John Dee e o despontar de “Christian Rosencreutz”

FRANCES A. YATES

excerto do livro O Iluminismo Rosa-Cruz

A palavra “rosa-cruciano” é derivada do nome “Christian Rosencreutz” ou “Rosa-Cruz”. Os chamados “manifestos rosa-crucianos” são dois pequenos panfletos ou folhetos, publicados primeiramente em Cassel, nos anos de 1614 e 1615, cujos títulos extensos podem ser abreviados para Fama e Conjessio. O herói desses manifestos é um certo “Padre C.R.C.” ou “Christian Rosencreutz”, que consta como tendo sido o fundador de uma Ordem ou Irmandade, atualmente restaurada, e para a qual os manifestos convidam a ingressar. Eles provocaram um imenso alvoroço, e uma terceira publicação em 1616 aumentou o mistério. Tratava-se de um singular romance alquímico, cujo título em alemão traduzido para o inglês é The Chemical Wedding of Cbristian Rosencreutz. O herói dessa obra também parece estar associado a alguma Ordem que usa como símbolos uma cruz vermelha e rosas dessa mesma cor.

O autor de The Chemical Wedding foi certamente Johann Valentin Andreae. Os manifestos estão indubitavelmente relacionados com esse livro, embora provavelmente não tenham sido da autoria de Andreae, mas de alguma outra pessoa ou pessoas desconhecidas.

Quem era esse “Christian Rosa-Cruz” que aparece inicialmente nessas publicações? Infinitas são as mistificações e lendas tecidas em redor desse personagem e de sua Ordem. Vamos tentar cortar caminho através’ dele, por uma trilha completamente nova. Mas, permitam-nos começar este capítulo com esta pergunta mais fácil: “Quem foi Johann Valentin Andreae?”

Johann Valentin Andreae, nasceu em 1586, original de Württemberg, o Estado Luterano que se ligou intimamente ao Palatinado. Seu avô foi um  eminente teólogo luterano, algumas vezes chamado “o Lutero de Wurttemberg . O Intenso Interesse pela situação religiosa contemporânea foi a principal inspiração de seu neto johann Valentin, que também tornou-se um pastor luterano, porém com um interesse liberal pelo Calvinismo. Apesar dos infindáveis malogros, Johann Valentin foi encorajado durante toda sua vida, pelas esperanças de alguma solução a longo prazo, relativa ao desenlace religioso. Todas as suas atividades – seja como pastor luterano devoto com interesses socialistas, seja como propagador das fantasias “rosa-crucianas” – estavam orientadas para tais esperanças. Andreae era um escritor de futuro, cuja imaginação foi influenciada pelos atores itinerantes ingleses. No que concerne ao início de sua vida e às influências por ele sofridas, temos informações autênticas em sua autobiografia.

Por ela ficamos sabendo que em 1601, com a idade de 15 anos, sua mãe viúva levou-o para Tübingen, para que continuasse seus estudos naquela famosa universidade de Württemberg. Enquanto estudante em Tübingen – assim nos conta ele – desenvolveu seus primeiros trabalhos juvenis como autor, aproximadamente durante os anos de 1602 e 1603. Esses trabalhos incluíram duas comédias sobre os temas de “Esther” e “Jacinta” – que ele afirma ter escrito “por rivalidade com os atores ingleses” – e um trabalho chamado Chemical Wedding) o qual define depreciativamente como um ludibrium ou uma ficção, ou ainda uma pilhéria de pouco mérito.

A julgar pelo Chemical Wedding, de Andreae, que ainda existe, a publicação de 1616, tendo Christian Rosencreutz como herói – versão prematura do assunto – teria sido um trabalho de simbolismo alquímico, empregando o tema do casamento como um símbolo dos processos da alquimia. Não pode ter sido igual ao Chemical Wedding de 1616, que contém referências aos manifestos rosa-crucianos de 1614 e 1615, ‘ao Eleitor Palatino e sua corte em Heidelberg, e ao seu casamento com a filha de Jaime 1. A primeira versão do Chemical Wedding) que não é conservada, deve ter sido atualizada para a publicação de 1616. Não obstante, a versão inicial perdida deve ter proporcionado a parte essencial desse trabalho.

Podemos fazer uma boa conjetura sobre quais foram as influências e acontecimentos em Tübingen, que inspiraram esses primeiros trabalhos de Andreae.

O Duque de Württemberg então reinante, era Frederico I, alquimista, ocultista e anglófilo entusiasta, cuja paixão predominante fora estabelecer uma aliança com a Rainha Elisabete e obter a Ordem da Jarreteira. Visitara várias vezes a Inglaterra com esses desígnios e parece ter sido uma figura conspícua. A Rainha chamava-o “primo Mumpellgart” , que era seu nome de família, e muitas discussões foram travadas em torno do problema para saber se as referências crípticas em Merry Wives o/ Windsor , de Shakespeare, aos “velhacos (garmombles)”, e aos cavalos alugados no “Garter Inn” (Estalagem da Jarreteira) pelos servidores do duque alemão, poderiam ter alguma relação com Frederico de Württemberg . A Rainha autorizou a sua eleição para a Ordem da Jarreteira em 1597 , mas a verdadeira cerimônia de sua investidura não teve lugar senão em novembro de 1603, quando lhe foi conferida a Jarreteira em sua própria capital, a cidade de Stuttgart, por uma embaixada especial de Jaime L

Por conseguinte, mediante esse ato logo no primeiro ano de seu reinado, Jaime fez um gesto para continuar a aliança elisabetana com os poderes protestantes alemães, embora após alguns anos devesse rejeitar as esperanças assim originadas . Mas no ano de 1603, em Württemberg, o reinado de um novo soberano da Inglaterra parecia abrir-se mais auspiciosamente para as esperanças alemãs, e verificou-se uma efusão de entusiasmo à volta da embaixada que viera conceder a jarreteira ao Duque, e dos atores ingleses que a tinham acompanhado.

A cerimônia da Jarreteira em Stuttgart e as festividades a ela associadas são descritas por E . CeIlius numa narrativa em latim, publicada em Stuttgart em 1605, parte da qual é citada numa tradução inglesa por Elias Ashmole em sua história da Ordem da Jarreteira

As procissões nas quais tomaram parte solene os oficiais da Jar· reteira Inglesa, carregando a insígnia da Ordem, com os dignitários alemães, causaram uma esplêndida impressão. A aparência do Duque era a mais suntuosa, estando coberto de jóias que lançavam de um lado para outro “uma mistura radiante de diversas cores”. Um dos oficiais da Jarreteira Inglesa era Robert Spenser, que segundo afirmou Cellius era parente do poeta. 8 A parte interessante desse comentário é a que ouviram de Spenser, e talvez de seu Faerie Queene, em Stuttgart

Assim, suntuosamente vestido, o Duque entrou na igreja, na qual ao som de uma música solene, foi investido na Ordem. Após um sermão, a música recomeçou, consistindo nas “Vozes de dois Adolescentes, vestidos de branco com asas iguais às dos Anjos, e postados frente a frente”

Quando os convidados voltaram ao ball, participaram do Banquete da Jarreteira, que se prolongou até as primeiras horas do dia seguinte. Cellius tem alguns detalhes sobre o banquete que não estão citados por Ashmole, incluindo referências à parte do entretenimento proporcionado por “músicos, comediantes, artistas trágicos e outros atores ingleses talentosos”. Os músicos ingleses deram um concerto em conjunto com seus colegas de Württemberg, e os atores da Inglaterra aumentaram a hilaridade do banquete apresentando dramas. Um deles foi a ‘História de Susana’, “que representaram com tal arte e desempenho histriônico e tal engenhosidade, que foram profusamente aplaudidos e recompensados”.

Nos últimos dias, os ingleses foram convidados a visitar alguns dos principais lugares do Ducado, incluindo a Universidade de Tübingen, “na qual se distraíram assistindo comédias, música e outros passatempos”

Certamente a visita da embaixada da Jarreteira e os atores, que dela participavam, devem ter representado um acontecimento incrivelmente estimulante e emocionante para o jovem e imaginativo estudante de Tübingen, Johann VaIentin Andreae. O seu Chemical Wedding, de 1616, está repleto de impressões brilhantes relativas ao suntuoso cerimonial e às festas de alguma Ordem ou Ordens, contendo comentários sobre as representações dramáticas. Ele se torna mais compreensível enquanto uma obra artística, quando observado como o resultado das primeiras influências em Andreae, tanto do drama como do cerimonial, associando-se para inspirar um trabalho de arte novo, original e imaginativo.

Em 1604 , um ano após a cerimônia da Jarreteira, um trabalho muito singular foi dedicado ao Duque de Württemberg. Tratava-se de Naometria, por Simon Studion, um manuscrito inédito constante da “Landesbibliothek” , em Stuttgart. 11 É um trabalho apecalíptico-profético de grande extensão, usando de uma numerologia complexa sobre as descrições bíblicas das medidas do Templo de Salomão, e argumentos complicados relativos a datas expressivas na história bíblica e européia, preparando o caminho para as profecias sobre datas de acontecimentos futuros. O escritor interessa-se particularmente pelas datas relacionadas à vida de Henrique de Navarra, e o trabalho todo parece refletir uma aliança secreta entre Henrique, no momento Rei da França, Jaime I da Grã-Bretanha e Frederico, Duque de Württemberg. Esta suposta aliança (da qual não encontrei provas em nenhum lugar) está descrita muito pormenorizadamente, e o manuscrito até contém várias páginas de músicas que devem ser cantadas em versos, sobre a eterna amizade da Flor-de-lis (o Rei da França), o Leão (Jaime da Grã-Bretanha) e da Ninfa (o Duque de Württemberg) .

De acordo com a evidência apresentada por Simon Studion poderia parecer, portanto, que em 1604 existia uma aliança secreta entre Jaime, Württemberg, e o Rei da França, talvez uma continuação do rapprocbement com Jaime através da cerimônia da Jarreteira no ano anterior. Encontramo-nos ainda na parte inicial ,do reinado de Jaime, durante o qual ele ainda estava persistindo nas alianças do reino precedente e trabalhando de acordo com Henrique de Navarra, na época rei da França.

A Naometria é um curioso espécime daquela obstinação por profecias, baseado na cronologia, que era uma obsessão característica cUt época. Entretanto, essa obra contém um relato interessante e aparentemente real sobre algo que, segundo dizem, ocorreu em 1586. De acordo com o autor da Naometria, houve uma reunião em Luneburg no dia 17 de julho de 1586, entre “alguns Príncipes e Eleitores evangélicos”, e representantes do Rei de Navarra, o Rei da Dinamarca e a Rainha da Inglaterra. Consta que o objetivo dessa reunião foi formar uma “Liga Evangélica” de defesa contra a “Liga Católica” (que estava progredindo na França, a fim de evitar a ascensão de Henrique de Navarra ao trono da França). Essa Liga foi chamada “Confederatio Militiae Evangelicae”

Ora, de acordo com alguns primitivos estudantes do mistério rosa-cruciano, a Naometria de Simon Studion e a “Milícia Evangélica”, aí descrita, representam uma origem básica para o movimento rosacrucíano. A. E. Waite, que examinara o manuscrito, acreditara que o desenho de uma rosa toscamente delineado com uma cruz no centro, contido na Naometria, é o primeiro exemplo do simbolismo rosa-cruciano da rosa e da cruz. Não posso afirmar que esteja totalmente convencida da importância dessa pseudo-rosa, mas a idéia de que o movimento rosa-crucíano foi implantado à maneira de aliança dos simpatizantes protestantes, formada para anular a Liga Católica, poderia harmonizar-se bem com as interpretações a serem desenvolvidas neste livro. A data de 1586 para a formação dessa “Milícia Evangélica” far-nos-ia retroceder ao reinado da Rainha Elisabete, ao ano de intervenção de Leicester junto aos neerlandeses, ao ano da morte de Philip Sidney, à idéia da formação de uma Liga Protestante, que era tão cara a Sidney e a John Casimir do Palatinado.

Os problemas suscitados por Simon Studion, em sua Naometria, são demasiadamente complexos para aqui serem introduzidos com detalhes, mas eu estaria inclinada a concordar em que esse manuscrito de Stuttgart é certamente de importância para os estudantes do mistério rosa-cruciano. O que nos incentiva quanto a essa opinião, é o fato de que Johann Valentin Andreae, evidentemente conhecia a Naomeiria, pois a menciona em sua obra Turris Babel, publicada em 1619. Nela está interessado não em quaisquer datas anteriores mencionadas na Naometria, mas sim em suas datas para os futuros acontecimentos, suas profecias. Simon Studion mostra-se muito enfático em insistir que o ano de 1620 (lembrem-se de que ele está escrevendo em 1604) será grandemente significativo, pois ele verá o fim do reinado do Anticristo na derrocada do Papa e de Maomé. Este colapso prosseguirá nos anos subseqüentes e aproximadamente em 1623 começará o milênio. Andreae mostra-se muito obscuro no que diz a respeito das profecias da Naometria, que ele associa com as .do Abade Joaquim, S. Brígida, Lichtenberg, Paracelso, Postel e outros illuminati. Contudo, é possível que as profecias desse tipo possam realmente ter influenciado nos acontecimentos históricos, bem como ajudado o Eleitor Palatino a tomar aquela decisão precipitada de aceitar a coroa da Boêmia, ao acreditar que o milênio estava próximo.

Os movimentos obscuros, vislumbrados através do estudo do Duque de Württemberg e da Jarreteira, e os mistérios da Naometria pertencem aos primeiros anos do século, quando a União Protestante estava sendo formada na Alemanha, e os defensores dos Reis da França e da Inglaterra neles depositavam sua confiança. Naqueles anos mais distantes, Jaime I pareceu simpático a esses movimentos. O assassinato do Rei da França em 1610, às vésperas de fazerem uma intervenção importante na Alemanha, destroçou as esperanças dos ativistas durante algum tempo, e alterou o equilíbrio dos negócios europeus. Todavia, Jaime parecia continuar ainda a política antiga. Em 1612, ingressou para a União dos Príncipes Protestantes, cujo chefe no momento era o jovem Eleitor Palatino; no mesmo ano autorizou o noivado de sua filha Elisabete com Frederico, e em 1613 foi realizado o famoso casamento, com a promessa evidente de apoio pela Grã-Bretanha ao chefe da União Protestante Alemã, o Eleitor Palatino

Na época em que essa aliança estava em seu apogeu, antes que Jaime I tivesse iniciado sua tomada de posição, objetivando retirar seu apoio, o enérgico Christian de Anhalt começou a trabalhar com o fito de fortalecer o Eleitor Palatino, como sendo o chefe ideal das forças anti-habsburgas na Europa. Os líderes mais antigos depositários das esperanças tinham desaparecido; Henrique de França fora assassinado; Henrique, Príncipe de Gales, morrera. A escolha caiu sobre o jovem Eleitor Palatino.

Anhalt, por via de regra, foi considerado responsável pela malograda aventura de Frederico da Boêmia, e foi contra ele que a propaganda virou-se após seu desastroso fracasso. Possuía muitos contatos na Boêmia; e, segundo poderia parecer, talvez tivesse sido através de seus esforços persuasivos que os rebeldes da Boêmia foram influenciados para oferecerem a coroa a Frederico. A figura de Anhalt representava uma influência importante e dominadora durante os anos em que a aventura do povo da Boêmia estava evoluindo para seu clímax, e portanto é indispensável levar em consideração a natureza dos interesses desse homem, e a natureza de suas ligações na Boêmia.

Teologicamente falando, Christian de Anhalt era um calvinista entusiasta, mas como muitos outros príncipes protestantes alemães da época viu-se profundamente envolvido nos movimentos paracelsistas e místicos. Ele era o patrono de Oswald Croll, cabalista, paracelsista e alquimista, e suas relações na Boêmia eram de caráter semelhante. Era amigo íntimo de Peter Wok de Rosenberg ou Roãmberk, um opulento nobre da Boêmia com imensas propriedades nas imediações de Trebona ao sul daquele país, um liberal da antiga escola rodolfiana, e um patrono da alquimia e do ocultismo.

Os contatos de Anhalt com pessoas da Boêmia eram de um gênero que poderiam levá-lo a ingressar na esfera de uma extraordinária corrente de influências oriundas da Inglaterra, e que tinham surgido com a visita à Boêmia de John Dee e de seu companheiro Edward Kelley. Como é sabido, Dee e Kel1ey encontravam-se em Praga em 1583, quando o primeiro tentou despertar o interesse do Imperador Rodolfo II para seu misticismo imperialista de grande alcance e seu vasto círculo de estudos. A natureza do trabalho de Dee, atualmente, é melhor conhecida através do recente livro da autoria de Peter French. Dee, cuja influência na Inglaterra fora tão intensamente importante, e que tinha sido o professor de Philip Sidney e seus amigos, tivera a oportunidade de formar um grupo de adeptos na Boêmia, embora, por enquanto, tenhamos poucos meios para estudar o assunto. O centro principal das influências de Dee, na Boêmia, teria sido Trebona, na qual ele e KelIey haviam estabelecido sua sede após a primeira visita a Praga . Dee residiu em Trebona como hóspede de Villem Roãmberk, até 1589, quando regressou à Inglaterra. Villem Rozrnberk era o irmão mais velho de Peter, que foi amigo de Anhalt e que herdara as propriedades em Trebona após a morte de seu irmão.  Dada a tendência da mente de Anhalt e a natureza de seus interesses, é evidente que teria sido atingido pelas influências de Dee. De mais a mais, é provável que as idéias e perspectivas emanadas originalmente de Dee – o filósofo inglês e elisabetano – tenham sido empregadas por Anhalt ao fortalecer a imagem do Eleitor Palatino na Boêmia, como uma pessoa que dispunha de recursos maravilhosos, devido à influência inglesa em sua retaguarda.

A ascendência de Dee estivera difundindo-se, muito anteriormente, da Boêmia para a Alemanha. Segundo os comentários sobre Dee, feitos por Elias Ashmole em seu Theatrum Chemicum Britannicum (1652). a viagem de Dee pela Alemanha em 1589, ao regressar da Boêmia para a Inglaterra, foi um tanto sensacional. Ele passou perto daqueles territórios que, vinte e cinco anos mais tarde, deveriam ser o cenário da explosão do movimento rosa-cruciano. O Landgrave de Hesse apresentou seus cumprimentos a Dee, que por sua vez “presenteou-o com doze cavalos húngaros que comprara em Praga para sua viagem”. 26 Por ocasião dessa etapa em sua viagem para a Inglaterra, Dee também entrou em contato com seu discípulo Edward Dyer (um dos amigos mais íntimos de Philip Sidney) que estava seguindo para a Dinamarca como embaixador, e que “no ano anterior estivera em Trebona e levara cartas do Doutor (Dee ) para a Rainha Elisabete”. 21 Dee deve ter causado uma forte impressão nessas duas pessoas acima meneio- ‘nadas, como sendo um homem muitíssimo erudito e alguém representando o centro de grandes negócios.

Ashmole afirma isso em 27 de junho de 1589 quando, em Bremen, Dee recebeu a visita do “famoso filósofo hermético ou alquímico, Dr. Henricus Khunrath, de Hamburgo”. 22 A influência de Dee é um fato evidente na extraordinária obra de Khunrath (co Anfiteatro da Sabedoria Eterna, publicada em Hanover, em 1609. 23 “Monas” – o símbolo de Dee, um emblema complexo por ele explicado em seu livro Monas Hieroglyphica (publicado em 1564 com uma dedicatória ao Imperador Maximiliano II), tão significativo pela sua forma peculiar da filosofia alquímica – pode ser observada numa das ilustrações do “Amphiteatre”, e tanto a Monas de sua autoria, quanto seus Aphorisms estão mencionados no texto de Khunrath. O “Anfiteatro” forma um elo entre a filosofia influenciada pôr Dee e a filosofia dos manifestos rosa-crucianos. Na obra de Khunrath deparamo-nos com a fraseologia característica dos manifestos, a ênfase permanente sobre o macrocosmo e o microcosmo, a insistência sobre a Magia, a Cabala e a Alquimia, como que combinando-se para criar uma filosofia religiosa que promete um novo alvorecer para a humanidade.

As gravuras simbólicas no “O Anfiteatro da Sabedoria Eterna” são dignas de um estudo, como uma introdução visual à linguagem figurada e à filosofia que encontraremos nos manifestos rosa-crucianos. Exceto no título, a palavra “Anfiteatro” não aparece nesse trabalho, e podemos apenas supor que Khunrath com esse título deve ter tido em mente algum pensamento de um sistema oculto de memória, através do qual ele estava apresentando suas idéias visualmente. Uma das gravuras mostra uma grande caverna com inscrições nas paredes, através das quais os adeptos de alguma experiência espiritual estão se dirigindo para uma luz. Isso também pode ter sugerido uma linguagem figurada na Fama rosa-cruciana. E a gravura de um alquimista religioso é sugestiva tanto do ponto de vista de John Dee como dos manifestos rosa-crucianos. À esquerda, um homem numa atitude de profunda adoração está ajoelhado na frente de um altar, no qual constam símbolos cabalísticos e geométricos. À direita, vê-se um grande forno com todo o aparelhamento para o trabalho de um alquimista. No centro, instrumentos musicais estão empilhados sobre uma mesa. E a composição no conjunto está num ball, desenhada com toda a perícia de um perspectivista moderno, demonstrando o conhecimento daquelas artes matemáticas, que se harmonizavam com a arquitetura da Renascença. Essa gravura é uma demonstração visual do tipo de concepções que john Dee sintetizou em sua Monas hieroglyphica, uma combinação de disciplinas cabalística, alquímica e matemática, por meio das quais o adepto acreditava que poderia alcançar um profundo discernimento da natureza e a visão de um mundo divino para além da natureza.

Ela também poderia servir como manifestação visual dos temas principais dos manifestos rosa-crucianos, Magia, Cabala e Alquimia, unidos numa concepção profundamente religiosa, que abrangia um enfoque religioso de todas as ciências dos números.

Portanto, deveríamos procurar uma influência de John Dee nos manifestos rosa-crucianos? Sim, deveríamos, e sua influência deve ser neles encontrada sem sombra de dúvida. Farei agora uma breve exposição relativa às descobertas que serão desenvolvidas mais detalhadamente nos capítulos subseqüentes.

O segundo manifesto rosa-cruciano, a Confessio de 1615, foi publicado com um opúsculo em latim, chamado “Uma Breve Consideração da Mais Secreta Filosofia”.  Esta “Breve Consideração” é baseada na Monas hieroglypbica, de John Dee, e grande parte dela consta, palavra por palavra, de citações da Monas. Essa dissertação está associada indissoluvelmente ao manifesto rosa-cruciano que o sucedeu, a Conjessio. E a Conjessio está indissoluvelmente vinculada ao primeiro manifesto, a Fama, de 1614, cujos tópicos nela se repetem. Assim, a “mais secreta filosofia” por trás dos manifestos era a filosofia de John Dee, conforme sintetizada em sua Monas hieroglyphica.

Além disso, a obra Cbemical Wedding, de 1616, da autoria de johann Valentin Andreae – na qual ele ofereceu a manifestação alegórica e romântica dos assuntos dos manifestos – tem, na página do título, a “monas”, o símbolo de Dee, que é repetido no texto ao lado do poema com o qual inicia a alegoria.

Conseqüentemente, não pode haver dúvidas de que deveríamos considerar o movimento ‘oculto sob as três publicações rosa-crucianas, como sendo definitivamente proveniente de John Dee. Sua influência poderia ter entrado na Alemanha vinda da Inglaterra com os amigos ingleses do Eleitor Palatino, e poderia ter-se expandido da Boêmia. onde Dee propagara a sua missão inspiradora nos anos anteriores.

Por que deveriam essas influências ter sido anunciadas desse modo estranho, através de sua difusão nas publicações rosa-crucianas? Como uma tentativa para responder a essa pergunta – sobre a qual os capítulos subseqüentes fornecerão mais evidência – deve ser lembrado que as publicações rosa-crucianas pertencem aos movimentos em torno do Eleitor Palatino, movimentos esses que o estavam fortalecendo para a aventura da Boêmia. O principal espírito estimulante, por trás desses movimentos, foi Christian de Anhalt, cujas ligações na Boêmia pertenciam diretamente aos oráculos nos quais a influência Dee teria sido exercida e fomentada.

A sugestão estranhamente excitante é que o movimento rosa-cruciano, na Alemanha, representou o resultado retardado da missão de Dee na Boêmia vinte anos antes, cujas influências vieram a ser associadas com o Eleitor Palatino. Sendo Cavaleiro da Jarreteira, Frederico herdara o culto da cavalaria inglesa inerente ao movimento, e como chefe da União Protestante ele representava as alianças que Anhalt estava tentando fortalecer na Alemanha. Do ponto de vista político-religioso, o Eleitor Palatino atingira uma situação preparada nos anos anteriores, e surgira como o líder político-religioso destinado a resolver os problemas do século. Durante os anos de 1614 a 1619 – aqueles do entusiasmo veemente originado pelos manifestos – o Eleitor Palatino e sua esposa reinavam em Heidelberg, e Christian de Anhalt estava elaborando a aventura do povo da Boêmia.

E essa aventura não era simplesmente um esforço político anti- -habsburgo, Era a manifestação de um movimento religioso que durante muitos anos estivera concentrando energias, alimentado por influências secretas verificadas na Europa, um movimento para solucionar os problemas religiosos, paralelamente com as normas místicas sugeridas pelas influências hermética e cabalística.

A estranha atmosfera mística, na qual Frederico e sua esposa foram envolvidos pelos entusiastas, pode ser verificada numa gravura alemã, publicada em 1613. Frederico e Elisabete estão cobertos por raios provenientes do Nome Divino acima de suas cabeças. Essa gravura deve ter sido a primeira das que circularam na Alemanha, relacionadas com o assunto Frederico-Elisabete; muitas outras deveriam seguir-se. A história de Frederico nessas estampas proporciona maior diretriz de evidência no que se refere à sua ligação com os movimentos contemporâneos.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/john-dee-e-o-despontar-de-christian-rosencreutz/

Hochigans

Descartes diz que os macacos poderiam falar se quisessem, mas que resolveram guardar silêncio, para que não os obrigassem a trabalhar. Os bosquímanos da África do Sul crêem que houve um tempo em que todos os animais podiam falar. Dentre estes, uma espécie de macacos conhecidos como Hochigans se destacava ao ponto de fazer páreo com os humanos. Suas cidades eram prósperas e sua ciência avançada. Conta a tradição que disputas internas, envolvendo ciência e magia negra levou eventualmente os Hochigans a extinção. Os Hochigans sumiram da terra e  levou consigo esse dom dos animais falarem com os homens.

Fonte: O Livros dos Seres Imaginários – Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/hochigans/

A Nutritiva Árvore da Vida

Por Mark Stavish

Quando você discute a Cabala com alguém, uma de três coisas geralmente acontece: eles perguntam se você é judeu, mencionam Madonna, ou seus olhos brilham por cima. Também é comum que todas as três ocorram. Isto se deve em grande parte ao fato de que há mais de um século os cabalistas autodescritos têm sido seu pior inimigo quando se trata de tornar a existência da Cabala conhecida fora de um pequeno círculo de esoterismo, além de demonstrar a praticidade cotidiana da “Tradição” a um público mais amplo.

Usando o Sepher Yetzirah, um dos mais antigos e importantes manuscritos cabalísticos, Kabbalah for Health and Wellness mostra como apenas algumas associações e ideias simbólicas (juntamente com respiração, visualização e uma oração bem formulada) podem nos ajudar a dirigir as energias interiores dos Elementos de Fogo, Ar, Água e Terra, as energias dos planetas e, através das letras hebraicas, os poderes da própria criação.

A Cabala tem sido examinada por uma variedade de disciplinas, desde a psicologia até a física quântica. Infelizmente, muitas vezes, as aplicações práticas destes estudos foram ignoradas em grande parte. A Cabala para a Saúde e Bem-Estar utiliza a conexão mente-corpo que é estabelecida pela ciência moderna em um formato amigável que a torna tanto uma introdução à cura energética a partir de uma perspectiva cabalística, quanto uma introdução à Cabala para o curandeiro energético.

Por muito tempo, uma abordagem estreita tem turvado nossa compreensão e prática da cabala, envolvendo extensos rituais de invocação e evocação, complexos sistemas simbólicos de pentagramas, hexagramas e uma infinidade de panteões e formas de deus, e ênfase em preocupações cosmológicas de anjos e demônios. A Cabala para a Saúde e o Bem-Estar ajuda a remediar isto, enfatizando as ideias e práticas básicas por trás da Cabala, e mostrando como elas podem ser usadas para melhorar nossa atitude, nossa saúde física e emocional, e nosso despertar para a presença profunda da semente de Deus dentro de cada um de nós – sem ter que ser um estudioso ou mágico cerimonial.

Entre o material coberto estão as instruções para o Trilhar o Caminho para a Árvore da Vida em passos limpos, claros e simples projetados para produzir tanto a transformação interior quanto a cura física. Os resultados destes métodos têm sido descritos por alguns como as mais poderosas experiências de Trilhar o Caminho que já tiveram – tudo por causa de sua simplicidade e facilidade de uso.

Métodos dinâmicos e práticos são apresentados para aqueles que desejam enfatizar os aspectos místicos da Cabala. Estes incluem exercícios de sintonia com a tradição onde os estudantes podem conectar sua consciência pessoal com o fluxo psíquico de gerações de mestres praticantes da cabala. Um deles é um método rápido e poderoso para invocar os poderes dos Elementos e abrir-se à presença de Deus – a Shekinah, ou feminino divino – de uma maneira ativa e presente. Mais fácil e mais eficaz do que usar rituais Pentagramas antes da meditação, este método pode ser usado em qualquer lugar e a qualquer hora. As instruções para despertar o poder das letras hebraicas no corpo energético de alguém são totalmente explicadas, juntamente com o uso do ritual do Pilar Médio para cura física e psíquica. Métodos simples usando a Árvore da Vida, horas planetárias e uma carta natal para melhorar as práticas de cura são totalmente descritos para facilidade de uso por iniciantes e estudantes experientes. O poder de cura e a capacidade de armazenamento de energia da água são discutidos em detalhes junto com experimentos práticos que a ligam à magia talismã e à alquimia de laboratório. Finalmente, há maneiras de entender o papel do professor, práticas para descobrir o próprio nome interno e instruções para despertar o Mestre Interno através do reconhecimento dos próprios professores – uma forma de “guru yoga” cabalística para ajudar a desenvolver a gratidão, humildade e sinceridade.

Se olharmos para a magia tradicional como era praticada nos períodos clássico, medieval e renascentista, vemos uma ênfase distinta na magia como um método, uma técnica ou mesmo uma ciência para criar mudanças na consciência do mágico, dos outros e no mundo material diretamente. Durante muito tempo os praticantes modernos enfatizaram aspectos psicológicos complexos da Cabala e ignoraram as questões mais fundamentais de praticabilidade e aplicabilidade às preocupações diárias. A cura do corpo e da mente é o primeiro passo para compreender e usar os métodos da Cabala de forma prática, trazendo assim paz, felicidade, sabedoria e prosperidade ao nosso dia-a-dia, permitindo-nos aumentar nossa compreensão espiritual de onde estamos no universo.

***

Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/1322

COPYRIGHT (2008) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-nutritiva-arvore-da-vida/

Minta Para Mim: guia rápido para detectar mentiras

A mentira conseguiu se libertar do Primeiro de Abril e se tornou uma pop star. Seriados como House – “todo mundo mente!” – ou Lie To Me popularizaram a mentira nos últimos anos mais do que as revistas de fofoca nas últimas décadas. Quem mente mais, o homem ou a mulher? Por que mentimos? Esse tipo de pergunta se tornou obsoleto, não porque de fato todos somos capazes de mentir e sim porque somos praticamente incapazes de viver só de verdades. E isso não é algo ruim como pode parecer, inclusive coloca na verdade um peso, um valor, que lhe dá um status: contamos a verdade para quem merece e não a disperdiçamos com qualquer um a qualquer hora.

Você já arrumou seu quarto? Terminou de estudar? Enviou o relatório? Falou mal da fulana? Psiquiatras e psicólogos tratam o ato de mentir como uma defesa, dizem que mentimos para quem amamos muitas vezes para evitar confusão desnecessária – “fico gorda com essa roupa?”, ou para não cair em discussões em cima de algo que uma das pessoas dá valor mas que não tem peso para a outra – “você estava falando com o seu ex?”. Isso tudo nos mostra apenas uma coisa: que até quando falamos de mentiras, mentimos para nós mesmos. Não mentimos para nos proteger, evitar brigas nem nada assim, mentimos porque a mentira é uma força real que existe não em nós, mas em praticamente todo ser vivo.

Certa tarde Koko, a gorila, foi confrontada por seus treinadores depois de uma explosão de raiva na qual ela arrancou uma pia de aço do lugar onde ela estava presa. Não se sabe neste caso quem é mais estúpido, se a “pessoa” que tenta esconder um fato óbvio ou a pessoa que vai tirar satisfações com uma gorila capaz de arrancar uma pia de aço da parede onde estava chumbada, mas ao ver que seus treinadores estavam chateados – para dizer no mímino – com o acontecido, a gorila sinalizou na Língua de Sinais Americana, “o gato fez isso, ” apontando para seu pequeno gato de estimação.

E a coisa não para por ai, cientistas descobriram que bebês humanos com apenas seis meses de idade já fingem que estão chorando para conseguir algo. É isso ai, você já aprende a mentir antes mesmo de aprender a falar. E não é apenas isso, eles – nós – também fingem estar rindo para receber atenção, se a coisa parasse por ai ainda poderíamos dizer que o bebê não está mentindo, ele é apenas inocente, mas a coisa não pára. Bebês humanos – nós – são capazes inclusive de, ao perceber que fizeram algo errado, criarem distrações para desviar a atenção dos adultos da área.

Pense nisso, em um mundo onde gorilas e bebês fazem isso, há como realmente atribuir algum valor moral para a mentira?

 

Como se tornar um detector de mentiras

As pessoas dizem que a ignorância é uma bênção. Mas as pessoas geralmente são ignorantes. E muitas vezes ser capaz de mentir bem se torna tão crítico quanto conseguir saber quando estão mentindo para você. Mentiras nem sempre tem um objetivo, quantas vezes você já não respondeu que fez ou deixou de fazer algo que nem afetaria seu dia ou sua vida caso tivesse mesmo feito ou não? “Alguém ai tem uma borracha?” – vários nãos vem de gente que nem quer parar para pensar se tem ou não uma – “Você sabe quem fez isso?” – e a resposta vem sem que você pare de pensar o que é isso, apenas responde a primeira coisa que vem à mente. Quantas vezes mentiu que não gostava de algo quando simplesmente não queria aquele algo naquele momento? Em contrapartida existem momentos que uma mentira pode ter um valor estratégico que vai além de manter um relacionamento, evitar uma briga ou não levar uma bronca. Em uma entrevista de emprego um “claro que estou familiarizado com isso!” pode ser a diferença entre uma contratação ou mais dias indo de um lugar ao outro, e mesmo que você não saiba do que o seu futuro contratante está falando em alguns dias você pode se familiarizar com o processo e até mesmo ficar muito bom nele. Uma mentira pode salvar vidas ou evitar perdas. Já foi dito inclusive, que uma mentira repetida muitas vezes se torna uma verdade e que os maiores magos são os maiores mentirosos.

Se não consegue ser com mais ninguém, tente ser sincero ou sincera consigo mesmo/a agora, não tem mais ninguém dentro da sua cabeça além de você. Muitas vezes algo tem tanto valor que deve ser escondido atrás de uma mentira certo? E é ai que você tem que saber se está escondendo algo muito bem ou se algo está sendo escondido de você.

A mentira é uma energia tão poderosa que causa reações em nosso corpo que nem mesmo nós somos capazes de notar, e são essas reações que podem entregar quando alguém está mentindo ou sendo sincero. Antes de começarmos tenha duas coisas em mente:

1- Nenhum sinal desses é uma garantia de mentira, achar que alguém está mentindo quando está apenas nervoso é um grande erro quando você precisa de uma certeza, explicaremos a cada passo o que mais pode causar tal reação.

2- As técnicas apresentadas não são usadas apenas pela polícia, psicólogos forenses e experts em segurança, mas em muitas áreas da vida profissional. Gerentes de negócios, vendedores, funcionários, pessoas abordadas por desconhecidos, etc…

 

Primeiro Passo – Estabelecendo uma Base

Chamamos de Base a maneira como uma pessoa se comporta quando não está mentindo, ou seja quando está sendo sincera. É importante que você estabeleça uma base antes de dar início às suas observações. Para descobrir qual a base de uma pessoa, conhecida ou não, faça perguntas simples, como qual o nome dela ou onde vive. Além disso é importante desconstruir qualquer barreira que a pessoa tenha inserindo perguntas simples mas aparentemente sem sentido, aqui vão algumas:

1- Você já comeu guacamole?

2- Você prefere banho de chuveiro ou de banheira?

3- Se pudesse ter um super poder, qual seria?

4- Você já fez aulas de dança?

5- Você tem medo de alturas?

6- Você já foi picado por uma abelha?

7- O que almoçou ontem?

8- Qual a comida que você mais odeia?

9- Você já pediu comida chinesa por telefone?

10- Qual seu seriado favorito na televisão?

11- Você sabe quantos anos a Hebe tem?

12- Qual o seu Muppet favorito?

13- Qual o seu récorde de tempo sem dormir?

14- Quando você precisa de um conselho, quem procura?

15- Prefere Cindy Lauper ou Madonna?

16- Como comemorou seu 13o aniversário?

17- Torce para o Papa-Léguas ou para o Coiote?

Essas perguntas são importantes por que obrigam a pessoa a pensar e geralmente elas não tem que mentir a esse respeito. Como você verá, saber distinguir quando alguém está tentando se lembrar de algo de quando alguém está inventando algo será muito importante. Caso você não tenha a necessidade de prescrustar algum desconhecido imediatamente, você pode fazer essas perguntas para as pessoas aleatóriamente e ir criando uma base de dados mental de como elas se comportam quando as respondem. Caso a necessidade se faça na hora, não se acanhe, pergunte e veja como a pessoa reage a cada uma delas, e preste muita atenção a como o corpo dela se comporta, veremos agora o que você deve procurar.

 

Segundo Passo – A Linguagem Corporal da Mentira

Por mais que a pessoa tente esconder uma mentira, o corpo dela sabe que está mentindo e se comporta como tal. É preciso muito treino para condicionar o seu corpo para mentir também e caso acredite que mentiras importantes para pessoas importantes terão um papel fundamental em algum momento de sua vida, você deve condicioná-lo.

Para sermos extremamente claros sobre o que queremos dizer por linguagem corporal aqui vai uma lista de reações de um corpo para uma mentira sendo dita:

– Expressões físicas que se tornam limitadas e rígidas, com poucos movimentos de braços e mãos;

– Movimentos de mãos, braços e pernas são feitos em direção ao próprio corpo;

– As mãos ficam tocando o rosto, garganta ou boca;

– Tendência a coçar o nariz, a nuca ou atrás da orelha;

– Dificilmente tocam o peito ou o “coração” com a mão aberta;

– Pessoas que mentem suam mais;

– Pessoas que mentem evitam encarar nos olhos.

Evidentemente esses sinais também são indicadores de que a pessoa está nervosa, e nem sempre alguém fica nervoso por estar mentindo. Existem casos em que a pessoa não sabe o que responder ou como responder a pergunta. Também em caso de pessoas tímidas muitos desses sinais podem surgir.

 

Os Olhos são a Janelas da Alma

Embora uma pessoa que sabe que foi pega em uma mentira tente a todo custo evitar contato visual – olhos nos olhos – existem muitas razões para que uma pessoa sincera também não encare seu interrogador. Quando está tentando se lembrar de algo as pessoas tendem a tentar encarar o vazio, diminuindo a quantidade de informação em que tem que se concentrar. É normal também que pessoas que se sintam constrangidas tentem desviar o olhar. Naturalmente conversas que tem contato visual prolongado tendem a ficar mais intensas ou violentas, assim case se sinta indimidada uma pessoa mais dócil interromperá o contato.

Mesmo assim ainda há como usar os olhos como indicadores de mentiras. Tente se lembrar quando foi a última vez que leu um gibi da mônica. Agora tente se lembrar a última vez que comeu algo que nunca havia provado antes. Repare que seus olhos se movem. Qual era o telefone da casa que morou quando era criança? Repare novamente. Geralmente pessoas destras viram os olhos para a própria esquerda – a direita para quem observa. Agora tente imaginar qual seria o gosto de um smurf frito, ou tente criar um slogam para uma marca qualquer de preservativos. Normalmente os olhos das pessoas destras se viram para o próprio lado direito – o lado esquerdo de um observador – quando elas estão imaginando algo, ou seja pensando em algo que não existe ou, para nossos propósitos práticos, mentindo. Em pessoas canhotas acontece o inverso, elas olham para a esquerda – a sua direita – quando se lembram e para a direita – a sua esquerda – quando estão inventando algo.

Um alerta! Geralmente pensamentos associados com sensações (como olfato e tato) fazem a pessoa destra olhar para a direita, da mesma forma quando alguém acessa o seu diálogo interno – falam consigo mesmas – tendem a olhar para a esquerda, No primeiro caso elas estão se lembrando de algo e não inventando algo, no segundo elas não necessariamente estão pensando na verdade. (em canhotos a resposta é invertida).

Logo de cara é necessário descobrir se a pessoa sendo questionada é canhota ou destra para você poder afinar as reações oculares delas.

Outro fato interessante sobre os olhos é a dilatação e contração das pupilas. Pense agora no gato de botas do filme Shrek. Sempre que desejava desarmar alguém, crescia os olhos e dilatava suas pupilas até que se tornassem quase negras. Geralmente quando estamos sendindo prazer nossas pupilas se dilatam e curiosamente somos atraídos por coisas que sentem prazer, por isso pupilas dilatadas são consideradas atraentes por quase todas as pessoas. Pense em mangás, cartões de bebês animais, no filme bambi… pupilas dilatadas amolecem nosso coração. Um fato histórico curioso era o uso de extrato de belladonna por mulheres, elas o pingavam nos olhos para dilatar as pupilas e se tornar mais atraentes de um minuto para o outro e assim conseguir a atenção de seus alvos. Caso encontre uma pessoa e perceba que suas pupilas se dilataram ao te ver pode apostar que ela está se sentindo atraída por você, mesmo que ainda não tenha percebido – nossa que pupilas grandes! É pra te ver melhor! Uma aplicação óbvia disso é perceber quando uma situação está dando prazer a alguém que diz não estar sentindo nada ou estar se sentindo horrorizado com o que está sendo descrito.

 

Gestos Emocionais 

Tente procurar por micro expressões. Micro expressões são expressões faciais que surgem e desaparecem num piscar de olhos e podem revelar as emoções reais que a pessoa está sentindo no momento. Uma pessoa que mente geralmente se sente angustiada quando interrogada, mas obviamente vai tentar se mostrar calma e despreocupada. Certas questões podem aumentar a angústia de ser apanhada e isso pode fazer, por exemplo, com que suas sobrancelhas se ergam para se tocarem no topo do nariz. Por mais que a pessoa tente parecer calma e forçar uma aparência despreocupada, rugas podem surgir e desaparecer em sua testa.

Além disso outras evidências de uma mentira são:

– Timing e duração de gestos emocionais fora do normal. A demonstração de uma emoção demora para acontecer, perdura por mais do que seria normal e então, subtamente, desaparece;

– Expressões e gestos emocionais parecem estar fora de sincronia com o que a pessoa responde, ela diz algo para então expressar a emoção do que está dizendo ou demonstra uma emoção de algo que ainda nem sequer começou a falar;

– Gestos e expressões não coincidem com o que está sendo dito;

– Quando alguém está fingindo emoções, suas expressões se concentram apenas nos movimentos da boca e não no rosto todo;

– Algumas pessoas quando mentem, inconscientemente mexem em objetos de forma a colocá-los entre os interrogadores e si mesmas;

– Não é incomum a pessoa que mente não apenas evitar contato visual como se virar de lado ou de costas para não ficar de frente com o acusador.

Um outro fator que surge também é o corpo dizer a verdade enquanto a boca mente. Em perguntas que a resposta é um simples sim ou não, observe a cabeça da pessoa, se ela diz sim e a cabeça se mexe discretamente de um lado para o outro, o corpo está contestando a resposta, se ela responde não e a cabeça se move sutilmente para cima e para baixo também.

 

A Voz da Razão

Da mesma forma que o corpo reage, a maneira com que a pessoa se comunica também é afetada pela mentira.

– Uma pessoa culpada assume uma postura defensiva, uma pessoa inocente se torna ofensiva;

– Um mentiroso normalmente precisa de tempo para elaborar sua história, por isso geralmente repetem suas questões para ganhar tempo. “Você quer saber se fui eu que matei a prostituta que vocês acharam morta no porta-malas do meu carro? Não… não fui eu. Nunca ví ela antes”. Da mesma forma, uma resposta que repete as palavras da pergunta podem indicar uma mentira: “Foi você que comeu aquele sanduiche que estava com uma etiqueta de ‘não coma’ na geladeira?”, “Não, não fui eu que comeu aquele sanduiche que estava com uma etiqueta de ‘não coma’ na geladeira!”. Geralmente um simples “não” é mais honesto;

– Uma das maneiras mais simples de se evitar mentir e assim não ser pego mentindo é evitar dar respostas diretas que sejam mentiras, o mentiroso apenas dá respostas indiretas e implícitas;

– Pessoas que mentem também podem acabar dando mais informações do que são necessárias, enchendo suas respostas de detalhes desnecessários para tentar convencer de que estão falando a verdade;

– Muitas vezes uma mentira é apresentada de forma que a resposta acaba sendo mais confusa do que deveria, sua entonação e sua gramatica tropeçam uma na outra fazendo a pessoa parecer que está resmungando ou não fazendo sentido;

– Pessoas mentirosas se sentem extremamente desconfortáveis com pausas longas ou momentos de silêncio na conversa, pois isso dá a impressão que algo do que disseram está sendo analizado e não confere com a realidade, esses momentos de silêncio devem ser introduzidos sempre que possível na conversa para usar o desconforto contra o mentiroso.

O tempo da resposta também é importante. Em alguns casos a pessoa pode estar desconfortável em simplesmente falar o que sabe, ou então a resposta precisa de alguns detalhes que precisam de algum tempo para serem organizados na cabeça da pessoa interrogada, mas a regra dita que perguntas que pedem uma resposta simples não precisam de tempo para serem respondidas, aqui a estratégia de repetir a pergunta como se estivesse tentando entendê-la, de forma lenta ou repetitiva mostra que a pessoa está tentando ganhar tempo e não simplesmente preocupada em responder ou em se lembrar de todos os detalhes.

Outra estratégia interessante são mudanças bruscas no assunto. Um mentiroso consegue mudar de assunto e se mostra interessando e dar as novas informações como se continuasse falando da mesma coisa, uma pessoa culpada quer que o assunto da conversa mude, enquanto uma pessoa inocente muitas vezes se torna confusa com a mudança e vai querer voltar ao assunto que estava sendo tratado.

Além disso todos nós falamos em um padrão de voz próprio e identificável. Quando ficamos nervosos ou angustiados ou começamos a mentir, esse padrão se altera sem que nos apercebamos disso. Sua voz faz isso automaticamente, geralmente a voz espontaneamente se torna mais aguda e aflita, então quando percebemos a mudança é natural começarmos a falar mais pausadamente do que o normal e em um tom mais gutural e mais baixo, numa tentativa de controlarmos a velocidade e o tom, tentando trazê-los de volta ao normal.

Uma pessoa que está mentindo também tem uma tendência de assumir um tom sarcástico ou divertido tanto para evitar o assunto discutido quanto para poder mudar constantemente o tom de voz para não ser apanhado.

Por Stella Maris

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/minta-para-mim-guia-rapido-para-detectar-mentiras/

Inugami – como criar um deus – inugami no noroi – 犬神の呪い

Por Robson Bélli

O feitiço de Inugami é uma arte negra que consagra o espírito de um cachorro como o deus da casa e manipula o espírito livremente para roubar a riqueza dos outros, tornando sua casa rica.

O feitiço do inugami, que é ensinado no estilo magico da família Izanagi de Shikoku, segue chamado método de envenenamento (sim existe toda uma tradição desse tipo de magia na Ásia) praticado na China, manipulando o espírito do cão para prejudicar os outros e tornar a casa do dono rica. O Inugami é um espírito possuído pela casa, e aqueles que possuem a casa devem o adorar como um deus para a satisfação do Inugami por gerações. Desde que o Inugami traga riqueza para a casa, mas não a trate mal. Se algo acontecer a cabeça, isso trará desastre para as pessoas na casa. Dizem que você pode obter o Inugami fazendo o seguinte:

[Nota do Editor: Apesar de tradicional e histórico este procedimento é inaceitável hoje em dia. Maltratar animais é crime no Brasil previsto pela lei nº 9.605/98. Nem o autor nem o portal incentivam ou apoia quaisquer atos criminosos.]

  1. Pegue um cachorro vivo e enterre-o no chão até o pescoço para matá-lo de fome.
  2. Coloque comida na frente dele e corte o pescoço do cachorro quando a fome for extrema.
  3. A cabeça deve ser enterrada em uma estrada movimentada, por onde passam muitas pessoas.
  4. Então desenterre a cabeça e a adore-o como parte do feitiço.
  5. Isso por si só torna o Inugami seu, e o mestre pode manipular o espírito à vontade e, se assim o desejar, pode matar seu odiado oponente.

No entanto, se o Inugami for manipulado uma única vez dessa maneira, o Inugami se estabelecerá em sua casa pelo resto da primavera. Tal casa é chamada Inugami-suji, e todos os descendentes e famílias dessa casa poderão controlar Inugami. Uma vez que você possui um inugami. Você terá que adorar o Inugami por gerações.

Diz-se que o espírito de um cão, que é consagrado como um inugami, ele costuma ter o tamanho de um rato ou de uma doninha.

E, na linhagem familiar que possui um Inugami, diz-se que quando nasce uma menina, o número de espíritos de Inugami aumenta em 75. Além disso, se você conseguir uma noiva da casa de uma casa que possui um Inugami, o Inugami seguirá junto com a noiva, e o Inugami se estabelecerá na casa da noiva. Portanto, a nova casa (família) também tem que cultuar o Inugami.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/inugami-como-criar-um-deus-inugami-no-noroi-%e7%8a%ac%e7%a5%9e%e3%81%ae%e5%91%aa%e3%81%84/

As chamadas Fórmulas Mágicas ou Cabalísticas

Jean Dubuis

Às vezes ouvimos falar de alguém que conhece uma fórmula para combater queimaduras ou uma fórmula para parar o sangramento. É delicado desenvolver um ponto de vista sobre essas práticas simplesmente porque geralmente não são repassadas a conhecidos. De fato, para as pessoas que possuem uma dessas fórmulas, a transmissão é feita apenas dentro da família e muitas vezes usando a seguinte regra: de pai para filha e depois de mãe para filho.

Outros, e isso é geralmente admitido, têm dons de cura que aparentemente usam sem o apoio de nenhuma fórmula mágica.
Em sua evolução, o homem retorna gradualmente ao seu nível original de consciência, o estado do Jardim do Éden.

Depois de sua viagem na matéria, ele readquire esse estado, livre e estruturado. Este retorno não é súbito e o homem o faz gradualmente durante esta evolução. Em cada estágio, as funções adormecidas de seu Ser despertam e ele pode então dar ordens diretamente à Natureza.

No entanto, ele não fará milagres violando a Natureza, mas gradualmente terá acesso a leis naturais maiores, acima das leis físicas da matéria. É fazendo cumprir as leis de uma Natureza Superior que ele obterá resultados neste mundo.

Então, você diz, para que servem as fórmulas? Bem, a fórmula momentaneamente dá ao homem faculdades que, mais cedo ou mais tarde, comumente serão dele. Ele pode então, por um momento, transcender naturalmente as leis da matéria em nosso mundo.
Se tivermos a oportunidade de rever as fórmulas mantidas pelas famílias que as possuem, perceberemos que muitas vezes são frases em hebraico do Antigo Testamento, de onde provavelmente derivam os nomes cabalísticos.

Para conhecer a verdade neste domínio, experimentar é a única solução que pode nos dar uma resposta.

Mas alguns cuidados são necessários, principalmente se for uma fórmula de aplicação geral.

“O Enchiridion”, uma coleção de orações do Papa Leão III, disse que antes de usar, você deve copiar a fórmula à mão e depois usá-las em você. Acrescentamos que você nunca deve se referir a um
solução ao pedir auxílio. É preciso pedir a solução que se adeque ao problema, mas deixando ao Eu Superior que é invocado a escolha de qual será a solução.

Se você quiser tentar, aqui está uma fórmula decodificada e extraída do Enchiridion:

VAHOS + A NOSTRO + NOXIS + BAY + GLOY + APON + AGIA + AGIOS + HISCHIROS

(Pausa de alguns segundos)

AGLA + AGLA + AGLA.

Cada sinal + corresponde a um simples sinal de cruz a ser feito com o dedo indicador da mão direita à sua frente, sem dizer nada, de cima para baixo e da esquerda para a direita (em pequenos gestos de 15 a 20 cm, cerca de 4-8 polegadas).

Nesta fórmula, você deve pronunciar todas as terminações:

AY como AI
OY como OI
ON como em Don
Além disso, diremos aGhia, aGhios e hisKiros.

AGLA é um Notaricon cujo desenvolvimento é: Ateh Gibor (pronuncia-se gui) Le-Olam Adonai.

No momento imediato após a pronúncia da fórmula, sentamos, meditamos e focamos no problema em questão. Alguns segundos de concentração são suficientes.

Esta fórmula deve ser usada apenas para problemas sérios e graves. Deve-se ter o sentido e o sentimento do Sagrado em seu uso.
Antes de usar, deve-se notar novamente que é bom meditar profundamente sobre o problema e saber, na perspectiva do Invisível, se intervir é positivo.

Nunca use esta fórmula para fins práticos ou materiais, a menos que as condições da vida cotidiana sejam um obstáculo ao seu caminho esotérico.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/as-chamadas-formulas-magicas-ou-cabalisticas/

Magia Celta – Com Narhair (Ordem Walonom)

Bate-Papo Mayhem 188 – Com Narhair (Ordem Walonom) – Magia Celta

https://projetomayhem.com.br/

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/JB0q0qFIhuU

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/magia-celta-com-narhair-ordem-walonom

Aromagick: Aplicação Mágica da Aromatica

Pouco foi escrito sobre a prática ritual da aromatica. Os poucos itens que apareceram impressos sobre o tema são dogmáticos e terrivelmente imprecisos. As poucas pessoas envolvidas com  magick e habilitadas em aromática apenas plagiaram fontes duvidosas anteriores ao invez de pesquisar e testar o que ensinam. O sentido do olfato é grosseiramente subestimado por qualquer um que não tenha se dedicado a deliberadamente considerar seus efeitos. Para estas pessoas a habilidade de sentir cheiros é meramente um acessório para o que são consideradas os mais importantes portas da percepção – os outros quatro sentidos. Nenhum magista deve se permitir cair nesta armadilha. O sentido do olfato pode ser uma fonte sutil de condicionamento, intencional ou acidental e o uso magico ritual de incensos e óleos não pode ser ignorado, o sentido do olfato pode ser mais evocativo do que qualquer outro, por exemplo:

Ferormônios conseguem acionar funções hormonais pelo sistema olfativo sem nem ao menos notarmos a existência do seu odor… Cheio de hospital espalhado em um recinto em pouquíssimas quantidades de modo a sequer ser notado pode mensuravelmente aumentar o nível de ansiedade dos indivíduos ali presentes… alguns anos atrás um profissional do meu distrito trabalhando com almiscares sintéticos descobriu uma substância capaz de aprimorar o sentido do olfato em cem vezes. O governo do meu pais (EUA) confiscou seu trabalho, fechou seu laboratório e censurou-o para não repetir a experiência. Este episódio sinistro claramente demonstra a seriedade que o olfato tem para o ‘establishment’, provavelmente com propósitos de controle das massas. Em um nível mais cotidiano, anos de trabalho com óleos essenciais demonstrou para mim que certas vibrações do espectro dos perfumes têm repetidamente, quase universalmente sido reconhecidos pelos mesmos efeitos. Por exemplo, sândalo, não importa quem o cheire experimenta um efeito sedativo. Capim-Limão sempre acorda as pessoas. Aromas possuem ainda o poder de sugestionar  e em sistemas mágicos pragmáticos é a combinação destes dois princípios – natureza e associação é sempre usada em magia individual ou coletiva.

A construção de um “Olfabeto”… um sistema artificial de atribuições olfativas é algo que só pode ser feito a nível individual – nunca é a função do grupo. Esse sistema deveria ser constituído a partir de tantos cheiros evocativos de experiências passadas quanto for possível ao indivíduo recriar.

Por exemplo, quando criança o magista brigou com outro menino em seu caminho para a escola. A luta ocorreu em um lugar repleto de alho selvagem, e desde então sempre que ele sente o cheiro de alho a emoção da ocasião retorna a sua mente. Ele interpreta esta emoção como um aspecto da energia de Marte e consequentemente usa alho nos incensos do tipo marcial. O mesmo magista busca em si o mesmo para todas as suas emoções. Cocô de cavalo é usado para Vênus, porque lembra-lhe do estábulo onde ele perdeu a virgindade. Incenso de olíbano é usado apenas quando não deseja produzir emoções violentas porque ele sempre o considerou calmante.

Magos tradicionais ou cabalistas desaprovam este tipo de sistema, não percebendo que eles gastam uma grande quantidade de tempo para convencer suas mentes da validade destes sistemas arbitrários ao invés de criar sistemas que se adequem a eles próprios.

Na confecção de incensos para trabalhos em grupo há alguns elementos de consenso que devem ser lembrados.
É claro que aromas como o do sândalo são apreciados por quase todas as pessoas como prazeroso ao passo que Assa-fétida e Cauchu são sem exceção considerados detestáveis. Um incenso de Hathor é um bom exemplo; ele deve ser doce e pesado e criar o ambiente necessário para o ritual sem usar substâncias que eram desconhecidas pelos antigos egípcios. O Chamado incenso de outono é outro exemplo e deve ser composto de elementos coletados do lugar onde o trabalho será feito, originalmente sendo composto de resina de pinha, folhas, flores e frutos do campo e cabeças de camomila. Ele produz um perfume abundante e doce e sem duvida carrega a mensagem da colheita bem feita.

Alguém sem nenhuma experiência com incensos faria muito bem a si mesmo se comprasse alguns incensos prontos nas lojas.

Adquira alguns de vários lugares diferentes, compare-os e identifique seus ingredientes. Se o vendedor não está preparado para lhe dizer os ingredientes do incenso não compre mais nada deste lugar. Certamente não se trata se segredo, mas sim ignorância ou no pior dos casos quer dizer que a pessoa está cobrando muito mais do que o incenso realmente vale. Enquanto isso comece a coletar matérias primas que você ache útil. Isso inclui as gomas, resinas, mas você também achara úteis algumas ervas aromáticas, madeiras e raízes.

Sequer pense em começar a fazer seus próprios incensos se você não tem em estoque e não sabe diferenciar estes elementos básicos:

Olibano
Dammar
Mirra
Louro
Musgo do Carvalho
Raiz Galanga
Benjoim
Colofônia
Sândalo
Goma copal
Lavanda
Pinha

Queime cada um destes separadamente para se familiarizar com a natureza de cada um.

Alguns líquidos são importantes para se adaptar a fragrância de sólidos misturados. Estes vêm na forma de resinas ou óleos essenciais e devem ser comprados de comerciantes respeitáveis já que podem ser facilmente adulterados. Eu ficaria relutante em começar com menos do que os seguintes itens:

Benjoim
Cássia
Ylang Ylang
Cedro
Copiaba
Gerânio
Rosa
Jasmi

Incensos podem ser secos ou pegajosos de acordo com o gosto pessoal. Para um produto seco, não adicione mais de 1ml de óleo para cada 25mg da essência do incenso. Para resina basta adicionar um pouco mais de óleo essencial e ter certeza que a gomas e resinas foram, pelo menos em parte, finamente moídas. Os líquidos adicionado irão ligar o pó gomas e resinas, juntamente com os materiais de ervas e flores. Se a fragrância está certa, mas o produto não esta suficientemente resinosa, adicione amêndoa doce ou azeite para obter a textura desejada. Estes são inodoras e muito menos caro do que os óleos essenciais.

Uma mistura de incenso precisa de tempo para amadurecer. Fórmulas não devem ser descartadas antes de pelo menos, dois meses, pois é somente quando a mistura está madura que o Turiferário (pessoa encarregada de fazer incenso) pode decidir se ele é apropriado para o seu fim ou se é necessária uma nova adaptação. A fórmula final deve ser mantida seguro. Não há turiferário no mundo que não tenha alguma vez criado o melhor incenso do mundo para logo deopis extraviar a fórmula e, em seguida, esquecer de como ela era originalmente.

Para o trabalho coletivo de um templo é necessário um especialista turiferário. Muito pouca fumaça ou incenso não serão fortes o suficiente para causar qualquer efeito – fumaça e incenso demais tornará o ritual impossível de ser completado por alguns dos celebrantes que tentarão sair do templo o mais rápido que puderem. Infelizmente é impossível passar orientações sobre isso,  pois é uma questão de experiência. Como alternativa para as essências de incenso, óleos podem ser evaporados em um prato de metal sobre uma fonte de calor suave, como uma vela, mas é necessário um cuidado ainda maior ao medi-los pois são bem mais caros.

Óleos de Unção são bem mais simples. Para fazer, simplesmente misturamos óleos essenciais e os diluímos em um óleo fixo, como a amêndoa ou azeite doce. Algumas das velhas fórmulas tinctures2 estipulam que devem ser usados, mas estes são inferiores aos óleos essenciais e sua preparação é extremamente demorado.  Algumas das fórmulas tradicionais estipulam que algum tipo de tintura deva ser usados, mas isto torna o trabalho inferiores aos óleos essenciais e torna sua preparação extremamente demorada.

Vinhos aromáticos possuem uma vantagem sobre um simples bordeaux ou claret pois possuem sabores distintos que não são encontrados facilmente fora do ritual. Há duas formas com a qual eles podem ser preparados. A mais fácil é macerar as ervas no vinho a ser usado de sua própria adega. Este não é um método totalmente satisfatório já que os únicos elementos sobre os quais você tem controle são as propriedades e, em certa medida, o sabor. O segundo método envolve a fermentação de leveduras e açúcar com ervas adicionadas no início, e é muito superior. O controle pode ser exercido sobre suas propriedades, teor de álcool, corpo e sabor. A única desvantagem desse método é que o processo precisa ser iniciado no mínimo três meses antes do vinho ser consumido.

Algumas fórmulas de exemplo:

VINHOS:

O álcool nos vinhos é um produto da ação de leveduras (Saccharomyces elipsoidius) de algum tipo de açúcar. Quanto mais açúcar você adicionar mais álcool o vinho terá (dentro da tolerância da levedura utilizada). Fermentos de uso geral genéricos podem ser encontrados em qualquer loja de bebida, este possui uma tolerância relativamente elevada ao álcool e é adequado para qualquer vinho de ervas. Ervas devem ser escolhidas por suas propriedades, em vez de seu sabor tão pouca fruta pode ser necessária em alguns casos, assim é normal a inclusão de alguma fruta no processo para fazer a bebida saborosa. Como regra geral, 100g de erva para 4 litros de vinho, é a proporção certa. O exemplo a seguir é de um vinho afrodisíaco.

Equipamento:
2 garrafões, um com uma câmara
Um tubo de plástico para ser usado como um sifão
1 funil
1 ou 2 papéis de filtro

Ingredientes:
2k de açúcar ou mel
75 gramas de Damiana
25g de folhas de Louro
Fermento de uso geral
1 limão
1 saquinho de chá

Metodo:

Ferver as ervas em 2 litros de água por aproximadamente 45 minutos e tenha a água no garrafão. Derreta o açúcar em uma panela de água e adicionar à água da erva. Esprema o limão no garrafão e adicione o saquinho de chá. (Estes são adicionados para fornecer o ácido cítrico e tanino, respectivamente). Outros commodities poderiam ser usados, por exemplo, casca de laranja para o ácido cítrico e folhas da erva do salgueiro para tanino, estes ingredientes auxiliam a ação do fermento no açúcar.

Deixar o conteúdo do garrafão esfriar. Prepare uma garrafa colocando uma colher de sopa de fermento em um frasco contendo ¼ litro de água quente.  A mistura inicial estará pronta para ser adicionada no conteúdo no garrafão quando se estiver à temperatura ambiente. O processo levará algumas horas e desde que não esteja muito frio a fermentação continuará sozinha. Quando a câmara parar de borbulhar teste a força e o sabor do vinho. Quando pronto leve o garrafão par algum lugar fresco e deixe descansar por duas ou três semanas para permitir que as partículas finas se dissolvam e depois filtre o líquido para o garrafão final. Quanto mais tempo o vinho for guardado melhor será. Uma alternativa a esse processo é curtir as ervas em álcool e diluir a substância resultante se necessário.

UNGUENTOS:

Existem dois tipos de óleos de unção: um trabalha por associação de cheiro, o outro, faz a pele formigar ou “queimar” de leve. A inclusão de uma pequena porcentagem do óleo de folha de canela fará com que o último efeito se manifeste – a primeira é mais difícil pois é a síntese de todos os aspectos da fragrância até agora discutidos. A fórmula seguinte é retirado da tradução de  S.L. Mathers’  da Magia Sagrada de AbraMelin O Mago:

Você deve preparar o óleo sagrado desta maneira: Tome da mirra em lágrimas, uma parte; da canela fina, duas partes; de galanga meia parte e metade do peso total destas drogas do melhor azeite.

Essas referências são, evidentemente, para uma receita feita de sólidos, mas é mais conveniente que produto seja feito de óleos essenciais. O azeite pode ser substituído por amêndoa doce e, como gosto pessoal, eu gosto de utilizar o incenso olíbano, em vez de canela, que é levemente tóxica.

Um dos óleos de unção favoritos frequentemente usado para  atração sexual é o que foi favorecido por Aleister Crowley. Eu suspeito que o seu nome – Ruthvah – é uma corruptela de ruh hiyat, árabe que significa “sopro de vida”e seu nome alternativo,”O Perfume da Imortalidade” em certa medida, corrobora isso. Um verdadeiro ruthvah seria composto de almíscares e âmbar, mas o produto dessas secreções animais seriam injustificadamente caro. Passei alguns anos trabalhando neste problema e acabei por decidir usar a fórmula a seguir como o fornecimento de um perfume quase exatamente igual ao original mas por uma fração do custo:

2g de almíscar
3g algália.
3g gálbano.
6g de óleo mineral.

Estes são batidos juntos em um pilão até que uma consistência uniforme seja obtida, (isso pode levar dois ou três dias). Se um líquido claro é necessário a mistura pode ser filtrada, mas a fragrância é mais forte se o todo é mantido.

ÓLEO DE EVAPORAÇÃO:

Os dois óleos acima podem ser usados como evaporação assim como para unção. O exemplo dado aqui é de um óleo criado para aprimorar momentos de meditação. Quando evaporado ele também eliminará bactérias e esporos de fungo que estejam, suspensos no ar.

2 ml Lavanda
2 ml Geranium
1 ml Laranja Doce (Israeli)

INCENSOS

As fórmulas dadas a seguir são para os incensos de Hathor e Baphomet que são os mais eficaz para um bom ritual. Como preâmbulo devo dar também a fórmula dada por Deus a Moisés tal como registrado em Êxodo 30:34.

Disse mais o Senhor a Moisés: Toma especiarias aromáticas: estoraque, e ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas tomarás peso igual; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo; e uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da revelação onde eu virei a ti; coisa santíssimá vos será.

HATHOR

25g de mirra
25g Incenso (Olibano)
25g de Benjoim
25g Copal
25g Filipêndula
25g Colofônia
25g Dammar
3g Benjoim resinoide (líquido)
3g Óleo de Amêndoas Doces

Moer e misturar as gomas e ervas e em seguida, adicionar os líquidos. Deixe guardado pelo menos, um mês antes de usar.

BAPHOMET

25g de flores dos cactos
25g de pinho
25g de Filipêndula
50g de Mirra
12g de Goma-laca
25g de Bagas de zimbro
25g de Sândalo
50g Colofônia
25g de Benjoim
10g Óleo do Patchouli
5g Óleo de Amêndoas Doces

Use o mesmo método do incenso de Hathor.

Excerto de The Book Of Results por Ray Sherwin

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/aromagick-aplicacao-magica-da-aromatica/

A’ano’nin (Túneis de Set)

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden.

 

O 26º Túnel está sob a égide de A’ano’nin, cujo número é 237. Seu nome deve ser pronunciado num tom áspero e gritante na clave de ‘A’. Seu sigilo deve ser pintado em negro dentro de um pentagrama de cor índigo e invertido.

 

Seu túnel passa por baixo do 26º caminho que transmite o 16º kala na série de kalas microcósmicos começando com o 11º caminho. Deveria ser lembrado neste ponto que as zonas de poder Cósmico ou Aeônico constituem as dez sephiroth, não sendo Daäth um kala no sentido estrito do termo porém um portal de Ingresso e Regresso de Aiwass (78) via Kether.667 As zonas de poder microcósmicas ou sexuais são os 22 Caminhos que, junto com as 10 zonas de poder Aeônico ou macrocósmico, perfazem 32 no total.

 

Os 22 Caminhos são reflexos na consciência humana das zonas de poder da consciência cósmica. Os aeons podem também ser considerados em relação aos centros cerebrais no homem, e os kalas em relação aos centros sexuais.668 O mecanismo psicossexual dos 16 kalas na humanidade (8 na mulher; 8 no homem) é refletido dos centros aeônicos ou zonas de poder cósmico dentro do fluido cérebro-espinhal e do sistema endócrino. O 16º  kala, em um sentido macrocósmico, é igualado ao Caminho 16, o Caminho da Har ou Criança (Horus). Ele é nascido da Deusa 15, representada no Caminho 15 como A Estrela cujo emblema místico é o décimo-primeiro signo zodiacal, Aquário. Este simbolismo foi explicado em Aleister Crowley e o Deus Oculto, ao qual o leitor é convidado a examinar.

 

O reflexo de Hórus no 16º kala microcósmico, que é numerado como 26, é O Diabo, ou Duplo, de Hórus, i.e. Set. Uma perfeita fusão ou equilíbrio de forças nos macro e micro cosmos é então obtida neste 26º kala, que é regido pelas energias de Capricórnio. O Bode é o astro- glifo da Mulher Escarlate cujo OLHO (Ayin) é atribuído a este caminho via o simbolismo do Atu XV, O Diabo. Este ain, ou olho, alcança sua mais completa extensão no nome da Sentinela deste túnel, i.e. A’ano’nin. Seu número é 237 que é também aquele de Ur-He-Ka, o Poder Mágico(k) da Deusa ShPhChH (Sefekh), 393.669 237 é também o número de IERAOMI, ‘ser um sacerdote ou sacerdotisa’, o que confirma a natureza sagrada deste número.

 

O sigilo de A’ano’nin mostra o Ur-heka encimado pela cabeça do sacerdote e cercado pelas letras BKRN, que somam em 272. Este é o número de Aroa, ‘Terra’, e de Bor, ‘consumir’, ‘ser bestial’, ‘bruto’, etc. Ele é também o número de Orb, significando ‘a noite’, ou um Arab, i.e. uma pessoa vivendo no Oeste. O Oeste é o local de Babalon. Seu totem, o bode, é o glifo da terra no oeste como o local do sol poente. Obr, uma metátese de Orb denota ‘lágrimas’, ‘gotejamento de mirra’, da palavra egípcia abr, ‘ambrosia’, ‘unguento’, e de aft, significando ‘transpirando’, ‘destilando’.

 

Os poderes mágicos do Caminho 26 se relacionam ao Sabá das Feiticeiras e ao Olho Mau e este kala é aquele que é destilado pelo rito do XIo, pois o Olho Mau é o Olho da Noite (i.e. a lua), e a unção, o ungüento, ou gotejamento de mirra é o Vinum Sabbati preparado no por do sol no caldeirão da Mulher Escarlate. Capricórnio é a Chama Secreta sobre a qual ferve o caldeirão, portanto sua conexão com Vesta, que, junto com as divindades Khem, Set, Pan, e Príapo, é atribuída ao Caminho 26.

 

A doença típica deste kala é o priapismo, e os animais sagrados à ele são a ostra, o bode, e o asno. O último é o totem específico da mulher e das qliphoth associadas à Lua de Yesod, o Gamaliel ou ‘Asno Obsceno’.

 

O túnel de A’ano’nin é povoado por sátiros, faunos, e demônios do pânico, e a Ordem de Qliphoth associada à ele é a dos Dagdagiron, significando ‘os Fishy’ (‘piscosos’- relativo à peixe), o que denota a natureza feminina. A Arma Mágica correspondente é a Força Secreta representada pela lâmpada, que é uma alusão ao olho oculto dentre as nádegas do bode.

 

A atribuição do Tarô a este Caminho 26 é o Trunfo intitulado O Diabo, O Senhor dos Portões da Matéria; pois a corrente lunar é o mênstruo de reificação que ferve dentro do Cálice de Babalon. Ela é a noiva de Choronzon pois ele é em verdade Senhor dos Portões da Matéria.

 

Segundo o Liber CCXXXI:

 

O Senhor Khem surgiu, Ele que é santo entre os mais elevados, e posicionou seu bastão coroado para redimir o universo.

 

Isto significa que Set ou Pan ergue o falo para redimir o universo, de cuja redenção a fórmula técnica está resumida no XIo O.T.O. O Diamante Negro é o símbolo secreto deste operação que envolve os poderes totais da geração, pois o diamante brilha na escuridão da matéria como o Olho de Set.

 

O panteão africano é representado neste túnel por Legba, o fetiche da ‘vara nodosa’, i.e. o falo. Ele é algumas vezes conhecido como Echu, o ‘rejeitado’; rejeitado, isto é, pelo não iniciado que é incapaz de compreender o valor da Primeira Matéria e sua relação com os aspectos mais sutis da consciência. Primeira Matéria, neste contexto, é uma alusão àquele fluido excremental que forma parte do Vinum Sabbati. Isto é destilado no Banquete de Legba que é conhecido como Odun, e que é indubitavelmente o precursor do Sabá das Feiticeiras. Odun quer dizer ‘o ano’ e significa um ciclo de tempo completo, portanto conectando o simbolismo ao ciclo periódico da mulher. A referência é à serpente lunar que confere riqueza perpétua, então sua associação com o Diabo e Poder Material.

 

Como é importante fazer uma distinção entre a magia do XIo tal como praticada pelos membros contemporâneos da O.T.O., e a interpretação daquele grau fornecida por Crowley em seus Diário Mágico,670 eu me sinto justificado em citar a seguinte passagem de Aleister Crowley e o Deus Oculto com relação ao simbolismo deste túnel:

 

Este simbolismo revela a fórmula do XIo O.T.O., que é o rito reverso e complementar do IXo. Ele não envolve o uso sodomítico do sexo, como Crowley supunha, porém o uso da Corrente lunar como indicado em seu Diário Mágico pela frase El.Rub. (Elixir Rubeus).

 

Os antigos Mistérios Draconianos de Khem sobre os quais o Culto de Shaitan-Aiwass está por fim baseado são silentes a respeito de qualquer fórmula sodomítica exceto como uma perversão da prática mágica. Naquela Tradição – a mais antiga do mundo – Horus e Set representavam originalmente Norte e Sul; o calor de Set era simbolizado pelo poder escurecedor ou enrubescente do sol no sul, também por Sothis a estrela que anunciava a inundação periódica do Nilo, interpretada místicamente como um fenômeno dos Mistérios Femininos. A lama vermelha, a inundação, o Horus ‘cego’, o Osíris atado em faixas, o sol choroso ou eclipsado, todos eram igualmente simbólicos do ciclo periódico da natureza feminina. Set, como o assento, não simbolizava o fundamento literal, mas a fundação no sentido lunar e Yesódico do fluxo fisiológico que é a base verdadeira de manifestação e estabilidade. Similarmente, o simbolismo regressivo da paródia medieval destes antigos Mistérios, com seu assim chamado Sabá das feiticeiras e os obscaenum, era uma referência ainda legível à fórmula lunar. A interpretação errônea destes Mistérios em termos anais é, para o Iniciado, tanto uma perversão de doutrina (e, como tal, uma blasfêmia sacramental) quanto é a recitação do Pai Nosso de trás para frente e a violação dos sacramentos para o cristão ortodoxo.671

 

667 Existem 78 chaves ou chamadas no Livro de Thoth e todas elas tem uma posição na Árvore da Vida. 78 é um número de Aiwass, a Inteligência extra-terrestre que comunicou a Crowley a Lei do presente Aeon de Horus. Ele é também o número de Mezla, a influência do alto, ou do além. Note que 26 (o número deste túnel) vezes 3 (o número de Saturno ou Set) é igual a 78. Note também que o Atu XVI é entitulado A Torre ou Fortaleza de Deus. Compare com os ‘onze templos dos Yezidi’ com o ‘Aeon de onze torres’ mencionados por Crowley em O Trabalho Cephaloedium. Vide Mezla (editado [por]Ayers e Siebert), Nos. 5 e 6, onde este Trabalho está publicado.

 

668 Vide Cultos da Sombra, capítulos 1 e 2, para uma explicação sobre estes assuntos.

 

669 Vide notas na página 166, supra.

 

670 Vide O Diário Mágico da Besta 666 (Ed. Symonds e Grant), 1972.

 

671 Aleister Crowley e o Deus Oculto, págs.109-10.

 

***

 

Texto adaptado, revisado e editado por Ícaro Aron Soares.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aanonin-tuneis-de-set/

San Mitsu: Os Três Mistérios do Budismo Shingon

O Budismo Shingon é uma escola do budismo esotérico fundada pelo monge Kobo Daishi, também chamado de K?kai, no início do período Heian no Japão. O Shingon segue a linha do Vajrayana e preceitua que a iluminação búdica pode ser alcançada por todos ainda nesta vida através da observação do San Mitsu (os Três Segredos ou Três Mistérios): as atividades simbólicas Corpo, Palavra e Mente.

Os Três Mistérios estão presentes em todas as coisas que compõe o Universo, pois o Universo contém em si todos os ensinamentos de Buda. Assim, quando falamos em praticar os ensinamentos de Buda, nós estamos falando de três coisas: shinmitsu, kumitsu e imitsu.

1. Quando juntamos as mãos em frente ao corpo (gasshou – pronuncia-se gasshô), isso é chamado “o mistério da ação dos corpos” (shinmitsu)

2. Quando recitamos mantras, isso é chamado “o mistério da palavra” (kumitsu)

3. Quando meditamos, isso é chamado “o mistério da mente” (imitsu)

O Segredo do Corpo: Mudra

Os mudras expressam a forma da atividade secreta do corpo, e simbolicamente criam uma conexão entre o praticante e o universo. O Monge K?kai, fundador da escola Shingon, assim escreveu:

“Se os Budas estão no reino do Dharma, eles existem dentro de meu corpo. Se eu também sou do reino do Dharma, então eu existo dentro dos Budas”.

A atividade secreta do Corpo é o uso da energia a partir da matéria; isto é, é a utilização das coisas físicas e materiais presentes no plano denso para utilização da energia dos planos mais sutis. Em outras palavras, para facilitar o entendimento deste ensinamento, podemos dizer que mudra designa qualquer coisa material e física que é empregada para gerar e utilizar energia, proporcionando, assim, a conexão do seu praticante com o Universo.

O Segredo da Palavra: Mantra

A atividade secreta da palavra é expressa através dos mantras e dos dharanis, que são fórmulas de invocação. Assim escreveu o Monge K?kai:

“Ao vocalizar as sílabas de maneira clara e compreensiva, a verdade se manifesta. O que é chamado? A verdade das sílabas vocalizadas? São os três segredos nos quais todas as coisas e Buda são iguais. Essa é a essência original de todos os seres”.

A escola Shingon descreve os mantras em termos de som, do sânscrito escrito, e do significado simbólico.

O mantra é, portanto, o nome primordial, a verdadeira palavra que carrega o seu poder originário de criação; é a atividade secreta da palavra que traz consigo a essência de todos os seres. Ele age a partir da vibração, sendo o som a sua manifestação física. Através da pronunciação repetida, é possível obter controle sobre a forma de energia gerada por ele.

O Segredo da Mente: Visualização

A atividade secreta da mente é expressa na visualização dos Budas e outras deidades, dos símbolos dos mantras (yantras) e de outras formas simbólicas.

Sobre o tema, o Monge K?kai escreveu:

“Os três segredos do Corpo do Dharma não estão limitados às partículas mais finas, e não se dissipam, mesmo preenchendo todo o espaço. Eles penetram rochas, plantas, e árvores sem discriminação. Eles penetram os humanos, os deuses, os demônios, e os animais sem escolher. Eles se estendem a todos os lugares. Não há nada através do qual eles não possam agir”.

Yantras, Mandalas e outras formas pictográficas simbólicas são representações microcósmicas do macrocosmo, e a sua visualização ativa essa energia, colocando seu praticante em contato com ela.

#Budismo #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/san-mitsu-os-tr%C3%AAs-mist%C3%A9rios-do-budismo-shingon