Mentindo Com Pixels

A imagem que você vê no noticiário da tv pode ser uma falsificação – uma montagem fabricada pelas novas tecnologias de manipulação de vídeo

No ano passado, Steven Livingston, professor de Comunicação Política na George Washington University, deixou atônitos os participantes de uma conferência sobre Geopolítica. Discutia-se o papel dos satélites nas transmissões de imagens. Ele não produziu provas de novas mobilizações militares ou pandemias globais. Em vez disso, mostrou um vídeo da patinadora Katarina Witt durante uma competição de patinação em 1998.

No clipe, Katarina desliza no gelo graciosamente por cerca de 20 segundos. Então vem o que talvez seja uma das mais inusitadas repetições de imagens jamais vistas. O fundo era o mesmo e os movimentos da câmera eram os mesmos. Na realidade, a imagem era idêntica ao original em todas as formas, exceto talvez na mais importante: Katarina tinha desaparecido, junto com todos os sinais dela. Em seu lugar estava exatamente aquilo que você esperaria se Katarina nunca tivesse estado ali – o gelo, as paredes do ringue e a multidão.

Grande coisa, você dirá. Afinal, há mais de meio século a equipe de Stálin, o ditador soviético, já eliminava das fotos personalidades malvistas pelo governo. E, dezessete anos atrás Woody Allen realizou um grande número de deformações da realidade no filme Zelig, onde ele aparece junto a figuras do passado como Adolf Hitler e os presidentes americanos Calvin Coolidge e Herbert Hoover. Também em filmes como Forrest Gump e Mera Coincidência, a distorção da realidade tornou-se lugar-comum.

O que diferencia a demonstração com Katarina Witt – e muito – é que a tecnologia usada para “excluir virtualmente” a patinadora pode agora ser aplicada em tempo real, ao vivo, mesmo enquanto a câmera grava a cena e no mesmo instante em que a transmite aos espectadores. Na fração de segundo entre os quadros de vídeo, qualquer pessoa ou objeto que se mova em primeiro plano pode ser retirado, e objetos que não se encontram ali podem ser inseridos e parecer reais. “Plasticidade de pixel”, eis o nome que Livingston deu a essa técnica. As implicações para as pessoas que compareceram à conferência sobre Geopolítica e imagens de satélite deram o que pensar: as fotos exibidas podem não ser necessariamente aquelas que a câmera eletrônica do satélite efetivamente gravou.
Mas a ramificação dessa nova tecnologia vai além das imagens de satélite. À medida que a manipulação ao vivo se torna mas prática, a credibilidade de todos os vídeos se tornará tão suspeita quanto fotos soviéticas da Guerra Fria. O problema tem sua origem na natureza do vídeo moderno. Ao vivo ou não, ele é composto de pixels e, como diz Liningsotn, pixels podem ser alterados.

Os exemplos mais conhecidos de manipulação de vídeo em tempo real até agora são as “inserções virtuais” em transmissões de esportes profissionais. Em 30 de janeiro deste ano, quase um sexto da humanidade em mais de 180 países assistiu a uma linha laranja repetidamente traçada sobre o campo de futebol americano, durante a transmissão do Super Bowl. A Princeton Video Imaging (PVI), em Lawerenceville, Nova Jersey, criou aquela linha, gravou-a num computador e a inseriu na transmissão ao vivo. Para ajudar a determinar onde inserir os pixels de cor laranja, diversas câmeras do jogo foram equipadas com sensores que rastreavam as posições espaciais das câmaras e os níveis de ampliação. Adicionada à ilusão de realidade estava a capacidade do sistema da PVI garantindo que os jogadores e os juízes ocultassem a linha virtual quando seus corpos a atravessassem.

Mesmo as transmissões de TV ao vivo já podem ser manipuladas com “inserção virtuais”

Nos Estados Unidos, durante a primavera e o verão passados, enquanto a PVI e rivais como a Sport-vision de New York colocavam no ar produtos de inserção virtual, incluindo anúncios simulados em paredes atrás dos batedores da liga principal de beisebol, uma equipe de engenheiros da Sarnoff Corporation, de Princeton, Nova Jersey, voou até o Centro Operacional da Coalizão Aliada, da OTAN, Vicenza, Itália. Sua missão: transformar sua tecnologia experimental de processamento de vídeo numa ferramenta experimental de processamento de vídeo numa ferramenta operacional para localizar rapidamente e converter em alvos os veículos militares sérvios em Kosovo. O projeto foi batizado de Tiger, sigla em inglês que corresponde a “fixação de alvos por georregistro de imagem”. “Nosso objetivo era poder disparar munição guiada com precisão através de veículos militares sérvios – basta marcar as coordenadas e a coisa vai:, explica Michaels Hansen, um jovem e agitado aficionado por equipamentos da Sarnoff que acha difícil acreditar que estava ajudando a fazer uma guerra no ano passado.

Se comparada ao trabalho da PVI, a tarefa técnica dos militares era mais difícil – e o que estava em jogo era muito maior. Em vez de alterar transmissões de futebol, a equipe Tiger manipulou a transmissão de vídeo ao vivo de um Predator, uma aeronave de reconhecimento não-tripulada voando a 450 metros de altura sobre os campos de batalha de Kosovo. Em lugar de sobrepor linhas virtuais ou anúncios em cenários esportivos, a tarefa era colocar em tempo real as imagens “georregistradas” de Kosovo sobre as cenas correspondentes transmitidas ao vivo da câmera de vídeo do Predator. As imagens do terreno tinham sido capturadas antes com fotografia aérea e armazenadas digitalmente. O sistema Tiger, que detectava automaticamente objetos em movimento contra o fundo, podia, quase de forma instantânea, fornecer aos oficiais encarregados da artilharia as coordenadas de qualquer equipamento sérvio no campo de visão do Predator. Esse foi um feito bastante técnico, uma vez que o Predator estava se movendo e seu ângulo de visão apresentava constante mudança. Mesmo assim, aquelas visões tinham que ser eletronicamente alinhadas e registradas com a imagem armazenada em menos de um trinta avos de segundo (para corresponder à taxa de quadros da gravação em vídeo).

Em princípio, a definição de alvos poderia ter sido direcionada diretamente às armas guiadas com precisão. “Não estávamos realmente fazendo aquilo na Força Aliada”, observa Hansen. “Estávamos apenas informando aos oficiais encarregados da pontaria exatamente onde estavam os alvos sérvios e eles, então, dirigiam aviões para atingir os alvos”. Dessa forma, os tomadores de decisão humanos poderiam evitar decisões errôneas tomadas por máquinas com defeitos. De acordo com a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada para a Defesa, a tecnologia Tiger foi usada de forma extensa nas últimas três semanas da operação Kosovo, durante as quais “80% a 90% dos alvos móveis foram atingidos”.

Até então, a manipulação de vídeo em tempo real estava ao alcance somente de organizações tecnologicamente sofisticadas como, por exemplo, redes de televisão e os militares. Mas os desenvolvedores da tecnologia dizem que ela está se tornando simples e barata o suficiente para se espalhar para todos os lados. E isto tem levado alguns observadores a pensar se a manipulação de vídeo em tempo real vai corroer a confiança do público nas imagens de televisão, mesmo quando transmitidas em telejornais. “A idéia de ver para crer pode perder a validade”, diz Norman Winarsky, vice-presidente corporativo para tecnologia de informação da Sarnoff. “Você pode não saber em que confiar.”

Uma forma grosseira de manipulação de vídeo já está acontecendo na comunidade de imagens por satélite. A publicação semanal Space News informou no início do ano que o governo da Índia libera imagens de seus satélites de sensoriamento remoto somente após as instalações de defesa terem sido “removidas”. Neste caso, não há manipulação em tempo real e é aberta, como um marcador de tinta de censor. Mas os pixels são flexíveis. É perfeitamente possível agora inserir conjuntos de pixels em imagens de satálite que os interpretadores de dados poderiam identificar como batalhões de tanques, ou aviões de guerra, ou locais de sepultamento, ou linhas de refugiados, ou vacas mortas que ativistas aleguem ser vítimas de um acidente biotécnico.

Uma fita de demonstração fornecida pela PVI reforça esse aspecto no prosaico cenário de um estacionamento num subúrbio. A cena parece comum, exceto por uma característica perturbadora: entre camionetas e minivans estão diversos tanques estacionados e um monstro armado rodando de maneira desconcertante. Imagine uma fita de tanques paquistaneses virtuais rodando pela fronteira da Índia entregue aos telejornais como autêntica, e você pode sentir o tipo de problema que imagens falsificadas podem provocar.
Fornecedores comerciais de serviços de inserção virtual estão concentrados demais em novas oportunidades de marketing para se preocupar muito com geopolítica. Eles têm os olhos voltados para mercados muito mais lucrativos. De repente, esses grandes espaços de programação entre comerciais – ou seja, o verdadeiro show – tornam-se disponíveis para bilhões de dólares de anúncios em horário nobre. A fita de demonstração da PVI, por exemplo, inclui uma cena em que uma caixa do Microsoft Windows aparece – virtualmente, é claro – na estante do estúdio de Frasier Crane. Esse tipo de colocação de produto poderia tornar-se mais e mais importante à medida que novas tecnologias de gravação em vídeo como, por exemplo, TiVo e RePlayTV, oferecerem aos espectadores mais poder para editar comerciais.

Dennis Wilkinson, especialista em marketing que adora esportes e se tornou CEO da PVI há cerca de um ano, não podia estar mais feliz com isso. Os olhos de Wilkinson brilham quando ele descreve o futuro (próximo) em que a tecnologia de inserção virtual levará os anúncios a extremos de personalização. Combinado com serviços de datamining (através dos quais gostos individuais e padrões de consumo dos navegadores podem ser rastreados e analisados), a inserção virtual abre a possibilidade de enviar anúncios personalizados de acordo com o alvo por linhas ou cabos telefônicos a usuários da Web ou espectadores da TV a cabo. Digamos que você gosta de Pepsi, mas seu vizinho ao lado gosta de Coca e seu vizinho do outro lado da rua gosta de Seven Up – o tipo de dados de fácil coleta por meio de registros de caixas de supermercado. Será possível ajustar a imagem de refrigerante no sinal da transmissão para atingir cada um de vocês com sua marca preferida.

A apenas 15 minutos de distância da PVI, Winarsky, da Sarnoff, também está radiante – não tanto com ganhar fatia de mercado, mas quanto ao poder transformador da tecnologia. A Sarnoff tem uma história distinta nesse campo: a empresa descende dos Laboratórios RCA, que iniciaram a inovação em tecnologia de televisão no início da década de 40 e trouxeram à luz grande quantidade de tecnologias de mídia. O tubo de TV em cores, as telas de cristal líquido e a televisão de alta definição vieram todos, pelo menos em parte, da RCA. A Sarnoff exibe cinco prêmios Emmy técnicos em sua recepção.

A capacidade de manipular dados de vídeo em tempo real, diz Winarsky, tem tanto potencial quanto alguns desses predecessores. “Agora que você pode alterar o vídeo em tempo real, você mudou o mundo”, diz. Isso pode soar pomposo, mas, após ver o vídeo de Katarina Witt, a conversa de Winarsky sobre “mudar o mundo” perde um pouco do tom de exagero.

Apagar pessoas ou abjetos no vídeo ao vivo, ou inserir pessoas previamente gravadas ou objetos em cenas ao vivo é somente o início de todos os truques que estão tornando possíveis. Muito de qualquer vídeo que tenha sido gravado está se tornando clipart que os produtores podem esculpir digitalmente na história que quiserem contar, diz Eric Haseltine, vice-presidente sênior de P&D da Walt Disney Imagineering em Glendale, Califórnia. Com tecnologias adicionais de manipulação de vídeo, os atores anteriormente gravados podem dizer e fazer coisas que eles efetivamente nunca fizeram ou disseram. “Você pode fazer com que atores mortos estrelem novos filmes inteiros”, diz Haseltine.

Filmagens contemporâneas, incluindo gravações de atores mortos, têm estado por aí por muitos anos. Mas o ilusionismo de Hollywood – que, por exemplo, inseriu John Wayne num comercial de TV – exigia um trabalho difícil de pós-produção quadro-a-quadro, feito por técnicos especializados. Existe agora uma grande diferença, diz Haseltine. “O que costumava levar 1 hora (por quadro de vídeo) agora pode ser feito em um sessenta avos de segundo”. Essa aceleração dramática significa que a manipulação pode ser feita em tempo real, instantaneamente, à medida que a câmera grava ou transmite. Não somente podem John Wayne, Fred Astaire ou Saddam Hussein ser virtualmente inseridos em anúncios pré-produzidos, como eles poderiam ser inseridos em, digamos, uma transmissão ao vivo de um show de TV.

A combinação de tempo real, inserção virtual com técnicas de pós-produção existentes e emergentes abre um mundo de oportunidades de manipulação. Consideremos a tecnologia Video Rewrite (regravação de vídeo), desenvolvida pela Interval Corporation e pela Universidade de Berkeley, e demonstrada pela primeira vês três anos atrás. Com apenas alguns minutos de vídeo de alguém falando, seu sistema captura e armazena um conjunto de fotos em vídeo, de modo que a área da boca da pessoa parece mover-se ao dizer diferentes conjuntos de sons. A partir da biblioteca resultante de “visemas” é possível retratar a pessoa como se ela dissesse qualquer coisa que os produtores sonhassem – incluindo expressões que o indivíduo nunca usaria, nem morto.

Num teste de aplicação, o cientista de computação Tim Bregler, agora na Universidade Stanford, e colegas digitalizaram 2 minutos de gravação de domínio público do presidente americano John F. Kennedy falando durante a crise dos mísseis cubanos, em 1962. Usando a biblioteca de “visemas”, os pesquisadores criaram “animações” da boca de Kennedy dizendo coisas que ele nunca disse, entre elas, “Eu nunca me encontrei com Forrest Gump”. Com tecnologia desse tipo, em princípios os ativistas poderão em futuro próximo ser capazes de orquestrar via Internet transmissões de seus adversários dizendo coisas que poderiam fazer a pessoa mais íntegra e honrada soar como o mais rematado dos cafajestes.

Haseltine acredita que as técnicas de manipulação de vídeo serão rapidamente levadas a seu extremo lógico: “Posso prever, com absoluta certeza”, diz ele, “que uma pessoa sentada diante de um computador poderá escrever o roteiro de um vídeo, desenhar as personagens, fazer a iluminação, o guarda-roupa, toda a atuação, diálogo e pós-produção, distribuir esse vídeo numa rede de banda larga, tudo isso num laptop – e os espectadores não notarão a diferença”.

Truques que hoje exigem um sistema de 80.000 dólares poderão em breve estar nas lojas, numa câmera de vídeo comercial
Até agora, as aplicações amplamente encontradas de manipulação de vídeo em tempo real ocorreram em áreas benignas como esportes e entretenimento. Já no ano passado, entretanto, a tecnologia começou a se difundir além desses locais, para aplicações que já provocaram uma certa preocupação. No outono passado, por exemplo, a CBS contratou a PVI para inserir virtualmente o logotipo familiar da rede em toda a cidade de New York, em edifícios, outdoors, fontes e outros locais – durante a transmissão do programa The Early Show da rede. O New York Times publicou uma reportagem de primeira página em janeiro questionando a ética jornalística existente em alterar a aparência de algo que está realmente ali.

A combinação de inserção virtual em tempo real, cibermarionetes, regravação de vídeo e outras tecnologias de manipulação de vídeo com uma infra-estrutura de mídia de massa que transmite instantaneamente vídeo de noticiário para o mundo inteiro tem preocupado alguns analistas. “Imagine se você é o governo de um país hipotético que deseja mais assistência financeira internacional”, diz Livingston, da George Washington University. “Você poderia enviar vídeos de uma área remota com pessoas morrendo de fome, e isto poderia nunca ter acontecido”, diz ele.

Haseltine concorda. “Estou surpreso que ainda não tenhamos visto vídeos falsos”, diz ele antes de voltar atrás um pouco: “Talvez tenhamos visto. Quem poderia saber?”

É exatamente o tipo de cenário exibido no filme Mera Coincidência, de 1988, no qual um assessor presidencial de primeiro nível conspira com um produtor de Hollywood para transmitir uma guerra montada virtualmente entre os Estados Unidos e a Albânia para desviar a atenção de um escândalo de corrupção presidencial. Haseltine e outros ficam imaginando quando a realidade imitará a arte imitando a realidade.

A importância da questão somente se intensificará à medida que a tecnologia se tornar mais acessível. O que agora exige uma máquina de 80.000 dólares do tamanho de um pequeno refrigerador logo será encontrado em placas do tamanho da palma da mão (e no limite, num único chip) que caberão num gravador de vídeo comercial, segundo Winarsky. “Isso estará disponível nas lojas de componentes eletrônicos”, diz ele. Um equipamento de consumo para inserção virtual provavelmente exigirá uma câmera de vídeo com uma placa ou chip especial para processamento de imagem. Esse hardware receberá sinais dos sensores de imagem eletrônica da câmera e os converterá numa forma que poderá ser analisada e manipulada num computador com software adequado – algo idêntico ao que se faz com o Adobe Photoshop e outros programas para “limpar” arquivos de imagem digital. Um usuário doméstico poderia, por exemplo, inserir parentes ausentes numa filmagem da última reunião de família, ou remover estranhos que prefiram não aparecer na cena – trazendo as revisões históricas no estilo soviético direto para o ambiente doméstico.

Nos EUA, especialistas já discutem os riscos do uso político das novas técnicas de vídeo

Combine-se a erosão potencial da confiança na autenticidade de reportagens ao vivo com o chamado “efeito CNN” e o cenário está montado para a falsificação mover o mundo de diferentes maneiras. Livingston descreve o efeito CNN como a capacidade da mídia de massa de ir além da mera reportagem sobre o que acontece, para influenciar verdadeiramente os tomadores de decisões quando examinarem questões militares, de assistência internacional e outros assuntos nacionais e internacionais. “O efeito CNN é real”, diz James Currie, professor de Ciência Política na National Defense University, em Fort McNair, Washington. “Todos os escritórios aonde você vai no Pentágono estão com uma TV ligada na CNN”. E isso significa, diz ele, que um governo, um grupo terrorista ou uma ONG poderia colocar eventos geopolíticos em movimento dentro de poucas horas, partindo de uma credibilidade conseguida graças à distribuição de um pedaço de vídeo bem trabalhado.

Com experiência como reservista do Exército, membro de uma equipe com privilégios de alta confidencialidade no Comitê de Inteligência do Senado, e como oficial de ligação legislativa para a Secretaria do Exército, Currie viu de perto as tomadas de decisões governamentais e políticas. Ele está convencido de que a manipulação de vídeo em tempo real estará, ou já está, nas mãos das comunidades militares e de inteligência. E, embora ainda não tenha evidências de que alguma organização tenha empregado técnicas de manipulação de vídeo, em tempo real ou não, para finalidade política ou militar, ele é capaz de divisar cenários de desinformação. Por exemplo, diz ele, pensa só no impacto de um vídeo fabricado que pareça amostrar Saddam Hussein “derramando uísque escocês num copo e bebendo um grande gole. Você poderia transmiti-lo na televisão do Oriente Médio e isso minaria totalmente a credibilidade dele junto a audiências islâmicas”.

Apesar de todas as reações emocionais, entretanto, alguns especialistas ainda não estão convencidos de que a manipulação de vídeo em tempo real representa uma verdadeira ameaça, não importando quão boa a tecnologia venha a se tornar. John Pike, analista da comunidade de inteligência da Federação de Cientistas Americanos, em Washington, D.C., diz que os riscos são simplesmente grandes demais para que governos ou organizações sérias sejam surpreendidas tentando enganar o público. E, para as organizações que estivessem dispostas a correr o risco de faze-lo, diz Pike, o pessoal que trabalha com notícias – sabendo aquilo que a tecnologia pode fazer – vai se tornar cada vez mais vigilante.

“Se alguma organização de direitos humanos aparecesse na CNN com um vídeo, particularmente uma organização com a qual eles não estejam familiarizados, acho que (a CNN) consideraria aquilo radioativo”, diz Pike. O mesmo vale para as organizações não-governamentais (ONGs). “Nenhum diretor responsável de uma organização séria autorizaria esse tipo de coisa. E eles demitiriam, no ato, qualquer pessoa surpreendida fazendo isso. A moeda corrente de ONGs políticas é “nós falamos a verdade”.

Mesmo pessoas mais ponderadas como Pike, entretanto, admitem que a mídia tem um calcanhar-de-aquiles: a Internet. “A questão não é tanto a capacidade de falsificar vídeos na CNN, mas conseguir coloca-los online”, diz ele. Isso ocorre porque a maior parte do conteúdo da Internet não é filtrado. “Isso poderia interferir no processo de produção de notícias, onde você não reproduziria o relatório original, mas relataria o que foi relatado”, diz Pike. Tal procedimento poderia resultar, em cascata, num efeito CNN. “Sem dúvida, esse tipo de experiência acabará acontecendo”, diz Pike.

O problema, afirma Livingston, é que apenas algumas experiências podem ser suficientes para levar as pessoas a questionar para sempre a autenticidade do vídeo. Isso poderia ter repercussões enormes sobre operações militares, de inteligência e de notícias. Uma conseqüência sociológica irônica poderia surgir: o retorno a uma dependência mais pesada de comunicação cara-a-cara, sem intermediários. Neste meio tempo, entretanto, haverá algumas interessantes torções e reviravoltas, à medida que os pixels se tornarem ainda mais flexíveis.

por Ivan Amato – Publicada originalmente na revista Info Exame No. 175 – Outubro/2000

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/mentindo-com-pixels/

Ars Paulina: O ritual do Sagrado Anjo Guardião

Por Robson Bélli (lemegeton.com.br)

“Os anjos não são, todos eles, espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação?”
Hebreus 1:14

Cansado da ideia de ter de fazer um ritual de mais de seis meses, praticamente impossível de realizar (a menos que veja seja um milionário), só para falar com um anjo que está todo tempo ao seu lado, onde esse mesmo anjo quer ter contato com você? Abandonando a ideia do dificílimo ritual de Abramelin e buscando meios mais sensatos para o contato e comunicação com nosso sagrado anjo guardião, chegamos aos seguintes questionamentos:

1. Se posso falar com anjos de qualquer lugar do universo aprendendo um sistema qualquer de magia angélica, o que me impede de falar com um anjo que está ao meu lado a todo momento?

2. Quantos sistemas mágicos conhecidos oferecem este beneficio? O Abramelin e o igualmente antigo Ars Paulina, fora claro a “ciência cabalística” de. Lazare Lenain (sistema dos 72 nomes de Deus) e a oração da igreja romana.

Visto isso vamos explicar então o “complexo” sistema do ars paulina.

I. Preparação

1. Você faz uma medalha segundo é indicado para o seu signo, conforme é indicado no livro.

2. Faz a mesa de pratica que pode ser impressa em um papel A3 a partir do seguinte desenho:

3. Obtem uma bola de cristal (sim pode ser de vidro ou resina, pois o importante não é o material em si e sim que seja um objeto reflexivo), purificando com agua e sal, consagrando através da fumaça de um incenso.

4. Verifique na tabela abaixo o nome do seu anjo segundo o grau do sol no dia do seu aniversario (Exemplo: você é de libra com o sol no 2 grau no dia e hora do seu nascimento, portanto na tabela você olhará o nome do anjo no 2 grau de libra, isso mesmo, é fácil assim!).

3. No dia do seu aniversario você colocara a sua “mesa de pratica” sobre a mesa no centro de seu circulo magico, e a bola de cristal sob o centro da mesa, com uma vela de cada lado da mesa você fará a evocação (algumas vezes) do seu sagrado anjo guardião.

II. A Invocação do Sagrado Anjo Guardião

A primeira vez precisa que seja no dia do seu aniversario, na primeira hora de sol deste dia. nos demais rituais, pode ser qualquer dia e qualquer hora.

Conjuração

“Ỏ tu, grande e abençoado N(ome), meu Anjo Guardião, peço a ti que desças de tua Divina mansão que é Celestial, com tua santa influência & apresente-se dentro desta Pedra de Cristal, que eu possa ver tua glória & apreciar tua companhia, Ajuda & Assistência, seja agora & daqui em diante, Ó tu que és superior ao Quarto Céu & O conheces os segredos de Elanel, tu que corres sobre as asas do vento & és poderoso & potente em teu Celestial & super-sublunar movimento, desça & mostra-te, eu te peço, eu humildemente desejo & rogo a ti, se eu tiver o merecimento de tua companhia ou se qualquer uma de minhas ações ou inteções forem reais & puras & santificadas diante de ti, trás tua presenção externa mais próxima de mim & conversai comigo, um dos teus humildes pupilos, no nome & pelo nome do grande Deus Jehovah, para quem todo o coro do céu canta continuamente O Alappa-la-man Hallelujah, Amen.”

E se você for proeficiente o suficiente na habilidade de Scrying você será capaz de se comunicar com ele através da bola reflexiva, um detalhe corrente é que uma taça de agua pode substituir uma bola reflexiva.

III. A Manifestação do Anjo

Ao sentir que o anjo se manifestou, sendo os sinais mais comuns de manifestação correntes de ar geladas, mudança súbita na temperatura do local, sensação de uma espiral de energia ao redor de seu corpo, clarões e feixes de luz na sua tela mental, dentre outros. siga os seguintes passos;

1. Agradeça e dê as boas vindas, dizendo;

“Ó, Senhor! Sou profundamente grato por ouvir minha oração e obrigado por permitir que seu anjo se manifeste aqui para mim. Amém.”

“Ó nobre anjo (Diga o nome do anjo) , Eu vos saúdo, por todos os nomes de Deus e pela mesma potência que eu humildemente vos chamei eu vos convido a colocar-se amavelmente neste ambiente que foi cuidadosamente preparado para recebê-lo”

2. Após as boas vindas, estabeleça a comunicação ou faça seu pedido;

Ajoelhe-se e declare aquilo que deseja de forma tranquila importante você entender que agora tudo que você declara se realizará. Agora “o poder” está em “suas mãos” você declara-ra com convicção aquilo que queres que aconteça e não use a palavra “por favor”.

Seja o mais específico possível em seus pedidos e sempre forneça o nome completo de batismo de todos os envolvidos e a data de nascimento dos mesmos, pois isso facilita com que os anjos encontrem as pessoas. Caso não possua alguma destas informações, utilize uma foto atual da pessoa.

Recomendo que anote seu pedido em um papel e coloque-o dentro da tábua da arte. Após o fim do ritual, cuidadosamente guarde seu pedido.

IV. Finalizando  Ritual

Agradecimento:

Ó grande e poderoso anjo (diga o nome do anjo) agradeço a tua presença. Você veio como eu o chamei, e me ajudou como eu o pedi. Assim como você veio em paz, em nome do eterno, abençoado e justo Adonai, assim também neste mesmo nome você pode partir, e voltar a mim quando eu lhe chamar em seu nome, a quem cada joelho se curva. Adeus. Que a paz esteja entre nós, aqui e em todo lugar, agora e sempre, pelo Eterno e Todo Poderoso. Amém.

Encerramento:

Por Adonai, o espírito eterno, a fonte de luz, o criador de toda a criação, e o sustentador de toda a vida. Toda honra e toda glória, pelos séculos dos séculos, Amém.

V. O Sigilo do Anjo

Você deve estar se perguntando, e o sigilo do meu SAG? Bem, caso você queira mesmo confeccionar um use a rosacruz hermética para tal, segue um exemplo:

RosaCruz Hermetica

Método de obtenção do sigilo:


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/ritual-do-ars-paulina-o-ritual-do-sagrado-anjo-guardiao/

Bibliografia Estrangeira sobre lobisomens

Em La Genèse des Mythes, Alexandre Krapper (Paris, 1915) escreve:

“Diz uma lenda búlgara que o Diabo faz o corpo do lobo, mas não consegue animá-lo. É preciso que Deus o faça:

Na Escandinávia, o deus Tir tem sua mão direita arrancada pelo lobo Fenrir.

O lobo é comumente obra do espírito das trevas.”

Não obstante, cultos endeusaram o animal desde tempos muito antigos. A figura do lobo, como se sabe, esteve sempre presente tanto na mitologia clássica como na folclórica. Nesta, emprestou seu nome e seu aspecto ao Lobisomem.

Ele chegou até aqui vindo da Europa, na época da colonização. Tem-se notícia de sua existência já em era muito remota e o mundo todo o conhece, com variações.

O Lobisomem apresenta-se – no contexto da cultura erudita – na tradição clássica da Grécia, de onde se transportou para Roma.

Na Grécia, o rei Licaon tentou matar Zeus. Em outra lenda, Licaon fez um sacrifício humano e a ira divina recaiu sobre ele. Ou Licaon serviu a Zeus carne humana. Ou ainda Licaon sacrificou ao deus o seu próprio filho. Em todas essas lendas, o final é o mesmo. O rei foi transformado para sempre em lobo, como castigo.. Mas se não se alimentasse de carne humana por dez anos, recuperaria o aspecto de homem.

É curioso notar, entretanto, que mesmo antes de tornar-se lobo, o rei já lhe portava o nome: Licus, Luko.

Na mitologia pré-helênica, para alguns, já teria havido um ZeusLicaeus; a mais antiga crença local. Outros indicam a evocação desse deus como sendo posterior à pena sofrida por Licaon. O ZeusLicaeus era o deus da luz (luke) e pode, também, ter havido confusão entre esse vocábulo e luko, lobo.

Também não seria despropositado supor-se a existência de um rito com oferendas ao deus-lobo, a fim de que ele poupasse os rebanhos e que esse culto se realizasse com os sacerdotes vestidos com a pele do animal-deus.

Em Roma, sempre houve veneração pelo lobo. Rômulo, o fundador da cidade e seu irmão gêmeo, Remo, abandonados ao nascer, foram amamentados por uma loba antes de serem recolhidos por Fáustolo e sua mulher Acca Laurentia. A loba de Roma, a deusa Luperca, era homenageada com festas denominadas Lupercais (festas do lobo), que, no ano 494 depois de Cristo, tiveram o nome mudado para Festa da Purificação.

No século I, na Roma de Nero, Tito Petrônio Arbiter escreve o Satíricon. No capítulo LXII, Niceros, no banquete de Trimalcion, relata a estória do soldado que se transforma em lobo.

Este é o mais antigo registro existente, em literatura erudita, da Estória do Lobisomem. Nessa estória, traduzida para o francês por M. Héguin de Guerle, Niceros narra a sua saída com um soldado, seu companheiro; em certa noite de Lua, tão clara como se fosse o meio-dia. Puseram-se a caminho ao primeiro canto do galo. Ao fim de uma estrada encontraram-se entre sepulturas. Subitaments, começou o soldado a conjurar os astros. Depois, despiu-se e colocou as roupas junto à estrada. Em seguida, urinou à volta delas e, nesse instante, transformou-se em lobo. Pôs-se então a uivar e embrenhou-se na mata. As suas vestes tornaram-se em pedras. Niceros, apavorado, saiu correndo e chegou à casa de Melisse. Esta, espantada por vê-lo ali a desoras, disse-lhe que, se tivesse chegado um pouco mais cedo, teria sido de grande valia; pois um lobo penetrara no curral e degolara todos os carneiros. Uma verdadeira carnificina! Mas, embora tivesse escapado, fora gravemente ferido no pescoço, por um criado. Intrigado e horrorizado, e como o dia já vinha clareando, voltou rapidamente pelo mesmo caminho. Ao passar pelo lugar onde as roupas haviam-se transformado em pedra, verificou que ali só restava sangue. Entrando no alojamento, encontrou o soldado estendido na cama; sangrava abundantemente e um médico o atendia, tentando estancar a hemorragia do pescoço. Foi então que percebeu tratar-se de um Lobisomem.

Nos primórdios da era cristã, tanto Ovídio como Petrônio registraram que o Lobisomem era fruto de penitência, de castigo, ou era uma transformação voluntária e temporária, como acontecera ao soldado da estória. Também em transformação voluntária fala o poeta clássico da antigüidade, Virgílio, nas Bucólicas, em tradução de Manuel Odorico Mendes.

“Meris estes venenos e estas ervas
Com eles Meris vi, tornado em lobo.”

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E ainda nas Éclogas, em versão de José Pedro Soares – Lisboa, 1800./
Meris me deu as ervas que sahia Os venenos de que Ponto abundava; Com eles ele lobo se fazia,
Nos matos, invisível se ocultava”.

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Os romanos, povo conquistador, divulgaram largamente o mito do Lobisomem pelas terras conquistadas. Para eles, o homem transformado em animal era Versipélio. Para os gregos, Liçantropo. É o Valkodlák dos eslavos, o Werewolf dos saxões, o Wahrwolf dos germanos, o Óbaroten dos soviéticos, o Hamrammr dos nórdicos, o Loupgarou dos franceses, o Lupo-mannaro dos italianos; o Luisán ou Lobisón dos Paraguaios, o Lobisome ou Lobizón dos argentinos, o Lobisomem da Península Ibérica e da América Central e do Sul com suas modificações para Lubizon, Lubisome, Lobisomi, Labisomi, Lambisome, Lubisono, Lobo-homem, Lobisa, Porcalhão.

Licantropia é o “estado de alienação em que o doente se imagina transformado em lobo. Licomania.’ (Dicionário de Termos Médicos – Dr. Pedro Alves Pinto). Por extensão, esse vocábulo designa, também, a mutação do homem em animal por meio de ritos, invocações ou poderes mágìcos, ou, ainda, como conseqüência de maldição.

O historiador Heródoto acreditava que povos do leste da Europa, onde se situa a Romênia, possuíam a faculdade de se transformar em lobo, durante alguns dias do ano. Retornavam depois à forma humana. Esses povos, denominados Neuros, durante o culto ao deus-lobo, atacavam traiçoeiramente pessoas desprevenidas, com fins de antropofagia e também bebiam sangue humano.

Nos bosques da Itália Central primitiva, sacerdotes do Sorano (um dos nomes de Plutão, rei dos infernos) do povo Sabino, que habitava essa regíão, entregavam-se ao seu culto envolvidos em peles de lobo, o animal do deus.

Lupo-mannara, o Lobisomem da Itália, ataca e devora pessoas,especialmente crianças.

No folclore lapão, se um homem comete um crime de morte e não se confessa culpado, pode ver-se transformado em lobo, por artes do Diabo. Lá se acredita também que é impossível matar um lobo com uma bala comum, a menos que houvesse permanecido no bolso de alguém que tivesse assistido à missa por dois domingos seguidos.

Certas tribos africanas são tidas como praticantes da mutação com complicadas iniciações secretas, e seus membros reproduzem o comportamento do tigre e do leopardo, mascarados com peles desses animais.

Na ilha Sumatra (Indonésia) os homens de uma tribo afirmam possuir a faculdade de se transformar em tigre. Por toda a Ásia, membros de determinadas Associações confessam abertamente que retêm o poder de metamorfose, com regressão ao estado anterior.

No folclore soviético, as alcatéias de lobos famintos que uivam, nas noites de inverno rigoroso, são Lobisomens cumprindo o seu fadário, após o que, um dia, voltarão ao convívio dos homens.

Na China, os Lobisomens, depois de mortos, conservam a forma do animal. Lá existe ainda o Lobisomem fêmea. A mãe de um general, acredita-se, transformou-se em loba aos setenta anos de idade.

No folclore chinês aparece também a estória de um camponês que se viu atacado ferozmente por um lobo. Para livrar-se, subiu em uma árvore. O animal, no entanto, dava-lhe botes e com isso rasgava-Ihe a calça. O homem, para se defender, deu-lhe uma machadada na cabeça. No dia seguinte, verificou que um seu conhecido estava ferido na cabeça, e tinha, nos dentes, fiapos do tecido de sua roupa.

O Lobisomem feminino é encontrado na África, na forma de hiena ou pantera e é uma penitência que a mulher que cometeu pecado mortal deve cumprir por sete anos. Na Armênia, uma pele de lobo cai sobre ela, que à noite devora os próprios filhos, os filhos de seus parentes mais chegados e outras crianças, retomando, ao amanhecer, a forma humana.

No folclore irlandês, “o fato do homem e da mulher transformarem-se em lobos a cada sete anos é por demais conhecido…” Lá, a fêmea do Lobisomem é chamada Conoel.

Encontra-se o Lobisomem fêmea também na Bretanha. Uma mulher saiu à noite e logo após, uma grande gata entrou em sua casa. O marido machucou-a, ao tentar espantá-la com um pedaço de lenha. Passados três dias a esposa retornou, com um corte em uma das mãos.

Segundo Sébillot, acreditava-se, na Bretanha de 1832, que os Lobisomens fossem homens transformados em lobo por estarem há dez anos afastados do confessionário. Outras vezes o castigo era atribuido ao fato da pessoa não ter mergulhado os dedos numa pia de água-benta pelo espaço de sete anos. Em 1870, dizia-se, na Baixa-Bretanha, que os Lobisomens vestiam-se com uma pele de lobo e então absorviam sua personalidade, correndo pelos campos e bosques, atacando pessoas e animais. Ao clarear o dia, escondiam sigilosamente essa pele e voltavam para casa. Havia uma grande afinidade entre a pele e o seu próprio corpo, de tal forma que, certa vez, um homem, que a escondera dentro do forno de sua casa, pôs-se a gritar que estava sendo queimado, quando a esposa acendeu o forno. Ainda em região da Bretanha, crê-se que para os homens se transformarem em animal basta que se untem com uma pomada fornecida pelo Diabo. Dessa forma transformam-se não só em lobos, mas ainda em vacas ou gatos.

Em sua Histoire de la Magique en France (História da Mágica na França), Garinet narra acontecimentos de 1573; quando Gilles Garnier foi a julgamento – acusado de ter devorado várias crianças ao se transformar em Lobisomem. Condenado, foi arrastado ao local da execução e queimado vivo.

Esse homem viu-se, um dia, a braços com problemas e, com o intuito de se acalmar, embrenhou-se na floresta. La encontrou um fantasma com forma humana que lhe propôs fazê-lo transformar-se em lobo ou qualquer outro animal. Escolheu a forma de lobo e conseguiu a metamorfose esfregando-se com um ungüento especial, como confessou durante o julgamento.

Outro caso deu-se com um menino de treze ou catorze anos, que confessou só não ter devorado sua amiga pastorinha Margarida, porque esta conseguira defender-se valenternente com um pau. Mas declarou já ter devorado algumas crianças, quando transformada em lobo. Ao lhe perguntarem por que artes conseguia essa transformação, relatou que um seu vizinho o apresentara ao Senhor da Floresta, que Ihe dera um ungüento para se esfregar e que esse ungüento ficava sob a guarda do Senhor, mas que ele podia usá-lo quantas vezes o desejasse, Este menino, Jean Grenier, foi declarado pelos juízes portador de licantropia e, por esse motivo, escapou à morte, sendo condenado à prisão perpétua.

Crê-se também que a metamorfose possa acontecer ao ingerir-se uma beberagem oferecida pelo Diabo. E se os Lobisomens não se recordarem do lugar ande deixaram a garrafa com a bebida, serão lobos para sempre.

Existe ainda a crença de que é preciso possuir duas garrafas: a primeira com a bebida para a metamorfose e a segunda para o retorno à forma humana.

Uma outra maneira de se obter a transformação na França, Inglaterra, URSS e certas regiões da Europa, é bater a parte baixa das costas repetidamente em porta de igreja, recitando uma fórmula mágica. Ou então utilizar um cinto confeccionado com a pele do animal.

no qual o indivíduo deseja transformar-se; ou cobrir-se com essa pele; beber água acumulada no seu rastro; comer alimentos abandonados pelo animal; comer carne na sexta-feira santa; partilhar o covil ou a ração de um lobo; untar-se com ungüento feito com um dos seguintes ingredientes: gordura de lobo, folhas de meimendro, de beladona, de papoula, de eleboro, de cânhamo ou de datura.

Para cessar o encantamento, retirar o cinto mágico; ficar cem anos de joelhos no local; ser publicamente acusado de Lobisomem; ser saudado com o sinal da cruz; ser chamado pelo nome de batismo; ser ferido, de forma a perder sangue; ao percorrer sete cidades, entre um local e outro mergulhar na água, ou espojar-se no orvalho.

Proteção contra o Lobisomem é participar-se, anualmente, de fogueira em festa de S. João. Há ainda um sem número de fórmulas mágicas a serem recitadas; com a mesma finalidade.

Em 1598, uma criança foi devorada, nos arredores de Angers. Caçadores depararam-se com uma criatura selvagem, não muito distante do cadáver. Esse selvagem confessou-lhes haver devorado a criança, juntamente com seu pai e seu primo, ambos Lobisomens, como ele. Condenado à morte, apelou, sendo declarado, então, mais louco do que criminoso e mandado para o hospital Saint-Germain-des-Pres.

Van Gennep, citado por Daniel Bernard, escreve que em Auvergne, o Lobisomem é um mortal que se levanta à noite e, coberto com uma pele de animal selvagem, corre loucamente, sobre pés e mãos, atravessando os campos. É invulnerável a balas. Se consegue devorar o primeiro animal que encontra no seu caminho, tornase inofensivo; do contrário, devasta tudo por onde passa e mata até crianças. Sua esposa, que esta a par dessa possessão, prepara-lhe uma pasta semelhante à dos parcos, que engole na volta, ao clarear o dia. Na manhã seguinte retoma suas ocupações habituais e nada trái sua infelicidade, a não ser a extraodrinária rugosidade das mãos. Se for ferido e sangrar durante a corrida da noite, cura-se; mas infeliz do amigo que lhe prsetar tal serviço: o Lobisomem será obrigado a fazê-lo em pedaços.

Os párocos possuíam o poder de transformar um criminoso, que não confessasse o seu crime, em Lobisomem. No primeiro domingo, advertiam o culpado; no segundo, se ele não se acusasse, era avisado do que lhe aconteceria no domingo seguinte; e neste, ficava ciente de que, após o terceiro aviso, a sentença seria pronunciada; sentença horripilante. Mulheres nervosas deveriam abster-se de assistir a tal cerimônia. Do alta do púlpito, o sacerdote lia a fórmula aterradora. Apagava então a chama do círio e gritava: Que a alma do culpado se apague como esta luz!

O criminoso transformava-se imediatamente em animal e começava sua corrida, que se prolongaria por sete anos, através de sete paróquias. Não podia, também, desvendar seu terrível segredo, sob pena de ser amaldiçoado por mais sete anos.

Em 1521, Pierre Burgot e Michel Verdung enfrentaram o juiz Bodin; demonólogo e inquisitor de feiticeiros. Confessaram haverem-se acasalado com fêmeas de lobo. Burgot teria assassinado um jovem, com patadas e dentadas de lobo; Michel teria matado uma jovem e, ambos, finalmente, declararam havèr devorado quatro moças. Foram condenados à fogueira, sem produção de outras provas.

Na Bretanha existem também os amestradores de lobos. Eles, quando assim o desejam, tomam uma bebida oferecida pelo Diabo e transformam-se em lobo. Têm grande domínio sobre esses animais. Quando metamorfoseados e feridos, assim que o sangue corre, voltam à forma humana. Sobre eles existe este relato:

Um homem perdido na floresta chegou a uma encruzilhada, onde encontrou um amestrador de lobos, com alguns à sua volta. Recebeu dois dos animais como guias e guardas e eles o conduzram fielmente até a casa, são e salvo. Mas teve que observar uma recomendação: não cair durante a caminhada è dar aos lobos, assim que chegasse, pão e galette de blé noir (bolo folheado, escuro, feito de grãos de centeio ).

A autora1 encontrou, em transcrição, uma narrativa de Alain Decaux intitulada La Bête de Gévaudan, a qual traduz livremente de forma abreviada.

A Fera de Gévaudan

O Gévaudan é a atual província de Lozère, abrangendo, também, uma parte do Alto-Loire. É uma região áspera, dura, de beleza selvagem. Situa-se entre gargantas de montanhas e montes calcários, pedregosos.

Sua principal riqueza é a pecuária e seus rebanhos de vacas, carneiros, cabras, cavalos e burros precisam pastar nos flancos dessas montanhas, pastoreados por crianças de seis a quinze anos, e por velhos.

Tudo começou na primavera de 1764, há mais de dois séculos, portanto. Mas o fato ainda é lembrado e comentado, nos nossos dias.

Através de documentos da época, Alain Decaux rememora os acontecimentos.

“Uma Fera monstruosa semeia o pavor e o desespero na região, atacando e matando sem cessar, especialmente crianças, adolescentes e mulheres.

A primeira vítima foi uma menina de catorze anos, Jeanne Foulet. Dentro de pouco tempo, mais adolescentes. Em seguida, uma mulher de trinta e seis anos, que cuidava do seu jardim, em frente a casa. Enfrentando o povo, calma, ousada, sem pressa, a Fera abocanhou-Ihe o pescoço, bebeu-lhe o sangue e, em seguida, devorou-a.

A Igreja declarou-a fruto da cólera divina, por pecados cometidos pelo povo: O pavor tomou conta de todos.

Os registros da época referem-se a animal desconhecido. De fato, os que o viram afirmaram categoricamente que não era um lobo. Lobos, eles os conheciam bem. As descrições apresentaram-no com esta aparência:

Tem o porte de um vitelo de um ano os olhos grandes como ele; é baixo na parte da frente e as patas são providas de garras; a cabeça é grande, terminando em focinho alongado; as orelhas são menores do que as de um lobo e espetadas, como chifres; o peitoral é largo e recoberto de pêlos acinzentados; os flancos são avermelhados; acompanhando a espinha, uma listra negra. Mas o que mais impressionava a todos era a sua goela, uma bocarra imensa e provida de afiadíssimas presas, capazes de decepar as cabeças das vítimas como uma navalha. Goela horrenda.

Descreviam-no ainda como tendo andar lento e correndo aos pulos, em velocidade inacreditável. Era visto ora num lugar e ora noutro, a distância que nenhum animal poderia percorrer dentro daquele espaço de tempo. Alguns concordavam que ele pudesse ser semelhante ao lobo; mas eram todos categóricos ao afirmar que não era, em absoluto, um lobo, mas uma fera jamais vista antes.

O número de vítimas aumentava assustadoramente. A população entrou em pânico.

Vieram para o local os Dragões – força armada, comandada pelo capitão Dúhamel: 57 homens, sendo 17 à cavalo. O capitão defrontou-se com a Fera. Atirou, feriu-a. Ela fugiu, mas ele teve tempo de vê-la bem. Declarou que deveria tratar-se de um produto híbrido, cujo pai seria um leão. Mas quem seria a mãe? Um mês se passou e ela não foi abatida. Retiraram-se os Dragões.

O Rei ofereceu alta recompensa a quem a capturasse ou matasse.

Na região, corriam notícias de que se tratava de um Lobisomem, pois uma mulher chegara à cidade, espavorida, relatando que, na estrada, ao ser ajudada a montar, por um desconhecido, observara-lhe as mãos e estas eram inteiramente recobertas de grossos pêlos.

Empreenderam marchas e emboscadas e seguiram os rastros da Fera. O resultado foi nulo. Parece que ela adivinhava a presença deles e desaparecia. Mas continuava fazendo vítimas, sem cessar, simultaneamente em lugares os mais distantes, parecendo ter o dom da ubiqüidade.

Um jovem fidalgo, avistando-a da janela do seu castelo, armou-se e, acompanhado de dois irmãos, partiu ao seu encalço. Defrontaram-se. A Fera não aparentava medo; pelo contrário, parecia atrevida, ousada. Foi, desta vez, ferida no pescoço e no peito. O sangue jorrou em abundância. Os três irmãos declararam que, embora tivesse fugido, não sobreviveria. Dois dias depois, entretanto, continuava a atacar e matar.

O lugar-tenente dos caçadores do Rei, senhor François-Antoine, veio para o local. A área onde a Fera corria era extensa e de matas fechadas. Mas um dia, afinal, Antoine, como ficou conhecido, encontrou as pegadas de uma loba e seus filhotes, que lhe pareceram enormes, e profundas, devido ao peso dos animais. E de repente, avistou o animal que, não tinha dúvidas, era a Fera!

Monstruosa, patas curtas, corpo muito comprido, goela assustadora, avançou para ele. Antoine estava sentado. Mirou, atirou. A bala atingiu o olho direito da Fera, atravessou a cabeça e fraturou-lhe a base do crânio. Que animal resistiria a isso? Ela caiu. Morta? Não. Levantou-se e avançou novamente. Mais um tiro e ela tombou. Desta vez, sim, morta.

Aproximou-se. Parecia um lobo. Mas um lobo como jamais alguém havia visto. Medonho, gigantesco, com flancos avermelhados e aquela listra negra no lombo. Foi, por centenas de testemunhas, reconhecido como a Fera.

Alívio geral. Empalharam-na e remeteram-na para a Corte, como prova da façanha. Pesou 65 quilos e mediu 1,43 m. do focinho às patas traseiras e 1,90 m. até a ponta da cauda.

Antoine foi condecorado e agraciado com uma pensão. Alguns dias mais tarde seguiu os rastros da fêmea. e matou-a, assim como aos filhotes. Parecia o fim do pesadelo, afinal.

Passados, entretanto, menos de dois meses, o horror recomeçou. A Fera lá estava de novo, atacando e matando.

Desesperado, o povo organizou uma romaria a Nossa Senhora D’Estours. Entre os peregrinos encontrava-se um cidadão maduro, porém sadio, vigoroso. Era Jean Chastel. Na chegada, entregou seu fuzil para benzer, juntamente com três balas.

O extraordinário é que exatamente nesse momento Jean Chastel terminara de ler as Litanias. Calmamente, sem pressa, retirou os óculos e guardou-os no bolso. Empunhou o fuzil. Mais extraordinário ainda é que a Fera, imóvel, o observava, como que obedecendo a um comando. Mirou. Atirou. Acertou o animal no quarto dianteiro. Ele não se mexeu. Mas quando os cães acorreram e saltaram sobre ele, caíu. A Fera, finalmente, estava morta.

Jean Chastel aproximou-se dela e murmurou:

– Fera, não mais devorarás.

E então, enfim, todos puderam dormir em paz.

Voltando ao passado: Informam os documentos da época que em 1762, dois anos antes, portanto, do aparecimento da Fera, havia, naquela região, uma família de amestradores de lobos. Usaram-nos certa ocasião para um assalto a viajantes, ordenando-lhes que os devorassem. Pelo crime foram condenados à forca. Seria Jean Chastel um dos filhos que escapou a tal morte?”

Bernard Alliot, em artigo no jornal francês Le Monde n.° 1738 – ano 1982 – tece comentários sobre a terrível Fera de Gévaudan, ainda viva na memória do povo, partindo dos mesmos documentos da época, que serviram de subsídio ao relato acima. Essa colaboração, intitulada Loup, y est-tu?2 (Lobo, estás aí?) informa que “não há mais lobo. Exterminado, desapareceu o sinistro canis lupus que semeou o terror durante séculos, nos campos . . . Ele é o símbolo do grande devorador; ao lado do Ogre. O terrível lobo de Sarlat3 tinha 42 dentes trinchantes e afilados dos quais 4 em forma de gancho. No século XVIII, Buffon, conhecido por sua serenidade, ressaltou que não há nada de bom nesse animal a não ser a sua pele. Mas Gengis Khan – e isso se compreende – gabava-se de ter um ancestral lobo. Hitler gostava de ser chamado oncle Wolf (tio Lobo).

Na mitologia judaica, o lobo é considerado um animal impuro, uma figura do Maligno. Portanto, não é de surpreender que na imaginação dos povos cristãos surja o Diabo com olhos de brasa…

Os testemunhos de pessoas atacadas, os massacres causados pelas feras, a esperteza e a resistência desses animais, a atitude da Igreja, associando o assalto dos lobos a uma punição divina, além da voz do povo, criaram em torno do animal uma atmosfera de terror e de feitiçaria. O homem introduziu-o em contos e estórias, apossando-se dos seus poderes maléficos. O amestrador de lobos, em troca de um pacto com Satã, detém o poder sobrenatural de comandá-los.

Lobisomens cobrem-se com a pele do animal maldito e perambulam à noite por árduos caminhos. Segundo a crença do povo, essas pessoas, vítimas de feitiçaria, são condenadas a vagar sob a Lua uivando como lobos.

Visando ao equilíbrio natural, ecologistas desejam reintroduzir na França alguns exemplares deste animal desaparecido. Deverão primeiramente, conseguir extrair do conceito popular o terror do lobo, ali fixado por toda uma marcante mitologia.”

A autora recebeu, da França, as duas publicações anteriores, a obra L’homme et Le Loup, (O homem e o Lobo), de Daniel Bernard e Daniel Dubois, e o Guide de L’Auvergne Mystérieux (Guia do Auvergne Misterioso), da coleção Guides Noirs (Guias Negros).

Esse volume, de Annette Lauras-Pourrat, apresenta interessante material sobre o Lobisomem, o Loup-garou dos franceses. Isso vem comprovar o interesse que o mito desperta, ainda hoje, pois trata-se de coleção destinada a turistas, sendo cada volume referente às principais curiosidades (de horror) de detèrminada região.

Auvergne é antiquíssima e situa-se no maciço central da França. Relata a História que no ano 52 a.C. foi anexada a Roma. É procurada pelos turistas especialmente pela beleza e imponência de suas vetustas construções acasteladas.

Eis alguns trechos dessa publicação; em tradução informal.

“Há séculos crê-se em Auvergne na existência de homens-lobos,os Lobisomens, com são chamados, ou ainda galipotes. Esses seres não tinham, na verdade, nada de humano e nem mesmo grande coisa de animal. Eram uma espécie de vulto negro quase sem mem bros, vislumbrados à noite, ao longo das sebes e dos muros. Atacavam retardatários, saltavam-lhes às costas e exigiam que se os carregasse.

Segundo se pensava, tratava-se de párias, cuja desgraça os teria levado a fazer um pacto com o Maligno. Na lua cheia viam-se transformados em lobos, e por tal eram tomados, pois revestiam-se da pele do animal, fornecida pelo Diabo. Corriam como quadrúpedes a uma velocidade que homem algum alcançaria. Assim que escurecia, eram acometidos de febre. Saltavam da cama e escapavam pela janela. Seu amo e senhor (o Diabo) estipulava que deviam correr, durante a noite, sete povoados. Soltavam-se pelos campos, em desabalada carreira, prontos para saltar sobre o primeiro caminhante. Nada os atemorizava, nem armas de fogo, a menos que as balas fossem bentas.

Se encontrássemos um Lobisomem, teríamos que feri-lo com faca, ou com pedrada, para tirar-lhe sangue, único meio de fazê-lo retornar à forma humana. Deve-se colocar sempre sob os berços um ramo de avenca; essa elegante folhagem que medra nos velhos muros tem o poder de afastar o Lobisomem.

No seu Discurso sobre as Feiticeiros, Boguet relata que, nos fins do século XVI, numa pequena aldeia de Auvergne, um nobre estava à janela, quando avistou um caçador seu conhecido. Pediu- lhe que, na volta, passasse por ali e lhe mostrasse o que caçara.

Assim foi prometido. Chegando à floresta viu um grande lobo caminhar ao seu encontro. Entraram em luta. O caçador decepou-lhe a pata direita, mas o animal conseguiu escapar. Depois, para honrar a palavra, levou o troféu .ao amigo. Mas, para sua surpresa, ao abrir o alforje, o que apareceu foi mão feminina, com um anel que o nobre reconheceu imediatamente, pois era de sua esposa.

Apressou-se a procurá-la. Encontrou-a junto à lareira, com o braço direito escondido sob um chale. Quando lhe mostrou a mão decepada, a infeliz não teve como negar que havia perseguido o caçador sob a forma de um lobo. O marido entregou-a à justiça e a dama feiticeira foi queimada em Riom.”

Ainda no mesmo volume encontra-se trecho, sob o título Dos Lobisomens aos Flammaçons (Franco-maçons).

“A História pouco se ocupou desses homens que não saíam da sombra dos bosques, onde toda a riqueza consistia em uma dúzia de porcos e três vacas, e cujo entretenimento era sangrar um javali ou desalojar uma ninhada de lobos.

Eles corriam, nas noites de lua cheia, ridiculamente mascarados com uma pele de lobo. Ao longo dos séculos, existiram sempre esses homens envolvidos em peles. Dão, sobretudo, o que pensar, os textos que se referem aos Tuchins, durante a Guerra dos Cem Anos. Mataram todos os comerciantes, nobres e padres que puderam apanhar. Ninguém mais ousava sair, a menos que estivesse coberto com uma pele de animal. Essa pele era mais do que uma vestimenta: era algo como um emblema e, acima de tudo, um estado, uma condição. Mas os Tuchins perceberam o estratagema e mataram todos os que não tinham as mãos calosas.

Cogitaria o bando dos homens-lobos restabelecer nas montanhas seu antigo primitivismo? O certo é que foram cometidos muitos horrores antes que essa horda fosse dizimada.

Falava-se de cidades inteiras de feiticeiros, e de amestradores de lobos morando nas montanhas.

Sob a Restauração, como quase toda a burguesia dessas pequenas cidades fazia parte das lojas maçônicas, a imagem da horda misturou-se à da maçonaria.

Haveria ainda, nessa época, banquetes nas florestas? Talvez.

Em todo caso, os velhos assim acreditavam firmemente e indicavam os locais onde fulano e fulano, que eles haviam conhecido bem, tinham perecido, nesses festins à luz dos archotes.

Os Franco-maçons (Franc-maçons) eram homens que andavam pelos bósques carregando archotes. Como a letra R transforma-se muitas vezes em L no linguajar do povo, a pronúncia passou a ser Flammaçans, nome que lembrava chama (flame); archotes e reuniões à volta de uma fogueira, o que estaria vinculado aos Lobisomens, segundo Henri Pourrat em Le Loup-Garou et sa bancle (O Lobisomem e sua horda) Edit. Attinger, 1949.”

A mesma narrativa da esposa do nobre que tem a mão decepada, aparece em L’homem et Le Loup (O homem e o Lobo), de Daniel Bernard, e em Estranhas Superstições e Práticas de Magia, de Willian J Fielding – tradução de Silvia Mendes Cajado, com o comentário de que em setembro de 1573, o Parlamento, com assento em Dôle, teria autorizado os camponeses a se armarem e percorrer os bosques, com a finalidade de matar os Lobisomens.

Estes já haviam levado muitas criancinhas, que nunca mais foram encontradas, e atacado atguns cavaleiros, que só conseguiram salvar-se enfrentando grande perigo.

A Bête Bigarne (Fera Bigorne), bode horrendo e gigantesco, com garras, faz parte do folclore da França. Escreve Câmara Casudo que, em Auvergne, existe, no Castelo de Villeneuve, um afresco representando a sua figura.

Daniel Bernard, em L’hamme et le Loup (O homem e o Lobo), dedica um capítulo ao Lobisomem. Escreve que, na França, dependendo da região, sua denominação varia. Em Picardie é Leu-wareu; em Normandie, Varau; em Languedoc, Libérou; em Périgord,.Gâloup; em Bordelais, Galipaude. Reproduz trecho da obra Le Gâloup, de Claude Seignolle – que se poderia denominar lamentarão do Lobisomem -, aqui traduzido livremente:

Sete anos minhas patas me levarão às matas e aos apriscos; aos bosques gelados, aos tépidos currais.

Sete anos Lua Zarolha virá me vigiar com seu único olho pálido, que toma formas diversas, para me fazer acreditar que cada vez é uma curiosa diferente… E, sempre, me forçará a uivar contra sua impassível provocação.

Sete anos dolorosos como o frio dos ventos incolores; penetrantes como a água das nuvens impalpáveis.

Sete anos meu ventre doerá.

Sete anos os homens suplicarão e implorarão a outro Senhor que não o verdadeiro, coma se a seu Deus de doçura pudesse contra o meu, crivado de escamas e a revolver brasas.

Sete anos cortantes como sete espadas de aço, permanecerei amaldiçoado, sem nunca saber quem sou realmente; homem ou árvore; pássaro ou seixo.

Meus suspiros serão uivos; minha bebida, sangue; meu alimento, montanhas de animais tenros e mornos… E quando estes faltarem, alimentar-me-ei de homens…

Sete anos meu Mestre me reterá.

Sete anos permanecerei voraz, antes de estar quites com ele.É o meu castigo.

Sete anos somente.

Sete anos, ai de mim!

O próprio Demônio transforma-se em lobo. Assim parecia a São Maudet, pois todas as noites, as paredes do convento que ele estava construindo, eram derrubadas por mãos invisíveis. Certo dia, encontrou um lobo, que outro não era senão o Diabo. Conseguiu agarrá-lo pela cauda e jogá-lo ao mar. Daí por diante a construção prosseguiu normalmente.

No folclore da França, crê-se que o Lobisomem é obrigado, pelo Demônio, a devorar, em cada noite de maldição, sete cães.

Le marteau des sorciers (O martelo dos feiticeiros), espécie de manual-guia do caçador de Lobisomens, divulgado em 1486, continha duas indagações principais: Podem os feiticeiras transformar homens em animais? e Como os feiticeiros dão aos homens a forma da animais? Apoiando-se em Santo Tomás e Santo Agostinho, os autores declaram que os lobos, de tempos a tempos, partem de suas casas e devoram homens e crianças. E distanciam-se, vagando com tal astúcia, que nenhum ardil, nenhum poder é capaz de feri-los ou capturá-los. Tais coisas são causadas por um sortilégio diabólico. Deus, punindo uma nação por seus pecados, segundo o Levítico4 : lançarei sobre vós bestas ferozes que arrebatarão vossos filhos e matarão vosso gado. Quanto à questão: são lobos verdadeiros ou diabos sob essa forma? Respondemos que são lobos verdadeiros, mas possuídos pelo Diabo.”

Uma estória de Lobisomem, com grande repercussão, difundiu-se na Bavária, por volta de 1685. Um lobo que assolava a região, devorando pessoas e animais, foi identificado ao burgomestre, já falecido, que se teria encarnado no animal. Quando a fera foi capturada e morta, verificaram que sua carcassa estava revestida com um encerado cor de carne. Ao lhe cortarem o focinho, constataram a existência de uma cabeleira castanha e longas barbas brancas; ao mesmo tempo, um rosto semelhante ao do burgomestre apareceu no lugar da cabeça do lobo. Esse corpo foi enforcado na presença de grande público, e sua pele, empalhada, permaneceu exposta num museu, como prova concreta da existência do Lobisomem.

Na Dinamarca, acreditava-se que uma mulher que apanhasse uma placenta ao nascer um potro e a esticasse entre quatro paus e se arrastasse pela sua membrana, poderia dar à luz sem nenhuma dor e livrar-se de doenças. Mas, em tal caso, todos os meninos dela nascidos seriam Lobisomens.

Na Inglaterra, sob o reinado de Jaime I, quem fosse apontado como Lobisomem era condenado a morte artoz, único meio de extingui-lo. Esse monarca equiparava o werewolf aos feiticeiros e explicava o fenômeno como superabundância de melancolia.

Na Idade Média, foram incontáveis os julgamentos de pessoas acusadas de ser Lobisomem, para as quais a pena era a morte na fogueira.

A associação da Lua com o Lobisomem é um fato verificado não poucas vezes na literatura folclórica, na popularesca e na erudita. Arnold L. Lieber em The Lunar Effect (A Influência da Lua) diz que sociedades antigas reconheciam uma conexão entre a Lua e a violência, como no caso do Lobisomem. Para neutralizar essa violência, os pastores da antiga Arcádia costumavam enviar um homem aos lobos, como emissário. Este se transformava em Lobisomem por oito anos e durante esse período as alcatéias não atacavam os rebanhos. Na Alemanha antiga, os guerreiros selvagens eram denominados ûlfhêdhnar (homens com pele de lobo). Esses guerreiros existiam, também, nas sociedades secretas norte americanas e praticavam antropofagia ritual. Encontram-se Lobisomens na Alemanha de Hitler. Lá, onde o mito era bastante difundido, os nazistas fundaram a Organização do Lobisomem, na década de 20. Chama a atenção a coincidência do apelido do Führer ser exatamente, tio Lobo. “No final da Segunda Guerra Mundial, a Organização do Lobisomem deveria continuar, na forma de guerrilha, a luta contra os Aliados que estavam ocupando a Alemanha. Contudo, seus membros já tinham bastante dificuldade em, simplesmente, permanecer vivos. A regressão histórica foi um dos grandes temas da ideologia nazista, e o Lobisomem, com sua regressão a um modo de vida arcaico e violento, era uma escolha adequada para simbolizar a monstruosidade do regime.”

Como já se sabe, o Lobisomem chegou até o Brasil trazido da Europa, através de Portugal.

Oliveira Martins, em Sistema dos Mitos Religiosas, mostra o Lobisomem como sendo “aquele que por um fado se transforma de noite em lobo, jumento, bode ou cabrito montês.” E ainda: “Os traços com que a imaginação do nosso povo retratou o Lobisomem são duplos, porque também essa criatura infeliz, conforme o nome o mostra, é dual. Como homem, é extremamente pálido, magro, macilento, de orelhas compridas e nariz levantado. A sua sorte é um fado, talvez a remissão de um pecado . . . . Por via de regra, o fado é a moral – é uma sorte apenas. Nasce-se Lobisomem; em lugares são os filhos do incesto, mas, em geral, a predestinação não vem senão de um caso fortuito, e liga-se com o número que a astrologia acádia5 ou caldaica tornou fatídico – o número 7. O Lobisomem é o filho que nasceu depois de uma série de sete filhas. Aos treze anos, numa terça ou quinta-feira, sai de noite e topando com um lugar onde um jumento se espojou, começa o fado. Daí por diante, todas as terças e sextas-feiras, da meia-noite às duas horas, o Lobisomem tem de fazer a sua corrida visitando sete adros (cemitérios) de igreja, sete vilas acasteladas, até regressar ao mesmo espojadouro onde readquire a forma humana. Sai também ao escurecer, atravessando na carreira as aldeias onde os lavradores recolhidos não adormeceram ainda. Apaga todas as luzes, passa como uma frecha; e as matilhas dos cães ladrando perseguem-no até longe das casas. Diga-se três vezes Ave-Maria que ele dará um grande estoiro, rebentando e sumindo-se. O Sino Saimão6 (Signo de Salomão) é um fetiche contra o malefício. Quem ferir o Lobisomem quebra-Ihe o fado; mas que não se suje no sangue, de outro modo herdará a triste sorte.”

No Minho, é charnado Corredor e as fêmeas são denominadas Peeiras ou Lobeiras. Em Paços de Ferreira, é Tardo.

Jaime Lopes Dias, em Etnografia da Beira, registra a maldição tal como uma das versões na Brasil – “Se num casal nascem sete rapazes, o último será Lobisomem.” E ainda: “Se alguém muda, em proveito próprio, marcos ou divisórias de propriedades, jamais deixará de ser Lobisomem. Mesmo depois de morto, não deixará de aparecer no terreno que roubou, transformado em bezerro, em cão, sombra negra etc.”

Na mesma obra encontra-se uma narrativa sobre o Lobisomem. “Já lá vão muitos anos . .

Sabe-se lá. . . talvez séculos! . . .

Pelas ruas de Segura, a desoras, nas intermináveis noites de Inverno, surgia estranho ser em desordenado tropel que trazia amedrontada a população.

À sua aproximação, mesmo os mais animosos, sentiam levantar-se-lhes os cabelos! . . .

Sol posto, já ninguém saía à rua.

E o alegre povo raiano sofria e passava um verdadeiro castigo.

Um dia, um mocetão, valente e destemido, tomou a resolução de averiguar a causa de tão extraordinário fenômeno.

E colocou-se entre o postigo e a porta da casa de seus pais.

Chovia a potes.

O vento com seus estridentes assobios era medonho. Parecia impelido pelo demo!

E o mocetão, valente, firme em seu posto, esperou uns momentos; o bastante para se enregelar.

O tropel não se fez esperar, e uma sombra negra surgiu.

As pedras da calçada chispavam lume.

A sombra horrenda resvalava pelas valetas e escouceava para um e outro lado, fazendo com que as próprias ombreiras dos portados deitassem faíscas.

E o rapaz, agora um tanto assustado, colou-se bem à porta.

Parecia petrificado.

O estranho fenômeno avançava cada vez mais em correria vertiginosa, e o moço, embora, como se disse, um tanto amedrontado pôde verificar que se tratava de um monstro informe, metade cavalo, metade homem, ferrado de pés e mãos! Estava quase a arrepender-se da sua temeridade! . . .

Mas, o monstro, seguindo o seu caminho, desapareceu…

Que fazer depois do que vira? Calar-se?

E se contasse tudo a pessoas experimentadas; sabedoras e consideradas pela sua idade?

Procurou de facto um dos homens mais velhos da sua terra.

E expôs-lhe minuciosamente o que vira.

E o bom vizinho respondeu-lhe:

– O que tu viste, meu amigo, é um entcanto que só se desfará se alguém tiver coragem de, escandido atrás de uma das cruzes das ruas da nossa aldeia e munido de uma vara com aguilhão, picar o monstro por forma que o faça lançar de si muito sangue.

– Pois deixe o caso comigo. Se aí está o remédio . . . picalo-ei eu mesmo, respondeu o rapaz.

– Pois então, toma cuidado, que, se o não picares bem, grande perigo corres!…

O moço, forte e destemido, como se disse, disposto a dar mais uma prova do seu valor, e a livrar a povoação de tão grande desassossego, logo que anoiteceu, recolhidos todos os moradores e fechadas todas as portas, foi colocar-se, por entre vendaval formidável, atrás de uma das cruzes, tendo bem apertada na mão direita forte vara com grande aguilhão.

Começou a ouvir-se o tropel, pondo-se em breve à vista a infernal figura.

O rapaz tremia!

Perdera quase a noção de si mesmo!

Fugir?…

Bem se lembrava ele do conselho do velho: – Toma cuidado, que se a não picares bem; grande perigo corres! . . .

Recobrou ânimo: Estava ali para vencer ou morrer! Já agora levaria ao fim a sua empresa.

Esperou! O monstro avançava a todo o galope.

E passou; e, na passagem, o heróico mocetão cravou-lhe bem a grande aguilhada!

E o monstro, como por encanto, desapareceu.

O valente moço respirava; mas tremia ainda. O seu coração batia desordenadamente.

Foi deitar-se, mas não podia conciliar o sono! Que iria suceder?

Passaram algumas noites e o tropel não mais se ouviu.

– Que estranho facto se terá passado? inquiria a povoação. O rapaz (ninguém sabe até onde vai o poder de encantos e bruxarias) contara o seu feito, muito em segredo, só aos mais íntimos.

Volveram dias e noites, e o povo, de segredo em segredo, veio a saber o que se passara.

E perguntava: – Mas que figura seria essa, horrenda e disforme?

– Seria um Lobisomem?

– E quem seria o infeliz?

Passaram ainda mais alguns dias, até que um dos mais considerados moradores de Segura que havia desaparecido do convívio da população, apareceu sem um dos olhos.

Se ele era são e escorreito, se não constara na povoação qualquer desastre, como e onde teria ele perdido a vista? – perguntavam todos os moradores de Segura. Tirara-lha, evidentemente, o rapaz da aguilhada!

E o povo passou a afirmar, desde logo, como verdade incontestável, que o monstro, semi-homem e semi-cavalo que tanto o incomodara, era, por artes do demo ou mercê do encanto, o bom homem que aparecera, sem saber como, sem um dos olhos.”

No Paraguai há o Luisón como um cachorro preto, de cabeça grande, olhos brilhantes, muito peludo, que se alimenta de cadáveres dos cemitérios. Exala mau cheiro. Aparece à meia-noìte e percorre as vizinhanças, provocando latidos e uivos de todos os cachorros, que o temem. Para conjurá-lo, deve-se colocar sob a língua um pouco de terra de seus rastros e chamá-lo três vezes. Diz-se que Luisón é o último filho entre sete homens, a quem a mãe amaldiçoou ao morrer.

Ainda no Paraguai pode aparecer como um cão negro sem cabega. Felix Coluccio, no Diccionaria Folklorico Argentino apresenta o verbete “Lobisome – En Brasil y otros paises de América, corre este mito de origen europeo, según el cual el séptimo hijo varón seguido, se transforma en Lobisome, mientras que la séptima hija mujer seguida se convierte em bruja. Representan los paisanos al Lobisome como um animal mezcla de perro y de cerdo. A las 12 de la noche de los dias viernes se opera esta transformación, dirigiéndose para alimentarse a los estercoleros y gallineros, donde devora los excrementos. Igualmente se alimenta de ninos no bautizados. El Lobisome recobra su fisionomia humana se alguien sin conocerlo lo hiere, pero se expone también a ser muérto por el mismo debido a que este monstruo tratará de exterminar por todos los medios al que lo libra de su malefício. Libra-se de la fatalidad de ser Lobizón si se lo bautiza com el nombre de Benito – dice D. Granada – y si el padriznago lo realiza el mayor de los siete hermanos.

1- Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima

2- Denominação, na França, do jogo de crianças “Seu Lobo está pronto?”

3- Região da França.

4- Um dos livros do Antigo Testamento

5- Dos acadianus, povos da Babilônia, antes do domínio assírio.

6- Estrela de seis pontas, formada por dois triângulos de metal, superpostos.

Lobisomem: assombração e realidade
Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/bibliografia-estrangeira-sobre-lobisomens/

Conexão ZosKia – Aliens

O contato imediato entre Magos e os seres de fora de nosso mundo é um fato há muito conhecido pelos interessados em Ocultismo. Quer seja o ser contatado do Espaço Sideral ou procedente de Espaços Interiores, eles representam em si aspectos da consciência que são a síntese do próprio Universo e que talvez seja o que há de perene nele: informação & dissolução, o velho jogo entre Thanatos e Eros. Sendo assim, cada magista que contata esses seres de outros mundos impregna de si a própria manifestação exterior do ser contatado. Isso explicaria o que seja popular e, digamos, erudito, em se tratando de contatos.

Essas visões e manifestações diferentes revelam também um pouco mais como a vida em seus diversos graus de evolução e consciência se dá como fenômeno e provam, talvez, que o próprio ser humano já fora alienígena à este mundo. Sejam deuses, anjos, demônios, gnomos, supermáquinas, todas estas visões foram se expressando de acordo com o lugar, época e pessoas que com elas fizeram contato. A interpretação que trata esses seres como Alienígenas, no atual sentido que compreendemos o termo, sempre existiu desde o antiqüíssimo passado. É o que vemos expressado, por exemplo, na Cabala e seu design de mundos interconectados; no Egito com seus deuses zoomórficos; no conhecimento sideral destes mesmos egípcios assim como dos Maias, dos Dogons da África, dos deuses astronautas dos Astecas, os seres divinos do Bön Po e da tradição Lamaista do Tibet relatado por Lobsang Rampa; assim como mais remotamente, na Suméria e sua tradição Tiphoniana.

Aleister Crowley e sua filosofia-mágicka, chamada Thelema, pertence à essa tradição Sumeriana, uma corrente mágicka que teve John Dee como antecessor direto de Crowley, como perscrutador de seus mistérios e busca de contato com seres ditos angelicais. E tanto Crowley como seus contemporâneos, principalmente aqueles que se engajaram nas fileiras renovadoras do que foi Thelema então, adentraram em uma verdadeira orgia de relações com seres alienígenas particularmente designadas então de “Inteligências Praeter-Humanas”.

No livro “Aleister Crowley e o Deus Oculto” Kenneth Grant escreve que Aleister Crowley “estava ciente da possibilidade de abrir portais espaciais e admitir a existência de uma corrente extraterrestre na onda vital do ser humano”, e que ao contrário do que outros iniciados de sua época chegavam a crer, essas forças não eram más e não queriam destruir a raça humana, mas investiam na expansão e evolução da consciência humana para torná-la cósmica, como salienta Robert Anton Wilson, que em seus escritos expõe tais conexões cósmico-consciência-thelemicas. Essa corrente leva consigo personagens como Ron Hubbard, Jack Parsons, Charles Stanfield Jones, Dion Fortune, Austin Osman Spare; assim como os expoentes mais recentes do ocultismo que inclui principalmente Kenneth Grant, Michael Bertiaux, tudo, pode-se dizer, seguidos de refrões de sucesso de Raul Seixas em parceria com Marcelo Motta.

Não podemos deixar de citar o background dos contos de H.P. Lovecraft que se interpenetra com H.P. Blavlastsk dando em J.J. Benitez, etc… Pensadores que fundiram espiritualidade e ufologia. Dentre todo o rol de magistas que tentaram contatos com seres extraterrestres, talvez aquele que tenha destilado a visão mais estranha destes seres alienígenas foi Austin Osman Spare. Encarando estes Aliens como seres interdimencionais, os quais viajam pelas frestas dos Universos, da matéria, do espaço, do tempo e da consciência, eles podem também podem possuir corpos como forma de traficar entre mundos sensações, conhecimento, energias e todo tipo de coisas que se pode trazer dos sonhos à carne e levar do Ser ao Não-Ser e vice-versa. A forma dos seres que se expressaram à Spare se aproxima bastante da descrição de entidades como o Mothman, que fora pesquisado por John Keel, ou como os alienígenas nomeados de Greys da casuística OVNI; seres extraterrestres que se relacionam intimamente no nível conciência-carne-medo-vácuo-matéria-caos… Seres sem nenhum vestígios de causalidade ou moral humana, seres que não podem ser compreendidos através da lógica, alcançando seus particulares objetivos somente se usando da loucura ou da crença cega que reflete a impotência da inteligência humana diante de tão dês-aforado lócus de ação por parte deles.

Particularmente em se tratando da criatura conhecida como Mothman que fez “fama” em suas aparições nos EUA no fim da década de 1960, é sabido que houve aparições deste em Londres nos idos do final do Século 19, mas precisamente na região de Piccadilly Circus Station, no centro de Londres. O que fazia lá, como fora atraído para o lugar, é como sempre uma questão que o pensamento humano comum não tem como responder, e talvez só se responda pela lógica da mística ou da própria loucura. Esses seres “entremundos” recordam-nos muito também os seres dos contos de Lovecraft, ligação que Kenneth Grant fez remetendo-se até a Anciã Paterson, iniciadora de Austin Osman Spare no culto da feitiçaria. Esses seres são feitos da mais pura essência do Necronomicon, o guia cósmico das aberrações interestelares. Seres, assim como a caracterização do Mothman feito por John Kell, parecem se alimentarem do próprio medo humano, vampiros psíquicos que se nutrem de emoções. Seres assim são citados inclusive pela tradição de alguns discípulos de Carlos Castãneda.

Tais parâmetros de contato e de seres, acrescido ao caráter especial de Austin Osman Spare, traz à tona o quanto mais tenebroso e intrínseco é o Fenômeno Alien e sua relação com o fator humano. É uma emanação que abarca Sexo, referência da lembrança humana de deuses, anjos e todo tipo de seres que desejaram e copularam com “as filhas dos homens”. Há também o congresso sempiterno da Carne que relembra o contato Alien carregado de mutilações e experiências cientificas com corpos humanos e animais, espécies de “êxtases feios”. Austin Osman Spare sempre aventa também o papel da Medicina, da Ciência, do Vírus, o que aproxima as referências aos agentes da desinformação no mundo OVNI, sempre munidos de tecnologia avançada e táticas de combate mental. Falamos dos misteriosos interventores conhecidos como Homens de Preto (MiB) e sua proximidade com os Irmãos Negros (Black Brothers), humanos que dedicam sua existência à construírem no Astral a engenharia necessária para a permanência indefinida de seu Ego (EU).

Em suas obras de arte, Spare retrata paisagens estranhas, de outros mundos onde habitam seres de uma estranheza inumana, parecendo seres vistos pela lente distorcida da mente que não os compreende em sua perfeição, uma carência estética humana talvez, ou simplesmente a distorção da compreensão máxima. Kenneth Grant escreve em “O Estranho Espírito de Zos vel Thanatos”, referente à Spare e o Culto de Zos Kia: “…Há um certo estado de consciência caracterizado por uma estranha perichoresis em que os sentidos mundanos, exaltados e infundidos com a Vontade magickamente carregada, i. e., dirigida, atraem influencias misteriosas do exterior.

A interação de elementos deste mundo com elementos de outro criam uma realidade ultradimensional Universo conhecido como Meon que só os artistas (ou Magos) mais sensíveis são capazes de responder de forma criativa…” Na obra que Spare busca representar aquilo que talvez seja o ponto de partida de sua inspiração místico-artística, tal obra é “Isis Sem Véu”, a figura dos mitos egípcios que representa o Infinito Espaço de Infinitas Estrelas, a morada dos Aliens. Enquanto que no livro-mor de Thelema, o Líber AL vel Legis (de 1904), já são explicitas as referências à alienígenas, outros mundos, tecnologia nuclear, et. al, já nos escritos de Spare tais referências são muitas das vezes subentendidas pelo véu da mística particular do Culto de Zos Kia. Assim podemos traçar uma linha de influência extraterrestre vindo através da Anciã Paterson, trazendo consigo a sabedoria de uma corrente mágicko-alienigena proveniente das paragens da América do Norte que fora herdada pelos nativos aos quais pertencia a anciã bruxa, tradição esta registrada pavorosamente nos escritos de Lovecraft e da qual Kenneth Grant pesquisou e descobriu ligações. A Sra. Paterson, como era usualmente chamada por Spare, migrou dos Estados Unidos para a Inglaterra, talvez fugindo do ambiente hostil de caça às bruxas das terras da outrora colônia, e então transmitiu ao jovem Spare essa diligência de outros mundos. Tal determinada espécie de conhecimento coincidentemente entraria novamente na vida de Spare quando mais tarde ele fora iniciado na Aurora Dourada e no pensamento de Thelema de Crowley. Conta-se que Spare só veio a aceitar de fato a revelação de “Líber AL” no fim de sua vida, mas Grant também nos revela que em certa fase de sua vida, Spare esteve totalmente devotado em fazer contato com seres alienígenas, buscando para isso os meio adequados. E esses meio segundo Grant, se revelam além dos grimórios que são cada uma de suas obras de arte e sigilos, mas também, e principalmente como sendo através da “Postura de Morte” como uma espécie de meio mediúnico para o contato interrealidades, uma forma de levar a consciência às plataformas de lançamento cósmicas para alcançar seres dispostos ao contato com os homens.

Dois parênteses: Primeiro, tais espécies de contatos a nível mediúnico, de forma mais tradicional, foram mais tarde efetuados com sucesso também pelo dito Grupo Rama nos Andes para contatar alienígenas e programar então avistamentos e até contatos do terceiro grau também. E segundo, em plena atividade nos dias de hoje, Michael Bertiaux, sacerdote Voodoo, identificou e em contatou, usando das mais diversas tecnologias mágickas-mediúnicas, os chamados Voltigeurs, seres esses que são caracterizados como reptilianos que saltam de mundo em mundo e que abarcam uma mística da lua. Parece-nos então que Austin Osman Spare foi um vetor muito especial de contatos com aliens, e seu Culto de Zos Kia então não poderia deixar de ser também um poderoso vortex que converge para si os portais de contato yóguicos da flexão da carne e da mente, uma espécie de crença astral e para o astral.

Com a influência Ameríndia através da Anciã Paterson e a influência Sumeriana via Aleister Crowley e Thelema, onde talvez o ponto de convergência seja não só o Necronomicon, mas também a própria ancestralidade humana neste mundo, que Spare explorou através da flexão dos atavismos, onde se pode perceber um verdadeiro rememoramento de “nomes mortos”. Então, do Oriente provém a Tradição Sumeriana via a síntese abrangente de Thelema, do Ocidente os eflúvios dos Mitos de Cthulhu, no meio de tudo isso o Greenwich de Zos Kia Cultus: a corrente xamânica que leva direto aos Alienígenas que sempre estiveram próximos ao seres humanos, em corpo, alma & Discos Voadores.

De todas estas escassas aproximações e fantásticos desdobramentos, a mente recua, mas as cartas estão na mesa. Anjos, Demônios ou Alienígenas, Inteligências Praeters-humanas, irradiações do subconsciente ou radiação do espaço sideral. Código Morse das estrelas refletida no DNA. Homens possuídos por deuses usando tecnologia e irremediando a realidade com vislumbres de outros mundo incapazes de habitarmos por simples leis físicas… Nikola Tesla pisou neste mundo… Heinrich Reich pisou nestas terras, Albert Einstein viveu aqui… Austin Osman Spare habitou aqui e lá, mas não viveu nem por isto e nem por aquilo. Ele traficou interrealidades através de uma arte alienígena a tudo, pois concretizou em caos e tinta sentimentos que não poderiam nunca coabitar com os homens sem pedir o pagamento do engrandecimento da visão humana que tem do vislumbre que é estar-aqui e do que está lá. A Ciência de mais baixa tecnologia que poderia haver abriu todos os canais de comunicação que poderiam existir com o Além/Alien, e essa ciência foi Arte, a expressão mais ferrenha e sem mentiras que possamos juntos fluir do Zos Kia Cultus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/conexao-zoskia-aliens/

A visão thelemita sobre os sacrifícios sanguíneos

O sacrifício de sangue é um assunto recorrente nas discussões religiosas e mágickas.

Muito se diz e muito pouco se sabe, ao menos por aqueles que não o praticam e por aqueles que o julgam sem conhecer.

Condenado por muitos e praticado desde os primórdios da civilização, o derramamento de sangue ainda é considerado um tabu.

O deus dos crististas, como retratado no Velho Testamento, era um exímio sacrificador de humanos.

Cain matou Abel, que por sua vez sacrificava animais. O deus iracundo não via com favor os sacrifícios de Cain, ao menos até o sangue de Abel ser derramado.

Maias sacrificavam crianças: seus corações eram retirados e suas peles eram usadas como vestimenta pelos sacerdotes.

Na África do Sul ainda hoje há o assassinato Muti: uma pessoa é morta ou mutilada para que partes de seu corpo sejam utilizadas como ingredientes de remédios da sabedoria popular.

Incas e Astecas acalmavam e satisfaziam os deuses com as vítimas humanas imoladas sobre os altares.

Os Thugs na Índia matavam para agradar Nossa Deusa Kali.

Escandinavos, gregos e romanos tinham em suas práticas ancestrais muitos sacrifícios, tanto de animais, quanto de seres humanos. Crianças, adolescentes, Homens e Mulheres.

O sacrifício animal costuma ser bastante solicitado nos cultos de descendência africana: na Umbanda, na Quimbanda e nos Candomblés “brasileiros”. Os animais sacrificados geralmente são galinhas, galos, caranguejos, gatos, pombas, cobras, bodes, cabras e cães.

O que fazemos aqui não é uma apologia ao sacrifício, mas um convite à reflexão e ao simbolismo arcano do ofício sagrado que envolve o sangue, seja ele procedente de algum animal, de nós mesmos, de nossa Vesica Pisces na sacra alquimia dos Kalas ou somente como um ato para saciar nossa fome e nossa sede.

Vida se alimenta de vida e o sangue é um dos Vayus mais potentes e eficazes para gerar determinadas energias dinâmicas de transformação no trabalho mágicko.

O texto de Crowley, publicado em seu Book Four, apresenta uma das teorias mágickas mais proeminentes no ocultismo tradicional thelêmico e serve de base ampla e sólida para o aprofundamento do estudo relacionado. A parte seguinte deste texto trás a tradução sobre a matéria relacionada, quem escreve é o próprio mega Therion

É esperado para nós considerar detidamente os problemas relacionados com os sacrifícios sanguíneos, tendo esta questão uma importância tradicional relacionada com a Magia. Para ser mais preciso, toda a Antiga Magia gira sobre este eixo. Em particular em todas as religiões Osirianas – Os Ritos do Deus Moribundo – são um claro exemplo. A matança de Osíris e Adonis; a mutilação de Attis; os Cultos do México e do Peru; a mitologia de Hércules ou Melcarth; as lendas de Dionísio e Mithras: todas estão relacionadas com esta idéia. Na Tradição Hebraica também a encontramos. Na primeira lição ética da Bíblia se indica que o único sacrifício que agrada os olhos do Senhor é um sacrifício de sangue; Abel, por realiza-lo, encontrou favor com o Senhor, enquanto que Caín, que oferecia vegetais, foi considerado um avarento. Isto ocorre uma e outra vez. Temos o sacrifício que se oferece pelos Judeus, depois de que Abraão foi ordenado pelo Senhor a sacrificar seu primeiro filho. A cerimônia anual das duas cabras expiatórias é outro exemplo. Também é a idéia dominante no romance de Esther, na qual Haman e Mordecai são as duas cabras ou deuses; e também no rito de Purím na Palestina, quando Jesus e Barrabás foram as cabras naquele ano em particular, do qual sabemos tanto sem chegar a um acordo sobre a data dos fatos.

Este tema pode ser estudado em The Golden Bough, de J.G. Frazer.

Já foi dito o suficiente para demonstrar que o eixo da Magia desde os tempos imemoráveis tem sido o sacrifício sanguíneo. A ética desta prática parece que não importou a ninguém em particular; e, para dizer a verdade, não deve importar. Como disse São Paulo, “Sem o derramamento de sangue não há remissão.”; E quem somos nós para discutir com S. Paulo ? Mas, depois de tudo, cada um pode julgar o que quiser sobre o tema, ou sobre qualquer outro tema, graças a Deus! Também não faz falta estudar o assunto, façamos o que façamos; porque nossa ética dependerá naturalmente da teoria que nós possuímos do universo. Se pudermos estar seguros, por exemplo, de que todos iremos para o céu quando morrermos, não haverá tanta objeção ao homicídio ou ao suicídio, como normalmente se faz – por aqueles que não sabem nada dos dois – que a Terra não é um lugar tão agradável quanto o céu.

De todas as formas, existe uma teoria oculta no sacrifício sanguíneo que é de grande importância para o estudante, não façamos portanto mais apologias. Não teríamos nem sequer feito essa apologia para uma apologia, se não fosse pela solicitude de um bom amigo de caráter mui austero, que insistiu que os trechos que agora se seguem – a parte que foi originalmente escrita – poderiam causar alguma confusão. Isto não deve ser assim.

O Sangue é a Vida. Esta simples afirmação é expressa pelos hindus como “O sangue é o veículo principal do Prana vital”. Há alguns fundamentos para afirmar a crença de que existem umas substâncias definidas, que ainda não puderam ser isoladas, e que determinariam a diferença entre matéria viva ou morta. Os Charlatões Pseudocientíficos da América, que afirmam que há uma perda de peso do corpo no momento da morte, devemos – como é natural – menosprezar, incluindo os supostos clarividentes que tem visto a alma sair da boca da pessoa em estado de Articulo mortis; mas sua experiência como explorador tem convencido ao Mestre Therion que a carne perde uma porção de seu valor nutritivo alguns minutos após a morte, e que esta perda aumenta com o passar das horas. Se sabe que a comida viva, como são as ostras, é o tipo de energia mais concentrada e que melhor se assimila. Os experimentos de laboratório sobre os valores nutritivos são inválidos, por razões que não discutiremos aqui; o testemunho geral da humanidade parece ser o guia mais confiável.

Seria irracional – deste ponto de vista – condenar aos selvagens que arrancam o coração e o fígado de seus inimigos e os comem enquanto ainda palpitam. Os Magos da antiguidade sustentavam a teoria de que qualquer ser vivo era um armazém de energia variando em quantidade segundo o tamanho do mesmo e em qualidade segundo seu caráter moral e mental. À morte deste animal esta energia se libera instantaneamente.

O animal, então, se deve matar dentro do círculo, ou no triângulo, segundo o caso, para que esta energia não se perca. Se deve escolher um animal que esteja em sintonia com a cerimônia. Por exemplo, se alguém sacrificasse uma ovelha para invocar a Marte, não obteria muita da energia violenta deste planeta. Neste caso seria melhor um carneiro. E este carneiro tem que ser virgem – a potência de toda sua energia original tem que ser intacta.

Para os trabalhos espirituais mais elevados, se tem que escolher aquela vítima que encerra a maior quantidade e pureza de força, e sem nenhuma deformação física.
Para as evocações, seria mais conveniente por o sangue da vítima dentro do Triângulo; a idéia é que o espírito pode obter deste sangue a substância, ainda que muito sutil, física, que é a quintessência de sua vida para permitir que o mesmo (espírito) tome uma forma tangível.

Os Magos são contrários ao emprego do sangue e utilizam em seu lugar o incenso. Para tal fim se pode empregar o incenso de Abra-Melin em grandes quantidades. Ainda que também sirvam os do tipo Dittany e Creta. Ambos os incensos são muito católicos em sua natureza, e são adequados para quase qualquer materialização.

Mas quanto mais perigoso for o sacrifício mágico, mais êxito se obterá. Para quase todos os propósitos o sacrifício humano é o melhor. O verdadeiro Mago será capaz de empregar seu próprio sangue, ou possivelmente o sangue de um de seus discípulos, e o fará de uma tal maneira que não sacrificará a vida irrevogavelmente. Um exemplo deste sacrifício se encontra no Capítulo 44 de Liber CCCXXXIII. Recomendamos esta Missa como uma prática diária.

Se deve dizer uma última palavra sobre o tema. Existe uma Operação Mágica com a máxima importância: a Iniciação de uma Nova Era “Aeon”. Quando é necessário pronunciar uma Palavra e todo o planeta terá que se banhar em sangue. Antes de que o Homem aceite a Nova Lei, de Thelema, se deve lutar a Grande Guerra. Este Sacrifício Sanguíneo é o ponto crítico da Cerimônia-Mundial da Proclamação de Hórus, o Menino Conquistador e Coroado ou Senhor da Era.

Todas estas profecias se encontram em The Book of the Law; que o aluno tome nota e se una as fileiras do senhor do Sol

Há outro sacrifício, que tem sido mantido como secreto por todos os Adeptos. É um mistério supremo da Magia Prática. Seu nome é a Fórmula da Rosa-Cruz. Neste caso, a vítima sempre é – para dize-lo de alguma maneira – o próprio Mago, e este sacrifício deve coincidir com a pronunciação do nome mais sublime e secreto do Deus que se deseja invocar.

Se esta operação é executada com precisão, sempre se cumprirá o efeito. Mas isto é demasiado difícil para o principiante, porque é muito laborioso manter a mente concentrada no propósito da cerimônia. O vencer deste obstáculo aumenta o poder do Mago.

Não aconselhamos que o aluno intente leva-la a cabo até que tenha sido iniciado na verdadeira Ordem da Rosa-Cruz, e deverá ter tomado os votos com a plena compreensão de seu significado, e logicamente, experiência. Sendo necessário também que tenha alcançado um grau absoluto de moral emancipada, e aquela pureza de espírito que resulta de um perfeito conhecimento das harmonias e diferenças dos planos sobre a Árvore da Vida.

Por este motivo Frater Perdurabo nunca se atreveu a empregar esta Fórmula de maneira cerimonial completa, salvo em uma ocasião de suma importância, quando realmente não foi Ele quem fez a oferenda, e sim UM dentro Dele. Porque percebeu um grande defeito em seu caráter moral, que pode superar no plano intelectual, mas até agora não o conseguiu nos planos superiores. Antes do término deste livro já o terá realizado. Os detalhes práticos do Sacrifício Sanguíneo podem ser estudados em outros manuais etnológicos, especialmente The Golden Bough de Frazer, que se recomenda ao leitor.

Os detalhes das cerimônias também podem ser aprendidos com o experimento. O método empregado para matar é praticamente uniforme. O animal deve ser apunhalado no coração, ou pelo pescoço, e em ambos os casos com o punhal. Todos os outros métodos são menos eficazes; inclusive no caso da crucifixação, a morte chega com a punhalada.

Deve-se indicar aqui, que para o sacrifício só se empregam animais de sangue quente, com duas exceções principais. A primeira é a serpente, que só se utiliza em um Ritual muito especial; e o segundo caso são os escaravelhos mágicos de Liber Legis.

Possivelmente se deveriam dar algumas palavras de cautela para o principiante. A vítima tem que estar em perfeito estado de saúde, caso contrário sua energia poderá estar como que envenenada. Também não deve ser demasiada grande, já que a energia liberada seria excessiva, e de uma proporção inimaginável pela natureza do animal. Em conseqüência, o Mago poderia perder o controle e ficar obcecado com a força extraordinária que teria liberado; então, provavelmente se manifestaria em sua condição mais baixa. O intenso propósito espiritual é absolutamente essencial para manter a segurança.

Nas evocações o perigo não é tão grande, porque o círculo forma uma barreira protetora; mas o círculo neste caso se tem que proteger, e não unicamente pelos nomes de Deus e as Invocações empregadas, também pelo hábito de defesa eficaz levado a cabo por muito tempo.

Se te alarmas ou ficas nervoso com facilidade, ou se ainda não tenhas superado a tendência que a mente tem de se distrair, não é aconselhável que executes o Sacrifício Sanguíneo. Mas não deve se esquecer que este e outros que remotamente temos mencionado são as Fórmulas Supremas da Magia Prática.
Também tu podes ter este capítulo e suas práticas como uma confusão se não compreendes seu verdadeiro significado.

Há um adágio tradicional que diz que quando um Adepto afirma uma coisa em branco e preto, que o mais seguro é que esteja dizendo uma coisa completamente diferente. A verdade nunca se expressa com a clareza de Suas Palavras, sendo sua simplicidade o que confunde aos indignos. Eu escolhi as expressões neste capítulo de tal forma que confundam aqueles Magos que permitem que os interesses egoístas turvem suas inteligências, por minha vez indico umas pistas aos que tem feito os Votos de dedicar seus poderes para fins legítimos. “Não tens outro direito que fazer Tua Vontade”.

Pharzhuph

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-visao-thelemita-sobre-os-sacrificios-sanguineos/

Arte, Magia e Meditação

Bate-Papo Mayhem 167 – Com Igor Kloh (Floki) – Arte, Magia e Meditação

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/yhl5WXozlfs

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arte-magia-e-medita%C3%A7%C3%A3o

Adam Weishaupt e os Illuminati

Robert Anton Wilson

Lição #1 do Maybe Logic Academy

A CORPO

“Raramente se faz a pergunta: Nossos filhos estão aprendendo?”
-George W. Bush

“O único livro que você tem que ler é O Poderoso Chefão. Essa é a única obra que conta como o mundo é realmente governado”.
– Roberto Calvi, Presidente, Banco Ambrosiano; esticada, Londres, 18/06/1982

Adam Weishaupt fundou — ou reviveu — a secreta Ordem dos Illuminati em 1º de maio de 1776; isso parece um fato histórico. Todo o resto permanece disputado e acaloradamente controverso.

A maioria dos historiadores acredita que os Illuminati originalmente recrutavam apenas maçons de alto grau, e desde então em todas as gerações desde 1785 – quando o governo da Baviera descobriu e proibiu os Illuminati – os maçons enfrentam a acusação de que permanecem “sob controle dos Illuminati”.

Todos negam, é claro.

Bem, nem todos. Um maçom escocês, John Robison, em suas Proofs of a Conspiracy [1801], afirmou que os malditos Illuminati haviam conquistado a Maçonaria da Europa Continental; ele escreveu principalmente para alertar as lojas da Inglaterra, Escócia e Irlanda contra um golpe semelhante.

Desde Robison, o debate Maçônico/Illuminati inclui aqueles que pensam que os Weishauptianos tomaram conta de todas as Lojas Maçonicas, aqueles  que como Robison pensam que só se infiltraram em algumas, e aqueles, incluindo a Enciclopédia Britânica, que vêem o Iluminatti como um “grupo de curta duração que viveu o movimento do livre pensamento republicano” e que nunca teve uma grande influência na Maçonaria – ou em qualquer outra coisa.

Mas o debate Illuminati cobre um terreno muito maior do que isso.

Por exemplo: Kris Millegan em seu Fleshing Out Skull & Bones apresenta a sociedade de Yale como um ramo dos Illuminati. Caso você não saiba, alguns Bonesmen proeminentes incluíram Bush I, Bush II, Henry Luce of Time, Justice Potter Stewart e um elenco de estrelas dos chefões dos bancos, imprensa e política norte-americanas, e a maioria dos diretores de a CIA… ah sim, e John Kerry.

Tem certeza que você realmente quer saber mais sobre isso?

De outro ângulo, Akron Daraul, em sua History of Secret Societies, argumenta que Weishaupt não inventou, mas apenas renovou os Illuminati, que ele relaciona a movimentos anteriores conhecidos como Der Begriff Feme (Alemanha), Allubrados (Espanha), Roshinaya (Pérsia). etc.; enquanto o mais exuberante John Steinbacher em Novus Ordo Seclorum os rastreia até o Jardim do Éden! Eles foram fundados, diz ele, por Caim, não são do casamento sagrado de Adão e Eva, mas de um acoplamento ilícito e satânico entre Eva e a Serpente. Que tal isso para os tabloides? Bestialidade, satanismo e todos os temas para um novo filme de Arquivo X.

Enquanto isso, a História da Magia de Eliphas Levi traça os Illuminati de volta a Zaratustra e afirma que sua doutrina secreta chegou a Weishaupt via maniqueísmo, os Cavaleiros Templários e a Maçonaria. Isso os coloca como parte da mesma tradição oculta que Giordano Bruno, Dr. John Dee, Aleister Crowley e dos Sufis do Islã.

Mas na quarta ou quinta versão, uma pesquisadora britânica chamada Nesta Webster vê os Illuminati como os cérebros por trás do socialismo, comunismo, anarquismo e do governo prussiano de 1776 a 1918. [Ela escreveu logo após a primeira guerra da Inglaterra com o Prússia.]

Na sexta versão, J.F.,C. Moore argumenta que os Illuminati, uma fonte secreta do ocultismo fascista, inspiraram personagens tão estranhos como Aaron Burr, Adolf Hitler e J. Edgar Hoover; mas os moluscos Philip Campbell Argyle-Smith são invasores extraterrestres do planeta Vulcano. Eles se autodenominam “judeus” neste planeta, acrescenta. Se isso significa que todos os judeus “são” vulcanos ou apenas alguns deles, parece incerto para mim, mas o vulcano mais famoso, Sr. Spock, “é” judeu na medida em que ser interpretado por um ator judeu o torna pelo menos parcialmente “judeu”. o que quer que isso signifique. Talvez Argyle-Smith tenha visto muitos filmes de Star Trek.

Ele também credita aos Vulcanos Iluminados a gestão dos bandidos da Índia, os sionistas em Israel, os bancos Rothschild, a Internacional Comunista, a Sociedade Teosófica, a Maçonaria e os Assassinos do Afeganistão medieval. Não sei por que deixou de fora George Bush e a Al Qaeda; provavelmente ele só escreveu cedo demais.

Outra teoria dos Illuminati cósmicos apareceu no East Village em junho de 1969; incluía Skull & Bones, os Rothschilds, a Nação do Islã [“Muçulmanos Negros”], Richard Nixon, os Panteras Negras, o Bank of America, os Rosacruzes, o Der Begriff Feme, o Federal Reserve e o Combine’s Fog Machine. Esse deve conter algumas piadas escondidas [espero].

De acordo com o RogerSpark, um jornal radical de Chicago [julho de 1969] Weishaupt realmente assassinou George Washington e serviu em seu lugar por seus dois mandatos como presidente. [Então, quem escreveu os livros de Weishaupt? Hegel talvez; eles soam como dele às vezes……]

A John Birch Society, é claro, tem uma visão diferente sobre tudo isso. De acordo com Gary Allen, editor de sua revista de notícias, American Opinion, Adam Weishaupt “era” um “monstro”, mas os Illuminati só ficaram realmente monstruosos após sua captura pelo aventureiro/bilionário inglês Cecil Rhodes, que o usou para estabelecer o domínio britânico no mundo. O Conselho de Relações Exteriores atua como sua “frente” mais importante nos EUA. hoje, de acordo com Allen.

Sandra Glass, no entanto, pensa nos Illuminati como um grupo de maconheiros clandestinos que incluíam os Assassinos medievais, Weishaupt, Goethe, Washington, o primeiro grande Richard Daly de Chicago e Ludvig van Beethoven. “Beethoven?” você pode bufar. Bem, curiosamente, uma biografia recente, acadêmica e não conspiratória do grande Ludwig van, de Maynard Solmon, diz que o Sr. B escreveu algumas de suas músicas sob encomenda dos Illuminati e tinha muitos amigos na própria Ordem. Solomon não menciona a maconha, no entanto; talvez Ludvig, como um presidente recente com uma ereção perpétua, não tenha tragado.

Então, novamente, Adam Gorightly em The Prankster and the Conspiracy afirma que todas as pesquisas recentes dos Illuminati [pós-1960] se tornaram confusas e caóticas por causa de uma conspiração falsa, também chamada de Illuminati, fundada por Kerry Thornley, um homem acusado de envolvimento em o assassinato de JFK por Nova Orleans D.A. Jim Garrison. De acordo com Gorightly, esse neo-Illuminati visa apenas atormentar e zombar dos esforços de pesquisadores de conspiração sinceros, e ele até acusa o autor deste ensaio [eu, R.A.W.] de envolvimento nessa conspiração diabólica!

Eu, é claro, me recuso a dignificar essa acusação absurda com uma negação, na qual ninguém acreditaria de qualquer maneira. Além disso, como o Rev. Ivan Stang da Igreja do Subgenius diz em Maybe Logic: “Bem, se eu fosse um membro dos Illuminati, não confessaria isso, certo?”

O ANTICORPO

“Não somos vítimas do mundo que vemos, somos vítimas da forma como vemos o mundo.”
— Dennis Kucinich

“Acho que Deus está nos mandando um recado: “Se você não aguenta uma piada, vá se foder”.
-Woody Allen

O que podemos revelar sobre o “real” Adam Weishaupt e os “reais” Illuminati?

Um livro funciona como um espelho, alguém disse uma vez: quando um macaco olha para dentro, nenhum filósofo olha para fora. Posso apenas dizer-lhe o que essa teoria me parece; outros, tenho certeza, encontrarão outras coisas nele – incluindo referências codificadas a Vulcanos, Skull and Bones, Zaratustra, a Der Begriff Feme, comunismo, Maria Madalena, o Federal Reserve, a Combine’s Fog Machine e outros.

Para mim, parece apoiar a mais cautelosa e conservadora de minhas fontes, a Enciclopédia Britânica, e o velho Adam se parece muito com um cansado defensor do “livre pensamento republicano”, estilo do século XVIII. Em outras palavras, ele parece um parente distante, filosoficamente falando, de Adam Smith, Hume, Voltaire, Jefferson, Franklin, Tom Paine – ou seja, de todas essas ideias libertárias atualmente tão fora de moda neste país quanto na Baviera na época de Weishaupt. Eu sei por que ele parece cansado para mim: tentar ensinar a libertação a pessoas que se sentem reconciliadas com sua escravidão pode realmente esmagar você, seja em 1804 ou em 2004.

Também acho que vejo uma influência de Kant, e talvez um prenúncio de Hegel, na estrutura semântica continuamente usada por Weishaupt – “X parece verdadeiro; não-X também parece verdadeiro; teremos que pensar mais sobre isso.” Tomás de Aquino fez o mesmo truque, mas sempre fica do lado da ortodoxia segura om sabor papista. Weishaupt joga a bola de volta para o leitor, embora você nem sempre o pegue fazendo isso.

Não vejo nenhuma prova conclusiva de que os Illuminati planejaram algo nefasto ou mesmo ilegal, exceto na medida em que o próprio pensamento livre permaneceu ilegal no sul da Europa. Mas também não vejo nenhuma prova conclusiva de que eles não fariam e não poderiam e não fizeram coisas desagradáveis. Como uma sociedade secreta escondida dentro da sociedade secreta da Maçonaria, os Illuminati sempre permanecerão um tanto misteriosos, e pedantes e paranóicos discutirão sobre isso até que o último bando desembarque.

Talvez Tom Jefferson tenha acertado quando disse que as sociedades secretas pareciam necessárias na Europa, assombradas pela monarquia e pelo papismo, mas não nos Estados Unidos. Certamente, enquanto a Constituição Americana permaneceu a lei nesta terra nenhuma pessoa sã sentiria a necessidade de sociedades secretas aqui. Atrevo-me a acrescentar “Mas e  agora com a Constituição em suspensão criogênica“? Não: é melhor eu não ir por ai… melhor prevenir do que remediar…

Por outro lado, não apenas as sociedades secretas, mas o próprio sigilo ou mesmo a privacidade parecem cada vez mais impossíveis sob o reinado de George III.

Eles têm câmeras escondidas em todos os lugares.

Eles grampeiam nossos telefones.

Se eles quiserem, eles podem “ler” cada pressionamento de tecla no meu computador, incluindo este:

Eles podem até bisbilhotar o conteúdo de nossas bexigas, em testes aleatórios explicitamente proibidos por aquela Constituição maravilhosa e moribunda. Doce Jesus de luto, não há lugar para onde possamos escapar ou nos esconder ou nos sentirmos sozinhos, não é?

Às vezes, me revirando e tentando dormir de madrugada, exploro as ideias rejeitadas pela minha cética mente desperta. Talvez as fantasias mais paranóicas sobre os Illuminati contenham alguma verdade… pode ser…

Talvez o Olho Que Tudo Vê na nota de dólar represente o estado totalmente fascista que esses bastardos querem.

Talvez todos aqueles discursos na Internet sobre Skull and Bones servindo como recrutador para os Illuminati tenha alguma base de fato, afinal.

Talvez devêssemos realmente nos preocupar quando a escolha na próxima eleição permanecer limitada a dois homens ricos de Bonesmen… O que Weishaupt escreveu? – “Quem é rico – muito rico – pode fazer qualquer coisa…”.

Talvez devêssemos considerar “Illuminati” como um termo genérico ou uma metáfora?

Talvez toda estrutura de poder aja muito como as fantasias mais paranóicas sobre os Illuminati, especialmente quando se sente ameaçada.

Talvez você devesse ver o mundo como uma conspiração dirigida por um grupo muito unido de pessoas quase onipotentes.

Talvez você deveria pensar que esse grupo de pessoas sejam você e seus amigos.

Não, não – é assim que é a loucura, a esquizofrenia. Depois de um sono profundo, acordo, as sombras fogem e lembro que “tudo está bem neste melhor dos mundos possíveis”.

Voltaire não pretendia que isso fosse sarcasmo, pretendia?

Robert Anton Wilson
subterrâneo profundo
Em algum lugar nos EUA ocupados
23 de fevereiro de 2004

Leitura e visualização recomendadas:

  • Argyle-Smith, Philip Campbell — High IQ Bulletin, Colorado Springs 1970, IV, 1
  • Bauscher, Lance — MaybeLogic, http://www.maybelogic.com
  • Daraul, Akron — History of Secret Societies, Citadel Press NY, 1961.
  • Ellul, Jacques — Violence, Seabury Press, NY,1969.
  • Glass, Sandra — “The Conspiracy,” Teenset, March 1969.
  • Gorightly, Adam — The Prankster and the Conspiracy, ParaView Press, NY, 2003.
  • Gurwin, Larry — The Calvi Affair, Pan Books, London, 1984.
  • Knight, Stephen — The Brotherhood, Grenada, London, 1984.
  • Levi, Eliphas — History of Magic, Borden Publishing, Los Angeles, 1963.
  • Millegan, Kris — Fleshing Out Skull & Bones,Trineday, Walterville, OR, 2003.
  • Moore, J.f.C. — “The Nazi Religion,” Libertarian American, August 1969.
  • Morals, Vamberto — Short History of Anti-Semitism, Norton, NY, 1976.
  • Robison, John — Proofs of a Conspiracy, Christian Book Club, Hawthorn, CA, 1961.
  • Solomon, Maynard — Beethoven, Schirmer Books, NY, 1977.
  • Vankin, Jonathan — Conspiracies, Cover-Ups and Crimes, IllumiNet Press, Lillburn,GA, 1996.
  • Webster, Nesta — World Revolution, Constable, London, 1921.
  • Wilgus, Neal — The Illuminoids, Sun Press, Albuquerque NM, 1977.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/adam-weishaupt-e-os-illuminati/

Afrodite: All You Need is Love

Semana anterior falamos sobre a Razão: um dos 3 pilares da Magia e também dos 3 estados de consciência que precisam ser trabalhados e dominados dentro de cada um de nós. Falei sobre os deuses associados à razão, à lógica e ao entendimento e como os antigos utilizavam-se destas alegorias e representações para facilitar o domínio destes conceitos.

Hoje falaremos sobre o contraponto feminino em nossa mente. Associado ao elemento Água, ao naipe de taças (copas) e ao sagrado feminino, a Emoção está representada na esfera de Netzach.

Antes de prosseguir com a leitura desta matéria, recomendo que vocês leiam (ou releiam) o post sobre Hermes Trismegistrus antes de continuar.

Inanna
A representação mais antiga de Netzach era a deusa Inanna.
Inanna era a deusa do amor, do erotismo, da fecundidade e da fertilidade, entre os antigos Sumérios, sendo associada ao planeta Vênus.
Era especialmente cultuada nos enormes e importantes templos em Ur, mas era alvo de culto em todas as cidades sumérias.

Inanna surge em praticamente todos os mitos, sobretudo pelo seu carácter de deusa do amor (embora seja sempre referida como a virgem Inanna). Inanna representava também a primavera e as festividades relacionadas com o plantio. Sua história conta que como a deusa se tivesse apaixonado pelo jovem Dumuzi (um deus que antes era humano, representante das plantações, que todo ano morria e posteriormente era ressuscitado… já viram este mito em algum lugar antes?). Durante o Inverno, tendo Duzumi morrido, a deusa Inanna desceu aos Infernos para o resgatar dos mortos, para que este pudesse dar vida à humanidade, agora transformado em deus da agricultura e da vegetação no final dos tempos tenebrosos.

É cognata das deusas semitas da Mesopotâmia (Ishtar) e de Canaã (Asterote e Anat), tanto em termos de mitologia como de significado.

Ishtar
Da deusa Inanna, surgiu na suméria o culto a Ishtar.
Ishtar é a deusa mãe dos acádios, herança dos seus antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Isis dos egipcios, Inanna dos sumérios e da Astarte dos Gregos. Mais tarde esta deusa foi assumida também na mitologia Nórdica como

Easter – a deusa da fertilidade e da primavera.
Esta deusa era irmã gêmea de Shamash (que era o deus solar – preste atenção que isto é importante!) e filha do deus Sin, o deus lunar (e isto também será importante). Até este momento da história, quando os homens não tinham muita certeza sobre como as mulheres geravam os filhos, as principais divindades eram todas matriarcais, e associadas ao Sol.

Assim como Inanna, Ishtar também é representada pelo planeta Vênus.
Eu já havia falado sobre os ritos sexuais do Hieros Gamos então não vou repetir. Além destes rituais, o mais importante festival em honra a Ishtar consistia na Celebração do

Equinócio da Primavera.
Neste ritual, os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam nos campos. Para quem não fez as contas ainda, o Equinócio da Primavera cai aproximadamente dia 21 de Março, inicio do período de plantações.
Estes ovos continham runas e magias de Sigil pintadas cuidadosamente sobre eles (ensinarei sobre magia de Sigil daqui algumas colunas). Estes ovos eram enterradas nos campos e, quando os ovos eram destruídos pelos arados, os desejos escritos nos ovos se realizavam. Esta é a origem dos ovos “coloridos” de “Páscoa” (na verdade, eles não eram apenas “pintados”, mas escritos com runas e sigils de várias cores, representando cada cor e símbolo dos desejos a serem realizados)… calma que chegaremos nos coelhos daqui a pouco.

[um parênteses – hoje em dia, quando alguém vai em um templo de Umbanda e Candomble e recebe uma instrução de um Exú ou Bombo-Gira para acender tantas velas de tal cor para realizar um pedido, ou quando amarramos fitas de cores específicas nos galhos de uma árvore no Japão, no festival de Tanabata, ou quando desligamos nossa mente pintando mandalas com areia colorida, estamos falando do MESMO tipo de magia ritualística, apenas em formas e culturas diferentes – fim do parênteses].

Ísis
Isis é a deusa suprema do panteão egipcio; a grande mãe, a grande deusa, a criadora da vida. Ela era descrita como tendo pele clara, olhos azuis e cabelos negros. Junto com Osíris e Hórus, fazia parte da trindade sagrada dos deuses egípcios.
As lendas diziam que suas sacerdotisas eram capazes de controlar o clima prendendo ou soltando seus cabelos. Seus sacerdotes conheciam como ninguém as artes de trabalhar com metalurgia. Assim como nas culturas anteriores, o culto à deusa-mãe que representava as forças da natureza era muito difundido. Ísis era a deusa da sabedoria, detentora de todos os poderes mágicos dentro nas iniciações das Pirâmides (o chamado “Véu de Ísis”). Repare no “carretel de empinar pipas” que ela carrega em sua mão esquerda. Mais tarde falaremos sobre ele.

Ísis era casada com seu irmão osíris e ambos governavam o Egito. Enquanto Osíris estava espalhando suas idéias de civilização pelo mundo, Isis governava o Egito. Porém, seu irmão Seth era um deus violento e invejoso e queria o trono para si. Quando Osíris retornou a Menphis, Seth convocou 72 auxiliares e o convidou para um banquete. Durante o jantar, ele mostrou um belíssimo baú e disse que qualquer pessoa que coubesse dentro dele seria seu dono. Osíris coube perfeitamente, mas Seth e seus seguidores fecharam o baú com chumbo derretido e jogaram a caixa no Nilo.

A caixa chegou na Fenícia, onde uma árvore de Tâmaras cresceu ao seu redor. Mais tarde, quando esta árvore foi cortada e levada para fazer um pilar de um templo no palácio do rei, o odor da árvore era tão maravilhoso e diferente que a história acabou chegando até os ouvidos de Ísis e Seth.

Seth chegou primeiro ao baú e despedaçou o corpo de Osíris em 14 pedaços, que espalhou pelo Egito. Quando Ísis conseguiu chegar até o baú, ficou desesperada e começou a procurar pelas partes de Osíris por toda a terra, até que conseguiu recuperar todas as partes de seu amado (exceto seu falo, que havia sido devorado por um caranguejo) e levá-lo para os pântanos da deusa cobra Buto. Ali, utilizando-se de magias de Thoth e Anubis, Ísis conseguiu reanimar a essência de seu amado tempo suficiente para gerar um filho (sem contato sexual), chamado Hórus. Ísis era considerada uma deusa-virgem até então, de onde pode-se dizer que Hórus nasceu de uma Virgem.

Hórus simboliza a criança do solstício de Inverno; a esperança que o sol mais uma vez surgirá após o tenebroso inverno.

Em seguida, Ísis realiza os ritos de embalsamar, preparando Osíris para a viagem ao Próximo Mundo. Ísis e Hórus permanecem no pântano de Buto até que Hórus esteja forte o suficiente para desafiar seu tio Seth.
Quando estava em idade adequada, foi chamado um conselho dos deuses e Hórus pediu a eles que recuperasse o trono que era seu por direito. Todos os deuses votaram para que o trono permanecesse com Seth, exceto Toth (a Razão). O trono permanecia com Seth.

Ísis começou a proferir maldições e Seth ficou furioso, ameaçando matar um deus por dia até que os deuses decidissem a seu favor. Para evitar maiores problemas, Rá ordenou que a votação fosse movida para um santuário em uma Ilha e deu instruções ao barqueiro Ani para que nenhuma mulher cruzasse aquelas águas.

Ísis, então, decidiu usar um estratagema: transformou-se em uma linda donzela e, disfarçada, subornou Ani para que a levasse até a ilha de santuário de Seth, onde o seduziu com sua beleza. Quando Seth estava prestes a cair em sua sedução, ísis contou a ele que era uma viúva com um filho, cuja herança em gado havia sido tomada injustamente por seu tio estrangeiro, e perguntou o que ela deveria fazer para ajudar o filho da viúva. Seth disse a ela que o filho dela era o verdadeiro herdeiro.
Ísis foi, então, até o conselho dos deuses onde contou a todos o que havia acontecido e, dado que o julgamento foi proferido pela própria boca de Seth, os deuses não tiveram outra alternativa senão entregar o trono a Hórus.

Seth pediu, então, que o trono fosse disputado em uma batalha entre os dois e o conselho concordou. A partir de então, os dois deuses combatem, sendo responsabilidade de Toth velar para que haja sempre equilíbrio entre as estações.
Ísis era considerada uma deusa LUNAR. Ao contrário de suas predecessoras, que eram divindades solares, a partir do Egito as deusas femininas que possuem as atribuições sexuais e de fertilidade passam a adquirir atributos lunares. Isto se deve, em parte à associação do ciclo menstrual feminino (de 28 dias) com os ciclos lunares e, em parte, com a tomada do poder pelo patriarcado, que elevou o Sol à categoria de deus masculino dominador todo-poderoso.

Afrodite
De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, Afrodite nasceu quando Urano (pai dos titãs) foi castrado por seu filho Cronos/Saturno, que atirou os genitais cortados de Urano ao mar, que começou a ferver e a espumar, esse efeito foi a fecundação que ocorreu em Tálassa, deusa primordial do mar. De aphros (“espuma do mar”), ergueu-se Afrodite e o mar a carregou para Chipre. Assim, Afrodite é de uma geração mais antiga que a maioria dos outros deuses olímpicos.

Após destronar Cronos, Zeus ficou ressentido pois tão grande era o poder sedutor de Afrodite que ele e os demais deuses estavam brigando o tempo todo pelos encantos dela, enquanto esta os desprezava a todos. Como vingança e punição, Zeus fê-la casar-se com Hefesto, que usou toda sua perícia para cobri-la com as melhores jóias do mundo, inclusive um cinto mágico do mais fino ouro, entrelaçado com filigranas mágicas. Segundo Homero, Afrodite e Hefesto se amavam mas, pela falta de atenção deste, que estava sempre envolvido com os trabalhos encomendados pelos deuses, Afrodite começou a trair o marido com Ares.

Suas festas eram chamadas de “Festas Afrodisíacas” e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Suas sacerdotisas eram consideradas prostitutas sagradas, que representavam a própria Afrodite, e o sexo com elas era considerado um meio de adoração e contato com a Deusa. Com o passar do tempo, e com a substituição da religiosidade matriarcal pela patriarcal, Afrodite passou a ser vista cada vez mais como uma Deusa frívola e promíscua, como resultado de sua sexualidade liberal.

Afrodite/Vênus representa as paixões incontroladas, o espírito deixado levar pelo sentimento, as forças primordiais do SENTIR, incontroláveis. Vênus simboliza a emoção pura. O desejo, ciúmes, amizade, amor, ódio, luxúria, a arte, inspiração, etc… todos os sentimentos que não podem ser controlados pela Razão são de domínio de Vênus. Tudo o que não pode ser contabilizado, quantificado ou racionalizado pertence à Esfera de Vênus… a esfera de Netzach.

Eostre
Eostre ou Ostera é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados.
A lebre (e NÃO um coelho) era seu símbolo. Suas sacerdotisas eram capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada (claro que a versão “coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?” é bem mais comercialmente interessante do que “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte para mim?”, que é a versão original desta rima.

A lebre de Eostre pode ser vista na Lua cheia (vide desenho neste post) e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade.
De seus cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações judaico-cristãs. Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (ou novamente, o planeta Vênus). É uma Deusa anglo-saxã, teutônica, da Primavera, da Ressurreição e do Renascimento. Ela deu nome ao Sabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara.

Afrodite/Vênus na Kabbalah
A Árvore da Vida representa um mapa dos estados de consciência humanos. Vamos falar mais detalhadamente sobre isso em posts futuros, mas vou fazer a referência agora e vocês podem retornar e ler novamente este texto mais tarde, ok?

Em razão de sua ligação com o amor incondicional e com as emoções, Vênus está associado na Kabbalah à sétima esfera (sephira), chamada Netzach (Vitória). Netzach representa a emoção pura, o amor, desejo, luxúria, as águas torrentes das paixões. Enquanto Hod, sua contraparte racional, é simbolizada pelos ventos frios do deserto, Netzach é associada ao elemento Água e ao lado feminino de nossos pensamentos.
Netzach está associado ao planeta Vênus, ao metal cobre, ao incenso de benzoin e rosas, às rosas, à cor verde, à esmeraldas, velas e aos cinturões. Netzach influencia os Caminhos de Qof (29), a “antiga bruxa”, a conexão entre o Emocional e o Plano Físico, representado pelo sentimento que deu origem a todas as grandes festividades ao redor das fogueiras; Tzaddi (28) a “Estrela”, que liga as fortes conexões entre o Plano Astral e o Emocional. É um caminho tão importante que Aleister Crowley o substituiu com o caminho de Heh (Imperador) no cruzamento do Abismo (falaremos sobre isto mais adiante, mas por enquanto, lembrem-se da frase “Todo Homem e toda Mulher é uma estrela”). Peh (27), a Torre, o caminho turbulento que conecta a esfera da Razão Pura à esfera da Emoção Pura. Imaginar este estado de consciência é como colocar um fanático cético com um fanático religioso para discutir. Mais cedo ou mais tarde, a estrutura vai rachar ao meio.

Da conexão entre Netzach e Tiferet está Nun (24), a terrível Morte através do sacrifício pela Humanidade, a maneira do caminho da Mão Direita para se chegar a Ascensão. A frase usada ad nauseam pelos católicos e evangélicos (“Jesus morreu para nos salvar”) vem de uma má interpretação ou de uma interpretação literal deste caminho. O quinto caminho, conectando os rituais de fertilidade com a esfera da prosperidade (Hesed) é o caminho de Koph (21), também conhecido como a “Roda da Fortuna”, que rege os ciclos da natureza.

Assim como os excessos de Hod criam os fanáticos-céticos, os excessos de Netzach criam os fanáticos religiosos: Aqueles que acreditam em algo baseados apenas na fé, sem razão nem imaginação. Como eu já disse alguns posts atrás, fanáticos ateus e fanáticos religiosos são duas faces da mesma moeda, e aqui está a demonstração. Sem equilíbrio e domínio dos quatro elementos não vamos a lugar nenhum, ficando perdidos e isolados nestas esferas que, como vocês podem observar, ocupam o mesmo grau dentro do mapa da consciência humana.

Os símbolos de Vênus
O primeiro e mais conhecido deles é o Pentagrama. Observando o céu e anotando a posição da “Estrela Matutina” durante 8 anos, o traçado do chamado “período sinódico” de Vênus forma um Pentagrama (período sinódico é o tempo que um planeta leva para retornar a uma mesma posição em relação ao sol por um observador na Terra – observe o desenho ao lado).

O outro símbolo de Vênus, que também é a sua representação planetária utilizada por cientistas e ocultistas, é este que está representado ao lado. Ele possui a chave para entender o caminho de Nun através da Mão Direita (somente através do amor e do sacrifício pela humanidade é que se consegue atingir a Iluminação).

Examinemos o símbolo de Vênus por um momento: um círculo sobreposto a uma cruz. A cruz representa o Plano Material e o Microcosmos, enquanto o círculo representa o Espírito e o Macrocosmos. A cruz representa o ciclo de reencarnações, os quatro elementos que precisam ser dominados para se chegar até o estado de Iluminado, enquanto o círculo representa o ciclo divino, já fora da Roda de Samsara. O ponto central do símbolo é a esfera de Tiferet – O Sol.

Também quero que vocês prestem atenção na estrutura da Árvore da Vida. Quando estudamos as relações entre o Microcosmo e o Macrocosmo na alquimia, podemos sublinhar alguns dos caminhos mais relevantes para este processo de Autoconhecimento: Aleph, Beth, Vav, Chet, Yod, Lamed, Sameck, Peh e o mais importante de todos: Tav.

Vamos ver o que acontece quando eu seleciono estes caminhos no diagrama:

Vejam só, crianças… que símbolo curioso surgiu!
Não é um prendedor de cinto de Ísis e muito menos um segurador de pipas, como os céticos acreditam. É o símbolo da Árvore da Vida, retratado pelos Antigos Egípcios através do Ankh, o Símbolo da VIDA ETERNA.

E qual seria a razão pela qual o símbolo astronômico de Vênus e o Símbolo da Árvore da Vida e do caminho até Deus serem os mesmos?
Porque… não importa quanto conhecimento você adquira (Hod), não importa o quanto você seja fodão em alquimia e magia (Yesod), não importa o quão rico e bem estruturado você esteja no Plano Material (Malkuth), sem AMOR você não vai chegar a lugar nenhum.

E o Símbolo de Netzach/Vênus representa o “Tudo o que está acima é igual ao que está abaixo”. De nada adianta um mundo com tecnologia melhor que a Atlântida se a humanidade continua fazendo as mesmas merdas…

Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
There’s nothing you can do that can’t be done.
Nothing you can sing that can’t be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game
It’s easy.
There’s nothing you can make that can’t be made.
No one you can save that can’t be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be in time
It’s easy.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
There’s nothing you can know that isn’t known.
Nothing you can see that isn’t shown.
Nowhere you can be that isn’t where you’re meant to be.
It’s easy.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
All you need is love (all together now)
All you need is love (everybody)
All you need is love, love, love is all you need.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afrodite-all-you-need-is-love

A história da Bruxaria

Ao contrário do que se pensa, o cristianismo não foi imediatamente adotado pelo povo europeu ao ser declarado religião oficial do Império Romano. Esta conversão dos Romanos ao catolicismo teve motivos políticos, e não teve grande penetração fora dos centros urbanos. A grande massa da população permaneceu fiel a seus deuses antigos. Os cultos antigos, então, receberam a denominação pejorativa de “pagãos” (“pagani“, plural de paganu, ‘ morador do campo’), por ter como foco de resistência à nova religião o povo dos campos, longe das cidades e das zonas de comércio e ensino.  

Os missionários cristãos, com o tempo, passaram a ter mais aceitação nas cidades, mas continuavam sendo repelidos no campo, nas montanhas e nas regiões distantes, verdadeiros enclaves da Antiga Religião. Houve ainda uma tentativa de reativar o paganismo e o culto aos Deuses antigos como religião oficial do Império Romano. Esta última esperança deveu-se ao Imperador Juliano (conhecido como “O Apóstata”), que reinou no século IV EC. Mas, como sabemos, essa tentativa não foi frutífera, derrubada pela própria conjuntura da época, onde já se pressentia o poder de manipulação, domínio e intriga do cristianismo, evidenciado nos séculos seguintes. Um dos ardis utilizados pelos cristãos era o de apropriar-se de festividades pagãs como comemorações religiosas de sua própria religião. Assim, por exemplo, o festival do solstício de inverno, onde se comemorava o nascimento do Deus-Sol, transformou-se no Natal cristão. Também o festival de Samhain, comemorado em intenção dos mortos, recebeu o nome de Dia de Todos os Santos, logo seguido pelo dia de Finados. A despeito destas tentativas, as tradições pagãs continuaram mantendo sua força.  

A partir de um decreto do papa Gregório, os cristãos também se apossaram dos locais sagrados da Antiga Religião e, derrubando os templos ali existentes, erigiram suas igrejas. Os Deuses de cada santuário foram transformados em santos e santas (um exemplo é Santa Brígida, da Irlanda, na verdade a Deusa Bhríd, protetora do fogo e dos partos). Quando os cristãos deram-se conta da importância da Deusa-Mãe para as pessoas, aumentaram a proeminência da Virgem Maria no culto cristão. Mitos e práticas pagãs foram, sistematicamente, absorvidas, distorcidas e transformadas em ritos cristãos. Esculturas de temas pagãos foram incluídos em igrejas e capelas . O maior exemplo de sincretismo entre costumes pagãos e cristãos é o cristianismo irlandês, que ainda hoje conserva hábitos célticos mesclados a liturgias cristãs.  

Os padres tinham a seu favor o tempo, o poder e a força. Os pagãos tinham que lutar sozinhos contra a profanação de seus templos, crenças e costumes. Desta maneira, o povo simples dos campos foi acostumando-se à nova religião, e, gradualmente, foi sendo convertido. Mas os sacerdotes restantes da Antiga Religião não se renderam à nova ordem. Juntamente com pessoas ainda fiéis às antigas crenças, mantiveram o culto ao Deus de Chifres e à Deusa Mãe. As crenças pagãs, enfatizando a adoração aos Deuses e a realização dos festivais de fertilidade, foram amalgamando-se à magia popular, criando a Bruxaria Européia. A magia popular consistia em um conjunto de feitiços feitos com o uso de ervas, bonecos e diversos outros meios. Estes feitiços tinham como objetivo a cura, a boa sorte, atrair amores, e fins menos nobres,como a morte de algum inimigo. São práticas desenvolvidas a partir do que restara da magia simpática pré-histórica, unidas ao conhecimento xamânico dos povos bárbaros.  

Os teólogos cristãos passaram então a sustentar que a Bruxaria não existia. Assim, pretendiam terminar com a credibilidade dos bruxos e anular sua influência. Foi um período de relativa paz para a Arte. Mas logo os cristãos perceberam que seus esforços para exterminar completamente o paganismo não haviam dado resultado. Fizeram então mais uma tentativa: transformaram o Deus de Chifres na personificação do Mal, do Antideus, do Inimigo. A natureza dos Deuses pagãos é completamente diferente da do todo-poderoso “senhor de bondade” dos cristãos. Nossos Deuses são quase “humanos”, pois têm características tanto ‘boas’ quanto ‘más’. A teologia cristã já pressupunha a existência de um antagonista a seu Jeová (o ‘Satan‘ hebraico do Antigo Testamento e o ‘diabolos‘ do Novo): um Inimigo. Ele ainda não possuía forma definida e, quando era representado, o era em forma de serpente, como a que persuadiu Adão a comer a fruta da Árvore da Sabedoria. Dando a seu Satã a forma do Deus de Chifres (notadamente de deuses agropastoris como e Sileno, dotados de cascos de bode e pequenos cornos), os cristãos conseguiram iniciar um clima de terror e medo em relação aos praticantes da Antiga Religião, o que os forçou a praticarem seus ritos em segredo.  

Mas a era mais triste da Arte ainda estava por vir. A Era das Fogueiras A situação da Igreja até o século XIII era caótica. Facções adversárias lutavam entre si, cada uma degladiando-se em favor de um dogma. Nos numerosos concílios realizados, ora uma das facções impunham sua visão, ora outra. Isso favorecia um desmoralizante ‘entra-e-sai’ de dogmas, o que desacreditava a Igreja. Algumas destas facções também criticavam a corrupção e o jogo de poder dentro da classe sacerdotal, e levantavam dúvidas sobre o poder espiritual do papado. Foi então criado um instrumento de repressão: o Tribunal de Santa Inquisição. Consistia em um corpo investigatório ignorante, brutal e preconceituoso, dirigido pela ordem dos Dominicanos. Sua função primordial era a de acabar com as facções que se opunham à Igreja (denominadas ‘heréticas’), através do extermínio sistemático de seus membros. Exemplos destas facções ‘heréticas’ eram os cátaros, os gnósticos e os templários. Com o tempo, os cristãos perceberam outro uso para seu Tribunal. Ainda persistiam cultos aos Deuses Antigos, e, graças à transformação do Deus de Chifres no Demônio Cristãos, eram acusados de delitos absurdos, como o canibalismo, a destruição de lavouras (acusar de tal crime uma Religião dedicada à manutenção da fertilidade das colheitas é, no mínimo, ridículo) e muitos outros. Foi então proclamada, em 1484, a Bula contra os Bruxos, pelo Papa Inocêncio VIII. Neste documento, ele relacionava os crimes atribuídos aos bruxos e dava plenos poderes à Inquisição para prender, torturar e punir todos aqueles que fossem suspeitos do ‘crime de feitiçaria’. Em 1486 foi publicado o Malleus Malleficarum (‘Martelo dos Feiticeiros’), escrito pelos dominicanos Kramer e Sprenger. O livro, absurdo e misógino, era um manual de reconhecimento e caça aos bruxos, e, principalmente, às bruxas (o livro trazia afirmações surpreendentes, como : “quando uma mulher pensa sozinha, pensa em malefícios”). A partir daí, a Igreja abandonou completamente a postura de ignorar a Bruxaria: pelo contrário, não acreditar na sua existência era considerada a maior das heresias. Iniciou-se então um período de duzentos anos de terror, conhecido entre os bruxos como “Era das Fogueiras”. Mas os bruxos (e também os hereges e inocentes: doentes mentais, homossexuais, pessoas invejadas por poderosos, mulheres velhas e/ou solitárias) não pereciam em fogueiras: eram também enforcados e esmagados sob pedras. Isso quando não pereciam nas torturas, as quais são tão cruéis e sádicas que não merecem nem ser mencionadas. A Inquisição tornou-se uma válvula de escape para as neuroses da época: em época de forte repressão sexual, condenavam-se mulheres jovens, que eram despidas em frente a um grupo de ‘investigadores’, tinham todo seu corpo revistado diversas vezes, à procura de uma suposta ‘marca do diabo’, e, por fim, eram açoitadas, marcadas a ferro e violentadas. Terminavam condenadas e executadas como bruxas. Seu crime: serem mulheres jovens, belas e invejadas. Anciãs que moravam sozinhas, geralmente em companhia de alguns animais, como gatos (daí a lenda da ligação dos gatos com as bruxas), eram alvo de desconfiança e logo declaradas ‘feiticeiras’, e, assim, assassinadas.  

A maioria das vítimas dos tribunais de Inquisição não eram verdadeiros praticantes da Arte, mas muitos bruxos pereceram na mão dos cristãos. Aproximadamente nove milhões de crimes como este foram cometidos durante a Inquisição, ironicamente em nome de uma religião que se dizia ‘de amor’. Nunca uma religião demonstrou tanta necessidade de exterminar seus antagonistas como o cristianismo. A perseguição aos bruxos não resumiu-se apenas ao países católicos: espalhou-se pela Europa protestante. Os protestantes não se guiavam pelo Malleus Malleficarum, mas davam razão à sua paranóia através do uso de uma citação do Antigo Testamento: “não deixarás que nenhum bruxo viva”. Na Era das Fogueiras, os praticantes da Antiga Religião adotaram o único comportamento que lhes possibilitaria a sobrevivência: “foram para o subterrâneo”, ou seja, mantiveram o máximo de discrição e segredo possível. A sabedoria pagã só era passada por tradição oral, e somente entre membros da mesma família ou vizinhos da mesma aldeia. Como técnica de proteção, os próprios bruxos ajudaram a desacreditar sua imagem, sustentando que a Bruxaria não passava de lenda, ou disseminando idéias de bruxos como figuras cômicas e caricatas, dignas de pena e riso. Por volta do final do século XVII, a perseguição aos bruxos foi diminuindo gradativamente, estando virtualmente extinta no século XVIII. A Bruxaria parecia, finalmente, ter morrido. Mas os grupos de bruxos (“covens“) resistiam, escondidos nas sombras. Algo que surgiu nos primórdios da humanidade não morreria assim tão facilmente.  

Daniel Pellizzari

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-historia-da-bruxaria-2/

De Ars Magica

Secundum Ritum Gradus Nonum O.T.O.

Epistola Anno Belli Universalis (1914) Ne Perdat Arcanum Scripta

Baphomet X Rex Summus Sanctissimus O.T.O. Grão Mestre Nacional e vitalício da Irlanda, Ion e toda a Bretanha, pelo nome do mestre secreto AUMN.

Saudações e paz para nossos mais sagrados, mais iluminados, mais ilustres e mais queridos irmãos, sua excelência Sir James Thomas Windram X grau OTO nosso vice-rei na união da África do Sul e envias estas para seu prazer e instrução e para comunicação da Gnosis IX que já:

A. Mostrou pelo poder sua aptidão para o grau ou

B. Mostrou por sua sabedoria sua adequabilidade ao Arcano.

Também para outros confiáveis irmãos do VIII, VII e VI escolhidos para este momento de perigo. Pois nesta hora as nuvens se encontram novamente sobre a face do sol, nosso pai, todos aqueles que sabem podem perecer na guerra mundial, como está escrito no ritual do quinto grau.

“É a hora quando o véu do templo foi rasgado em tiras. Quando a escuridão começou a se espalhar por sobre a terra, quando o altar foi jogado ao chão, a estrela chamada absinto caiu sobre a terra, quando a estrela resplandecente foi eclipsada, o tau sagrado foi definhado com sangue e água, desespero e tribulação visitaram-nos e o mundo estava perdido.”

Agora que as inundações ameaçam a terra, o inverno da civilização é geral, é adequado que um arco do Santuário seja construído onde o falo sagrado possa ser escondido, um campo semeado onde o gérmen da vida possa ser preservado pois embora a tradição seja destruída com a destruição dos cérebros que a contém, será possível para aqueles vindos depois de nós e que possam ser merecedores de recobrarem a palavra perdida.

Esta introdução descreve a natureza de De Art Magica, preservando os aspectos esotéricos dos ensinamentos da Magia Sexual para que, mesmo se as tradições forem perdidas em períodos de guerra e tribulação, a palavra perdida, isto é, a tradição esotérica, possa ser redescoberta por aqueles que a perseguirem.

No grau da OTO estas instruções eram para aqueles adeptos que atingiram o nono grau, que está absorvido pelo arcano Gamma da Tradição Tântrica do Santuário. Também algumas vezes era dado àqueles de graus mais baixos, dependendo de seu merecimento inerente, em nosso sistema é dado como um aspecto do Arcano Gamma, alinhado com a necessidade de treinamento tântrico do Homem Superior, preparando-se para o perigo vindouro (como sugere o verso do ritual do quinto grau da OTO). O documento foi originalmente uma sequencia do Liber Agape (veja seção Um abaixo), contudo, sendo que o Liber Agape era simplesmente um documento maçônico, com indicações sobre o segredo íntimo da Feitiçaria Sexual e o uso das secreções corporais, há pouca necessidade de copiá-lo como parte de nosso estudo. Portanto, continuaremos diretamente com De Art Magica.

O texto original está em letra normal enquanto o comentário que segue cada seção está claramente em itálico.

Sobre Ararat

O segredo supremo da OTO está escrito em detalhes no livro chamado Agape e também está escrito claramente no Liber CCCXXXIII, capítulo XXXVI. Mas agora também achamos adequado adicionarmos nosso comentário a este livro Agape que escrevemos com nossas próprias palavras para a adequada propagação deste segredo que nos foi ensinado em nossa iniciação no grau IX da OTO. E este livro recebeu sua aprovação oficial em cada palavra. Mas neste comentário não propagamos o segredo em si, mas apenas nossas próprias idéias como uso correto, com outras matérias pertinentes, pensando que aquelas em cujas mãos possam chegar possam entender plenamente a importância ulterior deste segredo que tem sido o pivô do nosso trabalho por tão longo período e que possa ajudar tais pessoas a atingir a maestria perfeita desta arte sagrada e imperial.

Como sugerido no começo, este documento segue os passos do Liber Agape que simplesmente descreve o arcano da Magia Sexual em termos maçônicos e portanto não foi reproduzido. Enquanto que o Liber CCCXXXIII (Livro das Mentiras) também sugere esta fórmula em seu trigésimo sexto capítulo, onde afirma-se “Que o adepto esteja armado com sua vara mágika e munido de sua rosa mística.”, o capítulo sessenta e nove do mesmo texto também segue a mesma linha. De Art Magica é um documento descrevendo os vários aspectos da Magia Sexual de acordo com a experiência dos magos da OTO em seu período primevo, embora tendo sido na verdade escrito pelo Mestre Therion.

Sobre a Importância do Segredo

Este segredo é a verdadeira chave da Magia, isto é, pelo uso correto deste segredo, o homem pode impor sua vontade sobre a própria natureza, como aparecerá mais tarde neste comentário. Desta maneira, embora todo conhecimento registrado seja destruído, seria possível para um adepto do segredo restaurá-lo.

A chave para a Magia está na manifestação da Verdadeira Vontade, consegue-se isto, em parte, pelo uso da chave secreta da Magia Sexual. Através desta chave, a Mágika é entendida pela experiência de tal modo que mesmo que todos registros escritos dela fossem destruídos os adeptos ainda seriam capazes de recriá-la, pois existe como um estado de espírito ao invés de uma fórmula intelectual. O conceito de impor-se a vontade sobre a natureza é imperativo para nosso entendimento do processo de superação da onda de recorrência eterna e alcançar um estado de Vontade Verdadeira. A Vontade pode apenas existir por um ato de força, este ato é atingido através dos processos da Magia. Entretanto, além destes procedimentos a Vontade deve moldar a realidade e trazer a campo seu direito de dominar a natureza que se perdeu através dos tempos por causa da ignorância.

Sobre a Mente do Adepto

Em nossa ilha mais sagrada encontra-se um ser chamado Leprechaun. Esta criatura, uma vez vista, é fácil de pegar e uma vez pega ela leva à captura de seu grande tesouro, contanto que nunca por uma piscadela ele relaxe sua vigilância e o Leprechaun por todo tipo de truque procura distrair a atenção dele que o fez prisioneiro. Isto é um simulacro mágiko ou fábula do máximo abismo de verdade. Pois na preparação do Sacramento, e também em seu consumo, a mente do iniciado deve ser consumida absolutamente em uma chama impetuosa de vontade sobre o determinado objeto de sua operação. Pois não há ato mais fácil e natural para o homem do que sua preparação, nenhum que requeira menos auxiliário. E ainda de longe a maior parte da humanidade é ignorante e incapaz de sua performance adequada pois é dito que a perfeição nela é tanto uma ciência quanto uma arte, requerendo não menos estudo do que a mais obtusa das filosofias e não menos prática do que a mais difícil das destrezas. Mas é inteiramente vã a menos que a primeira condição seja preenchida e tão difícil é isto, não apenas pela superação do transe corporal mas por causa da natureza errante da própria mente. E portanto apenas por treino preliminar longo e duro na arte da meditação e por constante prática e experiência pode este ato tornar-se frutífero na magia.

Esta seção é direta e é imperativa para qualquer sucesso na Magia Sexual. Leia e aplique.

Sobre Momentos e Estações

Embora nenhuma instrução tenha sido dada sobre esta matéria, ainda é evidente, não apenas pelas considerações da natureza das coisas, mas de nossas próprias experiências destes dois anos, que a produtividade de seu sacramento varia constantemente, como parece sem causa racional, nem nós entendemos plenamente as melhores condições. Mas é nossa opinião que o adepto deva sofrer premonição interna de quando a hora seja propícia ou não. Ainda foi observado freqüentemente que através de violência extrema para com a natureza resultados são obtidos iguais àqueles acumulados quando a natureza urge veementemente o ato por entusiasmo. Mas estados medíocres de corpo e mente devem ser evitados. Como está escrito “Se tu estivesses frio ou quente eu manteria, mas porque tu estás tépido, vomitá-lo-ei de minha boca.”

Nem é necessário ser menosprezado como superstição para determinar que certas horas do dia e certos aspectos das estrelas são mais favoráveis do que outros, ao invés, devem ser criticados e investigados de acordo com os métodos da ciência verdadeira.

Ao examinarmos esta seção sobre tempo e estações a primeira coisa que é necessário notar é que “por extrema violência à natureza resultados são obtidos iguais àqueles acumulados quando a natureza urge veementemente “, isto é, o humano poderá sempre sobrepujar os fluxos das estações climáticas se a necessidade surgir. Este fator é a chave para o uso correto dos métodos astrológicos em combinação com a Magia Sexual, mesmo se os aspectos estiverem contra um trabalho. Se necessário, o poder da pura Vontade pode superar a interferência, isto deve ser contrabalanceado com o fato de que os aspectos positivos irão obviamente permitir ao trabalho um sucesso facilitado do que aspectos a ele opostos. Ao considerar os três tipos de Kalas também encontramos uma possível base astrológica, o Néctar Frio é mais forte na lua cheia e a Lava Negra na lua nova, outras correlações incluem os quadrados planetários, especialmente Vênus, Marte, Netuno e a Lua são especialmente importantes nos trabalhos sexuais quando o objetivo está centrado na criação de portais para outras dimensões. Um quadrado de Marte é potentíssimo em magia homossexual masculina, e o quadrado da Lua e a Lua, na feminina. Tais matérias devem ser exploradas individualmente não esquecendo o uso dos dias e horas planetários para planejar um trabalho para coincidir com os fluxos e refluxos corretos dentro e fora do organismo.

Sobre Estados Corporais

Aqui há uma certa dificuldade no fato de que o corpo estando cheio de carne e vinho está mais apto para a preparação, como se diz “Sine cereri et Baccho, Venus friget.” (Sem comida e sem Baco, Venus esfria-se), enquanto que para a consumação o corpo deve estar esvaziado de todo nutriente grosso, assim o elixir pode ser sugado avidamente e correr nobremente para toda parte, retificando a unidade. Será melhor, em nossa opinião, se uma refeição completa seja feita não menos do que três horas antes do início da cerimônia após a qual nenhuma comida, embora estimulantes da mente ou de agentes mais sutis pode ser continuado pois assim o corpo vai de excitação em excitação e então está apto para a exaltação adequada encaixável no trabalho. Mas em tudo isto os homens podem diferir e não há regra a não ser entalhar sobre sua mesa através da chama da experiência.

Sobre Operações desta Arte, sejam elas individuais ou múltiplas

Temos dúvida também nesta matéria caso uma operação falhe, se é sábio reiterar. Um único ato implica perfeição e fé total no adepto, se ele a repetir, isso é medo e argüe imperfeição na primeira tentativa, ainda possivelmente em grandes operações cósmicas será melhor realizar uma série de sacramentos, mas neste caso a série deve ser arranjada de antemão e realizada regularmente. Por exemplo, as dezesseis operações de Júpiter feitas na cidade de Paris durante a passagem do Sol de 10 graus de Capricórnio para 22 graus de Aquário um IX em nossa experiência, repetições tomadas por causa de aparente falha algumas vezes pareceram fatais, na verdade. Parando o que pode razoavelmente ter ocorrido, e que algumas vezes ocorreu após cessarmos com tais tentativas. Mas também notamos que em tais casos o resultado foi grande e favorável como se as operações repetidas tivessem construído uma barragem restringindo a corrente natural das forças favoráveis. Então mantendo-as retraídas para torná-las mais eficazes no final. Mas isto pode ser uma falsa interpretação dos fenômenos observados. E, novamente, uma série de tais sacramentos foi fútil até que um último trabalho atingiu sucesso. Ainda, novamente, isto pode ter sido coincidência, resultado do primeiro trabalho mas atrasado. O adepto desenvolverá a intuição em todas estas questões, sendo provável que a avaliação pessoal é importantíssima e que nenhuma regra universal absoluta, sempre em todo lugar, e por todos os homens a serem observados, existe.

A chave para a questão de trabalhos individuais ou múltiplos é inerente à idéia da intenção. Se você pretende um trabalho ou uma série de trabalhos, esta intenção ou vontade deve estar concernente, de outra maneira o trabalho falhará em muitos casos. Trabalhos múltiplos são melhores em operações de grande importância, contudo, isto deve ser pretendido de antemão, mudanças de última hora refletem um estado mental disperso e portanto não poderá inserir um fluxo forte de vontade ordenada. Se um rito pareça falhar, pode ser por um grande número de razões, a mais provável sendo a falta de intenção concentrada. Repetir este rito é inútil pois esta vontade novamente refletirá menos intenção do que o primeiro ritual e a descrença no sucesso da força de Vontade aplicada no primeiro rito. Contudo, se um mago pode reunir um pleno sentido de Vontade e repetir o rito, então um resultado mais forte é possível e provável. A chave aqui está na intenção e concentração da pura vontade, não na questão de operações únicas ou múltiplas, que na verdade, é apenas um reflexo da intenção posta em ação.

Sobre Certas Inibições Desconhecidas e Seu Efeito

Temos marcado sutil e regularmente as condições e resultados de diversos trabalhos desta Arte, e esta é a maravilha, agora os resultados seguem suaves e perfeitos, novamente um grupo de resultados menores relacionados ao resultado desejado, agora apenas movimentos leves sugestivos do resultado, e não apenas falha perfeita, mas a repentina reviravolta de todas as esperanças, desespero e ruína. Mais claramente, se X é o objeto do trabalho, o resultado às vezes é X mas outras é XXXX, algumas vezes é A(X), outras é -(X) ou -XXXX ou -X. Concretamente, suponha que alguém trabalhe esta Arte para obter grande fortuna. Então a fortuna chegará de uma vez, ou dentro de oito horas após ou ocorrerá um evento envolvendo o ganho daquela soma. Em outro momento meramente ocorrerão um grupo de circunstâncias favoráveis, em outro momento um quantia menor chegará mas também estas poderão ser revertidas. Na pior hipótese ocorre a perda da soma proposta ou a ocorrência de um evento que poderá envolver a perda ou pelo menos desapontar alguma expectativa razoável daquele ganho. Se o caso é de emprego do sacramento para o elixir da vida, seu mau uso pode causar envelhecimento prematuro, doenças, ou até mesmo a morte, como é dito, mas nós não concordamos que estes resultados possam se seguir a uma falha em em qualquer outra operação. Achamos que a retribuição é para ser o reflexo mau e invertido da recompensa e em seu plano. Adeptos mostrarão então prudência através da experiência com operações menores, onde a falha não implica em desastre irreparável até que eles tenham o conhecimento e experiência que lhes dará uma confiança razoável.

A primeira coisa tornada clara nesta seção é que qualquer variação nas metodologias usando a Magia Sexual pode mudar a forma do resultado, como ilustrado no exemplo uma pequena variação pode mudar X para -X. Sendo que estamos trabalhando com campos de energia esta variação pode não parecer muito medonha no que diz respeito às forças envolvidas, mas as manifestações no mundo material (Assiah) poderiam ser totalmente transformadas. Portanto, é imperativo refinar as técnicas usando os trabalhos tântricos e experimentar com os componentes de seu sistema pessoal, certificando-se de resultados palpáveis. Um fator proeminente nesta seção é o de que um trabalho pode resultar de um pedido interno para desenvolvimento espiritual ao invés de desejos externos vindos do ego. Portanto, se um mago distanciou-se de um conhecimento objetivo da Vontade Verdadeira para ganhar dinheiro, pode resultar numa falência pois é isto que é requerido para despertar novamente sua objetividade, embora não sendo o que esperava seu ego consciente !

Sobre a Teoria desta Mágika Arte

A teoria desta arte parece envolver certas hipóteses cósmicas para as quais talvez não sejam impossíveis dar provas pelo menos por tentativas, mas que não são ainda provadas. A idéia de Prana de alguma forma mais mística do que aquela que a identifica com as idéias dos médicos é talvez inerente. Na mera consumação do sacramento para saúde e vitalidade não há violação da razão, mas no máximo um exagero de antecipação, pois o assunto do sacramento é indubitavelmente microcósmico, mas uma extensão deste sacramento para sua validade na mágika é um hiato comparável àquele que existe na teoria da astrologia, mesmo garantindo que um ângulo de 120 subentende que o olho do observador na terra entre Sol e Saturno (exempli gratia) é acompanhado de certas previsões, isto pode ser casual ou não. Contudo, neste assunto não temos dúvida da eficiência do processo e são entretanto válidos os jogos com hipóteses, investigando como a probabilidade pode determinar o modo de agir. Então podemos assumir como Aethyr ou Akasa, insuflado ou retraído por um prana específico. E todas as retrações em seu Akasa sendo um tipo finalmente, embora intermediariamente diverso, pode ser tão fácil interromper o curso da terra como destruir um verme. Pois o trabalho tem lugar num mundo de causas fluidas e não sólidas, em Yetzirah (ou mesmo Briah) ao invés de Assiah. Será impossível ou dificílimo mover a infantaria de uma asa da linha engajada para a outra, mas nos quartéis dos auxiliares é indiferente para aquele corpo, estando na base, ser empurrado para qualquer um deles. Não se pode facilmente oxidar o ouro precipitado do Cloreto, mas tendo o cloreto, é fácil preparar o óxido ao invés do metal. E em todos assuntos a razão deve ser a guia e a experiência o professor, assim o adepto não procura realizar coisas impossíveis na natureza, e então blasfema o sacramento e o traz a contento. Ainda deve ser dito, para o iniciado consumado e sublime pode parecer que sobre ele foi escrito “com Deus todas as coisas são possíveis”. Contudo, o próprio Deus não interfere arbitrariamente com o curso da natureza, mas trabalha dentro de suas leia. Que o adepto não aja de outra maneira.

Esta seção tende a falar por si mesma, mas adicionemos, entretanto, que qualquer que seja o mecanismo do processo tântrico, e com nosso conhecimento de sua fisiologia (Kalas), temos uma sugestão clara de como deve operar. Ainda é imperativo notar que o núcleo do processo encontra-se na Vontade Verdadeira e sua órbita, a Magia Sexual só é útil quando cria um veículo inteiro para a manifestação e expressão do Eu. Não é um fim em si mesma e apenas opera de verdade dentro dos confins da natureza interna ou a “Órbita Mágika Pessoal da Estrela”.

Sobre o Curso da Lua e sua Influência

Diz-se que a segunda parte é inútil, até mesmo perigosa, quando a influência da lua mostra-se (Ainda assim o movimento da terra implicando grande causas em Briah e Yetzirah deve ser difícil de se checar, a menos que por forças Briáticas de muita intensidade) mas no segundo dia e após talvez não no último dia, o sacramento seja mais eficaz do que em outros momentos, como figurado por nossos antepassados, os Alquimistas, em su preferência pela tintura vermelha ao invés da branca. Isso também acreditamos, embora queiramos deixar claro que não é provado.

A consideração a respeito da Sacerdotisa está aberta para investigação pessoal, especialmente sendo notado nos parênteses que a influência da lua na terra seria de grandes proporções em Briah para efetuar os Kalas e isto é considerado improvável. Todavia os alquimistas preferiam a tintura vermelha coletada algum tempo após a lua nova ao invés da tintura branca, que possui apenas o início do fluxo de Kalas e portanto é de menor valor do que o Néctar Frio da lua cheia, a Lava Negra da lua nova e a Poeira Vermelha ou tintura misturada. Aqui novamente prevalece a investigação pessoal.

Sobre a Segunda Parte desta Arte, Quer a Iniciação Seja Desejável ou Não

Se o outro parceiro do sacramento seja também do nono grau e iniciado no Santuário da Gnosis, parece-nos urgente que o objeto de ambos seja um só, que também o interesse geral e natureza deles seja uma só, vem a divisão, o inimigo da vontade e falha total segue-se. E, o ser todo considerado cuidadosamente, opinamos que é melhor e mais fácil que o outro parceiro deva ser ignorante do sagrado caráter do ofício. É suficiente se o assistente seja formado pela natureza unicamente para a tarefa física, robusto e vigoroso, ávido, sensual, quente e saudável, os nervos e o sangue estando tensos, rápida e facilmente inflamados e não extinguível.

Aqui encontramos que os avanços no estudo da Magia Sexual têm feito algumas mudanças nos requerimentos de um parceiro no trabalho de ritos tântricos. Sendo que os Kalas estão presentes em ambos os sexos qualquer combinação é possível, dependendo do objetivo, contudo, ambos devem ser iniciados para que um pleno espectro (16 + 16) seja formado. Em certos trabalhos um espectro menor pode ser suficiente (16 + 14). Entretanto, os resultados são provavelmente de muito menor “voltagem” e de nenhum valor nos trabalhos de grande intensidade. As características físicas genéricas ainda são um bom guia para o que deve ser observado num parceiro, contudo, como sempre, a Vontade Verdadeira e aspiração pura podem facilmente superar limitações físicas.

Sobre Certos Ritos e Análogos Àqueles do Nono Grau

É dito por certos iniciados que para se obter dons espirituais e ajudar a natureza o sacramento deve ser, como era, uma núpcia do povo da terra, mas que a magia é do veneno e que por uma certa perversão do ofício, podem ser criados elementais adequados para realizar a vontade do mago. Aqui neste ponto há uma dificuldade, sendo que neste caso, o assunto do sacramento não pode existir, pois não há águia branca para gerar glúten. Como seja, afirmamos que neste rito há grande eficácia, pode ser que por certas operações seja igual ou superior àquele explicado para os iniciados do nono grau. Mas afirmamos que neste caso o Sacerdote precisa ser um iniciado, pois é sua vontade que determina o caráter mágiko de seu leão, e portanto se ele não tiver nenhum propósito a não ser o da Deusa Adonai, ele não poderá ascender Agape ao seu senhor Thelema, nem irá a intenção da Sacerdotisa, embora um alto iniciado, repor o poder essencial do Sacerdote sobre o qual ele é apenas um veículo e guardião. Por esta razão, o nono grau não é tão fácil de tornar-se efetivo por mulheres iniciadas. Seja qual for o resultado do desenvolvimento paralelo àquele indicado entre as nobres e castas damas da Ordem, no presente é impossível declarar uso, mas antes parece que embora o leão e a águia sejam a melhor combinação, o Leão é mais provável de estar apto a dispensar a a assistência da águia, do que a águia substituir a ausência do leão. Pois o glúten é um menstruo ou solvente e nada contém em si mesmo. A tradição também de certas iniciações menores confirma isto. Ainda que considerações de divindade e filosofia até mesmo da física assegurem que nosso modo destaca-se de outros mesmo como a primavera destaca-se do calor. A Água não queima a pele mesmo, e o óleo de VITROL apenas vagarosamente, mas adicione uma gota de água à gota de óleo e instantaneamente advêm o calor e uma dor intensa e aguda. Isto é apenas uma analogia, ainda que justa e agradável ao filósofo.

Esta seção é bem obscura e contém um conceito básico errado que deve ser corrigido sob a luz da ciência e tantrismo modernos. O glúten feminino não é apenas veículo para a semente masculina como ensinado no arcano original da OTO, mas tem poder inerente, afim ao do macho, em seus Kalas. Ambas as secreções podem trabalhar isoladas bem como combinadas. Além disto, o resto desta seção está correta e o simbolismo usado deriva de fonte alquímica ao invés de tântrica e portanto a Águia Branca é uma fêmea e o Leão é o macho. Descreve uso de secreções “em núpcias do povo da terra”, isto é, fora do corpo na aplicação específica do décimo primeiro grau da OTO ou Arcano Epsilon. Sugere que é mais difícil para a fêmea do que para o macho nestes graus, pois o macho pode mais prontamente produzir uma secreção coletável, novamente, isto é muito variável e depende dos indivíduos envolvidos. Nos primeiros anos deste século esta afirmação era obviamente correta, hoje, com o surgimento do papel sexual da fêmea é deixada em aberto para investigação pessoal de acordo com a habilidade dos magos feminino e masculino dentro do Santuário. O termo VITROL refere-se ao processo da procura e/ou do encontro da pedra filosofal nas bacias da terra – A aplicação sexual a respeito do intercurso anal e a manifestação da secreção fora do organismo é obviamente inerente à fórmula. Se a Kundalini é ativada analmente e as secreções coletadas fora do corpo, tem grande aplicação nos trabalhos Epsilon.

Sobre a Escolha de Um Assistente

A respeito da escolha de alguém para servir o sacramento, o homem é tão confuso mentalmente, e tão facilmente iludido neste assunto, que parece-nos razoável permitir os caprichos do momento se expandirem. Pois este assim chamado capricho é na verdade talvez a voz do subconsciente, que a escolha deliberada do próprio falo sagrado.

“O falo é a base fisiológica da Alma Superior.”

Por esta razão estes muitos homens desencaminham-se, perdem a castidade e arruínam-se. Mas deixe a Vontade consciente ser inteiramente devota à Grande Obra então o subconsciente escolherá inevitavelmente o veículo apontado do trabalho. É por esta razão que já no sétimo grau os Sires Cavaleiros juram castidade e esta castidade é a abstinência de todos atos sexuais mundanos de qualquer tipo. Além do mais, isto deve ser observado na escolha, que a segunda parte deve consentir entusiasticamente a cooperar fisicamente com o Sacerdote, para que o leão dissolva-se perfeitamente numa porção de Glúten. E sendo este preparo feito de verdade e impecavelmente é conhecido pela aparência da Matéria do sacramento, e também por seu gosto. Pois não está escrito inutilmente no Livro dos Juízes.

“O que é mais doce do que mel e mais forte do que um leão.”

E que este segredo é aqui manifesto pelo Espírito Santo é claro pelo esquartejador de Sansão:

“Se vós não tiveréis arado com minha bezerra, ainda não encontrastes minha charada.”

A escolha de um assistente é um estudo claro e preciso. É óbvio que sendo a consciência o “olho” do inconsciente, a intuição espontânea é o melhor guia. Como também se nota, o juramento do sétimo grau obriga os iniciados usarem todos os atos sexuais como atos divinos de Magia, não como paixões mundanas ou sentimentalismos baratos. As considerações a respeito do envolvimento do assistente devem ser levadas um passo adiante, em todos os trabalhos o assistente deve ter a mente unida com o(a) Sacerdote/isa, de outra maneira o fluido não será programado de acordo com o desejo do rito. Isto é especificamente importante em trabalhos de técnicas sexuais mais complexas como a Missa Gnóstica e os Rituais Maatianos.

Sobre Certas Teorias Judaicas

Entre os judeus estão certos iniciados instruídos na sua Qabbalah, que mantém, como entendemos, a visão de que no Zraa ou o próprio sêmen jaz uma força criativa inerente que não pode ser impedida. Então eles dizem que antes de que Eva fosse feita, os sonhos de Adão produziram Lilith, um demônio, e deste intercurso com ela espalharam-se raças de demônios. Agora, para explorar as estradas da enseada do amor conjugal com muitas restrições como estas …..

1. Deve ser um ato sagrado, precedido de abluções e orações.

2. Todos pensamentos luxuriosos devem ser rigidamente excluídos.

3. O propósito deve ser somente o de procriação.

4. A benção de Deus deve ser sinceramente invocada, para que a criança esteja sob sua proteção especial.

Em outra linguagem, esta é sua teoria, o ato de amor causa uma perturbação mágika no Éter ou Akasha de tal natureza a atrair ou criar um espírito humano desencarnado. Todos os outros atos sexuais envolvendo emissão de sêmen portanto atraem ou excitam outros espíritos, incompletos e portanto, maus. Logo, a polução noturna traz Succubi, que são capazes de existência separada e de vampirizar o seu criador. Mas atos voluntários e estéreis criam demônios e (se feito com concentração e intenção mágika) tais demônios podem subordinar-se à intenção. Logo, como Levi testifica, para enxertar uma árvore com sucesso a graduação é fixada por uma mulher enquanto que o homem copula com ela per ver nefandum. Também narramos pela graça da completude seu método – de atingir o êxtase espiritual por meios sexuais e este método chamamos de “lucidez na eroto-comatose.”

Sob analogia vamos aqui entender a potência mágika do sêmen, que se usado de maneira a estar sob a vontade concentrada é capaz de criar e sustentar toda matéria de vida elemental e artificial. A chave aqui é “sob vontade concentrada” pois sem vontade estas criações podem drenar o criador e vampirizar seu campo de energia. As restrições judaicas no amor conjugal (’emprestada’ dos antigos egípcios) são instruções excelentes a respeito de trabalhos Gamma e Epsilon, salvo que a terceira deve ser mudado para real “todos os atos devem estar somente sob a vontade do mago e entendido como tendo existência separada.” A existência separada refere-se à sua potência como um campo de energia parafísica e astral gerado pela luxúria. A Luxúria é útil apenas quando usada como veículo para estimular o organismo alinhando-o com o rito, portanto, a seção 2 acima entendemos neste conteúdo. Está portanto claro que o ponto focal de qualquer rito deve estar no propósito mágiko, não no parceiro ou o ato físico em si mesmo.

Sobre a Consumação do Elemento Diuno, Seja a Quantidade tão Importante quanto a Qualidade e Seja seu Desperdício um Sacrilégio

É dito pela OHO que deste remédio perfeito apenas uma gota de orvalho é suficiente, e isto pode ser verdade. Ainda que humildemente toda nossa deferência e adoração na nossa opinião é de que cada gota gerada (tanto quanto possível) deve ser consumida.

Primeiramente, que este presente da natureza mais precioso que todos não se perca ou seja profanado – de fato os Romanos tenham apontado instruções excelentíssimas para o tratamento em todos aspectos da Hóstia consagrada. Que os adeptos deste grau estudem ‘Missale Romanum-Ritus Servandus In Celebrationa Missae’ e ‘De Defectibus In Celebrationa Missirum Ocurrentibus’ – e encontrem a partir daí os adjuntos cerimoniais, a atitude mental e por aí vai, como guia para seu próprio trabalho neste alto sacramento.

E também achamos que a consumação deva ser completa nesta consideração, se de fato seja o Prana contido que opera o milagre, então a quantidade é tão importante quanto a qualidade, como se trabalhando com eletricidade a amperagem é tão importante quanto a voltagem. E isto acreditamos especificamente ser verdade no caso de milagres reais, ou a tocaia do espírito de David contra o Golias da matéria. E embora esta proporção seja pequena, não é indefinidamente pequena, mas pode ser que a ação desta substância divina seja catalítica e capaz de transmutar uma quantidade ilimitada de matéria base sem forma na imagem plástica e dócil da vontade. E esta teoria está mais de acordo com a tradição da Pedra e do Remédio.

A chave para entender a relação entre a quantidade e a qualidade a respeito do sacramento Amrita encontra-se no conceito de “verter toda a vida no Cálice de Babalon”, ambos parceiros devem dedicar-se integralmente ao trabalho e serem totalmente inflamados em intoxicação divina. Apenas neste estado está a plena quantidade do sacramento vertido, portanto a quantidade não é medida em porções mas no grau de intoxicação divina experienciado pelos participantes, isto obviamente também relaciona-se à qualidade de maneira que apenas um sacerdote/isa totalmente ativado(a) irá emitir o pelno espectro dos Kalas ao invés apenas dos mundanos encontrados em todas as espécies humanas.

Sobre a Lucidez na Eroto-comatose

O candidato apronta-se para a ordália através de treino atlético geral e banquetes. No dia designado ele é atendido por um ou mais assistentes escolhidos e experientes cujo dever é :

A. Levá-lo à exaustão sexual por todos os meios conhecidos.

B. Elevá-lo sexualmente por todos os meios conhecidos, todo artifício e aparelho do cortesão é para ser empregado e todo estimulante conhecido do médico. Nem os assistentes devem medir o perigo, mas caçar impiedosamente sua presa determinada. Finalmente, o candidato irá mergulhar num sono de exaustão ulterior, parecendo o coma, e é agora que a delicadeza e a perícia devem ser primorosas.Que ele seja despertado deste sono pelo estímulo definitivo e exclusivo de um tipo sexual. Ainda, se conveniente, música sabiamente regulada ajudará. Os assistentes olharão com assiduidade por sinais de despertar e no momento que esses ocorrerem, todo estímulo deve cessar instantaneamente e que o candidato caia novamente no sono.Mas não tão cedo isto tenha ocorrido que a primeira prática é retomada. Esta alternativa é para continuar indefinidamente até que o candidato esteja num estado que não seja nem sono nem vigília e no qual seu espírito, libertado por perfeita exaustão do corpo, e prevenido de adentrar na cidade do sono, comunga com o Altíssimo e Mais Sagrado Senhor Deus de seus seres, feitor do céu e da terra. A ordália termina através de falha – a ocorrência do sono invencível – ou de sucesso, no qual a vigília é seguida por uma performance final de ato sexual. O iniciado pode então dormir ou a prática pode ser renovada e persistida até que a morte termine tudo. A morte mais favorável é a que ocorre durante o orgasmo, chamada de Mors Justi. Como está escrito “Deixe-me morrer a morte dos justos, e que meu final seja como esse !”

Esta seção descreve uma técnica que tem muitos usos nas tradições da Magia Sexual. Ela cria um estado onde a alma não está em comunhão nem com o mundo desperto nem com o mundo do sono e logo está apta a realizar o que poderia ser chamado de “Sonho Controlado”. Esta ocorrência, portanto, tem grande uso nos vários aspectos do controle onírico como descrito no Arcano Alfa bem como em viagem interdimensional. O estado resultante de consciência é afim ao da “Postura da Morte” de Austin O. Spare, onde todo estímulo como natureza externa é detido e um estado temporário de total controle sensorial é atingido com a focalização da psique no estado interno solitário. Nesta programação de informação bem como a exploração do inconsciente é extremamente bem sucedida, logo, seu uso é encontrado em muitas iniciações rituais dentro das lojas mágikas de muitas tradições.

Sobre Certas Teorias Hindus

Como os judeus, os sábios da Índia têm uma crença que um certo Prana (ou força) específico, reside no Bindu ou sêmen. Mas toda sua teoria de Magia e meditação reverbatória, portanto sua ‘comunhão com Deus’ é apenas uma ‘comunhão com o Eu’ e todos seus artifícios para o desenvolvimento de poderes nos seus próprios corpos e mentes, oposto à idéia ocidental de estender estes poderes para influenciar os outros; achamos natural que assim como eles procuram restringir a respiração, ou evitar sua violenta expulsão pelas narinas, perdendo o Prana, e como eles praticam a sucção de água no retorno, para que na defecação eles estejam aptos a reter o Apana, ou virtude específica, e recolocá-la no Svadisthana Chakra, assim eles também realizam seu labor extravagante para reter o Prana primal da vida, ou Bindu. Logo, eles estimulam ao máximo sua produção fazendo uma prostituta consagrada excitar seus órgãos e ao mesmo tempo vigorosamente segurá-lo pela vontade. Após um pouco de exercício eles clamam poder deflorar até oito virgens numa noite sem perder uma única gota de Bindu, este nunca deve ser perdido, mas absorvido através dos tecidos do corpo. os órgãos então agem com um sifão para drenar constantemente suprimentos frescos de vida do reservatório cósmico, e inundar o corpo com sua virtude frutificante. O iniciado é convidado a comparar e contrastar este capítulo com o capítulo XIV, observando em particular, sublinhando ambos sistemas, esse é um postulado. No próprio sêmen existe uma força física que pode ser dirigida para as finalidades mágikas e místicas do adepto. Iniciados notarão também que os filósofos pagãos deram um passo adiante em direção à verdade quando eles dizem que o Sol e a Lua devem ser unidos antes da reabsorção (veja também qualquer Tantra, em particular, Shiva Sanhita). Mas a glória plena do Sol, o simples e mais eficaz e mais sagrado sacramento, é reservado para os eleitos, os iluminados, os iniciados do Santuário da Gnosis.

Esta descrição mostra o uso do sacramento de um modo interno, complementando o uso do Amrita dentro da Eucaristia e demonstra a possível Eucaristia de um elemento dentro do corpo. Quando comparado com o capítulo XIV, o poder inerente das secreções sexuais é óbvio, mas como notado antes este assunto realmente aplica-se a ambos os sexos, não simplesmente ao sêmen. Os Kalas estão presentes tanto nas secreções sexuais do macho quanto nas da fêmea e isto não pode ser ignorado. Há uma tendência no oriente de adorar Shakti, fêmea sobre macho, enquanto no ocidente isto é ao contrário. Contudo, nenhuma destas perspectivas é completa. Sendo que ambos os sexos são sagrados, suas secreções são sagradas e devem ser todas reverenciadas como sagradas e usadas de acordo.

Sobre um Curso de Experimento Sugerido

Aqui está uma série de operações desta Mágika Arte do IX sugerida para o uso de um iniciado conforme ele começa seu trabalho.

1. Força sexual e atração sexual (para assegurar o curso regular destas operações).

2. Compreensão dos Mistérios do IX e sabedoria no seu uso (para assegurar a performance correta destas operações).

3. Aumento da O.T.O. (Como um dever e para assegurar herdeiros adequados para o segredo. Isto é especialmente importante se o iniciado é X).

4. [Se necessário] Facilitação das circunstâncias. (Para assegurar lazer para estas operações e aumentar o campo de escolha de um segundo parceiro.)

5. Estabelecimento de um corpo de guarda-costas formado de guerreiros invisíveis (Para assegurar a liberdade de não ser interrompido no curso destas operações. Isto pode incluir a preservação da saúde.)

6. Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guerdião.

7. Desenvolvimento espiritual, isto é, devoção a Nuit-Babalon-Baphomet.

8. Introspecção avançada sobre a Natureza e suas leis.

9. A fundação de uma abadia da OTO.

10. O estabelecimento do reino de Ra Hoor Khuit sobre a terra.

Também diversos assuntos como o rejuvenescimento do corpo de alguém, se desejado, o poder de cura e tal.

Parecerá que estas poucas operações preenchem cada lótus do universo com seus Buddhas. Mas pode ser que cada operação deva ser trabalhada em detalhe com provas digitais ao invés de compreendidas num toque, para que cada ato prático do iniciado possa precisar de uma consagração em separado. Ou para que grandes operações, como a X na lista acima, possam ser arranjadas para fazer sacramento especialmente elaborado cada Domingo (por exemplo) no ano, os dias de interregno sendo devotados a detalhes da construção. Mas o iniciado logo irá desenvolver um método próprio para extrair o mais eficiente mel de seu favo.

Esta série de operações são um ponto inicial excelente para explorar os potenciais da Magia Sexual, elas são autoexplicativas, salvo em duas considerações específicas. Sendo que, na minha mente, as estruturas gerais da OTO (em todas as denominações) são de molde maçônico jurássico, seria melhor dar energia para o reservatório geral de energia no astral que alimenta todas as ordens ocultas ao invés de focalizar na OTO. A respeito do SAG, sinto que a maioria dos magos trabalhando com Tantra devem já ter alguma medida de conhecimento e conversação com seu ser interior, logo, isto deve ser usado para explorar e expandir esta intimidade.

A respeito das verdadeiras técnicas sexuais para esta operação, podem variar de mago para mago. Por exemplo, uma técnica Beta usando uma forma astral projetada seria provavelmente útil para a operação SAG, enquanto que um rito Gama elaborado seria melhor para X e numa base regular.

Sobre um Certo Outro Método de Magia, Não Incluído na Instrução da OTO

Pode não ser de todo inapropriado aludir a um método de vampirismo, normalmente praticado. O vampiro seleciona a vítima, robusta e vigorosa, como deve ser e com a intenção mágika de transferir toda aquela força para si, exaure a caça através de uso apropriado do corpo, mais comumente a boca, sem que ele próprio entre de qualquer outro modo no assunto. Alguns pensam que isto é de natureza de magia negra. A exaustão deve ser completa, se o trabalho for executado com perícia, uns poucos minutos serão suficientes para produzir um estado que lembra, e que não está longe de ser, coma. Os experientes podem levar esta prática até o ponto da morte da vítima logo não meramente obtendo a força física mas aprisionando e escravizando a alma. A alma então serve como um espírito familiar. Esta prática é tida como perigosa, e era usada por Oscar Wilde em seus anos finais, pelo Sr. e Sra. Horos, também de uma forma modificada por S.L. Mathers e sua esposa e por E.W. Berridge. A inaptidão dos últimos três salvou-os do destino dos três primeiros.

A questão central desta técnica de Feitiçaria é encontrada na última afirmação do segundo parágrafo “Alguns pensam que isto é de natureza de magia negra.” Está óbvio neste estranho comentário que esta técnica não é Negra na definição do De Art Magica, mas dependendo de seu uso pode ser de grande valia em muitos trabalhos, mas a natureza perigosa da fórmula deve ser observada. Por exemplo, tem grande uso na extração do Ojas da secreção para usos talismânicos e tal. A chave aqui é que deve ser usada apenas com o consentimento dos envolvidos e de tal maneira que apenas uma quantia específica de energia seja removida. Obviamente, usando-a para disparar o coma ou a morte não é afim ao espírito dos Mistérios, a única exceção sendo o coma extático da Lucidez na Eroto-Comatose.

Sobre o Adepto desta Arte

Em armadura de chamas fulgurosas que o adepto vocifere pelo universo, majestoso e irresistível como o Sol.

Que nenhum olho o contemple sem exaltação, que ele golpeie os pescoços dos profanos.

Que ele seja uma poderosa luz de conforto e o pai de toda a fertilidade.

Que ele envie chuva na devida estação, e a terra cresça verde em sua chegada.

Que seus planetas girem sobre sua roda, que ele envie seus cometas como anjos a sua raça, e que ele dê luz a todo seu reino.

Que nenhum olho o contemple sem exaltação, que ele golpeie os pescoços dos profanos.

Sobre o Léxico da O.T.O.

Lembre-se destes tesouros a serem preservados :

1. O Segredo do IX.

2. O Segredo do VIII.

A respeito da irmandade universal, no macrocosmo, o Sol senhor de toda vida, no microcosmo, o Falo senhor de toda vida, indubitável, inegável, uma base para a fé de todos homens.

3. O Segredo do VII.

Nosso método particular de instrução, seleção, governo e iniciação.

4. O Segredo do VI.

A história do templo, o mistério de Baphomet, nossa guerra contra aqueles nunca completamente subjugados inimigos da humanidade, a tirania e a superstição.

5. O Segredo do V.

O Mistério da Rosa e da Cruz e da Lei Única, “Do what thou wilt.”

6. Os Segredos dos Graus Menores.

Ex Nihil, Nihil Fiat.

7. O Segredo destas coisas reverenciadas, o Sol, a Lua, o Falo, a Árvore, o Ancestral, o Fogo, o Leão, a Cobra e a Montanha.

Se fosse para reescrever estes sete segredos como entendidos no século vinte dentro da tradição tântrica do Santuário, eles seriam designados como :

1. Os trabalhos do Gamaísmo.

2. A Filosofia do Betaísmo.

3. Os métodos de treino do Alfaísmo.

4. A Filosofia da Corrente do Novo Aeon.

5. O Mistério da Vontade Verdadeira.

6. Os Segredos da Feitiçaria Geral.

7. Os Símbolos Sagrados.

Esses tesouros a serem preservados não são segredos para serem mantidos longe daqueles que querem aprender, mas princípios que devem ser ensinados no contexto e compreensão corretos. O uso que tradição do Santuário faz destas sete classificações inclui modificações especiais, tais como a importância do entendimento da Imortalidade Condicional e a Vontade para o Poder como no item 5 e a psicologia das imagens e símbolos sexuais no item 7. Será notado que os graus sétimo e décimo primeiro (Delta e Epsilon) não aparecem, embora o Epsilonismo tenha sido referido no texto. Isto é porque ambos os graus são considerados os aspectos secretos dos ensinamentos e só podem ser ensinados aos qualificados, enquanto os outros graus podem ser ensinados para quem quer que seja, sendo adequada a sua revelação, embora com muita discrição e cuidado para sustentar sua pureza.

Despedida

Agora que tudo está dito, mais sagrado, mais iluminado, mais ilustre e mais querido irmão.

Pelo nome do Mestre Secreto, Salve e Adeus.

Dado pelo trono da Irlanda, Iona e toda Bretanha.

Neste Dia de Júpiter. An X.
Sol in 0º Libra 35 21
Lua em Sagitário 28 6
Vale de Londres

Conclusões

Ao se estudar um documento como ‘De Art Magica’, o contexto é excepcionalmente importante, a OTO historicamente é considerada a primeira emanação da Astrum Argum, por assim dizer, a AA ensinou o sistema tradicional de Magia Cerimonial e Thelema, enquanto a OTO ensinou o sistema sexual de magia. O Tantrismo ensinado pela OTO era misturado com um sistema desenvolvido de simbolismo maçônico e religioso e coincidiu com a Igreja Católica Gnóstica, que ensinava o simbolismo religioso dos Mistérios, bem como a Missa Gnóstica.

Este sistema provou-se ineficiente e acreditamos que pouco antes da morte de Mestre Therion, ele deu instruções para debandar com a OTO totalmente e criar um novo sistema de iniciação, contudo, ele não foi capaz de completar o mesmo antes de sua passagem. Acreditamos que após sua morte a Astrum Argentinum tornou-se o vórtice espiritual para o ensino da Magia Sexual e a Magia do Novo Aeon, este vórtice pode ser acessado por qualquer um, em qualquer lugar e não tem sequer uma manifestação física. Nós somos simplesmente uma manifestação das forças que canaliza. O sistema usa códigos de Alfa a Epsilon para afastar ligações maçônicas desnecessárias e ensinar os Mistérios de uma maneira precisa e científica.

Tendo dito isto, nós apreciamos qualquer clamor de ordem consolidando a Astrum Argum, OTO ou, para este assunto, qualquer corrente do Novo Aeon e esperamos que este texto se prove de uso prático para todos os indivíduos, grupos e ordens procurando usar o poder da Magia Sexual.

Ganesha, 1991.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/de-ars-magica/