A Nova Aurora do Alquimista

Cambridge, 1936 : lord Rutherford, o maior físico experimental de seu tempo, que descobriu e realizou a transmutação dos elementos, dá os últimos retoques ao manuscrito que publicará no ano seguinte, nas edições da Universidade de Cambridge. É o cômputo geral de todas as suas descobertas. Dá o título: The Newer Alchemy (A Mais Recente Alquimia).

Marrakech, 1949 : na praça Djema el Fna, um velho árabe, usando turbante verde dos hadj, está atarefado perto do forno que aquece uma bola de vidro hermeticamente fechada. A seu lado, o professor Holmyard (Oxford) segue a experiência com atenção e respeito; por fim, diz:

— Mestre, agradeço por me deixar ver o que podia ser visto por um profano sobre a muito santa alquimia.

Paris, 1967: o editor Jean-Jacques Pauvert reimprime o Livre Muet de l’Alchimie (Mutus Liber). Na primeira página lê-se: “Primeira impressão integral da edição original de La Rochelle, 1677. Introdução e comentários por Eugène Cànseliet, F. C. H., discípulo de Fulcanelli”. Ontem, hoje, em todos os países, os homens não deixaram de estudar a alquimia. Mas que alquimia, e para quê?

Há quem veja na alquimia uma idéia ultrapassada, uma espécie de pré-química ingênua do tempo em que os conhecimentos eram raros e confusos. Essa foi a atitude do nacionalismo clássico no século 19. Pré-química ingênua? Seria mais ou menos tão exato como dizer que a Paixão de Cristo foi a primeira forma ingênua do Grand Guignol. Não. A alquimia é outra coisa. Uma grande coisa. Sem entrar em detalhes, ten-taremos esclarecer seu sentido, que é também seu objetivo.

Todos nós acreditamos saber o que é a matéria. Por toda parte ela nos envolve. Impõe-se a nós. Mas, que é matéria? O drama é que no mais das vezes os filósofos ignoram tudo sobre a ciência, e por muito tempo não viram na matéria senão uma coisa morta, sem propriedades suscetíveis de interessá-los. Enquanto isso, a ciência progredia a passos de gigante e depois do começo do século começou a descobrir os segredos — pelo menos alguns deles — da matéria. Teria sido necessário criar uma nova filosofia, mas isso não foi feito. Um homem — Lenine — teria podido realizar essa tarefa capital, se tivesse vivido mais tempo e não tivesse outras coisas para fazer.

Em Materialismo e Empiriocriticismo escreveu que a matéria era inesgotável e que nem uma eternidade de pesquisas científicas chegaria a revelar todos os segredos. As pesquisas atuais confirmam essa asserção. Fred Hoyle, em Frontières de 1’Astronomie, disse que a matéria é o domínio mais fascinante, mais milagroso, mais extraordinário sobre o qual o pensamento humano pode se exercitar. E que nossa medíocre vida terrestre é bem pouca coisa ao lado do que se passa na matéria universal, tanto no seio das es-trelas, nas regiões longínquas do cosmo, como no grande vazio que separa as estrelas das estrelas, as galáxias das galáxias e talvez as metagaláxias ou universos de outros universos.

Sim, teria chegado o tempo de conceber uma nova filosofia, materialismo verdadeiro ao lado do qual o materialismo ingênuo do século 19 seria apenas caricatura. Porque nós vemos — como escrevia o grande sábio e grande alquimista Isaac Newton — que até agora nada fizemos senão “apanhar algumas pedras na praia”. Para além, encontra-se um imenso oceano de saber.

Ora, esse oceano foi explorado e alguns homens traçaram o mapa dos continentes desconhecidos da ciência que aí se encontram. É esse saber, ao lado do qual nossa ciência é bem pouca coisa, que se chama alquimia.

De onde provêm esses conhecimentos? Não se sabe, e o adágio afirma: — “Aqueles que sabem não falam, aqueles que falam não sabem”. Darei simplesmente minha opinião nacionalista: a alquimia é o resíduo da ciência e da tecnologia pertencentes á uma civilização desaparecida. Não creio absoluta-mente em outras hipóteses: revelação divina, extraterrestre, que trouxe aos homens o fogo, o arco, o martelo, a alquimia etc.

Penso que a civilização desaparecida desencadeou forças fantásticas que perturbaram os continentes, derreteram os gelos e destruíram aquele mundo altamente evoluído. Traços de cultura teriam, contudo, subsistido por muito tempo, explicando certa permanência de conhecimentos até nossa própria civilização. Assim Newton certamente teve contato com os últimos mantenedores dos grandes segredos.

Newton foi o último mágico.

Este aspecto pouco conhecido de sua vida foi especialmente estudado pelo célebre economista e filósofo inglês John Maynard Kaynes, que escreveu:

“Newton não foi o primeiro nacionalista. Foi o último mágico, o último sobrevivente da época da Suméria e da Babilônia, o último grande espírito que olhou o mundo visível e invisível com os mesmos olhos que começaram a reunir nossa herança intelectual há pouco menos de 10 mil anos. Por que chamei-o mágico? Porque ele via o universo inteiro como um enigma, como um segredo que pode ser compreendido, aplicando o pensamento puro a certas provas. Ele pensava que os indícios que podem conduzir à solução do enigma estavam parcialmente no céu e na constituição dos elementos (por essa razão, ele é erroneamente tomado por experimentador cientifico), mas também em certos documentos e certas tradições que percorreram os tempos, sem interrupção, como uma corrente que nunca foi partida desde as primeiras revelações enigmáticas feitas na Babilônia”.

Depois de Newton, houve uma espécie de brecha no conhecimento. A orientação da pesquisa científica mudou e, em particular a partir dessa época, a idéia de que o conhecimento implica em perigo, como acreditavam fundamentalmente os alquimistas, foi completamente negligenciado.

Hoje retorna-se a essa atitude. Inúmeros sábios acreditam que a difusão de certos conhecimentos pode pôr em perigo toda a humanidade. Assim, no Science Journal, revista científica das mais influentes de nossa época, de dezembro de 1967, o editorialista Gordon Rattray Taylor cita uma carta do dr. E. Orowan :

“A grande maioria da população da Terra considera a ciência e a tecnologia como perigo mortal crescente para sua vida. Sentem-se impotentes, à mercê de uma minoria, como se, numa mesa de operações, estivessem entre as mãos, não de pessoas que curam, mas de irresponsáveis levados pela curiosidade ou o que é ainda pior — pelo desejo de prestígio e promoção … Seria bom os sábios entenderem que estão em vias de dançar sobre um depósito de pólvora”. E Gordon Rattray Taylor acrescenta : “A desculpa habitual dos sábios, segundo a qual ninguém é obrigado a aplicar as descobertas científicas senão o desejar, não é mais válida . . . Os sábios chocam-se a responsabilidades inquietantes, que deverão enfrentar cada vez mais”.

Vê-se, pois, reaparecerem no mundo científico contemporâneo as velhas idéias dos alquimistas: ciência e moral são associadas e o segredo é às vezes uma necessidade.

Mas, em seu tempo, como poderiam os alquimistas saber que a ciência podia conduzir à ruína? Não se sabe; contudo, a idéia desse perigo parece ter sempre sido de seu conhecimento. A alquimia é, em todo caso, muito antiga; já existia na China, 4 500 anos antes de Cristo. Célebre texto, muito mais recente deve datar mais ou menos do século 12 —, A Mesa de Esmeralda, retoma os grandes princípios dessa “ciência” merece ser citado por extenso:

“Ë verdade, sem mentira, certo e muito verdadeiro: o que está embaixo é como o que está em cima, e o que está em cima é comoque está embaixo, para realizar os milagres de uma só coisa.E assim como todas as coisas provieram e provêm do Um, assim todas as coisas nasceram da coisa única, por adaptação. O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento a carregou em seu ventre, a Terra é a nutriz. O Thelema (telesma, perfeição) de todo o mundo está aí.Seu poder não tem limites sobre a Terra. Tu separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, cuidadosamente, com grande habilidade. Ele sobe da terra para o céu, e torna a descer para a terra e reúne a força das coisas superiores e inferiores. Terás assim toda a glória do mundo, eis por que toda a obscuridade se afastará de ti : é a força forte de toda força, pois ela vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida. Assim o mundo foi criado.Eis a origem de admiráveis adaptações aqui indicadas. Foi assim que fui chamado Hermes Trismegista, possuindo as três partes da filosofia universal. O que eu disse da operação do Sol está completo”.

Este texto é importante, mesmo se à primeira vista parece obscuro, porque expõe a teoria da unidade cósmica, ao mesmo tempo que a “receita” da obra filosofal. O autor parece saber que as estrelas tiram sua energia da transmutação dos elementos. O que chama “operação do Sol” é a própria base da construção da bomba 3 F (fissãofusão-fissão), que ameaça destruir a humanidade hoje. Ora, se podemos realmente fabricar tais bombas por meios relativa-mente simples, é preferível que a “receita” permaneça secreta. Os alquimistas são desconfiados. Nossos sábios, enfim, encontram-se com eles nesse ponto.

Mas pode-se dizer que os alquimistas escreviam muito. É verdade: há milhares, centenas de milhares de livros de alquimia. É assim que se preservam os segredos? Na minha opinião, os livros de alquimia não contêm qualquer segredo diretamente transmissível. Formam apenas a “biblioteca do alquimista”, e aí uma iniciação seria inutilmente procurada. Quer dizer, esses livros não são úteis e compreensíveis senão àqueles que já conhecem a alquimia. Um exemplo esclarece a idéia. Quem quer que se ocupe atualmente de energia atomica aplicada possui em sua biblioteca o livro fundamental de John R. Lamarsh , Introduction to Nuclear Reactor Theory (Addison-Wesley Publishing Company Inc.). Mas o livro básico não pode ser compreendido senão por aqueles que já conhecem a matemática; foi feito para leitores especializados. Em nenhum lugar se apresenta como tratado, retomando os princípios básicos. Somente os atomistas podem tirar proveito. Assim também, somente os alquimistas podem compreender e utilizar os livros de alquimia.

É a pedra filosofal a alegoria da radioatividade?

Mas então como pode alguém tornar-se alquimista?

Como se chega a esse conhecimento? Como aí chegaram os alquimistas se não há livros de iniciação?

Aqui só posso emitir minha opinião pessoal. Não sou um iniciado, não faço parte de qualquer sociedade secreta, mas estudei a alquimia durante perto de 40 anos. Fiz alguns contatos, procedi a algumas experiências. No total, que sei?

Como já disse, minha convicção profunda é de que, antes de nós, em nosso planeta existia uma civilização muito adiantada, que desapareceu. Os mapas de Piri Reis são alguns dos últimos vestígios, a alquimia é um outro. Não temos senão indícios e algum pouco mais para nos guiar.

Essa civilização havia se elevado a nível muito alto e devia certamente possuir conhecimentos, sobre a estrutura da matéria, mais adiantados que os nossos. Essa é a opinião de Frederick Soddy, Prêmio Nobel, grande físico atómico, que descobriu os isótopos e lhes deu o nome. Em seu livro O Rádio, Interpretação e Ensinamento da Radioatividade, escreveu:

“É interessante refletir, por exemplo, sobre a notável lenda da pedra filosofal, uma das crenças mais antigas e universais; por mais longe que acompanhemos seus traços no passado, nunca encontraremos a verdadeira fonte. Atribui-se à pedra filosofal o poder não só de efetuar a transmutação dos me-tais, mas também de agir como elixir da vida. Ora, qualquer que seja a origem dessa associação de idéias aparentemente despida de qualquer sentido, ela se mostra, na realidade, como expressão muito correta e apenas alegórica de nossa atual maneira de ver. Não é necessário grande esforço de imaginação para se chegar a ver na energia a própria vida do universo físico: e hoje sabemos que é graças à transmutação que surgiram as primeiras fontes da vida física do universo.Não é, então, simples coincidência, esta antiga aproximação do poder de transmutação e o elixir da vida? Prefiro crer que seria antes um eco vindo de uma das inúmeras idades quando, nos tempos pré-históricos, antes de nós, os homens seguiram a mesma estrada por onde hoje caminhamos. Mas esse passado é provavelmente tão longínquo que os átomos seus contemporâneos tiveram tempo de desintegrar-se totalmente”.

Antigamente a ciência levou a imenso desastre E o grande sábio (com quem mais de uma vez falei sobre alquimia) prossegue: “Deixemos ainda um instante nossa imaginação vagar livremente por essas regiões ideais. Suponhamos que seja verdadeira essa hipótese que a nós se apresente por si própria, e que podemos confiar no tênue fundamento constituído pelas tradições e superstições transmitidas até nós através dos tempos pré-históricos. Não poderíamos neles ver justificativa para a crença de que homens de alguma raça extinta e esquecida alcançaram não só os conhecimentos recentemente por nós adquiridos, mas ainda capacidades que ainda não possuímos?”

Por meu lado, compartilho a opinião de Soddy, de que uma civilização muito evoluída existiu antes dos tempos históricos. Mas, que pode ter acontecido para que esse mundo desaparecesse sem nos deixar a totalidade de sua herança? Creio que em certo momento essa ciência levou a um imenso desastre. Deve ter havido um conflito, no qual foram utilizadas armas muito mais poderosas que nossas melhores bombas atômicas: armas cujo efeito fizeram deslizar os continentes, rasgando-os na face da Terra, deslocando os pólos magnéticos, modificando as cinturas de radiação que protegem do vento solar, suprimindo a camada de ozone que antepara os raios ultra-violeta, enfim, perturbando o campo gravitacional da Terra.

Todos os estudos atuais parecem com efeito mostrar que, em dado momento, produziram-se importantes modificações ou perturbações das leis naturais que conhecemos. É mesmo provável que até o fim do século 20 possamos datar a grande catástrofe com a margem de alguns ,mil anos. Provavelmente será colocada a uns 100 mil anos.

Por mais grave que tenha sido a catástrofe, por mais graves que fossem seus efeitos em todos os sentidos, alguns homens devem ter sobrevivido, que possuíam fragmentos do saber antigo: conhecimentos positivos, a idéia de que a ciência era perigosa, lendas também. O “pecado original” da religião cristã seria assim explicado.

Depois passaram dezenas de milhares de anos, as geleiras invadiram uma parte do mundo, depois, por sua vez, recuaram. As civilizações que conhecemos começaram a formar-se. Há 10 mil anos ainda existiam guardas do segredo, quer dizer, detentores da tradição. A alquimia na fonte, e desde então, não cessou de fazer sonhar os homens. São inúmeros os que tentaram reencontrar o grande segredo, que quiseram “fabricar o ouro”.

Mas a lenda apagou o famoso segredo. Muitas fábulas identificaram a alquimia com a fabricação do ouro, quando parece que os verdadeiros iniciados não faziam muito caso desse metal. Para eles, o ferro era muito mais importante. Entre os sábios que estudaram a questão, o historiador francês de origem romena, Mircea Eliade, foi um dos raros a notá-lo. Em seu livro Forgerons et A lchimistes chamou a atenção para a importância do ferro nas operações de alquimia. Contudo não sabia, na época em que escreveu, o que logo iria ser demonstrado pela astrofísica e pela química destes últimos anos: que o ferro é uma espécie de eixo à volta do qual gira o mundo.

O ferro, sabemos agora, é com efeito o único elemento do qual não se pode tirar qualquer energia: nem por fissão, nem por fusão. Em termos técnicos está no zero da ausência de massa. O que quer dizer que se pode obter energia dos elementos mais leves que ele, adicionando-os por fusão: assim funciona o Sol… ou a bomba de hidrogênio. E pode-se obter energia de ele-mentos mais pesados que o ferro, decompondo-o por fissão: é o caso da pilha de urânio ou da bomba A. Mas do próprio ferro, que é zero, nada se pode tirar. Ele está na origem da alavanca do universo. Um alquimista alemão escreveu: “Eisen trãgt das Geheiminis des Magnetismus und das Geheiminis des Blutes”. Quer dizer: “O ferro é portador do mistério do magnetismo e do mistério do sangue”.

O ferro é portador de um terceiro mistério, o da alquimia, e não é sem motivo que se fala da pirita de ferro na elaboração da pedra filosofal. Pode-se compreender o interesse que os alquimistas demonstravam pelo ferro, pelo cálculo cabalístico que há em Les Noces Chimiques (1616) : A = 1, L= 12, C=3, H = 8, I=9, M= 13, I = 9, A = 1, total = 56. Ora, 56 é precisamente o peso atômico do principal isótopo de ferro. Poderíamos objetar que o autor de Noces Chimiques devia provavelmente ignorar os pesos atômicos. Nem por isso deixa de ser uma coincidência bastante curiosa, que, se em lugar de indicar que a alquimia = o ferro, o autor tivesse desejado indicar que a alquimia = o ouro, ser-lhe-ia fácil encontrar no arsenal das metáforas de seu tempo uma imagem para fazê-lo compreender.

Mais curioso ainda é notar que o ferro é indiscutivelmente um elemento capital do universo. Qualquer livro de ciência elementar ensina que assim é: o ferro contém magnetismo, é um elemento essencial da hemoglobina, quer dizer, da vida, e constitui material básico do cosmo. É encontrado por toda parte. La Table d’Emeraude diz muito justamente: “O que está no alto é como o que está em-baixo”. Quer dizer, o universo não foi construído ao acaso, feito aos pedaços. É altamente organizado e obedece a leis que podem ser encontradas tanto no exame de uma gota de orvalho, de um grão de areia, como no corpo humano. Essa é a grande lição da alquimia. E isso os homens já sabiam há 10 mil anos, antes dos zigurates e das pirâmides.

Em todas as civilizações encontramos homens que conservaram vestígios do segredo. Mas, à medida que o tempo passou, o segredo diluiu-se, misturado de misticismo, associado a diversas religiões. Alguns sub-produtos foram, contudo, entregues aos homens: a porcelana, a pólvora, os ácidos, os gases. A eletricidade era conhecida no século 2 antes de Cristo, pelos alquimistas de Bagdá. Os da China produziram o alumínio no século 2 por método absolutamente desconhecido. E Newton pôde escrever em carta datada de 1676: “Existem outros segredos além da transmutação dos metais, e os grandes mestres são os únicos a compreendê-los”.

O grande público, como os príncipes, não se interessou senão por uma possibilidade: a dissociação da matéria em elementos muito pequenos que chamaremos partículas elementares, depois sua reconstituição para a fabricação do ouro. Essa operação de dissociação tem, na tradição, o nome de “preparação das trevas”. Foi ao estudá-la que, na China, descobriram a pólvora para canhão. Os livros asseguram, naturalmente, que a invenção deve-se a certo monge chamado Berthold Schwartz. Mas é um gracejo: schwartz quer dizer preto em alemão, e é certamente o símbolo da “preparação das trevas”. Preto também (ou azul-preto) é ainda a cor do gás eletrônico, estrutura quase imaterial que é a própria base dos metais e confere suas propriedades. Podemos observá-lo dissolvendo um metal no amoníaco líquido, a muito baixa temperatura. Vê-se a cor azul-preto que é comum a todos os metais, e qualquer um pode assistir hoje à “preparação das trevas”.

Em alquimia a fase seguinte consiste em juntar alguns grãos de ourio para se obter certa quantidade desse metal . A operação é chamada “sementeira”. Quanto ao catalisador que serviu para dissociar a matéria em subelementos, sabemos que os alquimistas chamam-no pedra filosofal. Pode ser obtido pela pirita de ferro, e já emiti a hipótese de que se tratava do elemento 310, de número atômico 136. A teoria dos números mágicos mostra que esse elemento deve ser estável.

Mas, à medida que se espalhava o boato de que era possível fabricar ouro à vontade, os príncipes deram caça aos alquimistas. Logo começaram a ser torturados e mortos. Barbárie das épocas recuadas, diriam. Não estou certo. O mundo vibra de novo pelo ouro. A libra foi desvalorizada, o dólar vascila, por toda parte as Bolsas vêem importantes negociações em torno do precioso metal. Se aparecesse um homem asseverando poder fabricar ouro, posso apostar que em breve encontrariam seu corpo em alguma floresta ou no fundo de um lago. Os interesses em jogo são por demais importantes.

Então, qual pode ser o destino do alquimista? Sob os governos atuais, como sob os faraós ou os imperadores da China, o alquimista é, foi, permanecerá, um homem só. Quer isto dizer que existem hoje (ou existiram) sociedades secretas de alquimia? Para responder à pergunta, precisamos lembrar em algumas palavras a história dos rosa+cruzes.Quando se fala nos rosa+cruzes, é preciso, para começar, citar suas origens. Com efeito, há dois séculos que se delira a esse respeito. Por meu lado, referir-me-ei ao livro de Arthur Edward Waite, The Brother-hood of the Rosy Cross, edição de 1966 (University Books, New York).

Waite, que morreu em 1940, publicou seu livro pela primeira vez em 1924. Cético feroz, atacou com bastante violência aqueles que se diziam representantes dos rosa-cruzes em sua época. Mas sua obra foi e continua apreciada pelos especialistas, graças à seriedade da informação e à fidelidade das referências. Cito-o por minha vez com a maior exatidão. Segundo Waite, nos séculos 16 e 17 houve um surgimento de avisos, panfletos e livros anunciando que detentores dos segredos dos alquimistas estavam prontos a admitir novos membros e a compartilhar de seus conhecimentos. Esses homens davam-se o nome de rosa+cruzes. Pretendiam vir de Damasco, de Fez e de “certa cidade oculta” (Waite, p. 37). Nada prova que esses indivíduos pertencessem a uma sociedade secreta, mas Waite salientou certos fatos perturbadores, mostrando que não eram simples escroques.

Esses desconhecidos demonstravam gran-de interesse por certas estrelas, principalmente pelas novas das constelações da Serpente e do Cisne (pp. 17, 42, 149). Na época, ninguém havia manifestado a idéia sacrílega (os astros eram tidos como eternos) de que as estrelas pudessem explodir. Certamente a nova da Serpente foi observada em 1604, e a do Cisne, em 1602, mas foi a ciência de hoje que, ao analisar tais explosões, descobriu as fontes de rádio no céu e os quásars. Ora, os rosa+cruzes sustentaram formalmente que essas estrelas novas eram uma das chaves da alquimia. Isto autoriza a pensar que possuíam conhecimentos mais avançados que os dos sábios oficiais de seu tempo.

Os rosa+cruzes pretendiam possuir dois instrumentos excepcionais (p. 261). O “cosmoloterentes” que permitia .destruir qualquer fortaleza com um só golpe, e a “astroniquita”, com a qual podiam ver as estrelas através das nuvens. Esses “instrumentos” são hoje nossos conhecidos. O primeiro é o explosivo nuclear; o segundo, um aparelho que utiliza a luz polarizada, como a pedra mágica dos vikings. Como os rosa+cruzes possuíam esses conhecimentos?

Os rosa+cruzes haviam construído uma miniatura da Terra, reproduzindo com exatidão todos os movimentos do nosso globo (p. 135). Isto não era inteiramente novo: fragmento de mecanismo .semelhante foi encontrado em uma ânfora do século 2, ao largo da ilha Anticitara, e o professor Dereck J. Solla Price, que o reconstituiu, escreveu no Scientific American que a perfeição da invenção era espantosa e abalava as nossas idéias sobre as tecnologias do passado. Mas tanto no século 2 como nos séculos 17 e 18, de onde provinha o conhecimento dos rosa+cruzes sobre os movimentos da Terra?

A 28 de maio de 1776, os rosa+cruzes fizeram uma demonstração de transmutação da água por efeito de radiação. Para isso utilizaram água que cristalizou a temperatura ordinária, formando cristais semelhantes a flores, que emitiam luz insustentável. Como esse alótropo do gelo pôde ser obtido?

No final somos levados a pensar que o saber dos rosa+cruzes vinha do passado. . . uma vez que não podia vir do futuro. Que saber era esse? Seus possuidores sempre afirmaram que o essencial de tais conheci-mentos residia na alquimia, uma alquimia tomada, bem entendido, no sentido lato, da qual a transmutação dos metais não era senão um aspecto:

Nos séculos 16 e 17 parece ter havido o renascimento desse antigo saber. As lendas sobre os rosa-cruzes dizem que possuíram até lâmpadas de luz fria que ficavam acesas sem interrupção, e registros mecânicos da música e da voz humana. Estes últimos pontos são, contudo, contestados, notadamente por Waite. Segundo um manifesto de 1623, Instruction à la France sur la Vérité de l’Histoire des Frères de la Rose-Croix (Instrução à França Sobre a Verdade da História dos Irmãos da Rosa-Cruz), esse ressurgimento visava ao recrutamento: queriam aumentar o número de iniciados. Depois veio de novo o silêncio, com uma exceção: sempre segundo Waite, no século 18 entraram em contato com Leibniz, que teve que passar por um exame e foi nomeado secretário de um grupo de estudos ocultos, em Nuremberg. Fontenelle conta o fato em Eloges des Académiciens.

Enfim, é preciso atribuir aos rosa+cruzes o impulso que permitiu criar duas companhias muito importantes: a Sociedade Real de Ciências, da Inglaterra. . . e a franco-maçonaria. Mas afastamo-nos do assunto.Ainda mais importante — pelo menos para a história da alquimia — parece ter sido a publicação em 1677 do Livre Muet de l’Alchimie, espécie de estenograma ou tábua de logaritmos para uso daqueles que realizaram a grande obra da alquimia. A obra estava assinada Altus, pseudônimo que não foi desvendado. E. Canseliet, no prefácio que acaba de dar à reedição do livro, aproxima o autor a Joseph Duchene, que desde 1609 compreendeu que havia azoto no nitrato pois, afirmava,
“Há um espírito no sal de pedra que é da natureza do ar e que, contudo, não pode manter a chama, sendo-lhe antes contrária”.

O misterioso Altus, representando Duchêne ou outros sábios desconhecidos, foi, de qualquer maneira, violentamente atacado pelos racionalistas da época. O Journal des Savants, da segunda-feira, 26 de agosto de 1677, menciona nestes termos a publicação do Mutus Liber:”O autor da obra é um desses homens que cavam a quimera para precipitar-se na indigência. Teimando na descoberta da pedra filosofal, possuem ciência bastante para se arruinar, e não bastante, como é preciso, para ver os limites do espírito humano que jamais atingirá a transmutação dos metais”. Contudo, para os alquimistas modernos o Mutus Liber continua precioso. Como todos os outros livros que tratam da grande obra, este não é um conjunto de receitas. É apenas um conjunto de sinais destinados àqueles que já sabem. Esses sinais foram, aliás, espalhados por toda parte pelos alquimistas, principalmente nas catedrais. Hoje continuam a escrever secretamente, um pouco por toda parte. Eis por que, nos anos 20, Pierre Dujols, o famoso livreiro especializa-do em ciências ocultas, podia afirmar: “Os reis reinam, mas não governam, segundo célebre aforismo. E parece, às vezes, que há ainda nos bastidores alguma eminência cinzenta que puxa os cordéis. As famosas águas-furtadas do templo talvez não este-jam destruídas como se supõe. E poderia ser escrito um livro surpreendente sobre a filigrana das notas de dinheiro e das siglas das moedas”. Quer dizer, nossa sociedade, como a do passado e como a natureza toda, é uma vasta mensagem que pode ser decifrada.

O Mutus Liber é uma arte dessa mensagem, uma espécie de memorando para os inicia-dos de ontem e de amanhã. O aviso ao leitor, que o precede, afirma claramente: “E também o mais belo livro jamais impresso sobre o assunto, pelo que dizem os sábios, contendo coisas que nunca foram ditas por ninguém. E preciso ser verdadeiro filho da arte para conhecê-lo. Aí está, caro leitor, aquilo que acreditei dever dizer-lhe”.

O livro não é inteligível por completo senão para os filhos da arte, assim como os dia-gr amas de circuitos de um aparelho de televisão só são compreensíveis às pessoas familiarizadas com eletrônica. Quer dizer que ninguém jamais escreverá um livro sobre alquimia ao alcance do comum dos mortais? No prefácio do Mutus Liber, Canseliet responde desta forma:

“Pediram-me muitas vezes e continuam pedindo para escrever um livro elementar que exponha simples e claramente em que consiste a alquimia.Não desejaria ser descortês, mas parece que muitos dos que nos fazem o pedido não leram os livros de Fulcanelli, Deux Logis Alchimiques, Les Douze Clés de la Philosophie e, recentemente, o nosso Alchimie, que ainda pode ser interrogado sobre a natureza, os meios e o fim da antiga ciência de Hermes. E preciso compenetrar-se plenamente, e não esquecermos jamais que a alquimia é, antes de tudo, a disciplina esotérica por excelência, que exige, por base, um estado de alma e de consciência onde o desapego seja igual ao constante desejo de amar e de conhecer. Amoroso da ciência! É a expressão familiar muitas vezes utilizada pelos mais antigos autores e que designa da mesma forma o filósofo, o alquimista e especialmente o artista”.
Canseliet esclarece aqui esta profunda e terrível verdade: a manipulação da matéria pela alquimia, resíduo de uma civilização mais adiantada que a nossa, distingue-se de nossas ciências e técnicas, da mesma maneira que a arte se distingue da decoração mecânica feita por meio de moldes. Há a mesma diferença entre a alquimia e nossa ciência atual, que entre a Gioconda e um papel pintado. . . E por isso que não se deve esperar ver um dia a alquimia industrializada. Não seria possível. Não seria útil.

Historicamente vê-se que os alquimistas entregam ao público, de vez em quando, algumas parcelas de seu saber, ajudando o progresso científico e técnico. A próxima parcela, que nos será assim atirada como alimento, penso que será a manipulação da matéria: não mais a simples transmutação (agora conhecemos o segredo), mas a receita de substâncias novas que não constam de nenhuma tábua periódica dos elementos.

Partindo do ferro, sabemos que Fulcanelli havia obtido metaelementos que não cor-respondiam a nada conhecido pelos químicos. Nossos sábios agora fabricam alguns desses metaelementos: o positrônio, os átomos muônicos etc. São, infelizmente, corpos instáveis, de vida muito curta. Alguns gramas de metaelemento estável fariam progredir nossa ciência de um século. No dia apropriado, tenho certeza, um alquimista nos fará essa revelação.

Enquanto esperamos, não poderíamos pelo menos fabricar ouro? Já dissemos o quanto seria perigoso, impossível mesmo, através das vias da alquimia promovidas à categoria de técnica industrial. Uma operação de alquimia, por definição, não é reproduzível. É uma obra de arte e um pintor não pode pintar duas vezes o mesmo quadro.

Mas àqueles que conservam a paixão pelo ouro, posso assinar a técnica descoberta já há 30 anos, por André Helbronner e eu próprio ( Jacques Bergier ). Podemos seguramente fabricar ouro, partindo do boro e do tungstênio.

A reação é escrita: 5 B 11 + 74 W 186 = 79 Au 197.

Estou persuadido de que, com a técnica moderna do plasma, esse método poderia ser industrializado e o ouro seria produzido por aproximadamente 60% de seu preço de custo ordinário. Seriam necessários, evidentemente, meios consideráveis para montar uma indústria, mas um governo poderia tomar essa iniciativa. Os Estados Unidos, talvez, se seu problema de reservas metálicas se agravasse. . .

Mas tudo isso não passa de alquimia, e a lição que ela nos dá hoje ainda é de outra natureza. Há mais e melhor a fazer do que ouro. Neste mundo cruel, onde a morte ronda a todos, resta ao homem encontrar as fontes da vida. A atitude da alquimia é sempre um exemplo. Ela pode ser um guia, tornar-se uma esperança.

Dia virá, talvez, em que os homens chegarão à plena consciência da alquimia, quer dizer, não apenas a uma ciência, mas a uma ética. Sempre que se pretendeu separar esses dois fatores do progresso humano, a humanidade caminhou com um pé só. Lindos pulos, às vezes, mas também escorregões!

Sim, um dia, talvez. . . A humanidade fará sem dúvida a grande mutação predita por Stapledon ou Teilhard de Chardin. Então a alquimia progredirá a descoberto. Terá conseguido sua última vitória.

 

Extraido de um texto de Jacques Bergier – 1974


Quer aprender alquimia do zero? Conheça o Principia Alchimica: o manual prático da alquimia.


 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-nova-aurora-do-alquimista/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-nova-aurora-do-alquimista/

O Livro dos Demônios com o bruxo Fagundes

Bate-Papo Mayhem #095 – gravado dia 27/10/2020 (Terça) Marcelo Del Debbio bate papo com o bruxo Fagundes – O Livro dos Demônios

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

O Livro dos Demonios: https://www.olivrodosdemonios.com.br/

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#Batepapo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-livro-dos-dem%C3%B4nios-com-o-bruxo-fagundes

Símbolos do Ocultismo na Música Pop

Por Donald Tyson.

Tem havido muita conversa nas mídias sociais recentemente sobre o uso de símbolos ocultos por artistas proeminentes em grandes locais, como o Superbowl Halftime Show e o MTV’s Video Music Awards. Madonna era notória por usar tal simbolismo. Mais recentemente, Lady Gaga tirou a coroa de Madonna e superou a Material Girl em seu próprio jogo. Outros artistas, como Beyoncé, Marilyn Manson, Lil’ Wayne, Ke$ha, Miley Cyrus, Jay-Z, Kanye West e Eminem, para citar apenas alguns deles, entraram na onda e incorporaram simbolismo esotérico em seus apresentações de palco.

O que tudo isso significa? Devemos nos preocupar com isso? Esses artistas são membros de uma organização secreta conhecida como os Illuminati, como afirmam seus críticos? Eles são satanistas? Ou eles são apenas buscadores de atenção, usando e abusando de símbolos que não entendem por seu valor de choque? Você pode pensar que já leu o suficiente sobre esse assunto sobrecarregado, mas deixe-me dar algumas ideias da perspectiva de um mago que trabalha nas tradições ocidentais.

A primeira coisa que noto, quando estudo as fotografias e videoclipes desses artistas populares, é o pequeno conjunto de símbolos ocultos que eles realmente usam. Existem menos de duas dúzias de símbolos que aparecem regularmente. Isso não é muito, considerando que a magia ocidental tem centenas de símbolos potentes com significado esotérico. A limitação do número de símbolos distintos utilizados deve-se provavelmente à necessidade de reconhecimento por parte dos fãs.

Quais são os símbolos? O mais comum entre eles é o sinal da mão dos chifres, com o indicador e o dedo mínimo estendidos; o olho no triângulo; o olho de Odin (um olho coberto por uma mão), o sinal da mão do número 6, com o polegar e o dedo indicador fazendo um círculo e os outros dedos estendidos; a cruz invertida; a chamada cruz satânica ou símbolo alquímico do enxofre; os pentagramas sejam eles “normais” ou invertidos; o olho egípcio de Hórus; um olho na palma da mão; crânio e ossos; o bode; a serpente; o relâmpago; a figura de Baphomet.

Se você considerar esses símbolos, verá que eles se dividem em duas categorias: símbolos de uso geral na magia e símbolos considerados caóticos ou satânicos. Não há nenhuma tentativa dos artistas de diferenciar entre essas duas categorias. Muitas pessoas consideram qualquer símbolo ligado ao ocultismo como inerentemente mau. Aqueles de nós que estudam magia sabem que isso é incorreto. Exatamente o oposto é verdadeiro: nenhum símbolo é inerentemente mau – mas o público geral desses artistas não sabe disso. Para eles, os símbolos ocultos são misteriosos, intrigantes, poderosos e perigosos – tudo que pode fascinar a mente de um adolescente.

Cantores populares voltaram-se para símbolos ocultos como valor de choque porque esgotaram as possibilidades do sexo. Eles não podem ir mais longe com a sugestão sexual, a menos que tenham sexo real no palco. A maioria procura em outro lugar por algo que vai gerar controvérsia, e o encontra no ocultismo. Isso é lamentável, já que os símbolos ocultos têm um significado mais profundo que é rebaixado por sua exploração. Mas ninguém deve supor que os artistas que abusam desses símbolos sabem o que estão fazendo, ou que esses indivíduos pertencem aos Illuminati ou a qualquer outra corrente oculta séria.

Nossos agradecimentos a Donald por seu artigo de convidado! Visite a página do autor de Donald Tyson para obter mais informações, incluindo artigos e seus livros.

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Fonte:Occult Symbols in Pop Music, by Donald Tyson.

COPYRIGHT (2014) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/simbolos-do-ocultismo-na-musica-pop/

As Ervas na Umbanda – Adriano Camargo Erveiro

Bate-Papo Mayhem 176 – gravado dia 20/05/2021 (Quinta) Com Adriano Camargo Erveiro – As Ervas na Umbanda

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Adriano Camargo Erveiro: www.erveiro.com.br

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As Rainhas Dragão

Lord A .’. (RedeVamp)
Excerto do livro Mistérios Vampyricos

Existe um relato intitulado “As Rainhas Dragão” que fala sobre os mitos de origem da Transilvânia, o qual descobri ainda na década passada, escrito pelo pesquisador David Wilson – mais conhecido como Awo Falokun Fatunmbi, um oraculista especializado no “Ifa” dos africanos. O artigo foi escrito como uma revelação recebida da parte de seus parentes, originários de Arad na Transilvânia, e que tinham o sobrenome Fenyes, cujo significado é “portador da luz”, mais ou menos como o “cohen” hebreu – tal sobrenome pode indicar uma função ritual nas respectivas culturas citadas. Logo no começo do artigo, somos apresentados ao avô Carlos Fenyes, advogado da família Habsburg, e seu filho Adelbert (Adelburt), que era médico da mesma família nos tempos que antecederam a Primeira Guerra Mundial – este também foi embaixador austríaco no Egito. Para quem não conhece os Hapsburg, eles foram a última família que ocupou o trono do Sacro Império Romano-Germanico; alegavam descendência de Cristo, bem como lhes era atribuída a posse da lança de Longinus, a qual inclusive teria perfurado o peito do Messias crucificado e tornava invencível quem a detivesse, tanto que na Segunda Guerra o próprio Hitler não sossegou até consegui-la. A lança também pertence aos mistérios do Graal e tem muita história – sua aparição mais recente foi na trama do filme Constantine, com Keanu Reeves.

Segundo consta, o título de Sagrado Imperador doado à tal família Hapsburg pela Igreja Católica comprou o silêncio deles em sua peculiar história familiar. Particularmente, dado o tom germânico, eu pensaria em Balder como ancestral totêmico e deus sacrificado, mas isso não importa. Segundo o próprio autor, ele detém provas externas acumuladas ao longo de quatro décadas de pesquisa e acredita que a história como nos é ensinada nas escolas, condicionada por interesses de controle político e filtrada pelo academismo e o pensar moderno, e bastante diferente daquilo que realmente aconteceu – e isso tem a ver com a posse de uma tecnologia espiritual que deveria ser um presente para todos e jamais monopolizada em benefício de poucos. E tudo isso pode ser encontrado na história da própria Transilvânia.

Historiadores dizem que a linguagem escrita começou na Europa há quase 5 mil anos; na Transilvânia, há amostras encontradas em sítios arqueológicos que datam de 10 mil anos atrás – estranho intervalo que parece ser ignorado pelos acadêmicos por romper a conformidade de suas ideias. Na mesma região, também foi encontrado um mapa de porcelana com características topográficas exatas. O mapa é impossível de ser datado, mas itens que estavam enterrados juntamente ao mapa foram datados como tendo 20 mil anos de idade. Então, no tempo em que os europeus supostamente estariam fabricando ferramentas toscas de pedra, também estariam forjando mapas em ajuste exato de escala. Alguma coisa está faltando aí, pois o mito da Criação da Transilvânia diz que um caçador seguia um antílope do norte da África até a região das montanhas do que agora é a Roménia.

Segundo David Wilson, existem evidências de que essa região era uma colônia de mineração do antigo Egito. Os egípcios sabiam, compreendiam e usavam os segredos da alquimia como base para o processamento do metal e a transformação do espírito humano. A história acadêmica tende a dispensar a noção da alquimia como uma ciência real, e a matéria recebe pouco estudo sério nos tempos de hoje. Alquimia, da palavra alkemit ou Ala kemit, significa “luz da terra de kemit” ou “luz da terra negra”. A terra do Egito ao longo do Rio de Nilo é rica em platina. Por um processo de fundição, os egípcios conseguiam extrair irídio da platina e, para Wilson, tal elemento assumia importante caráter sagrado nos ritos iniciáticos – permitindo que os adeptos pudessem ver Deus em um arbusto ardente, ou seja, ver através dos véus e realizar jornadas em duplo etéreo.

Na Transilvânia, os segredos da alquimia e desses mistérios eram guardados pelas misteriosas “Rainhas Dragão”, assim como no Egito – um curioso sacerdócio que se mistura com os dragonistas (escrevia assim há quase 20 anos, mas hoje prefiro draconiano) nesse estranho artigo. Suas origens jazem no imaginário atribuído aos “vigias” e “anjos caídos”, para os místicos, e nas estrelas cadentes e meteoritos, para os míticos.

Aparentemente, houve um dilúvio universal que teria exterminado tais sacerdotisas ou quem sabe uma raça com sangue de dragão. Mas aquelas que moravam na Transilvânia conseguiram escapar para as regiões que atualmente pertencem ao Iraque e ao Egito, conforme é narrado no próprio mito da criação da Transilvânia.

Todo mito de criação tende a ser etnocêntrico e especulativo. Em todo caso, a tradição das Rainhas Dragão existia nas regiões montanhosas da Romênia, na antiga cultura acadiana da Suméria e no começo das dinastias egípcias.

Bárbara von Cilli

David também aponta que o escopo de influência dessas mulheres abrangeu o sul da Europa, o norte da África e porções do Oriente Médio, que possuíam uma cultura única, composta de uma confederação solta de Cidades-Estados. Essa cultura recebeu nomes diferentes por historiadores pronomes que refletem a influência do deslocamento de poder entre Cidades-Estados mas falham na precisão da apreciação espiritual comum, ligações científicas e culturais que sustentaram o desenvolvimento desta região. As Rainhas Dragão eram responsáveis pela consagração ritual de reis na Bacia Mediterrânea. Elas possuíam templos no atual Iêmen, no oeste da Nigéria e no sul da França.

Antigamente um rei não podia reinar a menos que fosse ungido pelas Rainhas Dragão, o processo de unção era feito com uma mistura de gordura de crocodilo e sangue menstrual. As Rainhas Dragão tinham abundância de certos hormônios, que podiam ser usados para abrir o terceiro olho, dando ao rei ungido o dom da clarividência. A habilidade de se produzirem os hormônios necessários era considerada genética, então para ser uma Rainha Dragão era necessário também ser filha de uma Rainha Dragão.

Essas mulheres tinham poder de veto efetivo sobre aquele que iria reinar e, como consequência, a tradição desenvolvida fez com que as Rainhas Dragão se tornassem a primeira esposa do rei e, para proteger sua herança genética, elas se casariam com seus irmãos. Esta é a origem do termo sangue azul. Para manter o terceiro olho aberto, os reis ungidos precisavam ingerir regularmente um ritual preparado de sangue menstrual das Rainhas Dragão, assim eles fariam parte do tribunal real.

No Oriente Médio, as Rainhas Dragão viviam em comunidades chamadas Haréns, mas não eram as rameiras descritas na literatura ocidental. A tradição de beber sangue menstrual era chamada “fogo da estrela”, e tal cerimônia foi denegrida pela Igreja Católica pelas histórias de vampiros.

As Rainhas Dragão não eram mordidas por regentes demoníacos; elas preparavam suas poções com carinho e gostavam de beneficiar a comunidade. Acreditava-se que se o rei estivesse alinhado com seu mais alto self como resultado de contato com outras dimensões, ele reinaria em benefício do povo para manter-se alinhado com o plano original da Criação. Em outras palavras, a vida era feita para o benefício de todos. As Rainhas Dragão também eram as guardiãs do mistério da alquimia. A arte ancestral da alquimia foi tanto usada para transformar o metal quanto como medicina para iniciação. A alquimia é essencialmente o aquecimento da platina para fazer irídio.

Na Bíblia o “irídio” é chamado “maná”, que significa “o que é?”. O irídio ou mana era ingerido como parte de um processo ritual. O iniciado jejuava por 30 dias e ingeria mana por dez dias. No fim do processo, o iniciado era descrito como aquele que podia ver Deus em um arbusto em chamas. Essa iniciação é descrita no Livro do Gênesis, quando Moisés recebe os Dez Mandamentos. O processamento do “maná” exige fornos que geram grande calor, e as Rainhas Dragão podiam abrir portais interdimensionais para criar uma chama azul usada para fazer o “mana”. Essa chama tinha um tremendo calor, mas não queimava a carne humana, era chamada de “a chama eterna” e, uma vez acesa, não se apagava. O processo para fazer tal chama é descrito na literatura alquímica como a linguagem dos pássaros. Quando um portal interdimensional é criado vem a relampejar como um flash de câmera, e este lampejo é simbolicamente descrito como um espírito de pássaro. As Rainhas Dragão tiveram vários nomes que dependiam da cultura e região em que elas atuavam.

Esses nomes incluíam Isis, Hator, Maria e Sheba (como a Rainha de Sabá). Acredito que tenha existido um Jesus histórico, mas sua vida não possui uma precisão refletida na Bíblia. “Messias” quer dizer o “Ungido”, e esta é a palavra hebraica usada para descrever as iniciações das Rainhas Dragão.

Na cultura judaica, as Rainhas Dragão eram chamadas de “Maria”. Então, Jesus foi iniciado por Maria, sua mãe, e por Maria Madalena, sua irmã e esposa. Se olharmos para as tumbas dos faraós egípcios, notaremos que seus órgãos internos eram colocados em jarros separados. As Rainhas Dragão usavam esses órgãos como parte do processo de unção. A alquimia do “mana” é tal que, se você ingerir um órgão interno de alguém que faleceu, absorverá suas memórias e experiências de vida. Esta era a base para a crença de que os reis eram divinos. Eles literalmente recebiam a experiência coletiva de todos os seus predecessores. Por essa razão, o corpo de um rei ungido era importante para a instalação do próximo rei.

Alguns filmes e romances vampirescos até hoje trazem releituras dessa curiosa ideia ligada à antropofagia ritualística de certas culturas – incluindo algumas previamente mencionadas em outras páginas, tais como Schytes (Cítas) e os Getae.

Conforme anunciei é, sem dúvida alguma, um artigo que explora a mitologia e a história de forma audaciosa, embora duvido de que haja acadêmicos dispostos a fundamentá-lo ou oferecer algum detalhamento sobre os muitos tópicos lá presentes.

Reproduzi apenas a parte mais convergente para nosso estudo e com o tema deste livro. Mas aqueles que encontrarem o artigo na íntegra observarão apontamentos do autor que demonstram como o Império Romano decidiu criar imperadores sem a dependência das Rainhas Dragão o que os levou às suas políticas de extermínio ao longo do Crescente Fértil e da região da Galileia, para assegurar que nenhum novo rei ungido surgisse naquela região.

O autor também acredita que o corpo de Jesus foi removido da região e levado para o sul da França, para evitar que este caísse nas mãos romanas, o segredo da atual posse do corpo inclusive é guardado pela família do autor, no caso o David Wilson. Ele também explica que a história europeia é pautada no conflito entre os que regiam por iniciação obtida com as Rainhas Dragão e aqueles que regiam sob as bênçãos do papa que comandava a nova regra divina – sua aceitação levou um milênio e meio de confrontos e programas de extermínio em massa daqueles que estiveram reunidos com as “Rainhas Dragão”. Todas as cruzadas e mesmo a caça inquisitorial às bruxas teriam sido os tentáculos desse plano para assegurar o extermínio de todas as Rainhas Dragão e suas descendências.

Mas elas sobreviveram, mesmo que poucas, e seu alcance era longo, Wilson acredita que os Templários e algumas Ordens Monásticas ou de Cavalaria tenham sido criações veladas delas para preservar descendentes e recuperar artigos importantes do seu culto.

Eleanor de Aquitania

Gosto de pensar que talvez algumas rainhas, como Eleanor de Aquitânia (velada criadora do romance de cavalaria e por extensão do tantra ocidental incluso nessas obras) tivesse sido uma delas. Bem como muitas outras damas que vestiram o manto azul de Nossa Senhora e foram patronas de muitas dessas ordens; sincretismo é sempre uma ferramenta curiosa ao lançarmos nossos olhares rumo ao passado. Sábias dragonistas, hábeis em sua invisível arte, jamais se deixariam pegar fácil e certamente estariam por detrás dos meandros do poder. O que não me deixa esquecer de Bárbara von Cilli e até mesmo Elizabeth e Zsofia, da Famila Bathory, ao menos próximo do contexto vampírico que exploramos neste livro.

Como atribuir elementos míticos e místicos às chamadas Catedrais Góticas é tema recorrente no ocultismo, e próprio David Wilson aponta que elas foram construídas para guardar os segredos dessa alquimia das Rainhas Dragão e que sua grande Deusa era Ísis, velada nos subsolos como uma Madona Negra, onde povos nômades da Transilvânia secretamente iam rezar em suas rotas de peregrinação pelo mundo.

A beleza e a importância do culto das Madonas Negras bem como sua expressão da força maior são exploradas no blog Cosmovisão Vampyrica, em, www.redevamp.com.

Infelizmente, os Templários foram destruídos, como bem sabemos, e seu legado e sabedoria tomados pelos membros ávidos de poder do clero e da monarquia não iniciada nos mistérios das “Rainhas Dragão” e acabaram sendo desvirtuados em muitos lugares. O sacrifício de garotas virgens (e que ainda não houvessem menstruado) atos de pedofilia acabaram sendo algumas das práticas erróneas e criminosas mais comuns associadas com esse contexto.

As acusações de nobres beberem o sangue de terceiros – comum da parte dos protestantes para com algumas famílias no Leste Europeu – podiam ser verdadeiras, talvez fossem apenas propaganda política para intimidar adversários ou, ainda, quem sabe, tentativas posteriores dos descendentes do “Sangue do Dragão” tentando recuperar fundamentos que apenas sentiam o potencial para obter, mas que agora estavam fragmentados ou não acessíveis.

Em todo caso, o artigo de David Wilson se encerra com o autor em tom pesaroso pelo descaso dos administradores do museu criado por seu avô na velha mansão Fenyen em Pasadena, Califórnia, para com a rica história de sua família, que tem no brasão a imagem do Dragão Alado, das antigas Rainhas Dragão.

Um fato relevante é que no transcorrer dos séculos tanto a Igreja Católica romana, como a Reforma e o Protestantismo, e mais recentemente o partido comunista fizeram o possível para denegrir e destruir a herança pré-cristã da Transilvânia. Há uma perene influência ou sincronicidade com a cultura dos dragões da Suméria através dos Cárpatos.

O próprio David Wilson aponta em uma das postagens do seu blog que atualmente existem mais de 26 famílias que carregam o dragão vivendo na região. Vale observar que dragões e povos serpentes intervindo e interagindo com humanos existem em diversas eras e culturas – mais recentemente esses mitos são explicados como os anunnaki e outros alienígenas reptilianos na linguagem moderna – será que eles passaram por Marte antes de chegarem aqui?

Particularmente prefiro o tom conotativo dos mitos e ritos mais antigos.

Um epílogo ao Morte Súbita

Lord A:. em 31.05.2022

Meu livro Mistérios Vampyricos foi pesquisado e redigido entre os anos de 2003-2012 e publicado em agosto de 2014 como sabem. Ainda hoje o lançamento dele no stand da Madras Editora na Bienal do livro, em São Paulo, foi uma marca indelével – lembramos até o sabor do vinho chileno da festa. A obra foi bem sucedida. Reencontrar este trecho do livro em 2022 (quase uma década depois da minha última revisão) é como achar uma garrafa selada com uma mensagem dentro a beira mar. Agradeço ao Thiago Tamosauskas por reviver este trecho aqui no Morte Súbita.

Dragões, anjos caídos ou simplesmente estrelas cadentes e meteoritos? Todos são fascinantes per se! Eles encarnam aqueles relatos atribuídos a “Memória” ou a “Ancestralidade” que é escrita na pedra e no sangue; diametralmente oposta à história escrita em papel ou pergaminho.Que sempre serviu na maior parte das vezes para justificar alguns babacas possuírem as chaves do arsenal, da biblioteca, da prisão e do palácio – e quase sempre essa última chave sempre foi a mais importante para eles. Sem tudo isso esses caras são e sempre serão o que foram um bando de estúpidos. Essa abstração chamada humanidade sempre e em sua maioria foi composta por eles. Desde o neolítico e estes serviam para morrerem como água. E para alguns dos “nossos” transmitirem e ressurgirem através de nós em tempos melhores. Dizem que todas obras ocultistas da modernidade oscilam entre dois pólos – Phil Hine e Michael W Ford para iniciantes versus Kenneth Grant e Michael Bertiaux para quem manja. É o que dizem. No entanto, se ouvidam de uma Maria de Naglowska da vida e outras mulheres muito mais interessantes.

Ainda hoje uma taça de vinho a beira de uma fogueira na floresta em noite de lua negra oferece algo; que jurisprudentes e sacerdotes (abraâmicos) da história escrita pelos povos do livro jamais conseguirão apagar.Sejam generosos com o que lhes direi: ainda assim prefiro interpretar tais assuntos por viés do conotativo, do subjetivo, da alegoria, do simbólico e metafórico tão caro e precioso a alquimia. Então, ao concluírem a apreciação dos meus livros ou este texto não saiam por aí buscando no Mercado Livre por irídio, banha de crocodilo ou fazendo propostas pouco usuais para vossas mulheres. Sejam, digamos, mais razoáveis. Saber o mito não implica ter a receita do rito e do seu preparo ou condução. A vida adulta implica saber disso. E saboreiem mais noites de vinho e a luz de uma fogueira, com limões vermelhos jogados dentro dela antes de acender as chamas.

No livro falei e pontuei bastante o relato do grande David Wilson, ele usava seu nome civil nas redes sociais, na época que escrevi Mistérios Vampyricos; mas hoje é mais conhecido por seu nome religioso como Awo Falokun Fatunmbi e tem um trabalho extraordinário promovendo o Ifá e sendo babalawo na América do Norte. Para investigar e entender as origens de sua família húngara, seguiu curiosas visões de seus ancestrais que o levaram inesperadamente à África. Dentre muitos de seus livros Ancestral Memories, aprofunda seu relato sobre as Rainhas Dragões. Todas as suas obras publicadas falam por si e se encontram disponíveis, lá na Amazon e podem ser conhecidas neste link.

As tais Rainhas Dragões foram aquelas que nos primórdios eram avatares de grandes deusas em tribos notáveis e impérios destacáveis.Sua descendência, sua criação e suas dinastias eram de outra estirpe. O que nos leva a um “Sangue” ou ainda o papo de “Sangue-Bruxo” caro aos tradicionalistas bruxos ingleses. Também falamos de uma raça humana em aparência que figura em histórias de Lovecraft, Yeats, Machen e antes deles nas fábulas onde há seres feéricos. E que depois da idade média foram sintetizadas meramente como bruxas ou vampiras. É uma história talhada na pedra e no “Sangue”, não em pergaminhos delicados ou feitos para evitarem diálogos com o velho norte. O que mais posso lhes dizer sobre tais diálogos é o seguinte – quando o resultado dele parecer biografia e cronologia da editora Marvel, você já perdeu o fio da meada. É sobre lampejos e conexões.

Vocês podem chamar as Rainhas Dragões por outros nomes também, elas estarão lá como sempre estiveram. Estão aqui desde o início, como me confessaram incontáveis vezes.

Contos de fadas antigos e o folclore podem falar melhor disso do que textos acadêmicos – ou tabelas de ocultistas protestantes que juram saber até o cep de Lúcifer na Vila Madalena em São Paulo. Parem com isso! Falamos do que vem desde (pelo menos) o neolítico e jaz nos estratos e camadas cerebrais igualmente primitivas que habitam a camada dos imperativos do nosso cérebro, desvelando como somos mais irracionais e movidos por desejos realizados (ou não realizados) do que gostamos de pontuar e assumir nas redes sociais. Curtam o calor e a luz da fogueira, em uma floresta nas noites sem luar – saboreiem o vinho! Quem sabe no céu escuro anjos caídos, dragões ou estrelas cadentes e meteoritos não lhe contem tudo que estiver preparado para receber?


Lord A.’. é autor de diversos livros entre eles, Mistérios Vampyricos, Deus é um Dragão e a série Codex Strigoi. Desenvolve ainda uma série de iniciativas e eventos culturais para a divulgação da Cosmovisão Vampyrica e da comunidade vamp no Brasil bem como as transmissões da RedeVamp, o site redevampyrica.com, o podcast Vox Vampyrica, e a comunidade Campus Strigoi

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-rainhas-dragao/

A Construção de Companheiros Humanos Artificiais

Anton Szandor Lavey

Os meios pelos quais um humanoide pode ser construído são tão diversos quanto à escolha de materiais que permitirão tal feito. No passado, os seres humanos artificiais eram formados a partir de metais, as seções do corpo unidas como em uma armadura, ou então eram formados em tecido emborrachado ou em borracha real esticada sobre uma estrutura esquelética, com o mecanismo de acionamento do robô contido em seu interior.

O androide mais rudimentar precisava ser nada mais do que um substituto visualmente e palpavelmente convincente. Não há nada de errado com isso já que o apelo principal do humano ide reside na aproximação do comprador com sua “outra metade”. Como sua natureza era de nos fazer cair em “amor à primeira vista,” o que era visto com entusiasmo seria entusiasticamente melhor aceito. Companheiros artificiais que são agradavelmente ouvidos, cheirados e sentidos também constitu em pontos de venda positivos. Porém , é necessário que um companheiro artificial pareça certo ao seu comprador, isso é de primordial importância.

Em uma nova indústria estas coisas não possuem necessidade imediata de obsolescência planejada, já que a oportunidade de melhoria constante permanece como uma condição fresca e inexplorada. Quanto mais à concorrência entre as fábricas de produção de humanoides se desenvolvem, maior será a elaboração e a complexidade do androide .

Inicialmente, haverá alguma relutância em admitir o uso de androides, especialmente por parte das pessoas que mais precisam deles. Daí deve ser considerado o desenvolvimento inicial de humanoides. Apesar dos anúncios que se veem na televisão de bonecas infláveis realmente grotescas que acompanham cavalheiros em festas de piscina, duvida-se que os egos dos compradores desses anúncios tenham concretizado um nível de indiferença pública, brincalhões são a exceção. Muitos androides primeiramente serão relegados para a gaveta da cômoda, para as sapateiras ou para um espaço sob a bancada da garagem quando não estiver em em uso, somente trazidos para fora quando “ o caminho estiver livre ” e ninguém estiver vendo.

Antes de embarcar no projeto de construção de um humanoide, deve-se considerar as exigências do fabricante, as necessidades de sigilo, o talento e os materiais disponíveis. Se você quer companhia de natureza puramente visual, podem ser utilizadas técnicas empregadas por escultores modernos . Os valores podem ser esculpidos em madeira, blocos de isopor devidamente colados ou lançar moldes nas muitas variedades de plástico disponíveis. Se você escolher esse método, há vários livros excelentes no mercado que fornecem instrução sobre esculpir figuras em madeira e esculturas com várias resinas de plástico ou fibra de vidro. Papel machê, gesso e outros métodos são facilmente aprendidos. A principal desvantagem de fazer o seu androide a partir de tais materiais é a falta de maleabilidade e maciez, além de uma notável limitação de movimentos do corpo. Na pior das hipóteses, você vai gastar uma grande parte do seu tempo em uma criatura que será, essencialmente, um manequim para exposição quando concluído.

Se suas necessidades são em grande parte como voyeur, você vai economizar muito tempo obtendo um manequim descartado ou danificado em lojas para usar como base sobre aquele que você irá construir. Manequins são geralmente fundidos a partir de pessoas vivas, mas é improvável que você irá encontrar um corpo ideal para suas demandas estéticas. A maioria possui um a camada extremamente fina de modo que a roupa se encaixe melhor para a exibição nas vitrines , e muitos são anormalmente alongados no tronco, pernas, braços e pescoço. Manequins masculinos são, invariavelmente, mais finos do que o normal para facilitar o lojista quando vesti-los. Rostos das mulheres tendem a ser aquilinos ou estéreis, e os dos homens são extremamente sem-graça. Nenhuma loja quer uma mulher com rosto sedutor ou um homem com cara de obrigação em sua janela diminuindo a beleza da roupa pendurada em cima deles. A menos que o seu gosto vá para mulheres que só comem vagens e homens magros como placas, você terá que modificar qualquer manequim.

Apesar de um manequim ser uma base adequada para seu humanoide , seus movimentos são normalmente limitados quanto ao rearranjo de braços e mãos. Descobri para as partes que são intercambiáveis (braços, mãos, as metades superior e inferior do corpo), peças que aumentam sua flexibilidade de posicionamento. Meus primeiros humanoides foram construídos a partir de manequins que eu seccionei, separando os pedaços de pernas, braços, pescoço e torso, e envolvendo – os com fibra de vidro ou elástico , em seguida, adicionando um composto de resina e talco sobre áreas construídas com diversos materiais. Desta forma eu criei algumas pessoas grotescas e belas – assim com o são as pessoas reais.

Se você pretende limitar seu humanoide artificial como um companheiro puramente visual , não importa quão pedregosa seja sua superfície. Ele pode ser pintado, dependendo da sua habilidade, de maneira tão realista quanto qualquer ser vivo possa parecer.

Se você quer apertar a mão de sua criação ou dar-lhe um pequeno aperto, no entanto, é melhor você ter uma imaginação altamente desenvolvida ou sua bolha irá estourar . Flexibilidade e realismo táteis são evidentes através de melhorias na rigidez. Existem três métodos básicos que tenho empregado para atingir estes fins: a pele cheia de ar, uma pele com enchimento e uma substância moldada que é suave ao toque.

Vamos considerar o tipo difundido por empresas de sex-shops apresentando anúncios do que parecem ser criaturas extremamente glamorosas . O comprador animadamente abre o seu pacote para descobrir um vinil fino (PVC, não BVD) com vestido, calcinha rosa, e com uma máscara dura ligada ao seu topo. Ele , tremendo , retira o maiô de plástico da boneca e encontra uma válvula onde passa a soprar para enchê-la, até ficar tonto e sem ar . E ele é recompensado com uma glamorosa menina hidrocefálica e esquálida . Qualquer semelhança com uma donzela voluptuosa é puramente mental. Alguns modelos esportistas oferecem um orifício vaginal (do diâmetro de um relógio de bolso) entre as coxas , e algumas “ melhorias ” entre outras.

Se quiser fazer seu próprio companheiro inflável você pode fazer um trabalho melhor, cortando folhas de vinil em partes e soldando eletricamente as costuras no local desejado. Par a obter um valor razoável, fixe o vinil em um modelo vivo da maneira que uma costureira marca no modelo onde as costuras e articulações serão. Remova os pinos (certifique-se que eles estão fora das linhas que você marcou ) e corte-o, de seguida soldando o vinil. As áreas mais problemáticas neste tipo de construção são a cabeça, mãos e pés. A cabeça e pescoço devem ser construídos separadamente e, em seguida, montados de forma perfeita , em especial na abertura da garganta da pele de vinil , e colado com uma cola especial de cimento plástico para assegurar uma vedação que estanque completamente o ar. Se você tentar fazer a cabeça pelo mesmo método que o resto da figura, ela vai parecer ou hidro ou microcefálica .

O mesmo com as mãos e pés. Eles não devem se assemelhar à presuntos de piquenique ou pequenas nadadeiras. Pare a construção nos pulsos e tornozelos e insira tornozelos rígidos e pés, além de mãos separadas , juntando-as nos pulsos. Estes podem ser moldados a partir de uma pessoa viva ou através de um manequim. Vede as articulações, como você fez com o pescoço. Se você tiver cuidado, as articulações serão quase imperceptíveis, já que as folhas de vinil são extremamente finas . Em um lugar conveniente (eu prefiro a parte de trás do pescoço, já que uma peruca vai cobri-lo) coloque a válvula utilizada para a inflação ou através de solda elétrica ou cimento plástico usado para reparar brinquedos de praia. Qualquer departamento de brinquedos irá produzir um brinquedo inflável barato no qual a válvula pode ser facilmente removida, e assim você poderá arranjar válvulas facilmente em brinquedos como estes.

Não desanime se suas primeiras tentativas não cumprir em com as suas expectativas, pois a experimentação e a inovação serão os seus melhores professores. A principal desvantagem do androide inflável é a sua incapacidade de permanecer em qualquer posição fixa, devido à distribuição igual de ar dentro dele . O corpo humano é constituído por diversos graus de densidade e de tónus musculares , para não mencionar um quadro engenhoso conhecido como o esqueleto. Tendões seguram membros e superfícies, assim o peso é distribuído adequadamente para as ações humanas.

O seguinte método de construção com uma pele preenchida com enchimento permite alguns destes fatores. Sua principal desvantagem é a dificuldade de ocultação . Uma boneca inflável pode ser armazenada em uma pequena caixa, gaveta ou levada em uma sacola de compras até onde seja necessário – um atributo que falta às pessoas reais . Uma figura “ recheada ” ocupa tanto espaço quanto um ser humano genuíno.

Ao contrário do tipo de manequim com superfície rígida, este que você poderá fazer é flexível o suficiente par a comprimi – lo um pouco, mas ainda assim deve ser considerado se você está preocupado com as instalações de armazenamento ou não. Um androide enchido pode ser construído com ou sem um esqueleto, embora uma estrutura interna vá elimi nar a problemática da aparência pouco natural inerente a um produto inflado.

Um esqueleto de base pode ser construído a partir de cavilhas ou de metal , ou também através de um tubo de plástico. Juntas de quadris, cotovelos, joelhos, etc, podem ser formados por rasgos e fixações ou com articulações comercialmente disponíveis . Dois ganchos para a aproximação dos ombros e para a região pélvica podem ser cortados a partir da madeira, a partir do qual os braços e as pernas estarão suspensos. Técnicas de construção de Marionetes são de valor inestimável e deve m ser estudada s da maneira que se estuda a anatomia humana. Descobri que o substituto mais facilmente obtido e eficiente para a coluna vertebral é um comprimento de tubagem flexível, tal como é utilizado para candeeiros ou cabos eléctricos. Uma das extremidades é fixada à placa pélvis e o topo final passa pela placa do ombro direito para dentro da cabeça. Assim, o torso e a cabeça podem ser posicionados em qualquer forma desejada.

A pele exterior pode ser de qualquer tipo de material que possa ser cosido ou colado, como folhas de vinil eletricamente soldadas . No vinil , porém, falta a resiliência da pele humana que as folhas de borracha ou tecido s elásticos proporcionam. Corte o padrão para a parte superior do tronco separado do tronco e das pernas inferiores. Tal como acontece com a boneca inflável, esqueça a cabeça e as mãos até mais tarde, uma vez que esta s podem ser áreas problemáticas. Feche o pescoço e os pulsos com uma extensão que será adicionada a cabeça e às mãos. Tal como acontece com humano ides infláveis, eu descobri que é melhor inserir pés e tornozelos pré – formados rígidos.

Ao construir uma figura de pelúcia, isso deve á ser feito antes do enchimento ser inserido, empurrando os pés que estão ligados às extremidades dos “ossos” dentro da pele exterior que foi formada , sendo esta muito parecida com os pés dormentes das crianças. Eu tenho usado um zíper (ou velcro) para prender as duas secções do corpo, mantendo – a juntas na cintura. Este método não só permite que seja inserido com uma maior facilidade o enchimento em ambas as seções, fechando o zíper gradualmente até que modele bem , mas fornece acesso às entranhas de sua criação, se você desejar adicionar vários “órgãos”, ou algo menos sofisticado. É impressionante o que pode ser feito usando um pouco de criatividade.

Faces podem ser modeladas a partir de pessoas vivas usando procedimentos estabelecidos pela técnica de moulage . A máscara de látex flexível pode ser atada a uma cabeça sem rosto, a peruca escondendo qualquer amarra . Assim, se você está cansado de um rosto ou expressão básico demais , você pode simplesmente substituí – lo por outro com a mesma facilidade como amarrar os sapatos. Se o seu homem ideal ou a mulher ideal não está disponível para fundição, esculpa – o em argila, fazendo um molde e não precisará procurar mais. Perucas podem ser presas à cabeça com fita adesiva dupla – face ou velcro.

Plásticos, que sã o altamente tóxicos, são trabalhados por um amado r com instalações de ventilação e podem ser empregado s em condições industriais. No entanto, a espuma de poliuretano flexível com célula aberta ou fechada é facilmente disponível em folha o u em bloco e pode ser empregada como forma realista da “carne”. E nrole a armadura ou o esqueleto com ele ou com blocos laminados inteiros , e esculpa o molde com uma faca elétrica. Ao corpo acabado pode ser dado uma “pele” de PVC aplicada com fita dupla – face ou recoberto com um órgão de preenchimento adequado.

A eletrônica pode ser facilmente incorporada . Mecanismos de voz não são nenhum desafio. Eu escondi em meus humanoides pequenos gravadores na cabeça, com a abertura do alto – falante sob a peruca. Cassetes pré – gravado s inseridos numa ranhura sob a linha fina proporcionam um efeito audível convincente. Os odores associados com os seres humanos são simples de se fornecer, usando perfumes, colônias ou algo pior.

E todo o congresso de pênis, vulvas, vaginas, saco escrotal, seios, mamilos, etc, podem ser encontrados em qualquer loja de artigos sexuais ou catálogos das mesmas . Com poucas exceções, todos esses objetos são sem corpos . Vamos juntá-los para as formas humanas a que pertencem.

Tenho grande respeito por aqueles pioneiros que fizeram seus próprios companheiros humanos artificiais não importando o quão difícil inicialmente pareceu ser . Eles percorreram um pequeno passo e chegaram o mais perto possível de brincar de ser Deus e criar o homem ou a mulher de acordo com sua imagem deseja da. Com uma saída criativa envolta em tabus antigos como esta, a inovação pode agora correr desenfreada – no ritmo de novas artes de modelagem humana que vê m a ser conhecidas.

O mundo crepuscular e bizarro do ventríloquo, o boneco e seu mestre, talvez possa ser entendido melhor por outras pessoas do que pelas mentes dos psicólogos. O elemento esquizoide aceitável em todos nós – aquele que seleciona nossos companheiros – tem um portal fresco, novo e aberto a se cruzar . Através de substitutos , a raça humana sobreviverá .

Anton Lavey. Excerto de “Devil’ s Notebook ”, 1992 – Tradução: Nathalia Claro

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-construcao-de-companheiros-humanos-artificiais/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-construcao-de-companheiros-humanos-artificiais/

Crônicas de Carneiros e Ratos

Magia+do+Caos

Aqui está o PDF e aqui está a versão impressa!

O nome de cada povo no livro corresponde aos 12 signos da astrologia chinesa. Porém, este é apenas um pano de fundo da história. Eu me aprofundo mais em debates a respeito do papel do destino e do livre-arbítrio, assim como dilemas éticos.

Aqui vai a sinopse:

“O povo dos carneiros e dos ratos estão em guerra. Os ratos acreditam ser os escolhidos para matar em nome de Deus e causar o fim do mundo. Os carneiros desejam evitar que isso aconteça. A religião de cada povo possui uma profecia a respeito de como será o fim dos tempos. O Guardião da Ratoeira será aquele que morrerá pela salvação do mundo.

Wara vive numa pequena cidade do interior sem nome, conhecida por ‘Esquecida’. Os sacerdotes declaram, através da interpretação de seu mapa astral, que ele poderá ser um dos últimos sobreviventes no fim do mundo, conforme a profecia. O exército é enviado para retirar os habitantes da cidade, e talvez eliminar alguns deles. Kalaros, o melhor amigo de Wara, se recusa a sair e é capturado. Nas décadas seguintes, enquanto estuda numa universidade de magia, Wara se pergunta onde estará seu amigo Kalaros. Ele acredita que ele pode ter sobrevivido”.

Embora o livro seja grande (500 páginas) convido-os a ler ao menos o primeiro capítulo para sentir a atmosfera. Minha intenção foi realizar diversos debates sobre magia, religião e filosofia de forma divertida. Espero que gostem!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cr%C3%B4nicas-de-carneiros-e-ratos

Hipátia de Alexandria

Quando tive a idéia de escrever sobre a vida das Grandes Mulheres do Passado a primeira personagem real que me veio à cabeça foi Hipátia de Alexandria. Me lembro do dia que li sobre ela em um de meus livros relacionado ao Império Romano. Havia apenas um pequeno parágrafo… a sensação que passava era de que só estava ali para preencher espaço e dizia apenas: Hipátia de Alexandria, matemática e filósofa, foi diretora da Academia de Alexandria (Biblioteca de Alexandria) e morreu em 415. Nada mais, apenas essa curta frase, porém foi o suficiente para despertar em mim a curiosidade. Afinal, quem fora essa mulher que não só fora matemática e filósofa numa época impensável para as mulheres exercerem tais funções, como chegou a ser diretora de uma das maiores escolas da antiguidade?! Dali para frente procurei pesquisar tudo o que podia. Infelizmente não nos chegou muito sobre a vida dessa Grande Mulher, mas o que temos vale como lição para se carregar para sempre.

Hipátia nasceu em Alexandria por volta do ano 370 D.C. Para aqueles que não lembram, Alexandria é uma cidade do Egito e foi fundada por Alexandre da Macedônia, popularmente conhecido como Alexandre, O Grande.

Na antiguidade Alexandria foi um grande pólo de cultura e livre expressão, mas, na época em que Hipátia nasceu, a cidade encontrava-se em uma disputa entre a Igreja Católica, que crescia em poder rapidamente, e as correntes filosóficas que punham em cheque as doutrinas da nova religião.

Filha de Theon, filósofo, matemático e astrônomo, diretor do Museu de Alexandria; Hipátia creceu em um ambiente cercado de cultura sendo guiada por seu pai nos estudos da Matemática e Filosofia. Ele acreditava no ideal grego da “mente sã em um corpo sadio” (“men sana in corpore sano”) estimulando a filha a exercitar tanto a mente como o corpo, contam as lendas que ele desejava torna-la “um ser perfeito”.

Ainda jovem viajou a Atenas para complementar seus estudos. Era conhecida na Grécia como “A Filósofa”, já demonstrando cedo sua profunda sabedoria. Sócrates Escolástico relata:

“Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipátia, filha do filósofo Theon, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos de seu tempo. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe para receber seus ensinamentos.”

Ainda em Atenas tornou-se discípula na Escola de Plutarco e professava ensinamentos Neoplatônicos. Ao retornar a sua pátria, foi convidada para assumir uma cadeira na Academia de Alexandria como professora. Por volta dos 30 anos, tornou-se diretora da Academia. Seus conhecimentos abrangiam a Filosofia, a Matemática, Astronomia, Religião, poesia e artes. Era versada em oratória e retórica. Escreveu diversos livros e tratados sobre álgebra e aritmética. Seu interesse por mecânica e tecnologia a levaram a conceber instrumentos utilizados na Física e na Astronomia, como o astrolábio plano, o planisfério e um hidrômetro. Infelizmente suas obras foram perdidas durante o incêndio que destruiu a Biblioteca de Alexandria. Tudo o que chegou-nos vem através de suas correspondências.

Um de seus alunos Hesíquio o hebreu, escreveu:

“Vestida com o manto dos filósofos, abrindo caminho no meio da cidade, explicava publicamente os escritos de Platão e de Aristóteles, ou de qualquer filósofo a todos os que a quisessem ouvi-la… Os magistrados costumavam consulta-la em primeiro lugar para administração dos assuntos da cidade”.

Hipátia foi uma Grande Mulher que nasceu na época errada. Sua defesa fervorosa ao livre pensamento, seus ensinamentos Neoplatônicos, sua observação de que o universo era regido pela leis da matemática a caracterizaram como herege em um momento onde o Cristianismo triunfava sobre o Paganismo. Enquanto Orestes, um ex-aluno, fora prefeito da cidade, sua vida estivera protegida. Mas quando Cirilo tornou-se bispo de Alexandria, determinado a destruir todo o movimento pagão, sua morte foi anunciada.

Em uma tarde de 415 D.C. retornando a sua casa, Hipátia foi abordada por uma turba de cristãos furiosos que a arrancaram de sua carruagem, arrastaram-na para uma igreja e lá rasgaram-lhe as roupas deixando-a completamente nua e assim puseram-se a retalhar seu corpo esfolando-lhe a carne de seus ossos utilizando para isso cascas de ostras afiadas. Por fim desmembraram-lhe o corpo e os atiraram as chamas.

Morria com ela toda uma era de liberdade e florescimento filosófico e cultural em Alexandria e certamente para todos que viviam sobre a espada afiada da nova religião.

Carl Sagan escreveu em seu livro Cosmos:

“Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipátia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciências, e devido a Alexandria estar sob o domínio romano, após o assassinato de Hipátia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época.”

Essa Grande Mulher nutriu toda uma época com a luz do conhecimento e do saber. Calaram-lhe a voz e empurraram sua lembrança para as profundezas do esquecimento. Mas, dois milênios não foram suficientes para apagá-la da memória de todos os famintos pela verdade. Hipátia retorna forte e vibrante ao alcance daqueles que buscam por seus ensinamentos. Ainda há pouco, enquanto terminava minha última pesquisa para esse artigo, me deparei com a notícia de que o diretor Alejandro Amenábar recentemente lançou no festival de Cannes o filme Ágora, que conta ao mundo a vida de Hipátia de Alexandria.

Texto da coluna Alma Mater, do Nerd Somos Nozes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hip%C3%A1tia-de-alexandria

Fausto, de Goethe

Após muita reflexão e planejamento, as Edições Textos para Reflexão decidiram que era hora de trazer para vocês os maiores clássicos da literatura mundial, pelo preço de um café!

Decidimos começar com a obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe, Fausto. Nesta edição digital revisamos cuidadosamente a gramática da célebre e secular tradução de Antônio Feliciano de Castilho, de modo a tornar o português antigo o mais legível possível, sem no entanto interferir no contexto dos versos. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

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À seguir, explicamos melhor do que se trata a nossa nova coleção:

Embora tenhamos escrito incontáveis obras desde o advento da escrita, há alguma arte que parece vencer o próprio fluxo do tempo, algumas histórias que se tornaram já mitologia por onde passaram, e que já foram lidas e encenadas pelas mentes de milhões e milhões de seres humanos.

A Coleção clássicos eternos reconhece a importância de trazer esta luz para ser refletida no maior número de espelhos possível, e cada um de nós é um espelho, e a luz foi criada para ser refletida.

Assim sendo, temos o compromisso de trazer edições cuidadosamente elaboradas dos grandes gênios de outrora, por um preço acessível – principalmente por se tratar de material em domínio público.

Também os tradutores são citados e lembrados. Ora, visto que nos valemos de traduções em linguagem já secular, foi necessário revisar o português, sobretudo com relação à gramática, procurando interferir o mínimo no contexto original da tradução.

Compreendemos que o português antigo pode trazer alguma complexidade no entendimento da obra, mas recomendamos que aproveitem dos recursos tecnológicos modernos dos e-readers ou aplicativos de leitura de e-books, que já possuem dicionários embutidos, assim geralmente basta clicar na palavra desconhecida para aprender o que significa. Se tudo correr bem, além da leitura de uma obra grandiosa, ainda sairão desta aventura sabendo um pouco mais acerca do seu próprio idioma.

Nalguns casos, onde a gramática pode ser aplicada tanto no português de Portugal quanto no do Brasil, preferimos manter o original – por exemplo, entre “génio” e “gênio”, optamos por manter a grafia original, isto é, “génio”.

E agora, fiquem com mais um clássico da literatura humana…

O editor.

#eBooks

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/fausto-de-goethe

Agrapha Extra-Evangelho

[Agraha é o nome dado à coleção de frases que não estão escritas nos Evangelhos, mas em outros escritos].

Durante os três anos de sua pregação, Jesus Cristo falou para multidões, em diversos lugares. Muito do que ele disse ficou registrado nos Evangelhos do Novo Testamento.

Frases, sentenças e palavras, conhecidas como agrapha, acabaram sendo transmitidas pela tradição oral e mais tarde registradas também. Esses registros foram sendo copiados, recopiados e traduzidos, muitas vezes sofrendo alterações conforme a interpretação da época ou da pessoa que lidava com esses textos.

E ESTANDO com eles à mesa, recomendou-lhes que não se retirassem de Jerusalém, mas que aguardassem a promessa do Pai, “que de mim ouvistes, porque João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a alguns poucos dias”. […] Disse-lhes: “Não vos cabe conhecer os tempos ou as possibilidades que o Pai determinou com sua própria autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo que virá a vós, e dareis testemunho de mim tanto em Jerusalém quanto em toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra”.

2    E preciso […] recordar as palavras do Senhor Jesus, pois que ele disse: “Maior ventura é dar que receber”.

3    Fazei isto em minha memória. […] Fazei isto, tantas quantas vezes bebeis, em minha memória.

4    Porque isto vos confirmamos de acordo com a palavra do Senhor: que nós, os vivos, os que sobreviverem até a Vinda do Senhor, estaremos na dianteira dos que dormiram.

5    Eis que aqui venho como ladrão. Venturoso é aquele que vigia e conserva suas vestes de forma que não ande desnudo e deixe à vista suas vergonhas.

6    […] mas vós haveis de crescer partindo do pequeno, e não procurando diminuir o grande. Assim, quando vos acercardes, convidados a um banquete, não vos julgueis dignos de ocupar os assentos de honra à mesa, nem vos acerqueis sequer deles, para que não venha alguém mais digno que vós e, chegando o anfitrião, vos diga: “Sentai-vos um pouco mais para baixo”, deixando-vos embaraçados. Mas se vos aproximais dos lugares mais humildes, onde estejam os que são menos que vós, vos dirá o anfitrião: “Chegai-vos mais para cima”; isto vos será útil.

7    E aqueles (apóstolos) se desculpavam dizendo: “Este mundo infiel e iníquo está sob o poder de Satã, que não permite aos impuros de espírito perceber a verdadeira força de Deus. Manifesta, pois, vossa justiça”, diziam os apóstolos a Cristo. Mas Ele lhes dizia: “Foram cumpridos os anos de duração do poder satânico, mas se aproximam outras coisas terríveis. Eu me entreguei à morte por aqueles que pecaram, para que voltem à verdade e não tomem a pecar, e para que sejam herdeiros da glória espiritual e incorruptível que está no céu”.

8    No mesmo dia, tendo visto alguém que trabalhava no Sábado, lhe disse: “Homem, se te dás conta do que fazes, feliz de ti; mas, se não, és um execrável transgressor das leis”.

9    Porque vim a vós como aquele que serve, não como aquele que está sentado à mesa; mas vós vos haveis engrandecido em meu serviço como aquele que serve.

10    E, ao ser batizado, saiu da água uma grande luz que o rodeou, de forma que se encheram de temor todos aqueles que ali estavam.

11    E, de repente, na hora terça, as trevas se estenderam por toda a fase da terra e anjos desceram dos céus. E ao ressuscitar Jesus com o esplendor de Deus vivo, eles se elevaram juntamente com ele, e nesse instante sobreveio a Luz. Então, as mulheres se acercaram do sepulcro e viram removida a pedra.

12    Bateram no peito dizendo: “Ai de nós! Este era o Filho de Deus. Eis que é chegada a ruína de Jerusalém”.

13    “Assim,” disse, “aqueles que pretendem ver-me a mim e conseguir meu reino, hão de alcançar-me à custa de atribulações e sofrimentos.”

14    Por isso disse também Nosso Senhor Jesus Cristo: “No estado em que vos surpreenda. nesse estado vos julgarei”.

15    Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, disse: “E necessário que venham os justos, e afortunado aquele por quem eles vêm”.

16    Meu segredo, para mim e para os filhos de minha casa.

17    Pedi as grandes coisas e vos serão dadas por acréscimo as pequenas.

18    Justamente, pois, as escrituras, em seu desejo de que sejamos dialéticos dessa categoria, nos exorta: “Sede banqueiros experimentados, recusando o mal e guardando o bem.”

19    E o Senhor disse: “Saí (livres), vós que o quereis, de vossas ligaduras”.

20    Disse, pois, Jesus: “Fiz-me fraco pelos fracos e passei fome pelos famintos e sede pelos sedentos”.

21    Por isso disse o Salvador: “Salva-te a ti e à tua alma”.

22    E outra vez disse o Senhor: “Aquele que está casado
não seja repudiado e o celibatário não se case. Aquele que está determinado a viver no celibato, segundo seu propósito, que permaneça celibatário”.

23    E no Evangelho está escrito: “A Sabedoria envia seus filhos”.

24    Para quem disse o Senhor: “Aquele que anda perto de mim anda perto do fogo; mas aquele que está longe de mim, longe está de meu reino”.

25    Por isso disse: “Eis-me aqui diante de mim, aquele que fala por intermédio dos profetas”.

26    […] o ditame evangélico que diz: “Passa o aspecto ilusório do
mundo”.

27    Pois disse: “Viste a teu irmão? Dás-te conta de que viste a Deus?”

28    Falando de Maria, disse Martha que a tinha visto sorrir. Maria retrucou: “Não ri, pois Jesus anunciou em sua pregação que o fraco seria salvo pelo forte”‘.

29    Portanto, dizia-lhes o Senhor: “Por que vos admirais dos prodígios? Uma herança vos darei que não possui o mundo inteiro”.

30    Também disse, acerca da caridade: “o amor cobre grande número de pecados”.

31    “Se alguém comunga do corpo do Senhor e faz uso de purificações será amaldiçoado”.

32    Porque dizem as Escrituras: “O homem que não foi tentado não foi provado”.

33    Pois disse: “Muitos virão em meu nome vestidos por fora com pele de ovelha, mas por dentro são lobos vorazes”; e: “Haverá cismas e heresias”.

34    Pois assim disse: “Compadecei-vos para que tenham compaixão de vós; perdoai para que vos perdoem; conforme vosso comportamento em relação aos demais, assim será o deles com relação a vós; do mesmo modo que dais, se vos dará; como julgais, assim sereis julgados; na medida em que sejais bons, usarão de benevolência para convosco; a vara com que medis, servirá de medida para vos mesmos”.

35    Disse-se também acerca disso: “Que sue a esmola em tuas mãos até que saibas a quem vais dá-la”.

36    Diz o Senhor: “Quando o lenho se inclinar e voltar a subir e quando dele destilar sangue…”

37    Estando o Senhor a falar a seus discípulos acerca do futuro reino dos santos, e ponderando sobre quão glorioso e admirável ele será, Judas, maravilhado ante a descrição, disse: “Quem, pois, poderá ver estas coisas”? E o Senhor replicou: “Será dado ver tais coisas àqueles que se fizerem dignos delas”.
Assim mesmo, os anciãos que conheceram a João, o discípulo do Senhor, recordaram-se de tê-lo ouvido referir-se aos ensinamentos e ditos de Jesus acerca daqueles tempos: “Dias virão em que brotarão as vides, tendo cada cepa dez mil sarmentos; e em cada sarmento haverá dez mil ramos, e em cada ramo haverá dez mil rebentos novos; e em cada rebento novo, dez mil cachos de uva, que ao serem espremidos, darão vinte e cinco mil metretas de vinho. E quando algum dos santos for tomar um cacho de uva, lhe dirá um outro: ‘Eu sou melhor; toma-me a mim e por meu intermédio bendiz ao Senhor’. Da mesma forma, cada grão de trigo haverá de produzir dez mil espigas, e cada espiga haverá de dar dez mil grãos, e cada grão haverá de dar cinco libras dobradas de pura flor de farinha. E todos os demais frutos, ervas e sementes proliferarão segundo esta proporção. Todos os animais que se nutrirem destes alimentos provenientes da terra serão pacíficos entre si, viverão amigavelmente e estarão submetidos ao homem com toda a sujeição”.
Destas coisas dá também testemunho, por escrito, Papias, homem antigo, discípulo de João e companheiro de Policarpo, no quarto de seus livros; pois são cinco os que escreveu. E acrescentou estas palavras: “Mas isto é digno de crédito unicamente para os que crêem. E Judas, o traidor, ao não crer e perguntar de que maneira realizaria o Senhor tais multiplicações, refere-se ao que disse o Senhor: “Vê-las-ão aqueles que forem capazes de chegar até ali”.

38    “Sede fortes na batalha e lutai com a serpente antiga e alcançareis o reino eterno”, diz o Senhor.

39    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Quantas são as árvores! Mas nem todas dão frutos. Quantos são os frutos! Mas nem todos são bons. Quantas são as ciências! Mas nem todas são úteis”.

40    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Não se atiram pérolas aos porcos, pois a sabedoria vale mais que as pérolas, e quem a deprecia, é pior que os porcos”.

41    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Como vai ser contado entre os sábios aquele que depois de estar trilhando a senda que conduz à vida futura dirige seus passos na direção deste mundo? E como vai ser contado entre os sábios aquele que busca a palavra de Deus para anunciá-la aos demais e não para colocá-la em prática”?

42    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Feliz daquele que abandona a paixão do momento por uma promessa que ainda não viu”.

43    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Acautelai-vos ao olhar para as mulheres, pois evidentemente isto gera a concupiscência no coração, e é suficiente para excitar a tentação”.

44    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Não podem estar juntos ao mesmo tempo no coração do crente o amor a este mundo e o amor à vida futura. Da mesma maneira que a água e o fogo não podem tampouco permanecer juntos em um mesmo continente”.

45    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Quem busca ao mundo se parece com o homem que bebe água do mar. Quanto mais bebe, tanto mais aumenta sua sede, até que a água acabe por matá-lo”.

46    Disse o Messias (a quem Deus saúda): “Feliz daquele a quem Deus ensina seu livro porque não morre soberbo depois disso”.

47    Dizia Jesus (a quem Deus bendiz e saúda) aos filhos de Israel: “Recomendo-vos a água pura, as ervas silvestres e o pão de cevada. E tendes cuidado com o pão de trigo, pois nunca podereis dar a Deus abundantes graças por ele”.

48    Conta-se que Jesus, filho de Maria (aos quais Deus saúda e enche de bênçãos), disse: “A assembléia de sábios! Haveis abandonado a senda da verdade e haveis amado o mundo. Não obstante, deixais aos vossos reis o domínio deste, ‘ assim como eles hão deixado a vós, o da sabedoria”.

49    Conta-se que Jesus (a quem Deus saúda) disse a seus apóstolos: “Não vos ensinei a glorificar-vos, mas a trabalhar. A sabedoria não consiste certamente em palavras de sabedoria, mas em sabedoria aplicada”.

50    Disse o Messias (a quem Deus saúda): “A assembléia de apóstolos! Quantas são as lâmpadas que o vento apaga! A quantos servos de Deus a vaidade corrompe”!

51    Disse Jesus (a quem Deus saúda): “Dois são meus amigos. Quem os ama, a mim me ama; quem entretanto, os odeia, a mim me odeia; são, a saber, a pobreza e a mortificação da cobiça”.

52    Coisa mais gloriosa, feliz e perfeita é dar e não receber.

53    Se fordes fiéis no que é pequeno, que se vos dará no grande?

54    Pedi o grande e se vos dará o pequeno. Pedi o celestial e se vos dará o terreno.

55    Poucas coisas do mundo servem para a única coisa necessária.

56    Resistamos a toda a iniqüidade, tenhamos-lhe ódio.

57    Sede bons banqueiros.

58    Se alguém quiser conduzir Israel à penitência, e por meu nome crer em Deus, que remita seus pecados. E ao término de doze anos, que saia do
mundo e não diga: “Não te ouvimos”.

59    Se vos congregais em meu nome e não cumprirdes meus mandamentos, vos abo-minarei e vos direi: “Afastai-vos de mim, não vos conheço, obreiros da iniqüidade”.

60    Sois como cordeiros em meio aos lobos. Mas depois de sua morte, os cordeiros não temem os lobos. Assim, não temais que vos matem, pois que depois de haverdes morrido, nada poderão fazer-vos de mal. Mas temei aqueles que, depois de mortos, têm poder para atirar vosso corpo e vossa alma à Gehenna do fogo.

61    Conservai casta vossa carne e sede imaculados em vosso mais secreto interior, para que possais ser dignos da vida eterna.

62    Eu sou a porta que conduz ao Pai. Minha carne é o pão da vida celeste e meu sangue uma bebida divina. O Espírito Santo sabe de onde vem e pare onde vai, e castiga o que esta oculto.

63    Ninguém conheceu o Pai, a não ser o Filho, e aquele a quem o Filho o quis desvelar nem ninguém conhece o Filho a não ser o Pai.

64    Sempre desejo ouvi sermões inspirados pelo Espírito Divino, e não tenho quem mos pronuncie.

65    Se não fizerdes o destro como o sinistro, o que está acima como se estivesse embaixo, e o que está à frente como se estivesse atrás, não conhecereis o Reino de Deus.

66    Mais vale morrer em Deus que reinar sobre a terra toda, de um extremo ao outro, pois de que serve ao homem possuir o mundo inteiro se é escravo em sua alma?

67    A qualquer um que te peça, dá-lhe.

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Fonte: http://livrosapocrifosbis.blogspot.com/2013/02/agrapha-extra-evangelho.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/agrapha-extra-evangelho/