As Divindades Thelêmicas

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

A maioria das Deidades Thelêmicas é oriunda do Egito antigo. Apenas as duas principais são retiradas do Apocalipse de São João. Em Thelema, são usadas com referência de conceitos e não adoração. As Divindades Egípcias variam de significado e origem de acordo com a Dinastia.

A primeira ideia a ser descartada quando se estudam as divindades Thelêmicas é a de que elas sejam, de fato, deuses. Antes de mais nada o thelemita enxerga a divindade como a representação simbólica de um arquétipo inerente ao próprio Ser Humano. Desta forma os deuses do Panteão thelêmico não são vistos como entidades externas e sim internas.

Outra característica do Panteão Thelêmico é ser aberto. Ou seja, algumas ideias principais são expostas na figura de um determinado grupo de divindades, aqui apresentadas. Entretanto sendo as divindades representações arquetípicas, toda e qualquer divindade, de qualquer mitologia é aceita como ferramenta de trabalho dentro de Thelema.

AIWASS – o “Ministro de Hoor Paar Kraat” , aquele que ditou o Livro da Lei a Aleister Crowley em 1904. Posteriormente Crowley o reconheceu com o seu Sagrado Anjo Guardião, o S.A.G. Para uma melhor descrição ir para Liber AL vel Legis. Aiwass não soletrou a Crowley o seu nome.

Em grego é Aiwass e na Cabala Grega o nome resulta 418, o número da Grande Obra. Em hebraico é Aiwaz, que resulta 93. Crowley usava as variações de acordo com o trabalho a ser realizado, se místico, Aiwaz, se de natureza mágica, Aiwass.

AHATHOOR – a Vênus egípcia.

ANKH-F-N-KHONSU – Pronuncia-se “Ankhefenkhons”. Sacerdote da cidade de Thebas, Egito, do culto ao deus Mentu, (Deus Egípcio da Guerra) da 25ª Dinastia (cerca de 725 Antes de nossa Era; Crowley achava que era 26ª mas recentes pesquisas provam 25ª).

A Estela da Revelação seria uma tábua funerária deste Šacerdote. Crowley afirmava que ele iniciara o Æon de Osíris e ao mesmo tempo, que fora uma de suas encarnações passadas.

Ao lado, frente da Estela da Revelação, onde aparecem o Deus Ra Hoor Khuit, a Deusa Nuit, o globo alado Hadit, e o Sacerdote Ankh-f-n-Khonsu.

APOPHIS – As forças da destruição e decadência. Também chamada de Apep. Por vezes é representada por uma Serpente alada com o Disco Solar na cabeça.

BAPHOMET – Mais do que uma divindade, Baphomet é um dos maiores símbolos da Egrégora thelêmica. Sua imagem é um complexo glifo de simbolismos alquímicos, herméticos, astrológicos, etc.. Dentro da filosofia tHelêmica, a imagem de Baphomet não possui qualquer correlação com o demônio, Satã ou similares.

CHAOS – Ideia irrepresentável do princípio básico de tudo. O Caos, tal como na mitologia grega, é a matriz de onde qualquer idéia, forma, etc. pode surgir. Diferente do Chaos conforme encontrado na vertente conhecida como “Magia do Caos”, possui um valor semelhante à possibilidade e não necessariamente a um rompimento.

HADIT – O Segundo Conceito. O ponto que define a circunferência, o movimento ou o Verbo gramático. O globo solar alado de Hadit é a representação da individualidade, o Self. Simboliza a Serpente de Luz que deve se elevar para encontrar Nuit e assim alcançar a plenitude. O Sol interior, a fonte de toda a luz e sabedoria. Assemelha-se ao conceito do Logos.

HARPÓCRATES – Forma grega de Hoor Paar Kraat, o deus criança. Representado como uma criança fazendo sinal de silêncio e a letra Aleph. Crowley associava-o com o como Sagrado Anjo Guardião. Ver carta 20 do tarô, “O Aeon”.

HOOR PAAR KRAAT – o Senhor do Silêncio, uma forma de Hórus, gêmeo de Ra Hoor Khuit.

HÓRUS, HORO, HERU – A Criança Coroada e Conquistadora. Senhor do presente Æon, que iniciou em 1904 com o recebimento do Livro da Lei. Hórus é a forma grega de Heru Ra Ha, o herói solar comum a vários mitos. A sua forma egípcia possui a cabeça de falcão.

Em algumas lendas egípcias é irmão de Set em outras é seu sobrinho. Na última, matou-o por este ter assassinado seu pai, Osíris. Desde então tornou-se rei do Egito e precursor dos faraós, que seriam sua encarnação na Terra. Hórus é uma divindade dual, composta por Ra-Hoor-Khuit e Harpócrates.

Ra-Hoor-Khuit é o deus de cabeça de falcão, simbolizando o Ser Humano em sua porção ativa, masculina, material. Harpócrates é a criança nascida no Reino dos Mortos, representado como um menino nu com o dedo indicador direito sobre os lábios, representando o Ser Humano em sua porção silenciosa, passiva, feminina. Juntos eles perfazem a divindade solar Hórus, que representa o Ser Humano íntegro, divinizado.

ÍSIS – Mãe de Hórus, senhora do Æon anterior ao de Osíris, onde o poder residia na mulher.

KEPHRA, ou KEPH-RA – O Deus do Sol da Meia-Noite, com cabeça de escaravelho. O escaravelho deposita seus ovos numa grande bola de estrume e o empurra pelo sol do deserto afim de choca-los, além disso, voa contra todas as leis da aerodinâmica. Tal força de vontade não ficou indiferente aos egípcios. O estrume representa o Deus Sol Ra, e como sai debaixo da terra, das regiões ocultas, ele é um símbolo de Renascimento, o Sol interior.

KHABS – Segundo Crowley: “‘estrela’ ou ‘luz íntima’, é a essência original individual, eterna. O Khu é a vestimenta mágica que o Khabs tece para si mesmo, uma ‘forma’ para seu Ente. Além-da-Forma, pelo uso da qual ele ganha experiência através de autoconsciência, como explicado na nota aos versos 2 e 3 . O Khu é o primeiro véu, muito mais sutil que mente e corpo, e mais verdadeiro; pois sua forma simbólica depende da natureza de sua Estrela.”

KHONSU – Deus Egípcio da Lua, filho de Ammon com Mut.

KHU – ver Khabs.

MAAT, MA’AT – Deusa da Verdade e Justiça. Representada por uma mulher com uma pluma na cabeça.

Frater Achad, filho mágico de Crowley, anunciou o seu Aeon em 1948, um ano após a morte de Crowley. No ano de 1955, Kenneth Grant, na sua Loja Nu-Ísis, obteve uma experiência de contato através de um local chamado Zona Mauva.

Em 1974, uma magista chamada Soror Nema Andahadna, recebeu um livro chamado Liber Pennae Praenumbra. Seus conceitos batiam com os de Achad e os de Grant. O Aeon de Maat, evoca uma característica muito ligada ao Aeon de Hórus, conceitos, divindades, rituais, etc. Soror Nema Andahadna disse que o Aeon de Maat está “grudado” no de Hórus, além de evocar um conceito caoticista, o de que todos os Aeons acontecem simultaneamente, depende apenas do magista canalizar a energia desejada.

MENTU, MONTU – Deus da guerra Egípcio, também associado com Ra-Hoor-Khuit.

NUIT – O Primeiro Conceito. A deusa egípcia preenchida de estrelas, cujo corpo forma a abóbada celeste é a representação do Todo em um nível Macrocósmico. Sendo todo homem e toda mulher uma estrela, Nuit simboliza a união de toda a humanidade em nível espiritual. Costuma ser representada por um círculo.

A Grande Mãe e o Grande Nada/Tudo. A matéria. A circunferência infinita e complemento de Hadit, o ponto. Pode ser representada pelo Espaço Infinito e na Cabala por Ain Soph.

Ver carta 17, “A Estrela”.

OSÍRIS – O deus morto e ressuscitado. Senhor do Æon passado, onde o poder masculino era o centro mágico (phallus).

Segundo uma das principais lendas do Egito, Osíris era casado com sua irmã Isis, e invejado por seu irmão Set. Durante um banquete, Set trancafiou-o em uma urna e jogou no Nilo indo até a Fenícia. Isis, em desespero, procura por seu marido e o encontra. Set novamente ataca e o esquarteja em 14 pedaços e os espalham por todo Egito. Com a ajuda do filho Hórus, da irmã Nephtys, do sobrinho Anúbis e do deus da Magia Thoth, Isis recupera todas as partes do marido, menos uma: o pênis, que fora devorado por três peixes. Daí a sua associação como deus dos mortos. Com a ajuda deles realizou o primeiro embalsamento e graças a Thoth, ele ressuscitou para a imortalidade (no reino dos mortos). O deus egípcio dos mortos, que teve seu corpo destruído e espalhado pelo mundo e depois reconstruído por sua esposa Isis, representa o Ser Humano espiritualmente redivivo. Considera-se que o Ser Humano é composto de várias partes (corpo, mente, espírito) que encontram-se em um estado de desarmonia. Osíris simboliza, tal como em seu mito, a harmonização destes componentes do Ser Humano pleno por força de um amor maior.

Possui forte relação com o Jesus Cristo católico.

PAN, ou PÃ – Inicialmente associado com o Deus Bacco e a carta 15, “O Diabo”.

Este deus grego de extrema sexualidade representa o princípio masculino ativo e criador. É também uma simbologia para o Todo do Microcosmo. É o homem em contato com o seu eu instintual, O “pai de todos”, o homem-besta, o religare entre o racional humano e o instinto natural presente em toda a criação. Está ligado ao poder criativo e, por gematria, ao número 61, Nuit/Nada. Em grego quer dizer “Tudo”. Daí a associação metafísica de Nada = Tudo, a fórmula da iniciação universal. Ra-Hoor -Khuit – Gêmeo de Hoor Paar Kraat, uma versão de Hórus. Também é conhecido como filho de Nuit e Hadit. É o Senhor do Atual Aeon. O Capítulo III de Liber AL vel Legis é referente ao seu Aeon.

RA, AMMOUN-RA, AMMEN – O Deus Sol egípcio, um dos principais do panteão. O Deus que ressuscita toda manhã. O Deus Oculto. Seu Templo de Karnak, em Tebas, (atual Luxor) era o maior dos Templos Egípcios, e pouco antes da época de Ammenhotep IV, também conhecido como Akhénaton, na XVIII Dinastia, era detentor de 2/3 do território egípcio. Por este motivo, Akhénaton elevou o deus Aton (uma das representações do sol) no panteão, para tentar distribuir o poder sacerdotal entre outros cleros, visto que os Sacerdotes de Ammon tinham um poder tal que formavam um estado dentro do estado.

RA-HOOR-KHUIT – Gêmeo de Hoor Paar Kraat, uma versão de Hórus. Também é conhecido como filho de Nuit e Hadit. É o Senhor do Atual Aeon. O Capítulo III de Liber AL vel Legis é referente ao seu Aeon.

SHAITAN – Forma de Seth. Shaitan foi uma divindade adorada na Mesopotâmia, por um povo chamado Iezide. (Ver a obra “Renascer da Magia” ,de Kenneth Grant), e cujo culto Crowley diz ter ressuscitado.

TEITAN – Forma caldeia de Shaitan.

TEMU – O Criador, o primeiro deus a aparecer do caos (Nuit). Ao se masturbar gerou dois filhos, Shu e sua irmã Tefnut. Estes criaram Geb (o deus da Terra) e Nut, também chamada Nuit, (a deusa do Céu) que por sua vez deram origem a Osíris e Isis, Seth e Nephtys, e Harpócrates.

SETH – Aquele que assassinou Osíris. Posteriormente foi morto por Hórus, a Criança Vingadora.

É a divindade mais antiga criada pelos egípcios, assumindo diversas conotações, de vilão a herói. A sua forma mais comum é um humano com cabeça de algum animal não-identificado, ou de um crocodilo. A simbologia do crocodilo é a de devorador (de deuses).

THERION – A Grande Besta do Apocalipse. Conceito assumido por Crowley na edificação do Novo Aeon, aquele que iria acabar com o pensamento cristista associado ao Aeon de Osíris.

O poder masculino, que conjugado com o seu igual feminino, Babalon, geram a força no Aeon de Hórus. Therion é Besta em grego, e durante a sua infância, no seio de uma família fundamentalista cristã, devido ao seu comportamento bagunceiro, foi apelidado de Besta do Apocalipse pela mãe.

No Cairo ao receber o Livro da Lei, sua então esposa Rose Kelly, identificou o mensageiro na Estela da Revelação, cujo número era 666. A sincronicidade espantou Crowley que, ao assumir o grau de Magus, adotou o motto TO MEGA THERION (A Grande Besta). Também representado por um Leão, como na Carta 11 “A Luxúria”, representada ao lado, onde é cavalgado por Babalon, a Mulher Escarlate.

THOTH, TAHUTI – Deus da Sabedoria e Magia. Criou a escrita. Possui cabeça de íbis. Associa-se com Mercúrio e a Hermes Trismegisto.

TUM – Deus do oeste, o local do Sol, deus do Sol à noite.

TYPHON, TÍFON – Inicialmente mãe de Seth, deusa do caos e da noite. As vezes confundida com Seth, o Destruidor.

Amor é a lei, amor sob vontade.

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Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/as-divindades-thelemicas/

Lançamento: Ad infinitum

Hoje, 13.01.13, lancei meu livro, Ad infinitum.

Quando comecei a escrevê-lo, em meados de 2009, não fazia ideia de que hoje existiria um serviço como o Clube de Autores, que permite que lancemos um livro com o controle total do resultado final, de cada vírgula do texto a diagramação da capa, contracapa e orelhas. Tampouco poderia prever que hoje teria uma página do meu blog, no Facebook, com quase 3 mil seguidores; ou que meu próprio blog, o Textos para Reflexão, teria uma média de visitas diárias de mais de mil acessos; muito menos que seria um colunista regular de um grande portal de ocultismo e espiritualidade, o Teoria da Conspiração [1].

Quando a ideia para este livro me veio, martelando a cabeça, quis que fosse embora. Daria muito trabalho levá-la adiante. Quando finalmente comecei a escrever, tive medo de não estar à altura da tarefa. Quando enviei os primeiros dois capítulos a leitores que considero cultos e exigentes, e eles gostaram do que leram, tive medo de não saber como terminar o restante do livro. Agora, no entanto, me sinto aliviado, realizado. Este livro não é mais uma questão minha, não é mais o meu livro, mas o livro de vocês, leitores. O que virá daqui para frente dependerá muito mais de vocês do que de mim.

Com este livro, procurei demonstrar como num diálogo amigável de quatro personagens com crenças e descrenças diversas, ainda assim podemos chegar a grandiosos acordos. E, mesmo quando não chegamos a um acordo geral, nada deveria indicar que um desacordo de crenças e ideias leva, necessariamente, a inimizades.

A existência é muito grandiosa, complexa, inefável e brutal, para que percamos tempo em brigas inúteis. Os personagens no fim são todos aspectos de mim mesmo (e de todos nós, quem sabe) que são capazes de se tornar amigos uns dos outros: uma filósofa, um cético, um espiritualista, um crente. Por que não?

Neste livro falaremos de Deus, do Cosmos, de fé e razão, ciência e religião, arte e espiritualidade, filosofia e ceticismo, etc. Tudo para que estas ideias possam melhorar a vizinhança.

Já me disseram que meus textos mudam as pessoas. Não é verdade: as pessoas é que mudam elas mesmas, e a vizinhança em torno (e quem sabe o mundo todo), quando mudam seu pensamento. O que escrevo sobre os ombros de gigantes, como Benedito Espinosa, Hermes Trimegisto, Carl Sagan e Gibran Khalil Gibran, dentre outros, é apenas uma mensagem. Uma luz. Reflitam adiante, ad infinitum!

» Comprar o livro no Clube de Autores

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» Baixe gratuitamente uma amostra do livro (25 páginas, PDF)

» Saiba mais sobre o Projeto Ouroboros, que deu origem ao livro

» Conheça a simbologia do Ouroboros e da Árvore da Vida (capa do livro)

» Veja a galeria do livro em nossa página no Facebook

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Algumas perguntas e respostas sobre o livro:

Ele pode ser encontrado em livrarias?

Não. No momento só pode ser comprado pelo site do Clube de Autores.

Posso confiar neste site? Quais são as formas de pagamento e envio?

O Clube de Autores é a maior comunidade de autores do país, e vende livros por demanda, impressos com qualidade profissional. Você poderá pagar com cartões Visa e Mastercard, boleto bancário, PagSeguro e/ou transferências online. O livro impresso será enviado para seu endereço pelos Correios, sendo possível rastrear a encomenda a qualquer momento do processo. O eBook (livro digital) será disponibilizado para download imediatamente após a confirmação da compra.

Posso confiar na revisão e diagramação do livro?

O livro foi diagramado conforme exemplos de livros profissionais, composto com as fontes mais legíveis do mercado, e com os devidos cuidados de revisão gramatical. Você também pode conferir uma amostra do livro (25 páginas, PDF).

Posso confiar na qualidade do conteúdo?

Depende. Se você gosta do que escrevo em meu blog (Textos para Reflexão), é bem provável que o livro lhe agrade. Se, por outro lado, não conhece ainda o meu blog, talvez seja melhor primeiramente navegar por lá e ver se gosta do que tenho a refletir.

Você desistiu de tentar publicar o livro por uma editora de grande distribuição?

Pelo contrário, ainda nem comecei. Este será o segundo passo. O fato de o livro estar sendo vendido online não significa que eu tenha perdido os direitos sobre ele. Pelo contrato do Clube de Autores, posso cancelar a venda a qualquer momento, e o farei, caso alguma boa editora se interesse por publicá-lo. Mas, se nenhuma se interessar, fato é que os leitores do meu blog já terão acesso a ele, e isso já é suficientemente extraordinário para mim.

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“Gostei do livro! Como posso ajudar a divulgá-lo?”

1 – Boca a boca: é a alma do negócio!

2 – Você pode entrar na página dele no Clube de Autores e comentar, ou avaliar (clicando nas estrelinhas), ou recomendar nas redes sociais, etc.

3 – Você pode tirar uma foto sua com o livro nas mãos (mesmo sendo a versão eBook), e nos enviar por nossa página no Facebook (clique em mensagens e mande uma mensagem com a imagem em anexo). Contanto que dê permissão para que eu possa publicar sua foto nas galerias de imagens por lá. Acredite, isto já será uma baita ajuda…

4 – Você pode comprar outros livros e dar de presente para quem ama.

5 – Caso seja amigo de algum editor, você pode recomendar o livro a sua editora (contanto que ela tenha uma boa distribuição nas livrarias).

6 – Você pode ajudar de alguma outra forma criativa, que não consta nesta lista, contanto que seja de coração…

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[1] Não poderia deixar de agradecer imensamente ao irmão Del Debbio pela oportunidade, assim como aos demais colunistas.

#Espiritualidade #Ocultismo #Filosofia #hermetismo #Ciência #Livros

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/lan%C3%A7amento-ad-infinitum

A Maçonaria Paládio: A Farsa de Léo Taxil

A fraude de Taxil foi uma farsa de exposição de 1890 por “Léo Taxil” destinada a zombar não apenas da Maçonaria, mas também da oposição da Igreja Católica a ela.

Léo Taxil e a Maçonaria:

Léo Taxil era o pseudônimo de Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand-Pagès, que havia sido acusado anteriormente de difamação em relação a um livro que escreveu chamado The Secret Loves of Pope Pius IX (Os Amores Secretos do Papa Pio IX). Em 20 de abril de 1884, o Papa Leão XIII publicou uma encíclica, Humanum genus (O Gênero Humano), que dizia que a raça humana era:

“[…] separada em duas partes diversas e opostas, das quais uma defende firmemente a verdade e a virtude, a outra daquelas coisas que são contrárias à virtude e à verdade. Um é o reino de Deus na terra, ou seja, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo… O outro é o reino de Satanás… Neste período, no entanto, os partidários do mal parecem estar se unindo e sendo lutando com veemência unida, liderados ou assistidos por aquela associação fortemente organizada e difundida chamada Maçons.”

Após esta encíclica, Taxil passou por uma conversão pública fingida ao catolicismo romano e anunciou sua intenção de reparar o dano que havia causado à verdadeira fé.

O primeiro livro produzido por Taxil após sua conversão foi uma história da Maçonaria em quatro volumes, que continha testemunhas oculares fictícias de sua participação no Satanismo. Com um colaborador que publicou como “Dr. Karl Hacks”, Taxil escreveu outro livro chamado Le Diable au XIXe siècle (O Diabo no Século XIX), que introduziu um novo personagem, Diana Vaughan, uma suposta descendente do alquimista rosacruz Thomas Vaughan. O livro continha muitos contos sobre seus encontros com demônios encarnados, um dos quais deveria ter escrito profecias em suas costas com sua cauda, ​​e outro que tocava piano na forma de um crocodilo.

A chamada “Diana Vaughan”, vestida como “Inspetora Geral do Paládio”. Fotografia de Van Bosch, publicada no livro Memoirs of a Perfect, Initiated, Independent Ex-Palladist (Memórias de uma Perfeita, Iniciada e Independente Ex-Paladista, 1895)

Diana estava supostamente envolvida na Maçonaria Satânica, mas foi redimida quando um dia ela professou admiração por Joana d’Arc, em cujo nome os demônios foram postos em fuga. Como Diana Vaughan, Taxil publicou um livro chamado Eucharistic Novena (Novena Eucarística), uma coleção de orações que foram elogiadas pelo Papa.

Os Paladistas:

Na fraude de Taxil, os Paladistas eram membros de um suposto culto satanista teísta dentro da Maçonaria. De acordo com Taxil, o Paladismo era uma religião praticada dentro das mais altas ordens da Maçonaria. Os adeptos adoravam Lúcifer e interagiam com demônios.

Em 1891 Léo Taxil (Gabriel Jogand-Pagès) e Adolphe Ricoux afirmaram ter descoberto uma Sociedade Paladiana. Um livro francês de 1892, Le Diable au XIXe siècle (O Diabo no Século 19″, 1892), escrito por “Dr. Bataille” (na verdade o próprio Jogand-Pagès) alegou que os Paladistas eram satanistas com sede em Charleston, Carolina do Sul, liderados pelo maçom americano Albert Pike (autor do famoso Morals and Dogma) e criados pelo patriota e autor liberal italiano Giuseppe Mazzini.

Arthur Edward Waite, desmascarando a existência do grupo em Devil-Worship in France, or The Question of Lucifer (Adoração ao Diabo na França, ou A Questão de Lúcifer), cap. II: “The Mask of Masonry (A Máscara da Maçonaria)” (Londres, 1896), relata de acordo com “os trabalhos de Domenico Margiotta e Dr. Bataille” que “[a] Ordem de Paládio fundada em Paris 20 de maio de 1737 ou Sovereign Council of Wisdom (Soberano Conselho da Sabedoria)” foi um “Ordem diabólica maçônica”. Dr. Bataille afirmou que as mulheres seriam supostamente iniciadas como “Companions of Penelope (Companheiras de Penélope)”. Segundo o Dr. Bataille, a sociedade tinha duas ordens, “Adelph (Adelfo)” e “Companion of Ulisses (Companheiro de Ulisses)”; no entanto, a sociedade foi desmembrada pela aplicação da lei francesa alguns anos após sua fundação. Uma suposta Diana Vaughan publicou Confessions of an Ex-Palladist (Confissões de uma Ex-Paladista) em 1895.

Confissão:

Em 19 de abril de 1897, Léo Taxil convocou uma entrevista coletiva na qual, segundo ele, apresentaria Diana Vaughan à imprensa. Na conferência, em vez disso, ele anunciou que suas revelações sobre os maçons eram fictícias. Ele agradeceu ao clero católico por sua ajuda em dar publicidade às suas reivindicações selvagens.

A confissão de Taxil foi impressa, na íntegra, no jornal parisiense Le Frondeur, em 25 de abril de 1897, intitulada: Twelve Years Under the Banner of the Church, The Prank Of Palladism. Miss Diana Vaughan–The Devil At The Freemasons. A Conference held by M. Léo Taxil, at the Hall of the Geographic Society in Paris (Doze Anos sob a Bandeira da Igreja, a Fraude do Paladismo. Senhorita Diana Vaughan – O Diabo nos Maçons. Conferência realizada por M. Léo Taxil, no Salão da Sociedade Geográfica em Paris).

O material falso ainda é citado até hoje. O tratado da Chick Publications, The Curse of Baphomet (A Maldição de Baphomet), e o livro de Randy Noblitt sobre abuso ritual satânico, Cult and Ritual Abuse (Culto e Abuso Ritual), ambos citam as alegações fictícias de Taxil.

O escritor cristão William Schnoebelen, em seu livro, Lúcifer Destronado, apresenta certificados nos quais consta que ele foi membro de uma “Ordem do Paládio”, o que mostra sua dependência das obras de Léo Taxil. O autor apresenta um “Pirâmide Ocultista” que tem na base a Loja Azul da Maçonaria, Rito Escocês e o Rito de York da Maçonaria, The Shrine, o Grau de Soberano Grande Inspetor-Geral (33º Grau), o Supremo Conselho dos Soberanos Grandes Inspetores-Gerais, A Ordem do Trapezoide, Antigo e Primitivo Rito (97 Graus), Ordo Templo Orientis (O.T.O.), A Ordem Paládio, A Ordem Illuminatti, Os 9 “Desconhecidos”, Os Sete (“Demônios”, com o ápice no T.G.A.T.U. (“O Grande Arquiteto do Universo”, Ain Soph Aur, que ele identifica com Lúcifer), mas esse escritor e as bizarrices contidas em suas obras são assuntos para um outro artigo.

Uma Entrevista Posterior com Taxil:

Na revista National Magazine, an Illustrated American Monthly, Volume XXIV: abril – setembro de 1906, páginas 228 e 229, Taxil é citado como dando suas verdadeiras razões por trás da farsa. Dez meses depois, em 31 de março de 1907, Taxil morreu.

Os membros das ordens maçônicas entendem a falsa exposição acumulada sobre essa organização nas guerras antimaçons. A Igreja Católica e muitas outras ordens religiosas foram vítimas desses ataques semiescritos e muitas vezes venenosos. A confissão de Taxil, o livre-pensador francês, que primeiro expôs os católicos e depois os maçons, faz uma leitura interessante sobre a situação atual hoje. Motivos semelhantes acionam alguns dos “ancinhos” de hoje, como indicado na seguinte confissão:

“O público me fez o que sou; o arquimentiroso da época”, confessou Taxil, “pois quando comecei a escrever contra os maçons meu objetivo era diversão pura e simples. Os crimes que dei à sua porta eram tão grotescos, tão impossíveis, tão amplamente exagerados, que pensei que todos veriam a piada e me dariam crédito por originar uma nova linha de humor. Mas meus leitores não aceitaram; eles aceitaram minhas fábulas como a verdade do evangelho, e com o propósito de mostrar que eu menti, mais convencidos ficaram de que eu era um modelo de veracidade.”

“Então me ocorreu que havia muito dinheiro em ser um (Barão de) Munchausen do tipo certo, e por doze anos eu dei a eles quente e forte, mas nunca muito quente. que escrevia profecias nas costas de Diana com a ponta do rabo, às vezes eu dizia a mim mesmo: ‘Espere, você está indo longe demais’, mas não o fiz. Meus leitores até aceitaram com carinho a história do diabo que, em ao se casar com um maçom, transformou-se em crocodilo e, apesar do baile de máscaras, tocava piano maravilhosamente bem.”

“Certo dia, ao dar uma palestra em Lille, disse à plateia que acabara de ter uma aparição de Nautilus, a mais ousada afronta à credulidade humana que eu havia arriscado. Mas meus ouvintes nunca viraram um fio de cabelo. “Ouça, o médico viu Nautulius”, disseram eles com olhares de admiração. Claro que ninguém tinha uma ideia clara de quem era Nautilus, eu não tinha, mas eles presumiram que ele era um demônio.”

“Ah, as noites alegres que passei com meus colegas autores inventando novas tramas, novas, inauditas perversões da verdade e da lógica, cada uma tentando superar a outra na mistificação organizada. Achei que ia me matar de rir de algumas coisas propostas, mas deu tudo certo; não há limite para a estupidez humana”.

A Citação Luciferiana:

Uma série de parágrafos sobre Lúcifer são frequentemente associados à farsa de Taxil. Eles leem:

“O que devemos dizer ao mundo é que adoramos um deus, mas é o deus que se adora sem superstição. A vós, Soberanos Grandes Inspetores Gerais, dizemos isto, para que o repitais aos irmãos dos graus 32, 31 e 30: A Religião Maçônica deve ser, por todos nós iniciados dos graus superiores, mantida na Pureza da doutrina luciferiana. Se Lúcifer não fosse Deus, Adonay e seus sacerdotes o caluniariam?

Sim, Lúcifer é Deus, e infelizmente Adonay também é deus. Pois a lei eterna é que não há luz sem sombra, nem beleza sem feiura, nem branco sem preto, pois o absoluto só pode existir como dois deuses; sendo a escuridão necessária para que a luz sirva de contraste, como o pedestal é necessário para a estátua, e o freio para a locomotiva…

Assim, a doutrina do satanismo é uma heresia, e a verdadeira e pura religião filosófica é a crença em Lúcifer, igual a Adonay; mas Lúcifer, Deus da Luz e Deus do Bem, está lutando pela humanidade contra Adonay, o Deus das Trevas e do Mal.”

Embora esta citação tenha sido publicada por Abel Clarin de la Rive em seu Woman and Child in Universal Freemasonry (A Mulher e a Criança na Maçonaria Universal), ela não aparece nos escritos de Taxil propriamente, embora seja originada em uma nota de rodapé de Diana Vaughan, a criação de Taxil.

Na Cultura Popular:

Os Paladistas são o nome da sociedade satanista de Greenwich Village no filme de Val Lewton, A Sétima Vítima (1943).

Os Paladistas desempenham um papel importante na última parte do romance de Umberto Eco, O Cemitério de Praga (2011).

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Principal fonte:

Melior, Alec (1961). “A Hoaxer of Genius-Leo Taxil (1890-7)”. Our Separated Brethren, the Freemasons. trans. B. R. Feinson. London: G. G. Harrap & Co. pp. 149–55.

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Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-maconaria-paladio-a-farsa-de-leo-taxil/

Fotografia Kirlian

Rubellus Petrinus

A fotografia Kirlian foi descoberta por Semyon Davidovitch Kirlian. Semyon Kirlian que nasceu em 25 de Fevereiro de 1898 na cidade de Krasnodar, no Sul da Rússia. Semyon Kirlian pode ter sido inspirado e ter tomado interesse no estudo do invulgar e natural fenómeno por Nikola Tesla que visitou Yekaterinodar antes da revolução de 1917 onde deu uma conferência. Kirlian assistiu a essa conferência e ficou muito impressionado.

Semyon Kirlian usou as experiências e erros para verificar a correcção das suas ideias, e seu obstinado e laborioso método de trabalho, provou sucesso com a criação de um aparelho para fotografia e observação visual por meio de correntes de alta frequência.

A sua esposa e camarada, Valentina Chrisanfovka, foi educada em humanísticas e trabalhou como assistente literária para um comité de uma rádio local.

Depois do seu casamento com Semyon Kirlian em 1930, Valentina Kirlian, também de natureza criativa, tomava parte nas investigações do seu marido e gradualmente começou a ler literatura específica. Marido e mulher diferiam nos seus confrontos no estudo do fenómeno natural, mas estas diferenças unia-os mais que separava.

Semyon Kirlian estava mais interessado em matérias técnicas tais como equipamento ou investigando as características de metais e não condutores. Valentina Kirlian, por outro lado, era mais preocupada com o estudo dos processos da vida.

Em 1939, reparando equipamento de medicina usado no tratamento de Arsonval, Kirlian descobriu que uma descarga eléctrica entre um eléctrodo vitrificado e partículas de pele humana, mudou de cor. Tentando descobrir a causa disto, fotografou a descarga eléctrica sem o uso de uma câmara, isto é, expondo directamente a película fotográfica.

Esta experiência levou-o à invenção de um sistema para fotografia de alta frequência.

Durante dez anos de trabalho em sua casa e na oficina onde reparava equipamento de medicina e outros tipos de equipamentos eléctricos, Semyon e Valentina Kirlian obtiveram repetivamente sucesso fotografando por meio de corrente de alta frequência.

Eles montaram um aparelho simples não standardizado e em 1949 receberam um certificado de autor (patente soviética) por “Um método de fotografar por meio de corrente de alta frequência”.

O seu aparelho simples e o método produzia fotografia por meio de alta frequência de qualidade nunca conseguida pelos seus antecessores.

Semyon e Valentina, consequentemente, receberam centenas de cartas de cientistas e de Instituições de todas as partes da União Soviética.

Semyon Kirlian

A fotografia Kirlian são imagens electrónicas, mais precisamente imagens criadas por “emissão fria de electrões”. O método Kirlian permite registar não só os diversos estados biológicos de plantas e animais, mas também o estado psíquico dos seres humanos.

Isto produziria resultados, por exemplo, em áreas como o estudo do fenómeno parapsicológico onde os tradicionais métodos de investigação muitas vezes tinham sido impotentes.

As dificuldades encontradas no estudo do efeito Kirlian não são somente limitadas ao fenómeno electrónico. Semyon e Valentina Kirlian deram grande importância ao fenómeno de ressonância na fotografia de alta frequência.

O “fantasma” da folha no qual Semyon Kirlian recusou acreditar, está também ligado ao fenómeno de ressonância.

Victor Adamenko, seu assistente, descobriu o efeito da “fantasma” da folha em 1966 e Valentina Kirlian felicitou-o pela descoberta do novo fenómeno, mas Semyon Kirlian recusou-se terminantemente a acreditar na realidade da fotografia.

Foi somente no último ano que começou a inclinar-se para a ideia de que o “fantasma” da folha era uma realidade e Adamenko teve uma conversa com ele sobre este assunto.

Em 1962, com o apoio de Valentina Kirlian venceu o cepticismo de Semyon Kirlian sobre o estudo do fenómeno psíquico e só em 1967 Semyon e Valentina examinaram as mãos do curandeiro Alekxei Kivorotov usando o seu método. Este foi o primeiro objectivo de investigação da cura psíquica na USSR.

Na União Soviética o efeito Kirlian foi sendo estudado individualmente por uma variedade de cientistas e grupos de investigadores não ainda reunidos em nenhuma organização.

Várias centenas de entusiastas desde estudantes do ensino superior a professores, estão agora estudando fotografia Kirlian na USSR.

Uma associação internacional de estudo de efeito Kirlian uniu muitos cientistas de diferentes países, e o vasto desenvolvimento deste novo ramo da ciência que poderá levar a uma mudança da maneira de ver o mundo e nós próprios, seria um apropriado memorial para aqueles humildes mas perseverantes exploradores do desconhecido mundo extra-sensorial – Semyon e Valentina Kirlian.

Extraído de: Memories of Semyon Kirlian by Dr. Victor G. Adamenko, Ph. D., International Journal of Paraphysics, vol. 13, 1979.

Parte 2

O que é, então, a fotografia Kirlian? Sob o ponto de vista técnico, a fotografia Kirlian é a impressão em película a preto e branco ou a cores, ou ainda directamente sobre papel fotográfico a preto e branco, do efeito de “coroa” provocado por uma descarga de alta tensão induzida no sujeito através de uma placa de exposição isolada.

Actualmente, sabe-se que todos os organismos vivos possuem campos eléctricos e, por consequência, campos electromagnéticos de natureza muito complexa. Todos os processos biológicos correspondem a acções electromagnéticas recíprocas.

Se o campo bioenergético do sujeito estiver alterado, o efeito de “coroa” manifesta na fotografia essa alteração da configuração da “coroa”. Assim, fotografando esse efeito quer em plantas ou no ser humano, pode verificar-se qualquer alteração existente no seu campo bioenergético.

No ser humano, fotografando o efeito de “coroa” nos dedos dos pés e das mãos a nível dos respectivos pontos terminais de acupunctura pode ver-se se existe neles alguma alteração bioenergética.

Isto é o que actualmente se faz a nível de fotografia Kirlian com vista ao diagnóstico de doenças que mais adiante explicaremos.

Mas voltemos umas dezenas de anos atrás. Tivemos pela primeira vez conhecimento da fotografia Kirlian ainda estávamos em Angola, por intermédio de um grande amigo que, como nós, era técnico de telecomunicações. Tínhamos alguns interesses comuns. Ambos éramos radioamadores, fazíamos caça submarina juntos e, inclusivamente, construímos equipamento electrónico para escuta dos primeiros satélites artificiais americanos como o Echo I, do qual ainda possuímos, como recordação, uma fita magnética com a gravação dos sinais emitidos na sua passagem pelo céu de Angola.

Infelizmente o nosso amigo já não se encontra no mundo dos vivos porque foi bárbara e traiçoeiramente morto à catanada sem razão aparente que não fosse uma vingança racial.

Este nosso amigo, como tinha muitos contactos internacionais, deve ter sabido algo sobre a existência da fotografia Kirlian e construiu um gerador Tesla para fazer experiências. Solicitámos-lhe o diagrama electrónico e nós construímos também um gerador idêntico que ainda guardamos como recordação.

Naquela altura e para mais em África, não possuíamos a informação técnica necessária que nos permitisse avaliar por meio das fotografias o diagnóstico que hoje se faz, mas nem por isso deixámos de fazer experiências muito interessantes.

Para aqueles que não sabem o que é um gerador Tesla diremos que ele é constituído fundamentalmente por um transformador de alta tensão de 1000 V ou mais (T1) , uma bobine primária com cerca de 10 espiras de fio grosso isolado (L1), outra bobine secundária maior que a primária com milhares de espiras de fio esmaltado muito fino (L2), um condensador de mica de 0.001uf isolado a 5000 V (C), um faiscador e uma placa de exposição (P).

A intensidade da “corona” está em relação directa com a tensão aplicada e a qualidade e espessura do dieléctrico usado na placa.

Na imagem abaixo podereis ver o referido gerador construído por nós há mais de 30 anos e com que fizemos as primeiras fotografias Kirlian que vos iremos mostrar.


Gerador Tesla

Muita gente confunde o efeito de”corona” com a “aura” tal como ela é referida por muitos autores místicos e até de uma maneira mais científica pelo Dr. Walter J. Kilner, no seu livro The Human Aura, The Citadel Press, Secaucus, New Jersey, USA.

A fotografia Kirlian, como dissemos, é provocada por uma descarga de alta tensão a baixa corrente de apenas uns microamperes. O gerador Testa que vos mostramos na imagem gera cerca de 100.000 V.

Para fazer fotografia Kirlian o operador e o sujeito têm de estar numa câmara escura iluminada por uma luz vermelha adequada para não velar a película fotográfica que, neste caso, deverá ser obrigatoriamente ortocromática.

A película é colocada sobre a placa de exposição e sob o sujeito a fotografar. Seguidamente, liga-se o gerador e se não estiver nada sobra a placa de exposição vê-se um fluxo enorme de faíscas muito finas que saem do topo da bobine para o centro, provocando um cheiro muito acentuado a ozono.

Se colocardes um sujeito na placa de exposição como, por exemplo, uma folha de árvore ou os dedos das mãos, verificareis uma “coroa” de faíscas azuis à volta do sujeito. Esta luminosidade irá impressionar a película que depois de exposta durante o tempo adequado, será revelada de imediato. Só depois de fixada, a película poderá “ver” a luz caso contrário ficará velada.

No laboratório devereis colocar tudo facilmente ao vosso alcance como as cuvetes do revelador, água e fixador pois, com uma luz vermelha escuro a visibilidade não é a melhor. Nunca retireis mais que uma película da caixa e voltai a fechá-la de imediato, porque se vos esquecerdes de a fechar quando ligardes a luz branca velareis todo o vosso material fotográfico. Normalmente o lado da película menos brilhante é a parte sensibilizada que deverá ficar virada para cima.

Depois da película impressionada e revelada podereis passá-la para positivo em papel fotográfico onde o que na película se vê a negro no papel ficará a branco. Esta operação para fins de diagnóstico não é necessária.

Parte 3

Tendo montado o gerador Tesla e, como fotógrafo amador, tínhamos por isso, todo o material disponível à mão. Começámos de imediato as nossas experiências nesse fascinante e desconhecido campo. Estávamos ansiosos por ver a tal “aura” de que tanto ouviramos falar e líamos nos nossos livros sobre parapsicologia.

O primeiro objecto que nos ocorreu fotografar foi uma lâmina de barbear, a qual anteriormente tínhamos usado em experiências com uma pirâmide feita de “plexiglass” pois, sendo um objecto inanimado, teria inevitavelmente, uma “aura” (coroa) característica.

Depois de a submetermos durante uns breves segundos à descarga eléctrica, revelámos de imediato a película fotográfica, ainda molhada, a qual trouxemos para o exterior da câmara escura improvisada na casa de banho.

Ficámos um pouco decepcionados porque talvez esperássemos mais. Via-se nitidamente o campo energético à volta da lâmina mas nada nos dizia; era apenas interessante.

Pensámos noutro objecto que tivesse energia e por isso, a “coroa” talvez fosse diferente.

Para isso, como técnico, ocorreu-nos imediatamente à mente um imã permanente. Encontrámos nos nossos “spares” (peças) um pequeno imã permanente tipo ferradura que nos pareceu o ideal para a experiência.

Fomos de imediato para a improvisada câmara escura e fotografámos o imã. Revelada e fixada a película, em menos de 15 minutos estávamos cá fora a observar os resultados.

Oh! Decepção das decepções! Toda a gente sabe que entre os polos de um imã em ferradura existe um forte campo magnético podendo ser vista a sua configuração colocando o imã por baixo de uma folha de cartão e nela espalhardes limalha fina de ferro.

Eram essas linhas de força magnética que nós contávamos ver na fotografia, afinal não eram energia? Mas não, tal como na lâmina de barbear só se via uma “corona” luminosa envolvendo os polos do imã não se tocando, embora muito mais intensa do que na lâmina, dada a sua menor superfície. Então onde estava o campo magnético? Deveria ser imune à radiação e por isso não era mostrado na fotografia.

Uma vez que a “coroa” nos polos do imã era individual em cada um, ocorreu-nos fotografar duas moedas de metais diferentes. A mais pequena de bronze e a outra uma liga de níquel e prata. Dois metais, um mais electronegativo em relação ao outro.

Nova decepção! Via-se nitidamente a cunhagem das moedas mas as respectivas “coroas” mantinham a mesma uniformidade nas duas apenas com uma diferença. Como as moedas tinham ficado quase juntas as respectivas “coroas” repeliam-se, porque?

Até agora só tínhamos fotografado objectos inanimados. Por isso, o passo seguinte, seria fotografar algo com vida. Deveríamos começar pelo reino vegetal e, só depois, fotografaríamos o reino animal.

Infelizmente em Angola não pudemos prosseguir com as nossas experiências porque, entretanto, deu-se a dita “descolonização” e tivemos de enviar à pressa para o nosso país de origem (Portugal) tudo o que pudemos, inclusivamente o gerador Tesla que não seria de qualquer utilidade para aquela gente a não ser, para com o seu suporte em madeira alimentar uma fogueira.

O nosso querido amigo teve menos sorte que nós, porque além de todos os seus haveres e equipamento técnico, deixou lá também a sua vida!

Parte 4

De regresso a Portugal estivemos alguns anos sem nos podermos debruçar sobre Fotografia Kirlian enquanto não conseguimos estabilidade económica.

Trabalhávamos numa firma de telecomunicações em parte-time, porque fomos praticamente obrigados a aposentar-nos das funções que exercêramos em Angola para o Estado Português.

Entretanto, conhecemos outras pessoas com interesses comuns com quem trocávamos impressões frequentemente. Além disso, como entusiasta pela parapsicologia e tudo quanto se relacionasse com as energias subtis, mandámos vir dos EUA livros específicos que nos permitiram aprofundar conhecimentos sobre diversos temas, inclusivamente na Fotografia Kirlian.

Para nos inteirarmos do que se fazia no mundo sobre fotografia Kirlian adquirimos alguns livros da especialidade como The Kirlian Aura, Edited by Stanley Kripner and Daniel Rubin, Anchor Press/Doubleday, Garden City, New York, 1974, The Body Electric, Thelma Moss, Ph.D. J.P.Tarcher, Inc. Los Angeles, 1979.

Em 1978, subscrevemos também uma revista da especialidade IKA, The International Kirlian Research Association publicada nos E.U.A, onde nos foi permitido conhecer diversas investigações feitas nesse campo como adiante veremos.

Informações sobre o que se fazia na Rússia ou nos países “satélites” em fotografia Kirlian era impossível obter, a não ser pela revista International Journal of Paraphysics, publicada na Inglaterra, que traduzia alguns textos que saiam para o exterior trazidos por investigadores autorizados a visitar algumas universidades onde se procedia à investigação sobre fotografia Kirlian.

Como tínhamos trazido de Angola o nosso gerador Tesla, pudemos prosseguir, então, com as experiências mas agora no reino vegetal.

Mesmo à frente da nossa residência existem algumas árvores da família dos choupos. Tirámos uma folha de uma delas e de imediato fizemos a primeira fotografia de uma folha.

A primeira fotografia é de uma folha recentemente colhida. A “corona” é radiante inclusivamente no pecíolo.

Decorridas 12 horas fizemos a segunda fotografia. A radiação é menor e já se vêem pontos de deterioração, principalmente onde foi aplicado o eléctrodo para a fotografar. A “coroa” é mais esbatida inclusivamente no pecíolo.

Como estávamos no Verão, pensámos que isto era divido à falta de humidade retida na folha. Para comprovar esta suposição deixámos secar mais a folha e depois colocámo-la dentro de água para a humedecer convenientemente convencidos de que iríamos obter uma fotografia pelo menos semelhante à segunda.

Como podeis observar, não é a humidade que faz com que a “coroa” seja brilhante tal como a da primeira folha mas sim a bioenergia nela latente. A foto que podeis observar é apenas uma mancha branca embora estivesse completamente humedecida.

Não restam dúvidas de que a “coroa” é provocada pela bioenergia latente no reino vegetal. Depois desta experiência, repetimo-la várias vezes sempre com os mesmos resultados.

Tentámos várias vezes obter o tal “fantasma” de que Semyon Kirlian duvidava e que foi depois conseguido pelo doutor Victor Adamenko como dissemos no início.

Experiências feitas nos E.U.A por Robert M. Wagner, da universidade do estado da Califórnia em Long Beach em 29 de Abril de 1975, mostram o tal “efeito fantasma” raramente obtido. O autor fez mais de 539 tentativas antes de conseguir a almejada fotografia!

A folha recentemente colhida foi exposta 0,7 segundos a uma tensão de 50kV a 330kHz. Estes parâmetros foram sempre os mesmos para cada fotografia.

A primeira fotografia foi feita com a folha recém colhida. Na segunda, a folha foi amputada e, como se pode observar, não se vê nenhum fantasma. Na terceira, à folha foi-lhe amputada a ponta e depois colocada uma régua de plexiglass opaca à frente da parte amputada. A folha inteira nunca tinha estado em contacto com o filme daí se excluir a hipótese de ela ter deixado alguns traços de humidade.

Pelo que nos foi dado verificar, não há duvida que se trata do verdadeiro “efeito fantasma”. Já vimos muitas fotografias cujos autores dizem ser do “fantasma” (ghost) mas são fraudes fáceis de detectar por quem conhece os princípios da fotografia Kirlian.

Tentámos várias vezes fotografar folhas recentemente colhidas e amputadas mas nunca tivemos a sorte de conseguir o “efeito fantasma” como o que podereis observar na terceira fotografia.

O resultado que conseguimos foi sempre o da segunda. Verificámos, também, que é fácil fazer uma fotografia imitando o efeito “ghost”. Para isso, basta expor por uns breves instantes uma folha inteira e depois amputar-lhe a ponta. Em seguida expõe-se por mais tempo.

Esta fraude muito vulgar, é fácil de detectar por um “expert” porque se nota mesmo atenuada a “coroa” correspondente à parte cortada.

Parte 5

Depois de termos feito centenas de fotografias a preto e branco de folhas para ver se obtíamos o almejado “fantasma” nunca o conseguimos. Em boa verdade também não tivemos a paciência de fazer tantas fotos como o autor americano para o conseguir.

Era, então, a altura de começarmos a experimentar fotografar seres vivos principalmente o ser humano.

Tivemos conhecimento que houve investigadores que construíram geradores que permitiam fotografar o corpo humano inteiro. Isso estava fora do nosso alcance e, por isso, começámos por fotografar os dedos das mãos.

Facto curioso foi o que vimos numa revista da especialidade. Uma fotografia a preto e branco tirada quando uma casal se beijava. A corona da fotografia dos dedos das mãos atraia-se. Experimentámos vezes sem conta fazer uma fotografia nessas condições mas as coronas tal como nos casos anteriores repeliam-se tal como podereis observar na fotografia seguinte.

O gerador Tesla não se mostrava muito prático para trabalhar dado o seu tamanho. Como fabricávamos outros aparelhos como o de electroacupunctura, biofeedback e outros e dada a grande procura que havia de aparelhos Kirlian que na altura eram importados, decidimos fabricar um aparelho portátil, funcional, que permitisse fazer fotografias de qualidade a um preço razoável.

Vimos alguns projectos em revistas internacionais da especialidade e decidimos construir um muito simples de manejar mas que tivesse características técnicas necessárias para fazer boas fotografias.

Entretanto, conhecemos alguns aparelhos que nos foram mostrados por alguns dos nossos clientes e que tinham sido obtidos no estrangeiro. Um deles caríssimo feito por uma firma conceituada no campo da electrónica para a aviação e outros mais simples e até de certa maneira “toscos” electronicamente.

Dada a nossa grande experiência nesse ramo da electrónica concebemos um aparelho simples, fácil de manejar e resistente como já era nosso habito com os outros aparelhos.

Para nosso espanto lemos há pouco tempo numa URL internacional em língua portuguesa sobre fotografia Kirlian, em que o autor dizia que havia três padrões de aparelhos. Um alemão, outro Brasileiro e ainda outro Italiano.

Francamente não sabemos a que padrões o autor se refere porque não existem padrões de espécie alguma. Os aparelhos trabalham todos baseados no mesmo princípio, uns mais elaborados que outros conforme o background técnico de quem os projecta.

O aparelho que fabricámos para maior simplicidade Tem apenas um parâmetro variável: o tempo de exposição. Os outros são todos fixos de acordo com a sua finalidade, para fotografia a cor ou para preto e branco.

Basicamente o aparelho é um gerador de Alta Tensão de 6 kV para fotografia a cor e 20 kV para preto e branco. Este e a frequência são os parâmetros fixos apenas o tempo se exposição, como é óbvio, terá de ser variável.

Tal como no antigo aparelho começámos por fazer uma fotografia de um imã e de uma moeda. O efeito é semelhante ao obtido com película a preto e branco só que neste caso se distinguem duas cores fundamentais. Uma magenta e outra azul.

 Seguidamente fizemos uma fotografia de um dedo das mãos. Repetia-se o mesmo efeito das cores.

No inicio isto intrigou-nos porque lemos num livro de um autor brasileiro que essas cores correspondiam o azul ao Yin e o magenta ao Yang. Estranhamos a veracidade de tal afirmação porque em qualquer objecto que se fotografasse a cor apareciam invariavelmente as mesmas cores básicas e outras que mais adiante veremos.

Fizemos centenas de fotografias a cor dos dedos das mãos com vista a fazer um diagnóstico que nos permitisse dar um mínimo de credibilidade ao sistema que já era muito usado em Portugal importado do Brasil, mas que não nos satisfazia tecnicamente.

Lemos sobre alguns trabalhos de pesquisa efectuada no Brasil nesse campo mas também não nos satisfez por não vermos nele um sistema tecnicamente credível e baseado em teorias aceitáveis nos meios médicos.

Os naturopatas que usavam o sistema a cor nas fotografias dos dedos das mãos para diagnóstico, faziam-no de forma “empírica” e, por isso, não tinha credibilidade técnica nos meios médicos dada a sua limitação de diagnóstico.

O que lemos sobre os trabalhos feitos no Brasil limitavam-se, na altura, a diagnósticos no campo da parapsicologia e psicologia por isso, era necessário um sistema de diagnóstico credível que finalmente encontrámos num livro publicado na Europa pelo Dr. Peter Mandel, Energy Emission Analysis, New Application of Kirlian Photography for Holistic Healt, Synthesis Publishing Company Siegmar Gerken, Lutterbecks Busch 9, D-4300 Essen 1, W. Germany.

Este sistema de diagnóstico é, fundamentalmente, baseado na Acupunctura de Vol.

Parte 6

Como dissemos anteriormente, o problema principal da fotografia Kirlian é a sua interpretação. Aqui sim, existem vários métodos de interpretação mas o que nos pareceu mais fiável e que é actualmente mais praticado na Europa, é o método descrito pelo Dr. Peter Mandel, baseado nos pontos de acupunctura terminais dos pés e das mãos pelo sistema Vol. É precisamente, este método que iremos ver mostrando-vos as respectivas fotografias em alguns casos específicos.

É evidente que teremos de nos limitar apenas ao essencial de forma que possais fazer apenas uma ideia do sistema de diagnóstico.

O livro é muito extenso, tem cerca de 200 páginas e nem nos seria permitido fazer uma descrição mesmo sumária do sistema de diagnóstico. O Dr. Peter Mandel considera quatro tipos de fenómenos básicos a saber: Emissão normalDeficiência ou insuficiência num órgão ou sistema, Agressão num sector ou infecção e intoxicação e Degeneração.

Para o ilustrar o autor vale-se de uma topografia baseada na acupunctura de Vol para cada dedo das mãos e dos pés. Para fazerdes uma ideia dessa topografia representamos apenas a topografia respeitante ao dedo indicador da mão esquerda que é igual ao da mão direita.

Cada dedo das mãos e dos pés tem uma topografia específica que permite identificar numa fotografia dos dedos a zona respectiva com deficiência nos órgãos correspondentes aos meridianos em causa.

Este sistema parece-nos racional e tem certa lógica não se limitando a especulações mais ou menos dúbias referidas noutros sistemas de análise praticamente empíricos.

O Dr. Peter Mandel não trabalha com fotografia a cor, porque no seu entender e também no nosso, não é fiável. Verificámos num laboratório fotográfico profissional que as fotografias feitas com uma película Agfa profissional com maior espessura da de um filme normal usado nas câmaras fotográficas usuais as cores eram completamente diferentes vendo-se apenas uma corona azulada.

No início, fabricámos diversos geradores para fotografia a cor porque o mercado o exigia pela ausência de informação técnica do que se fazia na Europa e baseado nos trabalhos feitos no Brasil muito divulgados nessa altura no nosso país.

As quatro fotografias a cor seguintes bem como as a preto e branco representam, na sua sequência, os quatro fenómenos básicos: Emissão normalDeficiência, Agressão e Degeneração.

Desde o momento em que os terapeutas portugueses foram tomando conhecimento do sistema do Dr. Peter Mandel, deram preferência à fotografia a preto e branco, não só pela sua simplicidade operativa porque o trabalho de revelação pode ser feito logo a seguir à exposição pelo próprio operador, numa pequena câmara escura adjacente ao consultório, como também pela facilidade de fotografar simultaneamente todos os dedos de uma mão e do pé. Além disso, o diagnóstico por esse sistema é mais fiável e completo porque há órgãos que só estão representados nos dedos dos pés.

Estas condições não serão possíveis com a fotografia a cor não só porque o sistema não se coaduna com isso por ter sido projectado para fazer uma foto da cada vez dos dedos das mãos. Além disso, o filme depois de exposto, terá de ser entregue a uma casa da especialidade para o revelar.

Na nossa opinião de técnico com muita experiência neste sistema, poderemos dizer-vos que o diagnóstico não é nada fácil. Exige muita prática e conhecimentos inclusivamente do sistema de acupunctura de Vol.

Por isso, sugerimos a todos aqueles que desejaram trabalhar neste campo, estudar profundamente o livro do Dr. Peter Mandel e, sobretudo, praticar muito.

Como em tudo, os conselhos de um terapeuta experiente neste campo ser-vos-ão de grande utilidade.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fotografia-kirlian/

O Cérebro Holográfico

Um dos grandes mistérios da humanidade, além dos insondáveis oceanos e o espaço sideral, é algo que pode ser mesurado, analisado, cortado, pesado, mas que continua desafiando os cientistas: o cérebro humano. Como nós processamos as informações, aprendemos, recebemos novos estímulos, raciocinamos e nos tornamos conscientes de nossa condição?

Milhares de pessoas nos campos da neurofisiologia, psicologia, religião etc. têm tentado se voltar para estas questões. Mesmo com a enorme quantidade de dados que têm sido acumulada, existem ainda omissões fundamentais na descrição de como nós adquirimos estas funções básicas. Um dos maiores quebra-cabeças é a maneira pela qual o nosso cérebro armazena informação. Nenhuma relação uma-a-uma foi detectada entre uma determinada célula cerebral ou grupo de células e um pensamento particular ou memória. Se fosse assim, isto seria possível de ser verificado, pela remoção de áreas selecionadas do cérebro e observação da perda de uma característica particular aprendida. Um dos fatos mais estabelecidos (ainda que mais desconcertantes) sobre os mecanismos do cérebro e a memória é que grandes destruições dentro do sistema neural não prejudicam seriamente a sua função. O biologista Karl Lashley e outros pesquisadores descobriram isto pela primeira vez nos anos 50, ao remover de 80 a 99% das estruturas neurais, como o cortex visual, em vários animais. Eles observaram que, inacreditavelmente, isso resultava em nenhum efeito sobre o reconhecimento de uma característica visual previamente aprendida. De alguma maneira, a informação estava armazenada em algum outro lugar. Lashley descobriu que “enquanto a intensidade da lembrança estava em proporção com a massa do cérebro, nenhum tipo de remoção do cérebro inteiro poderia interromper a lembrança totalmente. Isto o levou-o a postular que “a intensidade da memória depende da massa total do cérebro, mas a memória é registrada onipresentemente através do cérebro”. Karl Pribram aperfeiçoou a teoria nos anos 70, comparando-a com a holografia.

Quando um holograma é feito, a informação sobre o objeto é armazenada em todos os lugares da placa. Se o holograma é partido, uma pequena parte ainda conterá uma perspectiva do todo. O único modo de eliminar a imagem completamente é jogar fora o holograma inteiro. Soa familiar? Na verdade, Rodieck demonstra “que as equações matemáticas descrevendo o processo holográfico encaixam exatamente com o que o cérebro faz com a informação”.

Isto é mais que uma coincidência? Em caso afirmativo, então o que funciona como mecanismo de armazenamento? E de que tipo de luz ele é formado?

Os hologramas não precisam necessariamente ser formados com luz visível como o fazem nossas placas (por exemplo, hologramas acústicos ou mesmo ondulações num tanque). Eles podem ser formados na presença de qualquer ação ondulatória (vibração!). E não é necessária a presença de ondas físicas como as utilizadas para a criação de um holograma, mas antes um padrão de interferência, uma coeficiente de relações harmônicas. Assim, tudo que precisamos procurar é um mecanismo que crie padrões de interferência no cérebro e os armazene.

Ninguém consegue explicar como o cérebro de Homer Simpson funciona… aliás, ninguém sabe SE funciona.Vamos considerar o seguinte modelo: o cérebro é um holograma. A mente é a imagem holográfica. Os neurônios individuais são análogos aos grãos de prata na placa holográfica. Como os grãos de prata, cada neurônio carrega uma perspectiva extremamente limitada e tem uma importância real pequena. Como um agregado, entretanto, uma enorme capacidade de armazenamento de informação é obtida. O sistema operaria da seguinte maneira: nova informação sensorial é recebida pelo cérebro. Esta nova informação não pode se auto-armazenar, mas já interage e interfere com toda a memória e experiência passadas do organismo. As “experiências passadas” agem como um quadro de referência para os novos estímulos. Quase imediatamente este novo conhecimento se mescla com as informações do quadro de referência, aprende com ele, e se torna parte dele para analisar novos dados. Ou seja: o novo é constantemente comparado com o velho, assimilado, e então usado para avaliar novos estímulos. O padrão de interferência resultante pode então ser armazenado onipresentemente através do cérebro como faria qualquer outro padrão de interferência.

O leitor astuto poderia perguntar: se a informação é distribuída através do cérebro, por que então certas áreas parecem se especializar em funções específicas? Pode-se influenciar a visão, a audição, o paladar e outros inputs pelo estímulo de áreas apropriadas do cérebro. Este aparente paradoxo pode ser resolvido ao considerar-se que, por analogia, em uma placa holográfica convencional, maiores densidades de franjas são localizadas em algumas áreas, menos em outras. Assim, a imagem pode aparecer mais brilhante quando se olha através de certas áreas da placa, e mais fraca onde talvez menos exposição ou proporção de feixe estão presentes. Nós podemos imaginar um fenômeno similar ocorrendo no cérebro, com densidades variadas para diferentes características, localizadas em diferentes áreas específicas. Como as áreas de maior densidade tenderão a agir como fontes de referência mais forte, novos inputs de uma mesma natureza encontrarão um armazenamento mais eficiente nestes locais. Agora, se uma seção do cérebro é removida, a informação será armazenada nas áreas remanescentes, apenas com a redução da capacidade de resolução.

Para ajudar a visualizar o sistema de armazenamento holográfico da memória em ação, nós podemos comparar o processo cognitivo de um adulto com o de uma criança recém-nascida:

Quando um adulto vê uma maçã, ocorre um reconhecimento quase instantâneo. O adulto, tendo visto, provado ou ouvido outros descreverem maçãs inúmeras vezes, necessita um pequeno input sensorial novo para uma identificação rápida e eficiente. O forte fotograma de referência “maçã” do adulto pode ser comparado a olhar um holograma com uma forte iluminação, produzindo uma imagem brilhante. O bebê, por outro lado, não teve nenhuma experiência anterior com uma maçã para influenciar seu primeiro contato com ela. É verdade, existem processos cognitivos genéticamente obtidos que permitem algum grau de percepção do objeto, mas o reconhecimento da maçã como maçã ocorre apenas através de repetidas exposições a ela. O bebê começa com um quadro de referência fraco, mas a cada momento sucessivo, a interferência cognitiva acontece (a experiência do momento prévio é adicionada à memória do próximo momento, ou quadro de referência). A nova informação agora interfere com este novo produto. Eventualmente, este processo em andamento resulta na produção de um quadro de referência com força suficiente para requerer uma estimulação sensorial nova muito pequena para haver reconhecimento.

#Ciência #consciência

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-c%C3%A9rebro-hologr%C3%A1fico

Orobas

Orobas é tido pela Ars Goetia como um grande Príncipe, cuja imagem bestial às vezes lembra a de um cavalo com corpo, membros superiores e mãos humanas. O mais interessante, no entanto, é que uma das principais virtudes que lhes são imputadas é a capacidade ímpar de dar respostas verdadeiras e precisas sobre o passado, o presente e até mesmo sobre o futuro. Exatamente por isso, ele é um dos demônios prediletos daqueles ocultistas que, inadvertidamente, como o honrado doutor Weyer do século XVI, creem nas maravilhosas artes mágicas e divinatórias.

Justamente por este nome estreiou em Janeiro deste ano o blog Orobas, de um grande irmão chamado Carlos Raposo, um dos maiores conhecedores da história da OTO no Brasil. Recomendo que visitem e adicionem aos seus favoritos!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/orobas

Boneco Vodu

De imediato, a primeira coisa que muitos pensam ao se falar em Vodu e naqueles bonecos cobertos de alfinetes.

Estes bonecos  recebem o nome de fetiche, que significa feitiço e seu objetivo é influenciar uma pessoa a distância, geralmente com intenção de aflingir algum dano mediante a intervenção de um bokor, feiticeiro vodu.

Explicaremos todo o processo, segundo a tradição Vodu.

Ingredientes

  • Barro
  • Sangue de uma galinha, que será usada na escrita.
  • Pincel
  • Nove alfinetes
  • Uma porção de terra de cemitério
  • Um pedaço de pano com sangue da futura vítima
  • Pedaços da unha da futura vítima e um pouco de seu cabelo
  • Cinco galhinhos tipo palito de dentes, que devem ser retirados de uma árvore seca.
  • Linha preta
  •  Um pedaço de pano preto

Se tiver dificuldades em confecciona o boneco, você pode adquiri-lo com os organizadores do site, assim como a terra do cemitério e outros elementos. Em caso de necessidade entre em contato.

Comece a montar o ritual a meia noite. Quinta ou sexta Feira são os melhores dias.

Misture o barro com a terra de cemitério, amassando bem até ficar homogênea a mistura. Em seguida monte as partes do boneco. Faça a cabeça, coloque o nariz, faça duas argolinhas para os olhos.

O corpo deve conter uma cavidade.

Espete os galhinhos no corpo e no pescoço, eles darão sustentação as braços, pernas e a cabeça. Observe na foto todo o conjunto de peças, incluindo a tampa da cavidade do abdômen. No caso de uma mulher além do umbigo que pode ser feito com uma espetada do galhinho, coloque as mamas. Com o mesmo galinho faça risco, entre as pernas , representando o órgão genital feminino. No caso de um homem, procure com o barro moldar um pênis e os testículos, para fixa-los entre as pernas.

Na cavidade do abdômen, introduza o pedaço de pano com sangue da futura vítima assim como pedaços de sua unha e um pouco de seu cabelo.

Unta toda a borda da cavidade com água.

Coloque a tampa cuidadosamente, e modele com os dedos para fixar ao corpo. Em seguida fixe as partes cabeça , braços e pernas nos galhinhos do corpo.

O boneco já está montado.

Faça esta invocação

JIMÁGUAS, IFÁ NEGRE, OUÇAM-ME… IBO-LELÉ AGOUETARROYO, SIMBY ENDEUX EAUX, BARON SAMEDI, POTÊNCIA DO MAL , POTÊNCIA DO CIMITÉRIO, INVOCO DAM BALA, DAM BALA, ROGO QUE O MEU DESEJO SEJA REALIZADO, OGUN NEGRE. QUE O MEU DESEJO SEJA REALIZADO, OGUN NEGRE.

O Sangue da galinha pode ser adquirido em alguns aviários (abatedouros) separadamente. Vire o boneco cuidadosamente , e com o pincel, escreva o nome completo do alvo do seu vou com o sangue.

Enrole a linha preta sete vezes no pescoço do boneco e dê sete nós.

Em seguida se concentre profundamente visualizando a pessoa e espete os alfinetes na parte do corpo que você queira. No coração, significa morte.

Cubra o boneco com o pano preto. Tente enterrar o boneco perto da casa da futura vítima.

*** Dica, para conseguir por exemplo, um pouco de sangue da futura vítima, procura na lixeira do banheiro um absorvente usado, basta um pequeno pedaço sujo de sangue.

*** Lave bem as mãos com sabão depois de terminado o feitiço, em seguida lave-as com sal grosso, ou sal de cozinha.

*** o restante do material não utilizado deve ser descartado no lixo.

*** Se você sacrificou uma galinha ou frango para obter o sangue, poderá come-la tranqüilamente. O ideal é matar a galinha durante o dia, separar o sangue em um saquinho plástico e coloca-lo na geladeira. Prepara-la a gosto e depois come-la. E a noite ou em outro dia fazer o VODU com o sangue.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/boneco-vodu/

Amar e Perder

Uma das coisas que mais traz sentido a nossa existência é o amor. Embora não seja algo passível de ser totalmente abarcado pela filosofia – ou, pela razão, por assim dizer –, tivemos a sorte de poder contar com alguns grandes pensadores que trataram do amor, e da perda do amor. O que seria mais traumático, amar e perder, ou jamais ter amado verdadeiramente? A resposta para essa questão, tão essencial, muitas vezes esbarra em nossa falta de compreensão do que quer que seja “amar verdadeiramente”. Quase sempre, só nos damos conta de um amor verdadeiro após o termos perdido…

Em seus Ensaios sobre a amizade, Michel de Montaigne nos traz um exemplo do tipo [1]: “O falecido Senhor de Monluc, o marechal, quando conversou comigo sobre a perda do filho (um cavalheiro muito corajoso, de grande futuro, que morreu na Ilha da Madeira), enfatizou, entre outras tristezas, o luto e a mágoa que sentiu por nunca ter se mostrado para o filho e por ter perdido o prazer de conhecê-lo e aproveitar sua companhia. Tudo por causa de sua mania de lidar com ele com a gravidade de um pai rígido. Ele nunca falara sobre o imenso amor que sentia pelo filho e sobre como ele o considerava digno de sua virtude. ‘E tudo o que o pobre menino viu de mim’, disse ele, ‘foi um rosto fechado, cheio de desprezo. Ele se foi acreditando que eu não era capaz de amá-lo ou de julgá-lo como ele merecia. Para quem eu estava guardando tudo isso, a afirmação do amor especial que eu cultivava em minha alma? Será que ele não deveria ter sentido o prazer trazido por ela e todos os elos da gratidão? Eu me forcei, me torturei, para manter essa máscara boba e assim perdi a alegria de sua companhia – e também sua boa vontade, que deveria ser muito pouca para comigo. Ele nunca recebeu de mim nada além de rispidez ou conheceu nada além de uma fachada tirana’.”

Tal relato tão sincero de uma relação familiar do século XVI nos demonstra como passam os séculos, mas nossa angústia existencial muitas vezes gravita em torno do amor, o grande Sol da vida. No entanto, vivemos como roedores encondendo-se nas tocas e túneis de nossa alma, sempre com medo de encarar tal luz solar frente a frente, sem as máscaras apropriadas. Toda nossa sociedade, todo nosso racionalismo: um grande manual para quando e como amar. Obviamente, um manual absurdo e enganador. O amor é livre, não segue liturgias nem manuais de boa conduta, e jamais, jamais pode ser capturado – assim como os raios solares, que podem no máximo aquecer nossa mão, mas não encerrarem-se nela.

Não há como se amar com garantias, seguros de perdas. O risco de se amar é o risco de se viver, verdadeiramente: eis a essência do existir. Quando Montaigne cita a verdadeira amizade em seus Ensaios, está a falar em realidade do verdadeiro amor. Supreendentemente, seu grande amor não foi sua esposa ou algum parente, mas um amigo (e estamos aqui falando de uma amizade sem conotações sexuais, por favor). “Pior”, um amigo que conheceu já no fim de sua vida, e que conviveu por pouco anos, já que ele era mais velho:

“Em nosso primeiro encontro, que acabou acontecendo por acaso em uma grande festa em uma cidade, nos descobrimos tão amigos, tão conhecidos, tão unidos, que, a partir dali, ninguém foi mais próximo do que nós dois […] Por ter tão pouco tempo para durar e por ter começado tão tarde, já que nós dois éramos homens feitos e ele alguns anos mais velho do que eu, não havia tempo a perder seguindo o padrão das amizades menores e comuns, que exisgem tantas precauções e longas conversas preliminares. Essa amizade não tinha nada a seguir a não ser a si mesma […] Não havia nada em especial, mas algum tipo de quintessência em que tudo se misturou e, tendo capturado minha vontade, me fez mergulhar e me perder na dele. E, tendo capturado a sua vontade, também o fez mergulhar e se perder na minha com uma fome e uma vontade iguais. Digo ‘perder’ com convicção. Não guardávamos nada um do outro. Nada era dele nem meu.”

Montaigne citava Étienne de La Boétie, um filósofo conterrâneo da França, e para o qual escreveu este e outros belíssimos trechos em sua homenagem, nos seus Ensaios, já anos depois da morte do grande amigo. Há que se notar com que entusiasmo Montaigne fala sobre uma amizade tão grandiosa, um verdadeiro entrelaçamento de almas, mas que no fundo também se tratava de um amargo lamento sobre a perda de alguém tão querido… Amar e perder, será esta a nossa sina? Será que o sofrimento, a ferida aberta da saudade persistente, valem os breves períodos da mais pura das felicidades?

Epicuro não tinha esse tipo de dúvida, para o filósofo grego, que era conhecido por morar com os próprios amigos e filósofos em uma casa de largo jardim, só a amizade valia a pena: “De todas as coisas que nos oferecem a sabedoria para a felicidade de toda a vida, a maior é a aquisição da amizade… Alimentar-se sem a companhia de um amigo é o mesmo que viver como um leão ou um lobo.”

Essa busca pela felicidade na amizade, no querer o bem ao outro, não poderia ser eclipsada nem mesmo pela morte. Afinal, para Epicuro, a morte era o mesmo que nada: “A morte não significa nada para nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida” [2].

É então que, conforme nos alertou o Dalai Lama, vivemos como se não fôssemos morrer, e morremos como se jamais tivessemos vivido [3]… Esta sim é a sina dos que se abstém de amar, por temor da perda, e terminam os seus dias com um certo arrependimento obscuro de nunca terem tido a chance de absorver um pouco da luz do Sol, mesmo que para nunca mais ter a mesma experiência… Quem vai saber? Quem pode definir quantas vezes irá amar, e quantas vezes irá perder o amor? Quantas vezes será verdadeiramente feliz, para então voltar ao estado de tristeza habitual: a tristeza de ter experimentado o Céu, para uma vez mais cair no pântano do Mundo?

A única coisa que o sábio poderá responder é: “não sabemos, não fazemos a menor ideia”. Porém, do pequeno monte de sua sabedoria, ainda que tenha rolado uma vez mais abaixo, o sábio pôde ver, ainda que de relance, toda a imensidão da montanha que se estende no País do Amor. É para lá que ele, desde aquele dia, deseja retornar… É para este objetivo que ele dedica boa parte dos seus dias, e um bom tanto dos seus pensamentos… É precisamente esta ponte, a ponte que se eleva sobre o pântano das máscaras e dos hábitos moribundos, e se conecta a toda a liberdade, e todo o divino risco do amor, que ele deseja percorrer agora: pé ante pé, sonho após sonho, ele deseja nalgum dia acordar neste Céu de Liberdade.

E, uma vez tendo chegado lá, talvez toda a mágoa, toda a dor, toda a saudade, toda a profunda tristeza da perda de tantos e tantos amores pelo caminho, seja recompensada pela visão de tal Sol, de onde todos os suspiros de primeiro encontro partiram, e para onde todas as derradeiras lágrimas de despedida escorreram de volta… É isto, é apenas isto, o grande sentido, a misteriosa e escancarada essência da vida: é, sim, melhor, muito melhor, ter amado tanto, e cada vez mais, e ter sofrido tanto por saudade deste amor, e cada vez mais, do que nunca haver sequer amado, do que se despedir desta vida sem saudades, sem grandes tristezas e sem momentos de felicidade realmente dignos de nota. O que conta é o amor: não importa se o tempo passou, o amor ainda estará lá, aguardando ser redescoberto na luz da eternidade.

Para Teresa, Flávio, Flávia, e todo o amor envolvido…

***
[1] Publicado no Brasil com o título de Sobre a amizade, num pequeno livro da Editora Tinta Negra, com a luxuosa introdução de Viviane Mosé (filósofa brasileira).
[2] Trecho de Carta sobre a felicidade (a Meneceu), publicado pela Editora Unesp.
[3] Na verdade este é um antigo ditado da sabedoria milenar oriental, do qual não sabemos ao certo o autor original.

Crédito da foto: Heide Benser/Corbis

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#amor #Espiritualidade #Filosofia #morte

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/amar-e-perder

Monstro da Lagoa Negra

Em 1954, alguns arqueólogos em expedição na Amazônia encontraram no rio Amazonas um animal que nunca foi classificado. Um ser de olhos completamente negros, bípede aquático com guelras e escamas. Quatro anos depois, em 1958, um morador da Califórnia, passando de carro pelo rio Santa Ana foi atacado por uma criatura semelhante, com “a cabeça redonda de um espantalho”, olhos negros brilhantes e escamas que deixou grandes arranhões no pára-brisas. Ele acelerou, atingiu-o e passou por cima do ser. A primeira história é de um filme de ficção científica da Universal, “ O Monstro da Lagoa Negra” The Creature from the Black Lagon “. A segunda é uma história real.

Casos Fictícios

A temática do Monstro aquático bípede humanoide ganhou diversas vezes as telas do cinema, sendo inclusive o primeiro filme em 3d da história e recebendo duas continuações “Revenge of the Creature” de 1955 e “The Creature Walks Among Us” de 1956. Confira o trailer do primeiro filme abaixo. Com o sucesso da trilogia a criatura tornou-se popular e apareceu em diversas outras produções ganhando o status de monstro clássico do horror ao lado de Drácula e Frankenstein.

Casos Reais

O relato real é testemunhado por Charles Wetzel, numa noite de inverno na cidade de Riverside. Na noite seguinte, outro motorista disse que um monstro do mesmo tipo que o primeiro saiu do mato e pulou em cima do seu carro. E este é apenas um dos relatos de bípetes répteis que os estudantes de criptozoologia possuem, que embora raros não parecem possuir limites nacionais ou cronológicos.

De modo geral as aparições destes “Monstros da Lagoa Negra”  são rápidas. A idéia que se faz dessas criaturas porém remonta no mínimo a 1878, quando o teatro metropolitano de Louisville exibiu um ser chamado Wild Man of the Woods (O Homem das Selvas) e descreveu-o como sendo coberto com escamas de peixe  e 1’95m de altura. Podemos presumir hoje que este monstro fosse um homem alto e maquiado dedicado a tomar dinheiro dos crédulos.  Contudo, os relatos não pararam mesmo mais de um século depois. Os moradores ao norte de Louisville continuaram informando ter avistado outros “lagartos gigantes bípedes”.

No verão de 1972, no Lago Thetis, Colúmbia Britânica, houve dois relatos de aparições de uma criatura cor de prata que emergiu da água, no primeiro caso em 19 de agosto para expulsar dois rapazes da praia, um dos quais sofreu lacerações na mão causada por seis pontas afiadas em cima da cabeça do bicho. No segundo incidente uma testemunha disse que a criatura “tinha a forma do corpo comum, como a de um ser humano, mas o rosto era monstruoso, todo escamado. Tinha na cabeça uma ponta afiada e orelhas muito grandes.

Dez anos depois em 1986 à uma hora da madrugada dois policiais de Loveland encontraram algo parecido: “um bípede com cara de sapo e pele com textura de couro”. Viram-no pular a cerca de proteção e descer um barranco que ia dar no rio Little Miami. Umas duas semanas depois, um dos policiais viu-o de novo, primeiro deitado na estrada, depois levantando-se e pulando a cerca de proteção. Outro fazendeiro local também informou ter visto a criatura.

Um ponto importante é que diferente das visões de antropoides anômalos, espíritos, e discos voadores os relatos dos Monstros da Lagoa negra estão se tornando progressivamente mais raros com o passar dos anos. De fato, não houve nenhum caso relatado depois dos anos 2000. Isso pode indicar que uma criatura que o homem jamais reconheceu como vivente esta agora na lista dos animais extintos. Ainda hoje muitos animais não foram catalogados, mas é uma grande tragédia seres serem varridos do planeta sem que soubéssemos qualquer coisa de concreta sobre eles.

Descrição tipológica

Existiram casos o bastante destes “homens-peixes” para traçarmos um perfil mínimo deles:

  • São bípedes humanóides escamados
  • São mais fortes e rápidos que um ser humano normal.
  • Aparecem sempre próximos a grandes corpos de água.
  • Saem da água somente a noite.
  • Possuem inteligência de um animal.
  • Comportamento agressivo e territorialista.

O criptozóologo Rouin, Jeff, descreve a biologia destes ser como um anfíbio, capaz de respirar dentro e fora d’água possuindo pulmões que são ativados suas brânquias são incapacitadas. É vulnerável como qualquer animal a agressões físicas e demonstra inclsuive vulnerabilidade a rotenona e outros compostos químicos usados como pesticida. Possui uma força bem superior à humana e inteligência inferior semelhante a de uma criança em idade pre-escolar. Suas mãos são grandes e com garras, além das membranas entre os dedos. A pele do Monstro é bastante resistente além de um fator de cura que lhe permite se recuperar de ferimentos que aparentemente seriam fatais para qualquer homem, mesmo os causados por tiros. O Monstro demonstra sofrer de uma fotofobia, adquirida pela permanência em aguas escuras do seu habitat.

Dito isto, resta apenas afirmar que estes casos não devem ser confundidos com os chamados Reptilianos, muito mais raros e de inteligência muito superior. Talvez haja uma relação entre os dois tipos de relatos, talvez não, são entretanto inegavelmente diferentes.

Texto Dossiê de Criptozoologia de Herman Flegenheimer Jr.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/monstro-da-lagoa-negra/

As Origens de Lilith

 

Lilith (em hebraico: לִילִית, romanizado: Līlīṯ) é uma figura feminina na mitologia mesopotâmica e judaica, alternativamente a primeira esposa de Adão e supostamente a demônio primordial. Lilith é citada como tendo sido “banida” do Jardim do Éden por não obedecer e obedecer a Adão. Ela é mencionada no hebraico bíblico no Livro de Isaías, e na Antiguidade Tardia na mitologia mandeana e nas fontes da mitologia judaica a partir de 500 EC. Lilith aparece em historiolas (encantamentos que incorporam uma pequena história mítica) em vários conceitos e localidades que dão descrições parciais dela. Ela é mencionada no Talmude Babilônico (Eruvin 100b, Niddah 24b, Shabat 151b, Baba Bathra 73ª), no Livro de Adão e Eva como a primeira esposa de Adão, e no Zohar, Levítico 19a como “uma mulher ardente e quente que primeiro coabitou com o homem”.

O nome Lilith deriva de lilû, lilîtu e (w)ardat lilî. A palavra acadiana lilu está relacionada à palavra hebraica lilith em Isaías 34:14, que é considerada um pássaro noturno por alguns estudiosos modernos, como Judit M. Blair. Na antiga religião da Mesopotâmia, encontrada em textos cuneiformes da Suméria, Assíria e Babilônia, Lilith significa um espírito ou demônio.

A Lilith bíblica inspirou a autora e a primeira teóloga feminista judia Judith Plaskow a escrever, ‘The Coming of Lilith (A Vinda de Lilith)’ examinando o domínio patriarcal no judaísmo e no cristianismo, e a escrita de ‘Which Lilith (Qual Lilith)’ explorando as diversas identidades desse personagem por feministas, incluindo Enid Dame.

Lilith continua a servir como fonte de material na cultura popular de hoje, cultura ocidental, literatura, ocultismo, fantasia e horror, muitas vezes retratada como uma mulher lutando pela igualdade e pela justiça.

A HISTÓRIA DE LILITH:

No folclore judaico, como no satírico Alfabeto de Sirach (c. 700–1000 d.C.), Lilith aparece como a primeira esposa de Adão, que foi criada na mesma época e do mesmo barro que Adão. Compare esse relato com Gênesis 1:27, em que isso contrasta com Eva, que foi criada de uma das costelas de Adão). A lenda de Lilith desenvolveu-se extensivamente durante a Idade Média, na tradição da Aggadah, do Zohar e do misticismo judaico. Por exemplo, nos escritos do século 11 de Isaac on Jacob ha-Cohen, Lilith deixou Adão depois que ela se recusou a se tornar subserviente a ele e depois não retornou ao Jardim do Éden depois de se casar com o arcanjo Samael.

As interpretações de Lilith encontradas em materiais judaicos posteriores são abundantes, mas pouca informação sobreviveu sobre a visão suméria, acadiana, assíria e babilônica dessa classe de demônios. Embora os pesquisadores quase universalmente concordem que existe uma conexão, estudos recentes contestaram a relevância de duas fontes anteriormente usadas para conectar a lilith judaica a uma lilītu acadiana – o apêndice de Gilgamesh e os amuletos de Arslan Tash. (veja abaixo a discussão dessas duas fontes problemáticas). Em contraste, alguns estudiosos, como Lowell K. Handy, sustentam a opinião de que, embora Lilith deriva da demonologia mesopotâmica, a evidência da Lilith hebraica estar presente nas fontes frequentemente citadas – o fragmento sumério de Gilgamesh e o encantamento sumério de Arshlan-Tash sendo duas de tais evidencias – é escassa, se estiver presente.

Em textos de língua hebraica, o termo lilith ou lilit (traduzido como “criaturas da noite”, “monstro da noite”, “bruxa da noite” ou “coruja”) ocorre pela primeira vez em uma lista de animais em Isaías 34. A referência a Lilith em Isaías 34:14, não aparece na maioria das traduções comuns da Bíblia, como a KJV (Versão do Rei James) e a NIV (Nova Versão Internacional). Comentaristas e intérpretes muitas vezes imaginam a figura de Lilith como um perigoso demônio da noite, que é sexualmente libertina e que rouba bebês na escuridão. Nos Manuscritos do Mar Morto 4Q510-511, o termo ocorre pela primeira vez em uma lista de monstros. Inscrições mágicas judaicas em tigelas e amuletos do século VI Dc identificam Lilith como um demônio feminino e fornecem as primeiras representações visuais dela.

ETIMOLOGIA DA PALAVRA LILITH:

Na língua acadiana da Assíria e Babilônia, os termos lili e līlītu significam espíritos. Alguns usos de līlītu estão listados no Dicionário Assírio do Instituto Oriental da Universidade de Chicago (CAD, 1956, L.190), em Akkadisches Handwörterbuch de Wolfram on Soden (Ahw, p. 553), e Reallexikon der Assyriologie (RLA, página 47).

Os demônios femininos sumérios lili não têm relação etimológica com o acadiano lilu, “noite”.

Archibald Sayce (1882) considerou que o lilit hebraico (ou lilith) לילית e o anterior līlītu acadiano são derivados do proto-semítico. Charles Fossey (1902) traduz literalmente para “ser/demônio da noite feminino”, embora existam inscrições cuneiformes da Mesopotâmia onde Līlīt e Līlītu se referem a espíritos do vento portadores de doenças.

LILITH NA MITOLOGIA MESOPOTÂMICA:

Lilu:

Um lilu ou lilû é uma palavra acadiana masculina para um espírito ou demônio.

História:

Jo Ann Scurlock e Burton R. Andersen (2005) veem a origem do lilu no tratamento de doenças mentais.

Na Literatura Suméria e Acadiana:

Na literatura acadiana ocorre hlilu. Na literatura suméria ocorre lili. A datação de textos específicos acadianos, sumérios e babilônicos que mencionam lilu (masculino), lilitu (feminino) e lili (feminino) é casual. Em estudos mais antigos, como The Devils and Evil Spirits of Babylonia (Os Diabos e Espíritos Malignos da Babilônia, 1904), de R. Campbell Thompson, raramente são dadas referências de texto específicas. Uma exceção é K156 que menciona um ardat lili. Heinrich Zimmern (1917) identificou provisoriamente vardat lilitu KAT3, 459 como amante de lilu.

Uma inscrição cuneiforme lista lilû ao lado de outros seres perversos da mitologia e folclore da Mesopotâmia:

Os perversos Utukku que matam o homem vivo na planície.

Os perversos Alû que cobrem (o homem) como uma roupa.

Os perversos Edimmu, os perversos Gallû, que amarram o corpo.

Os Lamme (Lamashtu), os Lammea (Labasu), que causam doenças no corpo.

Os Lilû que vagueiam na planície.

Eles chegaram perto de um homem sofredor do lado de fora.

Eles provocaram uma doença dolorosa em seu corpo.

— Stephen Herbert Langdon 1864.

Na Lista de Reis Sumérios:

Na Lista de Reis Sumérios, diz-se que o pai de Gilgamesh é um lilu.

O ‘Espírito na Árvore’ no Ciclo Gilgamesh:

A Tabuinha XII, datada de c. 600 Ac, é uma tradução acadiana assíria posterior da última parte do sumeriano Epopeia de Gilgamesh. Ele descreve um ‘espírito na árvore’ referido a um ki-sikil-lil-la-ke.

Traduções sugeridas para a Tabuinha XII ‘espírito na árvore’ incluem ki-sikil como “lugar sagrado”, lil como “espírito” e lil-la-ke como “espírito da água”. Mas também simplesmente “coruja”, já que a pequena constrói uma casa no tronco da árvore.

O ki-sikil-lil-la-ke está associado a uma serpente e a um pássaro zu. Kramer traduz o zu como “coruja”, mas na maioria das vezes é traduzido como “águia”, “abutre” ou “ave de rapina”. Em Gilgamesh, Enkidu e Netherworld, uma árvore huluppu cresce no jardim de Inanna em Uruk, cuja madeira ela planeja usar para construir um novo trono. Depois de dez anos de crescimento, ela vem para colhê-lo e encontra uma serpente vivendo em sua base, um pássaro Zu criando filhotes em sua copa, e que um ki-sikil-lil-la-ke fez uma casa em seu tronco. Diz-se que Gilgamesh matou a cobra, e então o pássaro zu voou para as montanhas com seus filhotes, enquanto o ki-sikil-lil-la-ke com medo destrói sua casa e foge para a floresta.

Relação de Lilu com a Lilith Hebraica e com as Lilin:

É contestado se, se é que a palavra acadiana lilu ou seus cognatos estão relacionados com a palavra hebraica lilith em Isaías 34:14, que é considerada um pássaro noturno por alguns estudiosos modernos, como Judit M. Blair. O conceito babilônico de lilu pode estar mais fortemente relacionado ao conceito talmúdico posterior de Lilith (feminino) e lilin (feminino).

Samuel Noah Kramer (1932, publicado em 1938) traduziu ki-sikil-lil-la-ke como Lilith na “Tabuinha XII” da Epopeia de Gilgamesh. A identificação de ki-sikil-lil-la-ke como Lilith é indicada no Dictionary of Deities e Demons in the Bible (Dicionário de Divindades e Demônios na Bíblia, 1999). De acordo com uma nova fonte da Antiguidade Tardia, Lilith aparece em uma história de magia mandaica onde ela é considerada como representando os galhos de uma árvore com outras figuras demoníacas que formam outras partes da árvore, embora isso também possa incluir vários “Liliths”.

Uma conexão entre o ki-sikil-lil-la-ke em Gilgamesh e a Lilith judaica foi rejeitada por motivos textuais por Sergio Ribichini (1978).

A Mulher com Pés de Pássaro no Burney Relief (Relevo de Burney):

 

O Relevo de Burney, Babilônia (1800-1750 a.C.).

A tradução de Kramer do fragmento de Gilgamesh foi usada por Henri Frankfort (1937) e Emil Kraeling (1937) para apoiar a identificação de uma mulher com asas e pés de pássaro no disputado Burney Relief relacionado a Lilith. Frankfort e Kraeling identificaram a figura no relevo com Lilith. Pesquisas modernas identificaram a figura como uma das principais deusas dos panteões mesopotâmicos, provavelmente Ereshkigal, a deusa do submundo mesopotâmico, mais isso é assunto para um outro artigo.

Os Amuletos Arslan Tash:

Os amuletos Arslan Tash são placas de calcário descobertas em 1933 em Arslan Tash, cuja autenticidade é contestada. William F. Albright, Theodor H. Gaster e outros aceitaram os amuletos como uma fonte pré-judaica que mostra que o nome Lilith já existia no século VII a.C., mas Torczyner (1947) identificou os amuletos como uma fonte judaica posterior.

LILITH NA BÍBLIA HEBRAICA:

A palavra lilit (ou lilith) aparece apenas uma vez na Bíblia hebraica, em uma profecia sobre o destino de Edom, enquanto os outros sete termos da lista aparecem mais de uma vez e, portanto, são mais bem documentados. A leitura de estudiosos e tradutores é muitas vezes guiada por uma decisão sobre a lista completa de oito criaturas como um todo. [Veja Os animais mencionados na Bíblia, por Henry Chichester Hart, 1888, e fontes mais modernas; também entradas Brown Driver Briggs Hebrew Lexicon para tsiyyim, ‘iyyim, sayir, liylith, qippowz e dayah.] ​​Citando Isaías 34 (NAB):

(12) Seus nobres não existirão mais, nem reis serão proclamados ali; todos os seus príncipes se foram.

(13) Seus castelos serão cobertos de espinhos, suas fortalezas de cardos e sarças. Ela se tornará uma morada para chacais e um refúgio para avestruzes.

(14) Os gatos selvagens se encontrarão com as feras do deserto, os sátiros chamarão uns aos outros; Ali a Lilith descansará e encontrará para si um lugar para descansar.

(15) Ali a coruja aninha e põe ovos, choca-os e recolhe-os à sua sombra; Ali se reunirão os abutres, nenhum faltará ao seu companheiro.

(16) Olhem no livro do Senhor e leiam: Nenhum destes faltará, porque a boca do Senhor o ordenou, e o seu espírito os reunirá ali.

(17) É Ele quem lança a sorte para eles, e com Suas mãos Ele marca suas partes dela; Eles a possuirão para sempre, e habitarão ali de geração em geração.

Lilith no Texto Hebraico Massorético:

No Texto Massorético:

Hebraico:

u-pagšu ṣiyyim et-ʾiyyim, w-saʿir ʿal-rēʿēhu yiqra; ʾak-šam hirgiʿa lilit, u-maṣʾa lah manoaḥ

34:14 “E encontrarão gatos selvagens com chacais

o bode que ele chama de seu companheiro

lilit (lilith) ela descansa e ela encontra descanso [מנוח, manoaḥ, usado para pássaros como a pomba de Noé, Gen.8:9 e também humanos como o povo de Israel, Deut.28:65; Noemi, Rute 3:1.]

34:15 ali ela aninhará a grande coruja, e ela põe (ovos), e ela choca, e ela ajunta sob sua sombra: falcões [abutres, milhafres] também eles se reúnem, cada um com seu companheiro.

Nos Manuscritos do Mar Morto, entre os 19 fragmentos de Isaías encontrados em Qumran, o Grande Rolo de Isaías (1Q1Isa) em 34:14 apresenta a criatura no plural liliyyot (ou liliyyoth).

Eberhard Schrader (1875) e Moritz Abraham Levy (1855) sugerem que Lilith era um demônio da noite, conhecido também pelos exilados judeus na Babilônia. A visão de Schrader e Levy é, portanto, parcialmente dependente de uma datação posterior de Deutero-Isaías no século VI a.C., e a presença de judeus na Babilônia, que coincidiria com as possíveis referências ao Līlītu na demonologia babilônica. No entanto, essa visão é contestada por algumas pesquisas modernas, como Judit M. Blair (2009), que considera que o contexto indica animais impuros.

Lilith na Septuaginta, a Tradução Grega da Bíblia:

A Septuaginta traduz tanto a referência a Lilith quanto a palavra para chacais ou “animais selvagens da ilha” dentro do mesmo verso para o grego como onokentauros, aparentemente assumindo-os como referindo-se às mesmas criaturas e omitindo “gatos selvagens / animais selvagens do deserto” (assim, em vez dos gatos selvagens ou bestas do deserto se encontrarem com os chacais ou bestas da ilha, a cabra ou “sátiro” chorando “para seu companheiro” e lilith ou “coruja” descansando “lá”, é a cabra ou “sátiro” , traduzido como daimonia “demônios”, e os chacais ou bestas da ilha “onocentauros” se encontrando e gritando “um para o outro” e o último descansando ali, na tradução). Isaías 34:14: καὶ συναντήσουσιν δαιμόνια ὀνοκενταύροις καὶ βοήσουσιν ἕτερος πρὸς τὸν ἕτερον ἐκεῖ ἀναπαύσονται ὀνοκένταυροι εὗρον γὰρ αὑτοῖς ἀνάπαυσιν  Tradução: E os daemons encontrarão com os onocentauros, e eles irão gritar um ao outro: ali descansarão os onocentauros, tendo encontrado para si [um lugar de] descanso.]

Lilith na Vulgata, a Tradução Latina da Bíblia:

A Vulgata do início do século V traduziu a mesma palavra como lâmia, ou seja, lâmia.

et ocorrerent daemonia onocentauris et pilosus clamabit alter ad alterum ibi cubavit lamia et invenit sibi requiem

— Isaías (Isaías Propheta) 34.14, Vulgata.

A tradução é: “E demônios se encontrarão com monstros, e um peludo clamará ao outro; ali a lâmia se deitou e encontrou descanso para si mesma”.

Lilith nas Traduções da Bíblia para o Inglês:

A Bíblia de Wycliffe (1395) preserva a tradução latina lamia:

Is 34:15 Lamya viverá ali, e ali descansa para si mesma.

A Bíblia dos Bispos de Matthew Parker (1568) do latim:

Is 34:14 ali a Lâmia se deitará e terá o seu alojamento.

A Bíblia Douay-Rheims (1582/1610) também preserva a tradução latina lamia:

Is 34:14 E demônios e monstros se encontrarão, e os peludos clamarão uns aos outros; ali a lâmia se deitou, e encontrou descanso para si.

A Bíblia de Genebra de William Whittingham (1587) do hebraico:

Is 34:14 e ali descansará a coruja, e achará para si uma morada sossegada.

Em seguida, a versão King James (Versão do Rei James, 1611):

Isaías 34:14 As feras do deserto também se encontrarão com as feras da ilha, e o sátiro clamará ao seu companheiro; a coruja noturna também descansará ali, e achará para si um lugar de descanso.

A tradução “coruja noturna (screech owl)” da versão King James é, junto com a “coruja” (yanšup, provavelmente uma ave aquática) em 34:11 e a “grande coruja” (qippoz, propriamente uma cobra) de 34:15, uma tente traduzir a passagem escolhendo animais adequados para palavras hebraicas difíceis de traduzir.

Traduções posteriores incluem:

  • A coruja da noite (Young, 1898).
  • O espectro noturno (Rotherham, Emphasized Bible, 1902).
  • O monstro da noite (ASV, 1901; JPS 1917, Good News Translation, 1992; NASB, 1995).
  • Os vampiros (Moffatt Translation, 1922; Knox Bible, 1950).
  • A bruxa da noite (Versão Padrão Revisada, 1947).
  • Lilith (Bíblia de Jerusalém, 1966).
  • (a) lilith (New American Bible, 1970).
  • Lilith (Nova Versão Padrão Revisada, 1989).
  • (a) demônio da noite Lilith, maligna e voraz (A Mensagem (Bíblia), Peterson, 1993).
  • A criatura da noite (New International Version, 1978; New King James Version, 1982; New Living Translation, 1996, Today’s New International Version).
  • As aves noturnas (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, 1984).
  • O pássaro noturno (versão padrão em inglês, 2001).
  • O pássaro noturno (NASB, 2020).
  • Os animais noturnos (New English Translation (NET Bible)).

LILITH NA TRADIÇÃO JUDAICA:

As principais fontes na tradição judaica sobre Lilith em ordem cronológica incluem:

  1. 40–10 a.C. Os Manuscritos do Mar Morto – Canções para um Sábio (4Q510–511).
  2. 200 A Mishná – não mencionada.
  3. 500 A Gemara do Talmude.
  4. 700-1000 O Alfabeto de Ben-Sira.
  5. 900 Midrash Abkir.
  6. 1260 O Tratado sobre a Emanação Esquerda, Espanha.
  7. 1280 O Zohar, Espanha.

Lilith nos Manuscritos do Mar Morto:

 

Reprodução fotográfica do Grande Rolo de Isaías, que contém uma referência ao plural lilyyot.

Os Manuscritos do Mar Morto contêm uma referência indiscutível à Lilith em Songs of the Sage (As Canções do Sábio, 4Q510-511) fragmento 1:

E eu, o Instrutor, proclamo Seu glorioso esplendor para assustar e aterrorizar todos os espíritos dos anjos destruidores, espíritos dos bastardos, demônios, Lilith, uivadores e habitantes do deserto… e aqueles que caem sobre os homens sem aviso prévio para desviá-los de um espírito de entendimento e para tornar seu coração e seu… desolados durante o presente domínio da maldade e tempo predeterminado de humilhações para os filhos da luz, pela culpa dos séculos dos que foram feridos pela iniquidade – não para a destruição eterna, mas para uma era de humilhação por transgressão.

Tal como acontece com o texto massorético de Isaías 34:14, e, portanto, diferente do plural liliyyot (ou liliyyoth) no rolo de Isaías 34:14, lilit em 4Q510 é singular, este texto litúrgico adverte contra a presença de malevolência sobrenatural e assume familiaridade com Lilith; distinta do texto bíblico, no entanto, esta passagem não funciona sob nenhuma agenda sociopolítica, mas serve na mesma capacidade de Um Exorcismo (4Q560) e Canções para Dispersar Demônios (11Q11). O texto é assim, para uma comunidade “profundamente envolvida no domínio da demonologia”, um hino de exorcismo.

Joseph M. Baumgarten (1991) identificou a mulher sem nome de A Sedutora (4Q184) como relacionada ao demônio feminino. No entanto, John J. Collins considera essa identificação como “intrigante”, mas é “seguro dizer” que (4Q184) é baseado na mulher estranha do Livro de Provérbios, capítulos 2, 5, 7, 9:

Sua casa afunda até a morte,

E seu caminho leva às sombras.

Todos que vão até ela não podem voltar

E reencontrar os caminhos da vida.

— Provérbios 2:18–19.

As suas portas são portas da morte, e desde a entrada da casa

Ela parte em direção ao Sheol.

Nenhum dos que ali entram jamais voltará,

E todos os que a possuem descerão ao Poço.

— 4Q184.

Lilith na Literatura Rabínica Primitiva:

Lilith não ocorre na Mishná. Existem cinco referências a Lilith no Talmude Babilônico na Gemara em três tratados separados da Mishná:

  • “Rav Judah citando Samuel decidiu: Se um aborto tivesse a semelhança de Lilith, sua mãe é impura por causa do nascimento, pois é uma criança, mesmo que tenha asas.” (Talmude Babilônico no Tratado Nidda 24b).
  • “[Explicando sobre as maldições da feminilidade] Em um Baraitha foi ensinado: As mulheres crescem cabelos compridos como Lilith, sentam ao urinar como uma fera e servem de travesseiro para o marido.” (Talmude Babilônico no Tratado Eruvin 100b).
  • “Para gira, ele deve pegar uma flecha de Lilith e colocá-la com a ponta para cima e derramar água sobre ela e beber. Alternativamente, ele pode pegar a água que um cachorro bebeu à noite, mas deve tomar cuidado para que não tenha sido exposta.” (Talmude Babilônico, tratado Gittin 69b). Neste caso em particular, a “flecha de Lilith” é provavelmente um fragmento de meteorito ou fulgurita, coloquialmente conhecido como “relâmpago petrificado” e tratado como medicamento antipirético.
  • “Rabbah disse: Eu vi como Hormin, filho de Lilith, estava correndo no parapeito da muralha de Mahuza, e um cavaleiro, galopando abaixo a cavalo não podia alcançá-lo. Uma vez eles selaram para ele duas mulas que estavam em duas pontes do rio Rognag; e ele pulou de uma para a outra, para trás e para frente, segurando em suas mãos duas taças de vinho, derramando alternadamente de uma para outra, e nem uma gota caiu no chão.” (Talmude Babilônico, tratado Bava Bathra 73a-b). Hormin que é mencionado aqui como o filho de Lilith é provavelmente o resultado de um erro de escriba da palavra “Hormiz” atestado em alguns dos manuscritos talmúdicos. A própria palavra, por sua vez, parece ser uma distorção de Ormuzd, a divindade da luz e da bondade no Zend Avesta, o livro sagrado do Zoroastrismo. Se assim for, é um tanto irônico que Ormuzd se torne aqui o filho de um demônio noturno.
  • “R. Hanina disse: Não se pode dormir em uma casa sozinho [em uma casa solitária], e quem dorme em uma casa sozinho é capturado por Lilith.” (Talmude Babilônico no Tratado de Shabat 151b).

A afirmação acima de Hanina pode estar relacionada à crença de que as emissões noturnas engendraram o nascimento de demônios:

  • “R. Jeremiah b. Eleazar declarou ainda: Em todos aqueles anos [130 anos após sua expulsão do Jardim do Éden] durante os quais Adão estava sob a proscrição, ele gerou fantasmas e demônios masculinos e demônios femininos [ou demônios noturnos], pois isso é dito nas Escrituras: E Adão viveu cento e trinta anos e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, do que se segue que até aquele momento ele não gerou conforme a sua própria imagem… sua morte foi ordenada como punição ele passou cento e trinta anos em jejum, desvinculou-se de sua esposa por cento e trinta anos, e vestiu roupas de figo em seu corpo por cento e trinta anos. – Essa declaração [de R. Jeremiah] foi feito em referência ao sêmen que ele emitiu acidentalmente.” (Talmude Babilônico no Tratado Eruvin 18b).

A coleção Midrash Rabbah contém duas referências a Lilith. A primeira está presente em Gênesis Rabá 22:7 e 18:4: de acordo com Rabi Hiyya Deus passou a criar uma segunda Eva para Adão, depois que Lilith teve que retornar ao pó. No entanto, para ser exato, as referidas passagens não empregam a palavra hebraica lilith em si e, em vez disso, falam da “primeira Eva” (Heb. Chavvah ha-Rishonah, analogamente à frase Adam ha-Rishon, ou seja, o primeiro Adão). Embora na literatura e no folclore hebraico medieval, especialmente aquele refletido sobre os amuletos protetores de vários tipos, Chavvah ha-Rishonah fosse identificada com Lilith, deve-se ter cuidado ao transpor essa equalização para a Antiguidade Tardia.

A segunda menção de Lilith, desta vez explícita, está presente em Números Rabá 16:25. O midrash desenvolve a história da súplica de Moisés depois que Deus expressa raiva pelo mau relato dos espiões. Moisés responde a uma ameaça de Deus de que Ele destruirá o povo israelita. Moisés implora diante de Deus, que Deus não deve ser como Lilith que mata seus próprios filhos. Moisés disse:

[Deus,] não faça isso [ou seja, destruir o povo israelita], para que as nações do mundo não o considerem um Ser cruel e digam: ‘A Geração do Dilúvio veio e Ele os destruiu, a Geração da Separação veio e Ele os destruiu, os sodomitas e os egípcios vieram e Ele os destruiu, e também estes, a quem chamou de Meu filho, Meu primogênito (Êxodo IV, 22), Ele agora está destruindo! Como aquela Lilith que, quando não encontra mais nada, se volta contra seus próprios filhos, porque o Senhor não foi capaz de trazer este povo para a terra… Ele os matou’ (Núm. XIV, 16)!

Lilith nas Tigelas de Encantamento:

Uma tigela de encantamento com uma inscrição aramaica ao redor de um demônio, de Nippur, Mesopotâmia, entre o sexto e o sétimo século.

Uma Lilith individual, junto com Bagdana “rei dos lilits”, é um dos demônios a aparecer com destaque em feitiços de proteção nas oitenta tigelas de encantamentos ocultos judaicos sobreviventes da Babilonia, sob o Império Sassânida (séculos 4 a 6 d.C.) com influência da cultura iraniana. Essas tigelas eram enterradas de cabeça para baixo abaixo da estrutura da casa ou no terreno da casa, a fim de prender o demônio ou demônio. Quase todas as casas tinham essas tigelas protetoras contra demônios e demônios femininos.

O centro do interior da tigela retrata Lilith, ou a forma masculina, Lilit. Ao redor da imagem está a escrita em forma de espiral; a escrita geralmente começa no centro e segue até a borda. A escrita é mais comumente uma escritura ou referências ao Talmude. As taças de encantamento que foram analisadas estão inscritas nas seguintes línguas: aramaico judaico babilônico, siríaco, mandaico, persa médio e árabe. Algumas taças são escritas em uma escrita falsa que não tem significado.

A tigela de encantamento corretamente redigida era capaz de afastar Lilith ou Lilit da casa. Lilith tinha o poder de se transformar nas características físicas de uma mulher, seduzir seu marido e conceber um filho. No entanto, Lilith (feminina) se tornaria odiosa em relação aos filhos nascidos do marido e da esposa e tentaria matá-los. Da mesma forma, Lilit (masculino) se transformaria nas características físicas do marido, seduziria a esposa, daria à luz um filho. Tornar-se-ia evidente que a criança não foi gerada pelo marido, e a criança seria desprezada. Lilit iria se vingar da família matando os filhos nascidos do marido e da esposa.

As principais características da representação de Lilith ou Lilit incluem o seguinte. A figura é frequentemente representada com braços e pernas acorrentados, indicando o controle da família sobre o(s) demônio(s). O(s) demônio(s) é(são) representado(s) em posição frontal com toda a face à mostra. Os olhos são muito grandes, assim como as mãos (se retratadas). O(s) demônio(s) é totalmente estático.

Uma tigela contém a seguinte inscrição encomendada a um ocultista judeu para proteger uma mulher chamada Rashnoi e seu marido de Lilith:

Vós liliths, lili masculino e lilith feminina, bruxa e ghool, eu vos conjuro pelo Forte de Abraão, pela Rocha de Isaque, pelo Shaddai de Jacó, por Yah Ha-Shem por Yah seu memorial, para se afastarem deste Rashnoi b. M. e de Geyonai b. M. seu marido. [Aqui está] seu divórcio e mandado e carta de separação, enviados por meio de santos anjos. Amém, Amém, Selá, Aleluia! (imagem)

— Trecho da tradução em Aramaic Incantation Texts from Nippur (Textos de Encantamentos Aramaicos de Nippur), por James Alan Montgomery 2011, p. 156.

Lilith no Alfabeto de Ben Sira:

 

 

Lilith, ilustração por Carl Poellath, de 1886 ou anterior.

O pseudepigráfico Alfabeto de Ben Sira dos séculos VIII a X é considerado a forma mais antiga da história de Lilith como a primeira esposa de Adão. Não se sabe se esta tradição em particular é mais antiga. Os estudiosos tendem a datar o alfabeto entre os séculos 8 e 10 d.C. O trabalho tem sido caracterizado por alguns estudiosos como satírico, mas Ginzberg concluiu que foi feito com seriedade.

No texto, um amuleto é inscrito com os nomes de três anjos (Senoy, Sansenoy e Semangelof) e colocado no pescoço dos meninos recém-nascidos para protegê-los dos lilin até a circuncisão. Os amuletos usados ​​contra Lilith que se pensava derivar desta tradição são, de fato, datados como sendo muito mais antigos. O conceito de Eva ter uma antecessora não é exclusivo do Alfabeto, e não é um conceito novo, como pode ser encontrado em Gênesis Rabbá. No entanto, a ideia de que Lilith foi a antecessora pode ser exclusiva do Alfabeto.

A ideia no texto de que Adão teve uma esposa antes de Eva pode ter se desenvolvido a partir de uma interpretação do Livro de Gênesis e seus relatos de criação dual; enquanto Gênesis 2:22 descreve a criação de Eva por Deus da costela de Adão, uma passagem anterior, Gênesis 1:27, já indica que uma mulher havia sido feita: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” O texto do alfabeto coloca a criação de Lilith após as palavras de Deus em Gênesis 2:18 que “não é bom que o homem esteja só”; neste texto, Deus forma Lilith do barro do qual ele fez Adão, mas ela e Adão brigam. Lilith afirma que, como ela e Adão foram criados da mesma forma, eles eram iguais e ela se recusa a se submeter a ele:

Depois que Deus criou Adão, que estava sozinho, Ele disse: “Não é bom que o homem esteja só”. Ele então criou uma mulher para Adão, da terra, como Ele mesmo havia criado Adão, e a chamou de Lilith. Adão e Lilith imediatamente começaram a brigar. Ela disse: “Eu não vou deitar embaixo”, e ele disse: “Eu não vou ficar embaixo de você, mas apenas em cima. Pois você só serve para estar na posição inferior, enquanto eu sou o superior”. Lilith respondeu: “Somos iguais um ao outro, pois ambos fomos criados da terra”. Mas eles não ouviriam um ao outro. Quando Lilith viu isso, ela pronunciou o Nome Inefável e fugiu voando para o ar.

Adão ficou em oração diante de seu Criador: “Soberano do universo!” ele disse, “a mulher que você me deu fugiu.” Imediatamente, o Santo, bendito seja Ele, enviou esses três anjos Senoy, Sansenoy e Semangelof, para trazê-la de volta.

Disse o Santo a Adão: “Se ela concordar em voltar, o que foi feito é bom. Se não, ela deve permitir que cem de seus filhos morram todos os dias.” Os anjos deixaram Deus e perseguiram Lilith, a quem alcançaram no meio do mar, nas águas impetuosas onde os egípcios estavam destinados a se afogar (ou seja, o Mar Vermelho). Disseram-lhe a palavra de Deus, mas ela não quis voltar. Os anjos disseram: “Nós a afogaremos no mar”.

“Deixem-me!’ ela disse. “Eu fui criada apenas para causar doenças às crianças. Se a criança for do sexo masculino, eu tenho domínio sobre ele por oito dias após seu nascimento, e se for do sexo feminino, por vinte dias.”

Quando os anjos ouviram as palavras de Lilith, eles insistiram que ela voltasse. Mas ela jurou a eles pelo nome do Deus vivo e eterno: “Sempre que eu vir você ou seus nomes ou suas formas em um amuleto, não terei poder sobre aquela criança”. Ela também concordou em que cem de seus filhos morressem todos os dias. Assim, todos os dias, cem demônios perecem e, pela mesma razão, escrevemos os nomes dos anjos nos amuletos das crianças. Quando Lilith vê seus nomes, ela se lembra de seu juramento e a criança se recupera.

O pano de fundo e o propósito do Alfabeto de Ben-Sira não são claros. É uma coleção de histórias sobre heróis da Bíblia e do Talmude, e pode ter sido uma coleção de contos folclóricos, uma refutação de movimentos cristãos, caraítas ou outros movimentos separatistas; seu conteúdo parece tão ofensivo aos judeus contemporâneos que chegou a ser sugerido que poderia ser uma sátira antijudaica, embora, em qualquer caso, o texto tenha sido aceito pelos místicos judeus da Alemanha medieval.

O Alfabeto de Ben-Sira é a fonte sobrevivente mais antiga da história, e a concepção de que Lilith foi a primeira esposa de Adão só se tornou amplamente conhecida com o Lexicon Talmudicum do século XVII do estudioso alemão Johannes Buxtorf.

Nesta tradição popular que surgiu no início da Idade Média, Lilith, um demônio feminino dominante, tornou-se identificada com Asmodeus, o Rei dos Demônios, como sua rainha. Asmodeus já era bem conhecido nessa época por causa das lendas sobre ele no Talmude. Assim, a fusão de Lilith e Asmodeus era inevitável. O segundo mito de Lilith cresceu para incluir lendas sobre outro mundo e, segundo alguns relatos, este outro mundo existia lado a lado com este, Yenne Velt é a palavra em iídiche para este descrito “Outro Mundo”. Neste caso, acreditava-se que Asmodeus e Lilith procriavam infinitamente descendentes demoníacos e espalhavam o caos a cada passo.

Duas características primárias são vistas nessas lendas sobre Lilith: Lilith como a encarnação da luxúria, fazendo com que os homens sejam desencaminhados, e Lilith como uma bruxa assassina de crianças, que estrangula neonatos indefesos. Esses dois aspectos da lenda de Lilith pareciam ter evoluído separadamente; dificilmente há um conto em que ela englobe os dois papéis. Mas o aspecto do papel de bruxa que Lilith desempenha amplia seu arquétipo do lado destrutivo da bruxaria. Tais histórias são comumente encontradas no folclore judaico.

Lilith e a Influência das Tradições Rabínicas:

 

 

Adão agarra uma criança na presença da sequestradora Lilith. Fresco por Filippino Lippi, Basílica de Santa Maria Novella, Florença.

Embora a imagem de Lilith do Alfabeto de Ben Sira não tenha precedentes, alguns elementos em seu retrato podem ser rastreados até as tradições talmúdicas e midráshicas que surgiram em torno de Eva.

Em primeiro lugar, a própria introdução de Lilith na história da criação repousa no mito rabínico, motivado pelos dois relatos separados da criação em Gênesis 1:1-2:25, de que havia duas mulheres originais. Uma maneira de resolver a aparente discrepância entre esses dois relatos era supor que deve ter havido alguma outra primeira mulher, além daquela posteriormente identificada com Eva. Os rabinos, notando a exclamação de Adão, “desta vez (zot hapa’am) [esta é] osso do meu osso e carne da minha carne” (Gênesis 2:23), tomaram como uma insinuação de que já deve ter havido um ” primeira vez”. De acordo com Gênesis Rabbá 18:4, Adão ficou enojado ao ver a primeira mulher cheia de “poeira e sangue”, e Deus teve que lhe fornecer outra. A criação subsequente é realizada com as devidas precauções: Adão é feito dormir, para não testemunhar o processo em si (Sinédrio 39a), e Eva é adornada com joias finas (Gênesis Rabbá 18:1) e trazida a Adão pelos anjos Gabriel e Miguel (ibid. 18:3). No entanto, em nenhum lugar os rabinos especificam o que aconteceu com a primeira mulher, deixando o assunto aberto para mais especulações. Esta é a lacuna na qual a tradição posterior de Lilith poderia se encaixar.

Em segundo lugar, esta nova mulher ainda é recebida com duras alegações rabínicas. Novamente jogando com a frase hebraica zot hapa’am, Adão, de acordo com o mesmo midrash, declara: “é ela [zot] que está destinada a tocar o sino [zog] e falar [em contenda] contra mim, como você lê: ‘um sino de ouro [pa’amon] e uma romã’ [Êxodo 28:34] … é ela quem me perturbará [mefa’amtani] a noite toda” (Gênesis Rabbá 18:4). A primeira mulher também se torna objeto de acusações atribuídas ao rabino Josué de Siknin, segundo o qual Eva, apesar dos esforços divinos, acabou sendo “egoísta, sedutora, bisbilhoteira, fofoqueira, propensa ao ciúme, desonesta e farrista” (Gênesis Rabá 18:2). Um conjunto semelhante de acusações aparece em Gênesis Rabbá 17:8, segundo o qual a criação de Eva da costela de Adão e não da terra a torna inferior a Adão e nunca satisfeita com nada.

Terceiro, e apesar da concisão do texto bíblico a esse respeito, as iniquidades eróticas atribuídas à Eva constituem uma categoria separada de suas deficiências. Diz-se em Gênesis 3:16 que “seu desejo será para o seu marido”, ela é acusada pelos rabinos de ter um desejo sexual superdesenvolvido (Gênesis Rabbá 20:7) e constantemente seduzir Adão (Gênesis Rabbá 23:5). No entanto, em termos de popularidade e disseminação textual, o motivo de Eva copulando com a serpente primitiva tem prioridade sobre suas outras transgressões sexuais. Apesar do caráter pitoresco bastante inquietante desse relato, ele é transmitido em vários lugares: Gênesis Rabá 18:6 e BT Sotah 9b, Shabat 145b–146a e 156a, Yevamot 103b e Avodah Zarah 22b.

Lilith na Cabala:

 

 

A Queda do Homem, por Cornelis van Haarlem (1592), mostrando a serpente no Jardim do Éden como uma mulher.

O misticismo cabalístico tentou estabelecer uma relação mais exata entre Lilith e Deus. Com suas características principais bem desenvolvidas no final do período talmúdico, após seis séculos decorridos entre os textos de encantamento aramaico que mencionam Lilith e os primeiros escritos cabalísticos espanhóis no século XIII, ela reaparece, e sua história de vida torna-se conhecida em maiores detalhes mitológicos. Sua criação é descrita em muitas versões alternativas.

Uma versão menciona sua criação como anterior à de Adão, no quinto dia, porque as “criaturas viventes” com cujos enxames Deus encheu as águas incluíam Lilith. Uma versão semelhante, relacionada às primeiras passagens talmúdicas, relata como Lilith foi moldada com a mesma substância que Adão, pouco antes. Uma terceira versão alternativa afirma que Deus originalmente criou Adão e Lilith de uma maneira que a criatura feminina estava contida no homem. A alma de Lilith estava alojada nas profundezas do Grande Abismo. Quando Deus a chamou, ela se juntou a Adão. Depois que o corpo de Adão foi criado, mil almas do lado esquerdo (mal) tentaram se unir a ele. No entanto, Deus as expulsou. Adão foi deixado deitado como um corpo sem alma. Então uma nuvem desceu e Deus ordenou que a terra produzisse uma alma vivente. Este Deus soprou em Adão, que começou a ganhar vida e sua mulher foi anexada ao seu lado. Deus separou a mulher do lado de Adão. O lado feminino era Lilith, então ela voou para as Cidades do Mar e atacou a humanidade.

Ainda outra versão afirma que Lilith emergiu como uma entidade divina que nasceu espontaneamente, seja do Grande Abismo Superno ou do poder de um aspecto de Deus (o Gevurah de Din). Esse aspecto de Deus era negativo e punitivo, assim como um de seus dez atributos (Sefirot), em sua manifestação mais baixa tem afinidade com o reino do mal e é a partir disso que Lilith se fundiu com Samael.

Uma história alternativa liga Lilith com a criação de luminares. A “primeira luz”, que é a luz da Misericórdia (uma das Sefirot), apareceu no primeiro dia da criação quando Deus disse: “Haja luz”. Esta luz ficou escondida e a Santidade ficou cercada por uma casca do mal. “Uma casca (klippa) foi criada ao redor do cérebro” e essa casca se espalhou e trouxe outra casca, que era Lilith.

Lilith na Cabala Luriânica:

Nos ensinamentos do rabino Isaac Luria, diz-se que existem muitas Liliths. Manasseh Matlub Sithon disse que “muitos Liliths e demônios estão no exterior, e sobem e descem”.

A maior delas é a esposa de Adam Qadmon, um ser que Deus usou como avatar para criar o Universo em todas as suas dez ou mais dimensões, daí um multiverso.

Outra Lilith, mais demoníaca, conhecida como a mulher da prostituição, é encontrada no livro do Zohar 1:5a. Ela é a contraparte feminina de Samael (Satanás).

A Lilith com a qual a maioria está familiarizada é a esposa de Adão no alfabeto de Ben Sira (8 a 10 séculos EC), conhecido como Adam haRishon, “o primeiro homem”, entre os cabalistas.

Existem visões mistas de Lilith no Zohar. Em um relato ela é a contraparte de Samael e uma mãe de demônios. Em outro ela é vista seduzindo os anjos caídos como Naamah; os anjos Azza e Azazael depois de desafiarem a Shekhinah (a presença feminina de Deus) sobre a criação do homem. Isto é mencionado no livro do Zohar 1:19a-b, 23a-b, 27a-b respectivamente. Quando Lilith e Naamah (outro aspecto de Lilith) estavam com Adão em sua separação de 130 anos de Eva após a queda, elas tiveram filhas nascidas de sua união. Estas foram as nashiym, as liliyot(F), os espíritos liloth que foram os que seduziram os Vigilantes. Essas filhas, juntamente com Lilith e Naamah, são restauradas a Adão através da Sabedoria de Salomão, o aspecto da Shekhinah (referida como as duas prostitutas e as Nashiym nos capítulos 4 e 5 do Zohar, o Livro da Ocultação, o Sifri D Tsri-nita).

De acordo com a tradução do rabino Isaac Luria, Isaías 34:14-15 significa “O gato selvagem se encontrará com os chacais, E o sátiro clamará ao seu companheiro, Sim, Lilith descansará lá E encontrará para ela um lugar de descanso”. A partir dessas passagens, o rabino Isaac Luria acreditava que Lilith seria restaurada a Adão através do casamento de Lia com Jacó – Jacó era Adão, Lia era Lilith e Raquel era Eva. Esta deve ser entendida como uma das muitas interpretações sobre o Zohar e de Lilith.

Lilith no Midrash Abkir:

A primeira fonte medieval a retratar Adão e Lilith na íntegra foi o Midrash A.B.K.I.R. (c. século 10), que foi seguido pelo Zohar e outros escritos cabalísticos. Diz-se que Adão é perfeito até que reconheça ou seu pecado ou o fratricídio de Caim, que é a causa de trazer a morte ao mundo. Ele então se separa da santa Eva, dorme sozinho e jejua por 130 anos. Durante este tempo “Pizna”, um nome alternativo para Lilith ou uma filha dela, deseja sua beleza e o seduz contra sua vontade. Ela dá à luz multidões de djinns e demônios, o primeiro deles sendo chamado de Agrimas. No entanto, eles são derrotados por Matusalém, que mata milhares deles com uma espada sagrada e força Agrimas a dar-lhe os nomes dos restantes, após o que os lança longe para o mar e as montanhas.

Lilith no Tratado sobre a Emanação Esquerda:

A escrita mística de dois irmãos Jacob e Isaac Hacohen, o Tratado sobre a Emanação Esquerda, que antecede o Zohar em algumas décadas, afirma que Samael e Lilith têm a forma de um ser andrógino, de dupla face, nascido da emanação do Trono da Glória e correspondendo no reino espiritual a Adão e Eva, que também nasceram como hermafroditas. Os dois casais andróginos gêmeos se pareciam e ambos “eram como a imagem do Acima”; isto é, que eles são reproduzidos em uma forma visível de uma divindade andrógina.

  1. Em resposta à sua pergunta sobre Lilith, explicarei a você a essência do assunto. Sobre este ponto há uma tradição recebida dos antigos Sábios que fizeram uso do Conhecimento Secreto dos Palácios Menores, que é a manipulação de demônios e uma escada pela qual se ascende aos níveis proféticos. Nesta tradição fica claro que Samael e Lilith nasceram como um só, semelhante à forma de Adão e Eva que também nasceram como um só, refletindo o que está acima. Este é o relato de Lilith que foi recebido pelos Sábios no Conhecimento Secreto dos Palácios.

Outra versão que também era corrente entre os círculos cabalísticos na Idade Média estabelece Lilith como a primeira das quatro esposas de Samael: Lilith, Naamah, Eisheth e Agrat bat Mahlat. Cada uma delas é mãe de demônios e tem suas próprias hostes e espíritos imundos em grande número, para não dizer inumeráveis. O casamento do arcanjo Samael e Lilith foi arranjado pelo “Dragão Cego”, que é a contrapartida do “dragão que está no mar”. O Dragão Cego atua como intermediário entre Lilith e Samael:

O Dragão Cego monta (isto é, tem relações sexuais com) Lilith, a Pecadora – que ela seja extirpada rapidamente em nossos dias, Amém! – E este Dragão Cego traz a união entre Samael e Lilith. E assim como o Dragão que está no mar (Isaías 27:1) não tem olhos, assim também o Dragão Cego que está em cima, em aparência de forma espiritual, não tem olhos, ou seja, não tem cores… (Patai 81:458) Samael é chamado de Serpente Inclinada, e Lilith é chamada de Serpente Tortuosa.

O casamento de Samael e Lilith é conhecido como o “Anjo Satanás” ou o “Outro Deus”, mas não foi permitido que durasse. Para evitar que os filhos demoníacos de Lilith e Samael, os Lilin, enchessem o mundo, Deus castrou Samael. Em muitos livros cabalísticos do século XVII, isso parece ser uma reinterpretação de um antigo mito talmúdico onde Deus castrou o Leviatã masculino e matou o Leviatã feminino para impedí-los de acasalar e, assim, destruir a Terra com seus descendentes. Com Lilith sendo incapaz de fornicar com Samael, ela procurou acasalar com homens que experimentam emissões noturnas de sêmen. Um texto da Cabala do século 15 ou 16 afirma que Deus “esfriou” a Leviatã feminina, o que significa que ele tornou Lilith infértil e que ela é uma mera fornicação.

O Tratado da Emanação Esquerda também diz que existem duas Liliths, sendo a menor casada com o grande demônio Asmodeus.

A Lilith Matrona é a companheira de Samael. Ambos nasceram na mesma hora à imagem de Adão e Eva, entrelaçados um no outro. Asmodeus o grande rei dos demônios tem como companheira a Lilith Menor (mais jovem), filha do rei cujo nome é Qafsefoni. O nome de sua companheira (de Qafsefoni) é Mehetabel filha de Matred, e sua filha é Lilith (Menor).

Outra passagem acusa Lilith de ser uma serpente tentadora de Eva.

E a Serpente, a Mulher da Prostituição, incitou e seduziu Eva através das cascas de Luz que em si é santidade. E a Serpente seduziu a Santa Eva, e o suficiente é dito para quem entende. E toda essa ruína aconteceu porque Adão, o primeiro homem, se juntou a Eva enquanto ela estava em sua impureza menstrual – esta é a sujeira e a semente impura da Serpente que montou Eva (isto é, teve relações sexuais com ela) antes que Adão a montasse (isto é, tivesse relações sexuais com ela). Eis que aqui está diante de você: por causa dos pecados de Adão, o primeiro homem, todas as coisas mencionadas vieram a existir. Pois a Lilith Maligna, quando ela viu a grandeza de sua corrupção, tornou-se forte em suas cascas, e veio a Adão (isto é, teve relações sexuais com ele) contra sua vontade, e ficou quente com ele (ou seja, ficou grávida dele) e deu-lhe muitos demônios e espíritos e Lilin. (Patai 81:455f).

Lilith no Zohar:

As referências à Lilith no Zohar incluem o seguinte:

Ela vagueia à noite, e vai por todo o mundo e faz esporte com os homens e faz com que eles emitam sementes. Em todo lugar onde um homem dorme sozinho em uma casa, ela o visita e o agarra e se apega a ele e tem seu desejo dele, e carrega dele. E ela também o aflige com doença, e ele não sabe disso, e tudo isso acontece quando a lua está minguante.

Esta passagem pode estar relacionada à menção de Lilith no Talmude, Shabbath 151b (veja acima), e também ao Talmude, Eruvin 18b onde as emissões noturnas estão conectadas com a geração de demônios.

De acordo com Rapahel Patai, fontes mais antigas afirmam claramente que após a estada de Lilith no Mar Vermelho, mencionada também em Legends of the Jews (As Lendas dos Judeus, de Louis Ginzberg), ela retornou a Adão e gerou filhos dele, forçando-se sobre ele (ou seja, tendo relações sexuais com ele). Antes de fazer isso, ela se apega a Caim e lhe dá numerosos espíritos e demônios. No Zohar, no entanto, diz-se que Lilith conseguiu gerar descendentes de Adão mesmo durante sua curta experiência sexual. Lilith deixa Adão no Éden, pois ela não é uma companheira adequada para ele. Gershom Scholem propõe que o autor do Zohar, o Rabi Moisés de Leon, estava ciente tanto da tradição folclórica de Lilith quanto de outra versão conflitante, possivelmente mais antiga.

O Zohar acrescenta ainda que dois espíritos femininos em vez de um, Lilith e Naamah, desejaram Adão e o seduziram. O objetivo dessas uniões eram (a geração de) demônios e espíritos chamados de “as pragas da humanidade”, e a explicação usual adicionada era que foi através do próprio pecado de Adão que Lilith o subjugou a ter relações sexuais com ela contra sua vontade.

Lilith nos Amuletos Mágicos Hebraicos do Século XVII:

 

 

Amuleto hebraico medieval destinado a proteger uma mãe e seu filho de Lilith,

Uma cópia da tradução de Jean de Pauly do Zohar na Biblioteca Ritman contém uma folha hebraica impressa do final do século XVII inserida para uso em amuletos mágicos onde o profeta Elias confronta Lilith.

A folha contém dois textos dentro das bordas, que são amuletos, um para um homem (‘lazakhar’), o outro para uma mulher (‘lanekevah’). As invocações mencionam Adão, Eva e Lilith, ‘Chavah Rishonah’ (a primeira Eva, que é idêntica a Lilith), também demônios ou anjos: Sanoy, Sansinoy, Smangeluf, Shmari’el (o guardião) e Hasdi’el (o misericordioso). Algumas linhas no idioma iídiche são seguidas pelo diálogo entre o profeta Elias e Lilith quando ele a encontrou com seu exército de demônios para matar a mãe e levar seu filho recém-nascido que desejavam (‘beber seu sangue, chupar seus ossos e comer sua carne’), provavelmente no episódio da Viúva de Sarepta (1 Reis 17:8-24). Lilith diz a Elias que perderá seu poder se alguém usar seus nomes secretos, que ela revela no final: lilith, abitu, abizu, hakash, avers hikpodu, ayalu, matrota

Em outros amuletos, provavelmente informados pelo Alfabeto de Ben-Sira, ela é a primeira esposa de Adão. (Yalqut Reubeni, Zohar 1:34b, 3:19)

A porção do dicionário de Charles Richardson da Encyclopædia Metropolitana acrescenta à sua discussão etimológica da palavra lullaby (canção de ninar) “uma nota manuscrita escrita em uma cópia da Etymologicon Linguæ Anglicanæ de 1671, de Stephen Skinner, que afirma que a palavra lullaby (canção de ninar) se origina de Lillu abi abi, um encantamento hebraico que significa “Vá embora, Lilith!” recitado por mães judias no berço de uma criança. Richardson não endossou a teoria e os lexicógrafos modernos a consideram como uma etimologia falsa.

LILITH NA MITOLOGIA GRECO-ROMANA:

 

 

Lâmia (primeira versão), por John William Waterhouse, 1905.

No livro da Vulgata Latina de Isaías 34:14, Lilith é traduzida como lâmia.

De acordo com Augustine Calmet, Lilith tem conexões com visões iniciais sobre vampiros e feitiçaria:

Alguns eruditos pensaram ter descoberto alguns vestígios de vampirismo na mais remota antiguidade; mas tudo o que dizem sobre isso não chega nem perto do que está relacionado aos vampiros. As lâmias, as strigas, os feiticeiros que eles acusavam de sugar o sangue de pessoas vivas e assim causar sua morte, os magos que diziam causar a morte de crianças recém-nascidas por encantos e feitiços malignos, nada mais são do que o que entendemos pelo nome de vampiros; mesmo que se admita que essas lâmias e strigas realmente existiram, o que não acreditamos que possa ser bem provado. Admito que esses termos [lâmia e striga] são encontrados nas versões da Sagrada Escritura. Por exemplo, Isaías, descrevendo a condição à qual Babilônia deveria ser reduzida após sua ruína, diz que ela se tornará a morada de sátiros, lâmias e strigas (em hebraico, lilith). Este último termo, segundo os hebreus, significa a mesma coisa, como os gregos expressam por strix e lâmias, que são feiticeiras ou magos, que procuram matar os recém-nascidos. De onde vem que os judeus estão acostumados a escrever nos quatro cantos da câmara de uma mulher que acabou de dar à luz: “Adão, Eva, saia daqui, lilith”. … Os antigos gregos conheciam essas feiticeiras perigosas pelo nome de lâmias, e acreditavam que devoravam crianças ou sugavam todo o seu sangue até morrerem.

De acordo com Siegmund Hurwitz, a Lilith talmúdica está ligada à Lâmia grega, que, de acordo com Hurwitz, também governava uma classe de demônios-lâmias que roubavam crianças. Lâmia tinha o título de “assassina de crianças” e era temida por sua malevolência, como Lilith. Ela tem diferentes origens conflitantes e é descrita como tendo um corpo humano da cintura para cima e um corpo serpentino da cintura para baixo. Uma fonte afirma simplesmente que ela é filha da deusa Hécate, outra, que Lâmia foi posteriormente amaldiçoada pela deusa Hera para ter filhos natimortos por causa de sua associação sexual com Zeus; alternativamente, Hera matou todos os filhos de Lâmia (exceto Cila) com raiva por Lâmia ter dormido com seu marido, Zeus. A dor fez com que Lâmia se transformasse em um monstro que se vingava das mães roubando seus filhos e os devorando. Lâmia tinha um apetite sexual vicioso que combinava com seu apetite canibal por crianças. Ela era notória por ser um espírito vampírico e adorava sugar o sangue dos homens. Seu dom era a “marca de uma Sibila”, um dom da segunda visão. Zeus disse ter lhe dado o dom da visão. No entanto, ela foi “amaldiçoada” para nunca ser capaz de fechar os olhos para que ela ficasse para sempre obcecada por seus filhos mortos. Com pena de Lâmia, Zeus deu a ela a capacidade de remover e recolocar os olhos das órbitas.

LILITH NO MANDEÍSMO:

Nas escrituras mandeanas, como Ginza Rabba e Qolasta, as liliths são mencionadas como habitantes do Mundo das Trevas.

LILITH NA CULTURA ÁRABE:

O escritor ocultista Ahmad al-Buni (d. 1225), em seu Sol do Grande Conhecimento (árabe: الكبرى المعارف شمس), menciona um demônio chamado “a mãe dos filhos” (الصبيان  ام), um termo também usado para “colocar em um lugar”. Tradições folclóricas registradas por volta de 1953 falam sobre um gênio chamado Qarinah, que foi rejeitada por Adão e acasalou com Iblis (O “Satã” do Islã). Ela deu à luz uma série de demônios e ficou conhecida como a mãe deles. Para se vingar de Adão, ela persegue crianças humanas. Como tal, ela mataria o bebê de uma mãe grávida no útero, causaria impotência aos homens ou atacava crianças pequenas com doenças. De acordo com as práticas ocultas da feitiçaria árabe, ela estaria sujeita ao rei demônio Murrah al-Abyad, que parece ser outro nome para Iblis usado em escritos mágicos. Histórias sobre Qarinah e Lilith se fundiram no início do Islã.

LILITH NA LITERATURA OCIDENTAL:

Lilith na Literatura Alemã:

 

 

Fausto e Lilith, por Richard Westall (1831).

A primeira aparição de Lilith na literatura do período romântico (1789-1832) foi na obra de Goethe de 1808, Fausto: A Primeira Parte de uma Tragédia.

Fausto:

Quem é aquela ali?

Mefistófeles:

Dê uma boa olhada.

Lilith.

Fausto:

Lilith? Quem é aquela?

Mefistófeles:

A esposa de Adão, sua primeira. Cuidado com ela.

O único orgulho de sua beleza é seu cabelo perigoso.

Quando Lilith enrola em torno de jovens

Ela não os solta tão cedo.

—  Tradução de Greenberg de 1992, linhas 4206–4211.

Depois que Mefistófeles oferece esse aviso a Fausto, ele, ironicamente, encoraja Fausto a dançar com Lilith, “a Bruxa Bonita”. Lilith e Fausto travam um breve diálogo, onde Lilith conta os dias passados ​​no Éden.

Fausto: [dançando com a jovem bruxa]

Um lindo sonho que sonhei um dia

Eu vi uma macieira de folhas verdes,

Duas maçãs balançavam em um caule,

Tão tentadoras! Subi para elas.

A Bruxa Bonita (Lilith):

Desde os dias do Éden

Maçãs têm sido o desejo do homem.

Como estou feliz em pensar, senhor,

Maçãs também crescem no meu jardim.

—  Tradução de Greenberg de 1992, linhas 4216 – 4223.

Lilith na Literatura Inglesa:

 

 

Lady Lilith por Dante Gabriel Rossetti (1866-1868, 1872-1873).

A Irmandade Pré-Rafaelita, que se desenvolveu por volta de 1848, foi muito influenciada pelo trabalho de Goethe sobre o tema de Lilith. Em 1863, Dante Gabriel Rossetti, da Irmandade, começou a pintar o que mais tarde seria sua primeira versão de Lady Lilith, uma pintura que ele esperava ser sua “melhor imagem até agora”. Os símbolos que aparecem na pintura aludem à fama de “femme fatale” da Lilith romântica: papoulas (morte e frio) e rosas brancas (paixão estéril). Acompanhando sua pintura Lady Lilith de 1866, Rossetti escreveu um soneto intitulado Lilith, que foi publicado pela primeira vez no panfleto-revisão de Swinburne (1868), Notes on the Royal Academy Exhibition.

Da primeira esposa de Adão, Lilith, conta-se

(A bruxa que ele amava antes da dádiva de Eva,)

Que, antes da serpente, sua doce língua pudesse enganar,

E seu cabelo encantado foi o primeiro ouro.

E ela ainda está sentada, jovem enquanto a terra é velha,

E, sutilmente contemplativa de si mesma,

Atrai homens para observar a teia brilhante que ela pode tecer,

Até que o coração, o corpo e a vida estejam em seu poder.

A rosa e a papoula são sua flor; Para onde

Ele não é encontrado, ó Lilith, a quem derramou perfume

E os beijos suaves e o sono suave aprisionarão?

Eis! Como os olhos daquele jovem queimaram nos seus, assim foi

Teu feitiço através dele, e deixou seu pescoço reto dobrado

E em volta de seu coração um cabelo dourado estrangulado.

— Collected Works, 216.

O poema e a imagem apareceram juntos ao lado da pintura de Rossetti, Sibylla Palmifera e do soneto Soul’s Beauty (A Beleza da Alma). Em 1881, o soneto de Lilith foi renomeado “Body’s Beauty (A Beleza do Corpo)” para contrastá-lo com a Soul’s Beauty (A Beleza da Alma). Os dois foram colocados sequencialmente na coleção The House of Life (A Casa da Vida, sonetos número 77 e 78).

Rossetti escreveu em 1870:

Lady [Lilith] … representa uma Lilith Moderna penteando seus abundantes cabelos dourados e olhando para si mesma no espelho com aquela auto-absorção por cujo estranho fascínio tais naturezas atraem outros para dentro de seu próprio círculo.

— Rossetti, W. M. ii.850, ênfase de D. G. Rossetti.

Isso está de acordo com a tradição folclórica judaica, que associa Lilith tanto com cabelos longos (um símbolo do perigoso poder sedutor feminino na cultura judaica), quanto com o poder de possuir mulheres entrando nelas através de espelhos.

O poeta vitoriano Robert Browning reimaginou Lilith em seu poema “Adão, Lilith e Eva”. Publicado pela primeira vez em 1883, o poema usa os mitos tradicionais em torno da tríade de Adão, Eva e Lilith. Browning retrata Lilith e Eva como sendo amigáveis ​​e cúmplices uma com a outra, enquanto se sentam juntas em ambos os lados de Adão. Sob a ameaça de morte, Eva admite que nunca amou Adão, enquanto Lilith confessa que sempre o amou:

Como o pior dos venenos deixou meus lábios,

Eu pensei: ‘Se, apesar dessa mentira, ele se despir

A máscara da minha alma com um beijo – eu rastejo

Sua escrava — alma, corpo e tudo!

— Browning 1098.

Browning concentrou-se nos atributos emocionais de Lilith, em vez das de suas antigas predecessores demoníacas.

O autor escocês George MacDonald também escreveu um romance de fantasia intitulado Lilith, publicado pela primeira vez em 1895. MacDonald empregou o personagem de Lilith a serviço de um drama espiritual sobre pecado e redenção, no qual Lilith encontra uma salvação duramente conquistada. Muitas das características tradicionais da mitologia de Lilith estão presentes na descrição do autor: longos cabelos escuros, pele pálida, ódio e medo de crianças e bebês e uma obsessão por se olhar no espelho. A Lilith de MacDonald também tem qualidades vampíricas: ela morde as pessoas e suga seu sangue para se sustentar.

O poeta e estudioso australiano Christopher John Brennan (1870–1932), incluiu uma seção intitulada “Lilith” em sua obra principal “Poems: 1913” (Sydney: G. B. Philip and Son, 1914). A seção “Lilith” contém treze poemas explorando o mito de Lilith e é central para o significado da coleção como um todo.

A história de 1940 de C. L. Moore, Fruit of Knowledge (O Fruto do Conhecimento), é escrita do ponto de vista de Lilith. É uma releitura da Queda do Homem como um triângulo amoroso entre Lilith, Adão e Eva – com Eva comendo o fruto proibido sendo nesta versão o resultado de manipulações equivocadas da ciumenta Lilith, que esperava que sua rival fosse desacreditada e destruída por Deus e assim recuperar o amor de Adão.

A coleção Full Blood (Plena de Sangue) de 2011 do poeta britânico John Siddique tem um conjunto de 11 poemas chamado The Tree of Life (A Árvore da Vida), que apresenta Lilith como o aspecto feminino divino de Deus. Vários dos poemas apresentam Lilith diretamente, incluindo a peça Unwritten (Não-Escrita), que lida com o problema espiritual do feminino sendo removido pelos escribas da Bíblia.

Lilith também é mencionada no livro As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de C.S.Lewis. O personagem Sr. Castor atribui a ascendência do principal antagonista, Jadis, a Feiticeira Branca, à Lilith.

Lilith é um poema de Vladimir Nabokov, escrito em 1928. Muitos o conectaram à Lolita, mas Nabokov nega veementemente: “Leitores inteligentes se absterão de examinar essa fantasia impessoal em busca de qualquer ligação com minha ficção posterior”.

LILITH NO ESOTERISMO OCIDENTAL E NO OCULTISMO MODERNO:

A representação de Lilith no Romantismo continua a ser popular entre os Wiccanos e em outros Ocultismos modernos. Existem algumas ordens mágicas dedicadas à subcorrente de Lilith, apresentando iniciações especificamente relacionadas aos arcanos da “primeira mãe”. Duas organizações que usam iniciações e magias associadas à Lilith são a Ordo Antichristianus Illuminati e a Order of Phosphorus. Lilith aparece como uma súcubo em De Arte Magica de Aleister Crowley. Lilith também foi um dos nomes do meio da primeira filha de Crowley, Nuit Ma Ahathoor Hecate Sappho Jezebel Lilith Crowley (1904–1906), e Lilith às vezes é identificada com Babalon nos escritos thelêmicos. Muitos dos primeiros escritores ocultistas que contribuíram para a Wicca moderna expressaram uma reverência especial por Lilith. Charles Leland, no apêndice do livro Aradia, ou o Evangelho das Bruxas, associou Aradia à Lilith: Aradia, diz Leland, é Herodias, que era considerada no folclore da stregheria como associada à Diana como a líder das bruxas. Leland observa ainda que Herodias é um nome que vem do oeste da Ásia, onde denotava uma forma primitiva de Lilith.

Gerald Gardner afirmou que havia adoração histórica contínua de Lilith até os dias atuais, e que seu nome às vezes é dado à deusa sendo personificada no coven pela sacerdotisa. Esta ideia foi ainda atestada por Doreen Valiente, que a citou como uma deusa que preside a Bruxaria: “a personificação dos sonhos eróticos, o desejo reprimido por prazeres”.

Em alguns conceitos contemporâneos, Lilith é vista como a personificação da Deusa, uma designação que se acredita ser compartilhada com o que essas religiões acreditam serem suas contrapartes: Inanna, Ishtar, Asherah (Aserá), Anath, Anahita e Ísis. De acordo com uma visão, Lilith era originalmente uma deusa mãe suméria, babilônica ou hebraica do parto, das crianças, das mulheres e da sexualidade.

Raymond Buckland afirma que Lilith é uma deusa da lua escura a par com a deusa hindu Kali.

Muitos satanistas teístas modernos consideram Lilith como uma deusa. Ela é considerada uma deusa da independência por aqueles satanistas e muitas vezes é adorada por mulheres, mas as mulheres não são as únicas pessoas que a adoram. Lilith é popular entre os satanistas teístas por causa de sua associação com Satanás ou Satã. Alguns satanistas acreditam que ela é a esposa de Satanás e, portanto, pensam nela como uma figura materna. Outros baseiam sua reverência por ela em sua história como súcubo e a elogiam como uma deusa do sexo. Uma abordagem diferente para uma Lilith satânica afirma que ela já foi uma deusa da fertilidade e da agricultura.

A tradição de mistério ocidental associa Lilith com as Qliphoth da Cabala. Samael Aun Weor em seu livro, A Pistis Sophia Desvelada escreve que os homossexuais são os “sequazes de Lilith”. Da mesma forma, as mulheres que se submetem ao aborto voluntário e as que apoiam essa prática são “vistas na esfera de Lilith”. Dion Fortune escreve em sua Autodefesa Psíquica que: “A Virgem Maria é refletida em Lilith”, e que Lilith é a fonte de “sonhos luxuriosos”.

Devido ao fato do tema de Lilith no Esoterismo Ocidental e no Ocultismo Moderno ser bastante amplo e diverso, o mesmo será abordado em outros artigos.

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Fontes:

  • Charles Fossey, La Magie Assyrienne, Paris: 1902.
  • Siegmund Hurwitz, LilithSwitzerland: Daminon Press, 1992. Jerusalem Bible. New York: Doubleday, 1966.
  • Samuel Noah Kramer, Gilgamesh and the Huluppu-Tree: A reconstructed Sumerian Text.(Kramer’s Translation of the Gilgamesh Prologue), Assyriological Studies of the Oriental Institute of the University of Chicago 10, Chicago: 1938.
  • Raphael Patai, Adam ve-Adama, tr. as Man and Earth; Jerusalem: The Hebrew Press Association, 1941–1942.
  • Patai, Raphael(1990) [1967]. “Lilith”. The Hebrew Goddess. Raphael Patai Series in Jewish Folklore and Anthropology (3rd Enlarged ed.). Detroit: Wayne State University Press. pp. 221–251. ISBN 9780814322710OCLC 20692501.
  • Archibald Sayce, Hibbert Lectures on Babylonian Religion
  • Schwartz, Howard, Lilith’s Cave: Jewish tales of the supernatural, San Francisco: Harper & Row, 1988.
  • Campbell Thompson, Semitic Magic, its Origin and Development, London: 1908.
  • Augustin Calmet, (1751) Treatise on the Apparitions of Spirits and on Vampires or Revenantsof Hungary, Moravia, et al. The Complete Volumes I & II. 2016. ISBN 978-1-5331-4568-0.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/as-origens-de-lilith/