Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz (AMORC)

O livro “O Domínio da Vida” distribuído pela AMORC aos seus candidatos apresenta a Ordem como tendo nascido a quase 3.500 anos, no Egito. Nesta época o velho Egito atingiu um grau elevado da sua evolução, a religião e os conhecimentos científicos se fundiram. Para preservar esses conhecimentos foram criadas as escolas-de-mistérios, administrada pelos sacerdotes. A primeira reunião teria ocorrido no dia 1º de abril de 1489 a.C., no Templo de Kanark. A partir desta data, passaram a se reunir todas as quintas-feiras subseqüentes. A princípio, não foi usado nenhum nome parecido ou derivado da palavra rosacruz. A Ordem Rosacruz apenas tem suas raízes na antiga Fraternidade.

O faraó Ahmose I (1580 a.C.), foi o primeira a dirigir essa classe, antes governada pelos altos sacerdotes do Egito. É tido como fundador da Ordem o Faraó Tutmés III, da XVIIIª dinastia, por volta de 1350 a.C. Teria o Faraó fundado uma fraternidade secreta, com o objetivo de estudar os mistérios da vida, assim como as tradições osirianas. Tutmés III usava sua insígnia pessoal, um escaravelho, que se tornou selo da ordem e hoje é usado pelos rosacruzes. Após A morte deste faraó, seu filho Amenhopet II passa a reger e assume os encargos do pai na fraternidade em setembro de 1448 a.C.. Em 1420 a.C. foi sucedido por seu filho, Thutmose IV, e este por Amenhopet III, que finalmente foi sucedido por seu filho Amenófis IV (ou Akhenaton – XVIII Dinastia), que particularmente é importante na história da Ordem Rosacruz. Considerado o primeiro Grande Mestre da Ordem, seu reinado é marcado pela instauração aos poucos do conceito monoteísta, a crença em um Deus único, criador de tudo o que existe. Esse deus chamava-se Aton, e acabou dando um novo nome ao faraó; Akhenaton (Devoto de Aton) [leia sua biografia na nossa área de Biografia dos Grandes Ocultistas]. Seu pai construíra o templo de Luxor, dedicado a fraternidade.

Foi Akhenaton quem construiu uma nova capital em El Amarna e um templo em forma de cruz dedicado à Aton. Neste templo vivia cerca de 236 Frates em regime monásticos. Eles usavam um cordão na cintura e viviam com a cabeça coberta. O sacerdote vestia um sobrepeliz de linho e tinha um corte de cabelo circular na cabeça. Akhenaton introduziu a cruz e a rosa como símbolos e adotou a CRUZ ANSATA Como emblema a ser usado por todos os mestres da ordem.

Com a morte de Akhenaton , terminou a primeira fase da Fraternidade. E os sacerdotes contrariados retomam o culto politeísta para agradar ao povo.

Não se pode esquecer que Moisés, filho da tribo de Levi, foi criado no Egito como filho de faraó Amenhotep, recebeu a educação de um herdeiro, freqüentou as escolas egípcias e provavelmente as escolas-de-mistérios, onde adquiriu o dogma de Monoteísmo. O dogma do “Deus Único”, era interpretação da Fraternidade Egípcia e constituía ensinamentos do Faraó Akhenaton que fundara a primeira religião monoteísta conhecida pelo homem.

Com a queda do império egípcio, cabe às Escolas de Mistério gregas perpetuarem os segredos.

Segundo os escritos da AMORC, durante o século XII, ela se desenvolveu na Alemanha, mas era secreta e inativa em suas manifestações externas. Este período de inatividade duraria cerca de 108 anos. Segundo muitos historiadores a fraternidade funcionava em períodos de atividades e outro de inatividade alternadamente e cada período duraria cerca de 108 anos, porém não se sabe porque esses ciclos foram adotado. Parece que a cada novo ciclo a Ordem renasce e sem ligações com os ciclos anteriores., sabe-se também que a diferença nos ciclos de atividade e inatividade, variava de país para país. Por isso quando a Fraternidade estava ativa na Alemanha, ela estava inativa na França. Esta falta de coincidências dos ciclos dificulta muito os estudos históricos para determinar a origem exata da Fraternidade em cada país.

O novo ciclo teve início no ano de 1915 (em 2007 teremos 92 anos de atividade), nos Estados Unidos, com Harvey Spencer Lewis primeiro Imperator sendo ele mesmo seu representante perante a FUDOSI, uma federação independente de ordens esotéricas. No início a sede da AMORC era na cidade de Nova Iorque, tendo lojas em São Francisco e Tampa, no estado da Flórida. A sede da Suprema Grande loja foi deslocada em 1927 para San José, na Califórnia. Em 1990, a sede foi transferida para a Cidade de Quebec, no Canadá.

O Dr. Lewis teria sido iniciado na tradição rosacruciana na Europa, em Toulouse, na Ordre Rose-Croix, por Emille Dantine. Como parte desse iniciação, foi ortogado ao Dr. Lewis cartas de autorização para fundar a AMORC como um novo corpo rosacruciano nos Estados Unidos. Através de seus inúmeros contatos europeus, o Dr. Lewis se associou à Madame May Banks-Stacy, uma das últimas sucessores da colônia original de rosacruzes que migraram para a América nos fins do século XVII. Já no final dos anos 20, ele se tornou uma figura notável e muito conhecida no mundo esotérico. Harvey Spencer Lewis morreu em 1939 e lhe sucedeu no cargo de Imperator seu filho, Ralph Maxwell Lewis, quem lhe servia anteriormente de Grande Secretário. Gary L. Stewart foi apontado para o cargo de Imperator para susceder Ralph Maxwell Lewis em 1987. O atual Imperator é Christian Bernard, que foi eleito para o cargo de Imperator em 1990.

A Ordem também é conhecida por seu nome em Latim, Antiquus Mysticusque Ordo Rosæ Crucis ( = Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, de onde temos a sigla AMORC). Esta denominação é a simplificação de “Antiga e Arcana Ordem da Rosa Vermelha e da Cruz Dourada”.A AMORC é a maior fraternidade rosa-cruz existente, em número de membros e de países em que possui membros ativos. Hoje, essa sociedade possui lojas em mais de 50 países.

A AMORC considera que provavelmente foi filósofo e ensaísta inglês Sir Francis Bacon (1501-1626) o autor do Fama Fraternitas e de outros trabalhos que reavivaram a Ordem na Alemanha. O livro “The New Atlantis”, escrito por ele, parece indicar esta conexão, segundo a Ordem.

A Segunda Grande Guerra Mundial teve um impacto devastador sobre os membros de muitas ordens esotéricas, já que tais ordens passaram para ilegalidade sob as leis nazistas de Adolf Hitler. Várias lideranças conhecidas foram presas, perseguidas, e em alguns casos, assassinadas pela GESTAPO. Outros ainda encontraram seu triste fim em campos de concentração, como prisioneiros comuns. A AMORC, estando protegida de tais perseguições, estando bem fundada nos Estados Unidos, cresceu imensamente nesse duro período. Após a destruição causada pela guerra, muitas ordens encontraram a apoio necessário na AMORC para retomarem seus trabalhos. Eventualmente, muitas ordens foram incorporadas pela administração da AMORC, em San José, como é o caso da Ordre Rose-Croix e da Ordre Martiniste Traditionnel (Tradicional Ordem Martinista – TOM).

A hierarquia da AMORC compreende 12 graus.

A Ordem Rosacruz-AMORC apresenta-se oficialmente com o símbolo do Sol Alado tendo acima a palavra “AMORC” e abaixo “Ordem Rosacruz”, Segundo a Ordem, através da história um número proeminente de pessoas no campo da ciência e das artes foram associados com o movimento Rosa Cruz, como Leonardo da Vinci (1452-1519), Francoix Rabelais (1494-1553), René Descartes (1596-1650), Blaise Pascal (1623-1662), Baruch Spinoza (1632-1677), Isaac Newton (1642-1727), Gottfried Wilhelm Leibnitz (1646-1716), Benjamin Franklin (1632-1677), Thomas Jefferson (1743-1826), Claude Debussy (1862-1916), Erik Satie (1866-1925) e Edith Piaf (1915-1952).

A Grande Loja do Brasil da Ordem Rosacruz implantada em 1956 no Rio de Janeiro, foi transferida para Curitiba em 1960. O templo faz parte de um conjunto arquitetônico de 06 edifícios em estilo egípcio em homenagem aos seus primeiros membros que (supostamente) se reuniam nas câmaras secretas da grande pirâmide. Nos outros edifícios funcionam a administração geral, o auditório “H. Spencer Lewis”, um memorial com pirâmide e a Loja Curitiba, onde funcionam a biblioteca e o museu com reproduções de peças egípcias de várias dinastias, inclusive papiros e múmias.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/antiga-e-mistica-ordem-rosa-cruz/

Evolucionismo, o Conto de Fadas de Darwin

Todos nós fomos presos em uma fábula sem saber. Todos vivemos um conto de fadas sem nos atentarmos a isso, acreditamos que ele seja real. Sempre que…

Ok, você já leu o título do artigo, na verdade clicou nele para chegar aqui, vamos deixar o melodrama introdutório de lado. Na verdade, ao contrário do que possa parecer, este texto não tem como objetivo mostrar como Darwin está errado, como seus seguidores levaram o naturalismo ao patamar de uma religião e como os evolucionistas querem dominar o mundo. Este texto está sendo escrito apenas para mostrar como Darwin e o Darwinismo não estão certos.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOHHHHHHHH!

Breque sua mente agora. Antes que qualquer idéia de Deus não existe, Monstro do Espaguete Voador, Eles Vs Nós continue a se desenvolver. A genética é uma ciência séria e bem desenvolvida. Milhões e mais milhões de dinheiros são gastos a todo o instante com ela para provar. Existem centenas e milhares de terabytes de códigos genéticos armazenados em arquivos de computadores e graças a ela você pode dizer hoje que o seu segundo dedo do pé ser maior do que o seu dedão é uma lembrença de seus antepassados egípcios. Mas o que muitos se esquecem é que a genética é uma ferramenta, apenas isso, não uma verdade final e nem algo que nos ajude a descobrir algo sobre o surgimento da vida, que parece ser o uso que estão dando para ela nos dias de hoje, a genética e a biologia sendo usadas como forma de confirmar o evolucionismo, e isso é engraçado, já que não existem provas de que a evolução exista.

Agora acredito que podemos começar com o texto de fato, e assim sendo vamos começar estabelecendo uma base comum para podermos dialogar; vamos, por assim dizer, nos familiarizar com alguns termos e conceitos para tentar eliminar o máximo possível de futuros desentendimentos. Se você é um “cético-ateu-materialista” já devo ter ganhado seu ódio a essa altura do texto. Mas como você ainda está lendo, há esperança. Comporte-se e no final ganhará uma banana.

 

Religião Vs Ciência, o vencedor é…

 

Acredito que uma das maiores frustrações dos ateus brasileiros é não haver por aqui o fundamentalismo religioso que existe em outras partes do mundo (Especialmente nos países mais primitivos como Estados Unidos e Afeganistão). Nestes lugares a religião ou tem o posto de política ou faz parte do cerne político. Aqui no Brasil não. Claro que terá gente gritando “COMO NÃO? VOCÊ NÃO ASSISTE TELEVISÃO? NÃO LÊ JORNAL?”. Respondo que não, prefiro estragar meu cérebro com algo mais saudável, como fumar meio quilo de metanfetamina por dia, do que com nossa mídia privada[1], e então novamente respondo que mesmo tendo evangélicos se elegendo deputados, tendo a igreja pressionando leis anti-aborto, religiosos pedófilos e romarias a Nossa-Senhora Aparecida todo ano no aniversário de Aleister Crowley, nossa religião é como nosso carnaval, um bando de bundões pra cima e pra baixo. Eymael, o democrata cristão tenta se eleger ha décadas, ele até mudou o jingle de sua campanha agora. Mas o máximo que temos são religiosos que de vez em quando falam que homossexualismo é doença, que roubam sem parar aqueles que querem ser roubados e que fazem passeatas pela paulista. Por Deus, pare para pensar que neste país, a pessoa que se diz a encarnação de Jesus Cristo é um senhor que aparece na televisão jogando boliche e sinuca, ele não está construindo o maior Templo religioso do mundo, nem pedindo para enviarem dinheiro para ele. Se parar para ver ele inclusive fala mal do que hoje os ateus consideram ser o cristianismo.

Assim a igreja aqui é mulata, tem seus altos e baixos, mas como toda empresa que não quer perder sua fatia do mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem regiões conhecidas como Cinturões da Bíblia – Bible Belts – onde o protestantismo é levado a ferro e fogo. O filme Footloose aqui pode ser uma prova de que Kevin Bacon talvez dance melhor do que atue, lá isso é realidade. Aqui quando dizem que vão obrigar escolas a ter uma bíblia não se compara com o que acontece lá quando falam que vão tirar biologia do currículo escolar. Como no caso de Galileu, e mais para frente vamos voltar a isso, aqueles que de fato foram contra a sua idéia não foram os religiosos, foram os outros cientistas de sua época. Nos EUA, quando descem uma lei religiosa não é a igreja se impondo, são os cidadãos pedindo. Aqui uma playboy de uma bela mulher nua carregando um crucifixo pode deixar pessoas bravas, no Irã um livro sem imagens pode causar uma ordem política de morte do escritor. Nos EUA, em contra partida, as pessoas acham divertido queimar livros sagrados para mostrar como a religião está ultrapassada no melhor estilo nazista, Deus pode não existir para ficar bravo com eles, mas Hitler, se estivesse vivo, com certeza ficaria orgulhoso.

Desta forma, ser ateu no brasil é meio sem graça, da mesma forma que foi ser um hippie aqui nos anos 1960 e 1970, a tropicália podia ser boa, mas nunca foi um Woodstock. Hoje alguém dizer, por aqui, que é discriminado por ser ateu é um berro por atenção. E não digo isso da boca para fora. Já fui contratado em empresas grandes e tradicionais mesmo afirmando que era Satanista na entrevista de emprego. Se ateus sofrem discriminação, imaginem satanistas. Mas não aconteceu nada. É por isso que campanhas atéias em ônibus neste país nunca passarão de mera curiosidade. Assim, a primeira coisa que os ateus devem fazer é ter em mente que seu ateísmo deveria afetar apenas a si mesmos. Ser agressivos em relação à religião apenas torna uma crença que deveria ser arreligiosa em uma crença religiosa – “Minha fé é que Deus não existe”.

Por outro lado, religião não é catolicismo, cristianismo e islamismo. Os judeus se deram bem nessa porque uma pessoa que fale do judaísmo da mesma forma que se costumam falar de suas duas religiões irmãs é tachada de anti-semita e isso é muito feio hoje em dia. No Brasil de fato é pior ser anti-semita assumido do que ateu assumido, nessa os nazistas levaram a melhor, eles tem uma discriminação real em cima deles. A religião é simplesmente o meio que um indivíduo tem de se re ligar ao que considera sagrado. A própria palavra religião de deriva de religare.

Mas esse sagrado é Deus?

No caso dos Judeus, Cristãos, Mulçumanos, Rastafaris, Bahais, etc. sim. No caso do paganismo esse sagrado é uma mulher. No caso dos Satanistas esse sagrado é seu próprio ego satânico. No caso do Budismo é a iluminação interior. Para os Xintoistas são os antepassados, a natureza e várias deidades. No caso dos pitagóricos eram números, no caso de alguns é a música, de outros é a matemática. No caso do Morbitvs é aquela coisa que ele esconde naquela caixinha preta. Nem toda religião precisa de um Deus, e nem todo Deus é um senhor de barbas que fica bravo cada vez que você se masturba. Einsten disse certa vez que “todo aquele que está seriamente envolvido na busca da ciência se torna convencido de que um espírito está manifesto nas leis do universo, um espírito muito superior ao do homem, um espírito diante do qual nós, com nossos modestos poderes, devemos nos sentir humildes”.

Da mesma maneira que é fácil confundir religião com “Deus”, é fácil se confundir ciência com método científico. Enquanto o método científico é uma série de procedimentos pelo qual uma experiência é repetida na busca de um resultado – se depois de vários experimentos o resultado se repete então a experiência comprova ou desprova algo. O método científico necessita rigor, um rigor tão fundamental e sério que muitos cientistas acabam forjando resultados para conseguir comprovar idéias, conseguir fundos, ou mais fundos para suas pesquisas e fama. Neste aspecto cientistas não são diferentes de pastores evangélicos, independente de alguma coisa que queiram vender para os outros, também podem fazer de tudo para encher suas cuecas de dinheiro.

Já a ciência representa o conhecimento. Assim como religião se deriva de uma palavra latina, neste caso scientia. A ciência é o meio que um indivíduo tem de se ligar a uma fonte de conhecimento. E assim como os protestantes afirmam que os católicos são o diabo, que os mulçumanos juraram acabar com os infiéis cristãos e que todo mundo já tentou dar um fim ao judaísmo, as diferentes áreas da ciência adoram se atacar umas às outras. A alopatia desdenha a homeopatia, os físicos tiravam sarro de quem defendia que o universo era formado por cordas, os astrônomos gritam que ufologia é a maior fraude de todas e nenhum cientista sério leva os estudos parapsicológicos a sério. Para cada Aiatolá mulçumano que condena escritores à morte em nome da religião temos um doutor Menguele injetando tinta nos olhos de pessoas despertas em nome da ciência. Isso nos mostra que nem todo mundo sabe de fato o que é religião nem ciência, assustadoramente que nem aqueles que hoje representam a religião e a ciência parecem saber o que significa aquilo que representam.

Assim da mesma forma que é mister que se compreenda que a religião não está dentro de uma igreja e sim a igreja está dentro da religião, a ciência não está dentro de um laboratório, o laboratório está dentro da ciência. E já que Einstein foi citado uma vez, citê-mo-lo mais uma:

“Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega.”

Hoje um encontro dos mais estimados porta-vozes de ambos os lados não passa de um confronto de gente que não anda direito com gente que não sabe pra que lado deve xingar. Mas as coisas estão começando a mudar.

 

Evolucionismo Vs Criacionismo, o vencedor é…

Existe uma expressão muito interessante que, embora usada raramente em português, é bem popular nos países de língua inglesa: Cuidado para não jogar fora o bebê junto com a água do banho. O termo em inglês “Throw out the baby with the bath water” chegou a ser usado por Martin Luther em seus discursos, mas ele é ainda mais popular entre os alemães como Johannes Kepler, Johann Wolfgang von Goethe, Otto von Bismarck, Thomas Mann and Günter Grass já mostraram. A expressão deriva-se de um provérbio alemão “das Kind mit dem Bade ausschütten” e tem sua versão impressa mais antiga no livro Narrenbeschwörung de Thomas Murner, publicado em 1512. O livro de Murner traz uma ilustração de uma mãe jogando fora uma criança junto com a água suja do banho[2].

Essa expressão sugere que devemos nos livrar de erros onde algo bom é eliminado com algo supérfluo, ou pior: onde algo essencial é descartado enquanto o supérfluo é mantido. Ambas as sugestões se encaixam como uma luva aqui. A discussão de Evolucionismo Vs Criacionismo deixou o objetivo de tentar se chegar ao conhecimento sobre a vida (sua origem e seu desenvolvimento) e se tornou um braço de ferro para se provar se Deus existe ou não!

Novamente o Brasil ficou parcialmente de fora dessa discussão, que teve seu campo de batalha em solo estadunidense e se espalhou para as terras de sua antiga senhora, a Inglaterra tomando as dores da antiga colônia. Toda vez que esse assunto surge no Brasil ele é mostrado como um ignorante discutindo com um alucinado, esse assunto dificilmente encontra solo cultural para se desenvolver aqui, mas os religiosos-mirins e os pseudo-céticos adoram discuti-lo como se fosse a bolacha mais saborosa do pacote.

Na prática o que acontece é que nos EUA os religiosos e os cientistas entraram em guerra e se perderam nos detalhes, deixando o assunto principal para trás. O nome de Darwin é usado como exemplo de um herói, mesmo seu Darwinismo tendo sido revisado e corrigido até se tornar algo diverso do que ele havia proposto da mesma forma que Deus é evocado na esperança de lavar a terra dos pagãos com um novo dilúvio – ignorando que no capítulo da Bíblia que descreve como Ele criou a vida, Ele era retratado como uma presença física que fazia barulho quando caminhava e tinha uma presença real como a das árvores.

Tecnicamente o que ambas as teorias defendem são coisas diferentes. Uma defende que a vida não surgiu no planeta como resultado de acasos químicos e elétricos, a outra defende que a vida uma vez presente se adapta ao meio ambiente. Na verdade as duas poderiam se complementar, mas como todo mundo tem um lado racista esperando um motivo para brotar, os defensores de ambas as filosofias se atacam e consideram a existência do oponente um crime contra a própria fé.

Agora vejamos o centro da discussão:

“Hoje eu existo, e acesso a internet. Existem outros como eu que também acessam. Meu cão não acessa a internet nem tem diploma. Um macaco pode acessar a internet e jogar pac-man, mas ele fede mais do que eu e é mais peludo. Me convenço que existem criaturas inferiores a mim e como sou eu que estou pensando não admito nenhuma superior. De onde veio isso tudo?”

No início, milhares e milhares de anos atrás, as pessoas não possuíam a nossa tecnologia mas possuíam nossa curiosidade. Tentando explicar a vida diferentes povos chegavam a diferentes conclusões.

Os Antigos Egípcios diziam que no início havia apenas trevas e a água primordial Num, uma espécie de oceano, que continha todos os germes da vida. Surgiu então a forma suprema Khepera, que se criou a sim mesmo pronuncinado o próprio nome, Atum. Dele vieram o Ar Seco e o Ar Úmido, que deram origem ao céu e às águas, surgiram então a Terra Seca e o Céu. O mundo e a vida teriam surgido da união do céu com a terra.

Os Gregos diziam que no início havia o Caos, dele surgiu Ébero, a parte mais profunda do submundo, e Nyx a noite. Deles vieram o Ar e o Dia. Veio Gaia, a terra, que seria a base em que todas as coisas vivas tem sua origem. Urano, o céu, se casou com Gaia, a terra e deram origem a todas as criaturas.

O mito Abrahâmico diz que no princípio Deus criou o céu e a terra. A terra era sem forma e vazia e havia trevas sobre a face do abismo. O espírito de Deus se movia sobre as águas. Deus diz Faça-se a Luz e houve a luz. Então houve a separação das águas, criando o firmamento e os oceanos. Dos oceanos veio a terra seca. Da terra seca veio a vida.

Essas e incontáveis outras idéias pré século XVII acabam, em sua maioria, apontando para um princípio antes do princípio onde reinava o Caos, as Trevas, a Escuridão. De lá um princípio criador se fez, alguns o identificam com um princípio masculino, outros feminino, alguns como um casal e ainda aqueles que dizem que esse princípio era impessoal. Dai houve uma separação, as águas do céu e as águas da terra, e das águas da terra surgiram as porções de terreno seco. E da união do céu e da terra veio a vida.

Em alguns casos, antes do surgimento da matéria propriamente dita há uma explosão, um fogo insuportável, uma luz. E então tudo surge. Lembre-se que essas idéias tem sua origem há mais de 2000 anos atrás, quando espectrômetros, radares, medidores de microondas ainda não existiam – se vamos acreditar nos antropólogos e arqueólogos de plantão.

E então no século XX surge uma nova idéia que curiosamente se originou dos trabalhos de um padre católico. Em 1927 Georges Lemaitre, trabalhando com as equações de campo de Einstein chegou a algumas equações interessantes que mostravam que os desvios espectrais observados em nebulosas se deviam a uma expansão do universo. Se o universo estava se expandido algo devia ter acontecido, como uma grande explosão. Mas o que teria explodido? Um átomo primordial foi a resposta. Dois anos depois Edwin Hubble forneceu bases observacionais para a teoria de Lamaitre.

De acordo com a crença do Big-Bang, não há como se descrever o que havia antes, acredita-se que nem espaço nem tempo. Então algo explodiu, talvez uma uma concentração de matéria e energia extremamente densa e quente, e então essa explosão cria nuvens de matéria que se tornam densas. Se separam da matéria mais esparsa do universo formando estrelas e planetas. Os planetas se solidificam, e no caso da terra, assim que a massa gasosa se torna uma esfera sólida, ela se cobre de água e nuvens de vapor, com o tempo surge a terra seca desse oceano primevo e a vida surge no planeta. Hoje o Big-Bang evoluiu para novas teorias como a teoria que o nosso universo é criado quando duas membranas se chocam e energia vira energia + matéria e a história segue dai.

Todas essas histórias são ótimas para explicar o surgimento do universo, dos planetas e daquilo que nos cerca. Mas todas falham ao chegar no cerne da questão: o surgimento da vida!

O criacionismo, em sua pluralidade, afirma que a vida não brota do nada, ela precisa de um princípio criador para surgir.

O evolucionismo, proposto por Darwin, aponta que a vida evolui, mas não tem nada a ver com a origem da vida, a não ser em um aspecto distante e filosófico: se seres complexos evoluem de seres mais simples, qual teria sido o primeiro ser?

Assim os estudos científicos da origem da vida acabam envolvendo mais de uma área da ciência: química, biologia, física, astronomia e geologia. Grande parte dos evolucionistas acabam sendo os biólogos. Por algum motivo a ciência tropeçou na religião que tropeçou na ciência que tropeçou na religião e criou-se um debate que perdura hoje, principalmente nos EUA, praticamente por birra. Em teoria, enquanto o evolucionismo afirma que no momento em que a vida surge ela evolui, o criacionismo defende que um princípio criador é necessário para que se haja vida. Na prática o que acontece é que protestantes radicais ficam trocando insultos com ateus radicais e ninguém nunca chegará a lugar nenhum. Mancos tentando alcançar cegos que não sabem para que lado correr.

 

 

Surge a vida – e uma vaga idéia sobre mudança

 

Ninguém sabe como a vida surgiu. Para sermos sinceros ninguém sabe o que é a vida e como classificar um ser vivo. A vida em si é um conceito que admite mais de uma definição. Podemos dizer que vida é o período entre o nascimento e a morte de um organismo ou então aquilo que torna um ser vivo algo vivo. Mesmo na biologia há confusão, se considerando algo como “ser vivo” se esse algo demonstra pelo menos uma vez durante sua existência os seguintes fenômenos:

– Crescimento, produção de novas células;
– Metabolismo, consumo, transformação e armazenamento de energia e massa; crescimento por absorção e reorganização de massa; excreção de desperdício;
– Movimento, quer movimento próprio ou movimento interno;
– Reprodução, a capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria;
– Resposta a estímulos, a capacidade de avaliar as propriedades do ambiente que a rodeia e de agir em resposta a determinadas condições.

O problema com essas definições é que existem exemplos que as tornam insatisfatórias:

– Um fungo é um ser vivo

Se adicionarmos o requisito de limitação espacial, através da presença de alguma estrutura que delimite a extensão espacial do ser vivo, como por exemplo a membrana celular. O problema com isso é que surgem novos problemas na definição de indivíduo em organismos como a maioria dos fungos e certas plantas herbáceas.

– As estrelas são seres vivos

Por motivos semelhantes aos do fungo.

– O fogo é um ser vivo.

Por motivos semelhantes a estrelas. O fogo nasce, cresce, se reproduz assexuadamente, possui um metabolismo (oxida), tem movimento e responde a estímulos externos. Como um rato ou um rapper ele até mesmo morre se você tira seu ar. Na verdade em alguns momentos da história (como na Pérsia Antiga) as pessoas tinham até fogo de estimação.

– Vírus e afins não são seres vivos porque não crescem e não se conseguem reproduzir fora da célula hospedeira

Mas muitos parasitas externos, que são considerados seres vivos, levantam problemas semelhantes.

Assim não há como saber exatamente o que podemos considerar algo vivo e, assim sendo, não há como apontarmos se a vida pode se originar de matéria sem vida ou não. Mas do momento em que a vida surge ela passa a se comportar de uma maneira previsível, ou não.

O evolucionismo sugere apenas uma resposta para algumas perguntas interessantes: De onde viemos? Por que existe tanta variedade de coisas no mundo? Por que uma pessoa é tão diferente de um coelho, embora tenham tanto em comum?Tecnicamente tudo o que o evolucionismo afirma é que as espécies podem sofrer transformações ao longo do tempo. Ele é um conto de fadas como todos os outros que temos e até que tenhamos alguma evidência da origem da vida continuará assim. Para entender isso vamos mergulhar na história da evolução.

A teoria da evolução das espécies teve seu primeiro defensor em um senhor que ficou conhecido por suas longas barbas, sua cabeça calva e suas roupas exóticas. Ele viveu do outro lado do oceano no século VI antes de Cristo e se chamava Anaximandro. Em sua época ele defendeu que os organismos vivos se transformam gradualmente a partir da água graças à ação do calor até que se formam as formas mais complexas e que o Homem tem a sua origem em animais de outro tipo. Demócrito, outro grego clássico, defendeu no século V antes de Cristo que as formas de vida mais simples tinham origem no “lodo primordial”.

Essa idéia voltou a surgir mais de dois mil anos depois nos trabalhos de George-Louis Leclerc no século XVIII, que permitiram o surgimento da ideia de “Transformismo”, onde se admite que as diferentes espécies derivam uma das outras por degeneração num processo lento e progressivo, existindo espécies intermediárias até surgirem as formas atuais. Leclerc afirmava que as condições ambientais a que as espécies estavam sujeitas eram fundamentais ao processo de degeneração, criando a necessidade da noção de tempo geológico em suas idéias. Outro europeu do século XVIII que trabalhou com a idéia do transformismo foi Pierre Louis Maupertuis, que acreditava que as espécies resultavam de uma seleção provocada pelo meio ambiente resultando na infinidade de seres vivos existentes.

Ainda no século XVIII outra área da ciência surge para influenciar a visão da evolução da vida. Em 1778, James Hutton publica o livro Theory of the Earth, Teoria da Terra, um tratado sobre os fenômenos geológicos onde estabelece uma idade para a Terra, bastante superior àquela admitida até então, e defende que as forças naturais de hoje são as mesmas desde sempre, isto é, os fenômenos geológicos repetem-se ao longo da história da Terra. No século XIX Charles Lyell, um geólogo britânico, desenvolve o trabalho de Hutton concluindo que:

  • as leis naturais são constantes no espaço e no tempo;
  • a maioria das alterações geológicas dá-se de forma lenta e gradual.

O que Lyell fez foi lançar a idéia de que a natureza avançava, mudava, de forma gradual e assim, mesmo contra a sua vontade, sua teoria acabou servindo de mais combustível para a discussão sobre a evolução biológica.

E assim se abrem as portas para Lamark, Wallace e Darwin.

 

Surge Darwin

 

Charles Darwin nasceu em Shrewsbury, Inglaterra, em 12 de fevereiro de 1809, pertencente à proeminente e abastada família Darwin-Wedgwood e à elite intelectual da época. Desde jovem mostrou interesse por história natural, antes de se tornar um naturalista famoso atendeu a um curso de medicina, que abandonou por causa da brutalidade médica da época – e a um de teologia. Terminado o curso de Teologia Darwin não desejou ser ordenado imediatamente, desejando conhecer o mundo antes. Foi então que embarcou em sua famosa viagem de 5 anos a bordo do Beagle, as anotações e estudos que fez à época lhe trouxeram reconhecimento como geólogo e fama como escritor. As observações da natureza que coletou durante a vida, até então, ao estudo da diversificação das espécie.

Darwin tinha plena consciência de que outros antes dele haviam publicado idéias que sugeriam que a vida evoluia e se adaptava, e todos haviam sido punidos de forma severa por defender aquele tipo de idéia, por isso ele apenas compartilhou suas hipóteses com amigos próximos e continuou a desenvolver suas pesquisas tentando antecipar possíveis ataques de críticos a suas idéias. Em 1859 publica A Origem das Espécies, onde introduz a idéia de evolução a partir de um ancestral comum graças ao mecanismo da seleção natural. E então o mundo enlouqueceu.

Hoje muito se discute sobre a posição religiosa de Darwin, como ele pulou de um brilhante estudante de teologia para um ateu que não via mais sentido na bíblia ou em Deus. Supostamente seus estudos eram tão contundentes de que a vida não precisava de um Deus que isso acabou com a tolice que era sua religião. Outros dizem que com a morte de sua filha ele ficou recentido com um Criador capaz de algo tão mesquinho quanto a morte de uma criança inocente.

Tudo isso, é claro, é totalmente irrelevante para sua teoria da evolução. Se algo é verdade, não importa o mensageiro que distribui a mensagem, a mensagem é que se torna relevante. O que é de fato relevante é que Darwin tinha em mãos as ferramentas de sua época para realizar suas pesquisas, o que ele fazia como um cientista “bona fide”. Vejamos então no que consiste o trabalho que ele desenvolveu.

Darwin não criou uma teoria, ele trabalhou com várias. Suas teorias consistiam de sete hipóteses principais, sendo apenas duas e meia originais:

– Transmutação das Espécies

– Luta pela Sobrevivência

– Descendência Comum

– Especiação Biogeográfica

– Seleção Natural

– Seleção Sexual

– Hereditariedade – Uso e Desuso e Pangênesis

  • 1. Transmutacionismo (também chamado de Descendente Modificado por Darwin)Na Grécia antiga, se formulou a idéia de que espécies eram entidades fixas, imutáveis. Platão, observando as variações dentro das espécies, concluiu que estas eram imperfeições, e o imutável seria a essência do organismo, idêntica para todos membros de uma mesma espécie. Erasmus Darwin (o avô) escreveu alguns ensaios sobre suas teorias transformistas, que foram lidas por Charles Darwin na adolescência, sendo relembrados assim que teve sua primeira idéia de que as espécies pudessem se transformar em outras.

 

  • 2. Luta Pela ExistênciaEste aspecto abordado frequentemente na teoria de Darwin dizia respeito à competição inter e intra espécies. As primeiras idéias sobre o tema veio da leitura do ensaio de Malthus (1838), Principle of Population, onde se falava que em breve o mundo teria mais pessoas do que a quantidade de comida produzida. Se nascessem mais pessoas do que pudessem sobreviver, isto geraria uma alta competição na espécie humana.
  • 3. Descendência comum (ancestralidade)Lamarck apresentou sua teoria em 1809, na qual apareciam as primeiras idéias de origem das espécies, mas estas eram restritas a determinados grupos de animais e plantas, que no princípio eram derivados de diferentes eventos de geração espontânea. Richard Owen utilizou anatomia comparada e introduziu os princípios de Homologia e Analogia. Asas de patos e colibris seriam homólogas, mas no entanto as asas de morcegos e borboletas seriam análogas a estas primeiras. Von Baer publicou sua “Teoria da Recapitulação” em 1832 onde o desenvolvimento do embrião recapitulava os estágios anteriores das histórias das espécies. Então os arcos branquiais dos embriões de mamíferos seriam resquícios de sua vida aquática. Ernest Haeckel (após a publicação de Darwin) renovou a “Teoria da Recapitulação” dizendo estar esta totalmente de acordo com os princípios de Darwin, publicando a chamada Lei Biogenética – Ontogenia recapitula a Filogenia.Durante as viagens a bordo do Beagle, Darwin leu atentamente as obras do grande geologista e criacionista Charles Lyell. Incorporando a teoria do “uniformitarismo”, o qual a Terra estava em constante mudança, Darwin sincronizou a mudança geológica com a biológica, e passou a observar os fósseis como possíveis ancestrais dos organismos modernos.

 

  • 4. Especiação BiogeográficaAlguns precursores, tais como Bufon e Gmelin, hipotetizaram múltiplos centros de criação das espécies no mundo e estas eram produto das condições da região onde se originavam. Uma série de zoologistas da época de Darwin acreditava que as espécies se distribuíam a partir de um ponto de origem. Esta distribuição, quando interrompida por uma barreira geográfica, levou Darwin a propor um modo de especiação alopátrica. No entanto Darwin parecia dar mais peso aos modos de especiação simpátrica, sem necessidade de isolamento geográfico.Darwin, assim como Alfred Russel Wallace, utilizara-se de extensa informação advinda de suas coletas de material biológico de diferentes regiões: América do Sul e Galápagos durante a viagem do Beagle por Charles Darwin e na Amazônia e Arquipélago Malaio por A.R. Wallace. Os dois independentemente descobriram os princípios de especiação geográfica e seleção natural.
  • 5. Seleção naturalLamarck apontava duas causas para a mudança evolutiva: direcionamento à perfeição (progresso) e capacidade de adaptação do organismo (uso e desuso). A primeira parte foi inteiramente discordante da teoria de Darwin, mas a possibilidade de influência do ambiente na herança foi também evidenciada na obra de Darwin. Na verdade, os mecanismos de herança não eram conhecidos, e se imaginava que as chamadas gêmulas pudessem captar sinais do ambiente e transferi-los às próximas gerações.No entanto, Darwin atribuiu como causa principal de mudança evolutiva, a seleção natural, que se baseava na ação do ambiente sobre variações previamente existentes, geradas aleatoriamente. A seleção natural, parecida com a que Darwin publicara, foi abordada brevemente em alguns ensaios por Patrick Mathew, em 1831, e Charles Wells, em 1813, este último trabalhando sobre “raças” humanas. Darwin deu um sentido global, abrangente a todos os organismos, para o papel da Seleção Natural. Além disto, Darwin didaticamente, fez analogias entre os métodos de seleção artificial de animais domésticos e o princípio da seleção natural.
  • 6. Seleção sexualAparentemente não houve precursores a abordarem este tema, mas Darwin e Wallace exploraram bastante o tópico para explicar a plumagem diferencial de machos e fêmeas em alguns pássaros. No entanto, Wallace não concordava com Darwin a respeito da escolha da fêmea se relacionar com a plumagem mais colorida dos machos, e somente considerava que estas eram selecionadas assim para proporcionar camuflagem.
  • 7. HereditariedadeO princípio das gêmulas de Hipócrates foi reformulado por Darwin com a Pangênese para explicar o mecanismo de herança por mistura de caracteres que poderia envolver algum direcionamento ambiental, tal como Lamarck sugeria. No entanto a maior parte da variabilidade de acordo com Darwin teria uma origem alheia ao ambiente, sendo este apenas o fator direcionador de características relacionadas à adaptabilidade do indivíduo que foram geradas ao acaso.

A Herança por Mistura, uma crença comum na época, dizia que em geral os filhos herdavam caracteres que seriam a média daqueles dos pais. Deste modo a variabilidade ia se perdendo a cada geração como muitos argumentavam, e em contrapartida Darwin sugeria que talvez o ambiente fizesse com que novas variações aparecessem em alguns casos, aumentando a variação que era perdida pela mistura. No entanto esta variação seria ainda gerada ao acaso e não sendo para um determinado propósito como Lamarck sugeria.

Após a sétima edição do “Origem das espécies” a Pangênese recebeu maior ênfase, o que hoje é visto como resultado da perplexidade de Darwin em não conseguir explicar a hereditariedade e seu papel na Evolução, que apesar de ter sido explicada por Gregor Mendel em 1865, não foi reconhecida e divulgada até o ano de 1900. Para muitos, Darwin se tornou um pouco “Lamarckiano” com o passar dos anos. No entanto, apesar do desconhecimento de Darwin acerca da hereditariedade, os princípios evolutivos e o mecanismo de seleção natural se mostraram compatíveis com a moderna visão da genética, o que levou a uma fusão das duas que teve início em 1930, com estudos de genética das populações na chamada Síntese Evolutiva.

Dessas a Transmutação das Espécies já havia sido estudada por Lamarck e por Erasmus Darwin – o avô de Darwin – e já havia sido explorada nos escritos anti lamarck de Lyell. A Luta pela Sobrevivência já vinha sendo debatida desde a época de Heráclito, e já havia sido estudada e publicada em obras e inúmeros cientistas, como Malthus, contemporâneo e conhecido de Darwin. Já a  Descendência Comum, apesar de ter sido tratada por outros cientistas como von Baer, Owen e Maupertuis, foi usada pela primeira vez para sugerir a existência de um único ancestral por Darwin. Especiação Biogeográfica também já era um assunto conhecido, Wallace, Gmelin, von Buch eram alguns de seus estudiosos. A Seleção Natural foi um dos insights de Darwin, ela chegou a ser proposta de maneira independente por Wallace, e Wells já a havia discutido, mas nunca como um dos mecanismo que torna a evolução possível. A Seleção Sexual também já era discutida desde a antiguidade, mas foi com Lamark que se desenvolveu na época de Darwin. A Hereditariedade foi outra das inovações originais de Darwin.

Desde que começou a trabalhar em sua obra, nos momentos livres, Darwin temia publicar sua teoria. Não pelo fato de suas idéias serem bombásticas, mas temendo a crítica que poderiam receber. Em sua época ele não era o primeiro a se embrenhar com a origem do homem e das espécies mas todos aqueles que se arriscavam a publicar suas idéias eram duramente criticados, especialmente o trabalho de Jean-Baptiste Lamarck, que não penas haviam sido consistentemente rejeitadas pela comunidade científica britânica como também foram associadas à noção de radicalismo político. Outra publicação sobre o assunto, a “Vestígios da História Natural da Criação” – Vestiges of the Natural History of Creation- editada de forma anônima em 1844, foi novamente alvo de críticas, inclusive de muitos amigos e conhecidos de Darwin, e novamente associada a idéias de radicalismo político.

Antes de prosseguirmos é interessante notar que Darwin sempre foi uma pessoa extremamente fragilizada, alguns estudiosos, cínicos e não, chegaram a sugerir que fosse homossexual, como se homossexualismo fosse sinônimo de fragilidade. Independente de suas preferências eróticas, Darwin durante sua vida sofreu inúmeras crises de saúde, que o obrigavam a buscar tratamentos que às vezes duravam meses. Essa natureza também fazia com que ele buscasse evitar conflitos e atritos com as autoridades, eclesiásticas ou não. O tratamento que os “evolucionistas” de sua época vinham recebendo lhe dava a entender que nenhum cientista de reputação iria querer estar associado com tais ideias.

Em um de seus retiros para tratar a saúde em 1849 Darwin conheceu um jovem naturalista e livre pensador chamado Tomas Huxley. Huxely nos próximos anos teria um papel funcamental para a aceitação da Teoria da Evolução, não como pesquisador ou como biólogo, mas como defensor de Darwin.

Assim que Darwin começou a anunciar suas idéias, as mencionando em algumas resenhas que escrevia, ela atraiu pouca atenção. Muitos apenas a encaravam como mais uma dentre as várias teorias evolutivas independentes que existiam na época. Mas então a saúde da Darwin piora novamente e ele precisa de um novo retiro de 13 meses. Incentivado por amigos, Darwin escreveu um resumo de seu trabalho, que foi publicado por Lyell e Murray. Este primeiro livro, resumido, tinha o título de “Sobre a origem das espécies por meio de seleção natural” – On the Origin of Species by Means of Natural Selection – e assim que foi colocado à venda teve sua tiragem de 1250 cópias esgotada. Na época muitas pessoas associavam palavras como “evolução” com uma criação sem a participação de Deus, por isso Darwin tentou evitá-la sempre que possível. Outro cuidado que Darwin tomou foi o de escrever de forma um tanto sutil sobre a idéia de que os seres humanos, a não apenas os animais, deveriam evoluir.

Na mesma época, começavam a surgir outros trabalhos que também lidavam com a evolução da vida, como o escrito por Walace. Lyell então começou a pressionar Darwin para que publicasse logo sua teoria na íntegra. Em 1857 o próprio Wallace, ciente das teorias de Darwin e do projeto da publicação de suas idéias, perguntou ao naturalista se ele pretendia se aprofundar na questão das origens do homem, Darwin respondeu: “Eu acho que irei evitar completamente este assunto, uma vez que ele é rodeado de preconceitos, embora eu admita que este é o maior e mais interessante problema para um naturalista […] não há observações boas e originais sem especulação”.

Sua teoria, assim que publicada, deu início a uma controvérsia que foi acompanhada avidamente por Darwin. Apesar de ter sido extremamente cauteloso em teorizar qualquer coisa sobre a origem do homem, os críticos de sua obra foram rápidos em apontar as implicações que Darwin tentara deixar de fora: os seres humanos também evoluíam, e o homem deveria então ter o macaco como antepassado! Homens evoluíam dos macacos!

Houve críticas e resenhas favoráveis a Darwin e foi ai que suas amizades lhe prestaram o que talvez tenha sido seu maior e mais importante auxílio. Huxley, dentre todos, se tornou um defensor incansável de Darwin, servindo não apenas de entusiasta de sua teoria, mas também de escudo para os contra-ataques. O próprio Darwin não defendia suas ideias em público, se restringindo a fazer comentários através de cartas e correspondência, o “trabalho sujo” ficou a cargo de seu círculo central de amigos cientistas – Huxley, Hooker, Charles Lyell e Asa Gray – que colocavam seu trabalho em discussão nos palcos científico e públicos, defendendo-o de seus muitos críticos e ajudando-o a ganhar respeito.

Foi nesta época que começaram a surgir boatos de um debate acalorado entre Wilberforce, o bispo de Oxford, e huxley onde tendo sido questionado por Wilberforce se ele descendia de macacos por parte de pai ou de mãe, Huxley murmurou: “O Senhor o deixou em minhas mãos” e respondeu que “preferia ser descendente de um macaco que de um homem educado que usava sua cultura e eloquência a serviço do preconceito e da mentira”. Huxley dizia que preferia ser um macaco a um bispo.

A teoria de Darwin, que lhe valeu a medalha Copley da Royal Society em 1864, acabou com o tempo, eliminando a distinção que entre homem e animais. Contrário à sua vontade, sua teoria também foi usada como base para vários movimentos da época ajudando a criar e fortalecer inúmeros movimentos políticos, um dos maiores exemplos sendo o trabalho de Francis Galton, o primo de Darwin, que aplicou as idéias evolucionistas à sociedade, de forma a promover o conceito de “melhorias hereditárias”. Darwin concordava com Galton que “talento” e “genialidade” em humanos eram provavelmente herdados. Em 1883, depois da morte de Darwin, Galton começou a chamar a sua filosofia social de Eugenia, uma idéia que ganhou muitos admiradores na alemanha Nazista que não pouparam esforços para de alcançar a “pureza” racial.

 

Onde o Darwinismo Peca

 

Se o objetivo de Darwin era de fato criar uma ferramenta anti-religiosa ou não, não há como afirmar, talvez nem ele mesmo soubesse responder isso.

Como vimos há forte evidência de que a história da perda gradual de fé do velho britânico seja um pouco exagerada, que talvez desde o princípio a única preocupação de Darwin fosse apenas a resposta do meio científico e nunca tenha tido nada a ver com a igreja. Mas o fato é que hoje se os ateus fossem criar uma bandeira para o seu movimento – que eles juram não ser uma nova religião – provavelmente seria um triângulo com a foto de darwin no meio e um LIBERTAS QUAE SERA TAMÉN ao redor e um padre chorando fora do triângulo. O evolucionismo se tornou um dos argumentos contra a religião, a fé religiosa e, em última instância, contra a existência de Deus, e isso o transformou, ironicamente, em uma nova vaca sagrada, ou bezerro dourado, ou dogma se prefirir, tente não concordar com ele e automaticamente você receberá um rótulo e o que disser não será mais levado a sério, não importa o que seja.

Dizer que Darwin errou é apenas uma afirmação do óbvio. Darwin estava errado, independente da religião ou não religião de quem debate esta questão. Praticamente tudo o que ele escreveu foi reescrito nessas últimas décadas. Da mesma forma que Newton estava errado – a relatividade e a física quântica estão ai para provar isso. O argumento de Darwin apenas faz sentido no mesmo âmbito que o de Newton, para explicar superficialmente uma idéia a uma pessoa que não perderá tempo se aprofundando nela.

As idéias de Darwin sofreram mutações, em alguns casos foram substituídas por outras completamente diferentes e viraram o evolucionismo contemporâneo. Esse novo evolucionismo, como qualquer outra idéia tida por pessoas, é falho e cheio de lacunas, mas como ele calhou de se tornar uma arma anti-religiosa, essas falhas e lacunas são completamente ignoradas. Vamos nos atentar a algumas delas:

 

1- Evolucionismo não pode ser provado cientificamente

 

O evolucionismo como é defendido nos dias de hoje combina duas idéias diferentes: Variação e Mudanças em novas espécies. Uma dessas idéias é real e pode ser observada, a outra não.

Variação, que podemos chamar de micro evolução, é o que muda o formato e tamanho de bicos de pássaros, cores de penas, formato de asas, etc.

A variação acontece da seguinte forma: em seu material genético você tem a informação de como seu corpo irá se formar – dois braços, duas pernas, etc. Essa informação traz características principais e características que estão presentes mas que não serão impressas em você, são recessívas. Por exemplo a cor dos seus olhos. Uma pessoa de olhos azuis pode ter um filho de olhos castanhos, e essa criança pode, mesmo fazendo sexo com outra pessoa de olhos castanhos, ter uma criança de olhos claros. Existe uma variação possível na cor dos olhos.

Agora algo que o público em geral não tem muita idéia é que existem limites para essa variação. Biólogos sempre tentam aperfeiçoar animais, criar vacas que ocupam menos espaço e dão mais leite, abelhas que produzam um mel mais doce, aranhas com teias mais resistentes, etc. Uma coisa que todos esses biólogos sabem, graças à suas experiências, é que essa variação tem um limite. Se você tenta ir além desse limite começa a criar um bando de animais estéreis. Todo criador de animais e plantas sabe disso. Chega um momento que a manipulação cria um beco sem saída, onde os seres não poderão mais procriar e levar essas características adiante.

Um exemplo conhecidíssimo disso são as mariposas da Inglaterra. Séculos atrás as mariposas eram de uma coloração clara, mas com o advento da Revolução Industrial todo o meio ambiente foi bombardeado com grande emissão de poluentes e os troncos das árvores ficaram mais escuros. As mariposas podiam ser vistas mais facilmente, se tornando alvo fácil para predadores. Por causa disso, essa mudança no meio ambiente, as mariposas tiveram que evoluir para sobreviver e se tornaram mais escuras.

Esse é um dos estudos de caso dos evolucionistas para mostrar como a seleção natural acontece e como a evolução pode ser acompanhada e estudada. Mas essa conclusão é um erro, e um erro conhecido hoje em dia.

Com o desenvolvimento da genética, hoje podemos afirmar que qualquer mudança de característica em uma espécie só pode ocorrer se seu material genético o permitir, e essa mudança, essa variação, apenas ocorre nos limites permitidos pela carga genética do indivíduo. As mariposas não mudaram de cor, apenas começaram a nascer mariposas mais escuras dentre aquelas que tinham em seu DNA uma variação genética para a cor escura. Assim como continuaram a nascer mariposas claras, dentre aquelas cujo DNA ditava a cor clara. Mas eram todas mariposas, e da mesma espécie. Não houve o surgimento de uma nova espécie.

Suponha que Hitler houvesse vencido a II Guerra Mundial e que criasse programas de eugenia para todo o mundo. Depois de 100 anos a população de pessoas que não se enquadrassem em seu ideal ariano teriam sido exterminadas. O mundo seria como uma versão maior da Suécia, todos de pele clara e cabelos claros. Isso significa que o ser humano teria evoluído? Ou apenas que a nova leva de pessoas teria sido selecionada? Provavelmente de quando em quando nasceriam crianças de olhos escuros. Isso mostra uma seleção, mas não uma evolução.

E esse é um dos problemas. Nós temos como observar as micro evoluções – uma mudança dentro da própria espécie – mas não há como observar as macro evoluções.

O evolucionismo depende da idéia de que as espécies de hoje, todas elas em sua enorme variedade, se derivam de uma única origem. O homem e o macaco evoluíram de um mesmo ancestral, os pássaros evoluíram dos dinossauros (répteis), os répteis dos peixes, os peixes das algas e as algas das bactérias.

Só que isso não apenas não é observável como também não pode ser testado, e todas as experiências feitas para se procurar a macro evolução, o surgimento de uma nova espécie, deram resultados negativos.

Evolucionistas afirmam que nós não podemos observar a evolução acontecendo porque ela é muito lenta. Uma geração humana leva, em média, 20 anos para nascer e poder ter filhos. A crença evolucionista é que foram necessárias dezenas de milhares de gerações para que os humanos se tornassem uma raça diferente da dos outros símios. E mesmo então a população de novos seres era composta por algumas centenas ou milhares de indivíduos.

A idéia é simples: um ancestral X, através da evolução e da seleção natural teve descendentes que viraram macacos e descendentes que viraram nós. Duas espécies diferentes vindo de um mesmo indivíduo, depois de dezenas de milhares de gerações. De fato não temos como acompanhar esse tipo de evolução, mas podemos acompanhar outro tipo: o de bactérias.

Diferente de seres humanos um geração de bactérias leva de 12 minutos a 24 horas para crescer – dependendo da bactéria e do ambiente onde é criada. Hoje existem mais bactérias no mundo do que grãos de areia nas praias – a grande maioria desses grãos, inclusive, está coberto de bactérias.

Bactérias existem em praticamente qualquer ambiente, frio quente, seco, úmido, alta pressão, baixa pressão, pequenos grupos, colônias imensas, isoladas, onde há abundância de alimento, onde não há alimento, onde há oxigênio, não há oxigênio, em gases tóxicos, em químicos tóxicos, etc.

Existe hoje uma enorme variedade de bactérias catalogada. Existe também um número enorme de mutações – acreditasse hoje que quanto menor for o organismo maior a taxa de mutação. Mas nunca se ouviu falar de uma bactéria se transformando em algo diferente. Em um ano é possível se criar mais de 26.000 gerações de um grupo de bactérias e mesmo assim elas permanecem bactérias.

Moscas de fruta. Muito mais complexas do que bactérias, uma geração leva 9 dias para se desenvolver. Elas são testadas sob todas as condições imaginadas. Existem muitas variações de moscas de fruta. Existem muitas mutações. Mas elas nunca viram uma nova espécie. Elas permanecessem moscas de fruta.

Décadas de estudos em incontáveis gerações de moscas de frutas, bactérias e tudo mais o que você possa imaginar e a evolução nunca foi observada. Temos mudanças, mas não a evolução em novas espécies.

 

2- A Seleção Natural é um mecanismo anti-evolução

 

De acordo com os evolucionistas a evolução ocorre através de um mecanismo que foi batizado: seleção natural. A seleção natural explica que as características favoráveis que são hereditárias tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos que se reproduzem, e que características desfavoráveis que são hereditárias tornam-se menos comuns.

O primeiro problema ao lidarmos com seleção natural é que ela também não pode ser observada, apenas seus resultados. Como no caso das mariposas visto acima. A mudança no meio foi “artificial” – o aumento de poluentes sujando os troncos de árvore – e a seleção “favoreceu” os indivíduos escuros. Isso é o mesmo que depois de um terremoto dizermos que a evolução natural “favoreceu” os sobreviventes, ou que um meteoro que caiu na terra há milhões de anos matando quase toda a vida “favoreceu” o surgimento da raça humana.

Logo que Darwin concluiu seu texto sobre a evolução das espécies ele usou o termo a sobrevivência do mais apto – the survival of the fitest – para explicar como uma espécie nova evolui. O problema com isso é que não há como dizer quem é o mais apto. Seriam os indivíduos mais fortes, mais rápidos, mais ociosos, mais inteligentes, mais burros? Apenas podemos observar quem sobreviveu e dizer que eles foram os mais aptos, seja qual for o motivo. É como dizer que a seleção natural favorece o sobrevivente. A máxima de Darwin poderia ser alterada para A Sobrevivência do Sobrevivente.

Curiosamente a seleção natural, se a tomamos como algo ativo e não apenas uma constatação, vai contra a evolução. Ela seria a responsável pela sobrevivência dos seres em uma ambiente que muda – troncos ficam escuros as mariposas ficam escuras.

Agora, à medida que a seleção natural possibilita a predominância das características consideradas mais vantajosas ou superiores em um determinado meio, isso torna os indivíduos que variaram mais parecidos entre si e não mais diferentes. Um estudo recente inclusive diz que no futuro todas as pessoas do mundo serão brasileiras.

Assim podemos ver que em um meio onde a seleção natural opera ela funciona como uma força conservadora, evitando a diferenciação, já que qualquer diferença que não reflita a característica mais vantajosa, é prejudicial ao ser. A seleção natural preveniria o surgimento de novas espécies, isso porque seu mecanismo se mostra antagônico ao mecanismo proposto pela evolução.

Suponha que um réptil desenvolva asas. As asas só lhe seriam úteis, ou seja, ele apenas se beneficiaria das asas quando elas fossem práticas. Agora, asas não brotam prontas em uma espécie, elas teriam que evoluir ao longo do tempo. Só que nesse tempo entre começo de desenvolvimento e as asas serem minimamente utilizáveis, elas seriam prejudiciais. Por que a seleção natural iria favorecer um animal com um órgão em formação? Essa característica nova, essa asa em formação não apenas deixou de cumprir as funções da estrutura original como ainda não desempenha sua própria função, já que ainda está “evoluindo”.

Assim como poderíamos explicar a evolução de peixes em anfíbios, anfíbios em répteis e répteis em mamíferos e aves? Imagine um peixe que começa a desenvolver-se. A converter suas nadadeiras em patas. Nas primeiras gerações ele não conseguiria nadar tão bem quanto os outros peixes – que teriam suas nadadeiras evoluídas de forma mais vantajosa – nem conseguiriam se locomover, por suas patas estariam ainda rumo à forma mais vantajosa. A seleção acabaria eliminando esse peixe capenga.

 

3- Seres Imunes à Evolução

 

Os foraminíferos e radiolários são seres unicelulares, que tiveram sua presença confirmada em rochas sedimentárias datadas do período Pré-Cambriano e existem até os dias de hoje. Curiosamente, mesmo depois de tantos milênios eles permanecem animais unicelulares, não evoluíram para seres pluricelulares. Por que?

Esses animais não são o único mistério evolutivo, o elo perdido que liga os seres humanos aos macacos é fichinha se comparado ao elo perdido que liga bactérias unicelulares a seres pluricelulares. Não se sabe como seres pluricelulares simples começaram a desenvolver órgãos novos, como um núcleo protegido por membrana e todas as organelas celulares. O evolucionismo prega que houveram mutações que criaram esses novos seres, mas isso é complicado. Esses órgãos foram criados, não simples variações do que havia antes. Muitos estudiosos hoje afirmam que os novos seres não foram resultado de evolução e sim de simbiose. Um exemplo claro disso é a nossa mitocôndria, uma das organelas mais importantes de nossas células. Basicamente é ela que produz a energia da célula. E ninguém sabe de onde veio ou como surgiu, apenas que parece ser alienígena a nosso organismo e que no passado criou uma relação simbiótica e está ai até hoje. Todos temos hoje mitocôndrias, mas não a evoluímos.

Como vimos anteriormente, o estudo com milhares de bactérias não causou em nenhum momento o surgimento de uma nova forma de vida, apenas de bactérias diferentes. Como explicar a evolução de um ser unicelular em nós?

Além disso existem seres mais complexos que também não mostram sinais de evolução, como o celacanto.

O celacanto é um peixe que aparece em estratos geológicos com mais de 300 milhões de anos. Os registros fósseis mais recentes desse animal datam de 60 milhões de anos atrás. Pensava-se que era uma espécie extinta até que em 1938 vários espécimes vivos e saudáveis foram encontrados no Oceano Índico.

Temos então hoje um exemplo de um animal que possui mais de 300 milhões de anos de existência que, apesar das variações, não evoluiu. Durante esse tempo os evolucionistas afirmam que peixes se tornaram anfíbios, esses se tornaram répteis, que se tornaram mamíferos, mas o celacanto não se tornou nada, permaneceu um peixe. É como se a evolução ignorasse certas criaturas.

4- O Silêncio Paleontológico

A Paleontologia é o ramo da ciência que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os processos de integração da informação biológica no registro geológico, os fósseis.

O objeto imediato de estudo da Paleontologia são os fósseis, pois são eles que, na atualidade, encerram a informação sobre o passado geológico do planeta Terra, mas oo contrário do que se pode imaginar as grandes durações da história geológica e seu registro, ao invés de favorecer as especulações evolucionístas, fornecem objeções a elas.

Quando paramos para estudar a documentação fóssil existente hoje fica evidente uma sucessão hierárquica das formas de vida ao longo do tempo – quanto mais antigos os estratos fósseis, menos complexas são as espécies da escala biológica.

O evolucionismo olha para essa sucessão e deduz que então as formas mais complexas surgem das formas menos complexas.

Antes de prosseguirmos é interessante entender o porque disso. Toda a discussão que envolve a vida neste planeta tem como fundo a busca em responder a questão: de onde ela surgiu?

A terra é, supostamente, um sistema fechado. Não temos naves alienígenas, ou portais dimensionais se abrindo e jogando aqui novos tipos de seres de tempos em tempos. Pelo menos não de forma que possamos observar. Nós temos a vida que existe ao nosso redor e que podemos observar diretamente e registros, tanto fósseis quanto artificiais[3]. Agora o problema surge quando os registros mostram que em determinada época não havia determinada espécie de vida no planeta e logo depois ela surgiu. A lógica do evolucionismo é simples e direta: se antes não havia mastodontes e depois eles surgiram e não chegaram aqui em um disco voador vindo de vênus, eles devem ter sido criados aqui. Agora como eles foram criados? Não havia laboratórios de manipulação genética, não havia cientistas ou criadores que manipulassem as espécies, logo esse novo tipo de animal deve ter acontecido naturalmente. E como ele aconteceu? Se a teoria diz que a vida evolui de forma simples para mais complexas ele deve ter vindo de uma forma de vida mais simples!

Essa é uma idéia simples e bonita, mas nem tudo o que acontece vem de algo simples e bonito. Só estamos aqui porque os dinossauros foram varridos para fora do planeta por um evento, não porque somos o próximo passo evolutivo natural.

Mas então como uma nova espécie como o mastodonte surge? A tentação da evolução como causa é grande. Tão grande quanto a tentação da explicação de um Deus que resolveu criar um mastodonte para ver como ele seria.

O evolucionismo vê os registros de seres menos complexos para os mais complexos, e, depois de os enfileirar, enxerga um padrão evolutivo, como se eles indicassem um filão genealógico da primeira bactéria em uma ponta e a Michelle Pfifer na outra.

O problema com essa visão é: se uma ameba evoluiu ao longo da história genealógia, até se tornar um ser mais complexo, criando no processo uma vastidão de criaturas diferentes, haveria o registro das milhares de formas intermediárias do primeiro ser até os seres atuais, mas o que existem são milhares de lacunas, todas batizadas de “o elo perdido” entre espécies. Como vimos, não existe um experimento que mostre um ser eucarionte se tornando um ser procarionte, ou um ser unicelular se tornando um ser pluricelular. Cientificamente essa evolução não passa de uma hipótese não confirmada, não pode nem ser chamada de teoria, pelos padrões do próprio processo científico.

E o próprio Darwin sabia dessas lacunas, ele chegou a afirmar que essa descontinuidade no registro fóssil ““talvez fosse a objeção mais óbvia e mais séria” à sua teoria. Assim a confirmação da hipótese evolucionista ficou dependendo de se encontrarem esses elos perdidos. Dois séculos após o apelo de Darwin e nenhum foi encontrado.

Mas isso não significa que o registro de novas espécies não exista, ou que sua existência seja especulativa. Os fósseis dessas novidades existem, e em abundância, mas de uma forma curiosa.

No livro “Dopo Darwin. Critica all’ evoluzionismo”, o doutor G. Sermont, especialista em genética dos microorganismos, diretor da Escola Internacional de Genética Geral e professor da Universidade de Peruggia e R. Fondi, professor de paleontologia da Universidade de Siena, afirmam que:

“é se constrangido a reconhecer que os fósseis não dão mostras de fenômeno evolutivo nenhum… Cada vez que se estuda uma categoria qualquer de organismos e se acompanha sua história paleontológica… acaba-se sempre, mais cedo ou mais tarde, por encontrar uma repentina interrupção exatamente no ponto onde ‘segundo a hipótese evolucionista’ deveríamos ter a conexão genealógica com uma cepa progenitora mais primitiva. A partir do momento em que isso acontece, sempre e sistematicamente, este fato não pode ser interpretado como algo secundário, antes deve ser considerado como um fenômeno primordial da natureza.”

Isso porque sempre que vemos o aparecimento de novidades evolutivas, ou seja, o aparecimento de novos grupos de plantas e animais, isso ocorre como um estrondo, de forma abrupta. Não há evidências de que haja ligações entre esses novos grupos e seus antecessores. Até porque, em alguns casos, esses animais estão separados por grandes intervalos de até mais de 100 milhões de anos.

O exemplo mais gritante de descontinuidade no registro fóssil é o que encontramos na passagem do Pré-Cambriano (primeira era geológica), para o Cambriano. No primeiro encontramos uma certa variedade de microorganismos: bactérias, algas azuis etc. Já no Cambriano, repentinamente, o que surge é uma infinidade de invertebrados, muito complexos: ouriços-do-mar, crustáceos, medusas, moluscos… Esse fenômeno é tão extraordinário que ficou conhecido como “explosão cambriana”.

Susume Ohno, em seu livro “The Notion of the Cambrian Pananimalia Genome, afirma:

“Segue daí que 6 a 10 milhões de anos na escala de tempo evolutiva não é mais do que um piscar de olhos. A explosão cambriana, demonstrando o quase simultâneo aparecimento de virtualmente todos os animais no espaço de 6 a 10 milhões de anos não pode ser explicada por divergências de mutações em funções genéticas individuais.”

O próprio Richard Dawkins, ao tratar da “explosão cambriana” em seu livro “O Relojoeiro Cego” afirma que a fauna deste período:

“já está em estado avançado ou evoluído, no mesmo momento em que surge. É como se eles tivessem sido simplesmente plantados lá, sem qualquer histórico evolutivo”.

Pois bem, se a evolução fosse uma realidade, o surgimento dessa enorme variedade de espécies mais complexas do período Cambriano deveria imprescindivelmente estar precedida de uma série de formas de transição entre os seres unicelulares do Pré-Cambriano e os invertebrados do Cambriano. Nunca foi encontrado nada no registro fóssil. Esse é, aliás, um ponto que nenhum evolucionista ignora.

Isso nos levanta a primeira dúvida: onde estão os registros dos elos perdidos? Das seres intermediários? Por que não existem registros fósseis deles?

Outra questão interessante é: os organismos registrados de uma era, permanecem sempre os mesmos, desde quando surgem até se extinguirem. De fato apresentam variações, como já vimos, mas não mudanças que caracterizariam o início de uma mudança que acarretaria em uma nova espécie. Assim, mesmo que o fóssil de um animal mostre que ele possui características que pertençam a dois grupos diferentes de seres, ele não pode ser tratado como um elo perdido enquanto não surgirem os registros dos outros estágios intermediários de sua “evolução”.

Outro ponto que serve como peso contra a idéia da evolução é que sempre que surge um suposto elo perdido, ligando duas espécies, não se passa muito tempo antes que provem que esse elo era uma falsificação. Um dos mais recentes foi o caso do archeoraptor, a criatura que supostamente seria o elo perdido entre os dinossauros e as aves e que descobriram não passar de uma construção mal-feita de diferentes fósseis criado com o único intuito de dar “uma mãozinha a uma idéia que acreditam ser real”. O mesmo acontece sempre que surge um elo perdido entre primatas e humanos. Passa-se um tempo e se descobrem ser apenas uma montagem feita por alguém que queria por um motivo ou outro criar provas da evolução.

Essa inclusive é uma das questões mais perturbadoras levantadas pelo evolucionismo: de onde vem os humanos?

Existem inúmeras hipóteses, como a hipótese de que nos desenvolvemos na África e então nos debandamos de lá nos espalhando ao redor do mundo, tomando o lugar de outras espécies humanóides que porventura vivessem no lugar. Mas essa não é a única hipótese existente, existem outras que afirmam que na verdade os humanos modernos evoluíram de diferentes tipos arcaicos de humanóides ao redor do globo, que habitavam diferentes regiões.

Independente de nossa origem evolutiva, o evolucionismo não consegue explicar questões mais práticas, como por exemplo:

  • Por que nosso cérebro cresceu tanto?Evolutivamente isso seria um desperdício de energia – um órgão que possui apenas 2% da massa do corpo e consome mais de 20% de nossa energia. Isso seria um acidente de apenas uma espécie? Não existem outros com um cérebro como o nosso, se existe mesmo uma vantagem evolutiva em ter cérebros como os nossos, por que somos os únicos a te-los?
  • Por que andamos sobre duas pernas?Nossos ancestrais, de acordo com a teoria evolutiva, desenvolveram a postura erguida muito antes de desenvolver o cérebro diferenciado dos humanos, ou seja, começamos a andar como andamos hoje quando ainda não éramos diferentes de outros símios. Por que então nos tornar bípedes se todas as outras espécies se viravam e continuam se virando usando os quatro membros para se locomover?
  • O que aconteceu com os pêlos de nosso corpo?

Por que outros humanóides não votam para presidente hoje? Por que outras espécies de homo se extinguiram? Hoje temos diferentes espécies de cães, de pássaros, de peixes, de cetáceos, mas apenas uma espécie de humanos que sofrem variações regionais e culturais.

 

5- O problema das mutações

Tudo isso acaba levando o evolucionismo a buscar apoio em sua última grande cartada. As mutações!

Em muitos casos, afirmam, essas mudanças são o resultado de mutações genéticas. É curioso ver o papel que a mutação teve na cultura popular e pseudo científica através dos meios de cultura em massa a partir das décadas de 1940 e 1950. Os filmes, livros e quadrinhos de ficção científica da época mostravam criaturas e pessoas ganhando poderes extraordinários. Animais radioativos davam super-poderes àqueles que picavam ou mordiam, a radiação era usada para se criar híbridos horripilantes. Raios cósmicos transformavam pessoas comuns em seres com habilidades jamais vistas. Com o tempo, é claro, esses mitos foram negados pelos cientistas, mas servem para nos mostrar como a visão de mutação acaba nos dando a idéia errada dos rumos que a vida pode tomar.

Ao contrário do que muitos fãs de X-Men acreditam, mutações não costumam ser tão positivas. O problema é que o evolucionismo, apesar de saber disso, parece fingir que não sabe.

Vejamos como a crença nas mutações se comporta: 

Em raras ocasiões surge uma mutação no DNA de uma criatura – a mutação ocorre em indivíduos em uma primeiro momento e não em uma espécie. Essa mutação aumenta a habilidade dessa criatura de sobreviver, sendo assim é muito provável que ela seja passada adiante quando essa criatura se reproduzir. Essa seria então uma das ferramentas mais importantes – se não a única como vimos até agora – da evolução para se criar novas espécies.

E essa mutação poderia ser benéfica se ela ocorresse em apenas um gene e ele fosse o único e exclusivo responsável pela habilidade aumentada. O problema começa quando começamos a estudar genética. O corpo de qualquer criatura, por mais simples que seja, é construído de uma forma bem mais complexa do que essa. Não existe apenas um botão que controle apenas uma função do corpo, na verdade o corpo é muito mais intrincado do que isso, é necessário que todos os seus componentes estejam funcionando para que o todo esteja em ordem.

Além disso uma mutação não ocorre como forma de adaptação, ela é um processo completamente aleatório. Uma mutação é um erro de leitura de um DNA quando ele está sendo copiado. A mutação só acontece se a alteração no DNA modificar o organismo. Em geral esses erros não provocam nenhum resultado porque o código genético está engendrado de modo tão formidável, que torna neutras as mutações nocivas. Mas quando geram efeitos, eles são quase que sempre negativos, quando não o são acabam se revelando neutros.

Em seres humanos, por exemplo, existem mais de 6 mil doenças genéticas catalogadas como o melanoma maligno, a hemofilia, o alzheimer e anemia falciforme, para citar apenas quatro delas. Essas doenças – e grande parte das catalogadas – foram localizadas nos genes correspondentes. Desta forma as mutações acabam tento um peso negativo na “evolução” da vida.

Para que um novo ser surgisse seria necessário que ele fosse acometido de inúmeras mutações específicas de forma que nenhuma causasse algum traço degenerativo e que todas elas ocorressem pelo mero acaso. Isso é como o famoso exercício de colocar centenas de chimpanzés datilografando centenas de páginas aleatoriamente para depois de algum tempo ver que um deles havia criado uma peça de Sheakespeare.

Com efeito, não há registro de mutações benéficas e a possibilidade delas existirem é tão reduzida que pode ser descartada, ainda mais se pensarmos que milhares ou milhões delas deveriam acontecer cada vez que surge uma explosão com novas formas de vida. As experiências de T. Morgan com a mosca da fruta atestam isso. Ele nos mostrou que as mutações, em geral, mostram deterioração, desgaste ou desaparecimento geral de certos órgãos, nunca o surgimento de um órgão novo ou uma função/habilidade nova. A maioria das mutações provoca alterações em caracteres secundários tais como cor dos olhos e pelos, sendo que, quando provocavam maiores modificações, eram sempre letais. Os mutantes criados que poderiam ser comparados à mosca normal, no que diz respeito ao vigor são uma minoria e, mutantes que tenham sofrido um desenvolvimento realmente valioso na organização normal, em ambientes normais, são desconhecidos. Ou seja, houve mutações, várias delas, mas nenhuma foi passada adiante e a experiência acabou se chocando com os limites da variação permitida pelos genes.

 

E Por Que a Insistência?

 

Inúmeras respostas poderiam ser dadas tentando se explicar porque uma idéia acaba sendo adotada por um grupo como verdade a ponto de cegar o próprio grupo, mas na verdade a única que faz sentido é: porque as pessoas são humanas, e os humanos preferem estar juntos a estar certos.

Richard Dawkins escreveu no prefácio da edição de bolso de seu livro Deus um Delírio que:

“O verdadeiro cientista, por mais apaixonadamente que ‘acredite’ na evolução, sabe exatamente o que é necessário para fazê-lo mudar de opinião: evidências. Como disse J. B. S. Haldane, quando questionado sobre que tipo de evidência poderia contradizer a evolução: ‘Fósseis de coelho no Pré-cambriano’. Cunho aqui minha própria versão contrária ao manifesto de Kurt Wise: ‘Se todas as evidências do universo se voltarem a favor do criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, e mudarei de opinião imediatamente. Na atual situação, porém, todas as evidências disponíveis (e há uma quantidade enorme delas) sustentam a evolução. É por esse motivo, e apenas por esse motivo, que defendo a evolução com uma paixão comparável à paixão daqueles que a atacam. Minha paixão baseia-se nas evidências. A deles, que ignora as evidências, é verdadeiramente fundamentalista.”

Uma opinião muito sensata, mas curiosamente em uma sessão do livro cujo o objetivo não é analisar algo e sim atacar algo.

Desde o momento em que passou a ser usado como arma anti-religiosa, o evolucionismo acabou criando novos monstros, como as novas teorias de design inteligente e outras ainda mais esdrúxulas, e passou a atacar todas como se elas tivessem se originado na religião como forma de atacar a ciência. O Dr. Frankestein passou a ser perseguido pelo monstro que ele mesmo criou.

Nenhuma das duas hipóteses – criacionista e evolucionista – são verdades absolutas, deveriam parar de se comportar como candidatas a uma única vaga. É claro que uma filosofia não sai andando por conta própria na rua, ela precisa de hospedeiros humanos para poder crescer, se desenvolver e se multiplicar. É curioso notar como muito do material escrito hoje não busca desenvolver nenhuma das idéias que defende e sim tenta atacar a idéia alheia geralmente atacando as pessoas que a defende e não pontos fortes e fracos da própria hipótese. Dawkins afirmou que “Se todas as evidências do universo se voltarem a favor do criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, e mudarei de opinião imediatamente. Na atual situação, porém, todas as evidências disponíveis (e há uma quantidade enorme delas) sustentam a evolução. É por esse motivo, e apenas por esse motivo, que defendo a evolução com uma paixão comparável à paixão daqueles que a atacam. Minha paixão baseia-se nas evidências”, o problema começa justamente quando essas evidências começam a se manifestar, juntamente com a falta das evidências que deveriam haver.

Acredita-se hoje que a vida surgiu há 3,5 bilhões de anos, na forma de bactérias e pouco depois algas. Mariscos e Moluscos surgiram posteriormente, por volta de 500 milhões de anos. Mais alguns anos de evolução e surgiram peixes e logo depois anfíbios. Os répteis só apareceram no planeta a 360 milhões de anos, quando os dinossauros se espalharam pelo Planeta Terra. Seu domínio extende-se até aproximadamente 65 milhões de anos atrás, quando eles desapareceram repentina e misteriosamente. Os mamíferos, por sua vez, teriam surgido somente por volta de 3 milhões de anos atrás. A humanidade, como civilização, teria apenas 45 mil anos, segundo a Ciência da Arqueologia.

Mas… em 1882, prisioneiros da cadeia da cidade de Carson descobriram acidentalmente pegadas fossilizadas, com aproximadamente 55,88 centímetros cada uma. Logo surgiram outras descobertas no mesmo local. Todas as marcas identificadas eram de pés calçados, e datavam de 5 milhões de anos.

Em 26 de maio de 1910, foram descobertos alguns fósseis em um granito na região de Gravelbourg, Saskatchwan, no Canadá. Investigações de especialistas indicaram que o fóssil, um conjunto de pegadas humanas, teria vários milhões de anos de idade.

Em 1919, o cientista Wilhelm Freudenberg descobriu “possíveis pegadas humanas” impressas no começo do período Plioceno, entre 4 e 7 milhões de anos atrás. A descoberta ocorreu nas proximidades de Meuleken, na Antuérpia, Bélgica.

Em 1938, o geologista Wilbor G. Burroughs, anunciou ter descoberto dez pegadas humanas perfeitas, com cinco dedos semelhantes aos pés humanos atuais. Elas mediam 23,73×10,25 cm e foram encontradas ao norte de Mount Vernon, nos Estados Unidos. A descoberta dataria do período Carbonífero, cerca de 250 milhões de anos atrás. Pegadas semelhantes foram descobertas em Jackson County, e também nos Estados da Pensilvânia e Missouri, todos no Estados Unidos. Arqueologistas e geologistas estão divididos quanto à  origem destas pegadas. Em Mount Victória, também nos Estados Unidos, foram descobertas pegadas humanas gigantes medindo 59 x 18 cm, indicando um peso de 250 kg. As pegadas são reais. Não são fraudes ou marcas de erosão.

Em 1959, o cientista chinês, Dr. Tschu Myn Tschen e sua equipe (Tschau Ming Tschen/Chow Mingchen) descobriram uma pegada com idade estimada em 15 milhões de anos. Trata-se de uma marca produzida por um calçado com sola.

Em 3 de junho de 1968, William Meister e Francis Shape descobriram pegadas calçadas em Antelope Springs, próximo a Delta, no estado de Utah, (EUA). Elas mediam 32,5 x 11,25 cm. O interessante destas pegadas é que elas esmagaram um trilobite, no momento em que foram impressas, sendo que o trilobite está extinto a 240 milhões de anos!

Na primavera de 1983, uma expedição do Instituto de Geologia do Turcomenistão descobriu mais de 1500 pegadas de dinossauros na região sudeste da república. O chefe da expedição, Dr. Kurban Amanniyazov, declarou ao jornal Moscow News que “nós temos descoberto pegadas semelhantes à  pegadas humanas, mas até o momento falhamos em determinar, com metodologia cientifica, à  quem elas pertencem. É claro, se nós pudermos provar que elas pertencem à  um hominídio, isto causaria uma revolução na ciência humana. A humanidade vai ficar 150 milhões de anos mais velha”.

Em 1987, o paleontologista Jerry MacDonald descobriu várias pegadas fossilizadas de diferentes espécies de animais, incluindo seres humanos, em uma camada de rocha originada no período Siluriano, uma época entre 290 e 248 milhões de anos atrás.

Além dessas na localidade de Navalsaz, em Soria, na Espanha, mais de 500 pegadas de Tiranossaurus rex foram descobertas. Junto destas pegadas haviam pegadas humanas produzidas na mesma época em que o resto do conjunto de pegadas foram produzidas, a aproximadamente 70 milhões de anos atrás.

O paleontologista Dr. C.N. Dougherty descobriu possíveis pegadas humanas de aproximadamente 140 milhões de anos. Segundo a ciência nessa época, os dinossauros dominavam a Terra e o ser humano ainda não existia. A descoberta de Paluxy, se comprovada, poderia causar uma revolução na ciência pois ela seria a prova de que a humanidade seria muito mais antiga do que se supõe e teria coexistido com os dinossauros. Neste local encontram-se pegadas de aproximadamente 54 cm no seu eixo maior. Em 1986, o pesquisador Glen J. Kuban descobriu que as marcas de dedos presentes na pegada apresentam coloração diferente do resto das marcas. Isso sugere, segundo os cientistas, uma possível manipulação nas marcas. Na verdade esta é uma explicação simplista utilizada pelos cientistas para explicar aquilo que eles não podem explicar. Se houvesse manipulação nas marcas, a estranha coloração seria encontrada em todas as marcas impressas pelo pé humano, e não apenas na região dos dedos. Além disso, a pegada humana é mais profunda e estreita que a do dinossauro. Esta estranha coloração pode ser explicada pela presença de um rio nas proximidades que poderia lixiviar os sedimentos próximos à superfície da rocha.


Pegada Delk: foi descoberta em um afluente do Rio Paluxy, cerca de
meia milha rio acima dos limites do parque.  

Homens caminhando junto com dinossauros é algo ainda mais estranho, paleontologicamente se falando, do que coelhos no Cambriano, mas o evolucionismo se tornou tão arraigado e mecânico, que esse tipo de evidência quando surge é automaticamente descartada como fraude ou como ilusão. O que nos faz lembrar Nietzsche que nos avisava para nos acautelarmos quando lutássemos contra monstros, para que nãos nos tornássemos monstros também.

“Minha paixão baseia-se nas evidências. A deles, que ignora as evidências, é verdadeiramente fundamentalista.”

Notas:

[1] Lembre-se, ingênuo leitor ou leitora, vivemos em uma sociedade onde existe a privatização de imprensa e não a liberdade de imprensa. Só porque não há mais linhas pretas cobrindo textos nos jornais, como na época da ditadura, não quer dizer que sua informação não está sendo censurada ou adulterada. Vivemos em um mundo de ignorantes e esses ignorantes não são apenas aqueles que lêem jornais, mas a maioria dos que os escreve também.

[2] Tenha em mente que nossos costumes de higiene de hoje em dia não são os mesmos de séculos atrás, especialmente os europeus. Há uns 400 anos, por exemplo, o banho diário não era costume, e não haviam chuveiros e duchas. Semanalmente juntava-se uma quantidade de água numa grande bacia e toda a família tomava banho naquela água. Primeiro entrava o chefe da família seguido pelos homens, por idade, então era a vez das mulheres ordenadas também por idade e por último, caso houvesse, os bebês. Imagine então a situação da água no fim da semana, era costume se pegar a bacia e a virar para fora para mandar aquele líquido escuro rua a fora para tornar a enchê-la para a próxima semana.

[3] Existem muitas espécies hoje extintas que foram registradas por pessoas na época que existiam, o pássaro Dodô é um exemplo.

Lon Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/evolucionismo-o-conto-de-fadas-de-darwin/

Os 7 Níveis do Ser Humano

Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:

– Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o Ódio.

– Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da Humanidade do Planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

– Mas, Mestre, que níveis são esses?

– Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e esqueceria também a explicação.

Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental, para realizar uma série de experimentos e aí, então, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou, então, as pontas de dois dedos na testa do consulente e, imediatamente, ambos estavam em um outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo.

O local era uma espécie de bosque, e um homem se aproximava deles. Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:

– Dê-lhe um tapa no rosto.

– Mas por quê? Ele não me fez nada…

– Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!

E o homem aproximou-se mais do Mestre e do consulente. Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou.

Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão, por causa do inesperado do ataque.

Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:

– Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua “muleta”. Agora, você testará da mesma maneira, o nosso companheiro que vem aí, do nível 2.

Quando o homem se aproximou, o consulente pediu que parasse e lhe deu um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte.

Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.

– Agora, você já sabe como reage um homem do nível 2. Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se se julgar mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de “muleta” usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu? Repita o mesmo com esse aí que vem chegando.

A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

– O que é isso, moço?… Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra!

Estou falando sério!

– Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

– E querem ver como reajo?

– Sim. Exatamente isso…

– Já reparou que não tem sentido?

– Como não? Já aprendemos ótimas lições com as reações das outras pessoas. Queremos saber qual a lição que você irá nos ensinar…

– Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente?

– Queremos verificar – interferiu o Mestre – as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Você tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma alternativa?

– De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo: – Esse teste é muito bárbaro, pois agride os outros. Estou, realmente, muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem pessoas inteligentes e sensatas. Certamente, deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham?

– Enfim – perguntou o buscador – como você vai reagir? Vai revidar?

Ou vai nos ensinar uma outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

– Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Afinal, meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês. Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço… São uns perfeitos idiotas… Imagine só, dar tapas nos outros… Besteira… Idiotice… Falta do que fazer… E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento… Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatães!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro luar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:

– Agora, você já sabe como age o homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas “muletas” que os outros dois anteriores também usavam. Prefere deixar tudo “pra lá”, pois “não tem tempo” para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os “outros”. É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e assim mesmo, olhe lá… É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o “Dono da Verdade”, que se acha muito “entendido” e que reclama de tudo e só sabe criticar. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais uma outra “muleta”) e se pavoneia por isso. Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso. Ainda precisa das “muletas” para continuar vivendo, mas começa a perceber que talvez seja melhor andar sem elas. No entanto, por “preguiça vital” e simples falta de força de vontade, prefere continuar a utilizá-las. De resto, não passa de um medíocre enfatuado que sabe apenas argumentar e tudo criticar. Vamos, agora, saber como reage um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que aí vem.

E a cena repetiu-se.

O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

– Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?

– Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

– Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

– É… Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

– Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo? Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada, jamais, poderá ser conseguido, em termos de evolução. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa como outra qualquer. Já encontraram alguém que não entendesse o que estão a fazer e igualmente reações hostis, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado, gostaria muito de acompanhá-los para partilhar desse aprendizado. Aceitar-me-iam como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. Posso ir com vocês?

– E se tudo o que dissemos for mentira? E se estivermos mal-intencionados? – perguntou o Mestre – Como reagiria a isso?

– Somente os loucos fazem coisas sem uma razão plausível. Sei, muito bem, distinguir um louco de um são e, definitivamente, tenho a mais cristalina das certezas de que vocês não são loucos. Logo, alguma razão vocês deverão ter para estarem agredindo gratuitamente as pessoas. Essa razão que me deram é tão boa e plausível como qualquer outra. Seja ela qual for, gostaria de seguir com vocês para ver se minhas conjecturas estão certas, ou seja, de que falaram a verdade e, se assim o for, compartilhar da experiência de vocês. Enfim, desejo aprender cada vez mais, e esta é uma boa ocasião para isso. Não acham?

Instantaneamente, tudo se desfez e logo estavam em outro ambiente, muito semelhante aos anteriores. O Mestre assim comentou:

– O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas “muletas” há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois. Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas. Dentro de muito pouco tempo, só mais um pouco de tempo, talvez mais um ano ou dois, assim que se acostumar, de fato, a sequer pensar nas muletas, estará realmente começando a trilhar o caminho certo para os próximos níveis. Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5.

O tapa estalou.

– Filho meu… Eu bem o mereci por não haver logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil?

– Não entendi… Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

– Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

– Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal…

– Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer. Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês, neste momento. Ainda terás um longo caminho pela frente, mas se desejares, posso ser o teu guia nos passos iniciais e te poupar de muitos transtornos e dissabores. Sinto-me perfeitamente capaz de guiar-te nos primeiros passos e fazer-te chegar até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos. O que achas da proposta? Aceitas-me como teu guia?

Instantaneamente, a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:

– Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade, em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção sobre si mesmo e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita. O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. É como se fosse uma Irmã Dulce, um Chico Xavier ou uma Madre Teresa de Calcutá da vida. Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir níveis evolutivos mais elevados. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos. Compreende que a imensa maioria dos seres humanos usa “muletas” diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a “muleta” que estão usando ou com o que lhes é mais acessível no nível em que se encontram. A partir do nível 5, o ser humano adquire a faculdade de perceber em qual nível o seu interlocutor se encontra. Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem. Vamos ver como reage o homem do nível 6.

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entenderá como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.

– Meu filho querido! Por que você queria ferir-se a si mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo? Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar e causará muito sofrimento inútil?

– Mas estamos realizando um experimento para descobrir qual será a reação das pessoas a uma agressão gratuita.

– Por que você não aprende primeiro a amar? Por que, em vez de dar um tapa, não dá um beijo nas pessoas? Assim, em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo. Se você aprender a lição do Amor, logo poderá ensinar Amor para todas as outras células da Humanidade, e tenho a mais concreta certeza de que, em muito pouco tempo, toda a Humanidade será um imenso organismo amoroso que distribuirá Amor por todo o planeta e daí, por extensão, emitirá vibrações de Amor para todo o Universo. Eu amo a todos como amo a mim mesmo. No instante em que você compreender isso, passará a amar a si mesmo e a todos os demais seres humanos da mesma maneira e terá aprendido a Regra de Ouro do Universo: – Tudo é Amor! A vida é Amor! Nós somos centelhas de Amor! E por tanto amar você, jamais poderia permitir que você se ferisse, agredindo a mim. Se você ama uma criança, jamais permitirá que ela se machuque ou se fira, porque ela ainda não entende que se agir de determinada maneira perigosa irá ferir-se e irá sofrer. Você a amparará, não é mesmo? Você deverá aprender, em primeiro lugar, a Lição do Amor, a viver o Amor em toda sua plenitude, pois o Amor é tudo e, se você está vivo, deve sua vida a um Ato de Amor. Pense nisso, medite muito sobre isso. Dê Amor gratuitamente. Ensine Amor com muito Amor e logo verá como tudo a seu redor vai ficar mais sublime, mais diáfano, pois você estará flutuando sob os influxos da Energia mais poderosa do Universo, que é o Amor. E sua vida será sublime…

Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram. Então o Mestre falou:

– Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o Ser Humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem Sublime, Inefável e quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda sua Plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso. Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando.

E o buscador pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheram-lhe todo o seu ser.

– Bata nele! – ordenou o Mestre.

– Não posso, Mestre, não posso…

– Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!

– Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

– Bate-me – disse o Homem com muita firmeza e suavidade – pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente, porque ainda existem guerras na Humanidade.

– Não posso… Não posso… Não tem o menor sentido fazer isso…

– Então – tornou o Homem – já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.

– Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao nível 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram. Agora, compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de “muletas” e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que a s abandonarem, começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?

– Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! – volveu o Homem com suavidade e convicção – Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

– Aprendi, também, que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante – as suas “muletas” – e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder. Nos outros níveis, comecei a entender que para se ensinar alguma coisa para alguém é preciso que tenhamos aprendido aquilo que vamos ensinar. Mas isso é um processo demorado demais, pois todo mundo quer tudo às pressas, imediatamente…

– A Humanidade ainda é uma criança , mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar “muletas”. O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais. O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós – seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o Espaço Cósmico. Nossa vida individual só terá importância, mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar, este conhecimento, esta grande Verdade: – Somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa.

– Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?

– Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tu já a estás vivendo há milhões e milhões de anos e ainda a viverás por mais outros tantos milhões, nos mais diversos níveis? Tu já foste energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tu ainda és tudo isso. Compreende, filho meu, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

– Mas mesmo assim, então, não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

– E quem o terá jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tu já estás a ensinar o que aprendeste, nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste Planeta Terra. O Autor deste conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da Tradição Oral, durante muitas e muitas gerações. O Autor deste trabalho, ao ler esse conto, há muitos anos atrás, também aprendeu a mesma lição e agora a está transmitindo para todos aqueles que vierem a lê-lo e, no final, alguns desses leitores, um dia, ensinarão essa mesma lição a outros irmãos humanos. Compreendes, agora, que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste Planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres humanos, nos próximos milênios vindouros? É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu?

Agora, se quem deste aprendizado tomar conhecimento e, assim mesmo, não desejar progredir, não quiser deixar de lado as “muletas”  que está usando ou não quiser aceitar essa verdade tão cristalina, o problema e a responsabilidade já não serão mais teus. Tu e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes. Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre-arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso. Entendeste, filho meu?

#Fábulas #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-7-n%C3%ADveis-do-ser-humano

A Diferença entre Magia e Magia Negra

Por Adi.

Muitos acreditam que praticar magia está relacionado a criar efeitos mágicos como fazer chover, enriquecer, parar uma tempestade, ou seja, controlar os elementos da natureza, obter poder e controle até mesmo sobre outras pessoas, entre outras proezas. Por isso os ingênuos e iludidos e também os mal intencionados participam dos muitos grupos de magia espalhados pela net com o único intuito de tais proezas.

Depois da febre que o livro “O Segredo” causou por ter disseminado que tudo é possível de se criar nesse nosso universo material, e de que querer é poder, partindo do pressuposto de que se seguir determinadas fórmulas e práticas mágicas que eram de conhecimento dos bem sucedidos, sábios e ricos homens do passado, práticas essas que pertenciam à determinadas ordens herméticas e secretas, é indiscutível que muito do interesse na prática da magia atualmente, esteja voltado pra esses interesses materiais citados acima.

Uma das primeiras coisas que se ensina na prática da magia é como criar uma forma pensamento bem definida, associada com a vontade e com o sentimento, porque o quanto mais ela for definida muito maior a probabilidade dela se materializar. E nunca antes as pessoas gastaram tantos neurônios e tempo visualizando a “ferrari” na garagem e uma casa dos sonhos.

E só pra ficar claro, eu não estou dizendo que sonhar com essas coisas seja errado, ou que pensar em ganhar dinheiro e ficar rico seja errado também. Não é esse o sentido do post, mas é sobre a utilização da magia com esse intuito.

Ainda assim, já que a fórmula do “segredo” não é mais assim, digamos, o “segredo”, se hoje magia está disponível pra todos, porque ainda as dificuldades financeiras continuam as mesmas e também não se obteve poder mágico ?

É muito interessante que as pessoas falam que não existe magia negra, que existe “a magia”, e que pode ser usada pra tudo na vida, sem entender de fato o que é magia, sem compreensão nem do básico do principal fundamento da “magia” que é a imaginação e de como ela realmente funciona e porque funciona.

Notamos como determinados conhecimentos foram distorcidos ao ponto de se adequarem as intenções pessoais de cada um, e o fundamento principal se perdeu há muito, muito tempo. Os novos estudantes começam a praticar magia e acham que já vão direto às evocações da goetia, pensam que já vão direto aos poderes dos elementos, e sequer tem capacidade de realizar o ritual do pilar do meio, nem sequer fazem invocação ao Deus interior como suporte e proteção. E ainda se gabam de que “magia funciona mesmo sem o fundamento espiritual”. Balela.

Essas pessoas, iludidas, estão praticando magia negra sim, sem se darem conta do porque há essa diferença, ou onde está essa diferença. Em seus anseios pela busca de sucesso, poder, controle e dinheiro, não se importam de onde vem ou de onde são retirados as energias criadoras que irão concretizar ou materializar o “sonho”. E para não assumirem responsabilidades, alegam que magia é magia e que não existe magia negra ou magia branca.

Existe diferença sim, e eis o porque dessa diferença, que considero muito importante ser do conhecimento, caso o estudante sério não queira assimilar mais karma ou se envolver ainda mais nas teias da ilusão.

O fundamento principal da magia, é a Divina Imaginação que brota/emergi da “FONTE” infinita da VIDA. Ela é água da vida, o Si-mesmo, o Deus interior e está disponível pra todos, é também a própria vida manifesta e tudo o que existe. Mas essa fonte de poder só atua na vida de cada indivíduo de forma inconsciente e, muito, muito limitada e distorcida. Na maioria dos indivíduos os principais chacras e os canais, ou nadis espalhados pelo corpo estão praticamente fechados, se encontram bloqueados por formas pensamento distorcidas e limitadas, adquiridas de vidas passadas e germinando de acordo com nossa cultura, família, etc. Nem preciso dizer que se trata do tão mal afamado “ego”. Lógico que ele se “mantém” e sobrevive da “estrangulação e limitação” do fluir incessante da “Fonte”, pois este fluir destruiria o ego. Claro que também já sabemos que até um certo ponto do desenvolvimento isso se faz totalmente necessário para o fortalecimento da consciência.

O problema com relação à pratica da magia ocorre quando, ao invés do indivíduo se utilizar da magia pra desfazer esses bloqueios, que são as formas pensamentos limitantes, se utiliza da magia pra adquirir poderes que reforçam ainda mais os laços do ego. Nem preciso dizer que magia pra satisfazer os desejos do ego é magia negra sim.

O ego pensa que pode controlar a força divina através da magia e utilizá-la ao seu bel prazer, e o grande engano dos estudantes é confundir a Verdadeira Vontade descrita por Crowley, com a pequena vontade e desejo do ego.

O que se adquire baseado na pequena “vontade do ego” ou do “eu”, se cria/adquire à partir de um poder que o ego não tem. Se cria à partir da energia que já está manifestada e materializada na vida, se cria à partir das energias astrais da esfera de maya, dos planos das personalidades humanas, daquilo que já está manifesto, e nesse sentido é “usurpar” poderes já existentes, porque de um modo geral, quando o indivíduo cria uma forma pensamento, mas ainda este não tem um canal de comunicação aberto com a energias primordiais, ou o Si-mesmo, estas formas pensamento desconectadas da FONTE, carecem da energia primordial infinita, e usurpam seu poder do que já está manifestado e criado.

E esse é o motivo e unica razão de se criar cascas à partir de cascas, de “usurpar” poderes já estabelecidos, e se chama “usurpar” sim, porque se faz em nome de algo (ego/eu) que não tem poder por si próprio. É criar a partir do que já está criado, é destampar um buraco pra tampar outro. E nesse sentido é magia negra, se emaranhar muito mais na ilusão sem buscar o essencial, é lutar contra a natureza, é um preço muito alto a pagar, usar de força e lutar contra os princípios, é sem moral. É a mesma ação dos governos, das grandes corporações e de todo o sistema de aprisionamento, no sentido que o poder que eles têm é usurpado do povo, e de tudo o que existe. Aqueles que não tem energia ou poder próprios sugam a energia e o poder dos outros.

Por isso, o melhor sempre mesmo é usar do tempo que temos disponível e de nossas energias pra praticar a magia com a unica intenção do nosso aprimoramento pessoal, do auto conhecimento e da busca da condição espiritual. A transformação pessoal do chumbo em ouro divino é a maior magia que pode existir e também o seu real propósito.

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-diferen%C3%A7a-entre-magia-e-magia-negra

A Thelema e a FRA

Por Irmão Raphael

No início do século XX, a Lei da Thelema, sistema de filosofia e magia desenvolvido por Aleister Crowley (1875-1947) – To Mega Therion – teve grande influência filosófica na cultura esotérica, na cultura pop e também foi precursora do pensamento pós-moderno. No meio esotérico, a Lei da Thelema também influenciou outras ordens que não estavam ligadas diretamente a Crowley, ordens ligadas pelo fenômeno da O.T.O. (Ordo Templi Orientis), como a FRA (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) do Dr. Krumm-Heller (1876-1949) – Mestre Huiracocha – foco do nosso estudo. Muitos argumentam que os ensinamentos do Dr. Krumm-Heller eram antagônicos com do Aleister Crowley, e que não possuíam nenhuma ligação esotérica, principalmente na questão da magia sexual. Mestre Huiracocha revela em seu livro, Logos Mantram Magia, ele afirma: “declaro que, para mim, a vocalização, o uso dos mantras e a oração, mediante o despertar das secreções sexuais, é o único caminho de chegar a meta, e o resto é, infelizmente, uma perda de tempo”.

Diante disso, Peter Koenig, classifica o ensinamento do Dr. Krumm-Heller como Gnosticismo Homeopático, já que há uma ideia de retenção inclusa; e classifica de Gnosticismo Libertino do Crowley, na qual não há nenhuma restrição quanto ao sexo.

Aparentemente, essas duas ordens não parecem ter muitos pontos em comum. No entanto, Crowley recomenda o estudo da Fórmula da Rosa-Cruz. O que leva muitos a considerar uma alegoria somente à magia sexual. Como ele mesmo escreve: “não precisamos nos sentir surpresos se a Unidade do Sujeito com o Objeto na Consciência é Samadhi, que é a unificação da Noiva e do Carneiro é o Céu (…), a união do Lingam e da Yoni, a da Cruz com a Rosa”. No entanto, James Eshelman escreve, que isso, na verdade, seria o trabalho mágico da união dos opostos em sua Natureza, que muitos místicos cristãos descrevem como no aniquilamento de si mesmo no Amado.

O Dr. Krumm-Heller foi membro da O.T.O., apesar de que recebeu seu grau, em 1908, de Theodor Reuss, antes da reformulação da ordem por Crowley. Mas após 1930, o Dr. Krumm-Heller e Crowley se encontram pessoalmente em Berlim onde Huiracocha foi presenteado com uma edição de Liber Aleph assinada pelo inglês, e trocaram uma extensa correspondência. O Mestre Huiracocha não foi discípulo do Mestre Therion, na verdade, Crowley em uma correspondência, considera o Dr. Krumm-Heller um maçom igual a ele, na qual tinha muito a ver com a realização da “Grande Obra”, e a divulgação da Lei da Thelema. E o Dr. Krumm-Heller escreve:

“Meus mestres foram Eliphas Levi e Papus, e graças a eles eu poderia decifrar os segredos da Magia. Dr. Hartman tem nos ensinado na Alemanha, a parte esotérica da Bíblia e da Igreja Cristã. Outro mestre que teve maior influência sobre mim foi o Mestre Therion, ele me deu a sua obra “Liber Aleph Vel CXI (O Livro da Sabedoria ou da Tolice)”.

E após esse encontro, o Dr. Krumm-Heller aceitou a Lei da Thelema, sendo que nos rituais de congregação da FRA é dito: “A nossa divisa é Thelema”. Apesar das muitas influências, o Dr. Krumm-Heller diz também em seu Logos Matram e Magia ter alçado aos últimos graus da Astrum Argentum (ordem esotérica desenvolvida por Aleister Crowley e George Cecil Jones), mas não ha documentação a respeito e nem há algum estudo aprofundado da doutrina thelêmica no currículo da FRA.

Diante disso, surge uma questão, como a Lei da Thelema se adequou ao ensinamento das ordens, como a FRA – uma ordem de tradição gnóstica rosacruciana.

THELEMA E O CRISTO

Para os seguidores de Crowley, a Lei da Thelema possui o objetivo de descobrir sua Verdadeira Vontade, através da Conversação com o Sagrado Anjo Guardião e, após isso, dedicar sua vida inteira ao seu cumprimento. A necessidade do cumprimento da Vontade se demonstra através daquele que é considerado o único mandamento em Thelema: “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei. O amor é a lei, amor sob vontade”. A Lei da Thelema prega uma ética individual, na qual nenhuma regra externa pode interferir, ou seja, o cultivo e satisfação plena das próprias vontades. Mas qual é a visão do Dr. Krumm-Heller acerca da Lei da Thelema.

Para entender essa visão, peguemos o artigo do Dr. Krumm-Heller: CHRISTO-ABRAXAS-BAPHOMET- THELEMA, na qual é dito que há quatro forças – Cristo, Abraxas, Bafomet e Thelema – são uma só coisa: LUZ. Para o Dr. Krumm-Heller, o cristianismo adotou a ideia gnóstica de que o Cristo simboliza o Sol, conforme a Cristologia Gnóstica. E a Luz Solar atua de diversos modos. Ela é o Cristo, aspecto derivado do Pai, como parte do Sol Central. Para os gnósticos seria Abraxas. Outro aspecto desta Luz seria Baphomet, um aspecto mais grosseiro, porque é a força astral. E por fim, outro aspecto desta Luz é Thelema que significa a Vontade atuante na Luz.

Todas essas diferentes variações da Luz são denominadas pelos Gnósticos como Força Cristônica.

“(…) Outro aspecto desta força é Thelema que significa a vontade atuante na Luz. O discípulo não deve esquecer que todos esses nomes e símbolos representam forças e nos Mistérios usavam-se símbolos para objetivar essas forças. (…) Assim, pois a força de Abraxas manifesta-se de modo distinto da força de Baphomet; porém, todas derivadas da força espiritual da Luz, que os Gnósticos chamam FORÇA CRISTÔNICA. O discípulo precisa aprender o manejo de todas essas forças”.

CRISTOLOGIA GNÓSTICA

A Cristologia Gnóstica diz que o Sol visível é o mediador do Sol Central. E o Crestos Cósmico é o meio astral que liga o homem ao Pai Solar. A força de Cristo pode manifesta-se de diferentes modos, seja como Baphomet, Abraxas ou Thelema, porém, todas derivadas da força espiritual da Luz do Sol Central. Podemos inferir, assim, que Thelema é Cristo. Ou que a Vontade do Crestos é Thelema.

Como símbolo, Cristo se liga aos deuses solares, Mitra, Abraxas e Dionísio. Mas também é um fato histórico, na pessoa de Jesus. O corpo de Jesus de Nazaré foi utilizado para que a entidade divina do Cristo, no momento do batismo, pudesse tomar a forma que lhe era necessária para, daí em diante, estar em comunhão com as almas humanas. Os acontecimentos na Palestina foram necessários para o nascimento da vida terrena do Cristo que aconteceu a partir do Mistério do Gólgota, esse acontecimento é denominado por Rudolf Steiner (1861-1925) de “Impulso do Cristo”.

Para os Gnósticos há uma diferença sensível entre os as personalidades de Buda, Zoroastro, Confúcio, Maomé e a divindade do Cristo. Os primeiros foram certamente grandes filósofos e grandes Iniciados a quem lhes foi dada a incumbência de pregar e instalar uma região em sua época. No entanto, Cristo tem uma personalidade diferente.

Ele é Deus, é o Logos Solar ou a Essência Solar, a força do Espírito que está fundida no Sol.

O Dr. Krumm-Heller diz que a Força Cristônica de Jesus, se propagou pelo mundo (Impulso do Cristo) e transformou seu ambiente, perpetuando-se até nossos dias. Para vida terrestre, o Sol possui grande importância para nosso planeta, por sua vez, o Sol físico depende de outro Sol espiritual. O Sol espiritual é algo prático e real, como também é o Logos. Cristo é a Luz do Sol física e espiritual.

O Dr. Krumm-Heller reúne na figura do Cristo uma força de consciência e uma substância material. Isso pode parecer estranho, mas nas próprias palavras do Dr. Krumm-Heller, a realidade é formada pelo trio de matéria, energia (força) e consciência. Deste modo, o Crestos Cósmico é uma substância, uma força, uma consciência atuante. Os gnósticos aprendem a manejar Crestos e sua força mediadora.

CRISTO EM CONSCIÊNCIA

Seguindo a linha de pensamento, na qual o Dr. Krumm-Heller entendia Cristo e Thelema como forças impessoais, inferimos, então que a Força Consciencial Cristônica também é impessoal. Podemos entender melhor esse conceito Vontade Universal estudando a obra “Uma Aventura entre os Rosacruzes”, de Franz Hartmann. A Vontade apresentada por Hartmann não é a Vontade individual, apesar de atuar no individuo, é um princípio universal, análogo a Divina Providência. Desta forma, podemos entender a Vontade como uma Força Impessoal, como é invocada na Missa

Gnóstica do Mestre Huiracocha: “Vem, Santo Querer, Divina Energia Volitiva. Transforma a minha vontade fazendo-a una com a Tua”. Assim, para o Dr. Krumm-Heller, Thelema é a Vontade Divina Universal, na qual atua sobre toda existência. Como escrito por ele mesmo, Thelema é a Vontade atuante na Luz. E a Luz é o Cristo. A Vontade provém do Crestos Cósmico, a fonte universal que todos podem beber. A diferença entre Crowley e o Dr. Krumm-Heller é a origem dessa Vontade.

Para Crowley, a Thelema brota no próprio homem, mas em sua particular “alma imortal”: “Todo homem e toda mulher é uma estrela” (AL I:3). Frater Achad escreveu o ensaio Passando do Velho ao Novo Aeon, no qual explica que a partir do momento em que o homem passar a se identificar com o Sol, ele passará a ser um Deus, pois será a fonte de luz:

“Você sabe o quão profundamente nós sempre ficamos impressionados com as ideias de Sol nascente e Sol poente, e como os nossos antigos irmãos, vendo o Sol desaparecer à noite e nascendo novamente na manhã seguinte, basearam as suas ideias religiosas neste conceito de um Deus Moribundo e Ressuscitado. Essa á a ideia central da religião do Velho Æon (…). O Sol não morre, como acreditavam os antigos, ele está sempre brilhando, sempre irradiando Luz e Vida. Pare por um momento e tenha uma clara concepção deste Sol, como Ele está brilhando já cedo pela manhã, brilhando ao meio-dia, brilhando à tarde e brilhando à noite. Você percebeu esta ideia claramente em sua mente? Você acabou de sair do Velho Æon e entrar no Novo. Agora consideremos o que aconteceu. O que você fez para obter essa imagem mental do Sol sempre brilhante? Você se identificou com o Sol. Você saiu da consciência deste planeta; e por um momento você teve que se considerar um Ser Solar”.

No novo Aeon de Hórus, a era thelêmica, da criança conquistadora, todo homem e toda mulher passam a serem deuses, co-criadores do Universo. E a Fraternitas Rosicruciana Antiqua é uma mediadora entre o antigo e o novo Aeon.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-thelema-e-a-fra

Amigos de Hekate

Tonye Newton enquanto escrevia seu livro – A Demonic Connection – conseguiu o que parecia impossível; arrancar algumas declarações de ex-líderes do movimento Friends of Hekate, (Amigos de Hekate, em português ) e o que estes pensam dos novos agregados da Hekate século XXI como está sendo chamada, ou The Mauve Zone como eles mesmos preferem

Friends of Hekate (FOH) operaram por toda a Inglaterra entre os anos de 1960 e 1980. Considerado extinto por muitos, o grupo continua a operar sob nomes diferentes, como The Mauve Zone e Hekate Disciples em locais como o Norte da Europa, México e até mesmo em recantos escondidos da América do Sul como Colômbia e Brasil, mas neste lugares, o pecado dos Hekates está mais associado com o tráfico de drogas e movimentos pretensamente sociais do que com o ocultismo em si.

Logo que surgiu, em Aston, na cidade britânica de Birmingham, o grupo sempre têm sido associado a uma série de desaparecimentos e mortes que ocorreram em Sussex, também na Inglaterra durante os anos de 1970 e 80. No total, as mortes de cinco pessoas foram conectadas as oferendas ritualísticas oferecidas por eles em rituais de magia negra: um policial, um vigário, um aposentado e duas mulheres desapareceram sob circunstâncias misteriosas durante esse espaço de tempo.

Os desaparecimentos ocorreram sempre nas datas de 31 de outubro – o fato estranho era que os corpos das vítimas eram encontrados em locais onde havia estrita vigilância policial, como se tratasse de uma provocação à Scotland Yard, responsável por monitorar o caso.

O vigário usado no ritual era reitor de duas vilas em Sussex; onde uma série de demonolátras costumavam se reunir para praticar rituais no final dos anos 60. Tonye Newton, examina rigorosamente as atividades dos Amigos de Hekate e faz uma ligação estreita da espécie de satanismo praticado por eles e uma conspiração internacional Satânica, cujas idéias estavam claramente embebidas de Marxismo, Stalinismo e idéias comunistas que vingavam facilmente numa Inglaterra que vivia uma cruel recessão e altos índices de desemprego e violência ao final dos anos 60 até meados da década de 80.

Curiosamente, foi nessa época que os Hekate perderam força nas terras da rainha, para só retomarem suas atividades no século XXI. Outros indícios e acusações de sacrifício humano praticados pelos Hekate, vem de uma carta dirigida a Tonye, então redator da Revista Unexplained.  Nesta carta, o escritor anônimo praticamente confirma que o Reverendo foi ritualmente sacrificado pela Friends of Hekate:

“Há alguns anos atrás um amigo meu se juntou a eles (…) são chamados de amigos de Hekate, se reúnem em vários lugares: bosques, matas, celeiros e até mesmo na igreja e fazem rituais que envolvem sacrifícios humanos ou animais em honra a Orion e ao arqueiro. (sic)”

O escritor anônimo prolonga-se para dizer que o seu amigo:

“… Ficou muito assustado quando a polícia efetuou as primeiras buscas para encontrar o vigário (Rev. Harry Neil Snelling) e quando eu disse que ia ajudar nas buscas ele disse ele não precisava mais, já tinham encontrado-o.”

Embora todos os indícios apontem para os típicos sacrifícios ritualizados pela FOH, pouco se conhecia de seus ritos embora acreditava-se centrar especificamente sobre o culto da antiga deusa grega Hekate.

Se as informações relativas a respeito dos Amigos de Hekate envolvendo sacrifícios humanos e animais sejam tão escassos e hipotéticos, eles jamais foram desacreditados quando sua área de influência se expandiu para além da terra da rainha.

Amigos de Hekate no México

Depois da grande caçada protagonizada pela Scotland Yard contra os líderes da FoH, sabe-se que eles migraram para o Canadá, então movendo-se para os E.U.A até atingirem o norte do México onde se estabeleceram, e lá criaram a primeira cidade verdadeiramente satânica ( nos termos deles ) do Ocidente.

Em Ciudad Juárez, norte do México que faz fronteira com o Texas, mais de 300 mulheres foram assassinadas com um mesmo ritual macabro: seqüestro, tortura, sevícias sexuais, mutilações e estrangulamento. Rituais satânicos? Orgias perversas de narcotraficantes? De sacrifícios humanos ? Uma rápida olhada na história dos amigos de Hekate pode nos dar todas as respostas que procuramos.

Estado de Chihuahua, fronteira com os Estados Unidos. Sua população de 1,3 milhão de habitantes é refém de assassinos sem rosto. Desde 1993, (logo após o desbaratamento da FoH na Inglaterra ) mais de 300 mulheres foram seqüestradas, violentadas e assassinadas.

A maioria não pôde ser identificada: todas foram vítimas de violências sexuais, e, sem exceção, foram todas estranguladas e supostamente usadas em rituais de magia negra levados a cabo pela Amigos de Hekate.

O modus operandi dos assassinos é idêntico ao dos matadores em série. Os assassinatos repetem-se, assemelham-se, as sevícias são as mesmas, e atingem não só mulheres adultas, mas também adolescentes e até meninas de apenas 10 ou 12 anos.

Por que razão os cadáveres são desfigurados e mutilados? Por que razão uma tal brutalidade contra as vítimas, um tal sadismo bárbaro? Será que se trata de rituais satânicos? De orgias perversas de narcotraficantes?

Diversos depoimentos indicam que os assassinos teriam sido protegidos, num primeiro momento, pelos policiais de Chihuahua. Depois, teriam se beneficiado do apoio dos meios do poder ligados ao tráfico de drogas.

Como é sabido, membros da Hekate são ligados ao tráfico de drogas há muito tempo, especialmente em países como Bélgica e Holanda, além de manterem estreitas relações com membros das Farc Colombianas.

Mas conheça um pouco mais sobre eles em suas próprias palavras:

“Bem-vindo ao Amigos de Hekate: Prestem atenção e aprenda. O FoH é a única grande ordem magicka satanista em Birmingham, Inglaterra. Nós somos o OCULTO aqui!

Formados, ou re-formados, em meados dos anos 90; o FoH começou como um núcleo de adesão de não mais de cinco pessoas iniciadas nas artes satânicas, representando um número que cada grupo afiliado não pode ser ultrapassar em membros. Gostaríamos muito de lhes oferecer nossos rituais praticados em Wichbury Hill, os pseudo-satanistas ainda estão tentando ser tão bons como nós somos em magia negra.

O nosso “magcikprop”, o ato de executar rituais aos olhos de quem quiser é uma lenda entre os que recordam de nossos gloriosos dias. Lúcifer em carne, osso e sangue no museu de Birmingham, poucos vão esquecer!

Mas agora o FoH está de volta, mais fortes do que antes, temos enclaves em Manchester e Londres. Estamos crescendo. Isso sem contar nossos poderosos contatos no exterior. Eles nos deixam orgulhosos.

Conheçam a Colheita Maldita – um momento em que o mundo será mudado por quem tiver a vontade Magicka de fazer essa mudança. O FoH têm a Magicka e a Vontade.

Bem-vindo ao verdadeiro Novo Aeon. Estamos tendo sinais do nosso Apocalipse e cada um de vocês é bem-vindo. Lembrem-se daqueles que já conhecem a nossa verdade: 2012 se aproxima mais rápido do que nunca pude imaginar.

 

Manifesto dos amigos de Hekate

Todo homem e mulher é uma estrela, mas algumas estrelas são mais brilhantes do que outras.

Magicka é a Arte e a Ciência de causar mudanças de acordo com a Vontade.

As únicas regras são aquelas que se aplicam a nós.

Apenas aqueles que sentem que precisam ser governados deveriam tomar nota do que o governo lhes diz para fazer.

Faça o que for divertido para você, e esse será o todo da lei.

Este é o nosso credo (sujeito a mudanças a qualquer momento)

Nós somos parte da IOT, mas ela não pode conter tudo aquilo que verdadeiramente somos agora e aquilo que devemos nos tornar até 2012. Procuramos não membros, apenas aliados.

Durante muito tempo, temos sido tratados como loucos por aqueles que por sorte, fortuna, ou atos criminosos adquiriram poder sobre nós. Esta é a hora de voltar a lutar, a pegar em armas da nossa escolha, para derrubar todos os governantes do Mundo.

Nossas armas podem ser, música, cinema, arte, mas principalmente magicka. Essa nossa arma é o poderoso ESOTERRORISMO. Esta é a forma de ruptura através de ações concretas e rituais mágicos.

Os membros da nossa “igreja” podem parecer parte do sistema, mas em nossas mentes, procuramos formas de consumo de droga; injetando Caos e perturbações no sistema que tenta governar nossas vidas.

Nós escrevemos cartas a imprensa, nós criamos distúrbios que causam preocupação para as massas acomodadas, forçando os poderes constituídos a entrarem em ação.

Nós roubamos terras de grandes proprietários de terras, através de nossos direitos. Nós sabotamos grandes empresas, forçando-os a nos pagar grandes quantias de dinheiro para não precisarem se opor a nós. Mas também podemos ser o mendigo na esquina, que vai dormir com a esposa do patrão, o nosso nome é Legião será sempre assim.

O nosso templo é o Mauve Zone. Nossa Magicka está por todo lugar.

Somos a favor de usar a tecnologias para construir nossa utopia, mas não somos dominados por ela. Apoiamos a engenharia genética para a substituição de órgãos. Embora apoiemos os chamados partidos Verdes, Liberais e afins, fazemos-lo apenas porque ele nos dá oportunidades para injetar o vírus do Caos nos sistemas políticos.

Entrevista com Tonye Newton a rádio BBC 6 de Londres

BBC: O que é ou o que foi os Amigos de Hekate ?

Newton: Nos anos 60, 70 e 80 foram um temido grupo de satanistas extremistas com idéias comunistas. Hoje são um bando de garotos pervertidos que utilizam o nome deles para se promoverem.

BBC: O que há de verdade sobre sua conexão mexicana ?

Newton: Que temos membros deles em Ciudad Juarez é inegável, mas atribuir todos os assassinatos de mulheres que lá acontecem a eles é pura bobagem. A questão é que terras de ninguém, terras sem leis como Juarez oferecem a esse tipo de gente, local e ambiente adequado para esse tipo de crime, eles são muito mais esquerdóides machistas do que satanistas. Não vejo muito de satanismo no que estes caras fazem hoje.

BBC: O que os antigos membros, os originais dizem sobre o assunto ?

Newton: Hekate virou uma lenda macabra que ainda apavora muitas mentes no Reino Unido, mas aquele pessoal envelheceu, casou teve filhos e hoje faz parte da classe média acomodada. Tudo aquilo que eles combatiam em seu início.

BBC: Como conheceu membros deles ?

Quando trabalhava na Unexplained, alguns caras frequentavam seus cultos; todos mascarados, ninguém conhecia e jamais conheceu a verdadeira identidade dos líderes. Eram grupos de 5 membros por templo. Todos agregados mas com liberdades para fazerem o que bem entendessem.

BBC: Você os leva a sério hoje ?

Newton: Não aqueles que atuam na Inglaterra, mas os que estão fora do país fazem uso do nome Hekate para ter um certo status, seja no México ou com as Farc. Na verdade os traficantes pouco ligam se eles se dizem satanistas ou zapatistas, o que interessa é que são campo fértil para o crime organizado.

BBC: Mas o próprio site deles:http://www.paganassociationisevil.org.uk/ indica que fazem parte de um grupo de criminosos não ? O tal Satanismo esquerdóide.

Newton: Eles simplesmente repercutem aquilo que ouvem do que vem de fora. Repito, não levo esses moleques idiotas a sério, mas teria o maior prazer em entrevistar os membros da Hekate na América Latina.

BBC: Seria uma aventura perigosa.

Newton: Seria a chance de esclarecer de uma vez por todas o que é lenda e o que é fato sobre eles. Mas se a Scotland Yard não os pegou, quais são as minhas chances ? Até lá,

Ciudad Juárez continuará sendo um local seguro para membros da Hekate, e para os velhos satanistas sanguinolentos da Idade Média.

Paulie Hollefeld

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/amigos-de-hekate/

A justiça sob a ótica maçônica

Mas a justiça não é algo natural, não é um elemento da natureza, encontrado em todos os lugares. A justiça é algo alcançado, conquistado. E assim como para se fazer a Luz havia antes a Escuridão, ou não haveria necessidade da Luz ser feita, para se fazer Justiça deve haver antes a Injustiça, ou não haverá a necessidade de Justiça.

Entendendo a ligação entre Injustiça e Justiça como início e fim, ação e reação, causa e efeito, percebe-se a necessidade de um “fio condutor”, de um “combustível” que promova tal mudança. E, nesse caso, é a Compaixão.

É muito fácil compreender o papel fundamental da Compaixão. Afinal de contas, mesmo num mundo inundado de Injustiças, se não houvesse Compaixão, por que alguém desejaria e buscaria promover a Justiça para outros? Faltaria o tal fio condutor, o combustível. Compaixão é exatamente aquele sentimento benévolo que domina o homem ao presenciar uma infelicidade ou mal alheio. Nós sentimos compaixão quando vemos alguém sofrendo uma injustiça. Ou quando assistimos pessoas passando fome e outras necessidades, não por opção, mas pela falta de opção, pela injustiça socioeconômica.

O maçom deve ter os olhos abertos para os males da sociedade. Ele não pode fechar os olhos para o sofrimento do próximo, pois o compromisso do maçom é buscar a felicidade da humanidade. O maçom é um homem de atitude, que procura construir templos às virtudes e cavar masmorras aos vícios. Ele busca trabalhar de forma Justa e Perfeita. E a compaixão nada mais é do que um sentimento de quem se incomoda com a infelicidade alheia, pois deseja a felicidade da humanidade. Nada mais é do que um sentimento de quem se irrita com as injustiças, pois tem um compromisso com o que é justo. Enfim, a Compaixão é um sentimento próprio do Maçom, que faz parte do seu ser enquanto houver injustiças no mundo. É o seu combustível, o mobiliza para seu objetivo como Maçom.

E quais são os caminhos que essa Compaixão nos leva, em direção à Justiça? Podemos crer que, dentre tantos caminhos, o principal talvez seja a Caridade. Como um dos três pilares da Escada de Jacó, a Caridade pode ser interpretada como a ação de um homem livre e de bons costumes quando sente compaixão perante o sofrimento do próximo. Ele tenta reduzir as injustiças com as quais se depara através de um ato de amor. Não há caminho melhor.

A compaixão é sentimento típico daqueles puros de coração, daqueles que amam ao próximo e não fecham seus olhos. E a caridade nada mais é do que a prática desse amor. A caridade é a reação, o efeito da Compaixão.

A busca pela Justiça é um trabalho diário de auto-desenvolvimento. E esse aperfeiçoamento pessoal não tem valor se não é voltado ao bem do próximo e da humanidade. Albert Pike bem registrou que “O que fazemos por nós mesmos morre conosco. O que fazemos fazemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal“.

Vê-se que a Compaixão é parte fundamental em todo o processo de evolução maçônica, porque um maçom nunca se faz de cego perante uma injustiça, ele a sente como se fosse a si mesmo. E se a evolução se alcança pelo amor ou pela dor, a compaixão está diretamente ligada a ambos. E o maçom, como construtor social, não se restringe a sentir a compaixão, ele age a partir dela.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-justi%C3%A7a-sob-a-%C3%B3tica-ma%C3%A7%C3%B4nica

Neuroeconomia

A sociedade deriva do sexo, das relações reprodutivas. Enquanto unidades de trabalho, os primeiros bandos tribais humanos mantiveram-se unidos pelos laços entre casais e grupos mamíferos (as emoções impressas de afeição e confiança). No centro, o eixo central, encontrava-se a ternura orgásmica – ato partilhado, no acasalamento, do amor genital. Dele irradiou a ternura “sublimada” da relação entre pai e filho, irmão e irmã, e tios, tias e avós, toda a “família alargada”, ou bando caçador/coletor de alimentos.

O Estado conquistador, e a subsequente fissão da sociedade em classes distintas de privilegiados e carentes, criou a pobreza. Enquanto instituição humana, a pobreza deriva da conquista, da formação de governos (o bando guerreiro invasor que ficava para reger as suas conquistas) e da instituição de “leis” perpetuando a divisão classista entre Invasores e Invadidos.

Como qualquer outro primata, o ser humano contém circuitos neurogenéticos prontos para serem impressos por laços de casal e laços de bando. O objetivo evolucionário destes laços continua a ser classicamente mamífero: assegurar a biossobrevivência e o status do bando, além de programar a maioria das sementes com os comportamentos heterossexuais reprodutivos necessários à sobrevivência do bando, o que assegura por sua vez a biossobrevivência das gerações futuras.

A ascensão do Estado conquistador, o Estado feudal, e eventualmente do Estado capitalista moderno, minou e subverteu progressivamente os laços tribais de bando (“a família alargada”). Na nação capitalista mais avançada, os EUA, restam muito poucos destes laços tribais. Muito poucos cidadãos americanos se deterão para dar boléias ou esmolas aos pobres, não confiando sequer nos vizinhos. A maioria nem sequer conhece os vizinhos. Os comportamentos normais de bando, como a confiança, a solidariedade, a afeição, etc., passíveis ainda de serem encontrados nas nações feudais, encontram-se aqui atrofiados. A raiz das célebres “anomias”, “ansiedades”, “alienações”, etc., da sociedade capitalista encontra-se nesta ausência de normais laços de bando.

Falando em termos etológicos, os circuitos onde normalmente são impressos os laços de bando sobrevivem ainda. (Poderíamos exprimir o mesmo pensamento em linguagem psicológica dizendo que a necessidade de assegurar a biossobrevivência se mantém ainda). Esta constante mamífera deve ser satisfeita, e numa sociedade abstrata essa satisfação torna-se também abstrata.

Na sociedade capitalista, o dinheiro de papel torna-se a impressão da biossobrevivência.

William S. Burroughs comparou o capitalismo ao vício da heroína, assinalando os terríveis paralelos: o junkie precisa de doses regulares; o cidadão capitalista precisa igualmente de receber injeções regulares de dinheiro. Se não tiver droga, o viciado transforma-se num feixe espasmódico de ansiedades; se não tiver dinheiro, o cidadão capitalista atravessa um trauma de carência em tudo semelhante. Quando a droga escasseia, os junkies comportam-se de forma desesperada, chegando ao ponto de roubar e mesmo matar. Se o dinheiro escasseia, o cidadão capitalista também é capaz de roubar e matar.

Segundo o dr. Timothy Leary, as drogas opiáceas funcionam como neurotransmissores do circuito da biossobrevivência, isto é, ativam as redes neuronais relacionadas com os laços mãe-filho. (Em termos de psicologia freudiana pré-neurológica, o junkie regressa ao êxtase infantil no regaço da

Mãe Ópio). Numa sociedade desprovida dos normais laços mamíferos de bando, o dinheiro é sujeito a uma impressão semelhante, através do condicionamento, sobre os reflexos infantis, de uma série de associações aprendidas. O cidadão capitalista aprende neurologicamente que dinheiro equivale a segurança e falta de dinheiro equivale a insegurança.

Muito cedo na evolução hominídea, a ansiedade da separação infantil (o medo de perder a Mãe toda-importante) generalizou-se à ansiedade da separação tribal. Quem fosse expulso da tribo por comportamento delinqüente ou anti-social experimentava verdadeira ansiedade de biossobrevivência. (Em condições primitivas, uma tribo possui uma capacidade de sobrevivência muito superior à de um indivíduo só. À época, o ostracismo significava geralmente a morte, assim como o ostracismo da mãe pode significar a morte da criança.)

Já que, na sociedade capitalista, o dinheiro substituiu a tribo, a maioria dos cidadãos imprimiu no dinheiro as emoções mamíferas tradicionalmente associadas aos laços de sobrevivência filho-mãe e dos bandos individuais. Esta impressão é mantida por associações condicionadas criadas por experiências de privação real. Nas sociedades capitalistas, antes de surgir a segurança social [no Brasil, assistência social] as pessoas morriam mesmo, e em grande número, por carência de dinheiro; ainda hoje isso sucede ocasionalmente entre os muito ignorantes, os muito tímidos ou os muito velhos. (Por exemplo, há alguns anos, um casal idoso da cidade de Buffalo morreu congelado no mês de janeiro, quando a companhia local lhes corou o aquecimento por falta de pagamento da conta de eletricidade.)

A observação, que fazem os europeus, de que os americanos são “loucos por dinheiro” significa simplesmente que a abstração capitalista e o declínio da tribo se encontram mais avançados aqui do que nos estados capitalistas europeus.

Carente de dinheiro, o americano vagueia como um lunático possesso. A “ansiedade”, a “anomia”, a “alienação”, etc., vão crescendo exponencialmente, reforçadas por reais privações de segurança. Nas sociedades menos abstratas, os pobres partilham os laços de bando e “amam-se” uns aos outros (a nível de aldeia). Carentes de quaisquer laços de bando, e viciados apenas em dinheiro, os americanos pobres odeiam-se uns aos outros. Isto explica a observação paradoxal, que muitos comentaristas fizeram, de como nas sociedades tradicionais a pobreza conserva ainda a sua dignidade e mesmo algum orgulho, mas surge na América como desonrosa e vergonhosa. Na realidade, os americanos pobres não se odeiam apenas uns aos outros; freqüentemente, e talvez em geral, eles odeiam-se a si próprios.

Esses fatos da neuroeconomia encontram-se de tal forma carregados de dor e embaraço que a maioria dos americanos se recusa pura e simplesmente a discuti-los. O puritanismo sexual do século XIX transformou-se no puritanismo monetário. Pelo menos entre o terço mais avant da população, as pessoas conseguem falar muito explicitamente sobre as vertentes fetichistas das suas impressões sexuais (“Sinto-me pleno quando uso a roupa interior da minha mulher”, ou coisas do gênero), mas uma fraqueza equivalente sobre as nossas necessidades monetárias faz gelar a conversa, podendo mesmo esvaziar a sala.

Por detrás do embaraço e dor superficiais encontra-se o terror mamífero máximo: a ansiedade da biossobrevivência.

A mobilidade das sociedades modernas faz aumentar ainda mais esta síndrome de ansiedade monetária. Durante a depressão dos anos 30, por exemplo, muitas mercearias e outras “lojas de esquina” permitiram aos seus clientes a acumulação de grandes contas, por vezes durante meses a fio. Este procedimento baseava-se nos últimos farrapos dos tradicionais laços tribais e no fato de, nessa altura, há 40 anos, quase toda a gente das mesmas redondezas se conhecer. Hoje isso não aconteceria. Vivemos, como diz um romance, “num mundo cheio de estranhos”.

No primeiro capítulo de The Confidence Man, Melville contrasta o “fanático religioso” que carrega um cartaz dizendo “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS” com os comerciantes cujos avisos dizem “NÃO FAÇO FIADO”. A ideia desta ironia era fazer-nos refletir sobre a inquieta mistura de cristianismo e capitalismo na América do século XIX – cristianismo esse que, como o budismo e as outras religiões pós-urbanas, parece ser em grande medida uma tentativa, a nível místico, de recriação dos laços tribais no seio da era “civilizada” (isto é, imperialista). A segurança social representa a tentativa de falsificação desses laços por parte do Estado (de forma mesquinha e paranóica, de acordo com o espírito da lei capitalista). O totalitarismo surge como a erupção, possuída de fúria assassina, da mesma tentativa de converter o estado num nexus tribal de confiança mútua e apoio à biossobrevivência.

Quando a filosofia libertária surgiu na América, ela representava duas tendências principais, que os libertários modernos parecem ter esquecido – imprudentemente, caso se provar a justeza da análise acima feita. Refiro-me à ênfase na associação voluntária – a retribalização a um nível superior, através de objetivos evolucionários partilhados – e nas moedas alternativas. As associações voluntárias, ou comunas, desprovidas de moeda alternativa são rapidamente absorvidas pelo nexus da moeda capitalista. As associações voluntárias dispondo de moeda alternativa, abertamente declarada, são empurradas para os tribunais e destruídas. É possível que, tal como acontece em Illuminatus!, existam realmente associações voluntárias usando moedas secretas ou dissimuladas, a julgar por indícios ou códigos em algumas publicações libertárias de direita.

Nas condições presentes, nenhuma forma de libertarianismo ou anarquismo (incluindo o anarco capitalismo e o anarco-comunismo) pode competir eficazmente com o estado do bem estar social [welfare state, aqui no Brasil representado pelo Governo Lula] ou o totalitarismo.

As práticas atuais do bem estar social resultaram de 70 anos de lutas entre liberais e conservadores, tendo estes últimos vencido a maioria das batalhas. O sistema funciona de modo a fazer crescer a síndrome do vício. O desempregado recebe uma pequena dose de dinheiro no princípio do mês, muito bem calculada para sustentar um avarento extremamente frugal até por volta do dia 10 desse mês. Mediante a dura experiência, o beneficiário do bem estar social aprende a fazer render a dose até o dia 15, ou talvez mesmo até o dia 20. O resto do mês é passado sofrendo de aguda ansiedade de biossobrevivência. Como qualquer traficante ou condicionador comportamental sabe, este período de privação é que sustenta o ciclo todo. No primeiro dia do mês seguinte vem outra dose de dinheiro, e todo o drama recomeça.

O rol de beneficiários do desemprego não para de crescer, já que – apesar da maior redundância e ineficácia – a tendência do industrialismo continua a ser, como diz Buckminster Fuller, fazer-mais com-menos e a tudo-tornar efêmero (omni-ephemerize,[2]). A cada nova década, haverá cada vez menos empregos e cada vez mais pessoas dependentes do bem estar social. (Já hoje, 0,5 por cento da população detém setenta por cento da riqueza, deixando os outros 99,5 por cento para competirem violentamente pelo restante). O resultado final poderá muito bem ser uma sociedade totalmente condicionada, motivada apenas pelo vício neuro-químico do dinheiro.

Para medir o seu progresso em direção a este estado, tente o leitor imaginar vividamente o que faria se amanhã todo o seu dinheiro e fontes de rendimento desaparecessem.

É importante termos bem presente que estamos aqui a discutir comportamentos mamíferos tradicionais. Em pesquisas recentes, alguns chimpanzés foram ensinados a usar dinheiro. Indicam os relatórios que eles desenvolveram atitudes “americanas” normais para com esses ícones misteriosamente poderosos. A Pirâmide dos Illuminati, que vem impressa nas notas de um dólar, e similares emblemas “mágicos”, como a Fleur de Lys, a suástica, a águia bicéfala, estrelas, luas, sóis, etc., com que outras nações acharam por bem decorar as suas notas e documentos de estado, são intrínsecos à “fantasmagoria” do monopólio que o Estado detém sobre o maná, ou energia psíquica. Temos aqui dois pedaços de papel verde; um é dinheiro, o outro não. A diferença é o primeiro ter sido “abençoado” pelos feiticeiros do tesouro.

O trabalhador capitalista vive num estado de ansiedade perpétua, em tudo semelhante ao do viciado em opiáceos. Originalmente, a segurança da biossobrevivência, a neuroquímica da sensação de segurança, encontra-se sempre ligada a um poder externo. Esta cadeia condicionada dinheiro equivale a segurança, falta de dinheiro equivale a terror é reforçada sempre que vemos alguém ser “despedido” ou vivendo na miséria. Psicologicamente, este estado pode se caracterizar como paranóia clínica de baixo grau. Politicamente, a manifestação deste desequilíbrio neuroquímico é conhecida por Fascismo: a mentalidade Archie Bunker(3)/Arnold Schickelgruber(4)/Richard Nixon.

Como diz Leary, “A nossa vida social é agora dominada por restrições que o medo e a raiva impõem à liberdade (…). O medo e a violência restritiva podem tornar-se prazeres viciantes, reforçados por dirigentes esquizofrênicos e um sistema econômico que depende da restrição da liberdade, da produção de medo e do incitamento ao comportamento violento”.

Na metáfora perfeita de Desmond Morris, o macaco nu comporta-se tal qual um animal de zoológico: a essência da experiência da jaula é o desespero. No nosso caso, as grades da jaula são as intangíveis regras impressas no jogo: os “grilhões forjados pela mente” de Blake. Somos literalmente o ceguinho que está a ser roubado. Abandonamos literalmente os nossos sentidos. O ícone incondicional, o dinheiro-símbolo, controla totalmente o nosso bem estar mental.

Era aparentemente isto o que Norman O. Brown tentava explicar nas suas obras oculto-freudianas sobre a destruição da nossa “natureza polimorfa” (o êxtase natural do corpo) no processo de condicionamento do sexo sublimado (os laços de bando) em jogos sociais como o dinheiro. A Ressurreição do Corpo prevista por Brown só poderá acontecer através da mutação neurossomática, ou, como lhe chama Leary, engenharia hedônica. Historicamente, os únicos grupos que lograram libertar-se efetivamente da ansiedade do jogo social foram: 1) as aristocracias absolutamente seguras, livres para explorar os vários prazeres “mentais” e “físicos”; e 2) as comunas de pobreza voluntária, uma forma de retribalização alcançada através da pura força de vontade.

À semelhança dos outros idealistas de Esquerda e de Direita, os libertários sofrem geralmente de uma dolorosa percepção do horrendo fosso que separa os seus objetivos evolucionários da presente e triste realidade. Esta sensação complica enormemente a resolução da sua própria síndrome de ansiedade monetária. Como resultado, virtualmente todas essas pessoas sentem uma culpa intensa relativa ao modo como adquirem o dinheiro necessário para sobreviver no mundo de macacos domesticados que nos rodeia.

“Ele se vendeu”, “Ela se vendeu”, “Eu me vendi”, são acusações ouvidas diariamente em todas os grupos idealistas. Qualquer processo de “fazer dinheiro” expõe-nos automaticamente às vibrações culpabilizantes de uma das facções, da mesma forma que, paradoxalmente, nos livra de mais vibrações culpabilizantes oriundas da outra facção. O Catch-22 (5), a Ligação Dupla, O Princípio SNAFU (6), etc. não passam de extensões da ratoeira neuroeconômica básica: Não É Possível Viver Sem Dinheiro.

Como concluiu Joseph Labadie, “A pobreza transforma-nos a todos em covardes”.

Em última análise, existe um certo prazer em suportar a pobreza. É como o prazer de sobreviver ao desgosto e luto causados pela morte de um ente querido; o prazer que sentia Hemingway em manter se firme e continuar a disparar sobre o leão que carregava; o prazer que sente o santo em perdoar aos seus perseguidores. Não se trata de masoquismo mas sim de orgulho: fui mais forte do julgava possível. “Não chorei nem desatei aos gritos”. Foi esta a alegria sentida por Nietszche e Gurdjieff ao ignorarem as suas doenças dolorosas para só escreverem sobre os estados “despertos”, ultrapassando todos os laços e emoções.

A paranóia direitista sobre o dinheiro de papel (as várias teorias conspiratórias sobre a manipulação da oferta e a retirada de moeda) será sempre epidêmica nas sociedades capitalistas. Os junkies nutrem mitos do gênero sobre os traficantes.

São alimentos autênticos, roupas autênticas e abrigos autênticos que são ameaçados quando o dinheiro é suprimido, ainda que por pouco tempo, assim como é autêntica a privação que ocorre quando o dinheiro é suprimido durante qualquer período de tempo. O macaco domesticado é apanhado num jogo de símbolos mentais, e a armadilha é mortal.

Existe uma espécie de prazer masoquista em analisar um assunto doloroso em profundidade, em todas as ramificações e complexidades dos seus labirínticos tormentos. Existe algo deste gênero subjacente à “objetividade” de Marx, Veblen, Freud, Brooks, Adams. Estes autores parecem querer assegurar-nos, e a si próprios também, que “Por pior que a coisa seja, pelo menos conseguimos enfrenta-la sem gritar”.

“Só aqueles que beberam da mesma taça nos conhecem”, disse Solzhenitsyn. Referia-se à prisão e não à pobreza, mas as duas experiências assemelham-se enquanto castigos tradicionais para a dissidência. Enchemo-nos de orgulho por havermos conseguido suportá-los, caso consigamos sobreviver.

Uma crença muito difundida sugere que a contracultura dos anos 60 foi espancada até a morte pelos bastões da polícia, rusgas antidroga e outros tipos de violência direta. A minha impressão é que a deixaram simplesmente morrer de fome. O fluxo de dinheiro foi cortado e, após privações suficientes, os sobreviventes treparam no primeiro salva-vidas capitalista que passou por perto.

Jack London escreveu que o capitalismo tem o seu próprio céu (a riqueza) e o seu próprio inferno (a pobreza). “E o inferno é bem verdadeiro”, escreveu, baseando-se na sua amarga experiência pessoal.

Se, na melhor das hipóteses, a paternidade é uma tarefa problemática, então no capitalismo ela se torna um trabalho de herói. Atualmente, quando o fluxo de dinheiro é cortado, o pai de família americano experimenta ansiedade múltipla: medo por si e medo pelos que o amam e nele confiam. Só o capitão de um navio que naufraga conhece esta vertigem, esta chaga.

Sobreviver ao terror constitui a essência da verdadeira Iniciação. Porque os que vivem mais felizes são os que mais perdoaram e, como disse Nietszche, aquilo que não me mata, me torna mais forte.

1. Este texto faz parte da coletânea de artigos reunida sob o título de The Illuminati Papers, tradução portuguesa: O livro dos Ilumunati, ed. Via Optima, de onde este foi retirado. R.A.W. assina aqui como Hagbard Celine. O capitão Hagbard Celine, para quem não sabe, é um personagem fictício dos romances da trilogia Illuminatus!, de Robert Anton Wilson e Robert Shea. Ele luta contra os Illuminati com seu submarino dourado. É uma espécie de Capitão Nemo discordiano e filósofo anarquista (Nota do Rizoma).

2. Neologismo de Buckminster Fuller (N. do Rizoma).

3. Archie Bunker é um famoso personagem conservador da sitcom americana All in the Family (N. do Rizoma).

4. Arnold Schickelgruber é um trocadilho com o nome do ator Arnold Schwarzenegger e o verdadeiro nome de Hitler, Adolf Schickelburger Hiedler (N. do Trad.).

5. Termo militar, nos EUA, cujo significado básico é: se há uma regra, não importa o que seja essa regra, há sempre uma exceção para ela. É uma espécie de misterioso mecanismo regulador que forma, em essência, um argumento circular (N. do Rizoma).

5. SNAFU é o acrônimo de Situation Normal All Fucked Up (Situação Normal Está Tudo Fodido), aludindo a uma situação de confusão e desorganização provocada por excesso de regulamentações e rotinas. (N. do Rizoma).

por Robert Anton Wilson – Tradução de Luís Torres Fontes

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/neuroeconomia/

Aleister Crowley: o Homem Mais Perverso do Mundo

Por Mike Karn

Revista The Square, volume 43, n° 2, junho 2017, páginas 32-34.

Aleister Crowley é considerado uma das figuras mais notáveis e sinistras do século passado. Ele foi um renomado estudioso que usou seu incrível intelecto para se tornar um especialista e praticante do ocultismo e da magia negra. Tão grande era o seu domínio que, para muitas pessoas, ele se transformou na personificação absoluta do mal. Seus ritos, orgias e cerimônias profanas chocaram até mesmo os mais cínicos e despertaram curiosidade, fúria e ódio nas outras pessoas.

​Ele sempre insistiu que seu nome fosse pronunciado como “Crow-ly” – muitas vezes acrescentando, com um sorriso malicioso: “para rimar como holy [sagrado]!”. No entanto, provavelmente é difícil, para quem desconhece a reputação de Crowley, imaginar a controvérsia que seu nome incitou no público em geral – e o ódio e medo que sentiram.

​Crowley nasceu no auge da era vitoriana, em 1875, em Leamington, Warwickshire, Inglaterra. Proveniente de uma família próspera adepta da seita dos Irmãos de Plymouth, ele foi devidamente batizado como Edward Alexander Crowley. Foi criado para acreditar que Deus era todo-poderoso e que o livre-arbítrio não era uma opção. Seu pai, Edward, era de uma rica família quaker, e ele e sua esposa, Emily, eram fanáticos religiosos que se juntaram aos Irmãos de Plymouth na fundação da seita.

​Para Crowley, o Cristianismo assumiu proporções extremas e se tornou o inimigo. Em seu tormento, ele procurava ajuda e conforto em outras fontes – essa direção por fim levava ao inimigo natural: o demônio. Ele se rebelou totalmente contra a religião de sua família e posteriormente mudou seu nome para Aleister, para não partilhar do mesmo nome de seu pai, Edward.

​Crowley teve uma infância muito infeliz. Seu pai viajava pelo país pregando, enquanto sua mãe rezava, lamentava e atormentava o filho. O pior ainda estava por vir: seu pai faleceu quando ele tinha 11 anos de idade, e sua guarda foi concedida à mãe de seu irmão, que o tratava com crueldade. Isso só foi ultrapassado por um mestre sádico de uma escola dos Irmãos Plymouth, à qual foi confiado.

​Portanto, quando criança, Crowley rezou para o demônio em segredo, para se manter protegido de sua mãe, de seu tio, do mestre e dos garotos que o maltratavam na escola. Seus sentimentos em relação ao Cristianismo e à sua família eram de puro ódio, e ele não foi criado como uma criança normal. No início de sua adolescência, como seu comportamento comum era não aceitar a doutrina dos Irmãos Plymouth, a mãe de Crowley o amaldiçoou e passou a chamá-lo de “a besta”, cujo número era 666, conforme o Livro do Apocalipse no Novo Testamento da Bíblia. Em vez de ficar ofendido com isso, ele adotou o nome e agiu como se não houvesse mais nada a fazer a não ser aceitá-lo.

Crowley frequentou a Malvern College como uma criança oprimida e mentalmente perturbada. Uma escola pública não era lugar para um garoto tão tímido e estranho, e ele sofria agressões físicas e psicológicas, a ponto de ser retirado da escola e transferido para a Tonbridge School. Mas então houve uma transformação nele. Crowley tinha crescido e se tornou forte física e mentalmente. Ele passou por uma mudança completa, como se algo tivesse sido despertado dentro dele. Deixando de lado toda a sua insegurança, superou os intimidadores e se transformou em um deles.

Nessa época, ele começou a praticar alpinismo. O cabo de Beachy Head e as montanhas galesas foram os cenários de suas primeiras expedições, mas então ele começou a escalar penhascos que ninguém jamais havia ousado, e realmente obteve muitas experiências na escalada.

Em 1895, aos 20 anos de idade e denominando-se Aleister, foi para a Trinity College, em Cambridge, como graduando do curso de ciência moral. Ele também escreveu, estudou poesia e continuou a praticar alpinismo. Crowley era considerado um jovem com um futuro promissor, mas enveredou pelo ocultismo e por todas as formas de imoralidade. Ele vivia como um aristocrata privilegiado e mantinha uma vida sexual vigorosa, conduzida com prostitutas e mulheres que ele escolhia nos bares locais, mas isso posteriormente se estendeu a atividades homossexuais. Ele também começou a publicar poesia explicitamente sexual.

Quando frequentava a Trinity College, conheceu Allan Bennett. Os dois se interessaram pelo ocultismo e começaram a experimentar rituais mágicos. Ao que tudo indica, eles obtiveram resultados impressionantes, incluindo a manifestação de uma hoste de seres sobrenaturais e de atividades de espíritos.

Em 1898, Crowley e Bennett se juntaram à Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) em Londres, que praticava magia ritualística, alquimia, astrologia, tarô e outras ciências ocultas. A ordem foi fundada em 1887 por três membros da Maçonaria: Samuel MacGregor Mathers, William Robert Woodman e dr. William Wynn Westcott. Todos eles também foram membros da Sociedade Rosacruciana.

A Golden Dawn afirma que sua origem remonta de documentos codificados na posse de Wynn Westcott, segundo os quais o grupo era uma ramificação da Ordem Rosacruz alemã. Eles conceberam cinco rituais nos moldes maçônicos, que foram expandidos por Mathers. Sua influência no desenvolvimento do ocultismo moderno ocidental foi profundo, e muitos grupos afirmam serem originados da Golden Dawn.

Um ano depois, um fundo em depósito que foi estabelecido após a morte de seu pai lhe foi liberado. Crowley se tornou um homem rico, sem ter que depender mais de sua família. Ele abandonou a universidade sem concluir o curso, adquiriu um apartamento em Londres e começou a se dedicar a seus estudos ocultistas. Crowley tinha uma aptidão natural para a magia e logo fez avanços, tornando-se um mago poderoso, assim como seu amigo Allan Bennett.

Crowley não apenas se aprofundou no ocultismo, mas também foi promovido rapidamente pelos graus da Golden Dawn. Em 1889, ele completou os estudos necessários para obter o grau de Adeptus Minor. Entretanto, por causa de suas atitudes e de seu comportamento homossexual, o líderes em Londres o consideraram inadequado para avançar na Segunda Ordem. Então, Crowley foi para a França, onde o líder da Golden Dawn em Paris, MacGregor Mathers, o iniciou na Segunda Ordem.

Posteriormente, em 1900, a Golden Dawn foi fragmentada. Mathers, em uma tentativa de se unir à Loja londrina e se tornar um líder incontestável da ordem, mandou Crowley para a Inglaterra como seu “enviado especial”. Crowley fez uma tentativa frustrada de obter novamente o controle das propriedades da ordem em nome de Mathers. Ele surgiu em uma reunião ritualística vestido de maneira excêntrica com traje escocês completo e um capuz preto. Pouco tempo depois, Mathers e Crowley foram expulsos da ordem.

Crowley era maçom. Registros apontam que ele foi para a França em 1903, onde foi iniciado na Maçonaria na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris. Essa era uma Loja principalmente para expatriados e para aqueles que não podiam se afiliar à Maçonaria na Inglaterra por causa dos altos padrões da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Crowley afirmou ter sido recomendado por um Past Grão-Capelão Provinciano de Oxfordshire. No entanto, não existem evidências documentadas disso, e Crowley certamente nunca foi iniciado na Maçonaria inglesa. Posteriormente, ele continuou tentando ser admitido em reuniões de Lojas em Londres, mas frequentemente era recusado, pois pertencia a uma Ordem Maçônica ilegítima.

Em seu livro The Confessions of Aleister Crowley, uma auto-hagiografia, Crowley se explica:

Eu mencionei ter obtido o 33° na Cidade do México. Isso não acrescenta muita importância ao meu conhecimento dos mistérios, mas ouvi falar que a Maçonaria era uma irmandade universal e esperava ser recebido em todo o mundo por todos os Irmãos. Fui surpreendido com um considerável choque nos meses seguintes, quando, tendo a chance de discutir o assunto com um apostador arruinado ou agente de apostas – não me lembro exatamente –, descobri que ele não me “reconhecia”! Havia uma diferença simples em um dos apertos de mão ou alguma outra formalidade totalmente sem sentido. Demonstrei um desprezo imenso por todo o ritual. Eu fui admitido ao ser iniciado na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris.

Retornei à Inglaterra um tempo depois, após passar meu posto na minha Loja, e, esperando me juntar ao Arco Real, dirigi-me a seu venerável Secretário. Apresentei minhas credenciais. “Ó Grande Arquiteto do Universo”, o velho homem irrompeu de raiva, “por que não queimais este impostor no fogo dos céus? Senhor, vá embora. Você não é um maçom!”.

Pensei que isso seria um pouco difícil de meu Reverendo Pai em Deus, o criador, e percebi que, obviamente, todos os ingleses e norte-americanos que visitam uma Loja na França correm o risco de expulsão ou detenção instantânea e irrevogável. Então, eu não disse nada, mas fui para outra sala no Freemasons’ Hall sem seu conhecimento, e tomei meu lugar como um Past Master em uma das Lojas mais antigas e importantes de Londres.

Em 1905, Crowley voltou a se dedicar ao alpinismo e tentou conquistar o Kangchenjunga, no Nepal, a terceira montanha mais alta no mundo. Houve grande controvérsia durante a tentativa frustrada, e Crowley foi acusado de crueldade por agredir seus carregadores e deixar outro homem morrer na montanha. Era evidente que ele não conseguia tolerar qualquer tipo de fraqueza nas outras pessoas, mas essa viagem acrescentou muitas outras histórias terríveis à sua reputação crescente como um homem perverso.

Em 1906, Crowley fez uma viagem com sua esposa e sua filha para a China e depois para o Vietnã, onde as abandonou. A criança faleceu posteriormente, e sua esposa recorreu ao consumo de álcool para aliviar a dor, chegando à loucura. Tempos depois, Crowley a internou em um sanatório, e eles por fim se divorciaram em 1909.

Em 1910, Crowley conheceu John Yarker. Yarker era maçom, costumava escrever sobre assuntos relacionados à Maçonaria e era membro da Loja Quatuor Coronati. Em 1871, ele esteve envolvido com a fundação de um Grande Conselho do Rito Antigo e Primitivo em Manchester, uma ordem que se separou da GLUI e criou uma conexão com o Rito Antigo e Aceito e com outros ritos egípcios. Isso não era considerado comum pela maioria das Grandes Lojas. Crowley se juntou à ordem, da qual mais tarde se tornou Grão-Administrador Geral e também Mestre Patriarca Geral.

Em 1913, Crowley visitou o Secretário da Loja Quatuor Coronati e o Grande Secretário do Freemasons’ Hall, buscando uma forma de se juntar à Loja inglesa. Ele então escreveu à Grande Loja solicitando seu direito de se juntar a Lojas inglesas e participar delas, baseado em sua associação à Loja francesa. Seu pedido foi negado, devido à irregularidade de sua Loja-Mãe. A Grande Loja não identificou Crowley como um membro da Maçonaria. Todas as suas afiliações estavam ligadas a órgãos irregulares, portanto lhe negaram reconhecimento.

Crowley estava escalando montanhas na Suíça quando a Primeira Guerra Mundial irrompeu e ele retornou para a Inglaterra. Estava impossibilitado de se juntar às forças armadas por causa de sua saúde debilitada, mas ofereceu seus serviços: sua escrita e sua inteligência. Supostamente, sua oferta foi rejeitada com desprezo pelo Serviço de Inteligência Britânico, e, para um homem como Crowley, isso resultou em seu ressentimento e apoio subsequente à Alemanha. Ele foi para os Estados Unidos, onde escreveu e publicou propaganda antibritânica, o que o tornou um traidor e desertor na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, ele estudou com ocultistas norte-americanos, começou a pintar e escreveu muitos livros. Em 1919, enquanto vivia em Greenwich Village, conheceu Leah Hirsig, e os dois sentiram uma conexão imediata e instintiva. Em 1920, eles foram para a Sicília e criaram um templo em uma antiga fazenda. Eles tiveram uma filha e, sob a influência de ópio e cocaína, fundaram um novo culto religioso chamado Thelema. Com Crowley considerando-se um profeta da nova era, a famosa Abadia de Thelema foi fundada. Thelema era uma religião, e sua lei era: “Faze o que tu queres”. Rapidamente, circularam histórias sobre depravação. O povo italiano se ressentiu das atividades diabólicas de Crowley, e Benito Mussolini, o ditador italiano, determinou que ele fosse deportado. Como sempre, Crowley não negou as acusações feitas contra ele.

Crowley também foi membro da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) e, em 1925, por fim assumiu liderança e revisou os ritos, estabelecendo rituais da ordem nos mesmos moldes da Maçonaria. A O.T.O. é uma sociedade secreta e, ao longo dos anos, ressurgiu diversas vezes. Atualmente, está em atividade em 25 países, com uma afiliação crescente de mais de 4 mil membros. Segundo consta, todos os homens e mulheres livres, com maioridade completa e bons precedentes, têm o direito de serem iniciados nos primeiros três graus dessa ordem.

Muitos livros ocultos foram escritos por Crowley, os quais, apesar de terem sido escritos com discernimento, são muitas vezes difíceis de serem acompanhados. Um deles é o sagrado Livro da Lei, que tem como princípio fundamental: “Faze o que tu queres há de ser o todo da lei”, que significa que todo homem e toda mulher deverão encontrar sua verdadeira vontade, seu propósito e seu sentido de vida, seguindo isso e nada mais. Dois de seus romances, The Diary of a Drug Fiend (1922) e Moonchild (1929), foram parcialmente baseados em sua vida pessoal e em suas alucinações egomaníacas. Acredita-se que Crowley tenha realizado muitas tentativas sem sucesso, com diferentes mulheres, de procriar uma “criança mágica”. Ele escreveu sobre essas tentativas em forma de ficção no livro Moonchild.

Crowley sempre atraiu um pequeno grupo de seguidores nos Estados Unidos e na Alemanha, talvez não mais de algumas centenas de pessoas por vez, e, por quatro anos, perambulou pela Alemanha e por Portugal, sendo financiado por seus seguidores fiéis. Ao retornar para a Inglaterra, em 1935, foi à falência após perder um processo judicial contra um jornal que o teria chamado de mago negro. A evidência contra ele era devastadora – e é de se imaginar que o caso só tenha sido levado à corte por mera publicidade!

Durante os anos seguintes, Crowley parou de viajar e permaneceu na Inglaterra, onde escreveu muitos outros livros. Ele passou seus últimos anos sozinho em uma pensão em Hastings, como um homem velho e debilitado, mal sobrevivendo por seu vício em heroína. Seu ato final foi amaldiçoar o médico que se negou a prescrever a quantidade de heroína que ele queria. Crowley morreu em 1º de dezembro de 1947, aos 72 anos de idade, e foi cremado em Brighton. Suas cinzas foram enviadas a seus seguidores nos Estados Unidos. O médico que ele amaldiçoou teria morrido em menos de 24 horas depois.

Sem arrependimentos e sem se curvar, ele partiu deste mundo com um desprezo final pela sociedade. Crowley havia preparado seu próprio funeral e, em vez do serviço religioso comum, criou seu último ritual com suas obras. Amigos leram Hymn to Pan e Collects and Anthems, de Gnostic Mass. Passagens selecionadas do Livro da Lei também foram lidas. Houve tantas reclamações por parte do público a respeito do serviço funerário que o Conselho de Brighton decidiu tomar providências para prevenir que um incidente como esse nunca mais acontecesse.

Provavelmente, Crowley foi o mago mais famoso de sua época, tornando-se ainda mais influente após sua morte do que quando estava vivo. Ele foi muitas vezes odiado em vida, mas certamente causou influência e impacto no desenvolvimento da nova era do ocultismo moderno. Seu conhecimento sobre magia e bruxaria era certamente profundo, e ele transmitiu esse conhecimento por meio de seus diversos livros. Na sociedade liberal dos dias de hoje, seus livros estão sendo procurados e reimpressos, e algumas pessoas parecem apreciar seu estranho intelecto. Sua impiedade persistente era um traço de sua personalidade e influenciou homens e mulheres, mas Crowley deixou para traz um rastro de devastação em se tratando das mulheres e dos homens em sua vida. Alcoolismo, vício em drogas, insanidade e suicídio surgiram em seu caminho. Portanto, Crowley era um mago negro perverso? Provavelmente sim, mas tão importante quanto isso era o fato de ele querer que todo mundo acreditasse nisso.

Há uma reviravolta na história, pois, quando Crowley morreu, foi encontrada uma carta da Inteligência Naval Britânica endereçada a ele, requerendo o prazer de sua companhia em uma recepção. A história então revelada é a de que ele teria sido recrutado pela Inteligência Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, quando queriam explorar as informações de que nazistas de alto posto estavam envolvidos com astrologia e ocultismo. Agente britânico por muito tempo, Ian Fleming (que escreveu os romances de James Bond) disse que Crowley foi recrutado pela primeira vez para a investigação de Rudolf Hess. Fleming também revelou que foi Crowley quem sugeriu o símbolo de “V” de vitória usado por Churchill – o símbolo com os dois dedos sendo o oposto direto e destrutivo do símbolo solar da suástica.

Atualmente, poucas pessoas irão refutar a ideia de que Crowley teria sido um agente britânico durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhando nos Estados Unidos e ajudando na campanha de desinformação, em vez de ter sido um traidor, como se acreditava.

Crowley foi chamado de “o homem mais perverso do mundo”. No entanto, talvez hoje em dia ele não fosse considerado assim. Ele possivelmente seria tratado como um excêntrico, com poucas pessoas se incomodando com seu comportamento – o que não seria de forma alguma apropriado para ele.

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aleister-crowley-o-homem-mais-perverso-do-mundo

As Chaves Maiores e as Clavículas de Salomão

por Eliphas Levi Zahed

EDIÇÃO, ORGANIZAÇÃO, COMENTARIOS E TRADUÇÃO por Robson Belli

Creio ser de fundamental importância a tradução comentada deste material, por trazer uma visão magística diferenciada de um de seus grandes autores contemporâneos, Eliphas Levi um dos mais importantes autores da alta magia, e a sua visão de um dos principais grimórios medievais, as “Clavículas de Salomão”.

O fato desta obra ainda não ter uma tradução para o português em pleno ano de 2022, nos mostra o pouco ou nenhum interesse do nosso mercado editorial de nos servir com obras ótimas, e com as diferentes visões do mesmo tomo, estamos exaustos de ver traduções das clavículas traduzidas por Samuel Lidel “McGregor” Mathers, que apesar de ser um ótimo trabalho, expõe apenas uma visão embasada em algumas poucas fontes dos manuscritos das conhecidas Clavículas de Salomão que juntos somam mais do que 144 tomos manuscritos diferentes, só considerando os tomos das chaves maiores, tendo uma miríade muito maior quando consideramos as chaves menores.

Portanto não espere encontrar aqui os tradicionais pantáculos, este livro não é mais do mesmo, e justamente por isso vem a ser a minha primeira clavícula traduzida e publicada, a fim de quebrar os paradigmas impostos a esse tomo.

Muitos talismãs para invocação das forças celestiais estão descritos aqui, contudo é importante mencionar, que além de invocar estes poderes, nos sagrados e poderosos 72 nomes de Deus, esta clavícula nos ensina trabalhar também repelindo as forças malignas de nossas vidas, sendo, portanto, uma das mais puras clavículas no sentido de chamar para si a atenção do divino e do sagrado, afastando de si as forças negativas.

Este não é em definitivo, um tomo para membros do caminho da mão esquerda, este livro é para aqueles que entendendo que devem se ligar aos poderes elevados e aos nomes divinos, o fazem para expurgar de si os poderes das trevas, que apenas atrasam seu desenvolvimento enquanto ser humano e magista.

Este livro não pede sua aceitação ou concordância, ele apenas o é como deveria ser, peço apenas ao leitor a compreensão de obras como “Dogma e ritual da alta magia” e o livro “O grande arcano”, ambos de Levi, para entender melhor que este aqui é o livro referenciado na obra citada e não, as obras que Eliphas Levi considerava espúrias e impuras que visam chamar demônios para si, profanando assim o ideal Cabalístico de evolução do ser.

Esta é na opinião de Levi, a clavícula de Salomão retificada a sua gloria original, dentro de uma proposta muito mais próxima a ideia da cabala, e mesmo que tenha símbolos nos amuletos, a força deles provem na realidade dos nomes divinos e dos números gravados nos mesmos, sendo não um livro de evocação e dialogo com estas forças, este é um livro de magia talismanica, tal qual as Chaves Maiores de Salomão mais conhecidos do grande público, contudo faz uso dos 72 anjos ou 72 nomes divinos para atrair para si estes poderes benignos e afastar de si os 72 demônios, uma clara contra posição ao “Ars Goétia” do “Lemegeton” que Eliphas provavelmente considerou impuro e pagão, um livro corrompido.

Visão que pode ser bem compreendida por aqueles que adentram ao estudo da Cabala judaica, mesmo em seus níveis mais superficiais, creio ter bem referenciado o porquê desta obra ser o que é, e por que Eliphas Levi tentou retificar a tradição Salomônica escrevendo este livro.

Infelizmente este livro não se popularizou tanto quanto suas outras obras, mas finalmente chega agora ao leitor brasileiro que, espero sinceramente faça um maravilhoso uso desta obra a tanto tempo deixada de lado.

~Robson Bélli

23 de maio de 2022.

ADVERTENCIA

Este livro é uma reprodução fiel do manuscrito escrito e desenhado por Eliphas Levi para seu discípulo e amigo, Barão Spedalieri, que, de acordo com o desejo do Mestre, foi posteriormente entregue a J. Charrot, que o entregou a L. Chamuel para ser editado. A primeira edição apareceu em 1895; que está esgotado e raro.

Hoje, o número crescente de discípulos póstumos de Eliphas Levi nos obriga a reimprimi-lo.

As Clavículas de Salomão são um retorno da Doutrina Cabalística em sua pureza primitiva; baseado no Grande Nome Incomunicável, descrevendo com precisão e simplicidade setenta e dois ramos. Eles incluem as figuras de trinta e seis talismãs e os trinta e dois Caminhos da Sabedoria (os dez números e vinte e duas letras hebraicas); finalmente, o ritual é completado com instruções teúrgicas, profecias e um cânone para o uso das Clavículas.

Estas Clavículas são explicadas e discutidas através da correspondência do Mestre com o Barão Spedalieri.

Esta edição foi revisada e atualizada de acordo com o manuscrito original.

~P. Chacornac.

A COMPOSIÇÃO E O USO DESSAS CLAVÍCULAS

Estas clavículas, reestabelecidas em sua pureza original, e desenhadas pela primeira vez por mim, Eliphas Lévi, em 1860, se realizam em sua pureza e sem mescla de símbolos samaritanos ou egípcios, só com ajuda das cifras, dos símbolos hieroglíficos e dos números.

Os hebreus tinham horror ao uso de figuras em imagens sagradas, e é por este motivo que as imagens do Zohar são em sua maioria, quase todas traçadas apenas com letras.

O complemento perfeito deste livro é o jogo de Tarô italiano, cujos talismãs de Salomão explicam e resumem os símbolos.

Os talismãs podem, cada um em particular, servir de instrumento (magico) magnético e representar uma vontade análoga ao nome divino cuja explicação se encontra sob cada talismã.

É preciso observar que as dezenas que se encontram no tarô não são desenhadas nos talismãs porque, sendo a dezena a síntese da unidade, está contida virtualmente na unidade de cada número.

As imagens dos talismãs podem ser gravadas em sete metais ou desenhadas em pergaminho virgem, depois consagradas e magnetizadas segundo uma intenção muito precisa.

Desta forma, serão criados focos de luz astral, perfumados com os perfumes do ritual e mantidos em seda ou em recipientes de vidro para que não percam sua força.

Eles não devem ser emprestados ou dados, a menos que tenham sido feitos em nome de outra pessoa e de acordo com ela.

Servem para afastar ilusões e miragens de luz. Os espíritos errantes estremecem diante deles porque são símbolos fixos, personagens do verbo que é por si mesmo e que comanda vitoriosamente todos os espíritos.

Mas, para usar essas chaves corretamente, é necessário manter uma grande lucidez de espírito e uma grande pureza de coração. Caso contrário, eles se tornariam os instrumentos de uma maldição da qual o operador imprudente ou culpado seria a primeira vítima.

AS CHAVES MAIORES E CLAVÍCULAS

A TAU SAGRADA OU CHAVE UNIVERSAL.

COMENTARIO A RESPEITO DA CHAVE UNIVERSAL

Este símbolo de Levi vem aqui expor algumas questões importantes que podem ajudar ao leitor elucidar algumas ideias que Levi tinha a respeito das clavículas, em seu nível simbólico direto vemos as letras Yod, He, Vav, He, do tetragrama divino expostas cada uma em uma direção, com elementos mágicos bem conhecidos do público atual tanto pelo taro quando pela magia cerimonial.

Yod acima e ao lado da Baqueta representação do fogo e da autoridade divina do comando, o mundo de Aziluth ou ainda o mundo dos arquétipos, e graças a Taça que representa o elemento agua, sabemos que a ponta direita é a sequência e representa o mundo de Briah do mundo formativo ou da criação,  a próxima letra na sequência é Vav ao lado da espada que é um naipe e ferramenta mágica do ar, que também representa o mundo de Yetzirah, o mundo formativo e por fim nos temos ultimo He ao lado da moeda ou Pantáculo que são relacionados ao elemento terra, a realização material, ou ainda o muito material.

A cruz tau para Eliphas Levi estava associada ao Universo, sendo o seu criador (através do seu nome impronunciável) e principio e o universo o fim ou a sua manifestação material, Alfa e Ômega, sendo o magista então uma representação do próprio Deus que o criou sua imagem e semelhança, para dominar todas as coisas, por conta da representação dos quatro elementos que são todas estas coisas.

A seguir e a esquerda vemos um símbolo que parece uma cruz com um P e do seu lado na parte inferior a letra Alfa e Ômega, este símbolo chama-se Tau Rho que é um dos dois monogramas de cristo, sendo o Tau Rho a imagem de Moises com seus braços estendidos e o alfa e o ômega a representação do cristo ajudando o homem, vemos ao mesmo tempo um X pontilhado dando a ideia da transformação do estaurograma (sacrifício) no  cristograma (redenção) também conhecido por Chi Rho, que é o símbolo mais conhecido como monograma do Cristo.

Do lado direito da cruz Tau vemos o símbolo geomantico de conjunctio e dentro dele escrito Bara-Taish ( ) que é uma expressão cabalística que alude a baphometh ou o iniciado, o desperto e conhecedor dos mistérios ou ainda Bereshit ( ) que alude as primeira palavras do início do livro de gênesis “No princípio”, mas essa expressão aos judeus, que por sua vez alude ao bode que foi levado para ser sacrificado pelo patriarca Abraão e está ligada a uma ideia de lascívia (luxuria) divina em sua criação.

O SHEM HA MEPHORASH[1]

Toda a ciência está numa palavra e toda a força num nome.

A inteligência deste nome é a ciência de Salomão e a luz de Abraão.

Ninguém conhece Deus em sua essência, a não ser ele mesmo.

Mas a Ciência absoluta está no conhecimento dos nomes divinos que são todos formados a partir de um único nome.

Esta ciência é o que ela chama, o Shem Há Mephorasch ou nome explicado.

O Esquema ou nome incomunicável é composto de quatro letras.

  • Todo o poder (força) está em um, Yod.
  • Seu reflexo está em outro, He.
  • É explicado pelo terceiro. Vav.
  • É fertilizado pelo quarto. He

É formado com vinte e quatro pontos que são as vinte e quatro alegorias antigas de São João.

  • Cada ponto tem três linhas.
  • Há então sessenta e dois traços.

Sessenta e dois nomes são formados, que são escritos dois a dois em trinta e seis talismãs.

OS TRINTA E SEIS TALISMÃS

Estude cuidadosamente os hieróglifos e as letras sagradas dos trinta e seis talismãs e escreva ao redor de cada um deles um versículo bíblico de sua escolha, aquele que melhor expressa para você[2] a virtude das letras e dos nomes (números).

Esses talismãs fixam o espírito, fortalecem o pensamento e servem de sacramento à (verdadeira) vontade.

Os espíritos de todas as hierarquias estão em comunhão com aquele que entende e usa corretamente esses sinais.

TALISMÃ 01 – O PRIMEIRO PRINCIPIO

01 VEHUIAH/ 04 ELEMIAH [3]

[4]

TALISMÃ 02 – AJUDA DO SALVADOR

02 JELIEL / 05 MAHASIAH

TALISMÃ 03 – ESPERANÇA DIVINA

03 SITAEL / 06 LELAHEL

TALISMÃ 04 – QUATRO VEZES PAI

07 ACHAIAH / 10 ALADIAH

TALISMÃ 05 – RAZÃO DE CULTO

08 CAHETEL / 11 LAOVIAH[5]

TALISMÃ 06 – CONSOLO DIVINO

09 HAZIEL / 12 HAHAIAH

TALISMÃ 07 – BASE DE TODA A GRANDEZA

13 YESALEL[6] / 16 HEKAMIAH[7]

TALISMÃ 08 – PROVIDENCIA

14 MEBAHEL/ 17 LAUVIAH[8]

TALISMÃ 09 – CONSOLADOR

15 HARIEL / 18 CALIEL

TALISMÃ 10 – O AMOR

19 LEUVIAH[9]/ 22 IEIAIEL[10]

TALISMÃ 11 – A SALVAÇÃO

20 PAHALIAH / 23 MELAHEL

TALISMÃ 12 – A BONDADE

21 NELCHAEL / 24 HAHEUIAH[11]

TALISMÃ 13 – A FORÇA DO BEM

25 NITH-HAIAH[12] / 28 SEHEIAH

TALISMÃ 14 – O ARCANO DO AMOR

26 HAAIAH / 29 REYEL[13]

TALISMÃ 15 – PACIENCIA

27 IERATHEL[14] / 30 OMAEL

TALISMÃ 16 – CIENCIA DO AMOR

31 LECABEL / 34 LEHAHIAH

TALISMÃ 17 – AMOR DO JUSTO

32 VASAHIAH[15] / 35 CHAVAKIAH

TALISMÃ 18 – HIERARQUIA DO AMOR

33 IEHUIAH[16] / 36 MENADEL

TALISMÃ 19 – FORÇA QUE FECUNDA

37 ANIEL / 40 IEIAZEL[17]

TALISMÃ 20 – EQUILIBRIO POLITICO

38 HAAMIAH / 41 HAHAHEL[18]

TALISMÃ 21 – PAZ UNIVERSAL

39 REHAEL / 42 MIKAEL[19]

TALISMÃ 22 – IMPERIO DO VERBO

43 VEULIAH[20] / 46 ARIEL[21]

TALISMÃ 23 – A NOVA JERUSALEM

44 YELAIAH[22] / 47 ASALIAH[23]

TALISMÃ 24 – HARMONIA

45 SEALIAH[24] / 48 MIHAEL[25]

TALISMÃ 25 – VITORIA

49 VEHUEL / 52 IMAMAIAH[26]

A PARTIR DESTE PONTO O LIVRO PÁSSA A SER UMA RECONSTRUÇÃO, POIS ESTA PARTE É AUSENTE NO ORIGINAL OS SIGILOS SÃO OS MESMOS USADOS NO LIVRO “the kabbalistic and occult tarot of eliphas levi” E EM “The Science of the Kabbalah” de Lazare Lenain

TALISMÃ 26 – O SEGREDO DO VEICULO

50 DANIEL / 53 NANAEL

TALISMÃ 27 – O SEGEDO DA CRIAÇÃO

51 HAHASIAH / 54 NITHAEL

TALISMÃ 28 – O MAIS SAGRADO

55 MEBAHIAH / 58 IEIALEL

TALISMÃ 29 – OS ANEIS DA ALIANÇA

56 POIEL / 59 HAHAEL

TALISMÃ 30 – OS TRES ANEIS LUMINOSOS

57 NEMAMIAH / 60 MITZRAEL

TALISMÃ 31 – VONTADE

61 UMABEL / 64 MEHIEL

TALISMÃ 32 – SABER

62 IAH-HEL / 65 DAMABIAH

TALISMÃ 33 – OCULTISMO

63 ANAUEL / 66 MANAKEL

TALISMÃ 34 – REALIZAÇÃO

67 AYEL / 70 YABAMIAH

 

TALISMÃ 35 – EQUILIBRIO

68 HABUHIAH / 71 HAIAIEL

TALISMÃ 36 – FORÇA CONTRA OS TERRORES DA MORTE

69 ROCHEL / 72 MUMIAH

A partir deste ponto o este livro volta a ser uma tradução fiel ao original.

AS LETRAS SAGRADAS

Correspondem as figuras simples do Tarô

(O rei de paus, o Pai)

(O rei de copas, o esposo da mãe)

(O rei de espadas, O principe do amor)

(O rei de ouros, o pai de criação)

(A rainha de paus, a esposa de seu pai)

(A rainha de copas, a mulher que é dona de si mesma)

(A rainha de espadas, A princesa do amor)

(A Rainha de ouros, a mãe dos seus filhos)

(O cavaleiro de paus, Conquistador de poder)

(O cavaleiro de Copas, o conquistador da felicidade)

(O cavaleiro de espadas, o conquistador do amor)

(O cavaleiro de ouros,  o conquistador de obras)

(O valete de paus, escravo do homem)

(O valete de copas, o escravo da mulher)

(O valete de espadas, escravo do amor)

(O valete de ouros, o escravo das crianças)

OS NÚMEROS SAGRADOS

Comentário: Eliphas Levi coloca algumas atribuições que para nós estudantes atuais de cabala são completamente estranhas, tal como o Sol e Kether, Chockmah a esquerda sendo a Lua, e Binah a direita sendo Vênus, e isso pode nos causar tamanha estranheza, contudo é exatamente o que está descrito aqui.

AS LETRAS SAGRADAS OU AS CHAVES MAIORES

Os dez nomes e as vinte e duas letras formam trinta e dois caminhos da ciência universal.

A LETRA ALEPH

(Hieróglifo- o menestrel)

(O PENTACULO DO EDEN, PROTOTIPO DAS LETRAS SAGRADAS)

A LETRA BEITH
(A alta sacerdotisa)

(o binário é o primeiro número, é a unidade somada a ela mesma[27])

A LETRA GUIMEL
(O Terciário —  a mãe (gravida) — a geração)

(O primeiro grande número sagrado.

O triangulo de Jeová.
O mercúrio dos sábios.)

A LETRA DALETH

(O quaternario – a quadratura)

(O número do ciclo perfeito.
A cruz filosófica.
O fogo Elemental dos sábios.)

A LETRA HE
(Número cinco das letras e quinze dos caminhos)

(O número da ciência do bem e do mal.
A letra da mulher da religião.
O pentagrama angelico ou diabolico.)

A LETRA VAV
LINGHAM
(A flecha do amor — O lingham[28])

(O número do antagonismo e da liberdade. A união. O trabalho. Semana da criação)

A LETRA ZAÏN
(O septenio sagrado)

(O número completo da cabala. O espirito e a Forma. As três potencias do Ternário e suas quatro relações)

A LETRA HETH
(O equilíbrio universal)

(O tetragrama com seu reflexo. A estaca dupla. O quaternário multiplicado pelo binário)

A LETRA TETH
(O número da hierarquia)

(Nove

O número do iniciado.
o grande número magico.)

A LETRA JOD

(O número da criação do reino)

(Malkuth. O reino de Deus. O universo visível. O princípio natural das coisas sobrenaturais)

A LETRA KAPH
(O número da força)

(A unidade sintética
o homem feito.
A virilidade.
A idade da razão.)

A LETRA LAMED
(O número do ciclo perfeito)

(A realização.
O sacrifício
A consumação.
A crucificação.
O espirito que se desprende da matéria.)

A LETRA MEM
(O número treze, a morte)

(O renascimento
A imortalidade pela mudança.
A transmutação.)

A LETRA NUN
(Os afetos — As misturas)

Fig112

(Formas temperadas pelo equilíbrio.
A harmonia das misturas.)

A LETRA SAMEKH

(O número quinze — a serpente astral)

(A vida física e mortal.
O movimento continuo. O grande agente magico.)

A LETRA GNAYN
(O número dezesseis, o grande equilíbrio)

(Destruição pelo antagonismo.
Equilíbrio dos grandes poderes.)

A LETRA PHE
(O número dezessete)

(A natureza imortal e uma em sua diversidade.
A fecundidade eterna.)

A LETRA TSADE
(O número dezoito)

(Distribuição hierárquica da luz.
O ocultismo.
O dogma.
Os misterios.
O esoterismo.)

A LETRA COPH

(O numero dezenove)

(A verdadeira luz.
A verdade.
A cidade santa.
O ouro filosófico.)

A LETRA RESCH
(O número vinte)

(O reconhecimento de todo o grande arcano da vida eterna.)

A LETRA SCHIN
(nenhum número)

(A fatalidade. A cegueira o louco. A matéria abandonada a si mesma)

A LETRA TAV
(O número vinte um)

(tres vezes o sete, o absoluto, o resumo de toda a ciencia universal.)

OS ESPIRITOS E AS CONJURAÇÕES

OS ESPÍRITOS

Os espíritos são as inteligências secundarias, ou seja, criadas. Eles são de três tipos, fixos, errantes e mistos. Os fixos são puros espíritos libertos das leis que regem a matéria. Os andarilhos são os que flutuam na luz astral. Os mistos são os andarilhos que trabalham e conseguem se fixar em parte. Entre os fixos, pode-se distinguir os muito puros, os mais puros e os mais puros.

Entre os mistos: os dominantes, os militantes e os dominados. Entre os andarilhos: os motoristas, os inconstantes e os animados.

Os fixos são os anjos.

Os mistos” são os homens inteligentes.

Os andarilhos são os homens brutos.

Os espíritos se atraem e se governam hierarquicamente.

Eles estão ligados por correntes e círculos. Entrar em um círculo é jurar com os espíritos do círculo. Ao conjurar espíritos superiores, você não os atrai para você, você se eleva até eles. A conjuração por evocações só pode ser exercida em relação a espíritos inferiores. Para conjurar os espíritos superiores é preciso dar-se a eles, para conjurar os espíritos inferiores por evocação, é preciso constrangê-lo. Para nos dar.

Os Espíritos superiores são evocados fazendo-lhes sacrifícios, ou melhor, comprometendo-se assim a nos evocar. Os espíritos inferiores são evocados ao lisonjear suas avidezes ou suas atrações. As palavras nada mais são do que fórmulas que servem para fixar à vontade.

Os espíritos inferiores ao homem são os elementais e os andarilhos de última ordem. Os antigos teurgistas os chamavam de demônios. Esses demônios são mortais e tentam viver às nossas custas, procuram o esperma e as efusões de sangue, o vapor da carne e temem a ponta e o fio das espadas.

A hierarquia dos espíritos é infinita. Rila começa em Deus que não tem começo em nada – ou seja, ela não começa. As estrelas têm almas astrais, os sóis têm almas solares, e os universos são governados pelos Elohim vivos, os deuses que estão em Deus. A vida dos espíritos é uma contínua ascensão e mutação, sobem e descem na grande escala simbólica de Jacó.

Os anjos, governantes espirituais das estrelas, ascendem ao governo dos sóis e são substituídos pelo chefe das almas.

As cabeças das almas são os sucessivos reis da humanidade. O chefe das almas da terra leva o nome de Métatron Sarpanim, que significa príncipe das luzes. O chefe das almas não morre, ele sobe vivo para o rio. Enoque foi, em tempos após a criação de Moisés, o primeiro elevado ao posto de Metatron Sarpanim.

Depois de Enoque, reinou Moisés.

Depois de Moisés, Elias.

Depois de Elias, Jesus.

Todos os Metatrons devem ter dois reinados, eles retornam à terra depois de passar por todas as esferas do nosso sistema solar. É por isso que o retorno de Enoque e Elias precederá a segunda vinda de Jesus.

Em seu primeiro advento, Jesus se revelou como sumo sacerdote. Em seu segundo advento, ele se revelará como Rei.

Ele era o Cristo.

Ele deve ser o Messias que os judeus têm razão para esperar. Foi Enoque quem, no Sinai, deu a lei divina a Moisés. Moisés e Elias, no Tabor, ensinaram a Jesus os grandes mistérios da revelação cristã. Jesus transmitiu a iniciação a São João Evangelista e é por isso que este apóstolo deve permanecer até o segundo advento de seu mestre. Em tempos de decomposição, os espíritos inferiores se manifestam como vermes em cadáveres.

Eles são evocados pela corrupção e sendo devorados por eles. Estes são os vampiros de almas insalubres. Essas decomposições sempre precedem e anunciam a chegada à terra de um espírito regenerador na pessoa do Metatron Solar. As mesas falantes e os espíritos se debatendo anunciaram o retorno de Enoque. Ele virá quando o papado perder sua autoridade no mundo e os cabalistas brilharem. O advento de Elias seguirá de perto o de Enoque e então Jesus, o Salvador do mundo, virá à terra pela segunda vez.

Ele será precedido pelo Anticristo, cuja missão será preparar o grande império temporal do revelador do Evangelho.

A luz astral formiga nos espíritos elementais, pois uma nova criação está sendo preparada. As chaves de Salomão são encontradas e os mistérios da alta Maçonaria são explicados.

Uma escola, cujos primórdios são ainda mais obscuros e quase invisíveis, será formada no império eslavo, na Alemanha e na França. Em um século, esta escola terá sete mil seguidores e seu último Grão-Mestre será Enoque.

Enoque aparecerá no ano dois mil do mundo cristão. Depois e! O messianismo fiel que ele será o precursor, florescerá na terra por mil anos. Essas previsões são o resumo de todas as profecias e de todos os cálculos cabalísticos… elas devem ser mantidas em segredo para não expor as mais respeitáveis ​​obras do gênio humano e da ciência divina às profanações da ignorância.

Terminou no dia quinze de novembro, o décimo sétimo das calendas de dezembro, o último mês do ano sagrado.

ELIPHAS LEVI

Paris, 1860.

 Notas

Copiado para uso exclusivo e pessoal do Sr. Barão de Spedalieri, em outubro e novembro de 1861.

[1] Eliphas Levi aqui comente um erro estranho a alguém tão letrado em cabala e diz que o shem do inicio do shem há mephorash significa esquema (schem).

[2] Foram usados os versículos originais dos salmos que compõe os nomes dos 72 nomes divinos em cada um dos talismãs, o significado e uso de cada um dos 36 talismas esta no apêndice no final do livro.

[3] Eliphas levi escreve este nome como Chalamiah

[4] Todos os amuletos devem ser feitos dupla face, e são para serem usados no pescoço, são talismãs e não sigilos evocatórios.

[5] Eliphas levi grafa este nome de maneira errada como:

[6] EZALEL segundo Levi

[7] HACKAMIAH segundo Levi

[8] LOVIAH segundo levi

[9] LEVIVIAH segundo Levi

[10] JEJAHEL segundo Levi

[11] HAHUIAH segundo Levi

[12] NITHAIAH segundo Levi

[13] REJAJEL segundo Levi

[14] JERATHEL segundo Levi

[15] VASARIAH segundo Levi

[16] JEHUJAH segundo Levi

[17] JEJAZEL segundo Levi

[18] HAHAEL segundo Levi

[19] MICHAEL segundo Levi

[20] VAVALIAH segundo Levi

[21] NGARIEL segundo Levi

[22] JELAIAH segundo Levi

[23] AZALIAH segundo Levi

[24] SEATHIAH segundo Levi

[25] MEHIEL segundo Levi

[26] IMAMIAH segundo Levi

[27] Em francês falava-se sobre multiplicação, mas no desenho vemos uma adição.

[28] Não encontrei o significado dessa palavra


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

As Chaves Maiores e as Claviculas de Salomão (pdf)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/as-chaves-maiores-e-as-claviculas-de-salomao/