Astronomia-Astrologia

Queremos nos aproximar ao tema da Astrologia como ciência cosmogônica e veículo de realização. Damos aqui os símbolos dos planetas e dos signos zodiacais, para aquele que ainda não está familiarizado com eles. Se não os conhecer, é oportuno também tratar de os desenhar e, sobretudo, de os identificar. Começaremos a tratar esta ciência cosmogônica, eminentemente simbólica, pois ela constitui um dos caminhos mais importantes para o conhecimento espacial e temporal da realidade na qual estamos inscritos.

Para isso começaremos com algo tão singelo como os nomes e signos dos sete planetas tradicionais, assimilados a deuses, e a suas andanças pelo espaço celeste, só limitado pelo cinturão zodiacal.

É muito provável que você conheça os nomes e signos zodiacais, mas queremos repeti-los nesta introdução. Talvez devamos nos desculpar por isso, mas em toda Introdução há que se começar pelo princípio.

Os sete planetas giram simbolicamente ao redor do Sol, sendo interiores a este Vênus, Mercúrio, Lua e Terra, e exteriores os mais altos: Marte, Júpiter e Saturno.

A palavra Zodíaco, que pode se traduzir como “Roda da Vida” (também como Roda animal), é a seqüência das doze constelações que se encontram de um e de outro lado da eclíptica, ou seja, do plano curvo imaginário no qual o Sol percorre num ano a totalidade da esfera celeste.

Em seus percursos os astros desenham formas diretamente ligadas à sorte da Terra e de seus habitantes, os homens, membros ativos do sistema. Estas condições nos marcam e nos servem para conhecer nossos limites, determinados primeiramente pelo lugar e pelo tempo de nosso nascimento e, a partir de tais limites, poderemos optar pelo ilimitado como fundamento de toda ordem verdadeira.

Desde o começo dos tempos, os astros escrevem no céu uma dança contrapontística e harmônica de formas e ritmos computáveis para o ser humano que, sumido no caos de um movimento sempre passageiro, toma essas pautas como mais fixas e estáveis no decorrer constante de noites e dias que tende a se confundir num amorfo sem significado. Estas pautas condicionam sua vida, tal qual a cultura em que nascemos, sujeita ao devir histórico e à determinação geográfica, também não alheios à sutil influência de planetas e estrelas. Trata-se de conhecer não só o mapa do céu como introdução ao entendimento da Cosmogonia, senão também de considerar a importância que estes têm em nossa vida individual e em relação à integração dela no macrocosmo, sem cair em jogos meramente egóticos ou simplistas senão, pelo contrário, com o objetivo de encontrar nos planetas e no zodíaco pontos de referência para conciliar as energias anímicas de nossa personalidade, equilibrando-as de modo tal que o estudo da Astrologia seja um auxiliar precioso do Processo de Conhecimento, fundamentado na experiência que os astros e seus movimentos produzem no ser individual e sua existência, e que podem ser manejadas de acordo às pautas benéficas e maléficas que sua própria energia-força dual manifesta no conjunto cósmico.

Nota: Utilizaremos os sete planetas tradicionais da Antigüidade, com exclusão dos modernos Urano, Netuno e Plutão. Já demos os símbolos e os nomes, para que o aspirante se familiarize com eles e os aprenda.

#Astrologia #hermetismo

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A Metasistemática do Caos – Com Fausto Ramos

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/Kd97o7khQkk

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

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Como Identificar uma Seita

Segundo o autor Robert I. Simon seita é um grupo religioso diferente em sua estrutura e isolado das comunidades religiosas principais que estão ativas.Temos a imagem errada de que apenas pessoas simplórias, de baixa escolaridade ou pobres fazem parte delas, mas pensar assim é um grande erro, a seita que Hitler criou (com base mística/ocultista e ação política) teve entre seus apoiadores várias pessoas cultas e ricas e ganhou uma musculatura tal que quase dominou por completo o mundo ocidental.

Também não necessariamente uma seita é ruim, apenas seu formato e características principais podem ser manipuladas, distorcidas e usadas para fins egoístas, desequilibrados e muitas vezes até suicidas.

Por muitos anos em minha jornada espiritual conheci e analisei vários grupos que se enquadrariam no formato de seita, alguns “inofensivos” outros nem tanto… admito que em certos casos fui bastante seduzido, mas felizmente nessas horas meu “alarme” tocava e rapidamente eu saia dessas estruturas para nunca mais voltar.

Meu objetivo aqui não é apontar grupo A, B ou C como uma seita perigosa, não quero levantar uma cruzada, quero sim te fornecer elementos para identificar uma e entender como sua “teia” é tecida para envolver novos membros e de posse disso você decidir se ela realmente te ajuda de alguma forma ou está apenas te usando para se manter e crescer. Alguns itens inclusive são utilizados pelo próprio Vaticano para determinar se um movimento tem esse caráter ou não.

10 itens que identificam uma seita:

01 – Um líder carismático e centralizador – enquanto líderes como Jesus ou Buda enfocam na mensagem do caminho espiritual buscando libertação esses líderes usam seu carisma buscando submissão e egolatria, colocando-se como exemplos de perfeição.

02 – Caminho único e exclusivo para a salvação/perfeição/ iluminação/ascensão – Assumem e incutem em seus membros através de uma mentalidade de nós contra eles que ali e somente ali está a verdade e o caminho para o objetivo proposto, todo o resto que não está ali dentro está condenado, foi corrompido ou iludido e deve ser evitado e/ou combatido, em termos mais modernos, quem faz parte despertou e quem está fora ainda vive em uma matrix.

03 – Isolamento com lavagem cerebral e controle das informações – os membros são estimulados a se afastar da família e de outras pessoas que não fazem parte da seita e sofrem continua lavagem cerebral, devendo apenas assistir, ouvir e ler as palestras, pregações, vídeos, áudios, livros e revistas indicados ou produzidos pela seita e gradativamente vão perdendo contato com o “mundo exterior”. Se não se afastam totalmente são instruídos a seguir uma moral dupla dissimular, esconder e mentir a respeito das atividades e crenças da seita para os não-membros e ser totalmente honesto e sincero com os membros.

04 – Intenso amor fraternal entre os membros – a pessoa é recebida com atenção, carinho e cuidado intensos e quando já está envolvida este sentimento se torna condicional e manipulador, servindo como punição ou recompensa para os atos do membro.

05 – Estrutura interna de delação e controle – após a pessoa se tornar membro percebe que é vigiada pelos mais antigos e depois de um tempo é estimulada também a observar e denunciar em segredo aos líderes o comportamento fora dos padrões de outros membros, gerando desconfiança mútua e um sentimento de perseguição.

06 – Um mundo a parte – roupas, atitudes, brincadeiras e jargões utilizados apenas pelos membros fazem com que se sintam num mundo a parte e exclusivo e dependendo do interesse dos líderes a manipulação de certas palavras ou frases podem gerar a chamada “analysis paralysis” ou “paralisia de análise” referente aquilo que se refere originalmente a palavra ou frase.

07 – Controle do tempo do membro – como parte do controle mental a pessoa é sobrecarregada com atividades e obrigações ligadas a seita, não tendo mais tempo para família, amigos ou outras atividades e ficando cansado e ocupado demais para refletir a respeito do que está vivenciando.

08 – Controle dos relacionamentos – o membro será também estimulado a passar mais tempo com os outros membros, inclusive será plantada a idéia de dar preferencia a relacionamentos afetivos dentro da seita em vez de fora. Esse controle se torna cada vez mais efetivo, fazendo até com que a pessoa se mude para mais perto da seita ou até resida nela.

09 – Graduação, secretização e dissimulação – jamais um novato saberá o que quem está no topo da seita pensa ou faz, muito menos as atividades ou objetivos verdadeiros dela, tudo é cercado de mistério, historinhas e dissimulação, fazendo com o novato se envolva cada vez mais e mais e não perceba aonde está se metendo.

10 – Ilusão e Auto-engano – fazer acreditar que somente loucos, fracassados ou fracos sejam envolvidos pelas seitas faz parte de seu arsenal de controle mental e propaganda. Apoiado em matérias da mídia mostrando casos de seitas extremas e estereotipadas que cometem suicídio em massa ou seguem um líder com roupas ou cabelos estranhos, a falsa idéia de que “isso jamais aconteceria comigo, sou mais inteligente que esses idiotas” explora a brecha criada por esse mecanismo defensivo e abre caminho para a manipulação e envolvimento sutil das seitas.

Você se viu em algo assim?

Acha que algum amigo possa estar dentro de uma?

Essa seita é boa ou ruim?

Reflita, comente e compartilhe com quem precisa saber.

Isto é muito sério e pode ajudar alguém.

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/como-identificar-uma-seita

[parte 4/7] Alquimia, Individuação e Ourobóros: A arte Alquímica

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“Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser. Tudo morre, tudo refloresce, eternamente transcorre o ano do ser. Tudo se desfaz, tudo é refeito; eternamente constrói-se a mesma casa do ser. Tudo se repara, tudo volta a se encontrar; eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser. Em cada instante começa o ser; em torno de todo o “aqui” rola a bola “acolá”. O meio está em toda parte. Curvo é o caminho da eternidade.”

– Nietzsche

Alquimia

Esta é a quarta parte da série de sete artigos “Alquimia, Individuação e Ourobóros”, que é melhor compreendida se lida na ordem. Caso queira acompanhar desde o começo, leia as parte 1, 2 e 3.

No post anterior, vimos que, o arquétipo de Hermes, juntamente com o simbolismo do caduceu, serve como organizador e centralizador da psique, atuando no “caos primordial”, estruturando-o e elevando seu potencial. Este caos primordial é análogo ao conceito de prima matéria dos alquimistas. Ambos os conceitos se apresentam como uma fonte de energia desordenada, cuja harmonização permite a obtenção de um potencial incalculável.

“Nasce como uma ciência natural que busca a compreensão da própria natureza a partir de uma especulação filosófica, como se pode ver já na filosofia pré-socrática no século VI a C. É dela que nasce o conceito de prima matéria a partir da crença de que o mundo tinha origem em uma única substância que era subdividida nos quatro elementos terra, ar, fogo e água, os quais, segundo diferentes recomposições faziam surgir todos os objetos físicos existentes no universo. Esta idéia, a prima matéria, teve sua evolução chegando com Aristóteles a ser considerada como pura potencialidade, que em seguida adquire forma, quando é atualizada na realidade.” (SANTOS, 2013)

Para Jung (2008), a manipulação da prima matéria, correspondente aos aspectos inconscientes dissociados. O alquimista tem que realizar a Opus Alquimica, que corresponde ao processo de individuação, transformando seus conteúdos internos e os trazendo a luz da consciência. Esse processo acontece através de três (podem ser quatro) momentos alquímicos e psíquicos: nigredo, albedo, rubedo. Vale a pena frisar que as metáfora alquímicas compreendem um vasto simbolismo, que varia entre os alquimistas e pesquisadores, porém todos resultam no mesmo objetivo: a obtenção da pedra filosofal.

Dentro destes momentos, pode-se dividir a Opus em diferentes estágios, que variam dentro do arcabouço alquímico, mas que neste trabalho, será utilizado as definições de Hauck (1999), podendo ser resumidas em sete estágios de transformação: calcinação, dissolução, separação, conjunção, fermentação, destilação e coagulação.

Esta imagem mandálica é um clássico da alquimia medieval, ela foi primeiramente publicada em 1959 pelo alquimista alemão Basil Valentine, e representa o conceito de Azoth:

“Azoth era considerado como um remédio universal, ou solvente universal utilizado na alquimia. Seu símbolo era o caduceu; o termo, que foi originalmente um nome para uma fórmula oculta necessária para os alquimistas parecida com a pedra filosofal, se tornou uma palavra poética para o elemento mercúrio, o nome é proveniente do Latim Medieval, uma alteração de “azoc”, sendo originalmente derivado do árabe “al-zā’būq”, que significa “o mercúrio”.” [tradução livre] http://en.wikipedia.org/wiki/Azoth

Esta imagem irá nos guiar frente ao simbolismo utilizado na metáfora alquímica. No centro da imagem temos o homem, alquimista. A sua direita, um rei, princípio masculino, solar, a sua esquerda uma rainha, princípio feminino, lunar. A dicotomia já nos é evidente, sugerindo que a integração destes aspectos seriam necessários para atingir a Opus.

Podemos notar a presença dos quatro elementos, como manifestação quaternária do todo, associados à tipologia junguiana. Vemos na imagem, o pé direito do homem na terra, seu pé esquerdo na água, sua mão direta segurando uma tocha, associada ao fogo, e sua mão esquerda segurando uma pena, associada ao elemento ar. Há também os triângulos adjacentes a roda, representando a manifestação trina do corpo, alma e espírito.

Na parte superior da figura, é possível ver uma estranha figura alada, que pode ser associada com o disco solar egípcio ou o topo do caduceu de Hermes (Mercúrio), analisado anteriormente. Exstem uma série de simbolismos na imagem, como por exemplo o leão sob o rei, a salamandra em chamas e os pássaros da roda, porém seria necessário um outro post apenas para interpretá-los.

Por fim, temos a circular dos raios, associados com diferentes cores, que representam os estágios alquímicos. Estes estágios serão nosso foco daqui pra frente.

As etapas Alquímicas

O primeiro raio está associado à calcinação, ou calcinato, intrínseca ao elemento fogo. Para Hauck, esta etapa está psicologicamente associada a morte do ego e destruição dos mecanismos de defesa, a extinção do interesse no mundo material, e as respectivas ilusões associadas a este. Inicia-se o processo de enegrecimento, podemos citar como ilustração desta etapa, “escuro e nebuloso é o início de todas as coisas, mas não o seu fim”, frase de autor desconhecido.

Para Masan (2009), esta operação é realizada na Sombra, onde permanecem os desejos instintivos e não integrados. O fogo é está ligado com a frustração dos desejos, aspecto natural do processo de desenvolvimento associado ao Si-mesmo.

“Os aspectos do ego identificados com as energias transpessoais da psique (Self ou mesmo, o fogo Divino) e utilizados para fins pessoais, sejam de poder ou de prazer, serão calcinados. Quanto maior a dicotomia entre bem e mal, certo e errado, ou seja, quanto maior a polarização desses aspectos neuróticos, mais longa será a calcinação desses elementos, até que o fogo da própria culpa esvazia a balança do julgamento por essa imagem punitiva e compensatória, representada pela ira divina, enquanto imagem arquetípica constelada no psiquismo”(MASSAN, 2009, 26).

O segundo raio está associado com a etapa de dissolução, ou solutio, representada pelo elemento água. Psicologicamente dizendo, está atrelada com a quebra das estruturas artificiais da psique, através da imersão no inconsciente, ou das partes irracionais e rejeitadas. O elemento água como uma abertura das comportas, e inundação de energias pessoais antes cristalizadas, dissolução de aspectos fixos da personalidade.

“A operação apresenta, no aspecto negativo e sombrio, um sentido de dissolução da matéria diferenciada ou conteúdo do ego […]. Por outro lado, em seus aspectos superiores, onde ocorre à transposição de opostos, consolida-se o espírito, ou seja, os aspectos transpessoais da pisque objetiva, o Si-mesmo. É o encontro com o Numinoso, que reestabelece a saúde da relação ego-Self, salvando apenas o que vale ser salvo, os conteúdos realmente alinhados com o Si-mesmo, e redimindo os conteúdos comprometidos, derretendo-os ou reordenando-os em novas estruturas”.(MASAN, 2009, 14)

O terceiro raio diz respeito à separação, ou separatio. É o momento de captar tudo aquilo que sobrou das etapas anteriores e selecionar. É recuperar a energia congelada dos hábitos e pensamentos cristalizados (pré-conceitos, crenças, fobias). Refere-se à essência e energia separada das amarras da matéria. Esta psicologicamente associada à escolha dos aspectos dissolvidos anteriormente, desapegando daquilo que não mais apresenta valor psíquico, explicitando a essência e valores espirituais, portanto, associado ao elemento ar.

“Surge aí à necessidade de dissecar esses conteúdos do inconsciente pessoal e coletivo e realizar a escolha, a separatio, trazendo a consciência, através do ato de julgar, uma vinculação com o Self. Isso requer um poder para arcar com o ônus dessa escolha, uma desvinculação da necessidade de atender aos critérios do outro, mas sim de ser fiel àquilo para o que aponta o Si-mesmo, da mesma forma como não se pode servir a dois senhores, só que sem o domínio neurótico da unilateridade” (MASAN, 2009, 25).

A conjunção, ou coniunctio, é análoga ao quarto raio da figura. Conjunção é a grande guinada do opus alquímico. Notemos que na figura, através do movimento circular, existe o deslocamento das forças da alma (na direita), para o espírito (na esquerda). Em nível pessoal, a conjunção é o fortalecimento do nosso verdadeiro Self, a união dos aspectos masculinos e femininos de nossa personalidade em um novo sistema psíquico. Esta etapa corresponde à ‘pequena pedra’, ou o primeiro esboço do que seria a pedra filosofal atingida no final da operação.

“Conjunção pode ser vista com a criação de um self superior e a conquista do que Carl Jung nomeou de individuação, no qual o self fragmentado é reunido à um todo original. A criação desta pessoa completa e harmoniosa significa que atingimos nosso máximo no plano terrestre”. (HACUK, 1999, 162)

Associada então com o elemento terra, a conjunção pode ser divida em duas sub-etapas, segundo Masan: coniunctio inferior e superior. Na primeira, a união dos opostos separados de forma imperfeita, resulta em algo que deverá ser submetido a novos procedimentos.

Masan define que a coniunctio inferior acontecerá sempre que o ego identificar aspectos inconscientes, como a sombra, anima, ou mesmo o Si-mesmo (Self), através de uma perspectiva introvertida ou coletiva. Essa identificação deve ser ‘purificada’, ou seja, eliminada, redimida, para dar continuidade ao processo de individuação. A coniunctio superior representa a conjunção mor dos aspectos previamente impossíveis de serem integrados. Após passar pelos estágios anteriores da Opus, a prima matéria pode finalmente ter seus opostos complementados.

“Assim como na alquimia, a psique, dentro do processo analítico, vai transformando-se, ora dispondo-se num lado e ora de outro, no sentido das suas polaridades, até que lhe seja capaz a absorção de uma terceira figura, gradativa e construída, surgida de dentro da sua própria alma que lhe traduz essa expressão de convivência com o dual. A dissolução do conflito, gerado pelas dicotomias neuróticas, concebe o cenário onde essa pedra, em cujo seio se fixa o espírito, se manifesta. […] O casamento Divino, que somente existirá se ali houver o Amor, sua causa e seu efeito.

Enquanto na coniunctio inferior o amor é concupiscente, aqui, na coniunctio superior, esse amor é transpessoal. Revela-se no mundo como o altruísmo em seu sentido extrovertido e na psique, como a conexão com o Si-mesmo, gerando a unidade” (MASSAN, 2009, 34).

Masan apresenta o Amor como uma das chaves para a integração psicológica dos opostos. Seria insensato pensar em amor se associá-lo com o coração. A simbologia do coração é estudada no livro “A Psique do Coração”, de Denise Ramos. A autora apresenta mitos e imagens de culturas americanas que tinham como centro o coração, sendo ele, em quase todas as histórias um ícone do sagrado ou oferecido ao sagrado.

No capítulo “Elegias Para Acalmar o Coração”, é somado às ideias de rezas para ‘abrir’ o coração e permitir o esvaziamento do sofrimento com o preenchimento de Deus. No capítulo “O Coração em Julgamento” é recapitulado toda a simbologia do coração no antigo Egito, como este sendo um exemplar da alma do indivíduo.

Ainda nesse mito egípcio, ao morrer, o coração era pesado numa balança, onde na contraparte ficava a pena de Maat. Neste julgamento especial, se o coração fosse mais pesado que a pena, ou seja, estivesse carregado das impurezas do ego, não era permitido ao falecido integrar-se a completude.

No sub-capítulo “O Lugar Secreto” é destacado o valor simbólico do coração na tradição hindu, e como o coração está associado nestas culturas como o ‘lugar da consciência”, sendo o Self em si, o lugar que o homem emana a si mesmo, um guia de luz.

Ainda segundo a autora, Anãhata é a representação do chakra cardíaco no Tantra Yoga, que une os chakras superiores com os inferiores, o Tantra Yoga tem como objetivo alinhar e equilibrar as polaridades masculinas e femininas. Tal equilíbrio acontece no coração, e quando acontece, o praticante da técnica consegue ouvir o som ‘hum’ (ॐ), do vazio, que emana por todo o tempo e espaço.

Essas informações aparecem no sub-capítulo “O Lugar do Som Universal”. Uma frase que pode exemplificar o amor como via de integração das polaridades é a de Nietzsche: “Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal”.

Hauck (1999) sincretiza o processo alquímico da conjunção da seguinte forma: “Psicologicamente, Conjunção é usar a energia sexual dos corpos para transformação pessoal. Conjunção se ocupa no corpo no nível do coração”

A próxima figura, é uma foto tirada no dia 06/06/2013 no Elevado Presidente Costa e Silva, São Paulo, conhecido também como “Minhocão”:

É possível perceber inúmeras analogias com os temas tratados neste trabalho. A expressão artística urbana expressando a angústia de uma sociedade doente, cindida. Amor e Ourobóros como resoluções arquetípicas coletivas. Apesar de toda a fertilidade do tema social em questão, voltemos a descrição das etapas alquímicas.

Podemos perceber, portanto, que apesar de todo o processo alquímico estar intimamente ligado ao processo de individuação, a etapa de Conjunção é a que representa o ápice do processo, que é a integração dos aspectos complementares.

A quinta etapa do processo alquímico descrito por Hauck, observado na imagem é a fermentação. É a introdução de uma nova perspectiva de vida, resultado da etapa anterior – Conjunção – que é a ascensão para um novo estado de consciência, a transição para um estado mental elevado. Nesta etapa, existe a transição da nigredo para a leukosis, resultando no aparecimento da cauda pavonis, metáfora para imaginação ativa e ‘coloração da vida’, alguns autores definem esse amarelamento (leukosis) e o aparecimento da “cauda pavonis” como uma quarta etapa, entre o nigredo e albedo, enquanto outros, definem apenas como um aspecto transitório entre estas duas etapas. Representa psicologicamente a transição da psique para um estado mais conectado com o espírito, ou na nomenclatura junguiana, Si-mesmo (Self).

O penúltimo raio é análogo à etapa de destilação, ou destilatio. Neste estágio a metáfora que se apresenta é o aumento da pureza, associado com a cor branca, ou albedo. Psicologicamente, representa o esforço para que as impurezas do ego e do id não sejam incorporadas no último estágio. Representa a eliminação dos sentimentalismos e emoções, ou ainda melhor, das paixões egoístas e infantis, aspectos que na manifestação do verdadeiro Self, não são pertinentes, uma vez que se procura um estado pleno de espiritualidade.

“Seus pensamentos e sentimentos são os sentimentos e pensamentos do Universo inteiro”, Esta declaração descreve o processo de destilação, onde [o alquimista] se tornou muito mais interessado no bem maior do que apenas em seu próprio. É a fase de transformação onde estamos espiritualmente e emocionalmente maduros o suficiente para fundir-nos com o inconsciente coletivo sem sermos devastados pelo o que encontramos lá. A razão pela qual nós podemos manter o nosso equilíbrio, depois de ter chegado à fase de destilação é que o ego não nos controla e, portanto, podemos apreciar os mistérios do coletivo – e pessoal – material da sombra, sem a intromissão do ego.

Destilação traz o criativo fora de nós. Ela incentiva tudo o que somos se manifestar em formas equilibradas e serenamente poderosas. Ele anuncia a entrada da influência das forças superiores e do equilíbrio dessas forças com os inferiores, que fornecem firmeza, tão crucial para a totalidade” (SHANDERÁ, 2002).

O sétimo e último estágio é chamado de coagulação, ou coagulatio. Representa a ressurreição do espírito, materializado no corpo.

“A Coagulatio é uma operação que expressa, pelas suas imagens, o processo de formação do ego e sua ligação com os aspectos da vida, as forças ctônicas, através da vivência da carnalidade no seu sentido mais amplo, construindo, pelas experiências, a terra onde se lastreia o ego em seu caminhar e, logicamente, configurando, por essas mesmas vivências, a relação do eixo Ego-Self” (MASSAN, 2009, 34)

É a representação da pedra filosofal, ou Grande Pedra, antes anunciada pela coniunctio. O alquimista adentra o estágio de rubedo, e pode “curar-se de todas as feridas e enfermidades” (HAUCK, 1999, 140). Esta etapa é utilização da libido dentro de sua forma plena, integrada com a impulsão da consciência para os estados mais elevados do vir-a-ser.

“Vale ressaltar que o desejo é o agente da coagulatio. Esta operação é necessária não para aqueles que já se movimentam adequadamente dentro de sua libido, mas para aqueles outros com uma inconsistência em seu querer e o temor de colocar os pés na vida, com dificuldade, inclusive de sorver os cálices que ela dispõe. O desenvolvimento do ego nestes casos passa pelo lugar dessa consciência e realização do desejo, a fim de que haja a movimentação da energia psíquica” (MASSAM, 2009, 22).

Neste estágio, para Hamilton (1985), é manifestada, no alquimista a vontade de encarnar na terra o estado de consciência iluminado na mente e no corpo. É como se uma alma desejasse ser ‘encorpada’ sem o senso de separação do seu estado puro original. Só quando a alma está encarnada na psique que pode ser vivenciado o estado espiritual de completude. A psique pode agora expressar as qualidades da alma e da natureza. A frase “assim na terra como no céu” ilustra com perfeição este estado.

“Esta união do espírito / alma com o corpo / mente representa o final e mais importante casamento alquímico. Agora a anima torna-se a Mãe de Deus, ou a Consorte de Deus, o objeto do amor místico. As figuras de animus correspondentes são Os Iluminados – Cristo, Buda, Santos, etc. Isto significa que a consciência de Deus, ao nascer no mundo da terra, percebe sua natureza divina conscientemente – como um indivíduo transcendental e iluminado, num estado de unidade com o todo cósmico. Isso, então, é a pedra filosofal que o alquimista procurava. É o grande ponto culminante da Grande Obra” (HAMILTON, 1985, 8).

Ainda para o autor, o equivalente terapêutico é fácil de ser percebido, uma vez que o paciente transcendeu a natureza de seus dilemas e conflitos, e isso envolve uma mudança de personalidade que vai acomodar e manter essa realização. O paciente percebe que sua vida tem sido uma imposição que resultou numa série de problemas, e agora inicia um processo de mudança para uma sustentação mais pertinente a sua verdadeira natureza.

Hauck (1999) define que, ao atingir este estágio, o raio de transformação se volta a terra, e é iniciado novamente o ciclo previamente proposto, indicando que os estágios e transformações são processos eternos e constantes, assim como a lapidação do Self, ou o processo de individuação proposto por Jung, fazendo com que o alquimista volte à etapa de nigredo, e continue seu processo.

“Tudo o que coagula está sujeito a transformar-se. Dai decorre que após a coagulatio, os processos de putrefactio e mortificatio se realizam também, até porque, o fim da encarnação é o desencarne, visto que está sujeito às injunções do tempo e do espaço” (MASSAN, 2009, 27).

Percebemos que o processo alquímico é cíclico, e, assim como o processo de individuação, exige um constante processo de atuação do indivíduo para com seus conteúdos, processo este que Jung define acontecer por toda a vida.

A mesma metáfora pode ser utilizada para definir o Ourobóros, um processo cíclico e constante, que representa a integração de opostos e a volta para a unidade. No capítulo seguinte iremos analisar a figura arquetípica do Ourobóros e avaliar suas correspondências com o processo alquímico e o de individuação.

Referências Bibliográficas:

HAMILTON, Nigel. The Alchemical Process of Transformation. Disponível em: http://www.sufismus.ch/assets/files/omega_dream/alchemy_e.pdf. 14/05/2013

HAUCK, Dennis Willian. The Emerald Tablet: Alchemy for Personal Transformation. Arkana. Ed.Pengun Group. 1999.

MASSAN, Francisco. Opus Alquímica e Psicoterapia. Disponível em: www.clinicapsique.com/doc/opus.doc. 14/05/2013

RAMOS, Denise Gimenez. A Psique do Coração: Uma Leitura Analítica de seu Simbolismo. São Paulo. Cultrix. 1990.

SANTOS, Vitor P. Calixto. Jung e a Metáfora Alquímica. Disponível em http://www.symbolon.com.br/artigos/jungeameta.htm. 14/05/2013

SHANDERÁ, Nanci. The Alchemy in Spiritual Progress – Part 7: Distillation. Disponível em: http://alchemylab.com/AJ3-1.htm. 14/05/2013

Imagens:

“Nigredo, Albedo e Rubedo” de Thomas Norton em ‘Ordinal of Alchemy’, 1477

“Azoth” de Basil Valentine

“Calcinato Angelus” de Suanne Iles

Trecho do filme “Elena” de Petra Costa, 2013

“Artodyssey” de Tomasz Alen Kopera

A interação das polaridades (sol e lua). “Rosarium Philosophorum”, Séc XVI

Andrógino, representando a natureza dual. “Rosarium Philosophorum”, Séc XVI

“Heart Chakra” de Ormus Oils

Coração e pena na balança em hieróglifo egípcio

“Mais amor por favor” (ygormarotta.com/mais-amor-por-favor)

Pavão em tecido

Gravura representando a destilação, capa do livro “O Museu Hermético” de Alexander Robb

“Aquamarine Muse” de Philip Rubinov Jacobson

A natureza de Buddha

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-4-7-alquimia-individua%C3%A7%C3%A3o-e-ourob%C3%B3ros-a-arte-alqu%C3%ADmica

A Saga do Rei Arthur – parte final

Publicado no S&H em 19/07/09.

As lendas Arthurianas têm nos fascinado por mais de mil anos. Nos seus textos herméticos estão contidos todos os simbolismos dos quatro elementos, bem como diversos poemas de cavalaria que se tornaram imortais. Os contos foram repassados pelas cortes, pelos templos e pelas ordens iniciáticas até os dias de hoje, tendo sido perpetuados em muito graças aos Cavaleiros Templários, cuja saga começarei a contar a partir das próximas semanas.
Para quem não leu os outros textos, recomendo começar pelos elementos AR (Rei Arthur, Excalibur e Sabres de Luz), ÁGUA (o Santo Graal e a Linhagem Sagrada), FOGO (Merlin, José de Arimatéia e o Bardo Taliesin) e TERRA (Guinevere, Lancelot e Camelot); por fim, a primeira parte de Quem é quem em Camelot.
Nesta última etapa, examinaremos os seis cavaleiros menos conhecidos da Távola Redonda, justamente alguns dos mais interessantes: Gaheris, Bedivere, Lamorak de Galis, Tristão, Gareth e Geraint

Sir Bedivere
Sua contraparte histórica teria nascido em 495 DC, ele aparece pela primeira vez no poema “Culhwch and Olwen” como o mais belo cavaleiro da Távola Redonda. Junto com Sir Kay (ou Cai Hir, o “tall knight”). De acordo com o poema, apesar dele possuir apenas uma de suas mãos, nenhum guerreiro arrancava sangue mais rápido do que ele no campo de batalha.
Também há anotações sobre sua aparição na batalha de Tryfrwyd (“By the hundred they fell before Bedwyr Bedrydant” for “Furious was his nature with shield and sword”). Geoffrey de Monmouth o colocou como Duque da Normandia e um constante companheiro e “braço direito” do Rei Arthur, e Bedivere foi o único dos Cavaleiros a sobreviver à batalha contra Sir Mordred em Slaughterbridge, próximo a Tintagel.
Em suas aventuras, ele enfrentou o gigante do monte St. Michel e participou de diversas campanhas militares, tendo perecido em uma destas batalhas. A riqueza de detalhes sobre sua vida sugerem que Bedivere tenha sido inspirado em uma pessoa real.
Nos contos de Thomas Mallory, ele sobrevive até o final da saga; quando o Rei Arthur foi mortalmente ferido, ele encarregou Bedivere de retornar sua espada Excalibur à Dama do Lago, em Dosmary Pool, próximo a Tintagel. Após atirá-la de volta ao lago, um braço emergiu das águas, apanhou a espada e sumiu nas águas.
Após a morte de Arthur, Bedivere tornou-se um eremita e permaneceu assim até sua morte.

Sir Gaheris
Em sua origem, ele foi um personagem secundário chamado Gwalchafed, nos poemas gálicos e celtas; mais tarde, nas tradições arthurianas, ele é descrito como filho de Lot e Morgause, e irmão de Mordred, tendo sido apresentado à corte bem jovem. Foi durante uma destas visitas que seu irmão, Mordred, foi concebido. Com a morte de seu pai, Gaheris e seus irmãos são aceitos na corte e se tornam cavaleiros. Gawain se torna Cavaleiro da Távola Redonda e Gaheris seu escudeiro. Muitas aventuras se passam até que os irmãos conseguem vingar a morte de seu pai, assassinando lord Pellinore.
Gaheris foi um grande amigo de Percival e auxiliou Tristão em seus problemas com o rei Mark.
Gaheris foi um dos cavaleiros mais conquistadores: sua paixão oficial foi a demoiselle de La Blanche, mas outros poemas relatam diversos affairs (claro que ele sofreu do mesmo problema de Zeus e suas amantes). Sir Gaheris também é retratado como um cavaleiro extremamente piedoso e cuidadoso com os pobres.
Gaheris tentou convencer seu irmão Mordred a não revelar a Arthur a traição de Lancelot, mas não conseguiu. Após a queda de Camelot, Gawain foi indicado para ser um dos executores de Guinevere mas não aceitou o cargo, sugerindo seus irmãos Gaheris e Gareth. Gaheris aceitou o trabalho e acabou sendo morto por Lancelot quando este resgatou a rainha.
Gaheris foi enterrado no castelo de Dover.

Sir Lamorak de Galis
Sir Lamorak era o filho mais novo do rei Pellinore. É considerado o terceiro maior cavaleiro da Távola Redonda, atrás apenas de Sir Lancelot e sir Tristão. Em mais de uma oportunidade foi o campeão dos torneios realizados em Camelot, derrotando em cada uma mais de trinta cavaleiros.
Lamorak tornou-se o amante da rainha Morgause, apesar do fato de seu pai, sir Pellinore, ter matado o marido anterior de Morgause, Lot. Os filhos de Morgause desconfiaram de uma conexão entre Lamorak e Pellinore e eventualmente, Gaheris pegou os dois na cama. Cheio de ódio, Gaheris decepou a cabeça de sua mãe e atacou Lamorak, que conseguiu escapar com vida do castelo. Mal conseguindo chegar até Camelot, Lamorak pediu ajuda ao rei Arthur, mas os filhos de Lot chegaram antes que o monarca pudesse preparar uma escolta e o assassinaram.
Lamorak parece ter sido inspirado em um personagem real, chamado rei Lywarch Hen, que diziam ter sido um cavaleiro na corte do rei Arthur histórico.

Sir Tristão
Tristão era filho do rei Meliodas e da rainha Isabella de Lyonesse, uma ilha que ficava próxima da Sicília mas que hoje foi coberta pelo mar. Foi educado na França e lutou ao lado de seu tio Mark contra as tropas irlandesas. No final da batalha, enfrentou o campeão irlandês e o derrotou.
Enviado para a Irlanda para buscar Isolda (futura esposa de Mark), Tristão e Isolda acidentalmente bebem uma poção do amor e se tornam apaixonados um pelo outro. Tristão se torna o amante de Isolda, apesar do casamento dela com seu tio (e ter tido com ele quatro filhos, que nunca sabemos quem é o pai verdadeiro de cada um). Mais tarde, quando a situação para ele começa a ficar muito complicada, Tristão vai para a Inglaterra e se torna um Cavaleiro da Távola Redonda, casando com a filha do rei Howel, também chamada Isolda.
Tristão foi ferido gravemente em combate, e manda chamar sua amante para curá-lo. Quando sua esposa mente que ela se recusou a atendê-lo, ele acaba morrendo de desgosto. Ao saber da morte de Tristão, Isolda se suicida. Este conto medieval foi a base para que o escritor rosacruz Shakespeare escrevesse a peça mais famosa sobre a mesma história, chamada “Romeu e Julieta”.

Sir Gareth
Sir Gareth foi um dos filhos do rei Lot de Orkney e da rainha Morgause. Ele era bem mais jovem que seus irmãos e foi deixado em Orkney quando eles viajaram para o sul em busca de Camelot e dos Cavaleiros da Távola Redonda. Muitos anos depois, porém, Gareth foi até Camelot disfarçado. Arthur o colocou sob a tutela de sir Kay como auxiliar de cozinha. Seu apelido na corte era “Beaumains” (Mãos macias) porque o jovem príncipe nunca havia visto um único dia de trabalho em toda a sua vida. Quando lady Lynette veio até Camelot em busca de um cavaleiro para defender sua irmã, cujo castelo havia sido sitiado por sir Ironside, o Cavaleiro Vermelho, Gareth voluntariou-se para ajudá-la.
Kay tentou impedi-lo, mas Gareth o derrotou em combate facilmente. Apesar de Lynette estar muito decepcionada por ter conseguido apenas a ajuda do auxiliar de cozinha, Gareth massacrou não apenas sir Ironside, mas também seus três irmãos, o cavaleiro negro, azul e verde (teria sido esta a origem medieval dos Power Rangers, crianças?). Lady Lyonesse apaixonou-se por Gareth e ambos se casaram logo em seguida.
Gareth teve várias participações na saga Arthuriana, provando-se mais admirável do que seus dois irmãos: ele impediu Gawain e Agravaine de matarem Gaheris após ele ter decapitado Morgause e foi um dos que pediu a agravain e Mordred que não revelasse o affair entre Guinevere e Lancelot. Por ter sido ignorado por seus irmãos, acabou morrendo nas mãos de sir Bors durante o resgate a Guinevere.
Muitos historiadores afirmam que Gareth e Gawain originaram-se de um único personagem, chamado Gwalchafed, que consta nos poemas mais antigos a respeito da corte de Arthur.

Sir Geraint
Sir Geraint (ou Gereint) era o filho mais velho do rei Erbin de cornwall. Geraint foi um dos primeiros Cavaleiros da Távola Redonda e participou de muitas aventuras. Uma de suas batalhas mais importantes ocorreu quando enfrentou sir Yder, que havia ofendido lady Guinevere.
Geraint casou-se com lady Enid e passava metade de seu tempo na corte de Camelot e a outra metade em seu castelo em Cornwall. Apesar de ser considerado um grande guerreiro, Geraint foi tido como um péssimo governador e acabou eventualmente retornando a Camelot.
Sua esposa sempre o acompanhava em suas aventuras, até quase ser violentada por um gigante quando este conseguiu nocautear Geraint. Geraint acordou com os gritos de Enid e conseguiu matar o gigante Limuris antes que este fizesse algum mal à ela.
Geraint é inspirado no rei Gerren, filho de Erbin, da Dumnonia, que ficou famoso no poema celta “Elegia a Gereint”, descrevendo sua morte na batalha de Llongborth na virada do século VI.

#ReiArthur

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-saga-do-rei-arthur-parte-final

Música e Ocultismo

Hoje mais do que nunca sentimos na pele o contexto perturbador, inóspito e desolador em que vivemos. Mais do que nunca o pessimismo e a inexorabilidade percorrem a mente de milhões de pessoas causando uma insatisfação e constante angústia, que acaba por se refletir nas mais variadas manifestações culturais/artísticas e até mesmo religiosas.

Mais do que nunca o homem se vê cercado de questionamentos, tão antigos quanto sua origem, indissolúveis e que em grande parte ainda permanecem inalterados.

Mediante a um crescimento desenfreado, caótico, superficial e ignóbil, caminhamos rumo a nossa própria extinção e de nosso planeta. Consumindo e destruindo os parcos recursos naturais que ainda nos restam e que logo em breve serão eliminados pela ignorância e bestialidade humana.

Apesar de inseridos nesta mesma situação apocalíptica, muitas pessoas imbuídas de uma visão de mundo diferenciada da grande massa, buscam através de sua individuação uma perspectiva mais plena e encontram nas manifestações artísticas, intelectuais e religiosas este aparato libertário. Elas trabalham de maneiras variadas a expressão seus universos pessoais, muitas vezes num contexto póstumo, isolado e obscuro. Isso é ainda mais freqüente quando tratamos de cultura “underground” que acaba por envolver uma mentalidade aguçada, crítica e revolucionária…

Assim sendo, temos na música um veículo da mente subconsciente, atuando sobre esferas sutis, principalmente quando praticada por seres versados no ocultismo, como é o caso de alguns projetos e bandas existentes, tanto em nosso país como no restante do mundo.

Através de um entendimento mais apurado musicalmente, podemos definir determinados sons em distâncias conhecidas como intervalos. Este intervalo é medido por tons e/ou semitons e fragmenta uma fundamental que comumente chamamos tônica em diversas variantes (2ªs, 3ªs,4ªs…). Um claro exemplo disso poderia se dar através da nota “C” (Dó)… Temos a fundamental C subdividindo-se em C# (2ª menor), D (2ª maior), D# (3ª menor), E (3ª maior), F (4ª justa), F# (4ª aumentada), G (5ª justa), G# (5ª aumentada), A (6ª maior), A# (6ª aumentada), B (7ª maior), B# (7ª aumentada), C (8ª justa).

O estudo da harmonia musical consiste justamente na concepção de escalas musicais, que são construídas visando uma sonoridade específica, através destes mesmos intervalos. Dentre estas teremos as maiores e menores (menor natural, menor harmônica e menor melódica)… Através do contexto criado por uma determinada sonoridade (progressão harmônica), podemos induzir à estados alterados de consciência onde a mente trabalha em frequências diferenciadas e eficientes na concepção de pensamentos, direcionamento de energias e da vontade. A escala de C (Dó maior) tomada como exemplo é constituída das seguintes notas: C D E F G A B.

Os mantras hindus sempre foram utilizados com este intuito (sigilização e alteração consciencial). Através da meditação e entoação de determinada “nota” musical somos capazes de elevar a mente consciente para além dos cinco sentidos ou empirismo…

Cada nota pode ser então relacionada a um determinado centro vital/chakra e assim obter um efeito específico dentro do organismo humano e fora dele (soma, mente, corpo astral, energia, sensações). Se empregada com eficácia, a música (instrumento musical, voz, sonoridade) também poderá abrigar alguma forma de sigilo (palavras de poder) e ser usada em rituais, meditações, curas e encantamentos.

Cientificamente nada disso é comprovado e talvez tão cedo nem venha a ser, neste caso, como em inúmeras correntes de pensamento ocultista e holístico vale a experiência pessoal, para que possamos atestar estes fenômenos.

Irei atribuir algumas características e notas musicais aos centros vitais/chakras do organismo humano:

Chakra Coronário – Sarashara (7º Chakra: Localizado na parte alta da cabeça/Nota Musical B “Si”, Cores Branco, Dourado e Violeta); Funções: Ligação com energias sutis e outras dimensões. Desfunções: Neuroses, irracionalidade, desorientação, fobias, histeria, obsessão;
Chakra Frontal – Ajna (6º Chakra: Localizado entre as sobrancelhas/Nota Musical A “Lá”, Mantra “Om”, Cor Azul); Funções: Intuição, percepção extra-sensorial, raciocínio lógico. Desfunções: Ganância, arrogância, tirania, rigidez, alienação;C
Chakra Laríngeo – Vishuddha (5º Chakra: Localizado na garganta/Nota Musical G “Sol”, Mantra “Ham”, Cor Ciano); Funções: Comunicação, criatividade, iniciativas, independência. Desfunções: Fracasso, apatia, desespero, limitação, medo, insegurança, submissão;
Chakra Cardíaco – Anahata (4º Chakra: Localizado na região cardíaca/Nota Musical F “Fá”, Mantra Yam, Cor Verde e rosa); Funções: Sistema imunológico, amor próprio. Desfunções: Desilusão, pânico, depressão;
Chakra do Plexo Solar – Manipura (3º Chakra: Localizado na boca do estômago/Nota Musical E “Mi”, Mantra Ram, Cor Amarelo); Funções: Personalidade, vitalidade, ação, vontade, auto-estima. Desfunções: Ansiedade, preocupação, indecisão, negligência;
Chakra Umbilical – Svadhishthana (2º Chakra: Localizado na região do umbigo/Nota Musical D “Ré”, Mantra Vam, Cor Laranja); Funções: Reprodução, sexualidade, virilidade. Desfunções: Controle, desvio de sexualidade, solidão, ressentimentos, vingança, ciúme, inveja;
Chakra Básico – Muladhara (1º Chakra: Localizado na base da coluna vertebral/Nota Musical C “Dó”, Mantra Lam, Cor Vermelho e preto); Funções: Sobrevivência e existência terrena, ligação com a matéria. Desfunções: Raiva, impaciência, apego excessivo, materialismo, vícios, morte;

O espectro musical de uma determinada nota funcionaria como um prisma voltado especificamente para o contexto sonoro e ambientação mental.

Usando sabiamente este aparato e fazendo um paralelo entre ocultismo e musicalidade, uma ferramenta poderosíssima é criada, e pode ser responsável pela evocação (entidades e/ou arquétipos de poder), banimento (limpeza de ambientes/mental) e conquistas ritualísticas (dos mais diversos tipos). O psicodrama 7 se torna ainda mais poderoso e completo quando imerso em tal contexto… Os rituais ganham mais ênfase e a câmara ritual mais poder.

De fato a música é uma influencia extremamente significativa na vida do ser humano, mas normalmente isso acontece inconscientemente tanto por parte de quem compõe, quanto de quem escuta.

O ocultista quando imbuído de tudo isto, aliando as habilidades musicais e sua criatividade é capaz de lançar-se a um desafio ainda mais completo e gratificante… Para além de um momento individualista e solitário… É capaz de contextualizar egrégoras inteiras, assim como performances rituais sonoras… Abrir portais para outros mundos, dimensões, através de sua música…

por Morte Súbita

#Magia #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/m%C3%BAsica-e-ocultismo

Cerimônia do Chá

Ser Zen é estar alerta a todo momento. É fazer algo com toda a sua atenção e coração. É estar presente. A cerimônia do chá é um ótimo teste e simbolismo para o praticante Zen. Se caracteriza por preparar, servir e beber o Matcha, um chá verde pulverizado. É um troço tão banal pra quem vê (e pra quem tenta fazê-lo por curiosidade), que se torna um verdadeiro “ritual secreto”, um simbolismo que diz muito mais do que os olhos podem ver.

Um paralelo que podemos fazer do espírito Zen nas ações é o de estar na cozinha preparando algo perigoso ou complicado: Cortar um pão é um ato banal. Mas, uma vez que você se corte fazendo isso, e aquilo tenha doído por dias, você nunca mais cortará o pão com a mesma desatenção. Não será uma concentração do tipo jogar videogame, onde você não consegue nem desviar o olhar, você não estará consumido por aquilo, é sim uma atenção de “corpo presente”; Seus olhos estarão atentos à posição da faca, mas, se precisarem desviar por algum motivo suas mãos estarão atentas a cada movimento; você saberá onde cada dedo está, para que a faca não os atinja ao sair do outro lado do pão. Enfim, isso é um pouco do Zen, mas normalmente só fazemos isso por alguns segundos durante o dia. A cerimônia do chá dura quase 1 hora, de pura atenção não-estressante (se o Zen estressasse, os monges já teriam arrancado todos os seus cabelos, né? Bem… ).

Quem consegue ver ação
no que parece inação,
e ver inação na ação,
é na verdade o mais sábio.
E embora esteja ocupado
em qualquer atividade,
está livre das reações
(Bhagavad Gita 4-18)

Esses versos do Bhagavad Gita casam muito bem com a cultura Zen (até por uma questão histórica, já que as origens do Zen, ou Chen, remontam à India). Ao estar “desperto” (ao menos para aquele momento) você está no controle de suas ações, e, consequentemente, das reações. Poderíamos dizer que o monge só quer evitar de se queimar com o chá (reação física), mas o “controle” vai muito além do chá: vai ao próprio pensamento. E é aí que o verdadeiro Zen procura se manifestar, pra colocar você no controle do seu veículo de manifestação, seja espiritual ou carnal, e aí então você estará (na medida do possível) no controle da sua vida.

Quem se ocupar fielmente
no saber transcendental
controlando seus sentidos,
muito em breve alcançará
a suprema beatitude
(Bhagavad Gita 4-39)

A HISTÓRIA DA CERIMÔNIA DO CHÁ

O ma-tcha – chá verde – foi introduzido no Japão, no final do século 12, originário da China. Todavia, o chá era muito precioso e, embora usado principalmente como bebida, era considerado, também, remédio. Ainda não havia nenhum ritual associado a ele.

O costume de beber matcha gradativamente difundiu-se, não só entre os sacerdotes de Zen, mas também no seio da classe superior. A partir do século 14, o chá passou a ser usado num jogo chamado to-tcha: Tratava-se de um divertimento no qual os convidados, depois de provarem de várias xícaras de chá produzido em diversas regiões, eram chamados a escolher a taça contendo o chá da melhor região produtora da bebida. Os que acertavam na escolha recebiam prêmios. Como esse jogo se tornou moda, as plantações de chá começaram a florescer, especialmente no distrito de Uji, nas proximidades de Kyoto, onde o chá de melhor qualidade ainda é produzido. O to-cha, gradativamente, converteu-se numa mais tranqüila reunião social, no seio da classe superior, e os prêmios não mais foram conferidos. O objetivo tornou-se então o gozo de uma atmosfera profunda na qual os participantes provavam o chá enquanto admiravam pinturas, artes e artesanato da China, mostrados num shoin (estúdio). Simultaneamente, sob a influência de formalidades e maneiras que regulavam a vida cotidiana dos samurais e nobres que constituíam, então, a classe dominante no país, surgiram certas regras e procedimentos que os participantes de uma reunião de chá deveriam obedecer. Assim desenvolveram-se os fundamentos da cerimônia do chá.

Ao final do século 15, um plebeu chamado MurataJuko, que dominou a arte do Tcha-no-yu, propôs outro tipo de chá cerimonial, mais tarde denominado Wabi-tcha, que ele baseou mais nas sensibilidades japonesas alimentadas pelo espírito do budismo de Zen (cujo objetivo é purificar a alma do homem, confundindo-a com a natureza).

Renunciando ao apego,
aos frutos do seu trabalho;
satisfeito e independente;
agindo sem interesse;
ele não fica envolvido,
embora esteja engajado
em todo tipo de ação
(Bhagavad Gita 4-20)

O Tcha-no-yu é um sentimento que dificilmente pode ser expresso por palavras. De certa forma, pode-se dizer que ele é a materialização do empenho intuitivo do povo japonês pelo reconhecimento da verdadeira beleza na modéstia e simplicidade. Termos como “calma”, “simplicidade”, “graça”, ou a frase “estética da simplicidade austera e pobreza refinada” podem ajudar a definir o verdadeiro espírito da cerimônia do chá. Por exemplo, as regras rigorosas de etiqueta da cerimônia, que podem parecer penosas e meticulosas à primeira vista, são, de fato, calculadas, minuto por minuto, a fim de obter a maior economia de movimento possível. O Tcha-no-yu tem desempenhado um importante papel na vida artística do povo japonês, pois envolve a apreciação do cômodo onde é realizada, o jardim que o circunda, os utensílios utilizados, a decoração do ambiente. Representando a beleza da simplicidade estudada e da harmonia com a natureza, o espírito do Tchâ-no-yu moldou o desenvolvimento da arquitetura, jardinagem paisagística, cerâmica e artes florais no Japão.

Referência: Preparação e história do chá

#Zen

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cerim%C3%B4nia-do-ch%C3%A1

A Canção Perdida, Fraternitas Saturni e a Coroa do Equinox

Três livros essenciais para a biblioteca thelêmica

Começou hoje o Financiamento Coletivo para publicação destas três obras fantásticas sobre thelema e hermetismo. faremos uma campanha de apenas 30 dias para que os livros possam estar na gráfica no começo de novembro.

https://www.catarse.me/fraternitas_saturni

FRATERNITAS SATURNI

Figuras envoltas em mantos de seda preta com capuz desaparecem através de portas vigiadas, e guardas armados com espadas garantem que nenhum intruso entre. Esta noite, um ritual será realizado na Loja Fraternitas Saturni, uma das ordens mágicas ocultas mais antigas da Alemanha – e o que acontece atrás de suas portas é um segredo.

Um ar de silêncio solene permeia o espaço, enquanto os membros se preparam para o ritual na antecâmara e os iniciados encontram seus lugares indicados na sala principal da loja. Velas são acesas quando os aprendizes começam a se reunir no lado esquerdo da sala. Os companheiros mestres podem ser encontrados à direita, e o mestre da cadeira reivindica o espaço atrás do altar na frente. Depois que todos os membros se reuniram no átrio principal, eles formam uma cadeia mágica de fraternidade, realizando um exercício de respiração rítmica enquanto se preparam para convocar a energia de Saturno. Um martelo bate na porta três vezes.

“A Loja está aberta!” o Segundo Diretor declara.

Música, possivelmente uma composição clássica da Flauta Mágica de Mozart , toca enquanto o Primeiro Diretor se dirige aos irmãos e irmãs da ordem, convidando-os a meditar antes que o incenso seja queimado em toda a sala.

O Mestre de Cerimônias começa a entoar:

“A serpente primitiva

O grande dragão

Quem era e quem é

E quem vive por eras de eras

Ele está com o seu espírito! ”

Três velas pretas de Saturno são acesas, e o Mestre de Cerimônias usa uma adaga mágica para traçar o sigilo do planeta – que se parece com dois Vs que se cruzam divididos ao meio com uma linha reta – três vezes no ar para começar o trabalho mágico. A sala se enche de sons de cânticos e do bater constante de um gongo, e os irmãos e irmãs eventualmente tomam seus assentos e começam a trabalhar para transmitir mentalmente a energia de Saturno aos membros que não estão fisicamente presentes…

Apresentando o trabalho mais aprofundado em inglês sobre a Fraternitas Saturni, Stephen Flowers examina a história da Ordem de meados da década de 1920 ao final da década de 1960, quando a Ordem foi fundamentalmente reformada. Ele detalha seu caminho de iniciação, doutrinas secretas, práticas rituais e fórmulas mágicas e oferece biografias dos membros mais proeminentes da Ordem, incluindo o fundador Gregor A. Gregorius, Karl Spiesberger (Frater Eratus), Albin Grau (Mestre Pacitius) e Franz Saettler (Dr. Musallam). Explorando os princípios orientadores da Fraternidade, ele mostra que no cerne da ideologia de Saturno está a ideia de Saturno-Gnose: a interação de forças opostas no universo levando à realização do eu individual como uma entidade divina.

A CANÇÃO PERDIDA

Comemorando os noventa anos de nascimento de Marcelo Ramos Motta, realizamos a “Canção Perdida” dele: uma coletânea de Rituais, instruções e ensaios que visam dessa vez um acerto de contas inédito com o pensamento daquele que foi o pioneiro de Thelema no Brasil.

A COROA DO EQUINOX

O Equinócio (subtítulo: The Review of Scientific Illuminism ) era um periódico que servia como órgão oficial da A∴A∴ , uma ordem mágica fundada por Aleister Crowley (embora o material seja frequentemente importante para sua organização irmã, Ordo Templi Orientis ocultismo e magia , enquanto várias edições também continham poesia, ficção, peças de teatro, obras de arte e biografias. Foi publicado de 1909 até 1913.

Em mais de 800 páginas, David Shoemaker, Mestre da Loja 418 e sucessor da Soror Meral, também fundador do Templo da Estrela de Prata, selecionou os textos mais importantes para o Estudante Probacionista da A∴A∴.

The Equinox

Præmonstrance (2021)

Notas do Tradutor

Editoriais (1909-1919)

1. A∴A∴

Liber Causæ

Uma Estrela à Vista

Um Relato da A∴A∴

Liber Graduum Montis Abiegni

Liber Viarum Viæ

Cartões Postais para Probacionistas

Liber Collegii Sancti

2. Magia

Liber O vel Manus et Sagittæ

Liber A vel Armorum

Liber Resh vel Helios

Liber Israfel

O Rubi Estrela

A Safira Estrela

A Missa da Fênix

Liber Pyramidos

Liber V vel Reguli

Liber Samekh Theurgia Goetia Summa

Cabala

Liber Chanokh

Uma Descrição das Cartas do Tarô

Liber Gaias

3. Misticismo

Liber E vel Exercitiorum

Os Perigos do Misticismo

O Soldado e o Corcunda: ! e ?

Liber Ru vel Spiritus

Liber Astarté vel Berylli

Liber III vel Jugorum

Liber HHH

Liber Turris vel Domus Dei

Liber Yod

Liber Os Abysmi vel Daath

Liber תישארב Viæ Memoriæ

Liber Βατραχοφρενοβοοκοσμομαχια

Liber Libræ

Ciência e Budismo

4. Thelema

A Lei da Liberdade

A Mensagem do Mestre Therion

De Lege Libellum

Liber OZ

O Dever

Khabs Am Pekht

Liber Had

Liber Nu

A Visão e a Voz

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-can%C3%A7%C3%A3o-perdida-fraternitas-saturni-e-a-coroa-do-equinox

O Balandrau na Maçonaria

Por Kennyo Ismail

Muitos são os maçons brasileiros defensores do balandrau. Mas afinal, qual a origem dessa vestimenta na maçonaria?

O célebre escritor José Castellani escreveu que o balandrau era a indumentária dos membros do “Collegia Fabrorum”, e que os maçons operativos medievais, do século XIII em diante, também utilizavam a túnica negra.

Com todo o respeito ao saudoso Irmão Castellani e suas obras, que tanto acrescentaram para a literatura e cultura maçônica brasileira, permita-nos discordar de tal afirmação. Nos parece que se trata de teoria feita de forma inversa, ou seja, apenas para justificar um costume arraigado, ao invés de buscar sua origem. Afinal de contas, não existe qualquer indício de que os membros do Collegia Fabrorum ou mesmo os maçons operativos medievais realmente utilizavam balandrau. Em que se baseia essa afirmação? A impressão é de que apenas se afirmou o uso pelos membros da maçonaria operativa para justificar o uso pelos maçons especulativos, sem qualquer fundamento histórico para ilustrar tal teoria.

Em verdade, a origem do balandrau na maçonaria é outra. Podemos dizer que herdamos o balandrau de uma instituição “prima”: A Carbonária.

Analisando a “Carta de Bolonha” e tantos outros documentos existentes do segundo milênio, vê-se claramente que já no século XI a maçonaria operativa era dividida entre os que trabalhavam com “pedra” e os que trabalhavam com “madeira”. Em resumo, os que trabalhavam com “pedra”, que eram maiores em número e em serviços, eram os maçons operativos, dos quais somos os legítimos herdeiros. Enquanto que a Carbonária surgiu como herdeira daqueles que trabalhavam na madeira.

A Carbonária se fazia presente de forma itensa na Itália, França e Portugal, e era governada pelo General francês Joaquim Murat, cunhado de Napoleão Bonaparte e tido como rei de Nápoles. Os carbonários eram conhecidos pelo uso de uma túnica preta com a imagem do punhal de São Constantino bordada no peito esquerdo – Sim, um balandrau.

Joaquim Murat tratou de iniciar na Carbonária seu filho, “príncipe” Charles Lucien Murat. Em 1815, o príncipe Murat teve que se exilar por conta do assassinato de seu pai, vivendo então na Áustria, Veneza e por último nos Estados Unidos. Só conseguiu retornar à França em 1848. Em 1852, Murat assumiu como Grão-Mestre do Grande Oriente da França, cargo em que permaneceu até 1862.

Nesses 10 anos como Grão-Mestre, Lucien Murat realizou uma grande revolução no Grande Oriente da França, o qual cresceu como nunca em número de Lojas e notoriedade. Foi também nesse período que vários traços da antiga Carbonária foram implementados na maçonaria francesa, entre eles o uso do balandrau. Os maçons do Grande Oriente do Brasil, que tão estreitos laços possuiam e tanta influência sofriam da maçonaria francesa, a qual havia sempre servido de exemplo e fonte dos Ritos então praticados no Brasil – Escocês, Adonhiramita e Moderno – logo também aderiram ao balandrau.

Porém, em janeiro de 1862, o rei Napoleão III declara o Marechal Bernard Pierre Magnan, um profano, como Grão-Mestre do Grande Oriente da França. O Marechal Magnan é iniciado e elevado até ao grau 33 do Rito Escocês em apenas dois dias. Magnan desfaz muitas das mudanças promovidas por Lucien Murat. No entanto, o balandrau já havia caído nas graças dos irmãos brasileiros.

Uma das evidências que constata que o balandrau não teve origem no Collegia Fraborum ou na maçonaria operativa é de que é um traje totalmente desconhecido na maçonaria da Inglaterra, Irlanda, Escócia e Alemanha, países em que a maçonaria é tão antiga e originária das antigas Guildas quanto na Itália, França e Portugal, ao mesmo tempo em que esses primeiros não tiveram a presença da Carbonária em seus territórios, enquanto Itália, França e Portugal tiveram.

Com base em tais relatos e análises históricas, conclui-se que a afirmação de que o balandrau é uma herança da maçonaria operativa, apesar de valorizar simbolicamente o balandrau, é totalmente falsa. Fica evidente a influência que a Carbonária, através de Lucien Murat, exerceu sobre o Grande Oriente da França e, conseqüentemente, sobre a Maçonaria Brasileira, sendo o balandrau o mais visível indício disso.

Porém, não se deve deixar de concordar com o Irmão Castellani em uma coisa: a verdadeira vestimenta do maçom é o AVENTAL. Sem ele, o maçom não trabalha.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-balandrau-na-ma%C3%A7onaria

Livro Brasileiro de Magia do Caos

Um livro pequeno, com apenas cem páginas, mas que trata de um grande número de tópicos, com linguagem acessível. Minha proposta foi apresentar um plano dimensional com casas de cura para diferentes males mentais. Ou seja: se em algum momento de sua vida sua mente parecer desordenada como um galho torto, basta acessar esse plano de consciência para tentar desentortá-la.

E isso dá certo? Bem, nem sempre! Nenhuma magia é 100% efetiva, e nossa solução é lidar com os fracassos mágicos com bom humor. Por isso os habitantes da Cidade Sucinta (os magos que moram nesse plano mental do qual falamos) jogam o Jogo de Agracamalas para passar o tempo. O objetivo desse jogo não é vencer, mas falhar. Em outras palavras: ganha o jogo quem envelhece, fica doente e morre mais rapidamente…

E para que serve um jogo tolo como esse? Não para te convencer a falhar, mas para te mostrar que nem sempre estamos no controle, e que isso não é realmente ruim. Quando você começa a analisar os lados bons do fracasso, passa a entender que até quando algo não dá certo, existe algo a ganhar. E mesmo quando ganha, há algo a perder.

Ou, como diriam os sucintos: “Quando você morre, você não perdeu o jogo. Apenas trocou de tabuleiro”. Que tal tentar realizar algumas formas de “magias reversas” para desafiar a sua mente? Se você falha, você vence. E se vence, ganha um brinde de consolação: um baú mágico com uma surpresa astral, que pode ser agradável ou desagradável, conforme o lado do tabuleiro no qual se encontra.

Com O Grimório das Casas você aprenderá diferentes formas de acessar a dimensão mental da Cidade Sucinta (por intermédio da visualização, evocação, divinação, dentre outros meios ainda mais improváveis) e descobrirá como realizar feitiços úteis ou completamente inúteis (dependendo do ponto de vista, ou da versão do jogo) do Jogo das Casas.

Mas não fique muito animado, pois o jogo ocorre dentro de um labirinto (a complexidade de sua mente). Como diria Peter J. Carroll: “Cada nova forma de libertação está destinada a eventualmente se tornar outra forma de escravidão”. Na Religião do Labirinto Sem Fim, praticada pelos sucintos, é impossível achar a saída do labirinto. A Casa da Saúde ou a Casa do Prazer podem parecer saídas. Até mesmo a Casa da Morte está disfarçada de libertação, mas todas elas apenas te levam a novos labirintos.

O que fazer quando sua mente está presa? Vamos pegar outra sugestão de Carroll: “Crie, destrua, aproveite, IO CAOS!”. Para quem enjoou de jogar o Jogo de Agracamalas ou o acha muito chato, há outras opções interessantes. Aprenda a criar diferentes formas de sigilos e servidores, convocar animais mágicos, montar sociedades secretas ou até transformar em magia os exercícios aparentemente mais banais (como estourar plástico-bolha). E se até isso soar entediante, te daremos uma receita simpática de como construir novos planos mentais, Deuses e mundos. E a magia mais fantástica (e mais difícil): construir uma nova mente.

Eu poderia citar dois livros que foram fontes de inspiração para a escrita de Agracamalas, embora não se pareça com eles. Quando eu li Macunaíma, de Mário de Andrade, apaixonei-me pela forma deliciosamente irreverente e genuinamente brasileira da obra (brasileira na maneira que apresenta variados aspectos de nossa multiplicidade cultural), escrita com uma linguagem repleta de informalidades e gírias. E após a leitura de O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse (Hesse conquistou o Prêmio Nobel de Literatura com essa obra), decidi que eu queria inventar um jogo com um objetivo diametralmente oposto.

O Jogo de Avelórios de Hesse é um jogo extremamente complexo realizado com contas de vidro (muito popular em mosteiros beneditinos), utilizando linguagem oculta e que exige conhecimentos avançados de diversas ciências e artes, especialmente matemática, astronomia e música. Esse livro é evidentemente uma crítica aos intelectuais alienados que se dedicam à “beleza vazia dos saberes superiores”. A seguir, alguns trechos do livro de Hermann Hesse:

“– Devemos dar importância aos sonhos? – perguntou José. – Podemos decifrar seu significado?

O Mestre fitou-o nos olhos e disse concisamente:

– Devemos dar importância a tudo, porque tudo pode ser decifrado”

“A vida em seu conjunto, tanto sob o aspecto físico quanto espiritual, é um fenômeno dinâmico de que o Jogo de Avelórios no fundo só apreende o lado estético, e aliás o apreende de preferência na imagem dos processos rítmicos”.

“Quem chegasse a ter a vivência completa do sentido do Jogo não seria mais jogador, não estaria mais dentro da multiplicidade, e não lhe seria possível sentir prazer em nenhuma descoberta, nenhuma construção e combinação, porque ele conheceria uma espécie bem diversa de prazer e de alegria”.

Sendo assim, o Jogo de Avelórios buscava uma espécie de “sabedoria superior” ou “prazer superior” que ia se distanciando tanto do corpo e do mundo que chegava ao ponto de se afastar da própria vida. Uma espécie de beleza inexistente e inalcançável.

Decidi que o Jogo de Agracamalas devia ser o exato oposto: você não pode ser inteligente demais para jogá-lo ou começará a fazer muitas perguntas e elucubrações complexas, e esse ato faz com que você perca a essência do jogo, que é o sentir, o devir. Em vez do acúmulo de conhecimentos, valorizamos o esquecer (como quem esquece um sigilo e se ocupa de outras coisas, ou quem muda constantemente de paradigma) para que cada momento seja uma nova descoberta. E, finalmente, a meta não é o conhecimento e sim uma alegria despreocupada; não a seriedade, mas o riso.

Não o encaixar das artes, mas o desmontar delas, como num labirinto sem saída, mas repleto de surpresas mágicas e possibilidades infinitas.

Há muitas magias no grimório que são obviamente piadas. Mas a piada maior é que elas são possíveis de usar, contanto que você as leve a sério o suficiente para dar certo, mas não tão a sério a ponto de… usá-las de novo ou contar para alguém que você realmente fez isso.

Esperamos que o Grimório das Casas seja de seu interesse. Enquanto isso, você pode conferir algumas histórias minhas de graça no Wattpad. Também há contos espalhados pelo grimório, para sua inspiração e reflexão.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/livro-brasileiro-de-magia-do-caos