Angel Tech: Guia de um xamã moderno para seleção de realidades

Perder-me na seção de religiões da minha livraria favorita costumava ser puro prazer cerebral… um prazer incomparável. Isso foi antes da invasão dos livros da Nova Era e de auto-aperfeiçoamento que, nos últimos anos, inundaram as estantes e empurraram para fora as gemas clássicas e mais obscuras da tecnologia psíquica. Você não pode mais encontrar os paradigmas cristalinos do Ensino Superior sem esbarrar em mais bobagens de palavras da moda. Ironicamente, devido à popularidade vertiginosa da Metafísica em geral, uma diluição generalizada de informações espirituais genuínas passou para a seção de história e filosofia. Talvez seja um sinal dos tempos, quem sabe? Não sei e, francamente, não quero saber. Metafísica para os Milhões não é minha praia.

Balançando em meio ao rio lamacento da literatura oculta está Angel Tech: A Modern Shaman’s Guide to Reality Selection (Angel Tech: Guia de um xamã moderno para seleção de realidade), de Antero Alli ,um residente de Boulder, Colorado, com um prefácio de Robert Anton Wilson, famoso por Cosmic Trigger. “Seleção de realidade”, hmmm… isso me chamou a atenção. Não é exatamente um livro de auto-ajuda ou um tratado metafísico, Angel Tech é (em suas próprias palavras), “um manual de sobrevivência para anjos caídos que acabaram com suas respostas congeladas aos pesadelos ao nosso redor”. Várias frases depois, ele nos instrui a: “voar mais alto, plantar os dois pés firmemente no chão… chão”. O título também é um pouco enganador, porque Angel Tech não é sobre anjos em si; pelo menos não do tipo pintado por artistas e descrito na Bíblia. Para citar mais uma vez o texto, “Um anjo é um ser de Luz. Tech vem de techne, significando arte ou habilidade. Angel Tech é a Arte de Ser Luz… Somos, em essência, seres de luz.”

Alli assumiu a responsabilidade de redefinir a terminologia comum, bem como criar palavras próprias para descrever sua jornada psíquica. Esta jornada atravessa a Lei das Oitavas e Harmônicos traduzidos na visão evolutiva das funções da Inteligência Única. Seu destino é a incrível tarefa de Aumento de Inteligência. O formato da lei dos oitos é tão antigo quanto as Escolas de Mistério Sufi e vigoroso o suficiente para atrair o próprio Gurdjieff. Mais recentemente, o guru patife Timothy Leary pegou e escreveu sua obra, Exo Psychology (também esgotada), um dos livros de origem da Angel Tech. O que diferencia a Angel Tech de outras interpretações desse sistema óctuplo é seu brilho cômico e algumas ilustrações histericamente perversas. Também visivelmente ausente é o tipo de dogma que quase sempre acompanha assuntos como este. (O autor nos lembra constantemente que o livro é um mapa e não o território em si, e que nós, leitores, devemos fazer nossos próprios mapas tão rápido quanto absorvemos informações para minimizar a constipação psíquica.)

Este livro não é para todos. Considere a seção intitulada Mecânica do Karma, que é “um curso de estudo mais adequado para robôs auto-realizados”. Quem vai admitir a seu papel de robô? Gurdjieff e sua espécie certamente o fizeram, mas não sem muito trabalho. Mais adiante nesta seção há outro chamado Problemas Mecânicos que, com detalhes meticulosos, explora os sintomas, causas e ajustes necessários para “robôs enlouquecidos”… em termos leigos, o processo de consertar pessoas quebradas. Apesar da leitura bastante densa nesta seção, Alli conseguiu me atrair com seu humor, que às vezes é implacável. Para o neófito não iniciado, Fred Mertz (lembra-se, do programa I love Lucy?) ressuscitou ao status espiritual de Bodhisattva com o propósito de transmitir sua compaixão através do “meio neuroeletrônico da televisão nas reprises…” Se Fred Mertz é um Avatar da Nova Era, então eu sou o papa. E em algum universo paralelo, provavelmente sou mesmo.

Angel Tech não é uma leitura fácil. Suas 380 páginas descrevem uma abordagem abrangente para reprogramar sua mente. O único outro autor que conheço que apresentou uma visão tão lúcida desta digna tarefa é o Dr. John Lilly (Simulations of God, Center of the Cyclone, etc.). Mais uma coisa surpreendentemente perdida da Angel Tech são os endossos pró-drogas que proliferam em livros de predecessores como Leary, Wilson e Lilly. A fórmula de Alli para Brain Change vem diretamente do próprio biocomputador humano. Técnicas para flexionar os músculos psíquicos são abundantes na Angel Tech. Os tópicos de pesquisa incluem Arrebatamento, Carisma, Ritual, Desenhando um Tarô, Alquimia, Sincronicidade, Astrologia, Rituais do Sonho e Fator X… se ao menos eles tivessem nos ensinado essas coisas quando fomos para a escola. E ao longo de tudo isso, uma corrente sublinhada chamada “aterramento” conecta o que é psíquico à terra. Só isso, na minha opinião, já vale o preço do ingresso.

Às vezes, este livro fica no limite entre a redundância e a repetição instrutiva com a esperança de levar seu ponto para casa. Esse ponto parece ser a autorresponsabilidade e a necessidade de se definir ou ser definido pelos outros. Alli dá como certo que os leitores já entendem que eles criam sua própria realidade, então não há muita escolaridade sobre isso.  É, talvez, por esta razão que o público da Angel Tech permanecerá limitado àqueles que atualmente projetam seu próprio programa. Desta forma, a Angel Tech é até elitista. Ele se recusa a tentar alcançar todo mundo. No entanto, as pessoas que tocarão serão mais ricas devido à falta de compromisso de Alli. Não é um livro totalmente inacessível, mas é baseado em uma suposição bastante radical. Ele falha em reconhecer a divisão entre os Eus Inferiores e Superiores que a maioria dos livros metafísicos quase divinizam. Meu palpite é que Alli é uma espécie de anarquista que encontrou seu caminho no sistema. Sua paixão por aniquilar a hierarquia com o propósito de desmistificar as comunicações é difícil de ignorar.

O que eu achei a parte mais atraente de Angel Tech foi que a seção chamada Capela Perigosa, que poderia ter sido expandida e reescrita como outro livro. Para aqueles familiarizados com o Cosmic Trigger de Robert Anton Wilson, a menção da Capela Perigosa deve tocar os sinos do inferno. De acordo com Alli, a Capela é um “lugar para onde as almas vão depois de serem catapultadas para fora de seus corpos, tateando sem rumo pela outra metade… enquanto seus corpos permanecem vivos, no automático, andando pelo planeta” (parafraseado). Esta seção do livro explora o processo de “Iniciação como resposta criativa ao choque do desconhecido”. É apresentado dramaticamente como Oito Sermões contados a uma congregação de almas perdidas por um padre que lembra vagamente os Sermões dos Mortos no final do livro de Carl Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões. Os títulos dos sermões incluem: Paixões Fatais, Suicídio e Livre Arbítrio, Céu e Inferno, A Crucificação… entre outros. A Capela Perigosa não é um lugar bonito para se estar e Alli olha através de seus vitrais, sombriamente.

Angel Tech é o livro um de uma trilogia chamada Manual de Referência de Operadores de Campo. Os outros dois livros, All Rites Reversed e The Akashic Record Player, serão lançados. Até lá, recomendo esta viagem irreverente e alucinante de um livro, Angel Tech, e espero mais de Alli.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/angel-tech-guia-de-um-xama-moderno-para-selecao-de-realidades/

Iniciação a Thanatos

Um preâmbulo necessário

Shakti, a consorte de Shiva tece pelo universo a triplicidade dos Gunas (Sattvas, Rjas e Tamas) cujas qualidades estão nas formas das secreções cósmicas de Kalas que são manifestos em sua encarnação superior, Kali. Shakti tem dez formas distintas, das quais a mais alta é Kali. De kali emanam as outras nove formas que dão corpo ao seu espectro de atividade.

 

  • Tara – Poder de Creação
  • Sodasi – Materialização do Desejo
  • Bhairavi – Infinidade de Formas
  • Bhuvanesvari – Forças Materiais
  • Chinnamasta – Distribuição da Força de Vida
  • Dhumabati – Forças da Paixão
  • Bagala – Destruidor do Desequilíbrio
  • Matangi – Dominação
  • Kamala – Unidade

Juntas, estas encarnações formam a Qaballah de Kali, que é a matriz Ain/Kether da Árvore Negativa (universo B). Ela é a Mahavidya e a Deusa Primal. Cuja forma externa é furiosa e terrível, ela é ainda a dadora e destruidora do tempo e molda o universo em todas as suas formas.

Para entender a interação entre a Magia Sexual e os reinos Qlipphóticos, devemos adentrar o culto de Kali. Seu Yantra é o triângulo invertido (a Yoni), seu mantram é o som raiz de Krim e seu Tantra é aquele da Magia Sexual em solo de cremação, onde todos os desejos são queimados salvo o da pureza do Eu. Aqui, todas as forças são absorvidas no vórtice do Eros cósmico e as experiências de medo e morte são transformadas em pura paixão de Vontade Perfeita.

Uma Descrição de Kali

O termo Kali vem do radical ‘Kal’ que significa ‘impelir’. Kali é a Deusa Secreta dos Tantristas e deste modo impele o mago a encarar os aspectos finais da Iniciação. Sua relação com Nuit é a de que ela é a máscara da Iniciação da Morte (Thanatos). A experiência de Kali é muito afim àquela do Antigo Egito, onde, no auge da iniciação, é dito ao neófito que ‘Osíris é um Deus Negro’ e o neófito fica face a face com Set, o Senhor Negro. Set sendo aquele que despe o mago de todos conceitos e o leva à experiência da morte, que finalmente causa a total manifestação do Humano Superior.

Uma descrição completa de Kali é encontrada no livro ‘Caminho Tântrico’ (Tantrick Way), de Ajit Mookerjee e Madhu Khanna, Thames e Hudson, 1977.

“Kali é o símbolo do poder ativo do tempo eterno, Kala, e neste aspecto ela significa aniquilação, através da morte ou destruição. Creação, a semente da vida, emerge como a destruição da semente leva ao nascimento da árvore. Portanto, desintegração é um passo normal e necessário da natureza movendo-se em direção ao progresso ou desdobramento.

“Kali é a materialização da creação, preservação e aniquilação. Ela inspira repúdia e amor ao mesmo tempo. Como uma tendência desintegradora, Kali é representada em preto ‘pois todas cores desaparecem no negro, portanto todos os nomes e formas nela desaparecem’ (Thanirvana Tantra). A densidade da escuridão é também identificada com a consciência massiva, compacta, sem divisões, pura. Em hinos tântricos à deusa Kali, ela é descrita como ‘digambar’, trajada no espaço, em sua nudez, ela está livre de qualquer cobertura de ilusão. Ela tem o peito inflado, sua maternidade, uma creação incessável denotando preservação. Seu cabelo desgrenhado, ‘Clokeshi’, forma uma cortina de morte que permeia a vida com mistério. Sua grinalda de cinquenta cabeças humanas representando uma das cinquenta letras do alfabeto sânscrito, simboliza o repositório de poder e conhecimento; as letras são elementos sonoros nucleares simbolizando o poder dos mantras. Ela veste um cinto de mãos humanas, mãos são os principais instrumentos de trabalho e portanto significam a ação do Karma ou relações acumuladas para serem desfrutadas em nascimentos subsequentes, constatemente relembrando que a liberdade suprema é condicionada pelos frutos das ações perpetradas. Seus três olhos governam as três forças de Creação, Preservação e Destruição. Seus dentes brancos, símbolos de Sattvas, a inteligência translúcida, pressionam sua língua vermelha para fora da boca, indicativa de Rajas, um nível determinado de existência conduzindo para Tamas, inércia.

Kali tem quatro mãos, uma mão esquerda porta uma cabeça separada, indicando destruição, e a outra carrega a espada da exterminação física, com a qual ela corta a linha da escravidão. Suas duas mãos da direita expulsam o medo e exortam para força espiritual. Ela é o poder imutável, ilimitado, primordial (Adyasakti), atuando no grande drama despertando o imanifesto Shiva, um observado passivo. Sua unidade inseparável reflete a não dualidade.”

Iniciação a Thanatos

Uma das mais profundas iniciações da Magia é a de Thanatos ou morte. Em Aeons passados a fórmula para experienciar Thanatos e Eros era através do sacrifício, onde o ego inferior morria e com ele as paixões e era ressuscitado mais tarde em um Novo Eu. A fórmula sacrificial era útil no velho Aeon de Osíris pois trazia liberação (Moksha) do Verdadeiro Eu do ciclo de recorrência eterna. Após esta experiência a alma recém-nascida começa a reencarnar, no verdadeiro sentido da palavra, e ganhar experiência. A experiência e gradução supremas para esta alma é a iniciação de Thanatos, onde através de ritos sexuais, os medos e destruições das facetas Qlipphóticas do Universo são tão necessárias como os aspectos Sephiróticos e tudo é consumido na paixão erótica de Kali.

Para algum mago, pode ser possível que ele tenha encontrado seu Verdadeiro Eu em Aeons prévios, portanto seu trabalho, nesta época, é aplicar aquela Vontade para plena manifestação. Para outros, simplesmente a descoberta do Eu Verdadeiro será tarefa suficiente. É imperativo notar a diferença ! A magia de Kali toma o mago que encontrou seu Verdadeiro Eu e o empurra além para a plena manifestação (Humano Superior). Da mesma maneira, a descoberta do Eu Verdadeiro é um pré-requisito para esta forma de trabalho.

Trabalhos preliminares focalizados em meditações sobre a morte, como as quarenta meditações da morte no Budismo ou o Liber HHH, seção AAA (de Crowley) são úteis, contudo, meditações em cemitérios não podem ser superadas.

A iniciação a Thanatos usa as imagens da morte, volência, medo e dor e é baseada nos Princípios de Reversão Sensorial. Na feitiçaria de Kali as imagens reúnem os dois aspectos da energia universal, positividade e negatividade e através de sua interação cria uma nova força. Este processo é afim à dialética filosófica de Hegel, onde Tese + Antítese = Síntese. Contudo, o duelo pessoal de imagens de vida e morte é de longe mais imperativo do que uma discussão filosófica. A iniciação em Thanatos reúne sexo e morte, gosto e desgosto, forçando o mago a experienciar todas as coisas sem respeito a preferências, gostos, normalidades, etc. É a mais terrível de todas as iniciações e engloba a experiência tradicional de “cruzar o Abismo”.

Esta experiência usa os opostos diretos do que experienciamos para mostrar a totalidade do universo e portanto oferece a maior libertação possível e ainda, é uma das maiores demandas de todo o ocultismo, magia e tantrismo.

O Solo de Cremação

O solo de cremação é a cena da iniciação, aqui o mago é despido de todos suportes e máscaras. Thanatos e Eros atuam como os aspectos duais de uma força, sua Shakti ou Kali, que materializa as forças e o ritual torna-se um ato simbólico de necrofilia onde o processo sexual leva-o diretamente a um encontro sexual com o equilíbrio entre vida e morte. Isto é acompanhado por imagens de violência e intoxicação intensas.

As imagens de violência são um imperativo ao processo, elas demonstram a finalidade do ciclo de sofrimento a respeito da vida mortal e destrói as ilusões finais dentro da mente do mago. Sadomasoquismo é normalmente usado para aprimorar a experiência, entretanto, morte e dor não são o objeto mas são postos como aspectos do processo para experienciar a Vontade Verdadeira. Em tempos antigos, os Thuggi levaram este aspecto muito longe e literalmente usavam de violência e assassinato em sua adoração a Kali. Isto é o mais distante que você pode estar da feitiçaria de Kali ! O uso de imagens violentas e conceitos de morte levam o iniciado a um estado pessoal de confusão onde a morte e a vida, sofrimento e prazer, emergem num redemoinho de frenesi sexual e emoção, amor, ódio, terror, beleza. Através disto um novo sentido despontapor sobre estas dualidades e forma uma experiência suprema do Eu Verdadeiro manifestando-se nos veículos inferiores aperfeiçoados. Apenas através deste processo de ‘cruzar o Abismo’ é que é possível a total manifestação da consciência do Humano Superior.

A Sombra

” O confronto de alguém com seu próprio mal pode ser uma experiência mortificante, similar à morte, mas como esta, está além do significado pessoal de existência, representando o primeiro estágio no encontro do Eu. Não há, de fato, acesso ao inconsciente e da nossa própria realidade a não ser através da Sombra. Apenas quando percebemos aquela parte de nós mesmos que até agora não havíamos visto ou preferimos não enxergar podemos então prosseguir com a busca e encontrar as fontes da qual se alimenta e a base na qual se sustenta.

“Portanto, nenhum progresso ou crescimento na análise é possível até que a Sombra esteja adequada e confrontar significa mais do que meramente conhecer sobre ela. Não até que fiquemos verdadeiramente chocados de nos vermos como realmente somos, ao invés de como desejamos ou esperançosamente assumimos que somos, que poderemos tomar o primeiro passo em direção à individualidade.”

A Busca Simbólica (The Symbolic Quest),de Edward C. Whitmont

O exerto acima sugere que a experiência similar à morte é disparada através do encontro com a Sombra. A Sombra é melhor entendida como a faceta do ego inferior que nos força ao conflito dentro do inconsciente para que uma experiência mais plena do Eu Verdadeiro seja possível. Esta Sombra é responsável pelos terrores que experimentamos nos primórdios de nosso treinamento oculto e os períodos de crise que experimentamos logo após começarmos nossa busca iniciática. Deste modo é algumas vezes conhecida como o “Habitante da Entrada”. Esta força de crise leva-nos a nos ver como realmente somos e é o primeiro passo no processo que deve desembocar na Iniciação a Thanatos. A relação entre a Sombra e o Ego é refletida de perto na dualidade de Set e Hórus, escondido dentro da força de Hórus está o aspecto oculto de Set. Set é como a Sombra, mas numa base macrocósmica. Ele purifica o planeta para prepará-lo para uma plena experiência de despertar, este sendo a visão de Ain, que é na realidade a verdadeira natureza da Sombra ou Set exaltado.

Kali como Matriz Iniciática

Kali é, portanto, a mais alta matriz iniciática. Ela resume sob um glifo as imagens de vida e morte e oferece as experiências de Thanatos e Eros moldadas juntas para levar a uma iniciação final nas Supernais. As verdadeiras técnicas da Iniciação a Thanatos são as de reversão dos sentidos, entretanto, o fator chave da feitiçaria de Kali é a de que ela é intensamente pessoal e altamente destrutivaantes de ser construtiva.

Oferece a maior experiência iniciática possível, a dissolução de todas as barreiras entre os veículos inferiores e o Eu, a transfiguração do Humano Superior através da total visão da realidade.

Para completar este capítulo, repetiremos a velha oração a Kali encontrada em Chandi, Capítulo Cinco, versos 16-80 :

Aquele poder que é definido como consciência em todos os seres,
Reverência a ela, reverência a ela, reverência a ela,
Reverência, reverência.

Aquele poder que é conhecido como razão em todos os seres,
Reverência a ela, reverência a ela, reverência a ela,
Reverência, reverência.

Aquele poder que existe em todos os seres como fome,
Reverência a ela, reverência a ela, reverência a ela,
Reverência, reverência.

Aquele poder que existe em todos os seres como Sombra,
Reverência a ela, reverência a ela, reverência a ela,
Reverência, reverência.

Aquele poder que existe em todos os seres como energia,
Reverência a ela, reverência a ela, reverência a ela,
Reverência, reverência.

Aquele poder que existe em todos os seres na forma de sede,
Reverência a ela, reverência a ela, reverência a ela,
Reverência, reverência.

Aquele poder que existe em todos os seres na forma de ilusão,
Reverência a ela, reverência a ela, reverência a ela,
Reverência, reverência.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/iniciacao-a-thanatos/

Lemúria, O Continente Desaparecido

Prefácio

O propósito deste ensaio não é tanto apresentar uma informação surpreendente a respeito do continente desaparecido da Lemúria e seus habitantes, mas confirmar, pelos dados obtidos através da Geologia e do estudo da distribuição relativa de animais e plantas existentes e extintos, bem como dos processos de evolução física observados nos reinos inferiores, os fatos relatados em A Doutrina Secreta e em outras obras referentes a essas terras hoje submersas.

O CONTINENTE DESAPARECIDO DA LEMURIA

Geralmente é reconhecido pela ciência que o que é hoje terra seca na superfície do nosso globo foi, certa vez, o fundo do oceano, e o que é hoje o fundo do oceano foi, certa vez, terra seca. Em alguns casos, os geólogos têm sido capazes de especificar as porções exalas da superfície terrestre onde esses afundamentos e sublevações da crosta ocorreram e, embora o continente desaparecido da Atlântida tenha, até agora, recebido um escasso reconhecimento por parte do mundo científico, o consenso geral de opiniões há muito tem sugerido a existência, em alguma época pré-histórica, de um vasto continente meridional, ao qual foi conferido o nome de Lemúria.

Dados fornecidos pela geologia e pela relativa distribuição de animais e plantas existentes e extintos

“A história do desenvolvimento do globo terrestre mostra-nos que a distribuição de terra e água em sua superfície está sempre e continuamente mudando. Em consequência das mudanças geológicas da crosta terrestre, ocorreram elevações e depressões do solo em toda parte, às vezes mais fortemente acentuadas num lugar, às vezes em outro. Embora ocorram de modo tão lento que, no decurso de séculos, o litoral venha à tona ou afunde apenas alguns centímetros, ou mesmo apenas alguns milímetros, ainda assim seus efeitos são enormes no decurso de longos períodos de tempo. E longos períodos de tempo – imensuravelmente longos – é o que não falta na história do globo terrestre. Durante o decorrer de muitos milhões de anos, desde que a vida orgânica passou a existir na Terra, a terra e a água têm lutado perpetuamente pela supremacia. Continentes e ilhas submergiram no mar e novas terras vieram à tona. Lagos e mares, lentamente, surgiram e secaram, e novas depressões de água apareceram devido ao afundamento do solo. Penínsulas tornaram-se ilhas em virtude da submersão dos estreitos istmos que as ligavam ao continente. Por causa da considerável elevação do leito do mar, as ilhas de um arquipélago tornaram-se os picos de uma contínua cadeia de montanhas.

Desse modo, o Mediterrâneo foi, numa determinada época, um mar interior, quando, no local do estreito de Gibraltar, um istmo ligou a África à Espanha. A Inglaterra, mesmo durante a história mais recente da Terra, quando o homem já existia, esteve diversas vezes ligada ao continente europeu e dele separada. E até mesmo a Europa e a América do Norte estiveram diretamente ligadas. Antigamente, o mar do Sul formava um grande Continente Pacífico, e as inúmeras ilhotas que hoje se encontram espalhadas por esse oceano eram simplesmente os picos mais elevados das montanhas que atravessavam esse continente. O oceano Índico formava um continente que se estendia desde o arquipélago de Sonda, ao longo da costa meridional da Ásia, até a costa leste da África. Sclater, um cidadão inglês, deu a esse antigo e imenso continente o nome de Lemúria, devido aos animais semelhantes ao macaco que nele habitavam; por outro lado, esse continente é de grande importância, por ser o provável berço da raça humana, que, com toda probabilidade, teve aí seu primeiro estágio de desenvolvimento a partir dos macacos antropóides.1 A importante prova que Alfred Wallace forneceu, com a ajuda de fatos cronológicos de que o atual arquipélago malaio consiste na realidade de duas partes completamente diferentes, é particularmente interessante. A parte ocidental, o arquipélago indomalaio, que abrange as grandes ilhas de Bornéu, Java e Sumatra, outrora estava ligada, pela Malaca, ao continente asiático e, provavelmente, também ao continente lemuriano, há pouco mencionado. Por outro lado, a parte oriental, o arquipélago austromalaio, que abrange Celebes, as Molucas, Nova Guiné, as ilhas Salomão, etc., estava, outrora, diretamente ligada à Austrália. Os dois segmentos formavam, em tempos passados, dois continentes separados por um estreito mas, atualmente, a maior parte deles encontra-se abaixo do nível do mar. Wallace, apoiado apenas em suas acuradas observações cronológicas, foi capaz de determinar, com grande precisão, a localização desse antigo estreito, cuja extremidade meridional passa entre Bali e Lomboque.

Portanto, desde que a água líquida existiu na Terra, os limites entre a água e a terra têm mudado incessantemente, e podemos afirmar que os contornos de continentes e ilhas nunca permaneceram, nem por uma hora, ou antes, nem por um minuto, exatamente os mesmos, pois as ondas se quebram, eterna e perpetuamente, na beira da praia; e por mais que a terra perca, nesses lugares, em extensão, em outros ela ganha pela acumulação do lodo, que se condensa em pedra sólida e novamente se ergue acima do nível do mar, como terra nova. Nada pode ser mais errôneo do que a idéia de um contorno fixo e inalterável de nossos continentes, tal como nos é incutido, em nossa adolescência, pelas deficientes lições de Geografia, destituídas de fundamento geológico.2

O nome Lemúria, como acima foi relatado, foi originalmente adotado pelo sr. Sclater, em consideração ao fato de que foi provavelmente nesse continente que os animais do tipo lemuróide se desenvolveram.

Sem dúvida, escreve A. R. Wallace, “trata-se de uma suposição legítima e altamente provável, bem como de um exemplo do modo pelo qual um estudo da distribuição geográfica de animais pode capacitar-nos a reconstruir a geografia de uma era antiga. . . . Ele [esse continente] representa o que foi, provavelmente, uma primitiva região zoológica, em alguma época geológica passada; mas como foi essa época e quais eram os limites da região em questão, somos totalmente incapazes de dizer. Supondo-se que abrangia toda a área atualmente habitada por animais lemuróides, devemos demarcar sua extensão desde o oeste da África até a Birmânia, sul da China e Celebes, uma área que, possivelmente, ele outrora ocupou”.3

“Já tivemos ocasião”, afirma Wallace em outro lugar, “de sugerir uma antiga ligação entre essa sub-região (da Etiópia) e Madagáscar, a fim de explicar a distribuição do tipo lemuriano, bem como algumas outras curiosas afinidades entre os dois países. Este ponto de vista é sustentado pela geologia da índia, que nos apresenta o Ceilão e o sul da índia consistindo sobretudo em granito e antigas rochas metamórficas, ao passo que a maior parte da península é de formação terciária, com algumas áreas isoladas de rochas secundárias. Portanto, é evidente que, durante a maior parte do período terciário,4 o Ceilão e o sul da índia eram limitados, ao norte, por uma considerável extensão de mar e, provavelmente, faziam parte de um vasto continente, ou de uma grande ilha meridional. Os inúmeros e notáveis casos de afinidade com a Malaia exigem, contudo, uma aproximação mais estreita entre essas ilhas, o que provavelmente ocorreu num período posterior. Quando, mais tarde ainda, as grandes planícies e planaltos do Industão estavam formados e efetuou-se uma permanente comunicação por terra com a rica e altamente desenvolvida fauna himalaia-chinesa, deu-se uma rápida imigração de novos tipos e muitas das espécies menos diferenciadas de mamíferos e pássaros se extinguiram. Entre os répteis e os insetos a competição foi menos árdua, ou então as espécies mais antigas estavam por demais bem adaptadas às condições locais para serem expulsas; assim, é apenas entre esses grupos que encontramos um número considerável daquilo que, provavelmente, constitui os remanescentes da antiga fauna de um continente ao sul, agora submerso.5

Depois de afirmar que, durante todo o período terciário e talvez durante grande parte do secundário, a maior parte das terras do globo se concentrava provavelmente no hemisfério norte, Wallace prossegue: “No hemisfério sul, parece ter havido três consideráveis concentrações terrestres muito antigas que, de tempos em tempos, variaram em extensão, mantendo-se sempre, porém, separadas umas das outras e representadas, aproximadamente, pela atual Austrália, África do Sul e América do Sul. Através desses sucessivos fluxos e refluxos das ondas de vida foi que elas, cada qual por seu turno, uniram-se temporariamente com alguma região do território setentrional.” 6

Muito embora Wallace tenha negado, posteriormente, a necessidade de postular a existência desse continente, aparentemente em defesa de algumas de suas conclusões que foram criticadas pelo Dr. Hartlaub, seu reconhecimento geral acerca das ocorrências de afundamentos e sublevações da crosta em muitas regiões da superfície terrestre, bem como as inferências que ele extrai a partir das reconhecidas relações da fauna existente e extinta, acima citadas, permanecem sem dúvida, inalteradas.

Os trechos abaixo, extraídos de um artigo muito interessante escrito pelo sr. H. F. Blandford e lido numa reunião da Sociedade Geológica, abordam o assunto de um modo bem mais detalhado 7:

“As semelhanças entre os fósseis de animais e plantas do grupo de Beaufort, da África, e os de Panchets e Kathmis, da índia, são de tal modo surpreendentes que chegam a sugerir a existência anterior de uma ligação terrestre entre os dois territórios. Mas a semelhança das faunas fósseis africana e indiana não se extingue com os períodos permiano e triásico. As camadas vegetais do grupo de Uitenhage forneceram onze espécies de plantas, duas das quais o sr. Tate identificou com as plantas indianas de Rajmahal. Os fósseis indianos do jurássico ainda não foram classificados (com umas poucas exceções), mas afirma-se que o Dr. Stoliezka mostrou-se muito impressionado com as semelhanças entre certos fósseis de Kutch e as espécies africanas; e o Dr. Stoliezka e o sr. Griesbach provaram que, dos fósseis do cretáceo do rio Umtafuni, em Natal, a maioria (vinte e duas das trinta e cinco espécies descritas) é idêntica às espécies do sul da índia. Ora, o grupo de plantas existentes na índia e o de Karroo, bem como parte da formação de Uitenhage, na África, são, com toda probabilidade, originárias de água doce, ambos indicando a existência de uma grande área de terra ao redor, cuja devastação deu origem a esses sedimentos. Esse território ligava, sem interrupção, essas duas regiões? E há algum indício, na atual geografia física do oceano Índico, que poderia sugerir sua provável posição? Além disso, qual era a ligação entre esse território e a Austrália, cuja existência durante o período permiano deve ser igualmente pressuposta. E, finalmente, há alguma peculiaridade na fauna e flora existentes na índia, na África e nas ilhas situadas entre esses dois territórios que servisse de suporte à idéia de uma ligação anterior mais direta do que a que agora existe entre a África, o sul da índia e a península malaia? A especulação aqui formulada não é inédita, pois há muito tem sido assunto de reflexão de alguns naturalistas hindus e europeus. Entre esses, eu poderia citar meu irmão [Sr. Blandford] e o Dr. Stoliezka. Suas especulações fundamentam-se na afinidade e parcial identidade das faunas e floras de tempos remotos, bem como na existente conformidade de espécies que levou o sr. Andrew Murray, o sr. Searles, o estudante V. Wood e o Professor Huxley a deduzirem a existência de um continente do mioceno, que ocupava uma parte do oceano Índico. Na verdade, meu único objetivo neste ensaio consiste em tentar fornecer alguma explicação e ampliação adicionais à concepção do seu aspecto geológico.

“Quanto à evidência geográfica, um rápido olhar para o mapa revelará que, desde as cercanias da costa oeste da índia até as ilhas Seychelles, Madagáscar e Maurícia, estende-se uma série de atóis e bancos de coral, entre os quais o banco Adas, as ilhas Laquedivas, Maldivas, o arquipélago Chagos e a Saya de Mulha, o que indica a existência de uma ou várias cadeias de montanhas submersas. Além disso, as ilhas Seychelles, segundo o sr. Darwin, erguem-se sobre um banco extenso e mais ou menos plano, com uma profundidade de trinta a quarenta braças; desse modo, embora hoje parcialmente circundadas por recifes, podem ser consideradas como um prolongamento da mesma Unha de crista submersa. Mais para o oeste, as ilhas Cosmoledo e Comore são formadas de atóis e ilhas circundados por uma linha de recifes de coral, paralela à costa, que nos levam bastante perto das atuais costas da África e de Madagáscar. Essa cadeia de atóis, bancos e recifes parece indicar a posição de uma antiga cadeia de montanhas que, possivelmente, formava a espinha dorsal de uma região das remotas eras paleozóica e mesozóica e da era terciária, mais recente, assim como o sistema alpino e himalaio formam a espinha dorsal do continente eurásico, e as Montanhas Rochosas e os Andes, a das duas Américas. Como é conveniente dar a esse território mesozóico um nome, eu proporia o de Indo-Oceânico. [Contudo, o nome dado pelo sr. Sclater, ou seja, Lemúria, é o que, geralmente, tem sido mais adotado.] O Professor Huxley, apoiando-se em dados paleontológicos, sugeriu a existência de uma ligação terrestre nessa região (ou, mais exatamente, entre a Abissínia e a índia) durante o mioceno. Do que foi dito acima, pode-se constatar que eu pressuponho a sua existência desde uma época muito mais remota.8

Quanto à sua depressão, a única evidência atual relaciona-se com sua extremidade setentrional, e mostra que ela se encontrava nessa região posteriormente às grandes inundações do Deccan. Essas enormes camadas de rocha vulcânica estão notavelmente no plano horizontal, a leste das cordilheiras de Gates e Sakyádri, mas a leste destas começam a inclinar-se em direção ao mar, de modo que a ilha de Bombaim é formada pelas partes mais elevadas da formação. Isso indica apenas que a depressão em direção a oeste ocorreu na era terciária; nesse sentido, a inferência do Professor Huxley, segundo a qual isto se deu após a época miocena, é completamente compatível com a evidência geológica.”

Depois de citar inúmeros exemplos detalhados acerca da estreita afinidade de grande parte da fauna existente nos territórios em estudo (leão, hiena, chacal, leopardo, antílope, gazela, galinha-anã, abetarda indiana, muitos moluscos da terra e, notavelmente, o lêmure e os pangolim), o autor prossegue:

“Assim, a paleontologia, a geografia física e a geologia, assim como com a distribuição de animais e plantas existentes, oferecem também seu testemunho sobre a antiga e estreita ligação entre a África e a índia, incluindo as ilhas tropicais do oceano Indico. Esse território Indo-Oceânico parece ter existido pelo menos desde o remoto período permiano, provavelmente (como assinalou o Professor Huxley) até o fim do período mioceno;9 a África do Sul e a índia peninsular são o que ainda resta desse antigo território. Ele não pode ter sido absolutamente contínuo durante todo esse longo período. Na verdade, as rochas cretáceas da índia meridional e da África do Sul e os leitos marinhos jurássicos das mesmas regiões provam que algumas de suas partes, por períodos mais longos ou mais curtos, foram invadidas pelo mar; mas qualquer quebra de continuidade não foi, provavelmente, prolongada; as pesquisas do Sr. Wallace no arquipélago oriental têm demonstrado como um mar, por mais estreito que seja, pode oferecer um obstáculo intransponível à migração de animais terrestres. Na era paleozóica, esse território deve ter estado ligado à Austrália e, na era terciária, à Malásia, visto que as espécies malaias, com afinidades africanas, são em muitos casos diferentes daquelas da índia. Conhecemos até agora muito pouco acerca da geologia da península oriental para podermos afirmar de que época data sua ligação com o território Indo-Oceânico. O Sr. Theobald apurou a existência de rochas triásicas, cretáceas e numulíticas na cordilheira da costa árabe; e sabe-se da ocorrência de rochas calcárias do período carbonífero ao sul de Moulmein, enquanto a cordilheira a leste do Irrauádi é formada por rochas terciárias mais jovens. Daqui se concluiria que um segmento considerável da península malaia deve ter sido ocupado pelo mar durante a maior parte do mesozóico e do eoceno. Rochas, que servem de suporte a plantas, da época de Raniganj foram identificadas na formação dos contrafortes externos do Siquin, no Himalaia; portanto, o antigo território deve ter ultrapassado um pouco o norte do atual delta gangético. Carvão, tanto do cretáceo como do terciário, é encontrado nos montes Khasi, e também no Alto Assam, mas, em ambos os casos, está associado aos leitos marinhos; de modo que se poderia concluir que, nessa região, os limites da terra e do mar oscilaram um pouco durante o período cretáceo e o eoceno. Ao noroeste da índia, a existência de grandes formações dos períodos cretáceo e numulítico, que atravessam o Belochistão e a Pérsia, penetrando na estrutura do Himalaia noroeste, prova que nos períodos mais recentes da era mesozóica e do eoceno, a índia não tinha comunicação direta com a Ásia ocidental; ao mesmo tempo, as rochas jurássicas de Kutch, da cordilheira de Salt e do norte do Himalaia demonstram que, no período precedente, o mar cobria grande parte da atual bacia fluvial do Indo; e as formações marinhas triásicas, carboníferas e ainda mais recentes do Himalaia indicam que, desde as épocas mais primitivas até a elevação daquela imensa cadeia, grande parte de sua atual localização esteve, durante muito tempo, coberta pelo mar.

“Resumindo as observações aqui apresentadas, temos:

“lº – O grupo de plantas existentes na índia são encontradas desde o remoto período permiano até os últimos anos do período jurássico, indicando (salvo alguns casos, e localmente) a ininterrupta continuidade de terra e condições de água doce, que podem ter predominado desde tempos muito mais remotos.

“2º _ No remoto período permiano, como na época pós-pliocena, um clima frio predominou nas regiões de baixa latitude e, sou levado a crer, em ambos os hemisférios, simultaneamente. Com o declínio do frio, a flora e a fauna réptil do período permiano disseminaram-se pela África, pela índia e, possivelmente, pela Austrália; ou a flora pode ter existido na Austrália um pouco mais cedo e, desse lugar, ter se disseminado.

“3º – A índia, a África do Sul e a Austrália estavam ligadas, no período permiano, por um continente Indo-Oceânico; e os dois primeiros países permaneceram ligados (no máximo, com apenas breves interrupções) até o fim da época miocena. Durante os últimos anos desse período, essa região também estava ligada à Malaia.

“4º – De acordo com alguns autores anteriores, considero que a localização desse território era demarcada pela série de recifes e bancos de coral que hoje existem entre o mar árabe e a África oriental.

“5º – Até o final da época numulítica não existia nenhuma ligação direta (exceto, possivelmente, por curtos períodos) entre a índia e a Ásia ocidental.”

No debate que se seguiu à leitura do ensaio, o Professor Ramsay “concordou com a opinião do autor quanto à junção da África com a índia e Austrália em eras geológicas”.

O Sr. Woodward “ficou satisfeito ao descobrir que o autor acrescentara mais provas, derivadas da flora fóssil do grupo mesozóico -da índia, em corroboração das opiniões de Huxley, Sclater e outros quanto à existência, no passado, de um antigo continente hoje submerso (a “Lemúria”), existência essa há muito tempo pressagiada pelas pesquisas de Darwin acerca dos recifes de coral”.

“Dos cinco continentes hoje existentes”, escreve Ernst Haeckel na sua extensa obra The History of Creation,10 “nem a Austrália, nem a América e tampouco a Europa podem ter sido esse lar primevo [do homem], ou o chamado ‘Paraíso’, o ‘berço da raça humana’. A maioria das circunstâncias indicam a Ásia meridional como o local em questão. Além da Ásia meridional, o único dos outros atuais continentes que poderia ser considerado sob esse aspecto é a África. Mas há várias circunstâncias (especialmente fatos cronológicos) sugerindo que o lar primitivo do homem foi um continente que hoje se encontra submerso no oceano Índico e que se estendia ao longo do sul da Ásia, como ela é atualmente (e talvez ligando-se diretamente a ela), prolongando-se, para o leste, até as distantes índia e ilhas da Sonda e, para o oeste, até Madagáscar e as costas do sudeste da África. Já mencionamos que na geografia animal e vegetal muitos fatos tornam a antiga existência de um continente ao sul da índia bastante provável. Sclater deu a esse continente o nome de Lemúria, devido aos semimacacos que o caracterizavam. Ao admitirmos que a Lemúria foi o lar primevo do homem, facilitaremos sobremodo a explicação da distribuição geográfica das espécies humanas pela migração.”

Numa obra posterior, The Pedigree of Man, Haeckel postula a existência da Lemúria em alguma era primitiva da história da Terra como um fato reconhecido.

O trecho abaixo, extraído dos escritos do Dr. Hartlaub, pode servir de conclusão a esta parte dedicada a algumas provas referentes à existência da Lemúria, o continente desaparecido:11

“Há cinqüenta e três anos, Isidore Geoffroy St. Hilaire observou que, se tivéssemos de classificar a ilha de Madagáscar levando-se em conta apenas considerações de ordem zoológica, deixando-se de lado sua localização geográfica, poderíamos demonstrar que ela não é nem asiática nem africana, mas bastante diferente desses dois continentes, sendo quase um quarto continente. Poderíamos provar ainda que este quarto continente se diferenciaria, quanto à sua fauna, muito mais da África – que se encontra tão próxima – que da índia – que está tão longe. Com essas palavras, cuja exatidão e fecundidade as pesquisas mais recentes tendem a trazer à plena luz, o naturalista francês formulou, pela primeira vez, o interessante problema, para cuja solução foi há pouco proposta uma hipótese com bases cientificas, pois esse quarto continente de Isidore Geoffroy é a ‘Lemúria’ de Sclater – aquele território submerso que, abrangendo partes da África, deve ter se estendido a grande distância na direção leste, passando pelo sul da índia e pelo Ceilão, e cujos picos mais elevados divisamos nos cumes vulcânicos de Bourbon e Maurícia e na cordilheira central da própria Madagáscar – os últimos refúgios da já extinta raça lemuriana que, em tempos passados, o povoou.”

No caso em questão, havia apenas um modelo arruinado de terracota e um mapa muito mal conservado e amarrotado, de modo que a dificuldade de reconstituir a lembrança de todos os detalhes e, conseqüentemente, de reproduzir cópias exatas foi enorme.

Fomos informados de que os mapas atlantes eram feitos, nos dias da Atlântida, pelos poderosos Adeptos, mas não sabemos se os mapas lemurianos foram modelados por alguns dos instrutores divinos nos dias em que a Lemúria ainda existia, ou se em tempos posteriores, na época atlante.

Contudo, embora resguardando-se de depositar excessiva confiança quanto à absoluta exatidão dos mapas em questão, quem transcreveu dos antigos originais acredita que estes possam, em seus pormenores mais importantes, ser considerados aproximadamente correios.

Dados extraídos de antigos registros

Os outros dados que temos quanto à Lemúria e seus habitantes foram extraídos da mesma fonte e da mesma maneira que nos tornaram possível a redação d’A História da Atlântida. Também neste caso o autor teve o privilégio de obter cópias de dois mapas, um correspondente à Lemúria (e aos territórios limítrofes) durante o período da maior extensão atingida pelo continente, o outro mostrando seus contornos após seu desmembramento pelas grandes catástrofes, mas muito antes de sua destruição definitiva.

Jamais se sustentou que os mapas da Atlântida fossem exatos quanto a um único grau de latitude ou longitude, mas, a despeito da enorme dificuldade de se obter informações no presente caso, deve-se mencionar que a exatidão destes mapas da Lemúria é mais precária ainda. No primeiro caso, havia um globo, um bom baixo-relevo de terracota, e um mapa de pergaminho, ou de algum tipo de pele, muito bem conservado, permitindo, assim, uma ótima reprodução.

Duração provável do continente da Lemúria

Um período de, aproximadamente, quatro a cinco milhões de anos corresponde, provavelmente, à duração do continente da Atlântida, pois foi mais ou menos nessa época que os rmoahals, a primeira sub-raça da Quarta Raça-Raiz que habitou a Atlântida, surgiram numa porção do continente lemuriano, que, nesse tempo, ainda existia. Relembrando que, no processo evolucionário, o algarismo quatro invariavelmente corresponde não só ao nadir do ciclo mas também ao período de mais curta duração, quer no caso de um Manvantara quer no de uma raça, pode-se supor que o total de milhões de anos que se pode atribuir à duração máxima do continente da Lemúria deve ser muitíssimo maior do que aquele que corresponde à duração da Atlântida, o continente da Quarta Raça-Raiz. No caso da Lemúria, porém, não se pode estipular nenhum período de tempo, nem mesmo com uma precisão aproximada. As épocas geológicas, tanto quanto são conhecidas pela ciência moderna, constituem um instrumento de referência contemporânea mais adequado, e dele lançaremos mão.

Os mapas

Mas nem mesmo épocas geológicas, deve-se dizer, são atribuídas aos mapas. Contudo, se nos fosse permitido fazer uma inferência a partir dos dados de que dispomos, o mais antigo dos dois mapas lemurianos, ao que parece, corresponde à configuração do globo terrestre desde o período permiano até o período jurássico, passando pelo triásico, ao passo que o segundo mapa, provavelmente, corresponde à configuração do globo terrestre desde o período cretáceo até o período eoceno.

Pode-se deduzir, a partir do mais antigo dos dois mapas, que o continente equatorial da Lemúria, na época de sua maior extensão, quase circundava o globo, estendendo-se, então, desde o local onde hoje se situam as ilhas do Cabo Verde, a uns poucos quilômetros da costa de Serra Leoa, de onde se projetava para o sudeste, através da África, Austrália, ilhas da Sociedade e de todos os mares interpostos, até um ponto, a poucos quilômetros de distância de um grande continente insulano (mais ou menos do tamanho da atual América do Sul), que se prolongava através do oceano Pacífico, abrangendo o cabo Horn e partes da Patagônia.

Um fato notável, observado no segundo mapa da Lemúria, é o grande comprimento e, em alguns lugares, a excessiva estreiteza do canal que separava os dois grandes blocos de terra nos quais o continente, nessa época, tinha sido dividido. Deve-se observar que o canal hoje existente entre as ilhas de Bali e Lomboque coincide com uma porção do canal que então dividia os dois continentes. Pode-se constatar ainda que esse canal avançava para o norte pela costa oriental de Bornéu, e não pela ocidental, como supôs Ernst Haeckel. No que diz respeito à distribuição da fauna e da flora e à existência de muitas espécies encontradas tanto na índia como na África, relacionadas pelo Sr. Blandford, pode-se observar que, entre algumas regiões da índia e grandes trechos da África havia, durante o período do primeiro mapa, uma ligação por terra e que uma comunicação semelhante também foi parcialmente mantida no período do segundo mapa. Além disso, uma comparação dos mapas da Atlântida com os da Lemúria demonstrará que sempre houve uma comunicação por terra, ora numa época, ora noutra, entre regiões bastante diferentes da superfície terrestre hoje separadas pelo mar, de modo que a atual distribuição da fauna e da flora nas duas Américas, na Europa e nos países orientais, que tem sido um verdadeiro enigma para os naturalistas, pode ser facilmente explicada.

A ilha indicada no mapa lemuriano mais antigo, localizada a noroeste do extremo promontório daquele continente e diretamente a oeste da atual costa da Espanha, foi, provavelmente, um centro de onde proveio, durante muitas épocas, a distribuição da fauna e da flora acima mencionada. Pode-se perceber – e este é um fato muito interessante – que essa ilha deve ter sido do começo ao fim o núcleo do subsequente grande continente de Atlântida. Ela existia, como vemos, nesses mais remotos tempos lemurianos. No período do segundo mapa, estava unida ao território que, anteriormente, fazia parte do grande continente lemuriano; e, de fato, nessa época ela recebera tantos acréscimos de território que poderia ser mais apropriadamente considerada um continente do que uma ilha. Ela foi a grande região montanhosa da Atlântida em seus primórdios, quando a Atlântida abrangia grandes extensões de terra que hoje se tornaram as Américas do Sul e do Norte. Ela permaneceu a região montanhosa da Atlântida na sua decadência, e a de Ruta, na época de Ruta e Daitya, e praticamente constituiu a ilha de Posseidones – o último fragmento do continente da Atlântida -, cuja submersão definitiva ocorreu no ano de 9564 a.C.

Comparando-se estes dois mapas com os quatro mapas da Atlântida, verifica-se ainda que a Austrália, a Nova Zelândia, Madagáscar, porções da Somália, o sul da África e a extremidade meridional da Patagônia são territórios que, provavelmente, existiram durante todas as catástrofes que se sucederam desde os primeiros anos do período lemuriano. O mesmo pode-se dizer das regiões meridionais da índia e do Ceilão, salvo uma submersão temporária do Ceilão na época de Ruta e Daitya.

É verdade que, atualmente, ainda existem extensões de terra que pertenceram ao continente hiperbóreo, muito mais antigo; são, naturalmente, as mais antigas regiões conhecidas na face da terra: a Groenlândia, a. Islândia, Spitzbergen, a maior parte das regiões ao norte da Noruega e da Suécia e a extremidade setentrional da Sibéria.

Os mapas mostram que o Japão permaneceu acima da água, quer como ilha, quer como parte de um continente, desde a época do segundo mapa lemuriano. A Espanha também existia, sem dúvida, desde esse tempo. A Espanha é, portanto, provavelmente, com exceção da maior parte das regiões setentrionais da Noruega e da Suécia, o território mais antigo da Europa.

O caráter indeterminado das afirmações feitas toma-se necessário pelo nosso conhecimento de que aí ocorreram afundamentos e elevações de diferentes porções da superfície terrestre durante épocas situadas entre os períodos representados pelos mapas.

Por exemplo, sabemos que, logo após a época do segundo mapa lemuriano, toda a península malaia submergiu e assim permaneceu por longo tempo, mas uma subsequente elevação dessa região deve ter ocorrido antes da época do primeiro mapa atlante, pois o que é hoje a península malaia nele aparece como parte de um grande continente. De modo análogo, em épocas mais recentes, ocorreram repetidos afundamentos e elevações de menor importância bem próximos da minha terral natal, e Haeckel está perfeitamente correto ao dizer que a Inglaterra – ele poderia, com maior precisão, ter dito as ilhas da Grã-Bretanha e Irlanda, que naquela época, estavam unidas – “tem sido repetidamente ligada ao continente europeu, e repetidamente dele apartada”.

A fim de tornar o assunto mais claro, anexamos a este texto uma tabela, fornecendo uma história condensada da vida animal e vegetal em nosso globo, equiparada – segundo Haeckel – aos estratos de rocha que lhe são coetâneos. As outras duas colunas fornecem as raças humanas coetâneas e os grandes cataclismos que são do conhecimento de estudiosos do Ocultismo.

Os répteis e as florestas de pinheiros

Pode-se observar nessa tabela que o homem lemuriano viveu na época dos répteis e das florestas de pinheiros. Os monstruosos anfíbios e os fetos gigantescos do período permiano ainda medravam nos climas úmidos e moderadamente quentes. Os plesiossauros e ictiossauros existiam em grande número nos tépidos pântanos do período mesolítico, mas, com o secamente de muitos dos mares interiores, os dinossauros – os monstruosos répteis terrestres – gradualmente tornaram-se a espécie dominante, enquanto os pterodáctilos -os sáurios que desenvolveram asas semelhantes às do morcego – não só rastejavam pela terra como também voavam pelo ar. Destes, o menor era mais ou menos do tamanho de um pardal; o maior, no entanto, com uma envergadura superior a cinco metros, excedia o maior dos pássaros hoje existentes. A maior parte dos dinossauros -os Dragões – eram terríveis animais carnívoros, répteis colossais que chegavam a ter de doze a quinze metros de comprimento.12 Escavações posteriores revelaram esqueletos de dimensões ainda maiores. Consta que o professor Ray Lankester, numa reunião da Royal Institution, a 7 de janeiro de 1904, referiu-se a um esqueleto de brontossauro com vinte metros de comprimento, descoberto numa jazida de eólito, na região meridional dos Estados Unidos da América.

Como está escrito nas estâncias do arcaico Livro de Dzyan, “Animais com ossos, dragões das profundezas e diabos-marinhos voadores somaram-se as criaturas rastejantes. Os que rastejavam no chão ganharam asas. Os aquáticos, de pescoços longos, tornaram-se os progenitores das aves do ar”. A ciência moderna registra o seu endosso. “A classe dos pássaros, como já foi observado, está tão estreitamente associada aos répteis quanto à estrutura interna e ao desenvolvimento embrionário, que, sem dúvida, originaram-se de um ramo dessa classe. … A derivação de pássaros a partir dos répteis ocorreu, pela primeira vez, na época mesolítica, mais exatamente durante o triásico”.13

No reino vegetal, essa época também conheceu o pinheiro e a palmeira que, gradualmente, substituíram os gigantescos fetos. Nos últimos anos da época mesolítica, apareceram pela primeira vez os mamíferos, mas os restos fósseis do mamute e do mastodonte, seus representantes mais primitivos, encontram-se, sobretudo, nos estratos posteriores, correspondentes aos períodos eoceno e mioceno.



O reino humano

Antes de fazer qualquer referência ao que, mesmo nesta época primitiva, deve ser chamado de o reino humano, é preciso deixar claro que nenhum daqueles que, no momento atual, podem apresentar uma razoável dose de cultura mental ou espiritual podem pretender ter vivido nessa época. Foi apenas com o advento das três últimas sub-raças dessa Terceira Raça-Raiz que o menos desenvolvido do primeiro grupo de Pitris Lunares principiou a retomar à encarnação, enquanto o mais avançado dentre eles não nasceu antes das primeiras sub-raças do período atlante.

Na verdade, o homem lemuriano, ao menos durante a primeira fase da raça, deve ser considerado muito mais como um animal, destinado- a atingir o gênero humano, do que um humano, segundo a nossa compreensão do termo; pois, embora o segundo e terceiro grupos de Pitris, que constituíram os habitantes da Lemúria durante suas quatro primeiras sub- raças, tenham alcançado suficiente auto-consciência no Manvantara Lunar para diferenciá- los do reino animal, ainda não tinham recebido a Centelha Divina que os dotaria de mente e individualidade – em outras palavras, que os tornaria verdadeiramente humanos.

Tamanho e consistência do corpo do homem

A evolução dessa raça lemuriana constitui, portanto, um dos mais obscuros bem como um dos mais interessantes capítulos do desenvolvimento do homem, pois durante esse período ele não só atingiu a verdadeira natureza humana, mas também seu corpo passou por enormes mudanças físicas, enquanto os processos de reprodução por duas vezes foram alterados.

Para se compreender as surpreendentes afirmações que terão de ser feitas a respeito do tamanho e da consistência do corpo do homem nesse período primitivo, deve-se ter em mente que, enquanto os reinos animal, vegetal e mineral prosseguiam seu curso normal neste quarto globo, durante o Quarto Ciclo deste Manvantara, foi ordenado que a humanidade deveria recapitular, numa sequência rápida, as várias etapas que sua evolução atravessara durante os ciclos anteriores do atual Manvantara. Assim, os corpos da Primeira Raça-Raiz, nos quais estes seres quase desprovidos de mente estavam destinados a adquirir experiência, ter-nos-iam parecido gigantescos espectros – caso, é claro, nos fosse possível vê-los, pois seus corpos eram formados de matéria astral. As formas astrais da Primeira Raça-Raiz foram então gradualmente envolvidas por um invólucro mais físico. Muito embora a Segunda Raça-Raiz possa ser chamada de física -sendo seus corpos compostos de éter -, eles seriam igualmente invisíveis à visão tal como esta existe hoje.

Essa síntese do processo de evolução foi ordenada, segundo nos informaram, a fim de que Manu e os Seres que o auxiliavam pudessem obter os meios para aperfeiçoar o tipo físico de natureza humana. O mais elevado desenvolvimento que o tipo até então atingira era a imensa criatura, semelhante ao macaco, que existira nos três planetas físicos – Marte, Terra e Mercúrio – durante o Terceiro Ciclo. Na época da afluência de vida humana à Terra, neste Quarto Ciclo, naturalmente um determinado número dessas criaturas semelhantes ao macaco aqui se encontrava – o resíduo deixado no planeta durante seu período de obscurecimento. Sem dúvida, essas criaturas uniram-se à crescente maré humana assim que a raça tornou-se inteiramente física. Nesse caso, seus corpos não podem ter sido totalmente postos de lado; eles podem ter sido utilizados, pela maior parte dos entes pouco desenvolvidos, para propósitos de reencarnação, mas o que se exigia era um melhoramento desse tipo, e isso era mais facilmente obtido por Manu, através da elaboração, no plano astral em primeiro lugar, do arquétipo originalmente formado na mente do Logos.

Portanto, da Segunda Raça Etérica desenvolveu-se a Terceira -a Lemuriana. Seus corpos tornaram-se materiais, sendo compostos de gases, líquidos e sólidos, que constituem as três subdivisões mais inferiores do plano físico, mas os gases e líquidos ainda predominavam, pois suas estruturas vertebradas ainda não haviam se solidificado, tal como as nossas, em ossos e, portanto, não podiam manter-se eretos. Na verdade, seus ossos eram tão flexíveis quanto os dos bebês hoje em dia. Somente em meados do período lemuriano o homem desenvolveu uma sólida estrutura óssea.

Para explicar a possibilidade do processo pelo qual a forma etérica evoluiu para uma forma mais física, e a forma física de ossos moles finalmente desenvolveu-se numa estrutura tal como a que o homem hoje possui, é necessário apenas aludir ao átomo físico permanente.14 Contendo, como contém, a essência de todas as formas através das quais o homem passou no plano físico, ele continha, portanto, a potencialidade de uma estrutura física de ossos duros, tal como a que foi alcançada durante o curso do Terceiro Ciclo, bem como a potencialidade de uma forma etérica e todas as fases intermediárias, pois é preciso lembrar que o plano físico consiste em quatro graus de éter, bem como em gases, líquidos e sólidos – que tantos se inclinam a considerar como os únicos constituintes do físico. Assim, cada etapa do desenvolvimento foi um processo natural, pois foi um processo que havia sido consumado em épocas bastante remotas, e a Manu e aos Seres que o auxiliavam bastou juntar ao átomo permanente a espécie de matéria apropriada.

Órgãos de visão

Os órgãos de visão dessas criaturas, antes que elas desenvolvessem ossos, eram de natureza rudimentar; ao menos essa era a condição dos dois olhos dianteiros, com os quais procuravam obter seu aumento no chão. Mas havia um terceiro olho na parte posterior da cabeça, cujo resíduo atrofiado é hoje conhecido como a glândula pineal. Esta, como sabemos, é agora exclusivamente um centro de visão astral, mas na época da qual estamos falando era o centro principal, não só da visão astral mas também da visão física. Consta que o professor Ray Lankester, aludindo aos répteis já extintos numa conferência na Royal Institution, chamou a atenção para “o tamanho do orifício parietal no crânio, o que revela que, nos ictiossauros, o olho parietal ou pineal, no alto da cabeça, deve ter sido muito grande”. A esse respeito ele chegou a dizer que o gênero humano era inferior a esses enormes lagartos marítimos, “pois tínhamos perdido o terceiro olho, que poderia ser observado no lagarto comum, ou melhor, no grande lagarto azul do sul da França”.15

Um pouco antes da metade do período lemuriano, provavelmente durante a evolução da terceira sub-raça, esse gigantesco corpo gelatinoso lentamente começou a se solidificar e os membros de ossos moles desenvolveram uma estrutura óssea. Essas criaturas primitivas eram agora capazes de se manter cretas e os dois olhos na face tornaram-se gradualmente os órgãos principais da visão física, embora também o terceiro olho ainda permanecesse, até certo ponto, um órgão de visão física, o que se deu até o fim da época lemuriana. Naturalmente, ele continuava sendo um órgão da visão psíquica, como ainda é um foco potencial. Essa visão psíquica continuou a ser um atributo da raça, não só durante todo o período lemuriano, mas também nos dias da Atlântida.

Um curioso fato a se notar é que, quando a raça alcançou, pela primeira vez, o poder de permanecer e de se movimentar numa postura ereta, também podia andar para trás, com quase  a mesma facilidade com que andava para a frente. Isso pode ser explicado, não só pela capacidade de visão que o terceiro olho possuía, mas sem dúvida também pela curiosa protuberância nos calcanhares, que será em breve mencionada.

Descrição do homem lemuriano

O que se segue é uma descrição de um homem que pertenceu a uma das últimas sub-raças – provavelmente à quinta. “Sua estatura era gigantesca, algo em torno de 3,5 a 4,5 m. Sua pele era bastante escura, de cor pardo-amarelada. Ele tinha a mandíbula inferior alongada, um rosto estranhamente achatado, olhos pequenos, porém penetrantes, e localizados curiosamente muito separados um do outro, de modo que podia ver tão bem lateralmente como de frente, enquanto o olho na parte posterior da cabeça – onde, naturalmente, os cabelos não cresciam – também lhe possibilitava enxergar nessa direção. Ele não tinha testa; em seu lugar havia algo parecido a um rolo de carne. A cabeça inclinava-se para trás e para cima, de modo um tanto curioso. Os braços e as pernas (sobretudo os primeiros) eram .mais compridos do que os nossos e não podiam ser perfeitamente esticados nos cotovelos ou nos joelhos; as mãos e os pés eram enormes e os calcanhares projetavam-se para trás, de modo canhestro. Vestia-se com um manto folgado, feito de uma pele semelhante à do rinoceronte, porém mais escamosa, provavelmente a pele de algum animal que nós agora conhecemos apenas através de seus restos fósseis. Ao redor da cabeça, onde o cabelo era bem curto, era amarrado um outro pedaço de pele enfeitada com borlas de cores vermelha-escuro, azul e outras. Na mão esquerda, segurava um bastão pontudo que, sem dúvida, era usado para defesa ou ataque. Esse bastão era mais ou menos da altura de seu próprio corpo, isto é, 3,5 a 4,5 m. Na mão direita, amarrava a extremidade de uma longa corda, feita de alguma espécie de trepadeira, com a qual conduzia um réptil imenso e horrendo, parecido com o plesiossauro. Na verdade, os lemurianos domesticavam essas criaturas e treinavam-nas para aproveitar sua força na caça a outros animais. O aspecto desse homem produzia uma sensação desagradável, mas não era de todo incivilizado, sendo um espécime comum e típico de sua época.”

Muitos eram ainda menos humanos na aparência do que o indivíduo aqui descrito, mas a sétima sub-raça desenvolveu um tipo superior, embora muito diferente de qualquer homem existente no tempo atual. Embora conservando a mandíbula inferior projetada, os grossos lábios pesados, a face achatada e os olhos de aspecto misterioso, eles tinham, por esse tempo, desenvolvido alguma coisa que poderia ser chamada de testa, ao passo que a curiosa projeção do calcanhar fora consideravelmente reduzida. Num ramo desta sétima sub-raça, a cabeça poderia ser descrita como quase oviforme – sendo a menor extremidade do ovo a parte superior, com os olhos bem separados e muito próximos do alto da cabeça. A estatura diminuirá sensivelmente e o aspecto das mãos, dos pés e dos membros de modo geral tomara-se mais semelhante aos dos negros de hoje. Esse povo desenvolveu uma importante e duradoura civilização, dominando por milhares de anos a maioria das outras tribos que viviam no vasto continente lemuriano; e, mesmo no final, quando a degeneração racial parecia prestes a surpreendê-lo, conseguiu mais uma nova vida e poder através da miscigenação com os rmoahals – primeira sub-raça dos atlantes. A progênie, embora mantendo, como é natural, muitas características da Terceira Raça, na verdade pertencia à Quarta Raça e, assim, naturalmente obteve uma nova força de desenvolvimento. A partir desse tempo, seu aspecto geral tornou-se bastante parecido com o de alguns índios americanos, exceto pela pele, que tinha uma curiosa coloração azulada, inexistente hoje em dia.

Contudo, por mais surpreendentes que possam ser as mudanças no tamanho, na consistência e na aparência físicas do homem durante esse período, as alterações no processo de reprodução são ainda mais espantosas. Uma alusão aos métodos que hoje prevalecem entre os reinos mais inferiores da natureza pode nos auxiliar no estudo do assunto.

Processos de reprodução

Após citar os processos mais simples de procriação pela auto-divisão e pela formação de gemas (gemação), Haeckel prossegue: “Um terceiro modo de procriação assexuada, o da formação de gemas germinativas (polisporogonia), está intimamente associado à formação de gemas. No caso dos organismos inferiores, imperfeitos, entre os animais, especialmente no caso de animais e vermes semelhantes a plantas, muitas vezes descobrimos que, no interior de um indivíduo composto de muitas células, um pequeno grupo de células separam-se daquelas que as circundam e que esse pequeno grupo isolado gradualmente se desenvolve num indivíduo que se torna semelhante ao ser de origem e, mais cedo ou mais tarde, sai de dentro dele. … A formação de gemas germinativas é, evidentemente, um tanto diferente da verdadeira produção por gemação. Mas, por outro lado, está associada a um quarto tipo de procriação assexuada, que é quase uma transição para a reprodução sexual, isto é, a formação de células-germinativas (monosporogonia). Neste caso, já não é um grupo de células, mas uma única célula que se separa das células circundantes no interior do organismo gerador e que se toma mais desenvolvida após ter saído do ser de origem. … A procriação sexual ou anfigônica (anfigonia) é o método usual de procriação entre todos os animais e plantas mais superiores. É evidente que ele só se desenvolveu num período mais recente da história da Terra e a partir da procriação assexuada aparentemente, em primeiro lugar, a partir do método de procriação pelas células-germinativas…. Nas principais formas de procriação assexuada acima mencionadas – cissiparidade, formação de gemas, gemas germinativas e células germinativas – a célula, ou o grupo de células que se separou era capaz, por si mesmo, de se desenvolver num novo indivíduo, mas no caso da procriação sexuada, a célula deve, primeiro, ser fecundada por uma outra substância generativa. O esperma fecundador deve, primeiro, misturar-se com a célula germinativa (o óvulo), antes que esta possa se desenvolver num novo indivíduo. Essas duas substâncias generativas, o esperma e o óvulo, são produzidas por um só indivíduo hermafrodita (hermafroditismo) ou por dois indivíduos diferentes (separação sexual).

A mais simples e mais antiga forma de procriação sexual é através de indivíduos de sexo duplo. Isso ocorre na grande maioria das plantas, porém apenas numa minoria dos animais, tais como nos caracóis de jardim, nas sanguessugas, nas minhocas e em muitos outros vermes. Entre os hermafroditas, cada indivíduo produz dentro de si materiais de ambos os sexos – óvulos e esperma. Na maior parte das plantas superiores, cada flor contém tanto o órgão masculino (estames e antera) como o órgão feminino (estilete e semente). Cada caracol de jardim produz, numa parte de sua glândula sexual, óvulos e, em outra parte, esperma. Muitos hermafroditas podem autofecundar-se; em outros, no entanto, é necessária a fecundação recíproca de dois hermafroditas para provocar o desenvolvimento dos óvulos. Este ultimo caso é, evidentemente, uma transição para a separação sexual.

A separação sexual, que caracteriza o mais complicado dos dois tipos de reprodução sexual, desenvolveu-se evidentemente a partir do estado hermafrodita, num período recente da história orgânica do mundo. No momento, esse é o método universal de procriação dos animais superiores. … A chamada reprodução virginal (partenogênese) oferece uma forma interessante de transição da reprodução sexual à formação assexuada de células germinativas, que em grande parte se lhe assemelha. .. . Neste caso, as células germinativas, que também aparecem e são formadas exatamente como as células-ovo, tornam-se capazes de se desenvolverem em novos indivíduos, sem que para isso haja necessidade da semente fecundada. Os mais extraordinários e instrutivos dos diferentes fenômenos partenogenéticos são fornecidos por aqueles casos nos quais as mesmas células germinativas, caso sejam fecundadas ou não, produzem espécies diferentes de indivíduos. Entre nossas abelhas de mel comuns, um indivíduo macho (um zangão) nasce dos óvulos da rainha, caso o óvulo não tenha sido fecundado; caso o óvulo tenha sido fecundado, nasce uma fêmea (uma rainha ou uma abelha operária). A partir disso, pode-se concluir que, de fato, não há grande distância entre a reprodução sexuada e a assexuada e que esses dois tipos de reprodução estão diretamente associados.16

Ora, o fato interessante relacionado com a evolução do homem da Terceira Raça, na Lemúria, é que seu modo de reprodução passou por etapas bastante semelhantes a alguns dos processos acima descritos. Os termos empregados em A Doutrina Secreta são: nascido do suor, nascido do óvulo e andrógino.

“Quase sem sexo, em seus remotos primórdios, tornou-se bissexual ou andrógino; muito gradualmente, claro. A passagem da primeira à última transformação exigiu inúmeras gerações, durante as quais a célula simples que se originou do mais primitivo antepassado (o dois em um), desenvolveu-se primeiro num ser bissexual; em seguida, a célula, tornando-se um óvulo regular, emitiu uma criatura unissexual. O gênero humano da Terceira Raça é o mais misterioso de todas as cinco raças até agora desenvolvidas. O mistério do “Como”, relacionado com a geração dos sexos separados, deve, é claro, estar muito obscuro aqui, pois, sendo este um assunto para um embriologista, um especialista, a presente obra só pode fornecer um ligeiro esboço do processo. Mas é evidente que os indivíduos da Terceira Raça começaram a se separar e a sair de suas cascas ou ovos pré-natais como bebês do sexo masculino e feminino, séculos após o surgimento de seus antigos progenitores. E com o decorrer dos períodos geológicos, as sub-raças recém-nascidas começaram a perder suas aptidões natais. Perto do fim da quarta sub-raça, o bebê perdia a faculdade de andar, tão logo se libertava de sua casca; e, pelo fim da quinta, o gênero humano nascia sob as mesmas condições e pelo mesmo processo de nossas gerações históricas. Naturalmente, isso exigiu milhões de anos.17

Raças lemurianas que ainda habitam a terra

Não será demais repetir que as criaturas quase desprovidas de mente que habitavam esses corpos, tal como foi acima descrito, durante as primeiras sub-raças do período lemuriano, mal podem ser consideradas inteiramente humanas. Foi só após a separação dos sexos, quando seus corpos tinham se tornado densamente físicos, que eles se tornaram humanos, mesmo na aparência. Deve-se lembrar que os seres dos quais estamos falando, embora abrangendo os segundo e terceiro grupos de Pitris Lunares, também devem ter sido recrutados, em grande número, do reino animal daquele Manvantara (o Lunar). Os remanescentes degenerados da Terceira Raça-Raiz que ainda habitam a Terra podem ser observados nos aborígines da Austrália, nos ilhéus de Andaman, em algumas tribos montesas da índia, nos fueguinos, nos bosquímanos da África e em algumas outras tribos selvagens. As entidades que hoje habitam esses corpos devem ter pertencido ao reino animal na parte inicial deste Manvantara. Provavelmente, foi durante a evolução da raça lemuriana e antes que a “porta fosse fechada”, impedindo a subida do grande número de entidades que nela se aglomeravam, que elas alcançaram o reino humano.

O pecado dos sem-mente

Os atos vergonhosos dos homens desprovidos de mente, por ocasião da primeira separação dos sexos, foram muito bem relatados pelas estâncias do antigo Livro de Dzyan. Nenhum comentário é necessário.

“Durante a Terceira Raça, os animais sem ossos cresceram e se transformaram: converteram-se em animais com ossos; suas châyas tomaram-se sólidas.

“Os animais foram os primeiros a se separar. Começaram a procriar. O homem duplo também se separou. Ele disse: ‘Façamos como eles: unamo-nos e procriemos.’ E assim fizeram.

“E aqueles que não possuíam a centelha tomaram para si imensas fêmeas de animais. Com elas geraram raças mudas. Eles próprios eram mudos. Mas suas línguas se desataram. As línguas de sua progênie permaneceram mudas. Eles geraram monstros. Uma raça de monstros encurvados, cobertos de pêlo vermelho, que andavam de quatro. Uma raça muda para silenciar sua vergonha.” (E um antigo comentário acrescenta: ‘Quando a Terceira se separou e pecou, procriando homens-animais, estes [os animais] tornaram-se ferozes, e os homens e eles mutuamente destrutivos. Até então, não existia pecado, nem vida roubada.’)

“Vendo isso os Lhas, que não tinham construído homens, choravam, dizendo: ‘Os Amanasa (sem mente) macularam nossas futuras moradas. Isto é Karma. Habitemos em outras. Ensinemo-los melhor, a fim de que não suceda o pior.’ E assim fizeram.

“Então todos os homens foram dotados de Manas. E viram o pecado dos sem-mente.”

Origem dos macacos pitecóide e antropóide

A semelhança anatômica entre o homem e o mais desenvolvido dos macacos, tão freqüentemente citada pelos darwinistas, de modo a sugerir algum ancestral comum a ambos, propõe um problema interessante, do qual a solução adequada pode ser encontrada na explicação esotérica da gênese das raças pitecóides.

Ora, nós concluímos, a partir de A Doutrina Secreta,18 que os descendentes desses monstros semi-humanos, acima descritos como provenientes do pecado dos “sem-mente”, tendo através dos séculos diminuído de tamanho e se tornando fisicamente mais densos, culminaram, no período mioceno, numa raça de macacos, da qual, por sua vez, descendem os atuais pitecóides. Com esses macacos do período mioceno, porém, os atlantes dessa época repetiram o pecado dos “sem-mente” – desta vez com plena responsabilidade, e os resultantes do seu crime são as espécies de macacos hoje conhecidas como antropóides.

Tudo leva a crer que, no advento da Sexta Raça-Raiz, esses antropóides obterão encarnação humana, sem dúvida nos corpos das raças mais inferiores que então existirem na Terra.

A região do continente lemuriano onde ocorreu a separação dos sexos e onde tanto a quarta como a quinta sub-raças floresceram pode ser observada no mais antigo dos dois mapas. Ela ficava a leste da região montanhosa da qual a atual ilha de Madagáscar fazia parte, ocupando assim uma posição central ao redor do menor dos dois grandes lagos.

Origem da linguagem

Como relatam as Estâncias de Dzyan acima transcritas, os homens daquela época, embora houvessem se tornado inteiramente físicos, ainda continuavam mudos.

Naturalmente, os ancestrais astrais e etéricos desta Terceira Raça-Raiz não tinham necessidade de produzir uma série de sons a fim de transmitir seus pensamentos, vivendo, como viviam, num estado astral e etérico; contudo, quando o homem se tornou físico, não podia permanecer mudo por muito tempo. Fomos informados de que os sons que esses homens primitivos emitiam, a fim de expressarem seus pensamentos, eram, a princípio, formados apenas de vogais. Com o lento decorrer da evolução, gradualmente os sons consonantais começaram a ser usados, mas o desenvolvimento da linguagem, desde o princípio até o final do continente da Lemúria, nunca ultrapassou a etapa monossilábica. A atual língua chinesa é a única descendente direta da antiga língua lemu-riana19, pois “toda a raça humana tinha, naquele tempo, uma só linguagem e um só lábio”.20

Na classificação das línguas elaborada por Humboldt, a chinesa, como sabemos, é chamada isolante, por distinguir-se da aglutinante, mais evoluída, e da flexiva, ainda mais evoluída. Os leitores da História da Atlântida devem se lembrar de que muitas línguas diferentes se desenvolveram naquele continente, mas todas eram do tipo aglutinante, ou, como prefere Max Müller, combinatório, embora o desenvolvimento ainda mais importante da linguagem reflexiva, nas línguas árica e semítica, tenha sido reservado à nossa própria era da Quinta Raça-Raiz.

A primeira vida roubada

A primeira ocasião de pecado, a primeira vida roubada – mencionada no antigo comentário das Estâncias de Dzyan acima transcrito – pode ser considerada como indicativa do comportamento que então se instalou entre os reinos humano e animal, o qual, desde então, tem atingido terríveis proporções, não só entre homens e animais, mas entre as diferentes raças humanas. E isso abre uma via de reflexão muito interessante.

O fato de reis e imperadores considerarem necessário ou apropriado, em todas as ocasiões oficiais, apresentarem-se com o traje de uma das subdivisões combatentes de suas forças armadas é um indício significativo da apoteose alcançada pelas qualidades combativas no homem! O costume, sem dúvida, data de uma época em que o rei era o chefe guerreiro e sua realeza era reconhecida unicamente em virtude de ele ser o guerreiro mais eminente. Mas agora que a Quinta Raça-Raiz está em ascendência, cuja principal característica e função é o desenvolvimento do intelecto, poderíamos supor que o atributo dominante da Quarta Raça-Raiz não deveria ser ostentado com tanto alarde. Mas a era de uma raça sobrepõe-se parcialmente à outra e, como sabemos, embora as principais raças do mundo pertençam à Quinta Raça-Raiz, a grande maioria de seus habitantes ainda pertence à Quarta; portanto, tem-se a impressão de que a Quinta Raça-Raiz ainda não superou as características da Quarta Raça-Raiz, pois a evolução humana se efetua de modo bastante gradual e lento.

Seria interessante resumir aqui a história desse conflito e dessa matança desde sua gênese, na Lemúria, há milhões de séculos.

A partir dos dados já fornecidos pelo autor, parece que o antagonismo entre homens e animais desenvolveu-se em primeiro lugar. Com a evolução do corpo físico do homem, naturalmente um aumento apropriado para esse corpo tomou-se uma necessidade urgente, de modo que, além do antagonismo criado pela necessidade de autodefesa contra os animais ferozes dessa época, o desejo de alimento também impeliu os homens à matança e, como vimos acima, um dos primeiros usos que eles fizeram de sua mentalidade em formação foi treinar animais para agirem como perseguidores, durante a caçada.

Uma vez despertado o elemento de luta, em breve os homens começaram a utilizar armas ofensivas uns contra os outros. As causas de agressão eram, naturalmente, idênticas àquelas que hoje existem nas comunidades selvagens. A posse de qualquer objeto desejável por um de seus semelhantes era motivo suficiente para um homem tentar toma-lo à força. Tampouco a luta se limitava a atos individuais de agressão. Como ocorre entre os atuais selvagens, bandos de saqueadores podiam atacar e pilhar as comunidades que viviam em aldeias distantes das suas. A guerra na Lemúria, porém, nunca foi além dessas proporções, conforme fomos informados, mesmo no fim de sua sétima sub-raça.

Estava destinado aos atlantes desenvolver o esquema de combate em linhas organizadas – reunir e treinar exércitos e construir esquadras. Na verdade, este esquema de combate foi a característica fundamental da Quarta Raça-Raiz. Durante todo o período atlante, como sabemos, a luta armada foi a ordem do dia, e travavam-se constantes batalhas terrestres e navais. E esse princípio de luta tornou-se tão profundamente arraigado na natureza humana durante o período atlante que, mesmo hoje, a mais intelectualmente desenvolvida das raças áricas está militarmente preparada para lutar entre si.

As artes

Para traçar o desenvolvimento das artes entre os lemurianos, temos de começar pela história da quinta sub-raça. A separação dos sexos estava, então, totalmente concluída e o homem habitava um corpo inteiramente físico, embora ainda de estatura gigantesca. A guerra ofensiva e defensiva com os monstruosos animais carnívoros já se iniciara e os homens começaram a viver em cabanas. Para construí-las, abatiam árvores e empilhavam-nas de maneira rude. A princípio cada família vivia isolada na sua própria clareira aberta na selva, mas logo descobriram que, para se defenderem das feras, era mais seguro agruparem-se e viverem em pequenas comunidades. As cabanas, que eram feitas com rudes troncos de árvores, passaram a ser construídas com pedras grandes e arredondadas, enquanto as armas com que atacavam ou se defendiam dos dinossauros e de outras feras eram lanças de madeira afiada, semelhantes ao bastão que o homem, cujo aspecto foi descrito anteriormente, empunhava.

Até essa época, a agricultura ainda não era conhecida e a utilidade do fogo não havia sido descoberta. O alimento de seus ancestrais sem ossos, que se arrastavam pela terra, eram coisas que eles podiam encontrar no chão ou logo abaixo da superfície do solo. Agora que andavam eretos, muitas das árvores silvestres proviam sua subsistência com nozes e frutas, mas seu aumento principal era a carne dos animais que matavam, retalhavam e devoravam.

Mestres da raça lemuriana

Ocorreu então um evento significativo, cujas consequências foram muito importantes para a história da raça humana. Um evento, aliás, de grande significado místico, pois seu relato traz à luz Seres que pertenciam a sistemas de evolução inteiramente diferentes e que, não obstante, vieram, nessa época, juntar-se à nossa humanidade.

O lamento dos Lhas, “que não tinham construído homens”, ao verem suas futuras moradas contaminadas é, à primeira vista, dificilmente compreensível. Embora a descida desses Seres nos corpos humanos não seja o evento principal que temos a referir, devemos tentar, antes, uma explicação de sua causa e consequência. Ora, tudo leva a crer que esses Lhas eram a humanidade mais altamente desenvolvida de algum sistema de evolução que completara seu curso numa época pertencente a um passado infinitamente remoto. Eles tinham alcançado um elevado estágio de desenvolvimento em seu conjunto de mundos e, desde sua dissolução, passaram os séculos intermediários na bem-aventurança de algum estado nirvânico. Mas seu karma necessitava agora de retornar a algum campo de ação e de causais físicas e, como ainda não tinham aprendido inteiramente a lição da compaixão, sua tarefa temporária consistia então em tornarem-se guias e mestres da raça lemuriana, que nessa época precisava de toda ajuda e orientação que eles pudessem dar.

Contudo, outros Seres também se dedicaram à tarefa – neste caso, voluntariamente. Vieram do esquema de evolução que tem Vênus como seu único planeta físico. Esse esquema já alcançou o Sétimo Ciclo de seus planetas no seu Quinto Manvantara; sua humanidade, portanto, encontra-se num nível muito mais elevado do que o alcançado pelos homens comuns deste planeta. Eles são “divinos”, ao passo que somos apenas “humanos”. Os lemurianos, como vimos, estavam então apenas a um passo da autêntica natureza humana. Foi para suprir uma necessidade temporária – a educação da nossa humanidade infantil – que esses Seres divinos vieram – assim como nós, possivelmente daqui a séculos, também poderemos ser designados para prestar ajuda a seres que, em Júpiter ou Saturno, tenham dificuldade em atingir a natureza humana. Sob sua orientação e influência, os lemurianos rapidamente atingiram o desenvolvimento mental. A atividade de suas mentes, com sentimentos de amor e reverência para com aqueles que reconheciam ser infinitamente mais sábios e mais poderosos que eles, naturalmente fez surgir tentativas de imitação; assim, o desenvolvimento necessário quanto ao crescimento mental foi conquistado, o que transformou o revestimento mental superior num veículo capaz de transportar as características humanas de uma vida a outra, garantindo desse modo essa expansão da Vida Divina que dotou o receptor com a imortalidade individual. Segundo as palavras das antigas Estâncias de Dzyan, “Então todos os homens foram dotados de Manas”.

Contudo, deve-se registrar uma significativa diferença entre a vinda dos Seres sublimes do esquema de Vênus e a daqueles descritos como a humanidade mais altamente desenvolvida de algum sistema anterior de evolução. Os primeiros, como vimos, não estavam sob nenhum estímulo kármico. Vieram como homens, para viver e trabalhar entre eles, mas não lhes era exigido que assumissem suas limitações físicas, estando em condições de se munirem de veículos que lhes fossem apropriados.

Por outro lado, os Lhas precisavam realmente nascer nos corpos da raça, tal como esta existia então. Melhor teria sido, tanto para eles como para a raça, se não tivesse havido hesitação ou demora da parte deles em se dedicarem à sua tarefa kármica, pois o pecado dos sem-mente teria sido evitado, bem como todas as suas consequências. Além disso sua tarefa teria sido bem mais fácil, pois consistia não só em procederem como guias e mestres, mas também em aperfeiçoarem o tipo racial – em suma, em desenvolverem a forma semi-humana, semi-animal, então existente, no futuro corpo físico do homem.

E preciso lembrar que, até então, a raça lemuriana era constituída pelos segundo e terceiro grupos de Pitris Lunares. Mas agora que eles estavam se aproximando do nível alcançado pelo primeiro grupo de Pitris na cadeia lunar, tornava-se-lhes necessário retornar de novo à encarnação, o que eles fizeram durante as quinta, sexta e sétima sub-raças (na verdade, alguns só foram nascer no período atlante), de modo que o impulso dado ao progresso da raça foi uma força cumulativa.

As posições ocupadas pelos seres divinos da cadeia de Vênus eram, naturalmente, as de governantes, instrutores de religião e professores de artes, e é nesta última qualidade que uma alusão às artes por eles ensinadas vem ajudar este nosso estudo da história dessa antiga raça.

As artes continuaram

Sob orientação de seus divinos mestres, o povo começou a aprender o uso do fogo e os meios pelos quais podiam obtê-lo, a princípio, através da fricção e, mais tarde, pelo uso de pederneiras e ferro. Foi-lhes ensinado a explorar metais, a fundi-los e a moldá-los e, em vez de madeira pontuda, eles agora começavam a usar lanças com ponta de metal pontiagudo.

Também lhes foi ensinado cavar e arar o solo e a cultivar as sementes do grão silvestre até aprimorá-los. Esse aperfeiçoamento, levado a cabo, através das vastas épocas que decorreram desde então, resultou na evolução dos vários cereais que hoje possuímos -cevada, aveia, milho, painço, etc. Contudo, deve-se registrar aqui uma exceção. O trigo não foi desenvolvido neste planeta, como os outros cereais. Foi um presente dos seres divinos, que o trouxeram de Vênus, já pronto para servir de aumento ao homem. Mas o trigo não foi o único presente. A única espécie entre os animais, cujo tipo não foi desenvolvido em nossa cadeia de mundos, é a abelha. Também ela foi trazida de Vênus.

Em seguida, os lemurianos começaram a aprender a arte de fiar e tecer tecidos com os quais faziam suas roupas. Estas eram fabricadas com o áspero pêlo de alguma espécie de animal hoje extinto, mas que guardava certa semelhança com os atuais lhamas, dos quais foi, provavelmente, o ancestral. Como já vimos, as vestes primitivas do homem lemuriano eram mantos de pele tirada dos animais que ele matava. Nas regiões mais frias do continente, essas vestes ainda eram usadas, mas agora ele aprendera a curtir e a adornar a pele, embora de modo rudimentar.

Uma das primeiras coisas ensinadas ao povo foi o uso do fogo no preparo do alimento e, quer se tratasse da carne de animais que matavam ou de grãos de trigo triturados, seu modo de cozinhar era bastante idêntico ao que sabemos existir hoje entre as comunidades selvagens. Com referência ao presente do trigo, tão maravilhosamente trazido de Vênus, os governantes divinos sem dúvida perceberam as vantagens de, imediatamente, produzir esse alimento para o povo, pois sabiam que levaria muitas gerações antes que o aperfeiçoamento das sementes silvícolas pudesse fornecer um suprimento adequado.

Durante o período das quinta e sexta sub-raças, o povo era rude e bárbaro, e os que tiveram o privilégio de entrar em contato com seus mestres divinos foram, naturalmente, insuflados com sentimentos de reverência e culto, a fim de serem ajudados a erguerem-se acima do seu estado selvagem. Além disso, a constante afluência de seres mais inteligentes, vindos do primeiro grupo de Pitris Lunares, que estavam então iniciando seu retorno à encarnação, ajudou na ob- tenção de um estado mais civilizado.

Grandes cidades e estátuas

Durante o período mais recente, correspondente às sexta e sétima sub-raças, eles aprenderam a construir grandes cidades. Sua arquitetura parece ter sido ciclópica, correspondendo aos corpos gigantescos da raça. As primeiras cidades foram construídas naquela extensa região montanhosa do continente que, como pode ser visto no primeiro mapa, incluía a atual ilha de Madagáscar. Uma outra grande cidade é descrita em A Doutrina Secreta21 como tendo sido inteiramente construída de blocos de lava. Ela ficava a uns 50 km a oeste da atual ilha de Páscoa e posteriormente foi destruída por uma série de erupções vulcânicas. As estátuas gigantescas da ilha de Páscoa – medindo, em sua grande maioria, cerca de 8 m de altura por 2,5 m de largura – provavelmente foram projetadas para representar não só as feições mas também a altura dos que as esculpiram ou, talvez, as de seus ancestrais, pois é provável que as estátuas tenham sido erguidas nos últimos séculos dos atlantes-lemurianos. Pode-se observar que, durante o período do segundo mapa, o continente do qual a ilha de Páscoa fazia parte fora fragmentado e a própria ilha de Páscoa tornara-se uma ilha comparativamente menor, apesar das dimensões consideravelmente grandes que ela conserva hoje em dia.

Civilizações de relativa importância surgiram em diferentes partes do continente e das grandes ilhas, onde os habitantes ergueram cidades e viveram em comunidades organizadas; grandes tribos, porém, que também eram parcialmente civilizadas, continuaram a levar uma vida nômade e patriarcal, ao passo que, outras regiões do território – em muitos casos, as menos acessíveis, como em nosso tempo – foram povoadas por tribos de tipo extremamente inferior.

Religião

Com uma raça de homens tão primitiva, no melhor dos casos, havia muito pouco a lhes ser ensinado no campo da religião. Algumas regras simples de conduta e os preceitos mais elementares de moralidade eram tudo o que eles podiam compreender ou praticar. É verdade que, durante a evolução da sétima sub-raça, seus instrutores divinos ensinaram-lhes uma forma primitiva de culto e transmitiram-lhes o conhecimento de um Ser Supremo, cujo símbolo era representado pelo sol.

Destruição do continente

Ao contrário do destino da Atlântida, que foi submersa por enormes vagalhões, o continente da Lemúria pereceu pela ação vulcânica. Foi devastado pelas cinzas ardentes e pela poeira incandescente de inúmeros vulcões. Terremotos e erupções vulcânicas, é verdade, introduziram cada uma das grandes catástrofes que surpreenderam a Atlântida, mas depois que a terra foi sacudida e dilacerada, o mar avançou impetuosamente e completou o trabalho, e a grande maioria dos habitantes morreu afogada. Os lemurianos, por outro lado, pereceram principalmente queimados ou asfixiados. Outro contraste marcante entre o destino da Lemúria e o da Atlântida foi que, enquanto quatro grandes catástrofes completaram a destruição desta última, a Lemúria foi lentamente devastada por incêndios que se espalharam pelo continente, pois, a partir do instante em que o processo de desintegração começou, até o fim do período do primeiro mapa, não houve interrupção da atividade causticante e, numa parte ou noutra do continente, a ação vulcânica permaneceu constante, e a consequência inevitável disso foi o afundamento e o desaparecimento total do território, assim como aconteceu com a ilha de Krakatoa, em 1883.

A erupção do monte Pelée, que causou a destruição de Saint-Pierre, a capital da Martinica, foi tão parecida com as séries de catástrofes vulcânicas do continente da Lemúria que uma descrição fornecida por alguns sobreviventes dessa ilha pode ser interessante: “Uma imensa nuvem negra irrompeu subitamente da cratera do monte Pelée e precipitou-se com incrível velocidade, sobre a cidade, destruindo tudo – habitantes, casas e vegetação – que encontrava em seu caminho. Em dois ou três minutos ela atravessou a cidade, que se transformou num monte de ruínas em chamas. Em ambas as ilhas [Martinica e São Vicente] as erupções caracterizaram- se pela súbita liberação de imensas quantidades de poeira incandescente, misturada com vapor, que desceu pelas íngremes encostas com velocidade sempre crescente. Em São Vicente, essa poeira acumulou-se em muitos vales, atingindo uma profundidade de mais ou menos 30 a 60 m e, meses após as erupções, ainda estava muito quente, e as chuvas pesadas que então caíram sobre ela causaram enormes explosões, produzindo nuvens de vapor e poeira que se projetavam a uma altura de 450 até 600 m, enchendo os rios de lama negra e fervente.” O capitão Freeman, do Roddam, falou da “impressionante experiência que ele e seu grupo tiveram na Martinica. Uma noite, quando estavam numa pequena chalupa, ancorados a cerca de um quilômetro e meio de Saint-Pierre, a montanha explodiu de uma forma que, aparentemente, era uma exata repetição da erupção original. Não foi inteiramente sem aviso; por isso, eles puderam navegar, imediatamente, de 2 a 3 km para mais longe, o que, provavelmente, os salvaria. Na escuridão, viram o pico incandescer com uma brilhante luz vermelha; logo em seguida, com explosões estrondosas, enormes pedras incandescentes foram projetadas e rolaram pelas encostas. Após alguns minutos, ouviu-se um longo ruído retumbante e, logo a seguir, uma avalanche de poeira incandescente precipitou-se para fora da cratera e rolou pela encosta com uma velocidade, segundo eles, de aproximadamente 160 km por hora, com uma temperatura de 1.000°C. Quanto à provável explicação destes fenômenos, o capitão Freeman disse que não foi vista lava alguma jorrando dos vulcões, mas apenas vapor e uma fina poeira quente. Os vulcões eram, portanto, do tipo explosivo; e de todas as suas observações, ele concluiu que a ausência de derramamento de lava devia-se ao fato de o material do interior da cratera ser parcialmente sólido ou, pelo menos, bastante viscoso, de modo que não podia fluir como uma torrente comum de lava. Desde o regresso do capitão Freeman, esta teoria tinha recebido impressionante confirmação, pois sabia-se então que, no interior da cratera do monte Pelée, não havia nenhum lago de lava derretida, mas que um sólido pilar de rocha incandescente estava se erguendo lentamente, formando um grande monte cônico, pontiagudo, até elevar-se, finalmente, acima do antigo cume da montanha. Sua altura era de, aproximadamente, 300 metros e crescera lentamente, à medida que fora forçado para cima pela pressão de baixo, enquanto, de vez em quando, ocorriam explosões de vapor, desalojando grandes pedaços de seu topo ou de suas encostas. O vapor era liberado do interior dessa massa à medida que ela esfriava e, nesse momento, a rocha entrava num estado perigoso e altamente explosivo, de modo que, cedo ou tarde, teria de ocorrer uma explosão que despedaçaria uma grande parte dessa massa, convertendo-a numa poeira fina e incandescente”.22

Uma consulta ao primeiro mapa lemuriano mostrará que, no lago situado a sudeste da extensa região montanhosa, havia uma ilha cujas dimensões não ultrapassavam as de uma grande montanha. Essa montanha era um vulcão muito ativo. As quatro montanhas que se encontravam a sudoeste do lago também eram vulcões ativos, e foi nessa região que começou a dilaceração do continente. Os cataclismos sísmicos que se seguiram às erupções vulcânicas causaram ta- manho estrago que, durante o período do segundo mapa, uma grande porção da parte sul do continente estava submersa.

Uma característica marcante da superfície do território nó começo da época lemuriana era o grande número de lagos e pântanos, bem como os inúmeros vulcões. O mapa, naturalmente, não registra todos esses detalhes, mas apenas algumas das grandes montanhas que eram vulcões e alguns dos maiores lagos.

Um outro vulcão, na costa nordeste do continente, começou seu trabalho de destruição numa data remota. Os terremotos completaram a dilaceração e parece provável que o mar indicado no segundo mapa, penteado de pequenas ilhas a sudeste do atual Japão, indique a área dos distúrbios sísmicos.

Pode-se observar, no primeiro mapa, que havia lagos no centro do atual continente insular da Austrália – lagos onde a terra hoje se mostra bastante seca e crestada. Durante o período do segundo mapa, esses lagos desapareceram e parece natural supor que, durante as erupções dos grandes vulcões situados a sudeste (entre as atuais Austrália e Nova Zelândia), as regiões onde esses lagos se encontravam devem ter sido de tal modo devastadas pela poeira vulcânica incandescente que as inúmeras nascentes secaram.

Origem da raça atlante

Em conclusão deste esboço, uma alusão ao processo pelo qual a Quarta Raça-Raiz surgiu será bastante apropriada para encerrarmos aquilo que conhecemos acerca da história da Lemúria, encadeando-se à história da Atlântida.

Como já foi registrado por outras obras anteriores que abordaram esta matéria, o núcleo destinado a se tornar a nossa grande Quinta Raça-Raiz ou árica foi escolhido a partir da quinta sub-raça, ou raça semítica, da Quarta Raça-Raiz. Contudo, não foi antes da época da sétima sub-raça na Lemúria que a humanidade se desenvolveu o bastante, psicologicamente, para justificar a escolha de indivíduos aptos a se tornarem os pais de uma nova Raça-Raiz. Assim,, foi da sétima sub-raça que se deu a segregação. A princípio, a colônia se instalou na região hoje ocupada pelo Achanti e pela Nigéria ocidental. Uma consulta ao segundo mapa mostrará essa região como um promontório situado a noroeste da ilha-continente, abrangendo o cabo da Boa Esperança e partes da África ocidental.

Tendo sido resguardada, por gerações, de qualquer mistura com um tipo mais inferior, a colônia viu o número de seus habitantes aumentar gradualmente, até chegar a época em que estava pronta a receber e a transmitir o novo impulso à hereditariedade física, que o Manu estava destinado a revelar.

Os estudiosos de Teosofia estão cientes de que, até hoje, ninguém pertencente ao nosso gênero humano teve condições de incumbir-se da sublime função de Manu, embora esteja determinado que o estabelecimento da futura Sexta Raça-Raiz será confiado à orientação de um dos nossos Mestres de Sabedoria – aquele que, embora pertencendo ao nosso gênero humano, atingiu, não obstante, um nível bastante elevado na Hierarquia Divina.

No caso em consideração – o estabelecimento da Quarta Raça-Raiz -, foi um dos Adeptos, vindo de Vênus, que se incumbiu dos deveres de Manu. Naturalmente, ele pertencia a uma ordem bastante elevada, pois deve-se compreender que, dos Seres que vieram do sistema de Vênus como governantes e mestres da nossa humanidade ainda infantil, nem todos se encontravam no mesmo nível. É esta circunstância que fornece uma razão para o notável fato que, a título de conclusão, pode ser mencionado – a saber, que existiu, na Lemúria, uma Loja de Iniciação.

Uma loja de iniciação

Naturalmente, a Loja não foi fundada com o objetivo de beneficiar a raça lemuriana. Alguns deles, suficientemente desenvolvidos, foram, é verdade, ensinados pelos Gurus Adeptos, mas a instrução de que necessitavam limitava-se à explicação de alguns fenômenos físicos, tal como o fato de que a Terra se move ao redor do sol, ou à explicação do aspecto diferente que os objetos físicos assumiam quando expostos, alternadamente, à visão física e à visão astral.

A Loja foi fundada, naturalmente, em benefício daqueles que, embora dotados com os extraordinários poderes de transferir sua consciência do planeta Vênus para a nossa Terra e de munir-se, enquanto aqui permaneciam, de veículos apropriados às suas necessidades e ao trabalho que deviam executar, estavam ainda seguindo o curso de sua própria evolução.23 Em seu benefício – em benefício daqueles que, tendo iniciado o Caminho, haviam alcançado apenas os graus mais inferiores, foi que se fundou essa Loja de Iniciação.

Embora, como sabemos, a meta da evolução normal seja muito maior e mais gloriosa do que, do nosso atual ponto de vista, se pode conceber, ela não é, de modo algum, sinônimo daquela expansão de consciência que, associada à purificação e ao enobrecimento do caráter – e que só através dessa associação se toma possível -, constitui as alturas às quais conduz o Caminho da Iniciação.

A investigação acerca do que representa essa purificação e enobrecimento do caráter, bem como o esforço para compreender o que essa expansão de consciência realmente significa, são assuntos que foram tratados em outras obras.

Por ora, basta assinalar que o estabelecimento de uma Loja de Iniciação em benefício de Seres que vieram de um outro esquema de evolução é uma indicação da unidade de objetivos e de propósitos no governo e na orientação de todos os esquemas de evolução criados pelo nosso Logos Solar. Além do curso normal do nosso próprio esquema, há, nós sabemos, um Caminho pelo qual Ele pode ser diretamente alcançado, o qual, a cada filho de homem, em seu progresso através dos tempos, é permitido ser informado e, se assim escolher, trilhá-lo. Achamos que também foi assim no esquema de Vênus, e presumir que é ou será assim em todos os esquemas que fazem parte de nosso sistema Solar. Este Caminho é o Caminho da Iniciação e o fim a que ele conduz é idêntico para todos, e esse fim é a União com Deus.

Notas:

1. Haeckel está perfeitamente correto ao conjeturar que a Lemúria foi o berço da raça humana, tal como esta hoje existe, mas não
foi a partir dos macacos antropóides que a espécie humana se desenvolveu. Mais adiante será feita uma referência a respeito da
posição real que o macaco antropóide ocupa na Natureza.

2. Ernst Haeckel, History of Creaúon, 2? ed., 1876, vol. I, pp. 360-62.

3. Alfred Russell Wallace, The GeographicalDistribution of Animais – with a study of the relations of living and extinct Faunas
as elucidating the past changes of the Earth’s Surface. Londres, Macmillan & Co., 1876, vol. I, pp. 76-7.

4. O Ceilão e o sul da índia realmente eram limitados, ao norte, por uma considerável extensão de mar, mas isso se deu numa
época bem anterior ao período terciário.

5. Wallace, Geographical Distribution, etc., vol. I, pp. 328-9.

6. Wallace, Geographical Distribution, etc., vol. II, p. 155.

7. H. F. Blandford, “Sobre a idade e as correlações do grupo de plantas existentes na índia e a existência anterior de um
continente indo-oceânico”, ver Quarterly Journal of the Geológica! Society, vol. 31, 1875, pp. 534-540.

8. Uma consulta aos mapas revelará que a estimativa do Sr. Blandford é a mais correia das duas.

9. Partes do continente permaneceram, naturalmente, mas acredita-se que o desmembramento da Lemúria ocorreu antes
do início da época eocena.

10. Vol. II, pp. 325-6.

11. Dr. G. Hartlaub, “On the Avifauna of Madagáscar and the Mascarene Islands”, ver The Ibis, Periódico Trimestral de
Ornitologia – Série 4*, Vol. I, 1877, p. 334.

12. Ernst Haeckel, History of Creation, Vol. II, pp. 22-56.

13. Ernst Haeckel, History of Creation, Vol. II, pp. 226-7.

14. Para uma explicação adicional dos átomos permanentes em todos os planos, bem como das potencialidades neles contidas, no que toca aos processos de morte e renascimento, ver Man’s Place in Universe, pp. 76-80.

15. O Standard, 8 de janeiro de 1904.

16.  Ernest Haeckel, The History of Creation, 2- ed., Vol. I, pp. 193-8.

17. TheSecretDoctrine,Vo. II, p. 197.

18. Vol. II, pp. 683 e 689.

19. No entanto, deve-se observar que o povo chinês descende, principalmente, da quarta sub-raça, ou raça turaniana, da Quarta
Raça-Raiz.

20. The Secret Doctrine, Vol. II, p. 198.

21. Vol. II, p. 317.

22. The Times, 14 de setembro de 1903.

23. As alturas por eles alcançadas terão seu correspondente quando a nossa humanidade, daqui a um período de tempo incalculável, tiver alcançado o Sexto Ciclo da nossa cadeia de mundos e, nessa época longínqua, os mesmos poderes transcendentes serão usufruídos pelo mais comum entre os homens.

FIM

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/lemuria-o-continente-desaparecido/

O Livro das Entidades Enochianas

Por Robson Bélli do site enochiano.com.br

O guia abaixo foi criado por Robson para o grupo enochiano do site enochiano.com.br como uma Introdução a função das entidades enochianas. Munidos dessas informações torna-se mais fácil identificar quais entidades são as mais apropriadas para serem chamadas em cada ocasião, como por exemplo no passo 10, “Conjuração do Espírito” que ocorre dentro da Estrutura de um Ritual Enochiano

OS NOMES SECRETOS DE DEUS – NOMES DE 12 LETRAS

  DIREÇÃO ELEMENTO NOME DE DEUS CHAMADAS
1 LESTE AR ORO IBAH AOZPI 3
2 SUL AGUA MPH ARSL GAIOL 4
3 OESTE FOGO OIP TEAA PDOCE 6
4 NORTE TERRA MOR DIAL HCTGA 5

 

OS REIS – NOMES DE 7 LETRAS

(PODERES GERAIS E EXTENSOS)

 

  DIREÇÃO ELEMENTO REI DA MISERICRODIA REI DA SEVERIDADE CHAMADAS
1 LESTE AR BATAIVA BATAIVH 3
2 SUL AGUA RAAGIOS RAAGIOL 4
3 OESTE FOGO EDLPRNA EDLPRNA 6
4 NORTE TERRA ICZHHCA ICZHHCL 5

 

OBSERVAÇÃO:

No sistema Neo enochiano da Golden Dawn se encontra apenas um nome de rei em vez de dois, contudo as chamadas não se alteram seguindo o mesmo padrão da tabela acima, segue abaixo os nomes dos reis usados no sistema neo enochiano.

  1. LESTE (AR)               –             BATAIVAH
  2. SUL (AGUA)               –             RAAGIOSL
  3. OESTE (FOGO) –             EDLPRNAA
  4. NORTE (TERRA) –             ICZHIHAL

OS SENIORES – NOMES DE 7 LETRAS

(TRANSMIÇÃO DE CONHECIMENTO E JULGAMENTOS HUMANOS)

  DIREÇÃO ELEMENTO A B I II III IV CHAMADAS
1 LESTE AR HABIORO AHAOZPI AAOZAIF HTMORDA HIPOTEGA AVTOTAR 3, 7, 8 e 9
3 3 3 7 9 8
2 SUL AGUA LSRAHPM SLGAIOL SAIINOU LAOAXRP LIGDISA SONIZNT 4, 10, 11 e 12
4 4 10 4 12 11
3 OESTE FOGO AAETPIO AAPDOCE ADAEOET ALNDOOD ARINNAP ANODOIN 6, 16, 17 e 18
6 6 16 17 6 18
4 NORTE TERRA LAIDROM ALHCTGA ACZINOR LZINOPO LIIANSA AHMLICV 5, 13, 14 e 15
5 5 13 14 15 5

A: SENIORES DO PILAR DA SEVERIDADE

B: SENIORES DO PILAR DA MISERICORDIA

I: SENIORES DOS SUBANGULOS DO AR

II: SENIORES DOS SUBANGULOS DA AGUA

III: SENIORES DOS SUBANGULOS DO FOGO

IV: SENIORES DOS SUBANGULOS DA TERRA

OBSERVAÇÃO

No sistema tradicional não se leva em consideração os sub ângulos, vindo assim a não ser importante para o tradicional estas minucias.

 

ARCANJOS – NOMES DE 5 LETRAS

(CONSAGRAÇÕES, COMBINAÇÕES E ALTERAÇÕES DE MATERIAIS, OPERAÇÕES ALQUIMICAS)

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS
1 LESTE AR ERZLA EUTPA HXGZD HTNBR 3, 7, 8 e 9
3 7 9 8
2 SUL AGUA ETAAD ETDIM HNLRX HMAGL 4, 10, 11 e 12
10 4 12 11
3 OESTE FOGO ADOPA AANAA PZIZA PPSAC 6, 16, 17 e 18
16 17 6 18
4 NORTE TERRA ABOZA APHRA PASMT POCNC 5, 13, 14 e 15
13 14 15 5

I: ARCANJOS DOS SUBANGULOS DO AR

II: ARCANJOS DOS SUBANGULOS DA AGUA

III: ARCANJOS DOS SUBANGULOS DO FOGO

IV: ARCANJOS DOS SUBANGULOS DA TERRA

OBSERVAÇÃO

No sistema tradicional não se leva em consideração os sub ângulos, vindo assim a não ser importante para o tradicional estas minucias.

ANJOS KERUBICOS – DAS SUBSTANCIAS NATURAIS – NOMES DE 4 LETRAS

(CONSAGRAÇÕES, COMBINAÇÕES E ALTERAÇÕES DE MATERIAIS, OPERAÇÕES ALQUIMICAS)

 

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS OBEDIENCIA
1 LESTE AR/AR RZLA ZLAR LARZ ARZL 3 ERZLA
2 SUL AR/AGUA TAAD AADT ADTA DTAA 4, 10 ETAAD
3 OESTE AR/FOGO DOPA OPAD PADO ADOP 6, 16 ADOPA
4 NORTE AR/TERRA BOZA OZAB ZABO ABOZ 5, 13 ABOZA

 

I: Anjo Kerubico
II: Companheiro mais próximo (mais elevado / menos denso)

III: Segundo companheiro (elevação intermediaria / densidade intermediária)

IV: Terceiro companheiro (menos elevado / densidade alta)

 

OBSERVAÇÃO

Entenda a questão de densidade aqui mais relacionado ao plano espiritual e ao plano físico (denso) logo os anjos mais densos estão mais próximos de nós a fim de realizar nossos pedidos de maneira mais física, os de densidade intermediaria, trarão sua realização no campo mais mental ou astral, e os mais elevados no campo espiritual.

 

ANJOS KERUBICOS – ANJOS DO TRANSPORTE – NOMES DE 4 LETRAS

(PROTEÇÃO NOS CAMINHOS, VIAGENS, IR E VIR, TRAZER E LEVAR)

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS OBEDIENCIA
1 LESTE AGUA/AR UTPA TPAU PAUT AUTP 3, 7 EUTPA
2 SUL AGUA/AGUA TDIM DIMT IMTD MTDI 4 ETDIM
3 OESTE AGUA/FOGO ANAA NAAA AAAN AANA 6, 17 AANAA
4 NORTE AGUA/TERRA PHRA HRAP RAPH APHR 5, 14 APHRA

 

I: Anjo Kerubico
II: Companheiro mais próximo (mais elevado / menos denso)

III: Segundo companheiro (elevação intermediaria / densidade intermediária)

IV: Terceiro companheiro (menos elevado / densidade alta)

OBSERVAÇÃO

Entenda a questão de densidade aqui mais relacionado ao plano espiritual e ao plano físico (denso) logo os anjos mais densos estão mais próximos de nós a fim de realizar nossos pedidos de maneira mais física, os de densidade intermediaria, trarão sua realização no campo mais mental ou astral, e os mais elevados no campo espiritual.

 

ANJOS KERUBICOS – ANJOS DAS ARTES MECANICAS – NOMES DE 4 LETRAS

(INFORMAÇÕES, CONHECIMENTOS E INFLUENCIAR TECNOLOGIAS, MAQUINAS E AFINS)

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS OBEDIENCIA
1 LESTE FOGO/AR XGZD GZDX ZDXG DXGZ 3, 9 HXGZD
2 SUL FOGO/AGUA NLRX LRXN RXNL XNLR 4, 12 HNLRX
3 OESTE FOGO/FOGO ZIZA IZAZ ZAZI AZIZ 6 PZIZA
4 NORTE FOGO/TERRA ASMT SMTA MTAS TASM 5, 15 PASMT

I: Anjo Kerubico
II: Companheiro mais próximo (mais elevado / menos denso)

III: Segundo companheiro (elevação intermediaria / densidade intermediária)

IV: Terceiro companheiro (menos elevado / densidade alta)

OBSERVAÇÃO

Entenda a questão de densidade aqui mais relacionado ao plano espiritual e ao plano físico (denso) logo os anjos mais densos estão mais próximos de nós a fim de realizar nossos pedidos de maneira mais física, os de densidade intermediaria, trarão sua realização no campo mais mental ou astral, e os mais elevados no campo espiritual.

 

 

 

ANJOS KERUBICOS – OS ANJOS DAS DESCOBERTAS DOS SEGREDOS – NOMES DE 4 LETRAS

(PARA DESCOBRIR SEGREDOS E INFORMAÇÕES OCULTAS)

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS OBEDIENCIA
1 LESTE TERRA/AR TNBR NBRT BRTN RTNB 3, 8 HTNBR
2 SUL TERRA/AGUA MAGL AGLM GLMA LMAG 4, 11 HMAGL
3 OESTE TERRA/FOGO PSAC SACP ACPS CPSA 6, 18 PPSAC
4 NORTE TERRA/TERRA OCNC CNCO NCOC COCN 5 POCNC

I: Anjo Kerubico
II: Companheiro mais próximo (mais elevado / menos denso)

III: Segundo companheiro (elevação intermediaria / densidade intermediária)

IV: Terceiro companheiro (menos elevado / densidade alta)

OBSERVAÇÃO

Entenda a questão de densidade aqui mais relacionado ao plano espiritual e ao plano físico (denso) logo os anjos mais densos estão mais próximos de nós a fim de realizar nossos pedidos de maneira mais física, os de densidade intermediaria, trarão sua realização no campo mais mental ou astral, e os mais elevados no campo espiritual.

 

ANJOS MENORES – OS ANJOS DA MEDICINA – NOMES DE 4 LETRAS

(PARA REALIZAR CURAS E CURAR DOENÇAS)

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS INVOCAÇÃO COMANDO
1 LESTE AR/AR CZNS TOTT SIAS FMND 3 ODOIGO ARDZA
2 SUL AR/AGUA TOCO NHDD PAAX SAIX 4, 10 OBGOTA AABCO
3 OESTE AR/FOGO OPMN APST SCIO VASG 6, 16 NOALMR OLOAG
4 NORTE AR/TERRA AIRA ORMN RSNI IZNR 5, 13 ANGPOI UNNAX

 

I:  Anjos extremamente sutis e elevados, demoram a manifestar no mundo físico sua influencia, contudo ela é duradoura.
II: Anjos “espirituais” sutis atuando no campo espiritual, realizando curas espirituais.

III: Anjos “astrais” sutis atuando e manifestando curas na mente e no campo astral/energetico.

IV: Anjos pouco sutis que manifestam os pedidos rapidamente, normalmente coisas pequenas, de pouca duração.

ANJOS MENORES – ANJOS DO OURO E DAS PEDRAS PRECISOSAS – NOMES DE 4 LETRAS

(PARA DESCOBRIR TESOUROS, ENCONTRAR OURO, TRABALHO E OBTER DINHEIRO)

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS INVOCAÇÃO COMANDO
1 LESTE AGUA/AR OYUB PAOC RBNH DIRI 3, 7 ILACZA PALAM
2 SUL AGUA/AGUA MAGM IEOC VSSN RVOI 4 NELAPR OMEBB
3 OESTE AGUA/FOGO GMNM ECOP AMOX BRAP 6, 17 VADALI OBAUA
4 NORTE AGUA/TERRA OMGG GBAL RLMU IAHL 5, 14 ANAEEM SONDN

I:  Anjos extremamente sutis e elevados, demoram a manifestar no mundo físico sua influencia, contudo ela é duradoura.
II: Anjos “espirituais” sutis atuando no campo espiritual, realizando aberturas de caminhos, afastando karmas negativos.

III: Anjos “astrais” sutis atuando e manifestando ideias/vibrações de prosperidade na mente e no campo astral/energetico.

IV: Anjos pouco sutis que manifestam os pedidos rapidamente, normalmente coisas pequenas, de pouca duração.

 

ANJOS MENORES – ANJOS DA TRANSFORMAÇÃO – NOMES DE 4 LETRAS

(CHAMADOS COM O PROPOSITO DE TRANSFORMAR UMA COISA NA OUTRA, MAGIAS EM GERAL)

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS INVOCAÇÃO COMANDO
1 LESTE FOGO/AR ACCA NPAT OTOI PMOX 3, 9 AOURRZ ALOAI
2 SUL FOGO/AGUA XPCN VASA DAPI RNIL 4, 12 IAAASD ATAPA
3 OESTE FOGO/FOGO ADRE SISP PALI ACAR 6 PZIONR NRZFM
4 NORTE FOGO/TERRA MSAP IABA IZXP STIM 5, 15 OPMNIR ILPIZ

 

I:  Anjos extremamente sutis e elevados, demoram a manifestar no mundo físico sua influencia, contudo ela é duradoura.
II: Anjos “espirituais” sutis atuando no campo espiritual, realizando transformações profundas de caráter e conciencia.

III: Anjos “astrais” sutis atuando e manifestando ideias de como transformar/mudar (ótimos para quebra de magias) as coisas do mundo físico e material ou ainda como sair vitorioso de uma situação.

IV: Anjos pouco sutis que manifestam os pedidos rapidamente, normalmente coisas pequenas, de pouca duração.

 

ANJOS MENORES – ANJOS DAS CRIATURAS VIVAS – NOMES DE 4 LETRAS

(CONHECIMENTOS, E INFLUENCIA SOBRE TODOS OS SERES VIVOS, INCLUSIVE OS SOBRENATURAIS)

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV CHAMADAS INVOCAÇÃO COMANDO
1 LESTE TERRA/AR ABMO NACO OCNM SHAL 3, 8 AIAOAI OIIIT
2 SUL TERRA/AGUA PACO NDZN IIPO XRNH 4, 11 MALADI OLAAD
3 OESTE TERRA/FOGO DATT DIOM OOPZ RGAN 6, 18 UOBXDO SIODA
4 NORTE TERRA/TERRA OPNA DOOP RXAO AXIR 5 ABALPT ARBIZ

I:  Anjos extremamente sutis e elevados, demoram a manifestar no mundo físico sua influencia, contudo ela é duradoura.
II: Anjos “espirituais” sutis atuando no campo espiritual, realizando transformações profundas das formas de vida.

III: Anjos “astrais” sutis atuando e manifestando ideias a respeito de seres vivos e sobrenaturais.

IV: Anjos pouco sutis que manifestam os pedidos rapidamente, normalmente coisas pequenas, de pouca duração.

 

 

 

CACODAEMONS – DA MEDICINA

(CAUSADORES DE DOENÇAS, MAZELAS, LOUCURAS, SENHORES DE TODOS OS PESADELOS)

 

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV A B C D CHAMADA INVOCAÇÃO COMANDO
1 LESTE AR/AR XCZ ATO RSI PFM XNS ATT RAS PND 3 OGIODI AZDRA
2 SUL AR/AGUA XTO ANH RPA PSA XCO ADD RAX PIX 4, 10 ATOGBO OCBAA
3 OESTE AR/FOGO MOP OAP CSC HVA MMN OST CIO HSG 6, 16 RMLAON GAOLO
4 NORTE AR/TERRA MAI OOR CRS HIZ MRA OMN CNI HNR 5, 13 IOPGNA XANNU

 

CACODAEMONS – DO OURO E DAS PEDRAS PRECIOSAS

(CAUSADORES DA MISERIA, POBREZA, ESCACEZ E FOME)

 

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV A B C D CHAMADA INVOCAÇÃO COMANDO
1 LESTE AGUA/AR XOY APA RRB PDI XVB AOC RNH PRI 3, 7 AZCALI MALAP
2 SUL AGUA/AGUA XMA ALE RVS PRV XGM AOC RSN POI 4 RPALEN BBEMO
3 OESTE AGUA/FOGO MGM OEC CAM HBR MNM OOP COX HAP 6, 17 ILADAV AUABO
4 NORTE AGUA/TERRA MOM OGB CRL HIA MGG OAL CMV HHL 5, 14 MEEANA NDNOS

 

CACODAEMONS – DA TRANSFORMAÇÃO (CHAMADOS PARA DETERIORAR TODAS AS COISAS, TRANSFORMAR ALGO BOM EM RUIM, CAUSADORES DA DESORDEM E DO CAOS)

 

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV A B C D CHAMADA INVOCAÇÃO COMANDO
1 LESTE FOGO/AR CAC ONP MOT APM CCA ONT MOI AOX 3, 9 ZRRUOA IAOLA
2 SUL FOGO/AGUA CXP OVA MDA ARN CCN OSA MPI AIL 4, 12 DSAAAI APATA
3 OESTE FOGO/FOGO RAD ASI XPA EAC RRE ASP XLI EAR 6 RNOIZR MFZRN
4 NORTE FOGO/TERRA RMS AIA XIZ EST RAP ABA XXP EIM 5, 15 RINMPO ZIPLI

 

CACODAEMONS – DAS CRIATURAS VIVAS E DOS ELEMENTOS

(MATAR, FERIR, GANGRENAR, INFLUENCIAR OS MORTOS E SERES MAIS OBSCUROS)

 

  DIREÇÃO ELEMENTO I II III IV A B C D CHAMADA INVOCAÇÃO COMANDO
1 LESTE TERRA/AR CAB ONA MOC ASH CMO OCO MNM ALL 3, 8 IAOAIA TIIIO
2 SUL TERRA/AGUA CPA OND MII AXR CCO OZN MPO ANH 4, 11 IDALAM DAALO
3 OESTE TERRA/FOGO RDA ADI XOO RSG RTT AOM XPZ EAN 6, 18 ODXBOU ADOIS
4 NORTE TERRA/TERRA ROP ADO XRX EAX RNA AOP XAO EIR 5 TPLABA ZIBRA

Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-livro-das-entidades-enochianas/

O Karma e suas Leis

1- Uma senhora está grávida de gêmeos univitelinos ou idênticos. Nascem dois meninos. Estes têm a mesma genética e são criados da mesma forma, no mesmo lar, estudam nas mesmas escolas e tem um ambiente psicológico emocional idêntico com a mesma educação de caráter. Um vai bem nos estudos e o outro tem uma terrível dificuldade de aprender. O primeiro é honesto, de bom caráter e íntegro e o segundo é malandro e desonesto. O honesto tem uma vida curta, pois morre de câncer aos 20 anos e o segundo vive 90 anos e enriqueceu ilicitamente.

2- Duas crianças nascem na mesma hora e dia. Os pais da primeira são ricos, inteligentes e cultos e seu recém-nascido é saudável. Os pais da segunda criança são paupérrimos, analfabetos e doentes e seu filho nasceu todo deformado.

Qual a lógica destes acontecimentos? Deus é injusto? A natureza tem falhas? Sorte, azar e destino existem? Será que não tem ninguém governando o Universo? Posso levar uma vida inteira de crimes e bastará um arrependimento no último suspiro para que eu seja salvo? O que seria de nós com apenas uma oportunidade de existência diante do erro? Não somos infalíveis! Que “Pai” não daria uma segunda chance a seus filhos? Ninguém que não aceite a reencarnação ainda não conseguiu responder com lógica e coerência estas questões até hoje.

Infelizmente houve uma deturpação desse termo (karma) no ocidente e a cultura popular o adotou como castigo, fatalismo imutável, trazendo também a palavra dharma como mérito. Quando na verdade no Oriente utiliza-se o termo dharma com o sentido de agir segundo as leis da natureza e adharma com o significado de contrariar estas mesmas leis.

O conceito hindu a esse respeito é bem distinto do ocidental muito embora, hoje em dia também tenha se deturpado. Influenciado pelo cristianismo, rico em noção de culpa e pecado, o karma para os ocidentais tem uma configuração de algo forçosamente ruim, que se deve pagar com sofrimento. Mas em suas raízes, bom ou mau karma, advém unicamente de ação e seus respectivos efeitos. O termo karma começou a adquirir popularidade no mundo ocidental no final do século XIX através da Doutrina Espírita e a Teosofia.

Karma é um termo sânscrito que significa atividade, ação, e representa a lei de causalidade ou lei de ajuste

A lógica nos leva a crer que todo acontecimento, como efeito, provém de causas anteriores que por sua vez vão produzir efeitos futuros numa reação em cadeia. Mas karma também é a lei que rege o mundo do pensamento, do sentimento, emoções e energia. Karma é a lei que rege os fenômenos da vida, como também a lei que determina, governa e administra, não só veículo físico do homem, como também outros veículos que perfazem o Universo Consciencial (o corpo energético, o corpo emocional e o corpo mental e outros que nem sonhamos em conhecer).

Karma é o resultado do que cada um planta por seus pensamentos, sentimentos, energias e ações e demonstra que somos totalmente responsáveis por cada ato mínimo que seja.

Mais importante, no entanto, é entender que, se contribuímos com os fatos que nos acontecem através do livre-arbítrio, podemos mudar nossa “sorte”. Acelerando ou atrasando os processos da vida e até impedindo que coisas boas ou ruins aconteçam.

Estamos mergulhados num emaranhado de processos de energia entre ações e reações bem ponderadas. Estamos colhendo frutos de semeaduras do passado enquanto semeamos a colheita do futuro. Estamos sofrendo reações de nossas ações do passado enquanto criamos novas ações que por sua vez se converterão em reações no futuro.

Todo gesto, ato, evento tem seu lado positivo e negativo. Quase todo evento que causamos gera uma quantidade de Karma negativo e de Karma positivo, às vezes as mais simples ações. Só enxergamos e percebemos o que nos atinge, pois “nossa dor sempre dói mais que a dor dos outros” e percebemos mais a dor que o prazer.

O karma é a lei que regulamenta e motiva a evolução das espécies, o relacionamento e a troca entre as espécies e entre as espécies e seu meio ambiente. O Karma é o Sistema Nervoso do Universo Multidimensional e é o responsável pelas reações diante dos estímulos dos que nele habitam. Se tratarmos mal o meio ambiente colheremos os frutos que serão secas, enchentes, temporais, etc. Se poluirmos um rio como esperar um pescado sadio?

A parte mais delicada do processo kármico é entre nós mesmos. Temos vários karmas negativos com diversas consciências (almas) e nesta vida viemos dentre todos, saldar o karma mais urgente, outros karmas ficarão para depois. Façamos bom proveito.

O conhecimento dos processos espirituais, conscienciais, bioenergéticos e projetivos é muito importante para se trabalhar o karma pessoal. O esclarecimento gera conhecimento que gera responsabilidade. A responsabilidade gera mudança e gera auto-análise. Quem não produz auto-análise jamais dinamizará o processo de quitação de seu karma. Karma se quita com trabalho e não com sofrimento. O sofrimento é gerado pela consciência pesada que não confia em si e tem medo de responsabilidade optando por quitar o karma sofrendo (autopunição) atrapalhando a si próprio em seu caminho evolutivo, pois quanto maior a autopunição, mais difícil é render um bom trabalho para quitação do próprio karma. A quitação do karma pessoal é aprendizado e compensação consciencial.

O caminho é assumir o karma, aceitar, agradecer e trabalhar o máximo possível para compensá-lo. A responsabilidade de assumir o karma gera o arrependimento e este gera mudança imediata de atitude interna e externa, sincera e gera energias conscienciais renovadoras. Estas energias geram freqüências mais elevadas, sadias e positivas, dinamizando o trabalho e a vontade de quitar o karma com disposição e coragem.

Nada nem ninguém ou somente orações ou mentalizações ou meditações vão “queimar” seu karma, conforme li e ouvi de alguns espiritualistas menos informados, mais místicos e menos práticos. Karma não se queima, é um conceito errado, karma se quita com trabalho produtivo de assistência a outros seres humanos. Este é um planeta de provas e expiações, estamos imersos num planeta de karma coletivo muito grande e se começássemos a nos perdoar e nos ajudar dinamizaria o processo planetário e a paz mundial.

Karma não é vingança de Deus. Deus não é vingativo, não pune nem perdoa. Deus na verdade é impessoal e não tem piedade e nem ódio. Ele criou as leis e elas nos regem. As leis são automáticas. Não espere plantar espinhos e colher morangos, não espere semear trevas e colher luz. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. A semeadura é o livre arbítrio da consciência e a colheita são as conseqüências kármicas adquiridas.

Para cada ação existe uma reação igual e contrária. Para mudar o karma é necessário reforma íntima gerando energias conscienciais de freqüências mais elevadas, pois a partir do arrependimento abrem-se novas perspectivas, possibilidades e oportunidades e a primeira destas aberturas é a ajuda espiritual de seus amigos invisíveis (ou não) dos seres espirituais ou seres da quinta dimensão.

#Espiritismo #Espiritualidade

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Filhos do Sol

Linda C. Barlow

The Theosophical Forum – January 1936

Os pensadores sérios deste mundo me parecem homens pescando em um vasto tanque repleto de inúmeras variedades de peixes. Todo que consegue uma captura pensa que pegou a maior e sai para contar a todos sobre isso. O fato é que cada pescador na Piscina da Verdade usa uma isca diferente e pega um peixe diferente, e embora nenhum espécime seja representativo do todo, todas ainda tem um valor próprio e não deve ser desconsiderado. É esse pensamento, na mente de uma iniciante muito ignorante ainda pescando nas águas rasas, que é oferecida essa captura – um mero esgana-gata – para inspeção

Para começar, seria interessante saber quantos dos milhões de seres humanos vivos hoje acreditam verdadeiramente em qualquer existência consciente além desta vida na Terra. A maioria de nós não, até nos encontrarmos com a Teosofia. Seja o que for que professamos acreditar, agimos na maioria das vezes de acordo com o credo predominante da época, que é que esta vida é tudo. É um caso de ‘cada um por si, o tempo todo’. Diz Everyman: “Tudo termina com a morte de qualquer maneira, então o que importa?” Acreditamos no que podemos ver com os olhos, tinir nas palmas das mãos e bater os dedos dos pés. Acreditamos em agarrar tudo o que pudermos enquanto estamos aqui, pois depois da morte não há nada.

Essa doutrina leva à mesquinhez, à febre, ao zumbido perpétuo e à correria. É a doutrina do chamado ‘homem prático’, que ensina seus filhos a considerar todo o tempo perdido que não é gasto em atender com uma carranca de concentração ao negócio de ganhar dinheiro. À medida que saímos da infância, todos somos infectados por essa atitude em maior ou menor grau. Muitas pessoas estão perfeitamente satisfeitas com isso, e essas por enquanto se imaginam mais felizes – mas completamente drogadas com drogas materialistas – do que aquelas que se agitam inquietas durante o sono, perturbadas por vislumbres do infinito.

Gosto de pensar que estes últimos são a maioria: que são poucos os que não param em algum momento, sentindo-se abalados com a visão inesperada de algo belo. Pode ser qualquer coisa – o sol, a lua, o mar, uma árvore ou uma flor, ou mesmo um organismo tão microscópico quanto uma diatomácea. A beleza da Natureza é perturbadora porque é misteriosa. Ela sugere forças, leis e planos fora do alcance do ‘homem prático’ e o enche momentaneamente de dúvidas e apreensões quanto à adequação de sua doutrina. Ela puxa sua alma porque é semelhante à beleza escondida e inimaginável dentro de si mesmo: porque semelhante chama semelhante, e essa essência divina que alguns chamam de Centelha Divina, mas que eu prefiro chamar de Beleza Absoluta, flui através dos seres humanos em comum com tudo mais na Natureza. Há esperança de crescimento em um homem enquanto ele pode seja assim perturbado. Se ele não puder, ele está na melhor das hipóteses parado. Sua ganancia não tem tempo para considerar os lírios; o que equivale a dizer que ele não tem tempo para considerar a possibilidade de ter uma alma. Resta ao poeta muitas vezes desprezado dar expressão a esse sentimento avassalador de “algo além”, que é tudo o que as massas ignorantes conhecem de sua própria natureza interior divina.

Então, para os poucos afortunados, vem a Teosofia, como uma torrente de luz, como uma porta que se abre de repente para alguém que está espiando dolorosamente pelo buraco da fechadura. Somos ensinados que esta vida, longe de ser tudo, é apenas uma etapa muito pequena na peregrinação do homem interior em direção à perfeição. E que diferença isso faz! Os limites desaparecem; montanhas tornam-se montículos; o horizonte se alarga ao infinito. Começamos a adquirir um senso de proporção e somos capazes de parar e pensar, porque sabemos que, se todo o infinito é nosso, podemos nos dar ao luxo de fazê-lo. Temos tempo para relaxar – não pretendo, é claro, fugir de nossos deveres, mas relaxar da tensão do físico para a calma do espiritual, abrir as janelas da alma e deixar o ar mais fresco entrar. Sabemos que a morte não é o fim e, portanto, podemos nos dar ao luxo de parecer que estamos morrendo. Sabemos que, em última análise, não há injustiça e, portanto, podemos nos dar ao luxo de parecer enganados. Podemos ter pena do sono drogado dos materialistas e lutar pela paz interior daqueles Grandes Seres que ousaram tornar-se eles mesmos.

A dificuldade é lembrar o que somos. Somos príncipes disfarçados de camponeses; deuses em peles de animais; peregrinos com uma elevada responsabilidade de que nos devemos orgulhar. Estamos tão envolvidos com as coisas materiais que elas tendem a assumir uma importância muito grande. Poderíamos ter sempre em mente nossa grande herança; pudéssemos nos lembrar a cada minuto de cada dia que somos Filhos do Sol, trazendo dentro de nós a luz que é a verdade absoluta, então, embora Karman possa decretar que gastemos nosso tempo lubrificando motores ou descascando batatas, devemos automaticamente pensar e agir com aquela dignidade e sanidade que só são dignas do Eu Superior.

E como devemos lembrar? Devo dizer que mantendo a imaginação no viver, recusando-se a ficar obscuros, mantendo aquela amplitude triunfante de visão em que nos regozijávamos quando, como crianças, esperando todas as coisas e acreditando em todas as coisas, éramos capazes de ver beleza onde nossos mais velhos nada viam.

É essa consciência, esse tipo de clarividência domesticada, que estou pedindo: um senso perpétuo da grandeza das coisas; uma imaginação suficientemente ampla para atravessar o abismo entre ela e o invisível; amplo o suficiente para aceitar deuses e fadas, mistérios e milagres e magia; uma convicção inabalável de que a vida é, em última análise, bela e boa; e uma percepção de que, embora esta terra seja temporariamente nossa escola, o verdadeiro lar do espírito exilado está no coração do Infinito.

E se nos agarrarmos a isso com bastante firmeza, o que acontece com a morte? Torna-se tão simples como passar por uma porta. As lições escolares por enquanto acabaram, e o homem superior está destinado a férias e felicidade inimaginável

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/filhos-do-sol/

Karma e Linearidade

Um dos problemas centrais na busca espiritualista é a conciliação entre a crença intuitiva em uma Criação perfeita e o oceano de dúvida e dor que existe em nossa realidade cotidiana. Filosoficamente isso resulta em dezenas de especulações e interpretações que chegam até mesmo a negar a relação direta entre Criador e Criação (supondo que exista tal diferenciação) através de um personagem intermediário, o demiurgo gnóstico, que teria gerado o mundo corrupto que observamos.

Outra maneira de tentar conciliar essas percepções opostas é a concepção de um processo de causa e efeito tão natural e impessoal quanto a gravidade, que ajusta essas realidades aparentemente díspares. Enquanto a tradição ocidental, de raízes egípcias, fala em um julgamento final da alma humana, o oriente imagina um processo dinâmico e cotidiano, que dispensa júri e juiz (embora algumas linhas, como a teosofia, citem a figura dos Senhores do carma, essa personificação da lei não é a mais comum, mantendo seu caráter natural).

O quanto desse conceito é útil e o quanto é apenas uma fantasia egóica? Dando um passo atrás, pensemos a reencarnação e veremos o mesmo comportamento. De uma hipótese sistêmica muito interessante, ela passa a ser uma simples maneira de afagar o ego. Quantas princesas e generais não se redescobrem em centros espíritas e terapias de vidas passadas? Nunca a humanidade foi tão nobre quanto em suas pretensões…

Em sua interpretação tradicional, todo o mecanismo reencarnatório/cármico é tradicionalmente respaldado por um interpretação linear do tempo. Mas essa interpretação faz sentido de um ponto de vista do Self (vamos chamar assim uma possível dimensão maior do Ser) ou é apenas um ponto de vista raso do ego? A argentina Zulma Reyo, em seu livro Karma e Sexualidade faz uma representação interessante entre o que ela chama de tempo linear e o tempo concêntrico, a realidade vivida pelo Self. Ela considera a existência egóica, linear, como uma experiência do Self projetado na tridimensionalidade, a partir de condições absolutamente aleatórias. O mecanismo cármico existe apenas como elemento de aprendizagem dentro dessa única existência linear, não atuando como elemento de ajuste entre consecutivas experiências lineares. Do ponto de vista de uma Criação una, essa visão é absolutamente harmônica. Mas do ponto de vista do ego individualizado, a perspectiva de uma vida iniciada em condições aleatórias não difere em nada de uma visão absolutamente materialista.

A autora também define como elemento chave para entender o processo cármico aquilo que chamamos de forma-pensamento. É através dessas estruturas mentais/emocionais geradas e mantidas por nossos pensamentos e ações que se dá a atração das condições externas que caracterizam a relação de causa e efeito. E essas formas-pensamento seriam visíveis a médiuns treinados como aderências no campo causal. É praticamente a mesma interpretação, dita em termos atuais, do processo cármico tal como compreendido no Jainismo, uma das religiões mais antigas da India. Os janistas crêem que o carma é uma substância que se adere à alma, e essa quantidade e qualidade de substância aderida que define as condições atuais da vida do individuo. Essa substância pode ser eliminada através de jejuns e meditações.

Fica então a questão. É possível conciliar reencarnação, causa e efeito e uma existência não linear?

Texto fantástico do Andrei, do Anoitan.

#Budismo #Espiritismo

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A Corrupção da Magia – parte II

Continuando a segunda e última parte deste manifesto sobre a magia Moderna; semana que vem seguiremos com a programação normal.

Neste final de Semana, enquanto preparava o post da semana que vem, li a notícia de que uma falsa-vidente-picareta roubou 55 mil de um infeliz em Santa Catarina. Quando não são os religiosos, ateus, céticos e pesudo-céticos espinafrando e atacando o ocultismo, são os esquisotéricos, charlatões, Juscelinos da Luz e estelionatários queimando o filme… depois perguntam por quê os verdadeiros conhecimentos herméticos permanecem ocultos…

A Sexta Razão

A Destruição da Sucessão de Mestre e Discípulo

A sexta maior razão para o deplorável estado da magia moderna é a destruição de uma linha de sucessão entre o guru e chela, mestre e discípulo. Quanto mais pessoas lançaram vários livros contendo os Pequenos Mistérios, mais pessoas começaram a, lentamente, substituir o mestre pela estante. Eles colocam em suas cabeças que, desde que consigam ler muito, nunca precisarão de um professor. Não é preciso dizer que essa abordagem raramente encontra sucesso. Por razões que já foram clarificadas, a vasta maioria dos livros de hoje é quase inteiramente inútil para alguém que esteja procurando por um meio prático e eficiente de autoavanço. Seu conhecimento pode crescer, mas sua alma normalmente não.

Uma razão para essa substituição, que deveria agora ser óbvia ao leitor, é o fato de que as pessoas hoje simplesmente não gostam da ideia de um professor, de um guru. Um mentor é, às vezes, bem recebido, mas apenas sob a exigência de que o mentor não seja saudado com muita apreciação, e a de que ele possa ser facilmente afastado. O ego da maioria das pessoas as leva a odiar a ideia de serem subservientes a um verdadeiro professor, por até mesmo pouco tempo, para assegurarem sua evolução espiritual. Isso as faria sentir menos sagradas que o guru, o que, de fato, elas são, e isso machucaria demais os seus egos. Dessa forma, elas não tolerarão isso.

Isso tudo fez com que muitos autores de hoje não tenham recebido treinamento legítimo de um professor verdadeiro. O conhecimento que eles apresentam em seus livros é, simplesmente, a mesma informação reprocessada que qualquer um poderia armazenar com tempo suficiente numa biblioteca, e eles, portanto, não se tornaram melhores que seus predecessores uma centena de anos atrás, os quais pensavam ser adeptos simplesmente por causa de sua habilidade de compilar a informação disponível. Tais autores, assim, começaram uma tendência que infectará totalmente os autores do amanhã, e, dessa maneira, solidificará essa tendência infeliz e autodestrutiva. Eu rezo seriamente para que, no futuro, mais adeptos que tenham passado por treinamento real nas mãos de um professor treinado dêem um passo à frente e passem os ensinamentos de seus mestres para o mundo. Até se isso acontecesse, cada livro deveria dizer dentro de suas páginas o que eu estou precisamente para dizer: embora o conhecimento ajude e ilumine a mente, a iluminação da alma deve ser recebida de um bom professor.

Por que você não pode fazer tudo sozinho? Por que você não pode ser aquele “lobo solitário” sobre o qual você ouviu falar? Aquele lobo solitário e durão que nunca precisa da ajuda de ninguém? Supere você mesmo. Você não pode fazer isso sozinho porque você nem sabe o que fazer ou onde começar, e se você soubesse, você não entenderia como fazê-lo mesmo assim. Se você pode derrotar o seu ego o suficiente para admitir isso, então você pode ainda ter esperança para o Reino de Deus. Se não, então você está muito mais interessado em si mesmo do que em Deus. Um livro pode sugerir lugares para começar, pode fornecer fórmulas e técnicas práticas (embora poucos, muito poucos o fazem) e podem até suprir uma rotina de treinamento completa. Até se você tenha esses livros memorizados, a quem você se voltaria quando um obstáculo surgisse que você não pudesse superar intelectual ou espiritualmente? Se você, embora com treinamento rigoroso, não visse resultados, como adivinharia o porquê disso? De qual lugar você receberia a informação que nunca foi antes publicada? Além disso, você seria forçado a aceitar a legitimidade de qualquer sistema de treinamento ou séries de informação, baseado inteiramente sobre a sua própria crença. Quando você tem um bom professor que está lhe iniciando diretamente, numa linha de mestre e discípulo, na magia genuína, então você tem alguém para se referir como um modelo e um exemplo. Você consegue ver quão efetiva essa abordagem à magia é, toda vez que você vê o seu professor. Através das ações dele, você pode decidir se o sistema é válido ou não. Dessa forma, o professor destruirá níveis de dúvida que, frequentemente, infectam pessoas que se submetem ao que agora é popularmente chamado de “autoiniciação”.

Neste ponto, nós dificilmente poderíamos continuar sem uma rápida consideração de uma jóia em particular, o livro O Caminho do Adepto, pelo Mestre Arion, Grande Iniciador Rosacruz, o S.F.C.R. (Sagrado Frater Christian Rosencreutz), que vocês conhecem pelo nome de Franz Bardon. Essa grande alma, um dos doze maiores adeptos mestres na inteira Fraternidade Branca, que governa particularmente sobre a iniciação, veio ao mundo em total Nirvikalpa Samadhi, na glória de seu corpo astral imortal, por toda a humanidade. Houve um grande sacrifício nisto.

Urgaya o invocou e ordenou que, enquanto estivesse aqui, ele lançasse ao mundo os primeiros três dos vinte e dois estágios de iniciação da Fraternidade Branca. Ele o fez, mas, do mesmo modo que Veos e eu fizemos, ele suavizou o sistema consideravelmente, para alcançar e ajudar o maior número possível de pessoas, enquanto tomava como estudantes pessoais aqueles poucos que estavam prontos para os ensinamentos mais sérios. O resultado desse serviço altruísta foram os três livros que ele escreveu, que foram feitos para levar o estudante até o ponto em que ele atraia um mestre espiritual que o inicie nos Grandes Mistérios. Embora essa trilogia seja excelente, particularmente seu primeiro livro, O Caminho do Adepto, eles ainda contém todas as inibições que um livro traz. Você não pode perguntar questões ao livro, não pode receber experiências espirituais dele, não pode chorar nos seus ombros quando o mundo parece ter se voltado contra você. O livro não irá assumir o seu karma para te ajudar, não limpará suas nadis e trabalhar nos seus chakras, não imergirá você, amavelmente, em sua própria aura. Acima de tudo, não servirá como um canal de mediação entre sua Kundalini pequena e a Kundalini Cósmica superior.

É minha convicção, baseada na experiência, que existe somente um tipo de pessoa que pode se submeter à autoiniciação com sucesso sem nunca ter tido um professor. Deve ser um adepto reencarnado que está simplesmente recapitulando seu desenvolvimento mágico de vidas passadas. Para tal pessoa, na medida em que ele aprende até apenas técnicas básicas, suas memórias mágicas começarão a, quietamente, voltar a ele, na forma de intuição acurada sobre como certas coisas deveriam ser executadas. Essa intuição mágica guiará suas ações, e sua alma guiará a consciência aos lugares corretos. Essa pessoa não precisa de um professor. Porém, a um tempo atrás ele certamente teve um, e se não tivesse sido pelo professor, ele nunca teria se tornado o adepto que se tornou.

A Sétima Razão

A Remoção de Deus da Situação

Na medida em que o mundo se torna, gradualmente, mais materialista, uma escuridão começa a envolver o intelecto de pessoas inteligentes. É um tipo de doença que dá a uma pessoa cegueira e a torna surda; de fato, deixa-a quase completamente insensível a qualquer estímulo. O nome dessa aflição, que paralisa e torna mudos todos os três corpos, é chamado Ateísmo. Quando algumas pessoas são afligidas por ele, tornam-se totalmente desafiantes contra todos os impulsos espirituais que sugiram a existência de Deus. Eles são uma ninhada de pessoas peculiar, sendo ignorantes ao grau de se tornarem engraçados aos olhos do iniciado.

Existe uma ninhada particular de ateístas que é mais divertida que todas as outras. É uma ninhada relativamente nova, que apareceu apenas neste século passado. Esse tipo de pessoa é um ateísta que acredita que fenômenos espirituais são, na verdade, fenômenos físicos num nível altamente refinado, e dessa forma buscam explicações para as coisas espirituais. Eles não negarão que as energias dos elementos, por exemplo, existem. Eles simplesmente pensarão em alguma teoria absurda e estúpida de como essas energias são apenas divisões de uma substância mental física, mas enormemente refinada, e que suas qualidades atribuídas são algum tipo de ilusão. Eles dirão que espíritos são as expressões externas de arquétipos subconscientes na psique, e sugerem que, quando eles são conjurados à aparência visível, tudo que está ocorrendo é autohipnotismo. Essa estranha espécie de pessoa fará tudo pelo motivo de ser capaz de sugerir que Deus não existe, que mundos espirituais não são reais, que não existe alma, etc, etc.

É óbvio ao iniciado que qualquer pessoa que se submeta ao treinamento adequado possa provar a si mesma além de qualquer possibilidade de dúvida que espíritos não são arquétipos pessoais, que mundos espirituais existem, que existem energias externas diferenciadas, que a alma é real e imortal, e que Deus é uma verdade eterna. Qualquer pessoa que sugere ao contrário está fazendo-o do ponto de vista da teoria e especulação somente, e não tem base prática na magia. Embora o iniciado devesse sempre mostrar respeito sobre a opinião da outra pessoa, de modo a não causar conflito imediato e desconforto, ele não deveria permitir ser persuadido por tais argumentos. Frequentemente, essas pessoas são ótimas em argumentar e debater, mas não podem fazer quase nada a esse respeito com magia verdadeira. Dessa forma, deixe-os falarem a si mesmos enquanto você quietamente volta a sua mente à meditação sagrada.

Isso precisa que consideremos um ponto importante, contudo. Apenas você, no fim, pode provar a si mesmo a realidade de todas essas coisas. Apesar de todos os meus poderes e siddhis, eu não posso fazê-lo. A mente animal duvidará da sua escolha de perseguir esse caminho a cada virada, e, acima de tudo, também tentará me fazer duvidar, não importa o que eu faça. Alguns exemplos podem ilustrar bem este ponto. Ano passado, quando eu estava morando com um grupo de oito aprendizes (com mais cinco visitando regularmente) num belo lote de 5 acres firmado entre árvores e invisível a todos os vizinhos ou à estrada, uma grande tempestade apareceu sobre nós. O vento uivava ferozmente, a chuva parou por um momento, e, então, no pátio próximo a nós, um tornado começou a descer. Os aprendizes, até Veos (até hoje eu brinco com ele sobre isso!) ficaram muito assustados. Na verdade, eu estaria assustado também, apesar da minha confiança para lidar com a situação, se eu não tivesse aberto meus olhos de uma maravilhosa hora de meditação profunda no momento em que o tornado começou a surgir. A mim, naquele estado elevado de felicidade, o tornado era apenas uma demonstração da natureza para ser amada e reverenciada. Apesar disso, eu me esforcei o suficiente para me convencer de que o tornado, tão próximo à casa, era uma coisa ruim. Eu me coloquei na direção da tempestade, com Veos ao meu lado e ajudando, e nós dois elevamos o tornado de volta ao céu e redirigimos a direção da tempestade para longe da casa. Isso foi feito com todos os estudantes assistindo. Em outra ocasião, apenas quatro semanas antes, eu usei um sigilo para criar uma chama sólida e negra no coração de um grande fogo ritual que todos viram e cuja realidade de sua presença atestaram. No momento em que começou a chover, por ele ser um importante ritual do fogo, eu chamei um espírito que me serve para nos proteger da chuva. A chuva parou, mas os estudantes logo notaram que estava chovendo em todos os lugares da propriedade, menos no lugar onde estávamos!

Eu estou relembrando essas coisas não para glorificar a mim mesmo, mas para ajudar a ilustrar este assunto. Embora eu demonstrasse essas aparentemente “maravilhosas” ocorrências, sem pouco esforço meu, eu rudemente exibia a magia aos meus estudantes como um prêmio por sua devoção duradoura aos meus ensinamentos, e, mesmo assim, essas coisas não preveniam suas mentes de, às vezes, duvidar que magia não existia. Pouco menos de um mês depois do incidente com o tornado, um dos meus estudantes melancolicamente veio a mim e confessou que ele estava tendo de lutar com a dúvida, porque ele nunca tinha visto antes um poder mágico. Numa classe do Veritas quatro anos atrás, eu tive um estudante para o qual, um dia, eu mandei uma mensagem e informei que ele estava desenvolvendo uma infecção de sinus. Sendo alguém que duvida por natureza, ele decidiu não tomar nenhum remédio. Quatro dias depois, ele pegou uma infecção de sinus, e, num instante, eu o curei da infecção completamente. Eu não consegui mais informações desse estudante, que terminou aquela classe como um estudante de magia muito devotado, por um longo tempo depois que a classe terminou. Eu descobri, poucos meses atrás, que, pouco depois da minha classe terminar, ele decidiu que eu era uma fraude e um mentiroso, e que eu não tinha habilidade mágica ou consciência elevada, e que ele estava convencido de que magia em si pudesse nem ser real.

Essas, e outras experiências parecidas, me convenceram de que não é o dever do professor fazer o estudante acreditar em magia, e, realmente, que o professor não é capaz de fazê-lo, não importa quais habilidades ele possa ter demonstrado. No final, a última evidência convincente que o estudante será capaz de usar para conquistar a dúvida de seu ser inferior é a evidência que surge de suas próprias práticas continuadas, as recompensas de sua fé douradoura em seu caminho.

Mas, voltando ao assunto à mão, é uma grande má sorte ao mundo dos aspirantes sinceros que esses mesmos ateístas estão realmente se juntando para formar sistemas de “magia” juntos, embora esses, na realidade, sejam feitiçaria astral no máximo. Ao fazê-lo, eles estão apelando aos lados animalistas e mundanos da consciência do ego que governa sobre os não iniciados antes de alma ter uma chance de se agarrar a algo significativo. Por tais sistemas de feitiçaria não terem nenhuma ênfase real na moral, por eles não terem ideia nenhuma de Deus ou de avanço espiritual, as pessoas estão se unindo para achar uma desculpa para praticar o que eles pensam que é magia sem ter de desistir de seus modos pecaminosos de viver. Tais pessoas adoram se ostentar, dizendo “Eu descobri que magia é tão efetiva sem o componente espiritual desnecessário”. Eu juro a todos vocês, pelo meu grande amor por essa ciência, que, nos meus anos de magia, eu nunca encontrei, nunca mesmo, nenhum estudante dessa escola de feitiçaria que poderia produzir até a mais simples das demonstrações mágicas. Eu nunca descobri um estudante dessa escola que possuísse alguma das faculdades mágicas a um grau demonstrável ou talvez significativo. Por quê? Porque eles estão praticando ideias, não verdades. Eles estão tentando fazer com que o universo satisfaça os seus próprios desejos egoísticos, em vez de quererem sacrificar qualquer coisa que seja para se tornarem magos reais.

A Oitava Razão

Charlatões

À luz de todas as razões previamente mencionadas, deveria se tornar óbvio que charlatãos e fraudes naturalmente surgiriam. A falta quase total de iniciados verdadeiros e adeptos conhecidos às pessoas comuns tornou impossível se comparar uma fraude contra a coisa real. Os fraudadores, é claro, saberão isso, e usam isso ao seu favor. O fato de que existam tantos enganadores que se tornaram muito bem-sucedidos não sugere em momento algum que eles tenham alguma habilidade, mas, em vez disso, simplesmente mostra o quão mal informada e enganada a pessoa comum é nesses assuntos.

Bem como fizeram no início dos anos 1900, médiuns começaram a ir e vir e a escreverem pilhas de lixo para encherem as estantes das livrarias modernas. Essas pessoas, que são normalmente tão boas em enganar a si mesmas quanto a enganar os outros, lançam livro após livro. Eles escrevem centenas de páginas, e ainda, de alguma forma, não dizem nada nelas. Eles citam seres espirituais como a fonte de sua sabedoria, ou guias espirituais, ou animais totem, ou trevos de quatro folhas e tal nonsense. Embora eu ainda não o tenha encontrado, eu estou certo de que exista um médium por aí que alega receber instruções místicas de seu sanduíche de presunto. Não seria mais absurdo que as alegações anteriores. Embora, é claro, uma vez, eu tive uma conversa muito reveladora com uma garrafa de coca-cola, e um espírito decidiu, por uma razão qualquer, falar comigo numa voz audível que até os não iniciados poderiam ter ouvido.

Se tais médiuns estão de fato conversando com seres espirituais, então esses espíritos são muito misteriosos ou são muito estúpidos. Se esses médiuns estão conversando com guias espirituais, eles devem estar precisando despedir seus guias e encontrar novos. Em minhas experiências com seres espirituais, animais totem e guias espirituais, nenhum deles era tão mal informado quanto os desses médiuns. Dessa forma, podemos concluir que é muito provável que eles não estejam falando com nenhum dos acima, mas, em vez disso, que eu estou terrivelmente enganado, e que todos estão, na verdade, conversando com sanduíches de presunto. Se eles estivessem conversando com garrafas de coca, então, baseado na experiência, eu seria levado a acreditar que seus livros poderiam ter sido melhores.

Nada disso implica que todos os médiuns são fraudes. É, porém, um infeliz fato que a vasta maioria de fraudadores alegue ser médium, e, se o resto da comunidade de bons médiuns não quiser ser associada com esses charlatãos, então eles deveriam aparecer e lutar contra eles. Eu conheci vários bons médiuns em meu tempo, alguns deles naturais e outros treinados, portanto, essas declarações, de modo algum, se aplicam a esses tipos de pessoa. O leitor observador, porém, será capaz de fazer uma caminhada, achar uma estante de New Age numa livraria popular e ser capaz de ver precisamente de quais autores eu estou falando.

O grupo de médiuns impostores é apenas uma das duas maiores categorias de fraudadores na comunidade ocultista. Para a pessoa firmada em pensamento racional e com pelo menos alguma educação em literatura ocultista, os médiuns impostores são comparativamente fáceis de serem reconhecidos. Embora eles agarrem um número entristecedor de otimistas da New Age, os mais eruditos tendem a ficar longe deles. É, portanto, minha opinião que o mais perigoso dos dois grupos não é o médium impostor, mas o sim mago impostor.

O mago impostor é muito mais difícil de distinguir, e apenas alguém que é firmemente enraizado na experiência prática pode descobrir o disfarce. Existem autores que escrevem livros que fascinam seus leitores sobre simbolismo oculto, aparente conhecimento da Cabala, algumas correspodências ocultas etc, e mostram isso como se a experiência os tivesse levado a acreditar nessas coisas. Eu não estou falando aqui de meros ocultistas. Um ocultista é um filósofo, portanto ele se preocupa com as várias cosmogonias filosóficas, em vez de experimentar o lado prático da espiritualidade. Desse modo, é perfeitamente normal para um ocultista falar num nível puramente intelectual, igual ao filósofo. Não, eu não estou me referindo a esses autores, mas aos autores que criam um véu de suposto conhecimento experimental. Essas pessoas são geralmente indivíduos que aprenderam e, subsequentemente, praticaram apenas duas ou três técnicas básicas, e, então, se consideraram a si mesmos grandes magos. Eles escrevem livros sob esse propósito, e prescrevem ridículos regimes de treinamento para seus leitores.

Tudo isso naturalmente resultou numa situação na qual pessoas que queiram aprender magia, queiram comprar um livro e, por causa da probabilidade, pegarão um livro escrito por um autor fraudulento. Percebendo como pessoas que são completamente novas à magia não são tão sábias, elas acreditam em muito do que é dito, e assim a corrupção começa. Muitos desses aspirantes promissores vieram à minha casa por um curto tempo, e eu descobri que, depois de alguns anos de encherem suas mentes com tal lixo, eles se tornaram ligados demais a esses mundos ilusórios para serem salvos pela luz da experiência prática. Espero que, nas próximas vidas deles, suas almas levarão suas mentes a buscarem algo mais elevado.

A Nona Razão

O Silêncio dos Adeptos

Durante o período do Renascimento, e por um tempo após, houve um número de adeptos que escrevia. O advento do aparecimento público dos rosacruzes na Europa, por um pouco tempo, gerou informação suficiente para os autores discutirem por muitos anos. Pessoas como Paracelso, Agrippa e Francis Bacon forneceram suficientemente os Pequenos Mistérios às pessoas. Autores rosacruzes como Francis Bacon promoviam a iluminação intelectual das pessoas, como a Ordem Exterior Rosacruz (que eventualmente gerou a Maçonaria), focada primariamente no avanço espiritual através de conhecimento e de sabedoria em vez da prática. As práticas estavam presentes, mas eram normalmente ritualísticas e reservadas para dias especiais. Os exercícios mágicos verdadeiros eram mantidos para o próximo nível de iniciados.

Autores como esses forneciam tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. De um lado, as pessoas estavam engajando suas mentes, pela primeira vez, no feijão-e-arroz da magia teórica. Em vez de lerem sobre demônios e feitiços mágicos, eles podiam aprender sobre o magnetismo espiritual, o archeus, os éteres, a lei de atração, a lei do microcosmo, e por aí vai. Alguns dos Pequenos Mistérios mais básicos tinham finalmente se tornado disponíveis às pessoas. Isso permitiu que leitores da época checassem duas vezes os escritos de pessoas sobre ocultismo contra autoridades conhecidas. Embora fraudes e charlatãos estivessem ainda rampantes, eles não estavam se focando tanto nas contribuições literárias ao ocultismo e assim não deixaram uma impressão duradoura sobre aspirantes das gerações futuras.

Por outro lado, a explosão de informação intelectual sem uma fundação de trabalho prático levaria gerações futuras ao engajamento somente na filosofia, em vez de na magia verdadeira. Isso permitiria a todos que tivessem lido alguns livros a regurgitarem a informação em novos livros e chamá-los seus. Acima de tudo, deixaria muitas questões sem resposta nas mentes de muitos aspirantes sinceros, sobre onde começar e como avançar na magia. A tendência de alguns dos grandes magos do passado de não aceitarem discípulos diretos resultou numa falta de sucessão de mestre e discípulo, como foi falado anteriormente, e o fato de nenhum manual real de avanço na magia ter sido publicado resultaria em autores lançando livros em assuntos puramente teóricos, em vez de terem investigado praticamente suas ideias.

Nos últimos cinqüenta anos, quase não houve adeptos escritores, e até aqueles que escreveram algo normalmente não forneceram uma base prática para os leitores. Toda uma geração surgiu e desapareceu sem ter quase informação publicada confiável sobre magia. É claro, tudo isso aconteceu de acordo com a Providência Divina, e há razões exatas para os períodos históricos de silêncio que os adeptos escritores assumiram e assumem. Ainda assim, é importante considerar os efeitos desses períodos.

Os poucos adeptos que ainda estão por aí no hemisfério ocidental têm permanecido silenciosos, e talvez por razão, porque o dom de expressar ideias na linguagem escrita não pertence a todas as pessoas. Pelo fato de existirem tão poucos adeptos, existem poucos autores entre eles. Eu espero honestamente que, num futuro próximo, isso comece a mudar.

A Décima Razão

A Falta de Expansão da Consciência

A natureza incompleta das deploráveis desculpas de muitas ordens modernas para rotinas de treinamento resultou na quase extinção da real expansão de consciência entre os chamados iniciados. Seus estudantes recebem complicado “pathworking” e várias invocações para executarem, mas esses são meios tão indiretos de progresso que uma inteira vida de prática renderia pouco sucesso. Infelizmente, a lavagem cerebral de muitos aspirantes hoje os convenceu de que um conhecimento simplesmente experimental dos símbolos das esferas elevadas, e até seu funcionamento, é a realização de modos superiores de consciência. Isso simplesmente não é verdadeiro. Até se você colocar sua mente regularmente na contemplação de reinos nos quais vibrações são muito mais elevadas e puras que as suas, nunca se produzirão os mesmos resultados se você tivesse elevado sistematicamente sua consciência a esse nível. Isso dá um bom suplemento, mas não deveria ser a completa abordagem.

Existem duas principais maneiras de se expandir a consciência:

1) Imergir-se em energias, como em invocação ou viagem esférica.

2) A ascensão gradativa da Kundalini psicossexual da base da espinha e órgãos sexuais até o córtex cerebral.

Nenhum desses métodos resultará necessariamente na realização do outro. A ativação dos seis maiores centros inteiros da consciência na espinha não resultará no aumento de vibração no seu corpo astral, para se adequar às vibrações das esferas elevadas, e passar tempo em esferas mais elevadas não despertará automaticamente a Schechinah-Kundalini e despertar as fortalezas, de modo que ela possa entrar e estar com Elohim-Siva. No mago, ambos deveriam ser realizados. O primeiro é a deificação de si de fora para dentro, e o segundo de dentro para fora.

Até os sistemas de treinamento que utilizam pelo menos o primeiro método de ascensão da consciência, sendo o mais comum no mundo ocidental hoje, não prestam tanta atenção a ele quanto deveriam. Muito frequentemente, ênfase excessiva é dada sobre as habilidades mágicas, ou pelo professor ou na mente do estudante. A meta da magia se torna o poder, em vez da evolução da consciência pessoal. Quando nenhuma habilidade é conseguida, ou uma vez que a curiosidade científica do estudante seja satisfeita, o caminho para. É por essa razão que as escrituras orientais advertem tão ferozmente que poderes mágicos devam ser rejeitados, e não porque tais poderes são inerentemente maus. Os iniciados do Oriente compreendiam simplesmente que, se o estudante acreditasse, do primeiro dia de seu treinamento, que habilidades mágicas eram ruins, ele provavelmente não sacrificaria depois sua evolução espiritual por causa da tentação dessas siddhis. Ele não se distrairia. Na realidade, isso não é ruim, e o estudante é altamente encorajado a adquirir várias habilidades mágicas para manifestar a Vontade Divina mais efetivamente no mundo, mas isso deve ser abordado muito metodicamente e apenas de uma base muito bem estabelecida, com os motivos corretos.

“Pathworking” se tornou, infelizmente, o modo principal com o qual as escolas ocidentais tentam fazer com que seus estudantes expandam sua consciência, mas existem muitas desvantagens nisso. O estudante consegue captar uma compreensão intuitiva de esferas superiores ao elevar suas vibrações às delas diretamente. Quando ele tem um flash e uma visão de Tzaphqiel, ele percebe o simbolismo de Luna e de Hécate, e compreende o tridente e os quatro minotauros índigo que cercam o Templo da Deusa de Três Faces e o Homem Nu, e começa a acreditar que ele realmente elevou seu status espiritual à esfera de Yesod. A iluminação intelectual sobre simbolismo universal é confundida com realização espiritual legítima. O resultado é que o tolo que consegue superar as imagens do Demônio de Face de Cachorro e o Portador do Vinho no limiar do abismo intelectual acredita ter fatualmente cruzado esse abismo e emergido no outro lado como “Magister Templi” ou qualquer cargo sua facção possa ter designado para essa realização. A direção do simbolismo, e a natural habilidade da mente de entrar num modo de resolução de problemas, quando confrontada com a diversidade, levou, neste caso, a mente racional a uma série de equações lineares, resultando na compreensão de certos símbolos ocultos. Embora essa compreensão tenha um efeito positivo sobre o espírito, é quase uma blasfêmia dizer que essa estimulação intelectual sozinha pode ser considerada como uma cruzada do Abismo. Quando a respiração cessa, quando a pele se torna gelada e as suturas entre os ossos parietal e occipital do crânio ficam quentes, quando visões de anjos e personificações de Deus aparecem no olho da mente, quando todas as escrituras se tornam instantaneamente compreendidas, quando os joelhos de cada anjo e arcanjo se dobram em reverência, quando a aura se estende para encompassar um inteiro vale, quando a palavra se torna universalmente criativa, então saiba que o abismo foi cruzado. Procure o homem com o inteiro universo em seus olhos; ele é um deus.

Isso deve bastar por agora. O estudante terá agora uma sólida compreensão dos problemas no modo com o qual a magia é frequentemente praticada hoje, e, com esse conhecimento, ele pode escolher começar seu caminho com uma compreensão correta e a salvação resultante desta bela ciência. Eu forneci nesta aula meras linhas de direção pelas quais o estudante pode checar a si e àqueles que se chamam gurus. Busque o homem que fala da autoridade da experiência, e não da autoridade dos livros.

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-corrup%C3%A7%C3%A3o-da-magia-parte-ii

Austin Osman Spare, H.R.Giger e Rosaleen Norton: Três Artistas Malditos

Se a arte visionaria brota dos íntimos refolhos assombrados da consciência, não nos surpreende que alguns artistas também sejam magos. Sua arte se torna uma espécie de invocação, um chamado uterino ‘as energias arquetipicas a “presenças” que povoam a imaginação. Para esses artistas, as imagens que conjuram provêem uma espécie de espiada ‘as profundas – e talvez mais ameaçadoras – realidades que se acotovelam alem dos limites de nossa consciência conhecida.  É mágico como artistas dessa estirpe  nos “relembram”  de potencialidades visionarias que filtram através do psíquico, como ecos do Grande Vazio. Os três artistas que vamos tratar aqui são exemplos exponenciais desses gênios criativos e excêntricos; artesãos visuais que, de alguma forma, conseguiram explorar estas realidades inomináveis, mantendo-se no contexto da cultura ocidental do século XX e, sobretudo, preservando a sua sanidade.  Os três podem ser considerados “marginais”, ou alternativos. E somente um, o suíço H.R.Giger, conseguiu atrair a si considerável notoriedade do establishment, alem de ser o único ainda vivo: Austin Osman Spare morreu abandonado em Londres em 1956 e Rosaleen Norton – a Bruxa de King Cross – deixou esta vida em um hospício de Sidney, Austrália, em 1979.  Mas o que especificamente nos desperta o interesse nestes três artistas? Penso que o trio consubstancia justamente o conceito de Arte como Magia, de artista como mago. Eles nos mostraram, através de suas imagens fantásticas, que o Universo realmente é algo misterioso, milagroso e ‘às vezes, aterrorizante, e que a nossa consciência existe e transita em vários níveis. O artista-mago é pois, por definição, um avatar de diversos mundos paralelos.

Austin Osman Spare

O visionário do transe britânico Austin Osman Spare (1886-1956) nos legou exemplos intrigantes da fusão  criativa da Magia com a Arte. Valendo-se de um sistema todo seu de encantamentos e civilizações (mandingas), ele era capaz de focar determinada e controladamente a sua consciência, que evocava energias primais poderosas de sua psique, na técnica que ele cunhou de ressurgencias atavistica.  Ele foi alem dos conhecidos rituais práticos da Magia, ao ponto de suas peças-de-arte representarem uma desapaixonada confrontação com o próprio Universo – ou, como ele próprio gostava de descrever o ato, “roubavam o fogo dos céus”.  Inspirado nos deuses egípcios clássicos e também em sua ligação intima com uma velha bruxa chamada apenas de Sra. Paterson – e com uma entidade dos círculos interiores apelidada de Águia Negra – Spare evoluiu rapidamente de uma arte figurativa conhecida para um estilo inspirado de surrealismo mágico.  Sua carreira iniciou-se de um modo impressionante, mas ortodoxo, quando ele conseguiu uma bolsa para estudar no famoso Colégio Real de Arte, com apenas 16 anos de idade.  Admirado por Augustus John, George Bernard Shaw e John Sargent, ele foi considerado um prodígio artístico e foi logo depois contratado para ilustrar uma porção de livros expressivos, inclusive “Atrás do Véu”, de Ethel Wheeler (1906) bem como um livro de aforismos intitulado “Lodo Queimado nas Estrelas” (1911).

No inicio dos anos 20 ele já era o co-editor de um excelente jornal literário ilustrado, O Golden Hind (Corça de Ouro), junto com Clifford Bax, que atingiu oito números quadrimestrais (1922-24), estampando artigos de verdadeiros papas da cultura de então, como Aldous Huxley, Alex Waugh e Havelock Ellis.  Os desenhos de Spare para o jornal eram em sua maioria de mulheres nuas e suntuosas, apenas levemente insinuando todo o mundo mágico que já começava a inspirá-lo. Se ele tivesse continuado no metier, trafegando meio aos círculos literários convencionais, certamente que se tornaria bem mais conhecido como artista – pelo menos ao nível de outro notado ilustrador, Edmund J.Sullivan, autor das imagens que embelezava O Rubaiyat de Omar Khayyam e cujo estilo gráfico assemelhava-se ao estilo inicial de Spare.  Mas Spare já estava decidido a auto-publicar seus escritos e desenhos, que lidavam com a exploração da consciência mágica. Na verdade, suas inclinações esotéricas  o encaminharam mesmo foi  para longe do mainstream cultural.  Sua cosmologia é complexa, mas instrutiva. Ele acreditava na Reencarnação e afirmava categoricamente que todas as suas pretéritas vidas, seja humana ou até animal, estiveram igualmente imersas na mente subconsciente.  O propósito místico do homem seria justamente rastrear todas essas existências até  ‘a sua fonte primal, e isto poderia ser feito num estado de transe, no qual estaria se sujeito a ser possuído pelos atavismos de algumas dessas vidas.  Ele chegou a nomear essa fonte primal e universal do ser como “Kia” e se referia ao corpo humano como “Zos”. Para ele, este era o veiculo ideal para a manifestação das energias espirituais e ocultas desse universo que, em assim não sendo, permaneceria “oculto”.  Considerava este nível mental como “a epítome de toda experiência e maravilhamento, encarnações passadas como homem, animal, passaro, vida vegetal…tudo o que existe, existiu ou existira´  Sua técnica para fazer aflorar essas imagens primais – a ressurgencia atavistica – envolvia focar sua vontade ferrenhamente em sigilos mágicos que ele própria criava – um simples anagrama gráfico composta por letras de uma sentença que manifestava uma vontade.  Atingido o ponto maximo da sigilizaçao, Spare então fechava seus olhos e concentrava-se tanto no sigilo quanto na vontade a ele associada. De acordo com seu amigo e colega ocultista Kenneth Grant, o efeito era dramático: quase que imediatamente ele percebia a “resposta interior”. Sentia então uma tremenda efusão de energia a percorrer o seu corpo, as vezes com a força até de uma ventania a dobrar uma vara de bambu. Com um esforço supremo, ele se mantinha firme e conseguia canalizar essa energia ao seu objetivo.  Spare visitou o Egito durante a Primeira Guerra e ficou sensivelmente impressionado pelo magnetismo imanado dos deuses clássicos ali representados por esculturas monumentais. Para ele, os egípcios da antiguidade já demonstravam um grande conhecimento da complexa mitologia da mente subconsciente: “Eles simbolizaram este conhecimento em um grande monumento, a Esfinge, a qual retrata pictograficamente o homem evoluindo de uma existência animal”.  Seus numerosos deuses, todos parcialmente animal, passaro, peixe…constatam a totalidade de seus conhecimentos da ordem evolucionaria, os complexos processos iniciados apenas num simples organismo”.

Para Spare, lembranças e até impressões de encarnações previas bem como todos os impulsos míticos, podiam ser despertados da mente subconsciente:” Todos os deuses já viveram na Terra, sendo nos próprios” – escreveu – ” e quando mortos, suas experiências, ou Karma, comandam nossas açoes em parte”.  O artista aprendeu sua técnica de atavismo ressurgente da Sra. Paterson, que por sua vez creditava uma ligação intima com o Culto das Bruxas de Salem.  Ele também começou a fazer “desenhos automáticos” em transe, através da mediunidade de uma manifestada presença que ele chamava de Águia Negra e que tomava a forma de um índio americano.. Afirmava que o via muitas vezes, e até que já vivia em um mundo perceptual em que  se misturavam a realidade circundante, as alucinações e o mundo do transe.  Certa vez, viajando num  ônibus de dois andares, ele afirmou se ver cercado de repente por um grupo de passageiros imaginários, uma turma de bruxas indo para um Sabbath.  A sua atração pela idosa Sra. Paterson era compreensível se levarmos em conta o contexto mágico da relação do casal. Para Spare, ela era capaz de transformar-se perceptualmente de uma encarquilhada feiticeira a uma atraente sereia. Sua concepção de mulher sem uma forma fixa, finita, lhe era de grande apelo – e a Deusa Universal era, acima de tudo, um aspecto central de sua cosmologia mágica. E não abria mão de sua crença de que essa deusa não podia ser limitada nem cultural nem miticamente e nem também nomeada como Astarte, Isis, Cybele, Kali, Nuit, já que, em assim procedendo, estaríamos desviando-nos do “caminho” e,  idealizar um conceito tão sagrado seria falso porquanto incompleto, irreal porquanto temporal.   Spare usou diversas técnicas para entrar em estados de transe; algumas vezes, a exaustão absoluta, como um meio para lhe “abrir o estado de vácuo total”; outras, o orgasmo, para atingir a mesma espécie de êxtase místico. Acreditava que a sigilizaçao, a mandinga, representando um ato de vontade consciente, podia ser plantada como uma semente na mente subconsciente durante estes estados de pico do êxtase, momentos especiais quando o ego e o espírito universal se fundem: “Nesse momento, o qual ocorre a geração do Grande Desejo “ – escreveu – “ a inspiração flui livremente da fonte do sexo da deusa primordial , que existe no coração da matéria…a inspiração vem sempre do grande momento do vazio”.  Diversos dos desenhos mágicos de Spare exibem a Dama Divina guiando o artista pelo labirintico mundo da magia. Um dos seus mais importantes e singulares trabalhos, “ A Ascençao do Ego do Êxtase ao Êxtase” – o qual foi incluso em sua obra-prima auto-publicada , “O Livro dos Prazeres”, em 1913 – mostra a Deusa dando as boas vindas ao próprio artista que, na ocasião,  era apropriadamente provido de asas brotadas de sua cabeça.  Seu ego, ou identidade pessoal, e´ mostrada emergindo na forma de uma encarnação primal animalesca e as duas formas transcendem a si mesmas conjuradas numa caveira atávica – união com Kia.  Em outro  trabalho igualmente importante , “Agora pela Realidade”, a Dama aparece novamente, levantando o véu que revela a misteriosa realidade alem. No primeiro plano, pululam toda forma de criatura – uma coruja, um rato do mato, um diabo com chifres – mas, claramente, a realidade esta´ alem, nas regiões inferiores reveladas pela Deusa.  Indubitavelmente, um dos principais intentos de Spare ao usar os seus transes era liberar energias as quais ele acreditava serem a fonte de genialidade. E ele próprio comentava “ êxtase, inspiração, intuição e sonho…cada estado destampa memórias latentes e as apresenta na imagética de suas respectivas linguagens”. O  gênio, de acordo com ele, era justamente  experimentar diretamente o “atavismo ressurgente” durante” o êxtase da Serpente de  Fogo do Kundalini.

Rosaleen Norton

Nascida na Nova Zelândia e criada na Austrália, a artista Rosaleen Norton (1917-1979) e´ uma das poucas a  fazerem par com Austin Spare. Boemia, excêntrica e extraordinariamente talentosa, ela marcou indelevelmente o folclore urbano de Sidnei como “ a Bruxa de Kings Cross”, por suas pinturas sobrenaturais, prenhas de satanismo e pornografia, numa presumida era de conservadorismo social moralistico, nos anos 50. Mas este era apenas um julgamento estreito que a cercou e que, infelizmente, a perseguiu durante toda a vida.  Seu pai foi um capitão da marinha mercante e primo do compositor Vanghan Williams, que emigrou com a família para a maior cidade da Austrália em 1925. Enquanto eles  comungavam de crenças religiosas ortodoxas, a jovem Rosaleen já fazia seus primeiros contatos com o mundo da magia.

Seu talento para o desenho se revelou precoce, pois aos 3 anos já rabiscava fantasmas com cabeças de animais e aos cinco jurou ter visto um dragão brilhante voando na cabeceira de sua cama.  Mais tarde, na escola secundaria, ilustrou “Dança Macabra” do conjunto Saint Saens, completo com vampiros, lobisomens e gárgulas.  Sua orientação pagã  foi logo notada pela direção da escola que não tardou em expulsá-la, sob a alegação de que “sua natureza depravada poderia corromper as outras garotas inocentes”.  Na adolescência, depois de curta temporada como escritora do Semanario Smith, Rosaleen estudou arte com o famoso escultor Rayner Hoff,  se tornou a primeira artista australiana de rua e começou a saltar de trabalho em trabalho – desenhista para uma industria de brinquedos, “assistente” em clubes noturnos, e até recepcionista e modelo. E foi nessa época que começou a se interessar e pesquisar Psicologia, Magia e Metafísica, indo fundo nas obras de Carl Gustav Jung, William James e ocultistas como Eliphas Levi, Madame Helena Blavatsky, Dion Fortune e Aleister Crowley.  Também descobriu técnicas para elevar a sua percepção artística: através da auto-hipnose, por exemplo, aprendeu a transferir voluntariamente a sua atenção para “planos interiores de excitamento místico”. Esses experimentos, como escreveu mais tarde, “produziram um numero de resultados peculiares e inesperados…e culminaram num período de percepção extra-sensorial  mesclado a uma prolongada serie de visões simbólicas”.  A seguir, algumas passagens de uma entrevista de Rosaleen ao psicologo L.J.Murphy, conduzida na Universidade de Melbourne em 1949, que  provê fascinante insight de sua exploração visionaria de estados alterados da consciência.

“Eu decidi experimentar o transe auto-induzido com o fito de atingir um estado anormal de consciência e poder manifestá-lo, representá-lo de alguma forma, de preferência, desenhando. Queria ir fundo nesses estados da mente subconsciente, explorá-la totalmente e se possível ir ainda mais alem. Tinha a sensação, mais intuitiva que intelectual , de que em algum lugar das profundezas do inconsciente, o individuo contem, em essência, todo o conhecimento acumulado da humanidade; da mesma forma que o nosso corpo manifesta o somatório de nossas experiências como raça, na forma de instintos e de reação automática a estímulos.  No sentido de” contatar” essa fonte hipotética do saber, decidi aplicar estímulos psíquicos ao subconsciente; estímulos que a razão consciente poderia rejeitar, mas que apelaria aos instintos enterrados há gerações, e os quais, eu esperava, causariam reflexos psíquicos automáticos (cultos religiosos usam rituais, incensos, musicas etc,como mesmo objetivo).   Conseqüentemente juntei uma variedade grande de “instrumentos” como folhas, vinho,  uma pata mumificada, etc…e um fogareiro , todas potentes estímulos a parte do inconsciente que eu desejava invocar. Deixei o quarto no escuro, foquei meus olhos na pata, esmaguei as folhas, bebi algum vinho e tentei exaurir minha mente de todo e qualquer pensamento. Assim foi o começo de tudo – e eu fiz varias outras experiências progressivamente bem sucedidas.  Seguindo uma corrente de curioso excitamento, meu cérebro ficou limpo de todo pensamento consciente e, de olhos fechados, comecei simplesmente a desenhar na folha de papel branco a minha frente…me senti liberada do mundo a minha volta, para um estado onde não havia tempo, experimentei uma considerável intensificação de minhas faculdades intelectuais, criativas e intuitivas, e comecei a ver coisas com muito mais clareza e encantamento do que no “meu normal”.

Quando eu próprio entrevistei Rosaleen Norton em 1977, ela me contou que seus visionários encontros com as criaturas mágicas que passaram a povoar as suas pinturas eram extremamente reais. Mesmo sendo entidades como Zeus, Júpiter e Pan, usualmente associados a mitos e lendas da mitologia, portanto bem “longínquos” da realidade da maioria das pessoas, para ela eles representavam forças sobrenaturais, passiveis inclusive de casualidades, não eram simplesmente uma projeção da mente subconsciente ou da imaginação criativa.  Rosaleen inclusive veio a ter uma especial reverencia ao Grande Deus Pan, ao qual ela considerava ” a totalidade de todo o ser , o verdadeiro Deus do Mundo e o Super-Deus do Equilíbrio da Natureza”. Haviam outros também, Lúcifer, Bafomet, Ecate e até  Júpiter, mas de acordo com ela, esses somente se manifestavam em suas visões de transe ao seu próprio bel prazer. “Não atendiam a qualquer invocação ou aceno de qualquer um”, explicou .  Também haviam as chamadas “forças menores”  na sua hierarquia do oculto, incluindo certo numero de demônios, seres espirituais e formas astrais. Algumas das entidades mágicas que apareciam em seus trabalhos artísticos parecem representar híbridos atávicos – metade humano, metade animal, quase sempre nus –  revelando os aspectos primevos da evolução espiritual da humanidade.

Certa vez, como Austin Spare, Rosaleen Norton começou a considerar sua arte como um veiculo para apresentar uma realidade alternativa e potencialmente muito mais impressionantes do que o mundo de aparências familiares. Numa de suas primeiras citações em seu diário oculto, ela chegou a marcar: “ Há sentidos, formas de arte, atividades e estados de consciência que não tem nenhum paralelo na experiência humana…verdadeiro cataclismo envolvente tanto do auto-conhecimento  como do conhecimento universal, presentes (quase sempre em forma alegórica) em todo e quaisquer aspectos concebíveis..metafísico, matemático, cientifico, simbólico…. Compõem um desconcertante espectro de experiências, cada uma completa em si própria, embora ainda assim interdependentes em significância com todas as outras facetas.  Uma experiência dessas poderia ser comparada a assistir e simultaneamente tomar parte de uma peça teatral em que todas as formas de arte estão presentes, a musica, o drama, os rituais cerimonialisticos, formas, sons e padrões, tudo formando um todo sinergistico  Grande parte da arte de Rosaleen foi influenciada pelas escolas cubistas e modernistas, mas detêm uma imagética visionaria muito forte e singular.  Suas imagens foram publicadas inicialmente em 1952, num volume controverso intitulado “A Arte de Rosaleen Norton”, de co-autoria do poeta Gavin Greenles.  Embora atualmente seus desenhos não pareçam tão “confrontacionais”, na época causaram furor nos meios tradicionais e tradicionalistas dos anos 50, já que seu editor, Wally Glover, chegou a ser convocado as barras da Lei e processado por tornar publico “imagens ofensivas a castidade e decência humanas”.  Examinado atualmente esta situação, fica claro que a admitida arte pagan de Rosaleen atingiu fundo toda a estreita e reacionária sensibilidade  judaica-crista de então  O que e´ indubitável e´que  seu melhor trabalho  emanava todo um poder arquétipo e próprio. Nos estudos esotéricos, por exemplo, um demônio furioso olha com lascívia a partir de uma realidade Qliptica, contrabalançado por uma forma de diamante de radiante brilho, enquanto que em Individualização, somos confrontados com um ser mítico resultado de uma fusão de elementos humano, animal e divino.  Similarmente, suas representações de Gebura´ – um vortex de poder dinâmico da Cabala – mostra um poderoso torso humano com uma cabeça alada de um falcão. Esse deus tem ainda um rabo de escorpião e patas  providas de garras, emanando uma agressividade crua e guerreira. Segura uma esfera em sua destra, que bem poderia ser o débil globo terrestre – envolvido pelo seu domínio.  Como Austin Spare, Rosaleen Norton foi uma adepta da exploração de estados alterados de consciência nos quais ela teria seus visionários encontros com deuses. Quando morreu em 1979, entrou para a lenda, embora por razoes errôneas. Em seus dias, perseguida por acusações de obscenidade – e também de “manipular massas negras” em seu abrigo da rua Kings Cross – Rosaleen Norton foi considerada uma marginal pagã e sua arte julgada bizarra e pornográfica.  Mas hoje podemos reavaliar seu trabalho sobre uma nova luz.  Sua imagistica nos parece querer escapar de nossos parcos limites, dar forma a realidades visionarias e arquetipicas que, para a maioria das pessoas, não pertencem a estados conscientes. Talvez foi esta a característica que fez sua arte tão chocante nos anos 50: ela ousou trazer a luz imagens vindas das camadas mais profundas do nosso psíquico, imagens que, para a maioria de nos, seria muito melhor que fossem reprimidas ou esquecidas.

H.R.Giger

hrgiger.jpgMais conhecido por ser o criador do Alien, O Oitavo Passageiro, Han-Ruedi Giger é nativo de Chur, na  Suíça, onde veio ao mundo em 1940.   Diferente de Spare e de Rosaleen,  não desenvolveu inicialmente sua arte visionaria a partir de um tradicional  conhecimento esotérico consciente.   Ao invés disso, as formas artísticas evocadas de sua psique e´ que o guiaram crescentemente em direção a realidade mágica.  As imagens conjuradas por Giger freqüentemente tomam forma sob uma iluminação nebulosa e etérea, levando o observador a cavernas de pesadelo ou espaços mágicos de onde não há nenhum meio tangível de se escapar.  Nos últimos anos, Giger vem se transformando num mago de grande intuição, com sua arte provendo  um assombrado testemunho das potentes energias que nascem do mais profundo da psique.

Quando criança, Giger costumava construir esqueletos de papelão, arame e gesso e tinha “um considerável mal gosto por e vermes e serpentes” – repugnância esta que até  hoje se manifesta em sua pintura. Depois, já aluno da Escola de Artes Aplicadas de Zurique, ele começou a ficar fascinado por imagens de tortura e terror – um fascínio estimulado pela precoce visão de fotografias tétricas do cadáver do Imperador da China, assassinado em 1904,   e ainda pelas lendas de Vlad, o Impalador – a figura histórica na qual Drácula, o Príncipe das Trevas, foi baseado  Mais tarde, o artista foi impressionado indelevelmente pelos textos macabros de H.P;Lovecraft, especialmente seu Mito de Cthulhu e o Necronomicon.  Parte desse apelo, como ele mesmo admite, e´ que o Necronomicon,  clamava ser “…um livro de magia  que ocasionaria grande sofrimento a humanidade se caísse em mãos erradas. Isso inclui a lenda de grandes deuses de nomes impronunciáveis, como Cthulhu e Yog-Sothoth,  adormecidos nas profundezas da terra e dos oceanos, esperando o alinhamento de certas estrelas para despertarem e tomarem posse de seus domínios, o nosso mundo”.  O amigo e mentor de Giger, Sergius Golowin, foi quem sugeriu mais tarde justamente o titulo de Giger´s Necronomicon ao seu primeiro livro de arte,  uma coleção de suas imagens visionarias e esotéricas, inicialmente publicado pela Basle, em 1977 – e depois com outras edições na Inglaterra.  Muitas das mais distintas pinturas de Giger retratam sua modelo principal, a linda atriz Li Tobler, com quem ele se encontrou em 1966, quando ela tinha 18 anos e vivia com outro homem. Giger foi morar no apartamento de sótão dela e se tornaram amantes. Ele recorda que ela “tinha enorme vitalidade e um grande apetite pela vida” e que ela também desejava “uma  vida curta, mas intensa”.  Li Tobler e´ o protótipo para as muitas mulheres torturadas, mas etéreas, que habitam suas pinturas, fazendo par atormentado a serpentes, agulhas e sufocantes cavernas-prisão formada por estruturas ósseas – já prenunciando seu estilo “biomecânico” que o tornou famoso mais tarde.  O próprio e belo corpo jovem e voluptuoso de Li serviu varias vezes de tela aos aerógrafos de Giger e existem diversas fotos mostrando a posando nua, como uma mulher misteriosa emergindo de um pesadelo que possuiu a sua alma.  Infelizmente, a vida de Li Tobler foi realmente curta. Atormentada por uma estressante vida de viagens com seu grupo de teatro por todo o pais e perturbada emocionalmente pela sucessão de outros amantes, ela interrompeu tragicamente sua vida numa segunda-feira de 1975, com um tiro de revolver.  Quando eu encontrei Giger em sua casa de Zurique  em 1984, para filmar uma seqüência ao documentário de TV “A Experiência do Oculto”, ficou claro para mim o quanto ele ainda estava assombrado por Li Tobler: a simultânea agonia e trabalho de viver com ela, contribuiu para impingir  uma dinâmica de medo e transcendência   em suas pinturas, como um legado perene da tumultuada relação que mantiveram.

Giger vive hoje numa atmosfera que evoca simultaneamente um senso de magia e de paranóia. A sala principal de escadarias em sua casa de dois andares e terraço, tem as paredes cobertas por telas impressionantes, exibindo  mulheres tipo Medusa, de peles fantasmagoricamente alvas, cabelos de serpente e com seres estranhos se enroscando em volta de seus voluptuosos corpos.  Garras, agulhas, metralhadoras, espinhas e outras estruturas ósseas também constituem o aspecto central da iconografia visual de Giger.  No meio da mesa monumental que ocupa o seu living, esta´ gravado um pentagrama, bruxuleantemente iluminados pela luz de velas compridas  de um conjunto de castiçais próximos.  Uma fileira de altíssimas estantes em um canto, revela um amontoado de crânios, caveiras e até autenticas cabeças encolhidas e mumificadas de uma tribo canibal.  Uma prateleira exibe o Oscar que premiou H.R. Giger  pelos efeitos especiais de Alien, num verdadeiro tributo a sua bizarra imaginação.  Escada acima e chegamos ao seu estúdio, verdadeiro caos de tintas, pinceis e trabalhos inacabados e descartados.  Aqui, ele experimenta suas técnicas de aerografia, espreiando tinta através de grades e peças de metal funcionando como mascaras –  para obter padrões repetidos de design, luz e sombra, e texturas, tonica de sua imagistica biomecanoide tão característica.  Ao final de uma comprida sala toda aberta existe uma enorme mesa negra, sustentada por pernas em bulbo, com tampo de impressionante polimento, quase um espelho. Modelada em plástico pesado, ela e´ ladeada por cadeiras altas, decoradas com caveiras e construídas para darem a impressão de vértebras distorcidas. Na cabeceira, a cadeira principal, cor cinza grafite, esta sim, construída de ossos verdadeiros.  Pairando sobre todo o cenário, um grande painel apresentando um demônio com chifres, um pentagrama prateado e muitas serpentes negras e hostis.  Indagado sobre suas “afiliações com o ocultismo” ele confirmou que, embora tenha estudado os escritos de Aleister Crowley, não pratica rituais nem se envolve com invocações de espíritos.  De toda forma ninguém poderia encontrar um templo para pratica de magia melhor que esta sala de Giger e os seres astrais que habitam suas pinturas compõem por si mesmos verdadeira legião de demônios.  Parece na verdade e´que Giger pratica a magia espontânea .  “Eu tento ir o mais próximo possível da minha imaginação” expressa o artista em seu inglês gaguejante. “Tenho alguma coisa na mente e tento trabalhar isto, numa espécie de exorcismo”.  E´ quando o débil véu que cobre sua mente e´ levemente descortinado que supitam as visões tempestuosas e impressionantes, como se os deuses da escuridão mais uma vez emergissem dos pesadelos de seu passado.

Conclusão

Como destacado desde o inicio, existe distintivos paralelismos entre Austin Osman Spare e Rosaleen Norton. Ambos foram influenciados por feitiçaria e tradições ocultas da magia oriental, ambos valeram-se de estados de transe e ambos acreditavam que o mundo dos deuses tem a sua própria intrínseca existência – servindo o artista apenas como veiculo de manifestação das energias arquetipicas, um canal inspirado. E e´ interessante que ambos empregaram técnicas de enfoque mental – usando mandingas e objetos físicos específicos para induzir o estado de transe. Como nas tradições de meditação oriental,  que utiliza um enfoque centralizado da mente e  da consciência numa intenção, como uma valorosa pratica para liberar energias psíquicas armazenadas.  H.R.Giger por sua vez,  nos prove com uma orientação de alguma forma diferente. Sua arte não deriva de estados transe  per si, mas flui de toda forma, de um tipo de exorcismo da alma.  Na Introdução a uma recente coleção de trabalhos de Giger publicada em 1991, o guru do LSD Timothy Leary confirmou o impacto da arte evocativa do pintor suíço: “ Giger, você retalha com navalha partes do meu cérebro e os molda, ainda pulsantes, sobre suas telas…Gostemos disto ou não, nos somos todos alienígenas insetóides encravados dentro de nossos corpos urbanóides. Seus cenários, seus slides microscópicos, são sinais para mutação”.

Nota: este é um trecho traduzido de  “Echoes from the Void: Writings about Magik, Visionary Art and the New Counsciousness”. Shadowplay zine – Austrália
Cortesia: www.alanmooresenhordocaos.hpg.com.br

Por Nevill Drury, Tradução: José Carlos Neves

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/austin-osman-spare-h-r-giger-e-rosaleen-norton-tres-artistas-malditos/

Devatas e Asuras – Quais São As Diferenças Entre Eles?

Por Srila Prabhupada

A diferença básica entre eles é sua atitude, não suas externalidades.

papam evasrayed asman
hatvaitan atatayinah
tasman narha vayam hantum
dhartarastran sa-bandhavan
sva-janam hi katham hatva
sukhinah syama madhava

(Bhagavad-gita 1.36)

“O pecado nos vencerá se matarmos tais agressores. Portanto, não é correto matarmos os filhos de Dhrtarastra e nossos amigos. O que devemos ganhar, Ó Krishna , marido da deusa da sorte, e como poderíamos ser felizes matando nossos próprios parentes?”

Definições: Piedade e Pecado:

Papam é uma atividade pecaminosa, e punyam é uma atividade piedosa. Antes de fazer qualquer atividade, devemos considerar: “Isto é papam ou punyam, pecaminoso ou piedoso”? Mas os asuras, ou demônios, não se importam com tais coisas. Pravrttim ca nivrttim ca na vidur asura janah (Gita 16.7). Eles pensam: “Eu gosto; eu devo fazer”. Eles não se referem a nenhuma autoridade.

Atividades impiedosas nos degradam. Jaghanya-guna-vrtti-sthah adho gacchanti tamasah (Gita 14.18). Mas as pessoas não sabem. Matar é uma atividade impiedosa e pecaminosa, mas em nome da religião, matar também é uma atividade que continua. Mesmo os chamados padres religiosos ou apoiam o assassinato ou o toleram.

Visnu-bhaktah smrto daiva asuras tad-viparyayah. Há dois tipos de homens: devata, ou semideus, e asura, ou demônio. Um Vaisnava é um devata. Arjuna é um devata porque ele é visnubhakta. Os devotos do Senhor Visnu são chamados devatas. Semideuses como Indra, Candra, Surya, e todos os trinta e três semideuses crores do sistema planetário superior são todos visnu-bhakta são devatas. Eles obedecerão às ordens de Visnu e Vaisnava.

Um exemplo de tal obediência é visto na história da Indra. Houve uma luta entre Hiranyakasipu e os semideuses encabeçados pela Indra. Quando Hiranyakasipu foi derrotado, os devatas prenderam Kayadhu grávida, a esposa de Hiranyakasipu, e a estavam arrastando. Quando Narada Muni viu isto, ele disse: “O que você está fazendo?”.

Indra disse: “No ventre desta mulher, a esposa do demônio Hiranyakasipu, está a semente daquele grande demônio. Portanto, deixe-a permanecer sob nossa custódia até que seu filho seja entregue, e então nós a libertaremos”.

Narada disse: “A criança dentro do ventre desta mulher é irrepreensível e sem pecado”. Na verdade, ele é um grande devoto, um poderoso servo da Suprema Personalidade da Divindade. Portanto, não será capaz de matá-lo”.

Assim que Indra ouviu estas palavras de Narada Muni, ele circum-ambulou Kayadhu, ofereceu suas reverências a ela e à criança dentro dela, e a libertou. Este é o comportamento de Vaisnava – eles completaram confiando nas palavras de Narada Muni e seguiram sua ordem.

Os Demônios Sempre Desafiam a Autoridade:

Mas os asuras não fariam isso – essa é a diferença entre devata e asura. No capítulo dezesseis do Bhagavadgita, você encontrará uma descrição da asura: pravrttim ca nivrttim ca na vidur asura janah (Gita 16.7). Pravrtti significa o que fazer, e nivrtti significa o que não fazer. Os asuras não se importam em saber isto, por isso fazem qualquer coisa para sua gratificação sensorial. Portanto, elas se enredam. As pessoas tolas pensam que são livres para agir como quiserem, mas isso não é possível.

prakrteh kriyamanani
gunaih karmani sarvasah
ahankara-vimudhatma
kartaham iti manyate

A alma espiritual perplexa com a influência do falso ego se acha o executor de atividades que são na realidade realizadas pelos três modos de natureza material.

Papam eva asrayed asman hatva etan atatayinah. atatayinah significa agressor. De acordo com as injunções védicas, existem seis tipos de agressores: (1) um administrador de veneno, (2) um que ateia fogo à casa, (3) um que ataca com armas mortais, (4) um que saqueia riquezas, (5) um que ocupa a terra do outro, e (6) um que sequestra uma esposa. Tais agressores devem ser mortos imediatamente, e nenhum pecado é cometido ao matar tais agressores. Mas aqui, embora o outro partido seja um agressor, Arjuna ainda está considerando se eles devem ser mortos ou não. Este é o sinal de um devasso. Arjuna está pensando: “Estes agressores são meus parentes, meus homens de família”. É correto matá-los”?

Isto é senso comum. Suponha que seu filho tenha feito algo malicioso, digamos que o atacou ou ateou fogo em sua casa. Enquanto pensa como punir, você vai considerar: “Devo matá-lo ou não?” Isso é natural. Arjuna sente: “Se eu matar estes agressores, terei que sofrer o resultado de atividades pecaminosas”.

Os filhos de Dhrtarastra haviam insultado Draupadi durante o jogo de azar. Mas Krishna a salvou ao fornecer seu sari, um após o outro, um após o outro, montões de sari. Finalmente eles desistiram. Eles estavam realmente atatayinah e mereciam ser mortos.

Um Agressor Sempre Deve Ser Morto:

Vemos uma história semelhante no Ramayana. Quando Ravana raptou Sita, Lord Ramacandra poderia ter criado centenas e milhares de Sitas e se casado com eles – Ele é a Personalidade Suprema da Divindade. Radharani de Krishna ou Sitadevi do Senhor Ramacandra, Laksmidevi de Narayana, eles são a potência do prazer da Personalidade Suprema da Divindade. Mas para dar o exemplo certo, Lorde Ramacandra matou não apenas Ravana, mas toda a dinastia – apenas para o bem de uma mulher. Ele fez isso para ensinar às pessoas que qualquer um, se ele for um agressor, deve ser morto.

Mas Arjuna, mostrando verdadeiros sintomas de um devasso, está considerando se deve ou não matar estes agressores, porque não quer se degradar. A vida humana deve ser especialmente destinada à elevação, não à degradação. Você chegou a esta forma de vida humana a partir do estado inferior da vida. Jalaja nava-laksani algoavara laksa-vimsati krmayo rudra-sankhyakah. Passamos por tantos status de vida: os aquáticos, as árvores, as plantas, os insetos, os répteis, os pássaros, os animais. Recebemos esta forma de vida humana após muitos, muitos nascimentos. As pessoas não sabem disso; é muito raro. Portanto, Narottama dasa thakura canta, hari hari viphale janama goinu, manusya janama paiya, radha-Krishna na bhajiya, janiya suniya visa khainu. Ele está lamentando,

“Meu querido Krishna, sou tão infeliz. Eu tenho esta forma humana de vida. Ela foi feita para desenvolver a consciência de Krishna. Mas eu perdi meu tempo de outra forma. Como é isso? Janiya suniya visa khainu: “Sabendo que tomei veneno”. Labdhva sudurlabham idam bahusambhavante, manusyam arthadam (Bhagavatam 11.9.29).

Porque as pessoas são asuras, elas não sabem o que fazer nesta forma de vida humana e o que não fazer. Eles estão matando animais sem qualquer hesitação. E ainda assim, são líderes espirituais. Imaginem como é horrível a condição neste Kali-yuga. Sem qualquer restrição ou consideração, eles estão cometendo uma vida pecaminosa. Eles não fazem isso em sua próxima vida, toda essa arrogância e orgulho estarão acabados. Ele terá que aceitar outro corpo, que será oferecido pela natureza material. Não se pode dizer: “Eu não aceitarei este corpo; eu quero este corpo”. Não. A natureza não está sob seu ditame. Você tem que obedecer aos ditames da natureza.

daivi hy esa guna-mayi
mama maya duratyaya
mam eva ye prapadyante
mayam etam taranti te

(Bhagavad-gita 7.14)

Por cada pequena ação, você é responsável. Está sendo notada pela natureza material. Portanto, Arjuna está considerando se é bom matar os membros de sua família. “Meu caro Krishna , você acha que matando meus familiares, meus parentes, eu ficarei feliz? Você é Madhava. Você está sempre feliz porque é o marido da deusa da fortuna. Mas você acha que eu serei feliz desta maneira?” Isto é uma consulta.

Um Devoto Tem Todas As Boas Qualidades:

Um devoto é sempre um devoto, um semideus. Todas as boas qualidades se desenvolvem em uma pessoa assim. Sarvair gunais tatra samasate samasate surah (Bhagavatam 5.18.12). Sura significa devata. Um devoto de Krishna nunca aceitará que matar é muito bom. Ele segue ahimsa, a não-violência. Aquele que se torna um devoto de Krishna, ou Krishna consciente, todas estas boas qualidades se desenvolverão nele. As pessoas estão tentando elevar o status da sociedade por tantas coisas. Mas elas não conhecem o segredo. O segredo é que se alguém for treinado para se tornar um devoto de Krishna, todas as boas qualidades serão automaticamente visíveis em sua pessoa. Não há necessidade de esforço separado, como fazer um homem honesto, como fazer um homem religioso, como fazer um homem pensar alto, viver simples. samo damas, titiksa arjavam jnanam vijnanam astikyam (Gita 18.42). Todas estas qualidades se desenvolvem imediatamente, porque uma entidade viva, a alma espiritual, é parte e parcela de Krishna. Aham bija-pradah pita (Gita 14.4): “Eu sou o pai que dá a semente”. Assim como um pai injeta a entidade viva no ventre da mãe, e a mãe, pelo seu sangue, desenvolve o corpo da criança, assim todas estas entidades vivas, 8.400.000 espécies, nascem do corpo de natureza material. Não devemos considerar os animais ou as árvores ou as aves e os animais como sendo diferentes de nós mesmos. Eles são nossos irmãos, porque o pai que dá as sementes é Krishna, e a mãe é a natureza material. Nós temos o mesmo pai e a mesma mãe. Portanto, somos todos irmãos e irmãs.

Então, a menos que alguém esteja avançado na consciência espiritual, como ele pode pensar na fraternidade universal? Não há possibilidade. A verdadeira fraternidade universal é possível quando se está consciente de Krishna, quando se sabe que Krishna é o pai comum de todos. Suponha que um pai tenha dez filhos. Deles, um ou dois filhos são inúteis. Então os outros oito filhos vêm e reclamam ao pai: “Meu querido pai, estes dois filhos seus são inúteis”. Vamos cortar-lhes a garganta e comer”. Mas o pai nunca vai concordar. Ele dirá: “Deixe-os ser inúteis, mas deixe-os viver às minhas custas”. Por quê? Você não tem o direito de infringir os direitos deles”. Isto é senso comum. Mas os tolos pensam que os animais devem ser mortos para a satisfação da língua do ser humano. Não faz sentido. E ainda assim eles estão passando como cabeças religiosas.

Tal tipo de religião trapaceira é completamente expulsa desta religião Bhagavata. Dharmah projjhita-kaitavo atra paramo nirmatsaranam (Bhagavatam 1.1.2). O movimento de consciência Krishna é destinado aos paramo nirmatsaranam, aqueles que não têm inveja. Quem compreendeu o que é esta criação, quem é o criador, o que são estas entidades vivas, é chamado paramahamsa. Como um paramahamsa pode ter inveja dos outros? Portanto, diz-se paramahamsa. Matsarata significa inveja. Sem se tornar um Vaisnava, sem se tornar um devoto de Krishna , não pense que ninguém é um ser humano. Ele é simplesmente um animal.

Muito obrigado. Hare Krishna.

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PRABHUPADA, A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Devatas and Asuras. Srila Prabhupada’s Lectures, Volume-12 Number-12 (Indian). Back to Godhead, Dec. 2, 2015. Disponível em: <https://www.backtogodhead.in/devatas-and-asuras-by-his-divine-grace-a-c-bhaktivedanta-swami-prabhupada/>. Acesso em: 6 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/devatas-e-asuras-quais-sao-as-diferencas-entre-eles/