O caso Happy Camp

Raramente é possível , encontrar um episódio isolado, genuinamente, onde todas as facetas do fenômeno OVNI se concentrem. Happy Camp constitui um verdadeiro laboratório do problema estudado, além de ter oferecido a oportunidade para uma experiência direta, embora breve , do fenômeno. Ele também mostra um caso raro de sequestro múltiplo.

Happy Camp é uma pequena cidade madeireira na fronteira setentrional da Califórnia, a cerca de 60 quilometros do Estado de Oregon. Uma única estrada , seguindo de leste para oeste, atravessa a cidade, a 100 quilometros da via expressa que liga os dois Estados. A cidade tem um bar e um café . Localiza-se em um cenário magnifico, com regatos que descem da montanha, florestas de pinheiros e sequóias e canions profundos. As serrarias servem como principal ocupação profissional. A maior parte das testemunhas de OVNIs trabalham direta ou indiretamente para as serrarias. Existem muitos indios na área . Vale destacar , também, que o principal meio de transporte é a caminhonete com tração nas quatros rodas . Os moradores locais comunicam-se através de rádios faixa cidadão, e geralmente carregam rifles nos veículos.

Soube do caso no final de 1975, através de quatro independentes, inclusive um representante regional da Mutual UFO Network (Rede Mútua de OVNI — MUFON ) , que visitou o local . Posteriormente artigos razoavelmente factuais surgiram nos jornais de San Francisco . Contudo, os pesquisadores suspeitavam que algumas testemunhas não revelaram a história toda. Na metade de 1978, quando o interesse pelos eventos diminuiu e Happy Camp voltou a rotina da vida, carreguei meu Cheyenne com equipamentos e viajei até o local , o que demorou um dia inteiro. Tres investigadores tarimbados — Paul Cerny , Tom Gates e Mark Uriate — seguiram comigo. repassamos os fatos divulgados a respeito do caso.

No dia 25 de outubro de 1975 , dosi eletricistas da serraria , Stan Gayer , na época com 19 anos , e Steve Harris , então com 26 anos , estavam em uma caminhonete , na área de Shivar Saddle m testando seus rádios faixa cidadão , quando viram dois objetos em forma de estrela, excepcionalemte brilhantes. Um dos objetos moveu-se subitamente para a parte superior da montanha , oscilando como se “lutasse conta o vento”. Depois desceu , caindo como “uma ponta de charuto acesa ” . Seu brilho era avermelhado . Eles seguiram adiante e em seguida viram um objeto grande, vermelho, brilhando no solo , na encosta do monte Cade.

Dois dias eles retornaram ao local, com um terceiro homem, oficial mecânico , que se considera um “cético interessado” no assunto. Eles estavam equipado com um detetor de metais e uma lanterna . Conhecedores da montanha, exploraram a área , encontrando uma pilha de material estranho , parecido com mica, no local do primeiro pouso, e continuaram a procurar outros sinais . A mica , ao ser analisada, não passava do tipo comum , usado em antigos fogões a lenha.

Eles não esperavam encontrar um par de olhos prateados no meio do mato, nem ouvir um som de sirene . Iluminaram o local com a laterna , mas não conseguiram ver absolutamente nada , apenas escuridão , onde deveria haver moitas e arbustos. Neste momento, eles consideraram que seria mais prudente voltar para a caminhonete e retornar à cidade , onde contaram a história para um estudanete de 17 anos e para Helen White , que se transformou na protagonista principal dos eventos subsequentes.

Na época das visões, Helen White estava com 62 anos . Ela morava em Happy Camp desde 1949, tendo trabalhado durante dezenove anos na serraria . Um reporter a descreveu bem dizendo que “usava óculos, tinha olhos meigos e uma mecha de cabelos grisalhos que lhe davam um ar de vovó , o que realmente era “.

Este grupo de cinco pessoas tão diferentes resolveu ir novamente resolveu ir novamente até as montanhas. Ao chegar no local onde os olhos haviam sido avistados , Steve Harris ficou um tanto nervoso . Por frustração, ou em uma tentativa de impressionar os outros , ele começou a disparar a esmo, contra as moitas , sem dúvida um modo pouco convencional de se investigar um fenomeno desconhecido. Embora eu não aprove este método, sou forçado a admitir que era uma maneira eficiente de assustar qualquer pessoa que estivesse fazendo uma brincadeira, protegida pelas moitas de uva-ursina.

Ao invés de gozadores ou fraudadores , as cinco testemunhas viram duas silhuetas , usando capacetes como a de soldadores circundadas por uma luz peculiar. O som de sirene foi ouvido novamente. Helen White , que portava sua camara , foi incapaz de tirar uma foto .

As criaturas aproximaram-se parando a uns 15 metros do grupo . As pessoas sentiram um calor estranho no ar. Steve recorda-se de ter tossido , como se o ar estivesse pesado demais para se respirar.

— Era como uma sauna , ou um banho turco, onde o ar fica quente , só que muito pior — disse

Helen White comparou s sensação a um aperto no peito . Steve pensou que estavam sendo atingidos por gás. O grupo fugiu em pânico, perseguidos durante a descida da montanha por um objeto vermelho luminoso. O evento principal ocorreu cinco dias depois , a 2 de novembro de 1975, com os mesmos protagonistas ( Steve, Stan e Helen ) , e duas outras pessoas que passavam de carro por uma estradinha de terra no canion, no sopé do monte Cade. Eles ainda estavam tentando encontrar uma explicação para o que viram , e exploravam a área de maneira mais ou menos sistemática.

No canion , entretanto, passaram por um trecho coberto de neblina densa, que os forçou a recuar , e todos se confundem com relação aos eventos subsequentes. Eles se lembram de que pedras imensas caíram do alto do canion, dos lados da caminonete. Eles se recordam de que as portas foram abertas, e um ser estranho surgiu, dizendo a Steve , que empunhavam a arma:

— Não vai precisar disso.

Eles acreditam ter visto um objeto pairando no ar. Helen lembra , inclusive , de ter sido conduzida para uma sala , mas não tem certeza da sequencia temporal dos acontecimentos . Um dos ocupantes manteve um dialogo com ela, no decorrer do qual descreveu um objeto transparente , dizendo que era de ouro. Helen respondeu que conhecia o aspecto do ouro , e certamente não era transparente. O ser respondeu apenas : “Existem coisas como um ouro através do qual se pode ver. Está em sua Bíblia”.

Steve acredita que esteve em um aparelho com uma janela transparente no topo, através da qual pode ver a montanha China. A lembrança seguinte , a nivel consciente , foi de que se encontravam na caminhonete , descendo a montanha , cantando uma antiga canção religiosa. Eles entoavam , todos juntos , o hino Há Poder no Sangue do Cordeiro.

Depois deste incidente principal , diversas testemunhas tiveram visões na área, até a época de nossa visita. Tais incidentes incluem outros episódios com neblina esquisita contendo um humanóide, sons agudos tão penetrantes que incomodaram as testemunhas e diversos tipos de objetos esféricos ou oblongos sobrevoando a cidade , por vezes perseguidos tenazmente por um jato da Força Aérea americana.

No dia 8 de fevereiro de 1976 , dois dos meus amigos pesquisadores encontravam-se em Happy Camp, entrevistando testemunhas , quando ouviram uma pessoa , na faixa do cidadão , relatando a presença de uma luza alaranjada sobre Slater Butte. Eles viram a luz sobre a montnha , descendo e subindo duas vezes . O objeto era brilhante , laranja-escuro , e seu fulgor lembrava o de “um fogo na floresta , atrás do morro”.

No outono de 1977 duas pessoas , na Estrada de Benjamin Creek, viram um pinheiro Douglas ser partido em dois, enquanto uma força desconhecida puxava a perua deles, em marcha a ré, por mais de 15 metros. Os ultimos 25 metros da imensa arvore foram atirados a 20 metros de distancia , e uma esfera branca brilhante sobrevoava a área. Uma das testemunhas , profundamente abalada com o incidente , recusava-se a voltar ao local.

Meus amigos e eu chegamos a Happy Camp numa sextafeira, dia 23 de junho de 1978, e nos hospedamos em um hotel apropriadamente batizado de Rustic Inn. Embora eu ( Jacques Vallée ) esteja familiarizado com as estradinhas da Califórnia , do deserto de Mojave a Yolla Bolly, até a costa de Mendocino, devo admitir a imensa beleza da região do rio Klamath , que combina precipicios rochosos com matas baixas e florestas magnificas , tirando o folego de qualquer um.

Jantamos no unico restaurante da cidade , o Lois Café . Diversas testemunhas locais aproximaram-se de nossa mesa e se apresentaram . Conhecemos Lorraine, que em companhia da filha vira um aparelho em forma de disco no dia 6 de setembro de 1977.

— Estava todo iluminado — disse Lorraine.

Pat, uma senhora com seus 40 anos, muito animada , sentou-se e disse que estava intrigada com uma série de eventos tipo “poltergeist”, ocorrido na época das visões. Certa noite ela escutou passos pesados no forro da casa. Em outra , viu um imenso pássaro voando, iluminado pela luz da rua. No dia 17 de julho de 1977 , ela avistou uma esfera luminosa perto da cama , e na manhã seguinte descobriu que todas as portas da casa encontravam-se escancaradas.

Durante os dois dias seguintes inspecionamos toda a area , inclusive o pinheiro Douglas na estrada de Benjamin Creek . Os lenhadores não perderam tempo, retirando a parte aproveitável da madeira. A parte superior da arvore, contudo, ainda continuava na ravina , do outro lado da estrada. A noite estava calma, no momento do incidente, sem tempestades ou nuvens de trovoada.

Também visitamos o local do sequestro , seguindo pela estradinha que leva ao canion Realente , há um penhasco ingreme do lado oeste , as pedras poderiam ter caído na estrada e na área vizinha. Mark encontrou no local filamentos prateados de um material resistente, semelhante a cabelo, parecido com as fibras encontradas em Colusa. Fibras identicas também estavam presentes no local de um terceiro caso de contato imediato em Happy Camp . Apesar de nossas esperanças de haver encontrado um elemento comum a diversos casos envolvendo entidades, o exame posterior feito em microscópio , por um laboratório da policia técnica , mostrou que o material não era anormal.

O objeto em forma de disco , avistado por Helen, Stan e Steve, havia pairado sobre as moitas , perto de uma curva fechada da estrada. Neste local , como em diversos outros que visitamos, notamos um toque violento , emdesacordo com a beleza plácida da floresta. Encontramos cartuchos detonados nagrama, e muitas placas da estrada estavam cheias de furos de tiros, algumas praticamente ilegíveis. Só nos restava meditar sobre as fustrações e a necessidade de se demonstrar poder sobre a natureza que provocavam tais violencias. Talvez isso fosse exarcebado pela magnificencia da paisagem, pelos penhascos e grotas profundas, pelo céu imenso. O ser humano pode facilmente se sentir encurralado, insignificante. Caso esta interpretação seja correta, ela é relevante para a analise do terror e do fascínio provocados pela visão dos OVNIs , e com os confrontos com seres altos , que não se intimidaram com o rifle de grosso calibre de Steve. Também vale notar que as montanhas vizinhas abrigam , segundo relatos, uma estranha criatura parecida com um macaco ou com o Sascuatch canadense. Há ainda lendas locais sobre o Puduwan, um ser estranho com poderes paranormais.

As testemunhas entrevistadas em profundidade confessaram que ocorreram muitos incidentes que não foram relatados. A primeira visão na área havia sido relatada por um policial, Dick McIntyre , que posteriormente desmentiu e negou sua história. A maioria das testemunhas preferiu se calar , soubemos, depois da publicação de um artigo de página inteira sobre Happy Camp no San Francisco Chronicle. Vários policiais rodoviários foram seguidos por estranhas luzes na região, mas não comunicaram oficialmente o fato.

Entre os casos não revelados está a visão do filho de Lorraine: um objeto grande , brilhante , de cor azulada como aço , com uma luz vermelha. Objetos menores voavam em torno dele, de um modo que lembrava as visões de “charuto de nuvem” descritas por Aimé Michel . Tivemos um encontro com Helen White, e a oportunidade de conversar com ela longamente, enquanto assistíamos ao jogo de beisebol amador do qual seu neto participava. Ela fornecu detalhes dos incidentes, confirmando e explicando diversos aspectos das observações . Ela insistiu, na entrevista , que no momento do sequestro “tudo acontecia em camara lenta”.

Outros aspectos do episódio me intrigavam, pois não pareciam fazer muito sentido . Durante o sequestro ela conversou com um homem vestido com uma capa longa, flutuante. Estavam no meio de uma avalanche de pedras.

— Cuidado com as pedras ! — Ela alertou o ser.

— Não se preocupe, pedras não podem me ferir — foi a resposta.

Ao subir para o objeto, ela sentiu que uma luz a banhava. Queria levar algo , como prova, e recebeu permissão para tanto. Mais tarde os seres a proibiram de levar qualquer coisa, ela reclamou, frustada:

— Voces mentiram para mim.

O ponto mais enigmático da experiencia foi o tamanho do objeto. Como no caso da Sra. Victor , o aparelho para onde Helen White foi conduzida era maior do lado de dentro do que de fora. Embora os engenheiros aeronáuticos possam zombar de uma constatação tão bizarra, os leitores topologistas podem ficar tão intrigados quanto eu pelas possiveis interpretações que se descortinam. Se existirem mais de quatro dimensões , como muitos físicos teóricos atualmente suspeitam , cabe especular : uma hipernave, capaz de inversão topológica em nosso espaço-tempo contínuo pode muito bem ser maior por dentro do que por fora.

Naquela noite transferimos para nossa caminhonete os equipamentos trazidos de São Francisco por Tom Gates e Paul Cerny e seguimos para o local da visão , parando primeiro em Saddle, indo depois para o ponto mais alto na trilha , antes de fazer o retorno.

Era 23h15 quando o avistamos. Tratava-se apenas de uma luz brilhante, branca , com reflexos vermelhos, e a visão não durou mais do que dez segundos. A luz estava bem na nossa frente, vários quilometros além do vale, na encosta do monte China, um local onde nenhum veículo conseguiria chegar. Infelizmente a visão foi curta demais para permitir que parassemos e mostassemos o telescópio de Tom. A luz permanece como um detalhe imprevisto em nossa investigação.

Os eventos de Happy Camp incluem sequestro, neblina sufocante, pássaros imensos , pequenosa seres com capacetes , perseguições realizadas por jatos, “poltergeists” , anomalias gravitacionais e arvores derrubadas. Partindo de uma cidade isolada , que nem sequer tem um cinema, esta concentração de casos é notavel. Mas não estaria completa sem o episódio do Homem de Preto. Assim sendo, fiquei quase aliviado ao saber que no inicio de 1976 um estranho, que jamais estivera na cidade , entrou no Lois Café . Helen e Pat encontravam-se lá, jantando calmamente em mesas diferentes.

Todas as conversas cessaram quando o sujeito entrou. Ele pediu um filé, mas não sabia usar garfo e faca, e acabou saindo sem pagar , o que o tornou inesquecivel para a população local. Pat declarou que ele tinha pele pálida e olhos “orientais” . Usava uma espécie de camisa estranha , e não possuia casaco, embora estivessem no meio do inverno americano. Sorria constantemente para as pessoas , de um modo forçado , esquisito. Entre as atitudes peculiares que tomou durante seu jantar extraordinário , inclue-se uma corajosa tentativa de beber um pote de gelatina.

Extraido do livro “Confrontos” de Jacques Vallée – Editora Best Seller

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-happy-camp/

Eu não acredito em idade

Sim, esta é uma frase que sempre digo as pessoas quando o assunto envolve o tema “idade”. A maior parte delas apenas desconversa ou ignora completamente o que foi dito. Algumas ficam admiradas e me olham com uma aparência confusa: “Hmm, isto deve ser algo muito profundo, melhor não perguntar nada”. E somente umas poucas chegam a me perguntar: “O que você quer dizer com isso?”. Penso que está na hora de responder…

Primeiramente, é importante frisar que esta é uma das conclusões puramente intuitivas que trago de minha infância. “Eu não acredito em idade, eu nunca acreditei em idade” – é algo que simplesmente “nasceu comigo”, se é que é possível dizer. Não foi algo que li nalgum lugar, e nem mesmo algo que, somente pelo fato de haver lido em algum lugar, se tornaria parte da minha essência. Eu não acredito em idade, é parte da minha essência, e desde minha infância tenho tentado descobrir o que exatamente isto significa.

Quando pensam em idade, a maioria das pessoas pensa – conscientemente ou não, quer admita ou não – em uma espécie de relógio de areia onde cada grão que escorre pela fresta abaixo é um dia a menos, um dia que ficou para trás. E, da mesma forma, quanto menos grãos de areia restam na parte superior do relógio, menos tempo há para viver. Neste sentido, falar em idade é basicamente falar em morte: quanto maior o número, quanto mais próximo dos 70, 80, 100 anos, mais próxima estará a morte.

Eu ainda vou retornar ao assunto, mas por agora gostaria apenas de deixar claro que o fato de eu não crer em idade não significa que ignore a existência da morte. Da mesma forma que não ignoro que, com o passar das horas do dia, e com o pôr do sol e a chegada da noite, eventualmente irei deitar minha cabeça num travesseiro e dormir (ah não ser que esteja jogando RPG ou numa rave, mas isto têm sido cada vez mais raro em minha vida, para o bem ou para o mal).

Dito isto, após muito refletir cheguei a conclusão de que para mim existem em realidade três tipos distintos de “idades”. Embora eu creia nas três, talvez percebam que nenhuma delas tem relação direta com o que as pessoas usualmente chamam de idade.

A primeira idade em que tenho fé é a idade fisiológica. Ora, seja lá o que seja o “eu” ou a alma, é certo que, ao menos neste mundo, habitamos um corpo humano. E este corpo humano possuí diversas características, físicas e mentais, que são desenvolvidas ao longo da infância e da juventude, até a chamada idade adulta. Diz-se que um adulto é um ser humano que vive numa sociedade onde o texto de algum pedaço de papel afirma que, de acordo com sua idade, ele pode se casar, ter relações sexuais, votar, dirigir um automóvel, etc. O valor numérico destas idades varia de acordo com a região e a cultura do planeta. Na África há muitos adultos com 13 anos, enquanto que na maior parte do globo a idade da maioridade é 18 (19 na Coréia do Sul, 20 no Japão e 21 nos EUA). Como eu sou um sujeito que segue a maior parte das leis, sou obrigado a concordar e botar fé em tais números.

Mesmo o cérebro humano, dizem os neurologistas, têm suas “idades”. Por hora do nascimento, um cérebro humano pesa cerca de 350 gramas e têm ¼ do tamanho de um cérebro adulto. Com um 1 ano de idade, já têm o dobro do peso, 700 gramas, e metade do peso da versão adulta. Aos 6 anos, já têm 90% do tamanho final. Aos 12 anos, o córtex pré-frontal atinge sua fase final de desenvolvimento, que abrange toda a adolescência. Recentemente, cientistas têm discutido se este desenvolvimento não ultrapassaria em muito a idade dita adulta, geralmente os 18 anos, para terminar ainda muitos anos depois – o que estenderia, teoricamente, o tempo da adolescência, pois somente um “adulto com o córtex pré-frontal plenamente formado” teria condições de pensar com “toda a racionalidade condizente a fase adulta”…

Desta forma, ainda que eu acredite na idade fisiológica, isto por si só não me dá certezas se este ou aquele jovem já é mesmo adulto, se têm sua racionalidade “plena”, ou se ainda está em fase de desenvolvimento. Por via das dúvidas científicas, digamos que alguém na casa dos 30 anos estaria plenamente desenvolvido. Este sou eu: plenamente desenvolvido e, segundo uma amiga minha bem mais jovem, “já meio velhinho”.

E isto me leva para a segunda idade em que acredito, a idade espiritual. Bem sei que muitos aqui não irão concordar, mas fato é que também, desde minha infância, apesar de crer na morte, também creio na existência pós-morte e, da mesma forma, na existência pré-nascimento. Ou seja, não é que eu creia em vida após a morte, mas creio, isto sim, em vida após a vida, e em vida antes da vida. Creio em muitas e muitas vidas, enfim, e isto também está intimamente associado a intuições e lembranças de minha infância.

Quero lembrar que não é minha intenção “evangelizar” esta crença adiante, mas apenas explicar os motivos de minha descrença em idade – motivos, portanto, subjetivos. Dessa forma, para não me alongar muito, basta dizer que, quando lembramos de outras vidas e outras mortes, quem sabe da mesma forma que lembramos de viagens de nossa infância, ou do dia em que desmaiamos durante nosso primeiro porre alcóolico (embora eu não tenha tido tanta sorte, pois tenho uma grande dificuldade em perder a consciência), toda a vida atual é vista por um outro aspecto, um outro ângulo.

Dessa forma, se alguém me diz que estou “meio velhinho”, isto para mim faz tanto sentido quanto dizer que eu estou “a muito tempo nesta viagem de trem”. Não importa se os outros cismam em contar as horas até a próxima estação, eu não preciso mais me preocupar com isso, pois sei que a próxima estação é somente isso: mais uma estação nesta viagem infinita pelo Cosmos. Estação Terra, estação anos-luz da Terra – tanto faz, são todas estações.

Eu não sei se consegui me fazer compreender, pois isto é difícil de explicar com palavras fora de poemas, mas em todo caso acredito que a próxima idade ainda será esclarecedora…

Finalmente, creio na idade das montanhas.

Cícero dizia que “filosofar é aprender a morrer”. Há muitos que se admiram até hoje com Sócrates mais por sua serenidade ante a morte do que propriamente com suas ideias (“Mas eis a hora de partir: eu para morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo ninguém o sabe, exceto os deuses” [1]).

Já Schopenhauer, influenciado pelas ideias religiosas do Oriente, afirmava que “para seu enorme espanto, um homem se vê de repente existindo, após milhares de anos de não existência; vive por algum tempo, e então transcorre de novo um período igualmente longo em que ele não existe mais. O coração rebela-se contra isso, sentindo que não pode ser verdade.” [2]

Há muitos pensadores modernos, como Jim Holt, que não têm tanta fé na existência pós-morte, e admitem a plenos pulmões o seu grande medo do Nada: “O medo da morte vai além da ideia de que o fluxo da vida continuará sem nós […] É a perspectiva do Nada que provoca em mim certa náusea – senão puro e simples terror. Como encarar esse Nada?”. [3]

Epicuro, apesar de tampouco crer na existência após a morte do corpo, lidava com o tema de forma muito natural: “Quando a morte está, eu não estou. Quando eu estou, ela não está. A morte, o dito mais terrível dos males, não significa nada para mim”. [4]

Dessa forma, não é bem a crença em existências anteriores e posteriores a esta vida, a esta estação, que nos alivia do peso da morte, do peso do Nada. Este peso não tem propriamente a ver com um medo paralisante de algo que um dia chegará, e que está neste momento sendo contado no relógio de areia que chamamos idade; este peso tem a ver com uma falta de sentido existencial, um vácuo aberto dentro do peito, um grande tédio, um Nada que pela lógica jamais pode haver existido, mas que não obstante pode nos atormentar por cada momento da vida.

Filosofar pode, de fato, ser aprender a morrer. Tanto quanto aprender a morrer é aprender a subir montanhas…

Uma outra coisa que trago da minha infância é a Serra da Mantiqueira, ao sul de Minas Gerais. Isto já não tem nada ver com lembranças de outras estações, mas com a suprema sorte de haver, nesta mesma estação, tido a oportunidade de passar proveitosos períodos de férias em um hotel fazenda de minha família.

Foi na Mantiqueira que aprendi a subir e subir, por entre florestas antigas que estão por lá há centenas de estações, pisando em rochas que sobrevivem há milhares, há milhões!

Foi na Mantiqueira que aprendi a olhar para baixo do topo do mundo, e observar (mesmo antes de voar de avião) como há tantos e tantos homens e mulheres e crianças brincando em seus terrenos pequeninos, em suas fazendas pequeninas, em suas casas de brinquedo, em suas caixas de areia.

Eles juntam montes de areia, colocam seus enfeites e um telhado para proteger das chuvas. Eles vivem lá boa parte de suas vidas. Eles guardam por lá boa parte do que amontoaram em suas viagens. Eles mal sabem quantas montanhas e estações existem pelo Cosmos…

O que a idade das montanhas me ensinou, e têm até este momento me ensinado, é que não devemos por certo entrar em pânico ante ao Nada. Se iremos dormir para não mais acordar, ou se iremos sonhar com outras viagens e outras estações, fato é que nada do que somos, nem mesmo do que nos forma, pode de fato ser aniquilado, arremessado ao Nada.

Pois as montanhas são a prova de que o Nada não existe. Elas estão lá, imponentes, acima de todos nós, nos lembrando de que há coisas maiores, bem maiores, cósmicas, que existiram e continuarão a existir muito após esta nossa pequena viagem.

E se vamos acordar para um novo sonho ou não, pouco importa. O que importa é não deixar o entusiasmo escapar por entre os dedos da alma. Que se vamos ou não deixar de existir um dia, isto não é algo que seja definido, de forma alguma, por nossa idade. E eu não acredito em idade.

***
[1] Platão. Fédon.
[2] Arthur Schopenhauer, O vazio da existência.
[3] Jim Holt. Por que o mundo existe? (Intrínseca).
[4] Epicuro. Carta a Meneceu (UNESP).

Crédito da foto: raph + instagram (Serra da Mantiqueira)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/eu-n%C3%A3o-acredito-em-idade

Há Vagas no Céu

O sociólogo Domenico de Masi defende uma abordagem mais lúdica e prazeirosa do trabalho. Segundo ele, não é próprio da espécie humana gostar de trabalhar, e os tempos modernos nos trazem a possibilidade de que todos trabalhem meio expediente, ganhando menos mas nos dedicando mais ao tempo ocioso de forma criativa, e principalmente abrindo mais vagas para quem está desempregado. Domenico apontou um ponto de convergência em todas as religiões: em nenhuma delas se trabalha no Paraíso. “Tenha o Paraíso sido criado por Deus, tenha sido inventado pelos homens, se o trabalho fosse um valor positivo, no Paraíso se trabalharia”, afirma.

Especulam os analistas que em uma década terá havido uma verdadeira revolução na forma como encaramos o trabalho, como informa este trecho da interessante reportagem da revista Galileu de Julho de 2009:

“Para começar, esqueça essa história de emprego. Em dez anos, emprego será uma palavra caminhando para o desuso. O mundo estará mais veloz, interligado e com organizações diferentes das nossas. Novas tecnologias vão ampliar ainda mais a possibilidade de trabalhar ao redor do globo, em qualquer horário. Hierarquias flexíveis irão surgir para acompanhar o poder descentralizado das redes de produção. Será a era do trabalho freelance, colaborativo e, de certa forma, inseguro. Também será o tempo de mais conforto, cuidado com a natureza e criatividade.

A globalização e os avanços tecnológicos (alguns deles já estão disponíveis hoje) vão tornar tudo isso possível. E uma nova geração que vai chegar ao comando das empresas, com uma presença feminina cada vez maior, vai colocar em xeque antigos dogmas. Para que as empresas vão pedir nossa presença física durante oito horas por dia se podem nos contatar por videoconferência a qualquer instante? Para que trabalhar com clientes ou fornecedores apenas do seu país se você pode negociar sem dificuldades com o mundo inteiro? Imagine as possibilidades e verá que o mercado de trabalho vai ser bem diferente em 2020. O emprego vai acabar. Vamos ter que nos adaptar. Mas o que vai surgir no lugar dele é mais racional, moderno e, se tudo der certo, mais prazeroso.”

Por ocasião dos eventos de minha vida, tenho trabalhado de casa (ou home office, como queiram chamar) aproximadamente desde 2005. Moro em Mato Grosso do Sul e trabalho para uma empresa do Rio de Janeiro – no entanto, o fato de trabalhar com web talvez explique o fato de eu ter, sem querer, “chegado mais cedo ao futuro”. De qualquer forma, fato é que existem vantagens e desvantagens de se trabalhar de casa. Entre as desvantagens temos, principalmente, a falta de contato humano, a sensação de se estar “o dia todo enfurnado em casa”, e uma maior cobrança e desconfiança de quem lhe pede o trabalho – afinal eles não estão do seu lado para ver o que está fazendo. Entre as vantagens temos, principalmente, um ambiente com menos stress para se trabalhar, o fato de não precisarmos nos deslocar fisicamente pela cidade e evitar o trânsito, e a possibilidade de desenvolver a disciplina e a qualidade do trabalho – o que reduz a desconfinaça de quem lhe contrata quanto a este método ainda heterodoxo no país. Em relação a esta breve descrição, tenho duas dicas importantes: a primeira é que uma ida a cafeteria após o almoço é psicologicamente essencial, pois evita a sensação de estarmos o dia todo em casa, e faz com que vejamos o sol, vejamos pessoas, etc; a segunda é que a disciplina é vital: sem ela, ou sem a intenção genuína de desenvolve-la, é praticamente impossível manter um emprego à distância (a não ser que o seu empregador seja realmente disperso).

Mas retornemos ao Paraíso de Domenico: será que, como ele afirma, todas as religiões compreendem que não há trabalho no céu? Não é preciso ser muito estudioso de teologia para encontrar diversos autores, e mesmo doutrinas religiosas, que defendem que há sim trabalho no céu, inclusive porque este “céu” seria, antes de mais nada, uma condição conquistada por nossa própria consciência e paz de espírito. Ora, diz-se que Deus trabalhou por alguns dias para construir todo o Cosmos, e depois descansou – mas será que ele está até agora “sentado no trono”, esperando-nos para ficar lá, parados, admirando-o em êxtase por toda a eternidade? É esta a “mais profunda idéia de perfeição” que conseguimos extrair do entendimento de Deus?

Eu posso falar por mim: se entendemos toda a natureza como um sistema construído e mantido por Deus, isso significa que ele não só trabalhou naqueles dias iniciais, como decerto nunca “descansou”, nunca deixou de trabalhar – afinal, as simetrias espaciais e temporais do Cosmos estão aí para nos provar isso. Se sábios disseram que “o trabalho dignifica o homem” e que “devemos ser julgados por nossas obras”, porque esperar que justamente o Paraíso, justamente o Reino de Deus, seja um jardim onde ninguém precisa aparar a grama? Será que não existe jardineiro no céu?

Acredito eu que há duas idéias para o trabalho. Para uns, o trabalho é tudo o que fazemos para garantir o sustento e a manutenção meterial, uma espécie de mal necessário, talvez mesmo uma “escravidão consentida”, para que possamos desfrutar de nosso tempo livre. E, como “tempo é dinheiro”, marchamos apressadamente, como formigas desnorteadas em um grande formigueiro humano; Trabalhamos apressadamente, comemos apressadamente, interagimos com as pessoas (e conosco mesmo) apressadamente. Tudo para que, lá no final, percebamos que vivemos também apressadamente: todo nosso “tempo livre” escorreu pelas mãos, e ao invés de termos realizado obras das quais nos orgulhar, tudo o que conquistamos foi, quando muito, números em uma conta bancária.

Já para outros, e talvez sejam hoje a grande minoria, o trabalho é uma obra viva. É a essência do que são, o grande objetivo de estarem por aqui. Não trabalham para acumular migalhas eletrônicas em uma tela de home banking, mas para realizar algo, e de preferência contribuir para que a comunidade, a cidade, o país, enfim – para que toda a humanidade realize algo de bom. Estes não vêem a sua frente chefes carrascos ou gerentes mesquinhos, mas apenas seres, com maior ou menor ignorância, que tocam a vida da melhor forma possível. Não trabalham para eles, não seguem ordens: trabalham para si mesmos, e para o mundo. Da mesma forma, não vêem os que lhe estão abaixo na escala salarial como seres inferiores, mas apenas como seres iguais a ele, realmente iguais, e extremamente importantes no contexto do sistema global. Se não existissem lixeiros, nossa vida seria um lixo. Se não existissem condutores, não sairíamos do lugar. Se não existissem pequenos comerciantes, não teríamos onde comprar. Ou seja: não é uma lógica tão difícil de ser compreendida.

Foi preciso a grande ameaça do aquecimento global para que finalmente o mundo empresarial se conscientiza-se de que a ecologia deve fazer parte do objetivo a médio e longo prazo de toda empresa. É um tanto desalentador que a humanidade ainda precise de pressões do sistema-natureza para que volte a caminhar na passada correta. Mas, se somos realmente um bando de preguiçosos aniosos por achar um céu onde encostar, pelo menos a natureza nos demonstra que ainda pode, talvez por mais algumas décadas, nos esperar para essa caminhada conjunta. Deste trabalho conjunto entre homo sapiens e natureza, há muito mais a se comemorar do que temer. Afinal, se o homem não destruir a si próprio, é bem possível que saia dessa crise compreendendo enfim que em todo o Cosmos, em todas as suas infinitas moradas, tudo o que há é trabalho!

Será que, quando chegarmos enfim ao céu, não serão os jardineiros os grandes beneficiados? Para eles, haverá sempre vaga no céu. Para todos os outros, talvez tenham de retornar para a terra e arranjar outro trabalho. Pois que se Deus trabalha sem cessar, ele não poderia esperar que entrássemos em seu Reino de outra maneira que não de mãos dadas, cada qual sabendo sua divina função a empenhar, cada qual compreendendo que embora não passe de mais uma formiga do imenso formigueiro divino, não deixa de ser essencial para Deus, e para todo esse sistema infinito.

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Crédito da foto: FAROOQ KHAN/epa/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#ecologia #Religiões #trabalho

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O Miasma e a Katarsis

Miasma significa poluição, mas não no sentido que hoje lhe damos. Miasma é toda a sujidade associada ao mundano, a sujidade que este gera: quando corremos e transpiramos estamos a criar miasma, quando sangramos temos miasma, se caímos numa poça de lama geramos miasma.

Mas o miasma não se limita à sujidade física, incluindo também a sujidade espiritual, ética e mental. Assim, quando matamos algo de forma injusta criamos miasma, se ofendemos alguém também é miasma, se cometemos um crime aos Deuses fizemos miasma, os próprios pensamentos geram miasma.

Em suma, o miasma resulta da actividade humana. Situações especiais que geram miasma são o contacto com a morte, quer sejamos nós a matar ou morra alguém próximo de nós, um familiar ou amigo, e o sexo e nascimento. De realçar que nem o nascimento nem o sexo são considerados menos sagrados, mas quando acontecem as pessoas envolvidas ficam fisicamente sujas, pelo que é necessário um banho.

No caso do nascimento e da morte são também efectuados rituais especiais porque ambos representam as duas transições mais importantes da vida e, como tal, podem comportar forças que geram poluição.

De referir ainda que o miasma e as actividades que o geram não são consideradas negativas, profanas ou más, antes pelo contrário, há Deuses que estão directamente envolvidos nelas e muitos participam nelas e tanto o nascimento como a morte são simultaneamente as maiores geradoras de miasma e duas das coisas consideradas mais sagradas. O que se passa é que ir limpo a um ritual é uma espécie de etiqueta e os Deuses podem ficar ofendidos se desrespeitamos a etiqueta, porque isto mostra que os desrespeitamos a eles.

Finalmente, para as mulheres, a gravidez e a menstruação não são consideradas miasma, pelo que não há qualquer restrição nessas alturas – apenas se deve realizar a katarsis normal, incluindo um banho para remover a sujidade física que se acentua nessas ocasiões se não forem tomadas precauções.

Katarsis são todas as acções rituais que realizamos para nos livrarmos do miasma, quer seja porque vamos a um templo ou ritual e, portanto, não queremos desrespeitar os Deuses, quer porque apanhámos uma dose muito grande e queremos livrar-nos dela. Por vezes o miasma que temos é tão grande que é transmitido a outras pessoas, como acontece com os assassinos, e, por isso, devem realizar-se rituais para nos livrarmos dele.

Mas a katarsis não é apenas uma forma de remover a sujidade, ela também prepara a nossa mente e o nosso espírito, para além do corpo e do espaço, para um ritual, focando os nossos pensamentos e distinguindo a situação ritual de outras.

Ir a um ritual sem katarsis é um enorme desrespeito: seria como ir a um casamento sujo, ou a uma reunião de escritório com calções de banho e bikini. Tanto a sujidade como os calções de banho e o bikini não são negativos em si – é a sua presença em determinado contexto que os torna negativos, que os torna miasma. Realizarmos a katarsis, nestes exemplos, seria tomar banho e vestir roupas lavadas para o casamento e vestir algo formal para a reunião.

Por outro lado, se um dos noivo nos encontrar no dia a dia e nós formos mecânicos não se ofenderá da sujidade, do mesmo modo que um chefe que encontre o subordinado na praia não tomará por ofensa ele estar com fato de banho: até é provável que ele mesmo esteja.

Também os Deuses não se ofendem se no dia a dia os contactarmos com preces ou devoções espontâneas e tivermos miasma, mas em rituais a situação é mais distinta pelo que devem ser tomadas precauções.

Antes do Ritual

Limpeza da Pessoa

Antes de ir para o ritual devem-se efectuar acções específicas para se purificar a si mesmo, numa espécie de transição do mundano para o ritual. A principal acção é o banho, a limpeza física da pessoa através da água e, no caso moderno, dos sabonetes, champôs, géis de banho, perfumes, etc. Para festivais e grandes rituais é sempre necessário que a pessoa se arranje, tomando banho e perfumando-se e também vestindo roupas limpas ou especiais. Para devoções mais pequenas convém sempre lavar as mãos e a cara e os dentes, enquanto que para simples preces no momento não é necessário tomar qualquer destas atitudes.

Relativamente às roupas, estas podem ser especiais para nós, quer sejam roupas que só usamos em ocasiões especiais, ou mesmo exclusivas para os rituais, quer sejam gregas, latinas, ou modernas. Roupas normais também servem, desde que nos esmeremos para causar “boa impressão” é suficiente. O único requisito é que, tal como a pessoa, as roupas sejam limpas: não serve a roupa com que andámos no dia anterior, por exemplo.

Actualmente muitos helenistas gostam de acrescentar outras formas de preparação para o ritual que não eram praticadas na antiguidade, mas que preparam melhor a mente e acalmam o espírito, permitindo que nos foquemos apenas no ritual e nos Deuses. Refiro-me, é claro, a meditações. Estas são inteiramente opcionais, mas na minha opinião acrescentam muito valor e profundidade a um ritual.

Na antiguidade existiam muitas formas de katarsis, incluindo o jejum, total ou parcial, purificação pelo sangue, purificação pelo fogo, banhos no mar ou rios, purificação pelos cereais, entre outras, quer realizadas antes quer depois do ritual, mas não vou referir-me a elas mais neste artigo.

Limpeza do Espaço

A limpeza do espaço antes do ritual era efectuada pelo neokoros que mantinha o templo sempre limpo, literalmente, varrendo-o e esfregando-o. Antes de um grande ritual a divisão deve sempre ser meticulosamente limpa, mas para rituais normais basta a limpeza normal, não é preciso que a divisão esteja “um brinco”. Para além disso, existem técnicas de limpeza rituais, hoje praticadas pela pessoa que efectuará o ritual.

Várias horas antes efectua-se a fumigação com enxofre. Esta consiste em queimar enxofre e deixar que este encha o ar, purificando-o. Pode ser feita uma prece a Apolo, Deus da purificação. Pessoalmente, quase nunca uso enxofre porque os meus rituais são de manhã e não dá tempo para que o cheiro do enxofre desapareça completamente, isto para além de os fumos serem tóxicos e se entranharem, especialmente em sofás ou camas. Eu prefiro usar o incenso, deixando o quarto completamente às escuras com vários paus de incenso acesos para que o encham completamente, abandonando-o depois das acções rituais para que fique numa espécie de incubação, que é o método porque Apolo mais se manifesta. O quarto permanece assim, completamente fechado, sem que nada nem ninguém lá entre antes do ritual, e a luz só volta aquando do ritual, nomeadamente da segunda acção purificante antes do ritual, para que se possa ver o que se faz, quer seja através de luz solar, de lâmpadas ou de velas.

Antes dos convidados chegarem, ou antes de entrar no quarto com as oferendas para fazer o ritual, a pessoa entra carregando consigo o khernips, uma taça com água. Então acende-se a chama sagrada e prepara-se o khernips, tornando a água sagrada. As formas de o fazer são muito variadas, pois não se conhece a forma usada na antiguidade, e não estão no propósito deste artigo. Após acender a chama e se preparar o khernips, coloca-se este à entrada para que todos os participantes se limpem antes de entrar.

Em rituais solitários costumo sair com o khernips, após o ter usado para me limpar a mim e ao espaço ritual, em sentido oposto ao do ponteiro dos relógios, e salpico todas as oferendas, deixando depois o khernips fora do quarto e entrando com as oferendas. No caso de rituais colectivos é normal que o khernips seja salpicado sobre os outros pela pessoa que o preparou e também sobre as oferendas, sendo depois novamente depositado fora do local do ritual, já que absorveu todas as impurezas e miasma e convém que esteja fora do espaço e das pessoas agora sagrados.

Durante o Ritual

Limpeza da Pessoa

A limpeza da pessoa durante o ritual propriamente dita é efectuada por ela mesma antes de entrar no espaço sagrado e pelo sacerdote, que a salpica novamente com khernips. Depois a pessoa é que se deve esforçar por manter os pensamentos centrados no ritual e por dar o melhor de si.

Limpeza do Espaço

Quando as pessoas entram no espaço sagrado, percorrem-no no sentido oposto ao ponteiro dos relógios, às vezes sob a forma de uma dança, que demarca claramente o espaço sagrado. Depois dá-se a oferta inicial de grão, em que cada pessoa tira um pouco de grão do cesto onde a faca sacrificial se encontra escondida, e segurando o grão todos o atiram para o chão, ficando em completo silêncio. O efeito é demarcar claramente o começo do sagrado e é fantástico, principalmente se foi antecedido por música e depois só se ouve o salpicar dos grãos que gradualmente é substituído por silêncio.

Então, o ritual propriamente dito começa.

Depois do Ritual

Quando o ritual acaba o espaço fica cheio de grão no chão e com as ofertas. Caso seja numa floresta deixa-se a área e o ritual está concluído. Mas quando o ritual se dá em espaços do interior convém que o espaço seja limpo, algumas horas depois, para que os Deuses possam apreciar totalmente as ofertas antes de as retirarmos. As ofertas perecíveis e libações são deixadas numa floresta ou parque, sendo as ofertas enterradas. Quando não há hipótese de o fazer podem ser simplesmente deitadas fora, mas embrulhadas num saco em separado.

Outras ofertas podem ficar no local por mais tempo, como por exemplo flores, estátuas, jóias, entre outras.

Lista

E aqui fica uma pequena lista para verificar antes do ritual:

– Fumigação do Espaço

– Ocasião especial (morte e nascimento) = purificação especial (jejum, ritual, entre outros)

– Banho e roupas novas/especiais

– Outras formas de preparação: meditação

– Khernips e Chama Sagrada

– Circumbalação

– Purificação por cereais e silêncio

Texto retirado do site:

http://www.portuskale.org/pratica/purificacao.html

Está em Português de Portugal, mas é muito bom. Espero que não tenham problemas em entender.

#Rituais

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-miasma-e-a-katarsis

Mapa Astral de Friedrich Nietzsche

Crítico da cultura ocidental e suas religiões e, consequentemente, da moral judaico-cristã. Nietzsche é, juntamente com Marx e Freud, um dos autores mais controversos na história da filosofia moderna, isto porque, primariamente, há certa complexidade na forma de apresentação das figuras e/ou categorias ao leitor ou estudioso, causando confusões devido principalmente aos paradoxos e desconstruções dos conceitos de realidade ou verdade como nós ainda hoje os entendemos.

Nietzsche, sem dúvida considera o Cristianismo e o Budismo como “as duas religiões da decadência”, embora ele afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche “é cem vezes mais realista que o cristianismo” (O anticristo). Religiões que aspiram ao Nada, cujos valores dissolveram a mesquinhez histórica. Não obstante, também se auto-intitula ateu.

Para Nietzsche o homem é individualidade irredutível, à qual os limites e imposições de uma razão que tolhe a vida permanecem estranhos a ela mesma, à semelhança de máscaras de que pode e deve libertar-se. Em Nietzsche, diferentemente de Kant, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele as coisas “dançam nos pés do acaso” e somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida.

Nietzsche passou os últimos 11 anos da sua vida sob observação psiquiátrica, inicialmente num manicômio em Jena, depois em casa de sua mãe em Naumburg e finalmente na casa chamada Villa Silberblick em Weimar, onde, após a morte de sua mãe, foi cuidado por sua irmã. Como diria o Datena, “Falta de Deus no coração”.

O Mapa de Nietzche possui

Sol em Libra; Lua, Ascendente e Caput Draconis em Sagitário (por “enorme coincidência” justamente as energias mais voltadas para a filosofia e academia). Uma pessoa com facilidade para se comunicar e entender os outros e cujo mapa é voltado para Filosofia. A inclinação para observar o mundo ao redor e tirar conclusões é extremamente marcante no Mapa de Nietzche (Stellium de Lua, Ascendente e Caput Draconis com menos de 2 graus entre eles). Some a isso Marte e Mercúrio em Virgem-Libra (Rainha de Espadas, a energia mais fria e cínica do zodíaco, manifestada nele na forma de pensar e de lutar/gastar energia) e Saturno em Capricórnio-Aquário (Cavaleiro de Espadas, a pessoa que consegue enxergar as regras do mundo ao redor e quebrá-las influenciano o planeta ranzinza).

Uma Aspectação importante a ser destacada neste Mapa é a Oposição de Urano (seu Planeta mais forte com nada menos do que 9 Aspectações) em Peixe-Áries (Rainha de Bastões, que indica energia relacionada com conselheiros filosóficos) com Marte (em Virgem-Libra, a energia cínica que falei acima).

Resumindo o Mapa: o tio Bigodudo era mesmo um filósofo osso duro de roer mas, no final da vida seu ceticismo e ateísmo exagerados entraram em conflito com seu Júpiter em Peixes (facilidade para entrar em contato com o Astral). Os biografos de sua vida dizem que ele se tornou esquizofrênico por conta da Sífilis, embora esta avaliação seja controversa… é possível que um ateu de pedra como ele tenha simplesmente ficado louco com as coisas que via e ouvia como médium, já que não acreditava em nada espiritual…

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-friedrich-nietzsche

20 de Agosto, Dia do Maçom

Maçonaria

No dia 20 de agosto comemora-se o Dia do Maçom. Para os obreiros da arte real, trata-se de um dia muito importante, visto reforçar o comprometimento daquele que jurou respeito à Lei ao próximo e, sobretudo, ao Grande Arquiteto do Universo, criador de todas as obras. O verdadeiro maçom não defende sua causa, mas a causa de todos aqueles que visam a incansável construção do edifício social mais justo e perfeito.

Defende a justiça contra a tirania. Jamais mergulha suas mãos nas águas lodosas da corrupção. Clama, constantemente, pela prevalência do espírito sobre a matéria. Ser Maçom é ser amante da virtude, da sabedoria, da justiça e da humanidade. Ser Maçom é ser amigo dos pobres e desgraçados, dos que sofrem, dos que choram, dos que têm fome e sede de justiça; é propor como única norma de conduta o bem de todos e o seu progresso e engrandecimento. Ser Maçom é querer a harmonia das famílias, a concórdia dos povos, a paz do gênero humano. Ser Maçom é derramar por todas as partes os esplendores divinos da instrução; a educar a inteligência para o bem, conceber os mais belos ideais do direito, da moralidade e do amor; e praticá-los. Ser Maçom é levar à prática aquele formosíssimo preceito de todos os lugares e de todos os séculos, que diz, com infinita ternura aos seres humanos, indistintamente, do alto de uma cruz e com os braços abertos ao mundo: “Amai-vos uns aos outros, formai uma única família, sede todos irmãos”!

Ser Maçom é olvidar as ofensas que se nos fazem, ser bom, até mesmo para com nossos adversários e inimigos, não odiar a ninguém, praticar a virtude constantemente, pagar o mal com o bem. Ser Maçom é amar a luz e aborrecer as trevas; ser amigo da ciência e combater a ignorância, render culto à razão e à sabedoria. Ser Maçom é praticar a tolerância, exercer a caridade, sem distinção de raças, crenças ou opiniões, lutar contra a hipocrisia e o fanatismo. Ser Maçom é realizar, enfim, o sonho áureo da fraternidade universal entre os homens.

Portanto, meus amados irmãos Maçons, a história da Maçonaria Universal tem “O HOMEM COMO FONTE INESGOTÁVEL DE SABEDORIA, IMBUÍDO DA VONTADE FÉRREA DE ATINGIR OS SEUS OBJETIVOS, MESMO COM O SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA”. E nem é preciso lembrar (ou relembrar) que dezenas — ou quiçá milhares — de irmãos nossos tiveram as suas vidas ceifadas lutando por uma causa nobre, isto é, a de difundir, de propagar, no Universo, os fundamentos da nossa notável instituição Maçônica, que se assentam nos princípios de: liberdade, fraternidade e igualdade.

Diante de tudo isso, rendo-me, de joelhos, a tantos quantos foram e têm sido os irmãos que participaram e ainda participam, direta ou indiretamente, da história da Maçonaria universal, ao tempo em reconheço sua efetiva luta, sacrifício, dissabor, incompreensão, censura dos governos déspotas e de falsos pregadores, além de outros setores retrógrados de hoje. O verdadeiro maçom tem a MAÇONARIA UNIVERSAL como instituição séria, respeitada, admirada e consagrada como uma sociedade secreta, na qual se pratica o bem sem olhar a quem; forja-se masmorras ao vício; nutre-se o ideal de melhor servir à humanidade; pratica-se filantropia na última acepção da palavra; dignifica-se o homem; inspira-se confiança aos obreiros; levanta-se templos à virtude; reúne-se em nome da democracia, da liberdade, da fraternidade e da igualdade entre todos os povos; exalta-se o nome do Grande Arquiteto do Universo – G.A.D.U., como inspiração divina e como proteção de nossos trabalhos; leva-se à compreensão de todos os homens livres e conscientes a certeza plena de que é possível se viver sem os princípios da Maçonaria, nunca sem praticar nenhum ato maçônico.

Concluo, afirmando, peremptóriamente, que ser Maçom é um estado de espírito; é viver em paz com sua consciência; é, essencialmente, praticar o bem à humanidade. Que sejamos bons e verdadeiros Maçons!

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/20-de-agosto-dia-do-ma%C3%A7om

O ritual nosso de cada dia

— Pode um homem deixar de ser máquina ?

— Ah ! aí está toda a questão, disse G.. Se tivesse feito mais freqüentemente semelhantes perguntas, talvez nossas conversas tivessem podido levar-nos a alguma parte. Sim, é possível deixar de ser máquina, mas, para isto, é necessário, antes de tudo, conhecer a máquina. Uma máquina, uma máquina real, não se conhece a si mesma e não pode conhecer-se. Quando uma máquina se conhece, desde esse instante deixou de ser máquina; pelo menos não é mais a mesma máquina que antes. Já começa a ser responsável por suas ações.

– Fragmentos de um ensinamento desconhecido, P.D. Ouspensky.

O que diferencia um homem de uma máquina ? O homem tem Vontade, consciência, a máquina no entanto trabalha de acordo com as pressões externas. Em maior ou menor grau somos máquinas. Variando de uma coisa para a outra de acordo com a quantidade de ações desenvolvidas pela consciência ou por pura pressão externa.

Para exemplificar; em nossa úlitma coluna estudamos a manifestação de emoções negativas, uma característica eminentemente mecânica e discutimos algumas formas de evitá-las, uma atitude eminentemente humana.

Caso tenha praticado o exercício proposto você deve ter notado o quanto muitas vezes só nos damos conta da manifestação no meio dela, ou depois de terminada a expressão. Isso ocorre porque é muito dificil no começo do trabalho sobre si mesmo, agir. Na maior parte do tempo estamos reagindo, funcionando como máquinas, de acordo com as pressões externas.

Se você viu o “gráfico da verdadeira vontade” e teve um leve mal estar por estar longe do extase(ou de todas as esferas), não se desespere, é possível transformar muita coisa com gestos simples. Você poderá inclusive se valer da sua mecanicidade para de alguma forma auxiliá-lo. A chave para essa transformação são os rituais, ou melhor; a ritualização do seu dia a dia.

Como máquinas é dificil esperar de nós uma enorme transformação repentina, de fato, esse tipo de transformação pode ser até perigosa. O importante não é a velocidade mas sim a direção da mudança, portanto essa prática pode lhe ajudar a executar pequenas mudanças no seu cotidiano, que com a persistência desencadearão grandes transformações.

Nossa vida é cheia de rituais criados ou impostos pela sociedade como um todo e nem nos damos conta deles, alguns benéficos outros nem tanto. Escovar os dentes após as refeições, cumprimentar com um aperto de mãos ou um beijo. Já contou quantas vezes duas pessoas se cumprimentam com perguntas ? Olá Tudo bem ? e o outro responde: como vai ? Nossa forma de trabalhar também envolve uma série de rituais conscientes e incoscientes, checar e-mails logo pela manhã, ficar de mau humor ao ser avisado de uma reunião. Os exemplos são infinitos, e servem para ilustrar a quantidade infinita de padrões de comportamento repetidos que não nos damos conta e que guiam nossa existência.

Ao ritualizar sua ações diárias você estabelece uma disciplina que independe de certa forma da vontade, ou do seu humor. Você não deixa de ser máquina da noite para o dia, mas passa a estabelecer rituais que foram criados por você, indiretamente suas ações são direcionadas pela consciência. É uma forma de colocar sua própria mecanicidade a serviço da expansão de consciência.

É claro que TODO ato de vontade é superior a um ato mecânico, seja fruto das pressões externas ou um ritual feito por você, mas existe ai uma hierarquia entre os atos e com certeza um ritual feito por você SEMPRE será melhor que um ritual fruto de pressões externas.

O progresso natural dessa prática é que os rituais comecem como algo mecânico e se passem a se desenvolver e evoluir até serem sempre feitos com consciência. Começam com um por dia e depois vão se acumulando, não como fardo, e sim como uma experiência prazerosa de crescimento. Dessa forma seu dia terá vários “focos de luz” da consciência que vão ficando cada vez mais fortes até que tudo se torne simbólico e ritualistico. Não há nada mais sagrado do que isso, viver a vida em toda a sua glória e esplendor, sem negar nada, vivendo uma vida espiritual encarnados, se valendo em cada ato de todos os corpos e de todo nosso potencial.

A repetição vai dando poder para esse ato, o que é muito importante lembrar quando pensamos que existem rituais virtuosos e viciosos, a medida em que persiste-se na prática cada ritual ganha vida por si só e vai se tornando uma fonte de poder pessoal.

A úlitma e talvez mais importante característica de ritualizar um comportamento é que todo ato consciente coloca você em conexão com o mesmo nível de consicência, desde o nível mais insignificante até a fusão total. Pra entender melhor, fumar coloca você em contato com a egrégora do cigarro se você fuma só um pouco, vai sentir muito pouco esse contato, se fuma muito ele será constante, mesmo quando não estiver fumando, rezar (de coração, claro) coloca você em contato com a egrégora da religião, rezar muito (muito(muito(muito))) te coloca em contato com o divino, até quando não estiver rezando.

Os atos de consciêcia vão despertar em você o que Gurdjeff chama de centros de gravidade. Imagine que assim como os corpos celestes, nós tambem somos atraídos e atraímos, só que no nosso caso atráimos conforme nossa faixa de vibração. Estudar magia, praticar rituais e observar a si mesmo vai fazer com que você se conecte com um centro de gravidade espiritual e voltado para a evolução, atos inconscientes vão fazer você ser tragado para os centros de inconsciência. Daí dizer que quando o discípulo está pronto o mestre aparece, quando a influência lhe chama você pode responder ou não. O homem sofre a influência de infindáveis centros de gravidade, analogamente poderiam ser egrégoras, e deve escolher com qual tipo de egrégora quer se conectar, e tendo feito sua escolha AGIR para que isso aconteça.

Ritualizar o dia a dia é uma chave poderosa de aplicar mudanças reais no seu estado de consciência. De forma básica e rápida o que você vai fazer é o seguinte: estabelecer uma prática que deve ser executada em determinado horário ou em determinada circunstância. Parece simples e amplo demais certo ? É para ser, porque as aplicações são infinitas, eu darei alguns exemplos que nem de longe demonstrarão a extensão de aplicação dessa prática. Veja que eles variam de coisas simples e rotineiras até complexas e raras, use e abuse de sua imaginação.

Sei que a maioria de vocês executa alguma forma de ritual e isso é otimo, encorajo vocês a experimentar ritualizar outras partes de seu dia.

– Ao passar por uma porta, imaginar que ela é uma porta para uma dimensão superior, um estágio maior de consciência.

– Ao subir uma escada imaginar que se está subindo a escada de Jacó, o caminho dos anjos e acessando realidades divinas. Quando descê-las imagine que está penetrando em seu próprio inconsciente, de forma segura (firme no corrimão), aprendendo mais sobre si mesmo.

-Rezar antes de dormir, ao acordar.

-Energizar a comida, visualizando ela carregada de energia, ou uma energia específica. Vale para água também. Quando você for um mestre: para cada respiração.

– Banhar-se com agua e lavar “todos” os corpos, imaginando que aquele momento é de purificação absoluta, imaginar a “sujeira” deixando seu corpo fisico, emocional, mental e espiritual.

– 30 minutos de trabalho, 1 minuto de meditação.

– Ao perceber que uma discussão é inevitável, esvazie-se, imagine que você está murchando por dentro, é o ego desinflando e sendo desarmado, dessa forma você entra na discussão menos propenso a “ganhar” e mais propenso a resolver. Passa a agir ao invés de reagir.

– Projetar símbolos planetários, alquímicos, astrológicos o tempo todo e em todo mundo, buscando sempre uma resolução harmoniosa para qualquer situação.

– Visualizar seu SAG (pra quem não conhece ele, uma luz branca está ótimo) te acompanhando antes de começar qualquer tarefa)

– Incorporar sua personalidade mágica antes de escrever na internet, no e-mail ou em qualquer lugar.

– Dedicar ao menos 3 minutos por dia para não fazer nada, a idéia desse ritual é desconectar-se completamente ainda que por pouquissimo tempo das egrégoras do mundo cão, em especial a egrégora que diz que você tem que produzir, consumir e trabalhar ou não é ninguém. 3 minutos inteiramente dedicados a ser quem você é independente do que o mundo é.

– Por último e esse é dedicado a todos os irmãos que sentiram uma leve depressão ao ver o gráfico da verdadeira vontade e se ver tão longe do extase. Tudo o que você faz está direcionado a verdadeira vontade, em maior ou menor grau, você pode não enxergar agora mas quando chegar la vai olhar pra tras e perceber que esse período ou fase foi essencial para chegar onde você está. Por isso mesmo no seu trabalho chato ou aturando malices universais o ritual que você deve fazer é dizer para si mesmo, isso faz parte do meu caminho, portanto vou fazer da melhor forma possível e tirar todo o aprendizado, traga isso para sua consciência. Lendo o blog, praticando aprendendo, se desenvolvendo e se conhecendo, é claro que você está no caminho. Você está dentro de um carro dirigindo a noite e só consegue enxergar onde os faróis iluminam, mas não se preocupe, a estrada está lá.

O irmão Leonardo Lacerda, nos trouxe com muita propriedade uma definição para o ritual:

um ritual existe para por um símbolo em ação. O ritual traz os princípios do mundo das ideias para nosso íntimo. Por isso que os rituais devem ser seguido a risca e sempre repetido da mesma maneira. O praticamente deve sentir o que faz, e não somente repetir e repetir. Um ritual quando devidamente praticado causa mudanças psicológicas no participante, vale a pena ler na coluna Virtude Cardeal.

Chay !

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ritual-nosso-de-cada-dia

O que contamos no Sefirat ha Omer?

A palavra “sefirat” basicamente significa cálculo ou contagem.

O que contamos?

Conta-se coisas de valor.

Conta-se unidades de tempo até um objetivo desejado; para uma criança, poderia ser: “Quantos dias faltam para as férias?” Para um adulto: “Quantas semanas ou meses até que eu consiga meu diploma? Ou “Quantos anos até que eu possa pedir uma promoção?”

Freqüentemente os itens contados são unidades de tempo. No judaísmo, tempo tem grande valor; é proibido desperdiçá-lo, ou matar o tempo.

Na tradição Judaica, o termo “sefirá” também possui significado específico, e refere-se à contagem dos 49 dias entre Pêssach e Shavuot. Em Pêssach, o povo judeu foi redimido de um terrível período de escravidão física na “casa do cativeiro”, no Egito. Em Shavuot, que comemora D’us outorgando Seu precioso presente, a Torá, ao povo judeu no Monte Sinai, celebramos nossa passagem da Escravidão Espiritual à Liberdade Espiritual.

O objetivo da Redenção Física é a Redenção Espiritual. Sem a Espiritual, a Física nada significaria. A única fonte de moralidade é D’us; o ser humano é muito criativo, mas é incapaz de inventar um código moral. O melhor que o ser humano pode fazer por si só é estabelecer regras que impeçam a sociedade de mergulhar no caos.

A Torá prescreve um modo de vida que eleva o ser humano acima da natureza puramente física, ao nível de um ser moral e espiritual. Isso lhe possibilita entender que a consciência dentro dele foi plantada por D’us, e que ele tem a capacidade de atingir e modelar seu comportamento até determinado ponto, além daquele de seu Criador.

Ele ou ela vêm a perceber que a saída da Escravidão aconteceu apenas para tornar-se um servo novamente, mas desta vez não para servir a um ser humano chamado de “amo”, mas ao contrário, para ser um Servo de D’us, o verdadeiro Mestre do Universo.

Seu Tempo e Sua Vida

A natureza da obrigação de Sefirat Haômer é contar. O Talmud diz: “U’sfartem lachem,” – “Vocês deverão contar por si mesmos”, o que implica que cada um deve fazer sua própria contagem, individualmente. Isto significa dizer que há uma obrigação para cada pessoa de contar, de exprimir sua percepção de que outro dia de sua vida chegou, trazendo uma nova oportunidade para o crescimento espiritual. Por isso a pessoa não pode cumprir sua obrigação de contar através de ouvir a contagem feita por uma outra.

Isto é de certa forma análogo a um sorvete: se estou pronto a saboreá-lo, outra pessoa não pode fazer a bênção no meu lugar. Comer um alimento requer permissão do seu provedor, o Criador do Universo, (e não ao fabricante do sorvete). Isto é feito por uma bênção precedente: “que tudo é criado pela Sua palavra.” E também, agradecer através de uma bênção posterior.

Similarmente, no contexto de Sefirat Haômer, é “o meu tempo”, designado a mim pelo meu Criador, de tornar-me uma pessoa melhor – contando – e por isso uma outra pessoa não pode contar por mim.

Por que luto?

Durante a contagem do Ômer estamos envoltos numa espécie de luto parcial, com certas restrições de comportamento, que são aliviadas em Lag Baômer, o trigésimo terceiro dia do Ômer.

No período entre Pêssach e Shavuot uma tragédia recaiu sobre os alunos de Rabi Akiva ; quase todos faleceram. A causa da morte é atribuída a falta de respeito entre eles.

Considerando-se o fato de que o ilustre mestre tinha proclamado que a essência da Torá é “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, como poderiam então um grande número de estudantes terem ignorado o ensinamento básico de seu mestre?

O comportamento ético entre o homem e outro homem e entre o Homem e D’us pode ser chamado de principal objetivo da Torá. O Rebe explica que amor entre os estudantes de Rabi Akiva nunca faltou. Ao contrário, justamente por amor eles não aguentaram quando um colega interpretava o ensinamento do mestre de maneira diferente da que achavam certa. Começaram a ridicularizar uns aos outros com a intenção de fazer com que revissem os ensinamentos e os aplicassem conforme seu mestre, como deveriam ser, do seu ponto de vista.

O amor nunca faltou entre os alunos; o que faltou foi amor com respeito, e esta é a grande lição que podemos entender deste capítulo tão triste de nossa História.

Dois heróis

Dois gigantes da História Judaica estão envolvidos na observância dos dias de Sefirat Haômer: Rabi Akiva e seu aluno, Rabi Shimon bar Yochai.

Rabi Akiva está envolvido com o aspecto triste destes dias, porque, conforme a tradição, 24 mil estudantes seus pereceram durante este período.

Rabi Akiva demonstrou sua enorme fé superando a grande tristeza e dor da perda ao reconstruir sua yeshivá. Assim fazendo, ele reafirmou sua capacidade singular de vislumbrar a luz na mais negra escuridão.

Outro grande sábio desta época foi Rabi Shimon bar Yochai, um dos cinco alunos de Rabi Akiva que sobreviveram à tragédia. Seu nome está associado com o aspecto mais feliz de Sefirat Haômer; o dia de Lag Baômer.

Seu maior papel vivido na História Judaica é como autor do sagrado livro do Zôhar. Esta obra é a base da Torá oculta, conhecida como Cabalá, um dos alicerces da Chassidut.

Rabi Shimon foi sepultado em Meron, Israel. Todos os anos, em Lag Baômer, data de seu falecimento, dezenas de milhares de judeus reúnem-se no local para comemorar a data. Acendem tochas, dançam e cantam com grande alegria, conforme o pedido feito pelo próprio Rabi Shimon.

Fonte: Chabad.org.br

#SefirathaOmer

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-que-contamos-no-sefirat-ha-omer

Pirâmides, Pirâmides… – parte II

Olá crianças,

Hoje falaremos sobre a matemática das pirâmides. Recomendo ler o Post sobre as Pirâmides submersas no Japão e Astrologia para não pegar o bonde andando…

Em primeiro lugar, a palavra “pirâmide” vem do grego Pyramidos, ou “medida de luz”. Dentre a centena de pirâmides egípcias, vou começar pelo complexo de Gizé (ou Giza), considerado o mais importante deles, mais especificamente pela pirâmide de Khufu (ou Queops).

Todas as pedras de mesmo peso possuem também o mesmo tamanho, com erro menor que 0,025cm em qualquer medida adotada; possuem ângulos perfeitamente retos em suas 6 faces, com precisão de 0,1 grau e encaixe entre elas que não deixa espaço suficiente para passar uma lâmina de canivete (0,04cm). A precisão de encaixe destas pedras, considerando o conjunto, é de 0,015cm/100m (nem os mais modernos construtores de submarinos chegam neste grau de precisão – a precisão de projeto de um submarino nuclear é de 0,08cm/100m na mesma escala).

Ainda sobre esta estrutura principal, estavam encaixadas 144.000 placas polidas de limestone branca, idênticas em tamanho (precisão de 0,25cm), pesando cerca de 2 toneladas cada, deixando espaço de 0,025cm entre elas. Estas pedras foram recortadas e arrastadas de Tura ou Masada, pedreiras localizadas a cerca de 15-20km do Cairo. Apenas o bloco de granito que forma o piso da Câmara do Rei, com 80 toneladas, e o “sarcófago”, tiveram de ser arrastados de Aswan, que fica a 800km do Cairo.

A pirâmide de Khufu é um quadrado perfeito, com erro de 58mm (em 230 metros!) e erro de ângulo reto de 1 minuto (1/60 de um grau), alinhada perfeitamente com o norte do Planeta. A base da pirâmide é perfeitamente plana, com desnível de apenas 0,075cm/100m (para quem não é arquiteto ou engenheiro esses números não dizem muita coisa, mas para ter uma idéia comparativa do quão preciso foi o nivelamento das pirâmides, basta dizer que edifícios modernos de alta tecnologia chegam a 15-20cm/100m em desnível).

As 3 pirâmides alinham-se com a constelação de Orion com margem de erro de 0,001% quando comparadas com a posição destas estrelas no céu em 10.500 AC.

Além disto, as câmaras interiores foram projetadas ANTES da pirâmide ser construída, sendo deixadas como “buracos” na estrutura da pirâmide (e não “escavadas posteriormente”!), ou seja, os construtores iam empilhando os blocos de pedra e deixando os espaços vazios que seriam cada câmara enquanto iam erguendo as pirâmides.

E eu nem comecei ainda a falar sobre a Câmara do Rei, cuja configuração e proporção das pedras do chão refletem as medidas/translações dos seis primeiros planetas do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno).

Também não falei ainda do “sarcófago” do faraó, que é grande demais para passar pelos dutos da pirâmide, ou seja, ele foi colocado na câmara do rei ANTES da pirâmide ter sido “fechada”. Como disse acima, esta pedra, esculpida em um ÙNICO bloco de 30 toneladas, foi arrastado por 800km de Aswan até o Cairo durante a construção da pirâmide, de modo a poder ser encaixado na posição correta.

(Mais tarde falaremos em detalhes sobre como a Câmara dos Reis e o Templo de Salomão possuem as mesmas proporções, e de como o “sarcófago” possui as mesmas proporções da arca da Aliança).

Um último detalhe é que, apesar de todo este cuidado milimétrico de projeto da pirâmide, o “sarcófago” é PEQUENO DEMAIS para caber uma pessoa deitada dentro dele (pausa para rir).

É importante lembrar disto porque, quando falarmos mais pra frente sobre os ALINHAMENTOS dos dutos das câmaras internas com as principais estrelas e constelações da época, durante determinados períodos do ano, temos de ter em mente que toda a estrutura é um gigantesco observatório astronômico, PROJETADO como tal e não fruto de mero “acaso”. Os dutos são alinhados com perfeição de um centésimo de grau em duas câmaras principais de observação.

Também preciso dizer que as pirâmides não possuem entradas externas. As entradas eram todas subterrâneas, vindas de uma câmara que ficava sob a esfinge, fazendo com que todo o complexo só pudesse ser acessado por dentro. Quando os exploradores ingleses penetraram nas câmaras internas, o fizeram DINAMITANDO os dutos externamente (pois as entradas subterrâneas encontravam-se soterradas). Então nomearam aquilo de “dutos de ventilação” (em uma “tumba”, mas tudo bem… ).

Bom… acho que já deu para ter uma idéia bem clara que mesmo com a tecnologia de HOJE seria quase impossível erguer pirâmides com a qualidade técnica e construtiva das pirâmides egípcias.

A quantidade de “coincidências” matemáticas e sobre a precisão com que as pirâmides foram construídas poderia consumir textos e mais textos. Quem quiser mesmo ver as principais relações matemáticas da pirâmide, pode olhar este site aqui.

Mas afinal de contas, como as pirâmides foram construídas?

Antes de começar com teorias de conspiração, vamos perguntar direto para as otoridades egípcias. E que melhor otoridade que o próprio departamento de turismo egípcio?

Segundo eles, as pirâmides foram construídas durante a 4ª dinastia, para servirem como tumba para o faraó Khufu. Demoraram ao todo cerca de 20 anos para ficarem prontas.

Ok…  Vamos começar com uma conta básica: são 590.712 pedras para serem colocadas em 20 anos (8.760 dias). Fazendo as contas, temos que seria necessário para os egípcios encaixarem aproximadamente 1 pedra a cada 17 minutos (24 horas por dia, 7 dias por semana sem parar um segundo).

Embora experimentos feitos pela universidade Obayashi, no japão, tenham demonstrado que 18 homens conseguem empurrar um bloco de 2,5 toneladas com velocidade máxima de 15m/minuto (demorando, assim, em teoria, 17 horas para empurrá-los da pedreira até a pirâmide, SEM DESCANSO). Claro que esta teoria está furada, pois se arrastassem os blocos por tanto tempo, o atrito com a areia lixaria o fundo das pedras, tornando-as incompatíveis com a precisão matemática que elas apresentam.

A teoria de arrastar sobre troncos de palmeiras também está furada. Os mesmos alunos demonstraram que as palmeiras existentes no Egito seriam esmagadas se submetidas a blocos de mais de 1,5 toneladas.

E isso porque nem entramos no quesito dos quase 5.000 blocos de SETENTA toneladas…

E sempre é bom lembrar, estes valores são para UMA pirâmide… o conjunto é formado por TRÊS pirâmides (e somado a outras 6 pirâmides menores, a esfinge, as mastabas, templos e outras edificações).

As otoridades egípcias afirmam que a pirâmide é a tumba de um faraó.

Embora NUNCA se tenha encontrado sequer uma múmia em NENHUMA das 111 pirâmides catalogadas. Também nunca foram encontrados NENHUM tesouro de faraó algum. Nada, Nicht, Niet, Zero. Todas as múmias foram encontradas em cemitérios localizados aos pés das pirâmides ou em templos adequados para tal (Mastabas). Todos os tesouros encontrados estavam nos templos e antecâmaras, mas nunca dentro das estruturas.

A explicação oficial é que “ladrões de tumbas” saquearam todos os tesouros e as múmias. Embora, voltando a Khufu, os exploradores tiveram de DINAMITAR a passagem para entrar, e nada encontraram lá dentro. Ou seja, se houvessem “ladrões de tumba” eles entraram, levaram TUDO (tudo tudo tudo) e ainda tiveram a paciência de recolocar todas as pedras na entrada de modo a deixá-la do mesmo modo que ela estava antes deles chegarem, com direito a mesma precisão milimétrica dos encaixes (mais uma pausa para rir).

Se você fosse um faraó e gastasse 20 anos da sua vida para construir o seu túmulo, o mínimo que você iria fazer seria colocar o seu nome bem visível em todos os lugares possíveis e imaginários, certo? ERRADO. Não existe NENHUM hieróglifo ou símbolo dentro de NENHUMA das principais pirâmides. Os únicos símbolos encontrados dentro das pirâmides foram colocados lá milhares de anos após sua construção.

As otoridades egípcias afirmam que os dutos que conectam a câmara do rei às laterais da pirâmide são, na verdade, “dutos de ventilação” (mas para que precisamos de dutos de ventilação em uma tumba?). O fato destes dutos alinharem-se perfeitamente com estrelas e constelações que tem profundo simbolismo na mitologia e religião Egípcia é, como tudo mais, uma “coincidência”.

Agora, um pouco de teoria de conspiração.
E se… o faraó, na verdade, não construiu as pirâmides em 20 anos (como demonstramos ser impossível), mas sim REFORMOU algo que já estava pronto, mas parcialmente destruído pelo dilúvio, nesses 20 anos?
E se… as pirâmides escalonadas (aquelas mais toscas e sem grande precisão), que foram construídas em 4.000 AC foram, não “testes de construção” como as otoridades dizem, mas sim IMITAÇÕES das verdadeiras pirâmides, feitas realmente com o máximo que seria possível de tecnologia da época?

Semana que vem, Círculos de Pedra, Pirâmides, Astrologia.e o Dilúvio.

E pra que diabos servem as pirâmides???

Tenet Nosce, Crianças!

#Pirâmides

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pir%C3%A2mides-pir%C3%A2mides-parte-ii

Defesa contra as Ataques Psíquicos

Excerto de Magia Moderna de Donald Michael Kraig

Tradução: Yohan Flaminio

Um dos maiores medos de muitos ocultistas é o “ataque psíquico”. No entanto, o fato é que os verdadeiros ataques psíquicos são muito raros. A razão pela qual eles são tão raros é que no momento em que uma pessoa tem habilidades e talentos suficientes para atacar psiquicamente, ela também tem conhecimento místico suficiente para saber que não deve atacar alguém por causa das repercussões negativas que inevitavelmente, seguem o ataque. Nos últimos vinte anos, pelo menos duzentas pessoas pediram minha ajuda porque sentiram que estavam sob ataque psíquico. Também conheço muitos professores metafísicos e médiuns que me contaram suas experiências com pessoas que os procuraram alegando estar sob ataque psíquico. Das centenas de alegações de ataque psíquico que ouvi, talvez cinco casos fossem reais, enquanto o resto eram imaginários.

Seja como for, a sensação de estar sob ataque psíquico pode ser uma sensação muito real. A mente inconsciente não sabe a diferença entre realidade ou imaginação, então a sensação de que você está sob ataque psíquico pode realmente resultar na experiência de todos os sintomas de tais ataques. Isso torna difícil a tentativa de determinar se um ataque psíquico está realmente vindo de uma fonte externa.

Além disso, nossa psique está constantemente sob ataque da sociedade: os vendedores nos mandam comprar; Anúncios de TV nos mandam comprar; amigos, familiares e até estranhos, sabendo ou não, tentam nos manobrar e influenciar psicologicamente. Sempre que estamos em contato com outras pessoas, direta ou indiretamente, há tentativas quase contínuas de nos manipular.

Portanto, precisamos estar cientes das tentativas diárias de tipos sutis de lavagem cerebral que estamos recebendo, além de saber o que fazer se um verdadeiro ataque psíquico ocorrer. Embora a crença comum seja que um ataque psíquico real envolve um operador de magia treinado lançando um feitiço, a realidade é que raramente esse é o caso. Em vez disso, a causa é uma pessoa ou pessoas que, por algum motivo, estão com raiva de você. A raiva delas faz com que elas, sem saber, dirijam um fluxo de energia cheio de raiva para você. Elas provavelmente nem mesmo estão cientes de que seus pensamentos e emoções estão se combinando para ter um efeito negativo sobre você (embora elas possam apreciar a ideia). O que é ainda mais provável, entretanto, é que você simplesmente acredita que alguma negatividade está vindo em sua direção. Em ambos os casos, você ainda se sentirá como se estivesse sob ataque e ambos os casos podem ser tratados da mesma maneira.

Sinais de um Ataque Psíquico

Antes de determinar se você deve agir contra um ataque psíquico – real ou imaginário – você precisará determinar se realmente está sob ataque psíquico. Várias autoridades fornecem uma ampla seleção de sintomas que indicam um ataque psíquico. Dion Fortune, em sua autodefesa psíquica quase paranoica, lista coisas como atividade poltergeist ou sentimentos de medo e paranoia. Infelizmente, a atividade poltergeist pode ter várias causas além do ataque psíquico, e os medos e a paranoia podem ser causados por falsas crenças e pela incapacidade de lidar com elas. Alguns dos livros com listas de sintomas parecem deprimentemente semelhantes às afirmações de alguns cristãos de que os demônios são responsáveis por todos os seus problemas, desde o fumo e o peso até o jogo e o dinheiro.

Uma Dica Simples se o seu Quarto for Confuso

As lojas maçônicas são frequentemente projetadas para serem alinhadas nas quatro direções. O mesmo ocorre com algumas sinagogas, catedrais, templos indianos, edifícios asiáticos e muitos outros. No passado, e em muitas tradições espirituais, as pessoas entendiam a importância de se alinhar com as energias da Terra.

Mas na maioria das casas de hoje, esse luxo não é pensado e pode ser raro. Como, então, você organiza uma pequena sala que está a doze graus de estar verdadeiramente alinhada com as quatro direções? Se você tem algumas estantes de livros e móveis encostados nas paredes, tentar alinhar as coisas de acordo com as direções verdadeiras não deixará espaço, a menos que você remova todos os móveis. E mesmo se você fizer isso, enfrentar vários graus fora de um quadrante para olhar para o leste pode parecer esquisito e até mesmo totalmente estranho. Já estive lá e fiz isso com as pessoas, e depois dos rituais, as pessoas passam mais tempo falando sobre como as coisas pareciam “erradas” do que os efeitos espirituais do ritual ou outros tópicos metafísicos.

Então, o que pode ser feito? Fácil. Lembre-se, a magia cerimonial, com todas as suas decorações e itens rituais, ainda é prática. Tem que estar focada na obtenção de resultados. Portanto, aqui está o que você pode fazer:

  1. Se a sala tiver alguma janela, use cortinas para que, quando estiver pronto para fazer o ritual durante o dia, você não possa dizer onde está o
  2. Selecione um lado da sala para ser o “Oriente Espiritual” e declare-o como tal. Execute o RMBP, e após a Evocação dos Arcanjos, e antes da repetição da Cruz Cabalística, diga: “Diante de Deus e de todos os seres espirituais reunidos aqui, declaro que este lado da sala é agora, e em todo o futuro será, o Oriente Assim seja.”

A partir deste momento, trate aquele lado da sala como se fosse o Leste em todas as situações, especialmente durante os rituais.

Existe uma regra simples para entender os ataques psíquicos:

Ataques psíquicos sempre perseguem seu elo mais fraco.

Você tem problemas para dormir? Um ataque psíquico atingirá seus padrões de sono. Você tem asma grave? Um ataque psíquico atingirá sua respiração. Você tem problemas de estômago? Um ataque psíquico atingirá sua digestão. Você tem certos medos? Um ataque psíquico os tornará mais fortes. Você acha que não é tão brilhante quanto os outros? Um ataque psíquico o deixará mais inseguro. Você duvida da fidelidade do seu parceiro romântico? Um ataque psíquico aumentará suas dúvidas e pode prejudicar o relacionamento.

No entanto, todo e qualquer um desses sintomas pode ter uma causa completamente natural e não ser devido a um ataque psíquico. Portanto, como prática comum, pense primeiro nas causas naturais e, por último, no ataque psíquico. Faça tudo o que puder para verificar esses sintomas por meios não mágicos. Consulte médicos, parapsicólogos, psicólogos e qualquer pessoa que possa ajudá-lo a resolver esses problemas. Lembre-se de que é provável que não sejam de um ataque psíquico real. Somente depois de eliminar todas as outras causas potenciais, você deve considerar que um ataque psíquico pode estar por trás da situação.

Técnica para Superar um Ataque Psíquico

Este excelente método de repelir ataques psíquicos é derivado do Guia Prático de Autodefesa Psíquica de Denning e Phillips.

  • PASSO UM. Feche os olhos e gire em um círculo até que você possa sentir a direção de onde o fluxo real ou imaginário de energia negativa está Permita que seus sentidos se espalhem enquanto você gira lentamente em um círculo. A sensação de energia pode ser leve ou forte. Pode parecer quente ou frio. Pode vibrar ou parecer ter uma cor ou cheiro específico que não deveria estar ali. Conforme você espalha seus sentidos astrais, use-os para ver, sentir, ouvir ou provar algo que não pertence a eles. Essa é a direção de onde vem o fluxo de energia negativa, real ou imaginária.
  • PASSO DOIS. Depois de encontrar, corajosamente encare essa direção! O caminho de um magista não é para covardes. Fique orgulhoso e ereto, e visualize em sua testa um pentagrama azul- elétrico brilhante com uma ponta para cima. Agora leve as mãos à testa para envolver a estrela As mãos devem estar planas com os polegares encontrando-se nas sobrancelhas e os dedos encontrando-se acima, com as palmas para fora. Portanto, você tem um triângulo, o chamado “Triângulo da Manifestação”, circundando o pentagrama com os polegares como a linha basal do triângulo (veja a figura acima).
  • PASSO TRÊS. Agora respire fundo e, ao expirar, dê um passo à frente com o pé esquerdo e estenda as mãos para a frente, ao mesmo tempo que visualiza o pentagrama em sua testa voando na direção para a qual você está voltado. Isso terá o efeito de mandar embora a negatividade do ataque psíquico real ou imaginário.
  • PASSO QUATRO. Para evitar que ele retorne, crie uma esfera de invulnerabilidade executando imediatamente todo o RMBP. (Esta é uma das razões pelas quais o RMBP deve ser )

Ataques Psíquicos e o Limão Que Não Existia

Algumas pessoas questionam meu comentário de que “a mente inconsciente não sabe a diferença entre realidade e imaginação”. Este é um conceito importante porque, se for verdade, fica mais fácil entender como simplesmente acreditar ou imaginar que você está sob um ataque psíquico pode ter os mesmos resultados de um ataque real.

Surpreendentemente, é realmente muito fácil mostrar como a imaginação pode controlar o corpo físico. Faça esta experiência: imagine-se entrando em sua cozinha. Veja as bancadas e ouça o som de seus pés enquanto caminha até a geladeira. Abra a geladeira e imagine que está sentindo o fluxo repentino de ar frio saindo de sua direção. Veja todos os alimentos na geladeira.

Agora, abaixe-se e abra a gaveta onde as frutas são guardadas. Ouça o som da gaveta ao puxá-la. Pegue nele e retire um limão. Sinta sua superfície fria, firme e irregular em sua mão. Traga-o ao nariz e imagine que pode sentir aquele cheiro ligeiramente doce e ácido. Feche a gaveta e a geladeira enquanto segura o limão.

Mentalmente, leve o limão ao balcão. Imagine que você abre a gaveta onde guarda suas facas e tira uma afiada. Agora, imagine que você cortou cuidadosamente o limão ao meio. É um limão muito suculento e parte do suco jorra. Pegue uma das metades e corte-a ao meio.

Com a imaginação, pegue um dos quartos do limão e leve-o ao rosto. Um pouco do suco escorre para sua mão e você pode senti-lo frio e adstringente. O cheiro é forte. E agora, leve a rodela de limão até a boca e…

Dê uma grande e suculenta mordida no limão!

Apenas mastigue. Prove aquele suco azedo.

Muito bem. Agora, concentre-se em sua boca real e física. Você percebe como ela produziu um aumento na quantidade de saliva? A produção de saliva é controlada por seu sistema nervoso autônomo. Você não pode simplesmente dizer: “Boca, me dê mais saliva!” e isso acontece. Algo precisa ser acionado. Normalmente, esse gatilho é o sabor da comida ou bebida.

Mas não há limão verdadeiro. É só sua imaginação. Ainda assim, seu inconsciente (que controla o sistema nervoso autônomo) reagiu como se fosse real. Produziu mais saliva.

Da mesma forma, se você acredita que um ataque psíquico está ocorrendo, seu corpo e sua mente consciente responderão como se fossem reais.

Assim como sua boca respondeu ao limão que não estava lá.

Por Que não Usar um “Feitiço de Espelho”?

Muitas vezes me perguntam: “Por que não usar um feitiço de espelho para reverter um ataque psíquico?” Um feitiço de espelho é bastante simples. Você visualiza um espelho para refletir qualquer energia negativa de volta para quem a enviou. Existem duas dificuldades nisso.

Em primeiro lugar, muitos ataques psíquicos são apenas nossa própria crença de que estamos sob ataque. Eles podem parecer reais, mas a energia vem de dentro de nós. Portanto, se você refletir a energia de volta para a pessoa que a enviou, você estará se atacando! Não é uma boa ideia.

É melhor se livrar da energia em vez de criar um ciclo infinito que envia energia de volta para você como resultado de seu auto ataque inconsciente, que, por sua vez, é enviado de volta para você. Ou você pode pensar que sabe quem está enviando a mensagem e refletir a energia para essa pessoa, mesmo que ela não esteja envolvida. Você estará prejudicando uma pessoa inocente.

A segunda razão é que a maioria dos ataques psíquicos não são dirigidos conscientemente. Eles são causados pela raiva de uma pessoa. Esse atacante não sabia o que estava fazendo e assim, eles enfrentariam um feedback cósmico (karma ou o “Ti-koon” cabalístico). No entanto, se você enviar de volta energia negativa para alguém e estiver ciente do que está fazendo, você também enfrentará os efeitos do karma. Não existem “Senhores do Karma” que verão que você está apenas devolvendo o ataque e que você não é responsável. Você é responsável por suas ações e, se agir para prejudicar alguém – mesmo que seja apenas refletindo o que essa pessoa lhe enviou – a resposta kármica será a mesma como se você mesmo tivesse iniciado o ataque.

Lidar com os ataques diários à sua psique de uma multiplicidade de fontes é outro assunto. Fazer o RMBP ajuda, mas o problema é realmente de conscientização. O fato é que a maioria de nós está virtualmente inconsciente – literalmente em transe ou dormindo – por até 95% do tempo em que estamos acordados. “Despertar os dormentes” foi o foco principal do trabalho de Georges Gurdjieff. Também recomendo que você leia o máximo de livros que puder sobre psicologia e Programação Neurolingüística (PNL), pois essas informações irão despertá-lo para como a mente funciona e como as pessoas manipulam umas às outras.

Magicamente, outra maneira de nos tornarmos mais despertos para o mundo ao nosso redor envolve nos tornarmos mais sintonizados com o universo. Uma maneira de fazer isso é registrar em seu diário mágico o dia, a data, as condições do tempo e a fase da Lua na hora de cada ritual que você realizar. Existem também quatro rituais breves (menos de trinta segundos cada) que o ajudarão a sintonizar você com o Sol conforme ele atravessa o céu diariamente.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/ataque-psiquico-protecao-identificacao-e-superacao/