Carta a um Maçom

Rio de Janeiro, 9 de julho de 1963.

Caro Dr. G.:

Faze o que tu queres há de saer tudo da Lei.

Li, com maior prazer, a entrevista concedida ao Diário de Notícias, através da qual o Grande Oriente do Brasil manifesta à nação a sua intenção de, finalmente, fazer com que a Maçonaria venha a ocupar na vida brasileira o papel que lhe cabe e sempre lhe coube desde a Independência – que, como todos sabemos, foi feita por maçons.

Relembrei nessa ocasião minha conversa com o senhor, e as nossas palavras de despedida, nas quais buscou o senhor gentilmente trazer à minha atenção o fato de que (na sua opinião) a Igreja Católica Romana é uma boa introdução à vida adulta para crianças. Eu lhe disse então: “Mas a Maçonaria é infinitamente melhor”, e aproveito esta oportunidade para repetir e ampliar estas palavras.

Eu não quis discutir a validade ou falta de validade da Igreja Romana como campo de treino para crianças, porque não é assunto que se possa, propriamente, discutir. É assunto que deve — repito, deve – – ser pesquisado por todo homem consciencioso e responsável, principalmente por maçon de alto grau e no Brasil, onde essa Igreja teve tanta influência na formação psíquica do povo — com os resultados que estamos vendo no presente.

Para esta pesquisa, vitalmente necessária a todos os maçons neste momento de transição, é necessário uma análise cuidadosa da evidência espalhada pelas obras de muitos pesquisadores imparciais e fidedignos; e isto não pode ser resumido numa breve discussão. Eu estou a par dos fatos; o senhor não estava, na ocasião; e afirmativas de minha parte teriam forçosamente de parecer ao senhor opiniões arbitrárias e caprichosas, principalmente por o senhor, com certeza, suspeitar de mim e de minhas intenções. Thelemitas não são mais benquistos no momento do que o foram os gnósticos e os essênios em seu tempo! A finalidade desta carta é expor, de maneira mais ordeira e clara, minhas conclusões, e citar as obras nas quais me baseio; de forma que o senhor possa, se quiser, consulta-las e tirar suas próprias conclusões, que podem ou não virem a coincidir com as minhas. Peço-lhe apenas que, tendo lido a minha carta; examinado, se lhe aprouver, as fontes nela citadas; e chegado, porventura, à conclusão de que são ambas de valor a seus irmãos maçons, transmita-lhes a carta assim como as fontes, para que, por sua vez, tenham a oportunidade de examinar, ponderar, e julgar.

Devo começar por repetir-lhe o que lhe disse por ocasião de nossa conversa, e que tanto chocou seus bons sentimentos e sua honesta devoção: que o homem chamado “Jesus Cristo” nos Evangelhos nunca existiu. Suas peripécias são fictícias; não padeceu sob nenhum Pôncio Pilatos; não foi nem poderia jamais ser a única Encarnação do Verbo; e qualquer Igreja, seita ou pessoa que diga o contrário ou está enganada ou enganando. Não quero dizer com isto que um homem assim não pudesse ter nascido, pregado, e padecido. Pelo contrário: tais homens nascem continuamente, e continuarão a nascer por todos os tempos: Encarnações do Logos, Templos do Espírito Santo, Cruzes de Matéria coroadas pela chama do Espírito.

Direi mais: houve, em certa ocasião, um homem que alcançou no mais alto grau a consciência de sua própria Divindade; e este homem morreu em circunstâncias análogas (porém não idênticas!) àquelas narradas nos Evangelhos. Seu nascimento perdeu-se na noite dos tempos: ele foi o original do “Enforcado” ou “sacrificado” no Taro, e os egípcios o conheciam pelo nome de Osiris. Foi esse Iniciado quem formulou na carne a fórmula do Deus Sacrificado. Esta é a fórmula da Cerimônia da Morte de Asar na Pirâmide, que foi reproduzida nos mistérios de fraternidades maçônicas da tradição de Hiram, das quais o exemplo mais perfeito foi o Antigo e Aceito Rito Escocês. O Graus 33º desse rito indicava uma Encarnação do Logos; a descida do espírito Santo; a manifestação, na carne, de um Cristo; a presença do Deus Vivo.

Para os fatos que servem de base às asserções acima, indico ao senhor as seguintes obras, de maçons ilustres e merecedores:

LA MISA Y SUS MISTERIOS, de J.M. Ragón.

THE ARCANE SCHOOLS, de John Yarker.

DO SEXO À DIVINDADE, do Dr. Jorge Adoum.

CURSO FILOSÓFICO DE LAS INICIACIONES ANTIGUAS Y MODERNAS, de J.M.Ragón.

ISIS DESVELADA, de Helena Blavatsky, seção sobre o Cristianismo. Mme Blavatsky não era dos vossos, mas era dos Nossos…

Na minha opinião, Dr. G., um maçon de alto grau, com tempo a seu dispor, faria um grande benefício a seus irmãos ao traduzir para o português as obras acima citadas, principalmente as duas primeiras.

Os documentos incluídos no assim-chamado “Novo Testamento” (a saber, os Quatro Evangelhos, os Atos, as Cartas e o Apocalipse) são falsificações perpetradas pelos patriarcas da Igreja Romana na época de Constantino, por eles chamado “o Grande” porque permitiu esta contrafação, colaborando com ela. Constantino não teve sonho algum de “In Hoc Signo Vinces”. Tais lendas são mentiras desavergonhadas inventadas pelos patriarcas romanos dos três séculos que se seguiram, durante os quais todos os documentos dos primórdios da assim- chamada “Era Cristã” existentes nos arquivos do Império Romano foram completamente alterados.

O que realmente aconteceu na época de Constantino foi que, aliados, os presbíteros de Roma e Alexandria, com a cumplicidade dos patriarcas das igrejas locais, dirigiram-se ao Imperador, fizeram-lhe ver que a religião oficial era seguida apenas por uma minoria de patrícios, que a quase totalidade da população do Império era cristão ( pertencendo às várias seitas e congregações das províncias ); que o Império se estava desintegrando devido à discrepância entre a fé do povo e a dos patrícios; que as investidas constantes das seitas guerreiras essênias da Palestina incitavam as províncias contra a autoridade de Roma; e que, resumindo, a única forma de Constantino conservar o Império seria aceitar a versão Romano-Alexandrina do Cristianismo. Então os bispos aconselhariam o povo a cooperar com ele; em troca, Constantino ajudaria os bispos a destruírem a influência de todas as outras seitas cristãs! Constantino aceitou este pacto político, tornando a versão romano- alexandrina de Cristianismo na religião oficial do Império.

Conseqüentemente, a liderança religiosa passou às mãos dos patriarcas romano-alexandrinos, que, auxiliados pelo exército do Imperador, começaram uma “purgação” bem nos moldes daquelas da Rússia moderna. Os cabeças das seitas cristãs independentes foram aprisionados; seus templos, interditados; e congregações inteiras foram sacrificadas nas arenas das províncias de Roma e Alexandria. Os gnósticos gregos, herdeiros dos Mistérios de Eleusis, foram acusados de práticas infames por padres castrados como Orígenes e Irineu (a castração era um método singular de preservar a castidade, derivado do culto de Atis, do qual se originou a psicologia romano-alexandrina). Os essênios foram condenados através do hábil truque de fazer dos judeus os vilões do Mistério da Paixão; e com a derrota e dispersão finais dos judeus pelos quatro cantos do Império, a Igreja Romano- Alexandrina respirou desafogada e pode dedicar-se completamente ao que tem sido sua especialidade desde então: ajudar os tiranos do mundo a escravizarem os homens livres.

Para o escrito acima, indico ao senhor os seguintes livros:

ISIS DESVELADA, de Blavatsky, seção sobre o Cristianismo OUTLINES ON THE ORIGIN OF DOGMA, de Adolf von Harnack.

DECLINE AND FALL OF THE ROMAN EMPIRE, de Gibbon.

THE AGE OF CONSTANTINE THE GREAT, de Burckhardt.

Quanto às falsificações da Igreja Romano-Alexandrina, indico ao senhor as palavras do grande erudito americano Moses Hadas, em suas notas à tradução do livro de Burckhardt, à página 367, que passo a traduzir:

“A História Augusta apresenta biografias de imperadores, cézares e usurpadores, de Afriano a Numério (117-284), com uma lacuna no período de 244 a 253. Pretende ser o trabalho de seis autores (Aelius Spartianus, Vulcacius Gallicanus, Aelius Lampridius, Julius Capitolinus, trebellius Pollius e Flavius Vopiscus), e ter sido escrita entre os reinados de Diocleciano e Constantino, ou cerca de 330. Alguns estudiosos creêm tais asserções verdadeiras, mas outros mantêm que a obra foi escrita um século mais tarde, e por uma só pessoa. Em tal caso o nome dos seis autores terá sido adicionado para tornar mais convincente o que foi escrito.

Trocando em miúdos, o que ele quer dizer é o seguinte: os patriarcas romanos, ansiosos por esconder seus crimes (especialmente a perseguição a cristãos de outras seitas ou igrejas) e por se declararem os únicos cristãos verdadeiros, destruíram todos os documentos autênticos nos quais conseguiram por as mãos. (Isto lhes era particularmente fácil já que, desde a era de Constantino, eles foram os guardiães de tais manuscritos.) Feito isto, substituíram os destruídos por outros, forjados, que descreviam a sua clique como oprimida pelos imperadores e outras seitas cristãs como inexistentes ou obscenas. (Na realidade, ela bajulara os imperadores desde o começo: o culto de Átis era o único em Roma ao qual os patrícios podiam ir legalmente.) Um pouco mais tarde, Romanos e Alexandrinos brigaram. Isto porque cada facção queria fazer de sua cidade o centro político e religioso do Império. Foi então que um dos poucos historiadores pagãos que escaparam à atenção dos Patriarcas escreveu: “As atrocidades dos cristãos uns contra o outros ultrapassa a fúria das bestas selvagens contra o homem.”(Ammianus Marcellinus) O capítulo final da disputa foi a divisão do Império em Romano e Bizantino. Desde então, a Igreja Romana tem se chamado “Católica”, e a Bizantina, “Ortodoxa”.

Ambas, é claro, um amontoado de mentiras.

Qual o motivo, o senhor perguntará, para essa perseguição impiedosa às seitas gnósticas e essênias? No caso dos essênios, as razões foram políticas e dogmáticas.

Aproximadamente um século antes do assim-chamado “Ano Um” nascera na Palestina um rabi, cujo nome é desconhecido (embora alguns estudiosos presumam ter sido Ionas, ou Jonas). Ele criou um novo sistema de Essenismo, fundando muitos ramos dessa fraternidade judeo-cóptica, e adquirindo um grande número de seguidores na Ásia Menor. Muitos documentos foram escritos acerca dos incidentes de sua vida e doutrina. Foi um Adepto Cristão, ou seja, defendeu a tese de que todo homem é um Templo do Deus Vivo; deu testemunho do Logos e do Espírito Santo, e tal foi seu impacto no pensamento religioso de sua época que os patriarcas romano-alexandrinos, ao escreverem a “história de Jesús Cristo”, foram forçados a incluí-lo, para evitar suspeitas. Chamaram-no de “João Batista”…

Acerca deste: THE DEAD SEA SCROLLS, AN INTRODUCTION, de R.K.Harrison.

Também este livro deveria ser traduzido para o português por um maçon! Abaixo, cito uma passagem atribuída a esse iniciado, extraída de um manuscrito cóptico intitulado “Evangelho de Maria”, apócrifo, desde 1896 no Museu de Berlim. Depois de haver explicado vários pontos de sua doutrina, ele se despede de seus discípulos:

“… Quando o Abençoado havia dito isto, ele saudou a todos, dizendo: ‘Paz seja convosco. Recebei minha paz para vós mesmos. Cuidai-vos de que nenhum vos desvie com as palavras “olha alí” ou “olha lá”, pois o Filho do Homem está dentro de vós. Seguí-o: aqueles que o buscam o encontrarão. Ide, pois, e pregai a Boa Nova do Reino. Eu não vos deixo nenhuma regra, salvo o que vos recomendei (Amai-vos uns aos outros), e eu não vos dei nenhuma lei, qual fez o legislador (Moisés), para evitar que vos sentísseis obrigados por ela.’ E quando acabou de dizer isto, ele foi embora.” (Gnosticism, An Anthology, ed. Robert M. Grant, Collins, London, pp.65-66, “The Gospel of Mary”)

Esta passagem pode ser comparada a muitas outras nos Evangelhos nas quais, quando interrogado, “Jesús” diz explicitamente: “O Reino de Deus está dentro de vós.” E que razão tinham os Romanos e Alexandrinos para perseguir e exterminar os gnósticos gregos? Desta feita o motivo era puramente dogmático. Na época posteriormente atribuída pelos patriarcas ao “nascimento de Jesús Cristo”, um iniciado grego deu vida nova aos mistérios de Apolo e Diôniso, restabeleceu o culto ao Sol Espiritual e ao Logos, praticou maravilhas taumatúrgicas e, em suma, causou tal impressão que os Romano-Alexandrinos foram forçados a incorporar diversos “milagres” em sua miscelânia evangélica, de forma que o seu “Jesus” pudesse igualar os prodígios atribuídos a Apolônio de Tyana. Ao mesmo tempo, afirmaram que Apolônio de Tyana havia sido enviado por “Satã” para reproduzir os milagres de “Jesús” e assim desviar as pessoas do “verdadeiro Cristo”. destruíram também, sistematicamente, todos os documentos autênticos da vida de Apolônio, salvo um, a fantástica e inacreditável Vita, atribuída a um pretenso “discípulo” desse grande Adepto.

Novamente lhe indico ISIS DESVELADA, e o artigo “Apollonius” na Enciclopédia Britânica.

Devo aqui, Dr. Gastão, apender um parêntese um pouco prolongado, de forma a estabelecer a maneira pela qual o Catoliscismo Romano difere do verdadeiro Cristianismo. Para este fim, começarei por apresentar um dos poucos textos que nos chegaram quase sem alterações cometidas pelos patriarcas de Roma e Alexandria. As modificações relevantes vão comentadas entre parênteses, e o texto, apresento o original, intacto. É o Intróito do Evangelho de “São João”:

“No princípio era o Verbo. E o verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

“Ele estava no princípio com Deus.

“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

“A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens.

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não o escondem ( isto é, não escondem o fato que a luz brilha nelas!).

“Houve um homem enviado por Deus, cujo nome foi Jonas (Johannes no original em grego).

“Ele veio como testemunha da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.

“Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: a saber, a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina todo homem.

“Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dela, mas o mundo não a conheceu ( no masculino na Vulgata, para sugerir “Jesús”).

“Veio para o que era seu, e os seus não a receberam ( idem).

“Mas, a todos quanto a (idem) receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus ( e aqui os Romanos-Alexandrinos acrescentaram: a saber, os que crêem no seu nome, isto é, no “Jesús” que eles inventaram para servir aos seus propósitos), os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

“E o Verbo se fez carne, e habitou em nós ( a Vulgata aqui põe “entre”, o que muda totalmente o sentido da passagem) cheio de graça e verdade, e vimos a sua glória, glória como a do primogênito do Pai ( o primogênito do Pai é, claro, Chokmah, o Verbo Espiritual, a Primeira Emanação do Ancião dos Dias, Kether. “Primogênito” também traz à lembrança o “mais velho dos filhos de Deus”, Lúcifer ou Satã.” Na versão acima, original, desse documento cristão, e nas interpolações introduzidas pelos romanos-alexandrinos, Dr. G., tem o senhor o sumário e a base do dógma católico romano.

Jonas, Apolônio, Simão ( Simão Pedro e Simão o Mago; a isto aludiremos depois), Adeptos cristãos, ensinaram todos os três: “Vós sois o Templo do Deus Vivo. Contemplai a Luz dentro de vós, e sabei que sois Filhos da Luz!” Repetidamente esta mensagem é encontrada nos Evangelhos; mas sempre deformada, condicionada ou “explicada” pelas interpolações e teologismos romano- alexandrinos. O resultado é que, algumas vezes, “Jesús” fala como um santo, como uma verdadeira Encarnação do Verbo; o mais das vezes, porém, como fanático e sectarista.

Contradições deste tipo abundam.

Este é o resultado das alterações a interpolações dos romanos e alexandrinos. Copiaram, adaptando-os às suas necessidades político- financeiras, os documentos essênios que descreviam as pregações de Jonas ( entre outros, o “Sermão da Montanha”). Inseriram “milagres” do tipo atribuído a Apolônio de Tyana. Arranjaram um Mistério da Paixão em drama nos moldes dos cultos de Mitras, de Adonis, de Átis, de Diôniso e de Oannes — o que era necessário para tornar o seu “Jesús” numa Encarnação do Logos do Aeon de Osiris, o Deus Sacrificado. Tão cuidadosamente misturaram a verdade e mentira que durante quase mil e seiscentos anos todo cristão que procurou encontrar o Verbo em si mesmo — o único lugar onde pode ser encontrado — deparou, nos portais de sua alma, com este fantasma insidioso, esta blásfema quimera, este pesadelo teológico: “Nosso Senhor Jesus Cristo”.

“Adora-me!” — diz o Egrégora — “Eu sou o filho de Deus. Tu não és nada mais que uma criatura sem valor e pecadora, condenada desde o nascimento e destinada ao inferno não fosse por meu sacrifício; e sem mim nunca alcançarás o céu.” Talvez o senhor comece a compreender agora, Dr. G., a natureza daquilo a que nós chamamos a Grande feitiçaria? Após mil e seiscentos anos de vitalização por multidões de adorantes, e a absorção das cascas vazias de padres, freiras e fanáticos que se deixaram vampirizar por ele, o Egrégora existe no assim-chamado plano astral; e é um demônio, quer dizer, uma entidade ilusória. Não é um verdadeiro Microcosmo, mas uma gestalt de cascões vitalizados, um foco para tudo que há de negativo, derrotista, piegas, preconceituoso e introvertido na natureza dos cristãos: um lodaçal completamente hostíl ao progresso e á evolução espiritual deles.

E, no entanto, nada há mais sagrado ou puro do que está oculto neste nome, “Jesus Cristo”… É um híbrido dos títulos pelos quais os cabalistas essênios e os gnósticos gregos, respectivamente, chamavam o Iniciado que alcançasse a esfera de Tiphareth, o Filho — ou seja, a “sephira”, ou “plano” de consciência que em Nosso sistema corresponde ao grau de Adeptus Minor, e, no Rito Escocês, ao 33º grau.

Cristo, Chrestos, significa “Bom” e “ungido”. Este era um título nobre nos Mistérios de Eleusis. O Iniciado tem sempre sido um sacerdote-rei desde a antiguidade; a superstição absurda do “direito divino hereditário” dos reis foi outra adulteração dos romanos- alexandrinos para ajudar aos tiranos que os apoiavam. Seria realmente fácil se a verdadeira realeza, dura recompensa da Iniciação, pudesse ser transmitida por métodos dinásticos, ou conferida por um papa! Para fazer justiça a este tema um volume inteiro seria necessário; diremos apenas que os símbolos tradicionais da realeza são os símbolos da completa iniciação. O Cetro representa o Falo, a imagem material do Verbo; o Globo e a Cruz são formas da Cruz Ansata, o símbolo da imortalidade conferida pela Iniciação ( mostra a mulher “dominada” pelo homem, ou seja, satisfeita pelo homem….); a Coroa é Kether, o Sahashara Cakkram em completo funcionamento, a Primeira Sephira, o Ancião dos Dias, o Pai; o Manto Púrpura ornado de estrelas ou flores representa o Céu Noturno, a Aura do Sacerdote de Nuit; e finalmente, as roupagens rubro-douradas são o símbolo do Corpo Solar, o Corpo de Glória do Iniciado — vermelho e ouro sendo as cores heraldicas do sol.

Quanto ao nome “Jesús”, é escrito em hebraico IHShVH ( pronuncia- se Jehêshua). Note que isto é IHVH ( Tetragrammaton ) com Shin (Sh) intercalada. Shin é a letra que representa a um só tempo os elementos Fogo e Espírito, e, estando no centro de IHVH, equilibra as Quatro Forças Elementais Cegas do Demiurgo. Jeová — a Palavra de Moisés — torna-se Jeheshua — a Palavra de Jonas. Nesta Palavra o senhor tem o Deus Crucificado, Dr. G.: nela o Pentagrama, o Sinal do Homem, a Estrela Flamejante do Santuário; nela a chave cabalistica do Tetragrammaton Cristão, INRI, que significa, entre outras coisas, Igne Natura Renovatur Integra, ou seja: Pelo Fogo (do Espírito Santo) a natureza se Renova Inteiramente…

A diferença básica entre o Cristianismo e as religiões que o precederam é que o Mistério de Osíris, até então revelado apenas a aspirantes cuidadosamente selecionados nos mais profundos recônditos dos mais remotos santuários, foi abertamente oferecido ao mundo.

Antes do Aeon de Osíris, no Aeon de Isis, os homens adoravam a Deus em uma de Suas múltiplas imagens (adaptadas à visão espiritual de indivíduos diversos em nações diversas) da mesma forma que uma criança ama e adora sua mãe: como Alguém que protege, alimenta, conforta e ocasionalmente corrige e castiga, mas sempre como alguém exterior a si mesmos.

Foi a revelação do Mistério da Morte de Osíris que acordou os homens para a consciência de que eles, em si mesmos, são a divindade encarnada. Tampouco podemos ir muito longe neste assunto, pois é matéria para outro volume. O Aeon de Virgo-Pisces, com suas vibrações, adaptava-se às idéias de devoção e auto-sacrifício, tornando a Iniciação Racial possível em larga escala; mas é necessário que o senhor compreenda, Dr.G., que o Mistério de Osíris data da mais remota antiguidade. O Deus Sacrificado é fórmula anterior à destruição da Atlântida, quando o verdadeiro significado dos símbolos, até então geralmente conhecido, tornou-se o privilégio de alguns poucos iniciados. Um sacrifício humano anual, para ajudar a colheita, era um rito genérico entre todas as tribos agricultoras da Europa e da Ásia Menor há cinco mil anos atrás; e mesmo nos primórdios do Romanismo ainda era praticado por tribos indo- européias. O sacrificado era, originalmente, o rei da tribo; reinava durante o ano, e era executado nos Ritos da Primavera, ou Páscoa (em ingles Easter, corruptela de Ishtar). Era tratado como encarnação do deus tribal, e adorado até o momento de sua morte. Com seu sangue os campos de cultivo eram salpicados; sua carne era comida por nobres e sacerdotes; e o povo tinha de contentar-se em respirar a fumaça de certas partes queimadas e oferecidas à divindade que ele havia encarnado (estas partes variavam: algumas tribos queimavam os órgãos sexuais, outras o coração).

Eventualmente, com o desenvolvimento da inteligência, a fórmula tornou-se mais conveniente para os reis: algum gênio tribal concebeu a idéia de um vicário; e desde então, um rei substituto era simbolicamente ungido para a ocasião, para ser sacrificado no lugar do rei verdadeiro. Primeiro usaram voluntários, depois velhos e doentes ou criancinhas, a seguir inimigos, e por último animais.

Em muitas tribos os pais, em vez de se sacrificarem, sacrificavam seus primogênitos (neste caso eram os pais os chefes ou patriarcas das tribos). Na Bíblia, a história do primogênito de Abraão é uma hábil fábula que marca a transição, entre os primeiros judeus, do sacrifício dos primogênitos a Jeová para aquele dos bodes expiatórios.

Sacrifícios humanos, acompanhados de antropofagia ritual, eram costume no continente indoeuropeu, na Austrália, no continente africano e no Novo Mundo. A presença universal de tal rito, numa época em que a arte da navegação era praticamente nula, indica uma origem comum na Antiguidade, Esta foi a Atlantida, se bem que o senhor deva notar que seus habitantes não praticavam sacrifícios humanos. Foi precisamente a destruição desta civilização (devida não a “castigo divino”, mas a um dos grandes movimentos periódicos da crosta terrestre a intervalos de vinte mil anos) que, havendo deixado apenas algumas colônias em outras terras, resultou na volta à barbárie que ali ocorreu quando o símbolos passaram a ser interpretados da forma mais grosseira. Alguns mais avançados da cultura atlante mantiveram o verdadeiro significado. Entre eles, o Egípto, onde os Mistérios Menores ( de Isis e Osíris ) eram celebrados com pleno conhecimento de seu significado verdadeiro (é suficiente que o senhor recorde que no Livro dos Mortos a alma do morto ou da morta é sempre chamada Osíris), e os Mistérios Maiores ( de Nuit-Hadit-Hoor ) preservados com o máximo segredo.

Foi do Egito que veio a Corrente de Osíris, a qual, devido à diversidade de povos e línguas, e às dificuldades de comunicação no plano material, manifestou-se em pontos diferentes do continente indoeuropeu sob formas diversas, embora seguindo sempre a fórmula do Deus sacrificado. A corrente começou aproximadamente no ano 500 A.C.

Um estático da Ásia Menor, cujas aventuras tornaram-se lendárias, e que eventualmente ficou conhecido pelo nome de Diôniso, viajou pela Grécia, Ásia Menor e India, ensinando a nova fórmula de Iniciação Racial. Este iniciado, o original verdadeiro do “Jesús Cristo” evangélico, foi um filho espiritual de Krishna, ou antes, de Vishnu, de quem foi Krishna o principal avatar; e sua Palavra era INRI, que é uma modificação da Palavra de Krishna, AUM. Citamos aqui o Capítulo 71 de LIBER ALEPH, um dos mais profundos trabalhos do Mestre Therion: “Krishna tem inumeráveis nomes e formas, e não conheço seu verdadeiro Nascimento humano. Pois sua Fórmula é de alta Antiguidade. Mas Sua Palavra espalhou- se por muitas terras, e hoje a conhecemos como INRI com o IAO secreto aí oculto. E o significado desta Palavra é a Maneira de Trabalho da Natureza em Suas Mutações: isto é, é a Fórmula de Magia pela qual todas as Coisas se reproduzem e recriam a si mesmas. Porém, esta Extensão e Especialização foi antes a Palavra de Diôniso; pois a verdadeira Palavra de Krishna era AUM(OM), implicando antes numa asserção da Verdade da Natureza do que numa Instrução prática sobre Operações Detalhadas de Magia. Mas Diôniso, pela palavra INRI, estabeleceu a fundação de toda Ciência, da forma como hoje entendemos a palavra Ciência em seu senso particular, ou seja, o de causar a Natureza externa a mudar em Harmonia com nossas Vontades.” Este Iniciado, cujo nome carnal é hoje desconhecido, mas que conhecemos por Diôniso (o qual pode ter sido seu nome, pois se tornou bastante comum na Ásia e na Grécia depois de sua morte), viveu e trabalhou aproximadamente quinhentos anos antes da assim-chamada “era cristã”. Foi mencionado por um dos profetas judeus — Isaias — em várias passagens do Livro de Isaías. Estas eram estudadas com veneração profunda pelos velhos Essênios, que sabiam do seu sentido oculto. A passagem principal é citada aqui (parênteses meus):

“Quem acreditou em nossa pregação? A quem foi mostrado o braço de Adonai? (braço é um eufemismo para o falo, o órgão material do Verbo.

Coxa, braço, quafril, chifre, etc., são eufemismos para penis, usados tanto no Novo quanto no Velho Testamento para apaziguar as mentes prurientes dos tradutores que, projetando seus próprios traumas psíquicos, acharam que o povo ficaria chocado ao ouvir uma pica chamada de pica. Este tipo de “censura bem intencionada” ainda hoje é praticado: os cristãos todos parecem achar-se capazes de “proteger a virtude” de seus semelhantes!) . Porque foi subindo como um rebento novo ( ou seja, como uma Palavra nova, necessariamente mal-entendida e temida a princípio) perante Ele, e sua raiz em uma terra seca; não tinha presença nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza tinha ele que nos agradasse.

“Foi desprezado, o mais rejeitado entre os homens; homem que sofrera, e sabia o que é padecer; como um de quem os homens se desviam, foi desprezado, e dele não fizemos caso.

“Em verdade ele tomou sobre si nossas mazelas; as nossas dores carregou sobre si; e por isto o considerávamos, aflito, ferido de Deus, e opresso; “Ele foi golpeado, mas por nossas transgressões; moído, mas por nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz caíu sobre ele, e pelas suas pisaduras nós fomos sarados.

“Andávamos todos desgarrados, como ovelhas; cada um se desviava do caminho, mas Adonai fez caír sobre ele a iniquidade de nós todos”.

“Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e como ovelha, muda perante seus tosquiadores, manteve silêncio.

“Por decreto tirânico nos foi arrebatado, e sua linhagem, quem dela cogitou? Pois ele foi cortado da terra dos vivos; por causa da transgressão do meu povo foi ele ferido.

“Deram-lhe sepultura com os perversos, mas com o rico habitou em sua morte; pois nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca.

“Todavia, a Adonai agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando ele deu a sua alma (a Vulgata tem der , para sugerir que isto é uma profecia sobre — claro — “Jesús Cristo”) como oferta pelo pecado, viu a sua posteridade ( isto é, seus filhos mágicos ) e prolongará seus dias; a vontade de Adonai prosperará em sua mãos.

“Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com a sua compreensão ( isto é, Binah; a “entrega da alma” corresponde à Passagem do Abismo ) justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.

“Por isso eu lhe darei muitos como a sua parte ( isto é, como seus discípulos ), e com os poderosos (isto é, os Reis ou Potestades — uma das hierarquias celestiais ) repartirá ele os despojos; porquanto derramou a sua alma ( isto é, o seu sangue — vinho de IAO — na Taça de BABALON, que contém o sangue dos santos ) na morte; foi contado com os transgressores ( isto é, considerado malígno ); contudo levou sobre si os pecados de muitos, e pelos transgressores ( isto é, os malígnos entre os quais foi contado, os quais eram na realidade os que o condenavam ) intercedeu.”

LIVRO DE ISAÍAS, III, vv. 1 – 12.

Talvez o senhor compreenda melhor o acima se eu citar aqui alguns raros versos de um dos Livros Santos de Télema:

“46. Ó meu Deus, mas o amor em Me rebenta sobre os laços de Espaço e Tempo; meu amor é derramado entre aqueles que não amam o amor.

“47. Meu vinho é servido àqueles que nunca provaram vinho.

“48. Os fumos dele os intoxicarão, e o vigor do meu amor engendrará bebês pujantes em suas virgens.”

LIBER VII, vii, vv. 46 – 48.

Há certos segredos iniciáticos, Dr. G., que não podem ser revelados pela simples razão que apenas aqueles que os experimentaram em si mesmos são capazes de compreender referências a eles feitas.

Portanto limitar-me-ei a dizer que a história simples contada nos versos de Isaías descreve a carreira de todo Adepto Cristão. Isto, em teoria, seria também a história de todo maçon do grau 33º; mas na prática, embora não tenham os srs. perdido a Palavra, mantêm a letra mas não o espírito. Os senhores maçons caíram bem aquém do que era intencionado por seu sistema — isto principalmente devido ao constante ataque da Igreja de Roma.

Os patriarcas romanos-alexandrinos que escreveram o Novo Testamento copiaram palavras de verdadeiros Iniciados; resulta que, encerradas em seus evangelhos adulterados, ainda há várias chaves que aqueles que “tiverem ouvidos de ouvir” (isto é, percepção espiritual: o sentido da audição corresponde ao Akasha hindu, o Elemento do Espírito) podem usar para encontrar a Medicina Universal e o Elixir da Vida …

No entanto, os romanos-alexandrinos erraram tristemente ao tentar usar de métodos profanos para expandir um cristianismo viciado por interpretações dogmáticas e ambições temporais de poder político e financeiro. Falharam por não fazerem o preconizado por Jonas aos essênios: “Dar a Cesar o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Invariavelmente, quando quer que na história da humanidade um sistema de teurgia é conspurcado e se torna uma religião organizada, sofrem os elos entre o sistema e sua fonte espiritual. Os planos não podem ser misturados, e acreditando-se movidos pelas melhores intenções, os romanos-alexandrinos foram na verdade impelidos por vaidade e orgulho — sentimentos enraizados no ego, precisamente a faculdade que o homem deve destruir na passagem do Abismo.

O resultado foi que, perdendo contato com o Logos do Aeon de Osíris, a igreja romano-alexandrina tornou-se instrumento de forças demoníacas — isto é, de forças ilusórias, egóicas — e deu-se desde então a erros espantosos, a crueldades indizíveis.

Consequentemente, os verdadeiros cristãos retiraram-se daquela igreja no momento mesmo em que ela triunfava sobre suas “rivais” gnósticas e essênias, e aliava-se aos príncipes do mal deste mundo.

Retiraram-se, e silenciosamente continuaram seu trabalho através de todo o abuso e perseguição que se seguiram; e eventualmente, para contrafazer mais eficientemente os efeitos da Grande Feitiçaria, criaram a Maçonaria.

O senhor sabe, é claro, que o Rito Antigo, ou melhor, a Grande Loja da Inglaterra, foi organizada ( e o Rito inteiro reformado ) por um certo Elias Ashmole, judeu, e Irmão da R.C. A R.C. (que só existe neste mundo com este nome desde que o grande iniciado que se ocultou sob o nome de “Cristian Rosenkreutz” começou o movimento que resultou na Renascença, na Reforma e nas revoluções Francesa e Americana ) é responsável pelo Mistério do Logos — o Mistério do cristo. É tarefa dela zelar para que este Mistério jamais seja perdido pela humanidade. Quando quer que, por erros humanos, por oscilações do karma terrestre, ou pelas leis do acaso, a transmissão da Palavra e do Sinal (isto é, a sucessão apostólica) é ameaçada, é a R.C., sob um de seus muitos véus (ela nunca usa abertamente o nome de R.C.!), através de um ou mais de seus Irmãos, que lembra a humanidade o significado espiritual da Encarnação; da promessa da Ressurreição; da Grande Obra, isto é: o estabelecimento do Reino de Deus sobre a Terra.

A R.C. nunca interfere de forma alguma com a organização ou direção de ritos maçônicos; nem seus Adeptos, necessáriamente, ingressam em tais ritos. Apenas, informação em quantidades suficientes é outorgada, e fontes de pesquisa são sugeridas ao exame dos maçons, para que o significado espiritual dos ritos seja reestabelecido pelos próprios maçons.

A R.C. está abaixo do Abismo: a Grande Ordem que não tem nome é simbolizada pelo Olho no Triângulo, e este é o Collegium Summum, ou a S.S., da A.•.A.•.

A A.•.A.•. é apenas uma das Fraternidades Iniciáticas, e abaixo do Abismo é das mais novas. Foi organizada em sua forma presente na primeira década deste século.

Quanto à S.S., é a mesma para todas as fraternidades iniciáticas.

Isto é fonte de surpresa, às vezes, para iniciados de graus mais baixos, pois, chegando a certas consecuções, verificam que Mestres que pareceram pregar doutrinas completamente opostas ( como, por exemplo, Maomé e Jonas ) estão sentados lado a lado no Areópago dos Adeptos.

Recapitulando: Quem é “São João Batista”? É Jonas, Ionas, Jon, Johannes, João, o Mestre de retidão dos essênios, cujos sermões são postos nos Evangelhos na boca de “Jesús”.

Quem é “Jesús”? É qualquer indivíduo que tenha atingido o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, o Paracleto.

Quem é “Jesús Cristo”? É o nome dado pelos Romano-Alexandrinos à sua versão fictícia do Logos do Aeon de Osíris, cuja Palavra foi INRI, e a quem Nós conhecemos por Diôniso.

Quem é o “Pai” a quem “Jesús” sempre se refere nos Evangelhos? É o Logos, a LVX, o Verbo, cuja Sephira é Chokmah, o Primogênito de Kether.

Quem é o Cristo? Tecnicamente é todo e qualquer Adepto, desde que, no simbolismo grego, o nome corresponde ao essênio Jeheshua; mas na prática o título é usado para designar o LOGOS AIONOS.

Do ponto de vista místico, “ninguém atinge o Pai a não ser pelo Filho”; consequentemente, desde que todo Adepto Cristão é uma Encarnação do Verbo, a distinção entre o Cristo Solar e o Cristo Interno é mera ilusão do profano. Ego sum qui sum, diz o Iniciado: AHIH, EU SOU O QUE SOU.

Quando Aleister Crowley estava sendo “julgado” (foi nesta ocasião que o juiz presidindo o chamou de “o pior homem do mundo”), o promotor lhe perguntou: “Não é verdade que o senhor se chama a si mesmo de A Besta do Apocalipse?” Crowley, que já estava acostumado a esperar o pior de seus semelhantes, respondeu com a paciência e agudeza de humor que lhe eram característicos: “Esse nome significa apenas O Sol. O senhor pode me chamar de Raio-de-Sol, se quizer.” Isto é: chamá-lo de Adepto, ou seja, Jeheshua, ou seja, Maçon 33º, Dr. G.: Sol em miniatura, isto é, Tiphareth…

Esta confusão entre o Adepto e seu Pai aparece até em “João Batista”, quando ele diz: “Eu sou a Voz (ou seja, o Verbo) que clama no Deserto ( isto é, no Abismo).” O mais antigo símbolo conhecido para o Logos é o Olho dos Egípcios; e o Olho está no Abismo; este é o Olho no triângulo, e este é o verdadeiro Baphomet, o Chefe Secreto de todos os maçons.

Abaixo do Abismo, Ele é representado por dois Adeptos, um do Pilar Branco, o outro do Pilar Negro. O do Pilar Branco é o Adepto Exempto, e ele promulga a Lei; o do Pilar Negro é o Adepto Maior, e ele faz com que as promulgações do Adepto Exempto sejam cumpridas.

Os judeus, depois que pararam de sacrificar primogênitos, tinham dois bodes sagrados para os festivais, um branco e outro negro. O branco era sacrificado a IAO ( o nome mais antigo de Jeová); o negro, carregado com as maldições dos sacerdotes, era impelido para o deserto…

Compreende o senhor melhor agora, Dr. G., por que razão a Sala dos Maçons é chamada a Sala do Bode Preto? O Olho no Abismo é o Olho do Sol, o Olho de Hoor, que, por certas razões ocultas, é identificado com o anus. É por isto que se dizia, dos iniciados de Satã, que eles “beijavam o anus de um bode preto”…. No Egito antigo, em certo ritual onde cada parte do corpo do Iniciado era colocada em relação com cada parte correspondente de algum ser divino, o Iniciado dizia em dado momento: “Minhas nádegas são as Nádegas do Olho de Hoor.” Mas quem diabo — perdoe o trocadilho — é na verdade este notório Satã que os padres romanos nos acusam de adorar, e a quem eles culpam por seus fracassos (ao invés de culparem a sua estupidez preconceituosa)? Quando a Igreja Romana começou a “catequização” das províncias, encontrou continuamente deuses locais. Aprendendo as peripécias lendárias de tais deuses, os engenhosos padres romanos fabricavam um “santo” com as mesmas proezas, e diziam aos ignorantes pagãos: “Esse seu deus não é mais que um demônio que tenta lhes desviar de Nosso Senhor Jesús Cristo, e para este fim imita as façanhas de nosso amado mártir Fulano. E se vocês não me acreditam, ouçam a história da vida de nosso santo mártir…” Desta forma, a Igreja Romana assimilou em sua liturgia um panteão inteiro de deuses pagãos que eram transformados em santos e santas e mártires imaginários — os únicos mártires cristãos do início do cristianismo foram os essênios e os gnósticos, a quem os romanos- alexandrinos acusaram, caluniaram, e denunciaram aos imperadores.

Exemplos: aqueles que adoravam o Cristo sob a forma de um asno ( Príapus ), os que adoravam o Cristo sob a forma de um peixe ( Oannes ); os que adoravam o Cristo sob seu nome de Baco ou Diôniso…

Mas houve um deus pagão que os romanos não conseguiram absorver, porque suas peripécias eram por demais virís para serem atribuídas a um “santo romano”, que era necessariamente um castrado, no corpo ou no espírito. Por outro lado, seus ritos eram tão vitais, tão universalmente populares nas províncias, que era impossível esperar que o povo o esquecesse: depois de seis séculos de tirania romano- alexandrina, ele ainda era conhecido e adorado: o deus PÃ, o deus de chifres e de cascos de bode…

Portanto, não podendo fazer dele um santo, Dr.G.’fizeram dele o diabo.

Uma profusão de dados sobre tudo o que foi escrito acima pode ser encontrado nos seguintes livros:

THE GOD OF THE WITCHES, de Margaret Murray O LIVRO DOS MORTOS, trauzido do egípcio por Sir Wallis Budge.

THE GOLDEN BOUGH, de Sir James Frazer, na edição completa em vários volumes. Neste trabalho monumental o senhor encontrará um estudo detalhado dos deuses pagãos tornados em “santos” e “mártires” do calendário romano…

Mas voltando ao deus PÃ: a igreja Romana lutou contra os ritos deste deus durante vários séculos. Os festivais de Pã eram orgiásticos — daí sua popularidade — e celebrados nos Equinócios e Solstícios. Eventualmente, a Igreja Romana foi forçada a incorporar estes rituais em sua liturgia, visto ser impossível eliminá-los; e sabiamente fez deles os festivais mais importantes do culto a “Nosso Senhor Jesus Cristo”: a Páscoa ( com Corpus Christi ), o “Natal”, o dia de “São João Batista” e o dia de “São João Apóstolo”.

Eventualmente, a reforma gregoriana mudou o “Natal”, que a princípio era oscilável como a Páscoa e Corpus Christi, e caía no Solstício; e tendo finalmente absorvido o rito orgiástico que então tinha lugar, os padres fixaram a data de 25 de dezembro (dava muito na vista, um aniversário oscilante…). Então os católicos romanos, seus derivados posteriores e muitas ordens ocultistas espúreas celebram nessa data a “ressurreição” ou “nascimento” do Sol: isto porque o solstício de inverno é o momento em que o Sol, tendo alcançado seu máximo declínio meridional na eclítica, começa sua volta para o Norte, levando o calor que renovará a vida da vegetação na Primavera.

Mas, do ponto de vista iniciático, quem era este Pã? Como qualquer deus de toda e qualquer terra em todo e qualquer período da história do mundo, era uma das formas pelas quais ou o Sol espiritual, que é o Pai verdadeiro, ou o seu primogênito, que é a “Bêsta”, são adorados. Esta Besta varia segundo a precessão dos equinócios, pois o Equinócio de Primavera se move ( devido ao deslocamento de ponto vernal ) de signo para signo no Zodíaco aproximadamente em cada dois mil e quinhentos anos; e no Zodíaco os signos são alternadamente representados sob a forma humana e animal.

No Aeon Passado, os pontos vernais caíam respectivamente em Virgo e Pisces, a Virgem e o Peixe; no que lhe antecedeu, caíam em Áries e Libra, o Carneiro e a Justiça (a mulher com a espada e a balança dos romanos antigos); no presente os pontos vernais caem em Aquarius, ou seja, a Mulher com a Taça (BABALON) e em Leo, ou seja, a Grande Besta Selvagem (THERION).

O deus Pã é simplesmente a fórmula do Logos que data do Aeon de Câncer- Capricórneo. Aí está o “diabo” dos padres romanos reduzido a suas verdadeiras proporções. Reduzido?… Bem, é uma questão de ponto de vista…

Não podemos nos aprofundar nesta questão do deus Pã, nem no simbolismo dos chifres, nem mesmo na história completa da luta da Igreja Romana contra o culto do “Diabo”; um culto que, diga-se de passagem, Roma jamais conseguiu destruir, a despeito de seus esforços sinistros. O senhor encontrará os dados fundamentais para tal estudo num livro precioso, publicado pela primeira vez no Século XVIII, mas recentemente republicado nos Estados Unidos e Inglaterra:

TWO ESSAYS ON THE WORSHIP OF PRIAPUS, de Payne Knight.

Limitar-nos-emos a dizer aqui que este era o deus adorado por “bruxos” e “feiticeiros”, que preservaram seus ritos orgiásticos apesar de toda a perseguição implacável, das calúnias absurdas e do terrível risco de tortura e morte na fogueira, alem de outras punições impostas pela Igreja de Roma não só na Idade Média como até ao Século XVIII — e que só não são impostas até hoje devido ao trabalho paciente e silencioso dos maçons, representantes dos verdadeiros cristãos…

Depois que Romanos e Alexandrinos estabeleceram seu domínio teológico no Concílio de Nicéia (disto falaremos depois) e instituiram o dógma de “Jesus Cristo” como personagem histórico e “única” encarnação do Verbo, os poucos essênios e gnósticos que sobreviveram à “purgação” continuaram, sob o maior segredo, a tradição pura e original dos Mistérios Menores do Egito e da Fórmula de Diôniso.

Várias vezes, no curso destes mil e quinhentos anos, os Iniciados tentaram reconstituir abertamente os ensinamentos essênios e gnósticos. Em toda ocasião em que isto aconteceu, a Igreja Romana interveio com fúria demoníaca, assassinando homens, mulheres, velhos e até criancinhas, sem a mínima compunção; ao ponto mesmo ( como no caso dos Albigenses ) de capitães medievais, homens supostamente embrutecidos pela violência das batalhas selvagens da época, terem ficado tão fartos da chacina que foram perguntar ao papa se, por ventura, não estariam exterminando inocentes com os culpados (essa gente morria tão virtuosamente, o senhor compreende!). E foi em tal ocasião que o Bispo de Roma honrou a tradição cristã de sua igreja com as seguintes palavras: “Matai a todos; Deus distinguirá os seus.”

A matança, Dr. G.. incluía até recém-nascidos.

E não é que se tratasse de fé cega, por parte do Bispo de Roma, na crassa teologia do seu credo. Não é que ele acreditasse realmente na existência de um “salvador” chamado “Jesus”, e no fato dos Albigenses serem “criaturas do Diabo”. Não, DR. G., não havia sequer a justificativa do fanatismo – se de justificativa podemos chamá-la – pois os papas romanos sabem, e sempre souberam, que nunca houve nenhum “Jesus Cristo!”.

Talvez lhe seja difícil crer no que digo? Pois lembre-se das palavras históricas, proferidas num momento de descuido por um dos mais cínicos e mais prósperos dos papas, Leão X:

“Quantum nobis prodeste haec fabula Christi!”.

Ou seja: “Quanto nos ajuda esta fábula de Cristo!”.

O senhor deve se lembrar de que os documentos originais daquilo que os Romanos chamavam de “Cristianismo” estão preservados na Biblioteca Secreta, do Vaticano. É bastante simples para os pouquíssimos prelados a quem a Cúria dá acesso aos documentos mais antigos, verificarem onde acabam os fatos e começa a ficção.

Creio que já falamos suficientemente da história passada da Igreja de Roma. Não deve ser necessário que eu lhe lembre Joana D’Arc, nem Gilles de Rais (contra o qual foram feitas as acusações mais horrendas, mas contra o qual jamais apresentaram evidências – nem sequer um ossinho! – das centenas de crianças que ele havia, supostamente, sacrificado; e seus acusadores, e juizes, dividiram entre si, seus consideráveis bens), nem os Templários, nem o Imperador Frederico Hohenstaufen, nem João Huss, nem Michel Servent, nem Henrique IV (assassinado por ordem dos Jesuítas), nem os Cátaros, nem os Albigenses, nem os Huguenotes, nem os Judeus e Árabes de Portugal e Espanha, nem os Gnósticos franceses, alemães, escoceses, irlandeses e ingleses que foram chamados de “feiticeiros” e forçados a confessar obscenidades sob torturas diabólicas, nem Cagliostro, nem uma quantidade imensa de Maçons cujos ossos branquejam a estrada que leva à Roma. Creio que, a um Maçon, não deve ser necessário falar mais do passado dessa igreja infame.

Falemos então do presente – desta época de “reforma” e do “Papa da Paz”. Mudou a Igreja de Roma? Dr. G., o senhor acha, certamente que essa propalada reforma romana, que esse muito propagandizado concílio ecumênico, que as duas bulas de João XXIII (na realidade João XXIV: houve uma época, entre outras da história do papado, em que havia três papas. Um deles chamou-se João XXIII, foi forçado a renunciar ao papado quando os dois outros fizeram um pacto contra ele, e pouco após morreu envenenado – por quem, deixamos ao senhor ponderar) – o senhor acha que tudo isso fará da Igreja de Roma algo mais humano, mais próximo de Deus e do Seu Logos? Muito bem; tenho diante de mim, neste instante em que lhe escrevo, um catecismo católico romano chamado “Doutrina Cristã”. É publicado pelas Edições Paulinas e leva o nº. 1; é destinado, portanto, ao condicionamento das mais tenras criancinhas. O senhor me disse que, na sua opinião, a Igreja Romana era uma boa introdução à vida adulta para crianças. Se assim é. Considere as seguintes passagens que transcreverei desse livreto infame (os parênteses são meus):

“Eu gosto do meu catecismo.” (Auto-sugestão inconsciente).

“O catecismo me ensina o caminho do céu.”(Do outro lado, o inferno).

“O caminho do céu é: conhecer a Deus”(pela boca dos padres), “amar a Deus” (de acordo com a definição de “amor” por parte dos homens que evitam todas as manifestações sadias desse sentimento), “e obedecer a Deus”(pela boca dos padres, seus únicos representantes legítimos; os demais são servos do diabo, e se alguém tentar definir por si mesmo a obediência a Deus, esse alguém na Idade Média era queimado vivo, e hoje em dia é culpado de orgulho, um dos pecados mortais).

“Eu irei sempre ao catecismo para conhecer o caminho do céu” (a ameaça velada é que, se a criança não for ao catecismo para aprender o caminho do céu, acabará no inferno).

“Estudarei sempre direitinho o meu catecismo”(e há quem diga que os comunistas inventaram a lavagem cerebral!).

Isto, apenas como introdução. Seguem-se as seguintes notáveis “verdades”: “Jesus morreu na cruz para nos salvar” (falsidade histórica; mas a implicação dogmática é que, desde que somos criaturas condenadas ao inferno desde o nascimento não fosse por “Jesus”, precisamos, mesmo na infância, de salvação. Que distância entre isto e “Deixai virem a mim as criancinhas, pois delas é o reino dos céus…”.

“As criancinhas gostam muito de Nossa Senhora” (se isto fosse uma cartilha usa, e em vez de “Nossa Senhora” estivesse Lênin, nós chamaríamos este tipo de propaganda de atentado contra a mente humana; no entanto, Lênin, pelo menos, realmente existiu!…) “Nossa Senhora é a mãe de Jesus”. (De fato, BABALON é a Mãe de Adepto; mas não é assim que eles interpretam!…) Mais adiante, o “Credo”, com a nota: “O Credo é o resumo da religião que Jesus nos ensinou.” Isto é uma mentira deslavada, pois nem Jon nem Dioniso, os originais de “Jesus Cristo” evangélico, ensinaram religiões. Buda não pregou o Budismo, nem Lao-Tsé o Taoísmo, nem Maomé o Islamismo; nenhum guia espiritual de vulto estabeleceu qualquer dogma formal, com exceção de Moisés; e ele, ao menos, tinha a desculpa de precisar criar uma cultura do nada, de fazer uma nação daquela multidão de ex- escravos superticiosos e rebeldes que o seguia. São sempre os sucessores dos Magos (diga-se de passagem, os falsos sucessores) que organizam religiões e dissociam o Espírito da Letra, mais cedo mais tarde comportando-se de forma completamente oposta àquela recomendada pelo Instrutor.

No entanto, no caso presente, a mentira é dupla; pois além do fato de que Jon não deixou “religião” a ser seguida, o Credo de Nicéia, que é o credo a que o catecismo em questão se refere, não era sequer um sumário da religião que começava a se cristalizar em redor dos ensinamentos de Jon. Este credo era antes um códice dos dogmas que os Romano- Alexandrinos consideravam essenciais ao estabelecimento de sua dominação política, material, temporal, sobre as muitas congregações – igrejas – fundadas na Ásia Menor e na península romana por seguidores e discípulos de Jon, cada qual com variações de doutrina e temperamento determinadas por condições locais e idiossincrasias do discípulo fundador. Estes discípulos foram os originais dos “apóstolos” dos “Atos” (os “Atos” são uma antologia cuidadosamente censurada; e deturpada pela introdução de incidentes e nomes altamente imaginários, de alguns dos discípulos de Jon. As mais gritantes falsidades lá se encontram misturadas a fatos históricos. O propósito de tais falsificações foi a afirmação da autoridade da Igreja Romana, a qual, longe de ser a mais velha das igrejas Cristãs, era a mais nova e certamente a menos Cristã, de todas. Um exemplo interessante é “Simão Pedro”, que é o mesmo “Simão o Mago” que a ele se opõe nos Atos… Era um Gnóstico a quem a Igreja Romana teve que atribuir a sua fundação, pois ele pregara em Roma e era universalmente respeitado por todas as congregações; mas ao mesmo tempo, teve que ser atacado devido as doutrinas que tinha em comum com os Gnósticos Gregos e os Essênios Hebreus. “Pedro” e “Paulo” são, possivelmente a mesma pessoa, mas só pesquisas futuras, empreendidas por investigadores sem preconceitos que tenham acesso a verdadeira documentação, poderão esclarecer tal ponto). A história da maneira pela qual os Romano-Alexandrinos forçaram o Concílio de Nicéia a votar neste Credo é um pântano de horrores. Tal era a situação que os patriarcas visitantes não ousavam andar pelas ruas de Nicéia, Roma ou Alexandria, sem terem ao menos uma dúzia de guarda-costas, por medo de serem assassinados por ordem dos patriarcas Romano-Alexandrinos.

(Vide OUTLINES ON THE ORIGIN OF DOGMA, DECLINE AND FALL OF THE ROMAN EMPIRE e LA MESSE ET SES MYSTERES para uma discussão detalhada deste assunto).

Mas examinemos esse “resumo da religião que Jesus nos ensinou”! “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra…” (Já começa deturpado, pois o “Pai” a quem Jon se refere em seus sermões era Dionísio, o Logos do Aeon, o pai espiritual de Jon. O Criador do Céu e da Terra” era, na verdade, “Criadores”, no plural. A Gênese, um trabalho cabalístico, é sempre mal traduzida. Os “Elohim”, criadores do céu e da terra, eram literalmente “deuses macho-fêmea”, ou seja, uma hoste divina andrógina. Então, o senhor talvez perguntará, quem era Jeová? Era o Pai de Moisés, da mesma forma que Dionísio era o Pai de Jon!…) Mas continuemos: “…e em Jesus Cristo, um só seu filho, Nosso Senhor…” (Estas dez palavras causaram mais mortes no Concílio de Nicéia do que quaisquer outras. Houve ocasiões em que patriarcas Romano- Alexandrinos provocaram com insultos pessoais outros patriarcas que se opunham a este “um só seu filho” ou a este “Nosso Senhor” até que os ofendidos reagissem – e fossem imediatamente apunhalados por assassinos previamente instruídos. Quanto a parte de “Jesus Cristo” ninguém a ela se opôs seriamente, visto que os verdadeiros Iniciadores Cristãos nem sequer se deram ao trabalho de ir ao Concílio, sabendo tratar-se de caso fraudulento, como quaisquer outros concílios convocados pelos Romano-Alexandrinos antes ou depois deste. Os Iniciados Cristãos já começavam a organizar (prevendo a necessidade premente que para eles haveria) as irmandades secretas que apareceriam abertamente na Idade Média, como Franco-Maçonaria – o grêmio maçon que construiu as grandes catedrais Góticas. Esses franco- maçons formavam uma classe social a parte, pois, não sendo nobres nem padres, nem militares, não eram camponeses ou vassalos, tampouco. A Igreja Romana os protegia porque deles precisava para a construção – sendo ela, até hoje, incapaz de construir coisa alguma… E foi através dessas associações de pedreiros que o verdadeiro Cristianismo foi transmitido de reino a reino, de cidade a cidade, e isto, ironicamente, sob a proteção dos romanos… Veja-se THE ARCANE SCHOOLS, ou qualquer bom compêndio de história da maçonaria para maiores detalhes).

“…o qual foi concebido do Espírito Santo…” (Outra fonte de muitos assassinatos foi este dogma. Sobre ele não faremos comentários: padres romanos certamente lerão esta carta, e não temos qualquer intenção de dar a eles quaisquer dados sobre a natureza do Espírito Santo. Já que eles o invocam tanto, devem saber o que Ele é!…) “…nasceu da Virgem Maria…” (esta Virgem Maria é também a Grande Puta do Apocalipse. É a Grande puta porque Ela se dá a tudo o que vive; e é a Virgem porque permanece intocada por tudo a que se entrega. Quem é Ela? É a Casa de Deus, a Natureza, a Grande Mãe, e as leis naturais são as únicas leis realmente divinas… Ísis-Urânia, NUIT, Nossa Senhora das Estrelas, é a concepção dessa Mãe Grande e Eterna, copulando desavergonhadamente e avidamente com todas as suas criaturas, pois em cada uma delas Seu Senhor se manifesta e A ocupa.

É também a mais alta e mais verdadeira forma de PÃ. A Ísis eternamente inviolada e esta Virgem Imaculada, e as imagens de Virgem com o Menino Jesus nas Igrejas Romanas são cópias das múltiplas imagens de Ísis com o Menino Hoor, que podem ser examinadas na seção de Egiptologia de qualquer museu).

“…padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos…”(pessoa altamente questionável esse Pôncio Pilatos, do ponto de vista histórico.

Recentemente foram “descobertas” e “reveladas” nos E.U.A umas “cartas da mulher de Pilatos a uma amiga”. Estas relatam como a vida do casal tornou-se puro melodrama depois de haverem lavado as mãos no caso “Cristo Jesus”. Mais conversa fiada jesuítica, sem dúvida…) “…foi crucificado, morto e sepultado, desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos, está sentado a mão de Deus Pai Todo Poderoso donde há de vir julgar os vivos e os mortos” (Tudo isto tem um significado esotérico, e é verdade de todo Cristo, de todo Adepto; mas os padres de Roma profanam estes símbolos quando os interpretam da forma mais crassa).

“Creio no Espírito Santo… (eles nem sabem o que Ele é, não tendo merecido Sua presença sequer uma vez, ao longo de mil e seiscentos anos!) “…na Santa Igreja Católica… ” (esta é a única e verdadeira Igreja acima do Abismo, e inclui todos os cultos dos homens; mas os padres romanos querem aludir, naturalmente a igreja de Roma).

“…na remissão dos pecados…”(esta “remissão dos pecados”, que faz da humanidade uma raça suja e maldita é, de todas as blasfêmias deste credo, a menos perdoável. Esta é precisamente a razão pela qual a Igreja de Roma nunca mereceu a manifestação do Espírito Santo!) “…na ressurreição da carne…” (isto se refere a doutrina da regeneração, isto é, da Medicina Universal; mas tendo este e outros segredos do Cristianismo primitivo sido perdido pelos romanos, eles interpretam esta frase da forma mais grosseira. Veja-se o RITUAL DA MAÇONARIA EGÍPCIA de Cagliostro para maiores detalhes.) “…na vida Eterna…”(isto se refere ao Elixir da Vida, novamente mal interpretado).

“…Amém”.

Agora, por favor, atente bem para esta passagem que se segue: “Um dia, alguns anjos fizeram pecado.” (Mais adiante explicam o que é pecado.) “Os anjos maus são chamados demônios.” “Os anjos maus foram para o inferno.” (É necessário que haja inferno. Pondere como essas criancinhas eram felizes, sem saberem que havia inferno antes de entrarem em contacto com a Igreja de Roma!…) “Para que Deus nos criou? Deus nos criou para conhecê-Lo… (na versão de Roma) “…para amá-lo e serví-lo neste mundo… (os pais têm filhos porque precisam de admiradores e escravos, nenhum ser sobrehumano poderia ter outra motivação…) “… e depois ir com Ele ao Céu.” (todo cachorro bem treinado merece uma recompensa) Convenhamos: a versão romana do Criador mostra bem pouca imaginação criadora! Mas a insensatez continua:

“Adão e Eva eram felizes no Paraíso.

“Um dia, porém, fizeram pecado.

“Que é pecado? “O pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus ou LEI DA IGREJA.” (a ênfase é nossa. Note, por gentileza, que os astuciosos roupetas estão duplamente assegurados: primeiro, porque foram eles que escreveram “a lei de Deus”; segundo, porque são eles que escrevem a lei da igreja!) “Jesus morreu na cruz para nos salvar do pecado.” (eles nem sabem mais o que é “Jesus”, e nunca souberam o que é a Cruz) “Deus dá o prêmio aos bons e o castigo aos maus.

“O prêmio para os bons é o céu.

“O castigo para os maus é o inferno.

“O céu e o inferno NÃO TERÃO FIM. (a ênfase é nossa. Deus não é apenas destituído de imaginação, é também destituído de misericórdia, para não falar em senso de humor. Este “Deus” é um demônio — feito à imagem daqueles que o promovem!) “Quem vai para o céu? “Vai para o céu quem morre sem pecado grave.” Note que não é necessário ser virtuoso, alegre, corajoso, honrado, para ir para o céu. As virtudes positivas não têm sentido para as criancinhas “cristãs” à moda romana: é suficiente “morrer sem pecado grave”. Veja o senhor, no Apocalípse, o que o Amém tem a dizer à Igreja em Laodicéia, Cap. III, vv. 14-22.

“Quem vai para o inferno? “Vai para o inferno quem morre em pecado grave.” Desta forma, os cavaleiros de Roma podem manter seu bolo e comê-lo ao mesmo tempo. Se o senhor não é batizado ( por eles ) ao nascer, está destinado ao menos ao purgatório (favor lembrar que o purgatório é uma invenção relativamente recente, promulgada quando o povo começou a reclamar que Roma mostrava pouca caridade para com os homens: no começo, o inferno era a única alternativa para o céu). A vida do senhor, do nascimento à morte, é completamente subordinada a eles: comunhão, sacramento, confirmação, casamento, confissão….

Lembre-se, dr. G., que toda esta teologia que ameaça de tormento eterno aos que não a aceitam, toda esta síndrome de repressão, de escravidão psíquica e social, toda esta maquinação, está baseada nas mentiras deliberadas e conscientes dos patriarcas de Roma e Alexandria! Verdadeiramente, eles podem se gabar: “Quantum nobis prodest haec fabula Christi!” Mas, infelizmente para eles, Dr. G., o Cristo não é uma fábula.

E o Verbo se fez carne, e habitou em nós.

Tu que és eu mesmo, além de tudo meu; Sem natureza, inominado, ateu; Que quando o mais se esfuma, ficas no crisol; Tu que és o segredo e o coração do Sol; Tu que és a escondida fonte do universo; Tu solitário, real fogo no bastão imerso, Sempre abrasando; tu que és a só semente; De liberdade, vida, amor e luz, eternamente; Tu, além da visão e da palavra; Tu eu invoco, e assim meu fogo lavra! Tu eu invoco, minha vida, meu farol, Tu que és o segredo e o coração do Sol E aquele arcano dos arcanos santo Do qual eu sou veículo e sou manto Demonstra teu terrível, doce brilho: Aparece, como é lei, neste teu filho!

Os versos acima, Dr. G., foram escritos por Aleister Crowley, o “pior homem do mundo” de acordo com a opinião dos padres que organizaram a campanha difamatória que o seguiu por toda a vida.

Estes versos deveriam ser cantados com orgulho por todo Filho da Luz, ou seja, por cada ser humano, cada Filho de Deus! O senhor ainda acha que a Igreja Romana pode ser encarregada, por homens responsáveis, honrados e ajuizados, da educação de crianças? Dr. G., enquanto esta igreja não reconhecer publicamente seus crimes contra Deus e a humanidade; enquanto não renunciar para sempre a essa ameaça de inferno e a esse dógma de pecado com os quais forças negativas, que se opõem à evolução da humanidade, tentam impedir ao homem e à mulher que se tornem Deus por meio do ato sexual (veja o Evangelho de “João”, Cap. IV, vv. 13-16); enquanto ela for a causadora de masturbação e autismo entre os seus assim-chamados monges e freiras, em vez de permitir que se expressem livremente como homossexuais (qual são frequentemente) ou como heterosexuais (qual são algumas vezes); enquanto o Bispo de Roma não admitir que ele é um entre muitos, e herdeiros de uma história acumulada de erros; em suma, enquanto a Igreja de Romana existir (pois no dia em que renunciar a todas as suas infâmias não será mais “Romana”, mas finalmente parte da verdadeira Igreja Católica, a Humanidade), a ela se aplicam as palavras de Jon, o filho da Luz, copiadas por ela em seus assim-chamados “Evangelhos”: “Cuidado com os falsos profetas, que a vós se mostram como cordeiros, mas que internamente são lobos vorazes.

“Pelos seus frutos os conhecereis.

“Nem todo aquele que me diz Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus, mas só aqueles que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus.

“Muitos, naquele dia, me dirão: Senhor! Senhor! Não temos nós profetizado em Teu nome, não temos expelido demônios em Teu nome, e em teu nome não realizamos muitos milagres? “Então eu lhes direi claramente: nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquiade.” – Mateus”, VIII, vv. 15-23.

Francamente, Dr.G., não posso entender como um maçon, como um homem sensato e honrado pode, por um momento, defender uma instituição que é uma nódoa na história da humanidade. Nós, verdadeiros herdeiros do Cristo, temos sido acusados de odiar a Igreja de Roma. Sabe Deus que não a odiamos: nós a abominamos e desprezamos com a intensidade devida àquilo que não só é vil em si mesmo, como aviltante para tudo que é sagrado e valoroso no homem.

Dizem que o diabo corre da Igreja de Roma, e é verdade. Mas não é que nós a temamos: ela nos enoja. É inútil proclamar o efeito maravilhoso que o Romanismo tem exercido sobre a civilização ocidental. A verdade é precisamente o oposto. Roma tem combatido toda reforma e todo progresso a cada passo, aceitando-os apenas no último minuto, e então fingindo — aos incautos — tê-los inventado. A renovação das artes, das ciências, da liberdade humana, jamais veio de Roma; veio dos maçons, dos árabes, dos judeus, da herança pagã redescoberta na Renascença, dos protestantes alemães, franceses e ingleses, das invasões dos piratas normandos e até das hordas de tártaros e turcos: nunca de Roma.

Considere a evidência histórica, Dr. G.! Durante mil anos, o sistema feudal, tornado odioso justamente pelos abusos decorridos da aliança da igreja com os senhores feudais, oprimiu a população da Europa. Veio a reforma — e em um século o sistema havia praticamente desaparecido. A Inglaterra católica romana era uma ilhota insignificante perdida no mapa da Europa: veio Henrique VIII, expulsou os jesuítas, criou o Anglicanismo — e em duas gerações a Inglaterra derrotava a Espanha católica romana, tornava-se o maior poder naval do mundo e estava prestes a construir um império mais poderoso do que o dos Césares. A França decaíu com os Valois católicos romanos: veio Henrique IV, protegeu os huguenotes, foi assassinado por isto, mas em um século a França de Luis XIV deslumbraria o mundo. Os protestantes colonizaram a América do Norte; compare o progresso da civilização da América do Norte com a situação das Américas Central e do Sul, colonizadas por padres jesuítas! Os países onde, no momento, prevalece o dógma romano, estão atrasados de cinquenta a cem anos em progresso material, e moralmente, em certa áreas, o atraso é de quinhentos a mil anos. Os países protestantes têm sina muito melhor. Mas infelizmente, mesmo os protestantes não estão livres da mancha do “pecado original” e do complexo de culpa, como tampouco de crença na necessidade de “salvação”, já que usam os textos evangélicos fabricados pelos romano-alexandrinos; e não foi à toa que Ambrose Bierce, por muitos considerado um dos maiores iniciados americanos, escreveu, como parte da definição da palavra “cristão” em seu impagável e realista “O Dicionário do Diabo”:

“Sonhei-me no alto dum morro, e vejam só: Em baixo, pias multidões, com ar de dó

Triste e devoto, andavam de cá para lá, Domingadas em suas roupas de sabá, Enquanto na igreja os sinos gemiam Solenes, alertando os que em falta viviam.

Foi então que pessoa alta e magra eu vi Vestida de branco, a olhar para ali Com a face tranquila, suave, simbólica, E os olhos repletos de luz melancólica.

‘Deus te abençoe, estranho!’ — exclamei.

‘Inda que, por teu diverso traje, bem sei Que vens sem dúvida de longínquo cantão, Espero sejas, como essa gente, cristão.’ Ele os olhos ergueu, com tão severo ardor Que senti meu rosto a queimar de rubor, E respondeu com desdém: ‘Como! O que é isto?! Eu um cristão? Na verdade não! Eu sou cristo.’”

Se o senhor quiser ler um magnífico estudo psicológico do Romanismo, leia “O Anticristo” de Nietzsche, e quando quer que o senhor encontre escrita a palavra “cristão”, substitua-a por “católico romano”. O senhor terá a Igreja de Roma exatamente como é.

Resumindo o conteúdo desta carta: Todos os homens são filhos de Deus. Todos os homens são capazes de realizar sobre a terra o Reino dos Céus, que está dentro de nós.

Somos todos membros do Corpo de Deus, todos Templos do Espírito Santo, e basta limpar o Templo — o que não significa castrar- se física ou psicologicamente! — para que a Presença se manifeste.

Não há nenhum “Jesús, Filho Único de Deus” para ser adorado; e quaisquer pessoas que afirmem o contrário ou estão enganadas ou estão enganando.

Está escrito nos “Evangelhos”: Vós conhecereis a verdade, e a verdade vos fará livres.

E também está escrito, nos originais santos, blasfemados e traídos pelas perpetrações romano-alexandrinas, que Jon olhou sorridente para a multidão e, abrindo os braços, lhes bradou:

“Vós sois o Caminho, a Ressurreição e a Vida!

Pois é eternamente verdade que o Verbo se faz carne; e neste exato momento, habita em nós.

Amor é a lei, amor sob vontade.

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NOTA BIBLIOGRÁFICA E ADDENDUM

Esta carta foi originalmente escrita no dia 9 de julho de 1963 e.v., endereçada a um maçom osiriano, médico, o Dr. Luiz Gastão da Costa e Souza, clinicando em Petrópolis, RJ. Foi-nos posteriormente dito, por outro maçom osiriano e ex-aspirante, Euclydes Lacerda de Almeida, que o Dr. Gastão cuidadosamente guardou a carta, mas se absteve por completo de mostrá-la a outros maçons.

Após o Primeiro de Abril de 1964 e.v., a carta foi copiada a carbono pelo autor, e distribuída livremente nas ruas do Rio de Janeiro a pessoas a quem ele se sentia impulsionado a entregá-la. A segunda versão foi consideravelmente ampliada na parte bibliográfica e histórica. O presente documento representa a terceira, e, esperamos, final versão.

A carta original terminava com os seguintes dizeres: “Doutor Gastão, este momento é dos mais graves da história da humanidade. Dos quatro cantos do mundo, forças das mais hediondas, das mais diabólicas, forças desalmadas se concentram em um ataque ao Homem, a Deus, à Justiça e à Verdade. Os comunistas encarnam um dos aspectos destas forças; as religiões organizadas do Aeon passado encarnam outros. No momento presente, são pouquíssimos os homens que conservam contacto com os planos espirituais; e no entanto eu levanto a minha voz em profecia e lhe digo:

Esta é a escuridão da Passagem dos Aeons.

No Novo Aeon, serão os bodes que organizarão a Igreja.

A maçonaria é a chave do Templo de Deus.

Eu avisei o senhor quando nos vimos: se os maçons brasileiros tentarem honestamente limpar a maçonaria das forças malignas que tentam infiltrar-se nela; se eles se despertarem novamente para a luta espiritual e para a luta cívica, eles terão todo o auxílio que for necessário. O Olho ainda está no Triângulo. MAS SE VÓS FIZERDES PACTOS COM DEMÔNIOS O OLHO SE FECHARÁ SOBRE VÓS.

Não é possível ser maçon e ser católico romano.

Não é possível ser marxista e ser maçon.

Não é possível ser maçon sem ser cristão.

Limpai as Lojas! Ou o Olho se fechará sobre vós.

Calafatai as Lojas! Ou a energia espiritual que nelas se acumula se escoará (esta é a razão pela qual o vosso segredo é a vossa força).

Serví o Brasil antes de mais nada; acima de toda outra nação; sois brasileiros, e o progresso como a caridade começa em casa.

Daí aos pobres do vosso excesso, mas não da vossa substância.

Sede verdadeiros maçons: maçons dignos dos que vos precederam, maçons dignos dos que fizeram a Independência, o Segundo Império e a República.

Nunca tenhais medo de lutar pela Verdade e pela Justiça, e perdoai os vossos adversários mas vencei-os, antes! Não agradeçais à Igreja de Roma as concessões que ela vos “faz”. Ó meus Irmãos pois como homens, somos todos Irmãos essas “concessões”, vós já as conquistastes: não ouvis os gemidos de dor? Não vedes os oceanos de sangue, não percebeis a legião de mártires maçônicos, não sentis ainda o cheiro e o clarão das fogueiras? A Igreja de Roma nunca fez concessões de ordem teológica a não ser por razões econômicas e políticas; ela sempre se aliou aos tiranos contra os oprimidos, e aliar-se-á aos marxistas, se necessário, para combater-vos; mas sede fiéis ao olho e o olho vos servirá.

Todo o progresso humano; toda lei humanitária; toda proteção à ciência pura; toda tolerância religiosa que existe no mundo presente foi o resultado do trabalho dos maçons! Nunca vos esqueçais disto! Não deveis agradecer ao inimigo oculto aquilo que ele nunca te concedeu, mas que vós conquistastes pelo sacrifício de muitos e pelo paciente trabalho de incontáveis outros.

Repito-vos: sede dignos do Olho, ou o Olho se fechará sobre vós.” O Primeiro de Abril de 1964 e.v. não teria ocorrido se os maçons tivessem cumprido as condições desta profecia. Em vez de fazer isto, a maçonaria brasileira deu os seguintes passos para trás nos anos que se seguiram a esta carta:

1) – Dividiu a sua direção em duas facções antagônicas.

2) – Permitiu a publicação em jornais de fotografias do interior das Lojas, inclusive em funcionamento.

3) – Promoveu declarações públicas de aliança com a Igreja de Roma.

4) – Espionou-nos e cooperou em armar-nos ciladas e na busca por desvendar os nossos “segredos”. Infelizmente, não temos segredos.

Ponde um tratado sobre o cálculo tensorial nas

mãos de um estudante primário e deixai-o ler o livro a vontade: de nada lhe adiantará.

O “esoterismo” é uma farsa: verdadeiros segredos NÃO PODEM ser revelados, pela simples razão que sem vivência é impossível compreende-los, mesmo quando são explicados da forma mais simples e mais franca.

Devido ao desleixo ou a inércia dos maçons, a profecia da carta se cumpriu e continua se cumprindo. Como consequência, a maçonaria brasileira só está viva agora na O.T.O. e na Ordem de Télema. Nós não reconhecemos nenhum movimento maçônico do Velho Aeon.

A bom entendedor, meia palavra basta; aos maus entendedores, milhares de discursos não surtirão efeito.

Não existe Lei além de faze o que tu queres.

Fraternalmente

Marcelo Motta

#Maçonaria #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/carta-a-um-ma%C3%A7om

Como começar um diário mágicko

Por: Donald Michael Kraig

Gostaria de começar dizendo que todas as histórias e os “contos de fadas” sobre os poderes dos feiticeiros, as bruxas e os magos estão corretos, ainda que, desgraçadamente, somemente em parte. De fato, é possível creiar sortilégios para ganhar dinheiro, amor, sabedoria, satisfação e muitas coisas mais.

Devem compreender, apesar de tudo, que contrariamente ao que ocorre na magis dos contos de fadas e dos filmes, a maior parte da magia real não temtem efeito de forma instantânea. Por exemplo, se você realiza um ritual para conseguir dinheiro, este dinheiro poderia demorar uma semana ou duas para chegar e, quando chegar, seria por meios naturais. Porém, se o ritual foi realizado da forma adequada, o dinheiro “aparecerá”.

Ninguém pode outorgar-lhe poderes mágicos. Você mesmo deve ganhá-los. Há somente um modo de consegui-lo: Pratique, pratique, pratique!

Ademais, deverá anotar todas suas pŕáticas, experiências, pensamentos e sonhos; o deverá fazer em dois registros separados, ou diários.

Registro dos Sonhos

Deveria começar agora mesmo, hoje mesmo, a escrever um diário de seus sonhos. Quando sonhamos (e todo mundo sonha), pode ocorrer uma das seguintes quatro circunstâncias seguintes:

1. Trabalho astral: Ao realizaro trabalho astral, são aprendidas lições acerca do desenvolvimento espiritual, mágico e psíquico simutaneamente à prática dessas lições. Isso acontece no chamado “plano astral”. Em lições posteriore aprenderá mais coisas sobre a interpretação mágica e cabalística do plano astral.

2. Mensagens psicológicas: Muitas vezes o subconsciente necessita comunicar ao consciente, porém o consciente nega-se a escutá-lo! Em alguns sonhos o subconsciente envia uma mensagem, em símbolos, ao consciente. Este é uma das bases da psicanálise freudiana.

3. Brincar: Ao descansar, a mente pode vagar sem rumo ou sentido e enviar ao consciente qualquer tipo de imagem bela ou estranha.

4. Uma combinação de todas as anteriores.

Se nunca manteve um diário de sonhos, descubrirá que se trata de algo muito fácil.

Simplesmente tome um bloco de papel e um lápis ou uma caneta e os deixe próximos à cama. Enquanto desperta pela manhã, escreva tudo quanto recorde. Se não recorda nada, deverá escrever no diário “Não consigo recordar meus sonhos” e isso será suficiente. No princípio talvez somente lembrará um pequeno fragmento, talvez
somente um fato ou um sentimento. Ao cabo de um mês de prática regular terá dificuldades para conseguir que as entradas do diário caibam em uma página.

Ademais, procure um caderno em branco ou um fichario com papel em branco para transferir as breves notas que tenha tomado junto à cama. Ao menos que sua escrita seja muito legível, escreva com letras de forma no novo livro o que havia anotado no bloco de papel. Isto pode levar mais tempo, porém no futuro será muito mais fácil de ler. Assegure-se de por a data em cada entrada.

No parágrafo anterior você observou que eu falei em ler o diário no futuro. Essa atitude de revisão é muito importante. Não tente, neste ponto, analisar cada sonho. O mais provável é que não seja capaz nesse momento de decidir a qual dos quatro tipos mencionados anteriormente corresponde seu sonho. Em lugar disso, busque as
imagens repetidas ou as transformações que tenha observado em seus sonhos recorrentes. Por favor, fuja de todos esses ridículos manuais sobre o “significado dos sonhos”!

Vou oferecer-lhe um exemplo da importância que pode ter esse diário para você. Uma de minhas alunas tinha frequentemente sonhos nos quais era perseguida por soldades, corria e se escondia. Tinha sonhos desse tipo várias vezes ao mês e despertava molhada em suor frio, aterrorizada. Para ela, esse sonho era uma versão de algo que
havia acontecido realmente quando era pequena. Depois de praticar alguns dos rituais de proteção que aparecem nas presentes lições seus sonhos, segundo me contou, começaram a mudar. Já não se escondia nem era quase descoberta ou violentada, mas conseguia escapar. Havia desaparecido nela um antigo bloqueio mental que se manifestava como medo aos homens e ao sexo. A relação com seu noivo melhorou muito, já que se sentia mais segura. Isso estava representado pela mudança que
experimentou seu sonho recorrente. De forma parecida, você poderia ver as mudanças positivas em su vida ao ser capaz de observar as alterações que sofrem
seus sonhos ao longo do tempo.

Como registrar os rituais

Mais adiante, nesta mesma lição, encontrará rituais para serem realizados pelo menos uma vez ao dia. Enquanto esteja aprendendo-os, não deveria tardarmais de meia hora em levá-los a cabo, e muito menos tempo uma vez que os tenha memorizado. Em outro caderno, deveria cultivar um diário dos rituais. Na próxima página lhe oferecemos uma sugestão de formato para seu diário; poderia ser-lhe útil fazer cópias desta página e guarda-las em uma pasta, de modo que cada dia poderia simplesmente preencher uma delas.

Data:
Dia da semana:
Hora:

Fase da lua:
Condições meteorológicas
Emoções:
Condição física:

Execução (o que foi feito):
Resultados (o que foi conseguido):

Todos os dados que aparecem são importantes e deveriam incluir todos os aspectos em cada uma das entradas. No futuro, poderá descobrir que condições lhe proporcionam mais êxito ao praticar magia. Algumas pessoas tem mais sucesso quando estão contestes e a noite é quente; outras obtém melhores resultados quando estão deprimidas e o tempo é chuvoso. Conjuntamente, seu diário de sonhos e seu diário dos rituais constituem um texto mágico secreto e pessoal que somente podem ser realmente úteis para você.

Por fase da lua quero dizer se ela está cheia, minguante ou crescente. Esta informação pode ser localizada em qualquer calendário local ou astrológico. Por condições meteorológicas me refiro a se o tempo está chuvoso, nublado, abafado, morno, quente, frio, etc. Por emoções, se está alegre, triste, deprimido, etc. Por execução, seo o reitual foi bem executado, conscientemente, descuidadamente, etc. Por resultados me refiro a como se sente e o que experimentou. Também é possível que você deseje tecer comentários a esse respeito em uma data posterior; neste caso deverá indicar a data do comentário referido.

Devo dizer uma coisa mais sobre os rituais: Não se pode realizar o ritual sete vezes um mesmo dia e se esquecer dele o resto da semana! Pode realizá-los com uma maior frequência que a diária, porém deve fazê-los no mínimo uma vez ao dia.

Traduzido do espanhol por Infinitum

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-comecar-a-usar-o-diario-magicko/

Repercussão Vibratória

No trabalho com o plano astral, o médium é muito exigido, pois seu trabalho não se resume ao curto período em que fica no centro espírita. Um irmão sofredor, que teve um desencarne abrupto, acidental, é desperto num médium que transpira os fluidos ectoplásmicos curadores específicos a este fim. Isto se dá pela aproximação e envolvimento áurico e fluídico. Sendo estes trabalhos em grupo, após este despertamento – que é como se fosse um choque – este irmão se acopla para psicofonar em outro médium. Precisa botar para fora os seus sentimentos, pois ficou cristalizada no seu campo mental a cena do seu desencarne, como se fosse um filme com sensações, que não cessa nunca, se repetindo ininterruptamente. Nesta comunicação este irmão sente-se como se tivesse um corpo, não tendo noção ainda que desencarnou e está usando uma organização anátomo fisiológica emprestada, por caridade, para manifestar-se. Externado os seus sentimentos, desopilada esta situação mental de desequilíbrio, tendo servido o médium como verdadeiro desafogador destes fluídos pesados, podemos “chegar-lhe” e este irmão poderá nos ver. Mostramo-lhe os curativos, que não está mais com órgãos decepados e nem sangrando, aliviando-lhe as dores e colocando-o em repouso em local apropriado. Quando tem permissão, contará a sua história em outra ocasião, através da fala ou da escrita e irá para estância de refazimento, de acordo com seu merecimento e afinidade vibratória energética.

Muitas vezes um dos médiuns que o atendeu fica com uma espécie de repercussão vibratória. Isto é permitido para a sua educação e amadurecimento. E como é esta repercussão vibratória? As sensações e percepções que estavam cristalizadas no campo mental e sensorial do irmão sofredor atendido (aumentadas sobremaneira pelo fato de não ter um corpo físico, em verdadeiro estado de dementação) imantam-se no perispírito do médium, que serve como verdadeiro exaustor, aliviando o irmão em tratamento. Mas esta imantação não repercute no físico imediatamente: O médium fica com uma sensação de mal estar, que gradativamente, decorrência de uma força centrípeta, vai aumentando de intensidade, até repercutir no corpo físico e chegar-lhe na área consciencial. Em médiuns de maior sensibilidade perispiritual é possível ver-se e sentir-se toda a cena do desencarne do irmão socorrido, durante o sono físico e do desprendimento noturno, em geral até 48 horas depois do trabalho mediúnico, em ocorrência de clarividência. É como se o médium fosse o ator principal de um filme, vivificando a experiência marcante do desencarne no lugar deste irmão sofredor. Vejam as nuanças e a complexidade do trabalho de caridade no exercício dos dons mediúnicos. É uma verdadeira missão. Neste ínterim, com todo o mal estar em repercussão, nosso medianeiro tem que manter a sua vida de relação normalmente: trabalhar, deslocar-se, assistir sua família, escutar os filhos e àqueles que o procuram, pois a mediunidade sempre está presente. Outras vezes há que ainda é solicitado para compor grupo de socorro e incursão no astral inferior, durante o sono físico, em situações que exigem desdobramentos noturnos. Por isto a importância do equilíbrio, do discernimento, do conhecer-se. O médium que não conhece a si mesmo é um estranho lidando com estas variáveis, ocultas aos seus sentidos físicos e imperceptíveis no seu cotidiano. Em todas estas situações lá estão nossos irmãos menos esclarecidos, em verdadeiros conluios, à espreita de uma desatenção e de uma janela vibratória para influenciá-lo e prejudicá-lo para que desista das suas aspirações.

A prece é refrigério que desce do alto preservando-o ileso nestes momentos. Permitimos, com muito amor e abnegação estas experimentações, pois o médium deve ter luz própria e brilhar no meio da escuridão e das trevas. Não deve, em qualquer dificuldade, correr e apoiar-se nos mentores, como se fossemos uma bengala eternamente disponível. As mesmas potencialidades que temos no astral dormitam em vós e, cada vez mais, galgareis os degraus da escada que levam a plenificação como espírito imortal que és e o mediunismo nunca cessa em todos os planos, sendo aquisição meritória. Andai com vossas próprias pernas, em súplica, com fé e confiança, que cada vez mais vos fortaleceis.

Jesus, o maior médium que esteve entre vós, com toda a potencialidade cósmica do Cristo, passou por todas as situações provacionais, na mais das vezes solitariamente, conforme a programática da sua missão terrena. Teve a tentação dos magos negros, curou chagados, expulsou “demônios”, foi humilhado, agredido, negado e, no momento culminante da sua estada na Terra, assumiu para si toda a responsabilidade dos seus atos, aliviando os apóstolos e seus seguidores perante o poder religioso e do estado romano estabelecidos. Quando estava na cruz, no ápice do seu desencarne, ainda falou: “Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”.

Muita paz e muita luz.

Ramatis

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/repercuss%C3%A3o-vibrat%C3%B3ria

Guia para Projeção Astral

A noite, quando nosso corpo físico se prepara para recarregar-se de energia através do sono, nosso corpo astral começa a vibrar para se deslocar no campo astral. A este fenômeno, a ciência oculta chama de Projeção Astral, se caracteriza através dos sonhos ou pesadelos, que são as lembranças das vivências ocorridas nos níveis em que nossa consciência desperta naquele plano. Se tivermos uma vida regrada ao longo do dia e vibramos boas emoções teremos os chamados sonhos. Mas se comermos alimentos pesados e vibramos emoções negativas, ou simplesmente negligenciarmos os pontos de equilíbrio, então, acorrerão os pesadelos, que nada mais são que criaturas do plano astral que se alimentam das angústias, de tristezas, ou de outras vibrações que emitimos quando nos encontramos dentro das ilusões criadas por eles.

A chamada fuga de alguém que nos persegue através de um lugar desconhecido, mas não sabemos quem, ou porque fugimos e apenas fugimos, por exemplo, é um dos exemplos clássicos do vampirismo indireto. Na realidade, este sonho é uma farsa, porque não há nada de ameaçador nos perseguindo, apenas o nosso próprio medo. Trata-se de um exemplo comum de desdobramento inconsciente que ocorre com a maioria das pessoas por não terem consciência do seu corpo astral. Existem também os desdobramentos conscientes que podem ser involuntários, voluntários ou artificiais.

O desdobramento consciente involuntário está ligado ao campo emocional. Se possuímos, por exemplo, um elo afetivo com uma pessoa, mesmo estando acordado, nosso corpo astral pode sair e “ver” se a pessoa está bem ou não, mas neste caso não há controle do desdobramento. No desdobramento consciente voluntário, a projeção ocorre tranqüila, já que a pessoa possui plena consciência do plano astral e de seu corpo, e com os conhecimentos de defesa psíquica ela pode se defender de eventuais ataques das formas que habitam esse plano. Afinal o Astral não é morada somente dos humanos desencarnados e os de passagem.

É assim que muitas vezes a Fraternidade Branca faz contato. Já o desdobramento artificial ocorre através das drogas, o que ocasiona uma projeção forçada no plano astral sem preparo preliminar. Por isto os relatos coincidentes de visões de flores, seres ameaçadores, criaturas plácidas ou agressivas. Este método, o de uso de drogas alucinógenas, só é válida, quando é ritualístico. Mas ele só ocorre em meio às Tradições Xamânicas, e assim mesmo com um sério objetivo, e tão somente por iniciados, Para tanto, é necessário que estes iniciados tenham passado por anos de disciplina e aprendizado, e mesmo assim estão a obedecer a ritos raros e em datas especiais, e sempre sob a supervisão de um instrutor abalizado. Ele observa que o estado de coma também proporciona uma Projeção Astral involuntária, que acarreta um aprendizado da condição de vida após a morte, e da existência de seus corpos.

Os verdadeiros motivos desse estágio intermediário muitas vezes são determinados pelos Mestres para que haja um avanço de consciência para um trabalho na vida física, se o indivíduo vier a despertar do estado de coma, ou na próxima encarnação em caso contrário. A meta prevista de nossa raça raiz, a Quinta, é controlar o corpo astral através do amor compassivo e fraterno, ou seja, deslocar o elo com chacra umbilical para o chacra cardíaco, o que já deveria ter ocorrido no final da Quarta raça raiz, a raça Atlante, onde o mau uso do corpo astral foi uma das causas de sua queda. Por causa desta quebra no plano, a Fraternidade Branca possui uma grande dificuldade de se comunicar com aqueles que buscam o caminho da auto-realização e do mestrado.

Aqueles que procuram estes ensinamentos devem buscá-las com pessoas sérias e que pesquisam as origens e potencialidades do ser humano, e principalmente esteja preparado para o caso de recusa de retorno, como o que aconteceu em uma regressão sob minha responsabilidade em que a pessoa precisou fazer uma projeção astral conduzida, para fins de complementar sua regressão, um caso não muito comum, mas também não raro, e quando de sua busca encontrou um lugar que se enquadrava com suas aspirações, deste modo se recusava a retornar a seu corpo físico, o que foi necessário usar de uma técnica de persuasão para concluir a pesquisa. As técnicas de projeção devem ser usadas também para cura de medos traumáticos, insônia, pesadelos e etc…

Na realidade é uma terapia de cura não só a nível emocional, como físico, na recuperação de energia vampirizada, que aliás pode ser de um ser do astral ou do plano físico, apesar de serem poucas as pessoas que conseguem realizar este tipo de vampirismo, e mental como era aplicada pelos Colégios Druidas. Recentemente uma pessoa perguntou o porquê de não se lembrar de seus sonhos, a explicação pela Ciência Oculta que existem dois casos: as que já possuem um corpo astral apto, mas com a evolução em andamento para um contato com os Mestres, assim durante o sono são recrutados para aliviar o carma da dor nos orfanatos, campos de refugiados, hospitais, asilos, e todos aos quais pediram, assim ao retornar suas memórias astrais são apagadas e acordam sem recordar os horrores pelos quais passam nossos irmão nesta passagem terrena. No segundo caso o corpo astral ainda não possui condições de se afastar muito de seu corpo físico e por isso não possui qualquer registro de ação. No primeiro caso está uma das explicações da memória de lugares que passamos pela primeira vez e achamos que já estivermos naquele local. A projeção astral possui como vimos ao longo dessa reportagem uma função clara e específica, não um programa para aqueles que não acreditam em seu potencial.

Projeção da Consciência

Há muito vem sendo estudado um fenômeno parapsíquico considerado como um dos mais interessantes e importantes: o ato de projetar a consciência para fora do corpo físico. Entretanto, somente a algumas décadas, têm-se dedicado uma pesquisa mais aprofundada e científica sobre o assunto. Antigamente, devido à falta de conhecimento de alguns e ao egocentrismo de outros, as projeções da consciência foram envolvidas em um tom de medo, misticismo e idéias errôneas. Por causa desse desconhecimento, os poucos que estudavam o assunto, ou envolviam a projeção em um clima de perigo e idéias desacertadas, ou evitavam passar o assunto para outras pessoas, ficando o pouco conhecimento dessa faculdade parapsíquica restrita à uma pequena parcela da humanidade. Atualmente, a projeção, por ganhar maior ênfase científico nos seu estudo e pesquisa, é objeto de estudo da ciência Projeciologia (neologismo criado pelo Dr. Waldo Wieira), que é um novo ramo da parapsicologia cujo principal objetivo é pesquisar as projeções da consciência para fora do corpo humano.

 A projeção e suas características

“A projeção consciente permite à criatura substituir a crença pelo conhecimento. Acreditar ou desacreditar nos relatos torna-se secundário. Importante é aceitar a possibilidade dos eventos extrafísicos porque o ideal será a pessoa, interessada, ter a própria experiência.” – Waldo Wieira – ( Criador da ciência Projeciologia é um dos maiores pesquisadores da projeção da consciência)

Como já foi dito anteriormente, a projeção (também chamada de viagem astral, projeção astral, experiência fora do corpo, desdobramento, viagem da alma, projeção do corpo psíquico e emocional) é a exteriorização da consciência para fora da forma orgânica (corpo biológico). Na realidade, todos nós nos desprendemos do corpo humano durante o sono natural, porém, nem todos se projetam lucidamente ou se recordam dessas ocorrências com nitidez. Apesar disso, todos podem sair do corpo humano com lucidez. Para isso, basta ter persistência, vontade firme e utilizar técnicas específicas. Mas, se a projeção é a saída da consciência para fora do corpo físico, para onde vai a consciência? Existem outros corpos que a consciência se utiliza para se manifestar? Porque não enxergamos esses corpos? Afinal de contas, o que é a consciência? Para responder essas perguntas e outras mais, vamos fazer um estudo prévio dos conceitos e definições mais importantes da Projeciologia, para que melhor possamos compreender a própria projeção da consciência.

Consciência: A consciência é o ser pensante, individual, indestrutível, real e imortal. É mais do que a energia e a matéria. É a mente não como efeito biológico, mas como causa. Nós somos consciências, assim como todos os seres autoconscientes ao nosso redor.

Conscin: É a consciência intrafísica (encarnada) que possui um corpo biológico.

Consciex: Consciência extrafísica (desencarnado) que não possui um corpo físico, já passou pela morte do corpo biológico (dessoma).

Holossoma: – conjunto dos veículos de manifestação da conscin: soma, holochacra, psicossoma e mentalsoma; e da consciex: psicossoma e mentalsoma.

Soma: é o nome técnico para o corpo humano do homem e da mulher. É o veículo de manifestação mais denso do holossoma da consciência. Por ser mais sólido, o corpo humano faz o homem e a mulher comuns, sem as noções básicas da multidimensionalidade, julgarem que eles mesmos são tão somente os seus somas, antes e acima de tudo, nada mais.

Holochacra (duplo etérico): paracorpo (para = extrafísico) energético da consciência humana. Conjunto de todos os chacras que formam o paracorpo energético da consciência encarnada. É um invólucro energético vibratório pulsante. O holochacra é uma zona intermediária pela qual passam as correntes energéticas que mantém o corpo humano vivo.

Chacras: distribuídas por todo o soma, existe uma gama de ramificações nervosas constituídas de plexos e gânglios. Estes órgãos, para muitos, não possuem qualquer função biológica, na verdade estão estreitamente ligados e dirigidos pelos respectivos chacras situados no holochacra. Chacra é o núcleo ou campo limitador de energia consciencial, dentro do corpo energético da consciência (holochacra), que se reflete no corpo humano. Tem como principal função a absorção de energia do meio-ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Os chacras principais dividem-se em três grupos e são em número de sete:

Chacras inferiores: – Básico (na base da coluna) – Esplênico (no baço) ?       Chacras médios: – Umbilical (no plexo solar) – Cardíaco (no coração) – Laríngeo (na garganta)

Chacras superiores: – Frontal (na testa) – Coronário (no alto da cabeça)

Energias (fluidos): para sobreviver, o ser humano necessita assimilar mais do que as substâncias corriqueiramente conhecidas: alimento sólido, líquido e ar. O quarto alimento está representado pelas energias. E sabemos que a importância de um alimento varia na ordem inversa da sua densidade. Quer dizer: quanto mais rarefeito mais necessário é. Pode-se passar muitos dias e até um ou dois meses sem comida, mas não se suporta além de poucos dias sem líquido (água). E seria impossível continuar a existência física sem ar (oxigênio), senão por poucos minutos. Finalmente, um indivíduo, qualquer que fosse sua idade e saúde, dessomaria (desencarnaria) instantaneamente caso lhe faltasse o quarto alimento: as energias. A consciex André Luiz, no livro “Evolução em dois mundos”, dá a seguinte definição de energia: ” O fluido (energia) vem a ser um “corpo” cujas moléculas cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si, quando retidas por um agente de contenção, ou separando-se, quando entregues a si mesmas”.

Energia imanente (cósmica): é a energia primária que penetra mutuamente todo o universo interdimensional. É a fonte de origem de todos os outros tipos de energia. É também uma fonte indispensável de absorção de energia para os seres vivos.

Bioenergias: são as energias vitais de todos os tipos de seres vivos.

Energia consciencial: são as bioenergias e a energia imanente absorvida pela consciência após serem qualificadas e impregnadas pelos pensamento e emoções da própria consciência. É a energia pessoal do indivíduo.

 Psicossoma (perispírito, corpo astral): É o paracorpo emocional da consciência. Cópia exata do corpo físico. Por ser constituído de matéria extrafísica (que vibra numa freqüência mais sutil e é infinitamente mais refinada do que a matéria física que constitui o soma) é normalmente invisível aos olhos físicos (assim como o holochacra). O psicossoma evoluciona e progride com a consciência e é tanto mais “sutil” e menos “material”, quanto mais elevado e perfeito for o indivíduo. Serve de molécula, de substrato orgânico para as novas encarnações. Condensando- se no embrião, agrupa em certa ordem as moléculas materiais e assegura o desenvolvimento normal do organismo. Sem o psicossoma, o resultado da fecundação seria um tumor informe. O psicossoma não está totalmente preso ao corpo biológico; durante o sono, os laços energéticos que mantém o psicossoma unido ao corpo se afrouxam e o psicossoma se destaca do corpo físico (é de se salientar que a consciência, no momento da exteriorização do psicossoma para fora do soma, acompanha o mesmo, não permanecendo no corpo biológico). Essa é uma das formas mais freqüentes de projeção da consciência para fora do soma (mais à frente veremos a segunda e menos freqüente forma de projeção: a projeção pelo mentalsoma). Apesar do psicossoma poder mudar de forma e aparência de acordo com a vontade e o estado mental da consciência, geralmente ele assume a mesma forma e aparência do corpo físico.

O cordão de prata: os laços energéticos anteriormente citados, que mantém o psicossoma unido ao soma, são um emaranhado de filamentos energéticos interligados. Quando ocorre a projeção, esses laços energéticos que antes estavam distribuídos por todo o corpo, se reúnem e formam um só feixe de energias, acompanhando o psicossoma para onde ele for. Este feixe de energias recebe a denominação de cordão de prata. O cordão de prata somente se rompe com o dessoma e, ao contrário do medo de alguns, ele jamais se rompe com a projeção, não importando a distância do psicossoma ao soma. Na projeção, o cordão de prata desempenha também a função de conduzir a energia vital do psicossoma para o soma e vice-versa, impedindo consequentemente o enfraquecimento de um ou ambos corpos de manifestação da consciência (psicossoma e soma).

Faixa de atividade do cordão de prata: quando acontece a projeção, o cordão de prata cria um campo vibracional que envolve todo o soma, se expandindo por 3 a 4 metros: é a faixa de atividade do cordão de prata. Dentro desse campo energético criado pelo cordão de prata, ocorrem muitos sintomas e fenômenos na projeção: tração do cordão de prata, repercussões físicas, catalepsia, ballonnement, oscilações do psicossoma, etc. .Esse campo vibracional também evita que outra consciência se “aposse” do corpo físico da conscin enquanto ela estiver projetada.

Mentalsoma (corpo mental): é a sede da consciência. Ele se localiza dentro da paracabeça (cabeça extrafísica) do psicossoma. Nesse veículo de manifestação, a consciência atua isolada, sem a forma humanóide do psicossoma integral: é a projeção em mentalsoma. Com o decorrer da evolução da consciência humana, o mentalsoma se torna o seu veículo de manifestação (nesse estágio a consciência não precisa mais nem do corpo biológico, nem do psicossoma para evoluir). Nesse estágio, a consciência atingiu tal ápice evolutivo, que não possui mais emoções (oriundas do psicossoma, tais como: ódio, rancor, ciúme e paixão) mas somente sentimentos sublimes (oriundos do mentalsoma, tais como: amor universal, bondade suprema e intensa e constante paz interior) juntamente com uma forte utilização e desenvolvimento do intelecto (também oriundo do mentalsoma). A projeção lúcida pelo mentalsoma produz o fenômeno da cosmoconsciência que ocorre quando a consciência sente a presença viva do universo e se torna una com ele, compondo temporariamente uma unidade indivisível, onde podem ocorrer comunicações interconscienciais com seres mais evoluídos.

Cordão de ouro: é na verdade um campo energético que une o psicossoma ao mentalsoma. Na projeção em mentalsoma, ele mantém a ligação e transmissão energética entre o mentalsoma e o psicossoma, tal qual o cordão de prata.

Os Tipos de projeção:

Projeção inconsciente: não há lucidez alguma e nenhum rememoramento. Infelizmente, é o que acontece com a maioria das pessoas, onde o projetor se torna um verdadeiro sonâmbulo extrafísico.

Projeção semiconsciente: é aquela na qual há lucidez, mas esta é irregular e há pouco rememoramento. Se confunde com o sonho, pois o projetor fica totalmente iludido pelas idéias oníricas.

Projeção consciente: é a projeção lúcida e rememorada. O projetor mantém a sua consciência lúcida durante todo o decorrer da experiência extracorpórea. É a projeção que deve ser alcançada e desenvolvida pelo projetor.

Diferenças entre projeção e sonho:

Sonho:

–       No sonho, a consciência não tem domínio sobre aquilo que está vivenciando. É totalmente dominada pelo onirismo.
–       No sonho, não há coerência.
–       No sonho, a capacidade mental é reduzida.

Projeção:

–       Na projeção, a consciência tem pleno domínio sobre si mesma.
–       Na projeção, a consciência mantém seu padrão normal de coerência, ou até mais ampliado.
–       Na projeção, a consciência mantém seu padrão normal de lógica ou até mais ampliado.
–       Na projeção, a capacidade mental é ampliada.

Objetivos da projeção:

Agora que já foi feita uma introdução e esclarecimentos a respeito da projeção da consciência, vamos passar para uma questão fundamental: quais são os objetivos da projeção consciente? A projeção é um fenômeno que deve ser levado muito a sério. O projetor não deve ter interesses mesquinhos e anticosmoéticos pela projeção, pois essa faculdade capacita ao indivíduo, inúmeras oportunidades para o aprimoramento evolutivo pessoal e de outras consciências, assim como o próprio esclarecimento a respeito da multidimensionalidade (a multidimensionalidade é a noção e conseqüente vivência da consciência lúcida, não só na dimensão física, mas também em outras dimensões conscienciais). Na dimensão extrafísica, predomina a lei em que semelhante atrai semelhante, portanto, aquele projetor que utiliza a projeção para atitudes maléficas e egoístas, atrai para junto de si, consciex de mesmo padrão vibratório (mesmas idéias e pensamentos), o que ocasiona sérios e constantes assédios (obsessão espiritual. É uma intrusão pensênica (pensamento, sentimento e energia) interconsciencial, doentia, podendo até mesmo gerar sérios estados patológicos). Por isso o projetor deve, através da projeção, ter objetivos sadios, tais como: amparo extrafísico (ajuda através da projeção à consciex e conscins doentes, que precisam de uma doação energética [passe] ou mesmo um pouco de amor e esclarecimento); ampliação do conhecimento em relação a multidimensionalidade; o fortalecimento do amor por todas as criaturas; a substituição da crença pelo conhecimento (através da vivência prática e pessoal da projeção); o aprimoramento moral íntimo, por saber o projetor através de suas experiências, que o destino do homem é ser feliz e a felicidade eterna só é alcançada com a perfeição moral e o amor universal. Por fim, terminamos essa parte com um texto do professor e pesquisador Wagner Borges, projetor consciente desde os 15 anos de idade:

Projeção Astral e Maturidade Espiritual

A projeção consciente não é assunto para pessoas pusilânimes e sem força de vontade. É um assunto que exige “fibra de bandeirante espiritual”, para desbravar os tortuosos caminhos que levam à lucidez espiritual.

A projeção consciente não deve ser encarada como fuga dos problemas da vida. Deve ser sempre considerada como um instrumento parapsíquico com o qual a consciência pode amadurecer mais rápido, a fim de enfrentar, com dignidade e sabedoria, os problemas que a vida oferece nos planos físico e extrafísico. Não existe nenhuma técnica de crescimento espiritual baseada na preguiça.

Para desenvolver boa lucidez extrafísica, há que se desenvolver uma ótima lucidez intrafísica, pois uma é a seqüência da outra, isto é: só é lúcido fora do corpo quem já é lúcido dentro dele.

– Wagner Borges –

 Benefícios da projeção:

–       O projetor, fora do corpo, observa eventos físicos e extrafísicos, independentemente do concurso de seus sentidos físicos.
–       Nas horas em que seu corpo físico está adormecido, o projetor observa, trabalha, participa e aprende fora do corpo.
–       O projetor constata, através da experiência pessoal, a realidade do mundo extrafísico (espiritual).
–       Pode encontrar-se com consciex (espíritos desencarnados), comprovando assim, para si mesmo, “IN LOCO”, a sobrevivência da consciência além da morte.
–       Pode substituir a crença pelo conhecimento direto, através da experiência pessoal.
–       Pode ter a retrocognição extrafísica, lembrando assim, de suas vidas anteriores e comprovando, realmente, por si mesmo, a existência da reencarnação.
–       Pode prestar amparo extrafísico, através da exteriorização de energias fora do corpo para conscins e consciex doentes.
–       Pode fazer o desassédio extrafísico (desobsessão extrafísica; trabalho de desativação da obsessão espiritual).
–       Pode encontrar pessoas amadas fora do corpo.

Amparadores (anjos de guarda, guias, mentores): são os benfeitores extrafísicos. Eles auxiliam uma ou várias conscins na sua evolução. Durante a projeção, esses espíritos desencarnados estão sempre presentes, assistindo e orientando o projetor, mesmo que ele não os perceba. Muitas projeções podem ocorrer com o auxílio dos amparadores; são as “projeções assistidas”.

Técnicas projetivas:

Técnica elementar (para os iniciantes):

1.       Deite-se de costas (o rosto para cima) na cama ou assoalho (se for neste, cubra-o com um cobertor convenientemente dobrado). Verifique se está usando roupas cômodas e se a temperatura do ambiente está confortavelmente aquecida.
2.      Mantenha os pés separados por cerca de meio metro e deixe os tornozelos e os dedos dos pés descansando, inclinados para o lado de fora.
3.      Ponha as mãos, com as palmas para baixo, sobre as coxas.
4.      Coloque um travesseiro embaixo da cabeça e outro embaixo dos joelhos (isso evita dores na coluna e auxilia na circulação sangüínea).
5.      Verifique se os ombros estão apoiados no chão (ou cama) e se as nádegas estão relaxadas e apoiadas no assoalho (ou cama).
6.      Mantenha a cabeça em posição confortável.
7.      Solte completamente o peso de seu corpo sobre a cama (ou assoalho).
8.      Comece a concentrar-se nas extremidades superiores e inferiores dos seu corpo (principalmente nos braços e pernas) e, a cada exalação (expiração normal), sinta que seus braços e pernas vão se tornando cada vez mais pesados. Imagine-se afundando no assoalho (ou cama).

Deve-se notar que a concentração nas extremidades permite ao iniciante a maior vantagem da força natural da gravidade. Este relaxamento é preparatório para o seguinte (isso é feito para que o iniciante na projeção não adormeça se partir logo de cara para um relaxamento mais profundo). Este exercício deve ser praticado durante uma semana (apesar de ser um relaxamento simples, as técnicas de mobilização de energias que serão vistas à frente também devem ser praticadas logo depois desse relaxamento),antes da segunda fase: o relaxamento alerta

Técnica avançada (relaxamento alerta):

Para começar, sente-se (ou deite, se for na cama) numa poltrona ou cama confortável, espreguice-se e inspire fundo. Depois imagine que cálidas correntes de energia mental estão subindo, bem lentamente, pelos seu corpo. Aja com muito vagar, permitindo que cada grupo de músculos relaxe inteiramente antes de enviar as correntes imaginárias para a parte seguinte do seu corpo. Sinta os músculos dos pés esquentando e relaxando gradativamente enquanto você imagina as correntes percorrendo-os. Imagine que as correntes continuam movendo-se aos poucos, devagar, através de suas panturrilhas, penetrando nas coxas, através dos quadris e nádegas e invadindo a parte inferior das costas e o abdome. Sinta os músculos da pernas ficando densos, quentes e relaxados enquanto afundam na poltrona em que você está sentado.

Quando sentir as pernas profundamente relaxadas, imagine as correntes movendo-se na direção dos ponteiros do relógio, dentro do seu abdome, depois ao longo da espinha e através do tórax, penetrando no peito e nos ombros. Sinta os  músculos do seu estômago e da parte inferior das costas liberando qualquer rigidez ou tensão enquanto a corrente o percorre. Quando a parte inferior do seu corpo ficar profundamente relaxada, imagine as correntes ascendendo, fluindo pelos seus quadris e ombros, aquecendo e aliviando a parte superior do corpo, deixando costas e peito bem cálidos e libertos de qualquer estresse ou tensão. Imagine as correntes virando-se para lhe descerem pelos braços, na direção das pontas dos dedos, rodopiando pelos dedos e mão, depois subindo novamente e passando pelos braços e pescoço até o alto da cabeça.

Agora sinta os músculos do pescoço e rosto ficando gradativamente quentes e relaxados enquanto as correntes imaginárias os percorrem. Depois sinta as correntes fluindo para fora, pelo alto da sua cabeça, deixando o corpo inteiro confortavelmente cálido, repousado e à vontade. Permita que seu corpo afunde na poltrona(ou cama) em que está sentado(ou deitado, se for cama); ao fazê-lo, talvez note que uma parte interna dele está ficando mais leve, enquanto o corpo como um todo fica cada vez mais pesado. Você pode até começar a sentir uma leve sensação de estar flutuando acima do corpo.

Se estiver tendo tais sensações, não as analise nem tente nelas influir diretamente e, quando se sentir bem relaxado, passe para o exercício de MBE(mesmo que você sinta a sensação de estar fora do corpo). Limite-se a permitir que evoluam por si mesmas. Lembre-se que aqui a chave do sucesso é aprender a entrar num estado de profundo relaxamento físico enquanto se mantém mentalmente alerta. Mas se por acaso pegar no sono enquanto estiver fazendo esse exercício, não se preocupe. No momento em que acordar e perceber o que aconteceu, simplesmente continue o exercício, sem se mexer, do ponto onde parou. Nesta altura você provavelmente estará bem relaxado; portanto, a chave será relaxar ainda mais profundamente, sem voltar a pegar no sono.

*Dica: se você está tendo dificuldade em permanecer acordado durante esses exercícios, existe uma técnica que evita esse problema: antes de começar o relaxamento, com o braço(esquerdo ou direito) ainda deitado, estique o antebraço para cima (sem incliná-lo para frente, lados ou para trás) e mantenha-o assim durante o exercício. Quando estiver adormecendo, o seu antebraço irá cair e você irá despertar (talvez você desperte com o psicossoma um pouco fora do corpo físico).

Técnica da Interiorização de energias:

Esta técnica deve ser praticada logo após o término do exercício de relaxamento. O objetivo dessa técnica é fazer a energia circular plenamente em todo o corpo e dissolver bloqueios que possam estar prejudicando o fluxo de energia. Além do mais, ao “puxar” energia imanente para si, você sutiliza e ajuda na purificação da sua própria energia, auxiliando bastante a lucidez extrafísica e fazendo bem à sua própria saúde(somática, psicossomática e holochacral). Nesse exercício, o pensamento é o poderoso precursor dos fatos e, assim, a energia irá para onde você mentalmente dirigi-la.

A cada inspiração, imagine uma luz branco-dourada, como a do sol, entrando pelo alto da cabeça, vindo de uma fonte ilimitada acima de você. Imagine essa luz enchendo toda a cavidade da cabeça, depois a área do pescoço. Continue respirando normalmente, visualizando a luz enchendo seu corpo. Faça a luz preencher toda a caixa torácica, dedicando especial atenção à área do coração. Veja-a escorrendo por seus braços, enchendo as mãos e finalmente saindo pelas palmas e dedos. Encha todo abdome e o restante do tronco com a bela luz solar envolvendo cada órgão e glândula; dedique especial atenção ao plexo solar. Veja a luz enchendo suas nádegas e órgãos sexuais e depois derramando-se pelas pernas, como se elas fossem canos vazios – coxas, joelhos, barriga das pernas, tornozelos e pés.

EV (estado vibracional, circulação interna de energias):

Essa é uma técnica passada pelos amparadores extrafísicos e deve ser feita logo depois da interiorização de energias. Nesta técnica, através da impulsão da vontade, cria-se uma condição máxima de dinamização das energias do holochacra. As moléculas do holochacra vibram intensamente, o que ocasiona uma soltura do psicossoma em relação ao soma e um desbloqueio holochacral mais intenso.

Visualize mentalmente toda a energia de seu corpo se concentrando dentro da sua cabeça. Imagine uma bola de energia dentro da cabeça e envolvendo a mesma. Concentre- se nessa bola de energia e através da impulsão da vontade, visualize ela descendo. Essa bola de energia vai descendo lentamente pelo pescoço, ombros, tórax, ao mesmo tempo braços, abdome. Ela continua descendo e agora ela desce pelos órgãos sexuais e nádegas, se aproximando das coxas. Agora ela desce pelas coxas, pernas, e chega nos pés. Ao chegar nos pés, visualize agora a energia fazendo o percurso contrário, ou seja, dos pés a cabeça. Quando chegar novamente a cabeça, visualize essa energia descendo novamente até os pés pelo mesmo percurso, só que desta vez mais acelerado. Continue fazendo esse percurso de ida e volta, mas imagine-o acelerando cada vez mais. O “vai-e-vem” vai se acelerando cada vez mais, até ele ficar tão veloz que a energia parece vibrar pelo corpo inteiro. No decorrer dessa técnica, o projetor pode sentir os seguintes sintomas: – movimento de ondas vibratórias pulsantes; – sons fortes; – formigamento intenso; – pulsação em tudo; – pressão intracraniana.

*Obs.: O estado vibracional é uma técnica que também deve e pode ser utilizada em outros momentos. O ideal é fazer a técnica do EV de 10 a 20 vezes por dia, não importa se você está no trabalho, na rua, na escola, faculdade, sentado, deitado, em pé ou andando. O EV além de induzir a projeção é uma técnica de autodefesa energética. Assim, quando se sentir em depressão, em um estado emocional não muito bom, faça a técnica do EV, ela ajuda no processo de restauração do equilíbrio holochacral. É de se deixar claro que, apesar dessas qualidades do EV, ele não é um cura-tudo. O EV não muda os pensamentos, sentimentos e emoções da consciência. Se não nos esforçarmos em fazer uma reforma íntima e autoconhecimento sérios, o EV de nada adianta e pode até mesmo piorar a nossa situação, pois ao desbloquear o holochacra, nós nos tornamos mais sensíveis à captação dos pensenes (pensamento – sentimento – energia) das consciências ao nosso redor (principalmente extrafísicas). Mas se mantivermos um bom padrão pensênico (pensamento, sentimento e energias. A consciência deve ter em mente que ela deve desenvolver e equilibrar ambos e não somente as energias e o intelecto por exemplo), criamos uma psicosfera (aura, somatório das energias dos quatro veículos que envolve a consciência) protetora em volta de nós mesmos, repelindo consciências com um padrão energético inferior ao nosso (tudo isso vale para a técnica de interiorização de energias também).

Exteriorização de energias:

Esta é a última técnica projetiva e deve ser feita logo após o EV. Um dos objetivos desse exercício é criar um cúpula energética dentro do quarto do projetor, onde somente consciex com o mesmo padrão pensênico do projetor conseguirão entrar no quarto. Isso se deve ao que os pesquisadores chamam de choque anímico: uma consciência com um padrão pensênico inferior, ao entrar em contato com energias de um padrão superior, entra em choque e, ou desmaiam e são levados pelos amparadores para serem tratados (não pelo choque, mas sim pela sua má condição pensênica), ou fogem rapidamente. O projetor pode também utilizar o choque anímico como autodefesa energética da seguinte forma: se você estiver projetado e encontrar alguma consciex (ou conscin projetada) que quiser assustá-lo ou lhe fazer algum mal, exteriorize energia na direção dessa consciência (se ela for de um padrão inferior, ela sofrerá o choque anímico, por isso é bom que o projetor esteja com um bom padrão pensênico para que essa técnica dê certo).

Após o EV, concentre-se na energia que está distribuída por todo o seu corpo. Visualize a energia percorrendo um percurso de saída em vez de entrada, na seguinte ordem:

1.       Visualize a energia saindo em forma de fachos de energia pelo alto da cabeça; 2.       Visualize agora a energia saindo pela sola dos pés da mesma forma;
3.       Imagine a energia saindo por todo o seu lado esquerdo;
4.       Imagine a energia saindo por todo os seu lado direito;
5.       Imagine agora a energia saindo por toda a extensão frontal do seu corpo;
6.       E por fim, visualize a energia saindo por toda a extensão da parte de trás do corpo.

No decorrer dessa técnica, o projetor pode sentir os seguintes sintomas:

– Aragem refrescante;
– Coceira, ardência;
– Arrepios, calafrios;
– Batimentos aceleram;
– Calor e rubores;
– Chuveiro de energia;
– Contrações musculares;
– Eletricidade;
– Pelos eriçados;
– Esticamento das extremidades do psicossoma;
– Sensação de desmaiamento;
– Êxtase;
– Fluxos intermitentes;
– Formigamentos;
– Ferroadas;
– Bocejos;
– Latejamento, pulsações;
– Ondas geladas ou quentes;
– Ballonnement (sensação de se estar se inflando como um balão);
– Sensação de ficar muito leve;
– Tremores involuntários nos olhos;
– Zumbidos.

Fatos negativos para a projeção:

– Triunfalismo;
– Susto;
– Posição de bruços;
– Atividade intelectual prolongada;
– Receio de não voltar;
– Café, chá ou alcalóide são prejudiciais à projeção.
– Alimentos muito fortes e muitos pesados prejudicam a saída
– carne vermelha em excesso;
– Subestimação.

*Obs.: Para o projetor voltar para o soma é só pensar em voltar para o mesmo.

Sensação de estar projetado:

– Você pode sentir-se no espaço vazio;
– Você notar que não pode respirar;
– Você observar que o seu braço estica;
– Você se olha no espelho e não se vê;
– Você reparar que passa pelas pessoas e ninguém te dá bola;
– Você perceber que emite luz própria;
– Você perceber que está mais leve e que não faz sombra;
– Perceber que está deslizando;
– Perceber que está com liberdade;
– Perceber que tem a visão melhor;
– Transparência de tudo;
– Se sentir rejuvenescido;
– Observar a si próprio e não ver o corpo (projeção de mentalsoma);
– Você reparar que faz e refaz cenas com maior facilidade.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/guia-para-projecao-astral/

Hecate – Druidas, Oráculos e Allan Kardec

Publicada no S&H dia 20/jun/2008,

“Três deveres de um druida:
– curar a si mesmo;
– curar a comunidade;
– curar a Terra.
Pois se assim não fizer, não poderá ser chamado de druida”.
(Tríades da Ilha da Bretanha)

Durante nossas matérias anteriores, falamos sobre Matrix, o Plano Astral e as diversas maneiras de se interagir com a esfera de Yesod, o estado de consciência representado pelo Mundo Subterrâneo nas antigas mitologias. Falamos sobre os Psychopompos (os famosos “condutores de almas”) das mitologias antigas e o que eles realmente representam e finalmente fizemos cinco anotações em nossos cadernos, que passaremos a decifrar nesta coluna.
Semana passada falamos sobre Thanatos, deus dos mortos, e sua relação com o Astral. Continuando a linha de raciocínio, falaremos hoje sobre Hecate, a deusa tríplice, representação da mediunidade.

Hecate
Hecate (ou Hécate) é uma divindade grega, filha dos titãs Perses e Astéria. A origem de seu nome se deve à palavra egípcia Hekat que significaria “Todo o poder”.
Em sua versão original, Hecate está associada a Ártemis (irmã gêmea de Apolo, o Sol, representando a luz da lua cheia) e a Perséfone (filha de Zeus e Demeter, personificação do sagrado feminino e das faculdades associadas à sensualidade feminina). Juntas, as três simbolizavam as 4 fases da Lua. Enquanto Ártemis representava a lua cheia e o fulgor feminino (girl power), Perséfone, em suas duas caracterizações (a doce Coré e a sombria Perséfone) representava respectivamente as fases Crescente e Minguante da lua e, finalmente, Hecate representava a Lua Nova, ou sombria.

Ok… pausa para explicar a lenda de Perséfone:
Na mitologia grega, Perséfone ou Coré (correspondente à deusa romana Proserpina e Cora). Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades (Demeter representa Malkuth, o Plano Material, Hades representa Yesod, o Plano Astral, Perséfone a feminilidade relacionada com a intuição feminina, que transita entre estas duas esferas) que a pediu em casamento.
Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o Mundo Subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos. Deméter, junto com Hermes, foi buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo fontes posteriores, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como, entretanto, Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã, a mesma fruta que coincidentemente era cultivada nos jardins do Templo de Salomão) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo: ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica ao mesmo tempo o ciclo anual das colheitas e as duas representações da lua e seus aspectos na magia cerimonial.

Voltando a Hecate:
Hecate é venerada como “a mais próxima de nós”, pois se acreditava que, nas noites de lua nova, ela aparecia com sua horrível matilha de cachorros fantasmas diante dos viajantes que por ali cruzavam. Ela enviava aos humanos os terrores noturnos e aparições de fantasmas espectros. Também era considerada a deusa da magia e da noite, mas em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Era associada a Ártemis, mas havia a diferença de que Ártemis representava a luz lunar e o esplendor da noite. Também era associada à deusa Perséfone, a rainha dos infernos, lugar onde Hécate vivia.
Dada a relação entre os feitiços e a obscuridade, os magos e bruxas da Antiga Grécia lhe faziam oferendas com cachorros e cordeiros negros no final de cada lua nova. Era representada com três corpos e três cabeças, ou um corpo e três cabeças. Levava sobre a testa o crescente lunar (tiara chamada de pollos), uma ou duas tochas nas mãos e com serpentes enroladas em seu pescoço. Como já estudamos em matérias anteriores, Tochas simbolizam o FOGO, sinal da sabedoria divina, e cobras representam o despertar da Kundalini, o fogo sagrado dentro de cada um.

Deusas Tríplices
Com a associação clara entre o feminino e a Lua, existiam muitas deusas tríplices, que carregavam consigo certas atribuições e que agiam como se fossem uma única entidade. Entre elas podemos destacar as Moiras, as Erínias e as Parcas, assim como as Norms (nórdicas), Bridghit (três deusas com o mesmo nome) e Morrigan (que com suas irmãs Badb e Macha faziam as vezes das Fúrias celtas).
Dos cultos egípcios e gregos, a representação do Sagrado Feminino na forma de “deusas tríplices” espalhou-se pela Europa. Os celtas possuíam a representação da mulher associada a três deusas chamadas Bridgith (Ou Brigid, ou Brígida, ou posteriormente Santa Brígida na Igreja Católica).
A Deusa Tríplice representa os mesmos aspectos gregos do feminino: donzela, mãe e anciã. Bridgit era filha de Dagda (e, portanto, meia irmã de Cermait, Aengus, Midir e Bodb Derg – um dia no futuro eu falo sobre eles… é uma história muito interessante) e suas sacerdotisas estavam associadas à chama sagrada, da mesma maneira que as Virgens Vestais gregas e egípcias. Suas 19 sacerdotisas permaneciam no Templo de Kildare, cercadas por um fosso natural que nenhum homem poderia cruzar. O Templo de Kildare foi uma das principais fontes usadas na criação da lenda de Avalon. Morrigan, por sua vez, foi a deusa utilizada como base para a criação de Morgana, meia irmã do mítico Rei Arthur (falaremos sobre isso mais para a frente).

As deusas e as Incorporações
Retornando no tempo até os cultos de Astarte, era extremamente comum (para não dizer mandatório) que a principal sacerdotisa de cada culto, em determinado momento do ritual, incorporasse a Deusa. Quando digo “incorporar”, quero dizer EXATAMENTE da maneira como vemos diariamente em centros espíritas, Kardecistas e templos de Umbanda/Candomblé.
A sacerdotisa possuía todos os atributos e características necessárias (além de um treinamento espiritual, emocional e mental) para deixar seu corpo limpo e preparado; entrava em transe ritualístico profundo e utilizava sua condição de médium para incorporar a deusa, que conversava com seus seguidores dando-lhes informações e conselhos.
Isto faz nossa segunda ligação com os Psycopompos e seus profundos significados esotéricos: Hecate representa esta conexão entre os médiuns e o Plano Astral.

Os druidas
Druidas (e druidesas) eram pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento, ensino, jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta. A palavra Druida significa “Aquele que tem conhecimento do Carvalho”.
O carvalho, nesta acepção, por ser uma das mais antigas e destacadas árvores de uma floresta, representa simbolicamente todas as demais. Ou seja, quem tem o conhecimento do carvalho possui o saber de todas as árvores. Está intimamente ligado ao título de “Aquele que trabalha com a madeira” vindo dos tempos do Rei Salomão e da Arca e, para quem não caiu a ficha ainda, o mesmo título de “Mestre Carpinteiro” dos antigos Essênios. A ritualística druida é muito parecida com o cristianismo primitivo da doutrina Cátara.

É importante dissociar as palavras “Druida” de “Celta” porque muita gente faz confusão. Celta é o nome do povo, enquanto Druida é o nome dado a uma casta de sacerdotes especiais que viviam entre os celtas e agiam como conselheiros destes. É a mesma relação entre “judeus” e “rabinos”.

Origens da Távola Redonda e o Elemento Terra.

Druidas e Mediunidade
A conexão entre Druidas e Mediunidade vem do Xamanismo (que é uma das origens de toda a magia celta) e das incorporações dos xamãs com os Espíritos dos Antigos (ou Espíritos Ancestrais). Da mesma maneira que os xamãs incorporam os espíritos ancestrais, os grandes sacerdotes druidas não apenas incorporavam os Deuses em seus rituais, mas também estudavam estas interações entre o Plano Material e o Plano Espiritual.

Com o advento da Igreja católica, estas práticas ficaram cada vez mais secretas e mais restritas, sob pena de fogueira; e muitos dos conhecimentos ocultistas da antiguidade tiveram de se refugiar nas Ordens Secretas, especialmente sob a proteção Templária e Rosacruz. O Sagrado feminino, a intuição e a mediunidade foram esmagados e permaneceram em dormência até o Renascimento. Neste período (que falaremos em detalhes na seqüência “Queima Ele, Jesus”), qualquer manifestação de mediunidade era vista como “coisa do demônio” e passível de fogueiras e exorcismos. Existem diversos casos na literatura medieval que retratam casos de mediunidade como sendo tratados como “possessão demoníaca” e afins. O mundo permanecia (passado?) em uma Idade das Trevas.

Dos druidas aos maçons
Nascia em Lyon a 3 de Outubro de 1804 Hippolyte Léon Denizard Rivail, um professor, pedagogo e escritor francês que se notabilizou como o codificador do chamado “Espiritismo”, denominado “Doutrina Espírita”.
Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.
Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdun, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados.
Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração.
Era membro de diversas ordens, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema “Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?”.
existe uma grande suspeita que Leon Denizard tenha feito parte da Maçonaria, pertencente à Grande Loja da França. Se não foi iniciado, passou sua vida inteira cercado por amigos membros desta sublime ordem. Deve ter conhecido as teorias básicas de Astrologia (pelo contato e estudo com Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos franceses de todos os tempos, fundador em 1887 da Sociedade Astronômica da França). Camille Flamarion era tão seu amigo que fez o discurso durante o enterro de Kardec. Para os espíritas que acompanham a coluna terem uma idéia da importância de Flamarion para o espiritismo, procurem nos textos da Gênese, uma das obras básicas do Kardecismo, o texto “Uranografia Geral – Estudo do Espaço e Tempo”, pelo médium CF. CF são as iniciais de Camille Flamarion.

Cético e estudioso, Léon teve contato com os estudos a respeito das “mesas girantes” em 1855, paralelamente a cientistas e ocultistas como Sir William Crookes (membro do Royal College of Chemistry, pai da Espectrologia), Alfred Russel Wallace (um dos precursores da teoria da evolução das espécies), John Willian Strutt (prêmio Nobel da física de 1904), Michael Faraday (físico, que apesar de não ser ocultista também estudou estes fenômenos), Oliver Lodge (membro da Royal Society, inventor do telégrafo sem fio), entre muitos outros. Interessante notar que as pessoas que estudavam seriamente estes fenômenos eram cientistas importantíssimos, ganhadores do Nobel de Física e outros pesquisadores voltados para áreas da física e da química.

Os tipos de mediunidade:
Como o irmão Denizard já teve todo o trabalho de compilar e codificar os tipos de mediunidade de uma forma majestosa, o tio Marcelo fará apenas a referência aos seus textos.
Começamos os estudos através da Manifestação dos Espíritos sobre a Matéria, através da vontade (Thelema) dos seres espirituais, combinados com a energia plasmada do médium, rompem a barreira entre os campos vibracionais e permitem manifestações no Plano Material. A partir disto, surgem as famosas “mesas girantes” que são uma manifestação grosseira desta força, suficiente apenas para erguer as mesas no ar e fazê-las girar. A partir das manifestações grosseiras (que também são a origem de barulhos em casas ditas “mal assombradas” e outros fenômenos), surgem os estudos a respeito de Manifestações Inteligentes (ou seja, pancadas rítmicas, respondendo a perguntas como “sim” ou “não”, barulhos indicando princípios rudimentares de comunicação entre Planos e assim por diante). Neste sentido, ele também estudou a criação de ruídos, movimentos e suspensões e aumento e diminuição do peso dos corpos.
Na segunda etapa, estudaram as manifestações físicas espontâneas, ou seja, a criação de ruídos mais específicos, arremessos de objetos e fenômenos de transporte, bem como as manifestações visuais, aparições e aparições dos espíritos de pessoas vivas. Estudaram também os lugares assombrados, linguagem dos sinais, tiptologia alfabética, escrita direta e pneumatofonia.
Na área da psicografia, estudaram a psicografia indireta, através de cestas e pranchetas, e a psicografia direta, através dos médiuns.
O capítulo XIV do seu “Livro dos Médiuns” trata especificamente sobre as mediunidades, listando as 72 mediunidades diferentes, entre elas os médiuns de efeitos físicos, elétricos, sensitivos, audientes, falantes, videntes, sonambúlicos, curadores, pneumatógrafos, etc. Entre os médiuns escreventes temos os médiuns mecânicos, intuitivos, semimecânicos, inspirados e de pressentimento e assim por diante. Recomendo que vocês leiam os dois livros básicos (Livro dos Espíritos e Livro dos Médiuns).
Léon adotou o pseudônimo de Allan Kardec, uma de suas encarnações passadas como druida, e é considerado o fundador do Espiritismo, uma das filosofias que eu considero mais sérias.

Termino a matéria citando o professor Waldo Vieira e um livro fantástico chamado 700 Experimentos de Conscienciologia (1994) onde, com o auxílio de laboratórios, foram feitas diversas experiências dentro do método científico para comprovar e estudar os fenômenos parapsicológicos. Hoje o IIPC é um dos institutos mais sérios no estudo destes fenômenos de forma científica e laica.

No Brasil, o espiritismo acabou adotando um pouco do viés religioso e cristão ao invés de sua proposição original científica. Infelizmente o sincretismo religioso, os misticóides da dita “Nova Era”, os charlatões e as chamas violetas da vida transformaram a palavra “espiritismo” em uma mixórdia tão grande que os espíritas originais precisam se denominar “Kardecistas” para evitar confusões, tamanha a quantidade de loucuras que inventaram por ai.

Enquanto isso, neste curral chamado Brasil, os coletores de dízimos fazem a festa com suas charlatanices de desencapetamento, exorcismos da madrugada, óleos de Jerusalém, água do Rio Jordão e afins, deixando a ciência e o ocultismo sério como pequenos oásis neste imenso mar de créu.

Perdidos no meio de assuntos religiosos e esotéricos que não têm nenhuma idéia a respeito, as Igrejas caça-níqueis seguem por ai Vandalizando Templos de Umbanda e de outras religiões “Em nome de Jesus”.

Como este assunto é muito extenso, queria que vocês postassem suas dúvidas na parte de comentários, como fizemos semana passada. Estava olhando com calma as perguntas novamente… acho que nunca fui tão sabatinado em toda a minha vida. E as dúvidas estavam de alto nível !!! Parabéns para o pessoal e queria agradecer aos colegas que ajudaram nas respostas

MacBeth!

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hecate-druidas-or%C3%A1culos-e-allan-kardec

O Ocultismo

Por Hamal

O ocultismo e o hermetismo expõe maneiras de se conhecer e estudar os mundos extrafísicos de acordo com diferentes linhas. Alguns chamam de mundo de Astral, outros de Espiritual, outros ainda comparam o Astral ao plano das emoções e o espiritual a dos pensamentos, e assim por diante, os separando em níveis e vibrações diversas.

Para nós em nosso estudo o que importa é entender que existe uma vida após esta acabar corpo material e que energias e seres não materiais estão em interação com a matéria. Para o ocultista não é nenhuma novidade que exista algo além da mera percepção que temos pelos cinco sentidos, e se é para você, com o tempo deixará de ser.

Se vestir corretamente em um Templo ou o acender de uma vela são atitudes que lidam com energias extrafísicas. Estaríamos sendo irônicos (ou ineficazes) se praticamos qualquer uma dessas ações sem crer que há algo além da matéria.

A importância do Ocultismo a nós é para responder perguntas como: qual o motivo da oração? Qual o motivo de me portar corretamente em um Templo? Qual o motivo de acender uma vela? E qual o efeito disso tudo? O ocultismo visa entender e conhecer essas energias que ora são egrégoras, ora são espíritos humanos ou não humanos, ou simplesmente ondas de pensamento, e a interação dessas energias com as práticas.

OCULTISMO

Ocultismo vem do latim occultus, que significa “clandestino, secreto, oculto”, o ocultista visa viver e descobrir os segredos do mundo de uma maneira além da casual, a partir de uma experiência pessoal e que nem sempre pode ser explicado por métodos científicos.

Explicamos. Existem duas ciências que são aparentemente opostas, que são as ciências exatas e mensuráveis, e a ciência metafísica e filosófica. As mensuráveis se ocupam em aprender a partir do material, e as metafísicas a partir do imaterial, e ambas tem o objetivo de achar respostas que satisfaçam o espírito humano, porém parece existir um abismo entre as duas. A ciência intermediária entre as duas não se baseia em idéias abstratas e nem em conceitos puramente físicos, a ciência que conecta as duas é a chamada Ocultismo.

O método do ocultismo é estudar e sentir pela prática o metafísico, e essa interação acontece por um despertar da consciência. Temos que entender que somos corpo, alma e espírito, o corpo é dotado de cinco sentidos que em interação com os instintos básicos de sobrevivência como comer, beber água, reproduzir, nos proporciona a capacidade de manter o corpo vivo. Na alma reside a psique, que estão nossa razão e emoção. No espírito (que não é a mesma coisa que alma) está nossa conexão com o divino, é de onde provêm a intuição e aquela voz interna que conversa (ou tenta conversar) com nós.

O corpo está ligado ao elemento terra, tudo que é palpável mensurável e está restrito ao tempo e ao espaço. A alma está ligada ao ar e água, razão e emoção respectivamente, está conectada ao corpo enquanto o corpo está vivo, mas não é restrita ao material podendo se desprender causando o que é conhecido como viagem astral. Já o espírito está relacionado ao elemento fogo, e está ligada a alma e não ao corpo.

As ciências exatas trabalham no elemento terra e ar, a psicologia trabalha no ar e água, a metafísica trabalha no ar e fogo, definindo de maneira grosseira. Dificilmente veremos filósofos, religiosos e cientistas trabalhando em termo de união entre esses estágios. É esse o campo da irreconciliável disputa entre Fé e Ciência.

O Ocultismo trabalha no elemento fogo, pois interage com o espirito, no ar e água pois é através da alma que o espírito se manifesta, e com o terra, pois é no material que estamos vivendo agora e com ele devemos nos preocupar e trabalhar.

Boa parte da humanidade está restrita ao elemento terra, sem nenhum equilíbrio emocional ou racional. Alguns despertam mais o racional e emocional, e pouquíssimos conseguem equilibra-los, pois é uma das mais difíceis tarefas, e menos ainda se preocupam com o espiritual. Temos também aqueles materialistas espirituais que desprezam a razão se prendendo a dogmas, outros ainda que acham razão para dogmas, como também os que sentem o espírito através das emoções (como médiuns), os que sentem o espírito pela razão (como Einstein), e assim por diante.

Podemos definir o ocultista como aquele que busca ter consciência do mundo que o cerca e do que está invisível, em ir além dos sentidos físicos. O ocultista sabe que existe (e não só crê) e interage com o mundo astral e espiritual, pois passou por alguma transformação espiritual (elemento fogo) que o fez sentir que existe algo além e imensurável. Esse é o objetivos das Iniciações, uma transformação espiritual.

Todos sentem esse algo espiritual sutilmente, e se você sentiu agarre e descubra, estude e pratique, pois poucos o fazem.

Complexo? Se sim, vá com calma e releia, pois ainda vamos analisar todos esses processos pelo ponto de vista ritualístico, estamos ainda fundamentando e dando um passo de cada vez.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ocultismo

Lemúria, O Continente Desaparecido

Prefácio

O propósito deste ensaio não é tanto apresentar uma informação surpreendente a respeito do continente desaparecido da Lemúria e seus habitantes, mas confirmar, pelos dados obtidos através da Geologia e do estudo da distribuição relativa de animais e plantas existentes e extintos, bem como dos processos de evolução física observados nos reinos inferiores, os fatos relatados em A Doutrina Secreta e em outras obras referentes a essas terras hoje submersas.

O CONTINENTE DESAPARECIDO DA LEMURIA

Geralmente é reconhecido pela ciência que o que é hoje terra seca na superfície do nosso globo foi, certa vez, o fundo do oceano, e o que é hoje o fundo do oceano foi, certa vez, terra seca. Em alguns casos, os geólogos têm sido capazes de especificar as porções exalas da superfície terrestre onde esses afundamentos e sublevações da crosta ocorreram e, embora o continente desaparecido da Atlântida tenha, até agora, recebido um escasso reconhecimento por parte do mundo científico, o consenso geral de opiniões há muito tem sugerido a existência, em alguma época pré-histórica, de um vasto continente meridional, ao qual foi conferido o nome de Lemúria.

Dados fornecidos pela geologia e pela relativa distribuição de animais e plantas existentes e extintos

“A história do desenvolvimento do globo terrestre mostra-nos que a distribuição de terra e água em sua superfície está sempre e continuamente mudando. Em consequência das mudanças geológicas da crosta terrestre, ocorreram elevações e depressões do solo em toda parte, às vezes mais fortemente acentuadas num lugar, às vezes em outro. Embora ocorram de modo tão lento que, no decurso de séculos, o litoral venha à tona ou afunde apenas alguns centímetros, ou mesmo apenas alguns milímetros, ainda assim seus efeitos são enormes no decurso de longos períodos de tempo. E longos períodos de tempo – imensuravelmente longos – é o que não falta na história do globo terrestre. Durante o decorrer de muitos milhões de anos, desde que a vida orgânica passou a existir na Terra, a terra e a água têm lutado perpetuamente pela supremacia. Continentes e ilhas submergiram no mar e novas terras vieram à tona. Lagos e mares, lentamente, surgiram e secaram, e novas depressões de água apareceram devido ao afundamento do solo. Penínsulas tornaram-se ilhas em virtude da submersão dos estreitos istmos que as ligavam ao continente. Por causa da considerável elevação do leito do mar, as ilhas de um arquipélago tornaram-se os picos de uma contínua cadeia de montanhas.

Desse modo, o Mediterrâneo foi, numa determinada época, um mar interior, quando, no local do estreito de Gibraltar, um istmo ligou a África à Espanha. A Inglaterra, mesmo durante a história mais recente da Terra, quando o homem já existia, esteve diversas vezes ligada ao continente europeu e dele separada. E até mesmo a Europa e a América do Norte estiveram diretamente ligadas. Antigamente, o mar do Sul formava um grande Continente Pacífico, e as inúmeras ilhotas que hoje se encontram espalhadas por esse oceano eram simplesmente os picos mais elevados das montanhas que atravessavam esse continente. O oceano Índico formava um continente que se estendia desde o arquipélago de Sonda, ao longo da costa meridional da Ásia, até a costa leste da África. Sclater, um cidadão inglês, deu a esse antigo e imenso continente o nome de Lemúria, devido aos animais semelhantes ao macaco que nele habitavam; por outro lado, esse continente é de grande importância, por ser o provável berço da raça humana, que, com toda probabilidade, teve aí seu primeiro estágio de desenvolvimento a partir dos macacos antropóides.1 A importante prova que Alfred Wallace forneceu, com a ajuda de fatos cronológicos de que o atual arquipélago malaio consiste na realidade de duas partes completamente diferentes, é particularmente interessante. A parte ocidental, o arquipélago indomalaio, que abrange as grandes ilhas de Bornéu, Java e Sumatra, outrora estava ligada, pela Malaca, ao continente asiático e, provavelmente, também ao continente lemuriano, há pouco mencionado. Por outro lado, a parte oriental, o arquipélago austromalaio, que abrange Celebes, as Molucas, Nova Guiné, as ilhas Salomão, etc., estava, outrora, diretamente ligada à Austrália. Os dois segmentos formavam, em tempos passados, dois continentes separados por um estreito mas, atualmente, a maior parte deles encontra-se abaixo do nível do mar. Wallace, apoiado apenas em suas acuradas observações cronológicas, foi capaz de determinar, com grande precisão, a localização desse antigo estreito, cuja extremidade meridional passa entre Bali e Lomboque.

Portanto, desde que a água líquida existiu na Terra, os limites entre a água e a terra têm mudado incessantemente, e podemos afirmar que os contornos de continentes e ilhas nunca permaneceram, nem por uma hora, ou antes, nem por um minuto, exatamente os mesmos, pois as ondas se quebram, eterna e perpetuamente, na beira da praia; e por mais que a terra perca, nesses lugares, em extensão, em outros ela ganha pela acumulação do lodo, que se condensa em pedra sólida e novamente se ergue acima do nível do mar, como terra nova. Nada pode ser mais errôneo do que a idéia de um contorno fixo e inalterável de nossos continentes, tal como nos é incutido, em nossa adolescência, pelas deficientes lições de Geografia, destituídas de fundamento geológico.2

O nome Lemúria, como acima foi relatado, foi originalmente adotado pelo sr. Sclater, em consideração ao fato de que foi provavelmente nesse continente que os animais do tipo lemuróide se desenvolveram.

Sem dúvida, escreve A. R. Wallace, “trata-se de uma suposição legítima e altamente provável, bem como de um exemplo do modo pelo qual um estudo da distribuição geográfica de animais pode capacitar-nos a reconstruir a geografia de uma era antiga. . . . Ele [esse continente] representa o que foi, provavelmente, uma primitiva região zoológica, em alguma época geológica passada; mas como foi essa época e quais eram os limites da região em questão, somos totalmente incapazes de dizer. Supondo-se que abrangia toda a área atualmente habitada por animais lemuróides, devemos demarcar sua extensão desde o oeste da África até a Birmânia, sul da China e Celebes, uma área que, possivelmente, ele outrora ocupou”.3

“Já tivemos ocasião”, afirma Wallace em outro lugar, “de sugerir uma antiga ligação entre essa sub-região (da Etiópia) e Madagáscar, a fim de explicar a distribuição do tipo lemuriano, bem como algumas outras curiosas afinidades entre os dois países. Este ponto de vista é sustentado pela geologia da índia, que nos apresenta o Ceilão e o sul da índia consistindo sobretudo em granito e antigas rochas metamórficas, ao passo que a maior parte da península é de formação terciária, com algumas áreas isoladas de rochas secundárias. Portanto, é evidente que, durante a maior parte do período terciário,4 o Ceilão e o sul da índia eram limitados, ao norte, por uma considerável extensão de mar e, provavelmente, faziam parte de um vasto continente, ou de uma grande ilha meridional. Os inúmeros e notáveis casos de afinidade com a Malaia exigem, contudo, uma aproximação mais estreita entre essas ilhas, o que provavelmente ocorreu num período posterior. Quando, mais tarde ainda, as grandes planícies e planaltos do Industão estavam formados e efetuou-se uma permanente comunicação por terra com a rica e altamente desenvolvida fauna himalaia-chinesa, deu-se uma rápida imigração de novos tipos e muitas das espécies menos diferenciadas de mamíferos e pássaros se extinguiram. Entre os répteis e os insetos a competição foi menos árdua, ou então as espécies mais antigas estavam por demais bem adaptadas às condições locais para serem expulsas; assim, é apenas entre esses grupos que encontramos um número considerável daquilo que, provavelmente, constitui os remanescentes da antiga fauna de um continente ao sul, agora submerso.5

Depois de afirmar que, durante todo o período terciário e talvez durante grande parte do secundário, a maior parte das terras do globo se concentrava provavelmente no hemisfério norte, Wallace prossegue: “No hemisfério sul, parece ter havido três consideráveis concentrações terrestres muito antigas que, de tempos em tempos, variaram em extensão, mantendo-se sempre, porém, separadas umas das outras e representadas, aproximadamente, pela atual Austrália, África do Sul e América do Sul. Através desses sucessivos fluxos e refluxos das ondas de vida foi que elas, cada qual por seu turno, uniram-se temporariamente com alguma região do território setentrional.” 6

Muito embora Wallace tenha negado, posteriormente, a necessidade de postular a existência desse continente, aparentemente em defesa de algumas de suas conclusões que foram criticadas pelo Dr. Hartlaub, seu reconhecimento geral acerca das ocorrências de afundamentos e sublevações da crosta em muitas regiões da superfície terrestre, bem como as inferências que ele extrai a partir das reconhecidas relações da fauna existente e extinta, acima citadas, permanecem sem dúvida, inalteradas.

Os trechos abaixo, extraídos de um artigo muito interessante escrito pelo sr. H. F. Blandford e lido numa reunião da Sociedade Geológica, abordam o assunto de um modo bem mais detalhado 7:

“As semelhanças entre os fósseis de animais e plantas do grupo de Beaufort, da África, e os de Panchets e Kathmis, da índia, são de tal modo surpreendentes que chegam a sugerir a existência anterior de uma ligação terrestre entre os dois territórios. Mas a semelhança das faunas fósseis africana e indiana não se extingue com os períodos permiano e triásico. As camadas vegetais do grupo de Uitenhage forneceram onze espécies de plantas, duas das quais o sr. Tate identificou com as plantas indianas de Rajmahal. Os fósseis indianos do jurássico ainda não foram classificados (com umas poucas exceções), mas afirma-se que o Dr. Stoliezka mostrou-se muito impressionado com as semelhanças entre certos fósseis de Kutch e as espécies africanas; e o Dr. Stoliezka e o sr. Griesbach provaram que, dos fósseis do cretáceo do rio Umtafuni, em Natal, a maioria (vinte e duas das trinta e cinco espécies descritas) é idêntica às espécies do sul da índia. Ora, o grupo de plantas existentes na índia e o de Karroo, bem como parte da formação de Uitenhage, na África, são, com toda probabilidade, originárias de água doce, ambos indicando a existência de uma grande área de terra ao redor, cuja devastação deu origem a esses sedimentos. Esse território ligava, sem interrupção, essas duas regiões? E há algum indício, na atual geografia física do oceano Índico, que poderia sugerir sua provável posição? Além disso, qual era a ligação entre esse território e a Austrália, cuja existência durante o período permiano deve ser igualmente pressuposta. E, finalmente, há alguma peculiaridade na fauna e flora existentes na índia, na África e nas ilhas situadas entre esses dois territórios que servisse de suporte à idéia de uma ligação anterior mais direta do que a que agora existe entre a África, o sul da índia e a península malaia? A especulação aqui formulada não é inédita, pois há muito tem sido assunto de reflexão de alguns naturalistas hindus e europeus. Entre esses, eu poderia citar meu irmão [Sr. Blandford] e o Dr. Stoliezka. Suas especulações fundamentam-se na afinidade e parcial identidade das faunas e floras de tempos remotos, bem como na existente conformidade de espécies que levou o sr. Andrew Murray, o sr. Searles, o estudante V. Wood e o Professor Huxley a deduzirem a existência de um continente do mioceno, que ocupava uma parte do oceano Índico. Na verdade, meu único objetivo neste ensaio consiste em tentar fornecer alguma explicação e ampliação adicionais à concepção do seu aspecto geológico.

“Quanto à evidência geográfica, um rápido olhar para o mapa revelará que, desde as cercanias da costa oeste da índia até as ilhas Seychelles, Madagáscar e Maurícia, estende-se uma série de atóis e bancos de coral, entre os quais o banco Adas, as ilhas Laquedivas, Maldivas, o arquipélago Chagos e a Saya de Mulha, o que indica a existência de uma ou várias cadeias de montanhas submersas. Além disso, as ilhas Seychelles, segundo o sr. Darwin, erguem-se sobre um banco extenso e mais ou menos plano, com uma profundidade de trinta a quarenta braças; desse modo, embora hoje parcialmente circundadas por recifes, podem ser consideradas como um prolongamento da mesma Unha de crista submersa. Mais para o oeste, as ilhas Cosmoledo e Comore são formadas de atóis e ilhas circundados por uma linha de recifes de coral, paralela à costa, que nos levam bastante perto das atuais costas da África e de Madagáscar. Essa cadeia de atóis, bancos e recifes parece indicar a posição de uma antiga cadeia de montanhas que, possivelmente, formava a espinha dorsal de uma região das remotas eras paleozóica e mesozóica e da era terciária, mais recente, assim como o sistema alpino e himalaio formam a espinha dorsal do continente eurásico, e as Montanhas Rochosas e os Andes, a das duas Américas. Como é conveniente dar a esse território mesozóico um nome, eu proporia o de Indo-Oceânico. [Contudo, o nome dado pelo sr. Sclater, ou seja, Lemúria, é o que, geralmente, tem sido mais adotado.] O Professor Huxley, apoiando-se em dados paleontológicos, sugeriu a existência de uma ligação terrestre nessa região (ou, mais exatamente, entre a Abissínia e a índia) durante o mioceno. Do que foi dito acima, pode-se constatar que eu pressuponho a sua existência desde uma época muito mais remota.8

Quanto à sua depressão, a única evidência atual relaciona-se com sua extremidade setentrional, e mostra que ela se encontrava nessa região posteriormente às grandes inundações do Deccan. Essas enormes camadas de rocha vulcânica estão notavelmente no plano horizontal, a leste das cordilheiras de Gates e Sakyádri, mas a leste destas começam a inclinar-se em direção ao mar, de modo que a ilha de Bombaim é formada pelas partes mais elevadas da formação. Isso indica apenas que a depressão em direção a oeste ocorreu na era terciária; nesse sentido, a inferência do Professor Huxley, segundo a qual isto se deu após a época miocena, é completamente compatível com a evidência geológica.”

Depois de citar inúmeros exemplos detalhados acerca da estreita afinidade de grande parte da fauna existente nos territórios em estudo (leão, hiena, chacal, leopardo, antílope, gazela, galinha-anã, abetarda indiana, muitos moluscos da terra e, notavelmente, o lêmure e os pangolim), o autor prossegue:

“Assim, a paleontologia, a geografia física e a geologia, assim como com a distribuição de animais e plantas existentes, oferecem também seu testemunho sobre a antiga e estreita ligação entre a África e a índia, incluindo as ilhas tropicais do oceano Indico. Esse território Indo-Oceânico parece ter existido pelo menos desde o remoto período permiano, provavelmente (como assinalou o Professor Huxley) até o fim do período mioceno;9 a África do Sul e a índia peninsular são o que ainda resta desse antigo território. Ele não pode ter sido absolutamente contínuo durante todo esse longo período. Na verdade, as rochas cretáceas da índia meridional e da África do Sul e os leitos marinhos jurássicos das mesmas regiões provam que algumas de suas partes, por períodos mais longos ou mais curtos, foram invadidas pelo mar; mas qualquer quebra de continuidade não foi, provavelmente, prolongada; as pesquisas do Sr. Wallace no arquipélago oriental têm demonstrado como um mar, por mais estreito que seja, pode oferecer um obstáculo intransponível à migração de animais terrestres. Na era paleozóica, esse território deve ter estado ligado à Austrália e, na era terciária, à Malásia, visto que as espécies malaias, com afinidades africanas, são em muitos casos diferentes daquelas da índia. Conhecemos até agora muito pouco acerca da geologia da península oriental para podermos afirmar de que época data sua ligação com o território Indo-Oceânico. O Sr. Theobald apurou a existência de rochas triásicas, cretáceas e numulíticas na cordilheira da costa árabe; e sabe-se da ocorrência de rochas calcárias do período carbonífero ao sul de Moulmein, enquanto a cordilheira a leste do Irrauádi é formada por rochas terciárias mais jovens. Daqui se concluiria que um segmento considerável da península malaia deve ter sido ocupado pelo mar durante a maior parte do mesozóico e do eoceno. Rochas, que servem de suporte a plantas, da época de Raniganj foram identificadas na formação dos contrafortes externos do Siquin, no Himalaia; portanto, o antigo território deve ter ultrapassado um pouco o norte do atual delta gangético. Carvão, tanto do cretáceo como do terciário, é encontrado nos montes Khasi, e também no Alto Assam, mas, em ambos os casos, está associado aos leitos marinhos; de modo que se poderia concluir que, nessa região, os limites da terra e do mar oscilaram um pouco durante o período cretáceo e o eoceno. Ao noroeste da índia, a existência de grandes formações dos períodos cretáceo e numulítico, que atravessam o Belochistão e a Pérsia, penetrando na estrutura do Himalaia noroeste, prova que nos períodos mais recentes da era mesozóica e do eoceno, a índia não tinha comunicação direta com a Ásia ocidental; ao mesmo tempo, as rochas jurássicas de Kutch, da cordilheira de Salt e do norte do Himalaia demonstram que, no período precedente, o mar cobria grande parte da atual bacia fluvial do Indo; e as formações marinhas triásicas, carboníferas e ainda mais recentes do Himalaia indicam que, desde as épocas mais primitivas até a elevação daquela imensa cadeia, grande parte de sua atual localização esteve, durante muito tempo, coberta pelo mar.

“Resumindo as observações aqui apresentadas, temos:

“lº – O grupo de plantas existentes na índia são encontradas desde o remoto período permiano até os últimos anos do período jurássico, indicando (salvo alguns casos, e localmente) a ininterrupta continuidade de terra e condições de água doce, que podem ter predominado desde tempos muito mais remotos.

“2º _ No remoto período permiano, como na época pós-pliocena, um clima frio predominou nas regiões de baixa latitude e, sou levado a crer, em ambos os hemisférios, simultaneamente. Com o declínio do frio, a flora e a fauna réptil do período permiano disseminaram-se pela África, pela índia e, possivelmente, pela Austrália; ou a flora pode ter existido na Austrália um pouco mais cedo e, desse lugar, ter se disseminado.

“3º – A índia, a África do Sul e a Austrália estavam ligadas, no período permiano, por um continente Indo-Oceânico; e os dois primeiros países permaneceram ligados (no máximo, com apenas breves interrupções) até o fim da época miocena. Durante os últimos anos desse período, essa região também estava ligada à Malaia.

“4º – De acordo com alguns autores anteriores, considero que a localização desse território era demarcada pela série de recifes e bancos de coral que hoje existem entre o mar árabe e a África oriental.

“5º – Até o final da época numulítica não existia nenhuma ligação direta (exceto, possivelmente, por curtos períodos) entre a índia e a Ásia ocidental.”

No debate que se seguiu à leitura do ensaio, o Professor Ramsay “concordou com a opinião do autor quanto à junção da África com a índia e Austrália em eras geológicas”.

O Sr. Woodward “ficou satisfeito ao descobrir que o autor acrescentara mais provas, derivadas da flora fóssil do grupo mesozóico -da índia, em corroboração das opiniões de Huxley, Sclater e outros quanto à existência, no passado, de um antigo continente hoje submerso (a “Lemúria”), existência essa há muito tempo pressagiada pelas pesquisas de Darwin acerca dos recifes de coral”.

“Dos cinco continentes hoje existentes”, escreve Ernst Haeckel na sua extensa obra The History of Creation,10 “nem a Austrália, nem a América e tampouco a Europa podem ter sido esse lar primevo [do homem], ou o chamado ‘Paraíso’, o ‘berço da raça humana’. A maioria das circunstâncias indicam a Ásia meridional como o local em questão. Além da Ásia meridional, o único dos outros atuais continentes que poderia ser considerado sob esse aspecto é a África. Mas há várias circunstâncias (especialmente fatos cronológicos) sugerindo que o lar primitivo do homem foi um continente que hoje se encontra submerso no oceano Índico e que se estendia ao longo do sul da Ásia, como ela é atualmente (e talvez ligando-se diretamente a ela), prolongando-se, para o leste, até as distantes índia e ilhas da Sonda e, para o oeste, até Madagáscar e as costas do sudeste da África. Já mencionamos que na geografia animal e vegetal muitos fatos tornam a antiga existência de um continente ao sul da índia bastante provável. Sclater deu a esse continente o nome de Lemúria, devido aos semimacacos que o caracterizavam. Ao admitirmos que a Lemúria foi o lar primevo do homem, facilitaremos sobremodo a explicação da distribuição geográfica das espécies humanas pela migração.”

Numa obra posterior, The Pedigree of Man, Haeckel postula a existência da Lemúria em alguma era primitiva da história da Terra como um fato reconhecido.

O trecho abaixo, extraído dos escritos do Dr. Hartlaub, pode servir de conclusão a esta parte dedicada a algumas provas referentes à existência da Lemúria, o continente desaparecido:11

“Há cinqüenta e três anos, Isidore Geoffroy St. Hilaire observou que, se tivéssemos de classificar a ilha de Madagáscar levando-se em conta apenas considerações de ordem zoológica, deixando-se de lado sua localização geográfica, poderíamos demonstrar que ela não é nem asiática nem africana, mas bastante diferente desses dois continentes, sendo quase um quarto continente. Poderíamos provar ainda que este quarto continente se diferenciaria, quanto à sua fauna, muito mais da África – que se encontra tão próxima – que da índia – que está tão longe. Com essas palavras, cuja exatidão e fecundidade as pesquisas mais recentes tendem a trazer à plena luz, o naturalista francês formulou, pela primeira vez, o interessante problema, para cuja solução foi há pouco proposta uma hipótese com bases cientificas, pois esse quarto continente de Isidore Geoffroy é a ‘Lemúria’ de Sclater – aquele território submerso que, abrangendo partes da África, deve ter se estendido a grande distância na direção leste, passando pelo sul da índia e pelo Ceilão, e cujos picos mais elevados divisamos nos cumes vulcânicos de Bourbon e Maurícia e na cordilheira central da própria Madagáscar – os últimos refúgios da já extinta raça lemuriana que, em tempos passados, o povoou.”

No caso em questão, havia apenas um modelo arruinado de terracota e um mapa muito mal conservado e amarrotado, de modo que a dificuldade de reconstituir a lembrança de todos os detalhes e, conseqüentemente, de reproduzir cópias exatas foi enorme.

Fomos informados de que os mapas atlantes eram feitos, nos dias da Atlântida, pelos poderosos Adeptos, mas não sabemos se os mapas lemurianos foram modelados por alguns dos instrutores divinos nos dias em que a Lemúria ainda existia, ou se em tempos posteriores, na época atlante.

Contudo, embora resguardando-se de depositar excessiva confiança quanto à absoluta exatidão dos mapas em questão, quem transcreveu dos antigos originais acredita que estes possam, em seus pormenores mais importantes, ser considerados aproximadamente correios.

Dados extraídos de antigos registros

Os outros dados que temos quanto à Lemúria e seus habitantes foram extraídos da mesma fonte e da mesma maneira que nos tornaram possível a redação d’A História da Atlântida. Também neste caso o autor teve o privilégio de obter cópias de dois mapas, um correspondente à Lemúria (e aos territórios limítrofes) durante o período da maior extensão atingida pelo continente, o outro mostrando seus contornos após seu desmembramento pelas grandes catástrofes, mas muito antes de sua destruição definitiva.

Jamais se sustentou que os mapas da Atlântida fossem exatos quanto a um único grau de latitude ou longitude, mas, a despeito da enorme dificuldade de se obter informações no presente caso, deve-se mencionar que a exatidão destes mapas da Lemúria é mais precária ainda. No primeiro caso, havia um globo, um bom baixo-relevo de terracota, e um mapa de pergaminho, ou de algum tipo de pele, muito bem conservado, permitindo, assim, uma ótima reprodução.

Duração provável do continente da Lemúria

Um período de, aproximadamente, quatro a cinco milhões de anos corresponde, provavelmente, à duração do continente da Atlântida, pois foi mais ou menos nessa época que os rmoahals, a primeira sub-raça da Quarta Raça-Raiz que habitou a Atlântida, surgiram numa porção do continente lemuriano, que, nesse tempo, ainda existia. Relembrando que, no processo evolucionário, o algarismo quatro invariavelmente corresponde não só ao nadir do ciclo mas também ao período de mais curta duração, quer no caso de um Manvantara quer no de uma raça, pode-se supor que o total de milhões de anos que se pode atribuir à duração máxima do continente da Lemúria deve ser muitíssimo maior do que aquele que corresponde à duração da Atlântida, o continente da Quarta Raça-Raiz. No caso da Lemúria, porém, não se pode estipular nenhum período de tempo, nem mesmo com uma precisão aproximada. As épocas geológicas, tanto quanto são conhecidas pela ciência moderna, constituem um instrumento de referência contemporânea mais adequado, e dele lançaremos mão.

Os mapas

Mas nem mesmo épocas geológicas, deve-se dizer, são atribuídas aos mapas. Contudo, se nos fosse permitido fazer uma inferência a partir dos dados de que dispomos, o mais antigo dos dois mapas lemurianos, ao que parece, corresponde à configuração do globo terrestre desde o período permiano até o período jurássico, passando pelo triásico, ao passo que o segundo mapa, provavelmente, corresponde à configuração do globo terrestre desde o período cretáceo até o período eoceno.

Pode-se deduzir, a partir do mais antigo dos dois mapas, que o continente equatorial da Lemúria, na época de sua maior extensão, quase circundava o globo, estendendo-se, então, desde o local onde hoje se situam as ilhas do Cabo Verde, a uns poucos quilômetros da costa de Serra Leoa, de onde se projetava para o sudeste, através da África, Austrália, ilhas da Sociedade e de todos os mares interpostos, até um ponto, a poucos quilômetros de distância de um grande continente insulano (mais ou menos do tamanho da atual América do Sul), que se prolongava através do oceano Pacífico, abrangendo o cabo Horn e partes da Patagônia.

Um fato notável, observado no segundo mapa da Lemúria, é o grande comprimento e, em alguns lugares, a excessiva estreiteza do canal que separava os dois grandes blocos de terra nos quais o continente, nessa época, tinha sido dividido. Deve-se observar que o canal hoje existente entre as ilhas de Bali e Lomboque coincide com uma porção do canal que então dividia os dois continentes. Pode-se constatar ainda que esse canal avançava para o norte pela costa oriental de Bornéu, e não pela ocidental, como supôs Ernst Haeckel. No que diz respeito à distribuição da fauna e da flora e à existência de muitas espécies encontradas tanto na índia como na África, relacionadas pelo Sr. Blandford, pode-se observar que, entre algumas regiões da índia e grandes trechos da África havia, durante o período do primeiro mapa, uma ligação por terra e que uma comunicação semelhante também foi parcialmente mantida no período do segundo mapa. Além disso, uma comparação dos mapas da Atlântida com os da Lemúria demonstrará que sempre houve uma comunicação por terra, ora numa época, ora noutra, entre regiões bastante diferentes da superfície terrestre hoje separadas pelo mar, de modo que a atual distribuição da fauna e da flora nas duas Américas, na Europa e nos países orientais, que tem sido um verdadeiro enigma para os naturalistas, pode ser facilmente explicada.

A ilha indicada no mapa lemuriano mais antigo, localizada a noroeste do extremo promontório daquele continente e diretamente a oeste da atual costa da Espanha, foi, provavelmente, um centro de onde proveio, durante muitas épocas, a distribuição da fauna e da flora acima mencionada. Pode-se perceber – e este é um fato muito interessante – que essa ilha deve ter sido do começo ao fim o núcleo do subsequente grande continente de Atlântida. Ela existia, como vemos, nesses mais remotos tempos lemurianos. No período do segundo mapa, estava unida ao território que, anteriormente, fazia parte do grande continente lemuriano; e, de fato, nessa época ela recebera tantos acréscimos de território que poderia ser mais apropriadamente considerada um continente do que uma ilha. Ela foi a grande região montanhosa da Atlântida em seus primórdios, quando a Atlântida abrangia grandes extensões de terra que hoje se tornaram as Américas do Sul e do Norte. Ela permaneceu a região montanhosa da Atlântida na sua decadência, e a de Ruta, na época de Ruta e Daitya, e praticamente constituiu a ilha de Posseidones – o último fragmento do continente da Atlântida -, cuja submersão definitiva ocorreu no ano de 9564 a.C.

Comparando-se estes dois mapas com os quatro mapas da Atlântida, verifica-se ainda que a Austrália, a Nova Zelândia, Madagáscar, porções da Somália, o sul da África e a extremidade meridional da Patagônia são territórios que, provavelmente, existiram durante todas as catástrofes que se sucederam desde os primeiros anos do período lemuriano. O mesmo pode-se dizer das regiões meridionais da índia e do Ceilão, salvo uma submersão temporária do Ceilão na época de Ruta e Daitya.

É verdade que, atualmente, ainda existem extensões de terra que pertenceram ao continente hiperbóreo, muito mais antigo; são, naturalmente, as mais antigas regiões conhecidas na face da terra: a Groenlândia, a. Islândia, Spitzbergen, a maior parte das regiões ao norte da Noruega e da Suécia e a extremidade setentrional da Sibéria.

Os mapas mostram que o Japão permaneceu acima da água, quer como ilha, quer como parte de um continente, desde a época do segundo mapa lemuriano. A Espanha também existia, sem dúvida, desde esse tempo. A Espanha é, portanto, provavelmente, com exceção da maior parte das regiões setentrionais da Noruega e da Suécia, o território mais antigo da Europa.

O caráter indeterminado das afirmações feitas toma-se necessário pelo nosso conhecimento de que aí ocorreram afundamentos e elevações de diferentes porções da superfície terrestre durante épocas situadas entre os períodos representados pelos mapas.

Por exemplo, sabemos que, logo após a época do segundo mapa lemuriano, toda a península malaia submergiu e assim permaneceu por longo tempo, mas uma subsequente elevação dessa região deve ter ocorrido antes da época do primeiro mapa atlante, pois o que é hoje a península malaia nele aparece como parte de um grande continente. De modo análogo, em épocas mais recentes, ocorreram repetidos afundamentos e elevações de menor importância bem próximos da minha terral natal, e Haeckel está perfeitamente correto ao dizer que a Inglaterra – ele poderia, com maior precisão, ter dito as ilhas da Grã-Bretanha e Irlanda, que naquela época, estavam unidas – “tem sido repetidamente ligada ao continente europeu, e repetidamente dele apartada”.

A fim de tornar o assunto mais claro, anexamos a este texto uma tabela, fornecendo uma história condensada da vida animal e vegetal em nosso globo, equiparada – segundo Haeckel – aos estratos de rocha que lhe são coetâneos. As outras duas colunas fornecem as raças humanas coetâneas e os grandes cataclismos que são do conhecimento de estudiosos do Ocultismo.

Os répteis e as florestas de pinheiros

Pode-se observar nessa tabela que o homem lemuriano viveu na época dos répteis e das florestas de pinheiros. Os monstruosos anfíbios e os fetos gigantescos do período permiano ainda medravam nos climas úmidos e moderadamente quentes. Os plesiossauros e ictiossauros existiam em grande número nos tépidos pântanos do período mesolítico, mas, com o secamente de muitos dos mares interiores, os dinossauros – os monstruosos répteis terrestres – gradualmente tornaram-se a espécie dominante, enquanto os pterodáctilos -os sáurios que desenvolveram asas semelhantes às do morcego – não só rastejavam pela terra como também voavam pelo ar. Destes, o menor era mais ou menos do tamanho de um pardal; o maior, no entanto, com uma envergadura superior a cinco metros, excedia o maior dos pássaros hoje existentes. A maior parte dos dinossauros -os Dragões – eram terríveis animais carnívoros, répteis colossais que chegavam a ter de doze a quinze metros de comprimento.12 Escavações posteriores revelaram esqueletos de dimensões ainda maiores. Consta que o professor Ray Lankester, numa reunião da Royal Institution, a 7 de janeiro de 1904, referiu-se a um esqueleto de brontossauro com vinte metros de comprimento, descoberto numa jazida de eólito, na região meridional dos Estados Unidos da América.

Como está escrito nas estâncias do arcaico Livro de Dzyan, “Animais com ossos, dragões das profundezas e diabos-marinhos voadores somaram-se as criaturas rastejantes. Os que rastejavam no chão ganharam asas. Os aquáticos, de pescoços longos, tornaram-se os progenitores das aves do ar”. A ciência moderna registra o seu endosso. “A classe dos pássaros, como já foi observado, está tão estreitamente associada aos répteis quanto à estrutura interna e ao desenvolvimento embrionário, que, sem dúvida, originaram-se de um ramo dessa classe. … A derivação de pássaros a partir dos répteis ocorreu, pela primeira vez, na época mesolítica, mais exatamente durante o triásico”.13

No reino vegetal, essa época também conheceu o pinheiro e a palmeira que, gradualmente, substituíram os gigantescos fetos. Nos últimos anos da época mesolítica, apareceram pela primeira vez os mamíferos, mas os restos fósseis do mamute e do mastodonte, seus representantes mais primitivos, encontram-se, sobretudo, nos estratos posteriores, correspondentes aos períodos eoceno e mioceno.



O reino humano

Antes de fazer qualquer referência ao que, mesmo nesta época primitiva, deve ser chamado de o reino humano, é preciso deixar claro que nenhum daqueles que, no momento atual, podem apresentar uma razoável dose de cultura mental ou espiritual podem pretender ter vivido nessa época. Foi apenas com o advento das três últimas sub-raças dessa Terceira Raça-Raiz que o menos desenvolvido do primeiro grupo de Pitris Lunares principiou a retomar à encarnação, enquanto o mais avançado dentre eles não nasceu antes das primeiras sub-raças do período atlante.

Na verdade, o homem lemuriano, ao menos durante a primeira fase da raça, deve ser considerado muito mais como um animal, destinado- a atingir o gênero humano, do que um humano, segundo a nossa compreensão do termo; pois, embora o segundo e terceiro grupos de Pitris, que constituíram os habitantes da Lemúria durante suas quatro primeiras sub- raças, tenham alcançado suficiente auto-consciência no Manvantara Lunar para diferenciá- los do reino animal, ainda não tinham recebido a Centelha Divina que os dotaria de mente e individualidade – em outras palavras, que os tornaria verdadeiramente humanos.

Tamanho e consistência do corpo do homem

A evolução dessa raça lemuriana constitui, portanto, um dos mais obscuros bem como um dos mais interessantes capítulos do desenvolvimento do homem, pois durante esse período ele não só atingiu a verdadeira natureza humana, mas também seu corpo passou por enormes mudanças físicas, enquanto os processos de reprodução por duas vezes foram alterados.

Para se compreender as surpreendentes afirmações que terão de ser feitas a respeito do tamanho e da consistência do corpo do homem nesse período primitivo, deve-se ter em mente que, enquanto os reinos animal, vegetal e mineral prosseguiam seu curso normal neste quarto globo, durante o Quarto Ciclo deste Manvantara, foi ordenado que a humanidade deveria recapitular, numa sequência rápida, as várias etapas que sua evolução atravessara durante os ciclos anteriores do atual Manvantara. Assim, os corpos da Primeira Raça-Raiz, nos quais estes seres quase desprovidos de mente estavam destinados a adquirir experiência, ter-nos-iam parecido gigantescos espectros – caso, é claro, nos fosse possível vê-los, pois seus corpos eram formados de matéria astral. As formas astrais da Primeira Raça-Raiz foram então gradualmente envolvidas por um invólucro mais físico. Muito embora a Segunda Raça-Raiz possa ser chamada de física -sendo seus corpos compostos de éter -, eles seriam igualmente invisíveis à visão tal como esta existe hoje.

Essa síntese do processo de evolução foi ordenada, segundo nos informaram, a fim de que Manu e os Seres que o auxiliavam pudessem obter os meios para aperfeiçoar o tipo físico de natureza humana. O mais elevado desenvolvimento que o tipo até então atingira era a imensa criatura, semelhante ao macaco, que existira nos três planetas físicos – Marte, Terra e Mercúrio – durante o Terceiro Ciclo. Na época da afluência de vida humana à Terra, neste Quarto Ciclo, naturalmente um determinado número dessas criaturas semelhantes ao macaco aqui se encontrava – o resíduo deixado no planeta durante seu período de obscurecimento. Sem dúvida, essas criaturas uniram-se à crescente maré humana assim que a raça tornou-se inteiramente física. Nesse caso, seus corpos não podem ter sido totalmente postos de lado; eles podem ter sido utilizados, pela maior parte dos entes pouco desenvolvidos, para propósitos de reencarnação, mas o que se exigia era um melhoramento desse tipo, e isso era mais facilmente obtido por Manu, através da elaboração, no plano astral em primeiro lugar, do arquétipo originalmente formado na mente do Logos.

Portanto, da Segunda Raça Etérica desenvolveu-se a Terceira -a Lemuriana. Seus corpos tornaram-se materiais, sendo compostos de gases, líquidos e sólidos, que constituem as três subdivisões mais inferiores do plano físico, mas os gases e líquidos ainda predominavam, pois suas estruturas vertebradas ainda não haviam se solidificado, tal como as nossas, em ossos e, portanto, não podiam manter-se eretos. Na verdade, seus ossos eram tão flexíveis quanto os dos bebês hoje em dia. Somente em meados do período lemuriano o homem desenvolveu uma sólida estrutura óssea.

Para explicar a possibilidade do processo pelo qual a forma etérica evoluiu para uma forma mais física, e a forma física de ossos moles finalmente desenvolveu-se numa estrutura tal como a que o homem hoje possui, é necessário apenas aludir ao átomo físico permanente.14 Contendo, como contém, a essência de todas as formas através das quais o homem passou no plano físico, ele continha, portanto, a potencialidade de uma estrutura física de ossos duros, tal como a que foi alcançada durante o curso do Terceiro Ciclo, bem como a potencialidade de uma forma etérica e todas as fases intermediárias, pois é preciso lembrar que o plano físico consiste em quatro graus de éter, bem como em gases, líquidos e sólidos – que tantos se inclinam a considerar como os únicos constituintes do físico. Assim, cada etapa do desenvolvimento foi um processo natural, pois foi um processo que havia sido consumado em épocas bastante remotas, e a Manu e aos Seres que o auxiliavam bastou juntar ao átomo permanente a espécie de matéria apropriada.

Órgãos de visão

Os órgãos de visão dessas criaturas, antes que elas desenvolvessem ossos, eram de natureza rudimentar; ao menos essa era a condição dos dois olhos dianteiros, com os quais procuravam obter seu aumento no chão. Mas havia um terceiro olho na parte posterior da cabeça, cujo resíduo atrofiado é hoje conhecido como a glândula pineal. Esta, como sabemos, é agora exclusivamente um centro de visão astral, mas na época da qual estamos falando era o centro principal, não só da visão astral mas também da visão física. Consta que o professor Ray Lankester, aludindo aos répteis já extintos numa conferência na Royal Institution, chamou a atenção para “o tamanho do orifício parietal no crânio, o que revela que, nos ictiossauros, o olho parietal ou pineal, no alto da cabeça, deve ter sido muito grande”. A esse respeito ele chegou a dizer que o gênero humano era inferior a esses enormes lagartos marítimos, “pois tínhamos perdido o terceiro olho, que poderia ser observado no lagarto comum, ou melhor, no grande lagarto azul do sul da França”.15

Um pouco antes da metade do período lemuriano, provavelmente durante a evolução da terceira sub-raça, esse gigantesco corpo gelatinoso lentamente começou a se solidificar e os membros de ossos moles desenvolveram uma estrutura óssea. Essas criaturas primitivas eram agora capazes de se manter cretas e os dois olhos na face tornaram-se gradualmente os órgãos principais da visão física, embora também o terceiro olho ainda permanecesse, até certo ponto, um órgão de visão física, o que se deu até o fim da época lemuriana. Naturalmente, ele continuava sendo um órgão da visão psíquica, como ainda é um foco potencial. Essa visão psíquica continuou a ser um atributo da raça, não só durante todo o período lemuriano, mas também nos dias da Atlântida.

Um curioso fato a se notar é que, quando a raça alcançou, pela primeira vez, o poder de permanecer e de se movimentar numa postura ereta, também podia andar para trás, com quase  a mesma facilidade com que andava para a frente. Isso pode ser explicado, não só pela capacidade de visão que o terceiro olho possuía, mas sem dúvida também pela curiosa protuberância nos calcanhares, que será em breve mencionada.

Descrição do homem lemuriano

O que se segue é uma descrição de um homem que pertenceu a uma das últimas sub-raças – provavelmente à quinta. “Sua estatura era gigantesca, algo em torno de 3,5 a 4,5 m. Sua pele era bastante escura, de cor pardo-amarelada. Ele tinha a mandíbula inferior alongada, um rosto estranhamente achatado, olhos pequenos, porém penetrantes, e localizados curiosamente muito separados um do outro, de modo que podia ver tão bem lateralmente como de frente, enquanto o olho na parte posterior da cabeça – onde, naturalmente, os cabelos não cresciam – também lhe possibilitava enxergar nessa direção. Ele não tinha testa; em seu lugar havia algo parecido a um rolo de carne. A cabeça inclinava-se para trás e para cima, de modo um tanto curioso. Os braços e as pernas (sobretudo os primeiros) eram .mais compridos do que os nossos e não podiam ser perfeitamente esticados nos cotovelos ou nos joelhos; as mãos e os pés eram enormes e os calcanhares projetavam-se para trás, de modo canhestro. Vestia-se com um manto folgado, feito de uma pele semelhante à do rinoceronte, porém mais escamosa, provavelmente a pele de algum animal que nós agora conhecemos apenas através de seus restos fósseis. Ao redor da cabeça, onde o cabelo era bem curto, era amarrado um outro pedaço de pele enfeitada com borlas de cores vermelha-escuro, azul e outras. Na mão esquerda, segurava um bastão pontudo que, sem dúvida, era usado para defesa ou ataque. Esse bastão era mais ou menos da altura de seu próprio corpo, isto é, 3,5 a 4,5 m. Na mão direita, amarrava a extremidade de uma longa corda, feita de alguma espécie de trepadeira, com a qual conduzia um réptil imenso e horrendo, parecido com o plesiossauro. Na verdade, os lemurianos domesticavam essas criaturas e treinavam-nas para aproveitar sua força na caça a outros animais. O aspecto desse homem produzia uma sensação desagradável, mas não era de todo incivilizado, sendo um espécime comum e típico de sua época.”

Muitos eram ainda menos humanos na aparência do que o indivíduo aqui descrito, mas a sétima sub-raça desenvolveu um tipo superior, embora muito diferente de qualquer homem existente no tempo atual. Embora conservando a mandíbula inferior projetada, os grossos lábios pesados, a face achatada e os olhos de aspecto misterioso, eles tinham, por esse tempo, desenvolvido alguma coisa que poderia ser chamada de testa, ao passo que a curiosa projeção do calcanhar fora consideravelmente reduzida. Num ramo desta sétima sub-raça, a cabeça poderia ser descrita como quase oviforme – sendo a menor extremidade do ovo a parte superior, com os olhos bem separados e muito próximos do alto da cabeça. A estatura diminuirá sensivelmente e o aspecto das mãos, dos pés e dos membros de modo geral tomara-se mais semelhante aos dos negros de hoje. Esse povo desenvolveu uma importante e duradoura civilização, dominando por milhares de anos a maioria das outras tribos que viviam no vasto continente lemuriano; e, mesmo no final, quando a degeneração racial parecia prestes a surpreendê-lo, conseguiu mais uma nova vida e poder através da miscigenação com os rmoahals – primeira sub-raça dos atlantes. A progênie, embora mantendo, como é natural, muitas características da Terceira Raça, na verdade pertencia à Quarta Raça e, assim, naturalmente obteve uma nova força de desenvolvimento. A partir desse tempo, seu aspecto geral tornou-se bastante parecido com o de alguns índios americanos, exceto pela pele, que tinha uma curiosa coloração azulada, inexistente hoje em dia.

Contudo, por mais surpreendentes que possam ser as mudanças no tamanho, na consistência e na aparência físicas do homem durante esse período, as alterações no processo de reprodução são ainda mais espantosas. Uma alusão aos métodos que hoje prevalecem entre os reinos mais inferiores da natureza pode nos auxiliar no estudo do assunto.

Processos de reprodução

Após citar os processos mais simples de procriação pela auto-divisão e pela formação de gemas (gemação), Haeckel prossegue: “Um terceiro modo de procriação assexuada, o da formação de gemas germinativas (polisporogonia), está intimamente associado à formação de gemas. No caso dos organismos inferiores, imperfeitos, entre os animais, especialmente no caso de animais e vermes semelhantes a plantas, muitas vezes descobrimos que, no interior de um indivíduo composto de muitas células, um pequeno grupo de células separam-se daquelas que as circundam e que esse pequeno grupo isolado gradualmente se desenvolve num indivíduo que se torna semelhante ao ser de origem e, mais cedo ou mais tarde, sai de dentro dele. … A formação de gemas germinativas é, evidentemente, um tanto diferente da verdadeira produção por gemação. Mas, por outro lado, está associada a um quarto tipo de procriação assexuada, que é quase uma transição para a reprodução sexual, isto é, a formação de células-germinativas (monosporogonia). Neste caso, já não é um grupo de células, mas uma única célula que se separa das células circundantes no interior do organismo gerador e que se toma mais desenvolvida após ter saído do ser de origem. … A procriação sexual ou anfigônica (anfigonia) é o método usual de procriação entre todos os animais e plantas mais superiores. É evidente que ele só se desenvolveu num período mais recente da história da Terra e a partir da procriação assexuada aparentemente, em primeiro lugar, a partir do método de procriação pelas células-germinativas…. Nas principais formas de procriação assexuada acima mencionadas – cissiparidade, formação de gemas, gemas germinativas e células germinativas – a célula, ou o grupo de células que se separou era capaz, por si mesmo, de se desenvolver num novo indivíduo, mas no caso da procriação sexuada, a célula deve, primeiro, ser fecundada por uma outra substância generativa. O esperma fecundador deve, primeiro, misturar-se com a célula germinativa (o óvulo), antes que esta possa se desenvolver num novo indivíduo. Essas duas substâncias generativas, o esperma e o óvulo, são produzidas por um só indivíduo hermafrodita (hermafroditismo) ou por dois indivíduos diferentes (separação sexual).

A mais simples e mais antiga forma de procriação sexual é através de indivíduos de sexo duplo. Isso ocorre na grande maioria das plantas, porém apenas numa minoria dos animais, tais como nos caracóis de jardim, nas sanguessugas, nas minhocas e em muitos outros vermes. Entre os hermafroditas, cada indivíduo produz dentro de si materiais de ambos os sexos – óvulos e esperma. Na maior parte das plantas superiores, cada flor contém tanto o órgão masculino (estames e antera) como o órgão feminino (estilete e semente). Cada caracol de jardim produz, numa parte de sua glândula sexual, óvulos e, em outra parte, esperma. Muitos hermafroditas podem autofecundar-se; em outros, no entanto, é necessária a fecundação recíproca de dois hermafroditas para provocar o desenvolvimento dos óvulos. Este ultimo caso é, evidentemente, uma transição para a separação sexual.

A separação sexual, que caracteriza o mais complicado dos dois tipos de reprodução sexual, desenvolveu-se evidentemente a partir do estado hermafrodita, num período recente da história orgânica do mundo. No momento, esse é o método universal de procriação dos animais superiores. … A chamada reprodução virginal (partenogênese) oferece uma forma interessante de transição da reprodução sexual à formação assexuada de células germinativas, que em grande parte se lhe assemelha. .. . Neste caso, as células germinativas, que também aparecem e são formadas exatamente como as células-ovo, tornam-se capazes de se desenvolverem em novos indivíduos, sem que para isso haja necessidade da semente fecundada. Os mais extraordinários e instrutivos dos diferentes fenômenos partenogenéticos são fornecidos por aqueles casos nos quais as mesmas células germinativas, caso sejam fecundadas ou não, produzem espécies diferentes de indivíduos. Entre nossas abelhas de mel comuns, um indivíduo macho (um zangão) nasce dos óvulos da rainha, caso o óvulo não tenha sido fecundado; caso o óvulo tenha sido fecundado, nasce uma fêmea (uma rainha ou uma abelha operária). A partir disso, pode-se concluir que, de fato, não há grande distância entre a reprodução sexuada e a assexuada e que esses dois tipos de reprodução estão diretamente associados.16

Ora, o fato interessante relacionado com a evolução do homem da Terceira Raça, na Lemúria, é que seu modo de reprodução passou por etapas bastante semelhantes a alguns dos processos acima descritos. Os termos empregados em A Doutrina Secreta são: nascido do suor, nascido do óvulo e andrógino.

“Quase sem sexo, em seus remotos primórdios, tornou-se bissexual ou andrógino; muito gradualmente, claro. A passagem da primeira à última transformação exigiu inúmeras gerações, durante as quais a célula simples que se originou do mais primitivo antepassado (o dois em um), desenvolveu-se primeiro num ser bissexual; em seguida, a célula, tornando-se um óvulo regular, emitiu uma criatura unissexual. O gênero humano da Terceira Raça é o mais misterioso de todas as cinco raças até agora desenvolvidas. O mistério do “Como”, relacionado com a geração dos sexos separados, deve, é claro, estar muito obscuro aqui, pois, sendo este um assunto para um embriologista, um especialista, a presente obra só pode fornecer um ligeiro esboço do processo. Mas é evidente que os indivíduos da Terceira Raça começaram a se separar e a sair de suas cascas ou ovos pré-natais como bebês do sexo masculino e feminino, séculos após o surgimento de seus antigos progenitores. E com o decorrer dos períodos geológicos, as sub-raças recém-nascidas começaram a perder suas aptidões natais. Perto do fim da quarta sub-raça, o bebê perdia a faculdade de andar, tão logo se libertava de sua casca; e, pelo fim da quinta, o gênero humano nascia sob as mesmas condições e pelo mesmo processo de nossas gerações históricas. Naturalmente, isso exigiu milhões de anos.17

Raças lemurianas que ainda habitam a terra

Não será demais repetir que as criaturas quase desprovidas de mente que habitavam esses corpos, tal como foi acima descrito, durante as primeiras sub-raças do período lemuriano, mal podem ser consideradas inteiramente humanas. Foi só após a separação dos sexos, quando seus corpos tinham se tornado densamente físicos, que eles se tornaram humanos, mesmo na aparência. Deve-se lembrar que os seres dos quais estamos falando, embora abrangendo os segundo e terceiro grupos de Pitris Lunares, também devem ter sido recrutados, em grande número, do reino animal daquele Manvantara (o Lunar). Os remanescentes degenerados da Terceira Raça-Raiz que ainda habitam a Terra podem ser observados nos aborígines da Austrália, nos ilhéus de Andaman, em algumas tribos montesas da índia, nos fueguinos, nos bosquímanos da África e em algumas outras tribos selvagens. As entidades que hoje habitam esses corpos devem ter pertencido ao reino animal na parte inicial deste Manvantara. Provavelmente, foi durante a evolução da raça lemuriana e antes que a “porta fosse fechada”, impedindo a subida do grande número de entidades que nela se aglomeravam, que elas alcançaram o reino humano.

O pecado dos sem-mente

Os atos vergonhosos dos homens desprovidos de mente, por ocasião da primeira separação dos sexos, foram muito bem relatados pelas estâncias do antigo Livro de Dzyan. Nenhum comentário é necessário.

“Durante a Terceira Raça, os animais sem ossos cresceram e se transformaram: converteram-se em animais com ossos; suas châyas tomaram-se sólidas.

“Os animais foram os primeiros a se separar. Começaram a procriar. O homem duplo também se separou. Ele disse: ‘Façamos como eles: unamo-nos e procriemos.’ E assim fizeram.

“E aqueles que não possuíam a centelha tomaram para si imensas fêmeas de animais. Com elas geraram raças mudas. Eles próprios eram mudos. Mas suas línguas se desataram. As línguas de sua progênie permaneceram mudas. Eles geraram monstros. Uma raça de monstros encurvados, cobertos de pêlo vermelho, que andavam de quatro. Uma raça muda para silenciar sua vergonha.” (E um antigo comentário acrescenta: ‘Quando a Terceira se separou e pecou, procriando homens-animais, estes [os animais] tornaram-se ferozes, e os homens e eles mutuamente destrutivos. Até então, não existia pecado, nem vida roubada.’)

“Vendo isso os Lhas, que não tinham construído homens, choravam, dizendo: ‘Os Amanasa (sem mente) macularam nossas futuras moradas. Isto é Karma. Habitemos em outras. Ensinemo-los melhor, a fim de que não suceda o pior.’ E assim fizeram.

“Então todos os homens foram dotados de Manas. E viram o pecado dos sem-mente.”

Origem dos macacos pitecóide e antropóide

A semelhança anatômica entre o homem e o mais desenvolvido dos macacos, tão freqüentemente citada pelos darwinistas, de modo a sugerir algum ancestral comum a ambos, propõe um problema interessante, do qual a solução adequada pode ser encontrada na explicação esotérica da gênese das raças pitecóides.

Ora, nós concluímos, a partir de A Doutrina Secreta,18 que os descendentes desses monstros semi-humanos, acima descritos como provenientes do pecado dos “sem-mente”, tendo através dos séculos diminuído de tamanho e se tornando fisicamente mais densos, culminaram, no período mioceno, numa raça de macacos, da qual, por sua vez, descendem os atuais pitecóides. Com esses macacos do período mioceno, porém, os atlantes dessa época repetiram o pecado dos “sem-mente” – desta vez com plena responsabilidade, e os resultantes do seu crime são as espécies de macacos hoje conhecidas como antropóides.

Tudo leva a crer que, no advento da Sexta Raça-Raiz, esses antropóides obterão encarnação humana, sem dúvida nos corpos das raças mais inferiores que então existirem na Terra.

A região do continente lemuriano onde ocorreu a separação dos sexos e onde tanto a quarta como a quinta sub-raças floresceram pode ser observada no mais antigo dos dois mapas. Ela ficava a leste da região montanhosa da qual a atual ilha de Madagáscar fazia parte, ocupando assim uma posição central ao redor do menor dos dois grandes lagos.

Origem da linguagem

Como relatam as Estâncias de Dzyan acima transcritas, os homens daquela época, embora houvessem se tornado inteiramente físicos, ainda continuavam mudos.

Naturalmente, os ancestrais astrais e etéricos desta Terceira Raça-Raiz não tinham necessidade de produzir uma série de sons a fim de transmitir seus pensamentos, vivendo, como viviam, num estado astral e etérico; contudo, quando o homem se tornou físico, não podia permanecer mudo por muito tempo. Fomos informados de que os sons que esses homens primitivos emitiam, a fim de expressarem seus pensamentos, eram, a princípio, formados apenas de vogais. Com o lento decorrer da evolução, gradualmente os sons consonantais começaram a ser usados, mas o desenvolvimento da linguagem, desde o princípio até o final do continente da Lemúria, nunca ultrapassou a etapa monossilábica. A atual língua chinesa é a única descendente direta da antiga língua lemu-riana19, pois “toda a raça humana tinha, naquele tempo, uma só linguagem e um só lábio”.20

Na classificação das línguas elaborada por Humboldt, a chinesa, como sabemos, é chamada isolante, por distinguir-se da aglutinante, mais evoluída, e da flexiva, ainda mais evoluída. Os leitores da História da Atlântida devem se lembrar de que muitas línguas diferentes se desenvolveram naquele continente, mas todas eram do tipo aglutinante, ou, como prefere Max Müller, combinatório, embora o desenvolvimento ainda mais importante da linguagem reflexiva, nas línguas árica e semítica, tenha sido reservado à nossa própria era da Quinta Raça-Raiz.

A primeira vida roubada

A primeira ocasião de pecado, a primeira vida roubada – mencionada no antigo comentário das Estâncias de Dzyan acima transcrito – pode ser considerada como indicativa do comportamento que então se instalou entre os reinos humano e animal, o qual, desde então, tem atingido terríveis proporções, não só entre homens e animais, mas entre as diferentes raças humanas. E isso abre uma via de reflexão muito interessante.

O fato de reis e imperadores considerarem necessário ou apropriado, em todas as ocasiões oficiais, apresentarem-se com o traje de uma das subdivisões combatentes de suas forças armadas é um indício significativo da apoteose alcançada pelas qualidades combativas no homem! O costume, sem dúvida, data de uma época em que o rei era o chefe guerreiro e sua realeza era reconhecida unicamente em virtude de ele ser o guerreiro mais eminente. Mas agora que a Quinta Raça-Raiz está em ascendência, cuja principal característica e função é o desenvolvimento do intelecto, poderíamos supor que o atributo dominante da Quarta Raça-Raiz não deveria ser ostentado com tanto alarde. Mas a era de uma raça sobrepõe-se parcialmente à outra e, como sabemos, embora as principais raças do mundo pertençam à Quinta Raça-Raiz, a grande maioria de seus habitantes ainda pertence à Quarta; portanto, tem-se a impressão de que a Quinta Raça-Raiz ainda não superou as características da Quarta Raça-Raiz, pois a evolução humana se efetua de modo bastante gradual e lento.

Seria interessante resumir aqui a história desse conflito e dessa matança desde sua gênese, na Lemúria, há milhões de séculos.

A partir dos dados já fornecidos pelo autor, parece que o antagonismo entre homens e animais desenvolveu-se em primeiro lugar. Com a evolução do corpo físico do homem, naturalmente um aumento apropriado para esse corpo tomou-se uma necessidade urgente, de modo que, além do antagonismo criado pela necessidade de autodefesa contra os animais ferozes dessa época, o desejo de alimento também impeliu os homens à matança e, como vimos acima, um dos primeiros usos que eles fizeram de sua mentalidade em formação foi treinar animais para agirem como perseguidores, durante a caçada.

Uma vez despertado o elemento de luta, em breve os homens começaram a utilizar armas ofensivas uns contra os outros. As causas de agressão eram, naturalmente, idênticas àquelas que hoje existem nas comunidades selvagens. A posse de qualquer objeto desejável por um de seus semelhantes era motivo suficiente para um homem tentar toma-lo à força. Tampouco a luta se limitava a atos individuais de agressão. Como ocorre entre os atuais selvagens, bandos de saqueadores podiam atacar e pilhar as comunidades que viviam em aldeias distantes das suas. A guerra na Lemúria, porém, nunca foi além dessas proporções, conforme fomos informados, mesmo no fim de sua sétima sub-raça.

Estava destinado aos atlantes desenvolver o esquema de combate em linhas organizadas – reunir e treinar exércitos e construir esquadras. Na verdade, este esquema de combate foi a característica fundamental da Quarta Raça-Raiz. Durante todo o período atlante, como sabemos, a luta armada foi a ordem do dia, e travavam-se constantes batalhas terrestres e navais. E esse princípio de luta tornou-se tão profundamente arraigado na natureza humana durante o período atlante que, mesmo hoje, a mais intelectualmente desenvolvida das raças áricas está militarmente preparada para lutar entre si.

As artes

Para traçar o desenvolvimento das artes entre os lemurianos, temos de começar pela história da quinta sub-raça. A separação dos sexos estava, então, totalmente concluída e o homem habitava um corpo inteiramente físico, embora ainda de estatura gigantesca. A guerra ofensiva e defensiva com os monstruosos animais carnívoros já se iniciara e os homens começaram a viver em cabanas. Para construí-las, abatiam árvores e empilhavam-nas de maneira rude. A princípio cada família vivia isolada na sua própria clareira aberta na selva, mas logo descobriram que, para se defenderem das feras, era mais seguro agruparem-se e viverem em pequenas comunidades. As cabanas, que eram feitas com rudes troncos de árvores, passaram a ser construídas com pedras grandes e arredondadas, enquanto as armas com que atacavam ou se defendiam dos dinossauros e de outras feras eram lanças de madeira afiada, semelhantes ao bastão que o homem, cujo aspecto foi descrito anteriormente, empunhava.

Até essa época, a agricultura ainda não era conhecida e a utilidade do fogo não havia sido descoberta. O alimento de seus ancestrais sem ossos, que se arrastavam pela terra, eram coisas que eles podiam encontrar no chão ou logo abaixo da superfície do solo. Agora que andavam eretos, muitas das árvores silvestres proviam sua subsistência com nozes e frutas, mas seu aumento principal era a carne dos animais que matavam, retalhavam e devoravam.

Mestres da raça lemuriana

Ocorreu então um evento significativo, cujas consequências foram muito importantes para a história da raça humana. Um evento, aliás, de grande significado místico, pois seu relato traz à luz Seres que pertenciam a sistemas de evolução inteiramente diferentes e que, não obstante, vieram, nessa época, juntar-se à nossa humanidade.

O lamento dos Lhas, “que não tinham construído homens”, ao verem suas futuras moradas contaminadas é, à primeira vista, dificilmente compreensível. Embora a descida desses Seres nos corpos humanos não seja o evento principal que temos a referir, devemos tentar, antes, uma explicação de sua causa e consequência. Ora, tudo leva a crer que esses Lhas eram a humanidade mais altamente desenvolvida de algum sistema de evolução que completara seu curso numa época pertencente a um passado infinitamente remoto. Eles tinham alcançado um elevado estágio de desenvolvimento em seu conjunto de mundos e, desde sua dissolução, passaram os séculos intermediários na bem-aventurança de algum estado nirvânico. Mas seu karma necessitava agora de retornar a algum campo de ação e de causais físicas e, como ainda não tinham aprendido inteiramente a lição da compaixão, sua tarefa temporária consistia então em tornarem-se guias e mestres da raça lemuriana, que nessa época precisava de toda ajuda e orientação que eles pudessem dar.

Contudo, outros Seres também se dedicaram à tarefa – neste caso, voluntariamente. Vieram do esquema de evolução que tem Vênus como seu único planeta físico. Esse esquema já alcançou o Sétimo Ciclo de seus planetas no seu Quinto Manvantara; sua humanidade, portanto, encontra-se num nível muito mais elevado do que o alcançado pelos homens comuns deste planeta. Eles são “divinos”, ao passo que somos apenas “humanos”. Os lemurianos, como vimos, estavam então apenas a um passo da autêntica natureza humana. Foi para suprir uma necessidade temporária – a educação da nossa humanidade infantil – que esses Seres divinos vieram – assim como nós, possivelmente daqui a séculos, também poderemos ser designados para prestar ajuda a seres que, em Júpiter ou Saturno, tenham dificuldade em atingir a natureza humana. Sob sua orientação e influência, os lemurianos rapidamente atingiram o desenvolvimento mental. A atividade de suas mentes, com sentimentos de amor e reverência para com aqueles que reconheciam ser infinitamente mais sábios e mais poderosos que eles, naturalmente fez surgir tentativas de imitação; assim, o desenvolvimento necessário quanto ao crescimento mental foi conquistado, o que transformou o revestimento mental superior num veículo capaz de transportar as características humanas de uma vida a outra, garantindo desse modo essa expansão da Vida Divina que dotou o receptor com a imortalidade individual. Segundo as palavras das antigas Estâncias de Dzyan, “Então todos os homens foram dotados de Manas”.

Contudo, deve-se registrar uma significativa diferença entre a vinda dos Seres sublimes do esquema de Vênus e a daqueles descritos como a humanidade mais altamente desenvolvida de algum sistema anterior de evolução. Os primeiros, como vimos, não estavam sob nenhum estímulo kármico. Vieram como homens, para viver e trabalhar entre eles, mas não lhes era exigido que assumissem suas limitações físicas, estando em condições de se munirem de veículos que lhes fossem apropriados.

Por outro lado, os Lhas precisavam realmente nascer nos corpos da raça, tal como esta existia então. Melhor teria sido, tanto para eles como para a raça, se não tivesse havido hesitação ou demora da parte deles em se dedicarem à sua tarefa kármica, pois o pecado dos sem-mente teria sido evitado, bem como todas as suas consequências. Além disso sua tarefa teria sido bem mais fácil, pois consistia não só em procederem como guias e mestres, mas também em aperfeiçoarem o tipo racial – em suma, em desenvolverem a forma semi-humana, semi-animal, então existente, no futuro corpo físico do homem.

E preciso lembrar que, até então, a raça lemuriana era constituída pelos segundo e terceiro grupos de Pitris Lunares. Mas agora que eles estavam se aproximando do nível alcançado pelo primeiro grupo de Pitris na cadeia lunar, tornava-se-lhes necessário retornar de novo à encarnação, o que eles fizeram durante as quinta, sexta e sétima sub-raças (na verdade, alguns só foram nascer no período atlante), de modo que o impulso dado ao progresso da raça foi uma força cumulativa.

As posições ocupadas pelos seres divinos da cadeia de Vênus eram, naturalmente, as de governantes, instrutores de religião e professores de artes, e é nesta última qualidade que uma alusão às artes por eles ensinadas vem ajudar este nosso estudo da história dessa antiga raça.

As artes continuaram

Sob orientação de seus divinos mestres, o povo começou a aprender o uso do fogo e os meios pelos quais podiam obtê-lo, a princípio, através da fricção e, mais tarde, pelo uso de pederneiras e ferro. Foi-lhes ensinado a explorar metais, a fundi-los e a moldá-los e, em vez de madeira pontuda, eles agora começavam a usar lanças com ponta de metal pontiagudo.

Também lhes foi ensinado cavar e arar o solo e a cultivar as sementes do grão silvestre até aprimorá-los. Esse aperfeiçoamento, levado a cabo, através das vastas épocas que decorreram desde então, resultou na evolução dos vários cereais que hoje possuímos -cevada, aveia, milho, painço, etc. Contudo, deve-se registrar aqui uma exceção. O trigo não foi desenvolvido neste planeta, como os outros cereais. Foi um presente dos seres divinos, que o trouxeram de Vênus, já pronto para servir de aumento ao homem. Mas o trigo não foi o único presente. A única espécie entre os animais, cujo tipo não foi desenvolvido em nossa cadeia de mundos, é a abelha. Também ela foi trazida de Vênus.

Em seguida, os lemurianos começaram a aprender a arte de fiar e tecer tecidos com os quais faziam suas roupas. Estas eram fabricadas com o áspero pêlo de alguma espécie de animal hoje extinto, mas que guardava certa semelhança com os atuais lhamas, dos quais foi, provavelmente, o ancestral. Como já vimos, as vestes primitivas do homem lemuriano eram mantos de pele tirada dos animais que ele matava. Nas regiões mais frias do continente, essas vestes ainda eram usadas, mas agora ele aprendera a curtir e a adornar a pele, embora de modo rudimentar.

Uma das primeiras coisas ensinadas ao povo foi o uso do fogo no preparo do alimento e, quer se tratasse da carne de animais que matavam ou de grãos de trigo triturados, seu modo de cozinhar era bastante idêntico ao que sabemos existir hoje entre as comunidades selvagens. Com referência ao presente do trigo, tão maravilhosamente trazido de Vênus, os governantes divinos sem dúvida perceberam as vantagens de, imediatamente, produzir esse alimento para o povo, pois sabiam que levaria muitas gerações antes que o aperfeiçoamento das sementes silvícolas pudesse fornecer um suprimento adequado.

Durante o período das quinta e sexta sub-raças, o povo era rude e bárbaro, e os que tiveram o privilégio de entrar em contato com seus mestres divinos foram, naturalmente, insuflados com sentimentos de reverência e culto, a fim de serem ajudados a erguerem-se acima do seu estado selvagem. Além disso, a constante afluência de seres mais inteligentes, vindos do primeiro grupo de Pitris Lunares, que estavam então iniciando seu retorno à encarnação, ajudou na ob- tenção de um estado mais civilizado.

Grandes cidades e estátuas

Durante o período mais recente, correspondente às sexta e sétima sub-raças, eles aprenderam a construir grandes cidades. Sua arquitetura parece ter sido ciclópica, correspondendo aos corpos gigantescos da raça. As primeiras cidades foram construídas naquela extensa região montanhosa do continente que, como pode ser visto no primeiro mapa, incluía a atual ilha de Madagáscar. Uma outra grande cidade é descrita em A Doutrina Secreta21 como tendo sido inteiramente construída de blocos de lava. Ela ficava a uns 50 km a oeste da atual ilha de Páscoa e posteriormente foi destruída por uma série de erupções vulcânicas. As estátuas gigantescas da ilha de Páscoa – medindo, em sua grande maioria, cerca de 8 m de altura por 2,5 m de largura – provavelmente foram projetadas para representar não só as feições mas também a altura dos que as esculpiram ou, talvez, as de seus ancestrais, pois é provável que as estátuas tenham sido erguidas nos últimos séculos dos atlantes-lemurianos. Pode-se observar que, durante o período do segundo mapa, o continente do qual a ilha de Páscoa fazia parte fora fragmentado e a própria ilha de Páscoa tornara-se uma ilha comparativamente menor, apesar das dimensões consideravelmente grandes que ela conserva hoje em dia.

Civilizações de relativa importância surgiram em diferentes partes do continente e das grandes ilhas, onde os habitantes ergueram cidades e viveram em comunidades organizadas; grandes tribos, porém, que também eram parcialmente civilizadas, continuaram a levar uma vida nômade e patriarcal, ao passo que, outras regiões do território – em muitos casos, as menos acessíveis, como em nosso tempo – foram povoadas por tribos de tipo extremamente inferior.

Religião

Com uma raça de homens tão primitiva, no melhor dos casos, havia muito pouco a lhes ser ensinado no campo da religião. Algumas regras simples de conduta e os preceitos mais elementares de moralidade eram tudo o que eles podiam compreender ou praticar. É verdade que, durante a evolução da sétima sub-raça, seus instrutores divinos ensinaram-lhes uma forma primitiva de culto e transmitiram-lhes o conhecimento de um Ser Supremo, cujo símbolo era representado pelo sol.

Destruição do continente

Ao contrário do destino da Atlântida, que foi submersa por enormes vagalhões, o continente da Lemúria pereceu pela ação vulcânica. Foi devastado pelas cinzas ardentes e pela poeira incandescente de inúmeros vulcões. Terremotos e erupções vulcânicas, é verdade, introduziram cada uma das grandes catástrofes que surpreenderam a Atlântida, mas depois que a terra foi sacudida e dilacerada, o mar avançou impetuosamente e completou o trabalho, e a grande maioria dos habitantes morreu afogada. Os lemurianos, por outro lado, pereceram principalmente queimados ou asfixiados. Outro contraste marcante entre o destino da Lemúria e o da Atlântida foi que, enquanto quatro grandes catástrofes completaram a destruição desta última, a Lemúria foi lentamente devastada por incêndios que se espalharam pelo continente, pois, a partir do instante em que o processo de desintegração começou, até o fim do período do primeiro mapa, não houve interrupção da atividade causticante e, numa parte ou noutra do continente, a ação vulcânica permaneceu constante, e a consequência inevitável disso foi o afundamento e o desaparecimento total do território, assim como aconteceu com a ilha de Krakatoa, em 1883.

A erupção do monte Pelée, que causou a destruição de Saint-Pierre, a capital da Martinica, foi tão parecida com as séries de catástrofes vulcânicas do continente da Lemúria que uma descrição fornecida por alguns sobreviventes dessa ilha pode ser interessante: “Uma imensa nuvem negra irrompeu subitamente da cratera do monte Pelée e precipitou-se com incrível velocidade, sobre a cidade, destruindo tudo – habitantes, casas e vegetação – que encontrava em seu caminho. Em dois ou três minutos ela atravessou a cidade, que se transformou num monte de ruínas em chamas. Em ambas as ilhas [Martinica e São Vicente] as erupções caracterizaram- se pela súbita liberação de imensas quantidades de poeira incandescente, misturada com vapor, que desceu pelas íngremes encostas com velocidade sempre crescente. Em São Vicente, essa poeira acumulou-se em muitos vales, atingindo uma profundidade de mais ou menos 30 a 60 m e, meses após as erupções, ainda estava muito quente, e as chuvas pesadas que então caíram sobre ela causaram enormes explosões, produzindo nuvens de vapor e poeira que se projetavam a uma altura de 450 até 600 m, enchendo os rios de lama negra e fervente.” O capitão Freeman, do Roddam, falou da “impressionante experiência que ele e seu grupo tiveram na Martinica. Uma noite, quando estavam numa pequena chalupa, ancorados a cerca de um quilômetro e meio de Saint-Pierre, a montanha explodiu de uma forma que, aparentemente, era uma exata repetição da erupção original. Não foi inteiramente sem aviso; por isso, eles puderam navegar, imediatamente, de 2 a 3 km para mais longe, o que, provavelmente, os salvaria. Na escuridão, viram o pico incandescer com uma brilhante luz vermelha; logo em seguida, com explosões estrondosas, enormes pedras incandescentes foram projetadas e rolaram pelas encostas. Após alguns minutos, ouviu-se um longo ruído retumbante e, logo a seguir, uma avalanche de poeira incandescente precipitou-se para fora da cratera e rolou pela encosta com uma velocidade, segundo eles, de aproximadamente 160 km por hora, com uma temperatura de 1.000°C. Quanto à provável explicação destes fenômenos, o capitão Freeman disse que não foi vista lava alguma jorrando dos vulcões, mas apenas vapor e uma fina poeira quente. Os vulcões eram, portanto, do tipo explosivo; e de todas as suas observações, ele concluiu que a ausência de derramamento de lava devia-se ao fato de o material do interior da cratera ser parcialmente sólido ou, pelo menos, bastante viscoso, de modo que não podia fluir como uma torrente comum de lava. Desde o regresso do capitão Freeman, esta teoria tinha recebido impressionante confirmação, pois sabia-se então que, no interior da cratera do monte Pelée, não havia nenhum lago de lava derretida, mas que um sólido pilar de rocha incandescente estava se erguendo lentamente, formando um grande monte cônico, pontiagudo, até elevar-se, finalmente, acima do antigo cume da montanha. Sua altura era de, aproximadamente, 300 metros e crescera lentamente, à medida que fora forçado para cima pela pressão de baixo, enquanto, de vez em quando, ocorriam explosões de vapor, desalojando grandes pedaços de seu topo ou de suas encostas. O vapor era liberado do interior dessa massa à medida que ela esfriava e, nesse momento, a rocha entrava num estado perigoso e altamente explosivo, de modo que, cedo ou tarde, teria de ocorrer uma explosão que despedaçaria uma grande parte dessa massa, convertendo-a numa poeira fina e incandescente”.22

Uma consulta ao primeiro mapa lemuriano mostrará que, no lago situado a sudeste da extensa região montanhosa, havia uma ilha cujas dimensões não ultrapassavam as de uma grande montanha. Essa montanha era um vulcão muito ativo. As quatro montanhas que se encontravam a sudoeste do lago também eram vulcões ativos, e foi nessa região que começou a dilaceração do continente. Os cataclismos sísmicos que se seguiram às erupções vulcânicas causaram ta- manho estrago que, durante o período do segundo mapa, uma grande porção da parte sul do continente estava submersa.

Uma característica marcante da superfície do território nó começo da época lemuriana era o grande número de lagos e pântanos, bem como os inúmeros vulcões. O mapa, naturalmente, não registra todos esses detalhes, mas apenas algumas das grandes montanhas que eram vulcões e alguns dos maiores lagos.

Um outro vulcão, na costa nordeste do continente, começou seu trabalho de destruição numa data remota. Os terremotos completaram a dilaceração e parece provável que o mar indicado no segundo mapa, penteado de pequenas ilhas a sudeste do atual Japão, indique a área dos distúrbios sísmicos.

Pode-se observar, no primeiro mapa, que havia lagos no centro do atual continente insular da Austrália – lagos onde a terra hoje se mostra bastante seca e crestada. Durante o período do segundo mapa, esses lagos desapareceram e parece natural supor que, durante as erupções dos grandes vulcões situados a sudeste (entre as atuais Austrália e Nova Zelândia), as regiões onde esses lagos se encontravam devem ter sido de tal modo devastadas pela poeira vulcânica incandescente que as inúmeras nascentes secaram.

Origem da raça atlante

Em conclusão deste esboço, uma alusão ao processo pelo qual a Quarta Raça-Raiz surgiu será bastante apropriada para encerrarmos aquilo que conhecemos acerca da história da Lemúria, encadeando-se à história da Atlântida.

Como já foi registrado por outras obras anteriores que abordaram esta matéria, o núcleo destinado a se tornar a nossa grande Quinta Raça-Raiz ou árica foi escolhido a partir da quinta sub-raça, ou raça semítica, da Quarta Raça-Raiz. Contudo, não foi antes da época da sétima sub-raça na Lemúria que a humanidade se desenvolveu o bastante, psicologicamente, para justificar a escolha de indivíduos aptos a se tornarem os pais de uma nova Raça-Raiz. Assim,, foi da sétima sub-raça que se deu a segregação. A princípio, a colônia se instalou na região hoje ocupada pelo Achanti e pela Nigéria ocidental. Uma consulta ao segundo mapa mostrará essa região como um promontório situado a noroeste da ilha-continente, abrangendo o cabo da Boa Esperança e partes da África ocidental.

Tendo sido resguardada, por gerações, de qualquer mistura com um tipo mais inferior, a colônia viu o número de seus habitantes aumentar gradualmente, até chegar a época em que estava pronta a receber e a transmitir o novo impulso à hereditariedade física, que o Manu estava destinado a revelar.

Os estudiosos de Teosofia estão cientes de que, até hoje, ninguém pertencente ao nosso gênero humano teve condições de incumbir-se da sublime função de Manu, embora esteja determinado que o estabelecimento da futura Sexta Raça-Raiz será confiado à orientação de um dos nossos Mestres de Sabedoria – aquele que, embora pertencendo ao nosso gênero humano, atingiu, não obstante, um nível bastante elevado na Hierarquia Divina.

No caso em consideração – o estabelecimento da Quarta Raça-Raiz -, foi um dos Adeptos, vindo de Vênus, que se incumbiu dos deveres de Manu. Naturalmente, ele pertencia a uma ordem bastante elevada, pois deve-se compreender que, dos Seres que vieram do sistema de Vênus como governantes e mestres da nossa humanidade ainda infantil, nem todos se encontravam no mesmo nível. É esta circunstância que fornece uma razão para o notável fato que, a título de conclusão, pode ser mencionado – a saber, que existiu, na Lemúria, uma Loja de Iniciação.

Uma loja de iniciação

Naturalmente, a Loja não foi fundada com o objetivo de beneficiar a raça lemuriana. Alguns deles, suficientemente desenvolvidos, foram, é verdade, ensinados pelos Gurus Adeptos, mas a instrução de que necessitavam limitava-se à explicação de alguns fenômenos físicos, tal como o fato de que a Terra se move ao redor do sol, ou à explicação do aspecto diferente que os objetos físicos assumiam quando expostos, alternadamente, à visão física e à visão astral.

A Loja foi fundada, naturalmente, em benefício daqueles que, embora dotados com os extraordinários poderes de transferir sua consciência do planeta Vênus para a nossa Terra e de munir-se, enquanto aqui permaneciam, de veículos apropriados às suas necessidades e ao trabalho que deviam executar, estavam ainda seguindo o curso de sua própria evolução.23 Em seu benefício – em benefício daqueles que, tendo iniciado o Caminho, haviam alcançado apenas os graus mais inferiores, foi que se fundou essa Loja de Iniciação.

Embora, como sabemos, a meta da evolução normal seja muito maior e mais gloriosa do que, do nosso atual ponto de vista, se pode conceber, ela não é, de modo algum, sinônimo daquela expansão de consciência que, associada à purificação e ao enobrecimento do caráter – e que só através dessa associação se toma possível -, constitui as alturas às quais conduz o Caminho da Iniciação.

A investigação acerca do que representa essa purificação e enobrecimento do caráter, bem como o esforço para compreender o que essa expansão de consciência realmente significa, são assuntos que foram tratados em outras obras.

Por ora, basta assinalar que o estabelecimento de uma Loja de Iniciação em benefício de Seres que vieram de um outro esquema de evolução é uma indicação da unidade de objetivos e de propósitos no governo e na orientação de todos os esquemas de evolução criados pelo nosso Logos Solar. Além do curso normal do nosso próprio esquema, há, nós sabemos, um Caminho pelo qual Ele pode ser diretamente alcançado, o qual, a cada filho de homem, em seu progresso através dos tempos, é permitido ser informado e, se assim escolher, trilhá-lo. Achamos que também foi assim no esquema de Vênus, e presumir que é ou será assim em todos os esquemas que fazem parte de nosso sistema Solar. Este Caminho é o Caminho da Iniciação e o fim a que ele conduz é idêntico para todos, e esse fim é a União com Deus.

Notas:

1. Haeckel está perfeitamente correto ao conjeturar que a Lemúria foi o berço da raça humana, tal como esta hoje existe, mas não
foi a partir dos macacos antropóides que a espécie humana se desenvolveu. Mais adiante será feita uma referência a respeito da
posição real que o macaco antropóide ocupa na Natureza.

2. Ernst Haeckel, History of Creaúon, 2? ed., 1876, vol. I, pp. 360-62.

3. Alfred Russell Wallace, The GeographicalDistribution of Animais – with a study of the relations of living and extinct Faunas
as elucidating the past changes of the Earth’s Surface. Londres, Macmillan & Co., 1876, vol. I, pp. 76-7.

4. O Ceilão e o sul da índia realmente eram limitados, ao norte, por uma considerável extensão de mar, mas isso se deu numa
época bem anterior ao período terciário.

5. Wallace, Geographical Distribution, etc., vol. I, pp. 328-9.

6. Wallace, Geographical Distribution, etc., vol. II, p. 155.

7. H. F. Blandford, “Sobre a idade e as correlações do grupo de plantas existentes na índia e a existência anterior de um
continente indo-oceânico”, ver Quarterly Journal of the Geológica! Society, vol. 31, 1875, pp. 534-540.

8. Uma consulta aos mapas revelará que a estimativa do Sr. Blandford é a mais correia das duas.

9. Partes do continente permaneceram, naturalmente, mas acredita-se que o desmembramento da Lemúria ocorreu antes
do início da época eocena.

10. Vol. II, pp. 325-6.

11. Dr. G. Hartlaub, “On the Avifauna of Madagáscar and the Mascarene Islands”, ver The Ibis, Periódico Trimestral de
Ornitologia – Série 4*, Vol. I, 1877, p. 334.

12. Ernst Haeckel, History of Creation, Vol. II, pp. 22-56.

13. Ernst Haeckel, History of Creation, Vol. II, pp. 226-7.

14. Para uma explicação adicional dos átomos permanentes em todos os planos, bem como das potencialidades neles contidas, no que toca aos processos de morte e renascimento, ver Man’s Place in Universe, pp. 76-80.

15. O Standard, 8 de janeiro de 1904.

16.  Ernest Haeckel, The History of Creation, 2- ed., Vol. I, pp. 193-8.

17. TheSecretDoctrine,Vo. II, p. 197.

18. Vol. II, pp. 683 e 689.

19. No entanto, deve-se observar que o povo chinês descende, principalmente, da quarta sub-raça, ou raça turaniana, da Quarta
Raça-Raiz.

20. The Secret Doctrine, Vol. II, p. 198.

21. Vol. II, p. 317.

22. The Times, 14 de setembro de 1903.

23. As alturas por eles alcançadas terão seu correspondente quando a nossa humanidade, daqui a um período de tempo incalculável, tiver alcançado o Sexto Ciclo da nossa cadeia de mundos e, nessa época longínqua, os mesmos poderes transcendentes serão usufruídos pelo mais comum entre os homens.

FIM

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/lemuria-o-continente-desaparecido/

Bruxarias de Zos

A concepção popular de feitiçaria, formada pela manifestação anti-cristã que ocorreu na Idade Média é tão distorcida e tão inadequada, que para procurar e interpretar os símbolos de seus mistérios, pervertidos e adulterados como eles estão, sem referência aos numerosos sistemas antigos dos quais eles derivam, é como tomar a ponta de um iceberg por sua massa total.

Tem sido sugerido por algumas autoridades que as feiticeiras originais vieram de uma raça de origem Mongol da qual os Lapps são os únicos sobreviventes restantes. Isto pode ou não ter sido assim, mas aqueles “mongóis” não eram humanos. Eles eram sobreviventes degenerados de uma fase pré-humana de nosso planeta, geralmente – embora erroneamente – classificada como Atlante. A característica que distinguia-os dos outros de sua espécie, era a habilidade que eles possuíam de projetar a consciência em formas de animais, e o poder de revificar formas-pensamento. O bestiário de todas as raças da terra foram criados como resultados de suas bruxarias.

Eles eram entidades não-humanas; isto quer dizer que eles são de épocas anteriores à raça começar a vagar sobre este planeta, e seus poderes – os quais devem hoje parecer extraterrenos – derivados de dimensões extra-espaciais. Eles impregnaram a aura da terra com a semente mágica da qual o foetus humano foi finalmente gerado.

Arthur Machen, talvez aproximou-se da verdade quando sugeriu que as fadas e os duendes do folclore eram invenções próprias que escondem os processos de feitiçaria não-humana repelentes ao gênero humano.

Machen, Blackwood, Crowley, Lovecraft, Fortune e outros, freqüentemente utilizaram como tema para seus escritos, o influxo dos poderes extraterrenos que tem moldado a história de nosso planeta desde o início dos tempos; isto é, desde o início dos tempos para nós, por sermos muitíssimo inclinados à supor que estávamos aqui primeiro e que estamos aqui sozinhos agora, ao passo que as tradições ocultas mais antigas afirmam que nós não estávamos aqui primeiro, nem somos as únicas pessoas na terra; o Grande Antigo e o Senhor dos Deuses encontram ressonância nos mitos e lendas de todos os povos.

Austin O. Spare alegou ter tido experiência direta à existência de inteligências extraterrenas, e Crowley – como sua autobiografia faz abundantes esclarecimentos – devotou parte de sua vida à comprovar que a consciência extraterrena e supra-humana podem e existem independentemente do organismo humano.

Como explanado nas Imagens & Oráculos de Austin O. Spare, ele foi iniciado na corrente vital da antiga e criativa bruxaria por uma mulher idosa de nome Paterson, que alegou descender de uma linhagem de bruxas de Salem. A formação do Culto de Spare do Zos e do Kia adquiriu muito do seu contato com a Bruxa Paterson, quem serviu de modelo para muitos de seus desenhos e pinturas “sabáticos”. Muito do conhecimento oculto que ela transmitiu para ele, está contido em dois de seus livros – O Livro do Prazer e o Foco da Vida. Nos últimos anos de sua vida ele incorporou em um grimoire pesquisas esotéricas ulteriores, o qual ele intentava publicar como uma seqüência de seus dois outros livros. Embora sua morte tenha impedido a publicação, o manuscrito sobreviveu, e a essência do grimoire forma a base deste capítulo.

Spare concentrou o tema de sua doutrina no seguinte “Credo de Afirmação de Zos vel Thanatos”.

“Eu creio na carne “agora” e sempre…
visto que sou a Luz, a Verdade, a Lei, o Caminho,
e nada deverá vir de algo exceto através de sua carne.

Eu não lhe mostrei o caminho eclético entre êxtases;
aquele caminho funâmbulatório precário.

Porém você teve coragem, estava cansado e amedrontado.

ENTÃO ACORDE!

Des-hipnotizem-se da realidade desprezível que vocês vivem e enganam-se.

Pois a grande Corrente Meridiana está aqui, o grande sino bateu.

Deixe os outros aguardarem a imolação involuntária,
a inevitável redenção forçada para muitos apóstatas para com a Vida.

Agora, neste dia, peço-lhe para buscar suas recordações,
pois a grande unificação está próxima.

O Cerne de todas as suas memórias é a sua alma.

Vida é desejo, Morte é reformação…

Eu sou a ressurreição…

Eu, que transcendeu o êxtase pelo êxtase e medita na Necessidade do Não Ser

no Auto-Amor…”

Este credo, criado pela vontade dinâmica de Spare e sua grande habilidade como um artista, criou um Culto sobre o plano astral que atraiu para si todos os elementos naturalmente orientados para ele. Ele (Spare) refere-se à ele (Culto) como Zos Kia Cultus, e seus adeptos alegam afinidade sobre os seguintes termos:

Nosso Livro Sagrado:

O Livro do Prazer.

Nosso Caminho:

– O Caminho eclético entre êxtase; o caminho funâmbulatório precário.

Nossa Divindade:

– A Mulher-Triunfante (“E eu perco-me com ela, no caminho reto.”)

Nosso Credo:

– A Carne Vivente. (Zos) (“Novamente eu digo: Este é seu maior momento de realidade – a carne vivente.”)

Nosso Sacramento:

– Os Sagrados Conceitos de Neutralidade.

Nossa Palavra:

– Nada Importa – apenas Não Ser.

Nossa Eterna Morada:

– O estado místico de “Nem isto – Nem aquilo”. O “Eu Atmosférico” (Kia).

Nossa Lei:

– A Violação de todas as Leis.

O Zos e o Kia são representados pela Mão e o Olho, os instrumentos do tao e da visão. Eles formam a base da Nova Sexualidade, a qual Spare desenvolveu pela combinação deles para formar uma arte mágica – a arte da sensação visualizada, de “tornar-se um com todas as sensações”, e de transcender as duplas polaridades da existência pela aniquilação de identidades separadas através da mecânica da Postura da Morte. Há muito tempo atrás, um poeta persa descreveu com poucas palavras o objetivo da Nova Sexualidade de Spare:

“O reino do abandono do Eu e do Nós, tem sua morada na aniquilação.”

A Nova Sexualidade, no sentido que Spare a concebeu, é a sexualidade não das dualidades positivas, mas do Grande Vazio, o Negativo, o Nada: O Olho do Potencial Infinito. A Nova Sexualidade é, simplesmente, a manifestação do não-manifesto, ou do Universo “B” como Bertiaux pensava, o qual é equivalente ao conceito de “Nem isto – Nem aquilo” de Spare. O Universo “B” representa a diferença absoluta daquele mundo de “todo indiferente” de tudo relativo ao mundo conhecido, ou Universo “A”. Sua entrada é Daath, guardada pelo demônio Choronzon. Spare descreve este conceito como “a entrada de toda neutralidade essencial”. Em termos de Vodu, esta idéia está implícita nos ritos de Petro com sua ênfase sobre os espaços entre os pontos cardeais do compasso: a cadeia rítmica dos tambores que convocam o “loa” de além do Véu e formula as leis de sua manifestação. O sistema de bruxaria de Spare, como expressado no Zos Kia Cultus, Continua em uma linha reta não apenas na tradição Petro de Vodu, mas também no Vama Marg Tantra, com suas oito direções de espaço agrupadas pelo Yantra da Deusa Negra, Kali: a Cruz de Quatro Quartos mais o conceito de neutralidade essencial que juntas compõem a Cruz de oito-braços, o Lótus de oito-pétalas, um símbolo da Deusa da Hepta-Estrela mais o filho dela, Set ou Sírius.

Os mecanismos da Nova Sexualidade são baseados na dinâmica da Postura da Morte, uma fórmula desenvolvida por Spare para o propósito de revificar o potencial negativo em termos de poder positivo. No antigo Egito a múmia era uma variação desta fórmula, e a simulação pelo Adepto do estado de morte – em práticas tântricas – envolve também a paralisação total das funções psicossomáticas. A fórmula tem sido utilizada por Adeptos não necessariamente em trabalhos especificamente tântricos ou de cunho mágico, notavelmente pelo celebrado Advaitin Rishi, Bhagavan Shri Ramana Maharshi de Tiruvannamalai, que alcançou a Iluminação Suprema pelo processo simulado de morte; e também por Bengal Vashinavite, Thakur Haranath, que foi tomado como morto e realmente preparado para um sepultamento após um “transe mortal” que durou muitas horas e do qual ele emergiu com uma consciência totalmente nova que transformou até mesmo sua constituição corporal e aparência. É possível que Shri Meher Baba, de Poona, durante o período de amnésia que o afligiu em época precoce, também tenha experimentado um tipo de morte da qual ele emergiu com poder de iluminar outros e de liderar um grande movimento em seu nome.

A teoria da Postura da Morte, primeiramente descrita em O Livro do Prazer, foi desenvolvida independente das experiências dos Mestres acima mencionados sobre os quais nada havia de escrito ou publicado em qualquer língua européia naquela época.

O mito Rosacruz do ataúde que continha o corpo de Christian Rosenkreutz – dramatizado por S. L. MacGregor Mathers na Cerimônia de 5*=6º da Golden Dawn – resume o mistério desta fórmula essencialmente Egípcia de Osíris mumificado. Spare estava familiarizado com esta visão do Mistério. Ele tornou-se um membro da A A de Crowley, por um curto período, em 1910, e os rituais da Golden Dawn – publicados concisamente mais tarde em O Equinócio – podem ter sido aproveitados por ele.

Os conceitos de morte e sexualidade estão inextricavelmente conectados. Saturno, morte e Vênus, vida, são aspectos duplos da Deusa. Que eles são, em um sentido místico, uma idéia é evidenciado pela natureza do ato sexual. A atividade dinâmica conectada com a direção para conhecer, penetrar, iluminar, culminando em uma quietude, um silêncio, uma cessação de todo esforço, que dissolve-se na tranqüilidade da negação total. A identidade destes conceitos está explícita na antiga equação Chinesa 0=2, onde o zero simboliza o negativo, potencial não-manifesto da criação, e o dois a polaridade dupla envolvida em sua realização. A Deusa representa a fase negativa: o “Eu Atmosférico” simbolizado por aquele “Olho que tudo vê” com todo o seu simbolismo inerente; e a dupla – Set-Hórus – representa a fase do 2, ou dualidade. A alternação repentina destes últimos, ativo-passivo, são emanações positivas do vazio, por ex. a manifestação do Imanifesto, e a Mão é o símbolo desta dualidade criativa auto-manifestante.

O símbolo supremo do Zos Kia Cultus resume-se inteiramente naquele da Mulher Escarlate, e é reminescente do Culto de Crowley do Amor sob Vontade. A Mulher Escarlate corporifica a Serpente Ígnea, que quando controlada causa “mudança ocorrida em conformidade com a vontade”. O entusiasmo energizado da Vontade é a chave do Culto de Crowley, e é análogo à técnica de obsessão induzida magicamente que Spare utiliza para tornar real o “sonho inerente”.

Um dos primeiros magistas de nossa época – Salvador Dalí – desenvolveu um sistema de revificação mágica na mesma época que Crowley e Spare elaboravam suas doutrinas. O sistema de Dalí de “atividade crítica-paranóica” evocava ressonâncias de atavismos ressurgentes que eram refletidos no mundo concreto das imagens por um processo de obsessão similar àquele induzido pela Postura da Morte.

Dalí nasceu em 1904 – o ano em que Crowley recebeu O Livro da Lei – fazendo-o, literalmente, uma criança do Novo Aeon; uma das primeiras. Seu gênio criativo auxiliou-o em cada estágio de seus vôos, a ornamentação do germe essencial que o fez uma viva corporificação da consciência do Novo Aeon, e o “Homem Real” descrito no L.A.L..

Os objetos de Dalí eram refletidos no fluído e luminosidade sempre mutável da Luz Astral. Elas revolvem-se e encontram-se continuamente no “próximo passo”, a próxima fase da expansão da consciência na imagem distante de “Tornar-se”.

Spare já havia conseguido isolar e concentrar um desejo em um símbolo que tornava-se consciente e logo potencialmente criativo através dos raios da vontade magnetizada. Dalí, parece-o, incorporou ao processo um passo além. Sua fórmula de “atividade crítica-paranóica” é um desenvolvimento de um conceito primal (Africano) de fetiche, e é instrutivo comparar a teoria de Spare de “sensação visualizada” com a definição de Dalí de pintura como “mão vestida de cores fotográficas de completa irracionalidade”. Sensação é essencialmente irracional, e sua delineação em forma gráfica (“mão vestida de cores fotográficas”) é idêntica ao método de “sensação visualizada” de Spare.

Estes magistas utilizaram corporificações humanas de poder (shakti) que mostravam-se – usualmente – na forma feminina. Cada um dos livros que Crowley produziu tinha sua shakti correspondente. “Os Ritos de Elêusis” (1910) foi energizado, amplamente, por Leila Waddell. “O Livro Quatro, Partes I & II” (1913) veio através de Sóror Virakam (Mary d’Este). “Liber Aleph – O Livro da Sabedoria ou Loucura (1918)” – foi inspirado por Sóror Hilarion (Jane Foster). Seu grande trabalho, “Magick em Teoria e Prática”, foi escrito no ano de 1920 em Cefalu, onde Alostrael (Leah Hirsig) proveu o ímpetus mágico; e assim por diante, seguindo a interpretação do Tarot do Novo Aeon (O Livro de Thoth), o qual ele produziu em colaboração com Frieda Harries em 1944. A shakti de Dalí – Gala – foi o canal através do qual a inspiração do fluxo criativo foi fixada ou visualizada em algumas das grandes pinturas que o mundo já viu. E no caso de A.O.Spare, a Serpente Ígnea assumiu a forma da Senhora Paterson, uma bruxa auto-confessa que incorporou as feiticeiras de um culto tão antigo que já era velho no começo do Egito.

O grimoire de Spare é uma concentração de todo o corpo de seu trabalho. Ele abrange, de certo modo, todas as coisas de valor mágico ou criativo que ele constantemente pensava ou imaginava. Assim, se você possuir uma pintura de Zos, e estas pinturas contêm alguns de seus feitiços sigilizados, você possui o grimoire, e você está diante de uma grande chance de alcançar e harmonizar-se com as vibrações do Zos Kia Cultus.

Um aspecto pouco conhecido de Spare, um aspecto que está ligado à sua antiga amizade com Thomas Burke, revela o fato de que uma curiosa sociedade oculta chinesa – conhecida como o Culto de Kû – floresceu em Londres nos anos vinte. Seu “quartel-general” pode ter sido em Pequim, Spare não fez menção à isso, talvez nem soubesse; mas sua ramificação londrina não era em Limehouse como alguns poderiam esperar, mas em Stockwell, não muito distante do apartamento-estúdio que Spare compartilhava com um amigo. Uma sessão secreta do Culto de Kû foi presenciada por Spare, que parece ter sido o único europeu à ter ganho admissão. Ele parece, de fato, ter sido o único europeu além de Burke que havia sido Tão mais que um ouvinte do Culto. A experiência de Spare é de excepcional interesse por razão de sua estreita aproximação de uma forma de controle-onírico no qual ele foi iniciado muitos anos antes pela Bruxa Paterson.

A palavra Kû tinha muitos significados em chinês, mas neste caso particular ela denota uma forma peculiar de feitiçaria envolvendo elementos dos quais Spare já havia incorporado em sua concepção da Nova Sexualidade. Os adeptos de Kû adoravam uma deusa-serpente na forma de uma mulher dedicada ao Culto. Durante um elaborado ritual ela seria possuída, com o resultado de que ela lançava, ou emanava, múltiplas formas da deusa como sombras conscientes dotadas com todas as seduções possuídas por sua representante humana. Estas mulheres-sombra, impelidas por alguma lei sutil de atração, atraiam-se por um ou outro dos devotos que sentavam em uma condição de entorpecimento ao redor da extasiada sacerdotisa. O congresso sexual com estas sombras então ocorria e ele era o começo de uma forma sinistra de controle onírico envolvendo jornadas e encontros nas regiões infernais.

O Kû parecia ser uma forma da Serpente Ígnea exteriorizada astralmente como uma mulher-sombra ou súcubus, e o congresso com a qual tornava possível ao devoto revificar seus “sonhos inerentes”. Ela era conhecida como “prostituta infernal” e sua função era análoga àquela da Mulher Escarlate do Culto de Crowley, à Suvasini do Círculo Tântrico de Kaula e à “Demoníaca” do Culto da Serpente Negra. O Kû chinês, ou prostituta infernal, é uma corporificação ilusória de desejos subconscientes concentrados em uma forma tentadoramente sensual da Serpente da Deusa das Sombras.

O mecanismo de controle onírico é de muitas formas similar àqueles que realizam a projeção astral consciente. Meu próprio sistema de controle onírico deriva de duas raízes: a fórmula da Lucidez Eroto-Comatosa descoberta por Ida Nellidof e adaptada por Crowley às suas técnicas de magia sexual, e o sistema de Spare dos Sigilos Conscientes explicado abaixo.

O sono deve ser precedido por alguma forma de Karezza, durante o qual um sigilo escolhido especificamente, simbolizando o objeto de desejo é vividamente visualizado. Desta maneira a libido é impedida de suas fantasias naturais e procura satisfação no mundo onírico. Quando a habilidade necessária é adquirida, o sonho torna-se extremamente intenso e dominado por uma súcubus, ou mulher-sombra, com quem o intercurso sexual ocorrerá espontaneamente. Se o sonhador tiver adquirido um grau até mesmo moderado de proficiência nesta técnica, ele estará consciente da contínua presença do sigilo. O sigilo deve ficar restringido sobre a forma da súcubus, em um local que esteja dentro dos limites de sua visão durante a cópula; por exemplo, como um pingente pendente no pescoço dela; como um brinco; ou como um diadema ao redor de sua testa (da súcubus). Seu ponto focal deve ser determinado pelo magista, respeitando a posição assumida durante o coito. O ato assumirá então, todas as características de uma Operação do Nono Grau, porque a presença da Mulher-Sombra será experimentada com uma sensação intensamente vívida e realista. O sigilo assim, torna-se consciente e no devido curso, o objeto da Operação materializa-se sobre o plano físico. Este objeto é, obviamente, determinado pelo desejo corporificado e representado pelo sigilo.

A importante inovação neste sistema de controle onírico, encontra-se na transferência do Sigilo da consciência desperta ao estado de consciência onírica, e à evocação, na parte final, da Mulher-Sombra. Este processo transforma um Rito de Oitavo Grau na semelhança do ato sexual utilizado na Operação do Nono Grau.

Resumidamente, a fórmula tem três estágios:

Karezza, ou atividade sexual sem culminação, com visualização do sigilo até o sono superficial.

Congresso sexual no estado onírico com a Mulher-Sombra evocada pelo estágio I. O sigilo deve aparecer automaticamente neste segundo estágio; se isso não acontecer, a prática deverá ser repetida em outra hora. Se o sigilo aparecer, então o resultado desejado revificará no estágio III.

Após despertar (por ex., no mundo dos fenômenos mundanos do dia-a-dia).

Uma palavra de explicação é, talvez, necessária concernente ao termo karezza como utilizado no presente contexto. A retenção do sêmen é um conceito de importância central em certas práticas Tântricas, a idéia é que a bindu (semente) cresce, então, astralmente, e não fisicamente. Em outras palavras, uma entidade de alguma espécie é levada à nascer no nível astral de consciência. Esta, e técnicas análogas, tem dado origem à impressões – completamente errôneas – de que o celibato é um sine qua non para o sucesso mágico; mas tal celibato é de uma característica puramente local e confinado ao plano físico, ou estado desperto, somente. O celibato, como normalmente entendido, é portanto uma paródia inexpressiva ou caricatura da verdadeira fórmula. Tal é o sensato celibato do iniciado tântrico, e alguma semelhante interpretação indubitável aplicada também à outras formas de ascetismo religioso. As “tentações” dos santos, ocorrem precisamente sobre o plano astral porque os canais físicos encontram-se deliberadamente bloqueados. O estado de entorpecimento notado nos seguidores de Kû, sugere que a sombra-sedutora decorrente, foi evocada após um padrão similar ao obtido por uma espécie de controle onírico.

Gerald Massey, Aleister Crowley, A.O.Spare, Dion Fortune e etc., tem – cada um à seu modo – demonstrado a base bioquímica dos Mistérios. Eles realizaram na esfera do “oculto” aquilo que Wilhelm Reich realizou na psicologia, e estabeleceram-no sobre uma segura base bioquímica.

Os “símbolos conscientes” e o “alfabeto do desejo” de Spare, correlacionando, como eles fazem a energia nervosa do corpo com os princípios-sexuais específicos, antecipou em diversas formas o trabalho de Reich que descobriu – entre 1936 e 1939 – o veículo de energia psico-sexual, o qual ele nomeou de orgônio. A contribuição singular de Reich para a psicologia e, incidentalmente, para o ocultismo Ocidental, situa-se no fato de que ele isolou com sucesso a libido e demonstrou sua existência como uma energia biológica tangível. Esta energia, a atual substância do conceito puramente hipotético de Freud – libido e id – foi medida por Reich, elevada da categoria de hipótese, e reativada. Ele estava, contudo, errado em supor que o orgônio fosse a energia definitiva. Ela é um dos mais importantes kalas, mas não o Supremo Kala (Mahakala), embora ele possa transformar-se em tal, por virtude de um processo não conhecido dos Tantrikas do Vama Marg. Até épocas comparavelmente recentes, ele era conhecido – no Ocidente – dos alquimistas Árabes, e completava o corpo da literatura alquímica com sua terminologia tortuosa e estilo hieroglífico, revelando – se ela revelava algo – um plano deliberado da parte dos Iniciados para velar o verdadeiro processo de refinar o Mahakala.

A descoberta de Reich é significante porque ele foi provavelmente o primeiro cientista a colocar a psicologia em sólida base biológica, e o primeiro à demonstrar sob condições laboratoriais a existência de uma energia mágica tangível e por último dimensionável e, portanto, estritamente científica. Se essa energia é a chamada luz astral (Éliphas Lévi), força vital (Bergson), energia ódica (Reichenbach), libido (Freud), Reich foi o primeiro – com possível exceção de Reichenbach- atualmente a isolá-la e demonstrar suas propriedades.

Austin O. Spare suspeitava, tanto antes quanto em 1913, que algum tipo de energia era o fator básico na reativação de atavismos primais, e ele tratou-a de acordo como energia cósmica (o “Eu Atmosférico”) suscetível à sugestão subconsciente através dos Símbolos Conscientes, e através da aplicação do corpo (Zos) de tal forma que ele poderia revificar atavismos remotos e todas as formas futuras possíveis.

Durante a época em que ele estava preocupado com estes temas, Spare sonhou repetidamente com construções fantásticas cujos alinhamentos ele achou inteiramente impossível de passar para o papel ou tela quando desperto. Ele supunha-os ser ecos de uma geometria do futuro do aspecto espaço-tempo sem relação conhecida com as formas da arquitetura dos presentes dias. Éliphas Lévi alegou um poder similar de revificação da “Luz Astral”, mas ele falhou ao mostrar a forma precisa de sua manipulação. Foi para este fim que Spare desenvolveu seu Alfabeto dos Desejos, “cada letra das quais, relaciona-se com um princípio sexual”. Isto quer dizer que ele registrou algumas correspondências entre o movimento interior do impulso sexual e a forma externa de sua manifestação em símbolos, sigilos ou letras tornadas conscientes por estarem carregadas com sua energia. Dalí refere-se à tal forma-fetiche carregada magicamente como “acomodações de desejo” que são visualizadas como vácuo irreal, negridão vazia, cada uma tendo a forma de objetos fantasmagóricos que ocupam sua latência, e que É somente pela virtude do fato de que ela Não É. Isto indica que a origem da manifestação é o não-manifesto, e é evidente à compreensão intuitiva que o orgônio de Reich, o Eu Atmosférico de Spare e a delineação de Dalí da “Acomodação do desejo” refere-se em cada um dos casos à uma Energia manifesta através do mecanismo do desejo. Desejo, Vontade Energizada e Obsessão, são as chaves para a manifestação ilimitada, por toda forma e todo poder estarem latentes no vazio, e sua forma divina é a Postura da Morte.

Estas teorias tem suas raízes em práticas muito antigas, algumas das quais – em forma distorcida – proveram as bases do Culto da Bruxaria medieval, covens que floresceram em Nova Inglaterra na época dos Julgamentos das Bruxas de Salém no final do século XVII. As perseguições subseqüentes, eliminaram aparentemente todas as manifestações externas de ambos cultos: o genuíno e sua simulação alterada.

Os principais símbolos do culto original tem sobrevivido à passagem dos aeons – longos ciclos de tempo. Todos eles lembram o Caminho Retrógrado: o Sabbath sagrado de Sevekh ou Sebt, o número Sete, a Lua, o Gato, o Chacal, a Hiena, o Porco, a Serpente Negra, e outros animais considerados impuros por tradições posteriores; o giro sobre os pés e a dança de Costas-com-Costas, o Beijo Anal, o número Treze, a Bruxa montada sobre um cabo de vassoura, o Morcego, e outras formas de palmípedes ou criaturas noturnas voadoras; os Batráquios em geral, dos quais o Sapo, a Rã, ou Hekt eram proeminentes. Estes e símbolos similares, tipificavam originalmente a Tradição do Dragão que foi adulterada pelos pseudos cultos de bruxaria durante os séculos de perseguição Cristã. Os Mistérios foram profanados e os sagrados ritos foram condenados como anti-cristãos. O Culto tornou-se, assim, o repositório de ritos religiosos invertidos e pervertidos, e símbolos sem nenhum significado inerente; meras afirmações das bruxas adicionaram perpetração à doutrina anti-cristã ao passo que – originalmente – eles eram emblemas vivos conscientes da fé pré-cristã.

Quando a importância dos símbolos ocultos estiverem aprofundados ao nível Draconiano, o sistema de bruxaria que Spare desenvolveu através do contato com a Bruxa Paterson, torna-se explicável e todos os círculos mágicos, bruxarias e cultos, serão vistos como manifestações das Sombras.  

Kenneth Grant, Excerto de Cultos das Sombras

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/bruxarias-de-zos/

Aprenda Cabala com Aleister Crowley

Anarco-Thelemita

No quarto capítulo de “Magick Without Tears”, Crowley enfatiza o estudo da cabala para qualquer pessoa realmente interessada na prática mágicka. De fato, este capítulo aparece quase imediatamente após aquele em que os postulados de sua Magicka são definidos. Mais do que isso, ele traça um itinerário de estudos breve de descrever, mas difícil de atravessar composto de três fases. São estes três atos que veremos abaixo de forma detalhada. Se você não tem nenhum conhecimento sobre cabala, veio ao lugar certo. Se já tem, leia mesmo assim, você pode ter algumas surpresas no final.

Ato 1: Alfabetização Mágicka

Crowley chama a cabala de “Alfabeto Magicko”, mas um alfabeto que consiste não de letras, mas de ideias, e numa observação mais atenta, ideias matemáticas. Contudo os números são apenas uma das formas com as quais essas ideias podem ser expressas.  Neste sentido é até uma boa coisa que o estudante não fale hebraico. Isso porque muitas palavras são em hebraico e sem referência o magista está impedido de fazer qualquer associação literal, tendo que desenvolver dentro de si a abstração necessária. Qualquer tentativa de traduzir os nomes das sephirot pode no final das contas mais atrapalhar do que ajudar. Nesse sentido o hebraico é para a cabala o que o francês é para o ballet ou o inglês para o marketing.

Cada uma dessas abstrações deve ser explicada, investigada, compreendida por meios muito diversos. Neste primeiro momento o estudante deve se preocupar apenas em criar em sua mente o esboço das letras hebraicas, seus valores numéricos e as 10 esferas por elas conectadas. Crowley não detalha como deve ser essa memorização mas uma boa ideia é simplesmente pegar um caderno novo e desenhe na primeira página a seguinte estrutura:

*Deixaremos de fora Daath por enquanto para que o estudante sério possa fazer suas próprias descobertas mais avançadas no futuro. 

Essa é a chamada “Árvore da Vida”. Por enquanto temos apenas números, nomes e posições. Cada um deles é uma sefira (no plural sefirot). Passe a semana consolidando esta estrutura em sua mente. Desenhe-a quantas vezes precisar até que sua ordem e números estejam internalizados. Só então para a próxima etapa. 

Feito isso temos que saber que cada sefira “se conecta” às demais por seus por meio de 22 ligações que também possuem seus nomes hebraicos. Estas ligações se somam às sephiras e se enumeram de 11 a 32. Concentre-se alguns dias em ter de memórias a estrutura a seguir:

Uma boa maneira de acelerar o processo é desenhar a árvore respeitando sua sequência numérica. Com isso você terá impresso na mente algo como uma planta do edifício que iremos construir a seguir. A Árvore da Vida deve ser aprendida de cor; você deve conhecê-lo de trás para a frente, de frente para trás, dos lados e de cabeça para baixo; deve se tornar o pano de fundo automático de todo o seu pensamento. Não negligencie esta etapa. Ela é semelhante ao aprendizado das notas musicais, do alfabeto e da tabuada. Só avance quando puder, a qualquer momento desenhar a árvore completa com todos os seus nomes e números.

Ato 2: o Código Fonte do Universo 

Contam às bocas prussianas que certa vez houve um diálogo entre Frederico Guilherme IV da Prússia e Argelander, seu astrônomo imperial. De forma provocativa o rei perguntou “Então, o que há de novo nos céus?” E o pesquisador respondeu: “Será que Vossa Majestade já conhece o que há de velho?”. Assim o próximo ato no desenvolvimento cabalistico deve ser um olhar atento para o passado.

A próxima etapa é atribuir a estes espaços alguns conjuntos de “elementos naturais”. Crowley admite que mesmo estes elementos são sempre arbitrariamente compostos, mas é a interação entre eles que fará toda máquina funcionar, principalmente quando o cabalista começa a perceber que toda e qualquer coisa no universo tem seu lugar no mapa da cabala. 

As primeiras atribuições sugeridas são aquelas que fazem conexão com outros três grandes campos de saber oculto: a astrologia, gematria e o tarô. Cada sefira tem uma correspondência astrológica, e portanto uma cor própria. Da mesma forma, cada uma das 22 ligações tem relação com uma das 22 letras do alfabeto hebraico (que é de onde tira seu nomes), mas também dos 22 Arcanos Maiores do Tarot. E para os caminhos próximos do Sol, um signo do zodíaco:

Só essas cinco atribuições iniciais (planetas, cortes, letras, valor gematrico e arcanos do tarô) já bastam para levar os estudos cabalísticos para outro patamar. Em particular às letras hebraicas darão um poder enorme por meio da prática da gematria no futuro.

Para facilitar essa etapa, pegue aquele mesmo caderno e depois da primeira página, em que a árvore estará desenhada, dedique uma folha para cada sefira e caminho. No topo da folha coloque o número apropriado e abaixo delas suas atribuições

Transcreva de punho próprio no seu caderno os dados abaixo em suas páginas apropriadas:

Sefira Correspondência Astrológica Cor
1. Kether Netuno Branco
2. Chochmah Urano Cinza
3. Binah Saturno Preto
4. Hesed Júpiter Azul
5. Geburah Marte Vermelho
6. Tipheret Sol Amarelo
7. Netzach Vênus Verde
8. Hod Mercúrio Laranja
9. Yesod Lua Violeta
10. Malkuth Terra Marrom

 

Ligação Zodiaco Gematria Arcano
11. Aleph א 1 O Louco
12. Bet ב 2 O Mago
13. Gimel ג 3 A Sacerdotisa
14. Dalet ד 4 A Imperatriz
15. Heh ה Áries 5 O Imperador
16. Vav ו Touro 6 O Hierofante
17. Zayin ז Gêmeos 7 Os Enamorados
18. Het ח Câncer 8 A Carruagem
19. Tet ט Leão 9 A Volúpia (Força)
20. Yud י Virgem 10 O Eremita
21. Kaf כ 20 (500 no final) A Fortuna (A Roda da Fortuna)
22. Lamed ל Libra 30 Ajustamento (A Justiça)
23. Men מ 40 (600 no final) O Enforcado
24. Nun נ Escorpião 50 (700 no fina) A Morte
25. Samech ס Sagitário 60 Arte (A Temperança)
26. Ayin ע Capricórnio 70 O Diabo
27. Peh פ 80 (800 no final) A Torre
28. Tzady צ Aquário 90 (900 no final) A Estrela
29. Koof ק Peixes 100 A Lua
30. Reish ר 200 A Sol
31. Shin ש 300 Aeon (O Julgamento Final)
32. Taf ת 400 O Universo (O Mundo)

Você deve então iniciar seus estudos cabalisticos. As próximas atribuições que podem ser feitas devem vir por meio de pesquisa. Algumas sugestões incluem as runas nordicas, os trigramas do i-ching, os patriarcas de Israel, os deuses egípcios e alguns nomes hebraicos de Deus e seus anjos. Também é muito esclarecedor buscar quais vícios e virtudes se encaixam em cada espaço da árvore da vida.

Crowley admite que o impacto inicial pode não ser fácil: 

“A princípio, é claro, tudo isso será terrivelmente confuso; mas persista, e chegará o tempo em que todas as partes estranhas se encaixarão no quebra-cabeças, e você verá – com graça e admiração! – a beleza e a simetria maravilhosas do sistema cabalístico. E então – que arma você terá forjado! Que poder de analisar, ordenar, manipular seu pensamento!

Cada ideia, seja qual for, pode ser, e deve ser, atribuída a um ou mais desses símbolos primários; assim, o verde, em diferentes tons, é uma qualidade ou função de Vênus, da Terra, do Mar, de Libra e de outros. Assim, também é com ideias abstratas; desonestidade significa “um Mercúrio sob tensão”, generosidade um bom, embora nem sempre forte, Júpiter; e assim por diante.

Agora você está armado! E poderá perguntar a si mesmo coisas como: por que a influência de Tiphareth é transmitida a Yesod pelo Caminho de Samekh, uma cerca, 60, Sagitário, o Arqueiro, Arte, azul – e assim por diante; mas para Hod pelo Caminho de Ayin, um olho, 70, Capricórnio, a Cabra, o Diabo, Indigo, etc..

Estas atribuições não apenas começam a lhe dar um entendimento da cabala, mas os sinais passam a explicar uns aos outros. Entender o signo de Gêmeos é entender o arcano dos Enamorados. Você sabe agora que a letra Peh tem às mesmas qualidades do Arcano Maior da Torre, e entende o tipo de percepções que ocorre quando a ligação entre Hod, com suas qualidades Mercuriais e Netzach, com suas qualidades Venusianas são feitas. 

A partir daqui você pode também iniciar seus estudos de gematria. 

Nas palavras de Crowley em uma observação no final da introdução de Magicka sem Lágrimas: “Os métodos da gematria servem para se descobrir verdades espirituais. Números são a rede estrutural do Universo e suas relações a forma de expressão do nosso Entendimento sobre ele.” A gematria une o rigor da matemática com as inspirações da poesia e assim enxerga coisas que os artistas não enxergam por falta de coerência e os matemáticos não enxergam por falta de imaginação.

Por exemplo, a palavra hebraica Achad (Unidade) e a palavra Ahebah (Amor) tem ambas o valor 13:

echadאחד  ahavah אהבה 
א = 1 

ח = 8

ד = 4

———-

Total: 13

א = 1 

ה = 5

ב = 2

ה = 5

———-

Total: 13

No pensamento cabalistico isso significa que Amor e Unidade são em última instância uma coisa só. Porque Jesus Cristo se uniu a um grupo de 12 apóstolos, porque o 13º Arcano é o Enforcado, relacionado a sacrifícios e porque o Diabo surge quando você duplica 13 e obtém 26, são outros pensamentos que surgem.

Ou achar graça que Pai + Mãe = Filho, visto que אב‎ (Pai, numericamente equivalente a 3) + אמ (Mãe, equiv. a 41) = ילד (Filho, equivalente a 44). Mas note, a gematria hebraica é só uma das possíveis. Lembre que seja em grego, hebraico ou inglês os números são os mesmos não importa sua grafia.

Para estudos mais profundos no segundo ato temos em português s livros fantásticos como a enciclopédia “Kabbalah Hermética” de Marcelo del Debbio e “Sistemagia” de Adriano Camargo Monteiro. Entre os autores estrangeiros às obras “Cabala Mística” de Dion Fortune, A Arvore da Vida de Israel Regardie e Liber 777 e o Sepher Sefira do próprio Crowley como boas indicações de estudos. 

Estas e outras relações se tornaram mais claras conforme se estuda a cabala, tornando-se enfim um novo estilo de pensamento que o tornará muito mais perceptivo, criativo e perspicaz do que às pessoas comuns. Sua memória também será expandida pois se tornará cada vez mais fácil fazer associações entre tudo lhe rodeia. De fato Crowley afirma que a Cabala é “O Melhor Treinamento para a Memória” e no capítulo “Jornada Astral”, acrescente que “Não há melhor treinamento para a memória do que a Santa Qabalah” dando então um exemplo possível:

“Você sai para dar uma caminhada e a primeira coisa que vê é um carro; que representa o Arcano VII, a Carruagem, relacionado ao signo de Câncer. Então você chega a uma peixaria e nota certos crustáceos, novamente o signo de Câncer. A próxima coisa que você nota é um vestido cor de âmbar em uma loja; âmbar também é a cor de Câncer. Agora você tem um conjunto de três impressões que são unidas pela classe de Câncer a ligação 17.Zayin. Você então verá que irá lembrar-se de todos os três eventos com muito mais clareza e precisão do que poderia lembrar-se de qualquer um dos três individualmente.”

Você não apenas pode pensar melhor sobre o universo. Você passa a pensar como o universo pensa. Neste mesmo capítulo Aleister Crowley explica o porque:

“Todo mecanismo da memória consiste na união de dados independentes. Você pode ir adicionando de pouco em pouco, sempre relacionando as impressões simples com outras mais gerais até que todo universo é organizado como um cérebro ou sistema nervoso. Este sistema de fato, se torna o Universo. Quando tudo esta apropriadamente correlacionado sua consciência central entende e controla todos os pequenos detalhes.”

Mas saiba desde já que uma vez que não podem compreender seu raciocínio para estas pessoas qualquer associação ou discurso cabalístico será indistinguível do delírio.

Ato 3: Sua própria Cabala

A próxima etapa de estudos cabalísticos é tão extravagante que o próprio Crowley a reconhece como uma sugestão sórdida e bestial. Mas faz a sugestão mesmo assim. Quando seu pensamento estiver absolutamente imerso nas associações da árvore da vida, chegou a hora de construir sua própria Cabala!

Após alguns anos seu caderno de estudo estará repleto de associações importantes. E se você o fez bem será algo muito semelhante aos livros já escritos sobre cabala citados acima. Mas existem associações que ninguém pode fazer a não ser você pois dizem respeito à perspectiva única de sua vida. 

A partir deste ponto você deve constantemente pendurar tudo que vier em seu caminho em seu galho mais apropriado. Onde cabe nesta grande estrutura a história da sua vida, suas conquistas, amores e maiores derrotas? Na sua perspectiva única em que espaços da Árvore da Vida estão seus parentes? Seus amigos? Seus relacionamentos? As etapas do seu crescimento? Suas comidas, roupas, músicas e livros favoritos?  E o que a gematria lhe diz sobre todos estes nomes? 

Após isso, fique atento para novas impressões. Uma prática excelente é adquirir o hábito de incluir um nome no caderno sempre que fizer sua leitura matinal ou noturna ou do que quer lhe chame atenção durante uma caminhada ou afazer.

Mega Therion coloca a questão da seguinte forma:

“Ninguém pode fazer isso por você. Qual é o seu verdadeiro número? Você deve encontrá-lo e provar que está correto. No decorrer de alguns anos, você deveria ter construído um Palácio da Glória Inefável, um Jardim do Prazer Indescritível. Afinal, é bastante simples. Cada palavra que você encontrar, some-a, cole-a contra aquele número em um livro guardado para esse propósito. Isso pode parecer tedioso e bobo; por que você deveria fazer de novo o trabalho que já fiz por você?

Motivo: simples. Fazer isso vai te ensinar Cabala como nada mais poderia. Além disso, você não ficará entulhado de palavras que nada significam para você; e se acontecer de você querer uma palavra para explicar algum número particular, você pode procurá-la em meu próprio Sepher Sephiroth.

Por este método, também, você pode encontrar um rico reservatório de suas próprias palavras ou de conceitos que foram completamente ignorados por outros autores até agora.

Para começar, é claro, você deve escrever as palavras que estão fadadas a atrapalhar seu caminho. Sem dúvida, um Grande Professor teria dito: “Cuidado! Use meu Dicionário, e apenas o meu! Todos os outros são espúrios!” Mas eu não sou um R.G.T. desse tipo.

Se qualquer palavra, estímulo, evento ou nome lhe chamar atenção coloque-o em seu livro. Crowley sugere inclusive diz que devemos deixar estas associações serem guiadas por nosso trabalho no Plano Astral. Ao investigar o nome e outras palavras comunicadas a você por seres que você encontra em suas projeções ou invocar, muitas outras conexões adequadas surgirão. Em breve, você terá seus próprios Sepher Sephiroth pequenos e agradáveis. “Lembre-se de almejar, acima de tudo, a coerência.”, completa a Grande Besta.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aprenda-cabala-com-aleister-crowley/

A Egrégora e a Ordem Demolay

Por Hamal

Os Rituais DeMolay e Maçom lidam com energias que habitam não somente o mundo material, mas também com forças espirituais, sendo que a principal delas que guiam, ordenam e protegem nossos trabalhos e seus membros, é a Egrégora.

Começamos a ver no post sobre o Ocultismo a importância do estudo e compreensão dos planos astrais e espirituais, e a egrégora é um dos mais famosos exemplos da interação entre os planos metafísicos e o físico.

Vamos fazer uma breve apresentação sobre Egrégora e seu funcionamento.

Pedimos que deem uma devida importância a esse estudo, pois tentaremos simplificar ao máximo o funcionamento dos planos extrafísicos e sua relação com a Maçonaria e o DeMolay, conforme nos é passado. Comecemos a juntar o estudo do Hermetismo e a prática do Ocultismo.

EGRÉGORA

Egrégora pode ser definida como “coletividade de pensamentos, objetivos e ações”.

Por exemplo a egrégora DeMolay está vinculada a todo pensamento que corresponde as sete virtudes e três baluartes, seus membros são aqueles que pensam de acordo com essas virtudes e agem em suas vidas com essa postura. Mesmo para a Maçonaria que possuí uma egrégora de liberdade, igualdade e fraternidade e guia seus membros ao estudo e ao lapidar espiritual.

As egrégoras são formadas por uma afinidade de objetivos entre as pessoas, mas não somente entre os que estão encarnados. O plano astral e espiritual também são atingidos por nossas vibrações emocionais e de pensamentos, assim como nós somos atingidos pela energia desses planos.

Incrementando a definição de egrégora: “coletividade de pensamentos, objetivos e ações que estão em sintonia energética de pensamentos e emoções de espíritos e homens”.

Portanto egrégoras são energias que existem nos planos atrais e são formadas por espíritos e homens que possuem a mesma afinidade de pensamentos e desejos. Astralmente estão os espíritos vinculados a esses pensamentos que trabalham em prol da egrégora, protegendo e guiando seus membros.

Como vimos no texto Simbolismo e a Liberdade Religiosa, o símbolo é a conexão existente entre o visível e o invisível, e toda egrégora possuí pelo menos um símbolo que pode representá-la. São através desses símbolos que nós podemos acessá-las e compartilhar da sua energia. Por esse motivo que existem todos os Rituais, e por isso que eles possuem uma variedade de símbolos de acordo com o seus objetivos. Dentro dos rituais estão os símbolos relacionados com o propósito da egrégora, e estão as determinações a serem dadas aos integrantes espirituais dessa egrégora. Lembram-se da importância da Intenção?

Por exemplo, quando emitimos um pensamento benéfico a alguém através de um ritual de magia (como na Cerimônia das Nove Horas), essas ondas de pensamentos ligam-se a uma energia espiritual de mesmo objetivo por meios dos símbolos utilizados no Ritual, e esta leva sua ação até onde lhe foi determinado.

Recomendado a leitura dos textos DeMolay e Magia Cerimonial parte I e parte II.

Devemos entender que a egrégora por si só tem vida e, assim como acontece com nós quando temos algum vírus maléfico, ela elimina os membros que estão fazendo mau a ela. É por esse motivo que quando uma pessoa que frequenta um Capítulo ou uma Loja “saem do ritmo” e não se encaixam no objetivo da egrégora, esta o elimina e a pessoa deixa de ir nas reuniões pelos mais diversos motivos. Assim também como acontece ao contrário, quando alguém que nunca ouviu falar em DeMolay ou Maçonaria acaba entrando em seu quadro e se torna um exemplo a ser seguido.

Existem duas maneiras de uma egrégora nascer: a primeira é com um agrupamento de pessoas que se reúnem com um objetivo em comum, atraindo a elas energias espirituais que possuem o mesmo padrão de vibração; a segunda ocorre quando a egrégora é formada no astral por seus integrantes espirituais, é planejada e arquitetada, e então pessoas no plano material se afinam com essa egrégora e começam a criar sua estrutura.

A Egrégora da Ordem DeMolay é um exemplo que foi formada no astral e veio ao material através dos nossos fundadores, não é atoa que os rituais “brotaram” da cabeça de Arthur Marshal durante uma noite e sua expansão alcançou limites inimagináveis, e da mesma maneira acontece com a Egrégora da Maçonaria Simbólica. E ambas fazem parte de uma egrégora ainda maior.

Portanto como Iniciados, não façamos caso do que está escritos em nossos Rituais. E como pessoas, não sejam simplesmente mais um em meio a sociedade.

A jornada espiritual contêm os mais belos mistérios da existência.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-egr%C3%A9gora-e-a-ordem-demolay