Manifesto à Criatividade

O Manifesto à Criatividade é um texto de poder.

Ele pode ser usado como um ritual para acessar o poder criativo pessoal ou universal, pode ser usado para abertura do círculo, como uma forma de oração, para invocar a energia criativa para manifestações artísticas. Ler todos os dias de manhã, antes de iniciar um trabalho, antes de dormir, cabe a você experimentar, ousar e acima de tudo ser criativo.

Leia, declame, vibre, musique.

Mãos à obra, a Grande Obra !

– Qual é o seu maior sonho?

– Uma Ferrari Roxa.

– Como assim uma Ferrari roxa? Não existem Ferraris roxas.

– Viu? O mundo te moldou de tal forma que até mesmo seus sonhos estão industrializados, formatados, pré-moldados, em módulos prontos e de fácil digestão. Quando foi que viramos consumidores até de Sonhos? Por que sonhamos como quem vai ao supermercado ao invés de sonhar como uma criança com uma lata de tinta?

Criar é o mais belo atributo humano. Sua mais elevada capacidade. O ato de criar desperta nossa consciência Divina, quase sempre dormente soterrada por uma vida em piloto automático.

É difícil dizer se a criatividade vem de cima para baixo, ou de baixo para cima. Imagino que no final das contas talvez ela seja como um raio. Um relâmpago, ora de uma ponta, ora de outra, mas que quando corre, tem proporções colossais, unindo Céu e Terra, trazendo lampejos de luz na escuridão

O mundo carece de pessoas criativas.

E não estamos falando de reinventar a roda. Falamos, sim, da decisão consciente de buscar, não a solução mais fácil, simples ou encontrada na primeira página de resultados do Google.

Falamos de soluções criativas, de atitudes criativas.

E o que é uma solução criativa ?

A solução criativa é além do óbvio. É uma solução inteligente e ecológica. É ir além do que se apresenta e saber conceder e exigir na medida certa para encontrar uma síntese entre a tese e a antítese. Inteligente é se valer de forma diligente de todo o conhecimento e experiência adquirido, lendo e reescrevendo o que possa ser útil, criando e recriando. Ecológica é a solução que é energeticamente benéfica para todos.

A solução criativa é ativa e reativa. É um estado de espirito que existe para responder um problema existente, mas também busca transformar o meio antes que uma crise se instale. Propõe soluções para problemas que nem sabíamos que existiam.

É a integração entre inspiração, reflexão, sentir e manifestar.

Quando criamos, mudamos o mundo e a nós mesmos. Não existe mão única, sentido obrigatório ou contra-mão.

A Criatividade pode ser treinada e desenvolvida. Tal qual um músculo, precisa de estímulo e repouso adequados e, quando deixada por si mesma, vai sempre regredir a um estado natural.

Sejamos criativos, loucos e novos. Transformemos o mundo, ouçamos a musa e moldemos nosso mundo. É trabalhoso. Estamos desacostumados. Pode até ser difícil no começo, mas nada do que realmente vale à pena é fácil no início.

Se pudéssemos escolher viver em um mundo mais criativo ou menos criativo o que escolheríamos? Não é uma decisão difícil.

Mas nós podemos escolher. Basta escolher criar. O mundo tem críticos demais, analistas demais, estudiosos demais.

Precisamos de mais artistas, música, desenhos, textos, projetos, poemas, filmes, romances e soluções.

A criatividade às vezes bate à nossa porta, e por isso devemos deixar nossas portas abertas.

Às vezes devemos ir até ela e encontrar sua porta já aberta. Mas se estiver fechada, devemos bater, chamar e insistir.

Insista. Seja criativo até diante de sua falta de criatividade. Nada é permanente. Se permita escrever um texto mediano, leia-o novamente e encontre novas palavras. Encontre novas idéias. Encontre outras respostas. Novas notas, melodias e rimas. Permita-se questionar e melhorar, transforme e recrie o mundo. Seja mais, queira mais, ouse mais.

Arrisque-se. Saia do coro da platéia e suba no palco da vida.

A criatividade é mágica, e a Magia é a suprema criatividade. Por inspiração ou treino, exige do praticante que repense todo o seu universo de acordo com uma nova visão e a manifeste.

Não se acomode em sua passividade. Não se contente em ser leitor. Não passe o resto da sua vida, apertando F5, atualizando a página do facebook e dando refresh na sua caixa de entrada de emails.

Agora esqueça esse texto.

E escreva o seu.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/manifesto-%C3%A0-criatividade

Asmodeus – Adornado em Chamas

7 Aconteceu que, precisamente naquele dia, Sara, filha de Raguel, em
Ecbátana na Média, teve também de suportar os ultrajes de uma serva

de seu pai.

8 Ela tinha sido dada sucessivamente a sete maridos. Mas logo que eles  5
se aproximavam dela, um demônio chamado Asmodeu os matava.

9 Tendo Sara repreendido a jovem criada por alguma falta, esta
respondeu-lhe: Não vejamos jamais filho nem filha nascidos de ti sobre
a terra! Foste tu que assassinaste os teus maridos.

Livro de Tobias (3: 7-8-9)

asmodeus1Os três Sacerdotes do Templo de Satã, dedicam esse texto como uma homenagem a ti, Katlyn Babalon, nossa Musa do Apocalipse 

Parabéns e aprecie, e relembre tudo que Asmoday já te trouxe.

Quando falamos de demonologia, um dos principais nomes, é Asmodai, o trigésimo terceiro demonio da goetia, tão famoso por ter construído o templo de Salomão. Eu comecei a trabalhar com ele, no meio de 2008 e de lá pra cá, comecei a passar pra outras pessoas, sobre ele, e sobre como trabalhar com este demônio. Afinal, o inferno é free pass ? Ou não ?

Senhor de toda a Luxuria, ASMODAI, ASMODEUS, ACHENEDAY, SIDONAI, ASHMODAY, ASMODÉÉ, é o mais sedutor de todos os demônios, sem duvida alguma, por causa de seus domínios, acaba aprisionando os incautos em teus jogos de possessão. Ele é alimentado com álcool puro, fluidos sexuais, jóias masculinas, Absinto, maçã, enxofre, pimenta (todos os tipos) velas vermelhas e todos os incensos afrodisíacos podem ser dedicados á ele. Além de luxuria, ele trabalha fornecendo sabedoria, riquezas, une e desune casais, mata destrói, enlouquece, é um senhor da Loucura,  acendendo ou apagando paixões, causando dor e sofrimento, tornando homens ignorantes, perturbando-os.

É o senhor da Ira, do Caos.

Cuida também de virilidade, dando ou retirando de um homem, e de fertilidade, regendo a sensualidade, os jogos, o adultério, a homossexualidade, discórdia, engano. Um dos demônios mais intensos que já convoquei.

Em uma das minhas brincadeiras, eu e uma amiga, convocamos ele, ao meio da madrugada, na praia vazia, somente para acender a paixão de duas pessoas para nós. Ela morava comigo na época, e foi uma época rica de demonologia – que serão detalhadas aqui. Usamos apenas o que tínhamos, que era somente incenso de almíscar. Foi magnifico a invocação, olhando pro mar, pequenos globos de energia se formavam e desapareciam,  terminada a conjuração, os dois, se sentiam possuídos,  rindo a toa, e sentindo uma força sobrenatural dentro de si. Assim perdurou por dois dias. Quando estavamos brincando com o tarot, uns dias após, o telefone toca. Uma garota, a qual o demônio foi enviado, acabara de ligar desesperada. Ela acordou com um homem a sua frente, a sombra de um, se sentindo paralisada. Começou a ter crises de choro fortes, e só pensava em mim, no caso, e me ligou pedindo tanto ajuda como segundas intenções, reveladas somente mais tarde, no ápice da lascívia. E esta mania de se mostrar, é tipica do Asmoday, quando mandei ele separar duas pessoas, uma delas um amigo intimo e sua ex namorada, ele me contou que a sua ex, também acordou com esse homem, vestido de negro ao lado da sua cama, e a sensação de desespero também a fez ligar para seu namorado e contar. E ele me contou logo em seguida, sem saber que era uma brincadeira demoníaca minha.

Já pra ela, Asmoday agiu de outra forma. Ela o invocou para um rapaz a qual veio a namorar um tempo, ela ganhou fascínio com o Asmoday, por ver, que o rapaz falava exatamente, segundo ela, exatamente tudo que ela pediu pro Asmoday. Ele se tornou uma casca, com o Asmoday dentro, jogando com seus sentimentos. A cada vez que mantinham relações, ela mentalizava o nome do Asmoday, e assim alimentava o demônio. Até que a coisa perdeu o controle. Tudo se iniciou por sonhos perturbadores do rapaz, que ficava desordenado, e se rebatia na cama. Até o ponto, que numa madrugada ela me ligou me sem saber o que fazer. O garoto tava se rebatendo demais, além de gritar o tempo todo, falando em línguas que ela não entendia, ela não conseguia acorda-lo, e ele se batia violentamente, e em algumas vezes, parecia q ele se levantara meio sonambulo, quase vindo pra cima dela, e logo em seguida caindo. Ela estava assustada, me ligou. Em posse de fios de cabelo dele, eu comecei a exorcizar o demônio, ainda bêbado de sono, assim que desliguei o telefone com ela. Uma hora após, ela tornou-me a me ligar relatando que ele caíra num sono tranquilo. Asmodai foi embora, junto com ele, toda a obsessão amorosa que o rapaz tinha por ela.  Ela logo terminou o namoro, assim que notou a diferença gritante que aconteceu da noite pro dia, literalmente.

Já outro rapaz, Lipe, convocou para uma garota a qual estava interessado. Ele começou a invocar toda semana, dando fluidos sexuais para o demônio, depositando-os sobre o selo do mesmo. Em um mês e pouco, tudo mudou radicalmente. Em questão de dias, a garota começou a demonstrar uma paixão louca por ele. E enlouqueceu a ponto de ela ter visões dele pela casa, sonhar com ele diariamente, ter crises de choro sentindo a falta dele, ela perdia o sentido, tinha falta de ar, parecia que perdia a próprio controle. Ela tinha visões dele, alucinações com o rapaz, vindo e se envolvendo com ela. Ela sentia fisicamente isso.  Ele fazia apenas dois pedidos, cada vez que dava seus fluidos pro Asmodai – Enlouquece-la de paixão, traze-la até á ele.E as coisas aconteciam de modo brusco, se não, violento. Asmoday fez a garota delirar, literalmente, perder o próprio controle. Ele teve que mudar de demônio, quando ela começou a ter complicações respiratórias, além das alucinações mais frequentes.

Sexo com demônios não é um assunto novo, tão antigo quanto a minha própria bissexualidade, e por isso, em uma projeção astral eu o convoquei para tal proposito. Voltei completamente exausto, tonto, não conseguindo me manter em pé direito. As mesmas experiencias, uma amiga minha Hydra, teve com ele. As quais estarei descrevendo. Adiante no texto;

Eu conheci Asmodai através do meu amigo Inkubus e estava muito tentada a trabalhar com ele dentro da demonologia porque queria a aproximação de uma pessoa. Encontrei uma linda foto de Asmodeus e a imprimi, e trabalhava com energia sexual alimentando-o e buscando sua presença com fluidos sexuais. Em poucos das eu estava fascinada por Asmodeus, que se mostrou muito sedutor e comecei a buscar incessantemente sua materialização. Um belo dia eu acordo e vejo Asmodeus pairando sobre mim, como que flutuando… minha respiração estava ofegante e a excitação sexual muito intensa. Sentia que o corpo sutil dele ganhava forma e conteúdo enquanto ele penetrava em mim. Isso levou alguns poucos minutos e então ele se dissipou. Terminei por mim mesma este “ritual” sexual entre eu e ele e ofertei a energia desprendida desse ato à ele. Asmodeus respondeu positivamente aos meus pedidos e desse dia em diante se tornou um dos demônios com os quais eu mais me identifico. 

Lupus aeternos, me descreveu este cavalheiro desta forma;

Asmoday é um rei reservado e calmo, porem quando evocado ele pode deixar um rastro de discórdia e perversões sexuais. Na mitologia semítica encontramos que Asmodeus nasceu para se tornar o rei dos shedim (espíritos malignos) e na mitologia cristã cabalista ele pode ser identificado com o anjo Asmodel. Seu ofício é o confronto, a destruição e a luxuria. 

Sendo um demônio do fogo e marido da jovem Lilith(Na’amah mãe e esposa dele) ele foi conhecido por auxiliar feiticeiros no Negev e matar hebreus através de pragas, loucura e violência. 

A ele podemos associar animais como o galo, touro, serpente e o cão. 

Não posso dizer que tive experiencias tranquilas com ele mas algumas forma muito positivas e outras muito conturbadas. A energia dele leva a um estado de consciência que pode “simular” uma possessão  e as vezes nos induzir à momentos de insanidade, ao mesmo tempo que parece ser um estimulante sexual e também aumenta o vigor e a força física do mago ou feiticeiro.

Ele buscou no Asmoday outra coisa; queria vingança – untando uma vela em sangue, ele começou a fazer a seguinte invocação, de forma poética, expressando teu desejo;

“Abra a tua boca Asmodeus e deixa o enxofre sair,
Rei de toda ira e luxuria deixa tua força fluir,
Pela minha ira e meu desejo de vingança destroi o corpo deX,
Lança tuas legiões a cada hora de vida para para assolar “X” até que ele esteja morto!
Deixa tua discórdia fluir e destruir a vida e a mente deste que me feriu,
E tudo que ele mais gosta na vida se volte contra ele,
Eu invoco a tua ira e tua força e ordeno ao céu, a terra e aos mares que se voltem contra ele!
E por todos os shedim sobre o teu comando que a peste e a desgraça caiam sobre ele,
A loucura e a insanidade venha a tona, para que ele engasgue com os proprios ossos!
Asmodeus, pela minha voz destroi o corpo, a mente e o espirito de “X’ com  a tua ferocidade!”

Formas variadas de se trabalhar com esse demônio, nos levam a crer, que magia é mais pessoal que formal, que não existem receitas para que a magia aconteça, por que ela, simplesmente acontece. Asmoday nesses 4 anos ao meu lado, me mostrou claramente que demônios são vivos, tem personalidade, e muitas vezes além de pedir o que se deseja, deve –se pedir o que se não deseja – para que se evite resultados desastrosos.  Talvez o Inferno seja um grande professor, ou até mais que isso. Pouco importa hoje em dia a origem dos mitos, o que nos vale, é como usa-los. E aqui está Aeshma Daeva, em uma entrevista completa e participações em vidas pessoais. Usem bem.

Excitação, domínio e magia. Achenaday, um dos príncipes da Escuridão, este é um trabalho dedicado á ti.

Por Inkubus

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/asmodeus-adornado-em-chamas/

Breves Considerações sobre Exu Orixá e Exu de Umbanda

Exu orixá é um dos Deuses africanos que representa a dinâmica e o inicio de tudo, este Orixá tem vários nomes só diversificando de região o pais ao qual ele foi ou é cultuado. Veja os mais comuns ao qual este ser é chamado: Eleguá, Elebara, Bara (aquele que habita o corpo), Akesan (exu de ifá), Iangi (exu do inicio da criação), Onan (Exu senhor dos caminhos), Exu Tiriri (aquele que enxerga tudo), este são apenas alguns de muitos nomes aos quais este Orixá é conhecido dentro da religião africana e também no Candomblé.

Conta uma das lendas que Exu Yangi fez parte da criação do mundo, tendo como papel de mensageiro de Deus (olodumaré), assim foi ordenado que viesse a terra para saber se ela já poderia ser habitada pelos seres humanos e os Orixás. Chegando aqui não quis mais voltar a Orun (céu), então percebe-se que logo este orixá novamente foi o primeiro orixá e ser a chegar na terra, por isso ele é o primeiro a ser reverenciado no Culto como: Agrados, Matanças, Primeiro do Xirê (cânticos), etc. As Cidades africanas que ele é mais cultuado são: Ekiti, Ketu (onde se tornou rei), Ondo, Inebu, etc.

Exu de Umbanda ” De Trabalho”

Exu de Umbanda não é Exu Orixá. Por que? Exu na Umbanda são entidades ou espíritos de luz que tem por missão ajudar seus protegidos dando lhes orientação em forma de consultas de adivinhação, pois estes incorporados em seus médiuns respondem com a verdade aquilo que o consulente quer saber com a finalidade de lhe avisar de algum mal ou bem que esteja preste a acontecer, com o intuito de impedir algum mal ou lhe mostrar algum bem em seus caminhos (sua vida).

No Candomblé esses Exus que não são Orixás são conhecidos como Ecuru ou Ekuru (próprios Eguns ancestrais) que no Candomblé já pertencem a outro típico de culto, na África existe um culto típico somente para este tipo de espírito (O culto aos Eguns ou Elesé Egum). Então como podem ver

Exu Orixá não se manifesta em Giras de Exu na Umbanda, porém, algumas casas de candomblé cultuam Exus Ekurus (entidades), pois alguns devotos já vieram antes de se iniciar dentro do culto ao Orixá (candomblé) da religião da Umbanda, então já traziam estas entidades que as vezes não querem deixar de dar suas consultas e orientações aos seus devotos. Casas de Santo como na nação de Angola tem por natureza cultuar essas entidades, mas hoje em dia é muito comum dentro do candomblé assentar estes Exus no Ketu, Jeje, Engenho velho, etc.

Esses exus tem nomes e histórias bem diferentes uma das outras. Na Umbanda eles são conhecidos como: Exu tranca rua,  Exu Caveira, Exu tiriri, Marabô, Zé pelintra, Calunga, Exu mirin, Lodo, Reis das Sete Encruzilhadas, Exu veludo, Toquinho, Pinga fogo, Meia noite,  etc..

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Fonte: https://umbandaedeus.blogspot.com/2014/05/o-misterio-exu-exu-orixa-e-exu-de.html?view=sidebar

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/breves-consideracoes-sobre-exu-orixa-e-exu-de-umbanda/

Monstros Internos

Eles povoam a nossa imaginação. Ocultam-se sob nossas camas. Rastejam nos obscuros recessos de nosso inconsciente primitivo. Não há fuga, não há refúgio. A coisa vai pega você. A Besta, o aniquilador, o Lusus Natura. O que é? Por que tememos?

Qual é o seu nome?

Sempre tivemos nossos demônios. Há muito inflamam a imaginação romântica de sacerdotes e poetas. Houve um tempo em que os denominamos Trolls; depois foram chamados de Diabos, e então vieram as Bruxas, misturando poções maléficas em seus caldeirões. Ainda mais tarde, dizia-se que o Monstro era o Lobo Mau, o Bicho Papão, o Godzilla do terror da guerra fria. Por fim, alguns chamaram-no de intolerância e boçalidade. Durante algum tempo tentaram convencer-nos de que monstros não existem, que tudo no universo tinha, ou logo viria a ter, uma explicação racional.

Mas agora sabemos a verdade. Reatamos nossas relações coma Besta. Aprendemos seu verdadeiro nome.

Agora compreendemos a dimensão da eternidade, sua infinitude inimaginável, sua estrutura caótica e insignificância de nossa própria existência.
Agora admitimos a magnitude dos problemas que enfrentamos e a nossa aparente incapacidade de gerar mudanças na escala necessária para salvar-nos.

Tivemos um lampejo da realidade e enxergamos a verdade por trás do véu. Fechamos o círculo e redescrobimos o Demônio. Recuperamos nossa herança ancestral. Achamos aquilo a que concedemos tantos nomes – a fonte de nosso terror mortal.

Descobrimos o inimigos… e somos nós.

Somos caçadores, perseguindo eternamente a verdade inquietante de nossa condição humana, buscando em nosso íntimo por aquilo que é sujo, incerto, impuro – pelo que não tem nome. Ao olharmos os monstros que criamos, adquirimos um discernimento um pouco mais amplo de nossa “metade negra”. Esses demônios expressam o que somos nos níveis mais profundos e inacessíveis do inconsciente. Desde tempos remotos, eles nos têm proporcionado uma conexão com nosso eu animal, a satisfação de uma necessidade emocional primitiva, e a promessa de uma injustiça implacável.

O vampiro é o demônio quintessencial, nada mais sendo que um reflexo de nós mesmos. Os vampiros alimentam-se como nos alimentamos, matando, e, causando morte, podem sentir o mesmo terror, a mesma culpa, o mesmo anseio por fuga. Estão aprisionados no mesmo ciclo de necessidade, fartura e alívio. Como nós, buscam redenção, pureza e paz. O vampiro é a expressão poética de nossos temores recônditos, sombra de nossas necessidades primordiais.

Tal o herói da lenda, que desse ao poço do Purgatório para enfrentar o algoz, derrotar as fraquezas pessoais e finalmente ser purificado, retornando para casa com a dádiva do fogo, também nós precisamos descer às profundezas de nossas almas e renascer com os segredos conquistados. Essa é a verdadeira jornada de Prometeu, o significado do mito. Apenas embarcando nessa jornada podemos descobrir nossos eus verdadeiros e ver nossos reflexos no espelho.

O fascínio desta promessa de conexão espiritual é praticamente irresistível. Mas trata-se de uma aventura por demais perturbadora. É preciso manter-se vigilante e caminhar com cautela – toda jornada reserva seus perigos. Não olhe a própria alma, a menos que esteja preparado para enfrentar o que descobrir.

E neste momento, lembre-se:

Monstros não existem…”

Retirado do livro Vampiro: A máscara,

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/monstros-internos/

Um segredo (bem… mais ou menos)

Anton Szandor LaVey

Excerto de “Satan Speaks!”

O segredo que estou prestes a revelar me serviu bem durante a maior parte da minha vida adulta. Percebi seu potencial depois de tê-lo empregado involuntariamente. Ela se baseia em um princípio psicológico de que, uma vez que uma pessoa tenha sido posta de joelhos, ela aceitará qualquer que seja o mestre que a tenha feito ajoelhar. É o mesmo princípio que faz com que as vítimas se tornem leais a seus sequestradores. A maioria dos humanos é masoquista, respondendo ao medo e ao fracasso.

Essa é uma verdade confirmada por evidências empíricas. Muitos exemplos, ao longo de milênios, provam isso sem sombra de dúvida. A raiz da palavra sujeito é a mesma que sujeitar e subjulgar. Cada monarca, cada nação tem seus súditos.

Observei que as mulheres são minhas mais fortes aliadas. Não é por acaso, mas por design. O que eu não exercito para esses fim por diretamente, eu faço através do meu papel e suas conotações temíveis e subjugadoras. Se o público é feminino, um verdadeiro líder deve ser um subjugador. O conhecimento carnal é uma das fórmulas mais primitivas de subjugação . É o poderoso subjugador pelo qual as mulheres tiveram que mistificar para combater. O conhecimento carnal assume muitas formas, em muitos graus.

É por isso que eu não ando de camiseta e pés descalços. Não vou cruzar uma linha que me torna vulnerável. Só uma mulher bonita pode se expor ao poder por meio da vulnerabilidade. As fantasias de estupro em mulheres que precisam delas nada mais são do que uma das muitas situações que atendem às necessidades da mulher de ser subjugada.

Toda mulher quer amor. Sexo e amor estão tão indelevelmente entrelaçados na mulher, que ao sucumbir a um homem de sua escolha, ainda que de forma obtusa, abre os portais do amor. Não é necessário estuprar, agredir para abusar verbalmente. dê-lhes um exercício de constrangimento.

Eu permito que elas rompam com a convenção, enquanto experimentam sentimentos subjetivos de humilhação, vergonha, degradação e subjugação. Mas, o mais importante, liberte-se da responsabilidade. Forneça um retorno aos primeiros despertares sexuais, enterrados, mas com efeito mais forte do que qualquer possessão sexual aberta. Assumo o conhecimento carnal muito mais poderoso que os efeitos mundanos do estupro. Devolvo a figura paterna. Isso é o satânico.

Outros compartilharam meu segredo. Eles permanecerão sem nome, embora divulgar suas identidades me colocaria na companhia de déspotas e tiranos, ícones pop, psiquiatras lendários e figuras públicas amadas por milhões.

O primeiro exercício exigido por grupos de controle como Cientologia EST, etc., é ser mantido cativo em uma audiência que não permite que ninguém saia de seu assento. É um forçado – mas voluntário – cativeiro. Isso também faz seguidores fanaticamente devotos. Meus métodos são muito mais refinados, recorrendo a subterfúgios transparentes semelhantes ao orgásmico oráculo sagrado em tabernáculos para matar o pecado. Eu explico o plano, o propósito e o método. Ninguém é obrigado a participar. Se meu próprio fetiche produz dedicação e lealdade explorando os requisitos naturais femininos, ninguém perde. Quanto às ferramentas do meu negócio e detalhes processuais, isso deve permanecer em segredo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/um-segredo-bem-mais-ou-menos/

Redes Sociais e as Qlipoth

Ainda sobre largar o Facebook.

Não recomendo “largar” o Facebook. Não vou excluir o perfil, vou simplesmente parar de alimentá-lo diretamente, senão em circunstâncias bem mais raras e específicas. Vou ainda divulgar coisas (principalmente o local onde vou passar a escrever, possivelmente, e preferencialmente, com amigos). Recomendo, isso sim, DIMINUIR SUA IMPORTÂNCIA. Radicalmente, de preferência. E recomendo que todos façam isso.

O fato é que o Facebook NOS PAUTA. Ele te encontra pela manhã, e te diz: “Olá, isso é o que vai te indignar hoje, isso é o que vai te mobilizar hoje, isso é o que vai te fazer compartilhar coisas hoje, e o que vai fazer você gerar mais conteúdo para mim”. Ele faz isso porque sabe MUITO sobre o seu comportamento e rede. Ele usa algoritmos complexos, cada vez mais refinados, para te manter girando com uma paixão maior em torno de um campo menor de assuntos. Faz isso selecionando coisas para aparecer, e o pior, coisas para SUMIR de sua visão.

Isso faz você girar em espiral, com um raio de curva cada vez menor, em velocidade cada vez maior.

O Facebook não é o problema, o problema é o modo como o Feed do Facebook é construído para cada um. É feito para estimular essa espiral, e nisso conta com a colaboração de uma mídia que não soube lidar muito bem com sua transformação e se rendeu ao sensacionalismo. Mídia que não está interessada em ter o “melhor jornal para vender”, mas que está interessada em ter a manchete que mais estimula o click, com a chamada mais apelativa. Ela quer o click. Note que o conteúdo em si é irrelevante, pois a decisão do click ocorre antes da apreciação do conteúdo. Quase sempre, a própria decisão de compartilhar ocorre antes da apreciação do conteúdo. Click, click, click. Milhares de anzóis jogados na água, a grande maioria com minhocas de mentira.

Em uma sociedade sadia temos que ter constante exposição a coisas que não queremos ver. Estamos virando crianças mimadas com esse mundinho feito por encomenda. Isso sempre existiu em algum grau, mas estamos nos aproximando perigosamente do não-diálogo.

E tem outra coisa. Nisso, nessa busca do click, quantas polêmicas falsas, quantas não-pautas, quantas guerras inventadas ajudamos a engrossar e transformar em realidade, como uma profecia auto-realizável? Alguém em sã consciência iria, no mundo real, no mundo das pessoas de carne e osso, dar ouvidos a uma estupidez como “apropriação cultural” se não fosse a máquina de potencializar conflitos do Facebook em ação? Até tentamos criar a noção de que várias desses conflitos eram pura besteira, mas parece que perdemos… de lavada.

Nestes últimos dois ou três anos presenciei o que sobrou do “Mundo do RPG” se esfacelar em bolhas de idiotices e brigas de egos gigantes, pautadas em “politicamente correto versus bolsomitos” onde não houve espaço para diálogo ou meio-termo; temos doentes mentais (literalmente, gente que está em tratamento psiquiátrico) ditando regras cada vez mais nonsense sobre abobrinhas que variam de tamanho de saia de personagem a apropriação cultural em um RPG sobre Egito escrito por um homem branco, passando por reclamações de que miniaturas (de plástico) não podem mais usar “peles de animais” porque é desrespeitoso e eventos de RPG cujo título é “nada a Temer”. A impressão que se tem acompanhando as listas e grupos é que o hospício faliu, abriram as portas do asilo de loucos e deixaram os pacientes tomar conta do hospital.

Nos Jogos de Tabuleiro não é diferente. Os grupos do Facebook se tornaram zonas de guerras tóxicas. Um jogo vem faltando uma pecinha e ao invés da pessoa dar um telefonema ou escrever um email para a devir ou galápagos conversando e resolver a situação em cinco minutos, manda textão com fotos xingando as companhias com algo completamente idiota, que é reproduzido dezenas de vezes e gera centenas de comentários. Quando uma companhia anuncia um jogo novo ou um projeto, parece que está às moscas (a menos que alguém apareça xingando, o que ocorre em menos de 24hs, ai o tópico vira primeira página de guerra). Todos os produtores e designers simplesmente desistiram de postar no local que seria o ideal para a expansão do hobby.

E o mesmo acontece com os foruns de HQ, RPG, grupos de Hermetismo, Kabbalah e Maçonaria… se os Moderadores do TdC não tivessem uma foice afiada, com certeza nosso Grupo também teria caído nesse Abismo.

E nem quero imaginar como devem estar os grupos de “coisas normais” como política, futebol, religião, esquisoterices e carnaval…

Faça este exercício amanhã de manhã e veja como é assustador: Abra o Facebook mas não dê like em nada. Não comente em nada. Não compartilhe nada. Apenas observe distantemente todos os Posts que aparecem na sua Timeline, um por um, e responda para você mesmo “Quantos destes posts são negativos, atacam coisas que eu não gosto ou ridicularizam algum tipo de pensamento, pessoa ou instituição”? Quantos dos posts você não tem uma tendência quase automática em divulgar? Quantos destes posts não criam uma raiva e sentimento de “não podemos deixar isso barato!!!”? Quantos são apenas para espezinhar ou para levantar alguma bandeira (que certamente não é algo positivo)?”

Se a TV aprendeu que Qlipoth vende mais do que Sephiroth (Jornais e notícias sangrentas que “evoluíram” para Datenas e programas de crimes do fim da tarde/hora do almoço), imagine o que uma Inteligência artificial com Algoritmos como o do facebook consegue fazer com as pessoas? “Black Mirror” já é documentário, não ficção.

Precisamos readquirir o hábito de visitar portais e fóruns e depender menos dessa máquina de ordenhar emoções baixas. Portais de notícias oferecem também conteúdo mais geral. Estarei postando mais aqui no Blog e Menos diretamente por lá. Para nos acompanhar, será preciso fazer um esforço.

#Blogosfera #Qlipoth

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/redes-sociais-e-as-qlipoth

Entrevista com Varg Vikernes (Burzum)

Nota: muito deste artigo publicado na revista “Sounds Of Death nº 4” está incorreto, e Varg discute a realidade no “incidente em Estocolmo” numa recente entrevista em 1998. Tenha em mente que aquilo que você lê em uma revista nem sempre é verdade. Este artigo é muito mais ficção às vezes…

Numa noite tranquila em Julho, 1992, uma família, incluíndo duas crianças pequenas, dorme em sua casa suburbana em Upplands Vasby, norte de Estocolmo. Enquanto isso, fora da casa, Maria – uma jovem de 18 anos, membro do Black Circle, uma organização de cultuadores do demônio – espalha silenciosamente acetona na porta de entrada e janelas da casa e calmamente põe fogo na estrutura. Antes de fugir do local, Maria prende uma faca na porta principal, junto com a seguinte mensagem: “O Conde esteve aqui e vai voltar”. A família sente cheiro de fumaça pouco depois e consegue escapar por pouco da casa, apenas com suas vidas, antes das chamas queimarem tudo, fora de controle. A investigação policial do crime levou à prisão de Maria e o confisco de seu diário, onde ela revela que faz parte do culto secreto ao demônio, Black Circle. Numa referência a Conde Grishnackh da banda norueguesa de Black Metal Burzum, Maria escreveu: “Eu fiz em uma missão para nosso líder, o Conde. Eu amo o Conde. As fantasias dele são as melhores. Eu quero uma faca, uma faca bonita, afiada e cruel”.

A família vitimada era a família de Christoffer Jonsson, vocalista da banca sueca de Death Metal Therion. Quatro dias depois do incêndio, uma carta do Conde chegou à família. “Olá vítima! Aqui é o Conde Grishnackh do Burzum. Eu acabei de chegar de uma viagem da Suécia e acho que perdi um fósforo e um álbum autografado do Burzum, ha ha! Eu vou dar a você uma lição no medo. Nós somos mesmo mentalmente desajustados, nossos métodos são a morte e a tortura, nossas vítimas morrerão lentamente, elas devem morrer lentamente”. Pouco depois, Conde Grishnackh, nome real Varg Vikernes, é levado a interrogatório por três incêndios na Noruega e pelo incêndio em Upplands Vasby. O Conde não confessa nenhuma relação com a garota sueca Maria e declara inocência em todas as acusações. Maria é levada a um hospital para doentes mentais e solta depois de um ano de tratamento. As acusações sobre o Conde jamais são provadas.

10 de Agosto, 1993. Oystein Aarseth, conhecido também como Euronymous da banda de Black Metal Mayhem, é encontrado morto nas escadas do prédio onde morava em Oslo com várias punhaladas. Chamado de “Deus do Black Metal” e conhecido nos círculos satânicos como “O Príncipe da Morte”, Aarseth administrava uma gravadora chamada Deathlike Silence, e uma loja de discos chamada Helveye. A polícia norueguesa suspeita que o assassino primeiro apunhalou Aarseth em seu apartamento, e quando este tentava fugir pelas escadas foi pego e apunhalado novamente. Seu melhor amigo era o líder satanista norueguês Conde Grisnachk. O círculo do Conde afirma ter certeza de que os rivais satanistas suecos estão por trás do crime. Um porta-voz da polícia disse que “estes grupos realmente se odeiam e são capazes de usar quase qualquer método para punir um ao outro”. De acordo com o Conde, os suecos lêem a bíblia satânica e clamam serem satanistas, e que isto não é satanismo. Para o Conde, o verdadeiro satanismo é o praticado pelo seu grupo, que cultua a morte.

13 de Agosto, 1993. A polícia de Oslo conduz um interrogatório de oito horas com Ilsa, uma garota sueca de 16 anos que era amiga íntima tanto de Oystein Aarseth como de Conde Grishnachk. “Eu tenho certeza de que sei quem matou Oystein. O assassino era invejoso e queria tomar a posição de liderança que Oystein tinha no cenário”, disse a garota. “Eu não acredito que Oystein foi assassinado por satanistas suecos. A maioria dos suecos é muito covarde para matar alguém. Eu não vou revelar o nome do assassino. O ambiente Black Metal vai fazer sua própria vingança contra ele”. Um mês antes desta entrevista Ilsa havia estado por três semanas com Oystein Aarseth em seu apartamento em Oslo. Ela diz que Oystein falou sobre os conflitos entre os suecos e noruegueses e que ele deixou bem claro que em sua opinião esta richa havia chegado a um fim. “Aquele que eu penso ser o assassino é parte do ambiente norueguês. Muitos outros com quem eu tenho conversado também chegaram à mesma conclusão. Eu não posso dar o nome da pessoa que acredito ser o assassino porque estaria arriscando minha própria vida”. A garota prosseguiu, dizendo que Aarseth não costumava carregar armas consigo para se proteger, pois ele era fisicamente forte e se sentia capaz de se defender desarmado. “Eu não acredito que ele deixaria um estranho entrar em seu apartamento, não era seu estilo. Isso me deixa ainda mais certa sobre o nome do assassino”.

Quatro dias depois desta entrevista, Conde Grishnachk foi preso e acusado do assassinato de Aarseth. Ele está aguardando julgamento. Segue uma entrevista feita por Karl Milton Hartveit.

KM = Karl Milton Hartveit
VV = Varg Vikernes (Conde Grishnachk)

KM (Introdução) – Durante uma noite, no fim de março, eu falei com o Conde. Ele me surpreendeu, sendo uma pessoa fria e eloqüente que se expressava clara e inteligentemente. Ele respondeu às minhas questões precisamente e deixou bem claro o que ele queria responder e o que não queria. Ele demonstrou uma sabedoria convincente sobre mágica e tradições satânicas e ele formulava seus pensamentos com uma velocidade e inteligência que não se encontra facilmente em um charlatão. Eu declarei que estava trabalhando em um livro sobre satanismo e ele, sem hesitar, disse que eu poderia usar esta entrevista em meu livro. Um assunto recorrente durante a conversa foi o desejo intenso do Conde em destruir e arruinar tudo aquilo que é bom e harmônico. O fato de ele ter falado comigo em bergensk (um dialeto norueguês falado em Bergern, cidade do Conde) apenas contribuiu para aumentar ainda mais o horror trazido por sua mensagem.

VV – Bom, eu não estou tão interessado em entrevistas como no passado. As revistas distorceram minhas palavras. Eu acho essa coisa de concentrar todo o pensamento negativo em uma pessoa só é errado, não estou nesse negócio por dinheiro, fama ou fãs. Eu vejo o Burzum como um sonho sem alicerce na realidade. Foi feito para estimular a fantasia dos mortais, fazê-los sonhar. Estou cansado de ser mal interpretado pela mídia. Tudo o que escrevem sobre mim está cheio de erros, como esta merda sobre “Nidarosdomen”, a igreja que eu deveria explodir com dinamite. Quem falou isso para eles? Eu nunca ouvi falar nesta maldita igreja!

KM – Qual o objetivo de sua cruzada?

VV – Nós queremos criar o maior medo possível, caos e agonia para que esta sociedade idiota e amigável cristã possa ser destruída. Nós não estamos realmente interessados na revelação da verdade. Quando divulgamos mentira, causamos confusão; confusão leva ao caos, e finalmente à destruição que queremos. As pessoas devem ser oprimidas e nós apoiamos tudo aquilo que oprime o homem e tira dele seus sentimentos como pessoas individuais. É por esta razão que gostamos de saber que o cristianismo é poderoso… Ele oprime pessoas e todos acham que está tudo bem.

KM – Quais são seus sentimentos em relação aos praticantes da chamada “Magia Branca”?

VV – Eles são todos estúpidos e inocentes. Eles trabalham pelo bem e nós somos totalmente contra isso. Nós queremos espalhar caos e destruição.

KM – Qual sua opinião sobre Anton LeVay e seus seguidores?

VV – Anton LeVay é um idiota e as coisas que ele representa não tem nada a ver com satanismo. Ele representa o benefício próprio e egoísmo se apoiando no satanismo. Aleister Crowley também era uma farsa. Ele era tão aficionado por sexo que perdeu a verdadeira mágica.

KM – Você pode dar exemplos de como espalha caos e destruição?

VV – Através de nossa música. Ela desmantela a alma do ouvinte, e através dela espalhamos morte e devastação. Nós gostamos disso.

KM – Eu não entendo, você não gosta das músicas que você cria?

VV – Nós gostamos daquilo que ajuda a destruir o bem e pessoas estúpidas, e, portanto gostamos de nossa música.

KM – Você fala como se pertencesse a uma sociedade secreta, a uma elite no mundo. O quê é e quem faz parte desta elite?

VV – É um pequeno grupo de pessoas que cultuam o mal, você pode chamar o mal de Satã, mas este é um conceito desgastado e insípido que tem sido usado incorretamente tanto pela mídia como pela cultura cristã. Nós queremos o mal para ganhar mais poder no mundo e isso só conseguimos sendo maus. Quando simples humanos criam o mal, o poder do mal no mundo fica mais forte. Eu não vejo nada de extremista em meu ponto de vista. O que os idiotas chamam de mal, eu chamo de razão verdadeira da sobrevivência. A luta é evolução, paz é degeneração. Apenas os cegos podem negar!

KM – Você usa contatos com poderes sobrenaturais?

VV – Eu não quero falar sobre isso, mas demônios e poderes invisíveis existem e podem ser usados.

KM – Quantos de vocês existem e como estão organizados?

VV – Eu não conseguiria dizer a você quantos somos, mas existimos na maioria dos países do mundo. Apenas em países pequenos e isolados, como a Albânia, nós ainda não conseguimos nos estabelecer. Temos contato próximo entre nós e trabalhamos pelo mesmo objetivo.

KM – Vocês têm membros nas grandes cidades da Noruega?

VV – Sim, em muitas cidades.

KM – A sua organização tem um nome?

VV – Nós nos chamamos de Black Circle e somos organizados em um círculo central (Inner Circle) e vários outros círculos periféricos (Outer Circles). Aqueles que estão nos círculos periféricos são apenas usados para chegarmos aos nossos objetivos. Apenas nós pertencemos ao círculo central, que temos conhecimento completo daquilo que estamos querendo.

KM – Você diz que vocês usam pessoas e que espalham destruição, medo e ódio. Vocês não respeitam as leis e regras da sociedade?

VV – Não! Por quê deveríamos? Nós temos nossas próprias leis e não ligamos muito para as regras impostas pela sociedade.

KM – Vocês deliberadamente quebram as leis da sociedade?

VV – Não posso dizer isso, é um crime.

KM – Mas em princípio?

VV – Em princípio não temos nenhum escrúpulo em relação a quebrar as leis da sociedade. Estas leis pertencem a uma sociedade que estamos lutando para destruir.

KM – Você se vê como um rebelde?

VV – Não, nós não somos rebeldes. Nós apenas queremos destruir e espalhar o mal.

KM – Que tipos de rituais vocês praticam?

VV – Nós temos vários, mas não vou falar nada sobre eles.

KM – Os sacrifícios de sangue são parte importante destes rituais?

VV – É claro, o sangue é o poder da vida e é central aos rituais.

KM – Vocês sacrificam animais?

VV – Sim.

KM – Vocês sacrificam humanos?

VV – Isso é um crime.

KM – Mas em princípio?

VV – Em princípio não temos nenhum escrúpulo quanto ao sacrifício humano.

KM – E vocês já fizeram sacrifícios humanos?

VV – Eu não vou falar nada sobre isso.

KM – Eu não entendo. Por que você deu aquela entrevista reveladora a Bergens Tidende?

VV – Porque aquele jornalista estava me irritando e nós já tínhamos revelado parte de nossas atividades. O que eu disse naquela entrevista não era nada de novo.

KM – Mas você disse que pôs fogo em Fantoft Stavkirke e Asane Kirke.

VV – Não! Eu fui completamente mal-entendido e distorcido. Eu disse que alguém de nosso grupo sabia como os incêndios haviam começado, nada mais.

KM – Então você não teve nada a ver com estes incêndios?

VV – Eu não vou responder.

KM – Por quanto tempo você esteve envolvido no satanismo? Quando você começou a ter estes pensamentos que falou?

VV – Eu sempre os tive. Basicamente, eu sou um devoto de Odin, o deus da guerra e morte. Burzum existe exclusivamente para Odin, o inimigo de um olho do deus cristão. Desde que eu me lembro, eu odiei pessoas boas e generosas. Quando eu era um menino eu via as pessoas que estavam bem e curtindo a vida e aquilo me machucava, eu queria arruinar aquelas vidas. É isto que eu estou tentando fazer agora.

KM (Conclusão) – Grishnackh fundou o Burzum no começo de 1987, quando ele tinha apenas 14 anos, com o nome Uruk-hai. O Burzum teve então uma pausa de um ano da metade de 1990 à metade de 1991, quando o Conde, junto com Demonaz e Abbath do Immortal tocaram em uma banda chamada Satanael. Ele também tocou guitarra em uma banda de Death Metal chamada Old Funeral. Quando o Satanael acabou, Grishnachk continuou com o Uruk-hai e mudou o nome para Burzum em Agosto de 1991. “Eu sempre evitei me envolver com outros músicos no Burzum, sou muito individualista para isso. Você pode chamar de intolerância e egoísmo… Na verdade, eu tive um baixista por alguns meses em 1992, mas eu o chutei!” O Burzum lançou três álbuns por enquanto: o “debut” (“o álbum mais primitivo e cheio de ódio) em março de 1992, o EP Aske (” o álbum rock and roll “) em março de 1993 e o Det Som Engang Var (“o mais pesado e mais estranho”) em setembro de 1993. Um outro álbum, “Filosofem”, vai ser lançado mais tarde neste ano e de acordo com Grishnachk é “depressivo, transcendental e sem nenhuma dúvida o melhor de todos”.

ENTREVISTA 2

BJ = Björn Hallberg
VV = Varg Vikernes

BJ – Por favor me diga seu nome completo, idade e local onde se encontra.

VV – Meu nome completo é Varg Vikernes. Nasci no dia 11 de fevereiro de 1973, e no momento estou na prisão Trondheim.

BJ – Qual o motivo EXATO de sua condenação?

VV – Eu fui condenado por: roubo e possesão de 125kg de dinamite e 26kg de glinite (outro tipo de explosivos); incêndio premeditado de quatro templos judeus (igrejas), dos quais três queimaram até virarem cinzas; três casos de invasão de propriedades privadas (em busca de armas, alguns disseram); assassinato em primeiro grau (apesar de ter sido um assassinato em segundo grau na verdade); e… bem, acho que isso é tudo.

Eu fui acusado também de ter incendiado um quinto templo judeu (Fantoft Stavechurch); um ou dois casos de violação de túmulos; e eles também apreenderam aproximadamente 3000 balas de rifle e pistolas (mas a polícia apenas pegou essa munição, e nem ao menos mencionou-a na lista de itens confiscados). Eu fui considerado inocente no incêndio da igreja Fantoft, e o próprio promotor chegou a aconselhar o juri a não me considerar culpado destas acusações – simplesmente porque eram muito ridículas e porque não havia prova alguma de que eu tinha feito coisas como essas, como violar túmulos!

Eu mesmo disse à corte que eu era culpado do roubo e posse da dinamite/glinite, e também confessei que era culpado de “homicídio doloso” em defesa própria. Eu quis dizer que foi algo em defesa própria, mas depois entendi que na visão deles, no sistema legal deles, era chamado legalmente de “homicídio doloso”, já que eu não estava mais em uma posição onde minha vida estava DIRETAMENTE ameaçada, pois o Aarseth (o cara que eu matei) estava fugindo de seu apartamento quando eu o matei.

Não houve prova nenhuma em NENHUM dos casos de que fui acusado, a não ser na história da dinamite/glinite, é claro… Afinal eles encontraram 150kg de explosivos no meu sótão…

Em todos os outros casos eu fui considerado culpado apenas porque haviam UMA ou DUAS testemunhas em cada caso, dizendo que eu tinha feito aquilo, ou estado lá, ou coisas do tipo. Algumas provas eram tão fracas que meu novo advogado disse que estava surpreso por eu ter sido preso com base nelas. Em um caso era ÓBVIO que eu não tinha cometido o crime (o caso Åsane Kirke). Então, eu diria que fui condenado mesmo sem ninguém ter prova nenhuma contra mim!

BJ – Você diz que o fundador do Mayhem, Oystein Aarseth foi assassinado em defesa própria? Por que motivo ele queria matar você, então?

VV – Ele queria me matar por várias razões. Eu saí de sua gravadora, e fazendo isso o deixei apenas com algumas bandas que vendiam muito pouco (Abruptum, e algumas outras merdas). Eu fiz ele parecer um idiota completo em várias ocasiões, por exemplo, eu dava risada na frente dele enquanto desmascarava todas as mentiras que ele contava. Eu comecei a espalhar propaganda racista em nosso meio. Mas, o que é mais importante, eu comecei a ser mais interessante para a mídia do que ele. Por alguma razão era muito importante para ele ser “o centro” de tudo. Eu ganhava mais atenção porque de fato FAZIA as coisas que dizia, enquanto ele apenas ficava falando e falando – então depois de um tempo ninguém mais o levava a sério, pois todos viam que ele era apenas uma pessoa com muita conversa e nenhuma ação. Ele me culpava por isso, já que eu era a pessoa – ele acreditava – responsável por fazê-lo parecer um covarde (o que ele era, é claro).

Você deve se lembrar de que ele foi “o centro” do movimento por um longo tempo; ele tinha 25 anos de idade, enquanto eu tinha apenas 19 (e 20 quando o matei), e ele ficou seriamente ofendido quando as pessoas começaram a me ouvir ao invés de ouvir a ele. Ele era um comunista, e odiava o fato de que “todo mundo” estava muito mais interessado no meu nacionalismo e minha visão racista – isto é, depois de um tempo, é claro. Ele não gostou do jeito que as coisas se desenrolaram e queria acabar com isso, me matando. Primeiro ele tentou encontrar provas contra mim por vários crimes que ele “sabia” que eu tinha cometido, mas ele não conseguiu encontrar nada.

A razão pela qual eu o desrespeitava era simplesmente esta: ele era completamente incompetente e incapaz de administrar sua gravadora com eficiência. Ele era cheio de grandes palavras e nunca fazia nada daquilo que prometia. Ele tinha verdadeira obsessão por seus pensamentos “Satanistas”, enquanto eu queria espalhar o Odinismo na cena (e ele me odiava por isso também). Ele era ridículo, via filmes pornô o tempo todo, e nós até mesmo desconfiávamos que ele era bisexual ou homossexual! Eu não queria saber de nada que tinha a ver com ele, e eu nunca fiz nada de vontade própria para esconder meu ódio por ele. Ele era um porco, e eu dizia isso a “todo mundo”!

Eu estava meio puto porque tinha gastado muito tempo, fé e energia em sua gravadora, e tudo foi desperdiçado! Eu era jovem, certo, mas ainda me sentia um idiota por ter acreditado em sua gravadora no começo.

Resumindo, eu tinha muitos motivos para odiá-lo, e por causa do meu modo de lidar com este ódio (que era respeitado por “todo mundo”) ele também tinha muitos motivos para me odiar; eu disse a verdade sobre ele, e com certeza a verdade muitas vezes é desconfortável!

Eu disse – e ainda digo – que eu o matei em defesa própria simplesmente porque foi ele quem me atacou, e não o contrário, quando eu apareci em seu apartamento naquela noite para dizer a ele “parar de me encher o saco” (para colocar em palavras claras). Ele queria me torturar até a morte, filmando tudo e vendendo o filme para outras pessoas – e eu sabia disso porque um amigo dele me contou. Ele me atacou e tentou me matar (com uma faca). Por pouco ele não conseguiu, mas eu sabia que se eu não acabasse com “o show” lá eu estaria apenas dando a ele uma segunda chance e é claro que eu não vi nenhum motivo para deixar isto acontecer. E se ele tivesse mais sorte na segunda vez? É por isso que eu digo que foi em defesa própria. No começo era defesa própria, até mesmo legalmente, mas quando ele começou a fugir não era mais legalmente defesa própria, e então eu chamo este assassinato de “ação preventiva”, “defesa própria preventiva”.

BJ – Houve uma história alguns anos atrás de uma garota (Maria, ou algo do tipo), que botou fogo na casa do vocalista da banda sueca Therion perto de Estocolmo… Você ainda não quer comentar este fato?

VV – O que você quer dizer com “ainda não quer comentar”? De qualquer modo, eu não consigo entender o que isto tem a ver comigo. Essa garota (Suvi Marjatta, e não Maria) pôs fogo na casa desse cara do Therion uma semana DEPOIS de eu ter estado na Suécia. Eu acho que autografei um álbum do Burzum para este cara do Therion, por brincadeira, porque ela (Suvi M.) sabia onde eles ensaiavam e disse que podia entregar o álbum para este cara.

De qualquer modo, ela incendiou a porta da casa da família dele, e depois pregou meu álbum autografado na parede (eu acho)! Depois ela me ligou, quando eu já estava na Noruega, e me disse o que tinha feito. É claro que eu achei que ela estava doida (e estava mesmo; eu acho que ela está em um hospital para doentes mentais agora), e também um pouco engraçado. Nós (na Noruega) não levamos isso muito a sério, talvez devêssemos dar mais atenção ao fato, mas nós realmente pensávamos que era um tipo de piada. Então eu escrevi uma carta para o Therion dizendo algo do tipo “eu acho que perdi uma caixa de fósforos quando estive na Suécia, ha ha”, alguma coisa assim.

Eu autografei o álbum porque nós não gostávamos do Therion, porque eles queriam ser “Rock Stars”, e levavam a banda muito a sério, então foi uma espécie de brincadeira com isso – eu assinei o nosso “debut” como se fosse um Rock Star e o entreguei para ele (como se fosse “óbvio” que ele gostaria de uma cópia autografada). É claro que era irônico e também uma piada, mas nem preciso dizer que a tal Suvi M. “exagerou” um pouco…

Resumindo, este incêndio não teve realmente nada a ver comigo, e desde o começo era apenas uma brincadeira. Eu queria na verdade entregar o álbum pessoalmente, mas nós ficamos sem dinheiro quando estávamos lá (eu e um cara do Abruptum), então nós não tínhamos gasolina suficiente para ir até onde eles ensaiavam (mais ou menos uma hora de carro de onde nós estávamos). Foi assim que essa garota entrou na história. Ela poderia entregar o álbum por mim.

Eu tive que agüentar um monte de merda por causa disso, com algumas pessoas dizendo que eu “mandei minha namorada” botar fogo na casa dele, porque eu era muito covarde para fazê-lo por mim mesmo, e até mesmo que na próxima vez eu mandaria meu cachorro e assim por diante. No entanto, como você pode ver toda essa coisa tem pouco a ver com as versões apresentadas nestas revistas sobre Metal. Este caso me garantiu umas risadas, é claro. É incrível como podem inventar coisas sobre uma coisa tão pequena como este incidente…

BJ – O que é o Black Circle? Você ainda é ativo nele?

VV – Ha ha, eu estou surpreso por AINDA me perguntarem isso. NUNCA existiu um “Black Circle”, exceto na cabeça de Aarseth/Euronymous, que queria se fazer mais interessante criando algo como um “misterioso Black Circle”. Era apenas um produto da fantasia dele que nunca existiu. As revistas de música britânicas engoliram esta história estúpida, ou apenas fingiram acreditar para ter alguma coisa sobre o que escrever. Eu não sei.

Apesar disso, eu devo dizer que nós – outros caras que tocavam metal – também “encenávamos” e não fazíamos nada para desmentir a existência deste “Black Circle”, não fazíamos nada para espalhar que era apenas um produto da imaginação de Aarseth.

Agora que eu estou falando sobre isso, posso dizer que esta foi mais uma das “mentiras de Aarseth” que eu fiz questão de desmascarar, e uma outra razão para ele me odiar – ou me matar antes de parecer um idiota completo ao mundo.

Tradução: Metal_Maniac #metalbreath da brasnet

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/entrevista-com-varg-vikernes-burzum/

Entrada no Céu Espiritual

O mundo material aparece como uma nuvem que cobre uma pequena porção do céu espiritual. As escrituras védicas explicam que, embora o mundo material sofra criação e aniquilação perpétuas, o mundo espiritual é eternamente manifesto. No mundo espiritual autoluminoso, o planeta mais alto é Goloka Vrndavana, a morada semelhante ao lótus do Senhor Sri Krsna, a Personalidade Suprema da Divindade. Ali o Senhor Krsna desfruta de trocas amorosas com seus devotos puros.

Uma palestra de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada Fundador-Acarya da Sociedade Internacional para a Consciência Krishna

paras tasmat tu bhavo ‘nyo
‘vyakto ‘vyaktat sanatanah
yah sa sarvesu bhutesu
nasyatsu na vinasyati

“Há uma outra natureza, eterna, que é transcendental à matéria manifestada e não manifestada”. Ela é suprema e nunca é aniquilada. Quando tudo neste mundo é aniquilado, essa parte permanece como está”. (Bhagavad-gita 8.20)

Não podemos calcular o comprimento e a largura nem mesmo deste universo, mas existem milhões e milhões de universos como este dentro do céu material. E acima deste céu material existe outro céu, que é chamado de céu espiritual. Nesse céu, todos os planetas são eternos, e a vida é eterna, também. Não podemos saber estas coisas pelos nossos cálculos materiais, por isso devemos tomar esta informação de Bhagavad-gita.

Esta manifestação material é apenas um quarto de toda a manifestação, tanto espiritual como material. Em outras palavras, três quartos do total da manifestação estão além do céu coberto, material. A cobertura material tem milhões e milhões de milhas de espessura, e somente depois de penetrar nela se pode entrar no céu aberto, espiritual. Aqui Krsna usa as palavras bhavah anyah, que significam “outra natureza”. Em outras palavras, há outra natureza, espiritual, além da material que normalmente experimentamos.

Mas mesmo agora estamos experienciando tanto a natureza espiritual quanto a material. Como é isso? Porque nós mesmos somos uma combinação de matéria e espírito. Somos espírito, e somente enquanto estivermos dentro do corpo material é que ele se move. Assim que estamos fora do corpo, ele é tão bom quanto a pedra. Portanto, como todos nós podemos perceber pessoalmente que existe espírito assim como matéria, devemos também saber que existe um mundo espiritual também.

No Sétimo Capítulo de Bhagavad-gita Krsna, discute-se a natureza espiritual e material. A natureza espiritual é superior, e a natureza material é inferior. Neste mundo material, as naturezas material e espiritual são mistas, mas se formos além desta natureza material – se formos para o mundo espiritual – encontraremos apenas a natureza superior, espiritual. Esta é a informação que obtemos no Oitavo Capítulo.

Não é possível entender estas coisas através do conhecimento experimental. Os cientistas podem ver milhões e milhões de estrelas através de seus telescópios, mas não podem aproximar-se deles. Seus meios são insuficientes. O que falar de outros planetas, eles não podem se aproximar nem mesmo do planeta lunar, que é o mais próximo. Portanto, devemos tentar perceber como somos incapazes de compreender Deus e o reino de Deus através do conhecimento experimental. E como não é possível entender desta maneira, é uma tolice tentar. Ao contrário, temos que entender Deus ouvindo Bhagavad-gita. Não há outra maneira. Ninguém pode entender quem é seu pai pelo conhecimento experimental. É preciso simplesmente acreditar na mãe quando ela diz: “Aqui está seu pai”. Da mesma forma, a pessoa tem que acreditar em Bhagavad-gita; então a pessoa pode obter todas as informações.

No entanto, embora não haja possibilidade de conhecimento experimental sobre Deus, se alguém se tornar avançado na consciência de Krsna, ele perceberá Deus diretamente. Por exemplo, através da realização, estou firmemente convencido do que estou dizendo aqui sobre Krsna. Eu não estou falando cegamente. Da mesma forma, qualquer pessoa pode realizar Deus. Svayam eva sphuraty adah: o conhecimento direto de Deus será revelado a qualquer pessoa que se apegue ao processo de consciência de Krsna. Tal pessoa realmente entenderá: “Sim, existe um reino espiritual, onde Deus reside, e eu tenho que ir para lá”. “Tenho que me preparar para ir para lá”. Antes de ir para outro país, pode-se ouvir tanto sobre isso, mas quando ele realmente vai para lá, ele entende tudo diretamente. Da mesma forma, se alguém assumir o processo de consciência de Krsna, um dia entenderá Deus e o reino de Deus diretamente, e todo o problema de sua vida será resolvido.

Aqui Krsna usa a palavra sanatanah para descrever esse reino espiritual. A natureza material tem um começo e um fim, mas a natureza espiritual não tem começo e não tem fim. Como é isso? Podemos entender através de um simples exemplo. Às vezes, quando há uma queda de neve, vemos que todo o céu está coberto por uma nuvem. Mas na verdade essa nuvem está cobrindo apenas uma parte insignificante de todo o céu. Porque somos muito minuciosos, porém, quando uma nuvem cobre algumas centenas de quilômetros do céu, para nós o céu parece completamente coberto. Da mesma forma, toda esta manifestação material (chamada de mahat-tattva) é como uma nuvem cobrindo uma porção insignificante do céu espiritual. E, assim como quando a nuvem clareia, podemos ver o céu brilhante, iluminado pelo sol, assim quando nos afastamos desta cobertura de matéria, podemos ver o céu original, espiritual.

Além disso, assim como uma nuvem tem um começo e um fim, a natureza material também tem um começo e um fim, e nosso corpo material também tem um começo e um fim. Nosso corpo simplesmente existe por algum tempo. Ele nasce, cresce, permanece por algum tempo, liberta alguns subprodutos, diminui, e depois desaparece. Estas são as seis transformações do corpo. Da mesma forma, toda manifestação material passa por estas seis transformações. Assim, no final, todo este mundo material será derrotado.

Mas Krsna nos assegura, paras tasmat tu bhavo ‘nyo ‘vyakto ‘vyaktat sanatanah: “além desta natureza material destrutível e nebulosa, há uma outra natureza superior, que é eterna. Não tem princípio e não tem fim”. Então Ele diz, yah sa sarvesu bhutesu bhutesu nasyatsu na vinasyati:

“Quando esta manifestação material for aniquilada, essa natureza superior permanecerá”. Quando uma nuvem no céu é aniquilada, o céu permanece. Da mesma forma, quando a manifestação material semelhante a uma nuvem é aniquilada, o céu espiritual permanece. Isto é chamado de avyakto ‘vyaktat’.

Há muitos volumes de literatura védica contendo informações sobre o céu material e o céu espiritual. No Segundo Canto de Srimad-Bhagavatam encontramos uma descrição do céu espiritual: qual é sua natureza, que tipo de pessoas vivem lá, quais são suas características – tudo. Chegamos até a informação de que no céu espiritual existem aviões espirituais. As entidades vivas ali são todas liberadas e, quando voam em seus aviões, ficam tão bonitas quanto um raio.

Portanto, tudo no mundo espiritual é substancial e original. Este mundo material é apenas uma imitação. O que quer que vejamos neste mundo material é tudo imitação, sombra. É como uma imagem cinematográfica, na qual vemos apenas a sombra da coisa real.

Em Srimad-Bhagavatam [1.1.1] é dito, yatra tri-sargo ‘mrsa: “Este mundo material ilusório é uma combinação de matéria”. Todos nós vimos um belo manequim de uma menina na vitrine de um lojista. Todo homem são sabe que se trata de uma imitação. Mas as chamadas coisas bonitas neste mundo material são exatamente como a bela “garota” na vitrine do lojista. De fato, qualquer coisa bela que vemos aqui neste mundo material é simplesmente uma imitação da verdadeira beleza do mundo espiritual. Como diz Sridhara Svami, yat satyataya mithya sargo pi satyavat pratiyate: “O mundo espiritual é real, e a manifestação irreal, material, só aparece real”. Algo só é real se ele existir eternamente. A realidade não pode ser vencida. Da mesma forma, o verdadeiro prazer deve ser eterno. Como o prazer material é temporário, ele não é real, e aqueles que buscam o prazer real não participam deste prazer sombra. Eles lutam pelo prazer real e eterno da consciência Krsna.

Aqui diz Krsna, yah sa sarvesu bhutesu bhutesu nasyatsu na vinasyati: “Quando tudo no mundo material for aniquilado, essa natureza espiritual permanecerá eternamente”. O objetivo da vida humana é alcançar esse céu espiritual. Mas as pessoas não conhecem a realidade do céu espiritual. O Bhagavatam diz, na te viduh svartha-gatim hi visnum: “As pessoas não conhecem seus próprios interesses. Elas não sabem que a vida humana é destinada a compreender a realidade espiritual e a nos preparar para ser transferida para essa realidade”. Ela não se destina a permanecer aqui no mundo material”. Toda a literatura Védica nos instrui desta forma. Tamasi ma jyotir gama: “Não permaneçam na escuridão; vão para a luz”. Este mundo material é a escuridão. Estamos iluminando-o artificialmente com luzes e fogos elétricos e tantas outras coisas, mas sua natureza é escura. O mundo espiritual, porém, não é escuro; está cheio de luz. Assim como no planeta do sol não há possibilidade de escuridão, não há possibilidade de escuridão na natureza espiritual, porque todo planeta lá é autoiluminado.

É claramente afirmado em Bhagavad-gita que o destino supremo, do qual não há retorno, é a morada de Krsna, a Pessoa Suprema. O Brahma-samhita descreve esta morada suprema como ananda-cinmaya-rasa, um lugar onde tudo está cheio de felicidade espiritual. Qualquer que seja a variedade que se manifeste, há toda a qualidade da bem-aventurança espiritual – nada há de material. Essa variedade espiritual é a expansão espiritual da própria Suprema Divindade, pois a manifestação ali é totalmente da energia espiritual.

Embora o Senhor esteja sempre em Sua morada suprema, Ele é, no entanto, todo-penetrante por Sua energia material. Assim, por Suas energias espirituais e materiais, Ele está presente em todos os lugares – tanto no universo material quanto no espiritual. Em Bhagavad-gita, as palavras yasyantah-sthani bhutani indicam que tudo é sustentado por Ele, seja a energia espiritual ou material.

É claramente afirmado em Bhagavad-gita que somente por bhakti, ou serviço devocional, pode-se entrar no sistema planetário (espiritual) Vaikuntha. Em todos os Vaikunthas existe apenas uma única Divindade Suprema, Krsna, que se expandiu a si mesmo em milhões e milhões de porções plenárias. Estas expansões plenárias são de quatro braços e presidem a inúmeros planetas espirituais. Eles são conhecidos por uma variedade de nomes: Purusottama, Trivikrama, Kesava, Madhava, Aniruddha, Hrsikesa, Sankarsana, Pradyumna, Sridhara, Vasudeva, Damodara, Janardana, Narayana, Vamana, Padmanabha, e assim por diante. Estas expansões plenárias são como as folhas de uma árvore, sendo o tronco principal da árvore como o Krsna. Krsna, morando em Goloka Vrndavana, Sua morada suprema, conduz sistematicamente e sem falhas todos os assuntos de ambos os universos (materiais e espirituais) pelo poder de Sua omnipotência.

Agora, se estamos interessados em chegar à morada suprema de Krsna, então devemos praticar bhakti-yoga. A palavra bhakti significa “serviço devocional”, ou, em outras palavras, submissão ao Senhor Supremo. Krsna diz claramente, purusah sa parah partha bhaktya labhyas tv ananyaya. As palavras tv ananyaya aqui significam “sem qualquer outro compromisso”. Assim, para alcançar a morada espiritual do Senhor, devemos nos engajar em puro serviço devocional a Krsna.

Uma definição de bhakti é dada no autoritário livro Narada-pancaratra:

sarvopadhi-vinirmuktam
tat-paratvena nirmalam
hrsikena hrsikesa-
sevanam bhaktir ucyate

“Bhakti, ou serviço devocional, significa envolver todos os nossos sentidos no serviço do Senhor, a Suprema Personalidade da Divindade, que é o mestre de todos os sentidos”. Quando a alma espiritual presta serviço ao Supremo, há dois efeitos colaterais. Primeiro, ele se liberta de todas as designações materiais, e segundo, seus sentidos são purificados simplesmente por serem empregados no serviço do Senhor”.

Agora estamos sobrecarregados por tantas designações corporais. Índio”, “americano”, “africano”, “europeu” – estas são todas designações corporais. Nossos corpos não somos nós mesmos, mas nos identificamos com estas designações. Suponha que alguém tenha recebido um diploma universitário e se identifique como um M.A. ou um B.A. ou um Ph.D. Ele não é esse diploma, mas identificou-se com essa designação. Portanto, bhakti significa libertar-se dessas designações (Sarvopadhi-vinirmuktam). Upadhi significa “designação”. Se alguém recebe o título de “Senhor”, ele se torna muito feliz: “Oh, eu tenho este título de ‘Senhor’”.” Ele esquece que este título é apenas sua designação – que ele existirá apenas enquanto ele tiver seu corpo. Mas o corpo certamente será derrotado, juntamente com todas as suas designações. Quando um recebe outro corpo, ele recebe outras designações. Suponha que, na vida atual, um seja um americano. O próximo corpo que ele recebe pode ser chinês. Portanto, como estamos sempre mudando nossas designações corporais, devemos parar de identificá-las como nosso “eu”. Quando alguém está determinado a se libertar de todas essas designações absurdas, então ele pode alcançar bhakti.

No verso acima do Narada-pancaratra, a palavra nirmalam significa “completamente puro”. O que é essa pureza? É preciso estar convencido: “Eu sou espírito (aham brahmasmi)”. Eu não sou este corpo material, que é simplesmente minha cobertura. Sou um eterno servo de Krsna; essa é minha verdadeira identidade”. Aquele que é liberado de falsas designações e fixado em sua verdadeira posição constitucional sempre presta serviço a Krsna com seus sentidos (hrsikena hrsikesa-sevanam bhaktir ucyate). A palavra (hrsika significa “os sentidos”. Agora nossos sentidos são designados, mas quando nossos sentidos estão livres de designações, e quando com essa liberdade e nessa pureza servimos ao Krsna – isso é serviço devocional.

Srila Rupa Gosvami explica o serviço devocional puro neste verso de Bhakti-rasamrta-sindhu [1.1.11]:

anyabhilasita-sunyam
jnana-karmady-anavrtam
anukulyena krsnanu-
silanam bhaktir uttama

“Quando se desenvolve um serviço devocional de primeira classe, é preciso ser desprovido de todos os desejos materiais, de conhecimento manchado pela filosofia monística e de ação frutífera. Um devoto puro deve servir constantemente o Krsna favoravelmente, como o Krsna deseja”. Temos que servir o Krsna favoravelmente, não desfavoravelmente. Além disso, devemos estar livres de desejos materiais (anyabhilasita-sunyam). Normalmente se quer servir a Deus para algum propósito material. É claro, isso também é bom. Se alguém vai a Deus para algum ganho material, ele é muito maior do que a pessoa que nunca vai a Deus. Isso é admitido em Bhagavad-gita [7.16]:

catur-vidha bhajante mam
janah sukrtino ‘rjuna
arto jijnasur artharthi
jnani ca bharatarsabha

“Ó melhor entre os Bharatas [Arjuna], quatro tipos de homens piedosos prestam-me serviço devocional – o angustiado, o desejoso de riqueza, o inquisitivo e aquele que procura conhecimento do Absoluto”. “Mas é melhor não irmos a Deus com algum desejo de benefício material”. Devemos estar livres desta impureza (anyabhilasita-sunyam).

As próximas palavras que Rupa Gosvami usa para descrever bhakti puro são jnana-karmady-anavrtam. A palavra jnana se refere ao esforço para entender Krsna por especulação mental. É claro que devemos tentar entender Krsna, mas devemos sempre lembrar que Ele é ilimitado e que nunca podemos entendê-lo completamente. Não é possível para nós fazer isso. Portanto, temos que aceitar tudo o que nos é apresentado nas escrituras reveladas. O Bhagavad-gita, por exemplo, é apresentado por Krsna para nossa compreensão. Devemos tentar entendê-lo simplesmente ouvindo de livros como Bhagavad-gita e Srimad-Bhagavatam. A palavra carma significa “trabalhar com algum resultado frutífero”. Se quisermos praticar bhakti puro, devemos trabalhar na consciência de Krsna abnegadamente – não apenas para obter algum lucro com isso.

A seguir Srila Rupa Gosvami diz que o bhakti puro deve ser anukulyena, ou favorável. Devemos cultivar a consciência de Krsna de forma favorável. Devemos descobrir o que irá agradar ao Krsna, e devemos fazer isso. Como podemos saber o que vai agradar ao Krsna? Ouvindo Bhagavad-gita e tomando a interpretação correta da pessoa certa. Então saberemos o que Krsna quer, e poderemos agir de acordo. Nesse momento, seremos elevados a um serviço devocional de primeira classe.

Portanto, a bhakti-yoga é uma grande ciência e existe uma literatura imensa para nos ajudar a compreendê-la. Devemos utilizar nosso tempo para entender esta ciência e assim nos preparar para receber o benefício supremo no momento de nossa morte – para alcançar os planetas espirituais, onde reside a Suprema Personalidade da Divindade.

Existem milhões de planetas e estrelas dentro deste universo, mas este universo inteiro é apenas uma pequena partícula dentro da criação total. Existem muitos universos como o nosso e, como mencionado anteriormente, o céu espiritual é três vezes maior do que a criação material total. Em outras palavras, três quartos do total da manifestação estão no céu espiritual.

Recebemos informações de Bhagavad-gita de que em cada planeta no céu espiritual há uma expansão do Krsna. Todos eles são purusas ou pessoas; não são impessoais. Em Bhagavad-gita Krsna diz, purusah sa parah partha bhaktya labhyas tv ananyaya: Pode-se abordar a Pessoa Suprema somente por serviço devocional – não por desafio, não por especulação filosófica, e não se estar exercitando nesta ou naquela yoga. Não. É claramente afirmado que se pode abordar o Krsna somente por rendição e serviço devocional. Não se diz que se pode alcançá-lo através de especulação filosófica ou de uma mistura mental ou algum exercício físico. Pode-se chegar ao Krsna somente pela prática da devoção, sem se desviar de atividades frutíferas, especulações filosóficas ou exercício físico. Somente através de um serviço devocional não ligado, sem qualquer mistura, podemos alcançar o mundo espiritual.

Agora, Bhagavad-gita diz ainda, yasyantah-sthani bhutani yena sarvam idam tatam. Krsna é uma pessoa tão grande que, embora situado em sua própria morada, Ele ainda é todo-penetrante, e tudo está dentro dele. Como isto pode ser? O sol está localizado em um só lugar, mas os raios solares estão distribuídos por todo o universo. Da mesma forma, embora Deus esteja situado em Sua própria morada, no céu espiritual, Sua energia está distribuída em todos os lugares. Além disso, Ele não é diferente de Sua energia, assim como o sol e a luz do sol não são diferentes, no sentido de que são compostos da mesma substância iluminadora. Assim, Krsna se distribui em toda parte por Suas energias, e quando nos tornamos avançados no serviço devocional podemos vê-lo em toda parte, assim como se pode acender uma lâmpada em qualquer lugar, ligando-a ao circuito elétrico.

Em seu Brahma-samhita, Lord Brahma descreve as qualificações que exigimos para ver Deus: premanjana-cchurita-bhakti-vilocanena sadaiva sadaiva hrdayesu vilokayanti. Aqueles que desenvolveram o amor a Deus podem ver Deus constantemente diante deles, vinte e quatro horas por dia. A palavra sadaiva significa “constantemente, vinte e quatro horas por dia”. Se alguém é realmente Deus realizado, ele não diz: “Oh, eu vi Deus ontem à noite, mas agora Ele não é visível”. Não, Ele é sempre visível, porque Ele está em toda parte.

Portanto, a conclusão é que podemos ver Krsna em todos os lugares, mas temos que desenvolver os olhos para vê-Lo. Podemos fazer isso através do processo de consciência do Krsna. Quando vemos Krsna, e quando nos aproximamos Dele em sua morada espiritual, nossa vida será bem sucedida, nossos objetivos serão cumpridos e seremos felizes e prósperos eternamente.

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Fonte: PRABHUPADA, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami. Entering the Spiritual Sky. In. Back to Godhead, September, 1980. Disponível em: <https://back2godhead.com/entering-spiritual-sky/>. Acesso em 3 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/entrada-no-ceu-espiritual/

Extraterrestres na Idade Média

Em 13 de agosto de 1491, Facius Cardan, pai do matemático Jerôme Cardan, anotou esta aventura:

Quando eu completei os ritos habituais, por volta das vinte horas, sete homens me apareceram, portando roupas de seda que lembravam tunicas gregas e calçados cintilantes. Usavam cotas de malha e, sob elas, roupas interiores vermelhas de extraordinária graça e beleza.  Dois deles pareciam ser um pouco mais nobres que os outros. O que tinha ar de comando tinha o rosto de cor vermelho-escuro. Disseram ter quarenta anos, embora nenhum deles parecesse ter mais que trinta. Perguntei quem eram. Responderam que eram homens compostos de ar, e seres como nós , sujeitos ao nascimento e à morte. Sua vida era muito mais longa que a nossa, podendo chegar a três séculos. Interrogados sobre a imortalidade da alma, responderam que nada sobrevive. Interrogados sobre o porque não revelavam aos homens os tesouros do seu conhecimento, responderam que uma lei severa impunha penalidades àqueles que revelavam seu saber aos homens. Demoraram com meu pai cerca de três horas. O que parecia ser o chefe negou que Deus tenha feito o mundo para toda a eternidade. Ao contrário, disse ele, o mundo é criado a cada instante ; caso Deus “desanime” , o mundo corre perigo.”

Os visitantes de Facius Cardan parecem ter sido os últimos de uma longa série , surgidos na Idade Média. Tinham o particular de se poder comunicar com os homens, não pretendiam em hipótese alguma ser anjos, não traziam nenhuma revelação; ao contrário , sua atitude parecia mais ainda com o nosso racionalismo moderno. Os visitantes de Facius Cardan negaram até a existencia de uma alma imortal, defendendo uma espécie de teoria a respeito da criação continua do Universo.

Os alquimistas e os místicos da Idade Média procuraram , evidentemente , ligar estes visitantes aos espíritos dos quais falam a Bíblia e a Cabala, mas se trata, evidentemente, de uma colaboração mitológica. De fato, houve, aparentemente, contatos com seres “fabricados”, “feitos a partir do ar”, segundo os visitantes de Cardan. Estes insistiram nos castigos que sofreriam se revelassem qualquer segredo.  Toda esta tradição permaneceu até o século XVIII data em que , nós o veremos, certos segredos serão desvendados.

Em outras regiões , estes seres foram assinalados mais tarde que na Europa: nos fins do século XVIII no Japão e para os índios da América do Norte. Nesta época os indios da Califórnia descreveram seres humanos luminosos , que paralisavam as pessoas com a ajuda de um pequeno tubo. A lenda índia precisa que as pessoas que foram para lisadas tiveram a impressão de terem sido bombardeadas com agulhas de cactus. Na Escócia, na Irlanda, tais aparições foram mencionadas desde tempos imemoriais, e até o século XIX, algumas vezes até o século XX. No século XIX, encontraram-se traços de um personagem estranho chamado Springheel Jack, luminoso à noite , capaz de saltar e voar ( Vide a musica dos Rollings Stones : Jumping Jack Flash ) , e que tentou entrar em comunicação com os homens. A primeira aparição data de novembro de 1837 – segundo testemunhas as mais seguras e precisas  –  em 20 de fevereiro de 1838, e a ultima em 1877. Desta vez, o estranho visitante cometeu a imprudencia de aparecer perto do campo de manobras de Aldershot. Duas sentinelas atiraram; o visitante revidou com jatos de chamas azuis , que exalavam um odor de ozona . As sentinelas se volatilizaram, e o visitante nunca mais apareceu.

Trata-se talve de reminiscencias . Com efeito, a densidade do fenomeno é muito inferior à do da Idade Média, onde se observa , a cada ano , aparições de estrangeiros luminosos. Em todo os relatos , estes são inseparaveis da idéia do fogo: a noção de energia não havia sido ainda inventada. Entretanto, quando interrogados, respondiam que não eram nem salamandras nem criaturas do fogo, mas homens de outra espécie.

É tentador quere atribuir-lhes a estranha série de incendios que , durante a grande peste de Londres , destruiu de súbito todas as casas que haviam sido contaminadas , e estas sómente , impedindo assim que a peste se propagasse , exterminando toda a população da Inglaterra. Seria um caso interessante de intervenção benéfica e benvinda.

É igualmente  chocante o fato de que estes visitantes sejam associados não sómente ao fogo , mas igualmente a poderes mais ou menos ligados ao fogo, em particular o poder de transmutação de metais.  Toda a Idade Média é cheia de lendas , e mesmo de sólidas crenças , a respeito da possibilidade de assinar pactos com estes visitantes. Infelizmente , nos é muito dificil compreender a mentalidade medieval.

A idéia racionalista , defendida por M. Homais , da Idade Média como um periodo de trevas , é uma caricatura da qual precisamos nos desembaraçar. A Idade Média foi um periodo de progressos rápidos , mais rápidos talvez que os nossos, mas que visavam a outros objetivos. Nós perdemos a noção mas ela seria necessária para que pudéssemos nos colocar  na mente de um homem no ano de 1000 ou do ano 1200, e compreender sua atitude frente aos visitantes que considerava como fazendo parte do
mundo em que ele vivia. Faz-se necessário salientar que os homens da Idade Média , que criam nos visitantes , eram espiritos essencialmente racionalistas, sem ligações com bruxarias ou com a Inquisição, fenomenos diferentes. Não se nega que estes contatos podem ter ocorrido , e as informações trocadas , entre os visitantes e homens como Roger Bacon, Jerôme Cardan ou Leonardo da Vinci. Em todo caso ,  a Idade Média admite, praticamente sem discussão , que é possivel entrar
em contato com criaturas revestidas de armaduras luminosas que se chamam demônios . O termo “demônio”não comporta as  conotações pejorativas de mal ou diabólico que apresenta em nossa linguagem. Ele lembra antes o sentido dos demonios de Sócrates, que discutiam com ele e lhe sugeriam idéias.

Depois de ter feito aparições no começo da era cristã , os demônios luminosos surgiram com as primeiras manifestações da franco-maçonaria, desde os séculos XIII e XIV . Foi por causa deles que os francos-maçons se denominaram “Filhos da Luz” e, a seguir , contarão os anos não a partir do nascimento do Cristo , mas sim de um ano de luz obtido adicionando-se 4.000 anos à era cristã.

Começam a se ligar a eles aspectos mais ou menos interplanetários. Em 1823, o Dr. George Oliver , historiador da franco-maçonaria , escreveu : “Anatiga tradição maçonica – e tenho boas razões para ser desta opinião – diz que nossa ciencia secreta existe desde antes da criação do globo terrestre e que ela foi largamente expandida através de outros sistemas solares”.

É contudo na Idade Média que ocorrem as aparições mais maciças de criaturas com vestimentas  de luz . Este mensageiros vão encontrar os rabinos , com quem discutem longamente sobre a Cabala, os poderes de Deus, o conhecimento e a exploração do tempo etc. Afirmam conhecer os guardiões do céu , dos quais , entretanto, não fazem parte. Vão aparecer igualmente entre os monges e os santos do Islão . São descritos sempre do mesmo modo, sua atitude intelectual é sempre racionalista. Falam de geometria, de uma sabedoria racional, à qual mesmo Deus se submete.

Saber-se-ia mais sobre eles se os arquivos dos Templários e dos Ismaelistas nos tivesse chegado às mãos . O que infelizmente não aconteceu. É certo , contudo, que, como os Templários , os Ismaelistas tinham por missão aguardar a entrada de uma Terra Santa que não é de nenhum modo, a Palestina. Uma Terra Santa que não é  localizável em nosso tempo e em nosso espaço, que possui uma geografia sacra diferente da nossa , estudada especialmente por dois franceses, Guénon e Henri Corbin. Também aí, pode-se tentar substituir a mitologia antiga por uma moderna , falar não de uma Terra Santa, mas de uma porta que se abre para uma outras dimensões que não são as três conhecidas , uma estrutura da Terra mais complexa que o globo que se vê de um satelite e na qual nossa civilização crê de maneira tão pouco crítica quanto outras civilizações acreditam na Terra plana.

Isto não é proibido, mas é ainda a troca de uma mitologia tradicional por outra mitologia saída da ficção cientifica e dos desenhos animados.E não é certo que se tenha a ganhar com isso. De maneira geral , deve-se desconfiar do simbolismo.  René Alleau escreveu: “Pode-se estabelecer ligações entre esse simbolo e as duas serpentes do caduceu de Hermes, simbolos de força que destrói e edifica, isto é, o duplo poder das chaves  de um mesmo fogo sagrado”

Tudo isso é muito belo. Mas não se pode dizer que o caduceu de Hermes representa a hélice dupla do ADN. Antes de se contentar com simbolos, é preciso , me parece, admitir que há no mundo fenomenos que não são unicamente devidos à atividade da natureza ou à atividade voluntária do homem. Depois ,estudar estes fenomenos , certamente com uma idéia preconcebida , mas sem pretender que se receba essa idéia da revelação de mestres desconhecidos ou de mansucritos provenientes de um monastério tibetano que não existe nos mapas, e apresentar esta idéia preconcebida como uma questão de fé. Não pretendo me pronunciar com autoridade absoluta sobre a origem e a constituição desses demonios luminosos. Simplesmente direi que, a meu ver, trata-se de pesquisadores enviados por seres capazes de acender e extinguir as estrelas à vontade, pesquisadores talvez criados por tais seres . Eu creio que sua origem talvez seja  a própria Terra , mas em uma região dificilmente localizável
em um mapa-múndi.

Sabe-se , com certeza , que após se manifestarem frequentemente na Idade Média , prosseguiram em suas atividades durante o Renascimento . Visitaram Cardam . Assim como seu quase contemporâneo J. N. Porta ( 1537-1615) que escreveu uma enciclopédia , Magia naturalis , cuja primeira edição data de 1584, na qual, segundo o próprio autor , ele procura associar , à pesquisas experiemtntais , um saber recebido de fonte natural. Daí o titulo : “Magia natural” Porta será o primeiro a estudar cientificamente as lentes , a descrever um telescópio, a predizer a fotografia . Ele tem , portanto , merecido lugar na história das ciencias. Mas ele foi menos estudado no domínio que nos interessa.

O Cardeal d’Este , que se apaixonava pelos seus trabalhos , fundou em 1700 uma organização , que se reunia em sua casa , e que se chamava , muito significativamente, Academia de Segredos . Muitos vêem nela a primeira academia de ciencias. De minha parte, eu (J.Bergier) a vejo acima de tudo como um organismo intermediário entre os agrupamentos desconhecidos da Idade Média e do inicio da Renascença , e o Colégio Invisivel , do qual ja falamos muito. Observemos de passagem que , sobre a Rosa-Cruz, cujos escritos mencionam constantemente os demonios, assim como as lâmpadas perpétuas que lhes deixaram, Fulcanelli escreveu, e com razão :

Os adeptos portadores do titulo são sómente irmãos pelo conhecimento e pelo sucesso de seus trabalhos. Nenhum juramento era exigido , nenhum estatuto os ligava entre si, nenhuma regra além da disciplina hermética livremente aceita, voluntáriamente observada, influenciava seu livre arbítrio. Foram e são ainda isolados, trabalhadores dispersos no mundo, pesquisadores cosmopolitas, segundo a mais estreita acepção do termo. Como os adeptos não reconheciam nenhum grau de hierarquia , a Rosa-Cruz não era uma graduação , mas apenas a consagração de seus trabalhos secretos, a da experiencia, luz positiva cuja fé viva lhes havia revelado a existencia . . . Jamais houve entre os possuidores do título outro laço senão a verdade cientifica confirmada pela aquisição da pedra. Se os Rosa-Cruzes são irmãos pela descoberta, o trabalho e a ciência, irmãos pelas obras e pelos atos, isso ocorre com um conceito filosófico , o qual  considera todos os individuos como membros da mesma familia humana

Quer dizer que não creio absolutamente em uma organização estruturada dos Rosa-Cruzes, como lojas ou células. Eu creio em encontros entre pesquisadores livres, alguns dos quais já visitados pelos demonios. Muitos tiveram em seguida conhecimentos surpreendentes, e pode-se perguntar de onde Cyrano de Bergerac tirou a descrição de um foguete por estágios ou de um poste receptor de TSF.  Pois. se os demonios não difundem o saber , eles o transportam talvez de um pesquisador a outro. Talvez mesmo mantivessem eles fora do alcance da Inquisição, um centro de saber onde seriam conservados os manuscritos. Encontram-se estas concepções no esoterismo judaico da Idade Média.

Estas criaturas de luz, muito ativas, do ano 1.000 ao ano 1.500 , desapareceram totalmente: no século XVII, são encontrados em pequeno número, e desaparecem inteiramente no século XVIII. Nada mais em seguida, senão uma curiosa visão de Goethe, visão que ocorreu em uma época em que ele estava muito doente.

Os demonios deixaram atrás de si, estranhos objetos. Por exemplo, esta esfera metálica da qual falam os Templários em suas confissões. Ela não sómente emitia luz, mas também radiações hoje desconhecidas. Em Chipre, ela teria destruido várias cidades e muitos castelos. Quando foi lançada no mar, uma tempestade se elevou e nesta região nunca mais houve peixes.

Há também as lâmpadas perpétuas que se encontram tanto na tradição judaica da Idade Média , como na do Islã ou da Rosa-Cruz: as lâmpadas funcionariam indefinidamente , sem azeite, sem produto que queima ou se consome. Não se podia toca-la, sob pena de provocar uma explosão capaz de destruir uma cidade inteira. Também aí encontra-se a utilização de forças , de energia, que parecem físicas , e que não correspondem aos conhecimentos da época. Muitos textos judaicos afirmam que estas lâmpadas provêm de lâmpadas do céu.

Infelizmente, nenhum dos relatos que datam da Renascença ou de depois e que fazem alusão às lampadas deste tipo encontradas em tumbas na Alemanha e Inglaterra, puderam ser confirmados. Lâmpadas muito estranhas e de grande beleza foram encontradas em Lascaux, mas ignora-se como funcionavam.

Uma tradição persistente afirma que a descoberta de um túmulo secreto contendo uma lâmpada perpétua teria sido a origem da criação da maçonaria inglesa. Esta descoberta teria ocorrido poucos anos antes da iniciação de Elias Ashmole em Warrington, em 1646. Nada o confirma. De modo geral, todas as tentativas de ligar a franco maçonaria a tradições anteriores a 1600 têm o presente momento , abortado.

Tem-se pretendido , em particular , que a Ordem do Templo não tenha sido perseguida na Inglaterra, como sistematicamente o foi em toda a Europa, e que os sobreviventes da Ordem teriam fundado a maçonaria inglesa, transportando diretamente as tradições da Ordem para esta fundação, mais ou menos em 1600. Muitos maçons sinceros crêem nesta tradição, mas nunca eu jamais encontrei quem a  confirmasse verdadeiramente. Nós temos documentos certos que provam que as lojas maçonicas funcionavam na Escócia já em 1599. Nada antes disso. De que há ligações entre a maçonaria e as “criaturas de luz”, vindas para ensinar , não há duvida. Mas não se pode sustentar que se possa deduzir  que a maçonaria prolongou a tradição dos “guardiões do céu”.

Esta tradição corresponde às aparições precisas , humanamente controláveis, e que determinaram uma  fase precisa da série de intervenções hipotéticas estudadas neste livro. Para um homem da Idade Média  , fosse ele cristão , muçulmano ou judeu, seria tão natural discutir com um ser de luz como receber a  visita de um viajante de país longinquo. Se estas criaturas inspiravam curiosidade e por vezes cobiça pelos conhecimentos que possuiam, nunca inspiraram medo ou terror. A partir de um certo nível de cultura, parecia que os cristãos , muçulmanos ou judeus, acreditavam num Centro onde o alto saber era conservado e onde os visitantes vinham até eles. Eis porque, por exemplo, a visita dos embaixadores  vindos do reino do Padre João provocou curiosidade, mas não surpresa.

Hoje em dia, certos eruditos do Islão acreditam na existencia desses Centros, mas poucas pessoas na Europa , ou na América o crêem. Em compensação na Idade Média , a existencia deste Centro e de um  Rei do Mundo governado a partir deste Centro, era geralmente admitida, e parecia totalmente natural que  esse rei enviasse mensageiros. Assim como é natural para os primitivo, hoje, ver pousar aviões, provenientes dos Estados Unidos ou do Japão, em regiões da Nova Guiné  ou da América do Sul, onde  não existe contato com a civilização avançada. Os habitantes dessas regiões sabem da existencia de  um ou vários centros de civilização mais avançada que a sua. Mas fazem idéias extremamente vagas desses centros, se bem que fundamentem nessas visitas religiões que se chamam “os Cultos do Cargo“.

Do muito tempo dos demonios luminosos nos resta um manuscrito que poderia talvez nos revelar os segredos se soubermos decifra-lo. É o famoso manuscrito Voynich.

Algumas palavras antes de entrar no mistério do manuscrito. A criptografia , arte de compor mensagens secretas , se desenvolveu paralelamente à alquimia e ao esoterismo. Para não dar mais do que dois exemplos. Trithème e Blaise de Vigenère são , ao mesmo tempo, dois grandes alquimistas, dois grandes mágicos e pioneiros da criptografia. Se, graças a eles, a criptografia progrediu até chegar a ser uma ciência exta, a arte de decifrar mensagens sem conhecer os códigos ou os simbolos é muito menos avançada. Os grandes ordenadores, certamente, facilitam o trabalho, mas não o fazem por si mesmos. Um grande decifrador funciona graças a uma espécie de percepção extra-sensorial, que o faz descobrir a informação num caos de numeros e letras.

Como testemunha esta anedota que vivi: Um dos grandes decifradores franceses, cujo nome não me é possivel citar, foi insistentemente procurado por um cura que afirmava ter inventado um código à prova de qualquer decifração. Finalmente, o decifrador consentiu em recebe-lo. Assisti à entrevista. O cura se sentou e estendeu a meu amigo uma folha de papel recoberta de grupos de cinco letras. Meu amigo deu uma olhadela , e cinco segundos depois dizia:

    –    Senhor Padre, o texto evidente de vossa mensagem é: Duas pombas se amam com amor
terno, de La Fontaine
    O cura se persignou , aterrorizado. Perguntou:
   –   Como pode o senhor. . . ?
    E ele me respondeu :
    –    Nem eu mesmo sei. Qualquer coisa na estrutura da mensagem me sugeria: Duas pombas se
amam com amor terno.

Se este relampejar de gênio não existisse, a decifração seria impossivel. Uma idéia muito simples pode
se ocultar totalmente, porque o decifrador não pensa nela.

Estamos agora prontos a  enfrentar os mistérios do manuscrito Voynich. Este manuscrito poderá ser seu, se quiser pagar por ele um milhão e cem mil francos novos. Tem duzentas e quatro páginas, vinte e  oito outras foram perdidas. Não se pode decrifar uma só palavra. Por que então esse preço astronomico,  por que desperta tanto interesse?

É que, quando o manuscrito foi descoberto em 1912 pelo especialista em livros raros, Wilfrid Voynich, ele tinha comprado da escola de jesuitas de Mondragone,  em Frascati. Itália , documentos antigos da Companhia. Documentos sensacionais . Uma missiva de 19 de agosto de 1966 , assinada por Johanes Marcus MArci, reitor da Universidade de Praga, recomendava o manuscrito ao Padre Athanase Kircher, o mais célebre criptografo de seu tempo. O reitor afirmava  que o manuscrito era de Roger Bacon. O manuscrito foi oferecido por volta de 1585 ao Imperador Rodolfo II pelo alquimista e mágico John Dee, que não havia conseguido decifra-lo, mas estava persuadido que ele continha os mais formidáveis segredos. Voynich levou o manuscrito aos Estados Unidos , onde os melhores decifradores inclusive os das Forças Armadas Americanas , o examinaram , sem nenhum sucesso.

 Em 1919 , Voynich tirou fotocópias do manuscrito e levou-as ao professor William Romaine  Newbold, que era um grande decifrador e havia prestado inumeráveis bons serviços ao governo americano. O professor de filosofia, Newbold, com cinquenta e quatro anos de idade, era um homem de cultura prodigiosa. Pretendia-se  na época ser ele o unico a saber onde estava o Santo Graal.

Em abril de 1921 , Newbold anunciou os primeiros resultados. Fantásticos. Segundo os textos, Roger Bacon havia identificado a nebulosa de Andromeda como uma galáxia, conhecia os cromossomos e seu  papel, construira um microscópio, um telescópio e outros instrumentos. Isto causou sensação no mundo inteiro, mas muitos outros decifradores não estavam de acordo com a solução de Newbold. Esta , de qualquer  modo, não era senão parcial e cobria , no máximo , um quarto do manuscrito. Parece que em certo momento o próprio método de codificação do manuscrito se modifica .

Era preciso encontrar a solução completa. Newbold não teve tempo de fazê-lo antes de sua morte, em 1926. Seu trabalho foi continuado por um dos seus colegas, Rolland Grubb Kent, que publicou resultados bem recebido por certos historiadores , não tão bem por outros. A grande objeção  feita ao trabalho de Newbold era que Bacon não podia , em sua época , conhecer as nebulosas espirais nem a constituição do nucleo celular. Eu ( J.Bergier) não estou totalmente de acordo com essa objeção: se Bacon entrou em contato com o exterior, pode muito bem ter recebido informações que parecem provir do seu futuro, e mesmo do nosso futuro.

Em 1944, o Cel. William F. Friedman, que durante a Segunda Grande Guerra decifrou o código japonês, organizou um grupo multidisciplinar constituido por matemáticos , historiadores, astrônomos e especialistas em criptologia. Este grupo utilizou máquinas muito aperfeiçoadas mas não conseguiu decifrar o manuscrito. Entretanto, encontrou-se a razão deste malogro: o manuscrito não era escrito em inglês, nem em latim, mas em uma lingua artificial, inventada não se sabe por quem ( as primeiras linguas artificiais datam do século XVII e são muito posteriores a Bacon), e não correspondem a nenhuma lingua humana conhecida. Nestas condições, como Newbold pôde decifrar  uma parte, pelo menos, do manuscrito? Por uma intuição genial, que o conduziu ao sentido pela linguagem artificial, mas que não se aplica a certas partes do manuscrito. As pesquisas continuam. Todo mundo se põe de acordo com o fato de que este manuscrito apresenta sentido e que não é brincadeira ou mistificação. Voynich morreu em 1930 , sua mulher em 1960, e seus herdeiros venderam o manuscrito a um livreiro de Nova York, Hans P. Kraus, que pede atualmente por ele um milhão e cem mil francos. E Kraus declarou recentemente que , decifrado, o manuscrito valerá dez milhões de dólares.

Pretendeu-se propor métodos de decifração fundados na “linguagem dos demonios luminosos”, que John Dee descreveu com certa precisão. Essas tentativas fracassaram. Um dos objetivos da  INFO (International Fortiana) que continuou a obra de Charles Fort, é decifrar o manuscrito Voynich. Até o presente, não o conseguiu. O segredo dos demônios e talvez outros ainda mais extraordinários se encontram nestas páginas recobertas de uma escrita medieval.
Extraido do livro Os Extraterrestres na História de Jacques Bergier  –  Editora Hemus –  1970

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/extraterrestres-na-idade-media/

A História da Umbanda: Novos olhares Com Alexandre Cumino

Bate-Papo Mayhem 082 – Com Alexandre Cumino – A História da Umbanda: Novos olhares

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/6-nwtc4Et3o

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral duas vezes por semana, às segundas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados uma vez por semana.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-hist%C3%B3ria-da-umbanda-novos-olhares-com-alexandre-cumino