Carl Jung Reloaded

A forma do mundo em que o homem nasceu já está dentro dele como imagem virtual. (Carl Jung)

Carl Gustav Jung era um jovem psiquiatra de Zurique na época em que conheceu e ficou fascinado pelo revolucionário psicanalista Sigmund Freud, no começo do século passado. A admiração mútua durou pouco mais de uma década, tendo os dois rompido relações por incompatibilidades pessoais e intelectuais, principalmente pela rejeição de Jung ao pansexualismo de Freud. Para Jung, o comportamento humano é condicionado não somente pela sua história individual e racial (causalidade), mas também pelos seus alvos e aspirações (teologia). O passado como realidade, e o futuro como aspiração/potencialidade dirigem o comportamento presente.

“O indivíduo vive para os alvos, assim como pelas causas.” (Carl Jung)

No primeiro filme, The Matrix, Neo aprende a viver por sua aspiração, que é primeiro libertar-se de algo que ele não conseguia ver ou saber, mas cuja opressão ele podia sentir em sua alma. Ele buscou essa libertação desesperada e inconscientemente, e foi ajudado por Morpheus e Trinity a sair da Matrix. Após o conhecimento do QUE o subjugava, sobreveio o medo, e a pequenez diante do poder do carcereiro (no caso, as máquinas). Precisou, novamente, de ajuda externa, na figura de Oráculo, que progressivamente o ensinou que buscar os seus objetivos é como respirar (ou amar): não deve haver dúvidas se você pode ou não pode, você apenas respira (ou ama) e aquilo é o natural. Sua mente, enganada (e subjugada) pelas máquinas durante toda a vida, poderia novamente ser enganada (e subjugada) por uma força ainda maior: ele mesmo. Inicia-se todo um esforço de desprogramação (desintoxicação) das limitações que o cerceavam na Matrix.

Foi em um momento de absoluta necessidade, quando não havia espaço para o raciocínio lógico, que uma parte do poder de Neo aflorou, e ele salvou Trinity da queda no helicóptero numa seqüência de acontecimentos que poderíamos chamar aqui de Sincronicidade, onde cada ação ocorreu em seu momento certo, da forma correta. Embora ele tenha tido este momento de epifania, dúvidas ainda pairavam em sua mente, dúvidas essas que o levaram ao erro (a bala que passou de raspão ao tentar desviar) e foi preciso que seu corpo na Matrix morresse (simbólica e literalmente) para que uma nova consciência pudesse despertar. Essa nova consciência, finalmente liberta das amarras da ilusão (Matrix), escolheu ensinar a humanidade o poder dessa libertação.

Assim termina o primeiro filme, que retrata um combate não externo, mas interno, contra a ilusão que nubla a própria mente consciente, ou ego, como veremos nos estudos de Carl Jung:
Ego ou mente consciente

É o responsável por nossos sentimentos de identidade e continuidade e, do ponto de vista da própria pessoa, é encarado como sendo o centro da personalidade. O budismo procura justamente aniquilar o ego, essa falsa percepção de identidade. O ego não foi produzido pela natureza para seguir ilimitadamente os seus próprios impulsos arbitrários, e sim para ajudar a realizar, verdadeiramente, a totalidade da Psique. Se, por exemplo, possuo algum dom artístico de que meu ego não está consciente, este talento não se desenvolve, e é como se fora inexistente. O ego é como o boi da parábola Zen, é a tração. Mas não confunda: o boi não guia, é guiado pelo cocheiro, mas, na maioria das vezes, nós mesmos deixamos o boi tomar o rumo que ele quer.
Inconsciente individual

Onde ficam as experiências que foram reprimidas, suprimidas, esquecidas ou ignoradas, e também experiências muito fracas para marcar a consciência do individuo. É aí que se encaixam os Complexos, que são grupos organizados de sentimentos, percepções e memórias, que ficam no inconsciente, mas atuando de forma determinante no consciente, podendo atuar até mesmo como uma personalidade autônoma, usando a psique para seus próprios fins.
Inconsciente coletivo

É o alicerce de toda a estrutura da personalidade. Sobre ele estão erigidos o ego, o inconsciente individual e todas as outras

“O conhecimento baseia-se não somente na verdade, mas no erro também.” (Carl Jung)

No segundo filme, Neo é alçado a um patamar de semi-Deus pelos seus amigos e habitantes de Zion. Não apenas ele libertou-se, como dominou o código da Matrix. Neo fica um pouco desconfortável com o assédio, mas seu ego se acomoda bem à posição de Super-Homem, e sua autoconfiança dentro da Matrix é visível, e perigosa. Vejamos o que Jung tem a dizer sobre os papéis que tomamos para nós mesmos e para a sociedade:
Arquétipos

São imagens recorrentes no inconsciente coletivo (formas-pensamento), que expressam e definem uma situação. São mais que um ícone, pois contêm uma grande carga de emoção (além da informação) que é transmitida a quem vê. Ex: Jesus na cruz simboliza um arquétipo de ser bondoso que sofreu injustamente e resignado, o que causa um efeito anestésico (inconsciente) em quem está passando por provações (por identificação). Já a andrógina e decidida Trinity se tornou (pra muitos) um arquétipo feminino desta geração, assim como sensual e produzida Marilyn Monroe o foi para a geração dos anos 60. Uma vez que esses arquétipos são assimilados pela pessoa, são trabalhados individualmente, podendo até assumir o controle da personalidade (no caso da Sombra). Não é preciso entrar em contato sensorial com o arquétipo para que eles atuem, já que cada indivíduo nasce com acesso a toda a “biblioteca de Arquétipos”, via Inconsciente Coletivo.
Persona

É a máscara usada pelo indivíduo em resposta às convenções e tradições sociais e às suas próprias necessidades arquetípicas internas. É o papel que a sociedade lhe atribui, que espera que você represente na vida. O propósito da máscara é produzir uma impressão definitiva nos outros e, muitas vezes (embora não obrigatoriamente) dissimula a verdadeira natureza do indivíduo, em oposição à personalidade privada, que existe por trás da fachada social. Se o ego se identificar com a persona, como freqüentemente o faz, o indivíduo terá mais consciência do papel que está representando do que de seus sentimentos genuínos. Será sugado pelo personagem, tornando-se um alienado de si mesmo e toda a sua personalidade toma um aspecto superficial e bidimensional (a persona assemelha-se, em certos casos, ao superego categorizado por Freud). O pós-estruturalismo veio reforçar a idéia do papel como esvaziador da potência do indivíduo, como um chefe que se deixa tomar pela importância do cargo, ou homem/mulher que sofre ou se anula em prol de um símbolo, que é a família ou o casamento. Lidamos com esses símbolos todo dia, seja em casa (com o pai, irmão), seja na rua (com o guarda), nos afazeres (com o professor, o chefe), até mesmo indiretamente (como o governador e o presidente), os símbolos se interpõem entre nós e as pessoas, assim como um software de computador nos apresenta um conjunto de símbolos que intermedia nossa comunicação com o processador da máquina.

“Mais cedo ou mais tarde tudo se transforma no seu contrário.” (Carl Jung)

“Aceite que tudo gira em torno do sexo, Mr. Jung. É inevitável!”

Continuando o filme, surge o combate de Neo com Smith. Neo fica surpreso em ver como ele está mais forte, e tem de fugir para não perder o combate. Aqui fica claro que há uma estreita relação entre os dois, que ambos podem intuir, mas, como ambos se detestam, não podem compreender as implicações de que um é instrumento de evolução do outro.
Sombra

O arquétipo da Sombra é o lado escuro da mente, moradia do inconsciente. Lá estariam guardados os instintos animais que o homem herdou de espécies primitivas na evolução, e também as funções menos utilizadas da personalidade. É representada pelas idéias, desejos e memórias que foram reprimidos pelo consciente, por ser incompatível com a Persona e contrárias aos padrões morais e sociais. Quanto mais forte for nossa Persona, e quanto mais nos identificarmos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos. A Sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Em sonhos, a Sombra freqüentemente aparece na forma daquilo que detestamos. No caso de Neo, um engravatado do governo. 

O estruturalismo (Lévi-Strauss, Barthes, Lacan etc) e a teoria dos sistemas (Luhmann) decretaram a “morte do sujeito”, o indivíduo do pensamento iluminista, em favor da sociedade ex-machina, vista de cima, de forma pragmática e objetiva. Esse é o papel do Arquiteto, o programa que construiu a Matrix. Para ele pessoas são números, equações que ele deve manter equilibradas. Entretanto, o ser humano é imprevisível, e alguns poucos desequilibraram o sistema várias vezes, causando um colapso.

O pós-estruturalismo defende que é a interação entre os elementos de um sistema que causa a entropia que destrói a estutura. Cuidar desses elementos individuais é o papel de Oráculo, um programa de salvaguarda do “sistema Matrix”. Ela tenta equilibrar os interesses do Arquiteto com o dos humanos “revoltados”, e naturalmente evoluiu para ser a intermediadora entre os dois lados.

Anima e Animus

Anima (alma, em latim) é a representação feminina no inconsciente do homem (que idéia ele faz, no seu íntimo, da mulher). O caráter da Anima é, em geral, determinado pela sua mãe. Se o homem sente que sua mãe teve sobre ele uma influencia negativa, sua Anima se manifestará de forma negativa, ou seja, ele poderá ser inseguro, apático, com medo de doenças, de impotência ou de acidentes (se ele conseguir combater essas influências negativas da Anima, sua masculinidade tende a fortalecer-se). A vida adquire um aspecto tristonho e opressivo, que pode levar o homem até mesmo ao suicídio. Se, por outro lado, a experiência com a mãe tiver sido positiva, a Anima poderá deixá-lo efeminado ou explorado por mulheres, incapaz de fazer face às dificuldades da vida (menino criado com vó dá nisso!). A manifestação mais freqüente de Anima é a que toma forma como fantasia erótica, que leva o homem a consumir revistas pornográficas, sex-shows, etc. É um aspecto primitivo e grosseiro da Anima, mas que só se torna compulsivo quando o homem não cultiva suficientemente suas relações afetivas – quando sua atitude para com a vida mantém-se infantil.Animus (espírito, em Latim) é o lado masculino no inconsciente da mulher. Assim, uma mulher muito feminina tem uma alma

“O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas. Se há alguma reação, ambos são transformados”

masculina não desenvolvida (trabalhada). Em seu relacionamento com o mundo, se ela é impressionável, calorosa, estimulante e envolvente, seu lado masculino interior será muito diferente: duro, crítico, agressivo, prepotente… O Animus (assim como a Anima) possui 4 estágios de desenvolvimento: o primeiro como personificação da força física (o atleta, a força pelos músculos), no estágio seguinte, como o homem de ação (iniciativa e planejamento). No terceiro, manifesta-se como verbo, como professor, e na quarta e mais elevada manifestação torna-se (assim como a Anima) mediador de uma experiência na qual a vida adquire um novo sentido. Dá à mulher uma firmeza espiritual e um amparo interior, que compensa sua brandura exterior. Relaciona a mente feminina com a evolução espiritual da época, tornando-a assim mais receptiva a novas idéias criadoras do que o homem. É por este motivo que antigamente, em muitos países, cabia à mulher adivinhar o futuro ou a vontade dos Deuses. A audácia criadora do seu Animus positivo expressa, por vezes, pensamentos e idéias que estimulam a humanidade a novos empreendimentos.

Anima/us é também uma Sombra, e como tal pode ser projetada. Isso é feito quando a pessoa apaixona-se logo de cara, quando diz “É essa/esse!” e parece que se conhece essa pessoa há tempos. Pessoas fascinantemente misteriosas são as mais fáceis do homem/mulher projetar sua Anima/us, pois em torno delas pode-se tecer as mais variadas fantasias. Para sair desta ilusão é preciso reconhecer o Anima/us como um poder e qualidade interior. O objetivo de todo esse jogo do inconsciente é forçar o ser humano a desenvolver e amadurecer o próprio ser, integrando melhor a sua personalidade inconsciente e trazendo-a à realidade da vida (mesmo que seja através de subterfúgios, como projeções).

“Cada homem sempre carregou dentro de si a imagem da mulher; não a imagem desta ou daquela mulher, mas uma imagem feminina definitiva.” (Carl Jung)

Mas a Anima/us não é só negativa. Ao contrário, uma Anima bem trabalhada pode levar o homem ao seu pleno potencial. A função mais importante da Anima é ajudar a sintonizar a mente masculina com seus valores interiores positivos, assumindo então uma posição de mediadora entre o mundo interior e o Self. E é através deste desejo íntimo de trabalhar aspectos que o homem não possui, que um homem tímido tende a procurar alguém que seja extrovertida. Como no velho ditado “os opostos se atraem”, ou a “cara metade”, a “banda da laranja”, etc. As pessoas buscam o oposto nas outras pessoas quando na verdade é um subterfúgio do inconsciente para encontrar o oposto dentro delas mesmas.

“Atrás de um grande homem sempre existe uma grande mulher“. Verdade, embora o contrário também seja verdadeiro. Vemos este arquétipo de Anima como a salvação, a luz no fim do túnel, no livro A Divina Comédia, onde Beatriz guia Dante através de um (significativo e simbólico) caminho tortuoso e íngreme, que o leva à redenção (luz). Trinity simboliza a Anima de Neo em Matrix, e através dela (direta e indiretamente) ele pôde manifestar suas potencialidades. Na Índia vemos essa dualidade/complementação no casal de Deuses Shiva/Kali e Vishnu/Parvati.

No terceiro filme Neo fica cego (simbolicamente perdido, cercado pela escuridão) e é guiado (literalmente pela mão) por Trinity, que pilota a nave até seu objetivo (a cidade das máquinas). Antes, porém ela Neo até a luz do Sol (símbolo pra uma nova iluminação, uma nova compreensão).

A Anima/us vai muito mais fundo na contraparte da personalidade (lado oposto inconsciente) que a Sombra. Se a imagem da

Se todas as funções pudessem ser igualmente fortes no consciente e harmonizadas (como se dispostas na borda de um círculo) o centro desse círculo seria o Self realizado plenamente. É o núcleo, mas também é toda a esfera. O problema é que nem sempre acessamos este núcleo. Mas não fiquem pensando que é um ponto localizável na alma humana, algo que possa ser acessado tipo “ah, eu estou falando com o Self” porque ele é um conjunto que define o ser humano como um TODO, e o ser humano TAMBÉM é sua coletividade e seu meio (inconsciente coletivo). A abordagem do Self vem de encontro à filosofia Zen, quando diz:

“Se o Zen Budismo considerasse importante expressar-se aqui apoiado no uso da terminologia, poderia fazê-lo do seguinte modo: o centro do ser situa-se além da multiplicidade, da identidade/diversidade e, no entanto, não se situa além delas. E, como situar-se além e não-além disto é igualmente uma contradição, acrescentar-se-ia como explicação: o centro do ser não é um nem outro, nem ambos, e absolutamente não pode ser descrito por meio do pensamento. Quem desejar saber o que ele é, deve percorrer o Caminho Zen”

(O caminho Zen, de Eugen Herrigel)

Nicolau de Cusa, monge filósofo do século XV, já usara imagem semelhante ao referir-se à onisciência divina: “Deus é uma esfera cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não se delimita em parte alguma”.

Self

O Self é o objetivo da vida. Um alvo pelo qual as pessoas sempre lutam, mas raramente atingem. Os arquétipos dessa realização são Jesus e Buda (meus heróis, meus heróis!). O Self pode ser definido como um fator de orientação intima. Jung o compara ao daemon, ou gênio (que hoje chamamos de guia espiritual ou anjo da guarda), seja ele interior ou exterior a você. O Self é o ponto central da personalidade, em torno do qual giram todos os outros sistemas. Ele sustenta a união desses sistemas, e fornece unidade, equilíbrio e estabilidade à personalidade. Antes de o Self emergir, é necessário os vários componentes da personalidade se desenvolvam plenamente. Por essa razão, o arquétipo do Self não se torna evidente até que o indivíduo tenha atingido a idade madura. Nessa época, ele procura deslocar-se do ego consciente para um ponto a meio caminho entre o consciente e o inconsciente. Manter-se nessa região intermediária constitui-se no domínio do Self. Qualquer semelhança com o caminho do meio, de Buda, não é coincidência.

“Não posso lhe dizer como é um homem que goza de uma completa auto-realização, nunca vi nenhum… Antes de buscar a perfeição, devemos viver o homem comum, sem mutilação” (Carl Jung)

Individuação

É um processo ininterrupto de aprimoramento pessoal. A harmonização do consciente com o Self. O caminho para a iluminação. Todos estamos num processo de Individuação, no entanto, a grande maioria não o sabem. Mas os que estão suficientemente conscientes deste processo, podem tirar algum proveito disso.

Mas não é assim tão é fácil: o ego reclama, pois se sente tolhido em suas vontades ou desejos, e projeta essa frustração sobre qualquer objeto exterior (Deus, a economia, o vizinho, o namorado(a) ou o trabalho). Algumas vezes tudo parece estar bem com a pessoa, mas no íntimo ela sente tédio e um vazio mortal. Há também o perigo de identificação com a Persona. Aqueles que o fazem tendem a tentar tornar-se perfeitos demais, incapazes de aceitar seus erros ou fraquezas, ou quaisquer desvios de sua auto-imagem idealizada. Aqueles que se identificam totalmente com a Persona tenderão a reprimir todas as tendências que não se ajustam, e a projetá-las nos outros, atribuindo a eles a tarefa de representar aspectos de sua identidade negativa reprimida.

“Nós não podemos mudar nada sem que primeiro a aceitemos” (Carl Jung)

Há alguns estágios básicos para a Individuação, que são: reconhecer as máscaras (persona), confrontar a Sombra, a Anima /

Neo se defronta com as questão do que é “real” várias vezes durante os filmes. Primeiro, ele teve de se libertar da ilusão da Matrix, depois da ilusão do ego e, por fim, da ilusão da individualidade. Somente quando percebeu que não tinha sentido combater pela eternidade a Sombra (Smith) foi que Neo se deixou levar pelo SENTIDO dos acontecimentos, que no filme é chamado de propósito. Todos ali têm uma missão, uma programação, mesmo fora da Matrix. Era o indicativo de que, para além do Arquiteto e da Matrix, existiria uma OUTRA Matrix mais sutil, e percebemos isso claramente quando Neo, ao Individuar-se (na fusão com Smith) é simbolicamente retratado como Jesus na cruz – pois cumpriu o trajeto dos Mestres Crísticos, que colocaram a missão acima da individualidade – para depois sumir em uma luz que representa uma flor de Lótus (símbolo da transcendência da alma).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/carl-jung-reloaded

Egrégoras, o segredo do “Segredo” – parte II

“Pois onde se acham dois ou três reunidos

em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

Mateus 18:20

Olá crianças,

Quem está lendo esta coluna pela primeira vez, provavelmente pode ter alguma dificuldade em acompanhar o que eu vou explicar sobre egrégoras, afinidades energéticas e ressonância. Eu sugiro primeiro ler estas colunas AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI sobre múltiplas dimensões, a formação de Egrégoras, Magia Sexual e Ordens Solares e Lunares antes de continuar.

Especialmente a primeira parte, porque eu vi nos comentários que teve muita gente que não prestou atenção ao que leu. Não se “abre uma egrégora”, mas sim “abre-se os trabalhos dentro de uma egrégora”. Da mesma forma que não se “fecha uma egrégora”, mas sim “fecham-se os trabalhos dentro de uma egrégora”. As egrégoras já estão lá antes de você nascer e continuarão lá depois que você morrer… você não abre e nem fecha nada!

Egrégoras, por definição, são fruto de DUAS ou mais pessoas. Visualizações de uma pessoa são chamadas construções astrais. Egrégoras também não são criadas do dia para a noite. São necessários MESES ou mesmo ANOS para se estabelecerem. Algumas já estão no planeta há MILÊNIOS.

E não pense que isto é algo “místico” ou “religioso”. Da mesma forma que Igrejas, cultos ou Ordens Secretas possuem suas egrégoras, qualquer faculdade de física, química, engenharia e qualquer laboratório de biologia, química ou física, seja ele da sua escola ou da NASA, possuem sua própria egrégora, que por sua vez estão conectadas a egrégoras maiores do mesmo tipo de pensamento.

E qual a relação das Egrégoras com a nossa vida?

Toda. Quantas vezes não entramos em algum ambiente e nos sentimos desconfortáveis, com mal estar ou até mesmo ficamos com dores de cabeça após algum tempo? O que acontece é que nossos sete corpos, como geradores e receptores eletromagnéticos, ressoam com o ambiente e as pessoas ao nosso redor, onde quer que nos encontremos. Se o ambiente está carregado com uma egrégora que se comporta de uma maneira oposta aos nossos pensamentos, com certeza ocorrerá um choque entre elas e normalmente “os incomodados que se mudam” (claro que existem círculos de proteção pessoal e isolamentos psíquicos, mas isso é OUTRA história que eu comento outro dia… ).

Como já dissemos anteriormente, os planos mentais/astrais e espirituais também vibram em freqüências mais altas ou mais baixas. Conforme você está em ressonância com cada tipo de vibração, você atrai aquilo que você pensa. É a origem dos termos profanos “estar de alto astral” (que significa “o estado de vibração de meu corpo está em ressonância com as altas vibrações do astral”) e “estar de baixo astral”.

Quanto mais opostas as egrégoras, piores as sensações; quanto mais afinidade, melhores as sensações. Esta é a base científica da “Lei da Afinidade” que esses livros de auto-ajuda estão transformando em modinha por ai recentemente, mas não fazem muita noção de como tudo isso funciona.

Fazendo uma comparação simples, seria a mesma coisa que eu escrever um livro chamado “Como operar um acelerador de partículas no CERN”. Meu livro traria passo a passo tudo o que um leigo precisa fazer para realizar com sucesso uma experiência em um acelerador de partículas. O livro diria “entre na sala, coloque sua fantasia de cientista, ligue o aparelho, calibre assim, assim, assado, digite XYZ, coloque os parâmetros tais e tais, blá, blá, blá e aperte o botão vermelho”. Pronto. O leigo fez uma experiência com o acelerador de partículas…

MAS isto não o torna um cientista, não o torna conhecedor de física e muito menos uma pessoa que realmente saiba operar um acelerador de partículas… e se acontecer uma vírgula de parâmetros fora do que está no livro, TODA a experiência vai dar errado, ou pior, em alguns casos, trazer conseqüências que, em último caso, podem ser catastróficas.

Mas os exemplos descritos no livro “o Segredo” funcionam? Em termos…

Mozart, Beethoven, Abraham Lincoln, Benjamin Franklin e outros exemplos ali eram Iniciados e sabiam o que estavam fazendo. Não estavam copiando “receitas de bolos”. Ganhar na loteria, ganhar carros 0km, o amor da sua vida e tudo mais o que estão prometendo não vão “cair do céu”. Além de Visualizar, você vai precisar BATALHAR por isso…

E a questão da crença?

Não há crença ou descrença… Perguntar para alguém “você acredita na Lei da Atração?” ou “você acredita na Lei do Karma?” é tão estúpido quanto perguntar “você acredita na Lei da Gravidade?”. Não faz a MENOR DIFERENÇA se a pessoa acredita ou não nestas leis, ela está sujeita à suas ações de qualquer maneira. O fato de alguém não acreditar na Lei da Gravidade não vai fazê-la voar da mesma maneira que o fato de uma pessoa não acreditar na Lei da Atração ou Lei do Karma não vai fazê-la atrair egrégoras diferentes das que está atraindo ou deixar de sofrer as conseqüências das ações que realiza.

Entrando em sintonia com as Egrégoras

Como vocês já perceberam, estamos envolvidos a todo instante com dezenas, centenas, milhares de egrégoras de todos os tamanhos (de uma maneira análoga a um rádio que está envolvido por dezenas, centenas, milhares de freqüências ao mesmo tempo). Carl Gustav Jung chamou este mar de egrégoras de “Inconsciente coletivo”.

Para os iniciados, este mar de idéias é uma fonte inesgotável de inspiração, um universo de deuses, alegorias e mistérios a serem explorados, a fonte primordial na qual bebem todos os grandes artistas, inventores, cientistas e escritores.

Porém, a imensa maioria da população mundial está tão adormecida que suas mentes são um enorme depósito de poluição mental, ou seja, é como se o seu “rádio mental” estivesse o tempo todo com chuviscos, sintonizando dezenas de estações ao mesmo tempo. Preocupados em quem matou fulana na novela, que time está em qual divisão, que celular ele deve comprar, que cerveja deve tomar para conquistar as mulheres, ou sintonizado nas estações que as otoridades querem que você sintonize. Não é de se admirar que o planeta esteja um caos.

E como “sintonizamos” direito estas estações? Através da meditação e controle de nossos pensamentos.

Da mesma maneira que sintonizamos um rádio: se queremos escutar futebol, colocamos na rádio que transmite futebol; se queremos escutar música, colocamos na rádio que tem a música que queremos; se queremos escutar notícias, colocamos na estação de notícias. Não ficamos mudando de estação a cada 5 segundos.

Existe uma máxima zen budista que diz “Esteja presente no presente”. As pessoas comuns ficam pensando no trabalho quando estão na cama com suas esposas, ficam pensando na praia quando estão no trabalho, ficam pensando no trânsito da volta quando estão na praia, ficam pensando no futebol quando estão fazendo prova, nos problemas da vida quando estão no cinema e na namorada quando estão estudando… ou seja… não fazem nada direito, nada rende e eles não sabem por quê não têm tempo para nada. Sem contar o stress.

Aprendendo como funcionam as egrégoras, nossa vida se torna muito mais produtiva: Quando estamos com uma amiga na cama, aquilo é a única coisa no universo que existe naquele momento; quando estamos almoçando, desligamos nossos celulares e apreciamos a companhia que está almoçando com a gente; quando estamos no trabalho, não ficamos batendo papo no msn ou internet; quando estamos no cinema, assistimos o filme, quando estamos em ritual, estamos em contato com o divino, quando estamos treinando, estamos esculpindo nossos corpos, e assim por diante.

Assim como o conhecimento de nossos chakras e do fluxo de energias internas, precisamos conhecer também o fluxo de energias externas que entram em contato com nossos corpos para estarmos sempre em equilíbrio. Através do auto conhecimento e do trabalho com as egrégoras, conseguiremos muitos prodígios.

Como a Liliancomentou comigo depois da palestra da semana passada: “quando o orador terminou de ler todo o seu currículo e você levantou para falar, eu achava que você era um daqueles professores de 50 anos… como você consegue tempo para fazer todas estas coisas?” Não há nenhum “Segredo” nisso. É tudo uma questão de abrir e fechar as portas de cada coisa que você for fazer. Qualquer pessoa que se dedique consegue.

Exemplos de abrir e fechar trabalhos no mundo profano

Todos devem se lembrar do costume de nossos avós de “dar graças” antes das refeições. Apesar de ter adquirido uma casca religiosa, este era (e é) um costume ocultista que os sacerdotes egípcios já tinham 6.000 anos atrás.

Quando uma pessoa senta à mesa, esta ação de dar graças a alguma divindade, seja ela externa ou interior, é o que abre os “trabalhos” desta refeição em conjunto com uma egrégora de tranqüilidade (seja ela budista, egípcia, nórdica, wiccan, cristã, católica, etc… ). O ato de comer é um ritual. O que não quer dizer que você precise comer em silêncio (a menos que você esteja sozinho, o que torna este momento o melhor do dia para meditar em silêncio) mas, se estiver acompanhado, aproveite este momento para conversas construtivas ou reuniões de negócios proveitosas (ao invés de apenas ficar falando mal das pessoas que não estão presentes). Ao final da refeição, agradeça ao seu deus interior e volte ao mundo profano.

Locais de Influência

Assim como todos os outros fenômenos eletromagnéticos, existem locais na Terra que intensificam estas vibrações e outros que as prejudicam. Círculos de Pedras, Pirâmides e Catedrais (que foram erguidas sobre Linhas de Ley) servem como potencializadores de determinadas egrégoras, em rituais que sejam realizados ali; o Vaticano ou uma igreja são centros de egrégora do catolicismo; um estádio de futebol é o centro de egrégora de um time; um terreiro de umbanda, um centro kardecista ou uma Loja Maçônica intensificam os trabalhos ali realizados; um presídio ou um laboratório também intensificam as idéias ali debatidas.

Todos os especialistas em futebol dizem que é mais difícil derrotar um time quando ele está “em casa”. Por quê? O campo é do mesmo tamanho, as traves estão no mesmo lugar, a bola é a mesma e ninguém além dos 22 jogadores e juízes está em campo… qual é a diferença, então? Mas as estatísticas fornecem dados incontestáveis de que é mais complicado vencer um jogo estando “no campo adversário”. Por quê? Por causa das influências de Egrégora. Como eu disse anteriormente, elas não são suficientes para ganhar, mas influenciam.

Da mesma maneira, quando médiuns escolhem locais especialmente preparados para manifestações espirituais, não é uma “desculpa”, mas sim uma preparação do ambiente para vencer as barreiras físicas/astrais e permitir estas manifestações no plano físico.

Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece

Esta é toda a base do tal do “Segredo”. A ressonância entre egrégoras. Peça e receberá.

Da mesma forma que cada onda de rádio e TV viaja pelo espaço e tem uma freqüência característica de vibração, a onda de cada emissora tem uma freqüência própria, diferente da freqüência das demais emissoras. Sintonizar uma emissora significa fazer seu receptor de rádio ou TV entrar em ressonância com a onda da emissora.

Da mesma forma que ocorrem com as egrégoras. Se seus pensamentos ressoam de uma determinada maneira, mais cedo ou mais tarde você encontrará ondas provenientes de alguma egrégora que esteja vibrando nesta mesma freqüência.

E através da sincronicidade, o universo conspirará para que você e estas egrégoras se aproximem. E isto não tem absolutamente NADA a ver com bem, mal, céu, inferno, merecer, desmerecer, ocultistas, céticos ou religiosos. Funciona até mesmo se você for ateu! A palavra chave aqui é VONTADE (Thelema).

#Egrégoras #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/egr%C3%A9goras-o-segredo-do-segredo-parte-ii

Ciência, Religião e Religiosidade

Acredito que há um equilíbrio entre os malefícios e os benefícios da religião (nos últimos séculos pendendo para o malefício). Religião não é importante, mas sim a religiosidade inerente a TODAS elas. Religião é pró-forma. Religiosidade é atitude de vida. Um budista não precisa sair por aí de bata laranja pra lembrá-lo dos seus deveres enquanto budista. Um crente não precisa esquentar a bíblia debaixo do braço e se envolver em discussões teológicas até pra comprar um pãozinho… Eu faço essa distinção, que na minha mente é clara, de que não precisamos de religião (rótulo), e sim de atitudes religiosas (de qualquer religião). Religião escraviza, formata a pessoa num certo dogma. Religiosidade liberta, porque não pode ser confinada a uma religião. Jesus não patenteou o lema “amai-vos uns aos outros”, isso está no cerne de várias religiões, e é convenientemente esquecido por todas. A Inquisição NUNCA teria existido se tivesse havido religiosidade na Igreja Católica da Idade das trevas (e penso eu que ela ainda continua saudosista).

Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega

(Albert Einstein)

A ciência, quando tomada como religião, é tão ou mais nociva quanto as Religiões “de fato”, porque ela primeiramente nem é pra ser tomada como Verdade absoluta (tem sempre o “até que se prove o contrário”), mas muitos fazem disso o seu Dogma. Como levar a sério quando os cientistas dizem em um ano: “Café faz mal” e no outro, sob pressão da indústria dos cafeicultores, dizem que “Café faz bem”? Eu li essas notícias… Tudo baseado por amostragens, com 1.000 ou 2.000 pessoas que, se uma delas brochar ou brigar no trânsito, afeta completamente o resultado da pesquisa… Quando leio que “Vinho faz bem” e “Videogame faz mal” fica evidente que há alguma manipulação (não de resultado, mas de abordagem) baseada no preconceito, onde a Ciência não está sendo guiada por cientistas de verdade, da mesma forma que o Cristianismo não está sendo conduzido por cristãos de verdade! Mas não se pode jogar na lata do lixo nem um nem outro… precisamos sim ter discernimento, conhecimento de causa, pra ir buscar nós mesmos as respostas para o grande mistério da Vida… Até porque somos parte essencial da resposta.

A ciência é incapaz de resolver os mistérios finais da natureza, porque nós somos parte da natureza e, portanto, do mistério que tentamos resolver

(Max Planck)

“Assim como a religião não conseguiu aniquilar a ciência, a ciência também não poderá aniquilar a religião, pois ambas estão fundamentadas em leis idênticas. Entre elas não existe nem separação, nem contradição. As separações e as contradições existem apenas nas mentes dos ignorantes, que não sabem como Deus criou o universo. A ciência, bem compreendida, só pode ajudar os crentes a concentrarem-se no essencial. Assim como a religião, se bem compreendida, dá à ciência a sua verdadeira dimensão. Cada uma delas tema sua própria função e, desde já, devem coexistir um religioso e um cientista em todo ser humano. Realmente, para que religião e ciência não se combatam mais entre si na sociedade, elas devem parar de se combater no ser humano, pois é exatamente aí que se produzem os maiores desastres. Quando um homem de fé se opõe a um homem da ciência, ou vice-versa, cada um deles pensa que está atacando um adversário externo a ele. Nada disso, está atacando a ele mesmo!”

(Omraam Mikhaël Aïvanhov)

A ciência nos afasta de Deus, mas a ciência pura nos aproxima de um Criador

(Albert Einstein)

A Ciência cuida do Homem, enquanto a Religião cuida da Alma… Só que não dá pra separar a Alma do Homem, e a Filosofia deveria fazer essa ponte de forma “oficial”. Só que ela se tornou por demais acadêmica, e Platão é estudado apenas como uma mera curiosidade epistemológica do pensamento humano… Ironicamente Sócrates, o pai da dialética, foi alçado à condição de “fundamento da filosofia” e seus estudantes não fazem mais do que balançar a cabeça, em concordância com suas teorias e ensinos. É por isso que gosto de Matrix: pegou a idéia de Sócrates e expandiu-a, revestiu-a de novos conceitos, novos questionamentos, trouxe-a para as massas novamente (como Sócrates gostava de fazer) e nos fez questionar, nem que seja por um segundo: o que é “real”?

O mundo que habitamos está invertido em relação ao mundo onde a alma se eleva

(Livro dos mistérios cabalísticos)

Esse post é resultado direto de um bate-papo mental com meu “EU”, que chamo de Grilo Falante. Há meses que não o “acessava”, e calhou de ser agora, enquanto preparava meu almoço. Para a ciência médica eu sou um esquizofrênico. Para a psicologia eu acessei meu ID, ou o inconsciente coletivo da humanidade; Para a Teosofia eu acessei meus corpos mais sutis; Para os crentes eu estou endemoniado ou então falei com o espírito santo (a depender do que eles achem da mensagem); Para a filosofia eu falei com um daemon (gênio bom), enquanto para o espiritismo posso ter me comunicado telepaticamente com algum espírito… e, no fim, a única coisa concreta é esse post (aliás, nem isso, já que são tudo dados magnéticos)… afinal, o que é “real”?

#Ciência #Religião

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ci%C3%AAncia-religi%C3%A3o-e-religiosidade

[parte 4/7] Alquimia, Individuação e Ourobóros: A arte Alquímica

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“Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser. Tudo morre, tudo refloresce, eternamente transcorre o ano do ser. Tudo se desfaz, tudo é refeito; eternamente constrói-se a mesma casa do ser. Tudo se repara, tudo volta a se encontrar; eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser. Em cada instante começa o ser; em torno de todo o “aqui” rola a bola “acolá”. O meio está em toda parte. Curvo é o caminho da eternidade.”

– Nietzsche

Alquimia

Esta é a quarta parte da série de sete artigos “Alquimia, Individuação e Ourobóros”, que é melhor compreendida se lida na ordem. Caso queira acompanhar desde o começo, leia as parte 1, 2 e 3.

No post anterior, vimos que, o arquétipo de Hermes, juntamente com o simbolismo do caduceu, serve como organizador e centralizador da psique, atuando no “caos primordial”, estruturando-o e elevando seu potencial. Este caos primordial é análogo ao conceito de prima matéria dos alquimistas. Ambos os conceitos se apresentam como uma fonte de energia desordenada, cuja harmonização permite a obtenção de um potencial incalculável.

“Nasce como uma ciência natural que busca a compreensão da própria natureza a partir de uma especulação filosófica, como se pode ver já na filosofia pré-socrática no século VI a C. É dela que nasce o conceito de prima matéria a partir da crença de que o mundo tinha origem em uma única substância que era subdividida nos quatro elementos terra, ar, fogo e água, os quais, segundo diferentes recomposições faziam surgir todos os objetos físicos existentes no universo. Esta idéia, a prima matéria, teve sua evolução chegando com Aristóteles a ser considerada como pura potencialidade, que em seguida adquire forma, quando é atualizada na realidade.” (SANTOS, 2013)

Para Jung (2008), a manipulação da prima matéria, correspondente aos aspectos inconscientes dissociados. O alquimista tem que realizar a Opus Alquimica, que corresponde ao processo de individuação, transformando seus conteúdos internos e os trazendo a luz da consciência. Esse processo acontece através de três (podem ser quatro) momentos alquímicos e psíquicos: nigredo, albedo, rubedo. Vale a pena frisar que as metáfora alquímicas compreendem um vasto simbolismo, que varia entre os alquimistas e pesquisadores, porém todos resultam no mesmo objetivo: a obtenção da pedra filosofal.

Dentro destes momentos, pode-se dividir a Opus em diferentes estágios, que variam dentro do arcabouço alquímico, mas que neste trabalho, será utilizado as definições de Hauck (1999), podendo ser resumidas em sete estágios de transformação: calcinação, dissolução, separação, conjunção, fermentação, destilação e coagulação.

Esta imagem mandálica é um clássico da alquimia medieval, ela foi primeiramente publicada em 1959 pelo alquimista alemão Basil Valentine, e representa o conceito de Azoth:

“Azoth era considerado como um remédio universal, ou solvente universal utilizado na alquimia. Seu símbolo era o caduceu; o termo, que foi originalmente um nome para uma fórmula oculta necessária para os alquimistas parecida com a pedra filosofal, se tornou uma palavra poética para o elemento mercúrio, o nome é proveniente do Latim Medieval, uma alteração de “azoc”, sendo originalmente derivado do árabe “al-zā’būq”, que significa “o mercúrio”.” [tradução livre] http://en.wikipedia.org/wiki/Azoth

Esta imagem irá nos guiar frente ao simbolismo utilizado na metáfora alquímica. No centro da imagem temos o homem, alquimista. A sua direita, um rei, princípio masculino, solar, a sua esquerda uma rainha, princípio feminino, lunar. A dicotomia já nos é evidente, sugerindo que a integração destes aspectos seriam necessários para atingir a Opus.

Podemos notar a presença dos quatro elementos, como manifestação quaternária do todo, associados à tipologia junguiana. Vemos na imagem, o pé direito do homem na terra, seu pé esquerdo na água, sua mão direta segurando uma tocha, associada ao fogo, e sua mão esquerda segurando uma pena, associada ao elemento ar. Há também os triângulos adjacentes a roda, representando a manifestação trina do corpo, alma e espírito.

Na parte superior da figura, é possível ver uma estranha figura alada, que pode ser associada com o disco solar egípcio ou o topo do caduceu de Hermes (Mercúrio), analisado anteriormente. Exstem uma série de simbolismos na imagem, como por exemplo o leão sob o rei, a salamandra em chamas e os pássaros da roda, porém seria necessário um outro post apenas para interpretá-los.

Por fim, temos a circular dos raios, associados com diferentes cores, que representam os estágios alquímicos. Estes estágios serão nosso foco daqui pra frente.

As etapas Alquímicas

O primeiro raio está associado à calcinação, ou calcinato, intrínseca ao elemento fogo. Para Hauck, esta etapa está psicologicamente associada a morte do ego e destruição dos mecanismos de defesa, a extinção do interesse no mundo material, e as respectivas ilusões associadas a este. Inicia-se o processo de enegrecimento, podemos citar como ilustração desta etapa, “escuro e nebuloso é o início de todas as coisas, mas não o seu fim”, frase de autor desconhecido.

Para Masan (2009), esta operação é realizada na Sombra, onde permanecem os desejos instintivos e não integrados. O fogo é está ligado com a frustração dos desejos, aspecto natural do processo de desenvolvimento associado ao Si-mesmo.

“Os aspectos do ego identificados com as energias transpessoais da psique (Self ou mesmo, o fogo Divino) e utilizados para fins pessoais, sejam de poder ou de prazer, serão calcinados. Quanto maior a dicotomia entre bem e mal, certo e errado, ou seja, quanto maior a polarização desses aspectos neuróticos, mais longa será a calcinação desses elementos, até que o fogo da própria culpa esvazia a balança do julgamento por essa imagem punitiva e compensatória, representada pela ira divina, enquanto imagem arquetípica constelada no psiquismo”(MASSAN, 2009, 26).

O segundo raio está associado com a etapa de dissolução, ou solutio, representada pelo elemento água. Psicologicamente dizendo, está atrelada com a quebra das estruturas artificiais da psique, através da imersão no inconsciente, ou das partes irracionais e rejeitadas. O elemento água como uma abertura das comportas, e inundação de energias pessoais antes cristalizadas, dissolução de aspectos fixos da personalidade.

“A operação apresenta, no aspecto negativo e sombrio, um sentido de dissolução da matéria diferenciada ou conteúdo do ego […]. Por outro lado, em seus aspectos superiores, onde ocorre à transposição de opostos, consolida-se o espírito, ou seja, os aspectos transpessoais da pisque objetiva, o Si-mesmo. É o encontro com o Numinoso, que reestabelece a saúde da relação ego-Self, salvando apenas o que vale ser salvo, os conteúdos realmente alinhados com o Si-mesmo, e redimindo os conteúdos comprometidos, derretendo-os ou reordenando-os em novas estruturas”.(MASAN, 2009, 14)

O terceiro raio diz respeito à separação, ou separatio. É o momento de captar tudo aquilo que sobrou das etapas anteriores e selecionar. É recuperar a energia congelada dos hábitos e pensamentos cristalizados (pré-conceitos, crenças, fobias). Refere-se à essência e energia separada das amarras da matéria. Esta psicologicamente associada à escolha dos aspectos dissolvidos anteriormente, desapegando daquilo que não mais apresenta valor psíquico, explicitando a essência e valores espirituais, portanto, associado ao elemento ar.

“Surge aí à necessidade de dissecar esses conteúdos do inconsciente pessoal e coletivo e realizar a escolha, a separatio, trazendo a consciência, através do ato de julgar, uma vinculação com o Self. Isso requer um poder para arcar com o ônus dessa escolha, uma desvinculação da necessidade de atender aos critérios do outro, mas sim de ser fiel àquilo para o que aponta o Si-mesmo, da mesma forma como não se pode servir a dois senhores, só que sem o domínio neurótico da unilateridade” (MASAN, 2009, 25).

A conjunção, ou coniunctio, é análoga ao quarto raio da figura. Conjunção é a grande guinada do opus alquímico. Notemos que na figura, através do movimento circular, existe o deslocamento das forças da alma (na direita), para o espírito (na esquerda). Em nível pessoal, a conjunção é o fortalecimento do nosso verdadeiro Self, a união dos aspectos masculinos e femininos de nossa personalidade em um novo sistema psíquico. Esta etapa corresponde à ‘pequena pedra’, ou o primeiro esboço do que seria a pedra filosofal atingida no final da operação.

“Conjunção pode ser vista com a criação de um self superior e a conquista do que Carl Jung nomeou de individuação, no qual o self fragmentado é reunido à um todo original. A criação desta pessoa completa e harmoniosa significa que atingimos nosso máximo no plano terrestre”. (HACUK, 1999, 162)

Associada então com o elemento terra, a conjunção pode ser divida em duas sub-etapas, segundo Masan: coniunctio inferior e superior. Na primeira, a união dos opostos separados de forma imperfeita, resulta em algo que deverá ser submetido a novos procedimentos.

Masan define que a coniunctio inferior acontecerá sempre que o ego identificar aspectos inconscientes, como a sombra, anima, ou mesmo o Si-mesmo (Self), através de uma perspectiva introvertida ou coletiva. Essa identificação deve ser ‘purificada’, ou seja, eliminada, redimida, para dar continuidade ao processo de individuação. A coniunctio superior representa a conjunção mor dos aspectos previamente impossíveis de serem integrados. Após passar pelos estágios anteriores da Opus, a prima matéria pode finalmente ter seus opostos complementados.

“Assim como na alquimia, a psique, dentro do processo analítico, vai transformando-se, ora dispondo-se num lado e ora de outro, no sentido das suas polaridades, até que lhe seja capaz a absorção de uma terceira figura, gradativa e construída, surgida de dentro da sua própria alma que lhe traduz essa expressão de convivência com o dual. A dissolução do conflito, gerado pelas dicotomias neuróticas, concebe o cenário onde essa pedra, em cujo seio se fixa o espírito, se manifesta. […] O casamento Divino, que somente existirá se ali houver o Amor, sua causa e seu efeito.

Enquanto na coniunctio inferior o amor é concupiscente, aqui, na coniunctio superior, esse amor é transpessoal. Revela-se no mundo como o altruísmo em seu sentido extrovertido e na psique, como a conexão com o Si-mesmo, gerando a unidade” (MASSAN, 2009, 34).

Masan apresenta o Amor como uma das chaves para a integração psicológica dos opostos. Seria insensato pensar em amor se associá-lo com o coração. A simbologia do coração é estudada no livro “A Psique do Coração”, de Denise Ramos. A autora apresenta mitos e imagens de culturas americanas que tinham como centro o coração, sendo ele, em quase todas as histórias um ícone do sagrado ou oferecido ao sagrado.

No capítulo “Elegias Para Acalmar o Coração”, é somado às ideias de rezas para ‘abrir’ o coração e permitir o esvaziamento do sofrimento com o preenchimento de Deus. No capítulo “O Coração em Julgamento” é recapitulado toda a simbologia do coração no antigo Egito, como este sendo um exemplar da alma do indivíduo.

Ainda nesse mito egípcio, ao morrer, o coração era pesado numa balança, onde na contraparte ficava a pena de Maat. Neste julgamento especial, se o coração fosse mais pesado que a pena, ou seja, estivesse carregado das impurezas do ego, não era permitido ao falecido integrar-se a completude.

No sub-capítulo “O Lugar Secreto” é destacado o valor simbólico do coração na tradição hindu, e como o coração está associado nestas culturas como o ‘lugar da consciência”, sendo o Self em si, o lugar que o homem emana a si mesmo, um guia de luz.

Ainda segundo a autora, Anãhata é a representação do chakra cardíaco no Tantra Yoga, que une os chakras superiores com os inferiores, o Tantra Yoga tem como objetivo alinhar e equilibrar as polaridades masculinas e femininas. Tal equilíbrio acontece no coração, e quando acontece, o praticante da técnica consegue ouvir o som ‘hum’ (ॐ), do vazio, que emana por todo o tempo e espaço.

Essas informações aparecem no sub-capítulo “O Lugar do Som Universal”. Uma frase que pode exemplificar o amor como via de integração das polaridades é a de Nietzsche: “Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal”.

Hauck (1999) sincretiza o processo alquímico da conjunção da seguinte forma: “Psicologicamente, Conjunção é usar a energia sexual dos corpos para transformação pessoal. Conjunção se ocupa no corpo no nível do coração”

A próxima figura, é uma foto tirada no dia 06/06/2013 no Elevado Presidente Costa e Silva, São Paulo, conhecido também como “Minhocão”:

É possível perceber inúmeras analogias com os temas tratados neste trabalho. A expressão artística urbana expressando a angústia de uma sociedade doente, cindida. Amor e Ourobóros como resoluções arquetípicas coletivas. Apesar de toda a fertilidade do tema social em questão, voltemos a descrição das etapas alquímicas.

Podemos perceber, portanto, que apesar de todo o processo alquímico estar intimamente ligado ao processo de individuação, a etapa de Conjunção é a que representa o ápice do processo, que é a integração dos aspectos complementares.

A quinta etapa do processo alquímico descrito por Hauck, observado na imagem é a fermentação. É a introdução de uma nova perspectiva de vida, resultado da etapa anterior – Conjunção – que é a ascensão para um novo estado de consciência, a transição para um estado mental elevado. Nesta etapa, existe a transição da nigredo para a leukosis, resultando no aparecimento da cauda pavonis, metáfora para imaginação ativa e ‘coloração da vida’, alguns autores definem esse amarelamento (leukosis) e o aparecimento da “cauda pavonis” como uma quarta etapa, entre o nigredo e albedo, enquanto outros, definem apenas como um aspecto transitório entre estas duas etapas. Representa psicologicamente a transição da psique para um estado mais conectado com o espírito, ou na nomenclatura junguiana, Si-mesmo (Self).

O penúltimo raio é análogo à etapa de destilação, ou destilatio. Neste estágio a metáfora que se apresenta é o aumento da pureza, associado com a cor branca, ou albedo. Psicologicamente, representa o esforço para que as impurezas do ego e do id não sejam incorporadas no último estágio. Representa a eliminação dos sentimentalismos e emoções, ou ainda melhor, das paixões egoístas e infantis, aspectos que na manifestação do verdadeiro Self, não são pertinentes, uma vez que se procura um estado pleno de espiritualidade.

“Seus pensamentos e sentimentos são os sentimentos e pensamentos do Universo inteiro”, Esta declaração descreve o processo de destilação, onde [o alquimista] se tornou muito mais interessado no bem maior do que apenas em seu próprio. É a fase de transformação onde estamos espiritualmente e emocionalmente maduros o suficiente para fundir-nos com o inconsciente coletivo sem sermos devastados pelo o que encontramos lá. A razão pela qual nós podemos manter o nosso equilíbrio, depois de ter chegado à fase de destilação é que o ego não nos controla e, portanto, podemos apreciar os mistérios do coletivo – e pessoal – material da sombra, sem a intromissão do ego.

Destilação traz o criativo fora de nós. Ela incentiva tudo o que somos se manifestar em formas equilibradas e serenamente poderosas. Ele anuncia a entrada da influência das forças superiores e do equilíbrio dessas forças com os inferiores, que fornecem firmeza, tão crucial para a totalidade” (SHANDERÁ, 2002).

O sétimo e último estágio é chamado de coagulação, ou coagulatio. Representa a ressurreição do espírito, materializado no corpo.

“A Coagulatio é uma operação que expressa, pelas suas imagens, o processo de formação do ego e sua ligação com os aspectos da vida, as forças ctônicas, através da vivência da carnalidade no seu sentido mais amplo, construindo, pelas experiências, a terra onde se lastreia o ego em seu caminhar e, logicamente, configurando, por essas mesmas vivências, a relação do eixo Ego-Self” (MASSAN, 2009, 34)

É a representação da pedra filosofal, ou Grande Pedra, antes anunciada pela coniunctio. O alquimista adentra o estágio de rubedo, e pode “curar-se de todas as feridas e enfermidades” (HAUCK, 1999, 140). Esta etapa é utilização da libido dentro de sua forma plena, integrada com a impulsão da consciência para os estados mais elevados do vir-a-ser.

“Vale ressaltar que o desejo é o agente da coagulatio. Esta operação é necessária não para aqueles que já se movimentam adequadamente dentro de sua libido, mas para aqueles outros com uma inconsistência em seu querer e o temor de colocar os pés na vida, com dificuldade, inclusive de sorver os cálices que ela dispõe. O desenvolvimento do ego nestes casos passa pelo lugar dessa consciência e realização do desejo, a fim de que haja a movimentação da energia psíquica” (MASSAM, 2009, 22).

Neste estágio, para Hamilton (1985), é manifestada, no alquimista a vontade de encarnar na terra o estado de consciência iluminado na mente e no corpo. É como se uma alma desejasse ser ‘encorpada’ sem o senso de separação do seu estado puro original. Só quando a alma está encarnada na psique que pode ser vivenciado o estado espiritual de completude. A psique pode agora expressar as qualidades da alma e da natureza. A frase “assim na terra como no céu” ilustra com perfeição este estado.

“Esta união do espírito / alma com o corpo / mente representa o final e mais importante casamento alquímico. Agora a anima torna-se a Mãe de Deus, ou a Consorte de Deus, o objeto do amor místico. As figuras de animus correspondentes são Os Iluminados – Cristo, Buda, Santos, etc. Isto significa que a consciência de Deus, ao nascer no mundo da terra, percebe sua natureza divina conscientemente – como um indivíduo transcendental e iluminado, num estado de unidade com o todo cósmico. Isso, então, é a pedra filosofal que o alquimista procurava. É o grande ponto culminante da Grande Obra” (HAMILTON, 1985, 8).

Ainda para o autor, o equivalente terapêutico é fácil de ser percebido, uma vez que o paciente transcendeu a natureza de seus dilemas e conflitos, e isso envolve uma mudança de personalidade que vai acomodar e manter essa realização. O paciente percebe que sua vida tem sido uma imposição que resultou numa série de problemas, e agora inicia um processo de mudança para uma sustentação mais pertinente a sua verdadeira natureza.

Hauck (1999) define que, ao atingir este estágio, o raio de transformação se volta a terra, e é iniciado novamente o ciclo previamente proposto, indicando que os estágios e transformações são processos eternos e constantes, assim como a lapidação do Self, ou o processo de individuação proposto por Jung, fazendo com que o alquimista volte à etapa de nigredo, e continue seu processo.

“Tudo o que coagula está sujeito a transformar-se. Dai decorre que após a coagulatio, os processos de putrefactio e mortificatio se realizam também, até porque, o fim da encarnação é o desencarne, visto que está sujeito às injunções do tempo e do espaço” (MASSAN, 2009, 27).

Percebemos que o processo alquímico é cíclico, e, assim como o processo de individuação, exige um constante processo de atuação do indivíduo para com seus conteúdos, processo este que Jung define acontecer por toda a vida.

A mesma metáfora pode ser utilizada para definir o Ourobóros, um processo cíclico e constante, que representa a integração de opostos e a volta para a unidade. No capítulo seguinte iremos analisar a figura arquetípica do Ourobóros e avaliar suas correspondências com o processo alquímico e o de individuação.

Referências Bibliográficas:

HAMILTON, Nigel. The Alchemical Process of Transformation. Disponível em: http://www.sufismus.ch/assets/files/omega_dream/alchemy_e.pdf. 14/05/2013

HAUCK, Dennis Willian. The Emerald Tablet: Alchemy for Personal Transformation. Arkana. Ed.Pengun Group. 1999.

MASSAN, Francisco. Opus Alquímica e Psicoterapia. Disponível em: www.clinicapsique.com/doc/opus.doc. 14/05/2013

RAMOS, Denise Gimenez. A Psique do Coração: Uma Leitura Analítica de seu Simbolismo. São Paulo. Cultrix. 1990.

SANTOS, Vitor P. Calixto. Jung e a Metáfora Alquímica. Disponível em http://www.symbolon.com.br/artigos/jungeameta.htm. 14/05/2013

SHANDERÁ, Nanci. The Alchemy in Spiritual Progress – Part 7: Distillation. Disponível em: http://alchemylab.com/AJ3-1.htm. 14/05/2013

Imagens:

“Nigredo, Albedo e Rubedo” de Thomas Norton em ‘Ordinal of Alchemy’, 1477

“Azoth” de Basil Valentine

“Calcinato Angelus” de Suanne Iles

Trecho do filme “Elena” de Petra Costa, 2013

“Artodyssey” de Tomasz Alen Kopera

A interação das polaridades (sol e lua). “Rosarium Philosophorum”, Séc XVI

Andrógino, representando a natureza dual. “Rosarium Philosophorum”, Séc XVI

“Heart Chakra” de Ormus Oils

Coração e pena na balança em hieróglifo egípcio

“Mais amor por favor” (ygormarotta.com/mais-amor-por-favor)

Pavão em tecido

Gravura representando a destilação, capa do livro “O Museu Hermético” de Alexander Robb

“Aquamarine Muse” de Philip Rubinov Jacobson

A natureza de Buddha

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-4-7-alquimia-individua%C3%A7%C3%A3o-e-ourob%C3%B3ros-a-arte-alqu%C3%ADmica

Teoria da Magia – II – Sistemas Mágicos

SISTEMA DA GOLDEN DAWN (AURORA DOURADA):

É uma fusão rígida da Cabala prática com a Magia Greco-Egípcia. Seu sistema complexo de Magia Ritual é firmemente baseado na tradição medieval Européia. Há uma grande ênfase na Magia dos Números. Os paramentos rituais são de uma impressionante riqueza simbólica, bem como os rituais são bastante variados de acordo com a finalidade e o grau mágico dos participantes. Suas iniciações são por graus, começando pelo Neófito (0=0), indo até os graus secretos (6=5 e 7=4), alcançados, e conhecidos, por poucos; até a bem pouco tempo, fora da Ordem pensava-se ser o 5=6 o grau máximo da Aurora Dourada. Curioso que na Golden Dawn não se praticava (nem se aceitava) a Magia Sexual.

Deste Sistema propagou-se o uso de Sigilos e Pantáculos, bem como ressurgiu o interesse pela Cabala, Numerologia, Astrologia e Geomancia. Além disso, sua interpretação e simplificação do Sistema-dos-Tattwas do livro “As Forças Sutis da Natureza” de autoria de Rama Prasad, permitiu uma grande abertura. Uma das mais importantes adições ao ocultismo ocidental, dada pela Golden Dawn, foi através de seu método de “Criação de Imagens Telesmáticas” (sobre o assunto, ver o texto relativo ao mesmo).

SISTEMA THELÊMICO (THELEMA, ALEISTER CROWLEY):

Criado acidentalmente (foi a partir da visita de uma Entidade que Aleister Crowley tomou o direcionamento que o faria criar este sistema), este Sistema original é, atualmente, um dos mais comentados e pouco conhecidos. Tendo como ponto de partida o “LIBER AL VEL LEGIS” (O LIVRO DA LEI), ditado por uma Entidade não-humana (o Deus Egípcio HÓRUS, Deus da Guerra), o sistema Thelêmico ampliou suas fronteiras, fazendo uma revisão na Magia Ritual, na Magia Sexual e nas Artes Divinatórias. Faz uso, a “Corrente 93”, das Correntes Draconiana, Ofidioniana e Tifoniana.

Thelema, em grego, significa vontade.

Os Thelemitas reconhecem como equivalente numerológico cabalístico o número 93. Os Thelemitas chamam aos ensinamentos contidos no “LIVRO DA LEI”(THE BOOK OF THE LAW) de “Corrente 93”. As duas frases mágicas dos Thelemitas são “FAZ O QUE TU QUERES POIS É TUDO DA LEI” (“DO WHAT THOU WILT SHALL BE THE WHOLE OF THE LAW”) e “AMOR É A LEI, AMOR SOB VONTADE” (“LOVE IS THE LAW, LOVE UNDER WILL”), que dizem respeito aos mais sublimes segredos do “LIVRO DA LEI”. As músicas “A LEI” e “SOCIEDADE ALTERNATIVA”, de autoria de Raul Seixas, definem bem a filosofia Thelemita, que não tem nada a ver com as bobagens que andam dizendo por aí. Rituais importantes são realizados nos dois solstícios e nos dois equinócios, o que demonstra uma influência da Bruxaria.

Aleister Crowley foi iniciado na Golden Dawn; associou-se, após abandonar a mesma, com a A.:A.: (ARGENTUM ASTRUM, ESTRELA DE PRATA), também chamada de GRANDE FRATERNIDADE BRANCA, e com a O.T.O. (ORDO TEMPLI ORIENTIS, ORDEM DOS TEMPLOS DO ORIENTE), as quais ele moldou de acordo com suas crenças e convicções pessoais. Muitos confundiram Thelema com Satanismo, o que é um imenso engano. Há muitas Ordens Thelêmicas, como a O.R.M (Ordo Rosae Misticae), por exemplo, que seguem a filosofia básica, mas com ditames próprios – como utilizar uma “Árvore da Vida” com doze “esferas” (fora Daath), o que resulta num Tarot com 24 Arcanos Maiores.

Há, porém, uma cisão da O.T.O, a O.T.O.A. (Ordo Templi Orientis Antigua, Ordem dos Templos do Oriente Antiga), ocorrida quando Aleister Crowley assumiu a “direção” da O.T.O. mundial; a O.T.O.A. mantém-se fiel à tradição pré-crowleyana, contendo em seu cabedal muitos ensinamentos do VUDÚ Haitiano. A O.T.O.A. é dirigida por Michael Bertiaux, cuja formação mágica é Franco-Haitiana. Foi ele, aliás, quem introduziu os ensinamentos de Crowley na O.T.O.A., tornando-a, assim, uma das Ordens Mágicas com maior quantidade de ensinamentos a dar. A O.T.O.A., além das Correntes citadas acima (Draconiana, Ofidioniana e Tifoniana), também faz uso da Corrente Aracnidoniana. O sistema da O.T.O. também funciona por graus, indo desde o grau Iº até o VIIº, com muita teoria; daí, vem os graus realmente operativos, o VIIIº (Auto-Magia Sexual), o IXº (Magia Heteroerótica) e o XIº (Magia Homoerótica); existe ainda o grau Xº, que não é porém um grau mágico, mas político-administrativo, sendo seu portador eleito pelos outros portadores dos graus IXº e XIº (o candidato a grau X deverá ser um deles), tornando-se o líder nacional da Ordem. Aleister Crowley era portador do grau-mágico XIº da O.T.O..

SISTEMA AURUM SOLIS:

Uma variação do Sistema da Golden Dawn, bastante completo, tendo como principal adição ao Sistema mencionado, o uso de práticas de Magia Sexual – muito embora seus métodos dessa forma de Magia não pareçam ser muito potentes. Mas contém no seu bojo todo o material técnico da Golden Dawn, exceto ter realizado uma simplificação na simbologia dos paramentos. Este grupo é liderado pelos renomados ocultistas Melita Denning e Osborne Phillips.

SISTEMA SALOMÔNICO (de SALOMÃO):

Basicamente consiste no uso de Sigilos e Pantáculos de Inteligências Planetárias, que serão Evocadas, ou Invocadas sobre Talismãs e Pantáculos.

É um sistema importante que foi aproveitado por quase todas as Ordens Ocultas hoje em atividade.

SISTEMA DA MAGIA PLANETÁRIA:

Criado pelo grupo “Aurum Solis”; baseia-se em rituais destinados a Evocar ou Invocar os “Espíritos Olímpicos”, Entidades Planetárias (Inteligências), ou Arquétipos (dos Arcanos do Tarot, Seres ou Deuses/Deusas Mitológicos, entre outros). É um sistema prático, completo, eficiente, de poucos riscos e fácil de colocar em prática.

SISTEMA SANGREAL:

Criado pelo famoso ocultista William G. Gray, é um Sistema que busca fundir a Tradição Ocidental em suas principais manifestações: a Cabala e a Magia. Na verdade, a Cabala aqui abordada é a teórica, que aliás é utilizada em todas as Escolas de Ocultismo, exceto aquelas que abraçam o Sistema de Cabala Prática de Franz Bardon, do Sistema Hermético. Apesar disso, é um Sistema bastante completo e racional, que tem fascinado os mais experientes e competentes ocultistas da atualidade. A obra de W.G.Gray é extensa mas não excessiva, o que contribui para facilitar o estudo deste Sistema.

Sua principal característica é a de “criar” (dentro de cada praticante) um “sistema solar em miniatura”. A partir daí, cada iniciado trabalha em seu Microcosmos e no Macrocosmos de forma idêntica.

SISTEMA DOS TATTWAS:

É um método de utilização dos símbolos gráficos orientais representantes dos cinco elementos (Éter/Akasha, Fogo, Água, Ar, Terra). Usa-se o desenho pertinente como forma de meditação e expansão da mente – transformando-se, mentalmente, o desenho em um “portal”, daí penetrando nesse “portal”, indo dar, mentalmente, em outras dimensões. É um eficiente método de auto-iniciação.

SISTEMA DE PATHWORKING:

Idêntico em tudo ao Sistema dos Tattwas, exceto que utiliza-se desenhos relativos às Esferas e Caminhos (“Paths”, daí o nome) da Árvore-de-Vida, que é um hieróglifo cabalístico. Pode-se, alternativamente, utilizar-se de Sigilos de diversas Entidades (visando “viajar” para as paragens habitadas por aquelas), ou até mesmo Vévés (Sigilos do Vudú), com a mesma finalidade – a auto-iniciação.

SISTEMA SATANÍSTICO (SATANISMO):

É um fenômeno cristão; só existe por causa do Cristianismo. Baseia-se no dualismo Deus-Diabo, presente em tantas culturas; no dualismo Bem-Mal, presente no inconsciente coletivo. Historicamente, o Satanismo como culto organizado nunca existiu, até a criação da Igreja de Satã, fundada em 30 de Abril de 1966, por Anton Szandor La Vey, na Califórnia, Estados Unidos. A partir de então, o Satanismo passou a contar com rituais específicos, buscando criar versões próprias da Magia Ritual e da Magia Sexual, além de ter sua própria versão da Missa Católica, chamada MISSA NEGRA. Basicamente, tudo como convencionou-se chamar de Magia Negra (submeter os outros a nossa vontade, causar enfermidades, provocar acidentes ou desgraças e até a mesmo a morte dos outros, obter vantagens em questões legais, em assuntos ilegais ou imorais, corromper a mente alheia, etc.), tem lugar entre os Satanistas. Na corrente da Igreja de Satã, não se prega o sacrifício animal, substituído pelo orgasmo sexual; o sacrifício humano inexiste, ao menos com a pretensa vítima “ao vivo” – é aceitável realizar um ritual visando a morte de outrem, que, então, será uma “vítima sacrificial”, embora não seja imolada num altar, á lá alguns Satanistas que praticam a imolação de pessoas. Portanto, os Satanistas modernos podem vir a realizar sacrifícios humanos, desde que sejam apenas na forma de rituais representados de forma teatral. Isto é, o sacrifício é de forma simbólica apenas.

Os ensinamentos de La Vey baseiam-se nos de Aleister Crowley, Austin Osman Spare, O.T.O. e F.S. (Fraternitas Saturni), além de fazer extenso uso das “Chamadas Enoquianas”.

O Satanismo de La Vey é um culto organizado, nada tendo a ver com os Satanistas que, volta e meia, são manchete dos noticiários.

Basicamente, a crença do Satanista dividi-se em três pontos:

1) O Diabo é mais poderoso que Deus;

2) aqueles que praticam o mal pelo mal, estão realizando o trabalho de Satã, sendo, portanto, seus servidores;

3) Satã recompensa seus servidores com poderes pessoais e facilita-lhes satisfazer e realizar seus desejos.

Satanistas verdadeiros são raros, a grande maioria dos que se dizem tal são simplesmente pessoas possuídas por forças desconhecidas que invocaram – e seu destino será a cadeia, o manicômio ou a tumba, depois do suicídio.

Satanismo não é Luciferianismo. Ver mais abaixo “Luciferianismo”.

SISTEMA DA MAGIA SAGRADA DE ABRAMELIM (OS QUADRADOS MÁGICOS):

Um tipo de Magia Ritual cujo alvo principal é a conversação com o próprio Anjo da Guarda; depois, se fará uso de uma série de Quadrados Mágicos que evocam energias diversas. É um sistema poderoso e perigoso, no qual muitos experimentadores se “deram mal”, aliás, muito mal.

As instruções dadas no famoso livro que ensina este Sistema não devem ser levadas a cabo “ao pé da letra”, de forma irrefletida; deve-se, porém, ter total atenção aos ensinamentos, antes de colocar os mesmos em prática. Como em todos os textos antigos, aqui também muita coisa está cifrada ou velada.

Deste poderoso Sistema apareceram inúmeras práticas com “quadrados mágicos” que nada têm a ver com o Sistema ensinado nesta obra.

SISTEMA ENOQUIANO (MAGIA ENOQUIANA, ENOCHIAN MAGIC):

É um sistema simbolicamente complexo, que consiste na Evocação de Energias ou Entidades de trinta esferas de poder em torno da Terra. É um sistema poderoso e perigoso, mas já existem diversos guias prático no mercado, que permitem uma condução relativamente segura. Este Sistema foi descoberto por John Dee e Edward Kelley; posteriormente, foi aperfeiçoado pela Golden Dawn, por Aleister Crowley e seus muitos seguidores, entre eles vale destacar Gerald Schueler. Os “nomes bárbaros” a que se referem muitos textos de ocultismo são os “nomes de poder” utilizados neste Sistema Mágico. Aqui, trabalha-se num universo próprio, distinto daquele conhecido no Hermetismo e na Astrologia. Busca-se contato com Elementais, Anjos, Demônios e com o próprio Anjo da Guarda. Dizem alguns entendidos que a famosa “Arca da União” é o “Tablete da União”, peça fundamental deste Sistema. Esse “Tablete da União” encontra-se a disposição de qualquer Mago que cruze o “Grande Abismo Exterior”, após a passagem pelo sub-plano de ZAX, no Plano Akashico, Etérico ou “do Espírito”, local aonde estão situados os sub-planos LIL, ARN, ZOM, PAZ, LIT, MAZ, DEO, ZID e ZIP, os últimos entre os 30 Aethyrs ou sub-planos. Essa região é logo anterior ao último “anel pelo qual nada passa”, tudo isso dentro do conceito do Universo pela física enoquiana.

Para encerrar nossa abordagem sobre a Magia Enoquiana, um aviso:

Muito cuidado ao pronunciar qualquer palavra no idioma enoquiano, pois as mesmas tem muita força, podendo provocar manifestações nos planos sutis mesmo que as “chamadas” tenham sido feitas de forma inconsciente ou inconsequente.

SISTEMA DA BRUXARIA (WITCHCRAFT):

Até virem à luz os trabalhos de Gerald Gardner, Raymond Buckland e Scott Cuningham, não se podia considerar a Bruxaria um sistema mágico. As bruxas e os bruxos se reúnem nos “covens”, que por sua vez encontram-se nos “sabbats”, as oito grandes festividades definidas pelos solstícios, pelos equinócios, e pelos dias eqüidistantes entre esses. Os últimos são considerados mais importantes.

A Bruxaria é um misto de métodos de Magia clássica (Ritual, Sexual, etc.), com práticas de Magia Natural (uso de velas, incensos, ervas, banhos, poções, etc.), cultuando Entidade Pagãs em geral. Nada tem a ver com o Satanismo. Bons exemplos do que podemos chamar de Bruxaria, em língua portuguesa, estão no livro “BRIDA”, de autoria de Paulo Coelho. Aquilo lá descrito mostra bem o Sistema da Bruxaria, menos nítido, mas também presente nas suas outras obras. Pena a insistência de algumas pessoas em condenar a bruxaria a um lugar inferior entre os Sistemas Mágicos.

SISTEMA DRUIDA (DRUIDISMO):

Há muito em comum entre o Druidismo moderno e a Wicca (nome dado nos países de língua inglesa à Bruxaria). As principais diferenças residem na mitologia utilizada nos seus rituais (a Celta), além dos locais de culto (entre árvores de carvalho ou círculos de pedras). O Druidismo pode ser rezumido como um culto à Mãe Natureza em todas as suas manifestações rituais.

SISTEMA SHAMÂNICO (SHAMANISMO):

O Shamanismo é a raiz de toda forma de Magia. Floresceu pelo mundo todo, nas mais diversas formas, dando origem a diversos cultos e religiões. Sua origem remonta a Idade da Pedra, com inúmeras evidências disso em cavernas habitadas nessa era. O Shamanismo moderno está ainda embrionário, embora suas raízes sejam profundas e fortes. O Shaman é uma espécie de curandeiro, com poderes especiais nos planos sutis. O Shamanismo caracteríza-se pela habilidade do Shaman entrar em transe com grande facilidade, e sempre que desejado.

SISTEMA DEMONÍACO (GOETIA, GOÉCIA):

Consiste na Evocação das Entidades Demoníacas, Demônios, de habitantes da “Zona Mauva” ou das Qliphás. É uma variação unilateral da Magia Evocativa do Sistema Hermético. Obviamente é um Sistema muito perigoso.

SISTEMA SOLAR:

Aonde se busca, única e exclusivamente, o conhecimento e a conversação com o Anjo da Guarda.

SISTEMA BON-PO (BON-PA):

É um Sistema de Magia originário do Tibete. É uma seita de Magia Negra, com estreitas ligações com as Lojas da FOGC (Ordem Franco-Massônica da Centúria Dourada), sediadas em Munich, Alemanha, desde 1825, com outras 98 Lojas espalhadas por todo o mundo. Na O.T.O.A. faz-se uso de práticas mágicas Bon-Pa. Membros da seita Bon-Pa estiveram envolvidos com organizações sinistras, como a “Mão Negra”, responsável para Arquiduque Ferdinando da Áustria, o que precipitou o mundo na Primeira Guerra Mundial. Durante a era Nazista na Alemanha, membros da seita Bon-pa eram vistos frequentando a cúpula do poder. Outro nome pelo qual a seita Bon-Pa ou Bon-Po é conhecida é “A Fraternidade Negra”. Muitos chefes de Estado, artistas famosos e pessoas de destaque na sociedade, foram ou são vinculados à Bon-Pa ou à FOGC – através de “pactos” feitos com as Forças das Trevas. Vale notar que, na Alemanha Nazista, todas as Ordens Herméticas foram perseguidas e proscritas – exceto a FOGC. E, na China, após a tomada do poder por Mao Tse Tung, todas as seitas foram perseguidas e proscritas – exceto a Bon-Pa. Seriam Hitler e Mao Tse Tung membros das mesmas, assim como seus principais asseclas? Vale a pena ler a obra “FRABATO”, de autoria de Franz Bardon, e a edição do mês de Agosto de 1993 da revista “PLANETA” (Editora Três). Em ambas, muita coisa é revelada sobre a história dessas seitas – inclusive sobre suas práticas nefastas.

SISTEMA ZOS-KIA-CULTUS:

Criado por Austin Osman Spare, o redescobridor do Culto de Priapo. É a primeira manifestação organizada de Magia Pragmática. Baseia-se na fusão da Magia Sexual com a Sigilização Mágica. A obra “Practical Sigil Magic”, de Frater U.: D.: revela seus segredos. É um Sistema eficiente, mas não serve para qualquer pessoa, somente para aquelas de mente aberta e sem preconceitos. O motivo é simples: seu método de Magia Sexual é o conhecido como “Grau VIIIº”, na O.T.O., ou seja, a Auto-Magia Sexual.

SISTEMA RÚNICO (MAGIA DE RUNAS, RUNE MAGICK, RUNES):

Runas são letras-símbolos, cada qual com significados variados e distintos. Tem uso em Divinação, em Magia Pantacular e em Meditação.

Infelizmente, a Cabala das Runas perdeu-se para sempre na noite dos tempos. As Runas tem origem totalmente Teutônica. As Runas tem se tornado um dos mais importantes alfabetos mágicos, talvez devido a seu poder como elementos emissores de ondas-de-forma, talvez devido à facilidade de sua escrita.

SISTEMA ICÔNICO ou ICONOGRÁFICO (antigo Sistema Hebraísta):

Desenvolvido por JEAN-GASTON BARDET, com a colaboração de JEAN DE LA FOYE, é um sistema tecnicamente complexo, que consiste em utilizar as letras de fôrma hebráicas como fonte de emissões-de-ondas-de-forma. Hoje, com o Sistema aprimorado por António Rodrigues, utiliza-se dessas letras, além de outros símbolos ou ícones, para a detecção e criação de “estados esotéricos”, bem como para neutralizar ou alterar energias sutis diversas. É um dos mais potentes que existe, dentro da visão de emissores e detectores de ondas-de-forma. Rodrigues introduziu muitas “palavras de conteúdo mágico” nesse Sistema, muitas das quais oriundas da obra “777”, de Aleister Crowley. Se for utilizado como forma de meditação, ou conjuntamente à Cabala Simbólica (a que faz uso do hieróglifo da Árvore-da-Vida), é eficiente para a prática do “Pathworking”.

SISTEMA DO VUDÚ (VOUDOUN, VOODOO):

Apesar de ser tido como uma religião primitiva, o VUDÚ é, na realidade, um sistema de Magia, aliás bastante completo.

Nele encontramos Invocação, Evocação, Divinação, Encantamento e Iluminação. Práticas não encontradas nos outros Cultos Afro (Candomblé, Lucumí, Santeria), como por exemplo a Magia Sexual, presente no VUDÚ, embora de forma não muito aprimorada, exceto dentro do VOUDON GNÓSTICO e do HOODOO.

As possessões que ocorrem no VUDÚ (como no Candomblé, Lucumí e Santeria), são reais, fruto da Invocação Mágica dos Deuses, Deusas e demais Entidades. Não se trata de uma exteriorização de algum tipo de dupla-personalidade, nem de uma possessão por Elementares ou por Cascarões Avivados (como normalmente ocorre em religiões que fazem uso das mesmas práticas). A possessão no VUDÚ é um fenômeno completo e real. O Deus “monta” o indivíduo da mesma forma que um ser humano monta num cavalo. As Entidades “sobem” do solo para o corpo do indivíduo, penetrando inicialmente pelos seus pés, daí “subindo”, e isso é uma sensação única, que só pode ser descrita por quem já teve tal experiência. Cada LOA (Deus ou Deusa) do VUDÚ tem sua personalidade distinta, poderes específicos, regiões de autoridade, além de insígnias ou emblemas – vevés e ferramentas. Creio firmemente que uma fusão dos Cultos Afro só trará benefícios a todos os praticantes da Ciência Sagrada.

Os avanços do VUDÚ foram tantos, especialmente do VUDÚ GNÓSTICO, do VUDÚ ESOTÉRICO e do VUDÚ DO NOVO AEON, que entre suas práticas encontra-se até mesmo um Sistema Radiônico-Psicotrônico, que faz uso de Máquinas Radiônicas com as finalidades Radiônicas convencionais (Magia de saúde, de prosperidade, de sucesso, de harmonia, combate às Forças das trevas e às Forças Psíquicas Assassinas, combate aos Implantes Mágicos, etc.), além de favorecer as “viagens” mentais e astrais – as viagens no tempo! Esse Sistema foi batizado, por seus praticantes, de VUDUTRÔNICA.

O VUDÚ é, guardadas as devidas proporções, uma “Religião Thelêmica”, posto que a “verdade individual” que se busca no Sistema Thelêmico, culmina aqui com a descoberta do Deus individual, o que resulta numa “Religião Individual”, isto é, a Divindade e toda a religião de um indivíduo é totalmente distinta do que seja para qualquer outra pessoa. E isso é Thelêmico, ao menos em seu sentido mais amplo. As Entidades do Vudú são “assentadas” (fixadas) em receptáculos diversos, que vão desde vasos contendo diversos elementos orgânicos misturados (os Assentamentos), até garrafas com tampa, passando pelas Atuas – caixinhas de madeira pintadas com os Sigilos (Vévés) dos Loas, com tampa, altamente atrativas para os Espíritos. Mas as práticas utilizando elementos da Magia Natural, como ervas, banhos, defumações, comidas oferecidas às Entidades, são todas práticas adicionadas posteriormente ao VUDÚ, não parte integrante desde seu início. No Vudú se faz uso, além da Egrégora do próprio culto, das Correntes Aracdoniana, Insectoniana e Ofidiana.

SISTEMA DE MAGIA DO CAOS (CHAOS MAGIC, KAOS MAGICK, CIRCLE OF CHAOS, CÍRCULO DO CAOS, I.O.T. – Illuminates of Thanateros, Iluminados de Thanateros):

A Magia do Caos tem origem nos trabalhos de Austin Osman Spare, redescobridor do Culto de Priapo. A Magia do Caos é atualmente bastante divulgada por seu organizador Peter James Carroll, além de Adrian Savage.

Os praticantes da Magia do Caos consideram-se herdeiros mágicos de Aleister Crowley (e da O.T.O.) e de Austin Osman Spare (e da ZOS-KIA CULTUS).

Seu sistema procura englobar tudo quanto seja válido e prático em Magia, descartando tudo quanto for mais complexo que o necessário. Caracteriza-se por não ter preconceitos contra nenhuma forma de Magia, desde que funcione!

Está se tornando o mais influente Sistema de Magia entre os intelectuais da modernidade. Entre suas práticas mais importantes vale ressaltar o uso da Magia Sexual, em especial dos métodos “de mão esquerda”.

Seus graus mágicos são cinco, em ordem decrescente: 4º, 3º, 2º, 1º e 0º.

SISTEMA DE MAGIA NATURAL:

Consiste na utilização de elementos físicos, na forma de realizar atos de Magia Mumíaca (éfiges de pessoas, representando-as, tornando-se receptáculos dos atos mágicos destinados àquelas), bem como no uso de banhos energéticos, defumações, pós, ungüentos, etc., visando obter resultados mágicos pela “via do menor esforço”.

SISTEMA NECRONOMICÔNICO (DO NECRONOMICON):

Uma variação da Magia Ritual, que baseia-se na mitologia presente nos contos de horror do autor HOWARD PHILLIPS LOVECRAFT, em especial no Deus Cthulhu, e no livro mágico O Necronomicon (citado com frequência pelo autor). Atualmente, diversos grupos fazem uso deste Sistema na prática, entre eles valendo destacar a I.O.T., a O.R.M. e a Igreja de Satã. Frank G. Ripel, ocultista italiano que lidera a O.R.M., pode ser considerado o mais importante divulgador deste Sistema de Magia, além de ser o renovador do Sistema Thelêmico; mas o grupo I.O.T. tem sido o responsável pela modernização (e explicação racional) deste poderoso Sistema. Aliás, poderoso e perigoso, por isso mesmo atraente. Tão atraente que foi criada uma coleção de RPG’s versando sobre o culto de Cthulhu, o Necronomicon e outras idéias de H.P.Lovecraft.

SISTEMA LUCIFERIANO (LUCIFERIANISMO, FRATERNITAS SATURNI):

Muito parecido com o sistema de Magia da O.T.O. (Thelêmico), centralizando suas práticas na Magia Sexual (em especial nas práticas de Mão Esquerda), na Magia Ritual e na Magia Eletrônica, conta, porém, com uma distinção fundamental do sistema pregado por Aleister Crowley: enquanto na O.T.O busca-se a fusão com a Energia Criadora, através da dissolução do ego, na Fraternitas Saturni (FS) busca-se elevar o espírito humano a uma condição de Divindade, alcançando o mesmo estado que o da Divindade cultuada: LÚCIFER, a oitava superior de SATURNO, cuja região central é o DEMIURGO, e cuja oitava inferior é SATÃ, SATAN, SHATAN ou SATANÁS (e sua contra-parte feminina, SATANA). Portanto, Lúcifer e Satã são entidades distintas.

Na F.S., há 33 graus, alguns mágicos, outros administrativos.

SISTEMA HERMÉTICO (HERMETISMO, FRANZ BARDON):

Sistema amplamente explicado (na teoria e na prática) nas obras de Franz Bardon, reencarnação de Hermes Trismegistos (conforme sua auto-biografia intitulada “FRABATO, THE MAGICIAN”). O sistema Hermético prega um desenvolvimento gradativo das Energias no ser humano, partindo de simples exercícios de respiração e concentração mental, até o domínio dos elementos, daí à Evocação Mágica, e até à Cabala, aonde aprende-se o misticismo das letras e o uso mágico de palavras e sentenças, algumas das quais foram utilizadas para realizar todos os milagres descritos na Bíblia e em outros textos sagrados. Considero este o mais completo e perfeito Sistema de Magia. É o único Sistema totalmente racional e científico.

SISTEMA CABALÍSTICO (QUABBALAH, KABALAH, TANTRA, FÓRMULAS MÁGICAS):

Conforme dito acima, é a prática do misticismo das letras (isto é, do conhecimento das côres, notas musicais, elementos naturais e suas respectivas qualidades, regiões do corpo em que cada letra atua, etc.), daí das palavras e de sentenças; o uso de mais de uma letra, cabalisticamente, tem o nome de Fórmula Cabalística. E Tantra? Tantra no Oriente, Cabala no Ocidente. Há muitas escolas de Tantra, outras tantas de Cabala, mas a que mais me agrada é a de Franz Bardon. Parece-me a mais completa e precisa.

Muitas Escolas de Ocultismo, que utilizam a Cabala como parte de seus ensinamentos, o fazem utilizando a chamada Cabala Teórica, que baseia-se no hieróglifo da Árvore da Vida e suas atribuições. Poucas Escolas utilizam a Cabala Prática, como ensinada por Franz Bardon. As diferenças entre a Cabala Prática e a Teórica são muitas, mas, como principal distinção, na Cabala Teórica o enriquecimento pessoal é apenas a nível teórico, isto é, intelectual, enquanto que na Prática se aprende, se compreende, se vive a realidade do Misticismo das Letras. O mesmo conhecimento que foi utilizado para criar tudo quanto existe no Universo. É simultâneamente Dogmático e Pragmático.

MAGIA ELETRÔNICA:

É uma forma “acessória” da Magia Ritual, utilizando-se de paramentos do tipo “Bobina Tesla” ou “Gerador Van De Graff”, para gerar poderosas energias visando potencializar os rituais.

SISTEMA PSICOTRÔNICO (PSICOTRÔNICA):

É uma forma de Magia Pragmática, pois utiliza do simbolismo próprio do Mago (uma vez que será este a determinar quais os números a serem utilizados, qual o tempo de exposição ao poder do equipamento utilizado, ou ainda uma série enorme de “coisas” passíveis de emissão psicotrônica, detectadas ou determinadas por meios radiestésicos ou intuitivos), aliado à eletricidade e à eletrônica, para produzir seus efeitos. Apesar de utilizar-se de aparato muitas das vezes sofisticado, tem o mesmo tipo de ação que outras variedades de Magia Ritual, isto é, depende inteiramente (ou quase) das qualidades mágicas do operador.

SISTEMA DE EMISSÕES DE ONDAS-DEVIDAS-ÀS-FORMAS (SISTEMA DE ONDAS-DE-FORMA):

É uma forma de Magia Dogmática, posto que faz uso de paramentos e símbolos sem paralelo no sub-consciente do Mago; exceção se aplica aos gráficos que dependem de uma seleção radiestésica de seu design, como, por exemplo, no sistema Alpha-Omega (aonde se seleciona os algarismos numéricos e a quantidade de círculos em torne daqueles, para se construir o gráfico). Neste, este sistema Pragmático. Para exemplificar o uso prático, se utiliza equipamentos bidimensionais ou tridimensionais; os primeiros são os gráficos emissôres, compensadores e moduladores de Ondas-de-Forma, enquanto os outros são os aparelhos tipo pirâmides, esferas ôcas, meias-esferas, arranjos espaciais que parecem móbiles, etc. Neste Sistema, na sua parte tridimensional, é que se utiliza os pêndulos, as forquilhas e demais instrumentos radiestésicos, rabdomânticos e geo-biológicos.

SISTEMA RADIôNICO (RADIôNICA):

É a única modalidade de Magia que, apesar de totalmente encaixada no sistema de Magia Ritual, e herdeira única do sistema Psicotrônico, reúne em si, simultaneamente, as características de Dogmatismo e Pragmatismo.

Os métodos utilizados para a detecção das energias são nitidamente Pragmáticos, uma vez que fazem uso de pêndulos (radiestesia) ou das placas-de-fricção (sistemas sujeitos à Lei das Sincronicidades, de Carl Gustav Jung).

O “coração” do sistema Radiônico, porém, não é seu método de detecção (uma vez que há aparelhos sem nenhum sistema de detecção, como a Peggotty Board, ou Tábua de Cravilhas), mas seu sistema de índices.

Esses índices são em geral descobertos ou criados pelos pesquisadores do sistema em questão, e passados adiante para os outros usuários do sistema, que não são necessariamente pesquisadores.

Assim, quando se utiliza índices desenvolvidos por outras pessoas, se está operando no sistema Dogmático, apesar de que os números presentes nos índices são sempre comuns à mente de qualquer operador – mas as seqüências em que eles aparecem, que formam os índices, o fazem de forma desconhecida ao sub-consciente do operador, portanto de forma Dogmática.

Quando, porém, fazemos uso de índices que sejam fruto de nossas próprias pesquisas ou experiências, trabalhamos, então, de forma Pragmática.

Portanto, em se tratando de Radiônica, somente nossas próprias pesquisas permitem um trabalho totalmente Pragmático.

SISTEMA DO CANDOMBLÉ:

Muito parecido com o Sistema do Vudú, mas simplificado. Na verdade, o Candomblé é um culto aos Deuses e Deusas do panteão Nagô, aonde predomina a Magia Natural, com grande ênfase nos sacrifícios animais, na criação de Elementares Artificiais e em outras tantas práticas mágicas – como os banhos de ervas, o uso de pós mágicos, etc. – , além de Evocações e Invocações das Divindades cultuadas. É um Sistema de grande potencial, infelizmente tornado, ao longo dos anos, inferior ao Vudú, do ponto de vista iniciático.

SISTEMA DA UMBANDA:

Consiste na Invocação de Entidades de um panteão próprio e extremamente complexo, visando obter os favores das Entidades “incorporadas”; também existe a Evocação quando se faz “oferendas” de coisas diversas para as Entidades. É basicamente um culto de “Magia Branca”.

SISTEMA DA QUIMBANDA:

Muito parecido com o Sistema da Umbanda, somente que aquí se trabalha com Entidades demoníacas; é basicamente um culto de “Magia Negra”.

SISTEMA DA WICCA:

Um aprimoramento do Sistema de Feitiçaria, a Wicca é uma religião muito bem organizada e sistematizada, sendo que nela se aboliu a prática de sacrifícios animais, que era frequente na Feitiçaria. Há um ramo mais elitizado da Wicca, a Seax-Wicca, dos seguidores de Gerald Gardner, que busca aprimorar a Wicca, transformando-a num culto menos dogmatizado que a Wicca tradicional.

SISTEMA DE MAGIA SEXUAL:

Temos aquí uma abertura para sete sub-sistemas, quais sejam:

– SISTEMA DA O.T.O.:

Basicamente um método de Magia Sexual que busca a elevação espiritual através do sexo. Tem três graus de aptidão mágica sexual – o VIII, o IX e o XI. Pode ser considerado o Tantra ocidental. Veja “Sistema Thelêmico”.

– SISTEMA DA O.T.O.A.:

É muito parecido com o da O.T.O., porém faz uso não apenas da Magia Sexual praticada físicamente, mas também de práticas astrais desse tipo de Magia.

– SISTEMA MAATIANO:

Criado por dissidentes da O.T.O., tem uma visão mais moderna da Magia Sexual. Sua visão sobre o grau XIº é particularmente distinta.

– SISTEMA DA FRATERNITAS SATURNI (F.S.):

É derivado da O.T.O., mas abertamente Luciferiano. Veja “Sistema Luciferiano”.

– SISTEMA ANSARIÉTICO:

Criado pelos Ansariehs ou Aluítas da velha Síria, é o primeiro dos modernos métodos de Magia Sexual.

– SISTEMA DE EULIS:

Criado por Pascal Beverly Randolph, um iniciado entre os Aluítas, é um método científico de Magia Sexual ocidental, muito poderoso e perigoso. Seu criador era médico, e cometeu suicídio após muitos problemas na vida – era mulato, político liberal, libertino, residente nos Estados Unidos. No século XIX!

– SISTEMA ZOS-KIA:

Criado por Austin Osman Spare, consiste no uso mágico da “Auto- Magia Sexual” ou “Auto-Amor”. É também um Sistema muito potente e perigoso. Seu criador, talentoso artista plástico, morreu esquecido e quase na miséria. Veja em verbete próprio.

– SISTEMA PALLADIUM:

Criado por Robert North, estudioso de Franz Bardon, P.B.Randolph, Aleister Crowley, além de outros mestres do ocultismo. Tem sua doutrina, os Palladianos, no conceito do ser humano pré-adâmico, isto é, no ser humano bisexuado, para o qual o relacionamento sexual era desnecessário para a procriação. Esses seres eram os “Elohim”, “Filhos de Deus”, que criaram o “pecado” relacionando-se sexualmente uns com os outros – o que era desnecessário – , provocando a “queda” da humanidade. Com o “pecado”, veio a “punição”: Deus dividiu o sexo dos seres humanos, o que provocou a expulsão deles do “Édem”, sua “Expulsão do Paraíso”. Baseando-se nessa crença, além de buscar decifrar os ensinamentos ocultos de todos os Mestres, e interpretar o significado oculto da literatura, os Palladianos buscam trazer luz aos conceito tão mal compreendido da Magia Sexual.

E, para concluir, quem cunhou os termos “Magia Dogmática” e “Magia Pragmática”?

Eliphas Lévi introduziu o termo vinculado à Magia, com sua obra “Dogma e Ritual de Alta Magia”. Frater U.:D.:, nos seus “Secret of the German Sex Magicians” e, particularmente, no “Practical Sigil Magic”, introduziu o termo “Magia Pragmática”.

Retirado de:

http://www.mortesubita.org/

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/teoria-da-magia-ii-sistemas-m%C3%A1gicos

[parte 2/7] Alquimia, Individuação e Ourobóros: Psicologia Analítica

“Só o que está separado pode ser devidamente unido.”

– Alquimista desconhecido

Esta é a segunda parte da série de sete artigos “Alquimia, Individuação e Ourobóros”, que é melhor compreendida se lida na ordem. Caso queira acompanhar desde o começo, leia a introdução.

Individuação

Na escola analítica, compreende-se que a psique seja maior que a consciência em si, ou seja, a existência de todo um campo inconsciente que interfere e interage com a mente consciente. Além do inconsciente pessoal, Jung (2011) defende a existência de um inconsciente coletivo, um plano de consciência no qual ficariam armazenados toda a herança cultural da sociedade, acessível ao nível consciente, cujo encontro, através de arquétipos, acrescentam e expandem a consciência.

Arquétipos podem ser definidos como temas típicos que aparecem em toda forma de sociedade e cultura, que abriga um significado primordial de estruturas psíquicas, os quais os indivíduos experienciam em níveis pessoais. Em Os arquétipos e o Inconsciente Coletivo (JUNG, 2011), o autor define que “O arquétipo representa essencialmente um conteúdo inconsciente, o qual se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matrizes que variam de acordo com a consciência individual na qual se manifesta” (JUNG, 2011).

De acordo com Jung (1998), apesar da expressão social e coletiva de imagens e energias ligadas à ideia de divino, em nível individual, é necessário que o ser humano permita-se atravessar por tais ideias, pois isso ajuda sua natureza no processo de transcendência e auto-conhecimento – processo chamado de individuação. Em “O Poder do Mito” (CAMPBELL, 1999), o autor cita Nietzsche e toda sua teoria do eterno retorno, para demostrar a existência humana como cíclica. Nesta teoria, há a defesa de que as vivências humanas se dão através da polarização complementar dos aspectos pessoais que se repetem interminavelmente ao longo da existência, demarcando também a noção de infinito, porém ligada a psique humana e não em alguma entidade fora dela.

“Podemos dizer que a personalidade humana é constituída de duas partes: a primeira é a consciência e tudo o que ela abrange; a segunda é o interior de amplidão indeterminada da psique inconsciente. A personalidade consciente é mais ou menos definível e determinável. Mas, em relação à personalidade humana, como um todo, temos de admitir a impossibilidade de uma descrição completa dela. Em toda personalidade existe inevitavelmente algo de indelineável e de indefinível, uma vez que ela apresenta um lado consciente e observável, que não contém determinados fatores, cuja existência, no entanto é forçoso admitir, se quisermos explicar a existência de certos fatos. Estes fatores desconhecidos constituem aquilo que designamos como o lado inconsciente da personalidade” (JUNG, 1989, 47).

Realizar a síntese destes opostos no Si-mesmo é a meta do processo de individuação. Isso ocorre com a discriminação e a consequente integração de conteúdos inicialmente inconscientes e que fazem parte de um processo de transição da consciência comum (vigília) para um estado psíquico mais amplo, na busca do homem consciente, o homem total.

Evidentemente, esta é uma experiência incomum e vivida por poucas pessoas geralmente não antes da segunda metade da vida. A Individuação é um processo que ocorre durante toda a vida, mas, às vezes, há uma intensificação antes da maturidade da idade adulta e, quando isso acontece, há uma mudança na forma da pessoa encarar sua vida, fazendo-a manifestar, às vezes, alguns “comportamentos místicos”, num sentimento de comunhão e harmonia com a vida.

É de suma importância que as pessoas consigam refletir e entrar em contato com tais aspectos de suas personalidades, uma vez que, compreendendo-as, é possível integrá-las, tendo como consequência uma existência mais saudável e prazerosa, transcendendo a patologia e permitindo que suas verdadeiras essências venham à tona e se transformem.

Os Arquétipos Complementares

Jung descreve alguns arquétipos, universais e necessários para a compreensão da vida psíquica do homem. Alguns básicos discutidos pelo autor são os arquétipos da anima, animus, persona e sombra. A integração destes são de suma importância para o processo de individuação.

Ele consegue perceber a natureza polarizada na psique humana, e admite no homem uma natureza feminina, dando ao nome de anima, e seu complementar, a natureza masculina na mulher, de animus. “[…] Desde tempos imemoriais, o homem nos mitos, sempre exprimiu a ideia da coexistência do masculino e do feminino num só corpo” (JUNG, 1989, 38).

“O homem é composto biológica, e psicologicamente, de aspectos masculinos e femininos, para se desenvolver plenamente deve passar por fases: infância, adolescência, idade madura e velhice. Neste processo precisa integrar partes essenciais de sua personalidade como seu lado guerreiro, seu lado sensível, seu lado legislador e líder. A este processo de ir à busca da totalidade, Jung denominou individuação, e implica num grau de diferenciação de seus aspectos masculinos e femininos” (ULSON, 1997, 76).

A ideia andrógina de Deus faz com que, na busca pelo divino (individuação), a psique humana precise vivenciar, mesmo que em planos oníricos, personalidades complementares, cujas orientações muitas vezes sejam contrárias àquelas conscientes, trazendo ao sonhador, novos e diferentes pontos de vista que facilitam uma compreensão mais panorâmica de si mesmo.

Anima e animus seriam então os aspectos complementares de gênero na psique, personalidades inferiores que habitam a mente e são necessários para a dialética das polaridades consciente e inconsciente.

Persona pode ser definido como o arquétipo social. Aquele que abrange o tato das relações interpessoais e coletivas, e relação com o outro. É um conjunto de normas e condutas culturais que o indivíduo assimila e constrói uma identidade complementar.

“A partir de Jung, o conceito de ‘persona’ significa mais precisamente o eu social resultante dos esforços de adaptação realizados para observar as normas social, morais e educacionais de seu meio. A persona lança fora de seu campo de consciência todos os elementos – emoções, traços de caráter, talentos, atitudes – julgados inaceitáveis para as pessoas significativas do seu meio. Esse mecanismo produz no inconsciente uma contrapartida de si mesmo que Jung chamou de ‘sombra”. (OCANÃ, 2008, 04)

A sombra pode ser caracteriazada como o arquétipo da negação. Na sombra é personificado tudo aquilo que se tem resistência ou dificuldade para assimilar como próprio. A sombra é o amargurado ou reprimido que clama por expressão. Não só se opõe a persona, no constructo social, mas também em nível individual do sujeito e seus instintos e potenciais negligenciados pela sociedade.

“Diversas pessoas que trilham o caminho do aperfeiçoamento individual acreditam que completaram o processo, mas são incapazes de enxergar a verdade sobre si mesmas. Muitos de nós almejam ver a luz e viver na beleza do seu eu mais elevado, mas tentamos fazer isso sem integrar nosso ser. Não podemos ter a experiência completa da luz sem conhecer a escuridão. O lado sombrio é o porteiro que abre as portas para a verdadeira liberdade. Todos devem estar atentos para explorar e expor continuamente esse aspecto do ser. Quer você goste ou não, sendo humano, você tem uma sombra.” (FORD, 1998, 23).

A integração desses aspectos psicológicos inicialmente opostos seria, portanto a chave da chamada individuação. Através destes, seria possível atingir um estado psicológico centrado, no qual o maniqueísmo neurótico não mais afetaria negativamente a vida dos indivíduos.

“É de suma importancia que um indivíduo se relacione com esses aspectos nebulosos de sua psique e possa, no encontro com esses arquétipos, canalizar sua energia psíquica a fim de construir uma identidade plena, consciente de si-mesmo. Essa construção de identidade é um processo chamado por Jung (1986) de individuação. É um fenômeno que ocorre em todo o decorrer da vida, quando um sujeito ascende a níveis menos infantis de funcionamento em busca da integração de sua personalidade. A matriz dessa personalidade individual provém do conceito junguiano de self ou si-mesmo que pode ser definido como o arquétipo da totalidade e centro regulador da psique, oculto por trás da personalidade total e encarregado de levar à prática o projeto de vida e de guiar o processo de individuação. Por isso, Jung dizia que sua vivência poderia sentir-se psicologicamente como o “Deus dentro de nós” (SHARP apud JUNG, 1994,181).

O processo de individuação tem como finalidade paradoxal aproximar o homem da ideia de divino através da aproximação do homem com sua própria natureza.

A individuação, portanto, diz respeito ao processo cíclico de integração dos opostos psíquicos para transcender e atingir um contato mais significativo com suas essências e se aproximar do arquétipo divino, o Si-mesmo (Self), e está intimamente ligada com os processos e etapas alquímicas.

“A serenidade no velho e o estar consciente dos problemas à sua volta é a melhor maneira de se aferir seu processo de amadurecimento se completou. A total entrega e submissão aos designíos da natureza, do Self, ou de Deus, é objetivo e fim de todos aqueles que conseguem harmonizar os pares de opostos internos. É o coniunctio oppostorium dos alquimistas, ou a pedra filosofal, o lápís, ou tantos outros nomes que eles criaram para expressar o estado de totalidade e plenitude que apenas os sábios, santos e heróis conseguem atingir de uma forma mais intensa e duradoura” (ULSON, 1997, 79).

A alquimia, como veremos posteriormente, é um antigo método para a obtenção desse re-ligare com o Self e permitir o amadurecimento da psique através de metáforas que permitam a integração de opostos complementares.

Referências Bibliográficas:

BOECHAT, Walter. O Masculino em Questão. Petrópolis. Ed. Vozes. 1997.

CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. São Paulo. Ed. Palas Athena, 1990.

FORD, Debbie. O Lado Sombrio dos Buscadores da Luz. Disponível em: http://dharmalog.com/2013/02/19/7-trechos-de-o-lado-sombrio-dos-buscadores-da-luz-de-debbie-ford-1955-2013-sobre-a-aceitacao-plena-de-nos-mesmos/. 14/05/2013

JUNG, C.G Psicologia e Religião Oriental. Petrópolis: Vozes. 1989.

JUNG, Carl Gustav. A Vida Simbólica. Obras Completas. Vol. XVIII/I. Petrópolis. Ed. Vozes. 2 Edição 1998.

JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Obras Completas. Vol. IX/I. Petrópolis. Ed. Vozes. 2011.

OCAÑA, Emma Martinez. A sabedoria de integrar a sombra. Disponível em: http://www.fundacao-betania.org/biblioteca/cadernos/pdf/Caderno_13_A_Sabedoria_de_Integrar_a_Sombra_Emma_Ocana.pdf. 14/05/2014

SHARP, Daryl. Léxico Junguiano. São Paulo: Cultrix, 1997.

Imagens:

Gravura de Camille Flammarion, da obra “L’atmosphère, météorologie populaire” de 1888

Aquarela do manuscrito “Aurora Consurgens” de autor desconhecido, representando a dialética entre as polaridades masculina (sol) e feminina (lua)

“Union” arte de Android Jones

“DreamCatcher” arte de Android Jones

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-2-7-alquimia-individua%C3%A7%C3%A3o-e-ourob%C3%B3ros-psicologia-anal%C3%ADtica

A Mente dos Profetas

No livro O eu e o inconsciente Carl Gustav Jung analisa o delicado equilíbrio entre as partes que compõem a mente, o consciente e o inconsciente, e nos coloca diante de questões fantásticas pro campo da psicologia e metafísica, como a possibilidade da persona (a “máscara” da qual nos revestimos pra autar como indivíduo) ser um mero recorte (algo emprestado) da psique coletiva, o que nos faz meditar sobre o quanto somos indivíduos e o quanto somos produto do meio…

Mas, não foi por isso que resolvi fazer este post, e sim pra mostrar um trecho onde nosso querido Jung disseca um tipo psicológico muito em voga nos meios esotéricos (e esquisotéricos), e já falado aqui no blog: o profeta (ou ajudante de profeta).

Porquanto creia que é legal receber (e divulgar) comunicações de cunho espiritual, especialmente se forem pra nos alertar de coisas que possamos corrigir pro futuro, quando isso ganha contornos de culto, obsessão ou dogma, até mesmo com prejuízos para a própria pessoa, aí é caso pra psicólogo. Pessoas nesse caso (e seus seguidores) normalmente ficam revoltadas por achar que psicólogo é caso pra doido varrido, gente em camisa-de-força, e não se aplica pra os “gloriosos contatados” das orbes celestiais, mas vale sim, porque o tal contatado tem mente como qualquer pessoa, e está sujeito às influências do inconsciente – pessoal e coletivo – como qualquer outra pessoa!

É aí que entra o texto de Jung, que nos mostra que o inconsciente sempre tenta compensar (equilibrar) o conteúdo do consciente, geralmente (mas não necessariamente) com oposições. Quando há um desequilíbrio, causado por uma consciência falha, entra em ação a atividade automática do inconsciente, visando a geração de um novo equilíbrio. Mas Jung aponta que tal meta será alcançada sempre que a consciência for capaz de assimilar os conteúdos produzidos pelo inconsciente, isto é, quando puder compreendê-los e digeri-los. Se o inconsciente dominar a consciência, desenvol-ver-se-á um estado psicótico. No caso de não prevalecer nem processar-se uma compreensão adequada, o resultado será um conflito.

Assim, no capítulo IV (“Tentativas de libertar a individualidade da psique coletiva”) Jung nos fala que “se os conteúdos do inconsciente chegarem à consciência, como o indivíduo reagirá? Será dominado pelos conteúdos? Aceita-los-á credulamente? Rejeita-los-á? O primeiro caso significa paranóia ou esquizofrenia; o segundo torna o indivíduo um excêntrico, com certo gosto pela profecia, ou então pode fazê-lo retroceder a uma atitude infantil, apartando-se da sociedade humana; o terceiro significa a restauração regressiva da persona”. Mas é o segundo caso o que mais nos interessa:

Identificação com a psique coletiva

A segunda possibilidade seria a identificação com o inconsciente coletivo. Isto equivaleria a aceitar a inflação, exaltada agora como um sistema. Em outras palavras, o indivíduo poderia ser o feliz proprietário da grande verdade que o aguardava para ser descoberta, o senhor do conhecimento escatológico para a salvação das nações. Tal atitude não implica necessariamente a megalomania em sua forma direta, mas sim na forma atenuada e mais conhecida do reformador, dos profetas e mártires. As mentes fracas correm o risco de sucumbir a esta tentação, uma vez que geralmente se caracterizam por uma boa dose de ambição, amor-próprio e ingenuidade descabida. Abrir a passagem da psique coletiva significa uma renovação de vida para o indivíduo, quer seja agradável ou desagradável. Todos querem agarrar-se a esta renovação: uns, porque assim aumentam sua sensação de vida, outros porque vêem nisso a promessa de um maior conhecimento, ou então esperam descobrir a chave que transformará suas vidas. No entanto, os que não quiserem renunciar aos grandes tesouros enterrados na psique coletiva deverão lutar, de um modo ou de outro, a fim de manter a ligação recém-descoberta com os fundamentos originários da vida. A identificação parece ser o caminho mais curto, pois a dissolução da persona na psique coletiva é um convite direto para as bodas com o abismo, apagando-se toda memória nesse abraço. Este traço de misticismo é característico dos melhores indivíduos e é tão inato em cada qual como a “nostalgia da mãe”, nostalgia da fonte da qual proviemos.

(…)

Não pretendo negar, em geral, a existência de profetas autênticos mas, por cautela, começarei duvidando em cada caso individual; o assunto é sério demais para que se aceite, levianamente, alguém como um verdadeiro profeta. Se for este o caso, ele mesmo lutará contra toda pretensão inconsciente a esse papel. Portanto, se num abrir e fechar de olhos aparecer um profeta, seria melhor pensarmos num possível desequilíbrio psíquico.

Mas além da possibilidade de converter-se em profeta, há outra alegria sedutora, mais sutil e aparentemente mais legítima: a alegria de ser o discípulo de um profeta. Esta técnica é ideal para a maioria das pessoas. Suas vantagens são: o odium dignitatis, isto é, o da responsabilidade sobre-humana do profeta, que é substituído pelo otium indignitatis, que é muito mais suave. O discípulo é indigno; senta-se modestamente aos pés do “Mestre” e se protege contra os próprios pensamentos. A preguiça mental torna-se uma virtude; pelo menos, é possível aquecer-se ao sol de um ser semidivino. Pode desfrutar do arcaísmo e infantilismo de suas fantasias inconscientes sem esforço algum, pois toda a responsabilidade é deixada ao Mestre. Através da divinização do Mestre, o discípulo se exalta, aparentemente sem que o perceba. Além disso, não possui a grande verdade (que, naturalmente, não foi descoberta por ele), recebida diretamente das mãos do Mestre? É óbvio que os discípulos sempre se unem com solidariedade, não por laços afetivos, mas com o propósito de confirmar suas próprias convicções, sem esforço, engendrando uma atmosfera de unanimidade coletiva.

Há, porém, uma forma de identificação com a psique coletiva, que parece muito mais recomendável; alguém tem a honra de ser um profeta, assumindo desse modo uma perigosa responsabilidade. Outro indivíduo, por seu lado, é um simples discípulo, administrador do grande tesouro que o Mestre alcançou. Sente toda a dignidade e o peso de uma tal posição e considera uma obrigação solene, ou mesmo uma necessidade moral, denegrir todos os que pensem diferentemente; sua preocupação é fazer prosélitos e iluminar a humanidade, tal como se ele mesmo fosse o profeta. São estas as pessoas que, se ocultando atrás de uma persona aparentemente modesta, irrompem de repente na cena do mundo, inflacionadas pela identificação com o inconsciente coletivo. Tal como o profeta, é uma imagem primordial da psique coletiva, o discípulo do profeta também o é.

Em ambos os casos, a inflação provém do inconsciente coletivo e a independência da individualidade é lesada. Mas uma vez que nem todos possuem a força de uma individualidade independente, a fantasia do discípulo é talvez a mais conveniente. As gratificações da inflação decorrente representam, pelo menos, uma pequena compensação pela perda da liberdade espiritual. Nem devemos subestimar o fato de que a vida de um profeta, real ou imaginário, é cheia de tristezas, desapontamentos e privações; assim, pois, o bando de discípulos e a gritaria dos hosanna têm o valor de uma compensação. Tudo isto é humanamente tão compreensível, que quase deveria surpreender-nos se conduzisse a algo mais além.

#Espiritualidade #espiritualismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-mente-dos-profetas

Padrões Universais (Parte 7)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos, falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução e como isso pode ser organizado em em Rituais, depois mostramos como a simples mistura de sistemas mágicos pode ser um fracasso para pesquisas em Análise de sistemas mágicos para então chegarmos à transformações que ocorrem com as informações que saem do plano emocional e vai para o intelectual em Sonhos.

No último capítulo falamos dos sistemas simbólicos que permeiam as culturas, se referindo a um espaço-tempo específico. Porém, alguns desses padrões podem ser encontrados em todas as culturas deste nosso planeta, o que denominamos “padrões universais” ou Arquétipos. Eles existem, como uma experiência subjetiva, em todas as pessoas, culturas e períodos da história. Tente achar algum padrão nas imagens abaixo, referentes a líderes político-religiosos de diferentes culturas:

Em todas as figuras podemos notar algum símbolo na cabeça da figura, algo que se parece com um fogo, uma luz cristalizada em um objeto físico. Um símbolo que representa um Arquétipo é chamado de Imagem Arquetípica (trocando em miúdos, a imagem como um grupo de pessoas identifica um Arquétipo).

Podemos citar vários arquétipos pelos quais qualquer pessoa passa nos diferentes momentos da vida, vou tomar alguns dados no livro “O Tarot Mitológico”, de Juliet e Liz Greene:

– O nascimento é real em um nível concreto, qualquer coisa que exista precisa nascer. Mas também é uma experiência psicológica de espécie arquetípica, pois sempre que iniciamos algo novo, ou entramos em uma nova fase da vida, há um sentido de nascimento. Nascimento também implica outros estados subjetivos, porque nascer significa abandonar as reconfortantes e serenas águas do útero materno, tanto em nível físico quanto psicológico.

– A morte, todos nós um dia morreremos. Da mesma forma a morte também é psicológica, porque a vida muda, como nós também mudamos; todas as vezes que há um final de qualquer espécie, uma separação ou o fim de uma fase da vida, há um sentido de morte.

– A puberdade, a passagem da infância para a adolescência, também pode ser entendida como um arquétipo de maneira psicológica. Toda vez que paramos de olhar para algo de uma maneira infantil e passamos a tentar compreendê-lo de forma a integrar à vida de uma maneira mais real, estamos nos defrontando com esse arquétipo.

São inúmeros esses padrões, o que os classificam como padrões universais são suas características fractais. Um fractal é algo que olhado em diferentes escalas (maiores e menores, mais profundas ou rasas etc.) é composto por partes que formam algo semelhante ao conjunto de todas essas partes (lembram-se que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus? Assim, o homem é um fractal de Deus, “o que está em cima é como o que está embaixo”, “assim na terra como no céu”). Um exemplo típico de fractal é o Mandelbrot:

Note que suas pequenas partes são idênticas ao todo. Este é um exemplo perfeito, contudo, abstrato; temos um exemplo bem mais próximo de nós, que é comparar nossas células ao nosso corpo todo. Cada uma de nossas células possui suas organelas, assim como nosso corpo possui seus órgãos, cada célula possui sistema de entrada e saída de energia, cada célula tem sua parte responsável pela manutenção da energia, tem sua parte responsável pela harmonização e equilíbrio de todas suas partes, tem suas partes responsáveis pela sincretização da energia etc., e esses mesmos padrões o corpo humano possui, assim como qualquer outro ser vivo (salvo algumas exceções), em suas variadas escalas.

Tendo esta noção, chegamos no que já citamos no texto anterior e foi chamado de “Inconsciente Coletivo”, que é o depósito de todas as imagens arquetípicas (signos, símbolos etc.) que nasceram de Arquétipos e, sendo assim, qualquer pessoa deste mundo é capaz de entendê-lo pois já os vivenciou de alguma forma, basta ter o devido cuidado ao analisar. Existem muitos nomes dados a esse inconsciente. Paulo Coelho, por exemplo, chama isso de Linguagem Universal e diz que seres humanos que pertencem a culturas diferentes e não falam a mesma língua conseguem se comunicar ainda assim, vide O Alquimista.

Retomando o exemplo do corpo e das células, uma célula não precisa saber que existe um cérebro enviando comandos até ela para que faça o que deve fazer, pois o comando passa por muitas outras células antes de chegar até ela, o que importa é ela fazer o que tem que fazer. Se é uma célula muscular, que ela produza movimento e sustentação; se for uma neuronal, que ela repasse o comando para suas vizinhas; se for uma célula óssea, que ela dê sustentação; se for uma epitelial, que ela dê proteção etc. O que importa é que se cada uma fizer sua parte, o todo sobrevive, e se o todo sobrevive, cada uma recebe o que precisa para continuar fazendo sua parte dele.

“The tune will come to you at last

When all are One and One is all!” Stairway to Heaven, Led Zeppelin

Note que se qualquer célula “resolver” não fazer sua função e tentar desempenhar outras funções, o todo é prejudicado e pode morrer, assim, elas morrem consequentemente, pois é um sistema mutuamente interdependente; da mesma forma a célula só sobrevive se suas organelas desempenharem suas devidas funções e as organelas se a célula estiver em bom funcionamento.

Com o Coletivo a ideia é a mesma, enquanto cada pessoa não desempenhar aquilo que faz de melhor e não estiver no lugar para que foi designada a ocupar ao ser criada, Ele também terá problemas; mas note que se a pessoa tenta fazer aquilo que nasceu para fazer, ela também terá aquilo que precisa para fazer; no nosso mundo isso é traduzido em felicidade, conforto, alimentos, dinheiro etc., quanto mais trabalhamos em prol desta harmonia do todo, mais recebemos o que precisamos receber para buscarmos nossos sonhos. Aquele que escreve uma série de textos como esta que você está lendo, por exemplo, representa para esse Todo o que uma célula neuronal – que transmite mensagens/comandos – representa para um corpo físico; neste caso são noções de Magia Prática.

Apesar de tudo, é difícil saber quando estamos fazendo exatamente aquilo que devemos fazer, uma indicação é o que foi citado sobre receber tudo que precisamos para fazer, mas nem sempre tudo que nos é dado é tão óbvio quanto trabalhar e receber o salário combinado. Um exemplo de caso menos óbvio é quando uma pessoa está em dúvida se deve ou não continuar fazendo alguma coisa, anda pelas ruas e enxerga num Outdoor a palavra “continue…”; a pessoa passava por ali todos os dias mas nunca tinha dado atenção para aquela palavra, mas justamente no dia que precisava de uma resposta sobre “continuar ou parar” ela percebeu a palavra – como se sua atenção tivesse sido magneticamente atraída para ela. O que muitos dizem (isso é muito bem exemplificado no livro Xamã Urbano, de Serge Kahili) é que quando nossa atenção é puxada desta forma a algo assim, é porque o Todo está tentando falar conosco (como se aquilo que está no nosso subconsciente fosse atraído magneticamente para o signo, este conceito será muito mais trabalhado em materiais mais avançados de Magia Prática que faremos).

Quando pensamos em “justamente no dia”, “justamente na hora” etc., estamos falando de sincronicidade, ou eventos que possuem uma relação de significado dada pelo Tempo (quarta dimensão) e não exatamente por Ação e Reação, e essa é uma das formas do Coletivo se comunicar conosco e avisar se estamos no “tempo-espaço que deveríamos”, caminhando em direção a Ele ou nos afastando. Trazendo para mais próximo o que é sincronicidade, notem que a beleza de um “nado sincronizado” é justamente quando os nadadores fazem todos movimentos iguais e ao mesmo tempo, isso é o que mostra a harmonia entre os nadadores.

Esta forma que citei é uma das formas de como o Todo fala conosco no mundo físico, porém, Ele pode enviar mensagens por via de visões e sonhos (por exemplo sonhos harmônicos ou pesadelos, belas artes ou desenhos horríveis, que seria no plano astral, do Ar) ou sentimentos (por exemplo, felicidade ou tristeza, entusiasmo e depressão, que seria no plano emocional, da Água). É aqui que chegamos, por fim, no último plano de abordagem desta apostila, Atziluth, ou o mundo do Fogo, mundo dos Arquétipos e padrões universais.

Quando conseguimos interpretar todos esses sinais do plano físico, astral e emocional, podemos nos harmonizar com esse Todo. A palavra Thelema (que para alguns significava “Vontade de Deus” e outros “Vontade do Homem”) teve seus significados unidos e foi utilizada por Aleister Crowley para representar essa harmonização, essa sincronicidade perfeita, dizendo que a primeira parte da evolução do homem é descobrir qual é sua Thelema, o que muitos sistemas chamam de Iluminação ou Illuminati Capite. Há muitos termos utilizados para representar essa ideia, como “descobrir sua Lenda Pessoal”, “transformar o Chumbo em Ouro”, “descobrir sua Verdadeira Vontade”, “conversar com seu corpo Búdico”, “desenvolver a consciência Khrística” quando se referir a Krishna ou Crística quando se refere a Jesus (hoje em dia é o “eu vi Jesus”), “procurar o Santo Graal”, “estabelecer contato com seus Orixás Ancestre, adjuntó e juntó” na Umbanda e etc.

Para terminar este texto e esta série, proponho um exercício de Auto-Conhecimento que pode nos ajudar a ter uma primeira noção sobre nossa Thelema. Escreva, em um caderno especial para isso, de preferência que nunca tenha utilizado, suas respostas mais sinceras para as perguntas abaixo:

À partir do momento da Iluminação, tudo conspira à favor da pessoa para fazer aquilo que precisa fazer (não significa que será fácil, e sim que as portas que precisamos que se abram, abrirão) e, então, o sucesso naquilo que fizer é a única possibilidade caso não saia de seu campo de atuação, ou, como eu costumo dizer:

Vai dar certo!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/padr%C3%B5es-universais-parte-7

Análise das Religiões

Acredita-se que ela (a religião) consiste em um sistema de idéias, exprimindo, mais ou menos adequadamente, um sistema de coisas. Mas esta característica da religião não é a única nem a mais importante. Antes de tudo, a religião supõe a ação de forças sui generis, que elevam o indivíduo acima dele mesmo, que o transportam para um meio distinto daquele no qual transcorre sua existência profana, e que o fazem viver uma vida muito diferente, mais elevada e mais intensa. O crente não é somente um homem que vê, que conhece coisas que o descrente ignora: é um homem que pode mais.

(Durkheim, 1977)

Não é novidade nenhuma que a religião tem um papel transformador nas pessoas, que vencem desafios impostos pela classe social com dignidade e obstinação. Isso é chamado resilência, e pode ser conferido in loco por quem for ao Coque, uma enorme comunidade marginalizada pela violência, onde a ONG Neimfa (Núcleo Educacional dos Irmãos Menores de Francisco de Assis) se instalou e, através das religiões (católica, evangélica, espírita, budista, hinduísta e umbandista) e da ciência (psicólogos, médicos, professores), fornece suporte físico, psicológico e espiritual para mais de 300 famílias, com resultados visíveis.
Max Weber (1864-1920) tem uma visão mais pragmática e funcional da religião, imaginando-a não como um sistema de crenças, mas sim “sistemas de regulamentação da vida que reúnem massas de fiéis”, voltando-se para o sentido que o ethos religioso atribui à conduta. Em seus textos Weber visa expor como as religiões geram ou constituem formas de ação e disposições gerais, relacionadas a determinados estilos de vida. Na análise do protestantismo, por exemplo, vemos essa relação, quando Lutero usa a palavra Beruf tanto pra se referir à vocação religiosa como ao trabalho secular (embora o autor diga que a afinidade do protestantismo com o espírito do capitalismo e do progresso como o entendemos hoje só remonta ao início do séc. XVIII). Assim, o pedreiro passa a servir a Deus construindo casas, o padeiro, fazendo pães, o comerciante, vendendo e comprando. Nessa linha, Deus não solicitava mais imagens ou templos ornados, mas determinada disposição em relação à vida cotidiana, à inserção e ao trabalho no mundo secular; trata-se do ascetismo intramundano, que nos lembra um pouco a filosofia zen budista de procurar estar dentro do mundo (não procurando algo fora dele), praticando sua religiosidade através das ações (mesmo as mais mundanas).

A ética protestante representa uma ruptura em relação à ética católica tradicional. A negação da devoção aos santos e seus milagres, a recusa a certos sacramentos e uma nova perspectiva de relação com o sagrado e com as ascese configuraram uma religiosidade menos ritualista e mágica e mais intelectualizada. O fiel protestante, racional, disciplinado e, fundamentalmente, previsível, é também o operário capitalista, necessariamente previsível e disciplinado. Assim, Weber busca articular o ethosreligioso com o ethos econômico no decurso da história. Segundo ele, pra cada formação religiosa há tipos específicos de “comunalização religiosa” e de “autoridade”. Dois tipos formulados por Weber são a “igreja” e a “seita”. A igreja implica um certo projeto universalista, que a coloca para além de laços tribais, familiares ou étnicos, assim como um corpo sacerdotal profissional, dogmas e cultos fundamentados em escrituras sagradas que se racionalizam e se institucionalizam progressivamente. Já a “seita” diz respeito a tipos de associações voluntárias de fiéis, que se caracterizam por uma certa ruptura com a sociedade mais geral. Os fiéis não seguem “profissionais religiosos”, mas autoridades carismáticas. Interessante notar como a Igreja católica entrou num movimento de reafirmação onde está cada vez mais distante da sociedade geral, admoestando os “católicos de fim de semana” e procurando valorizar os dogmas dentro de um núcleo doutrinário, excluindo o aculturamento… Quase uma seita.

Weber também se preocupa com as relações entre religiosidade e os diferentes grupos sociais. Assim, para as classes oprimidas politica, social ou economicamente, as crenças preferidas estariam relacionadas à possibilidade de “redenção” ou “compensação”, enquanto as classes privilegiadas e dominantes buscam formas de religiosidade que permitam “legitimação” das relações sociais estabelecidas. O espiritismo cumpriu muito bem ambos os papéis no Brasil quando, em plena ditadura militar, foi bem aceito pelos dois lados (militares e a população oprimida pela ditadura).
Peter Berger (1985) acredita que os homens são congenitamente forçados a impor uma ordem sinificativa à realidade, e aí entra o sentido da religião, como um escudo contra o terror.

Em um certo nível, o antônimo de sagrado é o profano (…) Em um nível mais profundo, todavia, o sagrado tem outra categoria oposta, a do caos. (…) A oposição entre o cosmo e o caos é frequentemente expressa por vários mitos cosmogônicos. (…) Achar-se em uma relação “correta” com o cosmos sagrado é ser protegido contra o pesadelo das ameaças do caos.Pode-se dizer que a religião desempenhou uma parte estratégica no empreendimento humano da construção do mundo. (…) A religião supõe que a ordem humana é projetada na totalidade do ser. Ou por outra, a religião é a ousada tentativa de conceber o universo inteiro como humanamente significativo.

Sigmund Freud (1856-1939) vê a religião como uma ilusão infantil, um sistema de defesa socialmente contruído com o qual o homem lida com sua condição fundamental de desamparo e sentimentos ambíguos em relação à figura paterna. Freud, assim, ignora o sentimento de transcendência e resilência que a religião aparentemente proporciona, preferindo colocar a experiência religiosa de eternidade e fusão como o Todo como um sentimento que não teria origem transcendental, mas sim algo intelectual/afetivo, como um retorno à experiência primeva do bebê, fundido com sua mãe. Embora Freud reconheça a religiosidade como vivência humana importante, tende a considerá-la derivada de outras experiências, não sendo, assim, uma experiência primária. Já a relação do Homem com Deus é apenas a projeção da relação com o pai (aimago paterna). Daí as relações intensas e ambíguas que surgem, como o Pai/Deus poderoso, dominante, protetor, onipresente, punitivo, odiado, vítima do ódio dos filhos e redentor.

Já Erik Erikson (1902-1994) relaciona a religião com a imago materna, ou seja, a experiência primeva com a mãe, a separação e a tentativa sempre recorrente de reencontro.
Carl Gustav Jung (1875–1961), como sempre, vai além do seu mestre e postula a religiosidade como elemento natural do psiquismo humano, uma parte constitutiva e essencial da natureza do próprio homem. Dessa forma, a religiosidade seria, por assim dizer, um instinto. Mas isso não quer dizer que as representações de Deus e dos elementos sagrados de cada cultura não sejam fenômenos socialmente construídos, mas sim baseadas num fundamento religioso humano universal.

Quando, por exemplo, a psicologia se refere à concepção da virgem, trata apenas do fato de que existe essa idéia, mas não da questão de estabelecer se essa idéia é verdadeira ou falsa em determinado sentido. A idéia é psicologicamente verdadeira na medida mesma em que existe.O pressuposto da existência de deuses e demônios invisíveis é, na minha opinião, uma formulação do inconsciente psicologicamente adequada, embora se trate de uma projeção antropomórfica. (…) tudo quanto se acha fora, quer seja de caráter divino ou demoníaco, deve retornar à alma, ao interior desconhecido do homem, de onde aparentemente saiu.Não é Deus que é um mito (como podem sugerir as ciências), mas o mito que é a revelação de uma vida divina no homem. Não somos nós que inventamos o mito, é ele que nos fala como Verbo de Deus.

Mas, para Jung, nem tudo na religiosidade é expressão dos recônditos da alma humana. Determinadas crenças, dogmas e ritos podem ser, de fato, recursos sociais protetores contra a experiência religiosa originária, imediata e, potencialmente, avassaladora:

A experiência imediata do arquétipo da divindade representa um impacto tão violento que o ego corre o perigo de desintegrar-se. Com os meios de defesa face a esses poderes, a essas existências mais fortes, o homem criou os rituais. Poucos são aqueles capazes de aguentar impunemente a experiência do numinoso. As cerimônias religiosas coletivas originam-se de necessidades de proteção, funcionam como anteparos entre o divino e o humano, isto é, entre o arquétipo da imagem de Deus – presente no inconsciente coletivo – e o ego.

Como vimos, a religião cumpre os mais diversos (e importantes) papéis na humanidade. Ela é social, é psíquica, é estruturadora, reguladora, é instintiva, projetiva, espelhada, transformadora, é cultural, espiritual, etc. Todos os pensadores acima não conseguiram englobar a multitude de aspectos da religião em uma teoria, mas a soma deles nos dá uma boa idéia de como precisamos encarar com respeito a religiosidade, não no aspecto do outro, mas de nós mesmos (que aspecto dela estamos trabalhando em nós nesse momento?).

#Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/an%C3%A1lise-das-religi%C3%B5es

O caso Yakima

Um hexágono  voador pilotado por um homem com cara e italiano perto de Yakima em 1928, um anão cabeludo com nariz grande, capaz de atravessar paredes na Califórnia, e um encontro extraordinário em uma região remota da Argentina, com um gigante e um pequeno robô: são todos casos onde falei com testemunhas oculares, sem conseguir uma explicação. As testemunhas são indivíduos retraídos , sinceros, que não buscam a fama ou vantagem financeiras com suas experiências. Nenhum fato em suas vidas indica um padrão de incidentes inusitados ou interesse pela paranormalidade. Nenhum destes casos foi mencionado na imprensa.

Um cético tem direito a sua opinião , pode pensar que todas estas pessoas estavam mentindo ou sofrendo de alucinações , mas esta explicação não me convence. Tampouco acredito na interpretação literal dos entusiastas por OVNIs, para quem os diversos seres vistos pelas testemunhas devem ser considerados automaticamente visitantes de outros planetas.

Neste aspecto, o fenômeno dos OVNIs funciona como um transformador da realidade ( ou, na definição de Bertrand Meheust, modificador da realidade ) , provocando nas testemunhas uma série de situações simbólicas que se tornam indistinguíveis da realidade. Estas situações , que frequentemente se iniciam por uma série atordoante de luzes coloridas piscando ou de extraordinária  intensidade, induzem a um estado de profunda confusão nos envolvidos , que se tornam vulneráveis à inserção de novos pensamentos e experiências visuais inéditas.

A resposta dos ufologistas à confusão dos sequestrados tem sido desastrosa . Ao aceitar literalmente as manifestações
simbólicas, e ao hipnotizar  as testemunhas em um esforço para solucionar a confusão, muitos pesquisadores bem-intencionados acabaram , na verdade , por reforçar a realidade alternativa induzida pela visão do OVNI, desta maneira exacerbando o que pode muito bem ser apenas um efeito colateral , perdendo de vista  a experiencia principal. A hipnose , que pode ser uma técnica investigativa  muito proveitosa , infelizmente se tornou uma obsessão fanática dos pesquisadores  norte-americanos da atualidade. Neste processo, pesquisadores  sem treinamento em hipnose clínica criaram indubitavelmente falsas lembranças precedidas pelo fornecimento de pistas sutis. As falsas lembranças podem satisfazer os ufologistas ansiosos por explicações simples e factuais da condição dos OVNIs, tidos como naves interplanetárias, mas não passam de resultados espúrios. O procedimento pode ser danoso às testemunhas , que forçam artificialmente a experiência com os OVNIs a uma integração impossível com a memória consciente, tentando encaixar a peça redonda da visita extraterrestre no buraco quadrado de sua propria confusão. Conforme disse uma testemunha em uma carta que recebi:

O senhor faz muito bem em prevenir as pessoas quanto ao perigos da manipulação. . . As vitimas de sequestros são
extremamente vulneráveis à manipulação cara a cara , o que pode levar ao controle quase total sobre o individuo. Os humanos estão assumindo o controle das pessoas no ponto onde os alienigenas pararam.

Conheço diversas testemunhas que foram hipnotizadas vezes seguidas, frequentemente na presença de outros “sequestrados“. Elas se tornaram incapazes de distinguir entre a realidade e o sonho, sendo conduzidas  a um reino onde suas fantasias e terrores particulares são na verdade estimulados a se unirem ao encontro traumático e confuso com um OVNI. A sensação precária de bem-estar gerada desta forma é perigosa e ilusória.

O padrão que se criou em torno dos sequestros por OVNIs lembra as teorias medievais sobre sequestros por demonios , pactos com Satã e vôos no Sabbat , incluindo-se a marca do diabo no corpo das feiticeiras. Conforme  o sociologo frances Pierre Lagrange observou em uma conversa comigo, o unico elemento que falta é o familiar   —   o gato preto ou a coruja usados para acompanhar as bruxas!

A regressão hipnótica dos sequestrados não é o tipo de medida ativa que precisamos . Em vez disso, devemos considerar os OVNIs como um transformador da realidade , e pesquisar cuidadosamente o processo simbólico provocado  na mente da testemunha . Quando utilizada por um profissional capacitado, a hipnose fornece alguns elementos valiosos  para analise da experiencia, mas não a explica.

Em 1978 tive a oportunidade de encontrar outra testemunha cujo sofrimento lança uma nova luz a questão dos sequestros e a natureza dos seres a eles associados. Também esclarecer a escandalosa conduta antiética e amadoristica de alguns dos cientistas que foram encarregados de avaliar o fenomenos.

No dia 3 de dezembro de 1967 o sargento Herbert Schimer realizava uma patrulha perto de Ashland , no Alasca, às 2h30 – numa noite límpida , sem luar   —   quando avistou luzes vermelhas , que imaginou pertencerem a um caminhão. Quando foi verificar , contudo, notou que as luzes vinham das janelas de um objeto em forma de disco que pairava sobre a rodovia . Sua lembrança consciente seguinte foi de um aparelho brilhante iluminado que subia com um som de sirene , enquanto soltava um material cor de fogo da parte inferior. Ele teve sensação de paralisia naquele momento, ficou nervoso, enjoado e fraco quando voltou ao quartel.

O dr. Leo Sprinkle  , da Universidade do Wyoming, foi um dos primeiros  psicologos profissionais a mostrar interesse pelos sequestros feitos por OVNIs  e a usar a hipnose como recurso investigativo. Quando se encontrou com membros do comite Condon, que havia sido organizado pela Força Aérea na Universidade do Colorado, em 1968, ele repassou alguns casos que poderiam ser utilizados como exemplo. O comite escolheu o caso Schirmer em função da perda  de sentindo do tempo por parte da testemunha.

O sargento Schirmer foi a Boulder para uma série de testes psicológicos, e pediu para falar com o professor Condon. Ele fora convencido a fazer a viagem por causa de sua importancia cientifica potencial. Recebera garantias de que havia um interesse verdadeiro em sua visão , e que o professor Edward Condon , um fisico famoso, estaria presente pessoalmente na sessão.

Infelizmente o professor Condon não se encontrava no campus na época, e o comite científico se deu conta de que o truque usado para atrair o sargento e realizar os testes corria o risco de ser desmascarado. Assim, conforme relatou o sargento Schirmer , eles apresentaram outra pessoa e disseram que era o professor Condon.

Schirmer não era nenhum idiota. Durante a entrevista alguém entrou na sal e dirigiu-se ao “professor Condon”, chamando-o pelo primeiro nome, algo como “Ed” ou “Edward”, Schirmer desafiou o cientista:

—    Voce não é Condon!   —   gritou, e uma cena muito constrangedora ocorreu.

Dali para a frente a credibilidade da Universidade do Colorado , aos olhos da testemunha , era praticamente nula . Quando recebeu manchas de tinta e o pedido de dizer o que via ali, ele declarou o óbvio: via manhcas de tinta.

—    Bem, não pode imaginar que sejam qualquer outra coisa?   —   sugeriu um dos psicólogos.

—    Doutor , sou um policial    —    Schimer retrucou.     — Não sou obrigado a imaginar nada. Fui treinado para relatar fatos reais.

Schirmer me  falou que tinha medo de começar a dizer que via borboletas ou elefantes copulando nas manchas, levando os cientistas a concluir que ele era maluco, que poderia muito bem ter vistos discos voadores onde havia apenas um monte de nuvens.

Duarante nosso encontro , perguntei ao sargento Schirmer quais foram as consequencias para a sua saude, como resultado  do encontro com o OVNI. No momento da experiencia a testemunha sentiu um “formigamento” no corpo, por alguns segundos , e uma dor localizada na base da orelha  , como se uma agulha tivesse sido introduzida ali.  Surgiu uma mancha vermelha , com pequenos orificios  , no local. Durante três anos, após o incidente , ele sentiu fortes dores de cabeça , que duravam  duas horas e não eram aliviadas por aspirina. Nas três primeiras semanas  depois da  visão as dores de cabeça o acordavam.

O dr. Sprinkle notou que após a visão a testemunha tomou duas xícaras de café quente, quase fervendo, “como se fosse agua”. Ele frequentemente sentia “uma tontura e um zunbido no ouvido, antes de dormir , e disturbios violentos durante o sono”.

O sargento Schirmer fez um desenho detalhado , a lápis , de um dos “operadores” do aparelho , conforme suas lembranças durante a hipnose. O desenho mostra um homem severo, com um pedaço de pano preto cobrindo a cabeça. A abertura do rosto tem forma de ogiva, o que lhe dá uma aparencia gótica. A testa tem rugas. Os olhos, nariz, boca e sombrancelhas são do tamanho normal, embora as pupilas sejam grandes  e alongadas, dando aos olhos um aspecto penetrante, estranho. Na orelha  esquerda há um aparelhinho redondo, com uma pequena antena, medindo menos de 5 centimetros. E no ombro direito uma insignia, com uma serpente encaracolada.

Schirmer lembra que foi retirado do carro patrulha, sem conseguir usar o rádio ou a arma. Foi levado para dar uma volta no disco. O operador perguntou:

—    Voce é o vigia deste lugar?

Quando atingiram a parte superior do aparelho, o homem disse a Schirmer:

—    Vigia, um dia você verá o Universo!

Na época de nosso encontro , e por muitos anos , após o evento , este dialogo com o operador foi considerado por Schirmer como o acontecimento mais importante de sua vida.

Os encontros com OVNIs são cenários completos , nos quais a personalidade das testemunhas se projeta. Como nos filmes que aterrorizam, fazem rir, chorar ou suar de medo, a experiencia se torna parte da realidade da testemunha. Os ufologistas se comportam como pesquisadores sociais que, ao tentar compreender o fenomeno do cinema, entrevistam pessoas ao acaso, e aceitam seu testemunho  de acordo com as aparências. Como as testemunhas de OVNIs, estas pessoas não mentem . Algumas viram Godzilla , outras viram Bambi. A experiencia, em qualquer um dos casos , foi real para elas.

Mas a realidade sobre a qual devemos concentrar a atenção, a realidade que os pesquisadores de OVNIs frequentemente ignoram , é que existe um projetor oculto em uma pequena sala escura, perto do teto. Nesta sala, a tecnologia pode transmitir as imagens tanto de Bambi e Godzilla quanto Guerra nas Estrelas e, obviamente , Contatos Imediatos.

Como a tecnologia do cinema, a tecnologia dos OVNIs é um metasistema. Ela gera qualquer fenomeno apropriado para nosso nível, em uma dada época, em uma determinada condição do “mercado”.

Como Bertrand Meheust provou de modo brilhante , o cenário simbólico visto pelos sequestradores é identico ao tipo de iniciação ritual ou viagem astral que se encontra enraizada em todas as culturas. Neste sentido , a experiencia com os OVNIs é o detonador real que liberta uma série de imagens poderosas que carregamos em nosso “inconsciente coletivo” ( na nomeclatura junguniana). Inútil perguntar por que algumas testemunhas enxergam gigantes e outras anões, por que alguns sequestros são benignos e outros nocivos, por que em determinados encontros as vítimas encontram tecnologia sofisticada e em outros ocorrem estupros e outras indignidades.

Enquanto nossos colegas ufologistas ficam na caçada entrevistando os frequentadores do cinema, eu (Jacques Vallée ) acredito que as perguntas importantes devem ser feitas em outro lugar. Minha pesquisa conduziu à escada dos fundos, onde ninguem sobe. Meu objetivo é penetrar no segredo da pequena cabine de projeção, e descobrir finalmente o que faz os rolos se moverem e a máquina funcionar.
Extraido do livro Confrontos  de Jacques Valleé  –  Editora Best Seller

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-yakima/