Allan Kardec e o Preto Velho

Pouca gente sabe, mas numa das reuniões realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Allan Kardec evocou um Espírito que, segundo as terminologias da cultura brasileira, poderia ser classificado como um “preto velho”. Esse encontro, narrado pelo próprio Kardec nas páginas da sua histórica “Revista Espírita” (Revue Spirite), de junho de 1859, aconteceu na reunião do dia 25 de março de 1859.

Pai César – este o nome do Espírito comunicante – havia desencarnado em 8 de fevereiro também de 1859 com 138 anos de idade – segundo davam conta as notícias da época –, fato este que certamente chamou a atenção do Codificador, que logo se interessou em obter, da Espiritualidade, mais informações sobre o falecido, que havia encerrado a sua existência física perto de Covington, nos Estados Unidos.

Pai César havia nascido na África e tinha sido levado para a Louisiana quando tinha apenas 15 anos.

Antes de iniciar a sessão em que se faria presente Pai César, Allan Kardec indagou ao Espírito São Luís, que coordenava o trabalho, se haveria algum impedimento em evocar aquele companheiro recém-chegado ao Plano Espiritual. Ao que respondeu São Luís que não, prontificando-se, inclusive, a prestar auxílio no intercâmbio. E assim se fez. A comunicação, contudo, mal iniciada, já conclamou os participantes do grupo a muitas reflexões. Na sua mensagem, Pai César desabafou, expondo a todos as mágoas guardadas em seu coração, fruto dos sofrimentos por que passara na Terra em função do preconceito que naqueles dias graçava em ainda maior escala do que hoje. E tamanhas eram as feridas que trazia no peito que chegou a dizer a Kardec que não gostaria de voltar à Terra novamente como negro, estaria assim, no seu entendimento, fugindo da maldade, fruto da ignorância humana. Quando indagado também sobre sua idade, se tinha vivido mesmo 138 anos, Pai César disse não ter certeza, fato compreensível, como esclarece o Codificador, visto que os negros não possuíam naqueles tempos registro civil de nascimento, sobretudo os oriundos da África, pelo que só poderiam ter uma noção aproximada da sua idade real.

A comunicação de Pai César certamente ajudou Kardec, em muito, a reforçar as suas teses contra o preconceito, o mesmo preconceito que o levou a fazer, dois anos depois, nas páginas da mesma “Revista Espírita”, em outubro de 1861, a declaração a seguir, na qual deixou patente o papel que o Espiritismo teria no processo evolutivo da Humanidade, ajudando a pôr fim na escuridão que ainda subjuga mentes e corações: “O Espiritismo, restituindo ao espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais só o orgulho fundou as castas e os estúpidos preconceitos de cor.”

Não obstante, é claro verificar o preconceito que existia da sociedade européia de fato na época do fato narrado. Não me surpreende também, o epiritismo, doutrina derivada da sociedade européia vigente daqueles tempos, e codificada por Kardec, a priori, ter qualquer preconceito com relação a espíritos que diferissem dos moldes por eles preconizados pela era européia contemporânea. Ora, não deveria sequer se dar tamnha ênfase nessa comunicação deveras ordinária por Kardec, haja visto que a única diferença, tratava-se pela origem humilde e racial do espírito comunicante. Seria de mesmo modo, como se a Umbanda se maravilhasse quando um espírito de um nobre europeu fizesse comunicação em uma de suas sessões.

Publicado originalmente no boletim “Serviço Espírita de Informações” (www.boletimsei.org.br/?wpfb_dl=393), na edição 2090, do ano 2008.

#kardecismo #Umbanda

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Uma Sinfonia para a Divina Comédia

Dante

No entanto, Richard Wagner o alertara que descrever o Paraíso não era tarefa para simples mortais. Convencido disso, Liszt decidiu não compor esta última parte, produzindo apenas uma “visão longínqua do Paraíso” a que ele chamou de “Magnificat”, o último trecho da obra. É como se nós, após enfrentarmos a dolorosa jornada do monte purgatório, tivéssemos um pequeno vislumbre do coro angélico.

A “Sinfonia para a Divina Comédia de Dante”, popularmente conhecida como “Sinfonia Dante”, foi um trabalho inovador, com inúmeros avanços harmônicos e orquestrais: efeitos de vento, harmonia progressiva, experimentos em atonalidade, tonalidades e tempos incomuns, interlúdios de música de câmara, uso de formas musicais incomuns. Foi também, uma das primeiras sinfonias a fazer uso de tonalidade progressiva, começando e terminando em tonalidades radicalmente diferentes.

Inferno: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais!”

O movimento de abertura retrata Dante e Virgílio iniciando sua jornada através dos nove círculos infernais. Nos primeiros temas que se prosseguem, Liszt utiliza-se de uma afinação em Ré menor, tonalidade frequentemente utilizada por outros compositores em obras associadas à morte. O tema termina em Sol sustenido, formando então o famoso trítono, intervalo associado ao diabo e conhecido na Idade Média como Diabolus in Musica.

É interessante notar, que mais à frente, na medida em que música vai mudando seu andamento (accelerando poco a poco), um motivo derivado dos primeiros temas é introduzido pelas cordas (naipe normalmente associado ao elemento fogo). Este motivo, que é praticamente uma escala cromática descendente, retrata Dante e Virgílio em sua descida ao Inferno.

Vale a pena destacar também, o momento em que Dante e Virgílio adentram no segundo círculo do Inferno, o Vale dos Ventos. É perceptível o subir e o descer de escalas cromáticas executadas pelas cordas e flautas (fogo+ar), evocando então o Vento Negro Infernal, o furacão que não para nunca, atormentando eternamente os espíritos luxuriosos.

Purgatório

O segundo movimento, intitulado Purgatório, retrata a subida de Dante e Virgílio ao Monte Purgatório. Monte este que é composto por sete círculos ascendentes, cada um correspondente a um dos sete “pecados” capitais: Orgulho, Inveja, Ira, Acídia, Avareza, Gula e Luxúria. É reservado àqueles que estão em processo de libertação dos mesmos.

Na segunda seção deste movimento, notamos a indicação Lamentoso na partitura. Suas figurações agonizantes refletem a súplica e o sofrimento dos penitentes, o quão difícil é libertar-se completamente destes defeitos.

O Vislumbre do Paraíso

“Os tesouros, porém, do reino santo,
Que arrecadar-me pôde o entendimento,
Serão matéria agora de meu canto”

Uma melodia celeste, acompanhada pelo arpejo das harpas, é entoada pelo coral feminino. Há um forte desejo para que esta melodia se prolongue ou evolua, mas Liszt encerra sua sinfonia por aqui, com com uma tranquila cadência plagal em Si maior,  três repetições de uma única palavra, Hallelujah, nos deixando com aquela vontade secreta de adentrar o Paraíso, apenas para ouvir um pouco mais este magnífico coral angélico.

Magnificat anima mea Dominum,
Et exsultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Hosanna!
Hallelujah!

Link da Obra

Faça um passeio musical inesquecível  pelos círculos infernais, monte purgatório, mas não se anime, o paraíso só verás ao longe. Esta versão foi gravada em 1991 pela filarmônica de Berlim sob a batuta do maestro Daniel Barenboim. O usuário que postou esse vídeo teve o trabalho de fazer uma sincronização com as belas ilustrações de Gustave Doré, exatamente como Liszt gostaria que sua sinfonia fosse apresentada. Vale a pena pela música, pelas imagens e pela viagem. Assista >> AQUI

Franz Liszt

Fabio Almeida
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#Música #Ocultismo

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O Taoísmo – Igor Teo

Bate-Papo Mayhem #096 – gravado dia 29/10/2020 (Quinta) Marcelo Del Debbio bate papo com Igor Teo – O Taoísmo

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #Tao #taoísmo

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Luciferianismo – Frater Amoriel

Bate-Papo Mayhem 204 – 17/07/2021 (Sabado) Com Frater Amoriel – Luciferianismo Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #Luciferianismo #satanismo

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KaoGênesis: Manual de Magia do Caos

Magia+do+Caos

PDF, em EPUB ou adquira o exemplar impresso!

Com essa obra completa-se a trilogia, da qual também fazem parte o “Vias Ocultas” e o “Liber PPP”. Acompanhe os comentários do autor nessa postagem.

Tive a honra de escrever o prefácio de KaoGênesis. O livro me encheu de ideias, especialmente para testar novas práticas. Ao me deparar com pensamentos como esses me dou conta do quanto ainda tenho a aprender. Sempre fico entusiasmada ao descobrir conceitos tão criativos e sinto muito orgulho ao ver o trabalho dos caoístas brasileiros, com suas produções nacionais de encher os olhos.

Desejo-lhes uma maravilhosa leitura! Que lhes gere infindáveis inspirações!

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Resultados da Hospitalaria – Maio 2009

Ao todo, em Maio, foram 15 mapas e 10 sigilos.

– Os 7 sigilos/mapas que foram depositados em dinheiro foram destinados para a Cruz Vermelha, para o auxílio às vítimas das Enchentes. Não resisti e completei a doação com uma doação minha de 36,00, totalizando R$ 666,00 em doações.

Além disto, confira abaixo as Entidades auxiliadas este mês:

– Lar dos Desamparados

(rod. Marechal Rondon, km332 – Agudos)

– Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, em São José dos Campos

– Vila São Cotolengo (Goiânia)

– Educandário Lar do Caminho

Via de Acesso Professor Paulo Donato Castellani, s/n- Jaboticabal-SP

–Associação das Mães Solteiras da Vila Papirus da Cidade de Goiás – Estado de Goiás.

– Federação de Cultura Afro-Brasileira (FECAB)

– Hospitalaria da 5a regional GOSP
http://www.redecolmeia.com.br/mason/beneficencia.htm

Anunciamos que a campanha vai continuar enquanto tivermos gente disposta a ajudar, e quem quiser ainda pode ter o seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-maio-2009

O Caso de Ouro Preto – Vinte anos de Incompetência

Em outubro de 2001, a jovem Aline Silveira Soares saiu de Guarapari, no interior do Espírito Santo para a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Com apenas a roupa do corpo e alguns trocados no bolso, seu objetivo não era visitar as esculturas de Aleijadinho ou passear pela arquitetura colonial considerada pela UNESCO como um dos patrimônios da humanidade. Além de ser o mais belo monumento ao ciclo do ouro colonial, Ouro Preto também é uma cidade universitária, sede da Universidade Federal de Ouro Preto e coalhada de repúblicas estudantis, muitas delas com décadas de existência e tradições. Uma dessas tradições é a Festa Do Doze, que em todo 12 de outubro reúne alunos e ex-alunos da UFOP para beber e curtir nas repúblicas e ruas da cidade. Era para essa festa que Aline seguia, acompanhada apenas de uma amiga, Liliane, e sua prima Camila Dolabella.

8 anos depois, em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella entrou na sala do júri do Fórum de Ouro Preto para ser interrogada. Após ter amargado quase um ano na prisão, em 2005, e ter visto dois habeas corpus serem negados, Camila finalmente estava sendo julgada pela acusação de homicídio qualificado. A vítima seria sua prima Aline, que segundo a promotoria, teria sido assassinada por Camila, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, todos os moradores da república Sonata, onde as jovens se hospedaram para a Festa. A causa do crime seria um jogo de RPG, que Aline teria perdido, sendo punida com a morte… mais especificamente uma morte ritual, de acordo com preceitos satânicos.

O Caso de Ouro Preto está fadado a fazer parte dos anais do direito no Brasil. Não só pela violência do assassinato: Aline Silveira foi descoberta na manhã de 14 de outubro morta, nua, sobre um túmulo no cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo. A causa da morte seria engorjamento, uma facada fatal no pescoço. Mas o que se destaca é a completa incompetência, ignorância, má fé e os abusos perpetrados por aqueles que deveriam ser os fiadores da justiça no caso: o Ministério Público e a polícia de Ouro Preto.

Desde o começo a marca da investigação em Ouro Preto foi a combinação de inépcia e sensacionalismo. O caso caiu nas mãos do delegado Adauto Corrêa, na época sendo investigado por atentado violento ao pudor e coerção no curso de processo. Corrêa, este exemplar da probidade administrativa, não demorou para arranjar suspeitos para o crime. Logo arrolou como acusados em seu inquérito a prima de Aline e três jovens estudantes da república onde ela tinha ficado temporariamente hospedada. Em uma inovação do procedimento policial normal, o principal elemento incriminatório apontado pelo delegado não era a arma do crime, mas sim livros e postêres encontrados na república Sonata. Incluindo aí livros de RPG.

O RPG, ou role-playing game, foi inventado em 1974, nos Estados Unidos. Uma evolução dos então populares jogos de estratégia de tabuleiro, o RPG basicamente consiste de um grupo de jogadores que, trabalhando em conjunto e usando regras de jogo pré-definidas, tenta superar desafios propostos por um Mestre, responsável por narrar a história e organizar cada sessão de jogo. Com sua popularização, o jogo passou dar cada vez maior ênfase a interpretação, diminuindo o foco na estratégia e privilegiando o desenvolvimento de personagens. Uma das características principais do RPG é seu caráter cooperativo: os jogadores e o Mestre devem trabalhar em conjunto para criar uma boa história e garantir a diversão de todos. RPG não é competitivo, o que o tornou um jogo ideal para ser aplicado em processos educacionais em todo mundo. RPG também não é um jogo possível de se “perder” (uma vez que não há competição) e tampouco possui laços com satanismo.

Nenhum desses fatos importou para o delegado Adauto Corrêa. Desconhecendo os fundamentos do jogo de RPG, movido por intolerância cega e, talvez pressionado para apresentar resultados o mais rápido e espalhafotosamente possível (afinal de contas, até outro dia o principal réu nas páginas policiais era ele próprio) Corrêa decidiu que Camila, Edson, Cassiano e Maicon eram os responsáveis pelo crime. Corrêa estava suficientemente seguro de sua conclusão para poder se dar ao luxo de passar por cima e deixar de lado toda uma série de evidências, investigações e exames que seriam necessários para propriamente determinar o responsável pelo assassinato de Aline.

Corrêa, por exemplo, não levou em consideração o fato de que Aline mal tinha tido contato com Edson, Maicon e Cassiano. Apesar de estar hospedada na república deles, todos testemunhos concordavam que ela só dormia por ali, passando a maior parte do tempo pela cidade ou em festas em outra república, a Necrotério. Lá, testemunhas afirmaram que Aline passou tempo, isso sim, aos beijos com Fabrício Gomes, na época mal-afamado na cidade por um suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mais ainda, Fabrício Gomes e Aline Silveira teriam sido vistos em frente ao cemitério onde a jovem seria encontrada assassinada na manhã seguinte. Quando Camila Dolabella alertou o delegado Adauto Corrêa sobre o ocorrido, adicionando que Fabrício teria sido visto no dia seguinte à morte de Aline vestindo uma camiseta manchada de sangue, a resposta não foi promissora. Corrêa simplesmente anunciou que não queria saber de mais detalhes, pois ele já sabia quem eram os culpados.

Aline Silveira Soares foi localizada nua, com os braços abertos e pernas cruzadas, ao lado de roupas cuidadosamente arrumadas no chão, entre elas uma blusa coberta de esperma. O corpo tinha sido propositadamente arranjado dessa forma, fato evidenciado por uma trilha de sangue no local. Analíses toxicológicas revelavam traços de maconha no sangue da vítima. A investigação sob o comando de Adauto Corrêa não encontrou digitais dos suspeitos no local ou na arma do crime, econtrada próxima ao corpo. Também não comparou o esperma encontrado em Aline com o dos acusados. Na verdade isso seria impossível, uma vez que os policiais negligenciaram a coleta de material genético antes que ele fosse contaminado ou se deteriorasse. Tampouco foram localizadas drogas na posse dos acusados ou na república Sonata. Mas nada disso importava ao delegado Adauto Corrêa. Ele podia se dar ao luxo de desprezar evidências materiais e os testemunhos que contradiziam sua teoria. Afinal de contas, seu faro investigativo encontrava provas contra os quatro acusados em vários elementos considerados corriqueiros por um olhar não treinado. O fato de que Maicon Cassiano chegara a república Sonata naquela noite sem camisa, era evidência clara de que ele estaria fantasiado como um personagem de RPG. E, logo, era assassino. Embora não houvesse nada que indicasse que os acusados tinham passado pelo cemitério das mercês naquela noite, objetos tinham sido encontrados no local que poderiam ter servido num ritual. E se tinha havido ritual, os acusados tinham participado, afinal, para o delegado, eram todos obviamente satanistas. Outro elemento contundente contra os réus foi o fato de que eles terem limpado a república durante o curso investigação. Ignore-se que isso ocorreu quase uma semana após o crime, e que a polícia não tinha dado nenhuma instrução para que nada fosse alterado no local, apesar dos réus terem perguntado já nas primeiras horas do desaparecimento de Aline se deveriam preservar tudo intocado na república. Mas esse era justamente um exemplo do elemento mais incriminador de todos: o interesse dos jovens em desvendar o assassinato e ajudar a polícia só podia ser outra prova gritante de sua culpa. Como o delegado Adauto Corrêa sabia, criminosos sempre tentam agir como inocentes para despistar a polícia. Como o comportamento de Camila, Edson, Maicon e Cassiano denunciava a mais completa inocência, eles só poderiam ser culpados. Todos os quatro, apesar de que o laudo técnico deixava claro que as facadas em Aline tinham sido feitas por uma única pessoa.

A lógica tortuosa, irresponsável e perversa de Adauto Corrêa não avançou sem problemas. Após concluída a investigação, que indiciava os quatro jovens pelo assassinato, o caso chegou às mãos do promotor Edvaldo Pereira Júnior, que reconheceu prontamente a impossibilidade de dar seguimento aquele processo. Baseado em suposições, preconceitos e tentativas descabidas de fazer os fatos se conformarem à teoria (das mais mirabolantes), Pereira Júnior condicionou o seguimento do caso à realização de 17 diligências, que providenciassem alguma prova cabal, ou ao menos aceitável, sobre a culpa dos réus ou a identidade do assassino de Aline. Adauto Corrêa não realizou nenhuma dessas diligências, dando o caso por encerrado. Pereira Júnior tentou recorrer à Secretaria de Segurança Pública para afastar o delegado de seu cargo. Enquanto isso políticos oportunistas aproveitavam o caso para se promover, agitando a opinião pública e alimentando a indignação com boas doses de desinformação e mentiras. Um vereador chamado Bentinho Duarte passou uma lei proibindo o RPG em Ouro Preto. O promotor Fernando Martins iniciou processo contra as editoras Devir Livraria e Daemon tentando proibir a publicação de livros citados na investigação do caso. A mídia convencional se absteve de realizar qualquer trabalho jornalístico digno do nome e, seguindo a linha Fordiana de que se o factoide é melhor que o fato publica-se o factoide, deu ampla publicidade à teoria barroca de Corrêa, ao mesmo tempo que desprezava as hipóteses contraditórias. Apesar de se referirem aos réus como “suspeitos” ao invés de “assassinos”, o esforço de “imparcialidade” dos jornalões nunca atacou diretamente as óbvias irregularidades da investigação do caso nem contestou o caráter delirante da acusação. Enquanto isso, os quatro réus tentavam levar suas vidas, marcados pelo estigma de serem suspeitos de homicídio. Edson foi ameaçado de morte e trancou a faculdade. Maicon e Cassiano permanecerem em Ouro Preto, apesar da constante antagonização e assédio por parte de moradores da cidade. Camila retornou para Guarapari, onde passou a ser hostilizada pela família. Órfã de mãe, ela contou apenas com o apoio do pai durante todo o processo.

Em 2004, após três anos em que o caso esteve parado, ele saiu das mãos de Edvaldo Pereira Júnior e passou para a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca. Diferente de Pereira Júnior, que tinha se recusado a denunciar um processo tão eivado de inconsistências e sandices, Trócilo da Fonseca decidiu dar continuidade ao caso. Em 2005, Camila Dolabella e Edson Poloni foram presos. Quatro anos tinham se passado desde a morte de Aline, e nenhum dos acusados tinha apresentado qualquer atitude desabonadora até então. Edson saiu da cadeia após seis dias, sob efeito de uma liminar, mas Camila passou a maior parte daquele ano na detenção. Foi só quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça que a pena de prisão dos réus foi considerada descabida e lhes foi dado o direito de aguardarem o julgamento me liberdade, apesar das alegações do Ministério Público mineiro de que se tratavam de “contumazes jogadores de RPG, em todas suas modalidades“. Note que, até então, continuavam inexistentes qualquer evidência concreta de responsabilidade dos réus no assassinato de Aline Silveira. Eles estavam sendo presos e acusados por que tinham lido livros.

O caso permaneceu fora da mídia por alguns anos. Enquanto os réus tocavam a vida, a promotoria construía o caso e se preparava para o julgamento. Em 2006 a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca encontrou tempo para mandar apreender todas as edições de número 09 da revista Observatório Social, que denunciava na capa o uso de trabalho infantil nas mineradoras de Ouro Preto. A promotora se preocupava que as fotos expunham as pobres crianças, e afetavam negativamente a boa imagem da região… Mas, enfim. Em 2008 foi decidido que o caso de Aline Silveira seria levado à júri popular. Em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Gracia e Maicon Fernandes foram finalmente julgados pela acusação de homicídio qualificado. Na falta de prova contundente contra eles, a acusação optou por lançar novo ineditismo jurídico no direito brasileiro, ao sustentar que “o álibi dos réus era fraco”. Ou seja, não cabia à promotoria provar que eles tinham matado Aline Silveira. Eram os quatro estudantes que deveriam mostrar que não tinham cometido assassinato, ou serem presos. Contra eles pesavam diversas evidências “incriminadoras”: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies. Em 5 de julho de 2009, o júri os declarou inocentes.

Não se tratou aqui apenas da óbvia falta de qualquer prova contra eles. O decisão final dos sete jurados foi de que, efetivamente, os quatro réus “não concorreram, de qualquer forma, para prática do crime”. Os jovens que tinham passado quase uma década sendo coagidos, assediados, ameaçados, difamados e perseguidos não eram os assassinos de Aline Silveira Soares.

Teorias sobre o que realmente aconteceu não faltam, e já circulavam desde os primeiros dias do caso. A mais verossímel é de que Aline teria se envolvido com uma negociação de drogas, durante a Festa dos Doze, e, sem dinheiro, teria concordado em manter relações sexuais como pagamento. Não há indícios de violência sexual em seu corpo, o que demonstra a consensualidade do ato, comprovado pela perícia necrológica. Como a primeira facada em Aline foi em suas costas, tudo indica de que ela foi atraiçoada pelo seu parceiro de negócios. Este permanece solto e impune.

Os interesses escusos, a ignorância e o preconceito é que são os verdadeiros criminosos no caso de Ouro Preto. Foram eles que permitiram que por uma década quatro jovens inocentes fossem perseguidos injustamente, sendo até mesmo privados de liberdade e forçados a fazer inúmeros e pesados sacrifícios pessoais. Foram eles que deram ao verdadeiro assassino de Aline Silveira, um homem brutal e cruel, um passe livre para permanecer à solta. Em uma sanha cega e irresponsável de achar um culpado a justiça de Ouro Preto falhou miseravelmente, e duas vezes: não puniu o culpado e vitimou mais inocentes. Esse tipo de atitude, ignorando procedimentos básicos do processo legal, atropelando direitos civis e apelando para o ódio e a intolerância como elementos de incriminação, não é compatível com o Estado de Direito. Eu não contei essa história aqui hoje para inocentar Camila, Edson, Cassiano e Máicon. Coube ao tribunal do júri fazer isso. Mas para tomar a atitude digna e necessária de todo cidadão: exigir a imediata investigação e punição dos responsáveis pelo caso do assassinato de Aline Silveira Soares. Sua irresponsabilidade e malícia, sua truculência e abuso de poder não podem, nem devem ser perdoadas, nem as sérias acusações de acobertamento dos verdadeiros responsáveis devem ser relevadas. Isso não pode ser permitido.

Os inocentes estão, enfim, livres. É mais que hora de punir os culpados.

Por Felipe de Amorim

#RPG

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Einstein e a Música

“Se não fosse físico, acho que seria músico. Eu penso em termos de músicas. Vejo minha vida em termos de música.” (Einstein)

Einstein começou a estudar violino aos 6 anos de idade, aos 23, ele e seus amigos fundaram a Akademie Olympia, grupo que inicialmente tocava em cafés, cervejarias e recitais que aconteciam na cidade de Berna. Mais tarde, tornou-se um costume, após longos debates sobre Física, Matemática e Filosofia, Einstein tocar seu violino no terceto que formara com o físico alemão Max Karl Ernest Planck e com Erwin, filho caçula de Planck.

Sua mentalidade assemelhava-se a dos antigos magos, alquimistas e iogues. Não raramente se trancava no quarto e dava ordem a esposa para que não o chamasse para nada, recomendando apenas que colocasse uma bandeja de sanduíches diante de sua porta trancada. Assim passava dias inteiros, em total solidão, como um iogue em samadhi ou um alquimista em seu laboratório.

Nestes períodos, tocar violino o ajudava a entrar em contato com o seu Atman, Espírito Santo, Eu Superior, SAG, sintonizando-se, diria Spinoza, com a “Alma do Universo”, percorrendo as infinitas linhas da partitura cósmica a fim de compreender seus mistérios, ao final, a física tornaria-se mais uma ferramenta para decodificar suas viagens.

Einstein tinha pela música um amor profundo, que raiava o espiritual, talvez porque ela funcionava como um elo entre a concentração mental e a intuição cósmica. Matemática, Metafísica e Mística são, no fundo, a mesma coisa, mas parece que estes 3Ms necessitam do quarto M da Música.

“A música e a pesquisa em física originam-se de fontes diferentes, mas são intimamente relacionadas e ligadas por um fio comum, que é o desejo de exprimir o desconhecido. As reações divergem, mas os resultados são complementares.” (Einstein)

A paixão de Einstein pelo violino, o fez tocar em diversas situações. Quartetos de Mozart, quando visitou seu amigo Charlie Chaplin ; em visita ao casal real belga, o Rei Alberto I e a Rainha Elisabeth, Einstein passou a tarde tocando Mozart, tomando chá e tentando lhe explicar a relatividade. Aliás, a tentativa de explicar a relatividade com música já fora usada por Einstein, com o famoso violinista russo Toscha Seidel, quando este lhe deu alguns conselhos musicais.

Não media esforços para tocar em prol de uma boa causa, em 1934, apresentou o Concerto para dois violinos em ré menor de Bach, em apoio aos refugiados judeus, em 1941, em Princeton, foi a vez do Quarteto em sol maior de Mozart, no intuito de arrecadar fundos para crianças carentes.

Hans Byland recorda ter tocado as sonatas de Mozart com o jovem Einstein, então com 17 anos:

“Quando ele começou a tocar violino, a sala pareceu amplificar-se. Eu estava a ouvir o verdadeiro Mozart pela primeira vez em toda a beleza grega da limpidez das suas linhas, ora graciosas ora magnificamente poderosas. Que alma na forma como tocava! Eu não o reconhecia.”

Sua preferência pelas obras de Mozart é nítida, certa vez, confessou que só começou a compreender e a apreciar a música, depois de conhecer as sonatas de Mozart, conforme dizia: “a música de Mozart é tão pura que parece estar presente no universo desde sempre.”

Físico, filósofo, gênio, músico, humano, simples… dinheiro e valores materiais eram para ele coisas banais; vivas e vaias, sucessos ou fracassos, tudo isto era a mesma coisa. Para os teólogos, devia Einstein ser um ateu, porque não admitia um Deus pessoal, mas para nós espiritualistas, era ele um místico, um homem altamente espiritual, que nitidamente sentia a presença de um “poder supremo impessoal” que rege os destinos do Universo.

O blog Sinfonia Cósmica vai um pouco além da música e fala também de espiritualidade, filosofia, cosmologia, dentre outras divagações. Acompanhe nossas atualizações curtindo nossa página no Facebook ou nos seguindo via Twitter.

#Ciência #Einstein #Música

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LiF: Runologia | 001 – Hávamál – parte 1

Dado o pedido de várias pessoas, Cussa Mitre volta a compartilhar um pouco do conhecimento sobre as Runas, Mitologia e Cultura Nórdica!

E para começar, ele resolveu falar sobre o que é o Hávamál, o livro tão citado mas que ainda deixa muitas dúvidas na cabeça do iniciante. Quer entender mais sobre isso? Então acesse o vídeo e embarque nesse mar de novas descobertas!

Para você que se interessa por assuntos nórdicos, acesse: https://bit.ly/Runologia

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O Lupus in Fabula é o canal de conteúdo oficial da Hod Studio (https://www.hodstudio.com.br). Acesse o site para saber mais sobre nossos conteúdo, produtos e aplicativos.

#Hávamál #Nórdica #Runas

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Dia de Hathor

Dia 26 de Outubro é a data da Antiga celebração egípcia das sete divindades Kine, descritas como precursoras de Hathor, originárias das deusas assírias com cabeças de vaca. Essas deusas eram representadas ou com um disco solar entre os chifres ou com cabeça de vaca e corpo de mulher. Por terem criado o universo, elas detinham o poder de vida e de morte, determinando os destinos dos homens e protegendo, principalmente, as mulheres e as crianças.

Hathor possuía vários títulos, entre eles o de Vaca Celestial, Rainha do Céu e da Terra, Mãe da Luz e Guardiã dos Cemitérios. Hathor era a mãe do deus solar Ra, assim como de outras diversas divindades. Nas celebrações, suas estátuas eram expostas aos raios solares enquanto as pessoas, adornadas de flores, cantavam e dançavam o dia todo, celebrando os prazeres e as alegrias da vida.

Na Escandinávia, celebrava-se Nat, a noite, deusa da Lua, da noite, dos metais, das estrelas e dos planetas. Nat era representada atravessando o céu em sua carruagem feita de todos os metais e adornada com pedras preciosas. Ela conferia a inspiração e a criatividade e, quando invocada, removia as preocupações e a tristeza.

Comemoração da deusa irlandesa Macha, a tríplice manifestação da Grande Mãe como atleta, guerreira e rainha. Segundo alguns historiadores, Macha era uma faceta de Morrigan ou Badb, ambas deusas da guerra, cujos animais sagrados também eram os corvos. Macha regia os pilares nos quais eram empaladas as cabeças dos guerreiros mortos em combate, originando assim, o culto celta da cabeça.

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