Apócrifo de Tiago

Tiago escreve para os eleitos: paz esteja com vocês de Paz, amor de Amor, graça de Graça, sabedoria de Sabedoria, vida de Vida Santa!

Já que você pediu que eu te enviasse um livro secreto que foi revelado a Pedro e eu pelo Senhor, e como eu não poderia te recusar nem falar contigo pessoalmente; eu traduzi ele para o alfabeto Hebraico e te enviei, e apenas a ti. Como você é um ministro da salvação dos santos, empenhe-se intensamente e tenha cuidado para não recitar este texto para muitos – visto que o Senhor não quis revelar estas coisas para todos nós, os doze discípulos dele. Mas abençoados serão aqueles que se salvarão através da fé neste discurso.

Dez meses atrás eu te mandei outro livro secreto, sobre o que o Salvador havia me ensinado. Portanto, considere aquele como revelado a mim, Tiago; mas este… [fragmentos intraduzíveis]

Os doze discípulos estavam todos sentados juntos recordando o que o Salvador disse para cada um deles, fosse em segredo ou abertamente, e colocando em livros. Eu estava transcrevendo aquilo que estava nos meus livros – Veja, o Salvador apareceu de novo, após ter nos deixado, enquanto nós o aguardávamos. E quinhentos e cinquenta dias depois dele ter se erguido dos mortais, nós dissemos a ele, “Você partiu e se separou de nós?” Jesus disse, “Não, mas eu irei para o lugar de onde eu vim. Se vocês desejam vir comigo, venham!”

Eles todos responderam e disseram, “Se você nos convidar, nós vamos.”

Ele disse, “Realmente eu digo a vocês, ninguém jamais irá entrar no reino eterno pelo meu convite, mas (somente) porque vocês mesmos estão repletos. Deixem Tiago e Pedro para mim, para que eu os preencha.” E tendo chamado estes dois, ele os puxou de lado e pediu aos restantes que se ocupassem com aquilo o que eles estavam fazendo.

O Salvador disse, “Vocês são afortunados …

(7 linhas perdidas)

Vocês, então, não desejam ser preenchidos? E o coração de vocês está embriagado; vocês, então, não desejam estar sóbrios? Portanto, estejam envergonhados! Daqui por diante, acordando ou dormindo, lembrem-se que vocês viram o Filho do Homem, e falaram com ele em pessoa, e ouviram ele em pessoa. Ai daqueles que viram o Filho do Homem; abençoados serão os irmãos que não viram o homem, e que não andaram com ele, e que não falaram com ele, e que não ouviram nada da boca dele; a vocês pertence a vida! Saibam, então, que ele os curou quando vocês estavam doentes, para que vocês possam reinar. Ai daqueles que encontraram alívio para a doença deles, pois eles recairão em doença. Abençoados são aqueles que não estiveram doentes, e encontraram alívio antes de caírem doentes; a vocês pertence o reino de Deus. Portanto, eu digo, ‘Estejam repletos, e não deixem nenhum espaço vazio dentro de vocês, para que ninguém que se opuser a vocês seja capaz de ofendê-los.”

Então Pedro respondeu, “Veja, três vezes você nos disse, ‘Estejam repletos’; mas nós estamos repletos.”

O Salvador respondeu e disse, “Por isso mesmo eu disse a vocês, ‘Estejam repletos,’ para que vocês não estejam em carência. Aqueles que estão em carência, entretanto, não serão salvos. Pois é bom estar repleto, e ruim estar em carência. Contudo, a princípio é bom que vocês estejam em carência e ruim que estejam repletos, porque aquele que acha que está repleto, está em carência, e aquele que está inadvertidamente em carência não se torna repleto como aquele que entendia que estava em carência se torna repleto, mas aquele que foi preenchido alcança a perfeição devida. Portanto, vocês devem estar em carência enquanto é possível preenchê-los, e estar repletos enquanto é possível para vocês estar em carência, para que vocês sejam capazes de se preencher ainda mais. Estejam repletos do Espírito, mas estejam sedentos de razão, pois a razão enobrece a alma; sendo assim, ela deve ser sempre almejada pela alma.”

Mas eu respondi e disse a ele, “Senhor, nós podemos obedecê-lo se você desejar, pois nós abandonamos nossos pais e nossas mães e nossas aldeias, e seguimos a ti. Conceda-nos, portanto, não sermos tentados pelo demônio, o perverso.”

O Senhor respondeu e disse, “Qual é o seu mérito se você fizer a vontade do Pai enquanto te é concedido como um presente dele não ser tentado por Beliel? Mas se você é oprimido por Beliel, e perseguido, e você faz a vontade do Pai, eu digo que ele irá amá-lo, e torná-lo igual a mim, e reconhecer que você se tornou querido na presciência dele por sua própria escolha. Então você não irá parar de amar a carne e de temer os sofrimentos? Ou você não sabe que você ainda terá de ser abusado e acusado injustamente; e ainda terá de ser trancado numa prisão, e condenado ilegitimamente, e crucificado sem razão, e enterrado como eu, pelo maligno? Você ousa poupar a carne, você quem, para o Espírito, é uma muralha circundante? Se você considerar quanto tempo o mundo existiu antes de ti, e quanto tempo ele existirá depois de ti, você descobrirá que a sua vida é apenas um dia, e seus sofrimentos uma única hora. Porque o bem não irá permanecer no mundo. Despreze a morte, portanto, e anseie pela vida eterna! Lembre-se da minha vitória sobre a cruz da morte e você viverá!”

Mas eu respondi e disse para ele, “Senhor, não mencione para nós a cruz e morte, pois elas estão longe de ti.”

O Senhor respondeu e disse, “Verdadeiramente, eu te digo, ninguém será salvo a menos que eles também carreguem a minha cruz. Mas aqueles que suportaram a minha cruz, a eles pertence o reino de Deus. Portanto, tornem-se procuradores da morte, como mortais buscando a imortalidade, pois aquilo o que procurarem com diligência será desvelado.

E o que poderia ser mais importante do que isso? Quanto a vocês, quando examinarem a morte, ela os ensinará eleição. Realmente, eu digo a vocês, nenhum daqueles que temem a morte será salvo; porque o reino pertence àqueles que se dispõem à morte. Tornem-se melhores do que eu; sejam como a criança do Espírito Sagrado!”

Então eu perguntei a ele, “Senhor, como nós seremos capazes de profetizar para aqueles que solicitam que profetizemos a eles? Pois há muitos que nos pedem, e nos procuram para ouvir um oráculo de nós.”

O Senhor respondeu e disse, “Vocês não sabem que a cabeça da profecia foi cortada fora com João?”

Mas eu disse, “É possível remover a cabeça da profecia?”

O Senhor disse para mim, “Quando você entender o que significa “cabeça”, e que profecia é emitida da cabeça, (então) entenda o significado de ‘A cabeça dela foi removida.’ Antes eu falava com vocês em parábolas, e vocês não entendiam; agora eu falo com vocês abertamente, e vocês (ainda) não percebem. De fato, eram vocês que me serviam como personagens em minhas parábolas.”

“Falarei claramente e de forma compreensível: apresse-se para ser salvo sem precisar ser impelido! De preferência, esteja ansioso por iniciativa própria, e, se possível, chegue até antes de mim; pois assim o Pai irá amá-lo.”

“Deteste a hipocrisia e reprove os pensamentos impuros; porque esses pensamentos te tornarão hipócrita; e os hipócritas estão longe da verdade.”

“Não permita que a sabedoria do reino eterno se extinga, pois ela é como o broto que germinou quando os frutos dos cachos de uma grande palmeira caíram ao redor dela. Ele cresceu, floresceu, e com o tempo a matriz secou. Igual é o caso dos frutos desta raiz singular. Quando eles foram colhidos, muitos os partilharam, visto que sua qualidade era excelente. Então, quem puder dar prosseguimento à produção das plantas a partir de agora herdará o reino.”

“Já que eu fui glorificado desta maneira, por que vocês me impedem na minha ânsia de ir? Pois após a missão, vocês me obrigaram a ficar com vocês mais dezoito meses em função das parábolas. Foi o suficiente para alguns ouvir o ensinamento e compreender ‘Os Pastores’ e ‘A Semente’ e ‘A Construção’ e ‘As Dez Virgens’ e ‘O Salário do Trabalhador’ e ‘As Duas Dracmas e a Mulher.’”

“Sejam rigorosos quanto à palavra! Pois a respeito da palavra, a primeira parte dela é fé; a segunda, amor; a terceira, proclamação; pois destes vêm a vida. Porque a palavra é como um grão de trigo; quando alguém o semeou, ele teve fé nele; e quando ele havia brotado, ele o amou, porque ele havia visto muitos grãos em lugar de um. E quando ele havia proclamado, ele foi salvo, porque ele zelou pelo alimento imortal, e novamente surgiram outros para semear. Deste mesmo modo vocês também podem receber o reino eterno; a menos que vocês aprendam com quem possui sabedoria vocês não conseguirão alcançá-lo.”

“Portanto, eu digo a vocês, estejam sóbrios; não se poluam com as coisas deste mundo! E muitas vezes eu disse a todos vocês juntos, e também a ti somente, Tiago, eu disse, ‘Seja perfeito!’ E eu te comandei a me seguir, e eu te ensinei o que dizer frente aos arcontes. Observe que eu desci, proclamei a palavra, passei por tribulação e recebi a minha coroa após vencer os regentes do universo. Pois eu desci e vivi com vocês por um tempo, para que em troca vocês possam subir e viver comigo para sempre. E, ao encontrar quase todas as casas do mundo destelhadas, eu habitei nas casas que puderam me receber enquanto eu estive aqui embaixo.”

“Por essa razão, confiem em mim, meus irmãos; entendam o que a Grande Luz é. O Pai não tem necessidade de mim, – porque um pai não precisa de um filho, mas é o filho quem precisa do pai – e é para Ele que eu vou. Pois o Pai do Filho não tem necessidade de vocês.”

“Ouçam atentamente a palavra, compreendam a sabedoria, amem a vida santa, e ninguém que persegui-los e oprimi-los terá alguma importância, exceto vocês mesmos.”

Aos detentores do conhecimento e manipuladores da informação:
“Ó seus desgraçados; Ó seus infelizes; Ó seus fingidores da verdade; Ó seus falsificadores da sabedoria; Ó seus pecadores contra o Espírito! Vocês ainda suportam ouvir, quando cabia a vocês falarem em primeiro lugar? Vocês ainda conseguem dormir, quando cabia a vocês ficarem acordados em primeiro lugar, para que o reino eterno possa recebê-los? Saibam que é mais fácil uma pessoa santa se corromper, ou um iluminado cair na escuridão do que vocês serem salvos, ou até mesmo eles não serem salvos.

Eu escutava as lamentações e o choro dos humildes, enquanto vocês diziam ‘Nós estamos muito à frente deles’. Mas fiquem cientes que vocês é que estão de fora do benefício do Pai. Portanto, chorem, lamentem, se arrependam e comecem a proclamar a verdade, pois eu vim reprovar todos que habitam na escuridão.

Verdadeiramente, eu digo a vocês, tivesse eu sido enviado apenas para os que me ouvem, para ensinar só a eles, eu nunca teria descido para a terra. Portanto, estejam envergonhados por suas ações.”

“Vejam, eu irei deixá-los e ir embora, e não desejo permanecer com vocês por mais tempo, assim como vocês mesmos também não desejam. Agora, sigam-me depressa. É por isso que eu digo, ‘Em consideração a vocês eu desci.’ Vocês são os amados; vocês são aqueles que serão a causa de vida em muitos. Invoquem o Pai, implorem a Deus frequentemente, e ele será generoso com vocês. Abençoado é aquele que o reverencia como fazem os anjos eternos, e que o glorifica junto aos santos; a vocês pertence a vida. Alegrem-se e estejam felizes, como filhos de Deus. Cumpram a vontade dele para que vocês sejam salvos. Aceitem a minha repreensão e se corrijam. Eu intercedo em seu favor com o Pai, e ele os perdoará bastante.”

E quando nós ouvimos estas palavras, nós ficamos contentes, pois nós estávamos aborrecidos pelo que mencionamos antes. Mas quando ele viu nós nos alegrando, ele disse, “Ai daqueles que necessitam de um defensor! Ai daqueles que necessitam da graça! Abençoados serão aqueles que se manifestaram e obtiveram graça para si mesmos.”

“Assemelhem-se aos sentinelas, como eles atuam na vigilância de suas cidades? Por que vocês desanimam e entregam a sua cidade ao invés de defendê-la? Por que você desprotege a sua cidade 1, propositalmente, deixando-a propícia para aqueles que querem invadi-la? Ó seus réprobos e fugitivos, ai de vocês, pois vocês serão pegos! Ou vocês talvez acham que o Pai é um amante da humanidade, ou que ele é conquistado sem orações, ou que ele concede remissão a um em nome de outro, ou que ele atende a qualquer um que pede? Porque ele conhece os desejos que a carne pecaminosa busca. Eles não derivam da alma? Sem a alma que as autoridades conferem à humanidade, o corpo é incapaz de pecar, porque está morto; e sem o Espírito que Deus confere aos seus eleitos a alma não pode ser salva, porque está morta. Mas quando a alma é prudente e rejeita o mal através do poder do Espírito, então a pessoa escapa do pecado. Pois é o Espírito que purifica a alma, e o corpo que a corrompe; consequentemente, a alma insensata destrói a si própria. Realmente, eu digo a vocês, as autoridades celestiais não perdoarão os pecados da alma de forma alguma, nem a culpa da carne; porque nenhum daqueles que adoraram vestir a carne imunda será salvo. Vocês acham que muitos deste mundo conseguiram se tornar perfeitos? Bem-aventurado será o quarto humano que conseguir essa façanha!”

Quando ouvimos estas palavras, nós ficamos angustiados. Mas quando ele viu que nós estávamos perturbados, ele disse, “Por causa disso eu digo isto a vocês, para que vocês possam conhecer a si próprios. Pois o reino eterno é como um grão de centeio que brotou num campo. Quando ele amadureceu ele dispersou suas sementes e preencheu o campo com brotos para mais um ano. Vocês também, corram para colher um broto de vida para si mesmos, para que vocês possam ser preenchidos com o reino!”

“E enquanto eu estiver com vocês, deem atenção a mim, e me obedeçam; mas quando eu os deixar, lembrem-se de mim. E se lembrem de mim porque quando eu estava com vocês, vocês não me conheciam. Abençoados serão aqueles que me conheceram; ai daqueles que ouviram e não acreditaram! Abençoados serão aqueles que não viram, e mesmo assim acreditaram!”

“E mais uma vez eu os ajudo, pois eu revelo que estou construindo uma casa valiosa para vocês se abrigarem, e ela será capaz de resistir ao lado da casa do seu vizinho quando a dele ameaçar desabar.
Verdadeiramente, eu digo a vocês, ai daqueles em função dos quais eu fui enviado para baixo para este lugar; abençoados serão aqueles que sobem para o Pai! Mais uma vez eu os repreendo: vocês que são mundanos, tornem-se como aqueles que são espirituais, para que vocês possam estar com os seres espirituais.”

“Não permitam que o poder do Espírito enfraqueça em vocês, nem sejam arrogantes por causa da luz que os ilumina, mas sejam para os outros como eu sou para vocês. Em função de vocês eu me coloquei sob a maldição, para que vocês sejam salvos.”

Mas Pedro respondeu a estas palavras e disse, “Às vezes você nos incentiva para o reino eterno, e então novamente nos recusa, Senhor; às vezes você nos estimula e atrai para a fé, e nos promete vida, e então novamente nos expulsa do reino eterno.”

Mas o Senhor respondeu e disse para nós, “Eu lhes dei esperança muitas vezes; além do mais, eu me revelei para você, Tiago, e vocês (todos) não me conheceram. Agora, eu os vejo se alegrando muitas vezes, e quando vocês se enchem de felicidade pela promessa de vida, vocês ainda ficam tristes, e se aborrecem quando são instruídos sobre o reino?
Mas todos aqueles que tiverem fé, sabedoria e santidade, podem receber a vida eterna. Portanto, que os perfeitos desdenhem a rejeição quando a ouvirem, mas quando ouvirem a promessa da imortalidade, que se alegrem ainda mais! Realmente, eu digo a vocês, aquele que se tornar perfeito e receber o Espírito de Vida jamais será recusado, e não deixará o reino mesmo se o Pai desejar bani-lo.”

“Estas são as coisas que eu quero dizer por enquanto; agora eu deverei subir para o lugar de onde eu vim. Mas vocês, quando eu estava ansioso para ir, me impediram, e ao invés de me acompanharem, vocês me importunaram. Mas atentem para a glória que me espera, e, tendo aberto o coração de vocês, ouçam os hinos que me aguardam acima dos céus; porque hoje eu devo tomar o meu lugar na mão direita do Pai. Esta é a minha última declaração a vocês, e eu devo os deixar, pois uma carruagem do Espírito me erguerá para o alto, e deste momento em diante, eu irei me despir deste corpo perecível, para que eu possa me vestir de Luz. Mas prestem atenção; abençoados são aqueles que proclamaram o Filho antes da descida dele, para que quando eu viesse, eu possa subir novamente. Triplamente abençoados são aqueles que foram proclamados pelo Filho antes deles surgirem, para que vocês possam ter um quinhão entre eles.”

Tendo dito estas palavras, ele partiu. Mas nós dobramos nossos joelhos, eu e Pedro, e agradecemos, e mandamos nossos corações para cima aos céus. Nós ouvimos com nossos ouvidos, e vimos com nossos olhos, o barulho de guerras, e um soar de trombeta, e um grande tumulto.

E quando nós havíamos ultrapassado os céus dos regentes, nós mandamos nossas mentes ainda mais acima, e vimos com nossos olhos e ouvimos com nossos ouvidos hinos, e bênçãos angelicais, e júbilo angelical. E majestades imortais cantavam louvor, e nós, também, nos alegramos.

Após isto, nós desejamos mandar nosso Espírito para cima para a Majestade, e após subir, não nos foi permitido ver ou ouvir qualquer coisa, porque os outros discípulos nos chamaram e perguntaram, “O que vocês ouviram do Mestre?” e “O que ele disse a vocês?” e “Para onde ele foi?”

Mas nós respondemos a eles, “Ele subiu e nos deu uma confirmação, e prometeu vida para todos nós, e nos revelou crianças que virão depois de nós, e ordenou que nós as amássemos, pois nós seríamos salvos em função delas.”

E quando eles ouviram isto, eles de fato acreditaram na revelação, mas ficaram descontentes por aqueles que irão nascer. E assim, não desejando magoá-los, eu enviei cada um para um lugar diferente. Mas eu mesmo subi para Jerusalém, orando para que eu possa obter um quinhão entre os amados, que se manifestarão.

E eu rezo para que a iniciativa possa vir de ti também, pois assim eu serei digno de salvação, já que eles serão iluminados através de mim, pela minha obra – e através da obra de outros melhores do que eu, porque eu não quero pensar que a minha obra seja a maior. Empenhe-se seriamente, então, para tornar-se como eles, e reze para que você possa obter uma parte entre eles. Porque, como eu havia dito, o Salvador nos revelou tudo em função deles. Nós também, de fato, almejamos uma parte com aqueles para os quais a proclamação foi feita – aqueles a quem o Senhor chamou de filhos dele.

Apócrifo de Tiago.

1. No texto Ensinamento de Silvano, cidade é uma metáfora para ‘alma’.

***

Fonte:

Apócrifo de Tiago. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2010. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200225001531/http://misteriosantigos.50webs.com/apocrifo-de-tiago.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

⬅️ Voltar para a Biblioteca de Nag Hammadi

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocrifo-de-tiago/

As figuras da corte e suas associações elementais

Leonora Dias

Para entendermos melhor as figuras da corte, precisamos buscar nas raízes de sua significância, o número 4. A estrutura numérica dos chamados Arcanos Menores é totalmente baseada nesse número – são cinquenta e seis cartas, divididas em quatro grupos de catorze cartas – os naipes. Dessas catorze cartas, dez são numeradas e quatro são figuras da corte. Ao que se sabe, a estrutura quaternária dos naipes existe desde a origem das cartas – ao menos, quando cartas de jogar surgiram na Europa, no final do século 14, já seguiam um sistema de quatro naipes. Experiências com mais naipes e figuras da corte foram feitas, mas o que realmente perdurou foi o esquema de quádruplo. Não se sabe ao certo a razão da existência desse princípio, mas isso não é exatamente estranho, se considerarmos que o número 4 acompanha a humanidade desde tempos ancestrais.

Os Quatro Elementos (da esquerda para a direita: terra, água, ar e fogo
Tratato alquímico “Viridarium chymicum”, 1624, Francfort-sur-le-Main

Nossa consciência é quaternária. Nossos corpos, com dois braços e duas pernas, naturalmente sugerem o número quatro. Percebemos quatro direções básicas – frente, atrás, direita e esquerda; essa consciência espacial é reproduzida naturalmente em nossas construções – nossas casas têm quatro paredes. Também são quatro os pontos cardeais. A percepção da natureza como se modificando através de quatro estações também pode figurar entre outro fator quaternário que ficou gravado no pensamento humano desde seus primórdios, tendo suas origens na percepção dos solstícios, também em número de quatro. Além disso, a cruz figura entre os símbolos mais antigos desenhados em cavernas.
Os elementos primordiais tradicionais, que servem de base para a existência de todas as coisas no universo, são um grupo de quatro – Fogo, Água, Ar e Terra. No mundo ocidental, a tradição dos elementos surgiu na filosofia grega antiga e, consolidada por Aristóteles, permeou todo o pensamento científico do ocidente desde a Antiguidade até o século 17, marcado pelo início da Era Moderna, que introduziu uma concepção de mundo mais calcada no pensamento racional, ligado aos fatos e seus desdobramentos lógicos – concepção essa que permanece em voga até hoje.

O sistema de associações entre as cartas do Tarot e a tradição dos quatro elementos é um dos fundamentos do entendimento esotérico do Tarot. Nesse sentido, as Figuras da Corte são um caso à parte. Além de estar associada ao elemento de seu respectivo naipe, cada figura da corte relaciona-se também a um dos quatro elementos por meio de sua posição hierárquica. O cruzamento entre esses dois fatores abre uma ampla dimensão de significado para as cartas da corte. Esse esquema de associações elementais, junto com as associações das figuras da corte com a Astrologia e com elementos cabalísticos, formam a tríade dos principais elementos na atribuição de significado a essas cartas. Sendo assim, entender esse esquema de associações elementais é entender melhor as próprias figuras da corte no contexto do Tarot.
Cada naipe é associado a um dos quatro elementos, que determina o tema tratado no naipe. As associações elementais de cada naipe e os temas tratados em cada um podem ser sumariamente esquematizados na tabela abaixo:

Naipe
Elemento
Tema
Paus
Fogo
  Movimento, ação, as lutas (e conflitos) da vida, realização pessoal
Copas
Água
  Emoções, relacionamentos, sonhos
Espadas
Ar
  Lições de vida, valores, aprendizado, compreensão da vida,
(daí) conflitos, sofrimento, dificuldades
Ouros
Terra
  Assuntos materiais, o vai-e-vem do dinheiro, os resultados da
nossa energia aplicada

As cartas que compõem o naipe falam do desenvolvimento da experiência no tal tema. Começando com o ás, que é a energia do elemento em seu estado bruto, vamos subindo até o dez, passando por diversas situações que representam um aspecto específico da experiência com o tema em questão, de forma progressiva. Sucedendo a ordem das cartas numeradas, as cartas das figuras da corte representam um estágio a mais no desenvolvimento da experiência no tema – o desenvolvimento da relação com a energia elemental no âmbito do indivíduo. Em outras palavras, as figuras da corte são personificações sucessivas de cada elemento, desde seu estado embrionário ou infantil em nós (os Pajens) até seu estado maduro e completamente desenvolto (os Reis/Rainhas). Enquanto as cartas numeradas representam a ação das forças elementais em nossas vidas, as figuras da corte representam a manifestação de tais energias em nós. É só pensar nas cartas numeradas como as situações do enredo de uma estória, e as figuras da corte como os personagens. Cada figura da corte é, portanto, um estágio de desenvolvimento da relação com a energia elemental no campo pessoal. Tal desenvolvimento é representado na progressão das quatro posições hierárquicas dentro do sistema da corte:
• os Pajens representam essa energia manifestando-se na personalidade em seu estado primário, pouco desenvolvido e bruto. Eles são as bases do naipe;
• os Cavaleiros personificam a energia do naipe se desenvolvendo a pleno vapor, com toda sua força. Representam a intensidade da energia do naipe crescendo;
• as Rainhas representam essa energia já desenvolvida, de forma madura e profunda. São a energia do naipe amadurecida;
• os Reis também representam o completo desenvolvimento dessa energia. Eles são os reis do naipe, o estágio mais alto que eles podem alcançar em seu desenvolvimento.
Até agora, descobrimos então que:
1. cada naipe, relacionado a um dos quatro elementos, trata sobre as experiências em um determinado tema da vida;
2. enquanto as cartas numeradas falam de situações nas quais a energia desses elementos se manifesta, as figuras da corte representam a manifestação dessa energia no indivíduo;
3. tanto no caso das cartas numeradas quanto no caso das figuras, a ordem numérica imprime um senso de progressão na experiência com as energias elementais, que vai da inexperiência à experiência.
O ocultista inglês MacGregor Mathers, em seu livro Book T, escrito no final do século 19, baseou-se na Qabalah, astrologia e geomancia para traçar os paralelos entre os elementos e as figuras da corte. Seu sistema vigora até hoje, servindo de base para a maior parte de novos esquemas de associação. Um dos traços mais marcantes do sistema de Mathers foram as mudanças feitas por ele na hierarquia da corte do Tarot. Acreditando estar fazendo uma retificação, Mathers modificou os nomes e importância das posições, trocando os títulos tradicionais de Rei, Rainha, Cavaleiro e Pajem por Rei, Rainha, Príncipe e Princesa. Sua modificação mais discutida foi a alteração da importância de certas figuras na dinâmica da corte – Mathers colocou o Cavaleiro no posto mais alto, e rebaixou o Rei à posição de príncipe. Os motivos para tais mudanças baseiam-se no que supôs como uma melhor associação do Tarot com a Qabalah.
Mathers foi um dos fundadores da Ordem Hermética da Golden Dawn. Os criadores dos dois baralhos de Tarot mais famosos da modernidade foram membros dessa Ordem – Aleister Crowley, que junto com Lady Frieda Harris criou o baralho de Thoth, entre 1938 e 1943; e Arthur Waite e Pamela Smith, criadores do baralho Waite-Smith, lançado em 1909. Ambos os baralhos exibem claramente influências do sistema esotérico e mágico da Golden Dawn em vários pontos, sendo um deles a associação elemental das Figuras da Corte. Dada a sua popularização através dos dois baralhos acima mencionados, o sistema desenvolvido pela Golden Dawn é hoje o mais aceito e reproduzido. Abaixo, a título de informação, uma tabela com as variações das figuras da corte, de acordo com os Mathers, Crowley e Waite:

Mathers
Crowley
Waite
    Rei (antigo Cavaleiro)
    Cavaleiro
    Rei
    Rainha
    Rainha
    Rainha
    Príncipe (antigo Rei)
    Príncipe (antigo Rei)
    Cavaleiro
    Princesa (antigo Pajem)
    Princesa (antigo Pajem)
    Pajem

Percebemos pela tabela que, enquanto Crowley adotou mais inteiramente o sistema de Mathers nas figuras da corte, Waite preferiu manter-se fiel à estrutura tradicional de Rei-Rainha-Cavaleiro-Pajem. O esquema tradicional faz mais sentido para mim, talvez por eu usar o Waite-Smith e estar habituado a esse esquema de hierarquia. Portanto, é dele que vamos tratar aqui. Contudo, é importante mencionar que não há um sistema certo e absoluto; tais associações foram feitas de acordo com a forma de pensar de cada ocultista, fazendo sentido no contexto do sistema de pensamento dele. Cabe a cada estudante escolher o sistema com o qual se sentir mais confortável, o que fizer mais sentido para ele.
Isto posto, agora temos as bases para estabelecer as associações elementais a cada posição hierárquica da corte.
As associações elementais e as quatro funções da psique
Usando a imagem da ascensão social, o caminho progressivo do Pajem ao Rei ilustra o desenvolvimento da energia elemental dentro de nós. Da manifestação primária dos Pajens ao completo desenvolvimento dos Reis, cada figura da corte representa um dos quatro estágios de manifestação dessas qualidades. A ideia esotérica por trás disso é a de que a manifestação do espiritual ao material é quaternária, e cada estágio subdivide-se em quatro estados, num total de dezesseis. Entendendo que a manifestação ocorre do mais sutil ao mais bruto, a ascensão ou retorno ao espírito faz logicamente o caminho inverso, do mais bruto ao mais sutil, onde está o Uno, a fonte primordial de tudo. De acordo com o pensamento místico, esse conceito serve como molde para o desenvolvimento de qualquer coisa existente, incluindo as pessoas e as coisas que elas produzem, os acontecimentos, a natureza e o cosmos. Vale lembrar que nenhum estágio é mais importante ou sagrado que o outro. Cada um tem sua própria importância e seu papel, fundamentais no processo de manifestação/ascensão.
Uma maneira de abordar a relação das figuras da corte com os quatro elementos é através da teoria das funções do ego, desenvolvida na primeira metade do século 20 pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Segundo Jung, o ego tem quatro funções, quatro formas fundamentais diferentes de perceber e interpretar a realidade e de lidar com o mundo; são elas Sensação, Intuição, Sentimento e Pensamento. Esse grupo de quatro funções consiste em dois pares de elementos opostos. De um lado temos o par Sensação-Intuição, que Jung chamou de funções irracionais, caracterizando-se pela percepção e simples resposta a estímulos . Do outro, temos o par Sentimento-Pensamento. Jung chamou as duas funções que compõem esse segundo par de racionais, pois ambas envolvem o ato de tomar decisões ou fazer julgamentos, mais do que simplesmente receber estímulos.
A função da Sensação consiste na recepção de informação por meio dos sentidos físicos. A função da Intuição define-se por uma percepção que funciona fora do processo consciente comum, consistindo numa complexa integração de grandes quantidades de informação, mais do que simplesmente ver ou ouvir. Ambas são irracionais, no sentido de que não envolvem julgamento. A Sensação é uma percepção mais voltada para o exterior, enquanto que a Intuição é uma percepção de estímulos psíquicos, interiores.
No segundo par, ambas as funções Sentimento e Pensamento são formas de avaliar a informação recebida, ou seja, dar a ela um valor, atribuir-lhe um sentido. Sentimento é a capacidade de fazer julgamentos baseando-se nas respostas emocionais, seguindo valores de bom/mau, agradável/desagradável. A função do Pensamento distingue-se de sua função oposta por basear-se na lógica e na razão para avaliar informações. Enquanto Emoção é voltada para dentro, ou seja, para a realidade interior dos sentimentos, Pensamento volta-se para o exterior, isto é, para as evidências e os fatos do mundo objetivo.
O próprio Jung baseou-se nas tradições antigas dos quatro elementos, através da teoria dos quatro humores de Hipócrates, para formular seu esquema de quatro funções psíquicas. Hipócrates, por sua vez, baseou-se na teoria dos quatro elementos de Empédocles, onipresente no pensamento filosófico grego antigo desde 600 a.C.

Os Pajens

Elemento
Função Psíquica
Fase de desenvolvimento humano
Terra
Sensação
Infância

O Pajem é o estágio inicial do desenvolvimento. Nele, a energia do naipe está em seu estado bruto, não desenvolvido e primário. Como crianças, relacionam-se com o mundo de maneira bem simples e direta. Ligado ao elemento Terra, o Pajem no Tarot mostra que tudo começa no chão, e a ele está incondicionalmente ligado.

A figura do Pajem representa o aprendiz. Na Idade Média, o pajem era o servo de um cavaleiro, um aprendiz a escudeiro. Após sete anos servindo o cavaleiro, o pajem tornava-se um escudeiro que, depois de mais sete anos, poderia vir a ser ele mesmo um cavaleiro. O pajem executava as funções mais básicas, como cuidar da organização e limpeza dos aparatos de seu cavaleiro, ou levar e trazer mensagens. Simbolicamente, o pajem do Tarot representa o estágio mais básico do desenvolvimento no naipe. Ele é a experiência direta com o naipe, sem abstrações ou sofisticações. Sendo uma criança, o Pajem é neutro – pode ser tanto masculino quanto feminino.
O elemento Terra é o plano material, o mundo objetivo ao nosso redor, e o nosso próprio corpo. No ser humano, a experiência mais primária é a relação com nosso próprio corpo, que percebe o mundo que nos circunda através dos estímulos de nossos sentidos. Relacionados ao elemento terra, os Pajens representam essa experiência sensória, táctil, básica a todo ser humano. Eles estão em contato direto com a energia do elemento ao qual pertencem, sem abstração nenhuma. Psicologicamente, a figura do Pajem equivale à função da sensação, que se caracteriza pela consciência dos estímulos físicos.
As características dos pajens incluem:
• Curiosidade
• Criatividade
• Dedicação
• Inocência
• Sensitividade (no sentido de fisicalidade)
• Inexperiência
• Certa arrogância inocente
• Visão limitada

Os Cavaleiros

Elemento
Função Psíquica
Fase de desenvolvimento humano
Fogo
Intuição
Juventude

O Cavaleiro é um impulso de energia; retrata o estágio de ascensão da intensidade da energia do naipe. Nele, a energia está subindo, ficando cada vez mais intensa. Os Cavaleiros são cheios de si. Enquanto os pajens são dedicados, quase despersonalizados (tal como as

crianças, os pajens, estão ainda desenvolvendo sua personalidade), os cavaleiros são personalidades desenvoltas; eles sabem quem são, e sabem o que querem – ou melhor dizendo, pensam que sabem. Relacionados ao elemento Fogo, os cavaleiros são o impulso da vida, que brota da terra em direção ao céu.
Na Idade Média, os cavaleiros eram os representantes da classe militar. Assim, a figura do cavaleiro é naturalmente associada à guerra, à missão, à luta por um ideal, uma crença (típicos do elemento Fogo). No Tarot, os cavaleiros tipicamente agem por impulso, seguindo seu coração e perseguindo os ideais onde depositam sua fé. No contexto evolutivo ilustrado na corte, a figura do cavaleiro representa o impulso criador fecundo, o ímpeto rumo ao progresso. Se os pajens são associados à infância, os cavaleiros estão ligados à juventude. Assim como os jovens, os cavaleiros são cheios de energia e disposição para negar, questionar e contestar tudo, preferindo sempre seguir seu próprio caminho.
O elemento Fogo corresponde à força criativa. Ele é a vida, o espírito que preenche a estrutura física formada pelo elemento Terra. Sem a vida do Fogo, toda a estrutura do elemento Terra torna-se um mero objeto inanimado. Psicologicamente, esse impulso vital traduz-se pela intuição, a função psíquica que se caracteriza pela
manifestação de uma experiência espontaneamente trazida à consciência, em vez de provir de atividade mental (ou seja, pensamentos e emoções), ou de estímulos físicos (sensações). Trata-se de um sentimento instintivo, a fonte da inspiração, criatividade e ideias espontâneas. Psicologicamente, os cavaleiros também se relacionam à vontade. As características dos cavaleiros incluem:
• Ação
• Coragem
• Idealismo
• Impulsividade
• Iniciativa
• Paixão
• Entusiasmo
• Egocentrismo
• Imaturidade
• Teimosia

O Casal Monárquico

Existe uma tênue divisão na corte do Tarot entre o casal monárquico (o Rei e a Rainha) e os par de servos, o Cavaleiro e seu Pajem. Enquanto entre o Pajem e o Cavaleiro existe um movimento de ascensão perceptível (a diferença entre eles é comparável à diferença entre um aluno do ensino fundamental e um estudante universitário), as figuras do casal monárquico são mais estáticas e semelhantes. Nelas, o processo de desenvolvimento não é tão evidente como entre o Pajem e o Cavaleiro. A diferença está no fato de que o Rei e a Rainha são como as duas faces de uma mesma moeda. Seu poder é similar – o que distingue um do outro é o foco onde tal poder exerce sua força. Os Reis focam-se no mundo exterior, além das fronteiras de seu reino; as Rainhas concentram sua atenção ao mundo interior, dentro das fronteiras de seu reino.
Psicologicamente, poderíamos dizer que o Rei e a Rainha são os dois aspectos de uma mesma entidade, que personifica a maturidade da manifestação do elemento na personalidade, em seus aspectos ativo e passivo, yang e yin. O poder real das duas figuras do casal monárquico pode servir como metáfora para o domínio que uma pessoa completamente amadurecida tem sobre sua vida e a influência que exerce sobre os outros ao seu redor.
Na teoria jungiana das funções do ego, o grupo de quatro funções divide-se em dois pares; o par sensação-intuição caracteriza-se pela percepção de experiências irracionais, enquanto o segundo par, pensamento-sentimento se destaca por experiências racionais. A exemplo das funções psíquicas, o primeiro par de figuras da corte, Cavaleiro e Pajem, exibe formas mais imediatas de perceber a realidade; já o segundo par, Rei e Rainha, caracteriza-se pela abstração do julgamento.
O casal monárquico faz as decisões, enquanto os dois subalternos cuidam de executá-la. A exemplo do Rei e a Rainha, o par de subalternos também exibe a dicotomia de ativo/passivo, exterior/interior. O Cavaleiro é mais voltado ao mundo exterior ao reino, enquanto o Pajem ocupa-se principalmente das tarefas domésticas e cotidianas.

As Rainhas

Elemento
Função Psíquica
Fase de desenvolvimento humano
Água
Emoção
Idade adulta/maturidade

A Rainha representa o completo desenvolvimento do naipe, voltado para o interior. É o entendimento de si mesmo. E, através da compreensão de si mesma, ela é capaz de compreender o outro. O estágio da Rainha é um contraponto ao estágio anterior do Cavaleiro.
Ela representa o processo de internalização da energia do naipe, a transcendência da individualidade, e a percepção do outro. Enquanto o Cavaleiro está preocupado em se auto-afirmar, seguir seu próprio caminho e ser dono da sua própria vida (ou seja, sua individualidade), a Rainha já tem sua posição conquistada, e já tem sua identidade completamente estabelecida.

A rainha encarna a figura da matrona, da mãe, do feminino superior e autoritário. As Rainhas têm a mesma energia da Imperatriz, a carta 3, porém manifestada em um nível mais humano e imediato. De fato, é como se cada Rainha fosse um aspecto da Imperatriz.
O elemento Água é o responsável pela união, pela associação. A água serve de meio para a combinação de diversos elementos para o surgimento de algo novo. Ela é responsável pela manutenção da vida. Esse é o motivo devido ao qual o naipe de Copas se associa ao elemento Água – através de sua propriedade fluida, a Água aproxima e une as pessoas pelo que elas têm em comum, suas emoções. Por pertencerem a esse elemento, as Rainhas são sensíveis e conciliadoras.
Elas enxergam as pessoas por dentro, conhecem e compreendem suas necessidades. Empédocles, o primeiro filósofo grego a propor a ideia de quatro elementos primordiais, já associava o elemento Água a Perséfone, a Rainha dos mundos inferiores, o mundo dos mortos. Nesse sentido, note-se a relação de Perséfone com a Sacerdotisa da carta 2 dos arcanos maiores. Por trás da Sacerdotisa, no tarô de Waite,
há uma cortina estampada de romãs. Após ser raptada por Hades, o Rei dos mundos inferiores, Perséfone não pôde mais voltar por ter comido algumas sementes de romã. Através desse paralelo, a Sacerdotisa do Tarot pode ser também uma alusão a Perséfone, a Rainha dos mundos inferiores – do inconsciente, por assim dizer.
Psicologicamente, o elemento Água equivale à função psíquica da emoção. As características das Rainhas incluem:
• Autoridade
• Sensibilidade
• Percepção
• Sentimentalidade
• Conhecimento
• Receptividade
• Experiência
• Auto-segurança
• Possessividade
• Controle excessivo
• Mutabilidade

Os Reis

Elemento
Função Psíquica
Fase de desenvolvimento humano
Ar
Pensamentoo
Idade adulta/maturidade

O Rei representa o estágio de máximo desenvolvimento do naipe, voltado para o exterior e para a ação. Esse é o estágio do domínio, do poder total sobre as forças do naipe. Imagine cada naipe como um reino, então entenderá melhor o papel do Rei. Ele é a autoridade em seu campo.


Enquanto as figuras do Pajem e do Cavaleiro estão mais vinculadas a um momento específico da história, as figuras de rei e rainha estão presentes em todas as culturas, de todas as épocas. De certa forma a figura do rei era um reflexo maior da figura do pai em sua sociedade; assim como o pai era o chefe da família, o rei era chefe do povo. O papel do rei é comandar, e isso significa estabelecer as leis e dizer o que deve ser feito, e quando. Frequentemente, o rei detinha o papel de juiz máximo de seu povo, sendo responsável por definir o que era certo e o que era errado. O Rei é capaz de julgar e avaliar o exato valor de cada coisa, porque ele tem a experiência necessária para fazer um julgamento acertado, e a autoridade para ter sua palavra seguida.
Assim como as Rainhas dos naipes estão relacionadas à Imperatriz do Tarot, cada Rei representa a manifestação da energia do Imperador no nível humano e tangível. A diferença é que, enquanto o poder do Imperador é absoluto, a autoridade de cada Rei se delimita ao seu campo, ou seja, ao naipe ao qual ele pertence.
A figura do Rei é associada ao elemento Ar. Empédocles associou o elemento Ar a Zeus, o Rei dos deuses. Psicologicamente, o elemento Ar traduz-se pelo intelecto – a capacidade de combinar informações e criar abstrações a partir disso.
O aspecto intelectual do Ar está relacionado ao papel do Rei como juiz. A palavra “pensar tem origens em comum com a palavra “pesar” – ambas vêm do latim pendere, significando “pesar”.
A função psíquica associada ao elemento Ar é o pensamento, a capacidade de emitir julgamentos e tomar decisões através do raciocínio. O raciocínio, por sua vez, consiste na habilidade de alcançar a verdade através de um processo de comparações e abstrações dos fatores existentes em uma certa questão. As principais características dos Reis são:
• Autoridade
• Poder
• Liderança
• Domínio
• Julgamento
• Razão
• Discernimento
• Experiência

Cruzamentos dos elementos e seus significados

O Tarot é um jogo, um conjunto de elementos que seguem regras e têm cada qual sua função definida. Uma das “regras” do jogo do Tarot é a doutrina dos quatro elementos. Tal doutrina funciona como um denominador comum entre a quadruplicidade dos naipes e a quadruplicidade das figuras da corte. Observando a dinâmica dos quatro elementos através das cartas, podemos identificar o lugar delas no jogo do Tarot, ou seja, seu papel.
A coisa mais importante que deve ser entendida sobre esse processo de atribuição de significado é que ele acontece do geral ao específico, isto é, do âmbito simbólico do naipe ao âmbito simbólico de cada posição hierárquica. Cada figura da corte é um dos quatro aspectos de seu elemento e, como tal, incorpora um papel único entre as dezesseis figuras. Assim, todas as quatro figuras do naipe de Copas, por exemplo, pertencem ao elemento Água – são do “reino da Água”, por assim dizer; o que difere uma das outras é a associação elemental específica de sua função/posição. Todos os Pajens são de Terra, todos os Cavaleiros são de Fogo, todas as Rainhas são de Água e todos os Reis são de Ar. O Rei de Copas seria então “Ar de Água”, ou seja, a “parte ar” do elemento Água. Algumas pessoas preferem usar a fórmula “elemento do naipe + comportando-se como + elemento da posição, ou seja, “Água comportando-se como Ar”, no exemplo citado anteriormente.
Abaixo, uma tabela listando as associações para cada figura da corte:

Ouros/Terra
Paus/Fogo
Copas/Água
Espadas/Ar
Pajem/Terra
Terra de Terra
Terra de Fogo
Terra de Água
Terra de Ar
Cavaleiro/Fogo
Fogo de Terra
Fogo de Fogo
Fogo de Água
Fogo de Ar
Rainha/Água
Água de Terra
Água de Fogo
Água de Água
Água de Ar
Rei/Ar
Ar de Terra
Ar de Fogo
Ar de Água
Ar de Ar

Isto tudo pode ser confuso no começo, mas fica fácil à medida que percebemos o sentido das denominações dos elementos. Os quatro elementos da tradição ocidental são na verdade símbolos-raiz. Quando dizemos Fogo, não nos referimos apenas ao fogo que queima na lareira; no sentido esotérico, o elemento Fogo diz respeito a todo um complexo de conceitos, que, por convenção e economia, resumem-se na palavra-símbolo “Fogo”, do qual o fogo da lareira é a manifestação física.
Quando percebemos que, no lugar dos nomes dos elementos, podemos colocar outras palavras pertencentes a uma mesma categoria, as coisas começam a ficar mais fáceis. Por exemplo, em vez de dizermos que o Pajem de Copas é “Terra de Água” ou “Água comportando-se como Terra”, podemos dizer que ele é Emoção em Desenvolvimento. O elemento Terra nos Pajens traduz-se por um estado receptivo de desenvolvimento primário e inicial; o naipe de Copas caracteriza-se pela temática emocional. No Pajem de Copas temos a manifestação da emoção, do sentimento, de forma primária, direta, bruta e espontânea. É isso que faz de tal Pajem um personagem sonhador, delicado, sensível, doce, brincalhão, romântico e inocente; o contato direto que ele tem com suas emoções o faz vivenciá-las em sua forma pura. É isso também que faz o Pajem de Copas simbolizar o início de um sentimento ou sonho, ou a inspiração, ou uma afeição desapegada e espontânea. Através das chaves de dois elementos combinadas, podemos extrair uma infinidade de associações de significado. Esse sistema foi desenvolvido do final do século 19 ao começo do século 20, e perdura até hoje como uma base para a avaliação das figuras da corte.

Uma representação de conjunto dos quatro elementos
www.taroteca.multiply.com

O diagrama acima resume, em forma de imagem, os princípios que acabei de expor. No lado esquerdo temos o diagrama dos elementos, contendo em si seus aspectos quaternários; no lado direito vemos, como exemplo, o elemento Ar em destaque e, ressaltando dele, o seu aspecto Fogo – em outras palavras, Fogo de Ar, a configuração elemental correspondente ao Cavaleiro de Espadas.
Tipos de combinações
A forma que os elementos se combinam determina traços da personalidade que emerge de tal combinação. As regras das combinações são as mesmas usadas no método de Elemental Dignities
Combinações entre elementos opostos (Água + Fogo e Ar +Terra), caracterizam-se por um conflito entre o elemento geral (do naipe) e o elemento especifico (da posição hierárquica). Isso resulta em uma personalidade ambivalente e conflitante, altamente mutável e imprevisível.
Combinações entre elementos amigáveis (Fogo + Ar, Água + Terra) resultam em uma personalidade poderosa, que se destaca no naipe ao qual pertencem.
Combinações entre elementos complementares (Água + Ar, Fogo + Terra) são equilibradas, flexíveis e adaptáveis.
As personificações puras
Observando o diagrama dos elementos, abaixo, percebemos que, em cada ponta do quadrado, a parte do elemento permanece a mesma.

Esquema representativo da força específica de cada elemento
www.taroteca.multiply.com

Na tabela das associações, tais combinações estão em negrito. Esses são os aspectos puros de cada elemento, nos quais o estado de manifestação que ele representa e um dos seus próprios estados de manifestação coincidem. São o lado do elemento que permanece inalterado e puro. No Tarot, as figuras da corte relacionadas a esses aspectos personificam cada um dos quatro elementos de forma integral. Sua presença numa leitura indica – a) que a energia bruta dos ases está se manifestando no próprio consulente ou; b) que existe alguém, ou um acontecimento onde ele entrou em contato com essa energia. Tais cartas assemelham-se aos quatro ases, com a diferença de que elas não são impessoais como os ases; elas são os próprios elementos em forma de entidades.
Finalização: por que estudar tudo isso?
Quem chegou até aqui, depois de ler o texto todo, pode estar perguntando-se qual a utilidade de tanta complexidade. E a resposta é bem simples – esses sistemas são o paradigma fundamental na atribuição de significado às cartas. É neles que se baseiam os significados que geralmente lemos nos livros. Mesmo as definições populares, em última instância, têm como referência esses paradigmas. Mas isso é definitivo? É mesmo necessário estudar essas coisas para entender melhor as cartas? Bem, depende.
Ao contrário do que muita gente pode imaginar, o Tarot não surgiu como um sistema divinatório. De acordo com a grande maioria das evidências de que dispomos hoje, seu uso original foi em jogos de cartas comuns. Registros de um uso divinatório/oracular das cartas datam de cerca de 300 anos após o seu surgimento. Até que, no final do século 18, as cartas do Tarot começaram a chamar a atenção de ocultistas Europeus mais influentes, que não demoraram a incluí-lo em seu sistema esotérico. Foi a chamada redescoberta do Tarot – ou invenção, de acordo com o seu ponto de vista. Os primeiros a olharem o Tarot como portador de um conhecimento secreto encararam-no como um sistema simbólico universal. Na crença de estarem descobrindo sua grandiosidade, tais estudiosos acabaram por inventar um novo Tarot, em muitos aspectos. Esse sistema serviu de base para os voos mais altos que fazemos hoje em dia, como associar o Tarot à psicologia jungiana, por exemplo.
Qualquer pessoa que estuda o Tarot entra em contato com um conhecimento que foi estabelecido, a princípio, por essas pessoas. Independentemente do uso que fazemos das cartas, maior ou menor que seja nosso embasamento teórico, todos nós incorporamos, conscientes disso ou não, elementos das doutrinas desses estudiosos no nosso processo de entender e extrair significado das cartas. Pessoas como Court de Gébelin, Eliphas Lévi ou MacGregor Mathers são os responsáveis pela associação das cartas com a Astrologia, a Qabalah e a Tradição dos Quatro Elementos, as três doutrinas mais fortemente associadas ao Tarot. Tal união foi tão forte que o sistema imagético de versões novas do Tarot passou a ser produzido de acordo com esses novos parâmetros de significado. Não há, portanto como negar a importância de tais figuras na conceitualização e uso modernos do Tarot. Exceto no caso de usar um baralho anterior as inovações introduzidas por essas pessoas, alguém que deseja ter uma relação mais próxima com seu baralho de trabalho, bem como uma compreensão mais profunda dos símbolos contidos nele, certamente conseguirá isso melhor buscando a informação de onde ela veio, ou seja, na produção literária dessas pessoas.
Isso nos leva à seguinte conclusão – as associações das cartas com Astrologia, Qabalah ou elementos são um sistema artificial, mais inventado do que descoberto, ou percebido. Apesar do fato de a Astrologia e a doutrina dos quatro elementos terem feito parte do corpo de pensamento filosófico na época da criação do Tarot, não há hoje evidências apontando para uma profunda associação delas com as cartas que não seja anterior ao século 18. Isso quer dizer que os significados dados às cartas são sim relativos e particulares, o que significa basicamente que eles fazem total sentido quando inseridos em um sistema maior, que lhes dá a referência.
Mas, é possível não se basear nessas tradições para compor o corpo de significados das cartas? Sim, claro. Temos hoje uma infinidade de baralhos disponíveis, que se baseiam mais ou menos nos sistemas tradicionais – isso quando há algum embasamento tradicional sequer. Novos artistas, novos teóricos – e novos tarólogos – têm abordado as cartas por outros viés, contribuindo para uma nova concepção do Tarot – uma nova invenção do Tarot, por assim dizer. E eu acredito que a validade dessas novas teorias e visões não é algo que possa ser decidido objetivamente, cabendo a cada um que estuda as cartas decidir se elas cabem ou não no seu universo de concepção tarológica. Para alguém que amadurece sua comunicação com as cartas, as interpretações tradicionais servem mais como trampolins para uma relação mais íntima com as cartas. O Tarot é uma linguagem entre o tarólogo e seu próprio sistema de valores, símbolos e significados. Em última instância, o único compromisso que cada estudante de Tarot deve ter, é consigo mesmo.

Bibliografia
Livros:
The Tarot: History, Mystery and Lore – Cynthia Giles, 1992, Paragon House
Understanding the Tarot Court – Mary K. Greer & Tom Little, 2004, Llewellyn
Seventy Eight Degrees of Wisdom: a Book of Tarot – Rachel Pollack, 1980), Weiser Books
Tarot Symbolism – Robert O’Neill, 1986 (ed. 2004), ATS
The Complete New Tarot: Theory, History, Practice – Onno & Rob Docters van Leeuwen
Sites:
Taroteachings.com, de Avia Venefica – www.tarotteachings.com/tarot-court-cards-elements.html
Llewellyn.com: artigo Hidden and Secret Meanings – The Court Cards, part II, de David Allen Hulse – www.llewellyn.com/journal/article/387
Kheper.net – artigo The Four Ego Functions, M. Alan Kazlev – www.kheper.net/topics/Jung/typology.html
Wikipedia.com – verbetes Aristotle, Carl Jung, Knight, Queen, King, Page
Taroteca.multiply.com (imagens)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/as-figuras-da-corte-e-suas-associacoes-elementais/

Alan Moore, Promethea e Daath

Saiu recentemente em sites de HQ este comentário feito pelo desenhista JH Williams III quando trabalhava num arco de Promethea, de Alan Moore, quando este recebeu uma estranha ligação do barbudo… Vejam o que o cara falou sobre isso:

Eu estava desenhando uma viagem pela Árvore da Vida da Cabala, e estava me aproximando do clímax da história, quando os personagens tinham que atravessar os limites da escuridão, pra chegar em lugares de formas mais elevadas da realidade, passando por uma dimensão destruída no caminho…

Alan me ligou, dizendo que eu poderia ter alguns problemas físicos ao desenhar essa parte da HQ, pois ele mesmo se sentiu muito mal ao escrever o roteiro e só melhorou depois que terminou seu trabalho e parou de mexer na história.

Alan acreditava que os pensamentos sobre essa dimensão negativa e maligna se manifestou fisicamente, e ele acabou experimentando todas as sensações ruins que os personagens da HQ deveriam ter passado devido a sua viagem pela Cabala… E achou por bem me avisar sobre isso.

Quando comecei a desenhar a passagem, quanto mais eu me aproximava do momento em que mostrava o buraco negro e a passagem negativa da vida que levava até a Árvore, sentia dores no peito.

E quanto mais eu desenhava o buraco negro, piores as dores ficavam, acabei indo ao hospital pra fazer um exame, e os médicos disseram que eu tivera um pequeno ataque cardíaco, mas que não detectaram nada que pudesse ser a causa dele.

A medida que fui terminando e me afastando das páginas que mostravam o buraco negro as dores foram passando até sumirem por completo…

Depois de alguns dias conversei com Mick Gray sobre isso, e ele me disse que enquanto fazia a arte final dessa parte, todos na sua casa ficaram muito mal, com um surto de gripe.

Daath é a Esfera que está entre Kether e Tiferet; a citação feita ao “Caminho 13”, ou Gimmel (letra hebraica que significa “Camelo”, e tem sua representação no Arcano da Sacerdotisa, no Tarot, daí Promethea e sua companheira encontrarem Aleister Crowley montado em um Camelo mais para a frente nesta parte da história) faz a conexão entre o Iniciado e Deus, ou a comunicação simbólica entre Jesus e seu pai quando ele estava na Cruz.

Daath representa o conhecimento, mas também é um portal para as partes mais sombrias e interiores do Ser humano, o Caminho de conexão entre a Árvore da Vida e a Árvore da Morte (os Túneis de Set, em contraposição aos Caminhos de Toth) que o Iniciado precisa derrotar completamente (abandonar o Ego e compreender totalmente a Sombra que habita dentro de todas as pessoas).

Daath representava o planeta que um dia ficou entre Marte e Júpiter e que hoje é conhecido como Cinturão de Asteróides e algumas mitologias chamam de Ymir ou Tiamat. Quando o Planeta foi destruído, esta esfera deixou de existir também para os Cabalistas (na verdade, para os anjos que assim passaram este conhecimento, já que, quando os cabalistas chegaram, o planeta já tinha sido destruído há milhões de anos).

Daath está localizado entre Binah e Chesed, o que daria a ele um valor intermediário. Muitos cabalistas colocam este valor como sendo PI (3,141592…) porque é um número infinito com uma relação intrínseca com o Abismo… recomendo que assistam ao filme de mesmo nome (PI) para entender melhor esta relação.

Meditar nesta esfera traz para a consciência todos os demônios internos da pessoa, o que pode causar os problemas que mr. moore alertou aos desenhistas. Uma vez que, tanto Moore escrevendo quanto os artistas desenhando estavam em contato mental com esta esfera, eles puxaram para si esta energia e, como o contato foi muito efêmero, tiveram manifestados alguns efeitos físicos.

Como experiência pessoal, quando estudava Qlipoth e os Túneis de Set, em 2006, uma parte do teto do meu escritório quebrou durante uma tempestade, que aconteceu na noite seguinte, e a mesa ficou encharcada, destruindo completamente meu caderno de anotações e os livros do Karlsson (os livros de teurgia ficaram intocados).

Quando ministro o curso de Qlipoth (que é apenas para alunos mais avançados na magia), sempre preciso da permissão e autorização dos meus exús para isso; fazemos uma firmeza de proteção e há todo um preparatório para o estudo de NOX; no último curso, tivemos relatos de alunos que eram médiuns a respeito de sombras e seres astrais grotescos (semelhantes aos desenhados na HQ) que ficavam ao redor do prédio, tentando entrar, quando falávamos os nomes deles em aula.

São energias muito poderosas e extremamente agressivas.

Bem… Agora vocês sabem porque todo satanista de orkut que diz que faz e acontece com as qlipoth é sempre um fodido na vida.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alan-moore-promethea-e-daath

Entradas das Trevas: uma introdução a magia de Mito de Cthullu

A Ordem Esotérica do Dagon é uma rede internacional de mágicos, artistas e outros visionários que estão explorando os mistérios ocultos inerentes ao horror e a fantasia escritos na Nova Inglaterra pelo escritos Howard Phillips Lovecraft (1890-1937). O “Mito de Cthullu” (como normalmente é conhecido) depende de uma serie de contos de Lovecraft, mais os de outros escritores que empregam dispositivos fictícios semelhantes. A premissa básica do Mito de Cthullu é que há um grupo de entidades transdimensionais – conhecidas como os Grandes Antigos que, “quando as estrelas estão certas” podem entrar em nosso mundo através de portões psíquicos ou portões físicos. Os Grandes Antigos representam um “Conhecimento Ancião” que antecede a civilização, para a percepção humana, são ambos imensamente poderosos e alienígenas. Nos contos do Mito de Cthullu, há uma rede (ou conspiração) de cultos que adoram os Grandes Antigos e procuram acelerar o seu retorno a Terra.

A inspiração de Lovecraft para seus escritos vieram de seus sonhos, e suas cartas (ele carregava uma volumosa correspondência com colegas escritores) mostram que ele teve um pesadelo todas as noites de sua vida. Extraído de uma carta ele descreve um pesadelo sobre Nyarlathotep, um dos Grandes Antigos:

“Como eu fui atraído para o abismo eu emitia um grito retumbante, e a imagem parou. Eu estava com muita dor – testa batendo e ouvidos zumbindo – mas eu tinha somente um impulso automático – para escrever e preservar a atmosfera de medo incomparável, e antes que eu percebesse eu tinha puxado a luz e estava rabiscando desesperadamente… Quando completamente acordado eu recordei de todos os incidentes, mas havia perdido a emoção requintada do medo – a real sensação da presença de um hediondo desconhecido.”

Embora Lovecraft tenha escrito inúmeras historias de horror ele não tinha nenhuma crença ou fascínio especial com a ocorrência real do fantástico. Enquanto ele negou veementemente a existência de fenômenos ocultos – que ele era incapaz de aceitar e por isso marca os Grandes Antigos como o mal e as praticas de seus cultistas como “blasfêmia”. Os ocultistas, no entanto, reconhecem o poder das imagens transmitidas por sonho. A capacidade de experimentar sonhos lúcidos que são internamente consistentes e contíguos uns aos outros é um elemento fundamental ao xamanismo, de fato, em algumas culturas, potencias xamãs sã reconhecidos pelas características dos seus sonhos. O sonho é um portal físico para as “vibrações” dos Grandes Antigos para entrarem na consciência humana, é um conceito recorrido muitas vezes nos contos de Lovecraft. Seus protagonistas, por vezes assistem aos “Sabat Astrais” em que são iniciados nos cultos secretos, são mostrados mistérios que abalam a sanidade e recebem os benefícios dos Conhecimentos Anciões. Tais experiências são bastante comuns entre os magos que trabalham em qualquer sistema, como ambos os eventos espontâneos e o resultado de “sonhar a vontade” (usando sigilos, por exemplo) em experimentação com agentes psicoativos. Vários dos Grandes Antigos aparecem para aqueles que buscam o Conhecimento Ancião através dos sonhos (ou quem busca de um “sintonizador desconhecido” para as transmissões dos Antigos), e o mais proeminente um Antigo Cthullu, uma estrela alada cefaloide que reside “no sonho da morte” dentro de uma cripta na cidade mais Anciã de R’Lyeh, sob o Oceano Pacifico. A historia de Lovecraft “O Chamado de Cthullu” relata os acontecimentos que envolveram  a breve aparição de R’Lyeh, que anunciada por uma onda mundial de insanidade, como certos indivíduos “sensitivos” pegam oníricas transmissões do Grande Cthullu. No Mito, ele é o senhor dos sonhos, e atua como uma espécie de intermediário entre a consciência humana e a natureza verdadeiramente alienígena dos Antigos tais como Azathoth ou Yog-Sothoth. Sua cidade, R’Lyeh, foi recentemente identificada com Nan-Madol, uma cidade de pedra arruinada consistindo de ilhotas artificiais na ilha do Pacifico de Pohnpei. No Mito, R’Lyeh é construída ao longo de linhas de uma geometria não Euclidiana, com ângulos e perspectivas estranhas em que os incautos podem ser engolidos. A cidade inteira é uma serie de portais para outras dimensões, e pode ser visto como uma forma de tuneis de Set Kenneth Grant. Ângulos estranhos e matemática foram também um interesse de Austin Osman Spare, que percebia coisas em sonhos, mas não podia coloca-las no papel. R’Lyeh é uma porta psíquica para as camadas mais profundas da consciência e os sonhos formam a interface pela qual há dois sentidos de trafego de imagens da consciência desperta para a Mente Profunda.

Nas historias de Lovecraft, muito do Conhecimento Ancião é preservado em uma coleção de grimorios, dos quais o mais famoso é o Necronomicon (Livro dos Nomes Mortos), que ao longo dos anos tem aparecido em varias formas. O Necronomicon é reconhecido pelo arquétipo de  “Livro Astral” – chaves primárias no discurso que são “secretadas” no mundo dos sonhos e que podem ser “ligadas a Terra” em forma de fragmentos por artistas, mágicos e outros visionários. Mais uma vez, esta é uma experiência oculta recorrente, não existindo uma grande variedade de obras que foram recebidas por clarividência ou canalizadas através de varias entidades. Dentro da E.O.D, existe uma “Escola de Sonho” (contatada através do sonhar) que consiste em uma variedade de locais, alguns dos quais são retirados os contos do Mito de Cthullu, na qual os iniciados podem ter acesso a artefatos e livros notáveis. Há alguns anos atrás, por exemplo, em um mosteiro no alto do Planalto Ciclópico de Leng, me foi mostrado uma serie de imagens de tarô de detalhes obscuros e cores vivas que embora tenha sido (e continua sendo) muito impossível para eu coloca-las para baixo, para mim é muito fácil chama-los a mente, mesmo quando escrevo este artigo. O “keeper” das imagens estava disposto a exibi-las, mas como ele cinicamente comentou na época sabia que eu não era capaz de traduzi-las a partir dos sonhos do mundo físico. O Mundo dos Sonhos Lovecraftiniano tem sua própria tipologia – ter ligações com ambos os locais terrestres e lugares que são acessíveis apenas para sonhadores qualificados e intrépidos. Ao explora-la é possível conversar com seus habitantes relativos do Conhecimento Ancião, visitar locais de renome e viajar através do tempo e espaço usando uma forma de exploração astral que novamente é primariamente Xamânica – o de mudança de forma. Imagens relacionadas com a mudança de forma ocorrem durante todo o Mito de Cthullu, com a transição de humano para “O Profundo” – uma corrida de batráquio – moradas do mar que são servos de Cthullu, relacionados ao deus Dagon; ou a transição de humano para Ghoul. O conceito magico relacionado com tais transformações é o “Ressurgimento Atavistic” – a reificação das “encarnações” anteriores da consciência humana desde as profundezas da mente, na consciência de vigília. Lovecraft apontou o caminho para ascender a estados específicos de consciência que se relacionam com nossos ancestrais reptilianos e os chamados “cérebro dragão” – o sistema límbico primitivo que é a sede de nossa consciência primal.

Outra chave para desvendar os segredos dos Conhecimentos Anciões é a técnica de vidência – em um copo ou bola de cristal. Ambas vidências de vidros e cristais que estão sintonizados para transmitir certas vibrações surgem em contos do Mito de Cthullu, muitas vezes como um processo de mão dupla. A pessoa que usa esses dispositivos vislumbra outras dimensões, mas ao mesmo tempo, os habitantes daquelas dimensões tornam-se cientes e eventualmente ameaçam os videntes. Esta foi a única maneira em que Lovecraft podia aceitar o processo de se tornar receptivo as imagens e “transmissões” da mente profunda, como ser acusado com ameaças de insanidade e eventualmente desgraça.

Todas as técnicas descritas até agora tendem a ser do praticante só, e são orientadas introspectivamente. Mas Lovecraft também faz uso extenso de “ritos amigáveis”, que são novamente remanescentes do xamanismo, vodu ou até mesmo bruxaria. Tais feitiçarias físicas estão relacionadas com pontos físicos de energia – normalmente círculos de pedra, edifícios especialmente construídos ou marcos estranhos. Eles muitas vezes envolvem sacrifícios humanos ou animal, cruzamento incestuoso e em “The Dunwich Horror” um “casamento sagrado” entre a entidade conhecida como Yog-Sothoth e uma cultista feminina. Lovecraft continuamente aludiu à natureza degenerada de cultistas de Cthullu, provavelmente refletindo suas atitudes à raça e realização intelectual. Mas há também uma consciência de degeneração das praticas de culto como a influencia os Antigos encolhendo o mundo devido à propagação do materialismo e a decadência das comunidades rurais. A entidade Nyarlathotep ocasionalmente aparece como o mítico “homem negro” ou líder da coleta cultista do sabat – sugerindo um avatar humano como base para o trabalho do culto, usando as gnoses mais físicas como a dança, flagelação, sexo, cânticos, tambores, respiração acelerada e sangria. Comentaristas modernos do Mito de Cthullu tem-se enganado supondo que magia é terror, principalmente a gnose emocional, porque este era o sentimento muitas vezes experimentado por protagonistas de Lovecraft (e de fato, o próprio Lovecraft). Embora o medo possa ser inicialmente empregado, logo o sepulcro como uma alavanca eficaz para a gnose, no entanto.

A implantação de feitiçarias físicas levou a uma grande variedade de experimentos pelos iniciados da E.O.D pelo mundo, tais como o uso de terraplanagem no Monte da Serpente na gnose Vodu – trabalhando com sede para Cincinnati Yig-Lodge (Yig é uma divindade serpente no Mito). Evocações “Dos Profundos” também foram realizadas em um lago em Wisconsin (nota do tradutor: EUA). Alguns iniciados da ordem estão atualmente interessados no uso de mantras e “fala primal”, bem como padrões de som “off-key” usados como pano de fundo sonoro para a evocação das entidades do Mito.

Magos ocidentais parecem ter uma tendência a tentar “encaixar” os Mitos de Cthullu em sistemas ordenados de logica ou correspondências. Executor de Lovecraft, August Derleth, também tentou colocar os Grandes Antigos dentro de alguma estrutura – dando-lhes associações elementares e as vinculando a determinados locais e formas. Isso só pôde ser feito de forma limitada, antes de perder o “sabor” dos Antigos que residem na sua natureza altamente proteica. Lovecraft deixa bem claro que os humanos não podem perceber claramente os Grandes Antigos e as entidades são raramente descritas com clareza ou coesão; ao contrario, eles são insinuados ou aludidos.  Sua própria natureza é que eles são “primais e não dimensionados” – eles mal podem ser percebidos, e para sempre “espreitam” na borda da consciência.

As mais poderosas energias são aquelas que não podem ser nomeadas – ou seja, elas não podem ser claramente apreendidas ou concebidas. Elas permanecem intangíveis e tênues. Muito parecido com a sensação de despertar de um pesadelo aterrorizador, mas incapaz de se lembrar do por que. Lovecraft entendeu isso muito bem, provavelmente porque a maioria de seus escritos envolviam seus sonhos.

Os Grandes Antigos ganhar seu poder de sua indefinição e intangibilidade. Uma vez que eles são formalizados em sistemas simbólicos e relacionados a meta sistemas intelectuais, alguns tem sua intensidade primal perdida. Willian Burroughs coloca desta forma:

“Assim que você nomeia algo, você retira o seu poder… Se você pudesse olhar a morte de frente ela perderia seu poder para mata-lo. Quando você pergunta a morte por suas credencias, seu passaporte é por tempo indeterminado.”

O LUGAR DAS ESTRADAS DA MORTE:

É a própria intangibilidade dos Antigos que lhes dá o seu poder, e permite que os muitos espaços mágicos para a exploração pessoal de suas naturezas.

É geralmente aceito que a maioria das magias “poderosas” são encontradas nos cultos xamânico primais e sobreviventes. A E.O.D esta preocupada em como angariar conhecimento e técnicas do que pode ser visto como primordial, magia Xamânica “dark”, como um amplo espaço para o desenvolvimento futuro e expansão. Sugere da estelar sobrevivência (“quando as estrelas estão certas”) baseada na sabedoria. E de raízes que se estendem em todo o mundo, e um conhecimento mais velho que esta enterrado dentro de nossas mentes, mas pode ser aproveitado, tanto na forma consciente, e no caso de Lovecraft, inconscientemente.

·         Nota: este ensaio foi publicado originalmente no “Starry Wisdom” uma coleção de ensaios de membros da Ordem Esotérica do Dagon, Pagan News Publications 1990. Desde então, o E.O.D. provocou em vigília, mais uma vez, e mesmo agora, seus tentáculos podem estar rastejando em sua direção.

por Frater Zebulon, Dunwich Lodge, E.O.D. – Tradução Carolina Rezende

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/entradas-das-trevas-uma-introducao-a-magia-de-mito-de-cthullu/

Bhagwan Shree Rajneesh (Osho)

“Aposte todas as suas fichas. Seja um apostador!
Arrisque tudo, pois o momento seguinte não é uma certeza. Então, por que se importar com ele? Por que se preocupar?
Viva perigosamente, viva com prazer. Viva sem medo, viva sem culpa.
Viva sem nenhum medo do inferno ou sem ansiar o céu. Simplesmente viva.”
– Faça o Seu Coração Vibrar

Nasceu em 11 de dezembro de 1931, 1o filho de um mercador de tecidos. Passou os sete primeiros anos com os avós, que lhe davam total liberdade. Após a morte do avô foi viver com os pais. Sempre revelou um espírito rebelde e independente. Em 1946 experimentou seu primero satori. Com o tempo aprofundou suas experiências em meditação, sendo que a intensidade de sua busca espiritual chegou a afetar sua saúde física. Em 1953 atingiu o estado de “iluminação”.

Em 1956 graduou-se como 1o aluno da turma de Filosofia na Universidade de Jabalpur. Foi campeão de debates da Índia e ganhou a medalha de ouro no ano de sua graduação. Em 1957 lecionou no Sanskrit College e um ano depois tornou-se professor de Filosofia na Universidade de Jabalpúr.

Em 1966 passou a dedicar-se inteiramente à arte de ensinar a meditação ao homem moderno. Durante os anos 60 viajou toda a Índia como Acharya Rajneesh (professor), provocando a ira do establismment e encontrando-se com pessoas de todas as classes sociais. Ele desmascarava a hipocrisia do sistema e suas tentativas para impedir que o homem alcançasse seu direito mais fundamental: ser ele mesmo. Desafiava os líderes religiosos ortodoxos em debates públicos. Dirigia-se a audiências de milhares de pessoas, sensibilizando os corações de milhões. Lia muito: tudo o que pudesse ampliar sua compreensão sobre os sistemas de crenças e a psicologia do homem contemporâneo.

Em 1968 estabeleceu-se em Bombaim e organizou, regularmente, “campos de meditação”, quase sempre nas montanhas. Aí introduziu sua revolucionária Meditação Dinâmica, técnica que ajuda a parar a mente, ao permitir que ela tenha primeiramente uma catarse. Segundo ele, o homem moderno está tão sobrecarregado das antiquadas tradições do passado e das ansiedades da vida moderna, que precisa passar por um profundo processo de limpeza antes de poder descobrir a ausência de pensamento no relaxamento da meditação. A partir de 1970 começou a iniciar pessoas no Neo-Sannias, caminho de compromisso com a auto-exploração e a meditação, amparado pelo amor e orientação pessoal. Passou a ser chamado de Bhagwan, o abençoado. Sua fama espalhou-se pela Europa, América, Austrália e Japão.

No curso de seu trabalho. Osho falou sobre praticamente todos os aspectos do desenvolvimento da consciência humana. Destilou a essência do que é significativo para a busca espiritual do homem contemporâneo, com base não na compreensão intelectual, mas na sua própria experiência existencial.

A partir de 1974, em Puna, seus ensinamentos foram intensificados. Sua saúde tornava-se mais frágil. Foram criados grupos de terapia combinando o insight oriental da meditação com as técnicas ocidentais de psicoterapia. Em dois anos o ashram já tinha a reputação de melhor centro de crescimento e terapia do globo. Nos últimos anos da década de 70 o ashram transformara-se na meca dos buscadores modernos da verdade. As palestras de Osho abrangiam todas as grandes tradições religiosas do mundo. Sua vasta erudição na ciência e no pensamento ocidentais, a clareza de suas palavras e a profundidade de seus argumentos desfaziam o abismo entre o oriente e o ocidente, para seus ouvintes.

O 1o ministro indiano, Morarji Desai, obstruiu todas as tentativas de transferência do ashram para uma parte remota da Índia, onde seria experimentada a aplicação dos ensinamentos de Osho na construção de uma comunidade autosuficiente, onde viveriam em meditação, amor, criatividade e alegria. Isso não impediu que suas palestras, gravadas e transcritas em mais de 600 livros e traduzidas em mais de 30 idiomas, constituíssem hoje incontáveis volumes e atingissem inúmeros leitores.

Sua Filosofia

O pensamento de Rajneesh está exposto em mais de mil livros que podem elucidar sobre a sua filosofia.No seu trabalho, Osho falou praticamente sobre todos os aspectos do desenvolvimento da consciência humana. Seus discursos para discípulos e buscadores de todo o mundo foram publicados em mais de 650 títulos e traduzidos para mais de trinta línguas.

Segundo referem os seus admiradores, Osho não pretendia impor a sua visão pessoal nem estimular conflitos. Enfatizou, pelo contrário, a importância de se mergulhar no mais profundo silêncio, pois somente através da meditação se poderia atingir a verdade e o amor, guiada pela consciência individual, sem intermediários como sacerdotes, políticos, intelectuais ou ele mesmo. Transmitia, pois, uma mensagem otimista que apontava para um futuro onde a humanidade deixaria o plano da inconsciência e, por consequência, a destruição, o medo e o desamor, já que cada um seria o buda de si próprio, recordando aquilo que a consciência imediata esqueceu. Segundo esta visão, a humanidade parece-se a um conjunto de cegos guiados por outros cegos.

Todo o trabalho de Osho é de desconstrução e silêncio. Segundo Osho, todo o planeta (com raras exceções) está doente. Mas é uma doença autoimposta. Liberdade seria, em sua visão, o fundamento de um homem auto-realizado e digno. O silêncio, por sua vez seria a comunhão da criatura com sua essência divina e pura, sendo reencontrado pela meditação, onde o homem experimenta seu verdadeiro ser. Osho negava a existência de um Deus pessoal dizendo que a lógica do evolucionismo abriria grandes lacunas para tal entendimento. Em sua concepção, a ideia da existência de Deus deve ser rejeitada para o bem da humanidade.

Ao dizer, por exemplo, que “o orgasmo sexual oferece o primeiro vislumbre da meditação porque, nele, a mente para, o tempo para”, a mídia o apelidou de “guru do sexo”. Quando se descobriu a causa da aids, Osho determinou que seus discípulos fizessem o teste de HIV. Pioneiro, recomendou usar camisinha e luvas de látex na hora do sexo, coisas ridicularizadas na época. Para A. Racily, que conviveu com Osho, o guru queria apenas que o sexo não fosse renegado. Ela diz que nunca houve orgias na comunidade e que esses boatos vinham de quem queria se aproveitar da liberdade sexual.

Em 1980, um membro de uma tradicional seita hindu tentou assassinar Osho, durante uma palestra. Enquanto as religiões e igrejas oficiais faziam oposição a seu trabalho, ele já tinha mais de 250 mil discípulos em todo o mundo. Em maio de 1981 Osho parou de falar e iniciou uma fase de “comunhão silenciosa de coração a coração”, para que seu corpo, com graves problemas de coluna, descansasse.

Ida a América

Foi levado aos EUA pela eventual necessidade de uma cirurgia de emergência. Seus discípulos americanos compraram um rancho de 64 mil acres no deserto de Oregon Central, onde ele se recuperou rapidamente. Uma comuna modelo cresceu ao seu redor com uma velocidade alucinante, transformando o deserto num oásis verde, capaz de alimentar 5 mil habitantes. Nos festivais anuais de verão até 20 mil visitantes eram acomodados e alimentados na nova cidade de Rajneshpuram. Surgiram outras grandes comunas em todos os principais países do ocidente e no Japão. Osho solicitou residência permanente nos EUA, mas teve seu pedido recusado pelo governo americano; uma das razões alegadas foi seu voto público de silêncio. Cresciam as investidas do governo de Oregon e da maioria cristã do estado, contra a nova cidade.

Em 1984 Osho começou a falar em pequenos grupos em sua residência e em 1985 voltou a fazer discursos para milhares de buscadores. Sua secretária e diversos membros da direção da comuna partiram repentinamente e atos ilegais cometidos por eles vieram à tona. Osho convidou as autoridades para que procedessem as investigações necessárias. Assim elas aceleraram sua luta contra a comuna. Em outubro Osho foi preso em Carolina do Norte, sem mandato de prisão. Durante a audiência de sua fiança foi acorrentado. Sua viagem de volta a Oregon, onde seria julgado – normalmente um vôo de cinco horas, durou oito dias. Depois ele revelou que na penitenciária de Oklahoma foi registrado como David Washington e colocado numa cela com um prisioneiro que sofria de herpes infecciosa. Uma hora antes de ser libertado, uma bomba foi descoberta na cadeia de Portland, presídio de máxima segurança de Oregon, onde Osho estava detido. Todos saíram menos ele, que foi mantido mais uma hora dentro da cadeia. Em novembro confessou-se “culpado” em duas das 34 violações de imigração das quais era acusado, para evitar que sua vida corresse outros riscos nas garras do sistema judiciário americano. Foi multado em US$ 400 mil e obrigado a deixar os EUA, sem poder voltar por cinco anos.

Voou para a Índia, onde repousou nos Himalaias. Uma semana depois a comuna no Oregon resolveu dispersar-se. O procurador dos EUA, Charles Turner disse que a prioridade do governo era destruir a comuna; que não desejavam transformar Osho num mártir e que não havia evidência que o implicasse em crimes. Em dezembro sua nova secretária, sua assistente, seu médico particular e outros discípulos ocidentais que o acompanhavam foram expulsos da Índia e tiveram seus vistos cancelados. Osho juntou-se a eles no Nepal, onde retomou seus discursos diários.

Em fevereiro de 1986 Osho foi para a Grécia, mas o clero da igreja Ortodoxa ameaçou o governo de que haveria derramamento de sangue se ele não fosse expulso do país. Em março a polícia invadiu a casa de campo onde ele estava hospedado e, sem mandato de prisão, enviou-o a Atenas. Ele foi para a Suíça, onde seu visto de sete dias foi cancelado no momento de sua chegada. Foi então para a Suécia, onde foi acolhido da mesma forma. Na Inglaterra aconteceu o mesmo e na Irlanda conseguiu ficar alguns dias como turista. Antígua, Holanda Alemanha não permitiram sua entrada. Na Itália seu pedido de visto de turista não foi concedido até hoje. Tudo isso até 7 de março. No dia 19 o Uruguai o convidou. Ele foi para lá com seus companheiros, mas o país recebeu “informações” dos EUA de que eles estavam envolvidos em contrabando, tráfico de drogas e prostituição. Em maio, quando ia receber visto permanente, Washington ameaçou cancelar empréstimos no valor de US$ 6 bilhões, se Osho permanecesse no país. Em junho foi embora para a Jamaica, onde conseguiu visto de 10 dias, cancelado no dia seguinte à sua chegada. Foi para Lisboa e permaneceu escondido por duas semanas numa casa de campo. Ao todo 21 países o deportaram ou impediram sua entrada. Assim retornou à Índia em julho.

Ficou seis meses em Bombaim, onde retomou seus discursos diários, na casa de um amigo. Em janeiro de 1987 mudou-se para a casa do ashram em Puna, mas logo teve ordem de partida. Ao mesmo tempo, embaixadas indianas pelo mundo e os funcionários da emigração no aeroporto de Bombaim começaram a recusar a entrada de seus seguidores ocidentais. Em novembro, após uma enfermidade de sete semanas, foi diagnosticada uma deterioração geral de sua condição física, devido a envenenamento por tálio. Num discurso público, Osho declarou acreditar que o governo dos EUA o tenha envenenado durante os 12 dias em que esteve sob sua custódia, em setembro de 1985.

Osho deixou seu corpo em 19.01.1990. Poucas semanas antes, disse: “quero que as pessoas conheçam a si mesmas, que não sigam as expectativas dos outros. E a maneira é ir para dentro.”

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/bhagwan-shree-rajneesh-osho/

O Comando do Olhar

Morbitvs Vividvs

Glamour é o termo pelo qual os encantamentos e manipulações de bruxas e feiticeiros eram conhecidos antigamente. Agora, o significado da palavra mudou para denotar uma exibição deslumbrante de beleza mas em baixa magia glamour é a qualidade daquilo que atrai a atenção visual geralmente distraindo o espectador de outras coisas. Intimamente relacionada a isso há outra palavra usada por muito tempo em conexão com feitiçaria – a fascinação. A chave para isso é dada por Anton LaVey em mais de uma ocasião quando ele fala do “Comando do Olhar”.  Trata-se de uma fórmula criada pelo fotógrafo William Mortensen na década de 1930 e teve um enorme impacto em toda estética proposta pela Church of Satan. A fórmula pode ser resumida nos seguintes termos:

  1. A Imagem deve por seu mero arranjo fazer você olhar para ela.
  2. Tendo olhado – ver!
  3. Tendo visto – desfrutar.

Vamos entender às três partes em detalhes:

O Imperativo Pictórico

A primeira parte da fórmula é puramente visual. Esta qualidade do “pare e olhe” é chamado por Mortensen de “O Imperativo Pictórico”. Quando você folheia uma revista ou álbum de foto ao imperativo pictórico pode ser visto nas fotos que fazem você parar. São as imagens que tocam um sino no sua cabeça, emitem um sinal e prendem sua atenção. Para isso a imagem deve acionar alguns gatilhos biológicos. Como o primeiro gatilho é o da sobrevivência, a RESPOSTA AO MEDO. Damos atenção às impressões sensoriais que representam coisas que ancestralmente provocam temor. Isso não significa que toda boa imagem é assustadora. Mas para fazer você parar ela usou algum destes quatro estímulos visuais:

  • A DIAGONAL nos remete a algo rápido e ameaçador em nosso campo de visão
  • A CURVA EM S nos lembra a aproximação furtiva como a das cobras e do tigre que desliza pela mata.Esta é a base real do fascínio da chamada “Linha da beleza”
  • A COMBINAÇÃO DE TRIÂNGULOS  que nos lembram dentes, lâminas e chifres
  • A MASSA DOMINANTE, algo que ocupa boa parte do enquadramento nos lembram obstáculos que nos fecham como animais enormes ou perto demais

Podemos incluir outras formas que despertam o senso de perigo como coisas que surgem no escuro da noite, esferas paralelas que remetem aos olhos de predadores, enxame de pontos, a perspectiva da altura elevada. Em termos de cores o vermelho remete ao sangue jorrado E termos de sons o ritmo que remete ao coração acelerado pela adrenalina e os sons altos e repentinos como os das sinfonias de Beethoven. Mas por hora basta aprendermos estes quatro gatilhos em destaque que fomos forçados por milhares de anos de sobrevivência a identificar.

O Cativeiro do olhar

Tendo conseguido a atenção precisamos ser capazes de ver sem demora “do que se trata a imagem”. É neste momento que o Comando para Olhar usa as três grandes fontes de apelo emocional:

SEXO. Coisas eróticas e sensuais. O mais primitivo e direto dos apelos.

SENTIMENTO. Coisas suaves e meigas que nos trazem conforto.

MARAVILHA. Coisas misteriosas, exóticas, fantásticas ou mesmo grotescas e impossíveis.

Estes três temas foram desenvolvidos por LaVey tanto na Bíblia Satânica como em Bruxa Satânica.

O Convite ao Desfrute

Auto-retrato de William Mortense, criador da fórmula do Comando do Olhar

Na terceira parte devemos dar ao espectador uma oportunidade de participar na imagem. Depois de ter sua atenção capturada e seu interesse mantido devemos dar a ele algo para fazer com seus olhos. Alguns exemplos incluem:

⦁    Contornos para acompanhar

⦁    Partes para comparar

⦁    Simetrias e quebras de simetria

⦁    Detalhes para ser encontrados

⦁    Sugestões táteis como maciez, aspereza, umidade, etc..

⦁    Repetições (Ecos da forma)

O objetivo da terceira parte da fórmula é desacelerar a visão e fornecer experiências dentro da imagem que causem a permanência nela.

A imagem a direita atende todos os requisitos do Comando do Olhar. É impossível não olhar para ela. A partir de agora tente identificar estes padrões em todas as formas significativas que elas surgirem.

Não foi só Marilyn Monroe que soube usar o Comando do Olhar. Os melhores filmes de Hitchcock, às obras de  Michelangelo, os clipes Michael Jackson todos seguem esta receita conscientemente ou não. A fórmula do Comando do Olhar está presente nas propagandas da Coca-cola (inclusive seu logo), nas fotos de Sebastião Salgado e no próprio Sinal de Baphomet na capa da Bíblia Satânica. Com este conhecimento você poderá agora usar também em suas criações e em seu estilo pessoal.

Morbitvs Vividvs é autor de Lex Satanicus: O Manual do Satanista e outros livros sobre satanismo.

Satisfação total em ter vocês de volta!

Estava com saudades desses textos. Muito bom ter de volta! Sucesso!

Sem paravras Morbitvs. Parabéns ao retorno 🤘

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/o-comando-do-olhar/

Conexões entre Krishna e Vida Extraterrestre

Nossa Resposta:

Primeiro, Krishna é a origem de todas as encarnações e expansões, incluindo os três avatares de Vishnu. O primeiro, Mahavishnu, cria a energia material total conhecida como Maha Tattva. O segundo, Garbhodakshayi Vishnu, entra em todos os universos para criar diversidades em cada um deles. O terceiro, Kshirodakshayi Vishnu, está difundido como a Superalma que tudo permeia em todos os universos e é conhecido como Paramatma, que está presente mesmo dentro dos átomos.

Aqui estão apenas dois dos muitos versos que explicam a posição original do Senhor Krishna:

“Todas as encarnações acima mencionadas são porções plenárias ou porções das porções plenárias do Senhor, mas o Senhor Sri Krishna é a Personalidade de Deus original. Todas elas aparecem nos planetas sempre que há uma perturbação criada pelos ateístas. Senhor encarna para proteger os teístas.” (Srimad Bhagavatam 1:3:28)

e,

“Krishna, que é conhecido como Govinda, é a Divindade Suprema. Ele tem um corpo espiritual eterno e bem-aventurado. Ele é a origem de tudo. Ele não tem outra origem e Ele é a causa principal de todas as causas.” (Brahma Samhita, 5:1)

Quanto a quem é alienígena e quem não é:

Na verdade, todos são alienígenas neste mundo material. Todos nós pertencemos a Vaikuntha, o mundo espiritual. Cada entidade viva é uma centelha espiritual, vinda de Krishna e originada em Vaikuntha. Devido ao desejo de desfrutar do mundo material separado do Senhor, algumas almas vêm aqui para este reino terrestre. Esta é uma atmosfera muito estranha para nós. Estamos destinados a viver em um estado eterno e feliz, mas nos encontramos em um lugar onde tudo é temporário e cheio de miséria.

Quando o Senhor Krishna apareceu aqui há cinco mil anos atrás, Ele veio em Sua forma original. O corpo do Senhor Krishna é espiritual. Isso significa que é eterno (sat), cheio de conhecimento (cit) e cheio de bem-aventurança (ananda).

Cada um de nós deve ter um corpo qualitativamente igual ao de Krishna, e viver em uma atmosfera espiritual, onde nosso humor de serviço a Krishna nos permite experimentar nossas qualidades espirituais naturais. Em vez disso, chegamos a este lugar estranho, procurando por emoções baratas. Nós nos contentamos com um corpo feito de sangue, pus e outras coisas horríveis e onde tudo está constantemente envelhecendo e morrendo, e as esperanças de felicidade são destruídas pela natureza temporária das coisas que aspiramos a desfrutar.

Em certo sentido, o Senhor Krishna também era um “alienígena” quando veio à terra – porque esta não é Sua residência original – mas em outro sentido tudo é Dele e vem dEle. Ele é o proprietário de tudo, então Ele pode ir aonde Ele quiser, e aparecer como Ele quiser—seja via avião de flores, a velocidade da mente, ou inúmeras outras opções de viagem. E quando Ele viaja Ele não está sujeito ao desconforto do lugar que Ele está visitando, Ele simplesmente traz as maravilhosas qualidades espirituais e a atmosfera de Seu lugar com Ele!

Você também está correto em dizer que durante a guerra do Mahabharata havia alienígenas lutando com Krishna e outros no campo de batalha. A Terra não é o único planeta neste reino material. Na verdade, existem bilhões de galáxias no mundo material – que é apenas uma pequena parte de todo o reino espiritual – e em cada galáxia há muitos, muitos planetas. Alguns são celestiais, alguns são infernais e alguns estão no meio. Em cada planeta existem entidades vivas com corpos diferentes. Muitos moradores desses planetas são muito avançados em ioga e outras ciências místicas, para que possam viajar à vontade para diferentes planetas. Na guerra do Mahabharata, havia visitantes de planetas superiores ajudando pessoalmente e permitindo que os guerreiros usassem suas armas.

No entanto, também é um fato que onde quer que estejamos neste mundo material, somos um alienígena; porque nosso lugar original é no mundo espiritual com Krishna!

Sugestão de Leitura Adicional:

Alien Identities (Identidades alienígenas)

— insights antigos sobre os fenômenos UFO modernos, por Sadaputa Dasa (Richard L. Thompson)

Fácil Viagem a Outros Planetas

– desmistificando as viagens espaciais e entendendo o eu como a última ‘partícula antimaterial’, por Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

***

Fonte:

Connections between Krishna and extraterrestrial life.

https://www.krishna.com/connections-between-krishna-and-extraterrestrial-life

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/conexoes-entre-krishna-e-vida-extraterrestre/

Pacto com Lucifugo Rofocale

Venha Participar de um ritual de Alta Magia que tem por objetivo abrir os portais da Riqueza e da Prosperidade para o praticante. Este é um ritual sério que nada tem a ver com Pactos Demoníacos e entidades maléficas.

@MDD – antes de comentar o resto do Spam, uma pergunta: Se o Lucifugo Rocambole é o maior mestre em distribuir riquezas no planeta, por que vocês ainda não estão ricos nem prósperos?

Sabemos que existem muitos mitos que rodeiam sobre rituais de Alta Magia e Pactos e que assim povoam o consciente da maioria das pessoas com pensamentos assustadores e tenebrosos. Não são medos infundados, pois desde a Inquisição muitas estórias foram inventadas para colocar medo naqueles que ousassem desobedecer as ordens da Igreja Romana. Além disso, são comuns em nossos tempos, pessoas praticarem ritos absurdos com entidades do plano inferior oferecendo a própria alma em troca de poucos anos de riqueza.

Nosso Ritual não tem nada a ver com isso!

@MDD – ufa… fico feliz. quase me convenceu…

Trata-se de um ritual sério, bonito, fundamentado em conhecimento, não na fé cega. Nosso Ritual não ofende a nenhuma religião, não blasfema contra nenhum Deus, não é um ritual de cunho sexual, não há nudismo, não há venda de almas e nem sacrifícios de sangue. E, além disso, funciona melhor que qualquer outro ritual que se possa ter notícias. Simplesmente porque não há nenhuma entidade superior à do nosso ritual na função de distribuir riquezas em nosso planeta ? Nosso Ritual é para Reis ? Venha Reinar Conosco!

@MDD – Aqui entra uma dúvida… Se o tal “ritual de prosperidade para Reis” funciona, por que vocês precisam ficar mendigando pessoas através de SPAM para fazer o ritual? Por que o tal lucifugo simplesmente não faz vocês ricos e resolve o problema?

O ritual é realizado individualmente em nosso Castelo (de forma secreta), ou seja, sem que ninguém mais necessite saber que vós realizou o ritual (isso será entre você e os Mestres Magos possuidores do Rito (e somente com tal discrição existirá o retorno esperado ? não prossiga sem total discrição)

@MDD – “Vós realizou”? “Mestre magos”? “castelo”? Pode isso, Arnado?

\’Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez\’. Através desse ritual, nós vos apresentamos à uma Poderosa Entidade Espiritual, incumbindo-lhe a missão de trazer-lhe riquezas e bens materiais. Você obterá também aumento da percepção, da influência, do poder e fortuna pessoal.

@MDD – eu tomei a liberdade de perguntar qual seria a bagatela do “pacto” e descobri que pode chegar a três mil Dilmas… Daí, novamente, pergunto: se a entidade é tão poderosa assim, bem que ela poderia deixar as pessoas pagarem DEPOIS de fazer o pacto, ne? ou, melhor ainda, já dar direto para os “mestres dos magos” toda essa riqueza… só perguntando…

O nosso Rito possui alta tensão mágicka e não meras formalidades teatrais ou simbólicas. O que pode ser descrito (é bem limitado, pois não deve ser exposto). Em sua iniciação você passará por algumas preparações fundamentais, que seguem toda uma tradição ritualística, essa cerimônia é individual e realizada somente com sua presença em nosso Castelo, na região de Xxxxxxxx/Pr; em data específica, com absoluto sigilo. Seu corpo astral receberá \”marcas\” que serão reconhecidas por outros seres astrais, além do recebimento de alguns \”itens\” (que não podemos descrever aqui)

.

@MDD – “alta tensão mágicka” uia! “Marcas no corpo astral”… da alta tensão mágicka eu não sei, mas as marcas no corpo astral eu aposto que as pessoas receberão rsrsrs

Para participar do ritual é preciso antes fazer o Curso Preparatório e também uma preparação pessoal antes do rito. Além disso, nós temos que confeccionar a jóia ritualística, os utensílios mágickos, vestimenta e pergaminho sagrado que será usado por vós na realização do ritual.

@MDD – que custa cerca de 30-40 Dilmas. Meio miserável para um demônio que diz que vai dar riqueza, ne? 30,00 é troco de pinga. Essa história toda está meio suspeita…

*Existem diversos custos que envolvem esse forte ritual e portanto esse custo é repassado ao interessado(a) que também deve contribuir com o Xxxxxx Xxxxxx, assim sendo, a taxa de participação é um investimento único de R$3.000,00 (Três Mil Reais) = um único investimento para uma nova vida de absoluto sucesso.

@MDD – Esse Lucifugo Rocambole trabalha com Telexfree também? Porque me falaram que é muito bom e vai me deixar rico também, e nem precisa trabalhar. Pode parcelar no cartão de crédito?

*pagamento no valor acima à vista e antecipado ao agendamento do ritual.

*consulte opções de parcelamento da taxa ? com cheque ? valor diferenciado.

O nosso ritual é um rito de Alta Magia somente para os Reis!

@MDD – Sem querer ser chato mas já sendo… “Reis” já são prósperos e não precisam de pactos picaretas. Quem está ferrado e precisa de dinheiro não tem os três mil dilmas… no final das contas, vocês acabam pegando os trouxas que querem ser espertos, o que acaba me deixando pensativo se eu deveria ou não avisar as pessoas sobre picaretagens desse tipo. É para se meditar…

Os Reis são aqueles que tem a mente aberta e têm coragem de encarar o mundo como ele realmente é!

Os Reis são aqueles que se responsabilizam pelos seus atos ao invés de compadecer-se de suas próprias dôres!

@MDD – Se os reis se responsabilizam por seus atos, por que deixar sua prosperidade nas mãos do Lucifugo? não seria mais lógico se as próprias pessoas conquistassem a prosperidade?

Os Reis compreendem que não ser escravo da matéria não significa viver na pobreza e sim possuir e dominar todo o qualquer bem que vier a desejar. Os Reis reinarão sobre todas as coisas materiais. E os escravos servirão!

@MDD – Ai chegamos a um consenso: “os escravos servirão!”

Se você realmente tem interesse e está preparado para vir reinar conosco;

***NÃO RESPONDA ESSE EMAIL***

SE VÓS TIVER REAL INTERESSE ENVIE EMAIL PARA:

@MDD – “Vós tiver” doí os olhos… sério mesmo… aprende a conjugar verbos quando quiser falar difícil.

*** Ligar ou enviar email somente se vós tiver real interesse, discrição e condições de realizar o ritual em Xxxxxxxxxxx/PR.

@MDD – Eu não sou muito discreto, mas fiz um jabá de vocês aqui.

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pacto-com-lucifugo-rofocale

Contatos Imediatos do Primeiro Grau: Red Rocks, Dezembro de 2000

Por Llewellyn.

Extraído de Messages (Mensagens), por Stan Romanek.

…[M]inha esposa Lisa e eu nos conhecemos on-line no verão de 2000 e logo estabelecemos uma amizade pela Internet, trocando mensagens eletrônicas quase diariamente. Eventualmente, eu queria levar nossa amizade ao próximo passo e me encontrar pessoalmente, mas como ela estava morando no Nebraska e eu estava no Colorado, tal encontro parecia muito improvável. No entanto, eu estava determinado a conhecê-la e, uma vez que ganhei coragem, decidi pedir-lhe que viesse me visitar. Agora este é um grande passo para alguém que só a conhece através de mensagens na Internet, então ela não estava inicialmente interessada na ideia. Além disso, ela só esteve no Colorado uma vez antes, e durante essa visita choveu quase o tempo todo, dando-lhe uma impressão menos que favorável do estado (que, curiosamente, ostenta uma média de trezentos dias de sol por ano. Lá se vai a propaganda da Câmara de Comércio). Não é de surpreender que ela não estivesse ansiosa para repetir a experiência – ou pelo menos, essa era sua desculpa.

Então, como convenceria Lisa a vir ao Colorado para uma visita? Ocorreu-me uma série de possibilidades antes que eu finalmente me acomodasse com a brilhante ideia de filmar alguns dos espetaculares cenários locais e enviá-los para ela. Uma vez que ela viu como as montanhas eram bonitas – e que o estado geralmente era banhado pelo sol – ela não pôde deixar de dizer que sim. Achei que era um plano brilhante e alguns dias depois do Natal de 2000, parti com a câmera de vídeo na mão.

Em minha mente, o melhor lugar para começar a filmar era o Red Rocks Amphitheater (Anfiteatro Rochas Vermelhas) perto de Morrison, Colorado – um marco conhecido aninhado na base das majestosas Montanhas Rochosas a oeste de Denver. Pensei que esta vista panorâmica emocionante da cidade seria o começo perfeito para o meu vídeo caseiro.

Tomando uma das estradas secundárias ao Red Rocks Park, logo estava na periferia da cidade e apenas começando a chegar ao sopé das montanhas. Logo que cheguei à estrada que me levaria a Red Rocks quando observei um número de carros encostados no acostamento e pessoas olhando para cima em direção às linhas de energia que corriam ao longo da estrada. É claro que as pessoas ao lado de seus carros apontando para o céu é sempre irresistível e eu olhava para cima para ver o motivo de toda a excitação. Quando o fiz, me assustei ao ver um objeto brilhante pairando acima das linhas elétricas, a não mais de cinquenta metros acima do solo. Meu primeiro pensamento foi que era algum tipo de balão de ar quente, mas quanto mais eu o observava, menos certo eu ficava. Rolando pela janela da minha van, eu diminuí a velocidade enquanto tentava ter uma visão melhor da coisa.

Estudando o objeto de perto, logo determinei que era algum tipo de nave metálica de forma estranha, segmentada em múltiplas esferas com o corpo principal arredondado na parte superior e com seis esferas menores girando lentamente no sentido anti-horário ao longo de sua parte inferior. Era altamente reflexivo, como o alumínio polido, e inclinava-se ligeiramente na direção em que se movia, mas talvez a coisa mais peculiar da nave fosse a área negra e estaladiça entre as esferas inferiores em rotação. Era o negro mais negro que eu já havia visto em minha vida, como se de alguma forma fosse capaz de sugar toda a luz ao seu redor. Me chamou a atenção que se alguém jogasse uma pedra neste vazio, ele simplesmente continuaria nele por infinito.

Eu estava ficando um pouco enervado enquanto passava lentamente, mas isso não era nada até que comecei a notar que a maldita coisa parecia estar andando na minha van! Fiquei tão assustado que pisei no acelerador e tentei acelerar antes de me lembrar de repente que tinha minha câmera de vídeo comigo. Resistindo à tentação de fugir, peguei minha câmera e encostei no ombro.

Quase imediatamente notei a sensação mais estranha em minha pele. Parecia que o ar estava cheio de eletricidade estática, fazendo com que os cabelos dos meus braços ficassem de pé na ponta. Era como se a própria atmosfera estivesse grávida de uma poderosa carga eletromagnética. Sem me deixar levar pela estranha sensação, apontei minha câmera de vídeo para o objeto e durante os segundos seguintes fiquei ali na estrada, filmando a coisa.

Curiosamente, parecia que quando o fiz, o ofício reagiu reorientando-se até ficar perfeitamente vertical. Então, com um “pop”, de repente voou direto para cima, criando um pequeno boom sônico que fez minha camisa vibrar contra minha pele. Ainda mais notável, ela parou tão rapidamente quanto havia voado para cima, forçando-me a duvidar dos meus sentidos. Não sou especialista em aviação, mas mesmo eu sabia que nenhum objeto tripulado era capaz de tal manobra, nem havia uma pessoa no mundo que pudesse sobreviver ao tipo de força G que tal manobra criaria se houvesse. Eu fiquei impressionado.

Depois de mais alguns segundos, o ofício finalmente se afastou em espiral e desapareceu no céu azul brilhante, deixando-me à beira da estrada com a sensação de que eu tinha acabado de ver algo mais surrealista do que real. Ainda muito abalado, voltei para a minha van e dirigi cerca de cem metros até onde mais algumas pessoas foram encostadas perto de um pequeno parque para passear cães. Enquanto conversávamos entre nós, todos olharam para cima e viram um par de caças a jato F-16 acelerando na direção de onde o OVNI tinha sido visto pela última vez. Houve risos quando uma das testemunhas disse: “Boa sorte em perseguir aquela coisa”. O fato de eu ter acabado de testemunhar esta nave exótica foi especialmente irônico, devido ao fato de que poucos dias antes eu tinha gozado com meu amigo Mark por acreditar nesta loucura de OVNI e agora eu tinha minha própria experiência para lidar com isso! Tudo o que eu sabia com certeza era que estava feliz por ter minha câmera de vídeo comigo.

Quando cheguei em casa naquela tarde, liguei imediatamente minha câmera de vídeo ao VCR para ver se tinha conseguido capturar o objeto bizarro em fita. Estava um pouco confuso e o objeto ousava precariamente enquanto eu tentava fixar minha câmera nela, mas eu a havia capturado! Não era o tipo de imagem nítida, clara, incontestável que eu esperava, mas era definitivamente algo incomum – “algo” que não podia ser facilmente explicado ou descartado. Ou ignorado.

Mesmo assim, momentos após o avistamento, minha mente parecia não querer que eu acreditasse no que havia acabado de acontecer, mas depois de ver a fita repetidamente, finalmente decidi que havia visto algo mais notável. Liguei para Lisa no Nebraska para dizer a ela que nunca tinha chegado a Red Rocks e por quê.

Suponho que eu deveria saber que ela seria um pouco cético, como eu teria sido se ela tivesse me chamado do nada e me contado uma história semelhante. Além disso, como só nos conhecíamos há alguns meses e ela ainda não estava bem certa sobre mim, o som de apreensão em sua voz era compreensível; tenho certeza de que ela não estava entusiasmada com a possibilidade de se envolver com um maluco! Sua incredulidade me fez lamentar as muitas vezes que eu descartasse ou ridicularizasse relatos semelhantes de OVNIs feitos por outros e pensasse: “Agora eu sei como as pessoas devem ter se sentido quando eu gozei com elas”.

De alguma forma eu tinha que provar isso a ela. Rapidamente baixei o arquivo de vídeo para o meu computador e enviei a ela uma cópia para ser reproduzida por ela. O plano funcionou e eu fiquei aliviado quando ela finalmente acreditou que eu estava dizendo a verdade. Infelizmente, embora eu tivesse conseguido convencer Lisa, como eu ia me convencer?

Meses depois, depois de ter tido a oportunidade de pensar no que tinha visto, sentei-me e desenhei um esboço a lápis do objeto. É claro que tentar estimar o tamanho e a distância de um objeto no céu nunca é uma coisa fácil de se fazer, mas esta era a aparência geral e as dimensões como melhor me lembro.

Provavelmente nunca saberei qual era o objeto, nem vi nada semelhante a ele desde então. Tudo o que sei é que o misterioso objeto prateado foi o prenúncio de uma cadeia de eventos que iriam alterar dramaticamente minha vida nos próximos anos, tanto de maneira boa quanto ruim.

Até hoje, ainda fico um pouco nervoso quando passo de carro pela área onde vi o objeto, percebendo com uma sensação de consternação que este era o local onde tudo começou.

***

Fonte:

Close Encounter of the First Kind: Red Rocks, December, 2000, by Llewellyn.

https://www.llewellyn.com/journal/article/2070

COPYRIGHT (2009) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/contatos-imediatos-do-primeiro-grau-red-rocks-dezembro-de-2000/

Afirmações de Referência da Ecclesia Babalon

AFIRMAÇÕES DE FÉ

Afirmação do Credo. Os membros da Ecclesia Babalon professam e aderem aos próprios princípios do Credo Gnóstico da Ecclesia. Para se juntar ao primeiro Círculo da Ecclesia, Filhos da Terra, os aspirantes completam um Chamado de 77 dias para Babalon, então leem ou recitam o Credo ante qualquer membro do segundo ou terceiro Círculos.

Afirmação das Ordenações Sagradas. O sacerdócio na Ecclesia não é concedido aos membros, mas é o reconhecimento deste corpo da própria vontade e chamado de um membro para servir a Grande Mãe. A iniciação representa o início da jornada clerical de estudo e contribuição formal para a egrégora, mais do que a culminação do trabalho sacerdotal. Os membros dos ‘Filhos da Terra’ que desejam se dedicar à Mulher Escarlate através do trabalho podem entrar no segundo Círculo sacerdotal da Ecclesia, ‘Os Amantes’. Ao entrar no sacerdócio recebem o título de Shin. Após pelo menos um ano de participação no segundo Círculo, o sacerdox pode optar por ingressar no terceiro Círculo, ‘Os Eremitas’. Esses membros são encarregados de manter a linhagem da Ecclesia e cuidar das funções administrativas da Ecclesia. Os membros do círculo d‘Os Heremitas’ assumem o título de Tau.

Afirmação dos Círculos. A Ecclesia não confere graus ou níveis aos seus membros. Em vez disso, os membros buscam o Círculo que mais se alinhe com seus chamados únicos. Usamos o termo Círculos para enfatizar o espírito colaborativo, igualitário e interdependente da Ecclesia; escolhemos intencionalmente uma estrutura interna de compartilhamento de poder, em vez de hierárquica. O primeiro, segundo e terceiro Círculos realizam diferentes funções para organizar o trabalho da Ecclesia da maneira mais eficiente; não são expressões de poder ou dominação. Cada círculo é interdependente e absolutamente crítico para a egrégora e a função do corpo.

Afirmação da divindade da prostituta. Sem Aquela que tudo recebe e nada nega, não há lugar para o futuro crescer, nem para o passado se aposentar. Babalon é o princípio feminino ativo que ilumina o recebimento como um ato definido e não como uma passividade. Aquilo que recebe é necessariamente severo na medida em que retém, molda e limita. Reconhecemos, valorizamos e lideramos a partir desse poder do feminino divino para trazer a forma à força. Reconhecemos ainda que a propriedade e o controle do próprio poder pessoal, incluindo energia sexual, energia monetária, tempo, atenção e acesso, é uma marca registrada do indivíduo empoderado e deve ser perseguido vigorosamente.

Afirmação da multiplicidade de caminho. A Santa Mãe tem tantos rostos quantos filhos. Todos os nomes para Ela são válidos. Todas as Bênçãos de Todas as Santas Mães repousam na Egrégora de Babalon.

Afirmação da tradição Thelêmica. Aceitamos o Livro da Lei e outros textos Thelêmicos Classe A como sagrados, e consideramos Aleister Crowley como um profeta de percepção espiritual, ao mesmo tempo em que mantemos o paradoxo das muitas deficiências e falhas de Aleister Crowley. Escolhemos preservar seus ensinamentos e as tecnologias espirituais humanas que eles inspiraram, enquanto vemos suas deficiências como uma lição do que não fazer. Aleister Crowley foi um homem enquanto viveu; como todos nós, sua vida foi uma jornada de aprendizado e busca pela iluminação, não um testamento de perfeição.

Afirmação da alquimia do espírito. O espírito humano é refinado e tornado autêntico através de uma série de separações internas, esclarecimentos e amálgamas comumente referidos no mundo oculto como o processo alquímico. Os buscadores espirituais são encarregados de autoinvestigação, purificação de toxinas psicológicas, esclarecimento do propósito ou vontade individual e da montagem do novo eu aeônico. Esse processo naturalmente induz a compreensão da natureza não-dual e paradoxal do universo e a compreensão do lugar de cada um nele.

Afirmação do primado da revelação pessoal. O fundamento da egrégora babalônica repousa sobre as experiências espirituais e místicas dos indivíduos. Rejeitamos qualquer afirmação de que qualquer pessoa deva ter um mediador ou advogado humano junto ao divino. Todo e qualquer humano está equipado e capaz de acessar e conectar-se com a fonte divina. Valorizamos profundamente a independência e a autoridade pessoal na prática espiritual e respeitamos a autognose adquirida com a devoção espiritual.

AFIRMAÇÕES DE VALORES

A afirmação da natureza feminista e interseccional da Ecclesia. Como manifestação da Mãe Negra, a Ecclesia aborda o mundo inerentemente a partir de uma posição de aceitação apaixonada e amorosa e inclusão radical de todas as pessoas. Reconhecemos que, como estando com o pensamento Divino, estamos cientes das provações trazidas por Malkuth de maneira diferente, mas estamos todos na jornada sagrada da experiência humana; cada experiência humana é uma manifestação válida e sagrada da própria experiência divina. Portanto, defendemos a igualdade, justiça e inclusão para todas as pessoas, especialmente as pessoas historicamente abusadas, marginalizadas e oprimidas.

Afirmação da preferência da unidade sobre a divisão. Todos os indivíduos podem ser membros plenos da Ecclesia, independentemente de raça, gênero, caminho espiritual, idioma, sexualidade ou etnia. Valorizamos todas as pessoas como expressões do divino; no entanto, não somos capazes de acomodar aqueles que abusam ou prejudicam os outros, nem aqueles que costuram ou defendem a divisão e a opressão entre a humanidade dentro da Ecclesia.

Afirmação do direito humano ao amor. Apoiamos a comunidade e a Identidade LGBTQIA+. Valorizamos e apoiamos todas as formas de amor, casamento e relacionamento consentido entre adultos de qualquer configuração.

Afirmação da autonomia pessoal e corporal do indivíduo. A propriedade e o controle da própria personalidade, energia, ações, emoções, esforço, atenção, conhecimento, corpo, pensamentos e vontade são absolutos. Com essa autoridade também vem a responsabilidade pelos impactos e consequências de nossas escolhas, incluindo a responsabilidade para com nossa comunidade e a sociedade em geral. Privacidade e Autonomia são os pilares da Liberdade.

Afirmação da riqueza da diversidade. Uma vez que cada homem e cada mulher é uma estrela, cada experiência humana contribui para a ordem divina e o caos necessário do universo. Com exceção daqueles que procuram dividir, dominar ou prejudicar, a Ecclesia acolhe e agradece toda a gama de experiências, dons e expressões humanas.

Afirmação de segurança e proteção. Os membros da Ecclesia têm direito à segurança espiritual, mental, emocional e física dentro desta organização. A Ecclesia protegerá e defenderá seus membros em primeiro lugar.

AFIRMAÇÕES DA ORDEM

 Afirmação do poder coletivo. O poder é compartilhado entre todos os membros da Ecclesia, e enfatizamos a importância da conexão e colaboração em tudo o que fazemos. A Ecclesia pode ser descrita como uma organização plana, na qual os membros são mantidos com igual consideração positiva, as decisões são tomadas coletivamente e há o menor número possível de níveis de poder e responsabilidade.

Afirmação da autonomia dos covens. Todos os membros do segundo e terceiro círculo são bem-vindos e encorajados a liderar seus próprios covens em nossa tradição. Covens que professam o Credo da Ecclesia são bem-vindos para se unirem livremente sob o dossel da Ecclesia Babalon. Além de aderir a essas Afirmações, a Ecclesia Babalon não exige ritos, rituais, práticas ou liderança de covens sob nosso guarda-chuva.

Afirmação da teurgia e renovação do sacerdócio. Reconhecemos nossos membros como teurgistas por direito próprio. Entre nosso segundo e terceiro círculos, procuramos criar e promulgar uma arte sacerdotal que seja participativa e cerimonialmente, caótica e devocionalmente sólida.

Afirmação da linhagem sagrada da Ecclesia Babalon. A linhagem da Ecclesia é Gnóstica Sacramental, Hermética, Thelêmica e Livre Iluminista; membros do clero da Ecclesia compartilham raízes iniciáticas com clérigos de uma variedade de fés mágicas e sacramentais, e cada uma delas é reverenciada. Nossas práticas são de natureza bhaktic, devocional e sacramental, e nosso propósito é apoiar a manifestação da egrégora babalônica na terra. Somos uma igreja amalgamada de Luz, Vida, Amor e Liberdade.

Afirmação da revelação progressiva. Em qualquer prática espiritual séria e de longo prazo, a compreensão evolui com o tempo, e a Ecclesia Babalon não é diferente a esse respeito. Esperamos que a mudança na comunidade seja um subproduto natural de uma fé viva e ponderada compartilhada por gerações, idiomas, locais e culturas.

Afirmação da consagração completa da Terra. O objetivo final do trabalho da Ecclesia é alcançar a consagração completa da Terra, onde todas as pessoas integrem profundamente a sabedoria de sua própria divindade e, portanto, reconheçam a divindade em todos os outros seres do planeta. Procuramos erradicar a culpa, a vergonha e os medos que mantêm a humanidade dividida, categorizada e separada. Trabalhamos para desmantelar sistemas e crenças que criam estratificação e hierarquia humana e impedem que as pessoas percebam seu próprio potencial e sacralidade.

ANEXOS

I. O CREDO GNÓSTICO

O Credo Gnostico

Eu conheço um PRINCÍPIO secreto e inefável; e uma Estrela na Companhia de outras Estrelas de cujo fogo fomos criados e para a qual devemos retornar; e um Pai de Vida, Mistério do Mistério, CHAOS, o único vice regente do Sol na Terra; e em um Ar o nutridor de tudo que respira.

E eu conheço uma Terra, a Mãe de todos nós, e um Ventre onde todos somos gerados e para onde todos deveremos retornar, Mistério do Mistério, BABALON.

E eu conheço a Serpente e o Leão, Mistério do Mistério, BAPHOMET.

E eu conheço uma ECCLESIA Gnóstica e Universal de Luz, Vida, Amor e Liberdade, materializada pela Corrente 156 cuja a Palavra da Lei é THELEMA.

E eu conheço a comunhão das Santidades.

E, assim como a comida e a bebida se transmutam em nós diariamente em substância espiritual, eu conheço o Milagre da Missa.

E eu confesso um Batismo de Sabedoria pelo qual realizamos o Milagre da Encarnação.

E confesso minha vida única, individual e eterna que foi, é e será.

AUMGN. AUMGN. AUMGN.

II. MAIS INFORMAÇÕES

Site: https://eb.4gsanctuary.com/

Canal no Telegram: https://t.me/ecclesiababalon

Grupo no Telegram: https://t.me/ecclesiababalonchat

Grupo no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/HBuYmRX24MsItUjgyBp4fJ

E-mail: eb@4gsanctuary.com

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/afirmacoes-de-referencia-da-ecclesia-babalon/