A Menina da Capa Vermelha

Lendo um excelente texto sobre Satanismo aqui Morte Súbita me deparei com a seguinte parte:

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[…]Responda as seguintes afirmações com um “X”, caso você aceite e afirmação como verdadeira:

[ ] Chapeuzinho Vermelho era uma menina que usava uma capa vermelho porque era sua cor favorita.

[ ] O Lobo Mal Comeu a Vovozinha literalmente.

[ ] Chapeuzinho Vermelho andava tranquilamente por uma floresta quando se deparou com o Lobo-Mal.

[ ] O Caçador matou o Lobo Mal e tirou a vovozinha viva de dentro de sua barriga.

[ ] A Chapeuzinho Vermelho levava doces para sua vovozinha.

1º “Chapeuzinho Vermelho era uma menina que usava uma capa vermelha porque era sua cor favorita” – Não. Chapeuzinho Vermelho usava uma capa vermelha porque na época em que se passa a história o vermelho era a cor das prostitutas. Pode parecer satírico e pitoresco, mas a história original (antes das versões dos Irmãos Grimm) remonta ao século VII, onde o vermelho era a cor das prostitutas e meretrizes. Quando chapeuzinho vermelho saiu de casa para levar doces para a vovozinha, não era exatamente isso que ela supostamente iria fazer na casa da vovó.

2º “O Lobo Mal Comeu a Vovozinha literalmente”

– Não, o “lobo” é comumente associado na cultura antiga como sendo o símbolo dos “garanhões”, das pessoas que procuravam por sexo e por satisfazerem seus libidos, não raro, com prostitutas idosas.

3º “Chapeuzinho Vermelho andava tranquilamente por uma floresta quando se deparou com o Lobo-Mal”

– Provavelmente, Chapeuzinho Vermelho estava fazendo programa na floresta.quando apareceu um “Lobo Mal”.

4º “O Caçador matou o Lobo Mal e tirou a vovozinha viva de dentro de sua barriga.”

– “Caçador’ também é comumente referido na literatura antiga e medieval como pessoa valente, cumpridora de lei, oficial de justiça. há uma figura de linguagem na expressão pois, em verdade, o que pode estar explicito neste caso é de que um homem da lei “flagrou” o ato entre o “lobo” e a “vovozinha”.

5º “A Chapeuzinho Vermelho levava doces para sua vovozinha.”

– Doces são comumente associados a sexualidade.

– Fonte: Livro “Der Ursprung der Märchen”

Vocês jamais pensariam isto de uma história infantil não?

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Bem, a pergunta final ficou em minha cabeça, por isso decidi respoder a ela; dizer o que penso desta história infantil em especial.

Quando eu chego no final da descida eu me volto para o topo da rampa, onde eu paro e me volto e torno a  percorrer o mesmo trajeto até chegar ao fundo, onde finalmente o vejo de novo. HELTER SKELTER.

Os símbolos controlam os homens, os safados controlam os símbolos. Podemos tirar algumas conclusões interessantes disso. Vejamo-as.

É curioso que apesar dos Grimm Brothers terem se tornados famosos por serem os monteiros lobatos da câmara cascudo da Alemanha, a versão mais antiga registrada desta história em particular é francesa, pela pena de Charles Perrault. Perrault viveu entre 1628 e 1703, o dueto alemão surgiu mais de 80 anos depois da mort deste digno francês e acabaram reescrevendo algumas das histórias que a Ganso gigante lhe ditou, talvez seja por isso que que na metade do séc XX Hitler tenha rumado para a terra do queijo, para apagar todo e qualquer registro de Perrault e declarar então a alemanha a dona deste e de outros contos.

Agora tirando este fato sem importância é curioso notar que hoje chamamos tais relatos de histórias para crianças, mas na época elas não tinham nada disso, esses contos eram a versão antiga do Notícia Populares para analfabetos, já que eram passados oralmente, em sua maioria mostravam como o mundo poderia ser cão e ainda não haviam inventado os finais felizes, então eram relatos bem pesados e sujos.

Agora, se pudéssemos captar a essência de um pensamento e rastreá-lo em várias mentes, farejando o caminho que uma idéia tomou de mente para mente, e se nos desprendermos desta ilusão gosmenta de espaço e tempo, poderíamos ver que Perrault simplesmente transcreveu uma versão popular de vários contos que já circulavam, veja que por exemplo esta história já era conhecida, com variantes é claro, pelos camponeses franceses do século XIV assim como na itália onde o título do headliner grotesco era: “La finta nonna” ou a falsa avó. Em outros cantos latinos da europa ainda era conhecida uma versão similar chamada de “História da Avó”. Para aqueles que gostam do velho Balzac ainda temos um link com uma senhora de idade esperando visitas na cama.

Vamos fazer uma pausa lupina agora. Lobos, por algum motivo quase sempre foram associados com sexo, Roma foi fundada por dois gêmeos, Remo – A.k.a. desarmado e perigoso – e Rômulo – A.k.a. quem dá esse nome par auma criança? – que foram criados por uma…………………

Exato, quem respondeu prostituta ganha uma bala (bala de verdade não um narcótico).

Na época e na região prostitutas eram chamadas de Lobas e apesar de achar que aquela estátua famosa dos dois bebês sentados do lado de um loba que parece o logo de uma companhia de gás ficaria melhor se mudassem pra a estátua de uma dama da noite realizando um lap dance enquanto toma conta das crianças dá para entender porque é que com o tempo zoomorfizaram de vez a pobre mulher.

Agora voltemos para a França. Como Freud diria se você não está pensando em fazer sexo selvagem e descabelado com a sua mãe agora, deveria! Logo aquele bando de camponeses que existiam antes de se inventar a televisão a cabo e que não sabiam ler possivelmente passavam o dia pensando em fazer sexo, tentando fazer sexo ou mesmo fazendo sexo, o que deveria render boas histórias de vinganças, noitadas e cartas para o fórum da Ele&Ela. Mas na época havia outra coisa rolando na frança também naquela época e vamos falar dela assim que revirmos outro ponto interessante da história:

Nem todos os relatos nos falam de um destemido lobo mal, muitos deles falavam de outro personagem, não é mesmo meu amigo?

Sim!

É isso mesmo, falavam que a menina foi achacada por um Ogro, e outras vezes ainda, surpresa, por um ‘bzou’. Essas também eram figuras clássicas mas não eram associadas a garanhões sexuais como o Rambo na festa da Kitty, eram associados com ladrões e bandoleiros, mas isso claro se você acreditar nessas figuras míticas, nós sabemos que ladrões, bandoleiros e unicórnios não existem.

Para aqueles não familiarizados com o termo bzou, na França no século XVIII circulavam notícias de que:

“Uma Fera monstruosa semeia o pavor e o desespero na região, atacando e matando sem cessar, especialmente crianças, adolescentes e mulheres.”

A data disso foi 1762, bem depois de Perrault, mas ainda muito antes dos Irmãos Grimm, mais para frente toco neste assunto.

Resumidamente este dita fera fez como primeira vítima uma menina de catorze anos, Jeanne Foulet. Dentro de pouco tempo, mais adolescentes. Em seguida, uma mulher de trinta e seis anos, que cuidava do seu jardim, em frente a casa. A região onde isso aconteceu foi Gévaudan, o mesmo lugar onde Mark Dascascos filmou O Pacto dos Lobos, que por coincidência conta exatamente esta história, com a diferença do filme não ter tido medo de descrever como todos lutavam kung fu na época.

A Igreja, fazendo o seu papel declarou que a Fera era fruto da cólera divina, por pecados cometidos pelo povo: O pavor tomou conta de todos.

Apesar de todos de bom senso dizerem que aquilo era um lobo que matava pessoas os relatos de quem havia encontrado o bicho a descrevia como:

“Tem o porte de um vitelo de um ano os olhos grandes como ele; é baixo na parte da frente e as patas são providas de garras; a cabeça é grande, terminando em focinho alongado; as orelhas são menores do que as de um lobo e espetadas, como chifres; o peitoral é largo e recoberto de pêlos acinzentados; os flancos são avermelhados; acompanhando a espinha, uma listra negra. Mas o que mais impressionava a todos era a sua goela, uma bocarra imensa e provida de afiadíssimas presas, capazes de decepar as cabeças das vítimas como uma navalha. Goela horrenda.

Descreviam-no ainda como tendo andar lento e correndo aos pulos, em velocidade inacreditável. Era visto ora num lugar e ora noutro, a distância que nenhum animal poderia percorrer dentro daquele espaço de tempo. Alguns concordavam que ele pudesse ser semelhante ao lobo; mas eram todos categóricos ao afirmar que não era, em absoluto, um lobo, mas uma fera jamais vista antes.”

Uau….

Sim, se quiserem ver o desfecho desta história podem acessá-la aqui.

Bem, puxei todo mundo para cá para mostrar que na frança e europa da época os bzous não eram os bandidos ganhando fama, mas o que hoje chamamos de lobisomens.. ahhh e naquela época eles estavam por toda parte em todos os lugares.

E isso dá uma reviravolta interessante no conto registrado. As versões mais antigas e distantes que teriam semelhança vem do bom e velho oriente onde o atacante chega mesmo a ser descrito como um tigre, mas na europa era o Ogro, que mesmo sendo um mostro podia conversar e se comunicar, isso é… até os lobisomens chegarem. E o lobo se torna um vilão popular, mas não qualquer lobo, aqueles que podem falar e caminhas em duas patas também.

Veja, nas primeiras versões da história o lobo não “come” a avozinha, nem tampouco a come – sim desculpem posso ouvir os falos se encolhendo dentro das calças. Ele a mata. Então fatia o corpo e coloca a carne em uma travessa, drena o sangue e o coloca em uma garrafa. Quando a pobre Chapeuzinho chega em sua mui humilde morada a avó a convida para jantar e faz a menina devorar a carne crua e a beber o sangue dizendo que é vinho. E só então a chama para a cama. As versões mais antigas terminam com a menina sendo morta pelo lobo, outras ainda dão uma chance para a menina que percebe a arapuca e muito esperta diz para a avó que comeu tanto que precisa ir cagar, que não quer sujar a cama. A avó, matreira, diz que para não se sentir sozinha e para que a menina não se perca na floresta, vai amarrar uma corda na mão ou no pé da netinha. A menina sai de casa, amarra a ponta da corda em alguma coisa e foge, mas não sem antes ouvir algo semelhante a: “Meretriz, você comeu a carne da sua avó e bebeu o seu sangue”.

Um detalhe importante é que o lobo a faz tirar a roupa e a jogar na lareira antes de ir para a cama. Outro detalhe importante é que em todas essas versões, pré Perrault não existe o caçador/lenhador/this is fucking L.A.P.D. open your door! – a menina quando foge, simplesmente foge, pelada, floresta a dentro.

Outro detalhe é que a capa vermelha foi invensão do Perrault também, antes dele a menina não era nem “uma atraente e bem educada moça de família”, nem usava a capa vermelha. Em 1967 Perrault publica o livro: Histoires et contes du temps passé, avec des moralités. Contes de ma mère l’Oye (Histórias e contos do passado, com moral. Contos da Mamãe Ganso). Vejam que existe já no título uma dica de que vai rolar uma moral, você vai ter que aprender algo, não apenas se divertir, e o próprio Perrault disse na época que o objetivo da história era mostrar que não faz bem para meninas dar ouvidos a estranhos, basicamente ele fez o que nossas mães fazem conosco só que de uma maneira longa e com uam roupa vermelha. Também era o objetivo desta nova versão mostrar para as senhoritas o que os homens são capazes de fazer para ver elas peladas.

Agora o caçador só surge depois na alemanha, que de fato tem um fetiche por esses tipos sarados que carregam coisas fálicas para manter a lei. Os irmãos Grimm colocaram este personagem em sua versão de 1812. Outro fetiche dos alemães da época era fazer um lobo engolir crianças, seja uma menina (chapeuzinho vermelho), um menino (pedro e o lobo) ou várias delas (o lobo e as sete crianças), e depois fazer alguém abrir a pança do bicho sem ele acordar, tirar o que tem dentro e encher de pedras costurando novamente para ele morrer afogado quando for beber água. Talvez esteja ai a origem dos relatos de pessoas que dizem que foram dormir, de repente se viram numa mesa com uma criatura estranha fazendo experimentos nela, a abrindo e costurando, a enchendo de implantes e a devolvendo para a cama.

Agora de fato quando analizamos o significado deste conto podemos chegar a algumas conclusões interessantes, como muitos já chegaram. Deixando de lado o obvio: não fale com estranhos! podemos seguir o caminho do Dr. Valerius da universidade de Calgary, que escreveu uma tese de que o conto de fato falava do perigo de você topar com um lobo no meio do mato. Existem aqueles que por algum motivo acham que tudo é um mito solar e associam a capa vermelha ao sol, que é devorada pela noite – o lobo – para depois ser resgatada de suas entranhas – o alvorecer (e ai é óbvio que surgem os fãs de Black Metal Nortico e afirmam que a prova disso é que o lobo da chapeuzinho é SKöl, o lobo da terra de Odin que engole o sol personificado no Ragnarok). Da mesma forma dizem que o conto reproduz o ritual de passagem pela puberdade, o renascimento, o despertar sexual, etc… Mas vamos lembrar que antes dos Grimm e de Perrault o caçador, a capa vermelha e mesmo o lobo não eram constantes e muitas vezes sequer existiam.

E agora crianças, fechem os olhos, vou tocar naquele assunto lá de cima: grande parte da europa foi assolada por ataques de lobisomens. Existem registros, existem monumentos, existem documentos de época que mostram como o povo se f****a na mão dos bichos. Assim podemos supor porque é que de todos os personagens sinistros o lobo (o mesmo que Gengis Khan dizia ser seu antepassado) se tornou o vilão nào apenas desse conto mas de vários.

Claro que a idéia estritamente sexual é divertida, mas nesse caso eu imagino a interpretação dos três porquinhos, era um lance meio sauna gay com um garanhão tentando provar de outra fruta e sendo rejeitado pelo trio?

L.

por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-menina-da-capa-vermelha/

A Corrupção da Magia – parte II

Continuando a segunda e última parte deste manifesto sobre a magia Moderna; semana que vem seguiremos com a programação normal.

Neste final de Semana, enquanto preparava o post da semana que vem, li a notícia de que uma falsa-vidente-picareta roubou 55 mil de um infeliz em Santa Catarina. Quando não são os religiosos, ateus, céticos e pesudo-céticos espinafrando e atacando o ocultismo, são os esquisotéricos, charlatões, Juscelinos da Luz e estelionatários queimando o filme… depois perguntam por quê os verdadeiros conhecimentos herméticos permanecem ocultos…

A Sexta Razão

A Destruição da Sucessão de Mestre e Discípulo

A sexta maior razão para o deplorável estado da magia moderna é a destruição de uma linha de sucessão entre o guru e chela, mestre e discípulo. Quanto mais pessoas lançaram vários livros contendo os Pequenos Mistérios, mais pessoas começaram a, lentamente, substituir o mestre pela estante. Eles colocam em suas cabeças que, desde que consigam ler muito, nunca precisarão de um professor. Não é preciso dizer que essa abordagem raramente encontra sucesso. Por razões que já foram clarificadas, a vasta maioria dos livros de hoje é quase inteiramente inútil para alguém que esteja procurando por um meio prático e eficiente de autoavanço. Seu conhecimento pode crescer, mas sua alma normalmente não.

Uma razão para essa substituição, que deveria agora ser óbvia ao leitor, é o fato de que as pessoas hoje simplesmente não gostam da ideia de um professor, de um guru. Um mentor é, às vezes, bem recebido, mas apenas sob a exigência de que o mentor não seja saudado com muita apreciação, e a de que ele possa ser facilmente afastado. O ego da maioria das pessoas as leva a odiar a ideia de serem subservientes a um verdadeiro professor, por até mesmo pouco tempo, para assegurarem sua evolução espiritual. Isso as faria sentir menos sagradas que o guru, o que, de fato, elas são, e isso machucaria demais os seus egos. Dessa forma, elas não tolerarão isso.

Isso tudo fez com que muitos autores de hoje não tenham recebido treinamento legítimo de um professor verdadeiro. O conhecimento que eles apresentam em seus livros é, simplesmente, a mesma informação reprocessada que qualquer um poderia armazenar com tempo suficiente numa biblioteca, e eles, portanto, não se tornaram melhores que seus predecessores uma centena de anos atrás, os quais pensavam ser adeptos simplesmente por causa de sua habilidade de compilar a informação disponível. Tais autores, assim, começaram uma tendência que infectará totalmente os autores do amanhã, e, dessa maneira, solidificará essa tendência infeliz e autodestrutiva. Eu rezo seriamente para que, no futuro, mais adeptos que tenham passado por treinamento real nas mãos de um professor treinado dêem um passo à frente e passem os ensinamentos de seus mestres para o mundo. Até se isso acontecesse, cada livro deveria dizer dentro de suas páginas o que eu estou precisamente para dizer: embora o conhecimento ajude e ilumine a mente, a iluminação da alma deve ser recebida de um bom professor.

Por que você não pode fazer tudo sozinho? Por que você não pode ser aquele “lobo solitário” sobre o qual você ouviu falar? Aquele lobo solitário e durão que nunca precisa da ajuda de ninguém? Supere você mesmo. Você não pode fazer isso sozinho porque você nem sabe o que fazer ou onde começar, e se você soubesse, você não entenderia como fazê-lo mesmo assim. Se você pode derrotar o seu ego o suficiente para admitir isso, então você pode ainda ter esperança para o Reino de Deus. Se não, então você está muito mais interessado em si mesmo do que em Deus. Um livro pode sugerir lugares para começar, pode fornecer fórmulas e técnicas práticas (embora poucos, muito poucos o fazem) e podem até suprir uma rotina de treinamento completa. Até se você tenha esses livros memorizados, a quem você se voltaria quando um obstáculo surgisse que você não pudesse superar intelectual ou espiritualmente? Se você, embora com treinamento rigoroso, não visse resultados, como adivinharia o porquê disso? De qual lugar você receberia a informação que nunca foi antes publicada? Além disso, você seria forçado a aceitar a legitimidade de qualquer sistema de treinamento ou séries de informação, baseado inteiramente sobre a sua própria crença. Quando você tem um bom professor que está lhe iniciando diretamente, numa linha de mestre e discípulo, na magia genuína, então você tem alguém para se referir como um modelo e um exemplo. Você consegue ver quão efetiva essa abordagem à magia é, toda vez que você vê o seu professor. Através das ações dele, você pode decidir se o sistema é válido ou não. Dessa forma, o professor destruirá níveis de dúvida que, frequentemente, infectam pessoas que se submetem ao que agora é popularmente chamado de “autoiniciação”.

Neste ponto, nós dificilmente poderíamos continuar sem uma rápida consideração de uma jóia em particular, o livro O Caminho do Adepto, pelo Mestre Arion, Grande Iniciador Rosacruz, o S.F.C.R. (Sagrado Frater Christian Rosencreutz), que vocês conhecem pelo nome de Franz Bardon. Essa grande alma, um dos doze maiores adeptos mestres na inteira Fraternidade Branca, que governa particularmente sobre a iniciação, veio ao mundo em total Nirvikalpa Samadhi, na glória de seu corpo astral imortal, por toda a humanidade. Houve um grande sacrifício nisto.

Urgaya o invocou e ordenou que, enquanto estivesse aqui, ele lançasse ao mundo os primeiros três dos vinte e dois estágios de iniciação da Fraternidade Branca. Ele o fez, mas, do mesmo modo que Veos e eu fizemos, ele suavizou o sistema consideravelmente, para alcançar e ajudar o maior número possível de pessoas, enquanto tomava como estudantes pessoais aqueles poucos que estavam prontos para os ensinamentos mais sérios. O resultado desse serviço altruísta foram os três livros que ele escreveu, que foram feitos para levar o estudante até o ponto em que ele atraia um mestre espiritual que o inicie nos Grandes Mistérios. Embora essa trilogia seja excelente, particularmente seu primeiro livro, O Caminho do Adepto, eles ainda contém todas as inibições que um livro traz. Você não pode perguntar questões ao livro, não pode receber experiências espirituais dele, não pode chorar nos seus ombros quando o mundo parece ter se voltado contra você. O livro não irá assumir o seu karma para te ajudar, não limpará suas nadis e trabalhar nos seus chakras, não imergirá você, amavelmente, em sua própria aura. Acima de tudo, não servirá como um canal de mediação entre sua Kundalini pequena e a Kundalini Cósmica superior.

É minha convicção, baseada na experiência, que existe somente um tipo de pessoa que pode se submeter à autoiniciação com sucesso sem nunca ter tido um professor. Deve ser um adepto reencarnado que está simplesmente recapitulando seu desenvolvimento mágico de vidas passadas. Para tal pessoa, na medida em que ele aprende até apenas técnicas básicas, suas memórias mágicas começarão a, quietamente, voltar a ele, na forma de intuição acurada sobre como certas coisas deveriam ser executadas. Essa intuição mágica guiará suas ações, e sua alma guiará a consciência aos lugares corretos. Essa pessoa não precisa de um professor. Porém, a um tempo atrás ele certamente teve um, e se não tivesse sido pelo professor, ele nunca teria se tornado o adepto que se tornou.

A Sétima Razão

A Remoção de Deus da Situação

Na medida em que o mundo se torna, gradualmente, mais materialista, uma escuridão começa a envolver o intelecto de pessoas inteligentes. É um tipo de doença que dá a uma pessoa cegueira e a torna surda; de fato, deixa-a quase completamente insensível a qualquer estímulo. O nome dessa aflição, que paralisa e torna mudos todos os três corpos, é chamado Ateísmo. Quando algumas pessoas são afligidas por ele, tornam-se totalmente desafiantes contra todos os impulsos espirituais que sugiram a existência de Deus. Eles são uma ninhada de pessoas peculiar, sendo ignorantes ao grau de se tornarem engraçados aos olhos do iniciado.

Existe uma ninhada particular de ateístas que é mais divertida que todas as outras. É uma ninhada relativamente nova, que apareceu apenas neste século passado. Esse tipo de pessoa é um ateísta que acredita que fenômenos espirituais são, na verdade, fenômenos físicos num nível altamente refinado, e dessa forma buscam explicações para as coisas espirituais. Eles não negarão que as energias dos elementos, por exemplo, existem. Eles simplesmente pensarão em alguma teoria absurda e estúpida de como essas energias são apenas divisões de uma substância mental física, mas enormemente refinada, e que suas qualidades atribuídas são algum tipo de ilusão. Eles dirão que espíritos são as expressões externas de arquétipos subconscientes na psique, e sugerem que, quando eles são conjurados à aparência visível, tudo que está ocorrendo é autohipnotismo. Essa estranha espécie de pessoa fará tudo pelo motivo de ser capaz de sugerir que Deus não existe, que mundos espirituais não são reais, que não existe alma, etc, etc.

É óbvio ao iniciado que qualquer pessoa que se submeta ao treinamento adequado possa provar a si mesma além de qualquer possibilidade de dúvida que espíritos não são arquétipos pessoais, que mundos espirituais existem, que existem energias externas diferenciadas, que a alma é real e imortal, e que Deus é uma verdade eterna. Qualquer pessoa que sugere ao contrário está fazendo-o do ponto de vista da teoria e especulação somente, e não tem base prática na magia. Embora o iniciado devesse sempre mostrar respeito sobre a opinião da outra pessoa, de modo a não causar conflito imediato e desconforto, ele não deveria permitir ser persuadido por tais argumentos. Frequentemente, essas pessoas são ótimas em argumentar e debater, mas não podem fazer quase nada a esse respeito com magia verdadeira. Dessa forma, deixe-os falarem a si mesmos enquanto você quietamente volta a sua mente à meditação sagrada.

Isso precisa que consideremos um ponto importante, contudo. Apenas você, no fim, pode provar a si mesmo a realidade de todas essas coisas. Apesar de todos os meus poderes e siddhis, eu não posso fazê-lo. A mente animal duvidará da sua escolha de perseguir esse caminho a cada virada, e, acima de tudo, também tentará me fazer duvidar, não importa o que eu faça. Alguns exemplos podem ilustrar bem este ponto. Ano passado, quando eu estava morando com um grupo de oito aprendizes (com mais cinco visitando regularmente) num belo lote de 5 acres firmado entre árvores e invisível a todos os vizinhos ou à estrada, uma grande tempestade apareceu sobre nós. O vento uivava ferozmente, a chuva parou por um momento, e, então, no pátio próximo a nós, um tornado começou a descer. Os aprendizes, até Veos (até hoje eu brinco com ele sobre isso!) ficaram muito assustados. Na verdade, eu estaria assustado também, apesar da minha confiança para lidar com a situação, se eu não tivesse aberto meus olhos de uma maravilhosa hora de meditação profunda no momento em que o tornado começou a surgir. A mim, naquele estado elevado de felicidade, o tornado era apenas uma demonstração da natureza para ser amada e reverenciada. Apesar disso, eu me esforcei o suficiente para me convencer de que o tornado, tão próximo à casa, era uma coisa ruim. Eu me coloquei na direção da tempestade, com Veos ao meu lado e ajudando, e nós dois elevamos o tornado de volta ao céu e redirigimos a direção da tempestade para longe da casa. Isso foi feito com todos os estudantes assistindo. Em outra ocasião, apenas quatro semanas antes, eu usei um sigilo para criar uma chama sólida e negra no coração de um grande fogo ritual que todos viram e cuja realidade de sua presença atestaram. No momento em que começou a chover, por ele ser um importante ritual do fogo, eu chamei um espírito que me serve para nos proteger da chuva. A chuva parou, mas os estudantes logo notaram que estava chovendo em todos os lugares da propriedade, menos no lugar onde estávamos!

Eu estou relembrando essas coisas não para glorificar a mim mesmo, mas para ajudar a ilustrar este assunto. Embora eu demonstrasse essas aparentemente “maravilhosas” ocorrências, sem pouco esforço meu, eu rudemente exibia a magia aos meus estudantes como um prêmio por sua devoção duradoura aos meus ensinamentos, e, mesmo assim, essas coisas não preveniam suas mentes de, às vezes, duvidar que magia não existia. Pouco menos de um mês depois do incidente com o tornado, um dos meus estudantes melancolicamente veio a mim e confessou que ele estava tendo de lutar com a dúvida, porque ele nunca tinha visto antes um poder mágico. Numa classe do Veritas quatro anos atrás, eu tive um estudante para o qual, um dia, eu mandei uma mensagem e informei que ele estava desenvolvendo uma infecção de sinus. Sendo alguém que duvida por natureza, ele decidiu não tomar nenhum remédio. Quatro dias depois, ele pegou uma infecção de sinus, e, num instante, eu o curei da infecção completamente. Eu não consegui mais informações desse estudante, que terminou aquela classe como um estudante de magia muito devotado, por um longo tempo depois que a classe terminou. Eu descobri, poucos meses atrás, que, pouco depois da minha classe terminar, ele decidiu que eu era uma fraude e um mentiroso, e que eu não tinha habilidade mágica ou consciência elevada, e que ele estava convencido de que magia em si pudesse nem ser real.

Essas, e outras experiências parecidas, me convenceram de que não é o dever do professor fazer o estudante acreditar em magia, e, realmente, que o professor não é capaz de fazê-lo, não importa quais habilidades ele possa ter demonstrado. No final, a última evidência convincente que o estudante será capaz de usar para conquistar a dúvida de seu ser inferior é a evidência que surge de suas próprias práticas continuadas, as recompensas de sua fé douradoura em seu caminho.

Mas, voltando ao assunto à mão, é uma grande má sorte ao mundo dos aspirantes sinceros que esses mesmos ateístas estão realmente se juntando para formar sistemas de “magia” juntos, embora esses, na realidade, sejam feitiçaria astral no máximo. Ao fazê-lo, eles estão apelando aos lados animalistas e mundanos da consciência do ego que governa sobre os não iniciados antes de alma ter uma chance de se agarrar a algo significativo. Por tais sistemas de feitiçaria não terem nenhuma ênfase real na moral, por eles não terem ideia nenhuma de Deus ou de avanço espiritual, as pessoas estão se unindo para achar uma desculpa para praticar o que eles pensam que é magia sem ter de desistir de seus modos pecaminosos de viver. Tais pessoas adoram se ostentar, dizendo “Eu descobri que magia é tão efetiva sem o componente espiritual desnecessário”. Eu juro a todos vocês, pelo meu grande amor por essa ciência, que, nos meus anos de magia, eu nunca encontrei, nunca mesmo, nenhum estudante dessa escola de feitiçaria que poderia produzir até a mais simples das demonstrações mágicas. Eu nunca descobri um estudante dessa escola que possuísse alguma das faculdades mágicas a um grau demonstrável ou talvez significativo. Por quê? Porque eles estão praticando ideias, não verdades. Eles estão tentando fazer com que o universo satisfaça os seus próprios desejos egoísticos, em vez de quererem sacrificar qualquer coisa que seja para se tornarem magos reais.

A Oitava Razão

Charlatões

À luz de todas as razões previamente mencionadas, deveria se tornar óbvio que charlatãos e fraudes naturalmente surgiriam. A falta quase total de iniciados verdadeiros e adeptos conhecidos às pessoas comuns tornou impossível se comparar uma fraude contra a coisa real. Os fraudadores, é claro, saberão isso, e usam isso ao seu favor. O fato de que existam tantos enganadores que se tornaram muito bem-sucedidos não sugere em momento algum que eles tenham alguma habilidade, mas, em vez disso, simplesmente mostra o quão mal informada e enganada a pessoa comum é nesses assuntos.

Bem como fizeram no início dos anos 1900, médiuns começaram a ir e vir e a escreverem pilhas de lixo para encherem as estantes das livrarias modernas. Essas pessoas, que são normalmente tão boas em enganar a si mesmas quanto a enganar os outros, lançam livro após livro. Eles escrevem centenas de páginas, e ainda, de alguma forma, não dizem nada nelas. Eles citam seres espirituais como a fonte de sua sabedoria, ou guias espirituais, ou animais totem, ou trevos de quatro folhas e tal nonsense. Embora eu ainda não o tenha encontrado, eu estou certo de que exista um médium por aí que alega receber instruções místicas de seu sanduíche de presunto. Não seria mais absurdo que as alegações anteriores. Embora, é claro, uma vez, eu tive uma conversa muito reveladora com uma garrafa de coca-cola, e um espírito decidiu, por uma razão qualquer, falar comigo numa voz audível que até os não iniciados poderiam ter ouvido.

Se tais médiuns estão de fato conversando com seres espirituais, então esses espíritos são muito misteriosos ou são muito estúpidos. Se esses médiuns estão conversando com guias espirituais, eles devem estar precisando despedir seus guias e encontrar novos. Em minhas experiências com seres espirituais, animais totem e guias espirituais, nenhum deles era tão mal informado quanto os desses médiuns. Dessa forma, podemos concluir que é muito provável que eles não estejam falando com nenhum dos acima, mas, em vez disso, que eu estou terrivelmente enganado, e que todos estão, na verdade, conversando com sanduíches de presunto. Se eles estivessem conversando com garrafas de coca, então, baseado na experiência, eu seria levado a acreditar que seus livros poderiam ter sido melhores.

Nada disso implica que todos os médiuns são fraudes. É, porém, um infeliz fato que a vasta maioria de fraudadores alegue ser médium, e, se o resto da comunidade de bons médiuns não quiser ser associada com esses charlatãos, então eles deveriam aparecer e lutar contra eles. Eu conheci vários bons médiuns em meu tempo, alguns deles naturais e outros treinados, portanto, essas declarações, de modo algum, se aplicam a esses tipos de pessoa. O leitor observador, porém, será capaz de fazer uma caminhada, achar uma estante de New Age numa livraria popular e ser capaz de ver precisamente de quais autores eu estou falando.

O grupo de médiuns impostores é apenas uma das duas maiores categorias de fraudadores na comunidade ocultista. Para a pessoa firmada em pensamento racional e com pelo menos alguma educação em literatura ocultista, os médiuns impostores são comparativamente fáceis de serem reconhecidos. Embora eles agarrem um número entristecedor de otimistas da New Age, os mais eruditos tendem a ficar longe deles. É, portanto, minha opinião que o mais perigoso dos dois grupos não é o médium impostor, mas o sim mago impostor.

O mago impostor é muito mais difícil de distinguir, e apenas alguém que é firmemente enraizado na experiência prática pode descobrir o disfarce. Existem autores que escrevem livros que fascinam seus leitores sobre simbolismo oculto, aparente conhecimento da Cabala, algumas correspodências ocultas etc, e mostram isso como se a experiência os tivesse levado a acreditar nessas coisas. Eu não estou falando aqui de meros ocultistas. Um ocultista é um filósofo, portanto ele se preocupa com as várias cosmogonias filosóficas, em vez de experimentar o lado prático da espiritualidade. Desse modo, é perfeitamente normal para um ocultista falar num nível puramente intelectual, igual ao filósofo. Não, eu não estou me referindo a esses autores, mas aos autores que criam um véu de suposto conhecimento experimental. Essas pessoas são geralmente indivíduos que aprenderam e, subsequentemente, praticaram apenas duas ou três técnicas básicas, e, então, se consideraram a si mesmos grandes magos. Eles escrevem livros sob esse propósito, e prescrevem ridículos regimes de treinamento para seus leitores.

Tudo isso naturalmente resultou numa situação na qual pessoas que queiram aprender magia, queiram comprar um livro e, por causa da probabilidade, pegarão um livro escrito por um autor fraudulento. Percebendo como pessoas que são completamente novas à magia não são tão sábias, elas acreditam em muito do que é dito, e assim a corrupção começa. Muitos desses aspirantes promissores vieram à minha casa por um curto tempo, e eu descobri que, depois de alguns anos de encherem suas mentes com tal lixo, eles se tornaram ligados demais a esses mundos ilusórios para serem salvos pela luz da experiência prática. Espero que, nas próximas vidas deles, suas almas levarão suas mentes a buscarem algo mais elevado.

A Nona Razão

O Silêncio dos Adeptos

Durante o período do Renascimento, e por um tempo após, houve um número de adeptos que escrevia. O advento do aparecimento público dos rosacruzes na Europa, por um pouco tempo, gerou informação suficiente para os autores discutirem por muitos anos. Pessoas como Paracelso, Agrippa e Francis Bacon forneceram suficientemente os Pequenos Mistérios às pessoas. Autores rosacruzes como Francis Bacon promoviam a iluminação intelectual das pessoas, como a Ordem Exterior Rosacruz (que eventualmente gerou a Maçonaria), focada primariamente no avanço espiritual através de conhecimento e de sabedoria em vez da prática. As práticas estavam presentes, mas eram normalmente ritualísticas e reservadas para dias especiais. Os exercícios mágicos verdadeiros eram mantidos para o próximo nível de iniciados.

Autores como esses forneciam tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. De um lado, as pessoas estavam engajando suas mentes, pela primeira vez, no feijão-e-arroz da magia teórica. Em vez de lerem sobre demônios e feitiços mágicos, eles podiam aprender sobre o magnetismo espiritual, o archeus, os éteres, a lei de atração, a lei do microcosmo, e por aí vai. Alguns dos Pequenos Mistérios mais básicos tinham finalmente se tornado disponíveis às pessoas. Isso permitiu que leitores da época checassem duas vezes os escritos de pessoas sobre ocultismo contra autoridades conhecidas. Embora fraudes e charlatãos estivessem ainda rampantes, eles não estavam se focando tanto nas contribuições literárias ao ocultismo e assim não deixaram uma impressão duradoura sobre aspirantes das gerações futuras.

Por outro lado, a explosão de informação intelectual sem uma fundação de trabalho prático levaria gerações futuras ao engajamento somente na filosofia, em vez de na magia verdadeira. Isso permitiria a todos que tivessem lido alguns livros a regurgitarem a informação em novos livros e chamá-los seus. Acima de tudo, deixaria muitas questões sem resposta nas mentes de muitos aspirantes sinceros, sobre onde começar e como avançar na magia. A tendência de alguns dos grandes magos do passado de não aceitarem discípulos diretos resultou numa falta de sucessão de mestre e discípulo, como foi falado anteriormente, e o fato de nenhum manual real de avanço na magia ter sido publicado resultaria em autores lançando livros em assuntos puramente teóricos, em vez de terem investigado praticamente suas ideias.

Nos últimos cinqüenta anos, quase não houve adeptos escritores, e até aqueles que escreveram algo normalmente não forneceram uma base prática para os leitores. Toda uma geração surgiu e desapareceu sem ter quase informação publicada confiável sobre magia. É claro, tudo isso aconteceu de acordo com a Providência Divina, e há razões exatas para os períodos históricos de silêncio que os adeptos escritores assumiram e assumem. Ainda assim, é importante considerar os efeitos desses períodos.

Os poucos adeptos que ainda estão por aí no hemisfério ocidental têm permanecido silenciosos, e talvez por razão, porque o dom de expressar ideias na linguagem escrita não pertence a todas as pessoas. Pelo fato de existirem tão poucos adeptos, existem poucos autores entre eles. Eu espero honestamente que, num futuro próximo, isso comece a mudar.

A Décima Razão

A Falta de Expansão da Consciência

A natureza incompleta das deploráveis desculpas de muitas ordens modernas para rotinas de treinamento resultou na quase extinção da real expansão de consciência entre os chamados iniciados. Seus estudantes recebem complicado “pathworking” e várias invocações para executarem, mas esses são meios tão indiretos de progresso que uma inteira vida de prática renderia pouco sucesso. Infelizmente, a lavagem cerebral de muitos aspirantes hoje os convenceu de que um conhecimento simplesmente experimental dos símbolos das esferas elevadas, e até seu funcionamento, é a realização de modos superiores de consciência. Isso simplesmente não é verdadeiro. Até se você colocar sua mente regularmente na contemplação de reinos nos quais vibrações são muito mais elevadas e puras que as suas, nunca se produzirão os mesmos resultados se você tivesse elevado sistematicamente sua consciência a esse nível. Isso dá um bom suplemento, mas não deveria ser a completa abordagem.

Existem duas principais maneiras de se expandir a consciência:

1) Imergir-se em energias, como em invocação ou viagem esférica.

2) A ascensão gradativa da Kundalini psicossexual da base da espinha e órgãos sexuais até o córtex cerebral.

Nenhum desses métodos resultará necessariamente na realização do outro. A ativação dos seis maiores centros inteiros da consciência na espinha não resultará no aumento de vibração no seu corpo astral, para se adequar às vibrações das esferas elevadas, e passar tempo em esferas mais elevadas não despertará automaticamente a Schechinah-Kundalini e despertar as fortalezas, de modo que ela possa entrar e estar com Elohim-Siva. No mago, ambos deveriam ser realizados. O primeiro é a deificação de si de fora para dentro, e o segundo de dentro para fora.

Até os sistemas de treinamento que utilizam pelo menos o primeiro método de ascensão da consciência, sendo o mais comum no mundo ocidental hoje, não prestam tanta atenção a ele quanto deveriam. Muito frequentemente, ênfase excessiva é dada sobre as habilidades mágicas, ou pelo professor ou na mente do estudante. A meta da magia se torna o poder, em vez da evolução da consciência pessoal. Quando nenhuma habilidade é conseguida, ou uma vez que a curiosidade científica do estudante seja satisfeita, o caminho para. É por essa razão que as escrituras orientais advertem tão ferozmente que poderes mágicos devam ser rejeitados, e não porque tais poderes são inerentemente maus. Os iniciados do Oriente compreendiam simplesmente que, se o estudante acreditasse, do primeiro dia de seu treinamento, que habilidades mágicas eram ruins, ele provavelmente não sacrificaria depois sua evolução espiritual por causa da tentação dessas siddhis. Ele não se distrairia. Na realidade, isso não é ruim, e o estudante é altamente encorajado a adquirir várias habilidades mágicas para manifestar a Vontade Divina mais efetivamente no mundo, mas isso deve ser abordado muito metodicamente e apenas de uma base muito bem estabelecida, com os motivos corretos.

“Pathworking” se tornou, infelizmente, o modo principal com o qual as escolas ocidentais tentam fazer com que seus estudantes expandam sua consciência, mas existem muitas desvantagens nisso. O estudante consegue captar uma compreensão intuitiva de esferas superiores ao elevar suas vibrações às delas diretamente. Quando ele tem um flash e uma visão de Tzaphqiel, ele percebe o simbolismo de Luna e de Hécate, e compreende o tridente e os quatro minotauros índigo que cercam o Templo da Deusa de Três Faces e o Homem Nu, e começa a acreditar que ele realmente elevou seu status espiritual à esfera de Yesod. A iluminação intelectual sobre simbolismo universal é confundida com realização espiritual legítima. O resultado é que o tolo que consegue superar as imagens do Demônio de Face de Cachorro e o Portador do Vinho no limiar do abismo intelectual acredita ter fatualmente cruzado esse abismo e emergido no outro lado como “Magister Templi” ou qualquer cargo sua facção possa ter designado para essa realização. A direção do simbolismo, e a natural habilidade da mente de entrar num modo de resolução de problemas, quando confrontada com a diversidade, levou, neste caso, a mente racional a uma série de equações lineares, resultando na compreensão de certos símbolos ocultos. Embora essa compreensão tenha um efeito positivo sobre o espírito, é quase uma blasfêmia dizer que essa estimulação intelectual sozinha pode ser considerada como uma cruzada do Abismo. Quando a respiração cessa, quando a pele se torna gelada e as suturas entre os ossos parietal e occipital do crânio ficam quentes, quando visões de anjos e personificações de Deus aparecem no olho da mente, quando todas as escrituras se tornam instantaneamente compreendidas, quando os joelhos de cada anjo e arcanjo se dobram em reverência, quando a aura se estende para encompassar um inteiro vale, quando a palavra se torna universalmente criativa, então saiba que o abismo foi cruzado. Procure o homem com o inteiro universo em seus olhos; ele é um deus.

Isso deve bastar por agora. O estudante terá agora uma sólida compreensão dos problemas no modo com o qual a magia é frequentemente praticada hoje, e, com esse conhecimento, ele pode escolher começar seu caminho com uma compreensão correta e a salvação resultante desta bela ciência. Eu forneci nesta aula meras linhas de direção pelas quais o estudante pode checar a si e àqueles que se chamam gurus. Busque o homem que fala da autoridade da experiência, e não da autoridade dos livros.

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-corrup%C3%A7%C3%A3o-da-magia-parte-ii

A História de Anton Szandor LaVey

Por Magus Peter H. Gilmore © 2003.

Anton Szandor LaVey (1930-1997) foi o fundador da Church of Satan (Igreja de Satanás), a primeira igreja organizada nos tempos modernos a promulgar uma filosofia religiosa que defende Satanás como o símbolo da liberdade pessoal e do individualismo. Ao contrário dos fundadores de outras religiões, que reivindicavam uma “inspiração” exaltada entregue através de alguma entidade sobrenatural, LaVey prontamente reconheceu que usou suas próprias faculdades para sintetizar o Satanismo, com base em sua compreensão do animal humano e insights obtidos de filósofos anteriores que defendiam o materialismo e individualismo. Sobre seu papel de fundador, ele disse que “se ele mesmo não o fizesse, outra pessoa, talvez menos qualificada, teria feito”.

Nascido em Chicago em 1930, seus pais logo se mudaram para a Califórnia, o ponto de encontro mais ocidental para as manifestações mais brilhantes e sombrias do “Sonho Americano”. Era um ambiente fértil para a criança sensível que eventualmente amadureceria em um papel que a imprensa chamaria de “O Papa Negro (Black Pope)”. De sua avó do leste Europeu, o jovem LaVey aprendeu sobre as superstições que ainda existem naquela parte do mundo. Esses contos aguçaram seu apetite pelo outré (excêntrico), levando-o a se envolver na literatura sombria clássica, como Drácula e Frankenstein. Ele também se tornou um ávido leitor das revistas pulp, que primeiro publicaram contos agora considerados clássicos dos gêneros de terror e ficção científica. Mais tarde, ele fez amizade com autores seminais de Histórias Bizarras (Weird Tales), como Clark Ashton Smith, Robert Barbour Johnson e George Hass. Sua fantasia foi capturada por personagens fictícios encontrados nas obras de Jack London, em personagens de histórias em quadrinhos – como Ming, o Impiedoso (Ming, the Merciless), além de figuras históricas de um elenco diabólico como Cagliostro, Rasputin e Basil Zaharoff. Mais interessantes para ele do que a literatura oculta disponível, que ele descartou como sendo pouco mais do que magia branca hipócrita, eram livros de conhecimento obscuro aplicado, como Lições Práticas de Hipnotismo (Pratical Lesson in Hypnotism) do Dr. William Wesley Cook, Navios de Combate (Fighting Ships) de Jane e manuais para análise de caligrafia.

Suas habilidades musicais foram notadas cedo, e ele recebeu liberdade de seus pais para experimentar vários instrumentos. LaVey foi atraído principalmente pelos teclados por causa de seu alcance e versatilidade. Ele encontrou tempo para praticar e poderia facilmente reproduzir músicas ouvidas de ouvido sem recorrer aos fake books (partituras de jazz) ou às partituras em geral. Esse talento viria a ser uma de suas principais fontes de renda por muitos anos, principalmente seu calíope tocando durante seus dias de carnaval, e depois suas muitas passagens como organista em bares, salões e boates. Esses locais lhe deram a chance de estudar como várias linhas melódicas e progressões de acordes balançavam as emoções de seu público, desde os espectadores do carnaval e shows de fantasmas, até os indivíduos que buscavam consolo para as decepções em suas vidas em destilados e na fumaça. tabernas cheias para as quais a música de LaVey fornecia uma trilha sonora.

Seus interesses estranhos o marcavam como um estranho (outsider), e ele não aliviou isso sentindo qualquer compulsão de ser “um dos garotos”. Ele desprezava as aulas de ginástica e esportes de equipe e muitas vezes faltava às aulas para seguir seus próprios interesses. Ele era um ávido leitor e assistia a filmes como aqueles que mais tarde seriam rotulados de film noir, bem como o cinema expressionista Alemão, como M, O Gabinete do Dr. Caligari e os filmes do Dr. Mabuse. Seu modo de vestir chamativo também serviu para amplificar sua alienação do mainstream. Ele abandonou o ensino médio para andar com tipos de bandidos e gravitou para trabalhar no circo e carnavais, primeiro como um trabalhador nos bastidores do circo e garoto de gaiola e depois como músico. Sua curiosidade foi recompensada através de “aprender as cordas (a dominar as suas habilidades)” e trabalhar um ato com os grandes felinos, e depois ajudar nas maquinações dos shows de fantasmas. Ele se tornou bem versado nas muitas raquetes usadas para separar os caipiras de seu dinheiro, junto com a psicologia que leva as pessoas a tais atividades. Ele tocava música para os shows obscenos nas noites de Sábado, bem como para os protestantes revivalistas das tendas nas manhãs de Domingo, vendo muitas das mesmas pessoas participando de ambos. Tudo isso forneceu um fundo firme e terreno para sua visão de mundo cínica em evolução.

Quando a temporada de carnaval terminava, LaVey ganhava dinheiro tocando órgão em casas burlescas da área de Los Angeles, e ele relata que foi durante esse período que teve um breve caso com uma então desconhecida Marilyn Monroe. Voltando a São Francisco, LaVey trabalhou por um tempo como fotógrafo para o Departamento de Polícia e, durante a Guerra da Coreia, matriculou-se no San Francisco City College como especialista em criminologia para evitar o recrutamento. Tanto seus estudos quanto sua ocupação revelaram percepções sombrias sobre a natureza humana. Nessa época ele conheceu e se casou com Carole Lansing, que lhe deu sua primeira filha, Karla Maritza, em 1952. Alguns anos antes, LaVey havia explorado os escritos de Aleister Crowley, e em 1951 ele conheceu alguns dos Thelemitas de Berkeley. Ele não se impressionou, pois eles eram mais espirituais e menos “iníquos” do que ele supunha que deveriam ser para os discípulos do credo libertino de Crowley.

Durante a década de 1950, LaVey complementou sua renda como “investigador psíquico”, ajudando a investigar “ligações malucas e sem sentido (nut calls)” encaminhadas a ele por amigos no departamento de polícia. Essas experiências lhe provaram que muitas pessoas estavam inclinadas a buscar uma explicação sobrenatural para fenômenos que tinham causas mais prosaicas. Suas explicações racionais muitas vezes decepcionavam os reclamantes, então LaVey inventou causas mais exóticas para fazê-los se sentirem melhor, dando-lhe uma visão de como a religião geralmente funciona na vida das pessoas.

Em 1956, ele comprou uma casa Vitoriana na California Street, no distrito de Richmond, em São Francisco. Tinha a fama de ter sido uma pessoa barulhenta. Ele a pintou de preto; ela mais tarde se tornaria o lar da Igreja de Satanás. Após sua morte, a casa permaneceu desocupada até ser demolida pela imobiliária proprietária do imóvel em 17 de outubro de 2001.

LaVey conheceu e ficou fascinado por Diane Hegarty em 1959; ele então se divorciou de Carole em 1960. Hegarty e LaVey nunca se casaram, mas ela lhe deu sua segunda filha, Zeena Galatea em 1964 e foi sua companheira por muitos anos. Hegarty e LaVey mais tarde se separaram, e ela o processou por pensão e isso foi resolvido fora do tribunal. A última companheira de LaVey foi Blanche Barton, que deu à luz seu único filho, Satan Xerxes Carnacki LaVey em 1 de Novembro de 1993. De acordo com os desejos de LaVey, ela o sucedeu como chefe da Igreja após sua morte em 29 de outubro de 1997. Em 2001, ela passou essa posição para Peter H. Gilmore, um membro de longa data do Conselho dos Nove.

Por meio de sua “apresentação excêntrica em shows de destruição de fantasmas (ghost busting)” e de seus frequentes shows públicos como organista, incluindo tocar Wurlitzer no salão de coquetéis Lost Weekend, LaVey se tornou uma celebridade local e suas festas de fim de ano atraíram muitos notáveis de São Francisco. Entre os convidados estavam Carin de Plessin, chamada de “a Baronesa” por ter crescido no palácio real da Dinamarca, o antropólogo Michael Harner, Chester A. Arthur III (Neto do presidente dos EUA), Forrest J. Ackerman (mais tarde, o editor de Famous Monsters of Filmland e reconhecido especialista em ficção científica), o autor Fritz Leiber, o excêntrico local Dr. Cecil E. Nixon (criador do autômato musical Isis) e o cineasta underground Kenneth Anger. Dessa multidão, LaVey destilou o que chamou de “Círculo Mágico” de associados que compartilhavam seu interesse pelo bizarro, o lado oculto do que move o mundo. À medida que sua experiência crescia, LaVey começou a apresentar palestras nas noites de Sexta-feira sumarizando os frutos de sua pesquisa. Em 1965, LaVey foi destaque no The Brother Buzz Show, um programa infantil humorístico apresentado por marionetes. O foco estava no estilo de vida da “Família Addams” de LaVey – ganhando a vida como hipnotizador, investigador psíquico e organista, bem como em seu animal de estimação altamente incomum, Togare, um leão Núbio.

No processo de criação de suas palestras, LaVey foi levado a destilar uma filosofia única baseada em suas experiências de vida e pesquisas. Quando um membro de seu Círculo Mágico sugeriu que ele tinha a base para uma nova religião, LaVey concordou e decidiu fundar a Igreja de Satanás como o melhor meio de comunicar suas ideias. E assim, em 1966, na noite de véspera de maio – o tradicional Sabá (Sabbath) das Bruxas – LaVey declarou a fundação da Igreja de Satanás, bem como renumerando 1966 como o ano Um, Anno Satanas – o primeiro ano da Era de Satanás.

A atenção da imprensa logo se seguiu, particularmente com o casamento do jornalista Radical, John Raymond com a socialite de Nova York Judith Case em 1º de Fevereiro de 1967. O famoso fotógrafo Joe Rosenthal foi enviado pelo San Francisco Chronicle para capturar uma imagem, que foi impressa no Chronicle, bem como no Los Angeles Times e outros grandes jornais. LaVey começou a disseminação em massa de sua filosofia através do lançamento de um álbum, The Satanic Mass (A Missa Satânica, Murgenstrumm, 1968). O álbum apresentava um gráfico de capa chamado por LaVey como o “Sigilo de Baphomet”: a cabeça de bode em um pentagrama, circulada com a palavra hebraica “Leviathan (Leviatã)”, que desde então se tornou o símbolo onipresente do Satanismo em todo o mundo. Em destaque no álbum estava parte do rito de batismo escrito para Zeena, de três anos (realizado em 23 de Maio de 1967). Além da gravação real de um ritual Satânico, o lado dois do LP tinha LaVey lendo trechos da ainda não publicada The Satanic Bible (A Bíblia Satânica) sobre música de Beethoven, Wagner e Sousa. Suas palestras de Sexta-feira continuaram e ele instituiu uma série de “Oficinas de Bruxas (Witches’ Workshops)” para instruir as mulheres na arte de alcançar sua vontade através do glamour (sedução, atração, fascínio), do tempo feminino e da descoberta e exploração habilidosa dos fetiches dos homens.

No final de 1969, LaVey havia tomado monografias que havia escrito para explicar a filosofia e as práticas rituais da Igreja de Satanás e as fundiu com todas as suas influências filosóficas de Ayn Rand, Nietzsche, Mencken e London, juntamente com a sabedoria básica dos carnavalescos. Ele prefaciou esses ensaios e ritos com trechos retrabalhados de Might is Right (O Poder está Certo), de Ragnar Redbeard, e concluiu com versões “Satanizadas” das Chaves Enoquianas de John Dee para criar a Bíblia Satânica. Ela nunca saiu de impressão e continua a ser a principal fonte para o movimento Satânico contemporâneo.

A Bíblia Satânica foi seguida em 1971 por The Compleat Witch (A Bruxa Completa, relançado em 1989 como The Satanic Witch, A Bruxa Satânica), um manual que ensina a “Magia Menor” – as formas e meios de ler e manipular as pessoas e suas ações para o cumprimento dos objetivos desejados. The Satanic Rituals (Os Rituais Satânicos, 1972) foi impresso como um volume complementar para A Bíblia Satânica e contém rituais selecionados de uma tradição Satânica identificada por LaVey em várias culturas do mundo. Duas coleções de ensaios, que vão do humorístico e perspicaz ao sórdido, The Devil’s Notebook (O Caderno do Diabo, 1992) e Satan Speaks (Satanás Fala, 1998), completam seu cânone escrito.

Desde sua fundação, a Igreja de Satanás de LaVey atraiu muitas pessoas variadas que compartilhavam uma alienação das religiões convencionais, incluindo celebridades como Jayne Mansfield e Sammy Davis Jr., bem como estrelas do rock King Diamond e Marilyn Manson, que se tornaram, pelo menos por uma vez, membros de carteirinha. Ele contava entre seus associados Robert Fuest, diretor do filme “Dr. Phibes (O Abominável Dr. Phibes, 1971)”, no qual estrela o ator Vincent Price,  assim como do filme The Devil’s Rain (A Chuva do Diabo, 1975); Jacques Vallee, ufólogo e cientista da computação, que serviu de inspiração para o personagem Lacombe, interpretado por François Truffaut em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Spielberg; e Aime Michel conhecido como espeleólogo e editor do Morning of the Magicians (O Despertar dos Mágicos).

A influência de LaVey foi espalhada por vários artigos na mídia de notícias em todo o mundo, revistas populares como Look, McCalls, Newsweek e Time, revistas masculinas e em talk shows como Joe Pyne, Phil Donahue e Johnny Carson. Essa publicidade deixou uma marca em romances como O Bebê de Rosemary (concluído por Ira Levin durante os primeiros dias da blitz de mídia de alto perfil da Igreja) e Our Lady of Darkness (Nossa Senhora das Trevas) de Leiber, e filmes como O Bebê de Rosemary (1968), The Devil’s Rain (A Chuva do Diabo, 1975), The Car (O Carro, a Máquina do Diabo, 1977), e muitos dos filmes posteriores “Devil Cult” (filmes cult com a temática do culto ao Diabo) dos anos 1970 até os anos 1990 que pegaram o simbolismo dos escritos de LaVey. Um documentário de longa-metragem, Satanis: The Devil’s Mass (Satanis, a Missa do Diabo, 1969) cobriu os rituais e a filosofia da Igreja, enquanto o próprio LaVey foi retratado no documentário de vídeo de Nick Bougas de 1993, Speak of the Devil (Falando no Diabo).

A musicalidade de LaVey é preservada em várias gravações, principalmente Strange Music (A Música Estranha, 1994) e Satan Takes a Holiday (Satanás Tira Férias, 1995), ambas originalmente lançadas pela Amarillo Records, agora disponíveis pela Reptilian Records. Isso reflete sua propensão para músicas da década de 1930 até a década de 1950, que variam de humorísticas a canções de maldição, bem como canções com temas do diabo. LaVey os processa em uma série de sintetizadores autoprogramados, imitando vários grupos instrumentais. Eles são impressionantes, pois não são gravações multipista, mas são feitas de uma só vez com os sons do conjunto instrumental completo criado através do uso simultâneo de vários sintetizadores tocados pelas mãos de LaVey, bem como pelos pés, em um pedal estilo órgão teclado conectado via midi.

Duas biografias foram escritas sobre LaVey: The Devil’s Avenger (O Vingador do Diabo, 1974) por Burton Wolfe e Secret Life of a Satanist (A Vida Secreta de um Satanista, 1990) pela Blanche Barton. A autenticidade de alguns dos acontecimentos narrados nessas obras tem sido contestada nos últimos anos, particularmente por detratores de LaVey, que o acusam de exagero autopromocional. LaVey era um showman habilidoso, um talento que ele nunca negou. No entanto, o número de incidentes detalhados em ambas as biografias que podem ser autenticados por meio de evidências fotográficas e documentais superam em muito os poucos itens em disputa. O fato é que LaVey seguiu um curso que o expôs às alturas e profundezas da humanidade, cheio de encontros com pessoas fascinantes; culminou com a fundação da Igreja de Satanás e levou a uma notória celebridade em escala mundial. A Igreja sobreviveu à sua morte e continua, por meio de seus escritos, a atrair continuamente novos membros que se veem refletidos na filosofia que ele chamou de Satanismo.

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Fonte: Anton Szandor LaVey, by Magus Peter H. Gilmore © 2003.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-historia-de-anton-szandor-lavey/

Mapa Astral de Goethe

Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de Agosto de 1749 — Weimar, 22 de Março de 1832) foi um escritor alemão e pensador que também incursionou pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang. De sua vasta produção fazem parte: romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais. Além disso, sua correspondência epistolar com pensadores e personalidades da época é grande fonte de pesquisa e análise de seu pensamento. Foi membro da Maçonaria e dos Illuminati.

O Mapa de Goethe mostra uma pessoa extremamente organizada, metódica e prática, característica comum entre os virginianos solares. seu Mapa possui Sol em Virgem na Casa 9 (academia e filosofia), Lua em Peixes na casa 3 (comunicação), Ascendente em Escorpião e Caput draconis em Capricórnio.

A maneira de pensar de Goethe refletia seu Mercúrio em Leão-Virgem (Rei de Moedas). Suas oposições Virgem (vênus, Sol) / Peixes (lua, júpiter) foram trabalhadas de maneira magnífica. Júpiter em Peixes (o Planeta mais forte no mapa de Goethe, com 5 aspectações fortes) indica uma capacidade criativa fora do comum, imaginação e facilidade enorme para visualizações. O quincúncio a zero graus cravado com Mercúrio é descrito nas seguintes palavras: “Um de seus grandes talentos profissionais é a sua curiosidade intelectual e seu interesse por comunicação e informação. Você pode ser um eterno estudante e acumular conhecimento e perspicácia por toda a vida. Estes talentos intelectuais lhe trazem sucesso em campos que exigirem uma boa formação, boa redação, contato com as pessoas, viagens e troca de idéias. Você tem excelentes talentos pedagógicos, porque tem a capacidade de se concentrar em detalhes e ao mesmo tempo de tirar conclusões abrangentes.“.

Muita gente que faz os Mapas na hospitalaria se pergunta sobre os aspectos de Oposição; alguns céticos, como o Cafetron, consideraram “erro” no mapa porque um Planeta diz que a pessoa tem facilidade para uma coisa, e outro planeta diz que a facilidade é para algo oposto ou uma dificuldade na mesma característica quando, na verdade, o resultado é uma soma vetorial das duas forças, que quando bem trabalhadas, produzem resultados fantásticos (como o próprio Goethe, por exemplo).

Goethe trabalhou seus aspectos mais fortes: Lua e Júpiter em Peixes seriam interpretados isoladamente como uma pessoa “no mundo da lua”, extremamente imaginativa, romântica, cuja facilidade seria o campo espiritual; Por outro lado, uma pessoa com Vênus e Sol em virgem seria interpretado isoladamente como extremamente metódica, organizada, cética e prática… e ai? comofas?

Pela obra de Goethe, vemos que ele conseguiu trazer esta espiritualidade e criatividade para o campo organizado e metódico, expressado em seus textos (ao contrários dos piscianos “puros” que escolheriam outra forma de manifestação artística como pintura ou música).

No decorrer de sua vida, esta energia se torna mais próxima da busca pelo conhecimento e poder (escorpião), chegando até a fazer parte de ordens secretas. Saturno em escorpião diz “Na sua carreira, poderá envolver-se com instituições que necessitem de sigilo, ou poderá exercer ação psicológica em camadas profundas.” e realmente é muito comum encontrarmos membros dedicados da maçonaria com esta característica (Goethe possuia sextil entre Saturno/escorpião e Caput draconis/Capricórnio de 1 grau, o que intensificaria ainda mais esta necessidade).

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-goethe

Howard Phillips Lovecraf e os Mitos de Cthulhu

Resumo

O texto começa por dar algumas informações biográficas sobre Lovecraft, como alguns aspectos mais importantes da sua vida e da sua personalidade. Lovecraft foi um escritor de histórias de temática fantástica que viveu entre 1890 e 1937. É dado algum destaque a Lovecraft enquanto criança, porque se considera importante para a compreensão do seu carácter. Discutem-se diversas influências à sua obra assim como outros factores que o poderão ter marcado. Tenta-se seguidamente dar uma imagem geral dos Mitos de Cthulhu, que é a designação que se adopta para o conjunto de histórias desenvolvidas por este e outros autores que o seguiram. Fala-se sobre o “Círculo de Lovecraft”, conjunto de escritores que seguiram o seu estilo e trocavam grandes volumes de correspondência entre si. For fim aborda-se a questão dos Mitos de Cthulhu depois de Lovecraft e na actualidade.

Introdução

“As a foulness shall ye know Them. Their hand is at your throats, yet ye see Them not; and Their habitation is even one with your guarded thresold.”

– Necronomicon

 

O texto que se segue pretende dar uma ideia geral do trabalho literário de Howard Phillips Lovecraft e do contexto que envolveu esse mesmo trabalho. Criador de um estilo único de literatura, que mistura de uma forma inconfundível ficção científica e terror cósmico, Lovecraft deixou uma obra que ainda hoje em dia inspira muitos autores. Sem pretender deixar de fora os outros escritores que integravam o Círculo de Lovecraft nem tirar mérito ao seu trabalho, utilizo o nome do seu mentor em representação de todo o estilo que ele desenvolveu e que vários seguiram.

Utilizando palavras do próprio Lovecraft, as efabulações sobre temas mundanos e o lugar-comum não satisfazem as mentes mais criativas e sequiosas de novos estímulos. O trabalho de Lovecraft não serve para agradar às massas nem ao cidadão comum, mas apenas a um grupo mais restrito de admiradores que não se contentam com os enredos banais do dia-a-dia. Abdicando do lucro fácil que certamente teria atingido se utilizasse o seu génio na produção de romances comerciais, Lovecraft deixou-nos um legado espantoso de visões fantásticas e universos assombrosos.

Informação Biográfica

“A mais antiga e poderosa emoção da raça humana é o medo, e o mais antigo e poderoso medo é o medo do desconhecido.”

H. P. Lovecraft

Howard Phillips Lovecraft é conhecido na actualidade pelo trabalho que produziu no campo dos contos de ficção e terror. Escreveu durante o seu não muito longo tempo de vida cerca de 65 contos pequenos, 3 romances (um deles incompleto), dezenas de artigos e ensaios para revistas científicas e outras de ficção como Weird Tales, algumas centenas de poemas e sonetos e mais de 100 mil cartas. A sua vasta correspondência será discutida mais adiante na secção que trata do “Círculo de Lovecraft”.

Nasceu no ano de 1890 em Providence, Rhode Island, no seio de uma família abastada mas em clara decadência financeira. Desde cedo mostrou o seu interesse por ciência e pela ficção. Escreveu “The Little Glass Bottle”, o seu primeiro conto, com apenas 6 anos. Cerca de 5 anos mais tarde publicava e distribuia de porta em porta jornais científicos como “The Scientific Gazette” e “The Rhode Island Journal of Astronomy”. Atormentado desde muito cedo por sonhos estranhos e delirantes, tinha uma saúde frágil e problemas nervosos que o impediam de frequentar a escola regularmente. Continuou a escrever ficção ao longo de toda a sua infância e publicou o seu primeiro conto aos 15 anos. No fim da adolescência foi-lhe dito que não tinha talento, deixando de escrever por uns anos. Voltou à actividade com a publicação de “The Transition of Juan Romero” na revista Weird Tales.

Com a morte do seu pai e mais tarde da sua mãe em 1921 num sanatório, a família de Lovecraft atingiu a ruína financeira e viu-se obrigada a vender a maior parte dos seus bens, o que foi para ele um grande choque. Necessitando de ganhar dinheiro para a sua subsistência, Lovecraft viu-se confrontado com um dilema comum a muitos artistas: manter-se fiel à estética artística que persegue ou optar pela vulgaridade e lucro fácil. Tendo sido o seu trabalho sistematicamente rejeitado pelos principais editores, vê-se obrigado a escrever contos de má qualidade para escritores consagrados, segundo ideias por eles fornecidas. Este tipo de actividade era conhecida por ghost-writing. Um dos seus clientes foi Harry Houdini.

A sua ficção, demasiado avançada para a época, atraiu um grupo restrito mas fiel de admiradores, alguns deles escritores consagrados que o impeliam a continuar a escrever. Formou-se aquilo que viria a ser conhecido como Lovecraft Circle, um grupo de escritores de ficção que trocavam correspondência e escreviam dentro de um estilo definido à partida pelo próprio Lovecraft. Foi um dos elementos deste grupo, August Derleth, que mais se empenhou na publicação do trabalho de Lovecraft depois da sua morte, sendo um dos principais responsáveis pela divulgação que tem hoje em dia.

Lovecraft casou-se e foi viver com a sua esposa para Nova Iorque em 1924, mas terminou o casamento dois anos mais tarde, regressando a Providence. Aí viveu o resto da sua vida na companhia de duas tias. Terá, segundo a opinião de alguns críticos produzido os seus melhores trabalhos durante esta época. Tinha como hobbie viajar em busca de vestígios do mundo antigo, fazendo-o na medida em que a sua fraca condição financeira o permitia. Dizia quem o conheceu que era um indivíduo bastante estranho mas muito marcante. Possuidor de um espírito científico e filosófico, era extremamente hipocondríaco e comportava-se como sendo mais velho do que era na realidade. Morreu com 46 anos em 1937 vítima de um cancro súbito e violento, sem nunca conhecer o sucesso.

Sendo desde cedo um leitor ávido, Lovecraft sofreu a influência de muitos outros escritores na sua obra. O seu autor favorito era Edgar Allen Poe, que claramente imitou em “The Outsider”. Além dos escritores que constituíam o Lovecraft Circle, também Robert N. Chambers, Arthur Machen e o jornalista e autor de histórias fantásticas Ambrose Bierce o inspiraram no seu trabalho. Lord Dunsany foi claramente o autor que o influenciou a escrever histórias oníricas e a criar as suas “Dreamlands”, e Algenon Blackwood a recorrer às lendas do índios norte-americanos. Além das influências humanas, e talvez de forma ainda mais marcante, Lovecraft inspirava-se nos seu conhecimentos científicos, astronómicos e filosóficos, assim como nos seu sonhos. Algumas das suas criações mais fantásticas surgiram pela primeira vez na sua mente enquanto dormia.

Os Mitos de Cthulhu

“Todos os meus contos partem da fundamental premissa de que as leis, interesses e emoções humanas não possuem nenhuma validade ou significância na grande imensidão do universo.”

H. P. Lovecraft

August Derleth viria a designar o conjunto do trabalho produzido por Lovecraft e pelos escritores que seguiram o seu estilo como ele próprio por “Mitos de Cthulhu”. Cthulhu é uma criação do próprio Lovecraft de que falarei mais adiante, e que aparece naquele que é provavelmente o seu conto mais conhecido, “Call of Cthulhu”. Cada conto escrito por Lovecraft e seus seguidores constitui mais uma peça para enriquecer a imagem geral do que são os Mitos. A melhor forma de os conhecer é obviamente pela leitura desses mesmo contos, mas tentarei dar uma ideia geral.

É constante ao longo de todas as histórias a ideia de que a humanidade e o nosso planeta são uma “concha” de sanidade mental, imersa num universo completamente alienado, povoado por criaturas e raças poderosas, deuses estranhos e regido por leis completamente insondáveis e divergentes das leis naturais que conhecemos. Um homem exposto a esta realidade tem tendência a enlouquecer. A sanidade mental é vista como uma cortina que nos protege da realidade, permitindo que as sociedades humanas subsistam coma as conhecemos, alheias à estranheza do universo que as rodeia. A personagem principal nas histórias de Lovecraft é tipicamente um cientista, investigador ou professor universitário que se vê confrontado das mais diversas formas com esta terrível realidade.

Outra ideia de base importante é a de que a maioria dos cultos e religiões humanas das mais diversas épocas e regiões do globo, sendo aparentemente dispersas, representem imagens distorcidas e por vezes complementares da verdadeira natureza do cosmos. Segundo a Mitologia de Cthulhu, diversas raças e entidades superiores terão habitado a terra antes do Homem, e diversas o farão depois da Humanidade desaparecer. Algumas destas entidades superiores (como o próprio Cthulhu), dado o seu ciclo de vida inimaginavelmente longo, e a sua supremacia física e intelectual sobre o Homem, são facilmente confundíveis com Deuses. Cultos primitivos terão aparecido para adorar estes pseudo-Deuses. Muitas das histórias dos Mitos especulam sobre a subsistência desses cultos na actualidade, as suas actividades obscuras e as suas motivações incompreensíveis, criando um ambiente extremamente tenso e paranóico.

As histórias originais de Lovecraft têm na sua maioria como cenário os Estados Unidos dos anos 20 e início dos anos 30. Trata-se de uma época de grandes injustiças sociais, em que a classe baixa vivia na miséria e oprimida pela burguesia, enquanto que a classe alta usufruía de um estilo de vida luxuoso. A segregação racial era intensa e a lei seca encontrava-se em vigor, motivando o aparecimento de crime organizado em volta do tráfico de bebidas espirituosas. A terrível realidade dos Mitos de Cthulhu contrasta de uma forma bastante brutal e sugestiva com a futilidade dos interesses da classe alta.

Seguidamente irão ser descritos alguns elementos-chave dos Mitos. Não sendo uma lista de forma alguma exaustiva, pretende apenas dar uma ideia geral do ambiente. Nas descrições que se seguem, e por comodidade, factos completamente fictícios irão ser descritos como reais.

Deuses Exteriores

No panteão dos Mitos, os Deuses Exteriores ocupam o topo da hierarquia. De natureza claramente sobrenatural, governam o universo segundo princípios, desígnios e motivações incompreensíveis para a Humanidade. Tão pouco eles se parecem interessar por ela, sendo-lhes o seu destino indiferente. Não estão limitados pelo espaço ou pelo tempo, conseguindo visitar qualquer local e qualquer era. Percorrem também os diversos planos de existência, sem excluir as Dreamlands.

Azathoth

Origem do Nome: do árabe Izzu Tahuti, que significa “poder de Tahuti”, provavelmente uma alusão à divindade egípcia Thoth.

Azathoth é o “Sultão Demoníaco”, o mais importante dos Deuses Exteriores. Fisicamente é uma massa gigantesca e amorfa de caos nuclear, sendo incrivelmente poderoso mas completamente desprovido de inteligência. A sua “alma” é Nyarlathotep, o mensageiro dos Deuses. Azathoth passa a maior parte do tempo no centro do universo, dançando ao som de Deuses Menores flautistas. A maior parte das suas aparições em locais diferentes deste estão relacionadas com catástrofes gigantescas, como é o caso da destruição do quinto planeta do Sistema Solar, que é hoje a cintura de asteróides.

Nyarlathotep

Origem do Nome: do egípcio Ny Har Rut Hotep, que significa “não existe paz na passagem”.

Nyarlathothep é a alma e o mensageiro dos Deuses Exteriores. É o único deles que tem vindo a travar contactos com a Humanidade, mas os seus objectivos são imperscrutáveis. Possui um inteligência inimaginável e um sentido de humor mórbido. Consegue adoptar centenas de formas físicas distintas, podendo parecer um homem vulgar ou uma monstruosidade gigantesca. Especula-se que um faraó obscuro da IV Dinastia do Egipto Dinástico fosse Nyarlathotep “em pessoa”. A própria Esfinge será uma representação em tamanho natural de uma outra forma de Nyarlathotep.

Great Old Ones – Os Gandes Antigos

Muitas vezes confundidos com Deuses Menores, os Great Old Ones são provavelmente seres vivos incrivelmente poderosos, com ciclos de vida espantosamente longos. Especula-se sobre se pertencerão todos a uma ou várias raças cujos elementos se encontram dispersos pelo universo. A variedade do seu aspecto parece excluir a possibilidade de pertencerem todos à mesma raça. Os seus propósitos são mais compreensíveis do que os dos Deuses Exteriores, estando interessados em colonizar planetas. É frequente um Great Old One liderar um povo de uma raça menos poderosa. Na terra existem cultos dispersos a vários destes seres, principalmente Cthulhu.

Cthulhu

Origem do Nome: Deterioração pelos gregos da palavra árabe Khadhulu, que significa “aquele que abandona”. No Corão existe a seguinte passagem: 25:29 – “Para a Humanidade Satan é Khadulu”.

O mais conhecido dos Great Old Ones e das criações de Lovecraft, Cthulhu é um ser gigantesco e vagamente humanóide, com asas e tentáculos de polvo na boca. Chegou à terra milhões de anos antes do aparecimento do Homem e povoou-a com a sua raça de Deep Ones, seres humanóides anfíbios. Construiu a gigantesca cidade de R’lyeh algures onde é hoje o Oceano Pacífico. Daí comandou o seu império, até ao dia em que as estrelas atingiram um alinhamento que o obriga a entrar em letargia. Cthulhu dorme na sua cidade entretanto submersa por água, aguardando o dia em que a posição das estrelas lhe permita voltar à vida e de novo reinar sobre a Terra. Cthulhu é capaz de comunicar por sonhos enquanto dorme, influenciando alguns seres humanos mais sensíveis durante o sono. Diversos cultos tentam apressar o seu regresso, mas ele próprio não parece ter muita pressa. Especula-se que esta longa hibernação seja uma característica normal do seu estranho ciclo biológico.

Necronomicon

Constituindo uma verdadeira “Bíblia” dos Mitos, o Necronomicon foi originalmente escrito por Abd Al-Azrad, um árabe louco e visionário de cuja vida pouco se sabe, excepto que terá visitado alguns dos lugares mais desolados do globo terrestre. Escrito originalmente em árabe, o Necronomicon foi mais tarde traduzido para grego (onde ganhou o seu nome actual), latim e inglês. Na actualidade não existirão mais do que duas ou três cópias deste livro, supondo-se que uma delas se encontra no Museu Britânico. Revelando alguns dos mais terríveis segredos dos Mitos, a sua leitura provoca graves perdas de sanidade mental a quem o lê.

Arkham

“…The changeless, legend-haunted city of Arkham, with its clustering gambrel roofs that sway and sag over attics where witches hid from the King’s men in the dark olden days of province.”
H. P. Lovecraft

Trata-se de uma pequena cidade universitária perto de Boston, na Nova Inglaterra. Atravessada pelo rio Miskatonic, é nela que vivem muitos dos heróis das histórias de Lovecraft. Fundada por pioneiros ingleses da colonização do contiente americano, Arkham é assombrada pelas memórias do tempo das bruxas e dos ritos sombrios. Alguns dos sotãos desta cidade ocultam ainda hoje segredos terríveis.

Yuggoth

Ainda antes da descoberta oficial de Plutão, o último planeta do Sistema Solar, já Lovecraft escrevia sobre Yuggoth, um pequeno planeta sólido com a sua órbita exterior à de Neptuno. Yuggoth é a terra natal de uma raça de criaturas terríveis, os Fungos de Yuggoth, que são seres insectóides da dimensão de um homem com a capacidade de voar através do vácuo inter-planetário, e donos de uma tecnologia incrivelmente avançada. Os Fungos de Yuggoth vagueiam por todo o Sistema Solar, incluindo a Terra, com propósitos desconhecidos.

Existe bastante polémica sobre se os Mitos de Cthulhu podem ser considerados uma verdadeira mitologia, ou mesmo uma pseudo-mitologia. Tendo todas as características de uma qualquer outra mitologia, desde um panteão de Deuses a um conjunto de lendas (os contos de Lovecraft e outros), foram criados de uma forma perfeitamente artificial e intencional por um conjunto restrito de escritores. Não tiveram a sua génese nas tradições e crenças de uma civilização, como seria normal numa mitologia.

August Derleth, autêntico embaixador da obra de Lovecraft e defensor da ideia de considerar os Mitos de Cthulhu uma mitologia, tentou de certa forma a sua sistematização. Procurou determinar que contos de Lovecraft e outros pertenciam aos Mitos, e esclarecer aspectos focados de uma forma vaga e imprecisa nessas histórias. Chegou a pretender associar algumas entidades dos Mitos com os quatro elementos naturais: ar, água, terra e fogo.

Lin Carter, no seu ensaio “Deamon-Dreaded Lore”, considera que este tipo de sistematização é negativa na medida em que faz desaparecer o factor que considera mais importante nas histórias de Lovecraft: o medo do desconhecido e do incompreensível. Na sua opinião Lovecraft descreve de forma vaga muitos aspectos dos Mitos propositadamente, para criar uma aura de mistério e tensão. Os contos de Lovecraft abordam frequentemente o confronto de seres humanos com realidades e desígnios totalmente alienígenas, e que não para eles compreensíveis.

De forma um pouco marginal ao núcleo central do seu trabalho, e sob a influência de Lord Dunsany, Lovecraft escreveu algumas histórias oníricas, passadas numa dimensão de sonhos, as Dreamlands. A história central deste ciclo é “The Dream-Quest of the Unknown Kadath” e narra as aventuras de Randolph Carter, um homem que quando sonha se vê transportado para um outro plano de existência, semelhante a uma terra medieval povoada de criaturas fantásticas. As Dreamlands são aparentemente um lugar de paz e tranquilidade, habitado por criaturas próprias do imaginário infantil. Este sonho pode por vezes transformar-se em pesadelo, dando lugar aos mais horríveis monstros e criaturas. Embora de uma forma algo dispersa, Lovecraft estabelece algumas relações entre estas Dreamlands e o corpo central dos Mitos.

Existem alguns paralelismos que podem ser traçados entre a vida de Lovecraft e alguns aspectos dos Mitos. Desde muito pequeno que Lovecraft gostava de ler as “Mil e Uma Noites”, fascinando-o especialmente um personagem árabe misterioso. A analogia com o Necronomicon e Abd Al-Azrad é inevitável. A sua repulsa por peixe e comida marinha faz lembrar “The Shadow Over Innsmouth”, onde a decadente população da cidade pesqueira de Innsmouth tem estranhas relações com os Deep Ones, anfíbios humanóides que imitem um repugnante odor a peixe. Lovecraft é atormentado por sonhos desde pequeno, e a sua mais famosa criação, Cthulhu, tem a capacidade de influenciar os sonhos dos humanos. Além disto temos ainda um ciclo inteiro de histórias dedicadas às suas terras de sonhos, as Dreamlands. Os pais de Lovecraft morreram ambos internados no mesmo sanatório, e também as suas personagens sofrem vulgarmente de perturbações mentais, muitas vezes resultante dos seus contactos com os Mitos. Por fim, alguns atribuem a sua obsessão por raças alienígenas terríveis a uma acentuada xenofobia, defeito comum na época e local em que vivia. Tudo isto obviamente é discutível, e não passa de especulação…

O Círculo de Lovecraft

“Slumber, watcher, till the spheres,
Six and twenty thousand years
Have revolv’d, and I return
To the spot where now I burn.
Other stars anon shall rise
To the axis of the skies;
Stars that soothe and stars that bless
With a sweet forgetfulness:
Only when my round is o’er
Shall the past disturb thy door.”
-Polaris

H. P. Lovecraft

O trabalho de Lovecraft atraiu um grupo considerável de escritores, que se começaram a corresponder com ele e entre si. Nascia o Lovecraft Circle, “fundado” pelo próprio Lovecraft e dois escritores consagrados: Clark Ashton Smith e Robert E. Howard (criador de Conan – o Bárbaro). Jovens e talentosos escritores como August Derleth, Frank Belknap e Robert Bloch (que viria a escrever mais tarde o conto que inspirou o filme “Psycho”) juntam-se também ao círculo, e todos contribuem com o seu trabalho para enriquecer os Mitos de Cthulhu.

Os vários autores dos Mitos seguiam um acordo tácito de criar nas suas histórias um ou dois Deuses Exteriores, um Great Old One, um tomo arcano e uma cidade assombrada por cultos obscuros e lendas sombrias. Com pequenas variações, os diversos elementos do Círculo cumpriam as “regras do jogo” ao escrever para os Mitos de Cthulhu. A título de exemplo segue-se uma tabela com informação de alguns livros dos Mitos e o seu criador (assim como o seu autor imaginário).

Era muito frequente os membros do Circulo “brincarem” uns com os outros colocando referências a outros autores dos mitos de uma forma mais ou menos explícita nas suas histórias. Em 1935 Robert Bloch pediu autorização a Lovecraft para o utilizar como personagem principal num conto. Lovecraft concorda e Bloch torna-o o herói em “The Shambler >From the Stars”, matando-o no fim da história às mãos de um monstro alienígena. Lovecraft obtém a sua vingança “matando” Robert Blake, um alter-ego de Bloch em “The Haunter of The Dark”. O autor do tomo “Cultes des Goules” imaginado por Bloch, Comte D’Erlette, é uma alusão clara a August Derleth. O nome Klarkash-Ton, de alto-sacerdote da Atlântida num conto de Lovecraft, constitui uma paródia a Clark Ashton Smith. Vários outros exemplos poderiam ser citados…

Edmund Wilson criticou e ridicularizou mesmo Lovecraft por este usar muita adjectivação na sua escrita. Era considerado que um bom conto de ficção não deveria socorrer-se de muita adjectivação, mas que os próprios acontecimentos e descrições é que deviam sugestionar o leitor. Se uma visão é horrível, o próprio leitor deveria aperceber-se disso, nunca deveria explicitamente ser dito: “a visão é horrível”. O que é facto é que tanto Lovecraft como diversos dos seus seguidores mantiveram sempre o uso de adjectivação muito rica, o que se tornou uma característica distintiva dos contos dos Mitos. Em sua defesa Robert Price considera que estes adjectivos podem ter um efeito quase hipnótico no leitor, despertando a sua própria noção dos conceitos que encerram e inflamando a sua imaginação.

A morte de Lovecraft constituiu um choque para os elementos do Círculo, assim como uma surpresa, visto que este não lhes tinha dado qualquer indicação na sua correspondência de que estivesse doente. Este acontecimento causou uma quebra temporária no trabalho relacionado com os Mitos. Citando Robert Block, “o jogo tinha perdido toda a piada”. Nos anos 40 e 50, Robert Block, James Wade e August Derleth continuaram a escrever histórias dos Mitos. Em 1964 Ramsey Campbell, um jovem escritor britânico, dá a sua contribuição com o apoio de Derleth.Em 1971 ainda outro britânico, Brian Lumley, junta-se ao grupo. O Círculo de Lovecraft não morrera verdadeiramente com Lovecraft, subsistindo de uma forma dispersa até aos dias de hoje.

Lovecraft na Actualidade

“That is not dead which can eternal lie,
And with strange aeons death may die.”

-Necronomicon

Muitos escritores de ficção e terror da actualidade sofrem a influência de Lovecraft, como assume o conhecido autor Stephen King. Sendo hoje considerado um marco da literatura norte-americana, Lovecraft não conheceu qualquer sucesso no seu tempo de vida, e muito pouco nos anos seguintes. August Derleth esforçou-se até muito tempo depois da sua morte por divulgar a sua obra, com algum êxito. Não foi no entanto pela via literária que alcançou a notoriedade de que goza hoje em dia.

No início dos anos 80 apareceu um jogo de personagem (no estilo de Dungeons&Dragons), criado por Sandy Peterson e intitulado “Call of Cthulhu”. Indo buscar o nome a um dos contos mais famosos de Lovecraft, Call of Cthulhu obteve grande popularidade nos Estados Unidos, e mais tarde na França, na Inglaterra e em outros países da Europa. Este estilo de jogo, que é praticamente desconhecido em Portugal, goza de grande popularidade nos Estados Unidos.

Nas décadas de 50 e 60 foram feitas algumas versões cinematográficas de contos de Lovecraft, como “The Strange Case of Charles Dexter Ward” e “Herbert West – The Reanimator”. Não existe, no entanto, nenhuma adaptação mais recente, exceptuando eventualmente o filme “At the Mouth of Madness”. Este filme inspira-se claramente no trabalho de Lovecraft, sendo até a semelhança do seu título com “At the Mountains of Madness” disto indicadora, mas não assume essa influência.

Mais recentemente surgiram alguns jogos de computadores baseados nos Mitos de Cthulhu, como “Alone In The Dark”, “Shadow of the Comet” e “Prisioner of Ice”. Apareceu até um jogo de cartas intitulado “Mythos”. A empresa de entretenimento “Chaosium” está envolvida em quase todas estas iniciativas, incluindo o já mencionado Call of Cthulhu.

Existem três traduções de trabalhos de Lovecraft para português: “O Caso de Charles Dexter Ward” – “The Strange Case of Charles Dexter Ward”, “Nas Montanhas da Loucura” – “At the Mountains of Madness” e “Os Demónios de Randolph Carter”. Esta última é uma compilação de várias histórias do ciclo das Dreamlands, nomeadamente “The Quest for the Unknown Kadath”. Aconselha-se no entanto a leitura das versões em inglês, uma vez que como é normal, as traduções limitam bastante a riqueza inicial dos textos.

Bibliografia

Lovecraft, H. P., “At the Mountains of Madness”, Harper Collins, 1994

Lovecraft, H. P., “Dagon and Other Macabre Tales”, Harper Collins, 1994

Lovecraft, H. P., “The Haunter of the Dark and Other Tales”, Harper Collins, 1994

Petersen, S. e Willis, L., “Call of Cthulhu – horror roleplaying in the worlds of H. P. Lovecraft”, Chaosium, 1995

Bloch, R., “Mysteris of the Worm”, Chaosium, 1995

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/howard-phillips-lovecraf-e-os-mitos-de-cthulhu/

Magia na corte da Rainha Elizabeth

O presente estudo é destinado a estudantes aos adeptos do chamado Sistema Enoquiano de Magia e aos pesquisadores da história do ocultismo em geral. Faz-se aqui um apanhado da corte Elizabetâna e sobre como o ocultismo floresceu durante o reinado da Rainha Virgem. O mérito da biografia aprofundade de John Dee e Edward Kelley será deixado para uma outra oportunidade visto que a compreensão do background histórico onde atuaram trata-se de um conhecimento mais básico e necessário num primeiro momento.

A Dinastia Tudor

O Rei Henrique VIII, como todo rei, desejava um filho homem para se tornar o herdeiro do trono da Inglaterra. A então Rainha Catherine de Aragão, que havia lhe dado uma filha, Mary, foi substituída por Anne Boleyn na esperança de com ela conseguir o filho que Catherine não lhe deu, mas em setembro de 1533, no Palácio Greenwich suas esperanças vão por água a baixo: nasce sua segunda filha, Elizabeth. Anne chegou a ter um filho homem, mas natimorto. Henrique, cansado já da rainha, começou a planejar sua queda e em 1536, antes de Elizabeth completar três anos de idade, a rainha, acusada de incesto, é decapitada.

Por ser uma lembrança constante da mãe, Elizabeth é afastada da corte. Henrique se casa novamente com Jane Seymour que dá a luz ao tão esperado filho, Edward (que viria a se tornar Edward VI), morrendo logo depois.

A última madrasta de Elizabeth foi Katherine Parr, a sexta esposa de Henrique VIII, foi a responsável por trazer de volta à corte inglesa Elizabeth e sua meio-irmã Mary. Henrique morre em 1547 mas seu filho Edward ainda era muito jovem para assumir a coroa, então Edward Seymor (irmão da Rainha e tio do jovem herdeiro) se torna Senhor Protetor da Inglaterra. A Rainha Katherine estava grávida de seu novo marido, Lorde Almirante Thomas Seymor, e morreu um tempo depois de dar a luz a uma filha.

O jovem Edward nunca foi uma criança saudável e caiu vítima de uma doença desconhecida na época, que hoje se supõe ter sido tuberculose. Quando se tornou aparente que Edward estava prestes a morrer sem deixar um herdeiro, a luta pela coroa teve início.

Quando Edward morreu em 1553 Jane foi proclamada Rainha por seu pai e por seu sogro que a apoiaram com a ajuda do exércio; entretanto haviam muitos outros que apoiavam Mary, a filha de henrique VIII e Katherine de Aragão sua primeira esposa, e desejavam que ela subisse ao trono. Nove dias após a posse da Rainha Jane, Mary foi para Londres levando Elizabeth com ela. Jane Grey e seu marido foram aprisionados na Torre.

Logo após se tornar Rainha, Mary se casou com o príncipe Felipe da Espanha, o que a tornou muito impopular. Mary era católica e todos os Protestantes que começaram a ser perseguidos começaram a enxergar em Elizabeth sua salvadora. Ela era um ícone da “Nova Fé”, já que foi para se casar com sua mãe que Henrique enfrentou Roma e transformou o Protestantismo na religião oficial do reino. Por causa disso inúmeras rebeliões e levantes foram realizados em nome de Elizabeth.

A Rainha Mary morreu em novembro de 1558, acredita-se hoje, por causa de um enorme cisto no ovário. Elizabeth finalmente se tornou rainha da Inglaterra.

Elizabeth nunca se casou. Os últimos anos de seu reinado ficaram conhecidos como a Era de Ouro da Inglaterra. Após sua morte em março de 1603 foi sucedida por James I (James VI da Escócia), o filho de sua prima Mary, Rainha da Escócia.

A Igreja da Inglaterra Elisabetana

Antes de Henrique VIII se desentender com o Papa e estabelecer a Igreja da Inglaterra, o seu país foi durante séculos um país Católico. O próprio Henrique VIII, antes de enfrentar Roma para anular seu primeiro casamento, era um fiel Católico e ganhou o título de “Defensor da Fé” após escrever um tratado contra a nova religião protestante.

Quando ficou claro para o Rei que ele não teria um filho com Catherine de Aragão ele decidiu que anularia seu casamento com ela e arranjaria outra esposa. Catherine não concordou com a anulação dizendo que era esposa legítima do Rei, na época existiam poucos recursos para terminar um casamento, a anulação era o reconhecimento de que nem o Rei nem a Rainha haviam sido realmente casados, as únicas circunstâncias que permitiam a anulação eram: se um ou ambos os cônjuges tivessem sido muito jovens para se casar ou que a cerimonia não houvesse sido conduzida corretamente ou ainda se o casal tivesse laços sanguineos.

Henrique usou o fato de Catherine ter sido esposa de seu irmão para fazer uma apelação para o Papa com base na relação sanguínea de ambos mas não obteve a resposta que desejava. Catherine era a sobrinha do grande Imperador Charles V, o homem mais influente da Europa, e sabendo das convicções dela o Papa não ousou ofendê-la. Durante anos Henrique tentou conseguir a anulação, mas o Papa foi irredutível, o Rei decidiu então que para se casar novamente com outra mulher ele teria que buscar outra maneira de anular o casamento, e essa maneira foi o estabelecimento da Igreja da Inglaterra, totalmente independente do poder Papal. Como Protestantes não reconheciam o poder do Papa, Henrique, como Rei, poderia moldar a igreja de acordo com sua vontade. Ele se tornou “Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra” e assim conseguiu anular seu casamento.

Como chefe da Igreja ele se tornou responsável pelos Arquebispos, Bispos e todo clérigo que a Igreja da Inglaterra ainda possuía. Por um lado a nova Igreja Inglesa era muito similar à velha Igreja Católica, por ter sido criado como Católico realizou muito poucas mudanças nas crenças religiosas; mas por outro lado a mudança da religião na Inglaterra causou enormes repercussões através do país.

O filho tão esperado de Henrique VIII morreu com 16 anos deixando o trono para sua filha mais velha, Mary. Mary era uma Católica devota e estava determinada a reestabelecer a sua fé na Inglaterra.

Muitas pessoas estavam desconfortáveis com os planos da nova Rainha, tendo ganho riquezas e terras com as dissoluções de conventos e monastérios temiam perder tudo o que tinham. Também a fé Protestante havia secularizado certos aspectos da política local e os oficiais não tinham nenhum interesse em perder sua influência e prestígio para a Igreja Romana. Entretanto a maior parte da população inglesa ainda era Católica e havia muito entusiasmo na restauração de sua antiga fé.

Teve então início a perseguição aos Protestantes. Mary substituiu o clero Protestante por um Católico, prendendo vários Protestantes proeminentes como Cranmer, Latimer e Ridley. O Parlamento de 1553 repugnou a maior parte das legislações Protestantes, o Ato de Supremacia de 1554 devolveu o país à obediência Papal. Em 1555 aqueles que se recusavam a aderir ao Catolicismo eram queimados como hereges, mais de 300 pessoas foram queimadas entre 1555 e 1558. Nesta época Mary de tornou uma figura extremamente impopular, muitas pessoas se horrorizavam com a violência da perseguição, ninguém era poupado, mulheres grávidas eram queimadas até a morte, enquanto Elizabeth foi se tornando cada vez mais admirada, como mostra um poema dedicado a ela:

“When these with violence were burnt to death,
We prayed to God for our Elizabeth””Quando violentamente eram queimados até a morte,
Nós rezávamos para Deus por nossa elizabeth”

Quando Elizabeth se tornou Rainha em novembro de 1558 todos achavam que ela fosse restaurar a fé Protestante na Inglaterra, a perseguição feita por Mary havia maculado o Catolicismo existente no país e a população Protestante crescia a cada dia. Mesmo tendo aderido à fé Católica durante o reinado de sua irmã, Elizabeth teve uma criação Protestante e se mostrou incrivelmente tolerante dizendo que acreditava que tanto os Católicos quanto os Protestantes faziam parte da mesma fé: “Existe apenas um Cristo, Jesus, uma fé.” Durante seu reinado sua principal preocupação foi a de manter a paz e a estabilidade do reino e perseguição só era usada quando certos grupos religiosos ameaçavam essa paz. Elizabeth desejava uma igreja que tivesse apelo para ambos os grupos e não tinha planos de tornar a igreja mais ou menos Protestante desfavorecendo um grupo ou outro, ela queria uma igreja popular e se o Catolicismo fosse se extinguir na Inglaterra que fosse de forma natural conforme o povo fosse se convertendo.

Elizabeth tinha capelas particulares em quase todos os seus palácios e rezava nelas todos os dias, em sua visão ela era o veículo de Deus na terra e rezava para que a Vontade Divina se revelasse para que pudesse levá-la a diante.

Não existem evidências concretas de suas crenças pessoais mas podemos observar alguns detalhes em suas atitudes e gestos: suas capelas eram conservadoras, todas possuíam crucifixos, ela também gostava de velas e música. Ela não gostava dos longos sermões Protestantes assim como não gostava de vários rituais Católicos como a comunhão, o que mostrava que ela rejeitava a crença Católica da transubstanciação. Ela também não aprovava o casamento dentro do clero, um aspecto integral do protestantismo. Uma indicação mais pessoal de suas crenças podem ser encontradas nas orações que escrevia para o povo e nas cartas que escrevia para amigos e conhecidos, nessas cartas era comum se referir a Deus e à necessidade de aceitar Sua Vontade.

Após sua morte em 1603 a Inglaterra era um pais de maioria dominante Protestante, os Católicos se tonaram a grande minoria.

A Ciência e a Magia Elizabetâna

A Rainha Elizabeth herdou um reino despedaçado: discordância entre Católicos e Protestantes abalavam as bases da sociedade, o tesouro real, graças à Rainha Mary e a seus conselheiros, havia sido gasto completamente, Mary ainda contribuiu para a falência da Inglaterra com a perda de Calais, o último território Inglês no continente. Além do descontentamento por parte do povo (principalmente os Católicos) havia problemas envolvendo a Europa. A França possuia um controle forte na Escócia e a Espanha, a mais forte nação da época, era uma ameaça para a segurança inglesa. Mas a nova Rainha provou ser mestre nas ciências políticas, empregando homens capazes e distintos para levar adiante as prerrogativas reais.

O Reinado Elizabetano foi um dos períodos mais construtivos na história da Inglaterra. A literatura florescia através dos trabalhos de Spenser, Marlowe e Shakespeare. A influência inglesa se espalhou pelo Novo Mundo através de Francis Drake e Walter Raleigh.

Antes do século XVII, que estabeleceu a visão científica moderna do mundo, a relação entre magia e ciência era muito diferente da que temos hoje, elas se complementavam e nem sempre era possível dizer onde uma terminava e a outra começava. Astrologia e Alquimia eram disciplinas muito respeitadas, e a Rainha Elizabeth possuia ocultistas iniciados entre seus conselheiros, ela havia sido avisada da data de sua coroação por astrólogos e seu respeito pela arte era tamanho que chegava a impedir que navios partissem dos portos até que as influências astrológicas fossem favoráveis.

Mantendo em mente que a palavra ciência, que significa literalmente conhecimento só começou a ser usada popularmente como nós a conhecemos após o século XIX. Na época existia a divisão entre magia e a filosofia natural, a magia ainda era dividida em natural e sobrenatural.

A magia natural não precisava de nenhum auxílio sobrenatural para acontecer, ela era compreendida como uma sabedoria natural porém oculta, enquanto a Filosofia Natural (a ciência) lidava com aquilo que era evidente para os sentidos a Magia Natural lidava com aquilo que estava distante da vista do homem comum, com aquilo que era “escondido”.

O magnetismo era considerado um fenômeno oculto, forças magnéticas eram consideradas como “laços simpáticos” existentes entre objetos magnéticos, uma harmonia que não podia ser vista, e a crença era a de que existiam muito mais dessas forças ocultas, o trabalho do mago era descobri-las. Existia uma ênfase na idéia de que Deus havia criado o mundo usando essas forças e harmonias naturais, o homem era um micro cosmo vivendo em um macro cosmo e haviam inúmeras relações interessantes entre o micro e o macro cosmo. Era através da Vontade Divina e da interpretação dos desígnios divinos que era possível encontrar esses laços harmônicos.

E claro havia a magia sobrenatural, onde o mago lidava com eventos que não faziam parte da natureza. Praticantes usavam feitiços para evocar espíritos, demônios e anjos. O mago John Dee se tornou famoso por suas conversações com anjos. Hoje se acredita que na época existiu uma “rede” de comunicação entre magos, cientistas e ocultistas que se correspondiam como Nostradamus, Agrippa von Nettesheim, o próprio Dee, Giordano Bruno e Paracelso entre outros, trocando experiências e “segredos científicos” adquiridos em peregrinações.

Rev. Obito, Templo de Satã

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/magia-na-corte-da-rainha-elizabeth/

Mapa Astral de Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27 de junho de 1908 — Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967), foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata.

Os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais que, somados à erudição do autor, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas.

Mapa Astral

O mapa Astral de Guimarães Rosa mostra energias fortíssimas cancerianas; Com Sol, Mercúrio, Vênus, Marte, Netuno e Caput draconis em Câncer; Lua e Plutão em Gêmeos; Ascendente em Libra, Júpiter em Leão; Saturno em Áries e Urano em Capricórnio. Netuno em Câncer é o seu planeta mais forte, com 6 Aspectações.

Câncer é a energia da Água Cardinal, ou seja, as emoções voltadas para o espírito. Como já falei algumas vezes, é a energia que guia desde enfermeiras de berçário até serial killers pedófilos, passando por artistas, médicos e maestros; namorados doentes de ciúmes e mães judias e italianas… desde que a vida e as emoções das outras pessoas estejam nas mãos deles.

Conhecemos mais estas energias pelas oitavas baixas do nosso Planeta: novelas com dramalhão rasteiro, apelo ao emocional baixo e chantagens emocionais baratas, ciúmes, controle e posse das emoções dos outros, mas quando bem direcionadas, estas energias influenciam os melhores e maiores poetas, maestros, cineastas e compositores; os melhores e mais cuidadosos médicos/as e enfermeiros/as.

Guimarães Rosa era um enfermeiro das palavras: da combinação entre sua Lua em Gêmeos (a “Lua dos curiosos”) que facilita trabalhar com palavras, códigos e símbolos, aliada a uma capacidade muito acima da média de trabalhar com emoções resultou em uma obra que mexe com os sentimentos dos leitores a cada parágrafo.

A soma dos aspectos cancerianos (“cuidar dos outros”) e do Ascendente em Libra (“justiça, diplomacia”) foi combinada nas profissões de Médico e Diplomata que ele exerceu. Sua capacidade para compreender e estudar línguas lhe ajudou a compreender a fundo o sentimento e as emoções das pessoas ao seu redor.

Realismo mágico, regionalismo, liberdades e invenções linguísticas e neologismos são algumas das características fundamentais de sua literatura. Guimarães Rosa prova o quão importante é ter a linguagem a serviço das emoções, e vice-versa, uma potencializando a outra. Nesse sentido, o escritor mineiro inaugura uma metamorfose no regionalismo brasileiro que o traria de novo ao centro da ficção brasileira.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-guimar%C3%A3es-rosa

Fantasmas no Estados Unidos da América

Os norte-americanos são, quantitativamente, ainda mais assombrados que os ingleses e todos os países da Europa ocidental juntos. No vasto território dos Estados Unidos, do Texas ao Alaska, no continente, do México ao Canadá, em toda essa região são milhares de histórias de fantasmas, tanto nas grandes metrópoles quanto nas cidade mais remotas do interior. Na América do norte, desde o período da colonização e exploração das fronteiras do Novo Mundo, reuniram-se crenças tradicionais de três culturas; anglo-saxões, indígenas nativos, negros e, ainda, o traço ibérico nos territórios que um dia foram dos espanhóis.

A conquista do oeste, a febre do ouro, a epopéia das caravanas de colonizadores e dos aventureiros solitários, deixaram inúmeras almas penadas, muitos das quais, protagonistas de sangrentos confrontos e outros episódios dramáticos. Na América, não faltam fantasmas de todas as épocas assombrando casas, apartamentos, monumentos, cemitérios, presídios, desertos, estradas, vales sinistros, cidades inteiras e, naturalmente, nos Estados Unidos, os Hotéis e mansões de Hollywood. Porque aquele país, com seu histórico de grandeza, tem também grandiosos fantasmas, verdadeiras lendas da cultura popular mundial. São VIP-ghosts…

O Fantasma de Abraham Lincoln:
fantasmas de presidentes dos Estados Unidos assombram a Casa Branca. O mais notável deles é Abraham Lincoln [1809-1865], que morreu assassinado. Outros ocupantes da Casa Branca, como Theodore Roosevelt, Herbert Hoover e Harry Truman, que disseram ter escutado pancadas inexplicáveis nas portas de seus quartos, atribuíram o fenômeno ao espectro do lendário presidente. Ele também faz aparições na janela do Salão Oval. Franklin Delano Roosevelt afirmava ter encontrado o fantasma várias vezes e sua esposa declarou que se sentia observada quando trabalhava no quarto que pertenceu ao presidente; ela usava o aposento como escritório. Uma empregada disse que viu Lincoln sentado na cama. Visitantes ilustres também encontraram o fantasma, como Winston Chruchil, durante a Segunda Guerra Mundial. Maureen Regan, filha de Ronald Regan declarou ter visto Lincoln várias vezes e o cachorro de Regan se recusava entrar a entrar no quarto dele. Lincoln também apareceu no balcão do Teatro Ford junto com o fantasma do homem que atirou nele, Jonh Wilkes Booth e costuma freqüentar o local onde está enterrado.

Nova Iorque: quase um sinônimo de modernidade, a Meca da civilização, é assombrada. Segundo o pesquisador de fenômenos paranormais Loyd Auerbach, a metrópole tem mais fantasmas que qualquer outra cidade norte-americana; espíritos habitam os velhos edifícios e lugares históricos. A Poe House, localizada na West Third Street, 83, onde morou Edgar Alan Poe, é assombrada por pelo espectro de uma mulher insana; na mesma rua, o Quantum Leap Café, abriga a alma penada de Aaron Burr, que vivia metido em duelos e morreu baleado; e no posto dos Bombeiros nº 2, existe um bombeiro suicida: traído pela mulher, não teve descanso post mortem e ocupa o quarto andar da construção centenária.

Na Water Street, 279, o Bridge Cafe, que existe desde 1794, considerado o mais antigo bar de Nova Iorque, é assombrado por piratas. No Belasco Theatre, David Belasco, que construiu o prédio, que morava em um apartamento no último andar e morreu em 1931 ainda está lá. O Manhattan Bistro [129, spring Street] abriga o espírito de Elma Sands, assassinada em 1799. No cemitério da capela de St. Paul o espírito do ator inglês George Frederick Cooke, morto em 1811, é a estrela do local: ele foi enterrado sem a cabeça, doada para pagar a conta do médico e o crânio foi usado em inúmeras montagens de Hamlet. No Central Park, nas proximidades do edifício Dakota, o fantasma de John Lennon permanece errante desde o seu assassinato, em 1980. Mark Tawain, escritor norte-americano [autor do clássico Tom Sawyer], morou um ano em Nova Iorque, entre 1900 e 1901, na 14 West 10th Street, próximo à Quinta Avenida. Hoje, assombra as escadarias do velho edifício.

Marilyn Monroe: diva do cinema dos anos de 1950 que se tornou um arquétipo global do sex appeal, morreu de forma trágica, daquelas que chocam o mundo. Morte do tipo que até hoje anda envolta naquela atmosfera de conspiração, típica do imaginário norte-americano. Teria Marilyn morrido por acidente ou o “acidente” foi providenciado por “forças ocultas” de Washington preocupadas com o rumo do romance secreto, ou mesmo triângulo amoroso, envolvendo a loura, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy e seu irmão, senador Robert Kennedy. Na noite de 04 de agosto de 1962, Marilyn entrou em coma por overdose de pílulas para dormir. No dia seguinte, estava morta.

Este espírito reúne todas as qualidades e circunstâncias para ter se tornado um fantasma. Morte por suicídio, involuntário ou não; ou mesmo morte por assassinato, pior ainda [ou melhor ainda para esta reflexão]. Para completar, o estado de ânimo deprimido da estrela, ou seja, Marylin era, já em vida, um espírito atormentado. Morreu antes da hora e, em qualquer caso, morreu do tipo de morte que gera uma alma penada.

E assim foi e é: o fantasma de Marilyn já tem uma literatura de registro. Ela assombra, por exemplo, o Hollywood Roosevelt Hotel, no Holywood Boulevard. Ali começou sua escalada para o sucesso nacional e mundial. Ali ela encontra outro fantasma famoso, Montgomery Cliff. Também é vista flutuando sobre a própria sepultura, no Westwood Memorial Cemetery, em Los Angeles, Califórnia. Porém, o fantasma é mais “ativo” no lugar onde ela morreu, em Brentwood, Califórnia.

Elvis Presley [1935-1977]: este é outro que assombra os lugares onde viveu seus dias de glória e de crise, como a crise existencial que o levou à morte, também entupido de bolinhas [como Marilyn]. Aparece em sua casa de Memphis, no Tennesse, e suas lantejoulas brancas são vistas no Las Vegas Hilton onde se apresentou muitas vezes no começo dos anos de 1970. Assombra o prédio onde ficava o estúdio da RCA. O lugar hoje abriga um estúdio de produção de TV que produz programas relacionados à música. Diz a lenda que, nesse estúdio,  toda vez que se pronuncia o nome de Elvis, coisas estranhas acontecem: escadas caem, lâmpadas estouram e aparecem ruídos nos sistemas de som.

Rodolfo Valentino [1895-1926]: o maior ídolo romântico da época do cinema mudo, morreu aos 31 anos de complicações em uma úlcera. Logo, começou sua carreira de assombração: é um dos fantasmas mais ativos de Hollywood. Aparece muito em sua mansão, a
Falcons’ Lair, onde é visto nos corredores, em sua cama, na janela do quarto no segundo andar e no estábulo. Uma empregado, depois de ver o fantasma acariciando o cavalo que fora seu favorito, demitiu-se do emprego. Ele também visita sua casa de praia em Oxnard: ali bate nas portas ou relembra os velhos tempos reclinado na cama. Na seção de figurinos dos estúdios da Paramount, ele flutua, cintilante, usando a roupa do Sheik, seu personagem de maior sucesso [em The Sheik, 1921] e como boa assombração, freqüenta, também, o próprio túmulo, no Cathedral Mausoleum, no Hollywood Forever Memorial Park.

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-no-estados-unidos-da-america/

Carmilla: 150 anos da primeira e mais importante vampira de todos os tempos

Lord A

Ah meus nobres Amigos e Amigas, Carmilla simplesmente é a Primeira Vampira a realmente conquistar espaço, visibilidade, abrir portas, inspirar e influenciar todo universo das “Vamps”. Antes dela as outras eram quase todas jovens espectrais, fantasmagóricas e diluídas em névoas. Nem todas, mas enfim. Carmilla chega com tudo desde a publicação até conquistar seu lugar na indústria cinematográfica e na cultura pop. Nada mal para uma vampira que celebra 150 anos neste ano de 2022. Um século e meio de classe, charme, prestígio, irreverência e dignidade. Isso é histórico e pontual. Além de encantador – inclusive foi uma inspiração ou melhor uma influência para o clássico Drácula de Bram Stoker (que celebra 125 anos em 2022). Nada mal!

Funeral, Ilustração de Michael Fitzgerald para Carmilla em The Dark Blue (Janeiro de 1872)

Carmilla é uma vampira criada pelo escritor irlandês Sheridan Le Fannu (1814-1873) e que foi publicada em meados de 1871-1872 pouco tempo antes de sua morte. Sensual, homoafetiva e sufocante perseguia suas vítimas como a face sombria de um amor venusiano e naturalmente libriano. Um tema que certamente combina com a apreciação dos livros Sob Tuas Asas (E-book, disponível aqui) e também do maravilhoso Canticles of Lilith de Nicholaj e Katy DeMattos Frisvold (2021, Troy Books, Inglaterra – logo postamos review por aqui no portal).

A inspiração e influência de Carmilla, pela tradição, recai na obra proscrita Christabel escrita por volta de 1797, de Samuel Taylor Coleridge (1772-1834), onde havia a vampira Geraldine. Infelizmente, a vampira Geraldine só veio a conquistar seus leitores em 1816 graças ao sucesso de uma outra obra, no caso “The Vampyre” de John Polidori. Já contamos essa história aqui. Aqui no Brasil Christabel ganhou um filme incrível nas mãos do cineasta Alex Levy- Heller, falamos do filme aqui e a entrevista pode ser assistida aqui.

Ingrid Pitt

A performance mais emblemática de Carmilla nos filmes certamente foi da atriz Ingrid Pitt nos filmes da Hammer: The Vampire Lovers (1970), Countess Dracula (1971). Na Hammer Films a personagem ainda apareceu em mais dois filmes: Lust for a Vampire (Yutte Stensgaard) e Twins of Evil (Katya Wyeth) formando a chamada trilogia Karnstein.

A encarnação mais recente de Carmilla nos cinemas foi no filme Styria (do diretor Mauricio Chernovetzky, falamos do filme e entrevistamos o cineasta aqui), no seriado de mistério Carmilla, canadense (2014) ou ainda na animação Castlevania da Netflix (2016) dá indícios de sua plasticidade e versatilidade por um olhar mais objetivo.

As derivações da personagem Carmilla em incontáveis outros meios são ainda mais amplas diante de um foco subjetivo. Carmilla permanece adorável e sufocante e emblemática no imaginário vamp.

A DEUSA SOMBRIA E A VAMPIRA

Carmilla encarna muitíssimo bem uma das muitas facetas da Deusa sombria, do gelo, do húmido alquímico e do elemento Ying – bem como da vastidão que reúne a terra e a morte e não sabemos onde começa uma e termina a outra – um diálogo que o mundo além da Comunidade Vamp no hemisfério norte ou sul ainda não está preparado para ter. A Vampira e a Bruxa são a maneira desencantada como a Deusa ou ainda a Natureza e a sua face sombria são retratadas nos tempos de desencantamento contemporâneo.

O desencanto tem lá seus totens e tabus (um não vive sem o outro) que delimitam o que a turma do RH chama de “zona de conforto” ou a tal da “bolha” como dizem os mais descolados. Ambas repletas de malabarismos semânticos para preservarem a todos do contraste e do indomável que é a natureza e ainda mais a “natureza humana”. A parte mais brega de ambos situa a “pessoa como a própria fonte de valor para si mesma” (aquele tal do só acredito em mim mesmo, só que valores são constructos sociais, históricos, coletivos mais ou menos como o que forma o dólar ou qualquer outra noção de dinheiro, por exemplo) mas esse assunto fica para outra noite.

Há um constelar para o selvagem e a natureza, incluindo a implacável “natureza humana” que assim como o mal é um tema suculento e infinitamente mais denso do que a “psicologização” da magia; ou “politização da magia” que nada mais são do que atestados da prática de marketing pessoal na ampla maioria de casos.

Há uma atmosfera e um tempo para tudo, inclusive para aquilo que o mundo não gosta muito de pensar e de falar a respeito como morte, viver verdadeiramente, sensualidade, sexo e afins. Há um tônus, um repertório e um lugar ou quem sabe um “não-lugar”, algo imaterial. Há quem fale de anti- matéria e afins neste sentido. Focalize na gravitas, na gravidade de como aborda sua intimidade e o que sente com estes tópicos – e constará que há algo. Eis as portas e janelas previamente mencionadas.

Eu já disse antes que todo totem é um tabu as pessoas preferem alucinar e delirar – falando sem parar de suas certezas absolutas, ideias fixas e convicções – aí cada um oculta o própria temor de se ver exposto como pode na vida como ela é. Todo mundo tem algo estranho. Habilidade é espreitar essa estranheza e estranhamento pessoal e ganhar intimidade com o que estiver lá. Já os mais barulhentos e ruidosos principalmente são sempre os mais convictos e os primeiros a correrem disso tudo como protestantes luteranos do passado. Restando demonizar o que não é dos prados da razão.

Sobre totens e tabús quem mais fala é quem menos pratica aquilo que fala – isso é válido quando falamos de sexo por exemplo. Quando falamos de morte, então! O povo fantasia até repartição pública no pós vida, para o que permanece como aposta e hipótese. É um tal deles fazerem o sagrado e os outros como uma extensão deles mesmos para escaparem deles… que olha vou te dizer!

Numa visão mais clara os pecados medievais nada mais são que as tais dissonâncias, danos e vícios de cognição ou parasitismos para falarmos em termos de vampirismo. Quanto a essa história temos conteúdos fascinantes no Amphiteatrvm Campus Strigoi, para nossos assinantes lá no catarse. Lidarmos com a chamada “cognição” é lidarmos com a hostilidade do nosso ego que nos faz oscilar entre o pontual ou natural e o temor por alguma consequência de exclusão social na vida sob a luz do sol. Isso não é algo fácil.

A Deusa Negra no passado e ainda a Bruxa andando pelos limiares entre o jardim e a floresta escura; a Vampira espreitando e caçando nos castelos em meio as intrigas palacianas são marcadores e variáveis deste repertório ancestral contido na Deusa Negra – que espreitamos, buscamos entender e nos transformarmos ou nos refinarmos em suas constelações, alquimias e vastidão – diante do Gelo, da Húmidade Alquímica, do Ying e do Negativo. Falei muito disso (de processos e resultados) de maneira velada nas edições #553 e #554 da Vox Vampyrica Podcast lá no Spotify.

HAVIAM VAMPS ANTES DE CARMILLA?

Naturalmente houveram outros contos, prosas e romances de vampiras bem legais, eu costumo contar a Christabel (escrita em 1797 circa, publicada só em 1816) e a Deusa pagã do Rhyme of Anciet Mariner (1797–1798) como as primeiras aparições dessa figura de poder na modernidade, mas certamente poderíamos encontrar algo anterior a elas. Neste caso teríamos a “Noiva de Coríntio” do Johann Wolfgang Von Goethe (1797) balada sobre uma noiva virgem que morreu e volta pelo sangue do ex-noivo e saciar seus desejos. Nada mal! Goethe o célebre autor de Fausto se baseia numa passagem do “Livro dos Milagres” do grego Flégon de Trales (Século II). A noiva poderia ser a mais antiga pelo peso do nome do autor e por também ser de 1797. Ainda assim ela pode se contentar com ser a primeira vamp da literatura germânica. Christabel era inglesa.

A noiva era uma imagem subjetiva demais para um contexto vamp e acaba por esbarrar na primeira personagem de traços vampíricos mais proeminentes da literatura alemã que figura em “Feitiço de Amor” (1812), um conto maravilhoso de Ludwig Tieck. Inglaterra continua liderando a parada.

Se focalizarmos a Inglaterra teremos teremos a personagem Oneiza, um cadáver feminino possuído por um demônio que figura no poema “Thalaba, O Destruidor”(1801) de Robert Southey. Foi públicada antes de Christabel, poderia levar o título, mas nossa Christabel data de 1797.

De volta a alemanha teremos a personagem Aurelia que aparece na obra “Vampirismus” (1821) de E.T.A Hoffman, uma vampira subjetiva, mais parecendo uma morta-viva que se alimenta de cadáveres. Adiante encontraremos a rediviva Brunhilde do conto “Deixe os Mortos Repousar” (1823) novamente uma dose de necromancia na parada, onde o viúvo reanima a falecida e se arrepende amargamente.

Seguimos para a França onde conheceremos a vampira Clarimonde, da obra “A Morte Apaixonada” de Théophile Gautier. Um prato delicioso para quem aprecia sonho lúcido e amantes astrais. Um jovem padre recém ordenado irá responder o que é mais amaldiçoado, se é o desejo realizado ou não realizado. Clarimonde é espectral, uma amante morta-viva.

Mas dentro dessa chave espectral o romance Senhorita Christine (1936) de Mírcea Elíade, é mais apimentado e deliciosamente diabólico. E infelizmente esta descendente de Carmilla ainda é desconhecida além dos pórticos da Rede Vamp.

E QUANTO A FIGURAS MITOLÓGICAS VAMPIRESCAS?

Algumas pessoas mencionarão as Lâmias, as Empusae e mesmo a soberana Lilith e outras figuras poderosas da mitologia de naturezas e tons librianos e venusianos. As vezes escorpianos ou leoninos também. Não estão errados na associação delas com o arquétipo “Vamp”. Apenas, quem sabe, na conclusão desencantada que oferecem nos blogs e vídeos ao tecerem comentários sobre estes temas reduzindo tudo a disputas de poder, classes e afins.

“Os deuses e deusas não são ou nunca foram pessoas como a gente” – sempre frisou meu nobre amigo Hermínio Portela quando conversamos sobre estes temas (assista a entrevista dele aqui). Os mitos, os relatos e as histórias sobre seus relacionamentos, assédios, estupros e guerras falam de algo simbólico e de natureza cósmica de intersecções e embates de forças e pulsões também expressas na natureza. Mas não exatamente do que tais palavras representam na vida comum.

O significado de uma “inteligência não-humana” e além dessa “abstração chamada humanidade que acredita apenas em si” é bastante autoexplicativo e óbvio. É não-humano e além do atendimento de qualquer expectativa social e não passivo de nenhum tipo de controle por nada que tenha nascido. Mais claro que isso, poderemos cegar alguém e tornar este artigo incompreensível.

Basicamente, é apenas a sua dissonância cognitiva (danos ou vícios) que lhe dão a impressão de que entende tais forças e os seus malabarismos ou fantasmas semânticos que podem acabar por lhe manterem sobre o cabresto das mesmas – que apenas intensificam o que você já tem na sua têmpera e mistura – ou “Destino” – e quando estes passam da sua justa medida, complica. E sobre isso não falarei mais hoje.

É muito fácil associar Deusas e Deuses Sombrios com a figura vampírica inventada entre os séculos 16 e 18 pelo cristianismo, porque a mesma foi criada para isso. Uma generalização tão ou mais brega do que apresentador televisivo chamar cartas de Yugi Oh de cartas do demônio.

É preciso uma certa sofisticação para interpretar o tema das deusas negras por um viés astrológico hermético ou clássico – e mesmo arremeter tais figuras para um tom mais histórico empregado com dignidade por Robert Graves ou ainda Carlos Ginzbourg. No caso de Lilith e outras deidades tempestivas penso que Robert Patai e ainda Maria de Naglowska são interessantíssimos.

Acho mais sofisticado pensarmos nos mitos do passado associados a vampiros como versões cristianizadas dos relatos sobre guildas de profissões marginais, ritos de fertilidade da terra e outras expressões de tons xamânicos da antiguidade. É sempre interessante lembrar que a maior parte desses relatos são feitas por padres e monges – que não entendiam muito bem o que viam e ainda estavam obrigados a tornarem aquilo depreciativo por conta da vaidade intelectual e também institucional.

Lá no cerne de tudo isso, no coração do redemoinho há ainda a questão dos mortos e dos redivivos associados ao vampirismo quando a Hungria retomou algumas terras dos otomanos. Os mortos tomados por uma força sombria ou demoníaca, ou ainda a serviço das mesmas e suas estranhas agendas. Não é um tema tão estranho assim quando olhado de maneira distanciada do sensacionalismo e do desencantamento. Quantas vezes o culto e a veneração dos mortos ou ancestrais não era encabeçada por um guardião ou deidade no passado, não é mesmo?

Poderíamos ainda falar de algo semelhante ao zumbi haitiano, uma pessoa torturada e embebida em estranhas drogas, processos químicos e ritualística para pensar ter morrido e agora vivendo como escravo de alguém. Mas isso fica para a obra “A Serpente e o Arco Íris” de Wade Davis, um antropólogo e etnobotânico da National Geographic Society.

Mas nunca deixará de ser interessante a encruzilhada presente nos grimórios europeus, nos black books escandinavos e nos terreiros das américas – deidades de diversos povos, personagens folclóricos, santos, demônios e figuras bíblicas engajam e fazem acontecer o que é necessário e o destino se cumprir. Este tema é desenvolvido no meu primeiro livro Mistérios Vampyricos (Madras Editora, 2014) e no Deus é um Dragão (Penumbra Livros 2019).

VAMPIRAS NO BRASIL

Retornando para o viés literário. Aqui no Brasil temos uma rica tradição de mais de 170 anos de produção cultural e literária vampírica. Falamos dela na obra “Despertar Vamp”, disponível aqui. por exemplo nos anos 60 em diante temos as criações fantásticas de Rubens Francisco Lucchetti; as “vamps também figuram em nossos quadrinhos nas personagens como Mirza ou Nádia e em nomes de desenhistas como Eugênio Collonese, Rodolfo Zalla e muitos outros desde os anos sessenta e setenta.

No final da década de noventa temos as vampiras criadas nas obras de Martha Argel. Outro destaque são as vampiras da autora Giulia Moon recentemente reunidas há pouco tempo na fantástica antologia Flores Mortais. Isso sem mencionarmos a midiática Liz Vamp interpretada pela escritora Liz Marins. Só para pincelarmos alguns nomes indispensáveis.

Pensando cronológicamente a primeira grande vampira brasileira chama-se Branca, é do texto Octávio e Branca A Maldição Materna, escrito por João Cardoso de Menezes e Souza, publicado lá na segunda metade dos 1800´s. Acredita-se que a obra tenha sido escrito por volta de 1846 e publicada em 1849. A jovem ainda que espectral e fantasmagórica, tal como muitas outras damas da escuridão que mencionamos hoje, já inseria os Vamps na literatura brasileira – quase na mesma época que Carmilla foi publicada no velho mundo.

VENHA CELBRAR OS 150 ANOS DE CARMILLA COM A GENTE EM 13.08.2022

Concluindo, se a atmosfera emblemática das mansões dos filmes da Hammer e da Universal, bem como a adaptação de Entrevista com o Vampiro de Neil Jordan (1994) ou mesmo o charme vitoriano de Drácula de Bram Stoker (de Francis Ford Coppola) lhe encantam e atraem – seja pela atmosfera e o charme ou por outras razões, garanta seu ingresso para 13/08/22 – Carmilla Noite de Gala Sombria – são poucos convites…

Fonte: https://redevampyrica.com/

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/carmilla-150-anos-da-primeira-e-mais-importante-vampira-de-todos-os-tempos/

Aleister Crowley: a genial biografia da Besta

Tamosauskas

Imagine ser um cristão e não saber como Cristo morreu, um muçulmano que não conhece a vida de Maomé ou um judeu que nunca ouviu falar da infância de Moisés. Parece um absurdo, mas imagine então ser um ocultista no século XXI que não sabe nada sobre a vida de Aleister Crowley. Assim como os personagens citados antes, ele foi o profeta e comentador de uma revelação religiosa, teve uma passagem pela Terra igualmente interessante e transformou para sempre o cenário magístico do planeta, seja você thelemita ou não. Esta é a importância do livro “Aleister Crowley: a biografia de um mago” de Johann Heyss, o primeiro tomo da trilogia thelema da editora Presságio. Sem Crowley não haveria wicca, magia de maat, satanismo moderno, luciferianismo,  magia do caos ou igreja elétrica. E estes são apenas alguns dos nomes dos seus muitos filhos.

Johann é por si só figurinha carimbada no meio thelemita. O autor já escreveu outros dois livros sobre o Tarô de Thoth, vários sobre numerologia além de diversas obras de ficção e poesia. Mais recentemente encabeçou a tradução do Livro da Lei comentado por Aleister Crowley também pela Presságio Editora. Além de escritor e tradutor é ainda é músico, carreira na qual igualmente deixa transparecer suas influências ocultistas.

Nesta biografia, que é única escrita originalmente em português, Johann conta toda a trajetória  do mago inglês, desde seus primeiros anos como o pequeno Edward Alexander Crowley, filho de um casal evangélico até seu leito de morte como A Grande Besta regado de trovões e ventania. O livro passa ainda por sua movimentada vida como bissexual, inseparável de sua vasta obra mágika e literária e diversos rumores de zoofilia, sadomasoquismo, diabolismo, canibalismo, coprofagia, de ser espião de guerra e pai de Barbara Bush, futura primeira dama dos Estados Unidos. Algumas dessas lendas -e várias outras – são reais, mais você terá que ler o livro para saber. O livro conta ainda com apêndices contendo citações importantes sobre Crowley, seu mapa astral e uma lista com toda a sua bibliografia produzida.

Entre o não tão inocente Alexander e o nada inocente To Mega Therion, uma vida de descoberta, aceitação (não sem certa hesitação) e desenvolvimento da Thelema, uma nova religião trazendo uma nova lei para a humanidade baseada nos preceitos de “Faze o que tu queres  de ser tudo da Lei” e “Todo homem e toda mulher é uma estrela”. Esta nova religião talvez nunca chegue a ser uma religião das massas, mas sem dúvida nenhuma as massas já são influenciadas por ela.”Que meus servidores sejam poucos & secretos: eles deverão reger os muitos & os conhecidos. ” No meio ocultista sei impacto é crescente e na literatura inspirou nomes como Fernando Pessoa,  Jorge Luis Borges e Alan Moore. Na música nomes que vão de Beatles a Jay-Z (passando por Ozzy, David Bowie, Raul Seixas e Klaxons), levaram seus preceitos para as multidões.

O livro de Johann conta com detalhes toda a história e contexto no qual o Livro da Lei foi escrito e todo o esforço que Crowley fez para levar esta mensagem ao mundo, mas conta também todo desenvolvimento biográfico anterior e posterior a este ponto culminante.  A obra é dividida em cinco partes. Na primeira vemos sua infância infernal e sua a rápida rejeição a religiosidade da época vitoriana até o inicio de seu interesse pelo esoterismo.  Na segunda parte testemunhamos sua conturbada passagem pela Golden Dawn. Na terceira está descrito o início do Novo Éon com o recebimento do Livro da Lei e demais livros sagrados de Thelema e sua ascenção ao status de celebridade magicka.

Mas nem tudo são flores para a Besta. Como se  “o pior homem do mundo” demonstrasse na própria carne o que afirmou a dizer que “Os ‘senhores da terra’ são aqueles que estão realizando sua vontade. Não quer dizer necessariamente que sejam indivíduos com diademas e automóveis: muitos deles são os mais pesarosos escravos do mundo.” Assim no quarto e quinto capítulo sentimos o cheiro de pólvora e o coice da arma que disparou o éon de hórus passar por dificuldades financeiras, judiciais, de relacionamento, depressão e problemas com vício em heroína. Contudo nesses mesmos capítulos temos o desenvolvimento de alguns de seus principais livros, seu aprimoramento na magia sexual, sua entrada e reformulação da Ordo Templi Orientis, seu encontro com Leah Hirsig, “a mulher escarlate definitiva”, fundação da  Abadia de Thelema – primeira das Sociedades Alternativas – e a criação de seu famoso tarô com Frieda Harris. Prenúncios de que a nova era não seria fácil, mas seria muito criativa.

Aleister Crowley: a biografia de um mago” nem por um segundo tenta esconder os defeitos de Frater Perdurabo. Pelo contrário, demonstra que ele tinha defeitos comuns aos homens de seu tempo e também defeitos muito particulares. O autor faz uma leitura crítica de sua vida e convida o leitor a fazer o mesmo sem com isso desmerecer o impacto de sua mensagem para o mundo. Citando Johann Heyss: “Aleister Crowley é como um cartão em branco, no qual você ode escrever sua própria definição, a qual será, ao menos em parte, verdadeira. Partindo da perspectiva do processo iniciático, é possível perceber o fio de coerência que permeia os disparates deste personagem hoje lendário, à parte qualquer aprovação ou desaprovação.”

Durante sua vida Crowley foi descrito como a Grande Besta do Apocalipse, “o escolhido sacerdote  & apóstolo do espaço infinito” cuja revelação rasgou os véus do templo vitoriano, mas também como um belo filho da puta ou ainda como um ser humano capaz de errar e de sofrer. Alguém em busca do império da verdadeira Vontade, mas também levado pela vida a pagar contas e chorar a morte dos filhos. Em muitos sentidos uma pessoa além do seu tempo e em muito outros um homem de sua época. A biografia feita por Johann Heyss é sem dúvida a mais completa que temos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aleister-crowley-biografia/