Migração de Almas

O que leva um povo a ser o que ele é? Cultura, tradições? Por que certas gerações dão um salto qualitativo em um país e depois desaparecem ser deixar vestígios? O que é a Grécia de hoje senão um pálido reflexo do seu passado glorioso? E onde estão os ousados navegadores portugueses e espanhóis de outrora? Como uma nação medíocre (adequadamente representados na figura do seu presidente atual) atinge o nível de única potência mundial?

Em um capítulo do livro A caminho da Luz Emmanuel nos fala das transmigrações de povos, que seriam a mudança da coletividade de almas de um país para outro, obedecendo aos desígnios do Alto, para que se cumpram as obrigações kármicas coletivas e a evolução da humanidade como um todo.

Assim, vimos nos últimos séculos os antigos fenícios reencarnarem na Espanha e em Portugal, entregando-se de novo às suas predileções pelo mar. Em Paris estava a alma ateniense nas suas elevadas indagações filosóficas e científicas, abrindo caminhos claros ao direito dos homens e dos povos. Na Alemanha e na Rússia reencarnou o belicoso grupo espiritual de Esparta, cuja educação defeituosa e transviada construiu o espírito detestável do pangermanismo na Alemanha e o atraso do Socialismo na União Soviética.

Abro aqui um imenso parêntese para falar mais do fenômeno de guerra alemão. Não através do meu ponto de vista, mas do de alguém que esteve no comando da resistência inglesa contra o avanço germânico, alguém que não era nenhum santo (nem poderia sê-lo) e a quem todos os povos livres devem a sua liberdade:

Certamente não caberá a esta geração pronunciar o veredicto final sobre a Grande Guerra. O povo alemão merece explicações melhores do que a versão leviana de que ele estava solapado pela propaganda inimiga… No entanto, os registros humanos não contêm nenhuma manifestação igual à erupção do vulcão alemão

(Winston Churchill)

Em seu livro sobre a primeira guerra, Churchill analisa a beligerância alemã:

Durante quatro anos, a Alemanha combateu e desafiou os cinco continentes do mundo por terra, mar e ar. Os exércitos alemães sustentaram seus vacilantes confederados, intervieram com êxito em todos os teatros de guerra, resistiram em toda parte no território conquistado e infligiram aos inimigos mais do dobro do derramamento de sangue que sofreram. Para lhes dominar a força e a técnica e para lhes refrear a fúria, foi necessário levar todas as maiores nações da humanidade ao campo de batalha contra eles. Populações imensas, recursos ilimitados, sacrifício incomensurável, o bloqueio marítimo não conseguiram triunfar durante cinqüenta meses. Estados pequenos foram calcados no conflito; um poderoso Império foi demolido em fragmentos irreconhecíveis; e quase vinte milhões de homens pereceram ou derramaram seu sangue antes que a espada fosse arrancada daquela terrível mão.

Na Inglaterra ficou a nata dos antigos fundadores romanos, com a sua educação e a sua prudência, retomando de novo as rédeas perdidas do Império Romano, para beneficiar as almas que aguardaram, por tantos séculos, a sua proteção e o seu auxílio.

Isso foi em 1938, quando foi escrito o livro A caminho da Luz. Mas Emmanuel já profetizava uma mudança de forças, com o crescimento da importância das Américas no cenário mundial:

“Embora compelida a participar das lutas próximas, pelo determinismo das circunstâncias de sua vida política, a América está destinada a receber o cetro da civilização e da cultura, na orientação dos povos porvindouros. Condenada pelas sentenças irrevogáveis de seus erros sociais e políticos, a superioridade européia desaparecerá para sempre, como o Império Romano, entregando à América o fruto das suas experiências, com vistas à civilização do porvir. Vive-se agora, na Terra, um crepúsculo, ao qual sucederá profunda noite; e ao século XX compete a missão do desfecho desses acontecimentos espantosos.”

Ao menos esse foi o “plano” da espiritualidade. Os norte-americanos agarraram a oportunidade e se tornaram um Império. O Brasil (que deveria ser o celeiro do mundo e a pátria do evangelho) não. Talvez tenha sido melhor, afinal os EUA são hoje a representação decadente do Império Romano, mantendo consigo seus símbolos (capitólio, águia, etc) e seu espírito belicoso e puramente explorador, entrando novamente em combate com os “bárbaros”.

Mas como toda ação gera uma reação em sentido contrário, no mundo árabe vemos o surgimento dos grupos suicidas (coisa impensável para quem segue o Alcorão, que é claramente contra o suicídio). De onde esses jovens fanáticos vieram? Que grupo espiritual alimentaria um ódio recente pelos EUA a ponto de encarnar num país apenas pela oportunidade de vingança? Como em tudo na vida, discernimento é fundamental, e devemos levar em consideração todos os fatores políticos e sociológicos, mas, como estamos falando exclusivamente da parte espiritual, podemos perceber claramente traços do espírito guerreiro japonês da segunda guerra no modus operandi desses terroristas. Morrer para matar o inimigo (mesmo que não se cumpra nenhum grande objetivo, a não ser vingança) é morrer com honra, e em 1944, nos combates do Pacífico, os Norte-americanos viram tal pensamento se materializar como um pesadelo (seja na luta ferrenha pra defender uma ilha já cercada, seja nos aviões kamikaze, ou nas bombas-oka, torpedos-humanos, etc). O ataque final do filme O último samurai não é uma licença poética: está plenamente de acordo com o espírito japonês que persistia até há pouco (hoje em dia os japoneses são umas moças, em comparação com seus ancestrais).

#Espiritualidade

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Último dia para apoiar os Livros Essenciais da Cabalá

Hoje é o último dia do Financiamento Coletivo dos primeiros livros da Coleção dos Livros Essenciais da Cabalá Judaica.

– O Sepher Yetzirah (O Livro da Formação)
– O Sepher Ha-Zohar (o Livro do Esplendor) – Prólogo & Bereshet A
– O Livro da Reencarnação das Almas
– O Livro do Anjo Raziel

Apoie já!
Livros Essenciais da Cabalá

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A Montanha e a Caverna

A montanha, junto com a pedra (forma reduzida desta) e a árvore, com que se encontra associada, é um símbolo natural do “Eixo do Mundo”. Por ser na realidade uma elevação ou protuberância da terra, a estrutura imaginal do homem sagrado vê na montanha um símbolo da sua própria natureza, que aspira verticalmente para o superior ou celeste. Em geral todas as montanhas têm esse significado, mas existem algumas que, devido a certas correspondências espaciais relacionadas com a topografia sagrada estão “carregadas” de influxos espirituais. Estas são as denominadas “Montanhas Santas” ou “sagradas”, morada de entidades espirituais. Por isso, muitos templos e santuários (como é o caso, por exemplo, do Partenon grego) foram construídos nos cumes de determinadas montanhas, ou seja, ali onde a Terra parece tocar o Céu.

Assim a montanha, quanto a sua estrutura, é um arquétipo do templo, o que é especialmente visível nas pirâmides egípcias e pré-colombianas e nos zigurates babilônicos. Relacionado com isto, é significativo o fato de que Dante, na Divina Comédia, situe ao Paraíso Terrenal, ou Jardim do Éden (do qual todo templo é uma imagem simbólica), no cume de uma montanha, que é a “Montanha Polar”, “Celeste” ou “Mítica”, comum a muitos povos tradicionais, como é o caso do monte Meru entre os hindus, o Alborj entre os antigos persas, o Sinai e Moriah entre os hebreus, a montanha Qaf entre os árabes, ou o morro Urulu (ou ¨Ayers Rock¨) entre os aborígines australianos, etc. A vinculação da montanha com o Paraíso nos sugere seu caráter primordial, pois este, ou seu equivalente em qualquer tradição, é considerado como o começo ou origem mítica da humanidade (a “Idade de Ouro”), quando todos os homens sem exceção participavam do Conhecimento e da Verdade. O Paraíso era também a residência da Grande Tradição Universal, conservadora da doutrina e da sabedoria perene, e toda montanha sagrada, como o Éden, é o símbolo do Centro do Mundo. Mas a partir de certa época, e devido às condições cíclicas adversas, o Conhecimento deixou de pertencer à totalidade dos homens, ficando em posse tão só de umas minorias que, para o salvaguardar e o manter através dos tempos, criaram as culturas tradicionais, conformadas pelos ritos e símbolos sagrados. O Conhecimento se repregou no interior de si mesmo, no coração da montanha, ou seja, na caverna, um lugar que por sua situação está oculto e protegido.

Por tal motivo o mundo “supra-terrestre” gerou, em certo modo, o “mundo subterrâneo”. Fez-se invisível. Ocultou-se, mas não desapareceu. A vacuidade escura da caverna substituiu à luminosidade da cúspide da montanha. A Verdade, que nos primeiros tempos era espalhada aos quatro ventos e estava na boca de todos, converteu-se num segredo só percebido no mais interno. A caverna (como o ovo) é também um símbolo do Cosmo, um “Centro do Mundo” igualmente à montanha. Porém, assim como nesta [a Verdade] se manifesta em todo seu desenvolvimento e amplitude, à vista de todos, na caverna, o Centro se mantém invisível, virtual e potencial. O templo é igualmente uma caverna, ainda que esta se encontra mais bem representada pela cripta, situada em muitas catedrais debaixo do Altar, ou seja, sobre o mesmo eixo perpendicular que parte da “chave de abóbada”, ou seja, da sumidade. Na caverna sagrada se produzem as hierofanias e se celebram os mistérios da Iniciação, o mesmo que as “revelações” e “aparições” da divindade. Lembremos que Jesus Cristo nasce num estábulo, equivalente da caverna. Por outro lado, o mesmo esquema simbólico tradicional para representar a caverna é idêntico ao do coração e ao da copa, ou seja, um triângulo eqüilátero com o vértice para baixo, dando a imagem de um recipiente que recolhe os eflúvios espirituais. O símbolo geométrico da montanha é por sua vez um triângulo, mas com o vértice para cima.

Existe aqui uma aplicação deste símbolo, que completa o que se disse até agora, e é que como a caverna está no interior da montanha, podemos ver que a reunião de ambos conforma o símbolo já conhecido do “Selo de Salomão” ou “Estrela de David”. Este é, como já sabemos, o símbolo da analogia, que faz que o de baixo seja complementar com o de cima e vice-versa. Portanto o triângulo invertido é um reflexo do outro, exatamente igual que o microcosmo é um reflexo do macrocosmo, ou que a realidade relativa do manifestado é um reflexo da Realidade Absoluta do imanifestado.

#hermetismo

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Tons, Modos, Planetas e Musas

Sentado ao trono temos Apolo, líder das musas, deus dos oráculos da poesia e das artes, representava a harmonia, a beleza e o equilíbrio. A serpente, que divide a imagem simboliza a sabedoria, é também uma alusão à Pythia, serpente dominada por Apolo. É tricéfala porque representa a memória, o tempo e a imaginação, como a mente do músico. Pode ser também uma representação das três Hespérides, guardiãs das fronteiras entre o dia e a noite, e das fronteiras entre os mundos.

No lado esquerdo da imagem observamos as nove musas, deusas inspiradoras da música, poesia, literatura e outras ciências. No sistema musical dos gregos não havia algo que hoje chamamos de notas, haviam funções. Isso mesmo, as notas eram conhecidas por suas funções e não pelos nomes usuais cuja invenção remonta ao século XI. Logo, cada uma destas funções era atribuída a uma determinada musa.

Na esfera correspondente a Terra e ao lado de Apolo temos Thalia, musa da comédia. Debaixo pra cima temos Clio a musa da história e das Epopéias, está associada à função Mene Proslambano, que por sua vez está associada ao elemento Terra e a corda mais grave dos seus instrumentos.

(Musas dançam com Apolo, por Baldassare Peruzzi)

E assim prossegue com Calíope (poesia épica), Terpsicore (dança, poesia lírica e flautas), Melpomene (tragédias e elesias), Eratho (a poesia erótica e lírica), Euterpe, musa da música, representada com uma flauta, Polihymnia, musa dos hinos sagrados e das meditações, e por fim Urania, musa da astronomia.

Do lado direito temos uma relação de modos musicais associados aos sete planetas. Estes “modos”, de que temos uma vaga ideia através do canto gregoriano, tinham um valor completamente diferente e também características que hoje são ignoradas. Em nossos dias, é quase impossível ter uma noção correta das concepções musicais desenvolvidas antes do estabelecimento definitivo do “cristianismo constantino”.

Os modos atuais são estruturados a partir da escala temperada ocidental, mas antigamente eram as únicas possibilidades para a execução de determinados sons. Na antiguidade, um modo ou uma harmonia era (ao contrário dos nossos modos modernos, simples escalas de notas) um conjunto complexo de características comparável aos utilizados pelos músicos árabes.

Havia informações quanto aos intervalos, fórmulas rítmicas, melodias típicas, tessitura, timbre de voz e instrumentos definidos para cada situação. O conjunto estava ligado a uma ideia social, religiosa, moral ou outra, determinada e, por conseguinte, simbólica. Assim, os modos, bem definidos, eram aplicáveis de acordo com a situação em que a música seria executada, se a música remetia ao culto de um determinado deus deveria ser em determinado modo, e assim para cada evento que envolvesse música.

Os modos gregos levavam os nomes das regiões de onde se supunha serem originários. O sistema dórico ou dorius por exemplo, é originário da Dórida, desenvolvido por Tarimas, músico cego que acrescentou uma quarta corda à lira, é um modo grave. E neste sistema musical esta relacionado com o Sol (Tiferet).

O modo Phrygius é atribuído Mársias, o flautista vencido por Apolo, caracterizava uma música guerreira, obviamente associado a Marte (Geburah). O modo Lydius é atribído a Anfião, o tocador de cítara, era reservado às lamentações e aos cantos fúnebres (Chesed). Mixolydius, próximo do lídio, seria devido à invenção da poetisa Safo; tanto podia apaziguar como excitar as paixões. O modo hipermixolídio, simbolizado a justo título pelas estrelas e pelo firmamento, correspondia à oitava corda acrescentada à lira.

Historicamente, os modos eram usados especialmente na música litúrgica da Idade Média, sendo que poderíamos também classificá-los como modos “litúrgicos” ou “eclesiásticos”. Existem historiadores que preferem ainda nomeá-los como “modos gregorianos”, por terem sido organizados, também, pelo papa Gregório I, quando este se preocupou em organizar a música na liturgia de sua época. No final da Idade Média a maioria dos músicos foi dando notória preferência aos modos jónio e eólio que posteriormente ficaram populares como Escala maior e Escala menor.

Vale lembrar, que estes sistemas não eram os mesmos que os hindus entendiam como sendo ragas, nem o que hoje entendemos como modos, pois no lugar de uma série de sete notas contidas em uma oitava, eles continham até dezesseis no intervalo de uma oitava dupla. E a confusão causada pela maneira negligente que os escritores os apresentaram são tão intensas que nos é impossível, hoje em dia, definir, até mesmo para os três sistemas principais, se a tônica do Lídio era Mi ou Dó e se a tônica do Dório era Dó ou Mi.

Com o temperamento da escala e a estipulação de uma afinação padrão, os modos perderam gradativamente a sua importância, visto que a escala cromática englobava a todos e harmonicamente foi possível classificá-los dentro dos conceitos “maior e menor”. Entretanto, o pouco que sabemos sobre os modos serve apenas para facilitar a compreensão do campo harmônico e sua caracterização, mas perdeu-se totalmente o significado das suas funções individuais.

Referências:

Enciclopédia de Mitologia, Marcelo Del Debbio.

Música e Simbolismo, Roger J.V. Cotte.

The Harmony of the Spheres, Joscelyn Godwin.

#Astrologia #Magia #Mitologia #Música

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A Sombra e a Luz

A alternância entre a Sombra e a Luz sem dúvida tem fascinado o homem desde a aurora da humanidade, primeiro na natureza terrestre, depois em sua própria natureza.

Na busca da sua verdadeira identidade nesta terra do exílio, o homem hoje se reconhece sombra por sua densidade corporal e se reconhece a luz “porque é aquele que traz em si o que é maior do que ele”.

Este é o ensinamento do Martinista. Mas quantos seres percebem a centelha luminosa que brilha em seu interior? O homem deve necessariamente tomar consciência da essênsia divina em si, se quiser descobrir Deus.

Quer se aperceba disso ou não, o homem é uma chave da Natureza divina e do Universo. Embora Deus se manifeste em suas obras, o homem não pode conhecê-lo perfeitamente em si mesmo, a não ser pela contemplação. Conseqüentemente, o homem tem como futuro tornar-se luz e, como meio, a sabedoria que é a visibilidade de Deus. Essa sabedoria “preside a todos os nascimentos espirituais”, como escreveu Jacob Boehme. Se ele está destinado a se tornar luz é porque seu estado, ou melhor, seus limites o compelem a se elevar para o seu estado primeiro. No mundo manifesto, o homem é limitado por suas próprias esperanças e seus próprios desesperos. Ele não é luz nem trevas, mas uma sombra que tende a se desfazer na medida em que ele se abre para a espiritualidade.

Diz o místico que uma “claridade não luminosa não é percebida”. Os iniciados são atraídos pelos mistérios, ou seja, pela Luz da Verdade, as outras pessoas são atraídas pelas imagens e parábolas, ou seja, pela sombra da Verdade. Essa sombra afeta os pensamentos e os sentimentos, no sentido de que ela é a oposição das virtudes divinas. Por exemplo, a sombra da alegria é a tristeza congelando a vida, como a máscara congela a expressão. Os maus pensamentos são, de algum modo, pensamentos de sombra, onde as virtudes não conseguem se expressar.

O “homem da torrente” é essa claridade não luminosa, porque leva a vida nutrindo-se de pensamentos em grande parte centralizados em sua própria pessoa. Ele tem uma visão incorreta da situação presente e do destino humano, utilizando sua energia e talentos para a finalidade de alimentar sua inquietude. O homem da torrente possui autoridade material, mas não tem a autoridade espiritual, que é o fato de sentir e ouvir a verdadeira Palavra em seu ser. A Palavra divina equilibra a luz e as trevas no corpo do homem, sem o que este seria envenenado pela angústia e aniquilado pelo sofrimento.

A cegueira interior conduz forçosamente às trevas. A vida sempre perde o viço quando não se apoia nos fundamentos divinos. O homem vivencia um inferno passivo quando seus pensamentos não são mais purificados na fonte interior, ou um inferno ativo quando suas paixões o impelem a ações demoníacas.

É importante não confundir o que está oculto com o que está na sombra. A sombra pode ser definida como uma solidão. Somos sós porque nos separamos de Deus. Por extensão, quando nos separemos dos outros homens, freqüentemente é para nos descobrirmos, ou seja, para descobrirmos Deus. A respeito dos mistérios, nosso Venerado Mestre Louis Claude de Saint-Martin dizia que “a origem oculta das coisas é um testemunho de sua eterna e invisível fonte”. Assim, os mistérios são uma chave que aproxima o homem de Deus, enquanto que a sombra é um meio importante para encontrar essa chave. Aliás, tudo que compõe a Criação possui uma sombra, pois “cada coisa deve fazer sua própria revelação”.

Como habitante do mundo, o homem deve sua salvação à misericórdia divina. Estando colocado entre a Divindade e a obscuridade, sua tarefa é espalhar a Verdade para que sejam dissolvidas as sombras que se misturam à Luz. Ele está encarregado de ser um auxiliar de Deus no plano terrestre, para pacificar e aperfeiçoar, ali onde o Divino age através do homem. Consciente, o ser humano tanto tem condições de manifestar grandeza pelo desenvolvimento de suas faculdades nos mais diversos campos, como obscurecer-se na ignorância e na ruína, que são o caminho dos vícios mais odiosos que conduzem às trevas. A inocência infantil irradia todos os elementos benfazejos para a construção de uma vida espiritual, mental e física harmoniosas. Mas esses elementos do bem são com muita freqüência aniquilados por um livre arbítrio e uma vontade que se encontram fechados às leis eternas.

Atravessar caminhos é um estado mental para os homens que ignoram que sua alma é um pensamento de Deus e que, portanto, o destino humano só pode ser espiritual. Em outras palavras, existe um caminho traçado para todos aqueles que sentem o chamado da Verdade, embora não estejam livres de passos em falso e pensamentos negativos. Esses não se desgarram porque se mantêm na estrada real, e só se atrasam devido aos seus erros quando, por exemplo, geram suas angústias e as vivenciam.

No interior do homem, a misericórdia divina se expressa na força que lhe é concedida para poder resistir as fraquezas e às coisas fáceis. Em outras palavras, a Fé o afasta da tentação e suas conseqüencias. Assim como o sangue dissolve e assimila os alimentos, evitando uma intoxicação, assim também essa força, que age sem cessar, decompõe e transforma os pensamentos mais viciosos. Sua eficácia é tanto maior quanto mais prisioneiros do Ego sejam os pensamentos. Essa marca divina, esse princípio universal, é uma fonte da vida eterna que une Deus e o homem numa aliança sagrada ou, como escreve nosso venerado Mestre Louis Claude de Sant-Martin: “Deus e o homem podem se conhecer na luz”. Essa aliança existe em todos os homens, seja qual for seu nível de consciência. E por isso que as sombras turvam o pensamento, mas não podem cristalizá-lo numa forma tenebrosa. É fácil observar sua dissipação e até mesmo seu desaparecimento quando preces e meditações são expressadas em locais tornados sagrados pelo verdadeiro Desejo. O espargimento do sopro divino é então favorecido e banha nossos pensamentos. Estes respiram a pureza ao se eriquecerem com as virtudes mantidas secretas pela mente. Os raios de luz ficam então quase que deslumbrar a consciência.

O verdadeiro Desejo se reveste de uma importância particular para o Martinista. Ele é, na verdade, a passagem obrigatória do cavaleiro para sua reintegração. A luz que não pode ser compreendida, a não ser pela revelação, está no final do caminho. A sombra se revela então sob uma nova forma. Ela não aparece mais como barreira desprezível, e sim como um meio de compreender os homens, e melhor entender suas dúvidas e infelicidade. A angústia talvez não seja mais do que a “oposição entre o desejo tenebroso e o desejo luminoso” enquanto a natureza divina não tiver sido compreendida como uma entidade viva no homem.

A consciência humana é como uma árvore que cresce simultaneamente por obra de suas raizes subterrâneas e também por obra das folhas que absorvem a luz, uma fazendo sombra às outras; o conjunto, entretanto, desenvolve a harmonia.

Analogamente, a adversidade e a riqueza dos pensamentos e experiências constituem o cadinho de evolução da humanidade. Entre sua própria consciência e a dos outros, surgem no homem menos zonas de sombra do que entre seu corpo físico e de outrem, embora estejamos todos infundidos com a Verdade divina. Na consciência, a sombra e a luz parecem não se excluir. Pelo contrário, parecem se misturar para preparar a expanção de um sentimento misterioso: o Sagrado.

O Sagrado está em estado latente em todo o ser humano. Tomas consciência e também fazer tomar consciência é ser esclarecido pelos valores morais universais que não podem nem devem ser ignorados. É, acima de tudo, o meio de aproximar os homens, para que estes se aproximem de Deus. Dedicar-se às consciências, este é o dever exterior do Martinista, desde que ee saiba que seu dever interior é orar.

Quando a luz e sombra se defrontam em seu interior, o homem vive momentos dramáticos, pois existe a incomunicabilidade com Deus, ou seja, a perda total da língua original que o liga a Ele. Os pontos de referência humanos são a ilusão, a idolatria e as iniqüidades. Mas, se pode acontecer do homem não ser capaz de se comunicar com o Divino, o mesmo acontece com o Divino em relação ao Homem. Constantemente um raio de sabedoria penetra na sombra que está no ser, infundindo seus pensamentos e ações. Esse raio luminoso é sentido pelo homem da torrente através de sua densidade corporal e mental. É no seu exterior, entretanto, que ele procura uma correspondência que o ajude a compreender. Neste situação é que acontece de um homem da torrente prestar atenção a um Martinista. Essa ressonância existe porque o Desejo se instala ou se expande no coração do místico.

Em busca da sabedoria, o Martinista tem condições de captar a oposição construtiva entre luz e sombra pela contemplação de sua própria dualidade. O desejo de conhecer Deus torna-se o desejo de servir a Deus, na medida em que ele descobre o Ser Supremo e Seu amor pelo homem. Desse forma, fica predisposto a compreender os homens mais desfavorecidos.

O fardo do Martinista é difícil de carregar, mas seu ardor recebe o auxílio da Mão Divina, unindo sem cessar a vontade humana ao Desejo profundo. Esse Desejo faz do verdadeiro servidor de Deus um gerador de energia, cuja missão é espargir luz para melhor dissolver a angústia e a dúvida que o cercam, transmutando em outros a energia obscura em energia luminosa.

Toda a obra do Martinista se encontra na maneira de administrar os assuntos de Deus e não legislar em Seu lugar, pois em conseqüência disto o homem paga hoje um pesado tributo. Por isso, ele não deve se preocupar com seu progresso na senda divina, nem limitar-se na ação ao seu nível de consciência, pois a luz se harmoniza com seu ser. A única necessidade assume a forma do Desejo de serviço, ao longo de toda sua evolução.

O estudante Martinista desenvolve suas virtudes na sombra, ou seja, sobre uma base da mesma natureza que a dele, pois seus pensamentos ainda estão alterados pelas nuvens da ignorância, a despeito de uma vontade serena e uma esperança viva. Sua alma deve ser reanimada pela iniciação e forjada pela experiência.

O homem de desejo a luz velada. Ele sai da sombra e vive na claridade, tendo descoberto o fogo da virtude que o harmoniza e lhe confere a missão de mostrar Deus no coração dos outros homens.

O novo homem é o pensamento de Deus. Ele está na luz. O reino de seu amor e de sua ação ali se encontra doravante, tendo ele cessado de acreditar na barreira imaginária da consciência dos homens. Suas convicções mentais deram lugar a revelação e Deus se expressa através de suas palavras.

Assim, ao tornar-se um “obreiro” de Deus, o Martinista prepara a reintegração de seus semelhantes e participa da elevação de outras criaturas viventes. Sua menssagem não é simplismente fazer sentir que a luz está no homem? Jacob Boehme disse que a luz é “o símbolo da expansão de um ser por sua elevação, enquanto que a obscuridade simboliza o estado depressivo da ansiedade e de seu rebaixamento”.

Se toda luz pressupõe uma sombra, não há qualquer dúvida de que é a sombra que deve servir à luz e não o inverso. O homem não poderá se desgarrar se seguir com o olhar interior o raio que une sua sombra com a claridade, o qual ele é suscetível de ver em seus momentos de meditação e elevação espiritual. Em harmonia consigo mesmo, ele não pode recusar a Palavra luminosa. Ele tem tudo para reconhecê-la, não como um possível substituto para os seus sentidos, mas como um princípio de sua natureza. A visão ensombrada, velada, dos sentidos não é o intervalo entre a cegueira das Trevas e o olhar luminoso para o Absoluto? Neste sentido, lembremo-nos sempre das palavras de São João: “A luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a compreenderam”.

Texto da revista “O Pentáculo da Ordem Tradicional Martinista, ano IV nº IV, achado no blog do Mathayus

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-sombra-e-a-luz

Magia do Caos, Servidores e ABRALAS – Com Rodrigo Vignoli

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/CPmB-qmR7d4

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral duas vezes por semana, às segundas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados uma vez por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/magia-do-caos-servidores-e-abralas-com-rodrigo-vignoli

Arcano 10 – Roda da Fortuna – Koph

Sobre o aro de uma roda de seis raios, suspensa no ar por um apetrecho de madeira, seguram-se três animais estranhos.

O fundo é branco; o chão está cortado por listas negras. A roda se apóia sobre dois pés ou suportes paralelos; o da esquerda não chega ao eixo.

Do centro da roda saem seis raios – azuis até menos da metade e em seguida brancos – que se fixam na parte interna do aro: dois deles formam ângulo reto com o chão; os outros quatro representam um xis (ou o dez romano, número da carta, ou ainda uma cruz de Santo André).

À direita, um animal intermediário entre cachorro e lebre (com patas traseiras que não combinam com esses animais) parece subir pela roda; à esquerda, uma espécie de macaco desce de cabeça para baixo. Na parte superior, uma plataforma suporta uma figura que pode ser vista como uma esfinge coroada; três das suas patas repousam sobre a base, enquanto a pata anterior esquerda empunha uma espada desembainhada.

Significados simbólicos

Os ciclos sucessivos na natureza e na vida humana. A manifestação, o movimento de ascensão e de declínio.

Influências lunares e mercurianas.

Interpretações usuais na cartomancia

Boa sorte, louvor, honra.

Alternativas da sorte. Instabilidade.

Esperteza, presença de espírito que não deixa escapar as boas oportunidades. Iniciativa feliz, adivinhação de ordem prática, sorte. Êxito casual, como o ganho na loteria. Espontaneidade, disposição inventiva. Animação, brio, bom humor.

Mental: Lógica, regularidade. Juízo equilibrado e sadio.

Emocional: Traz animação e reforça os sentimentos.

Físico: Os acontecimentos não serão estáveis, porque necessitam de uma mudança, uma evolução. Esta mudança tende a ser para melhor, no sentido do desenvolvimento.

Segurança na dúvida. Do ponto de vista da saúde: não haverá problemas circulatórios. Bons augúrios para um futuro casamento.

Sentido negativo: A transformação se fará com dificuldade, mas poderá ocorrer quando fizer falta. É preciso modificar desde o princípio, partir de outras bases. Descuido.

Especulação, jogo, abandono ao azar.

Insegurança. Imprevisão, caráter boêmio, pouca seriedade.

Situação instável: ganhos e perdas. Aventuras, riscos. Diminuição da sorte.

História e iconografia
Uma das alegorias mais antigas e populares, a imagem que reproduz o Arcano X causa uma impressão estranha ao observador contemporâneo. Isto se deve ao fato de que nos últimos séculos a iconografia do tema tornou-se puramente verbal: qualquer um entende o conceito de “roda do destino”, mas dificilmente se faz dela uma representação visual. Desde a antigüidade clássica, contudo, até o Renascimento, foi justamente o contrário que aconteceu. Em vários textos romanos descreve-se o Destino como uma mulher cega, louca e insensível, que atravessa a multidão caminhando sobre uma pedra redonda (para simbolizar a sua instabilidade); a roda aparece com freqüência nos sarcófagos, como evidente alusão ao caráter cíclico da vida.

Até o final do primeiro milênio não se encontram outros exemplos valiosos sobre o tema, mas depois de uns séculos ele ressurge com maior esplendor que nunca. É já na sua plenitude iconográfica que o reencontramos a partir de meados do século XIII em rosetas de várias catedrais góticas (Amiens, Trento, Lausanne) e de numerosas igrejas: pequenas figuras, representando os momentos e estados da vida, que sobem e descem pelos raios de uma roda.

Um exemplo muito antigo pode ser visto no Hortus deliciarum, de Herrade de Landsberg, abadessa do claustro de Santa Odília (Estrasburgo), morta em 1195.

Nesta imagem completa, como em muitas posteriores, quatro personagens, que aparecem representados como reis, são movidos pela roda que é manejada pelo Destino ou Fortuna em pessoa.

As legendas que acompanham os personagens não deixam dúvida sobre o significado da alegoria: Spes, regnabo (esperança, reinarei), diz o rei ascendente da esquerda; Gaudium, regno! (Alegria, reino!), exclama o que se encontra sobre a plataforma superior; Timor, regnavi… (Temor, reinava…) murmura o da direita, que desce de cabeça para baixo; enquanto que o quarto, que foi atirado da roda e jaz na terra, aceita a evidência da sua condição: Dolor, sum sine regno (Dor, estou sem reino).

É evidente que, numa leitura alegórica, os quatro personagens não passam de um, submetido às variações do destino.

O simbolismo deste personagem quatro-em-um refere-se também às fases da lua e às idades do homem (infância, juventude, maturidade, velhice).

A substituição dos reis por animais ou monstros é um pouco mais tardia (século XIV, ou final do XIII), mas a idéia que este arcano simboliza é certamente mais antiga que a civilização ocidental.

No livro de Ezequiel, diz Wirth, encontra-se a explicação transparente do Arcano X. No plano simbólico, segundo esse autor, muitos dados podem ser extraídos do simbolismo geral da roda. “Refere-se em última instância à decomposição da ordem do mundo em duas estruturas essenciais e distintas: o movimento rotatório e a imobilidade; a circunferência da roda e seu centro, imagem do ‘motor imóvel’ aristotélico”.

O aspecto solar e zodiacal do simbolismo da roda a relaciona sem dúvida com o conceito dos ciclos (o dia, as estações, a vida do homem), ou seja, daquele que nasce para morrer, mas que também morre para ressuscitar.

Guénon afirma que a roda é símbolo de origem céltica e assinala seu evidente parentesco com as flores emblemáticas (rosa no Ocidente, lótus no Oriente), com as rosetas das catedrais góticas e, em geral, com as figuras mandálicas. No taoísmo aparece como metáfora do processo ascendente-descendente (evolução e involução, progresso espiritual e regressão).

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-10-roda-da-fortuna-koph

Podcast Mayhem – 01 – O que é Kabbalah?

Está no ar o episódio #01 do Podcast do Projeto Mayhem !!!

Neste Podcast, Rodrigo Grola, Marcelo Del Debbio, Fratet Qos e Soror Tiamat debatem sobre o que é Kabbalah, para que estudar Hermetismo, quais as diferenças entre a Kabbalah Hermética e a Cabala Judaica, métodos para estudar magia e outros assuntos levantados pelos membros do Projeto Mayhem!

Podcast do Projeto Mayhem

Ajudem a divulgar e, se puderem, sejam nossos padrinhos para participar do Projeto Mayhem que, além da orientação em ritualística (rituais jupiterianos semanais, Rituais de Solstícios e Equinócios, Sefirat ha Omer), revista Hermetismo trimestral e grupos fechados de debate e plantão de dúvidas no Facebook e Telegram, possamos chegar agora a um episódio a cada quinze dias (a próxima meta!).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/podcast-mayhem-01-o-que-%C3%A9-kabbalah

Linhas de Ley

Antes de explicar sobre a construção e disposição dos círculos propriamente ditos, vamos começar sobre as chamadas “Linhas de Ley”. Apesar de conhecidas pelos chineses e hindus por milênios, o primeiro ocidental a estudar e teorizar as linhas energéticas que passam pela superfície do planeta foi o matemático Pitágoras, aproximadamente em 500 AC, mas estas linhas só foram mesmo popularizadas em 1921, por Alfred Watkins.

As linhas de Ley, como vocês perceberão, é uma teoria que explica muito bem a imensa quantidade de eventos “inexplicáveis” ao redor do mundo, incluindo o Triângulo das Bermudas, Pirâmides, Áreas mortas, aparições de OVNIs e outras regiões de fenômenos magnéticos estranhos.

A mais antiga evidência a respeito de pesquisadores das linhas de Ley encontra-se no Ashmolean Museum of Oxford, que tive o prazer de visitar pessoalmente em 1989. Nele estão expostas um conjunto de 5 pedras mais ou menos do tamanho de um punho, esculpidas em 1400 AC, que representam precisamente os sólidos de Platão descritos no Timeus (que só seriam estudados oficialmente mil anos depois, na Grécia segundo as otoridades). Apesar destas estruturas serem extremamente delicadas e precisas, oficialmente, estas pedras são consideradas “projéteis de algum tipo não definido de boleadeira”.

No Brittish Museum também estão em exposição esferas de metal (de ouro e bronze) vietnamitas com respectivamente 20 e 12 pontos, que se encaixam e rolam umas sobre as outras, marcando uma combinação de 62 pontos e 15 círculos. Estas esferas possuem cerca de 2.500 anos de idade. Apesar destas esferas servirem como objeto de estudo dos sólidos de Platão e da combinação de pontos dentro de uma superfície esférica, oficialmente elas são “objetos de uso religioso não especificado”.

Combinando os dois principais sólidos de Platão, temos uma grade composta de 120 triângulos como a figura ao lado. Esta esfera metálica vazada foi encontrada por arqueólogos em ruínas na cidade de Knossos (durante a Idade Média, diversas imagens como esta apareciam em textos de alquimia e ela era chamada de “Esfera Celestial” por eles). Sua função era ser deixada ao sol para estudos da projeção das sombras sobre a esfera central. Com isto, os gregos (e egípcios e posteriormente os pitagóricos, alquimistas e templários) conseguiram medidas precisas de distâncias no planeta, que só foram igualadas em precisão neste século, com os mapeamentos por satélite. Oficialmente, este é uma “esfera ornamental, de função desconhecida”.

Mas vamos direto para as Linhas de Ley. Como todos nós sabemos, os sólidos de Platão são 5 (tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro). Pense nos dados de RPG. Porque apenas cinco? A resposta está nos cinco elementos do pentagrama usado na magia. Estes elementos estão também relacionados com sólidos geométricos, além das cores e símbolos tradicionais. Então temos: Fogo = tetraedro, Terra = cubo, Ar = octaedro, Água = Icosaedro e Espírito ou Prana = Dodecaedro. As Escolas Pitagóricas reuniram todos os sólidos dentro de uma única esfera e o resultado foi um mapa de linhas formado por 120 grandes círculos e 4.862 pontos. Como na figura abaixo.

Os estudos de Platão ecoam os ensinamentos de Pitágoras a respeito da projeção do infinito sobre o finito e servem para demarcar os pontos energéticos de maior intensidade na superfície do planeta, da mesma maneira que as linhas energéticas marcam os pontos principais da acupuntura em um corpo humano. Repetindo: “As above, so Below” (Tudo o que está em cima é igual ao que está embaixo).

Eminentes cientistas, como Sir Joseph Norman Lockyer, estudaram a superfície do planeta e sobrepuseram as chamadas Linhas de Ley com grandes monumentos do passado, como as Pirâmides, os principais círculos de pedra e outros eventos “inexplicáveis” e chegaram a “coincidências” absurdas. Cidades como o Cairo, com 6.000 anos de idade, foram projetadas (sim, você leu direito: projetadas) de maneira harmoniosa com as linhas energéticas do planeta. Londres, Paris, Berlin, Moscou, Washington, Brasília (ok, Washington e Brasília são cidades novas, mas seus projetistas sabiam o que estavam fazendo – olhe direito a planta de Brasília… aquilo é mesmo um avião ou poderia ser um compasso?).

Graças a este conhecimento oculto, mapas medievais até hoje inexplicados mostram a América, Austrália e Antártida com formas quase perfeitas, condizentes com descobertas feitas séculos depois. Exemplos são o Mapa de Piri Ibn Haji (copiado de um mapa que estava na Biblioteca de Alexandria, com a descrição da América) e o mapa de Calopodio (1537, descrevendo a Antártida). Estes mapas eram mais precisos do que mapas feitos até a década de 60 ou 70.

Com base nestas linhas, mapas da Atlântida e de Lemúria também puderam ser traçados muitos séculos antes que os cientistas sequer começassem a discutir “placas tectônicas”. O pesquisador e cientista Sir James Churchward publicou, em 1972, um trabalho intitulado “The Twelve Devil´s Graveyard around the world”, onde localizava os doze locais onde ocorriam o maior número de acidentes e desaparecimentos de barcos e aviões no planeta. Durante anos, ele compilou relatórios da marinha de vários países, chegando aos doze pontos críticos (entre eles, o famigerado Triângulo das Bermudas). Quando os estudiosos compararam estes pontos com o modelo esférico de Platão/Pitágoras, “coincidentemente” chegaram aos pontos principais do icosaedro projetado no Planeta (que “coincidentemente” é o elemento Água na geometria pitagórica).

Cruzando outros pontos na grande esfera temos pirâmides ao redor do planeta (uma na Amazônia, inclusive… porque será que os americanos estão tão preocupados com a Amazônia agora? Vejam a briga que está no congresso, com esta proposta de lei para privatizar partes da floresta… que terrenos exatamente vão cair nas mãos de multinacionais americanas?), caminhos que as aves migratórias seguem, avistamentos de UFOs, locais sagrados, Catedrais, Círculos de Pedra e por ai vai. Escolha um local bizarro ou inexplicável do estilo “acredite se quiser” e coloque-o sobre o mapa-mundi. Ele estará sobre ou muito próximo de um ponto destes.

Se quisermos brincar um pouco mais, basta pegar cidades importantes do ponto de vista religioso ou político, como Kiev, Roma, Constantinopla, Jerusalém, Meca, Karthoum (cidade mais importante do antigo Sudão), Ile Ife (cidade mais importante para os antigos Yorubás) e as ruínas do Grande Zimbabwe e perceberemos que elas se encaixam em um padrão peculiar (os pontos que estão faltando são sítios arqueológicos que foram centros religiosos em um passado distante). Quem já está familiarizado com a Kabbalah vai achar no mínimo intrigante esta “coincidência”. Podem, inclusive reparar que Jerusalém está sobre a sephira Da´ath (ok, eu sei que a maioria não vai entender essa… )

Na Europa não é diferente. Se conectarmos todas as linhas básicas descritas por Platão e Pitágoras, os cruzamentos principais destas linhas cairão em cidades importantes como Oxford, Rotterdan, Berlin, Chartres, Altamira, Barcelona, Frankfurt, Córdoba, Hamburgo, Lourdes, Roma, Atenas, Delfos e trocentas outras. Cidades que surgiram ao redor de oráculos, círculos de pedra (que foram substituídos por catedrais por causa da Igreja Católica e ai entra a importância dos pedreiros livres para a preservação desta geometria sagrada) ou monumentos antigos.

Agora… por que TODOS os oráculos gregos, círculos de pedra e pirâmides estão localizados sobre estes nodos? Que relação temos entre “comunicação com os deuses”, “centros religiosos”, “eventos bizarros” e as linhas de Ley? Coincidências? 4.862 coincidências então.

E estas linhas e pontos podem ser divididos múltiplas vezes, em grades menores, até chegar a parcelas bem pequenas, suficientes para envolver quarteirões ou mesmo casas. Os chineses, gregos, egípcios e os antigos já conheciam a respeito destas linhas e chamam isso de Feng Shui/Geometria sagrada (mas esqueçam estas coisas estranhas que aparecem nas revistinhas de decoração hoje em dia, estou falando da ciência por trás do Feng Shui, algo que definitivamente não vai cair nas mãos das massas tão cedo).

Todo mundo conhece locais na sua cidade ou bairro onde não importa que tipo de negócio se abra, ele sempre quebra, lugares onde qualquer loja que se estabeleça será um sucesso, locais onde você se sente mal sem saber por que ou lugares onde você se sente bem sem explicação racional. O estudo sério destas linhas energéticas poderia trazer benefícios enormes para a humanidade, definindo locais melhores e mais adequados para se construir hospitais, escolas, presídios, estabelecer plantações, parques, áreas residenciais e assim por diante.

A moral é: Feng Shui tem fundamento científico? SIM. Ele funciona do jeito que as revistinhas e livros pregam? NÃO. Portanto, temos de dar um pouco de razão aos céticos que xingam essas coisas porque eles estão parcialmente certos: tem muita besteira e chute sem fundamento publicado por ai, infelizmente. Mas o estudo sério destas energias (digo, algo patrocinado por universidades e conduzido de maneira séria e laboratorial, envolvendo geólogos, físicos e pesquisadores) seria algo muito interessante.

Bom… sabemos que as linhas energéticas estão ai. A questão é: como aproveita-las?

Os antigos sabiam.

Semana que vem, círculos, pirâmides, cristais e outras formas geométricas.

Temet Nosce, crianças.

#LinhasdeLey #Matemática #Pirâmides

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/linhas-de-ley

Os Corvos de Wotan, parte 3

» Parte 3 da série sobre Odin ver parte 1 | ver parte 2

A fonte da sabedoria

Ainda abaixo de uma das gigantescas raízes de Yggdrasil, a árvore cósmica a sustentar todos os reinos míticos da mitologia nórdica, se encontra uma nascente d’água muito especial: Mímisbrunnr. É neste pequeno lago que vivia o Mímir, um reconhecido sábio (seu nome significa algo como “o sábio”, ou ainda “aquele que se lembra”). Odin ficou sabendo da existência desta fonte, que se acreditava dar “a sabedoria de todas as eras” aqueles que a bebiam regularmente (daí a sabedoria do próprio Mímir, seu guardião). Ora, como Odin era um deus que buscava a sabedoria, ele a visitava regularmente para beber um pouco de sua água, assim também ficando amigo de seu protetor.

O que ficou mais conhecido desta história, entretanto, foi o fato de Odin ter arrancado um de seus olhos (não se sabe qual ao certo) e o mergulhado no lago, onde jaz até hoje, oculto no lodo, onde talvez só ele e o Mímir saibam localizar. Diz-se que Odin realizou tal sacrifício em troca da sabedoria do Mímir, mas obviamente algo aqui não faz sentido: se Odin já conhecia a localização do poço, se já era amigo do Mímir, qual seria a necessidade de sacrificar um olho em troca de sabedoria (da qual ele já dispunha gratuitamente)?

Este me parece mais um mito cuja interpretação exige que usemos os olhos da alma, e não do corpo. Para mim, está muito clara a metáfora de “se ter um olho no mundo espiritual, e um olho no mundo terreno”. Ora, por mais que Odin pudesse galopar os céus em seu corcel de oito patas, ele aparentemente não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ou pelo menos não podia estar no plano terreno e no plano espiritual ao mesmo tempo. Esta bela história nos aponta, portanto, para um fato bastante conhecido do caminho espiritual, e até mesmo da própria prática da magia ou da mediunidade: abre-se um olho lá, fecha-se um olho cá. Mas, querer fazer ambas as coisas ao mesmo tempo pode nos levar a loucura, a não ser, talvez, que sejamos também da raça dos deuses.

A cabeça perdida e encontrada

Infelizmente o destino do Mímir não foi dos mais agradáveis… Na apocalíptica guerra entre os vanir e os æsir, o Mímir teve sua cabeça cortada por um guerreiro vanir. Ora, os vanir eram um povo relativamente pacífico e místico, que cultuava deuses da fertilidade e da sabedoria, e também se dizia que muitos eram capazes de ver o futuro. Eles já habitavam o norte europeu, mas foram invadidos pelos æsir (ou “meio-deuses”), um conglomerado de tribos guerreiras e expansionistas, que vinham da Ásia e do sul europeu em busca de novos territórios. Como o Mímir, juntamente com Odin, pertencia aos æsir, foram deles a iniciativa do ataque.
Os vanir eventualmente foram conquistados e tornaram-se um subgrupo dos æsir, até que as eras se passassem e todos fossem confundidos com um só povo: o povo nórdico…

Mas, voltando a grande batalha: Odin, não se dando por rogado, encontrou a cabeça perdida do Mímir após o final da chacina e, com sua magia, manteve seu amigo vivo como uma peculiar (e, provavelmente, assustadora) cabeça falante que ele carrega consigo para onde quer que vá – pois o Mímir ainda é um grande e sábio conselheiro.

Esta épica batalha, que poderia ser lamentada como um fato trágico, na realidade é festejada como o alvorecer da civilização – de qualquer civilização, pois todas começaram assim, e todas tem mitos muito próximos [1] –, quando tribos sedentárias e pacíficas, que já dominavam a agricultura, são invadidas e quase dizimadas por tribos nômades guerreiras. Mas, no fim, tudo se ajusta: a cultura das tribos nativas, geralmente mais profunda e espiritual (por se tratar de gente “que tinha tempo de viver, e não apenas caçar e coletar”), é assimilada aos poucos pela cultura invasora, e com o passar dos séculos é como se todas fossem uma só cultura – e, de fato, já o são.

O próprio fato de Odin ainda hoje ser visto como um deus de sabedoria e magia, e não apenas um grande guerreiro, demonstra que talvez, no fim, a cultura dos vanir tenha se sobressaído à cultura dos æsir, e isso talvez indique que ainda podemos ter a esperança de uma volta a este antigo mundo pacífico: onde a fertilidade é mais exaltada do que a ferocidade.

Mas, e quanto à cabeça decepada e falante do Mímir, o que diabos isso significa? Olha, não vou dizer que sei o que isso significa, mas este mito me remete pelo menos a duas considerações: a primeira, é que os nórdicos já sabiam valorizar a importância da cabeça em relação ao corpo, o que a neurociência apenas confirmou; a segunda, é que eles tinham algum senso de humor.

O deus enforcado

Como já disse no início, Odin também é reverenciado por ter trazido ao conhecimento dos homens as runas, que nada mais eram do que o primeiro alfabeto do povo nórdico, o que possibilitou a origem da escrita entre eles. O que eu não mencionei é o quão estranha é, a primeira vista, a história que nos conta como Odin obteve tal conhecimento…

Diz-se que ele, desejando adentrar reinos ocultos do mundo espiritual, enforcou-se na própria árvore cósmica, Yggdrasil, por nove dias e nove noites (nove também são os reinos míticos da mitologia nórdica em geral), enquanto era estocado por sua própria lança (não está claro quem o “auxiliava” neste ritual, talvez fosse ainda o Mímir quando tinha o corpo inteiro)… Ao final de todo esse sacrifício, Odin acordou (se é que ele morreu no processo, entende-se que após os nove dias ele ressuscitou [2]) e trouxe consigo a memória do conhecimento da escrita rúnica.

Ora, sabe-se que todos os deuses inventores da escrita foram grandes, ou ainda são: pois foi exatamente a escrita que possibilitou que o conhecimento sobre eles fosse preservado de forma mais exata (o que não necessariamente é algo sempre bom). No Egito antigo sabe-se que tal tarefa coube ao deus Thoth. Posteriormente, na Grécia, existiu também Hermes, que partilhava de tantas características em conjunto com Thoth, que muitas vezes faziam referência a ambos os deuses sob o título de Toth-Hermes. Entre os romanos, Hermes foi conhecido como o deus Mercúrio e, de fato, muitos historiadores acreditam que os romanos também confundiam Mercúrio com o próprio Odin, quando se referiam aos povos nórdicos – assim, o ciclo se fecha…

Mas, o que me interessa aqui é que todos os deuses inventores da escrita também eram reconhecidos como grandes intermediários entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses, ou seja: eram médiuns, ou xamãs [3].

E é exatamente daí que parte a compreensão do que diabos Odin foi tentar fazer ao se enforcar numa árvore cósmica: ora, é claro que se trata de ainda mais uma metáfora. A árvore Yggdrasil sustenta todo o Cosmos e, dessa forma, o ato de “enforcar-se” nela nada mais é do que o ato de “perder a consciência deste mundo, e viajar com ela alhures”… Além desta referência mais clara ao xamanismo (ou a viagem astral) há ainda a questão das “estocadas de lança”: uma imagem muito comum na arte das cavernas, a arte rupestre, de nossa pré-história longínqua, e que também está intimamente relacionada às práticas xamãnicas.

O ato simbólico de se cortar, espetar, estocar com lanças, ou até mesmo destroçar o próprio corpo, significa, para o xamã, o abandono total do apego ao corpo, para que ele possa se elevar mais facilmente, e mais profundamente, aos reinos etéreos de sua própria alma, ou da Alma do Mundo, ou de Yggdrasil. Estes sacrifícios foram necessários para que os xamãs, os grandes heróis míticos de outrora, pudessem nos trazer conhecimentos ocultos, que podiam variar desde “onde caçar amanhã”, a “quais plantas e ervas coletar para fabricar este ou aquele remédio”, a até mesmo a própria inspiração divina para algo totalmente novo, como a escrita rúnica.

» Na última parte: finalmente, os corvos…

***

[1] No Mahabharata hindu temos histórias de batalhas muito parecidas, de onde surgiram grandes reinos e, eventualmente, a própria civilização. Na Europa não será diferente: mesmo a origem de Roma teve seu episódio de brutalidade para com tribos pacíficas na região próxima. No Brasil, poderíamos nos referir aos indígenas como os vanir, e aos colonizadores europeus como os æsir (como já disse, a história é escrita pelos vencedores).

[2] Avatares que morrem por “x dias” e ressuscitam com novos conhecimentos místicos existem aos montes na mitologia em geral.

[3] Você pode achar estranho o termo “xamã” aparecer toda hora neste relato, e tem toda razão: o termo surgiu do estudo antropológico dos primeiros místicos tribais da Sibéria, mas acabou por ganhar o mundo num significado bem mais amplo, referindo-se a todo e qualquer chefe espiritual tribal de toda e qualquer cultura selvagem antiga. Dessa forma, obviamente os índios do Brasil não chamam a seus xamãs como xamãs, mas sim como pajés, e assim vai… É nesse sentido que os termos “xamã” e “xamanismo” (a prática espiritual do xamã) são utilizados ao longo desta série.

***

Crédito das imagens: [topo] viking-mythology.com (A fonte do Mímir); [ao longo] Anônimo

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#Mitologia #Odin #Paganismo #xamanismo

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