O Vampiro na literatura, filmes e na cultura pop – Lorde A

Bate-Papo Mayhem #028 – gravado dia 06/06/2020 (sabado) Marcelo Del Debbio bate papo com Lorde A – O Vampiro na literatura, filmes e na cultura pop. Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

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#Literatura #vampiros

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14 sabedorias de Joseph Campbell

por André Camargo

Joseph Campbell é o cara que criou aquela história da ‘Jornada do Herói’. É também o cara daquele documentário incrível, ‘O Poder do Mito’. Já ouviu falar?

Eu gosto muito. 🙂

Sabe aquela pilha de livros que você morre de vontade de ler, mas nunca dá tempo? Essa pilha só cresce, né?

Imagina que o cara tava lá, contrariado com as exigências arbitrárias do doutorado, e resolveu largar a coisa toda. Aí, alugou um casebre no meio do mato e passou ali, sozinho, os cinco anos seguintes.

Fazendo o quê?

Lendo.

9 horas por dia, todos os dias.

Segundo ele, o período de estudo e recolhimento foi a base de toda sua vida futura, assim como do conjunto de seu pensamento.

O cara leu todos os livros que ele queria, do jeito que ele queria, no tempo dele.

Uau.

Essa é uma passagem emblemática na biografia do cara. Como você verá, o pensamento de Joseph Campbell é um monumento à coragem de viver a vida nos próprios termos.
[Sugestão de Consumo] Vá com calma. Leia cada citação pelo menos duas vezes, antes de seguir em frente.

__________

(1) “A gente precisa se dispor a abrir mão da vida que planejamos a fim de encontrar a vida que espera por nós.”
Deixar-se guiar pelo próprio coração — e não por planos. Abrir mão do desejo de controle. Destemor e confiança. Abertura. Permitir que o que é vivo em nós se manifeste e nos direcione.

(2) “Qualquer que seja seu destino, o que quer que aconteça, diga: “Isso é o que eu preciso”. Pode parecer devastador, mas olhe para aquilo como uma oportunidade, um desafio. Se você trouxer amor para aquele momento — não desencorajamento — perceberá que existe força naquilo.”
Essa é a filosofia do Amor Fati, de Nietzsche. A Força que vem da aceitação incondicional; render-se incondicionalmente à Vida. Requer uma alta dose de desapego. E, de acordo com a sabedoria oriental, premia com a maior das liberdades.

(3) “Você é o herói (ou heroína) da própria história.”
Na real, acho que a maior parte das pessoas, hoje, vive como coadjuvante da própria história. O que é muito triste e não tem nada de heroico. O desafio é sair da periferia da vida, da posição de vítima das circunstâncias, e tomar a vida nas próprias mãos. O que te faz herói ou heroína é tornar-se a um tempo autor/a e protagonista da própria história.

(4) “A caverna em que você teme penetrar guarda o tesouro que você busca.”
A noite escura da alma, que, dizem, precede o despertar de uma nova consciência. Na linguagem da Jornada do Herói, passamos pela Provação Suprema, o encontro com a Sombra, antes de podermos encontrar o Elixir que cura todas as dores.

(5) “Não acredito que as pessoas estejam buscando pelo sentido da vida, tanto quanto pela experiência de se sentirem vivas.”
O sentido da vida, para ele, não é um tipo de enigma a ser solucionado; o sentido da vida é estar vivo. Estar plenamente vivo dá sentido à existência.

(6) “Siga o que enche seu coração de alegria e o universo abrirá portas onde antes só existiam muros.”
Follow your Bliss. Essa frase é considerada a quintessência do pensamento de Campbell. E bliss é uma palavra danada. Ninguém consegue traduzir direito. Então, eu optei por uma expressão: ‘bliss’ = ‘o que enche seu coração de alegria’. A origem do termo, segundo Campbell, é o sânscrito: ‘ananda’. Que significa êxtase, beatitude ou felicidade suprema.

(7) “O maior privilégio da vida é ser quem você é.”
Sócrates ecoa o Oráculo de Delfos: “Conhece a ti mesmo”. Já ouviu isso? Para os gregos antigos, cumprimos nosso destino humano ao amadurecer as sementes de realização que se manifestam por meio de nossos dons e talentos únicos. Nietzsche reformula: “Torna-te quem tu és”.

(8) “A vida não tem sentido. Cada um de nós tem sentido e nós o atribuímos à vida. É bobagem fazer a pergunta quando você é a resposta.”
Essa é matadora! A vida tem o sentido que a gente dá. Nós mesmos somos a resposta para a questão do sentido da vida… Basta se encarar no espelho.

(9) “A vida é como chegar atrasado ao cinema, ter de sacar o que tava rolando sem perturbar todo mundo com um monte de perguntas, e aí ser inesperadamente chamado de volta antes de descobrir como o filme acaba.”
Adoro essa imagem! Uma metáfora da condição humana simplesmente… cinematográfica.

(10) “O objetivo da vida é sintonizar a batida do seu coração com a batida do universo, sintonizar sua natureza com a Natureza.”
Isso é muito lindo. Como o coração do bebê, que bate no mesmo ritmo que o coração da mãe. Assim é. Assim é.

(11) “Se você de fato segue o que enche seu coração de alegria, você se coloca em um tipo de caminho que sempre esteve lá, à sua espera, e a vida que você deveria estar vivendo é a vida que você está vivendo.”
Como uma semente caída no asfalto. Pode ficar um bom tempo ali, congelada. Se, no entanto, alguma força externa a conduz até um punhado de terra fértil, ela naturalmente se reconecta com a verdade de seu Ser, seu potencial de realização. Ela desabrocha, cresce, floresce, frutifica. Pois aquele solo sempre esteve lá, à sua espera, e a nova vida que ela passa a viver é de fato a vida que ela deveria estar vivendo.

(12) “De repente, você é atirado/a na situação de estar vivo. E a vida é dor, e a vida é sofrimento, e a vida é horror, mas — meu Deus — você está vivo, e isso é espetacular.”
Para Joseph Campbell (assim como na maior parte das filosofias orientais), faz mais sentido substituir a ânsia por saber, essa busca ansiosa por respostas, pela experiência de deslumbramento, de arrebatamento, de assombro e deleite diante do mistério.

(13) “O mundo sem espírito é uma terra devastada. As pessoas têm a ideia de salvar o mundo mudando as coisas de lugar, mudando as regras, e quem está em cima e assim por diante. Não, não! Qualquer mundo é um mundo válido se está vivo. A coisa a fazer é trazer vida a ele, e a única forma de fazer isso é encontrar em si mesmo onde a vida está e tornar-se vivo você mesmo/a.”
A aridez de viver apartado de si! Lembro bem. Sempre me pergunto: como colocar meus dons e talentos, minha pulsação, para fortalecer o que serve à vida —  em qualquer situação?

(14) “Não podemos curar o mundo de seus pesares, mas podemos escolher viver com alegria.”
Um antídoto para a onipotência. Acho que a única maneira de, verdadeiramente, salvar o mundo é salvar a nós mesmos primeiro. Um ser humano plenamente realizado é a mais profunda inspiração para cada um de nós.

#Mitologia

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Baal! O Senhor das… Moscas?!

E deixaram todos os mandamentos do SENHOR seu Deus, e fizeram imagens de fundição, dois bezerros; e fizeram um ídolo do bosque, e adoraram perante todo o exército do céu, e serviram a Baal. 2 Reis 17:16

Baal é uma palavra em hebraico que significa Senhor, Lorde, Marido ou Dono. Numa época longínqua houve confusão quanto ao significado real da palavra em relação a adoração de algum deus. Pois muitos aparentemente adoravam o mesmo deus, porém com nomes diferentes. A confusão estava formada. Bamote-Baal, Bete-Baal-Meom, Baal-Melkart, Meribe-Baal, Quiriate-Baal e até o famoso Baal-Zebube, conhecido como O Senhor das Moscas (já, já explico isso) eram alguns dos nomes dos deuses que por confusão, ou não, eram adorados nas terras dos povos semíticos.

Pra variar, o povo semítico que estava por surgir, lançou-se numa guerra santa contra a adoração de “falsos deuses”. Partindo da premissa que seu Senhor era o verdadeiro. No Livro Sagrado desse povo, em algumas traduções e na boca do povo, Baal é conhecido mais por Belzebu, o Baal-Zebube que eu falei ainda a pouco.

Na tradução do Rei James da Bíblia, Baal-Zebube é descrito com o epíteto de O Senhor das Moscas. Explicando que isto se dava ao modo que eram “sepultados” os mortos. Coisa que chocou e muito os Judeus. Pois dizia-se que a Terra é Sagrada e os animais não enterravam cadáveres nela. Os corpos dos mortos eram lançados em grandes áreas abertas para serem devorados pelas aves de rapina.

Como muitos de vocês sabem, há uma certa regra quanto ao tratamento que se dá com os mortos e a ligação que o deus adorado, pelos sacerdotes mortuários. Seria o sepultamento para a Terra; o lançar de corpos em rios e mares para a Água; o despedaçar de corpos por aves de rapina em montanhas ou lugares abertos para o Ar; a cremação para o Fogo; e a mumificação para o Espírito/Éter/Akasha.

Nisso vocês já sacaram que Baal-Zebube era então um deus ligado ao elemento Ar. E no inglês, Fly quer dizer tanto mosca, quanto vôo. Talvez indo por uma lógica simples, Baal-Zebube seria o deus das coisas que voam ou que estão pelo ar. Sejam sílfides ou as próprias aves. O que também não exclui as moscas, já que estas eram vistas nos cadáveres que os Judeus encontraram e os horrorizavam tanto.

E o que são deuses de raça?

Bom, a confusão provocada não é tão difícil de explicar da forma ocultista também. Da mesma forma que acontece com os animais, plantas e minerais, e seus espíritos-grupo, nós temos espíritos superiores que nos guiam pelo modo mais denso que eles podem. O ar. Através da respiração, adquirimos o éter, que é o veículo que eles usam para entrar em contato conosco. Essa relação é chamada entre os gregos de Theos Pneumaton. E entre os cristãos de Alento de Deus. Por isso que se diz que “o Senhor soprou a Vida pelas narinas de Adão”.

Estes seres foram enviados em uma época imemorial para dar prosseguimento com a evolução consciencial da humanidade até que pudessemos adiquirir por nós mesmos a capacidade de andarmos com os próprios pés. A individualidade propriamente dita. Por que vocês acham que a vida fica mais dura e cheia de ordálias quanto mais nós nos aproximamos da Verdade? É mais ou menos o “vai trabalhar, vagabundo!” que nossos pais fazem muitas vezes por amor, mas quase ninguém entende.

As guerras tolas, quero dizer… Santas, que aconteciam, era devido ao fato de muitos desses tais deuses terem evoluído de uma humanidade que até a época deles ainda mantinha traços de individualismo inferior e desejos fúteis de ego e poder. O que resulta nessas lendas de guerras entre os deuses. Também cada um deles (vamos chamá-los de Inteligências Arcangélicas), como acontece com os espíritos-grupo estava responsável pela parcela da humanidade que lhe cabia. Aí entra naquela história de raça ariana e povo escolhido de Deus…

À medida que o homem vai se afastando da influência das Inteligências Arcangélicas e das egrégoras delas, e vai adquirindo individualidade, prosegue com os planos para este novo Aeon. A idéia de que “todo homem e mulher é uma estrela” e que “sois deuses”. Portanto não tenham medo do que pode acontecer a vocês caso trilhem os Caminhos da Santa Árvore da Vida, pois amigos não faltarão nesta jornada.

Que as vossas Rosas floresçam na tua Cruz.

#Mitologia

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Referencias Hermeticas em Promethea – Parte 1

por Octavio Aragão

“Nomeio a palavra ‘memória’ e reconheço o que nomeio. Onde o reconheço senão na própria memória? Mas então está ela presente a si mesma, pela sua imagem, e não por si própria?“
Santo Agostinho, Confissões

Um golem para Mr. Moore
Há um bom motivo para que os cânticos religiosos e as rezas sejam entoadas em voz alta. Segundo a cabala [1], energias cósmicas entrariam em movimento assim que certos sons fossem proferidos por voz humana, transformando a realidade em massa moldável e nossa vontade em espátula capaz de formatar o continuum.

Alan Moore tomou uma decisão radical no momento em que completou 40 anos: optou por estudar esoterismo, mais especificamente a magia das palavras, em lugar de sofrer uma crise de meia-idade.Para quem acompanha o trabalho do roteirista de Northampton, tais influências ficam claras em algumas das HQs produzidas nos últimos 10 anos para o mercado norte-americano, mais especificamente a mini Judgement Day, de 1997, para a Awesome Entertainment, Glory, lançada incompleta pela Avatar Press em 2001, e Promethea, publicada pelo selo America’s Best Comics, da DC, onde o escritor aproveita o imaginário dos super-heróis para fundamentar uma série de conceitos que mergulham fundo em referências místicas, cruzando técnica narrativa e um certo didatismo cabalístico numa mistura nem sempre agradável ao grande público, acostumado ao imediatismo maniqueísta dos vilões monomaníacos e dos protagonistas bidimensionais.

Apesar de nutrir alguma simpatia sociológica pelos colantes coloridos e de já ter feito um bom dinheiro graças a eles, Moore mantém um saudável pé atrás quando se vê obrigado a atuar no mercado estadunidense. Não é de se estranhar, já que, aparentemente, o autor havia dado sua última palavra ao gênero com a muito falada série Watchmen, sem contar com as anteriores Miracleman, V For Vendetta e Captain Britain, mas pode-se dizer que Moore recebeu uma proposta faustiana, ao ser convidado pelo polêmico Rob Liefeld, – ilustrador americano de qualidades dúbias em termos de desenho e narrativa mas dono de disposição empreendedora digna de nota – para construir do zero todo um universo ficcional para o selo Extreme, da editora Image Comics.

A Extreme era um golem de papel [2] e a proposta, no mínimo, constrangedora. Apenas alguém sem auto-crítica poderia convidar um dos maiores roteiristas dos quadrinhos do mundo para assumir uma editora cheia de personagens derivativos como Supreme, claramente uma cópia do Superman, da DC Comics, e Badrock, um homem de pedra baseado no Coisa, da Marvel, onde Liefeld trabalhou durante muito tempo e tornou-se um jovem astro. Moore, porém, gosta de golens, principalmente quando permitem que ele escreva a palavra Emeth [3] na testa do monstro e sopre vida em suas narinas.

O deus da mentira e o livro de todas as histórias
Moore assumiu Supreme a partir do número 41 e transformou a série num sucesso de crítica, com indicações ao prêmio Eisner e comentários elogiosos de seus pares, como Neil Gaiman, se referindo às hqs de super-heróis:

“(…) existem as narrativas mais ou menos pulp que são feitas a toque de caixa por profissionais que estão dando o melhor de si, ou não. (…) Mas há preciosas exceções – Supreme, de Alan Moore, um exercício de reescritura dos 50 anos do Superman visando torná-lo em algo que valha a pena.”[4]

Com tanta repercussão positiva, Rob Liefeld ignorou as baixas vendas da série e oficializou o convite a Moore para que esse assumisse todos os títulos da editora, rebatizada como Awesome Entertainment, com uma minissérie de abertura. A idéia do desenhista era uma mega saga que reunisse todos os personagens da antiga Extreme, coalhada de mortes e cenas de impacto, sob o nome de Judgement Day. É sempre bom lembrar que na época a dupla formada por Mark Waid, texto, e Alex Ross, arte, havia acabado de anunciar outra série mais ou menos no mesmo formato para a DC batizada de Kingdom Come. Não é difícil imaginar de onde Liefeld tirou a idéia para seu gotterdamerung[5] particular… Moore, como era de se esperar, odiou e acrescentou que, se fosse obrigado a escrever uma cópia de Crise nas Infinitas Terras, romperia o contrato com a Awesome. Porém, se tivesse liberdade para desenvolver o conceito embutido no título Judgement Day, poderia pensar em alguma coisa. Liefeld, num rasgo de bom-senso, deu carta branca ao escritor e este desenvolveu um script retratando uma espécie de julgamento de O. J. Simpson versão super-herói.

O plot era o seguinte: no início dos tempos, o deus Hermes[6] concebeu um tomo que tornaria real tudo aquilo que se escrevesse em suas páginas. O livro indestrutível passou de mãos em mãos através dos séculos, sendo sempre manipulado por seus portadores- vilões ou heróis – que visavam lucro pessoal. Uma das características interessantes do volume era que a realidade poderia ser alterada retroativamente caso se arrancasse páginas ou se apagasse escritos anteriores e, usando esse truque como recurso narrativo, Moore emprestou uma profundidade insuspeita aos personagens bidimensionais de Liefeld, tornando-os maquiavélicos, conspiradores, egoistas e icônicos, sendo capazes de assassinar uns aos outros para deter a posse do livro. Além disso, criou toda uma mitologia para formatar o universo, povoando-o com bárbaros celtas, cavaleiros andantes, caubóis renegados, selvagens a la Tarzan e soldados da Segunda Guerra Mundial.

Mas o tempero principal de Judgement Day era a utilização de preceitos de Cabala inseridos na história. Ao apresentar Hermes, deus grego da comunicação, do verbo e, não coincidentemente, dos ladrões e das mentiras, como o principal narrador da saga, Moore abriu a caixa de Trismegisto[7] aos fãs de quadrinhos, fazendo uma ponte insuspeita entre magia e técnica literária. Hermes serve como contraponto e encarnação da própria história, a Cabala personificada, verbo feito personagem, com carne de papel e pele de nankim. É sempre bom lembrar que, em grego, hermes significa “intérprete” e daí deriva a ciência da hermenêutica, além da denominação do hermetismo, raiz de todo ocultismo.

O Hermes de Moore é sedutor, melífluo, enganador. Uma entidade feita de ouro e para quem as leis da física se dobram, podendo estar representado em movimentos variados dentro de um mesmo requadro. O deus se expressa em estrofes e, num tom apocalítico, dissemina os preceitos cabalísticos enquanto introduz a mini-série:

“Frantic we Thumb our Memories, Stage by Stage,
For some Clue Overlooked Upon the Way
Yet Read on, Line by Line, Page after Page,
To our Denouement; to our Judgement Day.

Spellbound, Forget Amidst the Laughs and Thrills
That Words may Change a World…

…and Language Kills.” [8]

Essa, porém, não será a última vez que Alan Moore utilizará Hermes como seu porta-voz. Ainda há muitas histórias a contar.

continua…

Notas
1. Cabala ou Qabalah é a tradição mística do Judaísmo emersa por volta do anoem Provence, França, que busca ordenar o universo por meio de múltiplas combinações de números e letras, como uma “receita” para a Criação. Graças ao Sepher Yetsirah, Livro da Criação, séculos II e IV, alcançou grande prestígio entre os estudiosos, postulando o princípio que a letra, emanação do poder divino, é também a assinatura das coisas e as combinações entre várias letras remeteriam à estrutura do cosmo.

2. “A palavra golem figura pela primeira vez no Livro dos Salmos, Salmo 139, versículo 16. Interpreta-se em geral esse salmo como sendo as palavras do homem que agradece a Deus por havê-lo criado e que rememora para si as diferentes fases de sua criação : ‘Meu golem, Teus olhos o viam’. O termo golem toma aqui simplesmente o significado de ’embrião’, que é o significado que tem em hebraico. Mas pode-se também conceber que é Adão quem fala(o que não tardou em ser feito pelos exegetas) e que ele revive os episódios correspondentes do Gênesis. Nesse caso, o golem recebe uma carga de determinações suplementares. Ele é uma massa de terra inerte do corpo de Adão antes de lhe ser insuflado o pneuma divino, a terra ainda não habitada pelo espírito e que aguarda ser vivificada pelo soprovital.” MATIERE, Catherine. Golem, in Dicionário de Mitos Literários; BRUNEL, Pierre (org). Rio de Janeiro, RJ: Livraria José Olympio Editora S.A., 1998 – 2ª edição, p. 407/408

3. “Jeremias e seu filho Ben Sira, com a ajuda do Livro da Criação, puseram no mundo um Golem e sobre sua fronte estava escrito: emeth, “verdade”, como o nome que Deus pronunciou diante da criatura para mostrar que sua criação estava consumada. Mas o Golem apagou a primeira letra (aleph), para mostrar que somente Deus é verdade, e morreu.”
——-op. cit., p. 408

4. GAIMAN, Neil. Introduction, in Kurt Busiek’s Astro City: Confession. USA: Image Comics, 1907. 1ª edição, p. 10/11.

5. Gotterdamerung, o Crepúsculo dos Deuses, é, entre outras coisas, a última parte da tetralogia wagneriana O Anel dos Nibelungos, e conta como os deuses nórdicos – Wotan, Freya, Brunhilde, Sigfried, Logé – encontram seu trágico fim, enredados numa trama de mentiras e traições.

6. “(…) não há necessidade de resumir aqui as histórias de que o Hermes grego, o Mercúrio latino, é o protagonista, o herói ou o figurante. Basta lembrarmos algumas passagens que põem em destaque certos traços constantes (…). Dois dentre eles ressaltam de um fato conjunto: por um lado, sua função de guia, ligada à sua mobilidade; por outro, seu domínio do discurso e da interpretação, garantia de um certo tipo de saber”.
FAIVRE, Antoine. Hermes, in Dicionário de Mitos Literários; BRUNEL, Pierre (org). Rio de Janeiro, RJ: Livraria José Olympio Editora S.A., 1998 – 2ª edição, p. 452

7. Hermes Trismegisto, que significa “três vezes grande”, teria sido o nome de um mortal, filho de Agatodêmon, descendente de Thot, a divindade egípcia do conhecimento. Veremos mais tarde que ambas divindades podem ser percebidas como duas vertentes do mesmo mito, mas outras genealogias são consideráveis. Santo Agostinho, por exemplo, afirma ser o Trismegisto o tataraneto de um contemporâneo de Moisés em A Cidade de Deus, e Brunetto Latini coloca-o lado a lado com Moisés, Sólon, Licurgo, Numa Pompílio e o rei grego Foromeu como um dos principais legisladores da antiguidade.

8. MOORE, Alan. Judgement Day Sourcebook. USA: Awesome Entertainment, 1997 – 1ª edição, p. 8

#HQ #Kabbalah

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O software angélico que roda no eixo do mundo (parte 2)

« continuando da parte 1

E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou. (Gênesis 5:23-24).

Seriam os anjos e demônios seres como nós?

Se até agora tendemos a concluir que os deuses e orixás não poderiam ser seres pessoais, conquanto não poderiam haver passado por alguma espécie de evolução, o mesmo não necessariamente se aplica aos anjos e demônios.

É claro que nos mitos monoteístas, diz-se que os anjos foram criados como seres já perfeitos, servos eternos dos desígnios de Deus. Neste caso, seriam algo similar aos deuses, que operam as forças naturais. Mas o problema desta linha de pensamento é que esses mesmos mitos também nos contam que há alguns anjos que se rebelaram contra o Criador, e que desde então foram condenados a habitar o Inferno e, quem sabe, serem sempre maus, por toda a eternidade.

Com isso se quer dizer que o livre-arbítrio foi inventado, precisamente quando um anjo chamado Lúcifer (portador da luz) decidiu se rebelar contra a “programação” do Criador. Afinal, qualquer ser criado “já perfeito, pronto e acabado”, não passou por evolução alguma e, dessa forma, não é “perfeito” pelo seu próprio mérito, mas antes por alguma forma de “programação”. Tais anjos seriam então como robôs, autômatos sem vontade própria. Mas, se não teriam vontade, como diabos Lúcifer teve a vontade de contrariar seu Pai?
Eu penso que este problema tem duas soluções lógicas, e não mais do que duas: (a) Lúcifer na realidade também foi “programado” para contrariar a Deus, e tudo o que têm feito desde então, em realidade, é tão somente o que foi “programado” para fazer [1]; (b) Lúcifer na verdade seria um ser como nós, e sua decisão de contrariar ao Criador denota, metaforicamente dentro deste mito profundo, o estágio em que o ser se torna autoconsciente, que “desperta” para o conhecimento do bem e do mal, da vida e da morte, e para o fato de que possuí uma alma capaz de interpretar o mundo e fazer escolhas [2].

Ora, se ficarmos com a última opção (que, no meu entendimento, faz mais sentido), temos que anjos e demônios nada mais são do que espíritos, como nós mesmos, em maior ou menor grau de evolução cognitiva, moral e espiritual. Certamente pode parecer complicado “classificar” aos seres por sua suposta “evolução moral”; mas, na prática, é isto o que tentamos fazer todos os dias. Sempre que conhecemos algum novo amigo (ou inimigo), uma de nossas primeiras preocupações é tentar situar em que “nível de moralidade” ele opera. Claro que, muitas vezes, temos julgado errado [3], mas isto não significa que não exista uma distinção clara entre seres amorosos, sábios e morais, e seres indiferentes, ignorantes e imorais.

Antes, porém, de habitarem reinos fantásticos, acima ou abaixo do mundo, anjos e demônios talvez devam ser classificados pelo estado em que se encontram suas mentes, sua consciência, sua paz de espírito. Anjos seriam, portanto, aqueles seres com maior consciência da própria liberdade, e maior controle da própria vontade; ao passo que demônios seriam o oposto, ou seja: seres atolados num charco de desejos desenfreados, facilmente manipulados por vontades alheias, perdidos de si mesmos.

O que isto tudo quer dizer é isto aqui: anjos e demônios habitam mesmo este mundo, e não poderia ser diferente.

Os exus e as pambu njilas

Nas mitologias africanas (e, particularmente, na dos iorubás), deuses são chamados orixás, conforme já vimos. Pois bem, ocorre que no caso da umbanda sagrada, religião de origem brasileira [4], anjos e demônios são chamados de exus e pambu njilas. Exus nada mais seriam que espíritos como nós, no período entre vidas, do gênero masculino. Pombagiras seriam exus do gênero feminino (seu nome é uma corruptela do pambu njila, de origem angolana) [5].

Dessa forma, na umbanda, nem todo exu é demônio. De fato, a imensa maioria dos praticantes desta doutrina lida mesmo é com exus de amor e moral elevados – anjos, portanto.

Em todo caso, não devemos confundir os exus anjos e demônios com o Exu orixá (um dos deuses iorubás)…

O axis mundi

Me disseram que o termo Exu é derivado de “Eixo”, mas isto não posso confirmar. Em todo caso, é algo que faz sentido: o orixá Exu é o deus mensageiro, o responsável por fazer a conexão entre um mundo que está no plano com um outro mundo que está acima ou abaixo. No nosso caso, costuma-se dizer que Exu forma o eixo entre a Terra e o Céu, mas também poderia formar um eixo, igualmente, entre a Terra e o Inferno, dependendo de nossa intenção e vontade ao invocá-lo.

Desnecessário dizer que estas ideias de um axis mundi (Eixo do Mundo), e de deuses mensageiros que o percorrem, trazendo e enviando mensagens entre um plano médio e um superior (ou inferior), são abundantes em diversas mitologias. Geralmente, os deuses inventores da escrita (Toth-Hermes; Odin-Wotan) encontraram esta incrível descoberta exatamente enquanto viajavam através do Eixo, indo e retornando de um plano superior. Odin, por exemplo, chegou a se enforcar neste Eixo, que era a própria Yggdrasil (“o eixo do mundo”), e após alguns dias de “transe xamãnico”, trouxe o conhecimento das runas (forma de escrita) aos homens nórdicos.

Entretanto, isto vocês devem lembrar: dizíamos há pouco que os deuses eram forças da natureza, e não seres pessoais, que evoluem, como nós. Ora, e não é exatamente disto que se trata o orixá Exu? Uma força natural, um instrumento pelo qual nossas mentes conseguem entrar em estados alterados e acessar informações que antes nos eram ocultas?

No fundo, não importa muito ao médium ou magista se os deuses existem fora ou dentro de suas mentes… Na prática, o axis mundi poderia ser um pé de feijão mágico cujo caule gigantesco toca o próprio céu, ou o eixo interno da própria alma, que liga o plano médio, consciente, ao plano oculto, inconsciente. Dessa forma, se em nosso inconsciente há um reino celeste, ou infernal, isto depende unicamente de onde sintonizamos nosso pensamento e nossa vontade.

» Em seguida, finalmente, o software angélico…

***
[1] Apesar de eu mesmo não acreditar na hipótese, admito que ela explicaria o fato de Lúcifer ser eternamente mau, sem a possibilidade de se arrepender: é que foi “programado” para assim o ser.
[2] Neste caso, o mito de Lúcifer teria vários outros paralelos na mitologia. Mesmo no próprio Gênese, o mito da Eva que comeu a fruta proibida da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, seria essencialmente uma metáfora muito parecida. Talvez surgido num tempo próximo, mas em outra parte do mundo, temos o mito de Prometeu, o titã que roubou o fogo dos deuses, e depois foi punido. Não obstante, houve tempo de presentear este fogo aos homens, o que os tornou “superiores” aos demais animais: ou seja, eram, conforme Adão e Eva, os primeiros seres humanos conscientes de si mesmos e da própria liberdade (vontade). Também haviam conquistado a ciência do bem e do mal (graças ao sacrifício de um ser “sobre-humano”, mas que foi punido pelos deuses por sua ousadia).
[3] O massacre dos indígenas da América pelos colonizadores vindos da Europa é um belo exemplo. Os colonizadores se julgavam “seres de moral superior”. Mas por tudo o que fizeram, pelo exemplo que foi dado, fica muito claro que os ditos “selvagens” estavam, muitas vezes, num estágio moral muito mais elevado do que os ditos “civilizados”.
[4] Surgida há pouco mais de um século, em Niterói, Rio de Janeiro.
[5] Muitas vezes a umbanda também lida com espíritos que, em sua última encarnação, não eram de origem africana, mas indígena. Normalmente são chamados de caboclos ou cabocladores, e não de exus. Eles são o que restou dos indígenas devastados pelos “homens civilizados”. E eles nos perdoaram: voltam para nos ajudar, sobretudo, por amor.

Crédito das imagens: [topo] Fantasy Flight Games; [ao longo] Tetra Images/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#espiritualismo #exu #Mitologia #Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-software-ang%C3%A9lico-que-roda-no-eixo-do-mundo-parte-2

Hércules e a Hidra de Lerna

Hércules teve de destruir um monstro de nove cabeças que soltavam fogo: oito renasciam quando cortadas e a nona era imortal. O herói decepou as oito cabeças enquanto um amigo as cauterizava com fogo. A nona foi enterrada, mas vigiada eternamente por Hércules. “As cabeças simbolizam os vícios. Lutamos contra eles, mas, como são imortais, se não estivermos atentos, renascem. Além dos vícios físicos, como drogas e álcool, temos de combater os vícios éticos, como a ganância.

Mitologia

Conta a lenda que na antiga terra de Argos ocorreu uma seca. Amímona que reinava nessas terras, procurou a ajuda de Netuno. Este recomendou que se batesse numa rocha, e quando isto foi feito, começaram a correr três correntes cristalinas; mas logo uma hidra fez ali a sua morada.

O mestre disse a Hércules: “Para além do Rio Amímona, fica o fétido pântano de Lerna, onde está a hidra, uma praga para as redondezas. Nove cabeças tem esta criatura, e uma delas é imortal. Prepara-te para lutar com essa asquerosa fera e não penses que os meios comuns serão de valia; se uma cabeça for destruída, duas aparecerão em seu lugar.”

Hércules estava ansioso e antes de partir, seu Mestre ainda lhe disse: “Uma palavra de aconselhamentos só posso dar. Nós nos elevamos, nos ajoelhando; conquistamos, nos rendendo; ganhamos, dando. Vai, oh filho de Deus e filho do homem, e conquista.”

Chegando ao estagnado pântano de Lerna, que era um charco que desanimava quem dele se aproximasse e cujo mau cheiro poluía toda a atmosfera em um raio de sete milhas; Hércules teve que fazer uma pausa pois o simples odor por pouco o derrotava. As areias movediças eram uma ameaça e mais uma vez Hércules rapidamente retirou seu pé para não ser sugado para dentro da terra que cedia. Finalmente ele descobriu onde se ocultava a hidra.

Numa caverna de noite perpétua vivia a fera, porém não se mostrava e Hércules inutilmente vigiava. Recorrendo a um estratagema, ele embebeu suas setas em piche ardente e as despejou directamente para o interior da caverna onde habitava a horrenda fera. Uma enorme agitação se seguiu e a hidra com as suas nove e zangadas cabeças emergiu, chicoteando a água e a lama furiosamente. Com três braças de altura, algo tão feio como se tivesse sido feito de todos os piores pensamentos concebidos desde o começo dos tempos. A hidra atacou, procurando envolver os pés de Hércules que saltou e lhe deu um golpe tão severo que logo decepou uma das cabeças, mas mal a horrorosa cabeça tocou o solo, duas cresceram em seu lugar. Repetidamente Hércules atacou o monstro, mas ele ficava cada vez mais forte. Então Hércules lembrou-se das palavras do Mestre: “nós nos levantamos ajoelhando”.

Pondo de lado a sua clava, Hércules se ajoelhou, agarrou a hidra com suas mãos nuas e ergueu-a. Suspensa no ar, a sua força diminuiu. De joelhos, então, ela sustentou a hidra no alto, acima dele, para que o ar purificado e a luz pudessem surtir o seu efeito. O monstro, forte na escuridão e no lodo, logo perdeu a sua força quando os raios do sol e o toque do vento o atingiram. As nove cabeças caíram, mas somente quando elas jaziam sem vida Hércules percebeu a cabeça mística que era imortal. Ele decepou essa cabeça e a enterrou, ainda sibilante, sob uma rocha.

Simbologia

Hércules foi incumbido de doze trabalhos, dentre eles, matar Hidra, o monstro de nove cabeças que trazia pânico à cidade de Lerna. Mas antes de enfrentar o monstro, Hércules recebe uma mensagem de seu mentor: – ” É ajoelhando que nos levantamos; é nos rendendo que conquistamos; é desistindo de algo que o ganhamos”.

Hércules parte em busca do monstro que se esconde numa caverna escura, de noite perpétua, à margem de um pântano de águas estagnadas; e simboliza uma parte de nós que permanece oculta e resiste à iluminação.

Representa o nosso interior ruim, nossas paixões e defeitos, ambições e vícios, o que existe de ruim dentro do nosso mundo interior. Enquanto a hidra, que representa esse monstro interior, não for dominada, enquanto nossas vaidades, futilidades e ostentações não forem dominadas, as cabeças continuam crescendo cada vez mais.

Hércules chega ao covil da Hidra e atira flechas flamejantes ao esconderijo do monstro. Indignada, Hidra emerge do seu covil com ímpeto vingativo – da mesma forma, também nos sentimos assim quando situações nos obrigam a confrontar a besta que existe em nós ou a besta que existe nas pessoas à nossa volta.

Hércules tenta esmagar as cabeças de Hidra mas cada vez que corta uma cabeça outras surgem – da mesma forma quando tentamos destruir nossas emoções bestiais, elas continuam aparecendo. Finalmente Hércules se lembra da mensagem de seu mentor: “é se ajoelhando que nos levantamos”.

Hércules se ajoelha no pântano e levanta o monstro á luz do dia e ela perde seu poder. Então ele corta-lhe as cabeças que não renascem mais. Porém nada disso acontece, senão enfrentarmos o lado bestial que vive em todos nós.

Caminho de Iniciação

A segunda tarefa encomendada à Hércules foi matar a Hidra de Lerna, o monstro simbólico de origem imortal dotado de nove cabeças ameaçadoras que voltavam a nascer logo após serem decepadas. A Hidra polifacética representa a mente e seus defeitos psicológicos. Quando o Iniciado que subir à Morada dos Arcanjos – o Plano Mental Superior – primeiro deve descer aos infernos de Mercúrio.

Como diz o mito, sempre que Hércules cortava uma das cabeças da Hidra, ela voltava a brotar, tornando a tarefa impossível. Assim como Arjuna é auxiliado por Krishna, também Hércules é auxiliado por Iolau (IAO, IEÚ ou JEÚ) – o qual aconselha Hérculesa queimar as cabeças após cortá-las para não renascerem. Isso quer dizer que não basta compreender um defeito; é preciso ir além e capturar o profundo significado do mesmo; do contrário, eles voltam a renascer.

Os defeitos psicológicos eliminados nos infernos da Lua, o Astral Inferior, certamente possuem ramificações nos mais diversos níveis mentais. Eliminar as cabeças da Hidra da Mente é possível quando, após decepá-las forem cauterizadas com o fogo da alquimia sexual. Portanto, compreendido um defeito, deve-se durante o ato alquímico suplicar à Divina Mãe para Ela elimina-lo até suas raízes mais profundas. Goethe, nesses momentos exclamava:

“Virgem pura no mais belo sentido

Mãe digna de veneração

Rainha eleita por nós

de condição igual aos Deuses”.

Anelando morrer em si mesmo, durantes as Bodas Alquímicas, o iniciado alemão exclamava:

“Flechas transpassai-me;

lanças, submetei-me;

maçãs, feri-me.

Tudo desapareça,

desvaneça-se tudo.

Brilhe a estrela perene,

foco do eterno amor.”

Biblioteca de Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-a-hidra-de-lerna

A Fantasia do Vento Solar

Era uma vez , há vinte mil anos passados, uma adiantada civilização apaixonadamente interessada pelo Sol. Quando ela
desapareceu, da maneira que veremos , os homens , por vaga memória, continuaram a adorar o Sol, ofereceram-lhe sacrifícios sem conta; porém , o conteúdo racional do interesse dos ancestrais pelo astro se havia , com eles , desvanecido.

Um olhar lançado sobre nós mesmos nos poderá aproximar dos titanicos trabalhos por eles empreendidos. Com exceção de quantidades relativamente pequenas de energia produzida a partir do átomo , nossa energia é extraida do Sol, quer sob forma fóssil ( carvão, petróleo) , quer sob forma direta: energia hidrelétrica, produto de evaporação. Também fabricamos pilhas solares, que transformam os raios em corrente. Poderíamos conceber uma captação mais extensa. Poderíamos, por exemplo, estudar a possibilidade de utilizar a energia termonuclear por fusão dos núcleos leves e dos núcleos pesados , o que redundaria numa reprodução do Sol sôbre a Terra, Poderíamos, finalmente , procurar captar o vento solar. Trata-se de uma torrente de partículas descoberta em 1960 pelos satélites. São átomos de matéria solar, desprendidos , que vem atingir o nosso globo. Segundo se julga, seria este vento o responsável pela produção das auroras boreais e provocaria a formação da camada elétrica na atmosfera. Estabelecendo-se um curto-circuito entre as camadas eletrizadas da alta atmosfera e o solo, poderíamos captar uma prodigiosa e inesgotável fonte. Como se deve proceder? Fazer com que a atmosfera se torne condutora? É o que ocorre com o raio. Um raio lazer suficientemente intenso produziria o fenômeno.

Uma civilização científica e técnica , há vinte mil anos atrás, concebeu o projeto de domesticar o vento solar . Em vários pontos da Terra foram construídos monumentais isoladores, em forma de pirâmide . Em seu cume encontrava-se algo semelhante a um superlazer. Muito tempo depois, iriam esses instrumentos obsedar  a deteriorada memória das gerações sobreviventes. Sem compreender o que estavam fazendo, os homens construíriam piramides e, por vezes, colocavam pedras reluzentes em seu ponto mais alto , encaixadas em metal.

Tentou-se a experiência. Porém a força arrebatada ao Sol varreu a ambiciosa civilização e fulminou aquele mundo que viu “o céu dobrar-se sobre si mesmo como um pergaminho e a Lua tornar-se como sangue”.

Volatilizaram-se os grandes isoladores. Em lugar deles e espalhados por toda a parte, na África, na Austrália, no Egito, seriam descobertos muito tempo depois, no século XX de nossa era projeções constituídas de vidros submetido a uma elevadíssima temperatura e bombardeado por partículas em intensa energia: os tectitas.

Terão sobrevivido alguns dos detentores do saber? Alguns talvez tenham sido colocados ao abrigo em profundas cavernas. Outros talvez estivessem, na ocasião , viajando pelo espaço? Depois da grande catástrofe, a situação não era desastrosa apenas  do ponto de vista geológico ( continentes desmoronados ou submersos) ; era-o também, do ponto de vista biológico. O bombardeio da atmosfera havia criado uma apreciável quantidade de carbono radioativo. Ao ser absorvido pelos animais e pelo homem, devia produzir mutações e provocar o aparecimento de híbridos fantásticos. Esses híbridos, centauros, sátiros, homens-passaros, irão atuar durante muito tempo  na memória humana, até os tempos históricos da Grécia e do Egito. Os sobreviventes, alertados , tiveram de enfrentar um problema técnicopremente: eliminar o carbono 14. Foram levados a organizar uma gigantesca lavagem da atmosfera, por meio de chuvas artificiais, ao mesmo tempo em que se preservava um número suficiente de humanos e de espécies animais  não atingidas pelas mutações. A circuncisão, particularmente, foi um dos métodos de proteção adotados . É seletiva, no caso de hemofilia, produto de uma mutação desfavorável, transmitida pela mulher e afetando sobretudo ao homem. Esta prática, instituida por questões genéticas, iria ser prosseguida, porém sem conhecimento de causa, durante milênios, e por inúmeros povos espalhados pelo mundo. . .

Eis aí , portanto, uma pequena tentativa no sentido de decifrar as tradições e explicar as coisas, sem recorrer ao ocultismo. Será uma pista produtiva ? Não temos certezas de nada. Mas um homem há de vir, dotado da fé de um Schliemann e do gênio sintético de um Darwin , para juntar os elementos esparso da verdade e escrever a história de antes da história.

Poderíeis retrucar: E aí está uma hipótese colossal e infantil. Acreditais nela? E nós vos responderemos que não acreditamos na fábula mas sim em sua moral.

Ao situarmos a grande catástrofe por volta de vinte mil anos de nossa era, estamos levando em conta as anomalias ocorridas na datação pelo carbono 14 . Quando surgiu o método do carbono 14 , julgou-se que a arqueologia se tornaria uma ciência exata. Os sucessivos aperfeiçoamento permitiram o estabelecimento de pontos de referencia até cinquenta mil anos a.C. Todavia não se encontrou nenhum objeto que se pudesse situar no período decorrido entre os vinte mil e os vinte e cinco mil anos a.C. , enquanto outros podem ser encontrados tanto antes quanto depois daquela fase . Não há, até o momento  nenhuma explicação para esta anomalia. Pode-se admitir que se tenha produzido , então , um acontecimento capaz de modificar a concentração de carbono 14 na atmosfera.

Nossa fábula indica a possibilidade de  haver um conteúdo real nas inúmeras lendas referentes  a seres semi-homens e
semi-animais.

Objeção: não se encontraram ossaturas desta ordem.

Resposta: encontraram-se sim; porém os arqueólogos julgam haver descoberto , em túmulos consagrados  a alguma religião totêmica, um homem enterrado com um animal.

Nossa fábula tem sido o mérito de propor o emprego de métodos usualmente utilizados pela física a fim de procurar determinar  a data de uma eventual catástrofe de grandes proporções . Se esta houver sido provocada por algum curto-circuito  na atmosfera terrestre , este curto-circuito deve ter, forçosamente , perturbado  o campo magnético e talvez até deslocado os polos magnéticos . Os especialistas poderiam efetuar pesquisas neste sentido.

Os campos de tectitas  talvez auxiliassem a identificar os pontos de desencadeamento da catástrofe. O exame da composição nuclear dos tectitas revela que êstes não viajaram durante muito tempo pelo espaço. Por conseguinte, devem ter-se formado quer na superfice da Terra , quer na Lua . Sua formação parece ter despreendido uma energia tão prodigiosa que se pode , evidentemente, recusar a hipótese de uma origem técnologica .

Todavia , a catástrofe de que  fala nossa tão hipotética narrativa pode ter criado os tectitas e , simultaneamente os haver projetado ao redor do ponto de impacto da descarga que lhes teria dado origem . Foi possível demonstrar que os tectitas se deslocaram na atmosfera com velocidade considerável. Isto veria provar ou que eles vieram da Lua ou, que foram criados na Terra por algum acontecimento catastrófico. É igualmente possível encontrar vestígios desta catástrofe sob forma de trajetórias  formadas em determinados minérios pela passagem de partículas submetidas a uma alta energia. Para que se empreendam pesquisas de ordem física, basta tão-somente que a hipótese de uma grande catástrofe seja admitida  em meios científicos. Talvez cheguemos , então , a obter informações capazes de transtornar nossas concepções sobre a história da humanidade.

Nossa fábula dá, finalmente , a entender que a mitologia tomada como ponto de partida para pesquisas sôbre o real, como tão genialmente compreendeu Schliemann , está apenas ensaiando seus primeiros passos. Deveriam ser sistematicamente examinados todos os mitos  catastróficos , particularmente os que mostram o fogo dos  céus a descer sobre os homens e todas as lendas que descrevem sêres não humanos derivados do homem.

Esta fábula carece de uma espécie qualquer de tentativa de descrição dos contemporâneos da grande catástrofe. Dar-se-ia o caso de que algum racismo, consciente ou inconsciente, houvesse até agora desviado as pesquisas sobre a origem do homem? Paira esta duvida desde a publicação da célebre tese de Cheikh Anta Diop sôbre Nations nègres et culture , onde é demonstrada a origem negra do antigo Egito. Em Antériorité des civilisations nègres, escreveu Diop:

Os resultados das escavações arqueológicas , particularmente as efetuadas pelo Dr. Leakey na África Oriental, quase a cada
semestre nos permitem fazer recuar na noite dos tempos os primeiros vagidos da humanidade. Continuamos , entretanto , a situar o aparecimento do homo sapiens no paleolítico superior, há cerca de quarenta mil anos. Esta primeira humanidade , a que pertence às camadas inferiores do aurignaciano, estaria morfológicamente ligada ao tipo negro da humanidade atual (. . . ) . Com tôda objetividade, somos levados a reconhecer que o primeiro homo sapiens  era um “negróide” e que as demais raças, a branca e a amarela , surgiram mais tarde , em consequência de diferenciações cujas causas físicas a ciência ainda não descobriu (. . .) Ao que tudo indica , os negros predominaram de inicio , na pré-história , no paleolítico superior. Esta predominancia persisitiu nos tempos históricos , e durante milênios , no plano da civilização , e na supremacia técnica e militar.”

Assim sendo, eram negros os grandes Antigos de nossa fantasia-do-vento-solar. Viveriam eles num clima de harmoniosa síntese da religião e da ciência? Teriam atribuído algum elevado sentido a seu destino? Que coragem , que fé terão sustentado os melhores dentre eles quando o Sol se abateu sobre suas cabeças encarapinhadas e inteligentes? No longínquo eco despertado na Bíblia por sua tragédia , foram esses ladrões do Sol que pronunciaram , pela primeira vez a sublime palavra: “O Senhor o deu, o Senhor o tomou , bendito seja o nome do Senhor.”
Extraido do livro O Homem Eterno de Louis Pauwels e Jacques Bergier – Difusão Européia do Livro

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-fantasia-do-vento-solar/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-fantasia-do-vento-solar/

Hércules e o Leão da Neméia

O desafio de Hércules foi vencer um leão de pele invulnerável, que devastava rebanhos e devorava todos os que tentavam matá-lo. Aconselhado por Atena, deusa da sabedoria, a não usar a força, o herói estrangula a fera em sua caverna. “Nesse teste, Hércules ensina que a luta pelo aperfeiçoamento começa dentro de nós. Os leões de hoje são a violência e a agressividade e o desafio é buscar a harmonia, procurando antes de mais nada nossos recursos internos”

Mitologia

Na cidade de Neméia vivia no fundo de uma caverna um leão terrível, concebido por Selene uma temida feiticeira. Querendo vingar-se dos habitantes da cidade que a haviam expulsado, fêz surgir esta terrível criatura. Cobrindo a pele do leão com uma poção mágica, a criatura se tornou indestrutível, sendo incapaz de ser transpassada por qualquer arma criada pelos homens. Quando saía da caverna, devorava os habitantes de Neméia. Assim padecia a cidade com a fúria de Selena.

No Olimpo vários heróis eram instruídos pelo centauro Quíron e dentre eles se destacava Hércules, um dos filhos de Zeus. Percebendo sua bravura, lealdade e dignidade apesar de seu orgulho, Zeus resolveu iniciar Hércules nos mistérios do Olimpo, escrevendo com letras de fogo em uma folha de ouro, as 12 tarefas.

O primeiro trabalho iniciático seria matar o Leão de Neméia. Indo em direção a Neméia, Hércules tentou entender o motivo desta tarefa tão simples. Ao encontrar a caverna, Hércules entrou decidido a matar a criatura com inúmeras armas. Ao se aproximar do fundo da caverna, ele percebeu o leão vindo lentamente em sua direção. O Leão era enorme e fixando o olhar em Hércules, com seus olhos brilhantes e enigmáticos, Hércules foi surpreendido pelo ataque do leão travando com ele uma batalha terrível.

Hércules fugiu da caverna assustado mas resolveu retornar com suas armas, porém percebeu que elas não serviam para matar o leão. Mais uma vez ele foi surpreendido pelo ataque feroz do monstro e fugiu. Fora da caverna Hércules refletiu sobre a tarefa e decidiu enfrentar o leão sem armas, talvez fosse essa a tarefa: usar sua razão em lugar de sua força.

Aproximando-se do fundo da caverna viu novamente o leão se aproximando e fixando seu olhar em Hércules. Surpreso, Hércules viu que o brilho nos olhos do leão era um espelho que refletia sua imagem. Ferozmente o leão avançava contra Hércules. Depois de uma longa luta, Hércules estrangulou o leão que caiu morto.

Levando seu corpo para fora da caverna, Hércules viu o tamanho real do animal, que não lhe parecia tão grande assim. Resolveu olhar mais uma vez em seus olhos e viu que nada havia lá dentro. Ele havia conseguido vencer a si mesmo e ao seu orgulho. Arrancou o pelo do animal e dela fez uma túnica, que o tornou indestrutível. E com a cabeça fez um capacete, que passou a usar em todas as outras tarefas, para sempre se lembrar que a força nunca deveria superar a razão.

Simbologia

A luta de Héracles ou Hércules com as feras representa a constante luta que temos para conter a fera que mora dentro de nós, ao mesmo tempo que preservamos nosso instinto vital e criativo. O leão está sempre associado à realeza e, mesmo em sua forma destrutiva, é o rei dos animais, egocêntrico e selvagem, o princípio infantil. Dessa forma, sempre que derrotamos e vestimos a pele do leão, as opiniões dos outros que antes nos intimidavam, já não tem mais valor pois estamos vestidos com uma poderosa couraça, nossa própria identidade.

No entanto, por mais heróica que seja, a pele do leão sempre representa o egocentrismo, a dificuldade de lidar com a frustração e com a raiva contida. Não sabemos lidar com a frustração por não conseguirmos o que queremos, pela auto-importância inflamada e o orgulho desmedido. Entretanto quando dominamos essa fera que mora em nós, podemos utilizá-la de forma construtiva. As conquistas e vitórias exigem que deixemos para trás as couraças, que carregam uma alma sem paixão.

Caminho de Iniciação

O Leão de Neméia é a viva alegoria das variadas e incontáveis forças instintivas e passionais existentes nos infernos da Lua (o Astral Inferior). Morto o Leão de Neméia, deve o adepto desintegrar sucessivamente o Demônio do Desejos (Judas), o Demônio da Mente (Pilatos) e, por fim, o Adepto prossegue seus trabalhos nesses infernos libertando partes de sua Consciência aprisionadas nos átomos do Demônio de Má Vontade (Caifás), que é o mais detestável dos três.

Esses três demônios são as três Fúrias dos Mistérios Buddhistas; em seu conjunto formam o Dragão das Trevas do Apocalipse de São João. No Apocalipse, o Dragão das Trevas é representado como um monstro de sete cabeças. Essas sete cabeças são os sete pecados capitais, portanto, o Leão de Neméia é o símbolo de todas essas forças diabólicas que vivem nos infernos da Lua psicológica.

Todo o trabalho de desintegração dos demônios que vivem nesses infernos planetários é executado pela Mãe Divina Individual. “Que teria sido de mim sem o auxílio de minha Divina Mãe Kundalini”, exclama Samael Aun Weor. “Desde o fundo do abismo chamava por minha mãe, e ela surgia empunhando a Lança de Eros…”. “Afortunadamente soube aproveitar ao máximo o coitus reservatus, para fazer minhas súplicas a Devi Kundalini”, diz Samael falando de seu próprio processo na Segunda Montanha (Caminho de Iniciação).

Terminado o Primeiro Trabalho de Hércules, o Iniciado ganha direito de ingressar no Céu da Lua, a morada dos Anjos, o Astral Superior. Ao término dos trabalhos nos infernos da Lua, o iniciado une-se com sua Buddhi. Esclarecemos: na Sexta Iniciação Maior, Buddhi nasce dentro do Iniciado. Mas ainda não ocorrem as núpcias, a união entre Manas e Buddhi, o que só ocorre ao fim do Primeiro Trabalho de Hércules interno, viva alegoria de Manas.

“Descer ao Inferno é fácil: difícil é retornar depois”, adverte a Sabedoria Oculta. A última etapa do trabalho nessas regiões inferiores é acabar com as bestas secundárias, expulsar as malignas inteligências de suas moradas nucleares. Quando esses átomos ficam livres dessas inteligências diabólicas, convertem-se em veículo de inteligências luminosas. Por isso dizemos que:

“O Cristo não desce aos infernos para destruir, se não para redimir.”

Resumindo, para subir ao Céu Lunar, Morada dos Anjos, e celebrar as núpcias com nossa Noiva Imortal (Buddhi), antes é preciso descer ao correspondente inferno lunar com o intuito de dominar e eliminar todas as paixões animais, instintos bestiais, desejos, medos, processos passionais, a má vontade, a Besta de Sete Cabeças, enfim, transformar as águas pestilentas e negras em águas claras, limpas e transparentes. Trata-se de uma tarefa multifacetada porque incontáveis são os defeitos de natureza emocional, sentimental e instintiva que vivem nessa esfera inferior, especialmente nossos defeitos mais antigos; por isso, são de difícil eliminação; sempre surgem como monstros gigantescos e milenares diante da visão interna. Na Segunda Montanha (Caminho de Iniciação), a paciência e a serenidade precisam ser elevadas a infinitos graus porque o trabalho se torna extremamente delicado e sutil.

Biblioteca de Antroposofia.

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A Mitologia do Necronomicon de acordo com H.P Lovecraft

O Necronomicon talvez seja o mais infame livro relacionado à magia (seja real ou ficcional). Por favor, note que não estou afirmando que a informação apresentada em parte seja fato histórico. Mais propriamente estou apenas resumindo o que HPL tinha a dizer em sua ficção e outras fontes sobre o Necronomicon. Depois de ler TODAS as partes deste texto e FAZER sua própria pesquisa, você será o juiz sobre se pode ser fato histórico ou não. Talvez a melhor maneira de começar é citando HPL do “The History and Chronology of the Necronomicon”: “O título original ‘Al Azif’ – ‘Azif’ sendo a palavra usada pelos árabes para designar aquele barulho noturno (feito por insetos) atribuído à uivos de demônios. Redigido por Abdul Alhazred, um poeta louco de Sana’a, em Iêmen, que dizem ter vivido no tempo dos Califas Omíadas, aproximadamente 700 A.C. Ele visitou as ruínas da Babilônia e os segredos subterrâneos de Mênfis e passou dez anos sozinho no grande deserto do sul da Arábia – o Roba el Khaliye ou ‘Espaço Vazio’ dos antigos e ‘Dahna’ ou ‘Deserto Carmesim” para os árabes modernos, onde se afirma ser habitado por espíritos malignos e monstros da morte. Deste deserto, muitas estranhas e inacreditáveis maravilhas são contadas por aqueles pretendem ter penetrado nele. Em seus últimos anos Alhazred morou em Damasco, onde o Necronomicon (Al Azif) foi escrito… Sobre sua loucura, muito é falado. Ele declarou ter visto a fabulosa Irem ou cidade dos Pilares, e ter achado por debaixo das ruínas de uma certa cidade deserta sem nome os chocantes anais e segredos de uma raça mais antiga que a humanidade”.

Posteriormente o Al Azif foi traduzido para o grego sob o título de Necronomicon (o título definitivamente não é latino como é muitas vezes declarado). Este título é traduzido como “o Livro (ou imagem) das Práticas dos Mortos”; Necro sendo grego para “Morto” e Nomos significando “práticas”, “costumes” ou “regras” (como em “astronomia”). O título Necronomicon absolutamente não se traduz para Livros dos Nomes Mortos (como Colin Wilson erroneamente e repetitivamente falou). Para que significasse Nomes Mortos teria que ser um híbrido latim/grego (apesar de HPL ter superficialmente indicado que a primeira tradução é a correta). Mais tarde (possivelmente na década de 1200) foi traduzido para o Latim mas manteve seu titulo grego. O texto latino veio a ser possuído por Dr. John Dee no século dezesseis. Dr. Dee fez a única tradução inglesa conhecida do Necronomicon.

O Necronomicon contêm segredos sombrios sobre a verdadeira natureza da Terra e do Universo. De acordo com o Necronomicon, a Terra foi uma vez reinada pelos Antigos, seres poderosos de outros mundos ou dimensões. HPL em “O Horror de Dunwich” atribui esta citação ao Necronomicon: “Também não é para se pensar que o homem é o mais velho ou último dos mestres da Terra, nem que a massa comum de vida e substância caminha sozinha. Os Antigos , os Antigos são e os Antigos serão. Não nos espaços que conhecemos, mas entre eles. Caminham serenos e primitivos, sem dimensões e invisíveis para nós. Yog-Sothoth conhece o portal. Yog-Sothoth é o portal. Yog-Sothoth é a chave e o guardião do portal. Passado, presente e futuro, todos são um em Yog-Sothoth. Ele sabe por onde os Antigos entraram outrora e por onde Eles entrarão de novo. Ele sabe por quais campos da Terra Eles pisaram, onde Eles ainda pisam e por que ninguém pode vê-los quando pisam. Por seu cheiro, os homens podem saber que estão próximos, mas ninguém conhece seu aspecto exterior, a não ser pelos traços daqueles que Eles geraram na humanidade; daqueles há muitos tipos, diferindo em aparência do mais verdadeiro modelo de homem para aquela forma que não se vê ou que não tem substância que são les.Caminham invisíveis e fétidos em locais solitários onde as Palavras foram proferidas e os

Ritos ressoaram em seus Períodos. O vento algaravia com Suas vozes, e a Terra murmura com Sua consciência. Eles dobram a floresta e esmagam a cidade, entretanto nenhuma floresta ou cidade pode ver a mão que castiga. Kadath, no deserto frio, conheceu-Os, mas qual homem conhece Kadath? O deserto gelado do Sul e as ilhas submersas do Oceano contêm pedras onde Sua marca está gravada, mas quem já viu a profunda cidade congelada ou a torre lacrada e toda coroada com algas e crustáceos? O Grande Cthulhu é Seu primo, entretanto só pode espiá-Los obscuramente. Iäl Shub-Niggurath! Como uma vileza vocês Os conhecerão. A mão deles está em suas gargantas, entretanto vocês não os vêem, e Sua morada é mesmo única com a entrada guardada. Yog-Sothoth é a chave para o portal, pnde as esferas se encontram. O homem reina agora onde Eles reinaram um dia; em breve, Eles reinarão onde o homem reina agora. Depois do verão vem o inverno, e depois do inverno, o verão. Eles esperam pacientes e fortes, porque aqui reinarão de novo”.

O Necronomicon FORTEMENTE sugere que existe um culto ou grupo de cultos que idolatra os Antigos e procura auxílio deles para ganhar controle sobre este planeta. Uma das táticas empreendidas por este culto é criar prole de humanos com Antigos que irão se multiplicar e ingressar para vida terrestre até os Antigos retornarem para sua pré- determinada posição. Algumas ramificações do culto veneram uma divindade chamada Cthulhu. Cthulhu é um deus semelhante à um dragão com uma face que é uma massa de tentáculos. Cthulhu está morto (adormecido), mas sonhando nas profundezas (o Oceano Pácifico). Não está certo se Cthulhu é ou não é um Antigo. Em certo ponto, Cthulhu é referido como primo dos Antigos. Em outro, a divindade é chamada de grande sacerdote dos Antigos; ambos os rótulos podem sugerir que Cthulhu talvez não seja exatamente como os Antigos. O culto procurar ressuscitar Cthulhu para então antecipar o dia quando os Antigos controlarão o mundo. Quando Cthulhu renascer, os homens serão selvagens e livres além do bem e do mal. Se Cthulhu levantar parcialmente do oceano, mas sem ser o tempo correto ocorrerão terríveis surtos de loucura. O centro do culto a Cthulhu “situa- se entre os ínvios desertos da Arábia, aonde Irem, Cidade dos Pilares, sonha escondida e intocada”.O culto põe ênfase especial nos sonhos, que, dizem eles, podem às vezes conter os pensamentos da “divindade”.

Existem muitos outros deuses importantes mencionados no Necronomicon. Um grupo dessas divindades, os Outros Deuses parecem ser verdadeiros Deuses (não como os Antigos e Cthulhu que parecem ser simplesmente entidades muito poderosas). Os mais importantes entre os Outros Deuses são Yog-Sothoth e Azathoth. Yog-Sothoth é contérmino com TODO espaço e tempo. Em “Through the Gates of the Silver Key” Lovecraft (que, apesar do fato de E. Hoffman Pric aparecer como co-autor,escreveu aproximadamente cada palavra deste conto) descreve Yog-Sothoth da seguinte maneira: “Um em Todos, Todos em Um de ser e caráter ilimitados – a última, absoluta extensão que não tem confins e que ultrapassa tanto imaginação como a matemática.” Passado, presente, futuro, todos são um em Yog-Sothoth. De igual ou superior importância é Azathoth. Evidência de que Azathoth é pelo menos equivalente à Yog-Sothoth é que Azathoth é “Senhor de Tudo” enquanto Yog-Sothoth é “Tudo em Um, Um em Tudo” Azathoth é o “ultimo caos nuclear” no “centro do infinito”. É do Trono de Azathoth que ondas sem direção “cuja possibilidade combinada dá a cada frágil cosmos suas leis eternas”, se originam. É extremamente digno de nota que Azathoth é bem próximo dos últimos modelos em Física Quântica. Também existem alguns paralelos notáveis entre as ideias de Lovecraft sobre Caos e a nova Matemática do Caos. Azathoth, o último caos nuclear que emite ondas aleatórias que governam o universo, parece ser o principio oposto de Yog-Sothoth, que abrange as expansões do infinito. Enquanto que Yog-Sothoth é infinitamente extenso, Azathoth parece ser infinitamente compacto (e.g., o centro quântico). Pesquisador de Lovecraft, Philip A. Shreffer afirma em “The H.P. Lovecraft
Companion” que os princípios atuantes de Yog-Sothoth e Azathoth são “expansão infinita e contração infinita” respectivamente.

O coração e alma dos Outros Deuses é Nyarlathotep, o poderoso mensageiro. É como seu mensageiro que Nyarlathotep faz a vontade dos Outros Deuses ser conhecida na Terra. É através d’Ele que todo tráfego vindo de Azathoth precisa passar. Nyarlathotep tem mil formas. Ele é chamado de Caos Rastejante. Shub-Niggurath, a Cabra Negra dos Bosques, é um tipo de “divindade perversa da fertilidade”. Shub-Niggurath também é chamada de Cabra Com Mil Jovens. Ela é aparentemente uma divindade muito importante na mitologia do Necronomicon, julgando pela freqüência que Ela é mencionada. Existe obviamente uma conexão entre o culto à Shub-Niggurath e os muitos cultos a bodes da antiguidade.

Além de Cthulhu, os Antigos e os Outros Deuses, existem numerosas raças menores de criaturas no Necronomicon como os shoggoths. Um shoggoth é uma congérie amorfa de “bolhas protoplasmáticas”. Os shoggoths foram criados pelos Antigos como servidores. Eles podem assumir qualquer forma que eles precisarem para executar tarefa designada. Eles são serventes teimosos, se tornando mais inteligentes com o tempo eventualmente ganhando uma força de vontade própria. Shoggoths são as vezes, de acordo com HPL, vistos em visões induzidas por drogas.

Outra raça são os Profundos, que são um tipo de criatura anfíbia semelhante a uma mistura de peixe, sapo e homem. Os Profundos veneram um deus chamado Dagon. Dagon é uma divindade parecida com um Profundo gigante. Dagon e os Profundos parecem estar aliados em alguma forma com Cthulhu. Outra raça menor é o Ghoul. Ghouls são monstros comedores de cadáveres que parecem muito com os humanos, exceto por seus traços caninos ou monstruosos. É possível para um homem ser transformado em um ghoul sob certas circunstancias.

Isso conclui meu curto resumo das principais idéias de H.P. Lovecraft sobre o Necronomicon e seus mitos associados. Este resumo não é de forma alguma exaustivo, mas deve proporcionar à você informações gerais suficientes para dedicar-se ao resto do texto com um bom ponto de referências.

Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-de-acordo-com-h-p-lovecraft/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-de-acordo-com-h-p-lovecraft/

Hércules e o Javali de Erimanto

Foram necessários dois anos para Hércules capturar um javali feroz que devastava tudo por onde passava. Esse trabalho está relacionado ao aprendizado da vida em sociedade.

“O javali é um monstro sem fronteiras, que não respeita limites. Cada um de nós tem dentro de si essa fera, que é preciso dominar, aprendendo a reconhecer nosso espaço e o das outras pessoas. É um teste para vencer o egoísmo e a equilibrar os impulsos”.

Mitologia

Hércules é incumbido de capturar o Javali de Erimanto, sem contudo saber que este trabalho era na verdade uma dupla prova: a prova da amizade rara e da coragem destemida. Foi-lhe recomendado que procurasse pelo javali e Apolo que lhe deu um arco novo para usar, porém Hércules disse que não o levaria consigo, porque temia matar. Ele disse:

“Eu não o levarei comigo neste trabalho, pois temo matar. Deixo aqui o arco.”

E assim desarmado, a não ser por sua clava, ele escalou a montanha, procurando pelo javali e encontrando um espetáculo de medo e terror por toda a parte. Mais e mais ele subia e em determinada altura encontrou um amigo, Pholos, que fazia parte de um grupo de centauros, conhecidos dos deuses.

Eles pararam e conversaram e por algum tempo Hércules esqueceu-se do objetivo da sua busca. E Pholos convidou Hércules para furar um barril de vinho, que não era dele mas do grupo de centauros e que viera dos deuses, juntamente com a ordem de que eles jamais deveriam furar o barril, a não ser quando todos os centauros estivessem presentes, já que ele pertencia ao grupo. Mas Hércules e Pholos abriram-no na ausência dos seus irmãos, convidando Cherion, um outro sábio centauro, para se juntar a eles. Assim ele fez, e os três beberam e festejaram e se embebedaram-se e fizeram muito ruído que foi ouvido pelos outros centauros.

Enraivecidos eles vieram e seguiu-se uma feroz batalha e uma vez mais Hércules fez-se mensageiro da morte e matou os seus amigos, a dupla de centauros com quem ele antes tinha bebido.

E, enquanto os demais centauros com altos lamentos choravam as suas perdas, Hércules escapou novamente para as altas montanhas e reiniciou a sua busca pelo javali. Até aos limites das neves ele avançou, seguindo a pista do animal, mas não o encontrava. Depois de muito pensar, Hércules colocou uma armadilha habilidosamente oculta e esperou nas sombras pela chegada do javali.

Quando a aurora surgiu, o javali saiu da sua toca levado por uma fome atroz e caiu na armadilha de Hércules que, no tempo devido, libertou a fera selvagem, tornando-a prisioneira da sua habilidade. Ele lutou com o javali e domesticou-o, e fê-lo fazer o que lhe determinava e seguir para onde Hércules desejava.

Do pico nevado da alta montanha Hércules desceu, regozijando-se no caminho, levando adiante de si, montanha abaixo, o feroz, contudo domesticado javali. Pelas duas pernas traseiras ele conduziu o javali, e todos na montanha se riam ao ver o espectáculo. E todos os que encontrava Hércules, cantando e dançando pelo caminho, também riam ao ver a sua caminhada. E todos na cidade riram ao ver o espectáculo: o exausto javali e o homem cantando e rindo.

Quando reencontrou seu Mestre, este lhe disse: “O Trabalho foi completado. Medita sobre as lições do passado, reflecte sobre as provas. Por duas vezes mataste a quem amavas. Aprende porquê.”

Simbologia

Este trabalho está associado ao signo de Libra e Áries, onde a aprendizagem consiste na capacidade de manter o equilíbrio perante as adversidades (Libra), sendo capaz de manter as necessidades básicas atendidas (Áries).

Libra é o primeiro signo que não tem um símbolo humano ou animal, mas sustentando a balança, está a figura da Justiça – uma mulher com os olhos vendados. Ele apresenta-se com muitos paradoxos e extremos, dependendo de se o discípulo que se voltou conscientemente para o caminho de volta ao Criador segue o zodíaco segundo os ponteiros do relógio, ou no caminho inverso. Diz-se que é um interlúdio, comparável com a silenciosa escuta na meditação; um tempo de cobranças do passado.

Neste ponto percebemos como o equilíbrio dos pares de opostos deve ser atingido. A balança pode oscilar do preconceito até à injustiça ou julgamento; da dura estupidez à sabedoria entusiástica. Neste majestoso signo de equilíbrio e justiça nós verificamos que a prova termina numa explosão de riso, o único trabalho em que isso acontece.

Hércules conviveu, riu e cantou com os amigos, sendo que socializar é uma característica de Libra, e em vez de seguir a recomendação, de abrir o barril para o grupo, abriu-o para celebrar com um único centauro, procurando aqui um espelho, uma identificação com o outro. E embora estivesse determinado a não matar, o seu impulso, primeiro, de Áries, foi mais forte.

No entanto, Hércules conseguiu também entregar o javali ainda com vida e já domesticado, demonstrando que era possível domesticar o animal, devido à sua dedicação e delicadeza no trato, atributo natural de Libra.

Caminho de Iniciação

O Caminho de Iniciação considera o 3º Trabalho – A Captura da Corça Cerínia e o 4º Trabalho – O Javali de Erimanto como um só.

O céu de Vênus é a morada dos Principados. Esses vivem no Mundo Causal. O Iniciado que anela entrar nessa oculta morada interior, antes dve descer aos infernos de Vênus, e ali, como Hércules, capturar a Corça de Cerínia e o Negro Javali de Erimanto. Nesses dois símbolos vemos claramente a delicadeza e a brutalidade, o refinado e o tosco, a bela e a fera.

O Javali, perverso como poucos, é o símbolo vivo de todas as baixas paixões animais, a luxúria mais grosseira e devassa. Portanto, temos aí o contraste entre o denso e o sutil.

Mesmo após haver eliminado os defeitos do Mundo Astral Inferior e do Mundo Mental Inferior (as duas primeiras façanhas de Hércules), as “causas” desses defeitos continuam existindo. Essas causas são eliminadas durante os processos do terceiro e quarto Trabalhos de Hércules: a captura da Corça Cerínia e do Javali de Erimanto.

Se todos os defeitos têm origem sexual (não importa se os defeitos são refinados ou toscos), as maiores provas do Terceiro e Quarto Trabalhos consistem em resistir às tentações da carne, cujo drama foi ricamente descrito pelo patriarca gnóstico Santo Agostinho: Imenso é o número de delitos cujos gérmens causais devem ser eliminados nos infernos de Vênus.

Findo o Trabalho nos infernos do Mundo Causal, o Mundo de Tipheret, o Cristo Cósmico penetra no coração do Iniciado e este, cheio de êxtase, exclama: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus…”

Biblioteca de Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-o-javali-de-erimanto