A Jornada do Herói e os Mitos Modernos pelo viés de Krishnamurti.

Bate-Papo Mayhem 010 – gravado dia 25/04/2020 (sabado)
Com Francisco Tupy – A Jornada do Herói e os Mitos Modernos pelo viés de Krishnamurti.

A Jornada do Herói e os Mitos Modernos pelo viés de Krishnamurti.

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem. 

https://projetomayhem.podbean.com/

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/haMZqQt_nSs

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral duas vezes por semana, às segundas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados uma vez por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

#Batepapo #Podcast

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-jornada-do-her%C3%B3i-e-os-mitos-modernos-pelo-vi%C3%A9s-de-krishnamurti

O software angélico que roda no eixo do mundo (parte 1)

O único lugar em que os deuses e demônios existem indiscutivelmente é na mente humana, onde são reais em toda a sua grandiosidade e monstruosidade (Alan Moore).

Há muitas coisas a se falar acerca de deuses, anjos e demônios. Para não tornar este texto excessivamente longo, estarei iniciando no meio do caminho, de forma que é recomendável que primeiramente leiam estas duas séries de artigos, antes da leitura deste aqui: A roda dos deuses e Os corvos de Wotan.

Se não entenderem muita coisa a partir daqui, não digam que não avisei!

Seriam os deuses forças da natureza?

Segundo muitos estudantes de mitologia e ocultistas, os deuses nada mais seriam do que imensos conjuntos de símbolos resumidos nalgumas imagens ou histórias, que foram passadas adiante pela cultura humana mesmo antes de a escrita haver sido inventada [1]. Existiriam, dessa forma, tão somente na mente humana, esta incrível força capaz de interpretar a realidade. Mesmo que este fosse o caso, o fato de existir somente na mente não necessariamente torna os deuses “assunto irrelevante”, principalmente pelo fato de que toda a realidade, de certa forma, existe na mente – na medida em que o resultado final dela é processado na mente.

Mas é óbvio que há muitos religiosos, dogmáticos ou não, que consideram ou creem piamente na possibilidade dos deuses existirem também fora da mente, na realidade objetiva. Ora, isto gera pelo menos duas questões lógicas de solução não exatamente trivial:

(1) Se os deuses existem objetivamente, quem os criou?

(2) Se os deuses são seres individuais, conscientes, de que forma ocorreu sua evolução?

Para respondermos a primeira pergunta, precisamos considerar o problema da existência, ou o problema do ser, que na filosofia postula, basicamente, que nada pode surgir do nada [2]. Trata-se de um problema muito antigo, que consta tanto nos Upanixades hindus quanto no taoismo, tanto na filosofia de Parmênides e Plotino quanto na monumental síntese moderna de Benedito Espinosa, que postula que “uma substância não pode criar a si mesma ou alguma outra substância totalmente dissociada de si”.

Ora, pela lógica mais pura e básica, isto significa que algo sempre existiu, e jamais foi criado, exatamente porque o nada não existe. Desta forma, isto também significa que, acaso os deuses existam objetivamente, mesmo eles precisam haver sido criados, e quem ou o que os criou, este sim é o chamado Criador.

A despeito da ignorância de muitos eclesiásticos monoteístas acerca do tema, em realidade o politeísmo sempre contou com alguns grandes sábios e/ou místicos que sabiam muito bem que “teria de haver um Deus anterior aos demais, e este seria o Criador, e ele teria de ser único”. Desta forma, a ideia central do monoteísmo, longe de ser alguma novidade lógica, é apenas uma conclusão tardia que, por alguma razão, preferiu discriminar ou ignorar a possibilidade da existência dos deuses.

De fato, há muitas mitologias arcaicas [3] que falam acerca de um Criador que, após haver criado o mundo e os deuses, se tornou um “deus ocioso”. O fato de ser “ocioso”, entretanto, não necessariamente significa que “não faça nada”, mas sim que “não fazemos sequer ideia do que ele é ou faz”.

Na mitologia iorubá, que teve grande influência no Brasil através do candomblé e da umbanda sagrada, que lhe são derivadas, há o exemplo do Deus Criador: Olorun. Ora, foram os deuses (orixás) quem criaram os homens [4], e são eles quem “os influenciam” na Terra (Ayie). Mesmos estes orixás, porém, foram criados por Olorun, que hoje reside no Céu (Orun). Bem, sabemos que nos ritos do candomblé, por exemplo, há oferendas para os orixás. Para Olorun, porém, jamais é feita oferenda alguma. E o motivo é mesmo óbvio: Tudo o que existe, tudo o que pode ser ofertado, já lhe pertence em todo caso! Eis uma profundidade de pensamento que muitos críticos dos iorubás ignoram ou desconsideram.

E Olorun é também “ocioso”, antes por não ter nenhuma participação nos ritos e rituais, do que propriamente por não fazer nada. Ora, são os homens quem não sabem o que ele faz ou deixa de fazer, e que, portanto, disseram que ele “se tornou ocioso” – ou seja, além de nossa capacidade de compreensão do que uma ou outra ação sua significaria.

Seja Olorun da África, ou El da Mesopotâmia (que foi sincretizado com o deus bíblico), ou o próprio Tao, “anterior ao Soberano do Céu”, do taoismo: todos estes nomes se referem ao Criador, ao Uno, a substância tão sabiamente definida por Espinosa. E os deuses nada mais são do que seus filhos, assim como nós mesmos [5].

Para respondermos a segunda pergunta, precisamos considerar que todo ser vivo há que haver evoluído de um princípio simples para uma entidade complexa, consciente. Pois, assim como não há árvore que antes não tenha sido semente, e não há espécies complexas sem que antes haja existido espécies tão simples como uma simples bactéria, da mesma forma ocorre com o espírito. Se os deuses, portanto, fossem espíritos, teriam de haver evoluído da mesma forma, sabe-se lá onde, sabe-se lá quando.

O grande problema desta hipótese é que os deuses representam as forças da natureza, e estas não podem simplesmente ter passado por uma evolução. Pelo que sabemos, a gravidade precisa existir, da mesma forma como é hoje, desde os primeiros momentos deste espaço-tempo. E, ainda que existam outros universos num hipotético multiverso, pela lógica seria muito complexo supormos que, nalgum outro universo qualquer, a gravidade possa ter “evoluído passo a passo, assim como nós”.

Pode ser estranho para alguns associar um conceito científico, a gravidade, com o conceito dos deuses entendidos como forças da natureza. Mas para mim é uma associação muito proveitosa… Para Empédocles (filósofo pré-socrático), por exemplo, a gravidade era chamada de amor: o que unia não somente os seres, como todas as coisas do Cosmos. Ora, se a gravidade deixasse de existir por um momento sequer, podemos imaginar o caos que ocorreria em todo o universo. Não há como haver universo, ao menos um universo onde haja sóis, planetas e vida, sem a gravidade, sem o amor de Empédocles. Portanto, este amor tem de haver existido desde sempre.

Se formos então transportar esta ideia para o conceito dos deuses enquanto representantes e agentes das forças naturais, temos que eles não somente não são seres individuais, ou espíritos como nós, como tampouco tem exatamente uma vontade própria. Se existe alguma vontade nalgum deus, esta vem como reflexo da vontade do Deus Criador, pois que tudo o que os deuses fazem é legislar com as leis que existem na própria engenharia da realidade…

Isto é, se é que os deuses existem fora da mente humana.

» Em seguida, anjos e outros mensageiros atuando no eixo do mundo…

***

[1] Há muitos deuses que inclusive fazem parte da própria narrativa da descoberta da escrita, como é o caso de Toth-Hermes ou Odin-Wotan. Eles têm em comum pelo menos o fato de terem sido aqueles que “trouxeram o conhecimento da escrita para a humanidade”. Entretanto, também existem ou existiram outras doutrinas espiritualistas, como a druídica e boa parte das antigas doutrinas xamãnicas e indígenas, que ou jamais descobriram a escrita, ou preferiram não utilizá-la, temendo que ela terminasse por reduzir à experiência religiosa a mera teoria (provavelmente Sócrates sentia o mesmo, tanto que faz uma curiosa crítica ao discurso escrito no Fedro).

[2] Recomendamos a leitura da série Reflexões sobre o nada.

[3] E recomendamos, ainda uma vez mais neste blog, a leitura do monumental História das crenças e ideias religiosas, de Mircea Eliade (Ed. Zahar). Trata-se de uma série de 3 volumes, no qual o primeiro volume, por tratar do início, é obviamente o mais importante (ao menos no contexto do que estamos refletindo aqui).

[4] Bem, em algumas interpretações desta mitologia, Olorun também foi responsável pela criação dos homens. Mas no contexto de nossa reflexão, isto não fará muita diferença prática.

[5] Não à toa o rabi da Galileia nos disse: “sois deuses”. E, mesmo isto não era nenhuma novidade, pois há uma frase mística muito mais antiga que afirmava: “eu também sou da raça dos deuses”.

Crédito da imagem: Encontrada em UNEGRO

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

#anjos #Candomblé #Mitologia #Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-software-ang%C3%A9lico-que-roda-no-eixo-do-mundo-parte-1

A aurora de Malévola (parte final)

« continuando da parte 1

Face a face

O período em que Aurora cresce em meio a floresta encantada, sendo cuidada, de forma oculta, por Malévola e seu corvo fiel, é na minha opinião o ponto alto do filme. Elas chegam a se encontrar quando Aurora ainda é criança, mas é na cena em que Malévola se revela, ainda que de forma relutante, para Aurora, que chegamos a um dos grandes momentos da história.

Malévola está escondida nas sombras dentre as árvores, enquanto Aurora está sob a luz que penetra mesmo naquele canto sombrio da floresta. Lembremos aqui que a própria floresta vai se tornando sombria na medida em que Malévola, sem suas asas e nutrindo o seu ódio pelo rei larápio, vai se tornando mais e mais reclusa. Ora, a única coisa que impede que Malévola se torne definitivamente a bruxa má, e deixe de ser uma fada, é a presença de Aurora, a quem ela chama de “peste” mas, ainda assim, nutre uma afeição crescente e verdadeira.

Neste encontro entre as duas, Malévola supõe que seria Aurora quem teria medo dela, mas é Aurora quem indaga se Malévola tinha receio em se revelar, e em seguida diz, “Eu sei quem é você, você é a sombra que sempre esteve por perto, cuidando de mim, você é a minha fada madrinha”. Para compreender a profundidade deste encontro, devemos lembrar do que dizia Joseph Campbell, grande estudioso de mitologia do século XX [1]:

Há uma velha história que ainda é válida. A história da busca. Da busca espiritual… Que serve para encontrar aquela coisa interior que você basicamente é. Todos os símbolos da mitologia se referem a você. Você enfrentou o seu monstro interior? Você renasceu? Você morreu para a sua natureza animal e voltou à vida como uma encarnação humana?

Ora, sob este ponto de vista podemos notar que Aurora assume um papel duplo na história. Enquanto numa camada mais superficial ela continua sendo a Bela Adormecida, numa camada mais profunda desta releitura do mito, ela é a própria Malévola; ou melhor, ela é a essência mais pura, a alma de fada de Malévola, enquanto que a bruxa má é a sombra ressentida, a carcaça do ego que se afundou no ódio ao mundo que a violentou.

E por que Malévola tinha ao mesmo tempo, tanto amor e tanta raiva de Aurora, tanto ódio e tanto medo? Para compreender, nada melhor do que ouvir as palavras do grande Alan Moore, ocultista e roteirista de quadrinhos britânico [2]:

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com “E” maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é, particularmente, a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura?

Creio que isto explica muito bem todo o medo que Malévola tinha de encarar sua alma, sua aurora, face a face. Mas este é o tortuoso caminho que todos nós temos de percorrer, sejamos fadas, duendes ou seres humanos, pois que é somente ao nos reconciliarmos com nossa essência mais íntima que poderemos enfim transformar o mundo – primeiro dentro de nós, e em seguida, também lá fora.

Voltando a história…

A história do filme prossegue, e Aurora está prestes a completar 16 anos e sucumbir a terrível maldição, quando encontra um cavaleiro que passava pela floresta encantada, perdido e procurando o caminho para o castelo do rei larápio.

Aurora, que nunca havia saído da floresta, mesmo assim aponta o caminho correto, e os dois combinam de um dia se reencontrar… É preciso lembrar que este jovem cavaleiro é o único ser humano (não faérico) além de Aurora a perambular pela terra das fadas. Como ele poderia estar lá, se não fosse por se tratar de uma alma pura, como a própria Aurora?

Neste momento fica subentendido que seria este jovem aquele quem daria o “beijo de amor verdadeiro” para livrar Aurora da maldição, mas esta releitura do mito transcorrerá de forma bem mais interessante…

A fuga de Aurora

Por um descuido das “tias fadas”, Aurora acaba sabendo que, na realidade, era filha do rei larápio. Nesta altura, o desejo dela era morar “para sempre” na floresta encantada, então ela vai encontrar mais uma vez com Malévola, quando acaba descobrindo que ela era quem havia proferido a terrível maldição que selaria o seu destino. Aurora e Malévola brigam e a jovem foge para as terras do rei larápio, buscando se apresentar como sua filha.

É preciso lembrar que antes desta briga Malévola chega a tentar desfazer a sua maldição. Porém, como ela “não poderia ser desfeita por nenhum poder na terra, além do beijo de amor verdadeiro”, ela acaba falhando.

Ao encontrar sua filha, o rei larápio, já paranoico e extremamente insensível, apenas manda que a deixem trancada nalguma torre do castelo. Ele planeja atacar a floresta encantada com todo o seu exército.

Enquanto isso, o jovem cavaleiro acaba retornando a terra de Malévola, em busca de Aurora. Ao se aperceber disso, o corvo de Malévola a convence a tentar levar o rapaz até o castelo, para desfazer a maldição com o seu aguardado beijo. Prontamente, Malévola faz o rapaz dormir com um feitiço e começa a jornada até o castelo do rei.

O misterioso amor verdadeiro

Pouco antes de adentrarem o castelo, Malévola sente que a maldição profetizada havia se consumado: Aurora havia encontrado “todos os teares do reino” escondidos nos calabouços do castelo e, quase que hipnotizada pela maldição, espeta seu dedo num fuso e cai em seu sono infindável. Esta cena demonstra a inevitabilidade do seu destino, o que é muito comum em se tratando de contos de fadas.

Então chegamos a outra cena grandiosa do filme. Malévola consegue adentrar sorrateira, com o corvo e o jovem cavaleiro em seu sono enfeitiçado, aos aposentos onde se encontra a Bela Adormecida em seu sono sepulcral. A seguir, Malévola e o corvo se escondem num canto e ela desfaz o feitiço, permitindo que o jovem acordasse bem em frente ao leito de Aurora.

No entanto o jovem, muito sabiamente, pergunta se “não seria errado beijar uma jovem em seu sono”… Mas uma das “tias fadas”, que “velavam” a Bela Adormecida, diz algo como, “Vai, pode beijar!”, e o cavaleiro arrisca o seu beijo de amor verdadeiro. E não ocorre absolutamente nada!

Malévola aparece e faz o rapaz dormir novamente, então lamenta profundamente que a sua própria maldição não possa ser desfeita, visto que, como ela imaginava, “não existe o amor verdadeiro”. Ela dá então um beijo na testa da Bela Adormecida e, quando já se preparava para ir embora, Aurora desperta e diz, “Oi, fada madrinha”.

Quão misterioso é, afinal, o amor verdadeiro! Não algo que pode surgir do nada, de um encontro casual entre dois jovens, por mais puros que sejam; não algo que surja a primeira vista, mas algo que pulsa e pulsa, em nosso interior mais íntimo, nos recônditos da eternidade!

Reencontrar o amor verdadeiro faz com que Malévola se reconcilie com sua alma e com seu passado, e deixe definitivamente de ser a bruxa má, para voltar a ser a fada. Agora, não mais uma fada inocente e inexperiente, mas uma fada que viu o quão grosseiro pode ser o mundo fora de sua floresta encantada, e que ainda assim consegue manter a conexão com a sua essência eterna.

O retorno das asas

Na sequencia da história, enquanto tentavam fugir do castelo sem serem vistas, Malévola é pega numa armadilha com uma rede de ferro (o contato com o ferro fere gravemente as fadas – a alquimia explica), e então precisa combater o rei larápio e os seus guardas.

A batalha ia muito mal para Malévola (mesmo com seu corvo transformado num assombroso dragão), mas é então que Aurora, em sua fuga da batalha, acaba encontrando as asas trancafiadas de Malévola. Ela derruba a caixa de vidro onde elas estavam, e elas saem voando em direção a Malévola, unindo-se novamente ao seu corpo.

A essa altura já deve ter ficado clara a simbologia de toda a cena: as asas retornam quando Malévola consegue se reconciliar com sua essência, e transformar o seu ódio novamente em amor pelo mundo. Mas ainda faltava o rei larápio…

Ao tentar fugir voando, o antigo amigo de Malévola consegue se engalfinhar em suas pernas com o auxílio de uma arma de corrente, e os dois acabam lutando no topo de uma das torres do castelo. Em dado momento, Malévola poderia o ter enforcado até a morte; mas ela desiste, e diz, “Acabou!”.

De fato, para ela havia acabado o ódio, ela finalmente o havia perdoado. Perdoar não significa relevar o ocorrido, nem exatamente esquecer, mas reconhecer que o ódio e o ressentimento são apenas represas para o amor, e o amor, o amor verdadeiro, uma vez encontrado, deseja romper todas as represas, deseja inundar o mundo todo… Não há ressentimento que resista a tamanho milagre!

Infelizmente não foi a conclusão a qual o rei larápio chegou… Tentando atingi-la por trás, ele acaba caindo da torre e morrendo.

Depois, no final do filme, ficamos sabendo que Aurora e o jovem cavaleiro iriam se casar, e que a floresta encantada voltara a ser como era antes, na infância de Malévola. E assim, todos viveram felizes para sempre.

Joseph Campbell também dizia que “o mito é algo que não existe, mas que existe sempre”. Os mitos são, afinal, os fatos da alma e da mente humana encenados no mundo externo. Por isso são atemporais, pois os assuntos da alma residem na eternidade, e embora não existam na realidade mundana, existem na realidade da imaginação. A única forma de viver feliz para sempre é viver neste caminho que leva a nossa essência mais íntima, a nossa aurora.

***

[1] Trecho de O Poder do Mito.

[2] Trecho de The Mindscape of Alan Moore.

Crédito da imagem: Malévola – O filme (Divulgação)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

***

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

» Veja também nossa página no Facebook

#Cinema #contosdefadas #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-aurora-de-mal%C3%A9vola-parte-final

A Historia cultural dos Vampiros

A crença em criaturas vampíricas provavelmente remonta às experiências humanas muito antes do advento da palavra escrita. Tanto um temor respeitoso em relação aos mortos como uma crença nas propriedades mágicas do sangue podem ser encontradas em culturas do mundo todo. Contos modernos e antigos sobre chupadores de sangue , voadores noctívagos e sobrenaturais, tais como a Lamia (Bruxa, na mitologia grega) , são caracterizadas, sob muitas formas, em várias culturas mundiais.

O conceito específico dos mortos retornando para atacar e alimentar-se do sangue dos vivos encontrou sua maior expressão na Europa cristã. No século XII, o historiador William de Newburgh relatou diversos casos de mortos retornando para aterrorizar, atacar e matar durante a noite. Identificou esse tipo de espírito maligno com o termo latino sanguisuga. Na maioria dos casos sobre os quais escreveu, a única solução permanente era desenterrar e queimar o corpo do assaltante acusado.

Embora nenhuma crença prolongada nesses seres tenha continuado entre os ingleses, a onda de relatos virtualmente idênticos varreu grandes áreas da Europa oriental, do século XVI ao século XVIII. Uma grande variedade de termos foi desenvolvida para designar esses seres, tais como variações do termo sérvio vulkodlak (extraído da palavra que designa o lobisomem). Outros termos usados na Sérvia , vampir (de origem questionável) e palavras relacionadas (como a palavra russa upyr), também se desseminaram.

Ao longo do tempo , esses relatos sobre vampirismo se infiltraram na Europa ocidental, onde se tornaram foco de discussão intelectual. Em 7 de janeiro de 1732, um relatório oficial foi assinado pelo cirurgião do regimento de campanha Johannes Fluckinger, do governo austríaco (e três de seis assistentes), detalhando suas investigações sobre vampirismo na Sérvia. O relatório indicava diversas mortes na vila de Meduegna cinco anos antes, cuja culpa recaíra sobre um homem chamado Arnold (Paole) Paul, que alegara ter sido mordido certa vez por um vampiro e subseqüentemente morrido. Alguns acreditaram que ele tinha voltado do mundo dos mortos e os estava atormentando. Seu corpo, quando exumado, parecia estar em bom estado, mas o sangue escorria de sua cabeça e mais sangue espirrou quando foi açoitado. O cirurgião de campanha e seus assistentes estavam investigando uma nova onda de ataques alegadamente vampíricos na área quando examinaram outros supostos vampiros, que foram desenterrados. Oito, cuja aparência foi considerada extraordinariamente fresca, foram queimados.

Dom Augustin Calmet, um abate beneditino e renomado estudioso da Bíblia, publicou um tratado sobre os vampiros em 1746, no qual narrou, entre outros relatos, a história de Arnould Paul. Apresentou várias explicações racionais, mas também deixou em aberto a possibilidade de que algo sobrenatural poderia estar ocorrendo.

Vampira de MunchUm jovem escritor e médico do século XIX que pode ter se familiarizado com as teorias de Calmet sobre os vampiros foi John Polidori, um imigrante italiano residente na Inglaterra. Em 1816, durante um certo período, Polidori foi companheiro de viajem do aclamado poeta e escritor Lord Byron. Enquanto estava com Byron e um pequeno grupo de pessoas hospedadas na Villa Diodati, nas cercanias de Genebra, Polidori se juntou aos que, por sugestão de Byron, inventavam histórias de fantasmas para seu mútuo entretenimento. Uma das presentes era Mary Shelley, cuja história se transformou mais tarde no clássico romance de horror Frankesntein. A história de Byron era sobre um homem à beira da morte, que fazia seu companheiro de viagem jurar que não revelaria sua morte a ninguém. Anos mais tarde, Polidori juntou a idéia básica de Byron com um motivo vampírico. Usando Byron como modelo, criou o vampiro Lord Ruthven, um aristocrata viajante que atraía e matava mulheres inocentes a fim de se alimentar de seu sangue. Sua historia inspirou diversas peças de teatro e outras obras de criação durante o século XIX.

Em 1872, uma imagem mais inovadora para o vampiro foi apresentada pelo escritor irlandês Sheridam Le Fanu, com o lançamento de seu conto “Carmilla”, que incorpora as crenças vampíricas a uma ambientação gótica. A historia gira em torno de uma vampira que desenvolve uma longa ligação com uma vítima do sexo feminino. Insinuações eróticas nesse estranho e sinistro vínculo entre vampira e vítima ecoam ao longo de toda a história.

Em fins de século XIX, o romance Dracula, de Bram Stoker, iniciou a era da ficção que continua até hoje. Dracula criou o vampiro vilão definitivo, utilizando elementos dos trabalhos de Polidori e Le Fanu para produzir um pano de fundo gótico para a história de um predador aristocrático profano saído do túmulo, que hipnotiza, corrompe e se alimenta das lindas jovens que mata. Stoker revelou todo o impacto das conotações psicossexuais envolvidas no relacionamento entre vampiro e vítima, mostrando a notável semelhança entre ânsia de sangue dos mortos-vivos e a sensualidade reprimida dos simples mortais. Um elo psíquico ainda mais profundo está indicado quando uma vítima do sexo feminino é forçada a beber o sangue de Drácula como parte de sua transformação em vampira.

Após o lançamento do extraordinário romance Dracula, em 1897, poucos romances foram publicados durante mais de meio século, e os que foram não eram dignos de nota. Porém na primeira metade do século XX novos romances e contos do gênero horror injetaram sangue novo ao tema. Particularmente em revistas de produção precária do tipo “horror”, como Weird Tales.

Cinema e TV

Todavia, uma grande influência sobre a percepção pública do vampiro veio de filmes exibidos para grandes audiências. Boa parte dos primeiros filmes não conseguiu atrair o público no lançamento. O filme mudo alemão de 1922, Nosferatu, Eine Symphonie des Garuens, dirigido por F.W. Murnau, retratou com sucesso um vampiro de aparência mórbida e revoltante. Outros se seguiram a este como London After Midnight, em 1927.

Bela LugosiVampiro (1932) é um rigoroso e sombrio espetáculo de morbidez orquestrado pelo diretor Carl Dreyer, um dos nomes mais importantes da história do cinema. Porém os filmes das décadas de 1920, 1930 e 1940 consagraram alguns atores como lendas vivas do mito do vampiro , como o filme Drácula da Universal , estrelado por Bela Lugosi, Ao contrário do que muita gente pensa, o ator austro-húngaro Bela Lugosi interpretou Drácula nas telas em apenas duas ocasiões. Drácula (1931), da Universal, e Às Voltas com Fantasmas (1948), ao lado da dupla cômica Abbott & Costello. Entretanto o papel lhe marcou de forma tão definitiva que Bela chegou a ser enterrado vestido com os trajes de vampiro.

Outros como Christopher Lee chegaram a fazem um verdadeiro PHD de vampiro, de tanto que interpretaram o papel, ele fez simplesmente sete filmes como o conde Drácula, de Vampiro da Noite (1958) até Os Ritos Satânicos de Drácula (1973). Detestava a imagem do vampiro, mas retornou ao papel em Conde Drácula (1970), Uma Dupla em Sinuca (1970) e Drácula, Pai e Filho (1977). Filmes de vampiros sempre foram um grande sucesso a exemplo de “Bram Stoker`s Dracula”, (Copolla, 1992) ou “Entrevista com o Vampiro” (Neil Jordan, 1994). Não podemos esquecer também das várias séries de TV sobre o tema que pipocaram durante várias décadas.

Alguns anos após o término de uma cultuada série de TV sobre vampirismo conhecida como Dark Shadows, em 1971, apareceu um romance que retratava o vampiro tanto como herói trágico como anti-herói. Interview with a Vampire, de Anne Rice , publicado em 1976, faz uma apreciação altamente introspectiva da vida de um vampiro chamado Louis. A autora pinta um retrato macabro de uma pessoa altamente erudita e sensível que é atirada, sem saber , no fantasmagórico mundo dos vampiros. Louis é forçado a lidar com sua imortalidade enquanto procura algum sentido de identidade em sua existência de assassino movido a sangue.
Em 1980, para brindar as sessões da tarde criam-se diversas versões adolescentes e de terror explícito do mito do vampiro. A Hora do Espanto (1985) é a visão moderna do vampiro no sucesso que revigorou o gênero em plena década de 1980, com humor corrosivo, cenas escabrosas que abusam de sangue e gosma cenográficos e efeitos visuais espetaculares.

Cena de Drácula de Bram StokerOs anos 90 lideraram uma verdadeira explosão de interesse pelos vampiros. A revolução da TV a cabo e do vídeo cassete e posteriormente do DVD tornou acessíveis quase todos os numerosos filmes sobre o tema, muitos desses estavam inclusive fora de catálogo e foram relançados em formato digital. Uma torrente sem fim de romances vampíricos foi lançada. Um crescimento contínuo de romances sobre vampirismo em forma de seriados alcançou números sem precedentes para um único personagem do amplo universo do terror.
O aclamado Drácula de Bram Stoker (Copolla, 1992) traz uma adaptação fiel do livro de Bram Stoker, mostrando a busca do Conde Drácula pela reencarnação de sua amada. No século XV, um líder e guerreiro dos Cárpatos renega a Igreja quando esta se recusa a enterrar em solo sagrado a mulher que amava, pois ela se matou acreditando que ele estava morto. Assim, perambula através dos séculos como um morto-vivo e, ao contratar um advogado, descobre que a noiva deste é a reencarnação da sua amada. Deste modo, o deixa preso com suas “noivas” e vai para a Londres da Inglaterra vitoriana, no intuito de encontrar a mulher que sempre amou através dos séculos.

Cena de Entrevista com o Vampiro Entrevista com o Vampiro (1994), baseado no romance de Anne Rice é uma releitura do mito, carregada de ambigüidades sexuais. Em pleno século XX, um vampiro concede uma entrevista a um jovem repórter, contando como foi transformado em uma criatura das trevas pelo vampiro Lestat, na Nova Orleans do século XVIII. Uma curiosidade do filme é que Anne Rice ficou terrivelmente surpresa com a escolha de Tom Cruise para o papel de Lestat, entretanto ao ver a atuação de Cruise ela chegou a fazer um pedido de desculpas público em virtude do bom desempenho do ator.

 

Assim aparecem filmes como “Um drink no inferno” (1996, Tarantino) que teve continuações, e retrata vampiros como bestas assassinas e sedentas de sangue, num clima de roadie movie com terror escatológico.

‘Blade – O Caçador de Vampiros (1998), surgiu baseado em um herói dos quadrinhos da Marvel, um ser metade humano e metade vampiro, movido pelo desejo de vingança contra aquele que o transformou nesse ser híbrido ao atacar sua mãe antes mesmo dele nascer. O filme rendeu mais uma seqüência, e a terceira parte está para estrear nos cinemas. O filme é violento e mostra vampiros brigando pelo poder como se fossem uma espécie de máfia, não faltam efeitos especiais, cenas de luta e parafernália eletrônica.

A Sombra do Vampiro No século XXI a moda dos vampiros permanece e ganhou até um folego extra. A Sombra do Vampiro (2000, Merhige), filme de ficção sobre os bastidores do clássico alemão, sugere que Schreck era um vampiro real contratado pelo diretor F.W. Murnau para dar maior realismo à história. Outro filme recente sobre o tema é Drácula 2000, de diretor Patrick Lussier, uma adaptação para os tempos atuais da clássica história do Conde Drácula. Em 2002 mais um livro de Anne Rice é adaptado para o cinema (mas sem o apuro da anterior), A Rainha dos Condenados (Rymer), baseado no terceiro livro de Rice sobre o tema, continua contando a história do vampiro Lestat, agora transformado em uma estrela do rock. Sua música acaba despertando a rainha de todos os vampiros, que tem por objetivo destruir a Terra. Para combatê-la, os demais vampiros imortais também despertam de seu sono. Recentemente foi lançado, Underworld (2003), um filme de vampiros com uma estética copiada da trilogia de ficção científica, Matrix, que mostra Vampiros e Lobisomens numa guerra sem fim, e como outros filmes do gênero já promete uma seqüência. Pelo visto o cinema é um campo bastante propício para o vampirismo.

Histórias em Quadrinhos:

Os vampiros retornaram nas HQs. Entre outros encontros, Drácula confrontou Batman em Chuva Rubra (1992) e o mascarado Zorro numa HQ de 1993. O livro de Stoker ganhou inúmeras adaptações em quadrinhos, incluindo álbuns do genial Guido Crepax. Blade o Caçador de Vampiros, a exemplo do que aconteceu com vários heróis dos quadrinhos, chegou as telas dos cinemas, e já promete a terceira seqüência em filme. Não podemos esquecer da importância hoje dos quadrinhos japoneses, os famosos mangás, neste gênero se destaca a presença de Vampire Princess Miyu e Vampire Hunter D. Produzido em 1988, “Vampire Princess Miyu” é uma série de quatro OVA’s (disponíveis nos EUA), quatro volumes de quadrinhos (também disponíveis nos EUA) e seis histórias no fomato de rádio-novela, para CD (esses, só no Japão). Miyu é a vampira mais poderosa do mundo, sendo imune às armas tradicionais contra vampiros: cruz, alho, água benta e Sol. As histórias de Miyu apresentam um clima dramático e denso, sem contudo apelar para a violência explícita, tudo é muito sutil. O que impressiona na série é o forte apelo erótico sugerido apenas pelo olhar de Miyu e as mortes bastante cruéis dos Shimas. O roteiro é bem estruturando, renovando o tema vampiro de um maneira muito criativa.

A narrativa destes desenhos é feita por Kimiko, uma médium que não aparece nos mangás originais. Ela originariamente queria matar Miyu, mas convenceu-se de que as intenções da menina-vampiro não eram malignas. E surge uma estranha aliança entre ambas.
O autor de “Vampire Princess Miyu” é Narumi Kakinuchi. Nascido em Osaka, seu primeiro trabalho foi “Ideon Runaway” (Densetsu Kyo Shin Ideon). Outros trabalhos são as séries “Dangaioh”, “Iczer” e “Vampire Yui”, entre outros.

Quanto à Vampire Hunter D, é ambientado em um mundo futurista onde há uma nova Idade Média, Numa pequena vila, uma garota, Dóris, foi mordida por um vampiro. E não por qualquer vampiro. Pelo Conde Magnus Lee, que há séculos é o senhor daquele local. O conde pretende desposá-la. Mas Dóris não deseja se tornar uma vampira. E na cidade, lhe recusam ajuda, o merceeiro recusa-se mesmo a vender-lhe as mercadorias de que necessita. Falam em exilá-la para um antigo campo de párias, o que somente não fazem por medo: o Conde Magnus matou diversas pessoas da cidade da última vez que fizeram isso com uma das suas escolhidas. Dóris tem uma única esperança. D.

D é um caçador de vampiros. Deve ser bastante famoso, Dóris o encontra na estrada sabendo quem ele é, sem que nenhuma explicação seja dada. D é também um pouco mais que um caçador de vampiros.

Video Games

A saga de Drácula foi transportada para o universo dos games em Drácula: A Ressurreição e Drácula 2: O Último Santuário, aventuras em 3-D lançadas pela Infogames. O jogador assume o papel de Jonathan Harker e precisa desvendar enigmas, interagindo com dezenas de personagens.

Para algumas pessoas, isso vai além da mera simpatia pelo gênero para se tornar parte de um estilo de vida. Um exemplo disso está no cenário moderno da música gótica, no qual o gosto pelos vampiros e uma aparência vampírica estilizada são muito comuns.
Em resumo: Os vampiros são eternos.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-cultural-dos-vampiros/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-cultural-dos-vampiros/

Quando Israel era menino, parte final

« continuando da parte 1

Texto de Mircea Eliade em “História das crenças e das ideias religiosas, vol. I” (Ed. Zahar) – trechos das pgs. 165 a 167. Tradução de Roberto Cortes de Lacerda. Algumas das notas ao final são minhas.

O jardim do Éden, com o seu rio que se dividia em quatro afluentes e levava a vida às quatro regiões da Terra, e as suas árvores que Adão devia guardar e cultivar, lembra o imaginário mesopotâmico. É provável que, também nesse caso, o relato bíblico utilize certa tradição babilônica. Mas o mito de um paraíso original, habitado pelo homem primordial, e o mito de um lugar “paradisíaco” dificilmente acessível aos seres humanos eram conhecidos além do Eufrates e do Mediterrâneo. Como todos os “paraíso”, o Éden [1] encontra-se no centro do mundo, onde emerge o rio de quatro afluentes. No meio do jardim elevavam-se a árvore da vida e a árvore da ciência do bem e do mal (Gênese II:9). Javé deu ao homem o seguinte mandamento: “Podes comer de todas as árvores de jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás de morrer” (II:16-17). Uma ideia, aliás desconhecida, destaca-se dessa proibição: o valor existencial do conhecimento. Em outros termos, a ciência pode modificar radicalmente a estrutura da existência humana [2].

Entretanto, a serpente conseguiu tentar Eva. “Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal” (III:4-5). Esse episódio deveras misterioso deu lugar a inúmeras interpretações. O cenário lembra um símbolo mitológico muito conhecido: a deusa nua, a árvore milagrosa e seu guardião, a serpente [3]. Mas, em vez de um herói que triunfa e se apodera do símbolo da vida (fruto milagrosos, fonte da juventude, tesouro, etc.), o relato bíblico apresenta Adão como vítima ingênua da perfídia da serpente.

Temos, em síntese, uma “imortalização” malograda, como a de Gilgamesh [4]. Pois, uma vez onisciente, tal como os “deuses”, Adão podia descobrir a árvore da vida (da qual Javé não lhe havia falado) e tornar-se imortal. O texto é claro e categórico: “Depois disse Javé: ‘Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!’” (III:22) E Deus pôs o casal para fora do paraíso e condenou-os a trabalhar para viver [5].

Voltando ao enredo evocado há pouco – a deusa nua e a árvore milagrosa guardada por um dragão –, a serpente do Gênese afinal teve sucesso no seu papel de “guardiã” de um símbolo de vida ou de juventude. Mas esse mito arcaico foi radicalmente modificado pelo narrador bíblico [6]. O “fracasso iniciatório” de Adão foi reinterpretado como uma punição amplamente justificada: sua desobediência denunciava seu orgulho luciferino, o desejo de assemelhar-se a Deus. Era o maior pecado que a criatura podia cometer contra seu Criador [7]. Era o “pecado original”, noção prenhe de consequências para as teologias hebraica e cristã. Essa visão da “queda” somente podia impor numa religião centralizada na onipotência e no ciúme de Deus. Da forma como nos foi transmitido, o relato bíblico indica a crescente autoridade do monoteísmo javista [8].

Segundo os autores dos capítulos IV-VII do Gênese, esse primeiro pecado não só acarretou a perda do paraíso e a transformação da condição humana, mas tornou-se de algum modo a fonte de todas as desventuras que se abateram sobre a humanidade [9]. Eva deu à luz Caim, que “cultivava o solo”, e Abel, “pastor de ovelhas”. Quando os irmãos ofereceram o sacrifício da gratidão – Caim, produtos do solo, e Abel, as primícias do seu rebanho –, Javé acolheu a oferenda de Abel, mas não a de Caim [10]. Irado, ele “se lançou sobre seu irmão e o matou” (IV:8). Agora, sentenciou Javé, “és maldito e expulso do solo fértil (…) Ainda que cultives o solo, ele não te dará mais seu produto: serás um fugitivo errante sobre a Terra” (IV:11-12)

Pode-se ver nesse episódio a oposição entre lavradores e pastores, e, implicitamente, a apologia destes últimos [11]. […] A tradição conservada no relato bíblico reflete a idealização da existência “simples e pura” dos pastores nômades, e a resistência contra a vida sedentária dos agricultores e dos habitantes de cidades. Caim “tornou-se um construtor de cidade” (IV:17) [12] […] O primeiro assassinato é portanto cometido por aquele que, de alguma forma, encarna o símbolo da tecnologia [13] e da civilização urbana. Implicitamente, todas as técnicas são suspeitas de “magia” [14].

***
[1] Nota do autor: Essa palavra foi relacionada pelos hebreus ao vocábulo é’dén, “delícias”. O termo paraíso, de origem iraniana (pairi-daeza), é mais tardio. Imagens paralelas, familiares sobretudo no Oriente Próximo e no mundo egeu, apresentam uma grande deusa ao lado de uma árvore da vida e de uma fonte vivificante, ou uma árvore da vida guardada por monstros e grifos.
Meu complemento: É interessante como ainda hoje, nas práticas de “mentalizações de cenários naturais”, tanto na umbanda quanto no espiritualismo em geral, ainda seja tão comum imaginarmos um jardim paradisíaco – isto é, como qualquer outro jardim onde haja apenas paz –, por onde passa um rio que flui de uma cachoeira – a fonte vivificante. Este tal jardim pode mesmo ter vindo da magia africana, ainda mais antiga do que Israel ou a tradição babilônica, ou mesmo de um lugar ainda mais arcaico, ancestral: nossa própria mente, a mente humana. Por isso, quando Joseph Campbell diz que “o Éden não foi e nem será, o Éden é”, ele realmente está falando sério, muito sério!
[2] O filósofo brasileiro, Mario Sergio Cortella, diz que “o homem é o único animal mortal”. Isto, pois, todos os outros animais (tirando, quem sabe, os elefantes) não tem a ciência da própria mortalidade. Somente o homem, que adquiriu tais conhecimentos (e muitos outros, pois que “conhece o bem e o mal”, isto é, possui razão), é “condenado” a mortalidade – pois sabe que irá morrer um dia.
[3] No processo de “demonização” da Deusa Mãe, e da magia antiga, associou-se Eva ao “pecado original”, e a serpente (o pobre bode expiatório), ao “Demônio”. É sempre interessante lembrar que por toda a mitologia dos povos arcaicos (bem mais antigos que Israel), a serpente é, pelo contrário, um grande símbolo de sabedoria. Aqui, novamente, recomendo consultarem o artigo Serpentes.
[4] Herói e rei sumério semilendário, retratado na Epopéia de Gilgamesh, texto central das mitologias suméria e babilônica.
[5] Eis que o próprio Antigo Testamento já atesta, desde seu início, aquilo que Jesus viria a dizer muito depois: “vós sois deuses”. Mas nem na época da elaboração do AT esta era uma ideia nova, no Antigo Egito já se conhecia, ao menos entre os iniciados, esta frase ancestral: “eu também sou da raça dos deuses”. Porém, seria Javé injusto por haver afastado Adão e Eva do paraíso, e da imortalidade concedida pela árvore da vida? Ou não seria uma justiça ainda maior que desse a oportunidade para que o homem e a mulher alcancem a ciência da árvore da vida por seu próprio mérito? “O Reino está espalhado pela Terra, mas os homens não o veem”.
[6] Antes de condenar o “narrador bíblico”, é preciso lembrar que a principal característica da elaboração de uma nova cultura para um “novo povo” é a supressão da cultura alheia. Nesse sentido, era “função” do “narrador bíblico” exatamente modificar radicalmente alguns mitos antigos, porém sem lhes desviar inteiramente da essência. Pois que os escritores eram suficientemente sábios e cultos para compreender que certas essências mitológicas não podem ser inteiramente suprimidas – pertencem ao espírito humano, e “existem sempre”.
[7] Paradoxalmente, era também exatamente o “pecado” que o Criador já esperava de sua criatura, como fica muito claro em qualquer mitologia sobre o tema.
[8] Nota do autor: O mito da “queda” nem sempre foi entendido de acordo com a interpretação bíblica. Principalmente a partir da época helenística e até os tempos do Iluminismo, inúmeras especulações tentaram elaborar uma mitologia adâmica mais audaciosa e muitas vezes mais original.
[9] De fato, como no mito onde Prometeu rouba o fogo divino e com ele cria a humanidade, o “pecado original” deu origem a própria humanidade, pois sem a ciência da própria nudez, dificilmente Adão e Eva nalgum dia teriam um filho.
[10] Teriam os cristãos radicais, críticos ferozes dos ritos do Candomblé, lido este trecho do Gênese?
[11] Ao menos a quem tem olhos para ver, quase todas as mitologias antigas trazem, num “código meio cifrado”, a própria história dos povos arcaicos. O embate dos caçadores-coletores errantes, ou grandes povos nômades, contra os primeiros agricultores, ou mesmo as primeiras grandes aldeias onde se estocavam grãos, é tema corriqueiro dos mitos de “pós-criação”. Em nosso artigo sobre a mitologia do deus Odin, falamos sobre a guerra entre os vanir (sedentários, agricultores) e os æsir (nômades, caçadores), que essencialmente trata do mesmo tema, só que na região do norte europeu. Enquanto a mitologia nórdica “privilegia” os caçadores nômades (pois foi elaborada por eles), no relato bíblico, da mesma forma, os pastores nômades são exaltados, enquanto que os cultivadores sedentários (representados por Caim) são “banidos”. Nota-se que, neste caso, os pastores hebreus provavelmente entravam em conflito com os agricultores das terras por onde passavam com seu rebanho. A diferença é que os nórdicos æsir venceram a guerra, enquanto que a vida dos pastores hebreus deve ter sido bem mais difícil (de certa forma, o é até hoje: a própria existência do estado de Israel é questionada pelos povos em seu entorno até os dias modernos).
[12] Resta saber qual deus criou a mulher que Caim conheceu na terra de Node (IV:16-17).
[13] Caim também pode significar “ferreiro”. Na época antiga, os ferreiros eram considerados “senhores do fogo”, com o conhecimento de poderes mágicos temíveis. Um dos descendentes de Caim é Tubalcaim, “o pai de todos os laminadores em cobre e ferro”.
[14] “Qualquer tecnologia suficientemente avançada não se distingue de magia” (Arthur C. Clarke)

***

Crédito da foto: Robert Recker/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

***

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

» Veja também nossa página no Facebook

#história #Religião #Mitologia #Judaismo #MirceaEliade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quando-israel-era-menino-parte-final

A Conspiração do Silêncio

Houston, Texas, USA, um jovem presidente é assassinado. Seu nome, JOHN F. KENNEDY. Até hoje os motivos verdadeiros deste crime não foram descobertos, mas segundo “A Fonte” a morte de Kennedy estaria intimamente relacionada à divulgação de um relatório secreto de codinome “Octopode”, no qual relata a existência de um governo oculto que governa o mundo, que dita a economia, controlando as bolsas de valores, dizendo quando vai ocorrer uma “alta” ou uma “baixa”, beneficiando um grupo econômico e derrubando outro.

Eles controlariam as notícias, como, por exemplo, no caso Rosewell, em 1947, sobre a queda de um OVNI nos Estados Unidos, e no caso do ET de Varginha. Neste último, “A Fonte” afirma que o que foi noticiado não passou de uma cortina de fumaça para ocultar um evento de maior proporção que ocorreu, e que era necessário tempo para descaracterizar o local, ocultar provas e desanimar pessoas a testemunhar sobre o fato, desviando a atenção de alguns curiosos, que se autodenominam ufólogos, da área real de evento. Afirma-se que onde realmente ocorreu um acidente em uma área próxima a um centro populacional foi na cidade de Neola, no estado do Kansas, EUA, em 1º Abril de 1948, onde a queda de uma nave alielígena foi vista por um grande número de testemunhas, mas o “governo” negou o ocorrido e “abafou” a notícia. Após ridicularizar e desacreditar o fato e aqueles que o pesquisam; é mais fácil trabalhar sem perigo de exposição. Quer uma prova? Qual foi a emissora que noticiou o evento de Varginha com exclusividade?

Atualmente, esta Agência não-oficial estaria envolvida em um projeto conhecido como PROMETEU, em alusão à mitologia grega onde o Fogo Do Conhecimento é roubado do céu e levado à humanidade, que teria como finalidade pesquisar e extrair o máximo de informações de qualquer evento alienígena.

Esta Agência Secreta não só controla os eventos relacionados aos OVNIS, mas também a todo tipo de pessoas que se interessam por um conhecimento que escapa ao “normal”, como o saber transmitido pelos chamados Livros Proibidos. A estas pessoas é feito o possível para desestimular a sua busca pela Verdade, desde que é uma estudante, quando o seu tipo de compreensão do mundo não se encaixa no contexto das crianças de sua idade. A televisão rádio, jornais, revistas e inclusive internet, são controladas, e são ingênuos os que pensam que os provedores manterão o sigilo de seus clientes, segundo a “A Fonte”.

E há o Projeto MAJESTIC-12, uma das prioridades dos Homens de Negro. Teoricamente, o nome deste projeto não é real, mas apenas uma pista falsa para acobertar a Operação PROMETEU. No entanto, vamos especular sobre o Magistic-12. O número doze seria o do número de membros que dirigem o projeto, mas sabe-se que existe um décimo-terceiro, conhecido na comunidade de inteligência como O AVALIADOR, que seria quem realmente dita as decisões – este, na denúncia apresentada na série de televisão Arquivo X, seria o personagem chamado O Canceroso. A missão principal do grupo seria esconder e destruir qualquer prova da existência de vida alielígena e da visita destes seres no passado da humanidade. Teoricamente, este grupo foi criado a partir de 1947, com uma prioridade e agenda de eventos acima e sem conhecimento do presidente dos Estados Unidos. Eles controlam a Área 51, uma base secreta dos Estados Unidos do tamanho do estado de Sergipe, que oficialmente não existe, e que provavelmente contém o Hangar 18, onde supõe-se está uma ou várias naves alielígenas. Segundo “A Fonte” existem três hipóteses sobre este Grupo de Trabalho Paralelo, que são as seguintes:

Primeira: Este grupo trabalha sem conhecimento e verba oficial, e com a intenção de cooperar com a integração destes seres em nosso mundo em troca de tecnologia e poder, no momento da chamada “Revelação”, que seria o momento de divulgar a presença “deles” em nossa sociedade há muito tempo. Os membros do grupo seriam os futuros representantes de nossa raça no intercâmbio de informações, sem necessidade de voto popular, sendo a indicação indireta a única escolha.

Segunda: Este grupo não possui apoio oficial, e a identidade e número de seus membros é ignorada, e “eles” na realidade não têm conhecimento da origem e intenções destes “visitantes”. Por essa razão seu trabalho é secreto, e tão logo consigam responder a estas questões o Líder do Grupo, entrará pela Sala Oval, da Casa Branca, se apresentará ao presidente e revelará todo o contexto de existência do Grupo.

Terceira : Este grupo trabalha com conhecimento e verba não oficial, sem o conhecimento do presidente dos EUA, e com a intenção de cooperar com a integração destes seres em nosso mundo em troca de tecnologia e poder, no momento da chamada “Revelação”, que seria o momento de divulgar a presença “deles” em nossa sociedade há muito tempo.

O que parece que ninguém sabe é que a Alemanha Nazista já possuia uma nave alielígena capturada antes dos americanos, pelas tropas SS, no Tibet em 1935. Por isso que os nazistas foram os primeiros ocidentais a documentar este “protetorado” da China, na época invadida pelo Japão, que viria a ser membro do Eixo Alemanha-Itália-Japão. Contam que esta foi uma das fontes de conhecimento superior que ajudaram, nas origens secretas do nazismo, a ter tanta tecnologia superior aos futuros aliados.

Ao contrário do que muitos pensam, muitas mensagens na Internet são falsas, principalmente as relacionadas ao Druidismo, Wicca e Ordens Secretas, e muitas são manipuladas por este Grupo de Trabalho. O conhecimento real é como ouro, não é encontrado na rua ou nas livrarias como best-sellers, mas sim no submundo das informações. Até hoje a verdade é maldita, é proibida, mas vale a pena arriscar. Vale porque sempre existirão aqueles que buscam a Verdade, são os que não apenas ouvem, mas escutam, não só vêem, mas enxergam. São por esses que os sinos dobram e a Liberdade é uma realidade concreta.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-conspiracao-do-silencio/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-conspiracao-do-silencio/

Circe e Ulisses

O herói Ulisses da Odisséia de Homero e sua tripulação desesperada desembarcam na praia da ilha de Eana, onde vivia Circe, filha do Sol. Ao desembarcar, Ulisses subiu um morro e, olhando em torno, não viu sinais de habitação, a não ser um ponto no centro da ilha, onde avistou um palácio rodeado de árvores.

Ulisses enviou à terra 23 homens, para verificar com que hospitalidade poderiam contar. Ao se aproximarem do palácio, os gregos viram-se rodeados de leões, tigres e lobos, não ferozes, pois eram homens transformados em feras pelos encantamentos de Circe.

Do lado de dentro do palácio vinham sons de uma música suave e de uma bela voz de mulher que cantava. A deusa apareceu e convidou os recém-chegados a entrar, o que fizeram de boa vontade, exceto Euríloco, que desconfiou do perigo. A deusa fez seus convidados se assentarem e serviu-lhes vinho e iguarias. Quando haviam se divertido à farta, tocou-os com uma varinha de condão e eles se transformaram imediatamente em porcos, embora conservando a inteligência de homens.

Ulisses, então, resolveu ir ele próprio libertar os companheiros. Enquanto se encaminhava para o palácio encontrou o jovem Hermes, que conhecia suas aventuras e lhe contou dos perigos de Circe. Não sendo capaz de convencer Ulisses, Hermes deu-lhe o broto de uma planta chamada Moli, dotada do poder de resistir às bruxarias e ensinou-lhe o que deveria fazer.

Quando Ulisses chegou ao palácio foi recebido por Circe com muita cortesia, que lhe serviu vinho e comida. Mas quando ela o tocou com a varinha para transformá-lo em porco, Ulisses tirou sua espada e investiu furioso contra a deusa, que implorou clemência. Ulisses exigiu que ela libertasse seus companheiros e ela retirou o encantamento. Os homens readquiriram suas formas e Circe prometeu um banquete para toda tripulação.

#Mitologia #MitologiaGrega

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/circe-e-ulisses

Como viver onze dias em vinte e quatro horas

Já faz quase um ano que tenho datado todas as minhas cartas com meu próprio calendário multicultural. Obviamente, eu sei que uma cronologia multicultural parece algo muito Politicamente Correta, mas não deixe que isto te apavore. O fato é que eu concordo com o culto PC sobre muitas coisas. Na verdade, eu só discordo deles pelo fato de não gostar de sua intolerância, de suas táticas fascistas, de sua introdução da lavagem cerebral maoísta em nossa Academia, de sua absoluta falta de senso de humor ou senso comum mediano. Fora isto, eu quase aprovo as idéias PC.

Para ser sincero, eu comecei a usar um calendário único e não-Ocidental por volta de 1969-71, enquanto escrevia “Illuminatus!” com Bob Shea. Eu me dei conta que o calendário Gregoriano, o sistema padrão do ocidente, data tudo a partir do alegado nascimento de um super-herói de quadrinhos que eu considerava fictício. Ele supostamente tinha uma mãe virgem, um pai que era um pombo, e curava os cegos jogando sujeira em seus olhos. Você pode entender o porquê de minhas dúvidas.

Mas datar tudo a la Papa Gregório não apenas nos condiciona subliminarmente à mitologia do Vaticano, mas também divide artificialmente a história escrita em sua metade, criando uma certa visão torta sobre como as coisas atualmente andaram desde os tempos do neolítico.

Por exemplo: no calendário Gregoriano, a primeira dinastia Egípcia iniciou-se em cerca de 3400 “A.C.”, a fundação de Roma foi em 509 “A.C.” e a indicação do grande javali Pigasus para a presidência dos EUA se deu em 1968 “D.C.”. Tentar escapar da armadilha papista usando A.E.C ( antes da era comum/cristã) e E.C. (era comum/cristã) não ajuda muito. Nós continuamos trancados na realidade-túnel romana.

Efeitos colateriais ainda piores do calendário Gregoriano surgem quando você tenta imaginar o período de tempo abarcado nas datas que acabamos de mencionar. Isto requerer pensamento profundo, boa imaginação histórica e ainda, para aqueles tão perto da senilidade quanto eu, possivelmente rascunhos em papel. No calendário Illuminati, entretanto, estes eventos encontram seu lugar em uma única linha de tempo: a primeira dinastia egípcia inicia por volta de 600 A.L., a fundação de Roma acontece em 3491 A.L. e a apoteose de Pigasus se dá em 5968 A.L. (A.L., como na Maçonaria, significa Anno Lumina — ano de luz). Adicione mais algumas datas (Hassan-i-Sabbah se iluminou em 5092 A.L., os índios americanos descobriram Colombo em 5492 A.L., a Declaração de Independência dos EUA foi assinada em 5776 A.L., Noble Dew Ali nasceu em 1886 A.L.) e a História começa a fazer sentido como uma única seqüência organizada, e não quebrada na metade.

A cronologia Illuminati (ano um A.L., ou 4000 A.C. Gregoriano) começa com o nascimento de Hung Mung, o antigo Caoísta (pré-Taoísta), filósofo chinês que respondia à qualquer pergunta gritando “Eu não sei! Eu não sei!” o mais alto que podia. Assim, o sistema começa com uma data por volta da aurora da civilização e da escrita, e nos permite ver toda a história como uma sequência única, não interrompida por uma mudança brusca feita para comemorar o deus de um único culto esdrúxulo.

Como eu disse, me dei conta de tudo isso, incluindo as cinco estações do ano Illuminati, por volta de 5969/5971 A.L. – exatamente quando “os anos sessenta” morriam sob os cassetetes e gases lacrimogêneos da contra-revolução de Nixon. Foi apenas em 5992 A.L, após descobrir Noble Drew Ali e o Templo da Ciência Moura, que me dei conta que qualquer calendário, mesmo minha adorada cronologia Illuminati, impõe uma ordem única sobre um sistema complexo, tendo assim implicações reducionistas e quase totalitárias, ao menos subliminarmente. Assim, mudei para um sistema multicultural que, ouso pensar, adequadamente representa o que o historiador Crane Brinton chamou da crescente multanimidade (em oposição à unanimidade) atual da Espaçonave Terra.

Por exemplo, em meu calendário multicultural a data na qual comecei a escrever este artigo mostra-se da seguinte forma:

  • Poundiano – 19 de Ártemis de 72 p.s.U.
  • Thelêmico – 19 de Setembro, Anno XC
  • ‘Patafísico – 12 de Absolu de 122 E.P.
  • Revolucionário Francês – Le Travail de 202
  • Islâmico – 12 Rabi-2 de 1373 D.H.
  • Gregoriano – 19 de Setembro de 1994 E.C.
  • Erisiano – 43 de Burocracia de 3178 y.C.
  • Chinês – 15o. dia do 8o. mês do Ano do Cachorro 4692
  • Maia – 6 de Bambu de 5106
  • Hebreu – 14 Tishiri de 5755 A. M.
  • Illuminati – 43 de Beamtenherrschaft de 5994 A.L.

 

Algumas lições rápidas e valiosas saltam imediatamente desta cronologia.

Primeira: o tão falado “Milênio” só parece próximo em alguns calendários, e está distante, por exemplo, 245 anos no Hebreu, 798 anos no ‘Patafísico, etc.

Segunda: quando eu chamo este sistema de meu, não tenho o objetivo de me vangloriar, mas para indicar limitações e realidades pessoais: muitas alternativas podem existir, de acordo com as preferências do usuário. Você pode deixar de lado o Chinês e o Maia, se quiser, e adicionar o Tibetano e o Asteca, etc. Pessoalmente, eu adoraria incluir os sistemas Wiccan e Druídico, se alguém pudesse encontrá-los ou inventá-los.

Algumas explicações adicionais:

O calendário Poundiano, criado por Ezra Pound, tenta definir a era pós-cristã e data tudo a partir de 31 de outubro de 1921 (gregoriano) – a data em que Joyce escreveu as últimas palavras do “Ulisses” (Pound também completou 36 anos nesta data. Você não pode esperar que um egomaníaco, mesmo um tão generoso quanto o velho Ez, deixe-se inteiramente de fora da datação da Nova Era). O termo “p.s.U” significa “post scriptum Ulysses”. O primeiro de dia de novembro de 1921, por conseguinte, tornou-se 1 de Hefaístos do ano 1 p.s.U. O ano possui 6 meses masculinos para os deuses solares fálicos (Hefaístos, Zeus, Saturno, Hermes, Marte, Fobos – em gregoriano: Novembro, Dezembro, Janeiro, Fevereiro, março e Abril) e 6 meses femininos para as deusas lunares (Kupris, Juno, Atena, Héstia, Ártemis, Deméter – em gregoriano: Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro e Outubro).

Neste sistema, nós já progredimos 72 anos na era pós-cristã e entraremos em breve no septuagésimo terceiro.

Para aqueles que têm outras idéias sobre quando iniciou a era pós-Cristã, o calendário Thelêmico data tudo a partir do 1904 gregoriano, quando Aleister Crowley recebeu (ou concebeu) o “Livro da Lei”. Isto faz este ano ser 90, que os thelemitas escrevem em estilo latino – Anno XC. Por algum motivo, Crowley não renomeou os meses, então eu mantenho os nomes gregorianos neste caso.

Como um multiculturalista, eu não tenho favoritos. De certo modo, nós já evoluímos 72 anos além do culto de Cristo, e em outro sentido já evoluímos 90 anos. Como disse Sri Syadasti, “Todos os sistemas são verdadeiros em algum sentido, falsos em algum sentido, verdadeiros e falsos em algum sentido, verdadeiros e sem sentido em algum sentido, falsos e sem sentido em algum sentido, e verdadeiros e falsos e sem sentido em algum sentido”. Um ensinamento secreto Illuminati afirma que se você repetir isto 666 vezes, atingirá a Iluminação Total, em algum sentido.

Para aqueles que concordam que entramos na Era ‘Patafísica, incluí seu calendário, iniciando no nascimento de Alfred Jarry em 8 de setembro de 1873 (ele divide o aniversário com a Virgem Maria nos mitos católicos e com Molly Bloom nos mitos joyceanos; ‘patafísicamente, esta “coincidência” deve significar algo). Assim, cada ano ‘Patafísico começa no aniversário de Jarry, renomeado para 1 de Absolu, e segue adiante através de 13 meses com 29 dias cada (Absolu, Maha, As, Sable, Decervelage, Gueles, Pedale, Clinamen, Palotin, Merdre, Gidouille, Tatane e Phalle). Já que cada semana tem sete dias e cada mês quatro semanas, e 7×4=28, temos um dia extra para cada mês. Nós chamamos estes meses de “imaginários”, por analogia com os números imaginários. Cada mês começa em um domingo, o que simplifica o sistema e assegura que o dia 13 sempre cairá em uma sexta-feira.

À medida em que crescem visões e abduções por OVNIs, ocorrências de poltergeists e encontros com o Chupacabras, muitos podem considerar o calendário ‘Patafísico o mais plausível de todos. Como afirmou Jarry, todas as outras ciências lidam com generalizações, mas a ‘Patafísica lida apenas com o excepcional.

O calendário revolucionário francês data tudo a partir do 1792 gregoriano, e como eu escrevo isto em meio às cinco Sansculotides, ou dias de festa (Les Vertus, Le Genie, Le Travail, L’Opinion e Les Recompenses), não se usa o nome do mês. Daqui a três dias (22 de setembro) começa o mês de Vendemaire, seguido por Brumaire, Frimaire, Nivose, Pluvose, Ventose, Germinal, Floreal, Prairial, Messidor, Thermidor e Fructidor.

O calendário Islâmico começa com a fuga do profeta (hégira), no ano de 4622 A.L. (622 gregoriano). D.H. significa depois da hégira, a abreviatura usual utilizada por Muçulmanos; assim, este ano se torna 1373 D.H.. Você pode procurar os meses em qualquer enciclopédia. Eu não pretendo fazer todo o trabalho por você, e, se eu fizesse, este artigo sairia maior do que desejam os editores.

Você já conhece o calendário Gregoriano, batucado em nossas cabeças por nossas escolas alegadamente “seculares”, e utilizado por todos que detêm poder em nossa sociedade – bancos, corporações, até mesmo os governos. Meu sistema tenta quebrar o condicionamento/hipnose criado por esta uniformidade artificial.

O calendário Erisiano, que devemos à sublime genialidade de Malaclipse O Mais Jovem, data os eventos a partir de 2816 A.L.(1184 AEC, gregoriano), o ano da Esnobada Original. Se você não sabe o que foi a Esnobada Original, vá ler o “Principia Discordia”, onde você encontrará a Esnobada, juntamente com a Maçã de Ouro, a Guerra de Tróia e tudo o mais no universo, explicado de uma vez por todas. Cada ano tem cinco estações, representando os cinco graus de SNAFU impostos sobre nós pela Esnobada Original – Caos, Discórdia, Confusão, Burocracia e Relações Internacionais. Isto nos dá 73 dias para cada estações, o que equivale a um dia Chokmah na Cabala. Aqui o Sábio e Sutil encontrará um profundo segredo oculto, se puder Saber, Ousar, Querer e Calar.

A cada quarto ano, obviamente, damos de cara com aquele maldito dia extra que também deixa os Gregorianos perplexos. Nós, os Erisianos, o chamamos de Dia de São Tibb, já que todos concordam que São Tibb nunca existiu.

O calendário chinês faz mais sentido do que qualquer um dos outros, mas eu o acho complicado demais para explicar. Você procura, tá bom? Enquanto isso, fique feliz em saber que vivemos agora no ano 4692, e você não tem que se preocupar sobre qualquer maldito Milênio pelos próximos 308 anos.

Eu acho o calendário Maia ainda mais perturbador, mas o mantenho em minhas cartas porque gosto dos nomes dos dias: Crocodilo, Noite, Serpente, Veado, Jade, Macaco, Bambu, Águia, Pensamento, Tempestade, Vento, Rede, Morte, Coelho, Cachorro, Dente, Jaguar, Cera, Faca e Caçador. Me faz lembrar de minha última viagem de ácido. Este ano conta como 5106 para este ciclo, mas numerosos ciclos rolam sem parar e não necessariamente terminam no 2012 gregoriano, não importa o que você tenha escutado; isto deve apenas marcar a abertura de outro mega-ciclo.

Pesquise por si mesmo sobre o sistema Hebreu. Você realmente acha que pode aprender alguma coisa importante sem esforço pessoal?

Os anos Illuminati você já conhece. As cinco estações têm os nomes Verwirrung, Zweitracht, Unordnung, Beamtennherrschaft e Realpolitik, cada uma com 73 dias. Como os Gregorianos e os Erisianos, também temos um dia extra pendurado a cada quatro anos. Nós o chamamos de Heiligefliegendekindersheissetag, e nele acontecem rituais que matam a pau os do dia de São Tibb.

A beleza deste sistema multicultural, para mim, reside em sua completa falta de fidelidade a qualquer realidade pessoal, o que condiciona os usuários a pensar em termos de realidades comparativas. Assim, para a maioria de nós, 25 de dezembro significa o dia do Cristo, e mesmo os ateus sentem-se engolfados pela Grade de Realidade do culto romano. Em meu sistema de calendário múltiplo, por outro lado, a mesma data aparece de várias formas – como 25 de Zeus de 72 p.s.U, ou 25 de Dezembro do Anno XC, ou como 25 de Sable de 122 E.P., ou como 5 de Nivose de 203, ou como 22 de Rajab de 1373 D.H., ou como 67 de Relações Internacionais de 3178 y.C., ou como o 22o. dia do 11o. mês de 4592, ou como 11 de Cachorro de 5106, ou como 23 de Teves de 5755 A.M., ou como 67 de Realpolitik de 5994 A.L.. Você tem uma vasta gama de escolhas sobre o que celebrar. Por que não celebrar todos de uma só vez? Só não vá dirigir depois.

Eu gostaria de agradecer a Hakim Bey, James Koehnline, Gregory Hill e John ver der Does pela ajuda com partes deste multicalendário. Se alguém encontram algum erro, por favor, me avise imediatamente.

Obviamente, minha motivação básica para tentar popularizar este sistema reside na esperança de que algumas pessoas o utilizem e fiquem curadas de perguntar “Mas qual é a data verdadeira?”. Elas então podem começar a ver a falácia de todas as perguntas deste tipo, e alcançarão grande parte dos objetivo da Semântica Geral, do Erisianismo, do Desconstrucionismo e do Budismo. Alguns podem até vir a compreender o porquê de “é” não aparecer em ponto algum deste artigo.

por Robert Anton Wilson, Traduzido por k-Ouranos 333

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/como-viver-onze-dias-em-vinte-e-quatro-horas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/como-viver-onze-dias-em-vinte-e-quatro-horas/

Poseidon e os Marinheiros de Oxóssi

Olá crianças,

Poseidon sempre foi uma das minhas divindades favoritas. Não apenas pelo seu arquétipo de fartura e prosperidade marítima, mas como irmão de Zeus e Hades, um dos governantes de todo o universo grego além, claro, de seu tridente ter sido a inspiração para a associação do tridente do diabo nos cultos católicos romanos mais antigos, que primeiro fizeram esta associação.

Costumamos associar Poseidon à esfera de Chesed, afinal de contas, Ele possui todos os arquétipos de “Deus-Pai”, associações óbvias à prosperidade, riqueza, poder de Rei administrador e governante.

Porém, em uma conversa certa vez com Soror Othila, ela disse que sentia Poseidon como um grande arquétipo masculino ligado a Yemanjá. Sua defesa era embasada: Poseidon é o Senhor dos Mares ao passo que a energia matriz de yemanjá-Yesod é o domínio das águas do mar, ou do Grande Subconsciente. O problema é que absolutamente TODOS os arquétipos mitológicos de Yesod são os de donzelas lunares.

E quando este Caminho é acrescentado, podemos perceber que muitas divindades que estávamos colocando em determinado Caminho podem ser “realocadas” para este novo arredondamento. Tomemos, por exemplo, ENKI, o Aguadeiro, deus mesopotâmico que muitas vezes é tido como o arquétipo original do signo de Aquário. Ele possui características de Chesed, mas também possui características que o associam ao Caminho de TZADDI, a Estrela, tanto que suas jarras de água foram emprestadas para duas cartas do tarot, a Temperança e a Estrela. Ao olharmos para a Árvore da Vida, vemos que curiosamente, estes dois arcanos delimitam as bordas do novo Caminho, que nomearei “O Pescador”.

Por que “O Pescador”? Por alguns motivos: O primeiro é que ele é delimitado pelos Caminhos de Tzaddi (Anzol), Samekh (erguer), Kaph (trabalhar/júpiter), Yod (vontade/eremita) e cruza NUN (peixe/morte).

Também vemos que seis dos apóstolos de Xristos são descritos como “Pescadores” e estas características geralmente são associadas ao Arcano da Estrela (Fé, Esperança) e os arquétipos de velho (Eremita) e Prosperidade (júpiter) coroam este novo Caminho quando ele se aproxima de Chesed. Da fusão destes símbolos têm-se “A prosperidade no mar”, ou “O domínio do subconsciente”.

Eis que me deparo com alguns decks antigos, pré-Gebelin, que TINHAM uma carta chamada “O Navio”, que ficava no Arcano 14… onde hoje é a Temperança (exceto pelo deck de Minchiati, que o colocava no Arcano XXi – descoberta do novo Mundo e o associava à água [MEM]). Com a estruturação do tarot ao redor do deck de Marseille, estas cartas foram substituídas por arcanos que estivessem mais próximos das 22 letras hebraicas.

Cabalísticamente, temos um Arcano cercado pelas energias de Resh (cabeça/pensar), Samekh (erguer), Mem (Água) e Lamed (Aguilhão/Justiça) cruzando Ayin (olho, observar). A figura de um marinheiro no topo de um mastro, observando e patrulhando os mares me vêm à cabeça. Em conversas com marinheiros da linha de Ogum, percebemos que muitos deles fazem exatamente isso: patrulhar e proteger aqueles que são atacados no campo emocional, estando muito ligados à proteção durante a gravidez (novamente, campo de Yemanjá).

Fica ai a proposta de estudos de dois Caminhos novos (porém antigos).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/poseidon-e-os-marinheiros-de-ox%C3%B3ssi

A Mitologia do Necronomicon e a Magia Moderna

ALEISTER CROWLEY

Os escritos de Aleister Crowley mostram muitos paralelos com a mitologia do Necronomicon. Alguns destes paralelos são listados abaixo. Yog-Sothoth cotérmino com todo espaço e tempo. (veja Parte Um sobre Yog-Sothoth). A Nuit de Crowley é o “espaço infinito”. Azathoth é o infinitamente compacto “Caos nuclear no centro do infinito”. O Habit de Crowley é o ponto “infinitamente pequeno e atômico”. Aqui nós vemos que dois dos mais importantes deuses do Necronomicon correspondem exatamente com os dois mais importantes deuses de Crowley. Crowley recebeu o LIVRO DA LEI, que previa o retorno de divindades antigas, do mensageiro dos Deuses Aiwass.

O Necronomicon afirma que o retorno dos Antigos será anunciado por Nyarlathotep, o Poderoso Mensageiro. Crowley afirma que a ascensão e a queda dos deuses são governadas por um processo que ele chama de Equinócio dos Deuses. O Necronomicon afirma que ressurgimento e a queda dos Antigos também são governados por um ciclo rotacional de Éons (Depois do verão vem o inverno, depois do inverno, o verão). O Dragão (fluxo draconiano) é importante para a magia de Crowley. Cthulhu, o deus semelhante à um dragão, é de grande importância no Necronomicon. Crowley as vezes refere à Estela da Revelação como CTH^H666. Note a similaridade entre CTH^H e CTHULHU. Existem muitas outras similaridades mas estas podem dar a você a idéia geral.

 

ANTON SZANDOR LAVEY

Anton LaVey é a cabeça fundadora da Igreja de Satã. Na “A Bíblia Satânica” LaVey assevera que a shew-stone usada por Dr, John Dee é a mesma coisa que o Trapezoedro Brilhante da Mitologia do Necronomicon. Sr. LaVey também fala em “A Bíblia Satânica” que o Deus Bode venerado através dos éons é A Cabra Negra dos Bosques com Mil Jovens do Necronomicon.

Na seqüência da Bíblia Satânica, “The Satanic Rituals”, LaVey apresenta dois rituais concernindo inteiramente dos mitos de HPL. O primeiro é a Chamada de Cthulhu. O segundo é a Cerimônia dos Nove Anjos Ângulos:

“CELEBRANTE: Kzs’nath r’n As-Athoth bri’nwe sz’g elu’khnar rquorkwe w’ragu mfancgh’ tiim’br vau. Januf a wrugh kod’rf kpra kybini sprn’aka ty’knu El-aka gryenn’h krans huehn

TRADUZIDO: Azathoth, grande centro do cosmos, toque tuas flautas para nós, acalmando-nos frente aos terrores de teus domínios. Tua alegria sustenta nossos medos, e em teu nome nós regozijamos no Mundo dos Horrores.

PARTICIPANTES: Ki’q Az-Athoth r’jyarh wh’fagh zhasa phr-tga nyena phragn’glu

TRADUÇÃO: Honra a Azathoth, sem cuja gargalhada este mundo não existiria.”

Em “As Leis do Trapezóide” LaVey menciona as “Feras do Tempo” e em alguns rituais menciona os Antigos.

 

KENNETH GRANT

Kenneth Grant é o diretor da filial britânico da O.’.T.’.O.’.. O sistema mágico de Grant é apenas isto: O sistema de Grant. Sua Cabala é altamente única à ele. Grant sente que os Antigos e os Outros Deuses são bem reais. Ele desenvolve uma nova interpretação dos livros do Livro da Lei de Crowley na luz do que ele chama de “Gnose do Necronomicon”.
Grant é talvez conhecido pelas suas propostas únicas para o controle dos sonhos e magia sexual. A interpretação de Grant do Roba el Khaliye (Rub al Khali) é bem próxima do que é pregado entre os Muqarribun. “Hecates Fountain” de Grant contêm muito do material relacionado à HPL/Necronomicon de todos os seus livros. Grant foi amigo de Austin Spare. Spare era um brilhante artista e ocultista. Grant uma vez deu a Spare uma cópia de um dos livros de Lovecraft Spare ficou muito perturbado com o que leu. Ele sentiu que haviam forças muito sombrias ligadas às histórias de HPL. Spare criou várias peças de arte mágicas baseadas em HPL. É pensado que Spare tenha dito que HPL tenha escrito muito mais que ele saiba.

 

MAGIA ENOQUIANA

Magia enoquiana foi descoberta por John Dee no século dezesseis. É aparentemente baseado em uma língua previamente desconhecida. Muitos magos asseveram que a língua enoquiana pré-data todas as línguas humanas. Geral J. Schueler é amplamente considerado um dos primeiros especialistas em magia enoquiana. Sr. Schueler afirma que magia enoquiana “o poderoso sistema de magia usado por Aleister Crowley, pelo Amanhecer Dourado, e do Necronomicon para contatar inteligências de outras dimensões.” É dito que John Dee talvez tenha estabelecido contato pela primeira vez com entidades enoquianas usando magia adaptada do Necronomicon.

O sistema enoquiano tem muitos paralelos com HPL. Schueler assevera que a tradição enoquiana propõe a existência de um Deus ou Força que é a manifestação do Espaço Infinito similar à Nuit de Crowley e ao Yog-Sothoth de HPL. Schueler também sustenta que a Manisfestação Divina do ponto nuclear no centro do infinito (equivalente à Hadit ou Azathoth) é também importante para a magia enoquiana. As Chaves Enoquianas afirmam que o mundo está se aproximando de um ciclo rotacional de éons em que os Deuses Anciãos retornarão e o mundo será para sempre mudado. Estas chaves também mencionam um dragão encarcerado (Cthulhu?). O fato de que as chaves estão em uma língua sobrenatural que pré-data a humanidade também é em si bem Lovecraftiano.

Texto Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-e-a-magia-moderna/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-e-a-magia-moderna/