A Abolição da Estupidez

Dois eminentes e inteligentes homens, R. Buckmisnter Fuller e Werner Erhard propuseram que nós poderíamos e deveríamos abolir a desnutrição até o final deste século. Este objetivo é racional, prático e desejável – portanto ele é naturalmente denunciado como utópico, fantástico e absurdo.

Eu desejo propor um objetivo semelhante que também é racional, prático e desejável e que, portanto, será igualmente denunciado como utópico, fantástico e absurdo. Eu sugiro uma Guerra Mundial contra a Estupidez.

Embora os estúpidos venham naturalmente a se ressentir disso, eu dirijo as minhas idéias para aqueles que não são completamente estúpidos ou aqueles que não são estúpidos o tempo todo, isto é, aqueles raros indivíduos que possuem momentos Iúcidos ocasionais.

A argumentação para essa Noção Revolucionária são os pontos que se seguem:

1. Embora possamos parecer irônicos ao afirma-lo, este planeta parece estar controlado e amplamente populado por pessoas que não são homens ou mulheres razoáveis em muitos aspectos. Voltaire, é lógico, poderia estar exagerando quando disse que a única forma de compreender a conceito matemático do infinito era contemplar a extensão da estupidez humana; mas a situação parece ser realmente assim. Apenas para mencionar alguns exemples: Hitler assassinou seis milhões de judeus por razões que eram totalmente insanas; a Senador Joseph McCarthy liderou uma louca caça às bruxas contra os Comunistas que arruinou muitas pessoas inocentes e nunca teve nenhum sucesso em descobrir um único Comunista incontestável; Anita Bryant desencadeou uma cruzada do tipo Século Treze contra os homossexuais, etc.

Não é exagero dizer que milhões de humanos foram assassinados no curso de tais processos de ‘bode expiatório’ irracionais ao longe da história. Já que cada um de nós pertence, de uma forma ou outra, a algum grupo minoritário, qualquer um de nós poderá ser o alvo da próxima caça às bruxas e, se eles nos queimarem nada irá restar que possa ser preservado criônicamente …

A estupidez não é traço exclusivo do estúpido; você não necessita de uma ‘vocação’ para ser estúpido, como ocorre com o sacerdócio. Ela parece ser uma perturbação sóciosemântica que nos afeta vez por outra. Exemples notórios podem ser encontrados na vida dos ‘grandes’ tais corno Sinon Newcombe (o astrônomo que descobriu a planeta Netuno) que ‘provou’ matematicamente que o vôo mais pesado que o ar era impossível; a Academia Francesa recusando-se a estudar as evidências da existência de meteoritos no século dezoito, etc. (Alguns incluiriam as tentativas de Einstein de refutar a fator do acaso na mecânica quântica como mais um exemplo de estupidez numa mente de alta qualidade).

Mais amplamente, como Thomas Kuhn demonstrou na ‘Estrutura das Revoluções Científicas’, uma medida exata da extensão da estupidez dos eruditos é dada pelo fato que cada revolução científica parece demorar uma geração para se implantar. Corno Kuhn documenta abundantemente, esta defasagem de uma geração parece ser causada pelo fato de que os cientistas mais velhos dificilmente aceitam um novo modelo, por melhor que este seja, e a revolução somente ocorre quando uma segunda geração, com menos preconceitos, examina ambos os modelos, o velho e o novo, de forma objetiva e determina que o novo modelo é mais útil.

Mas se a ciência, o paradigma da racionalidade, está infestada com uma quantidade mais do que suficiente de estupidez para gerar esta defasagem generacional, o que poderia ser dito da política, economia e religião? Defasagens de milhares de anos parecem ser normais nessas áreas. Realmente, foi principalmente contemplando a história religiosa que Voltaire foi levado a concluir que a estupidez humana se aproximava do infinito. O estudo da política não parece ser mais inspirador e qualquer exame de um debate econômico sugere fortemente que o teólogo da Idade das Trevas ainda está no nosso meio, trabalhando agora num outro departamento.

Não desejamos prolongar este assunto, já que foi amplamente discutido por Jonathan Swift e Mark Twain, entre outros. Vamos apenas resumir a assunto dizendo que a estupidez assassinou e aprisionou mais gênios, queimou mais livros, dizimou mais populações e bloqueou o progresso com maior eficiência do que qualquer outra força na história. Não seria exagero dizer que a estupidez matou mais pessoas do que todas as doenças conhecidas pela medicina e psiquiatria.

Várias curas foram tentadas é lógico. Sócrates pensou tê-la encontrado na dialética, Aristóteles na lógica, Bacon no método experimental; o Século Dezoito na democracia universal e na alfabetização, Freud na psicanálise, Korzybski na Semântica Geral, etc. Embora todas essas invenções tenham sido benéficas para alguns de nós por algum tempo, elas não impediram as epidemias mundiais desta praga e não conseguiram mesmo abolir totalmente as recaídas ocasionais na estupidez dos seus mais evoluídos praticantes (no que o autor enfaticamente se inclui).

2. Se a inteligência pudesse ser amplificada então soluções óbvias seriam encontradas de forma mais rápida para os vários cenários de Apocalipse que presentemente nos ameaçam.

A. Por exemplo, se cada cientista trabalhando no problema dos recursos energéticos pudesse dobrar sua inteligência, o trabalho que exigiria dez anos poderia ser feito em cinco anos.

B. Se a estupidez humana diminuísse de forma generalizada, haveria menos oposição ao pensamento criativo e a novos enfoques para os velhos problemas.

C. Se a estupidez diminuísse, menos dinheiro seria gasto nas imensas imbecilidades organizadas tais como a corrida armamentista e guerras e maiores recursos poderiam ser finalmente destinados para projetos que visassem a melhoria das condições de vida.

Os mesmos argumentos podem ser aplicados para qualquer outro projeto de valia mundial: a abolição da fome e da pobreza; a descoberta da cura da câncer ou da esquizofrenia, etc. Não existe nada racionalmente desejável que não possa ser alcançado mais depressa se a racionalidade vier a aumentar. Isto é virtualmente uma tautologia; ainda assim nós raramente levamos em conta o seu corolário. O trabalho para atingir um grau maior de inteligência é um trabalho para atingirmos todos os nossos outros objetivos.

3. Embora a Dialética, a Lógica, o Método Experimental, a Democracia, a Cultura, a Psicanálise, a Semântica Geral e outras não impediram as epidemias mundiais de estupidez elas certamente criaram algum tipo de força contrária: alguns enclaves de (comparativa) racionalidade nas quais os humanos funcionam com (comparativamente) menos estupidez do que aquela que é o normal para esta espécie domesticada de primata. Nós como uma espécie sempre aprendemos algo de cada uma destas invenções.

Aqueles que têm prática na dialética não serão enganados pela retórica vazia dos demagogos mais vulgares. A lógica protege alguns de nós dos modismos ‘intelectuais’ (ou anti-intelectuais) mais absurdos da época na qual vivemos. 0 método experimental nos mostrou como fugir das armadilhas da lógica puramente abstrata e como conectar a teoria com a realidade.

A Democracia e a Alfabetização tornaram estas invenções, pelo menos potencialmente, disponíveis para as massas ao invés de uma pequena elite embora ainda permaneça a verdade de que você pode levar um burro até a sabedoria mas você não pode faze-lo pensar. A Psicologia nos mostrou que até mesmo o mais ‘racional’ dos seres pode ser dominado por um pensamento compulsivamente irracional. A Semântica Geral demonstrou os reflexos lingüisticos que tornam tão difícil ao ser humano abandonar um velho modelo e aceitar um novo e oferece alguns truques que podem nos ajudar um pouco na quebra destes reflexos.

Mas a Psicologia avançou um bocado desde Freud; a psiconeurologia, desde Korzybski e a Modificação Comportamental, desde Pavlov. Estamos no limiar de uma grande descoberta na guerra contra a estupidez tão certamente quanto estamos no limiar de adquirirmos A Expansão da Vida Humana e A Migração Espacial. A Revolução da Inteligência poderá se provar muito mais ampla nos seus efeitos do que os saltos quânticos da indústria espacial ou da ciência da longevidade.

4. 0 dr. Nathan Kline, que poderia ser chamado de um conservador na área da neurofarmacologia (numa escala onde o Dr. Timothy Leary é um radical e o Governo dos Estados Unidos é reacionário) previu no seu livro ‘As Drogas Psicotrópicas no Ano 2000’ que, nos próximos 10 a 20 anos teremos drogas para ampliar a memória, aumentarou diminuir a emoção, drogas para “apagar” lembranças desagradáveis, drogas para prolongar ou encurtar a infância, drogas para estimular ou eliminar o comportamento maternal, etc. Não é necessário ter muita imaginação para ver que tais produtos químicos nos darão um maior controle sobre o nosso próprio sistema nervoso do que qualquer outra coisa que existiu no passado. Obviamente as pessoas irão USAR E ABUSAR destas drogas de uma variedade de maneiras sejam desejáveis ou não, mas os MAIS INTELIGENTES IRÃO USA-LAS DA FORMA MAIS INTELIGENTE, isto é, para aumentar a sua própria liberdade neurológica, para desprogramar seus programas irracionais e para ampliar de forma generalizada a sua consiência e aumentar a inteligência.

O potencial implícito para uma revolução neurológica que podemos antever nestes avanços psico farmacológicos deveria ser evidente para qualquer pessoa que teve algum tipo de contato mesto com algo tão primitivo como o LSD. (Um dos fatos menos conhecidos sobre LSD é que o projeto mais longo feito com este produto químico nos Estados Unidos, no Hospital de Sprinq Grave em Maryland mostrou uma média de 10% de aumento da inteligência para todos os testados – vide a ‘Psychedelics Encyclopedia’ de Stafford).

Walter Doward documentou extensivamente na sua “Operação Controle Mental’ que a hipnose associada a neuroquímicos é mais eficiente do que a hipnose ordinária; que a modificação do comportamento associada a neuroquímicos é mais eficiente do que a modificação do comportamento ordinária, e que qualquer técnica de alteração da mente é mais eficaz com o uso dos neuroquímicos do que sem estes. As evidências de Doward são todas retiradas do mal uso ou da perversão destas técnicas nas pesquisas feitas pelo Exército Americano e na CIA sobre a lavagem cerebral , mas não existe razão pela qual pessoas libertárias e humanas não possam fazer uso de tal conhecimento para ‘decondicionar’ e ‘de-programar’ ao invés de meramente ‘re-condicionar’ e ‘re-programar’.

Princípios seguros e saudáveis para promover tal expansão da mente e a liberação da inteligência são dados em livros tais como os do Dr. John Lilly ‘Programing and Metaprograming in the Hunan Biocomputer’, ‘Neuropolitics’ pelo Dr. Leary e ‘LSD: The Problem-Solvinqg Psychedelic’ por Stafford e Golighty. Por favor observe que estes livros lidam apenas com a liberação mediada pelo LSD, mas estamos nos referindo a produtos químicos muito mais precisos e previsíveis. (Por favor releia a última frase novamente).

5. Se a psico farmacologia está começando a nos oferecer a chance de programar, desprogramar e reprogramar a nós mesmos, então estamos entrando num novo estágio da evolução. Mais do que a Psicanálise ou Semântica Geral ou Análise Transacional ou qualquer técnica antiga de alteração da mente que possamos abordar, a neuroquímica representa um verdadeiro salto quântico em direção a um novo plano de liberdade: o sistema nervoso humano se auto estudando e se auto aperfeiçoando; a inteligência estudando e aperfeiçoando a própria inteligência.

Para sermos ainda mais específicos e definidos sobre o assunto, consideremos a avaliação feita em 1975 pela Mcgraw-Hill sobre a opinião científica de que tipos de avanços poderiam ser esperados antes do ano 2000. A maioria dos neurocientistas na pesquisa previu drogas específicas para aumentar permanentemente a inteligência humana (Vide ‘No More Dying’, de Kurtzman e Sordon, p.4). Reservei esta informação para ser oferecida depois das previsões mais gerais de Kline para evitar dar a impressão de que estou apenas falando sobre o aumento do QI do terceiro circuito linear: existem sete outros tipos de inteligência.

Existe um circuito de retroalimentação entre a psico farmacologia e as outras ciências do cérebro, tais como a eletro estimulação do cérebro, o biofeedback e outras. Como Williams S. Burroughs diz: ‘Qualquer coisa que possa ser feita quimicamente pode ser feita de outras formas’. Jean Millay e outros demonstraram que a loga associada ao biofeedback produz um desligamento de padrões imprintados emocionais-perceptuais de maneira muito mais rápida do que apenas a Ioga de forma isolada. John Lilly duplicou efeitos do LSD com seus tanques de isolamento sensorial. José Delgado produziu com ESB muitos dos efeitos previamente só encontrados com drogas.

É lugar comum que os alarmistas nos avisem que a arsenal completo das neurosciências interagindo entre si, que estão emergindo atualmente, irá permitir com que governos inescrupulosos venham a fazer lavagem cerebral em populações inteiras com uma eficiência mais completa do que nunca antes. Nós precisamos perceber que a mesma tecnologia sabiamente utilizada pelos homens e mulheres inteligentes pode nos libertar de toda forma de rigidez neurótica e irracional, nos permitir lidar e focalizar o nosso sistema nervoso com a mesma facilidade que lidamos e regulamos a foco de um televisor, acendendo e apagando qualquer circuito que venhamos a desejar.

Por que permanecer deprimido quando você pode ser feliz, burro quando pode ser esperto, agitado e nervoso quando você pode ficar tranqüilo? Obviamente a maioria das pessoas estão deprimidas, burras e nervosas a maior parte do tempo porque lhes FALTAM AS FERRAMENTAS para consertar e corrigir os circuitos defeituosos ou danificados nos seus sistemas nervosos. A Revolução Neurológica (química, elétrica, biofeedback e outras) nos está dando estas ferramentas. Esta Revolução da HEAD (*HEAD= Hedonic Engineering And Development (Engenharia e desenvolvimento hedônico.) possui o princípio do prazer como seu combustível básico. Isto quer dizer: quanto maior a liberdade interna que você vier a possuir, tanto mais você deseja; é mais interessante estar feliz do que triste; é mais agradável escolher as suas próprias emoções do que têlas desencadeadas em si mesmo por processos glandulares mecânicos; é mais prazeroso resolver os seus problemas do que ficar preso a eles pela eternidade.

Em outras palavras, o Aumento da Inteligência significa a inteligência estudando a inteligência e a primeira coisa que a inteligência estudando a inteligência descobre é que quanto mais inteligente se fica mais divertido é se tentar ficar ainda mais inteligente. (O que é uma outra maneira de dizer que, pelo menos neurologicamente falando, quanto mais liberdade alcançamos tanto mais é divertido trabalhar para alcançar um grau ainda maior de liberdade). Ninguém nos é mais interessante do que aquele personagem misterioso que chamamos de ‘eu’: isto é o porquê da ‘auto libertação’, ‘auto realização’, ‘auto transcendência’, etc., serem os jogos sempre mais em voga. Este feedback hedônico explica o porquê de um indivíduo que tenha dado um único passo em direção à liberdade neurológica nunca se contenta em parar ali mas é levado para o próximo passo, para o seguinte, e assim para sempre – ou enquanto a Ampliação da Vida nos possa permitir.

7. Em suma, o Aumento da Inteligência é desejável porque cada problema que a humanidade enfrenta, ou é diretamente causado ou consideravelmente piorado pela estupidez prevalecente na espécie humana; é atingível devido aos modernos avanços nas técnicas de modificação do cérebro sejam elas químicas, elétricas ou psicológicas que nos permitem alterar qualquer reflexo imprintado condicionado ou aprendido que previamente nos restringia; é hedônico porque quanto mais inteligência e liberdade atingimos mais somos capazes de ver as vantagens de ainda maior grau de liberdade e maior inteligência. Isto pode acelerar o nosso progresso em direção à Migração Espacial e Extensão da Vida e também em direção a qualquer outro objetivo racional ao criar mais racionalidade para trabalhar na aquisição daqueles objetivos e ainda pode nos dar a sabedoria para que venhamos a evitar os ‘maus’ resultados da Extensão da Vida e da Migração Espacial sobre os quais os conservadores tanto nos avisam.

Como a morte e a pobreza, a estupidez esteve conosco por tanto tempo que a maioria das pessoas não pode conceber a vida sem ela, mas sabemos que a estupidez está rapidamente se tornando obsoleta. Apesar dos lucros que certos grupos de interesse (políticos, clero, publicitários, etc.) possam auferir da estupidez, a humanidade como um todo irá lucrar mais na abolição da estupidez. Daqui por diante nós deveríamos medir o nosso progresso em direção aos nossos objetivos pessoais e a nossa contribuição para o progresso global de toda a humanidade em termos de o quanto mais espertos ficamos no último ano, no último mês, na última semana, NA ÚLTIMA HORA.


Observação dos tradutores: embora o texto pareça dar a idéia de justificar o uso de drogas para a atuação sobre o cérebro, as pesquisas da neurologia e da neuroquímica cerebral feitas mais recentemente demonstraram que o uso de drogas com esta finalidade não somente é inútil e desaconselhável como perigoso para a saúde. Portanto, o texto é aqui apresentado apenas como um registro de opiniões importantes, mas não representa uma apologia ao uso de drogas de qualquer espécie.

Hagbard Celine foi educado em advocacia contratual e em engenharia naval mas afirma que adquiriu a sua real educação tocando piano num bordel. Ele é o capitão do maior submarino do mundo, o Leif Erikson e presidente da Sold and Appel Inc., uma firma de importação e exportação que freqüentemente despertou suspeitas das agências fiscais do governo (‘137 prisões e nenhuma condenação’, se vangloria Hagbard). Alguns afirmam que ele é um mestre dos disfarces e se fez passar com sucesso debaixo de identidades alternativas tais como Howard Cork, Hugh Crane, Capitão Nemo, etc., e apareceu em incontáveis épicos e aventuras.

Hagbard Celine é também um personagem criado por Robert Anton Wilson, que se define como ‘visionário, futurista, escritor de ciência popular, filósofo libertarista, um dos fundadores de Instituto para o Estudo do Futuro Humano e também diretor da Sociedade Prometheus. Possui Ph.D em psicologia e é autor de uma série de livros e novelas, sendo as mais conhecidas a trilogia ‘Iluminatus’ e ‘The Schroedinger’s Cat’ além de numerosos artigos para revistas e jornais.

 

Hagbard Celine (Robert Anton Wilson). Tradução NoKhooja

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-abolicao-da-estupidez/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-abolicao-da-estupidez/

Afrodite e Anquises

Olá crianças,

Na Palestra sobre Deuses e a Kabbalah, eu mencionei a respeito das concepções divinas que sempre eram retratadas como um pai-deus e uma mãe-mortal, gerando um herói solar (Hércules, Hórus, Mithra, Perseus, Ulisses, Jesus, etc) e disse que não haviam heróis resultantes da união de um mortal com uma deusa… mas o leitor Carlos eduardo me lembrou de uma exceção: Anchises. De qualquer forma, é curioso notar que ele não é resultado de uma “conquista”, mas sim de um “castigo/humilhação” a que Zeus submete Afrodite: apaixonar-se por um mortal.

Como diz o texto a seguir, extraído da obra de Karl Kerényi “Os Deuses Gregos”, Cultrix, 2000:

As histórias sobre a grande deusa do amor que até agora tenho contado tinham o seu cenário no extremo sudeste do nosso mundo grego – em Chipre e na Síria. A cena da história seguinte é a região de Tróia, na Ásia Menor. Afrodite ali aparece acompanhada de animais selvagens: isso a liga à “Mãe dos Deuses”, concluindo assim minha narrativa a respeito das divindades pré-olimpianas ou, pelo menos, alheias ao 0limpo. A história nos foi contada num hino atribuído a Homero.

Havia três deusas sobre as quais Afrodite não tinha poder algum: Atena, Ártemis e Héstia. Todos os outros deuses e deusas cediam às suas injunções, e ela chegou a compelir o próprio Zeus a apaixonar-se por mulheres mortais e a descurar da sua irmã-esposa Hera, filha de Crono e Réia. Foi por isso que Zeus, por seu turno, compeliu Afrodite a apaixonar-se pelo pastor Anquises, que apascentava o gado nas alturas do monte Ida e era tão belo quanto os imortais. Afrodite avistou-o, e o amor senhoreou-se dela. Ela dirigiu-se à pressa a Chipre, ao seu templo em Pafo. Fechou as portas do templo atrás de si, as Graças banharam-na e ungiram a grande deusa com o óleo dos imortais, cuja fragrância adere aos deuses eternos. Envergando um belo vestido e adornada de ouro, ela voltou, célere, a Tróia, ao monte Ida, à mãe dos animais selvagens.

Afrodite caminhou através das montanhas, para os rebanhos de gado. Atrás dela, sacudindo a cauda, iam lobos cinzentos, leões de olhares ferozes, ursos e rápidos leopardos, insaciáveis em sua fome de gazelas. A deusa regozijou-se com a vista deles e encheu de amor o coração das feras, de modo que todas se deitaram, aos pares, à sombra das florestas. Afrodite entrou na tenda do pastor e encontrou Anquises a sós. Ele andava de um lado para outro tocando um alaúde. Afrodite postou-se diante dele na forma de uma bela e delicada donzela mortal. Anquises contemplou-a e maravilhou-se da sua beleza, da sua estatura e das suas roupas esplêndidas. Ela vestia uma túnica cuja vermelhidão ofuscava mais do que o fogo; brilhavam-lhe os seios maravilhosamente, como se fossem banhados de luar. O amor apoderou-se de Anquises, e ele dirigiu-se à deusa. Saudou-a como uma imortal, prometeu-lhe um altar e sacrifícios, e suplicou-lhe a bênção para ele e sua posteridade. Diante disso, a deusa mentiu-lhe, dizendo-se uma donzela mortal, uma princesa frígia que também sabia falar a língua dos troianos. Hermes a arrebatara, assim explicou ela, do coro de Ártemis, em que estivera dançando com suas companheiras de folguedos e com as ninfas, e a transportara para o monte Ida, através do ar, desde a Frígia. Pois ela fora convocada – assim falara o mensageiro divino – para tornar-se esposa de Anquises. Mas desejava que o pastor não a tocasse enquanto não a tivesse apresentado a seus pais e irmãos, cuja nora e cunhada viria a ser; e desejava também, antes de celebrar-se o casamento, mandar uma mensagem aos pais dela a respeito do dote. Essas palavras da deusa encheram Anquises de um amor ainda maior. “Se és donzela mortal, e estás destinada a ser minha esposa, nem deus nem homem poderá privar-me de ti. Ainda que Apolo deva matar-me depois, quero amar-te agora, imediatamente, e depois morrer!” Isso bradou o pastor, e segurou a mão de Afrodite. Ela o seguiu até a cama dele, virando-se repetidamente para trás, como se quisesse retroceder, e pousando no chão os lindos olhos. Sobre lençóis macios jaziam peles de ursos e leões, que o próprio Anquises matara. Ele retirou os adornos da noiva, afrouxou-lhe o cinto e descobriu-a. De acordo com a vontade dos deuses, o mortal deitou-se com a deusa imortal, sem saber o que estava fazendo. Somente à hora em que os outros pastores deviam voltar, Afrodite despertou o amante adormecido e mostrou-se a ele em sua verdadeira forma e beleza. Anquises ficou assustado quando lhe viu os lindos olhos. Virou-se para o outro lado, cobriu o rosto e implorou-lhe que o salvasse. Pois nenhum homem mortal continua gozando de boa saúde pelo resto da vida depois de haver dormido com uma deusa.

Conta-se ainda que Afrodite profetizou o máximo bem para o filho que concebeu de Anquises, e para seus descendentes. O filho era Enéias, que seria famoso mais tarde, entre os nossos vizinhos italianos, como fundador da nação latina. De sua parte, a deusa lamentou haver-se entregue a um mortal. Anquises não deveria revelar a ninguém que ela era mãe de seu filho; as ninfas lhe trariam, como se a criança pertencesse a uma delas. Se ele o fizesse, o raio de Zeus o atingiria. Afirma-se que Anquises, mais tarde, foi estropiado por um raio. Mas havia também a história de que ele foi punido com a cegueira por ter visto a deusa nua. Abelhas, com os ferrões, arrancaram-lhe os olhos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afrodite-e-anquises

A Hipóstase dos Arcontes

(A Realidade dos Regentes)

A respeito da realidade das autoridades, (inspirado) pelo Espírito do Pai da verdade, o grande apóstolo – se referindo às “autoridades da escuridão” – nos disse que “nossa disputa não é contra os seres de carne e sangue; mais propriamente, as autoridades do universo e os espíritos da perversidade.” Eu te enviei isto porque você indaga sobre a realidade das autoridades.

O chefe deles é cego; devido ao poder dele e sua ignorância e sua arrogância ele disse, com o poder dele, “Eu é que sou Deus; não há outro além de mim.” Quando ele disse isto, ele pecou contra a totalidade. E esta declaração chegou até a incorruptibilidade; então houve uma voz que partiu da incorruptibilidade, dizendo, “Você está enganado, Samael” – que é, “deus dos cegos.”

A presunção dele o cegou. E, tendo expelido seu poder – ou seja, a blasfêmia que ele havia dito – ele prosseguiu até o Caos e o Abismo, que é a mãe dele, instigado pela Pistis Sofia. E ela estabeleceu cada um da prole dele de acordo com o poder deles – segundo o padrão dos reinos que estão acima dos céus, pois, a partir do universo invisível, o universo visível foi inventado.

Assim que a incorruptibilidade olhou para baixo na região das águas, sua imagem apareceu nas águas; e as autoridades da escuridão se apaixonaram por ela. Mas eles não puderam se apropriar daquela imagem que havia aparecido para eles nas águas, por causa da fraqueza deles – já que seres que meramente possuem uma alma não podem se apropriar daqueles que possuem um Espírito – pois eles eram do reino inferior, enquanto ela era de cima. Esta é a razão pela qual a “incorruptibilidade olhou para baixo na região (etc.)”: para que, pela vontade do Pai, ela possa trazer a totalidade para a união com a luz.

Os regentes planejaram e disseram, “Venham, vamos criar um homem com o solo da terra.” Eles modelaram a criatura deles como sendo completamente da terra. Agora os regentes são andróginos, seus corpos são iguais aos que eles criaram para a humanidade deles, tendo características de macho e de fêmea, mas com o rosto de um animal. Então quando eles haviam tomado um pouco de solo da terra, eles modelaram o homem deles segundo o corpo deles, e segundo o semblante de Deus que havia aparecido para eles nas águas. Eles disseram, “Venham, vamos dominar ele por meio da forma que nós modelamos, para que ele veja sua aparência neste corpo, se sinta atraído e venha habitar nele, e nós possamos capturá-lo com a forma que nós modelamos” – não compreendendo a força de Deus, por causa da impotência deles. O chefe deles soprou no rosto dele; e o homem obteve uma alma (e permaneceu) no chão muitos dias. Mas eles não puderam fazê-lo se erguer por causa da impotência deles. Como vendavais eles persistiram soprando, tentando capturar aquela imagem que apareceu para eles nas águas. E eles não conheciam a identidade daquele poder.

Agora todas estas coisas decorreram pela vontade do Pai da totalidade. Posteriormente, o Espírito viu o homem dotado de alma no chão. E o Espírito veio adiante da Terra de Adamantina; ele desceu e veio habitar dentro dele, e aquele homem se tornou uma alma viva, e chamou-se Adão. Já que ele foi visto se movendo sobre o chão, uma voz partiu da incorruptibilidade para o auxílio de Adão; e os regentes reuniram todos os animais da terra e todos os pássaros do céu e os trouxeram para Adão, para ver como ele iria chamá-los, para que ele desse um nome a cada um dos pássaros e a todos os animais.

Eles pegaram Adão e colocaram ele no jardim, para que ele o cultivasse e vigiasse. E os regentes emitiram um comando a ele, dizendo, “Você comerá de toda árvore no jardim; mas da árvore do reconhecimento do bem e do mal não coma, nem a toque; pois no dia que você comer dela, com morte você morrerá.”

Eles estavam mentindo quando falaram isto. Eles não entendem o que disseram para ele; pelo contrário, pela vontade do Pai, eles disseram isto de modo que ele de fato coma, e para que Adão não os considerasse do mesmo jeito que um homem de natureza totalmente material consideraria.

Os regentes se consultaram uns com os outros e disseram, “Venham, vamos causar que um sono profundo caia sobre Adão.” E ele dormiu. – Agora o sono profundo que eles “causaram que caísse sobre ele, e ele dormiu” é a Ignorância. – Eles abriram a lateral dele que era como uma mulher viva. E eles montaram a lateral dele com um pouco de carne no lugar dela, e Adão ficou dotado apenas de alma.

E a mulher dotada de Espírito veio até ele e falou com ele, dizendo, “Levante-se, Adão.” E quando ele a viu, ele disse, “Foi você quem me deu vida; você será chamada ‘mãe dos vivos’. – Pois ela que é a minha mãe. Ela que é a obstetra, a mulher, e ela que deu à luz.”

Então as autoridades vieram até o Adão deles. E quando eles viram a contraparte feminina dele falando com ele, eles ficaram agitados com grande agitação; e eles se apaixonaram por ela. Eles disseram uns aos outros, “Venham, vamos espalhar nossa semente nela,” e eles a perseguiram. E ela riu deles pela tolice e cegueira deles; e nas garras deles ela se tornou uma árvore, e deixou diante deles o reflexo indistinto dela aparentando a si mesma; e eles o violaram de forma imunda. – E eles violaram o sinal da voz dela, de modo que, por meio da forma que eles modelaram, junto com a própria imagem deles, eles se tornaram propensos à condenação.

Então o princípio espiritual feminino entrou na águia, que é o instrutor; e ele os ensinou, dizendo, “O que ele disse para você? Foi, ‘Você comerá de toda árvore no jardim; mas – da árvore do reconhecimento do bem e do mal não coma’?”

A mulher carnal disse, “Ele disse não somente, ‘Não coma’, mas até ‘Não a toque; pois no dia que você comer dela, com morte você morrerá.’”
E a águia, o instrutor, disse, “Com morte vocês não irão morrer; pois foi por ciúmes que ele disse isto a vocês. Pelo contrário, seus olhos se abrirão e vocês se tornarão como deuses, reconhecendo o mal e o bem.” E o princípio instrutor feminino foi removido da águia, e ela o abandonou, uma coisa meramente da terra.

E a mulher carnal pegou da árvore e comeu; e ela deu ao marido dela também; e estes seres que possuíam apenas uma alma, comeram, e então eles ficaram sóbrios do esquecimento. Eles perceberam a imperfeição e a falta de sabedoria dos seus criadores; e reconheceram que eles mesmos estavam despidos do elemento espiritual, então eles pegaram folhas de figueira e amarraram em seus quadris.

Então o regente chefe (que é a serpente) veio; e ele disse, “Adão! Onde você está?” – porque ele não entendeu o que tinha acontecido. E Adão disse, “Eu ouvi a sua voz e tive medo porque eu estava nu, e eu me escondi.”

O regente disse, “Por que você se escondeu, a menos que é porque você comeu da única árvore que eu ordenei que você não comesse? E você comeu!”

Adão disse, “A mulher que você me deu, ela me ofereceu e eu comi.” E o regente arrogante amaldiçoou a mulher.

A mulher disse, “Foi a águia que me induziu e eu comi.” Eles se voltaram para a águia e amaldiçoaram o reflexo indistinto dela, […] impotentes, não compreendendo que era uma forma que eles mesmos haviam modelado. Desde aquele dia, a águia ficou sob a maldição das autoridades, até que o regente todo-poderoso viesse, aquela maldição caiu sobre a águia.

Eles se voltaram para o Adão deles, e o tomaram e expulsaram do jardim junto com sua esposa; pois eles não possuem bênção, já que eles também estão sob a maldição. Além do mais, ele jogou a humanidade em grande distração e em uma vida de dificuldades, para que a humanidade deles possa estar ocupada com afazeres mundanos, e não possa ter a oportunidade de se dedicar ao Espírito sagrado.

Agora em seguida, ela gerou Caim, o filho deles, e Caim cultivava a terra. Logo após isso ele reconheceu sua esposa, engravidando novamente, ela gerou Abel; e Abel era um pastor de ovelhas. Agora Caim apresentou das colheitas do campo dele, mas Abel apresentou uma oferenda dentre suas ovelhas. Então Sabaoth, que é chamado Senhor das Forças, olhou sobre as oferendas votivas de Abel; mas ele não aceitou as oferendas votivas de Caim. E o Caim carnal perseguiu Abel, seu irmão.

E Sabaoth disse para Caim, “Onde está Abel, teu irmão?”

Ele respondeu dizendo, “Eu sou, então, zelador do meu irmão?”

Então Sabaoth disse para Caim, “Escute! A voz do sangue do teu irmão está clamando para mim! Você pecou com tua boca. Isto retornará para ti: qualquer um que matar Caim soltará sete vinganças, e você existirá gemendo e tremendo sobre a terra.”

E Adão reconheceu sua contraparte feminina Eva, e ela ficou grávida, e gerou Seth para Adão. E ela disse, “Eu gerei um homem através de Deus, no lugar de Abel.” Novamente Eva engravidou, e ela gerou Norea. E ela disse, “Ele gerou em mim uma virgem como uma assistência para muitas gerações da humanidade.” Ela é a virgem a quem as forças não corromperam.

Então eles começaram a se multiplicar e aperfeiçoar. Os regentes se consultaram uns com os outros e disseram, “Venham, vamos causar um dilúvio com nossas mãos e eliminar toda carne, desde homem até animal.” Mas quando o Senhor das Forças soube da decisão deles, ele disse para Noé, “Construa para vocês uma arca com madeira que não apodreça e se escondam nela – você e os meus filhos, e os anjos do céu, e os animais deles, do pequeno ao grande – e coloque-a sobre o Monte Senhor.”

Então Orea veio até ele, querendo embarcar na arca. E quando ele não a deixou, ela soprou sobre a arca e ocasionou que ela fosse consumida pelo fogo. Novamente ele fez a arca, por uma segunda vez.

Os regentes foram conhecê-la, pretendendo corrompê-la. O chefe supremo deles disse a ela, “A sua mãe Eva foi criada por nós.” Mas Norea virou-se para eles e disse, “São vocês os regentes da escuridão; vocês estão amaldiçoados. E vocês não conheceram a minha mãe; pelo contrário, vocês conheceram a contraparte feminina de vocês. Pois eu não sou descendente de vocês; pelo contrário, é do aeon superior que eu venho.”

O regente arrogante levantou-se contra ela com toda a sua força, e sua aparência era como um enorme dragão preto; e ele disse a ela presunçosamente, “Você deve servir a nós, como a sua mãe Eva também serviu; pois me foi dada autoridade sobre todo este universo!”
Mas Norea virou-se, com o poder da sua fé; e numa voz alta ela exclamou para o alto para o sagrado, o Deus da totalidade, “Resgate-me dos regentes da injustiça e me salve das garras deles – depressa!”

O grande anjo eterno desceu do Oitavo Céu e disse a ela, “Por que você está exclamando a Deus? Por que você age com tanta audácia para com o Espírito sagrado?”

Norea disse, “Quem é você?” Os regentes da injustiça haviam se afastado dela.

Ele disse, “Eu que sou Eleleth, sagacidade, o grande anjo que fica na presença do Espírito sagrado. Eu fui enviado para falar com você e salvá-la das garras dos malfeitores. E eu irei te ensinar sobre a sua raiz.”

(Aparentemente Norea falando agora) Agora quanto a esse anjo, eu não posso expressar o poder dele: sua aparência é como ouro fino e seu traje é como neve. Não, deveras, minha boca não se porta a falar do poder e da aparência do rosto dele!

Eleleth, o grande anjo, falou comigo. “Sou eu,” ele disse, “que sou compreensão. Eu sou um dos quatro doadores de luz, que ficam na presença do grande Espírito invisível. Você acha que estes regentes têm algum poder sobre ti? Nenhum deles pode prevalecer contra a raiz da verdade; pois foi por ela que ele apareceu nos últimos tempos; e estas autoridades serão restringidas. E estas autoridades não podem te corromper nem corromper aquela geração, pois sua residência é na incorruptibilidade, onde o Espírito virgem habita, que é superior às autoridades do Caos e ao universo deles.”

Mas eu disse, “Senhor, me ensine sobre a capacidade destas autoridades – como eles surgiram, e por qual tipo de gênesis, e de que material, e quem criou eles e a força deles?”

E o grande anjo Eleleth, compreensão, falou para mim: “Dentro de domínios ilimitados habita a incorruptibilidade. Sofia, que é chamada Pistis, quis criar algo sozinha, sem o cônjuge dela; e o produto dela foi a abóbada celeste. Ela é um véu que existe entre os grandes aeons superiores e os domínios inferiores. Então uma nuvem surgiu abaixo do véu; e essa nuvem gerou matéria; e a matéria foi expelida e dispersada. E o que ela havia criado foi parido pela nuvem como um feto abortado. E aquilo assumiu uma forma plástica modelada através da matéria, e se tornou uma besta arrogante parecendo um leão. E era andrógino, como eu já havia dito, e ignorante, porque foi da matéria que ele derivou.

Quando ele abriu os olhos, ele viu uma vasta quantidade de água sem limite; e ele se tornou arrogante, dizendo, “Eu é que sou Deus, e não há outro além de mim”. Quando ele disse isto, ele pecou contra a totalidade. E uma voz partiu do alto, do reino de poder absoluto, dizendo “Você está enganado, Samael” – que é, ‘deus dos cegos’.

E ele disse, “Se outra coisa existe antes de mim, que se torne visível para mim!” E imediatamente Sofia esticou o dedo dela e introduziu luz no universo; e ela brilhou até as profundezas do Caos. Então ela recolheu a sua luz; e mais uma vez a escuridão encobriu todo o universo.

Este regente, sendo andrógino, criou para si um vasto reino, um tamanho inimaginável. E ele contemplou criando filhos de si próprio, e criou para ele mesmo sete filhos, andróginos assim como o pai deles. E ele disse à prole dele, “Eu é que sou o Deus da totalidade.”

E Zoe (Vida), a filha de Pistis Sofia, exclamou e disse a ele, “Você está enganado, Saclas!” – cujo nome alternativo é Yaldabaoth. Ela soprou no rosto dele, e a respiração dela se tornou um anjo de fogo para ele; e o anjo prendeu Yaldabaoth e o lançou abaixo dentro do Tártaro, no fundo do abismo.

Agora quando o filho dele Sabaoth viu a força daquele anjo, ele se arrependeu e condenou o pai dele e a mãe dele, a matéria. Ele a repugnou, mas ele cantou canções de louvor para cima para Sofia e a filha dela Zoe. E Sofia e Zoe o ergueram e lhe deram o comando do sétimo céu, para que ele pudesse reger sobre o universo, entre os reinos eternos e o Caos. E ele é chamado ‘Senhor das Forças, Sabaoth’, já que ele está acima das forças do Caos, pois Sofia o estabeleceu.

E quando estes eventos aconteceram, ele fez para si próprio uma mansão enorme, e uma congregação de deuses para governarem sobre os mundos das pessoas, e muitos infinitos anjos para atuarem como ministros, e também harpas e liras. E Sofia pegou a filha dela Zoe e a fez sentar à direita dele, para ensiná-lo sobre as coisas que existem no Oitavo Céu; e o anjo da ira ela colocou à esquerda dele. Desde aquele dia, a direita dele tem sido chamada ‘vida’, e a esquerda veio a representar a injustiça, para o domínio de poder absoluto acima. Foi antes da sua época que eles surgiram.

Agora quando Yaldabaoth viu ele (Sabaoth) neste grande esplendor e nesta altura, ele o invejou; e a inveja se tornou um produto andrógino, e esta foi a origem da inveja. E inveja produziu morte; e morte produziu a prole dele, e deu para cada um deles o comando de seu céu; e todos os céus do Caos se tornaram repletos de suas multidões. Mas foi pela vontade do Pai da totalidade que eles todos surgiram – segundo o padrão de todas as coisas superiores – para que a quantia do Caos fosse alcançada.

“Assim, eu te ensinei sobre o padrão dos regentes; e a matéria na qual ele foi expressado; e o pai deles; e o universo deles.”

Mas eu disse, “Senhor, eu também sou da matéria deles?””

Você, junto com seus descendentes, são do Pai Imortal, de cima, da luz imperecível é que almas deles são provenientes. Por isso as autoridades não podem se aproximar deles, por causa do Espírito da verdade que está presente dentro deles; e todos que se instruíram sobre estas coisas existem como imortais no meio da humanidade mortal. Mesmo assim, esses fatos não serão conhecidos agora. Pelo contrário, após três gerações é que isto será reconhecido, e esta sabedoria os libertou da escravidão e do erro das autoridades.”

Então eu disse, “Senhor, quanto mais irá demorar?”

Ele me disse, “Até o momento em que o homem verdadeiro, dentro de uma forma modelada, revele a existência do Espírito da verdade, que o Pai enviou.

Então ele ensinará a eles sobre tudo, e ele os ungirá com a unção da vida, dada a ele pela geração sobre a qual não há regente.

Então eles serão libertados do pensamento cego, e eles irão pisar sobre a morte com os pés, pois ela pertence às autoridades, e eles subirão até a luz ilimitada, que é onde os eleitos pertencem.

Então as autoridades irão abandonar suas eras, e os anjos deles prantearão sobre a destruição deles, e os demônios deles irão lamentar suas mortes.

Então todas as crianças da Luz serão verdadeiramente familiarizadas com a verdade e com a raiz deles, e com o Pai da totalidade e o Espírito sagrado. Eles todos dirão com uma única voz, “A verdade do Pai é justa, e o filho preside sobre a totalidade”, e todos louvarão nos aeons dos aeons eternos, “Sagrado – sagrado – sagrado! Amém!’”

A Realidade dos Regentes.

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Fonte:

A Hipóstase dos Arcontes. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2014. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200224151504/http://misteriosantigos.50webs.com/hipostase-dos-arcontes.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-hipostase-dos-arcontes/

Cthulhu: uma introdução ao universo de H. P. Lovecraft

As Edições Textos para Reflexão publicam o conto mais conhecido de H. P. Lovecraft, o escritor que revolucionou o Horror Fantástico. Traduzido do inglês original por Rafael Arrais.

Na cosmologia de Lovecraft, os chamados Mitos de Cthulhu, o ser humano é uma coisa insignificante, que mal compreende as Coisas imensas e antiquíssimas que habitam o seu mundo, como deuses anciãos e raças multimilenares. Em O Chamado de Cthulhu, temos uma apavorante introdução a este universo.

Um ebook já disponível para Amazon Kindle, Kobo e Saraiva Lev:

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Abaixo, segue uma amostra com o trecho inicial do conto:

“De tais poderes grandiosos ou entidades é concebível que possa haver restado um vestígio […] um vestígio de uma era regressa onde […] a consciência era manifestada, quem sabe, em contornos e formas há muito submersos diante da maré do avanço da humanidade […] formas das quais tão somente a poesia e as lendas puderam guardar alguma memória fugidia, e então os chamaram de deuses, monstros, criaturas míticas de todos os tipos e espécies […].”

(por Algernon Blackwood – isto foi encontrado entre os papéis do já falecido Francis Wayland Thurston, em Boston)

A coisa mais misericordiosa neste mundo, penso eu, é a incapacidade da mente humana de correlacionar tudo o que nele existe. Nós vivemos numa pacata ilha de ignorância em meio a mares escuros vastos de infinito, e não era a intenção que velejássemos muito longe. As ciências, cada uma vagando em sua própria direção, até hoje pouco mal nos causaram; no entanto, algum dia a junção de conhecimentos desconexos nos abrirá os olhos para visões tão terríveis da realidade, e da nossa posição assustadora em seu meio, que nós deveremos ou enlouquecer diante da revelação ou fugir da sua luminosidade fatal, rumo à paz e a segurança de uma nova idade das trevas.

Os teosofistas têm especulado acerca da grandeza abissal do ciclo cósmico no qual o nosso mundo e a raça humana não passam de incidentes passageiros. Eles vêm aludindo a estranhos vestígios usando termos que gelariam o sangue dos incautos, não fossem mascarados por um tolo otimismo. Mas não foi deles que surgiu o breve vislumbre de éons proibidos que me arrepia quando penso no assunto, e me enlouquece quando aparece em meus sonhos.

Tal vislumbre, como todos os pavorosos vislumbres da verdade, surgiu de uma conexão acidental de duas coisas separadas – neste caso, um recorte de jornal antigo e as anotações de um professor falecido. Eu espero que ninguém mais consiga chegar a esta conexão; se eu sobreviver, é certo que jamais irei revelar propositadamente elo algum desta corrente hedionda. Eu penso que o professor também tinha a intenção de manter silêncio acerca da parte que sabia, e que teria destruído as suas anotações caso não fosse surpreendido por uma morte tão súbita.

O meu conhecimento do caso começou no inverno de 1926-27, com a morte do meu tio-avô George Gammell Angell, professor emérito de línguas semíticas na Universidade Brown, em Providence, Rhode Island. O professor Angell era amplamente reconhecido como uma autoridade em inscrições arcaicas, e era frequentemente consultado por diretores de museus importantes acerca do tema; assim sendo, o seu falecimento aos noventa e dois anos deve ser lembrado por muitos.

Localmente, no entanto, tal interesse foi intensificado pela causa da morte ser um tanto obscura. O professor sucumbiu enquanto retornava da barca de Newport; segundo testemunhas, foi uma queda súbita, após um encontrão com um negro com aparência de marujo que havia surgido de um dos pátios escuros e sinistros que podiam ser encontrados na encosta íngreme que servia de atalho da praia até a sua casa, na Williams Street.

Os médicos foram incapazes de encontrar qualquer doença visível, porém chegaram à conclusão, após debates cheios de perplexidade, que alguma lesão obscura no coração, induzida pela subida de um morro tão íngreme para um homem de idade avançada, foi a responsável pela morte. Na época eu não vi razão para divergir desta conclusão, mas ultimamente eu tenho me inclinado a questioná-la – e até mais do que isso.

(continua no ebook…)

#Lovecraft

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cthulhu-uma-introdu%C3%A7%C3%A3o-ao-universo-de-h-p-lovecraft

Al-Wahhab

 

Muhammad Ibn Abd al-Wahhab (1703- 1791) foi um reformador religioso conservador que lançou o movimento Wahhabi e ajudou a fundar o primeiro estado saudita.

Ibn Abd al-Wahhab nasceu em Uyayna, uma cidade oásis localizada no Najd, a região central do que hoje é a Arábia Saudita.

Ele foi criado em uma família de juristas e estudiosos religiosos da Escola Hanbali e demonstrou um interesse inicial em estudar o Alcorão e outras áreas do aprendizado islâmico, especialmente os estudos sobre a Hadith (Coletânea de Narrações e Ditos do Profeta Muhammad e seus Companheiros).

Seu pai, um juiz da Escola Hanbali e professor da Hadith e da Fiqh (a Jurisprudência Islâmica), lhe proporcionou sua educação precoce nas ciências religiosas.

Mais detalhes sobre o início da carreira de Ibn Abd al-Wahhab são anedóticos, mas parece que ele começou a defender um rigoroso reformismo islâmico quando estava na casa dos 20 anos.

Ele ganhou seguidores em sua cidade natal, mas a oposição política o forçou a ir a Meca e Medina, onde ele se encontrou e estudou com outros Ulamas (teólogos islâmicos) reformistas.

Ele se familiarizou com os escritos do reformador medieval da Escola Hanbali, Ibn Taymiyya, e se destacou por seu conhecimento da lei Hanbali.

Mais tarde ele viajou para Basra, uma cidade portuária no Iraque, onde encontrou doutrinas e práticas do Xiismo que encontraram sua desaprovação por terem se afastado do Islã do Alcorão e da Sunna.

Depois de Basra, Ibn Abd al-Wahhab mudou-se para Huraymila, a cidade Najdi onde seu pai vivia.

Foi aqui que ele escreveu O Livro da Unidade (Kitab al-Tawhid), no qual expressou muitos dos seus principais ensinamentos.

Cópias do mesmo foram espalhadas por todo o Najd.

Após a morte de seu pai em 1740, sua missão tornou-se mais pública.

Ele promoveu a doutrina do Tawhid, a crença na unicidade absoluta de Deus e a rejeição do politeísmo (shirk), da idolatria e da descrença.

Sua crença de que o Tawhid incluía seguir os mandamentos e as proibições de Deus significava que ele também procurava tratar das questões morais em sua sociedade e cultura.Ele favoreceu a aplicação rigorosa da Sharia (a Lei Islâmica), incluindo a realização de orações, a entrega do Zakat (esmolas) e a aplicação de punições por adultério.

Aqueles que falharam em atender seus ensinamentos eram vistos como descrentes (Kafirs, os infiéis) e podiam ser subjugados através da Jihad.

Líderes tribais e Ulamas em Huraymila decidiram que não queriam que Ibn Abd al-Wahhab minasse a autoridade deles, então conspiraram contra a sua vida, forçando-o a voltar para Uyayna, sua cidade natal.

Uthman ibn Hamid ibn Muammar (d. 1749), o governante de Uyayna, a princípio deu as boas-vindas ao reformador, até mesmo providenciando para que ele se casasse com a sua tia.

A situação mudou, porém, quando ele cortou uma das árvores sagradas da cidade, demoliu um santuário pertencente a Zayd ibn al-Khattab (um dos companheiros do profeta) e, acima de tudo, condenou uma mulher à morte por apedrejamento depois que ela confessou adultério.

O clamor público que essas ações provocaram fez com que Uthman retirasse o seu apoio a Ibn Abd al-Wahhab, o qual teve que fugir de Uyayna em 1744.

Ele se estabeleceu em Diriya, a cerca de 65 quilômetros de Uyayna, perto de Riyadh.

A pequena cidade era governada pelo clã dos Saud, liderado por Muhammad ibn Saud.

Nesse mesmo ano, “os dois Muhammads” chegaram a um acordo mútuo: Ibn Saud protegeria Ibn Abd al-Wahhab de seus inimigos e o tornaria o Imã (líder religioso islâmico) de Diriya, enquanto Ibn Abd al-Wahhab coletaria Zakat para o governante saudita e o ajudaria a estender seu controle sobre a região de Najd através de sua pregação e da sua declaração da Jihad contra os inimigos dos sauditas.

Estes incluíam os “infiéis” que não atendiam ao chamado de Ibn Abd al-Wahhab (Daawa) para aceitar sua versão do Islã, bem como as tribos que não se submeteriam ao domínio saudita.

O acordo acabou sendo mais frutífero do que os dois poderiam ter imaginado.

A partir dele eles puderam criar uma confederação de grupos tribais, tanto estabelecidos como nômades, a qual forneceu a base para um novo estado na Arábia Central.

Quando Muhammad ibn Saud morreu em 1765, Ibn Abd al-Wahhab continuou a aliança com seu filho Abd al-Aziz ibn Muhammad (m. 1803).

Ele manteve sua base em Diriya, onde ensinou e escreveu, procurando conquistar outros para sua causa.

Sua estratégia incluía a designação de juízes Wahhabi para as cidades e oásis que se haviam submetido ao domínio saudita.

Na época de sua morte, o governo saudita Wahhabi alcançou Riad (a futura capital saudita) e as margens do Golfo Pérsico.

Alguns anos mais tarde, o governo saudita abrangeu a maior parte da Península Arábica, incluindo as cidades sagradas de Meca e Medina.

O legado de Ibn Abd al-Wahhab foi levado adiante por seus descendentes e discípulos.

Seu filho Abd Allah escreveu obras contra o Xiismo e endossou as incursões Wahhabi no sul do Iraque no início de 1801.

Seu neto Sulayman (m. 1818) serviu como juiz em Diriya até ser executado pelas forças otomanas-egípcias enviadas do Egito para a Arábia para destruir o estado saudita primitivo.

Hoje, seus ensinamentos fazem parte da ideologia oficial do Reino da Arábia Saudita, que surgiu das cinzas do primeiro estado saudita sob a liderança do rei Abd al-Aziz ibn Saud (m. 1953) no início do século 20.

Os herdeiros de Ibn Abd al-Wahhab, conhecidos como Al al-Shaykh (a família do Shaykh Ibn Abd al-Wahhab), agora ocupam poderosos cargos no governo saudita e se casam com membros da família real saudita.

Suas obras estão amplamente disponíveis em forma impressa, e suas ideias prevalecem entre os reformadores religiosos conservadores e radicais em muitos países Sunitas.

Entre aqueles influenciados pelos ensinamentos de Ibn Abd al-Wahhab estava Osama bin Laden, líder da organização Al-Qaeda responsável pelos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono em 2001.

No entanto, muitos muçulmanos, Sunitas, e Xiitas rejeitam o entendimento puritano do Islã conforme feito por Ibn Abd al-Wahhab.

Leitura adicional:

– Natana J. DeLong-Bas, Wahhabi Islam: From Revival to Global Jihad (Oxford: Oxford University Press, 2004);

– Madawi al-Rasheed, A History of Saudi Arabia (Cambridge: Cambridge University Press, 2002), 14–23;

– John O. Voll, “Muhammad Hayat al-Sindi and Muhammad Ibn Abd al-Wahhab: An Analysis of an Intellectual Group in Eighteenth Century Medina.” Bulletin of the School of Oriental and African Studies 38, no. 1 (1975): 32–39.

***Fonte:

Encyclopedia of Islam

Copyright © 2009 by Juan E. Campo

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/al-wahhab/

A Compreensão Espagírica dos Remédios

Beat Krummenacher

Excerto de Spagyric Tinctures: tradition, Preparation and Usage

Quase todos os métodos usados ​​hoje para preparar fitoterápicos (remédios vegetais) têm o objetivo comum de isolar, ou pelo menos reforçar, um ingrediente eficaz da planta. A tendência é obter uma caracterização clara e inequívoca de preparações farmacologicamente ativas e puras. Além dessa abordagem (de isolar ingredientes eficazes), há também o uso histórico e bem-sucedido de extratos de toda a planta, que muitas vezes é mais eficaz do que os compostos eficazes isolados. Uma explicação para este fenômeno é que em toda a planta existem substâncias “transmissoras” que permitem uma melhor absorção dos compostos eficazes no trato gastrointestinal. Mas mesmo em casos como esse é assumida uma correlação direta entre a substância química e a eficácia do remédio. Todos os métodos comumente usados ​​para preparar remédios de ervas são muito simples. Na maioria das vezes, a abordagem é preparar um extrato aquoso ou alcoólico de uma planta por maceração, extração ou outros métodos simples. Esses métodos têm o único objetivo de concentrar ou isolar os compostos eficazes que são conhecidos ou suspeitos de existirem. Assim, os métodos contemporâneos podem ser vistos como um resultado direto da compreensão teórica moderna do que constitui um remédio.

Aqui não encontramos diferença na Espagíria. Na Espagíria, também, a compreensão teórica determina os métodos práticos de trabalho. Assim, não se deve descartar prematuramente os métodos espagíricos sem conhecer a teoria espagírica. A falta ou o conhecimento insuficiente da teoria (da Alquimia) levou há algum tempo à conclusão de que a Espagíria é apenas a precursora da química moderna. Assim a espagíria é entendida como legitimamente descartada, porque sua teoria está desatualizada. Mas tal julgamento é prematuro e não faz justiça a a matéria. O fato é que os métodos simples para preparar tinturas de plantas comuns também eram bem conhecidos dos alquimistas. No entanto, eles não pouparam esforços para fazer seus remédios espagíricos. Repetidas vezes eles enfatizaram que o laborioso caminho da espagiria estava levando precisamente a remédios significativamente mais eficazes e mais benéficos do que os métodos dos “químicos”. Tal afirmação de quem conhecia os dois caminhos deveria nos fazer parar e pensar. Infelizmente, não temos estudos modernos que possam dar evidência clínica à afirmação de que as essências espagíricas são mais eficazes. Assim, teremos que primeiro tentar obter uma maior compreensão do lado teórico das preparações espagíricas.

Compreender os processos espagíricos básicos também nos ajuda a distinguir os procedimentos espagíricos verdadeiramente significativos dos “pseudospagíricos”. Mesmo nos círculos alquímicos, muitas vezes encontramos ignorância dos processos alquímicos reais, o que levou à introdução de elementos alienígenas nos procedimentos espagíricos de hoje. O quão importante é lidar seriamente com a Espagíria hoje se reflete no crescente interesse público em métodos alternativos de cura – que também incluem remédios espagíricos. Que o valor real das preparações espagíricas é muito maior do que o registro histórico mostra também é evidente quando consultamos o (Homeopathic Remedy Book), métodos espagíricos foram registrados lá, o que indica sua presença no mercado farmacológico. Para nos aproximarmos de uma compreensão da medicina espagírica, temos que explorar os importantes conceitos alquímicos dos Arcanos, de polaridade, bem como os três princípios alquímicos básicos.

Sobre o Arcano

Arcanum significa literalmente aquilo que é secreto. Seu significado é ilustrado pela seguinte citação de Paracelso: “O que vemos não é o remédio, mas o portador do remédio. Porque os arcanos dos elementos e do homem são invisíveis. O que é visível é o superficial, que não faz parte da essência curativa.” Essa parte invisível de cada substância médica é “toda a virtude da substância em mil vezes melhorada.” O Arcano é aquilo que é não-físico e indestrutível – é a parte eternamente viva da Natureza”. Um remédio, ou mais precisamente o que faz de uma substância um remédio, é aqui chamado de “arcano dos elementos”. Esses poderes de cura devem ser entendidos como princípios puramente abstratos ou espirituais, não materiais. Se entendermos os arcanos como princípios de cura imateriais que não podemos definir por sua substância material, isso não significa necessariamente que eles sejam ineficazes. No entanto, de acordo com o paradigma atualmente dominante, apenas assumimos como real aquilo que podemos perceber com os nossos sentidos e que é mensurável fisicamente. Este paradigma não permite uma avaliação concreta do conceito de arcanos, pois, segundo a tradição, os arcanos não são matéria bruta, mas realidades energéticas sutis. Paracelso muitas vezes chamou esses remédios transmitindo “arcanos” ao paciente e deixa inequivocamente claro que eles devem ser preparados alquimicamente: “Faça arcanos e aponte-os contra as doenças … Este é o caminho para curar e tornar saudável – tudo isso é realizado pela alquimia, sem a qual não poderia acontecer.” Com esta afirmação, ele também trouxe o fato de que os arcanos imateriais podem ser transmitidos. Isso significa que é possível preparar transmissores (os remédios espagíricos), que servem como veículos materiais dos poderes ocultos (arcanos). Esse tipo de pensamento diverge muito do nosso entendimento contemporâneo, que faz uma conexão causal entre o efeito e a substância. No entendimento atual, é a própria substância que realiza a cura, devido a alguma interação físico-química com o organismo. Para Paracelso e os alquimistas, a substância material não produz cura, mas é o veículo para os poderes causadores do efeito (curativo). A substância é apenas a matriz ou forma que serve para encarnar os arcanos.

Sobre as polaridades

Os hermetistas enfatizaram repetidamente que tudo o que existe está sujeito à lei da polaridade. Eles expressaram isso na forma da seguinte afirmação axiomática como parte dos sete princípios herméticos mencionados antes: “Tudo é duplo – tudo tem dois pólos, tudo tem seu par de opostos; semelhante e diferente é o mesmo; opostos são idênticos em natureza, apenas diferentes em grau; os extremos estão conectados; todas as verdades são apenas meias verdades; todas as contradições podem ser reconciliadas”. (Do Caibalion) Em todos os lugares encontramos polaridades: dia e noite, claro e escuro, quente e frio, atração e repulsão em eletricidade estática e magnetismo, grande e pequeno etc.

Mas esses extremos aparentemente opostos são apenas diferentes graus de expressão para uma mesma força básica. Dessa forma, atração e repulsão são resultados do mesmo magnetismo. Assim, atração e repulsão permanecem inalteradas quando nos aproximamos de um ímã com um pedaço de ferro – o poder magnético é o mesmo. Quente ou frio são ambos os aspectos da temperatura. Da mesma forma, dia (claridade) e noite (escuridão) são apenas aspectos da Luz que diferem em intensidade, enquanto grandes ou pequenos são aspectos de Tamanho.

Polo Negativo  ⬅️  Magnetismo ➡️  Polo Positivo

Frio  ⬅️  Temperatura  ➡️ Calor

Noite  ⬅️   Luminosidade  ➡️  Dia

Ilustração: Cada atributo, na verdade tudo o que existe, contém em si uma polaridade. Opostos (polaridades) são aspectos de uma propriedade ou força básica.

Os extremos aparentemente opostos de uma polaridade, assim, provam ser de natureza idêntica em relação à sua propriedade básica. Eles estão apenas ‘diferindo em grau’. Ambos os extremos tornam-se significativos apenas pelo efeito concreto que têm sobre um terceiro princípio. Também é possível defini-los pela existência ou ausência total de um dos princípios. Por exemplo, distinguimos entre luz e escuridão porque nosso olho percebe muita ou pouca luz. Mas na escuridão absoluta não há mais luz presente – o próprio princípio (luz) não aparece mais.

Da mesma forma, a potência médica como uma soma total de atributos curativos se manifesta de acordo com o princípio hermético da polaridade na forma de opostos polares. Um lembrete: Os poderes de cura que causam os efeitos curativos foram chamados de “arcanos” por Paracelsus. A alquimia define assim um remédio como uma preparação que transmite a potência dos arcanos para fins de cura. O oposto polar de curar é adoecer ou envenenar. Aqui também é verdade que o “grau” dos arcanos é experimentado por meio de sua interação com um terceiro princípio, ou seja com o organismo, onde demonstre atuar como agente curativo ou envenenador. A relatividade dessa determinação pode ser vista no fato de que algumas substâncias são curativas ou neutras para um animal, mas tóxicas para o ser humano. Paracelso, portanto, usa o termo “arcano” em um sentido duplo, o que é um fator crucial a ser considerado. Ele entende “arcano” como o remédio com poderes em geral, bem como o efeito que um extremo polar tem no corpo (cura), que ele chamou de remédio. Para evitar a falta de clareza nas páginas seguintes, nos referiremos aos arcanos apenas como os poderes imateriais subjacentes à cura ou envenenamento. O efeito desses poderes no organismo situa-se entre os extremos do remédio ou do veneno.

Veneno  ⬅️   Arcana  ➡️  Remédio

ilustração: “veneno ou remédio” é um par de opostos das forças ocultas de cura chamada arcana.

A diferença entre remédio e veneno em seu efeito sobre o organismo humano é, portanto, apenas uma questão de grau. Definimos o efeito curativo sobre o ser humano como construtivo, potencializador e harmonizador, enquanto o efeito do veneno é destrutivo, diminutivo e desarmônico.

A compreensão moderna vê a causa direta do efeito curativo de um remédio na substancialidade material do agente curativo. De acordo com os pensamentos desenvolvidos acima, a substância consiste em veneno e remédio! É por isso que o efeito depende da dosagem.

Quanto mais substância aplicarmos no paciente, mais intenso será o efeito farmacológico e uma dose alta pode até causar o inverso do efeito curativo desejado: uma overdose pode causar a morte do paciente. Paralelamente ao aumento da dosagem, o efeito curativo cresce, mas é sempre limitado pelo efeito venenoso: as propriedades destrutivas do veneno são potencializadas junto com os efeitos construtivos do remédio, até causar sintomas e defeitos manifestos ao impedir as funções celulares.

O Alquimista vai mais fundo: para ele, a substância é apenas o veículo dos arcanos. Não há nenhuma conexão convincente entre a substância física e seu efeito. Ele vê o efeito corretivo também nas substâncias “químicas” não processadas. No entanto, a conexão entre dosagem e efeito é interpretada de forma diferente em não-químicos, ou seja, preparações espagíricas, tomando uma forma alquímica. O alcance terapêutico é especialmente muito ampliado. Isso é conseguido primeiro dissociando e depois separando os princípios por procedimentos espagíricos: os arcanos são alterados em sua estrutura interna pela dissociação e depois liberados de sua conexão íntima com a substância física pela separação.

A diferença teórica básica entre as duas abordagens se reflete em sua prática: o Químico apenas separa, enquanto o Alquimista dissocia e depois separa. Essa importante diferença teórica e prática das duas abordagens também é encontrada na obra de Paracelso. Todas as citações citadas acima se referiam a Paracelso, o Alquimista. Mas, ao mesmo tempo, Paracelso estava bem ciente da diferença entre alquimia e química. A seguir, uma passagem muito citada de suas obras, quando a questão é retratar Paracelso como o fundador da química moderna: “Todas as snstâncias são venoosas, e nada é sem veneno, apenas a dose determina que uma substância seja não venenosa.”

Esta citação nos mostra que ele conhecia as características típicas da substância puramente química. Mas é também aparentemente uma contradição com a abordagem alquímica. Porque, enquanto o remédio não for preparado espagiricamente, o efeito sempre se mostra ligado à substância. O próprio Paracelso distinguiu precisamente entre as propriedades da matéria-prima não processada e da preparada quimicamente, por um lado, e as propriedades da preparação alquímica, por outro. Enquanto de acordo com Paracelsus na abordagem química a dosagem determina o veneno, isso não é verdade para a abordagem alquímica! A razão dessa diferença está no processo de dissociação dos arcanos, que é o elemento mais importante da Espagírica. Se aplicarmos a estrutura dada acima, podemos elucidar ainda mais essa diferença comumente incompreendida.

Separação Química: Os arcanos entre os extremos do veneno e do remédio são inseparáveis ​​da substância material, a menos que sejam dissociados via procedimento Alquímico. Ao usar extrações simples, também estamos aplicando um processo de separação. Certas substâncias aparecem no extrato, outras ficam no resíduo. Mas os alquimistas afirmam que uma simples extração não dissocia o “puro do impuro” (‘puri ab impuro’); é apenas um processo de separação.

Apenas a Putrefação pode levar à dissociação dos arcanos. Por enquanto, aceitaremos essa alegação como verdadeira e examinaremos as consequências que isso tem sobre os procedimentos químicos. O extrato também contém os arcanos sem alterá-los; na melhor das hipóteses, aumentamos sua concentração se os compostos ativos que carregam os arcanos forem dissolvidos no extrato. Podemos então reduzir a dosagem, mas em princípio não mudamos nada. Dependendo da dosagem, o homem ainda está confinado ao alcance efetivo dos arcanos entre veneno e remédio.

Substância Bruta:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
(separação química)

Remédio Químico:

Veneno  ⬅️        Arcana        ➡️  Remédio
⬇️                            ⬇️
⬇️                            ⬇️
⬇️                            ⬇️  


Veneno  ⬅️Substancias isoladas➡️ Remédio

   Ilustração 5: Nas preparações químicas os arcanos não são alterados estruturalmente. Eles continuam a afetar o homem na polaridade ‘Veneno’ e ‘Remédio’.

Dissociação Espagírica: Em contraste, a Putrefação dos Alquimistas leva a uma mudança na estrutura interna dos arcanos. O Alquimista sabe exaltar (elevar) os Arcanos para que não haja mais efeitos venenosos sobre o homem. Os mesmos arcanos são transmitidos através de um remédio alquímico, mas são alterados na medida em que têm um efeito unicamente harmonizador sobre o organismo humano. Efeitos destrutivos não são mais possíveis. Esse fato pode ser resumido na seguinte frase: O remédio é dissociado do veneno. (Dissociação do ‘Falso’ do ‘Verdadeiro’). E ainda assim a polaridade é preservada! Porque o pólo que anteriormente chamamos de “remédio” é em si mesmo de natureza dual. O remédio mostra um lado nobre e um lado menos nobre. Mas em relação ao homem ambos os pólos têm um efeito curativo, porque através do processo espagírico todas as energias destrutivas (venenos) foram eliminadas. Este é o aspecto invisível da dissociação alquímica (ilustração abaixo). Em um processo paralelo, os arcanos também são separados de sua substância portadora física: é possível isolar, por métodos simples de separação, apenas aquelas substâncias químicas que servem como portadores ótimos dos arcanos em sua forma exaltada. Todos os elementos que obstruem o efeito do remédio são eliminados. A essência espagírica emerge assim também em uma forma externamente purificada. Este é o aspecto visível da dissociação alquímica.

Substância Bruta:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
(separação química)

Dissociação Espagírica:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
❌                      ⬇️
⬇️
⬇️
Menos Nobre  ⬅️Remédio➡️ Mais Nobre

Ilustração: Na preparação espagírica há sempre primeiro uma mudança na estrutura interna dos arcanos. Somente o pólo remédio dos arcanos afeta o homem. Mas a polaridade do poder de cura também tem uma natureza dupla, que é indicada pelo sinal + (para o aspecto nobre) e pelo sinal – (para o aspecto menos nobre).

Uma citação da “Carruagem Triunfante do Antimônio” de Basilius Valentinus ilustra esses pensamentos. Seu texto trata do processamento espagírico do antimônio, que na época era o nome do minério de sulfeto de antimônio (stibnita). Como a base teórica da Espagírica é universal, também podemos consultar um trabalho sobre minerais para fins de ilustração. Veremos que os parágrafos acima correspondem exatamente ao pensamento alquímico em geral.

Basil Valentine tem plena consciência de que o antimônio comum é venenoso e inutilizável como remédio: … “É por isso que ninguém o usa – porque é venenoso.” Mas isso muda à medida que o espagirista processa o antimônio: “Depois da correta e verdadeira preparação do antimônio não há mais nenhum veneno presente, o antimônio deve ser totalmente e completamente modificado pela arte espagírica, para que o veneno possa se transformar em um remédio. Sem tal preparação você não terá uso do antimônio, mas virá a causar danos e problemas.” Ele descreve o processo de dissociar o puro e o impuro, o veneno e o remédio da seguinte forma: “Você deve cuidadosamente dissociar o Antimônio, o bom do ruim, o fixo, do não-fixo e o remédio do veneno, para que assim possa resultar em verdade e honra… Ninguém deve se surpreender que nós dissociemos o puro do impuro, o veneno do remédio… porque isso é provado no trabalho diário da experiência do Proba… Porque o veneno é removido pelo processo de dissociação e a mudança do mal ao bem ocorre.. é assim que o fogo trás a dissociação do veneno e do remédio, do bem e do mal.”

Os Três Princípios Alquímicos

Estabelecemos que os alquimistas entendiam os arcanos como os poderes invisíveis de cura em uma forma material específica. O arcano aparece como uma polaridade entre o veneno e o remédio em relação a um terceiro princípio, o organismo humano. Mas os arcanos são energias invisíveis escondidas na substância, que é apenas seu portador ou matriz. Dissemos também que o processo espagírico é distinto do método químico na medida em que provoca uma mudança na estrutura interna dos arcanos por meio da Putrefação. Foi assim que descrevemos o processo espagírico fundamental de dissociação. Mas isso ainda não é o suficiente para explicar o mecanismo da mudança nos arcanos e na substância. Ainda não está claro o que permite a transmutação de um veneno em um agente curativo.

Para responder a esta questão, temos que olhar mais de perto os arcanos: Os alquimistas afirmam que tudo na natureza consiste em três princípios essenciais, que eles denominaram Sal (sal), Sulfur (enxofre) e Mercurius (mercúrio): “Estes três – mercúrio, enxofre e sal – nunca estão sem o outro; onde você encontra um, há sempre todos os três unidos, e em todo o mundo não há nada que não consista desses três – e destes três é feito tudo o que está no mundo.”

Ilustração: Os três princípios alquímicos e seus símbolos

É claro que os três princípios não são idênticos ao que hoje entendemos como mercúrio, enxofre ou sal químicos. Repetidamente este fato tem levado e leva a mal-entendidos. No entanto, as palavras não foram escolhidas aleatoriamente – as propriedades do sal comum, mercúrio e enxofre correspondem fenomenologicamente às propriedades dos princípios alquímicos abstratos. Curiosamente, os três princípios alquímicos encontram uma representação surpreendente na física. Contemplando a descrição de uma vibração física, cuja forma mais simples é a curva seno ou cosseno, podemos distinguir três parâmetros que descrevem completamente uma curva:

1. A forma da curva, no nosso caso senos ou cossenos. Esta é uma expressão da qualidade, a maneira como algo vibra ou como vibra.

2. A amplitude, que é a medida para a quantidade ou grau de desvio do meio

3. A frequência ou o número de vibrações por unidade de tempo, que é uma medida para o movimento da vibração, sua excitação.

Cada vibração – por mais complicada que seja – pode ser demonstrada como um padrão de interferência único de vibrações harmônicas (análise de Fourier). A forma ou qualidade de uma vibração mais complicada é expressa no espectro de frequências, a quantidade de amplitudes – sendo a amplitude total composta pela soma das amplitudes individuais – e também a própria frequência que define a vibração. Podemos comparar essas formas de definir uma curva com a descrição dos três princípios alquímicos, como os encontramos nos textos alquímicos:

O sal é o princípio de condensação e endurecimento, que permite a coesão da matéria. O sal também pode ser chamado de princípio de fixação ou firmeza. É o componente material ou estático (fixo) em todas as coisas, a corporeidade da substância e da materialização. Depois de submeter uma substância ao fogo, o Sal permanece como a parte indestrutível da substância – sem forma. Assim, podemos caracterizar o Sal também como relacionado à quantidade (amplitude). Em relação ao homem, Sal significa o corpo físico como um todo.

O enxofre é a propriedade característica de uma substância. Ele define a essência, a alma. O enxofre nos mostra com o que estamos lidando – denota forma, cor, forma e outras propriedades características. O enxofre também indica quão bem uma substância queima. Assim, Enxofre refere-se à qualidade de uma substância. No homem, o enxofre significa a alma.

O princípio do movimento está contido em Mercúrio. Mercúrio é também o princípio vivificante, o espírito. Mercúrio é a energia vital, a força motriz, despertando para a vida as qualidades específicas (Enxofre) dentro do corpo (Sal). Movimento é mudança, e mudança está ligada ao tempo. Mercúrio, portanto, relaciona-se com o conceito de frequência. No homem, o mercúrio é a essência da vida ou espírito.

Sal, Enxofre e Mercúrio (corpo, alma e espírito) são, portanto, análogos às propriedades físicas que descrevem exaustivamente uma vibração. Mas, de acordo com a física moderna, tudo o que é material nada mais é do que energia – energia vibratória. Nesse contexto, a afirmação dos alquimistas de que tudo consiste em três princípios básicos é surpreendentemente relevante e significativa.

Sal Sulfur Mercurius
Sal Enxofre Mercurio
Amplitude Forma da Curva Frequência
Quantidade Qualidade Movimento
Ser Físico Gestalt, Essência Energia Vital, Mutabilitade
Corpo Alma Espírito

Ilustração: Algumas analogias para os três princípios alquímicos

Agora podemos entender melhor o significado abstrato dos três princípios. Mas temos que ter em mente que Sal, Enxofre e Mercúrio também podem se manifestar fisicamente. Todo princípio se materializa na forma física de acordo com suas propriedades. Também temos que considerar a polaridade do visível e do invisível. As três manifestações materiais juntas formam o “Corpus”, que percebemos com nossos sentidos; suas potências internas de poder, porém, os tríplices arcanos, permanecem invisíveis É somente através do processo espagírico que o Corpus pode ser destruído e Sal, Enxofre e Mercúrio, tanto em sua forma física quanto em sua forma invisível, podem ser acessados ​​para uso terapêutico.

Paracelso descreve o aspecto material dos três princípios da seguinte forma: “Há três substâncias que dão a cada coisa seu Corpus – três coisas compõem cada coisa física. Os nomes dessas três coisas são Enxofre, Mercúrio e Sal. Quando esses três são unidos em um, então isso é chamado de corpus… Então, em uma forma de qualquer corpus, estão contidas invisivelmente todas as três substâncias… por exemplo, se você pegar um pedaço de lenha na mão, então verá só uma coisa (corpo/corpus) … agora queime-o … o que queima é o enxofre – nada queima além do enxofre; a fumaça indica o Mercúrio – nada sublima além de Mercúrio, e o que você encontra como cinzas é Sal – nada sobra nas cinzas, senão Sal.”

A passagem a seguir explica o significado abstrato dos três princípios: “Sabemos assim que nos três princípios, tudo o que é quebrado ressuscita; uma árvore vazia de seu líquido (mercúrio) secaria, se o enxofre fosse retirado da árvore não teria forma e se o sal fosse retirado, não teria coesão, mas ele se desfaria como um barril sem o anel de ferro … “A manifestação visível e invisível dos três princípios torna-se ainda mais evidente quando as estamos rastreando em uma planta: “cada planta de acordo com sua natureza é composta de três coisas, ou seja, sal, enxofre e mercúrio: esses três se juntam e então formam um corpus, um ser unificado. .. Mas sabemos que forma esses três princípios assumem: um é um líquido e esse é o mercúrio, outro é um óleo e esse é o enxofre e um é alcalino e esse é o sal”.

Especificado quimicamente:

Sal: Os sais minerais solúveis lixiviados da substância vegetal calcinada são chamados de álcalis ou Sal. Este ao mesmo tempo é o princípio da fisicalidade – indestrutível pelo fogo – a quantidade.

Enxofre: As partes voláteis, oleosas e principalmente perfumadas da planta são o enxofre. Mais proeminentemente encontramos este princípio nos óleos essenciais. Essas substâncias que caracterizam cada planta também são uma ilustração adequada do modelo alquímico: o enxofre pode ser entendido como a alma ou essência de uma planta.

Mercúrio: Mercúrio foi definido como energia vital, como o princípio do movimento. É o espírito ainda invisível que só se manifesta após a putrefação (fermentação). Se fermentamos uma planta obtemos seu espírito como álcool etílico e outros produtos altamente voláteis da fermentação. Ainda hoje a palavra “espíritos” é usada para bebidas alcoólicas em referência a essa conexão. (Ilustração 10)! O princípio vivificante do mercúrio não está vinculado a nenhuma espécie de planta. Todas as plantas compartilham o princípio da vida. O ponto de vista alquímico explica assim facilmente que após a fermentação de diferentes espécies vegetais o mesmo espírito aparece na forma física (matriz química) do álcool etílico.

Ilustração: Forma material dos três princípios dentro das plantas (Corpo, Alma e Espírito), (Sais Minerais, Óleos Essenciais e Álcool)

A Estrutura Interna dos Arcanos

Agora podemos entender mais precisamente a estrutura interna dos arcanos: Os arcanos são, por um lado, a potência curativa ou poderes ocultos de cura da planta; por outro lado, estão vinculados à manifestação material da planta. Os arcanos são energias, mostrando-se em forma tríplice. A substância, como portadora dos arcanos, também espelha sua estrutura interna de forma tripla. Esses três princípios, invisíveis e visíveis, são chamados de Sal, Enxofre e Mercúrio. Os arcanos também estão sujeitos à polaridade. Definimos os dois pólos dessa polaridade como veneno e remédio. Podemos agora entender a polaridade do veneno e do remédio como um efeito da tríplice subestrutura dos arcanos. Assim podemos retratar.

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
↕️                       ↕️                        ↕️
Veneno  ⬅️           Sal         ➡️  Remédio
Veneno  ⬅️       Enxofre     ➡️  Remédio
Veneno  ⬅️       Mercúrio     ➡️  Remédio

Ilustração: Em sua estrutura interna, os arcanos mostram uma tripla polarização

Se quisermos liberar apenas o lado do remédio dos arcanos, temos que considerar corretamente sua estrutura interna. Só então podemos escolher o procedimento certo para alcançar uma completa dissociação e separação. Apenas assim podemos prosseguir na compreensão do processo espagírico básico.

O Processo Espagirico

O objetivo do processo espagírico é obter os arcanos – que definimos como energias de cura vibratórias – de tal forma que a preparação espagírica resultante contenha apenas frequências, amplitudes e formas curvas de cura que são benéficas para o organismo tratado. Todas as vibrações desarmônicas de frequência inferior devem ser eliminadas. Como poderes de cura invisíveis, os arcanos não podem ser acessados ​​diretamente, mas apenas indiretamente através da substância transportadora. Assim, é vital eliminar e separar todas as substâncias portadoras de materiais com baixas frequências, formas de curvas desarmônicas ou amplitudes ásperas (grossas). O procedimento mais fácil seria obter os arcanos em um  único passo – e fazê-lo como um todo – na forma de um remédio puro. Mas quando na prática processamos as plantas, percebemos que esse método de uma etapa é impossível. Se extraímos assim, partes essenciais da planta ficam no resíduo e sua quantidade depende do solvente. Se destilamos, obtemos apenas as partes voláteis, e todos os minerais são perdidos nesse processo. Se queimamos a planta, queimamos os óleos e substâncias etéreas típicos junto com os componentes orgânicos e os únicos resíduos são os componentes inorgânicos. Em suma, é impossível obter todos os três princípios ao mesmo tempo. A separação “química” de um princípio leva à destruição ou perda dos outros. Assim, só nos resta uma escolha: primeiro temos que deixar a planta morrer, ou seja, precisamos processá-la de maneira que os três princípios firmemente unidos na planta viva sejam dissociados sem destruição ou perda de nenhum princípio. Este primeiro passo de todos os processos espagíricos os alquimistas chamavam de Putrefatio (putrefação), Digestão, Fermentação etc. Há diferentes nomes para este processo, porque diferentes métodos são aplicados dependendo das substâncias que são a base da dissociação. Somente a putrefação pode dissociar os princípios alquímicos e separar sua polaridade inata de veneno e remédio. Somente a morte da substância possibilita o nascimento da essência pura. Um autor anônimo descreveu esse processo em 1782 da seguinte forma: “A morte é a putrefação, a separação do bem e do mal, do puro do impuro; através disso, o novo corpo e a tintura podem renascer. como uma folha de grama cresce de uma semente, assim também o corpo velho dá à luz o novo corpo através da putrefação.” Kirchweger diz: “Nós, portanto, começamos no portão principal da natureza – na chave e ponto de origem de todo nascimento, destruição e renascimento – sem esta chave não podemos sondar o fundo dos mistérios da Natureza, e esta chave é o ponto focal da arte da dissociação: chama-se putrefação… Portanto, não podemos esperar a verdadeira dissociação sem maceração, digestão ou fermentação … ”

Ilustração: Somente a morte permite o despertar para uma nova vida. Quem sabe isso colherá frutos abundantes (simbolizado pelo trigo na beira do túmulo) e acertará o alvo, ou seja, praticará com sucesso. A putrefação correta é a chave para toda a arte (veja a chave acima do alvo).

Tendo assim desvendado a substância, temos que separar os princípios uns dos outros. Somente após essa dissociação os procedimentos de separação “químicos” fazem algum sentido, pois os princípios dissociados podem agora ser isolados. Agora podemos obter Sal, Enxofre e Mercúrio sem destruir ou perder nenhum dos outros princípios. Para este fim são utilizados os processos de destilação, calcinação, etc. Mas não basta separar Sal, Enxofre e Mercúrio um do outro. Também temos que purificar cada princípio de acordo com sua polaridade inerente. A purificação é conseguida através do uso de um fogo externo. Porque cada substância pode ser purificada sem destruir sua essência no fogo.” No entanto, a temperatura certa deve ser aplicada, dependendo das propriedades específicas da substância. Exemplo: Os compostos de sal ativamente carregados são os únicos componentes que sendo sais amorfos são mortos e alquimicamente inúteis – por isso foram apropriadamente chamados de ‘caput mortuum’ (cabeça da morte). Se usarmos (relativamente falando) temperaturas muito altas na calcinação de uma planta, obtemos os componentes inorgânicos nas cinzas. Só neste ponto podemos dissolver os sais alquimicamente valiosos do ‘caput mortuum’, mas se quiséssemos fazer uma destilação para obter enxofre e mercúrio nas mesmas altas temperaturas, isso levaria à queima dos resíduos no frasco, inutilizando todo o destilado. Se finalmente separamos e purificamos os princípios, eles devem ser trazidos para uma nova unidade. Isso porque somente a conjunção do três princípios constituem os arcanos, que agora aparecem em uma nova e completa forma (Gestalt) como a potência ativa de cura sem a polaridade do veneno. Assim, o processo espagírico básico prossegue em quatro etapas:

1. A Putrefactio (Putrefação) ou fermentação
2. A Separatio (Separação) dos princípios
3. A Purificatio (Purificação) dos princípios
4. A Cohobatio (Coobação ou conjunção) dos princípios ou o casamento químico, produzindo a essência espagírica

Neste processo quaternário está o segredo da obtenção de preparações espagíricas. Agora podemos ver que  tinturas comuns, extrações, decocções etc., só em parte podem fazer uso dos poderes curativos das plantas. Nessas preparações, os três princípios não são completos, nem purificados, nem combinados em suas propriedades curativas. Também o processo de putrefação – tão essencial à dissociação dos três princípios – está ausente nos procedimentos químicos. Portanto, os ‘quimistas’ nunca podem libertar um princípio sem destruir outros ao mesmo tempo. Em contraste, a preparação espagírica “desbloqueia” completamente a planta, de modo que o caminho é aberto para a obtenção da essência espagírica contendo apenas os princípios purificados.

Traduçao: Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-compreensao-espagirica-dos-remedios/

O mito da caverna comentado, parte 2

Texto de Platão em “A República”. Os comentários ao final são meus.

continuando da parte 1

Sócrates – E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco – Com toda a certeza.

Sócrates – E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco – Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates – Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz [5].

Glauco – Sem dúvida.

Sócrates – Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco – Necessariamente.

Sócrates – Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna [6].

Glauco – É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates – Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco – Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates – E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia? [7]

Glauco – Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates – Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco – Por certo que sim.

Sócrates – E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? [8] E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco – Sem nenhuma dúvida.

Sócrates – Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível [9], não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco – Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la [10].

(Platão, A República, v. II p. 105 a 109)

***
[5] Na metáfora Sócrates discorre sobre o processo de evolução do conhecimento, e como ele necessita ocorrer passo a passo, gradativamente.
[6] Buscar o que sustenta a Criação, ou “porque existe algo e não nada”, é o estágio primordial da evolução do conhecimento – onde ela também pode ser confundida, não sem razão, com uma evolução espiritual. Não importa o que dizem os materialistas atuais, foi buscando a Deus que os grandes cientistas comporam suas equações e os grandes filósofos pautaram sua lógica. Qual Deus buscavam eles, entretanto, é algo próprio de cada um deles…
[7] Lembremos que não se trata de mudar de uma realidade para outra, e sim de retroceder a uma vida de ignorância. Ainda que quisesse, entretanto, já não mais conseguiria. Quem vê a luz uma vez e a compreende, jamais voltará a enxergar sombras.
[8] Aquele que compreende a essência das coisas – que sai da caverna – se torna um ser modificado. O que antes lhe interessava na vida dentro da caverna, não lhe interessa mais… Dessa forma, mesmo seus familiares e amigos mais próximos vão estranhar seu comportamento.

É isso precisamente o que ocorre com todos aqueles que “se iniciam” nos estudos mais profundos em filosofia, religião ou ciência. Um físico não conseguirá mais ignorar o baile de partículas do Cosmos, um budista não conseguirá mais ignorar o que compreende em suas meditações, e um filósofo não conseguirá mais viver sem o eterno exercício dos questionamentos existenciais… E todos esses serão agora “estranhos no ninho”, “excêntricos”, “loucos”, “nerds”, etc.
Isso não quer dizer que todo louco seja sábio. Muitas vezes, é apenas louco mesmo. Eis que os sábios são ainda muito poucos, e esta é a razão do mundo ser como é. Tolstói já dizia: “Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”.
[9] O “mundo inteligível” não é um céu localizado fisicamente em algum lugar. Nem a “subida da alma” é uma elevação a esse céu mítico. O céu está na consciência de cada um, assim como a ascenção da alma corresponde a ascenção do conhecimento de si mesmo e da essência das coisas. Repito: não é o mundo que muda, somos nós!
[10] Platão nunca afirmou que compreendeu totalmente Sócrates. Eu não afirmo que compreendi totalmente este mito. Da mesma forma, Krishna, Lao Tsé, Buda, Jesus e tantos outros sábios jamais foram compreendidos totalmente, exceto pelos seres de igual estatura espiritual – muito provavelmente não estamos ainda entre eles.

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Crédito da foto: Diana Oliveros

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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#Filosofia #Mitologia #Platão #Sócrates

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-da-caverna-comentado-parte-2

23 Perguntas para Robert Anton Wilson

Robert Anton Wilson “é” aquele que não é “é”. Talvez possamos descrevê-lo como um filósofo psicodélico, um trapaceiro pós-moderno, um comediante intelectual, um tornado que atravessa a psique. Ele ganhou destaque como editor da Playboy na década de 1960. Durante esse tempo de magia ele se envolveu com os Discordianos, uma “nova religião disfarçada de uma piada complicada”, ou “uma piada complicada disfarçada de uma nova religião”. Junto com Robert Shea, ele é co-autor do Illuminatus! trilogia de romances, um trabalho alucinante (de ficção?) que teceu várias teorias da conspiração e elevou o Discordianismo a um verdadeiro status de culto. Amigo próximo de Timothy Leary, ele compartilhava as paixões do Dr. Leary pela psicologia radical e pelo futurismo. Seu livro Prometheus Rising fundiu o agnosticismo ao modelo ao modelo de 8 circuitos do cérebro de Leary para criar um sistema que ensinou as pessoas a desconstruir sistemas dogmáticos de crenças pessoais. Seus inúmeros outros livros exploraram tópicos como mecânica quântica, universos alternativos, sistemas lógicos não aristotélicos, magia sexual, Wilhelm Reich, James Joyce e Orson Welles. Sua abordagem do modelo agnóstico para a investigação o torna um escritor único, um dos poucos que podem escorregar perfeitamente do pensamento científico racionalista para a especulação metafísica não materialista.

Embora tenha lutado contra a síndrome pós-pólio nos últimos anos, ele continua ativo na propagação de suas várias paixões (N.T RAW morreu em 2007) O filme de 2003 Maybe Logic de Lance Bauscher, Cody McClintock e Robert Dofflemyer, explorou e apresentou conceitos wilsonianos envoltos em cores e ritmos sutis, mas explosivos, um tributo adequado às suas ideias. Este projeto deu origem à Maybe Logic Academy, um instituto de aprendizagem que é
“baseada na filosofia e na perspectiva da lógica do talvez, uma abordagem que enfatiza a falibilidade e a relatividade da percepção e tende a abordar informações e observações com perguntas, probabilidades e múltiplas perspectivas em vez de verdades absolutas.” A New Falcon Publications pretende publicar em breve seu novo livro Email To The Universe (N.T: Publicado em 2005).

A entrevista que segue foi concedida a revista MungBeih entre 2004-2005.

Você tem um novo livro saindo chamado “Tale of the Tribe”. Sobre o que será?

Mudei o título para EMAIL TO THE UNIVERSE. É sobre James Joyce, taoísmo, internet e Aleister Crowley, além da minha loucura de sempre.

Parece que muitos de seus escritos se conectaram com as pessoas e talvez até influenciaram seus pensamentos e atividades. Por causa desse efeito em sua base de fãs, alguns sugeriram que você se tornou uma “figura cult”. Isso parece apropriado, dada sua participação inicial na Sociedade Discordiana e seus muitos escritos sobre os Illuminati (um culto secreto que pode ou não existir), referências a Eris, maçãs douradas, a Lei dos Cincos, o número 23, bem como outras ideias relacionadas. Os memes que você enviou ao mundo vinte, trinta anos atrás continuam a prosperar e florescer. Como você se sente sobre esse legado de ter semeado uma diversidade de memes ecléticos?

É ao mesmo tempo agradável e lisonjeiro, é claro, mas me sentirei muito mais feliz quando a Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico forem semeadas tão amplamente, ou até mais amplamente.

Vamos semeá-los mais amplamente aqui! Você pode explicar aos nossos leitores o que (Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico) são?

A Lógica do Talvez é um rótulo que ficou preso entre minhas ideias pelo cineasta Lance Bauscher. Eu decidi que se encaixa. Eu certamente reconheço sua importância central em meu pensamento – ou em meus esforços vacilantes e desajeitados para pensar em sistemas não-aristotélicos. Isso inclui a lógica de três valores de von Neumann [verdadeiro, falso, talvez], a lógica de quatro valores de Rappoport [verdadeiro, falso, indeterminado, sem sentido], a lógica multivalorada de Korzybski [graus de probabilidade.] e também o paradoxo lógico do Budismo Mahayana [É A, não é A, é A e Não-A, Não é A nem Não-A]. Mas, como um sujeito extraordinariamente estúpido, não posso usar tais sistemas até reduzi-los a termos que uma mente simples como a minha possa lidar, então apenas prego que todos nós pensaríamos e agiríamos com mais sensatez se usássemos o “talvez “com muito mais frequência. Você pode imaginar um mundo com Jerry Falwell gritando “Talvez Jesus seja o filho de Deus e talvez ele odeie os gays tanto quanto eu” – ou os minaretes do Islã ressoando com “Talvez Não exista Deus exceto talvez Alá e talvez Maomé seja seu profeta”?

A lei Snafu (NT: S.N.A.F.U: “Status Nominal: All Fucked Up”) afirma que, quanto maior o seu poder de punir, menos feedback factual você receberá. Se você pode demitir pessoas por dizerem o que você não quer ouvir, você só vai ouvir o que você quer. Esta lei parece se aplicar a todas as engenhocas autoritárias, especialmente governos e corporações. Concretamente, suspeito que Bozo (NT. Robert chamava George Bush de Bozo) saiba menos sobre o mundo do que qualquer caçador de cães em Biloxi (Mississipi).

A lei do Babaca Cósmico (N.T: Cosmic Schmuck) afirma que [1] quanto mais frequentemente você suspeitar que pode estar pensando ou agindo como um Babaca, menos Babaca Cósmico você se tornará, ano após ano, e [2] enquanto você nunca suspeitar que pode pensar ou agir como um Babaca, você permanecerá sendo um Babaca Cósmico por toda a vida.

O E-prime pode revolucionar a língua inglesa?

Espero que sim, mas precisa de ajuda, como mais computadores online e mais maconha. MUITO mais maconha. (N.T: E-prime é a versão revisada da língua inglesa que exclui todas as formas do verbo to be, incluindo todas as conjugações, contrações e formas arcaicas.)

Qual é o propósito da sua Maybe Logic Academy e quem mais está envolvido? E o que diabos está acontecendo lá?

Quero usar a Internet para acelerar a evolução humana substituindo decisões baseadas na fé por decisões baseadas em pesquisa. Os demais têm objetivos semelhantes ou compatíveis. Nossos líderes de classe incluem R.U. Sirius, ciberfilósofo; Patricia Monaghan, pesquisadora da deusa; Alan Clements, monge budista e ativista; Peter Caroll, matemático e inventor da magia do Caos; Douglas Rushkoff, especialista em mídia; e outros se juntarão em breve.

Você escreveu extensivamente (e encontrou novas aplicações para) várias teorias científicas, particularmente no campo da mecânica quântica. No entanto, você manteve uma distância crítica do establishment científico, uma espécie de voz herética e um cético em relação ao ceticismo. Você costuma citar a história do Dr. Wilhelm Reich como um exemplo de autoridade enlouquecida. O governo dos Estados Unidos destruiu grande parte do trabalho controverso do Dr. Reich, e ninguém, especialmente colegas cientistas, deu um passo à frente em protesto ou defesa. A ciência deveria ser sobre inovação, mas poucos cientistas parecem capazes de revisar suas teorias favoritas uma vez que tenham sido aceitas. Acho que é por isso que muitos acharam chocante quando Stephen Hawking recentemente saiu e disse: “Eu estava errado sobre os buracos negros”. Ninguém está acostumado a ver figuras respeitadas revisando ou descartando suas crenças arraigadas. Qual é a importância da heresia, ceticismo e ideação heterodoxa para o avanço da ciência?

Deixe-me fazer uma diferença entre o método científico e a neurologia do cientista individual. O método científico sempre dependeu do feedback [ou flip-flop, como os czaristas chamam]; Portanto, considero-a a forma mais elevada de inteligência de grupo até agora desenvolvida neste planeta atrasado. Já o cientista individual parece ser um animal completamente diferente. Os que conheci parecem tão apaixonados e, portanto, tão egoístas e preconceituosos quanto pintores, bailarinas ou mesmo, Deus salve a classe, escritores. Minha esperança está no próprio sistema de feedback, não em qualquer suposta santidade dos indivíduos no sistema.

Com seu auto-entitulado modelo agnóstico você desconstruiu todos os tipos de sistemas de crenças (BS) em seus livros. Em Prometheus Rising você encorajou as pessoas a entrar conscientemente em tantos túneis de realidade diferentes quanto possível, para examinar suas crenças de múltiplos pontos de vista. A cultura humana está repleta de pessoas zelosamente apegadas a várias ortodoxias e ideologias. O choque de sistemas de crenças fundamentais muitas vezes provou ser destrutivo para a humanidade. O que será necessário para sacudir as pessoas de seus dogmas?

Em uma palavra, Internet. Desde que li Cybernetics: Control and Communication in the Animal and the Machine, de Wiener, em 1948, pensei em “inteligência” como uma função de feedback. Quanto mais feedback, maior a “inteligência” mensurável, e quanto menos feedback, menos “inteligência”. À medida que o computador deu origem à Net e à Web, o feedback aumentou exponencialmente. Como R. U. Sirius escreveu recentemente: “A ascensão da Net e da Web representa uma vitória para a contracultura e a subcultura. A próxima geração, criada na Net como seu principal meio, nem mesmo saberá o que é a realidade consensual.” Em outras palavras, feedback e Lógica do Talvez formam um círculo que gira cada vez mais rápido. Os czaristas temem e odeiam – eles chamam de “flip-flopping” – mas caracteriza todos os sistemas de alta inteligência, eletrônicos ou protoplasmáticos.

Concordo que a internet parece ser um produto de um sistema de feedback tão acelerado. Isso é algo que podemos testemunhar em cada interação online. Mas, tem havido muita conversa após o 11 de setembro de um sinistro espectro totalitário pairando sobre nós, que o Grande Irmão de Orwell está finalmente aqui. Existem conspirologistas que acreditam que a internet, tendo surgido do Pentágono, nunca foi nada mais do que uma trama do Big Brotherista, e que pessoas como RU Sirius, John Perry Barlow e outros filósofos da Era da Informação são tolos (in)conscientemente fornecendo uma fachada libertária para esta vasta conspiração. E se a internet não for nada mais do que o mais recente método czarista de controle e coleta de informações?

Bem, então estamos afundados, não é? Felizmente, não existe nenhuma razão lógica ou factual para acreditar nessa fantasia paranóica, e ela é diretamente contrariada pela matemática difícil de Wiener e Shannon sobre “redundância de controle” em sistemas de feedback. O que Juang Jou disse sobre o universo há 2.400 anos é ainda mais verdadeiro nas 4.285.199.774 URLs de computador online hoje – [21 de agosto de 2004] – “não há governador em lugar nenhum”.

Falando em 11 de setembro e no Pentágono, um dia depois que o avião abriu um buraco na lateral do prédio, imediatamente pensei no livro Illuminatus que você escreveu com Robert Shea. Nele, o Pentágono de cinco lados aprisiona uma besta sobrenatural chamada Yog Sothoth. Se esse ghoul escapasse, a humanidade testemunharia a imanentização escatológica. Esta parece ser a metáfora mais adequada para o atual clima cultural milenar que eu já vi. Então, de certa forma, Yog Sothoth foi eliminado naquele dia?

Não tomemos metáforas muito literalmente. Admito que Bozo tem muito em comum com Yog Sothoth, e que ele até tem as mesmas iniciais de GWB666 em Schrödinger’s Cat, mas considero isso como acertos acidentais. Não me considero um profeta adormecido.

Quão perto estamos da imanentização escatológica?

O escaton foi imanentizado há 5 anos, quando os Supremos cancelaram a eleição e nomearam GWB – a Grande Besta Selvagem – para a Casa Branca.

Você escreveu um artigo convincente após a eleição presidencial de 2000 nos EUA, no qual apontou uma daquelas coisas óbvias que a maioria das pessoas não percebeu: enquanto 50% dos eleitores elegíveis dividem seus votos entre Bush e Gore, os outros 50% conscientemente escolheram votar em Ninguém. (Na verdade, tenho argumentado que, como crianças, prisioneiros, estrangeiros e outras pessoas desprivilegiadas não podiam votar, Bush só conseguiu um mandato de cerca de 14% do povo americano. Chega de “metade do país” apoiando-o, Você também teorizou que um nefasto e neo-autocrático “Governo de Ocupação Czarista” (TSOG) controla o aparelho do Estado. Foda-se o velho debate democrata versus republicano. Diga-me, como você acha que o Ninguém e o TSOG se sairão nas próximas eleições presidenciais?

Presumo que as pessoas mais inteligentes continuarão a votar em Ninguém, e a maioria idiota dividirá seus votos igualmente, dependendo de qual dos dois multimilionários Skull-and-bones tem mais sex appeal. Isso realmente não parece importar: se as pessoas preferem marginalmente o candidato “errado”, a Suprema Corte certamente os “corrige” novamente. O TSOG parece uma doença confortável, como a morte por doença do sono. Após 7000 anos de ‘Authoritaria’.

No patriarcado, a maioria das pessoas aceita o czarismo e, na América aquela constituição incômoda imposta a eles por alguns maçons intelectuais.

Esta declaração lembra a Psicologia de Massa do Fascismo de Reich. Parece que há uma desconfiança pública massiva e generalizada e desgosto na política e no governo, não apenas nos EUA, mas em muitas partes do mundo. Por que os cidadãos são tão leais a sistemas e líderes pelos quais reconhecidamente não têm respeito?

Raymond Chandler, que serviu como tenente de infantaria na Primeira Guerra Mundial, apontou o mesmo paradoxo em menor escala: ao atacar um inimigo, as tropas são estatisticamente mais seguras se espalhadas amplamente, mas todas mostram uma tendência a se agrupar perto do tenente, aumentando assim o risco. Isso parece um programa de vertebrados [mesmo pré-mamífero] programado. Além disso, temos mais de 7.000 anos de condicionamento autoritário documentado por Reich. Parece bastante sombrio, não é? Meu otimismo se baseia no fato de que, historicamente, em situações de emergência, as pessoas muitas vezes sofrem mutações de maneiras imprevisíveis e criativas. Como disse John Adams, a Revolução Americana ocorreu “nas mentes das pessoas nos 15 anos antes do primeiro tiro ser disparado”. Suspeito que uma revolução semelhante esteja ocorrendo nas mentes de pessoas educadas em todo o mundo.

Em todo o cenário pós-eleitoral, tem-se falado muito de uma “América dividida”, com especialistas traçando uma linha dura entre “estados azuis” e “estados vermelhos”. Esta linha é ilusória?

Suspeito que todas as linhas existam apenas em nossas mentes – especialmente linhas políticas. O universo parece mais um caos dançante do que um caderno pautado.

Estamos vivendo na Roma de Phillip K. Dick?

Bem, Phil certamente morava lá. Sinto-me mais como se vivesse na Rússia czarista. Às vezes penso em mim como o último dezembrista – e se isso parece obscuro ou muito esquisito, basta definir seu mecanismo de busca para “dezembristas + Illuminati” e grok em sua plenitude as URLs que aparecem. De qualquer forma, certamente não vivemos em uma democracia constitucional. Tenho quase 99.999999999999999999999999999999% de certeza disso.

Quando estou severamente deprimido, ou severamente chapado, sou capaz de realmente *sentir* a Roma de Dick, não apenas grocá-la como um conceito intelectual. Para mim, este túnel da realidade está cheio de emoção, paranóia, ilusão, sincronicidade, simbologia, metáfora, consciência aumentada. Alguma vez vai além da teoria para você? Você *sente* a Rússia czarista?

Freqüentemente — especialmente quando testo meu desapego budista tentando ouvir “nossos” líderes sem rosnar ou xingar baixinho. Sinto-me como os dezembristas, de forma muito pungente. Mas também identifico muito os fundadores desta República moribunda. Eles sabiam que a Constituição sozinha não poderia conter os desejos de poder de Certos Tipos e avisaram que precisávamos de vigilância eterna – – mas eles só poderiam nos dar a Constituição, não a vigilância. Infelizmente!

Parece, então, que a democracia é uma capa para a autocracia. Foi sempre assim? Ou a história está retrocedendo, traímos coletivamente o Iluminismo?

Primeiro, minha paixão se volta para a democracia CONSTITUCIONAL, não apenas a “democracia” em geral, que temo tanto quanto nossos fundadores. Eu quero LIMITES no governo, claramente definidos e virtualmente “gravados em pedra”. Como John Adams escreveu: “Meu credo é que despotismo ou poder absoluto é o mesmo na maioria de uma assembléia popular, em um conselho aristocrático, em uma junta oligárquica ou em um único imperador – igualmente arbitrário, sangrento e em todos os aspectos diabólico”. Eu concordo totalmente. Sim, acho que perdemos muita luz ultimamente – e por “nós” quero dizer tanto os políticos quanto as massas.

Você teve que lutar pelo seu direito de usar maconha medicinalmente. Como você se tornou ativista?

Desde 1959 eu “ativo” por várias causas, porque tenho esse tipo de temperamento. Eu me envolvi ativamente na causa da maconha medicinal muito antes de meus sintomas pós-pólio tornarem a maconha necessária no meu próprio caso. Agora, preso em uma cadeira de rodas a maior parte do dia, me sinto não apenas ativado, mas superativado. Sustentei uma esposa e quatro filhos a maior parte da minha vida. Tenho 35 livros impressos. NEW SCIENTIST chamou minha trilogia CAT de “o mais científico de todos os romances de ficção científica”. Agora, aos 73 anos, sou tratado como uma criança pelo TSOG – assim como meu médico, um médico totalmente qualificado.  Se consultando algumas organizações baseadas na fé que para citar George Carlin são “incrivelmente cheios de merda.” Se você quiser a visão de organizações baseadas em pesquisa terá que se esforçar.

Você fundou recentemente o Guns & Dope Party para combater os excessos do czarismo. Quais são alguns dos princípios centrais da plataforma do seu partido?

– Armas para quem as quer; sem armas impostas a quem não as quer [Quakers, Amish, pacifistas em geral etc.]
– Drogas para quem as quer; sem drogas impostas a quem não as quer [Cientistas Cristãos, herbalistas, homeopatas etc]
– União Bípede – direitos iguais para avestruzes
– Tributação voluntária: você paga pelos programas governamentais que deseja; você não paga um centavo por nenhum programa que não queira.

Você acha que as Zonas Autônomas Temporárias ou Utopias Piratas têm potencial para serem paraísos livres do TSOG?

Temporariamente. Somente a Internet cria a possibilidade real de uma Zona Autônoma Global. Acho que todos os problemas foram resolvidos e serão resolvidos por [a] mais informações e [b] transmissão de informações mais rápida e onipresente.

O conceito de conspiração tem se destacado em seus escritos por décadas. O que mais te fascina no conceito de teoria da conspiração?

Meu maior interesse permanece, como eu disse, na área de lógica não-aristotélica, e por volta de 1969 Bob Shea e eu tivemos a ideia de escrever um romance engraçado aplicando A Lógica do Talvez à arena da conspiração. O resultado, ILLUMINATUS foi tão longe fora dos túneis de realidade de consenso que levamos cinco anos para publicá-lo, e agora, há 30 anos, continuo recebendo feedback de dois grupos que não conseguem lidar com o conceito de “talvez”, de forma alguma. O primeiro grupo acredita fervorosamente, sem sombra de dúvida, que endossei as ideias mais loucas que discuti e, portanto, me considera um maluco perigoso. O segundo grupo tem uma crença igualmente ardente de que eu trabalho para o departamento de desinformação da CIA e quero fazer todas as teorias da conspiração parecerem igualmente malucas. Já escrevi dezenas de livros sobre outros assuntos, mas essas duas gangues provocam continuamente meu senso de humor chapado, então sempre me rendo à tentação de me divertir um pouco mais com eles…

A Conspiriologia está muito grande nos dias de hoje. Por que você acha que as pessoas são tão atraídas por ideias especulativas?

Como um Baba Cósmico confesso, não afirmo “saber” a resposta para isso – ou qualquer outra coisa – mas tenho certas suspeitas persistentes. Suspeito, por exemplo, que “o establishment” – ou seja, o TSOG e a mídia corporativa – contaram tantas mentiras ultrajantes que ninguém realmente confia mais neles. As armas de destruição em massa no Iraque ainda permanecem escondidas da percepção humana. Depois que essa mentira desmoronou, o TSOG não apareceu apenas cheio de merda; parecia, para citar Carlin novamente, que parece incrivelmente cheio de merda. Então, naturalmente, cresceu um mercado para explicações sobre o que diabos realmente motiva Bozo e sua gangue. Considero meu trabalho como aplicar a mesma crítica mordaz a todos os modelos que tentam insinuar que o modelista realmente sabe mais do que eu e não apenas adivinha, especula e tateia no escuro, como admito que faço.

Você é bem conhecido por seu trabalho explorando teorias especulativas e esotéricas. Em livros como Sex and Drugs e na série Cosmic Trigger, você escreveu sobre experimentação com magia oculta. Refletindo sobre suas inúmeras incursões nesses mundos estranhos onde a Ciência teme pisar, quais são os “segredos” mais interessantes que você descobriu?

O mesmo que descobri simultaneamente no budismo e na física quântica: ou seja, a suposta “muralha” entre “eu” e “o mundo” não existe. Limpar o pensamento e a linguagem dessa divisão fictícia aumenta imensamente a clareza. Ah, sim, e melhora seu senso de humor também!

Vamos encerrar com um pouco de humor. Você pode me contar uma boa piada?

Três caras estão bebendo e discutindo em um bar. “Eu lhe digo que deve ser escrito W-O-O-O-M”, diz o primeiro dogmaticamente.
“E eu ainda digo que W-H-O-O-M soa melhor”, o segundo conta.
“Não, não, não”, diz o terceiro. “É definitivamente W-H-O-M-B-B.”
“Vocês todos entenderam errado”, diz a ginecologista na mesa ao lado. “É W-O-M-B.” (NT: Útero) Eles a encaram friamente. “Senhora”, diz o primeiro, “é óbvio que você nunca ouviu um elefante peidar.”

Bônus: Maybe Logic (documentário completo)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/23-perguntas-para-robert-anton-wilson/

Astrologia: Alavanca ou Muleta?

Por Divani Terçarolli

Quem ama a Astrologia e a conhece de fato, sabe o quanto ela é verdadeira e conhece seu potencial inesgotável de elucidar vários aspectos de nossa vida – material, emocional, espiritual, etc. Infelizmente a maioria das pessoas ainda não descobriu o valor desse saber milenar e a vê como coisa de pessoas supersticiosas, influenciáveis ou intelectualmente carentes.

Muitos astrólogos têm dedicado suas vidas a esclarecer as pessoas sobre a natureza e a utilidade prática da Astrologia. A CNA – Central Nacional de Astrologia tem feito isto pelo Brasil afora. É nossa vocação defender a Astrologia. Deve ser a paixão que nutrimos por essa ‘velha senhora’ que faz de cada um de nós um leão quando se trata de defendê-la.

Mas todo esse esforço se torna em vão quando muitas pessoas, que tiveram acesso ao conhecimento astrológico, dele se valem para justificar atitudes equivocadas e até grosseiras. É comum ouvir pessoas dizendo que são do jeito que são porque tem Saturno ou Plutão no Ascendente ou Lua em quadratura com este ou aquele planeta. Eu, particularmente, fico perplexa com isso. Afinal, a Astrologia não é para o autoconhecimento? E de que vale sabermos que somos desse ou daquele jeito, que temos esta ou aquela deficiência, se nada fazemos para melhorar? Conhecer-se deveria ser a senha para procurar lapidar a si mesmo, não é? Quem utiliza a influência astrológica como desculpa esfarrapada para suas dificuldades pessoais não merece a Astrologia, não está à altura desse conhecimento sagrado, pois como todos sabem os planetas não causam os acontecimentos, apenas os refletem, assim como o relógio não cria o tempo, apenas o mede.

A Astrologia constitui uma excelente ferramenta de diagnóstico. Infelizmente ela não trata. Não temos como saber o que a pessoa vai fazer com a informação que obtém. Mas como se diz por ai “o primeiro passo para a cura é reconhecer que estamos doentes’.

O valor da Astrologia está, principalmente, em conscientizar o indivíduo, mostrar-lhe onde estão suas dificuldades e facilidades. Ela pode fazê-lo perceber sua participação em tudo o que lhe acontece. A partir disto é provável que a pessoa comece a se policiar, a prestar mais atenção em suas atitudes, a notar quais delas causam problemas e quais as que geram simpatia e confiança. E assim ela vai mudando e melhorando a si mesma, seus relacionamentos, sua autoestima, sua vida.

Bem, esse é o uso benéfico, e mais desejável, da Astrologia – quando a usamos para o autoconhecimento e conseqüente aperfeiçoamento de nós mesmos. É por isto que gosto de dizer que a Astrologia tem o potencial de mudar, transformar vidas, o que é verdade. Mas a mudança só acontece se quisermos, se tivermos os olhos abertos e aproveitarmos a oportunidade.

Por outro lado, muitas pessoas utilizam a Astrologia como uma muleta para sua falta de vontade de agir, evitando responsabilizarem-se por si mesmas e promover as mudanças pessoais necessárias. Essa atitude não ajuda em nada à Astrologia, na medida em que pressupõe a existência de um fatalismo que deságua no conformismo e na inércia.

Há pessoas que cultivam problemas como quem cultiva um jardim e não querem realmente se livrar deles. Elas se comprazem em se lamentar como se tudo o que ocorre em suas vidas fosse obra de algum deus perverso, e não resultado de suas próprias atitudes.

Acredito que era isso que meu velho mestre queria dizer quando falava que “a Astrologia não é para quem quer e sim para quem merece”. Passados tantos anos, tendo atendido muitas pessoas e também tido a oportunidade de dar aulas para iniciantes, acho que finalmente compreendi o que ele queria dizer com aquela frase: que muitas pessoas podem ter acesso ao saber astrológico, mas só em umas poucas ele vai fincar raízes, vai frutificar em termos de entendimento de si mesmo e transbordar na forma de compreensão e amor ao próximo. (É assim que a gente se torna um estudante de Astrologia…)

E você, amigo, pretende ser terra fértil onde o conhecimento germinará ou apenas mais um curioso, tentando encontrar do lado de fora, o que está dentro de você mesmo?

#Astrologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/astrologia-alavanca-ou-muleta

A Grande Conspiração Universal

Entrevista efetuada por Daniel Rebisso e publicada na Revista Realismo Fantástico número 6 de Curitiba. Ernesto Bono, autor de A Grande Conspiração Universal, faz incríveis revelações em entrevista concedida a Realismo Fantástico. Pesquisador italo-brasileiro, naturalizado, radicado no Rio Grande do Sul, o ufólogo Ernesto Bono é um dos pioneiros na abordagem filosófica do fenômeno OVNI. Nesta entrevista concedida ao também famoso ufólogo Daniel Rebisso, Bono fala de suas últimas descobertas sobre a grande conspiração dos extraterrestres que estariam dominando planeta.

Realismo Fantástico — Primeira curiosidade: como a Ufologia entrou em sua vida?

Ernesto Bono — Muitos anos antes de me tornar médico e psiquiatra. Foi por volta dos meus 14 anos que comecei a interessar-me profundamente pelo tema e, desde então, nunca mais abandonei essa temática fantástica ou essa manifestação do insólito.

RF – Como conferencista e escritor, observamos que a sua principal preocupação em relação aos OVNIs tem-se voltado para as questões filosóficas ou, como poderíamos dizer, para o aspecto epistemológico e que envolve o conhecimento das coisas. A seu entender, o que a realidade ufológica freqüentemente impõe aos homens?

EB – Eu suspeito que a presença dos UFOs, entre outras coisas, visa modificar nosso modo de sentir, perceber e entender a Vida e o mundo. Eles estariam aí para que, de algum modo, o homem abandone seus velhos esquemas de mal conhecer, esquemas instituídos no Ocidente pela filosofia e epistemologia de Aristóteles e fortalecida por Tomás de Aquino.

Tanto esses velhos filósofos como René Descartes, também filósofo e precursor da Ciência Moderna estabeleceram a primazia da dualidade perceptual. Para eles, sem qualquer dúvida – e para nós também, condicionados pelas idéias deles – existe uma realidade material que se estende e que dura, a qual pode ser encarada por outra realidade que pensa, o corpo-ego-homem, no caso. Esse dualismo ou multiplicidade perceptual acredita, por exemplo, que o homem é um ser à parte, separado, criado por alguém – Deus bíblico ou Acaso científico –, dotado de sentidos e capaz de sentir, pensar e perceber. O homem confrontar-se-ia então com um mundo que estaria à sua frente, mundo que precisa ser bem enfocado, bem percebido, decifrado. Ou melhor, teríamos que raciocinar em cima do que se enxerga e se percebe. Malgrado a impecabilidade dessa postura, ela infelizmente é um modo de conscientizar ou perceber totalmente errôneo e que vem prevalecendo há milhares de anos. Sem qualquer dúvida é prático e cômodo ao Status Quo, mas não passa de uma safadeza e desonestidade da lógica-razão em nós. Tal gnoseologia ou epistemologia é ótima para que os donos do poder alcancem seus fins, e é ótima principalmente para subjugar e dominar os inocentes e desavisados. Os orientais há milênios deram-se conta das mentiras do pensamento comum e da lógica-razão. Esse é o motivo profundo de os sábios orientais nunca se terem permitido criar uma ciência moderna, por exemplo, com seu modo de mal conhecer e de atuar pior. Embora os UFOs nada tenham a ver com a Sabedoria Oriental, talvez estejam tentando romper com nosso esquema enganador de mal conhecer, perceber, senão todos os UFOs, pelo menos boa parte. A presença anômala e escorregadia dos UFOs quiçá esteja sugerindo que conhecer corretamente não é exatamente aquilo que Aristóteles, Ciência e todos os demais filósofos do Ocidente estabeleceram, porque lhes convinha.

RF – Seria então necessário ver ou interpretar o fenômeno OVNI por um outro ângulo que não o científico?

EB – Aprofundando-me no tema, descobri que as humanas possibilidades de conhecer são somente duas: ou prevalece a Direta ou Sentir (do Sábio Autêntico), ou prevalece a Indireta ou pensar (do homem comum, do ignorante, do cientista confuso e conformado). Explico-me melhor: Conhecimento Direto é quando a Mente em SI – ou a Mente num Homem livre do mal pensar – não se separa do dado, ou daquilo que está à sua frente, isto é, a objetividade, que não precisa ser só e sempre material. Tal Mente Pura (ou SENTIR Primevo) comunga com a Objetividade Primordial – ou com o “ISTO” ou também com o Cosmo Verdadeiro. Em tal Saber-e-Sentir há uma interfusão, interpenetração, intercâmbio constante entre o Ser e a Coisa e que em verdade não são dois, mas sim são uma não-dualidade perfeita… No Conhecimento Direto se Sente, se Sabe e se Intui, se Comunga, mas não se rumina a respeito (raciocínio) ou não se discorre propositadamente sobre o percebido, sobre o que se conscientiza. Não existe um ego, ladrão, salteador e mentiroso para tal, e que se meta a distorcer tudo, a ocultar ou a acrescentar lorotas e enganos perceptuais. No conhecimento indireto se pretende que haja um ego-pensante aqui, que se confronta com determinada coisa, lá e que independeria dele, mas que em verdade é só e totalmente pensada. O ego-pensamento em todos nós sempre acha que sente, que sabe, que intuí, que compreende, que atua etc, quando em verdade só pensar em sentir, pensa em agir, pensa em compreender, mas mais mal conhece do que sabe de fato, mais mal lucubra do que intui; tudo raciocina e nada compreende; só pensa em agir, sem conseguir atuar e contento, livremente e alcançar fins verdadeiros. O que o ego-pensamento alcança é exatamente o fruto pensado ou aquilo que se propôs fazer. Longe porém está de usufruir daquele Saber-Sentir Puro, ou de alcançar aquele Isto Primordial, os quais não são tão transcendentes assim nem tão metafísicos. Os discos voadores autênticos são um ISTO Primordial que só o Saber-e-Sentir no Homem vivencia ou senão surpreende e com eles comunga. Há momentos, porém, que certos OVNIs, como uma concessão deles mesmos, transformam-se em objetos vulgares, fugazes, em aparelhos e que qualquer reconhecimento humano ou mal conhecer discursivo pode captar. Só que as experiências que a testemunha-ego tiver sempre serão precárias, confusas, enganadoras, traumatizantes ou até mesmo sofridas. E toda conclusão que de tal experiência o ego quiser retirar sempre será aparências, enganos ou mentiras.

RF – Mas esse tipo de apreensão ufológica nos parece quase um estado de Iluminação Interior. Será preciso tanto?

EB – E por que não poderia ser assim? Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel e a ciência moderna inventaram estórias a respeito da objetividade, do viver cotidiano, do Cosmo, onde os UFOs parecem caber. E quem pode nos garantir que o mundo ou a objetividade tem que ser exatamente como eles disseram? E além de ser assim, quem pode nos garantir que uma objetividade tipo UFO tem que se acomodar às leis e dogmas que a ciência inventou, estabeleceu para resultar em PODER. Ou um UFO tem que se comportar conforme a previsibilidade dos preconceitos humanos?

RF – Mas e o conhecimento indireto de que o amigo fala seria só um fornecedor de aparências e ilusões?

EB – Ele é o pai da própria ilusão e tem como base a própria lógica-razão, mãe de todas as aparências e contradições bipolares e polivalentes! A lógica-razão sempre polariza o que nós acreditamos conhecer por meio dela, ou seja sempre resulta num certo e errado, num longe e perto, num alto e baixo, num longo e curto, num duro e mole etc. –, ou senão oculta a Verdade-Isto, ou ainda distorce o Sentir Primevo e Puro, esconde o Real e em seu lugar engendra substitutos enganadores tipo falso mundo, falso universo, falso objeto. O REAL em si, por sua vez, não é nem material nem anímico, não é nada acrescentado nem dependente, nem é algo que o pensamento comum possa decifrar. Na verdadeira VIDA, em cujo seio os OVNIs também pode caber, e com eles outros Cosmos – e não só o modelo de universo científico – não existe “um homem aqui” e “um mundo lá”. O que nessa Vida talvez prevaleça é exatamente uma não-dualidade vivenciável, indescritível para a lógica pura, mas descritível para os sentidos e emoções. Digamos, é um todo em que homem-e-meio são algo completo. Sol-e-Raios, Raios-e-Sol. Aí, portanto, não haveria nenhuma necessidade de o homem na condição calhorda de ego-pensante separar-se desse meio e depois tentar conhecê-lo para dele tirar ou não proveito e implantar o PODER institucionalizado. Bastaria a esse homem comungar com seu meio, reconquistando aquela unidade ou aquela não-dualidade sensorial e que sempre é uma união afetiva e inteligente.

RF – A idéia é interessante, mas como se aplicaria esse Conhecimento Direto à pesquisa ufológica, ou senão ao seu correto entendimento?

EB – Para se aplicar o Conhecimento Direto não existe nem como nem porquê. O fato é que, sempre que se levantam os “como” e os “por quê?” em seguida passa a prevalecer o conhecimento indireto, o grande enganador e distorcedor de verdades simples e imediatas, como certos UFOs, às vezes podem ser. A presença UFO não oferece um “o quê” ou um “como” pensar. De algum modo, apenas sugere que o teu modo de conhecer é precário ou está errado e que tens que te modificar. Sua realidade, quando presentes se fazem, em termos aparentemente objetivos e materiais, é sempre um desafio para um ufólogo honesto e livre de escolas. Parece que eles vivem a nos dizer: Pára de pensar tanto e tão mal e começa a sentir-e-saber de outro modo! Esse teu outro modo de sentir-e-saber pode perfeitamente transformar-se num caminho que te conduzirá até nós”. E aí voltaremos a ser aquela não-dualidade, Isto-Sentir e Sentir-Isto, em que tanto os homens de boa vontade como os homens cósmicos, seus irmãos mais velhos, acabarão se confundindo e se abraçando no seio de um mesmo PAI-MÃE, de onde tudo surge, mas nada se cria.

RF – Acreditas que todos os UFOs ou melhor, os ufonautas seriam capazes de tal gesto?

EB – É claro que todos não, mas boa parte sim. E é exatamente contra esta boa parte que o Governo Invisível humano e os ETs nefastos do além estão lutando. Boa parte dos ETs devem ser positivamente neutros ou benevolentes; e quem sabe estejam inseridos nesse modo de conhecer direto ou não-dualista. Estes talvez estejam tentando atrair alguns homens inteligentes para levá-los de volta às suas origens, o centro de tudo, onde tudo converge e também desde onde tudo diverge, sem que nada nem ninguém perca aquela condição primordial de Consciência-EU.

RF – E dos demais extraterrestres, dos ETs nefastos, o que poderias no dizer?

EB – Que são velhos aliados de humanos também nefastos daqui mesmo. Tanto a esses ETs velhacos como os seus compadres terrestres do Governo Invisível interessa e convém que prevaleça o famoso conhecimento indireto e indiretíssimo, ou seja, o conhecimento tipo comum ou tipo científico, a moral gananciosa e mesquinha do materialismo niilista, a falsa religiosidade. Esses ETs bandidos ou até mesmo neutros negativos visam o PODER, no além e no próprio mundo, como também o Governo Invisível visa este PODER ou a hegemonia mundial. Ambos não têm qualquer emoção, amor e sentimentos. São máquinas trituradoras e destruidoras sem o emocional-cardíaco, e que é exatamente a alma humana. Eles são os famosos emissários da morte!

RF – Em seu livro A Grande Conspiração há um capítulo inteiro dedicado às revelações de John Lehar e Milton William Cooper a respeito do Majestic-12 e do governo secreto do mundo. O que te levou a crer na validade dessas denúncias?

EB – Exatamente os pormenores das denúncias que ambos fizeram. Como diz William Moore, que os contra-ataca, ambos podem ser apenas simples paranóides, fascistas, farsantes ou quem sabe agentes da CIA disfarçados. Suspeito que William Moore é muito mais do que eles. Para não ter amor à verdade e ao próximo sofrido, Milton William Cooper estaria se expondo demais, pode até correr risco de vida. Nem ele mesmo se dá conta da incrível e espantosa gravidade de suas denúncias. Põe a nu as manobras de um Governo Invisível que efetivamente existe, encabeçado por uma CIA, MJ-12, CFR, TC, Bilderburger, Sociedade Jason, Alternativas l, 2 e 3 etc. como nunca ninguém o fez. John Lear é muito mais prudente e comedido. Mostra o crime, sim, mas acha que ninguém é criminoso. Só os ETs safados é que seriam. M.W.Cooper prova que a maior culpa cabe não aos ETs, mas ao Governo Invisível, que tem atormentado o mundo inteiro, visando o Poder Máximo… O que mais me deixou pasmo foi saber que desde 1947, atrás de um Truman ou de um Eisenhower, já existiam assessores presidenciais humanos, manipulando o governo norte-americano e soviético, constituindo inclusive e com toda felicidade organizações ocultas e prejudiciais aos homens e aos ETs, digamos bem intencionados, como o MJ-12 (ou melhor, projeto Grudge, Sign, Projeto Grudge, Projeto Bluebook, Projeto Yellowbook, Sociedade Jason etc. etc). O que me deixou abismado foi ver como esses humanos em absoluto nada honestos – alguns dos quais representam exatamente a anti-raça humana – se levantaram em bloco, tentando de todas as maneiras possíveis ocultar e bloquear toda e qualquer difusão de verdades ufológicas que não conviessem aos interesses deles. Eles não podiam deixar transparecer que sociedades secretas ou eles próprios, o Governo Invisível, já lidavam com ETs nefastos há milhares de anos. Também não podiam deixar transparecer que sempre houve uma Grande Conspiração Universal, e que, após a Segunda Guerra Mundial, ou após a Segunda Grande Derrota Mundial – pois não foi o homem quem ganhou tal guerra – outros tipos de UFOs e ETs haviam irrompido no mundo, numa tentativa desesperada de alertar os homens ou de ajeitar o que ainda podia ser ajeitado.

RF – Mas então o que tens a dizer da falsa alegação de que os governos mundiais manteriam o fenômeno UFO em sigilo a fim de manter a ordem social e perpetuar o bem estar de todos?

EB — Essa tese de manter a ordem social, malgrado as histerias que o programa radiofônico de Orson Welles em 1938 causou, é completamente falsa. Os poderosos que Milton William Cooper denuncia, e que eu julgo extremamente prejudiciais para o gênero humano, foram os que se levantaram após o segundo conflito mundial (ou derrota mundial), tentando esconder e sufocar uma coisa que havia resolvido intervir desde fora, desde o Insólito, e com o qual eles não contavam. Ou seja, as aparições em massa de OVNIs neutros e quem sabe benevolentes, não aliados de certos humanos safados e não ligados à Conspiração Universal. Esta última talvez atinja seu ápice neste fim, de século ou no novo.

RF – Acreditas realmente que seres extraterrestres tenham firmado algum pacto ultra-secreto com as grandes Potências da Terra?

EB – Não que assinaram, mas foram induzidos a firmar pelo Governo Invisível, e que manda em todas essas grandes potências aparentes. Por conseguinte, foram enganados tanto pelos ETs nefastos como por certos humanos safados daqui mesmo. Ao assim me exprimir, estou me baseando em dados históricos, filosóficos, religiosos, espirituais e ocultistas. A Grande Conspiração não abrange somente a área política e econômica, mas abrange tudo, principalmente o pretenso lado religioso, espiritual, ocultista e paranormal da humanidade.

RF – Independentemente de Cooper e Lear, de onde tiraste a tua convicção do pacto entre ETs e humanos safados?

EB – Conhecendo bastante bem um plano geral que está em andamento há milhares de anos. Tenho me apercebido dos interesses em jogo e que são da ordem econômica, militar, política, religiosa, filosófica, científica, mágica, ocultista, sociológica etc. A partir da manipulação disso tudo, pode-se conhecer o que o Governo Invisível pretende e sempre pretendeu: a hegemonia mundial absoluta. E para tal, nada melhor do que os alienígenas aliados deles! Sempre confundimos esse Governo Invisível ou clandestino com uma Fraternidade Branca com uma Shamballa, com Agartha, mas essas não tem nada a ver com isso. Forças ocultas nefastas do além e do aquém movem o mundo há centenas, senão há milhares de anos. E essas forças tanto pertencem aos falsos deuses, a Golem, Moloch, Molokron, a ETs tenebrosos, como pertencem a humanos, em momentos senhores e em outros servos daqueles. É a velha luta entre Deuses inseridos na Lei e Demiurgos fora da Lei, ambicionando o Poder. O homem comum infelizmente, fica no meio, como nas duas últimas guerras mundiais, e sempre leva a pior. Não poucos humanos gananciosos são aliados dos demiurgos há já muito tempo.

RF – Mas esse acordo secreto justificaria toda uma série de fatos aterradores, supostamente causados por determinados extraterrestres, como as desaparições misteriosas de seres humanos, mutilações inexplicáveis de animais, abduções de mulheres e homens por OVNIs e que depois são devolvidos totalmente perturbados.

EB – Que o acordo propriamente dito tenha a culpa do que vem acontecendo na Ufologia, duvido; mas que ele entreabriu a porta, entreabriu. Só que os poderosos dos governos não suspeitavam – e quem sabe sequer os líderes do governo invisível suspeitavam – que com essa abertura de leve, as portas iriam se escancarar, favorecendo as patifarias de certos notórios ETs vampiros, de certas larvas, de certas “máquinas” ávidas de sangue. Muitos estudiosos do assunto sabem que esses acordos não somente permitiram que alguns ETs, e que depois se revelaram insidiosos, se instalassem no nosso meio, como inclusive lhes foi concedida certa liberdade para fazer as experiências que lhes conviessem, em troca de favores e avanços técnicos. Esses mesmos ETs, aliás, velhos aliados do Governo Invisível ou clandestino, sempre estiveram aí. O que faz pensar então que tais coisas já vinham acontecendo há muito tempo, só que de modo mais brando e bem disfarçado. As velhas bruxarias e os diabos teológicos levavam a culpa. Tais ETs nos tempos que correm, infelizmente, estão exagerando na medida. Ninguém mais os segura. Entrementes, o que o Governo Invisível está fazendo com suas Alternativas l, 2 e 3, com sua franca difusão das drogas, com o contrabando de armas sofisticadas, com corrupções generalizadas, com desgovernos provocados no terceiro mundo, com inflações totalmente camufladas, com recessões, com misérias agudas, com fome generalizada como as da África, com futuras leis marciais etc. etc. isso meu amigo é muito pior.

RF – Duas raças supostamente extraterrestres, os reticulianos e os rigelianos (além dos reptilianos) estariam atrás dessas operações e acordos secretos. Quem te garante que sejam elas mesmas as que estão fazendo tudo isso?

EB – As palavras reticulianos, rigelianos, reptilianos, e até mesmo procionianos (ou tipo humano, nórdicos) foram inventadas pelos homens, por certos estudiosos de Ufologia. Não sei quantas raças de ETs nefastos existem, mas um tipo cinzento, e que o homem chamou de reticuliano, é o que geralmente prevalece quando se trata de descrever horrores e circunstâncias desagradáveis na Ufologia. Suspeito que dentre as centenas de tipos de ETs já vistos – (vistos pelo conhecimento indireto e enganador do homem e, portanto, ETs mal descritos; ou quem sabe, alienígenas que nos enganam por causa de nossa precariedade perceptual) – possível seria formar três grupos, sem cair no maniqueísmo do bem e do mal, ou seja: os benevolentes, tolerantes e que talvez tentem nos ajudar (os procionianos, quem sabe!), Os neutros e que às vezes se confundem com máquinas, robôs, andróides, clones, e os nefastos que precisam nos vampirizar e sugar tudo o que fortaleça e garanta a sobrevivência deles… Temo que estes últimos sejam a maioria… O relatório Matrix aponta os reticulianos, os rigelianos e os procionianos como sendo os extraterrestres que mais nos visitam e atuam no nosso meio. Suspeita-se também que as potências mundiais do primeiro mundo foram levadas a fazer acordos com reticulianos e rigelianos,. Os procionianos ou os tipo venusino de George Adamski sempre foram rechaçados pelos governos em geral, não se sabe porque e sempre foram vistos como seres criados pela imaginação humana. (É que esses tais se confundem com os alemães, e por conseguinte com os nazistas que fugiram após a WW2). Adamski, no caso, era o pai dessa imaginação, com propensões místicas. É claro que atrás desse rechaço forçado e imposto estava o próprio Governo Invisível… Por outro lado, levando em consideração os diversos relatos  e raptos acontecidos, as vítimas geralmente ou descrevem extraterrestres tipo reticuliano, ou senão tipo rigeliano, mas estes bem menos, reforçando sobremaneira a tese das experiências terríveis que tais alienígenas estariam levando a cabo com homens e animais. Por outro lado, não se tem notícias de encontros com procianianos (ou tipo venusino) e que para o contatado tenha resultado em violências e traumas… Posso estar enganado, pois não é possível memorizar todos os contatos de terceiro, quarto e quinto grau que já aconteceram com ETs, no mundo inteiro.

RF – Esses reticulianos e rigelianos teriam eles entrado no cenário terrestres somente após a Segunda Guerra Mundial? Ou melhor dito, somente depois de 1947?

EB – Ai amigo, indiretamente estás me obrigando a tocar num assento delicado. Bem, lá vai, paciência! De fato, certas coisas precisam ser ditas! Como antes sugeri, muito antes de 1947, digamos milhares de anos atrás, certos membros ativos do que hoje mal se suspeita existir como governo invisível já eram aliados de certos extraterrestres. Quero crer que eram aliados de ETs nefastos. Só que estes dificilmente se faziam presentes na superfície do globo. A modo de dizer, viviam invisíveis ou semi-invisíveis em planos imediatos ao plano-Terra. Eles, tranqüilamente sempre efetuaram o comércio do troca-troca… Ou seja, certos bruxos, certos religiosos de mau caráter, sempre estiveram fazendo sacrifícios, geralmente sanguinários, sempre praticavam rituais a favor de tais ETs e que eram vistos como pretensos santos, deuses, guias, líderes de falanges, de egrégoras etc. E estes, em troca, obsequiavam favores e poderes para os seus eleitos, escolhidos ou ritualistas. Talvez alguns do Governo Invisível atuassem assim e tirassem proveito disso. Assim que os pactos ou acordos entre ETs nefastos, necessitando de sangue, hormônios, órgãos, humores, sentimentos, emoções dos seres vivos já são bem antigos. Eles sugam tudo.

RF – Por que razão esse acordo entre ETs cinzentos e grandes Potências, direcionadas por um pretenso governo invisível só foi posto em prática mais intensamente nos últimos anos, digamos, após a Segunda Guerra Mundial.

EB – Vou contar uma piada que parece verdade ou uma verdade que parece uma piada. Conforme ensina a tradição milenar e o próprio Apocalipse, milhares de anos atrás houve um terrível confronto de ETs no céu, confronto que se refletiu na superfície terrestre, de modo catastrófico. Um grupo de ETs benevolentes ou da Luz, capitaneados por alguém, e obedecendo ordens do Centro da Vida, vieram dispostos a eliminar (ou a expulsar) dos céus e da superfície da Terra o Demiurgo usurpador,  e seu 1/3 de estrelas (ou ETs nefastos, asseclas, seguidores ou até mesmo outros demiurgos mais). Este Demiurgo usurpador, tomando o lugar do Absoluto, do Ser Primevo, do Deus Pai-Mãe, muito antes fez-se passar pelo deus único, criador do céu e da terra, e que todos deviam obedecer e temer. Em verdade sempre foi e é um farsante, um Titã inimigo dos homens. E tal como conta o Gênesis, em que Abel é atraído para fora por Caim e depois é traído e morto, esse mesmo líder e seus ETs de boa vontade, de algum modo, foram enganados pelo Demiurgo. Tiveram que parar de guerrear contra as hordas do Demiurgo, porque quem estava sendo prejudicado, como de hábito era o homem da superfície terrestre. E, bloqueados,  não puderam voltar às suas origens. Para evitar o pior, “esses ETs benevolentes tombaram na superfície terrestre”, em pontos especiais e se esconderam por um tempo ou Era. Esses mesmos que se esconderam em algum lugar da terra, como os tempos haviam chegado, por amor ao homem, resolveram reaparecer na superfície. Determinados extraterrestres não derrotados, mas que por força das circunstâncias se ocultaram em mundos subterrâneos e plataformas submarinas, simplesmente resolveram voltar. Juntamente com o retorno à superfície desses, também voltaram a aparecer outros ETs cósmicos, Filhos da Luz, que se situavam muito além do escudo isolador que o Demiurgo havia levantado ao redor da Terra. Com esse aparecimento repentino de ETs positivos do muito além, e os aqui escondidos, o Governo Invisível ou clandestino se apavorou, pois estes, mais, digamos os reticulianos do além, aliados destes, eram inimigos milenares de todos esses outros ETs provavelmente positivos e inclusive inimigos da própria humanidade, que por eles todos sempre foi considerada um pasto aprazível.

RF – Na semana passada, saiu uma grande entrevista na Revista Veja, com Peter Ward, famoso astrônomo, astrofísico norte-americano, o qual afirma, após profundos estudos e pesquisas científicas, que fora do Planeta Terra não existe vida. Sendo ele um renomado cientista que fala assim, num quase coro com os demais colegas de astronomia, o que sobra então para os leigos, para quem não é especialista de astronomia, para os que pretendem ser exobiologistas etc? Por um mero acaso, só a Terra teria vida? E se não existe vida em parte alguma, para que a ciência astronômica, astrofísica vem gastando tanto dinheiro com pretensas conquistas do espaço, viagens para a Marte, para a Lua, com radiotelescópios tipo Arecipo e outros mais?

EB –  Sinceramente, malgrado a pretensa seriedade, certos astrônomos deveriam se aposentar ou deveriam ser aposentados. Que nessa visão científica de Marte ou nesse modelo de universo científico não existe vida até dá para acreditar. No caso contudo também se deveria dizer que o que de fato não existe é exatamente esse universo científico, malgrado o falso universo sempre aparece, e que no seu lugar desse universo há Algo mais, o Desconhecido, por exemplo. Conheço bem a pretensa seriedade científica, conheço bem as aludidas provas, a metodologia utilizada para arrancar verdades de um perfeito faz-de-conta.

Por exemplo, eu, feito um cientista ou feito um astrônomo não posso afirmar categoricamente que na minha versão de um Marte científico, ou seja qual for o planeta, não exista vida, e sequer restos de vida que talvez possa ter se existido milhares ou senão milhões de anos atrás. Feito um ufólogo também não posso afirmar categoricamente que no planeta Marte, sinceramente descrito por um pressuposto alienígena autêntico,  existe vida por que ele mo disse. Tampouco posso afirmar que num hipotético Marte astralino há vida só porque um pretenso espírito do além, tipo Ramatis, descreveu tal vida, por meio de um médium ou sensitivo. Mas então, se nem o cientista, nem o ufólogo e nem o místico têm razão quem a tem? Digo eu, como a nossa percepção comum e científica está distorcida, como a nossa possibilidade de conhecer não leva a coisa alguma, e quando muito forja ficções e inventa estórias, então ninguém tem razão de coisa nenhuma. Só terá razão aquele que vivenciar o fato e se Aqui e Agora nesse fato couber um planeta Marte, nessa vivência estará a razão.

Os radiotelescópios foram forjados para que a ciência moderna provasse aos contribuintes otários, aos pagadores de impostos, que ela faz alguma coisa de útil, ou senão para pretensamente provar que existem planetas com vida inteligente, planetas que emitem sinais de vida, que existe atividade inteligente perfeitamente captável por meios luminosos e sonoros. Para os UFOs que rolam aos milhares, por aí e inclusive se comunicam, tais astrônomos não dão a mínima importância, mas para captarem falsos sinais de vida a bilhões ou trilhões quilômetros de distância, esses gênios da ciência moderna tudo gastam, em tudo se aplicam. Eles acham que tais radiotelescópios lá pelas tanta inclusive poderiam permitir um intercâmbio de inteligência e informações, pois sim. Custaram uma fortuna, e no entanto, qualquer gaiato em ciência, num paradoxo completo, vem e afirma que não há vida igual a da Terra em nenhum outro planeta. Face a esse paradoxo, as opiniões dos ufólogos são bem menos dispendiosas.

RF –  Existe uma imensa presença diante de nossos olhos extasiados que chamamos céu estrelado. Até quinhentos anos atrás, de todo  este céu a Terra era o ponto central. Todo o resto girava ao redor. Depois vieram os precursores da ciência, Copérnico, Kepler, Galileu, Newton, e a Terra de central passou à condição periférica. Transformou-se num insignificante terceiro planeta de um banal sistema solar qualquer. O Sol ficou central. De lá para cá, o universo foi-se complicando até o infinito. Bem, mas o Atual modelo científico de universo é de absoluta confiança? Pode-se crer absolutamente nele, ou alguma coisa aí nos estaria enganando, como no tempo do geocentrismo?

EB – Para escândalo de alguns, o atual modelo científico de universo não é algo absolutamente verdadeiro, no qual se possa confiar. Meus amigos, o universo científico nunca falou de por si, nunca provou nada por si mesmo, quem fala por ele é sempre o homem mal pensante, seja este uma pessoa comum, seja este um cientista, seja um contatado, seja um místico, seja um sensitivo. E mesmo que se tente provar que o universo científico é verdadeiro, em realidade aí apenas estão se armando causas e condições que resultam numa ilusão perceptual. Tudo obedece à Lei da Geração Condicionada. (Isto sendo, em pensamento, aquilo aparecem, aquilo se objetiva, aquilo se concretiza se para tal eu executar o ato intencional… E mais) Sou eu que te vejo, ó universo de araque, e vendo-te, me vejo, e vendo-me te faço! Por outro lado, no nosso íntimo existe uma poderosa ferramenta pretensamente perceptora chamada avidya (ou ignorância-ego-pensamento primordial) mas que em verdade distorce tudo o que se coloca na frente dela. Por sua vez, fora de nós existe uma Realidade Desconhecida e que Aqui e Agora só se revela àquele que consegue Vivenciá-la, num Saber-Sentir-Intuir autêntico. E se não for assim, quando a ignorância em nós encara Realidade Cósmica a transforma em mentira, num faz-de-conta, em aparência, ilusão ou em Maya, como dizem os orientais. É por isso que o universo objetivado não é uma realidade lá adiante, em sejam quais forem as versões, não importa se geocentristas, heliocentristas, materialistas, idealistas, animistas etc. etc. Tal máquina universal é um embuste total, é  uma completa  interdependência entre pessoa pensante e objeto pensado.

RF –  A Astronáutica moderna mandou foguetes e sondas para todo o sistema solar, e conforme informam os donos do poder e, por conseguinte os donos da verdade científica, da “verdade conveniente” não há vida nos demais planetas do sistema solar. Parece não haver vida também no tal sistema solar próximo da terra, chamado Alfa Centauro e que estaria a uma distância de 4,3 ou 4,5 anos luz.. Mas e aí de onde vem os tais de discos voadores? Ou será que tais discos não existem e nunca existiram?

EB – Pergunta inteligente mas capciosa. Por causa dela serei obrigado a fazer afirmações diferentes, terei que apresentar teses a respeito da eventual origem dos UFOs. No fundo porém abomino teses, antíteses e sínteses. Mas apesar disso, os discos voadores têm que provir de algum lugar ou senão teriam que provir.

Amigos, um lugar nos dá uma idéia quase clara de espaço e, por conseguinte de tempo. Com isso esses dois embustes universais chamados espaço e tempo físicos se assentariam em termos absolutos, como vêm fazendo a milhares ou milhões de anos. Nós seres humanos vivemos na Terra que seria um pequeno lugar do universo científico. Eles, ETs morariam em outro lugar, em outro planeta desse mesmo universo científico. Segundo a ciência, o Universo científico é constituído e trilhões de trilhões de lugares geométricos-espaciais. Mas será mesmo? Paradoxalmente, porém a ciência, para desgraça nossa, prova que não há planetas habitados. Tal “maravilhosa” conclusão, evidentemente é alcançada por um modo de pensar vergonhosamente deturpador, ou seja, pela inferência, pela elucubração adoidada e por conclusões estapafúrdias. Mas e se os UFOs não viessem  de nenhum lugar do universo científico? Digamos que eles não conhecessem os lugares geométrico-espaciais do conhecimento humano!? E se eles simplesmente vêm de outros planos de vida, que não planetas, que não lugares falsamente físicos? Se tais UFOs vierem de outras dimensões que nada tem a ver com a nossa pobre e miserável prisão tridimensional? E se eles são um ponto-instante, ou seja, moram num ponto-instante luminoso, num Aqui e Agora suis generis, que de repente vira um plano existencial, um planeta, um palco de vida etc, a partir do qual eles saem e conseguem se intrometer no nosso meio, manipulando para tal a nossa triste e porca tridimensionalidade, adaptando-se a ela? Tudo isso é delírio minha gente? Delírio absoluto e total, porém, é o modelo científico de universo vigente por meio do qual cientistas e astrônomos arrotam à vontade. Não estou impondo nenhuma tese, e nem quero que tomem defesa do que sugiro ou digo, pois não vale a pena. Minhas palavras, como as de qualquer um “são fantasmagóricas rainhas que criam e matam a outros fantasmas” Amigos, face à evidência gritante dos UFOs e suas intromissões ininterruptas no nosso meio, há já milhares ou milhões de anos, só se pode sugerir, sem nada impor, que eles são extra-situacionais e não extraterrestres. Ou seja, quem sabe, quem sabe, o Cosmo verdadeiro, ao invés de ser constituído de planetas, satélites, sistemas solares, galáxias, nebulosas, buracos negros, quasars, anos luz a serem suplantados e o escambau, pode ser constituído de situações existenciais especiais e que chegam até nós sob a forma de ponto luminoso. Este ponto contudo dilata, encolhe, se aproxima, se afasta, se funde com o nosso meio, simplesmente desaparece etc.etc. Nenhuma certeza amigos, nenhum dogma, apenas conversa bem temperada ou papo de maluco, como diria um senhor Renato Azevedo

RF – Newton, com sua pretensa descoberta da Lei da Gravidade e seu implante, já no seu tempo, transformou o Universo numa verdadeira máquina. E preocupado com isso, arremedou que o Deus, ele a  pessoa bíblica, o criador de tudo, estava fora dessa máquina astronômica, daí ele ou os companheiros dele terem dito que Deus é um Deus ex-máchina. Isto é, que Deus estava  fora da máquina, estava  fora da engrenagem que o pensamento de Newton & Cia forjou. A objetividade universal atualmente se complicou de tal maneira e ficou tão imensa que as idéias, as concepções humanas de Deus criando universos de fato não cabem mais. Quem criou esse universo, deus ou o pensamento humano, pretencioso e delirante?

EB – Escândalo dos escândalos! “Prendam esse homem pois ele está maluco e quer prejudicar nossas instituições tão sagradas e tão proveitosas, pois nos propiciam tanta riqueza e fama!” Qualquer falso puritano, falso cientista, verdadeiro cientificista, cientificóide poderia pensar assim ou poderia gritar assim. Amigos, nunca houve uma criação do mundo, do universo, no espaço e no tempo, primeiro porque estes dois últimos não existem como a astronomia e a física humanas acreditam que sejam. Não existindo espaço, tempo, matéria, energia, plasma, nunca houve também um recipiente prévio, no qual um deus pessoa, barbudo e decorador de bíblias, por meio de taumaturgias começasse a criar o mundo, o sol, a lua, a vida e o homem. Tampouco houve um muito mais ridículo deus acaso da ciência que por meio de uma brutal mentira tipo Big-Bang tenha dado origem à vida, graças ao funcionar de leis físico-químicas-matemáticas que ninguém sabe como vieram a ser,  a existir,   nem como conseguem criar e conseguem fazer funcionar alguma coisa. Sem impor tese nenhuma, nem conceitos, nem proposições, sugira-se apenas sugira-se, sussurrando, que o Absoluto, que Deus Vivo, Aqui e Agora, livre de espaço, tempo, livre de falsa matéria, falsa energia e falso plasma, Manifesta-se feito Vida, feito Cosmo, e que Aqui e Agora toda essa Manifestação Divina e Extraordinária, também escondida no Coração do Homem, se renova de momento a momento. Por conseguinte nessa Manifestação em constante renovação nada há que uma ciência possa descobrir a nível físico, a nível astronômico, químico, bioquímico, biológico, existencial. E o que a ciência diz descobrir em verdade ela apenas forja, engendra. Tudo o que é descoberto e provado, isso sempre é inventado pelo pensamento humano, o que já é um grande mérito, mormente se determinada forjação manifestar algo positivo e construtivo.

RF – A cada dois minutos ou segundos na superfície da Terra são vistas ou constatadas as mais diferentes presenças celestes, entre as quais os Objetos Voadores não Identificados. Digamos que só 10% disso sejam discos voadores. Se a Terra é o único planeta habitado e está isolado do resto do cosmo, de onde vem tantas presenças anômalas que longe estão de se igualarem a aviões de carreiras?

EB – Essas presenças vêm das infinitas possibilidades do Cosmo Verdadeiro e não necessariamente do universo científico e respectivo modelo. Copérnico-Kepler-Galileu, no século XVII apenas forjaram seu próprio universo quantitativo, Newton o sacramentou por meio de fórmulas físico-matemáticos, e depois disso tal modelo de universo se complicou e entrou em inflação galopante. O universo proposto por esses gênios do pensamento humano é apenas um universo quantitativo e este tinha que entrar em inflação. Brevemente entrará em colapso. A Ciência Moderna se implantou no século XVII graças a essa pretensa revolução astronômica, e eu acho que haverá de modificar-se ou tornar-se uma Ciência científica-filosófica-espiritual graças a outra modificação da concepção astronômica. Certamente quando Jesus, o Mestre da Galiléia disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas ou muitos quartos”  estava-se referindo a um Cosmo Autêntico, a um universo qualitativo e não quantitativo, malgrado a frase de Jesus também sugira o lado quantitativo. Sucede porém que “casa e quartos” é algo muito íntimo, muito emocional, muito qualitativo e não quantitativo. Não há nada mais sagrado do que o próprio lar. Só uma casa paterna com muitas moradas encerra infinitas possibilidades cósmicas e existenciais. E desta devem provir os UFOs benevolentes, neutros e até mesmo prejudiciais. E a propósito, os monstros que há milhões de anos tomaram conta da Terra vieram de um anti-universo, vieram da sombra da vida, de um horroroso poço sem fundo, e esses dominam o mundo, e para desgraça nossa, inclusive se intrometem e nos insuflam arremedos de sabedoria, para que essa coisa notável chamada ciência, que derrotou em definitivo as proposições da teologia católica e de alguma maneira eliminou a inquisição, acabe se deturpando até o extremo por simples exageros, falsas certezas absolutas e distorções..

RF –  Dr. Bono, em seu livro A Grande Conspiração Universal, o senhor escreve: Eles estão aqui há muito tempo e brigam entre si. O ser humano desavisado está inserido entre dois fogos. Precisamos surpreender quem são os extraterrestres realmente favoráveis ao homem, quais são os neutros e quais os alienígenas nefastos, sem nos comprometer e sem sairmos prejudicados nessa investigação. E principalmente, para que melhor se entenda a temática ufológica, ela tem que se divorciar das idéias científicas de espaço, tempo, matéria, energia, plasma, evolução, porque os paradigmas ou os modos de conhecimento de que os alienígenas se valem são completamente outros. Os ETs não abusam do pensamento como nós. Sentem-e-Sabem que podem fazer determinadas coisas e simplesmente as fazem. Talvez de modo mais mágico do que lógico. Todos esses aspectos têm que ser levados em conta na Ufologia para que alguma luz vingue numa temática tão ambígua. A Ufologia não pode fundamentar-se nos erros da astronomia.

EB -Está muito bem dito, nada a acrescentar.

RF – Os grandes inimigos das viagens espaciais ou astronáuticas são o espaço e o tempo. A matéria, a energia e o plasma até que não são tanto. As distâncias entre os planetas do sistema solar são enormes. Contam-se em bilhões ou trilhões de quilômetros e até em quatrilhões. Entre sistemas solares, então as distâncias são um horror. São medidas em anos luz. A distância que permeia o sistema solar e outro sistema solar mais próximo, e que é o Alfa-Centauro é de 4,3 a 4,5 anos luz.

Um ano luz tem aproximadamente 39 trilhões de quilômetros. Os sistemas solares de nossa galáxia via láctea, digamos as plêiades, ou zeta retículo estão a mais de 100 anos luz de distância. De que maneira ETs ou até mesmo terrestres superariam essas distâncias impossíveis de suplantar?

EB – Quando a ciência astronômica se depara com essas fantásticas distâncias em trilhões de quilômetros tem toda a razão em dizer que os UFOs não existem. Só que eles não se deram conta de que o espaço é uma mentira, o tempo físico também, de que a velocidade da luz em 300.000 km por segundo é um engodo, de que tais distâncias são um absurdo, de que o universo que eles enfocam é apenas uma recriação de suas próprias cabeças. Eles utilizam uma cabeça, um cérebro (tudo mentiras reinventadas), quando em verdade eles utilizam uma mente não material e um pensamento calhorda para perceber e conhecer o que no fundo e em última instância nunca souberam o que era isso. Confiaram em tal enigma perceptor e conhecedor e nunca quiseram ouvir os avisos de outras maneiras antigas de conhecer que já alertavam: “Homem, homem cuidado com o pensamento, porquanto ele é um ótimo servo, um ótimo criado, mas é um péssimo senhor. Se fizeres de teu pensamento (raciocínio, intelecto, falsa percepção) um senhor, ele virará um tirano e te esmagará sempre.” Sim, pois o homem não é só mal pensar, mas é principalmente Saber-Sentir-Intuir. “Homem, homem, antes de forjar lorotas e extrojetá-las diante de ti feito um cientista, conhece-te a ti mesmo! Porquanto se te autoconheceres em profundidades, Saberás quem és, de onde vieste e para onde vais. Surpreenderás o trapalhão e salteador ou o ego-pensamento, no teu próprio íntimo forjando mentiras e ilusões com a finalidade de subjugar e dominar o Verdadeiro Homem em ti. Autoconhecendo-te saberás quem é Deus e o que a Vida ou o Universo dentro e fora de ti!”

RF -Enrico Fermi, um dos pais da bomba atômica, pois foi o primeiro a fissionar o átomo em laboratório, como bom cientista descrente que era e em relação aos discos voadores, na década de 1950-1960 declarou: “Não existem seres inteligentes extraterrestres na Terra, agora. Se houvesse outras civilizações inteligentes na via láctea, mais cedo ou mais tarde, elas teriam dominado as viagens interestelares, tendo explorado e colonizado a Galáxia. Como eles não estão aqui e agora, eles não existem!” Este é chamado o paradoxo de Fermi, por meio do qual cientistas e astrônomos acreditam silenciar os argumentos dos ufólogos.

EB – Enrico Fermi não suspeitou o horror que ia desencadear com a sua maneira de pensar e de agir, e que dizem ter sido uma maneira científica de atuar.Ou seja, ele, grosso modo, teria conseguido fissionar o átomo de plutônio, urânio, ou sei lá qual, para que daí aparecesse  a explosão atômica. Em verdade ele apenas pôs a Lei da Geração Condicionada em funcionamento como nunca, e incidiu num campo virgem de forjações e manipulações mentais. Daí então saltou fora o seu átomo, as suas pretensas fissões, as suas explosões e tudo o mais, pois sou eu que te vejo, ó átomo de merda, e vendo-me, te vejo, e vendo-me, te faço!” Isto é, sou eu que te vejo, ó átomo de merda, pois eu e tu, em verdade somos não dualidade, não separação, somos unidade. Somos um imã, eu, a  parte pensante, sou o pólo A e tu, a  parte pensada,  és o pólo B. E vendo-me objetivado feito um tu, feito um falso átomo pensado, em realidade me vejo, e vendo-me diferenciado feito um tu, feito um falso átomo, vejo-me obrigado a agir por meio do método científico de experimentação e com isso te faço, te engendro, ó desgraceira, ó poluição máxima, ó imbecilidade atroz!

Enrico Fermi, estimulado pelas pretensas descobertas de Einstein e pela sua fórmula E = mC2 apenas pós a Lei da Geração Condicionada em funcionamento e alcançou um assombro de fruto. “Isto sendo, em pensamento, aquilo aparece, aquilo se sobrepõe, aquilo se objetiva, se concretiza, se para tal eu executar o ato intencional da metodologia científica experimental. Isto não sendo pensado, aquilo não aparece, não se objetiva, não se concretiza porque para tal não somente não penso como inclusive não faço absolutamente nada.”   “O Paradoxo Verbal de Enrico Fermi”,  por meio do qual não poucos astrônomos desavisados tanto se ufanam, é puro verbalismo fútil, conversa fiada extremamente requintada e intelectual. Minhas colocações também podem ser pura conversa fiada, por que não? Seres inteligentes em outros planetas, na via láctea, dominando o espaço e o tempo e superando distâncias impossíveis, para finalmente nos dominar é um absurdo total, é contradição completa,  é pura conversa fiada, malgrado haja alguns ETs safados, sim, ou extra-situacionais que nos dominam. Só que estes provêm de outras condições existenciais, e estão saturados por um espírito de porco incomparavelmente maldoso ou são verdadeiros demônio, sui generis.

RF – Se a presença dos UFOs na Terra é uma aberração, porque então os poderosos do mundo, o governo norte-americano, principalmente já em 1947, 1948 criaram o projeto Sign (projeto sinal), que evoluiu para o Projeto Grudge (projeto ressentimento), no qual foi elaborado o famoso livro Yellow Book onde se registraram as conversas dos ETs. Porque foi criado o Projeto Blue-book, com suas equipes idiotas, outrora tão conhecidas na televisão brasileira? Por que e para que foram criadas a antiga CIA e a atualíssima NSA (National Security Agency). Por que foram criados o Conselho de Segurança Nacional, o MJ-12, o projeto Red-Light, Snowbird etc.

EB – A hipocrisia das autoridades constituídas mais a do Governo Invisível é tamanha que preenche completamente o universo científico ou o seu pressuposto espaço físico. Por exemplo, a turma governamental do presidente Truman de 1947, quando o acontecimento de Rooswell escorregou e quase se tornou de público conhecimento, correram apressados para tapar o sol com a peneira e aí criaram o Projeto Sign, o Projeto Grude, que iam estudar o vôo das borboletas (ou UFO), igual à expedição da Antártida em que o almirante Bird foi caçar pingüins na Nova Suábia do Pólo Sul. Foi criada nada menos do que a CIA, existente na ocasião só para estudar o escândalo dos UFOs e capturar qualquer objeto voador caído e respectivo tripulante. Depois, a CIA evidentemente evoluiu e se transformou na atual agência de espionagem safada e criminosa. Foi criada essa coisa incrível que praticamente quase suga todas as verbas do mundo ocidental, (Verbas do terceiro mundo, de preferência), ou seja a SNA que lida com os mais incríveis aparelhos eletrônicos só para espionar as mensagens excepcionais saídas de UFOs, ou senão dos meios de comunicação antigos ou também de todos os meios eletrônicos atuais. Tal Security National Agency, via Mossad, pretende inclusive dominar completamente o mundo. E já falam em holocaustos psicotrônicos.

RF – Afinal, existe ou não existe vida fora deste nosso planeta de dor e sofrimento? Houve ou não houve um criador para o milagre chamado Vida? O Universo tem que ser realmente a gigantesca e absurda máquina apontada pela ciência, ou quem sabe ele é algo bem diferente. Ao invés de estar saturado de mundos-bola, opacos ou incandescentes, girando de lá para cá, ou de cá para lá não poderia estar saturado apenas de ilhas-situações existenciais? E se este outro universo não científico não dependesse nem do espaço nem do tempo, aí a impossibilidade de viajar pelo cosmo persistiria? Os ETs ao invés de extraterrestres não poderiam ser extra-situacionais?

EB – Bem,  mas esta última pergunta praticamente constitui um resumo de todas as respostas que eu dei. Não se diga porém que outra vida tem que existir fora deste nosso planeta de dor e sofrimento. Esse fora só pode traduzir o universo científico, e este último já ficou mais ou menos evidente que quem sabe não passe de um engano, de uma distorção e talvez sequer exista. Grosso modo, por nossa própria culpa e devido à nossa maneira de mal pensar e pior agir, é que parece estar lá fora, quando o Universo Real deveria estar centrado a Algo mais Verdadeiro. Assim que este nosso mundo supostamente situado nas trevas exteriores, de modo positivo e excepcional só poderia receber visitantes não de trevas mais exteriorizadas ainda (ou espaço científico) e sim de planos existenciais mais equilibrados, de situações cósmicas mais harmônicas e mais centralizadas ao Coração da Vida

Entrevista ufológica com Ernesto Bono, feita por Daniel Rebisso

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-grande-conspiracao-universal/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-grande-conspiracao-universal/