do Egito.

Êxodo 8:17 : E assim fizeram; porque Arão estendeu a mão com a sua vara e feriu o pó da terra, e ele se tornou em piolhos nos homens e nos animais; todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egito.

Êxodo 9:10 : E eles tomaram as cinzas da fornalha e se apresentaram diante de Faraó; e Moisés aspergiu para o céu; e tornou-se um furúnculo que irrompeu em feridas nos homens e nos animais.

Êxodo 9:23 : E Moisés estendeu a sua vara para o céu; e o Senhor enviou trovões e saraiva, e o fogo correu sobre a terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egito.

Êxodo 10:13 : E estendeu Moisés a sua vara sobre a terra do Egito, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquele dia e toda aquela noite; e quando amanheceu, o vento leste trouxe os gafanhotos.

Êxodo 10:22 : E Moisés estendeu a mão para o céu; e houve uma espessa escuridão em toda a terra do Egito por três dias.

Êxodo 14:21 : E Moisés estendeu a mão sobre o mar; e o Senhor fez recuar o mar com um forte vento oriental durante toda aquela noite, e fez do mar uma terra seca, e as águas foram divididas.

Êxodo 17:5-6 ″ E o Senhor disse a Moisés: Vai adiante do povo, e leva contigo … a tua vara com que feriste o rio, toma na tua mão e vai. Eis que estarei diante de ti ali sobre a rocha em Horebe; e ferirás a rocha, e dela sairá água, para que o povo beba. E Moisés o fez aos olhos dos anciãos de Israel.

Êxodo 17:9-11: E Moisés disse a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, peleja com Amaleque; amanhã estarei no cume do monte com a vara de Deus na mão. Então Josué fez como Moisés lhe dissera , e pelejou com Amaleque; e Moisés, Arão e Hur subiram ao cume do monte. E aconteceu que, levantando Moisés a mão, prevalecia Israel; e , baixando a mão, prevalecia Amaleque.

Números 17:6-8: E falou Moisés aos filhos de Israel, e cada um dos seus príncipes lhe deu uma vara cada um, para cada príncipe, segundo as casas de seus pais, doze varas; e a vara de Arão foi entre suas varas. E Moisés pôs as varas diante do Senhor no tabernáculo do testemunho. E aconteceu que no dia seguinte Moisés entrou no tabernáculo do testemunho; e eis que a vara de Arão para a casa de Levi brotou, e deu brotos, e desabrochou flores, e deu amêndoas.

Números 21:9: E Moisés fez uma serpente de bronze, e colocou-a sobre um poste, e aconteceu que, se uma serpente mordesse alguém, quando ele via a serpente de bronze, vivia.

Josué 6:20 : Então o povo gritou quando os sacerdotes tocaram as trombetas; e aconteceu que, quando o povo ouviu o som da trombeta, e o povo gritou com grande brado, que o muro caiu ao chão, de modo que que o povo subiu à cidade, todo homem diante dele, e eles tomaram a cidade.

1 Reis 17:21-22: E [Elias] estendeu-se três vezes sobre o menino, e clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, peço-te, deixa a alma deste menino tornar a entrar nele. E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e ele reviveu.

2 Reis 6:5-6: Mas, quando alguém estava derrubando uma viga, a cabeça do machado caiu na água; e ele clamou e disse: Ai, mestre! pois foi emprestado. E o homem de Deus disse : Onde caiu? E ele mostrou-lhe o lugar. E ele cortou uma vara, e a lançou ali; e o ferro nadou.

Juízes 6: 36-38 : E disse Gideão a Deus: Se por minha mão salvares a Israel, como disseste: Eis que porei na eira um velo de lã; e se o orvalho estiver somente sobre o velo, e estiver seco sobre toda a terra, então saberei que salvarás a Israel pela minha mão, como disseste. E foi assim: porque ele se levantou de manhã cedo, e juntou o velo, e torceu o orvalho do velo, uma tigela cheia de água.

Então, o que vemos nessas passagens? Ora, vemos os profetas usando magia — muito . Eles comandam os elementos da natureza; quebrar as leis da física; e realizar curas, adivinhações e muito mais. Se eu disse que a lista anterior de proscrições bíblicas contra a magia estava “apenas arranhando a superfície”, então a lista acima de milagres bíblicos é a ponta de um enorme iceberg de exemplos de magia bíblica. E essa lista cobre apenas uma parte do Antigo Testamento , então eu nem toquei nos assuntos de Jesus, os Apócrifos, nem os volumes e mais volumes de lendas bíblicas (hebraico: midrashim ) em que todo patriarca bíblico é retratado engajado nisso. tipo de magia profética. (Veja , por exemplo, Legends of the Bible de Louis Ginzberg.)

O que podemos colher de tudo isso não é realmente surpreendente. Ao longo da história, os tipos políticos foram fanaticamente e orgulhosamente hipócritas. Assim como vemos hoje: quando alguém quer que um direito ou liberdade seja retirado, ele só quer que ele seja retirado de você , não de si mesmo. Ativistas anti-aborto raramente veem qualquer problema em conseguir um para um jovem membro da família que cometeu um erro. Ativistas anti-gays estão – quase universalmente – praticando homossexuais em particular. Aqueles que gritam que o bem-estar está destruindo nosso país são os primeiros a se inscrever para assistência pública quando precisam – enquanto ainda proclamam que é errado alguém aceitá-la. Não é certo para você , mas tire minhas liberdades pessoais!

Os profetas que escreveram a Bíblia não foram diferentes. Eles eram tipos políticos, e seus escritos eram politicamente motivados. Na época, realmente não havia separação entre “Igreja e Estado” – e os escritos que vemos na Bíblia eram mais sobre poder político do que sobre espiritualidade. Grande parte de seu poder político residia em sua capacidade de desempenhar o papel de xamã para o rei e seu povo.

E eles não gostavam de competição.

Portanto, muito espaço na Bíblia é desperdiçado em discursos contra os males da feitiçaria, necromancia e adivinhação – mesmo que os mesmos autores estivessem realizando tudo isso eles mesmos. Estava tudo bem para eles fazerem isso, entende, mas não estava tudo bem para você – pelo menos a menos que você se juntasse ao grupo deles e recebesse seu selo de aprovação política. Então sua magia se tornou “milagre” – o que todos nós sabemos que é totalmente diferente de feitiçaria.

Certo?

***

Fonte: Does the Bible Outlaw Magick?

COPYRIGHT (2015) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-biblia-proibe-a-magia/

Hércules e o Javali de Erimanto

Foram necessários dois anos para Hércules capturar um javali feroz que devastava tudo por onde passava. Esse trabalho está relacionado ao aprendizado da vida em sociedade.

“O javali é um monstro sem fronteiras, que não respeita limites. Cada um de nós tem dentro de si essa fera, que é preciso dominar, aprendendo a reconhecer nosso espaço e o das outras pessoas. É um teste para vencer o egoísmo e a equilibrar os impulsos”.

Mitologia

Hércules é incumbido de capturar o Javali de Erimanto, sem contudo saber que este trabalho era na verdade uma dupla prova: a prova da amizade rara e da coragem destemida. Foi-lhe recomendado que procurasse pelo javali e Apolo que lhe deu um arco novo para usar, porém Hércules disse que não o levaria consigo, porque temia matar. Ele disse:

“Eu não o levarei comigo neste trabalho, pois temo matar. Deixo aqui o arco.”

E assim desarmado, a não ser por sua clava, ele escalou a montanha, procurando pelo javali e encontrando um espetáculo de medo e terror por toda a parte. Mais e mais ele subia e em determinada altura encontrou um amigo, Pholos, que fazia parte de um grupo de centauros, conhecidos dos deuses.

Eles pararam e conversaram e por algum tempo Hércules esqueceu-se do objetivo da sua busca. E Pholos convidou Hércules para furar um barril de vinho, que não era dele mas do grupo de centauros e que viera dos deuses, juntamente com a ordem de que eles jamais deveriam furar o barril, a não ser quando todos os centauros estivessem presentes, já que ele pertencia ao grupo. Mas Hércules e Pholos abriram-no na ausência dos seus irmãos, convidando Cherion, um outro sábio centauro, para se juntar a eles. Assim ele fez, e os três beberam e festejaram e se embebedaram-se e fizeram muito ruído que foi ouvido pelos outros centauros.

Enraivecidos eles vieram e seguiu-se uma feroz batalha e uma vez mais Hércules fez-se mensageiro da morte e matou os seus amigos, a dupla de centauros com quem ele antes tinha bebido.

E, enquanto os demais centauros com altos lamentos choravam as suas perdas, Hércules escapou novamente para as altas montanhas e reiniciou a sua busca pelo javali. Até aos limites das neves ele avançou, seguindo a pista do animal, mas não o encontrava. Depois de muito pensar, Hércules colocou uma armadilha habilidosamente oculta e esperou nas sombras pela chegada do javali.

Quando a aurora surgiu, o javali saiu da sua toca levado por uma fome atroz e caiu na armadilha de Hércules que, no tempo devido, libertou a fera selvagem, tornando-a prisioneira da sua habilidade. Ele lutou com o javali e domesticou-o, e fê-lo fazer o que lhe determinava e seguir para onde Hércules desejava.

Do pico nevado da alta montanha Hércules desceu, regozijando-se no caminho, levando adiante de si, montanha abaixo, o feroz, contudo domesticado javali. Pelas duas pernas traseiras ele conduziu o javali, e todos na montanha se riam ao ver o espectáculo. E todos os que encontrava Hércules, cantando e dançando pelo caminho, também riam ao ver a sua caminhada. E todos na cidade riram ao ver o espectáculo: o exausto javali e o homem cantando e rindo.

Quando reencontrou seu Mestre, este lhe disse: “O Trabalho foi completado. Medita sobre as lições do passado, reflecte sobre as provas. Por duas vezes mataste a quem amavas. Aprende porquê.”

Simbologia

Este trabalho está associado ao signo de Libra e Áries, onde a aprendizagem consiste na capacidade de manter o equilíbrio perante as adversidades (Libra), sendo capaz de manter as necessidades básicas atendidas (Áries).

Libra é o primeiro signo que não tem um símbolo humano ou animal, mas sustentando a balança, está a figura da Justiça – uma mulher com os olhos vendados. Ele apresenta-se com muitos paradoxos e extremos, dependendo de se o discípulo que se voltou conscientemente para o caminho de volta ao Criador segue o zodíaco segundo os ponteiros do relógio, ou no caminho inverso. Diz-se que é um interlúdio, comparável com a silenciosa escuta na meditação; um tempo de cobranças do passado.

Neste ponto percebemos como o equilíbrio dos pares de opostos deve ser atingido. A balança pode oscilar do preconceito até à injustiça ou julgamento; da dura estupidez à sabedoria entusiástica. Neste majestoso signo de equilíbrio e justiça nós verificamos que a prova termina numa explosão de riso, o único trabalho em que isso acontece.

Hércules conviveu, riu e cantou com os amigos, sendo que socializar é uma característica de Libra, e em vez de seguir a recomendação, de abrir o barril para o grupo, abriu-o para celebrar com um único centauro, procurando aqui um espelho, uma identificação com o outro. E embora estivesse determinado a não matar, o seu impulso, primeiro, de Áries, foi mais forte.

No entanto, Hércules conseguiu também entregar o javali ainda com vida e já domesticado, demonstrando que era possível domesticar o animal, devido à sua dedicação e delicadeza no trato, atributo natural de Libra.

Caminho de Iniciação

O Caminho de Iniciação considera o 3º Trabalho – A Captura da Corça Cerínia e o 4º Trabalho – O Javali de Erimanto como um só.

O céu de Vênus é a morada dos Principados. Esses vivem no Mundo Causal. O Iniciado que anela entrar nessa oculta morada interior, antes dve descer aos infernos de Vênus, e ali, como Hércules, capturar a Corça de Cerínia e o Negro Javali de Erimanto. Nesses dois símbolos vemos claramente a delicadeza e a brutalidade, o refinado e o tosco, a bela e a fera.

O Javali, perverso como poucos, é o símbolo vivo de todas as baixas paixões animais, a luxúria mais grosseira e devassa. Portanto, temos aí o contraste entre o denso e o sutil.

Mesmo após haver eliminado os defeitos do Mundo Astral Inferior e do Mundo Mental Inferior (as duas primeiras façanhas de Hércules), as “causas” desses defeitos continuam existindo. Essas causas são eliminadas durante os processos do terceiro e quarto Trabalhos de Hércules: a captura da Corça Cerínia e do Javali de Erimanto.

Se todos os defeitos têm origem sexual (não importa se os defeitos são refinados ou toscos), as maiores provas do Terceiro e Quarto Trabalhos consistem em resistir às tentações da carne, cujo drama foi ricamente descrito pelo patriarca gnóstico Santo Agostinho: Imenso é o número de delitos cujos gérmens causais devem ser eliminados nos infernos de Vênus.

Findo o Trabalho nos infernos do Mundo Causal, o Mundo de Tipheret, o Cristo Cósmico penetra no coração do Iniciado e este, cheio de êxtase, exclama: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus…”

Biblioteca de Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-o-javali-de-erimanto

“I have a Dream inside a Dream”

O filme “A Origem” (Inception – 2010) é muito interessante, bem planejado e nos dá uma dimensão nova, um novo paradigma, uma nova forma de pensar. Mas devemos ponderar qual seria a aplicação disso nos estudos do magista. “I have a dream inside a dream I’m more awake the more I sleep, you’ll understand when you’re dead” (Marilyn Manson). O que resultaria de uma projeção dentro de uma projeção astral?

Primeiro analisemos o contexto de Inception. Num futuro próximo, a ciência criaria uma máquina capaz de colocar uma consciência em contato com outra em estado de sono (inconsciente). Bem, o magista já sabe como fazer isso sem precisar de aparato nenhum. É comum mandarmos mensagens quando em meditação (estado alpha) para outra pessoa, e esta possivelmente recebe-la de forma intuitiva ou em seus sonhos. Essa é uma forma básica de telepatia bem fácil de dominar e inclusive amplamente ensinada pela conscienciologia (www.iipc.org). Então vamos pular essa parte.

The Inception, a inserção, consistiria de uma difícil técnica de inserir uma idéia na mente de outra pessoa, objetivando uma mudança de comportamento baseada na influência dessa idéia na vida da pessoa, e um ponto de grande importância seria que a pessoa acreditaria que essa idéia seria sua, originalmente, nascida de seu próprio livre-arbítrio e meditação sobre sua vida. Pois bem, uma vez que se pode entrar em contato com o inconsciente de uma pessoa enquanto ela dorme – isso seria uma projeção astral consciente indo de encontro com a consciência adormecida de uma outra pessoa – é possível influenciar o inconsciente da mesma, plantando idéias, que podem ser aceitas ou rejeitadas dependendo da personalidade do indivíduo (quanto mais oposta à personalidade da “vítima”, mais difícil seria plantar a idéia). Nada ético e tenho a dizer que possivelmente nunca será visto um magista sério a praticar esse tipo de comportamento, principalmente porque fere a mais alta idéia de se ser um magista, que é a preservação do livre-arbítrio. Mas é possível.

Se várias das idéias do filme são possíveis de serem executadas através da aplicação de nossas disciplinas e técnicas, seriam outras idéias trazidas a tona pelo filme possíveis de serem executadas? No filme vemos que além do mundo real, dentro do sonho, são mostradas quatro camadas, e além destas está o Limbo, onde a noção de realidade daquele que está projetando-se, perde-se dentro de si mesma, ou de outras, pois é algo que não fica muito claro, pois todos que caem no Limbo acabam nos mesmos locais e Cobb mostra a Ariadne o que ele construiu enquanto dentro do Limbo, e o local onde Saito está é o mesmo criado para ele por Arthur. Logo o Limbo seria uma “área coletiva” de todos os sonhos, onde o sonhador se perde, onde a consciência se dilui no todo, não desejando retornar.

Quanto mais fundo o indivíduo vai no sonho, mais tempo ele tem, algumas horas no físico simbolizam dias ou semanas dentro dos níveis do sonho. Isso pode ser explicado e até comprovado através dos experimentos de projeção, sendo que muitos dos que o praticam, acabam relatando ter perdido a noção de tempo a uma certa altura. Certa vez quando questionado sobre como era o reino dos Céus, Jesus teria afirmado que no Reino do Pai não há tempo. Até algumas décadas atrás o tempo era considerado uma constante, porém com a Teoria da Relatividade de Einstein esse pensamente foi totalmente descartado, tendo ele provado que o tempo, assim como o espaço, são relativos e não constantes, podendo variar imensamente dependendo da situação e onde estamos aplicando é muito possível, sendo que não há massa física no astral, o tempo corre de forma diferente, sendo mais rápido lá, e demorando a passar no físico.

A Organização Mundial de Saúde (OMS – www.who.int ) define o ser humano como um ser multidimensional, sendo ao mesmo tempo um ser bio-psico-socio-espiritual, sendo assim englobando quatro aspectos, físico, mental, social e espiritual. Essa história de quatro formas é um tanto conhecida pelos místicos antigos, sendo cada parte, cada ser ou corpo dentro do ser humano relacionado a um dos elementos – terra, ar, água e fogo, respectivamente. Ao realizar a projeção astral o magista tira seu foco do plano material, libertando-se dele temporariamente e vagando pelo astral, onde pode ter certa liberdade e podendo realizar grandes feitos. Ele muda seu foco do elemento Terra, associado ao material e concentra-se no próximo nível de nosso ser, num corpo mais sutil. Uma vez no plano astral, aqueles que já praticaram a projeção e todos os que realizam exercícios de mentalização e visualização sabem que no astral para que algo “se torne real” é importante um bom bocado de força de vontade e o mais importante, sentir como se fosse real, estimular os sentidos, visualizando, sentindo seu peso, sua textura, seu cheiro e seu gosto (quando aplicável), sendo que o tempo de vida de uma mentalização é determinado pela quantidade de energia que foi despendida em sua criação e a quantidade de sentimentos associada a ela. E essa é a palavra chave do astral, sentimento, sendo este associado ao elemento Água.

Agora entramos no tema de nosso post, e quanto a ter “um sonho dentro de um sonho”, uma projeção dentro de outra, seria possível? Sim, é possível, porém muito difícil. Existem poucas pessoas que conseguiram libertar-se, alterando o foco para o próximo nível, assumindo um corpo mais sutil que o anterior, sendo esse o plano mental, associado ao Ar. Os poucos que alcançaram esse nível conseguiram mantê-lo por curtos períodos de tempo, relatando grande dificuldade para alcançá-lo novamente, alguns só conseguindo uma vez em sua existência. Porém as impressões relatadas são maravilhosas e de grande valia para nossos estudos. Sensações de paz, tranqüilidade, a ausência de tempo, espaço ou forma, sendo que as consciências passaram a sentir tudo, saber tudo, como se fossem o tudo, um toque na onisciência de Deus. A maior parte não consegue lembrar de tudo que viu ou absorveu neste plano – como das primeiras vezes que se pratica projeção astral – porém quando retornam (sempre com um baque, como o “coice” usado para acordar em Inception) demonstram habilidades e conhecimentos que não tinham antes desse contato. E já que estamos associando com filmes, porque não associar essa experiência com o atravessar do Portão da Verdade do desenho Fullmetal Alchemist? Sim, seria como no desenho, quando se faz a transmutação humana e se têm acesso ao Portão da Verdade, onde o indivíduo tem acesso a todo conhecimento, porém não consegue retê-lo ao retornar ao corpo, mas vemos que depois de atravessá-lo e voltar os alquimistas conseguem realizar seus feitos sem necessidade de traçar seus diagramas místicos. Não se sabe exatamente o que há no Plano Mental ou como é, os relatos são deveras vagos, mas repletos de significados e sensações.

Mas espere! Inception mostra mais um sonho, e além deste o Limbo! Claro que mostra, pois só passamos por três dos elementos! Porém é aí que a base experimental acaba. Além do plano mental teoricamente está o plano representado pelo elemento Fogo. Mas como seria ou o que ele traria, nunca conheci nenhum magista que tenha estado por lá, nenhum relato. Se teorizarmos que o Plano Mental é um toque na onisciência de Deus, talvez o que esteja além seja a onipresença ou onipotência, vai saber… Não estou escrevendo este texto com o objetivo de ser um guia para a projeção dentro da projeção, muito pelo contrário, sou um pesquisador, um alquimista, um cientista como todos os buscadores, o que estou propondo é uma nova forma de ver a multidimensionalidade humana, estou propondo um novo paradigma, uma nova forma de ver essa questão e recolocando em pauta o Inception, e o Fullmetal Alchemist. E talvez essa nova possibilidade abra uma porta a todos os buscadores que tentam um contato com a Divindade e a descoberta de sua própria espiritualidade.

Só um adendo, quanto ao Limbo, o que vemos em todas as características deste, seria como uma experiência da Morte, algo libertador, acolhedor, de onde o indivíduo não quer retornar. Não a morte do corpo, mas a Morte Final, o diluir da consciência no todo que é Deus, sendo que a consciência do Ser deixa de existir e passa a ser apenas parte do todo que é Deus. Além disso não esqueçamos que falamos dos Quatro Elementos da alquimia, porém os magistas mais experientes sabem que traçamos o Pentagrama pois cada ponta representa um elemento, todas elas abaixo do Espírito que está em tudo, forma tudo é tudo e o princípio ao qual tudo está subjugado, em suma Deus.

PS: Se alguém tiver algum relato sobre os planos mais sutis como o Plano Mental ou o que esteja além dele, estou sempre aberto a novas possibilidades, e aguardo novas experiências para descobrirmos as maravilhas da Criação de Deus.

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O Paradigma Divino é um blog de autoria de Saulo Henrique Alves (Ketalel) e orgulhosamente faz parte do Project Mayhem, com artigos sobre ciência e espiritualidade. Agradeço o espaço no Teoria da Conspiração para difundirmos a cultura e espiritualidade no mundo atual.

#Filmes #PlanoAstral

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/i-have-a-dream-inside-a-dream

‘São Cipriano, Capa Preta

Que fique claro. São Cipriano jamais teve a intenção de escrever um livro. Entretanto durante os anos em que se dedicou ao ocultismo deixou uma série de anotações e manuscritos que séculos mais tarde foram reunidos em alguns livros. Destes, o mais procurado é o São Cipriano, Capa Preta, pois nele foram reunídas todas as suas anotações pessoais sobre magia negra, adivinhações e bruxaria sendo por isso muito popular até hoje.

O livro trás a poderosa oração da cabra preta e uma série de receitas e explicações que em geral foram copiadas diretamente dos cadernos de São Cipriano ou em alguns casos, trazem observações dos copistas e estudiosos que vieram depois dele.

 

 

Índice

A Oração da Cabra Preta

Reza Brava de São Cipriano

Para fazer contato com os mortos
Para Repreender um espírito Imundo
Para fechar o corpo
Para expulsão de todo o mal

Anotações sobre Necromancia
Sobre os Espíritos
Sobre os Maus Espíritos
Para fazer contato com os mortos
Quebranto, o Olho Mau
Agonias
Salvação do Pecador

Esconjuros e Sortilégios
A Cruz de São Bartolomeu
A Semente do Feto
O Trevo de Quatro Folhas
Sobre a arte de fazer ouro
O Vidro Encantado
A Virtude do Azevinho
O Ovo Clarevidênte
Ferraduras e Desgraça

Sinais de Bom e Mau Agouro
Sinais de bom agouro
Sinais de mal agouro
Proteções contra mau agouro

Magias de São Cipriano
Magia para viver sempre feliz
Magia para o ano ser favorável
Magia para ficar invisivel
Magia para Enriquecer
Magia para fazer duas pessoas brigarem
Magia para mulher enfeitiçar o homem
Magia para ganhar no jogo
Magia para ver pessoas ausentes

Feitiços Pesados
Feitiços de destruição
Feitiços de separação
Feitiços de punição
Feitiços de humilhação
Feitiços de enlouquecimento
A Criação de um diabinho

Significado dos Sonhos

Segredos da Quiromancia
Os sinais nas mãos
Divisão Astrológica da Mão
As linhas do destino

Segredos da Cartomancia
Significado das cartas de Copas
Significado das cartas de Espadas
Significado das cartas de Ouros
Significado das cartas de Paus
Como tirar a sorte nas cartas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/sao-cipriano-capa-preta/

A Espiritualidade Queer no Vodu, na Santería e no Candomblé

A HISTÓRIA CULTURAL QUEER DA DIÁSPORA AFRICANA:

Durante o tráfico atlântico de escravos, os europeus transportaram mais do que os africanos de suas terras nativas para as plantações das Américas. Eles transportaram culturas, visões de mundo e crenças religiosas milenares. Por autopreservação e pressão de seus mestres cristãos anticristãos, os filhos da diáspora africana disfarçaram suas tradições espirituais nativas sob o disfarce do catolicismo místico. Ao longo dos séculos, as religiões se misturaram para criar novas fés únicas que espelhavam as crenças tradicionais de escravos e senhores, embora com uma corrente dominante de práticas da África Ocidental. Três em particular ganharam grande destaque e podem contar entre eles legiões de adoradores abertamente LGBT+: o Vodu, a Santería e o Candomblé.

O VODU:

Entre bonecos com alfinetes nos olhos, zumbis e associações com o macabro, o Vodu (alternadamente escrito Vodou, Vodum, Voodoo ou Vodoun) é uma das religiões mais sensacionalistas ao redor. A maioria de seus tons mórbidos vem do fato de ser uma religião ancestral, porque reverenciar os ancestrais envolve reverenciar os mortos. Existem diferentes tipos de Vodu, como o Vodu haitiano, o Vodu da Louisiana e o Vodu ainda praticado na África, mas em geral as versões do Novo Mundo são descendentes crioulos das religiões tribais da África Ocidental e do catolicismo francês.

Por si só, o Vodu é muito acolhedor para a comunidade queer, e em algumas culturas caribenhas onde o sentimento anti-LGBT+ é socialmente forte, a prática do Vodu funciona como um espaço seguro e acolhedor para as pessoas queer serem elas mesmas. Não há proteções legais para pessoas LGBT+ na capital Vodu do Haiti, e na outra Meca Vodu da Louisiana, as proteções são mínimas e muitas vezes não são aplicadas fora de Nova Orleans. Nessas geografias onde o Vodu é mais praticado, ser aparentemente queer muitas vezes corre o risco de repercussões que vão desde ser demitido de seu emprego até ser vítima de vários graus de crimes de ódio. A comunidade Vodu, no entanto, é um oásis tolerante e tolerante em um mar de discriminação, e muitas vezes é o único lugar onde haitianos gays e louisianos podem ser eles mesmos.

Por causa disso, muitas pessoas LGBT+ são atraídas pela natureza inclusiva do Vodu; consequentemente, o Vodu tem um número desproporcionalmente alto de praticantes abertamente queer em comparação com outras religiões. [73]  A sexualidade e a expressão de gênero de uma pessoa nunca são julgadas por padrões morais, pois há um entendimento inerente de que você é como o Divino o fez, e a perfeição inerente do Divino significa que o Divino não comete erros. Portanto, você — como quer que seja — não é um erro. Além disso, a procriação não é um ponto focal da religião como é no catolicismo puro, o que significa que todas as formas de sexo não procriativo não são tabu nem vistas como não naturais. Pelo contrário, até as próprias divindades Vodu têm prazer em atos homoeróticos de sexualidade, mas falaremos mais sobre isso daqui a pouco. [74]

Uma das partes mais conhecidas do Vodu envolve a invocação de um espírito (conhecido como lwa) no próprio corpo. Isso geralmente é feito durante um tipo fortemente rítmico de ritual de dança de forma livre, e às vezes um lwa de um gênero habitará o corpo de um humano do gênero oposto. Nesse ponto, o dançarino possuído começa a pensar, se comportar e agir como o lwa dentro dele. Um homem masculino habitado por um loa efeminado começará a agir de forma efeminada, uma mulher afeminada habitada por um loa masculino passará a agir de forma masculina, e nunca a sexualidade pessoal e a identidade de gênero do homem ou da mulher são questionadas porque naquele momento, através da êxtase da dança, o lwa está no controle; o corpo humano é apenas um vaso. Como nota lateral, é importante saber que o Vodu não rotula seu lwa com rótulos LGBT+, embora os humanos geralmente reconheçam traços LGBT+ em seu caráter.

Nem todos, mas vários praticantes de Vodu também acreditam em uma forma de reencarnação em que o corpo é efêmero, mas a alma é eterna. Para eles, a alma é uma coisa sem gênero, e cada pessoa, independentemente de sua sexualidade e gênero atual, tem sido muitas coisas de muitas vidas passadas. Um homem homossexual branco flamejante hoje pode ter sido uma mulher asiática heterossexual Kinsey 1 em um ponto ou talvez uma mulher negra bissexual ou mesmo uma tribo pansexual de gênero fluido nas selvas de Papua Nova Guiné. Assim, a aparência externa, rótulos e desejos pessoais não definem a verdadeira alma de uma pessoa, tornando-os nulos e vazios nas conversas sobre o certo e o errado. São apenas fatos da vida, todos sujeitos a mudanças durante a próxima transmigração da alma.

A LIÇÃO DO VODU:

 

A INVOCAÇÃO DE DIVINDADES DE GÊNEROS OPOSTOS:

A prática Vodu de possessão espiritual é uma óbvia atividade mágica de lição ou conclusão. Agora, até que você aprenda mais sobre as tradições do Vodu ou já tenha um relacionamento com elas, não vá invocar lwa Vodu de maneira Vodu. Comece com sua própria tradição mágica. Especificamente, se sua fé envolve um panteão de divindades de gêneros diferentes, invoque uma divindade do gênero oposto ao qual você se identifica pessoalmente. Mas faça isso, é claro, à maneira de sua própria tradição com a qual você está familiarizado.

Uma coisa é falar, agir e simpatizar com outros gêneros, mas perder totalmente o controle e permitir que outro gênero tome as rédeas e faça você pensar, sentir e agir como eles é outra coisa. Então, para sua próxima atividade mágica, faça um ritual de invocação de uma divindade que seja o epítome estereotipado do gênero oposto ao seu. Experimente, veja como é e, em vez de apenas entrar em contato com outro gênero, permita que esse outro gênero entre em você.

A SANTERÍA:

A Santería é semelhante, mas muito diferente do Vodu de várias maneiras. Eles são semelhantes no sentido de que ambos são de origem caribenha, criados a partir da mistura de catolicismo colonial e religiões tradicionais da África Ocidental, e acreditam em um panteão de seres espirituais que muitas vezes são chamados a possuir um devoto durante a dança ritual. Suas diferenças predominantes, no entanto, vêm de ramos específicos de suas raízes religiosas, das quais suas outras diferenças evoluíram naturalmente. Especificamente, enquanto o Vodu é mais uma mistura de catolicismo francês e espiritualidade africana da tradição do Daomé, a Santeria é mais uma mistura de catolicismo espanhol e espiritualidade africana da tradição iorubá.

Em vez do lwa do Vodu, os espíritos de Santería são conhecidos como orishas. Os escravos iorubás que antes viviam sob o domínio colonial espanhol no Caribe disfarçavam seus orishas de santos católicos, fazendo com que cada orisha correspondesse a um santo específico. Ao longo dos anos, os traços, mitologias e esfera de domínio espiritual que cada orisha e santo possuíam se misturaram para formar a tradição espiritual única conhecida hoje como Santería, que ainda é popular em seus países caribenhos de língua espanhola, bem como nos EUA. e cidades latino-americanas com grandes populações de imigrantes hispano-caribenhos.

Do lado de fora, Santería tem todas as armadilhas do sensacionalismo: adivinhação com ancestrais falecidos, possessão, uso pesado de rituais de dança de tambores, transes e, mais notoriamente, sacrifício de animais. Soma-se a tudo isso o fato de que a Santería também possui uma porcentagem estatisticamente grande de praticantes LGBT+ em comparação com outras tradições religiosas. O raciocínio para isso é muito semelhante ao raciocínio para o mesmo fenômeno social encontrado no Vodu: a Santería coloca uma ênfase maior na alma sem gênero de uma pessoa, em vez de seu corpo físico ou apetites corporais. Isso permite uma atitude não julgadora e acolhedora para permear a fé. Além disso, a comunidade queer dentro da maior sociedade cultural machista caribenha/católica das ilhas encontra refúgio em sua comunidade religiosa da Santería porque eles podem ser eles mesmos com segurança e abertamente, encontrar outros como eles e conhecer outras pessoas de mente aberta. A identidade queer também é encontrada nos mitos e tradições de seus orishas.

Um exemplo disso é a história de origem da própria homossexualidade da Santería. Segundo a lenda, ela se desenvolveu naturalmente entre dois orishas masculinos em resposta à tentativa de sua mãe de esconder sua própria vergonha. Conforme a história, Yemaya (a orisha da lua, do oceano, dos mistérios femininos e a divindade mãe de todos os orishas) foi enganada para fazer sexo com seu filho Shango (orisha do trovão, raio, fogo e guerra) na frente de seus dois irmãos Abbatá e Inlé (os orishas da cura e da profissão médica). Envergonhada e horrorizada por alguém descobrir isso, ela baniu Abbatá e Inlé para viver no fundo do mar, longe do resto do mundo, e só para garantir ela fez Abbatá ficar surdo e cortou a língua de Inlé. Apesar de sua incapacidade de se comunicar um com o outro, eles ainda eram capazes de se entender com empatia. E juntos, em sua mútua solidão e sofrimento, os dois desenvolveram um vínculo profundo que se transformou em paixão romântica e sexual, dando origem à homossexualidade no mundo. [76]

Além da óbvia história de origem, esse mito também contém reflexões muito mais profundas da sociedade gay. Os laços de ser pária, rejeitado por sua família, sua incapacidade de se expressar plenamente e punição por ações além de seu controle são temas comuns na vida da comunidade queer como um todo. Além disso, também sugere a empatia natural das pessoas LGBT+ por outras pessoas que sofrem. A outra conexão está no símbolo de Abbatá de serpentes entrelaçadas, que, embora tenha associações com o caduceu médico, também tem fortes tons homoeróticos. O papel espiritual de Abbatá como enfermeiro de Inlé também tem uma tendência gay, devido aos estereótipos de enfermeiros do sexo masculino serem gays. No entanto, as especificidades desses dois amantes variam dependendo da preferência do praticante individual. As preferências variam de pessoas que veem Inlé como um ser andrógino a pessoas hetero-normalizando seu relacionamento ao ver Abbatá como uma mulher completa. [77]

Segundo alguns praticantes da Santería, não se pode ser um praticante solitário. Para eles, e para muitos, a Santería é uma religião comunal. Devido à grande porcentagem de praticantes queer na Santería, a exposição a eles permite que a maioria não-LGBT+ interaja com eles e passe a ver a comunidade queer como pessoas boas e comuns como eles. Isso cria um efeito de bola de neve social em que mais e mais pessoas se tornam cada vez mais receptivas e, por sua vez, criam seus filhos para serem mais socialmente liberais, levando a uma aceitação ainda maior dentro da Santería. Além disso, muitos líderes dentro da Santería são abertamente queer; como líderes, eles direcionam o curso da religião para se tornar ainda mais receptivo e de mente aberta. [78]

No entanto, como a maioria das religiões, a Santería está longe de ser um ideal utópico de aceitação perfeita. Apesar de cerca de 30-50 por cento dos praticantes serem indivíduos LGBT+ e a maioria de todos os praticantes serem mulheres, a estrutura hierárquica da Santería impede que pessoas e mulheres queer (na maioria das linhas) alcancem os mais altos cargos de liderança como o Babalawo (o mais alto- nível de classificação no sacerdócio). Além disso, os homens gays são proibidos de tocar os tambores sagrados conhecidos como batá. Por fim, a religião mantém uma estrita divisão de trabalho entre os sexos, e quando a orientação sexual, expressão e identidade de uma pessoa não se alinham com os papéis convencionais de gênero, seu lugar hierárquico dentro da religião pode se tornar complicado e sujeito ao arbítrio de autoridades regionais. Liderança. Mas apesar dessas limitações, a comunidade LGBT+ é geralmente muito aceita dentro de Santería e experimenta muito mais liberdade do que em muitas outras religiões em nosso mundo moderno.

A LIÇÃO DA SANTERÍA:

 

A SACRALIDADE DA COMUNIDADE:

A Santería é uma fé muito comunal, e o aspecto de união é altamente reverenciado. Mais do que apenas ajudar uns aos outros e estar sempre lá um para o outro, a comunidade da Santería considera sagradas suas interações comuns uns com os outros. Então, para sua próxima atividade mágica, vá lá e ajude sua comunidade. Intenções mágicas, palavras e correspondências são ótimas, mas o que elas significam se não agirmos de acordo com elas? Seja voluntário, envolva-se no ativismo, ajude um vizinho literal. Quanto mais interagimos com a sociedade de forma positiva e benéfica, mais a sociedade nos vê como positivos e benéficos. Afinal, uma mão amiga é muitas vezes o trabalho de feitiço mais poderoso que se pode fazer para um bem maior.

O CANDOMBLÉ:

Para completar nosso tour pelas religiões da diáspora africana, vamos velejar para fora do Caribe e atracar na nação sul-americana do Brasil, que tem a dupla desonra dúbia de não ser apenas o destino número um para a maioria dos escravos africanos levados para no Novo Mundo (cerca de 40% do total do comércio de escravos), mas também foi a última nação do Hemisfério Ocidental a abolir completamente a escravidão. O grande número de escravos combinado com a extensa linha do tempo da escravidão legalizada criou uma fusão espiritual e cultural única e duradoura entre o povo brasileiro. Atualmente, o Brasil é um país com uma das maiores populações de afrodescendentes, perdendo apenas para a Nigéria. [80]

De todas as tradições espirituais ecléticas que emergem dessa história única, o Candomblé é uma das maiores e mais conhecidas. Ele compartilha características semelhantes com seus primos do norte, o Vodu e a Santería, mas o Candomblé é mais o resultado das tradições da África Ocidental misturadas com o Catolicismo Português e as várias religiões nativas encontradas no Brasil Aborígene. Como o Vodu e a Santería, no entanto, o Candomblé também coloca grande ênfase em um panteão espiritual de orixás (sua grafia de orishas), bem como tambores ritualísticos, dança de forma livre e possessão de espíritos. Ele também tem um seguimento queer muito forte.

É importante notar que o Candomblé nem sempre aceitou a comunidade queer. Originalmente, suas regras e hierarquias rígidas impunham limitações severas e preconceituosas a qualquer pessoa LGBT+. Mas no início de 1900, um ramo separado da religião conhecido como caboclo se desenvolveu e rapidamente ganhou popularidade devido à sua preferência por orixás mais obscenos e irreverentes e falta de restrições para seus membros LGBT +. Consequentemente, o aumento da popularidade do caboclo forçou o Candomblé mais popular a se tornar menos rígido e mais aberto aos seus adeptos queer. Ainda assim, porém, o ramo caboclo da religião, devido à sua história, é conhecido como a versão “queer” do Candomblé e o próprio título carrega consigo uma nuance compreendida da natureza/ser queer (queerness). [81]

A popularidade moderna do Candomblé entre a comunidade queer é muito semelhante à afinidade da comunidade pelo Vodu e pela Santería. É um lugar acolhedor e tolerante para expressar seu verdadeiro eu em uma sociedade cultural intolerante e discriminatória, sua identidade sexual e expressão de gênero são refletidas tanto na mitologia quanto nas divindades espirituais, e não há moralidade percebida sobre orientação ou identidade sexual.

No Candomblé não existe a dualidade comum do bem e do mal. Em vez disso, cada pessoa está inserida em seu próprio destino pessoal a cumprir, e o destino de uma pessoa pode exigir um código moral diferente do destino de outra. Claro, isso é temperado pela crença adicional de reciprocidade cósmica de que o que você faz aos outros acabará por voltar para você, então isso não é de forma alguma uma tradição espiritual que tolera um tipo de mentalidade do tipo “para o inferno com as consequências”. Mas, em suma, há uma atmosfera de não julgamento entre os fiéis, enfatizando a importância de deixar as pessoas se expressarem da maneira mais correta para elas, que incluem sexualidade e identidade de gênero. É verdade que nem todos os membros são tolerantes, mas como um todo o Candomblé é muito menos intolerante do que muitas das principais religiões do mundo moderno. [82]

Os praticantes do Candomblé Queer costumam ser membros de uma “casa”. Essas casas são semelhantes às casas de drag queen, onde todos se reúnem e formam um vínculo familiar próximo, muitas vezes sob a liderança de uma “mãe” ou “pai” mais experiente. Na sociedade brasileira, essas casas de candomblé têm estado na vanguarda dos movimentos pelos direitos LGBT+ tanto na advocacia quanto na mobilização. Eles são conhecidos até mesmo por se esforçarem para implementar campanhas de prevenção ao HIV/AIDS e ajudar os já infectados, fornecendo referências e informações sobre o tratamento. Por causa de seus esforços, o Brasil hoje tem algumas das proteções legais mais progressistas para a comunidade queer no mundo, embora culturalmente ainda exista uma tremenda discriminação e intolerância.[83]

Além das casas, o Candomblé se destaca em outro pilar gay altamente evoluído: a leitura, como na leitura de uma companheira rainha para a sujeira (chamar a atenção de forma abrangente para as falhas de alguém, isto é, arrastar o nome de alguém com falhas para a lama). De fato, na década de 1980, o antropólogo gay Jim Wafer estudou a cultura gay dos adeptos do candomblé, e ficou particularmente fascinado com sua própria forma de abuso verbal estilizado e lúdico entre si que eles chamam de baixa. Os praticantes do candomblé têm duas formas distintas de baixa; uma forma é usada em ambientes públicos seculares e a outra é usada apenas em rituais privados durante os festivais. A principal diferença está no vocabulário e nos tipos de leitura que se faz. A versão secular é semelhante à leitura comum como a conhecemos na cultura gay contemporânea, mas a versão religiosa faz uso proposital de orixás, piadas internas de rituais e menções à política doméstica. Embora semelhantes, cada tipo de baixa desenvolveu seu próprio fluxo rítmico e forma de arte falada que são distintas umas das outras. Wafer faz uma nota final sobre a baixa, afirmando que é uma coisa muito gaycêntrica, uma vez que é mutuamente compreendida entre gays brasileiros e aqueles que conhecem a comunidade. [84]

A LIÇÃO DO CANDOMBLÉ:

 

A SACRALIDADE DA COMUNIDADE QUEER:

Agora, eu sei o que você está dizendo: “Mas Tomás, essa foi a atividade de algumas páginas atrás.” E sim, é, mas com um foco diferente: essa é a sacralidade de nossa própria comunidade queer. Você vê, a Santería fez grandes avanços na sociedade hispano-caribenha ao reunir as comunidades queer e não-queer, derrubando barreiras e mostrando como todos podemos nos dar bem. Mas o que nossos irmãos e irmãs do Candomblé fazem muito bem é agir para apoiar sua própria comunidade queer sagrada. Através de seu estabelecimento de acolhimento de fugitivos para formar casas, ativismo de HIV/AIDS e desenvolvendo suas próprias formas de comunicação verbal, eles estão aproximando a comunidade queer brasileira e cuidando uns dos outros.

Como pessoas LGBT+, muitas vezes lançamos a palavra “comunidade” como se quiséssemos, mas dando uma olhada ao redor, fragmentação e luta interna estão em toda parte. É bom dizer que somos uma comunidade e, em seguida, todos aparecem juntos em um evento do Orgulho, mas como estamos prestando homenagem à nossa sagrada comunidade queer nas outras cinquenta e uma semanas do ano? Não apenas diga, mostre.

Então, para sua próxima atividade mágica, ajude sua tribo queer. Seja voluntário em seu centro LGBT+ local, inicie um grupo de apoio queer no Facebook, escreva em um blog sobre sua experiência como feiticeiro queer; as opções são infinitas. Independentemente de como você faz isso, mostre sua devoção mágica à comunidade através da ação, porque se tudo o que você está fazendo é acender uma vela e enviar boas intenções para sua tribo queer, em que você é diferente daqueles que, em resposta a um pedido de ajuda, dizer coisas como “meus pensamentos e orações estão com você”? Lembre-se, a ação direta obtém satisfação; como um grupo minoritário global, precisamos ajudar uns aos outros com ações, não apenas palavras. Mãos que ajudam são mais sagradas do que lábios que oram.

AS DIVINDADES E AS LENDAS QUEER:

 

BABALÚ-AYÉ:

Conhecido como Babalú-Ayé na Santería e como Obaluaiê no Candomblé, ele é o orixá da doença e da cura. Além de ser muito temido e muito respeitado, é um dos orixás mais populares devido aos inúmeros relatos de suas milagrosas intercessões de cura. Embora não necessariamente considerado uma entidade queer em si mesmo, desde o nascimento da epidemia de HIV/AIDS ele foi adotado pela comunidade LGBT+. Para muitos na comunidade, Babalú-Ayé é visto como o orixá proeminente para pessoas que sofrem de HIV/AIDS, e as petições específicas para ele por seus poderes de cura são numerosas. E embora ele seja um orixá, ele também sofre de claudicação física e um corpo doente. Esse sofrimento concede uma compreensão de solidariedade entre ele e os mortais, pois, diferentemente de outras divindades, ele pode simpatizar diretamente com sua doença e dor.

Além da conexão com HIV/AIDS, a comunidade LGBT+ o considera especialmente sagrado por sua bondade para com os marginalizados do mundo. As lendas contam como ele é o orixá que vai ajudar os isolados por doenças contagiosas e transmissíveis quando ninguém mais o faria por medo de se infectar. Sua cor sagrada também é roxa, que tem conexões internacionalmente compreendidas dentro da comunidade queer. [85]

A oferta mais comum para ele são grãos, e ele tem fortes correspondências com o elemento terra. Ao usar um recipiente para apresentar ou guardar oferendas, porém, é tradicional que a tampa do recipiente tenha furos, simbolizando a impossibilidade de se proteger para sempre da doença. Além disso, seus navios nunca são deixados parados. Eles são tradicionalmente mantidos em movimento para vários locais de acordo com as histórias mitológicas de Babalú-Ayé, onde o movimento e a atividade são ensinados como as melhores formas de cura porque evitam a estagnação e mantêm o corpo saudável, evitando que o corpo fique doente em primeiro lugar. No trabalho de feitiços, os devotos oram a ele para curar os entes queridos de doenças e punir seus inimigos com doenças. [86]

BARON SAMEDI:

Baron Samedi é indiscutivelmente um dos mais conhecidos lwa do Vodu na cultura pop graças à sua personalidade excêntrica e representação caricaturizada em filmes populares como o Dr. Facilier no filme A Princesa e o Sapo, da Disney, e como o apropriadamente chamado Barão Samedi no clássico de James Bond: Com 007 Viva e Deixe Morrer. Como patrono da morte, sepulturas, cemitérios, cura, fumo, bebida e obscenidades, ele é uma das divindades mais transgressoras de qualquer religião.

Em termos de aparência, ele é frequentemente descrito como tendo uma estrutura magra como um esqueleto, com um copo de rum ou um charuto na mão enluvada e vestindo uma elegante sobrecasaca roxa e cartola. Ele às vezes complementa isso adicionando à mistura alguns itens essenciais femininos, como saia e sapatos de salto alto. Particularmente, ele é conhecido por seu desrespeito ao tato e decoro, bem como por sua devassidão lasciva, mas ele faz tudo com um ar urbano de suavidade.

Às vezes ele é visto como um lwa transgênero, mas sempre com uma preferência descarada pelo sexo anal. Sua capacidade fluida de ir além do binário homem/mulher, hétero/gay, masculino/feminino, terra/submundo, vivo/morto o torna um lwa popular para a comunidade queer e para aqueles que sentem a necessidade de transgredir fronteiras sem vergonha ou que sentem que não se encaixam em uma categoria singular de rótulos. [87]

Na devoção, os cemitérios são lugares sagrados para ele, e muitas vezes ele pede que seus devotos usem as cores preta, branca ou roxa. Para oferendas, ele tem preferência por coisas esfumaçadas pesadas, como café preto, nozes grelhadas, charutos e rum escuro. Ele é solicitado principalmente por feitiços e magia prejudicial, mas também é solicitado para a prevenção da morte durante doenças com risco de vida, durante momentos perigosos e em resposta a ser fatalmente enfeitiçado. Segundo a tradição, diz-se que só se pode morrer se o Barão Samedi cavar a sua cova. Porque ele é um tipo de personalidade caprichosa e impulsiva, ele pode optar por não cavar sua cova, deixando você viver o que está acontecendo com você, se solicitado a fazê-lo, ou se ele simplesmente não o fizer. Não tenho vontade de cavar sua cova por qualquer motivo. [88]

ERZULIE FRÉDA & ERZULIE DANTOR:

Erzulie é uma família de lwa do Vodu, da qual dois membros às vezes estão diretamente associados à comunidade queer: Erzulie Freda e Erzulie Dantor. Erzulie Fréda pode ser mais comparada à deusa grega Afrodite e é a lwa do amor, beleza, joias, dança, luxo, flores e homossexuais masculinos. Diz-se que os gays estão sob sua proteção divina, e não é incomum que os homens afirmem que sua orientação sexual foi diretamente o resultado de ter invocado Erzulie Fréda para possuí-los durante a dança ritualística. Ela também é conhecida por ser muito paqueradora com todos os gêneros, e alguém de quem ela possui muitas vezes será visto flertando com outras pessoas, independentemente de sua orientação sexual regular. Condizente com uma divindade do amor, seu símbolo sagrado é o de um coração, sua cor sagrada é rosa e ela prefere oferendas românticas, como perfumes, sobremesas, joias e destilados com sabor doce. [89]

Erzulie Dantor, em comparação, é a lwa das mulheres, crianças e lésbicas. Ela é frequentemente retratada como uma Virgem Maria de pele negra com cicatrizes no rosto e um seio bem dotado, segurando uma criança de pele negra semelhante a Jesus. Suas cores sagradas geralmente são azul e dourado, enquanto suas ofertas preferidas são água da Flórida, carne de porco, rum e, especialmente, licor de chocolate. [90]

REFERÊNCIAS:

[73]. International Gay and Lesbian Human Rights Commission and SEROvie, The Impact of the Earthquake, and Relief and Recovery Programs on Haitian LGBT People, 2011, https://www.outrightinternational.org/content/impactearthquake-and-relief-and-recoveryprograms-haitian-lgbt-people (accessed Oct. 28, 2016).

[74]. Elizabeth A. McAlister, Rara! Vodou, Power, and Performance in Haiti and Its Diaspora (Berkeley: University of California Press, 2002).

[75]. Rev. Severina K. M. Singh, “Haitian Vodou and Sexual Orientation,” in The Esoteric Codex: Haitian Vodou, ed. Garland Ferguson (Morrisville: Lulu Press, Inc., 2002), 50-53.

[76]. Randy P. Conner, “Gender and Sexuality in Spiritual Traditions,” in Fragments of Bone: Neo-African Religions in a New World, ed. Patrick Bellegarde-Smith (Champaign: University of Illinois Press, 2005).

[77]. From https://www.viejolazaro.com/en/ (accessed Nov. 1, 2016) and http://agolaroye.com/Inle.php (accessed Nov. 1, 2016).

[78]. Scott Thumma and Edward R. Gray, Gay Religion (Walnut Creek: Altamira Press, 2004).

[79]. Salvador Vidal-Ortiz, “Sexual Discussions in Santería: A Case Study of Religion and Sexuality Negotiation,” Journal of Sexuality Research & Social Policy 3:3 (2006), http://www.academia.edu/1953070/Sexuality_discussionsJn_Santer%C3%ADa_A_case_study_o (accessed Nov. 1, 2016).

[80]. Nicolas Bourcier, “Brazil Comes to Terms with Its Slave Trading Past,” The Guardian, Oct. 23, 2012, https://www.theguardian.com/world/2012/oct/23/brazil-struggle-ethnic-racial-identity (accessed Nov. 2, 2016).

[81]. Roscoe, Queer Spirits.

[82]. “Candomble at a Glance,” British Broadcasting Corporation, Sept. 15, 2009, http://www.bbc.co.uk/religion/religions/candomble/ataglance/glance.shtml (accessed Nov. 2, 2016).

[83]. Andrea Stevenson Allen, Violence and Desire in Brazilian Lesbian Relationships (New York: Palgrave Macmillan, 2015).

[84]. Jim Wafer, The Taste of Blood: Spirit Possession in Brazilian Candomble (Philadephia: University of Pennsylvania Press, 1991).

[85]. “Babalu Aye,” Association of Independent Readers & Rootworkers, June 20, 2017, http://readersandrootworkers.org/wiki/Babalu_Aye (accessed Aug. 18, 2017).

[86]. David H. Brown, Santería Enthroned: Art, Ritual, and Innovation in an Afro-Cuban Religion (Chicago: University of Chicago Press, 2003).

[87]. Tomas Prower, La Santa Muerte: Unearthing the Magic & Mysticism of Death (Woodbury: Llewellyn, 2015).

[88]. “Baron Samedi—A Loa of the Dead,” Kreol Magazine, http://www.kreolmagazine.com/arts-culture/historyand-culture/baron-samedi-a-loa-the-dead/dead/(accessed June 12, 2017).

[89]. Des hommes et des dieux, directed by Anne Lescot and Laurence Magloire (2002, Port-au-Prince: Digital LM, 2003), DVD.

[90]. From http://ezilidantor.tripod.com (accessed Oct. 28, 2016).

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Fonte:

Queer Magic: LGBT+ Spirituality and Culture from Around the World © 2018 by Tomás Prower.

COPYRIGHT (2018) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/queer/a-espiritualidade-queer-no-vodu-na-santeria-e-no-candomble/

A Lei do Proibido

Anton Szandor LaVey

O motivo pelo qual sempre houve um fascínio pela bruxaria e feitiçaria é porque sempre foram considerados tabus. Seu primeiro dever como bruxa é com a sua aparência. Os homens são todos voyeurs, e muito do que os atrai é baseado no que eles vêem. O que eles vêem em você, como uma bruxa, deve ser fascinante, e nada é tão fascinante como aquela bruxa que não é para ser vista.

Você já reparou como as pessoas pulam para fora de seus carros quando há um grave acidente de carro e ficam ao redor olhando as vítimas? Por quê? Não é só porque elas são sádicas ou estão satisfazendo seu desejo por sangue, nem mesmo porque querem ficar chocadas. Normalmente é só curiosidade, e por que essa curiosidade por algo que pode lhes dar pesadelos (ou fazer deles motoristas mais cuidadosos)? Simplesmente porque alguma coisa está acontecendo fora do contexto de suas vidas cotidianas, algo que é pra valer, mas não algo que eles podem pagar alguns trocados para ver quando quer que queiram. Em resumo, alguma coisa está acontecendo que não deveria estar. Um evento que é estranho ao modo direto e próprio de uma cena de auto-estrada está ocorrendo.

Você não gostaria de estar ali deitado no asfalto com dor e todo mundo olhando para você. Você está, portanto, subconscientemente constrangido por causa das pessoas machucadas, mas não pensa nelas desta forma nem analisa porque você observa. Vamos passar a outra cena, pois não há nada eroticamente estimulante para a maioria das pessoas naquilo que acabamos de discutir, mesmo apesar de ser uma manifestação direta da Lei do Proibido.

A cena é num lugar noturno onde se presentam dançarinas de topless. As mesas à frente do palco baixo estão cheias de pessoas sozinhas e de casais observando as dançarinas de busto despido contorcendo-se espasmodicamente ao som da música, que é alta demais para poder-se conversar. A decoração é vistosa, as luzes são particularmente fracas e o bar cheic de pessoas que não conseguem-se aproximar mais ou que não querem. Entre as pessoas do bar, está sentado um homem com sua bela e jovem esposa, que está empoleirada no seu banco de um modo que revela mais das suas pernas do que parece que ela está consciente. Ela não está vestindo uma minissaia, mas um vestido normal que cobre até três polegadas acima dos seus joelhos, de fato bem conservadora para os padrões de hoje. Muitas outras mulheres estão presentes e
vestem mini emicrossaias, mas ninguém as nota. A garota no bar está vestindo uma fita de casamento, portanto, é óbvio que ela é casada. Suas belas pernas estão encapsuladas em meias de náilon comuns, de cor bege, com a parte de cima comum, presa por ligas simples e brancas. Ela está usando salto alto clássico de três polegadas, num ambiente cheio de sapatos de salto quadrado que estão na moda. Até mesmo as dançarinàs de topless estão usando os sapatos com jeito dos de Frankenstein, enquanto balançam seus pêndulos e impelem suas vulvas, cobertas apenas por uma pequena tira de fita Scotch. Mas a jovem senhora no bar tem sua própria platéia, pois muitos homens entediados estão cuidadosamente acariciando seus drinques enquanto olham furtivamente em sua direção.

O que eles vêem de tão chocante? Que tipo de obscenidade tira suas atenções das dançarinas que se contorcem no palco? O que os faz olhar sorrateiramente sobre seus ombros na direção do bar, enquanto suas esposas e namoradas, que os arrastaram até lá, estão atentamente aprendendo algumas dicas (ao menos elas acham que sim!) sobre titilação com as garotas do palco?

Vou lhes dizer o que esses garotinhos sacanas vêem. Eles vêem um belo vestido de mulher! Eles vêem uma mulher de verdade. Seu rosto é belo e apropriado, porém provocativo, e seu cabelo está arrumado com esmero. Seu vestido subiu debaixo dela, então a parte posterior das suas coxas nuas acima da meia de náilon está em contato direto com o banco do bar. Ela está com sua bolsa no colo, que também está coberto pelo vestido, então parece que ela acha que sua perna está devidamente coberta. De fato, pode-se seguir (se os olhos forem bons) uma das tiras da liga longe o bastante para vê-la desaparecer debaixo do que com certeza deve ser sua calcinha! “Olha só!”, suas mentes de garotinhos ficam conscientes, e eles voltam para os seus quartos quando tinham treze anos de idade: “você consegue ver tudo até sua calcinha!” De repente, a voz da prova oitenta e seis das MCs os trazem de volta à realidade. Suas evocações acabaram.

Candy Bumpstead está para apresentar seus dois magnums quarenta e quatro,então preste bastante atenção naqueles mamilos!

Agora vamos analisar a fórmula, os resultados do que acabamos de testemunhar. Primeiro de tudo, a garota do bar estava fora do contexto com relação ao resto da “diversão” -não era parte do show. Era uma mulher casada, ou pelo menos estava com alguém, portanto ela estava disponível pelo menos ao homem que estava com ela e não parecia ser casta, e todo ; mundo que a ficou encarando sentiu-se como se estivesse conseguindo ;, algo, mesmo que fosse apenas uma boa olhada no que pertencia a outro! , Isto é o Fruto Proibido n.9 1. Ela não estava vestindo uma saia que era destinada a mostrar tanta perna (Fruto Proibido n.92). Estava vestindo meia : com ligas, que eram para ser cobertas pelo vestido (Fruto Proibido n.!1 3). Ela estava revelando sua roupa de baixo (Fruto Proibido .n .9 4) que era de cor branca e não alguma coisa exibicionista que qualquer garota pode jul- gar bonito de se mostrar (Fruto Proibido n.!1 5), convencendo, portanto, os espectadores que a exposição era acidental, em vez de intencional (Fruto Proibido n.96). Os homens que olhavam furtivamente deveriam estar ob- servando a ação no palco, não olhando o outro lado do salão, já que é considerado rude e falta de educação virar-se em qualquer teatro para olhar os outros enquanto a apresentação está em progresso (Fruto Proibido n.!1 7).

Combine todos esses fatores com o poder compulsivo de do(ICE). Inércia de Cristalização Erótica de cada homem, que em termos de fetiche fizeram com que a mulher no bar roubasse o show das dançarinas no palco. Adicione a liberação emocional que a bebida proporciona, mesmo que o efeito seja pequeno ou os drinques estejam diluídos em água, e você tem nove bons motivos porque a garota sentada no bar com seu marido era a bruxa mais poderosa do lugar! Por meio do seu emprego, conscientmeEte ou não, da Lei do Proibido, ela roubou o show. Lembre-se: NADA E TÃO FASCINANTE COMO AQUILO QUE NÃO É PARA SER VISTO!

Quando se trata de enfeitiçá-los, todos os homens são garotinhos sacanas em seus corações. Quando o primeiro sentimento sexual e subsequente experimentação ocorrem na vida de um homem, ele estava agindo com a capacidade de um menininho sacana em 99% dos casos, e não me importo com quem possa discordar. Podemos falar até ficarmos roucos sobre as belezas do amor e a majestade da realização sexual e eu concordo que estas coisas podem vir a passar na vida de um homem. Mas quando um garoto se torna um homem, ele está acompanhado de pensamentos lúbricos! Isso é tão certo e verdadeiro como o romance idílico que sempre sopra como uma brisa suave e delicada quando uma garota se toma mulher.

O despertar sexual de um menino é lúbrico, lascivo e cheio de desejo, e sua emergência romântica é um amanhecer doce e ao mesmo tempo amargo e ele se sente cheio de desejo sexual com um e angustiado com o outro; uma bruxa completa saberá como a diferença existente entre um e outro é grande. É por isso que você deve atrair o desejo dentro do homem sem recursos ímpios. Ele pode mentir e dizer que não tem pensamentos de vícios secretos ou prazeres furtivos e pode retirar-se e adotar métodos de monges para aplacar seus desejos, mas eles estarão lá eles sempre estarão lá, e enjaulá-los fará apenas com que rujam ainda mais alto.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-lei-do-proibido/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-lei-do-proibido/

Amatsu Norito (天つ祝詞) – Oração Shinto

A oração Amatsu-Norito remonta a uma época anterior à de Jinmu, o primeiro imperador do Japão. Foi escrita por um “deus” da linhagem de Amaterassu-Oomikami, adorado pelo clã Yamato. Por isso suas palavras possuem um espírito muito elevado e uma ação intensa, tendo o poder de purificar o Céu e a Terra.

Ouvir o Norito no trabalho pode ser uma experiência muito relaxante e espiritual para alguns. Algumas das maiores cidades do mundo, como Nova York ou Tóquio, contêm algumas indústrias de alto estresse, como profissionais de saúde, vendas, forças policiais e advocácia, nas quais os empregados podem se beneficiar das leituras de Norito.

Amatsu Norito

Japonês

高天原に 神づまります
神ろぎ、神ろみの命 以て
皇御祖(の)神、伊邪那岐命
筑紫の日向の
橘の小戸の仰ぐ原に
禊 払いたもう時になりませる
払いどの大神達
諸々の禍事、罪、汚れを
払いたまえ、清めたまえと申すことの由を
天つ神、国つ神、八百万の神達ともに
天の斑駒の 耳振り立てて聞こし召せと
畏み畏みも申す
弥勒大神
守り給え幸栄え給え
雄雄し 御祖主の神
守り給え幸栄え給え
随神の道栄えませ

Transliteração

Takaamahara Ni Kami Tsumari masu.
Kamurogi Kamuromi no Mikoto wo Mochite
Sumemioya Kamu Izanagi No Mikoto
Tsukushi No Himuka No Tachihana No Odo No
Ahagi Hara Ni Misogi Harai Tamau Toki Ni
Narimaseru Haraidono Ookami Tachi
Moromoro No Magagoto Tsumi Kegare Wo
Harai Tamae Kiyome Tamae To Mousu Koto No Yoshi Wo
Tamatsu Kami Kunitsu Kami Yaoyorozu No Kamitachi Tomomi
Ameno Huchikoma No Mimi Furitatete Kikoshimese To
Kashikomi Kashikomi Mo Maosu

Tradução

Ó deuses da purificação, criados por ordem do pái e da mãe
que habitam o Céu, justamente quando o Deus Izanagui no Mikoto
se banhou na foz estreita de um rio coberto por árvores permanentemente frondosas, na região Sul.
Com todo o respeito e do fundo do coração pedimos que nos ouçam,
tal como o equino que ouve atento, com ouvidos aguçados e,
juntamente com os demais deuses do Céu e da Terra, purifiquem todas as maldades, desgraças e pecados.

Miroku Oomikami.
Abençoai-nos e protejei-nos

Meishu Sama
Abençoai-nos e protejei-nos

Para expansão da nossa alma
Seja feita a Vossa vontade

Fonte: nihonkunka

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/amatsu-norito-oracao-xinto/

Esoterismo da Ordem DeMolay

Há o Ocultismo na Ordem DeMolay, em seus paramentos, suas falas, sua história, seus movimentos, na Sala Capitular, seu Brasão, em tudo que consiste o Ritual.

Hoje fazem 699 anos que Jacques DeMolay foi queimado em Paris, assim como hoje a Ordem DeMolay completa 94 anos de existência, e os assassinos de DeMolay, a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania, continuam atuando em nossos meios.

Cada DeMolay e Maçom que se interesse pelo oculto deve dedicar seu tempo ao despertar espiritual, assim quando alcançarmos o ocaso de nossas vidas, olharemos para trás e contemplaremos um trabalho bem feito. Através do esoterismo vamos incentivar esse despertar. Temos todas as chaves necessárias dentro da Ordem DeMolay.

ESOTERISMO DEMOLAY

Não podemos fundamentar nenhum conhecimento esotérico dentro da Ordem DeMolay sem antes entender esse axioma.

Os Rituais baseiam seus ensinamentos na jornada do Sol no Céu e comparam com a jornada do homem na Terra. Essa analogia entre Sol e Homem é fundamentada através desse axioma hermético, sendo o Sol o que está em cima, o homem o que está em baixo. Esse ensinamento reflete a mais antiga sabedoria que se repete em todas as religiões e filosofias do planeta: o estudo do Homem como meio de conhecer os segredos do Universo. É o primeiro passo a se dar no Esoterismo dentro da Ordem DeMolay.

Para o Hermetismo, Deus é todo o Universo em manifestação, e cada átomo, cada célula, cada ser humano é  uma pequena manifestação desse Universo (ou Microcosmo, “o que está em baixo”) criados sob as mesmas Leis. Dessa maneira Deus, que é o Todo Universal (ou Macrocosmo, “o que está no alto”) e o Homem são semelhantes em suas maneiras de existirem. Encontramos o mesmo axioma em Gênesis 1:26: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Nossos Rituais deixam bem claro esse ensinamento quando compara nossas vidas e a trajetória do Sol.

Dessa maneira o homem é o próprio Templo que contêm os segredos de Deus e do Universo, e desse princípio é que a arquitetura da Sala Capitular representa a trajetória do Sol no céu, e representa o corpo humano ao mesmo tempo. Muito bem coloca Franz Bardon: “O homem é a imagem verdadeira de Deus, portanto ele foi criado segundo o retrato do Universo. Tudo o que se encontra no Universo numa escala maior, reflete-se no homem numa escala menor. É por isso que o homem é definido como um microcosmo, em contraposição ao Universo como macrocosmo.”

O principal objeto de estudo dentro do esoterismo DeMolay é o próprio homem. Por esse caminho chegamos ao estudo da Astrologia, da Cabala, dos Princípios Herméticos, Psicologia, da Jornada do Herói, entre outros, sempre dentro do Ritual.

O Ritual dos Trabalhos Secretos foi desenvolvido através de um padrão lógico e místico ao mesmo tempo. Lógico porque existe um fundamento em todo o Ritual, não sendo este arbitrário. Místico pois seu efeito é espiritual. Por exemplo, os estágios da vida são lembrados a nós em toda reunião, tudo que nasce um dia morre. Aqueles que se apegam a matéria sofrerão, pois com o tempo verão que tudo é passageiro, já aqueles que se dedicam ao espirito terão uma passagem mais tranquila ao chegar no ocaso de suas vidas. É a lógica e o misticismo em atuação nas Cerimônias.

Os DeMolays tem material de sobra para se aprofundarem nessa incrível jornada mística que só tem a acrescentar em seus trabalhos Capitulares e em suas vidas diárias. Esses caminhos são de vital avanço para aqueles que querem descobrir os mistérios da existência que podemos encontrar dentro da Ordem. Preconceitos de Esoterismo dentro da Ordem DeMolay são assuntos ilógicos.

Esoterismo, Ocultismo e Hermetismo são sim parte da Ordem DeMolay. Não vamos perder tempo comprovando ou discutindo isso com alguém que queira impedir nosso caminho, dedicaremos nosso tempo a apresentar material para estudo dentro dessa Sublime Ordem que foi materializada por grandes homens e por uma egrégora já existente a tempo indeterminado.

Não ousaremos nem queremos ser pretensiosos, os estudos que serão apresentados não serão nada mais que um ponto de apoio aos irmãos que querem conhecer e trilhar esse caminho. Nosso objetivo é abrir uma janela que não poderá ser fechada, pois “Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento” e “Quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, então vêm os lábios para enchê-los com sabedoria”.

Acreditamos em Frank Sherman Land que disse: “É o princípio que importa”, e acreditamos na importância do Esoterismo. Quanto mais cedo essa janela for aberta, mais completo será o combate contra aquilo que avilta e depõe contra a juventude.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/esoterismo-da-ordem-demolay