Hipátia de Alexandria

Quando tive a idéia de escrever sobre a vida das Grandes Mulheres do Passado a primeira personagem real que me veio à cabeça foi Hipátia de Alexandria. Me lembro do dia que li sobre ela em um de meus livros relacionado ao Império Romano. Havia apenas um pequeno parágrafo… a sensação que passava era de que só estava ali para preencher espaço e dizia apenas: Hipátia de Alexandria, matemática e filósofa, foi diretora da Academia de Alexandria (Biblioteca de Alexandria) e morreu em 415. Nada mais, apenas essa curta frase, porém foi o suficiente para despertar em mim a curiosidade. Afinal, quem fora essa mulher que não só fora matemática e filósofa numa época impensável para as mulheres exercerem tais funções, como chegou a ser diretora de uma das maiores escolas da antiguidade?! Dali para frente procurei pesquisar tudo o que podia. Infelizmente não nos chegou muito sobre a vida dessa Grande Mulher, mas o que temos vale como lição para se carregar para sempre.

Hipátia nasceu em Alexandria por volta do ano 370 D.C. Para aqueles que não lembram, Alexandria é uma cidade do Egito e foi fundada por Alexandre da Macedônia, popularmente conhecido como Alexandre, O Grande.

Na antiguidade Alexandria foi um grande pólo de cultura e livre expressão, mas, na época em que Hipátia nasceu, a cidade encontrava-se em uma disputa entre a Igreja Católica, que crescia em poder rapidamente, e as correntes filosóficas que punham em cheque as doutrinas da nova religião.

Filha de Theon, filósofo, matemático e astrônomo, diretor do Museu de Alexandria; Hipátia creceu em um ambiente cercado de cultura sendo guiada por seu pai nos estudos da Matemática e Filosofia. Ele acreditava no ideal grego da “mente sã em um corpo sadio” (“men sana in corpore sano”) estimulando a filha a exercitar tanto a mente como o corpo, contam as lendas que ele desejava torna-la “um ser perfeito”.

Ainda jovem viajou a Atenas para complementar seus estudos. Era conhecida na Grécia como “A Filósofa”, já demonstrando cedo sua profunda sabedoria. Sócrates Escolástico relata:

“Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipátia, filha do filósofo Theon, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos de seu tempo. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe para receber seus ensinamentos.”

Ainda em Atenas tornou-se discípula na Escola de Plutarco e professava ensinamentos Neoplatônicos. Ao retornar a sua pátria, foi convidada para assumir uma cadeira na Academia de Alexandria como professora. Por volta dos 30 anos, tornou-se diretora da Academia. Seus conhecimentos abrangiam a Filosofia, a Matemática, Astronomia, Religião, poesia e artes. Era versada em oratória e retórica. Escreveu diversos livros e tratados sobre álgebra e aritmética. Seu interesse por mecânica e tecnologia a levaram a conceber instrumentos utilizados na Física e na Astronomia, como o astrolábio plano, o planisfério e um hidrômetro. Infelizmente suas obras foram perdidas durante o incêndio que destruiu a Biblioteca de Alexandria. Tudo o que chegou-nos vem através de suas correspondências.

Um de seus alunos Hesíquio o hebreu, escreveu:

“Vestida com o manto dos filósofos, abrindo caminho no meio da cidade, explicava publicamente os escritos de Platão e de Aristóteles, ou de qualquer filósofo a todos os que a quisessem ouvi-la… Os magistrados costumavam consulta-la em primeiro lugar para administração dos assuntos da cidade”.

Hipátia foi uma Grande Mulher que nasceu na época errada. Sua defesa fervorosa ao livre pensamento, seus ensinamentos Neoplatônicos, sua observação de que o universo era regido pela leis da matemática a caracterizaram como herege em um momento onde o Cristianismo triunfava sobre o Paganismo. Enquanto Orestes, um ex-aluno, fora prefeito da cidade, sua vida estivera protegida. Mas quando Cirilo tornou-se bispo de Alexandria, determinado a destruir todo o movimento pagão, sua morte foi anunciada.

Em uma tarde de 415 D.C. retornando a sua casa, Hipátia foi abordada por uma turba de cristãos furiosos que a arrancaram de sua carruagem, arrastaram-na para uma igreja e lá rasgaram-lhe as roupas deixando-a completamente nua e assim puseram-se a retalhar seu corpo esfolando-lhe a carne de seus ossos utilizando para isso cascas de ostras afiadas. Por fim desmembraram-lhe o corpo e os atiraram as chamas.

Morria com ela toda uma era de liberdade e florescimento filosófico e cultural em Alexandria e certamente para todos que viviam sobre a espada afiada da nova religião.

Carl Sagan escreveu em seu livro Cosmos:

“Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipátia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciências, e devido a Alexandria estar sob o domínio romano, após o assassinato de Hipátia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época.”

Essa Grande Mulher nutriu toda uma época com a luz do conhecimento e do saber. Calaram-lhe a voz e empurraram sua lembrança para as profundezas do esquecimento. Mas, dois milênios não foram suficientes para apagá-la da memória de todos os famintos pela verdade. Hipátia retorna forte e vibrante ao alcance daqueles que buscam por seus ensinamentos. Ainda há pouco, enquanto terminava minha última pesquisa para esse artigo, me deparei com a notícia de que o diretor Alejandro Amenábar recentemente lançou no festival de Cannes o filme Ágora, que conta ao mundo a vida de Hipátia de Alexandria.

Texto da coluna Alma Mater, do Nerd Somos Nozes

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Fausto, de Goethe

Após muita reflexão e planejamento, as Edições Textos para Reflexão decidiram que era hora de trazer para vocês os maiores clássicos da literatura mundial, pelo preço de um café!

Decidimos começar com a obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe, Fausto. Nesta edição digital revisamos cuidadosamente a gramática da célebre e secular tradução de Antônio Feliciano de Castilho, de modo a tornar o português antigo o mais legível possível, sem no entanto interferir no contexto dos versos. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

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À seguir, explicamos melhor do que se trata a nossa nova coleção:

Embora tenhamos escrito incontáveis obras desde o advento da escrita, há alguma arte que parece vencer o próprio fluxo do tempo, algumas histórias que se tornaram já mitologia por onde passaram, e que já foram lidas e encenadas pelas mentes de milhões e milhões de seres humanos.

A Coleção clássicos eternos reconhece a importância de trazer esta luz para ser refletida no maior número de espelhos possível, e cada um de nós é um espelho, e a luz foi criada para ser refletida.

Assim sendo, temos o compromisso de trazer edições cuidadosamente elaboradas dos grandes gênios de outrora, por um preço acessível – principalmente por se tratar de material em domínio público.

Também os tradutores são citados e lembrados. Ora, visto que nos valemos de traduções em linguagem já secular, foi necessário revisar o português, sobretudo com relação à gramática, procurando interferir o mínimo no contexto original da tradução.

Compreendemos que o português antigo pode trazer alguma complexidade no entendimento da obra, mas recomendamos que aproveitem dos recursos tecnológicos modernos dos e-readers ou aplicativos de leitura de e-books, que já possuem dicionários embutidos, assim geralmente basta clicar na palavra desconhecida para aprender o que significa. Se tudo correr bem, além da leitura de uma obra grandiosa, ainda sairão desta aventura sabendo um pouco mais acerca do seu próprio idioma.

Nalguns casos, onde a gramática pode ser aplicada tanto no português de Portugal quanto no do Brasil, preferimos manter o original – por exemplo, entre “génio” e “gênio”, optamos por manter a grafia original, isto é, “génio”.

E agora, fiquem com mais um clássico da literatura humana…

O editor.

#eBooks

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Hércules e o Cinturão de Hipólita

A missão do herói era conseguir o cinturão da rainha das amazonas, mulheres conhecidas por sua bravura. Mas não poderia obtê-lo pela força: precisaria ganhá-lo conquistando o coração da guerreira. Esse trabalho fala sobre a importância de construirmos laços afetivos duradouros. Ensina que a arte de conquistar uma pessoa não se faz pela força nem criando ilusões e falsas aparências, mas pelo respeito ao outro e pela coragem de mostrar quem verdadeiramente somos.

Mitologia

Este trabalho leva Hércules até às praias onde vivia a grande rainha, que reinava sobre todas as mulheres do mundo conhecido. Elas eram suas vassalas e guerreiras ousadas. Nesse reino não havia homens, só as mulheres reunidas em torno da sua rainha, Hipólita.

A ela pertencia o cinturão que lhe fora dado por Vénus, a rainha do Amor. Aquele cinturão era um símbolo da unidade conquistada através da luta, do conflito, da aspiração, da maternidade e da sagrada Criança para quem toda a vida humana está verdadeiramente voltada.

“Ouvi dizer”, disse Hipólita às guerreiras, “que está a caminho um guerreiro cujo nome é Hércules, um filho do homem e no entanto um filho de Deus; a ele eu devo entregar este cinturão que eu uso. Deverei obedecer a ordem, oh Amazonas, ou deveremos combater a palavra de Deus?” Enquanto as Amazonas reflectiam sobre o problema, foi passada uma informação, dizendo que ele se havia adiantado e estava lá, esperando para tomar o sagrado cinturão da rainha guerreira.

Hipólita dirigiu-se ao encontro de Hércules. Ele lutou com ela, combateu-a, e não ouviu as palavras sensatas que ela procurava dizer. Arrancou-lhe o cinturão, somente para deparar-se com as mãos dela estendidas e lhe oferecendo a dádiva, oferecendo o símbolo da unidade e amor, de sacríficio e fé.

Entretanto, tomando-o, ele, matou quem lhe dera o que ele exigira. E enquanto estava ao lado da rainha agonizante, consternado pelo que fizera, ele ouviu a voz do mestre que dizia: “Meu filho, por que matar aquilo que é necessário, próximo e caro? Por que matar a quem você ama, a doadora das boas dádivas, guardiã do que é possível? Por que matar a mãe da Criança sagrada?

Novamente registamos um fracasso. Novamente você não compreendeu. Ou redimirá este momento, ou não mais verá a minha face.”

Hércules partiu em silêncio deixando as mulheres lamentando a perda da liderança e do amor. Quando ele chegou às costas do grande mar, perto da praia rochosa, ele viu um monstro das profundezas trazendo presa em suas mandíbulas a pobre Hesione. Os seus gritos e suspiros elevavam-se aos céus e feriram os ouvidos de Hércules, perdido em remorsos e sem saber que caminho seguir. Dirigiu-se prontamente em sua ajuda quando ela desapareceu nas cavernosas entranhas da serpente marinha.

Esquecendo-se de si mesmo, Hércules nadou até o monstro e desceu até o fundo do seu estômago onde encontrou Hesione. Com a sua mão esquerda ele agarrou-a e segurou-a junto a si, enquanto com a sua espada se esforçou para abrir caminho para fora do ventre da serpente até a luz do dia. E assim ele salvou-a, equilibrando seu feito anterior de morte.

Pois assim é a vida: um ato de morte, um ato de vida, e assim os filhos dos homens, que são filhos de Deus, aprendem a sabedoria, o equilíbrio e o caminho para andar com Deus.

Simbologia

Este trabalho está associado à Virgem, signo onde a consciência de Cristo é concebida e nutrida através do período de gestação até que por fim em Peixes, o signo oposto, o salvador mundial nasce.

Note-se que nos dois Trabalhos onde Hércules vence, na verdade, são os dois onde ele se saiu mal justamente com os seus opostos, femininos (as éguas bravias e a rainha das Amazonas).

Assim a guerra entre os sexos é de origem antiga, na verdade, está inerente na dualidade da humanidade. O Leão é o rei dos animais. Nele alcançamos a personalidade integrada; mas em Virgem é dado o primeiro passo para a espiritualidade, a alma é chamada de filho da mente, e Virgem é regida por Mercúrio, que leva a energia da mente.

É em virgem que, o mau uso da matéria representa o maior erro de toda a peregrinação de Hércules: atentar contra o Espírito Santo; quando ele não compreendeu que a rainha das Amazonas devia ser redimida pela unidade, e não morta, e foi aí que ele sentiu a dor do signo de Peixes, diante do sofrimento humano provocado pela violência e pela agressividade, criada muitas vezes pela falta de diálogo ou até mesmo de compreensão.

O cinto é o símbolo da união e do amor, e ele mata quem lho quisera entregar por amor a Deus. Aqui o herói é abatido pela depressão e pena que sente de si mesmo, característica de Peixes.

Ao salvar Hesione da boca do monstro, Hércules compreende que tudo o que se faz, se reflecte no universo eternamente, e que para que o ser pare de sofrer, deve compreender que a dor é uma forma de redenção e aprendizagem que nos conduz ao crescimento. Que a aceitação da imperfeição do mundo é um caminho para atingir a perfeição.

Enquanto nos martirizamos com a culpa do mal feito, não assumimos a responsabilidade dos erros, mas quando aceitamos esta responsabilidade, transformamos esta dor em atitude, fazemos o bem e libertamo-nos das amarras do sofrimento. É neste momento e com esta tomada de consciência que passamos do trabalho ao serviço à humanidade.

Caminho de Iniciação

Na Mitologia Esotérica, o Nono Trabalho de Hércules corresponde à conquista do Cinto de Ouro de Hipólita – a Raimnha das Amazonas – viva alegoria do aspecto psíquico feminino oculto e mais delicado de nossa íntima natureza.

Durante este trabalho, o Iniciado é atacado naquilo que ele tem de mais fraco: o sexo. As Amazonas, suscitadas por Hera (um dos aspectos de nossa Mãe Divina), assediam com seus encantos femininos o caminhante que adentra seus domínios; usam de todas as artimanhas da sedução para infligir fatal derrota ao nobre e valente guerreiro que está prestes a conquistar sua rainha com seu precioso cinto, uma vez que o cinto sem a rainha não possui nenhuma beleza…

Mas infeliz do Hércules que se deixa cair ou seduzir por essas beldades dotadas de beleza enfeitiçadora. Apoderar-se do Cinto de Hipólita consiste, justamente, em não se deixar seduzir ou cair sob o hipnotismo de tais provocações sexuais femininas; significa dominar totalmente os sentidos, a mente e as sensações físicas e psíquicas. O Hércules que tem total domínio sobre si acaba conquistando a Rainha das Amazonas, não pela força, mas pelo amor, pelo respeito e pela veneração ao Feminino Cósmico.

Netuno é o Senhor da Magia. Portanto, torna-se evidente que o inferno de Netuno é habitado pelos magos negros mais terríveis e pela magas tenebrosas de beleza fatal e maligna.

Durante este Trabalho, o alegórico Castelo do tenebroso Klingsor, autêntico templo de magia negra, deve ser totalmente destruído. Quando o castelo cair em pedaços, o Iniciado, vencedor da terrível batalha contra si mesmo, ganha o direito de ingressar no Céu do Senhor Netuno, o Empíreo, a região dos Serafins, criaturas do amor e expressões diretas da Unidade Divina.

#Hércules #Mitologia

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Mapa Astral de Fernando Pessoa

Mapa
(13/06)
O Mapa de Fernando Pessoa não poderia ser diferente: Sol, Vênus, Netuno e Plutão em gêmeos, o signo da comunicação, na casa 8 (casa que lida com magia); Lua em leão, próxima do Meio do Céu; Saturno e Caput Draconis em Leão-Câncer ; Mercúrio em câncer e um pouco de ocultismo (ascendente e Júpiter em escorpião-sagitário, na casa 1 – Rei de Bastões na casa do Autoconhecimento).

Começando pelo básico: Sol em Gêmeos na casa 8, Lua em Leão (em conjunção ao MC), Ascendente em Escorpião, Caput Draconis em Leão-Câncer (Cavaleiro de Bastões). Os dois Planetas mais fortes do Mapa são Plutão em Gêmeos (“Se você for capaz de expressar esta influência coletiva de forma pessoal, terá grande interesse em compreender a natureza da mente e a maneira como as pessoas se comunicam”) e Saturno em Leão-Câncer (a energia do Buscador espiritual, ligada com a responsabilidade de saturno), ambos com 7 Aspectações cada.

Temos, então, uma pessoa com facilidade para comunicação, que domina o uso das palavras e alguém voltado para a busca espiritual de maneira bem séria e dedicada. Sua Verdadeira Vontade estava relacionada com as palavras, em expressar idéias, em se colocar na visão do outro. Tudo isso imerso em uma procura espiritual e profundo conhecimento de como estes mecanismos se manifestam.

Mercúrio em câncer auxilia na imaginação (a mistura do pensamento racional lado-a-lado com a imaginação emotiva canceriana), Marte e Urano em Libra trazem a energia de se colocar no lugar do outro (Marte aborda aspectos de luta/gasto de energia enquanto Urano engloba uma consciência do coletivo – estaria relacionado diretamente com suas dezenas de heterônimos?).

Ter Saturno (Planeta que representa a responsabilidade) reforçando o Caput Draconis nas energias de Buscador Espiritual é um bom indicador que ele desceu ao Planeta para auxiliar as Ordens Iniciáticas que esteve ligado. Engraçado que ele devia ter bastante noção disto, pois fez mais de 1000 mapas Astrais para amigos e conhecidos durante a vida. Para os leigos, ignorantes e céticos, capaz deles o colocarem junto com os “charlatões do amor”, mas para quem conhece a vertente ocultista dele, é muito provável que tenha auxiliado estas pessoas a buscar a Verdadeira Vontade delas, de maneira análoga a que eu faço aqui no Blog com o projeto de Hospitalaria/Mapas. Imagina uma interpretação do seu mapa feita pelo Fernando Pessoa??

#Astrologia #Biografias

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Umbanda de Raiz – Waldir Persona

Bate-Papo Mayhem #059 – gravado dia 18/08/2020 (terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Waldir Persona – Umbanda de Raiz

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Saiba mais sobre o Projeto Mayhem aqui:

#Batepapo #Candomblé #Umbanda

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Principais Tradições Taoistas

Gilberto Antônio Silva

O conhecimento de algumas das principais tradições taoistas é muito importante, pois cada uma delas possui características particulares. Saber alguma coisa sobre essas características nos auxilia a seguir o fio condutor das práticas taoistas e a compreender melhor seus conceitos e costumes.

Taoismo Huang-Lao: é uma escola de pensamento formada entre os séculos IV e II a.C. que traria principalmente a filosofia de Huangdi, o Imperador Amarelo, e de Laozi, autor do Tao Te Ching. Incorporou também elementos da alquimia e da religião tradicional chinesa (Shendao) e outras escolas como a Naturalista e a de Zhuangzi. Embora a Tradição Huang-Lao em si não possua doutrinas religiosas nem ensinamentos sistemáticos, foi nesse caldeirão que se moldou o Taoismo que viria a se difundir na Dinastia Han do Leste (25-220) e dar início às correntes religiosas taoistas. Era eminentemente filosófico e tinha a alquimia e a busca da imortalidade como de grande importância. Dentro dessa tradição a Medicina Chinesa teve um grande desenvolvimento, reunindo conceitos e fórmulas e sistematizando-as.

Taoismo Zhengyi (Unidade Ortodoxa): também conhecida como “Taoismo dos Mestres Celestiais” (Tianshi Dao). Fundada por Zhang Daoling em 142, foi a primeira organização taoísta e é ainda hoje uma das maiores e mais importantes. Seu fundador dizia ter recebido por transmissão divina do próprio Laozi a “Poderosa Comunidade da Unidade Ortodoxa” (Zhengyi Meng Wei). Teve seu quartel-general no Monte Longhu (Montanha do Dragão e do Tigre).

Eles crêem no Tao como centro de criação e seu representante, Lord Lao. Tem o Rei de Jade como representação da Consciência Universal que rege o cosmos. Possui diversos preceitos a serem seguidos como não praticar o mal, não se considerar sempre certo, não reverenciar a fama, ser sempre modesto e humilde, não desperdiçar sua essência e Qi, não matar ou falar sobre matar. Seus sacerdotes podem se casar e viver em casa com sua família, além de poder comer carne e beber vinho.

Existem duas ramificações principais: Hongtou (“Cabeça Vermelha”) e Wutou (“Cabeça Preta”). Essa diferença inicialmente se deve a ornamentos usados na cabeça durante as cerimônias. O termo “preto” significa que o sacerdote cuida dos mortos, faz cerimônias fúnebres. Já o “vermelho”, cor especial para os chineses, indica que ele lida com o sobrenatural mas também faz cerimônias de cura para os vivos..

Taoismo Shangqing (Suprema Pureza): segue principalmente a escritura “Livro Perfeito da Grande Caverna da Suprema Pureza” (Shangqing Dadong Zhenjing). Foi iniciada por uma mulher, Wei Huacun, filha de um alto oficial da corte Jin e assistente da Escola dos Mestres Celestiais. Mas o patriarca que organizou a tradição foi Tao Hongjing (456-536). Esta é uma importante linhagem que tomou parte na maturação do Taoismo que ocorreu na Dinastia Tang. Seu quartel-general era em Maoshan

Sua criação atraiu grande número de aristocratas e pessoas de grande educação. A ênfase se deu no desenvolvimento individual através da leitura e recitação de textos e na meditação e visualização, afastando-se de práticas místicas como talismãs e alquimia. Ele inova no sentido de aproximar o divino e sagrado do praticante de modo direto, sem intermediários como sacerdotes, por meio principalmente da compreensão e recitação dos textos da linhagem. A comunhão com o Tao torna-se um processo interno conduzido pela quietude.

Taoismo Lingbao (Tesouro Luminoso): tinha como escritura principal o “Livro dos Cinco Talismãs do Tesouro Luminoso” (Lingbao Wufu Jing) e a “Escritura da Salvação do Tesouro Luminoso” (Lingbao Duren Jing). Essa tradição pregava que o adepto não tinha apenas que cultivar a si mesmo de modo a alcançar a imortalidade (o Tao), mas que tinha que ajudar as outras pessoas a obtê-lo também. Seu quartel-general era no Monte Gezao.

Causou grande impacto na formalização dos rituais taoistas, enfatizando a prática litúrgica especialmente nos Ritos de Purificação (zhai) e nos Ritos de Oferenda (jiao), também conhecidos como Rituais de Renovação Cósmica. Os rituais taoistas seriam formas de se harmonizar o mundo humano com o invisível.

O Taoismo Lingbao acabou por ser totalmente absorvido pelas tradições Zhengyi e Quanzhen, desaparecendo como linhagem autônoma mas deixando uma forte influência nestas escolas.

Taoismo Lou Guan (Torre de Observação): floresceu durante a Dinastia Sui e na Dinastia Tang. Sua origem remontava a Yin Xi, guarda de fronteira que recebeu o Tao Te Ching de Laozi. A escola enfatizava especialmente os ensinamentos de Laozi e foi responsável pela criação do primeiro mosteiro taoista. Dentre suas regras administrativas e normas de conduta figuravam cinco principais, fruto da influência budista sobre a estrutura monástica taoista: proibição de matar, roubar, mentir, praticar sexo desregrado e se intoxicar por bebida ou outro produto. Posteriormente essa escola declinou e foi absorvida pela Tradição Quanzhen.

Taoismo Quanzhen (Realização Completa): fundada por Wang Zhe, depois chamado de Mestre Chongyang, em 1170 na província de Shandong. Seu objetivo era conseguir unir o melhor das três tradições chinesas em voga – Taoismo, Budismo e Confucionismo – e incorporá-las em uma versão taoista. Para isso se afastou da confecção de talismãs, das cerimônias elaboradas e dos exercícios intrincados e colocou ênfase no autocultivo principalmente através da meditação sentada e da alquimia interna.

Ele enfatizou especialmente a simplicidade e a naturalidade encontrada em textos de Laozi e de Zhuangzi, incluindo o conceito de wuwei. Do Budismo aproveitou os conceitos de Karma e reencarnação (chamado pelos taoistas de “transmigração”). Estes acabaram influenciando outras linhagens. Também incentivava a leitura do “Clássico da Piedade Filial”, de Confúcio, que encoraja ajudar os outros e promover boas ações sempre que possível.

Valorizando a alquimia interna, Mestre Chongyang considerava que o “elixir dourado” era nossa verdadeira natureza e ajudar os outros e permanecer com o espírito tranqüilo e transparente era muito importante para isso. As pessoas que desejavam cultivar sua verdadeira natureza não deveriam buscar fama, riqueza e lucros, mas eliminar raiva e preocupação, além de se abster de sexo e álcool.

A atual sede da Tradição Quanzhen é no Templo da Nuvem Branca, em Beijing.

Taoismo Longmen (Porta do Dragão): a mais importante das ramificações criadas pelos discípulos de Mestre Chongyang. Fundada por Qiu Chuji, o 5º líder da Tradição Quanzhen, que passou anos meditando na Caverna da Porta do Dragão, daí o nome da linhagem. Durante o início da Dinastia Qing, o 7º patriarca da Tradição Longmen introduziu o sistema de iniciações abertas, uma novidade no Taoismo. Caracteriza-se pela importância no cultivo do Tao, principalmente através da alquimia, e sua popularidade ainda é muito grande.

Taoismo de Wudang: o Monte Wudang sempre foi lugar de eremitas e reclusos que formaram pequenas comunidades para cultivar o Tao. Durante a Dinastia Ming foram, construídos dez grande mosteiros e pavilhões para cultivo do Tao e da alquimia interna. Foi lá que Zhang Sanfeng, o lendário criador do Tai Chi Chuan, viveu como eremita. Ainda hoje os templos de Wudang são morada de uma tradição taoista vigorosa e muito importante, bem como lar das artes marciais internas. O Taoismo de Wudang cresce a cada dia, com pessoas de todo o mundo se dirigindo à montanha para estudar as artes e práticas milenares taoistas, em especial as artes marciais e o Qigong.

* Este artigo é o resumo de um dos capítulos do livro “Os Caminhos do Taoísmo”, disponível para download gratuito em www.taoismo.org

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa. Site: www.taoismo.org

#Tao

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Iniciação no novo Aeon: Introdução e Morte/Iluminação Não-Cataclísmica

Tradução: Mago Implacável

Revisão: Ms. Patalógica

Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei.

Nota: originalmente escrito em 12 de Abril de 2009

“Em nome do Senhor da Iniciação, Amen”

– “Liber Tzaddi linhas 0 & 44

0) Introdução

Um Novo Aeon foi proclamado e iniciado em abril de 1904 com a recepção do “Livro da Lei”, “Liber AL vel Legis”. Um novo Aeon implica um novo paradigma ou um novo ponto de vista a partir do qual se vê o mundo. De acordo com “Liber Causae”: “[e]m todos os sistemas de religião deve-se encontrar um sistema de Iniciação, que pode ser definido como o processo pelo qual um homem vem a aprender essa Coroa desconhecida”. Se Iniciação é comum a “todos os sistemas religiosos”, então como a Iniciação deve ser compreendida neste Aeon da Criança Coroada e Conquistadora? Quais são as mudanças de paradigma que caracterizam o ponto de vista deste Novo Aeon?

Pretendo esboçar as visões básicas da Iniciação do Novo Aeon neste ensaio. O uso do jargão esotérico será limitado dentro do que é possível; idealmente, um indivíduo que nunca encontrou Thelema deve ser capaz de compreender muitas das ideias aqui explicadas. Deve-se notar que as várias ideias e fórmulas que ainda são válidas neste Novo Aeon, ou seja, aquelas idéias que são “substituídas” e não “revogadas”, não serão mencionadas (o que nada mudou dos Aeons Antigos).As ideias básicas que cercam a Iniciação do Novo Aeon são: morte/realização como não cataclísmica; o Verdadeiro Eu contém tanto o bem como o mal; o abraçar o mundo; o eu como redentor e nenhuma perfeição da alma. Todos estes pontos serão devidamente tratados, e cada um será exemplificado por uma citação central do corpus de Thelema.

LINK ORIGINAL: https://iao131.com/2010/07/22/new-aeon-initiation-introduction-death-attainment-as-non-cataclysmic/

#Thelema

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Estrutura de um Ritual Enochiano

Por Yohan Flaminio e Robson Bélli 

Aleister Crowley disse: “A Magia é a Ciência e a Arte de causar mudanças de acordo com a Vontade”, mas, como exatamente manifestar essa vontade, de maneira correta, para realizar a mudança que se deseja? Quando se fala em magia, somos remetidos às formulas estranhas em velhos livros empoeirados ou receitas prontas de “feitiços e simpatias” de pseudo-magistas de internet. Mas o que de fato é real e como realmente é realizado um ritual?

Na magia cerimonial, o pretenso magista manifesta sua vontade por meio de foco material criado por si ou de artesãos competentes, instrumentos estes que focam a atenção e colocam o operador “no clima”, literalmente o sintonizando naquela energia e frequencia, mas, sem o conhecimento de como usar esses instrumentos de maneira correta, de como magnetiza-los, estes não passarão de artigos estranhos na estante de um excêntrico acumulador.

E é exatamente onde entramos com a: ESTRUTURA RITUAL.

Todo ritual é construído seguindo certos preceitos ou fórmulas previamente construídas pelo magista, com base em seu conhecimento das chaves de expressão da realidade, estas que inicialmente podem ser expressas pelo incenso utilizado, cores das velas, a lua certa, o dia certo e etc.

A maioria das vertentes de magia cerimonial segue uma estrutura mais ou menos rígida, que visa o sucesso da operação. O exemplo mais clássico é a estrutura seguida durante a evocação de um daemon, na Goetia Salomônica. O passo a passo neste exemplo tem o objetivo de permitir uma evocação segura e eficiente e trata-se de uma estrutura já muito utilizada, bastante eficiente.

Mas qual é o passo a passo já bem fundamentado, na magia enochiana? Lamento, jovem gafanhoto, ele não existia, até agora.

O próprio John Dee nunca fez uso do sistema e isso, por si só, já nos faz imaginar: “se ele não usou, quem sou eu pra meter mão nisso aí?” A resposta é: Somos estrelas, cara! Desde o ressurgimento da Magia Enochiana com a Golden Dawn, há incontáveis formas de se trabalhar com as entidades enochianas e, cada dia que passa, uma nova forma é descoberta.

O que será explicado abaixo trata-se de uma forma simples e eficaz de um Ritual de Evocação, utilizado por este que vos escreve. Foi utilizado no início das práticas quando ter instrumentos enochianos era um sonho distante.

Enfim, chega de teoria e vamos botar a mão na massa, pois a teoria e o conhecimento místico é muito importante, mas, magia é acima de tudo, pratica.

RESUMO LITÚRGICO

1. Definição do objetivo da ritualística
2. Escreva o roteiro ritual
3. Preparação do templo
4. Preparação do magista
5. O banimento inicial (RMP)
6. Pilar do meio
7. Recitar a obediência fundamental
8. Recite a 1º. Ou a 2º. Chamada
9. Chamada  à Torre de Vigia
10. Conjuração do espirito
11. Encargo ao Espírito
12. Fechamento do templo

O RITUAL

PASSO UM:

Defina o objetivo do ritual.

O que você deseja alterar? Qual a situação que deseja resolver? Defina-o de maneira objetiva, de forma com que se venha a acontecer, você possa ter certeza de que foi você e sua magia que o fizeram.

PASSO DOIS:

Escreva o roteiro do ritual

Escreva seu objetivo no topo do que vamos chamar de Roteiro do Ritual. Este roteiro será o seu passo a passo, que deverá ser seguido no ato do ritual, após a pratica ele deve ficar em anexo a folha do dia do seu diário magico para possíveis consultas posteriores.

PASSO TRÊS:

Preparação do templo.

Esse é o passo que normalmente limita o praticante. “Ah não tenho bola de cristal, ou mesa santa ou o sigilo feito de cera de abelha…” Esqueça a parafernália! Tudo o que será necessário aqui é uma impressão do Sigillum Dei Aemeth, em papel A4 e uma superfície reflexiva, que pode ser um espelho, um cristal simples ou até mesmo aquela sua taça de vinho preferida, com água. Além disso, de forma opcional, coloque duas velas brancas de cada lado do objeto usado pra vidência (o cristal, espelho ou copo com água). Isso vai ajudar sua mente a “se soltar”.

PASSO QUATRO:

Preparação do magista.

Nesse passo vamos saber o que o operador deve realizar para auxiliar a “entrar no clima”. Primeiro sua mente deve estar relaxada. Isso é conseguido com uma meditação antes da prática em que o magista limpa a mente e foca-a no que está sendo realizado ali. O tempo de meditação varia de cada pessoa mas normalmente ocorre entre 10 a 20 minutos de meditação, às vezes menos, um banho de purificação também pode ser adequado, para os menos familiarizados com banhos de purificação um belo banho de sal grosso pode ser o suficiente.

PASSO CINCO:

O Banimento

Neste passo o magista realiza o ritual de banimento escolhido (os quais existem para todos os gostos) que terá o efeito de limpeza das energias do magista, influências negativas e a limpeza do ambiente.

Sugestão:

Ritual Menor do Pentagrama

Parte 1 – A Cruz Cabalística (ou Rosa Cruz)

De pé com corpo ereto e postura altiva, com as pernas abertas a largura dos ombros, de punhos cerrados, espalme a mão direita, erga lentamente a mão direita espalmada esticando seus braço a frente e para cima enquanto acompanha o movimento da sua mão com os olhos, quando o braço estiver apontado para cima, feche os olhos e em sua tela mental imagine que um enorme tubo de luz branca desce sobre vós enquanto você desce a desce a mão e toca sua testa

  • – Toque a testa e diga/vibre ATEH

toque seu peito e então:

  • – Toque o sexo e diga MALKUTH

E visualize esta luz mudar de cor para amarelo, verde, vermelho e então se apagar ficando tudo escuro, leve a mão esquerda para seu ombro direito, e veja um raio de luz vermelho que vem de seu lado direito:

  • – Toque o ombro direito e diga VE – GEBURAH

Este raio então ultrapassa a linha central e muda de cor (para azul) enquanto você move sua mão direita em direção ao ombro esquerdo assumindo a postura de Osíris ressuscitado.

  • – Toque o ombro esquerdo e diga VE – GEDULAH

Abra as duas mãos na postura de Osíris morto e então:

  • – Junte as mãos no peito e diga LE – OLAHM AMEN Parte 2 –

Parte 2: Os Pentagramas

  • – De frente para o Leste, desenhe (usando a ponta dos dedos indicador e médio) um pentagrama visualizando-o, no centro visualize o primeiro nome, IHVH e inspirando-o, sentindo passar pelo peito até os pés e sentindo a sua volta, fazendo o sinal do entrante, varando o pentagrama, vibre o nome (“Iod Rê Vô Rê”, por exemplo) com
  • – De frente para o Sul, repita o processo anterior trocando o nome por ADONAI.
  • – De frente para o Oeste, repita o processo anterior trocando o nome por EHEIEH. 9 – De frente para o Norte, repita o processo anterior trocando o nome por AGLA. Caso o estudante não tenha percebido, ele está girando no sentido horário.

Parte 3 – Invocação dos Arcanjos

 – Na posição de Cruz (os braços abertos e os pés juntos), o estudante repetirá: “A minha frente RAPHAEL

  • – “Atrás de mim GABRIEL” 12 – “A minha direita MICHAEL
  • – “A minha esquerda AURIEL” –
  • – “Pois ao meu redor flamejam os Pentagramas”

Sempre imaginando os Arcanjos nas suas respectivas posições e os pentagramas em chamas. Cada um está relacionado a um elemento: Ar, Fogo, Água e Terra, na sequencia. Como os elementos são 4, o magista, ao centro, será a 5ª parte do pentagrama, o espírito.

  • – “E na coluna do meio, brilha a estrela de seis raios”.

Que o estudante visualize dois Hexagramas, um em cima e o outro projetado embaixo, com uma faixa de luz estendendo-se infinitamente na vertical, envolvendo-o.

  • – Repita a Parte 1 e o ritual estará

PASSO SEIS (OPCIONAL)

Realize o Ritual do Pilar do Meio.

Este exercício simples potencializa a energia do magista aumentando a probabilidade de sucesso do ritual de forma expressiva.

Preparação.

Ritual do Pilar do Meio

Imagine-se em um templo. Visualize o Pilar Negro da Severidade à esquerda, o Pilar Branco da Misericórdia à direita e você ao centro no Pilar do Equilíbrio.

Pilar do Meio.

Eleve sua atenção até Kether. Imagine uma esfera de luz que brilha intensamente acima de sua cabeça sem tocá-la.

Contemple esta luz por alguns instantes. Sinta a energia que emana desta esfera enquanto vibra:

–  Eheieh.

Desta esfera a luz se projeta para baixo até formar uma segunda esfera de luz na região da nuca. A luz de Kether flui para Daath. Sinta sua energia enquanto vibra:

–  IHVH Elohim.

A luz se projeta desta esfera para formar uma terceira esfera de luz na região do coração. A luz de Daath flui para Tiphereth.

Sinta sua energia enquanto vibra:

–  IHVH Eloah Ve Daat.

A luz projeta-se desta esfera para formar a próxima esfera de luz na região dos órgãos sexuais. A luz de Tiphereth flui para Iesod. Sinta a energia desta esfera enquanto vibra:

–  Shadai El Chai.

A luz projeta-se desta esfera para formar uma nova esfera de luz nos pés. A luz de Iesod flui para Malchut. Visualize esta esfera de luz e sinta sua energia enquanto vibra:

–  Adonai Ha Aretz.

Visualize o Pilar do Meio formado por suas esferas de luz alinhadas ao longo de seu corpo. Circulação do Corpo de Luz.

Volte sua atenção para Kether, a esfera acima da cabeça, e visualize-a absorvendo energia do Ain Soph Aur, da Luz Ilimitada, e transmitindo esta energia para as outras esferas. A cada expiração sinta a energia descer da esfera do topo da cabeça até a esfera dos pés pelo lado esquerdo do corpo. Ao inspirar sinta a energia subir da esfera dos pés até a esfera do topo da cabeça passando pelo lado direito do corpo. Repita este exercício por várias vezes. Visualize, então, a energia descer pela frente do corpo enquanto o ar é exalado e subir pelas costas enquanto o ar é inspirado. Repita exte exercício por várias vezes. Visualize este processo e sinta este processo de forma profunda e real.

Visualize as esferas de luz em seu corpo que formam o Pilar do Meio. Leve sua atenção à esfera dos pés e, ao inspirar, sinta e visualize a energia desta esfera subir pelo corpo como uma corrente de energia espiralada até o topo da cabeça. Ao exalar sinta e visualize esta energia sendo derramada por todo o seu corpo retornando à esfera de luz situada nos pés. Repita este exercício várias vezes.

PASSO SETE:

Recite a Obediência Fundamental de John Dee

Trata-se de uma invocação preliminar à Deus que Dee chamou “Obediência Fundamental”. Ela invoca os doze nomes de Deus que governam os quatro quadrantes da Grande Tábua. De acordo com a Tabula Recensa, estão dispostos assim:

Leste — ORO IBAH AOZPI
Sul — MPH ARSL GAIOL
Oeste — OIP TEAA PDOCE
Norte — MOR DIAL HCTGA

Na Obediência Fundamental, há um alinhamento com a divindade por meio desses nomes de poder que representam as partes do universo.

Ó YHVH TzABAOTh, nós invocamos e imploramos mais fervorosamente seu Divino Poder, Sabedoria e Bondade, e mais humilde e fielmente pedimos que nos favoreça e auxilie em todas as nossas obras, palavras e cogitações concernentes, promovendo ou obtendo seu louvor, honra e Glória.

E por estes seus doze nomes místicos. ORO, IBAH, AOZPI, MPH, ARSL, GAIOL, OIP, TEAA, PDOCE, MOR, DIAL, HGTGA, mais ardentemente rogamos e imploramos sua Divina e Onipotente Majestade: que todos os seus fiéis Espíritos Angelicais cujos nomes místicos são expressos neste livro e cujos ofícios são brevemente observados em qualquer parte do mundo em que estejam e, em qualquer época de nossas vidas, eles são convocados por nós por meio de seus poderes peculiares ou autoridade de seus Santos Nomes (também contidos neste livro), que mais rapidamente eles venham a nós visíveis, afáveis, e nos apareçam pacificamente e permaneçam conosco visivelmente de acordo com nossos desejos, e que eles desapareçam a nosso pedido de nós e de nossa vista.

E através de ti e daquela reverência e obediência que eles devem a ti nesses doze nomes místicos acima mencionados, que eles deem satisfação amigavelmente também a nós, a cada momento de nossas vidas, e em cada ação ou pedido a todos, alguns ou um deles, e façam isso rapidamente, bem, completamente e perfeitamente para executar, aperfeiçoar e completar tudo isso de acordo com suas virtudes e poder geral e individual e através das injunções dadas por ti (Ó Deus) e seus ofícios, encargos e sacerdócio.

Amém.

PASSO OITO:

Recite a 1º ou 2º Chamada Enochiana

A 1º Chamada é usada para manifestações espirituais. Ex: conexão com a energia pura da Tábua da União.

A 2º Chamada é usada para manifestações físicas. Ex: Evocar os anjos do Ar (responsáveis por curas), de um quadrante específico para tratar um problema de saúde.

Pronúncia da 1º Chamada

– Ole sonefe vorese-ge goro lade balete, laneserre calezod voneperru; sobera zole rore i ta nazodpesade, ode geraa ta maleperege, di-es holeque quaa noterroa zodimezod ode comemarre ta nobelorre ziene; soba terrile genonepe perege aledi, di-es urebese obolerre ge-resame; casareme ohorela taba pire, di-es zodonerenesege cabe ereme jadenarre. Pilarre farezodme zodnera adena gono ladepile di-es rrome torre soba [iaode] ipame lu ipamise; di-es lorrolo vepe zodomede poamale, ode bogepa aai ta piape piamose ode vaoame. Ca zodacare ode zodamerame! Odo cicele quaa zodorege lape ziredo noco made, rroaterre zaida.

Tradução da primeira chamada

– Eu reino sobre vós, diz o Deus da Justiça poderosamente exaltado acima dos firmamentos da ira; em cujas mãos o Sol é uma espada e a Lua como um fogo penetrante: que mede as vossas túnicas, no seio de minhas próprias vestes e vos amarrei juntos com as palmas de minhas mãos; vossos assentos sendo decorados com o fogo da união, embelezando vossas vestimentas com admiração; para quem fiz a Lei para governar os santos e entreguei uma vara com a arca do conhecimento. Além disso, vós então erguestes vossas vozes e jurastes obediência e fé a Ele, que vive e triunfa, que não tem início, nem fim, que brilha como uma chama no meio de vosso palácio, e reina entre vós como a balança da retidão e verdade. Portanto, movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

Pronúncia da 2º Chamada

– Adegete upaarre zodonege ome faaipe salede, viu le? Sobane laleperege izodazodazod piadeperre; casarema aberamege ta talerro paraceleda que-ta loreseleque turebese oogo baletorre    givi    cerrise    lusede     oreri     ode     micalepe     cerrise     bia ozonegone; lape noane terofe corese ta ge oque manine laidone. Torezodu gorre-le! Zodacare, ca ce-noqueode! Zamerane micalezodo, ode ozodazodme urelepe, lape zire loiade.

Tradução da segunda chamada

– Podem as asas do vento entender vossas vozes de admiração, Oh, vós todos, os segundos dos primeiros? Que as chamas ardentes conceberam nas pofundidades de minhas mandíbulas; que preparei como taças para um casamento, ou como flores em sua beleza para a câmara da retidão. Mais fortes são os vossos pés, que a pedra estéril, e mais poderosa são vossas vozes que os ventos múltiplos, pois se haveis tornado uma edificação como não existe outra, exceto em minha mente de Todo-Poderoso. Aparecei disse o Primeiro: Movei-vos, portanto, até os vossos servos! Mostrai vossos poderes e fazei de mim um Grande Vidente, pois eu sou daquele que vive para sempre.

PASSO NOVE:

Chamada à Torre de Vigia

Recite a Chamada correspondente à Torre de Vigia com o elemento correspondente:

PASSO DEZ:

A Conjuração do Espírito.

Neste passo, recite uma conjuração ao espírito.

Esta pode ser em português ou em enochiano

  • Exemplo de conjuração em português:

Conjuração aos anjos do Ar (cura)

Ó tu, Anjo de Luz [Nome do Anjo], habitando na parte [Direção] do universo, poderoso na administração do forte e saudável remédio de Deus e na dispensação de curas: Em nome do Deus onipotente, vivo e verdadeiro, Eu, [Seu Nome Mágico], pela graça do Deus Todo-Poderoso dos Reinos Celestiais, e através da reverência e obediência que tu deves ao mesmo, nosso Deus, e através destes, Seus nomes divinos e místicos, [Nome vertical da cruz sephirótica] e [Nome horizontal da cruz sephirótica], eu veementemente e fielmente peço de ti, que tu apareças dentro desta Mesa da Arte e Sigilo de Deus, e depois disso, atenda a minha solicitação.

Eu o convoco pelos Nomes de Deus, [Nome vertical da cruz sephirótica] e [Nome horizontal da cruz sephirótica], para realizar e completar todos e quaisquer pedidos, abundantemente, excelentemente, completamente, agradavelmente e perfeitamente, por meio de todos os remédios possíveis e por meio da força, poder e peculiaridades de seu ofício e ministério.

Através dos Nomes Sagrados de Deus [Nome vertical da cruz sephirótica] e [Nome horizontal da cruz sephirótica],

Amém.

  • Exemplo de conjuração em enochiano usando as Hierarquias:

Ol vinu od zacam, Ils gah (nome do anjo-alvo).

Od lansh vors gi Iad, gohus pugo ils niiso od darbs! Dooiap (nome supremo da Tábua da União),

od dooiap (os Três Grandes Nomes Secretos de Deus), od dooiap (o nome do rei),

od dooiap (os nomes dos seis Sêniores), od dooiap …,

od dooiap …,

od dooiap … (quantos nomes na hierarquia forem necessários), Ol vinu od zacam, Ils gah (nome do anjo-alvo).

Tradução:

Eu invoco e movo-te, ó ti, Espírito (nome do anjo alvo).

E sendo exaltado acima de você no poder do Altíssimo, eu digo a você que venha e obedeça!

Em nome de (Nome Supremo da Tábua da União; por exemplo, Exarp, Hcoma, Nanta ou Bitom);

e em nome de (os Três Grandes Nomes Secretos de Deus da Tábua Elemental),

e em nome de (o nome do rei da Tábua Elemental), e em nome de (os nomes dos seis Sêniores da Tábua Elemental),

e em nome de …,

e em nome de …,

e em nome de … (tantos nomes na hierarquia quantos forem necessários), Eu invoco e movo-te, ó Espírito (nome do anjo alvo).

PASSO ONZE:

O Encargo ao Espírito.

Neste passo, o pedido do magista é entregue ao espírito. Uma dica importante aqui é escrever o pedido antes do ritual e recitá-lo ao anjo.

PASSO DOZE:

Fechando o Templo.

Neste passo dá-se ao espírito, a Licença para Partir, como se segue:

Tu, Anjo de Luz, eu, [Seu Nome Mágico], pelo poder do Deus Verdadeiro, Todo-Poderoso e Vivo, por meio deste, convido-o a partir e cumprir suas tarefas designadas, a serviço de minha Verdadeira Vontade e para a Glória e Honra ao nosso Deus Verdadeiro acima mencionado, a quem tu deves lealdade e obediência.

Eu, [Seu Nome Mágico], por meio deste libero as forças restringidas, focalizadas e dirigidas durante esta operação, para que elas possam ir adiante e trabalhar seus vários poderes sobre o universo manifesto, pois assim nasceu todo o Poder da Verdadeira Magia e da perfeição.

Pelo poder de minha Verdadeira Vontade aqui incorporada pelo Nome Mágico [Seu Nome Mágico],

Amém.

O Ritual está completo

Considerações finais

Yohan: Venho usando este ritual nos últimos meses com ótima taxa de sucesso na evocação das diversas classes de entidades enochianas. Como um conselho final, não espere ter todos os aparatos descritos nos grimórios, comece a praticar imediatamente pois, o sistema enochiano não depende de condições de tempo ou a lua, para ser efetivo e tudo o que você precisa está ao alcance de sua mão.

Como cita Donald Michael Kraig em seu maravilhoso Modern Magick: Pratique, Pratique e Pratique!!

Robson: pode parecer um esforço muito grande no início desempenhar um ritual “tão longo”, porém, recomendo fortemente que o faça de maneira tranquila (sem pressa), pois o importante não é o final e sim a jornada, curta a experiência, e acima de qualquer coisa esteja presente (em plena atenção) no aqui e o agora, com a pratica você perceberá que se torna cada vez mais rápido e pratico a realização do ritual, não se esqueça de anotar tudo em seu diário magico.

Pode ser frustrante no início, você não ver ou sentir qualquer coisa, mas, isso representa apenas uma coisa, a sua falta de preparo no que é básico a um magista, não significa que nada aconteceu ou mesmo que o anjo não veio, significa apenas que sua capacidade de percepção não pode ainda vivenciar por completo a experiência e lhe falta ainda algum preparo, do qual a pratica constante e determinada pode vir a suprir tal falta.

Esteja bem!


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/estrutura-de-um-ritual-enochiano/

As Sete Consonâncias

Excelente texto enviado pelo músico Alvaro Coutinho

Astrologia e música são dois estudos que aparentam ser bem diferentes, afinal de contas, que relação há entre os astros celestiais e uma orquestra? Estranhamente, a correlação entre essas duas matérias sempre existiu, o que é de certa forma bem conveniente, ambas tratam de assuntos que sempre influenciaram o subconsciente do homem. A fascinação de uma pessoa ao olhar o céu estrelado pode se comparar a alguém escutando a Nona Sinfonia pela primeira vez.

Pitágoras, e a Musica Universalis

Esta associação vem de muito tempo, talvez o primeiro, ou mais notório filósofo a estudar isso viveu na Grécia cerca de 2.500 anos atrás, chamava-se Pitágoras de Samos, filósofo, matemático e místico que proporcionou grandes avanços para a humanidade em inúmeras ciências, matemática, astrologia, política, ética, geometria, metafísica… enfim, a lista segue. Todo mundo conhece por exemplo o seu teorema mais famoso (a² + b² = c²), mas essa equação é completamente eclipsada quando comparamos a importância dos estudos sobre música e sua magnum opus, a Musica Universalis.

Para Pitágoras era simples, matemática e música existem em tudo, afinal de contas “tudo é feito de números”, e como a música funciona por meio de funções, então logo, toda a matéria tem a sua música. Sabemos que a matéria reage a vibrações, ou a frequências diferentes, alguns ainda sugerem que matéria é energia condensada em vibrações fracas, logo, como toda vibração tem a sua “nota” específica, tudo o que existe emite um som e reage a sons diferentes. Na música sabemos que relações entre intervalos formam uma harmonia ou uma consonância.

Na época helênica clássica, não existia o conceito atual de notas, mas sim funções numéricas para cada relação de nota. Então, o que hoje seria, por exemplo, um intervalo de oitava (Dó a Dó) era antes uma função de 2:1, ou seja, a vibração emitida por uma corda é o dobro da frequência (Hz) emitida por uma outra coda afinada a uma oitava mais baixa, um intervalo de quinta (Dó a Sol) é 3:2, e por aí vai. Para fazer os seus estudos Pitágoras usava um instrumento chamado monocórdio, que era basicamente uma corda presa sobre uma caixa acústica e com uma ponte móvel, para assim formar notas diferentes.

Pitágoras percebeu então, que se ele dividisse a corda em diferentes regiões e tocasse ambas simultâneamente, ele teria uma combinação de notas que formaria a tal da consonância (do latim, soar junto, bem auto explicativo).

Mudando para a segunda área do assunto, os estudiosos da escola Pitagórica, tinham desenvolvido um conceito ancestral do héliocentrismo, ou seja, já sabiam que cada planeta possuia uma órbita padrão em relação ao sol que poderia ser expressada como uma razão numérica. Então, se ligarmos os pontos, podemos entender que cada planeta formaria uma consonância que influenciaria o comportamento humano e suas emoções. Para nós estudantes de astrologia isso soa bem familiar não?

Surgia assim a teoria da Música das Esferas. Seria Platão posteriormente que afirmaria, astronomia e música são estudos gêmeos em relação aos nosso sentidos: Astronomia para os olhos e Música para aos ouvidos. Claudius Ptolomeu seria o próximo a estudar e desenvolver novas ideias em cima da teoria de Pitágoras. E por fim, talvez o mais genial astrólogo e astrônomo de todos os tempos, Johannes Kepler [1].

Kepler, e a Harmonices Mundi

Kepler, com a sua incessante busca de tentar encontrar a linguagem de Deus no universo, estudou diversas áreas. Sua obra mais memorável, Mysterium Cosmographicum, constava a utilização de geometria, os Sólidos Platônicos para ser mais exato, para criar um modelo do sistema solar. Ele acreditava que estes cinco poliédros seriam sagrados e perfeitos por natureza, e que o criador teria utilizado-os para desenvolver o plano do universo.

Porém, suas pesquisas não se limitaram somente a geometria, ele logo se deparou com a antiga ideia da Música das Esferas. Enquanto os pensadores da sua época utilizavam esta teoria de forma metafórica, Kepler descobriu a harmonia presente dentro do movimento dos planetas analisando sua velocidade angular (este estudo está presente dentro do seu Harmonices Mundi), criando assim a forma final e mais aceita da música das esferas.

Após analisar as proporções musicais e os padrões orbitais, Kepler atribui aos planetas tais intervalos:

(Tradução: Divisões Harmônicas de uma corda, Estas são razões matemáticas para se criar intervalos que Kepler encontrou experimentando ambas consonâncias a respeito de uma corda inteira e a cada outra.) (Notem que não há os intervalos de 2ª, 7ª e 5ª dimunuta, o motivo disso é que estes intervalos não eram considerados harmônicos dentro da divisão) (Na imagem acima a razão de 6ªm está incorreto, na verdade ela é 3:5, não 4:5)

Intervalo (razão) – Planeta, aspecto/função harmônica.

Terça Menor (5:6) – Saturno, aspecto negativo/mediante.

Terça Maior (4:5) – Júpiter, aspecto positivo/mediante.

Quarta Justa (3:4) – Marte, aspecto neutro/sub-dominante.

Quinta Justa (2:3) – Terra, aspecto neutro/dominante. [2]

Sexta Menor (5:8) – Vênus, aspecto negativo/super dominante.

Sexta Maior (3:5) – Mercúrio, aspecto positivo/super dominante.

Oitava (2:1) – Sol, aspecto neutro/tônica. [3]

Esta classificação pode variar de autor para autor, Kepler não foi o único que realizou este estudo, porém, por ter sido um astrólogo extremamente genial, eu considero esta como a mais aceita, devemos levar em consideração também, que ele foi mais fiel as ideias de Pitágoras.

Outra questão a ser levada em conta é o fato de que a afinação padrão atual (A=440hz) é diferente da utilizada nos tempos de Pitágoras e até mesmo de Kepler, antigamente era utilizada a afinação de A=432hz (que por sinal se chama afinação pitagórica), então sim, nem sempre a música feita pelo homem soou da mesma forma, mas esse é assunto para um outro dia…

Considerações Finais

A beleza do nosso universo não se limita somente em leis de física e equações, nem mesmo a luzes brilhantes no céu, planetas girando e estrelas queimando, há muito mais para se sentir no cosmo. O universo por sua totalidade canta uma ópera que nossos limitados ouvidos não podem ouvir, mas que agem sobre todos nós de uma forma misteriosa e silenciosa.

Procuramos na música feita pelo homem uma beleza que não se pode expressar por imagens ou toques, a música é a arte mais abstrata que existe, e talvez por esta razão, a que mais toca a alma das pessoas. Tentamos alcançar a perfeição feita pelo universo (ou criador, ou natureza, quem ou o que fez não importa) porque assim nos sentiremos mais reconfortados, nos sentiremos como uma parte mais expressiva desta imensidão.

Cada um de nós é, afinal, um amontoado de notas mudas tentando se encaixar na grande sinfonia cósmica.

[2] Em algumas fontes o intervalo de quinta justa é associado ao Sol, enquanto a Terra em si não possui um intervalo definido.

[3] Também é comum associar a Lua ao intervalo de oitava.

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#Espiritualidade #Astronomia #Arte #Música #Astrologia #Ciência

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-sete-conson%C3%A2ncias